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PORTUGUÊS PROF. MANOEL SOARES F C C – 01 Atenção: As questões de números 1 a 8 referem-se ao texto seguinte. Fotografias Toda fotografia é um portal aberto para outra dimensão: o passado. A câmara fotográfica é uma verdadeira máquina do tempo, transformando o que é naquilo que já não é mais, porque o que temos diante dos olhos é transmudado imediatamente em passado no momento do clique. Costumamos dizer que a fotografia congela o tempo, preservando um momento passageiro para toda a eternidade, e isso não deixa de ser verdade. Todavia, existe algo que descongela essa imagem: nosso olhar. Em francês, imagem e magia contêm as mesmas cinco letras: image e magie. Toda imagem é magia, e nosso olhar é a varinha de condão que descongela o instante aprisionado nas geleiras eternas do tempo fotográfico. Toda fotografia é uma espécie de espelho da Alice do País das Maravilhas, e cada pessoa que mergulha nesse espelho de papel sai numa dimensão diferente e vivencia experiências diversas, pois o lado de lá é como o albergue espanhol do ditado: cada um só encontra nele o que trouxe consigo. Além disso, o significado de uma imagem muda com o passar do tempo, até para o mesmo observador. Variam, também, os níveis de percepção de uma fotografia. Isso ocorre, na verdade, com todas as artes: um músico, por exemplo, é capaz de perceber dimensões sonoras inteiramente insuspeitas para os leigos. Da mesma forma, um fotógrafo profissional lê as imagens fotográficas de modo diferente daqueles que desconhecem a sintaxe da fotografia, a “escrita da luz”. Mas é difícil imaginar alguém que seja insensível à magia de uma foto. (Adaptado de Pedro Vasquez, em Por trás daquela foto. São Paulo: Companhia das Letras, 2010) O segmento do texto que ressalta a ação mesma da percepção de uma foto é: (A) A câmara fotográfica é uma verdadeira máquina do tempo. (B) a fotografia congela o tempo. (C) nosso olhar é a varinha de condão que descongela o instante aprisionado. (D) o significado de uma imagem muda com o passar do tempo. (E) Mas é difícil imaginar alguém que seja insensível à magia de uma foto. No contexto do último parágrafo, a referência aos vários níveis de percepção de uma fotografia remete (A) à diversidade das qualidades intrínsecas de uma foto. (B) às diferenças de qualificação do olhar dos observadores. (C) aos graus de insensibilidade de alguns diante de uma foto. (D) às relações que a fotografia mantém com as outras artes. (E) aos vários tempos que cada fotografia representa em si mesma. Atente para as seguintes afirmações: I. Ao dizer, no primeiro parágrafo, que a fotografia congela o tempo, o autor defende a ideia de que a realidade apreendida numa foto já não pertence a tempo algum. II. No segundo parágrafo, a menção ao ditado sobre o albergue espanhol tem por finalidade sugerir que o olhar do observador não interfere no sentido próprio e particular de uma foto. III. Um fotógrafo profissional, conforme sugere o terceiro parágrafo, vê não apenas uma foto, mas os recursos de uma linguagem específica nela fixados. Em relação ao texto, está correto o que se afirma SOMENTE em (A) I e II. (B) II e III. (C) I. (D) II. (E) III. No contexto do primeiro parágrafo, o segmento Todavia, existe algo que descongela essa imagem pode ser substituído, sem prejuízo para a correção e a coerência do texto, por: (A) Tendo isso em vista, há que se descongelar essa imagem. (B) Ainda assim, há mais que uma imagem descongelada. (C) Apesar de tudo, essa imagem descongela algo. (D) Há, não obstante, o que faz essa imagem descongelar. (E) Há algo, outrossim, que essa imagem descongelará. O verbo indicado entre parênteses deverá ser flexionado no plural para preencher corretamente a lacuna da frase: (A) Nem todos discriminam, numa foto, os predicados mágicos que a ela se ...... (atribuir) nesse texto. (B) Os tempos que ...... (documentar) uma simples foto, aparentemente congelada, são complexos e estimulantes. (C) A associação entre músicos e fotógrafos profissionais ...... (remeter) às especificidades de cada tipo de sintaxe. (D) A poucos ...... (costumar) ocorrer que as fotografias podem enfeixar admiráveis atributos estéticos, como obras de arte que são. (E) Imaginem-se os sustos que não ...... (ter) causado aos nativos de tribos remotas a visão de seus rostos fotografados! Existe transposição de uma voz verbal para outra em: (A) Variam os níveis de percepção de uma fotografia = São vários os níveis de percepção de uma fotografia. (B) As fotografias são uma espécie de espelhos = As fotografias tornam-se uma espécie de espelhos. (C) A percepção de uma imagem muda com o passar do tempo = O passar do tempo muda a percepção de uma imagem. (D) Os olhares hão de descongelar cada imagem = Cada imagem há de ser descongelada pelos olhares. (E) Certas fotos se assemelham a espelhos = Há espelhos aos quais certas fotos se tornam semelhantes. Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto: (A) Apesar de se ombrearem com outras artes plásticas, a fotografia nos faz desfrutar e viver experiências de natureza igualmente temporal. (B) Na superfície espacial de uma fotografia, nem se imagine os tempos a que suscitarão essa imagem aparentemente congelada... (C) Conquanto seja o registro de um determinado espaço, uma foto leva-nos a viver profundas experiências de caráter temporal. (D) Tal como ocorrem nos espelhos da Alice, as experiências físicas de uma fotografia podem se inocular em planos temporais. (E) Nenhuma imagem fotográfica é congelada suficientemente para abrir mão de implicâncias semânticas no plano temporal. Está plenamente adequada a pontuação da seguinte frase: (A) As fotografias, por prosaicas que possam ser, representam um corte temporal, brecha no tempo por onde entra nosso olhar, capturado que foi pela magia da imagem e por ela instado a uma viagem imaginária. (B) As fotografias, por prosaicas que possam ser representam um corte temporal; brecha no tempo, por onde entra nosso olhar capturado, que foi pela magia da imagem, e por ela instado a uma viagem imaginária. (C) As fotografias por prosaicas, que possam ser, representam um corte temporal: brecha no tempo por onde entra nosso olhar, capturado que foi, pela magia da imagem, e por ela instado a uma viagem imaginária. (D) As fotografias por prosaicas, que possam ser representam, um corte temporal, brecha no tempo por onde entra nosso olhar capturado, que foi pela magia da imagem e por ela instado a uma viagem imaginária. (E) As fotografias por prosaicas que possam ser, representam um corte temporal, brecha no tempo por onde entra nosso olhar, capturado, que foi pela magia da imagem e, por ela, instado a uma viagem imaginária. Atenção: As questões de números 9 a 15 referem-se ao texto seguinte. Discriminar ou discriminar? Os dicionários não são úteis apenas para esclarecer o sentido de um vocábulo; ajudam, com frequência, a iluminar teses controvertidas e mesmo a incendiar debates. Vamos ao Dicionário Houaiss, ao verbete discriminar, e lá encontramos, entre outras, estas duas acepções: a) perceber diferenças; distinguir, discernir; b) tratar mal ou de modo injusto, desigual, um indivíduo ou grupo de indivíduos, em razão de alguma característica pessoal, cor da pele, classe social, convicções etc. Na primeira acepção, discriminar é dar atenção às diferenças, supõe um preciso discernimento; o termo transpira o sentido positivo de quem reconhece e considera o estatuto do que é diferente. Discriminar o certo do errado é o primeiro passo no caminho da ética. Já na segunda acepção, discriminar é deixar agir o preconceito, é disseminar o juízo preconcebido. Discriminar alguém: fazê-lo objeto de nossa intolerância. Diz-se que tratar igualmente os desiguais é perpetuar a desigualdade. Nesse caso, deixar de discriminar (no sentido dediscernir) é permitir que uma discriminação continue (no sentido de preconceito). Estamos vivendo uma época em que a bandeira da discriminação se apresenta em seu sentido mais positivo: trata-se de aplicar políticas afirmativas para promover aqueles que vêm sofrendo discriminações históricas. Mas há, por outro lado, quem veja nessas propostas afirmativas a forma mais censurável de discriminação... É o caso das cotas especiais para vagas numa universidade ou numa empresa: é uma discriminação, cujo sentido positivo ou negativo depende da convicção de quem a avalia. As acepções são inconciliáveis, mas estão no mesmo verbete do dicionário e se mostram vivas na mesma sociedade. (Aníbal Lucchesi, inédito) A afirmação de que os dicionários podem ajudar a incendiar debates confirma-se, no texto, pelo fato de que o verbete discriminar (A) padece de um sentido vago e impreciso, gerando por isso inúmeras controvérsias entre os usuários. (B) apresenta um sentido secundário, variante de seu sentido principal, que não é reconhecido por todos. (C) abona tanto o sentido legítimo como o ilegítimo que se costuma atribuir a esse vocábulo. (D) faz pensar nas dificuldades que existem quando se trata de determinar a origem de um vocábulo. (E) desdobra-se em acepções contraditórias que correspondem a convicções incompatíveis. Diz-se que tratar igualmente os desiguais é perpetuar a desigualdade. Da afirmação acima é coerente deduzir esta outra: (A) Os homens são desiguais porque foram tratados com o mesmo critério de igualdade. (B) A igualdade só é alcançável se abolida a fixação de um mesmo critério para casos muito diferentes. (C) Quando todos os desiguais são tratados desigualmente, a desigualdade definitiva torna-se aceitável. (D) Uma forma de perpetuar a igualdade está em sempre tratar os iguais como se fossem desiguais. (E) Critérios diferentes implicam desigualdades tais que os injustiçados são sempre os mesmos. Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento em: (A) iluminar teses controvertidas (1º parágrafo) = amainar posições dubitativas. (B) um preciso discernimento (2º parágrafo) = uma arraigada dissuasão. (C) disseminar o juízo preconcebido (2º parágrafo) = dissuadir o julgamento predestinado. (D) a forma mais censurável (3º parágrafo) = o modo mais repreensível. (E) As acepções são inconciliáveis (3º parágrafo) = as versões são inatacáveis. As normas de concordância verbal encontram-se plenamente observadas em: (A) A utilidade dos dicionários, mormente quando se trata de palavras polissêmicas, manifestam-se nas argumentações ideológicas. (B) Não se notam, entre os preconceituosos, qualquer disposição para discutir o sentido de um juízo e as consequências de sua difusão. (C) Não convém aos injustiçados reclamar por igualdade de tratamento quando esta pode levá-los a permanecer na situação de desigualdade. (D) Como discernimento e preconceito são duas acepções de discriminação, hão que se esclarecer o sentido pretendido. (E) Uma das maneiras mais odiosas de refutar os argumentos de alguém surgem na utilização de preconceitos já cristalizados. Estamos vivendo uma época em que a bandeira da discriminação se apresenta em seu sentido mais positivo: trata-se de aplicar políticas afirmativas para promover aqueles que vêm sofrendo discriminações históricas. Mantém-se adequada correlação entre tempos e modos verbais com a substituição das formas sublinhadas no trecho acima, na ordem dada, por: (A) Estávamos - apresentava - tratava-se - vinham (B) Estaríamos - apresentara - tratava-se - viessem (C) Estaremos - apresente - tratar-se-ia - venham (D) Estávamos - apresentou - tratar-se-á - venham (E) Estaremos - apresentara - tratava-se - viessem É preciso reelaborar, para sanar falha estrutural, a redação da seguinte frase: (A) O autor do texto chama a atenção para o fato de que o desejo de promover a igualdade corre o risco de obter um efeito contrário. (B) Embora haja quem aposte no critério único de julgamento, para se promover a igualdade, visto que desconsideram o risco do contrário. (C) Quem vê como justa a aplicação de um mesmo critério para julgar casos diferentes não crê que isso reafirme uma situação de injustiça. (D) Muitas vezes é preciso corrigir certas distorções aplicando-se medidas que, à primeira vista, parecem em si mesmas distorcidas. (E) Em nossa época, há desequilíbrios sociais tão graves que tornam necessários os desequilíbrios compensatórios de uma ação corretiva. Está correto o emprego da expressão sublinhada em: (A) Os dicionários são muito úteis, sobretudo para bem discriminarmos o sentido das palavras em cujas resida alguma ambiguidade. (B) O texto faz menção ao famoso caso das cotas, pelas quais muitos se contrapuseram por considerá-las discriminatórias. (C) Por ocasião da defesa de políticas afirmativas, com as quais tantos aderiram, instaurou-se um caloroso debate público. (D) Um dicionário pode oferecer muitas surpresas, dessas em que não conta quem vê cada palavra como a expressão de um único sentido. (E) Esclarece-nos o texto as acepções da palavra discriminação, pela qual se expressam ações inteiramente divergentes. F C C – 02 Atenção: As questões de números 1 a 8 referem-se à crônica abaixo, publicada em 28/08/1991. Bom para o sorveteiro Por alguma razão inconsciente, eu fugia da notícia. Mas a notícia me perseguia. Até no avião, o único jornal abria na minha cara o drama da baleia encalhada na praia de Saquarema. Afinal, depois de quase três dias se debatendo na areia da praia e na tela da televisão, o filhote de jubarte conseguiu ser devolvido ao mar. Até a União Soviética acabou, como foi dito por locutores especializados em necrológio eufórico. Mas o drama da baleia não acabava. Centenas de curiosos foram lá apreciar aquela montanha de força a se esfalfar em vão na luta pela sobrevivência. Um belo espetáculo. À noite, cessava o trabalho, ou a diversão. Mas já ao raiar do dia, sem recursos, com simples cordas e as próprias mãos, todos se empenhavam no lúcido objetivo comum. Comum, vírgula. O sorveteiro vendeu centenas de picolés. Por ele a baleia ficava encalhada por mais duas ou três semanas. Uma santa senhora teve a feliz ideia de levar pastéis e empadinhas para vender com ágio. Um malvado sugeriu que se desse por perdida a batalha e se começasse logo a repartir os bifes. Em 1966, uma baleia adulta foi parar ali mesmo e em quinze minutos estava toda retalhada. Muitos se lembravam da alegria voraz com que foram disputadas as toneladas da vítima. Essa de agora teve mais sorte. Foi salva graças à religião ecológica que anda na moda e que por um momento estabeleceu uma trégua entre todos nós, animais de sangue quente ou de sangue frio. Até que enfim chegou uma traineira da Petrobrás. Logo uma estatal, ó céus, num momento em que é preciso dar provas da eficácia da empresa privada. De qualquer forma, eu já podia recolher a minha aflição. Metáfora fácil, lá se foi, espero que salva, a baleia de Saquarema. O maior animal do mundo, assim frágil, à mercê de curiosos. À noite, sonhei com o Brasil encalhado na areia diabólica da inflação. A bordo, uma tripulação de camelôs anunciava umas bugigangas. Tudo fala. Tudo é símbolo. (Otto Lara Resende, Folha de S. Paulo) O cronista ressalta aspectos contrastantes do caso de Saquarema, tal como se observa na relação entre estas duas expressões: (A) drama da baleia encalhada e três dias se debatendo na areia. (B) em quinze minutos estava toda retalhada e foram disputadas as toneladas da vítima. (C) se esfalfar em vão na luta pela sobrevivência e levar pastéis e empadinhas para vender com ágio. (D) o filhote de jubarte conseguiu ser devolvido ao mar e lá se foi, espero que salva, a baleia de Saquarema. (E) Até que enfim chegou uma traineira da Petrobrás e Logo uma estatal, ó céus. Atente para as seguintes afirmações sobre o texto:I. A analogia entre a baleia e a União Soviética insinua, entre outros termos de aproximação, o encalhe dos gigantes. II. As reações dos envolvidos no episódio da baleia encalhada revelam que, acima das diferentes providências, atinham-se todos a um mesmo propósito. III. A expressão Tudo é símbolo prende-se ao fato de que o autor aproveitou o episódio da baleia encalhada para também figurar o encalhe de um país imobilizado pela alta inflação. Em relação ao texto, está correto o que se afirma em (A) I, II e III. (B) I e III, apenas. (C) II e III, apenas. (D) I e II, apenas. (E) III, apenas. Foram irrelevantes para a salvação da baleia estes dois fatores: (A) o necrológio da União Soviética e os serviços da traineira da Petrobrás. (B) o prestígio dos valores ecológicos e o empenho no lúcido objetivo comum. (C) o fato de a jubarte ser um animal de sangue frio e o prestígio dos valores ecológicos. (D) o fato de a Petrobrás ser uma empresa estatal e as iniciativas que couberam a uma traineira. (E) o aproveitamento comercial da situação e a força descomunal empregada pela jubarte. Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento em: (A) em necrológio eufórico (1º parágrafo) = em façanha mortal. (B) Comum, vírgula (2º parágrafo) = Geral, mas nem tanto. (C) que se desse por perdida a batalha (2º parágrafo) = que se imaginasse o efeito de uma derrota. (D) estabeleceu uma trégua entre todos nós (3º parágrafo) = derrogou uma imunidade para nós todos. (E) é preciso dar provas da eficácia (4º parágrafo) = convém explicitar os bons propósitos. Estão plenamente observadas as normas de concordância verbal em: (A) À noite, davam-se aos trabalhos de poucos e à diversão de muitos uma trégua oportuna, para tudo recomeçar na manhã seguinte. (B) Aos esforços brutais da jubarte não correspondiam qualquer efeito prático, nenhum avanço obtinha o gigante encalhado na areia. (C) Sempre haverá de aparecer aqueles que, diante de um espetáculo trágico, logram explorá-lo como oportunidade de comércio. (D) Como se vê, cabe aos bons princípios ecológicos estimular a salvação das baleias, seja no alto-mar, seja na areia da praia. (E) Da baleia encalhada em 1966 não restou, lembra-nos o autor, senão as postas em que a cruel voracidade dos presentes retalhou o animal. Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o último parágrafo do texto. (A) Apesar de tratar do drama ocorrido com uma baleia, o cronista não deixa de aludir a circunstâncias nacionais, como o impulso para as privatizações e os custos da alta inflação. (B) Mormente tratando de uma jubarte encalhado, o cronista não obsta em tratar de assuntos da pauta nacional, como a inflação ou o processo empresarial das privatizações. (C) Vê-se que um cronista pode assumir, como aqui ocorreu, o papel tanto de um repórter curioso como analisar fatos oportunos, qual seja a escalada inflacionária ou a privatização. (D) O incidente da jubarte encalhado não impediu de que o cronista se valesse de tal episódio para opinar diante de outros fatos, haja vista a inflação nacional ou a escalada das privatizações. (E) Ao bom cronista ocorre associar um episódio como o da jubarte com a natureza de outros, bem distintos, sejam os da economia inflacionada, sejam o crescente prestígio das privatizações. Analisando-se aspectos sintáticos de frases do texto, é correto afirmar que em (A) Muitos se lembravam da alegria voraz com que foram disputadas as toneladas da vítima as formas verbais sublinhadas têm um mesmo sujeito. (B) todos se empenhavam no lúcido objetivo comum configura-se um caso de indeterminação do sujeito. (C) uma tripulação de camelôs anunciava umas bugigangas a voz verbal é ativa, sendo umas bugigangas o objeto direto. (D) eu já podia recolher a minha aflição não há a possibilidade de transposição para outra voz verbal. (E) Logo uma estatal, ó céus o elemento sublinhado exerce a função de adjunto adverbial de tempo. Está inadequada a correlação entre tempos e modos verbais no seguinte caso: (A) Muitos se lembrariam da alegria voraz com que eram disputadas as toneladas da vítima. (B) Foi salva graças à religião ecológica que andava na moda e que por um momento estabelecera uma trégua entre todos. (C) Um malvado sugere que se dê por perdida a batalha e comecemos logo a repartir os bifes. (D) Depois de se haver debatido por três dias na areia da praia a jubarte acabara sendo salva por uma traineira que vinha socorrê-la. (E) Já informado do salvamento da baleia, o cronista teve um sonho em que o animal lhe surgiu com a força de um símbolo. Atenção: As questões de números 9 a 15 referem-se ao texto abaixo. A razão do mérito e a do voto Um ministro, ao tempo do governo militar, irritado com a campanha pelas eleições diretas para presidente da República, buscou minimizar a importância do voto com o seguinte argumento: − Será que os passageiros de um avião gostariam de fazer uma eleição para escolher um deles como piloto de seu voo? Ou prefeririam confiar no mérito do profissional mais abalizado? A perfídia desse argumento está na falsa analogia entre uma função eminentemente técnica e uma função eminentemente política. No fundo, o ministro queria dizer que o governo estava indo muito bem nas mãos dos militares e que estes saberiam melhor que ninguém prosseguir no comando da nação. Entre a escolha pelo mérito e a escolha pelo voto há necessidades muito distintas. Num concurso público, por exemplo, a avaliação do mérito pessoal do candidato se impõe sobre qualquer outra. A seleção e a classificação de profissionais devem ser processos marcados pela transparência do método e pela adequação aos objetivos. Já a escolha da liderança de uma associação de classe, de um sindicato deve ocorrer em conformidade com o desejo da maioria, que escolhe livremente seu representante. Entre a especialidade técnica e a vocação política há diferenças profundas de natureza, que pedem distintas formas de reconhecimento. Essas questões vêm à tona quando, em certas instituições, o prestígio do "assembleísmo" surge como absoluto. Há quem pretenda decidir tudo no voto, reconhecendo numa assembleia a "soberania" que a qualifica para a tomada de qualquer decisão. Não por acaso, quando alguém se opõe a essa generalização, lembrando a razão do mérito, ouvem-se diatribes contra a "meritocracia". Eis aí uma tarefa para nós todos: reconhecer, caso a caso, a legitimidade que tem a decisão pelo voto ou pelo reconhecimento da qualificação indispensável. Assim, não elegeremos deputado alguém sem espírito público, nem votaremos no passageiro que deverá pilotar nosso avião. (Júlio Castanho de Almeida, inédito) Deve-se presumir, com base no texto, que a razão do mérito e a razão do voto devem ser consideradas, diante da tomada de uma decisão, (A) complementares, pois em separado nenhuma delas satisfaz o que exige uma situação dada. (B) excludentes, já que numa votação não se leva em conta nenhuma questão de mérito. (C) excludentes, já que a qualificação por mérito pressupõe que toda votação é ilegítima. (D) conciliáveis, desde que as mesmas pessoas que votam sejam as que decidam pelo mérito. (E) independentes, visto que cada uma atende a necessidades de bem distintas naturezas. Atente para as seguintes afirmações: I. A argumentação do ministro, referida no primeiro parágrafo, é rebatida pelo autor do texto por ser falaciosa e escamotear os reais interesses de quem a formula. II. O autor do texto manifesta-se francamente favorável à razão do mérito, a menos que uma situação de real impasse imponha a resolução pelo voto. III. A conotação pejorativa que o uso de aspas confere ao termo "assembleísmo" expressa o ponto de vista dos que desconsideram a qualificação técnica. Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afirma em (A)I. (B) II. (C) III. (D) I e II. (E) II e III. Considerando-se o contexto, são expressões bastante próximas quanto ao sentido: (A) fazer uma eleição e confiar no mérito do profissional. (B) especialidade técnica e vocação política. (C) classificação de profissionais e escolha da liderança. (D) avaliação do mérito e reconhecimento da qualificação. (E) transparência do método e desejo da maioria. O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se numa forma do plural para preencher de modo adequado a lacuna da seguinte frase: (A) As acusações que ...... (promover) quem defende o "assembleísmo" baseiam-se na decantada "soberania" das assembleias. (B) Não ...... (convir) aos radicais da meritocracia admitir que pode haver boas resoluções obtidas pelo critério do voto. (C) Por que ...... (haver) de caber a um simples passageiro as responsabilidades do comando de uma aeronave? (D) O que aos bons políticos não ...... (poder) faltar, sobretudo nos momentos de decisão, é o espírito público. (E) Não ...... (caber) às associações de classe, em assembleias, avaliar o mérito técnico, julgar a qualificação profissional de alguém. Está correto o emprego de ambos os elementos sublinhados na frase: (A) A argumentação na qual se valeu o ministro baseava-se numa analogia em cuja pretendia confundir função técnica com função política. (B) As funções para cujo desempenho exige-se alta habilitação jamais caberão a quem se promova apenas pela aclamação do voto. (C) Para muitos, seria preferível uma escolha baseada no consenso do voto do que a promoção pelo mérito onde nem todos confiam. (D) A má reputação de que se imputa ao "assembleísmo" é análoga àquela em que se reveste a "meritocracia". (E) A convicção de cuja não se afasta o autor do texto é a de que a adoção de um ou outro critério se faça segundo à natureza do caso. Está inteiramente adequada a pontuação do seguinte período: (A) Em qualquer escalão do governo costuma haver mais cedo, ou mais tarde, atritos entre o pessoal técnico-administrativo estabilizado, por concurso, e o pessoal indicado para cargos de confiança que ficam ao sabor, das conveniências políticas. (B) Em qualquer escalão, do governo, costuma haver mais cedo ou mais tarde, atritos entre o pessoal técnico-administrativo estabilizado por concurso, e o pessoal indicado para cargos de confiança, que ficam ao sabor das conveniências políticas. (C) Em qualquer escalão do governo, costuma haver, mais cedo ou mais tarde, atritos entre o pessoal técnico-administrativo, estabilizado por concurso, e o pessoal indicado para cargos de confiança, que ficam ao sabor das conveniências políticas. (D) Em qualquer escalão do governo costuma haver, mais cedo ou mais tarde, atritos, entre o pessoal técnico-administrativo, estabilizado por concurso e o pessoal, indicado para cargos de confiança, que ficam ao sabor das conveniências políticas. (E) Em qualquer escalão do governo costuma haver mais cedo, ou mais tarde atritos, entre o pessoal técnico-administrativo estabilizado, por concurso, e o pessoal indicado, para cargos de confiança, que ficam ao sabor das conveniências políticas. Atente para a redação do seguinte comunicado: Viemos por esse intermédio convocar-lhe para a assembleia geral da próxima sexta-feira, aonde se decidirá os rumos do nosso movimento reinvindicatório. As falhas do texto encontram-se plenamente sanadas em: (A) Vimos, por este intermédio, convocá-lo para a assembleia geral da próxima sexta-feira, quando se decidirão os rumos do nosso movimento reivindicatório. (B) Viemos por este intermédio convocar-lhe para a assembleia geral da próxima sexta-feira, onde se decidirá os rumos do nosso movimento reinvindicatório. (C) Vimos, por este intermédio, convocar-lhe para a assembleia geral da próxima sexta-feira, em cuja se decidirão os rumos do nosso movimento reivindicatório. (D) Vimos por esse intermédio convocá-lo para a assembleia geral da próxima sexta-feira, em que se decidirá os rumos do nosso movimento reivindicatório. (E) Viemos, por este intermédio, convocá-lo para a assembleia geral da próxima sexta-feira, em que se decidirão os rumos do nosso movimento reinvindicatório. F C C – 03 Atenção: As questões de números 1 a 4 referem-se ao texto abaixo. Receita de casa Juro que entendo alguma coisa de arquitetura urbana, embora alguns pobres arquitetos profissionais achem que não. Assim vos direi que a primeira coisa a respeito de uma casa é que ela deve ter um porão, um bom porão com entrada pela frente e saída pelos fundos. Esse porão deve ser habitável porém inabitado; e ter alguns quartos sem iluminação alguma, onde se devem amontoar móveis antigos, quebrados, objetos desprezados e baús esquecidos. Deve ser o cemitério das coisas. Ali, sob os pés da família, como se fosse no subconsciente dos vivos, jazerão os leques, as cadeiras, as fantasias do carnaval do ano de 1920, as gravatas manchadas, os sapatos que outrora andaram em caminhos longe. (Adaptado de Rubem Braga, Casa dos Braga – Memórias de infância) Depreende-se do texto que, para o autor, o porão é o espaço de uma casa (A) destinado ao despejo de coisas inúteis, inexpressivas e sem vida, que nenhum membro da família vê sentido em preservar. (B) caracterizado tanto pelo aspecto sombrio como pelos mais variados vestígios de um tempo morto, ali acumulados. (C) reservado às vivas lembranças de uma época mais feliz, que a família faz absoluta questão de não esquecer. (D) resguardado de qualquer vestígio do presente que possa macular a história solene dos antepassados, ali recolhida e administrada. (E) esvaziado de sentido, tanto pelo fato de não ser funcional como por parecer um desses museus que a ninguém mais interessa visitar. O porão, ao ser caracterizado pelo autor, reveste-se de qualidades tais que o aproximam da condição humana, tal como sugerem os elementos (A) arquitetura urbana e um bom porão. (B) deve ser habitável e ter alguns quartos. (C) o cemitério das coisas e no subconsciente dos vivos. (D) sem iluminação e onde se devem amontoar móveis antigos. (E) sob os pés da família e entrada pela frente e saída pelos fundos. Está plenamente correta a pontuação do seguinte período: (A) Confessando não sem ironia, que entende de arquitetura, o cronista Rubem Braga, mestre do gênero propõe uma receita de casa, em que o porão, área frequentemente desprezada, ganha ares de profundidade e mistério. (B) Confessando, não sem ironia, que entende de arquitetura o cronista, Rubem Braga, mestre do gênero, propõe uma receita de casa, em que, o porão, área frequentemente desprezada, ganha ares de profundidade e mistério. (C) Confessando não sem ironia que entende de arquitetura, o cronista Rubem Braga, mestre do gênero, propõe: uma receita de casa em que, o porão área frequentemente desprezada, ganha ares de profundidade, e mistério. (D) Confessando, não sem ironia que, entende de arquitetura, o cronista Rubem Braga – mestre do gênero – propõe uma receita, de casa, em que o porão (área frequentemente desprezada), ganha ares de profundidade e mistério. (E) Confessando, não sem ironia, que entende de arquitetura, o cronista Rubem Braga, mestre do gênero, propõe uma receita de casa em que o porão, área frequentemente desprezada, ganha ares de profundidade e mistério. A frase em que ambos os elementos sublinhados são complementos verbais é: (A) Assim vos confesso que entendo de arquitetura, apesar das muitas opiniões em contrário. (B) Ninguém se impressiona tanto com um velho porão como este velho cronista, leitor amigo. (C) O porão deverá jazer sob os pés da família como jazem os cadáveres num cemitério. (D) Que atração exercem sobre o cronista as gravatas manchadas, quando desce a um porão... (E) Já não se fazem porões, hoje em dia, já não há qualquer mistério ou evocação mágicanuma casa moderna. Atenção: As questões de números 5 a 9 referem-se ao texto abaixo. E, subitamente, é a era do Automóvel. O monstro transformador irrompeu, bufando, por entre os descombros da cidade velha, e como nas mágicas e na natureza, aspérrima educadora, tudo transformou com aparências novas e novas aspirações. Quando os meus olhos se abriram para as agruras e também para os prazeres da vida, a cidade, toda estreita e toda de mau piso, eriçava o pedregulho contra o animal de lenda, que acabava de ser inventado em França. Só pelas ruas esguias dois pequenos e lamentáveis corredores tinham tido a ousadia de aparecer. Um, o primeiro, de Patrocínio, quando chegou, foi motivo de escandalosa atenção. Gente de guarda-chuva debaixo do braço parava estarrecida como se tivesse visto um bicho de Marte ou um aparelho de morte imediata. Oito dias depois, o jornalista e alguns amigos, acreditando voar com três quilômetros por hora, rebentavam a máquina de encontro às árvores da rua da Passagem. O outro, tão lento e parado que mais parecia uma tartaruga bulhenta, deitava tanta fumaça que, ao vê-lo passar, várias damas sufocavam. A imprensa, arauto do progresso, e a elegância, modelo do esnobismo, eram os precursores da era automobílica. Mas ninguém adivinhava essa era. Quem poderia pensar na futura influência do Automóvel diante da máquina quebrada de Patrocínio? Quem imaginaria velocidades enormes na corriola dificultosa que o conde Guerra Duval cedia aos clubes infantis como um brinco idêntico aos baloiços e aos pôneis mansos? Ninguém! Absolutamente ninguém. [...] Para que a era se firmasse fora preciso a transfiguração da cidade. [...] Ruas arrasaram-se, avenidas surgiram, os impostos aduaneiros caíram, e triunfal e desabrido o automóvel entrou, arrastando desvairadamente uma catadupa de automóveis. Agora, nós vivemos positivamente nos momentos do automóvel, em que o chofer é rei, é soberano, é tirano. (João do Rio. A era do automóvel. Crônicas. São Paulo: Companhia das Letras. 2005. p. 17-18) A afirmativa correta é: (A) A crônica aborda transformações decorrentes da chegada do automóvel às ruas do Rio de Janeiro. (B) João do Rio mostra uma cidade multifacetada, dividida entre poderosos e humildes. (C) A elegância dos hábitos da sociedade carioca da época é destaque no desenvolvimento do texto. (D) O cronista se desencanta com as ruas malcuidadas da cidade, que impedem a circulação de veículos. (E) A crônica é uma reportagem sobre os perigos do tráfego de automóveis nas ruas do Rio. É correto perceber na crônica de João do Rio (A) ceticismo quanto ao poder de uma nova invenção e à sua eventual influência no futuro da cidade, despreparada para tais novidades. (B) crença na possível destruição de valores sociais decorrente da busca irrefreável pelo progresso e do orgulho pessoal trazido pela posse do automóvel. (C) entusiasmo pelas medidas que deveriam ser tomadas no sentido de preparar uma cidade antiga para a modernidade representada pelo automóvel. (D) censura à inadequação do comportamento de alguns proprietários de automóveis que ostentavam seu poder em uma época de austeridade. (E) viés irônico em algumas observações a respeito do incipiente poder e da inimaginável influência do automóvel nos rumos da cidade. Com as questões apresentadas no final do 1º parágrafo do texto, o autor (A) expõe o seu descrédito ao relatar as consequências do uso de automóveis em ruas não pavimentadas para o tráfego desses veículos. (B) pressupõe posicionamento contrário ao domínio do automóvel nas ruas do Rio, dadas as consequências desastrosas provocadas pelos primeiros veículos. (C) alude à impossibilidade, naquele momento, de prever as mudanças que ocorreriam no Rio de Janeiro, incluindo soluções urbanísticas. (D) conclui que tais acontecimentos não seriam tão inesperados e surpreendentes em uma cidade não mais caracterizada por um modelo antigo de vida. (E) deixa evidente que o Rio de Janeiro daquela época não comportaria a presença dos automóveis em suas ruas estreitas e cheias de pedregulhos. Considerando-se o contexto, há noção de consequência no segmento: (A) ... como nas mágicas e na natureza ... (B) ... a cidade (...) eriçava o pedregulho contra o animal de lenda ... (C) ... que acabava de ser inventado em França. (D) ... várias damas sufocavam. (E) Mas ninguém adivinhava essa era. Considere as afirmativas feitas a seguir. Está INCORRETO o que consta em: (A) O adjetivo áspero está flexionado no grau superlativo, em sua forma sintética: aspérrima educadora. (B) A imprensa, arauto do progresso, e a elegância, modelo do esnobismo... Os segmentos grifados se classificam sintaticamente como complementos nominais das expressões a que se referem. (C) ... que acabava de ser inventado em França. Ruas arrasaram-se... As formas verbais grifadas são exemplo de voz passiva. (D) Ninguém! Absolutamente ninguém. O ponto de exclamação denota ênfase do autor. (E) Para que a era se firmasse fora preciso a transfiguração da cidade. O emprego da forma verbal grifada denota ação passada, anterior a outra, também passada. Atenção: As questões de números 10 a 13 referem-se ao texto abaixo. Ao contrário do que se pensa, a carreira de Clarice Lispector não foi uma sucessão de facilidades. Já o seu livro de estreia, Perto do coração selvagem, esbarrou na incompreensão de alguns críticos e foi recusado por mais de uma editora. A voz nova e solitária em seguida iria encontrar obstáculos na publicação de seus outros livros. O lustre levou anos até aparecer. Clarice se encontrava no exterior e os amigos aqui no Rio tentavam encontrar um editor de boa vontade. Fernando Sabino, que costumava ser invencível nessa matéria, ainda não tinha a experiência que só depois viria a ter, e fazia as vezes de agente literário da amiga, nem sempre bem-sucedido. O nome de Clarice, prejudicado pela sua ausência, tinha aqui pequena repercussão. Quem sabe das dificuldades que Clarice enfrentou vê com alegria o reconhecimento que seu nome alcança e sua irradiação pelo mundo. Personalíssima na dicção brasileira, a universalidade de sua obra vai ampliando o clube de seus devotos. No Canadá, Claire Varin aprendeu português para lê-la no original. E descobriu a idade da escritora, que nasceu em 1920 e não em 1925, como está dito por toda parte. Se foi Clarice que mudou a data, já não faz sentido manter o erro por simples respeito a uma faceirice momentânea. (Adaptado de Otto Lara Resende. Bom dia para nascer. São Paulo: Cia. das Letras, 2011. p. 218-220) A voz nova e solitária em seguida iria encontrar obstáculos na publicação de seus outros livros. O tempo verbal empregado pelo autor na frase acima indica (A) ação posterior a outra, ambas localizadas no passado. (B) dúvida sobre a possibilidade de um fato vir a ocorrer. (C) forma polida de indicar um desejo no presente. (D) fato que depende de certa condição para ocorrer. (E) ação anterior a outra ocorrida no passado. Atente para as afirmações abaixo. I. No segmento fazia as vezes de agente literário da amiga, nem sempre bem-sucedido, a falta do sinal de crase no trecho grifado indica que seu uso é facultativo nessa expressão. II. Em quem sabe das dificuldades que Clarice enfrentou vê com alegria o reconhecimento que seu nome alcança e sua irradiação pelo mundo, o pronome grifado pode se referir tanto a Clarice como a nome. III. Em já não faz sentido manter o erro por simples respeito a uma faceirice momentânea, o segmento grifado pode ser substituído, sem prejuízo para a correção e o sentido original, por um breve ardil. Está correto o que se afirma APENAS em (A) II e III. (B) I e II. (C) I e III. (D) II. (E) III. ... vê com alegria o reconhecimento que seu nome alcança e sua irradiação pelo mundo. Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbalresultante será: (A) são vistos. (B) é visto. (C) é vista. (D) eram vistos. (E) viam-se. Substituindo-se o elemento grifado pelo segmento que está entre parênteses, o verbo que deverá flexionar-se no plural está em: (A) Clarice (Juntamente com o marido, Clarice) se encontrava no exterior... (B) A voz nova e solitária (A voz que poucos conheciam) em seguida iria encontrar obstáculos ... (C) O nome de Clarice (A ficção de autoras intimistas) [...] tinha aqui pequena repercussão. (D) ... como está dito por toda parte (em todos os jornais). (E) Ao contrário do que se (os desavisados) pensa ... ...... Florença e Flandres deu-se a irradiação ...... cultura renascentista ...... toda a Europa. (Adaptado do dicionário Houaiss, verbete: irradiação) Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem dada: (A) Por - da - à (B) Da - à - por (C) À - pela - de (D) De - da - para (E) Para - à - de Atenção: As questões de números 15 a 19 referem-se ao texto abaixo. Minha última consideração é sobre o negro no samba. E uma vez mais, há que bendizer os poetas. Cartola diz: "Habitada por gente simples e tão pobre, que só tem o sol que a todos cobre, como podes Mangueira cantar?" A indagação vai além da Mangueira. Como podem os do morro fazer com que cantem os do asfalto? Amplie-se a indagação. Como puderam os negros, ao longo de séculos de tanto sofrimento, construir uma cultura poderosa, da qual somos todos herdeiros? Amplie-se a indagação para o país. Como uma história como a nossa – tão dura e, por tanto tempo, tão brutal – pôde construir uma cultura tão rica? É nisso que temos muito a aprender com as Escolas. A começar pelo senso de disciplina e de organização que as leva a realizar, no Rio de Janeiro, o maior espetáculo de arte popular do mundo. Além da disciplina e da organização, a maior beleza das Escolas, creio, é a alegria e o orgulho de serem o que são. Alegria e orgulho que expressam nas cores que adotam e no toque das baterias que elevam o tambor ancestral a extrema sofisticação. Pelo rufar dos tambores e o som dos tamborins, o povo identifica a Escola, antes mesmo que possa vê-la. Ninguém se surpreenda, portanto, se, ao cantar sua Escola, o poeta invocar os céus, os santos e os orixás. Se invocar a "graça divina". Se disser de sua Escola que "vista assim do alto mais parece um céu no chão". Se discorrer sobre os grandes temas da história, se cantar o nome de Joaquim José da Silva Xavier e os grandes heróis da pátria. Ninguém se surpreenda se o poeta disser que as cores da sua Escola são como o manto azul de Nossa Senhora Aparecida, abrindo a "procissão do samba". As Escolas afirmam suas raízes e sua identidade e, ao fazê-lo, afirmam também as raízes e a identidade do Brasil. Nascidas do povo mais humilde do Brasil, as Escolas afirmam a vocação dos brasileiros, de todos os brasileiros, para a grandeza. E o fazem com a dignidade e a elegância de quem oferece ao mundo um belo exemplo de humanidade. (Trecho do discurso de Francisco Weffort, na entrega da Ordem do Mérito Cultural, 07 de novembro de 2001. TAM. Almanaque Brasil de Cultura Popular. São Paulo: Andreato, fevereiro de 2002. p. 17) O desenvolvimento do texto é feito a partir (A) da incredulidade quanto à disposição do povo brasileiro, diante de tantas dificuldades, em manter a alegria que demonstra nos desfiles das escolas de samba. (B) de considerações sobre a cultura brasileira e, em especial, sobre a miscigenação que caracteriza o povo brasileiro. (C) de uma visão poética da realidade brasileira, que se transfigura na grandiosidade mostrada pelas escolas de samba durante o carnaval. (D) de uma dúvida genuína e presente nas considerações apresentadas a seguir, diante da contraditória questão que surge já no início da exposição. (E) do desdobramento de uma citação feita pelo autor no 1º parágrafo que, por meio de uma gradação, se estende a manifestações da cultura brasileira. É correto afirmar que o 4º parágrafo deve ser entendido como (A) exemplo da ingenuidade e de certo despreparo, em relação aos fatos históricos, daqueles que se organizam nas escolas de samba. (B) censura ao ecletismo religioso, habitual nas manifestações populares, que acaba misturando conceitos de forma inadequada. (C) enumeração de qualidades que se esperam do povo brasileiro, especialmente daquelas pessoas envolvidas com o espetáculo das escolas de samba. (D) exemplificação que busca sintetizar a alegria, o orgulho e a religiosidade do povo brasileiro, realçando essas qualidades. (E) alusão às dificuldades ainda hoje enfrentadas pelos negros, que só conseguem superá-las com o luxo oferecido pelos desfiles de carnaval. Considere as definições abaixo: I. senso (estético): capacidade de apreciar a beleza pelo prazer que ela proporciona. censo (demográfico): conjunto de dados característicos dos habitantes de uma localidade ou país. II. cobre: forma flexionada do verbo cobrir. cobre: metal usado em condutores de eletricidade. III. manto: veste feminina, larga, comprida e sem mangas, usada por cima do vestido. manto: por extensão, o que cobre, revestimento. Constitui exemplo de homonímia o par que se encontra em (A) III, apenas. (B) I e II, apenas. (C) I e III, apenas. (D) II e III, apenas. (E) I, II e III. Há sentido de oposição entre os segmentos grifados em: (A) Como podem os do morro fazer com que cantem os do asfalto? (B) Como uma história como a nossa – tão dura e, por tanto tempo, tão brutal – pôde construir... (C) Além da disciplina e da organização, a maior beleza das Escolas, creio, é a alegria e o orgulho de serem o que são. (D) Pelo rufar dos tambores e o som dos tamborins, o povo identifica a Escola... (E) ... se cantar o nome de Joaquim José da Silva Xavier e os grandes heróis da pátria. Nascidas do povo mais humilde do Brasil, as Escolas afirmam a vocação dos brasileiros, de todos os brasileiros, para a grandeza. A oração grifada acima tem sentido ...... e, ao reescrevê-la com o emprego da conjunção adequada, a oração resultante deverá iniciar-se por ...... . As lacunas estarão corretamente preenchidas, respectivamente, por: (A) final - Para que tivessem nascido (B) temporal - Enquanto tinham nascido (C) concessivo - Ainda que tenham nascido (D) consecutivo - Desde que tenham nascido (E) condicional - Caso tenham nascido Atenção: As questões de números 20 a 25 referem-se ao texto abaixo. Fim de linha A invenção da máquina de escrever é atribuída ao inglês Henry Mills, em 1713. Era destinada a cegos, chegou a ser patenteada, mas jamais saiu do papel. A partir daí, a intermediação da mecânica no milenar ofício de escrever empunhando pincéis, penas, tintas, lápis, carvão e tantos outros artefatos manuais foi dando saltos. Assiste-se, agora, ao fechamento da última fábrica de máquina de escrever mecânica do mundo. Ainda há gente, como o professor de filosofia Richard Polt, de Cincinatti, que a usa. “Frequentemente desligo o computador para escrever o primeiro esboço de algum trabalho mais sério numa máquina mecânica. É a maneira mais garantida de não cair na tentação de abrir e-mails ou ficar me distraindo na internet. O bom das máquinas antigas é que você só pode fazer uma coisa com elas: escrever.” Polt mantém um site na internet que abriga material de consolo para quem sofre de abstinência de conquistas passadas. “Máquinas de escrever manuais são para os ousados, os audaciosos, os que arriscam. Os perfeccionistas, em suma. Por quê? Uma vez que uma tecla é acionada, não há mais volta. Se você errar, só lhe restará recolher-se à sua vergonha e tentar camuflar o erro”, escreveu um frequentador assíduo. Mas ainda há linhas de montagem de máquinas de escrever elétricas e eletrônicas que continuam a pleno vapor. Sua principal clientela é cativa. Literalmente: vive atrásdas grades. Proibida de usar computador, a população carcerária americana é garantia de longa vida para uma indústria tão confinada quanto seus usuários. (Adaptado da revista Piauí 57, junho de 2011) Informa-se, nesse texto: I. Por muito tempo importante na intermediação do ato de escrever, a máquina de escrever mecânica chega ao fim da linha, por razões que o autor não achou necessário esmiuçar. II. Os nostálgicos do tempo em que imperava a máquina de escrever mecânica não deixam de apresentar alguns argumentos objetivos em favor de seu uso, como a concentração exclusiva na tarefa de escrever. III. Ainda cabe – e ao que tudo indica caberá por um bom tempo – um papel relevante às máquinas de escrever elétricas ou eletrônicas, em consequência da peculiar condição dos detentos americanos. Está correto o que se afirma em (A) I, II e III. (B) I e II, apenas. (C) II e III, apenas. (D) I e III, apenas. (E) II, apenas. Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido deste segmento do 3º parágrafo: (A) abriga material de consolo = desfecha matérias remanescentes (B) abstinência de conquistas passadas = discrição de vitórias pregressas (C) Os perfeccionistas, em suma = os obstinados, por exemplo (D) recolher-se à sua vergonha = reduzir seu próprio vexame (E) tentar camuflar o erro = buscar dissimular o engano Para efeito de estilo, o autor se vale de palavras ou expressões ambíguas, que possibilitam dupla leitura e servem a mais de um contexto. É o que ocorre nestes dois casos: (A) Era destinada a cegos // chegou a ser patenteada (B) artefatos manuais // cair na tentação (C) mantém um site na internet // um frequentador assíduo (D) Sua principal clientela é cativa // uma indústria tão confinada (E) Mas ainda há linhas de montagem // é garantia de longa vida Máquinas de escrever manuais são para os audaciosos. Uma vez que a tecla é acionada, não há mais volta. O trecho acima foi reconstruído de modo a não comprometer a correção e a coerência da forma original em: (A) Cabem aos corajosos valer-se das máquinas de escrever manuais. Tanto assim que ao se acionar a tecla, não há retorno. (B) Destinam-se aos corajosos as máquinas de escrever manuais. Tão logo seja batida a tecla, não há como reparar. (C) Máquinas de escrever à mão convêm a quem lhes persista. Sendo movida, uma tecla não volta mais. (D) Só os intrépidos se valem de máquinas manuais de escrever. Conquanto acionada uma tecla, não há mais saída. (E) Reservam-se as máquinas de escrever mecânicas a quem as ouse utilizar. Desde que acionada uma tecla, nada a contornará. NÃO admite transposição para a voz passiva o que se lê em: I. A partir daí, a intermediação da mecânica foi dando saltos. II. Ainda há quem a usa. III. Máquinas de escrever mecânicas são para os ousados. IV. Sua principal clientela é cativa. Atende corretamente ao enunciado APENAS o que está em (A) I e II. (B) I e III. (C) III e IV. (D) II e IV. (E) II e III. O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se numa forma do plural para preencher adequadamente a lacuna da frase: (A) É grande o prazer que ...... (proporcionar) ao professor valer-se de máquinas de escrever mecânicas para redigir textos mais complexos. (B) As tentações a que não ...... (costumar) furtar-se um usuário do computador não se colocam para os que usam máquina de escrever. (C) Não ...... (competir) aos jovens de hoje ponderar as vantagens ou as desvantagens de uma engenhoca a que nunca foram apresentados. (D) Será que ...... (haver) de consolar um prisioneiro americano essas duvidosas vantagens do uso das máquinas de escrever? (E) Sobre muito poucos ...... (poder) ainda exercer algum fascínio o uso das já arqueológicas máquinas de escrever mecânicas. Atenção: As questões de números 26 a 30 referem-se ao texto abaixo. Manuel Bandeira publicou diversos textos durante o “mês modernista”, espaço aberto para o movimento no jornal carioca A Noite, em dezembro de 1925. O poeta era então assíduo frequentador do restaurante Reis, no velho centro do Rio. Eram dias de vida boêmia, e, apesar de todo o resguardo que tocava a um “tísico profissional”, Bandeira descia do morro do Curvelo ao sorvedouro da Lapa e vizinhanças, à vida pobre e corriqueira aos pés da Glória, onde a poesia se mesclava a um pouco de tudo. O poeta já não é o ser exclusivamente voltado para si mesmo, na busca da expressão da pura subjetividade, mas antes um sujeito que se abre ao mundo. Uma tal atitude, cheia de consequências para a poesia brasileira, tinha enormes implicações. Implicava algo geral e, ao mesmo tempo, muito particular: uma abertura maior da vida do espírito para a realidade de um país largamente desconhecido de si mesmo e para a novidade de fatos palpáveis da existência material de todo dia, tal como afloravam chocantes no espaço modernizado das cidades. A fratura da antiga convenção poética coincidia com a brecha do novo, por onde os fatos do dia penetravam no universo da arte, exigindo um tratamento artístico igualmente renovado. (Adaptado de Davi Arrigucci. Humildade, paixão e morte. São Paulo: Cia. das Letras, 1990. p.92-93) A atitude a que o autor se refere no início do 2º parágrafo é a de (A) desvendar os mistérios da existência por meio da poesia. (B) buscar matéria poética nos fatos triviais do cotidiano. (C) encontrar inspiração para o fazer artístico nos sentimentos pessoais. (D) cultivar a vida boêmia como fonte de inspiração para o fazer poético. (E) recorrer à criação poética para escapar das agruras do cotidiano. Atente para as afirmações abaixo. I. Uma tal atitude, cheia de consequências para a poesia brasileira, tinha enormes implicações. As vírgulas poderiam ser substituídas por travessões, sem prejuízo para a correção e a lógica. II. O poeta já não é o ser exclusivamente voltado para si mesmo, na busca da expressão da pura subjetividade, mas antes um sujeito que se abre ao mundo. As vírgulas poderiam ser suprimidas, sem prejuízo para a correção e a lógica. III. A fratura da antiga convenção poética coincidia com a brecha do novo, por onde os fatos do dia penetravam no universo da arte, exigindo um tratamento artístico igualmente renovado. A vírgula colocada imediatamente depois de arte poderia ser substituída por dois-pontos, sem prejuízo para a correção e a lógica. Está correto o que se afirma APENAS em (A) I e III. (B) I e II. (C) II e III. (D) I. (E) III. O restaurante Reis, ...... o poeta era assíduo frequentador, ficava no velho centro do Rio. Preenche corretamente a lacuna da frase acima: (A) o qual. (B) no qual. (C) de que. (D) de cujo. (E) em que. ... e, apesar de todo o resguardo que tocava a um “tísico profissional”... Mantendo-se a correção e a lógica, o verbo grifado acima pode ser substituído por: (A) competia. (B) encarregava. (C) atingia. (D) impelia. (E) fustigava. Em épocas passadas, alguns poetas se ...... atrelados a convenções literárias tão rígidas que, em alguns casos, os ...... de encontrar uma voz original e única. Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem dada: (A) mantém - impedirão (B) manteram - impediam (C) mantiveram - impediram (D) manteriam - impedira (E) mantinham - impedia F C C – 04 Atenção: As questões de números 1 a 4 referem-se ao texto abaixo. Creio que, pelo gosto de Gastão Cruls, a modernização do Rio se teria feito, desde os dias do Engenheiro Passos, com muito menor sacrifício do caráter e das tradições da cidade à mística do Progresso com P maiúsculo. Mas nunca se esquece ele de que, sob as descaracterizações e inovações brutais e tantas vezes desnecessárias por que vem passando a mais bela das cidades do Brasil, continua a haver um Rio de Janeirodo tempo dos Franceses, dos Vice-reis, de Dom João VI, dos Jesuítas, dos Beneditinos, dos começos da Santa Casa [...] Por mais que tudo isso venha desaparecendo dos nossos olhos e se dissolvendo em passado, em antiguidade, em raridade de museu, continua a ser parte do espírito do Rio de Janeiro. Pois as cidades são como as pessoas, em cujo espírito nada do que se passou deixa inteiramente de ser. O Rio descaracterizado de hoje guarda no seu íntimo para os que, como Gastão Cruls, sabem vê-lo histórica e sentimentalmente, uma riqueza de característicos irredutíveis ou indestrutíveis, que as páginas de Aparência do Rio de Janeiro nos fazem ver ou sentir. E este é o maior encanto do guia da cidade que o autor de A Amazônia que eu vi acaba de escrever: dar-nos, através da aparência do Rio de Janeiro, traços essenciais do passado e do caráter da gente carioca. Comunicar-nos do Rio de Janeiro que Gastão Cruls conhece desde seus dias de menino de morro ilustre – menino nascido à sombra do Observatório – alguma coisa de essencial. Alguma coisa do que a cidade parece ter de eterno e que vem de certa harmonia misteriosa a que tendem o branco, o preto, o roxo e o moreno – principalmente o moreno – da cor da pele dos seus homens e das suas mulheres, com o azul e o verde quente de suas águas e de suas matas. (Rio, setembro, 1948) Obs.: Texto transcrito de acordo com as atuais normas ortográficas. (Gilberto Freyre, Trecho do Prefácio. In: Cruls, Gastão. Aparência do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: José Olympio, Coleção documentos brasileiros, 2. ed., v. 1, 1952. p. 15-17) O texto deixa claro, principalmente, que a cidade do Rio de Janeiro (A) acaba por perder suas características mais importantes em benefício de um discutível progresso, que põe em risco sua beleza natural. (B) representa, de maneira visível, as tradições do povo brasileiro e, portanto, é essencial a manutenção das suas características urbanas originais. (C) precisa preservar sua identidade original, pois a natureza, que lhe garante o título de a mais bela cidade do Brasil, deve ser tida como intocável. (D) mantém elementos tradicionais, ao lado de uma necessária transformação, ainda que essa transformação possa descaracterizá-la em alguns aspectos. (E) deve voltar-se para a modernidade, assim como as pessoas, em uma evolução natural e necessária para a adequação aos tempos atuais. Os dois-pontos que aparecem no 2º parágrafo denotam (A) inclusão de segmento especificativo. (B) interrupção intencional do fluxo expositivo. (C) intercalação de ideia isolada no contexto. (D) constatação de fatos pertinentes ao assunto. (E) enumeração de elementos da cidade e do povo. Com as alterações propostas entre parênteses para o segmento grifado nas frases abaixo, o verbo que se mantém corretamente no singular é: (A) a modernização do Rio se teria feito (as obras de modernização) (B) Mas nunca se esquece ele de que (esses autores) (C) por que vem passando a mais bela das cidades do Brasil (as mais belas cidades do Brasil) (D) continua a haver um Rio de Janeiro do tempo dos Franceses (tradições no Rio de Janeiro) (E) do que a cidade parece ter de eterno (as belezas da cidade) ... e que vem de certa harmonia misteriosa a que tendem o branco, o preto, o roxo e o moreno... O segmento grifado preenche corretamente a lacuna da frase: (A) As autoridades contavam ...... se fizessem consultas à população para definir os projetos de melhoria de toda a área. (B) As transformações ...... se refere o historiador descaracterizaram toda a área destinada, de início, a pesquisas. (C) A necessidade de inovações foi o argumento ...... se valeram os urbanistas para defender o projeto apresentado. (D) A ninguém ocorreu demonstrar ...... não seria possível impedir a derrubada de algumas antigas construções. (E) Seriam necessários novos e diferentes projetos urbanísticos, ...... permanecessem intocadas as construções originais. Atenção: As questões de números 5 a 10 referem-se ao texto abaixo. Cafezinho Leio a reclamação de um repórter irritado que precisava falar com um delegado e lhe disseram que o homem havia ido tomar um cafezinho. Ele esperou longamente, e chegou à conclusão de que o funcionário passou o dia inteiro tomando café. Tinha razão o rapaz de ficar zangado. Mas com um pouco de imaginação e bom humor podemos pensar que uma das delícias do gênio carioca é exatamente esta frase: – Ele foi tomar café. A vida é triste e complicada. Diariamente é preciso falar com um número excessivo de pessoas. O remédio é ir tomar um “cafezinho”. Para quem espera nervosamente, esse “cafezinho” é qualquer coisa infinita e torturante. Depois de esperar duas ou três horas dá vontade de dizer: – Bem, cavalheiro, eu me retiro. Naturalmente o Sr. Bonifácio morreu afogado no cafezinho. Ah, sim, mergulhemos de corpo e alma no cafezinho. Sim, deixemos em todos os lugares este recado simples e vago: – Ele saiu para tomar um café e disse que volta já. Quando a Bem-amada vier com seus olhos tristes e perguntar: – Ele está? – alguém dará o nosso recado sem endereço. Quando vier o amigo e quando vier o credor, e quando vier o parente, e quando vier a tristeza, e quando a morte vier, o recado será o mesmo: – Ele disse que ia tomar um cafezinho... Podemos, ainda, deixar o chapéu. Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo. Assim dirão: – Ele foi tomar um café. Com certeza volta logo. O chapéu dele está aí... Ah! Fujamos assim, sem drama, sem tristeza, fujamos assim. A vida é complicada demais. Gastamos muito pensamento, muito sentimento, muita palavra. O melhor é não estar. Quando vier a grande hora de nosso destino nós teremos saído há uns cinco minutos para tomar um café. Vamos, vamos tomar um cafezinho. Rio, 1939. (Rubem Braga. O Conde e o passarinho & Morro do isolamento. Rio de Janeiro: Record, 2002. p.156-7) Com relação ao episódio com que inicia a crônica, o autor se mostra (A) crítico intransigente tanto do comportamento do delegado, por ter deixado o repórter esperando por tanto tempo, como da atitude deste último, que não soube considerar a situação com ironia e bom humor. (B) propenso a julgar a reação do repórter de modo muito mais severo do que a conduta do delegado, sugerindo ter havido grande exagero na afirmação de que este passara o dia inteiro tomando café. (C) solidário com o repórter na raiva que este experimentou ao esperar inutilmente pelo delegado e, ainda que de modo bem humorado, inteiramente avesso aos desvios de conduta de uma autoridade. (D) indiferente à irritação do repórter e condescendente em relação à ausência do delegado, acreditando que as complicações da vida justificam inteiramente a necessidade de se recorrer à desculpa do café. (E) compreensivo em relação à cólera do repórter, mas disposto a tomar o pretexto do café de que se vale o delegado para considerar, de modo bastante irônico, as razões de seu uso generalizado. Quando vier o amigo e quando vier o credor, e quando vier o parente, e quando vier a tristeza, e quando a morte vier, o recado será o mesmo: – Ele disse que ia tomar um cafezinho... Do teor da crônica e da enumeração presente no segmento acima, pode-se depreender corretamente: (A) O reconhecimento de que a vida é triste não acaba com o desejo de perpetuá-la. (B) A misantropia pode levar a uma tristeza que só termina com a morte. (C) As desculpas dadas de modo muito frequente acabam perdendo todo o sentido. (D) A introversão exagerada estende a aversão tanto às coisas más quanto às boas. (E) Os que nos procuram não costumam se esforçar de modo efetivo para nos encontrar. Os verbos que exigem o mesmo tipo de complemento estão empregados nos segmentos transcritos em: (A) A vida é triste e complicada. // ... mergulhemos de corpo e alma no cafezinho. (B) ... alguém dará o nosso recado sem endereço. // A vida é triste e complicada. (C) Tinharazão o rapaz... // Depois de esperar duas ou três horas... (D) Para quem espera nervosamente... // Depois de esperar duas ou três horas... (E) Tinha razão o rapaz... // ... mergulhemos de corpo e alma no cafezinho. A frase que admite transposição para a voz PASSIVA é: (A) Quando a Bem-amada vier com seus olhos tristes... (B) O chapéu dele está aí... (C) ... chegou à conclusão de que o funcionário... (D) Leio a reclamação de um repórter irritado... (E) ... precisava falar com um delegado... Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo. Assim dirão... Mantendo-se a correção e o sentido original, as frases acima estão reunidas num único período em: (A) Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo e ainda assim dirão... (B) Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo, pois assim dirão... (C) Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo, conquanto assim dirão... (D) Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo: porquanto assim dirão... (E) Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo, por que assim dirão... ... e chegou à conclusão de que o funcionário passou o dia inteiro tomando café. Do mesmo modo que se justifica o sinal indicativo de crase em destaque na frase acima, está correto o seu emprego em: (A) e chegou à uma conclusão totalmente inesperada. (B) e chegou então à tirar conclusões precipitadas. (C) e chegou à tempo de ouvir as conclusões finais. (D) e chegou finalmente à inevitável conclusão. (E) e chegou à conclusões as mais disparatadas. Atenção: As questões de números 11 a 16 referem-se ao texto abaixo. Esquerda e direita O DNA é de esquerda ou de direita? Ele fornece argumentos para todos. Prova que todos nascem com o mesmo sistema de códigos genéticos, e portanto são iguais – ponto para a esquerda –, mas que cada indivíduo tem uma senha diferente, ponto para a direita. Na velha questão biologia × cultura, o DNA dá razão a quem diz que características adquiridas não são hereditárias, nenhuma experiência cultural afeta os genes transmitidos e a humanidade não ficará mais virtuosa – muito menos socialista – com o tempo. Mas a própria descoberta do DNA e todas as projeções do que se tornou possível com a manipulação do material genético mostram como o ser humano pode, sim, interferir na sua própria evolução, e como existe nele uma determinação inata para o autoaperfeiçoamento. Parafraseando Marx: os cientistas sempre se preocuparam em compreender o ser humano, agora devem tratar de mudá-lo. A indefinição dos nossos genes é apenas mais um numa longa lista de paradoxos que nos dividem. É “de esquerda” ser a favor do aborto e contra a pena de morte, enquanto direitistas defendem o direito do feto à vida, porque é sagrada, e ao mesmo tempo o direito do Estado de tirá-la, embora não gostem que o Estado interfira em outras áreas. A direita valoriza o indivíduo acima da sociedade, que seria uma abstração, mas aceita a desigualdade social, ou o sacrifício de muitos indivíduos pelo sucesso de poucos, como natural. A esquerda muitas vezes atribui a um líder superpersonalizado a incongruente realização de um humanismo igualitário. Feliz é a mosca, que tem mais ou menos a nossa estrutura genética, mas absolutamente nenhum interesse nas suas implicações. (Adaptado de Luís Fernando Veríssimo. O mundo é bárbaro) O autor admite que, com a descoberta e com a possibilidade de manipulação do sistema de códigos genéticos (DNA), (A) não haverá mais como estabelecer qualquer distinção entre o que sempre foi “de direita” e o que sempre se definiu como “de esquerda”. (B) acabarão de vez os desequilíbrios sociais, pois será possível superar as desigualdades com base em seguros critérios de justiça, que são hereditários. (C) os homens poderão favorecer determinados aspectos de sua evolução, atendendo assim a uma inclinação da espécie para seu próprio aprimoramento. (D) tanto a esquerda como a direita deixarão de encontrar argumentos para suas posições, de vez que é a ação do código genético que determina uma opção política. (E) ficará ainda mais acirrada a oposição entre a esquerda e a direita, pois uma e outra reivindicarão para si o direito de gerenciar os dividendos de uma ciência tão lucrativa. Atente para as seguintes afirmações: I. Um dos vários paradoxos enunciados no texto é o de que a esquerda, que valoriza a vida, acaba defendendo posição similar à da direita, nos casos do aborto e da pena de morte. II. Ao contrário da direita, a esquerda encoraja as iniciativas do Estado, quando estas promovem a valorização do indivíduo sem abonar, no entanto, qualquer forma de personalismo. III. A paráfrase de uma afirmação de Marx deixa ver que este alimentava a convicção de que os homens são capazes de se transformarem a si mesmos, em sua trajetória. Em relação ao texto, está correto o que se afirma em (A) III, apenas. (B) I e II, apenas. (C) II e III, apenas. (D) I e III, apenas. (E) I, II e III. Considerando-se o contexto, deve-se entender que o segmento (A) Ele fornece argumentos para todos refere-se à alternância de poder entre a esquerda e a direita, ao longo da história. (B) ponto para a esquerda revela a indicação de um fato que favorece, a princípio, uma posição ideológica dos socialistas. (C) Na velha questão biologia × cultura alude à clássica disputa entre as ciências humanas e as ciências exatas. (D) A indefinição dos nossos genes diz respeito ao estado ainda incipiente e vacilante das pesquisas no campo da genética. (E) A direita valoriza o indivíduo acima da sociedade, que seria uma abstração acentua a supremacia de uma típica tese coletivista. O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se numa forma do singular para preencher adequadamente a lacuna da frase: (A) Não ...... (corresponder) aos surpreendentes desdobramentos da descoberta do DNA análoga evolução no plano das questões éticas. (B) Mesmo a um pesquisador de ponta não ...... (haver) de convir as disputas éticas, pois ele ainda engatinha nessa nova descoberta. (C) De todas as projeções que se ...... (fazer) a partir da manipulação do DNA, a mais assustadora é a programação de tipos pessoais. (D) A um direitista não ...... (deixar) de assustar, quando isso não lhe convém, iniciativas econômicas que o Estado reivindica para si. (E) Não ...... (parecer) uma incongruência, para os esquerdistas, os excessos personalistas do líder de um movimento socialista. Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto: (A) Habitualmente humorista, nem por isso Luís Fernando Veríssimo se exime ao tecer críticas sérias, postulando assim um equilíbrio entre o riso e a contenção jocosa. (B) O homem ainda está longe de ratificar o alcance da descoberta do DNA, onde as projeções mais ousadas fazem lembrar a ficção científica, ou mesmo muito além dela. (C) Interessou ao autor debater, uma vez mais, a eterna cisânia entre esquerda e direita, a estar sendo alimentada pela evolução das descobertas do DNA e pelas projeções de onde derivam. (D) Ao se reportar às posições de direita e de esquerda, o autor identificou contradições em ambas, deixando claro que a nenhuma cabe reivindicar o mérito da coerência absoluta. (E) As moscas, quem diria, ostentam nossa mesma estrutura genética, afirma o autor, mas nem sequer se comprazem ou o lamentam, pois não implicam nada que não lhes diga respeito. Está adequada a correlação entre tempos e modos verbais em: (A) Os cientistas devem, a partir de agora, tratar de mudar o ser humano, mesmo que até hoje não revelariam mais do que um pálido esforço ao buscar compreendê-lo. (B) O que for de esquerda ou de direita teria sido agora relativizado pelas descobertas do DNA, cujas projeções têm esvaziado essa clássica divisão. (C) Se os cientistas vierem a se preocuparcom as questões ideológicas de que as futuras descobertas se revestissem, terão corrido o risco de partidarizar a ciência. (D) Felizes são as moscas, que nem precisavam saber nada de política ou de DNA para irem levando sua vida em conformidade com o que a natureza lhes determinasse como destino. (E) A esquerda já chegou a glorificar a ação de líderes personalistas, cujo autoritarismo obviamente excedia os limites de uma sociedade que se queria justa e igualitária. Atenção: As questões de números 17 a 22 referem-se ao texto abaixo. Joaquim Manuel de Macedo ficou famoso por causa de A Moreninha (1844), romance que virou sinônimo do gênero romântico no Brasil e já fez muitas moçoilas e rapazes barbados chorarem. Dr. Macedinho, como era popularmente conhecido, editaria a obra às próprias custas e não se arrependeria: o livro converteu-se em nosso primeiro best-seller. A despeito do sucesso, o ganha-pão do escritor seria obtido a partir da atividade como jornalista, articulista e cronista. Médico de formação, Macedo enveredaria pela literatura de maneira ampla. Num momento em que parecia natural cruzar a ponte entre jornalismo e literatura, Macedinho sagrou-se personagem descolado no Rio de Janeiro de Pedro II. E começou cedo: com apenas 24 anos, além de se dedicar ao romance, passou às páginas de jornal. Porém, se sua obra ficcional é conhecida, a produção jornalística é pouco divulgada. A desproporção é gritante, uma vez que o escritor publicou durante quatro décadas em vários órgãos cariocas. Apenas no sisudo Jornal do Comércio, reduto conservador dos mais estáveis, Macedo foi presença cativa durante 25 anos, sem interrupção. Suas colunas ocupavam o espaço prestigioso do rodapé da primeira página de domingo, dia em que a circulação duplicava. Macedo era mesmo um agitador. Ajudou a criar uma tradição para nossas artes, letras e história. Nosso escritor usaria de suas boas relações e da sua literatura ágil para fortalecer seu grupo, empenhado na construção cultural do país. (Lilia Moritz Schwarcz. O Estado de S. Paulo, sabático, S6, 26 de março de 2011, com adaptações) Destaca-se no texto (A) a existência de um vasto público voltado para a leitura de obras de caráter romântico, ainda no século XIX. (B) o papel desempenhado por romancistas na difusão do hábito de leitura entre rapazes e moças durante o século XIX. (C) a participação de Macedo como importante colunista no Rio de Janeiro, centro difusor de cultura durante o Império. (D) a influência de uma imprensa politizada na vida do Rio de Janeiro, responsável pela divulgação de romances no século XIX. (E) a agitação cultural do Rio em pleno século XIX, que obrigou Macedo a optar pela atividade jornalística. De acordo com o texto, é correto afirmar que (A) o romancista, por ser médico, ainda que conceituado, precisou editar obras de seu próprio bolso, diante de um público leitor pouco receptivo. (B) a sociedade do Rio de Janeiro do Império apreciava romances românticos, em oposição ao realismo veiculado nos noticiários, embora os jornalistas fossem bastante admirados. (C) o vasto círculo de relações sociais de Macedo fez com que ele se transformasse em figura reconhecida nos meios literários pelo valor de suas crônicas. (D) o valor literário da enorme produção jornalística de Macedo é superior ao de suas obras de ficção, apesar do estrondoso sucesso de A Moreninha. (E) a pouca divulgação da produção jornalística de Macedo é injustificável diante do reconhecimento do público e de sua permanência na imprensa da época. O assunto central aponta para o papel de Macedo como (A) autor do primeiro best-seller da literatura brasileira. (B) escritor atuante, tanto nos meios literários como na atividade jornalística. (C) médico popularmente reconhecido no Rio de Janeiro da época. (D) militante político responsável por diferentes causas sociais. (E) defensor de uma visão romântica da vida cotidiana brasileira. ... editaria a obra às próprias custas e não se arrependeria: o livro converteu-se em nosso primeiro best-seller. Os dois-pontos introduzem segmento (A) que denota o tempo decorrido entre a publicação da obra e a aceitação do público. (B) conclusivo, com ressalva ao que foi expresso anteriormente. (C) concessivo, pela oposição de sentido marcado na negação do verbo anterior. (D) que, embora redundante, tem o objetivo de realçar a importância da informação. (E) explicativo, em que se percebe noção de causa. A despeito do sucesso, o ganha-pão do escritor seria obtido... O elemento grifado acima pode ser corretamente substituído, sem alteração do sentido original, por (A) Em razão do (B) Conquanto o (C) Em que pese o (D) Em vista do (E) A partir do ... dia em que a circulação duplicava. O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo em que se encontra o grifado acima está em: (A) ... e já fez muitas moçoilas e rapazes barbados chorarem. (B) ... editaria a obra às próprias custas ... (C) ... a produção jornalística é pouco divulgada. (D) Macedo era mesmo um agitador. (E) Nosso escritor usaria de suas boas relações ... Atenção: As questões de números 23 a 26 referem-se ao texto abaixo. O caso Montaigne na tradição literária da amizade não é propriamente uma exceção. Como os povos felizes, que – já se disse – não têm história: os sentimentos vitais, contentes e continentes, poucas vezes, enquanto vigem, dublam-se em reflexão e discurso. Por isso, certamente, a clave da perda marca tanto essa literatura e a tinge tão estranhamente de melancolia. (É que talvez os relevos dos grandes sentimentos humanos só se deixem mesmo apalpar pelo avesso: a falta permite, mais facilmente, sondar a profundidade do pleno, a dor, do contentamento.) Com efeito, ao pensarmos nos grandes textos sobre a amizade, vêm-nos de imediato à lembrança a bela dissertação do Lélio de Cícero, brotada do interior de seu luto pela morte de Cipião, o sensível capítulo das Confissões de Santo Agostinho dedicado à memória do amigo, ou mesmo o Fédon de Platão e seu relato pungente da morte de Sócrates. Montaigne tem pois predecessores ilustres, e, explicitamente, incorpora o seu texto nessa linhagem. E, no entanto, ao ler seu ensaio (livro I, 28), sentimos que dissoa bastante do andamento mais moderado dessas composições da tradição. Sua dissertação, sentimos logo, engata alturas mais elevadas, vibra de modo mais intenso. Montaigne radicaliza. Com ele a grandeza daquelas amizades se expande num elemento mais vasto, desafia a moderação, vai ao superlativo. A estreita proximidade das almas se ultrapassa; chega à fusão e assim toca o sublime. (Fragmento adaptado de Sérgio Cardoso. Paixão da igualdade, paixão da liberdade: a amizade em Montaigne. Os sentidos da paixão. S.Paulo: Cia. das Letras, 1987. p.162-3) Com a comparação feita no início do texto, o autor sugere que (A) a felicidade é uma quimera tanto para o indivíduo quanto para os povos, o que é comprovado pelas memórias individuais e pelos registros históricos. (B) o indivíduo tem em comum com um povo o hábito de não refletir sobre os acontecimentos senão nos momentos de maior felicidade. (C) a história de indivíduos e povos é uma oscilação constante entre momentos de felicidade e momentos de dor. (D) o sentimento de amizade que une os indivíduos não é diferente daquele que unifica um povo, vínculo responsável pela felicidade de todos. (E) os períodos de felicidade, ao contrário dos momentos de dor, não costumam ser registrados nem pelos povos, nem pelos indivíduos. Dentre as características da dissertação de Montaigne que podem ser apreendidas do texto, é correto mencionar: (A) A tendência ao misticismo, inteiramente ausente dos relatos de seus predecessores, mesmo o de Santo Agostinho. (B) A opção por um relato mais imponente e vigoroso, em lugar do tom comedido que seus predecessores adotam. (C) O predomínio da imaginação,o que permite incluir o relato antes no campo da ficção, ainda que sublime, do que no da memória. (D) Um radicalismo político extremado, que não tem lugar nos relatos politicamente inócuos de seus predecessores. (E) A ausência do tema da morte, onipresente nos textos de seus predecessores, o que faz do relato uma verdadeira celebração da vida. O sentido do elemento grifado NÃO está expresso adequadamente, entre parênteses e em negrito, ao final da transcrição em: (A) ... ou mesmo o Fédon de Platão e seu relato pungente da morte de Sócrates. (sereno) (B) Com ele a grandeza daquelas amizades se expande num elemento mais vasto, desafia a moderação, vai ao superlativo. (ponto mais alto) (C) ... os sentimentos vitais, contentes e continentes, poucas vezes, enquanto vigem, dublam-se em reflexão e discurso. (vigoram) (D) Com efeito, ao pensarmos nos grandes textos sobre a amizade, vêm-nos de imediato à lembrança a bela dissertação... (memória) (E) Com efeito, ao pensarmos nos grandes textos sobre a amizade, vêm-nos... (De fato) (É que talvez os relevos dos grandes sentimentos humanos só se deixem mesmo apalpar pelo avesso: a falta permite, mais facilmente, sondar a profundidade do pleno, a dor, do contentamento.) Atente para as afirmações seguintes sobre a pontuação empregada na frase acima, transcrita do 1º parágrafo do texto. I. O uso dos parênteses para isolar a frase justifica-se por se tratar de uma digressão que, embora relacionada à reflexão feita no parágrafo, interrompe momentaneamente o fluxo do pensamento. II. Os dois-pontos introduzem um segmento que constitui, de certo modo, uma ressalva ao que se afirma no segmento imediatamente anterior. III. As vírgulas que isolam o segmento mais facilmente poderiam ser retiradas sem prejuízo para a correção e a lógica. Está correto o que se afirma em (A) I, apenas. (B) I e II, apenas. (C) I e III, apenas. (D) II e III, apenas. (E) I, II e III. Atenção: As questões de números 27 a 30 referem-se ao texto abaixo. Entre a palavra e o ouvido Nossos ouvidos nos traem, muitas vezes, sobretudo quando decifram (ou acham que decifram) palavras ou expressões pela pura sonoridade. Menino pequeno, gostava de ouvir uma canção dedicada a uma mulher misteriosa, dona Ondirá. Um dia pedi que alguém a cantasse, disse não saber, dei a deixa: “Tão longe, de mim distante, Ondirá, Ondirá, teu pensamento?” Ganhei uma gargalhada em resposta. Um dileto amigo achava esquisito o grande Nat King Cole cantar seu amor por uma misteriosa espanhola, uma tal de dona Quiçás... O ator Ney Latorraca afirma já ter sido tratado por seu Neila. Neila Torraca, é claro. Agora me diga, leitor amigo: você nunca foi apresentado a um velhinho chamado Fulano Detal? (Armando Fuad. Inédito) Com base nos casos narrados no texto, é correto afirmar que, por vezes, entre a palavra e o ouvido, (A) ocorre um tipo de interferência no modo de recepção que distorce inteiramente o sentido original da mensagem. (B) uma falha do aparelho auditivo deforma o som captado, levando o receptor a entender outra coisa. (C) a mensagem original se perde porque se ouve uma expressão já adulterada pela má pronúncia de terceiros. (D) buscamos reconhecer uma sonoridade apenas por seu efeito acústico, sem lhe emprestar nenhum sentido. (E) nossa capacidade criativa faz com que recusemos sons muito usuais, substituindo-os por outros, mais exóticos. Está INADEQUADO o emprego do elemento sublinhado na frase: (A) A traição a que por vezes está sujeita nossa audição pode ter resultados divertidos. (B) Os sons das palavras, a cujos poucas vezes dedicamos plena atenção, podem ser bastante enganosos. (C) A melodia e o ritmo de uma frase, em cujo embalo podemos nos equivocar, valem pelo efeito poético. (D) E afinal, por onde andará dona Ondirá, senhora misteriosa de quem o leitor foi fã cativo, quando menino? (E) E dona Quiçás, a quem Nat King Cole jamais teve a honra de ser apresentado, morará ainda em Madri? É correto afirmar que, ao se valer da expressão (A) sobretudo quando decifram (...) pela pura sonoridade, o autor se refere exclusivamente ao equívoco causado pela recepção dos sons. (B) Ganhei uma gargalhada em resposta, o autor não deixa entrever qual teria sido a pergunta. (C) uma tal de dona Quiçás, o autor faz ver que o ouvinte se confundiu por não conhecer a personagem. (D) Neila Torraca, o autor se vale de um equívoco de audição inteiramente distinto do que ocorreu em Fulano Detal. (E) Menino pequeno, o autor torna implícito a ela um sentido de temporalidade. É preciso corrigir, por falhas diversas, a seguinte frase: (A) Quem ouve mal não tem necessariamente mau ouvido; pode ter sido afetado pelo desconhecimento de um contexto determinado. (B) Quem não destorce o que ouviu de modo torto acaba por permanecer longe do caminho reto da compreensão. (C) Pelos sons exóticos das palavras, nos impregnamos da melodia poética a cujo encanto se rendem, imantados, os nossos ouvidos. (D) Há sons indiscrimináveis, como os que se apanha do rádio mau sintonizado ou de uma conversa aliatória, entre terceiros. (E) É possível elaborar-se uma longa lista de palavras e expressões em cuja recepção sonora verificam-se os mais curiosos equívocos. F C C – 05 Atenção: Para responder às questões de número 1 a 4, considere o texto abaixo. 1 5 10 Na Inglaterra dos períodos Tudor e Stuart, a visão tradicional era a de que o mundo fora criado para o bem do homem e as outras espécies deviam se subordinar a seus desejos e necessidades. Tal pressuposto fundamenta as ações dessa ampla maioria de homens que nunca pararam um instante para refletir sobre a questão. Entretanto, os teólogos e intelectuais que sentissem a necessidade de justificá-lo podiam apelar prontamente para os filósofos clássicos e a Bíblia. A natureza não fez nada em vão, disse Aristóteles, e tudo teve um propósito. As plantas foram criadas para o bem dos animais e esses para o bem dos homens. Os animais domésticos existiam para labutar, os selvagens para serem caçados. Os estóicos tinham ensinado a mesma coisa: a natureza existia unicamente para servir aos interesses humanos. Foi nesse espírito que os comentadores Tudor interpretaram o relato bíblico da criação. [...] É difícil, hoje em dia, ter noção do empolgante espírito antropocêntrico com que os pregadores das dinastias Tudor e Stuart interpretavam a história bíblica. (Thomas Keith. O homem e o mundo natural: mudanças de atitude em relação às plantas e aos animais (1500-1800). Trad. João Roberto Martins Filho. São Paulo; Companhia das Letras, 1996. Pp. 21-22) No excerto, o autor concebe a visão tradicional como uma interpretação que entende o homem como uma dentre várias espécies, o que implica isonomia entre elas. uma concepção característica do espírito e cultura dos ingleses, sem nenhuma restrição temporal. um ponto de vista circunstancial necessário, que permitiu ao homem provar sua superioridade sobre os animais. uma percepção equivocada, pois pensadores que tentaram entende-la não achavam suporte nas culturas que lhes eram contemporâneas. uma suposição tomada como verdadeira e não submetida a análise crítica por aqueles que nela alicerçavam sua prática. É difícil, hoje em dia, ter noção do empolgante espírito antropocêntrico com que os pregadores das dinastias Tudor e Stuart interpretavam a história bíblica. Entende-se corretamente do acima transcrito, considerado em seu contexto, que a contemporaneidade não propicia sensações de arrebatamento de nenhuma ordem. a grande dificuldade dos dias atuais é aceitar com isenção do ânimo a palavra de pregadores de uma doutrina. a interpretação da Bíblia pelos pregadores das dinastias Tudor e Stuart é difícil de ser compreendida atualmente, em função dos elevados conhecimentosdesses religiosos. os pregadores das dinastias Tudor e Stuart tinham a fervorosa crença, hoje dificilmente compreensível, de que o ser humano é o núcleo em torno do qual estão dispostas todas as coisas. o homem moderno não pode sequer imaginar como eram cheias de empolgação as pregações no tempo dos Tudor e dos Stuart, dada a centralidade do cultivo do espírito. A forma verbal que exprime acontecimento passado anterior a outro igualmente passado é encontrada no segmento: o mundo fora criado para o bem do homem. as outras espécies deviam se subordinar a seus desejos e necessidades. nunca pararam um instante. os teólogos e intelectuais [...] podiam apelar prontamente para os filósofos clássicos e a Bíblia. tudo teve um propósito O texto legitima a seguinte afirmação: Em as outras espécies deviam se subordinar a seus desejos (linha 2), a substituição do segmento destacado por “haviam de se subordinar” mantém o sentido de inevitabilidade e a correção originais. Os segmentos para refletir sobre a questão (linha 4) e para os filósofos clássicos e a Bíblia (linhas 5 e 6)exercem a mesma função sintática. De modo a preservar a correção e o sentido originais, a redação alternativa para elidir a dupla negação em A natureza não fez nada em vão (linha 6) é “A natureza fez tudo com gratuidade”. Em É difícil, hoje em dia, ter noção do empolgante espírito antropocêntrico (linha 13), a retirada da vírgula depois de É difícil, sem outra alteração, manteria a correção original. Os dois-pontos (linha 9) introduzem uma citação literal dos estoicos. Atenção: Para responder às questões de números 5 a 11, leia o editorial abaixo. 1 5 10 15 20 25 Embora um conflito armado não seja do interesse de nenhuma das partes envolvidas na longeva disputa entre as duas Coreias, são imprevisíveis as consequências da escalada de hostilidades entre os dois países nos últimos dias. Os primeiros movimentos sul-coreanos foram cautelosos. Após ter um navio de guerra atacado por torpedos, em março, o país não respondeu de imediato ao que se afigurava como o mais audacioso ato de hostilidade do vizinho em mais de duas décadas. Investigadores internacionais foram chamados a avaliar o episódio − e determinaram, após longa perícia, que um submarino norte-coreano havia sido o responsável pelos disparos. A prudência da Coreia do Sul e de seu principal aliado, os EUA, é compreensível. São preocupantes as consequências de um conflito aberto com o decrépito regime do ditador comunista Kim Jong-il, que realizou, nos últimos anos, testes balísticos e nucleares. Para os norte-americanos, que ainda têm batalhas a travar no Afeganistão e mantêm tropas no Iraque, não faz sentido abrir uma nova frente de combate na Ásia. Há ainda o fato de que a capital sul-coreana, Seul, fica próxima à fronteira, e essa situação de vulnerabilidade desaconselha uma aventura militar contra o norte. Compelido a responder ao ataque, o governo sul-coreano suspendeu o que restava da política de reaproximação com o país vizinho − intensificada na última década, mas já alvo de restrições na Presidência do conservador Lee Myung-bak. Cortou o comércio com o norte da península e voltou a classificar Pyongyang como o seu "principal inimigo". Em resposta, a Coreia do Norte interrompeu comunicações com o vizinho e expulsou sul-coreanos do complexo industrial de Kaesong, mantido pelas duas nações no território comunista. É um retrocesso a lamentar, já que interesses econômicos comuns e troca de informações, por pequenos que sejam, podem ajudar na prevenção de conflitos armados. Nesse cenário em que os atores envolvidos não são capazes de entender os movimentos e as intenções do rival, os processos de hostilidade mútua podem se tornar incontroláveis. Mesmo que o imbróglio não tenha consequências graves, ele chama a atenção para o imprevisível desenlace da lenta derrocada do regime comunista de Pyongyang, uma herança anacrônica dos tempos da Guerra Fria. (Folha de S. Paulo. A2 opinião, quarta-feira, 26 de maio de 2010) Considerado o principal tema abordado no texto, o título mais adequado para o editorial é: Os EUA e a Coreia do Sul. Coreia contra Coreia. Sanções comerciais em tempos de conflito. Avaliações internacionais em países asiáticos. Interesses comuns no incentivo a conflitos armados. É correto afirmar que o editorial critica severamente países que lançam mão de retaliações comerciais para ameaçar outros países, concretizando essa ideia por meio do caso típico de países asiáticos vizinhos. defende respostas prudentes dos países a ofensas inimigas, como arma para darem, a organismos internacionais, oportunidade de avaliarem as reais condições dos potenciais beligerantes. chama a atenção para o fato de que a Coreia do Sul, em atendimento aos interesses dos Estados Unidos, deve retardar o quanto possível o fatal enfrentamento com a Coreia do Norte. adverte sobre a possibilidade de um conflito armado entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte, como decorrência do aumento progressivo da agressividade entre esses dois países. analisa os principais entraves dos países que fazem fronteira, quando reconhecem um ao outro como o “principal inimigo”, e propõe, com bastante isenção, meios para serem vencidas as vulnerabilidades decorrentes da vizinhança. No processo argumentativo, pode ser corretamente entendido como expressão de uma circunstância de tempo o seguinte segmento: Investigadores internacionais foram chamados a avaliar o episódio (linha 7). Há ainda o fato de que a capital sul-coreana, Seul, fica próxima à fronteira (linhas 13 e 14). Compelido a responder ao ataque (linha 16). voltou a classificar Pyongyang como o seu "principal inimigo" (linha 19). expulsou sul-coreanos do complexo industrial de Kaesong (linhas 20 e 21). Sempre levando em conta o contexto, é correto afirmar: A conjunção Embora (linha 1) equivale a “na medida em que”. A expressão Após ter (linha 4) pode ser substituída por “Tendo tido”, sem prejuízo do sentido original. Em ao que se afigurava como o mais audacioso ato de hostilidade do vizinho em mais de duas décadas (linhas 5 e 6), tem-se uma avaliação que compara um ato (I) a outro específico anteriormente realizado (II),evidenciando a superioridade de (I). Em A prudência da Coreia do Sul e de seu principal aliado, os EUA, é compreensível (linha 9), se o que está em destaque for substituído por “As atitudes oportunas” nenhuma outra alteração será necessária para se manter a correção original. A frase que realizou, nos últimos anos, testes balísticos e nucleares (linha 11) define melhor o antecedente não bem delimitado, como ocorre em “A pessoa que se esforça vence”. ... a Coreia do Norte interrompeu comunicações com o vizinho ... Transpondo a frase acima para a voz passiva, a forma verbal corretamente obtida é: tinha interrompido. foram interrompidas. fora interrompido. haviam sido interrompidas. haveriam de ser interrompidas. Nesse cenário em que os atores envolvidos não são capazes de entender os movimentos e as intenções do rival, os processos de hostilidade mútua podem se tornar incontroláveis. Outra formulação para o segmento destacado acima, que, considerado o contexto, lhe seja equivalente e mantenha a clareza e correção originais é: os processos de hostilidade um pelo outro podem tornar-se incontroláveis. os processos de hostilidade de parte à parte podem se tornarem incontroláveis. os processos de hostilidade que uns países têm pelos outros podem se tornar incontroláveis. os processos de hostilidade acionados de forma alternada podem se tornar incontroláveis. os processos de hostilidade entre eles respondendo-se podem se tornar incontroláveis. Considerado o padrão culto escrito, a substituição que mantém a correção original do segmento é a de um submarinonorte-coreano havia sido o responsável pelos disparos por “submarinos norte-coreanos havia sido os responsáveis pelos disparos”. mantido pelas duas nações por “mantido por ambas as nações”. Nesse cenário em que os atores envolvidos não são capazes de entender os movimentos por “Nesse cenário cujos os atores envolvidos não são capazes de entender os movimentos”. Mesmo que o imbróglio não tenha consequências graves por “A despeito do imbróglio não ter consequências graves”. chama a atenção para o imprevisível desenlace por “chama a atenção para o que concerne o imprevisível desenlace”. A frase em que a palavra destacada está empregada de modo equivocado é: Inerme diante da ofensiva tão violenta, não lhe restou nada a fazer senão render-se. Há quem proscreva construções linguísticas de cunho popular. Fui informado do diferimento da reunião em que o fato seria analisado. A descriminalização de algumas drogas é questão polêmica. A flagrância do perfume inebriava a todos os convidados. A frase que respeita totalmente o padrão culto escrito é: De dissensões entre mentes lúcidas e independentes não se deve temer, porquanto o debate, ao suscitar reflexão, traz luz a questões controversas. Consta naquele livro já bastante saudado pela crítica os nomes de vários integrantes de movimentos de resistência ao regime ditatorial. O eminente orador enrubeceu quando arguido sobre sua anuência ao polêmico pacto, mas quiz se mostrar seguro de si e respondeu-lhe de imediato. Esse exercício indicado pelos assessores do preparador físico é eficaz para intumescer alguns músculos, mas se mostra de efeito irrisório se mau realizado. Havia excesso de material a ser expedido, por isso as folhas mandadas à última hora, apesar do empenho, não coube no malote. Está totalmente em conformidade com o padrão culto escrito a seguinte frase: A inserção do adolescente no grupo deveu-se ao coordenador, cuja experiência todos tiraram proveito,mesmo quando supuseram