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Módulo IIMódulo IIMódulo II Química Geral e Inorgânica Maria Rita de Morais Chaves Santos José Milton Elias de Matos PRESIDENTE DA REPÚBLICA Luiz Inácio Lula da Silva MINISTRO DA EDUCAÇÃO Fernando Haddad GOVERNADOR DO ESTADO Wellington Dias REITOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ Luiz de Sousa Santos Júnior SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DO MEC Carlos Eduardo Bielschowsky COORDENADORIA GERAL DA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL Celso Costa SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DO PIAUÍ Antonio José Medeiros COORDENADOR GERAL DO CENTRO DE EDUCAÇÃO ABERTA A DISTÂNCIA DA UFPI Gildásio Guedes Fernandes SUPERITENDENTE DE EDUCAÇÃO SUPERIOR NO ESTADO Eliane Mendonça DIRETOR DO CENTRO DE CIÊNCIAS DA NATUREZA Helder Nunes da Cunha COORDENADOR DO CURSO DE FÍSICA Miguel Arcanjo Costa COODENADORA DE MATERIAL DIDÁTICO DO CEAD/UFPI Cleidinalva Maria Barbosa Oliveira DIAGRAMAÇÃO João Paulo Barros Bem 5237q Santos, Maria Rita de Morais Chaves Química Geral e Inorgânica: Módulo II./ Maria Rita de Morais Chaves Santos, José Milton Elias de Matos - Teresina: UFPI/ CEAD, 2008. 129 p. 1. Química. 2. Química Inorgânica. I Matos, José Milton Elias de. II. Título. C.D.D. 540 Ta be la P er ió di ca d os E le m en to s A química estuda os elementos químicos suas propriedades físicas e químicas, os compostos que eles formam, as transformações químicas ou físicas e as variações de energia que as acompanha. Por que estudar química? A química está provavelmente mais entranhada em nossas vidas do que se imagina. Transporte, vestuário, comunicação, recreação, habitação, produtos alimentícios e fármacos, cada um destes segmentos de nossas vidas diárias é resultado do desenvolvimento de algum produto ou material químico. Os avanços das sociedades têm estado intimamente ligados às habilidades dos homens em produzir e manusear materiais que atendam as suas necessidades, a tal ponto que as civilizações antigas foram designadas pelo nível de seus desenvolvimentos, haja vista, as designações dos períodos, como Idade da pedra e Idade de bronze. O desenvolvimento da química e de materiais e suas propriedades tem tornado a vida moderna mais confortável, como por exemplo, as propriedades óticas, cujo estímulo é a radiação eletromagnética ou a luminosa que tem permitido o desenvolvimento de produtos como a câmara fotográfica digital, o telefone celular de última geração, o laser que é empregado em inúmeras técnicas, os televisores LCDs, e muitos outros que me fogem da memória no momento. Daí a importância do estudo desta matéria tão perto de nós. Neste curso, faremos uma abordagem das propriedades de elementos como o lítio (Li), carbono (C), nitrogênio (N), e flúor (F) e suas respectivas famílias. Abordaremos também, a química de compostos como a água, amônia, bicarbonato de sódio e outros. Quando estudamos química ou mesmo pensamos em química, deparamos com muitas perguntas que vivenciamos em nosso dia-a-dia, como: Por que o gelo flutua na água? Por que o diamante corta o vidro e risca os outros metais? Por que ? Convidamos você a formularem muitas perguntas outras que venham enriquecer o nosso curso. A química é tudo que nos rodeia. O ar, que respiramos, a água e o vinho que bebemos, o sapato que usamos, porém, temos consciência que fatos lamentáveis acontecem envolvendo a química e a ação do homem que manipula os produtos químicos ou fazem uso erradamente das transformações químicas e de Palavra ao aluno seus produtos. Observamos aspectos químicos do mundo ao nosso redor que necessitam de nosso direcionamento e nossa atenção. 1. Quais reações químicas acontecem nos vegetais, nos animais e no nosso ambiente aquático? 2. Que resultado benéfico ou maléfico estas reações nos traz? 3. Que papel o homem e principalmente os químicos tem na questão ambiental? 4. Que destino deverá ter as milhares de toneladas de lixo produzidas em nosso país? Refletindo, vemos que a química apresenta aspectos positivos e negativos, e daí concluir a importância do estudo da química em qualquer curso de graduação. Assim, é verdade que a química tem garantido ao ser humano vida mais longa e confortável, contudo devemos conhecer bem as conseqüências do mau uso e de seu desenvolvimento inadequado. Este texto tem o objetivo de oferecer aos alunos da disciplina de Química Geral e Inorgânica, do Curso de Licenciatura em Física, na modalidade à distância, uma ampla visão dos conceitos e princípios da Química. Aqui você encontrará fundamentação teórica prática, ponto para reflexão e reforço dos conteúdos, modelos, exercícios de fixação e referências que permitirá ao aluno deste curso plena realização das atividades propostas para o desenvolvimento dos conteúdos apresentados no plano de ensino. Os conteúdos apresentados estão distribuídos em nove unidades que correspondem às unidades do plano de ensino da disciplina que são: Unidade I: PRINCÍPIOS ELEMENTARES DA QUÍMICA Unidade II: ESTRUTURA ATÔMICA Unidade III: LEI PERIÓDICA DOS ELEMENTOS E A ESTRUTURA DA TABEALA PERIÓDICA Unidade IV: As LIGAÇÕES QUÍMICAS Unidade V: ESTEQIOMETRIA Unidade VI: FUNÇÕES INORGÂNICAS Unidades VII: COLÓIDES E SOLUÇÕES Unidade VIII: EQUILÍBRIO QUÍMICO Unidade IX: ELETROQUÍMICA Apresentação Sumário UNIDADE 1 - PRINCÍPIOS ELEMENTARES DA QUÍMICA 11 1.1 – A química como uma ciência natural ...................... 13 1.2 - Atividades de aprendizagem ................................... 24 1.3 - Referências bibliográficas........................................ 25 1.4 - Web-bibliografia ....................................................... 25 UNIDADE 2 – ESTRUTURA ATÔMICA 26 2.1 – A divisibilidade do átomo......................................... 28 2.2 – A estrutura atômica da matéria: átomos e partículas subatômicas ............................................ 28 2.3 – Atividades de aprendizagem ................................... 32 2.4 – Referências bibliográficas ....................................... 33 2.5 – Web-bibliografia ...................................................... 34 UNIDADE 3 - TABELA PERIÓDICA 39 3.1 – Histórico .................................................................. 36 3.2 - Apresentação da tabela periódica ........................... 36 3.3 - Períodos .................................................................. 37 3.4 - Grupos ..................................................................... 37 3.5 - Classificação dos elementos ................................... 37 3.6 - Propriedades periódicas dos elementos .................. 40 3.7 - Atividades de aprendizagem .................................... 40 3.8 - Referências bibliográficas......................................... 49 3.9 - Web-bibliografia ....................................................... 49 UNIDADE 4 - LIGAÇÕES QUÍMICAS 50 4.1 - Ligações iônicas: formação da ligação iônica .......... 53 4.2 - Ligações covalentes ................................................ 54 4.3 - Exceções à regra do octeto ..................................... 57 4.4 - Relação entre ligações iônicas e ligações covalentes ............................................................... 58 4.5 - As forças e os comprimentos das ligações covalentes................................................................. 61 4.6 - Atividades de aprendizagem..................................... 61 4.7 - Referências bibliográficas......................................... 62 4.8 - Web-bibliografia........................................................ 62 UNIDADE 5 - ESTEQIOMETRIA63 5.1 - Conceito de mol ....................................................... 67 5.2 – O número de Avogadro e o mol .............................. 67 5.3 - Equivalências estequiométricas ............................... 68 5.4 - Medindo moles de elementos e compostos ............. 69 5.5 - Utilização do número de Avogadro em cálculos ...... 69 5.6 - Massas moleculares e massas-fórmulas ................. 70 5.7 - Aplicações da estequiometria................................... 70 5.8 - Composição percentual............................................ 71 5.9 - Fórmulas empírica e molecular ................................ 72 5.10 - Fórmulas empíricas a partir de composições percentuais .............................................................. 73 5.11 - Atividades de aprendizagem ................................. 75 5.12 - Referências bibliográficas ..................................... 76 5.13 - Web-bibliografia ..................................................... 76 UNIDADE 6 - FUNÇÕES INORGÂNICAS 77 6.1 - Ácidos ...................................................................... 79 6.2 - Bases ....................................................................... 81 6.3 – Sais ......................................................................... 83 6.4 – Óxidos ..................................................................... 85 6.5 - Atividades de aprendizagem .................................... 87 6.5 - Referências bibliográficas ........................................ 88 6.6 - Web-bibliografia ....................................................... 88 UNIDADE 7 - COLOIDES E SOLUÇÕES 89 7.1 - Formação de soluções ............................................. 91 7.2 - Concentrações das soluções .................................. 93 7.3 – A solubilidade e a influência da temperatura .......... 95 7.4 – A influência da pressão na solubilidade dos gases 95 7.5 – Efeitos dos solutos na pressão de vapor de soluções ................................................................... 96 7.6 - Atividades de aprendizagem ................................... 97 7.7 - Referências bibliográficas........................................ 98 7.8 - Web-bibliografia........................................................ 98 UNIDADE 8 - EQUILÍBRIO QUÍMICO 99 8.1 - A natureza do estado de equilíbrio .......................... 101 8.2 - Escrevendo expressões da constante de equilíbrio 102 8.3 - O significado da constante de equilíbrio, k............... 104 8.4 - O significado do quociente de reação, q ................. 106 8.5 - Determinação de uma constante de equilíbrio ........ 107 8.6 - Usando constantes de equilíbrio em cálculos ......... 108 8.7 - Fatores que influenciam nos equilíbrios químicos . 110 8.8 - Influência da concentração ...................................... 110 8.9 - Influência da temperatura ........................................ 111 8.10 - Influência da pressão ............................................. 111 8.11 - Atividades de aprendizagem .................................. 112 8.12 - Referências bibliográficas ...................................... 113 8.13 - Web-bibliografia ..................................................... 114 UNIDADE 9 – ELETROQUÍMICA 114 9.1 - Reações de oxi-redução .......................................... 117 9.2 - Balanceamento de equações de oxi-redução .......... 118 9.3 - Células voltaicas simples ......................................... 119 9.4 - Célula voltaica com eletrodos inertes ...................... 121 9.5 - Potenciais eletroquímicos padrão ........................... 123 9.6 - Determinação de potenciais padrão ........................ 124 9.7 – A equação de Nernst .............................................. 124 9.8 - Eletroquímica e termodinâmica ............................... 125 9.9 – E° e a constante de equilíbrio ................................. 126 9.10 - Atividades de aprendizagem .................................. 127 9.11 - Referências bibliográficas ...................................... 128 9.12- Web-bibliografia ...................................................... 128 A sociologia e a Sociologia da Educação A sociologia e a Sociologia da Educação Resumo O objetivo deste capítulo é fornecer ao leitor ferramentas e conceitos básicos que terão importância fundamental para um aprendizado bem-sucedido dos capítulos posteriores. Aqui você aprenderá o principal sobre a natureza da Química e como esta ciência, de um modo geral, atua. Permitirá você a compreender alguns fenômenos naturais e seus efeitos. Princípios Elementares da Química Princípios Elementares da Química Unidade 1Unidade 1 Sumario UNIDADE 1 - PRINCÍPIOS ELEMENTARES DA QUÍMICA 11 1.1 – A química como uma ciência natural ...................... 13 1.2 - Atividades de aprendizagem ................................... 24 1.3 - Referências bibliográficas........................................ 25 1.4 - Web-bibliografia ....................................................... 25 1.1 - A QUÍMICA COMO UMA CIÊNCIA NATURAL É possível que você já esteja familiarizado com alguns dos assuntos que aparecem neste capitulo introdutório, pois eles são vistos no segundo grau, porém é importante que você tenha um domínio completo deles para não encontrar dificuldades nos capítulos posteriores. 1.1.1 - Interação das ciências: a química e o seu lugar entre as ciências A Química trata das propriedades e transformações da matéria, das leis e princípios que regem estas transformações e dos conceitos e teorias que as interpretam. Quase tudo que tocamos, bebemos, comemos, vestimos ou que ingerimos na intenção de cura de alguma enfermidade, está relacionado com descobertas feitas por pesquisas químicas. Boa parte da qualidade de vida que desfrutamos hoje pode estar associada ao sucesso da química enquanto Ciência. A Química como uma grande área apresenta-se dividida em quatro subáreas: ? Química Orgânica - Estuda os compostos de carbono. ? Química Inorgânica - Estuda compostos com outros elementos. ? Físico-Química - Trata dos problemas das reações químicas, da energia envolvida, da velocidade que se processam, da natureza dos estados da matéria, das aplicações tecnológicas, entre outros. ? Química Analítica - Estuda os métodos precisos de análise da composição química das substâncias. 1.1.2 - MÉTODO CIENTÍFICO EM QUÍMICA Algumas pessoas acreditam que os cientistas são dotados de uma poderosa e misteriosa metodologia de raciocínio, que lhes permite resolver grande parte das questões que ao longo dos tempos tem instigado a humanidade. Realmente, os cientistas têm uma maneira peculiar de encarar os problemas, envolvendo a curiosidade, a Fatos empíricos (observações, dados) Leis científicas (generalizações testadas) Hipótese (tentativa de explicação) Teoria (explicação testada) 13 imaginação e a capacidade de questionar e interpretar suas observações, e esta capacidade é fruto de alguns fatores, tais como: ? Raciocínios Indutivos e Dedutivos. ? Coleta de fatos, observações particulares, até chegar a uma generalização. O uso do raciocínio indutivo leva à formulação de uma lei. LEI CIENTÍFICA - É uma descrição do que acontece, muitas vezes, serve de guia para a descoberta de novos fatos. Exemplo. Lei Periódica (baseia-se em observações) A lei científica pode ser ainda definida como o modo pelo qual um cientista se propõe a resolver um novo problema, ou a questionar a validade de um conhecimento anterior. O método científico fundamenta-se em um esquema básico de etapas, que são: Parte do geral para o particular - Raciocínio Dedutivo. Formulação da explicação desta lei - Hipótese. Explicação satisfatóriade fatos (Tentativa de explicação)- Teoria. A partir da teoria parte-se para a Experimentação. 1.1.3 - CONCEITOS FUNDAMENTAIS No inicio deste capítulo, quando você começou a estudar a química, definimos esta ciência como a ciência que trata das propriedades e transformações da matéria, o “material” do qual o Universo é constituído. Mas o que é matéria? Matéria - Qualquer coisa que ocupa lugar no espaço e possui massa. Massa (m) - É a quantidade de matéria que existe em um objeto. É uma medida da sua resistência a uma mudança de velocidade. Peso - É a força que atua sobre o objeto quando ele está em um campo gravitacional. Refere-se à força com que um objeto é atraído pela terra. Volume (V) - É a extensão de espaço ocupado por um corpo. Volume = comprimento (m) x altura (m) x largura (m) 373,15 K 273,15 K 0,00K - 273,15 oC 0,00 oC 100,00 oC Temperatura de ebulição da água Temperatura de solidificação da água Zero absoluto Escala Kelvin Escala Celsius 14 Volume de um cubo V = 1 m . 1 m . 1 m V = 1 m V = 10 dm . 10 dm . 10 dm V = 1000 dm d = d = densidade m = massa v = volume m v 3 3 Temperatura (T) - Relaciona-se com o estado de agitação das partículas que formam um corpo e com a capacidade desse corpo de transmitir ou receber calor. Pressão (P) - Relação entre a força (F) exercida na direção perpendicular sobre uma dada superfície e a área (A) dessa superfície. P = PROPRIEDADES DA MATÉRIA - Facilita a identificação, forma, massa, lustro, cor, magnetismo, tendência à corrosão. Propriedades Extensivas - Dependem da quantidade de material. Exemplo.- Massa, volume. Propriedades Intensivas - Não dependem da quantidade de material. Exemplo, ponto de fusão. ebulição, densidade. Densidade (d) - É a relação entre a massa de um material e o volume por ele ocupado .Densidade = em Kg/m ou g/cm Peso Específico ou Densidade Relativa = Propriedades Físicas – Nos permitem classificar e identificar as substâncias e são propriedades que podem ser observadas e medidas sem mudar a composição de uma substância. A tabela 01, reúne algumas propriedades comuns das substâncias químicas. A F volume massa água subsancia d d d = d = densidade m = massa v = volume m v 3 3 15 TABELA 01. Algumas Propriedades Físicas Propriedade característica Cor Estado da matéria Ponto de fusão Ponto de ebulição Calor de vaporização Calor de fusão Densidade Solubilidade Caráter metálico Condutividade elétrica Condutividade térmica Propriedades magnéticas Forma cristalina de um sólido Maleabilidade Ductilidade Viscosidade •sólido, líquido ou gás •temperatura na qual o sólido funde •temperatura na qual um líquido ferve •calor necessário para um líquido se transformar em vapor • calor necessário para um sólido se transformar em líquido •massa por unidade de volume •massa de uma substância que pode se dissolver em um determinado volume de água ou em outro solvente •Facilidade que um sólido pode ser deformado •Facilidade com que um sólido pode ser transformado em um fio •Facilidade de um líquido para escoar Propriedades Químicas – Estabelece alguma Interação entre as substâncias químicas. Exemplo de fenômenos químicos i) Ferro óxido de Ferro (III) ii) 2 H (g) + O (g) 2 H O →ar →2 2 2 16 Reação do hidrogênio com o oxigênio para formar água. 2 H (g) + O (g) 2 H O eq. 01 Do lado esquerdo da seta são representados os reagentes e do lado direito são representados os produtos. A representação simbólica da transformação é denominada de EQUAÇÃO QUÍMICA Transformações são mudanças que ocorrem com os materiais ao quais muda o aspecto físico e/ou químico. Identificar essas transformações é essencial para o estudo da química. Os cientistas denominam os objetos ou substâncias em estudo de SISTEMAS. Formas de Energia Energia - Medida da capacidade de realizar trabalho. Quanto maior for a energia de um corpo, maior sua capacidade da realizar trabalho. São três as formas importantes de energias: energia cinética, energia potencial e energia eletromagnética. Energia cinética, Ec, de um corpo é a energia relacionada ao seu movimento. Para um corpo de massa m em movimento com velocidade v, a energia cinética é: E = mv , eq. 02c Energia potencial gravitacional, Ep, é a energia do corpo em função de sua posição. Um corpo de massa m, e altura h sobre a superfície da Terra tem energia potencia de: E = m.g.h, eq. 03p Onde, g é constante conhecida como aceleração de queda -2livre ou “aceleração da gravidade” (g= 9,81 m.s .). → 2 1 En er gi a ci né tic a En er gi a po te nc ia l Figura 1.1: energia cinética (representada pela altura da barra escura (lilás)) e a energia potencial (barra clara (azul)) são interconversíveis, mas a sua soma (a altura total da barra) é uma constante na ausência de influências externas, tais como a resistência do ar. 2 2 2 2 17 A energia total, U de um corpo ou partícula é a soma de suas energias cinética e potencial. Energia total = energia cinética + energia potencial. ou E = E + E eq. 04c p A energia cinética e a energia potencial podem se converter uma na outra, mas a sua soma é sempre constante, o que garante a lei de conservação de emergia. A variação de emergia de um corpo é representada por, ? (letra grega delta). Em geral, a variação do valor de uma quantidade de energia X é representada por ?X, que é definida como o valor de X inicial menos o X final, ou melhor: ?X= X – X l; eq. 05final inicia A variação de energia de um sistema é escrita como ?U, onde, ?U = U – U eq. 06final inicial Energia eletromagnética é a energia resultante de uma perspectiva mecânico-quantico, no sentido que a radiação é formada por grupos ou pacotes de energia em vez de ondas, assim, a energia E de um fóton esta quantizada, isto é, tem valor definido pela relação: h eq. 07 -34Onde, h é a constante de Planck que tem o valor de 6,63x10 J.s. dessa forma a energia do fóton é proporcional a freqüência da radiação ou inversamente proporcional ao comprimento de onda. São exemplos de energia de movimento: ● Energia térmica – Toda matéria possui energia térmica, devido ao movimento constante de suas partículas (teoria cinético-molecular). Quando ocorre a troca de energia entre dois corpos acompanhados de variação de temperatura, chamamos essa energia de calor ou energia térmica. Então calor é a transferência de energia térmica entre dois corpos de temperaturas diferentes. =Ε λ ν hc = 18 ● Energia mecânica - é a energia que pode ser transferida por meio de força para movimentá-lo. ● Energia elétrica - resulta dos elétrons que se movem em um condutor. Calorímetro – equipamento utilizado para determinar o calor específico