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CIÊNCIAS DO AMBIENTE Professor Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus Professora Me. Renata Cristina de Souza Chatalov GRADUAÇÃO Unicesumar C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; PISANO, Gustavo Affonso Pisano; CHATALOV, Renata Cristina de Souza. Ciências do Ambiente. Gustavo Affonso Pisano Mateus; Rena- ta Cristina de Souza Chatalov. Maringá-Pr.: UniCesumar, 2018. 256 p. “Graduação - EaD”. 1. Ciências 2. Meio Ambiente . 3. Sustentabilidade 4. EaD. I. Título. CDD - 22 ed. 363.7 CIP - NBR 12899 - AACR/2 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 Impresso por: Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a Distância Direção Executiva de Ensino Janes Fidélis Tomelin Direção Operacional de Ensino Kátia Coelho Direção de Operações Chrystiano Minco� Direção de Polos Próprios James Prestes Direção de Desenvolvimento Dayane Almeida Direção de Relacionamento Alessandra Baron Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila Toledo Supervisão Operacional de Ensino Luiz Arthur Sanglard Coordenador de Conteúdo Márcia Pappa Designer Educacional Ana Claudia Salvadego Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Arte Capa Arthur Cantareli Silva Editoração Produção de Materiais EAD Ilustração Bruno Pardinho Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos com princípios éticos e profissionalismo, não so- mente para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão in- tegral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educa- dores soluções inteligentes para as necessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a quali- dade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu- nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con- tribuindo no processo educacional, complementando sua formação profissional, desenvolvendo competên- cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessá- rios para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de cresci- mento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das dis- cussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui- lidade e segurança sua trajetória acadêmica. CU RR ÍC U LO Professor Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus Possui graduação em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário Cesumar (Unicesumar), Especialização em Docência no Ensino Superior e Análise Ambiental pela mesma instituição e Mestrado em Biotecnologia Ambiental pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Possui experiência nas áreas de Fitossanidade, com ênfase em fungos fitopatogênicos e Tratamentos Alternativos de Água e Efluentes, em especial com os temas: processos de separação por membranas e coagulantes naturais. Atualmente é aluno do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Ambiental da Universidade Estadual de Maringá em nível de Doutorado. <http://lattes.cnpq.br/1379816809384173>. Professora Me. Renata Cristina de Souza Chatalov Possui Graduação em Engenharia Ambiental e Sanitária pelo Centro Universitário Cesumar. Possui graduação em Tecnologia Ambiental pelo Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná. Possui especialização em Gestão Ambiental pela Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão - FECILCAM. Tem Mestrado em Engenharia Urbana pela Universidade Estadual de Maringá - UEM. Tem experiência em pesquisa na área de Sistema de Gestão de Qualidade, na Área Ambiental, com ênfase em Tecnologias Avançadas de Tratamento de Efluentes, Gestão e Tratamento de Resíduos Sólidos. Trabalha como Professora Formadora no curso de Gestão Ambiental, Gestão de Recursos Humanos, Gestão de Negócios Imobiliários, Segurança do Trabalho no EAD no Centro Universitário Cesumar - UniCesumar. Trabalhou como professora no curso de graduação em Administração na Faculdade Metropolitana de Maringá. Professora da disciplina de Indústria e Meio Ambiente na Pós-graduação em Gestão Ambiental na Faculdade Metropolitana de Maringá. Professora da pós-graduação EAD - UniCesumar. <http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4400997J9> SEJA BEM-VINDO(A)! Estima-se que a vida na Terra existe há cerca de 3,5 bilhões de anos, no entanto, apenas há duzentos anos que a vida humana tornou-se mais confortável devido aos grandes avanços na área tecnológica. Nesses duzentos anos, a população mundial aumentou significativamente, a sociedade tornou-se cada vez mais consumista e com isso houve um aumento no consumo de recursos naturais que estão se tornando cada vez mais escassos. A história do homem no planeta é diferente se compararmos com os demais, pois o ho- mem se apropria da natureza para satisfazer suas necessidades, criando sistemas mais elaborados, embasados em tecnologias que nem sempre são sustentáveis, que podem ocorrer de forma tão acelerada que ossistemas naturais não conseguem repor tudo com a mesma agilidade em que são consumidos. Nosso planeta, a água, o ar e o solo estão deteriorando qualitativamente, colocando em evidência o prejuízo biológico de muitas espécies, das quais o homem está incluído. Como exemplos de degradação ambiental podemos citar: as queimadas, o consumo de combustíveis fósseis, o desflorestamento, a poluição das águas, do ar, do solo, entre outros, que na maioria das vezes têm origem antrópica. Dessa forma, quando estudamos as questões ambientais, nós estudamos temas muito importantes para a formação acadêmica, tanto que a interdisciplinaridade é essencial para compreensão do tema e exige esforços de profissionais nas mais diversas áreas do conhecimento. Nesse sentido, procuramos contribuir na disciplina de Ciências do Am- biente para vocês que estão cursando conosco a Engenharia. Diante desse contexto, trataremos dos nossos estudos de Ciências do Ambiente que foram divididos em cinco unidades. Na primeira Unidade, estudaremos o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável - veremos os conceitos de meio ambiente e desenvolvimento sustentável, apresentando seu histórico bem como as questões do meio ambiente no meio econômico com bens e serviços ambientais. Na segunda Unidade, estudaremos sobre o gerenciamento e tratamento de águas e efluentes - abordaremos os conceitos de águas subterrâneas, as questões da qualidade da água e as formas de tratamento de efluentes. Na terceira Unidade, abordaremos a questão de resíduos sólidos, desde a geração, a coleta, o acondicionamento, o transporte, o tratamento e a destinação final dos resíduos sólidos. APRESENTAÇÃO CIÊNCIAS DO AMBIENTE Na quarta Unidade, analisaremos o controle e qualidade de emissões atmosféricas e conceituaremos a poluição atmosférica bem como suas formas de controle. Na quinta unidade, estudaremos as questões da Política Ambiental no Brasil, apre- sentando as legislações ambientais vigentes e a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental. Desejamos a você ótimos estudos! Professor Gustavo e Professora Renata APRESENTAÇÃO SUMÁRIO 09 UNIDADE I O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 15 Introdução 16 O Meio Ambiente e as Alterações de Origem Antrópica 25 A Sustentabilidade e o Desenvolvimento Sustentável 36 Dinâmicas Ambientais 56 Considerações Finais 68 Gabarito UNIDADE II GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES 70 Introdução 71 O Consumo e a Utilização da Água 79 Tratamento de Águas Residuárias 89 Os Diferentes Tratamentos e suas Aplicações 97 Considerações Finais 109 Gabarito SUMÁRIO 10 UNIDADE III A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS 113 Introdução 114 Geração, Coleta e Transporte de Resíduos 126 Processamento e Disposição Final de Resíduos 134 Gestão de Resíduos Perigosos 136 Gestão de Resíduos Radioativos 137 Técnicas e Tratamentos de Resíduos Sólidos 141 Considerações Finais 150 Gabarito UNIDADE IV CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS 153 Introdução 154 Poluição do Ar e Fontes de Emissão 166 Métodos de Controle 175 Padrões de Qualidade 182 Poluição Sonora 186 Redução e Controle de Ruídos 190 Considerações Finais 198 Gabarito SUMÁRIO 11 UNIDADE V A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL 201 Introdução 202 Legislação Pertinente 210 A Gestão Ambiental de Empresas 229 Produção Mais Limpa 236 Auditoria Ambiental 243 Considerações Finais 252 Gabarito 253 Conclusão U N ID A D E I Professor Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Objetivos de Aprendizagem ■ Conhecer as vertentes históricas associadas às alterações ambientais de origem antrópica. ■ Conceituar Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável. ■ Conhecer as diferentes dinâmicas ambientais naturais. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ O meio ambiente e as alterações de origem antrópica ■ A sustentabilidade e o desenvolvimento sustentável ■ Dinâmicas ambientais INTRODUÇÃO Olá caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) à primeira unidade do material didático intitulado Ciências do Ambiente. Esta unidade denominada O meio ambiente e o desenvolvimento sustentável tem por finalidade auxiliar na compreensão histó- rica acerca das modificações ambientais de origem antrópica, em outras palavras, tem como objetivo nos auxiliar a compreender a capacidade e a “necessidade” do homem em modificar o ambiente a sua volta. Mediante a uma breve retrospec- tiva histórica iremos discutir sobre alguns marcos históricos que influenciaram os modelos sociais e que foram em parte responsáveis pelos processos produti- vos como nós os conhecemos. Em seguida, iremos conhecer algumas especificidades acerca dos conceitos de sustentabilidade e desenvolvimento sustentável e discutir os motivos pelos quais ambos conceitos são tão relevantes na atualidade e também em suas jornadas acadêmicas e profissionais. Iremos, ainda, conhecer algumas de suas aplicações em ambientes empresariais/coorporativos, representadas por algumas normas de certificação socioambiental. Em um último momento, ainda nesta unidade, iremos explorar alguns con- ceitos relacionados a biologia e a ecologia conservacionista, a fim de conhecer e conceituar corretamente os diferentes níveis ou hierarquias de organização eco- lógica existentes. Iremos também conhecer algumas das dinâmicas ambientais naturais que serão apresentadas a fim de elucidar suas finalidades e subsidiar a compreender das mais amplas dimensões que os impactos ambientais podem afetar, sendo estes relacionados à distribuição de recursos e/ou às alterações das condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento dos indivíduos, ou ainda, relacionadas às alterações nos ciclos biogeoquímicos existentes e observados na biosfera terrestre. Sendo assim, convido você, caro(a) aluno(a), a uma leitura não exaustiva acerca dos conceitos apresentados. Boa leitura! Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 15 O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E16 O MEIO AMBIENTE E AS ALTERAÇÕES DE ORIGEM ANTRÓPICA As ciências do ambiente compreendem um campo acadêmico multidisciplinar que integra as ciências físicas e biológicas e sua ampla gama de recursos para a compreensão dos fenômenos ambientais existentes, visando o desenvolvimento de soluções para as problemáticas ambientais atuais. Entretanto, antes de iniciar- mos nossa discussão acerca das diferentes dinâmicas ambientais e das diferentes formas de compensar os impactos causados, torna-se necessário compreender como e porque as alterações ambientais ocorrem. Para tanto, iremos, inicial- mente, realizar uma retrospectiva histórica para compreender e conhecer as definições de meio ambiente existentes, bem como a intensidade e origem das alterações e impactos ambientais. É fato que as definições atuais de meio ambiente são resultado de uma série de estudos, reflexões e eventos históricos acerca desse tema, que foram funda- mentais para a compreensão deste conceito em sua totalidade. As preocupações com o ambiente tomaram proporções internacionais em 1960, atingindo seu ápice O MEIO AMBIENTE E AS ALTERAÇÕES DE ORIGEM ANTRÓPICA Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e feve re iro d e 19 98 . 17 na década seguinte, com o relatório e marco histórico intitulado: Os limites do crescimento (The limits to Growth), divulgado pelos intelectuais e empresários que faziam parte do Clube de Roma. Conforme Salheb et al. (2009), o relatório buscava a limitação do desenvol- vimento econômico baseado na extração de recursos naturais, porém, para os países em desenvolvimento, como o Brasil, as sugestões do relatório não foram convenientes, uma vez que limitava a exploração de recursos, “restringindo”, consequentemente, seu desenvolvimento econômico. Uma das principais contribuições deste relatório consistiu no despertar da consciência ambiental coletiva, uma vez que, em sua conclusão, foram apresen- tados indícios de que em uma projeção fictícia, caso fossem mantidos os níveis de industrialização, poluição e exploração de recursos, o limite de desenvolvi- mento do planeta seria atingido em até 100 anos. Entretanto, apesar das discussões e controvérsias envolvendo o conceito de meio ambiente, o mesmo somente foi disposto em nosso país no art. 3º, I, da Lei nº. 6.938/81, que discorre acerca da Política Nacional do Meio Ambiente, que definiu meio ambiente como: “o conjunto de condições, leis, influências e inte- rações de ordem física, química e biológica, que permitem, abrigam e regem a vida em todas as suas formas” (BRASIL, 1981, on-line). Porém, analisando esse conceito, é comum nos remetermos apenas a ambientes naturais, paisagens, ecos- sistemas e outros meios de obtenção de recursos naturais que sejam possíveis. Apesar de correto, o conceito apresentado deveria ser mais abrangente, englobando ambientes “naturais” oriundos da intervenção antrópica, conforme postulado por Silva (2004, p. 20), o qual compreende que [...] a natureza, o artificial e o original, bem como os bens culturais correlatos, compreendendo, portanto, o solo, a água, o ar, a flora, as belezas naturais, o patrimônio histórico, artístico, turístico, paisagístico e arquitetônico. Logo, passamos a considerar as alterações estruturais realizadas no meio ambiente como parte de sua composição. Todavia, a Constituição Federal de 5 de Outubro de 1988, alterou o conceito até então utilizado, conforme pode ser observado na Tabela 1, passando a incluir uma vertente relacionada à prática laboral, como reflexo ao advento dos direitos trabalhistas expressivos naquele período histórico. O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E18 Tabela 1 - Tipos de Ambiente definido pela Constituição Federal de 1988. NATURAL ARTIFICIAL CULTURAL (PATRIMÔNIO) TRABALHO Fauna Flora Ecossistemas Solo Água Atmosfera Conjunto de edificações particulares ou públicas, principalmente urbanas Cultural Artístico Arqueológico Paisagístico Mani- festações culturais e populares Conjunto de condi- ções existentes no local de trabalho relacionadas a qua- lidade de vida do trabalhador (Art. 225, § 1°, I e VII) (Art. 5°, XXIII, art. 21, XX e art. 182) (Art. 225, § 1° e § 2 º) (Art. 7°, XXXIII, e art. 200) Fonte: Alencastro (2012). Essa nova definição de meio ambiente que apresenta caráter amplo e generalista nos leva a uma reflexão sobre nosso próprio posicionamento enquanto seres humanos e como “parte” constituinte do meio ambiente. Em um contexto his- tórico, a vertente teórica do homem enquanto centro do universo, surgiu e foi evidenciada com o antropocentrismo, concepção criada em resposta ao posi- cionamento teocentrista da idade média. Na concepção antropocentrista, o homem passa a considerar a humanidade como ponto central do universo, pressupondo que o meio ambiente e as demais espécies existem para servir e satisfazer suas necessidades (PIRES et al., 2014). Essa vertente, em um contexto moderno, está intimamente associada à desvalori- zação e degradação do meio ambiente e das outras espécies, uma vez que dentro de seu contexto e momento histórico, o antropocentrismo considera a natureza e todos os seus componentes subordinados a espécie humana. Assim, observa-se que a destruição intrínseca a presença humana no ambiente está atrelada a um comportamento patológico, prejudicial à sobrevivência humana e de outras formas de vida. Portanto, os impactos causados ao meio ambiente não serão solucionados apenas com o advento do cenário tecnológico, mas por uma ação conjunta de avanços no paradigma científico e mudanças comporta- mentais (PIRES et al., 2014). Nesse sentido, dentre as várias contribuições voltadas a esta perspectiva O MEIO AMBIENTE E AS ALTERAÇÕES DE ORIGEM ANTRÓPICA Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 19 crítica, destacam-se os valores ambientais sugeridos pelo ecocentrismo que se refere ao grau de conscientização, interesse, esforços e engajamento sobre os pro- blemas ambientais (DUNLAP, 2008). Nesse entendimento, caro(a) aluno(a), podemos inferir que dependemos diretamente do meio ambiente, uma vez que tudo o que nos cerca é considerado parte fundamental e componente do meio ambiente. Assim, toda e qualquer forma do ambiente está diretamente relacionada com o bem-estar da população e com o desenvolvimento social, especialmente pelos recursos biológicos, químicos e físicos que o meio ambiente em sua totalidade proporciona para a manutenção da vida em nosso planeta. Logo, um colapso ambiental resultaria em sérias con- sequências para a saúde da população. Alguns exemplos de consequências das alterações antrópicas serão abordados ao longo deste material didático. Cabe ressaltar que, dentre as espécies que habitam nosso planeta, os seres humanos (Homo sapiens sapiens) se destacaram em função de sua capacidade de transforma- ção do ambiente. Tal fato não significa que as demais espécies, aqui presentes, não sejam providas de intelecto, porém o ser humano em uma perspectiva evolutiva O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E20 apresentou características e habilidades que favoreceram seu pleno desenvolvi- mento e sua capacidade de adaptação. ALTERAÇÕES AMBIENTAIS E O ADVENTO TECNOLÓGICO Segundo Ninis e Bilibio (2012), a separação da condição animal do homem ocor- reu em função de uma série de fatores como o domínio do fogo, aquisição da linguagem, a formação de sociedades, o advento da agricultura, dentre outros. Entretanto, independentemente da razão, ainda de acordo com os autores, o ser humano apresenta certas características que os tornam únicos em um sistema natural, sendo elas: crenças, consciência da própria morte; razão; moral; domí- nio tecnológico apurado; capacidade de aprendizagem; adaptabilidade; cultura e sociedade e, em especial, a capacidade de alteração ou modificação do meio em que vive. Seria de grande pretensão listar todos os fatos, acontecimentos e passos evolu- tivos que garantiram ou possibilitaram o sucesso do ser humano até os dias atuais, entretanto, minha