Prévia do material em texto
1 SAÚDE COLETIVA I 2 SAÚDE COLETIVA I Este material é parte integrante da disciplina “Saúde Coletiva I” oferecido pela UNINOVE. O acesso às atividades, as leituras interativas, os exercícios, chats, fóruns de discussão e a comunicação com o professor devem ser feitos diretamente no ambiente de aprendizagem online. 3 SAÚDE COLETIVA I Sumário AULA 01 • O PROCESSO SAÚDEDOENÇA: CONCEITUAÇÃO BÁSICA EM SAÚDE COLETIVA ........................................................................................................................................................6 Introdução ...................................................................................................................................6 As concepções na história...........................................................................................................8 Exercícios..................................................................................................................................10 AULA 02 • MODELOS EXPLICATIVOS DO PROCESSO SAÚDEDOENÇA (UNICAUSAL, MULTICAUSAL E DETERMINAÇÃO SOCIAL DA DOENÇA) .......................................................12 Introdução .................................................................................................................................12 Modelo Unicausal ou monocausal .............................................................................................13 Modelo multicausal....................................................................................................................15 Modelo da determinação social das doenças ............................................................................17 Exercícios..................................................................................................................................19 AULA 03 • A HISTÓRIA DAS POLÍTICAS DE SAÚDE NO BRASIL ..............................................21 Introdução .................................................................................................................................21 Brasil Colônia e Brasil Império...................................................................................................22 Brasil República.........................................................................................................................22 Ditadura Civil: “era Vargas” .......................................................................................................24 A Ditadura Militar .......................................................................................................................25 A Crise do modelo de assistência à saúde ................................................................................26 Abertura Política e os reflexos no novo modelo de assistência à saúde ....................................27 Exercícios..................................................................................................................................27 AULA 04 • PANORAMA DE SAÚDE NO BRASIL..........................................................................29 Introdução .................................................................................................................................29 Desigualdade na transição demográfica e de indicadores sociais .............................................30 Distribuição desigual dos estabelecimentos de saúde em 2006 ................................................31 Carga global de doenças no Brasil: a distribuição desigual da mortalidade...............................31 Nascimento e desigualdade no Brasil........................................................................................32 Mortalidade infantil no Brasil: determinantes e desigualdades...................................................33 Desigualdade e determinantes da saúde dos adolescentes ......................................................34 Desigualdade da mortalidade materna ......................................................................................35 Exercícios..................................................................................................................................36 AULA 05 • SERVIÇOS DE SAÚDE E NÍVEIS DE ATENÇÃO À SAÚDE .......................................38 Introdução .................................................................................................................................38 Estrutura do Sistema de Serviços de Saúde..............................................................................40 Atenção Primária à Saúde ou Atenção Básica ..........................................................................42 Exercícios..................................................................................................................................44 AULA 06 • PROMOÇÃO DA SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA – CIDADE SAUDÁVEL................46 Introdução .................................................................................................................................46 Evolução do conceito de Promoção à Saúde ............................................................................47 Como fazer a Promoção da Saúde acontecer de fato?..........................................................50 A Promoção da Saúde no contexto do Sistema Único de Saúde...............................................51 Exercícios..................................................................................................................................52 AULA 07 • REFORMA SANITÁRIA E O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE • SUS..............................54 Introdução .................................................................................................................................55 Em busca da cidadania e acesso à saúde.................................................................................55 Exercícios..................................................................................................................................58 4 SAÚDE COLETIVA I AULA 08 • SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: HISTÓRICO, LEGISLAÇÃO E PRINCÍPIOS E DIRETRIZES • PARTE 1 ...............................................................................................................60 Introdução .................................................................................................................................60 Um pouco de História ................................................................................................................61 Princípios e diretrizes que norteiam o SUS................................................................................63 Exercícios..................................................................................................................................64 AULA 09 • SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: DIRETRIZES, OBJETIVOS, ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS – PARTE 2 .......................................................................................................66 Continuação ..............................................................................................................................66 Objetivos, atribuições e competências do SUS..........................................................................67 Exercícios..................................................................................................................................70 AULA 10 • MODELOS DE ATENÇÃO À SAÚDE – PARTE 1........................................................71 Introdução .................................................................................................................................71 Do sanitarismo campanhista ao modelo liberalprivatista ..........................................................72 Principais Modelosde Atenção à Saúde ...................................................................................74 Ação Programática em Saúde ou “Oferta Organizada”..............................................................74 Exercícios..................................................................................................................................75 AULA 11 • MODELOS DE ATENÇÃO À SAÚDE – PARTE 2........................................................77 Principais Modelos de Atenção à Saúde ...................................................................................77 Sistemas Locais de Saúde (Silos) .........................................................................................77 Vigilância da Saúde...................................................................................................................78 Modelo de Atenção em Defesa da Vida (MDV)..........................................................................80 Exercícios..................................................................................................................................82 AULA 12 • PROGRAMA AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE PACS.......................................84 Introdução .................................................................................................................................84 Aspectos Legais do PACS.........................................................................................................84 A equipe do Programa Agente Comunitário de Saúde e suas atribuições .................................86 Exercícios..................................................................................................................................88 AULA 13 • ESF OU PSF: HISTÓRICO, DEFINIÇÃO, PRINCÍPIOS E ESTRATÉGIAS • PARTE I.90 Introdução .................................................................................................................................90 Um pouco de História da ESF/PSF............................................................................................91 Conceitos Básicos.....................................................................................................................93 AULA 14 • ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA (ESF) OU PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA (PSF): HISTÓRICO, DEFINIÇÃO, PRINCÍPIOS E ESTRATÉGIAS – PARTE II ............................95 Prioridades e planejamento das ações na ESF/PSF: ................................................................98 Roteiro para planejamento das ações na ESF/PSF:..................................................................99 Exercícios................................................................................................................................100 AULA 15 • PACTO PELA SAÚDE ...............................................................................................102 Introdução ...............................................................................................................................102 O Pacto pela Vida:...................................................................................................................103 O Pacto em Defesa do SUS: ...................................................................................................104 O Pacto de Gestão do SUS.....................................................................................................105 Exercícios................................................................................................................................106 AULA 16 • SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE (SIS)......................................................107 Introdução ...............................................................................................................................107 Algumas fontes de informação no SUS ...................................................................................108 Principais problemas para viabilização do Sistema de Informação em Saúde .....................112 Exercícios................................................................................................................................112 AULA 17 • PRINCIPAIS ÓRGÃOS DE SAÚDE...........................................................................114 Organização Mundial da Saúde (OMS) ...................................................................................114 Organização PanAmericana da Saúde (OPAS)......................................................................115 Ministério da Saúde (MS) ........................................................................................................116 5 SAÚDE COLETIVA I Secretarias de Saúde ..............................................................................................................119 Exercícios................................................................................................................................120 AULA 18 • ATUALIDADES DO SUS: CARTÃO SUS, ACOLHIMENTO E FARMÁCIA POPULAR ....................................................................................................................................................122 Introdução ...............................................................................................................................122 Cartão Nacional de Saúde ou Cartão SUS..............................................................................122 Acolhimento.............................................................................................................................124 Farmácia Popular ....................................................................................................................125 Exercícios................................................................................................................................126 AULA 19 • CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO (CRIANÇA, ADOLESCENTE, ADULTO, IDOSO E PROFISSIONAIS DE SAÚDE) ....................................................................................................128 Introdução ...............................................................................................................................128 Um pouco de História ..............................................................................................................128 Programa Nacional de Imunização (PNI).................................................................................130 Exercícios................................................................................................................................131 AULA 20 • PAPEL DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE.....133 Introdução ...............................................................................................................................133 A prática do profissional de saúde...........................................................................................134 Em busca de uma adequação de conduta...............................................................................136 Exercícios................................................................................................................................139 BIBLIOGRAFIA ...........................................................................................................................141 6 SAÚDE COLETIVA I Quando se fala em doença, identificase, de imediato, o seu oposto: a saúde, desejo incontestável de todas as pessoas. A doença aparece como o lado sombrio da vida, aquele que poderá levar à morte. À resposta dinâmica que as sociedades manifestam, de forma diferenciada, essa forma de adoecer e morrer, levando em consideração a dimensão não apenas dos sofrimentos físicos, mas também psíquicos, morais e éticos, denominamos Processo Saúde Doença, ou seja, a síntese da totalidadedas determinações que operam sobre a qualidade de vida e está articulado aos processos econômicos, políticos, sociais, de relacionamento familiar e de responsabilidade humana. AULA 01 • O PROCESSO SAÚDEDOENÇA: CONCEITUAÇÃO BÁSICA EM SAÚDE COLETIVA Introdução Quando se fala em doença, identificase, de imediato, o seu oposto: a saúde – desejo incontestável de todas as pessoas. A doença aparece como o lado sombrio da vida, aquele que poderá levar à morte. À resposta dinâmica que as sociedades manifestam, de forma diferenciada, essa forma de adoecer e morrer, levando em consideração a dimensão não apenas dos sofrimentos físicos, mas também psíquicos, morais e éticos, denominamos Processo Saúde Doença, ou seja, a síntese da totalidade das determinações que operam sobre a qualidade de vida, e está articulado aos processos econômicos, políticos, sociais, de relacionamento familiar e de responsabilidade humana. O processo saúdedoença vem apresentando diferentes significados conforme a época. O conceito que se tem de saúde depende do entendimento que há do organismo vivo e de suas relações com o meio ambiente. Como essa compreensão muda de uma cultura para outra e de um momento histórico para outro, as noções de saúde e de doença também se modificam. Desse “Saúde é o resultado do equilíbrio entre o indivíduo e o seu meio ambiente”. (OMS, 1949) 7 SAÚDE COLETIVA I modo, a conceituação do processo saúdedoença é considerada intelectiva do homem em cada contexto histórico e pelas condições concretas de existência em cada sociedade Sociedade pode ser definida como sendo o complexo integrado por homens diferenciados ocupando determinado espaço geopolítico. Os homens interagem entre si a partir da inserção no trabalho, no qual eles se relacionam, e também com a natureza, na produção da vida material. Esse trabalho está estruturado pela base econômicosocial. Toda essa estruturação está assentada no modo de produção, síntese concreta , histórica e dinâmica das relações sociais e das forças produtivas. Tal modo de produção conforma e é conformado pela superestrutura jurídicopolíticoideológica. Essa sociedade encontrase em permanente transformação, criando se e recriandose pela ação humana em um processo de criação, no qual o homem é também transformado. A sociedade brasileira assentase num modo de produção capitalista periférico, existindo, portanto, em seu interior, agrupamentos humanos que se inscrevem em diferentes classes sociais conflitantes. Diferentes classes sociais têm distintas condições de vida e, portanto, diferentes condições de saúdedoença, ou seja, diferentes condições de adoecer e morrer. O conceito de saúde foi definido pela Organização Mundial de Saúde – OMS – em 1948, como sendo “ um estado de completo bemestar físico, mental e social, e não a mera ausência da doença” . Doença (do latim dolencia = padecimento) é o estado resultante da consciência da perda da homeostasia de um organismo vivo, total ou parcial. Desse modo, a saúde deve ser entendida, em sentido mais amplo, como componente da qualidade de vida e, assim, não é um "bem de troca", mas um "bem comum", um bem e um direito social, no sentido de que a cada um e a todos possam ter assegurados o exercício e a prática desse direito à saúde, a partir da aplicação e utilização de toda a riqueza disponível, conhecimentos e tecnologia que a sociedade desenvolveu e vem desenvolvendo nesse campo, adequados às suas necessidades, envolvendo promoção e proteção da saúde, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação de doenças. Ou seja, considerar esse bem e esse direito como componente e exercício da cidadania, compreensão esta que é um referencial e um valor básico a ser assimilado pelo poder público, para o balizamento e a orientação de sua conduta, decisões, estratégias e ações. A noção de que a saúde é um processo continuado e interdependente de preservação da vida, criou uma nova dimensão social. A saúde passou a ser também um processo de cidadania. Assim, todos cidadãos têm direitos, mas são igualmente responsáveis pela sua manutenção. A saúde, dentro desse enfoque, ocorre e é conseqüência de ações realizadas em toda a sociedade. Isso não exime o Estado, o médico e outros profissionais de saúde de suas responsabilidades, mas agrega uma variável fundamental de respeito ao indivíduo, doente ou 8 SAÚDE COLETIVA I sadio, através do compromisso social solidário na consecução do objeto maior de garantir condições dignas de vida a cada ser humano. Esse modo de entender a saúde abrange aspectos individuais e coletivos, envolvendo questões ambientais e sociais. As concepções na história Os povos antigos explicavam a doença dentro de uma visão mágica do mundo. Os demônios e espíritos malignos, motivados por um castigo, vitimavam o doente, podendo leválo à morte. A cura do doente caberia ao feiticeiro ou xamã, o único com poderes de convocar os espíritos capazes de erradicar o mal. Essas concepções estavam mais presentes entre os assírios, caldeus e hebreus, detentores de uma visão religiosa do mundo e capazes de atribuir o caráter religioso ao surgimento e à cura das doenças, advinda das plantas e dos recursos naturais. Para os hindus e chineses, a doença era causada pelo desequilíbrio entre os elementos do organismo humano, ocasionado pelas influências do ambiente físico – astros, clima, etc. Os chineses alegavam que as doenças eram determinadas por causas externas, as quais, supostamente, provocariam o desequilíbrio entre os princípios Yin e Yang. Argumentavam que para o restabelecimento da saúde, que se daria através do reequilíbrio da energia interna, a pessoa deveria ser sujeita às terapêuticas da acupuntura e doin. Nesse entendimento, o homem atua ativamente no processo de doença e cura, e o caráter mágico/religioso, predominante na idéia anterior, perde influência. Na Grécia, as concepções recepcionaram as idéias dos hindus e chineses através de explicações que davam à saúde o significado de harmonia entre os quatro elementos que compõem o corpo humano – água, terra, ar e fogo. Hipócrates, o criador da Medicina moderna, que negou a concepção de doença causada por demônios ou forças sobrenaturais, já apontava em seu livro Dos Ares, das Águas e dos Lugares (480 a.C), enfatizando ser a base da arte médica a compreensão da interação entre mente, corpo e ambiente. Ele considerava que os fatores culturais – como modos de vida – e os fatores psicológicos ou “componentes da natureza humana” – como humores e paixões – somavamse aos fatores ambientais na influência sobre o bemestar dos indivíduos. No entanto, a história das ciências médicas não foi sempre linear, ou constante, mas conflituosa e antagônica, e os aspectos da medicina hipocrática foram negligenciados com o predomínio da ciência cartesiana. Porém, nas últimas décadas, a relação entre fatores sócioambientais e o organismo 9 SAÚDE COLETIVA I biológico vem sendo bastante pesquisada, e há a necessidade da compreensão de que a pobreza, condições de trabalho, moradia, alimentação, costumes e práticas de saúde, etc, são fatores intervenientes no estado de bemestar. Na Idade Média conhecida como a Era das Trevas sob influência do cristianismo, a doença volta a ser explicada como purificação,uma forma de atingir a graça divina, que incluía a cura, quando merecida. A Peste Negra assolava o continente europeu e, acusados de haver provocado a doença, numerosos judeus foram jogados à fogueira. Surgiram os hospitais ou asilos no intuito de segregar as pessoas portadoras de doenças infecciosas. A Renascença (século XVIII), considerada um período de transição, convive com a dicotomia entre as práticas esotéricas e a ciência. A percepção hipocrática de organicidade continua relegada em favor dos elementos externos que penetram no organismo. Surge a teoria do contágio e, mais uma vez, prevalece a compreensão das alterações anatômicas decorrentes da doença, centrando as atenções nos sinais e sintomas, consolidando as práticas de saúde na abordagem particular e do indivíduo. No final do século XVIII, após a Revolução Francesa, com o aumento da população urbana nos países europeus e a ascensão do sistema fabril, surge a explicação social na causalidade das doenças, relacionandoas com as condições de vida e trabalho das populações. Desse cenário, emergiu a idéia de Medicina Social, e o termo data de 1848. Dentre os defensores dessa abordagem, temos Rudolph Virchow, considerado o “pai” da Patologia moderna, que se dedicou aos estudos da Patologia porque a medicina social mostrouse inócua com as descobertas do microorganismo por Robert Koch e Louis Pasteur, na metade do século XIX . Com as descobertas da Bacteriologia, volta prevalecer a idéia das partículas externas provocando o aparecimento da doença. As concepções sociais dão lugar ao agente etiológico. Assim, essa relação orgânica, como proposto por Hipócrates, na Antiguidade clássica, entre o biológico e o social no processo saúdedoença, ficou completamente esquecida. Dessa forma, o objeto do sistema de saúde deve ser entendido como as condições de saúde das populações e seus determinantes, ou seja, o seu processo de saúde/doença, tendo em vista produzir, progressivamente, melhores estados e níveis de saúde dos indivíduos e das coletividades, atuando articulado e integralmente nas prevenções primária, secundária e terciária, com redução dos riscos de doença, seqüelas e óbito. 10 SAÚDE COLETIVA I Exercícios 1. Hipócrates, o criador da Medicina moderna, que negou a concepção de doença causada por demônios ou forças sobrenaturais, já apontava em seu livro Ares, Água e Alimento, enfatizando ser a base da arte médica a compreensão da interação entre mente, corpo e ambiente. Ele considerava que os fatores culturais – como modos de vida – e os fatores psicológicos ou “componentes da natureza humana” – como humores e paixões – somavamse aos fatores ambientais na influência sobre o bemestar dos indivíduos. Ao ler o texto, podemos afirmar que Hipócrates valorizava os determinantes espirituais/religiosos na gênese do processo saúdedoença. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 2. À resposta dinâmica que as sociedades manifestam, de forma diferenciada, essa forma de adoecer e morrer, levando em consideração a dimensão não apenas dos sofrimentos físicos, mas também psíquicos morais e éticos, denominamos Processo SaúdeDoença, ou seja, a síntese da totalidade das determinações que operam sobre a qualidade de vida, e está articulado aos processos econômicos, políticos, sociais, de relacionamento familiar e de responsabilidade humana. Ao ler o texto, podemos afirmar que o processo saúdedoença vem apresentando diferentes significados conforme a época. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 3. Com as descobertas da Bacteriologia, volta a prevalecer as concepções sociais e a relação orgânica, conforme proposto por Hipócrates, na Antiguidade clássica, entre o biológico e o social no processo saúdedoença. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. Respostas dos Exercícios 1. Hipócrates, o criador da Medicina moderna, que negou a concepção de doença causada por demônios ou forças sobrenaturais, já apontava em seu livro Ares, Água e Alimento, enfatizando ser a base da arte médica a compreensão da interação entre mente, corpo e ambiente. Ele considerava que os fatores culturais – como modos de vida – e os fatores psicológicos ou “componentes da natureza humana” – como humores e paixões – somavamse aos fatores ambientais na influência sobre o bemestar dos indivíduos. Ao ler o texto, podemos afirmar que Hipócrates valorizava os determinantes espirituais/religiosos na gênese do processo saúde doença. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B Hipócrates considerava que os fatores culturais e os fatores psicológicos somavamse aos fatores ambientais na influência para a determinação do processo saúde doença. 2. À resposta dinâmica que as sociedades manifestam, de forma diferenciada, essa forma de adoecer e morrer, levando em consideração a dimensão não apenas dos sofrimentos físicos, mas também psíquicos morais e éticos, denominamos Processo SaúdeDoença, ou seja, a síntese da totalidade das determinações que operam sobre a qualidade de vida, e está articulado aos processos econômicos, políticos, sociais, de relacionamento familiar e de responsabilidade humana. Ao ler o texto, podemos afirmar que o processo saúdedoença vem apresentando diferentes significados conforme a época. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Realmente o processo saúdedoença vem apresentando diferentes significados conforme a época. 11 SAÚDE COLETIVA I 3. Com as descobertas da Bacteriologia, volta a prevalecer as concepções sociais e a relação orgânica, conforme proposto por Hipócrates, na Antiguidade clássica, entre o biológico e o social no processo saúdedoença. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B Com as descobertas da Bacteriologia, volta a prevalecer a idéia das partículas externas provocando o aparecimento da doença. As concepções sociais dão lugar ao agente etiológico. Assim, essa relação orgânica, como proposto por Hipócrates, na Antiguidade clássica, entre o biológico e o social no processo saúdedoença, ficou completamente esquecida 12 SAÚDE COLETIVA I O homem sempre buscou uma maneira de explicar a origem das doenças. Assim, houve a teoria mística sobre a doença, superada, posteriormente, pela teoria de que a doença era um fato decorrente das alterações ambientais no meio físico e concreto em que o homem vivia, envolvendo as teorias dos miasmas e do contágio. Com os estudos de Louis Pasteur (na França), entre outros, veio a prevalecer a Teoria da Unicausalidade, com a descoberta dos micróbios (vírus e bactérias) e, portanto, do Agente Etiológico. Posteriormente, surgindo a explicação da multicausalidade na determinação da doença, e não apenas a presença exclusiva de um agente e, finalmente, uma série de outros estudos e conhecimentos provindos principalmente da epidemiologia social. AULA 02 • MODELOS EXPLICATIVOS DO PROCESSO SAÚDE DOENÇA (UNICAUSAL, MULTICAUSAL E DETERMINAÇÃO SOCIAL DA DOENÇA) Introdução O homem sempre buscou uma maneira de explicar a origem das doenças. Assim, houve a teoria mística sobre a doença, que os antepassados a julgavam como um fenômeno "sobrenatural", ou seja, além da sua compreensão do mundo, superada, posteriormente, pela teoria de que a doença era um fato decorrente das alterações ambientais no meio físico e concreto que o homem vivia,envolvendo as teorias dos miasmas e do contágio. Com os estudos de Louis Pasteur (na França), entre outros, veio a prevalecer a Teoria da Unicausalidade, com a descoberta dos micróbios (vírus e bactérias) e, portanto, do Agente Etiológico, ou seja, aquele que causa a doença. Teoria esta que, pela sua incapacidade e insuficiência de explicar a ocorrência de uma série de outros agravos à saúde do homem, veio a ser complementada como uma série de conhecimentos produzidos pela epidemiologia, que evidencia a multicausalidade na determinação da doença e não apenas a presença exclusiva de um agente e, finalmente, uma série de outros estudos e conhecimentos provindos, principalmente, da epidemiologia social nos meados deste século, veio esclarecer melhor a determinação e a ocorrência das doenças nos indivíduos e, especialmente, das populações, do coletivo e entre as classes sociais. 13 SAÚDE COLETIVA I Desse modo, surgiram vários modelos – entendese modelos como sínteses provisórias de debates sobre a idéia de doença e seus determinantes – expressando a explicação e compreensão da saúde, da doença e do processo saúde/doença, como o modelo epidemiológico baseado nos três componentes agente, hospedeiro e meio, considerados como "fatores causais", evoluindo para modelos mais abrangentes, como o do "campo de saúde" de Lalonde (este modelo será estudado na disciplina Epidemiologia), envolvendo ambiente (não apenas o ambiente físico), estilo de vida, biologia humana e sistema/serviços de saúde, numa permanente interrelação e interdependência. Assim, os conceitos de contágio, transmissão, constituição epidêmica, miasma, risco e vulnerabilidade fundamentaram as explicações sobre os fenômenos de adoecimento das populações. De qualquer modo, e em última instância, o importante é saber e reconhecer essa abrangência e complexidade causal, que saúde e doença não são estados estanques, isolados, de causação aleatória, não se está com saúde ou doença por um acaso. Há uma determinação permanente, um processo causal, que se identifica com o modo de organização da sociedade. Daí se dizer que há uma produção social da saúde e ou da doença. Em última instância, "o processo saúdedoença constitui uma expressão particular do processo geral da vida social". Modelo Unicausal ou monocausal O conceito de constituição epidêmica vem dos escritos de Hipócrates, que atribuiu a uma série de condições climáticas locais um estado da atmosfera produtor de certas doenças capazes de se espalharem, creditandose , portanto, no meio circulante, a predisposição ao adoecimento de vários corpos ao mesmo tempo. Essa concepção desenvolveuse durante os séculos XVI e XVII, período denominado de epidemiologia medieval, e foi a primeira idéia a influenciar o conhecimento médico sobre as epidemias (aumento no número de doenças acima do esperado, em uma população, em determinado tempo e espaço) no Ocidente. A teoria dos miasmas influenciou o pensamento médico até o início do século XX. Vinda da concepção de Aristóteles, que atribuía às entidades materiais alguns atributos inerentes à sua “natureza”, os “vapores” emanados dos pântanos propiciariam o aparecimento de doenças, como a malária, as prisões provocavam a “febre das prisões” (Tifo Exantemático), e assim por diante. Esse atributo dos lugares serviu por séculos como explicação para o surgimento das doenças. Até o começo do século XX, a manutenção de um fluxo contínuo de mercadorias e pessoas entre os continentes exigiu um controle dessas mercadorias, de navios estrangeiros e 14 SAÚDE COLETIVA I áreas portuárias. As florescentes cidades comerciais eram as mais vulneráveis às epidemias de doenças, principalmente aquelas ligadas aos portos (Peste Bubônica, Tifo, Febre Amarela, Tuberculose, Cólera, Varíola). Medidas foram instituídas, como quarentena e o isolamento das áreas (cordão sanitário) para proteger as cidades do contágio de doenças vindas do exterior. Essas medidas, por mais drásticas que fossem, eram as únicas possíveis, já que pouco se sabia efetivamente da etiologia (causa) das doenças e seus mecanismos de transmissão. De fato, até o início do século XX, a teoria dos “miasmas” era o modelo médico/sanitário dominante. A teoria do contágio, sistematizada por Hieronymus Fracastororius (1478 – 1548), também teve grande influência nas idéias sobre doenças. Segundo essa teoria, seriam os diminutos agentes infecciosos, transmissíveis e que reproduzem por si mesmos os causadores das doenças. Essas “sementes” da moléstia ou “seminária prima” seriam específicas para cada doença. A doença instalarseia quando as “sementes”, transmitidas de um indivíduo a outro por contato direto ou por meio de roupas e objetos, alterassem os humores, os princípios vitais do corpo. A partir dessa idéia constituiuse a teoria do contágio, que concorreu com a doutrina atmosféricomiasmática até finais do século XIX e propiciou a busca por causas específicas das doenças. A confirmação definitiva da teoria do contágio viria em 1876, graças aos estudiosos de Louis Pasteur (18221895) e Robert Koch (18431910), que estabeleceram a teoria dos germes ou teoria bacteriana, que modificou profundamente as representações sobre o corpo e sobre as relações homemambiente. Segundo esta teoria, todo germe é considerado ofensivo ou perigoso para a saúde e causadores de diversos agravos. Quarentena Isolamento imposto a um navio que transporta pessoas, animais ou mercadorias provenientes de país em que grassa moléstia contagiosa. / Isolamento de certas pessoas, lugares e animais que podem acarretar perigo de infecção. O período de quarentena depende do tempo necessário como proteção contra a propagação de uma doença determinada. O nome quarentena provém do fato de outrora, quando as autoridades de um porto suspeitavam que houvesse portadores de infecção entre os passageiros ou tripulantes de um navio, este ter de ficar 40 dias ao largo do porto, sem atracar. 15 SAÚDE COLETIVA I Até o aparecimento da teoria dos germes, a relação saúde e ambiente era vista sob uma perspectiva predominantemente determinista, estabelecendo relações lineares de causa e efeito com o meio físico. Como pode ser observado, o tratado de Hipócrates, Dos Ares, das Águas e dos Lugares – 480 a . C – e os escritos sobre medicina nas civilizações egípcias de Heródoto – 500 a . C são considerados as primeiras abordagens da temática das relações entre a saúde e os “lugares”. O desenvolvimento da Microbiologia e o descobrimento das bactérias e parasitas, por Pastuer e Koch, levaram a uma série de transformações nos conhecimentos da Medicina, instituindo a hegemonia da “teoria bacteriana” ou “teoria dos germes” sobre a “teoria dos miasmas”. Esse evento levou a uma reformulação na concepção do processo saúde/doença que se refletia no ensino da medicina e no campo de atuação da saúde. Nesse processo, o campo de saber dos profissionais de saúde foi se restringindo ao corpo humano e à biologia humana, tornando irrelevante o conhecimento sobre o ambiente. Devido à crença na unicausalidade das doenças secundárias aos processos biológicos, ficaram conhecidas como correntes “biologicistas”, pois asseguravam a primazia do biológico na determinação das doenças. Esse modelo centra a explicação num único fator: o agente biológico, e impõe que as causas sociais da doença são secundárias,não importando para o processo de cura. Como modelo organizador do pensamento epidemiológico, a teoria microbiana do contágio permaneceu incontestada até 1912, quando Casimir Funk enunciou a teoria das “deficiências” que se tornou base da explicação para as doenças nutricionais. Dessa forma, a observação científica, no decorrer do tempo, demonstrou que tais teorias, embora apresentassem fenômenos concorrentes, não eram suficientes para justificar amplamente a ocorrência de doenças; somente a presença do agente etiológico, em muitas situações, não determina o aparecimento de doenças. Portanto, a teoria unicausal foi comprovada como inconsistente. Modelo multicausal Há um avanço relativo em relação ao modelo anterior, pois ele incorpora os fatores sócio econômicos, culturais, físicos, químicos, estabelecendo nexos entre os modos de adoecer (tipos de doença, freqüência, gravidade, etc) e as condições de trabalho e as condições materiais de vida (moradia, salário, alimentação, educação, saneamento, etc) , embora procure traçar, entre os mesmos, relações de natureza apenas quantitativa. 