dos materiais e a capacidade calorífica das substâncias, e as emergia liberada nas transformações químicas. Quantidade de calor (Q) Q= m.c. T. Figura 1.2: Energia potencial. A energia utilizada para comprimir uma mola foi armazenada como energia potencial elástica. ● Energia eletrostática – Resultante da atração entre duas cargas de sinais opostos e de distância entre elas. É a energia associada com a formação de um par iônico, E .par iônico E = par iônico Onde, d é a distância entre as cargas (+) e (-) dos íons. Lei da Conservação da Energia 2Equivalênciade massa e energia, E = mc (Einstein) Todas estas séries de formas e transformações de energia ilustram a Lei da Conservação de Energia, que garante que a energia total do Universo é constante. Quando um atleta salta em um trampolim, a massa do seu corpo permanece constante, enquanto a força da gravidade acelera seu corpo que seu movimento fica cada vez mais rápido durante a queda. Assim, sua velocidade e energia cinética foram aumentadas, até a queda na água onde sua energia cinética é convertida em energia mecânica da água que salta fora. Parte da energia potencial do mergulhador é convertida em energia cinética (as moléculas da água se movem mais rápido) e em d enenC ))(( −+ 19 energia térmica, que aquece a água. No Sistema Internacional de Medidas – SI – a unidade padrão para medir energia é o Jaule, cujo símbolo é J. 1 cal=4,184 J A caloria (cal) é definida como a quantidade de energia necessária para aumentar a temperatura de 1,00g de água líquida pura de 1,00 grau Celsius. Sistema - É aquela parte do universo físico cujas propriedades estão sob investigação. (fronteira, vizinhança). Ambiente: É a parte que está próxima em torno do sistema estudado. Sistema Isolado - A fronteira não permite qualquer interação com as vizinhanças; Sistema aberto - Quando ocorre passagem de massa; Sistema fechado - Não ocorre passagem de massa. Elementos - São as formas mais simples de matéria formadas por um único tipo de átomos. Cada elemento tem um nome e um símbolo. Atualmente conhecem-se 112 elementos, sendo destes 90 são encontrados na natureza. Os elementos são listados em tabela em ordem crescente de número atômico, são designados por uma ou duas letras maiúscula do alfabeto, sendo que quando representado por duas letras somente a primeira é maiúscula. Alguns nomes de elementos vêm de sua origem ou da homenagem de seu descobridor. Na contra capa deste livro temos um exemplar da tabela periódica dos elementos. Substância: Combinação de elementos químicos. Compostos: Caracteriza-se por ter seus elementos sempre presentes nas mesmas proporções. Exemplo: água (H O).2 Mistura: Duas ou mais substâncias sem composição definida; podem ser separadas por meios físicos. Mistura Homogênea ou solução – É completamente uniforme no nível macroscópico da mistura que têm a mesma composição, onde os componentes podem ser separados por técnicas físicas. Exemplo: melado de açúcar e água. As propriedades de uma mistura homogênea são as mesmas em todas as regiões da amostra. Mistura Heterogênea - Não tem composição uniforme. As propriedades da mistura heterogênea mudam de uma região para outra. Apresenta variação de cor, dureza, etc. (sistema bifásico, 20 trifásico, etc.). Uma mistura heterogênea pode as vezes parecer homogênea, como por exemplo o leite cuja partículas de gorduras e glóbulos de proteínas podem ser vistas com auxilio de uma lente de aumento. Compostos Puros – substâncias formadas por dois ou mais elementos químicos em proporções definidas e propriedades características do composto. Sofrem mudanças de fase à temperatura constante, (sólido para líquido para gasoso). Os componentes não podem ser separados por técnicas físicas. A composição de qualquer composto pode ser representada por sua fórmula molecular, H O, NH , CH ou pela relação mínima 2 3 4 de átomos ou íons, no caso das substâncias iônicos: NaCl, KCl, LiCl etc. Separação de misturas Destilação – É um processo que se baseia na diferença de temperatura de ebulição dos componentes da mistura. No processo a mistura é aquecida a temperatura próxima da ebulição de cada componente que evapora Separação de misturas líquida ou componentes não voláteis. Cristalização - Separação de diversos sais. Destilação Fracionada - Separação de componentes voláteis (benzeno/tolueno). Cromatografia – Método físico-químico de separação de misturas gasosas ou líquidas, que se baseia na partição da amostra entre duas fases, a móvel (FM), liquida ou gasosa e a fase estacionaria (FE), liquida ou sólida (adsorção ou desorção). PARTIÇÃO DA AMOSTRA ENTRE FASE MÓVEL FASE ESTACIONÁRIA O gelo flutua na água líquida por que sua densidade é menor que a do líquido. Ao solidificar-se a água aumenta de volume. Existem vários modalidades de cromatografias, que são relacionadas à técnica empregada, ao mecanismo de separação e aos tipos de fase estacionaria utilizadas. Exemplo: Cromatografia em Papel; em coluna, Cromatografia Gasosa etc. 21 1.1.4 - Os estados físicos da matéria e suas características Ao nosso redor, a matéria é encontrada fundamentalmente em três estados físicos (Figura 1.3), que são: sólido, líquido e gasoso. Toda matéria é constituída de pequenas partículas, e seu estado físico é depende do espaço existente entre estas partículas, e quando uma substância muda de estado, sofre alterações nas suas características macroscópicas (volume, forma etc.) e microscópicas (arranjo das partículas), sendo que não há, contudo, alteração em sua composição. O sólido pode ser reconhecido pela sua forma rígida e um volume fixo que muda muito pouco com as variações de temperatura e de pressão. Os sólidos têm arranjo compacto em ordem regular. Os líquidos ou gases, átomos ou moléculas têm arranjo desordenado, ao acaso. As moléculas em um gás se movem com grande velocidade, colidindo umas com as outras e contra as paredes do recipiente. O aumento da temperatura faz aumentar os movimentos das moléculas ou átomos. 22 Figura 1.3: Esquema para a classificação da matéria 23 1.2 - ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM 1. Após alguma reflexão, dê duas razões pelas qual a disciplina de química lhe trará benefícios em sua carreira. 2. O que a ciência química procura estudar. 3. Defina (a) dados, (b) hipóteses, (c) leis e (d) modelo teórico. 4. Defina matéria e energia. Dentre as entidades seguintes, quais são exemplos de matéria? (a) ar, (b) um lápis, (c) um sanduíche de queijo, (d) um boi e (e) sua mãe. 5. Quais são os três estados da matéria? 6. Qual a diferença entre massa e peso? 7. Defina (a) energia cinética, (b) energia potencial. Quais os dois parâmetros que determinam a quantidade de energia cinética de um objeto? 8. Quais são os métodos de separação de uma substância? 9. Defina (a) mistura e (b) sistema. 10. Quais as etapas envolvidas na aplicação do método científico? 11. Quais são os estados físicos da matéria e como diferem uns dos outros? 12. Qual a diferença entre os termos “compostos” e “moléculas”? Atividade complementar: Atividade complementar 1. Marque no espaço ao lado de cada item se a propriedade sublinhada é uma propriedade física(pf) ou química (pq): (a) o ouro é um metal de cor amarela. ( ) (b) o alumínio metálico funde a 933 K ( ) (c ) o ferro é transformado em ferrugem na presença de ar e água. ( ). (d) manteiga derrete quando colocada no sol ( ). ( e) dinamite pode explodir ( ) (f) um fio de cobre é um bom condutor de eletricidade( ) (g) a lataria do carro de meu pai enferrujou muito rápido ( ). (h) clorofila, um pigmento vegetal é verde. ( ) 24 MASTERTON, W. L. et al. Princípios de Química. 6ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1990. BRADY, J. E. et al. Química: A matéria e sua transformações. V. 1. 3ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 2002. KOTZ, J. C. et al. Química Geral e Reações Químicas. V. 1. 4ª ed. São Paulo: Thomson; 2002. CHAGAS, A. P. Termodinâmica: química, métodos e aplicações. Campinas, SP; Editora da Unicamp, 1999:. COLLINS, C. H. Fundamentos de Cromatografia. Campinas, SP; Editora da Unicamp, 2006. http://dequi.faenquil.br/domingos/aula_1.pdf http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_qu%C3%ADmica ReferênciasBibliográficas Web-Bibliográfia 25 A sociologia e a Sociologia da Educação A sociologia e a Sociologia da Educação Resumo Para compreender as propriedades físicas e químicas dos elementos e seus compostos, é importante compreender a estrutura dos átomos. Neste sentido, o primeiro objetivo aqui, é esquematizar as teorias atuais sobre a distribuição dos elétrons nos átomos e alguns dos desenvolvimentos históricos importantes que deram origem a esta teoria. A partir dessas idéias você poderá compreender por que os átomos e os íons variam de tamanho e facilidade com que podem ganhar ou perder elétrons. Para que essas variações nas propriedades possam ser lembradas e desse modo previsões possam ser feitas, deveremos conduzir essa discussão do modo mais relacionado possível com o arranjo dos elementos na tabela periódica. Estrutura Atômica Estrutura Atômica Unidade 2Unidade 2 Sumario UNIDADE 2 – ESTRUTURA ATÔMICA 26 2.1 – A divisibilidade do átomo......................................... 28 2.2 – A estrutura atômica da matéria: átomos e partículas subatômicas ............................................ 28 2.3 – Atividades de aprendizagem ................................... 32 2.4 – Referências bibliográficas ....................................... 33 2.5 – Web-bibliografia ...................................................... 34 Provavelmente você já tenha “tomado um choque” ao encostar a mão em outra pessoa, ou ao tocar o trinco de uma porta, Isto geralmente ocorre em dias secos. Este fenômeno é o resultado do acumulo de cargas elétricas que são transferidas de um corpo para outro. Este fenômeno foi observado pela primeira vez pelo filosofo grego Tales de Mileto (640 - 546 a. C), que fazendo algumas experiências com âmbar, descobriu que esse material adquiria carga elétrica quando atritado contra um tecido, como seda ou lã. No final do século XVIII é que veio a explicação para esse fenômeno, a partir de experimentos realizados por Benjamin Franklin (1706 – 1790), estadista e inventor americano, que caracterizou as propriedades das cargas elétricas, a saber: ? Existem duas espécies de cargas elétricas, arbitrariamente chamadas de positivas (+) e negativas (-). ? Cargas de mesmo sinal se repelem, e cargas de sinal contrário se atraem. ? As cargas podem ser transferidas de um corpo para outro, por indução ou contato. 2.1 - A divisibilidade do átomo Durante muito tempo, o átomo foi considerado uma partícula indivisível, principalmente pelas teorias de Dalton, que durou até inicio do século XIX, sendo que a partir daí, uma serie de experimentos provaram a existência de partículas subatômicas. A partir de então, o átomo passou a ser considerado como divisível. 2.2 - A Estrutura atômica da matéria: átomos e partículas subatômicas Como já foi dito anteriormente, os átomos não são indivisíveis, como pensava Dalton. O conhecimento da estrutura interna dos átomos é importante para a compreensão das propriedades químicas e físicas dos elementos. A partir de experimentos, chegou-se a conclusão de que os átomos são compostos de três espécies principais de partículas subatômicas: prótons (p), neutros (n) e elétrons (e). As experiências mostraram também, que no centro do átomo deve existir uma estrutura muito pequena, e extremamente densa, Núcleo (prótons + nêutrons) eléteons Figura 2.1: Estrutura interna do átomo 28 denominada núcleo, lugar este, onde se encontram os prótons e nêutrons. E os elétrons? Hoje, sabe-se que os elétrons envolvem o núcleo, preenchendo o restante do volume atômico (Figura 2.1). Duas das partículas subatômicas têm carga elétrica. Os prótons apresentam uma unidade de carga positiva, uma das espécies de carga elétrica, e a outra, os elétrons, têm carga negativa, de mesmo módulo que a do próton. Os nêutrons, conforme o próprio nome sugere, não possuem carga elétrica. Números atômicos, números de massa e Isótopos O que faz com que um elemento seja diferente do outro é o número de prótons contido no átomo, pois todos os átomos de um mesmo elemento contêm o mesmo número de prótons. Mas o que isto significa? Isto significa que associado a cada elemento, tem- se um número atômico (Z). Característico, idêntico ao número de prótons de qualquer um de seus átomos. O número de massa (A) de um átomo é igual à soma do número de prótons (Z) com o número de nêutrons (N) do átomo, o que representa o número de núcleos (prótons e nêutrons) existentes no átomo. A = Z + N Por exemplo, um átomo de carbono (Z = 6) prótons e que tem 6 nêutrons (N = 7) tem um número de massa igual a 12 (A = Z + N = 6 + 6 = 12). O número de massa é representado em índice superior imediatamente antes do símbolo do átomo. Assim, neste caso temos O (Z) e o número de massa (N) podem- se representar conjuntamente, assim, temos: Um de Carbono (C), elemento de 6 (Z = 6), que tenha número de massa 12 (A = 12), representa-se da seguinte forma: número atômico átomo número atômico C126 Alguns átomos do mesmo elemento podem ter diferente número de nêutrons, o número atômico é igual, mas o número de massa pode ser diferente. Quando isto acontece esses átomos são isótopos desse elemento. Isótopos são átomos de um mesmo elemento que apresentam o mesmo número de prótons e diferentes números de massa. Número atômico, é igual ao número de prótons Z = P C13 E representa um átomo qualquer EAZ 29 O peso atômico de um elemento ou peso molecular de um composto pode ser especificado com base em uma (unidade de massa atômica), por átomo(molécula) ou massa por mol de material. 23Em um mol de uma de uma substância existem 6,023x10 , (número de Avogadro) átomos ou moléculas. 1 uma/átomo(molécula) = 1 g/mol. Por exemplo: o peso atômico do ferro é de 55,85 uma/átomo ou 55,85 g/mol. Elétrons nos átomos. Modelos atômicos No final do século dezenove, muitos experimentos envolvendo elétrons não eram explicados pela mecânica clássica. Muitas investigações foram feitas, que levaram ao estabelecimento de uma série de princípios e leis que culminaram na conhecida mecânica quântica. Nesta busca, um dos precursores da mecânica quântica foi o Bohr, com seu modelo atômico quântico (Figura 2.2). No seu modelo Bohr estabeleceu que os elétrons no átomo circulavam ao redor do núcleo em órbitas circulares fixas e distintas. No modelo de Bohr o princípio quântico foi o foco, onde as energias dos elétrons são quantizadas; isto é, os elétrons possuem valores de energias específicos e finitos, e estando o elétron em um nível de energia qualquer pode mudar de nível, mas ao fazer um salto quântico para um nível mais elevado (com absorção de energia), ou para um nível permitido mais baixo(com emissão de energia). Assim, Bohr combinou o postulado de quantização de energia com as leis de movimento da física clássica e mostrou que a energia de um elétron na n-ésima órbita do átomo de H pode ser calculada pela equação: 2n Rhc Onde, R é constante de proporcionalidade ou constante de Rydberg, h á a constante de Planck e c é a velocidade da luz. A cada órbita permitida está associado um número adimensional n, inteiro com valores 1, 2, 3, ....... Por fim, o modelo de Bohr foi considerado muito limitado, pois não permitia explicar vários fenômenos relativos aos e são isótoposC126 C 13 6 O termo “massa atômica” é mais preciso do que “peso atômico” uma vez que lidamos com massa e não com peso. Figura 2.2: Níveis de energia no modelo atômico de Bohr. Extraído do livro Q u í m i c a e r e a ç õ e s químicas de John C. Kotz. 30 elétrons no átomo. Surgiu então o modelo mecânico ondulatório, que encara o elétron como uma onda e comouma partícula. Teoria Quântica 1900 – Max Planck A energia não é absorvida nem emitida de modo contínuo e sim em pequenas quantidades ou pacotes denominadas de quantum ou fóton de energia E. E = h.f ou E = f f λ hc Trabalhando com o espectro de absorção do hidrogênio temos: O momento angular do elétron é então: rvm .. pi2 .hn = Onde "n" pode assumir valores inteiros: são os Níveis de energia. OBS: Toda teoria de Bohr é válida para átomos hidrogenóides (que apresentam apenas 1 elétron) Números Quânticos. Considerando a mecânica ondulatória, neste modelo cada elétron no átomo é caracterizado por quatro parâmetros, chamados de números quânticos. O tamanho, a forma e a orientação espacial da densidade de probabilidade de um elétron são descritas por três desses números quânticos. A saber. NÚMERO QUÂNTICO PRINCIPAL (n) número quântico principal que pode assumir valores inteiros a partir da unidade: n = 1, 2, 3, 4,......, Es número determina o número de camadas ou níveis de energia. As camadas são designadas pelas letras K, L, M, N, O....que correspondem aos números 1, 2, 3, 4, 5,...... Este número quântico está associado ao número de órbitas de Bohr e está relacionado à distância do elétron ao núcleo. NÚMERO QUANTICO SEGUNDÁRIO (l) corresponde a subcamada, e está relacionado à forma da subcamada sendo representado por letras minúsculas, que são: s, p, d, f, g.... Os Número quântico (l) 0 1 2 3 Tipo de subnível s p d f 31 valores correspondentes a elas e que são permitidos para l são: l=0, 1, 2, 3, ...(n-1). NÚMERO QUÂNTICO MAGNÉTICO (m). Este número está l associado as estados magnéticos de cada elétron das subcamadas. Cada subnível contém um ou mais orbitais, designados pelo número quântico, m. Este número quântico nos l dia como a nuvem eletrônica que cerca o núcleo está direcionado no espaço. O valor de m está relacionado com l. Para um valor de l, l m pode assumir qualquer valor inteiro incluindo 0, entre + l e - l, isto l é, m = l, ..., +1, 0, ..., -ll NÚMERO QUÂNTICO MAGNÉTICO DO SPIN (m ) está S relacionado ao momento de spin, resultante do movimento de rotação do elétron sobre seu próprio eixo. Os valores do spin são +1/2 e -1/2. O número quântico m foi introduzido com o objetivo de s tornar a teoria coerente com o experimento. Nesse sentido, ele difere dos três números quânticos anteriores, que são originários da solução da equação de onda de Schrödinger para o átomo de hidrogênio. 2.3 - ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM 1. O modelo moderno da estrutura do átomo é fruto de muitas experiências. Dê pelo menos três destas experiências, os resultados atingidos e os pesquisadores que as realizaram. 2. Quais as três partículas fundamentais que constituem os átomos? Quais as respectivas cargas elétricas? Quais, entre elas, constituem o núcleo do átomo? Qual das três tem a menor massa? 3. Qual a diferença entre o número de massa e o número atômico de um átomo? 4. Se o núcleo de um átomo tivesse o tamanho de uma laranja (digamos 6 cm de diâmetro), qual seria o diâmetro do átomo? 5. Por que a existência dos isótopos não afeta a validade aparente da teoria atômica? Figura 2.3: Em alguns casos, o elétron comporta-se como se fosse uma partícula esférica girando em torno de seu eixo. Há uma analogia entre o alinhamento dos spins eletrônicos e o alinhamento de imãs (na parte superior). Em um orbital, o arranjo mais estável é aquele no qual dois elétrons possuem spins opostos (em baixo, à direita). Figura extraída da ref. Princípios de Química de Masterton 32 MASTERTON, W. L. et al. Princípios de Química. 6ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1990. BRADY, J. E. et al. Química: A matéria e sua transformações. V. 1. 3ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 2002. KOTZ, J. C. et al. Química Geral e Reações Químicas. V. 1. 4ª ed. São Paulo: Thomson; 2002 http://dequi.faenquil.br/domingos/aula_2.pdf http://dequi.faenquil.br/domingos/aula_3.pdf http://www.arauto.uminho.pt/pessoas/lanceros/Material%20EAM/Mate rial%20-20EAM/Intro%20radia%C3%A7%C3%A3o%20EM.pdf http://www.fabianoraco.oi.com.br/download/apostilas/ensinomed io/teoria_1_Estrutura%20Atomica.pdf Referências Bibliográficas Web-Bibliográfia 33 A sociologia e a Sociologia da Educação A sociologia e a Sociologia da Educação Resumo Uma das maneiras mais antigas de procurar entender a natureza é pela classificação. Ela está presente nas várias ciências e, na química, aparece sobre diversas formas. Toda classificação se apóia em um conjunto de caracteres, propriedades ou comportamentos que são semelhantes àquela classe. Neste capítulo vamos estudar a tabela periódica que traz a classificação dos elementos químicos segundo a sua configuração eletrônica, que depende diretamente do número atômico do elemento químico. Tabela periódica dos elementos químicos é a disposição sistemática dos elementos, na forma de uma tabela, em função de suas propriedades. É muito útil para se prever as características e tendências dos átomos. Permite, por exemplo, prever o comportamento de átomos e das moléculas deles formadas, ou entender porque certos átomos são extremamente reativos enquanto outros são praticamente inertes etc. Permite entender propriedades como eletronegatividade, raio iônico, energia de ionização, afinidade eletrônica, etc. Tabela Periódica Tabela Periódica Unidade 3Unidade 3 Sumario UNIDADE 3 - TABELA PERIÓDICA 39 3.1 – Histórico .................................................................. 36 3.2 - Apresentação da tabela periódica ........................... 36 3.3 - Períodos .................................................................. 37 3.4 - Grupos ..................................................................... 37 3.5 - Classificação dos elementos ................................... 37 3.6 - Propriedades periódicas dos elementos .................. 40 3.7 - Atividades de aprendizagem .................................... 40 3.8 - Referências bibliográficas......................................... 