que ele ignorava o clima de apreensão. Sei que sou eu que sempre medio o debate, mas dessa vez declino da responsabilidade: é com revezamento de obrigações que se pode descobrir lideranças. Interpondo recurso, ele procurou desagravar-se da afronta que atribuiu às palavras do juiz em sua sentença, contra a qual a instância superior não hesitou em se pronunciar. Dados como esses obtidos em recente pesquisa, sem dúvida permite que se os interpretem sob dupla perspectiva: a dos cidadãos e também do filósofo. O fato e esse advogado que representa a autora da ação parecem ter sido feito um para o outro; mais: o operador do direito age com proficiência e ela, nele crê cegamente. A frase em total concordância com o padrão culto escrito é: Dirigimo-nos a V.Sa. para solicitar que, em vossa apreciação do documento, haja bastante precisão quanto aos pontos que quereis ver alterados. Senhor Ministro, sabemos todos que Vossa Excelência jamais fizestes referência desairosa ao poder legislativo, mas desejamos pedir-lhe que desfaça o mal-entendido. Ao encontrar-se com Sua Magnificência, não se conteve: − Senhor Reitor, sou o mais novo membro do corpo docente e vos peço um minuto de sua atenção. Assim que terminou a cerimônia, disse à Sua Santidade: − Ponho-me a vossa disposição se acaso deseje mandar uma mensagem ao povo brasileiro. Entendemos que V.Exa. necessita de mais dados sobre a questão em debate e, assim, lhe pedimos que nos conceda um prazo para que o documento seja mais bem elaborado. F C C – 06 Atenção: Para responder às questões de números 1 a 8, considere o texto abaixo. O arroz da raposa Julio Cortázar tem um conto que sai de um palíndromo − “Satarsa”. Um menino brinca de desarticular as palavras. No fundo, um escritor é um sujeito que pela vida afora continua a mexer com as palavras. Para diante delas, estranha esta, questiona aquela. O menino de Cortázar, que devia ser ele mesmo, virava a palavra pelo avesso e se encantava. Saber que a leitura pode ser feita de trás para diante é uma aventura. E às vezes dá certo. No conto “Satarsa”, a palavra é ROMA. Lida ao contrário, também faz sentido. Deixa de ser ROMA e vira AMOR. Para o leitor adulto e apressado, isso pode ser uma bobagem. Para o menino é uma descoberta fascinante. Olhos curiosos, o menino vê a partir daí que o mundo pode ser arrumado de várias maneiras. Não só o mundo das palavras. É a partir dessa possibilidade de mudar que o mundo se renova. E melhora. Ou piora. Não teria graça se só melhorasse. O risco de piorar é fundamental na aventura humana. Mas estou me afastando da história do Cortázar. E sobretudo do que pretendo dizer. Ou pretendia. No embalo das palavras, vou me deixando arrastar de brincadeira, como o menino do conto. Um dia ele encontrou esta frase: “Dábale arroz a la zorra el abad”. Em português, significa: “O vigário dava arroz à raposa”. Soa estranho isso, não soa? Mesmo para um menino aberto ao que der e vier, a frase é bastante surrealista, mas o que importa é que a oração em espanhol pode ser lida de trás para diante. E fica igualzinha. Pois este palíndromo não só encantou o menino Cortázar, como decidiu o seu destino de escritor. Isto sou eu quem digo. Ele percebeu aí que as palavras podem se relacionar de maneira diferente. E mágica. Sem essa consciência, não há poeta, nem poesia. Como a criança, o poeta tem um olhar novo. Lê de trás para diante. Cheguei até aqui e não disse o que queria. Digo então que tentei uma série de anagramas com o Brasil de hoje. Quem sabe virando pelo avesso a gente acha o sentido? (Adaptado de Otto Lara Resende. Bom dia para nascer. S.Paulo: Cia. das Letras, 2011. p.296-7) No texto, o autor sugere que as palavras só adquiririam sentido quando lidas pelo avesso. o conhecimento do Brasil atual só pode ser aprofundado por meio da poesia. o conto “Satarsa”, de Julio Cortázar, seria autobiográfico. a poesia só seria válida quando colocada a serviço da atuação política. as frases mais estranhas seriam aquelas mais plenas de sentido. Atente para as afirmações abaixo. I. A frase Sem essa consciência, não há poeta pode ser corretamente reescrita do seguinte modo: Não há essa consciência em quem não seja poeta. II. A frase este palíndromo não só encantou o menino Cortázar, como decidiu o seu destino de escritor tem seu sentido corretamente reproduzido nesta outra construção: este palíndromo, além de ter encantado o menino Cortázar, decidiu o seu destino de escritor. III. Em Mesmo para um menino aberto ao que der e vier, a frase é bastante surrealista, a substituição do verbo é por parecia implica a alteração do segmento grifado para um menino aberto ao que desse e viesse. Está correto o que consta em II e III, apenas. I, apenas. I, II e III. II, apenas. I e III, apenas. Não teria graça se só melhorasse. O elemento grifado na frase acima pode ser corretamente substituído por: pois. embora. conquanto. porquanto. caso. O segmento cujo sentido está adequadamente expresso em outras palavras é: tentei uma série de anagramas = busquei diferentes antíteses virava a palavra pelo avesso = trocava o vocábulo de lugar sobretudo do que pretendo dizer = mormente do que tenciono exprimir a frase é bastante surrealista = a oração é um tanto quanto pictórica O risco de piorar é fundamental = A possibilidade de onerar é insofismável Ou pretendia. O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o grifado acima está em: ... um conto que sai de um palíndromo ... ... como decidiu o seu destino de escritor. ... ao que der... ... virava a palavra pelo avesso ... Não teria graça ... Ao se substituir o elemento grifado em um segmento do texto, o pronome foi empregado de modo INCORRETO em: dava arroz à raposa = dava-lhe arroz não só encantou o menino = não só o encantou Julio Cortázar tem um conto = Julio Cortázar tem-no ele encontrou esta frase = ele encontrou-a desarticular as palavras= desarticular-lhes Julio Cortázar tem um conto que ...... de um palíndromo − “Satarsa”. Um menino ...... de desarticular as palavras. No fundo, um escritor é um sujeito que pela vida afora continua a ...... com as palavras. Respeitando-se a correção gramatical, as lacunas da frase acima podem ser preenchidas, na ordem dada, por: se inspira - cuida - cultivar provém - ocupa-se - lidar se prende - joga - conviver procede - distrai-se - praticar nasce - entretém-se - manipular Está inteiramente adequada a pontuação da frase: Como já se disse poeta, é aquele que ao aplicar-se conscientemente à difícil arte do desaprender, passa a ver o mundo com olhar infantil despido das camadas de preconceitos, e prejuízos, que quase sempre à nossa revelia acumulamos ao longo da vida adulta. Como já se disse, poeta é aquele que ao aplicar-se, conscientemente, à difícil arte do desaprender passa a ver, o mundo, com olhar infantil despido das camadas de preconceitos e prejuízos que quase sempre, à nossa revelia, acumulamos ao longo da vida adulta. Como já se disse, poeta é aquele que, ao aplicar-se conscientemente à difícil arte do desaprender, passa a ver o mundo com olhar infantil, despido das camadas de preconceitos e prejuízos que, quase sempre à nossa revelia, acumulamos ao longo da vida adulta. Como, já se disse, poeta é aquele que ao aplicar-se conscientemente à difícil arte do desaprender, passa a ver o mundo, com olhar infantil, despido das camadas de preconceitos e prejuízos, que quase sempre à nossa revelia, acumulamos ao longo da vida adulta. Como já se disse poeta é aquele, que ao aplicar-se conscientemente à difícil arte do desaprender, passa a ver o mundo com olhar infantil despido das camadas de preconceitos e prejuízos que, quase sempre à nossa revelia acumulamos, ao longo da vida adulta. Atenção: Para responder às questões de números 9 a 15, considere o texto apresentado abaixo. Comprometido no plano nacional com os direitos humanos, com a democracia, com o progresso econômico e social, o Brasil incorpora plenamente esses valores a sua ação externa. Ao velar para que o compromisso com os valores que nos definem como sociedade se traduza em atuação diplomática, o Brasil trabalha sempre pelo fortalecimento do multilateralismo e, em particular, das Nações Unidas. A ONU constitui o foro privilegiado para a tomada de decisões de alcance global, sobretudo aquelas relativas à paz e à segurança internacionais e a ações coercitivas, que englobam sanções e uso da força. A relação entre a promoção da paz e segurança internacionais e a proteção de direitos individuais evoluiu de forma significativa ao longo das últimas décadas, a partir da constituição das Nações Unidas, em 1945. Desde a adoção da Carta da ONU, a relação entre promover direitos humanos e assegurar a paz internacional passou por várias etapas. Em meados da década de 90 surgiram vozes que, motivadas pelo justo objetivo de impedir que a inação da comunidade internacional permitisse episódios sangrentos como os da Bósnia, forjaram o conceito de "responsabilidade de proteger". A Carta da ONU, como se sabe, prevê a possibilidade do recurso à ação coercitiva, com base em procedimentos que incluem o poder de veto dos atuais cinco membros permanentes no Conselho de Segurança − órgão dotado de competência primordial e intransferível pela manutenção da paz e da segurança internacionais. O acolhimento da responsabilidade de proteger teria de passar, dessa maneira, pela caracterização de que, em determinada situação específica, violações de direitos humanos implicam ameaça à paz e à segurança. Para o Brasil, o fundamental é que, ao exercer a responsabilidade de proteger pela via militar, a comunidade internacional, além de contar com o correspondente mandato multilateral, observe outro preceito: o da responsabilidade ao proteger. O uso da força só pode ser contemplado como último recurso. Queimar etapas e precipitar o recurso à coerção atenta contra os princípios do direito internacional e da Carta da ONU. Se nossos objetivos maiores incluem a decidida defesa dos direitos humanos em sua universalidade e indivisibilidade, como consagrado na Conferência de Viena de 1993, a atuação brasileira deve ser definida caso a caso, em análise rigorosa das circunstâncias e dos meios mais efetivos para tratar cada situação específica. Devemos evitar, especialmente, posturas que venham a contribuir − ainda que indiretamente − para o estabelecimento de elo automático entre a coerção e a promoção da democracia e dos direitos humanos. Não podemos correr o risco de regredir a um estado em que a força militar se transforme no árbitro da justiça e da promoção da paz. (Adaptado de Antonio de Aguiar Patriota. “Direitos humanos e ação diplomática”. Artigo publicado na Folha de S. Paulo, em 01/09/2011, e disponível em: http://www.itamaraty.gov.br/sala-deimprensa/discursos-artigos-entrevistas-e-outras- comunicacoes/- ministro-estado-relacoes-exteriores/direitos-humanos-e-acaodiplo- matica-folha-de-s.paulo-01-09-2011). Ao considerar o posicionamento do Brasil, o autor do texto assinala a diferença entre responsabilidade de proteger e responsabilidade ao proteger, o que significa que o país defende o uso de ações militares para restaurar a paz apenas como último recurso. entende como necessário, embora não desejável, lançar mão da força militar, ainda que sem a legitimação do Conselho de Segurança da ONU, para garantir a proteção dos direitos humanos em situações de conflito. reconhece a necessidade de se recorrer à ação coercitiva, ou seja, à intervenção militar, sempre que a segurança internacional for posta em risco, conforme consagrado na Conferência de Viena de 1993. estabelece, de modo realista, um elo automático entre a coerção e a promoção da democracia, o que justifica a primazia da intervenção militar, medida necessária nos casos em que a promoção da paz evidentemente não se daria pelo diálogo. critica a inoperância da comunidade internacional que, em sua visão, desde a criação da Carta da ONU, nada fez para assegurar a defesa dos direitos humanos e, assim, provocou guerras e genocídios. ... o recurso à coerção atenta contra os princípios do direito internacional ... O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o grifado acima está empregado em: Em meados da década de 90 surgiram vozes que ... ... a relação [...] passou por várias etapas. Se nossos objetivos maiores incluem a decidida defesa dos direitos humanos ... ... o Brasil incorpora plenamente esses valores a sua ação externa ... A ONU constitui o foro privilegiado para ... Devemos evitar, especialmente, posturas que venham a contribuir − ainda que indiretamente − para o estabelecimento de elo automático entre a coerção e a promoção da democracia e dos direitos humanos. Mantendo-se a correção e a lógica, uma redação alternativa para a frase acima está em: Posturas que contribuam, mesmo que de maneira indireta, para o estabelecimento de elo automático entre a coerção e a promoção da democracia e dos direitos humanos, devem ser especialmente evitadas. Conquanto contribuam apenas de modo indireto, posturas que estabeleçam elo automático entre a coerção e a promoção da democracia e dos direitos humanos, devem ser especialmente evitados. Deve ser especialmente evitada posturas que possam contribuir, embora de maneira apenas indireta, para o estabelecimento de elo automático entre a coerção e a promoção da democracia e dos direitos humanos. Posturas que contribuem, para o estabelecimento de elo automático entre a coerção e a promoção da democracia e dos direitos humanos, devem ser especialmente evitados, ainda que indiretamente. Ainda que contribua, apenas indiretamente, para o estabelecimento de elo automático entre a coerção e a promoção da democracia e dos direitos humanos, tais posturas devem ser especialmente evitadas. Parao Brasil, o fundamental é que, ao exercer a responsabilidade de proteger pela via militar, a comunidade internacional [...] observe outro preceito ... Transpondo-se o segmento grifado acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será: é observada. for observado. é observado. seja observado. ser observado. Atente para as afirmações abaixo. Ao velar para que o compromisso com os valores que nos definem como sociedade se traduza em atuação diplomática, o Brasil trabalha sempre pelo fortalecimento do multilateralismo e, em particular, das Nações Unidas. (2º parágrafo) Na frase acima, uma vírgula poderia ser colocada imediatamente após sociedade, sem prejuízo para a correção e o sentido. O acolhimento da responsabilidade de proteger teria de passar, dessa maneira, pela caracterização de que, em determinada situação específica, violações de direitos humanos implicam ameaça à paz e à segurança. (7º parágrafo) As vírgulas que isolam o segmento em determinada situação específica podem ser substituídas por travessões, sem prejuízo para a correção. Em meados da década de 90 surgiram vozes que, motivadas pelo justo objetivo de impedir que a inação da comunidade internacional permitisse episódios sangrentos como os da Bósnia, forjaram o conceito de "responsabilidade de proteger". (5º parágrafo) Na frase acima, uma vírgula poderia ser colocada imediatamente após 90, sem prejuízo para a correção e o sentido. Está correto o que consta APENAS em II e III. I e II. II. I. I e III. O verbo flexionado no singular que também pode ser corretamente flexionado no plural, sem que nenhuma outra alteração seja feita na frase, está destacado em: A maior parte dos países compreende que o direito ao trabalho é de vital importância para o desenvolvimento de povos e nações. A declaração de Direitos Humanos de Viena, de 1993, reconhece uma série de direitos fundamentais, como o direito ao desenvolvimento. Para promover os direitos humanos, a consolidação da democracia em todos os países é extremamente necessária. Cada um dos países do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) há de zelar pela manutenção dos Direitos Humanos. A comunidade internacional trata os direitos humanos de forma global, justa e equitativa, em pé de igualdade e com a mesma ênfase. Do mesmo modo que no segmento ameaça à paz e à segurança, o sinal indicativo de crase também está corretamente empregado em: Houve ameaça à grupo de manifestantes presos durante protesto. A censura ameaça à liberdade de criação. O mais grave foi a ameaça à integridade física da vítima. A crise econômica ameaça à preservação do acervo de vários museus. Certos animais reagem agressivamente a ameaças à seus interesses. F C C – 07 Atenção: Para responder às questões de números 1 a 8, considere o texto abaixo. A importância de Rodolfo Coelho Cavalcante para o movimento cordelista pode ser comparada à de outros dois grandes nomes: Leandro Gomes de Barros − que montou, por volta de 1906, a primeira grande folhetaria do Recife, praticamente iniciando o gênero − e João Martins de Athayde − que em 1921 adquiriu as impressoras, a loja, os títulos dos folhetos e a rede de distribuição da folhetaria de Leandro, conseguindo expandi-la ainda mais, por todo o Nordeste. Rodolfo produziu muito, mas não é sua atividade pessoal como autor e comerciante de folhetos que o torna tão importante para o movimento cordelista. Tampouco seu trabalho na indústria do cordel, que já estava bem firmada quando ele apareceu. Nunca, aliás, possuiu impressora própria. Sempre mandou fazer seus folhetos. Sua ação foi a favor da classe sofrida dos folheteiros, que, em grande número, viviam − e vivem − em feiras, mercados, praças e locais de peregrinação a escrever e vender seus folhetos, para ganhar a vida e sustentar, às vezes, família numerosa. Quando Rodolfo surgiu, os cordelistas, considerados como camelôs, eram escorraçados, presos e maltratados. Publicando artigos de jornal, fazendo contatos com as autoridades, organizando congressos, fundando associações e agremiações de classe, Rodolfo conseguiu modificar tal situação, dando dignidade e representatividade aos cordelistas. Não foi por acaso que a Academia Brasileira de Literatura de Cordel no Rio de Janeiro acolheu-o como patrono. (Adaptado de Eno Theodoro Wanke. Introdução. Rodolfo Coelho Cavalcante. S. Paulo: Hedra, 2000. p. 34-5) Ao considerar a figura de Rodolfo Coelho Cavalcante no contexto do movimento cordelista, o autor destaca as ações fundamentais que o cordelista empreendeu no sentido da valorização do cordel e da organização dos cordelistas. credita a escolha do cordelista como patrono da Academia Brasileira de Cordel às relações que mantinha com as autoridades. acentua as condições difíceis em que o cordelista produziu sua obra, sequer dispondo de uma impressora particular. sugere ser a obra produzida pelo cordelista pouco relevante quando comparada à de seus antecessores. enfatiza o papel fundamental que o cordelista teria desempenhado na modernização do comércio de folhetos. A importância de Rodolfo Coelho Cavalcante para o movimento cordelista pode ser comparada à de outros dois grandes nomes... Sem qualquer outra alteração da frase acima e sem prejuízo da correção, o elemento grifado pode ser substituído por: Equiparada. contrastada. confrontada. ombreada. rivalizada. O segmento cujo sentido está adequadamente expresso em outras palavras é: Não foi por acaso = Não foi intencional associações e agremiações de classe = entidades e grêmios estudantis escorraçados, presos e maltratados = enxotados, encarcerados e ultrajados praças e locais de peregrinação = áreas e logradouros públicos praticamente iniciando o gênero = quase começando de modo generalizado Tampouco seu trabalho na indústria do cordel, que já estava bem firmada quando ele apareceu. Nunca, aliás, possuiu impressora própria. (2º parágrafo) Os elementos grifados na frase acima têm, respectivamente, o sentido de: ainda assim − por sinal também não − a propósito não mais que − porém muito menos − qual seja tal e qual − portanto Os verbos empregados nos mesmos tempo e modo estão agrupados em: apareceu - pode - eram foi - estava - adquiriu viviam - estava - torna pode - vivem - torna adquiriu - foi - pode A frase que NÃO admite transposição para a voz passiva está em: ... que montou [...] a primeira grande folhetaria do Recife ... Quando Rodolfo surgiu... ... adquiriu as impressoras... ... e sustentar, às vezes, família numerosa. ... acolheu-o como patrono. Os folheteiros vivem em feiras, mercados, praças e locais de peregrinação. O verbo da frase acima NÃO pode ser mantido no plural caso o segmento grifado seja substituído por: Cada um dos folheteiros Há folheteiros que A maior parte dos folheteiros O folheteiro e sua família O grosso dos folheteiros Todas as formas verbais estão corretamente flexionadas em: Rodolfo Coelho Cavalcante entreveu que os problemas dos cordelistas estavam diretamente ligados à falta de representatividade. Enquanto não se disporem a considerar o cordel sem preconceitos, as pessoas não serão capazes de fruir dessas criações poéticas tão originais. Ainda que nem sempre detenha o mesmo status atribuído à arte erudita, o cordel vem sendo estudado hoje nas melhores universidades do país. Rodolfo Coelho Cavalcante deve ter percebido que a situação dos cordelistas não mudaria a não ser que eles mesmos requizessem o respeito que faziam por merecer. Se não proveem do preconceito, a desvalorização e a pouca visibilidade dessa arte popular tão rica só pode ser resultado do puro e simples desconhecimento. Atenção: Para responder às questões de números 9 a 15, considere o texto abaixo. É seguro afirmar que os entusiastas de históriasde detetive de qualquer país ou nacionalidade, se solicitados a citar os três detetives fictícios mais famosos, começarão por Sherlock Holmes. Na longa lista de investigadores dos últimos noventa anos, ele permanece único, o incontestável Grande Detetive, cuja brilhante inteligência dedutiva é capaz de superar qualquer adversário, por mais astuto que seja, e resolver qualquer enigma, por mais bizarro que pareça. Quando publicou Um estudo em vermelho, em 1887, Arthur Conan Doyle era um clínico geral recém-casado que morava em Southsea e cuja ambição era se tornar escritor, mas até esse momento tivera mais sucesso na medicina do que na literatura, apesar de ser tanto prolífico quanto dedicado. Então, em 1886, surgiu a ideia que daria frutos além do que se podia imaginar. Ele resolveu tentar a sorte com uma história de detetive, mas que fosse marcadamente diferente das narrativas publicadas na época, que considerava pouco imaginativas. Conan Doyle ganhou muito pouco com essa nova tentativa de ficção. Mas é aí, em sua primeira história de detetive, através dos olhos do amigo e parceiro de apartamento, dr. Watson, que Sherlock Holmes nos é apresentado com clareza, numa imagem que, somada ao chapéu de caçador e ao cachimbo, se fixou na imaginação popular: “De estatura, ele tinha pouco mais de um metro e oitenta, e era tão extremamente magro que parecia ser consideravelmente mais alto. Os olhos eram vivos e penetrantes, salvo durante os intervalos de torpor a que aludi. [...] As mãos estavam invariavelmente manchadas de tinta e de produtos químicos, no entanto ele possuía enorme delicadeza de toque, como tive muitas vezes a oportunidade de observar quando o via manipulando seus frágeis instrumentos científicos.” Apesar da quantidade de informações detalhadas sobre Holmes e seus hábitos fornecidas por Watson nos contos, o cerne do homem permanece fugidio. Ele é obviamente astuto, com uma inteligência prática, racional, não ameaçadora – qualidades que espelham as de seu criador. Mesmo assim, eu teria esperado que ele fosse mais ligado ao corajoso dr. Watson, herói ferido na Segunda Guerra Anglo-Afegã. Embora o chamado para um novo caso produza em Holmes uma onda de entusiasmo, ele tem um traço incrédulo e pessimista, além de um toque de cinismo moderno. “O que se faz neste mundo não tem nenhuma consequência. A questão é o que você