16 SAÚDE COLETIVA I O modelo multicausal coloca grande ênfase na avaliação estatística e quantitativa das variáveis do processo saúdedoença, fazendo com que os indivíduos e fatores de doença sejam agrupados e organizados, ignorandose, contudo, o peso e a hierarquia dos fatores de origem social e de origem biológica. Não obstante, definiu um propósito prático para a descoberta das relações que oferecem possibilidades para prevenção de doenças. O complexo processo de estruturação de saúde é, na verdade, resultado de interações multicausais, não se admitindo mais o conceito de singularidade , de unicausalidade, que ficou estrito às possíveis ações bacteriológicas dos postulados de Pasteur e Koch, mas resultantes de interações de ordem sócioeconômicas, culturais, nutricionais, psicológicas, imunológicas, etc. Assim, o homem foi construindo os modelos de explicação causal para o processo saúde doença. Avançando cronologicamente, surge, no início do século XX, o modelo multicausal de Leavel & Clarck, que se caracteriza por ser uma variante mais dinâmica e desenvolvida desse modelo multicausal, e se torna o pensamento hegemônico, apoiado na teoria ecológica de causação de doenças. Modelo da História Natural da Doença, desenvolvido por Leavel & Clarck, em 1965, diferenciase dos seus antecessores pelo dinamismo dos processos de saúde doença, expressos na relação dos seus três elementos: o homemhospedeiro, o agente patogênico e o meio. O meio ambiente diz respeito a uma combinação homogênea dos fatores físicoquímicos, biológicos e sociais, sendo caracterizado como “o que está em redor” ou “environmente” . Baseandose na dinâmica do equilíbrio ou desequilíbrio dos três fatores considerados (hospedeiro, agente e meio), propõe três níveis de intervenção: prevenção primária, através da promoção à saúde e da proteção específica em relação a um agravo determinado – a ser desencadeada ainda na fase prépatogênica da doença (na qual surge a doença); prevenção secundária, constante de diagnóstico e tratamento; e prevenção terciária, que supõe ações destinadas à recuperação do dano e à reabilitação. Essas duas últimas intervenções aplicamse à fase patogênica (depois do aparecimento da doença). Surge aí a idéia de risco, definido como possibilidade de perda ou responsável pelo dano. A idéia de risco envolve uma relação de probabilidade entre eventos e interações causais (fonte/exposição). Esse modelo tornouse hegemônico e permeia todo o conhecimento das doenças nas populações até os dias atuais, não estando, no entanto, livre de críticas por ignorar a categoria social do homem, satisfazendose com correlações biológicoecológicas, independentemente da necessidade de transformações estruturais que alterem o equilíbrio do sistema, o que afasta a questão da determinação social da doença. 17 SAÚDE COLETIVA I Modelo da determinação social das doenças Neste modelo, superase a concepção da mera relação de causaefeito para explicar o adoecimento e a morte. Apontase, ao contrário, para o modo de adoecer, como um processo que tem como elemento modelador a estrutura social. Tais abordagens apareceram na literatura, especialmente na América Latina, nos anos de 1970, e se tornaram referência para a constituição de um novo campo científico, o da chamada Epidemiologia Social (baseada na determinação), como uma contraposição à Epidemiologia Clínica tradicional, baseada na casualidade. A relação entre o biológico e o social no processo saúdedoença é explicado mais claramente pela pesquisadora Asa Cristina Laurell, da Universidade Autônoma Metropolitana de Causa Direta e Indireta Causa Direta: picada de um mosquito infectado. Causa Indireta: a cegada das chuvas (estações chuvosas) favorece a formação de charcos temporários e a recuperação dos níveis de lagoas e pântanos. Esses reservatórios de água se convertem em criadouros de mosquitos adultos, os quais trazem um aumento na densidade de anofelinos, e, portanto, um aumento do IPH (número de picadas pessoa/noite). 18 SAÚDE COLETIVA I Xochimilco, da Cidade do México. Ao enunciar a concepção saúdedoença da coletividade como sendo o “modo específico pelo qual ocorre, no grupo, o processo biológico de desgaste e reprodução” . Mesmo em se tratando do processo saúdedoença de um grupo, a sua expressão é social na medida em que não é possível focalizar a normalidade biológica do homem desvinculado do momento histórico por ele vivido. Dessa forma, a saúdedoença ganha objetividade: é uma realidade concreta, expressa em grupos sociais marcados por traços sócioeconômicos particulares, que evidenciam as suas similaridades em termos de condições materiais de vida e condições materiais de trabalho. Nesse caso, o processo saúdedoença é a síntese do conjunto de determinações que operam numa sociedade concreta, produzindo, nos diferentes grupos sociais, o aparecimento de riscos ou potencialidades característicos, por sua vez manifestos na forma de perfis ou padrões de doença ou saúde. O modo como os homens vivem, adoecem e morrem depende de fatores diversos, tais como a produção de riquezas pela sociedade; as relações sociais que se estabelecem dentro dela e o modo como a sociedade faz a regulação e o controle de tais relações. Ao conjunto articulado dessas três dimensões denominamos modo de produção.O conhecimento do modo de produção ajuda a compreender as raízes dos processos de saúdedoença, o que equivale a dizer que o modo de viver, adoecer e morrer dos homens constitui, também, um processo socialmente determinado, embora possam existir influências de outras naturezas, por exemplo, genéticas, imunológicas, agressões por parasitas, acidentes, etc. Certamente, a qualidade de vida à qual cada grupo sócioeconômico está exposto é diferente e, portanto, é igualmente diferente sua exposição a processos de risco que produzem o aparecimento de doenças e formas de morte específicas, assim como seu acesso a processos benéficos ou potencializadores da saúde e da vida. 19 SAÚDE COLETIVA I Exercícios 1. De qualquer modo, e em última instância, o importante é saber e reconhecer essa abrangência e complexidade causal, que saúde e doença não são estados estanques, isolados,de causação aleatória, não se está com saúde ou doença por um acaso. Há uma determinação permanente, um processo causal, que se identifica com o modo de organização da sociedade. Daí se dizer que há uma produção social da saúde e ou da doença. Em última instância, "o processo saúdedoença constitui uma expressão particular do processo geral da vida social". Ao ler o texto, podemos afirmar que o processo saúdedoença não apresenta relações com a formação da sociedade em diferentes épocas. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 2. A Teoria dos Miasmas influenciou o pensamento médico até o início do século XX. Segundo essa teoria, seriam os diminutos agentes infecciosos, transmissíveis e que reproduzem por si mesmos os causadores das doenças. Essas “sementes” da moléstia ou “seminária prima” seriam específicas para cada doença. A doença instalarseia quando as “sementes”, transmitidas de um indivíduo a outro por contato direto ou por meio de roupas e objetos, alterassem os humores, os princípios vitais do corpo. Podese dizer que essa idéia está: 20 SAÚDE COLETIVA I a) Correta. b) Incorreta. 3. O Modelo da História Natural da Doença, desenvolvido por Leavel & Clarck, em 1965, diferenciase dos seus antecessores por enunciar que o processo saúdedoença da coletividade como sendo o “modo específico pelo qual ocorre, no grupo, o processo biológico de desgaste e reprodução”. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. Respostas dos Exercícios 1. De qualquer modo, e em última instância, o importante é saber e reconhecer essa abrangência e complexidade causal, que saúde e doença não são estados estanques, isolados, de causação aleatória, não se está com saúde ou doença por um acaso. Há uma determinação permanente, um processo causal, que se identifica com o modo de organização da sociedade. Daí se dizer que há uma produção social da saúde e ou da doença. Em última instância, "o processo saúdedoença constitui uma expressão particular do processo geral da vida social". Ao ler o texto, podemos afirmar que o processo saúdedoença não apresenta relações com a formação da sociedade em diferentes épocas. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B O processo saúdedoença vem apresentando relações com a formação da sociedade em diferentes épocas. 2. A Teoria dos Miasmas influenciou o pensamento médico até o início do século XX. Segundo essa teoria, seriam os diminutos agentes infecciosos, transmissíveis e que reproduzem por si mesmos os causadores das doenças. Essas “sementes” da moléstia ou “seminária prima” seriam específicas para cada doença. A doença instalarseia quando as “sementes”, transmitidas de um indivíduo a outro por contato direto ou por meio de roupas e objetos, alterassem os humores, os princípios vitais do corpo. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B A teoria dos miasmas, derivada da concepção de Aristóteles, atribuía às entidades materiais alguns atributos inerentes à sua “natureza”. Os “vapores”, emanados dos pântanos, propiciariam o aparecimento de doenças, como a malária, as prisões provocavam a “febre das prisões” , e assim por diante. 3. O Modelo da História Natural da Doença, desenvolvido por Leavel & Clarck, em 1965, diferenciase dos seus antecessores por enunciar que o processo saúdedoença da coletividade como sendo o “modo específico pelo qual ocorre, no grupo, o processo biológico de desgaste e reprodução”. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B O modelo da História Natural da Doença, desenvolvido por Leavel & Clarck, em 1965, diferenciase dos seus antecessores pelo dinamismo dos processos de saúdedoença, expressos na relação dos seus três elementos: o homemhospedeiro, o agente patogênico e o meio.) 21 SAÚDE COLETIVA I A evolução histórica das políticas de saúde no Brasil está relacionada diretamente à evolução políticosocial e econômica da sociedade. A descoberta e posterior colonização brasileira pela Coroa Portuguesa apresentou diferentes formas de exploração humana e de recursos naturais. Podese afirmar que as primeiras ações de saúde pública surgiram com a vinda da Família Real para a Colônia. Com o advento da Proclamação da República, e persistência de várias doenças infecciosas, houve a necessidade de estender as minguadas ações de saúde para os espaços urbanos. Gradativamente, com o controle das epidemias nas grandes cidades brasileiras, o modelo campanhista deslocou sua ação para o combate das endemias rurais. Com o governo de Getúlio Vargas vieram as investidas nas questões de saúde e previdência da massa assalariada. O golpe militar de 1964 trouxe a institucionalização do INPS e do INAMPS. Na década de 1985, o movimento da Reforma Sanitária e das “Diretas Já” clama por um Sistema de saúde inclusivo e integral. AULA 03 • A HISTÓRIA DAS POLÍTICAS DE SAÚDE NO BRASIL Introdução Sabemos que a evolução histórica das políticas de saúde no país está relacionada diretamente à evolução políticosocial e econômica da sociedade brasileira. Em 22 de abril de 1500, chegava, ao Brasil, 13 caravelas portuguesas lideradas por Pedro Álvares Cabral. À primeira vista, eles acreditavam tratarse de um grande monte, e chamaramno de Monte Pascoal. No dia 26 de abril, foi celebrada a primeira missa no Brasil. A descoberta do Brasil ocorreu no período das grandes navegações, quando Portugal e Espanha exploravam o oceano em busca de novas terras. Poucos anos antes da descoberta do Brasil, em 1492, Cristóvão Colombo, navegando pela Espanha, chegou a América, fato que ampliou as expectativas dos exploradores. Diante do fato de ambos terem as mesmas ambições e com objetivo de evitar guerras pela posse das terras, Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Tordesilhas, em 1494. Portugal realizava, no Brasil, o extrativismo do paubrasil, explorando da Mata Atlântica toneladas da valiosa madeira, cuja tinta vermelha era comercializada na Europa. Nesse caso, foi utilizado o escambo, ou seja, os indígenas recebiam dos portugueses algumas bugigangas 22 SAÚDE COLETIVA I (apitos, espelhos e chocalhos) e davam em troca o trabalho no corte e carregamento das toras de madeira até as caravelas. Foi somente a partir de 1530, com a expedição organizada por Martin Afonso de Souza, que a coroa portuguesa começou a interessarse pela colonização da nova terra. Isso ocorreu pois havia um grande receio dos portugueses em perderem as novas terras para invasores que haviam ficado de fora do tratado de Tordesilhas, como, por exemplo, franceses, holandeses e ingleses. Navegadores e piratas desses povos estavam praticando a retirada ilegal de madeira de nossas matas. A colonização seria uma das formas de ocupar e proteger o território. Para tanto, os portugueses começaram a fazer experiências com o plantio da canadeaçúcar, visando um promissor comércio dessa mercadoria na Europa. Brasil Colônia e Brasil Império Nesse período, a atenção à saúde limitavase aos próprios recursos da terra (plantas e ervas) e às pessoas que desenvolviam a arte de curar através de conhecimentos empíricos, denominados de curandeiros. A vinda da família real para o Brasil criou a necessidade de uma estrutura sanitária mínima na cidade do Rio de Janeiro. Até 1850, as atividades de saúde pública estavam limitadas em: delegação das atribuições sanitárias às juntas municipais, controle de navios e saneamento dos portos.A carência dos profissionais médicos e de uma assistência médica estruturada, no Brasil Colônia e no Brasil Império, fez com que proliferassem pelo país os Boticários (farmacêuticos). Não dispondo de aprendizado acadêmico, o processo de habilitação consistia em acompanhar um serviço de uma botica já estabelecida durante certo período de tempo. Em 1808, Dom João VI fundou, na Bahia, o Colégio médicocirúrgico no Real Hospital Militar da Cidade de Salvador. No mês de novembro do mesmo ano, foi criada a Escola de Cirurgia do Rio de Janeiro, anexa ao real Hospital Militar. Brasil República Com a Proclamação da República, em 1889, observase que a falta de um modelo sanitário deixou as cidades brasileiras a mercê das epidemias. O Rio de Janeiro apresentava um quadro sanitário caótico, caracterizado pela presença de várias doenças graves, como a varíola, a malária, a febre amarela, e, posteriormente, a peste, o que acabou gerando sérias conseqüências 23 SAÚDE COLETIVA I tanto para a saúde coletiva quanto para outros setores, como o do comércio exterior, visto que os navios estrangeiros não mais queriam atracar no porto do Rio de Janeiro em função da situação sanitária existente na cidade. A necessidade de reordenação dos espaços e de solucionar a situação sanitária leva as autoridades à implementação de um programa de saneamento conhecido com modelo campanhista, liderado pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz. A Lei Federal nº 1261, de 31 de outubro de 1904, instituiu a vacinação antivaríola obrigatória para todo o território nacional. Esse modelo foi criado dentro de uma visão militar, na qual o uso da força e da autoridade eram considerados os instrumentos preferenciais de ação, resultando em movimentos repressores em torno de mudanças que deflagram conflitos, entre eles a Revolta da Vacina. Apesar dos excessos cometidos, o modelo campanhista obteve importantes vitórias no controle das doenças epidêmicas, o que o tornou hegemônico como proposta de intervenção na área de saúde coletiva durante décadas. Nesse período Oswaldo Cruz organizou a diretoria geral de saúde pública, criando uma seção demográfica, um laboratório bacteriológico, um serviço de engenharia sanitária e de profilaxia da febreamarela, a inspetoria de isolamento e desinfecção, e o instituto soroterápico federal, posteriormente transformado no Instituto Oswaldo Cruz. Em 1920, Carlos Chagas, sucessor de Oswaldo Cruz, reestruturou o Departamento Nacional de Saúde, então ligado ao Ministério da Justiça, e introduziu a propaganda e a educação sanitária na técnica rotineira de ação, inovando o modelo campanhista já existente. Importamse conhecimentos dos maiores centros de saúde do mundo, entre eles a Escola Jonh Hopkins; segundo seus modelos, é fundado o Instituto de Higiene e Saúde Pública, hoje atual Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Gradativamente, com o controle das epidemias nas grandes cidades brasileiras, o modelo campanhista deslocou a sua ação para o campo e para o combate das denominadas endemias rurais, dado ser a agricultura a atividade hegemônica da economia da época. Ainda no início do século XX, a economia era basicamente agroexportadora, assentada na manocultura do café. A acumulação capitalista advinda do comércio exterior tornou possível o início do processo de industrialização no país, que se deu principalmente no eixo RioSão Paulo. A industrialização resultou de uma urbanização crescente e da necessidade de mãode obra nas indústrias. Os operários da época não tinham quaisquer garantias trabalhistas, o que resultou em duas greves gerais no país: uma em 1917 e outra em 1919. Através desses movimentos, os operários começaram a conquistar alguns direitos sociais. Em 24 de janeiro de 1923, foi aprovada, pelo Congresso Nacional, a Lei Eloi Chaves, marco inicial da previdência 24 SAÚDE COLETIVA I social no Brasil. Através dessa lei, foram instituídas as Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAP’s). A Lei Eloi Chaves deveria ser aplicada somente aos operários urbanos, as caixas deveriam ser organizadas por empresa e não por categorias profissionais, as CAP’s não eram criadas automaticamente, dependiam do poder de mobilização e organização dos trabalhadores de determinada empresa para reivindicar a sua criação e eram mantidas por empregados, empresas e consumidores dos serviços das mesmas. A primeira CAP criada foi a dos ferroviários, o que pode ser explicado pela importância que esse setor desempenha na economia do país naquela época e pela capacidade de mobilização que a categoria dos ferroviários possuía. A extensão progressiva desse sistema, abrangendo cada vez maior número de usuários de serviços, com a criação de novas Caixas e Institutos, veio, afinal, fazer o ônus recair sobre o público em geral e, assim, a se constituir efetivamente em contribuição da União. O mecanismo de contribuição tríplice (em partes iguais) referese à contribuição pelos empregados, empregadores e União e foi obrigatoriamente instituído pela Constituição Federal de 1934. A crise dos anos 30 imobilizou temporariamente o setor agrárioexportador, redefinindo a organização do estado que imprimirá novos caminhos à vida nacional. Assim é a crise do café, a ação dos setores agrários e urbanos que vão propor um novo padrão de uso do poder no Brasil. Ditadura Civil: “ era Vargas” Investindo na Presidência da República pela Revolução de 1930, Getúlio Vargas instalou a reforma política e administrativa, entre elas, a criação do Ministério da Educação e Saúde Pública. As dificuldades encontradas para governar democraticamente a nação levaram à instalação, a partir de 1937, da ditadura do Estado Novo, com centralização da máquina governamental e também bloqueamento das reivindicações sociais. No que se refere à previdência social, a política do estado pretendeu estender a todas as categorias do operariado urbano organizado os benefícios da previdência. Como resultado, as antigas CAP’s são substituídas pelos Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAP”s). Nesses institutos, os trabalhadores eram organizados por categoria profissional (marítimos, comerciários, bancários), e não por empresa. Em 1953, foi criado o Ministério da Saúde, o que, na verdade, limitouse a um mero desmembramento do antigo Ministério da Saúde e Educação sem que isso significasse uma nova 25 SAÚDE COLETIVA I postura do governo. Em 1960, foi promulgada a lei 3.807, denominada Lei Orgânica da Previdência Social, que veio estabelecer a unificação do regime geral da previdência social, destinado a abranger todos os trabalhadores sujeitos ao regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), excluídos os trabalhadores rurais, os empregados domésticos e, naturalmente, os servidores públicos e de autarquias, e que tivessem regimes próprios de previdência. Os trabalhadores rurais só viriam a ser incorporados ao sistema 3 anos mais tarde, quando foi promulgada a lei 4.214 de 2/3/63/, que instituiu o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL). A Ditadura Militar O processo de unificação dos institutos avança com o golpe militar de 1964, que, nesse mesmo ano, promove uma intervenção generalizada em todos os IAP’s, sendo os conselhos administrativos substituídos por juntas interventoras nomeadas pelo governorevolucionário. Em 2 de janeiro de 1967, ocorre a efetivação do processo de unificação com a implantação do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), proporcionando a unificação dos diversos benefícios ao nível de IAP’s. Na medida em que todo o trabalhador urbano com carteira assinada era automaticamente contribuinte e beneficiário do novo sistema, foi grande o volume de recursos financeiros capitalizados, gerando um grande volume de recursos financeiros. No entanto, ao aumentar o número de contribuintes e, conseqüentemente, de beneficiários, era impossível ao sistema médico previdenciário atender a toda essa população, levando o governo militar a direcionar os recursos públicos para a iniciativa privada. Dessa forma, foram estabelecidos convênios e contratos com a maioria dos médicos e hospitais existentes no país, formando um complexo sistema médicoindustrial. Esse sistema foi se tornado cada vez mais complexo dentro da estrutura do INPS, o que acabou levando a criação de uma estrutura própria administrativa: o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), em 1978. Nesse momento, o Ministério da Previdência e Assistência Social ditava as políticas de saúde; juntamente com esse ministério foi criado o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social (FAS), que proporcionou a remodelação e ampliação dos hospitais da rede privada, através de empréstimos com juros subsidiados. Incapacitado de atender à extensa massa de usuários com serviços próprios, recorre às instituições privadas no sentido de complementar o atendimento à demanda. A medicina liberal também perde espaço, organizase em redes de clínicas e hospitais com caráter lucrativo, que 26 SAÚDE COLETIVA I passam a conveniarse com a previdência e empresas, garantindo assistência a seus funcionários (surgem aí os primeiros seguros privados de saúde). A Crise do modelo de assistência à saúde O modelo econômico, implantado pela ditadura militar, entra em crise em 1975, caracterizada pela crise econômica internacional e diminuição do fluxo de capital estrangeiro e nacional. O país diminui o ritmo de crescimento resultando em desnivelamento social, os pobres ficaram mais pobres e os ricos mais ricos, sendo o país um dos que apresentavam um dos maiores índices de concentração de renda em nível mundial. A população com baixos salários passou a conviver com o desemprego e as suas graves conseqüências sociais, como aumento da marginalidade, das favelas, da mortalidade infantil. O modelo de saúde previdenciário começa a mostrar as suas deficiências. O setor médico privado, que se beneficiou do modelo médicoprivatista durante quinze anos, a partir de 64, observando que o setor público estava em crise, passou a formular novas alternativas para sua estruturação, direcionando o seu modelo de atenção para parcelas da população, classe média e categorias de assalariados, procurando através da poupança desses setores sociais organizar uma nova base estrutural. Desse modo foi concebido um subsistema de Atenção MédicaSupletiva composto de 5 modalidades assistenciais: medicina de grupo, cooperativas médicas, autogestão, segurosaúde e plano de administração. Esse sistema baseiase num universalismo excludente, beneficiando somente aquela parcela da população que tem condições financeiras de arcar com o sistema e sem investimento na saúde preventiva e na mudança de indicadores de saúde. Ao subsistema público compete atender a grande maioria da população brasileira com os minguados recursos dos governos federal, estadual e municipal. Nesse momento, a atuação do Ministério da Saúde resumiase às atividades de promoção de saúde e prevenção de doenças, realizadas em caráter universal, e à assistência médico hospitalar para poucas doenças servia a pessoas que não tinham acesso ao atendimento do INAMPS. Esses indivíduos eram caracterizados como indigentes e encaminhados a serviços filantrópicos para atendimento. 27 SAÚDE COLETIVA I Abertura Política e os reflexos no novo modelo de assistência à saúde Ao longo da década de 1980, o INAMPS passaria por sucessivas mudanças, até a universalização progressiva do atendimento, prevista pelo Sistema Único e Descentralizado de Saúde (SUDS), defendida na 8º Conferencia Nacional de Saúde como estratégia viável para a eliminação da assistência à saúde excludente, conforme vinha sendo imposta pelo Sistema de Saúde anterior, já numa transição para o Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, o que imprimiu a nova lógica de direitos civis e acesso aos serviços de saúde advém com a Assembléia Nacional Constituinte de 1986, a qual culminou com a Promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil, em 5 de outubro de 1988, que garante, no Artigo 196: “ A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação” . Retomaremos o assunto nas aulas 8 e 9 referente ao Sistema Único de Saúde (SUS). Exercícios 1. “Com a Proclamação da República, em 1889, observase que a falta de um modelo sanitário deixou as cidades brasileiras a mercê das epidemias. O Rio de Janeiro apresentava um quadro sanitário caótico caracterizado pela presença de várias doenças graves, como a varíola, a malária, a febre amarela, e, posteriormente, a peste, o que acabou gerando sérias conseqüências tanto para a saúde coletiva quanto para outros setores, como o do comércio exterior, visto que os navios estrangeiros não mais queriam atracar no porto do Rio de Janeiro em função da situação sanitária existente na cidade”. Ao ler o texto, podemos afirmar que a necessidade de reordenação dos espaços e de solucionar a situação sanitária leva à implementação de um programa de saneamento conhecido como modelo campanhista, liderado pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 2. “Os operários começaram a conquistar alguns direitos sociais. Em 24 de janeiro de 1923, foi aprovada, pelo Congresso Nacional, a Lei Eloi Chaves, marco inicial da previdência social no Brasil. Através dessa lei formam instituídas as Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAP’s). As CAP’s não eram criadas automaticamente, dependiam do poder de mobilização e organização dos trabalhadores de determinada empresa para reivindicar a sua criação e eram mantidas por empregados, empresas e consumidores dos serviços das mesmas”. Ao ler o texto, podemos afirmar que as CAP’s eram organizadas pelo Estado e todos os operários, sem exceção, tinham direito à assistência médica. Podese afirmar que essa idéia está: a) Correta. 28 SAÚDE COLETIVA I b) Incorreta. 3. O modelo econômico, implantado pela ditadura militar, entra em crise em 1975, caracterizada / Ao ler o texto, podemos afirmar que, nesse momento, o Estado provia assistência médica a toda à população. Podese afirmar que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. Respostas dos Exercícios 1. “Com a Proclamação da República, em 1889, observase que a falta de um modelo sanitário deixou as cidades brasileiras a mercê das epidemias. O Rio de Janeiro apresentava um quadro sanitário caótico caracterizado pela presença de várias doenças graves, como a varíola, a malária, a febre amarela, e, posteriormente, a peste, oque acabou gerando sérias conseqüências tanto para a saúde coletiva quanto para outros setores, como o do comércio exterior, visto que os navios estrangeiros não mais queriam atracar no porto do Rio de Janeiro em função da situação sanitária existente na cidade”. Ao ler o texto, podemos afirmar que a necessidade de reordenação dos espaços e de solucionar a situação sanitária leva à implementação de um programa de saneamento conhecido como modelo campanhista, liderado pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Realmente, reordenação dos espaços e de solucionar a situação sanitária leva à implementação de um programa de saneamento conhecido como modelo campanhista, liderado pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz. 2. “Os operários começaram a conquistar alguns direitos sociais. Em 24 de janeiro de 1923, foi aprovada, pelo Congresso Nacional, a Lei Eloi Chaves, marco inicial da previdência social no Brasil. Através dessa lei formam instituídas as Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAP’s). As CAP’s não eram criadas automaticamente, dependiam do poder de mobilização e organização dos trabalhadores de determinada empresa para reivindicar a sua criação e eram mantidas por empregados, empresas e consumidores dos serviços das mesmas”. Ao ler o texto, podemos afirmar que as CAP’s eram organizadas pelo Estado e todos os operários, sem exceção, tinham direito à assistência médica. Podese afirmar que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B As CAP’s não eram criadas automaticamente, dependiam do poder de mobilização e organização dos trabalhadores de determinada empresa para reivindicar a sua criação e eram mantidas por empregados, empresas e consumidores dos serviços das mesmas. 3. O modelo econômico, implantado pela ditadura militar, entra em crise em 1975, caracterizada pela crise econômica internacional e diminuição do fluxo de capital estrangeiro e nacional. O país diminui o ritmo de crescimento, resultando em desnivelamento social, os pobres ficaram mais pobres e os ricos mais ricos, sendo o país um dos que apresentavam um dos maiores índices de concentração de renda a nível mundial. Ao ler o texto, podemos afirmar que, nesse momento, o Estado provia assistência médica a toda à população. Podese afirmar que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B No momento da crise de 1975, o modelo de atenção à saúde ainda permanecia excludente, sendo que somente na década de 1980, com o advento do SUS, é que o Estado provê assistência médica a toda à população indiscriminadamente. 29 SAÚDE COLETIVA I Há muito se sabe que a saúde e doença são processos históricos e sociais determinados pelo modo como vive, está organizada e produz cada sociedade humana. Assim, as profundas mudanças históricas e sociais, que a sociedade brasileira vem atravessando ao longo das décadas, têm levado a profundas alterações no perfil epidemiológico no que diz respeito à produção e a distribuição social dos problemas de saúde. Quando se discute a desigualdade no acesso à saúde, verificase que sua complexidade é grande, pois se traduz em diferentes expressões de desigualdade, que exigem diferentes aproximações. O estudo da desigualdade em saúde busca entender as diferentes expressões e as determinações dessas desigualdades para seu melhor enfrentamento. AULA 04 • PANORAMA DE SAÚDE NO BRASIL Introdução Há muito sabemos que saúde e doença, longe de serem fatalidade ou destino, são processos históricos e sociais determinados pelo modo como vive, organizase e produz cada sociedade. Assim, as profundas mudanças históricas e sociais que a sociedade brasileira vem atravessando ao longo das décadas têm levado a profundas mudanças no perfil epidemiológico no que diz respeito à produção e à distribuição social dos problemas de saúde. Tomados aqui os problemas de saúde na dimensão social e coletiva; fica claro que sua superação não é possível apenas mediante decisões de âmbito hospitalar ou de assistência médica, mas depende de ações intersetoriais mais amplas. Por exemplo, a redução da taxa de mortalidade infantil para valores aceitáveis, abaixo de dez óbitos por mil nascidos vivos, só poderá Custa o rico a entrar no Céu, (Afirma o povo e não erra). Porém, muito mais difícil, É um pobre ficar na terra. (Mário Quintana) 30 SAÚDE COLETIVA I ocorrer com ampla articulação do setor saúde com setores governamentais e da sociedade civil, visto que vários determinantes do óbito infantil estão fora das ações de saúde. Outro exemplo é o da violência, que é hoje uma importante causa de morte no nosso país, o homicídio é a terceira causa de óbito entre os homens e o acidente de transporte é a quarta causa. Para superar esse problema, somente ações articuladas entre governos e sociedade podem ter resultado significativo na redução. Quando se discute a desigualdade na saúde como importante determinante dos problemas de saúde–doença–atenção observados, vemos que sua complexidade é grande, pois se traduz em diferentes expressões de desigualdade, que exigem diferentes aproximações. O estudo da desigualdade em saúde busca entender as diferentes expressões e as determinações da desigualdade para seu melhor enfrentamento. Desigualdade na transição demográfica e de indicadores sociais Em 2006, o Brasil apresenta uma população de 186.770.613, com 5.564 municípios. Dos municípios brasileiros, 72% tinham até 20 mil habitantes e somente 4,5% tinham mais de 100 mil. Em números absolutos, a Região Nordeste tem o maior número de municípios com até 20 mil habitantes que as demais regiões, sendo seguido pela Região Sudeste e pela Região Sul. Os municípios com mais de 100 mil habitantes estão em maior número situados na Região Sudeste. O Nordeste é a região com menor expectativa de vida. Um nordestino vive, em média, cinco anos a menos que um residente da Região Sul, quatro anos a menos que um residente na Região Sudeste e três anos a menos que uma pessoa vivendo na Região Norte. Nenhum estado brasileiro enquadrase nos níveis ideais de instrução internacionalmente aceitáveis, estando mais próximos destes o Distrito Federal e alguns estados das Regiões Sul e Sudeste. A proporção da população com 15 anos ou, mais ainda, sem capacidade de ler ou escrever um bilhete simples ainda é muito alta, e mesmo estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro mostravam, em 2005, que 5% da população com 15 anos ou mais era analfabeta funcional. As proporções são ainda maiores no Nordeste e no Norte – o estado de Alagoas tinha 30% de analfabetos funcionais em 2005. Observase também que a população com maior taxa de analfabetismo concentrase nos pequenos municípios (< 100 mil habitantes). Os municípios com mais de 500 mil habitantes mostraram as menores taxas. A população rural teve cobertura mais baixa de saneamento básico 31 SAÚDE COLETIVA I que a população urbana. Os municípios com menos de 100 mil habitantes também apresentaram pior cobertura. Distribuição desigual dos estabelecimentos de saúde em 2006 O Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) teve aumento de 49% de estabelecimentos cadastrados no Brasil entre 2004 e 2006. Esse aumento no Cadastro foi mais concentrado na Região Sudeste e nos municípios mais populosos, reforçando a distribuição desigual dos estabelecimentos de saúde entre as regiões e os estados. O Brasil apresentou 66,1% do total de estabelecimentos cadastrados como serviço de atenção básica.As diferenças entre estados são imensas: em um extremo, temos o Distrito Federal, com grande concentração de unidades de atenção básica (14,5/10 mil habitantes) e, no outro, o Amazonas, com poucas unidades (1,7/10 mil habitantes) em seus municípios. A maior parte dos estabelecimentos cadastrados é privada, contudo os privados não SUS representam pouco mais de 40% dos estabelecimentos. Carga global de doenças no Brasil: a distribuição desigual da mortalidade Os resultados apresentados mostram que as doenças nãotransmissíveis representaram acima de 60% dos óbitos notificados no Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) no Brasil no ano de 2004. A proporção de óbitos por grupos de causas variou entre as regiões e os estados, por faixa etária e por indicadores sócioeconômicos individuais e municipais. Assim como esperado, a proporção de óbitos por doenças nãotransmissíveis foi mais prevalente entre as faixas etárias mais elevadas, nos indivíduos com maior escolaridade, nos indivíduos brancos e amarelos e nos municípios maiores e com melhores indicadores sócioeconômicos. Além disso, a carga de doenças transmissíveis mostrouse maior que a de causa externa, evidenciando a importância dessas doenças e mostrando a complexidade da transição epidemiológica no Brasil. De forma geral, observaramse diferenças relevantes na mortalidade segundo a faixa etária, o sexo e as regiões do Brasil em 2004. O principal grupo de causas de morte no Brasil, em todas as regiões e para ambos os sexos, foram às doenças do aparelho circulatório. Em seguida, vêm os agravos por causas 32 SAÚDE COLETIVA I externas na Região CentroOeste e no Nordeste e as neoplasias no Sul e no Sudeste. O risco de morte por causas externas difere segundo o sexo, sendo o segundo grupo de causas de morte para os homens nas Regiões Sudeste. Para as mulheres, as neoplasias foram o segundo grupo de causas de morte em todas as regiões. Os homens morreram mais precocemente que as mulheres. Entre os óbitos masculinos, um percentual de 17,3% ocorreu na faixa etária de 15 a 39 anos, enquanto para as mulheres esse percentual foi de 7,4%. A partir dos 50 anos, as doenças do aparelho circulatório foram o principal grupo de causas de morte, seguidas das neoplasias e depois das causas externas. Aproximadamente 30% dos óbitos de pessoas indígenas ocorreram antes dos 5 anos de idade; em contrapartida, aproximadamente 55% dos óbitos de pessoas amarelas ocorreram após os 70 anos de idade. A população preta apresentou maior risco de morte por doenças infecciosas e parasitárias, gravidez, parto e puerpério, causas externas e causas mal definidas. Um resultado importante na análise do perfil de mortalidade dos beneficiários de planos de saúde é o fato das pessoas negras (pardos e pretos) morrerem mais jovens que os brancos, mostrando a desigualdade mesmo na saúde suplementar. Na análise pelas causas específicas de mortalidade por doenças do aparelho circulatório, observouse que as doenças cerebrovasculares e as doenças isquêmicas do coração são as causas mais incidentes de morte dentre o grupo de doenças do aparelho circulatório e apresentam distribuição etária bastante semelhante, tanto para a população do Brasil quanto para beneficiários. Em comparação com a população brasileira em geral, observase que no grupo de beneficiários há maior número de óbitos por neoplasias, reflexo da distribuição etária, pois essa doença atinge a população mais idosa. A condição sócioeconômica tem sido abordada como importante fator na determinação da situação de saúde de uma população. Nesse sentido, a diferença no perfil de mortalidade em beneficiários de plano de saúde, em face daquelas observadas para a população brasileira, deve ser abordada como resultado de um conjunto complexo de determinantes, que vai além do acesso à rede assistencial suplementar, como as desiguais condições de renda, ocupação, habitação e desenvolvimento sóciocultural, que determinam as diferentes condições de saúde. Nascimento e desigualdade no Brasil O acesso à consulta de prénatal foi tomado como medida da desigualdade no acesso aos serviços de saúde, por uma mãe, no ano de 2004. Os dados mostraram que ter tido sete ou mais 33 SAÚDE COLETIVA I consultas de prénatal foi explicado pela maior escolaridade das mães e pelas boas condições sócioeconômicas do município. Também as diferenças de raça/cor se mostraram determinantes no acesso desigual ao prénatal. Os nascidos vivos negros tiveram uma maior chance de ter recebido menos consultas de prénatal comparadas às mães dos nascidos vivos de cor branca, independentemente da escolaridade e das condições sócioeconômicas dos municípios. Observase que ser um nascido vivo negro foi fator de risco para ter tido menor assistência no prénatal e, portanto, a todas as situações que resultam desse menor acesso. Outra diferença que gera desigualdade é o estado civil das mães, pois as solteiras referiram ter recebido menos consultas de prénatal que as casadas. Da mesma forma, as mães adolescentes referiram ter recebido menos consultas de prénatal em relação às mães maiores de 19 anos. Os grupos socialmente mais vulneráveis receberam atenção prénatal deficiente em 2004. Esse resultado aponta para a necessidade de intervenções direcionadas para a redução da desigualdade no acesso ao prénatal. Mortalidade infantil no Brasil: determinantes e desigualdades Os dados revelam desigualdades sociais na determinação dos riscos de morte Infantil e nos padrões reprodutivos no Brasil. Indicam ainda diferenciais no acesso aos serviços de saúde. As condições de adoecimento e morte, atingindo um maior número de crianças de grupos sociais desfavorecidos, são evidentes. Os dados apontam uma redução importante nos óbitos em crianças menores de 1 ano de vida em todas as regiões. Entre as faixas de idade, a maior redução verificada no Brasil ocorreu no período pósneonatal. A mortalidade por causas perinatais representa atualmente o principal contingente das mortes no primeiro ano de vida. A proporção de óbitos decorrentes de causas perinatais apresentou aumento entre 1996 e 2004 e houve uma redução dos óbitos em menores de 1 ano por doenças infecciosas e respiratórias. Os óbitos das causas mal definidas caíram 39% no mesmo período. Os dados dos nascidos vivos mostram que o baixo peso e a prematuridade no Brasil têm uma alta freqüência, tendo aumentado no período recente. A desigualdade na mortalidade infantil pode ser expressa pela alta taxa entre os indígenas. Observouse que 12% dos óbitos das crianças menores de 1 ano indígenas foram por desnutrição; para os nãoindígenas essa causa de morte foi seis vezes menor, contribuindo com 2% da mortalidade. 