intenção aqui é ressaltar que, independente do acontecimento ou passo evolutivo, a capacidade de análise do ambiente a sua volta, sua capa- cidade de modificá-lo e sua dinâmica com o mesmo é que promoveu tal passo. Em face desta capacidade, a dinâmica do homem com o ambiente foi sendo constantemente alterada, os meios naturais que já possuíam dinâmicas próprias, inerentes a influência do homem e caracterizadas principalmente pela presença de um fluxo de energia e matéria entre seus elementos constituintes, passaram a ser substituídos por ambientes artificiais, voltadasà produção em ampla escala de bens e serviços (CORTEZ; ORTIGOZA, 2009). Findada uma explicação inicial e não extensiva sobre a capacidade do ser humano de alterar o meio ambiente, torna-se essencial discorrer sobre os impac- tos e modificações sobre uma perspectiva ambiental. É fato que, historicamente, as ações antrópicas foram responsáveis por inúmeras modificações ambien- tais e tais alterações apresentaram diversas vertentes positivas e negativas, um exemplo notório desta afirmação é representado pela Revolução Industrial, período no qual houve intensa e extensiva exploração de recursos naturais e, O MEIO AMBIENTE E AS ALTERAÇÕES DE ORIGEM ANTRÓPICA Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 21 consequentemente, elevada geração de resíduos persistentes, em contrapartida, o mesmo período proporcionou amplo desenvolvimento de novas tecnologias e vasto conhecimento sobre processos produtivos, bens e serviços que influen- ciaram na melhoria da qualidade de vida da população no período, tal avanço tecnológico se estende até os dias atuais e são responsáveis, de certa forma, pelo modelo social e econômico como nós o conhecemos. Incontáveis estudos atuais apontam que as modificações ambientais de origem antrópica vêm alterando, significativamente, os ecossistemas naturais, consumindo recursos desenfreadamente e causando alterações aos meios naturais, tornando a associação destes fatores responsáveis pela diminuição da qualidade de vida da população. Aliás, caro(a) aluno(a), me arriscaria a inferir que grande parte da produção científica de nosso país, nas mais diversas áreas do conhecimento, são voltadas ao desenvolvimento de tecnologias e/ou técnicas relacionadas à dimi- nuição de impactos, prevenção e recuperação ambiental. Tal afirmação nos remete à necessidade de distinguir tais conceitos. Para Verazsto et al. (2008), existe certa dificuldade em estabelecer uma definição concreta para o termo “tecnologia”, uma vez que, historicamente, diferentes inter- pretações ou considerações podem ser realizadas ou atreladas a este conceito. Todavia, tais autores postulam: [...] torna-se notório conhecer que as palavras técnica e tecnologia tem origem comum na palavra grega techné que consistia muito mais em se alterar o mundo de forma prática do que compreendê-lo. [...] Na técnica, a questão principal é do como transformar, como modificar. O significado original do termo techné tem sua origem a partir de uma das variáveis de um verbo que significa fabricar, produzir, construir, dar à luz, o verbo teuchô ou tictein, cujo sentido vem de Homero; e teu- chos que significa ferramenta, instrumento. [...] A palavra tecnologia provém de uma junção do termo tecno, do grego techné, que é saber fazer, e logia, do grego logus, razão. Portanto, tecnologia é a razão do saber fazer [...]. Em outras palavras o estudo da técnica. O estudo da própria atividade de modificar, do transformar, do agir (VERAZSTO et al., 2008, p. 62). Logo, o desenvolvimento de técnicas e tecnologias para otimização de quaisquer processos produtivos, apesar de necessários para o atendimento das demandas populacionais cada vez mais crescentes, tomaram vias contrárias ao equilíbrio O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E22 e manutenção ambiental. Diversos autores indicam que a crise ambiental da modernidade é oriunda de um modelo societário pautado em metodologias desenvolvimentistas e com visão exclusiva ao progresso científico e tecnológico, resultando, assim, em uma sociedade extremamente consumista e utilitarista que atrela a degradação ambiental apenas a uma mínima consequência de seus processos (LEFF 2010). Ainda nessa linha de raciocínio, para Sampaio et. al (2013), o estabelecimento do sistema capitalista, no qual vivemos, se consolida por meio da degradação ambiental e é baseado em teorias neoclássicas que buscam legitimar cientifica- mente a convicção de que o crescimento econômico e tecnológico é capaz de solucionar problemas de degradação ambiental com o passar do tempo. A teoria econômica que melhor embasa esse pensamento é a chamada Curva Ambiental de Kuznets que estabelece uma relação direta entre a distribuição indi- vidual de renda e a degradação ambiental. Mediante a informações referentes ao crescimento e distribuição de renda dos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, o autor Kuznets formulou uma curva em “U invertido”, que, teoricamente, indica que a distribuição individual da renda tende a ser pior nos primeiros estágios do desenvolvimento econômico, entretanto, fatores como alterações na composição da produção e do consumo, aumento do nível educacional e da conscientização relacionada às questões ambientais, bem como sistemas políticos mais abertos, em teoria, a partir de determinado ponto, resultam em tendências ambien- tais favoráveis, proporcionando um crescimento da renda per capita, ou seja, melhor distribuição de renda e, consequentemente, um consumo mais racio- nal dos recursos naturais. O MEIO AMBIENTE E AS ALTERAÇÕES DE ORIGEM ANTRÓPICA Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 23 Figura 1 - Curva de Kuznets Fonte: o autor. Em outras palavras, segundo Carvalho e Almeida (2008), o conceito descreve a trajetória (em tempo) pelo qual a poluição de um país seguirá como resul- tado do desenvolvimento econômico. Quando o crescimento ocorre em um país extremamente pobre, a poluição inicialmente cresce drasticamente, espe- cialmente em função do aumento na produção que geram emissões dos mais variados poluentes e porque o país, dado sua pobreza, coloca uma baixa priori- dade sobre o controle da degradação ambiental. Logo, uma vez que o país atinge determinado grau de desenvolvimento, sua prioridade muda e se volta para a para proteção da qualidade ambiental. Em relação ao “comportamento” da curva, conforme Carvalho e Almeida (2008), vários fatores podem ser indicados como “responsáveis” por seu for- mato, dentre eles: I. Favorecimento e apreciação da qualidade ambiental, ou seja, mediante ao aumento de renda, a população tende a requerer maior qualidade ambiental; II. Alterações na composição da produção e do consumo; O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E24 III. Aumento dos níveis de educação ambiental e conscientização das con- sequências das atividades econômicas sobre o meio ambiente; IV. Desenvolvimento de sistemas políticos mais abertos. Dente outros fatores, como aumento na rigidez da regulação ambiental impul- sionada pelo aumento da pressão social; melhorias tecnológicas e uma amplitude comercial, também podem estar atreladas a este fenômeno. Existem ainda, autores que desacreditam ou descredibilizam a teoria Kuznets, especialmente em função de outras teorias ou hipóteses, como, por exemplo, a hipótese de poluição de portos. Tal hipótese gira em torno da relação entre o comércio, desenvolvimento e o meio ambiente e, basicamente, segundo Feijó (2001) e Azevedo (2009) sugerem que a utilização de políticas ambientais aumenta os custos de produção e assim reduz a possibilidade de especialização de alguns países na produção de bens que exigem atividades poluidoras, em outras palavras, países com políticas ambientais menos rígidas apresentam vantagem comparativa aumentada em relação à produção de bens ambientalmentesensíveis (produzi- dos por indústrias “sujas” ou altamente poluidoras) (SIEBERT, 1977). Historicamente, e pautadas nos princípios desta hipótese, as indústrias con- sideradas poluidoras ou “sujas” deslocaram-se do norte para o sul, ou em uma analogia plausível dos países desenvolvidos para os em desenvolvimento. Porém, evidências empíricas não sustentam essa hipótese, especialmente em relação à competitividade entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento e a van- tagens comparativas (AZEVEDO, 2009). Dentre os fatores que “desqualificam” essa vantagem competitiva/comparativa em termos de mercado econômico internacional figuram não somente os custos de controle ambiental, mas tam- bém a estabilidade política, acesso ao mercado, qualificação e especialização de mão de obra, custos com logística e transporte e incentivos fiscais (ANDERSON, 1996). Nessa perspectiva, independente do modelo teórico utilizado para a com- preensão do desenvolvimento, é fato que deve haver uma harmonização entre o desenvolvimento/crescimento econômico e a exploração de recursos naturais ou, em outras palavras, sustentabilidade! A SUSTENTABILIDADE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 25 A SUSTENTABILIDADE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Após nossa reflexão inicial sobre os o meio ambiente e as alterações de origem antrópica, fica claro que é, cada vez mais, necessário discutir e se preocupar com o desenvolvimento sustentável e a sustentabilidade. Além da vertente ambiental direta de uma empresa ou indústria, representada pelas normas e regulamen- tações ambientais vigentes, a sustentabilidade corporativa se dá pela junção de diversos setores ou departamentos de uma empresa e envolvem desde ferramentas de gestão utilizadas, até os indicadores de qualidade e em especial os proces- sos. A organização de processos dentro de uma empresa/indústria se tornou um desafio amplo e digno de muita discussão, sobretudo, quando a organização de processos, aliada aos valores ambientais coerentes, poderá viabilizar a sustenta- bilidade dentro de uma corporação. Segundo Francisco (2015, on-line)1, a necessidade do aumento da produção O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E26 possibilitou o surgimento de diversos modelos de produção inicialmente aplicados a indústria automobilística e que, posteriormente, foram adotados e adapta- dos por indústrias dos mais variados segmentos, revolucionando o pensamento administrativo e em especial o mundo industrial. Dentre eles, a teoria da admi- nistração científica de Frederick W. Taylor que se baseia em métodos de ciência positiva, racional e metódica em relação aos problemas administrativos, objeti- vando maximizar a produtividade. Taylor propôs métodos e sistemas racionais e disciplinados voltados ao operário colocando-o sob comando da gerência e segundo Matos e Pires (2006, p. 509): [...] promovendo a seleção rigorosa dos mais aptos para realizar as tare- fas; a fragmentação e hierarquização do trabalho. Investiu nos estudos de tempos e movimentos para melhorar a eficiência do trabalhador e propôs que as atividades complexas fossem divididas em partes mais simples facilitando a racionalização e padronização. Propõe incen- tivos salariais e prêmios pressupondo que as pessoas são motivadas exclusivamente por interesses salariais e materiais de onde surge o ter- mo ‘homo economicus’ [...]. Outra corrente teórica relevante foi desenvolvida por Henry Ford, por volta de 1913, pautada nos mesmos princípios de Taylor, entretanto, com uma abordagem abrangente de organização da produção, contemplando extensa mecanização, como o uso de máquinas e ferramentas especializadas em uma linha de montagem e formato de esteira rolante e crescente divisão do trabalho (LARANJEIRA, 1999). Tais modelos, apesar de relevantes, com o passar do tempo foram se tor- nando insatisfatórios e deram espaço para o surgimento de diversos modelos de gestão administrativas, em especial devido às singularidades e situações especí- ficas de cada segmento. Logo, as indústrias não teriam mais que se adaptar aos modelos sugeridos pelos gestores, e sim os gestores passaram a se adaptar às necessidades dos pro- cessos e das empresas, buscando torná-las competitivas e, sobretudo, lucrativas (FRANCISCO, 2015, on-line)1. Em face dos desafios existentes, os profissionais deste segmento passaram a se deparar não somente às necessidades de cada empresa, mas também com as peculiaridades do mercado consumidor, com as legislações voltadas à produção, à segurança do trabalhador, à vigilância sanitária e, também, com as limitações A SUSTENTABILIDADE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 27 (sejam estas financeiras ou não) da própria empresa (COLOMBO, 2001). Dentre os desafios existentes, destacam-se ainda as preocupações com o meio ambiente, que consistem em alinhar as questões ambientais (legislações ambientais perti- nentes) de forma a interferir minimamente nos lucros da empresa, buscando assim a sustentabilidade e o desenvolvimento sustentável. Provavelmente a resposta, de sua reflexão, abordou, em sua grande maioria, a vertente ambiental. Entretanto, apesar de estar correta, é necessário reconhecer que ambos os conceitos possuem diversas outras vertentes que não se limitam especificamente ao meio ambiente. Porém, caro(a) aluno(a), fique tranquilo(a), iremos juntos conhecer as mais diversas definições, variáveis e aplicações rela- cionadas a este conceito. O QUE VEM A SER O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL? Em 1987 surge o conceito de desenvolvimento sustentável como resultado das reflexões da Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento patro- cinada pela Organização das Nações unidas (ONU). O relatório publicado pela comissão ficou conhecido como o “Relatório de Brundtland” em homenagem à coordenadora da comissão Gro Harlem Brundtland. O relatório intitulado “nosso futuro comum” ou “Our commom future” versava sobre a desigualdade econômica entre os países e apontava a pobreza como uma das grandes causas dos problemas ambientais, como solução o relatório apontou detalhadamente os medidas, esforços e desafios que deveriam ser superados para que fosse possível alcançar o desenvolvimento sustentável (XAVIER et al., 2015). Como posso diferenciar sustentabilidade de desenvolvimento sustentável? O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E28 Nesse instante é que foi introduzida a ideia de que o desenvolvimento econô- mico atual deve ocorrer sem comprometer as necessidades das gerações vin- douras (SEIFFERT, 2009). Sendo considerado um marco inovador em raciocí- nio ambiental da época, o relatório discorreu sobre: [...] estratégias ambientais de longo prazo para obter um desenvolvi- mento sustentável por volta dos ano 2000 e daí em diante; recomendar maneiras para que a preocupação com o meio ambiente se traduza em maior cooperação entre os países em desenvolvimento e entre países em estágios diferentes de desenvolvimento econômico e social e leve à consecução de objetivos comuns e interligados que considerem as inter-relações de pessoas, recursos, meio ambiente e desenvolvimento (DRUMMOND, S. D. on-line)2. Para alcançar esses objetivos, Filho (2008) sugere que os países em desenvolvi-mento priorizem políticas que fomentem: a reciclagem, o uso eficiente de energia, a conservação, a recuperação de áreas degradadas, a busca pela equidade, justiça, redistribuição e geração de riquezas. Ao seguir tais recomendações o desenvolvi- mento alcançado será diferente do crescimento econômico, indo além da “riqueza” material, alcançando metas e reparando desigualdades passadas. Segundo Barbieri e Cajazeira (2009), o desenvolvimento sustentável se ampara nos pilares: ■ Sustentabilidade social: que representada a equidade na distribuição dos bens e da renda para melhorar os direitos e condições da população e reduzir as distâncias entre os padrões de vida das pessoas. ■ Sustentabilidade econômica: representa a distribuição e gestão eficiente dos recursos produtivos, bem como fluxo regular de investimentos público e privado. ■ Sustentabilidade ecológica: busca pela diminuição de carga de impactos ou pressão exercida sobre o planeta para evitar danos ao meio ambiente, principalmente os causados pelos processos do crescimento econômico. ■ Sustentabilidade espacial: que se refere ao equilíbrio do assentamento humano rural/urbano. A SUSTENTABILIDADE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 29 ■ Sustentabilidade cultural: diz respeito a pluralidade de soluções parti- culares específicas a cada ecossistema, cada cultura e cada local. Considerando estas vertentes estruturantes do desenvolvimento sustentável, será comum, ao longo de sua jornada acadêmica e profissional, encontrar bibliogra- fias que os apresentem divididos em três dimensões básicas: a social, a econômica e a ambiental. E A SUSTENTABILIDADE? Em primeira instância, a sustentabilidade é um conceito antigo que vem sendo discutido e aprimorado por décadas, sendo alguns eventos, encontros, mani- festos e a própria realidade social, econômica e ambiental responsáveis pela definição atual como a conhecemos. Segundo Almeida (1997), a noção de sus- tentabilidade deve ser tomada como ponto de partida para a compreensão e interpretação de processos sociais e econômicos e de suas relações com o equi- líbrio dos ecossistemas. As discussões iniciais sobre sustentabilidade foram de responsabilidade do Clube de Roma em 1968. Segundo Kruguer (2001), o Clube de Roma cor- respondia a uma organização formada por cientistas, pedagogos, economistas, representantes da indústria e colaboradores reunidos com o objetivo de deba- ter a crise da humanidade. Antes de surgirem as discussões acerca de sustentabilidade e sobre o desen- volvimento sustentável, veio à tona o termo ecodesenvolvimento idealizado por Ignach Sachs, por volta de 1970 que antecipou a formalização dos ideais promo- vidos pela sustentabilidade, porém, na época o autor discutia o papel do homem no processo de desenvolvimento, como protagonista ou vítima (CHACON, 2007). Ainda, segundo Chacon (2007), o ecodesenvolvimento significa um desenvol- vimento socioeconômico equitativo e implica na escolha de um processo de desenvolvimento ou crescimento que também contemple a dimensão ambiental e reconheça sua importância; a problemática relacionada a este conceito ocorreu em função da dicotomia entre os termos crescimento e desenvolvimento, uma vez que o crescimento ocorre em termos econômicos em determinado tempo O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E30 em dado espaço territorial enquanto o desenvolvimento se dá em função da dis- tribuição equitativa dos resultados do crescimento para a população. Logo, somente o crescimento não induz espontaneamente a equidade social e tão pouco a eficiência alocativa de recursos naturais, seria necessária a coor- denação pública, presença da sociedade civil em um processo cooperativo para alcançar o desenvolvimento equitativo que não