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o estudo do conteúdo de cada unidade e módulo, procure visitar o fórum e postar suas impressões sobre os
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Avaliação objetiva - Para a fixação do conteúdo estudado, clique em "Avaliações" no menu lateral e
realize a atividade proposta. As autoavaliações não somam pontos para a certificação.
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Olá, aluno e cidadão do Mercosul!
Neste momento, você está iniciando um curso que analisa em profundidade e extensão a trajetória histórica de
criação do Mercado Comum do Sul, sua estrutura, atuação e desafios futuros.
Também conhecerá as modalidades e etapas de integração e algumas informações
sobre outros blocos econômicos.
Concebido por alguns dos maiores estudiosos e participantes da criação e
desenvolvimento do Mercosul, desenvolvido por equipe especializada em Educação
a Distância, este curso foi cuidadosamente criado para possibilitar a você amplo
material e diversificados recursos para consulta e análise. No campo de
"Apoio" (lateral esquerda da página), em "Links relacionados", por exemplo, você encontra vasta informação
sobre o Mercosul. Recomendamos a leitura imediata do "Guia do Estudante", lá você encontra informações
importantes, principalmente sobre avaliações.
O conteúdo está dividido em 4 módulos desdobrados em 9 unidades. Após a leitura de cada unidade, você
deve responder as questões dos exercícios de autoavaliação para fixar o conteúdo e, ao término do último
módulo, a avaliação final do curso que, após aberta, deve ser respondida imediatamente e salva ao final. As
questões dessa avaliação somam um total de 100 pontos. Com uma pontuação de 70, no mínimo, você estará
aprovado e com direito a certificação.
As indicações dos sites, vídeos e de leituras destinadas a aprofundamento, não estão computadas na carga
horária do curso (20 horas).
Seja bem-vindo a uma comunidade em que você já está naturalmente inserido, e da qual será cada vez mais
chamado a participar.
Módulo I - Contextualizando a Integração
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Módulo I - Contextualizando a integração
Temas do Módulo
Unidade 1 - Aspectos introdutórios; Regionalismo e multilateralismo; Os blocos econômicos.
Regionalismo e multilateralismo
O cenário internacional contemporâneo, caracterizado pelo fenômeno da globalização, apresenta duas
tendências paralelas no que tange às negociações comerciais: por um lado, a regionalista, que tende à
formação de blocos econômicos, e por outro, a multilateralista, que prefere levar a cabo essas negociações em
âmbito mais amplo e se expressa, sobretudo, no foro da Organização Mundial do Comércio
(OMC). Ambas tendências despontam como resultado de certas condições que vieram a prevalecer no mundo a
partir de meados do século XX. Algumas delas são condições de natureza política, outras referem-se a recentes
avanços tecnológicos
Entre as primeiras, o fim da Guerra Fria, e a queda da chamada "Cortina de Ferro", constitui a principal. O
mundo, antes dividido em blocos antagônicos, passa a ser percebido e a funcionar como um todo. Com o
consenso prevalecendo entre as superpotências, as relações internacionais fazem das trocas e dos
investimentos o seu grande objetivo. Conseqüentemente, intensificam-se de forma exponencial os fluxos do
comércio no mundo.
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Nesse módulo, estudaremos o contexto internacional que veio a dar origem aos fenômenos da
conformação de blocos econômicos, como o Mercosul e a União Européia, e do multilateralismo comercial,
que se traduz na criação da Organização Mundial do Comércio. Examinaremos, ademais, a teoria da
integração regional, tanto do ponto de vista econômico como político, e discorreremos, finalmente, sobre
os dois modelos de integração existentes hoje no cenário internacional: o intergovernamental e o
supranacional
Objetivos
Ao término do módulo você estará apto a:
Identificar, com base na análise do contexto internacional, como se deu a formação
dos Blocos Econômicos e a criação da Organização Mundial do Comércio;
Discutira teoria da integração regional;
Dintinguir os dois modelos de integração existentes no cenário internacional.
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O binômio "pesquisa e desenvolvimento" (P&D) passou a constituir-se em fundamental componente nos custos
de produção, superando mesmo, em importância, fatores mais tradicionais, como mão-de-obra e matéria-
prima.
Assim, a regionalização, além de viabilizar investimentos cada vez maiores em P&D, para a obtenção de
produtos mais baratos e de melhor qualidade, permite os ganhos em escala, o que também barateia a
produção, favorecendo a colocação dos produtos no mercado.
A integração econômica, portanto, não é um fim em si mesma, constituindo-se em instrumento para uma
melhor inserção dos países do bloco no mercado internacional.
Precursores da Integração
Por outro lado, os recentes avanços no campo da tecnologia, com a
descoberta de novos produtos e de novas técnicas de produção, a partir
das vertiginosas transformações verificadas nos meios de comunicação,
implicaram uma verdadeira "reestruturação da economia mundial", com
base nas duas tendências a que já nos referimos acima: a
multilateralização das relações de comércio, que convive com a sua
regionalização.
Em outros termos, notamos que todos esses fenômenos vêm ocorrendo
contra um cenário de crescente globalização, a qual, vista de um
prisma puramente econômico, consiste na internacionalização da
produção, sendo que tanto a regionalização quanto a multilateralização
são respostas encontradas pelos países para fazerem face à nova realidade internacional.
Saiba mais sobre Abade de Saint-Pierre
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Os Blocos Econômicos
Destacaremos, na linhas seguintes, alguns blocos econômicos do cenário globalizado. Cuidaremos apenas de
poucos exemplos, com destaque para a formação da União Européia, bloco em estágio mais avançado de
integração. Ademais, por ora, nos absteremos de discorrer sobre o Mercosul, tendo em vista que os módulos
seguintes a ele se dedicarão de forma detalhada.
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ACORDO DE LIVRE COMÉRCIO DA AMÉRICA DO NORTE (NAFTA)
Consolidou o intenso comércio regional no hemisfério norte do continente americano, beneficiando
A formação de blocos econômicos é
tendência representativa de um modelo de
integração regional próprio do mundo
globalizado, apresentando-se sob a forma de
agrupamento de vários países de uma região
com vinculação econômica e entendimento-
base orientados para o desenvolvimento, a
integração econômica e a liberalização
econômica.
Uma das principais características de um bloco
econômico é a busca incessante de fórmulas
ágeis de discussão e acordo entre seus parceiros, que lhes permitam negociar, entre si ou com outros
mecanismos multilaterais ou países, a defesa de seus interesses econômicos, bem como a obtenção de
vantagens comerciais que facilitem e fortaleçam a promoção integrada de seu desenvolvimento.
O Acordo de Livre Comércio da América do Norte, o NAFTA (North America Free
Trade Agreement), foi planejado para ser um instrumento de integração das
economias dos EUA, do Canadá e do México.
Iniciou em 1988, entre norte-americanos e canadenses, e por meio do Acordo de
Liberalização Econômica, assinado em 1991, formalizou-se o relacionamento
comercial entre os Estados Unidos e o Canadá. Em 13 de agosto de 1992, o bloco
recebeu a adesão dos mexicanos, tendo entrado em vigor em janeiro de 1994.
grandemente a economia mexicana, ao mesmo tempo em que aparece como concorrente ao bloco econômico
europeu e à fortíssima economia japonesa.
Este bloco não constitui uma organização internacional de cooperação econômica nos moldes clássicos. A meta
essencial de seu acordo constitutivo é construir, em prazo específico, uma zona de livre comércio com ampla
abrangência, se possível, atraindo outros países das Américas, regulando os investimentos, a propriedade
intelectual e o comércio de bens e serviços nos Países Membros do bloco. Maiores informações no
site www.nafta-sec-alena.org/ .
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COMUNIDADE ANDINA (CAN)
A Venezuela desligou-se da Comunidade Andina para aderir ao Mercosul. Hoje, o grupo de países remanescentes objetiva
criar um mercado comum, em função do processo de globalização econômica que exige a formação em bloco para melhor
defesa de seus interesses e promoção integrada do seu desenvolvimento.
A Comunidade Andina reúne uma população de 96,87 milhões de habitantes, que gera um PIB de US$338,371 bilhões,
com exportações alcançando os US$76,222 bilhões e importações no valor de US$70,086 bilhões.
mbros da CAN: Bívia, Colômbia, Equador e Peru.
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UNIÃO EUROPÉIA (UE)
Em 26 de maio de 1969, pelo Acordo de Cartagena, foi criado o Pacto Andino, que recebeu depois o nome
de Grupo Andino, mais tarde Comunidade Andina de Nações, e, enfim, Comunidade Andina. Era
inicialmente formado pelos seguintes países: Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia e Chile. Criou-
se, assim, uma União Aduaneira e Econômica para fazer restrições à entrada de
capital estrangeiro, com base em estudos da Comissão Econômica para a América
Latina (CEPAL), órgão da ONU. Com a subida ao poder do General Augusto
Pinochet, em 1973, o Chile retirou-se do Pacto, abrindo sua economia ao mercado
externo, principalmente ao norte-americano.
Link
São Países Membros da CAN: Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Site da Comunidade Andina
A União Europeia negociou a adesão dos seguintes países ao bloco, quais sejam: Chipre, Eslováquia, Eslovênia,
Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia e República Tcheca, já considerados aptos para adesão desde
o início de 2003 com ingresso definitivo em 1º de maio de 2004. O décimo-primeiro país seria a Turquia, que,
no entanto, ainda não preenche os critérios mínimos estabelecidos pela União Europeia para início das
negociações com vistas à sua aceitação como país membro.
A Bulgária e a Romênia concretizaram sua entrada na União Européia a partir de 2007.
O órgão máximo da União Europeia é o Conselho Europeu. Agrupa os Chefes de Estado ou de Governo, além do
Presidente da Comissão Europeia, sendo responsável pela definição das grandes orientações políticas e
cabendo-lhe a responsabilidade de abordar os problemas da atualidade no âmbito internacional. O Conselho
Europeu reúne-se, em princípio, quatro vezes por ano, ou seja, duas vezes por semestre. Em circunstâncias
excepcionais, o Conselho Europeu pode reunir-se em sessão extraordinária.
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Outras instituições existem para que a União Europeia possa cumprir seus objetivos de integração.
O Conselho de Ministros (Conselho da União Europeia, ou simplesmente Conselho) é o órgão que dispõe de
poder de decisão, assumindo a coordenação geral das atividades da União. O Conselho, juntamente com o
Parlamento Europeu, fixa a legislação da União Europeia, inicialmente proposta pela Comissão Europeia.
O Parlamento Europeu, atualmente composto por 785 delegados eleitos, atendidos por um secretariado
formado por mais de quatro mil funcionários, possuí três tipos de poder: o orçamentário, o de controle da
Comissão Europeia, e o legislativo. Este último é exercido diferentemente segundo a natureza da matéria em
questão, indo de instância de consulta à co-decisão, quando divide o poder decisório com o Conselho. Uma das
mais importantes funções do Parlamento Europeu consiste em aprovar e autorizar a indicação de projetos que
consomem cerca de 45% do orçamento oficialda União Europeia. A contribuição de cada cidadão da União
Europeia corresponde a 1,5 Euros por ano, significando apenas um por cento do montante total do orçamento
comunitário.
O Parlamento Europeu, com sede em Estrasburgo, na França, para sessões plenárias, é formado por
parlamentares eleitos pelas populações dos Países Membros da União Europeia. Em Luxemburgo, funciona a
Secretaria Administrativa, e em Bruxelas, na Bélgica, realizam-se reuniões das Comissões Temáticas. Lá se
reúnem também o Conselho de Ministros da União Europeia e seu braço executivo, a Comissão Europeia.
A Comissão Europeia, é o órgão executivo e tem como função a iniciativa na elaboração da legislação em
comum, controlando sua aplicação e coordenando a administração das políticas comuns. Além disso, conduz as
negociações da União Europeia no plano das relações exteriores.
A União Europeia representa o estágio mais avançado do processo de
formação de blocos econômicos no contexto da globalização.
Originada da Comunidade Econômica Europeia (CEE), fundada em 1957
pelo Tratado de Roma, a União Europeia é o segundo maior bloco
econômico do mundo em termos de PIB: 8 trilhões de dólares.
Até 2003 a União Europeia era formada por 15 países da Europa
Ocidental, e sua população estimada em 374 milhões de habitantes. Hoje,
após a incorporação de mais 12 países do Leste Europeu, passou a contar com 27 Países Membros.
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As principais instituições da União Europeia são:
1. Tribunal de Justiça;
2. Tribunal de Contas;
3. Comitê Econômico e Social;
4. Comitê das Regiões;
5. Provedor de Justiça Europeu;
6. Banco Central Europeu (BCE); e
7. Banco Europeu de Investimento (BEI).
O sistema é completado por uma série de organismos.
Em 1992 é consolidado o Mercado Comum Europeu, com a eliminação das últimas barreiras alfandegárias entre
os países-membros. Pelo Tratado de Maastricht (cidade da Holanda), a União Europeia entra em funcionamento
a partir de 1º de novembro de 1993.
Três outros tratados complementam o Tratado de Maastricht: os Tratados de Amsterdam(1996), Nice(2001) e
Lisboa(2007).
O Euro é a moeda única criada pela União Europeia, sendo utilizada, desde 1º de janeiro de 2002, em
substituição às demais moedas da maioria dos Países Membros, circulando em cédulas e moedas na
comunidade financeira internacional, já se consolidou e se afirma, a cada dia, como alternativa ao dólar norte-
americano nas transações comerciais.
Por temer as consequências da perda da sua soberania, três países ainda resistem ao fim da emissão de sua
própria moeda: Reino Unido, Suécia e Dinamarca.
Embora a crise econômica mundial, deflagrada no ano de 2009, tenha causado sérios impactos à estabilidade
da Zona do Euro, não podemos negar a força desta moeda, lastreada em economias poderosas, que passa a
competir com o dólar norte-americano em condições de igual aceitação no mercado internacional.
Para admissão à União Econômica e Monetária o país membro da União Européia deve atender aos seguintes
pré-requisitos:
a. déficit público máximo de 3% do PIB;
b. inflação baixa e controlada;
c. dívida pública de no máximo 60% do PIB;
d. moeda estável, dentro da banda de flutuação do Mecanismo
Europeu de Câmbio; e, por último,
e. taxa de juros de longo prazo controlada.
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ACONTECIMENTOS MARCANTES
1. Em 1º de julho de 2001, a União Europeia deu início a negociações sobre livre comércio com o Mercosul,
estando previstos inúmeros acordos de intercâmbio comercial entre a UE e o Bloco Econômico do Mercado
Comum do Sul, embora se tenha presente as dificuldades nas negociações que envolvam o setor agrícola, pois
a União Europeia não admite abrir mão dos muitos instrumentos criados para proteger o agricultor europeu.
2. Adoção do Programa Indicativo Regional (RIP) para o Mercosul 2002/2006. A Comissão Europeia adotou o
RIP, programa que conta com significativos recursos provenientes da União e que se destina a ajudar na
conclusão do Mercado Interno do Mercosul, a seu fortalecimento institucional e à efetiva participação da
sociedade civil no processo de integração interna do Mercosul e birregional com a União Europeia. Projeto para
a continuidade do programa foi aprovado para o período 2007/2013.
Dados de 2007 da União Européia.
População: 494,37 milhões de habitantes
PIB: US$14.546,541 trilhões de Euros
Exportações: US$1.697,746 trilhões de Euros
Importações: 1.952,001 trilhões de Euros
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A Organização Mundial do Comércio (OMC): a participação do Brasil no contencioso comercial da
OMC
Link
São Países Membros da UE: Alemanha, Áustria, Bélgica,Bulgária, Dinamarca, Espanha, Finlândia,
França, Grécia, Holanda (Países Baixos), Irlanda, Itália, Luxemburgo, Portugal, Reino Unido, Suécia,
Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia, Romênia e República
Tcheca.
Site da União Européia
Não é intenção deste trabalho – e nem poderia ser – esgotar o estudo sobre os blocos econômicos
existentes. Assim, apenas a título de curiosidade, citamos outros blocos, tais como Mercado Comum
Centro-Americano (MCCA), Mercado Comum e Comunidade do Caribe (CARICOM), Comunidade dos
Estados Independentes (CEI), Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), Fórum Econômico da
Ásia e do Pacífico (APEC), Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Acordo Comercial
sobre Relações Econômicas entre Austrália e Nova Zelândia (ANZCERTA), Comunidade para o
Desenvolvimento da África Austral (SADC).
A OMC é sucessora do GATT - o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio -, criado em 1948, logo após a Segunda
Grande Guerra. Ao longo do período entre 1948 e 1994, foram as regras do comércio multilateral estabelecidas
no âmbito do Acordo, uma vez que a Carta de Havana, que criava uma Organização Internacional do Comércio,
jamais logrou ser ratificada pelos Estados Partes.
Nos primeiros anos de existência do GATT, suas rodadas de negociações buscaram basicamente a redução de
tarifas comerciais. A Rodada Kennedy, realizada de 1964 a 1967, produziu um Acordo Anti-Dumping e a
Rodada Tóquio, que se estendeu de 1973 a 1979, constituiu-se na mais importante tentativa já encetada para
lograr a eliminação das barreiras não-tarifárias. Da Rodada Uruguai, iniciada em 1986, e que alcançou o seu
final em 1994, nasceria a Organização Mundial do Comércio.
Sua especificidade em relação ao GATT reside no fato de que, enquanto o GATT debruçava-se apenas sobre o
comércio de bens, a OMC inclui em sua agenda, entre outros temas, serviços, compras governamentais,
propriedade intelectual e meio ambiente. Também não se pode deixar de lembrar que um diferencial relevante
entre o antigo GATT e a OMC, se refere ao fato de esta última contar com um mecanismo de solução de
controvérsias sensivelmente mais efetivo que aquele com que contava o antigo GATT.
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A OMC realizou duas grandes reuniões ministeriais: em Cingapura, em 1996, e em Genebra, em 1998. A
terceira, que marcou o início da "Rodada do Milênio", foi realizada em Seattle, nos Estados Unidos, entre os
dias 30 de novembro e 3 de dezembro de 1999. Posteriormente, em 2001, foi lançada a “Agenda de Doha para
o Desenvolvimento”, conhecida como Rodada de Doha, cujas negociações ainda estão em curso.
Para os 153 países membros da OMC, as tarifas que aplicarão às suas importações, registradas no âmbito da
Organização, revestem-se de efeito vinculante e não podem ser desrespeitadas. Caso um dos membros se sinta
prejudicadoem virtude de iniciativa tomada por outro Estado Parte no Acordo, a ele caberá acionar o sistema
de solução de controvérsias da OMC.
Criada em 1º de janeiro de 1995, a Organização Mundial do Comércio tem por objetivo
geral formular as regras de comércio no mundo globalizado. A Organização foi criada para
cumprir as seguintes metas:
� Contribuir para a liberalização gradual do comércio multilateral, mediante rodadas de
negociações;
� desencorajar a discriminação no comércio, evitando cláusulas como a da "nação mais favorecida";
� estabelecer um órgão para a solução de conflitos comerciais.
O Brasil, ativo cliente do sistema de solução de controvérsias da organização, tende a ampliar sua
litigiosidade, seja pelo que tem a defender, seja pelo que tem a conquistar. Embora não cheguemos a
participar em 1% do comércio mundial, já somos autores ou réus em cerca de 8% dos famosos "panels"
genebrinos, atualmente tão citados quanto desconhecidos.
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Nas vitais relações comerciais entre Estados, a consolidação da OMC representa importante momento de
sobreposição do poder jurídico sobre o poder político. Adotando um inusitado aparato jurídico, já testado e
comprovado em sua efetividade, o organismo internacional aplica a um modelo racional de solução de
controvérsias, mediante sugestão de sanções - ou seja, sem ser impositivo - sob medida para as peculiaridades
de conflitos entre Estados soberanos. Fomenta, ademais, um pluralismo jurídico ordenado, com os Estados
comprometendo-se a abster-se de medidas unilaterais de retaliações e medidas abruptas indesejáveis ao
equilíbrio e harmonia internacionais.
Fruto da experiência obtida no direito do comércio internacional, somada aos melindres e limites do direito
internacional público, o "panel" propõe uma original forma de decisão vinculante, em que inexistindo a
pacificação do conflito pelos meios político-diplomáticos, profere-se, ao fim de um sumário processo de
conhecimento, relatório com prescrições elaboradas por juristas a serviço da OMC. O relatório final do "panel"
comina sanções compensatórias a quem violou as regras do comércio internacional, causando prejuízo a
outrem, expressas em valores monetários. De natureza impositiva sob condição, já que podem ser negociadas
interpartes, em busca da construção do consenso, sempre declaratórias e eventualmente constitutivas, tais
decisões conformam algo inusitado no direito tanto interno como internacional, não se tratando de laudo
arbitral e tampouco de simulacro de sentença judicial.
Sujeitos ainda a uma cautela política francamente assumida pela OMC, os relatórios finais dos "panels" não
serão implementados se vetados pelo querer de todos os Estados Partes, na dialética forma do consenso
invertido, o que não constitui novidade no direito internacional, haja vista, por exemplo, o poder de veto do
Conselho de Segurança das Nações Unidas. Na prática, contudo, o consenso invertido é extremamente difícil de
ser alcançado, o que facilita a aprovação dos relatórios finais.
Há que se ter presente que a âncora contratualista da relação entre Estados - pacta sunt servanda - permanece
incólume, com o consentimento sendo determinante para que se integre e permaneça na OMC, submetendo-se
ao seu sistema de solução de controvérsias. E mais: só os Estados, blocos econômicos (atualmente apenas a
Comunidade Europeia) e territórios aduaneiros com autonomia para conduzir relações comerciais externas têm
legitimidade ad causam, embora saibamos que no mais das vezes são as empresas que conflitam (Bombardier
x Embraer, Kodak x Fuji), sendo representadas pelos Estados, blocos econômicos ou os citados territórios
aduaneiros, através das fórmulas ordinárias do direito internacional público.
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Com uma legislação específica - o "Dispute Settlement Understanding", DSU, aprovado no bojo da Rodada
Uruguai, em sua manifestação jurídica por excelência, o Encontro de Marraquesh, no primeiro semestre de
1994 -, a OMC tende a transformar-se no grande fórum mundial, onde se estima serem pacificados os
macroconflitos comerciais internacionais, agravados pelas duras contendas de manutenção e acesso a
mercados.
Países membros da OMC (2005)
O Órgão de Solução de Controvérsias, sempre que provocado, passará a buscar solução consensual,
observando um calendário rígido, sem procrastinações unilaterais. Passando pela fase de conhecimento e do
contraditório, em que os Estados expressam livremente suas razões, formando a prova na forma ordinária do
due process of law, chega-se ao relatório final, que indica condutas e comina sanções comerciais na forma de
direitos a serem ou não exercidos pela parte vencedora, aqui bem ao sabor das relações flexíveis do direito
internacional.
O exercício facultativo dos direitos concedidos à parte vencedora é, de fato, prática de difícil percepção, senão
àqueles habituados à realidade do direito do comércio internacional. Nele, em especial no contencioso
comercial, ganhar não significa simplesmente aplicar-se a decisão. Há, em verdade, toda uma gama de
circunstâncias que condicionam o que se fará. Está-se claramente em um outro espectro de prestação jurídica,
onde a coação continua essencial ao direito, conquanto empregando meios muito mais sofisticados.
De toda sorte, e em que pese seu breve período de vigência, não há mais como duvidar da eficácia e
efetividade do sistema de solução de controvérsias da OMC, como se aufere do grande respaldo internacional
que vem recebendo. Considerados os vinte e sete países signatários do GATT, em 1947, primeira tentativa de
ordenar-se o comércio internacional, aos atuais cento e cinquenta e três membros da OMC, e com especial
significado para a adesão da China, não há mais espaço para qualquer tipo de ceticismo.
Unidade 2 - Teoria de Referência; Teoria da Integração Regional; Etapas da integração.
