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CIÊNCIAS DO 
AMBIENTE
Professor Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus
Professora Me. Renata Cristina de Souza Chatalov
GRADUAÇÃO
Unicesumar
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação 
a Distância; PISANO, Gustavo Affonso Pisano; CHATALOV, 
Renata Cristina de Souza. 
 
 Ciências do Ambiente. Gustavo Affonso Pisano Mateus; Rena-
ta Cristina de Souza Chatalov. 
 Maringá-Pr.: UniCesumar, 2018. 
 256 p.
“Graduação - EaD”.
 
 1. Ciências 2. Meio Ambiente . 3. Sustentabilidade 4. EaD. I. Título.
CDD - 22 ed. 363.7
CIP - NBR 12899 - AACR/2
Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário 
João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828
Impresso por:
Reitor
Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de Administração
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de EAD
William Victor Kendrick de Matos Silva
Presidente da Mantenedora
Cláudio Ferdinandi
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Direção Executiva de Ensino
Janes Fidélis Tomelin
Direção Operacional de Ensino
Kátia Coelho
Direção de Operações
Chrystiano Minco�
Direção de Polos Próprios
James Prestes
Direção de Desenvolvimento
Dayane Almeida 
Direção de Relacionamento
Alessandra Baron
Head de Produção de Conteúdos
Celso Luiz Braga de Souza Filho
Gerência de Produção de Conteúdo
Diogo Ribeiro Garcia
Gerência de Projetos Especiais
Daniel Fuverki Hey
Supervisão do Núcleo de Produção 
de Materiais
Nádila Toledo
Supervisão Operacional de Ensino
Luiz Arthur Sanglard
Coordenador de Conteúdo
Márcia Pappa
Designer Educacional
Ana Claudia Salvadego
Projeto Gráfico
Jaime de Marchi Junior
José Jhonny Coelho
Arte Capa
Arthur Cantareli Silva
Editoração
Produção de Materiais EAD 
Ilustração
Bruno Pardinho
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos 
com princípios éticos e profissionalismo, não so-
mente para oferecer uma educação de qualidade, 
mas, acima de tudo, para gerar uma conversão in-
tegral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos 
em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e 
espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos 
de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 
100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: 
nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, 
Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos 
EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e 
pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros 
e distribuímos mais de 500 mil exemplares por 
ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma 
instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos 
consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos 
educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos educa-
dores soluções inteligentes para as necessidades 
de todos. Para continuar relevante, a instituição 
de educação precisa ter pelo menos três virtudes: 
inovação, coragem e compromisso com a quali-
dade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de 
Engenharia, metodologias ativas, as quais visam 
reunir o melhor do ensino presencial e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é 
promover a educação de qualidade nas diferentes 
áreas do conhecimento, formando profissionais 
cidadãos que contribuam para o desenvolvimento 
de uma sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está 
iniciando um processo de transformação, pois quando 
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou 
profissional, nos transformamos e, consequentemente, 
transformamos também a sociedade na qual estamos 
inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu-
nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de 
alcançar um nível de desenvolvimento compatível com 
os desafios que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de 
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo 
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens 
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica 
e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con-
tribuindo no processo educacional, complementando 
sua formação profissional, desenvolvendo competên-
cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em 
situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado 
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal 
objetivo “provocar uma aproximação entre você e o 
conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento 
da autonomia em busca dos conhecimentos necessá-
rios para a sua formação pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de cresci-
mento e construção do conhecimento deve ser apenas 
geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos 
que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. 
Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu 
Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns 
e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das dis-
cussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe 
de professores e tutores que se encontra disponível para 
sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de 
aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui-
lidade e segurança sua trajetória acadêmica.
CU
RR
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Professor Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus
Possui graduação em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário Cesumar 
(Unicesumar), Especialização em Docência no Ensino Superior e Análise 
Ambiental pela mesma instituição e Mestrado em Biotecnologia Ambiental 
pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Possui experiência nas áreas 
de Fitossanidade, com ênfase em fungos fitopatogênicos e Tratamentos 
Alternativos de Água e Efluentes, em especial com os temas: processos de 
separação por membranas e coagulantes naturais. Atualmente é aluno do 
Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Ambiental da Universidade 
Estadual de Maringá em nível de Doutorado.
<http://lattes.cnpq.br/1379816809384173>.
Professora Me. Renata Cristina de Souza Chatalov
Possui Graduação em Engenharia Ambiental e Sanitária pelo Centro 
Universitário Cesumar. Possui graduação em Tecnologia Ambiental pelo 
Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná. Possui especialização em 
Gestão Ambiental pela Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo 
Mourão - FECILCAM. Tem Mestrado em Engenharia Urbana pela Universidade 
Estadual de Maringá - UEM. Tem experiência em pesquisa na área de Sistema 
de Gestão de Qualidade, na Área Ambiental, com ênfase em Tecnologias 
Avançadas de Tratamento de Efluentes, Gestão e Tratamento de Resíduos 
Sólidos. Trabalha como Professora Formadora no curso de Gestão Ambiental, 
Gestão de Recursos Humanos, Gestão de Negócios Imobiliários, Segurança 
do Trabalho no EAD no Centro Universitário Cesumar - UniCesumar. 
Trabalhou como professora no curso de graduação em Administração na 
Faculdade Metropolitana de Maringá. Professora da disciplina de Indústria 
e Meio Ambiente na Pós-graduação em Gestão Ambiental na Faculdade 
Metropolitana de Maringá. Professora da pós-graduação EAD - UniCesumar.
<http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4400997J9>
SEJA BEM-VINDO(A)!
Estima-se que a vida na Terra existe há cerca de 3,5 bilhões de anos, no entanto, apenas 
há duzentos anos que a vida humana tornou-se mais confortável devido aos grandes 
avanços na área tecnológica. Nesses duzentos anos, a população mundial aumentou 
significativamente, a sociedade tornou-se cada vez mais consumista e com isso houve 
um aumento no consumo de recursos naturais que estão se tornando cada vez mais 
escassos. 
A história do homem no planeta é diferente se compararmos com os demais, pois o ho-
mem se apropria da natureza para satisfazer suas necessidades, criando sistemas mais 
elaborados, embasados em tecnologias que nem sempre são sustentáveis, que podem 
ocorrer de forma tão acelerada que ossistemas naturais não conseguem repor tudo 
com a mesma agilidade em que são consumidos.
Nosso planeta, a água, o ar e o solo estão deteriorando qualitativamente, colocando em 
evidência o prejuízo biológico de muitas espécies, das quais o homem está incluído. 
Como exemplos de degradação ambiental podemos citar: as queimadas, o consumo 
de combustíveis fósseis, o desflorestamento, a poluição das águas, do ar, do solo, entre 
outros, que na maioria das vezes têm origem antrópica.
Dessa forma, quando estudamos as questões ambientais, nós estudamos temas muito 
importantes para a formação acadêmica, tanto que a interdisciplinaridade é essencial 
para compreensão do tema e exige esforços de profissionais nas mais diversas áreas do 
conhecimento. Nesse sentido, procuramos contribuir na disciplina de Ciências do Am-
biente para vocês que estão cursando conosco a Engenharia.
Diante desse contexto, trataremos dos nossos estudos de Ciências do Ambiente que 
foram divididos em cinco unidades.
Na primeira Unidade, estudaremos o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável - 
veremos os conceitos de meio ambiente e desenvolvimento sustentável, apresentando 
seu histórico bem como as questões do meio ambiente no meio econômico com bens 
e serviços ambientais. 
Na segunda Unidade, estudaremos sobre o gerenciamento e tratamento de águas e 
efluentes - abordaremos os conceitos de águas subterrâneas, as questões da qualidade 
da água e as formas de tratamento de efluentes.
Na terceira Unidade, abordaremos a questão de resíduos sólidos, desde a geração, a 
coleta, o acondicionamento, o transporte, o tratamento e a destinação final dos resíduos 
sólidos.
APRESENTAÇÃO
CIÊNCIAS DO AMBIENTE
Na quarta Unidade, analisaremos o controle e qualidade de emissões atmosféricas 
e conceituaremos a poluição atmosférica bem como suas formas de controle.
Na quinta unidade, estudaremos as questões da Política Ambiental no Brasil, apre-
sentando as legislações ambientais vigentes e a implementação de Sistemas de 
Gestão Ambiental. 
Desejamos a você ótimos estudos!
Professor Gustavo e Professora Renata
APRESENTAÇÃO
SUMÁRIO
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UNIDADE I
O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
15 Introdução
16 O Meio Ambiente e as Alterações de Origem Antrópica 
25 A Sustentabilidade e o Desenvolvimento Sustentável 
36 Dinâmicas Ambientais 
56 Considerações Finais 
68 Gabarito 
UNIDADE II
GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES
70 Introdução
71 O Consumo e a Utilização da Água 
79 Tratamento de Águas Residuárias 
89 Os Diferentes Tratamentos e suas Aplicações 
97 Considerações Finais 
109 Gabarito 
SUMÁRIO
10
UNIDADE III
A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
113 Introdução
114 Geração, Coleta e Transporte de Resíduos 
126 Processamento e Disposição Final de Resíduos 
134 Gestão de Resíduos Perigosos 
136 Gestão de Resíduos Radioativos 
137 Técnicas e Tratamentos de Resíduos Sólidos 
141 Considerações Finais 
150 Gabarito 
UNIDADE IV
CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS
153 Introdução
154 Poluição do Ar e Fontes de Emissão 
166 Métodos de Controle 
175 Padrões de Qualidade 
182 Poluição Sonora 
186 Redução e Controle de Ruídos 
190 Considerações Finais 
198 Gabarito 
SUMÁRIO
11
UNIDADE V
A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL
201 Introdução
202 Legislação Pertinente 
210 A Gestão Ambiental de Empresas 
229 Produção Mais Limpa 
236 Auditoria Ambiental 
243 Considerações Finais 
252 Gabarito 
253 Conclusão 
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Professor Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus
O MEIO AMBIENTE E O 
DESENVOLVIMENTO 
SUSTENTÁVEL
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Conhecer as vertentes históricas associadas às alterações ambientais 
de origem antrópica.
 ■ Conceituar Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável.
 ■ Conhecer as diferentes dinâmicas ambientais naturais.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ O meio ambiente e as alterações de origem antrópica
 ■ A sustentabilidade e o desenvolvimento sustentável
 ■ Dinâmicas ambientais
INTRODUÇÃO
Olá caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) à primeira unidade do material didático 
intitulado Ciências do Ambiente. Esta unidade denominada O meio ambiente e 
o desenvolvimento sustentável tem por finalidade auxiliar na compreensão histó-
rica acerca das modificações ambientais de origem antrópica, em outras palavras, 
tem como objetivo nos auxiliar a compreender a capacidade e a “necessidade” do 
homem em modificar o ambiente a sua volta. Mediante a uma breve retrospec-
tiva histórica iremos discutir sobre alguns marcos históricos que influenciaram 
os modelos sociais e que foram em parte responsáveis pelos processos produti-
vos como nós os conhecemos. 
Em seguida, iremos conhecer algumas especificidades acerca dos conceitos de 
sustentabilidade e desenvolvimento sustentável e discutir os motivos pelos quais 
ambos conceitos são tão relevantes na atualidade e também em suas jornadas 
acadêmicas e profissionais. Iremos, ainda, conhecer algumas de suas aplicações 
em ambientes empresariais/coorporativos, representadas por algumas normas 
de certificação socioambiental.
Em um último momento, ainda nesta unidade, iremos explorar alguns con-
ceitos relacionados a biologia e a ecologia conservacionista, a fim de conhecer e 
conceituar corretamente os diferentes níveis ou hierarquias de organização eco-
lógica existentes. Iremos também conhecer algumas das dinâmicas ambientais 
naturais que serão apresentadas a fim de elucidar suas finalidades e subsidiar a 
compreender das mais amplas dimensões que os impactos ambientais podem 
afetar, sendo estes relacionados à distribuição de recursos e/ou às alterações das 
condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento dos indivíduos, ou ainda, 
relacionadas às alterações nos ciclos biogeoquímicos existentes e observados na 
biosfera terrestre. Sendo assim, convido você, caro(a) aluno(a), a uma leitura 
não exaustiva acerca dos conceitos apresentados. 
Boa leitura!
Introdução
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rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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O MEIO AMBIENTE E AS ALTERAÇÕES DE ORIGEM 
ANTRÓPICA
As ciências do ambiente compreendem um campo acadêmico multidisciplinar 
que integra as ciências físicas e biológicas e sua ampla gama de recursos para a 
compreensão dos fenômenos ambientais existentes, visando o desenvolvimento 
de soluções para as problemáticas ambientais atuais. Entretanto, antes de iniciar-
mos nossa discussão acerca das diferentes dinâmicas ambientais e das diferentes 
formas de compensar os impactos causados, torna-se necessário compreender 
como e porque as alterações ambientais ocorrem. Para tanto, iremos, inicial-
mente, realizar uma retrospectiva histórica para compreender e conhecer as 
definições de meio ambiente existentes, bem como a intensidade e origem das 
alterações e impactos ambientais.
É fato que as definições atuais de meio ambiente são resultado de uma série 
de estudos, reflexões e eventos históricos acerca desse tema, que foram funda-
mentais para a compreensão deste conceito em sua totalidade. As preocupações 
com o ambiente tomaram proporções internacionais em 1960, atingindo seu ápice 
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na década seguinte, com o relatório e marco histórico intitulado: Os limites do 
crescimento (The limits to Growth), divulgado pelos intelectuais e empresários 
que faziam parte do Clube de Roma. 
Conforme Salheb et al. (2009), o relatório buscava a limitação do desenvol-
vimento econômico baseado na extração de recursos naturais, porém, para os 
países em desenvolvimento, como o Brasil, as sugestões do relatório não foram 
convenientes, uma vez que limitava a exploração de recursos, “restringindo”, 
consequentemente, seu desenvolvimento econômico. 
Uma das principais contribuições deste relatório consistiu no despertar da 
consciência ambiental coletiva, uma vez que, em sua conclusão, foram apresen-
tados indícios de que em uma projeção fictícia, caso fossem mantidos os níveis 
de industrialização, poluição e exploração de recursos, o limite de desenvolvi-
mento do planeta seria atingido em até 100 anos. 
Entretanto, apesar das discussões e controvérsias envolvendo o conceito de 
meio ambiente, o mesmo somente foi disposto em nosso país no art. 3º, I, da Lei 
nº. 6.938/81, que discorre acerca da Política Nacional do Meio Ambiente, que 
definiu meio ambiente como: “o conjunto de condições, leis, influências e inte-
rações de ordem física, química e biológica, que permitem, abrigam e regem a 
vida em todas as suas formas” (BRASIL, 1981, on-line). Porém, analisando esse 
conceito, é comum nos remetermos apenas a ambientes naturais, paisagens, ecos-
sistemas e outros meios de obtenção de recursos naturais que sejam possíveis. 
Apesar de correto, o conceito apresentado deveria ser mais abrangente, 
englobando ambientes “naturais” oriundos da intervenção antrópica, conforme 
postulado por Silva (2004, p. 20), o qual compreende que
[...] a natureza, o artificial e o original, bem como os bens culturais 
correlatos, compreendendo, portanto, o solo, a água, o ar, a flora, as 
belezas naturais, o patrimônio histórico, artístico, turístico, paisagístico 
e arquitetônico.
Logo, passamos a considerar as alterações estruturais realizadas no meio ambiente 
como parte de sua composição. Todavia, a Constituição Federal de 5 de Outubro 
de 1988, alterou o conceito até então utilizado, conforme pode ser observado na 
Tabela 1, passando a incluir uma vertente relacionada à prática laboral, como 
reflexo ao advento dos direitos trabalhistas expressivos naquele período histórico. 
O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E18
Tabela 1 - Tipos de Ambiente definido pela Constituição Federal de 1988.
NATURAL ARTIFICIAL CULTURAL 
(PATRIMÔNIO)
TRABALHO
Fauna
Flora
Ecossistemas
Solo
Água
Atmosfera
Conjunto de 
edificações 
particulares 
ou públicas, 
principalmente 
urbanas
Cultural
Artístico
 Arqueológico
Paisagístico Mani-
festações culturais e 
populares
Conjunto de condi-
ções existentes no 
local de trabalho 
relacionadas a qua-
lidade de vida do 
trabalhador 
(Art. 225, § 1°, 
I e VII)
(Art. 5°, XXIII, 
art. 21, XX e art. 
182)
(Art. 225, § 1° e § 2 º) (Art. 7°, XXXIII, e art. 
200)
Fonte: Alencastro (2012).
Essa nova definição de meio ambiente que apresenta caráter amplo e generalista 
nos leva a uma reflexão sobre nosso próprio posicionamento enquanto seres 
humanos e como “parte” constituinte do meio ambiente. Em um contexto his-
tórico, a vertente teórica do homem enquanto centro do universo, surgiu e foi 
evidenciada com o antropocentrismo, concepção criada em resposta ao posi-
cionamento teocentrista da idade média.
Na concepção antropocentrista, o homem passa a considerar a humanidade 
como ponto central do universo, pressupondo que o meio ambiente e as demais 
espécies existem para servir e satisfazer suas necessidades (PIRES et al., 2014). 
Essa vertente, em um contexto moderno, está intimamente associada à desvalori-
zação e degradação do meio ambiente e das outras espécies, uma vez que dentro 
de seu contexto e momento histórico, o antropocentrismo considera a natureza 
e todos os seus componentes subordinados a espécie humana. 
Assim, observa-se que a destruição intrínseca a presença humana no ambiente 
está atrelada a um comportamento patológico, prejudicial à sobrevivência humana 
e de outras formas de vida. Portanto, os impactos causados ao meio ambiente 
não serão solucionados apenas com o advento do cenário tecnológico, mas por 
uma ação conjunta de avanços no paradigma científico e mudanças comporta-
mentais (PIRES et al., 2014). 
Nesse sentido, dentre as várias contribuições voltadas a esta perspectiva 
O MEIO AMBIENTE E AS ALTERAÇÕES DE ORIGEM ANTRÓPICA
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crítica, destacam-se os valores ambientais sugeridos pelo ecocentrismo que se 
refere ao grau de conscientização, interesse, esforços e engajamento sobre os pro-
blemas ambientais (DUNLAP, 2008).
Nesse entendimento, caro(a) aluno(a), podemos inferir que dependemos 
diretamente do meio ambiente, uma vez que tudo o que nos cerca é considerado 
parte fundamental e componente do meio ambiente. Assim, toda e qualquer forma 
do ambiente está diretamente relacionada com o bem-estar da população e com 
o desenvolvimento social, especialmente pelos recursos biológicos, químicos e 
físicos que o meio ambiente em sua totalidade proporciona para a manutenção 
da vida em nosso planeta. Logo, um colapso ambiental resultaria em sérias con-
sequências para a saúde da população. Alguns exemplos de consequências das 
alterações antrópicas serão abordados ao longo deste material didático.
Cabe ressaltar que, dentre as espécies que habitam nosso planeta, os seres humanos 
(Homo sapiens sapiens) se destacaram em função de sua capacidade de transforma-
ção do ambiente. Tal fato não significa que as demais espécies, aqui presentes, não 
sejam providas de intelecto, porém o ser humano em uma perspectiva evolutiva 
O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E20
apresentou características e habilidades que favoreceram seu pleno desenvolvi-
mento e sua capacidade de adaptação.
ALTERAÇÕES AMBIENTAIS E O ADVENTO TECNOLÓGICO
Segundo Ninis e Bilibio (2012), a separação da condição animal do homem ocor-
reu em função de uma série de fatores como o domínio do fogo, aquisição da 
linguagem, a formação de sociedades, o advento da agricultura, dentre outros. 
Entretanto, independentemente da razão, ainda de acordo com os autores, o ser 
humano apresenta certas características que os tornam únicos em um sistema 
natural, sendo elas: crenças, consciência da própria morte; razão; moral; domí-
nio tecnológico apurado; capacidade de aprendizagem; adaptabilidade; cultura 
e sociedade e, em especial, a capacidade de alteração ou modificação do meio 
em que vive.
Seria de grande pretensão listar todos os fatos, acontecimentos e passos evolu-
tivos que garantiram ou possibilitaram o sucesso do ser humano até os dias atuais, 
entretanto, minha intenção aqui é ressaltar que, independente do acontecimento 
ou passo evolutivo, a capacidade de análise do ambiente a sua volta, sua capa-
cidade de modificá-lo e sua dinâmica com o mesmo é que promoveu tal passo.
Em face desta capacidade, a dinâmica do homem com o ambiente foi sendo 
constantemente alterada, os meios naturais que já possuíam dinâmicas próprias, 
inerentes a influência do homem e caracterizadas principalmente pela presença 
de um fluxo de energia e matéria entre seus elementos constituintes, passaram a 
ser substituídos por ambientes artificiais, voltadasà produção em ampla escala 
de bens e serviços (CORTEZ; ORTIGOZA, 2009). 
Findada uma explicação inicial e não extensiva sobre a capacidade do ser 
humano de alterar o meio ambiente, torna-se essencial discorrer sobre os impac-
tos e modificações sobre uma perspectiva ambiental. É fato que, historicamente, 
as ações antrópicas foram responsáveis por inúmeras modificações ambien-
tais e tais alterações apresentaram diversas vertentes positivas e negativas, um 
exemplo notório desta afirmação é representado pela Revolução Industrial, 
período no qual houve intensa e extensiva exploração de recursos naturais e, 
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consequentemente, elevada geração de resíduos persistentes, em contrapartida, 
o mesmo período proporcionou amplo desenvolvimento de novas tecnologias 
e vasto conhecimento sobre processos produtivos, bens e serviços que influen-
ciaram na melhoria da qualidade de vida da população no período, tal avanço 
tecnológico se estende até os dias atuais e são responsáveis, de certa forma, pelo 
modelo social e econômico como nós o conhecemos.
Incontáveis estudos atuais apontam que as modificações ambientais de origem 
antrópica vêm alterando, significativamente, os ecossistemas naturais, consumindo 
recursos desenfreadamente e causando alterações aos meios naturais, tornando 
a associação destes fatores responsáveis pela diminuição da qualidade de vida 
da população. Aliás, caro(a) aluno(a), me arriscaria a inferir que grande parte da 
produção científica de nosso país, nas mais diversas áreas do conhecimento, são 
voltadas ao desenvolvimento de tecnologias e/ou técnicas relacionadas à dimi-
nuição de impactos, prevenção e recuperação ambiental.
Tal afirmação nos remete à necessidade de distinguir tais conceitos. Para 
Verazsto et al. (2008), existe certa dificuldade em estabelecer uma definição 
concreta para o termo “tecnologia”, uma vez que, historicamente, diferentes inter-
pretações ou considerações podem ser realizadas ou atreladas a este conceito. 
Todavia, tais autores postulam:
[...] torna-se notório conhecer que as palavras técnica e tecnologia tem 
origem comum na palavra grega techné que consistia muito mais em 
se alterar o mundo de forma prática do que compreendê-lo. [...] Na 
técnica, a questão principal é do como transformar, como modificar. 
O significado original do termo techné tem sua origem a partir de uma 
das variáveis de um verbo que significa fabricar, produzir, construir, 
dar à luz, o verbo teuchô ou tictein, cujo sentido vem de Homero; e teu-
chos que significa ferramenta, instrumento. [...] A palavra tecnologia 
provém de uma junção do termo tecno, do grego techné, que é saber 
fazer, e logia, do grego logus, razão. Portanto, tecnologia é a razão do 
saber fazer [...]. Em outras palavras o estudo da técnica. O estudo da 
própria atividade de modificar, do transformar, do agir (VERAZSTO 
et al., 2008, p. 62). 
Logo, o desenvolvimento de técnicas e tecnologias para otimização de quaisquer 
processos produtivos, apesar de necessários para o atendimento das demandas 
populacionais cada vez mais crescentes, tomaram vias contrárias ao equilíbrio 
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e manutenção ambiental. Diversos autores indicam que a crise ambiental da 
modernidade é oriunda de um modelo societário pautado em metodologias 
desenvolvimentistas e com visão exclusiva ao progresso científico e tecnológico, 
resultando, assim, em uma sociedade extremamente consumista e utilitarista 
que atrela a degradação ambiental apenas a uma mínima consequência de seus 
processos (LEFF 2010). 
Ainda nessa linha de raciocínio, para Sampaio et. al (2013), o estabelecimento 
do sistema capitalista, no qual vivemos, se consolida por meio da degradação 
ambiental e é baseado em teorias neoclássicas que buscam legitimar cientifica-
mente a convicção de que o crescimento econômico e tecnológico é capaz de 
solucionar problemas de degradação ambiental com o passar do tempo. 
A teoria econômica que melhor embasa esse pensamento é a chamada Curva 
Ambiental de Kuznets que estabelece uma relação direta entre a distribuição indi-
vidual de renda e a degradação ambiental. Mediante a informações referentes ao 
crescimento e distribuição de renda dos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, 
o autor Kuznets formulou uma curva em “U invertido”, que, teoricamente, indica 
que a distribuição individual da renda tende a ser pior nos primeiros estágios do 
desenvolvimento econômico, entretanto, fatores como alterações na composição 
da produção e do consumo, aumento do nível educacional e da conscientização 
relacionada às questões ambientais, bem como sistemas políticos mais abertos, 
em teoria, a partir de determinado ponto, resultam em tendências ambien-
tais favoráveis, proporcionando um crescimento da renda per capita, ou seja, 
melhor distribuição de renda e, consequentemente, um consumo mais racio-
nal dos recursos naturais.
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Figura 1 - Curva de Kuznets
Fonte: o autor.
Em outras palavras, segundo Carvalho e Almeida (2008), o conceito descreve 
a trajetória (em tempo) pelo qual a poluição de um país seguirá como resul-
tado do desenvolvimento econômico. Quando o crescimento ocorre em um 
país extremamente pobre, a poluição inicialmente cresce drasticamente, espe-
cialmente em função do aumento na produção que geram emissões dos mais 
variados poluentes e porque o país, dado sua pobreza, coloca uma baixa priori-
dade sobre o controle da degradação ambiental. Logo, uma vez que o país atinge 
determinado grau de desenvolvimento, sua prioridade muda e se volta para a 
para proteção da qualidade ambiental. 
Em relação ao “comportamento” da curva, conforme Carvalho e Almeida 
(2008), vários fatores podem ser indicados como “responsáveis” por seu for-
mato, dentre eles:
I. Favorecimento e apreciação da qualidade ambiental, ou seja, mediante 
ao aumento de renda, a população tende a requerer maior qualidade 
ambiental; 
II. Alterações na composição da produção e do consumo; 
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III. Aumento dos níveis de educação ambiental e conscientização das con-
sequências das atividades econômicas sobre o meio ambiente; 
IV. Desenvolvimento de sistemas políticos mais abertos. 
Dente outros fatores, como aumento na rigidez da regulação ambiental impul-
sionada pelo aumento da pressão social; melhorias tecnológicas e uma amplitude 
comercial, também podem estar atreladas a este fenômeno. 
Existem ainda, autores que desacreditam ou descredibilizam a teoria Kuznets, 
especialmente em função de outras teorias ou hipóteses, como, por exemplo, a 
hipótese de poluição de portos. Tal hipótese gira em torno da relação entre o 
comércio, desenvolvimento e o meio ambiente e, basicamente, segundo Feijó 
(2001) e Azevedo (2009) sugerem que a utilização de políticas ambientais aumenta 
os custos de produção e assim reduz a possibilidade de especialização de alguns 
países na produção de bens que exigem atividades poluidoras, em outras palavras, 
países com políticas ambientais menos rígidas apresentam vantagem comparativa 
aumentada em relação à produção de bens ambientalmentesensíveis (produzi-
dos por indústrias “sujas” ou altamente poluidoras) (SIEBERT, 1977). 
Historicamente, e pautadas nos princípios desta hipótese, as indústrias con-
sideradas poluidoras ou “sujas” deslocaram-se do norte para o sul, ou em uma 
analogia plausível dos países desenvolvidos para os em desenvolvimento. Porém, 
evidências empíricas não sustentam essa hipótese, especialmente em relação à 
competitividade entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento e a van-
tagens comparativas (AZEVEDO, 2009). Dentre os fatores que “desqualificam” 
essa vantagem competitiva/comparativa em termos de mercado econômico 
internacional figuram não somente os custos de controle ambiental, mas tam-
bém a estabilidade política, acesso ao mercado, qualificação e especialização de 
mão de obra, custos com logística e transporte e incentivos fiscais (ANDERSON, 
1996). Nessa perspectiva, independente do modelo teórico utilizado para a com-
preensão do desenvolvimento, é fato que deve haver uma harmonização entre 
o desenvolvimento/crescimento econômico e a exploração de recursos naturais 
ou, em outras palavras, sustentabilidade! 
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A SUSTENTABILIDADE E O DESENVOLVIMENTO 
SUSTENTÁVEL
Após nossa reflexão inicial sobre os o meio ambiente e as alterações de origem 
antrópica, fica claro que é, cada vez mais, necessário discutir e se preocupar com 
o desenvolvimento sustentável e a sustentabilidade. Além da vertente ambiental 
direta de uma empresa ou indústria, representada pelas normas e regulamen-
tações ambientais vigentes, a sustentabilidade corporativa se dá pela junção de 
diversos setores ou departamentos de uma empresa e envolvem desde ferramentas 
de gestão utilizadas, até os indicadores de qualidade e em especial os proces-
sos. A organização de processos dentro de uma empresa/indústria se tornou um 
desafio amplo e digno de muita discussão, sobretudo, quando a organização de 
processos, aliada aos valores ambientais coerentes, poderá viabilizar a sustenta-
bilidade dentro de uma corporação.
Segundo Francisco (2015, on-line)1, a necessidade do aumento da produção 
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possibilitou o surgimento de diversos modelos de produção inicialmente aplicados 
a indústria automobilística e que, posteriormente, foram adotados e adapta-
dos por indústrias dos mais variados segmentos, revolucionando o pensamento 
administrativo e em especial o mundo industrial. Dentre eles, a teoria da admi-
nistração científica de Frederick W. Taylor que se baseia em métodos de ciência 
positiva, racional e metódica em relação aos problemas administrativos, objeti-
vando maximizar a produtividade. Taylor propôs métodos e sistemas racionais 
e disciplinados voltados ao operário colocando-o sob comando da gerência e 
segundo Matos e Pires (2006, p. 509): 
[...] promovendo a seleção rigorosa dos mais aptos para realizar as tare-
fas; a fragmentação e hierarquização do trabalho. Investiu nos estudos 
de tempos e movimentos para melhorar a eficiência do trabalhador e 
propôs que as atividades complexas fossem divididas em partes mais 
simples facilitando a racionalização e padronização. Propõe incen-
tivos salariais e prêmios pressupondo que as pessoas são motivadas 
exclusivamente por interesses salariais e materiais de onde surge o ter-
mo ‘homo economicus’ [...]. 
Outra corrente teórica relevante foi desenvolvida por Henry Ford, por volta de 
1913, pautada nos mesmos princípios de Taylor, entretanto, com uma abordagem 
abrangente de organização da produção, contemplando extensa mecanização, 
como o uso de máquinas e ferramentas especializadas em uma linha de montagem 
e formato de esteira rolante e crescente divisão do trabalho (LARANJEIRA, 1999).
Tais modelos, apesar de relevantes, com o passar do tempo foram se tor-
nando insatisfatórios e deram espaço para o surgimento de diversos modelos de 
gestão administrativas, em especial devido às singularidades e situações especí-
ficas de cada segmento. 
Logo, as indústrias não teriam mais que se adaptar aos modelos sugeridos 
pelos gestores, e sim os gestores passaram a se adaptar às necessidades dos pro-
cessos e das empresas, buscando torná-las competitivas e, sobretudo, lucrativas 
(FRANCISCO, 2015, on-line)1. 
Em face dos desafios existentes, os profissionais deste segmento passaram a 
se deparar não somente às necessidades de cada empresa, mas também com as 
peculiaridades do mercado consumidor, com as legislações voltadas à produção, 
à segurança do trabalhador, à vigilância sanitária e, também, com as limitações 
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(sejam estas financeiras ou não) da própria empresa (COLOMBO, 2001). Dentre 
os desafios existentes, destacam-se ainda as preocupações com o meio ambiente, 
que consistem em alinhar as questões ambientais (legislações ambientais perti-
nentes) de forma a interferir minimamente nos lucros da empresa, buscando 
assim a sustentabilidade e o desenvolvimento sustentável.
Provavelmente a resposta, de sua reflexão, abordou, em sua grande maioria, a 
vertente ambiental. Entretanto, apesar de estar correta, é necessário reconhecer 
que ambos os conceitos possuem diversas outras vertentes que não se limitam 
especificamente ao meio ambiente. Porém, caro(a) aluno(a), fique tranquilo(a), 
iremos juntos conhecer as mais diversas definições, variáveis e aplicações rela-
cionadas a este conceito.
O QUE VEM A SER O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL?
Em 1987 surge o conceito de desenvolvimento sustentável como resultado das 
reflexões da Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento patro-
cinada pela Organização das Nações unidas (ONU). O relatório publicado pela 
comissão ficou conhecido como o “Relatório de Brundtland” em homenagem à 
coordenadora da comissão Gro Harlem Brundtland.
 O relatório intitulado “nosso futuro comum” ou “Our commom future” versava 
sobre a desigualdade econômica entre os países e apontava a pobreza como uma 
das grandes causas dos problemas ambientais, como solução o relatório apontou 
detalhadamente os medidas, esforços e desafios que deveriam ser superados para 
que fosse possível alcançar o desenvolvimento sustentável (XAVIER et al., 2015).
Como posso diferenciar sustentabilidade de desenvolvimento sustentável? 
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 Nesse instante é que foi introduzida a ideia de que o desenvolvimento econô-
mico atual deve ocorrer sem comprometer as necessidades das gerações vin-
douras (SEIFFERT, 2009). Sendo considerado um marco inovador em raciocí-
nio ambiental da época, o relatório discorreu sobre: 
[...] estratégias ambientais de longo prazo para obter um desenvolvi-
mento sustentável por volta dos ano 2000 e daí em diante; recomendar 
maneiras para que a preocupação com o meio ambiente se traduza em 
maior cooperação entre os países em desenvolvimento e entre países 
em estágios diferentes de desenvolvimento econômico e social e leve 
à consecução de objetivos comuns e interligados que considerem as 
inter-relações de pessoas, recursos, meio ambiente e desenvolvimento 
(DRUMMOND, S. D. on-line)2. 
Para alcançar esses objetivos, Filho (2008) sugere que os países em desenvolvi-mento priorizem políticas que fomentem: a reciclagem, o uso eficiente de energia, 
a conservação, a recuperação de áreas degradadas, a busca pela equidade, justiça, 
redistribuição e geração de riquezas. Ao seguir tais recomendações o desenvolvi-
mento alcançado será diferente do crescimento econômico, indo além da “riqueza” 
material, alcançando metas e reparando desigualdades passadas.
Segundo Barbieri e Cajazeira (2009), o desenvolvimento sustentável se ampara 
nos pilares:
 ■ Sustentabilidade social: que representada a equidade na distribuição 
dos bens e da renda para melhorar os direitos e condições da população 
e reduzir as distâncias entre os padrões de vida das pessoas.
 ■ Sustentabilidade econômica: representa a distribuição e gestão eficiente 
dos recursos produtivos, bem como fluxo regular de investimentos público 
e privado.
 ■ Sustentabilidade ecológica: busca pela diminuição de carga de impactos 
ou pressão exercida sobre o planeta para evitar danos ao meio ambiente, 
principalmente os causados pelos processos do crescimento econômico.
 ■ Sustentabilidade espacial: que se refere ao equilíbrio do assentamento 
humano rural/urbano.
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 ■ Sustentabilidade cultural: diz respeito a pluralidade de soluções parti-
culares específicas a cada ecossistema, cada cultura e cada local.
Considerando estas vertentes estruturantes do desenvolvimento sustentável, será 
comum, ao longo de sua jornada acadêmica e profissional, encontrar bibliogra-
fias que os apresentem divididos em três dimensões básicas: a social, a econômica 
e a ambiental.
E A SUSTENTABILIDADE?
Em primeira instância, a sustentabilidade é um conceito antigo que vem sendo 
discutido e aprimorado por décadas, sendo alguns eventos, encontros, mani-
festos e a própria realidade social, econômica e ambiental responsáveis pela 
definição atual como a conhecemos. Segundo Almeida (1997), a noção de sus-
tentabilidade deve ser tomada como ponto de partida para a compreensão e 
interpretação de processos sociais e econômicos e de suas relações com o equi-
líbrio dos ecossistemas.
As discussões iniciais sobre sustentabilidade foram de responsabilidade 
do Clube de Roma em 1968. Segundo Kruguer (2001), o Clube de Roma cor-
respondia a uma organização formada por cientistas, pedagogos, economistas, 
representantes da indústria e colaboradores reunidos com o objetivo de deba-
ter a crise da humanidade. 
Antes de surgirem as discussões acerca de sustentabilidade e sobre o desen-
volvimento sustentável, veio à tona o termo ecodesenvolvimento idealizado por 
Ignach Sachs, por volta de 1970 que antecipou a formalização dos ideais promo-
vidos pela sustentabilidade, porém, na época o autor discutia o papel do homem 
no processo de desenvolvimento, como protagonista ou vítima (CHACON, 2007). 
Ainda, segundo Chacon (2007), o ecodesenvolvimento significa um desenvol-
vimento socioeconômico equitativo e implica na escolha de um processo de 
desenvolvimento ou crescimento que também contemple a dimensão ambiental 
e reconheça sua importância; a problemática relacionada a este conceito ocorreu 
em função da dicotomia entre os termos crescimento e desenvolvimento, uma 
vez que o crescimento ocorre em termos econômicos em determinado tempo 
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em dado espaço territorial enquanto o desenvolvimento se dá em função da dis-
tribuição equitativa dos resultados do crescimento para a população.
Logo, somente o crescimento não induz espontaneamente a equidade social 
e tão pouco a eficiência alocativa de recursos naturais, seria necessária a coor-
denação pública, presença da sociedade civil em um processo cooperativo para 
alcançar o desenvolvimento equitativo que não degrade ambiente (MENEGETTI, 
2004). Já a sustentabilidade, segundo a World Comission on Environment and 
Development, propõe a estar diretamente ligada ao desenvolvimento econômico 
sem a agressão do meio ambiente, utilizando recursos de forma inteligente, garan-
tindo assim o desenvolvimento sustentável (WCED, 1987).
As mais diversas reflexões sobre desenvolvimento sustentável e sustentabi-
lidade buscam, em geral, possibilitar a construção de processos econômicos e 
sustentáveis dentro dos mais variados segmentos, como por exemplo a agricul-
tura sustentável, indústria sustentável, sociedade sustentável, dentre outros. Em 
uma analogia simples, Merico (2002), sugere que ser sustentável é tornar as “coi-
sas” permanentes ou duráveis.
Portanto, caro(a) aluno(a), a transição de uma simples consciência susten-
tável social para o desenvolvimento sustentável propriamente dito se caracteriza 
como um processo bastante lento, que requer paciência, tempo e sobretudo, 
participação ativa da sociedade na construção de projetos, leis e políticas públi-
cas. Exato, a cidadania e a ética se fazem mais que relevantes quando se discute 
estas temáticas!
Desde a revolução industrial, tais temas têm sido enfoque de eventos, con-
ferências e debates, em especial por se tratar de um desafio coletivo e de escala 
global. Tal afirmação se faz relevante, pois a coletividade, mencionada ante-
riormente, contempla os mais variados “setores” da sociedade, em especial o 
coorporativo (XAVIER et al., 2015). Na Tabela 2 estão sumarizados diversos 
marcos históricos relevantes para a definição destes conceitos:
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Tabela 2 - Marcos históricos que contribuíram para o desenvolvimento dos conceitos sustentabilidade e 
desenvolvimento sustentável.
MARCO 
HISTÓRICO 
ANO DESCRIÇÃO
Clube de 
Roma
1968 Dentre outras funções citadas anteriormente o clube 
de Roma possuía por finalidade discutir sobre temá-
ticas ou complexo de problemas relevantes para o 
período, como: a degradação ambiental; a crescente 
pobreza em meio a riqueza; o crescimento urbano 
descontrolado; a insegurança econômica e outras 
questões monetárias. O clube de Roma ainda prega-
va pela visão sistêmica de compreensão global, em 
outras palavras, defendiam que era possível compre-
ender o mundo com um sistema único.
Conferência 
de Estocolmo
1972 Esta conferência foi considerada um marco ambiental 
internacional contemporâneo, pois foi a primeira reu-
nião mundial a tratar da temática em escala global. As 
temáticas lá debatidas continuam a influenciar a im-
portantes discussões e, principalmente, a formulação 
de políticas ambientais por todo o mundo. A confe-
rência produziu a “Declaração sobre o Meio Ambiente 
Humano”, que corresponde a uma declaração dos 
princípios e responsabilidades que deveriam nortear 
às decisões concernentes ao meio ambiente.
A criação do: 
Programa 
das Nações 
Unidas 
para o Meio 
Ambiente 
(PNUMA) 
1972-
1973
Criada como uma agência da ONU voltada para as te-
máticas ambientais e considerada uma “consequência” 
a conferência de Estocolmo. A agência atua apoian-
do instituições em seus processos de governança 
ambiental, estando relacionada a uma ampla gama de 
instituições dos setores governamentais, não-gover-
namentais, acadêmico e privado. A agência interna-
cional avalia as condições e tendências ambientais 
globais; o desenvolvimento de instrumentos ambien-
tais nacionais e internacionais. Dentre seus objetivos 
figuram o monitoramento do meio ambiente em 
escalaglobal; alertar as nações sobre os problemas 
ambientais existentes e a recomendação de medidas 
que auxiliem na qualidade de vida da população, bus-
cando o não comprometimento dos recursos naturais 
e serviços ambientais para as futuras gerações. 
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 Conferência 
das Nações 
Unidas para o 
Meio Ambien-
te e o Desen-
volvimento 
(Cnumad)
1992 Aprovada pela Assembleia das Nações Unidas em 
1989, a Cnumad é também conhecida como Rio-92. 
Dentre os efeitos mais efetivos da Rio-92 se desta-
cam a criação da Convenção da Biodiversidade e das 
Mudanças Climáticas (que posteriormente resultou no 
Protocolo de Kyoto), a Declaração do Rio e a Agenda 
21. A Declaração do Rio relaciona meio ambiente e 
desenvolvimento, mediante a uma boa gestão dos 
recursos naturais e sem comprometer o modelo 
econômico expansionista da época. Já a agenda 21 
caracteriza-se como um instrumento de planejamen-
to para a construção de sociedades sustentáveis em 
diferentes localidades geográficas, a agenda concilia 
métodos de eficiência econômica, proteção ambiental 
e justiça social.
Protocolo de 
Kyoto
1997 Também considerado um grande marco, o protocolo 
estabeleceu metas para a redução da emissão de ga-
ses causadores do efeito estufa e propôs mecanismos 
adicionais de implementação para que este objetivo 
fosse alcançado. Dentre os mecanismos propostos en-
contrava-se o mecanismo de desenvolvimento limpo 
(MDL), que possibilitava a participação de países em 
desenvolvimento em cooperação com países desen-
volvidos. O objetivo deste mecanismo consistia na 
redução das emissões mediante ao investimentos em 
tecnologias eficientes, a substituição de fontes tradi-
cionais de energia fósseis por renováveis, a racionaliza-
ção do uso de energia, o reflorestamento, entre outros.
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A Cúpula 
Mundial 
sobre Desen-
volvimento 
Sustentável 
(CMDS) ou 
Rio+10
2002 O propósito desta conferência foi obter um plano de 
ação factível. Dentre os desafios citados no documen-
to, persistiam diversos problemas ambientais globais. 
Entretanto, foram pela primeira vez mencionados os 
problemas relacionados à globalização, uma vez que 
os benefícios e os custos a ela atrelados estão distribu-
ídos desigualmente. Foi apontado também o risco das 
condições extremas de pobreza gerar a desconfiança 
nos sistemas democráticos, resultando no surgimento 
de sistemas ditatoriais. Como medidas detalhadas, fo-
ram sugeridos aumentar a proteção da biodiversidade 
e o acesso à água potável, ao saneamento, ao abrigo, 
à energia, à saúde e à segurança alimentar. Bem como 
priorizar o combate a diversas situações adversas: 
fome crônica, desnutrição, ocupação estrangeira, con-
flitos armados, narcotráfico, crime organizado, corrup-
ção, desastres naturais, tráfico ilícito de armas, tráfico 
de pessoas, terrorismo, xenofobia, doenças crônicas 
transmissíveis (aids, malária, tuberculose e outras), in-
tolerância e incitação a ódios raciais, étnicos e religio-
sos. Para atingir os objetivos, o documento ressalta a 
importância de instituições multilaterais e internacio-
nais mais efetivas, democráticas e responsáveis.
Rio + 20 Junho 
de 
2012
Realizada no Rio de Janeiro, a conferência teve por 
objetivo renovar o comprometimento dos líderes 
mundiais com o desenvolvimento sustentável. O docu-
mento confeccionando após o evento foi intitulado “O 
Futuro que Nós
Queremos”, e retrata as principais ameaças ao pla-
neta, sendo alguns exemplos: a desertificação, o 
esgotamento dos recursos pesqueiros, contaminação, 
desmatamento, extinção de espécies e aquecimento 
global.
Fonte: Kruger (2001); Alencastro (2012); Brasil (2004); Lopes (2002); PNUMA (2014); CDMAALC (1991); 
Diniz (2002).
Torna-se interessante observar como se deu a trajetória histórica destes conceitos 
e como diversas dificuldades foram superadas. Lembrando que não foram apenas 
estes os eventos que influenciaram a temática ambiental em escala global como a 
conhecemos, inúmeros outros tiveram grande relevância assim como inúmeros 
outros serão responsáveis por alterar o cenário atual das condições ambientais. 
Neste ponto de sua leitura você deve estar se perguntando, mas afinal o que 
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diferencia a sustentabilidade do desenvolvimento sustentável? Iremos elucidar!
Segundo Dovers e Handmer (1992), a sustentabilidade se caracteriza como 
a capacidade de um sistema, seja ele humano, natural ou misto de se adaptar a 
mudança interna ou externa por tempo indeterminado, já o desenvolvimento 
sustentável é uma via de melhoria e mudança intencional que responde às neces-
sidades populacionais atuais. Ou seja, na primeira visão o desenvolvimento 
sustentável trata do caminho para alcançar a sustentabilidade, sendo a susten-
tabilidade considerada o objetivo final a ser alcançado a longo prazo.
Entretanto, é válido destacar que pautado em algumas das discussões ambien-
tais da época, em 1994, Elkington criou o termo “Triple Bottom Line” ou Tripé 
da Sustentabilidade, definindo sustentabilidade como o equilíbrio os pilares: 
ambiental, social e econômico. Dando origem à famosa imagem da sustentabi-
lidade amplamente utilizada no segmento empresarial.
No contexto empresarial, espera-se que as empresas contribuam de forma 
progressiva com a sustentabilidade, sobretudo quando precisam de mercados 
estáveis e, para tanto, elas devem possuir habilidades tecnológicas, financei-
ras e de gerenciamento, que possibilitem a transição rumo ao desenvolvimento 
sustentável (ELKINGTON, 2001). Temos aqui, caro(a) aluno(a), uma segunda 
visão, diferente da primeira: em que o desenvolvimento sustentável é o objetivo 
a ser alcançado e a sustentabilidade é o processo para atingir, se atingir o desen-
volvimento sustentável.
Iremos explorar as ferramentas da sustentabilidade no contexto empresa-
rial em um segundo momento!
O relevante, aqui, é compreender que ambas as abordagens estão corretas e 
que o amplo interesse e busca por estes conceitos fez com diversas abordagens 
ambientais surgissem nos mais variados segmentos, como economia, engenharia, 
ecologia, administração e outros, sendo as estratégias listadas a seguir, segundo 
Glavi e Lukman (2007), “derivadas” destes conceitos:
 ■ Produção mais limpa;
 ■ Controle de poluição;
 ■ Eco-eficiência;
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 ■ Gestão Ambiental;
 ■ Responsabilidade Social;
 ■ Ecologia Industrial;
 ■ Investimentos éticos;
 ■ Economia Verde;
 ■ Eco-design;
 ■ Reúso;
 ■ Consumo sustentável;
 ■ Resíduos zero, e outros.
Todos estes conceitos citados serão muito relevantes e se farão presentes ao 
longo de sua carreira como futuro profissional deste segmento, seja como um 
desafio ou requisito de implementação ou como um objetivo a ser alcançado! 
As ferramentas de sustentabilidade empresarial serão apresentadas na Unidade 
V deste material.
Os diferentes selos ambientais existentes possuem como finalidade infor-
mar aos consumidores que determinados produtos passaram por auditorias 
internas ou autorreguladoras e externas ou independentes de qualidade.Saiba mais sobre os diferentes selos de qualidade acessando: <https://sus-
tentarqui.com.br/dicas/uma-breve-historia-sobre-os-selos-verdes/>.
Fonte: o autor.
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DINÂMICAS AMBIENTAIS
Este tópico destina-se ao conhecimento de alguns conceitos básicos acerca das 
dinâmicas ambientais existentes. Torna-se importante conhecer as dinâmicas 
ambientais naturais para que seja possível compreender, efetivamente, a exten-
são dos impactos ambientais causados pelas ações antrópicas e também pelos 
processos produtivos. Inicialmente iremos relembrar acerca da hierarquia dos 
níveis ecológicos ou hierarquia dos níveis de organização ecológica.
HIERARQUIA E ORGANIZAÇÃO ECOLÓGICA
A hierarquia dos níveis ecológicos é representada pela seguinte cadeia inicial: 
Átomo < Molécula < Organelas celulares < Célula < Tecido < Órgão < Sistemas < 
Organismo. Assim, temos uma breve retomada evolutiva da formação dos indi-
víduos e com diferentes indivíduos, passamos a seguinte cadeia: Organismo < 
Populações < Comunidades ou Biocenose < Ecossistemas < Biomas < Biosfera. 
Lembrando que cada subconjunto apresentado é menor do que o próximo, sendo 
a biosfera, considerada o maior nível. A Figura 1 representa todo o sistema de 
hierarquização ecológico.
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Figura 2 - Sistema de Hierarquização Ecológico
Conhecer estes níveis hierárquicos se torna relevante, pois nos auxilia a com-
preender a dimensão dos impactos causados e a extensão biológica do mesmo. 
Sendo assim, vamos às definições, com enfoque nos níveis superiores, iniciando 
nos organismos!
Organismo: uma forma de vida individual e livre composta pela associa-
ção de sistemas, órgãos e tecidos que operam e realizam suas funções de forma 
conjunta para proporcionar as condições favoráveis à vida. Para a ecologia, tra-
ta-se de uma unidade fundamental de estudos. 
Populações: populações podem ser definidas como grupos de indivíduos 
pertencentes a uma mesma espécie presentes e ocupantes de uma determinada 
área por um período de tempo. Além disso, uma população apresenta como 
característica uma ampla probabilidade de realiza cruzamento entre si, quando 
consideramos fatores como localização geográfica e outros fatores favoráveis. 
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Comunidades: consistem de populações que coexistem e habitam o mesmo 
ambiente, interagindo de forma organizada é denominada comunidade. Sendo 
cada indivíduo associado a seu respectivo nicho ecológico existente. 
Ecossistemas: trata-se de um meio no qual os organismos interagem com 
o meio ambiente, realizando trocas de matéria e energia pelas vias existentes. 
Em outras palavras a interação dos seres bióticos (seres vivos) com os abióticos 
(solo, água, recursos minerais, dentre outros). 
Biomas: segundo Colinvaux (1993), um bioma é composto por um con-
junto de ecossistemas, em uma larga escala geográfica, no qual as plantas ou as 
formações vegetais se destacam como características, assim como suas as especi-
ficidades climáticas. São exemplos de biomas brasileiros: a Caatinga, o Cerrado, 
a floresta amazônica, a mata atlântica, o Pantanal, os pampas, dentre outros.
Biosfera: a biosfera se caracteriza como a junção das interações que ocor-
rem entre a atmosfera, hidrosfera e a litosfera. Sendo cada uma delas, segundo 
Rosa et al. (2003) correspondente às seguintes porções:
 ■ Atmosfera: porção gasosa da Terra e seus componentes.
 ■ Hidrosfera: porção aquosa da Terra e seus componentes.
 ■ Litosfera: porção mineral da Terra e seus componentes.
O conhecimento apropriado sobre estes conceitos nos faz refletir sobre a propor-
ção dos impactos causados, não só em uma escala empresarial/industrial, mas 
também como nossas atitudes cotidianas podem desencadear impactos mais 
amplos e significativos do que o imaginado. Para realizar um manejo adequado 
de uma atividade impactante, segundo Peroni e Hernandéz (2011), é essencial 
considerar todas as características e dinâmicas das populações, comunidades e 
ecossistemas envolvidos, especialmente quando as ações humanas podem favo-
recer o desenvolvimento de uma população, enquanto outras podem aumentar 
o número de mortes. 
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FATORES LIMITANTES AO DESENVOLVIMENTO DOS SERES 
VIVOS
Quando pensamos em fatores limitantes ao desenvolvimento dos seres vivos 
somos imediatamente direcionados aos recursos disponíveis. Claro que existe 
uma relação entre disponibilidade de recursos e o desenvolvimento de uma 
população, assim como a retirada de recursos pode levar à extinção de deter-
minada população. Segundo Santos (2006), a variação na densidade população 
está relacionada aos fatores que influenciam nas taxas de natalidade, mortali-
dade, imigração e emigração. 
Como mencionado anteriormente, os fatores ecológicos podem ser clas-
sificados em bióticos e abióticos, porém devemos levar em consideração que 
a importância dos mesmos varia de acordo com o ambiente ou área estudada/
impactada e de acordo a pressão exercida sobre os recursos renováveis e não 
renováveis. Para facilitar a compreensão, vamos conhecer um pouco mais sobre 
os fatores ecológicos que são limitantes ao crescimento dos seres vivos.
Luz ou intensidade luminosa
Conforme Lovato (1993), a intensidade da luz solar incidente afeta a fotossíntese 
dos vegetais, crescimento da parte aérea, distribuição da matéria seca e, conse-
quentemente, o rendimento fotossintetizante. Exercendo efeitos sobre outros 
fatores ambientais, principalmente a temperatura.
Sobre ambientes aquáticos continentais e costeiros, o grau de intensidade 
luminosa está relacionada à atividade de algas flutuantes e sésseis e da diversi-
dade de seres planctônicos. A intensidade da luz ainda serve como parâmetro 
indicativo da quantidade de partículas em suspensão (turbidez).
Em relação aos animais, a luminosidade está diretamente relacionada a 
hábitos de repouso ou atividade, uma vez que haverá atividade animal nos mais 
variados nichos ecológicos diurnos, noturnos e crepusculares. A variação deste 
fator relaciona-se com a hibernação de mamíferos, o metabolismo metabolismo 
de seres exotérmicos e com a migração em aves (SANTOS, 2006).
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Temperatura
O fator temperatura se destaca como um dos mais relevantes, pois afeta direta-
mente na distribuição de espécies animais e vegetais, influenciando todas as fases 
do ciclo vital dos seres vivos. Atualmente, existe grande discussão acerca dos 
efeitos que são observados e que serão observados no futuro devido às mudan-
ças climáticas geradas pela liberação excessivas de gases relacionados ao efeito 
estufa na atmosfera.
Para os vegetais, a temperatura influi grandemente o rendimento de tubér-
culos, uma vez que afeta a fotossíntese e respiração. A magnitude do seu efeito 
depende de quanto influencia no desenvolvimento da parte aérea, na distribui-
ção da matéria seca produzida e, consequentemente, na qualidade de suporte 
do solo (LOVATO, 1993).
No caso dos animais para a temperatura ambiente são definidas zonasde 
conforto térmico e de termoneutralidade específicas para as diferentes espécies 
de animais (PORTUGAL et al., 2000).
Umidade
É fato que a umidade e o acesso à água são dois fatores primordiais para a distri-
buição da fauna e da flora global. Porém a umidade é diretamente influenciada 
pela disponibilidade de recursos hídricos, pela temperatura e pela intensidade 
luminosa. Quando associado o fator temperatura, torna-se responsável pelo con-
forto térmico de animais e pelo fator determinante na respiração e transpiração 
vegetal. Na agricultura de precisão, por exemplo, a umidade do solo torna-se 
um fator limitante e imprescindível, especialmente quando se tem por objetivo 
um manejo adequado do solo visando ao aumento na produção. 
Recursos
A disponibilidade de recursos pode ser considerada o fator mais relevante para 
a sobrevivência e desenvolvimento de espécies especialmente quando associada 
à capacidade de adaptação ou tolerância às condições locais. Os organismos ou 
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indivíduos podem tolerar alterações bruscas no ambiente por um curto perí-
odo de tempo, ou seja, as condições para ao desenvolvimento de cada espécie 
são sempre espécie-específicas. 
Entretanto, os indivíduos e suas atividades não irão esgotar os recursos dis-
poníveis, via de regra, isso acontece sob condições de estresse populacional 
(quando, por alguma razão, não natural eles são forçados a consumir outra fonte 
de alimento ou quando há a introdução de uma espécie exótica no ambiente 
em questão) e quando o ser humano esgota esses recursos ou passa a utilizá-los 
de forma não racional. Um exemplo de estresse populacional podem ser com-
petição intra e interespecífica devido à diminuição de espaço ou território útil. 
pH e salinidade
A salinidade e o potencial de hidrogênio iônico (pH) são fatores primordiais 
para a abundância dos seres vivos, especialmente em ambientes aquáticos con-
tinentais e costeiros. Com exceção de algumas bactérias que toleram condições 
extremas, os demais seres vivos não toleram pHs extremamente ácidos (abaixo 
de 3) ou extremamente alcalinos (acima de 9). 
Esses parâmetros costumam sofrer alterações imediatas após o despejo de 
efluentes ou substâncias sem o devido tratamento em corpos hídricos, alterando, 
drasticamente, as condições favoráveis ao desenvolvimento da fauna e da flora 
aquática e consequentes dos demais seres vivos que se utilizam da água dispo-
nível para sua sobrevivência/atividades.
Sobre os vegetais, estes parâmetros influência na absorção dos nutrientes pelas 
raízes, limitam o desenvolvimento de fungos benéficos às plantas no ambientes 
aquáticos. No solo, também levam a limitação da produção vegetal, dificultando 
o desenvolvimento de culturas ou espécies vegetais.
CICLOS BIOGEOQUÍMICOS
Neste sub tópico, caro(a) aluno(a), iremos conhecer as dinâmicas elementares exis-
tentes na biosfera, mencionadas logo no início desta unidade. Desconsiderando 
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os eventos catastróficos isolados e específicos que acontecem de maneira espo-
rádica na história da humanidade, é possível afirmar, de forma grosseira, que 
nosso planeta é constituído por um sistema químico/biológico/geológico fechado 
cujas reações responsáveis pela manutenção da vida aqui existente, são influen-
ciadas e regidas pela energia solar.
Entretanto, historicamente, inúmeras alterações aconteceram na superfície 
terrestre, modificando a biosfera e impulsionando o desenvolvimento da vida 
como nós a conhecemos, dentre estas alterações, podemos destacar a interação 
entre o oxigênio presente na atmosfera com a litosfera e a hidrosfera, e o advento/
desenvolvimento dos seres fotossintetizantes. Neste contexto, e em face destas 
alterações, a complexidade das reações e interações bioquímicas, ou ciclos bio-
geoquímicos, que acontecem na biosfera terrestre passaram a ser diferentes, ao 
passo que pouquíssimas reações do nosso planeta ocorrem sem influência direta 
ou direta da biosfera.
Por tanto, podemos definir ciclo biogeoquímico segundo Rosa et al. (2003, 
p. 9):
[...]Os ciclos biogeoquímicos são processos que por diversos meios 
reciclam vários elementos em diferentes formas químicas, do meio 
ambiente para os organismos e depois, fazem o processo contrário, ou 
seja, trazem esses elementos dos organismos para o ambiente. Desta 
forma a água, o carbono, o oxigênio, o nitrogênio, o fósforo, o cálcio e 
outros elementos, percorrem esses ciclos, unindo todos os componen-
tes vivos e não vivos da Terra. 
No contexto, anteriormente apresentado, um ciclo biogeoquímico pode ser enten-
dido como o movimento ou a ciclagem de elementos químicos específicos pela 
biosfera, que podem ou não sofre influência antrópica.
Ainda, em uma perspectiva histórica, as alterações químicas e biológicas 
que acontecem na biosfera e que têm origem natural passaram a acontecer de 
forma “lenta”, sendo as alterações e reações que acontecem de forma acelerada, 
fomentadas por uma pressão externa, destacando-se principalmente a interven-
ção antrópica. Devemos compreender e reconhecer que as reações bioquímicas 
que ocorrem atualmente na superfície terrestre agora sofrem alguma influência 
direta ou indireta do homem e dos processos desenvolvidos, sendo necessário que 
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a humanidade passe a contribuir com soluções para as diferentes problemáticas 
ambientais existentes. Para tanto, inicialmente, torna-se necessário conceituar 
e compreender os diferentes ciclos biogeoquímicos, que devido a sua relevân-
cia, irão nos orientar a uma compreensão sistemática da dinâmica na biosfera.
O Ciclo da Água
A água é de fundamental importância para a manutenção da vida na Terra, por-
tanto, discutir sua relevância, nas mais diversas dimensões, implica em discutir: 
a sobrevivência da espécie humana, o equilíbrio e a conservação da biodiversi-
dade e as relações de dependência dos seres vivos para com os ambientes naturais 
(BACCI, PATACA, 2008).
Um ciclo biogeoquímico está intimamente relacionado aos diferentes 
processos biológicos, hidrológicos e geológicos, sendo estes, referentes à dispo-
nibilização e redisponibilização de um elemento específico, no presente caso, a 
água. A água pode ser representada quimicamente pela molécula H2O, na qual 
os elementos hidrogênio e oxigênio se combinaram para dar origem ao elemento 
fundamental para a existência da vida.
O ciclo da água ganha destaque uma vez que é responsável pela maior movi-
mentação de uma substância química pela superfície terrestre. No ciclo da água 
inúmeros processos ocorrem para a redisponibilização da água, que podem 
incluir os diferentes estados físicos desta matéria: Líquido, Sólido e Gasoso. Os 
processos envolvidos no referido ciclo estão expressos na Tabela 3:
Tabela 3 - Estados físicos da água
PROCESSO FENÔMENOS QUE OCORREM NO PROCESSO
Liquefação Ou condensação, marca a transição do estado 
gasoso para o estado líquido decorrente do resfria-
mento (arrefecimento). Como exemplo: O orvalho 
das plantas.
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Fusão Transição do estado sólido para o líquido, induzida 
por diferentes fontes de energia, sendo a principal 
a energiasolar (em forma de calor). Esse proces-
so ocorre quando a energia na forma de calor é 
superior ao ponto de fusão (0 ºC) da água em estado 
sólido.
Solidificação Transição do estado líquido para o estado sólido 
mediante a temperaturas iguais ou inferiores a 0 ºC.
Sublimação Transição do estado sólido para o estado gasoso, 
via aquecimento. Também denomina a mudança do 
estado gasoso para o estado sólido (ressublimação) 
por arrefecimento.
Vaporização Transição do estado líquido para o gasoso, no qual 
o ponto de ebulição da água é alcançado em 100 
ºC. Dentro deste processo destacam-se também 
a ebulição e a evaporação que relacionam-se a 
velocidade de aquecimento, sendo rápida ou lenta, 
respectivamente.
Fonte: adaptado de Peruzzo e Canto (2003).
Os diferentes processos deste ciclo em ambientes naturais podem ser observa-
dos na Figura 3:
PERCOLAÇÃO
PRECIPITAÇÃO
CONDENSAÇÃO
EVAPORAÇÃO
TRANSPIRAÇÃO
ÁGUAS SUBTERRÂNEAS
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Figura 4 - Ciclo da água em ambientes naturais 
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Apesar da redisponibilização deste recurso mediante a um ciclo, sua utilização 
e disponibilidade deve ser considerada, uma vez que nosso planeta possui dois 
terços de sua superfície cobertos por água (360 milhões Km2 de um total de 510 
milhões Km2) (GOMES, BARBIERI, 2004). Entretanto, cerca de 98% da água 
disponível é salgada, imprópria para consumo direto sem tratamento adequado, 
que apresenta alto custo, sendo somente os 2% restantes correspondentes a água 
doce, desta porção (2%), valores superiores a 68,9% estão dispostos em geleiras, 
29,9% em reservatórios subterrâneos de difícil acesso e apenas 1,2% está dispo-
nível em rios e lagos (SENRA, 2001).
No que tange a sua utilização, segundo Garrido (2000, p. 58):
[...] A água doce é um recurso material limitado e com múltiplas fun-
ções; portanto, com diferentes tipos de usos. Para o abastecimento hu-
mano, a água é matéria-prima; para a atividade industrial e de irriga-
ção, a água pode ser insumo e matéria-prima; para a navegação, a água 
é leito navegável; para atividades de recreação e lazer, a água é parte da 
beleza cênica; para as atividades de pesca, a água é o meio onde vivem 
as espécies; para o esgotamento de efluentes urbanos e industriais, a 
água é corpo diluidor e para a produção de energia é necessário explo-
rar os movimentos da água transformando energia cinética em elétrica. 
Ainda em relação às reservas de água, algumas estimativas de volumes armaze-
nados nos diferentes reservatórios estão dispostos na Tabela 4.
 Tabela 4 - Diferentes reservatórios de água e seus volumes estimados
RESERVATÓRIO VOLUME ESTIMADO
Oceanos 1.350.000.000 Km3.
Geleiras 33.000.000 km3.
Águas subterrâneas 15.300.000 km3.
Solos 121.800 km3.
Atmosfera 13.000 km3.
Fonte: adaptado de Aduan et al. (2004).
A transição dentre os volumes presentes nos reservatórios citados acima também 
se faz relevante, sendo os principais reguladores destes fluxos, os índices de preci-
pitação e a vegetação. Nesse sentido, a preservação da vegetação (responsáveis pelo 
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fenômeno evapotranspiração) e sobretudo, a manutenção das extensões territo-
riais recobertas de vegetação nativa remanescente se faz de extrema importância. 
Além deste fator, a poluição atmosférica também é preocupante, visto que a qua-
lidade atmosférica pode resultar em alterações na qualidade das águas pluviais.
Historicamente, a presença ou ausência deste recurso, foi e será responsável 
pela tramitação histórica da humanidade, pelo desenvolvimento de costumes e 
hábitos sociais, pela determinação da ocupação de territórios, pela extinção de 
espécies e, por fim, pelo futuro de gerações. O planeta Terra não seria propício à 
vida caso não houvesse a disponibilidade deste recurso e, apesar de se caracterizar 
como um recurso abundante, sua ausência ou um déficit hídrico representaria 
uma limitação na produtividade primária do planeta (SAUTCHUCK, 2004), 
impactando também em sistemas agronômicos (BERNARDO, 2002), pecuários 
e nos mais variados processos de beneficiamento. 
Por fim, se faz relevante considerar a utilização e a reutilização que se dá a 
este recurso, aliás, caro(a) leitor(a), essa preocupação ganhou espaço conside-
rável no cenário mundial nas últimas décadas “unificando” diversas áreas do 
conhecimento, na busca/desenvolvimento de soluções interdisciplinares para 
a recuperação/tratamento e soluções de problemáticas voltadas a este recurso. 
Outras informações acerca das técnicas de tratamento de água serão exploradas 
na Unidade II deste material didático.
O ciclo do Carbono: o carbono é o elemento mais essencial para a vida na 
Terra, em específico por ampla sua disponibilidade e capacidade de associação/
formação de até 4 ligações covalentes. Essa capacidade possibilitou a esse elemento 
constituir ou estar presente em uma ampla variedade de moléculas inorgânicas, 
orgânicas e compostos essenciais, como proteínas, lipídios, carboidratos e pig-
mentos (SOUZA et al., 2012). Além das moléculas, o carbono está presente na 
atmosfera terrestre em uma de suas associações mais simples, na forma CO2.
O que se faz muito relevante em relação ao ciclo do carbono, é que o mesmo 
está presente nos inúmeros processos naturais que realizam interações com a 
atmosfera, bem como nas interações dos processos do continente com os oce-
anos, ou seja, relacionam-se aos seres vivos quando os seres fotossintetizantes 
utilizam o CO2 atmosférico ou os carbonatos e bicarbonatos dissolvidos na água 
na síntese de compostos orgânicos que irão suprir suas necessidades (ROSA et al., 
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2003). Ainda segundo os autores, da mesma maneira, as bactérias que realizam 
a quimiossíntese, produzem compostos essenciais, normalmente carboidratos, 
a partir do CO2 livre na atmosfera.
Outros processos naturais que estão envolvidos na ciclagem/movimentação 
do carbono são a fotossíntese realizada pelos organismos planctônicos, a respira-
ção celular realizada pelos seres vivos, o processo de decomposição da matéria e 
a dissolução oceânica, tal movimentação cíclica também pode ser definida como 
ciclo global do carbono (ADUAN et al., 2004).
Portanto, caro(a) leitor(a), é fato que a vida na biosfera só foi possível graças 
presença e a atividade dos seres clorofilados. Tal fato evidencia a necessidade de 
preservação destes organismos, uma vez que um déficit na produção primárias 
implicaria também na dificuldade de manutenção dos níveis de CO2 atmosféri-
cos e na ausência de um dos principais subprodutos da fotossíntese, o oxigênio.
Segundo Aduan e colaboradores (2004), ao contrário do que acontece com 
o ciclo da água, em que as atividades antrópicas influenciam no fluxo ou índices 
de ciclos já existentes, para o ciclo do carbono, a influência humana cria novos 
fluxos, antes desconhecidos, como exemplo, a queima de combustíveis fósseis 
como o carvão mineral e o petróleo, responsáveis por um excessivo aporte de 
dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Este excessivo aporte se faz preocu-
pante, especialmente pelos efeitos negativos a manutenção da qualidade de vida 
na Terra, pois conforme Pacheco e Helene (1990, p. 215):
[...] as moléculas de nitrogênio, oxigênio e argônio que constituem 
quase a totalidade do ar são transparentestanto às radiações infra-
vermelhas como à radiação solar visível, tendo um poder de absor-
ção praticamente nulo. Ao contrário, um certo número de moléculas 
presentes no ar que não representam mais que uma pequena parte dos 
componentes da atmosfera, em maior proporção vapor d›água (H2O) 
e dióxido de carbono (CO2) e em menor proporção metano (CH4) e 
outros compostos, têm a propriedade de serem opacos aos raios infra-
vermelhos do solo quando dissipados para o espaço e com isto aquecer 
as baixas camadas da atmosfera. Graças a este processo, a temperatura 
do ar que nos envolve é favorável às formas de vida existentes; este pro-
cesso natural é chamado de “efeito estufa”, por analogia às instalações 
que protegem culturas vegetais frágeis do frio, onde meios de vidro que 
deixam passar a radiação solar visível impedem a fuga dos raios infra-
vermelhos.
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Ao analisarmos, de maneira isolada, o fluxo de energia em diferentes níveis 
tróficos, como no caso de uma cadeia alimentar, pode ser utilizado para exem-
plificar o fluxo de carbono em uma escala minimalista, conforme ilustrado no 
fluxograma da Figura 5.
Figura 5 - Fluxo de Carbono
Fonte: adaptado de Rosa et al. (2003).
De forma generalista, o fluxograma apresentado ilustra a produção de compostos 
orgânicos pelos produtores, que são consumidos pelos herbívoros ou consumi-
dores primários e, na sequência, por carnívoros de primeira ou segunda ordem, 
até atingirem os seres decompositores. A abaixo representa o ciclo do carbono 
em uma perspectiva globalizada e complexa e que compreende a ciclagem do 
carbono orgânico e inorgânico. Nesse sentido, torna-se necessário enfatizar a 
presença de processos antrópicos, antes desconhecidos à biosfera terrestre e que, 
graças ao advento das modificações ambientais humanas, passam a ser mais efe-
tivas e impactantes na qualidade ambiental.
Estimativas globais sugerem que a poluição ambiental externa (outdoors) 
cause 1,15 milhões de óbitos em todo o mundo (correspondendo a cerca de 
2% do total de óbitos) e seja responsável por 8,75 milhões de anos vividos a 
menos ou com incapacidade, enquanto a poluição no interior dos domicí-
lios cause aproximadamente 2 milhões de óbitos prematuros e 41 milhões 
de anos vividos a menos ou com incapacidade.
Fonte: adaptado Oberg et al. (2011).
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CICLO DO CARBONO
FOTOSSÍNTESE
CARBONO
ORGÂNICO
RESPIRAÇÃO 
ANIMAL
RESPIRAÇÃO 
DAS PLANTAS
CICLO DO
MORTE DE INDIVÍDUOS E 
DECOMPOSIÇÃO DE 
REJEITOS METABÓLICOS.
LUZ SOLAR
FÓSSEIS E 
COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS
EMISSÕES DE 
FÁBRICAS E VEÍCULOS
ORGANISMOS 
DECOMPOSITORES
RESPIRAÇÃO 
DAS RAÍZES
Figura 6 - Ciclo do Carbono
Em relação à quantidade de carbono existente em diferentes reservas, algumas 
estimativas estão expressas na Tabela 5.
Tabela 5 - Estimativas acerca da quantidade de carbono em diferentes reservas
INFORMAÇÕES/FONTES QUANTIDADE
Incremento de C de origem an-
trópica anual
5,5 Pg (Da quantidade acima descrita, 3,5 
Pg permanecem na atmosfera e passam a 
contribuir efetivamente para o efeito estufa, 
sendo o restante dissolvido no oceano ou 
sequestrado pela atividade fotossintética, 
ficando retido como biomassa viva ou ma-
téria orgânica do solo).
C presente na superfície terrestre Cem quatrilhões ou 1023 toneladas
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Conteúdo fóssil disponível para 
captação humana
4.000 Pg
Carbono dissolvido nos oceanos 38.000 Pg
Carbono disponível no solo 40.000 Pg
Carbono estocado na cobertura 
vegetal
560 Pg
Quantidade de Carbono na forma 
de CO2 retirado da atmosfera pela 
fotossíntese
120 Pg (sendo 60 Pg redisponibilizado para 
a atmosfera em função da decomposição da 
matéria e 60 Pg redisponibilizado a atmos-
fera pela respiração dos seres vivos).
Fluxo de Carbono entre oceano e 
atmosfera anualmente
90 Pg
1 Pg (peta grama) = 1 bilhão de toneladas.
Fonte: adaptado de Schlesinger, (1997); Grace, (2001); Aduan et al., (2004).
O ciclo do Nitrogênio: apesar da atmosfera da Terra ser composta por cerca 
de 76% de gás nitrogênio (ADUAN et al., 2004), este nitrogênio não está dispo-
nível para a maioria das espécies vivas, pois o gás N2 é pouco reativo. A baixa 
disponibilidade de nitrogênio como nutriente faz com que este elemento tenha 
um importante papel nos processos de crescimento e reprodução de organis-
mos, especialmente vegetais, responsáveis pela produção primária terrestre ou 
marinha (UGUCIONE et al., 2002), além de ser um dos principais componen-
tes das proteínas, das enzimas e do DNA (Ácido desoxirribonucleico). Tal fato, 
faz com que o ciclo biogeoquímico deste elemento ganhe enfoque, especial-
mente se considerarmos que de todo o nitrogênio presente na Terra, conforme 
Ugucione e colaboradores (2002), uma quantidade inferior a 2% está disponível 
em associações com o Carbono, Hidrogênio e Oxigênio, componentes funda-
mentais da matéria orgânica.
Essa escassez ou dificuldade de obtenção de nitrogênio, apesar de sua ampla 
disponibilidade em forma gasosa na atmosfera, pode ser atribuída a complexidade 
da ligação covalente apolar, portanto, o desafio dos seres vivos que necessitam 
desse macro nutriente, consiste em romper essa ligação covalente vias diferentes 
mecanismos (o que requer consumo energético) para então “utilizá-lo” em suas 
formas mais reativas: amônia (NH3), amônio (NH4) e nitrato (NHO3).
As taxas de nitrogênio são direta e indiretamente influenciadas por estes 
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mecanismos, que podem atuar disponibilizando nitrogênio por diferentes for-
mas, ao passo que também podem indisponibilizar este elemento. Os diferentes 
mecanismos relacionados à disponibilização de nitrogênio estão expressos na 
Tabela 6.
Tabela 6 - Mecanismos, ações e descrições de diferentes processos de disponibilização e indisponibilização 
de nitrogênio 
 MECANISMO AÇÃO DESCRIÇÃO/OBSERVAÇÕES
Fixação
Transformação de N2 
em amônia (NH3)
 
