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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS FACULDADE DE LETRAS Disciplina: Políticas Educacionais no Brasil Professora: Dra. Marcilene Pelegrine Gomes Nome: Diogo Batista Meneses Matricula: 201803752 Atividade Avaliativa 1 (N2) a ser entregue na aula do dia 06/11 A partir da leitura da BNCC (atentar-se para a discussão de sua área) escrever e entregar uma síntese contendo; Dois questionamentos/perguntas/problematizações sobre o documento BNCC. Um questionamento referente proposta da BNCC, acredito que ela esteja inserida em um contexto em que se objetiva muito mais lançar propostas inovadoras nos documentos oficiais e alavancar índices e resultados de avaliações de larga escala, do que efetivamente garantir que escolas, professores e alunos sintam na prática os reflexos positivos de tais propostas, por exemplo na primeira seção verifica-se o objetivo de fazer com que a proposta da BNCC seja concebida como um resultado participativo, socializado e democrático. Quando, na verdade, não são apresentados os pontos indesejáveis de se assumir uma política educacional nacional a partir de um currículo rígido. Percebe-se uma ausência de focalização nos gêneros quase cotidianos e específicos do trabalho do estudante enquanto estudante, refiro-me ao desenvolvimento de práticas presentes no estudo do aluno: a organização de sinopses de textos; a elaboração de resumos de textos científicos que não podem ser feitos com base na distinção assuntos principais e assuntos secundários de aprendizagem de um gênero fundamental da atividade estudantil mais incluindo as anotações durante uma leitura, durante um debate, durante uma palestra, durante uma entrevista, etc. A reflexão sobre as variedades linguísticas em sala de aula não deve restringir-se à identificação de uma ou outra variedade. Muito mais do que isso, é preciso dotar o aluno de conhecimentos para que ele possa fazer uso das variedades linguísticas de forma adequada, isto é, considerando os contextos comunicativos e sociais dos quais participa. No entanto, isso não impede que se pense, por exemplo, o texto numa perspectiva discursiva. O excesso de carga exigido ano a ano na proposta da BNCC impede que professores elaborem projetos de continuidade e de profundidade num mesmo gênero, por exemplo, as experiências tão conhecidas de produção de livros. Esses projetos demandam tempo na escola, mas esse tempo estará ocupado pela passagem pelos inúmeros gêneros ainda que de forma mais ou menos superficial para dar conta do currículo previsto pela base comum. Compreensão sobre a BNCC e o ensino de língua portuguesa; A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é uma exigência do Sistema Nacional de Educação, anunciada na Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 22 de dezembro de 1996, contudo, é em 2014 que a BNCC encontra seu noivo, a saber, o Plano Nacional de Educação (PNE). A Lei nº 13.005/14 que promulgou o PNE, estabelece em seu art. 13 que: O poder público deverá instituir, em lei específica, contados 2 (dois) anos da publicação desta Lei, o Sistema Nacional de Educação, responsável pela articulação entre os sistemas de ensino, em regime de colaboração, para efetivação das diretrizes, metas e estratégias do Plano Nacional de Educação. (BRASIL, 2014). Nota-se que PNE tornou-se o abre-alas da BNCC, pois com a instituição das metas, ele concedeu coerência ao discurso da Base. Também caracterizou a “emergencial necessidade” ventilada pelo Ministério da Educação – MEC – de se estabelecer uma BNCC para a Educação Brasileira. Atualmente existem duas versões completas do documento, a primeira que foi apresentada em setembro de 2015 (UNDIME, CONSED, MEC, 2015) e a segunda, lançada em abril de 2016 (MEC, CONSED, UNDIME, 2016); além de uma terceira versão parcialmente divulgada no último dia 06 de março de 2017 (MEC, CONSED, UNDIME, MPB, 2017). Macedo pontua que; O Plano tem 20 metas para a melhoria da qualidade da Educação Básica e quatro delas fariam referência à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), de modo que a Lei criaria o arcabouço legal que exige a elaboração de bases nacionais comuns curriculares para os ensinos fundamental e médio. (2015, p. 893) Nesta analise observo que a (BNCC) é tida no cenário político-educacional brasileiro como passo fundamental em direção a garantia do direito a aprendizagem e a equidade educacional. Este documento que “apresenta os Direitos e Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento que devem orientar a elaboração de currículos para as diferentes etapas de escolarização” (MEC, CONSED, UNDIME, 2016, p. 24). A BNCC foi redigida para todas as disciplinas e etapas da Educação Básica - Educação Infantil ao Ensino Médio. O PNE apresenta o seguinte objetivo da meta citada no texto da BNCC: Meta 7: fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem, de modo a atingir as seguintes médias nacionais para o IDEB: 6,0 nos anos iniciais do ensino fundamental; 5,5 nos anos finais do ensino fundamental; 5,2 no ensino médio. (BRASIL, 2014). Ao verificar o desempenho da educação pública brasileira, em especial no que se refere ao ensino de língua português e notório que esse “desempenho” vem caminhando a passos lentos e problemáticos. Estabelecendo alguns dados a comprovar essa afirmação, o INAF 2015 (Indicador Nacional de Alfabetização Funcional) mostram que apenas 23% dos brasileiros dominam plenamente a leitura e a escrita e que apenas 8% compreendem plenamente aquilo que leem. Dados do último PISA, o Brasil ocupou a posição 59º em um ranking de 70 países no quesito leitura. 