degrade ambiente (MENEGETTI, 2004). Já a sustentabilidade, segundo a World Comission on Environment and Development, propõe a estar diretamente ligada ao desenvolvimento econômico sem a agressão do meio ambiente, utilizando recursos de forma inteligente, garan- tindo assim o desenvolvimento sustentável (WCED, 1987). As mais diversas reflexões sobre desenvolvimento sustentável e sustentabi- lidade buscam, em geral, possibilitar a construção de processos econômicos e sustentáveis dentro dos mais variados segmentos, como por exemplo a agricul- tura sustentável, indústria sustentável, sociedade sustentável, dentre outros. Em uma analogia simples, Merico (2002), sugere que ser sustentável é tornar as “coi- sas” permanentes ou duráveis. Portanto, caro(a) aluno(a), a transição de uma simples consciência susten- tável social para o desenvolvimento sustentável propriamente dito se caracteriza como um processo bastante lento, que requer paciência, tempo e sobretudo, participação ativa da sociedade na construção de projetos, leis e políticas públi- cas. Exato, a cidadania e a ética se fazem mais que relevantes quando se discute estas temáticas! Desde a revolução industrial, tais temas têm sido enfoque de eventos, con- ferências e debates, em especial por se tratar de um desafio coletivo e de escala global. Tal afirmação se faz relevante, pois a coletividade, mencionada ante- riormente, contempla os mais variados “setores” da sociedade, em especial o coorporativo (XAVIER et al., 2015). Na Tabela 2 estão sumarizados diversos marcos históricos relevantes para a definição destes conceitos: A SUSTENTABILIDADE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 31 Tabela 2 - Marcos históricos que contribuíram para o desenvolvimento dos conceitos sustentabilidade e desenvolvimento sustentável. MARCO HISTÓRICO ANO DESCRIÇÃO Clube de Roma 1968 Dentre outras funções citadas anteriormente o clube de Roma possuía por finalidade discutir sobre temá- ticas ou complexo de problemas relevantes para o período, como: a degradação ambiental; a crescente pobreza em meio a riqueza; o crescimento urbano descontrolado; a insegurança econômica e outras questões monetárias. O clube de Roma ainda prega- va pela visão sistêmica de compreensão global, em outras palavras, defendiam que era possível compre- ender o mundo com um sistema único. Conferência de Estocolmo 1972 Esta conferência foi considerada um marco ambiental internacional contemporâneo, pois foi a primeira reu- nião mundial a tratar da temática em escala global. As temáticas lá debatidas continuam a influenciar a im- portantes discussões e, principalmente, a formulação de políticas ambientais por todo o mundo. A confe- rência produziu a “Declaração sobre o Meio Ambiente Humano”, que corresponde a uma declaração dos princípios e responsabilidades que deveriam nortear às decisões concernentes ao meio ambiente. A criação do: Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) 1972- 1973 Criada como uma agência da ONU voltada para as te- máticas ambientais e considerada uma “consequência” a conferência de Estocolmo. A agência atua apoian- do instituições em seus processos de governança ambiental, estando relacionada a uma ampla gama de instituições dos setores governamentais, não-gover- namentais, acadêmico e privado. A agência interna- cional avalia as condições e tendências ambientais globais; o desenvolvimento de instrumentos ambien- tais nacionais e internacionais. Dentre seus objetivos figuram o monitoramento do meio ambiente em escalaglobal; alertar as nações sobre os problemas ambientais existentes e a recomendação de medidas que auxiliem na qualidade de vida da população, bus- cando o não comprometimento dos recursos naturais e serviços ambientais para as futuras gerações. O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E32 Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambien- te e o Desen- volvimento (Cnumad) 1992 Aprovada pela Assembleia das Nações Unidas em 1989, a Cnumad é também conhecida como Rio-92. Dentre os efeitos mais efetivos da Rio-92 se desta- cam a criação da Convenção da Biodiversidade e das Mudanças Climáticas (que posteriormente resultou no Protocolo de Kyoto), a Declaração do Rio e a Agenda 21. A Declaração do Rio relaciona meio ambiente e desenvolvimento, mediante a uma boa gestão dos recursos naturais e sem comprometer o modelo econômico expansionista da época. Já a agenda 21 caracteriza-se como um instrumento de planejamen- to para a construção de sociedades sustentáveis em diferentes localidades geográficas, a agenda concilia métodos de eficiência econômica, proteção ambiental e justiça social. Protocolo de Kyoto 1997 Também considerado um grande marco, o protocolo estabeleceu metas para a redução da emissão de ga- ses causadores do efeito estufa e propôs mecanismos adicionais de implementação para que este objetivo fosse alcançado. Dentre os mecanismos propostos en- contrava-se o mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL), que possibilitava a participação de países em desenvolvimento em cooperação com países desen- volvidos. O objetivo deste mecanismo consistia na redução das emissões mediante ao investimentos em tecnologias eficientes, a substituição de fontes tradi- cionais de energia fósseis por renováveis, a racionaliza- ção do uso de energia, o reflorestamento, entre outros. A SUSTENTABILIDADE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 33 A Cúpula Mundial sobre Desen- volvimento Sustentável (CMDS) ou Rio+10 2002 O propósito desta conferência foi obter um plano de ação factível. Dentre os desafios citados no documen- to, persistiam diversos problemas ambientais globais. Entretanto, foram pela primeira vez mencionados os problemas relacionados à globalização, uma vez que os benefícios e os custos a ela atrelados estão distribu- ídos desigualmente. Foi apontado também o risco das condições extremas de pobreza gerar a desconfiança nos sistemas democráticos, resultando no surgimento de sistemas ditatoriais. Como medidas detalhadas, fo- ram sugeridos aumentar a proteção da biodiversidade e o acesso à água potável, ao saneamento, ao abrigo, à energia, à saúde e à segurança alimentar. Bem como priorizar o combate a diversas situações adversas: fome crônica, desnutrição, ocupação estrangeira, con- flitos armados, narcotráfico, crime organizado, corrup- ção, desastres naturais, tráfico ilícito de armas, tráfico de pessoas, terrorismo, xenofobia, doenças crônicas transmissíveis (aids, malária, tuberculose e outras), in- tolerância e incitação a ódios raciais, étnicos e religio- sos. Para atingir os objetivos, o documento ressalta a importância de instituições multilaterais e internacio- nais mais efetivas, democráticas e responsáveis. Rio + 20 Junho de 2012 Realizada no Rio de Janeiro, a conferência teve por objetivo renovar o comprometimento dos líderes mundiais com o desenvolvimento sustentável. O docu- mento confeccionando após o evento foi intitulado “O Futuro que Nós Queremos”, e retrata as principais ameaças ao pla- neta, sendo alguns exemplos: a desertificação, o esgotamento dos recursos pesqueiros, contaminação, desmatamento, extinção de espécies e aquecimento global. Fonte: Kruger (2001); Alencastro (2012); Brasil (2004); Lopes (2002); PNUMA (2014); CDMAALC (1991); Diniz (2002). Torna-se interessante observar como se deu a trajetória histórica destes conceitos e como diversas dificuldades foram superadas. Lembrando que não foram apenas estes os eventos que influenciaram a temática ambiental em escala global como a conhecemos, inúmeros outros tiveram grande relevância assim como inúmeros outros serão responsáveis por alterar o cenário atual das condições ambientais. Neste ponto de sua leitura você deve estar se perguntando, mas afinal o que O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E34 diferencia a sustentabilidade do desenvolvimento sustentável? Iremos elucidar! Segundo Dovers e Handmer (1992), a sustentabilidade se caracteriza como a capacidade de um sistema, seja ele humano, natural ou misto de se adaptar a mudança interna ou externa por tempo indeterminado, já o desenvolvimento sustentável é uma via de melhoria e mudança intencional que responde às neces- sidades populacionais atuais. Ou seja, na primeira visão o desenvolvimento sustentável trata do caminho para alcançar a sustentabilidade, sendo a susten- tabilidade considerada o objetivo final a ser alcançado a longo prazo. Entretanto, é válido destacar que pautado em algumas das discussões ambien- tais da época, em 1994, Elkington criou o termo “Triple Bottom Line” ou Tripé da Sustentabilidade, definindo sustentabilidade como o equilíbrio os pilares: ambiental, social e econômico. Dando origem à famosa imagem da sustentabi- lidade amplamente utilizada no segmento empresarial. No contexto empresarial, espera-se que as empresas contribuam de forma progressiva com a sustentabilidade, sobretudo quando precisam de mercados estáveis e, para tanto, elas devem possuir habilidades tecnológicas, financei- ras e de gerenciamento, que possibilitem a transição rumo ao desenvolvimento sustentável (ELKINGTON, 2001). Temos aqui, caro(a) aluno(a), uma segunda visão, diferente da primeira: em que o desenvolvimento sustentável é o objetivo a ser alcançado e a sustentabilidade é o processo para atingir, se atingir o desen- volvimento sustentável. Iremos explorar as ferramentas da sustentabilidade no contexto empresa- rial em um segundo momento! O relevante, aqui, é compreender que ambas as abordagens estão corretas e que o amplo interesse e busca por estes conceitos fez com diversas abordagens ambientais surgissem nos mais variados segmentos, como economia, engenharia, ecologia, administração e outros, sendo as estratégias listadas a seguir, segundo Glavi e Lukman (2007), “derivadas” destes conceitos: ■ Produção mais limpa; ■ Controle de poluição; ■ Eco-eficiência; A SUSTENTABILIDADE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 35 ■ Gestão Ambiental; ■ Responsabilidade Social; ■ Ecologia Industrial; ■ Investimentos éticos; ■ Economia Verde; ■ Eco-design; ■ Reúso; ■ Consumo sustentável; ■ Resíduos zero, e outros. Todos estes conceitos citados serão muito relevantes e se farão presentes ao longo de sua carreira como futuro profissional deste segmento, seja como um desafio ou requisito de implementação ou como um objetivo a ser alcançado! As ferramentas de sustentabilidade empresarial serão apresentadas na Unidade V deste material. Os diferentes selos ambientais existentes possuem como finalidade infor- mar aos consumidores que determinados produtos passaram por auditorias internas ou autorreguladoras e externas ou independentes de qualidade.Saiba mais sobre os diferentes selos de qualidade acessando: <https://sus- tentarqui.com.br/dicas/uma-breve-historia-sobre-os-selos-verdes/>. Fonte: o autor. O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E36 DINÂMICAS AMBIENTAIS Este tópico destina-se ao conhecimento de alguns conceitos básicos acerca das dinâmicas ambientais existentes. Torna-se importante conhecer as dinâmicas ambientais naturais para que seja possível compreender, efetivamente, a exten- são dos impactos ambientais causados pelas ações antrópicas e também pelos processos produtivos. Inicialmente iremos relembrar acerca da hierarquia dos níveis ecológicos ou hierarquia dos níveis de organização ecológica. HIERARQUIA E ORGANIZAÇÃO ECOLÓGICA A hierarquia dos níveis ecológicos é representada pela seguinte cadeia inicial: Átomo < Molécula < Organelas celulares < Célula < Tecido < Órgão < Sistemas < Organismo. Assim, temos uma breve retomada evolutiva da formação dos indi- víduos e com diferentes indivíduos, passamos a seguinte cadeia: Organismo < Populações < Comunidades ou Biocenose < Ecossistemas < Biomas < Biosfera. Lembrando que cada subconjunto apresentado é menor do que o próximo, sendo a biosfera, considerada o maior nível. A Figura 1 representa todo o sistema de hierarquização ecológico. DINÂMICAS AMBIENTAIS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 37 Figura 2 - Sistema de Hierarquização Ecológico Conhecer estes níveis hierárquicos se torna relevante, pois nos auxilia a com- preender a dimensão dos impactos causados e a extensão biológica do mesmo. Sendo assim, vamos às definições, com enfoque nos níveis superiores, iniciando nos organismos! Organismo: uma forma de vida individual e livre composta pela associa- ção de sistemas, órgãos e tecidos que operam e realizam suas funções de forma conjunta para proporcionar as condições favoráveis à vida. Para a ecologia, tra- ta-se de uma unidade fundamental de estudos. Populações: populações podem ser definidas como grupos de indivíduos pertencentes a uma mesma espécie presentes e ocupantes de uma determinada área por um período de tempo. Além disso, uma população apresenta como característica uma ampla probabilidade de realiza cruzamento entre si, quando consideramos fatores como localização geográfica e outros fatores favoráveis. O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E38 Comunidades: consistem de populações que coexistem e habitam o mesmo ambiente, interagindo de forma organizada é denominada comunidade. Sendo cada indivíduo associado a seu respectivo nicho ecológico existente. Ecossistemas: trata-se de um meio no qual os organismos interagem com o meio ambiente, realizando trocas de matéria e energia pelas vias existentes. Em outras palavras a interação dos seres bióticos (seres vivos) com os abióticos (solo, água, recursos minerais, dentre outros). Biomas: segundo Colinvaux (1993), um bioma é composto por um con- junto de ecossistemas, em uma larga escala geográfica, no qual as plantas ou as formações vegetais se destacam como características, assim como suas as especi- ficidades climáticas. São exemplos de biomas brasileiros: a Caatinga, o Cerrado, a floresta amazônica, a mata atlântica, o Pantanal, os pampas, dentre outros. Biosfera: a biosfera se caracteriza como a junção das interações que ocor- rem entre a atmosfera, hidrosfera e a litosfera. Sendo cada uma delas, segundo Rosa et al. (2003) correspondente às seguintes porções: ■ Atmosfera: porção gasosa da Terra e seus componentes. ■ Hidrosfera: porção aquosa da Terra e seus componentes. ■ Litosfera: porção mineral da Terra e seus componentes. O conhecimento apropriado sobre estes conceitos nos faz refletir sobre a propor- ção dos impactos causados, não só em uma escala empresarial/industrial, mas também como nossas atitudes cotidianas podem desencadear impactos mais amplos e significativos do que o imaginado. Para realizar um manejo adequado de uma atividade impactante, segundo Peroni e Hernandéz (2011), é essencial considerar todas as características e dinâmicas das populações, comunidades e ecossistemas envolvidos, especialmente quando as ações humanas podem favo- recer o desenvolvimento de uma população, enquanto outras podem aumentar o número de mortes. DINÂMICAS AMBIENTAIS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 39 FATORES LIMITANTES AO DESENVOLVIMENTO DOS SERES VIVOS Quando pensamos em fatores limitantes ao desenvolvimento dos seres vivos somos imediatamente direcionados aos recursos disponíveis. Claro que existe uma relação entre disponibilidade de recursos e o desenvolvimento de uma população, assim como a retirada de recursos pode levar à extinção de deter- minada população. Segundo Santos (2006), a variação na densidade população está relacionada aos fatores que influenciam nas taxas de natalidade, mortali- dade, imigração e emigração. Como mencionado anteriormente, os fatores ecológicos podem ser clas- sificados em bióticos e abióticos, porém devemos levar em consideração que a importância dos mesmos varia de acordo com o ambiente ou área estudada/ impactada e de acordo a pressão exercida sobre os recursos renováveis e não renováveis. Para facilitar a compreensão, vamos conhecer um pouco mais sobre os fatores ecológicos que são limitantes ao crescimento dos seres vivos. Luz ou intensidade luminosa Conforme Lovato (1993), a intensidade da luz solar incidente afeta a fotossíntese dos vegetais, crescimento da parte aérea, distribuição da matéria seca e, conse- quentemente, o rendimento fotossintetizante. Exercendo efeitos sobre outros fatores ambientais, principalmente a temperatura. Sobre ambientes aquáticos continentais e costeiros, o grau de intensidade luminosa está relacionada à atividade de algas flutuantes e sésseis e da diversi- dade de seres planctônicos. A intensidade da luz ainda serve como parâmetro indicativo da quantidade de partículas em suspensão (turbidez). Em relação aos animais, a luminosidade está diretamente relacionada a hábitos de repouso ou atividade, uma vez que haverá atividade animal nos mais variados nichos ecológicos diurnos, noturnos e crepusculares. A variação deste fator relaciona-se com a hibernação de mamíferos, o metabolismo metabolismo de seres exotérmicos e com a migração em aves (SANTOS, 2006). O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E40 Temperatura O fator temperatura se destaca como um dos mais relevantes, pois afeta direta- mente na distribuição de espécies animais e vegetais, influenciando todas as fases do ciclo vital dos seres vivos. Atualmente, existe grande discussão acerca dos efeitos que são observados e que serão observados no futuro devido às mudan- ças climáticas geradas pela liberação excessivas de gases relacionados ao efeito estufa na atmosfera. Para os vegetais, a temperatura influi grandemente o rendimento de tubér- culos, uma vez que afeta a fotossíntese e respiração. A magnitude do seu efeito depende de quanto influencia no desenvolvimento da parte aérea, na distribui- ção da matéria seca produzida e, consequentemente, na qualidade de suporte do solo (LOVATO, 1993). No caso dos animais para a temperatura ambiente são definidas zonasde conforto térmico e de termoneutralidade específicas para as diferentes espécies de animais (PORTUGAL et al., 2000). Umidade É fato que a umidade e o acesso à água são dois fatores primordiais para a distri- buição da fauna e da flora global. Porém a umidade é diretamente influenciada pela disponibilidade de recursos hídricos, pela temperatura e pela intensidade luminosa. Quando associado o fator temperatura, torna-se responsável pelo con- forto térmico de animais e pelo fator determinante na respiração e transpiração vegetal. Na agricultura de precisão, por exemplo, a umidade do solo torna-se um fator limitante e imprescindível, especialmente quando se tem por objetivo um manejo adequado do solo visando ao aumento na produção. Recursos A disponibilidade de recursos pode ser considerada o fator mais relevante para a sobrevivência e desenvolvimento de espécies especialmente quando associada à capacidade de adaptação ou tolerância às condições locais. Os organismos ou DINÂMICAS AMBIENTAIS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 41 