Capítulo 4 - Histologia (O Estudo dos Tecidos)
40 pág.

Capítulo 4 - Histologia (O Estudo dos Tecidos)

Pré-visualização18 páginas
Histologia:
O Estudo
dos Tecidos

Imagem a cores de microscopia electrónica de
varrimento de um epitélio cúbico simples ciliado da

trompa de Falópio.

Em certos aspectos, o corpo humano
assemelha-se a uma máquina tão
complexa como um automóvel. Am-

bos são compostos por muitas partes
diferentes, feitas a partir de materiais

adequados às suas funções especia-
lizadas. Por exemplo, as janelas de um au-

tomóvel são feitas de vidro transparente, os
pneus são produzidos em borracha sintética re-

forçada com diversas fibras, o motor é composto por di-
versas partes metálicas e os tubos que transportam água, ar e gasolina são feitos
de borracha sintética ou plástico. Não é possível que todas as partes que consti-
tuem um automóvel sejam manufacturadas a partir de um único material. O me-
tal, capaz de suportar as elevadas temperaturas do motor, não pode ser usado
nas janelas ou nos pneus. Do mesmo modo, as múltiplas partes que compõem o
corpo humano são constituídas por aglomerados de células especializadas e pelo
material que as envolve. As células musculares, que se contraem para produzir os
movimentos corporais, são estruturalmente diferentes e têm funções também di-
ferentes das células epiteliais, que protegem, segregam ou absorvem. Também
as células da retina ocular, especializadas em detectar a luz e permitir a visão,
não se contraem como as células musculares, nem exibem as funções das células
epiteliais.

A estrutura e função dos tecidos estão de tal modo relacionadas que é
possível prever a respectiva função pelas características da sua estrutura e vice-
-versa. O conhecimento da estrutura e função dos tecidos é importante para
conhecer a estrutura e função de órgãos, sistemas orgânicos e do organismo
no seu todo. Este capítulo começa com uma breve abordagem dos tecidos e
histologia (110) e do desenvolvimento do tecido embrionário (110) e, seguida-
mente, descreve as características estruturais e funcionais dos principais tipos
de tecidos: tecido epitelial (110), tecido conjuntivo (120), classificação do teci-
do conjuntivo (124), tecido muscular (134) e tecido nervoso (134). Por último,
este capítulo aborda, ainda, temas como membranas (137), inflamação (138),
reparação de tecidos (140) e tecidos e envelhecimento (142).

4
C A P Í T U L O

Pa
rt

e
1

O
rg

an
iz

aç
ão

 d
o

Co
rp

o
H

um
an

o

Parte 1 Organização do Corpo Humano110

Tecidos e Histologia
Objectivos
■ Enumerar as características que determinam a classificação

de cada um dos quatro principais tipos de tecidos.
■ Definir histologia e explicar a sua importância na avaliação

da saúde.

Tecidos são conjuntos de células similares e das substân-
cias que as envolvem. As células especializadas e a matriz extra-
celular envolvente formam todos os diferentes tipos de tecidos
encontrados a nível de organização tecidular. A classificação
dos tecidos baseia-se na estrutura das células; na composição das
substâncias não celulares que as envolvem, a matriz extracelular;
e nas funções das células. Os quatro principais tipos de tecidos,
que englobam todos os tecidos, e a partir dos quais todos os ór-
gãos do corpo humano são formados, são:

1. tecido epitelial;
2. tecido conjuntivo;
3. tecido muscular;
4. tecido nervoso.

Os tecidos epitelial e conjuntivo são os que apresentam for-
mas mais diversificadas. Os seus diferentes tipos são classifica-
dos segundo a sua estrutura (incluindo a forma), as relações inter-
celulares e o material que constitui a matriz extracelular. Pelo
contrário, os tecidos muscular e nervoso são classificados prin-
cipalmente através da sua função.

Os tecidos orgânicos são interdependentes. Por exemplo, o
tecido muscular é incapaz de produzir movimento se não rece-
ber oxigénio transportado pelos glóbulos vermelhos, assim como
é impossível formar novo tecido ósseo se o tecido epitelial não
absorver cálcio e outros nutrientes do tubo digestivo. Do mes-
mo modo, todos os tecidos orgânicos morrem se o cancro ou
outras doenças destruírem os tecidos de órgãos vitais como o
fígado ou os rins.

