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PREFEITURA MUNICIPAL DE BLUMENAU SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE POLÍTICA MUNICIPAL DE SAÚDE DA MULHER POLÍTICA MUNICIPAL DE SAÚDE DO HOMEM PROGRAMA CASAL BLUMENAUENSE PROTOCOLO MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA AO PRÉ-NATAL DE RISCO HABITUAL E PUERPÉRIO 2015 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO ................................................................................................................... 6 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 7 1.1 CONDIÇÕES BÁSICAS PARA ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL ... 9 2 DIAGNÓSTICO DA GRAVIDEZ ..................................................................................... 10 3 FLUXOGRAMA DA ATENÇÃO AO PRÉ-NATAL ...................................................... 12 4 ACOLHIMENTO ................................................................................................................ 14 5 ATRIBUIÇÕES DOS PROFISSIONAIS NO PRÉ-NATAL .......................................... 15 5.1 ATRIBUIÇÕES DO AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE NO PRÉ-NATAL .......... 15 5.2 ATRIBUIÇÕES DO TÉCNICO DE ENFERMAGEM NO PRÉ-NATAL ....................... 15 5.3 ATRIBUIÇÕES DO ENFERMEIRO NO PRÉ-NATAL .................................................. 16 5.4 ATRIBUIÇÕES DO MÉDICO NO PRÉ-NATAL ............................................................ 17 5.5 ATRIBUIÇÕES DO CIRURGIÃO DENTISTA NO PRÉ-NATAL ................................. 17 5.6 ATRIBUIÇÕES DO TÉCNICO DE SAÚDE BUCAL / AUXILIAR DE SAÚDE BUCAL .................................................................................................................................................. 18 6 HABILIDADES DOS PROFISSINAIS DE SAÚDE DURANTE O PRÉ-NATAL ....... 19 7 CONSULTA PRÉ-NATAL ................................................................................................. 20 7.1 PERIODICIDADE DA CONSULTA ................................................................................ 20 7.2 ROTEIRO PARA PRIMEIRA CONSULTA PRÉ-NATAL ............................................. 21 7.3 ROTEIRO PARA CONSULTAS SUBSEQUENTES ....................................................... 24 7.4 ROTEIRO PARA CONSULTA ODONTOLÓGICA ........................................................ 25 7.5 ALEITAMENTO MATERNO NA CONSULTA DE PRÉ-NATAL ................................ 25 8 CLASSIFICAÇÃO DE RISCO GESTACIONAL ........................................................... 26 8.1 FATORES DE RISCO QUE PERMITEM A REALIZAÇÃO DO PRÉ-NATAL PELA EQUIPE DE ATENÇÃO BÁSICA (RISCO HABITUAL) ..................................................... 26 8.2 FATORES DE RISCO QUE PODEM INDICAR ENCAMINHAMENTO AO PRÉ- NATAL DE ALTO RISCO ...................................................................................................... 27 8.3 FATORES DE RISCO QUE INDICAM ENCAMINHAMENTO À URGÊNCIA/EMERGÊNCIA OBSTÉTRICA ........................................................................ 28 9 EXAMES DE ROTINA/ COMPLEMENTARES E CONDUTAS ................................. 30 9.1 EXAMES DE PRÉ-NATAL POR TRIMESTRE .............................................................. 30 9.2 PRÉ-NATAL MASCULINO ............................................................................................. 31 9.3 CONDUTAS DIANTE DOS RESULTADOS DOS EXAMES DE ROTINA .................. 32 10 MEDICAÇOES PARA USO DURANTE A GESTAÇÃO ............................................ 34 10.1 ÁCIDO FÓLICO .............................................................................................................. 34 10.2 SULFATO FERROSO ..................................................................................................... 34 10.3 PARACETAMOL E METOCLOPRAMIDA .................................................................. 34 10.4 MEDICAMENTOS PODERÃO SER PRESCRITOS PELO MÉDICO (A) OU ENFERMEIRO (A) .................................................................................................................. 36 11 ESQUEMA BÁSICO DE VACINAÇÃO ........................................................................ 37 12 CONDUTAS FRENTE À VIOLÊNCIA E GRAVIDEZ DECORRENTE DE VIOLENCIA SEXUAL .......................................................................................................... 39 12.1 ALTERNATIVAS FRENTE A GRAVIDEZ DECORRENTE DE VIOLÊNCIA SEXUAL .................................................................................................................................. 40 13 ATIVIDADES EDUCATIVAS NA GESTAÇÃO .......................................................... 41 14 ORIENTAÇÕES FRENTE AS QUEIXAS MAIS FREQUENTES NA GESTAÇÃO 43 15 CONDUTAS QUE NORTEIAM O ATENDIMENTO CLÍNICO DA GESTANTE PELA EQUIPE DE SAÚDE BUCAL ................................................................................... 48 15.1 RADIOGRAFIAS BUCAIS ............................................................................................. 48 15.2 ANESTESIA ODONTOLÓGICA ................................................................................... 49 15.3 ANTIBIÓTICOS, ANTI-INFLAMATÓRIOS E ANALGÉSICOS ................................ 49 16 VISITA DOMICILIAR NO PUERPÉRIO ..................................................................... 53 17 CONSULTA DE PUERPÉRIO ........................................................................................ 54 17.1 EXAMES DE ROTINA DO PUERPÉRIO ...................................................................... 55 17.2 VACINAÇÃO NO PUERPÉRIO ..................................................................................... 55 17.3 CONTRACEPÇÃO NO PUERPÉRIO ............................................................................ 56 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 58 ANEXO 2 ................................................................................................................................. 61 ANEXO 3 ................................................................................................................................. 62 APÊNDICE A ............................................................................................................ 66 APÊNDICE B ............................................................................................................ 68 APÊNDICE C ............................................................................................................ 69 APENDICE D ............................................................................................................ 73 6 APRESENTAÇÃO Este documento reúne as principais diretrizes para a assistência ao Pré-Natal no município de Blumenau. Trata-se de uma revisão bibliográfica das recomendações do Ministério da Saúde e de Obstetrícia e Ginecologia. Além disso, resgata conteúdos referendados no “Consenso dos Profissionais de Saúde de Blumenau”, que há muito discute formas de assegurar, à mulher e ao seu concepto, a assistência livre de riscos e danos. Em sua revisão, este busca garantir os princípios e objetivos da Rede Cegonha, instituída no SUS em 24 de junho de 2011, pela Portaria Nº 1.459, que consiste em uma rede de cuidados que visa assegurar àmulher o direito ao planejamento reprodutivo e à atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério, bem como, à criança, o direito ao nascimento seguro e ao crescimento e ao desenvolvimento saudáveis. Inclui ainda, a assistência de Pré-Natal Masculino, visto ser cada vez mais freqüente a participação do pai no pré-natal. A intenção é aproveitar o momento em que o homem está mais sensível - às vésperas de ser pai - para incentivá-lo a acompanhar as consultas e as reuniões de grupo durante a gestação da parceira como também a realizar exames preventivos, quando necessários. Com estas ações, além do cuidado consigo próprio, o homem também é incentivado a ser um cuidador. Neste sentido, engajar os homens no acompanhamento da gestação e do parto de suas parceiras e nos cuidados no desenvolvimento da criança possibilita a todos uma melhor qualidade de vida e vínculos afetivos saudáveis. Este protocolo tem como objetivo normatizar condutas de promoção, prevenção e intervenções terapêuticas, bem como, captação precoce da mulher gestante, garantindo assim um Pré-Natal de qualidade e humanizado, respeitando as especificidades de cada mulher e/ou parceiro, buscando a redução dos índices de mortalidade materna e infantil. Maria Regina Soar Secretária Municipal de Saúde 7 1 INTRODUÇÃO A atenção à mulher na gravidez, parto e puerpério inclui ações de prevenção e promoção da saúde, além de diagnóstico e tratamento adequado dos problemas que ocorrem neste período. Este instrumento destina-se às equipes de ESF, Unidade Básica e Serviço Especializado do Município de Blumenau e objetiva a padronização dos fluxos e procedimentos necessários para uma atenção pré-natal e puerperal de qualidade e humanizada. Alguns itens deste protocolo poderão sofrer alterações de acordo com a realidade local. A finalidade do acompanhamento pré-natal é atender às necessidades da gestante, beneficiando a condição de saúde da mãe e do recém-nascido, além de possibilitar discussão e esclarecimentos de questões que são únicas para cada mulher e seu parceiro. A história de cada gravidez, o contexto em que ocorrem, as relações familiares envolvidas, as emoções e sentimentos percebidos são únicos e, devem ser considerados para que se possa desenvolver uma boa assistência à mulher grávida. Priorizar a humanização da assistência ao pré-natal por meio do acolhimento da gestante e de seu parceiro, de toda a sua história, dúvidas, queixas e temores, requer uma escuta ativa, aberta, sem julgamentos ou preconceitos, que ofereça segurança e possibilite ao casal tranquilidade para gestar e chegar ao parto com informações, cuidado e de forma saudável. Ressaltamos que a atenção integral à saúde das gestantes e das puérperas é a melhor estratégia para prevenir mortes maternas, abortamentos, nati-mortalidades, óbitos neonatais e sequelas de intercorrências ocorridas no ciclo grávido puerperal. Este Protocolo é um resumo do Caderno da Atenção Básica 32 do Ministério da Saúde, somado as orientações do Caderno de Gestação de Alto Risco, Cadernos da Atenção Básica 28 volume 1 e 2, Caderno de Atenção Básica 33, e o Protocolo de Assistência ao Pré- natal dos Municípios do Médio Vale do Itajaí.. 9 1.1 CONDIÇÕES BÁSICAS PARA ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL A assistência pré-natal deve ser organizada para atender as reais necessidades das gestantes, através da utilização dos conhecimentos técnico - científicos existentes e dos meios e recursos disponíveis mais adequados para cada caso. Como condições para uma assistência ao pré-natal de qualidade, o município utilizará os parâmetros do Ministério da Saúde, que preconiza os seguintes passos: 1° PASSO: Iniciar o pré-natal na Atenção Primária à Saúde até a 12ª semana de gestação (captação precoce); 2° PASSO: Garantir os recursos humanos, físicos, materiais e técnicos necessários à atenção pré-natal; 3° PASSO: Toda gestante deve ter assegurada a solicitação, a realização e a avaliação em tempo oportuno do resultado dos exames preconizados no atendimento pré- natal; 4° PASSO: Promover a escuta ativa da gestante e de seus (suas) acompanhantes, considerando os aspectos intelectuais, emocionais, sociais e culturais e não somente um cuidado biológico: "rodas de gestantes". 5° PASSO: Realizar transporte adequado e seguro da gestante para o atendimento pré-natal, quando necessário. 6° PASSO: É direito do (a) parceiro (a) ser cuidado (realização de consultas, exames e ter acesso a informações) antes, durante e depois da gestação: "pré-natal do (a) parceiro (a)". 7° PASSO: Garantir o acesso à unidade de referência especializada, caso seja necessário. 8° PASSO: Estimular e informar sobre os benefícios do parto fisiológico, incluindo a elaboração do "Plano de Parto". 9° PASSO: Toda gestante tem direito de conhecer e visitar previamente o serviço de saúde no qual irá dar à luz (vinculação). 10° PASSO: As mulheres devem conhecer e exercer os direitos garantidos por lei no período gravídico-puerperal. 