indivíduos podem tolerar alterações bruscas no ambiente por um curto perí- odo de tempo, ou seja, as condições para ao desenvolvimento de cada espécie são sempre espécie-específicas. Entretanto, os indivíduos e suas atividades não irão esgotar os recursos dis- poníveis, via de regra, isso acontece sob condições de estresse populacional (quando, por alguma razão, não natural eles são forçados a consumir outra fonte de alimento ou quando há a introdução de uma espécie exótica no ambiente em questão) e quando o ser humano esgota esses recursos ou passa a utilizá-los de forma não racional. Um exemplo de estresse populacional podem ser com- petição intra e interespecífica devido à diminuição de espaço ou território útil. pH e salinidade A salinidade e o potencial de hidrogênio iônico (pH) são fatores primordiais para a abundância dos seres vivos, especialmente em ambientes aquáticos con- tinentais e costeiros. Com exceção de algumas bactérias que toleram condições extremas, os demais seres vivos não toleram pHs extremamente ácidos (abaixo de 3) ou extremamente alcalinos (acima de 9). Esses parâmetros costumam sofrer alterações imediatas após o despejo de efluentes ou substâncias sem o devido tratamento em corpos hídricos, alterando, drasticamente, as condições favoráveis ao desenvolvimento da fauna e da flora aquática e consequentes dos demais seres vivos que se utilizam da água dispo- nível para sua sobrevivência/atividades. Sobre os vegetais, estes parâmetros influência na absorção dos nutrientes pelas raízes, limitam o desenvolvimento de fungos benéficos às plantas no ambientes aquáticos. No solo, também levam a limitação da produção vegetal, dificultando o desenvolvimento de culturas ou espécies vegetais. CICLOS BIOGEOQUÍMICOS Neste sub tópico, caro(a) aluno(a), iremos conhecer as dinâmicas elementares exis- tentes na biosfera, mencionadas logo no início desta unidade. Desconsiderando O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E42 os eventos catastróficos isolados e específicos que acontecem de maneira espo- rádica na história da humanidade, é possível afirmar, de forma grosseira, que nosso planeta é constituído por um sistema químico/biológico/geológico fechado cujas reações responsáveis pela manutenção da vida aqui existente, são influen- ciadas e regidas pela energia solar. Entretanto, historicamente, inúmeras alterações aconteceram na superfície terrestre, modificando a biosfera e impulsionando o desenvolvimento da vida como nós a conhecemos, dentre estas alterações, podemos destacar a interação entre o oxigênio presente na atmosfera com a litosfera e a hidrosfera, e o advento/ desenvolvimento dos seres fotossintetizantes. Neste contexto, e em face destas alterações, a complexidade das reações e interações bioquímicas, ou ciclos bio- geoquímicos, que acontecem na biosfera terrestre passaram a ser diferentes, ao passo que pouquíssimas reações do nosso planeta ocorrem sem influência direta ou direta da biosfera. Por tanto, podemos definir ciclo biogeoquímico segundo Rosa et al. (2003, p. 9): [...]Os ciclos biogeoquímicos são processos que por diversos meios reciclam vários elementos em diferentes formas químicas, do meio ambiente para os organismos e depois, fazem o processo contrário, ou seja, trazem esses elementos dos organismos para o ambiente. Desta forma a água, o carbono, o oxigênio, o nitrogênio, o fósforo, o cálcio e outros elementos, percorrem esses ciclos, unindo todos os componen- tes vivos e não vivos da Terra. No contexto, anteriormente apresentado, um ciclo biogeoquímico pode ser enten- dido como o movimento ou a ciclagem de elementos químicos específicos pela biosfera, que podem ou não sofre influência antrópica. Ainda, em uma perspectiva histórica, as alterações químicas e biológicas que acontecem na biosfera e que têm origem natural passaram a acontecer de forma “lenta”, sendo as alterações e reações que acontecem de forma acelerada, fomentadas por uma pressão externa, destacando-se principalmente a interven- ção antrópica. Devemos compreender e reconhecer que as reações bioquímicas que ocorrem atualmente na superfície terrestre agora sofrem alguma influência direta ou indireta do homem e dos processos desenvolvidos, sendo necessário que DINÂMICAS AMBIENTAIS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 43 a humanidade passe a contribuir com soluções para as diferentes problemáticas ambientais existentes. Para tanto, inicialmente, torna-se necessário conceituar e compreender os diferentes ciclos biogeoquímicos, que devido a sua relevân- cia, irão nos orientar a uma compreensão sistemática da dinâmica na biosfera. O Ciclo da Água A água é de fundamental importância para a manutenção da vida na Terra, por- tanto, discutir sua relevância, nas mais diversas dimensões, implica em discutir: a sobrevivência da espécie humana, o equilíbrio e a conservação da biodiversi- dade e as relações de dependência dos seres vivos para com os ambientes naturais (BACCI, PATACA, 2008). Um ciclo biogeoquímico está intimamente relacionado aos diferentes processos biológicos, hidrológicos e geológicos, sendo estes, referentes à dispo- nibilização e redisponibilização de um elemento específico, no presente caso, a água. A água pode ser representada quimicamente pela molécula H2O, na qual os elementos hidrogênio e oxigênio se combinaram para dar origem ao elemento fundamental para a existência da vida. O ciclo da água ganha destaque uma vez que é responsável pela maior movi- mentação de uma substância química pela superfície terrestre. No ciclo da água inúmeros processos ocorrem para a redisponibilização da água, que podem incluir os diferentes estados físicos desta matéria: Líquido, Sólido e Gasoso. Os processos envolvidos no referido ciclo estão expressos na Tabela 3: Tabela 3 - Estados físicos da água PROCESSO FENÔMENOS QUE OCORREM NO PROCESSO Liquefação Ou condensação, marca a transição do estado gasoso para o estado líquido decorrente do resfria- mento (arrefecimento). Como exemplo: O orvalho das plantas. O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E44 Fusão Transição do estado sólido para o líquido, induzida por diferentes fontes de energia, sendo a principal a energiasolar (em forma de calor). Esse proces- so ocorre quando a energia na forma de calor é superior ao ponto de fusão (0 ºC) da água em estado sólido. Solidificação Transição do estado líquido para o estado sólido mediante a temperaturas iguais ou inferiores a 0 ºC. Sublimação Transição do estado sólido para o estado gasoso, via aquecimento. Também denomina a mudança do estado gasoso para o estado sólido (ressublimação) por arrefecimento. Vaporização Transição do estado líquido para o gasoso, no qual o ponto de ebulição da água é alcançado em 100 ºC. Dentro deste processo destacam-se também a ebulição e a evaporação que relacionam-se a velocidade de aquecimento, sendo rápida ou lenta, respectivamente. Fonte: adaptado de Peruzzo e Canto (2003). Os diferentes processos deste ciclo em ambientes naturais podem ser observa- dos na Figura 3: PERCOLAÇÃO PRECIPITAÇÃO CONDENSAÇÃO EVAPORAÇÃO TRANSPIRAÇÃO ÁGUAS SUBTERRÂNEAS Lorem ipsum Figura 4 - Ciclo da água em ambientes naturais DINÂMICAS AMBIENTAIS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 45 Apesar da redisponibilização deste recurso mediante a um ciclo, sua utilização e disponibilidade deve ser considerada, uma vez que nosso planeta possui dois terços de sua superfície cobertos por água (360 milhões Km2 de um total de 510 milhões Km2) (GOMES, BARBIERI, 2004). Entretanto, cerca de 98% da água disponível é salgada, imprópria para consumo direto sem tratamento adequado, que apresenta alto custo, sendo somente os 2% restantes correspondentes a água doce, desta porção (2%), valores superiores a 68,9% estão dispostos em geleiras, 29,9% em reservatórios subterrâneos de difícil acesso e apenas 1,2% está dispo- nível em rios e lagos (SENRA, 2001). No que tange a sua utilização, segundo Garrido (2000, p. 58): [...] A água doce é um recurso material limitado e com múltiplas fun- ções; portanto, com diferentes tipos de usos. Para o abastecimento hu- mano, a água é matéria-prima; para a atividade industrial e de irriga- ção, a água pode ser insumo e matéria-prima; para a navegação, a água é leito navegável; para atividades de recreação e lazer, a água é parte da beleza cênica; para as atividades de pesca, a água é o meio onde vivem as espécies; para o esgotamento de efluentes urbanos e industriais, a água é corpo diluidor e para a produção de energia é necessário explo- rar os movimentos da água transformando energia cinética em elétrica. Ainda em relação às reservas de água, algumas estimativas de volumes armaze- nados nos diferentes reservatórios estão dispostos na Tabela 4. Tabela 4 - Diferentes reservatórios de água e seus volumes estimados RESERVATÓRIO VOLUME ESTIMADO Oceanos 1.350.000.000 Km3. Geleiras 33.000.000 km3. Águas subterrâneas 15.300.000 km3. Solos 121.800 km3. Atmosfera 13.000 km3. Fonte: adaptado de Aduan et al. (2004). A transição dentre os volumes presentes nos reservatórios citados acima também se faz relevante, sendo os principais reguladores destes fluxos, os índices de preci- pitação e a vegetação. Nesse sentido, a preservação da vegetação (responsáveis pelo O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E46 fenômeno evapotranspiração) e sobretudo, a manutenção das extensões territo- riais recobertas de vegetação nativa remanescente se faz de extrema importância. Além deste fator, a poluição atmosférica também é preocupante, visto que a qua- lidade atmosférica pode resultar em alterações na qualidade das águas pluviais. Historicamente, a presença ou ausência deste recurso, foi e será responsável pela tramitação histórica da humanidade, pelo desenvolvimento de costumes e hábitos sociais, pela determinação da ocupação de territórios, pela extinção de espécies e, por fim, pelo futuro de gerações. O planeta Terra não seria propício à vida caso não houvesse a disponibilidade deste recurso e, apesar de se caracterizar como um recurso abundante, sua ausência ou um déficit hídrico representaria uma limitação na produtividade primária do planeta (SAUTCHUCK, 2004), impactando também em sistemas agronômicos (BERNARDO, 2002), pecuários e nos mais variados processos de beneficiamento. Por fim, se faz relevante considerar a utilização e a reutilização que se dá a este recurso, aliás, caro(a) leitor(a), essa preocupação ganhou espaço conside- rável no cenário mundial nas últimas décadas “unificando” diversas áreas do conhecimento, na busca/desenvolvimento de soluções interdisciplinares para a recuperação/tratamento e soluções de problemáticas voltadas a este recurso. Outras informações acerca das técnicas de tratamento de água serão exploradas na Unidade II deste material didático. O ciclo do Carbono: o carbono é o elemento mais essencial para a vida na Terra, em específico por ampla sua disponibilidade e capacidade de associação/ formação de até 4 ligações covalentes. Essa capacidade possibilitou a esse elemento constituir ou estar presente em uma ampla variedade de moléculas inorgânicas, orgânicas e compostos essenciais, como proteínas, lipídios, carboidratos e pig- mentos (SOUZA et al., 2012). Além das moléculas, o carbono está presente na atmosfera terrestre em uma de suas associações mais simples, na forma CO2. O que se faz muito relevante em relação ao ciclo do carbono, é que o mesmo está presente nos inúmeros processos naturais que realizam interações com a atmosfera, bem como nas interações dos processos do continente com os oce- anos, ou seja, relacionam-se aos seres vivos quando os seres fotossintetizantes utilizam o CO2 atmosférico ou os carbonatos e bicarbonatos dissolvidos na água na síntese de compostos orgânicos que irão suprir suas necessidades (ROSA et al., DINÂMICAS AMBIENTAIS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 47 2003). Ainda segundo os autores, da mesma maneira, as bactérias que realizam a quimiossíntese, produzem compostos essenciais, normalmente carboidratos, a partir do CO2 livre na atmosfera. Outros processos naturais que estão envolvidos na ciclagem/movimentação do carbono são a fotossíntese realizada pelos organismos planctônicos, a respira- ção celular realizada pelos seres vivos, o processo de decomposição da matéria e a dissolução oceânica, tal movimentação cíclica também pode ser definida como ciclo global do carbono (ADUAN et al., 2004). Portanto, caro(a) leitor(a), é fato que a vida na biosfera só foi possível graças presença e a atividade dos seres clorofilados. Tal fato evidencia a necessidade de preservação destes organismos, uma vez que um déficit na produção primárias implicaria também na dificuldade de manutenção dos níveis de CO2 atmosféri- cos e na ausência de um dos principais subprodutos da fotossíntese, o oxigênio. Segundo Aduan e colaboradores (2004), ao contrário do que acontece com o ciclo da água, em que as atividades antrópicas influenciam no fluxo ou índices de ciclos já existentes, para o ciclo do carbono, a influência humana cria novos fluxos, antes desconhecidos, como exemplo, a queima de combustíveis fósseis como o carvão mineral e o petróleo, responsáveis por um excessivo aporte de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Este excessivo aporte se faz preocu- pante, especialmente pelos efeitos negativos a manutenção da qualidade de vida na Terra, pois conforme Pacheco e Helene (1990, p. 215): [...] as moléculas de nitrogênio, oxigênio e argônio que constituem quase a totalidade do ar são transparentestanto às radiações infra- vermelhas como à radiação solar visível, tendo um poder de absor- ção praticamente nulo. Ao contrário, um certo número de moléculas presentes no ar que não representam mais que uma pequena parte dos componentes da atmosfera, em maior proporção vapor d›água (H2O) e dióxido de carbono (CO2) e em menor proporção metano (CH4) e outros compostos, têm a propriedade de serem opacos aos raios infra- vermelhos do solo quando dissipados para o espaço e com isto aquecer as baixas camadas da atmosfera. Graças a este processo, a temperatura do ar que nos envolve é favorável às formas de vida existentes; este pro- cesso natural é chamado de “efeito estufa”, por analogia às instalações que protegem culturas vegetais frágeis do frio, onde meios de vidro que deixam passar a radiação solar visível impedem a fuga dos raios infra- vermelhos. O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E48 Ao analisarmos, de maneira isolada, o fluxo de energia em diferentes níveis tróficos, como no caso de uma cadeia alimentar, pode ser utilizado para exem- plificar o fluxo de carbono em uma escala minimalista, conforme ilustrado no fluxograma da Figura 5. Figura 5 - Fluxo de Carbono Fonte: adaptado de Rosa et al. (2003). De forma generalista, o fluxograma apresentado ilustra a produção de compostos orgânicos pelos produtores, que são consumidos pelos herbívoros ou consumi- dores primários e, na sequência, por carnívoros de primeira ou segunda ordem, até atingirem os seres decompositores. A abaixo representa o ciclo do carbono em uma perspectiva globalizada e complexa e que compreende a ciclagem do carbono orgânico e inorgânico. Nesse sentido, torna-se necessário enfatizar a presença de processos antrópicos, antes desconhecidos à biosfera terrestre e que, graças ao advento das modificações ambientais humanas, passam a ser mais efe- tivas e impactantes na qualidade ambiental. Estimativas globais sugerem que a poluição ambiental externa (outdoors) cause 1,15 milhões de óbitos em todo o mundo (correspondendo a cerca de 2% do total de óbitos) e seja responsável por 8,75 milhões de anos vividos a menos ou com incapacidade, enquanto a poluição no interior dos domicí- lios cause aproximadamente 2 milhões de óbitos prematuros e 41 milhões de anos vividos a menos ou com incapacidade. Fonte: adaptado Oberg et al. (2011). DINÂMICAS AMBIENTAIS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 49 CICLO DO CARBONO FOTOSSÍNTESE CARBONO ORGÂNICO RESPIRAÇÃO ANIMAL RESPIRAÇÃO DAS PLANTAS CICLO DO MORTE DE INDIVÍDUOS E DECOMPOSIÇÃO DE REJEITOS METABÓLICOS. LUZ SOLAR FÓSSEIS E COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS EMISSÕES DE FÁBRICAS E VEÍCULOS ORGANISMOS DECOMPOSITORES RESPIRAÇÃO DAS RAÍZES Figura 6 - Ciclo do Carbono Em relação à quantidade de carbono existente em diferentes reservas, algumas estimativas estão expressas na Tabela 5. Tabela 5 - Estimativas acerca da quantidade de carbono em diferentes reservas INFORMAÇÕES/FONTES QUANTIDADE Incremento de C de origem an- trópica anual 5,5 Pg (Da quantidade acima descrita, 3,5 Pg permanecem na atmosfera e passam a contribuir efetivamente para o efeito estufa, sendo o restante dissolvido no oceano ou sequestrado pela atividade fotossintética, ficando retido como biomassa viva ou ma- téria orgânica do solo). C presente na superfície terrestre Cem quatrilhões ou 1023 toneladas O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E50 Conteúdo fóssil disponível para captação humana 4.000 Pg Carbono dissolvido nos oceanos 38.000 Pg Carbono disponível no solo 40.000 Pg Carbono estocado na cobertura vegetal 560 Pg Quantidade de Carbono na forma de CO2 retirado da atmosfera pela fotossíntese 120 Pg (sendo 60 Pg redisponibilizado para a atmosfera em função da decomposição da matéria e 60 Pg redisponibilizado a atmos- fera pela respiração dos seres vivos). Fluxo de Carbono entre oceano e atmosfera anualmente 90 Pg 1 Pg (peta grama) = 1 bilhão de toneladas. Fonte: adaptado de Schlesinger, (1997); Grace, (2001); Aduan et al., (2004). O ciclo do Nitrogênio: apesar da atmosfera da Terra ser composta por cerca de 76% de gás nitrogênio (ADUAN et al., 2004), este nitrogênio não está dispo- nível para a maioria das espécies vivas, pois o gás N2 é pouco reativo. A baixa disponibilidade de nitrogênio como nutriente faz com que este elemento tenha um importante papel nos processos de crescimento e reprodução de organis- mos, especialmente vegetais, responsáveis pela produção primária terrestre ou marinha (UGUCIONE et al., 2002), além de ser um dos principais componen- tes das proteínas, das enzimas e do DNA (Ácido desoxirribonucleico). Tal fato, faz com que o ciclo biogeoquímico deste elemento ganhe enfoque, especial- mente se considerarmos que de todo o nitrogênio presente na Terra, conforme Ugucione e colaboradores (2002), uma quantidade inferior a 2% está disponível em associações com o Carbono, Hidrogênio e Oxigênio, componentes funda- mentais da matéria orgânica. Essa escassez ou dificuldade de obtenção de nitrogênio, apesar de sua ampla disponibilidade em forma gasosa na atmosfera, pode ser atribuída a complexidade da ligação covalente apolar, portanto, o desafio dos seres vivos que necessitam desse macro nutriente, consiste em romper essa ligação covalente vias diferentes mecanismos (o que requer