49 3.9 - Web-bibliografia ....................................................... 49 3.1 – Histórico 3.2 - Apresentação da tabela periódica A tabela periódica de forma longa apresenta 9 colunas chamadas grupos ou famílias (fileiras verticais) e 7 linhas denominadas de períodos (fileiras horizontais), pois muitas propriedades variam periodicamente com o crescimento do número atômico. Na tabela periódica, os elementos com configuração eletrônica semelhante constituem os grupos (colunas). Exemplos: 1? Metais alcalinos [gás nobre] ns 2? Metais alcalino-terrosos [gás nobre] ns 2 4? Calcogênios [gás nobre] ns np 2 5? Halogênios [gás nobre] ns np Vários cientistas procuravam agrupar os átomos de acordo com algum tipo de semelhança, mas o químico russo Dmitri Ivanovich Mendeleyev foi o primeiro a conseguir enunciar cientificamente a lei que diz que as propriedades físicas e químicas dos elementos são em função periódica da massa atômica. Ele publicou a tabela periódica em seu livro Princípios da Química em 1869, época em que eram conhecidos apenas cerca de 60 elementos químicos. Em 1913, através do trabalho do físico inglês Henry G. J. Moseley, que mediu as freqüências de linhas espectrais específicas de raios X de um número de 40 elementos contra a carga do núcleo (Z), pôde-se identificar algumas inversões na ordem correta da tabela periódica, sendo, portanto, o primeiro dos trabalhos experimentais a ratificar o modelo atômico de Bohr. O trabalho de Moseley serviu para dirimir um erro em que a Química se encontrava na época por desconhecimento: até então os elementos eram ordenados pelamassa atômica e não pelo número atômico. A tabela moderna é ordenada segundo o número atômico, propriedade não-periódica, baseada nos trabalhos de Moseley. 36 A tabela periódica relaciona os elementos em linhas chamadas e colunas chamadas ou famílias, em ordem crescente de seus números atômicos. 3.3 - Períodos Os elementos de um mesmo período têm o mesmo número de camadas eletrônicas, que corresponde ao número do período. Existem sete períodos, cada um correspondendo a uma das camadas eletrônicas da eletrosfera/nuvem-eletrônica. Os períodos são: l(1ª) Camada K l(2ª) Camada L l(3ª) Camada M l(4ª) Camada N l(5ª) Camada O l(6ª) Camada P l(7ª) Camada Q 3.4 - Grupos Antigamente, chamavam-se "famílias". Os elementos do mesmo grupo têm o mesmo número de elétrons na camada de valência (camada mais externa). Assim, os elementos do mesmo grupo possuem comportamento químico semelhante. Existem 18 grupos sendo que o elemento químico hidrogênio é o único que não se enquadra em nenhuma família e está localizado em sua posição apenas por ter número atômico igual a 1, isto é, como tem apenas um elétron na última camada, foi colocado no Grupo 1, mesmo sem ser um metal. 3.5 - Classificações dos elementos Dentro da Tabela Periódica, os elementos químicos também lElementos representativos: pertencentes aos grupos 1, 2 e dos grupos de 13 a 17. períodos grupos podem ser classificados em conjuntos, chamados de séries químicas, de acordo com sua configuração eletrônica: 37 l l l l l l l Elementos (ou metais) de transição: pertencentes aos grupos de 3 a 12. Elementos (ou metais) de transição interna: pertencentes às séries dos lantanídeos e dos actinídeos. Gases nobres: pertencentes ao grupo 18. Além disso, podem ser classificados de acordo com suas propriedades físicas nos grupos a seguir: Metais; Semimetais ou metalóides (termo não mais usado pela IUPAC: os elementos desse grupo distribuíram-se entre os metais e os ametais). Ametais (ou não-metais); Gases nobres; 1Metais alcalinos, metais alcalinos-terrosos, metais de transição, actinídios e lantanídios são conhecidos coletivamente como "Metais". 2Actinídios e lantanídios são conhecidos coletivamente como "Metais-terrosos raros". 3Halogêneos e gases nobres também são não-metais. aqueles com o em são gases nas CNTP; aqueles com o número atômico em são líquidos nas ; aqueles com o número atômico em preto são sólidos nas . l l l número atômico azul CNTP CNTP vermelho 38 Ocorrência natural CLASSIFICAÇÃO PERÍÓDICA o oPeríodos são as sete filas horizontais da Tabela Periódica; 1 , 2 , o o o o o3 , 4 , 5 , 6 , 7 . Reúnem elementos com configurações eletrônicas diferentes, portanto, com propriedades diferentes. Famílias ou grupos são as dezoito colunas verticais da Tabela Periódica. Reúnem elementos com configurações eletrônicas semelhantes, portanto, com propriedades semelhantes. Elementos representativos são aqueles cujo subnível de maior energia de seus átomos é s (bloco s) ou p (bloco p). l (elemento primordial). lBorda tracejada indica que o elemento surge do decaimento de outros. lBorda sólida indica que o elemento é produzido artificialmente (elemento sintético). lA cor mais clara indica elemento ainda não descoberto. Sem borda indica existência de isótopo mais antigo que a Terra Bloco s Grupos 1 e 2 Bloco p Grupos 13, 14, 15, 16, 17 e 18 Elementos de transição são aqueles cujo subnível de maior energia de seus átomos é d. Constituem o bloco d, os Grupos 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11 e 12 Elementos de transição interna são aqueles cujo subnível de maior energia de seus átomos é f. Constituem o bloco f, os lantanídios (Z = 57 e Z = 71) e os actinídeos (Z = 89 a Z = 103). O átomo de um elemento localizado no enésimo (nº) período tem seus elétrons distribuídos em n níveis de energia. Exemplo: elementos do 5º período têm os elétrons de seus átomos distribuídos em 5 níveis de energia. 39 FAMÍLIAS DO ELEMENTOS REPRESENTATIVOS 1 Metais alcalinos: Li Na K Rb Cs Fr 2 Metais alcalino- terrosos: Be Mg Ca Sr Ba Ra 13 Família do boro B Al Ga In Tl 14 Família do carbono: C Si Ge Sn Pb 15 Família do nitrogênio: N P As Sb Bi 16 Calcogênios: 0 S Se Te Po 17 Halogênios: F Cl Br I At 18 Gases nobres: He Ne Ar Kr Xe Rn 1 2 13 14 15 16 17 18 1 2 3 4 5 6 7 8 Número de elétrons na camada de valência s 1 s2 s2p1 s2p2 s2p3 s2p4 s2p5 s2p6 3.6 - PROPRIEDADES PERIÓDICAS DA TABELA Raio Atômico O raio atômico de um elemento é definido como a meia distância entre dois centros de átomos vizinhos. O raio atômico geralmente aumenta com o período e decresce com o aumento do número do grupo. Quanto maior for o período do elemento maior será à distância do último elétron até o núcleo. Desta forma este elétron encontra-se mais "solto", aumentando o tamanho do raio. Apesar de parecer estranho o tamanho do raio diminuir com o aumento do número atômico, é isto o que realmente acontece. Os elétrons vão sendo alocados nos mesmos subníveis em que já se encontram os elétrons presentes. Com o aumento da carga do núcleo a atração sobre os elétrons tende a ser maior. O raio atômico cresce conforme abaixo: 40 Raio Iônico →É formado quando um átomo perde ou ganha elétrons, formando um cátion ou ânion. O Raio do Cátion é sempre menor que o raio do átomo de origem. O Raio do Ânion é sempre maior que o raio do átomo de origem. Problemas com os valores dos raios iônicos: Não há fórmula universal aceita para dividir a distância entre dois + -íons diferentes: Ex: NaCl (Na ) e (Cl ). Histórico: (Goldschmidt , Pauling e Ahrens) ; Mais Recente: (Shannon em 1976). Correção dos valores dos raios, por mudança do valor da carga. Correções para a mudança do número de coordenação e para a mudança de geometria. Suposições que os íons sejam esféricos. Em elétrons no orbital "d", muito deslocalizados, ocorrem mudanças nos raios. Tendências observadas nos raios iônicos Nos grupos representativos o raio iônico aumenta de cima para baixo.(Aumento do número de camadas). Nos períodos o raio iônico aumenta da direita para esquerda [Aumento da carga nuclear efetiva (Z )]efetiva 2+Para um mesmo íon. Ex: Íon Crômio (Cr ), O raio iônico d iminu i a medida que a va lênc ia aumenta. Ex: 2+ 3+ 4+ 5+ 6+rCr >rCr >rCr >rCr >rCr . Os orbitais (d e f) blindam com menor eficiência a carga nuclear. Logo a carga nuclear efetiva exerce uma forte atração sobre a eletrosfera, ocorrendo diminuição significativa no tamanho dos íons. 41 Eletronegatividade ou Caráter não Metálico A escala de eletronegatividade é uma escala arbitrária que representa a força do átomo para atrair elétrons. Ela se estende do césio, com eletronegatividade 0,7 até o flúor, com 4,0. A eletronegatividade não é um valor absoluto, mas sim relativo. Assim, a eletronegatividade de um elemento só é definida em termos de eletronegatividade de outros elementos. Diversas escalas foram sugeridas, incluindo as de R. S. Mullinken, L. Pauling e R.T. Sanderson. A escala de Pauling, a mais antiga, surgiu da consideração das energias necessárias para romper as ligações químicas nas moléculas. A eletronegatividade aumenta com a diminuição do tamanho atômico, tanto para elementos do mesmo período como para do mesmo grupo. Deve-se observar também que a eletronegatividade cresce com o aumento do número de elétrons de valência para os metais do Grupo I, II e III. Entre os aspectos úteis do conceito de eletronegatividade, está a oportunidade que ela nos proporciona para predizer certas propriedades químicas dos elementos.Podemos predizer o caráter de uma ligação química observando a diferença dos valores de eletronegatividades dos elementos: O valor da eletronegatividade cresce na tabela periódica de acordo com esquema: Eletroafinidade Eletroafinidade é a quantidade de energia liberada por um átomo no estado gasoso, ao ganhar elétron. Os átomos com afinidade eletrônica elevada têm a tendência de ganhar um ou mais elétrons, adquirindo estabilidade, ou seja, a configuração eletrônica dos gases nobres. Quando um átomo neutro ganha um elétron, ele se transforma num ânion monovalente aniônico. Nos períodos, a eletronegatividade aumenta à medida que o número 42 atômico cresce, enquanto que, nas famílias, a eletroafinidade aumenta à medida que o número atômico diminui. Portando, quanto menor for o tamanho do átomo, maior será a sua afinidade eletrônica. Os gases nobres devem ser excluídos dessa propriedade, porque eles não têm tendência de ganhar elétrons. Dessa forma, na tabela periódica, a eletroafinidade aumenta: Afinidade Eletrônica É a energia liberada quando um elétron é adicionado a um átomo gasoso neutro. Obs.: Geralmente um elétron é acrescentado. ÄH < 0(Liberação de Energia) e ÄH > 0(Absorção de Energia) A afinidade eletrônica depende do tamanho do átomo e da carga nuclear efetiva. Os valores negativos das afinidades eletrônicas indicam que essa quantidade de energia é liberada quando um átomo recebe elétrons. Densidade A densidade de um corpo é a razão entre a massa deste e seu correspondente volume. De todos os elementos químicos os mais densos são: ósmio (Os), irídio (Ir) e platina (Pt). Estes elementos estão situados bem no centro e na parte de baixo da tabela, família 8B. 43 A densidade dos elementos aumenta da seguinte forma: Eletropositividade Eletropositividade é a tendência de perder elétrons, apresentada por um átomo. Quanto maior for seu valor, maior será o caráter metálico. Os átomos com menos de quatro elétrons de valência, metais em geral, possuem maior tendência em perder elétrons logo, possuem eletropositivade elevada. Um aumento no número de camadas diminui a força de atração do núcleo sobre os elétrons periféricos, facilitando a perda de elétrons pelo átomo e, consequentemente, aumentando a sua eletropositividade. Os gases nobres são excluídos, pois não têm tendência em perder elétrons. Desta forma nos períodos a eletropositividade cresce da direita para a esquerda e nas famílias de cima para baixo: Energia de Ionização A energia de ionização é a energia necessária para remover um elétron de um átomo na fase gasosa. Para a primeira energia, 1ª, começa-se pelo átomo neutro. A segunda energia de ionização, 2ª, de um elemento é a energia requerida para remover um elétron de um cátion monovalente na fase gasosa. Os valores mais baixos ocorrem na parte inferior esquerda, ou seja, o césio é o elemento que tem mais facilidade em formar cátions. E os valores mais altos ocorrem na parte superior direita da tabela, 44 podemos citar como exemplo o flúor e o hélio. Elementos com uma baixa energia de ionização formam cátions de maneira mais rápida, além de conduzirem eletricidade em suas formas sólidas. Elementos com alta energia de ionização não formam cátions e não conduzem eletricidade. A energia de ionização decresce com o aumento do grupo, pois o elétron mais periférico ocupa um orbital que é mais longe do núcleo e, conseqüentemente, é menos "preso". A carga nuclear efetiva aumenta conforme vamos da direita para a esquerda em um dado período. Como resultado, o elétron mais afastado do núcleo é puxado com mais força, e a energia de ionização geralmente aumenta. Algumas anomalias nessas regras podem ser facilmente creditadas a repulsões entre elétrons que estão ocupando o mesmo orbital. Os valores das energias de ionização têm sempre a seguinte ordem: 1ª<2ª<3ª<...<nª A energia de ionização cresce na tabela periódica de acordo o esquema abaixo: Determinação da Energia de Ionização: ? A partir de dados Espectroscópicos. ? Medidos em kJ/mol. Primeira Energia de Ionização + - M M + 1e + -Ex: Mg Mg + 1e (E = 737 kJ/mol)i1 Segunda Energia de Ionização + 2+ - M M + 1e + 2+ -Ex: Mg Mg + 1e (E = 1.450 kJ/mol)i2 45 Terceira Energia de Ionização 2+ 3+ - M M + 1e 2+ 3+ -Ex: Mg Mg + 1e (E = 7.731 kJ/mol)i3 Fatores que influenciam nas energias de ionização são: Tamanho do Átomo A carga do Núcleo A eficiência com que os níveis eletrônicos internos blindam a carga nuclear. O tipo de elétron envolvido (s,p,d e f). Observações 1.Com o aumento da carga nuclear efetiva é muito mais difícil a retirada de elétrons. 2.Energia de ionização varia na ordem: (s>p>d>f) e (E <E <E )i1 i2 i3 3.Variações na 1º Energia de ionização dos elementos são mostrados na figura 02 4. Os gases nobres: He, Ar, Kr, Xe e Rn possuem as mais elevadas energias de ionização em seus respectivos períodos. 5. Os metais do grupo 1:Li,Na,K,Rb,Cs apresentam as menores energias de ionização em seus respectivos períodos 6.Há uma tendência geral de um aumento da energia de ionização dentro de um período, por exemplo Li ao Ne, do Na ao Ar. Figura 3.1. Variação do da energia de ionização. Ionização versus número atômico. 46 Tabela 01 - Energias de Ionização para os elementos do grupo- 3 em (kJ/mol) Grupo-3 1º Ei 2º Ei 3º Ei B 801 2.427 3.659 Al 577 1.816 2.744 Ga 579 1.979 2.962 In 558 1.820 2.704 Tl 589 1.971 2.877 Estruturas Eletrônicas com estabilidade especial Nível "s" preenchido Nível "p" semi preenchido Nível "p" preenchido ? (Estrutura de Gás Nobre) l l l Volume Atômico Volume atômico é o volume ocupado por um mol de átomos de um elemento, no estado sólido. Um mol de átomos possui 236,02X10 átomos. Este valor é fixo, sendo conhecido como Número de Avogadro. Podemos também dizer que: 1 mol de 23moléculas possui 6,02X10 moléculas 1mol de íons possuí 236,02X10 íons. Na tabela periódica o volume atômico aumenta: 47 Ponto de Fusão e Ebulição Como todos sabem, ponto de fusão é a temperatura na qual a substância passa do estado sólido para o líquido e ponto de ebulição é a temperatura da passagem do líquido para o gasoso. Na tabela periódica o ponto de fusão e o ponto de ebulição aumentam: 3.7 ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM 1. Em que baseou Mendeleev para construir sua tabela periódica? Qual a base para a disposição dos elementos na tabela periódica moderna? 2. Com referência à tabela periódica, o que é um “período”? e um “grupo”? 3. Por que existiam lacunas natabela periódica de Mendeleev? 4. Entre os não-metais, quais são os gases monoatômicos (gases cujas moléculas são formadas por um só átomo)? 5. Que propriedades físicas permitem distinguir os metalóides dos metais e dos não-metais? 6. Faça um esboço da tabela periódica e assinale as áreas onde 48 MASTERTON, W. L. et al. Princípios de Química. 6ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1990. BRADY, J. E. et al. Química: A matéria e sua transformações. V. 1. 3ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 2002. KOTZ, J. C. et al. Química Geral e Reações Químicas. V. 1. 4ª ed. São Paulo: Thomson; 2002 LEE, J.D, Química Inorgânica não tão Conciso, 5ª ed. Editora Edgard Blucher Ltda, (1999); http://www.cdcc.sc.usp.br/quimica/tabelaperiodica/tabelaperiodi ca1.htm http://www.cdcc.sc.usp.br/quimica/tabela_apres.html http://www.tabela.oxigenio.com/ http://pt.wikipedia.org/wiki/Tabela_peri%C3%B3dica http://www.quiprocura.net/tabelas.htm http://pt.wikipedia.org/wiki/Elemento_qu%C3% ADmico Gruda, Ricardo, Tabela Periódica Versão 2.8. Acesso em <http://www.srik.8k.com>, Data: 30 de Outubro de 2003 às 13:40hs.Referências Bibliográficas Web-Bibliográfia 49 A sociologia e a Sociologia da Educação A sociologia e a Sociologia da Educação Resumo Você aprendeu no Capitulo 2 que o nosso entendimento da estrutura eletrônica dos átomos evoluiu. Por exemplo, o modelo atômico de Bohr foi o primeiro a oferecer uma explicação convincente para o espectro atômico d hidrogênio. Entretanto, a ineficiência do modelo para explicar o espectro de átomos mais complexos levou a sua substituição por outra teoria, chamada de mecânica ondulatória. Ao tratar o elétron como uma onda, os cientistas puderam deduzir uma descrição totalmente nova de matéria q u e n o s fornece a configuração eletrônica dos átomos e explica as variações periódicas das propriedades dos átomos como tamanho, energia de ionização e afinidade eletrônica. Com este conhecimento da estrutura eletrônica dos átomos, demos aprender agora como eles se combinam para formar compostos, através da formação de ligações químicas – as forças de atração que mantêm os átomos unidos. Assim como a estrutura eletrônica, os modelos de ligação química também evoluíram e neste capitulo veremos uma simples introdução as teorias de ligação. Ligações Químicas Ligações Químicas Unidade 4Unidade 4 Sumario UNIDADE 4 - LIGAÇÕES QUÍMICAS 50 4.1 - Ligações iônicas: formação da ligação iônica .......... 53 4.2 - Ligações covalentes ................................................ 54 4.3 - Exceções à regra do octeto ..................................... 57 4.4 - Relação entre ligações iônicas e ligações covalentes ............................................................... 58 4.5 - As forças e os comprimentos das ligações covalentes................................................................. 61 4.6 - Atividades de aprendizagem..................................... 61 4.7 - Referências bibliográficas......................................... 62 4.8 - Web-bibliografia........................................................ 62 É impossível se pensar em átomos como os constituintes básicos da matéria sem se pensar em ligações químicas. Afinal, como podemos explicar que porções tão limitadas de matéria, quanto os átomos, possam formar os corpos com que nos deparamos no mundo macroscópico do dia-a-dia. Também é impossível se falar em ligações químicas sem falarmos em elétrons. Afinal, se átomos vão se unir uns aos outros para originar corpos maiores, nada mais sensato do que pensar que estes átomos entrarão em contato entre si. Quando dois átomos entram em contato, o fazem a través das fronteiras das suas eletrosferas, ou seja, de suas últimas camadas. Isso faz pensar que a última camada de um átomo é a que determina as condições de formação das ligações químicas. A ligação química é uma junção de dois átomos. Forma- se uma ligação química entre dois átomos se o arranjo resultante dos dois núcleos e seus elétrons tem menos energia do que a energia total dos átomos separados. Se o abaixamento de energia pode ser obtido pela transferência completa de um ou mais elétrons de um átomo para o outro, formam-se os íons, e o composto se se mantém formado pela atração eletrostática entre os íons. Este tipo de ligação é chamado de ligação iônica. O sódio e o cloro, por + -exemplo, se ligam porque os íons Na e Cl quando se formam têm, quando juntos, energia menor do que a dos átomos separados de sódio e cloro. Se a diminuição de energia pode ser atingida pelo compartilhamento de elétrons, os átomos unem-se por uma ligação covalente para formar moléculas. Por exemplo, átomos de hidrogênio e nitrogênio ligam-se para formar amônia, NH , 3 porque um gás formado por moléculas de NH tem energia mais 3 baixa do que um gás formado pelo mesmo número de átomos de hidrogênio e nitrogênio, afastados um do outro. O outro tipo de ligação é a ligação metálica, na qual, cátions em grande número são mantidos juntos por número grande elétrons. Um pedaço de ferro, por exemplo, é feito a partir de conjunto de íons ferro mantido juntos por um mar de elétrons, sendo que cada um dos elétrons vem de um átomo da amostra. 