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Teoria da Integração Regional
Além das considerações de ordem econômica, faz-se necessária também uma discussão do papel dos fatores políticos, não
apenas no que concerne aos processos decisórios que levam certos países a optar por um processo integracionista, como
também no que diz respeito à continuidade e aprofundamento dessa integração. O caso da Europa é paradigmático para a
ilustração de processos de integração determinados por motivos de caráter político. Entre estes, cabe lembrar a necessidade
de se evitar futuras guerras no continente europeu e a criação de uma terceira força na política mundial mediante o
fortalecimento da Europa Ocidental, em um quadro, então, de polarização entre a União Soviética e os Estados Unidos.
Nesse cenário, ressurge o Movimento Federalista Europeu após o final da I Guerra Mundial, que se baseava nas
ideias de precursores como o abade de Saint-Pierre (1658-1743), Immanuel Kant (1724-1804) e Victor Hugo
(1802-1885), entre outros. Porém, os federalistas do século XX são impulsionados pelos horrores sofridos pelo
continente europeu por força das duas guerras mundiais que o assolaram no intervalo de apenas 25 anos.
Avaliação Objetiva
Antes de iniciar a Unidade II desse Módulo, vá até "Objetivas" (lado esquerdo da página), clique em
"Autoavaliação da unidade I do Módulo I" e teste seu conhecimento.
Boa sorte!
Vários políticos posicionam-se a favor da criação dos "Estados Unidos da Europa", postura fortalecida pelo apoio
dos Estados Unidos e pela pressão das crescentes ameaças de Moscou. Foi o temor de uma terceira guerra
mundial, decorrente do expansionismo soviético, que levou Winston Churchill a proferir memorável discurso em
Zurique, em 1946, quando apresenta o projeto de "Recriar a família europeia em umaestrutura regional tal
que venha a chamar-se Estados Unidos da Europa". Sem dúvida alguma, as ideias federalistas permearam toda
a trajetória da integração europeia, muitas vezes por meio de figuras políticas presentes no Parlamento
Europeu, como Altiero Spinelli, autor do famoso Manifesto de Ventotene (1941), que defendia a união dos
países da Europa em uma Federação Europeia.
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Outra vertente da teoria da integração deve-se ao cientista político David Mitrany, formulador da teoria
funcionalista. Embora Mitrany tenha formulado a sua teoria com vistas à unidade mundial, e não apenas
Europeia, suas ideias influenciaram fortemente os primeiros militantes pela união da Europa e teóricos da
integração, dando origem, mais tarde, à teoria neofuncionalista. A "alternativa funcional" de Mitrany vislumbra
uma ampla teia de agências internacionais, onde tecnocratas de países diversos se dedicariam, em conjunto,
Saiba mais sobre Immanuel Kant
Saiba mais sobre Victor Hugo
de maneira racional, pragmática e flexível, ao desenvolvimento de atividades vinculadas a vários setores
voltados ao bem-estar público. A soberania dos Países Membros de tais agências seria, gradualmente,
transferida para tais reuniões intergovernamentais. Exemplo paradigmático desse sistema é o Tratado de Paris
(1951), que cria a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) e uma Alta Autoridade destinada a
administrar a sua produção e comercialização nos Estados Partes. A soberania passa a ser então compartilhada
para determinadas decisões, por um ato de vontade dos próprios Estados envolvidos.
Mais tarde, Ernst Haas elabora a teoria neofuncionalista, que enfatiza o aprendizado, pelas elites de um país,
dos benefícios da integração. Esta se estenderia a outros setores, em consequência de uma percepção
favorável dos seus resultados. É o célebre efeito spill over, identificado por Haas como o principal propulsor de
um projeto integracionista. O Mercosul oferece interessantes exemplos de spill over, na medida em que foi
incorporando novos setores ao processo de integração que antes se encontravam alijados do mesmo, como
relações trabalhistas, turismo e meio ambiente.
Em sua análise da integração do ponto de vista político, afirma Karl Deutsch, por sua vez, que a integração é
um processo pelo qual se obtém determinado tipo de relacionamento entre as partes componentes, capaz de
alterar o comportamento destas relativamente ao que este seria, se essas partes componentes não estivessem
integradas.
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Etapas da integração
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A teoria do comércio internacional registra a classificação de cinco tipos de associação entre países que
decidem integrar suas economias:
1) A Zona de Preferência Tarifária é o mais elementar dos processos de integração, apenas assegurando
níveis tarifários preferenciais para o grupo de países que conformam a Zona. Assim, uma ZPT estabelece que
as tarifas incidentes sobre o comércio entre os Países Membros do grupo são inferiores às tarifas cobradas de
países não membros.
A ALALC, por exemplo, procurou estabelecer preferências tarifárias entre seus onze membros, ou seja, entre
todos os Estados da América do Sul que aderiram à tentativa de integração comercial, excluídos apenas a
Antes de mais nada, caberia definirmos alguns termos relacionados à
formação de blocos econômicos. Segundo Bela Balassa, a integração
econômica é um processo que implica medidas destinadas à abolição
de discriminações em uma determinada área.
Assim, de início, um processo de integração econômica caracteriza-se
por um conjunto de medidas que têm por objetivo promover a
aproximação e a união entre as economias de dois ou mais países.
O grau de profundidade dos vínculos que se criam entre as economias dos países envolvidos em um
processo de integração econômica permite que se visualize, ou determine, as fases ou etapas do seu
desenvolvimento.
Guiana e o Suriname, e incluindo-se ainda o México.
2) A Zona de Livre Comércio (ZLC), uma segunda modalidade, consiste na eliminação das barreiras tarifárias
e não-tarifárias que incidem sobre o comércio entre os países que constituem a ZLC.
O NAFTA (North America Free Trade Area), ou Acordo de Livre Comércio da América do Norte, firmado entre os
Estados Unidos, o México e o Canadá, é um exemplo de ZLC.
3) A União Aduaneira é uma Zona de Livre Comércio que adota também uma Tarifa Externa Comum (TEC).
Nessa fase do processo de integração, um conjunto de países aplica uma tarifa para suas importações
provenientes de países não pertencentes ao grupo, qualquer que seja o produto, e, por fim, prevê a livre
circulação de bens entre si com tarifa zero.
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O exemplo mais conhecido desse tipo de integração foi a Zollverein (União Aduaneira, em alemão), idealizada e
impulsionada por Otto von Bismarck, o grande líder responsável pela unificação política da Alemanha, em 1850.
A Zollverein foi criada em 1835 e dissolvida em 1866.
4) O Mercado Comum, quarto estágio de integração econômica, difere fundamentalmente da União Aduaneira
porque, além da livre circulação de mercadorias, requer a circulação de serviços e fatores de produção, ou seja,
de capitais e pessoas.
Porém, deve-se ressaltar que, além da livre circulação de bens, serviços e fatores de produção, todos os Países
Membros de um Mercado Comum devem seguir os mesmos parâmetros para fixar a política monetária
(fixação de taxas de juros), a política cambial (taxa de câmbio da moeda nacional) e a política fiscal
(tributação e controle de gastos pelo Estado), ou seja, os Países Membros devem concordar com o avanço
integrado da coordenação das suas políticas macroeconômicas.
A União Europeia, até 1992, foi um exemplo acabado de integração pela via do Mercado Comum, quando,
então, prosseguiu para o estágio mais avançado, passando a se constituir em uma União Econômica e
Monetária.
5) A União Econômica Monetária é a etapa mais avançada dos processos de integração econômica, até
agora alcançada apenas pela União Europeia.
A União Econômica e Monetária ocorre quando existe uma moeda comum e uma política monetária com metas
unificadas e reguladas por um Banco Central comunitário. Desde 2002, a União Europeia tem como moeda
corrente o Euro, cuja emissão, controle e fiscalização dependem do Banco Central Europeu.
De acordo com a classificação exposta nos parágrafos anteriores, o Mercosul é, desde 1º de janeiro de 1995,
uma União Aduaneira, mas o objetivo dos países que o integram, e que está consubstanciado no primeiro
artigo do Tratado de Assunção, é a construção de um Mercado Comum.
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Assim, de modo resumido, pode-se afirmar que o Mercosul é o projeto de construção de um Mercado Comum,
cuja execução encontra-se na fase de União Aduaneira imperfeita.
Além das cinco etapas de integração, entendemos que uma sexta fase deve ser acrescentada à teoria sobre a
qual nos apoiamos, que será a União Política.
Após a tentativa fracassada do Tratado da Constituição Europeia, foi assinado, em 2007, o Tratado de Lisboa,
que pretendia, com algumas alterações, reviver o primeiro tratado. A população irlandesa, no entanto, rejeitou
o Tratado de Lisboa e pôs em dúvida o modelo de expansão institucional e normativa da União Europeia. Parece
certo que novas formas precisam surgir para que o projeto integracionista europeu não se estagne.
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Modelo supranacional x intergovernamental
Segundo a visão intergovernamentalista, os Estados soberanos, principais atores no cenáriointernacional, lançam-se à
integração a partir do reconhecimento de que as vantagens da cooperação e da identificação de interesses comuns superam
os custos da situação de conflito. Mas em linhas gerais, na perspectiva intergovernamental os Estados devem esforçar-se por
fazer valer, acima da visão regional, o interesse nacional. Desta noção decorre, naturalmente, o raciocínio segundo o qual a
preservação da soberania nacional constitui um princípio essencial a ser observado ao longo das negociações da integração.
O modelo intergovernamental constitui, portanto, típico instrumento de cooperação internacional, pautando-se pelos
princípios do direito internacional clássico, tais como a igualdade dos Estados e o direito de veto.
Cabe assinalar a pronunciada importância conferida pelos países da América Latina ao conceito da soberania
nacional absoluta, que emerge indissoluvelmente ligado às suas raízes históricas e que até hoje permanece
como princípio basilar de sua cultura política.
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O modelo supranacional implica a inclusão de um ou mais órgãos, no seio da estrutura institucional da
integração, independentes dos Estados Partes e encarregados de zelar pelos interesses da região em seu
conjunto. No caso da União Europeia, o órgão supranacional por excelência é a Comissão Europeia (chamada
pelo Tratado de Paris, que criou a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, de "Alta Autoridade"),
apresentando também o Parlamento e o Tribunal de Justiça (bem como o Tribunal de Primeira Instância)
aspectos de supranacionalidade. A Comissão tem o poder de emitir "Diretivas" e "Resoluções", sendo que estas
últimas se sobrepõem ao ordenamento jurídico interno dos Estados Partes, nos quais têm aplicação direta e
imediata.
Contudo, é inegável a centralidade dos Estados nacionais nas formulações que determinam os destinos da
integração. As negociações que conduzem às revisões dos tratados ocorrem em âmbito intergovernamental, e
A União Política poderá ser a etapa conclusiva de um processo de integração regional. Ao alcançá-la, o
modelo intergovernamental, típico instrumento de cooperação internacional sempre liderado pelo
Executivo, terá sido substituído pelo chamado modelo supranacional, que
implica a existência de órgãos, no seio da estrutura institucional da
integração, independentes dos Estados Membros e encarregados de zelar
pelos interesses da região em sua totalidade. A união política poderá tomar a
feição de uma federação, assentada sobre um pacto federativo, isto é, sobre
uma constituição. A União Europeia assinou, em 29 de outubro de 2004, o
Tratado da Constituição Europeia, que, no entanto, ainda não logrou a sua
aprovação em todos os Estados Membros, tendo sido rejeitado pelo voto
popular por ocasião de referendos realizados na França (29 de maio de 2005)
e na Holanda (1º de junho de 2005). Ressalte-se, entretanto, que até o
presente momento 15 Países Membros já ratificaram o Tratado: Áustria,
Bélgica, Chipre, Estônia, Alemanha, Grécia, Hungria, Itália, Letônia,
Lituânia, Luxemburgo, Malta, Eslováquia, Eslovênia e Espanha.
as entidades supranacionais são criadas pelos próprios governos, que lhes delimitam as competências.
Paulo Roberto de Almeida, em artigo escrito em 1994, aponta os seguintes aspectos de supranacionalidade no
modelo comunitário europeu:
� presença de instituições independentes dos Estados Membros (Comissão, Parlamento, Tribunal de
Justiça);
� métodos decisórios supranacionais (possibilidade de votação no Conselho segundo o princípio majoritário,
superando eventuais oposições de Estados individuais);
� sistema próprio de recursos e transferência de certas competências à Comunidade;
� normas que vinculam diretamente os indivíduos, agentes econômicos e empresas.
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Como mencionamos, o referido artigo data de 1994, momento em que o Mercosul preparava a arquitetura
institucional que figuraria no Protocolo de Ouro Preto, firmado em 17 de dezembro de 1994, e que
acompanharia a implantação da união aduaneira. Segundo o autor, não se poderia impulsionar no Mercosul,
sem consideráveis riscos políticos, inclusive e principalmente de perda de credibilidade internacional, um
processo de definição supranacional de instituições e métodos como os anteriormente enumerados.
Assim, o Protocolo de Ouro Preto veio a reiterar a natureza intergovernamental do Mercosul e a metodologia do
consenso para os seus processos decisórios.
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Síntese
Neste Módulo, estudamos os movimentos paralelos em curso no cenário mundial, de multilateralização do
comércio e de formação de blocos econômicos. No que se refere ao multilateralismo, examinamos a
Organização Mundial do Comércio e seu inédito mecanismo de solução de controvérsias, com destaque
para a participação do Brasil nos contenciosos.
Estudaremos, em seguida, a teoria da integração e suas diversas correntes, as etapas da integração e os
modelos de que se podem revestir os blocos econômicos.
Avaliação Objetiva
Módulo II - O Mercosul
Unidade 1 - Antecedentes; Cronologia da integração no Cone Sul; A ALALC e a ALADI.
Módulo II
Unidade 1 - Antecedentes
A Operação Pan-Americana (OPA), a Aliança para o Progresso, a
ALALC e a ALADI
As raízes do pan-americanismo podem ser identificadas na pré-história
política do continente, com mais precisão no Tratado de Madri de 1750,
firmado entre Portugal e Espanha, por força da comum origem ibérica dos
colonizadores de quase todo o seu território. A concretização dos vagos
ideais, apenas esboçados nos três primeiros séculos de vassalagem às
Antes de passarmos para o próximo módulo, vamos fazer a autoavaliação da Unidade II do Módulo
I? Clique em "Objetivas" ( lado esquerdo da página ) e "Autoavaliação da Unidade II do Módulo I" . Boa
sorte!
Módulo II - O Mercosul
Temas do Módulo
Nesse Módulo, estudaremos o Mercosul (Mercado Comum do Sul) detendo-nos em seus antecedentes
históricos e tratados fundadores. Em seguida, analisaremos a estrutura institucional adotada pelos
negociadores do bloco para impulsionar o processo de integração. Também será objeto de nosso estudo o
sistema de solução de controvérsia adotado pelo Mercosul.
Objetivos
Ao término do módulo você estará apto a:
� Identificar os antecedentes históricos e os tratados fundadores do Mercado Comum do Sul;
� analisar o processo de integração do Mercosul.
potências europeias, começa com as guerras da independência que o
sacudiram de um extremo a outro, durante cerca de vinte anos, a partir de 1810.
Assim, no primeiro quartel do século XIX a América Latina se tornou independente das metrópoles europeias.
Toussaint L`Ouverture no Haiti, Francisco de Miranda na Venezuela, Joaquim José da Silva Xavier (o
Tiradentes) no Brasil, foram os iniciadores do movimento de emancipação, logo seguidos por Bolívar, Sucre,
O'Higgins, Rivadavia, San Martín, Artigas, Delgado, Francia, Hidalgo, Morelos, e vários outros líderes.
Sem dúvida foi Simón Bolívar o mais representativo deles, não só pela ação guerreira como pelas suas
singulares virtudes de estadista, expressando, admiravelmente, sentimentos existentes de longa data e que
eram patrimônio comum de grande número de americanos, como Thomas Jefferson, representante da América
do Norte.
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Com o decorrer do tempo, a doutrina defendida por Bolívar, que contou entre seus auxiliares diretos com um
general brasileiro, José Ignácio de Abreu e Lima, filho do revolucionário Padre Roma, ficou consagrada sob adesignação de "ideais bolivarianos".
Vale destacar que Simón Bolívar é a grande figura do pan-americanismo. Não foi apenas um fundador de
nações, um Libertador, pois defendeu o ideal de formar, reunindo os países sul-americanos, uma só nação, um
Novo Mundo.
A primeira reunião pan-americanista, convocada por Bolívar, foi realizada em dezembro de 1826, no Congresso
de Panamá, que reuniu apenas representantes do México, América Central, Colômbia e Peru.
Daí em diante, apesar de tantos esforços e inúmeras retomadas, o projeto do pan-americanismo ficou apenas
no plano dos ideais de alguns líderes, sem nunca avançar para uma consolidação, chegando-se, assim, à IX
Conferência Pan-americana, em Bogotá, Colômbia, em 1948.
A X Conferência Pan-Americana aconteceu em 1954, em Caracas, na Venezuela, e além desta, outras
conferências econômicas se sucederam sem se alcançar resultados concretos.
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Até que a roda da história no espaço geográfico sul-americano aproxima dois acontecimentos que
permitiram o surgimento de iniciativa política destinada a acelerar
o projeto pan-americanista pela via do desenvolvimento
econômico: o primeiro deles, a eleição do presidente brasileiro
Juscelino Kubitschek de Oliveira, que tomou posse em 1956; o
outro, a visita do vice-presidente norte-americano Richard Nixon,
em maio de 1958, a países sul-americanos, após 21 dias de visitas
no Continente Africano.
O presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira envia carta, em 28
de maio de 1958, ao presidente Dwight D. Einsenhower,
Em Lima, no Peru, e em Caracas, na Venezuela, o vice-presidente norte-americano foi agredido, e, contra sua
pessoa, os manifestantes repudiaram a omissão do governo dos EUA em relação a investimentos para o
desenvolvimento no território sul-americano, ao mesmo tempo em que aquele país declarava prioridade para a
África, após implantar o Plano Marshall de recuperação da Europa devastada pela Segunda Grande Guerra.
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Em grande parte a reboque do movimento iniciado pelo presidente brasileiro, mais resultados se apresentaram,
tais como a oficialização do Banco Interamericano de Desenvolvimento e a criação da Associação Latino-
Americana de Livre Comércio, a ALALC, surgida graças ao Tratado de Montevidéu, de 18 de fevereiro de 1960,
seguindo a orientação da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), que, desde 1955, elaborou
trabalhos técnicos e manteve reuniões com os governos dos principais países da região, com o objetivo de
adotar mecanismos de planejamento para vencer o processo de subdesenvolvimento que caracterizava o
expressando solidariedade ao vice-presidente Richard Nixon, mas
aproveitando para vincular as referidas manifestações a prejuízos causados perante a opinião pública
mundial, à ideia da unidade pan-americana, que, segundo sua interpretação, somente podia ser
resgatada se algo de relevância fosse feito para recompor a face da unidade continental.
Nessa carta, o presidente Juscelino Kubitschek revelou não ter "plano detalhado para esse objetivo" de
recomposição da unidade continental, de criação de "algo mais profundo e duradouro em prol de nosso
destino comum".
O presidente Einsenhower respondeu ao presidente brasileiro, em 6 de julho de 1958, entendendo ser de
fundamental importância a "adoção imediata de medidas que determinem, através de todo o continente,
uma reafirmação do devotamento ao Pan-Americanismo e um melhor planejamento na promoção dos
interesses comuns e do bem-estar de nossos diferentes países".
O presidente brasileiro aproveitou então a oportunidade da declaração
norte-americana para, em missivas a chefes de Estado, conferências,
discursos e declaração à imprensa, a partir da carta de 28 de maio de
1958, provocar um movimento continental denominado, por ele
mesmo, de "Operação Pan-Americana" (OPA), que, rapidamente,
alcançou ressonância mundial porque "seus objetivos correspondem
às aspirações e às necessidades de todos os povos" (Embaixador
Negrão de Lima, perante a Assembléia das Nações Unidas, em
18/09/1958).
Os resultados da Doutrina Kubitschek começaram a surgir quando, em
1959, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, com a aprovação do governo de Einsenhower,
criaram em 1° de novembro do ano em referência a Associação Internacional de Desenvolvimento (AIF),
com o endosso de 63 Países Membros daquelas entidades, com um capital de US$ 1 bilhão, com a
finalidade de auxiliar as nações subdesenvolvidas no mundo inteiro.
Memorial Juscelino Kubitscheck (Brasília)
espaço geográfico latino-americano.
Para a CEPAL, os projetos de integração regional deviam enfatizar duas questões relevantes que, segundo ela,
qualquer iniciativa desenvolvimentista na região seria obrigada a observar:
- a industrialização, como condição indispensável para o desenvolvimento dos países latino-americanos, teria
que dispor de mercados mais amplos que os nacionais, uma exigência básica para uma maior eficiência do
processo de industrialização, desde que se lograsse, inicialmente, incrementar o comércio intrazona mediante
acordos preferenciais; e
- solução para a situação geral de intransferibilidade das moedas destes países, por causa das dificuldades para
efetivar os pagamentos intrarregionais que incidiam negativamente sobre as iniciativas de comércio recíproco.
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Como veremos, pode-se afirmar que o Mercosul é o resultado de pelo menos três décadas de tentativas de
integração regional sob a forma de associações de livre comércio congregando todos os países da América do
Sul, tais como a ALALC (Associação Latino-Americana de Livre Comércio) e a ALADI (Associação Latino-
Americana de Integração), tendo a segunda destas organizações surgido da transformação ou refundação da
primeira delas. Aliás, o Mercosul tem vínculos com a ALADI na forma de um Acordo de Complementação
Econômica (ACE n° 18) entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, datado de 29 de novembro de 1991.
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No entanto, a Operação Pan-Americana não se
consolidou, e, em seu lugar, surgiu um programa de
cooperação multilateral, criado em agosto de 1961
pelos signatários da Carta de Punta del Este, com o
objetivo de incrementar o desenvolvimento econômico-
social da América Latina. A ideia da Aliança para o
Progresso foi lançada pelo sucessor de Einsenhover, o
presidente John Kennedy, em março de 1961, já como
uma resposta aos acontecimentos revolucionários em
Cuba, com a tomada do poder pelo grupo liderado por
Fidel Castro, e também pelas pressões de setores
políticos e governamentais latino-americanos preocupados com a situação
econômica e social da região.
Em 18 de fevereiro de 1960, na cidade de Montevidéu,
foi firmado o ato constitutivo de criação da Associação
Latino-Americana de Livre Comércio, a ALALC, uma
A ALALC perseguia um objetivo muito claro, pelo menos na sua definição: diminuir as tarifas alfandegárias
entre os parceiros e criar uma área de livre comércio.
Contudo, dois fatores obstaculizaram o progresso da ALALC, uma associação que durou de 1960 a 1980:
1. A rigidez dos mecanismos estabelecidos para a liberalização comercial; e
2. a instabilidade política vivida pela região sul-americana, sempre alimentada pelos ventos da Guerra Fria
entre os blocos políticos liderados pelos Estados Unidos e pela ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a
URSS.
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Em resumo, para além da questão da instabilidade política alimentada pela bipolaridade ideológica e militar
EUA versus URSS, no período de vigência da ALALC os Países Membrossó estavam dispostos a engajar-se na
proposta de abertura comercial até um certo ponto: todos os associados queriam abrir o mercado dos demais
países para os seus produtos, mas nenhum queria abrir o seu próprio mercado.
Assim, impossibilitados de cumprir com o acordado em 1960, os Países Membros decidiram, vinte anos depois,
extinguir a organização e substituí-la pela Associação Latino-Americana de Integração, a ALADI.
Nesse contexto, cumpre lembrar que, antes da decisão de substituição da ALALC pela ALADI, frente às
dificuldades encontradas pela ALALC para consolidar seus objetivos fundamentais, no final da década de 60
alguns Países Membros se convenceram da necessidade de constituir blocos sub-regionais de integração.