34 SAÚDE COLETIVA I Desigualdade e determinantes da saúde dos adolescentes Dos nascidos vivos, 20% tinham mães adolescentes em 2004. As maiores taxas de nascimento – 1.000 meninas com idade entre 10 e 19 anos – foram observadas na Região Norte; nessa região, foi especialmente mais destacada a maior freqüência de maternidade na adolescência entre as meninas negras. Já na Região Sul, a maternidade na adolescência foi maior entre as meninas brancas. Em 2004, 26.276 meninas com idade até 14 anos tornaramse mães no Brasil, com chance 50% maior para as meninas negras. Nessa faixa etária, a taxa de nascimentos entre as meninas negras chegou a 6,2/1.000 meninas na Região Norte. A análise dos fatoresassociados a ser mãe antes dos 14 anos sugere que meninas negras, residentes em municípios com até 100 mil habitantes e alto índice de pobreza, em especial das Regiões Norte e CentroOeste, estão mais sujeitas a se tornarem mães tão precocemente. Podese supor que as meninas residentes em municípios com essas características têm menor oferta de suporte social e de recursos educacionais e de saúde disponíveis para lidarem com o início de sua vida sexual. Também é possível que, para muitas meninas, tornarse mãe seja a conseqüência de situações de violência doméstica. Apesar de os óbitos entre adolescentes representarem apenas 2% do total de óbitos captados pelo SIM em 2004, é alarmante o número de óbitos em conseqüência de causas externas, com especial destaque para os homicídios e os acidentes de trânsito. A análise dos óbitos por homicídio mostra uma grande desigualdade de gênero (rapazes têm taxa nacional de mortalidade 11 vezes maior que as meninas) e de raça/cor (maior risco para negros). A análise dos fatores associados à morte por homicídio mostrou que esses dois fatores (sexo masculino e raça/cor negra) mantêmse importantes mesmo após o ajuste por variáveis sócioeconômicas. O risco de morte por homicídio também esteve fortemente associado ao porte do município de residência: quanto maior o município, maior o risco de morrer assassinado. Embora os óbitos por suicídio representem 0,8% do total de óbitos ocorridos no país, eles foram a quinta causa de óbitos em adolescentes, e na população adulta concentraramse três quartos dos óbitos. O principal meio utilizado para cometer suicídio foi enforcamento, para ambos os sexos, nas idades superiores a 9 anos. A proporção de suicídios praticados com uso de arma de fogo foi maior entre os homens, enquanto as mulheres utilizaram mais freqüentemente pesticidas e outras substâncias farmacológicas. Em 2004, as maiores taxas padronizadas de mortalidade por suicídio foram observadas no estado do Rio Grande do Sul, para ambos os sexos. 35 SAÚDE COLETIVA I No caso da morte por suicídio entre adolescentes, a característica mais fortemente associada foi ser indígena (mesmo após o ajuste pelas variáveis sócioeconômicas), mostrando um problema importante nesse grupo social e que tem sido pouco abordado na política social. Desigualdade da mortalidade materna A análise da morte em conseqüência de causas relacionadas à gravidez, ao parto e ao puerpério entre adolescentes (274 óbitos no país em 2004, o que representa 16,4% do total de óbitos por esse grupo de causas e a terceira causa de morte entre meninas adolescentes) mais uma vez apontou para as desigualdades regionais e raciais na distribuição dos óbitos (maiores taxas na Região Norte e entre meninas negras). Após o ajuste pelo índice de pobreza, manteve se a associação entre raça/ cor negra e morte por esse grupo de causas; todavia, apenas residir somente nas Regiões Sul e CentroOeste permaneceu como um fator de risco (ou seja, residir em municípios pobres torna as meninas mais expostas a morrer por causas maternas do que suas outras características). Quando analisamos a mortalidade associada ao ciclo gravídicopuerperal e ao aborto entre as mulheres em idade fértil, observase que essa causa de morte não aparece entre as dez primeiras causas, somente entre as adolescentes aparece como causa importante. No entanto, a gravidade do problema é evidenciada quando se chama a atenção para o fato de que a gravidez é um evento relacionado à vivência da sexualidade, portanto, não é doença, e que, na maioria dos casos, as mortes maternas são evitáveis. Foram notificados, ao SIM, 1.645 óbitos maternos em 2004, o que significa uma razão de morte materna de 54,4/100 mil nascidos vivos, com amplo predomínio das causas obstétricas diretas (70,9%). O aborto contribuiu com 9,5% desses óbitos, a doença hipertensiva específica da gestação (a eclampsia O15 e a préeclampsia O14) foi a que mais se destacou, representando 25,6% dentre todas as causas de óbito materno no parto ou no puerpério. A situação de ilegalidade na qual o aborto é realizado no Brasil afeta a existência de estatísticas confiáveis que subsidiem a implementação de políticas públicas mais precisas para as diferentes realidades regionais e faixas etárias, nas quais a gravidez indesejada é mais freqüente. Os resultados encontrados devem ser considerados com certo cuidado, uma vez que são afetados pelo pequeno número de eventos notificados. Por fim, os resultados encontrados pelo relacionamento de banco de dados de 29 maternidades/hospitais no Brasil apontam que, mesmo com políticas de sensibilização, ainda é 36 SAÚDE COLETIVA I considerável o número de óbitos de mulheres logo após o parto e no puerpério sem definição da causa básica, mesmo em mulheres que vieram a falecer no mesmo dia do parto, após intervenção cirúrgica. Exercícios 1. O Nordeste é a região com menor expectativa de vida. Um nordestino vive, em média, cinco anos a menos que um residente da Região Sul, quatro anos a menos que um residente na Região Sudeste e três anos a menos que uma pessoa vivendo na Região Norte. Ao ler o texto, podemos afirmar que, com relação à expectativa de vida do brasileiro, o Sul e Sudeste são regiões com menor expectativa de vida. Podemos afirmar que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 2. Com relação à mortalidade no Brasil: entre as doenças nãotransmissíveis, em todas as regiões do Brasil, os agravos por causas externas foram a primeira causa de óbito. Podemos afirmar que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 3. Quanto aos determinantes de saúde na adolescência, podemos afirmar: O suicido entre adolescentes descendentes dos povos indígenas é alto e a gravidez na adolescência está relacionada ao baixo nível sócioeconômico. Podemos dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. Respostas dos Exercícios 1. O Nordeste é a região com menor expectativa de vida. Um nordestino vive, em média, cinco anos a menos que um residente da Região Sul, quatro anos a menos que um residente na Região Sudeste e três anos a menos que uma pessoa vivendo na Região Norte. Ao ler o texto, podemos afirmar que, com relação à expectativa de vida do brasileiro, o Sul e Sudeste são regiões com menor expectativa de vida. Podemos afirmar que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B Uma pessoa que vive no Nordeste vive, em média, cinco anos a menos que um residente da Região Sul, quatro anos a menos que um residente na Região Sudeste. 2. Com relação à mortalidade no Brasil: entre as doenças nãotransmissíveis, em todas as regiões do Brasil, os agravos por causas externas foram a primeira causa de óbito. Podemos afirmar que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B Entre as doenças não transmissíveis, em todas as regiões do Brasil, as doenças do sistema circulatório foram as primeiras causas de óbito. 3. Quanto aos determinantes de saúde na adolescência, podemos afirmar: O suicido entre adolescentes descendentes dos povos indígenas é alto e a gravidez na adolescência está relacionada ao baixo nível sócioeconômico. 37 SAÚDE COLETIVA I Podemos dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Realmente, o suicido entre adolescentes descendentes dos povos indígenas é alto e a gravidez na adolescência está relacionada ao baixo nível sócioeconômico. 38 SAÚDE COLETIVA I Atenção à saúde pode ser definidacomo sendo tudo o que envolve o cuidado com a saúde do ser humano, incluindo as ações e serviços de promoção, prevenção, reabilitação e tratamento de doenças e/ou agravos. No sistema de saúde brasileiro, o cuidado com a saúde está ordenado em níveis de atenção. Essa estruturação visa à melhor programação e planejamento das ações e serviços do sistema. Não se deve, no entanto, considerar um desses níveis de atenção mais relevante que outro, porque a atenção à saúde deve ser integral. Antes de falar sobre os níveis de atenção à saúde e sistema de distribuição de serviços a ela relacionados, é importante atentar para as variáveis que interferem sobre a saúde do indivíduo, como forma de posicionar as organizações de saúde dentro de um macroambiente. AULA 05 • SERVIÇOS DE SAÚDE E NÍVEIS DE ATENÇÃO À SAÚDE Introdução Atenção à saúde pode ser definida como sendo tudo o que envolve o cuidado com a saúde do ser humano, incluindo as ações e serviços de promoção, prevenção, reabilitação e tratamento de doenças e/ou agravos. No sistema de saúde brasileiro, o cuidado com a saúde está ordenado em níveis de atenção, que são a básica, a de média complexidade e a de alta complexidade. Essa estruturação visa à melhor programação e planejamento das ações e serviços do sistema. Não se deve, no entanto, considerar um desses níveis de atenção mais relevante que outro, porque a atenção à saúde deve ser integral. Antes de se falar sobre os níveis de atenção à saúde e sistema de distribuição de serviços a ela relacionados, é importante atentar para as variáveis que interferem sobre a saúde do indivíduo, como forma de posicionar as organizações de saúde dentro de um macroambiente. Em outras palavras, ao analisar a saúde, não se pode considerar apenas as instituições que estão voltadas para o serviço de saúde propriamente dito , mas também considerar outros fatores de grande importância que, da mesma forma, influenciam e atingem a saúde e o bemestar, tais como meioambiente (ambiente físico, social, econômico, relações de trabalho, etc), hereditariedade, gênero, estilo de vida, dentre outros tantos. Pensando assim, atribuise a 39 SAÚDE COLETIVA I merecida importância à questão da intersetorialidade, que permite a interdependência entre os pressupostos econômicos, sociais, culturais, políticos, etc. Visando contrastar essa interdependência, Henrik Blum desenvolveu, em 1970, um modelo que ilustra bem a ação dessas variáveis sobre a saúde do indivíduo. Segundo esse modelo, existe uma interação dessas variáveis na definição da saúde e do bemestar. O modelo de Sistema de Saúde de Blum mostra que há uma relação de dependência entre as variáveis: Serviços Médicos (Organizações de Saúde), Ambiente, Hereditariedade e Estilo de Vida no impacto sobre a saúde e bemestar que, por sua vez, depende dos quesitos social , psíquico e somático. O mais importante deste modelo devese à possibilidade de observação de que o Sistema de Serviço de Saúde (Serviços Médicos ou Organizações de Serviços de Saúde) não é a única variável no Sistema de Saúde. Sua ação é limitada e visa, principalmente, atuar como um agente corregedor, quando, como diria Hipócrates, influências negativas anulam o que deve ser feito naturalmente pelo sistema. 40 SAÚDE COLETIVA I Estrutura do Sistema de Serviços de Saúde Uma vez analisado o Sistema de Saúde ou, em outras palavras, o Macroambiente, passaremos a mostrar como está estruturado e como funciona o Sistema de Serviços de Saúde, suas instituições e suas principais características. O Sistema de Serviços de Saúde pode ser analisado pelas características das organizações que o compõem. A classificação pode ser feita relacionada à visão de lucro, lucrativa e nãolucrativa; pela composição acionária, privada, de domínio público ou composição mista (terceiro setor); pelo tempo de permanência do cliente, curto prazo e longo prazo; pelo corpo clínico, fechado e aberto; pelo tamanho, pequeno porte, médio porte e grande porte. Entretanto, a classificação mais utilizada é aquela que define o estágio de cuidado que demanda o cliente. Os Estágios de Cuidados, nos quais se posicionam as Organizações de Serviços de Saúde, serão descritos baixo, assim como suas principais características e os tipos de Organizações de Serviços de Saúde mais adequados a cada um deles: 1) Cuidados Primários ou Preventivos – O objetivo maior, neste estágio, é evitar o aparecimento da doença através de educação e medidas de prevenção básica. Os tipos de Organizações de Serviços de Saúde mais comuns, neste estágio, são: Unidades Básicas de Saúde, Unidades Saúde da Família, consultórios médicos, Escolas de Educação em Saúde, Centros de Informação e Controle de Tóxicos, Clínicas de Planejamento Familiar, etc. 2) Cuidados Secundários – Neste estágio, a preocupação já está no diagnóstico precoce e tratamento da doença em seu estágio inicial ou em cuidados de rotina, assim como tratamento de urgência e emergência e cuidado intensivo, que demanda um elaborado e constante processo de diagnóstico e acompanhamento de média complexidade. Os tipos de Organizações de Serviços de Saúde mais comuns, neste estágio, são: Hospitais com serviços médicos e cirúrgicos em geral, Serviços de Tratamento de Emergências. 3) Cuidados Terciários – Está voltado para cuidados médicos super especializados de alta complexidade, que atendam pacientes de uma extensa área geográfica. Seu objetivo é o acompanhamento do cliente, seja em fase pósoperatória ou em cuidados de rotina para reabilitação. Os tipos de Organizações de Serviços de Saúde mais comuns, neste estágio, são: Hospitais especializados em doenças crônicas ou hospitais geral com equipamento de alta tecnologia. 41 SAÚDE COLETIVA I 4) Cuidados Restaurativos – Seu objetivo é o acompanhamento do cliente, seja em fase pósoperatória, em cuidados de rotina, em reabilitação ou cuidados domésticos. Os tipos de Organizações de Serviços de Saúde mais comuns, neste estágio, são: Clínicas de reabilitação/fisioterapia, clínicas para pacientes psiquiátricos e agências de Serviços de saúde domésticos. 5) Cuidado Contínuo – Neste estágio, estão as pessoas que necessitam de cuidados de saúde a todo momento, em função de doenças crônicas, de cuidados pessoais ou de problemas psiquiátricos. Os tipos de Organizações de Serviços de Saúde mais comuns, neste estágio, são: Centros Geriátricos de cuidados diários, serviços de enfermagem domiciliar e centros de tratamento psiquiátrico. 42 SAÚDE COLETIVA I Como se pode observar existem três grandes grupos de Organizações de Serviços de Saúde: As Unidades Básicas de Saúde, as clínicas e os consultórios médicos voltados para prevenção e diagnóstico de doenças e com abrangência de atuação limitada (vizinhança); os hospitais voltados para tratamentos especializados e de emergência e com abrangência mais regional e, por último, os Serviços de reabilitação e acompanhamento de atendimento domiciliar . No Brasil, para a consolidação do sistema de atenção à saúde pública, o eixo central do modelo de assistência foi direcionado para privilegiar a Atenção Primária à Saúde. Atenção Primária à Saúde ou Atenção Básica A Atenção Primária à Saúde surgiu na Conferência de Almaata, em 1978, com a proposta de“ Saúde para Todos no Ano 2000” , e alcançou destaque especial na Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, com a promulgação da Carta de Otawa, em 1986, e que vem sendo somada a uma série de declarações internacionais formuladas em conferências realizadas sobre o tema. A Conferência de Almaata definiu atenção primária à saúde, como: “.....uma atenção à saúde essencial, baseada em métodos e tecnologias práticas, cientificamente comprovadas e socialmente aceitáveis, cujo acesso seja garantido a todas as pessoas e famílias da comunidade mediante sua plena participação, a um custo que a comunidade e o país possam suportar, em todas as etapas de seu desenvolvimento, com espírito de autoresponsabilidade e autodeterminação. A atenção primária é parte integrante tanto do sistema nacional de saúde, do qual constituise como função central e núcleo principal, como do desenvolvimento social e econômico global da comunidade. Representa o primeiro nível de contato dos indivíduos, da família e da comunidade com o sistema de saúde, levando a atenção à saúde o mais próximo possível de onde residem e trabalham as pessoas, constituindo o primeiro elemento de um processo permanente de assistência sanitária”. (Organização Mundial de Saúde – OMS – 1979) 43 SAÚDE COLETIVA I Tomando alguns trechos da Declaração de Almaata: No Brasil, a Atenção Primária à Saúde foi denominada, na década de 1990, de Atenção Básica. Expressão brasileira que, conforme consta nos princípios gerais da Política Nacional de Atenção Básica do Ministério da Saúde – MS – significa “ um conjunto de ações de promoção e proteção da saúde, prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde, desenvolvida no individual e nos coletivos, por meio de práticas gerenciais e sanitárias democráticas e participativas, sob a forma do trabalho em equipe, dirigidas a populações de territórios bem delimitados, pelas quais assume a responsabilidade sanitária...orientase pelos princípios da universalidade, da acessibilidade e da coordenação do cuidado, do vínculo e da continuidade, da integralidade, da responsabilização, da humanização, da eqüidade e da participação social” . (Portaria nº 648, MS, 2006) Segundo o Ministério da Saúde, nem sempre um município necessita de todos os níveis de atenção à saúde instalados em seu território para garantir a integralidade do atendimento à saúde de sua população. Isso pode ser feito por meio de pactos regionais que garantam às populações dessas localidades acesso a todos os níveis de complexidade do sistema. A prioridade para todos os municípios é ter a atenção básica operando em condições plenas e com eficácia. Para tanto, a Política nacional de Atenção Básica do Ministério da Saúde define que a organização da atenção básica darseá mediante a implementação da estratégia Saúde da Família (Programa Saúde da Família), como “porta de entrada” do sistema veremos PSF em aulas posteriores. VII 1 – A atenção primária de saúde é, ao mesmo tempo, um reflexo e uma conseqüência das condições econômicas e das características sócioculturais, políticas do país e de suas comunidades; VII 3 – Compreende, pelo menos, as seguintes áreas: a educação sobre os principais problemas de saúde e sobre os métodos de prevenção e de luta correspondentes; a promoção do aportamento de alimentos e de uma nutrição apropriada; um abastecimento adequado de água potável e saneamento básico; a assistência materno infantil, com inclusão da planificação familiar; a imunização contra as principais enfermidades infecciosas; a prevenção e luta contra enfermidades endêmicas locais; o tratamento apropriado das enfermidades e traumatismos comuns; e a disponibilidade de medicamentos essenciais. 44 SAÚDE COLETIVA I Da mesma forma, visando à operacionalização da Atenção Básica, o Ministério da Saúde define como áreas estratégicas para atuação em todo o território nacional: Outras áreas serão definidas regionalmente, de acordo com prioridades e pactuações definidas pelos municípios. Exercícios 1. A classificação dos Sérvios de Saúde, conforme o estágio de cuidados que demanda o cliente, prevê que os cuidados primários sejam aqueles instituídos antes que se instale o processo mórbido. Dessa forma, podemos concluir que as Unidades Básicas de Saúde – UBS – e os Consultórios Médicos são as Organizações de Serviços de Saúde mais apropriadas para prestar assistência à saúde neste estágio. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 2. VII 3 – Compreende, pelo menos, as seguintes áreas: a educação sobre os principais problemas de saúde e sobre os métodos de prevenção e de luta correspondentes; a promoção do aportamento de alimentos e de uma nutrição apropriada; um abastecimento adequado de água potável e saneamento básico; a assistência maternoinfantil, com inclusão da planificação familiar; a imunização contra as principais enfermidades infecciosas; a prevenção e luta contra enfermidades endêmicas locais; o tratamento apropriado das enfermidades e traumatismos comuns; e a disponibilidade de medicamentos essenciais. Ao ler o texto, podemos afirmar que o Programa Fome Zero contempla a exigência da Declaração de AlmaAta. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. • a eliminação da Hanseníase; • o controle da Tuberculose; • o controle da Hipertensão Arterial; • o controle do Diabetes Mellitus; • a eliminação da Desnutrição Infantil; • a Saúde da Criança; • a Saúde da Mulher; • a Saúde do Idoso; • a Saúde Bucal; e • a Promoção da Saúde. 45 SAÚDE COLETIVA I b) Incorreta. 3. Visando à operacionalização da Atenção Básica, o Ministério da Saúde define como áreas estratégicas para atuação em todo o território nacional a eliminação da Hanseníase; o controle da Tuberculose; o controle da Hipertensão Arterial e o controle da obesidade. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. Respostas dos Exercícios 1. A classificação dos Sérvios de Saúde, conforme o estágio de cuidados que demanda o cliente, prevê que os cuidados primários sejam aqueles instituídos antes que se instale o processo mórbido. Dessa forma, podemos concluir que as Unidades Básicas de Saúde – UBS – e os Consultórios Médicos são as Organizações de Serviços de Saúde mais apropriadas para prestar assistência à saúde neste estágio. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Realmente, as Unidades Básicas de Saúde – UBS – e os Consultórios Médicos são as Organizações de Serviços de Saúde mais apropriadas para prestar assistência à saúde nos cuidados primários. 2. VII 3 – Compreende, pelo menos, as seguintes áreas: a educação sobre os principais problemas de saúde e sobre os métodos de prevenção e de luta correspondentes; a promoção do aportamento de alimentos e de uma nutrição apropriada; um abastecimento adequado de água potável e saneamento básico; a assistência maternoinfantil, com inclusão da planificação familiar; a imunização contra as principais enfermidades infecciosas; a prevenção e luta contra enfermidades endêmicas locais; o tratamento apropriado das enfermidades e traumatismos comuns; e a disponibilidade de medicamentos essenciais. Ao ler o texto, podemos afirmar que o Programa Fome Zero contempla a exigência da Declaração de AlmaAta. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Realmente,o Programa Fome Zero contempla a exigência da Declaração de AlmaAta, uma vez que recomenda a promoção do aportamento de alimentos e de uma nutrição apropriada. 3. Visando à operacionalização da Atenção Básica, o Ministério da Saúde define como áreas estratégicas para atuação em todo o território nacional a eliminação da Hanseníase; o controle da Tuberculose; o controle da Hipertensão Arterial e o controle da obesidade. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B O controle da obesidade não está entre as áreas estratégicas para atuação em programas de saúde para todo o território nacional. 46 SAÚDE COLETIVA I Promoção da Saúde é o nome dado ao processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle desse processo. Essa é a definição mais conhecida e aceita sobre Promoção da Saúde no mundo e foi cunhada na Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, na cidade de Ottawa, no Canadá, em 1986. Em 1984, no Congresso Canadense de Saúde Pública, foram definidos os princípios para o que se delineava como Promoção da Saúde. Ao final dessa reunião, é apresentada uma nova estratégia, denominada cidades saudáveis. AULA 06 • PROMOÇÃO DA SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA – CIDADE SAUDÁVEL Introdução Promoção da Saúde “É o nome dado ao processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo” (BRASIL, 2001). Essa é a definição mais conhecida e aceita sobre Promoção da Saúde no mundo e foi cunhada na Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, na cidade de Ottawa, no Canadá, em 1986. Para um melhor entendimento, precisamos relacionar essa definição com o conceito ampliado de saúde, que nos mostra que saúde ou doença são resultados de uma série de processos interativos entre o homem e seu ambiente social, ecológico, biológico, psíquico, cultural, econômico, entre outros. Sendo assim, o homem é agente ativo de transformação do meio em que vive, da realidade na qual está inserido e também é transformado por esta. A Promoção da Saúde, conforme consta na Carta de Ottawa, parte do princípio de que a saúde é um instrumento para se viver, não um objetivo. Sendo instrumento, são necessários recursos para se alcançar a saúde, sejam eles pessoais ou sociais, tornando a busca pela saúde uma Durante a leitura, acesse os links, eles vão mostrar para você coisas muito interessantes, que vão complementar seu aprendizado! 47 SAÚDE COLETIVA I responsabilidade coletiva, sendo necessária a atuação da sociedade civil organizada, como um todo, além das ações políticotécnicoadministrativas desenvolvidas no setor saúde. Até chegar ao atual conceito de promoção de saúde, um longo caminho foi percorrido por várias pessoas profissionais da saúde, governantes, pesquisadores, usuários dos serviços de saúde, etc. Vamos conhecer, portanto, um pouco dessa evolução histórica! Evolução do conceito de Promoção à Saúde A Promoção à Saúde foi assim denominada, pela primeira vez, por Henry Sigerist, no início do séc. XX, que a colocou entre as quatro funções da medicina, sendo as outras: Prevenção de doenças, Tratamento dos doentes e Reabilitação. Para ele, Promoção da Saúde significava ações de educação para a saúde e ações estruturais do Estado para melhorar a qualidade de vida da população. Desde o século XIX, já se discutia a influência das condições de vida na saúde das populações: Rudolf Virchow, em seu estudo sobre a Epidemia de Tifo, na Prússia, relacionou a saúde com a liberdade, democracia e prosperidade da população; Thomas McKeown, ao estudar os fatores causais da mortalidade na Inglaterra, mostrou que os fatores que mais contribuíram pra a melhoria das condições de vida foram: o desenvolvimento econômico, nutrição, mudança nos níveis de vida. A discussão da Promoção da Saúde passou também pelo modelo explicativo de Leavell e Clark, a História Natural da Doença, em meados do século XX, que coloca a Promoção como parte do nível Primário de Prevenção, não a diferenciando desse conceito, o que causou controvérsias entre os profissionais da saúde e pesquisadores. Mesmo com essa discussão, o modelo explicativo foi um avanço considerável para entender o fenômeno saúdedoença, pois colocava a atuação sobre os determinantes como parte crucial no controle das doenças. As diferenças entre esses dois conceitos estão descritas no quadro 1. 48 SAÚDE COLETIVA I Quadro 1. Diferenças entre os conceitos presentes nas abordagens de Promoção da saúde versus Prevenção de doenças. Promoção da Saúde Prevenção de Doenças • Saúde: conceito positivo e multidimensional. • Saúde: ausência de doença. • Modelo participativo de saúde. Modelo médico. • Direcionado à população em seu ambiente total. • Direcionado principalmente aos grupos de alto risco da população. • Envolve uma rede de questões de saúde. • Envolve patologias específicas. • Estratégias diversas e complementares. • Estratégia única. • Abordagens facilitadoras e integradoras. • Estratégias diretivas e persuasivas. • Medidas incentivadoras são fornecidas para a população. • Medidas diretivas são fortalecidas em gruposalvo. • Mudanças no status dos homens e de seu ambiente são buscadas nos programas. • Programas focalizando principalmente tópicos individuais e de grupos. • Organizações nãoprofissionais, grupos cívicos e governos municipais, regionais e nacionais são necessários para se atingir as metas de promoção da saúde. • Programas preventivos são assuntos dos grupos profissionais das disciplinas da saúde. Fonte: Stachtenko & Jenicek (1990) Extraído de: Freitas (2003) Na década de 1970, o ministro canadense Lalonde publica o Informe Lalonde, onde mostra o resultado de suas investigações sobre a causalidade do processo saúde doença em seu país e verificou que os estilos de vida e ambiente eram responsáveis por 80% das doenças e que não havia investimento sobre esses fatores. Esse informe tornouse um marco, pois questionava o papel da medicina como principal ator na resolução dos problemas de saúde da população e atribuía ao governo a responsabilidade de atuar sobre o controle dos fatores que influenciam o meio ambiente, tais como poluição e tratamento de água e esgoto. Lalonde denominou as intervenções no meio ambiente de Proteção da Saúde, aquelas dirigidas ao sistema de saúde, como Prevenção e as que tinham como foco o estilo de vida, Promoção da Saúde. Cabe lembrar, que esta definição não corresponde ao enfoque discutido em Ottawa. A Conferência de AlmaAta, Cazaquistão, em 1978, trouxe mais uma variável para o campo da Promoção: os cuidados primários de saúde, definidos como cuidados de baixa complexidade tecnológica, mas alta penetração e resolutividade nas populações. Sua meta era “Saúde para todos no ano 2000”. 49 SAÚDE COLETIVA I Em 1984, no Congresso Canadense de Saúde Pública, foram definidos princípios para o que se delineava como Promoção da Saúde: esta envolve a população como um todo e suas ações são dirigidas aos determinantes ou causalidades social, econômica, cultural, política e ambiental; combina abordagens diversas e complementares, objetiva a participação social. Ao final dessa reunião, é apresentada uma nova estratégiadenominada Cidades Saudáveis. Na I Conferência Internacional de Promoção da Saúde, em 1986, em Ottawa, Canadá, é aprovada a Carta de Ottawa, documento marco da Promoção da Saúde, que deixa cada vez mais clara a necessidade de parcerias entre os setores da sociedade para a melhoria das condições de vida em todos os países. Outras conferências se seguiram, como a Conferência de Adelaide, Austrália, onde de demonstrou que as políticas públicas de todo os setores do governo influenciam os determinantes de saúde. Nessa conferência também se determinou quatro áreas prioritárias para promover ações imediatas em políticas saudáveis: Saúde da Mulher, Alimentação e Nutrição, Tabaco e álcool, criando ambientes saudáveis. Em 1991, na Suécia, na cidade de Sundsvall, o tema ambiente foi colocado na agenda de discussões e o tema central foi a criação de “ambientes saudáveis”. Na América Latina, as discussões acontecem, pela primeira vez, em 1992, na I Conferência LatinoAmericana de Promoção da Saúde, realizada em Bogotá, Colômbia, onde a equidade foi tema recorrente das discussões, devido à enorme desigualdade social presente em todos os países da América Latina. Na Conferência de Jacarta, Indonésia, em 1998, os problemas relacionados ao processo de globalização, principalmente a pobreza e a violência, foram colocados em pauta. Exigência de que, quando um indivíduo ou coletividade busca o atendimento ou quando surge um problema de saúde com impacto sobre a coletividade, o serviço correspondente esteja capacitado para resolvêlo até o nível de sua competência”. O objetivo dos Municípios e Comunidades Saudáveis é promover a saúde junto com as pessoas e as comunidades, nos espaços onde as pessoas estudam, trabalham, se divertem, amam... e onde vivem. A estratégia de MCS encontrase inserida em um processo global de democratização e descentralização, baseada em iniciativas locais, sob o marco da gestão local e da participação comunitária. Políticas Públicas compreendem as decisões de governo em diversas áreas que influenciam a vida de um conjunto de cidadãos. São os atos que o governo faz ou deixa de fazer e os efeitos que tais ações ou a ausência destas provocam na sociedade. 50 SAÚDE COLETIVA I A V Conferência de Promoção da Saúde aconteceu no México em 2000, onde houve o comprometimento dos governos participantes em elaborar Planos Nacionais de Ação, com o objetivo de monitorar e incorporar estratégias de ação para a Promoção da Saúde. A VI Conferência Global ocorreu em Bancoc, Tailândia, em 2005, e seu foco de trabalho foi como a globalização trouxe impactos positivos e negativos para a saúde das populações. O resultado dessas discussões ainda não pode ser percebido. Como fazer a Promoção da Saúde acontecer de fato? Para responder a esse questionamento, a Carta de Ottawa traz uma matriz de ação: Políticas públicas saudáveis que diminuam as desigualdades sociais por meio de ações sobre os determinantes dos problemas de saúde, como, por exemplo: Política Nacional de Trânsito, Política Nacional do Idoso, Estatuto da Criança e do Adolescente. Princípio segundo o qual a distribuição de recursos é feita em função das necessidades de saúde de uma determinada população. Você pode conhecer mais sobre esses países em: http://www.ibge.gov.br/paisesat/ 51 SAÚDE COLETIVA I Reforço da ação comunitária/ participação, com envolvimento concreto e efetivo das comunidades, para a tomada de decisões, definição de prioridades e estratégias de ação. Para isso, devese aumentar o poder das comunidades para a posse e controle dos seus esforços e destino. Desenvolvendo habilidades pessoais, apoiando o desenvolvimento pessoal por meio de educação, cultura, intensificação das habilidades vitais. Devese capacitar as pessoas para aprenderem por toda a vida. Criando ambientes favoráveis, melhorando o meio ambiente, conservando recursos naturais e fazendo o acompanhamento sistemático do impacto que as mudanças no meio ambiente produzem sobre a saúde. Reorientação dos serviços de saúde: a responsabilidade da Promoção da Saúde deve ser compartilhada entre todos os níveis de atenção à saúde, governo e sociedade. O setor saúde deve ser orientado para a promoção, mas sem deixar de lado sua responsabilidade em prover serviços clínicos e de urgência. Os serviços devem também conhecer e respeitar as peculiaridades de cada região. A Promoção da Saúde no contexto do Sistema Único de Saúde Ao conhecermos os princípios e diretrizes do SUS, nos deparamos com o princípio de Integralidade da assistência, que prevê que as ações de saúde sejam realizadas em todos os níveis de atenção, focando a promoção, prevenção, cura, restauração e reabilitação dos indivíduos e comunidades. No texto Constitucional, assim como na Lei Orgânica de Saúde n o 8080/1990, não encontramos aprofundamento de como a Promoção deve acontecer, e isso pode ser atribuído ao fato desses conceitos serem recentes à época da elaboração dos documentos citados. Atualmente, existe um esforço conjunto entre o Ministério da Saúde, universidades, serviços de saúde e organismos internacionais de fomento à saúde para a elaboração de estratégias de implantação, avaliação e implementação de ações promotoras de saúde, em todos os níveis do sistema de saúde. Alguns casos de sucesso podem ser encontrados no site do CEPEDOC Cidades Saudáveis (Centro de Estudos, Pesquisa e Documentação). Ao analisar todo esse o panorama, podemos chegar a várias conclusões, e uma delas é a de que estamos no meio do caminho para Promover Saúde. Como profissionais de Saúde, devemos repensar nosso foco de atuação e trabalhar com as populações no sentido de ajudálas 52 SAÚDE COLETIVA I a manter e alcançar níveis satisfatórios de saúde. Está na hora de deixarmos para trás aquela impressão de que “não estamos fazendo nada”, quando trabalhamos com pessoas saudáveis! Estamos fazendo muito! Afinal, quem quer ficar doente? Exercícios 1. Saúde ou doença são resultados de uma série de processos interativos entre o homem e seu ambiente social, ecológico, biológico, psíquico, cultural, econômico, entre outros. Sendo assim, o homem é agente ativo de transformação do meio em que vive, da realidade na qual está inserido, entretanto, não há possibilidade de o homem sofrer transformações impostas pelo meio em que vive. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 2. Rudolf Virchow, em seu estudo sobre a Epidemia de Tifo na Prússia, relacionou a saúde com a liberdade, democracia e prosperidade da população; Thomas McKeown, ao estudar os fatores causais da mortalidade na Inglaterra, mostrou que os fatores que mais contribuíram para a melhoria das condições de vida foram: o desenvolvimento econômico, nutrição, mudança nos níveis de vida. Ao ler o texto, podemos afirmar que, para Rudolf Virchow, os fatores sociais, políticos e econômicos não estão diretamente relacionados com a melhoria da qualidade de vida da população Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 3. Entre os elementos norteadores para fazer a Promoção da Saúde acontecer, de fato, podemos citar as Políticas Públicas Saudáveis, que diminuam as desigualdades sociais por meio de ações sobre os determinantes dos problemas de saúde, e o Reforço da ação comunitária/ participação,com envolvimento concreto e efetivo das comunidades, para a tomada de decisões, definição de prioridades e estratégias de ação. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. Para saber mais sobre Promoção da Saúde no Brasil: http://www.cedaps.org.br 53 SAÚDE COLETIVA I Respostas dos Exercícios 1. Saúde ou doença são resultados de uma série de processos interativos entre o homem e seu ambiente social, ecológico, biológico, psíquico, cultural, econômico, entre outros. Sendo assim, o homem é agente ativo de transformação do meio em que vive, da realidade na qual está inserido, entretanto, não há possibilidade de o homem sofrer transformações impostas pelo meio em que vive. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B Saúde ou doença são resultados de uma série de processos interativos entre o homem e seu ambiente social, ecológico, biológico, psíquico, cultural, econômico, entre outros. Sendo assim, o homem é agente ativo de transformação do meio em que vive, da realidade na qual está inserido, e também é transformado por esta. 2. Rudolf Virchow, em seu estudo sobre a Epidemia de Tifo na Prússia, relacionou a saúde com a liberdade, democracia e prosperidade da população; Thomas McKeown, ao estudar os fatores causais da mortalidade na Inglaterra, mostrou que os fatores que mais contribuíram para a melhoria das condições de vida foram: o desenvolvimento econômico, nutrição, mudança nos níveis de vida. Ao ler o texto, podemos afirmar que, para Rudolf Virchow, os fatores sociais, políticos e econômicos não estão diretamente relacionados com a melhoria da qualidade de vida da população Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B Os trabalhos de Virchow postulam que os fatores sóciopolíticos e econômicos estão diretamente relacionados com a melhoria da qualidade de vida da população. 