10 2 DIAGNÓSTICO DA GRAVIDEZ Toda mulher da área de abrangência da unidade de saúde e com história de atraso menstrual de 07 dias ou mais, cabe ao médico (a) ou enfermeiro (a) realizar o Teste Rápido de Gravidez (TRG), e na impossibilidade deste, solicitar Teste laboratorial de gravidez (B-HCG). TRG ou B-HCG Positivo Dar início à primeira consulta de Pré-natal. TRG ou B-HCG Negativo Repetir novo exame após 15 dias. Persistindo resultado negativo e atraso menstrual de sete semanas ou mais - agendar consulta com o médico (a) da unidade de saúde de referência. Se o atraso menstrual for superior a 12 semanas, o diagnóstico de gravidez poderá ser feito pelo exame clínico e torna-se desnecessário a solicitação de exames confirmatórios. O TRG deve ser registrado como produção no BPA (independente do resultado), e se resultado positivo deve ser registrado no SISPRENATAL. Sinais de presunção de gravidez: Atraso menstrual; Manifestações clínicas (náuseas, vômitos, tonturas, salivação excessiva, mudança de apetite, aumento da frequência urinária e sonolência); Modificações anatômicas (aumento do volume das mamas, hipersensibilidade nos mamilos, tubérculos de Montgomery, saída de colostro pelo mamilo, coloração violácea vulvar, cianose vaginal e cervical, aumento do volume abdominal). Sinais de probabilidade: Amolecimento da cérvice uterina, com posterior aumento do seu volume; Paredes vaginais aumentadas, com aumento da vascularização (pode-se observar pulsação da artéria vaginal nos fundos de sacos laterais); 11 Positividade da fração beta do HCG no soro materno a partir do oitavo ou nono dia após a fertilização. Sinais de certeza: Presença dos batimentos cardíacos fetais (BCF), que são detectados pelo sonar a partir de 12 semanas e pelo Pinard a partir de 20 semanas; Percepção dos movimentos fetais (de 18 a 20 semanas); Ultrassonografia: o saco gestacional pode ser observado por via transvaginal com apenas 4 a 5 semanas gestacionais e a atividade cardíaca é a primeira manifestação do embrião com 6 semanas gestacionais. Obs.: Segundo o Parecer do COREN/SC Nº016/CT/2013, o Enfermeiro tem competência legal para fazer aconselhamento pré-teste, realizar o teste e fazer aconselhamento pós-teste do Teste Rápido de gravidez, no âmbito da Atenção Básicaà Saúde. 12 3 FLUXOGRAMA DA ATENÇÃO AO PRÉ-NATAL Mulher com suspeita de gravidez Atraso menstrual Náusea Suspensão ou irregularidade do uso do contraceptivo Desejo de gravidez ou não Consulta de acolhimento Deve-se avaliar: O ciclo menstrual – DUM, a atividade sexual e o uso do contraceptivo Equipe Saúde da Família Médico Enfermeiro Técnico de Enfermagem Atraso menstrual maior do que 15 dias? DUM maior do que 12 semanas? Sim Sim βHCG urinário, Teste rápido Ausculta de BCF por Médico ou Enfermeiro Ausente Positivo Negativo Presente Gravidez confirmada Consulta ou agendamento imediato (no máximo uma semana) com Médico ou Enfermeiro Captação da gestante para o pré-natal Solicite exames Realize testes rápidos de HIV, sífilis, Hepatite B e C Preenchimento do SISPreNatal Web Preenchimento do cartão da gestante Preenchimento do prontuário Repetir βHCG em 15 dias Negativo Planejamento Reprodutivo Investigue outras causas de irregularidade menstrual Avaliação de risco gestacional, inicial e a cada consulta Pré Natal Risco Habitual Pré Natal Alto Risco Encaminha para consulta no Serviço de Pré-natal de Alto Risco Avaliação de risco gestacional, pelo Médico Afastado o Risco Confirmado o Risco Pré Natal de Alto Risco (ver Recomendações Pré Natal de Alto Risco) Manter acompanhamento mensal no ESF Pré Natal de Baixo Risco 13 Recomendações Pré Natal de Alto Risco Garantir o atendimento no ambulatório de pré-natal de alto risco. Manter acompanhamento pela equipe da área de abrangência. Monitorar retornos no ambulatório de alto risco. Realizar visitas domiciliares mensais pelos ACS e pela equipe, se necessário. Informar o hospital de referência de alto risco e para o parto. Agendar consulta de puerpério para a primeira semana pós-parto. Recomendações Pré Natal Risco Habitual Atendimento pela equipe da área de abrangência. Consultas com médico ou enfermeiro. Inclua o companheiro da gestante nas consultas. Monitore os retornos. Realizar visitas domiciliares mensais pelos ACS e pela equipe, se necessário. Informar o hospital de referência para emergências de baixo risco e para o parto. Agendar consulta de puerpério (para a mãe e o RN) para a primeira semana pós- parto. 14 4 ACOLHIMENTO “Acolhimento traduz-se em recepção do usuário nos serviços de saúde, desde a sua chegada, responsabilizando-se integralmente por ele, ouvindo sua queixa, permitindo que ele expresse suas preocupações. Implica prestar um atendimento com resolutividade e corresponsabilização, orientando, conforme o caso, o usuário e a família, garantindo a articulação com os outros serviços de saúde para a continuidade da assistência quando necessário”. (PNH/MS, 2006) Desejado como um processo transversal, permeando todos os espaços do serviço e rede, o acolhimento é, antes de tudo, uma postura a ser exercida por todas as equipes para melhor escutar e atender às necessidades singulares da mulher/gestante. Frequentemente queixas comuns da gestação podem camuflar situações clínicas que demandam ação rápida, o que exige preparo das equipes para uma escuta qualificada e ganho de habilidade para julgamento clínico criterioso. O acolhimento é decisivo não só no reconhecimento de condições clínicas urgentes como também na potencialização da vivência do parto e nascimento, experiência única na vida da mulher e de sua família. Tem como principal objetivo promover e garantir o acesso e a qualificação do cuidado à saúde das mulheres, bem como dos recém-nascidos durante todo o percurso no serviço, envolvendo a recepção, os espaços assistenciais, as providências para propiciar resposta definitiva e/ou encaminhamento responsável para outros locais. 15 5 ATRIBUIÇÕES DOS PROFISSIONAIS NO PRÉ-NATAL As atribuições dos profissionais são importantes em todo o processo: territorialização, mapeamento da área de atuação da equipe, identificando as gestantes, atualizando permanentemente as informações, realizando o cuidado em saúde prioritariamente no âmbito da unidade de saúde, do domicílio e dos demais espaços comunitários (escolas, associações, entre outros). 5.1 ATRIBUIÇÕES DO AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE NO PRÉ-NATAL ATRIBUIÇÕES DO AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE Realizar visitas domiciliares para a identificação e captação precoce das gestantes e para desenvolver atividades de educação em saúde tanto para as gestantes como para seus familiares, orientando-os sobre os cuidados básicos de saúde e nutrição, cuidados de higiene e sanitários; Encaminhar toda gestante ao serviço de saúde, buscando promover sua captação precoce para a primeira consulta, e monitorar as consultas subsequentes; Orientar as mulheres e suas famílias sobre a importância do pré-natal, da amamentação e da vacinação; Conferir o cadastramento das gestantes no SISPRENATAL, assim como as informações preenchidas na Caderneta da Gestante; Orientar as gestantes sobre a periodicidade das consultas e realizar a busca ativa das gestantes faltosas; Informar o(a) enfermeiro(a) ou o(a) médico(a) de sua equipe, caso a gestante apresente algum dos sinais de alarme: febre, calafrios, corrimento com mau cheiro, perda de sangue, palidez, contrações uterinas frequentes, ausência de movimentos fetais, mamas endurecidas, vermelhas e quentes e dor ao urinar. Identificar situações de risco e vulnerabilidade e encaminhar a gestante para consulta de enfermagem ou médica, quando necessário; Realizar acompanhamento domiciliar sistemático para todas as gestantes/puérperas da sua área de abrangência (Rede SUS e/ou Rede Privada). Acompanhar o processo de aleitamento, orientar a mulher e seu companheiro sobre o planejamento familiar. Fazer os registros específicos de acompanhamento de gestantes no sistema de informação municipal. 5.2 ATRIBUIÇÕES DO TÉCNICO DE ENFERMAGEM NO PRÉ-NATAL ATRIBUIÇÕES DO TÉCNICO DE ENFERMAGEM Orientar as mulheres e suas famílias sobre a importância do pré-natal, da amamentação e da vacinação; 16 Verificar/realizar o cadastramento das gestantes no SISPRENATAL/Sistema de informação do município; Conferir as informações preenchidas na Caderneta da Gestante; Verificar o peso e a pressão arterial e anotar os dados na Caderneta da Gestante e SISVAN; Fornecer medicação mediante receita; Aplicar vacinas antitetânica, DPT acelular, influenza e contra hepatite B conforme esquema indicado para cada gestante; Informar o(a) enfermeiro(a) ou o(a) médico(a) de sua equipe, caso a gestante apresente algum sinal de alarme, como os citados anteriormente; Identificar situações de risco e vulnerabilidade e encaminhar a gestante para consulta de enfermagem ou médica, quando necessário; Orientar a gestante sobre a periodicidade das consultas e realizar busca ativa das gestantes faltosas; Realizar acompanhamento domiciliar sistemático para todas as gestantes/puérperas da sua área de abrangência (Rede SUS e/ou Rede Privada). Acompanhar o processo de aleitamento,orientar a mulher e seu companheiro sobre o planejamento familiar. Realizar atividades educativas, individuais e em grupos (deve-se utilizar a sala de espera); 5.3 ATRIBUIÇÕES DO ENFERMEIRO NO PRÉ-NATAL ATRIBUIÇÕES DO ENFERMEIRO Orientar as mulheres e suas famílias sobre a importância do pré-natal, da amamentação e da vacinação; Realizar o cadastramento e acompanhamento da gestante no SISPRENATAL/Sistema de informação do Município; Fornecer a Caderneta da Gestante devidamente preenchida (a caderneta deve ser verificada e atualizada a cada consulta); Realizar a consulta de pré-natal de gestação de risco habitual intercalada com a consultas médicas; Solicitar exames complementares de acordo com o protocolo local de pré-natal; Realizar testes rápidos indicados na gestação conforme protocolo; Prescrever medicamentos padronizados para o programa de pré-natal (sulfato ferroso e ácido fólico); Orientar a vacinação das gestantes (contra tétano, DPT acelular, influenza e hepatite B); Referenciar à odontologia; Identificar/classificar as gestantes, a cada consulta, usando a “Classificação de Risco Gestacional”, e encaminhá-las para consulta médica se necessário. Caso seja classificada como de alto risco e houver dificuldade para agendar a consulta médica (ou demora significativa para este atendimento), a gestante deve ser encaminhada diretamente ao serviço de referência; Realizar coleta para exame citopatológico do colo do útero (se necessário) e exame clínico das mamas; Desenvolver atividades educativas, individuais e em grupos (grupos ou atividades de sala de espera); Orientar as gestantes e a equipe quanto aos fatores de risco e à vulnerabilidade; Orientar as gestantes sobre a periodicidade das consultas e realizar busca ativa das gestantes faltosas; Realizar visitas domiciliares durante o período gestacional e puerperal, acompanhar o processo 17 de aleitamento e orientar a mulher e seu companheiro sobre o planejamento familiar. 5.4 ATRIBUIÇÕES DO MÉDICO NO PRÉ-NATAL ATRIBUIÇÕES DO MÉDICO Orientar as mulheres e suas famílias sobre a importância do pré-natal, da amamentação e da vacinação; Realizar o cadastramento e acompanhamento da gestante no SISPRENATAL/ Sistemas de informação; Fornecer a Caderneta da Gestante devidamente preenchida (a Caderneta deve ser verificada e atualizada a cada consulta); Realizar a consulta de pré-natal de gestação de risco habitual intercalada com a do (a) enfermeiro(a); Solicitar exames de rotina e complementares conforme protocolo, orientando o tratamento, caso necessário; Realizar testes rápidos indicados na gestação conforme protocolo; Prescrever medicamentos padronizados para o programa de pré-natal (sulfato ferroso e ácido fólico); Orientar a vacinação das gestantes (contra tétano, DPT acelular, influenza e hepatite B); Identificar/classificar as gestantes, a cada consulta, usando a “Classificação de Risco Gestacional”, e encaminhá-las para o Serviço de Referência se necessário; Atender as intercorrências e encaminhar as gestantes para os serviços de urgência/emergência obstétrica, quando necessário; Orientar as gestantes e a equipe quanto aos fatores de risco e à vulnerabilidade; Identificar as gestantes de alto risco e encaminhá-las ao serviço de referência; Realizar exame clínico das mamas e coleta para exame citopatológico do colo do útero; Referenciar à odontologia; Desenvolver atividades educativas, individuais e em grupos (grupos ou atividades de sala de espera); Orientar as gestantes sobre a periodicidade das consultas e realizar busca ativa das gestantes faltosas; Realizar visitas domiciliares durante o período gestacional e puerperal, acompanhar o processo de aleitamento e orientar a mulher e seu companheiro sobre o planejamento familiar. Informar os procedimentos realizados no sistema de informação do município. 