Economia sem Truques
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Economia sem Truques


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Economia sem truques
O mundo a partir das
escolhas de cada um
Carlos Eduardo Gonçalves e
Bernardo Guimarães
 
 
Índice
 
Prólogo
1. O pobre não é burro
2. A feia fumaça e o casaco verde-chiclete
3. A lei que proíbe cobrar menos
4. A lei que aumenta o salário
5. De caçadores-coletores a guias de turismo lunar
6. E eu vos declaro marido e mulheres
7. O preço do futuro
8. Vegetarianos, preços e bois
9. As árvores da Ilha de Páscoa e as ruas de Londres
10. O mercado das almas
11. 289 dias
12. O poder mágico da cerveja
13. Casas esquisitas
14. As cigarras
15. Os ombros dos gigantes
16. O milagre da transformação do suco de laranja em vinho
17. O mercado de promessas
18. Faxineiro ou aviãozinho
19. Pedreiros e políticos
20. As leis da economágica
 
 
Índice didático
 
 
Prólogo
1. Escolhas
2. Externalidades
3. Preços
4. Salários
5. Produção e empregos
6. Restrição orcamentária
7. Taxa de juros e trocas intertemporais
8. Sistema de preços e equilíbrio
9. Falhas de Mercado
10. Desigualdade
11. Falhas de governo
12. Noções de econometria
13. Taxação
14. Previdência
15. Educação
16. Comércio
17. Crédito
18. Mercados ilícitos
19. Instituições políticas
20. As leis da economágica
 
Prólogo
 
Este é um livro que ensina economia a partir de seus princípios mais básicos, usando exemplos
lúdicos, mas voltado a questões práticas e importantes. Ao nosso ver, a ciência econômica moderna
fornece instrumentos que nos permitem compreender os fenômenos socioeconômicos e encontrar
soluções que melhoram concretamente a vida das pessoas. Contudo, talvez pelo caráter hermético
das técnicas estatísticas e matemáticas empregadas ou pelo linguajar específico dos economistas
acadêmicos, esse entendimento normalmente não chega ao público. Nós acreditamos que é possível
ensinar a todos aqueles interessados nos debates sobre políticas públicas a maneira do cientista
econômico analisar os diversos fenômenos sociais. Este livro busca justamente estabelecer esse elo
entre o economista acadêmico e a discussão cotidiana.
O livro desenvolve e aplica a questões concretas o substrato da lógica econômica, buscando
consolidar ao longo dos capítulos os pilares dessa lógica ao invés de entrar em detalhes específicos
das discussões dos jornais. Aqui, o leitor não encontrará nada sobre a reunião do Copom, nem os
últimos dados da cotação do dólar. Para ensinar economia, falamos de coisas como o colapso da
civilização que habitava a Ilha da Páscoa, a fabricação de vinho francês a partir do suco de laranja, e
as casas com janelas cobertas por tijolos. Não parece economia? Apenas por enquanto.
Em termos de estrutura, o livro está dividido em duas partes. A primeira lança as bases teóricas do
pensamento econômico moderno, enquanto a segunda se dedica a aplicar esta lógica, este arcabouço
de raciocínio, ao entendimento de temas particularmente caros ao país, como educação, comércio e
mercados de crédito. Os doze primeiros capítulos tratam dos fundamentos, enquanto os oito capítulos
restantes focam em aplicações.
O ponto de partida de toda nossa análise está nas escolhas das pessoas e em sua interação com o
mundo ao redor. Raciocinando a partir das escolhas individuais, mostraremos como são
determinados os preços, os salários, os empregos e a produção da economia. Falaremos sobre a feia
fumaça que sobe apagando as estrelas, as leis que apenas parecem aumentar os salários, o problema
do pai do Woody Allen, e muitos outros casos. Em seguida, explicaremos quando e porque o governo
deve intervir na economia e os princípios básicos que nortearão as decisões sobre políticas
públicas. Ficará claro porque o governo não deve interferir com os impactos sobre o preço do ouro
de uma charge ofensiva a Maomé feita por um cartunista dinamarquês, e porque o governo deve
intervir a fim de reduzir o congestionamento nas ruas de Londres.
Entendida a teoria, passaremos a questões ligadas ao debate corrente no Brasil, como tributação, e
instituições políticas. Não falaremos sobre as particularidades das reformas discutidas na conjuntura,
o que importa para nós é a lógica econômica por trás de cada assunto. Por exemplo, se queremos
saber sobre as políticas públicas adequadas para a previdência, vamos antes entender o problema
das cigarras e das formigas. Isso, no entanto, não significa que trataremos desses temas de maneira
abstrata. Para discutir estas questões, é necessário atentar para a realidade, e o livro está recheado
de dados reais e de histórias concretas como a de um banqueiro que ganhou o Prêmio Nobel da Paz.
Algumas passagens do livro podem parecer óbvias, mas o óbvio com freqüência desemboca no
surpreendente. Por exemplo, o fato de o traficante de drogas não emitir notas fiscais nas suas vendas
é óbvio, mas é bem menos claro que é por causa disto que há tanta violência associada ao tráfico.
O Brasil tem constantemente recorrido a truques de economágica para tentar resolver seus
problemas, implementando políticas públicas que tentam remediá-los sem tocar em suas causas
fundamentais. Claro está, os coelhos não têm saído da cartola. Ao longo deste livro, usaremos o
arcabouço econômico tanto para desvendar os truques da economágica, como para pensar e propor
soluções que de fato funcionem.
 