50,99% dos estudantes brasileiros ficaram no nível 2 de proficiência (em uma escala de 1 a 6). A 4ª edição da pesquisa Retratos da leitura no Brasil, divulgada em 2016, que só 56% da população brasileira é leitora e que a média de leitura entre os leitores brasileiros é de 4 livros lidos e que desses, apenas 1,91 são lidos integralmente. Na área de linguagens, a BNCC mantém coerência com os PCN, de que é uma extensão. Desde a publicação desses parâmetros, assumimos oficialmente uma concepção de linguagem: uma forma de ação e interação no mundo. A base curricular em língua portuguesa não poderia se expressar na forma de uma listagem de conteúdos relativos a conhecimentos explícitos sobre a língua Daí a escolha por cinco eixos dentro dos quais toda e qualquer atividade de ensino/aprendizagem na área se dará: “apropriação do sistema de escrita alfabético/ ortográfico e de tecnologias da escrita, oralidade, leitura, escrita e análise linguística” Esses eixos cobrem todas as práticas de linguagem verbal. E serão estas que organizarão as atividades escolares. Elas são apresentadas na BNCC de forma explícita com explicações prévias e, posteriormente, aparecerão ano a ano quando da definição das práticas a serem realizadas dentro dos campos de atuação previstos. São elas: 1) práticas da vida cotidiana; 2) práticas artístico-culturais; 3) práticas político-cidadãs; 4) práticas investigativas; 5) práticas culturais das tecnologias de informação e comunicação; 6) práticas do mundo do trabalho (exclusivamente no ensino médio). Todas essas práticas se dão no interior de diferentes esferas da comunicação social, aqui traduzidas na expressão “campos de atuação”, atuação dos sujeitos se dará pela leitura, escuta e produção (oral e escrita) de textos, mas seguramente também pela reflexão sobre os recursos mobilizados nesses textos, para poder incluir o eixo da análise linguística. Coerentemente com o ponto de vista assumido sobre a linguagem, outra concepção aparece claramente expressa na BNCC (BRASIL, 2015): uma concepção de sujeito como constituído pelas práticas de linguagem: A área da linguagem trata dos conhecimentos relativos à atuação dos sujeitos em práticas de linguagem, em variadas esferas da comunicação humana, dasmais cotidianas às mais formais e elaboradas. Esses conhecimentos permitem mobilizar e ampliar recursos expressivos, para construir sentidos com o outro em diferentes campos de atuação. Propiciam, ainda, compreender como o ser humano se constitui como sujeito e como age no mundo social em interações mediadas por palavras, imagens, sons, gestos e movimentos. (p. 29) Podemos dizer que a atuação do sujeito em suas práticas de linguagem se dará por meio de ações com a linguagem e sobre a linguagem e que estas são marcadas pela ação da linguagem que o constitui e que continuará o constituindo no curso das interações com outro de que participa (GERALDI, 1991). Há um segundo princípio referente ao objeto e à forma de trabalho escolar com a linguagem: trata-se de elevar as práticas de linguagem à posição de objeto e ao mesmo tempo de forma pela qual a aprendizagem de recursos expressivos a serem mobilizados se dará, por exemplo; em lugar de aprender a descrição de uma variedade qualquer da língua da sua gramaticalização, resultaria mais do que um conhecimento sobre a língua, mas também e miraculosamente sobre os usos da língua, quer na modalidade oral, quer na modalidade escrita. Sobre o estudar, implica uma atividade constante de leitura, uma passagem da BNCC (BRASIL, 2015) destaca; As práticas de compreensão e de produção de texto são constitutivas da experiência de aprender e, portanto, presentes em todas as áreas. Por isso, cabe à área de Linguagens assegurar o direito à formação de sujeitos leitores e produtores de textos que transitem com confiança pelas formas de registro dos diversos componentes curriculares, salvaguardando suas singularidades, e pelas práticas de linguagem que se dão no espaço escolar, tais como: participar em um debate sobre transgênicos, opinar criticamente sobre um documentário ou uma pintura, interagir com hipertextos da Web, buscar soluções para um problema ambiental no seu entorno, dentre outras e inúmeras possibilidades. (p. 30). Percebe-se a partir daí um reconhecimento explícito de que a leitura está presente em todos os componentes curriculares, neste sentido o professor de língua portuguesa, trabalhando com os gêneros e temas que lhes são próprios passa a desenvolver com os estudantes os inúmeros gêneros que a prática de estudar e aprender criando assim: sinopses, resumos, anotações, mapeamento de