consumo energético) para então “utilizá-lo” em suas formas mais reativas: amônia (NH3), amônio (NH4) e nitrato (NHO3). As taxas de nitrogênio são direta e indiretamente influenciadas por estes DINÂMICAS AMBIENTAIS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 51 mecanismos, que podem atuar disponibilizando nitrogênio por diferentes for- mas, ao passo que também podem indisponibilizar este elemento. Os diferentes mecanismos relacionados à disponibilização de nitrogênio estão expressos na Tabela 6. Tabela 6 - Mecanismos, ações e descrições de diferentes processos de disponibilização e indisponibilização de nitrogênio MECANISMO AÇÃO DESCRIÇÃO/OBSERVAÇÕES Fixação Transformação de N2 em amônia (NH3) Disponibilização de amônia (NH3) A principal via de fixação natural, ocorre pela ação de microrganis- mos (do gênero Rhizobium), algas azuis (do gênero Anabaena e Nos- toc) e fungos (algumas espécies) as- sociados (em relação de mutualis- mo) a leguminosas. Existe também a fixação física que ocorrem em função de eventos atmosféricos (fí- sicos) como descargas elétricas. Por fim, a fixação antrópica, como nos processos realizados em indústrias de fertilizantes. Decomposição Disponibilização de amônia (NH3) O processo de decomposição da matéria orgânica nitrogenada por microrganismos libera NH3 em conjunto com outros compostos ao meio ambiente. Amonização NH3 + H2O NH4OH NH4 + + OH- Indisponibilização de amônia (NH3) Disponibilização de amônio (NH4 +) A associação da amônia livre no solo proveniente da ação dos microrganismos com a água pre- sente no solo seguida de ionização resulta no íon amônio (NH4 +) e uma hidroxila. O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E52 Osprocessos oxidativos sobre os íon amônio (NH4 +) resultam em nitritos (NO2 -) que são ficam disponíveis no ambiente ou são novamente oxidados em nitratos (NO3 -). Nitrificação Conversão de íons amônio (NH4 +) em nitrito (NO2 -) e pos- teriormente nitrato (NO3 -) Ocorre pela ação de bactérias nitri- ficantes (Nitrosomas, Nitrosococus, Nitrobacter). O processo de Nitrificação pode ser dividido em duas etapas: Nitração e Nitrosa- ção. Nitração 2HNO2 + 2O2 2HNO3 + Energia Transformação da amônia em nitrito. Nitrosação 2NH3 + O2 2HNO2 + 2H2O + Energia Transformação do íon nitrito em íon nitrato, que podem ser absorvidos e metabolizados pelas plantas. Denitrificação Transformação de amônia (NH3) em N2 Indisponibilização de amônia (NH3) Disponibilização de N2 Devolução de nitrogênio já meta- bolizado para a atmosfera na forma N2, normalmente realizado por bac- térias ditas desnitrificantes (Pseu- domonas desnitrificans), torna-se necessária para não saturar o solo com íons nitrogenados. A queima de matéria orgânica pelo fogo é responsável pela indisponibilização de nitrogênio. Amonificação Disponibilização de amônia (NH3) Degradação de produtos meta- bólicos como uréia, ácido úrico, proteínas e outros compostos por microrganismos decompositores para formação de amônia. Fonte: adaptado de Hamilton (1976), Rosa et al., (2003), Aduan et al., (2004). A figura a seguir contém uma representação do ciclo global do nitrogênio, explicitando os diferentes mecanismos relacionados à disponibilização e DINÂMICAS AMBIENTAIS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 53 indisponibilização de nitrogênio em um ambiente natural. Fixação biológica Fixação por fenômenos físicos Ciclo do Nitrogênio Escoamento Fert iliza nte s Bactéria denitricante Bactéria nitricante Nitrogênio livre Bactéria xadora de nitrogênio Figura 7 - Representação do Ciclo Global do Nitrogênio Como é possível observar, o ciclo do nitrogênio é extremamente complexo e conta com diversos mecanismos de ação para que esse elemento essencial à vida possa ser disponibilizado/reaproveitado em outras formas. Vale destacar, con- forme mencionado anteriormente, que as ações antrópicas atuam sobre esse ciclo biogeoquímico, influenciando na disponibilidade de nitrogênio passível de utilização para os seres vivos que necessitam deste elemento. O despejo de efluentes sanitários e industriais, sem o devido tratamento, são uma das ativida- des antrópicas mais impactantes relacionadas à alteração dos níveis de nitrogênio e fósforo no ambiente. O ciclo do Fósforo: o fósforo (P) é um nutriente essencial com fontes finitas e não renováveis. Ainda sim, a exploração deste elemento, atualmente, é muito superior às taxas de reposição em seu ciclo natural, especialmente se considerar- mos que o ciclo deste elemento é muito lento. Portanto, a exploração desenfreada O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E54 e a escassez das reservas de fósforo podem nos direcionar a um colapso, resul- tando em impacto econômicos, sociais e ambientais imensuráveis, pois, segundo Cordell (2008), as reservas de rocha fosfática conhecidas e exploráveis estejam extintas no período de 50 a 100 anos. A alteração da dinâmica desse nutriente no meio ambiente ocorre, especialmente, em face da ocupação a desordenada do solo, do desmatamento e do incremento das atividades industriais e agrícolas. Este elemento se caracteriza como componente essencial dos fosfolipídios, das coenzimas, dos ácidos nucléicos e dos elementos de transição energética (Adenosina Tri Fosfato = ATP) que são indispensáveis para o funcionamento e manutenção dos sistemas biológicos dos organismos vivos. Este elemento tam- bém é utilizado como base para síntese de diversos produtos industrializados como fertilizantes e detergentes (QUEVEDO, PAGANINI, 2011). Os reservatórios atuais existentes de fósforo (litosfera), foram formados ao longo de eras geológicas e diferente de outros ciclos, em nenhum momento o ciclo deste elemento resulta na formação de gás para manutenção de reservas atmosféricas, sendo suas fontes naturais oriundas de processos erosivos da bacia de contribuição, da decomposição dos organismos aquáticos e dos vegetais que compõem as matas ciliares, do assoreamento do corpo d’água, do intemperismo das rochas e da intensidade das trocas ocorridas entre o sedimento e a coluna d’água (QUEVEDO, PAGANINI, 2011). Para Aduan e colaboradores (2004), a maior parte do fósforo presente nos ecossistemas é proveniente do intemperismo dos minerais, este processo pode ser acelerado pela ação de substâncias provenientes das raízes de plantas associa- das a microrganismos, entretanto no ciclo do fósforo, nenhuma ação biológica (como as observadas no ciclo do hidrogênio) pode aumentar significativamente a disponibilidade deste elemento em ambientes em que ele se encontra em bai- xas quantidades. Em face da escassez deste recurso os organismos presentes na biota terres- tre contam com um eficiente ciclo de fósforo a partir de suas formas orgânicas. O fósforo é liberado por meio de processos erosivos e intempéries, sendo este elemento e suas formas fosfatadas (PO4-3) limitantes em sistemas agronômicos. A figura a seguir representa as etapas do ciclo natural e de influência antró- pica do fósforo. DINÂMICAS AMBIENTAIS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 55 Ciclo de Fósforo Colheitas Fosfatos em solução Absorção pelas plantas Absorção pelas plantas Deposição atmosférica (poeira) dejetos de animais e biossólidos resíduos de plantas Fósforo orgânico ImobilizaçãoMineralização -Microbiano -Resíduos de plantas Fósforo solúvel Fertilizantes minerais minerais primários (apatite) superfícies minerais (argilas, óxidos Fe e Al, carbonatos) compostos secundários (CaP, FeP, MnP, AIP) Fert iliza ntes dissolução Inte mpe rism o preciptação desso rção adsor ção lixiviação (geralmente menor) -Húms Figura 6 - Ciclo do Fósforo O ciclo de influência, sobre influência antrópica, representado na figura supra- citada, explicita a utilização do fósforo na síntese de fertilizantes amplamente utilizados em sistemas agrícolas. Tal utilização apesar de impactante e de estar associada a eutrofização, torna-se necessária uma vez que os sistemas agrícolas que contam, somente, com o fósforo presente no solo, na produção de cultivares não conseguiria obter a «eficiência» necessária para atender a demanda popu- lacional emergente. Ainda, os microrganismos exercem papel fundamental no ciclo biogeoquí- mico do fósforo e na disponibilização deste elemento para as plantas, realizando a solubilização do fósforo inorgânico, a mineralização do fósforo orgânico e a associação entre plantas e fungos micorrízicos (PAUL, CLARK, 1996). Por fim, é válido ressaltar que existem outros elementos essenciais que tam- bém passam por ciclos biogeoquímicos, porém, os ciclos supracitados destacam-se por estarem diretamente relacionados e interligados a problemáticas ambien- tais atuais, coerentes e de interesse para aos diferentes processos de produção. O MEIO AMBIENTE E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E56 CONSIDERAÇÕESFINAIS Nesta unidade, inicialmente, foi apresentada uma breve introdução pautada em eventos históricos que discorreu sobre a capacidade do ser humano de alterar o ambiente a sua volta. Tal discussão teve, por finalidade, não apenas apresentar as características evolutivas que fizeram do homem o ser vivo capaz de modificar o ambiente em que vive, de forma favorável ao seu desenvolvimento, mas, tam- bém, explicitar que tais alterações ambientais foram necessárias para separar o homem da condição animal e foram ainda responsáveis pela história como nós a conhecemos. Como visto, o advento da produção fomentada pela revolução industrial e as conquistas sociais influenciadas por este período afetam positi- vamente nosso modelo social até os dias atuais. Em um segundo momento, conceituamos sustentabilidade e desenvolvimento sustentável e conhecemos algumas de suas normas de representação empresarial/ corporativa que correspondem, dentre outras normas, apresentadas, as tão dese- jadas certificações ISO, voltadas à eficiência sócio-ambiental, representadas pelas ISO da série 14000 e 26000. Já, em um último momento, exploramos alguns con- ceitos voltados à ecologia, que nos proporcionaram uma noção mais realista da amplitude de níveis hierárquicos que as ações antrópicas podem alcançar, sejam estas associadas à alteração das condições ambientais próximas ou à diminuição da capacidade de suporte de ambientes específicos, ecossistemas e/ou biomas. Entretanto, todo o conteúdo apresentado nesta unidade objetiva iniciar uma percepção ambiental sensibilizada e humana, que busca despertar, em você, futuro profissional do segmento, uma visão holística dos mais variados processos pro- dutivos, desde o consumo de insumos, dos possíveis impactos gerados pela sua produção e o atendimento das legislações específicas para o descarte dos resíduos. 57 Há hoje um conflito entre as várias compreensões do que seja sustentabilidade. Clássica é a definição da ONU, do relatório Brundland, (1987) “desenvolvimento sustentável é aquele que atende as necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacida- de das gerações futuras de atenderem a suas necessidades e aspirações”. Esse conceito é correto mas possui duas limitações: é antropocêntrico (só considera o ser humano) e nada diz sobre a comunidade de vida (outros seres vivos que também precisam da biosfera e de sustentabilidade). Tentarei uma formulação, a mais integradora possível: Sustentabilidade é toda ação destinada a manter as condições energéticas, informa- cionais, físico-químicas que sustentam todos os seres, especialmente a Terra viva, a co- munidade de vida e a vida humana, visando a sua continuidade e ainda a atender as necessidades da geração presente e das futuras de tal forma que o capital natural seja mantido e enriquecido em sua capacidade de regeneração, reprodução e coevolução. Expliquemos, rapidamente, os termos desta visão holística: Sustentar todas as condições necessárias para o surgimento dos seres: estes só existem a partir da conjugação das energias, dos elementos físico-químicos e informacionais que, combinados entre si dão origem a tudo. Sustentar todos os seres: aqui se trata de superar radicalmente o antropocentrismo. To- dos os seres constituem emergências do processo de evolução e gozam de valor intrín- seco, independente do uso humano. Sustentar especialmente a Terra viva: a Terra é mais que uma “coisa” sem inteligência ou um mero meio de produção. Ela não contém vida. Ela mesma é viva, se auto regula, se regenera e evolui. Se não garantirmos a sustentabilidade da Terra viva, chamada Gaia, tiramos a base para todas as demais formas de sustentabilidade. Sustentar também a comunidade de vida: não existe, o meio ambiente, como algo se- cundário e periférico. Nós não existimos: co-existimos e somos todos interdependentes. Todos os seres vivos são portadores do mesmo alfabeto genético básico. Formam a rede de vida, incluindo os microorganismos. Esta rede cria os biomas e a biodiversidade e é necessária para a subsistência de nossa vida neste planeta. Sustentar a vida humana: somos um elo singular da rede da vida, o ser mais complexo de nosso sistema solar e a ponta avançada do processo evolutivo por nós conhecido, pois somos portadores de consciência, de sensibilidade e de inteligência. Sentimos que somos chamados a cuidar e guardar a Mãe Terra, garantir a continuidade da civilização e vigiar também sobre nossa capacidade destrutiva. Sustentar a continuidade do processo evolutivo: os seres são conservados e suportados pela Energia de Fundo ou a Fonte Originária de todo o Ser. O universo possui um fim em si mesmo, pelo simples fato de existir, de continuar se expandindo e se auto criando. Sustentar o atendimento das necessidades humanas: fazemo-lo através do uso racional e cuidadoso dos bens e serviços que o cosmos e a Terra nos oferecem sem o que sucum- biríamos. 58 Sustentar a nossa geração e aquelas que seguirão à nossa: a Terra é suficiente para cada geração desde que esta estabeleça uma relação de sinergia e de cooperação com ela e distribua os bens e serviços com equidade. O uso desses bens deve se reger pela solida- riedade generacional. As futuras gerações têm o direito de herdarem uma Terra e uma natureza preservadas. A sustentabilidade se mede pela capacidade de conservar o capital natural, permitir que se refaça e ainda, através do gênio humano, possa ser enriquecido para as futuras ge- rações. Esse conceito ampliado e integrador de sustentabilidade deve servir de critério para avaliar o quanto temos progredido ou não rumo à sustentabilidade e nos deve igualmente servir de inspiração ou de idéia-geradora para realizar a sustentabilidade nos vários campos da atividade humana. Sem isso a sustentabilidade é pura retórica sem consequências. Fonte: Boff (2012, on-line)3. 59 1. A vida na superfície terrestre só foi possível em função da presença de determinados elementos dispersos nas mais variadas esferas componentes da biosfera. Cada uma destas esferas comporta e é responsável pelas interações naturais e de origem antró- pica que nela ocorrem. Em face do exposto, assinale a alternativa que contempla as três esferas componentes da biosfera. a. Litosfera, Biosfera e Atmosfera. b. Superfície terrestres, Litosfera e Atmosfera. c. Núcleo, Manto e Atmosfera. d. Litosfera, Hidrosfera e Atmosfera. e. Litosfera, Hidrosfera e Hemisfera. 2. Os diferentes ciclos biogeoquímicos apresentam especificidades relativas aos ele- mentos em questão. Em relação aos elementos: Carbono, Fósforo e Nitrogênio, ava- lie as assertivas: I. O carbono apresenta capacidade de formar até 4 ligações covalentes. II. As reservas de fósforo possuem capacidade de renovação extremamente ágil. III. O ciclo natural do fósforo, passa pelas etapas: Rocha, Indústria e Sistema agrícola. IV. O processo que transforma amônia em nitrito é denominado nitrofilação. Assinale a alternativa correta: a. Nenhuma das afirmativas está correta. b. Apenas II está correta. c. Apenas III está correta. d. Apenas IV está correta. e. Apenas II, III e IV estão corretas. 60 3. Os níveis de organização ecológica ou níveis de hierarquia ecológica classifi- cam corretamente as diferentes organizações populacionais quanto às suas características: densidade ocupacional, distribuição e espaço. Cientes de sua relevância, avalie as assertivas e classifique-as em Verdadeiras (V) ou Falsas (F): ( ) Uma população corresponde a um grupo de indivíduos pertencentes a uma mesma espécie presentes e ocupantes de uma determinada área por um perí- odo de tempo. ( ) Um ecossistema corresponde a meio no qual os organismos interagem com o meio ambiente, realizando trocas de matéria e energia pelas vias existentes. ( ) A biosfera corresponde àspopulações que coexistem e habitam o mesmo ambiente, interagindo de forma organizada. ( ) Uma organela celular pode ser conceituada como partícula única ou unida- de fundamental em função de sua característica de indivisibilidade por proces- sos químicos. ( ) Um bioma é composto por um conjunto de ecossistemas em uma larga es- cala geográfica no qual as plantas ou as formações vegetais se destacam como características, assim como suas as especificidades climáticas. 4. A vida na superfície terrestre sempre foi regida por um conjunto de caracte- rísticas favoráveis ao seu pleno desenvolvimento. Dentre os motivos conside- rados favoráveis, figuram os ciclos biogeoquímicos, devido a sua relevância e amplitude. Considerando o exposto, assinale a alternativa que contém a corre- ta definição de ciclos biogeoquímicos. a. Correspondem a grupos de indivíduos pertencentes a uma mesma espécie presentes e ocupantes de uma determinada área por um período de tempo. b. Correspondem à associação da superfície terrestres com a Litosfera e Atmos- fera. c. Os ciclos biogeoquímicos são processos que, por diversos meios, reciclam vários elementos em diferentes formas químicas, do meio ambiente para os organismos e depois, fazem o processo contrário, ou seja, trazem esses ele- mentos dos organismos para o ambiente. d. São ferramentas de gestão que devem ser utilizadas visando alcançar a efeti- vidade socioambiental de uma organização. e. Compreendem uma partícula única ou unidade fundamental em função de sua característica de indivisibilidade por processos químicos. 61 5. Quando pensamos em fatores limitantes ao desenvolvimento dos seres vivos, somos imediatamente direcionados aos recursos disponíveis. Claro que existe uma relação entre disponibilidade de recursos e o desenvolvimento de uma po- pulação, assim como a retirada de recursos pode levar a extinção de determina- da população. Neste contexto, cite os demais fatores que podem ser considera- dos limitantes ao desenvolvimento dos seres vivo. MATERIAL COMPLEMENTAR Introdução à Engenharia Ambiental: o desafi o do desenvolvimento sustentável Benedito Braga, Ivanildo Hespanhol, João G. L. Conejo, José C. Mierzwa, Mario T. L. de Barros, Mailton Spencer, Monica Porto, Nelson Nucci, Nelsa Juliano e Sérgio Elger. Editora: Pearson Sinopse: escrito por um grupo de professores pioneiros no estudo e no ensino do tema, este livro procura relacionar a engenharia com outras áreas do conhecimento, já que transmite a visão da engenharia em relação ao meio ambiente, além de apresentar a questão do confl ito entre os aspectos socioeconômicos e os ambientais como um dos grandes desafi os da engenharia no futuro. Esta nova edição leva em conta o dinamismo dos temas e dos próprios sistemas abordados, atualizando dados e conceitos e incluindo um novo capítulo sobre métodos de gestão corporativa para o meio ambiente e prevenção da poluição. Destinado aos cursos de engenharia, este livro também atende às necessidades de profi ssionais de outras áreas interessados no presente e no futuro do meio ambiente. Uma Verdade Inconveniente. 