3. Entre os elementos norteadores para fazer a Promoção da Saúde acontecer, de fato, podemos citar as Políticas Públicas Saudáveis, que diminuam as desigualdades sociais por meio de ações sobre os determinantes dos problemas de saúde, e o Reforço da ação comunitária/ participação, com envolvimento concreto e efetivo das comunidades, para a tomada de decisões, definição de prioridades e estratégias de ação. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA:A Realmente, entre os elementos norteadores para fazer a Promoção da Saúde acontecer, de fato, podemos citar as Políticas Públicas Saudáveis, que diminuam as desigualdades sociais por meio de ações sobre os determinantes dos problemas de saúde, e o Reforço da ação comunitária/ participação, com envolvimento concreto e efetivo das comunidades, para a tomada de decisões, definição de prioridades e estratégias de ação. 54 SAÚDE COLETIVA I No alvorecer do século XX, três grandes flagelos assolavam as principais cidades brasileiras: a varíola, a febre amarela e a peste bubônica. Embora não fossem as únicas doenças a afligir as cidades e os demais estados da federação, essas enfermidades, além de atingir de forma indiscriminada a população e gerar grandes prejuízos ao comércio exterior, comprometiam a política de imigração estrangeira, considerada vital para os setores agroexportadores e para a incipiente indústria manufatureira. Assim, foram implementadas reformas urbanas e sanitárias no governo do então presidente Rodrigues Alves e colocadas em prática por Osvaldo Cruz, as quais obrigavam a vacinação em massa de toda a população do Rio de Janeiro. AULA 07 • REFORMA SANITÁRIA E O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE • SUS 55 SAÚDE COLETIVA I Introdução No alvorecer do século XX (1904), três grandes flagelos assolavam as principais cidades brasileiras: a varíola, a febre amarela e a peste bubônica. Embora não fossem as únicas doenças a afligir as cidades e os demais estados da federação, essas enfermidades, além de atingir de forma indiscriminada à população e gerar grandes prejuízos ao comércio exterior, comprometiam a política de imigração estrangeira, considerada vital para os setores agroexportadores e para a incipiente indústria manufatureira. Assim, foram implementadas reformas urbanas e sanitárias no Governo do então Presidente Rodrigues Alves e colocadas em prática por Osvaldo Cruz, as quais obrigavam a vacinação em massa de toda a população do Rio de Janeiro, atrelando a prática da vacinação aos direitos civis da sociedade, ou seja, aquele que se recusasse a receber a vacinação não poderia tomar o bonde, casarse, trabalhar, transitar em locais públicos, etc. Fato este que deflagrou um dos mais importantes levantes populares ocorridos no Brasil, a Revolta da Vacina, no período de 10 a 16 de novembro de 1904, incrementada pelo descontentamento da população com a lei da vacinação obrigatória contra a varíola e acirrados ainda pela política do “botaabaixo”, nome pelo qual ficou conhecida a reorganização do espaço urbano da cidade do Rio de Janeiro, empreendida pelo Prefeito Pereira Passos. Esse fato foi, sem duvida, o marco inicial da participação popular nas questões relacionadas à saúde. Participação popular que, desde então, passa a ser um elemento articulador nas relações entre o Estado e a Sociedade, a qual evolui até seu ponto máximo: o movimento denominado Reforma Sanitária, que culminou com o Sistema Único de Saúde SUS. Em busca da cidadania e acesso à saúde A Reforma Sanitária Brasileira advém de muitos anos de uma luta, e podemos encontrar indícios de sua existência desde o princípio do Século XX. No entanto, a conquista da proteção jurídica ocorreu na década de 1980, devendo ser compreendida como início de uma nova fase pela conquista de direitos, e conseqüente melhoria da qualidade de vida da população. Lembrando que a lei não garante a aplicabilidade das ações e serviços de saúde, o que garante é a efetiva conquista da democracia, através da participação e do exercício de uma cidadania plena, que advém da participação consciente dos vários segmentos da população na 56 SAÚDE COLETIVA I construção de uma sociedade com menores desigualdades sociais, e na qual o SUS, certamente, deverá ser protegido como a mais importante conquista. As décadas de 1970 e 1980 são muito produtivas em estudos sobre as questões da saúde no Brasil. O movimento da Reforma Sanitária conta com a liderança dos intelectuais da área da saúde coletiva, congregando estudiosos da saúde pública e da medicina social, e de profissionais do setor público dos serviços de saúde. Isso se materializa numa larga produção de textos com forte teor de denúncia e na formulação de propostas para o setor saúde, que buscam viabilizar a constituição da saúde como um direito do cidadão brasileiro, tendo, dessa forma, a cidadania como eixo comum de lutas. Essas proposições comuns ao movimento concentram seus princípios articuladores na estabilização dos serviços de saúde, na constituição de um Sistema Único de Saúde, na descentralização, na universalização e na eqüidade do direito à saúde. Princípios esses que, formulados já na segunda metade da década de 1970, vão se traduzindo e aperfeiçoando, em medidas concretas, na década posterior. Em 1985, o fim do regime militar e a implantação da chamada “Nova República” trouxeram, para o país, a perspectiva da reforma da Constituição Federal; a fim de subsidiar a discussão da saúde na Assembléia Nacional Constituinte, foi convocada a VIII Conferência Nacional de Saúde – VIII CNS – para o ano de1986, que contou com a participaçãode dirigentes institucionais, técnicos, estudiosos, políticos, lideranças sindicais e representantes da sociedade civil organizada. O relatório final da VIII CNS continha recomendações que passaram a constituir o projeto da Reforma Sanitária Brasileira. Esse projeto reconhecia a saúde como um direito básico do cidadão e um dever do Estado, entendendo o conceito de saúde de forma ampliada. Dessa forma, foi levado à Assembléia Nacional Constituinte, em 1987, para disputar, com outras propostas, o que seria inscrito na Constituição Federal brasileira sobre a Saúde. Em decorrência do ideário do movimento da Reforma Sanitária, foi promulgada a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, a qual garante, no artigo 196, que “ a saúde é um direito de todos e dever do Estado” , em contraponto com uma mera assistência médica que segregava a população em indigentes e segurados do INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social), com vistas à implementação da cidadania e de uma ordem democrática. A nova Constituição Brasileira criou o Sistema Único de Saúde – SUS – em conformidade com os princípios basilares da Reforma Sanitária e prevê, no artigo 198, que as ações e serviços 57 SAÚDE COLETIVA I públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada, e constituem um sistema único, organizado, de acordo com as seguintes diretrizes: • Conceito Ampliado de Saúde – A saúde é resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra, acesso aos serviços de saúde. • Reconhecimento da Saúde como Direito de Todos e Dever do Estado – É dever do Estado reduzir o risco das doenças através das políticas sociais, da promoção, proteção e recuperação da saúde e da garantia do acesso aos serviços para todos os cidadãos. • Promoção da Justiça Social – Busca de soluções que visem recuperar a cidadania e promover a justiça social, acabando com as desigualdades, através da equidade, universalidade, integralidade da atenção e controle social. • Princípios Organizativos – Propõe estratégias para construção do SUS de acordo com os princípios que orientam a democracia, cidadania e equidade (descentralização, regionalização e hierarquização). Nada do que se discute no âmbito da saúde brasileira continua mais atual do que o desafio que se coloca para o presente e às futuras gerações: tornar concreto, no cotidiano da vida dos cidadãos, os princípios que motivaram a Reforma Sanitária e o Sistema Único de Saúde. A viabilização das reformas acima descritas passou necessariamente pela reformulação do arcabouço jurídicoconstitucional materializado na Constituição Federal de 1988, que se caracteriza como a Lei fundamental do nosso país. A partir dos princípios nela inseridos, foi possível a edição de Leis para regulamentar o funcionamento do sistema proposto pela Reforma Sanitária – Lei 8080/90 e Lei 8142/90. Contudo, não obstante à regulamentação legal, para que sejam efetivadas as reformas, urge que a sociedade exerça seu direito de cidadania, reivindicando a aplicação dos dispositivos constitucionais e legais reguladores da matéria. Metáfora: Maneira de descrever as coisas de uma forma tal que, uma vez clarificada, analisada, traria a verdade, o essencial. A metáfora contém uma mensagem a ser decodificada. 58 SAÚDE COLETIVA I Exercícios 1. A Reforma Sanitária Brasileira advém de muitos anos de uma luta que não se iniciou apenas na década de 1970. Podemos encontrar indícios de sua existência desde o princípio do século XX. No entanto, a conquista da proteção jurídica ocorreu na década de 1980, devendo ser compreendida como início de uma nova fase pela conquista de direitos, e conseqüente melhoria da qualidade de vida da população. Lembrando que a lei não garante a aplicabilidade das ações e serviços de saúde, o que garante é a efetiva conquista da democracia, através da participação e do exercício de uma cidadania plena, e na qual o SUS, certamente, deverá ser protegido como a mais importante conquista. Ao ler o texto, podemos afirmar que a lei garante a conquista da democracia. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 2. As lutas sociais pelas reformas contribuíram para os direitos previstos na atual Constituição Federal, porém a reforma sanitária não contém propostas para democratização do país. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 3. Em decorrência do ideário do movimento da Reforma Sanitária, foi promulgada a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, a qual garante, no artigo 196, que “a saúde é um direito de todos e dever do Estado”, em contraponto com uma mera assistência médica que segregava a população em dependentes e nãodependentes do INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social), com vistas à implementação da cidadania e de uma ordem democrática. Ao ler o texto, podemos afirmar que a Constituição Federal de 1988 garante o acesso de todos aos serviços de saúde. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 4. A mensagem que a metáfora da música de Chico Buarque, “A Banda”, pode nos passar, é a de que a participação popular se faz necessário para a articulação de possíveis mudanças sociais. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. Respostas dos Exercícios 1. A Reforma Sanitária Brasileira advém de muitos anos de uma luta que não se iniciou apenas na década de 1970. Podemos encontrar indícios de sua existência desde o princípio do século XX. No entanto, a conquista da proteção jurídica ocorreu na década de 1980, devendo ser compreendida como início de uma nova fase pela conquista de direitos, e conseqüente melhoria da qualidade de vida da população. Lembrando que a lei não garante a aplicabilidade das ações e serviços de saúde, o que garante é a efetiva conquista da democracia, através da participação e do exercício de uma cidadania plena, e na qual o SUS, certamente, deverá ser protegido como a mais importante conquista. Ao ler o texto, podemos afirmar que a lei garante a conquista da democracia. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B A efetiva conquista da democracia advém da participação e do exercício de uma cidadania plena. 59 SAÚDE COLETIVA I 2. As lutas sociais pelas reformas contribuíram para os direitos previstos na atual Constituição Federal, porém a reforma sanitária não contém propostas para democratização do país. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B As lutas sociais pelas reformas contribuíram para os direitos previstos na atual Constituição Federal, e a reforma sanitária contém propostas para democratização do país. 3. Em decorrência do ideário do movimento da Reforma Sanitária, foi promulgada a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, a qual garante, no artigo 196, que “a saúde é um direito de todos e dever do Estado”, em contraponto com uma mera assistência médica que segregava a população em dependentes e nãodependentes do INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social), com vistas à implementação da cidadania e de uma ordem democrática. Ao ler o texto, podemos afirmar que a Constituição Federal de 1988 garante o acesso de todos aos serviços de saúde. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Realmente, a previsão, no texto constitucional, de que “a saúde é um direito de todos e dever doEstado”, garante o direito ao acesso de todos aos serviços de saúde. 4. A mensagem que a metáfora da música de Chico Buarque, “A Banda”, pode nos passar, é a de que a participação popular se faz necessário para a articulação de possíveis mudanças sociais. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A A metáfora da música “A Banda” representa a organização popular, quando descreve que todos saíram de seus afazeres e preocupações individuais e se envolveram juntos em torno da “Banda”. 60 SAÚDE COLETIVA I O sistema de saúde brasileiro, há duas décadas, passa por um processo de mudança, que foi iniciado com o movimento da Reforma Sanitária, implementada na década de 1986, tendo, como resultado, conquistas sociais importantes do ponto de vista jurídico legal, que definiu, entre outras, a reformulação das organizações prestadoras de serviços de assistência à saúde e estabelecimentos sanitários. A Constituição Federal de 1988 estabeleceu a saúde como um direito dos cidadãos e um dever do Estado, e essa universalidade de acesso aos serviços de atenção à saúde será possível apenas com a estruturação de um sistema unificado, integral e descentralizado, o SUS. AULA 08 • SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: HISTÓRICO, LEGISLAÇÃO E PRINCÍPIOS E DIRETRIZES • PARTE 1 Introdução O sistema de saúde brasileiro, há duas décadas, passa por um processo de mudança que foi iniciado com o movimento da Reforma Sanitária, implementada na década de 1986, tendo como resultado conquistas sociais importantes do ponto de vista jurídico legal, que definiu, entre outras, a reformulação das organizações prestadoras de serviços de assistência à saúde e estabelecimentos sanitários. Tornouse consenso que fosse abandonada a lógica tradicional que definiu o funcionamento do sistema por muitos anos. Assim, foi estabelecida a necessidade de se criar condições para que, de forma descentralizada e permanente, o sistema de saúde esteja mais próximo dos indivíduos, tornandose mais humanizado, solidário e, sobretudo, mais resolutivo. Importante ressaltar que essa nova lógica dá prioridade à prevenção, não descuidando do atendimento das demais necessidades de saúde, nos níveis mais complexos do sistema, quando se pensa no cumprimento dos objetivos propostos pelo Sistema Único de Saúde, que é assegurar o acesso universal e igualitário a todos os níveis de assistência à saúde e prestar ações e serviços preventivos e curativos (Integralidade), individuais e coletivos. Para integrar a assistência à saúde, nos diversos níveis, e aproveitar os recursos disponíveis nos municípios, há que se considerar a importância da regionalização, que busca organizar pólos de referência para o atendimento de maior complexidade dentro do sistema de 61 SAÚDE COLETIVA I referência e contrareferência, assim considerando uma oferta mais abrangente dos serviços oferecidos à população. Um pouco de História A prioridade atribuída à prevenção tem sua gênese na história da discriminação social, e que leva em consideração a trajetória da atenção à saúde no Brasil. O texto Constitucional de 1988 busca resgatar a dívida do sistema de saúde diante da prevenção das doenças da população brasileira, necessitando que se desse um sentido de mudança radical à forma como se desenvolveu a assistência à saúde no Brasil. As organizações no setor saúde sempre dividiram suas ações em médicoassistenciais e preventivas, sendo oferecidas de maneira desigual, como nos lembra a proposta do primeiro Sistema de Saúde implementada em 1975, o qual previa que o Ministério da Saúde ficaria com as ações de saúde preventiva e o Ministério da Previdência e Assistência Social permaneceria com as ações curativas, ambas oferecidas de maneira desigual. Tal situação provocou a hegemonia das ações curativas sobre as ações preventivas, caracterizadas pelo enfraquecimento financeiro e político do Ministério da Saúde em relação ao Ministério da Previdência e Assistência Social, e a estratificação da oferta de serviços de saúde, que diferenciava os indivíduos em indigentes (pessoas que não contribuíam para a seguridade social) e segurados da Previdência Social (pessoas que contribuíam para a seguridade social). Os arranjos políticoideológicos ocorridos no Brasil, durante a década de 1985, que culminaram com o movimento das “Diretas Já” e, conseqüentemente, com a derrubada do regime militar instituído com o golpe de 1964, exigiam uma nova perspectiva jurídica e política para a nação, o que foi possível com a promulgação da Constituição Federal de 1988. Assim, o texto constitucional prevê que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, e que deve ser provida mediante políticas públicas adequadas e que correspondam às reais necessidades da população. Com o advento da abertura política e da Nova República, sob forte pressão dos movimentos populares e da sociedade civil organizada, surge um novo sistema de saúde, com uma concepção ampliada de saúde, que incluiu os condicionantes econômicos, sociais, culturais e bioecológicos, e uma visão abrangente e integrada das ações e serviços de saúde, superando a visão dominante de enfocar a saúde pela doença, sobretudo nas dimensões biológica e individual. Esse novo sistema proposto estava calcado nos direitos fundamentais da pessoa humana e 62 SAÚDE COLETIVA I centrado na integralidade dos cuidados, porém com franca preferência pelas ações primárias (básicas) de saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS) foi um produto da Reforma Sanitária Brasileira, previsto no texto constitucional de 1988, que se dedica, desde o artigo 196 até o artigo 200, às questões inerentes à saúde. No artigo 196, observamos que “ a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação” . Apesar de a saúde haver sido prevista na Constituição Federal de 1988 como um direito dos cidadãos e um dever do Estado, e essa universalidade de acesso aos serviços de atenção à saúde ser possível apenas com a estruturação de um sistema unificado, integral e descentralizado, foi apenas no ano de 1990 que surgiu a Lei Orgânica da Saúde nº 8080/90, que regulamenta o SUS, e a Lei 8142/90, que prevê a participação popular no sistema. Porém, a despeito de sua normalização, foi implementado apenas no ano de 1993, com a Norma Operacional Básica 93 NOB 93. Esse espaço temporal de cinco anos decorridos entre a previsão constitucional /legal do SUS e sua efetiva implementação técnicopolítica devese ao conturbado cenário político brasileiro do começo da década de 1990. Estava ocorrendo o processo do impeachment do então Presidente Fernando Collor de Melo e a IX Conferência Nacional de Saúde repercutiu a indignação nacional, bradando: fora Collor! Com a renúncia de Collor, assumiu Itamar Franco, que entregou a Jamil Haddad o Ministério da Saúde. Foi constituído, pelo então Ministro, o Grupo Especial de Descentralização (GED), que começou, de forma colegiada, a discutir uma proposta de descentralização, cuja expressão maior era a própria temática da IX Conferência: "Municipalização é o Caminho" . Surge, então, o documento "Municipalização das ações e serviços de saúde: a ousadiade cumprir e fazer cumprir as leis" . Assim, temos o início efetivo do Sistema Único de Saúde –SUS. 63 SAÚDE COLETIVA I Princípios e diretrizes que norteiam o SUS O SUS está assentado em diretrizes organizacionais e princípios doutrinários incorporados ao texto constitucional e às leis ordinárias que o regulamentam. Esses princípios e diretrizes se articulam e se complementam na conformação do ideário e da lógica de organização do sistema e podem ser considerados como “regras do jogo do SUS”, oferecendo a legitimidade e a direcionalidade do sistema. Tais princípios e diretrizes constituem, portanto, as regras pétreas do SUS, apresentandose como linhas de base às proposições de reorganização do sistema, dos serviços e das práticas de saúde. Os princípios doutrinários do SUS são: a Universalidade, a Integralidade, a Eqüidade; Campos e colaboradores apontam ainda o Direito à Informação. • Universalidade: assegura o direito à saúde a todos os cidadãos e o acesso sem discriminação ao conjunto das ações e serviços de saúde ofertados pelo sistema. O exercício deste princípio traz a perspectiva da oferta, a todos os brasileiros, no sistema público de saúde, dos procedimentos mais simples aos mais complexos, alterando, assim, a situação anterior em que o acesso era diferenciado entre os que tinham vínculo com a previdência e os demais usuários dos serviços de saúde tipificados como indigentes. • Integralidade: considera as várias dimensões do processo saúdedoença que afetam os indivíduos e as coletividades, e pressupõe a prestação continuada do conjunto de ações e serviços, visando garantir a promoção, a proteção, a cura e a reabilitação dos indivíduos e da coletividade. Este princípio orientou a expansão e qualificação das ações e serviços de saúde do SUS, que ofertam desde um elenco ampliado de ações básicas de saúde até os serviços de reabilitação física e mental, além das ações de promoção da saúde de caráter intersetorial. • Eqüidade: no acesso às ações e aos serviços de saúde, dentro do atual debate relativo à igualdade, prevista no texto da Lei, e justifica a prioridade das ações e serviços aos O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2001) define “diretriz” como sendo uma linha reguladora do traçado de um caminho ou de uma estrada; conjunto de instruções para se tratar e levar a termo um plano, uma ação, etc. Por princípios, entendese a origem, começo; elemento predominante na constituição de um corpo; proposições diretoras de uma ciência, às quais todo o desenvolvimento posterior dessa ciência deve estar subordinado. 64 SAÚDE COLETIVA I segmentos populacionais que enfrentam maiores riscos de adoecer e morrer em decorrência da desigualdade na distribuição de renda, bens e serviços. Incluise aí o princípio da discriminação positiva em favor dos grupos sociais mais vulneráveis, buscando assegurar prioridade no acesso às ações e serviços de saúde aos grupos excluídos e com precárias condições de vida, considerando as desigualdades de condições decorrentes da organização social. • O Direito à Informação: apontado por CAMPOS e colaboradores, em sua obra Tratado de Saúde Coletiva (2006), é assegurado por lei e outorga ao cidadão usuário do SUS o domínio das informações sobre sua saúde individual e acerca dos riscos e dos condicionantes que afetam a saúde coletiva, atribuindo aos profissionais e aos gestores do SUS a responsabilidade pela viabilização deste direito. Exercícios 1. O sistema de saúde brasileiro, há duas décadas, passa por um processo de mudança que foi iniciado com o movimento da reforma sanitária implementada na década de 1986, tendo como resultado conquistas sociais importantes do ponto de vista jurídico legal, que definiu, entre outras, a reformulação das organizações prestadoras de serviços de assistência à saúde e estabelecimentos sanitários. Tornouse consenso que fosse abandonada a lógica tradicional que definiu o funcionamento do sistema por muitos anos. Assim, foi estabelecida a necessidade de se criar condições para que, de forma descentralizada e permanente, o sistema de saúde esteja mais próximo dos indivíduos, tornandose mais humanizado, solidário e, sobretudo, mais resolutivo. Ao ler o texto, podemos afirmar que, após a reforma sanitária, fica estabelecida a necessidade de se criar condições para que o sistema de saúde se tornasse mais centralizado. Podese dizer que esta idéia está: Designase por discriminação positiva a eleição de determinados grupos populacionais aos quais se destinam ações prioritárias, haja vista seu grau de vulnerabilidade. Pessoas vulneráveis são pessoas relativa ou absolutamente incapazes de proteger seus próprios interesses. De modo mais formal, podem ter poder, inteligência, educação, recursos e forças insuficientes ou outros atributos necessários à proteção de seus interesses. Diante de tal definição, a principal característica da vulnerabilidade seria “uma capacidade ou liberdade limitada”, mostrando que os grupos específicos poderiam ser considerados vulneráveis. 65 SAÚDE COLETIVA I a) Correta. b) Incorreta. 2. O princípio da Eqüidade considera as várias dimensões do processo saúdedoença que afetam os indivíduos e as coletividades, e pressupõe a prestação continuada do conjunto de ações e serviços, visando garantir a promoção, a proteção, a cura e a reabilitação dos indivíduos e da coletividade. Este princípio orientou a expansão e qualificação das ações e serviços de saúde do SUS, que ofertam desde um elenco ampliado de ações básicas de saúde até os serviços de reabilitação física e mental, além das ações de promoção da saúde de caráter intersetorial. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 3. O princípio da Universalidade assegura o direito à saúde a todos os cidadãos e o acesso sem discriminação ao conjunto das ações e serviços de saúde ofertados pelo sistema. O exercício deste princípio traz a perspectiva da oferta, a todos os brasileiros, no sistema público de saúde, dos procedimentos mias simples aos mais complexos, alterando, assim, a situação anterior em que o acesso era diferenciado entre os que tinham vínculo com a previdência e os demais usuários dos serviços de saúde tipificados como indigentes. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. Respostas dos Exercícios 1. O sistema de saúde brasileiro, há duas décadas, passa por um processo de mudança que foi iniciado com o movimento da reforma sanitária implementada na década de 1986, tendo como resultado conquistas sociais importantes do ponto de vista jurídico legal, que definiu, entre outras, a reformulação das organizações prestadoras de serviços de assistência à saúde e estabelecimentos sanitários. Tornouse consenso que fosse abandonada a lógica tradicional que definiu o funcionamento do sistema por muitos anos. Assim, foi estabelecida a necessidade de se criar condições para que, de forma descentralizada e permanente, o sistema de saúde esteja mais próximo dos indivíduos, tornandose mais humanizado, solidário e, sobretudo, mais resolutivo. Ao ler o texto, podemos afirmar que, após a reforma sanitária, fica estabelecida a necessidade de se criar condições para que o sistema de saúde se tornasse mais centralizado. Podese dizer que esta idéia está: RESPOSTA CORRETA: B Após a reforma sanitária, fica estabelecida a necessidade de se criar condições paraque o sistema de saúde se tornasse mais descentralizado. 2. O princípio da Eqüidade considera as várias dimensões do processo saúdedoença que afetam os indivíduos e as coletividades, e pressupõe a prestação continuada do conjunto de ações e serviços, visando garantir a promoção, a proteção, a cura e a reabilitação dos indivíduos e da coletividade. Este princípio orientou a expansão e qualificação das ações e serviços de saúde do SUS, que ofertam desde um elenco ampliado de ações básicas de saúde até os serviços de reabilitação física e mental, além das ações de promoção da saúde de caráter intersetorial. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B Eqüidade, no acesso às ações e aos serviços de saúde, dentro do atual debate relativo à igualdade, justifica a prioridade das ações e serviços aos segmentos populacionais que enfrentam maiores riscos de adoecer e morrer em decorrência da desigualdade na distribuição de renda, bens e serviços. 3. O princípio da Universalidade assegura o direito à saúde a todos os cidadãos e o acesso sem discriminação ao conjunto das ações e serviços de saúde ofertados pelo sistema. O exercício deste princípio traz a perspectiva da oferta, a todos os brasileiros, no sistema público de saúde, dos procedimentos mias simples aos mais complexos, alterando, assim, a situação anterior em que o acesso era diferenciado entre os que tinham vínculo com a previdência e os demais usuários dos serviços de saúde tipificados como indigentes. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Realmente, o princípio da Universalidade assegura o direito à saúde a todos os cidadãos e o acesso sem discriminação ao conjunto das ações e serviços de saúde ofertados pelo sistema. 66 SAÚDE COLETIVA I As diretrizes operacionais ou organizativas do sistema visam imprimir racionalidade ao seu funcionamento, e as mais significativas são: a Descentralização com comando único, a Regionalização e a Hierarquização dos serviços e a Participação Comunitária. O SUS tem, como objetivo principal, formular e implementar a política nacional de saúde destinada a promover condições de vida saudável, a prevenir riscos, doenças e agravos à saúde da população, e assegurar o acesso eqüitativo ao conjunto dos serviços assistenciais para garantir atenção integral à saúde. As competências específicas estão previstas com base na descentralização das ações e serviços de saúde. AULA 09 • SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: DIRETRIZES, OBJETIVOS, ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS – PARTE 2 Continuação Por sua vez, as diretrizes operacionais ou organizativas do sistema visam imprimir racionalidade ao seu funcionamento, e as mais significativas são: a Descentralização com comando único, a Regionalização e a Hierarquização dos serviços e a Participação Comunitária. Campos e colaboradores (2006) acrescentam ainda a Integração das ações e recursos, com base no planejamento ascendente. • A Descentralização com ênfase na municipalização da gestão dos serviços e ações de saúde constituiuse na mudança mais significativa no aspecto políticoadministrativo da reforma do Sistema de Saúde no Brasil. Foi definido pelas normas regulamentadoras do SUS (Lei Orgânica da Saúde 8080/90 e Lei 8142/90) que a base do sistema de saúde seria o município, o qual fica responsável pela prestação direta da maioria dos serviços em ações coordenadas sob a direção de um único gestor em cada espaço político institucional, ou seja, o secretário municipal de saúde no âmbito do município, o secretário estadual no âmbito do estado e o ministro da saúde no âmbito da União. • A Regionalização se faz necessária, uma vez que a descentralização não se esgota na municipalização e a organização racionalizada dos serviços de saúde é uma necessidade do sistema. O objetivo da regionalização é distribuir, de forma racionalizada e equânime, os recursos assistenciais no território, com base na distribuição da 67 SAÚDE COLETIVA I população, promovendo a integração das ações e das redes assistenciais, de forma a garantir o acesso aos serviços, assim como a continuidade do cuidado e economia dos recursos. • Com a Hierarquização buscase ordenar o sistema de saúde por níveis de atenção e estabelecer fluxos assistenciais entre os serviços, de modo que regule o acesso aos serviços mais especializados, considerando que os serviços de atenção básica à saúde são os que ofertam o contato com a população e são os de uso mais freqüente. Existindo aí uma crítica à estrutura piramidal da “porta de entrada” dos serviços (o usuário entra no sistema pelas Unidades Básicas de Saúde e pelas Unidades Saúde da Família e “sobe” para níveis de cuidados mais complexos com o estágio de cuidados que demanda). • A Participação comunitária, assegurada pela Constituição Federal de 1988 e regulada pela Lei nº 8.142/90, ocorre mediante a participação dos segmentos sociais organizados nas Conferências e nos Conselhos de Saúde, nas três esferas do governo, e através da participação em colegiados de gestão nos serviços locais de saúde (Conselhos Gestores). Isso evidencia os anseios da sociedade por uma democracia participativa de fato, em que os cidadãos influenciam, de maneira decisiva, a definição e a execução da política de saúde nas três esferas de governo. • A Integração das ações entre os subsistemas que conformam o sistema de saúde, e dos serviços em redes assistenciais integradas, é um pressuposto de idéia de sistema e uma condição para a garantia da continuidade do cuidado aos usuários, sem a qual fica comprometida a idéia de integralidade do cuidado. A integração de recursos, de meios e de pessoal na gestão do sistema é preconizada nas leis e normas como condição básica para assegurar eficácia e eficiência ao sistema. Objetivos, atribuições e competências do SUS O SUS tem como objetivo principal formular e implementar a política nacional de saúde destinada a promover condições de vida saudável, a prevenir riscos, doenças e agravos à saúde da população, e assegurar o acesso eqüitativo ao conjunto dos serviços assistenciais para garantir atenção integral à saúde. A atuação do sistema abrange um conjunto de serviços e ações de: 68 SAÚDE COLETIVA I 1) Vigilância em saúde, em que se inclui a vigilância ambiental, inclusive dos ambientes de trabalho, a vigilância sanitária, a vigilância epidemiológica e a vigilância nutricional; 2) Assistência que integra a atenção básica, a atenção especializada ambulatorial e a atenção hospitalar em seus vários níveis de complexidade; 3) Prestação de assistência terapêutica integral, com destaque para a assistência farmacêutica; 4) Apoio diagnóstico e de terapia (Sadt) na assistência à saúde , e nas investigações de interesse da vigilância em saúde pública; 5) Formulação e execução da política de sangue e seus derivados, e a coordenação das redes de hemocentros; 6) Regulação da prestação dos serviços privados de assistência à saúde; 7) Definição e implementação de políticas de Ciência e Tecnologia para o setor saúde, incluindo a definição de normas e padrões para a incorporação tecnológica; 8) Promoção da saúde em articulação intersetorial com outras áreas e órgãos governamentais. A Lei nº 8080/90 define as atribuições comuns e as competências das três instâncias governamentais na gestão do SUS. Entre as atribuições comuns aos três entes federados destacamse: • planejamento das açõescom a formulação e atualização do plano de saúde; • a articulação de planos e políticas, e a coordenação das ações; • o financiamento, a orçamentação, a administração e o controle dos recursos financeiros; • a avaliação e a fiscalização sobre as ações e serviços de saúde; • a elaboração de normas pertinentes à saúde; • a organização e coordenação dos sistemas de informação; • a realização de estudos e pesquisas na área de saúde; • a implementação de políticas específicas, como a do sangue e hemoderivados; • a participação na formulação e execução da política de formação e desenvolvimento de recursos humanos para a saúde; 69 SAÚDE COLETIVA I • a participação na formulação e execução das políticas de saneamento e meio ambiente com ênfase nas ações que repercutem na saúde da população. As competências específicas estão previstas com base na descentralização das ações e serviços de saúde, que atribuiu ao município a responsabilidade pela execução da maioria das ações de saúde, e aos estados e à União funções diferenciadas. Isso assegura o direito de o gestor municipal elaborar políticas de saúde próprias da realidade de seu município, sem que ocorra o detrimento das políticas nacionais previstas para serem implementadas em todo território nacional. O SUS é responsável pela oferta do conjunto da atenção à saúde, que reúne ações promocionais, preventivas e assistenciais. As ações de prevenção e vigilância em saúde são operadas pelos serviços públicos de saúde, com abrangência nacional e cobertura universal, e compreendem ações de vigilância sanitária sobre alimentos, produtos e serviços, as ações de vigilância epidemiológica sobre doenças e agravos, a vigilância ambiental , também dos ambientes de trabalho, e as ações de imunização em relação a um conjunto de doenças, tais como Tuberculose, Hepatite B, Febre Amarela, Rubéola, Difteria, Sarampo, Caxumba, entre outras. Os serviços do SUS são responsáveis pela atenção integral de 140 milhões de pessoas e ainda oferecem serviços especializados a 40 milhões de usuários dos planos de saúde, em situações que esses planos não asseguram a prestação oportuna dos serviços, como na maioria das situações de emergências e urgências. Compete ao SUS, ainda, a oferta de serviços básicos de atenção à saúde para a maioria da população brasileira, ações essas de responsabilidade intransferível dos municípios, organizada por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família (USF). Enfim, os desafios na busca do atendimento integral à saúde é reestruturar a forma como as organizações prestadoras de serviços de saúde trabalham para o atendimento da população. Primeiro, devendose considerar a importância da articulação dos serviços e da integralidade da assistência. Segundo, das práticas dos profissionais da saúde que devem ser voltadas para a humanização da assistência e a interdisciplinaridade entre os profissionais e, principalmente, que o sujeito e ator principal determinante do processo de estruturação das práticas integrais à saúde seja o usuário do serviço público e a comunidade a que pertence. 70 SAÚDE COLETIVA I Exercícios 1. Com a Regionalização, buscase ordenar o sistema de saúde por níveis de atenção e estabelecer fluxos assistenciais entre os serviços, de modo que regule o acesso aos serviços mais especializados, considerando que os serviços de atenção básica à saúde são os que ofertam o contato com a população e são os de uso mais freqüente. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 2. Os serviços do SUS são responsáveis pela atenção integral de 140 milhões de pessoas e ainda oferecem serviços especializados a 40 milhões de usuários dos planos de saúde, em situações que esses planos não asseguram a prestação oportuna dos serviços, como na maioria das situações de emergências e urgências. Ao ler o texto, podemos afirmar que os planos de saúde não contemplam todas as necessidades de saúde do usuário dos serviços. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. Respostas dos Exercícios 1. Com a Regionalização, buscase ordenar o sistema de saúde por níveis de atenção e estabelecer fluxos assistenciais entre os serviços, de modo que regule o acesso aos serviços mais especializados, considerando que os serviços de atenção básica à saúde são os que ofertam o contato com a população e são os de uso mais freqüente. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B Com a Hierarquização, buscase ordenar o sistema de saúde por níveis de atenção e estabelecer fluxos assistenciais entre os serviços, de modo que regule o acesso aos serviços mais especializados, considerando que os serviços de atenção básica à saúde são os que ofertam o contato com a população e são os de uso mais freqüente. 