Assim, em 20 de maio de 1969 cinco países andinos firmaram o Acordo de Cartagena, que ficou conhecido
como "Pacto Andino", com o objetivo de "promover o desenvolvimento equilibrado e harmônico dos Países
Membros, acelerar seu crescimento mediante a integração econômica, facilitar sua participação no processo de
integração previsto no Tratado de Montevidéu, e estabelecer condições favoráveis para conversão da ALALC em
um mercado comum" (art. 10 do Acordo de Cartagena).
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organização para a cooperação econômica inspirada nas
sugestões oriundas da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), que tinha a liderança do
grande economista argentino Raul Prebisch, assessorado diretamente por outro reconhecido economista
sul-americano, o brasileiro Celso Furtado.
Os países signatários do ato constitutivo do Acordo de Cartagena, ou Pacto Andino, são, Bolívia, Chile,
Colômbia, Equador e Peru. Em 1973, a Venezuela aderiu ao acordo, retirando-se em 2006 para ingressar
no Mercosul. O Chile, em 1976, retirou-se do grupo.
A nova organização, a ALADI, aproveitou os ensinamentos da anterior, a ALALC, e propôs uma pauta
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Além da flexibilidade proporcionada pelo mecanismo dos acordos sub-regionais, que gerou, por exemplo, o
Protocolo de Expansão do Comércio (PEC) entre o Brasil e o Uruguai, e o Convênio Argentino-Uruguaio de
Complementação Econômica (CAUCE), dois fatores novos contribuíram, na década dos anos 80, para criar um
ambiente mais propício a propostas de integração regional:
1. O processo de redemocratização, que arrebatou o continente num curto espaço de tempo; e
2. a crescente diversificação da produção industrial daqueles países que, na região, souberam aproveitar o
modelo da substituição de importações, com destaque para Brasil, Argentina e México.
Assim, a redemocratização regional, ao gerar ambiente propício para a estabilidade com legitimidade, levou os
governos locais à busca de melhor relacionamento, como vizinhos, e não mais como peças secundárias no
tabuleiro internacional do xadrez geopolítico engendrado pelo confronto EUA versus URSS. As nações sul-
americanas passaram a enxergar que têm problemas e objetivos de desenvolvimento que se assemelham.
A diversificação industrial, por sua vez, significava que era possível, sim, propor-se uma maior
complementaridade das economias entre os países sul-americanos, visando o desenvolvimento regional
integrado, e, para tanto, a ideia da redução de barreiras tarifárias poderia produzir aumento efetivo de
comércio, como ensinavam os resultados dos acordos sub-regionais propostos no âmbito da ALADI.
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modesta, porém objetiva e pragmática.
A ALADI tinha a intenção de ser tão somente uma associação entre
Estados soberanos, e de transformar-se em zona de livre comércio, já que
os signatários tinham "como objetivo de longo prazo o estabelecimento,
em forma gradual e progressiva, de um mercado comum latino-
americano" (art. 10 do ato de criação da ALADI).
A ALADI, inaugurada em 12 de agosto de 1980, tinha por objetivo, a total
liberalização do comércio entre os onze Países Membros. Para tanto,
adotou um mecanismo geral flexível: os acordos sub-regionais, isto é,
acordos de liberalização comercial firmados apenas entre um grupo de
Países Membros, e não entre os onze, embora respeitando-se princípios e conceitos comuns.
Cartagena (Venezuela)
Brasil e Argentina iniciaram, nessa década de 80, a
negociação de preferências comerciais, ou seja, de
reduções tarifárias recíprocas. Deve-se destacar que, em
1986, os governos Raúl Alfonsín e José Sarney
decidiram que a aproximação das economias brasileira e
argentina devia constituir um dos pilares de suas
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Por fim, para concluir o elenco de informações sobre a ALALC e a ALADI, listaremos os instrumentos construídos
para liberalizar o comércio na região sob o amparo dos tratados constitutivos das referidas associações
Segundo o Tratado de Montevidéu de 1960 (ALALC):
� Listas nacionais de produtos, com alcance multilateral, o que significava estabelecer um sistema de
preferência regional;
� Lista comum, formada com produtos comuns resultantes das listas nacionais;
� Listas de vantagens não extensivas, que deveriam beneficiar os chamados países de menor
desenvolvimento relativo (PMDR), incluindo a Bolívia, o Equador, o Paraguai e o Uruguai;
� Acordos de complementação, que podiam ser firmados por pares de países, cujas preferências se
agregavam às listas nacionais dos Países Membros participantes, buscando-se assim a multilateralização.
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Conforme o Tratado de Montevidéu de 1980 (ALADI):
Acordos de Preferência Aduaneira Regional, assim denominados por estabelecerem as preferências outorgadas
reciprocamente por todos os Países Membros, ainda que em porcentagens diferentes, para atender a três categorias
classificatórias de graus de desenvolvimento: Países de Menor Desenvolvimento Relativo (PMDR), o que incluía Bolívia,
Equador e Paraguai; Países de Desenvolvimento Médio (PDM5), que englobava Colômbia, Chile, Peru, Uruguai e Venezuela;
e Países em Desenvolvimento (PDs), categoria formada por Argentina, Brasil e México;
� Acordos de Alcance Regional, que, de acordo com o Tratado, são aqueles em que participam todos os
Estados Membros, como no acordo de alcance parcial, e podem ser comerciais, de complementação
econômica, agropecuários, de promoção do comércio, de cooperação científica e tecnológica, de
promoção do turismo e de preservação do meio ambiente, entre outros.
� Acordos de Alcance Parcial, que deram inicio à obrigação de se prever meios para agilizar a
multilateralização destes acordos e buscar sua convergência para alcançar a finalidade de integrar as
economias de todos os participantes da ALADI. Assim, os Acordos de Alcance Parcial podem ser: de
renegociacão do patrimônio histórico, que abarcam os preferências já outorgadas na ALALC e que são
políticas externas e firmaram o Tratado de Cooperação
Econômica, que se mostrou muito eficiente no incremento e diversificação do comércio bilateral entre os
dois países, em especial nos setores-chave de bens de capital, trigo e automóveis.
O êxito alcançado por esse acordo sub-regional, sob o amparo do sistema jurídico da ALADI,
proporcionou os fundamentos para a ampliação do Tratado de Integração brasileiro-argentino,
projetando-se, assim, a formação de um Mercado Comum entre os dois países, o Mercosul, sobre o qual
nos deteremos mais adiante.
renegociados na ALADI; comerciais, cujo único objetivo é aumentar o comércio e o âmbito de aplicação
de cada acordo se limita a um setor produtivo, a respeito de cujos produtos se concedem as preferências;
de complementacão econômica, para aumentar o comércio, mas também promover a complementação
das economias; de preferências para países não membros, previstos no art. 25 do Tratadode Montevidéu
de 1980, para conceder tratamento preferencial a países latino-americanos; agropecuários, para regular
o comércio desse setor, mas sem incluir preferências, podendo referir-se a produtos específicos ou a
setores agropecuários; de promoção do comércio, voltados para temas não alfandegários, podem
compreender cooperação aduaneira, facilitação do transporte de mercadorias, conduta comercial, normas
sanitárias e fitosanitárias, e outras; sobre outras matérias, previstos no art. 14 do TM 1980, podem
referir-se a cooperação científica e tecnológica, promoção do turismo, preservação do meio ambiente e
demais assuntos não abrangidos pelos acordos citados anteriormente.
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Deve ser ressaltado que os Acordos de Complementação Econômica se transformaram no instrumento mais utilizado na
ALADI, e a partir da década de 90 produziu-se uma mudança substantiva, com o inicio da assinatura de convênios que têm por
objetivo a constituição de zonas de livre comércio (ZLCS). Exemplo desses "acordos de nova geração" é o ACE 18 (Argentina,
Brasil, Paraguai e Uruguai, que conformaram o Mercosul em seu início);
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A integração bilateral Brasil-Argentina
A ALADI congrega os Países Membros da antiga ALALC, ou seja, Argentina, Bolívia, Brasil,
Colômbia, Chile, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
Superada em 1979 a questão Itaipu-Corpus, que mantivera em campos
opostos o Brasil e a Argentina, desenhou-se gradualmente a parceria entre
esses dois países, com base em crescente convergência das suas políticas
interna e externa.
No campo interno, tratava-se de restaurar plenamente a vigência da
democracia e dos direitos humanos fundamentais.
No plano externo, buscava-se superar as desconfianças geradas pela
orientação autárquica imprimida aos dois países pelos governos militares, recuperar credibilidade nos
foros multilaterais e agilizar a interlocução com os países industrializados.
Para colocar em prática esse novo modelo de inserção internacional, privilegiou-se uma parceria brasileiro-
argentina construída, inicialmente, mediante propostas e ações no plano da segurança, notadamente na área
da energia nuclear, "fomentando um clima de confiança mútua crescente e que ensejou, em seguida, o
desmantelamento das hipóteses de conflito entre os dois países". Nesse sentido, houve nítido esforço da parte
dos governos de José Sarney (1985-1990) e Raúl Alfonsín (1983-1989) no sentido de conferir prioridade à
América Latina em sua atuação político-diplomática.
Impulsionada primeiramente pela Ata de Iguaçu, firmada em 30 de novembro de 1985, a integração bilateral
traduziu-se, primeiramente, em protocolos bilaterais de natureza setorial (trigo, bens de capital, segurança
alimentar e outros), desembocando posteriormente, em 1988, no Tratado de Integração, Cooperação e
Desenvolvimento. Refletindo o objetivo da promoção do desenvolvimento conjunto, esse instrumento
internacional lançava as bases de uma integração a ser construída por meio do enlace dos setores produtivos
dos dois países e de iniciativas conjuntas - por exemplo, no plano da energia, do transporte e das
telecomunicações. O grande desafio com que se confrontavam Brasil e Argentina à época era representado pela
alta inflação e pelo endividamento externo.
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Deve-se, ainda, ressaltar que esse bloco ergue-se sobre três bases:
a base jurídica está vinculada à ALADI, sob a forma de um Acordo de Complementação Econômica entre
Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, obedecendo a todos os princípios e normas daquela Associação;
a base política sustenta-se na cláusula democrática, acordada pelos seus altos mandatários desde o
Tratado de Assunção e consolidada pelo Protocolo de Ushuaia, de 24 de julho de 1998, sobre compromisso
Link
Leia mais sobre a questão Itaipu-Corpus
Com a chegada ao poder de Carlos Menem na Argentina (1989) e de Fernando Collor de Mello (1990) no
Brasil, introduziram-se novos paradigmas no processo de integração, obedecendo à orientação neoliberal
dos novos mandatários. Assim, privilegiou-se a orientação adotada pelo chamado "Consenso de
Washington", no sentido da abertura comercial, desregulamentação econômica e privatização.
O objetivo de estabelecer um mercado comum entre o Brasil e a Argentina surge
na Ata de Buenos Aires, firmada em 6 de julho de 1990, por ocasião da visita do
Presidente Fernando Collor à capital da Argentina. Nessa ocasião, a abertura
econômica e a desregulamentação dos mercados já balizavam a nova orientação
imprimida à integração.
Um ano mais tarde, os instrumentos consagrados pelo Tratado de Assunção, que
criou o Mercosul, já com a participação do Uruguai e do Paraguai, refletiriam esse
redirecionamento do processo de integração.
democrático no Mercosul - com a qual também concordaram Bolívia e Chile, países que detêm a condição de
associados ao bloco, e no compromisso de criar e estimular um processo de integração regional sul-americana;
a base econômica configura-se na crescente diversidade e capacidade produtiva das quatro economias e
no grande incremento das trocas comerciais entre seus Países Membros nos quatorze anos de sua vigência.
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Cronologia da integração no Cone Sul
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Primeira fase (do Tratado de Assunção ao Cronograma de Las Leñas - março de 1991 a julho de 1992)
Na sua primeira fase de vigência, o Tratado de Assunção expôs uma demanda histórica das sociedades que
compõem o conjunto dos Estados Partes do Mercosul: a imperiosa necessidade de integração regional dos
países sul-americanos, ideia lançada pelos pais fundadores das Repúblicas no continente sul-americano.
Na galeria seguinte, você pode visualizar esses pioneiros, cuja biografia e importância no processo de
integração você poderá conhecer clicando sobre o respectivo nome.
GALERIA DOS PRECURSORES DA INTEGRAÇÃO SUL-AMERICANA (clique nos nomes para saber mais)
Em três anos e nove meses de existência, ou seja, de 26 de março de
1991 a 31 de dezembro de 1994, o Mercosul saiu da projeção em papel -
o Tratado de Assunção - para se transformar, na prática do cotidiano das
relações entre os Estados Partes, em um complexo e dinâmico processo
de integração regional.
Assim, do final do governo José Sarney (1985-1989), passando pelo de
Fernando Collor de Mello (1990-1992), atravessando os dois períodos do
governo Fernando Henrique Cardoso (1994-2002) e de Luis Inácio Lula
da Silva (2003-2006), o Mercosul pode ser visualizado em seis fases
distintas, cujas principais características detalham-se a seguir.
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Assim, a partir de julho de 1992, o programa automático de liberalização comercial ou desgravação tarifária
progressiva, isto é, as reduções de tarifas sobre produtos negociados entre as economias dos países do bloco,
ocorria inapelavelmente sem que fosse necessário qualquer tipo de renegociação entre os Estados Partes,
respeitando-se apenas as exceções listadas de produtos/mercadorias inscritos pelos países. Vale ressaltar que,
mesmo com a vigência desse Programa de Liberalização Comercial, Anexo I do Tratado de Assunção (março de
1991), pelo ACE nº18, de 29 de novembro de 1991, os países fundadores do Mercosul obedeceriam a um
programa de desgravação progressivo, linear e automático, que se estenderia de 30 de junho de 1991 a 31 de
dezembro de 1994, e que seria iniciado com uma redução mínima de 47%, sobre as tarifas já existentes, por
mercadoria, até alcançar o limite máximo de 100%, ou seja, tarifa zero.Simón Bolívar
(Venezuela)
San Martin (Argentina)
José Marti (Cuba)
José Gervasio Artigas
(Uruguai)
Francisco Miranda
(Venezuela)
Bernardo O'Higgins
(Chile)
José Ignácio de Abreu e
Lima
(Brasil)
Hipólito José da Costa
(Brasil)
Foram excluídos do cronograma de desgravação os produtos compreendidos nas chamadas Listas de Exceções
apresentadas individualmente pelos países signatários, segundo suas apreciações nacionais de bens ou
produtos que necessitam de um tratamento diferenciado. De acordo com a NALADI (Nomenclatura ALADI, lista
de produtos que cobre todo o universo de bens que podem ser comercializados e torna possível a cobrança de
direitos de importação), os países apresentaram os seguintes quantitativos em suas Listas de Exceções:
República Argentina, 394 itens;
República Federativa do Brasil, 324 itens;
República do Paraguai, 439 itens; e
República Oriental do Uruguai, 960 itens.
Os produtos que forem sendo retirados das Listas de Exceções se beneficiam automaticamente das preferências
que resultam do Programa de Desgravação com, pelo menos, o percentual de desgravação mínimo previsto
para a data em que se operar sua retirada das mencionadas listas.
A partir da adoção da Tarifa Externa Comum (TEC) a lista de exceções à área de livre comércio passou a
chamar-se "lista de adequação".
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Ressalte-se que o setor agrícola brasileiro apresentou resistência ao ver-se exposto à concorrência de produtos
agropecuários mais competitivos, sobretudo de produtos argentinos, porém o Mercosul foi um estímulo para a
reconversão desse setor.
Segunda fase (do Cronograma de Las Leñas à Reunião de Colônia - julho de 1992 a janeiro de 1994)
Na segunda fase do processo de construção do Mercosul começaram a
surgir as primeiras dificuldades para o avanço da integração
econômica, pois os setores produtivos que se sentiam ameaçados no
curto prazo puseram-se a pressionar seus governos por uma
desaceleração das negociações e do programa de desgravação
tarifária ou liberalização comercial, meta fundamental do projeto de
integração regional.
Assim, tanto o setor industrial brasileiro quanto o argentino
ofereceram resistências ao processo de integração: os argentinos por
se sentirem ameaçados pela concorrência da indústria brasileira,
porque vinham sofrendo um processo de desindustrialização desde a
gestão de Martínez de Hoz durante o período militar; os brasileiros,
não por se sentirem ameaçados pela concorrência dos outros três
parceiros, mas porque lhes preocupava o limite que seria negociado
como nível máximo para a Tarifa Externa Comum, a TEC, que viria a substituir as tarifas nacionais
cobradas sobre as importações provenientes de países não-membros.
Las Leñas (Argentina)
A tendência de cada país membro do Mercosul nas negociações para a fixação do nível máximo da Tarifa
Externa Comum era, naturalmente, a de defender uma TEC o mais próxima possível de sua tarifa nacional, pois
quanto menores as diferenças entre ambas, menores seriam os custos do ajuste quando da entrada em vigor
dessa tarifa comum.
As negociações para a fixação de uma Tarifa Externa Comum levaram à compreensão de que a TEC deveria ser
pensada para atender a uma nova estrutura tarifária, ou seja, uma estrutura de proteção dotada de coerência
interna e adaptada às condições da economia dos quatro países considerados como um todo.
Desse modo, substitui-se a lógica individual, defensora dos interesses tarifários de cada parceiro, em favor de
uma lógica coletiva da construção fundada no princípio da racionalidade econômica.
Enfim, quando os Países Membros fundadores do Mercosul entenderam ser possível criar uma TEC com
racionalidade econômica, em fins de 1993, tornou-se possível defini-la para a maioria dos produtos que
conformavam as matrizes econômicas de cada parceiro, ainda que os estudos para fixá-la só se completassem
no final de 1994.
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Nas negociações para criar uma TEC, o Governo brasileiro sempre sustentou que a adoção desse tipo de tarifa
era imprescindível e necessária à continuidade do projeto do Mercosul, pois seus representantes técnicos
argumentavam que somente uma TEC garantiria:
a) a eqüidade de condições de concorrência no espaço geográfico do Mercosul;
b) a existência de uma margem de preferência regional;
c) o impulso político necessário para a preservação das conquistas alcançadas e para a continuação do processo
de integração;
d) unidade dos Países Membros em suas relações comerciais com outros países e grupos de países.
Assim, apesar da grande complexidade do processo de criação da Tarifa Externa Comum, as negociações nessa
segunda fase do período de transição para a construção do Mercosul permitiram, entre julho de 1992 e janeiro
de 1994, que se mantivesse o programa de liberalização comercial, que se superasse o problema de
desequilíbrios da balança comercial e o das discrepâncias macroeconômicas, e que se lançasse, por fim, as
bases de uma TEC, obedecendo a uma lógica de integração e superando a lógica de confrontação, preservando-
se, desta forma, os objetivos centrais do Tratado de Assunção.
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Terceira fase (da Reunião de Colônia à entrada em vigor da União Aduaneira - janeiro de 1994 a janeiro
de 1995)
Na terceira fase, os negociadores buscaram detalhar os temas centrais que deveriam ser solucionados
até dezembro de 2004, o que permitiria fazer funcionar o Mercosul já como União Aduaneira e dentro dos
prazos previstos.
Assim, resolvidas as questões de base pertinentes à eliminação de barreiras tarifárias e não-tarifárias e à
adoção de uma Tarifa Externa Comum, passou-se, nessa nova etapa, à concentração das discussões
específicas sobre o nível tarifário dos bens de capital, sobre o número de exceções permitido na Tarifa
Externa Comum, sobre a questão das Zonas Francas e seus impactos sobre o mercado ampliado, e,
finalmente, sobre quais critérios balizariam o Regime de Origem, além de se definir e aprovar a nova
Em respeito ao consenso internacional sobre comércio, o Regime de Origem do Mercosul obedece à seguinte
regra básica: é considerado originário da região, portanto com direito à tarifa zero, qualquer produto que tenha
pelo menos 60% de valor agregado regional.
Por último, mas não menos importante, deve-se ressaltar que o Regime de Origem só é necessário quando o
produto em questão está contido em alguma das listas de exceções à Tarifa Externa Comum.
Na Reunião de Colônia não se discutiram os demais temas que constituem o elenco de objetivos que
consolidarão o projeto do Mercosul, quais sejam, a coordenação das políticas macroeconômicas, o livre
comércio de serviços, e a livre circulação de pessoas e de capitais.
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Desse modo, o Protocolo de Ushuaia, de julho de 1998, exige que as sociedades mercosulinas respeitem a
vigência das instituições democráticas como condição imprescindível ao pleno desenvolvimento dos processos
de integração regional, ao mesmo tempo em que sinaliza, para os parceiros associados e para aqueles em
potencial, que o bloco dispõe-se a suspender os direitos e obrigações de todo aquele sócio que venha a
desrespeitar o princípio democrático, essencial para o reconhecimento pela sociedade do Mercosul de um
verdadeiro Estado de Direito.
estrutura institucional do Mercosul, que passaria a vigorar a
partir de 1º de janeiro de 1995, conforme fora estabelecido pelo
Protocolo de Ouro Preto, de 17 dezembro de 1994.
Colônia de Sacramento (Uruguai)
Quarta fase (do Protocolode Ushuaia sobre Compromisso Democrático no Mercosul até a Reunião de
Olivos - julho de 1998 a fevereiro de 2002)
Os governantes dos Países Membros do Mercosul assinaram a
Declaração Presidencial de Las Leñas, em julho de 1992, que
declara o imperativo da plena vigência das instituições
democráticas como condição indispensável para a existência e o
desenvolvimento do Mercosul, tendo a Bolívia e o Chile, países
associados ao bloco, aderido a esse fundamental compromisso
democrático.
Assumido pelos integrantes do projeto Mercosul, esse
compromisso contraria a secular tradição de ruptura da ordem
democrática nos países do Cone Sul, como revela a história
política das sociedades brasileira, argentina, paraguaia e
uruguaia e dos demais países no continente sul-americano.
Ushuaia (Argentina)
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Portanto, qualquer ruptura da ordem democrática em um dos Estados Partes do Mercosul implicará na
aplicação de procedimentos, sob a tutela dos demais parceiros, que levem à imediata recomposição e retomada
do modelo democrático de governo (como já aconteceu, por exemplo, quando da crise política paraguaia, no
ano de 1999, em decorrência do assassinato do vice-presidente eleito daquele Estado membro). Caso o país
não proceda à retomada da democracia, sofrerá sanções diversas no âmbito regional, podendo, inclusive,
chegar a perder sua condição de membro do bloco.
É importante destacar que, no exemplo citado, o presidente paraguaio, julgado politicamente pelas instituições
de seu país, obteve imediato asilo político no Brasil, o que demonstra que o compromisso democrático, firmado
pelo Protocolo de Ushuaia, respeita a democrática instituição do asilo político, consagrada pelo direito
internacional, para qualquer cidadão envolvido com questões de divergência ideológica ou de natureza política
decorrentes de conflitos em seu país de origem.
Da mesma forma, a Cláusula do Compromisso Democrático ajudou no desfecho da crise argentina
decorrente da renúncia do presidente eleito em 1999, Fernando De La Rúa, cuja sucessão teve mais três
empossados, sendo o último Eduardo Duhalde, até a posse do Presidente Néstor Kirchner.
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De outro lado, em paralelo ao trabalho do Grupo Mercado Comum, que emite Resoluções, existem as Decisões
do Conselho do Mercado Comum e as Diretrizes da Comissão de Comércio do Mercosul, fontes jurídicas
derivadas do Mercosul, que podem gerar controvérsias sobre sua interpretação, aplicação ou o não
Quinta fase (do Protocolo de Olivos, sobre o sistema de solução de controvérsias e segurança jurídica
no Mercosul, até as propostas de refundação do Mercosul - de fevereiro de 2002 a fevereiro de 2003)
A evolução do processo de integração no cenário do Mercosul exige
como ponto de partida para sua consolidação legal, a criação de um
direito comunitário capaz de ser automaticamente recepcionado
pelos respectivos ordenamentos jurídicos dos seus Estados Partes.