 
 
Disponibilização de 
amônia (NH3)
A principal via de fixação natural, 
ocorre pela ação de microrganis-
mos (do gênero Rhizobium), algas 
azuis (do gênero Anabaena e Nos-
toc) e fungos (algumas espécies) as-
sociados (em relação de mutualis-
mo) a leguminosas. Existe também 
a fixação física que ocorrem em 
função de eventos atmosféricos (fí-
sicos) como descargas elétricas. Por 
fim, a fixação antrópica, como nos 
processos realizados em indústrias 
de fertilizantes.
Decomposição
Disponibilização de 
amônia (NH3)
O processo de decomposição da 
matéria orgânica nitrogenada por 
microrganismos libera NH3 em 
conjunto com outros compostos ao 
meio ambiente.
Amonização
NH3 + H2O NH4OH 
 NH4
+ + OH-
 
Indisponibilização 
de amônia (NH3)
 
Disponibilização de 
amônio (NH4
+)
A associação da amônia livre no 
solo proveniente da ação dos 
microrganismos com a água pre-
sente no solo seguida de ionização 
resulta no íon amônio (NH4
+) e uma 
hidroxila.
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Osprocessos oxidativos sobre os íon amônio (NH4
+) resultam em nitritos (NO2
-) 
que são ficam disponíveis no ambiente ou são novamente oxidados em nitratos 
(NO3
-).
Nitrificação Conversão de íons 
amônio (NH4
+) em 
nitrito (NO2
-) e pos-
teriormente nitrato 
(NO3
-)
Ocorre pela ação de bactérias nitri-
ficantes (Nitrosomas, Nitrosococus, 
Nitrobacter).
O processo de Nitrificação pode ser dividido em duas etapas: Nitração e Nitrosa-
ção.
Nitração 2HNO2 + 2O2 
2HNO3 + Energia
Transformação da amônia em 
nitrito.
Nitrosação 2NH3 + O2 
2HNO2 + 2H2O + 
Energia
Transformação do íon nitrito em íon 
nitrato, que podem ser absorvidos 
e metabolizados pelas plantas.
Denitrificação 
Transformação de 
amônia (NH3) em N2
 
 
Indisponibilização de 
amônia (NH3)
 