2. Os serviços do SUS são responsáveis pela atenção integral de 140 milhões de pessoas e ainda oferecem serviços especializados a 40 milhões de usuários dos planos de saúde, em situações que esses planos não asseguram a prestação oportuna dos serviços, como na maioria das situações de emergências e urgências. Ao ler o texto, podemos afirmar que os planos de saúde não contemplam todas as necessidades de saúde do usuário dos serviços. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Os planos de saúde não contemplam todas as necessidades de saúde do usuário dos serviços, ficando uma boa parte dessa cobertura por conta do SUS. 71 SAÚDE COLETIVA I Modelos assistenciais ou Modelos de Atenção à Saúde têm sido definidos como combinações tecnológicas utilizadas pela organização dos serviços de saúde em determinados espaçospopulação, incluindo ações sobre o ambiente, grupos populacionais, equipamentos comunitários e usuários de diferentes unidades prestadoras de serviços de saúde com distinta complexidade. Assim, modelo de atenção é uma dada forma de combinar técnicas e tecnologias para resolver problemas e atender necessidades de saúde individuais e coletivas. AULA 10 • MODELOS DE ATENÇÃO À SAÚDE – PARTE 1 Introdução Modelos assistenciais ou Modelos de Atenção à Saúde têm sido definidos como combinações tecnológicas utilizadas pela organização dos serviços de saúde em determinados espaçopopulações, incluindo ações sobre o ambiente, grupos populacionais, equipamentos comunitários e usuários de diferentes unidades prestadoras de serviços de saúde com distinta complexidade (unidades básicas de saúde, centros de saúde, hospitais, etc). Nesse sentido, não deveriam ser entendidos como um padrão nem exemplo. Modelo também não é uma forma de organizar serviços de saúde nem um modo de administrar o sistema e os serviços de saúde. Assim, modelo de atenção é uma dada forma de combinar técnicas e tecnologias para resolver problemas e atender necessidades de saúde individuais e coletivas. É uma razão de ser, uma racionalidade, uma espécie de “lógica” que orienta a ação. É uma maneira de organizar os meios de trabalho (saberes e instrumentos) utilizados nas práticas ou processo de trabalho em saúde. Orienta as intervenções técnicas sobre os problemas e necessidades de saúde, constituindo um modo de intervenção e correspondendo, portanto, à dimensão técnica das práticas de saúde. “Porque no final, a única forma de medir o significado de nossas vidas é valorizando a vida dos outros”. Jacques Lacan 72 SAÚDE COLETIVA I De maneiramais resumida, poderíamos utilizar a definição de Jairnilson Paim, que assegura ser o modelo de atenção à saúde uma forma de organização das relações entre sujeitos (profissionais de saúde e usuários) mediadas por tecnologia (materiais e nãomateriais) utilizadas no processo de trabalho em saúde, cujo propósito é intervir sobre problemas (danos e riscos) e necessidades sociais de saúde historicamente definidas. Do sanitarismo campanhista ao modelo liberalprivatista No Brasil, durante todo período colonial e até meados do século XIX, os problemas de saúde e higiene ficavam sob a responsabilidade das localidades, que adotavam medidas para garantir a limpeza das ruas e quintais. A assistência à saúde da população pobre e indigente ficava sob os cuidados da iniciativa filantrópica de figuras de importância econômica e social e de instituições beneficentes, ligadas à Igreja Católica, como as Santas Casas de Misericórdia. A parcela restante da população buscava socorro dos médicos existentes, ou então de cirurgiões, barbeiros, sangradores, curandeiros, parteiras e curiosos. Predominava, nesse período, as doenças pestilenciais, como varíola, febre amarela, malária e tuberculose. O início da República Velha, começo do século XX, foi marcado pelo domínio dos grupos sociais ligados a agroexportação cafeeira, que exigia basicamente uma política de saneamento dos espaços e circulação das mercadorias exportáveis e o controle de doenças que prejudicassem as exportações. Foi aí que se deu o nascimento da saúde pública no Brasil, marcado pela busca dos saberes fundamentados na bacteriologia e na microbiologia e pelo questionamento dos saberes tradicionais baseados na teoria dos miasmas. Nessa época, tem início uma reestruturação do sistema de saúde, que pode ser denominado sanitarismo campanhista, e que predominou até meados dos anos de 1960. O processo de industrialização acelerado e o crescimento da economia brasileira a partir da década de 1950, determinaram um deslocamento da economia para os centros urbanos, gerando uma massa de assalariados para trabalhar na incipiente indústria manufatureira, juntamente com suas necessidade de assistência médica e previdenciária. Dessa forma, surge o modelo denominado médicoassistencial privatista, que vigorará hegemônico até meados dos anos 1980. Esse modelo médicoassistencial é predominantemente curativo, não reconhece o atendimento integral ao paciente e à comunidade, além de não se comprometer com o impacto sobre o nível de saúde da população. Assentase na garantia de que o Estado é o seu grande 73 SAÚDE COLETIVA I financiador por intermédio da Previdência Social, e o setor privado assistencialcurativo o seu grande prestador de serviços. Em 1975, foi organizado o primeiro Sistema Nacional de Saúde e estabelecidas as principais competências das distintas esferas de governo. Em 1977, com a criação do Sistema Nacional de Previdência Social (Sinpas), a área de atenção médica fica sob a responsabilidade e competência do Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social INAMPS, enquanto o subsistema estatal, representado pela rede de serviços assistenciais do Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais e Secretarias Municipais de Saúde exerceria a medicina simplificada destinada à cobertura de populações não integradas economicamente. Esse fato aprofunda ainda mais a dicotomia coletivo versus individual, quando reforça a atuação da Previdência na atenção médica, por meio de seus serviços próprios e dos contratados/conveniados. No ano de 1978, foi realizada a conferência de Almaata, que estabeleceu a doutrina da Atenção Primária, fundamentando várias propostas e programas na área da saúde e exercendo influências no processo de expansão e articulação das Secretarias Municipais de Saúde. Com o retrocesso do “Milagre Econômico” brasileiro, no final da década de 1970, a Previdência Social entra em crise. Por sua vez, o modelo médicoassistencial privatista, dependente da Previdência Social, igualmente explicita sua fragilidade e incoerência. Diante disso, vêm sendo elaboradas, desde a década de 1980, propostas alternativas visando à integralidade da atenção e ao impacto sobre os problemas de saúde, bem como a concretização dos princípios básicos e diretrizes estabelecidos pela Constituição Federal de 1988, tais como: Essas experiências iniciaramse com a implantação dos Sistemas Unificados e Descentralizados de Saúde (SUDS) em alguns estados, como Bahia, Rio Grande do Norte e São Paulo, pela organização de distritos sanitários e ênfase na atenção primária à saúde. 1) Acesso universal e igualitário às ações e serviços; 2) Rede regionalizada e hierarquizada; 3) Descentralização; 4) Atendimento integral; 5) Participação comunitária. 74 SAÚDE COLETIVA I Principais Modelos de Atenção à Saúde Há um amplo debate no Brasil sobre qual seria o modelo de atenção à saúde ideal para organizar a denominada rede básica (atenção primária), viabilizando, na prática, as diretrizes do Sistema Único de Saúde. Entre as diversas propostas experimentadas no país temos as Ações Programáticas em Saúde, Sistemas Locais de Saúde (Silos), Vigilância da Saúde, Modelo de Atenção em Defesa da Vida (MDV), Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e Programa Saúde da Família (PSF). Aqui descreveremos alguns desses modelos e, em aulas posteriores, desenvolveremos aqueles considerados pelo Ministério da Saúde como norteadores para o compromisso das unidades básicas de saúde com a população: PACS e PSF. Ação Programática em Saúde ou “Oferta Organizada” No modelo assistencial baseado na “demanda espontânea”, o sistema de saúde esperaria que um indivíduo sentisse “algo errado com sua saúde” para ter a iniciativa de procurar um serviço que se dispusesse a atendêlo prontamente. No modelo assistencial, cujos serviços estivessem voltados para as necessidades de saúde, os principais problemas deveriam ser identificados na comunidade mediante estudos que orientariam a “oferta organizada” (ou programada) no nível local. O melhor impacto na solução do problema seria conseguido por meio de uma combinação de recursos e tecnologias capazes de garantir alto grau de efetividade, sempre estabelecidas e realizadas no âmbito local (unidades de saúde dos distritos sanitários ou municípios), como, por exemplo, na busca ativa de sintomáticos de uma determinada doença e recuperação de pacientes faltosos. Constatase que a “oferta organizada” tende a superar as formas de organização da produção das ações de saúde vigentes, tais como campanhas e aqueles voltados exclusivamente para a demanda espontânea. Assim, numa unidade local de saúde , ao adotar esse modelo, atenderia à demanda espontânea e também à oferta organizada. Nesse caso, estaria voltada para o atendimento de indivíduos, famílias e comunidade que constituem a “demanda espontânea” por consulta, prontoatendimento, urgências/emergências, etc, e voltada, simultaneamente, para o desenvolvimento de ações sobre o ambiente e sobre o indivíduo, visando ao controle de agravos e ao atendimento de grupos populacionais específicos. Desse modo, procuraria compatibilizar a “demanda espontânea” à “oferta organizada”. O que ocorre na proposta do modelo da Ação Programática em Saúdeou “Oferta Organizada” ? 75 SAÚDE COLETIVA I O modelo da Ação Programática em Saúde ou “Oferta Organizada” surgiu dos discursos produzidos por professores do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo – USP – e tinha como principais características tecnológicas organizar o processo de trabalho a partir de: 1) Atividades eventuais conforme a demanda espontânea de quem procurasse o serviço ou atividades de rotina para demanda organizada; 2) Programas definidos por ciclo de vida, por doenças especiais ou por importância sanitária; 3) Definição das finalidades e objetivos gerais assentados em categorias coletivas; 4) Hierarquização interna de atividades; 5) Articulação das atividades por equipes multiprofissionais; 6) Padronização de fluxograma de atividades e de condutas terapêuticas principais; 7) Sistema de informação que permita avaliação na própria unidade; 8) Gerência da unidade por médicossanitaristas; e 9) Regionalização e hierarquização das unidades Exercícios 1. Com a Regionalização, buscase ordenar o sistema de saúde por níveis de atenção e estabelecer fluxos assistenciais entre os serviços, de modo que regule o acesso aos serviços mais especializados, considerando que os serviços de atenção básica à saúde são os que ofertam o contato com a população e são os de uso mais freqüente. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 2. Os serviços do SUS são responsáveis pela atenção integral de 140 milhões de pessoas e ainda oferecem serviços especializados a 40 milhões de usuários dos planos de saúde, em situações que esses planos não asseguram a prestação oportuna dos serviços, como na maioria das situações de emergências e urgências. Ao ler o texto, podemos afirmar que os planos de saúde não contemplam todas as necessidades de saúde do usuário dos serviços. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 76 SAÚDE COLETIVA I 3. No modelo assistencial baseado na “demanda espontânea”, o sistema de saúde esperaria que um indivíduo sentisse “algo errado com sua saúde” para ter a iniciativa de procurar um serviço que se dispusesse a atendêlo prontamente. No modelo assistencial, cujos serviços estivessem voltados para as necessidades de saúde, os principais problemas deveriam ser identificados na comunidade mediante estudos que orientariam a “oferta organizada” (ou programada ) no nível local. Ao ler o texto, podemos afirmar que a busca ativa de sintomáticos de uma determinada doença e recuperação de pacientes faltosos são exemplos de “demanda espontânea”. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. Respostas dos Exercícios 1. Com a Regionalização, buscase ordenar o sistema de saúde por níveis de atenção e estabelecer fluxos assistenciais entre os serviços, de modo que regule o acesso aos serviços mais especializados, considerando que os serviços de atenção básica à saúde são os que ofertam o contato com a população e são os de uso mais freqüente. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B Com a Hierarquização, buscase ordenar o sistema de saúde por níveis de atenção e estabelecer fluxos assistenciais entre os serviços, de modo que regule o acesso aos serviços mais especializados, considerando que os serviços de atenção básica à saúde são os que ofertam o contato com a população e são os de uso mais freqüente. 2. Os serviços do SUS são responsáveis pela atenção integral de 140 milhões de pessoas e ainda oferecem serviços especializados a 40 milhões de usuários dos planos de saúde, em situações que esses planos não asseguram a prestação oportuna dos serviços, como na maioria das situações de emergências e urgências. Ao ler o texto, podemos afirmar que os planos de saúde não contemplam todas as necessidades de saúde do usuário dos serviços. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Realmente, os planos de saúde não contemplam todas as necessidades de saúde do usuário dos serviços, ficando uma boa parte dessa cobertura por conta do SUS. 3. No modelo assistencial baseado na “demanda espontânea”, o sistema de saúde esperaria que um indivíduo sentisse “algo errado com sua saúde” para ter a iniciativa de procurar um serviço que se dispusesse a atendêlo prontamente. No modelo assistencial, cujos serviços estivessem voltados para as necessidades de saúde, os principais problemas deveriam ser identificados na comunidade mediante estudos que orientariam a “oferta organizada” (ou programada ) no nível local. Ao ler o texto, podemos afirmar que a busca ativa de sintomáticos de uma determinada doença e recuperação de pacientes faltosos são exemplos de “demanda espontânea”. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B A busca ativa de sintomáticos de uma determinada doença e recuperação de pacientes faltosos são exemplos de “demanda organizada”. 77 SAÚDE COLETIVA I Entre todas as propostas de modelos tecnoassistenciais que buscaram superar o modelo médicoassistencial privatista, a que talvez tenha sido a mais discutida em âmbito nacional, durante o processo inicial de operacionalização do SUS, foi a dos Sistemas Locais de Saúde, bastante difundida pela representação da Organização PanAmericana de Saúde (OPAS) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no Brasil e foi operacionalizada principalmente nos estados de Ceará e da Bahia. AULA 11 • MODELOS DE ATENÇÃO À SAÚDE – PARTE 2 Principais Modelos de Atenção à Saúde Sistemas Locais de Saúde (Silos) Entre todas as propostas de modelos tecnoassistenciais que buscaram superar o modelo médicoassistencial privatista, a que talvez tenha sido a mais discutida em âmbito nacional, durante o processo inicial de operacionalização do SUS, foi a dos Sistemas Locais de Saúde, bastante difundida pela representação da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no Brasil e foi operacionalizada principalmente nos estados de Ceará e da Bahia. A proposta de Silos caracterizouse por formulaçõeschave como território e problema. O enfoque por problemas pressupõe a interdisciplinaridade, ou seja, a interposição de disciplinas do conhecimento humano, buscandose integração conceitual e metodológica entre elas. Há uma contraposição à abordagem multidisciplinar, que fragmenta o conhecimento nas especialidades envolvidas, não permitindo uma visão complexa dos problemas. De acordo com essa proposta, o planejamento local das ações baseiase na análise da situação de saúde e na definição da situação desejada. Para tanto, desenhamse estratégias e um modelo de operação para estruturar a oferta de serviços e atender à demanda identificada (“oferta organizada”) e, ao mesmo tempo, captar os usuários provenientes da demanda espontânea, quando se espera que o usuário ao “sentir algo errado em sua saúde” tenha a iniciativa de procurar um serviço de saúde que se disponha a atendêlo prontamente. 78 SAÚDE COLETIVA I Vigilância da Saúde O uso da Epidemiologia tem proporcionado certa racionalidade técnicosanitária no controle das doenças, a prevenção de riscos e no exercício de técnicas que precedem e avaliam as ações de saúde. Essa necessidade de conhecer e elaborar propostas de assistência à saúde mais integrais, e que orientem intervenções antecipadas, tem conduzido algumas proposições acerca da importância da vigilância da saúde. Cuidado à saúde ligase ao paradigma de Vigilânciada Saúde que, entre outras pretensões, tem por meta a interconexão dos campos vigilância epidemiológica, vigilância ambiental e vigilância sanitária, dentro da função do Estado brasileiro, definida na Constituição Federal, de cuidar da saúde e realizar a proteção e a defesa da saúde individual e coletiva. A Lei 8080, de 19 de setembro de 1990, em seu capítulo 1, artigo 6 o , inciso onze, parágrafos1 o e 2 o , define, respectivamente: • Vigilância sanitária é o conjunto de ações de eliminação, diminuição e prevenção de riscos à saúde, intervenção em problemas sanitários desencadeados pelo meio ambiente, produção e circulação de bens e prestação de serviços de interesse da saúde; • Vigilância epidemiológica é o conjunto de ações de prevenção e controle de agravos à saúde; • A Vigilância Ambiental é o setor federal normatizado como Subsistema de Vigilância em Saúde Ambiental (SNVSA) e inclui as políticas de construção e de manutenção de Ambientes Saudáveis ou Ambientes Sustentáveis. O modelo da Vigilância da Saúde aproximase da construção do que tem sido chamado de concepção, enfoque, paradigma, abordagem, teoria ecossocial, ecossistêmica de saúde e cuja conceituação é a de saúde de ecossistemas: atualmente, o grande foco desses estudos segue o desenvolvimento teóricopolítico da Medicina Social e parte do movimento da Saúde Coletiva para as ciências humanas e sociais na saúde. Em suma, a concepção ecossocial ou ecossistêmica de saúde parte da tese de que as questões sanitárias, ambientais e epidemiológicas estão interconexas às questões sociais, políticas, éticas, culturais, econômicas, no intuito de identificar e divulgar fatores sócioambientais condicionantes e determinantes de http://pt.wikipedia.org/wiki/Epidemiologia 79 SAÚDE COLETIVA I problemas de saúde; fatores sócioambientais condicionantes referemse ao modo de vida (condições de vida e estilos de vida). Essa concepção e paradigma ecossocial ou ecossistêmico é denominado, na América Latina, de Ecossaúde e seu esforço teórico é o de construir uma teoria transdisciplinar da coevolução biocultural, cuja proposta integra ciências biológicas sociais e humanas. Apesar do não haver consenso de concepções, programas, projetos, ações e estratégias no campo da Vigilância da Saúde, pelo menos seis metas o caracterizam: • Superação das dicotomias entre práticas coletivas de saúde (Vigilância Epidemiológica e Vigilância Sanitária) e práticas individuais de saúde (Assistência ambulatorial, Assistência hospitalar), entre clínica e epidemiologia, entre preventivo e curativo, entre individual e coletivo; • Descentralização e reorganização dos serviços e das práticas locais de saúde vigentes; • Incorporação de novos agentes ou sujeitos de mudança, além dos profissionais e trabalhadores de saúde; • Atenção inseparável às determinações clínicoepidemiológicassociais de saúde; • Inclusão de conhecimentos, tecnologias, saberes e práticas não médicosanitários; • Ultrapassagem dos espaços institucionalizados dos sistemas de serviços de atenção à saúde. 80 SAÚDE COLETIVA I Modelo de Atenção em Defesa da Vida (MDV) A proposta Em Defesa da Vida surgiu em Campinas no final da década de 1980, capitaneada por um grupo de profissionais engajados no Movimento da Reforma sanitária, que tinha atuação no Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES) e que criou o Laboratório de Planejamento e Administração em Saúde (LAPA) do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade estadual de Campinas (Unicamp). O LAPA publicou suas proposta de Modelo tecnoassistencial durante a IX Conferência Nacional de Saúde, em 1992, que ratifica o conceito de saúde afirmado pela 8ª Conferência Nacional de Saúde: “a saúde é o resultado das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer,liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de saúde (...)”, e que “o direito à saúde significa a garantia, pelo Estado, de condições dignas de vida e de acesso universal e igualitário às ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, em todos os seus níveis, a todos os habitantes do território nacional (...)” . 81 SAÚDE COLETIVA I Assim, reafirmando a necessidade de políticas públicas multisetoriais e Modelos de Atenção que assegurem a universalidade, a integralidade e a eqüidade para garantir o direito à saúde. Sendo, posteriormente, aperfeiçoado por trabalhadores e dirigentes de instituições hospitalares e secretarias municipais de saúde de cidades como Campinas, Piracicaba, Ipatinga, Belo Horizonte, Betim, Sumaré, Hortolândia, Volta Redonda e Paulínia. O Modelo Em Defesa da Vida está pautado na defesa das diretrizes básicas do SUS, procurando construir dispositivos e arranjos institucionais com o objetivo de garantir a gestão democrática dos estabelecimentos de saúde, o acolhimento humanizado da clientela, o acesso a serviços resolutivos e o fortalecimento de vínculos entre profissionais e usuários com a clara definição de responsabilidades. Para tanto, está fundamentado nos seguintes princípios: A esses princípios acrescentamse ainda determinadas concepções com importantes conseqüências operacionais: • Valorização de ações em microespaços, consideradas estratégias para mudança; • O entendimento de que, sem a participação dos trabalhadores, não é possível haver mudanças no setor público de saúde; • O resgate do usuário como sujeito da mudança, valorizando o papel do mesmo no diaa dia dos serviços de saúde, assim como fóruns de deliberação coletiva, tais como os conselhos de saúde; • A compreensão de que, se a demanda espelha, por um lado, a oferta de serviços e a cultura dominante, por outro lado, ela traduz as aspirações da sociedade por novos padrões de direitos sociais; • A necessidade de se reformular a clínica e a saúde pública com base nas reais necessidades dos usuários; • A importância de se utilizarem, de maneira conseqüente e criativa, tecnologias disponíveis em outros projetos assistenciais. 1) Gestão democrática; 2) Saúde como direito de cidadania; 3) Serviço público de saúde voltado para a defesa da vida individual e coletiva. 82 SAÚDE COLETIVA I Toda essa produção catalisou o surgimento de várias iniciativas em distintas cidades brasileiras, que buscaram construir alternativas de superação do modelo baseado no INAMPS, herdado após o processo de municipalização da saúde. Como podemos observar, o Modelo de Atenção à Saúde no Brasil tem sido historicamente marcado pela predominância da assistência médica curativa e individual e pelo entendimento de saúde como ausência de doença. O rompimento com esse entendimento veio com o ordenamento jurídicoconstitucional e criação do Sistema Único de Saúde, ao mesmo tempo que novos princípios emergiam da sociedade como apelo à sedimentação do conceito de saúde como condição de cidadania. Nesse sentido, o atual Modelo de Atenção à Saúde inclui elementos de diferentes modelos, ao propor ações de promoção, proteção, recuperação e reabilitação, tanto ao indivíduo, quanto à família e comunidade, por meio de serviços assistenciais (ambulatoriais, hospitalares e de apoio diagnóstico), quanto à vigilância em saúde (ambiental,epidemiológica e sanitária). Exercícios 1. A proposta de Silos caracterizouse por formulaçõeschave como território e problema. O enfoque por problemas pressupõe a interdisciplinaridade, ou seja, a interposição de disciplinas do conhecimento humano, buscandose integração conceitual e metodológica entre elas. Ao ler o texto, podemos afirmar que há uma contraposição à abordagem multidisciplinar, que fragmenta o conhecimento nas especialidades envolvidas, não permitindo uma visão complexa dos problemas. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 2. A Vigilância Ambiental é o setor federal normatizado como Subsistema de Vigilância em Saúde Ambiental (SNVSA) e inclui as políticas de construção e de manutenção de Ambientes Saudáveis ou Ambientes Sustentáveis. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 3. O Modelo Em Defesa da Vida está pautado na defesa das diretrizes básicas do SUS, procurando construir dispositivos e arranjos institucionais com o objetivo de garantir a gestão democrática dos estabelecimentos de saúde, o acolhimento humanizado da clientela, o acesso a serviços resolutivos e o fortalecimento de vínculos entre profissionais e usuários com a clara definição de responsabilidades. Ao ler o texto, podemos afirmar que dentro da proposta do Modelo Em Defesa da Vida, há o compromisso de responsabilidade compartilhada entre os profissionais e usuários dos serviços de saúde. 83 SAÚDE COLETIVA I Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. Respostas dos Exercícios 1. A proposta de Silos caracterizouse por formulaçõeschave como território e problema. O enfoque por problemas pressupõe a interdisciplinaridade, ou seja, a interposição de disciplinas do conhecimento humano, buscandose integração conceitual e metodológica entre elas. Ao ler o texto, podemos afirmar que há uma contraposição à abordagem multidisciplinar, que fragmenta o conhecimento nas especialidades envolvidas, não permitindo uma visão complexa dos problemas. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Realmente, há uma contraposição à abordagem multidisciplinar, que, segundo a visão interdisciplinar, fragmenta o conhecimento nas especialidades envolvidas, não permitindo uma visão complexa dos problemas. 2. A Vigilância Ambiental é o setor federal normatizado como Subsistema de Vigilância em Saúde Ambiental (SNVSA) e inclui as políticas de construção e de manutenção de Ambientes Saudáveis ou Ambientes Sustentáveis. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Realmente, a Vigilância Ambiental é o setor federal normatizado que inclui as políticas de construção e de manutenção de Ambientes Saudáveis ou Ambientes Sustentáveis. 3. O Modelo Em Defesa da Vida está pautado na defesa das diretrizes básicas do SUS, procurando construir dispositivos e arranjos institucionais com o objetivo de garantir a gestão democrática dos estabelecimentos de saúde, o acolhimento humanizado da clientela, o acesso a serviços resolutivos e o fortalecimento de vínculos entre profissionais e usuários com a clara definição de responsabilidades. Ao ler o texto, podemos afirmar que dentro da proposta do Modelo Em Defesa da Vida, há o compromisso de responsabilidade compartilhada entre os profissionais e usuários dos serviços de saúde. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Realmente, dentro da proposta do Modelo Em Defesa da Vida há o compromisso de responsabilidade compartilhada entre os profissionais e usuários dos serviços de saúde. 84 SAÚDE COLETIVA I O desenvolvimento do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) teve início em 1987, no Ceará, quando foi utilizado como “frente de trabalho”, voltado para as mulheres, em regiões de seca, que executavam ações básicas de saúde voltadas para a prevenção de doenças. A partir de 1991, o Ministério da Saúde começou a implantar o Programa Nacional de Agentes Comunitários de Saúde (PNAS), que em 1992 passou a se chamar Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Em 1994, o Ministério da Saúde criou o Programa Saúde da Família (PSF). Atualmente, o PACS é visto como uma estratégia transitória para implantação do PSF. AULA 12 • PROGRAMA AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE PACS Introdução O desenvolvimento do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) teve início em 1987, no Ceará, quando foi utilizado como “frente de trabalho”, voltado para as mulheres, em regiões de seca, que executavam ações básicas de saúde voltadas para a prevenção de doenças. A partir de 1991, o Ministério da Saúde começa a implantar o Programa Nacional de Agentes Comunitários de Saúde (PNAS), que, em 1992, passa a se chamar Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Em 1994, o Ministério da Saúde cria o Programa Saúde da Família (PSF). Atualmente, o PACS é visto como uma estratégia transitória para implantação do PSF. Esse programa é considerado uma estratégia de reorientação dos serviços de saúde, com uma proposta de consolidar as ações de atenção básica e aproximar os serviços de saúde da população. É também um modo de fazer acontecer, na prática, o princípio de integralidade, previsto pela Lei n o 8080/90. Aspectos Legais do PACS Apesar de os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) fazerem parte das equipes de PACS e PSF desde sua criação, somente em 1997 foram definidas suas atribuições e seus limites de 85 SAÚDE COLETIVA I atuação, pela Portaria n o 1886/ GM de 18 de dezembro de 1997, que explicita, dentro do item Normas Operacionais: E, apenas em 2002, foi criada a profissão de ACS, pela Lei 10.507 de 10 de julho de 2002. Onde, de acordo com o art. 2º: Para ser um ACS, é necessário cumprir alguns requisitos legais e possuir um “perfil” adequado à função. Entre os requisitos legais, temos as seguintes exigências: • Residir na área da comunidade em que atuar, há pelo menos dois anos; • Haver concluído com aproveitamento curso de qualificação básica para a formação de ACS; • Possuir o ensino fundamental completo. A exigência em morar na área de atuação se faz necessária, pois o Programa trabalha com a lógica de territorialização e adscrição da clientela, que é delimitar geograficamente uma área de atuação para as equipes, tornando possível o reconhecimento de todas as famílias que vivem na região, a fim de estabelecer vínculos entre equipe e comunidade e delimitar um perfil de saúde. Entre as características ligadas ao perfil, o ACS deve ter espírito de liderança, ser ético, ter boa comunicação, saber trabalhar em equipe e vontade de aprender. Ele também precisa se identificar com sua comunidade, nos costumes, linguagem e modo de viver, pois somente assim pode cumprir seu papel de elo entre o serviço de saúde e a comunidade assistida. O Ministério da Saúde e pesquisadores colocam que essas competências podem ser desenvolvidas a partir de “O Agente Comunitário de Saúde deve desenvolver atividades de prevenção das doenças e promoção da saúde, através de visitas domiciliares e de ações educativas individuais e coletivas nos domicílios e na Comunidade, sob supervisão e acompanhamento do enfermeiro InstrutorSupervisor, lotado na unidade básica de saúde da sua referência. É vedado ao ACS desenvolver atividades típicas do serviço interno das unidades básicas de saúde de sua referência”. (BRAZIL, 1997) “A profissão de Agente Comunitáriode Saúde caracterizase pelo exercício de atividade de prevenção de doenças e promoção de saúde, mediante ações domiciliares ou comunitárias individuais ou coletivas, desenvolvidas em conformidade com as diretrizes do SUS e sob supervisão do gestor local deste”. (BRASIL, 2002) 86 SAÚDE COLETIVA I programas de capacitação contínua em serviço, isto é, educar a equipe dentro de seu local de trabalho. A equipe do Programa Agente Comunitário de Saúde e suas atribuições A equipe é composta por, no máximo, 30 ACS, sob a responsabilidade de um enfermeiro instrutor supervisor, que deve estar lotado em uma Unidade Básica de Saúde. Esse enfermeiro também é responsável pelas atividades de capacitação dos ACS. Cada agente tem, sob sua responsabilidade, uma área com uma população entre 400 e 750 pessoas, devendo o ideal girar em torno de 550. O mesmo deve realizar ações preventivas e promotoras de saúde, individuais e coletivas, e suas atividades são: • Visitar uma vez por mês cada família de sua região; • Incentivar o aleitamento materno; • Pesar, medir e registrar todas as crianças de 0 a 2 anos de idade, mensalmente; • Identificar situações de risco e comunicar responsável; • Acompanhar vacinação de crianças e gestantes, por meio do cartão de vacina; • Orientar sobre prevenção de DST/ AIDS; • Identificar gestantes e encaminhálas para prénatal; • Orientar família sobre uso do soro de reidratação oral para prevenir desidratação; • Orientar sobre métodos de planejamento familiar; • Monitorar dermatoses e parasitoses em crianças; • Realizar atividade de educação nutricional na comunidade; • Realizar atividades de promoção e prevenção na saúde do idoso; • Realizar orientações sobre climatério; • Realizar orientações sobre prevenção de doenças em épocas endêmicas/ epidêmicas; • Supervisionar eventuais componentes da família em tratamento de tuberculose, hanseníase, hipertensão e diabetes mellitus, e outras patologias crônicas; Competências “a capacidade pessoal de articular conhecimentos, habilidades e atitudes inerentes a situações concretas de trabalho” (Brasil, 1999, p.4). 87 SAÚDE COLETIVA I • Realizar ações educativas para prevenção do câncer de colo uterino e mama; • Realizar ações preventivas de saúde bucal, voltados para o grupo infantil. O trabalho das equipes de PACS é organizado da seguinte forma: • Cadastramento/ diagnóstico: primeira etapa do trabalho, na qual os agentes coletam informações sobre as características das famílias (condições de moradia, via, presença de doenças, entre outros) da área adscrita. Essas informações devem ser lançadas no SIAB e servem para traçar um diagnóstico da área de abrangência; • Mapeamento: essa etapa consiste no registro de um mapa, onde devem estar as áreas de risco da região, e os pontos de referência, tanto físicos, quanto culturais, da área assistida. Abaixo, um exemplo de mapa. • Identificação das microáreas de risco: após o mapeamento, o agente deve identificar as áreas que podem se configurar como fatores de risco naquela comunidade: lixões, esgoto a céu aberto, etc.. • Visitas domiciliares: Principal instrumento de trabalho do ACS. Durante as visitas, ele deve coletar dados sobre as condições de saúde e identificar problemas reais ou potenciais de saúde. Como é um programa voltado para promoção e prevenção de doenças, todas as famílias devem ser visitadas, não apenas as que têm membros doentes! • Ações coletivas: consiste em mobilizar a comunidade para discutir e definir as prioridades de saúde daquele local, incentivando a participação de todos, tendo como referencial a Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças, ajudando a comunidade a se organizar para atuar sobre os determinantes de saúdedoença. Vale lembrar que o ACS não trabalha sozinho! Ele faz parte de uma equipe, na qual o enfermeiro tem o importante papel de supervisionar e capacitar os agentes, de uma forma participativa, em que todos são responsáveis pelo próprio desenvolvimento profissional e pessoal! Hoje, estimase que existam mais de 120.000 ACS atuando em todo o Brasil, dentro do PACS e do PSF, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Podemos perceber que eles são atores importantes para a mudança dos padrões de saúde da população, pois sua presença nas comunidades possibilita uma discussão maior dos problemas e estimula a tomada de decisões conjuntamente com os profissionais de saúde, atendendo as necessidades reais e percebidas de saúde do território atendido. 88 SAÚDE COLETIVA I Exercícios 1. O Agente Comunitário de Saúde deve desenvolver atividades de prevenção das doenças e promoção da saúde, através de visitas domiciliares e de ações educativas individuais e coletivas nos domicílios e na Comunidade, sob supervisão e acompanhamento do enfermeiro InstrutorSupervisor lotado na unidade básica de saúde da sua referência. É vedado ao ACS desenvolver atividades típicas do serviço interno das unidades básicas de saúde de sua referência. Ao ler o texto, podemos afirmar que é permitido ao ACS desenvolver atividades relacionadas com a assistência direta à saúde do usuário, como, por exemplo, técnica de curativos em feridas. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 2. Para ser um ACS, é necessário cumprir alguns requisitos legais e possuir um “perfil” adequado à função. Entre os requisitos legais, temos as seguintes exigências: residir na área da comunidade em que atuar, há pelo menos um ano, e possuir o ensino médio completo. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 3. A equipe do Programa Agente Comunitário de Saúde – PACS é composta por no máximo 30 ACS, sob a responsabilidade de um enfermeiro instrutor supervisor, que deve estar lotado em uma Unidade Básica de Saúde. Esse enfermeiro também é responsável pelas atividades de capacitação dos ACS. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. Respostas dos Exercícios 1. O Agente Comunitário de Saúde deve desenvolver atividades de prevenção das doenças e promoção da saúde, através de visitas domiciliares e de ações educativas individuais e coletivas nos domicílios e na Comunidade, sob supervisão e acompanhamento do enfermeiro InstrutorSupervisor lotado na unidade básica de saúde da sua referência. É vedado ao ACS desenvolver atividades típicas do serviço interno das unidades básicas de saúde de sua referência. Ao ler o texto, podemos afirmar que é permitido ao ACS desenvolver atividades relacionadas com a assistência direta à saúde do usuário, como, por exemplo, técnica de curativos em feridas. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B Não é permitido ao ACS desenvolver atividades relacionadas com a assistência direta à saúde do usuário, como, por exemplo, técnicas de curativos em feridas. 2. Para ser um ACS, é necessário cumprir alguns requisitos legais e possuir um “perfil” adequado à função. Entre os requisitos legais, temos as seguintes exigências: residir na área da comunidade em que atuar, há pelo menos um ano, e possuir o ensino médio completo. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B Para ser um ACS, é necessário cumprir alguns requisitos legais e possuir um “perfil” adequado à função. Entre os requisitos legais, temos as seguintes exigências: residir na área da comunidade em que atuar, há pelo menos dois anos, e possuir o ensino fundamental completo. 