2006. o cineasta Davis Guggenheim acompanha Al Gore, o ex-candidato à presidência dos EUA, no circuito de palestras para conscientizar o público sobre os perigos do aquecimento global, e pede uma ação imediata para conter seus efeitos destrutivos ao meio ambiente. REFERÊNCIAS 63 ADUAN, R. E.; VILELA, M. F.; REIS JÚNIOR, F. B. Os grandes ciclos biogeoquímicos do Planeta. Documentos Embrapa, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimen- to. Distrito Federal, v. 119, 2004. ALENCASTRO, M. S. C. Empresas, ambiente e sociedade: introdução à gestão so- cioambiental corporativa. Curitiba: InterSaberes, 2012. ALMEIDA, J. A problemática do desenvolvimento sustentável. In: BECKER, F. D. (orgs). Desenvolvimento sustentável: necessidade e/ou possibilidade? Santa Cruz do Sul: EDUNISC, p. 17-26, 1997. 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Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ O consumo e a utilização da água ■ Caracterização e especificidades das águas residuárias ■ Os diferentes tratamentos e suas aplicações INTRODUÇÃO Seja bem-vindo(a) caro(a) aluno(a) à segunda unidade do nosso material didá- tico, intitulada gerenciamento e tratamento de água e efluentes. Esta unidade tem por objetivo apresentar, a você, algumas informações pertinentes sobre o tratamento de água e efluentes, com ênfase nos efluentes industriais, que são resíduos líquidos do processo produtivo ou de beneficiamento que deverão ser devidamente tratados antes de sua disposição final, seja esta realizada mediante a um serviço de terceirização ou ainda destinada a uma estação de tratamento de efluente própria da indústria. Serão apresentados inicialmente alguns princípios básicos sobre a coleta, tratamento e distribuição de água, que se fazem aqui relevantes em função da utilização deste recurso, portanto, conhecer os inúmeros processos envolvidos em sua utilização, poderá auxiliar na busca por formas de reduzir o consumo deste recurso ou até mesmo reutilizá-lo na própria indústria. Em um segundo momento iremos conhecer as características mais genera- listas dos efluentes sanitários e industriais. Os efluentes sanitários aqui se fazem relevantes, pois, muitas vezes, vocês poderãose deparar com estações de trata- mento industriais que destinam seus efluentes sanitários ao mesmo local que seus efluentes industriais, conferindo assim características diferentes ao efluente final a ser tratado, portanto, conhecer suas especificidades assim como a legisla- ção envolvida em seu despejo final é muito importante. Por fim, iremos conhecer as diferentes etapas de tratamentos que podem ser aplicadas, tanto para a água quanto para os efluentes industriais e sanitários, con- siderando a necessidade identificadas antes do tratamento e também as legislações pertinentes envolvidas. Sendo assim, caro(a) aluno(a), convido você a descobrir novas informações e curiosidades sobre estes assuntos tão relevantes. Vamos lá?! O CONSUMO E A UTILIZAÇÃO DA ÁGUA Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 71 O CONSUMO E A UTILIZAÇÃO DA ÁGUA Após uma breve introdução a alguns dos conceitos que se fazem relevantes sobre meio ambiente e de conhecermos um pouco acerca de sua dinâmica na Unidade I, este material didático em suas unidades seguintes irá apresentá-los efetivamente às ações que devem ser realizadas no contexto empresarial/indus- trial para que ocorra a redução dos impactos causados. Introduzindo assim, as ferramentas sejam elas de gestão, manejo ou de tratamento pertinentes e condi- zentes com as questões ambientais. É de nosso conhecimento que água é uma substância insípida, incolor e inodora, composta por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, que pode ser encontrada dependendo das condições em estado líquido, sólido ou gasoso. Sabemos também que a água recobre aproximadamente 70% da superfície do planeta Terra e devido ao seu ciclo hidrológico, pode ser considerada um recurso renovável. Conforme Barros et al. (1995), a água pode ser classificada conforme sua utilização: ■ Elemento de composição da natureza: meio de navegação, relativa à regulação da umidade do ar e do clima na Terra, fonte de geração ener- gética e transporte de despejos sanitários e industriais (líquidos); ■ Ambiente para a vida aquática: habitat para organismos aquáticos; ■ Fator indispensável à vida terrestre: irrigação do solo, abastecimento público e industrial e dessedentação de animal. Apesar de facilmente associamos a geração de resíduos a material sólido com os líquidos (recursos hídricos) acontece o mesmo. A utilização que se faz destes recursos é que determina as características finais, nesse caso, das águas residuá- rias ou efluentes. O mesmo acontece para o atendimento das necessidades básicas humanas, como no caso do esgoto sanitário. Historicamente, o homem viu nos recursos hídricos formas de fomentar seu desenvolvimento, além de atender suas necessidades voltadas à potabilidade, os corpos hídricos ainda promovem desenvolvimento econômico desde a idade média, quando povoados eram formados em regiões próximas à orla marítima GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E72 ou a planícies de rios, possibilitando o surgimento das primeiras rotas comer- ciais. Além do desenvolvimento econômico o homem ao longo de sua evolução concluiu que o consumo ou a proximidade de águas impróprias, poderia resul- tar na transmissão de doenças (RESENDE; HELLER, 2002). Entretanto, por que devemos discutir sobre a água e o seu uso? Essa substân- cia é indispensável para a manutenção da vida na Terra e para a sobrevivência dos organismos, sendo, portanto, considerada um recurso primordial para a vida, logo, podemos estabelecer uma relação na qual a quantidade de água dis- ponível em uma região é diretamente proporcional ao conjunto de seres vivos presentes nessa mesma região. Além disso, discutir acerca da utilização cons- ciente dos recursos naturais disponíveis e da necessidade de um manejo/gestão adequados objetivam garantir o direito das gerações vindouras de acesso a um ambiente equilibrado. É fato que a dimensão ambiental, segundo Santos e Miguel (2002), vem sendo incorporada aos diferentes processos produtivos das indústrias e à gestão empresarial, inclusive como ferramenta para redução de custos e aumentos de lucratividade, por meio de diferentes medidas para minimização, reuso e reciclo dos efluentes líquidos gerados pelos diversos processos industriais. Entretanto, apesar desse eminente despertar da consciência ambiental que se observa nas últimas décadas, algumas atividades antrópicas figuram como grandes consumidoras de elevado volume de água potável, uma vez que, lamen- tavelmente, torna-se quase utópico afirmar que exista algum processo produtivo ou de beneficiamento que não requer um grande volume de água em sua cadeia produtiva. Para Pena ([2018], on-line)1, conforme dados da Organização mundial das nações unidas para a alimentação (FAO), a pecuária, e as atividades relacionadas a ela, consome cerca de 70% da água do mundo, em uma perspectiva nacional, esse número alcança 72% do volume consumido pelo nosso país que se des- taca nesse setor da economia. Voltando à escala global, ainda segundo o autor, depois do setor agrícola, a atividade das indústrias são responsáveis por 22% do volume, seguido de 8% atribuído à utilização doméstica. A Tabela 1, apresenta uma perspectiva do volume de água consumida nas indústrias. O CONSUMO E A UTILIZAÇÃO DA ÁGUA Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 73 Tabela 1 - Consumo de água nas indústrias TIPO DE INDÚSTRIA CONSUMO Laminação de aço 85 m³ por tonelada de aço. Refinamento de petróleo 290 m³ por barril refinado. Indústria têxtil 1.000 m³ por tonelada de tecido. Couro (curtumes) 55 m³ por tonelada de couro. Papel 250 m³ por tonelada de papel. Saboaria 2 m³ por tonelada de sabão. Usina de açúcar 75 m³ por tonelada de açúcar. Fábrica de conservas 20 m³ por tonelada de conserva. Laticínios 2 m³ por tonelada de produto. Cervejaria 20 m³ por m³ de cerveja. Lavanderia 10 m³ por tonelada de roupa. Matadouros 3 m³ por animal abatido. 1 tonelada = 1000 Kg. 1m³ = 1000 L. Fonte: adaptado de Barth (1987, on-line)2. Apesar da vasta capacidade hídrica de nosso país, evidenciada pela gama de cor- pos hídricos, aquíferos, mananciais e rios flutuantes, dados do instituto Trata Brasil ([2018] on-line)3, indicaram que, em 2015, 35 milhões de brasileiros ainda sofrem com a falta de abastecimento de água. Todavia, como em um país cuja a extensão territorial é privilegiada com um grande potencial hídrico a população, em sua totalidade, ainda não possui acesso a água de qualidade? As respostas para esse questionamento giram em torno da gestão deste recurso e das políti- cas que regulamentam o desenvolvimento de tecnologias e investimentos para assegurar o direito a água com elevado grau de potabilidade a todos. Quais ações posso tomar para reduzir o consumo de água potável em minha residência? GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E74 PRINCÍPIOS DE CAPTAÇÃO, QUALIDADE E TRATAMENTO DE ÁGUA Em um primeiro momento, podemos pensar que o abastecimento de água poderá ser interminável, mediante a quantidade de água que recobre a superfície ter- restre, porém, se considerarmos que desta superfície a maior parte da água é salgada e, portanto, não pode ser utilizada para a agricultura, processos indus- triais e consumo humano, esse panorama se inverte. Historicamente, a captação eobtenção de água doce, com qualidade aceitá- vel para atendimento das necessidades humanas, sempre foi uma preocupação. Embora o conhecimento científico só tenha esclarecido/diferenciado padrões de qualidade da água mediante ao advento da tecnologia. O homem nos primór- dios da história já era capaz de distinguir a água de qualidade, sem cor, odor ou sabor daquela que apresentava características atrativas. O aporte pontual ou difuso de substâncias xenobióticas, organismos ou de matéria orgânica em excesso a água podem resultar em uma série de agravos ao meio ambiente, como, por exemplo, a poluição, contaminação e a eutrofização. Como reflexo da evolução do conhecimento acerca da salubridade ambien- tal, o abastecimento de água de fontes seguras e o despejo do esgoto passaram a ocorrer em localidades diferentes dos corpos hídricos (manancial próximo a cidade), essa mudança teve como principal objetivo evitar doenças relaciona- das a condições impróprias de saneamento, caracterizando um período histórico denominado higienista (TUCCI, 2008). Substâncias xenobióticas se referem a substâncias químicas recalci- trantes estranhas ao corpo humano, aos organismos e ao meio am- biente. Referem-se a compostos sintéticos, sintetizados via técnicas de engenharia química ou genética, como, por exemplo, pela transfor- mação de microrganismos como fungos e bactérias. Alguns exemplos são: fármacos, agentes saneantes ou tensoativos e defensivos agrícolas. Fonte: o autor. O CONSUMO E A UTILIZAÇÃO DA ÁGUA Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 75 Entretanto, qual fonte de água é utilizada para atender nossas necessidades atu- ais? Os mananciais das águas urbanas são as fontes de água para abastecimento que visam atender as necessidades humanas, animais e industriais. Essas fontes podem ser superficiais (redes de rios da bacia hidrográfica da região) e sub- terrâneas (aquíferos), cuja a disponibilidade de água, especialmente das fontes superficiais, podem variar conforme sazonalidade, uma vez que a disponibili- dade hídrica depende da capacidade do rio de se regularizar ao longo do tempo (COSTA et al., 2012). Outro questionamento que se faz relevante consiste em: como determinar se um corpo hídrico é apto para a captação de água? Além dos padrões de qua- lidade, a disponibilidade hídrica é mensurada mediante uma série de fatores ou condicionantes naturais, tais como: vazão, características da precipitação, eva- potranspiração (total, variabilidade temporal e espacial) e da superfície do solo, fatores considerados para uma distribuição estatística temporal. Já as fontes subterrâneas, compõem a maior reserva de água doce do globo (MINAYO-GOMEZ, 2011). Tais reservas se dividem entre aquíferos confinados e não confinados, de acordo com a formação geológica, que fazem referência a pressão exercida sobre os mesmos, ou seja, os confinados estão sobre influência de pressão superior à atmosférica, ao passo que os não confinados não estão sobre pressão e podem ser repostos por fluxos naturais de escoamento (RIBEIRO, 2008). Ainda segundo Ribeiro (2008), normalmente, a água subterrânea é utilizada no abastecimento de cidades de pequeno e médio porte, pois depende da vazão de bombeamento que o aquífero permite retirar sem comprometer seu balanço de entrada e saída de água. A captação em aquíferos merece uma atenção especial A hidrologia e a mecânica de fluidos são áreas fundamentais para os estu- dos de preservação dos recursos. Com o intuito de democratizar o acesso à informação nestes segmentos a Agência Nacional de Água (ANA) dispo- nibiliza em seu endereço eletrônico, inúmeros materiais que podem ser consultados acerca dessas temáticas. Confira! Para saber mais, acesse o link: <https://capacitacao.ead.unesp.br/conhecerh/handle/ana/240>. GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E76 em função do risco de contaminação por substâncias xenobióticas e recalcitrantes que podem se infiltrar/percolar no lençol freático e contaminar reservas de água. Após abordarmos, brevemente, alguns conceitos sobre a captação de água, discutiremos sobre tratamento e disponibilização. Após sua captação a água é transportada até a estação de tratamento de água (ETA) e, posteriormente, dis- tribuída à população, por uma rede. Esse sistema implica elevados investimentos, geralmente públicos, para garantir água em quantidade e qualidade adequada. Segundo Libânio (2010), as tecnologias envolvidas no tratamento de água têm por objetivo adequar os parâmetros da água bruta aos limites estabelecidos pela portaria 2914 do Ministério da Saúde, considerando os custos de implemen- tação, manutenção e operação mais viáveis possível. Além disso, para o autor, a escolha da tecnologia deve ser permeada por algumas premissas, sendo elas: a. As características da água bruta disponível para captação; b. Os custos envolvidos; c. Manuseio e confiabilidade dos equipamentos; d. Flexibilidade operacional; e. Localização geográfica e características da população. Normalmente, os municípios adotam o modelo de ETA convencional, conforme proposto pela resolução CONAMA 357/2005 e pela NBR 12216 de 1992. O modelo de tratamento convencional ou de ciclo completo compreende as seguin- tes etapas: Coagulação; Floculação; Decantação ou flotação; Filtração rápida descendente; Ajustes finais - que envolvem desinfecção - Fluoretação, ajuste de pH dentre outros processos necessários. Cada uma das etapas possui uma finalidade no processo de tratamento de água, sendo elas: ■ Adição de Sais de Alumínio, Cal e Cloro: promovem a coagulação de impu- rezas presentes na água como: matéria orgânica e sólidos dissolvidos ou em suspensão que alteram o pH com o intuito de aumentar a eficiência dos agen- tes coagulantes e atuam como agente saneante, respectivamente. O CONSUMO E A UTILIZAÇÃO DA ÁGUA Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 77 ■ Floculação: a ação dos agentes coagulantes, da etapa anterior, provoca uma desestabilização das cargas superficiais das impurezas presentes, desta forma, ao serem submetidas ao processo de agitação intensa, as impurezas irão se agregar, formando flocos de maior densidade que serão removi- das na etapa seguinte. ■ Decantação: os flocos formados irão decantar em função das forças gravi- tacionais, gerando uma separação do líquido menos denso das impurezas de maior peso e agregadas em função das etapas anteriores. ■ Filtração: o processo de filtração granular descendente é relevante para a remoção dos parâmetros: turbidez, cor aparente, sólidos totais e densi- dade de microrganismos como algas e coliformes. ■ Adição de cal, cloro e flúor: o cloro e o flúor, adicionados nesta etapa, atuam visando a eliminação de microrganismos patogênicos associados a doenças transmitidas pela água, enquanto o Cal realiza o ajuste do pH em faixa condizente com as legislações estabelecidas. Entretanto, atualmente, métodos de tratamento de água vêm sendo repensados, em especial, em função da utilização dos sais de alumínio como agentes coa- gulantes. Quantidades de alumínio residual na água são mais aptas à absorção biológica, do que as oriundas de outras fontes, o que pode resultar em deposi- ções de alumínio em vias neuroquímicas, causando efeitos adversos indesejáveis, dentre eles, destacam-se os efeitos desproporcionais sobre o mal de Alzheimer (REIBER et al., 1995). Em face de tais problemáticase também da necessidade de garantia de for- necimento de água de qualidade à população, o Ministério da Saúde elaborou a Portaria 2914 de 2011 que dispõe sobre os parâmetros de qualidade da água potável. Sendo alguns deles expressos na Tabela 2: GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E78 Tabela 2 - Parâmetros de potabilidade estabelecidos pela Portaria 2914/11 do Ministério da Saúde PARÂMETRO SIGNIFICADO VALOR MÁXIMO P E R M I T I D O (VMP) Presença de Coliformes Grupo de bactérias que são indicadores de contaminação ambiental Ausência em 100 mL Teor de Cloro Agente desinfetante, utilizado para eliminar microrganismos que possam estar presentes nas águas e provocar doenças por via hídrica 0,2 mg/L Turbidez É a medida da quantidade de partículas em suspensão (material insolúvel) presentes na água e que impedem a passagem de luz 5 UT (unidades de turbidez) ou NTU (Unidade nefelométrica de turbidez). pH Indica a natureza ácida ou básica da água. É monitorado durante as etapas de tratamento e na rede de distribuição, evitando os proces- sos de corrosão nas canalizações 6,0 a 9,5 Cor Parâmetro de aspecto estético de aceitação ou rejeição do produto. A cor indica a presen- ça de substâncias dissolvidas ou finamente divididas que conferem coloração específica à