teses e argumentos etc. Interessante pontuar que não se pode imaginar que em matéria de linguagem somente se aprende na escola. Aprende-se mais na vida de leitor do que na escola. Não se pode exigir também que um leitor seja também autor em todos os tipos de texto que é capaz de ler, as escolas, no entanto, têm que ser aptas a aceitar as diferentes vocações de seus alunos. No referente ao ensino da gramatica em sala constata-se um conceito de aprendizagem polêmico, pois são muitos os tipos de gramática e, em consequência disso, as definições que podem ser atribuídas a este termo. Na sala de aula, a opção por um ou outro tipo de gramática influência nas escolhas metodológicas do professor de língua portuguesa e pode implicar no rendimento da aprendizagem dos alunos, porque, dentre outros aspectos, determina o tipo de ensino de língua portuguesa ofertado no espaço de sala de aula. No site da editora Saraiva, por exemplo, os professores são provocados com o seguinte enunciado elaborado pelo professor e autor de vários livros didáticos de língua portuguesa, Willian Roberto Cereja: A partir desta semana, vamos abrir aqui um espaço de discussão sobre a Base Nacional. Gostaria que os colegas professores manifestassem sua opinião, posicionando-se a favor ou contra o documento. Esse debate será útil para que possamos enviar nossas opiniões para o site da Base, responsável por coletar a opinião dos professores. Nesta semana, vamos iniciar com a discussão em torno da gramática. A cada semana, puxaremos um aspecto da Base Nacional. Participe! De um modo geral, os comentários respondidos pelos professores apontam para uma falta de clareza no documento da proposta ou mesmo a ausência de sugestão de trabalho com a gramática, especialmente a partir do quarto ano do ensino fundamental e no ensino médio. Desse modo, conforme alega a maioria dos professores em seus comentários, não haveria um trabalho de sistematização ou de ampliação da gramática em nenhum momento do curso essa postura predomina nos comentários dos professores: o documento não sistematiza o ensino de gramática, a ponto de indicar que tópicos gramaticais devem ser trabalhados em cada ano escolar, e isso parece, segundo os professores, dificultar a prática de ensino em sala de aula. Acusam, pois, o documento, de falta de clareza quanto a esse aspecto. É preciso sistematizar e explicitar os conteúdos linguísticos para que se favoreça o desenvolvimento das habilidades linguísticas dos alunos e possibilite um ensino de língua produtivo (TRAVAGLIA, 1996). O ensino de Língua Portuguesa precisa, necessariamente, ser pautado pela concepção de linguagem enquanto interação. A falta de clareza ou mesmo de uma sistematização de conteúdos aparece também em pareceres de linguistas brasileiros que discutem sobre o ensino de gramática no país, como Marcos Bagno e Sítio Possenti: O tratamento dado pela Base Nacional Comum Curricular à disciplina Língua Portuguesa não deve se limitar a estabelecer objetivos de aprendizagem que tenham como suportes apenas as teorias do gênero, do texto e do discurso, mas conceder igual espaço e rigor de apresentação aos conhecimentos linguísticos no sentido de recursos e mecanismos que fazem funcionar a gramática da língua (BAGNO, 2016, p. 4). Curiosamente, no entanto, há uma certa insistência (até repetitiva) em mostrar a diversidade das sílabas... por que as sílabas (importantes, claro), mas não, por exemplo, os afixos, a recursividade e a ambiguidade sintáticas, muito mais relevantes e até interessantes (claro, em séries posteriores à da sílaba...)? (POSSENTI, 2016, p. 2). Existem quem defenda que a melhoria da qualidade da educação depende crucialmente de um trabalho de longo prazo na formação continuada de professores, com acompanhamento mais próximo das escolas e com melhoria nas condições concretas do exercício profissional (incluindo a existência de salas de professores em tempo integral em suas escolas), valorizando a autonomia relativa do professor, saber que as concepções da “matriz” estão mudando, e foram elas que orientaram as avaliações que vimos sofrendo desde os anos 1990, portanto há 25 anos. Acrescente-se ainda que a razão de ser da BNCC é a uniformização do ensino num país que se caracteriza por sua diversidade (linguística, cultural, econômica e social). Entender a linguagem como interação social é um aspecto positivo do documento da BNCC, todavia, é necessário garantir que na prática escolar e no trabalho diário, essa concepção seja de fato aplicada ao ensino, que garanta condições mínimas para aplicação dos conteúdos e temas que se impõem. Infelizmente a realidade das escolas brasileiras hoje evidencia precariedades enormes; faltam livros, professores valorizados e bem remunerados, estrutura física etc. É uma incoerência cobrar do profissional, sem capacitar e instrumentalizar o professor de língua portuguesa para o ensino de tais gêneros, sem oferecer um aparato tecnológico de boa qualidade. Tais iniciativas contribuirão, apenas, para se perpetuar a máscara da renovação no ensino e contribuirá para que a reforma fique apenas no papel. � EMBED PBrush ���