5.5 ATRIBUIÇÕES DO CIRURGIÃO DENTISTA NO PRÉ-NATAL ATRIBUIÇÕES DO CIRURGIÃO DENTISTA Orientar as mulheres e suas famílias sobre a importância do pré-natal, da amamentação e da vacinação; Verificar o fornecimento da Caderneta da Gestante e ver se o documento está devidamente preenchido (a caderneta deve ser verificada e atualizada a cada consulta de pré-natal); Realizar a consulta odontológica de pré-natal de gestação de risco habitual; Solicitar exames complementares e orientar o tratamento, caso necessário; Orientar a gestante sobre a realização dos testes rápidos; 18 Orientar a vacinação das gestantes (contra tétano, DPT acelular, influenza e hepatite B); Realizar a avaliação geral da gestante observando o período de gravidez; Avaliar a saúde bucal da gestante, a necessidade e a possibilidade de tratamento, observando os cuidados indicados em cada período da gravidez; Adequar o meio bucal e realizar o controle de placa, cujas práticas constituem boas condutas odontológicas preventivas e podem ser indicadas, garantindo conforto à gestante e a continuidade do tratamento após a gravidez; Identificar os fatores de risco que possam impedir o curso normal da gravidez; Atender as intercorrências/urgências odontológicas observando os cuidados indicados em cada período da gravidez e encaminhar a gestante para níveis de referência de maior complexidade, caso necessário; Favorecer a compreensão e a adaptação às novas vivências da gestante, do companheiro e dos familiares, além de instrumentalizá-los em relação aos cuidados neste período; Orientar as gestantes e a sua equipe quanto aos fatores de risco e à vulnerabilidade em relação à saúde bucal; Identificar as gestantes de alto risco e encaminhá-las ao serviço de referência; Desenvolver atividades educativas e de apoio à gestante e aos seus familiares; Orientar as gestantes sobre a periodicidade das consultas odontológicas e os trimestres de gestação indicados para a realização de tratamento odontológico; Realizar busca ativa das gestantes faltosas de sua área de abrangência; Realizar visitas domiciliares durante o período gestacional e puerperal; Acompanhar o processo de aleitamento materno e os cuidados com o futuro bebê, enfatizando a importância do papel da amamentação na dentição e no desenvolvimento do aparelho fonador, respiratório e digestivo da criança; Orientar a mulher e seu companheiro sobre hábitos alimentares saudáveis e de higiene bucal. Informar os procedimentos realizados no sistema de informação do município; 5.6 ATRIBUIÇÕES DO TÉCNICO DE SAÚDE BUCAL / AUXILIAR DE SAÚDE BUCAL ATRIBUIÇÕES DO TÉCNICO DE SAÚDE BUCAL / AUXILIAR DE SAÚDE BUCAL Preencher a ficha clínica odontológica e os impressos e demais sistemas municipais de informação; Anotar na caderneta da gestante os tratamentos realizados ; Orientar as mulheres e suas famílias da importância do pré-natal odontológico e da amamentação; Realizar atividades educativas; Realizar visita domiciliar de acompanhamento. 19 6 HABILIDADES DOS PROFISSINAIS DE SAÚDE DURANTE O PRÉ-NATAL OUVIR E APRENDER Comunicação não verbal útil Manter a cabeça no mesmo nível que a da mulher e ficar próximo a ela; Prestar atenção à mulher e evitar distrair-se; Assentir com a cabeça, sorrir e usar gestos que demonstrem aceitação; Remover barreiras físicas; Dedicar tempo, ou seja, não apressar a conversa; Tocar na mulher de forma apropriada. Fazer perguntas abertas Como? Qual? Conte-me? Fale-me? Usar expressões e gestos que demonstreinteresse Demonstrar interesse no que a gestante diz, utilizando gestos e palavras que incentivem a exposição de situações consideradas importante para mulher. Demonstrar empatia Procurar entender como a mulher se sente, observando a situação sob o ponto de vista da pessoa. Evitar palavras que soam como julgamento Evitar expressões como: certo, errado, bem, mal, bom, ruim, suficiente, adequado, apropriado. AUMENTAR A CONFIANÇA E OFERECER APOIO Aceitar o que a mulher pensa e sente Estabelecer vínculo, incentivando a gestante expor suas dúvidas; Reconhecer e elogiar a mulher O elogio é uma importante ferramenta de comunicação, capaz de encorajar a mulher e fazer com que ela se sinta confiante e aceite sugestões para adotar novas atitudes e práticas durante e após o pré- natal; Oferecer ajuda prática Seja gentil e disponível durante a permanência da gestante no Serviço; Dar poucas informações enfatizando nas mais relevante para o momento Selecionar o que a gestante precisa saber naquele momento, não exagerando na quantidade de informações; Usar linguagem simples Transmitir as informações em linguagem simples e adequadas, evitando utilizar termos técnicos; Dar sugestões e não ordens Discutir com a gestante, levando em conta a situação familiar, tempo e recursos disponíveis, saúde da gestante e práticas culturais, não tomar decisões pela mulher e sim oferecer sugestões; Incluir a Rede de apoio Acompanhantes, familiares, rede social... nas atividades individuais e coletivas. 20 7 CONSULTA PRÉ-NATAL Para o Pré-natal de Risco Habitual, preconizam-se, no mínimo, 7 consultas. Todas as consultas de pré-natal, exames solicitados e seus resultados devem ser registrados na Caderneta da Gestante, na Ficha Ambulatorial Perinatal (ANEXO 1), bem como no SISPRENATAL (Sistema de Monitoramento e Avaliação do Pré-Natal, Parto, Puerpério e Criança) e Sistema de informação do município/Prontuário. 7.1 PERIODICIDADE DA CONSULTA As consultas de pré-natal deverão ser realizadas a cada 4 semanas até 32 semanas, quinzenalmente de 32 a 36 semanas, e semanalmente a partir de 37 semanas até o parto. SE NECESSÁRIO na 40ª semana, encaminhar ao hospital de referência obstétrica para avaliação. Se o parto não ocorrer até a 41ª semana, encaminhar ao hospital de referência para avaliação. PERIODICIDADE DA CONSULTA PROFISSIONAL 1ª CONSULTA 2ª CONSULTA 3ª CONSULTA 4ª CONSULTA 5ª CONSULTA 6ª CONSULTA 26ª SEMANA >32 SEMANA Enfermeiro x x x Médico x x x x x Cir. Dentista x Importante Observar: Uma vez encaminhada para acompanhamento em um serviço de referência especializado em pré-natal de alto risco, é importante que a gestante não perca o vínculo com a sua equipe de atenção básica onde iniciou o seu acompanhamento de pré- natal. É importante também que a equipe seja informada a respeito da evolução da gravidez e dos tratamentos administrados à gestante por meio da contra referência, assim como são importantes a busca ativa e o acompanhamento das gestantes em sua área de abrangência, por meio da visita domiciliar mensal do ACS. 21 Em qualquer idade gestacional, se houver alterações clínicas ou situações de risco, agendar consulta médica e/ou encaminhar ao serviço de referência– Ambulatório de Gestação de Alto Risco / Hospital Santo Antônio - via SISREG conforme protocolo, sendo que na ausência de médico (a), poderá ser referenciado pelo enfermeiro (a). 7.2 ROTEIRO PARA PRIMEIRA CONSULTA PRÉ-NATAL PRIMEIRA CONSULTA ANAMNESE/ HISTÓRICO Identificação Nome; Número do Cartão Nacional de Saúde; Idade; Cor/raça; Naturalidade; Procedência; Endereço atual; Unidade de referência. Dados Sócio Econômicos Grau de instrução; Profissão/ocupação (identificar fatores de risco); Estado civil/união; Número e idade de dependentes (avaliar a sobrecarga - trabalho doméstico); Renda familiar; Pessoas da família com renda; Condições de moradia (tipo, nº de cômodos); Condições de saneamento (água, esgoto, coleta de lixo); Distância da residência até a unidade de saúde. Antecedentes Familiares Hipertensão arterial; Diabetes mellitus; Malformações congênitas e anomalias genéticas; Gemelaridade; Câncer de mama e/ou do colo uterino; Hanseníase; Tuberculose e outros contatos domiciliares (anotar a doença e o grau de parentesco); Doença de Chagas; Parceiro sexual portador de infecção pelo HIV. Antecedentes Pessoais Gerais Hipertensão arterial crônica; Diabetes mellitus; Cardiopatias, inclusive doença de Chagas; Doenças renais crônicas; Anemias e deficiências de nutrientes específicos; Desvios nutricionais (baixo peso, desnutrição, sobrepeso, obesidade); Epilepsia; Doenças da tireoide e outras endocrinopatias; Viroses (rubéola, hepatites); Hanseníase, tuberculose, malária, sífilis ou outras doenças infecciosas; Portadora de infecção pelo HIV (se a paciente está em uso de antirretrovirais e especificar o esquema utilizado); Infecção do trato urinário; 22 ANAMNESE/ HISTÓRICO ANAMNESE/ HISTÓRICO Doenças neurológicas e psiquiátricas; Cirurgia (tipo e data); Transfusões de sangue; Alergias (inclusive medicamentosas); Doenças neoplásicas; Vacinação; Uso de medicamentos; Uso de drogas, tabagismo e alcoolismo. Antecedentes Ginecológicos Ciclos menstruais (duração, intervalo e regularidade; idade da menarca); Uso de métodos anticoncepcionais prévios (quais, por quanto tempo e motivo do abandono); Infertilidade e esterilidade (tratamento); Doenças sexualmente transmissíveis, inclusive doença inflamatória pélvica (tratamentos realizados, inclusive pelo parceiro); Cirurgias ginecológicas (idade e motivo); Malformações uterinas; Mamas (patologias e tratamento realizado); Última citologia oncótica (Papanicolau /preventivo, data e resultado). Sexualidade Início da atividade sexual (idade da primeira relação); Dispareunia (dor ou desconforto durante o ato sexual); Prática sexual na gestação atual ou em gestações anteriores; Número de parceiros da gestante e de seu parceiro em época recente ou pregressa; Uso de preservativos masculinos e/ou femininos (“uso correto” e “uso habitual”). Antecedentes Obstétricos Número de gestações (incluindo abortamentos, gravidez ectópica, mola hidatiforme); Número de partos (domiciliares, hospitalares, vaginais espontâneos, por fórceps, Cesáreas –( indicações); Número de abortamentos (espontâneos, provocados, causados por DST, complicados por infecções, relato de insuficiência istmo-cervical, história de curetagem pós-abortamento); Número de filhos vivos; Idade na primeira gestação; Intervalo entre as gestações (em meses); IsoimunizaçãoRh; Número de recém-nascidos: pré-termo (antes da 37ª semana de gestação), pós-termo (igual ou mais de 42 semanas de gestação); Número de recém-nascidos de baixo peso (menos de 2.500g) e com mais de 4.000g; Número de recém-nascidos prematuros ou pequenos para a idade gestacional; Mortes neonatais precoces: até sete dias de vida (número e motivo dos óbitos); Mortes neonatais tardias: entre sete e 28 dias de vida (número e motivo dos óbitos); Natimortos (morte fetal intraútero e idade gestacional em que ocorreu); Recém-nascidos com icterícia, transfusão, hipoglicemia, transfusões; Intercorrências ou complicações em gestações anteriores (especificar); Complicações nos puerpérios (deve-se descrevê-las); Histórias de aleitamentos anteriores (duração e motivo do desmame). Gestação Atual Data do primeiro dia/mês/ano da última menstruação – DUM (certeza ou dúvida); Peso prévio e altura; Sinais e sintomas na gestação em curso; Hábitos alimentares; 23 Medicamentos utilizados na gestação; Internação durante a gestação atual; Hábitos: fumo (número de cigarros/dia), álcool e drogas ilícitas; Ocupação habitual (esforço físico intenso, exposição a agentes químicos e físicos potencialmente nocivos, estresse); Identificar aceitação ou não da gravidez pela mulher, pelo parceiro e pela família, principalmente se for adolescente; Identificar gestantes com fraca rede de suporte social; Calcular a idade gestacional (IG) e data provável do parto (DPP). CONTROLES MATERNOS Calcular e anotar da idade gestacional (IG) através da data da última menstruação (DUM); Determinar o peso e cálculo do índice de massa corporal (IMC): anote no gráfico e realize a avaliação nutricional subsequente e o monitoramento do ganho de peso gestacional; Aferir a pressão arterial; Realizar palpação obstétrica e medida da altura uterina (anote os dados no gráfico e observe o sentido da curva para avaliação do crescimento fetal); Realizar pesquisa de edema; Realizar exame ginecológico, incluindo das mamas, para observação do mamilo. CONTROLES FETAIS Auscultar dos batimentos cardiofetais; Avaliar os movimentos percebidos pela mulher e/ou detectados no exame obstétrico/registro dos movimentos fetais; Se houver indicação clínica, realizar o Teste de Estímulo Sonoro Simplificado (TESS),. CONDUTAS Interpretar os dados da anamnese e do exame clínico/obstétrico e correlação com resultados de exames; Realizar a classificação de risco da Gestação e referenciar se necessário Solicitar a primeira rotina pré-natal feminino Solicitar exames do pré-natal masculino Solicitar a ultrassonografia (USG) transvaginal se IG menor que 12 semanas; se IG maior que 12 semanas solicitar o USG obstétrico; Prescrever suplementação de sulfato ferroso (40mg de ferro elementar/dia) e ácido fólico (5mg/dia), para profilaxia da anemia; Cadastrar no SISPRENATAL WEB a primeira consulta; Preencher a Caderneta da Gestante e Ficha Perinatal Ambulatorial com todos os dados, incluindo o número do SISPRENATAL Realizar anotação no prontuário ou Sistema de Informação do Município Encaminhar a gestante para imunização, quando a mulher não estiver imunizada Realizar o acompanhamento das condutas adotadas em serviços especializados, pois a mulher deverá continuar a ser acompanhada pela equipe da atenção básica; Fornecer todas as informações necessárias e respostas às indagações da mulher, de seu companheiro e da família; Orientar a gestante sobre os sinais de risco e a necessidade de assistência em cada caso; Orientar a gestante sobre alimentação e fazer o acompanhamento do ganho de peso gestacional; Incentivar o aleitamento materno exclusivo até os seis meses; Inserir a gestante e parceiro no grupo de educação em saúde (grupo de gestantes); Agendar retorno com o médico (a) para a gestante e seu parceiro, com os resultados dos exames de rotina do pré-natal prontos, entre 15 e 30 dias após a primeira consulta; 24 