52 4.1 - LIGAÇÕES IÔNICAS: formação da ligação iônica A ligação iônica é conseqüência da atração eletrostática entre íons com cargas opostas. Na ligação iônica há a formação de íons devido a transferência de elétrons de um átomo para o outro. Normalmente, nesta ligação, existe um elemento que tende a ceder elétrons (metal - cátion), e outro que tende a receber elétrons (não metal - ânion). Muita atenção, A ligação iônica é a única em que ocorre a transferência de elétrons. Exemplo. A configuração eletrônica do Sódio e do Cloro segundo o diagrama de Linus Pauling é: 2 2 6 1 2 2 6 2Na 1s 2s 2p 3s e Cl 1s 2s 2p 3s 3p511 17 este elétron para que ele fique estável com 8 elétrons na 2ª O sódio possui 1 elétron na última camada. Basta perder este elétron. O cloro possui 7 elétrons na última camada. É bem mais fácil ele receber 1 elétron e ficar estável do que perder 7 elétrons para ficar estável. Agora tudo caminha para a perfeição. O sódio quer doar 1 elétron e o cloro quer receber 1 elétron. Eles se aproximam e o sódio doa seu elétron e o cloro o recebe, conforme o esquema abaixo: Na Cl Na Cl + _ 78 7 kJ .m ol -1 14 5 kJ .m ol -1 NaCl En er gi a A energia necessária para a formação da ligação iônica é fornecida, em sua maior parte, pela atração coulômbica entre íons de cargas opostas. O modelo iônico é uma boa descrição da ligação entre não-metais e metais, particularmente no caso dos metais do Na Cl Na Cl+ _ Interação entre os íons È sabido, que íons de cargas contrários se atraem, e os de mesma carga se repelem. Mas como esse conceito é expresso? E como relacionar a força da interação com as cargas e o tamanho desses íons? Para isso, é preciso ter em mente, o conceito de energia da rede cristalina do sólido, isto é, a diferença entre as energias dos íons empacotados de um sólido e cós íons muito afastados de um gás. A energia da rede cristalina é sempre positiva. Mas você estar se perguntando, na prática qual o significado dessa energia? Uma energia da rede cristalina muito elevada significa que os íons interagem fortemente uns com os outros, para formar um sólido A interação entre os íons é expressa pela energia potencial de Coulomb entre dois íons: EP,12 = = e = carga elementar z e z = número de cargas sobre os átomos r = distancia entre os centros dos íons å = permissividade do 0 vácuo 120 21 4 ))(( r ezez piε 120 2 21 4 r ezz piε 2 12 1 53 fortemente ligado. Configuração eletrônica dos íons dos elementos principais È possível predizer as fórmulas mais prováveis dos compostos iônicos binários a partir da estrutura eletrônica de seus cátions e ânions. Quando um átomo de um metal do bloco s forma um cátion, ele perde um ou mis elétrons até atingir a estrutura de um gás nobre de seu caroço (a parte interna). Em geral, o caroço tem a 2 6configuração da camada mais externa igual a ns np , que é 1chamada de octeto de elétrons. Assim, o potássio ([Ar]4s ) forma + 2 6K , que tem configuração do argônio ([Ne]4s 4p ). Símbolos de Lewis Lewis criou uma forma simples de mostrar os elétrons de valência quando os átomos formam ligações iônicas. Ele representou cada elétron de valência como um ponto e os arranjou em torno do símbolo do elemento. Assim, um ponto representa um único elétron em cada orbital, e um par de pontos representa dois elétrons emparelhados compartilhando o orbital. Eis alguns exemplos: H He Li N O F 4.2 - LIGAÇÕES COVALENTES Como os não-metais não formam cátions monoatômicos,a natureza das ligações entre átomos de não-metais foi uma dor de cabeça para os cientistas até 1916, quando Lewis encontrou uma explicação. Lewis propôs que uma ligação covalente é um par de elétrons compartilhados por dois átomos. Tudo bem, mas qual a natureza da ligação covalente? Para explicar a ligação entre dois átomos de não-metais, a proposta de Lewis é que um par de elétrons é compartilhado pelos dois átomos, isto é, os elétrons interagem com dois núcleos (Figura 4.1) Figura 4.1: Par de elétrons compartilhados 54 Estrutura de Lewis Quando uma ligação iônica se forma, um átomo perde elétrons e outro os recebe até que ambos os átomos atinjam a configuração de um gás nobre. A mesma idéia pode ser estendida para às ligações covalentes. Entretanto, quando uma ligação covalente se forma, os átomos compartilham elétrons até atingir a configuração de um gás nobre. Lewis denominou este principio de regra do octeto. Segundo a regra do octeto, na formação de uma ligação covalente, se dá pelo compartilhamento de elétrons. O Nitrogênio, por exemplo, tem cinco elétrons de valência e utiliza mais três para formar o octeto. O flúor tem sete elétrons de valência e usa mais um para completar o octeto. O neônio já tem um octeto completo e não compartilha elétrons. Podemos usar os símbolos de Lewis, que vimos anteriormente, para descrever ligações covalentes como uma linha () para representar o par de elétrons compartilhado. Assim, a molécula de hidrogênio, formada por átomos de hidrogênio H é representada pelo símbolo HH. Um átomo de flúor tem sete elétrons de valência e utiliza mais um para completar o octeto. Isto pode acontecer pelo compartilhamento de um elétron fornecido por outro átomo como, por exemplo, um outro átomo de flúor: FF + F F FFou Os círculos desenhados em torno de cada átomo de F são para mostrar que cada átomo adquire um octeto pelo compartilhamento de um par de elétrons. A molécula de Flúor possui pares isolados de elétrons, isto é, pares de elétrons de valência que não participam diretamente das ligações. Os três pares isolados de cada átomo de flúor ligado repelem-se, e essa repulsão é quase suficiente para compensar a atração favorável do par ligante que mantém a molécula de F unida. Essa repulsão é uma das razões 2 da alta reatividade do gás flúor: a ligação entre os átomos da molécula de F é muito fraca. Dentre as moléculas diatômicas, 2 somente o H não em par isolado.2 A estrutura de Lewis de uma molécula os átomos por seus símbolos químicos, as ligações covalentes por linhas e os pares isolados por pares de pontos. As estruturas de Lewis ajudam muito 55 no entendimento das propriedades das moléculas, incluindo suas possíveis reações. Estrutura de Lewis de espécies poliatômicas Cada átomo em uma molécula poliatômica completa se octeto (ou dublete, no caso de hidrogênio) pelo compartilhamento de pares de elétrons com seus vizinhos mais próximos. Cada par compartilhado corresponde a uma ligação covalente e é representado por uma linha entre os dois. A estrutura de Lewis não retrata a forma da molécula, ela apenas indica que átomos se ligam e quais têm pares isolados. De acordo com o número de elétrons, é possível classificar os tipos de ligações. Um par de elétrons emparelhado é chamado de ligação simples. Dois átomos podem compartilhar dois ou três pares de elétrons. Quando dois pares de elétrons são compartilhados entre dois átomos, tem-se uma ligação dupla. Três pares de elétrons compartilhados formam uma ligação tripla. Uma ligação simples, como HH, é escrita H- H, em uma estrutura de Lewis. A ligação dupla como O::O, é escrita O=O. De modo semelhante, uma tripla ligação, como N:::N, é escrita NN. As ligações duplas e triplas são coletivamente chamadas de ligações múltiplas. Como no caso das ligações simples, cada linha representa um par de elétrons. Assim, uma ligação dupla envolve um total de que elétrons e, uma tripla ligação, seis elétrons. Com isso, é possível determinar a ordem de ligação, que o número de ligações que une um par específico de átomos. Logo, a ordem de ligação no H é 1, no O é 2 2 2 e no N é 3.2 Para escrever uma estrutura de Lewis, é necessário saber que átomos estão ligados entre si na molécula. Um átomo “terminal” liga-se somente a um átomo. Por exemplo, os H do metano (CH ). Um átomo “central” liga-se pelo menos a dois 4 outros, dois exemplos de átomo central é o átomo O da molécula de água (H O) e o C no metano (CH ). 2 4 56 Ressonância Algumas moléculas têm estrutura que não podem ser expressas corretamente por uma única estrutura de Lewis. Por -exemplo, o íon nitrato, NO , que é usado na forma de nitrato de 3 potássio, em fogos de artifício e fertilizantes. As três estruturas de Lewis possíveis para íon mostram que sua estrutura difere unicamente na posição da dupla ligação (estruturas I, II e III). As três estruturas são igualmente válidas e têm exatamente a mesma energia. Se somente uma delas fosse correta e as outras não, devíamos esperar duas ligações simples mais longa e uma ligação dupla mais curta, porque uma ligação dupla entre dois átomos é mais curta que uma ligação simples entre o mesmo tipo de átomos. Entretanto, a evidencia experimental é a ligações do íon nitrato são todas iguais, evidenciando que existe uma ressonância entre essas ligações. Mais o que ressonância? À ressonância é uma fusão de estruturas que têm o mesmo arranjo de átomos e arranjos diferentes e elétrons. Ela distribui o caráter de ligação múltipla sobre uma molécula e diminui sua energia. Carga formal Estruturas de Lewis diferentes, em geral, não contribui igualmente para o híbrido de ressonância. É possível decidir que estruturas contribuem mais efetivamente, pela comparação do número de elétrons de valência distribuídos por cada átomo da estrutura com o número de elétrons do átomo livre. Portanto, quanto menor for essa diferença, maior é a contribuição da estrutura para o hibrido de ressonância. A carga formal de um átomo em uma dada estrutura de Lewis é a carga que ele teria se as ligações fossem perfeitamente covalentes e o átomo tivesse exatamente a metade dos elétrons compartilhados das ligações. Em outras palavras, a carga formal leva em conta, o número de elétrons que um átomo “possui” na molécula. Ele “possui” todos os pares de elétrons isolados átomos e metade de cada par compartilhado. A diferença entre esse número e o número de elétrons de valência do átomo livre é a carga formal. Vejamos uma aplicação: O N O O _ O N O O _ O N O O _ I II III Carga formal = NV – (NI + NC) NV = Número de elétrons de valência NI = Número de elétrons presentes nos pares isolados NC = Número de elétrons compartilhados 2 1 57 Quais as estruturas mais prováveis para o dióxido de carbono, CO , (OCO ou COO) e monóxido de dinitrogênio, N O 2 2 (NNO ou NON)? Pelo cálculo da carga formal (Figura 4.2), descobre-se que as estruturas mais prováveis são: OCO para o CO e NNO para o 2 N O.2 4.3 - EXCEÇÕES À REGRA DO OCTETO A regra do octeto explica as valências dos elementos e as estruturas de muitos compostos. Cabono (C), nitrogênio (N) e Flúor (F) obedecem rigorosamente à regra do octeto, desde que existam elétrons disponíveis em número suficiente. Entretanto, átomos como fósforo (P), enxofre (S), Cloro (Cl) e outros não metais do período 3 e seguintes podem acomodar mais de oito elétrons na camada de valência. Mas como reconhecer as exceções à regra do octeto? Vejamos algumas exceções. Radicais Algumas espécies têm número impar de elétrons de valência, o que significa que pelo menos um de seus átomos não pode ter um octeto. Espécies que têm elétrons com spins não- emparelhados são chamadas de radicais. Os radicais têmimportância crucial para reações químicas que ocorrem na atmosfera superior, onde contribuem para a formação e decomposição do ozônio (O ). Os radicais têm também um papel 3 na nossa vida diária, muitas vezes negativo. Os danos causados pelos radicais podem ser retardados por um aditivo chamado de antioxidantes, que reagem rapidamente contra os radicais, antes que eles posam agir. Acredita-se que o envelhecimento é parcialmente à ação dos radicais, e que antioxidantes, como vitaminas C e E, podem retardar o processo. Camadas de valência expandidas A regra do octeto diz que oito elétrons preenchem a camada externa para atingir a configuração da camada de 2 6valência de um gás nobre ns np . Quando, entretanto, um átomo central de uma molécula tem orbitais d vazios, ele pode acomodar 10, 12 ou até mais elétrons. Os elétrons nessa camada de CO O OC O 0 0 0 -2 +2 0 NN O ON N -1 +1 0 -1 +2 -1 Figura 4.2: Calculo de carga formal 58 valência expandida podem estar como pares isolados ou podem ser usados pelo átomo central para formar ligações. Como os elétrons adicionais devem ser acomodados em orbitais de valência, somente os não metais do período 3 ou acima podem ter octetos expandidos. Os átomos desses elementos têm orbitais d vazios na camada de valência. Outro fator – possivelmente o mais importante – que determina de outros átomos, além dos permitidos pela regra do octeto, podem se ligar ao átomo central é o tamanho deste último. Por exemplo, um átomo de Fósforo (P) é grande o suficiente para que seis átomos de cloro se acomodem em torno dele. O PCl é um reagente 5 comum de laboratório. Um átomo de nitrogênio (N), porem, é muito pequeno, e o NCl é desconhecido. Um composto que contém 5 átomo com mais átomos ligados a ele do o permitido pela regra do octeto é chamado de composto hipervalente. Elementos que podem expandir sua camada de valência comumente mostram covalência variável, ou seja, a capacidade de formar números diferentes de ligações covalentes. O fósforo é um exemplo. Ele reage diretamente com uma quantidade limitada de cloro para formar um líquido tóxico incolor, o tricloreto de fósforo: P + 6 Cl 4 PCl4 (g) 2 (g) 3 (l) A estrutura do PCl é mostrada na Figura 4.3. Pode se ver que ela 3 obedece à regra do octeto. Entretanto, quando PCl reage com 3 excesso de cloro (Figura 4.4), produz-se o pentacloreto de fósforo (Figura 4.5). 4.4 - Relação entre ligações iônicas e ligações covalentes As ligações iônicas e covalentes são dois modelos extremos da ligação química. A maior parte das ligações tem caráter duplo, parte iônica e parte covalente. Quando descrevemos a ligação entre não-metais, a ligação covalente é um bom modelo. Quando um metal e um não-metal estão presentes em um composto simples, a ligação iônica é um bom modelo. Em muitos compostos, entretanto, as ligações parecem ter propriedades entre esses dois modelos extremos. Será que podemos descrever essas ligações mais acuradamente P Cl ClCl Figura 4.3: Tricloreto de fósforo Cl P Cl Cl Cl ClCl P Cl ClCl Cl + _ (a) PCl4+ (b) PCl6- Figura 4.4: íon Pentacloreto de fósforo, PCl5 (g) Cl P Cl Cl ClCl Figura 4.5: Molécula do pentacloreto de fósforo, PCl5 (g) 59 aperfeiçoando os dois modelos fundamentais? Correção do modelo covalente: eletronegatividade Todas as ligações podem ser vistas como híbridos de ressonância estruturas puramente covalentes e puramente iônicas. Assim, a estrutura da molécula Cl pode ser descrita como 2 Cl Cl Cl Cl Cl Cl +_ _+ Neste caso, as estruturas iônicas contribuem muito pouco para o híbrido de ressonância e podemos descrever a ligação como quase puramente covalente. Além do mais, as duas estruturas iônicas têm a mesma energia e contribuem igualmente para o hibrido e a carga média de cada átomo é zero. Entretanto, uma molécula composta de elementos diferentes, como HCl, a ressonância H Cl + _ _ +H ClHCl tem contribuições diferentes das duas estruturas iônicas. A estrutura iônica de menor energia é H+Cl-. Como o átomo de cloro tem afinidade eletrônica maior do que o hidrogênio, a estrutura com uma carga negativa no átomo Cl contribui mais efetivamente do que H-Cl+.Como resultado, existe uma pequena carga negativa residual no átomo Cl e uma pequena carga positiva residual no átomo H. As cargas nos átomos são chamadas de cargas parciais. Mostramos que existe cargas parciais sobre os átomos escrevendo . Uma ligação em que contribuições iônicas para a ressonância resultam em cargas parciais é chamada de ligação covalente polar. Todas as ligações entre átomos diferentes, são, até certo ponto, polares. As ligações de moléculas diatômicas homonucleares (do mesmo elemento) e íons são não-polares. Os dois átomos de uma ligação covalente polar formam um dipolo elétrico, uma carga parcial positiva próxima de uma carga parcial igual, porém negativa. Um dipolo é representado por uma seta que aponta para a carga parcial negativa (Figura −+ − δδ ClH A eletronegatividade é uma medida do poder de atração de um átomo sobre um par de elétrons de uma ligação. Uma ligação covalente polar é uma entre dois átomos com cargas elétricas parciais provenientes da diferença de eletronegatividade. Cargas parciais dão origem a um momento de dipolo elétrico. −δ +δ Figura 4.6: Momento dipolo 60 4.6). O tamanho de um dipolo elétrico – que é uma medida da magnitude das setas parciais – é chamado de momento de dipolo elétrico, (letra grega um) em unidades denominadas debye. Correção do modelo iônico: Polarizabilidade Todas as ligações iônicas têm um caráter covalente. Para ver como o caráter covalente pode se manifestar, consideremos - +um ânion monoatômico (Cl ) próximo a um cátion (como o Na ). Como as cargas positivas do cátion atraem os elétrons do ânion, a nuvem eletrônica esférica do ânion destorce-se na direção do cátion. Podemos entender esta distorção como uma tendência do par de elétrons de deslocar-se para a região entre os núcleos e formar uma ligação covalente. As ligações iônicas adquirem progressivamente maior caráter covalente quando a distorção da nuvem eletrônica do ânion aumenta. Os átomos e íons que se distorcem facilmente são chamados de muito polarizáveis. Pode-se esperar que um ânion seja muito polarizável se ele for volumoso, como o iodeto, . Nos íons volumosos e muito polarizáveis, o núcleo do íon exerce um efeito relativamente pequeno sobre os elétrons mais externos, que estão muito distantes. Como resultado, a nuvem eletrônica de um ânion volumoso é facilmente distorcida. Os átomos e íons capazes de provocar grandes distorções na nuvem eletrônica de seus vizinhos têm alto poder de polarização. Um cátion pode ter alto poder de polarização se ele 3+pequeno e tem número elevado de cargas, como o Al . Um raio pequeno significa que o centro de cargas de um cátion com carga elevada fica muito perto do ânion e pode exercer forte atração sobre seus elétrons. As ligações em compostos formadas por um cátion pequeno e altamente carregado e um ânion volumoso e polarizável tendem a ter caráter covalente. A polarizabilidade e o poder de polarização dos íons podem ajudar a explicar as relações diagonais da Tabela Periódica. Os cátions tornam-se menores, com carga maior, e, portanto, com maior poder de polarização da esquerda para a direita em um 2+ +período. Assim, o Be tem maior poder de polarização do que o Li 2+e o Mg . −I 61 4.5 - Forças e comprimentos das ligações covalentes As características de uma ligação covalente entre dois átomos são devidas principalmente às propriedades desses átomos. Elas variam muito pouco cm a natureza de outrosátomos presentes na molécula. Como resultado, pode-se predizer algumas características de uma ligação com razoável certeza, conhecendo-se os dois átomos que a formam. Assim, o comprimento e a força das ligações são aproximadamente os mesmos, independentemente da molécula em que estão. Por isso, é possível entender propriedade de moléculas grandes como, por exemplo, a replicação do DNA em nossas células e transferência da informação estudando as características das ligações C=O e N-H de compostos mais simples, como o formaldeído, H C=O e amônia, NH .2 3 Forças de ligação A força de uma ligação química é medida por sua energia de dissociação, D, a energia necessária para separar os átomos ligados, quanto maior a energia de dissociação, mais forte é a ligação. Variação da energia de ligação A energia de ligação cresce quando a multiplicidade da ligação aumenta, decresce quando aumenta o número de pares isolados em átomos vizinhos e decresce com o aumento do raio atômico. 4.5 - ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM 1. O que é uma ligação iônica? 2. Os símbolos de Lewis para o átomo só representa os elétrons em sua camada de valência? Por quê? 2-3. Por que o cloro não forma o íon Cl ? 4. O que é a regra do octeto? Quem a criou e com que objetivo? 5. O que é uma ligação covalente polar? 6. Defina eletronegatividade. 62 MASTERTON, W. L. et al. Princípios de Química. 6ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1990. BRADY, J. E. et al. Química: A matéria e suas transformações. V. 1. 3ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 2002. KOTZ, J. C. et al. Química Geral e Reações Químicas. V. 1. 4ª ed. São Paulo: Thomson; 2002. http://pt.wikipedia.org/wiki/Liga%C3%A7%C3%A3o_qu%C3%A Dmica http://luizclaudionovaes.sites.uol.com.br/ligaquim.htm http://www.fisica.net/quimica/resumo3.htm http://members.tripod.com/alkimia/ligacao_quimica.htm http://www.carloslp.hpg.ig.com.br/ligacao/ligacao.htm Referências Bibliográficas Web-Bibliográfia 63 A sociologia e a Sociologia da Educação A sociologia e a Sociologia da Educação Resumo O nosso objetivo neste capitulo e iniciar o estudo de um assunto denominado estequiometria, o estudo quantitativo de reações químicas. Isto nos ajudara, por exemplo, a determinar qual a quantidade de oxigênio necessária para a combustão completa de uma dada quantidade de glicose ou qual a massa de dióxido de carbono que pode ser obtida desta reação. A estequiometria é a parte da química que é fundamental àqueles que se interessam por química: químicos, engenheiros químicos, bioquímicos, biólogos moleculares, geoquímicos, físicos e outros. EstequiometriaEstequiometria Unidade 5Unidade 5 Sumario UNIDADE 5 - ESTEQIOMETRIA 63 5.1 - Conceito de mol ....................................................... 67 5.2 – O número de Avogadro e o mol .............................. 67 5.3 - Equivalências estequiométricas ............................... 68 5.4 - Medindo moles de elementos e compostos ............. 69 5.5 - Utilização do número de Avogadro em cálculos ...... 69 5.6 - Massas moleculares e massas-fórmulas ................. 70 5.7 - Aplicações da estequiometria................................... 70 5.8 - Composição percentual............................................ 71 5.9 - Fórmulas empírica e molecular ................................ 72 5.10 - Fórmulas empíricas a partir de composições percentuais .............................................................. 73 5.11 - Atividades de aprendizagem ................................. 75 5.12 - Referências bibliográficas ..................................... 76 5.13 - Web-bibliografia ..................................................... 