TextoReferencial TRSolo1   Parte A

TextoReferencial TRSolo1 Parte A

Disciplina:Propriedades das Rochas1 materiais12 seguidores
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Texto pertencente ao material de apoio do
Departamento de Solos da Universidade Federal de
Viçosa - Centro de Ciências Agrárias.

Conteúdos Básicos de Geologia e Pedologia

Cristine Carole Muggler*

Irene Maria Cardoso*

Mauro Resende

Maurício Paulo Ferreira Fontes*

Walter Antônio Pereira Abrahão*

Anôr Fiorini de Carvalho*

* Professores do Departamento de Solos da UFV

O CICLO DAS ROCHAS

Os processos geológicos envolvidos na
formação e destruição de rochas fazem
parte de um ciclo, o CICLO DAS
ROCHAS. Este ciclo pode se iniciar por
qualquer rocha, seja sedimentar, ígnea ou
metamórfica. Cada uma destas rochas
pode se transformar em qualquer outra
dependendo exclusivamente do processo
a que for submetida.

O Ciclo das Rochas compreende os
processos geológicos exógenos e
endógenos que atuam continuamente
sobre a crosta terrestre. Iniciando-se o
ciclo, por exemplo, com o intemperismo,
temos a destruição das rochas expostas
na superfície pela influência de agentes
químicos efísicos. O material resultante é
então transportado por diversos meios a
um local de deposição (uma depressão
marinha ou continental), onde se acumula.
No empilhamento sucessivo destes
materiais, ocorre que as porções mais
profundas sofrem maior compactação, por
ser maior o pacote de sedimentos
sobrepostos,consolidando-se e formando
as rochas sedimentares. As rochas
sedimentares podem ser novamente
expostas ao intemperismo por
levantamentos parciais da crosta. Outro
ciclo possível pode ser iniciado nos
processos de transformação de uma
rocha submetida a aumentos de
temperatura e pressão no
local(metamorfismo), levando a formação
de rochas metamórficas. Este material
pode

sofrer ascensão e ser novamente exposto
ao intemperismo, ou pode sofrer refusão

(magmatismo) podendo ascender e se
derramar como produto
vulcânico(vulcanismo) ou permanecer no

interior e se consolidar como um produto
plutônico (plutonismo). As rochas assim
formadas podem ser novamente expostas
à erosão,e assim sucessivamente.

ROCHAS ÍGNEAS

O MAGMA

As rochas ígneas são formadas pela
consolidação do magma. O magma
consiste de uma fusão
predominantemente silicatada, móvel, de
alta temperatura, proveniente do interior
do globo terrestre. As lavas são magmas
que atingem a superfície através de
cavidades vulcânicas. Do ponto de vista
físico-químico, o magma é um sistema
multicomponental, constituído por:

- uma fase líquida composta
predominantemente por agrupamentos
tetraédricos de SiO4 e AlO4
acompanhados de cátions livres (Ca2+,
Mg2+, Na+, K+);

- várias fases sólidas, que consistem dos
cristais de minerais que estão se
formando;

- uma fase gasosa composta
principalmente por H2O acompanhada de
pequenas quantidades de CO2, HCl, HF,
H2S, SO2, etc.

ESMCC – Estudos do Solo e dos

Materiais na Construção Civil

Texto Referencial

 TRSolo 1 - PARTE A.

 1º módulo

 Edificações

Profa. Sylmara Jacob

Tipos fundamentais de magma

A partir da determinação da composição
do conjunto das rochas ígneas existentes
na porção superficial da crosta terrestre
ficou evidenciada a existência de dois
grupos composicionais principais
indicando a existência de dois tipos
fundamentais de magmas: ácidos
(graníticos) e básicos (basálticos).

Os magmas graníticos são produzidos por
fusão de rochas pré-existentes em
profundidades que variam de 7 a 15 km.
Os magmas básicos se originam na parte
superior do manto, em profundidades de
40 a 100 km, por fusão de rochas básicas
e ultrabásicas.

