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RESUMO AV1 Constitucional

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determinação do juiz; é o que se chama de cláusula de reserva de jurisdição. 
3.3.9 Direito à intimidade e sigilo bancário 
O artigo 5o , inciso X, afirma: “Art. 5o , X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”24. A norma constitucional deixa claro que a violação da intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas pode ensejar na cobrança de indenizações pelos danos moral e material sofridos. Entretanto, mais uma vez afirma-se que os direitos fundamentais não são absolutos e, portanto, existem exceções que permitem essa violação. A jurisprudência tem se apoiado nos princípios da ponderação e razoabilidade para analisar a possibilidade de imputação de danos. 3.3.10 Sigilo de correspondência e de comunicação O sigilo de correspondência e comunicação está previsto no artigo 5o , inciso XII e afirma que:
Art. 5o , XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Brasília: Senado, 1988. Na norma, em questão, quatro sigilos são protegidos: o sigilo de correspondência, comunicações telegráfica, de dados e as comunicações telefônicas. Entretanto, todos os sigilos podem ser relativizados por leis infraconstitucionais, exceto o telefônico, que só pode ser relativizado por ordem judicial para investigação criminal ou processo penal, nos termos do inciso da constituição. Questão importante de ser discutida é a quebra do sigilo bancário que foi debatida pelo Recurso Extraordinário 389808 de 2010, no qual se questionou se a quebra do sigilo bancário é ou não privativa do juiz. Entendeu-se que as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI’s) podem realizar a quebra de sigilo bancário, pois não há a restrição no texto constitucional como nos casos de quebra de sigilo telefônico. Portanto, o STF afirma que pode-se quebrar o sigilo bancário por determinação judicial, ordem do plenário da câmara e do senado ou por decisão de CPI. A quebra do sigilo bancário prevista pela Lei Complementar 105/2001 coloca mais um impasse na definição das hipóteses de quebra do sigilo, pois afirma ser possível a quebra do sigilo bancário por autoridade fiscal, sem ordem judicial. Entretanto, desde 2010 o STF25 nega essa possibilidade, mesmo indo em desencontro com o estabelecido na Lei Complementar. O entendimento é de que administrativamente não seria possível a quebra do sigilo dos dados que são protegidos pela constituição. O auditor fiscal, portanto, não pode solicitar os dados diretamente à instituição financeira, deve ser feito por medida judicial. 3.3.11 Liberdade de profissão O sigilo de correspondência e comunicação está previsto no artigo 5o , inciso XII, e afirma que: “Art. 5o , XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”.
Portanto, no Brasil qualquer trabalho, ofício ou profissão é livre, exceto nos casos em que a atividade é tipificada na lei como algo ilegal. Essa é uma norma constitucional de eficácia contida, pois há uma liberdade que pode ser restringida por norma infraconstitucional, como dispõe o inciso. O exercício da atividade da advocacia, por exemplo, exige, além do bacharelado em Direito, a aprovação da OAB. É por esse motivo que o STF decide de forma reiterada pela constitucionalidade da cobrança da aprovação no exame da OAB. No caso do jornalismo, entretanto, como não há lei específica que regule a profissão, o STF entende pela aplicação da liberdade de profissão, estipulada na constituição, concluindo pela não necessidade do curso superior em jornalismo para o exercício da profissão. 3.3.12 Liberdade de informação A liberdade de informação está prevista na constituição: Art 5o , XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional; (...) XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado. 
O inciso XIV assegura o direito dos indivíduos de terem acesso às informações no território nacional. Desta forma, as informações que possam ser classificadas como sigilosas devem justificar-se pelo próprio sistema jurídico. Além disso, para que a informação seja divulgada àqueles que a divulgam deve-se resguardar o sigilo inerente ao exercício profissional. Por exemplo, um jornalista não pode ser obrigado a contar a sua fonte de informação, pois caso contrário perderia sua fonte. No inciso XXXIII afirma-se o direito à informação que esteja arquivada em órgãos públicos, seja ela pessoal (personalíssima) ou de interesse coletivo ou geral. Caso não seja oferecida essa informação, como assegurado, o violador do direito será responsabilizado. A única exceção está nas informações cujo sigilo é imprescindível à segurança social ou do Estado. 
3.3.13 Liberdade de locomoção A liberdade de locomoção está prevista na constituição: Art 5o , XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens; LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei. 
A locomoção, em tempo de paz, é livre no território nacional para qualquer pessoa com os seus bens. Diante dessa premissa ninguém poderá ter essa liberdade restrita por prisão ilegal ou abusiva, por isso a constituição exige o flagrante delito ou decisão judicial para permitir a prisão legal. A exceção ao caso é somente para os militares que terão regramento próprio da sua restrição de liberdade. 
3.3.14 Liberdade de reunião 
O artigo 5o , inciso XVI, estabelece a liberdade de reunião dos indivíduos, sem armas, em locais abertos ao público. Art 5o , XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente. A constituição garante a liberdade de reunião nos estritos termos constitucionais, ou seja, em locais abertos ao público, de uso comum do povo, pois bens de uso especial não estão na regra constitucional. A reunião deve ter fins pacíficos e, portanto, sem armas. A reunião nos termos constitucionais não depende de autorização, mas deve-se avisar a autoridade pública a fim de se evitar o conflito de reuniões para o mesmo local. O aviso é para fins de organização do próprio poder público. 
3.3.15 Liberdade de associação 
A liberdade de associação está prevista na constituição: Art 5o , XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de cará- ter paramilitar; XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado; XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado; XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente. 
A liberdade de associação com objetivos legais é plena. O limite está estipulado apenas para as associações ilegais. A constituição reforça a ideia de que não se permite associação com fins paramilitares,