76 Uma equação química equilibrada mostra a relação quantitativa entre reagentes e produtos em uma reação química. Apliquemos este conceito na reação do fósforo e cloro. P + 6 Cl 4 PCl4 (s) 2 (g) 3 (l) -1Suponha que você use 1,00 mol de fósforo (P , 124 g.mol ) nesta 4 reação. A equação equilibrada nos mostra que 6,00 moles ou 425 g de Cl devem ser utilizados e que 4,00 moles ou 549 g de PCl 2 3 podem ser produzidos. Reagentes Produtos P4 (s) 1 molécula 1,00 mol 124 g 6 Cl2 (g) 6 moléculas 6,00 moles 425 g → → → → 4 PCl3 (l) 4 moléculas 4,00 moles 549 g (= 124 g + 425 g) A equação equilibrada para a reação do fósforo com cloro se aplica independentemente da quantidade de P utilizada. Se 4 0,0100 mol de P (1,24 g) é utilizado, então 0,0600 mol de Cl (4,25 4 2 g) é necessário e 0,0400 g mol de PCl (5,49 g) se forma. Podemos 3 confirmar com experiência: se 1,24 g de P e 4,25 g de Cl forem 4 2 utilizados, então 5,49 g (= 1,24 g + 4,25 g) de PCl serão 3 produzidos. Como pode ser observado, nos trabalhos de laboratório são utilizadas duas relações particularmente importantes entre substâncias que participam de uma reação química. Uma delas é a razão entre o número de átomos de cada elemento em um dado composto. A outra é a razão entre as quantidades de cada substância em uma reação, medidas em unidades adequadas ao ambiente de laboratório. A parte da química que lida com estes conceitos é chamada de estequiometria (do grego stoiqueion (elemento) e metron (medida). Ou seja, estequiometria é o cálculo que permite relacionar quantidades de reagentes e produtos, que participam de uma reação química com o auxílio das equações químicas correspondentes. O conceito de mol é dominante em estequiometria. 66 5.1 - Conceito de Mol As razões dentre o número de átomos nos compostos são geralmente expressas por subscritos inteiros nas formulas químicas. Não são usados números fracionários, pos nunca são encontradas frações de átomos em compostos. Na água, H O, por 2 exemplo, esta razão é 2 átomos inteiros de H para 1 de O, estando subentendido o subscrito “1”. Assim, a natureza não nós dá opções quando desejamos construir uma molécula de H O, não 2 deixando nenhum átomo de H ou de O remanescente. Estamos limitados, pela estrutura da molécula de água, a utilizar dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. 2 átomos de H + 1 átomo de O 1 molécula de H O2 Para construir uma dúzia de moléculas de H O, precisamos 2 de 2 dúzias de átomos de H e de uma dúzia de O, mantendo-se a razão 2:1. Logo, a razão que realmente importa no caso da H O é 2 sempre 2H:1º, seja ela expressa em átomos ou dúzias de átomos. Esta razão é a “lei” estequiométrica para a água. Toda substância pura tem uma “lei” estequiométrica, evidenciada pela sua formula. 5.2 - O Número de Avogadro e o Mol Como átomos e moléculas são extremamente pequenos – precisamos de muito mais que uma dúzia de qualquer deles para obtermos amostras acessíveis à manipulação – os químicos foram levados a definir uma “amostra padrão” apropriada para lidar com as quantidades macroscópicas que encontramos no laboratório, uma quantidade denominada mol (símbolo mol). Esta é a unidade básica n SI para quantidade de substância química. O número de unidades formais em um mol é chamado número de Avogadro, em homenagem a Amedeo Avogadro. Seu 23melhor valor experimental é 6,0221367 x 10 , um número tão grande que se torna difícil de ser compreendido com facilidade pelos padrões de nossa vida diária. Um mol de reais seria suficiente para garantir a todos os habitantes da Terra aproximadamente 6 bilhões de pessoas, uma renda de 3 milhões de reais por segundo para cada um durante 100 anos. No entanto, como os átomos são realmente muito pequenos, a massa de uma quantidade de átomos de carbono-12 igual ao número de Um mol de qualquer elemento ou composto tem o mesmo número de unidades formais que o número de átomos que existem em exatamente 12 g de carbono-12 67 Avogadro é somente 12 g. Quandonecessitamos usar o número de Avogadro em cálculos, usamos geralmente o valor arredondado para três ou 23quatro algarismos significativos, ou seja, usamos 6,02 x 10 ou 236,022 x 10 . Assim, podemos escrever, com quatro algarismos significativos. As “coisas” importantes em Química são, naturalmente, átomos, íons moléculas e unidades formais. Deste modo, 1 mol de carbono tem o número de Avogadro de átomos de C, 1 mol de água tem o mesmo número de moléculas de H O e 1 mol de NaCl 2 tem o número de Avogadro de unidades formais. Logo, quantidades iguais de moles contêm um número idêntico de unidades, sejam elas átomos, moléculas ou unidades formais. Esta simples idéia constitui o cerne de toda a estequiometria e é a base de todo raciocínio quantitativo em química. 5.3 - Equivalências estequiométricas A equivalência estequiométrica de dois elementos em uma fórmula química é a razão entre o número de moles de cada um conforme indicado pela fórmula. Por exemplo, os subscritos em P O indicam a proporção de P para O nesta substância, tanto em 4 10 átomos quanto em moles de átomos, assim, por átomos: 4 átomos P para átomos 10 O por moles: 4 moles P para 10 moles O Utilizando o símbolo para representar a frase “é estequiometricamente equivalente a”, podemos escrever, em termos de números de moles. 4 moles P 10 moles de O È possível observar que esta relação é prontamente obtida da formula P O . Assim, uma formula química torna-se um 4 10 instrumento para a obtenção de uma equivalência estequiométrica que pode ser útil na solução de um problema. As equivalências estequiométricas também nos permitem construir fatores de conversão quando necessário. Deste modo, a equivalência dada por 4 moles de P 10 moles de O transforma-se facilmente nos seguintes fatores. ouO de moles 10 P de moles 4 P de moles 4 O de moles 10 Um mol de coisas = 6,022 23x 10 de coisas 68 A formula P4 O10 também implica outras equivalências, cada uma delas associada a dois fatores de conversão. 1 mol de P O 4 moles de P ou e4 10 1 mol de P O 10 moles de O ou e4 10 P de moles 4 P de mol 1 104O 104P de mol 1 P de moles 4 O O de moles 10 P de mol 1 104O 104P de mol 1 O de moles 10 O 5.4 - Medindo moles de elementos e compostos A definição no SI do mol diz que a massa de exatamente 1 mol de Carbono-12 é exatamente 12 g. O carbono natural, no entanto, não é carbono-12 puro, mas uma mistura de isótopos com 98,90% de carbono-12 e 1,10% e carbono-13. a massa “média” de átomos de carbono na mistura é 12,011 u, que é a massa atômica do carbono dada nas tabelas periódicas. A massa de um número de Avogadro destes “átomos médios” será assim, 12,011 g. Em outras palavras, para o carbono natural, 1mol de C equivale a 12,011 g de C. Vale a pena enfatizar a generalização deste raciocínio para todos os elementos. De agora em diante, utilizaremos o termo “massa atômica” para identificar a massa atômica média dos isótopos do elemento natural. Como o conhecimento da massa atômica de um elemento nos permite determinar a massa de um mol desta mesma substância, ficamos com um procedimento conveniente para obter, no laboratório, qualquer quantidade desejada, em moles, de um elemento. O instrumento necessário é neste caso, a balança. Suponha por exemplo, que necessitamos de 1 mol de átomos de ferro para realizar uma experiência. A massa atômica deste composto é 55,845. Logo, a massa de um mol de Fe é 55,845 g. Da mesma forma podemos obter, consultando a tabela de massas atômicas, a massa de 1 mol de O, que é 15,999 g, ou de qualquer outro átomo. 5.5 - Utilização do número de Avogadro em cálculos O número de Avogadro, na realidade, não é utilizado nos trabalhos de laboratório. Ele é empregado, por exemplo, quando desejamos saber a massa em gramas de um ou mais átomos de um elemento ou quando queremos calcular o número de átomos Um mol de qualquer elemento tem massa em gramas numericamente igual à massa atômica do elemento 69 em uma amostra de um elemento de massa conhecida. Por exemplo. Quantos átomos contêm uma amostra de ferro cuja -6massa é 1,00 x 10 g (1,00 g)? A expressão (“quantos átomos”) dada no problema indica que precisamos usar o número de Avogadro. Este número porem, nos informa o número de átomos em um mol. Agora devemos saber como resolver o problema. Primeiramente, devemos saber que formula usar, a saber. g de Fe x x = átomos de Fe 1,00 x 10 g Fe x = 1,08 x 10 átomos de Fe 5.6 - Massas moleculares e Massas-Fórmulas O conceito de mol é utilizado no caso de compostos exatamente do mesmo modo que com os elementos. A cada elemento está associada uma massa atômica e, analogamente, a cada composto está associada a sua massa-fórmula, a soma das massas atômicas dos elementos representados na fórmula. Quando sabemos que uma substância não é iônica, mas sim moléculas, falamos de sua massa molecular, reservando do termo massa-fórmula para compostos iônicos. 5.7 - Aplicações da estequiometria Uma das utilizações mais comum da es6tequiometria em laboratório acontece quando necessitamos conhecer a relação entre as massas de dois compostos necessários para sintetizar um certo composto. Por exemplo. Quantos gramas de Cl devem combinar-se com 24,4 g de Si para obtermos tetracloreto de silício, SiCl ?4 Começaremos restabelecendo o enunciado na forma: 24,4 g de Si ? g de Cl (para o composto SiCl )4 Analisando o composto temos: 1 mol de Si 4 moles de Cl Para resolver esta questão devemos seguir a sugestão dada a seguir Fe de g Fe de mol Fe de mol Fe de átomos Fe de g 55,8 Fe de mol 1 Fe de mol Fe de átomos 10 x 6,022 23-6 16 70 24,4 g de Si ? g de Cl mol de Si mol de Cl subscritos em SiCl4 Massa Atômica do Si Massa Atômica do Cl Assim, 1 mol de Si 28,09 g de Si, daí, 24,4 g de Si x = 0,869 mol de Si Agora, com esse dado calculas o número de moles de Cl 0,869 mol de Si x = 3,48 moles de Cl Sabendo que 1 mol de Cl 35,45 g de Cl, temos, 3,8 moles de Cl x = 123 g de Cl Logo, 123 g de Cl combinam-se com 24,4 g de Si para formar SiCl4. 5.8 - Composição percentual Entre as atividades experimentais mais empolgantes da química estão a manufatura de um composto inteiramente novo ou o isolamento de uma nova substância a partir de uma fonte natural. Imediatamente aparecem questões do tipo: O que é isto? Qual a sua formula? A resposta para estas questões começa pela análise qualitativa, uma série de procedimentos destinada a identificar todos os elementos que constituem a substância. Em seguida vêm os procedimentos de análise quantitativa, a qual determina a massa de cada elemento em uma amostra de substância de massa conhecida. Por exemplo. Uma amostra de liquido cuja massa é 8,657 g foi decomposta em seus elementos dando origem a 5,217 g de carbono; 0,9620 g de hidrogênio e 2,478 g de oxigênio. Qual é a composição percentual deste composto? Para responder esta questão devemos aplicar a seguinte formula % por massa de elemento = x 100% Si de g 28,09 Si de mol 1 Si de mol 1 Cl de mol 4 Cl de mol 1 Cl de de 35,45 amostra da totalMassa elemento do Massa 71 A solução é: Para o C: x 100% = 60,26% C Para o H: x 100% = 11,11% H Para o O: x 100% = 29,62% O Soma das percentagens = 99,99% Este resultado diz que em 10,00 g de líquido há 60,26 g de carbono; 11,11 g hidrogênio e 28,62 g de oxigênio.5.9 - Formulas Empírica e Molecular A substância formada quando o fósforo entra em combustão (combina-se com oxigênio) é constituída por moléculas de formula P O . Quando uma formula representa a 4 10 composição de uma molécula, ela é denominada fórmula molecular. Para obter uma fórmula empírica experimentalmente, precisamos determinar o número de gramas de cada elemento na amostra do composto. Convertermos então gramas em moles, de onde obtemos as razões entre os números de cada elemento. Como a razão entre o número de moles é idêntica À razão entre o número de átomos, podemos então construir a fórmula empírica. Por exemplo. Em uma amostra de u8m composto de estanho e cloro de massa 2,57 g foram encontrados 1,17 g de estanho. Qual a formula empírica da substância? Primeiramente vamos encontrar a massa de cloro em 2,57 g de substância. Massa de Cl = 2,57 g do composto – 1,17 g de Sn = 1,40 g de Cl Utilizamos, agora, as massas atômicas para converter as massas do estanho e do cloro em moles. 1,17 g de Sn x = 0,00986 mol de Sn 1,40 g de Cl x = 0,0395 mol de Cl g 8,657 g 5,217 g 8,657 g 0,9620 g 8,657 g 2,478 Sn de g 118, Sn de mol 1 Cl de g 35,45 Cl de mol 1 72 Podemos agora escrever a fórmula: Sn Cl , que expressa a 0,00986 0,0395 razão entre o número de moles (razão molar), mas nós queremos que os subscritos sejam números inteiros, então, dividimos os subscritos pelo seu menor valor, Sn Cl , Sn Cl daí a fórmula empírica é SnCl . 5.10 - Fórmulas Empíricas a partir de composições percentuais Só muito raramente é possível obter as massas de todos os elementos em um composto utilizando somente uma amostra de massa conhecida. Em geral são necessárias duas ou mais análises, efetuadas em amostras diferentes. Suponha, por exemplo, que a analise de um composto revelou que ele consiste exclusivamente em cálcio, cloro e oxigênio. A Massa de cálcio em uma amostra previamente pesada e determinada em uma experiência, enquanto a massa de cloro e determinada em outra experiência, usando uma amostra separada. Convertemos então as massas obtidas para o cálcio e o cloro em percentagens de massa, de modo que as dados obtidos das diferentes amostras ficam relacionados à mesma massa da amostra, ou seja, 100 d do composto. A percentagem de oxigênio é então obtida por subtração, pois %Ca + %CI + %0 = 100%. Cada uma destas percentagens de massas representa um certo numero de gramas do elemento, que e depois convertido no numero de moles correspondente do mesmo elemento. As proporções em termos de moles são agora convertidas para razões entre números inteiros. Utilizando o método que acabamos de estudar, levando aos subscritos da fórmula empírica. Vamos ilustrar o procedimento com um exemplo. Um pó branco utilizado em tinta, esmaltes e cerâmicas tem a seguinte composição percentual: Ba, 69,6%; C, 6,09%; e 0, 24,3%. Qual. sua fórmula empírica? Se escolhermos uma amostra de 100 g do composto, as percentagens serão numericamente iguais às massas. Teremos 00986,0 00986,0 00986,0 0395,0 00,101,4 4 73 então que converter gramas em moles, utilizando as massas atômicas dos elementos. Dai em diante, procederemos como nos casos anteriores. 100 g do composto conteriam 69,6 g de Ba, 6,09 g de C e 24,3 g de O. Vamos converter estas massas em moles. Para o Ba: 69,6 g de Ba x = 0,507 mol de Ba Para o C: 6,09 g de C x = 0,507 mol de C Para o O: 24,3 g de O x = 1,52 mol de O Nessa fórmula empírica preliminar temos, então, Ba C O0,507 0,507 1,52 Em seguida dividimos cada subscrito pelo menor deles, 0,507 Ba C O = Ba1,00C1,00O3,00 daí, a fórmula empírica é BaCO . Ba de g 137,3 Ba de mol 1 C de g 12,01 C de mol 1 O de g 16,00 O de mol 1 507,0 507,0 507,0 507,0 507,0 52,1 3 74 5.11 - ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM 1. Escreva a equação equilibrada para a combustão do butano, C H .4 10 2. Qual a massa de carbono em gramas, que pode ser consumida por 454 g de O ,em uma combustão, para produzir monóxido 2 de carbono? 2 C + O 2 CO(s) 2(g) 2(g) 3. O metanol, um excelente combustível, pode ser obtido pela reação entre o monóxido de carbono e o hidrogênio. CO + 2 H CH OH (g) 2 (g) 3 (l) Suponha que 356 g de CO são misturados com 65,0 g de H . Quem 2 é o reagente limitante? Qual a maior massa de metanol que pode ser obtida? Qual a massa do reagente em excesso que permanece depois que todo o reagente limitante foi consumido? 4. Quantos moles de átomos de oxigênio estão combinados com 4,20 moles de cloro no Cl O ?2 7 5. Quantos moles de silício há em 4,60 g deste elemento? 6. Quantos gramas de ferro são necessários para reagir com 25,6 g de O e formar Fe O ?2 3 75 MASTERTON, W. L. et al. Princípios de Química. 6ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1990. BRADY, J. E. et al. Química: A matéria e sua transformações. V. 1. 3ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 2002. KOTZ, J. C. et al. Química Geral e Reações Químicas. V. 1. 4ª ed. São Paulo: Thomson; 2002 http://pt.wikipedia.org/wiki/Estequiometria http://www.coladaweb.com/quimica/estequiometria.htm http://www.mspc.eng.br/quim2/esteq01.shtml http://www.cocemsuacasa.com.br/ebook/pages/3379.htm Referências Bibliográficas Web-Bibliográfia 76 A sociologia e a Sociologia da Educação A sociologia e a Sociologia da Educação Resumo Trabalhando na Universidade de Uppsala (Suécia), Arrhenius realizou numerosas experiências relacionadas com a passagem de corrente elétrica através de soluções aquosas e, com base nessas experiências, formulou a hipótese de que tais soluções deveriam conter partículas carregadas: os íons. A partir disso, ele estabeleceu a teoria da dissociação iônica, que lhe possibilitou, em 1903, a conquista do Prêmio Nobel. De acordo com Arrhenius, determinadas substâncias, quando dissolvidas em água, são capazes de dar origem a íons positivos, os cátions, e a íons negativos, os ânions. Estudos posteriores mostraram também que determinadas substâncias não se ionizavam. Todas essas substâncias receberam uma classificação, funções inorgânicas, funções essas que podem determinar se uma substância é ácido, base, sal ou óxido. Esse é o assunto deste capítulo. Funções Inorgânicas Funções Inorgânicas Unidade 6Unidade 6 Sumario UNIDADE 6 - FUNÇÕES INORGÂNICAS 77 6.1 - Ácidos ...................................................................... 79 6.2 - Bases ....................................................................... 81 6.3 – Sais ......................................................................... 83 6.4 – Óxidos ..................................................................... 85 6.5 - Atividades de aprendizagem .................................... 87 6.5 - Referências bibliográficas ........................................ 88 6.6 - Web-bibliografia ....................................................... 88 À medida que o número de substâncias ia aumentando, o grau de dificuldades para conhecer todas também ia crescendo. Percebendo esse fato, os químicos começaram a tentar formar grupos de substâncias que apresentassem características semelhantes, isto é, que tivessem as mesmas reações. A cada conjunto de substâncias que apresentam propriedades semelhantes dá-se o nome de função química. As principais funções inorgânicas que iremos estudar são: Ácidos, bases, sais e óxidos. 6.1 - Ácidos O sabor azedo é uma das características comuns aos ácidos, os quais, assim como todas as substâncias azedas, estimulam a salivação. O uso do vinagre ou do suco de limão em saladas está associado a esse fato. O aumentoda quantidade de saliva facilita a ingestão. Mas o que são ácidos, ou melhor, qual sua definição? São todos os compostos que em solução aquosa, ioniza-se, +produzindo H como único tipo de cátion. + –Ex.: HCl → H + Cl Nomenclatura dos ácidos Para efeito de nomenclatura, os ácidos são divididos em dois grupos: Ácidos sem oxigênio: hidrácidos; Ácidos com oxigênio: oxiácidos. 1. Hidrácidos: ácidos sem oxigênio. Seus nomes são dados da seguinte maneira: Ácido -ídrico Exemplo: HF – ácido fluorídrico, HCN – ácido cianídrico →entonomedoelem 79 2. Oxiácidos: ácidos com oxigênio. Uma das maneiras mais simples de dar nome a esses ácidos é a partir do nome e da fórmula dos ácidos-padrão de cada família. A partir dessas fórmulas e de acordo com a variação do úmero de átomos de oxigênio, determinam-se as fórmulas e os nomes de outros ácidos, com o uso de prefixos e sufixos. Observe: Classificação dos ácidos Além da classificação baseada na presença de oxigênio na molécula, os ácidos podem ser classificados segundo outros critérios: Número de hidrogênios ionizáveis Em função do número de íons H+ ou H3O+ liberados por molécula ionizada, os ácidos podem ser assim classificados: Nos hidrácidos, todos os hidrogênios presentes nas moléculas são ionizáveis. Nos oxiácidos, são ionizáveis somente os hidrogênios ligados a átomos de oxigênio (O). 17/VIIA (Cl, Br, I) 16/VIA (S, Se) 15/VA (N, P, As) 14/IVA (C) HClO3 Ácido clórico H2SO4 Ácido sulfúrico HNO3 Ácido nítrico H2CO3 Ácido carbônico Ácido-padrão → Ácido per- →elemento do nome -ico Ácido →elemento do nome -ico Ácido →elemento do nome -oso Ácido hipo- →elemento do nome -oso Monoácidos Diácidos Triácidos Tetrácidos No de H+ por moléculas ionizáveis 1 H+ 2 H+ 3 H+ 4 H+ 80 Assim, em soluções aquosas, os ácidos podem liberar um ou mais íons H+ para cada molécula de ácido ionizado, e cada íon H+ liberado corresponde a uma etapa de ionização. Veja, por exemplo, a ionização do H2SO4: 1ª etapa: H SO H + HSO 2ª etapa: HSO H + SO Equação total: H SO 2 H + SO Grau de ionização Grau de ionização de um ácido (á) é a relação entre o número de moléculas ionizadas e o número total de moléculas dissolvidas. Para o cálculo dessa relação, usamos a seguinte expressão: á = 6.2 - Base Uma das características das bases é seu sabor adstringente, que “amarra” a boca. Naturalmente, esse não é um bom método para identificar uma base, por ser extremamente perigoso. Mas o que são báses, ou melhor, qual sua definição? Hidróxido ou bases são compostos que apresentam grupo - +funcional oxidrila ou hidroxila (OH ) ligado a um metal ou NH . Nas 4 bases, a hidroxila, liga-se ao metal sempre através do oxigênio. Ex.: NaOH; Fe(OH) ;Mg(OH) ;NH OH3 2 4 Nomenclatura das bases Para a nomenclatura das bases, pode-se utilizar a seguinte regra: Hidróxido de Exemplo: NaOH – hidróxido de sódio . →←água →←água →←água sdissolvida moléculas de nº ionizáveis moléculas de nº →cátion do nome 2 2 4 4 + + + - 4 4- 4 4 2- 2- 81 Classificação das bases As bases podem ser classificadas segundo três critérios: Número de hidroxilas –Em função do número de grupos OH liberados por fórmula, as bases podem ser Classificadas como: Solubilidade em água O esquema a seguir mostra a variação genérica da solubilidade das bases em água. Importante: Única base que não apresenta metal em sua fórmula é o hidróxido de amônio (NH OH), que existe apenas em solução 4 aquosa e, portanto, é uma base solúvel. O hidróxido de amônio pode ser obtido borbulhando-se gás amônia (NH ) em água, onde 3 ocorre a ionização do gás. 6.3 - Sais Os sais geralmente apresentam sabor salgado e são sólidos, pois são compostos iônicos. Para muitas pessoas, a palavra sal está associada apenas ao conhecido “sal de cozinha”, e, por esse motivo, relacionam sal à cor branca. No entanto, os sais podem ser encontrados em diferentes cores. Monobases Dibases Tribases Tetrabases No de OH- por fórmula 1 OH- 2 OH- 3 OH- 4 OH- Exemplo NaOH Mg(OH)2 Al(OH)3 Pb(OH)4 Solubilidade das bases em água metais alcalínos soluveis metais alcalínos-terrosos pouco soluveis outros metais praticamente insoluveis > > 82 Mas o que são sais, ou melhor, qual sua definição? São compostos iônicos que apresentam pelo menos um cátion + -diferente de H e pelo menos um ânion diferente de OH + –Ex.: NaCl → Na + Cl + + 2- NaHCO → Na + H + Co3 3 Nomenclatura dos sais A nomenclatura dos sais é obtida a partir da nomenclatura do ácido que originou o ânion participante do sal, pela mudança de sufixos. Assim, temos: Para determinar os nomes dos sais, pode-se utilizar o seguinte esquema: nome do sal nome do ânion de nome do cátion Exemplo CLASSIFICAÇÃO DOS SAIS A natureza dos íons Sal neutro: é um sal cujo ânion não possui hidrogênio ionizável + –(H ) e também não apresenta o ânion OH . Exemplos: NaCl, BaSO .4 Hidrogeno-sal ou sal ácido: é um sal que apresenta dois cátions, +sendo um deles o H (hidrogênio ionizável), e somente um ânion. + + 2–Exemplo: Na H CO = NaHCO3 3 Hidróxi-sal ou sal básico: é um sal que apresenta dois ânions, Sufixo do ácido -írico -íco -oso Sufixo do ânion -eto -ato -ito Ácido de origem Ânion Cátion Sal HCl – ácido clorídrico Cl- Cloreto Na+ NaCl Cloreto de sódio 83 –sendo um deles o OH (hidroxila), e somente um cátion. Na nomenclatura desses sais, devem-se indicar a presença e a –quantidade de grupos OH , de maneira semelhante aos sais que +apresentam grupos H . Assim, temos: 2+ – –Ca (OH) Cl = Ca(OH)Cl Sal duplo ou misto: é um sal que apresenta dois cátions +diferentes (exceto o hidrogênio ionizável H ) ou dois ânions –diferentes (exceto a hidroxila OH ). Nesse caso, a nomenclatura pode ser feita utilizando-se o seguinte esquema: Sal com dois cátions de + + 2–Exemplo: Na Li SO = NaLiSO - sulfato de sódio e lítio4 4 Sal com dois ânions de 2+ – –Exemplo: Ca Cl ClO = Ca(Cl)ClO - poclorito cloreto de cálcio Sal hidratado: apresenta, no retículo cristalino, moléculas de água em proporção definida. A água combinada dessa maneira chama-se água de cristalização, e a quantidade de moléculas de água é indicada, na nomenclatura do sal, por prefixos. Exemplos: — CuSO . 