3. A equipe doPrograma Agente Comunitário de Saúde – PACS é composta por no máximo 30 ACS, sob a responsabilidade de um enfermeiro instrutor supervisor, que deve estar lotado em uma Unidade Básica de Saúde. Esse enfermeiro também é responsável pelas atividades de capacitação dos ACS. 89 SAÚDE COLETIVA I Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Realmente, a equipe do Programa Agente Comunitário de Saúde – PACS é composta por no máximo 30 ACS, sob a responsabilidade de um enfermeiro instrutor supervisor, que deve estar lotado em uma Unidade Básica de Saúde, sendo também responsável pelas atividades de capacitação dos ACS. 90 SAÚDE COLETIVA I A Estratégia Saúde da Família (ESF) surgiu no Brasil em 1994 e consiste em uma decisão política de reorganizar a rede de assistência à saúde mediante uma política que apontasse para a universalização do acesso da população brasileira à Atenção Básica e consolidasse o recente progresso de descentralização, inaugurado com o advento do Sistema Único de Saúde, foi o norte inspirador da implementação da ESF nos mais diversos municípios brasileiros. AULA 13 • ESF OU PSF: HISTÓRICO, DEFINIÇÃO, PRINCÍPIOS E ESTRATÉGIAS • PARTE I Introdução A Estratégia Saúde da Família (ESF) surgiu no Brasil em 1994 e chegou ao final de 2005 com mais de 24.000 equipes. A decisão política de reorganizar a rede de assistência à saúde mediante uma política que apontasse para a universalização do acesso da população brasileira à Atenção Básica e consolidasse o recente progresso de descentralização, inaugurado com o advento do Sistema Único de Saúde, foi o norte inspirador da implementação da ESF nos mais diversos municípios brasileiros. Essa experiência, no âmbito municipal, trouxe um impacto na gestão e assistência à saúde representado pelo comprometimento dos recursos federais para a expansão da rede assistencial local e autonomia municipal na orientação da estratégia; entretanto, impôs novas responsabilidades de gestão e demanda por profissionais qualificados e comprometidos com a filosofia proposta por essa política. A Estratégia de Saúde da Família é considerada um modelo de Atenção Primária à Saúde, focado na unidade familiar e construído operacionalmente na esfera comunitária. Então, a experiência brasileira de ESF pode ser considerada como um modelo coletivo de atenção primária, com a peculiaridade de ser construído no âmbito de um sistema de saúde público com amplitude nacional e centrado na universalidade, cuja capacidade de impacto na saúde dos usuários do SUS vai depender, essencialmente, da sua capacidade de integração com as redes de atenção à saúde: ambulatorial especializada, hospitalar secundária e terciária, redes de serviços de urgência e emergência e rede de serviços de atenção à saúde mental. Embora historicamente rotulada como um programa (Programa Saúde da Família – PSF), a Estratégia 91 SAÚDE COLETIVA I Saúde da Família, por suas especificidades, foge à concepção dos demais programas concebidos pelo Ministério da Saúde, já que não se trata de uma intervenção verticalizada e paralela às atividades dos serviços de saúde. Pelo contrário, caracterizase como uma estratégia que possibilita a integração e promove a organização das atividades em um território definido, com o propósito de propiciar o enfrentamento e a resolução dos problemas identificados no nível local. Nesta aula, iremos denominar de Estratégia Saúde da Família/ Programa Saúde da Família (ESF/PSF), uma vez que ambas as denominações são encontradas na literatura, sendo pertinentes ao tema. Um pouco de História da ESF/PSF A medicina comunitária está inserida em um dos projetos de reforma em saúde, compondo uma das ideologias sanitárias elaboradas na segunda metade do século XX, tanto para as instituições de ensino, quanto para a organização dos serviços de saúde. O movimento estruturouse em 1966, nos Estados Unidos da América (EUA), quando alguns comitês formados pela Associação Médica Americana (AMA) e outras entidades elaboraram documentos para uma política federal e estadual para o financiamento da formação de médicos de família em cursos de pósgraduação. Esse acontecimento recebeu um mote ideológico porque visava responder aos impasses e questionamentos sobre o modelo médico hegemônico, sobretudo no que se refere aos altos custos, sofisticação tecnológica e superespecialização do cuidado, assim como tratava de questões acerca dos direitos humanos, racismo e pobreza. Nos EUA, sua implantação foi baseada nos centros comunitários de saúde, focalizando setores minoritários e permanecendo hegemônica a assistência médica convencional. A ideologia da medicina comunitária surge no cenário técnicopolítico da América Latina. Programas de saúde comunitária foram implantados na década de 1960, principalmente na Colômbia, no Brasil e no Chile, sob o patrocínio de fundações norteamericanas e com apoio da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS). Em 1978, em Almaata, a Conferência Internacional sobre Atenção Primária à Saúde, promovida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), reafirmou a saúde como direito do homem e estabeleceu a Atenção Primária como estratégia para conseguir a meta “Saúde Para Todos no Ano 2000” . A OMS passou a ser, então, a maior difusora do ideário da atenção primária e o Banco Mundial, o maior financiador dessas políticas. No Brasil, o movimento ideológico contra o modelo hegemônico centrado na doença prevaleceu desde a década de 1970, e teve seu momento de apogeu com a Reforma Sanitária e a VIII Conferência Nacional de Saúde, em 1986, os quais culminaram com a criação do Sistema 92 SAÚDE COLETIVA I Único de Saúde, alicerçado nos princípios de universalidade, integralidade, descentralização e participação popular. Estava posta, assim, uma outra lógica de sistema de saúde que exigia uma nova estratégia de modelo de atenção à saúde. A incipiente medicina comunitária deitou raízes quando da implantação do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), no ano de 1986, como programa institucional no estado do Ceará e, a partir de 1991, foi implantado em outros estados brasileiros, servindo de inspiração para discussão e formulação do modelo atual da Estratégia Saúde da família/Programa Saúde da Família. Até que, por fim, no 1994, teve início a ESF/PSF enquanto instrumento de reorganização do SUS, sendo definida sua implantação prioritária em áreas de risco, de acordo com o Mapa da Fome, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), ganhando expressão nacional apenas no ano de 1995. A integração PACS/PSF foi apresentada pelo governo como sendo uma “estratégia de mudança do modelo assistencial”, ou melhor, como uma estratégia de consolidação dos princípios do Sistema Único de Saúde. Momento este em que foi lançado, pelo governo federal, como uma política de governo para a saúde, intenção esta que ficou patente com o lançamento do documento, ratificando a prevenção e o atendimento básico, assim, o Ministério da Saúde admite a Atenção Primária de Saúde como primeiro nível de atenção e como estratégia de reorientação do sistema de saúde. Quadro: Diferenças entre o modelo hegemônico de atenção à saúde e a Estratégia Saúde da Família/ Programa Saúde da Família (ESF/PSF) Modelo Hegemônico ESF/PSF • Saúde como ausência de doença. • Saúde como qualidade de vida.• Base em prática freqüentemente clientelista, em que a prestação de serviços era realizada como favor e não como direito do cidadão. • Prestação dos serviços de saúde como um direito de cidadania. • Atenção centrada no indivíduo. • Atenção centrada no coletivo. • Centrado em ações curativas • Centrado na atenção integral à saúde, incluindo ações de promoção, proteção, cura e recuperação. • Hospital como serviço de saúde dominante. • Hierarquização da rede de atendimento, ou seja, garantindo níveis de atenção primária, secundária e terciária, articulados entre si. • Serviços de saúde centrados nos centros urbanos dos municípios. • Serviços de saúde distribuídos em todo o território dos municípios, permitindo acesso de toda população. • Predomínio da intervenção do profissional médico. • Predomínio da intervenção de uma equipe interdisciplinar. 93 SAÚDE COLETIVA I • Planejamento e programação desconsiderando o perfil de saúde da população. • Planejamento e programação com base em dados que consideram o perfil de saúde da população e priorizando as famílias ou grupos com maior risco de adoecer e morrer. • Desconsideração da realidade e autonomia local, não valorização da participação comunitária. • Estimulação da participação comunitária, garantindo autonomia das ações de planejamento no nível dos territórios das equipes de saúde da família . • Funcionamento baseado na demanda espontânea. • Funcionamento dos serviços baseado na organização da demanda e no acolhimento da população adscrita. Fonte: GASTÃO e col. , 2006. Conceitos Básicos • Família é o conjunto de pessoas ligadas por laços de parentesco, dependência doméstica ou normas de convivência que residem na mesma unidade domiciliar. Inclui empregado (a) doméstico (a) que reside no domicílio, pensionistas e agregados. • Domicílio Designa o “local de moradia estruturalmente separado e independente, constituído por um ou mais cômodos”. A separação fica caracterizada quando o local de moradia é limitado por paredes (muros ou cercas, entre outros) e coberto por um teto que permita que seus moradores se isolem e cujos residentes arcam com parte ou todas as suas despesas de alimentação e moradia.Considerase independente o local de moradia que tem acesso direto e que permite a entrada e saída de seus moradores sem a passagem por local de moradia de outras pessoas. Também são considerados domicílios, prédio em construção, embarcação, carroça, vagão, tenda, gruta e outros locais que estejam servindo de moradia para a família. • Microárea O espaço geográfico delimitado onde residem cerca de 400 a 750 pessoas e corresponde à área de atuação de um agente comunitário de saúde (ACS). • Área O conjunto de microáreas sob a responsabilidade de uma equipe de saúde da família. A composição da equipe de saúde e as coberturas assistenciais variam de acordo com o Modelo de Atenção adotado e a área pode assumir configurações distintas. • Área, no Programa Agentes Comunitários de Saúde (PACS) – é o conjunto de microáreas cobertas por uma equipe do PACS (1 instrutor /supervisor e, no máximo, 30 agentes comunitários de saúde) dentro de um mesmo segmento territorial. Nesse caso, 94 SAÚDE COLETIVA I embora as microáreas sejam referenciadas geograficamente, elas nem sempre são contíguas. • Área, no PSF – é o conjunto de microáreas contíguas sob a responsabilidade de uma equipe de saúde da família, onde residem em torno de 3.00 a 4.500 pessoas. 95 SAÚDE COLETIVA I Compete a ESF/PSF a coordenação/ordenação de todo o espectro assistencial em saúde, quando por meio da Atenção Primária à Saúde se identificam as necessidades de atendimentos mais especializados, coordenamse as referências para os profissionais e serviços adequados e acompanhamse os resultados terapêuticos e a evolução clínica dos pacientes acompanhados. Assim, a existência de uma rede de Atenção Primária à Saúde permite a prevenção de um importante número de doenças e agravos de relevância sanitária. AULA 14 • ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA (ESF) OU PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA (PSF): HISTÓRICO, DEFINIÇÃO, PRINCÍPIOS E ESTRATÉGIAS – PARTE II • Segmento territorial – O segmento é um conjunto de áreas contíguas que pode corresponder à delimitação de um Distrito Sanitário, de uma zona de informação do IBGE ou a outro nível de agregação importante para o planejamento e avaliação em saúde no Município. É a divisão territorial utilizada para a análise espacial dos dados em um determinado município. • Unidade Saúde da Família (USF) – A Unidade Saúde da Família (USF) é o espaço físico representado pelo antigo Posto ou Centro de Saúde reestruturado, trabalhando numa nova lógica, que lhe atribui maior capacidade de resposta às necessidades de saúde básica da população de sua área de abrangência. A USF deve se constituir no primeiro contato do usuário com o Sistema de Saúde, isto é, a “porta de entrada”. Entretanto, a USF não pode ser apenas um local de triagem e encaminhamento, onde a maior parte dos casos é encaminhada (referenciada) para os serviços especializados. Necessita ser resolutiva (resolver o problema de saúde do usuário do serviço), com profissionais capazes de assistir aos problemas de saúde mais comuns e de manejar novos saberes que, por meio de processos educativos, promovam a saúde e previnam doenças e/ou agravos em geral. A USF deve realizar uma assistência integral, contínua e de qualidade, desenvolvida por uma equipe interdisciplinar na própria unidade e também em domicílios, em locais comunitários, como escola, asilos, presídios, dentre outros. • Agente Comunitário de Saúde (ACS) – O agente comunitário de saúde (ACS) deve ser uma pessoa da própria comunidade, que deve estar preparado para orientar as famílias 96 SAÚDE COLETIVA I a cuidarem de sua própria saúde e também da saúde da comunidade. É um trabalhador que faz parte da equipe de saúde da família, responsável por uma determinada área. Devendo atender os moradores de cada domicílio em todas as questões relacionadas com a saúde. Como requisitos para se enquadrar no trabalho do ACS, há necessidade de ser maior de 18 anos; saber ler e escrever; residir na comunidade há pelo menos dois anos; ter disponibilidade de tempo integral para exercer suas atividades. Entre as atividades desenvolvidas pelo ACS estão: • Realizar mapeamento de sua área; • Cadastrar as famílias e atualizar permanentemente esse cadastro; • Identificar indivíduos e famílias expostas a situações de risco; • Orientar as famílias para utilização adequada dos serviços de saúde, encaminhandoos e até agendando consultas, exames e atendimentos odontológicos quando necessário; • Realizar ações e atividades, no nível de suas competências, nas áreas prioritárias de Atenção Básica; • Realizar, por meio da visita domiciliar, acompanhamento mensal de todas as famílias sob sua responsabilidade; • Estar sempre bem informado e informar aos demais membros da equipe sobre a situação das famílias acompanhadas, principalmente aquelas em situação de risco; • Desenvolver ações educação e vigilância à saúde, com ênfase na promoção da saúde e na prevenção de doenças; • Promover a educação e a mobilização comunitária, visando desenvolver ações coletivas de saneamento e melhoria do meio ambiente, entre outras; • Traduzir para a Equipe Saúde da Famíliaa dinâmica social da comunidade, suas necessidades, potencialidades e limites; • Identificar parceiros e recursos existentes na comunidade que possam ser potencializados pelas equipes. • Equipe Saúde da Família – O Programa Saúde da Família está estruturado em equipes de saúde, ou seja, no trabalho interdisciplinar, ao invés de estar centrado na figura do médico, tratase de equipes de saúde da família. Assim, são propostas equipes para uma população de 600 até 100 famílias ou 3.00 a 4.500 pessoas, dispondo de uma composição variável: 1 médico generalista, 1 enfermeiro, 1 auxiliar de enfermagem, 6 97 SAÚDE COLETIVA I agentes comunitários de saúde; eventualmente a equipe pode ser composta pelos trabalhadores citados e ainda o odontólogo, além de técnicos de consultório dentário, técnico higiene dental, assistentes sociais e psicólogos. A atuação da equipe ocorre, principalmente, nas unidades básicas de saúde, nas unidades saúde da família, nas residências e na mobilização da comunidade, caracterizandose: como porta de entrada de um sistema hierarquizado e regionalizado de saúde; por ter território definido, com uma população delimitada, sob a sua responsabilidade (população adscrita); por intervir sobre os fatores de risco aos quais a comunidade está exposta; por prestar assistência integral, permanente e de qualidade; por realizar atividades de educação e promoção da saúde. Assim, a equipe saúde da família deve estar preparada para: • Reconhecer o território; • Conhecer a realidade das famílias pelas quais é responsável, com ênfase nas suas características sociais, demográficas e epidemiológicas; • Identificar os problemas de saúde existentes e condições de risco às quais a população está exposta; • Prestar assistência integral, incorporando como objeto das ações o indivíduo, a família e o meio ambiente, buscando responder de forma contínua, racionalizada e humanizada à demanda organizada e espontânea; • Desenvolver processos educativos e novas tecnologias de intervenção em saúde, voltados à melhoria do cuidado dos indivíduos e famílias; • Promover ações intersetoriais para o enfrentamento dos problemas identificados, fortalecendo o eixo de promoção à saúde; • Realizar visita domiciliar com a finalidade de monitorar a situação de saúde das famílias e de prestar assistência domiciliar quando indicado, garantindo conforto ao usuário; • Participar de grupos comunitários e educativos; • Resolver 100% dos problemas de saúde existentes no território, elaborando o plano local para atendimento de processo saúdedoença. • SIAB – Sistema de Informação da Atenção Básica – A informação no PSF constitui ferramenta essencial para o planejamento, monitoramento e avaliação das ações desenvolvidas. Criado em 1998, o SIAB foi pensado como instrumento gerencial dos Sistemas Locais de Saúde (SILOS), adotando como conceitos básicos: território, problema e responsabilidade sanitária, dentro do conceito de reorganização do SUS. É 98 SAÚDE COLETIVA I um sistema que, a parir de relatórios que produz, possibilita a microespacialização de problemas de saúde e avaliação das intervenções. A partir da identificação dos problemas e da consolidação progressiva da informação, partindo de níveis menos agregados para níveis mais agregados, as equipes de saúde da família, as unidades de saúde às quais estão ligadas e os gestores podem acompanhar o trabalho e avaliar seu impacto sobre a saúde da população adscrita. Entre os instrumentos a serem preenchidos no SIAB, destacase a Ficha A – Ficha para cadastramento das famílias , que deve ser preenchida pelo Agente Comunitário de Saúde (ACS) para o cadastramento das famílias residentes em sua microárea, devendo ser preenchida uma ficha por família, já nas primeiras visitas realizadas. As informações colhidas devem constar de: identificação, cadastro de todos os seus membros, situação de moradia e outras informações adicionais que permitem à equipe de saúde conhecer as condições de vida das pessoas de sua área de abrangência e melhor planejar suas intervenções. A ficha A deve ser arquivada pelo ACS no prontuário familiar. Para evitar a duplicação do formulário, deve ser montado um prontuário único por família com livre acesso às informações para a equipe. Acesse a plataforma de estudo para visualizar a ficha para cadastramento das famílias. O Ministério da Saúde define algumas prioridades de saúde a serem consideradas pela atenção básica – PSF – em todo o território nacional, devido sua relevância sanitária. Além destas, outras poderão ser identificadas conforme especificidades de cada área de atuação das equipes e unidades de saúde, assim como no contexto geral do Município, porém as bases para seu enfrentamento devem seguir a mesma lógica e roteiro propostos para as demais. Prioridades e planejamento das ações na ESF/PSF: • Gestantes/puérperas; • Saúde da Mulher – agravos ginecológicos: câncer de colo de útero e de mama; Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST); • Crianças até dois anos; 99 SAÚDE COLETIVA I • Hipertensão Arterial; • Diabetes; • Tuberculose; • Hanseníase; • Saúde Mental; • Saúde Ambiental; • Pessoas com deficiência; • Outros detectados pela equipe/unidade/secretaria de saúde. Roteiro para planejamento das ações na ESF/PSF: • Levantamento de dados, tendo como fonte os Sistemas de Informação disponíveis (SIAB, SISPRENATAL, HIPERDIA, SINAN, SINASC – ver aula 16, outros); • Definição de objetivos (o quê); • Definição de estratégias (como); • Definição de prazos e distribuição ao longo do ano (quando); • Definição de responsabilidades e competências (quem); • Definição de necessidades de recursos materiais (quanto); • Definição de necessidades em investimentos de Recursos Humanos (capacitação); • Definição de metas em relação a cada prioridade – o que deverá ser pactuado com a Secretaria Municipal de Saúde; • Avaliação e readequação das metas e estratégias para alcançálas. Conforme definido, compete à ESF/PSF a coordenação/ordenação de todo o espectro assistencial em saúde, quando por meio da Atenção Primária à Saúde identificamse as necessidades de atendimento mais especializados, coordenamse as referências para os profissionais e serviços adequados e acompanhamse os resultados terapêuticos e a evolução clínica dos pacientes acompanhados. Assim, a existência de uma rede de Atenção Primária à Saúde permite não somente a prevenção de um importante número de doenças e agravos de relevância sanitária e resolutividade direta de até 90% da demanda comunitária, como também 100 SAÚDE COLETIVA I auxilia a condução clínica e o manejo terapêutico de pacientes com demanda de saúde especializada. Logo, uma rede universal de Atenção Primária à Saúde, como está se buscando pelo modelo brasileiro de ESF, possibilita melhor controle de desperdício de recursos de saúde, redução da duplicação da oferta de serviços, estabilidade e confiança na relação entre usuário e o sistema de saúde e maior eficácia no alcance de resultados de saúde. Exercícios 1. Em 1978, em Almaata, a Conferência Internacional sobre Atenção Primária à Saúde, promovida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), reafirmou a saúde como direito do homem e estabeleceu a Atenção Primária como estratégiapara conseguir a meta “Saúde Para Todos no Ano 2000”. Ao ler o texto, podemos afirmar que o princípio da Universalidade insere o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro na proposição determinada pela Declaração de Almaata de “Saúde para todos”. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta 2. Por ser a Microárea o espaço geográfico delimitado onde residem cerca de 400 a 750 pessoas e corresponder à área de atuação de um Agente Comunitário de Saúde (ACS), cada Equipe Saúde da Família pode cobrir até seis microáreas, contemplando um total de 4.500 pessoas. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta 3. Entre os instrumentos a serem preenchidos no SIAB, destacase a Ficha A – Ficha para cadastramento das famílias, que deve ser preenchida pelo Agente Comunitário de Saúde (ACS) para o cadastramento das famílias residentes em sua microárea, sendo uma única ficha por pessoa e preenchida já nas primeiras visitas realizadas. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta 4. Assim, a existência de uma rede de Atenção Primária à Saúde permite não somente a prevenção de um importante número de doenças e agravos de relevância sanitária e resolutividade direta de até 90% da demanda comunitária, como também auxilia a condução clínica e o manejo terapêutico de pacientes com demanda de saúde especializada. Ao ler o texto, podemos afirmar que a resolutividade é a garantia de que todo usuário do Sistema Único de Saúde, que buscar atendimento pelo sistema, deverá ter seu problema de saúde resolvido, dentro da capacidade de atenção à saúde de cada serviço. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta 101 SAÚDE COLETIVA I Respostas dos Exercícios 1. Em 1978, em Almaata, a Conferência Internacional sobre Atenção Primária à Saúde, promovida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), reafirmou a saúde como direito do homem e estabeleceu a Atenção Primária como estratégia para conseguir a meta “Saúde Para Todos no Ano 2000”. Ao ler o texto, podemos afirmar que o princípio da Universalidade insere o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro na proposição determinada pela Declaração de Almaata de “Saúde para todos”. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Realmente, o princípio da Universalidade insere o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro na proposição determinada pela Declaração de Almaata de “Saúde para todos”, uma vez que garante o acesso irrestrito aos serviços de saúde. 2. Por ser a Microárea o espaço geográfico delimitado onde residem cerca de 400 a 750 pessoas e corresponder à área de atuação de um Agente Comunitário de Saúde (ACS), cada Equipe Saúde da Família pode cobrir até seis microáreas, contemplando um total de 4.500 pessoas. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Uma Equipe Saúde da Família pode cobrir até 6 microáreas, uma vez que conta com até seis Agentes Comunitários de Saúde, num total de 4.500 pessoas. 3. Entre os instrumentos a serem preenchidos no SIAB, destacase a Ficha A – Ficha para cadastramento das famílias, que deve ser preenchida pelo Agente Comunitário de Saúde (ACS) para o cadastramento das famílias residentes em sua microárea, sendo uma única ficha por pessoa e preenchida já nas primeiras visitas realizadas. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B Entre os instrumentos a serem preenchidos no SIAB, destacase a Ficha A – Ficha para cadastramento das famílias , que deve ser preenchida pelo Agente Comunitário de Saúde (ACS) para o cadastramento das famílias residentes em sua microárea, sendo uma única ficha por família e preenchida já nas primeiras visitas realizadas. 4. Assim, a existência de uma rede de Atenção Primária à Saúde permite não somente a prevenção de um importante número de doenças e agravos de relevância sanitária e resolutividade direta de até 90% da demanda comunitária, como também auxilia a condução clínica e o manejo terapêutico de pacientes com demanda de saúde especializada. Ao ler o texto, podemos afirmar que a resolutividade é a garantia de que todo usuário do Sistema Único de Saúde, que buscar atendimento pelo sistema, deverá ter seu problema de saúde resolvido, dentro da capacidade de atenção à saúde de cada serviço. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A A resolutividade é a garantia de que todo usuário do Sistema Único de Saúde, que buscar atendimento pelo sistema, deverá ter seu problema de saúde resolvido, dentro da capacidade de atenção à saúde de cada serviço. 102 SAÚDE COLETIVA I AULA 15 • PACTO PELA SAÚDE Introdução O Sistema Único de Saúde (SUS) tem uma rede de mais de 63 mil unidades ambulatoriais e cerca de 6 mil unidades hospitalares, com mais de 440 mil leitos. Sua produção anual é de, aproximadamente, 12 milhões de internações hospitalares; 1 bilhão de procedimentos de atenção primária à saúde; 150 milhões de consultas médicas; 2 milhões de partos; 300 milhões de exames laboratoriais; 132 milhões de atendimentos de alta complexidade e 14 mil transplantes de órgãos. Além de ser o segundo país do mundo em número de transplantes, é reconhecido internacionalmente pelo seu progresso no atendimento universal às Doenças Sexualmente Transmissíveis/AIDS, na implementação do Programa Nacional de Imunização e no atendimento relativo à Atenção Básica. É avaliado positivamente pelos que o utilizam rotineiramente e está presente em todo território nacional. Transcorridas quase duas décadas do processo de institucionalização do Sistema Único de Saúde (SUS), a sua implantação e implementação evoluíram muito, especialmente em relação aos processos de descentralização e municipalização das ações e serviços de saúde. O processo de descentralização ampliou o contato do Sistema com a realidade social, política e administrativa do país e com suas especificidades regionais, tornandose mais complexo e colocando os gestores à frente de desafios que busquem superar a fragmentação das políticas e programas de saúde por meio da organização de uma rede regionalizada e hierarquizada de ações e serviços e da qualificação da gestão. Frente a essa necessidade, o Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde e o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde pactuaram responsabilidades entre os três gestores do SUS, no campo da gestão do Sistema e da atenção à saúde. Ao longo de sua história, houve muitos avanços e também desafios permanentes a superar. Isso tem exigido, dos gestores do SUS, um movimento constante de mudanças, pela via das reformas incrementais. Contudo, esse modelo parece ter se esgotado, de um lado, pela “ Saúde é um direito de todos e dever do estado” . (Constituição Federal de 1988) 103 SAÚDE COLETIVA I dificuldade de imporemse normas gerais a um país tão grande e desigual; de outro, pela sua fixação em conteúdos normativos de caráter técnicoprocessual, tratados, em geral, com detalhamento excessivo e enorme complexidade. Na perspectiva de superar as dificuldades apontadas, os gestores do SUS assumem o compromisso público da construção do Pacto pela Saúde 2006, que será anualmente revisado, com base nos princípios constitucionais do SUS, ênfase nas necessidades de saúde da população e que implicará o exercício simultâneo de definição de prioridades articuladas e integradas nos três componentes: Pacto pela Vida, Pacto em Defesa do SUS e Pacto de Gestão do SUS. Essas prioridades sãoexpressas em objetivos e metas no Termo de Compromisso de Gestão e estão detalhadas no documento Diretrizes Operacionais do Pacto pela Saúde 2006. O Pacto pela Vida: O Pacto pela Vida está constituído por um conjunto de compromissos sanitários, expressos em objetivos de processos e resultados e derivados da análise da situação de saúde do país e das prioridades definidas pelos governos federal, estadual e municipal. Significa uma ação prioritária no campo da saúde que deverá ser executada com foco em resultados e com a explicitação inequívoca dos compromissos orçamentários e financeiros para o alcance desses resultados. O Pacto pela Vida é o compromisso entre os gestores do SUS em torno de prioridades que apresentam impacto sobre a situação de saúde da população brasileira. A definição de prioridades deve ser estabelecida por meio de metas nacionais, estaduais, regionais ou municipais. Prioridades estaduais ou regionais podem ser agregadas às prioridades nacionais, conforme pactuação local. Os estados/regiões/municípios devem pactuar as ações necessárias para o alcance das metas e dos objetivos propostos. São seis as prioridades pactuadas: 1) Saúde do idoso: Implantar a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, buscando a atenção integral. 2) Câncer de colo de útero e de mama: Contribuir para a redução da mortalidade por câncer de colo do útero e de mama. 104 SAÚDE COLETIVA I 3) Mortalidade infantil e materna: Reduzir a mortalidade materna, infantil neonatal, infantil por doença diarréica e por pneumonias. 4) Doenças emergentes e endemias, com ênfase na dengue, hanseníase, tuberculose, malária e influenza: Fortalecer a capacidade de resposta do sistema de saúde às doenças emergentes e endemias. 5) Promoção de saúde: Elaborar e implantar a Política Nacional de Promoção da Saúde, com ênfase na adoção de hábitos saudáveis por parte da população brasileira, de forma a internalizar a responsabilidade individual da prática de atividade física regular, alimentação saudável e combate ao tabagismo. 6) Atenção básica à saúde: Consolidar e qualificar a estratégia da Saúde da Família como modelo de atenção básica à saúde e como centro ordenador das redes de atenção à saúde do SUS. O Pacto em Defesa do SUS: O Pacto em Defesa do SUS envolve ações concretas e articuladas pelas três instâncias federativas no sentido de reforçar o SUS como política de Estado mais do que política de governos; e de defender, vigorosamente, os princípios basilares dessa política pública, inscritos na Constituição Federal. A concretização desse Pacto passa por um movimento de repolitização da saúde, com uma clara estratégia de mobilização social envolvendo o conjunto da sociedade brasileira, extrapolando os limites do setor e vinculada ao processo de instituição da saúde como direito de cidadania, tendo o financiamento público da saúde como um dos pontos centrais. As prioridades do Pacto em Defesa do SUS são: 1) Implementar um projeto permanente de mobilização social com a finalidade de: • Mostrar a saúde como direito de cidadania e o SUS como sistema público universal garantidor desses direitos; • Alcançar, no curto prazo, a regulamentação da Emenda Constitucional nº 29, pelo Congresso Nacional; • Garantir, no longo prazo, o incremento dos recursos orçamentários e financeiros para a saúde; 105 SAÚDE COLETIVA I • Aprovar o orçamento do SUS, composto pelos orçamentos das três esferas de gestão, explicitando o compromisso de cada uma delas. 2) Elaborar e divulgar a carta dos direitos dos usuários do SUS. O Pacto de Gestão do SUS O Pacto de Gestão estabelece as responsabilidades claras de cada ente federado de forma a diminuir as competências concorrentes e a tornar mais claro quem deve fazer o quê, contribuindo, assim, para o fortalecimento da gestão compartilhada e solidária do SUS. Esse Pacto parte de uma constatação indiscutível: o Brasil é um país continental e com muitas diferenças e iniqüidades regionais. Mais do que definir diretrizes nacionais, é necessário avançar na regionalização e descentralização do SUS, a partir de uma unidade de princípios e uma diversidade operativa que respeite as singularidades regionais. Esse Pacto radicaliza a descentralização de atribuições do Ministério da Saúde para os estados e para os municípios, promovendo um choque de descentralização, acompanhado da desburocratização dos processos normativos. Reforça a territorialização da saúde como base para organização dos sistemas, estruturando as regiões sanitárias e instituindo colegiados de gestão regional. Reitera a importância da participação e do controle social com o compromisso de apoio à sua qualificação. Explicita as diretrizes para o sistema de financiamento público tripartite: busca critérios de alocação eqüitativa dos recursos; reforça os mecanismos de transferência fundo a fundo entre gestores; integra em grandes blocos o financiamento federal e estabelece relações contratuais entre os entes federativos. As prioridades do Pacto de Gestão são: 1) Definir de forma inequívoca a responsabilidade sanitária de cada instância gestora dos SUS: federal, estadual e municipal, superando o atual processo de habilitação. 2) Estabelecer as diretrizes para a gestão do SUS: com ênfase na Descentralização; Regionalização; Financiamento; Programação Pactuada e Integrada; Regulação; Participação e Controle Social; Planejamento; Gestão do Trabalho e Educação na Saúde. 106 SAÚDE COLETIVA I Exercícios 1. “O Pacto pela Vida é o compromisso entre os gestores do SUS em torno de prioridades que apresentam impacto sobre a situação de saúde da população brasileira, ele é constituído por um conjunto de compromissos sanitários, expressos em objetivos de processos e resultados derivados da análise da situação de saúde do País”. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 2. “O Pacto em Defesa do SUS envolve ações concretas e articuladas pela instância federal no sentido de reforçar o SUS como política de Estado mais do que política de governos”. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 3. “O Pacto de Gestão radicaliza a descentralização de atribuições do Ministério da Saúde para os estados e para os municípios, promovendo um choque de descentralização, acompanhado da desburocratização dos processos normativos. Reforça a territorialização da saúde como base para organização dos sistemas, estruturando as regiões sanitárias e instituindo colegiados de gestão regional”. Ao ler o texto, podemos afirmar que a descentralização é valorizada na lógica do Pacto de Gestão. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. Respostas dos Exercícios 1. “O Pacto pela Vida é o compromisso entre os gestores do SUS em torno de prioridades que apresentam impacto sobre a situação de saúde da população brasileira, ele é constituído por um conjunto de compromissos sanitários, expressos em objetivos de processos e resultados derivados da análise da situação de saúde do País”. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A O Pacto pela Vida é o compromisso entre gestores do SUS em torno de prioridades decorrentes dos resultados derivados da análise da situação de saúde do país. 2. “O Pacto em Defesa do SUS envolve ações concretas e articuladas pela instância federal no sentidode reforçar o SUS como política de Estado mais do que política de governos”. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B Pacto em Defesa do SUS envolve ações concretas e articuladas pelas três instâncias federativas no sentido de reforçar o SUS como política de Estado mais do que política de governos. 3. “O Pacto de Gestão radicaliza a descentralização de atribuições do Ministério da Saúde para os estados e para os municípios, promovendo um choque de descentralização, acompanhado da desburocratização dos processos normativos. Reforça a territorialização da saúde como base para organização dos sistemas, estruturando as regiões sanitárias e instituindo colegiados de gestão regional”. Ao ler o texto, podemos afirmar que a descentralização é valorizada na lógica do Pacto de Gestão. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A A descentralização é realmente valorizada na lógica do Pacto de Gestão. 107 SAÚDE COLETIVA I As determinações legais vigentes no Sistema Único de Saúde mostram a descentralização e a participação popular como diretrizes de atuação políticoadministrativa que devem ser acatadas pelas três instâncias de governo. Os municípios são reconhecidos como entes governamentais autônomos que devem responsabilizarse pelo planejamento, organização, controle e avaliação das ações e serviços de saúde de sua região. AULA 16 • SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE (SIS) Introdução A finalidade da informação em saúde consiste em identificar problemas individuais e coletivos do quadro sanitário de uma população, propiciando elementos para análise da situação encontrada e subsidiando a busca de possíveis alternativas para resoluções. Assim, as informações em saúde devem abranger aquelas relativas ao processo saúde/doença, e as de caráter administrativo, todas essenciais para elaboração de políticas para o setor. O Sistema de Informação em Saúde (SIS) pode ser entendido como um instrumento para adquirir, organizar e analisar dados necessários à definição de problemas e riscos para a saúde, avaliar a eficácia, eficiência e influência que os serviços prestados possam ter no estado de saúde da população, além de contribuir para a produção de conhecimento acerca da saúde e dos assuntos a ela ligados. No Brasil, tradicionalmente, a produção e utilização da informação em saúde, dando origem a diagnósticos sobre a situação sanitária de cada município, quase sempre foram realizadas pelos governos federal ou estadual, sem participação local. Contudo, a própria lei orgânica da saúde prevê, como competência e atribuição comuns à União, estados e municípios, a organização e coordenação do sistema de informação em saúde. Ao município é atribuído, portanto, juridicamente, um papel bem mais amplo do que o de mero coletor de dados, sendo capaz de produzir, organizar e coordenar a informação em saúde de sua região. 108 SAÚDE COLETIVA I Algumas fontes de informação no SUS O Sistema de Informação de Nascidos Vivos (SINASC) vem sendo desenvolvido desde 1990 pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (FIBGE) mediante os dados contidos no Registro Civil. Um dos maiores problemas encontrados, diz respeito ao subregistro de nascimentos, preocupação de alguns pesquisadores desde a década de 1940. Essa situação compromete sobremaneira a cobertura do sistema, uma vez que as informações subestimadas prejudicam a qualidade de todos os indicadores que utilizam o número de nascidos vivos, acarretando falsas conclusões nas análises do comportamento evolutivo dos indicadores no Brasil. A base desse sistema é a Declaração de Nascimento (DN), a qual deverá ser preenchida para todos os nascimentos vivos ocorridos no país. É importante assinalar que o Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8069 de 130790, em seu artigo 10, no IV – considerou obrigatória a emissão da declaração de nascido vivo com o objetivo de garantir à criança proteção à vida e à saúde, juntamente com outras medidas. O preenchimento da DN pode ser efetuado por qualquer profissional qualificado do estabelecimento onde ocorreu o evento. A DN deve ser preenchida em três vias: a primeira, permanece no estabelecimento de saúde para ser recolhida posteriormente pela Secretaria Estadual de Saúde (SES); a segunda via é entregue à mãe ou responsável pelo recémnascido para ser levada ao Cartório com vistas ao registro de nascimento; a terceira via é entregue ao Serviço de Saúde em que a criança receberá os primeiros cuidados, possibilitando que o pediatra obtenha informações adequadas referentes às condições do nascimento. A gradativa implantação do SINASC, em âmbito nacional, vem ocorrendo sob responsabilidade dos órgãos estaduais (SES ou Fundações das Secretarias de Planejamento), sendo enviado posteriormente ao Ministério da Saúde para a consolidação dos dados. Alguns ajustes operacionais diferenciaram a capacidade de implantação do SINASC nos diversos municípios brasileiros. O Sistema de Informação de Mortalidade – SIM foi criado em 1976, a partir do modelo padronizado de Declaração de Óbito (DO) em todo o território nacional. Justificado não apenas para o atendimento das exigências legais, o SIM tem o objetivo principal de fornecer subsídios para traçar o perfil de mortalidade no país. Contém informações sobre o óbito, como a causa básica, data, local e município de ocorrência, assim como o indivíduo que faleceu, tais como a idade, sexo, grau de escolaridade, ocupação e município de residência. Porém um dos problemas que limitam as análises de mortalidade no Brasil é o subregistro dos óbitos, sobretudo no norte e nordeste e entre as crianças menores de um ano de idade. 