7.3 ROTEIRO PARA CONSULTAS SUBSEQUENTES CONSULTAS SUBSEQUENTES ANAMNESE Anamnese atual sucinta: deve-se enfatizar a pesquisa das queixas mais comuns na gestação e dos sinais de intercorrências clínicas e obstétricas, com o propósito de se reavaliar o risco gestacional e de se realizar ações mais efetivas; Exame físico direcionado (deve-se avaliar o bem-estar materno e fetal); Verificar o calendário de vacinação; Avaliar o resultado dos exames complementares; Revisar /atualizar a Caderneta da Gestante e da Ficha Perinatal – Ambulatório; CONTROLES MATERNOS Calcular e anotar a idade gestacional; Determinar o peso e cálculo do índice de massa corporal (IMC): anote no gráfico e realize a avaliação nutricional subsequente e o monitoramento do ganho de peso gestacional; Aferir a pressão arterial; Realizar palpação obstétrica e medida da altura uterina (anote os dados no gráfico e observe o sentido da curva para avaliação do crescimento fetal); Realizar pesquisa de edema; Realizar exame ginecológico, incluindo das mamas, para observação do mamilo. CONTROLES FETAIS Realizar ausculta dos batimentos cardiofetais; Avaliar os movimentos percebidos pela mulher e/ou detectados no exame obstétrico/registro dos movimentos fetais; Se houver indicação clínica, realizar o Teste de Estímulo Sonoro Simplificado (TESS), CONDUTAS Interpretar os dados da anamnese e do exame clínico/obstétrico, correlacionar com resultados dos exames; Avaliar os resultados dos exames e tratamento de alterações encontradas ou encaminhamento, se necessário; Prescrição de suplementação de sulfato ferroso e ácido fólico, para profilaxia da anemia conforme recomendação; Orientar a gestante sobre os sinais de risco e a necessidade de assistência em cada caso; Realizar orientações de acordo com o período gestacional; Incentivar o aleitamento materno exclusivo até os seis meses; Acompanhar as condutas em serviços especializados, mantendo o acompanhamento pela equipe da atenção básica; Realizar e incentivar a participação e atividades educativas individuais e coletivas; Agendar as consultas subsequentes. 25 7.4 ROTEIRO PARA CONSULTA ODONTOLÓGICA CONSULTA ODONTOLÓGICA DA GESTANTE ANAMNESE Avaliar intercorrências na gestação, queixa principal, anamnese. Realizar o exame clínico bucal. Preencher a ficha clínica odontológica, com posterior planejamento do tratamento odontológico. Preencher a Caderneta da Gestante; Realizar atendimento clínico (restaurações, profilaxias, tartarectomias, extrações, aplicação de flúor tópico) e outras ações preventivas. Realizar encaminhamentos e retornos quando necessário. O(a) Cirurgião(a) - Dentista ou TSB/ASB treinados(as) deverão atuar nos grupos de gestantes, desenvolvendo atividades de educação em saúde bucal. 7.5 ALEITAMENTO MATERNO NA CONSULTA DE PRÉ-NATAL O exame clínico das mamas é realizado com a finalidade de se detectar anormalidades nas mamas e/ou avaliar sintomas referidos pelas gestantes para, assim, identificar possíveis lesões malignas palpáveis num estágio precoce de evolução. É também uma boa oportunidade para o profissional de saúde educar a população feminina sobre: O câncer de mama, seus sintomas, seus fatores de risco e sua detecção precoce; A composição e a variabilidade da mama normal; A importância do aleitamento materno para a criança, para a própria gestante e para afamília e a sociedade, pois nesta fase a mulher e sua família estão mais atentas e dispostas a receber informações e realizar atividades de promoção e prevenção à sua saúde. INCENTIVO À AMAMENTAÇÃO A equipe de saúde deve incentivar e apoiar o aleitamento materno exclusivo, informando e esclarecendo a gestante/família em ralação aos benefícios da amamentação. EXAMES CLÍNICO DAS MAMAS Na inspeção estática e dinâmica, identifique visualmente achatamentos dos contornos da mama, abaulamentos ou espessamentos da pele das mamas, assimetrias, diferenças na cor da pele, na textura e no padrão de circulação venosa. Na palpação, utilizar os dedos para examinar todas as áreas do tecido mamário e linfonodos axilares e supra claviculares, em busca de nódulos, espessamentos, modificações na textura e temperatura da pele. ORIENTAÇÕES PARA AMAMENTAÇÃO Conhecer os aspectos relacionados à prática do aleitamento materno é fator fundamental, no sentido de colaborar para que a mãe e a criança possam vivenciar a amamentação de forma efetiva e tranqüila. Observar se a mulher passa por longo período de gestação até que possa concretamente amamentar seu filho, entende-se que o preparo para a amamentação deva ser iniciado ainda no período de gravidez. Durante o pré-natal, é importante conversar sobre as vantagens da amamentação para a mulher, a criança, a família e a comunidade, além de garantir orientações sobre o manejo da amamentação. 26 8 CLASSIFICAÇÃO DE RISCO GESTACIONAL A gestação é um fenômeno fisiológico e deve ser vista pelas gestantes e equipes de saúde como parte de uma experiência de vida saudável que envolve mudanças dinâmicas do olhar físico, social e emocional, entretanto, vários fatores de risco, apresentam maior probabilidade de evolução desfavorável da gestação. A redução da morbimortalidade materno-infantil e ampliação do acesso com qualidade é a meta do acompanhamento na gestação de alto risco, sendo necessário identificar os fatores de risco gestacional precocemente. Realizar o acolhimento, determinando a classificação de risco define a necessidade de cuidado e a densidade tecnológica a serem ofertadas às gestantes. Para auxiliar nessa classificação de risco, o Ministério da Saúde recomenta a utilização do Quadro de Classificação de Risco Gestacional (ANEXO 2). 8.1 FATORES DE RISCO QUE PERMITEM A REALIZAÇÃO DO PRÉ-NATAL PELA EQUIPE DE ATENÇÃO BÁSICA (RISCO HABITUAL) Fatores de risco que permitem a realização do pré-natal pela equipe de atenção básica Qualquer faixa etária sem outros fatores de risco; Ocupação: esforço físico excessivo, carga horária extensa, rotatividade de horário, exposição a agentes físicos, químicos e biológicos, estresse; Situação familiar insegura e não aceitação da gravidez, principalmente em se tratando de adolescente; Situação conjugal insegura; Baixa escolaridade (menor do que cinco anos de estudo regular); Condições ambientais desfavoráveis; Altura menor do que 1,45m; IMC que evidencie baixo peso, sobrepeso ou obesidade; Recém-nascido com restrição de crescimento, pré-termo ou malformado; Macrossomia fetal; Síndromes hemorrágicas ou hipertensivas; Intervalo interpartal menor do que dois anos ou maior do que cinco anos; Nuliparidade e multiparidade (cinco ou mais partos); Cirurgia uterina anterior; Três ou mais cesarianas; Ganho ponderal inadequado; Infecção urinária; Anemia. 27 8.2 FATORES DE RISCO QUE PODEM INDICAR ENCAMINHAMENTO AO PRÉ- NATAL DE ALTO RISCO O pré-natal de alto risco abrange cerca de 10% das gestações que cursam com critérios de risco, o que aumenta significativamente nestas gestantes a probabilidade de intercorrências e óbito materno e/ou fetal. Atenção especial deverá ser dispensada às grávidas com maiores riscos, a fim de reduzir a morbidade e a mortalidade materna e perinatal. FATORES DE RISCO QUE PODEM INDICAR ENCAMINHAMENTO AO PRÉ- NATAL DE ALTO RISCO Cardiopatias; Pneumopatias graves (incluindo asma brônquica); Nefropatias graves (como insuficiência renal crônica e em casos de transplantados); Endocrinopatias (especialmente diabetes mellitus, hipotireoidismo e hipertireoidismo); Doenças hematológicas (inclusive doença falciforme e talassemia); Hipertensão arterial crônica e/ou caso de paciente que faça uso de anti-hipertensivo (PA>140/90mmHg antes de 20 semanas de idade gestacional – IG); Doenças neurológicas (como epilepsia); Doenças psiquiátricas que necessitam de acompanhamento (psicoses, depressão grave etc.); Doenças autoimunes (lúpus eritematoso sistêmico, outras colagenoses); Alterações genéticas maternas; Antecedente de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar; Ginecopatias (malformação uterina, miomatose, tumores anexiais e outras); Portadoras de doenças infecciosas como hepatites, toxoplasmose, infecção pelo HIV, sífilis terciária (USG com malformação fetal) e outras DSTs (condiloma); Hanseníase; Tuberculose; Dependência de drogas lícitas ou ilícitas; Qualquer patologia clínica que necessite de acompanhamento especializado; Morte intrauterina ou perinatal em gestação anterior acima de 20 semanas, principalmente se for de causa desconhecida; História prévia de doença hipertensiva da gestação, com mau resultado obstétrico e/ou perinatal (interrupção prematura da gestação, morte fetal intrauterina, síndrome Hellp, eclampsia, internação da mãe em UTI); Abortamento habitual (mais de 3 abortos); Restrição do crescimento intrauterino; Polidrâmnio ou oligoidrâmnio; Gemelaridade; Malformações fetais ou arritmia fetal; Distúrbios hipertensivos da gestação (hipertensão crônica preexistente, hipertensão gestacional ou transitória); OBSERVAÇÃO: É necessário que haja evidência de medidas consecutivas que sugiram hipertensão. Nestas situações, não se deve encaminhar o caso com medida isolada. Em caso de suspeita de pré- eclâmpsia/eclampsia, deve-se encaminhar a paciente à emergência obstétrica. 28 Infecção urinária de repetição ou dois ou mais episódios de pielonefrite (toda gestante com pielonefrite deve ser inicialmente encaminhada ao hospital de referência, para avaliação); Anemia grave ou não responsiva a 30-60 dias de tratamento com sulfato ferroso; Infecções como a rubéola adquiridas na gestação atual; Evidência laboratorial de proteinúria; Diabetes mellitus gestacional; Desnutrição materna severa; Obesidade mórbida ou baixo peso (nestes casos, deve-se encaminhar a gestante para avaliação nutricional); NIC III (nestes casos, deve-se encaminhar a gestante ao oncologista); Suspeita clínica importante de câncer de mama ou mamografia com Birrads III ou mais (nestes casos, deve-se encaminhar a gestante ao oncologista); 8.3 FATORES DE RISCO QUE INDICAM ENCAMINHAMENTO À URGÊNCIA/EMERGÊNCIA OBSTÉTRICA Os profissionais de saúde dos hospitais regionais e da emergência obstétrica deverão avaliar as gestantes encaminhadas e confirmar, ou não, o diagnóstico inicial, assim como determinar a conduta necessária para cada caso: internação hospitalar ou contra referência para acompanhamento pela atenção básica. FATORES DE RISCO QUE INDICAM ENCAMINHAMENTO À URGÊNCIA/EMERGÊNCIA OBSTÉTRICA Síndromes hemorrágicas (incluindo descolamento prematuro de placenta, placenta prévia), independentemente da dilatação cervical e da idade gestacional; Suspeita de pré-eclâmpsia: pressão arterial > 140/90, medida após um mínimo de 5 minutos de repouso, na posição sentada. Quando estiver associada à proteinúria, pode-se usaro teste rápido de proteinúria; Obs.: Edema não é mais considerado critério diagnóstico. Sinais premonitórios de eclampsia em gestantes hipertensas: escotomas cintilantes, cefaleia típica occipital, epigastralgia ou dor intensa no hipocôndrio direito; Eclâmpsia (crises convulsivas em pacientes com pré-eclâmpsia); Crise hipertensiva (PA > 160/110); Amniorrexe prematura: perda de líquido vaginal (consistência líquida, em pequena ou grande quantidade, mas de forma persistente), podendo ser observada mediante exame especular com manobra de Valsava e elevação da apresentação fetal; Isoimunização Rh; Anemia grave (hemoglobina < 8); Trabalho de parto prematuro (contrações e modificação de colo uterino em gestantes com menos de 36 semanas); IG a partir de 41 semanas confirmadas; Hipertermia (Tax> = 37,8C), na ausência de sinais ou sintomas clínicos de IVAS; Suspeita/diagnóstico de abdome agudo em gestantes; Suspeita/diagnóstico de pielonefrite, infecção ovular ou outra infecção que necessite de internação hospitalar; Suspeita de trombose venosa profunda em gestantes (dor no membro inferior, edema localizado e/ou varicosidade aparente); Vômitos incoercíveis não responsivos ao tratamento, com comprometimento sistêmico com 29 menos de 20 semanas; Vômitos inexplicáveis no 3º trimestre; Restrição de crescimento intrauterino; Oligodrâmnio; Casos clínicos que necessitem de avaliação hospitalar: cefaleia intensa e súbita, sinais neurológicos, crise aguda de asma etc. Nos casos com menos de 20 semanas, as gestantes podem ser encaminhadas à emergência clínica. 