5 H O = sulfato de cobre II penta-hidratado4 2 — CaSO . 2 H O = sulfato de cálcio di-hidratado4 2 A solubilidade em água Em termos práticos, esse é o critério mais importante para a classificação dos sais. A tabela a seguir indica a solubilidade em água (a 25 ºC e 1 atm) das substâncias. ânion do nome cátions dos nome ânions dos nome cátion do nome 84 6.4 - Óxidos s óxidos são substâncias presentes no nosso dia-a-dia. Um bom exemplo de óxido é o gás carbônico, expelido na respiração, principal responsável pelo efeito estufa. Óxidos São compostos formados de dois elementos, dos quais um é o oxigênio, sendo o mais eletronegativo. Ex.: H O; SO ;Al O ;H O2 2 2 3 2 2 Nomenclatura dos óxidos Os óxidos formados por ametais ligados a oxigênio são óxidos moleculares e têm seu nome estabelecido pela seguinte regra: óxido de nome do elemento Exemplo: Monóxido de carbono = CO, dióxido de carbono =CO2 Os óxidos formadospor metais geralmente são óxidos iônicos e neles o oxigênio apresenta carga –2. Seu nome é formado da seguinte maneira: Óxido de + 2–Exemplo: óxido de sódio = (Na ) O = Na O, óxido de cálcio = 2 2 2+ 2–(Ca )(O ) = CaO Classificação dos óxidos Os óxidos são classificados em função do seu comportamento na presença de água, bases e ácidos. Óxidos básicos: apresentam caráter iônico, em que o metal terá ... - tridi-, mono-, oxigênio de quantidade a indica que Prefixo ..-.tetra - tridi-, elemento outro do quantidade a indica que Prefixo elemento do Nome 85 geralmente “carga” +1 e +2. Exemplos: Na O, BaO2 Esses óxidos reagem com água, originando bases, e reagem com ácidos, originando sal e água. Óxidos ácidos: apresentam caráter covalente e geralmente são formados por ametais. Exemplos: CO , SO , N O2 2 2 5 Esses óxidos reagem com água, produzindo ácido, e reagem com bases, originando sal e água. Óxidos neutros: são covalentes, isto é, formados por ametais, e não reagem com água, ácido ou base. Os óxidos neutros (também chamados de indiferentes ou inertes) mais importantes são: CO, NO e N O.2 Óxidos anfóteros: comportam-se como óxidos básicos na presença de um ácido, e como óxidos ácidos na presença de uma base. Os óxidos anfóteros mais comuns são: ZnO e Al O . Existem 2 3 outros, menos importantes, que são formados por metais, como SnO, SnO , PbO, PbO , ou por semimetais, como As O , As O , 2 2 2 3 2 5 Sb O , Sb O .2 3 2 5 Óxidos duplos ou mistos resultam da combinação de dois óxidos de um mesmo elemento. Os exemplos mais comuns são: 2–Peróxidos: apresentam em sua estrutura o grupo (O ) .2 Os peróxidos mais comuns são formados por hidrogênio, metais alcalinos e metais alcalino-terrosos. Fórmulas Componentes Utilização Magnetita Fe3O4 FeO + Fe2O3 ímã natural Zarcão Pb3O4 2 PbO + PbO2 pintura 86 Peróxido de hidrogênio: H O2 2 É líquido e molecular. Quando dissolvido em água, origina uma solução conhecida como água oxigenada, muito comum em nosso cotidiano. Peróxido de metal alcalino (MA): MA O2 2 Exemplos: Na O , K O2 2 2 2 Peróxido de metal alcalino-terroso (MAT): MATO2 Exemplos: CaO , BaO2 2 Os peróxidos reagem com a água, produzindo uma base e água oxigenada, e reagem com os ácidos, produzindo um sal e água oxigenada. Veja um exemplo: peróxido + água base + água oxigenada K O + H O 2 KOH + H O2 2 2 2 2 6.5 - ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM 1. Defina ácidos, bases, sais e óxidos. 2. Escreva a fórmula dos seguintes ácidos: a) clorídrico; d) nítrico; b) sulfídrico; e) fosfórico; c) sulfúrico; f) carbônico. 3. Defina três propriedades para ácidos, bases, sais e óxidos. 4. a) Qual o nome do produto de uso doméstico que contém ácido acético? b) Indique quatro espécies químicas (íons, moléculas) que existem em uma solução aquosa de ácido acético (H CCOOH).3 5. Dê o nome de cinco sais e cinco óxidos, e diga qual a utilidade de cada um? 87 MASTERTON, W. L. et al. Princípios de Química. 6ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1990. BRADY, J. E. et al. Química: A matéria e sua transformações. V. 1. 3ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 2002. KOTZ, J. C. et al. Química Geral e Reações Químicas. V. 1. 4ª ed. São Paulo: Thomson; 2002 http://pt.wikipedia.org/wiki/Fun%C3%A7%C3%A3o_inorganica http://www.colsaojose.com.br/tecnicos/tecquim/quimica_inorgan ica/Funcoes_Inorganicas.pdf http://www.coladaweb.com/questoes/quimica/funino.htm Referências Bibliográficas Web-Bibliográfia 88 A sociologia e a Sociologia da Educação A sociologia e a Sociologia da Educação Resumo O exame, embora superficial, de numerosas espécies de matéria, naturais ou superficiais, permite, via de regra, reconhece-Ias como misturas aparentemente homogêneas de duas ou mais substancias. É o que sucede, por exemplo, com a areia, a madeira, a água do mar, o leite, o vinho, as tintas comuns, etc. A separação dos componentes dessas misturas pode ser conseguida, mais ou menos facilmente, pelos processos de analise imediata. Contudo, existem misturas cujos componentes são tão intimamente mesclados que suas partículas, embora separáveis, resistem aos processos mecânicos usuais fracionamento (decantação, centrifugação, etc.) e, devido às suas as dimenções, não podem ser visualizadas a olho nu ou através de instrumentos de grande poder de ampliação. De suma importância, na Química, essas constituem as soluções. As soluções é o assunto deste capítulo. Colóides e Soluções Colóides e Soluções Unidade 7Unidade 7 Sumario UNIDADE 7 - COLOIDES E SOLUÇÕES 89 7.1 - Formação de soluções ............................................. 91 7.2 - Concentrações das soluções .................................. 93 7.3 – A solubilidade e a influência da temperatura .......... 95 7.4 – A influência da pressão na solubilidade dos gases 95 7.5 – Efeitos dos solutos na pressão de vapor de soluções ................................................................... 96 7.6 - Atividades de aprendizagem ................................... 97 7.7 - Referências bibliográficas........................................ 98 7.8 - Web-bibliografia........................................................ 98 Na natureza, raramente encontramos substâncias puras. O mundo que nos rodeia é constituído por sistemas formados por mais de uma substância: as misturas. As misturas homogêneas são denominadas soluções. Por exemplo, as ligas metálicas são soluções sólidas. O latão (Cu + Zn), por exemplo, é utilizado na fabricação de instrumentos musicais. O ar que envolve a Terra é uma solução gasosa formada, principalmente, pelos gases N e 2 O . A água dos oceanos é uma solução líquida na qual 2 encontramos vários sais dissolvidos, como o NaCl, MgCl e 2 MgSO , além de vários gases, como, por exemplo, o oxigênio (O ).4 2 Pelos exemplos, podemos perceber que as soluções são sistemas homogêneos formados por uma ou mais substâncias dissolvidas (solutos) em outra substância presente em maior proporção na mistura (solvente). Nos laboratórios, nas indústrias e no nosso dia-a-dia, as soluções de sólidos em líquidos são as mais comuns. Um exemplo muito conhecido é o soro fisiológico (água + NaCl). Nesses tipos de soluções, a água é o solvente mais utilizado, sendo conhecida por solvente universal. Essas soluções são denominadas soluções aquosas. 7.1 - Formação de soluções Uma solução e uma mistura homogênea na qual todas as partículas são muito pequenas, tipicamente da ordem de átomos, íons e pequenas moléculas, com diâmetros variando entre 0,05 e 0,25 nm. Quando as partículas são maiores, as misturas possuem propriedades específicas de dispersões coloidais e suspens5es Que força está por trás da formação das soluções Para compreender o efeito de um soluto e um solvente na solubilidade, precisamos de uma melhor compreensão do processo pelo qual as soluções se formam. Começaremos examinando mais detalhadamente como os gases se misturam ou se dissolvem espontaneamente. Imagine um recipiente contendo dois gases separados por um painel removível. Quando o painel e removido, o processo de mistura se inicia espontaneamente devido ao movimento aleatório das moléculas. Dessa forma, os gases se misturam sem interferência externa. Uma vez que Soluções são misturas de duas ou mais substâncias que apresentam aspecto uniforme. Homogêneo significa “igual” em todo lugar 91 tenham formado uma solução homogênea, suas moléculas jamais irão se separar espontaneamente e constituir seu estado original. Dizemos “jamais” porque o retorno ao estado original, não misturado, é estatisticamente muito pouco provável. A mistura espontânea dos gases ilustra uma das tendênciasnaturais a mudanças mais fortes da natureza, a tendência de um sistema, abandonado a si mesmo, de tornar-se cada vez mais desordenado. No instante anterior ao que 0 painel e removido, temos dois gases no mesmo recipiente, mas eles estão separados em lados opostos. Isto representa uma ordem considerável, como uma fileira de meninos e outra de meninas no inicio de uma quadrilha caipira. Devido ao movimento natural das moléculas, a manutenção do estado ordenado se torna altamente improvável assim que o painel é retirado. E como se os meninos e meninas começassem a dançar a quadrilha, se misturando. Aspectos quantitativos das soluções Em laboratório, as soluções normalmente são preparadas dissolvendo-se uma massa determinada de soluto em uma certa quantidade de solvente. Observações 1. Quando se prepara uma solução utilizando uma pequena quantidade de soluto sólido, verifica-se que o volume da solução é praticamente igual ao volume de água adicionado. 2. Para facilitar nosso trabalho, adotaremos o índice 1 para indicarmos o soluto, o índice 2 para indicarmos o solvente, e os dados relacionados à solução não conterão índices. Assim, O conhecimento das quantidades de soluto, solvente e solução, nos permite estabelecer algumas relações matemáticas, denominadas concentração das soluções. Massa soluto solvente solução Representação m1 m2 m 92 τ O conhecimento das quantidades de soluto, solvente e solução, nos permite estabelecer algumas relações matemáticas, denominadas concentração das soluções. 7.2 - Concentrações das soluções Concentração comum (C): É a relação entre a massa do soluto e o volume da solução: C = Densidade da solução (d) É a relação entre a massa da solução e o seu volume: d = Título (T) ou ( ), percentagem em massa e ppm: Esse tipo de concentração, que relaciona as massas de soluto e solução, é um dos mais utilizados nas indústrias químicas e farmacêuticas: = = = : solução da volume soluto do massa solução da volume solução da massa solução da massa soluto do massa soluto do massa + 21 1 m m m + m m1 τ Atualmente, para indicar concentrações extremamente pequenas, principalmente de poluentes do ar, da terra e da água, usamos a unidade partes por milhão, representada por ppm. Esse termo é freqüentemente utilizado para soluções muito diluídas e indica quantas partes do soluto existem em um milhão de partes da solução. Assim, uma solução 20 ppm contém 20 gramas do soluto em 1 milhão de gramas da solução. Como a solução é muito diluída, a massa de solvente é praticamente igual à massa da solução. Então, quando trabalhamos com ppm, consideramos que a massa do solvente corresponde à massa da solução. A relação matemática para a determinação do ppm pode ser dada por: x ppm = = ou ainda .10-6 (solução) solvente g 10 soluto do gx 6 (solução) solvente Kg soluto do gx (solução) solvente gx soluto do gx C = gL ; g.mL ; ... d = gL ; g.mL ; ... V m1 V m -1 -1 -1-1 93 τv τv Título em volume e percentagem em volume ( ): Como é fácil medir o volume dos líquidos, a concentração de suas soluções é freqüentemente expressa em porcentagem em volume. No álcool comum e nas bebidas alcoólicas, esta relação é indicada em ºGL (Gay-Lussac): = -1Concentração em mol.L ou Concentração molar ou molaridade (m): É a relação entre o número de mol do soluto e o volume da solução em litros: m = = ou m = 7.3 - A Solubilidade e a influência da temperatura Por "solubilidade" entendemos a massa do soluto que forma uma solução saturada com uma dada massa de solvente a uma temperatura específica. As unidades utilizadas mais frequentemente são gramas do soluto por 100 gramas do solvente. Note que solubilidade se refere a uma solução saturada. Se tentarmos dissolver mais soluto, ele permanecerá como uma fase separada em contato com a solução. Haverá, naturalmente, um transito das partículas do soluto entre as fases dissolvida e não-dissolvida, pois em uma solução saturada temos sempre um equilíbrio. Podemos expressar este equilíbrio da seguinte forma: A influência da Temperatura na Solubilidade de Sólidos e Líquidos em Outros Líquidos Contanto que mantenhamos a temperatura constante, o equilíbrio em uma solução saturada será mantido. Somente sujeitando o sistema a uma tensão específica, aquecendo-o ou solução da volume soluto do Volume (L) solução da volume soluto do mol de número V(L) n1 V(L)M m 1 1 Solutonão dissolvido (soluto em contato com a solução saturada) ↔ Solutodissolvido (soluto no interior de uma solução saturada) 94 esfriando-o, e que podemos quebrar este equilíbrio. Os deslocamentos do equilíbrio em qualquer sentido devem absorver diretamente esta tensão (principio de Le Chatelier). Vamos considerar a situação mais comum, na qual a adição de calor faz com que mais soluto possa ser dissolvido em uma solução inicialmente saturada. Podemos literalmente escrever “calor” na expressão de equilíbrio, no lado esquerdo, lado do soluto não dissolvido, pois o calor e absorvido quando o soluto se dissolve. A tensão causada pelo calor adicional faz com que o equilíbrio mude para a direita, uma mudança que "utiliza o calor" e absorve a tensão, mas também faz com que mais soluto se dissolva. A quantidade dissolvida varia muito, dependendo do soluto e do solvente. Observe na , por exemplo, as respostas ao aumento da temperatura das solubilidades do nitrato de amônia e do cloreto de sódio em água. Alguns solutos se tomam menos solúveis com o aumento da temperatura, como por exemplo, o sulfato de cerio(III), Ce (SO ) , 2 4 3 (Figura 7.1). Precisamos retirar calor de uma solução saturada de sulfato de cerio(lII) para conseguirmos dissolver mais soluto. Assim, em sua equação de equilíbrio o "calor" estará do lado direito, pois ele e liberado para que possamos dissolver mais soluto em uma soluçao saturada. Soluto Soluto + calornão dissolvido dissolvido Quando aumentamos a temperatura deste sistema, o equilíbrio absorve a tensão (calor), mudando para a esquerda, e uma parte do soluto dissolvido deixa a solução. Tais sistemas são muito raros. 7.4 - A Influencia da Pressão na Solubilidade dos Gases A solubilidade de um gás em um líquido é afetada não somente pela temperatura, mas também pela pressão. Os gases da atmosfera, por exemplo, principalmente o oxigênio e o nitrogênio, não são muito solúveis em água a baixas pressões, mas quando aumentamos a pressão eles se tomam incrivelmente solúveis (veja Figura 7.2). Em Aplicações Práticas da Química a equação, Figura 7.1 Figura 7.1: Solubilidade em água em função da temperatura para várias substâncias Figura 7.2: Solubilidade em água como função da pressão para dois gases. 95 Gás + solvente solução (equilíbrio relevante) Estão descritas as perigosas implicações para aqueles que precisam trabalhar em ambientes com pressão acima da normal. Vamos supor que a pressão do sistema seja aumentada, reduzindo o volume disponível para o gás. O principio de Le Chatelier diz que o sistema irá se modificar de modo a reagir a esta tensão, isto e, o sistema irá responder de modo a absorver (reduzir) esta pressão. 7.5 - Efeitos dos Solutos na Pressão de Vapor de Soluções Propriedades Coligativas As propriedades físicas das soluções a seremestudadas nesta e nas próximas seções são chamadas de propriedades coligativas, porque elas dependem, na maioria das vezes, das populações relativas das partículas nas misturas, e não de suas identidades químicas. Nesta seção iremos estudar os efeitos dos solutos na pressão de vapor dos solventes em soluções líquidas. Soluções de um Soluto Nao-Volátil Todas as soluções Iíquidas de solutos não-voláteis possuem pressão de vapor mais baixas que seus solventes puros. Quando a solução é diluída (e, lembre-se, o soluto é não- volátil), uma lei simples, a lei de Raoult, diz que a pressão de vapor da solução, P , é igual ao produto da fração molar do sol solvente, X , pela sua pressão de vapor quando era pura, solvente oP . Na forma de equação, a lei de Raoult é expressa como:solvente oP = X .Psolução solvente solvente oComo P = P - Psolvente solução E a fração molar X + X = 1, temos quesolvente soluto X = 1 - Xsolvente soluto oDaí, a equação P = X .P ficasolução solvente solvente oP = X .Psoluto solvente Coligativas vem do grego kolligativ, dependente do número e não da natureza. 96 Assim, a mudança na pressão de vapor é igual À fração molar do soluto vezes a pressão de vapor do solvente quando puro. 7.6 - ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM 1. Que são soluções? 2. Como se classifica as soluções? 3. Imagine que se adicione 1,2 Kg de etilenoglicol, HOCH CH OH, 2 2 a 4,0 Kg de água no radiador de um carro. Qual a fração molar, a molalidade e a percentagem ponderal da solução de etilenoglicol? 4. O que é molaridade? Molalidade? E fração molar? 5. Cite 5 propriedades coligativas. 97 MASTERTON, W. L. et al. Princípios de Química. 6ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1990. BRADY, J. E. et al. Química: A matéria e sua transformações. V. 1. 3ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 2002. KOTZ, J. C. et al. Química Geral e Reações Químicas. V. 1. 4ª ed. São Paulo: Thomson; 2002 http://pt.wikipedia.org/wiki/Col%C3%B3ide http://www.fisica.net/quimica/resumo18.htm http://bioquimica.fffcmpa.edu.br/pg2/pgs/quimica/coloides.pdf http://www.mundodoquimico.hpg.ig.com.br/solucoes.htm Referências Bibliográficas Web-Bibliográfia 98 A sociologia e a Sociologia da Educação A sociologia e a Sociologia da Educação Resumo Neste capítulo vamos analisar as conseqüências da reversibilidade das reações químicas, que é a razão de, num sistema reacional, ser atingido o estado de equilíbrio entre reagentes e produtos e de este estado ser afetado por agentes externos ao sistema. No curso desta análise, teremos a possibilidade de descrever, quantitativamente, a “reatividade Química”. Veremos que esta reatividade expressa em termos das concentrações de reagentes e produtos em equilíbrio, constitui uma medida da tendência relativa intrínseca de as reações químicas avançarem dos reagentes para os produtos. Equilíbrio QuímicoEquilíbrio Químico Unidade 8Unidade 8 Sumario UNIDADE 8 - EQUILÍBRIO QUÍMICO 99 8.1 - A natureza do estado de equilíbrio .......................... 101 8.2 - Escrevendo expressões da constante de equilíbrio 102 8.3 - O significado da constante de equilíbrio, k............... 104 8.4 - O significado do quociente de reação, q ................. 106 8.5 - Determinação de uma constante de equilíbrio ........ 107 8.6 - Usando constantes de equilíbrio em cálculos ......... 108 8.7 - Fatores que influenciam nos equilíbrios químicos . 110 8.8 - Influência da concentração ...................................... 110 8.9 - Influência da temperatura ........................................ 111 8.10 - Influência da pressão ............................................. 111 8.11 - Atividades de aprendizagem .................................. 112 8.12 - Referências bibliográficas ...................................... 