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o brasil e a seguranca no seu entorno estrategico america do sul e atlantico sul

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da região; e prioridade dada ao “inimigo interno”. Outros autores apostam 
em elementos ideacionais, como a possibilidade de se pensar a região como uma 
“sociedade de Estados”, em que determinadas normas seriam compartilhadas em 
nome de objetivos comuns a todos os países da região. Aparentemente, a melhor 
explicação não deve ser buscada em um fator determinante, mas em uma engenhosa 
combinação de fatores que tem proporcionado à região a relativa paz.
Do ponto de vista das relações internacionais, resta questionar se os aspectos 
analisados anteriormente apontam para a consolidação de uma comunidade de 
segurança na América do Sul ou se este constructo regional não passa de mais uma 
ilusão cartográfica.
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CAPÍTULO 2
ENTRE A “SEGURANÇA DEMOCRÁTICA” E A “DEFESA INTEGRAL”: 
UMA ANÁLISE DE DUAS DOUTRINAS MILITARES NO CANTO 
NOROESTE DO SUBCONTINENTE SUL-AMERICANO
Adriana A. Marques*
Oscar Medeiros Filho**
Entre as políticas de defesa que estão sendo implementadas nos países sul-ameri-
canos nos últimos anos, duas em particular vêm chamando a atenção de analistas 
por conta dos diferentes projetos políticos que representam: a Política de Defesa e 
Segurança Democrática da Colômbia e a doutrina de Defesa Integral da Nação, ado-
tada recentemente pela Venezuela. Este capítulo analisará os casos colombiano e 
venezuelano de forma comparada, buscando identificar algumas percepções sobre: 
i) relações internacionais; ii) entorno regional; iii) concepções de segurança e defesa; 
iv) postura estratégica; v) relações entre civis e militares; e vi) configuração das 
Forças Armadas. A identificação destas percepções nos permitirá apreender alguns 
elementos das culturas estratégicas venezuelana e colombiana.
1 CULTURA ESTRATÉGICA
Utilizado pela primeira vez no final dos anos 1970 para analisar a doutrina 
soviética de guerra nuclear limitada, o termo cultura estratégica, cunhado por Jack 
Snyder, vem, ao longo das últimas décadas, ganhando visibilidade na comunidade 
acadêmica. Snyder usou o termo para se referir a um conjunto de atitudes e crenças 
que guiam e circunscrevem o pensamento sobre questões estratégicas, influenciam 
a maneira como estas são formuladas e articulam o vocabulário e os parâmetros 
perceptuais do debate estratégico (Marques, 2009). 
Dos primeiros trabalhos, produzidos durante a Guerra Fria e centrados na 
possibilidade de utilização de armamentos nucleares pelas grandes potências, 
às análises mais recentes, que discutem a pertinência de se ampliar a agenda de 
pesquisa sobre cultura estratégica, incorporando o estudo de grupos armados não 
* Mestre em ciência política pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e doutora em ciência política pela 
Universidade de São Paulo (USP). Atualmente é professora e pesquisadora do Programa de Pós-graduação em Ciências 
Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME).
** Oficial do Exército Brasileiro. Mestre em geografia humana e doutor em ciência política pela USP. É professor e 
pesquisador do Programa de Pós-graduação em Ciências Militares da ECEME.
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estatais e a existência de culturas estratégicas regionais (Howllet, 2005), o conceito 
foi sendo rediscutido e reformulado, sem que, no entanto, tenha se estabelecido 
uma definição consensual na literatura especializada.
Neste capítulo, será adotada uma definição de cultura estratégica inspirada 
na proposta de Neumann e Heikka (2005), para os quais a cultura estratégica de 
um país ou região pode ser entendida como uma interconexão dinâmica entre o 
discurso (a “grande estratégia” – os fundamentos do pensamento sobre os militares 
e a política de

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