O Protocolo de Olivos, de 18 de fevereiro de 2002, sucessor do
Protocolo de Brasília para a Solução de Controvérsias, criou uma
estrutura jurídica para decidir sobre controvérsias entre Estados
Partes, empresas ou indivíduos, no ambiente do Mercosul,
composta por Tribunais Arbitrais Ad Hoc e um Tribunal Arbitral
Permanente de Revisão, cuja sede definitiva foi inaugurada em 13
de agosto de 2004 em Assunção, no Paraguai.
Assim, o Grupo Mercado Comum, agente integrante da estrutura institucional do Mercosul, conforme o
Protocolo de Ouro Preto, que coordena grupos de trabalho encarregados de formular políticas econômicas
e setoriais, gera linhas de ação para que os segmentos econômicos interessados ponham em movimento
as relações comerciais e de negócios entre os Estados Partes.
Olivos (Argentina)
cumprimento do que estabelecem o Tratado de Assunção, o Protocolo de Ouro Preto ou outras normas
celebradas no marco do Tratado de Assunção, fontes jurídicas básicas do bloco.
Ao longo dos primeiros doze anos de existência do Mercosul, acumularam-se resoluções, decisões e diretrizes
com potencial de controvérsias, criando-se, então, para além dos foros como a Organização Mundial do
Comércio e outros, um foro específico para a solução de controvérsias entre os Estados Partes, empresas e
cidadãos no âmbito do Mercosul.
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Sexta fase ( do Programa de Trabalho do Mercosul 2004-2006, agenda que retoma e aprofunda o processo de
integração regional, até a aprovação do acordo político sobre a Representação Cidadã, em 2010)
Em dezembro de 2003, o Conselho do Mercado Comum, por meio da Decisão nº26, de 2003, aprovou um
Programa de Trabalho do Mercosul para o triênio 2004-2006, que se fundamentou em um diagnóstico geral do
processo de integração e apontou a necessidade de resgatar o debate de inúmeras questões para as quais
ainda não se encontrou uma solução e que impedem a evolução do processo de integração.
O programa destinou-se a instruir as várias instâncias operacionais do Mercosul a inserir em seus respectivos
programas de trabalho as linhas de ação destacadas como prioritárias.
A estrutura da Agenda do Mercosul para 2004-2006, trouxe três grandes capítulos: Mercosul Econômico e
Comercial, Mercosul Social e Mercosul Institucional.
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No Mercosul Econômico e Comercial, destacam-se entre outros temas, a necessidade de se eliminar a dupla
cobrança da TEC e se resolver a questão da repartição da renda aduaneira, de se identificar os aspectos
conceituais básicos do Código Aduaneiro do Mercosul a serem definidos no âmbito do Grupo Mercado Comum,
bem como de promoção dos fundos estruturais a fim de elevar a competitividade dos membros e regiões
menos desenvolvidas.
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O Mercosul Social, por sua vez, ressaltou a importância em se ampliar a
participação da sociedade civil no processo de integração. Também entre
outras questões, foi apontada a necessidade de elaboração de propostas para
se promover os direitos dos trabalhadores no Mercosul, bem como de se
buscar a vigência dos Acordos sobre Residência de Nacionais do Mercosul e
Regularização Migratória para cidadãos do Mercosul.
No âmbito do Mercosul Institucional, constou como prioridade a aprovação da
proposta de criação do Parlamento do Mercosul, assim como a conclusão dos
trabalhos de Regulamentação do Protocolo de Olivos e a dotação de
infraestrutura e recursos necesssários para o adequado exercício de suas
tarefas. Vislumbrou-se, ainda, a ampliação da agenda de integração, por exemplo, por meio de
programa de cooperação em ciência e tecnologia e, no marco da Iniciativa da Infraestrutura Regional Sul-
Americana (IIRSA), priorizar os projetos de interesse dos Estados partes do bloco.
Nesta sexta fase, vale destacar os seguintes avanços alcançados pelo bloco:
1) Aprovação do Protocolo Constitutivo do Parlamento do Mercosul, cuja sessão inaugural teve lugar nas
dependências do Congresso Nacional brasileiro em dezembro de 2006 (Decisão n° 23/05, do CMC);
2) criação do Observatório da Democracia do Mercosul (Decisão n° 5/07, do CMC);
3) criação do sistema de pagamentos em moeda local para o comércio realizado entre os Estados Partes do
MERCOSUL (Decisão n° 25/07, do CMC);
4) aprovação das diretrizes para a implementação da eliminaçãoda dupla
cobraça da TEC (decisão nº10/01, do CMC;
5) aprovação do Código Aduaneiro do Mercosul (decisão nº10/10, do CMC);
6) aprovação, pelo CMC, por meio da Decisão nº28/10, do critério de Representação Cidadã, com base na
recomendação do Parlamento do Mercosul, tema que será retomado quando de nosso estudo sobre o
Parlamento;
7) aprovação do programa de Consolidação da União Aduaneira (decisãonº56/10, do CMC), com o objetivo de
promover acões nos seguintes campos:
I – Coordenação Macroeconômica; II – Política Automotiva Comum; III – Incentivos; IV – Defesa Comercial; V
– Integração Produtiva; VI – Regimes Comuns Especiais de Importação; VII – Regimes Nacionais de Admissão
Temporária e “Draw-Back”; VIII – Regimes Nacionais Especiais de Importação não contemplados nas Seções VI
e VII; IX – Eliminação da Dupla Cobrança da Tarifa Externa Comum e a Distribuição da Renda
Aduaneira;.X – Simplificação e Harmonização dos Procedimentos Aduaneiros Intrazona; XI – Revisão Integral
da Consistência, Dispersão e Estrutura da Tarifa Externa Comum; XII – Bens de Capital e Bens de Informática e
Telecomunicações; XIII – Listas Nacionais de Exceção à Tarifa Externa Comum; XIV – Ações Pontuais no
Âmbito Tarifário; XV – Regulamentos Técnicos, Procedimentos de Avaliação da Conformidade e Medidas
Sanitárias e Fitossanitárias; XVI – Livre comércio intrazona; XVII – Coordenação sobre Medidas de
Transparência; XVIII – Coordenação em Matéria Sanitária e Fitossanitária; XIX – Zonas Francas, Zonas de
Processamento de Exportações e Áreas Aduaneiras Especiais; XX - Negociação de Acordos Comerciais com
Terceiros Países e Regiões; XXI - Fortalecimento dos Mecanismos para a Superação das Assimetrias
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Apresentada essa cronologia, ressaltamos que o Mercosul consitui bloco regional que foi inicialmente formado
por quatro Países Membros, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, na região denominada Cone Sul do
Continente Americano. Posteriormente, a ele se associaram Bolívia, Chile, Peru, Colômbia e Equador.
A Venezuela, por sua vez, é Membro Associado do Mercosul desde 2004 e, em dezembro de 2005, passou
à condição de membro pleno, em processo de adesão, ou seja, com direito de participar
de todas as reuniões do Mercosul, mas só ganhará a prerrogativa do voto quando
preencher todos os requisitos para integrar o projeto de União Aduaneira. Assim, a
Venezuela terá de adaptar sua economia à Tarifa Externa Comum (TEC) e seguir as
regras do Mercosul. Acrescente-se que o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul
já foi aprovado pelos parlamentos da Argentina, Uruguai e, em dezembro de 2009, pelo
Congresso Nacional Brasileiro. Resta, porém, o aval do parlamento paraguaio para que
o protocolo venha a produzir efeitos.
Unidade 2 - Análise dos marcos jurídicos constitutivos do Mercosul.
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O Tratado de Assunção
Avaliação Objetiva
Vamos fazer a autoavaliação da Unidade I do Módulo II? Clique em "Avaliações" ( lado esquerdo da
página ) e "Autoavaliação da Unidade I do Módulo II" . Boa sorte!
A assinatura desse tratado inicia uma fase que se chama, no "jargão mercosulino", de fase de transição.
É a etapa em que são estabelecidos os instrumentos para a conformação de um espaço econômico
integrado.
O Tratado de Assunção estabeleceu os instrumentos para a constituição de uma
área de livre comércio e de uma união aduaneira, passos iniciais na rota de um
mercado comum. Os meios de implementação do projeto integracionista
incluem alguns instrumentos:
� Um programa de liberalização comercial, consistindo de reduções
tarifárias progressivas, lineares e automáticas com o objetivo de chegar-se
à tarifa zero em 31/12/94, e eliminação das restrições não-tarifárias ou de
quaisquer medidas de efeito equivalente. Foram previstas listas de
exceções para os chamados produtos sensíveis, as quais deveriam ser
reduzidas anualmente em 20% até 31/12/94. As listas de exceções
referem-se a produtos que os países determinam manter fora da área de
livre comércio, sobre eles permanecendo, portanto, certos direitos aduaneiros. Tal medida atendia
às pressões de representantes, em cada país, daqueles setores produtivos mais sensíveis à
concorrência externa. Essas pressões vêm-se constituindo, aliás, no grande obstáculo à
conformação de áreas de livre comércio na América Latina, visto que certos setores buscam sempre
se proteger da concorrência externa.
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� O Tratado de Assunção estipulou também a coordenação de políticas macroeconômicas e setoriais.
Existem vários foros técnicos de negociação para a coordenação destas políticas, entre os quais cabe
mencionar os subgrupos de trabalho para as políticas agrícola, industrial e trabalhista.
� O tratado determinou, ainda, a adoção de uma tarifa externa comum para terceiros países (TEC).
� Finalmente, o Tratado de Assunção impôs a adoção de acordos setoriais, com o fim de otimizar a
utilização e mobilidade dos fatores de produção e alcançar escalas operativas eficientes.
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O Protocolo de Ouro Preto
Infelizmente, este último instrumento, que poderia elevar a escala
da produção e tornar os produtos da região mais competitivos no
mercado internacional, não vem sendo utilizado pelos agentes
econômicos.
De acordo com as etapas de integração que vimos anteriormente. o
Mercosul se configura, no momento, como uma união aduaneira
imperfeita, ou parcial, visto que há vários produtos fora da tarifa
externa comum, os quais entram no espaço econômico integrado
pagando tarifas diferenciadas segundo o país. Ainda há mais de mil
ítens nas listas nacionais de exceção à TEC (decisão nº58/10). O
setor de bens de capital, por exemplo, encontra-se excluído da tarifa externa comum (TEC). Nesse
ponto, é importante novamente registrar a aprovação do Programa de Consolidação da União
Aduaneira, por meio da decisão nº56/10, do CMC.
Vista de Assunção, capital paraguaia.
O Protocolo de Ouro Preto, assinado em 17 de dezembro de 1994, inauguraria a chamada fase de
consolidação do Mercosul. Confere uma estrutura institucional mais aperfeiçoada à integração, lançando,
assim, as bases para o estabelecimento de uma união aduaneira que será, neste primeiro momento,
apenas parcial.
Em verdade, representa um novo patamar jurídico para o Mercosul ao conferir-
lhe personalidade jurídica de Direito Internacional, o que lhe permitiu, daí em
diante, celebrar acordos e tratados com outros Estados, agrupamentos de
paises e organismos internacionais.
O protocolo estreita os contatos entre os chefes de estado do Mercosul ao
determinar que o conselho poderá reunir-se quantas vezes estimar oportuno,
mas que pelo menos uma vez por semestre o fará com a participação dos
presidentes da república dos estados partes do Mercosul. Além disso, incluiu a
Comissão Parlamentar Conjunta na estrutura orgânica do Mercosul. São
definidas a sua composição, atribuições e competências. Assim, do ponto de vista do papel do Congresso Nacional no
processo de integração, o Protocolo de Ouro Preto representa importante marco jurídico.
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O Protocolo de Ouro Preto criou, ainda, uma Secretaria Administrativa do Mercosul (SAM), sediada em
Montevidéu, como órgão de apoio operacional. Mais tarde foi criado, no âmbito da SAM, um Setor de
Assistência Técnica (SAT), com quatro consultores admitidos por concurso público, um por país, sendo dois
para a área econômica e dois para a área jurídica.
A Decisão nº 22/94, do Conselho do Mercado Comum (CMC), criou em dezembro de 2004 a Tarifa Externa
Comum (TEC). Os negociadores decidiram, contudo, permitir que os Estados Partes adotassem listas nacionais
de exceções à TEC e listas setoriais. As listas nacionais obedecem definição de cada país, e cabe ao Mercosul
regular a sua extensão.
As listas de exceções setoriais prevêem que os países não estão comprometidos a aplicar a TEC com relação a
certos grupos de produtos. De maneira geral, trata-se de bens não produzidospor alguns dos Estados Partes, a
quem interessa importá-los de terceiros países, que são capazes de comercializá-los a preço mais baixo do que
se fossem importados de Estados Membros do Mercosul. São eles os bens de capital e de informática e
telecomunicações. Note-se que o Brasil produz esses bens, interessando-lhe, portanto, a proteção de suas
indústrias por meio da TEC.
Desde o inicio da negociação da TEC, a política automotiva foi abordada separadamente pelos Estados Partes.
Até o ano 2000, estava previsto que o comércio do setor seria determinado por meio de acordos bilaterais. O
primeiro acordo conjunto, estabelecido pela Decisão nº 70/00, ficou conhecido como Política Automotiva do
Mercosul. A Decisão nº 04/01 incorporou o Paraguai ao Acordo. Contudo, essas normas nunca entraram em
funcionamento, e a política automotiva no Mercosul permanece regulamentada por acordos bilaterais.
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Cumpre, porém, registrar que o Brasil apresentou o Projeto de Adensamento e Complementação Automotiva no
âmbito do Mercosul, que foi aprovado pelo CMC por meio da decisão nº 09/10, a ser financiado com recursos
brasileiros e do FOCEM. O outro setor inicialmente excluído do regime de convergência à tarifa externa comum
é o setor açucareiro, também excluído da área de livre comércio. As Decisões do CMC nº 19/94 e 16/96
regulamentam sua situação.
O fluxo de produtos provenientes de terceiros países dentro da área de livre comércio do Mercosul deveria
dispensar o pagamento de direitos aduaneiros, o que efetivamente não vem acontecendo. Por esse motivo, o
Conselho do Mercado Comum aprovou Decisão determinando que se busque a eliminação da dupla cobrança da
TEC no espaço econômico integrado (Decisão Nº 54/04). E, finalmente, por meio da Decisão nº 10/10, foram
aprovadas as diretrizes e os prazos para que tal objetivo fosse alcançado. A eliminação deve ocorrer em três
etapas, sendo que a primeira foi em janeiro de 2012, a próxima será em janeiro de 2014 e a última em janeiro
de 2019
A seguir, resumiremos os objetivos do Mercosul, conforme determinados pelos tratados fundadores.
O Mercosul é um processo de integração econômica regional que objetiva a construção de um Mercado Comum,
e as suas metas básicas, que constam do artigo 1º do Tratado de Assunção, podem ser assim alinhadas:
- eliminação das barreiras tarifárias e não-tarifárias no comércio entre os Países Membros;
- adoção de uma Tarifa Externa Comum (TEC);
- coordenação de políticas macroeconômicas;
- livre comércio de serviços;
- livre circulação de mão-de-obra; e
- livre circulação de capitais.
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A partir do quarto ano de sua existência, ou seja, em 1994, o Mercosul alcançou a condição de União
Aduaneira, pois criou uma Tarifa Externa Comum (TEC) após haver eliminado grande parte das tarifas e das
restrições não-tarifárias de cerca de 80% dos bens comercializados entre os Estados Partes.
Em resumo, no estágio de União Aduaneira, os Países Membros estabelecem tarifas zero para o comércio
intrazona e tarifas iguais para o intercâmbio comercial com terceiros países.
Em geral, os acordos de livre comércio prevêem a perspectiva de exclusão de certos produtos ou grupos de
produtos, ao menos em suas fases iniciais, e os estudos efetivados pelo GATT (General Agreement on Tariffs
and Trade), organização hoje transformada na OMC (Organização Mundial do Comércio), consideravam que
uma Zona de Livre Comércio devia abarcar pelo menos 80% dos produtos comercializados entre os seus Países
Membros.
Assim, o Mercosul cumpriu, até agora, os seus dois primeiros objetivos, ainda que de forma parcial:
- eliminar as barreiras tarifárias e não-tarifárias no comércio intrazona; e
- adotar uma Tarifa Externa Comum (TEC), o que caracteriza a condição de União Aduaneira.
No entanto, para alcançar o estágio de Mercado Comum, o Mercosul ainda terá que concretizar quatro objetivos
de grande envergadura, quais sejam: a coordenação de políticas macroeconômicas, a liberalização do comércio
de serviços, e a livre circulação de mão-de-obra e a de capitais. Delas trataremos um pouco mais
detalhadamente a seguir.
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Da necessidade de coordenação de políticas macroeconômicas
Assim, quanto mais se avança no processo de integração no Mercosul e tanto mais se consolida a
interdependência entre as economias dos Países Membros, mais necessária e fundamental se torna a
convergência de políticas macroeconômicas coordenadas entre os Estados Partes do bloco econômico.
Essa coordenação de políticas macroeconômicas é de fundamental importância no contexto do processo de
integração regional do Mercosul, pois decorre do seu sucesso o equilíbrio dos efeitos comerciais entre as
A teoria econômica ensina que a política macroeconômica de um país se divide em
três esferas principais:
� política cambial, que cuida da taxa de câmbio da moeda nacional em relação
ao dólar ou a outros padrões de referência externos;
� política monetária, que fixa a taxa de juros e a quantidade de moeda a ser
emitida (e que regula, portanto, em grande medida, a política creditícia); e
� política fiscal, que determina os níveis e alcances da tributação e exerce o
controle dos recursos a serem arrecadados e gastos pelo Estado.
Yin&Yang
economias que conformam o espaço geográfico do bloco, bem como o direcionamento dos fluxos de
investimento e as condições de concorrência entre os produtores locais versus potenciais produtores dos outros
Países Membros.
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A vantagem de uma coordenação das políticas macroeconômicas dos Países Membros do Mercosul vem sendo
protelada ao longo dos quatorze anos de existência do projeto mercosulino, em decorrência da sua
dependência externa construída por compromissos assumidos perante organismos e agentes financeiros
internacionais.
Por todo o século XX, os países que assumiram o compromisso de construir o Mercosul foram se enredando em
processos de endividamento externo dos quais não conseguiram se desvencilhar, sempre atropelados por ciclos
repetitivos de crises financeiras mundiais, o que, sem sombra de dúvida, vem se constituindo em formidável
obstáculo para que se projete uma coordenação conjunta de suas políticas macroeconômicas e a obtenção de
uma margem maior de autonomia para planejar e executar políticas soberanas de desenvolvimento regional e
de mercados internos ampliados.
Enfim, ainda que se caracterize como um lento processo, a coordenação das políticas macroeconômicas dos
Países Membros do Mercosul constitui pilar básico do processo de integração regional sul-americano, pois sem
ela não será possível a criação de uma moeda comum regional, como o Euro da União Europeia.
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Da liberalização do comércio de serviços
Liberar o comércio de serviços no cenário do Mercosul implica, necessariamente, a eliminação de leis, normas e
regulamentações nacionais que discriminam o fornecedor estrangeiro e protegem o fornecedor nacional de
determinado serviço, bem como a elaboração de uma política integrada.
O medo da perda da autonomia nacional faz com que existam legislações, pelo mundo todo, que simplesmente
proíbem a presença de fornecedores estrangeiros de serviços no território nacional, sendo, portanto, a
resistência à liberalização do comércio de serviços um obstáculo a ser resolvido pela agenda do Mercosul, para
que se possa construir um verdadeiro Mercado Comum.
Hoje, para além da Organização Mundial do Comércio (OMC), o tema da liberalização do comércio de serviços,
no plano internacional, é tão importante que a legislação comercial norte-americana, por meio da pouco
divulgada Seção 301, instrumento de legislação comercial daquele país, autoriza o Presidentedos EUA, em
decisão unilateral, quanto a serviços, a "restringi-los na forma que julgar apropriada ou, mesmo, negar
autorização para seu acesso ao mercado norte-americano". A Seção 301 foi criada em 1974 pelos EUA, país
que prega o livre comércio há duzentos anos.
Convém destacar que os serviços correspondem a mais da metade do PIB dos países do Mercosul, e que,
acreditando nos princípios do livre comércio, o Brasil abriu seu comércio de serviços de telecomunicações para
empresas de capital estrangeiro, as quais, hoje, competem nesse campo com empresas nacionais.
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Da livre circulação de trabalhadores
No mundo globalizado, acredita-se que os trabalhadores possam circular livremente na busca de ocupação que
lhes permita lutar pela sobrevivência cotidiana.
Assim, espera-se que o trabalhador mercosulino possa deslocar-se de seu país para aproveitar os frutos da
integração na sua totalidade, ou seja, se não encontra emprego na economia do seu país de origem, ou se as
oportunidades de trabalho não resultam atraentes (não só por motivos de remuneração, mas também por
razões de condições de vida), que seja livre para buscá-lo nas economias dos demais Estados Partes do
Mercosul.
Os negociadores do Mercosul terão que continuar, portanto, o esforço para dar continuidade ao trabalho de
harmonização das legislações trabalhista e previdenciária dos Estados Membros, além do reconhecimento
mútuo de diplomas e títulos profissionais, o que garantirá o exercício pleno da profissão nos territórios
nacionais do bloco. Para isso contam, na estrutura institucional do bloco, com a existência do Foro Consultivo
Econômico e Social, que opera no sentido de pressionar pelo crescente desenvolvimento de ações facilitadoras
da circulação de mão-de-obra no espaço geográfico que conforma a região de integração.
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Da livre circulação de capitais
A globalização representa o auge da livre circulação de capitais, que, a sua vez, tem gerado muito mais
especulação financeira que produção de bens e serviços e distribuição de benefícios; ou seja, muito mais crises
financeiras causadoras de estagnação econômica com impacto mundial do que o desenvolvimento progressivo e
organizado das economias nacionais dos países com potencial para o crescimento, países que têm urgência em
melhorar a qualidade de vida da maioria dos cidadãos excluídos pela pobreza e miséria, além do respeito pelos
bens não renováveis à sua disposição no meio ambiente.
Os investimentos dos países do Mercosul já contam com certas facilidades e garantias para suas aplicações no
mercado dos parceiros, mas os Países Membros do bloco precisam estruturar uma liberalização bastante
qualificada, no sentido de exercer um maior controle dos movimentos de capitais especulativos, paralelamente
a uma estrutura facilitadora dos fluxos de capitais destinados à produção de bens e serviços, em especial de
infra-estrutura, que permitirá sua inclusão sustentada no contexto da competição globalizada entre nações, ao
lado da imperiosa necessidade de melhoria da qualidade de vida dos cidadãos mercosulinos.
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Unidade 3 - Estrutura institucional do Mercosul; Solução de Controvérsias
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Estrutura institucional do Mercosul
O Tratado de Assunção definiu as instituições que deveriam conduzir o processo de integração do Mercosul
durante o período inicial de transição, e o Protocolo de Ouro Preto (1994) estabeleceu as instituições básicas
definitivas para prosseguir-se na implantação do bloco, além de dotá-lo de personalidade jurídica internacional.
Assim, a estrutura institucional do Mercosul está constituída pelos seguintes órgãos:
Conselho do Mercado Comum
O Conselho do Mercado Comum (CMC) é o órgão superior responsável pela condução política do processo de
integração e composto pelos Ministros das Relações Exteriores e de Economia ou Fazenda dos Países Membros.
O CMC se reúne duas vezes por ano e se manifesta por meio de Decisões. É o órgão responsável pela condução
política do processo de integração, inclusive habilitado para firmar acordos com outros países ou grupo de
países em nome do Mercosul, assumindo a condição de personalidade jurídica internacional, portanto, de
representante do bloco, ainda que na obrigação de sempre decidir por consenso.
