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1.Introdução 1.1Leucemia mieloide crônica A leucemia mieloide crônica (LMC) é um tipo de câncer não hereditário que se desenvolve na medula óssea caracterizado por uma desordem hematopoiética. Representa 15% das leucemias em adultos, a média de idade do diagnóstico da doença é de 55 a 60 anos, porém todas as faixas etárias, incluindo crianças, são afetadas, sendo 10% dos casos em pacientes com menos de 20 anos (O'Brien et al, 2012). No Brasil, estudos mostram que a mediana de idade do diagnóstico da doença é, no mínimo, dez anos mais baixa que a encontrada na literatura internacional (Bortolheiro, 2008). O que diferencia a LMC das demais leucemias é a presença de um cromossomo denominado Philadelphia, nos pacientes com LMC é observado uma translocação genética gerando o cromossoma t(9,22)(q34;q11) , ou seja uma troca equilibrada entre os braços longos dos cromossomos 9 na banda q34 com o braço do cromossomo 22 na banda q11(Bortolheiro, 2008). No braço longo do cromossomo 9 está localizado o gene ABL , traduzido em uma proteína responsável pela tradução do sinal e regulação do crescimento celular. Já no braço do cromossomo 22, está presente o gene BCR, responsável pela tradução de uma proteína que controla a maturação dos precursores mieloides(Fadel et. al., 1999). Na translocação há junção desses dois genes, gerando o oncogene BCR-ABL (Dobbin,Gadelha,2002). Esse gene hibrido, tem a capacidade de aumentar a sobrevida celular, exercendo uma ação anti apoptose, uma vez que é responsável pela expressão da proteína anti-apoptose BCL-2. mediada pela RAS(Ravandi F,2001). O segmento N-TERMINAL do gene ABL possui dois domínios homólogos o SH2 e o SH3, responsáveis pela regulação da tirosina quinase, SH3 é um regulador negativo da atividade quinásica, inativando o potencial ativador do SH2. Assim, o aumento da atividade quinásica celular ocasionada pelo gene hibrido BCR-ABL, tem dois principais fatores: a mutação no domínio SH3 e ligação do domínio SH2 a uma fosfo-tirosina independente. Nos produtos de BCR-ABL ocorre uma deleção, parcial ou completa, do domínio SH3, acarretando a ativação do domínio SH2, aumentando a atividade da tirosina quinase. ( SANTOS, I.L,2006) A inibição apoptótica e o aumento da atividade quinásica desencadeiam a mieloproliferação. Essas células mieloides passam amadurecer em parte, desencadeando a formação de eritrócitos imaturos e aumento de plaquetas no sangue periférico, além de hiperplasia mielóide na medula óssea.,com o tempo, podem se depositar em outras partes do corpo, como por exemplo no baço (American Cancer Society, 2016). Clinicamente a LMC apresenta três fases, podendo ser diagnosticada em qualquer uma delas: fase crônica (estável), uma fase acelerada (metamorfose) e fase aguda (blástica) (Instituto Nacional de Câncer 2003). 1.2Fases Evolutivas: Fase crônica: Fase benigna, na qual a maioria dos pacientes são diagnosticados nessa fase, geralmente são pacientes assintomáticos controlados, em sua maioria, pela terapia medicamentosa convencional (Instituto Nacional de Câncer 2003). Hematologicamente é caracterizada pela leucocitose com desvio a esquerda, pela mieloproliferação e intensa hiperplasia medular, com pouca, ou nenhuma, fibrose de medula óssea (Bortolheiro e Chiattone, 2008). Fase Acelerada: Normalmente de cinco a três anos, quando a doença não é tratada na fase crônica, pode avançar para a fase acelerada, dificultando seu controle por meio de medicamentos. Diversas definições desta fase foram descritas nos últimos anos, sendo as principais as do M.D. Anderson Cancer Center (MDACC), da International Blood and Marrow Transplantation (IBMTR) e a classificação da OMS (Organização Mundial da Saúde). Em todas as definições, são utilizados critérios como o número de blastos, basófilos, presença de evolução clínica e clonal , utilizando também critérios subjetivos, como leucocitose persistente e esplenomegalia não responsiva a tratamento (Bortolheiro e Chiattone, 2008). Nessa fase sintomas como febre, falta de apetite e perda de peso são comuns (Instituto Nacional de Câncer 2003). Fase Blástica: Agressiva, na qual os pacientes possuem um quadro clínico de uma leucemia aguda com uma sobrevida muito curta (Instituto Nacional de Câncer 2003). Segundo os critérios adotados pela OMS, definimos a doença nessa fase quando o numero de blastos for igual ou superior a 20%. A transformação pode ser mieloblastica, eosinofílica, basofílica, monocítica, megacarioblástica, eritroblástica ou a combinação destas (Bortolheiro e Chiattone, 2008). 1.3 Diagnóstico : O diagnóstico da LMC é realizado através de exames clínicos e laboratoriais.