consegue fazer as pessoas acreditarem que você fez” (Um estudo em vermelho). (Adaptado de P.D.James. Segredos do romance policial. Tradução José Rubens Siqueira. São Paulo: Três Estrelas, 2012) A autora do texto comprova que a descrição de Sherlock Holmes apresentada por dr. Watson é inverossímil e limitada, já que a personalidade de Sherlock Holmes é inapreensível. parte do princípio de que, para conquistar o público, um detetive deve apresentar características fixas em seu aspecto exterior, como o cachimbo de Sherlock Holmes. critica Arthur Conan Doyle por ter trocado uma profícua carreira de medicina pela instável e pouco lucrativa carreira literária. assinala que características da personalidade de Arthur Conan Doyle, como a sagacidade, estão também presentes na personalidade de Sherlock Holmes. levanta a hipótese de que, devido ao cinismo moderno, Sherlock Holmes foi o primeiro romance de detetive a cativar o público contemporâneo. ... o incontestável Grande Detetive, cuja brilhante inteligência dedutiva é capaz de superar qualquer adversário ... Mantendo-se, em linhas gerais, o sentido original, o trecho acima está corretamente reescrito em: A brilhante inteligência dedutiva pela qual é dotado o incontestável Grande Detetive, é capaz de superar a de qualquer adversário. Qualquer adversário pode ser superado pela brilhante inteligência dedutiva do incontestável Grande Detetive. Sendo dedutiva a inteligência brilhante do incontestável Grande Detetive, qualquer adversário tem a capacidade de lhe superar. A brilhante inteligência dedutiva do incontestável Grande Detetive, é capaz de superar a de qualquer adversário. Adversário algum é capaz de superar o incontestável Grande Detetive, do qual é dotado de brilhante inteligência dedutiva. O segmento grifado foi substituído por um pronome de modo INCORRETO em: tivera mais sucesso na medicina = tivera-o publicou Um estudo em vermelho = o publicou fazer as pessoas acreditarem = fazê-las acreditarem resolveu tentar a sorte = resolveu tentá-la citar os três detetives fictícios mais famosos = citar-lhes Está correta a seguinte afirmação sobre a pontuação do texto: As aspas empregadas no texto possuem funções diferentes: no terceiro parágrafo, foram utilizadas para delimitar uma citação e distingui-la do resto do texto; já no quarto parágrafo, as aspas realçam ironicamente uma expressão. A vírgula imediatamente após famosos (primeira frase do texto) pode ser suprimida sem prejuízo para a correção e a lógica. Em Arthur Conan Doyle era um clínico geral recém casado que morava em Southsea (2º parágrafo),uma vírgula poderia ser colocada imediatamente após a palavra geral, sem prejuízo para a correção da frase. Mantendo-se a correção, as frases Então, em 1886, surgiu [...] imaginar. Ele resolveu tentar [...] pouco imaginativas (2º parágrafo) podem ser articuladas em um único período do seguinte modo: Então, em 1886, surgiu a ideia que daria frutos além do que se poderia imaginar: ele resolveu... Uma redação alternativa, que preserva a correção e o sentido original, para o segmento numa imagem que, somada ao chapéu de caçador e ao cachimbo, se fixou na imaginação popular (2º parágrafo) é: numa imagem, que somada ao chapéu de caçador e ao cachimbo, se fixou na imaginação popular. ... salvo durante os intervalos de torpor a que aludi. O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o grifado acima está em: ... um novo caso produza em Holmes uma onda de entusiasmo ... ... começarão por Sherlock Holmes. ... mas que fosse marcadamente diferente das narrativas ... ... no entanto ele possuía enorme delicadeza de toque ... ... qualidades que espelham as de seu criador. Leia com atenção o que se afirma a respeito da frase abaixo. Apesar da quantidade de informações detalhadas sobre Holmes e seus hábitos fornecidas por Watson nos contos, o cerne do homem permanece fugidio. I. O segmento sublinhado indica uma ideia que se opõe àquela expressa na outra parte do enunciado, contrariando uma provável expectativa. II. Mantendo-se, em linhas gerais, o sentido original, o segmento o cerne do homem permanece fugidio está corretamente reescrito do seguinte modo: a essência do homem continua fora de alcance. III. O termo em destaque da pode ser substituído por de a, sem prejuízo para a correção e a clareza da frase. Está correto o que consta APENAS em (A) I. (B) II e II (C) I e III. (D) II. (E) II e III. O detetive Gervase Fen, que apareceu em 1944, é um homem de face corada, muito afeito ...... frases inteligentes e citações dos clássicos; sua esposa, Dolly, uma dama meiga e sossegada, fica sentada tricotando tranquilamente, impassível ...... propensão de seu marido ...... investigar assassinatos. (Adaptado de P.D.James, op.cit.) Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem dada: à - a – a à - à - a a - à - a à - a - à a - à - à F C C – 08 Atenção: As questões de números 1 a 10 referem-se ao texto abaixo. Visão monumental Nada superará a beleza, nem todos os ângulos retos da razão. Assim pensava o maior arquiteto e mais invocado sonhador do Brasil. Morto em 5 de dezembro de insuficiência respiratória, a dez dias de completar com uma festa, no Rio de Janeiro onde morava, 105 anos de idade, Oscar Niemeyer propusera sua própria revolução arquitetônica baseado em uma interpretação do corpo da mulher. Filho de fazendeiros, fora o único ateu e comunista da família, tendo ingressado no partido por inspiração de Luiz Carlos Prestes, em 1945.Como a agremiação partidária não correspondera a seu sonho, descolara-se dela, na companhia de seu líder, em 1990. “O comunismo resolve o problema da vida”, acreditou até o fim. “Ele faz com que a vida seja mais justa. E isso é fundamental. Mas o ser humano, este continua desprotegido, entregue à sorte que o destino lhe impõe.” E desprotegido talvez pudesse se sentir um observador diante da monumentalidade que ele próprio idealizara para Brasília a partir do plano-piloto de Lucio Costa. Quem sabe seus museus, prédios governamentais e catedrais não tivessem mesmo sido construídos para ilustrar essa perplexidade? Ele acreditava incutir o ardor em quem experimentava suas construções. Bem disse Le Corbusier que Niemeyer tinha “as montanhas do Rio dentro dos olhos”, aquelas que um observador pode vislumbrar a partir do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, um entre cerca de 500 projetos seus. Brasília, em que pese o sonho necessário, resultara em alguma decepção. Niemeyer vira a possibilidade de construir ali a imagem moderna do País. E como dizer que a cidade, ao fim, deixara de corresponder à modernidade empenhada? Houve um sonho monumental, e ele foi devidamente traduzido por Niemeyer. No Planalto Central, construíra a identidade escultural do Brasil. (Adaptado de Rosane Pavam. CartaCapital, 07/12/2012, www.cartacapital.com.br/sociedade/a-visao-monumental-2/) O texto sugere que, considerados os seus mais importantes projetos, a revolução empreendida por Oscar Niemeyer na arquitetura estaria evidentemente ligada a sua filiação ao partido comunista. mesmo que não se possa estender esse sentimento para o conjunto da obra de Niemeyer, Brasília provocaria certo mal-estar no observador, o que teria origem no projeto monumental de Lucio Costa. na biografia de Niemeyer, ressaltaria uma contradição insolúvel entre sua origem e suas convicções políticas, o que acabaria se resolvendo em suas obras monumentais, que misturam sonho e realidade. embora Brasília seja considerada a principal criação de Oscar Niemeyer, o próprio arquiteto não teria ficado satisfeito com a cidade, pois não corresponderia ao que havia sonhado. ainda que a construção de Brasília, projetada por Niemeyer, possa não ter concretizado a modernidade sonhada pelo arquiteto, a cidade teria se tornado genuína representação desse sonho grandioso. A substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente, com os necessários ajustes, foi realizada de modo INCORRETO em: resolve o problema da vida = resolve-o para ilustrar essa perplexidade = para ilustrá-la acreditava incutir o ardor = acreditava incuti-lo Nada superará a beleza = Nada lhe superará não correspondera a seu sonho = não lhe correspondera ... aquelas que um observador pode vislumbrar a partir do Museu de Arte Contemporânea de Niterói... Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será: pode-se vislumbrar. podem vislumbrar. pode ser vislumbrado. vislumbra-se. podem ser vislumbradas. Quem sabe seus museus, prédios governamentais e catedrais não tivessem mesmo sido construídos para ilustrar essa perplexidade? (3.º parágrafo) De acordo com o contexto, o sentido do elemento grifado acima pode ser adequadamente reproduzido por: estupefação. animosidade. descompasso. problemática. melancolia. Assim pensava o maior arquiteto e mais invocado sonhador do Brasil. O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o verbo grifado acima está em: ... Niemeyer tinha “as montanhas do Rio dentro dos olhos”... ... este continua desprotegido, entregue à sorte que o destino... Houve um sonho monumental... ... descolara-se dela, na companhia de seu líder, em 1990. ... com que a vida seja mais justa. Sobre a pontuação empregada no texto, afirma-se corretamente: Em um observador diante da monumentalidade que ele próprio idealizara para Brasília... (3.º parágrafo), uma vírgula poderia ser colocada imediatamente depois de monumentalidade, sem prejuízo para o sentido. Em No Planalto Central, construíra a identidade escultural do Brasil (último parágrafo), a retirada da vírgula implicaria prejuízo para a clareza e a lógica. Em Bem disse Le Corbusier que Niemeyer tinha “as montanhas do Rio dentro dos olhos” (último parágrafo), a justificativa para o emprego de aspas é o realce irônico que se quer dar à expressão que elas isolam. Em Mas o ser humano, este continua desprotegido... (2.º parágrafo), a vírgula poderia ser retirada sem prejuízo para o sentido e a lógica. Em Brasília, em que pese o sonho necessário, resultara em alguma decepção (último parágrafo), as vírgulas poderiam ser substituídas por travessões sem prejuízo para a clareza e a lógica. E como dizer que a cidade, ao fim, deixara de corresponder à modernidade empenhada? O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o verbo grifado acima está empregado em: No Planalto Central, construíra a identidade escultural do Brasil. Brasília [...] resultara em alguma decepção. Houve um sonho monumental... Nada superará a beleza... Filho de fazendeiros, fora o único ateu e comunista da família... Como a agremiação partidária não correspondera a seu sonho, descolara-se dela, na companhia de seu líder, em 1990. Sem prejuízo para a correção e o sentido, a frase acima pode ser reescrita do seguinte modo: Descolara-se da agremiação partidária, na companhia de seu líder, em 1990, se bem que ela não correspondera a seu sonho. visto que ela não correspondera a seu sonho. contanto que ela não correspondera a seu sonho. conquanto ela não correspondera a seu sonho. por conseguinte ela não correspondera a seu sonho. Substituindo-se o segmento em destaque pelo colocado entre parênteses ao final da frase, o verbo que deverá manter-se no singular está em: O comunismo resolve o problema da vida... (As revoluções vitoriosas da esquerda) Niemeyer vira a possibilidade... (Os arquitetos da geração de Niemeyer) Houve um sonho monumental... (sonhos monumentais) Bem disse Le Corbusier que Niemeyer... (os que mais conheciam a sua obra) Assim pensava o maior arquiteto... (grandes arquitetos como Niemeyer) A frase redigida com correção e clareza é: Talvez ninguém tenha feito mais pela divulgação do país no exterior do que Oscar Niemeyer, cujos projetos inconfundíveis, espalhados pelo mundo, nunca deixarão de aludir à paisagem brasileira. Até mesmo o governo dos Estados Unidos, que pensamos estarem muitas vezes alheios as coisas que se passam no Brasil, lamentaram a morte de Oscar Niemeyer, cuja nota dizia que ele inspirará gerações. Quando se começar à refletir no fato de que tão grande número de templos religiosos, tenham sido realmente construídos ou não, foram projetados por um arquiteto que abertamente se declarava ateu. Grandes arquitetos do mundo todo manifestaram sua admiração pela genialidade de Oscar Niemeyer, onde muitos chegaram mesmo a declarar a inspiração de suas obras em seu trabalho. A longevidade de Oscar Niemeyer permitiu, à todos os que eventualmente criticavam as suas obras, que as revalorizasse enquanto ele ainda vivia e não apenas depois da sua morte. F C C – 09 Atenção: O texto abaixo refere-se às questões de números 1 a 5. 1 5 10 15 20 25 No século VI a.C., os primeiros filósofos gregos preocuparam-se em conhecer os elementos constitutivos das coisas. Eles investigaram a Natureza, à busca de um princípio estável, comum a todos os seres, que explicasse a sua origem e as suas transformações. Físicos, como foram chamados por Aristóteles, esses primeiros filósofos, de Tales a Anaxímenes, fundaram uma tradição de estudo da Natureza, seguida e aprofundada por Heráclito, Pitágoras, Demócrito. Na segunda metade do século V a.C., os Sofistas, professores da juventude ateniense numa época de crise, inspirados mais pelo interesse prático do que por uma intenção teórica pura, debateram, entre outras ideias, o Bem, a Virtude, o Belo, a Leie a Justiça, formulando, a respeito de seu conteúdo, teses ousadas e contraditórias. Não obstante a falta de rigor e o propósito de confundir os adversários, com a habilidade de raciocínio que os notabilizou, os Sofistas tiveram o indiscutível mérito de introduzir, no estudo da sociedade e da cultura, o ponto de vista reflexivo-crítico que caracteriza a filosofia. Mas seria preciso esperar por Sócrates (470-399 a.C.), misto de pedagogo e de filósofo, que procurou definir os valores morais, as profissões, o governo e o comportamento social, para que esse ponto de vista se insinuasse também na apreciação das artes. Sócrates, que discorria sobre todos os assuntos humanos, entrou, certa vez, no ateliê do pintor Parrásio, e a este perguntou o que a Pintura poderia representar. Platão (427-347 a.C.), discípulo de Sócrates, fez, no seu diálogo A república, um confronto, que se tornou decisivo pelas implicações filosóficas que encerra, entre Arte e Realidade. Levando em conta o caráter representativo da Pintura e da Escultura, o filósofo concluía, nesse diálogo, não só que essas artes estão muito abaixo da verdadeira Beleza que a inteligência humana se destina a conhecer, como também que, em comparação com os objetivos da ciência, é supérflua a atividade daqueles que pintam e esculpem, pois o que produzem é inconsistente e ilusório. Por outro lado, Platão observa que a Poesia e a Música exercem influência muito grande sobre os nossos estados de ânimo, e que afetam, positiva ou negativamente, o comportamento moral dos homens. (Adaptado de: NUMES, Benedito. Introdução à filosofia da arte. 4. ed., São Paulo: Ática, 1999, p. 7 e 8) Sobre os Sofistas, tal como caracterizados no texto, é correto afirmar: a atitude que assumiram diante do que elegeram para estudo na Atenas da segunda metade do século V a.C. representou a inserção de uma perspectiva de abordagem do objeto que é marca distintiva da filosofia. foram suficientemente habilidosos para, numa época crítica da civilização grega, dar consistência e coerência às suas teses sobre a concepção do Bem, da Virtude, do Belo, da Lei e da Justiça. motivados pela necessidade de orientar a juventude ateniense da segunda metade do século V a.C., dedicaram-se a atividades estritamente especulativas, sólida base para posteriores ações pedagógicas. desempenharam papel pioneiro ao desenvolver técnicas, teses e conceitos novos, alicerçados na indiscutível capacidade mental que demonstravam ao encadear logicamente a argumentação com que defendiam seus princípios. tiveram desqualificados seus méritos, principalmente o de fundar uma perspectiva filosófica no estudo da sociedade e da cultura, pela falta de rigor em suas práticas e pela evidente intenção de turvar o raciocínio dos seus parceiros de diálogo com teses falaciosas. No texto, o autor firma, respeitando a cronologia, a relevância de cada um dos pensadores que compõem a história da Filosofia até seu apogeu, quando esta reconhece o significativo papel das artes plásticas na área filosófica. comenta o percurso da filosofia com o intuito de comprovar que o pensamento filosófico se eleva sobre todas as outras formas de conhecimento, principalmente a relacionada ao universo das artes. objetiva, entre outros aspectos, demonstrar que a denominação que Aristóteles deu aos primeiros filósofos constitui equívoco que a própria história se encarregou de corrigir. debate distintas perspectivas da reflexão filosófica, ao longo dos séculos, para evidenciar o papel decisivo que Platão desempenha na pesquisa da inteligência humana. cita pensadores para evidenciar caminho constitutivo do pensamento filosófico, considerando distintos aspectos sobre os quais recaíram as inquietações desses intelectuais nesse percurso. Considerada a norma-padrão da língua, tem consistência o seguinte comentário: (linha 19) assim como decisivo está grafado em conformidade com as normas da gramática, o estão as palavras "proesa" e "deslise". (linha 1) a forma preocuparam-se exemplifica a existência de verbo que aceita um pronome oblíquo átono do mesmo número e pessoa do sujeito, o chamado verbo pronominal. (linha 3) em que explicasse a sua origem, a palavra destacada remete a todos os seres, não se admitindo a possibilidade de superposição de elementos retomados pelo pronome. (linha 4) no segmento de Tales a Anaxímenes, as preposições demarcam aqueles que integram um grupo, sem contemplar a categoria temporal. (linhas 11 e 12) se, em lugar de o ponto de vista, se tratasse de distintos pontos, a formulação "os distin- tos pontos de vista reflexivos-críticos" estaria em concordância com as normas gramaticais. Considerado o parágrafo 3, em seu contexto, é correto afirmar: Transpondo o segmento (linha 17) e a este perguntou o que a Pintura poderia representar, formulado em diálogo indireto, para o diálogo direto, a forma que respeita as orientações da gramática normativa é: "e a este pergunta: - O que a Pintura talvez chegue a representar?". O emprego da forma verbal destacada em (linha 13) Mas seria preciso esperar por Sócrates indica que qualquer outro pedagogo ou filósofo poderia ser responsável pelo fato citado e que a presença de Sócrates como seu agente deve ser considerada um acontecimento fortuito. Infere-se que a pergunta citada (linhas 16 e 17) é considerada por Nunes uma indagação filosófica acerca da essência da Pintura, indagação que transportava para o domínio das artes a atitude interrogativa que já tinha sido assumida pelos filósofos gregos em relação às coisas e aos valores sociais. A sequência (linha 14) os valores morais, as profissões, o governo e o comportamento social constitui uma escala que vai do aspecto mais valorizado pelo autor ao que pode merecer menor destaque. O emprego de (linha 15) também supõe que o ponto de vista referido tivesse já se insinuado em outras áreas, que não são, entretanto, mencionadas; isso exige do leitor que levante hipóteses sobre quais poderiam ser. Afirma-se com correção sobre o que se tem no parágrafo 4: (linhas 22 e 23) Em é supérflua a atividade daqueles que pintam e esculpem, pois o que produzem é inconsistente e ilusório, a inclusão de uma vírgula após a palavra pois preserva a correção gramatical do segmento. (linha 19) Em que se tornou decisivo pelas implicações filosóficas que encerra, justifica-se o emprego de dois distintos tempos verbais pelo fato de a primeira forma indicar uma ação que se deu em certo momento do passado e a segunda, uma opinião tomada como legítima. (linhas 19 e 20) A frase Levando em conta o caráter representativo da Pintura e da Escultura exprime ideia de condição; assim, o segmento inicial equivale a "Se levasse em conta". (linhas 18 e 19) O confronto estabelecido por Platão entre Arte e Realidade impede qualquer apreciação positiva de uma manifestação artística. (linhas 23 e 24) Platão faz duas avaliações da Pintura e da Escultura, mas somente acerca de uma delas - é supérflua a atividade daqueles que pintam e esculpem - deixa explícito o parâmetro tomado para a apreciação. A alternativa redigida em conformidade com a norma-padrão escrita é: Conclusões as mais absurdas possível foram endossadas por muitos pesquisadores de renome, os quais todos esperavam, com justiça, perspicácia e bom senso. Enfatizou que nada contribue mais para o desânimo da categoria do que ver o jornalismo impresso hoje desmoralizado e rendido perante às redes sociais e novas mídias. Se ele vir de avião, chegará antes do tempo previsto, mas, ninguém há de considerá-lo empecilho para que se dê continuidade aos preparativos da festa em sua própria homenagem. De todas as atividades prazerosas, as que mais surtiam efeito positivo sobre o ânimo dos adolescentes eram as que concretizavam a intenção de levantar fundos para instituições beneficentes. Tinha mania de imputar nos outros as ações que ela mesma praticava irrefletidamente, e por isso, ao suporem que faria o mesmo naqueledia, acusaram- lhe antecipadamente de malediscência. Ou me engano, ou isto quis dizer que se lançam véus sobre certas notícias a pretexto de que, sujeitas a tantas e tão virulentas críticas, faz mal às pessoas. Tomando como parâmetro a norma-padrão escrita, comentário adequado sobre o acima transcrito é: O período tem de, entre outras, receber obrigatoriamente mais um acento indicativo da crase, em "à pretexto". está correto em todos os seus aspectos. tem de receber duas correções: "quiz", em lugar de "quis", e "que se lança", em lugar de "que se lançam. merece uma única correção: "fazem mal", em lugar de "faz mal". tem de, entre outras, receber obrigatoriamente a alteração de "às pessoas" para "as pessoas". A frase em que as ideias estão expressas de modo claro e correto é: Ainda que seja legítimo o conceito de que é direito da pessoa expressar-se livremente - sobre qualquer assunto que lhe diga respeito ou lhe aprouver - e de que o sistema jurídico do país tem o dever de garantir esse bem da democracia, é leviano dissociá-lo da responsabilidade inerente ao gesto cidadão de manifestar-se. Toda pessoa que paga imposto tem o direito de externar sua opinião sobre o modo como o governo trata os munícipes, mas se a pessoa está vinculada ao trabalho no setor da vida pública quando critica corrompe com a ética profissional. No que se refere aos meios de comunicação, o brasileiro vive um período complexo: na medida que a mídia cai em descrédito com o grande público - o tratamento é abusivo das notícias ou grave peso ideológico - os novos veículos da informática ganham cada vez mais credibilidade. A liberdade de expressão do cidadão que é funcionário do Estado em certa função encontra alguns condicionamentos em face de seu vínculo institucional, mas tal excessiva limitação não pode se interpretar a ponto de comprometer aquele direito. Numa democracia, até mesmo, ou principalmente, a imprensa é meio que não se pode prescindir para a liberdade de expressão, e por isso da evolução democrática, motivo pelo qual há o sigilo da fonte, garantido pela lei vigente quando ocorre uma denúncia. Atenção: O texto abaixo refere-se às questões de números 9 a 14. Blogs e Colunistas Sérgio Rodrigues Sobre palavras Nossa língua escrita e falada numa abordagem irreverente 02/02/2012 Consultório ‘No aguardo’, isso está certo? “Parece que virou praga: de dez e-mails de trabalho que me chegam, sete ou oito terminam dizendo ‘no aguardo de um retorno’! Ou outra frase parecida com esta, mas sempre incluindo a palavra ‘aguardo’. Isso está certo? Que diabo de palavra é esse ‘aguardo’ que não é verbo? Gostaria de conhecer suas considerações a respeito.” (Virgílio Mendes Neto) Virgílio tem razão: uma praga de “no aguardo” anda infestando nossa língua. Convém tomar cuidado, nem que seja por educação: antes de entrarmos nos aspectos propriamente linguísticos da questão, vale refletir por um minuto sobre o que há de rude numa fórmula de comunicação que poderia ser traduzida mais ou menos assim: “Estou aqui esperando, vê se responde logo!”