113 8.13 - Web-bibliografia ..................................................... 114 Como o equilíbrio é fundamental em química, neste capítulo iremos discutir o equilíbrio químico aplicado a reações químicas. Nossa meta e explorar as conseqüências do fato de que as reações químicas são reversíveis, que em um sistema fechado o estado de equilíbrio e por fim atingido entre reagentes e produtos e que forças externas são capazes de alterar o equilíbrio. Um resultado importante dessa exploração será a habilidade de descrever "reatividade química" em termos quantitativos. 8.1 - A NATUREZA DO ESTADO DE EQUILÍBRIO Se você já visitou urna caverna de pedra calcaria, é provável que tenha se impressionado com as belas estalactites e estalagmites, que são construídas, principalmente, de carbonato de cálcio. Como elas se formam? A formação de estalactites e de estalagmites depende da reversibilidade das reações químicas. O carbonato de cálcio e encontrado em depósitos subterrâneos na forma de pedra calcaria, vestígio de antigos oceanos. Quando a água, que contém CO dissolvido, infiltra-se no calcário, ocorre uma reação 2 na qual o minério dissolve-se, formando uma solução aquosa de + -íons Ca e HCO .2 3 2+ -CaCO + CO + H O Ca + 2 HCO3(s) 2(aq) 2 (l) (aq) 3 (aq) Quando a água carregada de mineral chega a uma caverna, ocorre a reação inversa, havendo a liberação do CO e a 3 deposição de CaCO :3 2+ -Ca + 2 HCO CaCO + CO + H O(aq) 3 (aq) 3(s) 2(aq) 2 (l) Já dissolução e a reprecipitação de calcário pode ser demonstrada em um experimento em laboratório com alguns sais 2+ -que contém íons Ca e HCO (por exemplo, CaCl e NaHCO ). Ao 3 2 3 se colocar esses sais em um béquer com água e deixa-Io aberto podem ser vistas bolhas de gás CO e um precipitado de CaCO 2 3 sólido. Ao se borbulhar CO na solução, entretanto, o CaCO 2 3 sólido redissolve-se. Esse experimento ilustra uma característica importante das reações químicas: "Em principio, todas as reações químicas são reversíveis". 101 E interessante e informativo nos perguntarmos o que 2+ -ocorre se a solução inicial de íons Ca e HCO estiver em um 3 2+ -recipiente fechado. Quando a reação se inicia, Ca e HCO 3 reagem para formar os produtos com certa velocidade. À medida que os reagentes são consumidos, a velocidade da reação diminui; porem, os produtos (CaCO , CO e H O) começam a se 3 2 2 2+ -combinar para formar novamente Ca e HCO em uma velocidade 3 que aumenta à medida que as quantias de CaCO e CO 3 2 aumentam. Em certo momento, a velocidade da reação direta (a formação de CaCO ) e a velocidade da reação inversa (a 3 redissolução de CaCO ) tornam-se iguais. Com a formação de 3 CaCO e sua redissolução ocorrendo com a mesma velocidade, 3 não se observa mais nenhuma mudança macroscópica. O sistema esta em equilíbrio, um estado em que tanto a reação direta quanto a inversa continuam ocorrendo com velocidades iguais, mas nenhuma variação liquida é observada. Representa- se a situação escrevendo uma equação balanceada com reagentes e produtos conectados por uma seta dupla: Reações químicas silo dinâmicas e muitas delas são reversíveis. Outro exemplo e a ionização do ácido acético, a reação responsável pela acidez do vinagre. 8.2 - Escrevendo Expressões da Constante de Equilíbrio Reações Que Envolvem Sólidos, água e Líquidos Puros Você devera saber algumas regras de como escrever expressões de constante de equilíbrio. Por exemplo, a oxidação do sólido amarelo enxofre produz o gás incolor dióxido de enxofre em uma reação produto-favorecida (favorece a formação dos produtos) Ca2+(aq) + 2 HCO3-(aq) CaCO3(s) + CO2(aq) + H2O(l) S(s) + O2(g) SO2(g) 102 Seguindo o principio geral de que as concentrações dos produtos aparecem no numerador e as concentrações de reagentes aparecem no denominador, você escreveria inicialmente: Como o enxofre e um sólido molecular e a concentração de moléculas em qualquersólido á determinada por sua densidade, a concentração de enxofre não se altera, seja pela reação, seja pela adição ou pela remoção de sólido. Alem disso, é fato experimental que as concentrações de O e SO não são alteradas 2 2 pela quantidade de enxofre presente, desde que algum enxofre sólido esteja presente no equilíbrio: Portanto, as concentrações de quaisquer reagentes e produtos sólidos são omitidas na expressão da constante de equilíbrio. Isso significa que você deveria escrever a expressão da constante de equilíbrio para a combustão do enxofre como: Existem algumas considerações especiais para reações que ocorrem em solução aquosa (ou em qualquer outro solvente). Considere a amônia, que e uma base fraca devido a sua reação com a água: Como a concentração de água e muito grande em uma solução diluída de amônia, a concentração de água praticamente não e alterada pela reação. Assim como para sólidos, a concentração molar da água (ou qualquer reagente ou produto liquido) e omitida da expressão da constante de equilíbrio. Portanto, escrevemos: K = NH3(aq) + H2O(l) NH4+(aq) + OH-(aq) 3 4 ]][[ NH OHNH −+ 103 Reações Que Envolvem Gases Boa parte da química em que estaremos interessados envolve substancias em solução aquosa, de modo que os dados utilizados na expressão da constante de equilíbrio são fornecidos em mols por litro (M). Em reações desse tipo, o símbolo K às vezes tem o subscrito c, que representa "concentração", como em K .c Muitas reações importantes envolvem gases, e as expressões da constante de equilíbrio para elas também podem ser escritas em função das pressões parciais dos reagentes e dos produtos. Se rearranjarmos a lei dos gases ideais [PV = nRT] e reconhecermos que a "concentração de gás", (n/V), equivale a P/RT, observamos que a pressão parcial de um gás e proporcional a sua concentração [P = (n/V)RT]. Se as quantidades de reagentes e de produtos são fornecidas em pressões parciais, então K apresenta o subscrito p, como em K :p em alguns casos, os valores numéricos de K e K podem c p ser os mesmos, mas, frequentemente, eles são diferentes. Expressões da Constante de Equilíbrio para Gases - K e K p c mostram detalhadamente como K e K são relacionados e como p c converter um ao outro, se necessário. 8.3 - O Significado da Constante de Equilíbrio, K A Tabela 8.1 ilustra a grande variedade de constantes de equilíbrio observadas em diferentes tipos de reação. Um valor alto de K significa que reagentes foram convertidos a produtos quando o equilíbrio foi atingido, isto e, os produtos são fortemente favorecidos em relação aos reagentes no equilíbrio. Um exemplo e a reação entre o monóxido de nitrogênio e o ozônio: H2 (g) + I2 (g) 2 HI(g) Kp = P2HI PH PI22 NO(g) + O3 (g) NO2 (g) + O2 (g) K = [NO2][O2] [NO][O3]2 = 6 x 1024 K >> 1: A reação e produto-favorecida. As concentrações de equilíbrio dos produtos são maiores do que as concentrações de equilíbrio dos reagentes 104 a 25°C, K >>l, portanto,no equilíbrio, [NO ][O ] >> [NO][O ].2 2 3 O valor muito alto de K indica que, se quantidades estequiométricas de NO e O foram misturadas e aguardamos 3 que o equilíbrio seja atingido, praticamente nenhum reagente será encontrado. Essencialmente todos terão sido convertidos em NO e O . Um químico diria: "A reação se completou".2 2 De maneira inversa, o valor muito baixo de uma constante de equilíbrio significa que muito pouco dos reagentes formam produtos quando se atinge o equilíbrio. Em outras palavras, os reagentes são favorecidos em relação aos produtos no equilíbrio. Tabela 8.1: Variedade de constantes de equilíbrio observadas em diferentes tipos de reação O2(g) O3 (g) K = [O3] [O2] = 2,5 x 10-29 a 25 oC32 3/2K << 1, isso significa que [O ] << [O ] no equilíbrio.3 2 O valor muito baixo de K indica que muito pouco O se convertem 2 em O quando o equilíbrio for atingido.3 Quando K é próximo de 1, pode não ficar imediatamente claro se as concentrações de reagentes são maiores do que as de produtos ou vice-versa. Isso dependera da forma de K e, portanto, da estequiometria da reação. Cálculos de concentração terão de ser feitos. K << 1: A reação e reagente-favorecida. As concentrações de equilíbrio dos reagentes são maiores do que as concentrações de equilíbrio dos produtos. 105 8.4 - O Significado do Quociente de Reação, Q Considere uma reação como a transformação do butano em isobutano (2-rnetilpropano): Se a concentração de um dos compostos é conhecida, então apenas um valor de concentração do outro satisfará a equação para a constante de equilíbrio. Por exemplo, se [butano] = 1,0 mol/L, então a concentração de equilíbrio de isobutano, [isobutano], tem de ser 2,5 mol/L. Se [butano] = 0,80 M, então [isobutano] no equilíbrio tem de ser 2,0 M: [isobutano] = K [butano] = (2,50)(0,80 M) = 2,0 M A escolha de valores possíveis para [butano] e a resolução para determinar os valores correspondentes de [isobutano] levaria a pontos na curva do gráfico na Figura 8.1, isto é, a expressão de equilíbrio K = [isobutano]/[butano] é apenas a equação de uma reta (com coeficiente angular igual a K quando [isobutano] é traçado em função de [butano]). Figura 8.1: Equilíbrio no sistema butano-isobutano Butano Isobutano CH3CH2CH2CH3 CH3CHCH3 CH3 0 1 2 3 4 2 4 6 Linha de equilíbrio Q = 6/1 > K Q = 4/3 < K Q = K 5/2 = 2,5 Concentração de Butano (M) C on ce nt ra çã o de Is ob ut an o (M ) Q > K nesta região. Isobutano é convertido em Butano Q < K nesta região. Butano é convertido em Isobutano Se Q < K, o sistema não está em equilíbrio, e parte dos reagentes será convertida em produtos. Se Q > K, o sistema não está em equilíbrio, e parte dos será produtos convertida em reagentes. Se Q = K, o sistema está em equilíbrio. 106 8.5 - Determinação de uma constante de equilíbrio Se os valores experimentais das concentrações de todos os reagentes e produtos no equilíbrio são conhecidos, pode-se calcular uma constante de equilíbrio substituindo-se os dados na expressão da constante de equilíbrio. Considere a oxidação do dióxido de enxofre: Em um experimento realizado a 852 K, determina-se que as -3concentrações no equilíbrio são [SO ] = 3,61 x 10 mol/L, [O ] = 2 2 -4 -26,11 x 10 mol/L e [SO ] = 1,01 x l0 mol/L. Substituindo os dados 3 na expressão da constante de equilíbrio, determinamos que K tem um valor alto; a oxidação do dióxido de enxofre e claramente produto-favorecida: = Frequentemente, um experimento fornece informação sobre as quantidades iniciais de reagentes e a concentração no equilíbrio de apenas um dos reagentes ou um dos produtos. As concentrações de equilíbrio dos reagentes e dos produtos restantes devem, então, ser deduzidas a partir da equação química balanceada. Como exemplo, considere novamente a oxidação do dióxido de enxofre a trióxido de enxofre. Suponha que 1,00 mol de SO e 1,00 mol de O sejam colocados em um frasco de 2 2 1,00 L - dessa vez, a 1.000 K. Quando o equilíbrio e atingido, forma-se 0,925 mol de SO . Vamos usar esses dados para calcular 3 urna constante de equilíbrio a 1.000 K para a reação. Depois de escrevermos a expressão da constante de equilíbrio em termos das concentrações, construímos uma tabela 8.2 mostrando as concentrações iniciais, como essas concentrações variam rumo ao equilíbrio e as concentrações no equilíbrio. 2 SO2(g) + O2(g) 2 SO3(g) 107 Tabela 8.2: Variação da concentraçãodas espécies da reação para formação do So3 As quantidades na tabela 8.2 resultam da seguinte analise: ? A quantia de SO consumida rumo ao equilíbrio é igual a 2 quantia de SO produzida [0,925 mol, porque o fator 3 estequiométrico é (2 mol de SO consumidos/2 mol de SO 2 3 produzidos)]. ? A quantia de O consumida e metade da quantia de SO 2 3 produzida [= 0,463 mol, porque o fator estequiométrico e (1 mol de O consumido/2 mol de SO produzidos)].2 3 ? Como você observara em outros exemplos, a concentração de equilíbrio de um reagente e sua concentração inicial menos a quantidade consumida rumo ao equilíbrio. Com as concentrações no equilíbrio conhecidas, toma-se possível calcular K a 1.000 K: 8.6 - Usando constantes de equilíbrio em cálculos Em muitos casos o valor de K é conhecido, bem como as quantias iniciais de reagentes, e você pode determinar quais são as concentrações no equilíbrio. Introduziremos um refinamento da tabela abaixo, que resume as condições iniciais, as condições finais e as mudanças ao seguirmos em direção ao equilíbrio. Por exemplo. A constante de equilíbrio K (= 55,64) para Equação 2 SO3 + O2 2 SO3 Inicial (M) 1,00 1,00 0 Variação (M) -0,925 -0,925/2 +0,925 Equilíbrio (M) 1,00 - 0,925 = 0,075 1,00 - (0,925/2) = 0,537 0,925 H2 (g) + I2 (g) 2HI (g) 108 foi determinada a 425 °C. Se 1,00 mol de H e 1,00 mol de I são 2 2 colocados em um frasco de 0,500 L a 425 °C, quais são as concentrações de H , I e HI quando o equilíbrio e atingido?2 2 Tendo escrito a equação química balanceada, o próximo passo é escrever a constante de equilíbrio: K = = 55,64 A seguir, constrói-se uma tabela para expressar as concentrações de H , I e HI antes da reação e depois de atingir o equilíbrio.2 2 Agora as concentrações de equilíbrio podem ser substituídas na expressão da constante de equilíbrio: 55,64 = = Nesse caso, a quantidade desconhecida x pode ser encontrada tirando-se a raiz quadrada de ambos os lados da equação: = 7,459 = 7,459(2,00 – x) = 2x 14,9 – 7,459x = 2x 14,9 = 9,459x X = 1,58 Conhecendo-se x agora á possível encontrar as concentrações de reagentes e produtos: [H ] = [I ] = 2,00 – x = 0,42 M2 2 [HI] = 2x = 3,16 M ]][[ ][ 22 2 IH HI Equação H2 + I2 2 HI Inicial (M) 1,00 mol/0,500L 1,00 mol/0,500 L 0 Variação (M) - x - x + 2x Equilíbrio (M) 2,00 - x 2,00 - x 2x = 2,00 = 2,00 0 )00,2)(00,2( )2( 2 XX x −− 2 2 )00,2( )2( X x − 2/1K x x −00,2 2 109 8.7 - Fatores que influênciam nos equilíbrios químicos Quando um sistema químico alcança um estado de equilíbrio em um conjunto particular de condições, nenhuma mudança se produzirá nas concentrações a menos que se alterem algumas destas condições. Coube ao eminente químico e físico LE CHATELIER caracterizar, por volta de 1884, como os sistemas em equilíbrio reagem aos efeitos externos, e que fatores podem provocar-lhes alterações. LE CHATELIER concluiu que: “Quando uma força atua sobre um sistema em equilíbrio, este se desloca no sentido de reduzir a ação desta força” De acordo com a terminologia de LE CHATELIER, a palavra “força” significa uma mudança nas condições e reduzir a força quer dizer estabelecer um novo equilíbrio. As experiências mostram que podem alterar a situação de equilíbrio: - Modificação da concentração; - Modificação na pressão; - Modificação da temperatura Obs. 1- A introdução de um catalisador não influi na posição de equilíbrio. Obs.2- A introdução de uma substância inerte (que não reage) não influi na posição de equilíbrio. 8.8 - INFLUÊNCIA DA CONCENTRAÇÃO DESLOCA O EQUILÍBRIO DESLOCA O EQUILÍBRIO Obs. LADO significa esquerdo (reagentes) e direito (produtos) ADIÇÃO DE UM LADO OUTRO LADO RETIRADA DE UM LADO MESMO LADO 110 8.9 - Influência da Temperatura Conforme já sabemos, reações químicas, em sua grande maioria, são exo ou endotérmicas, ou seja, vem acompanhadas de um desprendimento ou absorção de calor, respectivamente. Poucas, relativamente são as reações atérmicas, que se processam sem alteraçõ6es térmicas perceptíveis. Em particular, num sistema reversível, se uma das reações é exotérmica, a oposta e endotérmica e, se uma delas e atérmica, a outra também o é. Sem influir nos equilíbrios de reações atérmicas, a temperatura é importante fator de equilíbrio nas reações que envolvem trocas de calor com o meio e Sua influencia nessas reações e estabelecida pela lei de Van't Hoff: 8.10 - Influência da Pressão A influência da pressão como fator de equilíbrio, extremamente importante nos sistemas gasosos, é regida pela lei de Robin: A essa conclusão pode-se chegar examinando a expressão que define a constante de equilíbrio em termos de pressão para o sistema considerado. Seja, a titulo de exemplo, o sistema “Num sistema em que se processa uma reação reversível, sob pressão constante, um aumento da temperatura desloca o equilíbrio no sentido da transformação que absorve calor; inversamente, uma redução da temperatura favorece a reação que se efetua com desprendimento de calor” “Num sistema gasoso em equilíbrio, um aumento ou uma diminuição de pressão provocam seu deslocamento no sentido da reação, que se efetua, respectivamente, com redução ou aumento de volume.” 2 NH3 (g) N2 (g) + 3 H2 (g) 111 Para o qual Kp = 8.11 - ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM 1. Escreva as expressões da constante de equilíbrio em termos de concentração para: 1. O que significa uma reação produto-favorecida? E reagente- favorecida? 2. Em determinada temperatura, K = 33 para a reação Considere que as concentrações iniciais de H e I sejam ambas 2 2 -3 -1de 6,00 x 10 mol.L . Determine a concentração de cada reagente e produto no equilíbrio. 1. Qual a influência da temperatura e pressão no equilíbrio químico. 2. Defina equilíbrio químico. 3 22 2 3 NH HN P PP a) N2 (g) + 3 H2 (g) 2 NH3 (g) b) H2CO3 (aq) + H2O (l) HCO3- (aq) + H3O+ (aq) H2 (g) + I2 (g) 2 HI (g) 112 MASTERTON, W. L. et al. Princípios de Química. 6ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1990. BRADY, J. E. et al. Química: A matéria e sua transformações. V. 1. 3ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 2002. KOTZ, J. C. et al. Química Geral e Reações Químicas. V. 1. 4ª ed. São Paulo: Thomson; 2002 http://pt.wikipedia.org/wiki/Equil%C3%ADbrio_qu%C3%ADmico http://br.geocities.com/chemicalnet/quali/equilibrio.htm http://dicasdequimica.vilabol.uol.com.br/equilibrio.html http://ce.esalq.usp.br/arquimedes/Atividade03.pdf http://www.mundodoquimico.hpg.ig.com.br/equilibrios_quimicos. htm Referências Bibliográficas Web-Bibliográfia 113 A sociologia e a Sociologia da Educação A sociologia e a Sociologia da Educação Resumo Uma forma de obter a energia necessária para o futuro é encontrarmaneiras efetivas de gerar eletricidade a partir das reações químicas. A eletroquímica permite-nos compreender como as reações podem ser usadas para gerar eletricidade e como a eletricidade pode ser obtida através de reações químicas. A eletroquímica é um ramo da química que trabalha com uso de reações químicas espontâneas para produzir eletricidade, e com o uso da eletricidade para forçar as reações químicas não- espontâneas acontecerem. EletroquímicaEletroquímica Unidade 9Unidade 9 Sumario UNIDADE 9 – ELETROQUÍMICA 114 9.1 - Reações de oxi-redução .......................................... 117 9.2 - Balanceamento de equações de oxi-redução .......... 118 9.3 - Células voltaicas simples ......................................... 119 9.4 - Célula voltaica com eletrodos inertes ...................... 121 9.5 - Potenciais eletroquímicos padrão ........................... 123 9.6 - Determinação de potenciais padrão ........................ 124 9.7 – A equação de Nernst .............................................. 124 9.8 - Eletroquímica e termodinâmica ............................... 125 9.9 – E° e a constante de equilíbrio ................................. 126 9.10 - Atividades de aprendizagem .................................. 127 9.11 - Referências bibliográficas ...................................... 128 9.12- Web-bibliografia ...................................................... 128 Uma boa maneira de introduzir o conteúdo eletroquímica e reações de transferência de elétrons por meio de um experimento químico simples. Coloque um pedaço de cobre em uma solução aquosa de nitrato de prata. Apos breve intervalo de tempo, prata metálica deposita-se sobre o cobre e a solução toma-se azul, cor 2+característica dos íons Cu aquosos. A reação de oxirredução (redox) a seguir ocorreu: +Em nível microscópico, íons Ag entram em contato direto com a superfície de cobre, onde ocorre a transferência de elétrons. Dois +elétrons são transferidos de um átomo de Cu para dois íons Ag . 2+Íons cobre, Cu , entram na solução e átomos de prata depositam- se na superfície do cobre. Essa reação produto-favorecida prossegue ate que um ou ambos os reagentes sejam totalmente consumidos. A reação entre cobre metálico e íons prata pode ser usada para gerar corrente elétrica. Porem, o experimento deve ser +realizado de forma diferente, pois os reagentes, Cu e Ag , não (s) (aq) podem estar em contato direto. Se houver contato direto entre eles, os elétrons serão transferidos dos átomos de cobre para os íons prata, e a energia produzida será na forma de calor e não de eletricidade. Em vez disso, a reação ocorre em um aparelho que permite a transferência de elétrons de um reagente para o outro por meio de um circuito elétrico. O movimento de elétrons através do circuito e a corrente elétrica que pode ser usada para acender uma lâmpada ou fazer um motor funcionar. Dispositivos que utilizam reações químicas para produzir corrente elétrica são chamados de células voltaicas ou células galvânicas, nomes que homenageiam o conde Alessandro Volta (1745-1827) e Luigi Galvani (1737-1798). Todas as células voltaicas funcionam do mesmo modo geral; são utilizadas reações redox produto-favorecidas. A célula é construída de modo que os elétrons produzidos quando um reagente e oxidado sejam transferidos através de um circuito elétrico para o segundo reagente, que e reduzido. Energia química e convertida em energia elétrica em urna célula voltaica. O processo oposto, o uso de energia elétrica para efetuar uma mudança química, ocorre em um processo chamado Cu(s) + 2 Ag(aq) Cu2+(aq) + 2 Ag(s) 116 eletrolise. A eletrolise da água é um exemplo. A energia elétrica transforma a água em seus componentes elementares, hidrogênio e oxigênio. A eletrolise é também usada para efetuar a eletrodeposição de um metal sobre outro, para obter alumínio a partir de seu minério comum (Al O , bauxita) e preparar produtos 2 3 químicos importantes, como o cloro. A eletroquímica é o campo da química que estuda as reações químicas que produzem ou são causadas por energia elétrica. Uma vez que todas as reary6es eletroquímicas são reações de oxidação-redução (redox), iniciamos nossa exploração deste assunto descrevendo, como balancear equações de reações redox. 