30 9 EXAMES DE ROTINA/ COMPLEMENTARES E CONDUTAS 9.1 EXAMES DE PRÉ-NATAL POR TRIMESTRE No quadro a seguir está descrito um roteiro para a solicitação de exames que pode ser realizado pelo enfermeiro ou médico no pré-natal de risco habitual, de acordo com a idade gestacional, em formulário próprio (APENDICE D). Segundo Parecer do COREN/SC Nº002/CT/2013, o enfermeiro pode solicitar exames, bem como prescrever medicamentos contidos em protocolo assistenciais, em consonância com a Lei do Exercício Profissional. PERÍODO GESTACIONAL EXAMES 1ª Consulta ou 1º Trimestre Hemograma Glicemia em jejum. Teste rápido para Hepatite B¹ ou Sorologia para hepatite B (HbsAg) Teste rápido para Sifilis¹ ou Sorologia para sífilis (VDRL) Teste rápido para HIV¹ ou Teste anti – HIV Teste rápido para Hepatite C¹ Toxoplasmose IgM e IgG. Urocultura Urina tipo I (sumário de urina – SU, EQU). o Solicitar a ultrassonografia (USG) transvaginal se IG menor que 12 semanas; o Solicitar o USG obstétrico se IG maior que 12 semanas; ADICIONAIS QUANDO NECESSÁRIO: Tipagem sanguínea e fator Rh (se não for conhecido anteriormente). Coombs indireto (se for Rh negativo). Eletroforese de hemoglobina. Citopatologia oncótica (exame de Papanicolau ou “preventivo”), deverá ser realizado nas gestantes, em qualquer trimestre4, com espátula de Ayres, coletando da junção escamocolunar (JEC), quando indicado conforme protocolo de rastreamento de Câncer do colo do útero. Exame da secreção vaginal; Parasitológico de fezes; 2º Trimestre 24ª e a 28ª semana Teste de tolerância para glicose com 75g, se a glicemia estiver Acima de 85mg/dl ou se houver fator de risco (realize este exame preferencialmente entre a 24ª e a 28ª semana) o USG obstétrico entre 20 à 24 semanas para identificação de má formação fetal; ADICIONAIS QUANDO NECESSÁRIO: Coombs indireto (se for Rh negativo) Urocultura 3º Trimestre 30ª a 36ª semana Hemograma Glicemia em jejum Urocultura 31 Urina tipo I (sumário de urina – SU) Teste rápido para Hepatite B¹ ou Sorologia para hepatite B (HbsAg) Teste rápido para Sifilis¹ ou Sorologia para sífilis (VDRL) Teste rápido para HIV¹ ou Teste anti – HIV Teste rápido para Hepatite C¹ ADICIONAIS QUANDO NECESSÁRIO Repita o exame de toxoplasmose se o IgG não for reagente no primeiro trimestre; Coombs indireto mensal (se fator Rh negativo) a partir da 28 ª semana. ¹ Para as Unidades de Saúde que possuem os Testes Rápidos implantados. Nas demais solicitar sorologia laboratorial [Sorologia para sífilis (VDRL); Teste anti – HIV; Sorologia para hepatite B (HbsAg)]. A sorologia de hepatite C, não deve ser realizada, a testagem de Hepatite C somente será realizada caso a Unidade de Saúde possua os testes rápidos. O diagnóstico oportuno da infecção pelo HIV e da sífilis durante o período gestacional é fundamental para a redução da transmissão vertical. Nesse sentido, verifica-se a necessidade das equipes de Atenção Básica em realizar os testes rápidos para o diagnóstico de HIV e para a triagem da sífilis no âmbito da atenção ao pré-natal para as gestantes e suas parcerias sexuais. A ampliação do acesso e da melhoria da qualidade do pré-natal na Atenção Básica se apoia na oferta e na execução dos testes rápidos de HIV e de sífilis. Os testes rápidos para gestantes e parceiro, no estado de Santa Catarina, seguem as orientações da Nota técnica nº 011/DIVE/SES/2014 (ANEXO 3) e Parecer COREN/SC º 014 e 016/2013 anexos a este instrumento. 9.2 PRÉ-NATAL MASCULINO Realizar primeira consulta com foco no rastreamento/identificação de doenças crônicas não transmissíveis e solicitação de exames com preenchimento do Cartão do Pré Natal do Homem. 1ª Consulta Pré Natal Masculino - Exames Peso Altura IMC, pressão arterial Investigação de fatores de risco tabagismo, uso de álcool, sedentarismo, etc... Solicitada pelo Enfermeiro (a) ou pelo Médico (a): Teste rápido de VDRL* 32 Teste rápido de HIV* Teste rápido de HbsAg* Teste rápido de HCV* ADICIONAIS QUANDO NECESSÁRIO Grupo sanguíneo e fator Rh, quando não conhecido anteriormente; Hemograma + Triglicerídeos, Colesterol Total, HDL, LDL e Glicose caso não tenha realizado esses exames nos últimos 12 meses. *Caso a Unidade de Saúde não tenha disponível o teste rápido encaminhar o paciente para o CEDAP para coleta das sorologias 2ª Consulta Pré Natal Masculino Encaminhar para consulta médica caso ocorram alterações nos exames ou indicativo de risco, para prosseguimento da investigação conforme cadernos de atenção básica nº 36 e 37, Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus. Se resultado dos exames normais, aproveitar a oportunidade para orientar questões preventivas com incentivo à hábitos de vida saudáveis, estimulo quanto à paternidade ativa e consciente, direito à acompanhar a parceira nos grupos de gestante e na hora do parto, abordar temas relacionados ao planejamento familiar e o acesso ao SUS caso desconheça. 9.3 CONDUTAS DIANTE DOS RESULTADOS DOS EXAMES DE ROTINA As condutas frente aos resultados dos exames de rotina da gestante e seu parceiro são guiadas pelo Caderno de Atenção Básica “Atenção ao Pré-natal de Baixo Risco” (pg. 111). Se os resultado dos estiverem exames normais, aproveitar a oportunidade para orientar questões preventivas com incentivo à hábitos de vida saudáveis. 9.3.1 CONDUTAS DIANTE DOS TESTES RÁPIDOS Teste rápido de triagem para sífilis: SE POSITIVO Solicitar sorologia para VDRL. 33 Teste rápido diagnóstico anti-HIV: SE POSITIVO confirmar com o 2º teste rápido, e se o 2º testefor POSITIVO encaminhar ao serviço de referência especializado (CEDAP). Teste rápido diagnóstico para hepatite B: SE POSITIVO encaminhar ao serviço de referência especializado (CEDAP). Teste rápido diagnóstico para hepatite C: SE POSITIVO encaminhar ao serviço de referência especializado (CEDAP) para confirmação de diagnóstico quantitativo (RNA/HCV). 9.3.2 TRATAMENTO DA SÍFILIS NA GESTAÇÃO A Penicilina Benzatina se trata do único medicamento com evidência técnica e recomendação atual para impedir a ocorrência da transmissão vertical de sífilis (sífilis congênita), agravo de elevada morbimortalidade perinatal. 34 10 MEDICAÇOES PARA USO DURANTE A GESTAÇÃO 10.1 ÁCIDO FÓLICO O Ácido Fólico utilizado para a prevenção dos defeitos congênitos do tubo neural deverá ser instituído preferencialmente no período pré-gestacional de 60 a 90 dias antes da concepção. A suplementação com ácido fólico antes da concepção e até 12 semanas de gestação reduz o risco de defeitos do tubo neural dos bebês em 72%, além disso, tem papel importante na gênese da anemia em gestantes, de acordo com a conduta estabelecida pela Área Técnica Saúde da Mulher do Ministério da Saúde. Deve ser incentivado o consumo de alimentos ricos em folato, como: frutas cítricas, legumes, vegetais verdes e fígado. 10.2 SULFATO FERROSO Segundo o Ministério da Saúde, a distribuição dos suplementos é de caráter preventivo e não para tratamento. A alta prevalência de anemia na população brasileira justifica a suplementação universal e rotineira de sulfato ferroso. Como não existem dados que indiquem a prevalência de anemia em nossa região, adotamos a recomendação nacional. A suplementação de ferro deverá ser feita para todas as gestantes independente do estado nutricional, pois há queda no nível de hemoglobina com o evoluir da gestação. O sulfato pode provocar reações adversas, tais como náuseas, diarréia ou constipação intestinal, sendo por isso mal tolerado no primeiro trimestre de gestação. Assim, a suplementação deve iniciar na 20ª semana de gestação e seguir até o termo. O consumo de café, leite e chás durante as refeições diminuem a absorção do ferro, enquanto o consumo de sucos cítricos (Vitamina C) aumenta sua absorção, devendo ser encorajado. 10.3 PARACETAMOL E METOCLOPRAMIDA O Paracetamol e Metoclopramida poderão ser recomendados para utilização eventual, pela gestante, em caso de dor ou vômitos, com segurança. 35 Paracetamol Efeitos analgésicos (combate à dor) e antipiréticos (combate à febre). Bem tolerado, com baixa possibilidade de reação adversa; Não apresenta interações indesejáveis com outros fármacos; Sem efeitos colaterais quando a dose for a recomendada; Pode ser indicados para crianças, bebês e gestantes; Pode ser indicado para pacientes alérgicos à aspirina, bem tolerado para pacientes com úlcera péptica. O pico do nível de paracetamol no sangue é de 20mg/litro, e ocorre entre 30 minutos a 2 horas após a ingestão. O tempo de meia vida no organismo é de cerca de 2 horas. Metoclopramida Náusea e vômitos são mais freqüentes pela manhã, mas podem ocorrem em qualquer hora do dia, principalmente nas primeiras 12 semanas, e a maior parte resolve-se espontaneamente entre 16 a 18 semanas, sem qualquer intervenção. Reduzir a ingesta de carboidratos no 1º trimestre. Descansar ou dormir após as refeições reduz a freqüência, a gravidade e duração das náuseas e vômitos. A hiperemese gravídica é rara, caracterizada por vômitos persistentes associados à desidratação, perda de peso, alterações eletrolíticas e cetoacidose, e geralmente decorrem de gemelaridade, doença trofablástica gestacional ou distúrbios da tireóide ou emocional, devendo sempre ser manejado pelo médico. 36 10.4 MEDICAMENTOS PODERÃO SER PRESCRITOS PELO MÉDICO (A) OU ENFERMEIRO (A) Medicamento Apresentação REMUME Posologia Observações Ácido Fólico Comp. 5mg 1 vez ao dia Sulfato Ferroso Comp revestido 40 mg Sol oral 25 mg/ml *(1,6ml) 1 comp antes do almoço e 1 antes do jantar Iniciar após e 20 semanas de gestação Metoclopramida Comp 10 mg Sol oral 4 mg / ml 1 comp. 1 hora antes da refeição, até 3x ao dia Se necessário Paracetamol Comp 500 mg Sol oral 200 mg/nl 1 comp 6/6 hrs Se necessário Obs.: Prescrição de Medicamentos para Gestante de Risco Habitual (APÊNDICE B) 37 11 ESQUEMA BÁSICO DE VACINAÇÃO A vacinação durante a gestação objetiva não somente a proteção da gestante, mas também a proteção do feto, e deve seguir as recomendações do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde. IMUNOBIOLÓGICO RECOMENDAÇÃO ESQUEMA Vacina contra influenza (Fragmentada) Gestantes em qualquer período gestacional. Dose única durante a campanha anual contra Influenza. Vacina contra hepatite B Gestantes após o primeiro trimestre de gestação. Se não for previamente vacinada administrar três doses com intervalo de 30 dias entre a primeira e a segunda e de 180 dias entre a primeira e a terceira. DPT acelular Gestantes NÃO vacinadas previamente. Administrar três doses de vacinas DT com intervalo de 60 dias entre as doses. Administrar as duas primeiras doses de DT e a última dose de DTPa, preferencialmente entre 27ª e 36ª semanas de gestação. Gestantes vacinadas com uma dose de DT. Administrar uma dose de DT e uma dose de DTPa (entre 27ª e 36ª semanas de gestação) com intervalo de 60 dias entre as doses, mínimo de 30 dias. Se não houver tempo hábil para concluir o esquema, realizar a segunda dose com DTPa no mínimo 20 dias antes do parto e concluir a terceira dose com DT após o parto. Gestantes na 27ª a 36ª semanas de gestação, vacinada com duas doses de DT. Administrar uma dose da DTPa . Gestantes na 27ª a 36ª semanas de gestação, vacinada com três doses de DT. Administrar uma dose de DTPa. Gestantes na 27ª a 36ª semanas de gestação, vacinada com três doses de DT e com dose de reforço há menos de cinco anos. Administrar uma dose de DTPa. 38 Gestantes na 27ª a 36ª semanas de gestação, vacinada com três doses de DT e com dose de reforço há mais de cinco anos. Administrar uma dose de DTPa. Gestantes na 27ª a 36ª semanas de gestação, vacinada com pelo menos uma dose de DTPa na rede privada. Se aplicou DTPa em gestação anterior, aplicar DTPa na gestação atual e seguir orientações acima citadas. Se aplicou DTPa na gestação atual, seguir orientações acima citadas Mesmo com esquema completo (três doses de DT) e ou reforço com DT, a gestante deverá receber uma dose de DTPa a cada gestação. Esta dose de DTPa deve ser considerada como reforço. Esta dose deverá ser administrada mesmo nos casos em que a gestante já tenha recebido anteriormente um reforço, em período inferior a cinco anos. 39 12 CONDUTAS FRENTE À VIOLÊNCIA E GRAVIDEZ DECORRENTE DE VIOLENCIA SEXUAL A observação cuidadosa no pré-natal, as perguntas corretas e uma escuta qualificada podem ajudar a identificarcasos de violência e trabalhar formas de enfrentamento e fortalecimento da mulher, para que ela possa reagir positivamente em sua autodefesa e na proteção do bebê. A violência, seja ela física, sexual, psicológica ou emocional, torna-se ainda mais séria quando a mulher se encontra grávida, pois traz consequências significativas para a saúde do binômio mãe-filho, tais como baixo peso ao nascer, abortos, parto e nascimento prematuros e até mortes materna e fetal, conforme estudos revelados pela OMS no “Informe Mundial sobre a Violência e a Saúde”. Ao contrário do que se espera, a violência contra a mulher não diminui necessariamente durante a gravidez. . Adolescentes grávidas são particularmente mais vulneráveis à violência, pois existe um risco duas vezes maior de que elas sejam estupradas, se comparado ao risco das grávidas adultas. Há indicadores de que grávidas que sofrem violência sexual não realizam o pré-natal ou postergam seu início. No entanto, a assistência pré-natal é momento privilegiado para identificar as mulheres que sofrem violência e, muitas vezes, a única oportunidade de interromper o seu ciclo. As representações da violência que acometem também as mulheres em seu período gestacional podem ocasionar diversos transtornos à saúde, entre eles: as dores crônicas, as infecções urinárias recorrentes, os transtornos de comportamento, as depressões e as tendências ao suicídio. Todas as mulheres em situações concretas de violência ou vulneráveis a ela devem ser orientadas (pelos serviços que as atenderem) a denunciar seus agressores diretamente à autoridade policial. Para os casos de violência contra a gestante adolescente, o serviço de saúde deverá acionar imediatamente os conselhos tutelares da localidade. A notificação da violência é compulsória para todos os serviços de saúde, devendo ser preenchida a ficha de notificação, conforme estabelecido pelo Ministério da Saúde. 