. (Onde terá ido parar um clichê consagrado da polidez como “Agradeço antecipadamente sua resposta”? Resposta possível: foi aposentado compulsoriamente ao lado de outros bordados verbais do tempo das cartas manuscritas, porque o meio digital privilegia as mensagens diretas e não tem tempo a perder com hipocrisias. O que equivale a dizer que, sendo o meio a mensagem, como ensinou o teórico da comunicação Marshall McLuhan, a internet é casca-grossa por natureza. Será mesmo?) Quanto à questão da existência, bem, o substantivo “aguardo” existe acima de qualquer dúvida. O dicionário da Academia das Ciências de Lisboa não o reconhece, mas isso se explica: estamos diante de um regionalismo brasileiro, um termo que tem vigência restrita ao território nacional. Desde que foi dicionarizado pela primeira vez, por Cândido de Figueiredo, em 1899, não faltam lexicógrafos para lhe conferir “foros de cidade”, como diria Machado de Assis. Trata-se de um vocábulo formado por derivação regressiva a partir do verbo aguardar – Tal processo, que já era comum no latim, é o mesmo por meio do qual, por exemplo, do verbo fabricar se extraiu o substantivo fábrica. Considere as seguintes afirmações. Em Nossa língua escrita e falada numa abordagem irreverente, há uma ambiguidade que é produtiva para o texto: em qualquer uma das interpretações, a frase caracteriza bem a coluna. O uso de Consultório para nomear a coluna é incorreto, já que esse substantivo é usado para nomear certo espaço reservado aos profissionais da saúde. O autor destaca a palavra existência para enfatizar que vai tratar da questão em perspectiva específica: a da presença ou ausência do substantivo em dicionários. Está correto o que se afirma em I, apenas. I, II e III. I e II, apenas. I e III, apenas. II e III, apenas. Considerados os textos do autor da coluna e do consulente, é correto dizer: O autor da coluna e o consulente produzem textos em que cada um se dirige diretamente ao interlocutor, usando a 2ª pessoa do singular. A resposta inicia-se com informações não solicitadas pelo consulente, mas importantes para esclarecer aspectos das perguntas que fez. O consulente preocupa-se com a correção, enquanto o autor da coluna demonstra isenção em relação a qualquer uso da língua, desde que as formas em questão existam. O autor da coluna menospreza o dicionário da Academia de Ciências de Lisboa por causa do evidente preconceito desta obra em relação à linguagem falada no Brasil. O consulente revela disposição para mudar seu julgamento sobre “aguardo”, caso se comprove que a palavra existe. O autor recorre ao latim para propor que “aguardo” pode ter aparecido na língua bastante antes de 1899, data de sua dicionarização. afirma fazer uso de expressões como “Agradeço antecipadamente sua resposta” porque elas ao menos permitem denotar polidez. ironiza o privilégio concedido às pretensas mensagens diretas do meio digital, já que com elas se perde em estilo (bordados verbais) e em cortesia. afirma, com bom humor, mas com base em trabalhos qualificados, que, desde sua dicionarização, “aguardo” é palavra característica de um vocabulário rural. vale-se de informações sociolinguísticas, de história da língua e de morfologia para comprovar a existência de “aguardo”. Considerada a norma culta escrita, há correta substituição de estrutura nominal por pronome em: incluindo a palavra ‘aguardo’ // incluindo ela. Agradeço antecipadamente sua resposta // Agradeço-lhes antecipadamente. do verbo fabricar se extraiu o substantivo fábrica. // do verbo fabricar se extraiu-lhe. não faltam lexicógrafos // não faltam-os. Gostaria de conhecer suas considerações // Gostaria de conhecê-las. Acerca da pontuação empregada, é correto o seguinte comentário: As aspas em “foros de cidade” assinalam que a expressão é usada por outros, que não o autor, diferentemente das aspas em “no aguardo”. Em Que diabo de palavra é esse ‘aguardo’ que não é verbo?, seria mais apropriado um ponto de exclamação, considerado o conteúdo da frase. Considerado o conteúdo do texto, os parênteses que acolhem o segundo parágrafo da resposta justificam-se pelo caráter menos central das informações e comentários que contêm. Na primeira linha do texto citado e nas três primeiras do texto de Sérgio Rodrigues, dado o sentido do que vem em seguida, os dois-pontos poderiam ser substituídos por “porque”. Em foi aposentado compulsoriamente ao lado de outros bordados verbais, a apresentação de compulsoriamente entre vírgulas alteraria o sentido original, tornando prescindível a presença desse advérbio na frase. Está correta a seguinte flexão para o plural: se extraiu o substantivo: se extraíram os substantivos. Trata-se de um vocábulo: Tratam-se de vocábulos. o meio digital privilegia as mensagens diretas e não tem tempo a perder: os meios digitais privilegiamas mensagens diretas e não tem tempo a perder. é casca-grossa por natureza: são casca-grossas por natureza. o substantivo [...] existe acima de qualquer dúvida: os substantivos existem acima de qualquer dúvidas. Uma frase comum no início de certo tipo de documento oficial está corretamente redigida em: Requeremos a Mesa, ouvido o Plenario e cumpridas as formalidades regimentais, que, seja enviado Votos de Pesares aos familiares dos cabeleleiros... Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais que seja realizado uma Audiencia Pública... Requeremos a Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais, seja realizado uma Reunião Solene... Requeremos a Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas às formalidades regimentais, que seja formulado um Voto de Aplauso pela beneficiência da senhora Ana Margarete da Silva... Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais, que sejam transcritos os artigos sobre a ascensão da nova classe média em Pernambuco... F C C – 10 Atenção: Texto para as questões de números 01 a 13. Fim do voto secreto no Legislativo 1 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Senadores. Quero parabenizar a Câmara dos Deputados, que na noite de ontem, aprovou, por unanimidade, a Proposta de Emenda à Constituição – PEC 349/2001, de autoria do ex-deputado Luiz Antonio Fleury, que prevê voto aberto em todas as situações no Poder Legislativo. O texto havia sido aprovado em 1º turno, no ano de 2006. Agora, a proposta vem para o Senado para ser apreciada em dois turnos. A medida aprovada vale para as deliberações da Câmara, do Senado, das assembleias legislativas, da Câmara Legislativa do Distrito Federal e das câmaras de vereadores. Estamos no aguardo da chegada do texto aqui no Senado Federal para que possamos aprová-lo o quanto antes. Creio que é possível a sua votação e aprovação ainda no mês de setembro. Senhor Presidente, após a aprovação da PEC 349, eu recebi uma verdadeira avalanche de mensagens via redes sociais para que esta Casa aprove o voto aberto, ou seja, o fim do voto secreto. Sou daqueles que não acredita que esta Casa vai titubear e “empurrar com a barriga” para os escaninhos da poeira a proposta aprovada na Câmara. Seria a desmoralização, “o fim da picada”, como bem falamos lá no sul, no meu Rio Grande, para não dizer um erro crasso, igual ou até mesmo maior do que a não cassação do deputado ocorrida durante sessão na semana passada. Eu estou confiante, SIM!!!!, graças a Deus!!! Esta Casa, senhor Presidente, o Senado Federal, nós senadores e senadoras, temos consciência do que se passa pelas ruas e praças do nosso Brasil. Entendo, pela situação, que vale a apresentação de um requerimento de urgência para que a PEC 349 seja encaminhada diretamente a este Plenário. Esta causa é mais do que justa. Já perdemos a conta de quantas vezes, aqui mesmo desta Tribuna, deste espaço democrático, defendemos e exigimos o fim do voto secreto no Congresso Nacional. Não somente eu, muitos senadores. Apresentamos, em 2006 a PEC 50, com o objetivo que eliminar o voto secreto no Legislativo. Mesmo sendo aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, o texto foi engavetado. No inicio deste ano apresentamos a PEC 20/2013, com o mesmo objetivo. Ela foi aprovada na CCJ, com relatoria do senador Sérgio Souza. A proposta está pronta para ser votada aqui no Plenário. O senador Álvaro Dias é autor da PEC 196/2012, que prevê o fim do voto secreto nos processos sobre cassação de mandato parlamentar. Proposta aprovada no Senado e, pronta para ser votada na Câmara. No último domingo, dia 1º de setembro, o jornal Zero Hora, do Grupo RBS, de Porto Alegre, publicou editorial com a seguinte chamada: “Pelo voto às claras”. Parte do texto diz o seguinte: “Voto secreto, nos moldes do que existe hoje no parlamento brasileiro, só serve para acobertar quem não tem coragem de assumir perante os eleitores as consequências de seus atos. O voto secreto tinha por objetivo preservar a liberdade de consciência dos parlamentares em decisões nas quais uma tomada de posição pública poderia acarretar pressões de um ou outro tipo. Na prática, porém, as votações protegidas por sigilo são as que envolvem interesses corporativos. O sistema político brasileiro é particularmente eficaz quando se trata de distorcer a finalidade de um instrumento democrático para torná-lo ferramenta do avesso da democracia. Tome-se, por exemplo, o caso das medidas provisórias, inspiradas no Direito italiano, no qual servem expressamente para dar ao presidente o poder de legislar de forma emergencial, atendidos os pressupostos de relevância e urgência. No Brasil, a medida provisória converteu-se em verdadeira mania presidencial, servindo até mesmo para criação e majoração de tributos.” O texto ainda prossegue: “... a decisão de acabar com o voto secreto no Congresso só ocorrerá se a sociedade pressionar nesse sentido. Não cabe dúvida de que os cidadãos comuns são os principais interessados em jogar luz sobre esses e outros processos legislativos. Trata-se, em primeiro lugar, de uma questão de transparência no exercício da atividade legislativa, e, em segundo, de matéria concernente ao que os americanos chamam de accountability, termo que equivale à faculdade ou efeito de prestar contas a órgãos controladores, aos representados ou à própria opinião pública”. É claro, senhoras e senhores Senadores aqui presentes. Eu apenas citei aqui uma pequena parte do que foi o editorial, mas, que concentra a ideia, o cerne da questão. Senhor Presidente, Portanto, faço, respeitosamente, mais uma vez, um apelo aos nobres senadores e senadoras, à Mesa desta Casa, ao presidente, senador Renan Calheiros, ouçamos a voz rouca das ruas e das praças. É um momento histórico para o Congresso Nacional, é um momento impar da nossa atuação, da atuação de todos nós como parlamentares. Não importam nomes, senhoras e senhores Senadores, não importam partidos, senhor Presidente. Mas, SIM, a causa, algo maior que vai, com total certeza, melhorar e lapidar a nossa democracia. Era o que tinha a dizer. Senador Paulo Paim. (Proferido em 04/09/2013 e disponível em: www.senadorpaim.com.br/verimprensa.phl?id) A organização do texto autoriza o seguinte comentário: O primeiro parágrafo estrutura-se em períodos sintáticos curtos e simples, sem intercalações ou construções subordinadas, para que o locutor mimetize a cadência natural da fala espontânea, avessa à complexidade. A explicitação do sentido de PEC, feita logo no primeiro parágrafo, sugere que o enunciador está atento não apenas à audiência presente no Senado, mas também a uma audiência potencial (expectadores da TV, leitores posteriores da versão escrita etc.), menos familiarizada com a sigla. A citação do editorial de jornal é feita ipsis litteris e entre aspas para assinalar que a opinião ali defendida diverge da do senador, especialmente no radicalismo contra os que defendem o voto secreto. O senador baseia-se fartamente em fatos, datas e estatísticas, aumentando a credibilidade do que diz e o poder de convencimento do discurso, mas comprometendo a emotividade necessária à persuasão. Ao enunciar a frase final (Era o que tinha a dizer), o senador reconhece que o encaminhamento dado a seu discurso não permite que se identifiquem os dois parágrafos imediatamente anteriores como conclusivos. No discurso, o orador deu primazia argumentativa, sobre todos os outros fatos que referiu, à votação ocorrida na noite anterior ao dia em que subiu à tribuna, como o comprova o fato de ter sido mencionada essa votaçãologo no início de sua fala. organizou o trecho às linhas 10 e 11 sob o critério da seguinte ordem: do anterior para o posterior, segundo a sequência das instâncias deliberativas no que se refere às leis federais. exemplificou o gênero epiditico, em pronunciamento feito numa reunião solene, com o objetivo de elogiar certos membros do Poder Legislativo por ações relevantes na matéria de consenso tratada, circunstância esta que lhe dispensou de pedir a adesão do auditório. manifestou a importância da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição – PEC 349/2001, à linha 6, valendo-se de argumento que valoriza a quantidade, ainda que o tenha feito por meio de linguagem técnica, apropriada ao auditório particular. utiliza-se de um exemplo e de uma narrativa, às linhas 6 e 7, cita o ex-deputado Luiz Antonio Fleury e apresenta o histórico da PEC 349/2001, para defender sua convicção de que propostas inovadoras, cedo ou tarde, são aprovadas quando produzem efeitos práticos de grande magnitude. A afirmação correta sobre o emprego de vocativos no texto é: Repetidos excessivamente, demonstram o apego do locutor aos protocolos formais do discurso parlamentar, já que, dado o objetivo do pronunciamento, sua audiência-alvo é outra: a voz rouca das ruas e das redes sociais. Põem a audiência imediata em evidência, contribuindo para o efeito de sentido de solidariedade entre o senador e tais interlocutores, instados a aprovar a PEC. Presentes em alguns pontos estratégicos, do ponto de vista retórico, auxiliam na demarcação entre passagens com diálogo e passagens com monólogos, voltados estes a análises e reflexões técnicas do senador. Usados exclusivamente em trechos suscetíveis à ambiguidade, esclarecem a quem de fato (presidente, demais senadores, presidente e senadores) interessa cada uma das declarações. Como estão ligados a conteúdos volitivos (Quero parabenizar) ou a apelos endereçados à audiência fisicamente presente, são excrescência, tanto do ponto de vista gramatical, quando do ponto de vista estilístico. O orador, ao armar seu raciocínio, parte de premissas, ideias que ele considera integrantes de acordo preestabelecido com o auditório. As alternativas que seguem contêm algumas dessas premissas, (reconhecíveis nas linhas de 15 a 29), à EXCEÇÃO de uma. Assinale-a. Grande número de mensagens via redes sociais apoiando determinado posicionamento é representativo do ponto de vista da população de um país. Causas justas merecem receber encaminhamento de urgência. Não dá hipótese de senadores protelarem para referendar propostas aprovadas na Câmara. Defender certa tomada de posição não se confunde com exigir que essa posição seja tomada. Ter consciência do que se passa pelas ruas e praças do Brasil significa agir de acordo com as expectativas do povo. O texto legitima a seguinte assertiva: Em seu contexto, segmentos como (linhas 30/31) o texto foi engavetado e (linhas 35/36) PEC 196/2012, que prevê o fim do voto secreto nos processos sobre cassação de mandato parlamentar constituem evidência de que o texto do senador, em sua historicidade, registra os pontos de vista da sociedade sobre o fim do voto secreto. O senador optou por introduzir a voz do editorialista do jornal mencionado porque este, ao se manifestar de modo coeso e coerente, passou a constituir testemunho autorizado, tornando as ideias a que adere refratárias a contestações. Passagens do texto contribuem para que os parlamentares ou os leitores da mensagem transcrita construam uma imagem do senador, com, por exemplo, os seguintes traços: é ardoroso defensor da cultura de sua terra natal – [n]o meu Rio Grande – e fervoroso disseminador de valores religiosos – graças a Deus!!!. Considerando correto que 1) o português também emprega o acento de intensidade para obter efeitos singulares – o chamado acento de insistência –, ocasião em que a ênfase é obtida pela insistência na sílaba tônica da palavra; e que 2) os escritores costumam indicar na grafia esse alongamento enfático repetindo a vogal da sílaba tônica, a forma SIM, à linha 66, exemplifica tal uso e grafia. O tom adotado no discurso é o de euforia pela aprovação da PEC 349/2001, matizado, entretanto, pelo tom de desesperança quanto ao futuro – Sou daqueles que não acredita que esta Casa vai titubear – e pelo tom de lamento pela demora na aprovação da PEC 20/2013, de autoria do orador – A proposta está pronta para ser aprovada aqui no Senado. Consideradas as linhas de 18 a 22, é correto afirmar: A figura de linguagem presente em uma verdadeira avalanche de mensagens, embora ajustada à busca por um estilo intenso e a um nível mais elevado de linguagem, é ornamento linguístico desaconselhável, por dificultar a compreensão do sentido denotativo do trecho. A presença de metáfora de sentido obscuro (escaninhos da poeira) e a menção a fato desconhecido da audiência, porque não totalmente explicitado no texto (a não cassação do deputado), são descuidos com a clareza e a precisão. O comentário que vem na sequência da expressão “o fim da picada” revela a certeza do senador de que ela é um regionalismo de sentido desconhecido de seus interlocutores de outras partes do país. Na transcrição do pronunciamento, o emprego de aspas em “empurrar com a barriga” e “o fim da picada” destaca o fato de as expressões serem concebidas como pertencentes à variedade popular da língua. Na sequência titubear e “empurrar com a barriga”, também a palavra titubear deveria estar entre aspas, para assinalar a pertença de todo o trecho a um registro linguístico informal. É adequado o seguinte comentário sobre aspecto do texto: (linha 8) A forma verbal havia sido aprovado expressa ação passada anterior a outra igualmente passada, que, entretanto, está subentendida no parágrafo. (linhas 47/48) O segmento atendidos os pressupostos de relevância e urgência exprime a finalidade ideal do poder de legislar de forma emergencial. (linha 41) Em não tem coragem de assumir perante os eleitores as consequências de seu atos, a substituição do segmento destacado por “perante aos” é opção que preserva a correção original. (linha 43) Se o segmento uma tomada de posição pública poderia acarretar pressões for transposto para o plural, a redação correta a ser obtida é “tomadas de posições públicas poderiam acarretarem pressões”. (linhas 40/41) Em só serve para acobertar quem não tem coragem, o deslocamento do termo destacado, na função de advérbio, para depois do verbo – “serve só” –, não prejudica o sentido original. Já perdemos a conta de quantas vezes, aqui mesmo desta Tribuna, deste espaço democrático, defendemos e exigimos o fim do voto secreto no Congresso Nacional. Não somente eu, muitos senadores. Apresentamos, em 2006 a PEC 50, com o objetivo de eliminar o voto secreto no Legislativo. Mesmo sendo aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, o texto foi engavetado. Sobre o fragmento acima, é correto afirmar: No segmento aqui mesmo desta Tribuna, deste espaço democrático, o orador se vale de redundância desnecessária, pois o segundo segmento não oferece detalhamento algum acerca do primeiro. A forma Apresentamos é exemplo de uso do plural de modéstia, pois o contexto evidencia que o senador faz referência a ação realizada apenas por ele mesmo. Em uma revisão da pontuação, seria apropriado o acréscimo de vírgula após 2006. Em outra formulação correta e ajustada ao contexto, pode-se substituir com o objetivo de por “visando à”. A supressão da primeira vírgula do fragmento Tribuna, deste espaço democrático, defendemos representaria um outro ritmo de fala, mas em nada alteraria o sentido original. No primeiro fragmento do editorial citado, defende-se que voto secreto é essencialmente antidemocrático, sejam quais forem as justificativas usadas para a sua adoção. atenua-se o juízo apresentado nas linhas 40 d 41, ao se considerarem um certo contexto e uma distinção entre ideias e práticas.restringe-se o desvio da função primeira do voto sigiloso ao contexto politico brasileiro. censura-se o emprego das medidas provisórias, posto que já na sua origem, no Direito italiano, aparece como forma de privilegiar interesses particulares. considera-se o aumento de impostos como ápice de uma postura política voltada para interesses pouco relevantes, pouco urgentes e pouco democráticos. ... ouçamos a voz rouca das ruas e das praças. Figuras de linguagem matizam a expressão. Dentre as nuances de sentido elencadas a seguir, a que merece ser descartada, por não ser sugerida pela construção acima, em seu contexto, é: Atentemos aos clamor persistente dos que se manifestam nas ruas e nas praças. Atendamos aos rogos e queixas proferidas de viva voz. Levemos em conta os frágeis reclamos dos menos favorecidos. Ofereçamos acolhida aos brados retumbantes da população que se manifesta. Consideremos a voz que persiste por não ser ouvida. Considerando os seguintes fragmentos da segunda citação do jornal, aponte a alternativa em que os dois termos destacados têm a mesma função sintática. a decisão de acabar com o voto secreto no Congresso só ocorrerá se a sociedade pressionar nesse sentido. uma questão de transparência no exercício da atividade legislativa. equivale à faculdade ou efeito de prestar contas a órgãos controladores, aos representados. de matéria concermente ao que os americanos / termo que equivale à faculdade ou efeito. dúvida de que os cidadãos comuns são os principais interessados em jogar luz sobre esses e outros processos legislativos. Há relato adequado e redigido de forma clara e correta, em: No dia 4 de setembro de 2012, Paulo Paim iniciou um discurso no Senado parabenizando a Câmara dos Deputados pela aprovação da PEC349/2001 na noite anterior. Fez um histórico da discussão parlamentar do tema dessa PEC. Com base nesse histórico, em sua própria experiência e em ideias contidas em um editorial de jornal, procurou convencer os presentes da necessidade e da urgência da aprovação. O senador Paulo Paim fez um discurso discutindo a PEC349/2001, onde demonstrou à quem lhe ouviu muitos motivos para a aprovação urgente de tal PEC também no Senado, uma vez que ela já foi aprovada na Câmara também. Foi feito um discurso para o Senado em 4 de setembro de 2012 em defesa da aprovação do voto sempre em aberto no Poder Legislativo, com uso de argumentos fortes de um político experiente e de um jornal do Sul. Defendeu-se que, a PEC respectiva havia sido aprovada na Câmara, devendo, pois, ser aprovada no Senado após. O colendo e preclaro senador Paulo Paim, em mais uma nova tentativa, induziu os correligionários do Senado Federal a discorrer e aprovar, em regime de urgência urgentíssima, considerando a voz rouca das ruas e a avalanche de mensagens que havia recebido pela internet, a PEC que respeita a universalidade de votos secretos, nas decisões legislativas. Tendo sido confirmado a sua aprovação na Câmara dos Deputados na noite anterior, o senador do Rio Grande Paulo Paim, conclamou, com base a uma série