O Conselho do Mercado Comum encarrega-se de traçar as grandes linhas do processo de integração para
garantir o impulso político que sustenta o seu fortalecimento e aprofundamento.
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Os Presidentes dos Estados Partes não integram o Conselho do Mercado Comum, mas estão presentes em pelo
menos uma das duas reuniões anuais desse órgão. As cúpulas do Mercosul constituem, evidentemente, a
instância máxima do processo político de integração mercosulina.
Ao Conselho do Mercado Comum estão subordinados:
a) Grupo Mercado Comum (GMC): órgão executivo, integrado por representantes dos Ministérios das Relações
Exteriores, de Economia e dos Bancos Centrais dos quatro países. O GMC reúne-se, normalmente, quatro vezes
por ano e se manifesta por meio de Resoluções;
b) Foro de Consulta e Concertação Política (FCCP): órgão auxiliar do CMC, com o objetivo de ampliar e
sistematizar a cooperação política entre os Estados Partes; e
c) Reuniões de Ministros de todos os setores governamentais dos Países Membros.
Grupo Mercado Comum
Órgão executivo do Mercosul, composto por representantes dos Ministérios mais diretamente envolvidos nos
temas da integração e dos Bancos Centrais, em cujo âmbito se discutem os principais temas do processo de
integração.
Ao Grupo Mercado Comum compete implementar os objetivos do Mercosul e supervisionar o seu
funcionamento, inclusive examinando as questões, mesmo aquelas de grande complexidade, que lhe são
encaminhadas em maior nível de detalhe que o Conselho do Mercado Comum.
Ao Grupo Mercado Comum estão subordinados:
a) Secretaria do Mercosul (SM): órgão, com sede em Montevidéu, que presta apoio técnico e administrativo aos
trabalhos do Mercosul e é responsável pela tradução e guarda de documentos oficiais do bloco;
b) Foro Consultivo Econômico e Social (FCES): órgão de caráter consultivo, representante dos setores
econômicos e sociais dos quatro Estados Partes;
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c) Reuniões Especializadas: Autoridades de Aplicação em Matéria de Drogas (RED); Ciência e Tecnologia
(RECYT); Comunicação Social (RECS); Cooperativas (REC); Infra-Estrutura da Integração (REII); Municípios e
Intendências do Mercosul (REM I); Mulher (REM); Promoção Comercial (REPC); e Turismo (RET);
d) Comitês: Automotivo (CAM); Cooperação Técnica (CCT); Diretores de Aduanas (CDA); e Sanidade Animal e
Vegetal (CSAV);
e) Reunião Técnica sobre Incorporação da Normativa Mercosul;
f) Comissão de Comércio (CCM): órgão assessor do GMC, com a tarefa de velar pela aplicação dos instrumentos
de política comercial acordados pelos Estados Partes. Reúne-se mensalmente e manifesta-se por Diretrizes. À
CCM estão subordinados os Comitês Técnicos: (CT-1) Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias;
(CT-2) Assuntos Aduaneiros; (CT-3) Normas e Disciplinas Comerciais; (CT-4) Políticas Públicas que Distorcem a
Competitividade; (CT-5) Defesa da Concorrência; (CT-6) Comitê de Defesa Comercial e Salvaguardas; e (CT-7)
Defesa do Consumidor;
g) Subgrupos de Trabalho: (SGT-1) Comunicações; (SGT-2) Aspectos Institucionais; (SGT-3) Regulamentos
Técnicos e Avaliação da Conformidade; (SGT-4)Assuntos Financeiros; (SGT-5) Transportes; (SGT-6) Meio
Ambiente; (SGT-7) Indústria; (SGT-8) Agricultura; (SGT-9) Energia e mineração; (SGT-10) Assuntos
Trabalhistas, Emprego e Seguridade Social; (SGT-11) Saúde; (SGT-12) Investimentos; (SGT-13) Comércio
Eletrônico; e (SGT-14) Acompanhamento da Conjuntura Econômica e Comercial;
h) Grupo de Serviços (GS);
i) Grupos Ad-Hoc: Comércio de Cigarros (GAHCC); Compras Governamentais (GAHCG); Concessões
(GAHCON); Integração Fronteiriça (GAHIF); Relacionamento Externo (GAHRE); Setor Açucareiro (GAHSA);
Grupo de Alto Nível para o Aperfeiçoamento do Sistema de Solução de Controvérsias (GANPSSC); e Grupo de
Alto Nível para Examinar a Consistência e Dispersão da TEC (GANTEC);
j) Comissão Sócio-Laboral (CSLM);
k) Área Financeira pelo lado brasileiro: O Banco Central do Brasil é membro do Grupo Mercado Comum (GMC) e
da Reunião de Ministros de Economia e Presidentes de Bancos Centrais do Mercosul (RMEPBC), coordena o
Subgrupo de Trabalho nº 4 - Assuntos Financeiros (SGT-4), participa e acompanha o Grupo de Serviços (GS), o
Subgrupo de Trabalho nº 12 - Investimentos (SGT-12), o Subgrupo de Trabalho nº 13 - Comércio Eletrônico
(SGT-13), o Subgrupo de Trabalho nº 14 - Acompanhamento da Conjuntura Econômica e Comercial (SGT-14) e
o Grupo de Monitoramento Macroeconômico (GMM).
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Secretaria do Mercosul
A Secretaria do Mercosul, com sede em Montevidéu, no Uruguai, é a unidade de apoio operacional e administrativo
responsável pela prestação de serviços aos demais órgãos do Mercosul.
Entre outras funções cabe à Secretaria do Mercosul cuidar do arquivo oficial da documentação do Mercosul, publicar e
difundir as decisões, resoluções e diretrizes adotadas no âmbito do bloco, além de organizar, auxiliada pelas Secretarias
das Representações Nacionais, o apoio logístico necessário para a realização das reuniões do Conselho Mercado Comum,
do Grupo Mercado Comum e da Comissão de Comércio do Mercosul.
A Secretaria é administrada por um diretor, com mandato rotativo de dois anos, e cuja escolha é procedida pelo Conselho
do Mercado Comum em conjunto com o Grupo Mercado Comum, após consulta aos Países Membros do bloco.
Comissão de Comércio do Mercosul
A Comissão de Comércio é o principal órgão técnico encarregado de administrar os instrumentos de política
comercial comum, verificando sua correta aplicação, propondo ajustes e examinando pleitos nacionais
relacionados a casos comerciais específicos.
A Comissão de Comércio do Mercosul é assessorada por dez Comitês Técnicos, dedicados a áreas temáticas
determinadas, tais como assuntos aduaneiros, defesa do consumidor, defesa da concorrência, setor
automobilístico e setor têxtil.
Parlamento do Mercosul
Em 2004 foi aprovada pelo Conselho do Mercado Comum, Decisão nº 49/04, que investiu a CPC da condição de
Comissão Preparatória de um Parlamento do Mercosul.Este, instalado em dezembro de 2006, tem como modelo
de partida a estrutura da Comissão Parlamenta Conjunta do Mercosul, já experimentada nas lides do processo
legislativo nos Congressos Nacionais dos quatro países fundadores.
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Foro Consultivo Econômico-Social
Congregando representantes dos setores empresariais, sindicatos e entidades sociais da sociedade civil para
discussão de temas vinculados ao Mercosul e formulação de propostas específicas de cada um desses
segmentos, o Foro Consultivo Econômico-Social tem, como o nome expressa, função consultiva e manifesta-se
mediante Recomendações ao Grupo Mercado Comum.
De maneira geral, o Foro Consultivo Econômico-Social questiona o hermetismo que caracteriza o sistema de
decisões no bloco, e reivindica o direito de se pronunciar como órgão decisório do Mercosul, em especial em
questões sociais.
Tribunal Permanente de Revisão do Mercosul
De início, o Tratado de Assunção previu a criação de um sistema de solução de controvérsias, que se
consubstanciou no Protocolo de Brasília para a Solução de Controvérsias no Mercosul, firmado em dezembro de
1991.
A necessidade de aperfeiçoamento do sistema de solução de controvérsias, decorrente da evolução do processo
de integração, levou à assinatura do Protocolo de Olivos, em 18 de fevereiro de 2002. Este instrumento cria
foros próprios para cuidarem das controvérsias surgidas entre os Estados Partes sobre a interpretação, a
aplicação ou o não cumprimento do Tratado de Assunção, do Protocolo de Ouro Preto, dos protocolos e acordos
celebrados no marco do Tratado de Assunção, das Decisões do Conselho do Mercado Comum, das Resoluções
do Grupo Mercado Comum e das Diretrizes da Comissão de Comércio do Mercosul.
Assim, foram incorporados à estrutura institucional do Mercosul o Tribunal Arbitral Ad Hoc e o Tribunal
Permanente de Revisão do Mercosul.
O Tribunal Arbitral Ad Hoc, desde que acionado pelas Partes interessadas em um litígio, pode reunir-se em
qualquer dos Países Membros do Mercosul, enquanto o Tribunal Permanente de Revisão, instalado em 13 de
agosto de 2004, tem sua sede em Assunção, no Paraguai.
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O Tribunal Permanente de Revisão pode servir como última instância, tendo competência para revisar o que é
decidido em primeira instância, por meio de arbitragem, em especial de controvérsias comerciais entre os
Estados Partes, suas empresas ou cidadãos.
Contudo, o Tribunal Permanente de Revisão, foro especializado para dirimir questões litigiosas do Mercosul, não
impede que as partes em conflito, se o desejarem, encaminhem suas questões para outros foros, como a
Organização Mundial do Comércio (OMC).
O Tribunal Permanente emite um laudo definitivo sobre as controvérsias que lhe são encaminhadas, que pode
confirmar, modificar ou revogar a fundamentação jurídica e as decisões dos Tribunais Arbitrais Ad Hoc.
Tribunal Administrativo-Trabalhista do Mercosul
Em quatorze anos de existência, a estrutura organizacional do Mercosul passou a enfrentar reclamações de
natureza administrativa trabalhista, oriundas das relações de sua Secretaria Administrativa com os funcionários
à sua disposição, inclusive terceirizados.
O Direito Internacional permite que o Grupo Mercado Comum crie e regule uma instância administrativa para
atender às reclamações de natureza administrativo-trabalhista de funcionários da Secretaria Mercosul, com
fundamento nas normas internacionais para Acordos de Sede (Decisão CMC nº 04/96).
Assim, foi criado o Tribunal Administrativo-Trabalhista (TAL), com a finalidade de resolver tais tipos de
conflitos, sempre com base nas normas Mercosul aplicáveis ao pessoal da Secretaria do Mercosul e nas
Instruções de Serviço ditadas pelo Diretor dessa Secretaria, além de amparado por um Acordo de Sede que
garante ao Grupo Mercado Comum o direito de contratar pessoal.
O Tribunal Administrativo-Trabalhista rege-se por Estatuto próprio, conforme as Decisões nºs. 4/96 e 30/02 do
Conselho do Mercado Comum, e as Resoluções nºs 42/97 e 01/03 do Grupo Mercado Comum.
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Foro Consultivo de Municípios, Estados Federados, Províncias e Departamentos do Mercosul
A complexidade do processo de integração regional mercosulino, em sua vertente política, fez surgir o Foro
Consultivo de Municípios, Estados Federados, Províncias e Departamentos - unidades territoriais específicas de
cada Estado Parte do Mercosul -, cuja finalidade é abrigar e estimular o diálogo e a cooperação entre as
autoridades de nível municipal, estadual, provincial e departamental dos Estados Membros do bloco.
O Foro Consultivo pode propor medidas destinadas à coordenação de políticas para promover o bem-estar e
melhorar a qualidade de vida dos habitantes dos Municípios, Estados Federados, Províncias e Departamentos da
região do Cone Sul, bem como formularrecomendações por intermédio do Grupo Mercado Comum.
O Foro Consultivo é formado, conforme a Decisão nº 41/04, por um Comitê dos Municípios e um Comitê dos
Estados Federados, Províncias e Departamentos, as unidades territoriais nos diferentes Estados Partes do
Mercosul. Previu-se seu Regimento Interno, que foi aprovado pela resolução nº26/07, do Grupo Mercado
Comum.
O Mercosul possui uma estrutura orgânica intergovernamental (não há órgãos supranacionais), havendo,
contudo, uma Presidência Pro Tempore, exercida por sistema de rodízio semestral. As decisões do Mercosul são
sempre tomadas por consenso.
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Reuniões Periódicas
Eis a listagem das reuniões periódicas previstas no âmbito do bloco:
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Solução de controvérsias
Interessante destacar que o Protocolo de Ouro Preto não enumera, dentre os seus órgãos, um específico para
dirimir as controvérsias. O art. 44 daquela norma apenas refere a criação de sistema permanente de solução de
controvérsias quando se consolide a união aduaneira.
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O capítulo I determina o espectro de aplicação do PB, destinando-se a atuar nas controvérsias entre os Estados
Partes que versem sobre a interpretação, a aplicação ou o descumprimento das disposições previstas nos
tratados institutivos e demais acordos supervenientes, bem como nas normas provenientes de seus órgãos, por
decisões, resoluções e diretrizes emanadas pelo Conselho do Mercado Comum (CMC), pelo Grupo Mercado
� Reuniões de Cúpula dos Presidentes dos Estados Partes do Mercosul e associados (Bolívia, Chile,
Colômbia, Equador e Peru), realizadas a cada seis meses no país que tem a Presidência Pro
Tempore do Mercosul, cujo rodízio obedece a uma cronologia alfabética, ou seja, Argentina, Brasil,
Paraguai, Uruguai e a Venezuela.
� Reuniões Ordinárias do Conselho do Mercado Comum, em paralelo às Reuniões de Presidentes dos
Estados Membros.
� Reuniões de Ministros de Economia e Presidentes dos Bancos Centrais do Mercosul e associados,
semestralmente ou quando convocadas em caráter extraordinário.
� Reuniões Ordinárias e Extraordinárias do Grupo Mercado Comum, semestrais e sempre que
convocadas.
Assim é que foi criado o sistema provisório, instituído no Protocolo de Brasília, de 17
de dezembro de 1991. O iter-arbitral, precedido pela negociação direta e pela
conciliação, foi a forma escolhida para compor os diferendos no Mercosul, conforme o
Anexo III, inciso 3, do Tratado de Assunção. Para tanto, foi designado um grupo de
trabalho com vistas a elaborar o Sistema de Solução de Controvérsias entre os países
contratantes. O Protocolo de Brasília para Soluções de Controvérsias (PB), publicado
no Diário Oficial da União em 8 de janeiro de 1992, passou a viger em 22 de abril de
1993.
Sem inovar, utilizando a forma tradicional do direito internacional público, esse protocolo estabelece três
fases para a solução de controvérsias. A primeira delas é a negociação direta, sendo a conciliação a
subsequente, e, no caso de insucesso das etapas anteriores, propõe-se a arbitragem. O Protocolo de
Brasília prevê a possibilidade de reclamações advindas de particulares, pessoas físicas ou jurídicas,
estabelecendo, no entanto, freios políticos para a sua utilização.
Comum (GMC) e pela Comissão de Comércio do Mercosul (CCM).
As controvérsias entre os Estados Partes serão, inicialmente, resolvidas mediante negociações diretas, sem
forma ou rito definido, sendo seus resultados comunicados ao GMC por intermédio da Secretaria Administrativa
do Mercosul (SAM), não podendo exceder o prazo de quinze dias a contar da data em que a controvérsia tiver
sido levantada por um dos Estados Partes, nos termos dos arts. 2º e 3º do Protocolo de Brasília.
Não há dúvida de que a fórmula mais adequada para que se alcance uma interpretação uniforme das normas
que compõem um sistema tão complexo, como um mercado comum, é a de outorgar a um órgão arbitral
permanente ou a um órgão judicial essa função.
Porém, sabe-se pela experiência de outros blocos regionais da enorme dificuldade em se atingir tal sofisticação,
seja pela parcela de soberania que os estados terão que delegar a tais órgãos, seja pelo seu caráter
dispendioso, o que não se coaduna com blocos regionais criados entre Estados em desenvolvimento, como é o
caso do Mercosul.
O Protocolo de Olivos (PO), de 18 de fevereiro de 2002, em vigor desde 2004, substituiu o Protocolo de Brasilia
(PB), trazendo algumas inovações.
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A etapa conciliatória, obrigatória no PB, passa a ser facultativa no PO; esgotados os caminhos da negociação e
conciliação, os Estados Partes poderão recorrer ao procedimento arbitral. O Protocolo de Olivos inova ao
permitir às partes a escolha por outro foro de solução de conflitos. Em seu art. 1º-2: "As controvérsias
compreendidas no âmbito de aplicação do presente Protocolo que possam também ser submetidas ao sistema
de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio ou de outros esquemas preferenciais de
comércio de que sejam parte individualmente os Estados Partes do Mercosul, poderão submeter-se a um ou
outro foro, à escolha da parte demandante. Sem prejuízo disso, as partes na controvérsia poderão, de comum
acordo, definir o foro. Uma vez iniciado um procedimento de solução de controvérsias de acordo com o
parágrafo anterior, nenhuma das partes poderá recorrer a mecanismos de solução de controvérsias
estabelecidos nos outros foros com relação a um mesmo objeto, definido nos termos do art. 14 deste
Protocolo".
A composição do Tribunal Arbitral ad hoc se dará por três árbitros: dois indicados pelos Estados Partes,
provenientes de uma lista previamente depositada na Secretaria Administrativa do Mercosul, e um terceiro,
neutro, escolhido por ambas as partes, que o presidirá, sendo vedado a este último provir dos Estados
envolvidos na controvérsia.
A decisão do Tribunal Arbitral dar-se-á por laudos que, de acordo com o art. 21 do PB, são inapeláveis e
obrigatórios para os Estados Partes a partir do recebimento da respectiva notificação; terão força de coisa
julgada, devendo ser cumpridos no prazo de quinze dias, a menos que o Tribunal Arbitral tenha fixado outro
prazo. Entretanto, a decisão da primeira instância arbitral deixa de ser inapelável, haja vista a criação de um
Tribunal Permanente de Revisão, no PO.
A criação desta Corte revisora pretende, de forma paliativa, trazer maior segurança jurídica à construção de
uma união aduaneira, prevendo, para o futuro, uma revisão do atual sistema com vistas à adoção do Sistema
Permanente de Solução de Controvérsias, segundo o disposto no art. 53: "Antes de finalizar o processo de
convergência da tarifa externa comum, os Estados Partes efetuarão uma revisão do atual sistema de solução de
controvérsias, a fim de adotar o Sistema Permanente de Solução de Controvérsias para o Mercado Comum a
que se refere o número 3 do Anexo III do Tratado de Assunção".
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A Corte Revisora será composta por cinco árbitros. Cada um dos sócios indicará um árbitro e um suplente pelo período de
dois anos renováveis. Já o quinto árbitro será designado de comum acordo pelos Estados Partes pelo período de três anos
não renováveis, devendo ser nacional de um dos Estados (art. 18).
Os árbitros indicados pelos Estados, tanto os titulares quanto os suplentes, deverão estar permanentemente
disponíveis para atuar nos julgamentos, quando convocados (art. 19), concluindo-se não se tratar de um órgão
permanente stricto sensu, mas instaurado à medida que os casos vão sendo interpostos para julgamento.
Conforme antiga reivindicação paraguaia, a sede do Tribunal Permanente de Revisãoé em Assunção, podendo,
caso seja necessário, ser transferida para outro local. Já os tribunais arbitrais ad hoc poderão reunir-se em
quaisquer das cidades dos Estados sócios.
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Módulo III - A Dimensão Parlamentar do Mercosul
Síntese
Neste Módulo, vimos que a integração do Cone Sul teve início em torno do núcleo Brasil-Argentina, que
evoluiria para o Tratado de Assunção, em 1991, já contemplando a participação do Paraguai e do
Uruguai. O Protocolo de Ouro Preto (1994) estabeleceria a estrutura institucional adequada à união
aduaneira. Estudamos, finalmente, o Protocolo de Brasília (1991) e o Protocolo de Olivos (2002),
instrumentos pelos quais foi criado um sistema para a solução das controvérsias que viessem a ocorrer
ao longo do processo de integração.
Avaliação Objetiva
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Módulo III - A Dimensão Parlamentar do Mercosul
Unidade 1 - A norma Mercosul; Procedimentos de produção da norma Mercosul.
Procedimento de produção da norma Mercosul
A harmonização das legislações "nas áreas pertinentes" é um dos importantes instrumentos previstos pelo
Tratado de Assunção para a integração (art. 1º). O Protocolo de Ouro Preto confere caráter obrigatório às
Decisões do Conselho, às Resoluções do Grupo Mercado Comum e às Diretrizes da Comissão de Comércio, mas
estabelece também que a sua implementação se fará de acordo com a legislação interna dos Estados Partes.
As limitações evidenciadas pelas Constituições dos Estados Partes no que se refere à integração, exigem uma
série de ajustes coordenados para evitar que elas operem como um freio ao processo integracionista.
Tudo indica que compromissos mais fortes no processo de integração exigirão que a dimensão Mercosul seja
tratada de maneira equivalente nos ordenamentos jurídicos internos dos sócios do bloco.
As limitações constitucionais operam impedindo a instauração de um regime adequado, balizador do caminho
para surgir e desenvolver-se um direito comunitário. Também se tornam obstáculos para a criação de
mecanismo ágil e transparente que permita incorporar as normas Mercosul e torná-las operativas, além de
Temas do Módulo
Neste módulo, estudaremos a Dimensão Parlamentar do Mercosul, que se expressava, inicialmente na
Comissão Parlamentar Conjunta (CPC). Criada pelo Tratado de Assunção em 1991, o braço parlamentar
da integração foi incluído na estrutura institucional do bloco pelo Protocolo de Ouro Preto em dezembro
de 1994, passando a integrar o processo de internalização de normas nos ordenamentos jurídicos dos
Países Membros e balizando o caminho para a criação do Parlamento do Mercosul.
Assim, veremos também o processo de produção da normativa Mercosul, emanada dos órgãos que
compõem a estrutura institucional do bloco, e, de fundamental importância para a consolidação do
processo de integração regional, sua implementação, que se faz em função da legislação interna dos
Estados Partes, para que, recepcionada pelos respectivos ordenamentos jurídicos, entre em vigência e
garanta a segurança jurídica exigida pelos negócios empreendidos por cidadãos, empresas e
representações governamentais no território mercosulino.
Por fim, estudaremos as razões que levaram à criação do Parlamento do Mercosul, bem como do
mecanismo da consulta parlamentar, destinado a agilizar o processo de internalização das normas
produzidas pelos órgãos institucionais do Mercosul.
Objetivos
Ao término do módulo você estará apto a:
� Descrever a dimensão parlamentar do Mercosul;
� Discutir as razões da criação do Parlamento Mercosul;
� Refletir sobre a necessidade de ajustes nas Constituições dos Estados Partes do Mercosul.
impedir um sistema que garanta a hierarquia superior destas normas sobre as nacionais.
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Nesse sentido, a Constituição da Argentina, por exemplo, é a mais avançada dentre aquelas dos Estados
Partes, pois outorga aos tratados internacionais uma hierarquia superior às leis nacionais e autoriza a
celebração de tratados de integração que deleguem competências a organizações supra-estatais. (arts. 75
incisos 22 e 24)[N6].
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No caso do Paraguai, sua Carta Magna, de 1992, também outorga supremacia aos tratados internacionais e
estabelece genericamente a admissão de uma ordem jurídica supranacional:(arts. 137,141 e 145)[N7]
Artigo 75: Corresponde al Congreso (...)
Inciso 22: Aprobar o desechar tratados concluidos con las demás naciones y con las
organizaciones internacionales y los concordatos con la Santa Sede. Los tratados y
concordatos tienen jerarquía superior a las leyes.