40 Às mulheres deve ser garantido o acesso à informação e à orientação humana e solidária; ao abortamento previsto em lei; à atenção de qualidade em complicações derivadas de abortos; e ao planejamento reprodutivo pós-aborto para, inclusive, evitar abortos repetidos. 12.1 ALTERNATIVAS FRENTE A GRAVIDEZ DECORRENTE DE VIOLÊNCIA SEXUAL Existem ainda os casos de gestação decorrentes de violência sexual. A mulher em situação de gravidez decorrente de violência sexual, bem como a adolescente e seus representantes legais, devem ser esclarecidos sobre as alternativas legais quanto ao destino da gestação e sobre as possibilidades de atenção nos serviços de saúde. É direito dessas mulheres e adolescentes serem informadas da possibilidade de interrupção da gravidez, conforme Decreto-Lei 2848, de 7 de dezembro de 1940, artigo 128, inciso II do Código Penal brasileiro. Da mesma forma e com mesma ênfase, devem ser esclarecidas do direito e da possibilidade de manterem a gestação até o seu término, garantindo-se os cuidados pré-natais apropriados para a situação. Nesse caso, também devem receber informações completas e precisas sobre as alternativas após o nascimento, que incluem a escolha entre permanecer com a futura criança e inseri-la na família, ou proceder com os mecanismos legais de doação. Nessa última hipótese, os serviços de saúde devem providenciar as medidas necessárias junto às autoridades que compõem a rede de atendimento para garantir o processo regular de adoção. 41 13 ATIVIDADES EDUCATIVAS NA GESTAÇÃO Informações sobre as diferentes vivências devem ser trocadas entre as mulheres e os profissionais de saúde. Esta possibilidade de intercâmbio de experiências e conhecimentos é considerada a melhor forma de promover a compreensão do processo de gestação. A criação de espaços de educação em saúde sobre o pré-natal é de suma importância, afinal, nestes espaços as gestantes podem ouvir e falar sobre suas vivências e consolidar informações importantes sobre a gestação e outros assuntos que envolvem a saúde da criança, da mulher e da família. As gestantes constituem o foco principal do processo de aprendizagem; porém, não se pode deixar de atuar, também, entre companheiros e familiares. A posição do homem na sociedade está mudando tanto quanto os papéis tradicionalmente atribuídos às mulheres. Portanto, os serviços devem promover o envolvimento dos homens (adultos e adolescentes), discutindo a sua participação responsável nas questões da saúde sexual e reprodutiva. É importante que toda a equipe de saúde se inclua em espaços de discussão com a população, em espaços formais e não formais, pois a educação popular em saúde é a forma mais democrática de construir um conceito amplo de saúde, de promover o autocuidado e de produzir melhores indicadores de saúde. As ações educativas podem ser desenvolvidas em nível individual, durante as consultas de acompanhamento do pré-natal, ou também no coletivo em atividades de grupais, devendo ser registradas no SISPRENATAL,Caderneta da Gestante e prontuário. Abaixo seguem sugestões de temas a serem abordados: 1 A 12 SEMANAS – ORIENTAR Importância do acompanhamento Pré-natal; Estimular a participação do companheiro(a) e dos familiares durante o processo de gestação; Esclarecer quanto aos sinais e sintomas comuns e risco na gravidez; Importância e orientações quanto ao aleitamento materno; Orientar sobre os hábitos alimentares e ganho de peso; Orientar sobre exercícios físicos e respiratórios; Hábitos de vida, (uso de álcool, fumo, drogas), higiene, vestuário; Autocuidado da gestante e do parceiro; Atividade sexual; Aspectos psicológicos da gravidez; 42 Participação em atividades educativas; Realização do exame colpocitológico Consulta odontológica; 13 A 25 SEMANAS – REFORÇAR E ORIENTAR A importância da participação do(a) companheiro(a) e dos familiares durante o processo de gestação; O sono e repouso; Exercícios e relaxamento; Sexualidade e lazer; Importância do aleitamento materno e preparo da mama; Higiene, vestuário e trabalho; Alimentação; Importância da vacinação; As modificações e distúrbios gravídicos relativos a este período e cuidados necessários; Participação em atividades educativas. 26 A 35 SEMANAS – REFORÇAR E ORIENTAR Exercícios respiratórios e abdominais; Cuidados com a postura; Sexualidade; Atividade física; Modificações e distúrbios gravídicos relativos a este período e cuidados necessários; Capacidade de o bebê perceber as sensações auditivas; Os cuidados com recém-nascido; Contracepção pós-parto 36 A 41 SEMANAS – REFORÇAR E ORIENTAR Possíveis intercorrências como: rompimento da bolsa, contrações; ocorrência de sangramentos; Sinais e Sintomas do Trabalho de parto; Movimentação fetal Amamentação; Cuidados com o RN, Direitos trabalhistas; Puericultura. 43 14 ORIENTAÇÕES FRENTE AS QUEIXAS MAIS FREQUENTES NA GESTAÇÃO As orientações a seguir são válidas para casos em que os sintomas são manifestações ocasionais e transitórias, não refletindo, geralmente, patologias clínicas mais complexas. A maioria das queixas diminui ou desaparece sem o uso de medicamentos que devem ser evitados ao máximo. a) NÁUSEAS, VÔMITOS E TONTURAS. Explicar que esses são sintomas comuns no início da gestação; Dieta fracionada (6 refeições leves ao dia); Evitar frituras, gorduras, alimentos com cheiros fortes e desagradáveis; Evitar líquidos durante as refeições (dandopreferência a pequenos volumes em intervalos mais freqüentes); Ingerir alimentos sólidos antes de levantar da cama pela manhã; Agendar consulta médica em caso de vômitos freqüentes. b) PIROSE (AZIA) Fracionar dieta, ingerir líquido frio; Evitar deitar até 30 minutos pós alimentação.; Evitar: fritura, café, chá preto, mates, doces. Obs.: Em alguns casos, a gestante pode fazer uso de medicamentos antiácidos a critério médico. c) SIALORRÉIA É um fenômeno comum na primeira metade da gravidez. Ocorre pelo aumento da atividade e do tamanho das glândulas salivares, sendo mais comum em mulheres que também sofrem enjôo matinal. Engula naturalmente a saliva; Evite alimentos que estimulem as glândulas salivares – como limão, vinagre, açúcar e ácidos; Não ponha açúcar na boca se estiver em jejum; 44 Tenha sempre à mão uma barra de cereais, uma peça de fruta, uma torrada ou um queijo branco para comer de três em três horas; Explicar que este é um sintoma comum no início da gestação. d) FRAQUEZAS E DESMAIOS Orientar a gestante para que não faça mudanças bruscas de posição e evite a inatividade; Iniciar dieta fracionada, sugerir chá ou café com açúcar como estimulante, desde que não contra indicados; Explicar à gestante que sentar com a cabeça abaixada, ou deitar em decúbito lateral ou elevar os membros inferiores em 90º, respirando profunda e pausadamente, diminui a sensação de fraqueza e desmaio; Evitar atividade física após alimentação; e) DOR ABDOMINAL, CÓLICAS, FLATULÊNCIA E OBSTIPAÇÃO INTESTINAL. Certificar-se que não sejam contrações uterinas; Se houver flatulência (gases) e ou constipação intestinal, orientar dieta rica em resíduos: frutas cítricas, verduras, mamão, ameixas e cereais integrais; Recomendar que aumente a ingestão de líquidos e evite alimentos de alta fermentação, tais como repolho, couve, ovo, feijão, leite, açúcar; Recomendar caminhadas, movimentação e regularização do hábito intestinal. f) HEMORRÓIDAS Recomendar à gestante: Alimentar-se adequadamente, a fim de evitar constipação intestinal e, se necessário, prescrever supositórios de glicerina; Não usar papel higiênico colorido ou áspero e fazer higiene perianal com água e sabão noturno, após defecação; Compressas mornas ou banho de assento; Agendar consulta médica, caso haja dor ou sangramento anal persistente. g) LEUCORRÉIA 45 Explicar que um aumento de fluxo vaginal é comum na gestação, desde que mantenha as características normais; Agendar consulta médica, se ocorrer fluxo de cor amarelada, esverdeada ou com odor fétido, ou caso haja prurido. Nestes casos, ver condutas no Manual de Tratamento e Controle de Doenças Sexualmente Transmissíveis / DST – AIDS / MS. h) QUEIXAS URINÁRIAS Explicar que, geralmente, o aumento do número de micções é comum no início e no final da gestação (aumento do útero que faz compressão sobre a bexiga); Agendar consulta médica, caso tenha dor ao urinar, hematúria (sangue na urina) ou outro sintoma que sugira alterações urinárias, acompanhado ou não de febre. i) FALTA DE AR E DIFICULDADE PARA RESPIRAR Esses sintomas são freqüentes na gestação, em decorrência do aumento do útero ou ansiedade da gestante; Recomendar repouso em decúbito lateral esquerdo; Ouvir a gestante e conversar sobre suas angústias; Estar atento para outros sintomas associados e para achados no exame cardiopulmonar. Agendar consulta médica, caso haja dúvida ou suspeita de problema clínico. j) DOR NAS MAMAS Recomendar o uso de sutiã, com boa sustentação, depois de descartada qualquer intercorrência mamária. k) DOR LOMBAR Recomendar à gestante: Correção de postura ao sentar-se e ao andar; Uso de sapatos com saltos baixos e confortáveis; Aplicação de calor local; Eventualmente usar analgésicos (se não for contra indicado), por tempo limitado. Realizar período de descanso ou troca de posição a cada 3 ou 4 horas. 46 l) CEFALÉIA Afastar hipertensão arterial e DHEG (se tiver mais de 24 semanas de gestação); Conversar com a gestante sobre suas tensões, conflitos e temores; Agendar consulta médica, se persistir o sintoma. m) SANGRAMENTO GENGIVAL Recomendar o uso de escova de dente macia e com cabeça pequena, massagem na gengiva durante a escovação e usar fio dental; Agendar atendimento odontológico. n) VARIZES Recomendar à gestante: Não permanecer muito tempo em pé ou sentada; Repousar (20 minutos), várias vezes ao dia, com pernas elevadas; Não usar roupas muito justas e nem ligas nas pernas, se possível, utilizar meia calça elástica para gestante. o) CÂIMBRA Recomendar à gestante massagear o músculo contraído e dolorido e aplicar calor local evitando o excesso de exercícios; Aumentar o consumo de alimentos ricos em potássio, cálcio e vitamina B1. p) CLOASMA GRAVÍDICO Comum na gravidez e que costuma desaparecer em tempo variável após o parto; Orientar proteger-se do sol e fazer uso de protetor solar. q) ESTRIAS São resultados da distensão dos tecidos sem método eficaz de prevenção. Inicialmente são de cor arroxeada, mas tendem a ficar com cor semelhante a da pele, há controvérsias quanto ao tratamento. Sugere-se: Massagear os locais com substâncias oleosas na tentativa de preveni-las; Beber bastante líquido para manter o corpo hidratado; 47 Manter uma boa alimentação, dando ênfase à vitamina C, que estimula a produção de colágeno e proteína. r) FUMO, ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS. São drogas transmitidas via transplacentária, sendo assim nocivas ao feto e ao recém nascido, portanto, orientar o abandono das mesmas. Não sendo possível, estimular a redução de danos. SE NECESSÁRIO ENCAMINHAMENTO PARA: Nutricionista; Psicólogo (a); Assistente Social; Realizado por médico (a) ou enfermeiro (a), com preenchimento da Referencia,sendo que este atendimento deverá ser priorizado. 48 15 CONDUTAS QUE NORTEIAM O ATENDIMENTO CLÍNICO DA GESTANTE PELA EQUIPE DE SAÚDE BUCAL A maioria dos procedimentos odontológicos pode ser realizada durante a gravidez, observando-se alguns cuidados: planejar sessões curtas, adequar a posição da cadeira e evitar consultas matinais, já que neste período as gestantes têm mais ânsia de vômito e risco de hipoglicemia. Exodontias não complicadas, tratamentos periodontal e endodôntico, restaurações dentárias, instalação de próteses e outros tipos de procedimentos devem ser realizados com segurança, de preferência no segundo trimestre. Tratamentos seletivos como as reabilitações bucais extensas e as cirurgias mais invasivas podem ser programadas para o período de pós-parto. Apesar de a prevenção ser priorizada, quando houver necessidade curativa, o tratamento deve ser instituído, uma vez que os problemas da cavidade bucal podem ter influência tanto para a mãe quanto para o feto, especialmente quando se compromete a nutrição e contribui-se para a infecção e disseminação de patógenos no sangue. O período ideal e mais seguro para o tratamento odontológico é durante o segundo trimestre da gestação. No entanto, os casos que necessitam tratamento de urgência devem ser solucionados sempre, independentemente do período gestacional.Preenchimento do odontograma e ficha clínica: anamnese completa, dados cadastrais (CNS, CPF, Telefones e endereço), caderno de controle das gestantes. (padronização nas ESF´s). Rubricar e carimbar a carteira de gestante com a data da consulta inicial. Oferecer um kit de higiene dental (escova, creme dental, fio dental e folder) à gestante e ao acompanhante durante a orientação de higiene no escovatório. 