Temperatura e viscosidade do magma

 A temperatura dos magmas varia de 600
a 1200º C, podendo chegar a 1700º C. Os
magmas ácidos têm temperaturas médias
de 700º C, enquanto os básicos variam de
900 a 1200º C. A viscosidade (resistência
ao escoamento) determina a maior ou
menor fluidez do magma, sendo função de
sua composição, temperatura e pressão a
que está submetido. Como a viscosidade
vai variar com:

a) a temperatura?

b) a pressão no ambiente?

c) o conteúdo em elementos voláteis
(gases) do magma?

Cristalização do magma

O magma ao se resfriar, possibilita a
cristalização de diferentes minerais, cujo
conjunto constitui a rocha ígnea.
Inicialmente cristalizam-se grande parte
dos silicatos, obedecendo a uma
seqüência determinada pela temperatura
e composição do magma, conhecida
como Série de Bowen, este, mostrou que
os silicatos comuns das rochas ígneas se
cristalizam segundo uma ordem, em duas
séries distintas: uma série de reação
contínua e uma série de reação
descontínua.

Na primeira, os minerais mudam
ininterruptamente de composição,
reagindo continuamente com a fusão, e na
segunda, um mineral pré-formado reage
com a fusão, formando um novo mineral
com composição e estrutura cristalina
diferentes.

A cristalização dos minerais da Série de
Bowen se dá entre 1700°C (olivina) e

600°C (quartzo). Acompanhando a série
de Bowen , há um aumento da
complexidade das estruturas a medida
que a temperatura decresce, isto é,
aumenta o número de oxigênios
compartilhados entre os tetraedros de
sílica. Dentre os silicatos presentes na
Série de Bowen, as olivinas são
nesossilicatos; os piroxênios, inossilicatos
de cadeia simples; os anfibólios,
inossilicatos de cadeia dupla; a biotita e
muscovita (micas), filossilicatos; e os
plagioclásios, feldspatos e quartzo,
tectossilicatos

PLUTONISMO

Plutonismo é o conjunto de fenômenos
magmáticos que ocorrem em regiões
profundas da crosta terrestre. Os corpos
rochosos assim formados são chamados
plútons ou plutonitos, ou ainda rochas
plutônicas ou intrusivas. As rochas pré-
existentes que envolvem o corpo plutônico
são ditas rochas encaixantes. De uma
maneira geral as rochas plutônicas são
ácidas (granitos e granodioritos). Isto é
consequência das características físicas e
químicas dos magmas ácidos, que fazem
com que estes tenham maiores
possibilidades de se cristalizar em
profundidade do que à superfície.

Devido ao fato de serem resultantes de
massas magmáticas que se consolidam
no interior da Terra, os plútons
apresentam uma grande variabilidade de
formas e dimensões, assim como distintas
relações com as rochas encaixantes.

De acordo com as suas relações com as
rochas encaixantes, os plutonitos são
divididos em concordantes e discordantes.
Corpos plutônicos concordantes são
aqueles que concordam, que
acompanham a estrutura das rochas
encaixantes, adquirindo então uma forma
determinada pela disposição destas
rochas. As formas concordantes mais
comuns são as Soleiras ou sills. São
corpos extensos, pouco espessos de
forma tabular quando vistos em corte.
Estes corpos foram formados a partir de
um magma de baixa viscosidade, o qual
pode se intrometer entre planos da rocha
encaixante. São muito comuns as soleiras
de diabásio (rocha básica) nas bacias
sedimentares paleozóicas do Brasil
(Paraná, Maranhão e Amazonas). A
cidade de Piracicaba (SP) está sobre um
sill de diabásio. Outros tipos de corpos
plutônicos concordantes (Lacólitos p.ex.) .

Corpos plutônicos discordantes são
aqueles que cortam, que truncam a
estrutura das rochas encaixantes. Estes
corpos geralmente obedecem a outros
elementos estruturais desenvolvidos nas
rochas, tais como diáclases, falhas,
fendas ou aberturas produzidas por
explosões vulcânicas. As formas
discordantes mais comuns são os diques.
Diques são corpos magmáticos de forma
tabular que preenchem fendas nas rochas
pré-existentes (conforme figura). Têm
largura e comprimento muito variável
ocorrendo desde “microdiques” até diques
com vários metros de largura e
quilômetros de extensão. Os diques
podem formar conjuntos (sistemas) nos