A histologia é o estudo microscópico dos tecidos. É possível
obter muita informação acerca da saúde dos indivíduos através da
observação de tecidos. Uma biópsia é a remoção cirúrgica ou por
aspiração com agulha de amostras de tecido para fins de diagnósti-
co. A observação de amostras de tecido de indivíduos com várias
patologias permite distinguir a doença específica. Por exemplo, nos
indivíduos que sofrem de anemia falciforme alguns glóbulos ver-
melhos têm uma forma anómala e são mais pequenos do que o
normal nos indivíduos com anemia ferropénica. Os glóbulos bran-
cos têm uma estrutura anormal nos indivíduos com leucemia e o
seu número pode aumentar substancialmente em indivíduos com
infecções. As células epiteliais das vias aéreas têm uma estrutura
anormal em indivíduos com bronquite crónica ou cancro do pul-
mão. As amostras de tecido podem ser enviadas para um laborató-
rio, que comunica os resultados após a preparação e observação
das mesmas. Nalguns casos, os tecidos podem ser removidos cirur-
gicamente, preparados rapidamente, permitindo que os resultados
sejam transmitidos enquanto o doente se encontra ainda sob
anestesia. O procedimento cirúrgico adequado depende em gran-
de parte desses resultados. Por exemplo, a quantidade de tecido re-
movido durante uma cirurgia devido a cancro da mama, ou outro,
pode ser determinada pelos resultados dos exames histológicos.

Uma autópsia é a observação dos órgãos de um cadáver
para determinação da causa de morte ou estudo das alterações
provocadas por doença. O exame microscópico dos tecidos faz
habitualmente parte de uma autópsia.

1. Enuncie os quatro principais tipos de tecidos e refira três
características usadas para os classificar. De que forma
difere a classificação dos tecidos epitelial e conjuntivo da
dos tecidos muscular e nervoso?

2. Defina histologia. Explique de que modo o exame microscó-
pico das células por biópsia ou autópsia permite o diagnós-
tico de algumas doenças.

Tecido Embrionário
Objectivos
■ Enunciar e descrever os derivados das três camadas

germinativas embrionárias.

Aproximadamente 13-14 dias após a fecundação, as células
que dão origem a um novo indivíduo, células progenitoras
embrionárias, formam um disco ligeiramente alongado consti-
tuído por duas camadas denominadas ectoderme e endoderme.
Posteriormente, as células da ectoderme migram entre as duas
camadas e formam uma terceira camada denominada meso-
derme. Estas camadas são denominadas camadas germinativas,
uma vez que todos os tecidos do indivíduo adulto têm origem
numa delas (ver capítulo 29).

A endoderme, a camada interna, forma a mucosa do tubo
digestivo e seus derivados. A mesoderme, a camada intermédia,
forma tecidos como os músculos, os ossos e os vasos sanguíneos.
A ectoderme, a camada externa, forma a pele. A porção da ecto-
derme denominada neuro-ectoderme vai dar origem ao siste-
ma nervoso (ver capítulo 13). Os grupos de células que se separam
da neuro-ectoderme durante o desenvolvimento, denominadas
células da crista neural, dão origem a partes dos nervos periféri-
cos (ver capítulos 11, 12 e 14), ao pigmento da pele (ver capítulo
5) e a muitos tecidos da face.

3. Que estruturas adultas derivam da endoderme, da
mesoderme, da ectoderme, da neuro-ectoderme e das
células da crista neural?

Tecido Epitelial
Objectivos
■ Enumerar os aspectos que caracterizam os epitélios.
■ Descrever as características usadas para classificar os

vários tipos de epitélios.
■ Descrever as relações entre as estruturas dos diferentes

tipos de epitélios e as suas funções.
■ Definir o termo glândula e descrever as duas principais

categorias de glândulas.

O epitélio, ou tecido epitelial, pode ser considerado o re-
vestimento protector das superfícies externa e interna do corpo.
As características