15.1 RADIOGRAFIAS BUCAIS O exame radiográfico deve ser realizado, quando realmente necessário, em qualquer trimestre da gestação; pois, desde que medidas protetoras sejam tomadas (uso de filmes ultra- rápidos e avental de chumbo e protetor de tireóide) uma exposição radiográfica não afeta o desenvolvimento fetal. É necessário uma exposição de 5 rads para existir a possibilidade de má-formação ou aborto espontâneo, sendo que uma tomada radiográfica intrabucal equivale a 0,01 milirads de radiação, menos que a radiação cósmica adquirida diariamente. 49 15.2 ANESTESIA ODONTOLÓGICA Ainda prevalece a crença de que gestantes não podem submeter-se à anestesia local, principalmente se os agentes anestésicos apresentarem vasoconstritor. No entanto, este tipo de anestesia é considerado seguro, desde que o profissional tenha conhecimento de quais substâncias medicamentosas utilizar. A solução anestésica local que apresenta maior segurança em gestantes é a lidocaína 2% com adrenalina 1:100.000, respeitando-se o limite máximo de dois tubetes anestésicos (3,6ml) por sessão, procedendo sempre injeção lenta da solução. Contraindicação: Prilocaína - Pois, em altas doses, dificulta a circulação placentária e pode provocar a metemoglobinemia e hipóxia fetal, em virtude de alterar a hemoglobina tornando-a incapaz de transportar oxigênio. Em relação à associação do anestésico local com vasoconstritores: Não há contraindicação e apresenta vantagens como a redução da toxicidade sistêmica pelo aumento da concentração local dos anestésicos, a ação hemostática e o prolongamento do seu efeito farmacológico. A noradrenalina e a adrenalina são consideradas seguras e não relacionadas à malformação fetal. Por outro lado, a administração de soluções anestésicas contendo felipressina é contraindicada durante a gestação em razão de sua semelhança estrutural com a ocitocina, sendo, portanto, em altas doses, capaz de estimular as contrações uterinas, bem como diminuir a circulação placentária e dificultar a fixação do embrião no útero. Flúor Outro ponto bastante questionado na Odontologia é sobre a prescrição de fluoretos em gestantes. O conhecimento atual sobre o mecanismo de ação do fluoreto indica que seu efeito é predominantemente tópico, ocorrendo principalmente na interface placa/esmalte, através da remineralização de lesões de cárie iniciais e da redução da solubilidade do esmalte dentário. Portanto, a prescrição de medicamentos fluoretados no período pré-natal não traz nenhum beneficio que justifique sua indicação. 15.3 ANTIBIÓTICOS, ANTI-INFLAMATÓRIOS E ANALGÉSICOS Categorias de risco para indução de defeitos congênitos segundo o FDA (Food and Drug Administration – EUA): 50 Categoria A: estudos controlados em mulheres não demonstraram risco para o feto no primeiro trimestre de gestação, e não há evidência de risco em trimestres posteriores. A possibilidade de dano fetal parece remota. Categoria B: estudos de reprodução animal não demonstraram risco fetal, mas inexiste estudo controlado em mulheres grávidas; ou estudos de reprodução animal mostraram algum efeito adverso no feto (que não seja diminuição da fertilidade), não confirmado em estudos controlados em mulheres durante o primeiro trimestre (e não há evidência de risco em trimestres posteriores). Categoria C: estudos em animais demonstraram efeitos adversos no feto (teratogenia, morte fetal ou outro), e não há estudos controlados em mulheres; ou estudos em mulheres e animais não estão disponíveis. Esses fármacos só devem ser administrados se o benefício justificar o risco potencial para o feto. Categoria D: há evidência positiva de risco fetal humano, mas os benefícios de uso em mulheres grávidas podem justificar o uso a despeito do risco (por exemplo, se o fármaco é necessário numa situação de risco de vida para uma doença grave, para a qual agentes mais seguros não podem ser usados ou não são eficazes). Categoria X: estudos em animais e seres humanos demonstraram anomalias fetais ou há evidência de risco fetal baseada em experiências em humanos, ou ambos, e o risco de uso do fármaco em mulheres grávidas está claramente acima do possível benefício. O fármaco é contraindicado em mulheres que estão ou podem ficar grávidas. As penicilinas são os antibióticos mais indicados durante a gestação na prevenção e no tratamento de infecções maternas e intrauterinas, pois agem na parede celular, estrutura que somente as bactérias possuem, sendo, portanto, atóxicas aos organismos materno e fetal. Podem ser administradas com segurança em qualquer período da gestação. Dentro do grupo das penicilinas, as mais indicadas são as biossintéticas, como as fenoximetilpenicilinas, e as semissintéticas de largo espectro, como as ampicilinas e as amoxicilinas. A literatura sugere a prescrição do estearato de eritromicina e das cefalosporinas como opção somente nos casos de pacientes alérgicas às penicilinas. As tetraciclinas estão totalmente contraindicadas na gravidez, pois atravessam com facilidade a placenta e são depositadas nos ossos e dentes durante os períodos de calcificação ativa, podendo provocar efeitos indesejáveis sobre a formação óssea e dentária do feto, causando malformações no esmalte dentário, alterando a sua coloração e podendo causar retardo do crescimento ósseo. O uso de metronidazol está contra-indicado no primeiro trimestre da gestação. 51 Grupo Farmacológico Fármaco Observações Antibacterianos Amoxicilina (B) Benzilpenicilina Benzatina (B) Benzilpenicilina Potássica (B) Cefalexina (B) Eritromicina (B) Metronidazol (B) Ciprofloxacina (C) Sulfadiazina (C) Neomicina+Bacitracina (C) Tetraciclina (X) Não Usar metronidazol no 1° trimestre. Os anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs) – Ibuprofeno, diclofenaco, dipirona, paracetamol e o ácido acetilsalicílico devem ser usados com extrema precaução durante a gestação (principalmente durante o terceiro trimestre) e por tempo restrito, e também durante a amamentação. Os AINEs quando usados no terceiro trimestre podem causar fechamento do ducto arterioso e hipertensão pulmonar no feto ou neonato. No caso de procedimentos endodônticos ou cirúrgicos mais invasivos que não puderem ser adiados, pode-se empregar corticóide (betametasona ou dexametasona) em dose única de 4 mg. É importante ressaltar que o uso prolongado de betametasona pode determinar baixo peso ao nascer e redução da circunferência craniana. Em curtos períodos, reduz a incidência de síndrome do desconforto respiratório e de mortalidade do recém-nascido prematuro. Grupo Farmacológico Fármaco Observações Analgésicos e Anti- inflamatórios não esteroides Paracetamol (B), Ácido Acetilsalicílico (C/D) Ibuprofeno (C/D) Ácido Acetilsalicílico: evitar doses anelgésicas nas últimas semanas; doses elevadas podem levar ao fechamento do ducto fetal e possivelmente hipertensão 52 pulmonar persistente no recém nascido. Ibuprofeno: Classificado como C no 1° e 2° trimestre e D no 3° trimestre. Corticosteróides Prednisona (B) Betametasona dexametasona A atitude do prescritor deve ser criteriosa, evitandoo uso de medicamentos em grávidas e nutrizes e priorizando medidas não-medicamentosas para controle de suas manifestações clínicas. Em caso de real necessidade, a prescrição deve ser feita com fármacos não associados a efeitos adversos em feto e lactente. A automedicação também deve ser fortemente desestimulada. Grupo Farmacológico Fármaco Observações Antifúngicos Nistatina (A ou C) Miconazol (C) Nistatina: A para a via vaginal e C para as vias oral e tópica. 53 16 VISITA DOMICILIAR NO PUERPÉRIO Recomenda-se uma visita domiciliar na primeira semana após a alta do bebê e da puérpera. O retorno da mulher e do recém-nascido ao serviço de saúde e uma visita domiciliar, devem ser incentivados desde o pré-natal, na maternidade e pelos agentes comunitários de saúde na visita domiciliar. A visita domiciliar deve ser realizada pelo agente comunitário de saúde (ACS), auxiliar/técnico de enfermagem / enfermeiro ou médico, conforme necessidade, entre 7 a 10 dias após o parto. Nas Unidades com agentes comunitários de saúde, a visita domiciliar deve ser realizada rotineiramente. Já nos Ambulatórios Gerais a visita domiciliar deverá acontecer se o hospital ou a própria Unidade de Saúde identificar algum risco aumentado durante a internação ou realização do atendimento pré-natal. Objetivos da visita domiciliar: Conhecer o local onde o RN está acomodado e o ambiente familiar; Avaliar o estado de saúde da mulher e do recém-nascido; Identificar comportamento familiar frente à chegada do RN e rede de apoio para acompanhamento da puérpera; Orientar e apoiar a família para a amamentação; Orientar os cuidados básicos com o recém-nascido; Identificar situações de risco ou intercorrências e conduzi-las; Orientar para consulta puerperal com enfermeiro (a) até 10 dias e com o médico (a), em torno de 30 à 35 dias. 54 17 CONSULTA DE PUERPÉRIO A consulta puerperal tem como objetivo avaliar as condições pós-gravídicas do organismo materno, além, é claro, assistir a puérpera em suas dúvidas e queixas clínicas, principalmente, relacionadas às mamas, incisão cirúrgica, lóquios, entre outras. Nesta consulta é importante avaliar as opções contraceptivas mais indicadas, a necessidade e realização de vacinas e exames de rotina. Na primeira semana após o parto, as puérperas devem retornar à unidade de saúde na qual realizou o pré-natal para consulta com o enfermeiro e no prazo de 30 à 35 dias para revisão puerperal e orientações para o Planejamento Familiar com o profissional médico ou enfermeiro. As unidades de saúde deverão organizar agenda para os atendimentos afim de garantir os prazos preconizados e assegurando a melhor qualidade da assistência ao binômio mãe/filho. Quando houver qualquer intercorrência durante o parto com a mãe e/ou recém- nascido, a Unidade Hospitalar deverá fazer uma comunicação a Unidade de Saúde a qual a mulher pertence. A Unidade Hospitalar deve fazer contato telefônico e contra referência para que visitas domiciliares sejam programadas assim que, a puérpera chegar ao domicílio, objetivando planejar assistência à família, o mais precocemente possível. Recomendações para Consulta de enfermagem (7 a 10 dias pós-parto): Conversar sobre o parto atendo-se às informações que forem necessárias (tipo de parto, intercorrências, etc.); Identificar durante a consulta de enfermagem: estado geral, uso de medicações, observar lóquios (cor, odor, quantidade); Observar episiorrafia ou incisão cirúrgica – observar as condições gerais e possíveis sinais de infecção puerperal; Avaliar função intestinal e urinária; Avaliar o estado emocional da mulher; Verificar sinais vitais; Mamas: observar sinais de ingurgitamento, traumas mamilares (escoriações, fissuras); Rever técnica de amamentação e cuidados com as mamas; 55 Solicitar que ofereça a mama e observar a “pega” e aceitação do recém nascido; Orientar sobre direitos trabalhistas durante a lactação Orientar riscos de compressas nas mamas, assim como aplicação de qualquer produto que não tenha sido prescrito por médico; Nos casos de suspeita de mastite, providenciar atendimento para a puérpera na unidade de saúde e caso necessário referenciar ao Banco de Leite Humano ou retornar à maternidade para assistência; Esclarecer e sanar dúvidas com a puérpera e sua família sobre os cuidados do RN; Realizar consulta de enfermagem ao recém nascido, esclarecendo as dúvidas da mãe naquele momento conforme a Política de Saúde da Criança; Orientar sobre anticoncepção na lactação. O pré-natal encerra-se somente após este atendimento, caso a puérpera não compareça, deverá ser realizada a busca ativa Encerrar o pré-natal no SISPRENATALWEB. 17.1 EXAMES DE ROTINA DO PUERPÉRIO Exames laboratoriais como hemograma, urina tipo I, parasitológico de fezes, sorologias para sífilis, HIV, Hepatite B ou qualquer outro exame podem ser solicitados pelo médico quando houver necessidade. A coleta de citologia oncótica do colo uterino deve ser realizada após o 3º mês do puerpério, quando o resultado desta durante o pré-natal for NIC II com HPV ou NIC III, e se a paciente perdeu seguimento no ambulatório especializado. Se o resultado da citologia durante o pré-natal for normal e se as duas últimas citologias forem normais, esta pode ser colhida a cada 3 anos, seguindo o protocolo para prevenção de câncer de colo de útero. 17.2 VACINAÇÃO NO PUERPÉRIO Se necessário serão realizadas as vacinas de: Difteria e Tétano (dupla adulto), Rubéola (tríplice viral), Hepatite B e Febre Amarela para completar o esquema vacinal vigente determinado pela Secretaria Municipal de Saúde e Ministério da Saúde. 