109 SAÚDE COLETIVA I O Sistema de Informações de Agravos de Notificação – SINAN contém informações sobre todos os agravos de notificação compulsória no Brasil, com o objetivo de fornecer dados para caracterizar o perfil de morbidade (relativo às doenças) vigente. O sistema contém informações relevantes que têm sido utilizadas para caracterizar a dinâmica temporal das ocorrências das doenças, assim como para subsidiar as ações de prevenção e controle das mesmas. O Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações – SIPNI tem como maior objetivo possibilitar, aos gestores envolvidos no Programa Nacional de Imunização (PNI), uma avaliação dinâmica do risco quanto à ocorrência de casos das doenças possíveis de serem prevenidas por imunização, a partir dos produtos imunizantes (vacinas e soros) aplicados e do quantitativo populacional que foi beneficiado, os quais são agregados por faixa etária, em determinado período de tempo, em uma área geográfica. Por outro lado, possibilita também o controle do estoque de produtos imunizantes necessários aos administradores que têm a incumbência de programar sua aquisição e distribuição. O DATASUS – Gerência de Informatização de Programas de Saúde – para alcançar os objetivos da informatização das atividades do Sistema Único de Saúde, dentro das diretrizes tecnológicas adequadas, foi atribuída, ao Departamento de Informática do SUS –DATASUS, órgão da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, a responsabilidade de coletar, processar e disseminar informações sobre saúde. Sendo um órgão de informática de âmbito nacional, representa papel importante como centro tecnológico desuporte técnico e normativo para a montagem dos sistemas de informática e informação da saúde. Suas extensões estaduais constituem a linha de frente no suporte técnico às Secretarias Estaduais e Municipais se Saúde. Seu papel é prover os órgãos do SUS de sistemas de informação e suporte de informática, necessário ao processo de planejamento, operação e controle do Sistema Único de Saúde, através da manutenção de base de dados nacionais, apoio e consultoria na implantação de sistemas e coordenação das atividades de informática inerentes ao funcionamento integrado dos mesmos. Sistema de Informações Hospitalares do SUS – SIH/SUS é um sistema gerido pelo Ministério da Saúde, através da Secretaria de Assistência à Saúde, em conjunto com as Secretarias Estaduais de Saúde e as Secretarias Municipais de Saúde, fornece os dados sobre internações hospitalares do SUS. As unidades hospitalares participantes do SUS (públicas ou particulares conveniadas e/ou contatadas) enviam as informações das internações efetuadas através da Autorização de Internação Hospitalar – AIH, para os gestores municipais ou estaduais. Essas informações são processadas no DATASUS, gerando os créditos referentes aos serviços 110 SAÚDE COLETIVA I prestados e construindo uma valiosa base de dados de morbidade (referente às doenças) hospitalar, que contém informações de grande parte das internações hospitalares realizadas no Brasil. Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SAI/SUS) Os dados disponíveis são gerados a partir das informações enviadas pelas Secretarias Municipais de Saúde e/ou pelas Secretarias Estaduais de Saúde. As bases de dados municipais e estaduais são recebidas pelo DATASUS, que gera o banco de dados nacional SAI/SUS e disponibiliza informações sobre a rede ambulatorial do SUS. Onde são obtidos dados sobre todas as unidades ambulatoriais prestadoras de serviço para o SUS. O sistema compreende informações sobre toda a produção ambulatorial, incluindo atendimentos médicos e odontológicos, aplicação de vacinas e realização de exames laboratoriais. O SISPRENATAL é o Programa de Humanização no Prénatal e Nascimento, instituído pelo Ministério da Saúde, através da Portaria/GM nº 569, de 01/06/2000, e baseado nas análises das necessidades de atenção específica à gestante, ao recémnascido e à mulher no período pós parto, busca: 1) Concentrar esforços no sentido de reduzir as altas taxas de morbimortalidade materna e perinatal; 2) Adotar medidas que assegurem a melhoria do acesso, da cobertura e da qualidade do acompanhamento prénatal, da assistência ao parto, puerpério e neonatal; e 3) Ampliar as ações já adotadas pelo Ministério da Saúde na área de atenção à gestante, como os investimentos nas redes estaduais de assistência à gestação de alto risco, o incremento do custeio de procedimentos específicos e outras ações, como o Projeto de Capacitação de Parteiras Tradicionais, do financiamento de cursos de especialização em enfermagem obstetrícia e a realização de investimentos nas unidades hospitalares integrantes dessas redes. O Programa de Humanização no Prénatal e Nascimento está estruturado nos seguintes princípios: 1) toda gestante tem o direito ao acesso a atendimento digno e de qualidade no decorrer da gestação, parto e puerpério; 2) toda gestante tem direito de conhecer e ter assegurado o acesso à maternidade em que será atendida no momento do parto; 111 SAÚDE COLETIVA I 3) toda gestante tem direito à assistência ao parto e ao puerpério e que seja realizada de forma humanizada e segura, de acordo com os princípios gerais e condições estabelecidas pelo conhecimento médico; e 4) todo recémnascido tem direito à assistência neonatal de forma humanizada e segura. O software foi desenvolvido pelo DATASUS com a finalidade de permitir o acompanhamento adequado das gestantes inseridas no Programa de Humanização no Pré Natal e Nascimento (PHPN), do Sistema Único de Saúde. No SISPRENATAL está definido o elenco mínimo de procedimentos para uma assistência prénatal adequada. Permite o acompanhamento das gestantes, desde o início da gravidez até a consulta de puerpério. O SISPrenatal é um banco de dados dinâmico onde permanentemente estão sendo digitados cadastros de consultas e exames de usuárias residentes em um determinado município em acompanhamento de PréNatal. Para obter a documentação que orienta como fazer a implantação do PHPN, acesse a nossa área de download. Para ilustrar a natureza dos dados constantes no sistema, foi selecionado os indicadores do SISPRENATAL do município de Porto Alegre dos anos de 2005 e 2006 (Tabela Abaixo). Outros Sistemas de Informações em Saúde: • Sistema de Controle de Exames Laboratoriais SISCEL destinado às informações referentes ao diagnóstico, monitoramento e terapia antiretroviral para pessoas infectadas com o vírus HIV/AIDS. • Sistema de Informação da Atenção Básica – visto na aula de ESF/PSF. 112 SAÚDE COLETIVA I Principais problemas para viabilização do Sistema de Informação em Saúde Apesar de haver um Sistema de Informação em Saúde nos moldes de diversos países, no Brasil, observamse problemas na viabilização desse sistema nas diversas esferas de governo: no âmbito federal, as informações em saúde encontramse dispersas em vários órgãos e ministérios. Observase falta de padronização nos procedimentos de obtenção, tratamento e disseminação e a periodicidade adotada nem sempre é a mais adequada. na esfera estadual, é possível dizer que, atualmente, todas as secretarias estaduais de saúde possuem alguma estrutura específica para informação, ainda que nem sempre com o grau de desenvolvimento adequado; no âmbito dos municípios, a maioria deles efetua apenas procedimentos de coleta de dados para os sistemas de âmbito federal ou estadual. E entre os principais problemas que enfrentam para produzir a informação em saúde de sua região, encontramse: • A falta ou deficiência de infraestrutura de informática; • A insuficiência de recursos humanos qualificados; falta de padronização e normatização dos procedimentos de coleta de dados; • A falta de hierarquização na produção e uso das informações nos diversos níveis da rede; • O insuficiente grau de utilização dos dados para análise do sistema e dos serviços de saúde; • Dificuldade ao acesso de informações, etc. É fundamental, ainda, que as três esferas de atuação governamental (federal, estadual e municipal) permitam e facilitem o acesso às informações por elas produzidas, inclusive às instâncias de controle social, e promovam o intercâmbio de dados e experiências. A adoção de diretrizes e práticas que permitam a utilização das informações existentes nos três segmentos de governo e o livre fornecimento de dados pode contribuir, significativamente, para a ampliação e aperfeiçoamento do relacionamento entre as estruturas que compõem o SUS. Exercícios 1. A finalidade da informação em saúde consiste em identificar problemas individuais e coletivos do quadro sanitário de uma população, propiciando elementos para análise da situação encontrada e subsidiando a busca de possíveis alternativas para resoluções. Assim, as 113 SAÚDE COLETIVA I informações em saúde devem abranger apenas aquelas relativas ao processo saúde/doença. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta.b) Incorreta. 2. A base do Sistema de Informação de Nascidos Vivos SINASC é a Declaração de Nascimento (DN), a qual deverá ser preenchida para todos os nascimentos vivos ocorridos no país. É importante assinalar que o Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8069 de 130790, em seu artigo 10, no IV – considerou obrigatória a emissão da declaração de nascido vivo com o objetivo de garantir à criança proteção à vida e à saúde, juntamente com outras medidas. Pode se dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 3. Um dos problemas que limitam o Sistema de Informação de Mortalidade – SIM e as análises de mortalidade no Brasil é o subregistro dos óbitos, sobretudo no norte e nordeste e entre as crianças menores de um ano de idade. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. Respostas dos Exercícios 1. A finalidade da informação em saúde consiste em identificar problemas individuais e coletivos do quadro sanitário de uma população, propiciando elementos para análise da situação encontrada e subsidiando a busca de possíveis alternativas para resoluções. Assim, as informações em saúde devem abranger apenas aquelas relativas ao processo saúde/doença. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B As informações em saúde não devem abranger apenas aquelas relativas ao processo saúde/doença, mas também aquelas de caráter administrativo, todas essenciais para elaboração de políticas para o setor. 2. A base do Sistema de Informação de Nascidos Vivos SINASC é a Declaração de Nascimento (DN), a qual deverá ser preenchida para todos os nascimentos vivos ocorridos no país. É importante assinalar que o Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8069 de 130790, em seu artigo 10, no IV – considerou obrigatória a emissão da declaração de nascido vivo com o objetivo de garantir à criança proteção à vida e à saúde, juntamente com outras medidas. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considerou obrigatória a emissão da declaração de nascido vivo com o objetivo de garantir à criança proteção à vida e à saúde, juntamente com outras medidas. 3. Um dos problemas que limitam o Sistema de Informação de Mortalidade – SIM e as análises de mortalidade no Brasil é o sub registro dos óbitos, sobretudo no norte e nordeste e entre as crianças menores de um ano de idade. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Realmente, um dos problemas que limitam o Sistema de Informação de Mortalidade – SIM e as análises de mortalidade no Brasil é o subregistro dos óbitos, sobretudo no norte e nordeste e entre as crianças menores de um ano de idade. 114 SAÚDE COLETIVA I AULA 17 • PRINCIPAIS ÓRGÃOS DE SAÚDE Organização Mundial da Saúde (OMS) A Organização Mundial da Saúde (OMS) é uma agência especializada em saúde, fundada em 7 de abril de 1948 e subordinada à Organização das Nações Unidas (ONU). Sua sede é em Genebra, na Suíça. O diretor geral é, desde 2006, o sueco Anders Nordstrom. A OMS teve sua origem nas guerras do fim do século XIX (México, Criméia), após a Primeira Guerra Mundial. Segundo sua constituição, a OMS tem por objetivo desenvolver, ao máximo possível, o nível de saúde de todos os povos. A saúde, sendo definida nesse mesmo documento como um “estado de completo bemestar físico, mental e social, e não consistindo somente da ausência de uma doença ou enfermidade”. Veja o quadro 1 com as obras que representam os agravos da modernidade, disponível no ambiente de estudo. O desafio contido nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). ODM: Síntese do Ciclo de Conferências da Organização das Nações Unidas (ONU) (década de 90). Os objetivos propostos pela ODM para o milênio são: 1) Erradicar a extrema pobreza e a fome; 2) Atingir o ensino básico universal; 3) Promover a igualdade de gênero e a autonomia das mulheres; 4) Reduzir a mortalidade infantil; 5) Melhorar a saúde materna; 6) Combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças; 7) Garantir a sustentabilidade ambiental; 8) Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento. 115 SAÚDE COLETIVA I Outro objetivo e apelo da Organização Mundial da Saúde (OMS) é em relação ao tabagismo, buscando por medidas mais rígidas no combate ao fumo, e têm sido atendidas em todo o mundo. A OMS propôs que todos os países proíbam o fumo em locais de trabalho e ambientes públicos fechados. A sua ampla campanha, nos riscos do fumo passivo, revela que cerca de 200 mil nãofumantes morrem por ano devido à exposição à fumaça dos cigarros em locais de trabalho. Com outro dado alarmante, a organização pede que os pais redobrem os cuidados com seus filhos: cerca de metade das crianças do mundo, aproximadamente 700 milhões, respiram ar com fumaça de tabaco. Considerado uma doença gravíssima pela comunidade científica, o tabagismo figura como a segunda maior causa de morte em todo o mundo: a cada ano, 5 milhões de pessoas perdem a vida. Se os níveis de consumo atuais perdurarem, a cifra deve dobrar até 2020. O Brasil tem participação fundamental na história da Organização Mundial da Saúde, criada pela ONU para elevar os padrões mundiais de saúde. A proposta de criação da OMS, em 1948, foi de autoria dos delegados do Brasil, que propuseram o estabelecimento de um "organismo internacional de saúde pública de alcance mundial". Desde então, Brasil e OMS desenvolvem intensa cooperação. A já tradicional presença da comunidade médicocientífica brasileira, nos projetos e programas incentivados pela OMS, foi especialmente intensa entre 1948 e 1968, quando o médico brasileiro Marcolino Candau ocupou a direção geral da Organização. Atualmente, a atuação brasileira junto à OMS é de reconhecida importância nas mais variadas áreas, especialmente no combate de endemias e de doenças tropicais e no fortalecimento dos sistemas de saúde nos países em desenvolvimento. Em nível regional, a OMS atua na América Latina através da Organização PanAmericana de Saúde (OPAS). Organização PanAmericana da Saúde (OPAS) A Organização PanAmericana da Saúde é um organismo internacional de saúde pública com um século de experiência, dedicado a melhorar as condições de saúde dos países das Américas. Ela também atua como Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde para as Américas e faz parte dos sistemas da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Organização das Nações Unidas (ONU). A OPAS contribui para o fortalecimento do setor saúde nos países, para que os programas prioritários sejam executados e para que sejam utilizados 116 SAÚDE COLETIVA I enfoques multisetoriais e integrais de saúde. Temos sede da OPAS nos Estados Unidos da América, sediada em Washington e, no Brasil, em Brasília, juntamente com a OMS. As atividades da OPAS são dirigidas à busca da eqüidade nas ações que beneficiem grupos mais vulneráveis, em especial, as mães e as crianças, os trabalhadores, os mais pobres, os mais velhos, os refugiados e os desabrigados. A Organização coopera com os países nos preparativos para situações de emergência e na coordenação de socorro em casos de desastres, bem como no controle de doenças transmissíveis, como malária, chagas, raiva urbana, lepra e outras que afetam a população americana. Ministério da Saúde (MS) Muito emboraa história da Saúde Pública Brasileira tenha início em 1808, o Ministério da Saúde só veio a ser instituído no dia 25 de julho de 1953, com a Lei nº 1.920, que desdobrou o então Ministério da Educação e Saúde em dois ministérios: Saúde e Educação; e Cultura. A partir da sua criação, o Ministério passou a encarregarse, especificamente, das atividades até então de responsabilidade do Departamento Nacional de Saúde (DNS), mantendo a mesma estrutura que, na época, não era suficiente para dar ao órgão governamental o perfil de Secretaria de Estado, apropriado para atender aos importantes problemas da saúde pública existentes. Na verdade, o Ministério limitavase a ação legal e a mera divisão das atividades de saúde e educação, antes incorporadas num só ministério. Mesmo sendo a principal unidade administrativa de ação sanitária direta do Governo, essa função continuava, ainda, distribuída por vários ministérios e autarquias, com pulverização de recursos financeiros e dispersão do pessoal técnico, ficando alguns vinculados a órgãos de administração direta, outros às autarquias e fundações. Ao longo desses cinqüenta anos de existência, o Ministério da Saúde passou por diversas reformas na estrutura. Destacase a reforma de 1974, na qual as Secretarias de Saúde e de Assistência Médica foram englobadas, passando a constituir a Secretaria Nacional de Saúde, para reforçar o conceito de que não existia dicotomia entre Saúde Pública e Assistência Médica. No mesmo ano, a Superintendência de Campanhas de Saúde Pública SUCAM passa à subordinação direta do Ministro do Estado, para possibilitarlhe maior flexibilidade técnica e administrativa, elevandose a órgão de primeira linha. Foram criadas as Coordenadorias de Saúde, compreendendo cinco regiões: Amazônia, Nordeste, Sudeste, Sul e CentroOeste, ficando as Delegacias Federais de Saúde compreendidas nessas áreas subordinadas às mesmas. As Delegacias Federais de Saúde deixavam, assim, de integrar órgãos de primeira linha. É criada também a Coordenadoria de Comunicação Social como órgão de assistência direta e imediata do 117 SAÚDE COLETIVA I Ministro de Estado, e instituído o Conselho de Prevenção Antitóxico como órgão colegiado, diretamente subordinado ao Ministro de Estado. Do final da década de 80 em diante, destacase a Constituição Federal de 1988, que determinou ser dever do Estado garantir saúde a toda a população e, para tanto, criou o Sistema Único de Saúde. Em 1990, o Congresso Nacional aprovou a Lei Orgânica da Saúde, que detalha o funcionamento do Sistema. É função do Ministério da Saúde dispor de todas as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, reduzindo as enfermidades, controlando as doenças endêmicas e parasitárias, melhorando a vigilância à saúde e dando qualidade de vida ao brasileiro. É por causa dessas atribuições que o Ministério da Saúde impõese o desafio de garantir o direito do cidadão ao atendimento à saúde e prover condições para que esse direito esteja ao alcance da população, independente da condição social de cada um. A Constituição Federal de 1988 deu um importante passo na garantia do direito à saúde com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). Seus princípios apontam para a democratização nas ações e nos serviços de saúde, que deixam de ser restritos e passam a ser universais, da mesma forma, deixam de ser centralizados e passam a nortearemse pela descentralização. Ou seja, o objetivo é capacitar os municípios a assumir suas responsabilidades e prerrogativas diante do SUS, bem como desenvolver ações que dêem prioridade à prevenção e à promoção da saúde. Nem sempre é possível ao município executar sozinho todos os serviços de saúde. Pequenos municípios carecem de recursos humanos, financeiros e materiais, e sua população é insuficiente para manter um hospital ou serviços especializados. Por isso, a descentralização dos serviços implica também em sua regionalização. Num país imenso como o nosso, para evitar desperdícios e duplicações fazse necessário organizar os serviços, visando dar acesso a todos os tipos de atendimento. Em 1990, o Congresso Nacional aprovou a Lei Orgânica da Saúde, que detalha o funcionamento do SUS. Foram mudanças profundas na Saúde Pública brasileira que exigiram, para sua implantação e funcionamento, o aprimoramento do sistema de informação em saúde. Em suma, compete ao Ministério da Saúde: • Política nacional de saúde; • Coordenação e fiscalização do Sistema Único de Saúde; 118 SAÚDE COLETIVA I • Saúde ambiental e ações de promoção, proteção e recuperação da saúde individual e coletiva, inclusive a dos trabalhadores e dos índios; • Informações de saúde; • Insumos críticos para a saúde; • Ação preventiva em geral, vigilância e controle sanitário de fronteiras e de portos marítimos, fluviais e aéreos; • Vigilância de saúde, especialmente drogas, medicamentos e alimentos; • Pesquisa científica e tecnologia na área de saúde. O atual Ministro da Saúde é o Senhor José Gomes Temporão. Veja o quadro 2 com figura que representa um programa desenvolvido pelo MS, disponível no ambiente de estudo. 119 SAÚDE COLETIVA I Secretarias de Saúde Na esfera estadual, o gestor é o Secretário Estadual de Saúde e suas funções são a formulação da política estadual de saúde, coordenação e planejamento do SUS, bem como o financiamento das ações e serviços de saúde. Na esfera municipal, o gestor é o Secretário Municipal de Saúde, abrangendo a formulação da política municipal de saúde e a provisão das ações e serviços de saúde, financiada com recursos próprios ou transferida pelo gestor federal e/ou estadual do SUS. A Secretaria de Estado da Saúde (SES) de São Paulo coordena e dirige atividades de assistência à saúde e prestação de serviços na área médica e hospitalar em todo o Estado. É responsável pela administração e pela política social de saúde do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de Ribeirão Preto e Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, os maiores do país. A SES também faz o controle de endemias em todo o território paulista, além de administrar três fundações: a do Remédio Popular, que fabrica e distribui remédios aos 645 municípios; o Oncocentro de São Paulo, que desenvolve pesquisas na área da saúde pública; e a PróSangue Hemocentro de São Paulo, que viabiliza a coleta e distribuição de sangue aos hospitais. Veja o quadro 3 com figura que representa um programa desenvolvido pela Secretária Municipal de Saúde da Cidade de São Palo, disponível no ambiente de estudo. Coração de Estudante,Milton Nascimento Composição: Wagner Tiso / Milton Nascimento Quero falar de uma coisa Adivinha onde ela anda Deve estar dentro do peito Ou caminha pelo ar Pode estar aqui do lado Bem mais perto que pensamos A folha da juventude 120 SAÚDE COLETIVA I É o nome certo desse amor Já podaram seus momentos Desviaram seu destino Seu sorriso de menino Quantas vezes se escondeu Mas renovase a esperança Nova aurora, cada dia E há que se cuidar do broto Pra que a vida nos dê Flor, flor e fruto Coração de estudante Há que se cuidar da vida Há que se cuidar do mundo Tomar conta da amizade Alegria e muito sonho Espalhados no caminho Verdes, planta e sentimentoFolhas, coração, Juventude e fé. Exercícios 1. A OMS teve sua origem nas guerras do fim do século XIX (México, Criméia), após a Primeira Guerra Mundial. Segundo sua constituição, a OMS tem por objetivo desenvolver, ao máximo possível, o nível de saúde de todos os povos. A saúde, sendo definida nesse mesmo 121 SAÚDE COLETIVA I documento como um “estado de completo bemestar físico, mental e social, e não consistindo somente da ausência de uma doença ou enfermidade”. Ao ler o texto, podemos afirmar que a OMS é responsável pelas políticas e ações de saúde de todos os povos. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 2. “É função do Ministério da Saúde dispor de todas as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, reduzindo as enfermidades, controlando as doenças endêmicas e parasitárias, melhorando a vigilância à saúde e dando qualidade de vida ao brasileiro”. Ao ler o texto, podemos afirmar que a MS é responsável pelas políticas e ações de saúde apenas dos municípios da Região Norte, Nordeste, Sul e Sudeste. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 3. “Na esfera estadual, o gestor é o Secretário Estadual de Saúde e suas funções são a formulação da política estadual de saúde, coordenação e planejamento do SUS, bem como o financiamento das ações e serviços de saúde. Na esfera municipal, o gestor é o Secretário Municipal de Saúde, abrangendo a formulação da política municipal de saúde e a provisão das ações e serviços de saúde, financiada com recursos próprios ou transferida pelo gestor federal e/ou estadual do SUS”. Ao ler o texto, podemos afirmar que as Secretarias de Saúde são responsáveis pela formulação das políticas de saúde e a provisão das ações e serviços. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. Respostas dos Exercícios 1. A OMS teve sua origem nas guerras do fim do século XIX (México, Criméia), após a Primeira Guerra Mundial. Segundo sua constituição, a OMS tem por objetivo desenvolver, ao máximo possível, o nível de saúde de todos os povos. A saúde, sendo definida nesse mesmo documento como um “estado de completo bemestar físico, mental e social, e não consistindo somente da ausência de uma doença ou enfermidade”. Ao ler o texto, podemos afirmar que a OMS é responsável pelas políticas e ações de saúde de todos os povos. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A A OMS tem por objetivo desenvolver, ao máximo possível, o nível de saúde de todos os povos, estabelecendo e definindo as metas a serem seguidas pelos Ministérios da Saúde dos países membros. 2. “É função do Ministério da Saúde dispor de todas as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, reduzindo as enfermidades, controlando as doenças endêmicas e parasitárias, melhorando a vigilância à saúde e dando qualidade de vida ao brasileiro”. Ao ler o texto, podemos afirmar que a MS é responsável pelas políticas e ações de saúde apenas dos municípios da Região Norte, Nordeste, Sul e Sudeste. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: B É função do Ministério da Saúde dispor de todas as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, dando qualidade de vida ao brasileiro, contemplando todo o território nacional. 3. “Na esfera estadual, o gestor é o Secretário Estadual de Saúde e suas funções são a formulação da política estadual de saúde, coordenação e planejamento do SUS, bem como o financiamento das ações e serviços de saúde. Na esfera municipal, o gestor é o Secretário Municipal de Saúde, abrangendo a formulação da política municipal de saúde e a provisão das ações e serviços de saúde, financiada com recursos próprios ou transferida pelo gestor federal e/ou estadual do SUS”. Ao ler o texto, podemos afirmar que as Secretarias de Saúde são responsáveis pela formulação das políticas de saúde e a provisão das ações e serviços. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Realmente as Secretarias de Saúde são responsáveis pela formulação das políticas de saúde e a provisão das ações e serviços. 122 SAÚDE COLETIVA I Segundo as determinações do Ministério da Saúde, o “nível federal” deve colocar à disposição dos demais gestores instrumentos que possam estimular, subsidiar e dar suporte à administração e aperfeiçoamento dos sistemas estaduais e municipais e às transformações do modelo e reorganizações dos sistemas e redes de atenção” e, sob tal enfoque, o Cartão Nacional de Saúde é um desses instrumentos. AULA 18 • ATUALIDADES DO SUS: CARTÃO SUS, ACOLHIMENTO E FARMÁCIA POPULAR Introdução Segundo as determinações do Ministério da Saúde, em artigo de difusão técnicocientífica, no qual são feitos alguns apontamentos acerca da relação entre conceito e ações para promoção da saúde e reorientação do modelo de atenção, o “nível federal deve colocar à disposição dos demais gestores instrumentos que possam estimular, subsidiar e dar suporte à administração e aperfeiçoamento dos sistemas estaduais e municipais e às transformações do modelo e reorganizações dos sistemas e redes de atenção”, e, sob tal enfoque, o Cartão Nacional de Saúde é um desses instrumentos. Da mesma forma, o acolhimento do cidadão nas unidades de saúde deve ser entendido como instrumento extremamente importante para viabilizar o processo de inclusão dos usuários dos serviços de saúde proposto pelo SUS. Acolher significa, entre outras coisas, “dar crédito a; dar ouvidos; tomar em consideração”, tendo como objetivo principal o oferecimento da assistência adequada. Ainda nessa direção, apontamos a Farmácia Popular, programa montado a partir de parcerias estabelecidas entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), órgão do Ministério da Saúde e executora do programa e laboratórios farmacêuticos públicos ou do setor privado, quando necessário, que visa disponibilizar vários medicamentos a baixo custo. Cartão Nacional de Saúde ou Cartão SUS O Cartão SUS está fundamentado na necessidade de identificação individualizada dos usuários. Segundo seus idealizadores, a partir de um Cadastro do SUS, baseado no número do 123 SAÚDE COLETIVA I Programa de Integração social (PIS) e do Programa de Assistência ao Servidor público (PASEP), cada cidadão terá um cartão identificador de abrangência nacional. A introdução desse mecanismo de registro vem atender à necessidade apresentada, qual seja, conhecer o fluxo dos usuários entre os diversos serviços de saúde, na medida em que são associadas às informações sobre os atendimentos ou ações de saúde à clientela atendida nos diversos níveis do sistema. Ao vincular a informação ao usuário (e não ao procedimento), tornase possível o cruzamento de dados entre os sistemas e prestadoras, ampliandose a capacidade de controle e auditoria. De fato, os sistemas de informações de base nacional atualmente existentes captam, primeiramente, informações referentes aos eventos da vida relacionados à saúde: nascimentos, ações assistenciais, ocorrências de agravos, diagnósticos, terapias e óbitos. Entretanto, nenhum desses sistemas consegue identificar a clientela do Sistema Único de Saúde – SUS e explicar sua vinculação a um gestor sanitário ou a cobertura pretendida pelas ações praticadas. Nesse sentido, o Cartão Nacional de Saúde tem como objetivo a modernização dos instrumentos de gerenciamento da atenção à saúde e sua característica principal é a possibilidade de identificação dos usuários. Para tanto, será utilizado o Cadastro Nacional dos usuários,baseado no número do Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de Assistência ao Serviço Público (PASEP). Cada cidadão deve receber um Cartão identificador que identificará o usuário em todos os seus contatos com o SUS e acompanhará a sua evolução dentro do sistema, com efeitos na atenção individual e no planejamento das ações em saúde. Em relação aos sistemas de informações de base nacional, essa identificação permite a integração entre os eventos de vida e as ações desenvolvidas e a avaliação de processo e impacto dessas ações. O Cartão Nacional de Saúde é um cartão magnético que identifica nacionalmente todos os usuários do SUS. Sendo utilizado para a operacionalização do Sistema Nacional de Informação em Saúde (SNIS), que consiste de um sistema padronizado e articulado de informações, que visa subsidiar as ações em saúde, que contém informações sobre profissionais, unidades de saúde e procedimentos em saúde. O SNIS permite a identificação do usuário do SUS, registro de informações sobre o histórico clínico deste, agilidade no agendamento de consultas e exames, encaminhamento a outras Unidades de Saúde, além do controle do acesso a medicamentos. Possibilita ainda um melhor monitoramento da rede assistencial, do fluxo de usuários e das necessidades de saúde dos cidadãos, subsidiando as ações de planejamento e programação de saúde e permitindo maior integração das atividades de assistência à saúde. A utilização do cartão é simples, funciona como se fosse um cartão eletrônico de banco. 124 SAÚDE COLETIVA I Acolhimento Podemos definir Acolhimento como uma técnica de escuta qualificada para o gerenciamento do fluxo do usuário dos serviços de saúde, visando a efetivação do princípio da Resolutividade. Sendo necessariamente um ato coletivo, uma estratégia que visa a ampliação do acesso à assistência integral, com abordagem de risco e vulnerabilidade, um diálogo construído dentro do serviço com os profissionais de saúde e com a comunidade, fortalecendo o poder de participação dos usuários, enquanto sujeitos ativos do processo. O Acolhimento surge como uma estratégia para promover mudanças na organização do processo de trabalho e propõe uma recepção técnica com escuta qualificada por profissionais da equipe de saúde, para atender a demanda espontânea que procura os serviços, com o objetivo de identificar risco/vulnerabilidade no adoecer e, desta forma, orientar, priorizar e decidir sobre os encaminhamentos necessários para a resolução do problema apresentado pelo usuário. Visa potencializar o conhecimento técnico e agregar resolutividade na intervenção dos diversos profissionais de saúde, promovendo o vínculo e a responsabilidade com o usuário dos serviços. O Acolhimento está fundamentado na necessidade de melhoria da qualidade de atenção à saúde. No entanto, para que o profissional de saúde reconheça as reais necessidades dos usuários e estabeleça o Acolhimento na rede de serviços, há necessidade de conhecer os fluxogramas (figuras) assistenciais, rotinas e orientações para as queixas e problemas mais freqüentes que 4 surgem no atendimento à demanda espontânea nas unidades de saúde, de acordo com os ciclos de vida e temas transversais, devendo ser destacadas as dimensões biológicas e sociais no processo saúdedoença, as quais devem ser consideradas na identificação de risco e vulnerabilidade para priorização da atenção, bem como ações e orientações de prevenção e diagnóstico precoce que devem ser oferecidas pelos profissionais de saúde no momento do acolhimento. O Acolhimento estabelece que o profissional de saúde deve fazer e, para fazer, tem que saber. Estes profissionais têm extrema importância nas ações de acolhimento porque são eles que recebem o usuário, conhecem os cuidados e podem tomar decisões. Para tanto, se faz necessário que nos locais de trabalho haja espaços para discussões coletivas de casos, do processo de trabalho e adequação das normas, protocolos e orientações à realidade local, para o desenvolvimento de seus próprios fluxogramas e normas de atendimento, no intuito de formular propostas que possam romper com um modelo baseado na oferta e formulem propostas que transformem o cotidiano na construção de um modelo que tenha como eixo o usuário e suas reais necessidades de saúde. 125 SAÚDE COLETIVA I Veja o fluxograma de acolhimento e o fluxograma de atendimento de casos suspeitosos de violência na rede ambulatorial, disponível no ambiente de estudo. Farmácia Popular A Farmácia Popular do Brasil é um programa do Governo Federal para ampliar o acesso da população aos medicamentos considerados essenciais. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), órgão do Ministério da Saúde e executora do programa, adquire os medicamentos de laboratórios farmacêuticos públicos ou do setor privado, quando necessário, e disponibiliza nas Farmácias Populares a baixo custo. O programa “Farmácia Popular” tem como principal objetivo facilitar o acesso da população aos medicamentos básicos e essenciais, disponibilizando remédios a preço de custo, atendo, assim, à parcela população que não busca assistência no SUS, mas tem dificuldade para manter tratamentos, medicamentos devido aos altos preços dos remédios. A implementação das farmácias populares é feita em parceria com governos estaduais, municipais ou entidades filantrópicas. Estão disponíveis 95 itens que tratam das doenças com maior incidência no país, como hipertensão, diabetes, úlcera gástrica, depressão, asma, infecções e verminoses, além dos anticoncepcionais. Em alguns casos, a economia para o usuário pode ser superior a 80%, comparando o preço do medicamento em uma farmácia convencional. Os produtos disponibilizados são adquiridos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), órgão do Ministério da Saúde e executora do programa, e disponibilizados na farmácia a preço de custo e em consignação. Para utilizar a Farmácia Popular, basta o usuário ter uma receita da rede pública ou particular, contendo medicamentos disponíveis no programa. A Farmácia Popular funciona em horário comercial, de segundafeira a sábado, e conta com farmacêuticos e funcionários qualificados para orientar o usuário sobre os cuidados com a saúde e o uso correto da medicação. Importante lembrar que, quanto à dispensação dos medicamentos, todo usuário que apresentar receita oriunda da rede pública deve ser orientado sobre o direito à assistência farmacêutica enquanto usuário do SUS. Somente após essa informação e consulta ao usuário sobre sua opção pela obtenção do medicamento, por meio do programa, é que poderá ser feita a dispensação. Alguns questionamentos vêm sendo feitos acerca do programa Farmácia Popular, o que fica evidente nas criticas sobre o copagamento de medicamentos, fato que, para teóricos como 126 SAÚDE COLETIVA I Eugênio Vilaça Mendes, “esse compartilhamento de custos lesa fortemente o princípio da equidade”. Segue o link indicado para aprofundamento da aula: Cidades atendidas pelo Programa Farmácia Popular http: //portal.saude.gov.br/portal/saúde/vizualizar_texto.cfm?idtxt=2582janela=1 Exercícios 1. Nesse sentido, o Cartão Nacional de Saúde tem como objetivo a modernização dos instrumentos de gerenciamento da atenção à saúde e sua característica principalé a possibilidade de identificação dos usuários. Ao ler o texto, podemos afirmar que cada cidadão deve receber um Cartão identificador que identificará o usuário em todos os seus contatos com o SUS e acompanhará a sua evolução dentro do sistema, com efeitos na atenção individual e no planejamento das ações em saúde. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 2. Podemos definir Acolhimento como uma técnica de escuta qualificada para o gerenciamento do fluxo do usuário dos serviços de saúde, visando a efetivação do princípio da Resolutividade. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 3. Todo usuário que procurar uma Farmácia Popular e apresentar receita oriunda da rede pública deve ser orientado sobre o direito à assistência farmacêutica enquanto usuário do SUS. Somente após essa informação e consulta ao usuário sobre sua opção pela obtenção do medicamento, por meio do programa, é que poderá ser feita a dispensação do medicamento. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. 4. Podemos definir Acolhimento como uma técnica de escuta qualificada para o gerenciamento do fluxo do usuário dos serviços de saúde, visando a efetivação do princípio da Resolutividade. Ao ler o texto, podemos afirmar que a resolutividade é a garantia de que todo usuário do Sistema Único de Saúde, que buscar atendimento pelo sistema, deverá ter seu problema de saúde resolvido, dentro da capacidade de atenção à saúde de cada serviço. Podese dizer que essa idéia está: a) Correta. b) Incorreta. Respostas dos Exercícios 127 SAÚDE COLETIVA I 1. Nesse sentido, o Cartão Nacional de Saúde tem como objetivo a modernização dos instrumentos de gerenciamento da atenção à saúde e sua característica principal é a possibilidade de identificação dos usuários. Ao ler o texto, podemos afirmar que cada cidadão deve receber um Cartão identificador que identificará o usuário em todos os seus contatos com o SUS e acompanhará a sua evolução dentro do sistema, com efeitos na atenção individual e no planejamento das ações em saúde. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Realmente cada cidadão deve receber um Cartão identificador que identificará o usuário em todos os seus contatos com o SUS e acompanhará a sua evolução dentro do sistema, com efeitos na atenção individual e no planejamento das ações em saúde. 2. Podemos definir Acolhimento como uma técnica de escuta qualificada para o gerenciamento do fluxo do usuário dos serviços de saúde, visando a efetivação do princípio da Resolutividade. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Podemos definir Acolhimento como uma técnica de escuta qualificada para o gerenciamento do fluxo do usuário dos serviços de saúde, visando a efetivação do princípio da Resolutividade. 3. Todo usuário que procurar uma Farmácia Popular e apresentar receita oriunda da rede pública deve ser orientado sobre o direito à assistência farmacêutica enquanto usuário do SUS. Somente após essa informação e consulta ao usuário sobre sua opção pela obtenção do medicamento, por meio do programa, é que poderá ser feita a dispensação do medicamento. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A Todo usuário que procurar uma Farmácia Popular e apresentar receita oriunda da rede pública deve ser orientado sobre o direito à assistência farmacêutica enquanto usuário do SUS. Somente após essa informação e consulta ao usuário sobre sua opção pela obtenção do medicamento, por meio do programa, é que poderá ser feita a dispensação do medicamento. 4. Podemos definir Acolhimento como uma técnica de escuta qualificada para o gerenciamento do fluxo do usuário dos serviços de saúde, visando a efetivação do princípio da Resolutividade. Ao ler o texto, podemos afirmar que a resolutividade é a garantia de que todo usuário do Sistema Único de Saúde, que buscar atendimento pelo sistema, deverá ter seu problema de saúde resolvido, dentro da capacidade de atenção à saúde de cada serviço. Podese dizer que essa idéia está: RESPOSTA CORRETA: A A resolutividade é a garantia de que todo usuário do Sistema Único de Saúde, que buscar atendimento pelo sistema, deverá ter seu problema de saúde resolvido, dentro da capacidade de atenção à saúde de cada serviço. 128 SAÚDE COLETIVA I AULA 19 • CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO (CRIANÇA, ADOLESCENTE, ADULTO, IDOSO E PROFISSIONAIS DE SAÚDE) Introdução Na segunda metade do século XX, criouse na opinião pública, uma falsa expectativa de que todas as doenças transmissíveis estariam próximo à extinção. Esse quadro não é verdadeiro para o Brasil, nem mesmo para os país desenvolvidos, como demonstrado pelos movimentos de emergência de novas doenças transmissíveis como a Aids, de ressurgimento, em novas condições, de doenças antigas como a cólera e o dengue, de persistência de endemias importantes , como a tuberculose, e de surtos inusitados de doenças, como a febre do Nilo Ocidental, nos Estados Unidos, e da pneumonia atípica em várias partes do mundo. A idéia de que, naturalmente, todas as doenças transmissíveis seriam erradicadas contribuiu para que, no passado, as ações de prevenção e controle fossem sendo subestimadas na agenda de prioridades em saúde, com evidentes prejuízos para o desenvolvimento de uma adequada capacidade e resposta governamental e com a perda de oportunidade de tomada de decisão sobre medidas que teriam um impacto positivo nessa área. Com diferenças associadas às condições sociais, sanitárias e ambientais, as doenças transmissíveis ainda se constituem em um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A erradicação completa de doenças, como no caso da varíola na segunda metade da década de 1970, ainda o único e solitário exemplo de erradicação em escala mundial, é produto de décadas de esforço continuado de governos, da sociedade, e da disponibilidade de medidas amplamente eficazes e efetivas. Um pouco de História Nas primeiras décadas do séc. XX, houve um grande crescimento econômico no Brasil, no entanto , foi um período de crise sócioeconômica e sanitária, porque as epidemias ameaçavam a economia agroexportadora brasileira, prejudicando principalmente, a exportação do café, pois as tripulações dos navios estrangeiros recusavamse a atracarem nos portos brasileiros, o que também reduzia a imigração de mão–deobra. Eleito presidente da República Federativa do Brasil em 1902, Rodrigues Alves, que perdera a filha vitimada pela febre amarela, centra seu programa de governo na mudança da 129 SAÚDE COLETIVA I imagem do país no exterior. O programa visava melhoria do porto da Cidade do Rio de Janeiro, a reforma e o embelezamento da cidade e combate às epidemias. Sua realização ficou sob a responsabilidade de Oswaldo Cruz e Pereira Passos, sendo o primeiro indicado , em 1903, para a direção da Saúde Pública e o segundo para ocupar a Prefeitura do Distrito Federal. Esta não era a primeira vez que Rodrigues Alves patrocinava ações de vulto na área da saúde. Já em 1900, quando à frente do governo do Estado de São Paulo, apoiara as iniciativas de Emílio Ribas e Adolfo Lutz no combata à febre amarela. As reformas urbanas e sanitárias atraíam grande oposição e agitavam as páginas dos jornais e as conversas dos moradores da cidade do Rio de Janeiro. Protestos populares e sublevações militares resultaram na Revolta da Vacina, ocorrida entre 10 a 16 de novembro de 1904. Deflagrada a partir da divulgaçãoda Lei da vacinação obrigatória contra a varíola, a Revolta foi considerada como um dos maiores levantes populares ocorridos no Brasil no século XX e integravam movimentos antigovernamentais militares ligados à Floriano Peixoto; intelectuais positivistas, republicanos radicais, monarquistas e parcelas da população afetadas pelo “bota abaixo”, nome pelo qual ficou conhecida a política de reorganização do espaço urbano da cidade do Rio de Janeiro, implementada pelo prefeito Pereira Passos. Não esquecendo que o Brasil havia deixado recentemente de ser uma monarquia para ser alçado à condição de República Federativa em 1989, sendo assim, os interesses políticos das diversas ideologias ainda impregnavam quaisquer manifestações populares. Além do que, a recente abolição da escravatura um ano antes (em 1888) levou para as cidades as pessoas que até então, exploradas e violentadas sob a condição de escravos, não possuíam qualificação para pleitear trabalho na incipiente manufatura a ser desenvolvida nos centros urbanos. Em que pese à ação desses grupos, é inegável que a obrigatoriedade da vacinação trazia consigo força suficiente para provocar reações violentas em defesa da privacidade e da livre determinação. Houve aproximadamente 30 mortes, 110 feridos, 945 prisioneiros, dos quais 454 enviados para o Acre e, dentre os revoltosos destacouse o lendário “Prata Preta”, exescravo que, da mesma forma revoltado com a imposição da obrigatoriedade da vacinação, enfrenta às autoridades. Algumas frases foram cunhadas nessa época: “isso para não andarem dizendo que o povo é carneiro”, “é para mostrar ao governo que ele não põe o pé no pescoço do povo”, “abaixo a vacina” . Diziase na época que a vacina podia matar ou, no mínimo, deixar a pessoa com a cara de bezerro (isso porque Edward Jenner havia descoberto a vacina contra a varíola em 1796 a partir da observação e experiências com a as vacas acometidas pela doença vaccinia). Observase assim, a total falta de informação da população acerca dos reais benefícios da vacinação. 130 SAÚDE COLETIVA I Contudo a saúde pública brasileira aprendeu a lição. Informar às pessoas faz parte de qualquer programa de controle de doenças. As vacinas, devidamente aperfeiçoadas, são hoje bem aceitas; mães e pais procuram as unidades de saúde em busca do cumprimento do calendário vacinal de seus filhos, assim como os adolescentes, adultos, idosos e profissionais de saúde apresentam aceitação para este eficiente método de prevenção das doenças, mesmo tendo a certeza de que ainda existem brasileiros que não podem contar com a cobertura total de vacinação para todas as doenças imunopreveníveis disponibilizadas pela ciência e tecnologia, uma vez que várias doenças possíveis de imunoprevenção não estão disponíveis na rede pública, como é o caso da varicela; meningite meningocócica (apenas para os casos de surtos ou epidemias); gripe (disponível apenas para idosos, profissionais de saúde); hepatite B (disponível para pessoas até 19 anos, profissionais de saúde e grupos de risco). Ficando evidente o não cumprimento dos princípios filosóficos de universalidade, igualdade e integralidade contemplados no Sistema Único de Saúde. Programa Nacional de Imunização (PNI) O Programa Nacional de Imunização (PNI) foi instituído em 1973 e tem como objetivo proteger a população contra as doenças imunopreveníveis (aquelas que contam com vacinas como modo de prevenção). Impulsionado pelos excelentes resultados obtidos pela Campanha da Erradicação da Varíola, foi transformado ao longo dos tempos, em um dos mais bemsucedidos programas de vacinação do mundo. O PNI tem ampla cobertura: crianças, adolescentes, adultos, idosos, moradores de grandes centros urbanos ou das regiões mais longínquas são da mesma “ Eu não vou nesse arrastão Sem fazer o meu barulho Os doutores da ciência Terão mesmo que ir no embrulho Não embarco na canoa Que a vacina me persegue Vão meter ferro no boi Ou nos diabos que os carregue” (Canção popular, autor desconhecido) 131 SAÚDE COLETIVA I forma, alvo da cobertura vacinal deste programa que conta com a FUNASA (Fundação Nacional de Saúde) como órgão responsável pelas ações programáticas desenvolvidas, atuando sempre em parceria com estados e municípios, e totalmente financiado por recursos públicos. O PNI, como formulador e executor de políticas públicas, trabalha de maneira articulada coma vigilância epidemiológica e, entre suas atividades incluem o monitoramento de efeitos adversos relacionados à vacina e o incentivo ao aprofundamento dos processos de controle de qualidade e produção de vacinas pelos laboratórios públicos nacionais. Vigilância epidemiológica é o conjunto de atividades que permite reunir a informação indispensável para conhecer, a qualquer momento, o comportamento ou história natural das doenças, assim como detectar ou prever alterações de seus fatores condicionante salva com o fim de recomendar oportunamente, sobre bases firmes, as medidas indicadas e eficientes que levem à prevenção e ao controle de determinadas doenças. Veja nos quadros abaixo, o Calendário Nacional de Vacinação do PNI. Veja os calendários de vacinação disponível no ambiente de estudo. Exercícios 1. As reformas urbana e sanitária atraíam grande oposição e agitavam as páginas dos jornais e as conversas dos moradores da Cidade do Rio de Janeiro. Protestos populares e sublevações militares resultaram na Revolta da Vacina, ocorrida entre 10 a 16 de novembro de 1904. Ao ler o texto, podemos afirmar que a Revolta da Vacina foi um importante movimento popular de oposição à obrigatoriedade da vacinação contra a varíola, doença considerada erradicada no mundo na segunda metade da década de 1970. Podese dizer que esta idéia está: a) correta b) incorreta 2. Contudo a saúde pública brasileira aprendeu a lição. Informar às pessoas faz parte de qualquer programa de controle de doenças. As vacinas, devidamente aperfeiçoadas, são hoje bem aceitas; mães e pais procuram as unidades de saúde em busca do cumprimento do calendário vacinal de seus filhos, assim como os adolescentes, adultos, idosos e profissionais de saúde apresentam aceitação para este eficiente método de prevenção das doenças, mesmo tendo a certeza de que ainda existem brasileiros que não podem contar com a cobertura total de vacinação para as doenças imunopreveníveis disponíveis pela ciência e tecnologia. Ao ler o texto, podemos afirmar que todas as doenças imunopreviníveis que a ciência e a tecnologia possibilitam, estão disponíveis para o acesso de todos os brasileiros, indistintamente. Podese dizer que esta idéia está: a) Correta 132 SAÚDE COLETIVA I b) Incorreta 3. Dentre as vacinas previstas no PNI para o cumprimento do calendário de crianças de 0 a 6 meses, podemos apontar a BCG (contra as formas graves de tuberculose); a hepatite B; a Tetravalente; a VOP e a febre amarela Podese dizer que esta idéia está: a) Correta b) Incorreta Respostas dos Exercícios 1. As reformas urbana e sanitária atraíam grande oposição e agitavam as páginas dos jornais e as conversas dos moradores da Cidade do Rio de Janeiro. Protestos populares e sublevações militares resultaram na Revolta da Vacina, ocorrida entre 10 a 16 de novembro de 1904. Ao ler o texto, podemos afirmar que a Revolta da Vacina foi um importantemovimento popular de oposição à obrigatoriedade da vacinação contra a varíola, doença considerada erradicada no mundo na segunda metade da década de 1970. Podese dizer que esta idéia está: RESPOSTA CORRETA: A 2. Contudo a saúde pública brasileira aprendeu a lição. Informar às pessoas faz parte de qualquer programa de controle de doenças. As vacinas, devidamente aperfeiçoadas, são hoje bem aceitas; mães e pais procuram as unidades de saúde em busca do cumprimento do calendário vacinal de seus filhos, assim como os adolescentes, adultos, idosos e profissionais de saúde apresentam aceitação para este eficiente método de prevenção das doenças, mesmo tendo a certeza de que ainda existem brasileiros que não podem contar com a cobertura total de vacinação para as doenças imunopreveníveis disponíveis pela ciência e tecnologia. Ao ler o texto, podemos afirmar que todas as doenças imunopreviníveis que a ciência e a tecnologia possibilitam, estão disponíveis para o acesso de todos os brasileiros, indistintamente. Podese dizer que esta idéia está: RESPOSTA CORRETA: B 3. Dentre as vacinas previstas no PNI para o cumprimento do calendário de crianças de 0 a 6 meses, podemos apontar a BCG (contra as formas graves de tuberculose); a hepatite B; a Tetravalente; a VOP e a febre amarela Podese dizer que esta idéia está: RESPOSTA CORRETA: B 133 SAÚDE COLETIVA I AULA 20 • PAPEL DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE Introdução Quando se fala em paradigma, estamos falando de visão de mundo que norteiam as ações das pessoas. Um paradigma é um conjunto de premissas implícitas que não se pretende testar; na verdade são essencialmente inconscientes. O paradigma é o que permeia as nossas percepções, dentro dele está tudo o que é considerado verdadeiro, um paradigma é sustentado pelo sistema de crenças, vivese essas crenças, pensase e age conforme essas crenças. O atual paradigma que oferece suporte à maioria das práticas profissionais fundamenta – se na ciência. Desta forma, as profissões são baseadas em um modelo materialista para se desenvolverem, utilizando a aquisição de conhecimento pelo aspecto racional e objetivo. O paradigma cientifico atual entende o mundo como sendo mecânico, em que existem recursos a serem controlados e explorados. O problema é que esse modelo de paradigma não deixa espaço para a liberdade de escolha, para a consciência ou espírito, tornando o ser humano parcial e incompleto. Entretanto, um paradigma não é estático, ele é mutável, nem sempre a ciência determinou o que é verdade e o que é falso, cada período histórico demonstrou uma visão de mundo e paradigmas característicos. A sociedade contemporânea não consegue mais sustentar um paradigma científico rígido, em que o entendimento da natureza é de ser apenas um recurso explorável e do ser humano é de ser apenas um corpo separado da mente. É necessário um novo paradigma que entenda a natureza enquanto um organismo que reage e tem necessidades e que entenda o ser humano enquanto um ser biopsicossocial e espiritual, sem que deixe de lado a evolução e aquisição do conhecimento científico, mas que ele seja flexível, e sem deixar de lado a tecnologia, mas que ela seja sustentável. Essa mudança de paradigma deve se estender á sociedade como um todo e não só á ciência, assim como na prática profissional. 134 SAÚDE COLETIVA I A prática do profissional de saúde Para escrever sobre o compromisso dos profissionais de saúde neste momento de transição paradigmática, lembro que já não se fala de um compromisso deste ou daquele profissional isoladamente , mas sim do compromisso dos profissionais de saúde e, no intuito de ilustrar essa integralidade na construção de um novo paradigma ético, recorro ao poema de João Cabral de Melo Neto, numa assunção à metáfora da tessitura dos galos evocando o resplandecer da manhã: Tecendo a manhã Poema de João Cabral de Melo Neto Um galo sozinho não tece uma manhã: Ele precisará sempre de outros galos De um que apanhe esse grito que ele lançou E o lance para outro; de um outro galo que Apanhe o grito que um galo antes E o lance a outro; e de outros galos E que com muitos outros galos se cruzem Os fios de sol de seus gritos de galo, Para que a manhã, desde uma teia tênue, Se vá tecendo, entre todos os galos. Se encorpando em tela, entre todos, Se erguendo tenda, onde entrem todos, Se estendendo para todos, no toldo (a manhã) que plana livre de armação, A manhã, toldo de um tecido tão aéreo Que, tecido, se eleva por si: luz balão. 135 SAÚDE COLETIVA I Da mesma forma que os galos, numa necessária ação colaborativa, estão tecendo a manhã, também os profissionais da saúde necessitam tecer uma teia de relações absolutamente produtivas, na perspectiva da construção de um novo paradigma, que possa gerar ações que redundem em benefício do ser humano. Outra ilustração interessante para ressaltar a urgente mudança de paradigma prescritivo de conduta para os profissionais da saúde, é a metáfora do curador ferido. Consta na mitologia grega, que a arte de curar foi ensinada por Apolo ao centauro Quíron. Este, por sua vez, transmitiua para Esculápio, o deus da Medicina. Com Quíron, Esculápio aprendeu a praticar a cura pelas ervas. Entretanto, Quíron possuía uma ferida que jamais cicatrizava: ele vivia curando os outros, mas estava sempre doente, sempre sofrendo e, por isso era capaz de compreender o sofrimento daqueles a quem tratava. Esse mito pode ser interpretado como uma sugestão para o necessário envolvimento de pessoas que travam uma relação de ajuda – como a vivenciada pelo profissional da saúde com as pessoas que atende. Temos que reconhecer nossas vulnerabilidades e tomarmos consciência de nossas próprias feridas, as quais representam a possibilidade de também adoecermos e sofrermos, em outros termos: colocarmos no lugar do outro, para avaliar o sofrimento dele. Recorrer ao sistema de saúde é, muitas vezes, uma experiência de sofrimento, principalmente num país como o Brasil, onde a saúde pública sempre foi encarada como uma generosidade dos governantes, devendo ser retribuída com a gratidão incondicional dos pobres. Todos reconhecemos a insuficiência dos serviços de saúde, o que contribui para os sentimentos de angústia, muitas vezes vivenciados pelos usuários. Sendo necessário uma relação de alteridade (alter – outro) entre profissionais e seus clientes. É muito produtivo para ambos quando essa relação de ajuda acontece de forma plena e afetuosa, no intuito de reconhecer as principais dimensões do ser humano: sentir, pensar, falar e agir, numa relação de respeito entre pessoas livres e iguais. No cotidiano das práticas de assistência à saúde podemos observar a falta de preparo dos diversos profissionais. Esta inadequação de conduta pode ser atribuída à crise de valores éticos e morais que regem a sociedade. Isso se dá, pois as fontes de moral que orientam a sociedade, não mais correspondem às necessidades que surgem das relações entre as pessoas e o seu entorno técnico/científico, assim como de consumo. Interessante ressaltar que este momento de crise dos valores morais e éticos oferece a possibilidade de revermos as origens do atual paradigma e, com isso, refletirmos sob que ética estamos vivendo. Os profissionais da saúde devem, portanto, rever sua prática baseandose em 136 SAÚDE COLETIVA I uma ética criticae reflexiva e, principalmente que tenha sentido na sua existência e nos valores que os movem, estruturando uma ética que, segundo Leonardo Boff deve ser em torno de valores fundamentais ligados à vida, ao seu cuidado, ao trabalho, às relações cooperativas e a cultura da nãoviolência e da paz. O desenvolvimento social e a complexidade crescente dos problemas sociais continuam ressaltando a importância da comunidade como realidade social de coesão e solidariedade entre os homens a ser resgatada a partir dos seus núcleos de vivência e existência. Destacar as áreas de moradia e a dinâmica dos seus grupos e subgrupos levandose em conta interesses e preocupações comuns como indicadores de realidade comunitária não obstante ser tarefa difícil é um obstáculo a ser necessariamente transposto pelos profissionais da saúde dentro de suas atribuições objetivando o desenvolvimento comunitário. A prática cotidiana dos serviços públicos de saúde, que se mostra desprovida do reconhecimento dos direitos dos usuários, exige um resgate de ideais humanísticos por parte dos profissionais de saúde. É importante que o usuário, ao procurar os serviços de saúde seja visto não apenas como um doente ou uma pessoa que procura ajuda para sanar as seqüelas físicas que o aflige. É necessário que ele seja visto como um ser integral, que seja tratado com dignidade que seja visto como um ente único e possuidor de características físicas, psicológicas, sociais,culturais, econômicas,espirituais, etc. Em busca de uma adequação de conduta A Atenção Básica ou primária se constitui em uma das principais portas de entrada para o sistema de saúde (não a única, o pronto socorro, por exemplo, é outra porta possível e necessária) e, como sabemos, as funções da rede de atenção básica no sistema de saúde é à busca da universalidade, eqüidade e integralidade. No intuito de colaborar para uma reflexão, provocadora de adequação de conduta, por parte daquele que será “O Profissional de Saúde” destacamos, em nível exemplificativo e não taxativo, o seguinte: Conhecer a essência dos problemas das comunidades em conformidade com a realidade social a que está inserida; • Implementar as evidências da ciência no contínuum saúdedoença; 137 SAÚDE COLETIVA I • Instrumentalizar a população para elaboração sistemática de projetos reforçadores das reivindicações; • Utilizar instrumentos necessários de comunicação com os diversos grupos sociais; • Capacitar a população para que, em conjunto, (re)descubram novas fórmulas de reavaliação social em seus enfrentamentos; • Valorizar o diálogo individual e grupal como elemento fundamental para o processo de organização; • Valorizar experiências já desenvolvidas nas quais se faz presente os processos de conscientização e capacitação da comunidade; • Instrumentalizar tecnicamente os trabalhadores e as unidades para operarem com dados, informações e indicadores de saúde; • Travar um envolvimento baseado nas prioridades e decisões comunitárias ajudandoas a desenvolver habilidades significativas, identificar necessidades e planejar atividades futuras; • Encorajar a implementação de serviços preventivos e de saúde básica ao invés de serviços curativos; • Capacitar a comunidade na utilização da hierarquização do sistema – referência e contra referência; • Utilizar a técnica do Acolhimento como uma ação do campo de competência e responsabilidades de todos os trabalhadores das unidades de saúde, envolvendo a escuta, a responsabilização pelo outro, pelo problema apresentado, pelo cuidado, assim como favorecendo o desenvolvimento de sua autonomia e cidadania; • Reforçar as ligações com os centros locais de saúde e com o pessoal de saúde da área; • Informar sobre os recursos formais e informais colocados à disposição da comunidade; • Incentivar a participação social no planejamento/programação, execução e avaliação das ações de saúde propostas, através de comissões locais ou outras modalidades de organização social; • Promover a intersetorialidade exercida pela relação com todos os níveis de governo como resposta ao enfoque ampliado de saúde; 138 SAÚDE COLETIVA I • Incentivar o desenvolvimento de um Novo Modelo de Atenção à Saúde que contemple não só a revisão das práticas assistenciais, mas que garanta a integração de conhecimentos, o uso racional de recursos e a efetiva participação e controle social; • Levar em consideração as dimensões sociais econômicos e culturais da população apreendendo o processo saúdedoença no âmbito familiar e não apenas no nível individual; • Estimular que a comunidade se torne plenamente consciente e possa tomar controle do seu processo de desenvolvimento –“empoderamento” . Desta maneira, podemos afirmar que as práticas de assistência à saúde necessariamente dependem de um conjunto de profissionais e procedimentos e que, mesmo o mais preparado e valorizado entre eles, está intrinsecamente dependente dos outros para atingir seus objetivos. Os atendimentos aos usuários dos serviços de saúde precisam articular diferentes profissionais, desde a acolhida, passando pelo diagnóstico, os exames complementares, as prescrições terapêuticas, os encaminhamentos de referência e contrareferência necessários, promovendo cuidados sem interrupção, até o total restabelecimento ou o equilíbrio possível da pessoa atendida. As equipes multiprofissionais, com práticas interdisciplinares e conhecimentos transdisciplinares atuam em conjunto, diluindose desta maneira a hegemonia dos técnicos e das técnicas. Para não finalizar, esta reflexão! Filme: “Quem somos nós?” , disponível em locadoras. A pedra O homem distraído, nela tropeçou O pastor, cansado da lida, usoua como assento para descansar Davi fêla aliada no seu confronto contra Golias O bruto, dela instrumentalizouse para ferir seus oponentes O poeta eternizoua nos seus versos Michelangelo, dela se serviu para criar a mais bela das esculturas Em todos os casos, a diferença esteve nos homens, e não na pedra. 139 SAÚDE COLETIVA I Exercícios 1. A sociedade contemporânea não consegue mais sustentar um paradigma científico rígido, em que o entendimento da natureza é de ser apenas um recurso explorável e do ser humano é de ser apenas um corpo separado da mente. É necessário um novo paradigma que entenda a natureza enquanto um organismo que reage e tem necessidades e que entenda o ser humano enquanto um ser biopsicossocial e espiritual, sem que deixe de lado a evolução e aquisição do conhecimento científico, mas que ele seja flexível, e sem deixar de lado a tecnologia, mas que ela seja sustentável. Essa mudança de paradigma deve se estender á sociedade como um todo e não só á ciência, assim como na prática profissional. Ao ler o texto, podemos afirmar que a ciência deve ser desconsiderada no contexto da prática do profissional de saúde. Podese dizer que esta idéia está: a) correta b) incorreta 2. Leia o poema e responda as questões nº 2 e nº 3 Tecendo a manhã Poema de João Cabral de Melo Neto Um galo sozinho não tece uma manhã: Ele precisará sempre de outros galos De um que apanhe esse grito que ele lançou e o lance para outro; de um outro galo que apanhe o grito que um galo antes e o lance a outro; e de outros galos e que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todosos galos. Se encorpando em tela, entre todos, Se erguendo tenda, onde entrem todos, Se estendendo para todos, no toldo (a manhã) que plana livre de armação, A manhã, toldo de um tecido tão aéreo Que, tecido, se eleva por si: luz balão. 2. Ao ler o poema Tecendo a Manhã de João Cabral de Melo Neto, podemos afirmar que, numa interpretação metafórica, quando o galo tece a manhã com seus gritos está favorecendo apenas a si mesmo. Podese dizer que esta idéia está: a) correta b) incorreta 3. Ainda numa interpretação metafórica do poema Tecendo a Manhã, podemos afirmar que as práticas de assistência à saúde necessariamente dependem de um conjunto de profissionais e procedimentos e que mesmo o mais preparado e valorizado entre eles, está intrinsecamente dependente dos outros para atingir seus objetivos. Podese dizer que esta idéia está: a) correta b) Incorreta 140 SAÚDE COLETIVA I Respostas dos Exercícios 1. A sociedade contemporânea não consegue mais sustentar um paradigma científico rígido, em que o entendimento da natureza é de ser apenas um recurso explorável e do ser humano é de ser apenas um corpo separado da mente. É necessário um novo paradigma que entenda a natureza enquanto um organismo que reage e tem necessidades e que entenda o ser humano enquanto um ser biopsicossocial e espiritual, sem que deixe de lado a evolução e aquisição do conhecimento científico, mas que ele seja flexível, e sem deixar de lado a tecnologia, mas que ela seja sustentável. Essa mudança de paradigma deve se estender á sociedade como um todo e não só á ciência, assim como na prática profissional. Ao ler o texto, podemos afirmar que a ciência deve ser desconsiderada no contexto da prática do profissional de saúde. Podese dizer que esta idéia está: RESPOSTA CORRETA: B 2. Leia o poema e responda as questões nº 2 e nº 3 Tecendo a manhã Poema de João Cabral de Melo Neto Um galo sozinho não tece uma manhã: Ele precisará sempre de outros galos De um que apanhe esse grito que ele lançou e o lance para outro; de um outro g0alo que apanhe o grito que um galo antes e o lance a outro; e de outros galos e que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos. Se encorpando em tela, entre todos, Se erguendo tenda, onde entrem todos, Se estendendo para todos, no toldo (a manhã) que plana livre de armação, A manhã, toldo de um tecido tão aéreo Que, tecido, se eleva por si: luz balão. Ao ler o poema Tecendo a Manhã de João Cabral de Melo Neto, podemos afirmar que, numa interpretação metafórica, quando o galo tece a manhã com seus gritos está favorecendo apenas a si mesmo. Podese dizer que esta idéia está: RESPOSTA CORRETA: B 3. Ainda numa interpretação metafórica do poema Tecendo a Manhã, podemos afirmar que as práticas de assistência à saúde necessariamente dependem de um conjunto de profissionais e procedimentos e que mesmo o mais preparado e valorizado entre eles, está intrinsecamente dependente dos outros para atingir seus objetivos. Podese dizer que esta idéia está: RESPOSTA CORRETA: A 141 SAÚDE COLETIVA I BIBLIOGRAFIA ARNTZ, W. Quem somos nós? – As descobertas das infinitas possibilidades de alterar a realidade diária; tradução de Doralice Lima – Rio de Janeiro: Prestígio Editorial, 2007. BARROS, H. . A evolução do pensamento epidemiológico. Disponível em: http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/am/v20n4/v20n4a04.pdf. Acesso em 29 de janeiro de 2008. BERTOLLI FILHO C. História da Saúde Pública no Brasil.São Paulo: editora Ática, 2002 BONALUME NETO, R. . “O corpo contra o Estado” In: Folha de São Paulo. 7 de novembro de 2004. BORNSTEIN, V.J., STOTZ, E.N. 0203/2006 Concepções que integram a formação e o processo de trabalho dos agentes comunitários de saúde: uma revisão da literatura. Ciência e Saúde Coletiva. Formato eletrônico. Disponível em: http://www.abrasco.org.br/cienciaesaudecoletiva/artigos/artigo_int.php?id_artigo=156. Acessado em 10 fev 2008. BRANCO, M. A F. . “Sistemas de Informação em Saúde local” In: Cad. Saúde Pública, vol. 12, nº 2. Rio de Janeiro, abr./jun./1996. BRASIL MINISTÉRIO DA SAÚDE. Disponível em http://www.datasus.gov.br/sisprenatal/SPN_FAQ.htm. Acesso em 6 de fevereiro de 2008. BRASIL MINISTÉRIO DA SAÚDE. Disponível em: http://www.datasus.gov.br/. Acesso em 6 de fevereiro de 2008. BRASIL MINISTÉRIO DA SAÚDE. Disponível em: http://www.datasus.gov.br/sisprenatal/SPN_PHPN.htm. Acesso em 6 de fevereiro de 2008. BRASIL, Ministério da Saúde. Coordenação Geral de Desenvolvimento de Recursos Humanos para o SUS/ SPS/MS. Coordenação de Atenção Básica/SAS/MS. Diretrizes para elaboração de programas de qualificação e requalificação dos Agentes Comunitários de Saúde. Brasília, 1999. BRASIL. Lei nº 10.507 10/6/2002. Cria a Profissão de Agente Comunitário de saúde e dá outras providências. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Disponível em http://www.datasus.gov.br/sisprenatal/SPN_FAQ.htm. Acesso em 6 de fevereiro de 2008. 142 SAÚDE COLETIVA I BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Disponível em: http://www.datasus.gov.br/. Acesso em 6 de fevereiro de 2008. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Gestão Municipal de Saúde: textos básicos. Rio de Janeiro: Ministério da Saúde, 2001. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Promoção da Saúde: Declaração de Almaata, Carta de Ottawa, Declaração de Adelaide, Declaração de Sundsvall, Declaração de Santa Fé de Bogotá, Declaração de Jacarta, Rede de Mega Países e Declaração do México, Brasília, 2001. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Brasília, 2001. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE; SECRETARIA DE ATENÇÃO BÁSICA; DEPARTAMENTO DE ATENÇÃO BÁSICA. Portaria 648, de 28 de março de 2006. Política Nacional de Atenção Básica. Disponível em: http://conselho.saude.gov.br/webpacto/text_atencao.pdf. Acesso em 01 de fevereiro de 2008. BRASIL. Portaria nº 1886/GM. 18 de dezembro de 1997. Aprova as Normas e Diretrizes do Programa de Agentes Comunitários de Saúde e do Programa de Saúde da Família. CAMPOS, C. E. A .O desafio da integralidade segundo as perspectivas da vigilância da saúde e da família. São Paulo: Ciência & Saúde Coletiva.n. 8 (2): 569584, 2003. CAMPOS, W. de S. (org.) . Tratado de Saúde Coletiva . São Paulo: Hucitec; Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 2006. EGRY, EY . “Bases teóricas para aproximação do fenômeno” IN: Saúde coletiva: construindo um novo método em Enfermagem. São Paulo: Ìcone Editora, 1996. FELIPE, S.; PESTANA, M.; FERNANDES, S. . Pacto pela Saúde 2006. Consolidação do Sistema Único de Saúde – SUS. Disponível em: www.abennacional.org.br/direducacao/pacto_pela_saude_2006.pdf FERNANDES, C. Vigilância da Saúde. Disponível em: http://www.carlosfernandes.prosaeverso.net/visualizar.php?idt=626323. Acesso 2 de fevereiro de 2008. FILHO, C.B. . “História da saúde pública no Brasil” IN: FILHO, C.B. .Da colonização à República: a raiz histórica da doença. São Paulo: Editora Àtica, 1996, pp. 515. 143 SAÚDE COLETIVA I FREITAS, C. M. “A vigilância da Saúde para a Promoção da Saúde” In: D. CZERESNIA & C. M. F. FREITAS (org.). Promoção da Saúde, conceitos, reflexões, tendências. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003, p. 176. FUNDAÇÃO INSTITUTO OSVALDO CRUZ. O Sanitarismo (RE)descobre o Brasil . Mostra em comemoração ao centenário do Sanitarismo Brasileiro. 2004 GOLDIM J. R.; FRANCISCONI C. F. Atuação Profissionale Privacidade, disponível em: http://www.ufrgs.br/bioetica/privapoi.htm. Acesso em 19 de janeiro de 2oo8 LAURELLL, A. C. . “A saúdedoença como processo social” IN: NUNES, E. D. (org.). Medicina social: aspectos históricos e teóricos. São Paulo: Global Ed., 1983, pp. 133158. MENDES, E. V. O dilema do SUS. Disponível em: http://www.gices sc.org/ArtigoEugenioVilacaDilemaSUS.pdf. Acesso em 26 de fevereiro de 2008. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Gestão Municipal de Saúde: textos básicos. Rio de Janeiro: Ministério da Saúde, 2001. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Saúde Brasil2006. Uma análise da desigualdade em saúde. BrasíliaDF, 2006. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Série Pacto pela Saúde, volume 1. Pactos pela Vida, em Defesa do SUS e de Gestão. Diretrizes Operacionais. Disponível em: http://www.saude.gov.br/bvs Modelo Multicausal Determinista. Disponível em: http://sameens.dia.uned.es/trabajos4/T1A/T1_CanoOrtegaJ/modelo_multicausal_determinista.htm. Acesso em 29 de janeiro de 2008. ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DE SAÚDE. Divisão de Promoção e Proteção da Saúde. Municípios e Comunidades Saudáveis. Guia dos Prefeitos para Promover Qualidade de Vida. Disponível em: http://www.cidadessaudaveis.org.br/gestores.pdf. Acesso em: 05/ 02/2008. PAIM, J.S. . “Atenção à Saúde no Brasil” IN: Saúde no Brasil: contribuições para a agenda de prioridade de pesquisa. Brasília: Ministério da Saúde, 2ª ed., 2006, pp. 1544. POLIGNANO, M.V. .História das políticas de saúde no Brasil – uma pequena revisão. PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO. 1º Caderno de apoio ao Acolhimento. Equipe do Projeto Prioritário Acolhimento. Secretaria Municipal da Saúde São Paulo 2004. PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO PAULO. Manual do Sistema de Informação da Atenção Básica – SIAB. Adaptação do original do Ministério da Saúde, 1998. Secretaria Municipal de Saúde, São Paulo, 2006. 144 SAÚDE COLETIVA I ROSEN, G. . “A evolução da medicina social” IN: NUNES, E.D. (org.) Medicina social: aspectos históricos e teóricos. São Paulo: Global ed., 1983, pp. 2582. ROUQUAYROL, M. Z.; ALMEIDA FILHO, N. de. Epidemiologia & Saúde. 6ª ed. .Rio de Janeiro: MEDSI, 2003. SANTOS A DA S.; MIRANDA S.M.R.C.de. (org.) A enfermagem na gestão em atenção à saúde. Barueri: Manole, 2007. SANTOS, A. da S.; MIRANDA, S.M.R.C.de (org.). A enfermagem na gestão em atenção à saúde. Barueri: Manole, 2007. SANTOS, L. S. A. dos. Curso gestão em saúde. Disponível em: http://www.amf.org.br/cursogestaoemsaude.doc. Acesso em 29 de janeiro de 2008. SILVA, J.A., DALMASO, A.S.W. O agente comunitário de saúde e suas atribuições: os desafios para.o processo de formação de recursos humanos em saúde. Interface. Comunic, Saúde.Educ., 6(10): 7596, 2002. SILVA, L.J. . “Vigilância Epidemiológica” IN: Saúde no Brasil: contribuições para a agenda de prioridade de pesquisa. Brasília: Ministério da Saúde, 2ªed., 2006, pp. 157176. SILVA, M.H., SANTOS, M.R. Perfil de atividades dos Agentes Comunitários de Saúde vinculados ao Programa de Saúde da Família da zona norte de Juiz de Fora. Disponível em: http://www.nates.ufjf.br/novo/revista/pdf/v008n2/perfil.pdf SOUZA M.L. Desenvolvimento de Comunidade e Participação. 7ª ed. São Paulo: Cortez, 2000. TOMAZ. J. B. C. O agente comunitário de saúde não deve ser um “superherói”. Interface Comunic, Saúde, Educ. 6(10): 7594, 2002. VIANA, AL.; DAL POZ, M. R. . “A reforma do sistema de saúde no Brasil e o Programa Saúde da Família” In: PHYSIS: Rev. Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, 8 (2): 1148, 1998. WESTPHAL, M. F. “Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças” In: CAMPOS, G.W.S, MINAYO, M.C.S., AKERMAN, M., DRUMOND Júnior, M, CARVALHO, Y.M. (orgs). Tratado de Saúde Coletiva. Rio de Janeiro: FiocruzHUcitec, 2006, pp. 635667.