água 15 Unidade Hazen (mg PtCo/L). Teor de Flúor Composto químico que é adicionado à água tratada para prevenção da proliferação de microrganismos indesejados 1,5 mg/L Fonte: Ministério da Saúde (BRASIL, 2011). Cabe ressaltar que existem outros parâmetros relacionados a potabilidade que são expressos pela portaria. Tal portaria ainda discorre acerca das responsabili- dades de fiscalização e monitoramento nas esferas federal, estadual e municipal. Após o tratamento de água potável, a qualidade desta pode sofrer uma série alterações após tratamento, fazendo com que a qualidade da água, destinada à população, seja diferente da qualidade da água que deixa a estação de trata- mento. Tais alterações podem ser causadas por variações químicas e biológicas (DEININGER et al. 1992). Conforme Clark e Coyle (1989), dentre os possíveis fatores que influenciam tais mudanças estão: TRATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUÁRIAS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 79 a. Qualidade química e biológica da fonte hídrica; b. Eficácia do processo de tratamento, condições de armazenagem e sis- tema de distribuição; c. Idade, tipo, projeto e manutenção da rede; d. Qualidade da água tratada. Por fim, estes são apenas alguns dos temas principais associados ao tratamento de água, esgotar esta temática em apenas um material didático seria muita pre- tensão em função de sua especificidade e da gama de assuntos relacionados que podem ser abordados. Discutir tantos assuntos voltados ao tratamento de água quando o objetivo é abordar o tratamento de efluentes é relevante, especialmente quando muitos dos princípios aqui apresentados também são válidos para o tra- tamento de efluentes. TRATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUÁRIAS Segundo a Resolução 430/2011 do Conama, efluente é o termo utilizado para caracterizar os despejos líquidos provenientes de diversas atividades ou proces- sos, sejam estas atividades domésticas, comerciais ou industriais, sendo uma composição um reflexo de seu processo ou destinação (BRASIL, 2011). Desta forma, neste momento, iremos focar os efluentes domésticos ou sani- tários e os industriais. Discutir sobre efluentes sanitários, mesmo no contexto da produção, se faz relevante, pois, muitas vezes, as indústrias irão destinar seus efluentes sanitários à mesma estação de tratamento de efluentes responsável pelo tratamento de efluente líquido oriundo da produção, no caso das empresas que realizam o tratamento de seus efluentes em seus próprios espaços físicos. GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E80 EFLUENTES SANITÁRIOS OU DOMÉSTICOS Segundo Von Sperling (2005), os efluentes domésticos são compostos de, apro- ximadamente, 99% de água, enquanto a fração restante corresponde a uma associação de sólidos orgânicos e inorgânicos, suspensos ou dissolvidos, nos quais são encontrados uma série de organismos e microrganismos patogênicos como vírus, bactérias, protozoários e helmintos. A associação destes compostos aos dejetos humanos faz com que esse tipo de efluente apresente características próprias, como odor característico e temperatura levemente elevada, devido a atividade microbiológica. A Tabela 3 apresenta as principais característica físico-químicas, comumente, observadas nos efluentes domésticos/sanitários. Tabela 3 - Características físico-químicas dos efluentes domésticos/sanitários PARÂMETRO DESCRIÇÃO Tempera- tura Normalmente possuem temperatura superior a da água de abastecimento e está relacionada com a atividade dos microrga- nismos, solubilidade de gases, velocidade das reações químicas e viscosidade dos líquidos. Cor A coloração dos efluentes domésticos normalmente é cinza, cin- za escura ou preta, em função do material dissolvido. A cor deste tipo de efluente é diretamente influenciada pela decomposição da matéria orgânica. Odor O odor dos esgotos domésticos é desagradável em função dos gases sulfídricos liberados em função do processo de decompo- sição da matéria orgânica. Turbidez Influenciada pelos sólidos em suspensão, areia, argila, mate- rial orgânico e inorgânico e microrganismos e faz referência a dificuldade de difração da luz na água. Portanto, efluentes mais concentrados possuem maior turbidez. Sólidos Totais Referem-se ao balanço de todos os sólidos presentes nos esgotos domésticos. Sólidos em suspensão Fração dos sólidos orgânicos e inorgânicos suspensos no esgoto que possuem dimensões específicas superiores, variando de > 0,45 a > 2,0 μm. TRATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUÁRIAS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 81 Sólidos fixos Representam os componentes minerais, não incineráveis e iner- tes dos sólidos em suspensão. Sólidos voláteis Correspondem aos componentes orgânicos dos sólidos em suspensão. Sólidos Dis- solvidos Fração dos sólidos orgânicos e inorgânicos suspensos no esgoto que possuem dimensões específicas inferiores, variando de < 0,45 a < 2,0 μm. Sólidos fixos Correspondem aos componentes minerais dos sólidos dissolvi- dos. Sólidos voláteis Correspondem aos componentes orgânicos dos sólidos dissolvi- dos. Sólidos Sedimentá- veis Fração de sólidos orgânicos e inorgânicos que possuem peso molecular suficiente para sedimentar em um período de 1 hora. É analisado em cone Imhoff. Matéria Orgânica Refere-se aos compostos orgânicos, sendo os principais compo- nentes: Proteínas, Carboidratos e Lipídios. Para sua determinação normalmente são analisadas as demandas químicas e bioquími- cas de oxigênio ou via carbono orgânico total. Nitrogênio Total Inclui as formas de nitrogênio orgânico, amônia, nitrito e nitrato. Componentes orgânicos da matéria orgânica, sua presença em efluentes está relacionada à decomposição. Fósforo É um nutriente essencial presente na composição de várias substâncias orgânicas e inorgânicas. Sua presença em esgoto doméstico está relacionada a decomposição destas substâncias e a sua disponibilidadeno meio é preocupante pois esses nutrientes são essenciais para o desenvolvimento de microrga- nismos, algas e plantas. pH Indica se a característica do esgoto é ácida ou básica. A variação neste parâmetro pode influenciar a eficiência dos tratamentos para este tipo de efluente. Valores ácidos de pH tornam o efluen- te corrosivos ao passo que valores ácidos aceleram a incrustação destes efluentes pela tubulação do sistema de esgotamento sanitário. Alcalinida- de Representa a capacidade de um sistema aquoso de neutralizar ácidos sem que haja a perturbação de forma extrema das ativida- des biológicas que nele decorrem. Está relacionada a presença de carbonatos, bicarbonatos e hidroxilas, sódio e cálcio. GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E82 Cloretos Provenientes da água de abastecimento e dos dejetos humanos. Óleos e Graxas Fração de matéria orgânica solúvel em hexano, no caso dos esgo- tos domésticos estão relacionados aos óleos e gorduras utiliza- dos no preparo ou na composição de alimentos. Presença de Micror- ganismos A presença dos microrganismos neste tipo de efluente é predo- minantemente em função dos dejetos humanos. São comuns a este tipo de efluente os coliformes fecais, sendo estes um grupo de bactérias comuns ao trato intestinal humano e de animais. Este grupo compreende os gêneros Escherichia e em menor grau, espécies de Klebsiella, Enterobacter e Citrobacter (WHO, 1993). Fonte: adaptado de Von Sperling (2005) e Who (1993). A legislação que dispõe especificamente sobre os padrões que devem ser atingi- dos para o lançamento de efluentes é a Resolução do CONAMA 430/2011. Esta legislação rege parâmetros, diretrizes e padrões para o despejo de efluentes domés- ticos/sanitários e industriais em corpos receptores. O artigo 21º desta legislação preconiza que o lançamento direto de efluentes oriundos de sistemas de trata- mento de esgotos sanitários deve atender os padrões expressos na tabela a seguir: Tabela 4 - Parâmetros físico-químicos e valores máximos permitidos para o lançamento de efluentes sanitários em corpos hídricos PARÂMETRO VALOR MÁXIMO PERMITIDO (VMP) pH Entre 5 e 9. Tempera- tura Inferior a 40ºC. Sólidos Sedimentá- veis Até 1 mL/L (Teste em cone Inmhoff), caso a disposição ocorra em lagos/lagoa os sólidos sedimentáveis deverão ser ausentes. Óleos e Graxas Até 100mg/L. Materiais Flutuantes Ausentes. TRATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUÁRIAS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 83 Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO5) Máximo de 120 mg/L, sendo que este valor poderá ser ultrapassa- do no caso de efluente de sistema de tratamento com eficiência de remoção mínima de 60% de DBO, ou mediante estudo de autodepuração do corpo hídrico que comprove atendimento às metas do enquadramento do corpo receptor. Fonte: Resolução Conama 430/2011 (BRASIL, 2011). Lembrando que existem ressalvas para os efluentes sanitários, que recebem lixi- viados de aterros sanitários, neste caso, o órgão ambiental competente deverá indicar quais os parâmetros da Tabela I do art. 16, inciso II da Resolução 430/2011 do Conama que deverão ser atendidos e monitorados. Os cuidados específicos com esse tipo de efluente se dá em função dos pos- síveis impactos causados ao meio ambiente, além do aporte de matéria orgânica que pode acelerar o processo de eutrofização a presença de microrganismos patogênicos oriundos do trato digestivo dos seres humanos se tornar a princi- pal preocupação. A presença destes microrganismos faz com que esse tipo de efluente, na ausência de tratamento adequado, se torne agente de transmissão de doenças relacionadas a falta de saneamento básico como a cólera, disente- rias, febres tifóides, leptospirose, amebíase, dentre outras. Na Tabela 4, fomos apresentados ao parâmetro demanda bioquímica de oxigênio ou DBO, este parâmetro determina, de forma indireta, a quantidade (concentração) de matéria orgânica degradável pela ação microbiológica pre- sente em um efluente. Em outras palavras, trata-se da quantidade de oxigênio consumida pelos microrganismos aeróbios facultativos e/ou aeróbios presentes no efluente para que ocorra a degradação metabólica de toda a matéria biode- gradável carbonácea presente (BROOKMAM, 1996). Este parâmetro indica a taxa de degradação do efluente em questão, estabelecendo uma relação sobre a taxa de consumo de oxigênio em função do tempo. Em relação a demanda bioquímica de oxigênio, se faz relevante apresen- tar a demanda química de oxigênio ou DQO, este parâmetro indicativo, assim como a DBO, avalia o consumo de oxigênio, só que, neste caso, a DQO avalia o consumo de oxigênio para a oxidação química da matéria orgânica, comumente analisada utilizando um agente oxidante forte como o dicromato de potássio em uma alíquota da amostra com pH ácido. Estes dois parâmetros, quando compa- rados de forma conjunta, proporcionam informações sobre a biodegradabilidade GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E84 do efluente e, consequentemente, auxilia na escolha do método mais adequado para o seu tratamento. Para estabelecer essa relação utiliza-se o seguinte cál- culo: sendo “r” a relação entre DQO/DBO, o resultado desta equação indica qual das frações envolvidas, a inerte ou a biodegradável do efluente, está elevada ou não. A Tabela 5 contém informações sobre a relação entre estes parâmetros que, segundo Von Sperling (2005), são imprescindíveis para a escolha do trata- mento adequado. Tabela 5 - Relação Demanda química de oxigênio/Demanda bioquímica de oxigênio em efluentes RELAÇÃO DQO/DBO INDICAÇÃO DE TRATAMENTO Baixa (< a 2,5) A fração biodegradável do efluente é elevada podendo ser indicado tratamento biológico. Intermediária (entre cerca de 2,5 a 3,5) A fração biodegradável não é elevada, sendo necessário realizar alguns estudos de tratabilidade para verificar a viabilidade do tratamento biológico. Elevada (entre cerca de 3,5 a 4,0 ou superior) A fração inerte (não biodegradável) é elevada, possível indicação para tratamento físico-químico. Fonte: Adaptado de Von Sperling (2005). Ainda sobre a Tabela 4, também, foram apresentados valores máximos permi- tidos (VMP) para alguns parâmetros pautados em legislação, entretanto, como mensurar se o tratamento proposto está sendo efetivo e está de acordo com os valores previstos em legislação? Por meio do cálculo de eficiência de remoção, representado pela fórmula: Para tanto, utiliza-se o valor mensurado do parâmetro em questão antes do tratamento, e o valor obtido após o tratamento aplicado. Algumas das técnicas de quantificação de alguns parâmetros físico-químicos que podem ser aplicadas, tanto para água como para efluentes, serão apresentados na leitura complementar desta unidade. Já os diferentes tipos de tratamento existentes, serão explorados mais adiante nesta unidade. TRATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUÁRIAS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 85 EFLUENTES INDUSTRIAIS Efluentes industriais são provenientes das atividades industriais diversas, e, além de representarem um reflexo de sua utilização industrial (processos de benefi- ciamento), compreendem esgotos sanitários, como dejetos humanos sólidos e líquidos, agentes saneantes como produtos de limpeza, dentreoutros tipos de resíduos. A fração de esgoto sanitário, gerado nas indústrias, pode ser tratada juntamente com os resíduos industriais ou de forma segregada. As características são variadas em efluentes industriais e estão relacionadas aos processos produtivos realizados, a matéria prima e aos insumos utilizados durante o processo, a intensidade das operações realizadas ou, ainda, ao período de operação da indústria e ao consumo e reutilização de água. Alguns efluentes industriais podem apresentar características tóxicas, podendo causar efeitos danosos aos organismos que tiverem contato ou mesmo ao corpo receptor. Alguns ramos industriais ainda devem controlar as emissões em cor- pos receptores em função do potencial toxicológico, como indústrias químicas, petrolíferas, de galvanoplastia, dentre outras (DEZZOTI, 2008). Para saber se haverá a necessidade de realizar um tratamento prévio dos efluentes industriais e a fim de caracterizar a carga poluidora, bem como propor o tratamento mais adequado é necessário ter um conhecimento de todo o pro- cesso, para definir as condições de amostragem. Para Giordano (2004), conhecer as características da produção e todo o fluxograma do processo industrial é fun- damental para lidar com os efluentes gerados. Ainda se destacam como fatores relevantes para as características dos efluentes os produtos de limpeza utilizados na indústria, a rotina de higienização dos equipamentos e instalações, horários de manutenção e número de funcionários por turno. Para a caracterização inicial do efluente (efluente bruto), devem ser consi- derados parâmetros relacionados a carga poluidora e que sejam de relevantes para a compreensão das características do mesmo, devendo ser consideradas a frequência de amostragem, a forma de coleta, o acondicionamento, o armaze- namento, a sazonalidade produtiva e as condições climáticas. GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E86 Alguns exemplos de efluentes industriais das mais variadas atividades e suas composições estão expressos na Tabela 6. Tabela 6 - Composição de alguns efluentes industriais ATIVIDADE COMPOSIÇÃO DO EFLUENTE Agropecuária intensiva Oriundos da bovinocultura, suinocultura estão relacionados a quantidade de água utilizado nos processos, como limpeza de estabelecimentos ou equipamentos. Apresentam elevados ín- dices de matéria orgânica, nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, sódio, magnésio, ferro, zinco, sobre, dentre outros elementos incluídos na dieta (SILVA, 2007). Provenientes dos Serviços de Saúde Podem ser classificados em duas categorias, uma relacionada aos usos rotineiros, de higiene e sanitários, enquanto a outra classificação refere-se a pesquisas e utilização de formulações química e de fármacos. Normalmente possuem pH diferentes em relação aos esgotos sanitários comuns, devido a presença de excretas contaminadas, líquidos biológicos, resíduos de me- dicamentos, solventes, corantes, dentre outros (BOILLOT et al., 2008) O tratamento dos efluentes dos serviços de saúde estão sujeitos a exigências especiais previstas por legislação. Lixiviado (Chorume) Em geral em sua composição encontram-se matéria orgânica dissolvida e solubilizada, produtos intermediários da digestão anaeróbia de microrganismos, substâncias químicas per- sistentes oriundas dos agrotóxicos ou demais xenobióticos (BASSANI, 2010). A concentração dos metais nos lixiviados está relacionada a composição dos materiais destinados aos aterros ou aos lixões. Indústria têxtil Grandes consumidores de água e de corantes sintéticos, gera- dores de efluentes volumosos e complexos com elevada carga orgânica, aliada ao elevado teor de sais inorgânicos (KAMIDA et al., 2005). Fonte: adaptado de Silva (2007); Boillot et al., (2008); Bassani, (2010); Kamida et al., (2005). Quanto ao seu descarte, o artigo 16º desta legislação preconiza que os efluen- tes de qualquer fonte poluidora poderão ser lançados em corpos hídricos, desde que atendam os parâmetros na Tabela 7: TRATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUÁRIAS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 87 Tabela 7 - Parâmetros físico-químicos e valores máximo permitido de efluentes em corpos hídricos, segundo a resolução Conama Parâmetro Valor máximo permitido (VMP) PH ENTRE 5 E 9. Tempera- tura Inferior a 40ºC. Sólidos Se- dimentáveis Até 1 mL/L (Teste em cone Inmhoff), caso a disposição ocorra em lagos/lagoa os sólidos sedimentáveis deverão ser ausentes. Regime de lançamento Vazão máxima de até 1,5 da vazão média do agente poluidor, podendo ser superior em casos permitidos por autoridades competentes. Óleos e Graxas Óleos Minerais até 20mg/L e Óleos Vegetais e Gordura Animal até 50mg/L. Materiais Flutuantes Ausentes DBO5 Remoção mínima de 60% podendo ser alterado somente me- diante a estudo de autodepuração. Fonte: Resolução Conama 430/2011 (BRASIL, 2011). Reparem que estes padrões são muito próximos aos padrões estabelecidos pela mesma resolução para o despejo de efluentes sanitários em corpos receptores. Entretanto, cabe destacar que, tanto para os efluentes industriais como para os domésticos, a legislação estadual ou municipal podem apresentar variações em relação aos valores impostos pelo Conama, devendo ser atendida sempre aquela legislação que se apresentar mais restritiva. Ainda sobre a resolução 430/2011 do Conama, em um segundo momento, ainda no artigo 16, são apresentados os padrões de lançamento de efluentes em relação aos parâmetros inorgânicos e orgânicos, expresso na Tabela 8: GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E88 Tabela 8 - Padrões de lançamento de efluentes - parâmetros orgânicos