 
Disponibilização de N2
Devolução de nitrogênio já meta-
bolizado para a atmosfera na forma 
N2, normalmente realizado por bac-
térias ditas desnitrificantes (Pseu-
domonas desnitrificans), torna-se 
necessária para não saturar o solo 
com íons nitrogenados.
A queima de matéria orgânica pelo fogo é responsável pela indisponibilização 
de nitrogênio.
Amonificação Disponibilização de 
amônia (NH3)
Degradação de produtos meta-
bólicos como uréia, ácido úrico, 
proteínas e outros compostos por 
microrganismos decompositores 
para formação de amônia.
Fonte: adaptado de Hamilton (1976), Rosa et al., (2003), Aduan et al., (2004).
A figura a seguir contém uma representação do ciclo global do nitrogênio, 
explicitando os diferentes mecanismos relacionados à disponibilização e 
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indisponibilização de nitrogênio em um ambiente natural.
Fixação biológica
Fixação por 
fenômenos físicos
Ciclo do Nitrogênio
Escoamento
Fert
iliza
nte
s
Bactéria denitricante
Bactéria nitricante Nitrogênio livre
Bactéria xadora 
de nitrogênio
Figura 7 - Representação do Ciclo Global do Nitrogênio
Como é possível observar, o ciclo do nitrogênio é extremamente complexo e 
conta com diversos mecanismos de ação para que esse elemento essencial à vida 
possa ser disponibilizado/reaproveitado em outras formas. Vale destacar, con-
forme mencionado anteriormente, que as ações antrópicas atuam sobre esse 
ciclo biogeoquímico, influenciando na disponibilidade de nitrogênio passível 
de utilização para os seres vivos que necessitam deste elemento. O despejo de 
efluentes sanitários e industriais, sem o devido tratamento, são uma das ativida-
des antrópicas mais impactantes relacionadas à alteração dos níveis de nitrogênio 
e fósforo no ambiente.
O ciclo do Fósforo: o fósforo (P) é um nutriente essencial com fontes finitas 
e não renováveis. Ainda sim, a exploração deste elemento, atualmente, é muito 
superior às taxas de reposição em seu ciclo natural, especialmente se considerar-
mos que o ciclo deste elemento é muito lento. Portanto, a exploração desenfreada 
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e a escassez das reservas de fósforo podem nos direcionar a um colapso, resul-
tando em impacto econômicos, sociais e ambientais imensuráveis, pois, segundo 
Cordell (2008), as reservas de rocha fosfática conhecidas e exploráveis estejam 
extintas no período de 50 a 100 anos. A alteração da dinâmica desse nutriente 
no meio ambiente ocorre, especialmente, em face da ocupação a desordenada 
do solo, do desmatamento e do incremento das atividades industriais e agrícolas.
Este elemento se caracteriza como componente essencial dos fosfolipídios, 
das coenzimas, dos ácidos nucléicos e dos elementos de transição energética 
(Adenosina Tri Fosfato = ATP) que são indispensáveis para o funcionamento e 
manutenção dos sistemas biológicos dos organismos vivos. Este elemento tam-
bém é utilizado como base para síntese de diversos produtos industrializados 
como fertilizantes e detergentes (QUEVEDO, PAGANINI, 2011).
Os reservatórios atuais existentes de fósforo (litosfera), foram formados ao 
longo de eras geológicas e diferente de outros ciclos, em nenhum momento o 
ciclo deste elemento resulta na formação de gás para manutenção de reservas 
atmosféricas, sendo suas fontes naturais oriundas de processos erosivos da bacia 
de contribuição, da decomposição dos organismos aquáticos e dos vegetais que 
compõem as matas ciliares, do assoreamento do corpo d’água, do intemperismo 
das rochas e da intensidade das trocas ocorridas entre o sedimento e a coluna 
d’água (QUEVEDO, PAGANINI, 2011).
Para Aduan e colaboradores (2004), a maior parte do fósforo presente nos 
ecossistemas é proveniente do intemperismo dos minerais, este processo pode 
ser acelerado pela ação de substâncias provenientes das raízes de plantas associa-
das a microrganismos, entretanto no ciclo do fósforo, nenhuma ação biológica 
(como as observadas no ciclo do hidrogênio) pode aumentar significativamente 
a disponibilidade deste elemento em ambientes em que ele se encontra em bai-
xas quantidades.
Em face da escassez deste recurso os organismos presentes na biota terres-
tre contam com um eficiente ciclo de fósforo a partir de suas formas orgânicas. 
O fósforo é liberado por meio de processos erosivos e intempéries, sendo este 
elemento e suas formas fosfatadas (PO4-3) limitantes em sistemas agronômicos.
A figura a seguir representa as etapas do ciclo natural e de influência antró-
pica do fósforo.
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Ciclo de Fósforo
Colheitas
Fosfatos em solução
Absorção 
pelas plantas
Absorção 
pelas plantas
Deposição
atmosférica (poeira)
dejetos de animais
e biossólidos
resíduos de plantas
Fósforo orgânico
ImobilizaçãoMineralização
-Microbiano
-Resíduos de plantas
Fósforo solúvel
Fertilizantes minerais
minerais 
primários (apatite)
superfícies minerais
(argilas, óxidos Fe e Al, carbonatos)
compostos secundários 
(CaP, FeP, MnP, AIP)
Fert
iliza
ntes
dissolução
Inte
mpe
rism
o
preciptação
desso
rção
adsor
ção
lixiviação 
(geralmente menor)
-Húms
Figura 6 - Ciclo do Fósforo
O ciclo de influência, sobre influência antrópica, representado na figura supra-
citada, explicita a utilização do fósforo na síntese de fertilizantes amplamente 
utilizados em sistemas agrícolas. Tal utilização apesar de impactante e de estar 
associada a eutrofização, torna-se necessária uma vez que os sistemas agrícolas 
que contam, somente, com o fósforo presente no solo, na produção de cultivares 
não conseguiria obter a «eficiência» necessária para atender a demanda popu-
lacional emergente.
Ainda, os microrganismos exercem papel fundamental no ciclo biogeoquí-
mico do fósforo e na disponibilização deste elemento para as plantas, realizando 
a solubilização do fósforo inorgânico, a mineralização do fósforo orgânico e a 
associação entre plantas e fungos micorrízicos (PAUL, CLARK, 1996).
Por fim, é válido ressaltar que existem outros elementos essenciais que tam-
bém passam por ciclos biogeoquímicos, porém, os ciclos supracitados destacam-se 
por estarem diretamente relacionados e interligados a problemáticas ambien-
tais atuais, coerentes e de interesse para aos diferentes processos de produção.
O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
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IU N I D A D E56
CONSIDERAÇÕESFINAIS
Nesta unidade, inicialmente, foi apresentada uma breve introdução pautada em 
eventos históricos que discorreu sobre a capacidade do ser humano de alterar o 
ambiente a sua volta. Tal discussão teve, por finalidade, não apenas apresentar as 
características evolutivas que fizeram do homem o ser vivo capaz de modificar 
o ambiente em que vive, de forma favorável ao seu desenvolvimento, mas, tam-
bém, explicitar que tais alterações ambientais foram necessárias para separar o 
homem da condição animal e foram ainda responsáveis pela história como nós 
a conhecemos. Como visto, o advento da produção fomentada pela revolução 
industrial e as conquistas sociais influenciadas por este período afetam positi-
vamente nosso modelo social até os dias atuais.
Em um segundo momento, conceituamos sustentabilidade e desenvolvimento 
sustentável e conhecemos algumas de suas normas de representação empresarial/
corporativa que correspondem, dentre outras normas, apresentadas, as tão dese-
jadas certificações ISO, voltadas à eficiência sócio-ambiental, representadas pelas 
ISO da série 14000 e 26000. Já, em um último momento, exploramos alguns con-
ceitos voltados à ecologia, que nos proporcionaram uma noção mais realista da 
amplitude de níveis hierárquicos que as ações antrópicas podem alcançar, sejam 
estas associadas à alteração das condições ambientais próximas ou à diminuição 
da capacidade de suporte de ambientes específicos, ecossistemas e/ou biomas. 
Entretanto, todo o conteúdo apresentado nesta unidade objetiva iniciar uma 
percepção ambiental sensibilizada e humana, que busca despertar, em você, futuro 
profissional do segmento, uma visão holística dos mais variados processos pro-
dutivos, desde o consumo de insumos, dos possíveis impactos gerados pela sua 
produção e o atendimento das legislações específicas para o descarte dos resíduos. 
57 
Há hoje um conflito entre as várias compreensões do que seja sustentabilidade. Clássica 
é a definição da ONU, do relatório Brundland, (1987) “desenvolvimento sustentável é 
aquele que atende as necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacida-
de das gerações futuras de atenderem a suas necessidades e aspirações”. Esse conceito 
é correto mas possui duas limitações: é antropocêntrico (só considera o ser humano) 
e nada diz sobre a comunidade de vida (outros seres vivos que também precisam da 
biosfera e de sustentabilidade). Tentarei uma formulação, a mais integradora possível:
Sustentabilidade é toda ação destinada a manter as condições energéticas, informa-
cionais, físico-químicas que sustentam todos os seres, especialmente a Terra viva, a co-
munidade de vida e a vida humana, visando a sua continuidade e ainda a atender as 
necessidades da geração presente e das futuras de tal forma que o capital natural seja 
mantido e enriquecido em sua capacidade de regeneração, reprodução e coevolução.
Expliquemos, rapidamente, os termos desta visão holística:
Sustentar todas as condições necessárias para o surgimento dos seres: estes só existem 
a partir da conjugação das energias, dos elementos físico-químicos e informacionais 
que, combinados entre si dão origem a tudo.
Sustentar todos os seres: aqui se trata de superar radicalmente o antropocentrismo. To-
dos os seres constituem emergências do processo de evolução e gozam de valor intrín-
seco, independente do uso humano.
Sustentar especialmente a Terra viva: a Terra é mais que uma “coisa” sem inteligência ou 
um mero meio de produção. Ela não contém vida. Ela mesma é viva, se auto regula, se 
regenera e evolui. Se não garantirmos a sustentabilidade da Terra viva, chamada Gaia, 
tiramos a base para todas as demais formas de sustentabilidade.
Sustentar também a comunidade de vida: não existe, o meio ambiente, como algo se-
cundário e periférico. Nós não existimos: co-existimos e somos todos interdependentes. 
Todos os seres vivos são portadores do mesmo alfabeto genético básico. Formam a rede 
de vida, incluindo os microorganismos. Esta rede cria os biomas e a biodiversidade e é 
necessária para a subsistência de nossa vida neste planeta.
Sustentar a vida humana: somos um elo singular da rede da vida, o ser mais complexo 
de nosso sistema solar e a ponta avançada do processo evolutivo por nós conhecido, 
pois somos portadores de consciência, de sensibilidade e de inteligência. Sentimos que 
somos chamados a cuidar e guardar a Mãe Terra, garantir a continuidade da civilização 
e vigiar também sobre nossa capacidade destrutiva.
Sustentar a continuidade do processo evolutivo: os seres são conservados e suportados 
pela Energia de Fundo ou a Fonte Originária de todo o Ser. O universo possui um fim em 
si mesmo, pelo simples fato de existir, de continuar se expandindo e se auto criando.
Sustentar o atendimento das necessidades humanas: fazemo-lo através do uso racional 
e cuidadoso dos bens e serviços que o cosmos e a Terra nos oferecem sem o que sucum-
biríamos.
58 
Sustentar a nossa geração e aquelas que seguirão à nossa: a Terra é suficiente para cada 
geração desde que esta estabeleça uma relação de sinergia e de cooperação com ela e 
distribua os bens e serviços com equidade. O uso desses bens deve se reger pela solida-
riedade generacional. As futuras gerações têm o direito de herdarem uma Terra e uma 
natureza preservadas.
A sustentabilidade se mede pela capacidade de conservar o capital natural, permitir que 
se refaça e ainda, através do gênio humano, possa ser enriquecido para as futuras ge-
rações. Esse conceito ampliado e integrador de sustentabilidade deve servir de critério 
para avaliar o quanto temos progredido ou não rumo à sustentabilidade e nos deve 
igualmente servir de inspiração ou de idéia-geradora para realizar a sustentabilidade 
nos vários campos da atividade humana. Sem isso a sustentabilidade é pura retórica 
sem consequências.
Fonte: Boff (2012, on-line)3. 
59 
1. A vida na superfície terrestre só foi possível em função da presença de determinados 
elementos dispersos nas mais variadas esferas componentes da biosfera. Cada uma 
destas esferas comporta e é responsável pelas interações naturais e de origem antró-
pica que nela ocorrem. Em face do exposto, assinale a alternativa que contempla as 
três esferas componentes da biosfera. 
a. Litosfera, Biosfera e Atmosfera.
b. Superfície terrestres, Litosfera e Atmosfera.
c. Núcleo, Manto e Atmosfera.
d. Litosfera, Hidrosfera e Atmosfera.
e. Litosfera, Hidrosfera e Hemisfera.
2. Os diferentes ciclos biogeoquímicos apresentam especificidades relativas aos ele-
mentos em questão. Em relação aos elementos: Carbono, Fósforo e Nitrogênio, ava-
lie as assertivas: 
I. O carbono apresenta capacidade de formar até 4 ligações covalentes.
II. As reservas de fósforo possuem capacidade de renovação extremamente ágil.
III. O ciclo natural do fósforo, passa pelas etapas: Rocha, Indústria e Sistema agrícola.
IV. O processo que transforma amônia em nitrito é denominado nitrofilação.
Assinale a alternativa correta:
a. Nenhuma das afirmativas está correta.
b. Apenas II está correta.
c. Apenas III está correta.
d. Apenas IV está correta.
e. Apenas II, III e IV estão corretas.
60 
3. Os níveis de organização ecológica ou níveis de hierarquia ecológica classifi-
cam corretamente as diferentes organizações populacionais quanto às suas 
características: densidade ocupacional, distribuição e espaço. Cientes de sua 
relevância, avalie as assertivas e classifique-as em Verdadeiras (V) ou Falsas (F):
( ) Uma população corresponde a um grupo de indivíduos pertencentes a uma 
mesma espécie presentes e ocupantes de uma determinada área por um perí-
odo de tempo.
( ) Um ecossistema corresponde a meio no qual os organismos interagem com 
o meio ambiente, realizando trocas de matéria e energia pelas vias existentes. 
( ) A biosfera corresponde àspopulações que coexistem e habitam o mesmo 
ambiente, interagindo de forma organizada.
( ) Uma organela celular pode ser conceituada como partícula única ou unida-
de fundamental em função de sua característica de indivisibilidade por proces-
sos químicos.
( ) Um bioma é composto por um conjunto de ecossistemas em uma larga es-
cala geográfica no qual as plantas ou as formações vegetais se destacam como 
características, assim como suas as especificidades climáticas.
4. A vida na superfície terrestre sempre foi regida por um conjunto de caracte-
rísticas favoráveis ao seu pleno desenvolvimento. Dentre os motivos conside-
rados favoráveis, figuram os ciclos biogeoquímicos, devido a sua relevância e 
amplitude. Considerando o exposto, assinale a alternativa que contém a corre-
ta definição de ciclos biogeoquímicos.
a. Correspondem a grupos de indivíduos pertencentes a uma mesma espécie 
presentes e ocupantes de uma determinada área por um período de tempo.
b. Correspondem à associação da superfície terrestres com a Litosfera e Atmos-
fera.
c. Os ciclos biogeoquímicos são processos que, por diversos meios, reciclam 
vários elementos em diferentes formas químicas, do meio ambiente para os 
organismos e depois, fazem o processo contrário, ou seja, trazem esses ele-
mentos dos organismos para o ambiente.
d. São ferramentas de gestão que devem ser utilizadas visando alcançar a efeti-
vidade socioambiental de uma organização.
e. Compreendem uma partícula única ou unidade fundamental em função de 
sua característica de indivisibilidade por processos químicos.
61 
5. Quando pensamos em fatores limitantes ao desenvolvimento dos seres vivos, 
somos imediatamente direcionados aos recursos disponíveis. Claro que existe 
uma relação entre disponibilidade de recursos e o desenvolvimento de uma po-
pulação, assim como a retirada de recursos pode levar a extinção de determina-
da população. Neste contexto, cite os demais fatores que podem ser considera-
dos limitantes ao desenvolvimento dos seres vivo.
MATERIAL COMPLEMENTAR
 Introdução à Engenharia Ambiental: o desafi o do 
desenvolvimento sustentável
Benedito Braga, Ivanildo Hespanhol, João G. L. Conejo, José C. 
Mierzwa, Mario T. L. de Barros, Mailton Spencer, Monica Porto, 
Nelson Nucci, Nelsa Juliano e Sérgio Elger. 
Editora: Pearson
Sinopse: escrito por um grupo de professores pioneiros no estudo 
e no ensino do tema, este livro procura relacionar a engenharia 
com outras áreas do conhecimento, já que transmite a visão da 
engenharia em relação ao meio ambiente, além de apresentar a questão do confl ito entre os aspectos 
socioeconômicos e os ambientais como um dos grandes desafi os da engenharia no futuro. Esta 
nova edição leva em conta o dinamismo dos temas e dos próprios sistemas abordados, atualizando 
dados e conceitos e incluindo um novo capítulo sobre métodos de gestão corporativa para o meio 
ambiente e prevenção da poluição. Destinado aos cursos de engenharia, este livro também atende às 
necessidades de profi ssionais de outras áreas interessados no presente e no futuro do meio ambiente.
Uma Verdade Inconveniente.
2006.
o cineasta Davis Guggenheim acompanha Al Gore, o ex-candidato à presidência dos EUA, no 
circuito de palestras para conscientizar o público sobre os perigos do aquecimento global, e pede 
uma ação imediata para conter seus efeitos destrutivos ao meio ambiente.
REFERÊNCIAS
63
ADUAN, R. E.; VILELA, M. F.; REIS JÚNIOR, F. B. Os grandes ciclos biogeoquímicos do 
Planeta. Documentos Embrapa, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimen-
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Desenvolvimento sustentável: necessidade e/ou possibilidade? Santa Cruz do Sul: 
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GABARITO
1. D.
2. A.
3. V, V, F, F e V.
4. C.
5. pH e salinidade, umidade, temperatura, luz e recursos.
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Professor Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus
GERENCIAMENTO E 
TRATAMENTO DE ÁGUA E 
EFLUENTES
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Conhecer os princípios de qualidade, captação e tratamento de água.
 ■ Compreender as especificidades associadas aos efluentes sanitários e 
industriais.
 ■ Conhecer os diferentes tratamentos associados aos efluentes 
sanitários e industriais.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ O consumo e a utilização da água
 ■ Caracterização e especificidades das águas residuárias
 ■ Os diferentes tratamentos e suas aplicações
INTRODUÇÃO
Seja bem-vindo(a) caro(a) aluno(a) à segunda unidade do nosso material didá-
tico, intitulada gerenciamento e tratamento de água e efluentes. Esta unidade 
tem por objetivo apresentar, a você, algumas informações pertinentes sobre o 
tratamento de água e efluentes, com ênfase nos efluentes industriais, que são 
resíduos líquidos do processo produtivo ou de beneficiamento que deverão ser 
devidamente tratados antes de sua disposição final, seja esta realizada mediante 
a um serviço de terceirização ou ainda destinada a uma estação de tratamento 
de efluente própria da indústria.
Serão apresentados inicialmente alguns princípios básicos sobre a coleta, 
tratamento e distribuição de água, que se fazem aqui relevantes em função da 
utilização deste recurso, portanto, conhecer os inúmeros processos envolvidos 
em sua utilização, poderá auxiliar na busca por formas de reduzir o consumo 
deste recurso ou até mesmo reutilizá-lo na própria indústria. 
Em um segundo momento iremos conhecer as características mais genera-
listas dos efluentes sanitários e industriais. Os efluentes sanitários aqui se fazem 
relevantes, pois, muitas vezes, vocês poderãose deparar com estações de trata-
mento industriais que destinam seus efluentes sanitários ao mesmo local que 
seus efluentes industriais, conferindo assim características diferentes ao efluente 
final a ser tratado, portanto, conhecer suas especificidades assim como a legisla-
ção envolvida em seu despejo final é muito importante.
Por fim, iremos conhecer as diferentes etapas de tratamentos que podem ser 
aplicadas, tanto para a água quanto para os efluentes industriais e sanitários, con-
siderando a necessidade identificadas antes do tratamento e também as legislações 
pertinentes envolvidas. Sendo assim, caro(a) aluno(a), convido você a descobrir 
novas informações e curiosidades sobre estes assuntos tão relevantes. Vamos lá?! 
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O CONSUMO E A UTILIZAÇÃO DA ÁGUA
Após uma breve introdução a alguns dos conceitos que se fazem relevantes 
sobre meio ambiente e de conhecermos um pouco acerca de sua dinâmica na 
Unidade I, este material didático em suas unidades seguintes irá apresentá-los 
efetivamente às ações que devem ser realizadas no contexto empresarial/indus-
trial para que ocorra a redução dos impactos causados. Introduzindo assim, as 
ferramentas sejam elas de gestão, manejo ou de tratamento pertinentes e condi-
zentes com as questões ambientais. 
É de nosso conhecimento que água é uma substância insípida, incolor e 
inodora, composta por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, que pode 
ser encontrada dependendo das condições em estado líquido, sólido ou gasoso. 
Sabemos também que a água recobre aproximadamente 70% da superfície do 
planeta Terra e devido ao seu ciclo hidrológico, pode ser considerada um recurso 
renovável. Conforme Barros et al. (1995), a água pode ser classificada conforme 
sua utilização:
 ■ Elemento de composição da natureza: meio de navegação, relativa à 
regulação da umidade do ar e do clima na Terra, fonte de geração ener-
gética e transporte de despejos sanitários e industriais (líquidos); 
 ■ Ambiente para a vida aquática: habitat para organismos aquáticos;
 ■ Fator indispensável à vida terrestre: irrigação do solo, abastecimento 
público e industrial e dessedentação de animal.
Apesar de facilmente associamos a geração de resíduos a material sólido com 
os líquidos (recursos hídricos) acontece o mesmo. A utilização que se faz destes 
recursos é que determina as características finais, nesse caso, das águas residuá-
rias ou efluentes. O mesmo acontece para o atendimento das necessidades básicas 
humanas, como no caso do esgoto sanitário.
Historicamente, o homem viu nos recursos hídricos formas de fomentar seu 
desenvolvimento, além de atender suas necessidades voltadas à potabilidade, os 
corpos hídricos ainda promovem desenvolvimento econômico desde a idade 
média, quando povoados eram formados em regiões próximas à orla marítima 
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ou a planícies de rios, possibilitando o surgimento das primeiras rotas comer-
ciais. Além do desenvolvimento econômico o homem ao longo de sua evolução 
concluiu que o consumo ou a proximidade de águas impróprias, poderia resul-
tar na transmissão de doenças (RESENDE; HELLER, 2002).
Entretanto, por que devemos discutir sobre a água e o seu uso? Essa substân-
cia é indispensável para a manutenção da vida na Terra e para a sobrevivência 
dos organismos, sendo, portanto, considerada um recurso primordial para a 
vida, logo, podemos estabelecer uma relação na qual a quantidade de água dis-
ponível em uma região é diretamente proporcional ao conjunto de seres vivos 
presentes nessa mesma região. Além disso, discutir acerca da utilização cons-
ciente dos recursos naturais disponíveis e da necessidade de um manejo/gestão 
adequados objetivam garantir o direito das gerações vindouras de acesso a um 
ambiente equilibrado. 
É fato que a dimensão ambiental, segundo Santos e Miguel (2002), vem 
sendo incorporada aos diferentes processos produtivos das indústrias e à gestão 
empresarial, inclusive como ferramenta para redução de custos e aumentos de 
lucratividade, por meio de diferentes medidas para minimização, reuso e reciclo 
dos efluentes líquidos gerados pelos diversos processos industriais.
 Entretanto, apesar desse eminente despertar da consciência ambiental que 
se observa nas últimas décadas, algumas atividades antrópicas figuram como 
grandes consumidoras de elevado volume de água potável, uma vez que, lamen-
tavelmente, torna-se quase utópico afirmar que exista algum processo produtivo 
ou de beneficiamento que não requer um grande volume de água em sua cadeia 
produtiva.
Para Pena ([2018], on-line)1, conforme dados da Organização mundial das 
nações unidas para a alimentação (FAO), a pecuária, e as atividades relacionadas 
a ela, consome cerca de 70% da água do mundo, em uma perspectiva nacional, 
esse número alcança 72% do volume consumido pelo nosso país que se des-
taca nesse setor da economia. Voltando à escala global, ainda segundo o autor, 
depois do setor agrícola, a atividade das indústrias são responsáveis por 22% do 
volume, seguido de 8% atribuído à utilização doméstica. A Tabela 1, apresenta 
uma perspectiva do volume de água consumida nas indústrias.
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Tabela 1 - Consumo de água nas indústrias
TIPO DE INDÚSTRIA CONSUMO
Laminação de aço 85 m³ por tonelada de aço.
Refinamento de petróleo 290 m³ por barril refinado.
Indústria têxtil 1.000 m³ por tonelada de tecido.
Couro (curtumes) 55 m³ por tonelada de couro.
Papel 250 m³ por tonelada de papel.
Saboaria 2 m³ por tonelada de sabão.
Usina de açúcar 75 m³ por tonelada de açúcar.
Fábrica de conservas 20 m³ por tonelada de conserva.
Laticínios 2 m³ por tonelada de produto.
Cervejaria 20 m³ por m³ de cerveja.
Lavanderia 10 m³ por tonelada de roupa.
Matadouros 3 m³ por animal abatido. 
 1 tonelada = 1000 Kg.
 1m³ = 1000 L.
Fonte: adaptado de Barth (1987, on-line)2.
Apesar da vasta capacidade hídrica de nosso país, evidenciada pela gama de cor-
pos hídricos, aquíferos, mananciais e rios flutuantes, dados do instituto Trata 
Brasil ([2018] on-line)3, indicaram que, em 2015, 35 milhões de brasileiros ainda 
sofrem com a falta de abastecimento de água. Todavia, como em um país cuja a 
extensão territorial é privilegiada com um grande potencial hídrico a população, 
em sua totalidade, ainda não possui acesso a água de qualidade? As respostas 
para esse questionamento giram em torno da gestão deste recurso e das políti-
cas que regulamentam o desenvolvimento de tecnologias e investimentos para 
assegurar o direito a água com elevado grau de potabilidade a todos.
Quais ações posso tomar para reduzir o consumo de água potável em minha 
residência?
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PRINCÍPIOS DE CAPTAÇÃO, QUALIDADE E TRATAMENTO DE 
ÁGUA
Em um primeiro momento, podemos pensar que o abastecimento de água poderá 
ser interminável, mediante a quantidade de água que recobre a superfície ter-
restre, porém, se considerarmos que desta superfície a maior parte da água é 
salgada e, portanto, não pode ser utilizada para a agricultura, processos indus-
triais e consumo humano, esse panorama se inverte.
Historicamente, a captação eobtenção de água doce, com qualidade aceitá-
vel para atendimento das necessidades humanas, sempre foi uma preocupação. 
Embora o conhecimento científico só tenha esclarecido/diferenciado padrões de 
qualidade da água mediante ao advento da tecnologia. O homem nos primór-
dios da história já era capaz de distinguir a água de qualidade, sem cor, odor ou 
sabor daquela que apresentava características atrativas. 
O aporte pontual ou difuso de substâncias xenobióticas, organismos ou de 
matéria orgânica em excesso a água podem resultar em uma série de agravos ao 
meio ambiente, como, por exemplo, a poluição, contaminação e a eutrofização.
Como reflexo da evolução do conhecimento acerca da salubridade ambien-
tal, o abastecimento de água de fontes seguras e o despejo do esgoto passaram 
a ocorrer em localidades diferentes dos corpos hídricos (manancial próximo a 
cidade), essa mudança teve como principal objetivo evitar doenças relaciona-
das a condições impróprias de saneamento, caracterizando um período histórico 
denominado higienista (TUCCI, 2008).
Substâncias xenobióticas se referem a substâncias químicas recalci-
trantes estranhas ao corpo humano, aos organismos e ao meio am-
biente. Referem-se a compostos sintéticos, sintetizados via técnicas de 
engenharia química ou genética, como, por exemplo, pela transfor-
mação de microrganismos como fungos e bactérias. Alguns exemplos 
são: fármacos, agentes saneantes ou tensoativos e defensivos agrícolas. 
Fonte: o autor.
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Entretanto, qual fonte de água é utilizada para atender nossas necessidades atu-
ais? Os mananciais das águas urbanas são as fontes de água para abastecimento 
que visam atender as necessidades humanas, animais e industriais. Essas fontes 
podem ser superficiais (redes de rios da bacia hidrográfica da região) e sub-
terrâneas (aquíferos), cuja a disponibilidade de água, especialmente das fontes 
superficiais, podem variar conforme sazonalidade, uma vez que a disponibili-
dade hídrica depende da capacidade do rio de se regularizar ao longo do tempo 
(COSTA et al., 2012).
Outro questionamento que se faz relevante consiste em: como determinar 
se um corpo hídrico é apto para a captação de água? Além dos padrões de qua-
lidade, a disponibilidade hídrica é mensurada mediante uma série de fatores ou 
condicionantes naturais, tais como: vazão, características da precipitação, eva-
potranspiração (total, variabilidade temporal e espacial) e da superfície do solo, 
fatores considerados para uma distribuição estatística temporal. 
Já as fontes subterrâneas, compõem a maior reserva de água doce do globo 
(MINAYO-GOMEZ, 2011). Tais reservas se dividem entre aquíferos confinados 
e não confinados, de acordo com a formação geológica, que fazem referência a 
pressão exercida sobre os mesmos, ou seja, os confinados estão sobre influência 
de pressão superior à atmosférica, ao passo que os não confinados não estão sobre 
pressão e podem ser repostos por fluxos naturais de escoamento (RIBEIRO, 2008). 
Ainda segundo Ribeiro (2008), normalmente, a água subterrânea é utilizada no 
abastecimento de cidades de pequeno e médio porte, pois depende da vazão de 
bombeamento que o aquífero permite retirar sem comprometer seu balanço de 
entrada e saída de água. A captação em aquíferos merece uma atenção especial 
A hidrologia e a mecânica de fluidos são áreas fundamentais para os estu-
dos de preservação dos recursos. Com o intuito de democratizar o acesso 
à informação nestes segmentos a Agência Nacional de Água (ANA) dispo-
nibiliza em seu endereço eletrônico, inúmeros materiais que podem ser 
consultados acerca dessas temáticas. Confira! Para saber mais, acesse o link: 
<https://capacitacao.ead.unesp.br/conhecerh/handle/ana/240>.
GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES
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em função do risco de contaminação por substâncias xenobióticas e recalcitrantes 
que podem se infiltrar/percolar no lençol freático e contaminar reservas de água. 
Após abordarmos, brevemente, alguns conceitos sobre a captação de água, 
discutiremos sobre tratamento e disponibilização. Após sua captação a água é 
transportada até a estação de tratamento de água (ETA) e, posteriormente, dis-
tribuída à população, por uma rede. Esse sistema implica elevados investimentos, 
geralmente públicos, para garantir água em quantidade e qualidade adequada.
Segundo Libânio (2010), as tecnologias envolvidas no tratamento de água 
têm por objetivo adequar os parâmetros da água bruta aos limites estabelecidos 
pela portaria 2914 do Ministério da Saúde, considerando os custos de implemen-
tação, manutenção e operação mais viáveis possível. Além disso, para o autor, 
a escolha da tecnologia deve ser permeada por algumas premissas, sendo elas:
a. As características da água bruta disponível para captação;
b. Os custos envolvidos;
c. Manuseio e confiabilidade dos equipamentos;
d. Flexibilidade operacional;
e. Localização geográfica e características da população.
Normalmente, os municípios adotam o modelo de ETA convencional, conforme 
proposto pela resolução CONAMA 357/2005 e pela NBR 12216 de 1992. O 
modelo de tratamento convencional ou de ciclo completo compreende as seguin-
tes etapas: Coagulação; Floculação; Decantação ou flotação; Filtração rápida 
descendente; Ajustes finais - que envolvem desinfecção - Fluoretação, ajuste de 
pH dentre outros processos necessários.
Cada uma das etapas possui uma finalidade no processo de tratamento de 
água, sendo elas: 
 ■ Adição de Sais de Alumínio, Cal e Cloro: promovem a coagulação de impu-
rezas presentes na água como: matéria orgânica e sólidos dissolvidos ou em 
suspensão que alteram o pH com o intuito de aumentar a eficiência dos agen-
tes coagulantes e atuam como agente saneante, respectivamente.
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 ■ Floculação: a ação dos agentes coagulantes, da etapa anterior, provoca 
uma desestabilização das cargas superficiais das impurezas presentes, desta 
forma, ao serem submetidas ao processo de agitação intensa, as impurezas 
irão se agregar, formando flocos de maior densidade que serão removi-
das na etapa seguinte.
 ■ Decantação: os flocos formados irão decantar em função das forças gravi-
tacionais, gerando uma separação do líquido menos denso das impurezas 
de maior peso e agregadas em função das etapas anteriores.
 ■ Filtração: o processo de filtração granular descendente é relevante para 
a remoção dos parâmetros: turbidez, cor aparente, sólidos totais e densi-
dade de microrganismos como algas e coliformes.
 ■ Adição de cal, cloro e flúor: o cloro e o flúor, adicionados nesta etapa, 
atuam visando a eliminação de microrganismos patogênicos associados 
a doenças transmitidas pela água, enquanto o Cal realiza o ajuste do pH 
em faixa condizente com as legislações estabelecidas.
Entretanto, atualmente, métodos de tratamento de água vêm sendo repensados, 
em especial, em função da utilização dos sais de alumínio como agentes coa-
gulantes. Quantidades de alumínio residual na água são mais aptas à absorção 
biológica, do que as oriundas de outras fontes, o que pode resultar em deposi-
ções de alumínio em vias neuroquímicas, causando efeitos adversos indesejáveis, 
dentre eles, destacam-se os efeitos desproporcionais sobre o mal de Alzheimer 
(REIBER et al., 1995).
Em face de tais problemáticase também da necessidade de garantia de for-
necimento de água de qualidade à população, o Ministério da Saúde elaborou 
a Portaria 2914 de 2011 que dispõe sobre os parâmetros de qualidade da água 
potável. Sendo alguns deles expressos na Tabela 2:
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Tabela 2 - Parâmetros de potabilidade estabelecidos pela Portaria 2914/11 do Ministério da Saúde 
PARÂMETRO SIGNIFICADO VALOR MÁXIMO 
P E R M I T I D O 
(VMP)
Presença de 
Coliformes
Grupo de bactérias que são indicadores de 
contaminação ambiental
Ausência em 
100 mL
Teor de Cloro Agente desinfetante, utilizado para eliminar 
microrganismos que possam estar presentes 
nas águas e provocar doenças por via hídrica
0,2 mg/L
Turbidez É a medida da quantidade de partículas em 
suspensão (material insolúvel) presentes na 
água e que impedem a passagem de luz
5 UT (unidades 
de turbidez) ou 
NTU (Unidade 
nefelométrica 
de turbidez). 
pH Indica a natureza ácida ou básica da água. É 
monitorado durante as etapas de tratamento 
e na rede de distribuição, evitando os proces-
sos de corrosão nas canalizações
6,0 a 9,5
Cor Parâmetro de aspecto estético de aceitação 
ou rejeição do produto. A cor indica a presen-
ça de substâncias dissolvidas ou finamente 
divididas que conferem coloração específica 
à água
15 Unidade 
Hazen (mg 
PtCo/L).
Teor de Flúor Composto químico que é adicionado à água 
tratada para prevenção da proliferação de 
microrganismos indesejados
1,5 mg/L
Fonte: Ministério da Saúde (BRASIL, 2011).
Cabe ressaltar que existem outros parâmetros relacionados a potabilidade que 
são expressos pela portaria. Tal portaria ainda discorre acerca das responsabili-
dades de fiscalização e monitoramento nas esferas federal, estadual e municipal. 
Após o tratamento de água potável, a qualidade desta pode sofrer uma série 
alterações após tratamento, fazendo com que a qualidade da água, destinada 
à população, seja diferente da qualidade da água que deixa a estação de trata-
mento. Tais alterações podem ser causadas por variações químicas e biológicas 
(DEININGER et al. 1992). Conforme Clark e Coyle (1989), dentre os possíveis 
fatores que influenciam tais mudanças estão:
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a. Qualidade química e biológica da fonte hídrica;
b. Eficácia do processo de tratamento, condições de armazenagem e sis-
tema de distribuição;
c. Idade, tipo, projeto e manutenção da rede;
d. Qualidade da água tratada. 
Por fim, estes são apenas alguns dos temas principais associados ao tratamento 
de água, esgotar esta temática em apenas um material didático seria muita pre-
tensão em função de sua especificidade e da gama de assuntos relacionados que 
podem ser abordados. Discutir tantos assuntos voltados ao tratamento de água 
quando o objetivo é abordar o tratamento de efluentes é relevante, especialmente 
quando muitos dos princípios aqui apresentados também são válidos para o tra-
tamento de efluentes. 
TRATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUÁRIAS
Segundo a Resolução 430/2011 do Conama, efluente é o termo utilizado para 
caracterizar os despejos líquidos provenientes de diversas atividades ou proces-
sos, sejam estas atividades domésticas, comerciais ou industriais, sendo uma 
composição um reflexo de seu processo ou destinação (BRASIL, 2011).
Desta forma, neste momento, iremos focar os efluentes domésticos ou sani-
tários e os industriais. Discutir sobre efluentes sanitários, mesmo no contexto 
da produção, se faz relevante, pois, muitas vezes, as indústrias irão destinar seus 
efluentes sanitários à mesma estação de tratamento de efluentes responsável pelo 
tratamento de efluente líquido oriundo da produção, no caso das empresas que 
realizam o tratamento de seus efluentes em seus próprios espaços físicos. 
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IIU N I D A D E80
EFLUENTES SANITÁRIOS OU DOMÉSTICOS
Segundo Von Sperling (2005), os efluentes domésticos são compostos de, apro-
ximadamente, 99% de água, enquanto a fração restante corresponde a uma 
associação de sólidos orgânicos e inorgânicos, suspensos ou dissolvidos, nos 
quais são encontrados uma série de organismos e microrganismos patogênicos 
como vírus, bactérias, protozoários e helmintos. A associação destes compostos 
aos dejetos humanos faz com que esse tipo de efluente apresente características 
próprias, como odor característico e temperatura levemente elevada, devido a 
atividade microbiológica.
A Tabela 3 apresenta as principais característica físico-químicas, comumente, 
observadas nos efluentes domésticos/sanitários.
Tabela 3 - Características físico-químicas dos efluentes domésticos/sanitários
PARÂMETRO DESCRIÇÃO
Tempera-
tura
Normalmente possuem temperatura superior a da água de 
abastecimento e está relacionada com a atividade dos microrga-
nismos, solubilidade de gases, velocidade das reações químicas e 
viscosidade dos líquidos.
Cor A coloração dos efluentes domésticos normalmente é cinza, cin-
za escura ou preta, em função do material dissolvido. A cor deste 
tipo de efluente é diretamente influenciada pela decomposição 
da matéria orgânica.
Odor O odor dos esgotos domésticos é desagradável em função dos 
gases sulfídricos liberados em função do processo de decompo-
sição da matéria orgânica.
Turbidez Influenciada pelos sólidos em suspensão, areia, argila, mate-
rial orgânico e inorgânico e microrganismos e faz referência a 
dificuldade de difração da luz na água. Portanto, efluentes mais 
concentrados possuem maior turbidez.
Sólidos 
Totais
Referem-se ao balanço de todos os sólidos presentes nos esgotos 
domésticos.
Sólidos em 
suspensão
Fração dos sólidos orgânicos e inorgânicos suspensos no esgoto 
que possuem dimensões específicas superiores, variando de > 
0,45 a > 2,0 μm.
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Sólidos 
fixos
Representam os componentes minerais, não incineráveis e iner-
tes dos sólidos em suspensão.
Sólidos 
voláteis
Correspondem aos componentes orgânicos dos sólidos em 
suspensão.
Sólidos Dis-
solvidos
Fração dos sólidos orgânicos e inorgânicos suspensos no esgoto 
que possuem dimensões específicas inferiores, variando de < 
0,45 a < 2,0 μm.
Sólidos 
fixos
Correspondem aos componentes minerais dos sólidos dissolvi-
dos.
Sólidos 
voláteis
Correspondem aos componentes orgânicos dos sólidos dissolvi-
dos.
Sólidos 
Sedimentá-
veis
Fração de sólidos orgânicos e inorgânicos que possuem peso 
molecular suficiente para sedimentar em um período de 1 hora. É 
analisado em cone Imhoff.
Matéria 
Orgânica
Refere-se aos compostos orgânicos, sendo os principais compo-
nentes: Proteínas, Carboidratos e Lipídios. Para sua determinação 
normalmente são analisadas as demandas químicas e bioquími-
cas de oxigênio ou via carbono orgânico total.
Nitrogênio 
Total
Inclui as formas de nitrogênio orgânico, amônia, nitrito e nitrato. 
Componentes orgânicos da matéria orgânica, sua presença em 
efluentes está relacionada à decomposição.
Fósforo É um nutriente essencial presente na composição de várias 
substâncias orgânicas e inorgânicas. Sua presença em esgoto 
doméstico está relacionada a decomposição destas substâncias 
e a sua disponibilidadeno meio é preocupante pois esses 
nutrientes são essenciais para o desenvolvimento de microrga-
nismos, algas e plantas.
pH Indica se a característica do esgoto é ácida ou básica. A variação 
neste parâmetro pode influenciar a eficiência dos tratamentos 
para este tipo de efluente. Valores ácidos de pH tornam o efluen-
te corrosivos ao passo que valores ácidos aceleram a incrustação 
destes efluentes pela tubulação do sistema de esgotamento 
sanitário. 
Alcalinida-
de
Representa a capacidade de um sistema aquoso de neutralizar 
ácidos sem que haja a perturbação de forma extrema das ativida-
des biológicas que nele decorrem. Está relacionada a presença de 
carbonatos, bicarbonatos e hidroxilas, sódio e cálcio. 
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IIU N I D A D E82
Cloretos Provenientes da água de abastecimento e dos dejetos humanos.
Óleos e 
Graxas
Fração de matéria orgânica solúvel em hexano, no caso dos esgo-
tos domésticos estão relacionados aos óleos e gorduras utiliza-
dos no preparo ou na composição de alimentos.
Presença 
de Micror-
ganismos
A presença dos microrganismos neste tipo de efluente é predo-
minantemente em função dos dejetos humanos. São comuns a 
este tipo de efluente os coliformes fecais, sendo estes um grupo 
de bactérias comuns ao trato intestinal humano e de animais. 
Este grupo compreende os gêneros Escherichia e em menor 
grau, espécies de Klebsiella, Enterobacter e Citrobacter (WHO, 
1993). 
Fonte: adaptado de Von Sperling (2005) e Who (1993).
A legislação que dispõe especificamente sobre os padrões que devem ser atingi-
dos para o lançamento de efluentes é a Resolução do CONAMA 430/2011. Esta 
legislação rege parâmetros, diretrizes e padrões para o despejo de efluentes domés-
ticos/sanitários e industriais em corpos receptores. O artigo 21º desta legislação 
preconiza que o lançamento direto de efluentes oriundos de sistemas de trata-
mento de esgotos sanitários deve atender os padrões expressos na tabela a seguir:
Tabela 4 - Parâmetros físico-químicos e valores máximos permitidos para o lançamento de efluentes 
sanitários em corpos hídricos
PARÂMETRO VALOR MÁXIMO PERMITIDO (VMP)
pH Entre 5 e 9.
Tempera-
tura
Inferior a 40ºC.
Sólidos 
Sedimentá-
veis
Até 1 mL/L (Teste em cone Inmhoff), caso a disposição ocorra em 
lagos/lagoa os sólidos sedimentáveis deverão ser ausentes.
Óleos e 
Graxas
Até 100mg/L.
Materiais 
Flutuantes
Ausentes.
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Demanda 
Bioquímica 
de Oxigênio 
(DBO5)
Máximo de 120 mg/L, sendo que este valor poderá ser ultrapassa-
do no caso de efluente de sistema de tratamento com eficiência 
de remoção mínima de 60% de DBO, ou mediante estudo de 
autodepuração do corpo hídrico que comprove atendimento às 
metas do enquadramento do corpo receptor.
Fonte: Resolução Conama 430/2011 (BRASIL, 2011).
Lembrando que existem ressalvas para os efluentes sanitários, que recebem lixi-
viados de aterros sanitários, neste caso, o órgão ambiental competente deverá 
indicar quais os parâmetros da Tabela I do art. 16, inciso II da Resolução 430/2011 
do Conama que deverão ser atendidos e monitorados.
Os cuidados específicos com esse tipo de efluente se dá em função dos pos-
síveis impactos causados ao meio ambiente, além do aporte de matéria orgânica 
que pode acelerar o processo de eutrofização a presença de microrganismos 
patogênicos oriundos do trato digestivo dos seres humanos se tornar a princi-
pal preocupação. A presença destes microrganismos faz com que esse tipo de 
efluente, na ausência de tratamento adequado, se torne agente de transmissão 
de doenças relacionadas a falta de saneamento básico como a cólera, disente-
rias, febres tifóides, leptospirose, amebíase, dentre outras.
Na Tabela 4, fomos apresentados ao parâmetro demanda bioquímica de 
oxigênio ou DBO, este parâmetro determina, de forma indireta, a quantidade 
(concentração) de matéria orgânica degradável pela ação microbiológica pre-
sente em um efluente. Em outras palavras, trata-se da quantidade de oxigênio 
consumida pelos microrganismos aeróbios facultativos e/ou aeróbios presentes 
no efluente para que ocorra a degradação metabólica de toda a matéria biode-
gradável carbonácea presente (BROOKMAM, 1996). Este parâmetro indica a 
taxa de degradação do efluente em questão, estabelecendo uma relação sobre a 
taxa de consumo de oxigênio em função do tempo.
Em relação a demanda bioquímica de oxigênio, se faz relevante apresen-
tar a demanda química de oxigênio ou DQO, este parâmetro indicativo, assim 
como a DBO, avalia o consumo de oxigênio, só que, neste caso, a DQO avalia o 
consumo de oxigênio para a oxidação química da matéria orgânica, comumente 
analisada utilizando um agente oxidante forte como o dicromato de potássio em 
uma alíquota da amostra com pH ácido. Estes dois parâmetros, quando compa-
rados de forma conjunta, proporcionam informações sobre a biodegradabilidade 
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do efluente e, consequentemente, auxilia na escolha do método mais adequado 
para o seu tratamento. Para estabelecer essa relação utiliza-se o seguinte cál-
culo: sendo “r” a relação entre DQO/DBO, o resultado desta equação indica 
qual das frações envolvidas, a inerte ou a biodegradável do efluente, está elevada 
ou não. A Tabela 5 contém informações sobre a relação entre estes parâmetros 
que, segundo Von Sperling (2005), são imprescindíveis para a escolha do trata-
mento adequado.
Tabela 5 - Relação Demanda química de oxigênio/Demanda bioquímica de oxigênio em efluentes
RELAÇÃO DQO/DBO INDICAÇÃO DE TRATAMENTO
Baixa (< a 2,5) A fração biodegradável do efluente é elevada podendo 
ser indicado tratamento biológico.
Intermediária (entre 
cerca de 2,5 a 3,5)
A fração biodegradável não é elevada, sendo necessário 
realizar alguns estudos de tratabilidade para verificar a 
viabilidade do tratamento biológico.
Elevada (entre cerca de 
3,5 a 4,0 ou superior) 
A fração inerte (não biodegradável) é elevada, possível 
indicação para tratamento físico-químico.
Fonte: Adaptado de Von Sperling (2005).
Ainda sobre a Tabela 4, também, foram apresentados valores máximos permi-
tidos (VMP) para alguns parâmetros pautados em legislação, entretanto, como 
mensurar se o tratamento proposto está sendo efetivo e está de acordo com os 
valores previstos em legislação? Por meio do cálculo de eficiência de remoção, 
representado pela fórmula:
Para tanto, utiliza-se o valor mensurado do parâmetro em questão antes do 
tratamento, e o valor obtido após o tratamento aplicado. Algumas das técnicas 
de quantificação de alguns parâmetros físico-químicos que podem ser aplicadas, 
tanto para água como para efluentes, serão apresentados na leitura complementar 
desta unidade. Já os diferentes tipos de tratamento existentes, serão explorados 
mais adiante nesta unidade.
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EFLUENTES INDUSTRIAIS
Efluentes industriais são provenientes das atividades industriais diversas, e, além 
de representarem um reflexo de sua utilização industrial (processos de benefi-
ciamento), compreendem esgotos sanitários, como dejetos humanos sólidos e 
líquidos, agentes saneantes como produtos de limpeza, dentreoutros tipos de 
resíduos. A fração de esgoto sanitário, gerado nas indústrias, pode ser tratada 
juntamente com os resíduos industriais ou de forma segregada.
As características são variadas em efluentes industriais e estão relacionadas 
aos processos produtivos realizados, a matéria prima e aos insumos utilizados 
durante o processo, a intensidade das operações realizadas ou, ainda, ao período 
de operação da indústria e ao consumo e reutilização de água. 
Alguns efluentes industriais podem apresentar características tóxicas, podendo 
causar efeitos danosos aos organismos que tiverem contato ou mesmo ao corpo 
receptor. Alguns ramos industriais ainda devem controlar as emissões em cor-
pos receptores em função do potencial toxicológico, como indústrias químicas, 
petrolíferas, de galvanoplastia, dentre outras (DEZZOTI, 2008). 
Para saber se haverá a necessidade de realizar um tratamento prévio dos 
efluentes industriais e a fim de caracterizar a carga poluidora, bem como propor 
o tratamento mais adequado é necessário ter um conhecimento de todo o pro-
cesso, para definir as condições de amostragem. Para Giordano (2004), conhecer 
as características da produção e todo o fluxograma do processo industrial é fun-
damental para lidar com os efluentes gerados. Ainda se destacam como fatores 
relevantes para as características dos efluentes os produtos de limpeza utilizados 
na indústria, a rotina de higienização dos equipamentos e instalações, horários 
de manutenção e número de funcionários por turno. 
Para a caracterização inicial do efluente (efluente bruto), devem ser consi-
derados parâmetros relacionados a carga poluidora e que sejam de relevantes 
para a compreensão das características do mesmo, devendo ser consideradas a 
frequência de amostragem, a forma de coleta, o acondicionamento, o armaze-
namento, a sazonalidade produtiva e as condições climáticas. 
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Alguns exemplos de efluentes industriais das mais variadas atividades e suas 
composições estão expressos na Tabela 6. 
Tabela 6 - Composição de alguns efluentes industriais
ATIVIDADE COMPOSIÇÃO DO EFLUENTE
Agropecuária 
intensiva
Oriundos da bovinocultura, suinocultura estão relacionados a 
quantidade de água utilizado nos processos, como limpeza de 
estabelecimentos ou equipamentos. Apresentam elevados ín-
dices de matéria orgânica, nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, 
sódio, magnésio, ferro, zinco, sobre, dentre outros elementos 
incluídos na dieta (SILVA, 2007).
Provenientes 
dos Serviços 
de Saúde
Podem ser classificados em duas categorias, uma relacionada 
aos usos rotineiros, de higiene e sanitários, enquanto a outra 
classificação refere-se a pesquisas e utilização de formulações 
química e de fármacos. Normalmente possuem pH diferentes 
em relação aos esgotos sanitários comuns, devido a presença 
de excretas contaminadas, líquidos biológicos, resíduos de me-
dicamentos, solventes, corantes, dentre outros (BOILLOT et al., 
2008) O tratamento dos efluentes dos serviços de saúde estão 
sujeitos a exigências especiais previstas por legislação.
Lixiviado 
(Chorume)
Em geral em sua composição encontram-se matéria orgânica 
dissolvida e solubilizada, produtos intermediários da digestão 
anaeróbia de microrganismos, substâncias químicas per-
sistentes oriundas dos agrotóxicos ou demais xenobióticos 
(BASSANI, 2010). A concentração dos metais nos lixiviados está 
relacionada a composição dos materiais destinados aos aterros 
ou aos lixões.
Indústria têxtil Grandes consumidores de água e de corantes sintéticos, gera-
dores de efluentes volumosos e complexos com elevada carga 
orgânica, aliada ao elevado teor de sais inorgânicos (KAMIDA 
et al., 2005).
Fonte: adaptado de Silva (2007); Boillot et al., (2008); Bassani, (2010); Kamida et al., (2005).
Quanto ao seu descarte, o artigo 16º desta legislação preconiza que os efluen-
tes de qualquer fonte poluidora poderão ser lançados em corpos hídricos, desde 
que atendam os parâmetros na Tabela 7: 
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Tabela 7 - Parâmetros físico-químicos e valores máximo permitido de efluentes em corpos hídricos, 
segundo a resolução Conama
Parâmetro Valor máximo permitido (VMP)
PH ENTRE 5 E 9.
Tempera-
tura
Inferior a 40ºC.
Sólidos Se-
dimentáveis
Até 1 mL/L (Teste em cone Inmhoff), caso a disposição ocorra em 
lagos/lagoa os sólidos sedimentáveis deverão ser ausentes.
Regime de 
lançamento
Vazão máxima de até 1,5 da vazão média do agente poluidor, 
podendo ser superior em casos permitidos por autoridades 
competentes.
Óleos e 
Graxas
Óleos Minerais até 20mg/L e Óleos Vegetais e Gordura Animal 
até 50mg/L.
Materiais 
Flutuantes
Ausentes
DBO5 Remoção mínima de 60% podendo ser alterado somente me-
diante a estudo de autodepuração.
Fonte: Resolução Conama 430/2011 (BRASIL, 2011).
Reparem que estes padrões são muito próximos aos padrões estabelecidos pela 
mesma resolução para o despejo de efluentes sanitários em corpos receptores. 
Entretanto, cabe destacar que, tanto para os efluentes industriais como para os 
domésticos, a legislação estadual ou municipal podem apresentar variações em 
relação aos valores impostos pelo Conama, devendo ser atendida sempre aquela 
legislação que se apresentar mais restritiva.
Ainda sobre a resolução 430/2011 do Conama, em um segundo momento, 
ainda no artigo 16, são apresentados os padrões de lançamento de efluentes em 
relação aos parâmetros inorgânicos e orgânicos, expresso na Tabela 8:
GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES
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Tabela 8 - Padrões de lançamento de efluentes - parâmetros orgânicos e inorgânicos 
PARÂMETROS INORGÂNICOS VALOR MÁXIMO PERMITIDO
Arsênio total 0,5 mg/L As
Bário total 5,0 mg/L Ba
Boro total (não se aplica a águas salinas) 5,0 mg/L B 
Cádmio total 0,2 mg/L Cd 
Chumbo total 0,5 mg/L Pb
Cianeto total 1,0 mg/L CN
Cianeto livre 0,2 mg/L CN
Cobre dissolvido 1,0 mg/L Cu
Cromo hexavalente 0,1 mg/L Cr+6 
Cromo trivalente 1,0 mg/L Cr+3
Estanho total 4,0 mg/L Sn 
Ferro dissolvido 15,0 mg/L Fe
Fluoreto total 10,0 mg/L F
Manganês dissolvido 1,0 mg/L Mn
Mercúrio total 0,01 mg/L Hg
Níquel total 2,0 mg/L Ni 
Nitrogênio amoniacal total 20,0 mg/L N
Prata total 0,1 mg/L Ag 
Selênio total 0,30 mg/L Se
Sulfeto 1,0 mg/L S
Zinco total 5,0 mg/L Zn 
Parâmetros orgânicos Valor máximo permitido
Benzeno 1,2 mg/L
Clorofórmio 1,0 mg/L
Dicloroeteno (somatório de 1,1 + 1,2cis + 1,2 
trans) 
1,0 mg/L
Estireno 0,07 mg/L 
Etilbenzeno 0,84 mg/L 
OS DIFERENTES TRATAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES
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Fenóis totais (substâncias que reagem com 4-ami-
noantipirina) 
0,5 mg/L C6H5OH 
Tetracloreto de carbono 1,0 mg/L
Tricloroeteno 1,0 mg/L
Tolueno 1,2 mg/L
Xileno 1,6 mg/L
Fonte: Resolução Conama 430/2011 (BRASIL, 2011).
OS DIFERENTES TRATAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES
Você se recorda que, anteriormente, foi dito que os tratamentos de água e de 
efluentes possuem algumas características em comum? Pois bem, neste tópico des-
tinado ao tratamento de efluentes, iremos, novamente, comentar sobre algumas 
destas técnicas, porém com um enfoque especial aos efluentes e suas peculiarida-des. O tratamento de efluentes destina-se à aplicação de técnicas e procedimentos 
necessários para adequar as águas residuárias a legislação pertinente. A eficiên-
cia do tratamento está associada ao nível/complexidade de tratamentos aos quais 
os efluentes estão submetidos. As etapas do tratamento de efluentes podem ser 
classificada em:
 ■ Tratamento Preliminar ou Pré-tratamento.
 ■ Tratamento Primário.
 ■ Tratamento Secundário.
 ■ Tratamento Terciário.
Sendo cada uma destas etapas caracterizadas por uma série de processos, espe-
cificados a seguir. Porém, inicialmente, vamos apresentar uma planta modelo 
de uma estação de tratamento de efluentes. Lembrando que a estação de trata-
mento de uma indústria pode variar quando a proporção não ficar localizada 
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no mesmo espaço físico que a indústria, podendo ocorrer o armazenamento e 
transporte para posterior tratamento ou ainda a terceirização deste serviço para 
empresas especializadas.
Figura 01 - estação de tratamento industrial
Neste modelo de planta de estação de tratamento industrial ocorrem basica-
mente os mesmo processos descritos na estação de tratamento de água, porém 
com algumas variações. Notem que neste modelo ainda ocorre a captação dos 
gases gerados nos digestores e sua conversão em energia elétrica, infelizmente 
tal modelo ideal não se aplica com tanta frequência em nosso país, visto que a 
geração de efluentes de alta carga poluidora ocorre, em geral, em instalações 
improvisadas de pequeno a médio porte, muitas delas conduzidas por recicla-
dores informais, sem licenciamento para seu funcionamento e sem qualquer 
compromisso com a legislação ambiental (BORDONALLI; MENDES, 2009).
O que se observa, normalmente, são pequenas estações de tratamento com-
postas por um sistema de gradeamento prévio ao espaço ou tanque destinado à 
equalização e correção de pH, seguido de um tanque de coagulação/floculação/
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sedimentação e uma única lagoa de estabilização biológica, onde ocorrerá a degra-
dação biológica da carga poluidora. A realidade ambiental das indústrias, muitas 
vezes, é bem diferente do que a imagem transmitida pela mesma, fiquem aten-
tos! Neste sentido, vamos dar sequência a descrição das etapas do tratamento de 
efluentes.
TRATAMENTO PRELIMINAR OU PRÉ-TRATAMENTO
O tratamento preliminar tem por objetivo a remoção de sólidos e materiais que 
são descartados nas vias fluviais como, por exemplo, plástico, madeiras, ou qual-
quer outro tipo de resíduos sólido estranho a composição do efluente industrial. 
O princípio do aplicado na remoção destes materiais é física e pode ser realizado 
via gradeamento e/ou peneiramento. Ambas metodologias consistem em barrei-
ras físicas com grandes ou peneiras com espessuras variadas que retém materiais 
inapropriados e que devem ser retirados manualmente.
Nesta etapa do tratamento ainda ocorre a separação de materiais flutuan-
tes como espumas com densidade menor que a da água nas chamadas caixas de 
gordura e também a equalização que visa minimizar o fluxo impossibilitando o 
aporte excessivo no sistema de tratamento e por fim, a correção do pH ou neu-
tralização pela adição de ácido ou base ao volume armazenado objetivando 
potencializar as etapas sequenciais.
TRATAMENTO PRIMÁRIO
Após o tratamento preliminar o efluente ainda apresenta grande parte de sóli-
dos em suspensão e elevada carga de matéria orgânica que podem ser separados 
do efluente pelo processo de separação de sólido-líquido baseado na diferença 
de densidade das substâncias presentes na água que sofrem influência da força 
gravitacional, denominada sedimentação/decantação. Essa etapa ocorre em 
decantadores ou sedimentadores (clarificadores) que são reservatórios circula-
res ou retangulares.
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O processo mais comum e mais utilizado é o de coagulação/floculação/
sedimentação especialmente pelos países em desenvolvimento, nesta etapa do 
tratamento primário reagentes químicos coagulantes são adicionados e possi-
bilitam a formação de flocos de carga positiva e com alto peso molecular. Desta 
forma, os flocos formados ficam sujeitos à ação gravitacional durante a sedi-
mentação. Este processo é comumente aplicado no tratamento de água e os 
coagulantes mais utilizados são os sais férricos e o policloreto de alumínio. Outro 
tratamento primário que pode ser utilização é a flotação, que consiste na injeção 
de ar comprimido na parte inferior do tanque o que faz com que as impurezas 
sejam impulsionadas para a parte superior do tanque após a coagulação, pos-
sibilitando a retirada mecânica das mesmas por pás ou sistema automatizado.
TRATAMENTO SECUNDÁRIO
O tratamento secundário possui como essência a atividade biológica, visando a 
remoção de matéria orgânica. Nesta etapa em reservatórios destinados exclusi-
vamente a esse tratamento, microrganismos como bactérias e fungos consomem/
degradam a matéria orgânica, gerando subprodutos não tóxicos, água e gás car-
bônico. Entretanto, para o sucesso deste tratamento, alguns fatores devem ser 
controlados para otimizar a ação dos microrganismos, como temperatura, pH 
e presença ou ausência de oxigênio. Os tratamentos mais comuns são: lagoas de 
estabilização, reatores anaeróbios, formação de biofilmes e lodo ativado.
Para este processo, dependendo da aplicação, tratamentos preliminares são 
dispensados, pois os sólidos são necessários para o acúmulo e a manutenção do 
sistema biológico. Tratamentos secundários são constituídos por uma gama de 
metodologias que apresentam vantagens específicas relacionadas aplicações e 
aos resultados desejados e para auxiliar na comparação dos diversos tratamentos 
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secundários existentes, a Tabela 9 expressa algumas informações sobre os mesmos:
Tabela 9 - Vantagens e desvantagens associados aos tratamentos secundários 
TRATAMENTO VANTAGENS DESVANTAGENS
Lagoas Fa-
cultativas e 
Anaeróbias-Fa-
cultativas
Remoção da demanda bioquímica 
de oxigênio.
Fácil construção e Manutenção.
Necessita de grandes 
extensões territoriais.
Dificuldade em atender 
os padrões de lança-
mento.
Proliferação de insetos.
Sujeito a interferência 
climática.
Lagoa Aerada 
Facultativa
Fácil construção, operação e manu-
tenção.
Não requer tanta extensão de terri-
tório.
Eficiente da remoção da demanda 
bioquímica de oxigênio.
Elevado consumo ener-
gético.
Necessidade de equi-
pamento e maquinário.
Baixa remoção de coli-
formes.
Manutenção para 
remoção de lodo peri-
ódica.
Tanque Sép-
tico
Resistência à variação de carga.
Não requer extensão territorial 
elevada.
Eficiente remoção da demanda bio-
química de oxigênio.
Baixa eficiência aos 
nutrientes relacionados 
à eutrofização.
Gera odores fortes e 
desagradáveis.
Necessita de pós trata-
mento.
Reator UASB Baixos requisitos de área e energia.
Eficiente para a remoção da deman-
da bioquímica de oxigênio.
Possibilita reuso do Biogás.
Necessita de pós trata-
mento.
Baixa eficiência aos 
nutrientes relacionados 
à eutrofização.
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IIU N I D A D E94
Lodos Ativa-
dos
Baixos requisitos de área.
Eficiente para remoção de fósforo, 
nitrogênio e demanda bioquímica 
de oxigênio. 
Elevados consumos de 
energia para operação.
Problemática com 
ruídos.
Pouca eficiência para 
remoção de coliformes.
Fonte: adaptado de Andreoli et al. (2001).
Em todos os tipos de tratamento secundário citados é necessário fazer a gestão 
adequada do lodo gerado, sendo que o lodo resultante da atividade biológica 
eventualmente e conforme a necessidade, deverá ser retirado da lagoa em que 
estiver sendo aplicado, preferencialmente quando sua atividade biológica for 
reduzida devido a intensa utilização. Antes de seu descarte, todo esse lodo resi-
dual deverá ser tratado antes de receber uma destinação final adequada. 
 TRATAMENTO TERCIÁRIO
A última etapa do tratamento de efluentes consiste na última tentativa de ade-
quar os parâmetros que ainda não se enquadraram nos valores estabelecidos pela 
legislação. Dentre as opções anteriores, o tratamento terciário se torna o mais 
variável de acordo com a necessidade, logo, podemos relacionar esta etapa com 
a composição inicial do efluente e suas necessidades específicas.
Alguns exemplos deste tratamento são a desinfecção, adsorção em carvão 
ativado, processos oxidativos avançados, dentre outros processos que visam a 
remoção de poluentes específicos como o nitrogênio e o fósforo que aceleram o 
processo eutrofização em corpos hídricos. A desinfecção é realizada pela ação 
de agentes saneantes ou energia na forma de radiação ultravioleta com o intuito 
de eliminar microrganismos característicos do tratamento de esgotos e estra-
nhos ao meio ambiente. Estes microrganismos, normalmente, estão atrelados 
a doenças de veiculação hídrica e serão abordadas em um encontro específico. 
A adsorção consiste em um processo físico ou químico que induz aglome-
ração das substâncias de interesse em uma superfície, como exemplo é possível 
citar o carvão ativado que apresenta sua superfície modificada para atrair subs-
tâncias específicas. A adsorção pode ser realizada utilizando resíduos da produção 
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que sirvam como suporte ou superfície para a adesão de moléculas elaboradas/
específicas, como pesticidas, corantes, hormônios, dentre outras.
Já os processos oxidativos avançados (POA) consistem em processos que 
visam a eliminação de substâncias mediante a quantidade de radicais hidroxilos 
(OH) disponíveis para oxidação da substância de interesse. Alguns exemplos de 
POA são a fotocatálise, ozonização e fotólise. Para acelerar esses processos, uti-
lizam-se radicais oxidantes e pouco seletivos que podem ser obtidos por meio 
de diferentes combinações entre a radiação ultravioleta, peróxido de oxigênio, 
ozônio e fotocatalisadores.
Fotocatálise
lente
TiO2
Poluente orgânico
Poluente orgânico CO2
CO2
H20
H20
Figura 02 - membranas utilizadas no tratamento de água
Outro tratamento terciário relevante é o tratamento por meio de membranas 
filtrantes que são capazes de realizar a separação de partículas sólidas da água, 
por meio de pequenas membranas porosas ou semipermeáveis, planas ou tubu-
lares. As membranas são capazes de remover moléculas e compostos iônicos 
dissolvidos, atuando como barreira seletiva, retendo determinadas substâncias. 
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A filtração por meio de membranas, atualmente, tem sido objeto de grande aten-
ção nos processos de tratamento de água potável. Dentre os motivos para tal 
atenção, destacam-se as legislações cada vez mais rígidas e a pressão social para 
melhoria do padrão de saúde.
Dentre os diferentes tipos de membranas utilizadas no tratamento de água, 
destacam-se as membranas de microfiltração, ultrafiltração, nanofiltração e a 
de osmose reversa. Tais membranas podem ser diferenciadas pelo diâmetro dos 
poros e resistência a pressão que promove a separação dos contaminantes. As 
membranas de osmose reversa são mais seletivas e as de microfiltração são as 
menos seletivas.
A deposição de material em suspensão sobre a superfície da membrana oca-
siona a formação da torta, podendo ocorrer a acúmulo da solução na região, 
contribuindo com a resistência devido a formação de um gel. Uma problemática 
relacionada ao uso de membranas no tratamento de efluentes está relacionada 
ao acúmulo de substâncias na superfície da membrana ocasionando o fouling 
ou entupimento da membrana. Para solucionar tal problema, limpezas devem 
ser incorporadas ao sistema de operação como forma de prevenir o fouling 
(LAUTENSCHLAGER et al., 2009).
Para László et al. (2009), a filtração por membranas é um método eficiente 
para redução de DQO, entretanto, amostras com elevado teor de matéria orgânica 
ocasionam o fouling da membrana e reduzem drasticamente o fluxo de perme-
ado. Tal fato dificulta a utilização de membranas em escala industrial. 
Porém países desenvolvidos já vêm aplicando com sucesso o tratamento 
com membranas em amostras com menor teor de sólidos e menor carga orgâ-
nica, as membranas filtrantes ainda são encontradas nas indústrias alimentícias 
como ferramenta para recuperação de insumos proteicos, demonstrando que 
essa tecnologia emergente apresenta tendências de adaptabilidade e, em um 
futuro próximo, poderão ser empregadas com sucesso no tratamento efluentes 
(MATEUS et al., 2017a; MATEUS et al., 2017b). 
Vale ressaltar que, dependendo do objetivo a ser alcançado, para o efluente 
a ser tratado, nem todas essas etapas precisam ser realizadas, por exemplo, caso 
você busque apenas alcançar os padrões especificados para o descarte de efluentes, 
normalmente a associação de tratamentos preliminares, primário e secundário 
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proporcionarão os resultados esperados, agora, caso você almeje a reutilização 
de água dentro da indústria, alguns cuidados devem ser tomados.
 A reutilização de água dentro da indústria tem recebido grande atenção 
nos últimos anos e se tornado foco de inúmeras pesquisas, entretanto, a maior 
realização que se faz de água dentro das indústrias após o tratamento são reuti-
lização secundárias, destinados a processos que não requerem elevada qualidade 
e que não prejudique a qualidade final do produto como a irrigação, higiene de 
áreas de lazer, pátios e caminhões. Para que seja possível uma reutilização pri-
mária de água pela indústria, ou seja, como parte ou insumo no processo, a água 
deve atender elevados padrões de qualidade, incluindo do ponto de vista micro-
biológico, sendo os processos terciários de nanofiltração ou osmose reversa 
recomendados para tal ação.
Chegamos ao fim de nossa segunda unidade, cujo objetivo foi apresentar a 
você algumas informações sobre o tratamento de água e efluentes em especial da 
indústria. Espero ter contribuído, mesmo que minimamente, para sua jornada 
acadêmica, desejo boa sorte em seus estudos e muito sucesso! 
Um grande abraço. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Observamos, nesta unidade, informações sobre a qualidade, o abastecimento e 
o tratamento de água, que nos possibilitaram uma visão mais ampla do processo 
que envolve todo seu trajeto até a sua disponibilização. O tratamento de água é 
composto por uma série de processosque muito vão se assimilar ao tratamento 
de efluentes, porém, é claro, devemos considerar que a complexidade dos trata-
mentos destinados aos efluentes é maior. 
Contudo, compreender o quão é trabalhoso é disponibilizar este recurso nos 
faz refletir sobre a sua utilização e buscar por meios alternativos de evitar seu 
uso excessivo em um contexto social e, sobretudo, industrial. Logo, discutir o 
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uso consciente deste recurso no meio acadêmico nunca será em vão!
Observamos também inúmeras informações sobre os efluentes industriais 
e sanitários, desde limites para a disposição em corpo hídrico até a sua legisla-
ção específica e podemos compreender que ambos os efluentes são um reflexo 
expresso de sua utilização, assim aprendemos que um efluente nunca apresentará 
composição diferente daquela que está relacionada ao seu processo produtivo 
ou de beneficiamento. 
Podemos, por fim, conhecer os diferentes tipos de tratamento utilizados, 
sendo eles o tratamento preliminar, primário, secundário e terciário, este que 
se faz tão relevante para indústria, especialmente por ser a última etapa para 
adequar os efluentes aos padrões desejados e esperados para seu despejo, possi-
bilitando ainda condições de reutilização do efluente tratado dentro da própria 
indústria. Sendo assim, conhecer todos os processos da indústria nunca foi tão 
importante, pois, desta forma, é possível conhecer a composição do efluente final 
e buscar dentre as alternativas de tratamento disponível/existentes aquela que 
melhor se adequa a realidade financeira e operacional da indústria.
99 
Ao longo deste material foram apresentadas inúmeras informações acerca do tratamen-
to de efluentes líquidos, como parâmetros quantitativos e qualitativos que devem ser 
atendidos pelos diferentes tratamentos que visam a adequação destes efluentes as nor-
mas e padrões ambientais legislados. Entretanto, não discutimos acerca das metodolo-
gias envolvidas na análise destes parâmetros, logo, esta seção destina-se a apresentar 
metodologias voltadas a análise de parâmetros físico-químicos dos efluentes líquidos 
que nos indicaram se os tratamentos aplicados estão sendo eficientes ou não. A eficiên-
cia na remoção de um parâmetro pode ser calculada em função de uma forma básica 
que considera a diferença do valor residual de um parâmetro antes do tratamento, com 
o valor obtido após o tratamento, esse princípio se aplica a todos os parâmetros pre-
vistos na legislação, o que nos direciona a conclusão de que é necessário mensurar a 
eficiência dos tratamentos de forma individual para cada parâmetro a fim de investigar 
se a legislação foi atendida, o que possibilita ou não o descarte do efluente tratado no 
corpo hídrico.
Visando proporcionar conhecimentos básicos acerca das metodologias empregadas na 
quantificação dos parâmetros previsto na legislação, esta seção apresentará metodo-
logias e princípios sobre as técnicas específicas validadas internacionalmente, emba-
sadas nos princípios previsto pela bibliografia Standard Methods for the examination of 
water and wastewater publicada pela American Public Health Association em 2005. Esta 
publicação é considerada indispensável aos profissionais que atuam em saneamento 
ambiental, e versa sobre métodos precisos de quantificação analítica dos inúmeros pa-
râmetros de qualidade para águas e efluentes.
Na sequência algumas metodologias relevantes, lembrando que a legislação estadual 
e nacional específicas sempre deverão ser consultada para a análise de parâmetros de 
qualidade sempre deverão ser atendidos pelo tratamento proposto.
Classificação da Matéria Sólida: Pode ocorrer em função da sedimentabilidade, ou seca-
gem da matéria em temperaturas médias ou altas.
1. Em função da sedimentabilidade: Sólidos Sedimentáveis.
Método: Volumétrico.
Princípio: o teor de sólidos sedimentáveis de um despejo é o volume de sólidos que 
se deposita no fundo de um cone Imhoff após um tempo determinado de repouso do 
líquido.
2. Em função da secagem em temp. média (103 a 105°C): Sólidos Totais, Sólidos 
Suspensão Totais, Sólidos Dissolvidos Totais.
Método: Gravimétrico.
Princípio: O teste de sólidos totais é realizado para interpretar quantitativamente a pre-
sença total de matéria que não seja água, em um despejo, seja na forma de substâncias 
dissolvidas, em forma coloidal ou em suspensão.
100 
3. Em função da secagem a alta temp. (550 a 600°C): Sólidos voláteis (matéria 
orgânica); Sólidos fixos (matéria inorgânica).
Método: Gravimétrico.
Princípio: O resultado obtido na determinação dos sólidos totais é submetido à incinera-
ção a 550-560ºC. A fração orgânica irá oxidar a essa temperatura e será eliminada como 
gás, e a fração inorgânica permanecerá como cinzas.
Temperatura: Medida da intensidade de calor.
A temperatura da água afeta algumas características físicas e químicas da água. Exem-
plo: solubilidade dos gases (OD) e densidade. A temperatura também afeta o comporta-
mento dos microrganismos, alterando a velocidade com que os microrganismos degra-
dam a matéria orgânica.
Odor: Sua determinação ocorre de forma simples e direta, ou seja quando presente o 
odor é objetável, quando ausente odor é não objetável. 
Os odores característicos dos esgotos são causados pelos gases formados no proces-
so de decomposição da matéria orgânica e outras substâncias adicionadas ao esgoto. 
Além dos odores produzidos pela decomposição da matéria orgânica nos despejos in-
dustriais.
Cor: Resulta da existência, na água, de substâncias em solução. Pode ser dividida em real 
e aparente. A análise deste parâmetro normalmente é realizada em um equipamento 
específico denominado colorímetro ou em espectrofotômetro.
Cor Aparente: é a cor presente em uma amostra de água, devido a presença de substân-
cias dissolvidas e substâncias em suspensão.
Cor Verdadeira ou Real: é a cor presente em uma amostra de água, devido a presença de 
substâncias dissolvidas.
Turbidez: Relacionada a presença de matéria em suspensão na água, como argila, silte, 
substâncias orgânicas finamente divididas, organismos microscópicos e outras partícu-
las.
A turbidez representa o grau de interferência com a passagem da luz através da água, 
conferindo uma aparência turva à mesma. Sua análise deve ser realizada em equipa-
mento específico denominado turbidímetro.
DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio): Retrata a quantidade de oxigênio requerida 
pelos microrganismos para estabilizar a matéria orgânica. A estabilização é um processo 
de simplificação da matéria orgânica através de microrganismos em substâncias mais 
simples, tais como: amônia (NH3), gás carbônico (CO2), água (H2O) e sais minerais.
101 
DQO (Demanda Química de Oxigênio): Teste tem duração de 5 dias à temperatura de 
20ºC; considera a fração biodegradável através da taxa de desoxigenação.
Princípio: O método consiste em determinar a diferença entre o oxigênio da amostra no 
dia e após um período de incubação de 5 dias a 20°C, diferença esta que corresponde ao 
oxigênio gasto pelos microrganismos, para a mineralização da matéria orgânica.
Fonte: APHA (2005).
102 
1. Os eventos e peculiaridades acerca do processo de tratamento de água são 
diversos e apresentam-se necessários, pois, visam a garantia da qualidade da 
água enquanto produto final de um processo de tratamento. A Portaria 2914 
de 2011 elaborada pelo Ministério da Saúde dispõe sobre os parâmetros de 
qualidade de água necessários para consumo humano, denominado de parâ-
metros de potabilidade. Em relação a estes parâmetros apresentados, associe 
as duas colunas, relacionando os parâmetros com a sua correta definição/fina-
lidade.
(1) Cloro
(2) Turbidez 
(3) pH
(4) Coraparente
( ) Parâmetro relacionado a quantidade de partículas em suspensão (material 
insolúvel) presentes na água e que impedem a passagem de luz.
( ) Indica a natureza ácida ou básica da água.
( ) Parâmetro utilizado na eliminação de microrganismos que possam estar pre-
sentes nas águas e que possam provocar doenças relacionadas a vias hídrica.
( ) Indica a presença de substâncias dissolvidas ou finamente divididas que con-
ferem coloração específica à água.
Assinale a sequência correta:
a. 2, 3, 1 e 4.
b. 1, 2, 3 e 4.
c. 2, 4, 1 e 3.
d. 2, 3, 4 e 1.
e. 3, 1, 4 e 3.
2. Os processos oxidativos avançados têm obtido grande atenção em função do 
aumento da complexidade e dificuldade no tratamento de águas residuárias. 
Tal fato resultou na intensificação da busca por novas metodologias visando 
a remediação desses rejeitos. Em relação aos processos oxidativos avançados, 
assinale a alternativa correta:
a. Os processos oxidativos avançados são componentes do tratamento primário.
b. Possuem como principal objetivo a eliminação de sólidos dissolvidos e em sus-
pensão.
103 
c. São exemplos de processos oxidativos avançados o gradeamento e a coagu-
lação.
d. Processos oxidativos avançados são componentes do tratamento preliminar.
e. Visam eliminação de substâncias mediante a quantidade de radicais hidroxilos 
(OH) disponíveis para oxidação.
3. As técnicas de tratamento terciário são responsáveis pela remoção de substân-
cias específicas como hormônios ou fármacos que não puderam ser removidas 
nas etapas anteriores de tratamento. Dentre as técnicas destinadas ao trata-
mento terciário figuram a adsorção, os processos oxidativos avançados e a fil-
tração por membranas. Dentre os processos citados, a filtração em membranas 
se destaca como uma técnica emergente que garante excelentes resultados 
para a recuperação de insumo, tratamento de água e efluentes. Em face do 
exposto, discorra sobre o processo de filtração em membranas, abordando 
suas características e especificidades. 
4. O tratamento secundário possui como essência a atividade biológica, visando 
a remoção de matéria orgânica. Nesta etapa em reservatórios destinados ex-
clusivamente a esse tratamento, microrganismos como bactérias e fungos con-
somem/degradam a matéria orgânica, gerando subprodutos não tóxicos, água 
e gás carbônico. Entretanto, para o sucesso deste tratamento, alguns fatores 
devem ser controlados para otimizar a ação dos microrganismos, como tempe-
ratura, pH e presença ou ausência de oxigênio. Entretanto, todo tratamento se-
cundário resultará em um lodo residual da atividade microbiológica que deve 
receber uma atenção especial. Considerando o exposto, discorra brevemente 
sobre as medidas que devem ser tomadas em relação a esse novo resíduo.
5. A necessidade de criação de legislações ambientais específicas foi embasada 
pela reforma sanitária de nosso país, por normas internacionais e pela grande 
pressão social. Em relação à legislação específica existente para o despejo de 
efluentes em corpos hídricos receptores, classifique as assertivas em verda-
deiras (V) ou falsas (F):
( ) A legislação que discorre sobre parâmetros para o lançamento de efluentes em 
corpos hídricos é a Resolução 430/2011 do CONAMA.
( ) A legislação que discorre sobre parâmetros para o lançamento de efluentes em 
corpos hídricos é a Portaria 2914 do Ministério da Saúde.
104 
( ) Em relação ao regime de lançamento de efluentes, a vazão máxima é de até 1,5 
da vazão média do agente poluidor, podendo ser superior em casos permitidos 
por autoridades competentes.
( ) Em relação ao parâmetro DBO, para que seja possível o lançamento do efluente 
em corpo hídrico deverá ocorrer uma remoção mínima de 60% deste parâmetro 
em relação ao seu valor inicial podendo ser alterado somente mediante a estudo 
de autodepuração.
( ) A legislação que discorre sobre parâmetros para o lançamento de efluentes 
em corpos hídricos não prevê nenhuma restrição em relação ao parâmetro tem-
peratura.
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
Manual de tratamento de efluentes industriais
José Eduardo W. Cavalcanti 
Editora: Oficina de Textos
Sinopse: a finalidade deste Manual é proporcionar aos profissionais 
interessados em conhecer as nuances que envolvem o tratamento de efluentes 
industriais um rol de informações acerca das potencialidades e limitações dos 
vários processos e operações unitárias utilizados na depuração de diferentes 
tipos de águas residuais industriais, ao mesmo tempo orientar na elaboração de estudos e projetos 
visando a aquisição, implantação, reabilitação e operação de sistemas de tratamento. O Manual, 
prioritariamente dirigido à indústria, é constituído por 18 capítulos abordando temas especialmente 
selecionados em função das necessidades dos usuários industriais na condução do processo de 
controle de poluição no que tange particularmente a tratamento de efluentes e reuso de água.
Ilha das Flores
1989
Este filme retrata a sociedade atual, tendo como enfoque seus problemas de ordem sociais, econômicas 
e culturais, na medida em que contrasta a força do apelo consumista, os desvios culturais retratados 
no desperdício, e o preço da liberdade do homem, enquanto um ser individual e responsável pela 
própria sobrevivência. Através da demonstração do consumo e desperdício diários de materiais 
(lixo), o autor aborda toda a questão da evolução social de indivíduo, em todos os sentidos. Torna 
evidente ainda todos os excessos decorrentes do poder exercido pelo dinheiro, numa sociedade onde 
a relação opressão e oprimido é alimentada pela falsa ideia de liberdade de uns, em contraposição 
à sobrevivência monitorada de outros.
REFERÊNCIAS
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3 Em: <http://www.tratabrasil.org.br/o-cenario-atual-do-saneamento-ambiental-
-no-brasil-marilia-notic>. Acesso em: 20 mar. 2018.
GABARITO
109
1. A.
2. E.
3. Dentre os diferentes tipos de membranas utilizadas no tratamento de água des-
tacam-se as membranas de microfiltração, ultrafiltração, nanofiltração e a de 
osmose reversa. Tais membranas podem ser diferenciadas pelo diâmetro dos 
poros e resistência a pressão que promove a separação dos contaminantes. As 
membranas de osmose reversa são mais seletivas, e as de microfiltração são 
as menos seletivas. A deposição de material em suspensão sobre a superfície 
da membrana ocasiona a formação da torta, podendo ocorrer a acúmulo da 
solução na região, contribuindo com a resistência devido a formação de um 
gel. Uma problemática relacionada ao uso de membranas no tratamento de 
efluentes está relacionada ao acúmulo de substâncias na superfície da mem-
brana ocasionando o fouling ou entupimento da membrana. Para solucionar 
tal problema, limpezas devem ser incorporadas ao sistema de operação como 
forma de prevenir o fouling. A filtração por membranas é um método eficiente 
para redução de DQO, entretanto, amostras com elevado teor de matéria orgâ-
nica ocasionam o fouling da membrana e reduzem drasticamente o fluxo de 
permeado. Tal fato dificulta a utilização de membranas em escala industrial.
4. Em todos os tipos de tratamento secundário citados é necessário fazer a gestão 
adequada do lodo gerado, sendo que o lodo resultante da atividade biológica 
eventualmente e conforme a necessidade, deverá ser retirado da lagoa em que 
estiver sendo aplicado, preferencialmente quando sua atividade biológica for 
reduzida devido a intensa utilização. Antes de seu descarte, todo esse lodo resi-
dual deverá ser tratado antes de receber uma destinação final adequada.
5. V, F, V, V e F.
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Professor Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus
Professora Me. Renata Cristina de Souza Chatalov
A QUESTÃO DOS RESÍDUOS 
SÓLIDOS
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Apresentar conceitos iniciais voltados à temática resíduos sólidos 
e relacionar sua geração com mudanças culturais, tecnológicas e 
comportamentais da sociedade.
 ■ Conceituar e diferenciar aterro sanitário e aterro de resíduos 
perigosos/inertes.
 ■ Conceituar e classificar os resíduos perigosos.
 ■ Conceituar resíduos radioativos e apresentar as diferentes formas de 
manejo e disposição destes resíduos.
 ■ Apresentar as diferentes técnicas utilizadas no tratamento dos 
resíduos sólidos.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Geração, Coleta e Transporte de Resíduos Sólidos.
 ■ Processamento e Disposição Final de Resíduos.
 ■ Gestão de Resíduos Perigosos.
 ■ Gestão de Resíduos Radioativos.
 ■ Técnicas de Tratamento de Resíduos Sólidos.
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), nesta unidade, abordaremos a questão dos resíduos sólidos 
gerados por quase todas as atividades humanas e compreendidos por uma grande 
diversidade de materiais, em que estão incluídos: orgânicos, papéis, plásticos, 
garrafas, lâmpadas, bagaço de cana, entulho de construção civil, pneus, pilhas, 
baterias, medicamentos vencidos, entre outros. 
Se não bastasse a grande variedade na composição dos resíduos sólidos, 
sua quantidade e qualidade mudaram no decorrer dos anos, acompanhando as 
mudanças culturais, tecnológicas e comportamentais da sociedade, pois quanto 
mais a população e a economia crescem, mais quantidades de resíduos são geradas.
Veremos também a definição de resíduos sólidos, de acordo com a NBR 
ABNT 10.004/2004, a classificação dos resíduos sólidos bem como a sua tipolo-
gia. Essa norma classifica os resíduos sólidos em I - perigosos, II A - não inertes 
e II B - como inertes, e é importante para se pensar na gestão de resíduos den-
tro de uma organização.
Além disso, estudaremos aspectos importantes do gerenciamento de resíduos 
sólidos: a geração, a coleta, o acondicionamento, a coleta externa, o transporte, o 
tratamento e disposição final adequada de resíduos sólidos. No que diz respeito 
ao tratamento de resíduos sólidos, abordaremos algumas técnicas de tratamento, 
tais como: compostagem, vermicompostagem, incineração, além do aproveita-
mento energético de resíduos sólidos.
E finalizaremos nossos estudos fazendo uma abordagem sobre o lixão, que 
é a formainadequada de disposição final de resíduos, além de definir e diferen-
ciar aterro controlado e aterro sanitário. Veremos, também, as particularidades 
de aterros industriais. Dessa maneira, esperamos que compreendam todos os 
aspectos referentes à gestão de resíduos sólidos.
Introdução
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GERAÇÃO, COLETA E TRANSPORTE DE RESÍDUOS
A palavra lixo é derivada do latim lix, que significa cinza. No dicionário, ela 
é definida como sujeira, imundície, coisa ou coisas inúteis, velhas, sem valor. 
De acordo com Rocha, Rosa e Cardoso (2009), lixo é considerado como sendo 
restos das atividades humanas consideradas pelos geradores como inúteis, des-
cartáveis ou indesejáveis.
Enquanto para Philippi Jr. e Aguiar (2005), os resíduos constituem os subpro-
dutos da atividade humana com características específicas, definidas, geralmente, 
pelo processo que os gerou. Já os rejeitos são todos os resíduos que não têm apro-
veitamento econômico por nenhum processo tecnológico disponível e acessível. 
A Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT), por meio da Norma 
Regulamentadora NBR 10.004/2004, define resíduos sólidos como sendo:
aqueles que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, 
hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e varrição. Ficam incluí-
dos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento 
de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle 
de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades 
tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos 
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d’água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviá-
veis em face à melhor tecnologia disponível (p. 01).
GERAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS
Os resíduos sólidos (Figura 1) são gerados por quase todas as atividades huma-
nas, compreendem uma grande diversidade de materiais, nos quais se incluem 
restos de alimentos, computadores, garrafas, plástico, papelão, bagaço de cana, 
lâmpadas queimadas, palha de milho, baterias, pilhas, lodos de estação de trata-
mento de esgoto (ETE), pneus, peças anatômicas, remédios vencidos, materiais 
radioativos, sucata de metal, produtos químicos perigosos, trapos velhos e outros.
Figura 1 - Resíduos Sólidos
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Outros fatores que influenciam a geração dos resíduos sólidos no meio urbano são:
 ■ Variações sazonais;
 ■ Condições climáticas;
 ■ Nível educacional;
 ■ Poder aquisitivo;
 ■ Área relativa de produção;
 ■ Sistematização na origem;
 ■ Número de habitantes do local;
 ■ Segregação na origem;
 ■ Leis e regulamentações específicas;
 ■ Tipo de equipamentos de coleta;
 ■ Hábitos e costumes da população.
CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
As classificações mais utilizadas dos resíduos sólidos são quanto aos riscos poten-
ciais de contaminação do meio ambiente e quanto à natureza ou origem.
Classificação quanto aos riscos potenciais de contaminação do 
meio ambiente
A ABNT NBR 10.004/2004 estabelece que a classificação dos resíduos pode ser 
feita com base nos critérios de periculosidade. Podemos observar essa classifi-
cação na Figura 2:
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Figura 2 - Classificação dos Resíduos Sólidos de acordo com a NBR 10.004/2004
Fonte: adaptado de NBR 10.004/2004.
Os Resíduos Classe I – Perigosos: são provenientes, principalmente, de proces-
sos produtivos, em unidades industriais e fontes específicas. No entanto podem 
estar presentes também em domicílios e comércios (BRASIL, 2004). São resíduos 
ou mistura de resíduos que por sua natureza (inflamabilidade, corrosividade, 
reatividade, toxicidade e patogenicidade) e por suas propriedades físicas, quími-
cas ou infectocontagiosas podem apresentar riscos à saúde pública, provocando 
ou acentuando aumento da mortalidade por incidências de doenças e dos ris-
cos ao meio ambiente, quando o resíduo for gerenciado de maneira inadequada 
(DERÍSIO, 2012).
Como exemplos de resíduos classe I temos: pilhas, baterias, lâmpadas 
fluorescentes, componentes eletrônicos de alta tecnologia (chips, fibra ótica, 
semicondutores, tubos de raios catódicos), embalagens de agrotóxicos, resíduos 
de tintas e solventes (BRASIL, 2006).
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Os Resíduos Classe II - A (Não Inertes): podem ter como propriedades a 
biodegradabilidade, a combustibilidade ou a solubilidade em água (BRASIL, 
2004). Como exemplos destes resíduos temos: resíduos orgânicos, papéis, plás-
ticos, podas de árvores e outros.
Os Resíduos da Classe II - B (Inertes): não apresentam nenhum de seus cons-
tituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade 
em água, com exceção dos aspectos cor, turbidez, dureza e sabor. Ocorrendo a 
impossibilidade do enquadramento dos resíduos, em pelo menos um dos critérios 
(tóxico, corrosivo, inflamável, reativo e patogênico), a mesma norma estabelece 
a necessidade de que amostras deles sejam submetidas a ensaios tecnológicos. 
Classificação quanto à origem ou natureza
No que diz respeito em função de sua origem ou natureza, a classificação dos 
resíduos sólidos pode ser: domiciliar ou doméstico, comercial, público, servi-
ços de saúde, agrícola, industrial e de construção civil. Os resíduos domiciliares 
são provenientes de atividades residenciais, como restos de alimentos, jornais, 
revistas, garrafas, embalagens, papel higiênico e uma variedade de outros itens; 
os resíduos comerciais são originados a partir de atividades comerciais e de 
serviços, por exemplo, papel, plásticos, embalagens e outros; os resíduos públi-
cos são oriundos de limpeza pública urbana, logradouros públicos, feiras livres 
e outros. Como exemplos podemos citar: terra, areia, folhas, galhadas, e tam-
bém aqueles descartados de forma inadequada pela população, como entulho, 
papéis, restos de alimentos e embalagens.
Os resíduos de serviços de saúde são aqueles comuns e especiais, produzi-
dos em serviços de saúde, tais como hospitais, laboratórios, farmácias, clínicas 
veterinárias etc. Podemos observar essa classificação de acordo com a RDC 
ANVISA nº 306/04 e a Resolução do CONAMA 358/05, no Quadro 1 a seguir:
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Quadro 1 - Classificação dos Resíduos de Serviços de Saúde
CLASSE DEFINIÇÃO EXEMPLOS
A - Biológicos Resíduos com a possível pre-
sença de agentes biológicos 
que, por suas características 
de maior virulência ou con-
centração, podem apresentar 
risco de infecção.
Culturas e estoques de 
microorganismos, bolsas 
contendo sangue, peças 
anatômicas e outros.
B - Químicos Resíduos contendo substân-
ciasquímicas que podem 
apresentar risco à saúde 
pública ou ao meio ambiente, 
dependendo de suas carac-
terísticas de inflamabilidade, 
corrosividade, reatividade e 
toxicidade.
Resíduos de saneantes, de-
sinfectantes, efluentes de 
processadores de imagem, 
reagentes para laboratório 
e outros.
C - Radioativos Quaisquer materiais resultan-
tes de atividades humanas 
que contenham radionuclíde-
os em quantidades superio-
res aos limites de eliminação 
especificados nas normas da 
Comissão Nacional de Ener-
gia Nuclear - CNEN e para os 
quais a reutilização é impró-
pria ou não prevista.
Materiais resultantes de 
laboratórios de pesquisa e 
ensino na área de saúde, 
laboratórios de análises 
clínicas e serviços de medi-
cina nuclear e radioterapia 
que contenham radionu-
clídeos em quantidade 
superior aos limites de 
eliminação.
D - Comuns Resíduos que não apresen-
tem risco biológico, químico 
ou radiológico à saúde ou 
ao meio ambiente, podendo 
ser equiparados aos resí-
duos domiciliares.
Papéis, plásticos, resídu-
os orgânicos, papelão e 
outros.
E - Perfurocortan-
tes
Materiais perfurocortantes ou 
escarificantes.
Lâminas de barbear, agu-
lhas, escalpes, ampolas de 
vidro, brocas, limas endo-
dônticas e outros.
Fonte: adaptado da Resolução 358/05 CONAMA e RDC 306/04.
A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
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O manejo dos resíduos de saúde é entendido como a ação de gerenciar os resíduos 
em seus aspectos dentro e fora do estabelecimento, desde a geração até a dispo-
sição final (DUARTE, 2010). O seu manuseio está regulamentado pela norma 
NBR 12.809/93 da ABNT e compreende os cuidados que se deve ter para segre-
gar os resíduos na fonte e para lidar com os resíduos perigosos. Monteiro et al. 
(2001) afirma que o procedimento mais importante para manusear os resíduos 
dos serviços de saúde é a hora de separar na própria origem o lixo infectante dos 
resíduos comuns, uma vez que o primeiro representa apenas 10 a 15% do total 
de resíduos, e o lixo comum não necessita de muitos cuidados.
Além disso, para manusear os resíduos infectantes, devem ser utilizados os 
seguintes equipamentos de proteção individual (EPI): avental plástico, luvas, 
bota ou sapato fechado, óculos, máscara. Os resíduos de serviços de saúde devem 
ser acondicionados diretamente nos sacos plásticos regulamentados pela norma 
NBR 9.191/2000 da ABNT, sustentados por suportes metálicos, para que não 
haja contato direto dos funcionários com os resíduos, e os suportes são opera-
dos por pedais.
No gerenciamento dos resíduos de saúde, devem estar previstos, além do 
manejo, a segregação, o tratamento, o acondicionamento, a identificação, coleta 
e transporte interno, o armazenamento temporário, a coleta externa e a dispo-
sição final (DUARTE, 2010).
Os resíduos de portos, aeroportos e terminais rodoviários, são gerados 
em terminais, dentro de navios, aviões e veículos de transporte. Resíduos de 
aeroportos e portos podem ser decorrentes do consumo dos passageiros e sua 
periculosidade está no risco de transmissão de doenças que já foram erradicadas 
no país. A transmissão pode ocorrer também por meio de cargas que podem estar 
contaminadas, tais como animais, plantas e carnes (MONTEIRO et al., 2001).
Os resíduos agrícolas são compostos por embalagens de fertilizantes e defen-
sivos agrícolas, rações, resíduos de colheita e outros. Assim, o manuseio deles 
deve seguir as mesmas rotinas e utilizar os mesmos recipientes empregados para 
resíduos classe I (Perigosos), no caso de embalagens de agrotóxicos.
Os resíduos industriais são aqueles gerados pelas atividades industriais, são 
muito variados e apresentam características diversificadas, pois estas dependem 
do tipo de produto manufaturado. Portanto, devem ser estudados caso a caso e 
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é imprescindível o conhecimento prévio do processo industrial para classifica-
ção do resíduo. 
Para isto, é adotada a NBR 10.004/04 da ABNT para se classificarem os resí-
duos industriais: Classe I (Perigosos), Classe II - A (Não-Inertes) e Classe II - B 
(Inertes), que abordamos no início deste tópico.
No caso dos resíduos industriais, quando a sua origem é desconhecida, o 
trabalho para classificá-lo se torna mais complexo. Nesse caso, a experiência e o 
bom senso do técnico serão fundamentais. Muitas vezes, mesmo para resíduos 
com origem conhecida, torna-se impossível conseguir uma resposta conclusiva, e 
para estes casos, será necessário analisar parâmetros indiretos ou realizar bioen-
saios. A NBR 10.004/04 apresenta um fluxograma simples com etapas necessárias 
para classificação de um resíduo, que podemos visualizar na Figura 3.
Figura 3 - Fluxograma NBR 10.004/2004
Fonte: adaptado de NBR 10.004/2004
A caracterização de um resíduo inicia-se durante o processo industrial que origi-
nou o resíduo. É importante que se obtenha informações suficientes do processo 
que possam permitir a caracterização correta do resíduo, como por exemplo, revi-
sando fluxogramas, balanços de massa, localizando entradas e saídas. Além disso, 
é importante observar as características físicas do resíduo, volume produzido 
A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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bem como sua composição. Baseado nestas informações pode-se definir se o 
resíduo é ou não conhecido, e verificar se o mesmo é encontrado no Anexo A 
ou B da NBR 10.004 (ABNT, 2004).
Caso seja encontrado o resíduo em uma destas listagens, ele é automatica-
mente classificado como perigoso (classe I). Se não for encontrado, é importante 
verificar informações sobre esse resíduo, com o intuito de verificar se ele possui ou 
não características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou 
patogenicidade. Caso não consiga verificar essas características, é recomendado 
que se faça coleta de amostras desse resíduo e encaminhe para um laboratório 
especializado, para que façam testes que permitam verificar essas especificações 
(SILVA, 2008).
Os Resíduos da Construção Civil são compostos por materiais de demo-
lições, entulhos, solos de escavações, além disso, podem conter componentes 
tóxicos como resíduos de tintas, solventes e peças de Amiantos. São classifica-
dos de acordo com a Resolução do CONAMA 307/02, que podemos visualizar 
no Quadro 2:
Quadro 2 - Classificação dos Resíduos de Construção Civil
CLASSE DEFINIÇÃO EXEMPLOS
A Resíduos reutilizáveis ou 
recicláveis como agrega-
dos.
Tijolos, blocos, telhas, placas de revesti-
mento, argamassa, concreto
B Resíduos recicláveis para 
outras destinações
Plástico, papel, papelão, metais, vidros 
e madeiras
C Resíduos para os quais 
não foram desenvolvidas 
tecnologias ou aplicações 
economicamente viáveis 
que permitam a sua reci-
clagem/recuperação
Gesso
D Resíduos perigosos 
oriundos do processo de 
construção
Tintas, solventes, óleos e outros, ou 
aqueles contaminados oriundos de 
demolições, reformas e reparos de 
clínicas radiológicas, instalações indus-
triais.
Fonte: adaptado de Resolução CONAMA 307 (2002).
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Sobre a disposição dos resíduos de construção civil, a Resolução CONAMA n° 
307/2002, afirma que os mesmos não poderão ser dispostos ematerros de resí-
duos domiciliares, em áreas de bota fora, em encostas, corpos d’água, lotes vazios 
e em áreas protegidas por Lei. Mas infelizmente, em grande parte dos municí-
pios, esses resíduos são depositados clandestinamente em margens de rios ou 
terrenos baldios. 
A deposição irregular de entulho pode ocasionar proliferação de vetores de 
doenças, entupimento de galerias e bueiros, assoreamento de córregos e rios, 
contaminação de águas superficiais e poluição visual.
COLETA E TRANSPORTE
Para Souto e Povinelli (2013) a coleta é o ponto-chave no gerenciamento de 
resíduos sólidos. É a etapa em que os resíduos são recolhidos junto ao gerador 
e encaminhados para a destinação final. A coleta dos resíduos sólidos urbanos 
feita pelo município ou empresa concessionária recebe o nome de coleta regular. 
A coleta de outros tipos de resíduos recebe o nome de coleta especial, quando 
existe uma segregação prévia de acordo com a composição ou na constituição 
dos resíduos, temos a coleta seletiva. 
A segregação na fonte permite-nos otimizar os sistemas de tratamento e dis-
posição final dos resíduos. Quando se permite que um resíduo perigoso seja 
misturado a resíduos não perigosos, o resultado é que a massa total de resíduo 
acaba sendo classificada como perigosa, tratada e disposta como tal. Dessa 
maneira, nunca devemos misturar resíduos perigosos com resíduos comuns. 
É muito importante fazer corretamente a classificação dos resíduos sólidos. 
Fonte: os autores.
A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E124
Coleta regular
Geralmente, essa coleta é feita de porta em porta, com caminhões compactado-
res. Os Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) podem ser acondicionados em sacos 
plásticos (Figura 4), como é feita aqui no Brasil, ou contêineres.
Figura 4 - Sacos plásticos para acondicionamento de resíduos
Coleta especial
Existem vários tipos de resíduos que não devem ser misturados aos RSU, como: 
Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) e Resíduos da Construção Civil (RCC). Para 
alguns resíduos, como é o caso dos RCC, pode ser aplicada a logística reversa, 
que consiste no processo de retornar um material do consumidor ao fabri-
cante. De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a Lei nº 
12.305/2010, a logística reversa é:
o conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a 
coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para re-
aproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra 
destinação final ambientalmente adequada (BRASIL, 2010, on-line).
Outros exemplos de materiais que estão sujeitos à logística reversa são os agro-
tóxicos, pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes e outros.
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Coleta seletiva
A coleta seletiva é muito importante para o sucesso de iniciativas, como a reci-
clagem, pois tende a aumentar a quantidade de matéria-prima disponível. Em 
um programa de coleta seletiva, o acondicionamento dos resíduos recicláveis 
pode ser feito de forma diferenciada. A Resolução CONAMA n° 275/2001 esta-
belece um código de cores para os diferentes tipos de resíduos na coleta seletiva, 
de acordo com o Quadro 3 (vide versão colorida no AVA):
Quadro 3 - Código de cores para os diferentes tipos de resíduos na coleta seletiva
CORES MATERIAL
Azul Papel/Papelão
Vermelho Plástico
Verde Vidro
Amarelo Metal
Preto Madeira
Laranja Resíduos perigosos
Branco Resíduos ambulatoriais e de saúde
Roxo Resíduos radioativos
Marrom Resíduos orgânicos
Cinza Resíduo geral não reciclável ou misturado, ou contaminado, 
não passível de separação
Fonte: adaptado da Resolução do CONAMA 275 (2001).
A coleta seletiva de lixo pode apresentar inúmeras vantagens, tais como:
 ■ Aumento da vida útil no aterro sanitário; 
 ■ Redução no consumo de energia; 
 ■ Redução dos gastos com limpeza urbana; 
 ■ Diminuição na poluição da água e do solo; 
A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
Reprodução proibida. A
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IIIU N I D A D E126
 ■ Geração de empregos;
 ■ Renda para comercialização dos recicláveis.
Além disso, os resíduos recicláveis retornam ao ciclo de produção como maté-
ria-prima, reduzindo o consumo de energia e de recursos naturais, e a matéria 
orgânica, após sua transformação em compostos orgânicos, é reintroduzida no 
ciclo ecológico como condicionador de solos, rico em húmus (DUARTE, 2010). 
TRANSPORTE
Os resíduos, quando coletados, devem ser transportados até os pontos de des-
tinação final, sejam eles as indústrias de reciclagem, centrais de tratamento ou 
aterros. Quando as distâncias e volumes são pequenos, o transporte pode ser 
feito pelos próprios veículos de coleta.
PROCESSAMENTO E DISPOSIÇÃO FINAL DE 
RESÍDUOS
Dentre as técnicas para disposição final de resíduos sólidos, temos a forma ina-
dequada, que são os lixões, e as formas apropriadas e recomendadas, que são os 
aterros sanitários e industriais, que veremos cada um deles, a seguir.
LIXÕES
Os lixões apresentam-se como o meio mais barato e o pior, ambientalmente, para 
disposição final de resíduos sólidos, pois não implicam custos de tratamento e 
controle. Em outras palavras, é apenas a disposição do resíduo a céu aberto em 
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terrenos baldios, que fica exposto sem nenhum tratamento, provocando intensa 
proliferação de moscas, baratas e ratos, vetores de doenças por meio de organis-
mos patogênicos, poluindo o solo e os corpos d’água com o chorume, líquido 
que, além de exalar mau cheiro pelos gases produzidos, é um detrimento visual 
das cidades. 
Phillip Jr. e Aguiar (2005) afirmam que os lixões são considerados locais ou 
formas de disposição final e de tratamento totalmente inadequados do ponto 
de vista social, sanitário e ecológico, pois, no conjunto, propiciam a proliferação 
de vetores e o aparecimento de doenças em animais e em seres humanos, além 
da poluição atmosférica e das contaminações do solo e dos recursos naturais.
Figura 5 - Lixão
Além de todos os problemas ambientais que os resíduos podem causar ao meio 
ambiente, outra questão deve ser levada em consideração, a questão social. É um 
aspecto social degradante, nos serviços de limpeza pública, os catadores de reci-
cláveis misturados ao lixo, entre animais e máquinas, em condições insalubres.
A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
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IIIU N I D A D E128
ATERROS CONTROLADOS
Para Rocha, Rosa e Cardoso (2009), a disposição final de resíduos sólidos em 
aterros sanitários é semelhante a dos lixões, cujos resíduos são colocados direto 
no solo antes impermeabilizado. Diariamente, é feita uma cobertura com terra, 
do resíduo depositado para minimizar os efeitos ambientais como os dos lixões. 
O lixiviado (chorume), gerado da decomposição do resíduo, pode ser drenado 
de forma controlada, podendo ou não ser tratado.
Dessa forma, podemos afirmar que o aterro controlado é uma fase interme-
diária entre lixão e aterro sanitário. Neste caso, após a cobertura dos resíduos, 
verifica-se que o impacto visual e o odor são muito menores se comparados ao 
lixão, graças à cobertura que é feita. Além disso, essa cobertura contribui para 
impedir a proliferaçãode insetos e outros animais que visitam o local em busca 
de alimentos.
ATERROS
O aterro é uma forma de disposição de resíduos no solo, que, fundamentada 
em critérios de engenharia operacionais específicas, garante um confinamento 
seguro em termos de poluição ambiental e proteção a saúde pública. Como 
vimos anteriormente, são inúmeros os problemas oriundos da disposição final 
inadequada de resíduos sólidos, como odores, gases tóxicos, poluição da água, 
do solo e outros. Estes problemas são eliminados em um aterro pela adoção de 
seguintes medidas (SILVA, 2008):
 ■ Localização adequada;
 ■ Elaboração de projeto criterioso;
 ■ Implantação de infraestrutura de apoio;
 ■ Implantação de obras de controle de poluição;
 ■ Regras operacionais específicas.
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Os aterros podem ser chamados de aterros sanitários quando são projetados e 
implantados, especialmente, para disposição de resíduos sólidos urbanos, ou aterros 
industriais quando são projetados para disposição de resíduos sólidos industriais.
ATERRO SANITÁRIO
Os aterros sanitários consistem em um sistema de impermeabilização de base e 
laterais, normalmente um filme plástico de polietileno de alta densidade, com 
sistema de recobrimento diário do resíduo depositado e com cobertura final da 
área quando saturada. É definido pela NBR 8.419/92 como sendo:
uma técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo, sem 
causar danos à saúde pública e à segurança, minimizando os impactos 
ambientais, método este que utiliza princípios de engenharia para 
confinar os resíduos sólidos à menor área possível e reduzi-los ao 
menor volume permissível, cobrindo-os com uma camada de terra 
na conclusão de cada jornada de trabalho, ou a intervalos menores, 
se necessário. O projeto deve ser elaborado para a implantação de um 
aterro sanitário que deve contemplar todas as instalações fundamentais 
ao bom funcionamento e ao necessário controle sanitário e ambiental 
durante o período de operação e fechamento do aterro (BRASIL, 1992, 
p. 1).
Para o IBGE (2007), o aterro sanitário consiste em uma técnica de disposição do 
lixo fundamentada em critérios de engenharia e normas operacionais específicas, 
que permite a confinação segura em termos de controle da poluição ambiental 
e proteção à saúde pública (Figura 6). É uma forma adequada de disposição dos 
resíduos no solo, logo, o aterro sanitário dispõe de impermeabilização de base, de 
sistemas de tratamento de chorume e de sistemas de dispersão dos gases gerados.
A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
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IIIU N I D A D E130
 