de argumentos consistentes, o Senado a também aprovar a mesma, se possível ainda no mesmo mês em que se a aprovara na Câmara. Palavras empregadas no discurso motivaram a redação de outras frases, que, entretanto, devem ser analisadas independentemente do texto do senador. Considerada a norma-padrão escrita, a frase que merece correção é: O Congresso Nacional do Brasil é bicameral, o que quer dizer que é composto por duas câmaras, a saber, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados. Sou daqueles que não duvidam do poder popular para gerar transformações sociais, sejam quais forem as áreas merecedoras de aprimoramento. Valem, e muito, os apartes que são pedidos pelos deputados a fim de obterem esclarecimentos, pois os projetos, como qualquer outra produção humana, não são imunes a controvérsias. Não cabem, a nenhum título, suspeitas de falta de decoro em sua participação naquela assembleia, ao mesmo tempo histórica e tão controversa. Muitas PECs preveram voto aberto no Poder Legislativo, mas somente a PEC 349/2001 foi aprovada, não sem antes aguardar longos anos para atingir seu propósito. Considerando desejável que a ideias similares deve corresponder forma verbal similar, em busca da clareza, deve ser evitada, no contexto em que está, a construção destacada em: Anula-se a cláusula contratual que obriga o contratante a pagamento adicional ou a fornecer qualquer material escolar de uso coletivo. Foi aprovado projeto que proíbe a venda em escolas públicas e privadas de bebidas com baixo valor nutricional, como refrigerante, e de alimentos com alto teor de gordura e sódio, como os salgados. É direito do profissional taxista empregado: aplicação, no que couber, da legislação que regula o direito trabalhista e da do regime geral da previdência social. Fomenta e incentiva ações que promovam a recuperação florestal e a implantação de sistemas agroflorestais em áreas rurais desapropriadas e em áreas degradadas, nos casos que especifica. Dispõe sobre a exploração direta e indireta pela União de portos e instalações portuárias e sobre as atividades desempenhadas pelos operadores portuários. Em busca da clareza não é aconselhável que textos oficiais contenham frases fragmentadas, resultantes de má estruturação, tal como a que se encontra na seguinte alternativa: O projeto de lei autoriza o Poder Executivo a criar a Agência Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente. Contra o voto de um deputado, que se manifestou em separado, foi aprovado. Foi lançada a seguinte proposta: que o imposto devido em razão de serviços relacionados com a exploração e explotação de petróleo, gás natural e de outros recursos naturais seja recolhido ao município onde o serviço for executado. O jornalista informou que o projeto de lei revoga o artigo que dispõe sobre as pessoas jurídicas em débito por falta de recolhimento de impostos no prazo legal. Não cabendo pronunciamentos quanto à adequação financeira e orçamentária. A reunião versava sobre a aprovação do Regulamento do Fundo de Agricultura Familiar do Mercosul. “Pela compatibilidade financeira e orçamentária e, no mérito, pela aprovação” é o que se lê no parecer do relator. A votação do projeto que solicitava autorização do Poder Executivo para criar uma universidade em município do interior do Paraná deu-se no último dia do mês passado. Dada a inadequação financeira e orçamentária apontada pelo relator, seu parecer foi seguido por unanimidade. Considere cada uma das assertivas abaixo, que vem acompanhada da reescrita de um trecho seu, com o objetivo de estabelecer o paralelismo sintático que falta à frase. Protestos populares às vezes não se apresentam da maneira mais cidadã, sendo que isso não merece toldar as legítimas reivindicações. / mas isso não merece toldar as legítimas reivindicações. Em manifestos públicos, todo discernimento é bem-vindo, para os que dão visibilidade aos reclamos sociais e principalmente os que, no futuro, poderão gozar dos benefícios conquistados. / tanto para os que dão visibilidade aos reclamos sociais, quanto, principalmente, para os que, no futuro, poderão gozar dos benefícios conquistados. Bem-estar coletivo depende, de um lado, da livre manifestação das ideias, mas também a todos devem ser garantidos os direitos da cidadania. / quanto, também, todos devem ter garantidos os direitos da cidadania. Com a nova redação, imprimiu-se o paralelismo APENAS em I. II. II e III. I e III. I e II. A frase que apresenta comprometimento da lógica pelo uso inadequado da palavra destacada é: Todos se alegravam por sua verborragia ser intermitente, pois ninguém suportaria tanto vigor se não houvesse pausas de alívio. Queria que os respingos de sua declaração fossem para bem longe de si, que se manifestara de modo infeliz, por isso desejava que a força centrípeta fosse, nesse caso,bastante vigorosa. Havia censura acerca de a equipe estar sempre voltada para problemas internos, mas diga-se a favor dela que os maiores desafios a serem enfrentados eram mesmo de natureza endógena. É lugar-comum a afirmação de que não se deve transigir com o nepotismo, mas a prática mostra que a frase se banalizou sem que se tenha levado a sério o princípio nela expresso. Sendo voz corrente que era habituada a procrastinar o mais insignificante compromisso que fosse, ninguém se esforçava para atende-lo em suas demandas no prazo que estipulava. A redação está clara e correta em: A medida proíbe a utilização de materiais, nesses locais, que possua fácil combustão ou libere gases tóxicos, em caso de incêndio, nas divisórias e revestimentos acústicos. Se a receita do ano for superior a estimada, o governo encaminha a Assembleia Legislativa um projeto de lei aonde solicita autorização para incorporar e valer-se do excesso de arrecadação. Analisado o Projeto e sua Emenda Modificativa, opino no sentido de que o parecer desta Comissão, seja pela APROVAÇÃO do Projeto, acrescido a alteração trazida pela Emenda. O deputado enfatizou, ainda, a necessidade de o Governo, por meio da Secretaria de Defesa Social, enviar reforço policial para a cidade, com a intenção de reduzir o número de assaltos aos bancos e aos moradores. Muito embora a mulher vem conquistando e usufruindo, cada dia, de novos espaços, dentro de uma estrutura social voltada ao homem, atuando com muitas áreas tradicionalmente masculinas, como a política, a maioria ainda sofrem preconceito e intolerância no ambiente de trabalho. Considerada a morfologia dos verbos, aponte a alternativa com forma corretamente conjugada. Requero urgência na tramitação da proposta. Espero que esta casa não titubeie na votação da PEC. Na sessão de ontem, muitos dos presentes pressuporam que haveria uma nova alteração. Aquele jovem deputado estadual sempre media os conflitos na comissão de que participa. Esperamos que, até a próxima semana, eles nomeem o novo secretário. As Bases do Acordo Ortográfico vigente estabelecem a eliminação dos chamados acentos diferenciais, exceto os usados para distinguir timbre aberto de fechado em palavras paroxítonas: pêlo, pólo. manutenção do acento gráfico indicativo de hiato de duas vogais iguais, como em vêem e vôo. eliminação do trema que marcava a pronúncia do u quando precedido de g e q e seguido de e e i, exceto nos casos em que o sinal aparece em palavras de tradição mais longa na língua, como freqüentemente. eliminação do acento gráfico que marcava o timbre aberto dos ditongos ei e oi, em palavras como ideia e heroico. manutenção do acento gráfico sobre o i ou u tônico precedido de ditongo decrescente em palavras paroxítonas, como em feiúra. F C C – 11 Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 8. Quando Nelson Mandela criou o grupo The Elders (Os Anciãos) para promover a paz e os direitos humanos em todo o mundo, ele nos desafiou a ser ousados e a dar voz àqueles que não a têm. Nenhuma questão exige essas qualidades mais do que nossa incapacidade coletiva de lidar com os problemas das mudanças climáticas. Estas são o maior desafio da nossa era. Elas ameaçam o bem-estar de centenas de milhões de pessoas agora e de muitos bilhões no futuro. Elas destroem o direito humano a alimentação, água, saúde e abrigo - causas pelas quais temos lutado toda a nossa vida. Ninguém nem nenhum país escapará do seu impacto. Mas são aqueles sem voz - porque já são marginalizados ou ainda não nasceram - que se encontram em maior risco. Temos um dever moral urgente de falar em seu nome. Dado o peso notório das evidências, pode ser difícil entender por que continuamos avançando lentamente na ação coordenada necessária para reduzir as emissões dos gases de efeito estufa. O último relatório dos especialistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas afirma claramente que o aquecimento do sistema climático é "inequívoco" e o comportamento humano é muito provavelmente sua causa dominante. Temos visto nos últimos meses o aumento de eventos de clima extremo, sobre os quais os especialistas chamam a atenção. Os custos já são avultados e, por esse motivo, o Banco Mundial, o FMI e a Agência Energética Internacional se juntaram à comunidade científica para alertar sobre os riscos que estamos correndo. Já não são somente os ambientalistas que fazem soar os alarmes. E, todos os anos, a nossa incapacidade em agir nos deixa mais próximos de um ponto sem volta, no qual os cientistas receiam que as mudanças climáticas possam se tornar irreversíveis. Muitos dos Anciãos já foram responsáveis por governos. Não cometemos o erro de pensar que tratar das mudanças climáticas é uma questão fácil. Mas sabemos que existem momentos em que, independentemente das dificuldades do panorama imediato, os líderes precisam mostrar coragem e ousadia. Esse é um desses momentos. Chegamos em uma encruzilhada. Em uma direção, um legado terrível pode ser passado para nossos netos e bisnetos. De outro lado, está a oportunidade de dar os primeiros passos em direção a um mundo mais justo e sustentável. Não queremos que as gerações futuras digam que falhamos. (Adaptado de: ANNAN, Kofi. Ex-Secretário Geral da ONU. O Estado de S. Paulo, A14, Inetrnacional, 24 de janeiro de 2014) É correto afirmar que o texto se apresenta como critica à atuação improdutiva de órgãos responsáveis pelo controle da emissão de poluentes em todo o planeta, apesar da experiência já demonstrada por alguns líderes, especialmente os mais idosos. aconselhamento aos governantes de todo o mundo, especialmente aqueles mais idosos e experientes, para que consigam realmente controlar as emissões de gases poluentes, que causam o efeito estufa. apelo a líderes mundiais no sentido de não só se preocuparem com as mudanças climáticas no planeta, mas também passarem a agir para que haja realmente um controle eficaz do aquecimento global. constatação da necessária redução das atividades produtivas, em todo o mundo, por existirem dados concretos a respeito da ineficácia de medidas tomadas até o momento contra as causas do aquecimento global. convite à expansão das medidas anteriormente tomadas para proteger populações inteiras, em todo o mundo, que lhes permitem o acesso irrestrito a direitos essenciais, como água potável, casa, saúde e alimentação. O autor baseia sua exposição em dados de especialistas, referentes a eventos climáticos extremos, criticando a falta de medidas rápidas e eficazes para o controle do efeito estufa. defende a participação de líderes, apontados pelos especialistas e pelos órgãos de proteção ambiental, em decisões governamentais de controle do efeito estufa. censura das falhas de órgãos responsáveis pela manutenção do equilíbrio ambiental, bastante comprometido, a partir de evidências apontadas por especialistas da área. se vale de sua experiência pessoal, como responsável pelo atendimento a populações vítimas de catástrofes provocadas pelas mudanças climáticas no mundo todo. desenvolve seu raciocínio com o apoio de governantes mais velhos, cuja experiência na resolução de problemas derivados das mudanças climáticas deve ser valorizada A frase do texto cujo verbo poderia ter sido empregado, também corretamente, no plural, é: ... um legado terrível pode ser passado para nossos netos e bisnetos. ... tratar das mudanças climáticas é uma questão fácil. Nenhuma questão exige essas qualidades... Ninguém nem nenhum país escapará do seu impacto. O último relatório dos especialistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas afirma claramente... Dado o peso notório das evidências... O segmento sublinhado acima, que introduz o 3º parágrafo, estabelece relação de ............ e pode ser substituído, sem alteração do sentido original, por ....... . As lacunas acima estarão corretamentepreenchidas por: causa – Em razão do peso ressalva – Conquanto haja o peso condição – Se acaso o peso consequência – Resulta daí o peso finalidade – Para se verificar o peso Conclui-se corretamente do texto que é fundamental a ação de especialistas junto a órgãos governamentais, direcionada à tomada de medias eficazes por alguns países, especialmente os mais desenvolvidos, de controle de emissões de poluentes para garantir o equilíbrio ambiental. imprescindível a destinação de recursos financeiros para garantir as condições necessárias à qualidade de vida das populações, especialmente no momento em que elas estão expostas à ocorrência de eventos climáticos extremos. necessária uma ação coletiva no sentido de controlar as causas do aquecimento global, responsável pela ocorrência de eventos climáticos extremos, que tanto comprometem a qualidade de vida humana, como resultam em prejuízos financeiros. evidente a ocorrência, cada vez maior,d e eventos climáticos extremos, ainda que haja preocupação de governantes, principalmente os mais experientes, no sentido de controlar os prejuízos decorrentes da atividade humana no planeta. importante que as populações passem a exigir de seus governantes maisor atenção aos relatórios de especialistas e de órgãos de finanças sobre a ocorrência de fenômenos climáticos que põem em risco a sobrevivência humana. Não queremos que as gerações futuras digam que falhamos. (final do texto) Identifica-se uma decorrência da afirmativa acima em: Não cometemos o erro de pensar que tratar das mudanças climáticas é uma questão fácil. Temos um dever moral de falar em seu nome. Os custos já são avultados... Muitos dos Anciãos já foram responsáveis por governos. Já não são somente os ambientalistas que fazem soar os alarmes. Ninguém nem nenhum país escapará do seu impacto. Temos um dever moral urgente de falar em seu nome. Os pronomes sublinhados nas frases acima, ambas do 2º parágrafo, referem-se, respectivamente, a os eventos de clima extremo – o maior risco o direito humano ao bem-estar – a nossa incapacidade coletiva os alarmes dos cientistas – os direitos humanos as mudanças climáticas – aqueles sem voz nossa incapacidade coletiva – os eventos de clima extremo Elas destroem o direito humano a alimentação, água, saúde e abrigo... O verbo que exige o mesmo tipo de complemento do sublinhado acima está em: ... e o comportamento humano é muito provavelmente sua causa dominante. Chegamos a uma encruzilhada. Estas são o maior desafio da nossa era. ... Mas do que nossa incapacidade coletiva de lidar com os problemas das mudanças climáticas. Temos visto nos últimos meses o aumento de eventos de clima extremo... O período redigido com lógica, clareza e correção é: As mudanças climáticas, onde nos países mais ricos estão a maior responsabilidade, com a emissão de dióxido de carbono que afeta inclusive as nações mais pobres, sendo necessário caminhar para um mundo mais sustentável, cujos esforços no controle dos eventos extremos precisam ser ampliados. Todos sabem o que precisa ser feito para evitar as catástrofes das mudanças climáticas, prejudicando regiões e todo o planeta, comprometendo sua economia, restando também impossível recuperar inteiramente as áreas em alguns países, principalmente naqueles mais pobres. para evitarem as mudanças climáticas, deve ser limitado os aumentos da temperatura global especialmente em países desenvolvidos, com o afastamento de combustíveis fósseis e passar a preferir as energias renováveis mais econômicas, segundo o qual se reduz as emissões de gases do efeito estufa. O aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos em todo o planeta sobre o que os especialistas emitem alertas, resultado evidente das atividades humanas que precisa voltar aos índices pré-industriais, com avultados prejuízos para todos os países, os ricos e inclusive os em desenvolvimento. As soluções para os problemas decorrentes das mudanças climáticas não resultam apenas de observações realizadas em centros de pesquisas, mas também de inovações surgidas nas regiões mais afetadas, que já estão mostrando o caminho para um mundo sem emissões de dióxido de carbono. Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 10 a 14. Vitalino A mãe de Vitalino era louceira. E foi vendo-a moldar os tourinhos de cachaço crivado de furos para neles se espetarem os palitos de dentes, que Vitalino sentiu aos seis anos vontade de plasmar* aqueles outros bichos, como os via no terreiro da casa – galos, cachorros, calangos. Depois feras – onças, jacarés. Depois gente... Também a arte de Vitalino veio se complicando. Já não se limita ele aos simples bichinhos de plástica* tão ingenuamente pura. Atira-se a composições de grupos, com meio metro de comprido e uns vinte centímetros de altura. Cenas da terra: casamentos, confissões na igreja, o soldado pegando o ladrão de galinhas ou o bêbado, a moenda, a casa de farinha etc. Aliás, nesse delicioso ainda que humilde gênero de escultura, Vitalino não está sozinho, não. Outras cidadezinhas do interior de Pernambuco (em todo o Nordeste, creio eu, não sou entendido no assunto, esta crônica devia ter sido encomendada à mestra Cecília Meireles) têm o seu Vitalino. Por exemplo, Sirinhaém tem o seu Severino. Naturalmente, quando se trata de saber quem entre os dois é o tal, os colecionadores se dividem. E, naturalmente, também os [irmãos] Condé torcem para o Vitalino, que é de Caruaru. Já tive muitas dessas figurinhas em minha casa. Não sei se alguma era de Vitalino ou de Severino. Sei que eram realmente obras de arte, especialmente certo papagaiozinho naquela atitude jururu de quem (quem papagaio) está bolando para acertar uma digna do anedotário da espécie. Acabei dando o meu papagaio. Sempre acabo dando os meus calungas de barro. Não há coisa que se dê com mais prazer. Mesmo porque, quando não se dá, elas se quebram. Se quebram com a maior facilidade. E isso, na minha idade, é de uma melancolia que me põe doente. Não quero mais saber de coisas efêmeras*. Deus me livre de ganhar afeição a passarinho: eles morrem à toa. Flor mesmo dei para só gostar de ver onde nasceu, a rosa na roseira etc. Uma flor que murcha num vaso está acima de minhas forças. *plasmar = moldar, modelar *plástica = arte de plasmar; forma do corpo *efêmero = que dura um dia; passageiro, temporário, transitório (Adaptado de: BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, v. único, 1993, p. 479-4810 A afirmativa correta, de acordo com o texto, é: Segundo o autor, por serem principalmente reproduções artísticas de animais feitas em barro, as figuras conservam suas características, como resistência à passagem do tempo. Em todo o texto, o autor questiona o valor artístico das figuras moldadas em barro, com base em sua pouca durabilidade, ainda que considere a habilidade dos artesãos nordestinos. O reconhecimento do valor artístico das figuras moldadas em barro esbarra na constatação da extrema simplicidade e da ingenuidade que identificam o artesanato nordestino. No último parágrafo, o autor se mostra desiludido perante as circunstâncias da vida, usando como elemento de comparação a fragilidade das figurinhas esculpidas em barro. A concorrência que se estabelece entre artesãos, envolvendo as cidades de onde eles vêm, prejudica uma adequada avaliação do valor artístico de cada uma das obras criadas por eles. A mãe de Vitalino era louceira. O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo em que se encontra o sublinhado acima está em: ... como os via no terreiro da casa... ... que se dê com mais prazer. ... onde nasceu, a rosa na roseira etc. ... que me põe doente... ... Vitalino não está sozinho, não. Considere o que se afirma em relação ao emprego de sinais de pontuação no texto. Está correto o que consta em: Na frase Também a arte deVitalino veio se complicando, no 2º parágrafo, estaria correta a colocação de uma vírgula em seguida ao nome do artesão. Os dois segmentos isolados pelos travessões no 1º parágrafo apresentam função semelhante à do que vem introduzido por dois pontos no 2º parágrafo. A presença dos dois-pontos antes do segmento eles morrem à toa, no último parágrafo, indica uma condição, que vai justificar o pessimismo do autor em relação às figuras de barro. Os segmentos introduzidos pelos dois pontos – no 2º e no 5º parágrafos – apresentam idêntica função, ou seja, a de enumeração. O uso das reticências no final do 1º parágrafo coloca em dúvida o acerto de Vitalino, ao substituir os modelos de alguns bichos por representações de pessoas feitas em barro. Não há coisa que se dê com mais prazer. A afirmativa acima se justifica com o que se lê em: fica difícil determinar quem é o melhor artesão, pois os colecionadores se dividem. além de serem realmente obras de arte, as figuras de barro se quebram com a maior facilidade. um eventual colecionador perderia interesse ao perceber que se trata de um humilde gênero de escultura. a arte de Vitalino veio se complicando, à medida que ele se tornava famoso. vitalino não está sozinho, pois há outros artesãos em Pernambuco, como em Sirinhaém, que tem o seu Severino. (em todo o Nordeste, creio eu, não sou entendido no assunto, esta crônica devia ter sido encomendada à mestra Cecília Meireles) O segmento acima, isolado por parênteses no 3º parágrafo, deve ser entendido como constatação geral de que o artesanato nordestino é pouco reconhecido. interferência de um interlocutor distante do assunto que se desenvolve. comentário pessoal voltado para o assunto principal do texto. determinação do assunto principal abordado no texto. definição do tipo de texto mais adequado ao assunto tratado. Vitalino começou, aos seis anos, a modelar suas figurinhas de barro, à .................... . o segmento que completa a lacuna da frase acima, corretamente introduzido pelo à, com o sinal indicativo de crase, é: exemplo daquelas que sua mãe fazia. partir dos modelos criados por sua mãe. que dava verdadeiros contornos artísticos. seu estilo característico de artesão nordestino. imitação dos bichos que via no terreiro. R E V I S Ã O – F C C 01 GABARITO C B E D A D C A E B D C A B E PORTUGUÊS PROF. MANOEL SOARES 54 R E V I S Ã O – F C C 02 GABARITO C B E B D A C D E A D C B C A PORTUGUÊS PROF. MANOEL SOARES 69 R E V I S Ã O – F C C 03 GABARITO B C E A A E C D B A D A E D E D B A C A E D B C D B D C A C PORTUGUÊS PROF. MANOEL SOARES 70 R E V I S Ã O – F C C 04 GABARITO D A D B E A C D B D C A B A D E C E B E C D E B A C A B E D PORTUGUÊS PROF. MANOEL SOARES 71 R E V I S Ã O – F C C 05 GABARITO E D A A B D C B B D B E A D E PORTUGUÊS PROF. MANOEL SOARES 72 R E V I S Ã O – F C C 06 GABARITO C A E C D E B C A B A D A A C PORTUGUÊS PROF. MANOEL SOARES 73 R E V I S Ã O – F C C 07 GABARITO A A C B D B A C D B E D B B C PORTUGUÊS PROF. MANOEL SOARES 74 GABARITO FCC 08 E D E A A E B B C A R E V I S Ã O – F C C 09 PORTUGUÊS PROF. MANOEL SOARES 76 GABARITO A E B C B D D A D B E E C A E R E V I S Ã O – F C C 10 GABARITO B D B C A D E C B C E A E A C E B D B D R E V I S Ã O – F C C 11 GABARITO C A D A C B D E E D A B B C E PORTUGUÊS PROF. MANOEL SOARES 79 PORTUGUÊS PROF. MANOEL SOARES 80 81