Inciso 24: Aprobar tratados de integración que deleguen competencias y jurisdición a
organizaciones supraestatales em condiciones de reciprocidad e igualdad, y que respeten
al ordem democrático y los derechos humanos. Las normas dictadas em su consecuencia
tienen jeraquía superior a las leyes.
Artigo 137. De la Supremacia de la Constitución
La ley suprema de la República es la Constitución. Ésta, los tratados, convenios y acuerdos
internacionales aprobados y ratificados, las leyes dictadas por el Congreso y otras
disposiciones jurídicas de inferior jerarquía, sancionadas en consecuencia, integran el
derecho positivo nacional en el orden de prelación enunciado.
Artígo 141. De los tratados Internacionales
Los tratados intenacionales validamente celebrados, aprobados por ley del Congreso, y
cuyos instrumentos de ratificación fueran canjeados o depositados, forman parte del
ordenamiento legal interno com la jerarquía que determina el Artículo 137.
Artigo 145. Del Orden Jurídico Supranacional
La República del Paraguay, en condiciones de igualdad con otros Estados, admite un orden
A Constituição da Venezuela determina que a preferência de acordos regionais sobre a legislação interna (arts.
153 a 155)[N8].
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O Uruguai e o Brasil, por sua vez, não contam com previsão constitucional que conceda hierarquia superior dos
tratados internacionais sobre as leis nacionais, o que significa que as Cartas Magnas brasileira e uruguaia não
aportam solução para potenciais conflitos entre uma norma internacional e uma norma interna, o que produz
uma trava jurídica ao avanço do processo de integração. Há porém, que se fazer ressalva, o caso brasileiro, aos
tratados de direitos humanos, os quais aprovados na forma do § 3º do art. 5º da Constituição Federal,
introduzido pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004, equiparam-se a emendas constitucionais. Desse modo,
apenas eventuais acordos de integração que versem sobre direitos humanos poderão ter status superior à
jurídico supranacional que garantice la vigencia de los derechos humanos, de la paz, de la
justicia, de la cooperación y del desarrollo, en lo político, económico, social y cultural.
Dichas decisiones sólo podrán adoptarse por mayoría absoluta de cada Cámara del
Congreso.
Sección Quinta: De las Relaciones Internacionales
Artículo 153. La República promoverá y favorecerá la integración latinoamericana y
caribeña, en aras de avanzar hacia la creación de una comunidad de naciones, defendiendo
los intereses económicos, sociales, culturales, políticos y ambientales de la región. La
República podrá suscribir tratados internacionales que conjuguen y coordinen esfuerzos
para promover el desarrollocomún de nuestras naciones, y que garanticen el bienestar de
los pueblos y la seguridad colectiva de sus habitantes. Para estos fines, la República podrá
atribuir a organizaciones supranacionales, mediante tratados, el ejercicio de las
competencias necesarias para llevar a cabo estos procesos de integración. Dentro de las
políticas de integración y unión con Latinoamérica y el Caribe, la República privilegiará
relaciones con Iberoamérica, procurando sea una política común de toda nuestra América
Latina. Las normas que se adopten en el marco de los acuerdos de integración serán
consideradas parte integrante del ordenamiento legal vigente y de aplicación directa y
preferente a la legislación interna.
Artículo 154. Los tratados celebrados por la República deben ser aprobados por la Asamblea
Nacional antes de su ratificación por el Presidente o Presidenta de la República, a excepción
de aquellos mediante los cuales se trate de ejecutar o perfeccionar obligaciones
preexistentes de la República, aplicar principios expresamente reconocidos por ella, ejecutar
actos ordinarios en las relaciones internacionales o ejercer facultades que la ley atribuya
expresamente al Ejecutivo Nacional.
Artículo 155. En los tratados, convenios y acuerdos internacionales que la República celebre,
se insertará una cláusula por la cual las partes se obliguen a resolver por las vías pacíficas
reconocidas en el derecho internacional o previamente convenidas por ellas, si tal fuere el
caso, las controversias que pudieren suscitarse entre las mismas con motivo de su
interpretación o ejecución si no fuere improcedente y así lo permita el procedimiento que
deba seguirse para su celebración.
legislação ordinária.
Em verdade, tanto no caso brasileiro quanto no uruguaio, existe apenas uma referência programática, em suas
Constituições, relacionada com a integração latino-americana (parágrafo único do art. 4º da Constituição
Federal brasileira e inciso 2 do art. 6º da Constituição uruguaia)[N9].
O direito brasileiro não dispõe, pois, de instrumentos que confiram especificidade às normas emanadas dos
órgãos da integração, ao contrário do que acontece com a Constituição argentina. Tentativa neste sentido foi
rechaçada quando da revisão constitucional de 1993.
A Constituição de 1988 atribui ao Poder Executivo competência privativa para manter relações com Estados
estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos, bem como celebrar tratados, convenções e atos
internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional (art. 84, incisos VII e VIII).
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Ao Parlamento cabe aprovar os atos internacionais firmados pelo Presidente da República ou seu
Plenipotenciário, cabendo-lhe também autorizar o Presidente da República a declarar guerra e celebrar a paz,
conforme segue:
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
Artigo 4º da Constituição brasileira, parágrafo único:
A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural
dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de
nações.
Artigo 6, inciso 2, da Constituição Uruguaia:
La República procurará la integración social y económica de los Estados Latinoamericanos,
especialmente em lo que se refiere a la defensa común de sus productos y materias primas.
Asimismo, propenderá a la efectiva complementación de sus servicios públicos.
I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou
compromissos gravosos ao patrimônio nacional;
II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras
transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei
complementar; (...)
No que tange à aprovação de tratados e demais atos internacionais, o procedimento parlamentar, como
regra, tem-se limitado à sua aprovação ou rejeição in totum.
A doutrina diverge no que diz respeito à possibilidade de alteração do tratado quando de sua tramitação no
Congresso Nacional.
Isto porque, tendo em vista óbvias razões de ordem prática, não seria possível a um país, segundo alguns
juristas, aprovar emendas a um tratado internacional negociado em âmbito multilateral. Sustentam eles que tal
prática, se adotada por todos os Estados contratantes, haveria de gerar um completo caos na convivência
internacional, tornando impossível, do ponto de vista prático, qualquer previsibilidade quanto à ratificação ou
modificação de textos acordados ao longo de inúmeras reuniões e, muitas vezes, difíceis negociações.
Contudo, outra corrente sustenta que, caso o tratado admita reservas, poderá o Congresso Nacional aprová-lo
com restrições, as quais o Poder Executivo traduzirá em reservas no momento da ratificação. Do mesmo modo,
poderá aprová-lo com declaração de desabono às reservas acaso feitas na assinatura, e que deixarão de ser
confirmadas, portanto, na ratificação. Foi neste sentido o parecer de 1962 do eminente jurista Haroldo
Valladão, quando consultor jurídico do Itamaraty.
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Assim, terminada a negociação de um tratado, tem o Presidente da República, que a iniciou, a faculdade de
dar ou não prosseguimento ao processo de sua incorporação ao ordenamento jurídico interno. Com exceção
das convenções internacionais do trabalho, que por sua natureza obrigam a sua submissão à aprovação do
Parlamento, nos demais casos tanto pode o chefe do Poder Executivo mandar arquivar o produto, se o julgar
insatisfatório, de uma negociação bilateral ou coletiva, quanto determinar estudos mais aprofundados na área
do Executivo, e submeter o texto, quando melhor lhe pareça, à aprovação congressual.
Se por um lado em nenhum caso pode o Presidente da República manifestar o consentimento definitivo em
relação ao tratado sem a aprovação do Congresso Nacional, por outro, tal aprovação não o obriga à ratificação.
A decisão do Congresso Nacional é formalizada por meio de um decreto legislativo, promulgado pelo Presidente
do Senado Federal e publicado no Diário Oficial da União. O decreto legislativo não rejeita e nem altera o
tratado. Exemplos de rejeição são raríssimos, mas neste caso caberia apenas uma comunicação, mediante
mensagem, ao Presidente da República. Entre os raros casos de rejeição pode-se destacar, a título de exemplo,
o tratado argentino-brasileiro de 25 de janeiro de 1890, sobre a fronteira das Missões, rejeitado pelo plenário
do Congresso em 18 de agosto de 1891, por 142 votos contra 5.
No Brasil adotou-se o procedimento de se estipular, por meio de um parágrafo único no decreto legislativo que
aprova o tratado internacional, que são sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam
resultar em revisão do ato internacional em questão, assim como quaisquer atos complementares que, nos
termos do art. 49, I, da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio
nacional.
Os tratados, salvo os de direitos humanos aprovodaos na forma do citado § 3º do art. 5º da Constituição
Federal, uma vez inseridos no direito brasileiro, passam a ter força de lei ordinária e a exercer efeitos sobre as
demais leis, podendo, inclusive, revogá-las, uma vez que lei posterior revoga um tratado internacional se suas
disposições conflitam. Desse modo, os tratados estão em nível hierárquico inferior ao da Constituição, e,
portanto, sujeitos ao controle de constitucionalidade.
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Incorporação das normas Mercosul ao ordenamento jurídico interno dos Estados Partes
Os recentes esquemas de integração regional, como o Mercosul, representam, entretanto, casos
especialíssimos, umavez que seus instrumentos jurídicos emergem de um Acordo-Quadro anterior, como é o
Tratado de Assunção, o qual proclama a intenção inequívoca dos Estados Membros de procederem a um
processo de integração, para o qual se faz necessária a celebração de vários protocolos adicionais ao Acordo
inicial. Assim, a presunção é a de que interessa aos Estados signatários a célere aprovação congressual dos
atos internacionais firmados no âmbito do processo integracionista.
Na prática, entretanto, isso nem sempre ocorre. Por vezes, o instrumento negociado acaba por sofrer restrições
de setores interessados, e os Governos optam por sustar a sua tramitação no Congresso Nacional. Exemplo
disto é o Código Aduaneiro do Mercosul, que, aprovado pela Câmara dos Deputados, aguardou por alguns anos
o seu exame pela Comissão de Relações Exteriores do Senado. O Governo acabou por retirar a mensagem que
o encaminhava, aguardando a renegociação de certos detalhes técnicos.
As normas Mercosul serão ou não submetidas ao crivo do Congresso Nacional de acordo com sua natureza. As
que tratam de matéria com natureza de lei serão introduzidas após os trâmites previstos no direito interno; já
as de natureza meramente regulamentar, incluídas nas competências do Poder Executivo, são introduzidas na
normativa brasileira pela via de decretos e portarias.
Ao contrário da Constituição argentina, que como vimos, confere hierarquia superior à das leis às normas
incorporadas como consequência dos tratados de integração, o direito derivado do Mercosul não desfruta de
posição hierárquica superior às leis ordinárias, recebendo tratamento idêntico àquele outorgado aos demais
tratados internacionais. A única especificidade que distingue a normativa Mercosul quando dos procedimentos
para a sua incorporação ao direito brasileiro provém da Resolução do Congresso Nacional nº 1 de 1996, que,
em cumprimento ao Protocolo de Ouro Preto, veio a inserir, no seio do Parlamento, a Comissão Parlamentar
Conjunta do Mercosul. Nos termos de seu art. 2º, deverá a Representação Brasileira na Comissão Parlamentar
Conjunta do Mercosul emitir parecer preliminar sobre toda matéria de interesse para o bloco e que venha a
tramitar no Congresso Nacional.
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Pretendeu-se com este dispositivo, atender o art. 25 do Protocolo de Ouro Preto, segundo o qual "A Comissão
Parlamentar Conjunta procurará acelerar os procedimentos internos correspondentes nos Estados Partes para a
pronta entrada em vigor das normas emanadas dos órgãos do Mercosul previstos no Artigo 2 deste Protocolo".
Embora impedida de atuar no sentido propriamente de acelerar os procedimentos de aprovação das normas
Mercosul pelo Congresso Nacional, como quer o Protocolo, o que equivaleria a transformá-la em um grupo de
pressão no seio do Parlamento, a Comissão busca, mediante o seu parecer preliminar, fornecer subsídios às
demais Comissões temáticas quanto à importância e aos impactos, sobre o processo de integração, da
normativa em exame.
Mais uma vez faz-se necessário distinguir, neste contexto, os atos internacionais advindos do processo de
integração e os atos de outra natureza. Concordam os teóricos da integração quanto ao status especialíssimo
que assumem os Estados participantes de tal processo, em relação a terceiros países.
Vários estudiosos vêm chamando a atenção para o fato de que, no processo de negociações do Mercosul, vem
ocorrendo um curioso fato no que diz respeito a determinadas matérias de âmbito interno: decisões vêm sendo
tomadas pelos negociadores do Mercosul em nível quadripartite, e internalizadas por via de portarias
ministeriais, de tal forma que o centro de decisões é transferido, por vezes, para um foro intergovernamental,
com prejuízo da competência legislativa do Congresso Nacional, que sequer tem a possibilidade de acompanhar
todos estes processos decisórios que se desenrolam nos múltiplos foros negociadores do Mercosul. Trata-se
aqui de uma situação sui generis, porém própria dos processos de integração. É interessante ressaltar, nesse
cenário, que a existência de uma Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul no seio do Congresso Nacional,
prevista pelos Tratados de Assunção e pelo Protocolo de Ouro Preto, nunca chegou a sanar esta falha, uma vez
que a CPC não dispunha de real poder de controle sobre o processo negociador.
A criação do Parlamento do Mercosul, constituído em 14 de dezembro de 2006, poderá contribuir decisivamente
para maior transparência e visibilidade do processo de integração regional. Cumpre, nesse ponto, esclarecer
que a citada Resolução nº1, de 1996, do Congresso Nacional, foi revogada pela resolução nº 1 de 2007, que
dispõe sobre a Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul e cujo art.4º prevê procedimento
preferencial às matérias emanadas dos órgãos decisórios mercosulinos, desde que a norma tenha sido adotada
de acordo com os termos do parecer do Parlamento do Mercosul. Com isso, tais normas após a apreciação da
Representação quanto aos aspectos da constitucionalidade, juridicidade, adequação financeira e orçamentária
e, ainda, quanto ao mérito, serão remetidas aos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado, salvo se a
Representação julgar necessário, em razão da especificidade e complexidade da matéria, o pronunciamento de
outras Comissões.
Nota-se, portanto, que a Resolução de 2007 veio atender o disposto no inciso 12 do art. 4º do Protocolo
Constitutivo do Parlamento do Mercosul, que estabeleçe o seguinte: "os Parlamentos nacionais, segundo os
procedimentos internos correspondentes, deverão adotar as medidas necessárias para a instrumentalização ou
criação de um procedimento preferencial para a consideração das normas do Mercosul que tenham sido
adotadas de acordo com os termos do parecer do Parlamento".
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A Consulta Parlamentar
Com efeito, a experiência europeia demonstrou, ao longo do tempo, a importância de que se reveste a atitude
de respeito às normas da integração, manifestada pelos Estados Partes. Esse respeito, refletindo o grau de
compromisso político dos Países Membros para com o processo integracionista, muito contribuiu para o
fortalecimento do bloco europeu.
A Secretaria da então Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul, sediada em Montevidéu, realizou
levantamento sistemático do estado da incorporação das normas do Mercosul já negociadas e assinadas e que
exigem aprovação congressual para a sua incorporação ao direito interno dos Estados Partes e verificou que um
alto percentual jamais ingressou nos respectivos Parlamentos.
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Não se imaginava, efetivamente, que alguns instrumentos ficassem retidos por tanto tempo antes de serem
enviados aos respectivos Parlamentos nacionais.
Esse fato, logicamente, também contribui para a fragilidade institucional do Mercosul e para a insegurança
jurídica existente no momento.
Em outubro de 2003, firmou-se o primeiro acordo interinstitucional entre dois órgãos do Mercosul: o Conselho
do Mercado Comum e a Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul. Essas duas entidades celebraram acordo,
com apenas dois artigos, de grande significado no que diz respeito à democratização do processo decisório do
Mercosul.
O art. 1º diz basicamente que o Conselho se compromete a enviar à consulta da Comissão Parlamentar
Conjunta do Mercosul, no momento da sua negociação, todas as normas que requeiram aprovação congressual.
Já o art. 2º contém a contrapartida da Comissão: ela se compromete a dar uma tramitação mais ágil e mais
rápida a toda a matéria que tenha merecido o seu parecer favorável.
Em outras palavras, todo instrumento Mercosul que, no momento de sua negociação, houvesse ido à Comissão
e recebido o seu parecer favorável, quando firmado pelos Estados Partes e enviado à aprovação congressual,
receberiatratamento legislativo mais rápido.
Esse engenhoso mecanismo, vislumbrado no acordo interinstitucional e mais comumente chamado de "consulta
parlamentar", seria, posteriormente, incluído entre as competências do Parlamento do Mercosul. Como vimos, o
Congresso Nacional brasileiro já aprovou dispositivo destinado à implementação da consulta parlamentar por
meio da edição da citada Resolução n° 1, de 2007, à qual ainda recorreremos ao tratarmos das competências
Desde a assinatura do Tratado de Assunção, que criou o Mercosul, verifica-se que a maior
debilidade do bloco reside no déficit de incorporação das normas, acordadas pelos seus órgãos
decisórios, aos ordenamentos jurídicos internos dos Estados Partes. Essa deficiência vem
debilitando a credibilidade do bloco, tanto frente a terceiros países e agrupamentos de países,
como em face dos agentes econômicos privados. Ao traduzir um modelo de integração muito
mais orientado por realidades de poder do que por normas jurídicas livremente acordadas
pelos Estados Partes no foro regional, o Mercosul revela-se ao agente econômico como um
espaço pouco atraente para seus investimentos, caracterizado pela insegurança jurídica e pela
falta de previsibilidade e de efetividade normativa.
do Parlamento do Mercosul.
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Unidade 2 - O Parlamento do Mercosul; Definição.
Definição e razões para a criação de um Parlamento do Mercosul
Em dezembro de 2004, em Belo Horizonte, o Conselho do Mercado Comum aprova a Decisão 49/04, que
confere à Comissão Parlamentar Conjunta a condição de Comissão Preparatória do Parlamento do Mercosul, e
estabelece a data limite de 31 de dezembro de 2006 para a instalação do novo órgão.
A Comissão atendeu a esse mandato, e produziu um Projeto de Protocolo Constitutivo do Mercosul, que seria
aprovado pelo Conselho do Mercado Comum por meio da Decisão n° 23/05, em Montevidéu, em 9 de dezembro
de 2005.
Página 1
Avaliação Objetiva
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esquerdo da página ) e "Autoavaliação da Unidade I do Módulo III" . Confira!
Em 15 e 16 de dezembro de 2003, em Montevidéu, o Conselho do
Mercado Comum aprovava o "Programa de Trabalho Mercosul
2004-2006", cujo ponto 3.1 solicita à Comissão Parlamentar
Conjunta a elaboração de uma proposta concernente à criação do
Parlamento do Mercosul, que deveria ser submetida ao Conselho
do Mercado Comum em 2004. O Programa de Trabalho
determinava que a proposta deveria considerar, como uma
primeira etapa, o mecanismo de consulta estabelecido pelo Acordo
Interinstitucional, subscrito pelo Conselho e pela Comissão
Parlamentar Conjunta.
O Parlamento do Mercosul
O Protocolo estabelece que o Parlamento do Mercosul substituirá a Comissão Parlamentar Conjunta como órgão
integrante da estrutura institucional do Mercosul.
Seu art. 2 elenca os propósitos do Parlamento, entre os quais cabe mencionar:
- a representação dos povos do Mercosul, respeitando sua pluralidade ideológica e política;
- a promoção e a defesa da democracia, da liberdade, da paz e do desenvolvimento sustentável, com justiça
social;
- o estímulo à participação dos atores da sociedade civil no processo de integração e à formação de uma
consciência integracionista na região;
- a consolidação da integração latino-americana mediante o aprofundamento e consolidação do Mercosul;
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O mecanismo da consulta parlamentar é reproduzido no art. 4, inciso 12 do Protocolo, e, ademais, estabelece o
prazo máximo de 180 dias corridos para que os Congressos Nacionais dos Estados Partes do Mercosul se
manifestem sobre aquelas normas que tenham sido adotadas pelo Conselho do Mercado Comum consoante o
parecer emitido pelo Parlamento regional no momento de sua negociação. O mesmo inciso ressalva que se
dentro do prazo desse procedimento preferencial o Parlamento do Estado Parte não aprovar a norma, esta
deverá ser reenviada ao Poder Executivo, que a encaminhará à reconsideração do órgão correspondente do
Mercosul.
Por sua vez, os Parlamentos nacionais deverão adotar as medidas necessárias para a instrumentalização desse
procedimento, em conformidade com as suas respectivas normas regimentais. Nesse sentido, nunca é demais
ressaltar a edição da Resolução Nº 1, de 2007, do Congresso Nacional, que prevê tramitação mais ágil e
simplificada para aquelas normas Mercosul que tenham sido adotadas pelo órgão decisório do bloco de acordo
com o parecer emitido pelo Parlamento regional, dando, assim, cumprimento ao disposto no art. 4, inciso 12 do
Protocolo.
Por meio da consulta parlamentar, o Parlamento do Mercosul poderá contribuir para solucionar a grave
fragilidade de que padece o bloco, que se traduz no baixo índece de normas da integração efetivamente
incorporada aos ordenamentos jurídicos nacionais. O Parlamento poderá, além disso, contribuir para melhorar a
qualidade técnica das normas do Mercosul, cuja debilidade já foi amplamente identificada por técnicos
e acadêmicos. A falta de consulta e debate com os setores sociais afetados e com outras instâncias
governamentais interessadas, precisamente pela falta de um espaço designado para esse déficit de qualidade
normativa no Mercosul.
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Nesse contexto, vale lembrar que o Parlamento constituirá o espaço público, por excelência, onde deverão
ocorrer os debates concernentes às normas em negociação. A visibilidade e a transparência que a existência de
um Parlamento, como lócus de debate político, conferirá ao Mercosul, contribuirá, de inúmeras maneiras, para
o aperfeiçoamento e consolidação do bloco.
Também no tocante à falta de efetividade normativa que atinge o bloco, em virtude do não encaminhamento à
aprovação legislativa, pelos Executivos, dos instrumentos jurídicos firmados, o Parlamento conta, entre suas
competências, com a possibilidade de solicitar relatórios dos órgãos decisórios do Mercosul (art. 4, inciso 4) e
de convidar representantes dos órgãos do Mercosul para informar sobre determinados aspectos da integração
(art. 4, inciso 5).
No que diz respeito ao processo de adoção de decisões, o Parlamento representa substancial avanço em relação
à Comissão Parlamentar Conjunta, na medida em que delibera por meio do voto individual dos membros das
delegações, enquanto que a Comissão decidia por consenso, como se fosse uma "assembléia de Estados", fator
que não permitia a expressão da pluralidade ideológica característica de um órgão de representação popular.
À época da negociação do Protocolo Constitutivo do Parlamento do Mercosul, decidiu-se adotar duas fases para
a implementação do Parlamento. Isso traduz a dificuldade com que se defrontaram os negociadores em razão
das enormes assimetrias existentes entre os Países Membros do Mercosul em termos de população, extensão
geográfica e PIB.
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Segundo o Protocolo, até 31 de dezembro de 2010, a composição do Parlamento seria paritária, com 18
representantes por país, designados pelos respectivos Congressos Nacionais. A partir daí, passaria a vigorar o
critério da "representação cidadã", a ser determinado mediante Decisão do Conselho do Mercado Comum, por
proposta do Parlamento, devendo o Parlamento ser integrado por representantes eleitos pelo voto universal,
direto e secreto, de acordo com a legislação eleitoral de cada Estado Parte.
Apesar de esforços para que, juntamente com as eleições presidenciais do ano de 2010, pudéssemos também
escolher os representantes brasileiros no Parlamento do Mercosul, houve inúmeras pressões, especialmente por
parte da Argentina e do Uruguai, quanto aos termosdo Acordo Político que estabeleceria as regras da
representação cidadã. Com a perspectiva de elevação do número de parlamentares brasileiros, os
representantes dos demais Estados membros passaram, por exemplo, a condicionar a implementação do
critério de representação cidadã à mitigação da regra da maioria prevista no Regimento Interno do Parlamento.