Figura 6 - Aterro Sanitário
De acordo com Donha (2002), aterro sanitário é um método de disposição final 
do lixo sob o solo, sem que se crie no meio ambiente incômodos ou perigos à 
segurança e à saúde públicas, em que se utilizam princípios da engenharia para 
confinar o lixo à menor área possível, reduzindo-o ao menor volume verificável 
na prática e o cobrindo com uma camada de terra ao fim de cada dia de opera-
ção ou a menores intervalos.
Os aterros sanitários são construídos seguindo o que exige a legislação, ou 
seja, distante das cidades. Esta exigência legal a ser respeitada serve para distan-
ciar os moradores dos diversos tipos de odores, da contaminação do solo e do 
lençol freático provenientes da degradação dos materiais orgânicos (PHILIPPI 
JR., 2005).
O resíduo enterrado sofre decomposição anaeróbia, gerando o produto 
líquido, o chorume, grande quantidade de gases, o metano, além de dióxido de 
carbono e sulfeto de hidrogênio e amônia, que são responsáveis pelo odor carac-
terístico destes locais (ROCHA, ROSA; CARDOSO, 2009).
O lixiviado, conhecido como chorume, é um líquido resultante do processo 
de putrefação de matérias orgânicas, como característica, é viscoso, escuro, pos-
sui odor muito forte e desagradável. Em função da grande quantidade de matéria 
orgânica presente no chorume, consuma atrair vetores e microrganismos que 
podem contribuir com a proliferação de doenças aos seres humanos (BRAGA 
et al., 2005).
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Quando não tratado, ele pode atingir lençóis freáticos, rios e córregos, levando 
a contaminação para estes recursos hídricos e interferindo na vida da fauna e 
da flora. Nesta situação, os peixes podem ser contaminados e, caso a água seja 
usada na irrigação agrícola, a contaminação pode chegar aos alimentos. A esco-
lha de um local para a implantação de um aterro sanitário não é tão simples, 
pois, devido ao alto grau de urbanização das cidades, a ocupação intensiva do 
solo pode restringir a disponibilidade de áreas próximas aos locais de geração 
de lixo e com as dimensões requeridas para se implantar um aterro sanitário 
que atenda às necessidades dos municípios (MONTEIRO et al., 2001). Também 
é preciso pensar no aspecto de vida útil do aterro, visto que é difícil encontrar 
novos locais para disposição de resíduos sólidos urbanos.
Tratamento do Lixiviado
O lixiviado pode conter matéria orgânica dissolvida ou solubilizada, nutrientes, 
produtos intermediários da digestão anaeróbia dos resíduos, ácidos orgânicos 
voláteis e substâncias químicas provenientes do descarte de inseticidas e agro-
tóxicos, além de microrganismos patógenos. Também podem ter compostos 
xenobióticos, presentes em baixas concentrações, como: incluindo hidrocar-
bonetos aromáticos, fenóis e compostos alifáticos clorados; metais, como boro, 
mercúrio, selênio, cobalto; substâncias húmicas (CHRISTENSEN et al., 2001).
Visto a recalcitrância desses efluentes, é preciso fazer um tratamento prévio 
de remoção da carga poluidora, e esses componentes são específicos. Dependendo 
das características, tem de ser empregadas técnicas acopladas de tratabilidade 
Existem diferenças entre lixões, aterros controlados e aterros industriais. Li-
xões causam poluição no solo, na água, pois não oferece nenhum tipo de 
tratamento aos resíduos, enquanto os aterros possuem critérios de enge-
nharia para sua projeção e operação. Acesse o link a seguir e saiba mais so-
bre a diferença entre lixões, aterro controlado e aterro industrial. 
Fonte: Fogaça ([2018], on-line)1.
A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
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para que o efluente adeque-se aos padrões de lançamento de efluentes determi-
nados pela legislação vigente.
Em aterro sanitário, o lixiviado é drenado para o tratamento, que pode ser 
uma lagoa de estabilização aeróbia ou anaeróbia, para, em seguida, ser lançado 
em um corpo receptor, desde que atenda à legislação ambiental vigente.
Biogás
Os gases gerados em aterro sanitário, se gerenciados de forma adequada, podem 
gerar energia para o próprio aterro ou serem vendidos para companhias elétricas. 
Esses gases são compostos por metano, dióxido de carbono e outros em quanti-
dades em traços. Os gases presentes nos aterros de resíduos incluem o metano 
(CH4), dióxido de carbono (CO2), amônia (NH3), hidrogênio (H2), gás sulfídrico 
(H2S), nitrogênio (N2) e oxigênio (O2). O metano e o dióxido de carbono são os 
principais gases provenientes da decomposição anaeróbia dos compostos bio-
degradáveis dos resíduos orgânicos (PHILIPPI JR., 2005).
Diante disso, a captação e a utilização do gás produzido em aterros é umaboa opção para a redução de gases do efeito estufa. Além disso, o metano possui 
grande energia contida nos seus átomos que faz com que o gás possa ser usado 
para a produção de energia elétrica por meio de sua combustão dentro de moto-
geradores que movem turbinas (SILVA; CAMPOS, 2008).
Projetos deste tipo são importantes, pois diferentes fontes de energia alterna-
tiva podem diversificar ou incrementar a matriz energética atualmente existente, 
tais como a eólica, a solar, a biomassa e também a proveniente do biogás. Nesse 
sentido, as vantagens da transformação do lixo energia são muitas, tais como:
 ■ diminuição do volume de resíduos em aterros sanitários e em lixões;
 ■ menor produção de gases poluentes;
 ■ menores riscos ao meio ambiente e a saúde pública;
 ■ mais economia e geração de empregos.
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ATERROS INDUSTRIAIS
Os aterros industriais podem ser classificados nas classes I, II-A ou II-B, de acordo 
com a periculosidade dos resíduos a serem dispostos, isto é, aterros Classe I 
podem receber resíduos industriais; Classe II-A resíduos não-inertes, enquanto 
aterro Classe II-B resíduos inertes. Esta classificação dos resíduos sólidos quanto 
à periculosidade foi abordada no tópico anterior.
No Aterro Classe I, são destinados os resíduos considerados perigosos de 
alta periculosidade, como resíduos inflamáveis, cinzas de incineradores, tóxi-
cos e outros. Esse tipo de aterro precisa ser operado com cobertura total com o 
intuito de evitar a formação de percolado, devido à ocorrência de águas pluviais, 
para isso, possui sistema de dupla impermeabilização com manta polietileno 
de alta densidade (PEAD), protegendo o solo e as águas subterrâneas. O aterro 
Classe I deve estar de acordo com o estabelecido pela NBR-10157, que define 
as exigências quanto aos critérios de projeto, construção e operação de aterros 
industriais Classe I (SILVA, 2008).
O Aterro Classe II compreende a destinação final de resíduos não perigosos 
e não inertes e tem as seguintes características: impermeabilização com argila e 
geomembrana de PEAD, sistema de drenagem e tratamento de efluentes líqui-
dos e gasosos e completo programa de monitoramento ambiental.
O Aterro Classe II-B compreende a destinação final de resíduos inertes. 
Devido à característica inerte dos resíduos dispostos, esse tipo de aterro dis-
pensa a impermeabilização do solo, no entanto, possui sistema de drenagem de 
águas pluviais e um programa de monitoramento ambiental.
A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
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GESTÃO DE RESÍDUOS PERIGOSOS
Uma substância perigosa é definida como qualquer substância que:
em razão de sua quantidade, concentração, características físicas, quí-
micas ou infecciosas, pode causar ou contribuir consideravelmente 
para um aumento na mortalidade, provocar um aumento no número 
de casos de doenças graves irreversíveis ou incapacitantes reversíveis, 
ou representar um risco substancial atual ou potencial à saúde humana 
e ao meio ambiente quando tratada, armazenada, transportada, descar-
tada ou gerenciada inadequada (VESILIND; MORGAN, 2011, p. 351).
Resíduo perigoso é o nome dado ao material que, quando deve ser descartado, 
atende a um ou dois critérios, a saber:
1. Contém um ou mais dos critérios de poluentes ou de substâncias quími-
cas que foram listadas como perigosas;
2. O resíduo pode ser assim definido (por testes de laboratório) como tendo 
pelo menos uma das seguintes características:
a. Inflamabilidade;
b. Reatividade;
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c. Corrosividade;
d. Toxicidade.
Segundo Vesilind e Morgan (2011), materiais inflamáveis são líquidos com 
ponto de fusão abaixo de 60 ºC ou materiais que são facilmente incendiados e 
queimam de forma vigorosa e persistente. Materiais corrosivos são aqueles que, 
em uma solução aquosa, têm valores de pH fora da faixa de 2,0 a 12,5 ou qual-
quer líquido que mostre corrosividade ao aço a uma taxa superior a 6,5 mm por 
ano. Resíduos reativos são classificados como instáveis e podem formar vapores 
tóxicos ou explodir. A maior dificuldade em definir resíduos perigosos vem do 
estabelecimento do que é ou não tóxico. 
Para Davis e Masten (2016), a escala de prioridades na gestão de resíduos 
sólidos consiste em:
1. Priorizar a redução da quantidade de resíduos perigosos gerados;
2. Estimular a criação de bolsas resíduos: os resíduos perigosos de uma 
indústria podem ser utilizados como matéria-prima de outra indústria;
3. Reciclar materiais, aproveitar o conteúdo energético ou outros recursos 
úteis contidos como resíduos perigosos; 
4. Descontaminação e a neutralização de resíduos perigosos líquidos 
mediante tratamento químico e biológico;
5. Redução do volume com a desidratação de lodos;
6. Destruição de resíduos perigosos combustíveis em incineradores especiais, 
capazes de propiciar temperaturas de combustão elevadas e equipamentos 
com dispositivos de controle e monitoramento de emissões atmosféri-
cas adequados;
7. Estabilizar lodos solidificados e de cinzas, no sentido de reduzir os índi-
ces de lixiviação de metais.
8. Descarte de resíduos tratados remanescentes em aterros especiais.
A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
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Outro aspecto importante na gestão de resíduos perigosos é a minimização na 
geração de resíduos, para isso, esse tipo de programa deve incluir:
 ■ O compromisso dos níveis hierárquicos mais altos da organização;
 ■ Os recursos financeiros;
 ■ Os recursos técnicos;
 ■ A organização, as metas e as estratégias adequadas. 
GESTÃO DE RESÍDUOS RADIOATIVOS
Os Resíduos Radioativos são definidos como qualquer material resultante de 
atividades humana, que contém radionuclídeos em quantidades superiores aos 
limites de isenção especificados nas Instruções Normativas da Comissão Nacional 
de Energia Nuclear - Norma CNEN-NE-6.02 - Licenciamento de Instalações 
Radioativas, e para o qual a reutilização é imprópria ou não prevista. Existem 
vários tipos de resíduos radioativos, tais como:
a. Líquidos: apresentam-se como solvente aquoso e solvente orgânico.
b. Gasosos: constituem-se de radionuclídeos gasosos ou subprodutos de 
outros resíduos.
c. Sólidos: constituem-se de lixo radioativo em geral, como frascos, ponteiras 
para pipeta, micro placas, luvas, papel toalha, membrana de nitrocelu-
lose, géis radioativos, animais, sangue.
A separação desses resíduos deve ser feita no mesmo local em que foram pro-
duzidos, levando em conta as seguintes características: se são sólidos, líquidos e 
gasosos, meia vida curta ou longa; se são ou não compatíveis; orgânicos ou inor-
gânicos; putrescíveis ou patogênicos e outras características como explosividade, 
combustibilidade, inflamabilidade, piroforicidade, corrosividade e toxicidade 
química (DUARTE, 2010).
TÉCNICAS E TRATAMENTOS DE RESÍDUOS SÓLIDOS
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TÉCNICAS E TRATAMENTOS DE RESÍDUOS SÓLIDOS
Quando pensamos em uma técnica de tratamento para resíduos sólidos, a alter-
nativa a ser adotada deve adotar aos aspectos:■ Custo de implantação e operação;
 ■ Disponibilidade financeira dos agentes envolvidos;
 ■ Capacidade de atender às exigências legais;
 ■ Quantidade e capacitação técnica de recursos humanos.
Para Calijuri e Cunha (2013), o fato de uma alternativa apresentar um custo alto 
em termos absolutos, como um incinerador, não é razão suficiente para que seja 
descartada, pois talvez seja a mais barata e eficaz para tratar um determinado 
resíduo industrial ou de serviços de saúde quando comparadas a outras tecno-
logias existentes.
COMPOSTAGEM
Para Bidone e Povinelli (2010), a compostagem é um processo de tratamento 
biológico que transforma resíduos orgânicos em um material estabilizado, deno-
minado húmus ou composto. Essa técnica pode ser utilizada para tratar a parcela 
orgânica dos resíduos sólidos urbanos. A compostagem pode ser feita pelo 
método convencional, em que os resíduos são dispostos em leiras de forma 
cônica ou prismática. Nesse processo, as leiras (pilhas) são removidas e ume-
decidas periodicamente (por pás carregadeiras ou escavadeiras) para se obter a 
aeração necessária no processo (Figura 7). 
A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E138
Figura 7 - Aterro Sanitário
Já no processo de leiras aeradas, não há revolvimento por meio de pás ou car-
regadeiras, a aeração é obtida insuflando-se ar pela base da leira. Para Bidone e 
Povinelli (2010) isso acelera o processo de compostagem, mas exige um maior 
controle das condições da massa de resíduos. 
A compostagem ocorre em 4 fases, sendo (CALIJURI; CUNHA, 2013):
1. A primeira fase ocorre com a decomposição da matéria orgânica pelas 
bactérias e fungos, gerando um excedente de calor, e isso faz com que a 
temperatura da leira de compostagem suba rapidamente, atinja a faixa 
ótima do processo (entre 55ºC e 60ºC). Caso seja deixado ao natural, a 
temperatura pode atingir 70ºC e, assim, os microrganismos podem mor-
rer, então, é preciso introduzir um fator externo de controle, por isso, 
há a necessidade de fazer um revolvimento da leira de compostagem e 
adição de umidade.
2. A segunda fase, com a temperatura ótima, a decomposição leva entre 60 a 
90 dias (pelo método tradicional) e 30 dias (pelo método de leiras aeradas), 
a manutenção de temperaturas elevadas por um tempo suficientemente 
longo garante a eliminação dos patógenos (BIDONE; POVINELLI, 2010).
3. Após a fase mais ativa, a temperatura da leira começa a diminuir, retor-
nando à temperatura ambiente, e esse processo dura de 3 a 5 dias (fase 3).
TÉCNICAS E TRATAMENTOS DE RESÍDUOS SÓLIDOS
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4. Na quarta etapa, ocorre a fase de maturação ou cura do composto, com 
a formação de ácidos húmicos, que leva de 30 a 60 dias. 
A Figura 8 apresenta o composto final (húmus)
Figura 8 - Composto ao término do processo de compostagem.
VERMICOMPOSTAGEM
De acordo com Calijuri e Cunha (2013), a vermicompostagem é um processo 
complementar à compostagem, que há a adição de minhocas, que dependem de 
determinadas condições para sobrevivência. Assim, o composto não pode ser 
encharcado, pois afogaria as minhocas e também não pode ser ressecado. As lei-
ras não podem ser tão profundas (pois há a necessidade de ar) e a temperatura 
deve estar entre 12º e 25ºC.
A Figura 9 apresenta-nos um processo de vermicompostagem:
A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IIIU N I D A D E140
Figura 9 - Vermicompostagem
INCINERAÇÃO
A incineração consiste na combustão dos resíduos em temperaturas elevadas, 
acima de 800ºC, com injeção de ar para garantir a queima completa (conversão 
total da matéria orgânica em CO2 e água). Praticamente toda matéria orgânica 
e umidade são eliminados (CALIJURI; CUNHA, 2013). Os resíduos são con-
vertidos em cinzas e devem ser classificados com a NBR 10.004/2004 (BRASIL, 
2004) e encaminhados para destinação final correspondente. Na incineração, os 
gases gerados no processo devem ser tratados.
APROVEITAMENTO ENERGÉTICO
Alguns resíduos podem ser utilizados para obtenção de energia. O reaprovei-
tamento pode ser direto ou indireto. No reaproveitamento direto, os resíduos 
são usados diretamente como fonte de energia, podem passar antes por alguns 
processos simples de tratamento, como fragmentação ou moagem. No reaprovei-
tamento indireto, os resíduos são convertidos por via química ou biológica em 
outros materiais, os quais são empregados como fonte de energia (CALIJURI; 
CUNHA, 2013). 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta unidade, abordamos a problemática dos resíduos sólidos bem como suas 
formas de gerenciamento. Vimos aspectos pertinentes à geração, estudamos que 
a mudança de comportamento da população, a economia, a sazonalidade, hábitos 
de consumo, mudanças tecnológicas, mudanças culturais, influenciam direta-
mente na geração de resíduos, pois à medida que há crescimento e mudança, 
consequentemente, há uma aumento na quantidade de resíduos. Estudamos que 
uma das formas de minimizar a quantidade de resíduos sólidos é a redução na 
geração, coleta seletiva, reciclagem e outros programas para diminuir a quanti-
dade de resíduos. 
Para melhor entendermos a gestão de resíduos, estudamos a classificação 
dos resíduos sólidos de acordo com a NBR 14001/2004, como Classe I - peri-
gosos, Classe II - A não inertes e classe II - B inertes, que estas características 
são fundamentais para o gerenciamento dos resíduos sólidos, pois um resíduo 
perigoso é ideal que ele tenha um manejo e destinação final adequado, sendo 
diferente de um resíduo comum. Devemos tomar cuidado no manejo e acon-
dicionamento de resíduos, pois um resíduo perigoso pode vir a contaminar um 
resíduo comum, e este passa a ser tratado como resíduo perigoso.
Além disso, vimos que os resíduos sólidos são classificados de acordo com 
sua origem em: domésticos, industriais, serviços de saúde, construção civil, 
radioativos, públicos, comerciais, agrícolas e outros. O processo que os origi-
nou é fundamental para seu manejo e gerenciamento. Quanto ao gerenciamento, 
tratamos das formas de coleta, segregação, programas de coleta seletiva, reci-
clagem, acondicionamento, tratamento e disposição final adequada de resíduos 
sólidos urbanos e resíduos industriais. 
Esperamos que você tenha compreendido todos estes aspectos, desde a gera-
ção até a disposição final, pois são fundamentais para a gestão de resíduos sólidos. 
Bons estudos!
142 
REAPROVEITAMENTO DE ENERGIA
A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) acaba de patentear uma 
inovação que possibilita aproveitar o calor gerado pelo sistema de refrigeração da gela-
deira para aquecer a água da torneira de cozinha e chuveiro. Concebido pelo professor 
José Roberto Simões Moreira, coordenador do Laboratório de Sistemas Energéticos Al-
ternativos (SISEA), do Departamento de Engenharia Mecânica da Poli, e pelo aluno de 
graduação Lucas Zuzarte, o projeto resultou em dispositivo que pode ser usado tanto 
em residências como em estabelecimentos comerciais.
“Basicamente, o sistema que desenvolvemos capta o calor que é naturalmente produzi-
do no processo de refrigeração”, resume Simões. Na prática, funciona assim: no processo 
de circulação do gás refrigerante da geladeira, o gás é aspirado pelo compressor e com-
primido, o que resulta emaumento da pressão e temperatura do gás. Em seguida, ele 
prossegue para um condensador – uma espécie de serpentina que fica na parte poste-
rior da geladeira doméstica, onde o calor é dissipado.
“O que fizemos foi aproveitar a energia térmica gerada no processo de compressão, que 
atinge cerca de 60 °C”, explica o professor. “Inserimos um tanque de água entre o com-
pressor e o condensador, permitindo, assim, que o calor do gás quente fosse transferido 
para a água em vez de ser dissipado para o ambiente em que se encontra a geladeira”, 
acrescenta. Embora pareça simples, o desenvolvimento do dispositivo consumiu cerca 
alguns meses de testes, tendo sido construído um protótipo de uma geladeira comercial 
do tipo balcão vertical.
Economia e eficiência - Nos testes em laboratório, feitos com uma geladeira comercial 
de 565 litros e um tanque de 25 litros de água acoplado ao sistema, a temperatura final 
da água chegou a 55º C (média de aumento de 5º por hora). Comparando o custo de 
aquecer este volume de água com aquecedores elétricos, a economia com o dispositivo 
seria superior a R$ 35,00 ao mês. “Além de garantir água quente, a instalação do equi-
pamento melhora o desempenho da geladeira”, garante. Nos testes, o coeficiente de 
performance do refrigerador (COP), que mensura sua eficiência energética, aumentou 
mais de 13%. Já o consumo de energia do compressor caiu entre 7% e 18%.
A capacidade de aquecimento do equipamento, no entanto, depende de algumas va-
riáveis. “Da potência da geladeira e do regime de uso do refrigerador”, resume Simões. 
Por outro lado, o custo de todos os equipamentos do sistema não é alto. No caso de um 
sistema com tanque de 25 litros, o retorno do investimento ocorreria em, aproximada-
mente, um ano.
Simões pondera que o processo é mais eficiente em refrigeradores comerciais por cau-
sa da potência dos aparelhos. “Creio que para restaurantes, lojas de conveniência de 
postos combustíveis e outros pontos comerciais do gênero será uma inovação muito 
bem-vinda, porque pode otimizar a economia de energia de fato, mas em residências, 
sua aplicação também pode ser viabilizada”. Além disso, o sistema tem como vantagem 
ser fácil e barato de instalar. “Pode ser facilmente instalado por qualquer técnico de re-
143 
frigeração”, diz. Compreende, basicamente, um tanque que, no caso dos testes, foi feito 
em aço inox, mas pode ser confeccionado com material mais barato e alguns tubos de 
cobre e de PVC. “Um técnico não cobraria mais do que R$ 400,00, incluindo material e 
mão de obra, se o tanque for produzido em escala industrial”, calcula.
Simões tem planos mais ambiciosos para o sistema. “A princípio, a ideia é apresentar o 
sistema aos fabricantes de geladeiras, que teriam condições de oferecê-lo como opcio-
nal na compra do aparelho”, conta. Potencial de mercado é o que não falta. Segundo 
o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), só no Brasil existem mais de 50 
milhões de refrigeradores em uso.
Fonte: Acadêmica Agência de Comunicação. Reaproveitamento de energia. Disponível 
em:<http://www.poli.usp.br/pt/comunicacao/noticias/destaques/1550-reaproveita-
mento-de-energia.html>. Acesso em: 22 mar. 2018.
144 
1. Assinale a alternativa correta quanto à norma brasileira que define e classifica 
os resíduos sólidos:
a. NBR 12.216/1992. 
b. NBR 10.004/2004.
c. NBR 10.006/2004.
d. NBR 10.007/2004.
e. NBR 10.120/2007.
2. Consiste em uma área licenciada por órgãos ambientais, que é destinada a re-
ceber os resíduos sólidos urbanos, de forma planejada, em que os resíduos são 
compactados e cobertos por terra, formando diversas camadas. Esta técnica 
trata-se de:
a. Lixões.
b. Aterro sanitário.
c. Aterro industrial.
d. Compostagem.
e. Reciclagem.
3. Os resíduos são constituídos por subprodutos da atividade humana com carac-
terísticas específicas, definidas geralmente, pelo processo que os gerou. Sobre 
os fatores que influenciam a geração dos resíduos sólidos, analise as afirma-
tivas a seguir:
I. A urbanização, bem como o aumento populacional, acompanha a série de 
mudanças no estilo de vida e consumo da população e, consequentemen-
te, aumentam a geração de resíduos. 
II. Os resíduos produzidos passaram a abrigar compostos sintéticos e prejudi-
ciais aos ecossistemas e à saúde humana, decorrente das novas tecnolo-
gias incorporadas ao cotidiano.
III. No Brasil, temos uma estimativa exata da quantidade de resíduos sólidos ge-
rados por habitante/dia.
IV. A maior parte dos resíduos sólidos gerados no Brasil é composta por resíduos 
hospitalares.
 