1. O pobre não é burro
 
Bangladesh é um país muito pobre, bem mais pobre que o Brasil. É também um dos maiores
exportadores do mundo no setor têxtil, onde se empregam mais de um milhão de pessoas. Em 1992,
mais de 50 mil destes empregados eram crianças de até 14 anos, meninas em sua maioria. Crianças
que não estavam estudando nem brincando, crianças cuja infância se resumia a produzir roupas que
seriam vestidas por estrangeiros, e cujo salário mensal não era suficiente para pagar a conta de
alguns jantares dos estrangeiros que vestiam as roupas por elas produzidas. O trabalho infantil era
proibido por lei em Bangladesh, mas a lei não pegou.
Foi então que uma lei americana proibiu a importação para os Estados Unidos de produtos que
utilizavam trabalho infantil. A lei americana pegou e, consequentemente, o trabalho infantil nas
indústrias têxteis de Bangladesh foi drasticamente reduzido. Cerca de 50 mil crianças foram
dispensadas da dura vida nas fábricas.
Mas por que será que as crianças estavam trabalhando nas fábricas? Seria essa uma escolha de pais
cruéis, imposta às crianças indefesas? Bem, pais normalmente se importam com os filhos, e ainda
que alguns não se importem, é difícil imaginar que 50 mil crianças estivessem sendo escravizadas
pelos seus pais. O que estava motivando esta escolha? 
Na nossa vida, estamos sempre buscando escolher o que é melhor para nós. O processo decisório
não é fácil, simples ou indolor, e o ato da escolha não raro causa angústias, suscita dúvidas e é
penoso para quem decide. Mas, apesar disto, a verdade é que nós, você e a população pobre de
Bangladesh estamos todos sempre escolhendo, tentando buscar o melhor para nossas vidas. Até
mesmo quando optamos por delegar nossas escolhas a alguém, estamos decidindo não escolher, e
arcando com os custos e benefícios desta opção.
Mas estas escolhas não são totalmente livres. Inúmeras restrições as condicionam, delimitam e
influenciam, como, por exemplo: (i) as limitações de ordem financeira que todos enfrentamos (o
salário de professor universitário não nos permite escolher viajar para o exterior de primeira
classe); (ii) os impedimentos de natureza jurídico-legal que nos cercam (podemos acabar presos se,
para comprarmos o ticket de primeira classe, resolvemos assaltar um banqueiro em sua mansão); (iii)
a nossa falta de informação sobre diversos temas (quanto dinheiro será que o banqueiro guarda em
sua casa? Ela é fortemente vigiada por câmeras de segurança?), (iv) as normas morais que regem
nosso padrão de comportamento social (mesmo se a mansão estiver desprotegida e a probabilidade
de sermos pegos pela polícia for muito baixa, não
Francisco Carlos
Francisco Carlos fez um comentário
Daria para me enviar
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Francisco Carlos
Francisco Carlos fez um comentário
Daria para me enviar o pdf?
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Luan
Luan fez um comentário
daria pra me mandar o pdf por email?
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Jaciele
Jaciele fez um comentário
gostaria da resenha de um capitulo ou resumo
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