Assim, o Acordo Político em torno da adoção do critério da representação cidadã no Parlamento do Mercosul
somente teve seus termos definidos no final de 2010 (Decisão n° 28/10, do CMC), sendo que, já a partir de
2011, o Brasil passou a contar com 37 representantes, a Argentina com 26, e o Uruguai e o Paraguai, cada um,
com 18. Evidentemente, não houve tempo hábil para que o Projeto de Lei n° 5.279, de 2009, de autoria do
Deputado Carlos Zarattini – que define as regras para as eleições de parlamentares brasileiros no Parlamento
do Mercosul – fosse apreciado, uma vez que o art. 16 da Constituição Federal determina que a lei que alterar o
processo eleitoral não será aplicada às eleições que ocorrerem até um ano da data da sua vigência.
Assim, a depender da tramitação do referido projeto de lei, as eleições, no Brasil, poderão ocorrer já em 2012,
simultaneamente com as eleições municipais, ou apenas em 2014, com as eleições para cargos federais e
estaduais.
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Como sabemos a delegação paraguaia do Parlamento do Mercosul já é formada por representantes eleitos
direta e exclusivamente para o exercício de mandato no órgão de integração regional.
Espera-se que o Parlamento do Mercosul venha a ser, sobretudo, um espaço para debates, seminários e
audiências públicas sobre os temas da integração. E, ainda, que sirva de "caixa de ressonância" para os anseios
e preocupações dos diversos setores da sociedade civil, e ao mesmo tempo constituirá o canal de comunicação
entre as populações e as instâncias negociadoras da integração. A participação da sociedade civil assegurará a
transparência do processo de construção do bloco e contribuirá para que as normas do Mercosul passem por
amplo debate, antes de sua adoção pelo órgão decisório, o que ensejará o seu aperfeiçoamento e facilitará a
sua posterior incorporação aos ordenamentos jurídicos internos dos Estados Partes.
Da estrutura intergovernamental inicial ao Parlamento do Mercosul em funcionamento
A estrutura institucional do Mercosul teve como modelo inspirador o paradigma da união aduaneira europeia,
iniciada nos primórdios dos anos cinquenta, e que transformou-se, ao longo do tempo, no bem-sucedido bloco
regional da União Europeia.
Conduzido, pelo lado brasileiro, pelo experiente corpo diplomático do Ministério das Relações Exteriores, o
Itamaraty, associado à sua contraparte Argentina desde o Programa de Integração entre o Brasil e a Argentina,
de 1985, o processo de integração do Cone Sul buscou desafiar alguns princípios de organização e de tomada
de decisões adotado pelos europeus para a construção de um bloco regional, adaptando-os às condições
políticas e características próprias de uma associação inédita entre países considerados em desenvolvimento,
tanto em seus objetivos quanto nas ambições postuladas inicialmente.
Assim, desde o inicio do processo de integração, a configuração institucional do bloco do Mercosul se desenhou
segundo um modelo de caráter intergovernamental, em que os negociadores e os que se enfrentavam nas
mesas de negociação eram os Estados, enquanto os representantes dos interesses particulares e da sociedade
civil em geral tinham uma função marginal.
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O modelo se desenvolveu gradualista, ou seja, com tendência a criar novos organismos, a partir de uma base
mínima que lhe daria a institucionalidade inicial, de acordo com as exigências que o processo em movimento
demandasse.
O esquema intergovernamental adotado pelos formuladores do Mercosul emergiu como o mais apropriado, apoiado em fatores
de natureza histórica e estrutural que permearam, nos últimos quatro séculos, o relacionamento entre os países que
conformam o bloco, em especial no chamado espaço geográfico do Cone Sul, e que podem explicar, de alguma forma, as
dificuldades do bloco para avançar em um maior grau de institucionalização.
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Nesse sentido, podemos destacar alguns fatores. Primeiro, a própria história da formação da Região do Cone
Sul, cujas riquezas minerais eram disputadas pelos colonizadores europeus, com destaque para portugueses e
espanhóis.
Em segundo lugar, a história das relações políticas e econômicas entre Brasil e Argentina. Como vimos,
somente a partir de 1985, com o Programa de Integração entre os dois países, nos governos de Raul Alfonsín e
Pretendia-se, assim, garantir que os primeiros acordos pudessem ser levados à prática de imediato, em
cada um dos espaços geográficos dos sócios, ao mesmo tempo em se apresentava o processo de
integração regional a cada uma das respectivas administrações governamentais em
seus mais variados setores, o que, a sua vez, contribuiria para facilitar a tarefa de
consolidar a regionalização junto aos quadros funcionais dos Estados Partes do
Mercosul.
O próprio Tratado de Assunção, em seu art. 9º, estabeleceu que a administração e
execução do projeto pelo Conselho do Mercado Comum e Grupo Mercado Comum,
teriam um "período de transição", e, mais tarde, o Protocolo de Ouro Preto, em seu
texto de abertura, confirmou o caráter de transitoriedade planejado pelos
idealizadores do Mercosul, e deixou transparente a afirmação da consciência dos
responsáveis políticos pela proposta de integração, certos de que, para fugir dos
modelos adotados por outros esquemas de integração latino-americanos, nessa fase preliminar não era
adequado pensar-se em esquemas institucionais do tipo supranacional, que poderiam comprometer os
objetivos nacionais de estabilização macroeconômica ou mesmo alterar o equilíbrio entre as competências
nacionais e as atribuições decisórias que deveriam ser tomadas coletivamente.
de José Sarney, rompeu-se o antagonismo histórico e avançou-se na busca de novas formas de cooperação
política e estratégica bilateral para a região.
Em terceiro, identificamos a assimetria de tamanho entre as diferentes economias que constituem o bloco, o
que gerou, ao longo do tempo, visões estruturalmente diferentes no que diz respeito ao grau de
institucionalização exigido pelo projeto de integração, e também quanto à conveniência de se criar órgãos
supranacionais.
A posição brasileira, nos primeiros quatorze anos de existência do Mercosul, privilegiava a manutenção de um
esquema de negociação entre governos, sobrepondo-se mesmo à vigência formal da adotada regra de
consenso.
Os países menores, Uruguai e Paraguai, sempre defenderam a idéia de se diminuir esse grau de
discricionaridade dos sócios maiores (Brasil e Argentina) nas negociações internas do bloco, o que lhes oferece
uma pequena margem de ação unilateral efetiva. Daí haverem setores das sociedades uruguaia e paraguaia,
nos dias de hoje, desejosos de firmarem acordos bilaterais, fora do marco mercosulino, com os Estados Unidos
da América.
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A Argentina, por sua vez, situa-se num meio termo, defendendo a criação de instituições intergovernamentais e
comunitárias, tendo sugerido a criação de um tribunal permanente como opção para iniciar-se o caminho em
direção à supranacionalidade, em especial levando-se em consideração a sucessão de conflitos setoriais e
outros tipos de tensões ocasionadas em suas relações com o Brasil.
Em quarto lugar, as experiências de integração regional - ALALC, ALADI e Grupo Andino - apenas confirmaram
que a existência de uma organização institucional forte não poderia substituir a falta de vontade política dos
países participantespara avançar em uma ampla abertura comercial e outras frentes do processo.
Já a nova experiência de integração latino-americana, que começou com o Programa de Integração Argentina-
Brasil e ampliou-se com o Mercosul, vem dando forma a um modo de integração mais pragmático e realista, no
sentido de se enfrentar os cenários internos e externos que se lhe apresentam, negociando e avançando com o
objetivo de ampliar, fortalecer e consolidar o bloco nos planos regional e internacional.
Acrescente-se a este rol de fatores que podem dificultar o processo de integração a adesão da Venezuela,
que, embora ainda sem direito a voto, poderá trazer outro tipo de discussão ao plenário das reuniões do
Mercosul, com marcado viés ideológico, ou seja, o da luta contra o imperialismo capitalista norte-americano,
pois este é, declaradamente, o principal argumento de política externa defendido pelo Presidente Hugo Chávez.
Desse modo, a criação do Parlamento do Mercosul, com sua constituição em 14 de dezembro de 2006, na
presença dos representantes de Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Venezuela, no plenário do Congresso
Nacional brasileiro, atendendo ao que determinava a Decisão nº49/04, do CMC, será de fundamental
importância para o aprofundamento das discussões em torno das mais graves questões que impedem o avanço
do processo de integração do Mercosul.
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Passados quinze anos da assinatura do Tratado de Assunção, a criação do Parlamento do Mercosul apresenta
um significativo avanço político e institucional, marco definitivo de um modelo de integração democrático,
representativo e estratégico, verdadeira concepção de uma nova visão política regional.
O processo de conformação definitiva do Parlamento do Mercosul representa um desafio de proporções
históricas, que dará forma e conteúdo ao Mercosul no século XXI.
A construção do espaço político regional será um elemento de fundamental importância para fortalecer e
melhorar a qualidade das democracias nos países do bloco, em especial no que se refere ao princípio da
representatividade e legitimidade democráticas, componente imprescindível do processo de coesão social. Será
centro de decisões políticas por meio da participação responsável, decidida e sustentável dos partidos políticos
e seus atores, depositários fieis do poder e da soberania que emanam de seus mais legítimos possuidores, os
cidadãos.
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Com o mecanismo institucional eficaz, o Parlamento do Mercosul deverá se converter em promotor de políticas
regionais que possibilitem uma integração fronteiriça sem barreiras, a livre circulação de pessoas, bens e
serviços, e um desenvolvimento integral, complementar e solidário das suas variadas regiões, num esforço que
permita a correção gradual das assimetrias, que objetive a parceria nas políticas públicas em saúde, educação,
agropecuária, trabalho, cultura e outros campos que levem em conta o cidadão na sua condição de sujeito final
de todas as ações do processo integracionista.
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� Retoma e dá conteúdo concreto ao componente democrático no Mercosul, dando legitimidade e
transparência aos atos públicos regionais de maneira a aperfeiçoar e dar maior clareza às regras do jogo
do bloco.
� Consolida o princípio da representatividade e participação cidadã no processo de integração, componente
fundamental na construção de uma identidade e consciência regionais. O feito substancialmente
democrático de que o Parlamento expressa o pluralismo social, político e econômico das nações nele
representadas, a diversidade de etnias e regiões, como também uma adequada participação por gênero,
o converterá em uma verdadeira "caixa de ressonância" dos cidadãos do Mercosul.
� Conforma um espaço permanente da política e da cidadania na estrutura institucional do Mercosul,
A criação do Parlamento do Mercosul consagra e reafirma os seguintes princípios estratégicos do projeto
Mercosul:
� Em primeiro lugar, define com clareza a vontade regional de
integração política, superando o projeto restritivo de uma integração
fundamentalmente comercial. O Parlamento materializa a vontade da
integração como projeto político estratégico, com perspectiva
histórica e com modelo de desenvolvimento integral, acima das
necessidades conjunturais dos atores da integração.
� Define um modelo de integração no qual alcançar um mercado
comum é um componente fundamental do processo, porém esta não
é condição suficiente para que a integração aconteça. O perfil da
integração no século XXI inclui uma verdadeira integração econômica,
complementar e solidária, o aprofundamento da integração social e
cultural e a adoção em áreas estratégicas de diretrizes políticas
comuns num cenário internacional complexo e assimétrico.
� Estabelece um espaço de análise e reelaboração do conceito de soberania, não no sentido de
subtraí-la aos Estados, mas sim de introduzir um novo plano de soberania compartilhada que,
atuando num só bloco, coopere para influenciar com maior peso nos centros de poder internacional.
dotando-a do necessário equilíbrio que todo sistema democrático requer e possibilitando a incorporação
da vasta pluralidade ideológica dos países.
� Aperfeiçoa o sistema de tomada de decisões e o processo normativo do Mercosul, ao converter-se em
promotor e arquiteto da vontade normativa regional e da harmonização das legislações nacionais,
elementos essenciais de segurança jurídica do espaço integrado, tanto para o desenvolvimento intrazona
como frente a outros blocos regionais ou internacionais.
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Módulo IV - Análise da trajetória e perspectivas para o Mercosul
Síntese
Neste módulo, estudamos a dimensão parlamentar do Mercosul, começando pelo art. 24 do Tratado de
Assunção, que estabeleceu a Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul, e, na seqüência, o Protocolo
de Ouro Preto, nos arts. 22 a 27, bem como o Regimento Interno da Comissão, que define as suas
funções, competências e atuação interna e externa, além do processo de produção da normativa
Mercosul e os mecanismos para seu aperfeiçoamento. Vimos também o sistema de incorporação das
normas Mercosul pelo aparato jurídico dos Estados Partes, e, em especial, as limitações constitucionais
que travam sua vigência imediata.
Por último, estudamos a estrutura intergovernamental que dinamizou o processo integracionista do
bloco, bem como os primeiros passos da criação e constituição do Parlamento do Mercosul.
Avaliação Objetiva
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esquerdo da página ) e "Autoavaliação da Unidade II do Módulo III" . Teste seu conhecimento.
Módulo IV - Análise da trajetória e perspectivas para o Mercosul
Unidade 1 - Sucessos e debilidades.
Sucessos e debilidade
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Temas do Módulo
Neste último módulo, faremos uma revisão analítica do processo de integração mercosulino, considerando
quais itens avançaram e quais os pontos fracos detectados. Também se lançará um olhar para o
horizonte que se apresenta ao Mercosul.
Objetivos
Ao término do módulo você estará apto a:
� Analisar o processo de integração do Mercosul;
� Refletir sobre o futuro funcionamento do Parlamento do Mercosul.
Segundo as palavras do cientista político Gerardo Caetano, professor
da Universidade de la República, Uruguai, as instituições criadas pelo
Tratado de Assunção para o Mercosul "serviam a um modelo funcional
que não era ingênuo".Com efeito, a ideia de uma estrutura institucional minimalista
baseava-se na convicção, que tinham os negociadores, de que
novos órgãos deveriam ser criados apenas se e quando necessários
para responder aos avanços do bloco. Procurava-se escapar, assim,
da proliferação de instituições e da pesada burocracia que minavam
a credibilidade de outros processos de integração latino-americanos.
É importante registrar que, ao seu início, a integração tinha como eixo e fio condutor a ideia da celebração de
acordos setoriais entre os Estados Partes, que aproveitariam as "vantagens comparativas" de cada uma das
estruturas produtivas para baratear o produto final, levando, assim, a uma inserção mais competitiva da sub-
região no mercado internacional. Em seu art. 5º, o Tratado de Assunção inclui, entre os instrumentos para a
constituição de um mercado comum, os acordos setoriais "com o fim de otimizar a utilização e mobilidade dos
fatores de produção e alcançar escalas operativas eficientes". A mudança na orientação política resultante da
chegada ao poder, na Argentina e no Brasil, de Menem e Collor, respectivamente, repercutiria também no
processo de integração que então se iniciava. Decidiu-se, por conseguinte, pelo deslocamento do eixo de
implementação do Mercosul para a adoção de um cronograma de desgravação tarifária bastante acelerado, e se
deixou de lado outros aspectos da integração, como as possibilidades de ganho oferecidas pela
complementaridade de setores das economias e a integração macroeconômica.
A ênfase recaiu no comércio intrabloco, ocasionando aumento exponencial das trocas, que subiram de
aproximadamente 4 bilhões de dólares em 1991 para em torno de 20 bilhões de dólares, em 1998. Esse
notável dinamismo projetaria imagem positiva do Mercosul no cenário internacional. A chamada "marca
Mercosul" já começava a chamar a atenção de compradores de terceiros países. Também se falava no
"patrimônio do Mercosul", consubstanciado na grande quantidade de normas adotadas, no período, pelos
órgãos decisórios do bloco.
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A assinatura do Protocolo de Ouro Preto, em 1994, que estabeleceu uma estrutura institucional para o bloco e,
por seu art. 34, dotou-o de personalidade jurídica de direito internacional, consistiu em importante avanço para
o Mercosul, pois permitiu que este negociasse em conjunto com terceiros países ou agrupamentos de países.
A grave crise econômica que assolou os "tigres asiáticos" em 1997 reduziu, de maneira repentina, os fluxos de
investimento destinados aos países em desenvolvimento. Os países membros do Mercosul, cujas economias
dependem fortemente de capitais estrangeiros, foram profundamente atingidos. Em 1999, o Brasil, altamente
dependente da moeda norte-americana, que financiava o déficit de sua balança de pagamentos, é forçado a
desvalorizar o real. Este perde valor em relação ao dólar e às moedas dos seus parceiros no Mercosul. A
iniciativa brasileira gera fortes desequilíbrios no que concerne à competitividade dos produtos comercializados
no mercado intrabloco. Têm início grandes controvérsias comerciais e iniciativas protecionistas unilaterais por
parte dos governos dos países membros, pressionados por setores cujos produtos haviam perdido
competitividade no interior do bloco. Em 1997, o fluxo de produtos argentinos exportados para o Brasil atinge a
cifra de US$ 8,133,016, caindo para US$ 5,689,511 em 1999.
Pouco depois, eclode a crise argentina, e o país é obrigado a desatrelar o peso, sua moeda, do dólar, acabando
com a paridade e com a conversibilidade. A situação precária das duas maiores economias do Mercosul afetaria
também, infalivelmente, os países menores do bloco, Paraguai e Uruguai. Ao final dos anos noventa, o
comércio intrabloco havia regredido aos níveis de 1991, e o Mercosul entrara em estagnação.
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Os primeiros anos do século XXI trouxeram ainda grandes dificuldades, como a renúncia do Presidente
argentino Fernando De la Rúa em 2001, na esteira da crise econômica argentina. Os percalços, contudo, não
impediram avanços no que tange a aspectos institucionais do Mercosul, como a assinatura, em 2002, do
Protocolo de Olivos, que criou o Tribunal Permanente de Revisão.
Ao mesmo tempo, iniciava-se o processo de transformação da Secretaria do Mercosul, que até então cumprira
papel unicamente administrativo e burocrático, em Secretaria Técnica, cujas funções são de avaliar
continuamente o desenvolvimento da integração, de prestar apoio técnico e de contribuir para a construção de
uma visão comum efetiva do Mercosul. Outro passo à frente foi a criação, em 2003, da Comissão de
Representantes Permanentes do Mercosul, composta por Embaixadores dos Estados Partes e cujo primeiro
Presidente foi o ex-Presidente Eduardo Duhalde, da Argentina, importante figura política da região.
Até o final dos anos noventa houve, em suma, um processo de acumulação de mudanças mais quantitativas,
que se concentraram na esfera do comércio. Porém, de 2003 em diante, passada a crise econômica que
assolou a Argentina, deu-se início a um novo processo, voltado para o aperfeiçoamento das instituições do
bloco. Naquele ano, realizaram-se seminários e reuniões de discussões preparatórias, visando a revisão do
Protocolo de Ouro Preto, que completaria dez anos de sua assinatura no ano seguinte, em dezembro de 2004.
Na opinião de especialistas, a revisão do Protocolo de Ouro Preto era importante, pois se o Mercosul não
pudesse contar com instituições fortes, acabaria por perder a confiabilidade nas negociações com outros blocos
e países. Dava-se, portanto, naquele momento histórico, uma "combinação favorável de necessidade e
densidade de oportunidades", nas palavras de Félix Pena, que justificaria plenamente a revisão da estrutura
institucional do Mercosul.
Outro aspecto a impulsionar uma possível reforma orgânica do Mercosul naquele momento era a busca de
legitimidade democrática para as decisões tomadas por seus órgãos decisórios. Identificou-se que existe pouco
compromisso com as decisões tomadas no âmbito institucional do Mercosul por parte de atores governamentais
e não-governamentais, que encontram dificuldades para aplicar normas a respeito das quais não foram
consultados.
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A ausência de legitimidade democrática afeta, como se vê, a própria eficácia do processo de integração. Nesse
sentido, o "Programa de Trabalho do Mercosul 2004-2006", adotado pelo Conselho do Mercado Comum por
meio da Decisão nº 26 de 2003, prevê uma série de ações vinculadas à legitimidade democrática no bloco.
Entre elas, a ampliação da participação da sociedade civil, a visibilidade cultural por meio da promoção de
eventos de amplo alcance nos meios de comunicação, inclusive na área esportiva, que promovam a ideia do
Mercosul nos Estados Partes e permitam maior conhecimento mútuo de suas sociedades; promoção do
Mercosul cidadão, por meio do fortalecimento do Foro de Consulta e Concertação Política (FCCP), para adaptá-
lo aos requerimentos de uma agenda política; criação do Centro Mercosul de Promoção do Estado de Direito;
fortalecimento da participação do setor privado no processo de integração e no sistema de solução de
controvérsias; e finalmente, o estabelecimento do Parlamento do Mercosul.
Nota-se, em suma, da leitura de recentes Decisões do Conselho do Mercado Comum, às quais se agregam
percepções expressadas pelos próprios agentes governamentais da integração, claro movimento em direção a
um novo patamar institucional para o bloco.
O Mercosul sofre de um problema de insuficiência metodológica e institucional. Ao mesmo tempo em que os
compromissos assumidos pelos países membros não tiveram alcance suficiente para atenuar ou evitar os
Ao apagar das luzes de seu governo, o Presidente
Fernando HenriqueCardoso lança a ideia, que recebeu o
apoio do Conselho do Mercado Comum, de se constituir
um "Grupo de Reflexão Prospectiva sobre o Mercosul",
com a participação de representantes do meio acadêmico,
governamental e empresarial dos quatro países membros
do Mercosul, que deveriam apresentar a sua visão pessoal
sobre a situação do Mercosul e sobre o seu futuro.
Ao apagar das luzes de seu governo, o Presidente
Fernando Henrique Cardoso lança a ideia, que recebeu o
apoio do Conselho do Mercado Comum, de se constituir
um "Grupo de Reflexão Prospectiva sobre o Mercosul",
com a participação de representantes do meio acadêmico, governamental e empresarial dos quatro
países membros do Mercosul, que deveriam apresentar a sua visão pessoal sobre a situação do Mercosul
e sobre o seu futuro.
impactos da crise, iniciada em 1998, sobre suas economias, tampouco havia flexibilidade bastante para permitir
a adaptação acordada e previsível de instrumentos de política comercial ao cenário resultante dessa crise.
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Félix Peña identifica quatro falhas básicas na metodologia de integração utilizada pelo Mercosul:
1. acumulação de regras não incorporadas aos ordenamentos jurídicos internos, o que acarreta a hipertrofia
normativa;
2. deficiência dos métodos empregados para preparar e adotar decisões;
3. utilização da diplomacia presidencial para a administração dos conflitos de interesses entre os sócios e
mecanismos demasiado débeis, destinados à solução de controvérsias;
4. falta de transparência do processo decisório e, nele, pouca participação da sociedade civil.
Esse tipo de integração é muito distante do modelo europeu, que podemos chamar de rules oriented (orientado
por regras, ou normas), onde os sócios reconhecem que, ao assumir compromissos, aceitam limitar sua
capacidade de agir unilateralmente. Significa renunciar às relações de poder para aceitar regras de jogo com
forte potencial de efetividade.
No Mercosul, ao contrário, os países vêm assumindo comportamentos unilaterais fundados, por exemplo, em
razões de emergência econômica. Tais comportamentos contribuem para debilitar a eficácia das regras, com
efeito negativo nas decisões concernentes a possíveis investimentos e em estratégias empresariais voltadas
para a região.
Também a falta de instituições mais permanentes, isto é, de uma "contraparte" com endereço certo para o
diálogo, enfraquece o Mercosul aos olhos de nossos parceiros externos. Na percepção deles, o bloco está
sempre refém de fatores conjunturais, não podendo contar com um lastro de permanência.
Como a revisão do Protocolo de Ouro Preto acabou por não se concretizar, falhou também a tentativa de se
proceder ao aprofundamento institucional do Mercosul, que continua reclamado pelos especialistas.