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É correto o que se afirma em: 
a. I e II, apenas.
a. I e III, apenas.
a. II e III, apenas.
a. I, II e III, apenas.
a. II, III e IV, apenas.
4. A incineração é um processo de queima, na presença de excesso de oxigênio, 
em que os materiais à base de carbono são decompostos, desprendendo calor 
e gerando um resíduo de cinzas, gases e escória. Diante do exposto, leia as 
afirmativas a seguir:
I. A incineração de resíduos sólidos é um tratamento eficaz para aumentar o seu 
volume, tornando o resíduo absolutamente inerte em pouco tempo, se 
realizada de forma adequada.
II. Na incineração, ocorre a decomposição térmica via oxidação à alta temperatu-
ra da parcela orgânica dos resíduos, em que é transformada na fase gasosa 
e outra sólida, na qual é reduzido: o volume, o peso e as características de 
periculosidade dos resíduos.
III. A incineração é um processo que, se não operado em condições adequadas, 
pode liberar gases nocivos à saúde humana.
IV. A incineração é uma alternativa que resolveria integralmente todos os proble-
mas da destinação final de resíduos sólidos.
 É correto o que se afirma em: 
a. I e II, apenas.
a. I e III, apenas.
a. II e III, apenas.
a. I, II e III, apenas.
a. II, III e IV, apenas.
 