9.1 - Reações de oxirredução Em uma reação redox, há transferência de elétron oxidante entre um agente redutor e um agente. As características essenciais de todas as reações de transferência de elétrons são: ? Um reagente e oxidado e outro e reduzido. ? As extensões da oxidação e da redução devem se balancear ? O agente oxidante (a espécie química que causa a oxidação) é reduzido. ? O agente redutor (a espécie química que causa a redução) e oxidado. ? Os números de oxidação podem ser usados para determinar se uma substancia é oxidada ou reduzida. Um elemento é oxidado se o seu numero de oxidação aumenta. Na redução, o número de oxidação diminui. Esses aspectos de uma reação redox são ilustrados aqui para a reação entre cobre metálico e íons prata. Cu(s) + 2 Ag(aq) Cu2+(aq) + 2 Ag(s) Cu oxida, número de oxidação aumenta Cu é o agente redutor Ag+ reduzido, número de oxidação aumenta Ag+ é o agente oxidante 117 9.2 - Balanceamento de Equações de Oxirredução Todas as reações redox devem ser balanceadas tanto para massa quanta para carga. O mesmo número de átomos aparece nos reagentes e produtos em uma equação, e a soma das cargas elétricas de todas as espécies de cada um dos lados da seta da equação deve ser a mesma. O balanço de carga garante que o número de elétrons produzidos na oxidação seja igual ao numero de elétrons consumido na redução. O balanceamento de reações redox pode ser complicado, mas felizmente existem procedimentos que podem ser usados nesses casos. Descreveremos aqui o método da semi-reação, processo que envolve escrever equações balanceadas separadas para os processos de oxidação e de redução, chamadas de semi-reações. Uma semi-reação descreve a parte de oxidação da reação e uma segunda semi-reação descreve a parte de redução. A equação para a reação global e a soma das duas semi-reações, depois de feitos ajustes (se necessários) em uma ou ambas as semi-reações, de modo a balancear o número de elétrons transferidos do agente redutor para o agente oxidante. Por exemplo, as semi-reações para a reação de cobre metálico com íons prata são: Observe que as equações para cada semi-reação são balanceadas em massa e carga. Na semi-reação do cobre há um átomo de Cu de cada lado da equação (balanço de massa). A carga elétrica do lado direito da equação é 0 (a soma de +2 para o íon e -2 para os dois eIétrons), assim como do lado esquerdo (balanço de carga). Para produzir uma equação química global, somamos as duas semi-reações. Primeiro, entretanto, precisamos multiplicar a semi- reação da prata por 2. Cada mol de átomos de cobre produz dois mols de +elétrons, e dois mols de íons Ag são necessários para consumir esses elétrons. Semi-reação de redução: Ag+ (aq) + e- Ag (s) Semi-reação de oxidação: Cu (s) Cu2+ (aqs) + 2e- 2 Ag+ (aq) + 2e- 2 Ag (s) 118 Por fim, somando as duas semi-reações e cancelando os eiétrons de ambos os lados, temos a equação iônica global para a reação: A equação iônica global esta balanceada em massa e em carga. 9.3 - Células voltaicas simples Usemos a reação entre cobre metálico e íons prata como a base de uma célula voltaica. Para tanto, colocamos os componentes de cada meia-célula em compartimentos separados (Figura 9.1). Isso impede que o cobre metálico transfira elétrons diretamente para os íons prata. Em vez disso,os elétrons são transferidos por meio um circuito externo, e torna-se possível realizar trabalho útil. Figura 9.1: Célula voltaica que usa meias-células de 2+ +Cu Cu e Ag Ag .(s) (aq) (s) (aq) Semi-reação de redução: 2 Ag+ (aq) + 2 e- 2 Ag (s) Semi-reação de oxidação: Cu (s) Cu2+ (aq) + 2e- Equação iônica global balanceada: Cu (s) + 2 Ag+ (aq) Cu2+ (aq) + 2 Ag (s) 119 A meia-célula de cobre (à esquerda na Figura ) contém cobre metálico que atua como um eletrodo e uma solução que contem íons cobre(II). A meia-célula da direita utiliza um eletrodo de prata e uma solução contendo íons prata(I). Algumas características importantes dessa célula são: - As duas meias-células São conectadas por lima ponte salina que permite passagem de cátions e de anions entre as duas meias-células. O eletrólito escolhido para ponte salina deve conter íons que não reagem com os reagentes químicos da célula. No exemplo da Figura .9.1, usa-se NaNO .3 - Em todas as células eletroquímicas, o ânodo é o eletrodo no qual ocorre a oxidação. O eletrodo em que ocorre a redução é sempre o catodo (Na Figura 9.1), eletrodo de cobre é o ânodo e o eletrodo de prata é o catodo. - Um sinal negativo pode ser atribuído ao anodo em uma célula voltaica, e o catodo é marcado com um sinal positivo. A oxidação química que ocorre no anodo, que produz elétrons, da a ele uma carga negativa. A corrente elétrica no circuito externo consiste em elétrons que se movem do eletrodo negativo para o positivo, ou seja, do anodo para o catodo. - Na ponte salina, os cátions movem-se do anodo para o catodo, e os ânions movem-se do cátodo para o ânodo. A química que ocorre na célula mostrada na Figura 9.1 pode ser resumida nas seguintes semi-reações e equação iônica global: A ponte salina é necessária para que a reação ocorra em +uma célula voltaica. Na célula Cu/Ag , ânions movem-se ao longo da ponte na direção da meia-célula de cobre, e cátions movem-se 9.1 Cátodo, redução: 2 Ag+(aq) + 2e 2 Ag(s) - Ânodo, oxidução: Cu(s) Cu2+(aq) + 2e - Equação iônica global: Cu(s) + 2 Ag+(aq) Cu2+(aq) + 2Ag(s) 120 em direção da meia-célula de prata (Figura 9.1). À medida que se 2+formam íons Cu (aq) na meia-célula de cobre por causa da oxidação, íons negativos entram na célula pela ponte salina (e íons positivos deixam a célula), de modo que o numero de cargas positivas e negativas na meia-célula permanece balanceado. Da mesma maneira, na meia-célula de prata, íons negativos deixam a meia-célula por meio da ponte salina, e íons positivos entram na célula à medida que os íons Ag são reduzidos a prata metálica. (aq) Um circuito completo é necessário para que haja fluxo de corrente. Se a ponte salina e removida, o circuito não fica completo, e as reações nos eletrodos cessam. Na Figura 9.1, os eletrodos estão conectados por meio de fios a um voltímetro. As conexões poderiam alternativamente ser feitas com uma lâmpada ou qualquer outro dispositivo que utilize eletricidade. Elétrons são produzidos na oxidação do cobre, e íons 2+Cu passam para a solução. Os elétrons percorrem o circuito (aq) +externo até o eletrodo de prata, onde reduz íons Ag a prata (aq) +metálica. Para balancear a redução e a oxidação, dois íons Ag (aq) 2+são reduzidos para cada íon Cu formado. As principais (aq) características desta e de todos os outros tipos de célula voltaica estilo resumidas na Figura 9.1. 9.4 - Célula Voltaica com Eletrodos Inertes Nas meias-células descritas até aqui, o metal usado como eletrodo e também um reagente ou um produto da reação redox. Nem todas semi-reações, porém, envolvem um metal como reagente ou produto. A. exceção de carbono na forma de grafite, a maioria dos não-metais e inadequada para o uso como material de eletrodo porque não conduz eletricidade. Não e possível construir um eletrodo com um gás, um líquido ou uma solução. Sólidos iônicos não produzem eletrodos satisfatórios porque os íons estão fortemente presos no reticulo cristalino, e esses materiais não conduzem eletricidade. Nas situações em que os reagentes e os produtos não podem ser usados como material de eletrodo, deve-se usar eletrodos inertes. Esses eletrodos são construídos com materiais capazes de conduzir corrente elétrica, mas que não são oxidados nem reduzidos na célula. 121 Considere a construção de uma célula voltaica que acomode a seguinte reação produto-favorecida: Tanto os reagentes como os produtos não podem ser usados como material de eletrodo. Portanto, ambas as meias- células são construídas de modo que os reagentes e os produtos estejam em contato com um eletrodo como o grafite, em que eles possam aceitar ou doar elétrons. O grafite é comumente utilizado como material de eletrodo: é um bom condutor de eletricidade, e barato (característica essencial em células de uso comercial) e não se oxida facilmente nas condições encontradas na maioria das células. Platina e ouro são também de uso comum em experimentos de laboratório, pois ambos são quimicamente inertes na maioria das circunstancias. Porém, eles são geralmente muito caros para o uso em células de uso comercial. O eletrodo de hidrogênio é particularmente importante no campo da eletroquímica porque e utilizado como referencia na atribuição da voltagem de células. O eletrodo em si é de platina, escolhida porque o hidrogênio e adsorvido na superfície do metal. Em operação, borbulha-se hidrogênio sobre o eletrodo e extensa superfície maximiza o contato entre o gás e o eletrodo. A solução + +aquosa contem H . As semi-reações quem envolvem H e H :(aq) (aq) 2(g) ocorrem no eletrodo de platina, e os elétrons envolvidos na reação são conduzidos ou removidos do sitio da reação pelo eletrodo. 3+ 2+Uma meia-célula que utiliza a redução de Fe a Fe (aq) (aq) também pode ser construída com um eletrodo de platina. Nesse caso, a solução ao redor do eletrodo contem íons ferro nos dois estados de oxidação. A transferência de elétrons para ou a partir do reagente ocorre na superfície do eletrodo. 2 Fe3+(aq) + H2(g) 2Fe2+ (aq) + 2 H+ (aq) Semi-reação de redução: Fe3+(aq) + e- Fe2+(aq) Seme-reação de oxidação: H2 (aq) 2 H+(aq) + 2e- 2 H(g) + 2e- H2(g) ou H2(g) 2 H+(aq) + 2e- 122 9.5 - POTENCIAIS ELETROQUÍMICOS PADRAO Células eletroquímicas diferentes produzem voltagens diferentes: 1,5 V nas células de LeClanché e alcalinas, 1,35 V na célula de mercúrio e aproximadamente 2,0 V nas células individuais em uma bateria de chumbo. Nesta seção, queremos identificar os fatores que afetam a voltagem das células e desenvolver procedimentos para calcular a voltagem da célula com base na química dentro dela e das condições usadas. Força Eletromotriz (FEM) Os elétrons gerados no anodo de uma célula eletroquímica movem-se por meio do circuito externo em direção ao catodo, e a força necessária para mover os elétrons surge da diferença de energia potencial dos elétrons nos dois eletrodos. Essa diferença de energia potencial por carga elétrica e chamada de força eletromotriz ou fem, cujo significado literal e "a força que faz com que os elétrons movam-se". A fem tem unidades em volts (V); 1 volt e a diferença de potencial necessária para conferir 1 joule de energia a uma carga elétrica de 1 coulomb (1 Joule = I volt x 1 coulomb). Um coulomb é a quantidade de carga que passa por um ponto de um circuito elétrico quando uma corrente de um ampere flui durante um segundo (1 coulomb = 1 ampere x 1 segundo). Seriapossível calcular voltagens das células se um valor para a energia potencial do elétron fosse conhecido para cada meia-célula. O problema é que a energia potencial do elétron para uma única meia-célula (não conectada a nada) não é facilmente determinada. Alternativamente, a fem de uma célula voltaica é igualada a voltagem da célula, E , que pode ser medida.celula Talvez você reconheça uma semelhança entre fem, entalpia (H) e energia livre (G). Variações de entalpia e energia livre (H e G) podem ser medidas, mas o valor de H ou G para uma substância específica geralmente não e conhecido. Valores de H f e G foram estabelecidos escolhendo-se um ponto de referencia, f as substâncias elementares em seus estados padrão. 123 9.6 - Determinação de Potenciais Padrão Imagine que se fosse estudar a voltagem de células em um laboratório, com dois objetivos (a) compreender os fatores que afetam esses valores e (b) ser capaz de prever o potencial de uma célula voltaica. Diversas meias-células poderiam ser construídas, e seria possível conecta-las com diversas combinações para formar células voltaicas e determinar os seus potenciais. Depois de alguns experimentos, se observaria que a voltagem da célula depende de uma série de fatores: as meias-células usadas (isto e, as reações em cada meia-célula e a reação global ou liquida na célula), as concentrações dos reagentes em cada meia-célula, a pressão dos reagentes gasosos e a temperatura. Para que o potencial de uma célula possa ser comparado a outro, todas as voltagens de célula são determinadas sob condições padrão: ? Reagentes e produtos estão presentes como líquidos ou s6lidos puros. ? Solutos em solução aquosa tem concentração de 1,0 M. ? Reagentes ou produtos gasosos tem pressão de 1 atm. O potencial de uma célula medido sob essas condições é chamado de potencial padrão e recebe o símbolo E . A menos célula que seja especificado de outro modo, todos os valores de E célula referem-se a medidas realizadas a 298 K (25°C). 9.7 - A Equação de Nernst Com base tanto na teoria como em resultados experimentais, foi determinado que os potenciais de célula estão relacionados às concentrações de reagentes e produtos e a temperatura, por meio da Equação E = Eº - lnQ Equação 9.1 nF RT Nessa equação, conhecida como equação de Nernst (em homenagem a Walter Nernst, 1864-1941), R é a constante dos gases (8,314510 J/K.mol), T é a temperatura (K) e n é o número de mols de elétrons transferidos entre os agentes oxidante e 124 redutor (determinados pela equação balanceada para a reação). O 4símbolo F representa a constante de Faraday (9,6485309 x 10 J/V.mol). Um Faraday é a quantidade de carga elétrica transportada por um mol de elétrons. O termo Q é o quociente de reação, uma expressão que relaciona as concentrações dos produtos e dos reagentes elevadas a potencia apropriada, conforme definido pelos coeficientes estequiométricos na equação global balanceada. Substituindo os valores das constantes na Equação 9.1, e usando 298 K como temperatura, obtemos a Equação 9.2: E = Eº - lnQ a 25 oC Equação 9.2 Essencialmente, a equação de Nemst "corrige" o potencial padrão Eº para concentrações fora das condições padrão a 298 K. 9.8 - ELETROQUIMICA E TERMODINAMICA Trabalho e Energia Livre A primeira lei da termodinâmica afirma que a variação de energia interna de um sistema (E) esta relacionada a duas quantidades, calor (q) e trabalho (w): E = q + w. Essa equação também se aplica as mudanças químicas que ocorrem em uma célula voltaica. À medida que a corrente flui, energia é transferida do sistema (a célula voltaica) para a vizinhança. Em uma célula voltaica, a diminuição da energia interna do sistema se manifestará idealmente como trabalho elétrico realizado sobre a vizinhança pelo sistema. O trabalho máximo realizado por um sistema eletroquímico (idealmente, considerando-se que não há geração de calor) e proporcional à diferença de potencial (volts) e a quantidade de carga (coulombs). W = nFEmax E nessa equação é a voltagem da célula e a quantidade nF é a quantidade de carga elétrica (em unidades de coulombs) transferida do anodo para o catodo. n V0257,0 125 A variação de energia livre e, por definição, a quantidade máxima de trabalho que pode ser extraída. Como o trabalho máximo e o potencial de célula estão relacionados, E e G podem ser relacionados matematicamente (tomando-se o cuidado de se atribuir os sinais corretamente). O trabalho máximo realizado sobre a vizinhança quando uma célula voltaica produz eletricidade é +nFE, e o sinal positivo denota o aumento da energia da vizinhança. O conteúdo de energia da célula diminui nessa quantidade. Assim, G para a célula tem o sinal oposto na seguinte equação: G = -nFE Sob condições padrão, a equação apropriada é: G = -nFE Isso mostra que, quanto mais positivo o valor de E célula, mais negativo torna-se o valor de G. Isto é, quanto mais afastadas as semi-reações estiverem na escada de potencial, mais fortemente produto-favorecida será a reação. 9.9 - E e a Constante de Equilíbrio .Quando uma célula voltaica produz corrente elétrica, as concentrações de reagentes diminuem e as concentrações de produtos aumentam. A voltagem da célula também varia; á medida que os reagentes são convertidos em produtos, o valor de E diminui. No final, o potencial da célula chega a zero, não há célula mais reação, e o equilíbrio foi atingido. .Essa situação pode ser analisada usando-se a equação de Nernst. Quando E = 0, s regentes e os produtos estão em célula equilíbrio e o quociente de reação Q e igual à constante de equilíbrio, K. Substituindo os valores e os símbolos apropriados na equação de Nernst: E = Eº- lnK e reunindo os termos, temos a equação que relaciona o potencial de célula com a constante de equilíbrio: n V0257,0 126 lnK = a 25ºC Essa equação pode ser usada para determinar valores de constante de equilíbrio. Essa equação pode ser usada para determinar valores de constante de equilíbrio. 9.10 - ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM 1. Balanceie a equação iônica global para a reação do ânion +dióxidovanadio(V), VO , com zinco em solução ácida, 2 2+formando VO . + 2+ 2+VO + Zn VO + Zn 2 (aq) (s) (aq) (aq) 1. Desenhe uma célula voltaica simples, definido cada uma de suas partes. 2. Descreva como montar uma célula voltaica usando as seguintes semi-reações: vQual eletrodo é o ânodo e qual é o cátodo? Qual é a reação global da célula? Em que direção ocorre o fluxo de elétrons em um fio externo conectando os dois eletrodos? Descreva o fluxo de íons na ponte salina que conecta os dois compartimentos da célula. 1. O potencial padrão de célula, E , para a redução de íons célula oprata com cobre metálico é +0,46 V a 25 C. Calcule G para a reação. 2. Calcule a constante de equilíbrio para a reação: V n 0257,0 E° Semi-reação de redução: Ag+ (aq) + e- Ag (s) Semi-reação de oxidação: Ni (s) Ni2+ (aq) + 2 e- Fe (s) + Cd2+ (aq) Fe2+ (aq) + Cd (s) 127 MASTERTON, W. L. et al. Princípios de Química. 6ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1990. BRADY, J. E. et al. Química: A matéria e sua transformações. V. 1. 3ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 2002. KOTZ, J. C. et al. Química Geral e Reações Químicas. V. 1. 4ª ed. São Paulo: Thomson; 2002 http://pt.wikipedia.org/wiki/Eletroqu%C3%ADmica http://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Eletroqu%C3%ADmica http://www.quiprocura.net/eletroquimica.htm http://www.fisica.net/quimica/resumo23.htm http://www.unb.br/iq/lqc/Joao/eqcin/eletroquimica/ Referências Bibliográficas Web-Bibliográfia128 Sobre os autores Maria Rita de Morais Chaves Santos Professora Associada I, do Departamento de Química da Universidade Federal do Piauí. Graduada por esta Universidade em Licenciatura em Química ano 1979, doutora em Ciências pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, ano 1992. Publicou 15 artigos em periódicos especializados e participou de 46 comunicações em anais de congressos. Orientou 5 dissertações de mestrado e co-orientou 2, além de ter orientado 15 trabalhos de iniciação cientifica nas áreas de química e química de materiais cerâmicos. Participou de 6 projetos de pesquisa com financiamento. Atua na área de química, com ênfase em físico-química inorgânica e na área de Propriedade Intelectual. Atualmente coordena o Núcleo de Inovação Tecnológica da UFPI. José Milton Elias de Matos Pesquisador do programa de Desenvolvimento Científico Regional – DCR do Departamento de Química da Universidade Federal do Piauí. Graduado em Licenciatura Em Química pela Universidade Federal do Piauí (1999), mestrado em Química (Físico-Química) pelo Instituto de Química de São Carlos - São Carlos - USP/SP (2001), doutorado em Química (Físico Química) pelo Instituto de Química de São Carlos - São Carlos - USP/SP (2005) e pós-doutorado em Química, desenvolvido no LIEC-DQ da Universidade Federal de São Carlos- São Carlos - UFSCar/SP (2006). Publicou 9 artigos em periódicos especializados e mais de 50 trabalhos em anais de eventos, tendo publicado e apresentado trabalhos tanto na área de metátese como de química de materiais. Orientou 3 trabalhos de iniciação cientifica nas áreas de química ambiental, química de alimentos e química de materiais cerâmicos. Participa de 4 projetos de pesquisa com financiamento, sendo dois sob sua coordenação. Atua na área de Química, com ênfase em química de coordenação aplicada à catálise, atuando principalmente nos seguintes temas: Metátese, ROMP, aminas. Atuando também na área de materiais, com ênfase em óxidos metálicos nanoestruturados e cerâmica tradicional. 129 1: Capa disciplina Página 2 Página 3 Página 4 Página 5 Página 6 Página 7 Página 8 Página 9 Página 10 Página 11 Página 12 Página 13 Página 14 Página 15 Página 16 Página 17 Página 18 Página 19 Página 20 Página 21 Página 22 Página 23 Página 24 Página 25 Página 26 Página 27 Página 28 Página 29 Página 30 Página 31 Página 32 Página 33 Página 34 Página 35 Página 36 Página 37 Página 38 Página 39 Página 40 Página 41 Página 42 Página 43 Página 44 Página 45 Página 46 Página 47 Página 48 Página 49 Página 50 Página 51 Página 52 Página 53 Página 54 Página 55 Página 56 Página 57 Página 58 Página 59 Página 60 Página 61 Página 62 Página 63 Página 64 Página 65 Página 66 Página 67 Página 68 Página 69 Página 70 Página 71 Página 72 Página 73 Página 74 Página 75 Página 76 Página 77 Página 78 Página 79 Página 80 Página 81 Página 82 Página 83 Página 84 Página 85 Página 86 Página 87 Página 88 Página 89 Página 90 Página 91 Página 92 Página 93 Página 94 Página 95 Página 96 Página 97 Página 98 Página 99 Página 100 Página 101 Página 102 Página 103 Página 104 Página 105 Página 106 Página 107 Página 108 Página 109 Página 110 Página 111 Página 112 Página 113 Página 114 Página 115 Página 116 Página 117 Página 118 Página 119 Página 120 Página 121 Página 122 Página 123 Página 124 Página 125 Página 126 Página 127 Página 128 Página 129