56 17.3 CONTRACEPÇÃO NO PUERPÉRIO É importante pensar em contracepção no puerpério para evitar as morbidades relacionadas ao intervalo interpartal encurtado e para proporcionar opções para um planejamento familiar adequado às mulheres neste período. Deixando claro o uso de contracepção por ocasião do retorno as atividades sexuais. Todos os métodos contraceptivos podem ser recomendados no puerpério e a escolha depende da disponibilidade nos serviços públicos de saúde, amamentação, indicações e contra indicações clínicas e do desejo de reversibilidade do método. Método da amamentação – LAM: é um método anticoncepcional temporário que consiste no uso da amamentação para evitar a gravidez. O nome LAM significa método da lactação e amenorréia. Lactação quer dizer amamentação e amenorréia quer dizer falta de menstruação. A amamentação tem efeito inibidor sobre a fertilidade, ou seja, sobre a capacidade de ter filhos. A mulher disposta a realizar amamentação exclusiva nos primeiros seis meses após o parto pode utilizar o LAM como método anticoncepcional, ou associar o LAM com outro método anticoncepcional que não interfira na amamentação. A eficácia deste método depende de três condições: 1ª a amamentação deve ser exclusiva ao seio, na hora em que o bebê quiser, durante o dia e durante a noite, sem chás, sucos ou água; 2ª a mulher não deve estar menstruando; 3ª o bebê deve ter até seis meses de idade.O efeito inibidor da fertilidade produzido pelo LAM deixa de ser eficiente quando a mulher volta a menstruar e também quando o bebê começa a receber outros alimentos, além do leite materno. Nessas situações, é preciso escolher um outro métodoanticoncepcional, mas a mulher pode continuar amamentando. Os Progestágenos isolados podem ser iniciados imediatamente após o parto, em todas as pacientes, sem aumentar o risco de tromboembolismo e sem interferir na amamentação, independente de morbidades obstétricas ou clínicas prévias. Estão disponíveis na rede a Noretisterona 0,35mg (uso VO, contínuo, efeito dependente da amamentação, sugerida troca por contracepção efetiva quando iniciar alimentação complementar ou aos 6 meses do nascimento) e o Acetato de Medroxiprogesterona 150mg Depot (uso IM, trimestral, efeito independente da amamentação). Também há opções comerciais de pílulas de Desogestrel 75mcg contínuo (Cerazette e Nactali), que não interferem na amamentação e independem dela para a manutenção de sua eficácia. 57 Os métodos de barreira (condom feminino, condom masculino) podem ser usados imediatamente após o parto sem interferir na lactação, sem riscos vasculares, com as mesmas recomendações de uso consistente, independente do período reprodutivo. Têm a vantagem de evitar, além de uma gestação indesejada, as DST´s. Os contraceptivos combinados (orais ou IM mensais) não devem ser usados por pacientes em lactação pois diminuem a quantidade de leite. Também estão contraindicados antes do 21º dia de puerpério pois aumentam os riscos de tromboembolismo, mesmo em pacientes sem comorbidades. Podem ser prescritos para as pacientes que não amamentam ou não desejam amamentar e para as que desejam suprimir a lactação em qualquer tempo do puerpério. O DIU de cobre, disponível na rede pública, pode ser inserido com segurança à partir do 28º dia de puerpério para evitar expulsão espontânea, mais comum neste período. Entretanto, há estudos que demonstram que esse risco é bem menor do que anteriormente descrito, indicando inclusive a sua inserção no pós-parto imediato sem maiores riscos ou complicações. É um método de longo prazo, podendo ser mantido por até 10 anos. Comercialmente, está disponível o SIU-levonorgestrel com as mesmas indicações do DIU-Cu e com efeito direto no endométrio, sem aumentar os risco cardiovasculares mesmo na inserção no pós-parto imediato. Os métodos considerados irreversíveis (laqueadura e vasectomia) estão sujeitos a legislação própria e devem ser encaminhados para os trâmites a partir da manifestação da vontade dos interessados, que deve acontecer pelo menos 60 dias antes do procedimento de esterilização e deve ser acompanhado por equipe multidisciplinar. Conforme a Lei nº 9.263, de 13 de novembro de 1996, Artigo 10, Parágrafos I e II, regulamentada pela portaria 048 do Ministério da Saúde. 58 REFERÊNCIAS CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SANTA CATARINA, Parecer n.º.013/AT/2004. Dispões sobre Prescrição de Cuidados de Enfermagem. Florianópolis, 2004. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SANTA CATARINA, Parecer n.º. 014/AT/2005. Dispõe a Solicitação de Exames por Enfermeiros. Florianópolis, 2005. ESTADO DE SANTA CATARINA, Coleta do Papanicolaou e Ensino do Auto – Exame da Mama – Manual de Procedimentos Técnicos e Administrativos. Florianópolis, 2006. MINISTÉRIO DA SAÚDE, Assistência Pré – Natal – Normas e manual técnico. 3ª edição, Brasília, 1998. _____________. Implantação do Programa de Humanização no Pré - Natal. Brasília, 2002. _____________. Manual de Vacinação – Divisão Técnica de Epidemiologia, Programa Nacional de Imunização. Brasília, 2002. _____________. Manual Técnico – Pré – natal e Puerpério Atenção Qualificada e Humanizada. Brasília, 2006. _____________.Assistência Integral à Saúde da Mulher: Bases de ações programáticas. Brasília, 1984. _____________, Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher – Plano de ação 2004 – 2007. Brasília, 2004. _____________, Lei n.º. 8069 de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília, 1990. _____________. Portaria n.º.1.625 de 10 de julho de 2007. Altera atribuições dos profissionais das Equipes de Saúde da Família - ESF dispostas na Política Nacional de Atenção Básica. Brasília, 2007. PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINAS. Diretrizes Básicas de Atendimento Pré – Natal. Revisão Campinas, 2005. Rotinas em obstetrícia – Assistência pré-natal. 5ª edição. Porto Alegre, 2006.- (ver 6 edição) Manual de Gestação de Alto Risco – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetricia – FEBRASGO - 2011 59 ANEXO 1 60 61 ANEXO 2 62 ANEXO 3 63 64 65 66 APÊNDICE A REGISTROS DAS REVISÕES ANTERIORES No dia 13 de maio de 2008, foi realizada reunião com os enfermeiros da rede de Atenção Básica de Saúde de Blumenau, coordenada pela Enfermeira Claudete Kaiser para revisão do protocolo elaborado pela equipe acima. A eles nossos agradecimentos. EQUIPE DE ELABORAÇÃO: Aurélio Piccoli Crivelli - Médico Carlos Ivan Beduschi - Médico Fátima Regina Reiser dos Santos - Enfermeira Judite H Bertoncini - Enfermeira Lucimar dos Santos - Médica Marcelo Barazuol Lanzarin - Médico Marco Antonio Bramoski - Médico Neide Maria Bagio - Enfermeira Newton José Martins Mota - Médico Com a reorganização do Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher realizou-se a revisão deste documento com início em junho de 2009. EQUIPE DESIGNADA PARA REVISÃO: Ângela Maria Mazzetti - Enfermeira Aurélio Piccoli Crivelli - Médico Cláudio Luiz Pizarro Pilotto - Médico Daniela Colling Darolt - Enfermeira Danielle Bernardi de Chaves - Médica Daniel Bruns - Médico Ginecologista Edira de Fátima Fernandes - Enfermeira Eliane Kosinski Von Dentz - Enfermeira Marileiva Schussler - Enfermeira Marinês Finco - Enfermeira 67 Neida Kefer da Silva - Enfermeira Simone Andréa Rodrigues - Fonoaudióloga No ano de 2013 e 2014, com a implantação da Rede Cegonha realizou-se a revisão do Protocolo de Pré-natal vigente, participando os seguintes membros: Nome Categoria Rafaela do Nascimento Enfermeira Miria Dias Bibow Baldi Enfermeira Clarissa Hoppe Fernandes Odontopediatra Ana Paula Machado Ghizoni Enfermeira Stela Maris Duarte Enfermeira Gabriel Wobeto Médico Cristiane Tamara Reiter da Silva Psicóloga Cleusa Eliane de Mendonça Pandini Enfermeira Martha Colvara Bachilli Médica /gineco/Obstetra Milene da Rosa Enfermeira Wagner Iansen Pansard Dentista Eliezer Walter de Menezes Filho Médico Lizandra Haeffner Junges Assistente social Indianara C. Muller Schneider Médica Porém, com a elaboração do Protocolo de Pré-natal do Médio Vale do Itajai, iniciado em 2014 e finalizado em 2015, uma nova equipe foi montada, para então revisar e implantar o Protocolo revisado. Joslaine Rafaela Menegazzo Coordenação Saúde Mulher 68 APÊNDICE B MODELO DE RECEITA DOS MEDICAMENTOS PADRONIZADOS NO PRÉ- NATAL DE RISCO HABITUALNome:_________________________________________________________________ Data de nascimento:_____/_____/____. CNS:_________________________________ QUANTIDADES MEDICAMENTOS Paracetamol 500mg 1 comprimido até 6/6h V.O. Se dor ou febre. Metoclopramida 10mg 1comp até 8/8h. V.O. Se náuseas e vômitos. Ácido fólico 5mg 1 comprimido por dia. Até dia ____/____/____ ( até 12º semana de gestação) Sulfato ferroso 40mg 2 comp. dia, iniciar ____/____/____ tomar até termino da gestação(iniciar a partir 20ª semana de gestação). 69 APÊNDICE C CONSULTA DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA MULHER GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA * 1- DATA 2- ANAMNESE Idade Fumante? Quanto tempo? Quantos cigarros/ dia? Imunização conforme esquema Antecedentes Ginecológicos: Menarca Início da atividade sexual Tipo de União Ciclo menstrual (duração, intervalo, regularidade, dismenorréia) DUM (data da última menstruação) Uso de MAC (método anticoncepcional) por prescrição médica ou automedicação, tipo e tempo de uso. Avaliação da adequação do método utilizado. Métodos anteriores (motivo do abandono) Citologia oncótica (data e resultado) Exame de mamas (Método: auto-exame ou por profissional, regularidade) Antecedentes Obstétricos: Número de gestações Número de partos Número de abortos Número de cesarianas Número de filhos vivos Número de filhos vivos atualmente Intercorrências (natimortos, óbitos neonatais e má formação congênita) Antecedentes familiares (câncer de mama, hipertensão, diabetes, etc.) _________ * PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINAS, Diretrizes Básicas do Atendimento Pré Natal. Campinas, 2005 Violência doméstica e sexual 70 Levantamento das necessidades humanas básicas: Hábito urinário (disúria, incontinência) Hábito intestinal (freqüência constipação) Queixa ginecológica/ sexual Motivo da consulta Início e tempo de duração dos sintomas. 3 - EXAME FÍSICO Peso / Altura Dados vitais (PA, Temperatura, Pulso, Respiração) Inspeção de pele, anexos, mucosa e cavidade oral (observar Candidíase, lesões sugestivas de DST) Palpação de cadeias ganglionares (cervical, supra e infra - clavicular, inguinal e axilar) Ausculta pulmonar e cardíaca, quando necessário Exame de abdome: palpação, percussão e presença de cicatriz Exame de membros inferiores: edema, varizes e investigar dor na panturrilha Genitais externos: inspeção da região pubiana e vulva (coloração, lesões aspectos, etc.) presença de cicatriz de episiotomia, prolapso uterino e distopias (cistocele, retocele, etc.) Exame especular Características vaginais (elasticidade, coloração, pregueamento, presença de lesões ou anormalidades), conteúdo vaginal (características da secreção vaginal, consistência, aspecto, cor, cheiro e quantidade); Aspectos do colo uterino: coloração, presença, coloração e tamanho de lesões, características do muco cervical (cor, presença de pus), fragilidade e sangramento do colo à manipulação, resultado do teste de Schiller e da Inspeção Visual com Ácido acético; quando usuária de DIU, observar presença do fio. Mamas Inspeção Estática – características gerais: volume, apresentação (flácidas, firmes, etc.), simetria aspectos da pele (coloração, presença de lesões ou retrações), aspecto de mamilos; Inspeção Dinâmica – abaulamento, retração, mobilidade da mama, alteração de contorno; 71 Palpação da mama: observando endurações, alterações em geral. Expressão bilateral de mamilos: descarga papilar unilateral ou bilateral, características (consistência, cor). Colher material e preencher impresso próprio. Toque vaginal: Presença de dor, mobilidade do colo, posição, forma, tamanho, consistência do útero e anexos. Específico para gestantes: Pesar e anotar no gráfico (Nomograma), observando o sentido da curva para avaliação do estado nutricional da gestante Exame de mamas Medida de altura uterina Ausculta de BCF Avaliar seguimento odontológico Orientações referentes à amamentação 4- DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM Definido de acordo com as necessidades básicas alteradas. 5 – CONDUTAS Coleta de citologia oncótica conforme padronização do Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher, no momento do exame especular Realização da Inspeção Visual com Ácido Acético (IVA) e do teste de Schiller no momento do exame especular Solicitação de exames laboratoriais padronizados para gestantes (Diretrizes básicas de atendimento ao Pré-Natal) Indicação de tratamentos padronizados e controle, segundo o caso Orientações conforme diagnóstico de enfermagem definido Agendamento de consulta subseqüente, conforme programa de atendimento inserido (gestante, puerperal, etc.) Encaminhamentos necessários 6 - REGISTRO Registro dos achados, observações, diagnóstico de enfermagem e conduta 72 Preenchimento dos impressos próprios: solicitação de exames laboratoriais e de exame citopatológico, ficha obstétrica, cartão da gestante, SIS pré-natal, etc. Registro de procedimentos realizados 7 - ASSINATURA E COREN 73 APENDICE D 74