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5. O aterro sanitário consiste em uma técnica de disposição do lixo fundamentada 
em critérios de engenharia e em normas operacionais específicas. Sobre o aterro 
sanitário, analise as afirmativas a seguir:
I. O projeto de um aterro sanitário deve incluir todas as instalações fundamentais 
ao bom funcionamento e ao necessário controle sanitário e ambiental du-
rante o período de operação e fechamento. 
II. O aterro sanitário é um método de disposição final do lixo sob o solo que mi-
nimiza a geração de incômodos ou perigos à segurança e saúde públicas. 
III. Em um aterro são utilizadas técnicas da engenharia para confinar o lixo à menor 
área possível, reduzindo-o ao menor volume. 
IV. Aterro sanitário é indicado para disposição final de resíduos coletados apenas 
em pequenas comunidades.
É correto o que se afirma em:
a. I e II, apenas.
b. I e III, apenas.
c. II e III, apenas.
d. I, II e III, apenas.
e. II, III e IV, apenas.
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
Engenharia Ambiental
Maria do Carmo Calijuri; Davi Gasparini Fernandes Cunha 
Editora: Elsevier
Sinopse: livro pioneiro na área, “Engenharia Ambiental: 
Conceitos, Tecnologia e Gestão”, reúne material didático 
proveniente de diversos campos de conhecimento para 
oferecer uma boa base aos alunos de cursos de graduação 
em Engenharia Ambiental. O livro busca uma transição 
das engenharias “hard” para uma engenharia que leva 
explicitamente em conta a vida no planeta e representa um acordar para a Engenharia Ambiental de 
maneira fl uida, reforçando a responsabilidade da engenharia para com o meio ambiente. Dividido 
em cinco eixos temáticos, desde fundamentos até gestão ambiental, varrendo os ecossistemas, 
impactos ambientais e ações mitigadoras, o livro apresenta de forma didática os conceitos modernos 
como os da microbiologia e as suas técnicas. São ressaltados os serviços proporcionados por diversos 
ecossistemas e as estratégias sustentáveispara os usos humanos.
REFERÊNCIAS
ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 306, de 07 de 
dezembro de 2004. Disposição sobre o regulamento técnico para o gerenciamento 
de resíduos de serviços de saúde, 2004.
BIDONE, F. R. A; POVINELLI, J. Conceitos básicos de resíduos sólidos REENGE. São 
Carlos: Escola de Engenharia de São Carlos, USP, 2010. 
BRAGA, B.; HESPANHOL, I.; CONEJO, J. G. L.; BARROS, M. T. L. de.; SPENCER, M.; PORTO, 
M.; NUCCI, N.; JULIANO, N.; EIGER, S. Introdução a Engenharia Ambiental. 2. ed. 
São Paulo: Prentice Hall, 2005.
BRASIL. ABNT NBR 10004. Resíduos sólidos – Classificação. Brasília, 2004.
BRASIL. ABNT NBR 9.191. Sacos plásticos para acondicionamento de lixo - Requi-
sitos e métodos de ensaio. Brasília, 2000.
BRASIL, Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Manual de 
gerenciamento de resíduos de serviços de saúde / Ministério da Saúde, Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária. – Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
BRASIL. ABNT NBR 10.004. Classificação de Resíduos sólidos. Brasília, 2004.
BRASIL. ABNT 12.809. Manuseio de resíduos de serviços de saúde - Procedimen-
to. Brasília, 1993.
BRASIL. ABNT NBR 8419. Apresentação de projetos de aterros sanitários de resí-
duos sóli- dos urbanos. Brasília, 1992.
BRASIL. ABNT NBR 10157. Aterro de resíduo perigoso – Critérios para projetos, 
construção e operação. Brasília, 1987.
BRASIL. Lei nº 12.305, de 02 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resí-
duos Sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providên-
cias. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/
lei/l12305.htm> Acesso em: 20 mar. 2018.
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CONAMA, Conselho Nacional de Meio Ambiente. Resolução nº 275, de 25 de abril 
de 2001. Estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos, a ser 
adotado na identificação de coletores e transportadores, bem como nas campa-
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GABARITOGABARITO
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Professor Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus
Professora Me. Renata Cristina de Souza Chatalov
CONTROLE E QUALIDADE DE 
EMISSÕES ATMOSFÉRICAS
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Conceituar poluição atmosférica, apresentar os principais poluentes 
atmosféricos e suas fontes.
 ■ Apresentar os diferentes métodos de controle de emissão de 
poluentes atmosféricos.
 ■ Apresentar os diferentes parâmetros de qualidade presentes na 
legislação. 
 ■ Conceituar Ruído e apresentar suas diferentes classificações. 
 ■ Correlacionar os diferentes ruídos existentes com a saúde laboral e 
coletiva. 
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Poluição do Ar e Fontes de Emissão
 ■ Métodos de Controle
 ■ Padrões de Qualidade
 ■ Poluição Sonora
 ■ Redução e Controle de Ruídos
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), nesta unidade, abordaremos a questão da poluição atmosfé-
rica e da poluição sonora. Veremos que, ao tratarmos de poluição do ar, temos 
as fontes naturais e as fontes antrópicas. As fontes naturais são aquelas cuja ori-
gem está ligada diretamente à natureza, em que não há interferência humana, 
como o vulcanismo; as fontes antrópicas ou antropogênicas têm a origem relacio-
nada a atividades humanas, como indústrias, automóveis e outras cujos impactos 
ambientais das atividades tornaram-se mais significativos quanto à poluição do ar. 
A maior parte dos problemas relacionados à poluição atmosférica está relacio-
nada com a exploração e a utilização de energia em vários processos produtivos. 
Poluição atmosférica, chuva ácida, destruição da camada de ozônio, efeito estufa, 
destruição da fauna e da flora são alguns exemplos que podemos citar, causados 
por processos produtivos.
Podemos classificar os agentes poluidores do ar em dois grupos principais: 
os primários e os secundários. Os poluentes primários são os que saem direta-
mente da fonte emissora, enquanto os poluentes formados pela interação entre 
componentes naturais e poluentes primários são chamados de secundários. Os 
principais poluentes atmosféricos são: monóxido de carbono, dióxido de enxofre, 
dióxido de carbono, chumbo, ozônio, clorofluorcarbonetos, materiais particu-
lados.Também apresentaremos alguns métodos de controle da poluição do ar, e 
dividimos em: controle de particulados e controle de poluentes. Em seguida, estu-
daremos sobre os padrões de qualidade do ar bem como as legislações aplicáveis. 
Além disso, abordaremos o conceito de poluição sonora, suas principais fon-
tes e seus efeitos sobre a saúde humana, além de métodos de controle de ruídos.
Introdução
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CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E154
POLUIÇÃO DO AR E FONTES DE EMISSÃO
O ar que respiramos é essencial à vida. Dessa maneira, esperamos respirarum 
ar limpo. Mas em que consiste esse ar limpo? Ele é uma mistura de gases e, de 
acordo com Veslind e Morgan (2011), é composto por: 
 ■ 78,0% de nitrogênio;
 ■ 20,1% de oxigênio;
 ■ 0,9% de argônio;
 ■ 0,03% de dióxido de carbono;
 ■ 0,002% de neônio;
 ■ 0,0005% de hélio.
No entanto esse ar não é encontrado na natureza e nos serve como referência. 
Se isso é ar puro, então, é importante definir como poluentes aqueles materiais 
(líquidos, gases ou sólidos) que, quando são adicionados ao ar puro em uma 
concentração suficientemente alta, causarão efeitos adversos, como compostos 
de enxofre emitidos na atmosfera, que reduzem o pH da chuva e resultam em 
POLUIÇÃO DO AR E FONTES DE EMISSÃO
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acidez de rios e lagos, ocasionando danos.
Para Derisio (2012), o uso básico do recurso natural ar é para manter a vida. 
Todos os usos devem estar sujeitos à manutenção da qualidade de ar que não 
degrada, aguda ou cronicamente, a saúde ou o bem-estar humano. Além disso, 
é preciso levar em consideração os aspectos estéticos e os impactos econômicos 
decorrentes da poluição do ar. 
POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA
O conceito de poluição atmosférica envolve uma série de atividades, fenômenos 
e substâncias que contribuem para o desequilíbrio e a deterioração da qualidade 
natural da atmosfera. A Lei nº 6.938/81, que estabelece a Política Nacional do 
Meio Ambiente (PNMA), por meio do seu art. 3º, III define poluição como a 
degradação da qualidade ambiental resultante de atividade que, direta ou indi-
retamente (BRASIL, 1981): 
a. Prejudique a saúde, a segurança e o bem-estar da população; 
b. Crie condições adversas às atividades sociais e econômicas; 
c. Afete, desfavoravelmente, a biota; 
d. Afete as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente. 
Para Dallarosa (2005, p. 5):
a poluição atmosférica é abordada como um fenômeno decorrente 
principalmente devido à ação humana em vários aspectos, citando-se o 
rápido crescimento populacional, industrial e econômico, a concentra-
ção populacional e industrial, bem como dos hábitos da população e as 
medidas adotadas para o controle da poluição. 
Dessa maneira, podemos afirmar que a atmosfera apresenta, naturalmente, certa 
concentração típica de compostos químicos em sua composição, o que de uma 
forma geral não afeta as condições normais de existência dos seres vivos e dos 
materiais. Assim, a poluição atmosférica consiste na adição destes elementos 
capazes de atingir concentrações que são nocivas ao ambiente.
CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS
Reprodução proibida. A
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IVU N I D A D E156
PRINCIPAIS POLUENTES DO AR
Os principais poluentes atmosféricos podem ser classificados, de maneira gené-
rica, em três grupos de substâncias: líquidas, sólidas e gasosas. No entanto, na 
prática, eles podem ser apresentados de forma combinada entre si, de tal maneira 
que conseguimos restringi-los em dois grupos: os gases e os materiais particula-
dos. Ao observarmos a origem dos poluentes, eles podem ser classificados como 
primários ou secundários. Segundo Dallarosa (2005), são:
 ■ Poluentes primários: aqueles emitidos diretamente na atmosfera. 
Constituem esta classe: dióxido de enxofre (SO2), monóxido de carbono 
(CO), óxidos de nitrogênio (NOx) e hidrocarbonetos (HC). 
 ■ Poluentes secundários: formados pela reação química entre poluentes 
primários ou destes com constituintes naturais da atmosfera. Como exem-
plos pertencentes desta classe podemos citar: ozônio (O3), peróxido de 
hidrogênio (H2O2), aldeídos (RCHO), peroxiacetilnitrato (PAN).
Materiais particulados 
O material particulado é uma mistura de partículas líquidas e sólidas em sus-
pensão na atmosfera. Pode ser classificado como névoa, poeira, vapor, fumaça 
ou spray. Sua composição e o tamanho das partículas vão depender de sua fonte 
de emissão (SALDIVA; COELHO, 2013). 
As faixas de tamanho dos poluentes são apresentadas a seguir (VESLIND; 
MORGAN, 2011):
 ■ Poeira: são partículas relativamente grandes, sendo definida como par-
tículas sólidas que são: 
 ■ Carregadas por gases de processo provenientes de materiais sendo 
manipulados ou processados, como carvão, cinzas e cimento.
 ■ Produtos diretos de um material básico, passando por operações mecâ-
nicas, como serragem de um trabalho com madeira.
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 ■ Materiais carregados após a utilização em operações mecânicas, como 
a areia utilizada no processo de jateamento.
 ■ Vapor: consiste em uma partícula sólida, frequentemente, um óxido 
metálico, formado pela condensação de vapores por sublimação, destila-
ção, calcinação ou processos de reações químicas, como: óxidos de zinco 
e chumbo oriundos da condensação e oxidação de metal volatilizado em 
um processo a uma alta temperatura. São partículas bem pequenas, com 
diâmetros entre 0,03 a 0,3 µ.
 ■ Névoa: consiste em partículas líquidas formadas pela condensação de um 
vapor e uma reação química. Seu diâmetro varia de 0,5 a 3,0 µ.
 ■ Fumaça: partículas sólidas formadas pela combustão incompleta de 
metais carbonáceos. Embora hidrocarbonetos, ácidos orgânicos, óxidos 
de enxofre e óxidos de nitrogênio sejam também produzidos por proces-
sos de combustão, apenas as partículas sólidas resultantes da combustão 
incompleta de materiais carbonáceos são chamados de fumaça. Possuem 
diâmetros de 0,05 até aproximadamente 1 µ.
 ■ Sprays: consiste em partículas líquidas formadas pela atomização de um 
líquido base e sedimentam sob o efeito da gravidade. 
Poluentes gasosos
Os poluentes gasosos incluem substâncias que são gases a uma temperatura e pres-
são normais, assim como vapores de substâncias líquidas ou sólidas sob condições 
normais. Dentre estes poluentes, os que apresentam maior relevância são: monó-
xido de carbono, hidrocarbonetos, ácido sulfúrico, óxidos de nitrogênio, ozônio 
e outros. O Quadro 1 apresenta-nos alguns poluentes gasosos presentes no ar: 
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IVU N I D A D E158
Quadro 1 - Poluentes gasosos presentes no ar
NOME FÓRMULA
PROPRIEDADES 
RELEVANTES
SIGNIFICÂNCIA COMO 
POLUENTE DO AR
Dióxido de 
enxofre
SO2 Gás incolor, provoca as-
fixia intensa, forte odor, 
altamente solúvel em 
água, formando ácido 
sulfurosos, H2SO3.
Perigo para propriedade, 
Saúde e vegetação. 
Trióxido de 
enxofre
SO3 Solúvel em água 
formando o ácido 
sulfúrico - H2SO4.
Altamente corrosivo.
Ácido sulfí-
drico
H2S Odor de ovo estragado 
em baixas concentra-
ções, inodoro a altas 
concentrações. 
Altamente venenoso.
Óxido nitroso N2O Gás incolor, utilizado 
como gás de transpor-
te em produtos com 
aerossol.
Relativamente inerte; 
não produzido na com-
bustão.
Óxido nítrico NO Gás incolor. Produzido em combus-
tão a altas temperaturas 
e pressão, oxida para 
NO2.
Dióxido de 
nitrogênio
NO2 Gás de cor marrom a 
alaranjada.
Principal componente 
na formação de névoa 
fotoquímica
Monóxido de 
carbono
CO Incolor e inodoro. Produtos de combustões 
incompletas, venenoso.
Dióxido de 
carbono
CO2 Incolor e inodoro. Formado durante com-
bustões completas; gás 
do efeito estufa. 
Ozônio O3 Altamente reativo. Perigo para vegetações 
e propriedades; produ-
zido, principalmente, 
durante a formaçãode 
névoa fotoquímica. 
Hidrocarbo-
neto
CxHy ou HC Diversas. Emitido por automóveis 
e indústrias, formado na 
atmosfera.
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Metano CH4 Combustível, inodoro. Gás do efeito estuda.
Clorofluorcar-
bonetos
CFC Não reativo, excelentes 
propriedades térmicas.
Decompõe o ozônio 
na camada superior da 
atmosfera. 
Fonte: adaptado de Veslind e Morgan (2011, p. 279).
FONTES DE POLUIÇÃO
Quando discutimos a origem da poluição atmosférica, devemos distinguir os 
processos envolvidos na formação dos poluentes atmosféricos, que resultam 
de processos naturais ou processos antropogênicos. As fontes de poluição con-
sistem em qualquer processo natural ou antropogênico que possa liberar ou 
emitir matéria ou energia para atmosfera deixando-a contaminada ou poluída 
(DALLAROSA, 2005). 
As fontes naturais de 
poluentes consistem em emis-
sões que ocorrem na natureza 
sem a interferência humana, 
como a emissão de gases 
provocada por erupções vulcâ-
nicas (vulcanismo) (Figura 1), a 
decomposição de vegetais e ani-
mais, a ressuspensão de poeira 
do solo pela ação do vento, os 
aerossóis marinhos, a formação 
de ozônio devido a descargas elé-
tricas na atmosfera, os incêndios 
naturais em florestas e os pólens de plantas (DALLAROSA, 2005). 
As fontes antropogênicas (ou antrópicas) são aquelas que emitem poluentes a 
partir atividades humanas, provenientes de transportes, atividades industriais, 
fontes de descargas de resíduos sólidos. No que diz respeito a processos indus-
triais que podem ocasionar a poluição do ar, podemos destacar a queima de 
Figura 1 - Vulcanismo
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IVU N I D A D E160
combustível por meio de veículos a álcool, à gasolina ou a outro combustível, 
combustão industrial e à geração de energia. 
Fontes Fixas ou Estacionárias
As fontes fixas de poluição atmosféricas são aquelas que ocupam uma área relativa-
mente limitada, que permitem uma análise direta na fonte. As fontes classificadas 
como fixas são referentes às atividades industriais de transformação, mineração 
e produção de energia através de usinas termelétricas (MMA, 2017a, on-line)1.
Cada fonte industrial de poluição do ar apresenta problemas específicos de 
poluição, pois as emissões são decorrentes de características inerentes do pro-
cesso de produção, das quais podemos citar: matérias-primas e combustíveis, 
processos e operações adotados, produtos fabricados, eficiência do processo 
industrial e medidas de controle utilizadas pela indústria. 
De acordo com Derisio (2012), as indústrias, normalmente, são classificadas 
em categorias (metalúrgicas, mecânicas, têxteis, bebidas, alimentícias, químicas 
e outras) por meio das quais se pode calcular o potencial de poluição atmosfé-
rica por categoria. O Quadro 2 apresenta-nos os tipos de indústrias bem como 
os tipos de poluentes emitidos por elas. 
Quadro 2 - Tipos de indústrias e tipos de poluentes
TIPOLOGIA DA 
INDÚSTRIA
NATUREZA DA ATIVIDADE TIPOS DE POLUENTES 
Indústria de minerais 
não metálicos - 
Incluem indústrias 
que fabricam pro-
dutos de material 
cerâmico e refratá-
rio, cimento, vidro, 
concreto, produtos de 
gesso e abrasivos.
Os principais processos e ope-
rações poluidores são cons-
tituídos pelas operações de 
redução de tamanho, pela ma-
nipulação e pelo transporte de 
matéria-prima, por processos 
de desidratação, calcinação, 
oxidação da matéria orgânica 
e íon ferroso e formação de 
silicatos em estufas e fornos, 
por operações e acabamento 
como de esmaltação. 
Poeiras - principalmen-
te provenientes de 
operações de redução 
de tamanho; 
Fumaça e fumos - prin-
cipalmente prove-
nientes dos processos 
de combustão e de 
secagem e cozimento 
em fornos.
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Indústrias metalúrgi-
cas - fundições
Fundições primárias, que se 
referem àquelas que produzem 
o metal do minério, e as fundi-
ções secundárias, que incluem 
aquelas que recuperam o 
metal de sucatas e refugos e 
produzem ligas e lingotes. 
Fumos de óxidos metá-
licos, poeira e produ-
tos de combustão da 
operação de fusão, 
dependendo da volati-
lidade e das impurezas 
dos metais, sucata ou 
minério;
Dióxido de enxofre, de-
pendendo do enxofre 
no minério no carvão 
e no combustível 
utilizado.
Indústrias metalúrgi-
cas - produtos
Envolvem indústrias que pro-
duzem peças forjadas, lamina-
das, trefiladas e extrudadas.
Fumos metálicos, 
poeiras das fundições, 
névoas e vapores de 
solventes provenientes 
da aplicação do reves-
timento de proteção 
nos departamentos de 
acabamento. 
Indústria de madeira 
e mobiliário
Indústrias de desdobramento, 
compensação e produção de 
chapas de madeira prensada, 
de fabricação de peças e estru-
turas de madeira aparelhada, 
fabricação de artigos de tan-
cara e de cortiça, fabricação de 
artigos diversos de madeiras e 
produtos afins. 
Material particulado, 
gotícula de tinta, 
solventes e fumaça 
de equipamentos que 
queimam resíduos. 
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Indústrias químicas 
e farmacêuticas
Incluem uma variedade de pro-
dutos: elementos químicos e 
produtos químicos inorgânicos 
e orgânicos, matérias plásticas 
básicas e fios artificiais, pólvora 
e explosivos, óleos brutos, 
essências vegetais e matérias 
graxas animais, preparados 
para limpeza e polimento, 
desinfetantes, inseticidas, 
germicidas, tintas, esmaltes, 
vernizes, sabões, velas, produ-
tos farmacêuticos e outros. 
Fabricação do ácido 
nítrico: por meio do 
processo de oxidação 
da amônia são emiti-
dos cerca de 26 kg de 
óxidos de nitrogênio, 
expressos em NO2, 
por tonelada de ácido 
produzida.
Fabricação de ácido 
sulfúrico: por meio do 
processo de contato, 
estima-se uma emis-
são de 9 a 32 kg de 
SO2 e de 0,14 a 3,40 
kg de névoas ácidas 
por tonelada de ácido 
produzida. 
Fabricação de ácido 
fosfórico: por meio do 
processo unido esti-
ma-se uma emissão de 
compostos de flúor de 
9 a 27 kg por tonelada 
de P2O5 produzida.
Indústria de produ-
tos alimentares e 
bebidas
Incluem beneficiamento, torre-
fação e moagem de produtos 
alimentares, preparação de 
conservas de frutas, legumes, 
especiarias, pasteurização de 
leite e fabricação de laticínios, 
fabricação e refino de açúcar, 
fabricação de balas, produtos 
de padaria e outros produtos.
Diferentes poluentes e 
odores podem ocorrer 
nas fases do processa-
mento dos produtos. 
Poeiras são emitidas 
das operações de 
beneficiamento e 
moagem. 
Indústrias de papel e 
papelão
Fabricação de papel e papelão. Material particulado e 
substâncias odoríferas 
(mercaptanas e sulfeto 
de hidrogênio). 
Fonte: adaptado de Derisio (2012).
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Fontes móveis
São constituídos por veículos automotores, trens, aviões, embarcações marinhas, 
denominadas de fontes móveis. Para Derisio (2012), os veículos são divididos 
em leves, que utilizamgasolina, álcool e gás natural e pesados, que utilizam óleo 
diesel. Independentemente do tipo do veículo, ele produz gases, vapores e mate-
riais particulados. Os principais gases tóxicos são o monóxido de carbono (CO), 
compostos orgânicos chamados de hidrocarbonetos (HC), óxidos de nitrogê-
nio (NOx), aldeídos e material particulado, que é constituído por partículas de 
dimensões diminutas, da ordem milésimos de milímetros, identificados como 
fuligem ou poeira. 
EFEITOS DA POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA
Os efeitos da poluição atmosférica são caracterizadas de acordo com a alteração 
das condições normais da atmosfera ou pelo aumento de problemas já existen-
tes. Esses efeitos podem ser globais, locais ou regionais. 
No que diz respeito à escala global, podemos citar a alteração da acidez das 
águas de chuva (chuva ácida), aumento da temperatura do planeta, modificação 
da intensidade da radiação solar (DALLAROSA, 2005).
De uma maneira geral, os efeitos causados pela poluição do ar são manifes-
tados por danos à saúde humana, às propriedades da atmosfera, à vegetação, à 
economia bem como danos materiais. 
Danos à saúde 
Poluentes atmosféricos podem causar um impacto negativo na saúde humana. De 
acordo com Derisio (2012), os efeitos da poluição atmosférica sobre o que pode 
provocar na saúde são: doenças agudas ou morte, doenças crônicas, encurtamento 
da vida ou dano ao crescimento, alteração de importantes funções fisiológicas, 
tais como ventilação do pulmão, asma, bronquite, transporte de oxigênio pela 
hemoglobina, irritação sensorial, fadiga e outros. 
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IVU N I D A D E164
É importante salientar que, no decorrer dos anos, a poluição atmosférica 
provocou uma série de episódios agudos. O Quadro 3 apresenta-nos alguns epi-
sódios ocasionados pela poluição do ar. 
Quadro 3 - Episódios provocados pela poluição do ar
ANO LOCAL HISTÓRICO Nº DE 
MORTES
1930 Bélgica - 
Vale do 
Rio Meuse
Região que tinha muitas indústrias, na qual ocor-
reu uma inversão de temperatura, provocando 
congestão das vias respiratórias especialmente em 
crianças e pessoas idosas.
60
1948 Estados 
Unidos - 
Donnora
Região de indústrias metalúrgicas onde ocorreu 
inversão de temperatura, provocando congestão 
das vias respiratórias.
17
1950 México - 
Poza Rica
Compostos de enxofre emitidos por uma indústria 
provocaram a internação de 320 pessoas acometi-
das de problemas respiratórios e nervosos, durante 
uma inversão de temperatura.
32
1952 Brasil - 
Bauru
Doenças respiratórias agudas em 150 pessoas, pro-
vocadas por alergia ao pó de semente de mamona, 
utilizada na fabricação de óleo.
9
1957 Inglaterra Smog (mistura de fumaça com neblina). 1.000
1960 Inglaterra Smog 800
1962 Inglaterra Smog 700
Fonte: adaptado de Derisio (2012).
Em 5 de dezembro de 1952, um grande nevoeiro tomou conta da cidade 
de Londres: era o começo do desastre de poluição atmosférica mais letal 
da história britânica. Mais de 60 anos depois, uma equipe internacional de 
químicos descobriu por que a névoa era fatal. Saiba mais acessando o link: 
<http://gizmodo.uol.com.br/formacao-nevoeiro-londres/>.
Fonte: Stone (2016, on-line)2. 
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Danos aos materiais
A poluição atmosférica também pode causar danos aos materiais, tais como: a 
deposição sobre materiais, abrasão, remoção, ataques químicos diretos e indi-
retos e a corrosão eletroquímica. 
Danos às propriedades da atmosfera
A falta de visibilidade é um dos principais problemas ocasionados pela poluição 
atmosférica. Para Derisio (2012), a visibilidade urbana pode ser afetada, princi-
palmente, por fatores meteorológicos, a saber:
 ■ Altura de inversão e velocidade dos ventos;
 ■ Elevadas condições de umidade.
A diminuição da visibilidade ocorre em função das partículas líquidas e sólidas 
que estão suspensas na atmosfera, que dispersam e absorvem a luz.
Danos à vegetação
As plantas podem ser afetadas por poluentes atmosféricos tais como: necrose 
de tecidos de folhas, redução da penetração de luz (isso reduz a capacidade da 
fotossíntese), penetração de poluentes pelos estômatos das plantas, redução da 
taxa de crescimento, aumento na suscetibilidade de doenças, interrupções do 
processo reprodutivo da planta (DALLAROSA, 2005). 
Danos à economia
Para controlar e/ou remover a poluição atmosférica, os efeitos adversos são extre-
mamente onerosos para os habitantes de áreas urbanas industrializadas (DERISIO, 
2012). O custo é complexo, entretanto podemos fazer certas estimativas. 
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MÉTODOS DE CONTROLE
Vimos que as fontes de poluição do ar podem emitir poluentes gasosos ou par-
tículas, monóxido de carbono, hidrocarbonetos, dióxido de enxofre e óxidos de 
nitrogênio, que são exemplos de poluentes gasosos. Já como exemplos de emis-
sões de partículas temos: fumaça, emissões de poeira e outros. 
Segundo Marra Junior (2013), os poluentes existentes na atmosfera, lança-
dos pelas fontes de emissão, são denominados poluentes primários, por exemplo: 
monóxido de carbono, dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio. Enquanto os 
poluentes secundários são aqueles formados na atmosfera como resultados de 
reações, tais como: hidrólise, oxidação e oxidação fotoquímica, como névoas 
ácidas e oxidantes fotoquímicos. No que diz respeito à gestão da qualidade do 
ar, as principais estratégias estão voltadas ao controle da origem dos poluentes 
primários, pois o meio mais eficaz de controlar os poluentes secundários é mini-
mizar os poluentes primários. Quando avaliamos os níveis de qualidade do ar 
em uma região, devemos saber algumas informações importantes, como conhe-
cer a quantidade bem como as características das emissões.
MÉTODOS DE CONTROLE
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Dessa maneira, podemos dividir os métodos de controle da poluição do ar 
em duas categorias: aquelas que realizam a remoção de material particulado em 
suspensão, e aquelas que buscam a remoção de poluentes gasosos das corren-
tes gasosas.
CONTROLE DE PARTICULADOS
Primeiramente, começaremos nossos estudos com o controle de métodos para 
remoção do material particulado suspenso. São eles: câmara gravitacional, ciclone, 
filtros de saco, precipitador eletrostático e Lavador Venturi. Veremos com deta-
lhes o funcionamento destes equipamentos a seguir. 
Câmara gravitacional
É um modelo simples e um dos mais antigos para controle da poluição do ar, que 
consiste, basicamente, em uma câmara de expansão, na qual ocorre a redução 
da velocidade do gás até um ponto em que as partículas nele em suspensão são 
capturadas pela ação da gravidade (sedimentação) (MARRA JUNIOR, 2013). 
Quanto maior for a partícula, maior será a taxa de sedimentação. Em uma dada 
corrente gasosa, as partículas maiores sedimentam mais rápido do que as maiores. 
Ciclone
Conhecidos como separadores centrífugos (Figura 2), os ciclones são bem utili-
zados no controle de particulados, em especial quando partículas relativamente 
grandes precisam ser coletadas (MARRA JUNIOR, 2013). 
CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS
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Figura 2 - Modelo de um ciclone
Apresentam baixo custo de instalação e manutenção, não possuem partes móveis, 
podem ser confeccionados em vários materiais e ocupam espaço reduzido. Podem 
se apresentar em muitas formas e tamanhos, mas o princípio básico da sepa-
ração consiste na atuação da força centrífuga sobre as partículas. Para Vesilind 
e Morgan (2011), o esquema consiste no ar sujo que é forçado para dentro do 
cone, como em uma centrífuga. Os sólidos pesados migram para a parede do 
cilindro, onde reduzem a velocidade em função do atrito, deslizam pelo conte e 
saem pelo fundo. O ar limpo fica no meio do cilindro e sai pelo topo. 
Filtros de saco
Também conhecidos como filtros de tecido, utilizados para coletar a poeira, que 
deve ser retirada do saco periodicamente. Segundo Marra Junior (2013), em 
aplicações industriais, o meio material poroso é, geralmente, um tecido (pano), 
com que se confecciona uma estrutura de formato tubular, semelhante a uma 
manga de camisa. 
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Precipitador eletrostático
O material particulado é removido após ser eletricamente carregado por elé-
trons, passando de um eletrodo de alta tensão para outro e, então, migra para o 
eletrodo de coleta com carga positiva (VESILIND; MORGAN, 2011). Existem 
vários mecanismos pelos quais partículas sólidas ou líquidas podem adquirir 
cargas elétricas, e os mais comuns são: eletrificação por contato ou atrito (tri-
boeletrificação) por indução, por corrente corona e por ionização (MARRA 
JUNIOR, 2013). Para Marra Junior (2013, p. 549):
uma corrente ou descarga corona é produzida quando uma alta volta-
gem é aplicada entre dois eletrodos, sendo um deles, normalmente, um 
fio ou uma barra de diâmetro pequeno e outro, uma placa plana, geran-
do, assim, um campo elétrico não uniforme. Como resultado, o campo 
elétrico nas proximidades do eletrodo fino é intensificado. 
Lavador Venturi
Consiste em colocar em contato íntimo a corrente gasosa e um líquido atomizado, 
geralmente água. O termo “lavadores”, de certa forma, é utilizado para remover 
ou coletar materiais particulados (MARRA JUNIOR, 2013). Um dos lavadores 
que são bem utilizados em indústrias para tratamento de efluentes gasosos é o 
lavador tipo Venturi, um equipamento industrial que tem como principal obje-
tivo limpar a corrente gasosa dos contaminantes antes de sua emissão externa, 
assim, trabalha com um aumento da velocidade da corrente de ar em sua gar-
ganta a fim de aumentar sua eficiência na coleta (COSTA, 2002).
O lavador Venturi é exigido em casos em que a eficiência precisa ultrapas-
sar 90% para partículas finas. É composto por um duto transversal (circular 
ou retangular), sendo distinto em três partes: seção convergente, a garganta e a 
seção divergente (ou difusor). Podemos observar o esquema do lavador Venturi, 
na Figura 3:
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Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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Figura 3 - Lavador Venturi e suas partes principais
Fonte: adaptado de Marra Junior (2013, p. 552).
O seu funcionamento ocorre da seguinte maneira: o líquido de lavagem é introdu-
zido com pressão na “garganta” (vena contracta), por meio de bicos atomizadores 
em que são geradas pequenas gotas. O gás sujo, contaminado por materiais par-
ticulados, atravessa essa região em alta velocidade, em torno de 30 m/s a 120 
m/s (MARRA JUNIOR, 2013), o que ajuda na dispersão das gotas de líquido e 
na captura do material particulado. 
Nesse equipamento, tem-se a necessidade de introduzir uma corrente gasosa 
(que é a que será tratada) e uma corrente líquida (corrente de tratamento). Podem 
ser empregados no controle de emissão de partículas oriundas de indústrias quími-
cas de produtos minerais, polpa e papel, alumínio, ferro e outros tipos de resíduos 
sólidos de origem tóxica, abrasiva, corrosiva e até mesmo explosiva (COSTA, 
2002). Em aplicações industriais há muitas vantagens, a saber (COSTA, 2002):
 ■ Alta eficiência na coleta de partículas finas e ultrafinas (respiráveis);
 ■ É compacto, exige pouco espaço físico nas indústrias;
 ■ Capacidade de trabalhar com particulados explosivos, inflamáveis, pega-
josos e aderentes, pelo fato de operar como coletores úmidos; 
 ■ Pode-se trabalhar com a limpeza simultânea de gases tóxicos e particulados; 
 ■ Reaproveitamento do efluente líquido gerado, por trabalhar em um sis-
tema fechado; 
 ■ Pode trabalhar no tratamento de gases a altas temperaturas e altas 
umidades. 
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Costa (2002) também elenca algumas desvantagens na sua utilização, tais como:
 ■ Pode necessitar de um sistema de tratamento de efluentes líquidos; 
 ■ O material é coletado a úmido dificultando a sua reutilização; 
 ■ Mais suscetível a problemas de corrosão; 
 ■ Perda de carga alta para altas eficiências de coleta; 
 ■ Pode apresentar problemas de incrustação. 
CONTROLE DE POLUENTES GASOSOS
Agora, estudaremos os métodos de controle de métodos para remoção de 
poluentes gasosos, como: condensador, absorvedor, incinerador e separador 
por membranas. 
Condensador 
Segundo Marra Junior (2013), a condensação consiste em um processo de con-
versão de um gás ou de um vapor líquido (ocorre a mudança de fase). Assim, 
os condensadores, normalmente, utilizam água ou ar para resfriar e conden-
sar uma corrente gasosa ou um de seus componentes. São dispositivos que não 
atingem temperaturas muito baixas (aproximadamente 30ºC), portanto, não 
têm muita eficiência de remoção da maioria dos gases, apenas em casos que o 
vapor se condense em altas temperaturas. A condensação pode ocorrer quando 
a pressão parcial do poluente na corrente (mistura) gasosa é igual a sua pressão 
de vapor como substância pura, na temperatura considerada.
As condições nas quais um determinado gás pode se condensar dependerá 
de suas propriedades físicas e químicas, que podem ocorrer quando a pressão 
parcial do poluente na corrente (mistura) gasosa é igual a sua pressão de vapor 
como substância pura, na temperatura considerada. Em situações práticas, os 
condensadores operam com remoção de calor da corrente gasosa (abaixamento 
de temperatura). Os tipos mais comuns são: condensadores de contato (fluido 
CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E172
resfriador ou fluido é colocado em contato direto com a corrente gasosa), mis-
turado com o gás e os de superfície (fluido do resfriador está confinado em um 
compartimento distinto da corrente gasosa).
Absorvedor
Segundo Marra Junior (2013, p. 555):
absorção envolve a remoção de poluentes gasosos (chamados de absor-
vados ou solutos) de uma corrente de processos pela dissolução em um 
líquido (chamado de absorvente ou solvente). A condição necessária 
para a aplicação da absorção para o controle da poluição é a solubilida-
de dos poluentes no líquido. Em um processo de absorção, colocamos 
em contato íntimo a corrente gasosa e o líquido, mais favorável é a con-
dição para a absorção, pois, sendo este um processo de transferência de 
massa, a elevada área inferfacial líquido-gás colabora com o fenômeno. 
O mecanismo principal de transferência de massa é a difusão entre os 
constituintes das fases gasosa e líquida. Consequentemente, a taxa de 
absorção é determinada pelastaxas de difusão nas fases. O processo 
de transferência de massa ocorre até que o equilíbrio seja atingido 
(equilíbrio de fases). 
Para utilizar a absorção em seu dimensionamento, é preciso conhecer as caracterís-
ticas do solvente, que precisa ter as características, a saber (VESILIN; MORGAN, 
2011):
 ■ Alta solubilidade no gás;
 ■ Baixa volatilidade;
 ■ Baixa viscosidade e toxicidade;
 ■ Alta estabilidade química e baixo ponto de congelamento;
 ■ Baixo custo.
Segundo Marra Junior (2013), temos configurações de equipamentos diferentes, 
sendo as mais utilizadas as colunas de recheio ou empacotadas (packed beds) ou 
colunas de aspersão (spray towers).
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Adsorvedor
De acordo com Veslind e Morgan (2011) a adsorção é um método importante 
quando conseguimos colocar o poluente em contato com um adsorvente, como 
o carvão ativado. A quantidade de moléculas (ou massa) que um adsorvente 
é capaz de reter chamamos de adsorção, e é expressa pela razão entre a massa 
de adsorvato e a massa de adsorvente, como por exemplo, g de adsorvato/ g de 
adsorvente (MARRA JUNIOR, 2013).
Os adsorventes podem ter formas e tamanhos diferentes, e seu processo, nor-
malmente, por meio de um sistema cíclico no qual o adsorvente é submetido a 
uma etapa de adsorção, na qual os componentes adsorvidos são removidos e o 
adsorvente é regenerado, esse tipo de operação chamamos de batelada cíclica. 
Além disso, temos configurações de equipamentos (recheio ou empacotadas) 
ou de leitos fixos. 
Incinerador
De acordo com Marra Junior (2013) a combustão é um processo químico que 
ocorre com a combinação do oxigênio com vários compostos químicos, que 
liberam calor. O processo de combustão (oxidação térmica) é mais frequente 
no controle de emissões de compostos orgânicos. 
Além disso, pode ser empregado, quando os poluentes devem ser destruídos 
de maneira mais eficiente, como é o caso de gases tóxicos ou perigosos. Os siste-
mas de combustão são relativamente caros, utilizam um sistema adicional para 
queima dos poluentes e geralmente possuem algum dispositivo para recupera-
ção do calor gerado. Um processo ideal é aquele que a combustão é completa, 
ou seja, os produtos da reação são apenas H2O e CO2. Se outros produtos são 
gerados, como o CO ou óxidos de nitrogênio, a combustão é incompleta. Se a 
combustão é incompleta, pode gerar problemas adicionais, resultando na for-
mação de aldeídos ou ácidos orgânicos. 
A oxidação de compostos contendo enxofre ou halogênios produz compos-
tos indesejáveis, como dióxido de enxofre, ácido clorídrico, ou fosgênio (COCl2). 
Sendo assim, um processo de absorção deve ser utilizado para tratamento das 
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IVU N I D A D E174
emissões. Para que seja alcançada a combustão completa, devemos colocar em 
contato íntimo os poluentes, o combustível e o ar (oxigênio), proporcionando 
as seguintes condições: temperatura elevada para ignição da mistura poluente/
combustível, mistura turbulenta dos reagentes e tempo de residência suficiente 
para a reação ocorrer (MARRA JUNIOR, 2013). 
Incineradores operam com temperaturas entre 600 e 650 ºC quando oxidam 
a maioria dos compostos orgânicos, mas, em alguns casos, podem variar entre 
1.800 e 2.200 ºC para poluentes mais perigosos. Podem ser utilizados gás natural 
ou propano como combustíveis para manutenção das temperaturas adequadas. 
A Figura 4 apresenta a forma simplificada de um incinerador:
Figura 4 - Esquema simplificado de um incinerador
Fonte: adaptado de Marra Junior (2013, p. 560).
O oxigênio é necessário para a combustão ocorrer e, para combustão completa 
de um composto, uma quantidade de oxigênio deve estar presente para a con-
versão de todo carbono a gás carbônico. 
No processo de incineração, se não houver oxigênio suficiente, a combus-
tão será incompleta. Quando trabalhamos a incineração no tratamento de 
gases, é preciso que haja a quantidade de oxigênio adequada, senão a com-
bustão será incompleta.
Fonte: a autora.
PADRÕES DE QUALIDADE
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Separador de membranas
Esse processo tem como característica a passagem da mistura gasosa através 
de uma membrana permeável, ocorrendo separação seletiva dos componentes 
(esse processo também pode ser utilizado no tratamento de efluentes líquidos, 
tratamento de águas). 
As membranas comerciais são, normalmente, sintetizadas a partir de mate-
riais polimétricos. O polipropileno, a poliamida e o poliacrilonitrilo (MARRA 
JUNIOR, 2013) são utilizados na fabricação de membranas. Também são uti-
lizados materiais inorgânicos, como alumina e sílica. Na limpeza dos gases, as 
membranas são mais frequentemente utilizadas para o tratamento de correntes 
gasosas que contém compostos orgânicos voláteis com concentrações acima de 
1.000 ppm e vazões moderadas. 
PADRÕES DE QUALIDADE
Para conhecer os padrões de qualidade, é preciso conhecer alguns conceitos 
importantes, que, segundo Derísio (2012), são:
 ■ Meteorologia: ciência que estuda os fenômenos atmosféricos que se 
manifestam e ocorrem na natureza. É de suma importância, pois esses 
fenômenos são fundamentais em relação à poluição do ar. As condições 
meteorológicas possibilitam estabelecer uma forma de ligação entre a 
fonte de poluição e o receptor, tendo como referência o transporte e dis-
persão dos poluentes.
 ■ Estabilidade atmosférica: relacionada com os movimentos ascendentes 
e descendentes de volumes de ar, depende da velocidade do vento, turbu-
lência atmosférica, insolação, chuva, neve e outras condições climáticas.
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 ■ Inversões térmicas: Temos duas formas por radiação e subsidiência: 
 ■ Por radiação: acontece quando o solo esfria por radiação durante a 
noite, isso impede a dispersão das emissões de poluentes na cidade, 
à noite.
 ■ Térmica: ocorre quando da existência do processo de afundamento e 
compressão de massa de ar, quanto maior for a convergência em altitude, 
maior o movimento descendente, havendo maior grau de compressão 
da atmosfera, com isso há o aumento de temperatura. 
QUALIDADE DO AR
Além das condições meteorológicas, a análise da concentração de poluentes pre-
sentes na atmosfera é fundamental para um programa de controle da poluição do 
ar por parte da agência governamental responsável por esse controle. Segundo 
Derisio (2012), os propósitos em avaliar são inúmeros, a saber:
 ■ Ter conhecimento e fazer comparação da atual qualidade do ar na área 
de jurisdição;
A inversão térmica é um fenômeno que dificulta a dispersão dos poluentes 
gerados nos centros urbanos. Ela é consequência do rápido aquecimento e 
resfriamento da superfície. Esse fenômeno pode ocorrer naturalmente ou 
ser causado pela maneira como a cidade está estruturada. Conheça melhor 
o fenômeno da inversão térmica, acessando o link a seguir: <https://www.
ecycle.com.br/component/content/article/63-meio-ambiente/4175-inver-
sao-termica-fenomeno-poluicao-do-ar-problemas-saude-centros-urbanos-
-fontes-emissoras-dispersao-chamine-fabricas-topografia-direcao-ventos-
-clima-transportes-combustao-poluentes-troposfera-temperatura-medi-
das-diminuicao.html>.
Acesso: 29/12/2017
Fonte: Equipe eCycle (2017, on-line)3.PADRÕES DE QUALIDADE
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 ■ Analisar tendências com o intuito de fixar padrões de qualidade do ar;
 ■ Ativar ações de emergência com o objetivo de evitar episódios agudos 
referentes à poluição atmosférica;
 ■ Prover dados para o planejamento de uso e ocupação do solo;
 ■ Estudar a viabilidade de modelos matemáticos utilizados na dispersão 
atmosférica.
INDICADORES DE QUALIDADE
Os indicadores de qualidade do ar são medidos pela quantificação de suas subs-
tâncias poluentes. Para Derisio (2012), a variedade de substâncias presentes na 
atmosfera é muito grande, o que torna difícil a tarefa de estabelecer uma classi-
ficação, no entanto podemos dividir em duas categorias, a saber:
 ■ Poluentes primários: emitidos diretamente pelas fontes de emissão.
 ■ Poluentes secundários: formados por meio da reação química entre 
poluentes primários e constituintes naturais da atmosfera.
PADRÕES DE QUALIDADE DO AR
Os principais objetivos da avaliação da qualidade por monitoramento são:
 ■ Avaliar a qualidade do ar com o intuito de proteger a saúde e o bem-es-
tar das pessoas;
 ■ Fornecer dados para ativar ações de emergência durante períodos de estag-
nação atmosférica (quando os níveis de poluentes na atmosfera possam 
representar risco à saúde pública);
 ■ Acompanhar as tendências e mudanças na qualidade do ar.
Com o intuito de atender a esses objetivos, faz-se necessária a fixação de padrões 
de qualidade ar, que, para Derisio (2012, p. 133):
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IVU N I D A D E178
define legalmente um limite máximo para a concentração de um com-
ponente atmosférico, que garanta a proteção da saúde e do bem-estar 
das pessoas. Os padrões de qualidade do ar são baseados em estudos 
científicos dos efeitos produzidos por poluentes específicos e são fixa-
dos em níveis que possam propiciar uma margem de segurança ade-
quada.
Os padrões de qualidade do ar (PQAr) podem variar de acordo com a aborda-
gem adotada para balancear riscos à saúde, viabilidade técnica, considerações 
econômicas e vários outros fatores políticos e sociais que, por sua vez, depen-
dem, entre outras coisas, do nível de desenvolvimento e da capacidade nacional 
de gerenciar a qualidade do ar (MMA, 2017b, on-line)4. 
Aqui no Brasil, os padrões de qualidade do ar foram estabelecidos pela 
Resolução CONAMA nº 3/1990 sendo de acordo com esta resolução divididos 
em padrões primários e secundários, a saber:
 ■ São padrões primários de qualidade do ar: as concentrações de poluen-
tes que, ultrapassadas, poderão afetar a saúde da população. Podem ser 
entendidos como níveis máximos toleráveis de concentração de poluen-
tes atmosféricos, constituindo-se em metas de curto e médio prazo 
(CONAMA, 1990c).
 ■ São padrões secundários de qualidade do ar: as concentrações de poluen-
tes atmosféricos abaixo das quais se prevê o mínimo efeito adverso sobre 
o bem-estar da população, assim como o mínimo dano à fauna e à flora, 
aos materiais e ao meio ambiente em geral. Podem ser entendidos como 
níveis desejados de concentração de poluentes, constituindo-se em meta 
de longo prazo (CONAMA, 1990c).
PRONAR - Programa Nacional de Controle da Poluição do Ar
A Resolução CONAMA nº 05 de 1989 instituiu o PRONAR como um dos ins-
trumentos básicos da gestão ambiental para proteção da saúde e bem-estar das 
populações e melhoria da qualidade de vida, que tem por objetivo permitir o 
desenvolvimento econômico e social do país, de forma ambientalmente segura, 
pela limitação dos níveis de emissão de poluentes por fontes de poluição atmos-
férica, com vistas (CONAMA, 1989): 
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 ■ À melhoria na qualidade do ar; 
 ■ Ao atendimento aos padrões estabelecidos; 
 ■ Ao não comprometimento da qualidade do ar em áreas consideradas 
não degradadas.
A estratégia era limitar, em nível nacional, as emissões por tipologia de fon-
tes e poluentes prioritários, reservando o uso dos padrões de qualidade do ar 
como ação complementar de controle, conceituando e propondo-se a estabele-
cer (CONAMA, 1989):
 ■ Limites Máximos de Emissão: a quantidade de poluentes permissível de 
ser lançada por fontes poluidoras para a atmosfera, que serão diferencia-
dos em função da classificação de usos pretendidos para as diversas áreas 
e serão mais rígidos para as fontes novas de poluição - aqueles empreen-
dimentos que não tenham obtido a licença prévia do órgão ambiental na 
data da publicação da Resolução.
 ■ Adoção de Padrões Nacionais de Qualidade do Ar: para uma avaliação 
permanente das ações de controle estabelecidas são adotados padrões de 
qualidade do ar, como ação complementar e referencial aos limites máxi-
mos de emissão estabelecidos. Foram estabelecidos dois tipos de padrões 
de qualidade do ar: os primários e os secundários.
 ■ Prevenção de Deterioração Significativa da Qualidade do Ar: para 
implementar a política de não deterioração significativa da qualidade do 
ar em todo o território nacional, previa que as áreas deveriam ser enqua-
dradas de acordo com a seguinte classificação de usos pretendidos:
 ■ Classe I: áreas de preservação, lazer e turismo, tais como Parques 
Nacionais e Estaduais, Reservas e Estações Ecológicas, Estâncias 
Hidrominerais e Hidrotermais. Nestas áreas, deverá ser mantida a 
qualidade do ar em nível o mais próximo possível do verificado sem a 
intervenção antropogênica. 
 ■ Classe II: áreas onde o nível de deterioração da qualidade do ar seja 
limitado pelo padrão secundário de qualidade. 
 ■ Classe III: áreas de desenvolvimento onde o nível de deterioração da 
qualidade do ar seja limitado pelo padrão primário de qualidade; por 
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meio de Resolução específica do CONAMA serão definidas as áreas 
Classe I e Classe III, sendo as demais consideradas Classe II.”
 ■ Monitoramento da Qualidade do Ar: com base na necessidade de 
conhecer e acompanhar os níveis de qualidade do ar, como forma de 
avaliação das ações de controle estabelecidas, estabeleceu a criação de 
uma Rede Nacional de Monitoramento da Qualidade do Ar, que deveria 
permitir o acompanhamento e a comparação com os respectivos padrões 
estabelecidos.
 ■ Gerenciamento do Licenciamento de Fontes de Poluição do Ar: esta-
beleceu um sistema de disciplinamento da ocupação do solo baseado no 
licenciamento prévio das fontes de poluição, por meio do qual o impacto 
de atividades poluidoras deve ser analisado previamente, prevenindo a 
deterioração descontrolada da qualidade do ar.
 ■ Inventário Nacional de Fontes e Poluentes do Ar: estabeleceu a criação, 
objetivando desenvolver metodologias que permitam o cadastramento e 
a estimativa das emissões bem como o devido processamento dos dados 
referentes às fontes de poluição do ar.
 ■ Gestões Políticas: estabeleceu que o IBAMA coordene gestões junto aos 
órgãos da Administração Pública Direta ou Indireta, Federais, Estaduais 
ou Municipais e Entidades Privadas, no intuito de se manter permanente 
canal de comunicação, visando viabilizar a solução de aplicação de medi-
das de controle da poluição do ar nos diferentes setores da sociedade.
 ■ Desenvolvimento Nacional na Área de Poluição do Ar: promover junto 
aos órgãos ambientais meios de estruturaçãode recursos humanos e labo-
ratoriais a fim de se desenvolver programas regionais que viabilizarão o 
atendimento dos objetivos estabelecidos no PRONAR.
 ■ Ações de Curto, Médio e Longo Prazo: definiu metas de curto, médio 
e longo prazo para as ações, considerando: 
 ■ Curto Prazo: definição dos limites de emissão para fontes poluidoras 
prioritárias; definição dos padrões de qualidade do ar; enquadramento 
das áreas na classificação de usos pretendidos; apoio à formulação dos 
Programas Estaduais de Controle de Poluição do Ar; capacitação labo-
ratorial e capacitação de recursos humanos.
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 ■ Médio Prazo: definição dos demais limites de emissão para fontes 
poluidoras; implementação da Rede Nacional de Monitoramento da 
Qualidade do Ar; criação do Inventário Nacional de Fontes e Emissões; 
capacitação laboratorial (continuidade) e capacitação de recursos 
humanos (continuidade).
 ■ Longo Prazo: capacitação laboratorial (continuidade); capacitação 
de recursos humanos (continuidade) e avaliação e retroavaliação do 
PRONAR.
Para que as ações de controle definidas pudessem ser concretizadas e como 
meio de instrumentalizar tais medidas foram estabelecidos alguns instru-
mentos de apoio e operacionalização: limites máximos de emissão; padrões 
de qualidade do ar; o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos 
Automotores (PROCONVE); o Programa Nacional de Controle da Poluição 
Industrial (PRONACOP); o Programa Nacional de Avaliação da Qualidade do Ar; 
o Programa Nacional de Inventário de Fontes Poluidoras do Ar e os Programas 
Estaduais de Controle da Poluição do Ar que, sob uma perspectiva conceitual, 
dá ao PRONAR uma ótica de gestão.
PNQA - Plano Nacional de Qualidade do Ar
No ano de 2009, o Ministério das Cidades, o Ministério da Saúde e o Ministério 
do Meio Ambiente lançaram em conjunto o Plano Nacional de Qualidade do 
Ar. De acordo com o documento (MMA, 2009, p. 1):
Ações de gestão são necessárias para prevenir ou reduzir as emissões 
de poluentes e os efeitos da degradação do meio aéreo, o que já foi de-
monstrado ser compatível com o desenvolvimento econômico e social. 
A gestão da qualidade do ar envolve, portanto, medidas mitigadoras 
que tenham como base a definição de limites permissíveis de concen-
tração dos poluentes na atmosfera, a restrição de emissão dos mesmos, 
bem como um melhor desempenho na aplicação dos instrumentos de 
comando e controle, entre eles o licenciamento ambiental e o monito-
ramento.
Os objetivos estratégicos do PNQA são (MMA, 2009):
CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS
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 ■ Reduzir as concentrações de contaminantes na atmosfera de modo a 
assegurar a melhoria da qualidade ambiental e a proteção à saúde, com-
patibilizando o alcance de metas de qualidade do ar com desenvolvimento 
econômico;
 ■ Integrar políticas públicas e instrumentos que se complementam nas 
ações de planejamento territorial, setorial e de fomento e na aplicação de 
mecanismos de comando e controle necessários ao alcance de metas de 
qualidade do ar temporalmente definidas; 
 ■ Contribuir para a diminuição da emissão de gases do efeito estufa.
Observa-se que, apesar da abordagem mais moderna sobre o tema, ainda per-
siste a ênfase no comando e controle. Complementarmente à legislação federal 
vigente, os Estados também possuem uma série de instrumentos legais destinados 
a medidas de controle da poluição e prevenção da degradação da qualidade do ar.
POLUIÇÃO SONORA
SOM
O som puro é descrito como ondas de pressão que se propagam em um meio (ar) 
(VESILIND; MORGAN, 2011) e nos permite comunicar, faz-nos alertas ou pre-
vine em muitas circunstâncias. De acordo com Saliba (2009), o som é qualquer 
POLUIÇÃO SONORA
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vibração ou conjunto de vibrações ou ondas mecânicas que podem ser ouvi-
das. Essas ondas são transmitidas por meio de várias fontes (veículos, televisão, 
conversa entre pessoas, eletrodomésticos etc.) e produzem no meio em que se 
propagam uma variação de pressão no ar, no caso, pressão das ondas sonoras 
ou, simplesmente, pressão sonora.
Dessa maneira, as fontes sonoras são os meios pelos quais as ondas de pres-
são são formadas no ar, podendo ser um equipamento em vibração, uma música, 
o chiado de uma chaleira etc. Para Vesilind e Morgan (2011), os ouvidos huma-
nos saudáveis captam sons cuja frequência variam de aproximadamente 15 a 
20.000 Hz, uma ampla faixa. Os sons de baixa frequência são graves, enquanto 
de alta frequência são mais agudos. 
De acordo com Rosa (2007), as ondas sonoras são as que possuem frequên-
cia de vibração entre 20 e 20.000 Hz, sendo recebidas e processadas por nosso 
sistema auditivo e se originam a partir de vibrações do ar que são captadas pelo 
tímpano com frequência e amplitudes pré-definidas. Pessoas jovens e saudáveis 
podem ouvir frequências muito altas, que geralmente incluem os sinais de por-
tas automáticas. Com a idade, infelizmente, com os danos causados, a habilidade 
de detectar uma ampla faixa de frequências diminui. 
A amplitude (A) representa a intensidade do som que percebemos. A sua 
variação é proporcionalmente relativa à variação da pressão atmosférica causada 
pela onda (pressão sonora) representada pela diferença de seus valores, máximo 
e médio, no tempo e num determinado ponto do espaço, ou, também, ao longo 
do espaço num determinado instante de tempo (SALIBA, 2009).
Frequência (f) é o número de oscilações (vibrações completas) por segundo 
de uma determinada onda, sendo que a unidade de medida da frequência no 
Sistema Internacional (SI) é o hertz (Hz), que corresponde à frequência de um 
som que executa vibração completa ou um ciclo por segundo. Para uma onda 
sonora em propagação, a frequência é o número de ondas que passam por um 
determinado referencial em um intervalo de tempo (SALIBA, 2009).
CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS
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rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E184
MEDIÇÃO DO SOM
O som é medido com um instrumento que converte a energia das ondas de pres-
são em um sinal elétrico. Um microfone capta as ondas de pressão, e um medidor 
lê o nível de pressão sonora, diretamente calibrado para decibéis. Os dados obti-
dos dessa forma com um medidor de nível de pressão sonora representam uma 
medição precisa do nível de energia do ar (VESILIND; MORGAN, 2011). 
Mas esse nível de pressão não é necessariamente o que os ouvidos humanos 
escutam, conforme já mencionado em tópico anterior, que o ouvido humano 
detecta frequências entre 20 e 20.000 Hz. A escala decibel (dB) usa o limiar da 
audição µPa como seu ponto de partida ou pressão de referência. Isso é definido 
como ser igual a 0dB. Cada vez que se multiplica por 10 a pressão sonora em Pa, 
adiciona-se 20 dB; assim, 200 µPa corresponde a 20 dB; 2.000 µPa corresponde 
a 40 dB e assim sucessivamente (DERISIO, 2012).
EFEITOS DE RUÍDOS NA SAÚDE HUMANA
Os efeitos do ruído, no homem, podem ser físicos, psicológicos e sociais. O 
ruído prejudica a audição, interfere em comunicações, provoca fadiga, incô-
modo, aumenta produção de adrenalina, reações musculares e outros (DERISIO, 
2012). Os efeitos quanto à saúde e bem-estar do homem são:
 ■ Redução da capacidade auditiva;
 ■ Resposta vegetativa, quer seja involuntária quer seja consciente;■ Cardiovascular;
 ■ Incômodo;
 ■ Alterações fisiológicas (como perturbação ao sono, aumento de riscos de 
acidentes e outros);
 ■ Medo, ansiedade.
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FONTES DE RUÍDO
As fontes de ruído, para Derisio (2012), podem ser classificadas em estacioná-
rias ou móveis, a saber:
a. Estacionárias: encontram-se fixas em certos locais, como indústrias, cons-
truções, casas noturnas e outros.
b. Móveis: movimentam de um lugar para outro, como exemplos: veícu-
los, aeronaves, trens.
DEFINIÇÃO DE POLUIÇÃO SONORA
A poluição sonora é um dos grandes problemas ambientais dos centros urbanos. 
Para Saliba (2009), a poluição sonora consiste na emissão de barulhos, ruídos e 
sons em limites perturbadores da comodidade auditiva. Todo ruído que causa 
incômodo pode ser considerado poluição sonora. A noção do que é barulho 
(ruído) pode variar de pessoa para pessoa, mas o organismo tem limites físicos 
para suportá-lo. Barulho em excesso pode provocar surdez e desencadear outras 
doenças, como pressão alta, disfunções.
CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E186
REDUÇÃO E CONTROLE DE RUÍDOS
As técnicas de controle de ruídos podem ser realizadas na própria fonte, no 
percurso entre a fonte e o receptor e podem ser utilizadas isolada ou simultane-
amente, e deve contemplar medidas, a saber (DERISIO, 2012):
 ■ Substituição do equipamento por outro mais silencioso;
 ■ Redução ou minimização das forças envolvidas, as quais podem compre-
ender uma correta lubrificação, alinhamento, equilíbrio das partes móveis 
e ancoragem do equipamento em suportes antivibratórios;
 ■ Alteração de processos produtivos, com a substituição de equipamentos 
em períodos pré-estabelecidos, eliminação ou redução de atividades em 
períodos noturnos.
Para Vesilind e Morgan (2011), podemos ter:
 ■ Proteção do receptor: medidas que envolvem o uso de protetores auri-
culares ou outros tipos de proteção;
 ■ Redução nas fontes do ruído: mudanças em motores utilizados, trocas 
de equipamentos;
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 ■ Controle do caminho dos ruídos: aumento das paredes antirruídos ou 
barreiras ao longo das estradas. 
Os problemas relativos aos níveis excessivos de ruídos estão incluídos entre os 
sujeitos ao controle da poluição ambiental, em que a normatização e o estabele-
cimento de padrões compatíveis com o meio ambiente equilibrado e necessário 
à sadia qualidade de vida, são atribuídos ao CONAMA, segundo o que está 
disposto no inciso II, do artigo 6º, da Lei 6.938 (BRASIL, 1981). Vimos, ante-
riormente, que a identificação entre som e ruído é feita por meio da utilização 
de unidades de medição do nível de ruído. Com isso, também são definidos os 
padrões de emissão aceitáveis e inaceitáveis, criando-se e se permitindo a veri-
ficação do ponto limítrofe com o ruído.
O nível de intensidade sonora é apresentado, geralmente, em decibéis (dB) e 
é apurada com a utilização de um aparelho chamado decibelímetro. No que diz 
respeito ao ruído, é regulado pela Resolução do CONAMA 001/1990 (CONAMA 
1990a), na qual considera um problema os níveis excessivos de ruídos bem como 
a deterioração da qualidade de vida causada pela poluição. Esta Resolução adota 
os padrões estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas e pela 
Norma Brasileira Regulamentar, NBR 10.151 (ABNT, 2000). A Resolução 001 
do CONAMA (1990a, p. 1) determina que:
I - A emissão de ruídos, em decorrência de quaisquer atividades indus-
triais, comerciais, sociais ou recreativas, inclusive as de propaganda po-
lítica obedecerá 
no interesse da saúde, do sossego público, aos padrões, critérios e dire-
trizes estabelecidos nesta Resolução. 
II - São prejudiciais à saúde e ao sossego público, para os fins do item 
anterior aos ruídos com níveis superiores aos considerados aceitáveis 
pela norma NBR 10.152 - Avaliação do Ruído em Áreas Habitadas vi-
sando ao conforto da comunidade, da Associação Brasileira de Normas 
Técnicas - ABNT.
III - Na execução dos projetos de construção ou de reformas de edifica-
ções para atividades heterogêneas, o nível de som produzido por uma 
delas não poderá ultrapassar os níveis estabelecidos pela NBR 10.152 
- Avaliação do Ruído em Áreas Habitadas visando ao conforto da co-
munidade, da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT.
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rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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IV - A emissão de ruídos produzidos por veículos automotores e os 
produzidos no interior dos ambientes de trabalho, obedecerão às nor-
mas expedidas, respectivamente, pelo Conselho Nacional de Trânsito 
- CONTRAN e pelo órgão competente do Ministério do Trabalho. 
V - As entidades e órgãos públicos (federais, estaduais e municipais) 
competentes, no uso do respectivo poder de política, disporão, de acor-
do com o estabelecido nesta Resolução, sobre a emissão ou proibição 
da emissão de ruídos produzidos por quaisquer meios ou de qualquer 
espécie, considerando sempre os locais, os horários e a natureza das 
atividades emissoras, com vistas a compatibilizar o exercício das ativi-
dades com a preservação da saúde e do sossego público.
A NBR 10.151 (ABNT, 2000) dispõe sobre a avaliação do ruído em áreas habita-
das, visando ao conforto da comunidade. Esta Norma fixa as condições exigíveis 
para a avaliação da aceitabilidade do ruído em comunidades, independentemente 
da existência de reclamações.
Além da NBR 10.151, tem-se a NBR 10.152 (ABNT, 1987), que trata dos 
níveis de ruídos para conforto acústico, estabelecendo os limites máximos em 
decibéis a serem adotados em determinados locais. Exemplificando, em um res-
taurante o nível de ruído não deve ultrapassar os 50 decibéis estabelecidos pela 
NBR 10.152. Vale lembrar que a NBR 10.152 referente à acústica de edificações 
sofreu alterações no ano de 2017.
O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) considerando que o 
A norma NBR 10152 Acústica – Níveis de Pressão Sonora em Ambien-
tes Internos a Edificações, foi revisada desde 2014, pelo Comitê Brasileiro 
da Construção Civil (CB-002), da Associação Brasileira de Normas Técnicas 
(ABNT), foi publicada, e esse texto substituirá a NBR 10152 – Níveis de Ruí-
do para Conforto Acústico, que está em vigor desde 1987. Saiba mais sobre 
as mudanças na NBR 10.152, acessando o link a seguir:<http://techne.pini.
com.br/2017/12/nbr-10152-de-acustica-em-edificacoes -e-publicada-apos-
-revisao/>. Acesso em: 19 mar. 2018.
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crescimento demográfico descontrolado ocorrido nos centros urbanos acarreta 
uma concentração de diversos tipos de fontes de poluição sonora, sendo fun-
damental o estabelecimento de normas, métodos e ações para controlar o ruído 
excessivo que possa interferir na saúde e bem-estar da população, estabeleceu 
a Resolução 2 (CONAMA, 1990b), que veio a instituir o Programa Nacional de 
Educação e Controle da PoluiçãoSonora – Silêncio (12), com o seguinte obje-
tivo (CONAMA, 1990b, p. 01):
a) Promover cursos técnicos para capacitar pessoal e controlar os pro-
blemas de poluição sonora nos órgãos de meio ambiente estaduais e 
municipais em todo o país;
b) Divulgar junto à população, através dos meios de comunicação dis-
poníveis, matéria educativa e conscientizadora dos efeitos prejudiciais 
causados pelo excesso de ruído.
c) Introduzir o tema “poluição sonora” nos cursos secundários da rede 
oficial e privada de ensino, através de um Programa de Educação Na-
cional;
d) Incentivar a fabricação e uso de máquinas, motores, equipamentos e 
dispositivos com menor intensidade de ruído quando de sua utilização 
na indústria, veículos em geral, construção civil, utilidades domésticas 
etc.
e) Incentivar a capacitação de recursos humanos e apoio técnico e lo-
gístico dentro da política civil e militar para receber denúncias e tomar 
providências de combate para receber denúncias e tomar providências 
de combate à poluição sonora urbana em todo o Território Nacional;
f) Estabelecer convênios, contratos e atividades afins com órgãos e en-
tidades que, direta ou indiretamente, possam contribuir para o desen-
volvimento do Programa SILÊNCIO. 
Em relação a níveis de ruído em ambientes internos, a competência é exclusiva 
do âmbito federal, a cargo do Ministério do Trabalho.
CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IVU N I D A D E190
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Estudamos, nesta unidade, as principais fontes de poluição atmosférica, além 
de classificar os poluentes em primários e secundários. Vimos que os materiais 
particulados consistem em uma mistura de partículas líquidas e sólidas que 
estão em suspensão na atmosfera e classificamos de acordo com seu tamanho 
em: poeira, vapor, névoa, fumaça e sprays. Enquanto poluentes gasosos estão 
incluídas as substâncias que são gases a uma temperatura e pressão normais, e 
vapores de substâncias líquidas ou sólidas sob condições normais, por exemplo: 
monóxido de carbono, hidrocarbonetos, ácido sulfúrico, óxidos de nitrogênio, 
ozônio e outros.
Vimos que as fontes fixas de poluição do ar são aquelas que ocupam uma área 
relativamente limitada e que podem ser avaliadas diretamente na fonte, como 
indústrias, mineração e produção de energia por meio de usinas termelétricas. 
Enquanto as fontes móveis são aquelas que não podem ser avaliadas diretamente 
na fonte, como veículos, aviões, trens e outros. Além disso, estudamos que os 
efeitos da poluição do ar podem ser caracterizados de acordo com a alteração 
das condições normais da atmosfera ou por aumento de problemas já existentes 
e que de uma forma geral, os efeitos causados pela poluição do ar são manifes-
tados por muitos danos à saúde humana, materiais, propriedades da atmosfera, 
vegetação e economia.
Também vimos as formas de controlar as emissões atmosféricas e os aspectos 
legais, estudamos os indicadores de qualidade do ar, os padrões de qualidade do 
ar e os programas de prevenção da qualidade do ar. Definimos, por fim, polui-
ção sonora como a emissão de barulhos, ruídos e sons em limites perturbadores 
da comodidade auditiva, as suas consequências para a saúde humana e algumas 
técnicas de controle para o controle de ruídos, que podem ser feitas na própria 
fonte, percurso e receptor.
191 
QUALIDADE DO AR
Os processos industriais e de geração de energia, os veículos automotores e as queima-
das são, dentre as atividades antrópicas, as maiores causas da introdução de substâncias 
poluentes à atmosfera, muitas delas tóxicas à saúde humana e responsáveis por danos 
à flora e aos materiais.
A poluição atmosférica pode ser definida como qualquer forma de matéria ou energia 
com intensidade, concentração, tempo ou características que possam tornar o ar im-
próprio, nocivo ou ofensivo à saúde, inconveniente ao bem-estar público, danoso aos 
materiais, à fauna e à flora ou prejudicial à segurança, ao uso e ao gozo da propriedade e 
à qualidade de vida da comunidade. De forma geral, a qualidade do ar é produto da in-
teração de um complexo conjunto de fatores dentre os quais se destacam a magnitude 
das emissões, a topografia e as condições meteorológicas da região, favoráveis, ou não, 
à dispersão dos poluentes.
Frequentemente, os efeitos da má qualidade do ar não são tão visíveis comparados a 
outros fatores mais fáceis de serem identificados. Contudo os estudos epidemiológicos 
têm demonstrado correlações entre a exposição aos poluentes atmosféricos e os efeitos 
de morbidade e mortalidade, causadas por problemas respiratórios (asma, bronquite, 
enfisema pulmonar e câncer de pulmão) e cardiovasculares, mesmo quando as concen-
trações dos poluentes na atmosfera não ultrapassam os padrões de qualidade do ar 
vigentes. As populações mais vulneráveis são as crianças, os idosos e as pessoas que já 
apresentam doenças respiratórias.
A poluição atmosférica traz prejuízos não somente à saúde e à qualidade de vida das 
pessoas, mas também acarretam maiores gastos do Estado, decorrentes do aumento 
do número de atendimentos e internações hospitalares, além do uso de medicamentos, 
custos esses que poderiam ser evitados com a melhoria da qualidade do ar dos centros 
urbanos. A poluição de ar pode também afetar, ainda, a qualidade dos materiais (corro-
são), do solo e das águas (chuvas ácidas), além de afetar a visibilidade.
A gestão da qualidade do ar tem como objetivo garantir que o desenvolvimento socio-
econômico ocorra de forma sustentável e ambientalmente segura. Para tanto, fazem-se 
necessárias ações de prevenção, combate e redução das emissões de poluentes e dos 
efeitos da degradação do ambiente atmosférico.
Gestão da Qualidade do Ar no Ministério do Meio Ambiente
A gestão deste tema no MMA é atribuição da Gerência de Qualidade do Ar (GQA), vin-
culada ao Departamento de Qualidade Ambiental na Indústria. Esta gerência foi criada 
com o objetivo de formular políticas e executar as ações necessárias, no âmbito do Go-
verno Federal, à preservação e à melhoria da qualidade do ar. A GQA tem como atri-
buições formular políticas de apoio e fortalecimento institucional aos demais órgãos 
do SISNAMA, responsáveis pela execução das ações locais de gestão da qualidade do 
ar, que envolvem o licenciamento ambiental, o monitoramento da qualidade do ar, a 
192 
elaboração de inventários de emissões locais, a definição de áreas prioritárias para o 
controle de emissões, o setor de transportes, o combate às queimadas, entre outras.
Cabe, ainda, à GQA propor, apoiar e avaliar tecnicamente estudos e projetos relaciona-
dos à preservação e à melhoria da qualidade do ar, implementar programas e projetos 
na sua área de atuação, assistir tecnicamente os órgãos colegiados de assuntos afeitos 
a essa temática (CONAMA; CONTRAN), elaborar pareceres e notas técnicas sobre os as-
suntos de sua competência.
Entre os programas da Gerência, destacam-se os programas para fontes específicas 
de poluição atmosférica, tais como o PRONAR, o PROCONVE, o PROMOT e o apoio aos 
Estados para a elaboração dos Planos de Controle da Poluição Veicular - PCPVs e dos 
Programas de Inspeção e Manutenção Veicular - I/M, conforme Resolução CONAMA nº 
418/2009.
Fonte: Brasil (2009).
193 
1. São chamados de poluentes originados diretamente na atmosfera. Estamos 
falando de:
a. Poluentes primários.
b. Poluentes secundários.
c. Poluentes terciários.
d. Poluição atmosférica.
e. Poluição por atividades industriais.
2. Consiste em um tratamento para remoção de particulados, que também é de-
nominado de separador centrífugo. Trata-se de:
a. Câmara gravitacional.
b. Ciclone.
c. Filtros de saco.
d. Precipitador eletrostático.
e. Lavador Venturi.
3. Os padrões de qualidade do ar,aqui no Brasil, foram estabelecidos pela Reso-
lução CONAMA nº 3/1990. Diante disso, as concentrações de poluentes, que 
sejam excedidas e que podem afetar a saúde da população são chamadas de:
a. Padrões primários.
b. Padrões secundários.
c. Padrões terciários.
d. Monitoramento de qualidade do ar.
e. Inventário Nacional de Fontes e Poluentes do Ar.
194 
4. Consiste no número de vibrações completas por segundo de uma determina-
da onda. Trata-se de:
a. Ondas sonoras.
b. Amplitude.
c. Frequência.
d. Som.
e. Pressão.
5. É a norma que dispõe sobre a avaliação do ruído em áreas habitadas, visando 
ao conforto da comunidade. Estamos falando de qual Norma?
a. NBR 10.151.
b. NBR 10.152.
c. NBR 10.155.
d. NBR 10.044.
e. NBR 10.066.
 