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Do ponto de vista econômico-comercial, a grande falha apresentada pelo Mercosul consiste na sua incapacidade
de se constituir efetivamente como um território aduaneiro único. Esse implicaria o reconhecimento da livre
circulação, em todo o espaço econômico integrado, de bens comprados de terceiros países, não importando o
ponto de ingresso no território. Evidentemente, a livre circulação está condicionada à existência de um regime
único de importação. O Mercosul, entretanto, continua composto por quatro territórios aduaneiros distintos e
separados, ainda que sejam iguais as tarifas aplicadas aos bens provenientes de terceiros países. Isso porque,
como vimos, somente no segundo semestre de 2010, foram aprovadas pelo CMC as diretrizes para a
eliminação da dupla cobrança da TEC, que deverá ocorrer em três etapas a partir de janeiro de 2012, bem
como o Código Aduaneiro do Mercosul (Decisões nos 10 e 27, respectivamente). É importante ressaltar que a
recente retomada das negociações do Código Aduaneiro do Mercosul e de mecanismos que evitem a dupla
cobrança da TEC deve-se à insistência da Comissão Europeia nesse sentido, no contexto das negociações de
uma área de livre comércio birregional com o Mercosul. Os negociadores europeus vêm exigindo que as
exportações da União Européia possam ter livre acesso ao mercado do Mercosul em seu conjunto, assim como
os produtos do Mercosul desfrutam de acesso a todo o mercado comunitário.
No que diz respeito à inconclusa união aduaneira, parece haver opiniões convergentes entre os analistas, que
estimam que o Mercosul vem demonstrando pouca capacidade para ajustar os parâmetros, inicialmente
estabelecidos para a integração, a conjunturas inesperadas e difíceis. Segundo esses analistas, deveriam os
negociadores ter previsto a possibilidade de ocorrência de tais circunstâncias ao longo do processo de
integração e estabelecido mecanismo regional de adaptação, evitando que esta se fizesse pela via da violação
de normas em vigor e, por conseguinte, colocando-as em descrédito.
Unidade 2 - O futuro do Mercosul.
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O Futuro do Mercosul
Como vimos, o Mercosul é hoje uma união aduaneira imperfeita, em processo de consolidação. Cabe
aperfeiçoá-la para que se possa alcançar o mercado comum, conforme prevê o Tratado de Assunção.
No "Programa de Trabalho Mercosul 2004-2006", adotado em dezembro de 2003 em Montevidéu, figuram
vários itens que buscam precisamente o aperfeiçoamento da união aduaneira. Por exemplo, como várias vezes
destacamos, é fundamental estancar a dupla cobrança da TEC e começar a se trabalhar com o conceito de
renda aduaneira, e discutir os critérios a serem adotados para a sua distribuição entre os países membros. A
aprovação das diretrizes para a implementação dessas medidas, conforme já anotamos, somente ocorreu no
segundo semestre de 2010, por meio da Decisão nº10/10 do CMC. A livre circulação de produtos pressupõe,
como é óbvio, não só o fim da cobrança dupla da TEC para produtos extrazona, como também o fim da
cobrança de tarifas para bens originários da própria zona, desde que hajam cumprido com as regras de origem.
Avaliação Objetiva
Vamos fazer a autoavaliação da Unidade I do Módulo IV? Clique em "Objetivas" ( lado esquerdo da
página ) e em "Autoavaliação da Unidade I do Módulo IV". Teste seu conhecimento!
No que concerne à Tarifa Externa Comum (TEC), há que se aperfeiçoar a
disciplina tarifária, porém respeitando as assimetrias existentes entre os
sócios, que impõem diferentes ritmos e velocidades. O cronograma de
reduções tarifárias mantém exceções, como os regimes para bens de capital
e para bens de informática e telecomunicações; permanecem também as
exceções nacionais que foram acordadas quando começou a vigorar o
Protocolo de Ouro Preto. Existem, ainda, os regimes especiais: de um lado,
a política automotriz, que promove um comércio administrado, não apenas para automóveis, mas
também para caminhões, tratores, máquinas agrícolas e outros produtos do setor. De outro, há os
regimes especiais para as zonas francas e para o açúcar.
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O reconhecimento da existência de assimetrias entre os Estados Partes veio, formalmente, com a Decisão nº
18/05 do Conselho do Mercado Comum, que criou o Fundo para a Convergência Estrutural e Fortalecimento
Institucional do Mercosul (FOCEM). Trata-se de marco histórico no processo de integração, porquanto
representa iniciativa concreta, há muito reclamada pelas economias menores do bloco, no sentido de diminuir
as assimetrias entre seus Estados Partes. Já em seu Preâmbulo, o Protocolo de Ouro Preto, firmado em 1994,
mencionava "a necessidade de uma consideração especial para países e regiões menos desenvolvidos do
Mercosul".
No caso do Mercosul, bloco em que as assimetrias entre os Estados Partes afiguram-se sumamente marcantes,
os Fundos Estruturais destinam-se acorrigir os desequilíbrios por meio do financiamento de programas para
promover a convergência estrutural, desenvolver a competitividade e promover a coesão social, em particular
das economias menores e regiões menos desenvolvidas do bloco, além de apoiar o fortalecimento de sua
estrutura institucional e do processo de integração.
Para uma correção de rumos no Mercosul seria preciso reformular percepções e paradigmas. Ressurge a ideia
de integração das cadeias produtivas do bloco, o que poderá transformar o Mercosul, de simples mecanismo de
liberalização de mercados, em um vigoroso instrumento para a implantação de políticas públicas voltadas para
o desenvolvimento dos países membros. Para tanto, poder-se-ia utilizar os acordos setoriais, um dos
instrumentos previstos no art. 5º do Tratado de Assunção. A celebração de acordos setoriais para a integração
das cadeias produtivas da região poderá não produzir resultados imediatos, mas certamente contribuirá, no
médio e no longo prazo, para a atração de investimentos produtivos e para o fortalecimento das economias da
região, tornando-as menos suscetíveis aos ventos adversos da globalização. Nesse contexto, a integração da
infra-estrutura, representada por energia, transportes e telecomunicações, representa poderosíssimo
instrumento para a promoção do desenvolvimento da região em seu conjunto, garantindo expressivos
benefícios no plano social, entre eles a geração de empregos.
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Nesse processo, o papel da mídia reveste-se de inegável importância, pois somente ela detém instrumentos - a
imprensa escrita, falada e televisada - capazes de construir uma consciência, na região, favorável ao Mercosul,
que entenda que em um processo de integração é possível haver uma comunhão de interesses e unidade de
visão entre os países membros. Em um cenário internacional caracterizado pela interdependência, o interesse
nacional somente poderá ser plenamente atendido se projetos de desenvolvimento forem vislumbrados no
marco do processo de integração, e se os seus frutos forem capazes de trazer benefícios a todos os países do
bloco mediante a adoção, na medida do possível, de políticas públicas comuns e integradas.
A inexplicável lentidão com que vem se processando a incorporação da normativa emanada dos órgãos da
integração ao ordenamento jurídico dos distintos países do bloco em nada contribui para outorgar alguma
segurança jurídica aos agentes econômicos que operam no Mercosul.
Até meados de 2006, apenas 30% desses atos haviam sido internalizados simultaneamente pelos quatro países
membros. Esse baixo índice de internalização simultânea contribui para a falta de previsibilidade no bloco, uma
das principais queixas do setor privado, o qual deseja ver assegurada a devida uniformidade e consistência
jurídica à aplicação das normas do Mercosul nos diferentes Estados Partes. A par de um estreito
acompanhamento realizado pelos órgãos de coordenação nacional do Mercosul - os Ministérios de Relações
Exteriores dos distintos países -, seria também necessário adaptar os respectivos ordenamentos jurídicos dos
Estados Membros para uma pronta recepção da normativa Mercosul. Ao contrário da Constituição argentina,
cujo art. 75 confere hierarquia superior às normas aprovadas como consequência dos tratados de integração,
desde que observada a condição de reciprocidade, no ordenamento jurídico brasileiro, as decisões acordadas no
Mercosul não desfrutam de posição hierárquica superior às leis ordinárias, recebendo tratamento idêntico
àquele outorgado aos demais tratados internacionais. Como se sabe, no ordenamento jurídico brasileiro os
tratados internacionais equiparam-se à lei ordinária, podendo ser revogados por lei posterior.
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Duas iniciativas poderiam ser úteis, no caso do Brasil, ambas na forma de projetos de emenda à Constituição.
Em primeiro lugar, cumpriria introduzir a normativa Mercosul entre a tipologia legal conforme enumerada no
art. 59 da Constituição Federal, de forma a distinguir tais normas dos tratados internacionais firmados fora do
processo de integração, impedindo a sua derrogação pela via de uma lei ordinária subsequente.
Uma segunda iniciativa seria uma emenda ao art. 49, inciso I, da Constituição Federal, que regula a aprovação
dos tratados internacionais pelo Congresso Nacional, de modo a outorgar um tratamento diferenciado e mais
ágil às normas emanadas dos órgãos do Mercosul e submetidas à aprovação congressual. A própria Carta
Magna brasileira, à luz do parágrafo único de seu art. 4º, fornece o princípio programático para que se
procedam as mudanças aqui sugeridas, quando, como já visto neste curso, estabelece que o Brasil "buscará a
integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma
comunidade latino-americana de nações".
Caberia também mencionar a grande contradição contida no próprio projeto da integração: o Tratado de
Assunção, que criou o Mercosul, faz referência a um pretendido "mercado comum". Como se sabe, um mercado
comum pressupõe o livre trânsito de mercadorias e pessoas pelo espaço econômico integrado. Deveria
envolver, ademais, a criação de alguma instituição incumbida de zelar pelos interesses da região em seu
conjunto. Essa percepção, se existisse de forma clara, muito contribuiria para o fortalecimento da coesão entre
os países membros, particularmente quando de suas negociações com outros países ou blocos de países. Há
necessidade, assim, de instituições fortes, capazes de gerar bens regionais comuns.
A consolidação institucional deve vir acompanhada de postura de verdadeiro respeito às regras pactuadas por
parte dos atores governamentais, sem a qual o Mercosul tenderá a ser percebido como uma "integração
ficção", onde os esquemas de poder predominam sobre as normas.
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A criação do Parlamento do Mercosul constitui, sem dúvida alguma, o grande salto do bloco em direção ao
futuro. O Protocolo que o criou, elaborado pela Comissão Parlamentar Conjunta, contou com o apoio decidido
de organizações não-governamentais, como a Fundação Friedrich Ebert e a Fundação Konrad Adenauer, e dos
Parlamentos nacionais, o que o legitima como real conquista da cidadania.
O espaço parlamentar poderá também, por meio da política, antecipar eventuais conflitos em formação entre
Ao Parlamento caberá, sobretudo a partir do momento em que se logre
instituir em seu seio partidos políticos em âmbito transnacional (as
chamadas "famílias políticas"), construir uma visão regional da
integração, que transcenda os interesses meramente nacionais.
Juntamente ao Tribunal Permanente de Revisão, instituído pelo
Protocolo de Olivos, espera-se que o Parlamento do Mercosul venha
a conferir o necessário equilíbrio aos órgãos da integração, por meio do
exercício do controle democrático.
Contudo, para que o Parlamento funcione é preciso que os movimentos sociais, os diferentes setores da
sociedade civil e as organizações governamentais o percebam como espaço de demanda e de debate.
os países membros (ou setores destes) e solucioná-los antes que alcancem os mais altos níveis hierárquicos,
desencadeando a chamada "diplomacia presidencial", que vem fracassando e desgastando a credibilidade do
Mercosul. A esse respeito, é eloquente o exemplo do recente conflito entre Uruguai e Argentina sobre a
construção de fábricas de celulose na fronteira entre os dois países. A consolidação institucional, com o
fortalecimento do Parlamento e do Tribunal, será o único caminho viável para que a construção do Mercosul
prospere.
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O Parlamento do Mercosul representa avanço substancial em relação à Comissão Parlamentar Conjunta, criada
pelo Tratado de Assunção. Em primeiro lugar, porque seuProtocolo Constitutivo atribui um voto a cada
parlamentar (art. 18, inciso 2), e não a cada delegação nacional, rompendo assim com a lógica nacional
presente no processo decisório dos demais órgãos da estrutura institucional do Mercosul. Esse modelo favorece
a formação das famílias políticas transnacionais, a exemplo do que encontramos no Parlamento Europeu.
Há, também, dispositivo prevendo a eleição direta dos representantes dos países membros (art. 1º). Ademais,
como vimos, a composição igualitária, com dezoito membros por Estado Parte, cederá lugar à representação
proporcional (art. 5º), ainda que se trate de proporcionalidade atenuada, com um número mínimo de
representantes para o Estado Parte com menor população (Uruguai) e um teto para o Estado Parte mais
populoso (Brasil), também nos moldes do Parlamento Europeu. A partir de 2011, como já esclarecemos, o
Brasil passou a contar com 37 parlamentares e, no segundo período da emplementação da representação
proporcional cidadã, terá 75 parlamentares, nos termos do acordo político proposto pelo Parlamento do
Mercosul e adotado pelo CMC, por meio de sua decisão nº28/2010, em atendimento ao comando do Protocolo
Constitutivo do Parlamento do Mercosul.
Cabe recordar que o Grupo Técnico de Alto Nível (GTAN), composto por técnicos e consultores dos Parlamentos
Nacionais, funcionários e consultores da Secretaria do Mercosul e da Secretaria Administrativa Parlamentar
Permanente (SAPP) e por acadêmicos dos Estados Partes, encarregado da redação do projeto do Protocolo,
preocupou-se, antes mesmo de dar início ao trabalho, em definir a utilidade de um Parlamento para o Mercosul.
"Para que serve um Parlamento do Mercosul?", perguntaram-se.
A resposta encontrada mostrou que o Parlamento viria, na verdade, a sanar duas grandes debilidades do bloco:
1º) permitiria o debate prévio das normas do Mercosul, dando ensejo ao seu aperfeiçoamento, por meio das
sugestões provenientes dos setores envolvidos da sociedade civil;
2º) por se tratar de uma instância de representação direta dos povos do Mercosul, o Parlamento contribuiria
para legitimar as normas adotadas pelos órgãos decisórios do Mercosul, conferindo-lhes também a segurança
jurídica e a previsibilidade necessárias.
Esses fatores contribuem, por sua vez, para agilizar a incorporação dessas normas ao ordenamento jurídico dos
respectivos Estados Partes.
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Temas da maior relevância, ora em discussão no Mercosul, como o Estatuto das Cooperativas do Mercosul, a
Estratégia Mercosul para o Crescimento do Emprego, as condições e formas de gestão e monitoramento do
Aquífero Guarani, a harmonização das legislações dos países membros do Mercosul no que tange ao trabalho
infantil, com base nas normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), passarão ao debate público no
Parlamento e contarão com a participação da cidadania. A criação de um Parlamento do Mercosul visa a fazer
com que as decisões tomadas pelos órgãos da integração reflitam não apenas a vontade dos governos, mas
também a vontade da cidadania.
Além disso, o Parlamento confere coerência interna ao Mercosul, pois ao receber o Presidente Pro Tempore
quando assume, para que esse apresente o seu programa, e também quando sai, para que relate ao
Parlamento os resultados de sua gestão (art. 4º, incisos 6 e 7 do Protocolo Constitutivo do Parlamento do
Mercosul), o Parlamento permitirá ao público interessado uma visão de continuidade das iniciativas tomadas e
ações realizadas no âmbito do bloco. O Parlamento servirá, portanto, de vínculo entre as Presidências Pro
Tempore que se sucedem e contribuirá para dar maior efetividade ao Mercosul.
O Parlamento deverá trabalhar em estreita articulação com foros e reuniões especializadas, muitas delas
criadas recentemente por Decisão do Conselho do Mercado Comum, que têm forte capilaridade, em alguns
casos, e interface com a sociedade civil, em outros. Entre esses, o Foro Consultivo Econômico-Social; o Foro
Consultivo de Municípios, Estados federados, Províncias e Departamentos do Mercosul; a Reunião Especializada
da Mulher; a Reunião Especializada de Cooperativas; o Projeto Somos Mercosul.
Outro ponto de importância para que a integração prospere é a adequada abordagem da questão das
assimetrias entre os Estados Partes, que obteve expressivo avanço com a Decisão nº 18/05 do Conselho do
Mercado Comum, que criou o Fundo para a Convergência Estrutural e Fortalecimento Institucional do Mercosul
(FOCEM).
Ao longo de sua existência, o Mercosul, imerso nos louros de seu sucesso comercial, parece ter perdido de vista
a própria lógica que inspirara a sua criação. Essa estava muito mais voltada para a busca de sinergias entre as
estruturas produtivas dos países membros e para as eventuais parcerias e alianças de interesses, com vistas a
uma inserção mais vantajosa dos produtos da região no mercado internacional, do que para a visão
concorrencial que finalmente prevaleceu. Essa visão, de viés competitivo, que objetivava apenas as trocas
comerciais dentro da região, impediu uma utilização mais ousada daquele que tem sido um patrimônio já
conquistado pelo bloco: a marca Mercosul, objeto do interesse e das atenções de países e blocos no cenário
internacional.
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Por esse motivo, afigura-se extremamente promissora a iniciativa do Conselho do Mercado Comum, que, pela
Decisão nº 23 de 2002, criou o Programa de Foros de Competitividade, que busca aproveitar as vantagens
comparativas dos Estados Partes do Mercosul por meio da integração de suas cadeias produtivas, com o
objetivo de melhorar a competitividade dos produtos do bloco no mercado global e de ampliar as suas
exportações a terceiros países. Essa iniciativa já está em marcha no setor de madeiras e móveis.
Outro ponto interessante a ser desenvolvido é a realização de iniciativas de promoção comercial conjunta. Já
foram criadas missões do Mercosul para promover conjuntamente, em países como África do Sul, México,
Alemanha e China, bens produzidos na região.
Outros temas que certamente devem ser levados em conta em qualquer reflexão sobre o futuro do Mercosul
são: a adesão da Venezuela e, possivelmente, também a da Bolívia ao bloco; as conseqüências que já vêm se
fazendo sentir no interior do Mercosul, e que comprometem a sua coesão, advindas de eventuais conflitos como
aqueles em torno da construção de fábricas de celulose na fronteira entre Uruguai e Argentina e das reiteradas
declarações de membros do governo do Uruguai a respeito de possível assinatura, por aquele país, de um
Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos da América, em desrespeito a regras vigentes no
bloco.
Se, por um lado, o "alargamento" do Mercosul para abrigar outros países da América do Sul, reveste-se de
incontestável importância geopolítica e estratégica, por outro é preciso que as novas adesões sirvam também
para a consolidação do Mercosul, e não para a destruição de sua identidade, já construída junto à comunidade
internacional.
No que tange aos conflitos e possíveis defecções, os primeiros refletem a ingente necessidade de
aperfeiçoamento do mecanismo de solução de controvérsias do Mercosul. Os segundos, por sua vez, ao colocar
em relevo o descontentamento dos sócios menores com os poucos ganhos que julgam haver obtido como
membros do bloco, podem estar apontando para a necessidade de se adotar instrumentos que permitam, nas
palavras de Félix Pena, "institucionalizar a flexibilidade", por meio da utilização de instrumentos de geometria
variável e de múltiplas velocidades.
Outro desafio para os países membros do Mercosul é fazer com que o processo de integração penetre em
profundidade nos planos político, social e cultural de cada nação, transcendendo a simples dimensão
econômico-comercial. Nesse sentido, cabe àslideranças nacionais ter em vista que a integração deve estar
unida não apenas à agenda do desenvolvimento, mas também à agenda legislativa.
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Com efeito, os processos de integração implicam, no plano interno, a modificação de instituições e de
legislações nacionais. Veja-se, por exemplo, que os países membros da União Europeia alteraram as
respectivas Constituições e adotaram novas leis para possibilitar a sua participação no processo de integração.
Da mesma forma, os Parlamentos Nacionais criaram Comissões, antes inexistentes, destinadas ao
acompanhamento dos temas europeus, a exemplo do Parlamento da Espanha ("Comissão Mista para a União
Europeia"), do Parlamento Britânico (European Scrutiny Committee, da Casa dos Comuns), e do Parlamento
Italiano ("Comissão para Políticas da União Europeia", da Câmara dos Deputados). Outro aspecto que não pode
ser desprezado, e que também exigirá diversas reformas é a integração dos poderes judiciários.
Em todos os estados membros do Mercosul, os judiciários vêm assumindo um papel de relevo na definição de
políticas públicas, inversamente , a sua atuação como participes ativos no processo de integração é ainda
insignificante. É preciso levar em consideração que a integração regional, de uma maneira ou de outra, passará
pelos juizes. Ainda que os Parlamentos promovam medidas para agilizar a internalização dos atos do Mercosul
nos respectivos direitos internos, caso os judiciários sejam refratários à inserção de tais normas, o processo de
integração pode sofrer profundos reveses.
Nesse sentido, é importante que a integração também chegue ao nível dos poderes judiciários. Um passo
importante foi dado pelo Protocolo de Olivos e pelo Conselho Mercado Comum. Permitiram que as mais altas
cortes dos Estados Membros solicitem opiniões consultivas ao Tribunal Permanente de Revisão, sobre matérias
que digam respeito à aplicação das normas do Mercosul. No Brasil, essa tarefa ficou a cargo do Supremo
Tribunal Federal, que deve brevemente regulamentar a solicitação dessas opiniões consultivas.
Iniciativas como essa, porém, não surtirão qualquer efeito se ocorrerem de maneira isolada. É preciso que
outras medidas sejam tomadas, como o incentivo aos encontros de juizes do Mercosul, a participação do
judiciário na elaboração de tratados sobre integração e o estímulo a medidas que promovam a educação e
atualização dos juizes no que concerne à normativa do Mercosul - afinal os juizes somente podem aplicar bem
o direito do Mercosul se o conhecerem profundamente.
Tais reformas exigem, obviamente, o comprometimento de atores políticos e sociais. São, no entanto,
sumamente necessárias, porquanto contribuirão para a segurança jurídica e a transparência do processo.
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Indicação de Leituras Complementares
Conclusão
Créditos
Avaliação Objetiva
Concluimos o Módulo IV, agora vamos fazer a autoavaliação da unidade II deste módulo - Clique
em "Objetivas" ( lado esquerdo da página ) e em "Autoavaliação da unidade II do módulo IV". Confira
seu aprendizado.
Avaliação Final
Parabéns!
Você chegou ao final do curso. Antes de abrir a avaliação final, reflita se você está preparado(a) para
respondê-la. Caso haja insegurança, sugerimos refazer as autoavaliações para se certificar da
apropriação do conhecimento.
Esperamos que, após responder as questões da avaliação final você consiga pontuação suficiente para
obter a certificação.
De todo modo, é já importante que, com mais informações sobre os processos de integração regional em
geral, e sobre o MERCOSUL em particular, você possua mais elementos para formar juízo crítico.
Assim, certamente poderá exercer com maior plenitude sua cidadania nacional e também como cidadão
do MERCOSUL.
Concluimos o curso, agora vamos fazer a avaliação final - Clique em "Objetivas" ( lado esquerdo da
página ) e "Avaliação final". Boa sorte!
Créditos
Conteudistas
Maria Cláudia Drummond
José Everaldo Ramalho
Coordenação
William Robespierre Nunes Athanazio
Núcleo pedagógico
Carlos Eugênio Escosteguy
Claudia Pohl
Danuta Horta
Jenifer de Freitas
Lucas Machado
Marcelo Larroyed
Márcia Perusso
Polliana Alves
Rosângela Rabello
Simone Dourado
Tatiana Beust
Valéria Maia e Souza
William Robespierre Athanazio
Núcleo web
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Carlos Inocente
Francisco Wenke
Renerson Ian
Sônia Mendes
Núcleo administrativo
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