Material Complementar
MATERIAL COMPLEMENTAR
Introdução à Engenharia Ambiental
P. Aarne Vesilind eSusan M. Morgan
Editora: Cengage Learning
Sinopse: Introdução à Engenharia Ambiental traz discussões, 
principalmente, sobre dois temas: o balanço de materiais e a 
ética ambiental. A obra é dividida em três partes: a primeira parte 
oferece exemplos de questões complexas que circundam a 
identifi cação e a solução dos problemas ambientais. A segunda 
parte introduz os conceitos fundamentais do balanço de materiais e reações que ocorrem em 
reatores. Na terceira parte esses princípios são aplicados à engenharia ambiental e à ciência. 
REFERÊNCIAS
ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS E TÉCNICAS. NBR 10151. Acústica - 
Avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade - 
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______. NBR 10152. Níveis de ruído para conforto acústico. Rio de Janeiro, 
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Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras pro-
vidências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6938.htm>. 
Acesso em: 9 mar. 2018.
______. Resolução nº 003, de 28 de junho de 1990c. Dispõe sobre padrões de 
qualidade do ar, previstos no PRONAR. Disponível em: < http://www.mma.gov.br/
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______. Resolução nº 005, de 15 de junho de 1989. Dispõe sobre o Programa Na-
cional de Controle da Poluição do Ar - PRONAR. Disponível em: <http://www.mma.
gov.br/port/conama/res/res89/res0589.html>. Acesso em: 19 mar. 2018. 
______. Resolução nº 418, de 25 de novembro de 2009. Dispõe sobre critérios 
para a elaboração de Planos de Controle de Poluição Veicular - PCPV e para a im-
plantação de Programas de Inspeção e Manutenção de Veículos em Uso - I/M pe-
los órgãos estaduais e municipais de meio ambiente e determina novos limites de 
emissão e procedimentos para a avaliação do estado de manutenção de veículos 
em uso. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/qualidade-
-do-ar>. Acesso em: 19 mar. 2018.
______. Resolução nº 001, de 08 de junho de 1990a. Dispõe sobre critérios de 
padrões de emissão de ruídos decorrentes de quaisquer atividades industriais, co-
merciais, sociais ou recreativas, inclusive as de propaganda política. Disponível em: 
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______. Resolução nº 002, de 08 de junho de 1990b. Dispõe sobre o Programa 
Nacional de Educação e Controle da Poluição Sonora – <Silêncio>. Disponível em: 
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220 f. Tese (Doutorado em Engenharia Química) – Centro de Ciências Exatas e de 
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DALLAROSA, Juliana Braga. Estudo da formação e dispersão de Ozônio Troposférico 
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4 Em: <http://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/qualidade-do-ar/padroes-
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GABARITOGABARITOGABARITO
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4. C
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Professor Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus
Professora Me. Renata Cristina de Souza Chatalov
A POLÍTICA AMBIENTAL 
NO BRASIL
Objetivos de Aprendizagem
 ■ Apresentar a legislação ambiental pertinente.
 ■ Conceituar Gestão Ambiental Empresarial e suas diferentes 
aplicações. Bem como as certificações da família ISO.
 ■ Conceituar produção mais limpa.
 ■ Apresentar e conceituar Auditoria Ambiental, bem como as 
normatizações envolvidas nos processos de certificação.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
 ■ Legislação Pertinente
 ■ A Gestão Ambiental de Empresas
 ■ Produção mais limpa
 ■ Auditoria Ambiental
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a) nesta unidade, vamos estudar a legislação ambiental perti-
nente, trataremos de leis importantes que gestores precisam que são aplicáveis a 
organizações e/ou indústrias. Iniciaremos tratando sobre a questão de Políticas 
Públicas no Brasil, em seguida falaremos sobre os principais marcos da polí-
tica ambiental brasileira, abrangendo as leis: código das águas, código florestal, 
Política Nacional de Meio Ambiente (Lei 6.938/81), lei da política agrícola, lei 
das águas, lei de crimes ambientais e Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Após, vamos falar sobre a importância da gestão ambiental para as organiza-
ções, além de apresentar um histórico da questão ambiental desde a publicação 
do livro Primavera Silenciosa até os dias atuais.
Trabalharemos com as abordagens da questão ambiental, sendo a primeira: 
controle da poluição, que consiste apenas em impedir os efeitos da poluição oca-
sionados por determinado processoprodutivo. A segunda abordagem trata-se 
da prevenção da poluição, que envolve ações organizacionais buscando evitar, 
reduzir, modificar a geração da poluição, e a terceira abordagem, é a abordagem 
estratégica, na qual os problemas ambientais são visto como uma questão estra-
tégica pela organização.
Também vamos abordar uma questão importante referente a legislação 
ambiental que deve ser cumprida pelas organizações: o licenciamento ambien-
tal, definiremos a licença prévia, licença de instalação e licença de operação, cada 
uma com suas particularidades. Além disso, vamos tratar sobre as normas e cer-
tificações ambientais, propostas pela ISO 14001:2015.
Falaremos sobre a produção mais limpa, seus aspectos, aplicações e impor-
tância para as organizações, e vamos finalizar nossos estudos definindo auditoria 
ambiental, apresentando os diferentes tipos de auditorias ambientais e a audito-
ria ambiental mediante a norma ISO 19011:2012.
Introdução
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LEGISLAÇÃO PERTINENTE
Para Testa (2015), a Legislação Ambiental consiste em um conjunto de leis, nor-
mas, regras e padrões criados para proteger o meio ambiente, buscando planejar 
e controlar os impactos ambientais.
As atitudes relacionadas com a gestão ambiental só começaram a se manifes-
tar por meio dos governos estaduais, ao passo que os problemas iam surgindo, 
isto é, eram medidas isoladas de caráter remediador ou reparador.
As iniciativas iniciais no que diz respeito à gestão ambiental, eram apenas 
corretivas e não preventivas, a partir da década de 1970, tiveram início algumas 
medidas preventivas através de políticas governamentais.
POLÍTICA PÚBLICA AMBIENTAL BRASILEIRA
O Poder Público no Brasil começou a se preocupar com o meio ambiente na 
década de 1930. Não que antes não houvesse nada a esse respeito, mas eram pou-
cas iniciativas e não eram tão eficazes. 
Para Barbieri (2016) antes do século XX, o campo político e institucional 
brasileiro não se sensibilizava com os problemas ambientais, embora não fal-
tassem problemas que os apontassem. A abundância de terras férteis, além de 
outros recursos naturais, enaltecida desde a carta de Pero Vaz de Caminha ao 
rei de Portugal, tornou-se uma espécie de dogma que impedia enxergar a des-
truição que vinha ocorrendo desde o período da colonização. A degradação de 
uma área não era considerada um problema ambiental pela classe política. As 
denúncias sobre a má gestão e uso de recursos naturais não se encontravam eco 
na esfera política dessa época. Somente quando o Brasil começa a dar passos 
firmes em direção à industrialização inicia-se o esboço de uma política ambien-
tal. Tomando como critério a eficácia da ação pública, e não apenas a geração 
de leis, pode-se apontar a década de 1930 como início de uma política ambien-
tal mais efetiva.
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PRINCIPAIS MARCOS DA POLÍTICA AMBIENTAL BRASILEIRA
Agora, estudaremos os principais marcos da Política Ambiental Brasileira. 
Código das Águas - Decreto nº 24.643/1934
Norma legal que disciplina o aproveitamento industrial das águas e o aprovei-
tamento e a exploração da energia elétrica, sendo dividida em duas partes. A 
primeira é reservada às águas em geral e ao seu domínio; já a segunda parte esta-
belece uma disciplina legal para geração, transmissão e distribuição de energia 
elétrica.
Código Florestal - Decreto nº 23793/1934
O Decreto nº 23.793/1934 estabeleceu o Código Florestal, que tratava de regras 
acerca de onde e de que forma a vegetação nativa do território brasileiro poderia 
ser explorada. Determinava, também, as áreas que devem ser preservadas e quais 
regiões podem receber diferentes tipos de produção rural. O Código Florestal 
sofreu modificações importantes e, em 1965, se tornou mais exigente. Teve sua 
última alteração em maio de 2012, por meio da Lei nº 12.521/2012.
O Código Florestal brasileiro institui as regras gerais acerca de onde e de que 
forma o território brasileiro pode ser explorado, ao determinar as áreas de 
vegetação nativa que devem ser preservadas e quais regiões são legalmen-
te autorizadas a receber os diferentes tipos de produção rural. Você já ouviu 
falar no novo Código Florestal? Saiba mais ao acessar ao link disponível em: 
<www. brasil.gov.br/meio-ambiente/2012/11/entenda-as-principais-re-
gras-do-codigo-florestal>.
Fonte: BRASIL. Entenda as principais regras do Código Florestal. 06 nov. 2012. 
Portal Brasil. Disponível em: <www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2012/11/
entenda-as-principais-regras-do-codigo-florestal>. Acesso em: 21 mar. 2018
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Política Nacional de Meio Ambiente - Lei nº 6.938/1981 
A Lei nº 6.938/1981 estabeleceu a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA). 
A PNMA representou uma mudança importante no tratamento das questões 
ambientais, na medida em que procura integrar as ações governamentais den-
tro de uma abordagem sistemática.
Tem como tem por objetivo a preservação, a melhoria e a recuperação da 
qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar as condições de desen-
volvimento socioeconômico, os interesses da segurança nacional e a proteção da 
dignidade humana. O meio ambiente como um todo é considerado patrimônio 
público que deve ser protegido, tendo em vista o uso coletivo (BRASIL, 1981).
Com essa Lei, foi instituído o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), 
responsável pela proteção e melhoria do meio ambiente e constituído por órgãos e 
entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Podemos 
observar os componentes do SISNAMA no Quadro 1.
Quadro 1 - Componentes do SISNAMA
ÓRGÃO COMPONENTE
Órgão supe-
rior
Conselho de Governo que auxilia o presidente da República na 
formulação de políticas públicas.
Órgão 
Consultivo e 
Deliberativo
Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), presidido pelo 
ministro do meio ambiente. Esse órgão analisa, delibera e propõe 
diretrizes e normas acerca da política ambiental.
Órgão Cen-
tral
Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da 
Amazônia Legal (MMA). Órgão responsável por planejamento, 
coordenação, supervisão e controle da Política Nacional do Meio 
Ambiente.
Órgãos Exe-
cutores
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais 
(IBAMA) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversi-
dade. Autarquias vinculadas ao Ministério do Meio Ambiente que 
executam e fiscalizam a política ambiental no âmbito federal.
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Órgãos 
Seccionais
Órgãos ou entidades estaduais responsáveis pela execução de 
programas e projetos e pelo controle e pela fiscalização de ativi-
dades capazes de provocar a degradação ambiental.
Órgãos 
Locais
Órgãos ou entidades municipais responsáveis pelo controle e 
pela fiscalização dessas atividades nas suas respectivas jurisdi-
ções.
 Fonte: adaptado de Brasil (1981).
Ao se espelharem no SISNAMA, os estados criaram seus Sistemas Estaduais do 
Meio Ambiente para integrar as ações ambientaisde diferentes entidades públi-
cas nesse âmbito de abrangência. Outra inovação importante foi o conceito de 
responsabilidade objetiva do poluidor. O poluidor fica obrigado, independente de 
existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente 
e a terceiros afetados por suas atividades (BARBIERI, 2016).
De acordo com Dias (2011) o princípio do poluidor-pagador é uma das prin-
cipais normas do direito ambiental e um importante instrumento de políticas 
governamentais. O princípio torna a organização que contamina responsável 
pelo pagamento do prejuízo que causou, dessa maneira, os custos de tratamen-
tos dos danos ou de recuperação de áreas poluídas não reincidem no governo. 
O Art. 9º da Lei nº 6.938/81 aborda os instrumentos da Política Nacional do 
Meio Ambiente (BRASIL, 1981, p. 3):
I - o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental;
II - o zoneamento ambiental;
III - a avaliação de impactos ambientais;
IV - o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente 
poluidoras;
V - os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação 
ou absorção de tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade am-
biental;
VI - a criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Po-
der Público federal, estadual e municipal, tais como áreas de proteção 
ambiental, de relevante interesse ecológico e reservas extrativistas;
VII - o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente;
VIII - o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de De-
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fesa Ambiental;
IX - as penalidades disciplinares ou compensatórias ao não cumpri-
mento das medidas necessárias à preservação ou correção da degrada-
ção ambiental.
X - a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, a ser 
divulgado anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e 
Recursos Naturais Renováveis – IBAMA.
XI - a garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambien-
te, obrigando-se o Poder Público a produzi-las, quando inexistentes; 
XII - o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente polui-
doras e/ou utilizadoras dos recursos ambientais.
XIII - instrumentos econômicos, como concessão florestal, servidão 
ambiental, seguro ambiental e outros.
A Constituição Federal (CF) de 1988 estabelece que a construção, a instalação, 
a ampliação e o funcionamento de estabelecimentos e de atividades utilizadoras 
dos recursos ambientais, considerados efetivos ou potencialmente poluidores, 
dependeriam de prévio licenciamento por órgão estadual integrante do SISNAMA, 
sem prejuízo de outras licenças exigíveis (BRASIL, 1988).
Assim, também se torna importante conhecermos o capítulo VI, do art. 225 
da Constituição Federal de 1998, o qual afirma que:
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem 
de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impon-
do-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preser-
vá-lo para as presentes e futuras gerações.
Lei da Política Agrícola - Lei nº 8.171/1991
Essa lei tem com principal objetivo proteger o meio ambiente, define que o poder 
público deve disciplinar e fiscalizar o uso racional do solo, da água, da fauna e 
da flora. O Estado também deve realizar zoneamentos agroecológicos, buscando 
ordenar a ocupação de atividades produtivas, desenvolver programas de educa-
ção ambiental e incentivar a produção de mudas de espécies nativas.
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Lei dos Recursos Hídricos - Lei nº 9.433/1997
Também conhecida como a Lei dos Recursos Hídricos ou Lei das Águas, que 
instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema Nacional de 
Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH). Segundo a Lei das Águas, a 
Política Nacional de Recursos Hídricos tem seis fundamentos. A água é consi-
derada um bem de domínio público e um recurso natural limitado, dotado de 
valor econômico, sendo sua gestão baseada em usos múltiplos (abastecimento, 
energia, irrigação, indústria etc.) (BRASIL, 1997). 
O instrumento legal prevê que a gestão dos recursos hídricos deve propor-
cionar os usos múltiplos das águas, de forma descentralizada e participativa, 
contando com a participação do Poder Público, dos usuários e das comunida-
des. O consumo humano e de animais é prioritário em situações de escassez 
(BRASIL, 1997).
Lei de Crimes Ambientais - Lei nº 9.605/98
Condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente passaram a ser 
punidas, de forma civil, administrativa e criminal. A lei não trata apenas de 
punições severas, pois incorpora métodos e possibilidades de não aplicação das 
penas, desde que o infrator recupere o dano, ou, de outra forma, pague sua dívida 
à sociedade (BRASIL, 1998).
Política Nacional de Resíduos Sólidos - Lei nº 12.305/2010
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi um marco regulatório na 
área de Resíduos Sólidos. A PNRS faz a distinção entre resíduo (lixo que pode ser 
reaproveitado ou reciclado) e rejeito (o que não é passível de reaproveitamento), 
além de se referir a todo tipo de resíduo: doméstico, industrial, da construção 
civil, eletroeletrônico, lâmpadas de vapores mercuriais, agrosilvopastoril, da área 
de saúde e perigosos (BRASIL, 2010).
A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL
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Figura 1 - Reciclagem e aproveitamento de resíduos
A PNRS instituiu o princípio de responsabilidade compartilhada pelo ciclo 
de vida dos produtos, incluiu a chamada logística reversa, que refere ao con-
junto de ações para facilitar o retorno dos resíduos aos seus geradores, a fim de 
que sejam tratados ou reaproveitados em novos produtos e estabeleceu princí-
pios para a elaboração dos Planos Nacional, Estadual, Regional e Municipal de 
Resíduos Sólidos. Ainda propiciou oportunidades de cooperação entre o poder 
público federal, estadual e municipal, o setor produtivo e a sociedade em geral 
(BRASIL, 2010).
Dentre os principais instrumentos instituídos pela PNRS (BRASIL, 2010, 
p. 3), destacam-se:
I - os planos de resíduos sólidos; 
II - os inventários e o sistema declaratório anual de resíduos sólidos; 
III - a coleta seletiva, os sistemas de logística reversa e outras ferramen-
tas relacionadas à implementação da responsabilidade compartilhada 
pelo ciclo de vida dos produtos; 
IV - o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas ou de 
outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e 
recicláveis; 
V - o monitoramento e a fiscalização ambiental, sanitária e agropecuária; 
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VI - a cooperação técnica e financeira entre os setores público e priva-
do para o desenvolvimento de pesquisas de novos produtos, métodos, 
processos e tecnologias de gestão, reciclagem, reutilização, tratamento 
de resíduos e disposição final ambientalmente adequada de rejeitos; 
VII - a pesquisa científica e tecnológica; 
VIII - a educação ambiental; 
IX - os incentivos fiscais, financeiros e creditícios; 
X - o Fundo Nacional do Meio Ambiente e o Fundo Nacional de De-
senvolvimento Científico e Tecnológico; 
XI - o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos 
Sólidos (Sinir); 
XII - o Sistema Nacional deInformações em Saneamento Básico (Si-
nisa); 
XIII - os conselhos de meio ambiente e, no que couber, os de saúde; 
XIV - os órgãos colegiados municipais destinados ao controle social 
dos serviços de resíduos sólidos urbanos; 
XV - o Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos Perigosos; 
XVI - os acordos setoriais; 
XVII - no que couber, os instrumentos da Política Nacional de Meio 
Ambiente, entre eles: a) os padrões de qualidade ambiental. 
Os principais objetivos da PNRS são (BRASIL, 2010):
 ■ não geração, redução, reutilização e tratamento de resíduos sólidos;
 ■ destinação final ambientalmente adequada dos rejeitos;
 ■ diminuição do uso de recursos naturais, no processo de produção de
 ■ novos produtos;
 ■ intensificação de ações de educação ambiental;
 ■ aumento da reciclagem no país;
 ■ promoção da inclusão social;
 ■ geração de emprego e renda para catadores de materiais recicláveis.
A GESTÃO AMBIENTAL DE EMPRESAS
Agora que já estudamos as legislações ambientais pertinentes, conheceremos um 
pouco sobre a gestão ambiental e suas formas de gestão dentro de uma empresa. 
GESTÃO AMBIENTAL
Segundo Campos (2001, p. 116), a gestão ambiental é definida como sendo:
a administração do uso dos recursos ambientais, por meio de ações ou 
medidas econômicas, investimentos e potenciais institucionais e jurídi-
cos, com a finalidade de manter ou recuperar a qualidade de recursos 
e desenvolvimento social. Dessa maneira, temos uma sociedade e em-
presas mais preocupadas e conscientes de suas responsabilidades frente 
à exploração dos recursos naturais, assim, surgiu a necessidade de uma 
gestão mais especializada, com uma visão estratégica no que diz respei-
to à exploração dos recursos de maneira mais racional.
Dessa forma, podemos afirmar que a gestão ambiental iniciou a partir da necessi-
dade de o homem organizar sua maneira de relacionar-se com o meio ambiente. 
De acordo com Valle (2002, p. 39), a gestão ambiental consiste em:
um conjunto de medidas e procedimentos definidos e adequadamente 
aplicados que visam reduzir e controlar os impactos introduzidos por 
um empreendimento sobre o meio ambiente.
Para segundo Barbieri (2016, p. 18), a gestão ambiental:
compreende as diretrizes e as atividades administrativas realizadas por 
uma organização para alcançar efeitos positivos sobre o meio ambiente, 
ou seja, para reduzir, eliminar ou compensar os problemas ambientais 
decorrentes da sua atuação e evitar que outros ocorram no futuro.
As ações para combater a poluição começaram a ser efetivadas somente a par-
tir da Revolução Industrial, e de acordo com Barbieri (2016), embora desde a 
Antiguidade diversas experiências já tivessem sido tentadas, com o intuito de reti-
rar o lixo urbano que se alastrava ruas e cidades, prejudicando o meio ambiente 
e a saúde dos habitantes. Na segunda metade do século XIX, começou também 
um intenso debate entre os membros da comunidade científica e artística para 
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delimitar as áreas do ambiente natural a serem protegidas e foram criados san-
tuários onde a vida selvagem pudesse ser preservada.
Assim, a questão ambiental era restrita a pequenos grupos de políticos e cien-
tistas e foi se espalhando devido ao grau de deterioração que o meio ambiente 
estava sofrendo. O Quadro 2 apresenta-nos os marcos históricos da questão 
ambiental.
Quadro 2 - Marcos históricos da questão ambiental
ANO DESCRIÇÃO
1962 Publicação do livro “Primavera Silenciosa”, de Rachel Carson, o qual 
teve uma grande repercussão pública e expôs os perigos da utiliza-
ção do DDT.
1968 Clube de Roma - um grupo de cientistas, educadores e empresários 
se reuniram em Roma e tiveram como objetivo discutir os dilemas 
atuais e futuros do homem.
1972 Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano 
(Conferência de Estocolmo), que teve como resultado a declaração 
de um plano de ação para o Meio Ambiente Humano. Foi a primeira 
conferência que procurou preservar o meio ambiente, pois naquela 
época, acreditava-se que o meio ambiente era uma fonte inesgotá-
vel e a relação homem-natureza era desigual - de um lado, os seres 
humanos gananciosos tentando satisfazer seus desejos de conforto e 
consumo; do outro, a natureza com toda a sua riqueza e exuberância, 
sendo a fonte principal para as ações dos homens.
1987 Relatório Brundtland (ou Nosso Futuro Comum), que publicou a 
definição de desenvolvimento sustentável utilizada até hoje, que 
consiste no desenvolvimento que satisfaz às necessidades presentes, 
sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas 
próprias necessidades.
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1992 Rio 92 (ou Eco 92) que consolidou o conceito de desenvolvimento 
sustentável e aprovou a Agenda 21.
1996 Emissão da norma ISO 14001 (primeira versão) - teve adesões sem 
escala crescente por parte das empresas internacionais e nacionais.
1997 O Protocolo de Kyoto foi um tratado internacional que teve como 
objetivo fazer com que os países desenvolvidos assumissem o 
compromisso de reduzir a emissão de gases que agravam o efeito 
estufa, para analisar os impactos causados pelo aquecimento global. 
Também foram realizadas discussões para estabelecer metas e criar 
formas de desenvolvimento que não sejam prejudiciais ao Planeta.
2002 Rio+10 (Joanesburgo - África do Sul) reuniu representantes de 189 
países, além da participação de centenas de Organizações Não 
Governamentais (ONGs). As discussões na Rio+10 não se restringiram 
à preservação do meio ambiente, englobaram, também, aspectos 
sociais.
2012 Rio + 20: uma das grandes discussões da Conferência foi acerca do 
papel de uma instância global que seja capaz de unir as metas de 
preservação do meio ambiente com as necessidades contínuas de 
progresso econômico, isto é, progredir sem agredir o meio ambiente.
Fonte: adaptado de Silva e Crispim (2011).
Isso já começa a demonstrar que mostra que o número de pessoas preocupadas 
com a questão ambiental e que começam a exigir das organizações uma postura 
mais pró-ativa no que diz respeito ao meio ambiente.
ABORDAGENS DA GESTÃO AMBIENTAL
Existem três diferentes abordagens de que as empresas podem se valer para lida-
rem com problemas ambientais: controle da poluição, prevenção da poluição e 
estratégica. O Controle da poluição, para Barbieri (2016), é caracterizado por 
práticas administrativas e operacionais que têm por intuito impedir os efeitos 
da poluição gerada por certo processo produtivo. Aqui as ações ambientais são 
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resultantes de uma postura reativa da organização. 
As soluções tecnológicas buscam controlar a poluição gerada sem alterar 
seus processos produtivos, tendo dois tipos: tecnologia de remediação e con-
trole no final do processo (end-of-pipe). A tecnologia de remediação procura 
resolver problemas que já ocorreram, como tecnologia para remediação de um 
solo contaminado, enquanto as tecnologias end-of-pipe (ou fim de tubo) pro-
curam captar e tratar a poluição resultante de seus processos produtivos, como 
por exemplo, uma chaminé ou uma planta de tratamento de efluentes (Figura 2): 
Figura 2 - Planta de tratamento de efluentes
A prevenção da poluição envolve ações empresariais que buscam atuar sobre 
os produtos e processos produtivos com o intuito de evitar, reduzir, modificar 
a geração da poluição, isso requer mudanças em processos produtivosa fim de 
reduzir ou eliminar os rejeitos na fonte, isto é, antes que eles sejam produzidos 
e lançados ao ambiente. Suas prioridades são: reduzir na fonte, reciclagem (ou 
reuso), recuperação energética, tratamento e disposição final. A abordagem estra-
tégica, os problemas ambientais são tratados como uma das questões estratégicas 
da empresa, relacionadas com a busca de uma situação vantajosa no futuro, tais 
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como lucratividade, melhoria na imagem no mercado, entre outros. Para Barbieri 
(2016, p. 90), a gestão ambiental traz os benefícios estratégicos:
a) melhoria da imagem institucional;
b) renovação do portfólio de produtos;
c) aumento da produtividade;
d) maior comprometimento dos funcionários e melhores relações do 
trabalho;
e) criatividade e abertura para novos desafios;
f) melhores relações com autoridades públicas, comunidade e grupos 
ambientais ativistas;
g) acesso assegurado aos mercados externos;
h) mais facilidade para cumprir os padrões ambientais. (Barbieri, 2016, 
p. 90).”
O Quadro 3 resume as abordagens da gestão ambiental empresarial.
Quadro 3 - Abordagens da gestão ambiental empresarial
CARACTERÍSTICAS
ABORDAGEM DO 
CONTROLE DA 
POLUIÇÃO
ABORDAGEM DA 
POLUIÇÃO
A B O R D A G E M 
ESTRATÉGICA
Preocupação 
básica
Cumprir legisla-
ção e respostas 
as pressões da 
comunidade.
Uso eficiente dos 
insumos.
Ccompetitividade
Postura reativa reativa e proativa reativa e proativa
Ações típicas Corretivas; uso de 
tecnologias de re-
mediação e fim de 
tubo; aplicações 
de normas de 
saúde e segurança 
do trabalho.
Corretivas e 
preventivas; 
conservação e 
substituição de 
insumos; tecnolo-
gias limpas.
Corretivas, pre-
ventivas e anteci-
patórias.
Percepção dos 
empresários
custo adicional Redução do custo; 
aumento de pro-
dutividade.
Vantagens compe-
titivas.
A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
VU N I D A D E214
Envolvimento da 
alta administração
esporádico periódico permanente e 
sistemático
Áreas envolvidas áreas geradoras 
da poluição
crescente envolvi-
mento de outras 
áreas como pro-
dução, compras, 
desenvolvimento 
de produto e 
marketing.
atividades am-
bientais dissemi-
nadas pela organi-
zação; ampliação 
das ações ambien-
tais para a cadeia 
de suprimentos. 
Fonte: Barbieri (2016, p. 86).
LICENCIAMENTO AMBIENTAL
O licenciamento é um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente 
(PNMA) que tem como objetivo agir preventivamente sobre a proteção do bem 
comum do povo, o meio ambiente, além de compatibilizar sua preservação com 
o desenvolvimento econômico-social, essencial para a sociedade (TCU, 2007). 
O Licenciamento Ambiental pode ser definido como:
Procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente 
licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreen-
dimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, considera-
das efetiva ou potencialmente poluidoras; ou aquelas que, sob qualquer 
forma, possam causar degradação ambiental, considerando as dispo-
sições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso 
(CONAMA, 1997, p. 1).
 Dessa maneira, a Licença Ambiental pode ser entendida como:
Ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente estabelece 
as condições, restrições e medidas de controle ambiental que deverão 
ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou jurídica, para loca-
lizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou atividades utiliza-
doras dos recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente 
poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degra-
dação ambiental (CONAMA, 1997, p. 1).
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De acordo com TCU (2007, p. 10), a licença ambiental é:
uma autorização emitida pelo órgão público competente, que é conce-
dida ao empreendedor para que possa exercer seu direito à livre inicia-
tiva, desde que sejam atendidas às precauções requeridas, com o intui-
to de resguardar o direito coletivo ao meio ambiente ecologicamente 
equilibrado. 
O licenciamento ambiental é composto por três tipos de licença: a licença prévia, 
a licença de instalação e a licença de operação. Cada uma das licenças refere-se 
a uma fase distinta do empreendimento e segue uma sequência lógica. É impor-
tante compreendermos que essas licenças não dispensam o empreendedor da 
obtenção de outras autorizações ambientais específicas junto aos órgãos compe-
tentes, a depender da natureza do empreendimento e dos recursos ambientais 
envolvidos. Por exemplo, se temos uma indústria que for utilizar algum recurso 
hídrico em sua atividade, também é necessária a outorga de direito de uso do 
recurso hídrico, de acordo os preceitos da Lei 9.433/97, que institui a Política 
Nacional de Recursos Hídricos. 
Tipos de Licenciamento Ambiental
Veremos a seguir os tipos de licenciamento ambiental: licença prévia, licença de 
instalação e licença de operação. 
Licença prévia (LP)
É a licença que precisa ser solicitada na fase preliminar de planejamento da ativi-
dade, deve conter os requisitos básicos a serem atendidos nas fases de localização, 
instalação e operação, observados os planos municipais, estaduais e federais de 
uso do solo (CONAMA, 1997). Seu objetivo é definir as condições a partir das 
quais o projeto se torne compatível com a preservação do meio que afetará. 
Consiste no compromisso que o empreendedor assume de que irá seguir o pro-
jeto, de acordo com os requisitos determinados pelo órgão ambiental (TCU, 2007).
É importante salientar que as atividades que são consideradas efetivas ou 
potencialmente causadoras de significativa degradação ambiental, a concessão da 
A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL
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rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
VU N I D A D E216
licença prévia irá depender da aprovação de estudo prévio de impacto ambien-
tal e do respectivo relatório de impacto sobre o meio ambiente (EIA/RIMA) 
(CONAMA, 1997). Além disso, esses instrumentos também são essenciais para 
a solicitação de financiamentos e obtenção de incentivos fiscais.
A licença prévia tem extrema importância no atendimento ao princípio da 
prevenção (TCU, 2007).
Licença de instalação (LI)
A licença de instalação é a autorização para o início da implantação, de acordo 
com as especificações constantes no projeto executivo aprovado. O início da 
instalação do empreendimento ou da atividade só deve acontecer depois da expe-
dição da licença de instalação, em que são verificadas especificações constantes 
nos planos, programas e projetos aprovados, bem como medidas de controle 
ambiental, de compensação e outras consideradas importantes na fase anterior 
(CONAMA, 1997).
Ao conceder a licença de instalação, o órgão gestor de meio ambiente terá (TCU, 
2007):
 ■ autorizado o empreendedor a começar as obras;
 ■ concordado com as especificações constantes dos planos, programas e 
projetos ambientais, seus detalhamentos e respectivos cronogramas de 
implementação;
 ■ verificado o atendimento das condicionantes determinadas na licença 
prévia;
 ■ estabelecido medidas de controle ambiental, com vistas a garantir que a 
fase de implantação do empreendimento obedecerá aos padrões de qua-
lidade ambiental estabelecidos em leiou regulamentos.
Licença de operação (LO)
A licença de operação autoriza, após as verificações necessárias, o início da 
atividade licenciada e o funcionamento de seus equipamentos de controle da 
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poluição, de acordo com o previsto na licença prévia e de instalação (CONAMA, 
1997). A licença de operação é aquela que autorizará o início das operações do 
empreendimento ou da atividade objeto do projeto, sua expedição depende da 
verificação e do cumprimento das etapas anteriores e tem três características 
básicas (TCU, 2007):
1. É concedida após a verificação, pelo órgão ambiental do efetivo cumpri-
mento das condicionantes estabelecidas nas licenças anteriores (prévia 
e de instalação);
2. Contém as medidas de controle ambiental (padrões ambientais) que servi-
rão de limite para o funcionamento do empreendimento ou da atividade;
3. Especifica as condicionantes determinadas para a operação do empre-
endimento, cujo cumprimento é obrigatório, sob pena de suspensão ou 
cancelamento da operação.
Cada uma das licenças ambientais tem prazos de validade que estão apresenta-
das no Quadro 4.
Quadro 4 - Prazos de validade das Licenças ambientais
TIPO DE 
LICENÇA
PRAZO 
MÁXIMO
PRAZO MÍNIMO
Licença 
Prévia (LP)
5 anos Prazo estabelecido pelo cronograma de planos, pro-
gramas e projetos relativos à atividade ou ao empre-
endimento. Esse prazo poderá ser prorrogado desde 
que não ultrapasse o prazo máximo da licença.
Licença de 
Instalação 
(LI)
6 anos
Licença de 
Operação 
(LO)
10 anos Mínimo de 4 anos ou o prazo considerado nos planos 
de controle ambiental. Prazos específicos para empre-
endimentos ou atividades sujeitos a encerramentos 
ou modificações em prazos inferiores.
Fonte: Barbieri (2016, p. 267).
A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL
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rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
VU N I D A D E218
Além disso, é importante entendermos que nem toda a atividade ou empreen-
dimento está sujeita ao licenciamento ambiental. Para saber qual atividade deve 
passar por todo processo de licenciamento, a Resolução 237 (CONAMA, 1997), 
no seu anexo 1, apresenta as atividades sujeitas ao licenciamento. No entanto, 
caso você tenha dúvida de alguma atividade, deve ser feita uma consulta ao órgão 
ambiental competente, pois a lista do anexo 01, não se trata de uma lista exaustiva. 
São exemplos do anexo 01 da Resolução 237 de 1997, de atividades sujeitas 
ao licenciamento ambiental (CONAMA, 1997):
 ■ Extração e tratamento de minerais;
 ■ Indústria de produtos minerais não metálicos;
 ■ Indústria metalúrgica;
 ■ Indústria mecânica;
 ■ Indústria de material elétrico, eletrônico e comunicações;
 ■ Indústria de material de transporte;
 ■ Indústria de madeira;
 ■ Indústria de papel e celulose;
 ■ Indústria de borracha;
 ■ Indústria de couros e peles;
 ■ Indústria química;
 ■ Indústria de produtos de matéria plástica;
 ■ Indústria têxtil, de vestuário, calçados e artefatos de tecidos;
 ■ Indústria de produtos alimentares e bebidas;
 ■ Indústria de fumo;
 ■ Indústrias diversas;
 ■ Obras civis (rodovias, hidrovias, ferrovias, barragens, e outros)
 ■ Serviços de utilidade (produção de energia termoelétrica, transmissão 
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de energia elétrica, estações de tratamento de água, interceptores, emis-
sários, estação elevatória e tratamento de esgoto sanitário, tratamento e 
destinação de resíduos industriais (líquidos e sólidos) e outros);
 ■ Transporte, terminais e depósitos;
 ■ Turismo (complexos turísticos e de lazer, inclusive parques temáticos e 
autódromos);
 ■ Atividades diversas;
 ■ Atividades agropecuárias;
 ■ Uso de recursos naturais (silvicultura, exploração econômica da madeira 
ou lenha e subprodutos florestais, atividade de manejo de fauna exótica e 
criadouro de fauna silvestre e outros).
NORMAS DA FAMÍLIA ISO 14000
As normas ISO 14000 são uma família de normas que procuram estabelecer 
ferramentas e sistemas para gestão ambiental de uma organização, buscam a 
padronização de algumas ferramentas-chave de análise, tais como a auditoria 
A Resolução CONAMA Nº 001/86 define que o Estudo de Impacto Ambiental 
(EIA) é o conjunto de estudos realizados por especialistas de diversas áreas, 
com dados técnicos detalhados. O acesso a ele é restrito, em respeito ao 
sigilo industrial. O relatório de impacto ambiental, RIMA, refletirá as conclu-
sões do estudo de impacto ambiental (EIA). O RIMA deve ser apresentado de 
forma objetiva e adequada à sua compreensão, as informações devem ser 
traduzidas em linguagem acessível, ilustradas por mapas, cartas, quadros, 
gráficos e demais técnicas de comunicação visual, de modo que se possam 
entender as vantagens e desvantagens do projeto bem como todas as con-
sequências ambientais de sua implementação. Saiba mais sobre o EIA/RIMA, 
acessando o link: <http://www.matanativa.com.br/blog/o-que-e-eia-rima-
-estudo-e-relatorio-de-impacto-ambiental/>. 
Fonte: Mata Nativa ([2018], on-line)1.
A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL
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rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
VU N I D A D E220
ambiental e a análise do ciclo de vida (BRASIL, 2017). O Quadro 5 apresenta-
-nos as normas da família ISO 14000:
Quadro 5 - Família ISO 14000
NORMA DESCRIÇÃO
ISO 14001 Sistema de Gestão Ambiental (SGA)
ISO 14004 Sistema de Gestão Ambiental - Diretrizes Gerais
ISO 14010 Guias para Auditoria Ambiental - Diretrizes Gerais
ISO 14011 Diretrizes para Auditoria Ambiental e Procedimentos para Audito-
rias
ISO 14012 Diretrizes para Auditoria Ambiental - Critérios de Qualificação
ISO 14020 Rotulagem Ambiental - Princípios Básicos
ISO 14021 Rotulagem Ambiental - Termos e Definições
ISO 14022 Rotulagem Ambiental - Simbologia para Rótulos
ISO 14023 Rotulagem Ambiental - Testes e Metodologias de Verificação
ISO 14024 Rotulagem Ambiental - Guia para Certificação com Base em Análi-
se Multicriterial
ISO 14031 Avaliação da Performance Ambiental
ISO 14032 Avaliação da Performance Ambiental dos Sistemas de Operações
ISO 14040 Análise do Ciclo de Vida - Princípios Gerais
ISO 14041 Análise do Ciclo de Vida - Inventário
ISO 14042 Análise do Ciclo de Vida - Análise dos Impactos
ISO 14043 Análise do Ciclo de Vida - Migração dos Impactos
Fonte: ABNT (2017).
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A principal norma da família ISO 14000 é a ISO 14001, que estabelece os requi-
sitos necessários para implementação do Sistema de Gestão Ambiental (SGA), 
que tem por objetivo gerir a organização dentro de um SGA certificável, estru-
turado e integrado à atividade geral de gestão, buscando apresentar requisitos 
que sejam aplicáveis a qualquer tipo e tamanho de organização (SEIFFERT, 
2011). Segundo Barbieri (2016), de forma sucinta, o SGA proposto deve cum-
prir estes requisitos:
 ■ Política Ambiental;
 ■ Planejamento;
 ■ Implementação e Operação;
 ■ Verificação e Ação Corretiva.
No que diz respeito à Política Ambiental, é preciso que a alta administração defina 
sua política ambiental e assegure que ela (BRASIL, 2015, p. 8):
• seja apropriadaà natureza, à escala e aos impactos ambientais de 
suas atividades, produtos ou serviços;
• inclua o comprometimento com a melhoria contínua e com a pre-
venção da poluição;
• inclua o comprometimento com o atendimento à legislação, às 
normas ambientais aplicáveis e aos demais requisitos da organi-
zação;
• forneça estrutura para o estabelecimento e a revisão dos objetivos 
e das metas ambientais;
• seja documentada, implementada, mantida e comunicada a todos 
os colaboradores;
• esteja disponível para o público.
ISO 14001
A ISO 14001 pode ser implementada e aplicada por qualquer tipo de organiza-
ção de todos os portes e segmentos. É uma norma aplicável para empresas que 
desejam (ROBLES JR, 2003, p. 136):
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VU N I D A D E222
• Implantar, manter e aprimorar um sistema de gestão ambiental.
• Assegurar-se do atendimento a sua política ambiental.
• Demonstrar tal conformidade a terceiros.
• Buscar certificação/registro de seu SGA por uma organização ex-
terna.
• Realizar auto-avaliação e emitir declaração de conformidade à 
norma (ROBLES JR, 2003, p. 136).
A primeira edição da ISO 14001 foi no ano de 1996, a segunda edição em 2004, 
quando se buscou esclarecer a edição de 1996 e alinhá-la melhor com a norma 
ISO 9001:2000. Com isso, algumas seções não modificadas em seu conteúdo 
foram reescritas para alinhar à ISO 14001:2004 com o formato, os termos e a 
diagramação da ISO 9001:2000 e para aumentar a compatibilidade entre as duas 
normas (SEIFFERT, 2011).
ISO 14001:2015
Após onze anos da publicação da última revisão da norma ISO 14001 (em 2004), 
no segundo semestre de 2015, ocorreu o lançamento oficial da ISO 14001:2015, 
que estabelece os requisitos para implementação e certificação do Sistema de 
Gestão Ambiental (SGA). Essa nova versão teve várias modificações que ocor-
reram para adaptar a norma de acordo com a estrutura do Anexo SL, que tem 
por intuito criar uma estrutura padrão para todas as normas que orientam a 
implantação e a certificação dos sistemas de gestão.
O prazo final para transição das empresas que têm a certificação ISO 
14001:2004 é até o final de 2018. As empresas certificadas pela versão de 
2004, da ISO 14001, precisam fazer a transição em 2018. 
 Fonte: adaptado de ABNT (2017).
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Dessa maneira, de acordo com a ABNT (2015), a nova estrutura da ISO 14001, 
também proposta no anexo SL é:
 ■ Introdução;
 ■ Escopo;
 ■ Referência normativa;
 ■ Termos e definições;
 ■ Contexto da organização;
 ■ Liderança;
 ■ Planejamento;
 ■ Apoio;
 ■ Operação;
 ■ Avaliação de desempenho;
 ■ Melhoria.
Essa estrutura da nova versão é a mesma ISO 9001 que aborda o Sistema de 
Gestão de Qualidade (SGQ). A estrutura que sustenta um SGA é baseada no 
ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act). O ciclo PDCA fornece um processo interativo 
utilizado pelas organizações para alcançar a melhoria contínua. Esse ciclo pode 
ser aplicado a um sistema de gestão ambiental e a cada um dos seus elementos 
individuais (ABNT, 2015). A Figura 3 apresenta-nos a estrutura da norma ISO 
14001:2015 integrada ao ciclo PDCA:
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rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
VU N I D A D E224
Figura 3 - Modelo do Sistema de Gestão Ambiental
Fonte: Carpinetti e Gerolamo (2016, p. 159).
A Estrutura de Alto Nível distribui as cláusulas em 10 seções (ou seja, em 10 
itens), alinhadas com a abordagem PDCA (Figura 1), de modo a dar sequência 
lógica aos requisitos dos sistemas de gestão e propõe texto comum para requisi-
tos muito estáveis dos sistemas de gestão, tais como a informação documentada, 
as ações corretivas, as auditorias internas, a revisão pela gestão, dentre outros. 
Assim, a nova versão da ISO 14001 tem a estrutura apresentada no Quadro 6 
(ABNT, 2015):
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Quadro 6 - Estrutura da Norma ISO 14001:2015 
 
 
 
 
0. Introdução
1. Escopo
2. Referências normativas
3. Termos e definições
P
L
A
N
E
J
A
R
4. Contexto da organização:
4.1 Entendendo a organização e seu contexto.
4.2 Entendendo as necessidades e as expectativas de partes 
interessadas.
4.3 Determinando o escopo do sistema de gestão ambiental 
(SGA).
4.4 Sistema de Gestão Ambiental
5. Liderança
5.1 Liderança e comprometimento
5.2 Política ambiental
5.3 Papéis, responsabilidades e autoridades organizacionais
6. Planejamento
6.1 Ações para abordar riscos e oportunidades
6.1.1 Generalidades
6.1.2 Aspectos ambientais
6.1.3 Requisitos legais e outros requisitos
6.1.4 Planejamento das ações
6.2 Objetivos ambientais e planejamento para alcançá-los
6.2.1 Objetivos ambientais
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rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
VU N I D A D E226
6.2.2 Planejamento de ações para alcançar os objetivos ambien-
tais
7. Apoio
7.1 Recursos
7.2 Competência
7.3 Conscientização
7.4 Comunicação
7.4.1 Generalidades
7.4.2 Comunicação interna
7.4.3 Comunicação externa
7.5 Informação documentada
7.5.1 Generalidades
7.5.2 Criando e atualizando.
7.5.3 Controle de informação documentada.
EXECUTAR
8. Operação
8.1 Planejamento e controle operacionais
8.2 Preparação e resposta a emergências
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AVALIAR
9. Avaliação de desempenho
9.1 Monitoramento, medição, análise e avaliação
9.1.1 Generalidades
9.1.2 Avaliação do atendimento aos requisitos legais e outros 
requisitos
9.2 Auditoria Interna
9.2.1 Generalidades
9.2.2 Programa de auditoria interna
9.3 Análise crítica pela direção
AGIR
10. Melhoria
10.1 Generalidades
10.2 Não conformidade e ação corretiva
10.3 Melhoria contínua
Fonte: adaptado de ABNT (2015).
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VU N I D A D E228
PRODUÇÃO MAIS LIMPA
Durante o ano de 1989, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente 
(PNUMA) introduziu o conceito de produção mais limpa para definir a apli-
cação contínua de uma estratégia ambiental preventiva e integral que envolve 
processos, produtos e serviços, de maneira que se previnam ou reduzam os ris-
cos de curto ou longo prazo para o ser humano e o meio ambiente (DIAS, 2017). 
A produção mais limpa (P+L) adota os procedimentos, a saber:
 ■ Processos de produção: conservando as matérias-primas e energia, eli-
minando aquelas que são tóxicas bem como reduzindo a quantidade e a 
toxicidade de todas as emissões e resíduos.
 ■ Produtos: buscando reduzir os impactos ambientais negativos ao longo 
do ciclo de vida do produto, desde a extração da matéria-prima até a dis-
posição final. 
 ■ Serviços: incorporando as preocupações ambientais no projeto e forne-
cimento de serviços.
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 ■ Além disso, podemos definir como sendo uma estratégia ambiental, de 
caráter preventivo que é aplicada a processos, produtos e serviços empre-
sariais com o intuito de utilizar eficientemente os recursos e a diminuir o 
impacto ambiental no meio ambiente (DIAS, 2017).
Para o CNTL (1999), a produção mais limpa é uma aplicação contínua de uma 
estratégia ambiental, econômica e tecnológica que está integrada aos processos 
e produtos, com o intuito de aumentar a eficiência no uso de matérias-primas, 
energia, água, por meio da não geração, minimização ou reciclagem de resíduos 
gerados. A Figura 4 apresenta-nos os níveis de P+L: 
Figura 4 - P + L - Níveis de intervenção 
Fonte: adaptado de Barbieri (2016, p. 101).
A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL
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VU N I D A D E230
Podemos observar, na Figura 4, que as alternativas do nível 1, que constituem 
a prioridade máxima, envolvem modificações em processos e produtos com o 
intuito de reduzir emissões e resíduos na fonte bem como para eliminar e redu-
zir sua toxicidade. Para Barbieri (2016), essas modificações ocorrem mediante 
revisões de suas especificações para reduzir geração de resíduos, realizadas por 
meio de:
• boas práticas operacionais (housekeeping): procedimentos admi-
nistrativos e operacionais usuais, como planejamento e programa-
ção da produção, gestão de estoques, organização do local de tra-
balho, limpeza, manutenção de equipamentos, providências para 
evitar acidentes nos deslocamentos de materiais, coleta e separa-
ção de resíduos, padronização de atividades, elaboração e atualiza-
ção de manuais, fichas técnicas, treinamento e outros.
• substituição de materiais: avaliação e seleção de materiais para re-
duzir ou eliminar materiais perigosos nos processos produtivos ou 
na geração de resíduos perigosos, por exemplo, substituir solven-
tes químicos por solventes à base de água, selecionar matérias-pri-
mas e materiais auxiliares que gerem menos resíduos;
• mudanças na tecnologia: inovações nos processos produtivos para 
reduzir emissões e perdas, podendo ser inovações incrementais, 
como mudanças nas especificações do processo ou no layout, ou 
radicais, como novos equipamentos, instalações e outros compo-
nentes do processo (BARBIERI, 2016, p. 100).
Emissões e ruídos que continuam sendo gerados nos processos devem ser reu-
tilizados internamente, como apresentado no nível 2. Já no nível 3, quando não 
existe a possibilidade do resíduo ou da emissão ser utilizado na própria uni-
dade produtiva que o gerou, pode ser feita a reciclagem externa, por meio de 
doações ou venda. Caso isso ainda não seja possível, podem ser tratados para 
serem assimilados no meio ambiente, como a compostagem (ciclos biogênicos) 
(BARBIERI, 2016).
PRODUÇÃO MAIS LIMPA
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OUTROS MODELOS DE GESTÃO AMBIENTAL 
Veremos agora outros modelos de gestão ambiental.
Administração da Qualidade Total (TQM)
No ano de 1990, 21 empresas multinacionais formaram a Global Environmental 
Management Initiative (Gemi), que criou o conceito de Total Quality Environmental 
Management (TQEM), uma extensão dos conceitos da Administração da 
Qualidade Total (TQM). A Administração da Qualidade Total (TQM) tem 
como meta o defeito zero, e a Administração da Qualidade Ambiental Total tem 
como meta a poluição zero. Para alcançar seus objetivos ambientais, a TQEM 
utiliza ferramentas típicas da qualidade, como diagrama de causa e efeito, ben-
chmarking, diagramas de fluxos de processos, gráfico de Pareto e ciclo PDCA 
(BARBIERI, 2016). Veja no Quadro 7:
Quadro 7 - Ferramentas da qualidade 
FERRAMENTA DESCRIÇÃO
Ciclo PDCA Do inglês, plan, do, check, act, propõe a análise dos processos 
com vistas à sua melhoria.
Diagrama de 
causa e efeito
Sua representação é comparada a uma espinha de peixe, em 
que, na coluna do meio, sinalizada por uma seta, é representado 
o efeito ou a consequência e, na parte lateral, acima e abaixo da 
seta, estão as causas que interferem no processo.
Gráfico de 
Pareto
Pode ser utilizado, para classificar causas que atuam em um pro-
cesso com maior ou menor intensidade, ou, ainda, com diferen-
tes níveis de importância. 
Lista de 
verificação 
(checklist)
É um método pelo qual se faz a constatação de quantas vezes 
algo ocorre e mostra a frequência de sua ocorrência. Também, 
é conhecida como folha de checagem. É uma das ferramentas 
mais simples e mais eficientes para analisar o desenvolvimento 
de atividades ao longo de um processo.
A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
VU N I D A D E232
Gráficos de 
controle
Buscam trabalhar com as variações de um processo e estão 
restritos a áreas determinadas do processo. Como regra geral, os 
gráficos de controle são instrumentos para separar causas alea-
tórias das causas assinaláveis, verificam se o processo é estável, 
se o processo está sob controle e se permanecem assim e, ainda, 
permitem a análise das tendências do processo.
Fonte: Carvalho e Paladini (2012, p. 358).
Os custos de prevenção estão associados a ações para evitar problemas ambien-
tais futuros, os custos de avaliação consistem nas ações para verificar como a 
organização está em relação aos cumprimentos das normas legais. Os custos de 
falhas internas estão relacionados às ações para controle de impactos ambien-
tais, já os custos de falhas externas relacionam-se às ações para controlar, reparar 
e mitigar impactos produzidos fora da empresa (DIAS, 2017). 
Ecoeficiência
A ecoeficiência tem por intuito o uso mais eficiente de matérias-primas e ener-
gia, com o objetivo de reduzir os custos econômicos, os impactos ambientais e 
os riscos de acidente, melhorando a relação da organização com as partes inte-
ressadas (DIAS, 2017). Assim, uma empresa torna-se ecoeficiente para Barbieri 
(2016) quando:
 ■ reduz o consumo de materiais com bens e serviços;
 ■ reduz o consumo de energia com bens e serviços;
 ■ reduz a dispersão de substâncias tóxicas;
 ■ intensifica a reciclagem de materiais;
 ■ maximiza o uso sustentável dos recursos naturais;
 ■ prolonga a durabilidade dos produtos;
 ■ agrega valor aos bens e serviços.
A ecoeficiência é baseada na ideia de que a redução de materiais e energia, ao 
longo do sistema produtivo, aumenta a competitividade da empresa ao mesmo 
tempo que reduz as pressões sobre o meio ambiente (DIAS, 2017). A ecoeficiência 
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está relacionada a três importantes objetivos (DIAS, 2017):
1. Redução do consumo de recursos;
2. Redução no impacto na natureza;
3. Aumento de produtividade ou do valor do produto.
Os princípios para a definição e para a utilização dos indicadores de ecoeficiên-
cia estão apresentados a seguir:
1. Serem relevantes e significativos na proteção do meio ambiente e da saúde 
humana e/ou na melhoria da qualidade de vida.
2. Fornecerem informação aos tomadores de decisão, com o objetivo de 
melhorar o desempenho da organização.
3. Reconhecerem a diversidade inerente a cada negócio.
4. Apoiarem o benchmarking e monitorarem a evolução do desempenho.
5. Serem claramente definidos, mensuráveis, transparentes e verificáveis.
6. Serem compreensíveis e significativos para as várias partes interessadas.

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