e inorgânicos PARÂMETROS INORGÂNICOS VALOR MÁXIMO PERMITIDO Arsênio total 0,5 mg/L As Bário total 5,0 mg/L Ba Boro total (não se aplica a águas salinas) 5,0 mg/L B Cádmio total 0,2 mg/L Cd Chumbo total 0,5 mg/L Pb Cianeto total 1,0 mg/L CN Cianeto livre 0,2 mg/L CN Cobre dissolvido 1,0 mg/L Cu Cromo hexavalente 0,1 mg/L Cr+6 Cromo trivalente 1,0 mg/L Cr+3 Estanho total 4,0 mg/L Sn Ferro dissolvido 15,0 mg/L Fe Fluoreto total 10,0 mg/L F Manganês dissolvido 1,0 mg/L Mn Mercúrio total 0,01 mg/L Hg Níquel total 2,0 mg/L Ni Nitrogênio amoniacal total 20,0 mg/L N Prata total 0,1 mg/L Ag Selênio total 0,30 mg/L Se Sulfeto 1,0 mg/L S Zinco total 5,0 mg/L Zn Parâmetros orgânicos Valor máximo permitido Benzeno 1,2 mg/L Clorofórmio 1,0 mg/L Dicloroeteno (somatório de 1,1 + 1,2cis + 1,2 trans) 1,0 mg/L Estireno 0,07 mg/L Etilbenzeno 0,84 mg/L OS DIFERENTES TRATAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 89 Fenóis totais (substâncias que reagem com 4-ami- noantipirina) 0,5 mg/L C6H5OH Tetracloreto de carbono 1,0 mg/L Tricloroeteno 1,0 mg/L Tolueno 1,2 mg/L Xileno 1,6 mg/L Fonte: Resolução Conama 430/2011 (BRASIL, 2011). OS DIFERENTES TRATAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES Você se recorda que, anteriormente, foi dito que os tratamentos de água e de efluentes possuem algumas características em comum? Pois bem, neste tópico des- tinado ao tratamento de efluentes, iremos, novamente, comentar sobre algumas destas técnicas, porém com um enfoque especial aos efluentes e suas peculiarida-des. O tratamento de efluentes destina-se à aplicação de técnicas e procedimentos necessários para adequar as águas residuárias a legislação pertinente. A eficiên- cia do tratamento está associada ao nível/complexidade de tratamentos aos quais os efluentes estão submetidos. As etapas do tratamento de efluentes podem ser classificada em: ■ Tratamento Preliminar ou Pré-tratamento. ■ Tratamento Primário. ■ Tratamento Secundário. ■ Tratamento Terciário. Sendo cada uma destas etapas caracterizadas por uma série de processos, espe- cificados a seguir. Porém, inicialmente, vamos apresentar uma planta modelo de uma estação de tratamento de efluentes. Lembrando que a estação de trata- mento de uma indústria pode variar quando a proporção não ficar localizada GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E90 no mesmo espaço físico que a indústria, podendo ocorrer o armazenamento e transporte para posterior tratamento ou ainda a terceirização deste serviço para empresas especializadas. Figura 01 - estação de tratamento industrial Neste modelo de planta de estação de tratamento industrial ocorrem basica- mente os mesmo processos descritos na estação de tratamento de água, porém com algumas variações. Notem que neste modelo ainda ocorre a captação dos gases gerados nos digestores e sua conversão em energia elétrica, infelizmente tal modelo ideal não se aplica com tanta frequência em nosso país, visto que a geração de efluentes de alta carga poluidora ocorre, em geral, em instalações improvisadas de pequeno a médio porte, muitas delas conduzidas por recicla- dores informais, sem licenciamento para seu funcionamento e sem qualquer compromisso com a legislação ambiental (BORDONALLI; MENDES, 2009). O que se observa, normalmente, são pequenas estações de tratamento com- postas por um sistema de gradeamento prévio ao espaço ou tanque destinado à equalização e correção de pH, seguido de um tanque de coagulação/floculação/ OS DIFERENTES TRATAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 91 sedimentação e uma única lagoa de estabilização biológica, onde ocorrerá a degra- dação biológica da carga poluidora. A realidade ambiental das indústrias, muitas vezes, é bem diferente do que a imagem transmitida pela mesma, fiquem aten- tos! Neste sentido, vamos dar sequência a descrição das etapas do tratamento de efluentes. TRATAMENTO PRELIMINAR OU PRÉ-TRATAMENTO O tratamento preliminar tem por objetivo a remoção de sólidos e materiais que são descartados nas vias fluviais como, por exemplo, plástico, madeiras, ou qual- quer outro tipo de resíduos sólido estranho a composição do efluente industrial. O princípio do aplicado na remoção destes materiais é física e pode ser realizado via gradeamento e/ou peneiramento. Ambas metodologias consistem em barrei- ras físicas com grandes ou peneiras com espessuras variadas que retém materiais inapropriados e que devem ser retirados manualmente. Nesta etapa do tratamento ainda ocorre a separação de materiais flutuan- tes como espumas com densidade menor que a da água nas chamadas caixas de gordura e também a equalização que visa minimizar o fluxo impossibilitando o aporte excessivo no sistema de tratamento e por fim, a correção do pH ou neu- tralização pela adição de ácido ou base ao volume armazenado objetivando potencializar as etapas sequenciais. TRATAMENTO PRIMÁRIO Após o tratamento preliminar o efluente ainda apresenta grande parte de sóli- dos em suspensão e elevada carga de matéria orgânica que podem ser separados do efluente pelo processo de separação de sólido-líquido baseado na diferença de densidade das substâncias presentes na água que sofrem influência da força gravitacional, denominada sedimentação/decantação. Essa etapa ocorre em decantadores ou sedimentadores (clarificadores) que são reservatórios circula- res ou retangulares. GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E92 O processo mais comum e mais utilizado é o de coagulação/floculação/ sedimentação especialmente pelos países em desenvolvimento, nesta etapa do tratamento primário reagentes químicos coagulantes são adicionados e possi- bilitam a formação de flocos de carga positiva e com alto peso molecular. Desta forma, os flocos formados ficam sujeitos à ação gravitacional durante a sedi- mentação. Este processo é comumente aplicado no tratamento de água e os coagulantes mais utilizados são os sais férricos e o policloreto de alumínio. Outro tratamento primário que pode ser utilização é a flotação, que consiste na injeção de ar comprimido na parte inferior do tanque o que faz com que as impurezas sejam impulsionadas para a parte superior do tanque após a coagulação, pos- sibilitando a retirada mecânica das mesmas por pás ou sistema automatizado. TRATAMENTO SECUNDÁRIO O tratamento secundário possui como essência a atividade biológica, visando a remoção de matéria orgânica. Nesta etapa em reservatórios destinados exclusi- vamente a esse tratamento, microrganismos como bactérias e fungos consomem/ degradam a matéria orgânica, gerando subprodutos não tóxicos, água e gás car- bônico. Entretanto, para o sucesso deste tratamento, alguns fatores devem ser controlados para otimizar a ação dos microrganismos, como temperatura, pH e presença ou ausência de oxigênio. Os tratamentos mais comuns são: lagoas de estabilização, reatores anaeróbios, formação de biofilmes e lodo ativado. Para este processo, dependendo da aplicação, tratamentos preliminares são dispensados, pois os sólidos são necessários para o acúmulo e a manutenção do sistema biológico. Tratamentos secundários são constituídos por uma gama de metodologias que apresentam vantagens específicas relacionadas aplicações e aos resultados desejados e para auxiliar na comparação dos diversos tratamentos OS DIFERENTES TRATAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 93 secundários existentes, a Tabela 9 expressa algumas informações sobre os mesmos: Tabela 9 - Vantagens e desvantagens associados aos tratamentos secundários TRATAMENTO VANTAGENS DESVANTAGENS Lagoas Fa- cultativas e Anaeróbias-Fa- cultativas Remoção da demanda bioquímica de oxigênio. Fácil construção e Manutenção. Necessita de grandes extensões territoriais. Dificuldade em atender os padrões de lança- mento. Proliferação de insetos. Sujeito a interferência climática. Lagoa Aerada Facultativa Fácil construção, operação e manu- tenção. Não requer tanta extensão de terri- tório. Eficiente da remoção da demanda bioquímica de oxigênio. Elevado consumo ener- gético. Necessidade de equi- pamento e maquinário. Baixa remoção de coli- formes. Manutenção para remoção de lodo peri- ódica. Tanque Sép- tico Resistência à variação de carga. Não requer extensão territorial elevada. Eficiente remoção da demanda bio- química de oxigênio. Baixa eficiência aos nutrientes relacionados à eutrofização. Gera odores fortes e desagradáveis. Necessita de pós trata- mento. Reator UASB Baixos requisitos de área e energia. Eficiente para a remoção da deman- da bioquímica de oxigênio. Possibilita reuso do Biogás. Necessita de pós trata- mento. Baixa eficiência aos nutrientes relacionados à eutrofização. GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTESReprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E94 Lodos Ativa- dos Baixos requisitos de área. Eficiente para remoção de fósforo, nitrogênio e demanda bioquímica de oxigênio. Elevados consumos de energia para operação. Problemática com ruídos. Pouca eficiência para remoção de coliformes. Fonte: adaptado de Andreoli et al. (2001). Em todos os tipos de tratamento secundário citados é necessário fazer a gestão adequada do lodo gerado, sendo que o lodo resultante da atividade biológica eventualmente e conforme a necessidade, deverá ser retirado da lagoa em que estiver sendo aplicado, preferencialmente quando sua atividade biológica for reduzida devido a intensa utilização. Antes de seu descarte, todo esse lodo resi- dual deverá ser tratado antes de receber uma destinação final adequada. TRATAMENTO TERCIÁRIO A última etapa do tratamento de efluentes consiste na última tentativa de ade- quar os parâmetros que ainda não se enquadraram nos valores estabelecidos pela legislação. Dentre as opções anteriores, o tratamento terciário se torna o mais variável de acordo com a necessidade, logo, podemos relacionar esta etapa com a composição inicial do efluente e suas necessidades específicas. Alguns exemplos deste tratamento são a desinfecção, adsorção em carvão ativado, processos oxidativos avançados, dentre outros processos que visam a remoção de poluentes específicos como o nitrogênio e o fósforo que aceleram o processo eutrofização em corpos hídricos. A desinfecção é realizada pela ação de agentes saneantes ou energia na forma de radiação ultravioleta com o intuito de eliminar microrganismos característicos do tratamento de esgotos e estra- nhos ao meio ambiente. Estes microrganismos, normalmente, estão atrelados a doenças de veiculação hídrica e serão abordadas em um encontro específico. A adsorção consiste em um processo físico ou químico que induz aglome- ração das substâncias de interesse em uma superfície, como exemplo é possível citar o carvão ativado que apresenta sua superfície modificada para atrair subs- tâncias específicas. A adsorção pode ser realizada utilizando resíduos da produção OS DIFERENTES TRATAMENTOS E SUAS APLICAÇÕES Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 95 que sirvam como suporte ou superfície para a adesão de moléculas elaboradas/ específicas, como pesticidas, corantes, hormônios, dentre outras. Já os processos oxidativos avançados (POA) consistem em processos que visam a eliminação de substâncias mediante a quantidade de radicais hidroxilos (OH) disponíveis para oxidação da substância de interesse. Alguns exemplos de POA são a fotocatálise, ozonização e fotólise. Para acelerar esses processos, uti- lizam-se radicais oxidantes e pouco seletivos que podem ser obtidos por meio de diferentes combinações entre a radiação ultravioleta, peróxido de oxigênio, ozônio e fotocatalisadores. Fotocatálise lente TiO2 Poluente orgânico Poluente orgânico CO2 CO2 H20 H20 Figura 02 - membranas utilizadas no tratamento de água Outro tratamento terciário relevante é o tratamento por meio de membranas filtrantes que são capazes de realizar a separação de partículas sólidas da água, por meio de pequenas membranas porosas ou semipermeáveis, planas ou tubu- lares. As membranas são capazes de remover moléculas e compostos iônicos dissolvidos, atuando como barreira seletiva, retendo determinadas substâncias. GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E96 A filtração por meio de membranas, atualmente, tem sido objeto de grande aten- ção nos processos de tratamento de água potável. Dentre os motivos para tal atenção, destacam-se as legislações cada vez mais rígidas e a pressão social para melhoria do padrão de saúde. Dentre os diferentes tipos de membranas utilizadas no tratamento de água, destacam-se as membranas de microfiltração, ultrafiltração, nanofiltração e a de osmose reversa. Tais membranas podem ser diferenciadas pelo diâmetro dos poros e resistência a pressão que promove a separação dos contaminantes. As membranas de osmose reversa são mais seletivas e as de microfiltração são as menos seletivas. A deposição de material em suspensão sobre a superfície da membrana oca- siona a formação da torta, podendo ocorrer a acúmulo da solução na região, contribuindo com a resistência devido a formação de um gel. Uma problemática relacionada ao uso de membranas no tratamento de efluentes está relacionada ao acúmulo de substâncias na superfície da membrana ocasionando o fouling ou entupimento da membrana. Para solucionar tal problema, limpezas devem ser incorporadas ao sistema de operação como forma de prevenir o fouling (LAUTENSCHLAGER et al., 2009). Para László et al. (2009), a filtração por membranas é um método eficiente para redução de DQO, entretanto, amostras com elevado teor de matéria orgânica ocasionam o fouling da membrana e reduzem drasticamente o fluxo de perme- ado. Tal fato dificulta a utilização de membranas em escala industrial. Porém países desenvolvidos já vêm aplicando com sucesso o tratamento com membranas em amostras com menor teor de sólidos e menor carga orgâ- nica, as membranas filtrantes ainda são encontradas nas indústrias alimentícias como ferramenta para recuperação de insumos proteicos, demonstrando que essa tecnologia emergente apresenta tendências de adaptabilidade e, em um futuro próximo, poderão ser empregadas com sucesso no tratamento efluentes (MATEUS et al., 2017a; MATEUS et al., 2017b). Vale ressaltar que, dependendo do objetivo a ser alcançado, para o efluente a ser tratado, nem todas essas etapas precisam ser realizadas, por exemplo, caso você busque apenas alcançar os padrões especificados para o descarte de efluentes, normalmente a associação de tratamentos preliminares, primário e secundário CONSIDERAÇÕES FINAIS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 97 proporcionarão os resultados esperados, agora, caso você almeje a reutilização de água dentro da indústria, alguns cuidados devem ser tomados. A reutilização de água dentro da indústria tem recebido grande atenção nos últimos anos e se tornado foco de inúmeras pesquisas, entretanto, a maior realização que se faz de água dentro das indústrias após o tratamento são reuti- lização secundárias, destinados a processos que não requerem elevada qualidade e que não prejudique a qualidade final do produto como a irrigação, higiene de áreas de lazer, pátios e caminhões. Para que seja possível uma reutilização pri- mária de água pela indústria, ou seja, como parte ou insumo no processo, a água deve atender elevados padrões de qualidade, incluindo do ponto de vista micro- biológico, sendo os processos terciários de nanofiltração ou osmose reversa recomendados para tal ação. Chegamos ao fim de nossa segunda unidade, cujo objetivo foi apresentar a você algumas informações sobre o tratamento de água e efluentes em especial da indústria. Espero ter contribuído, mesmo que minimamente, para sua jornada acadêmica, desejo boa sorte em seus estudos e muito sucesso! Um grande abraço. CONSIDERAÇÕES FINAIS Observamos, nesta unidade, informações sobre a qualidade, o abastecimento e o tratamento de água, que nos possibilitaram uma visão mais ampla do processo que envolve todo seu trajeto até a sua disponibilização. O tratamento de água é composto por uma série de processosque muito vão se assimilar ao tratamento de efluentes, porém, é claro, devemos considerar que a complexidade dos trata- mentos destinados aos efluentes é maior. Contudo, compreender o quão é trabalhoso é disponibilizar este recurso nos faz refletir sobre a sua utilização e buscar por meios alternativos de evitar seu uso excessivo em um contexto social e, sobretudo, industrial. Logo, discutir o GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E98 uso consciente deste recurso no meio acadêmico nunca será em vão! Observamos também inúmeras informações sobre os efluentes industriais e sanitários, desde limites para a disposição em corpo hídrico até a sua legisla- ção específica e podemos compreender que ambos os efluentes são um reflexo expresso de sua utilização, assim aprendemos que um efluente nunca apresentará composição diferente daquela que está relacionada ao seu processo produtivo ou de beneficiamento. Podemos, por fim, conhecer os diferentes tipos de tratamento utilizados, sendo eles o tratamento preliminar, primário, secundário e terciário, este que se faz tão relevante para indústria, especialmente por ser a última etapa para adequar os efluentes aos padrões desejados e esperados para seu despejo, possi- bilitando ainda condições de reutilização do efluente tratado dentro da própria indústria. Sendo assim, conhecer todos os processos da indústria nunca foi tão importante, pois, desta forma, é possível conhecer a composição do efluente final e buscar dentre as alternativas de tratamento disponível/existentes aquela que melhor se adequa a realidade financeira e operacional da indústria. 99 Ao longo deste material foram apresentadas inúmeras informações acerca do tratamen- to de efluentes líquidos, como parâmetros quantitativos e qualitativos que devem ser atendidos pelos diferentes tratamentos que visam a adequação destes efluentes as nor- mas e padrões ambientais legislados. Entretanto, não discutimos acerca das metodolo- gias envolvidas na análise destes parâmetros, logo, esta seção destina-se a apresentar metodologias voltadas a análise de parâmetros físico-químicos dos efluentes líquidos que nos indicaram se os tratamentos aplicados estão sendo eficientes ou não. A eficiên- cia na remoção de um parâmetro pode ser calculada em função de uma forma básica que considera a diferença do valor residual de um parâmetro antes do tratamento, com o valor obtido após o tratamento, esse princípio se aplica a todos os parâmetros pre- vistos na legislação, o que nos direciona a conclusão de que é necessário mensurar a eficiência dos tratamentos de forma individual para cada parâmetro a fim de investigar se a legislação foi atendida, o que possibilita ou não o descarte do efluente tratado no corpo hídrico. Visando proporcionar conhecimentos básicos acerca das metodologias empregadas na quantificação dos parâmetros previsto na legislação, esta seção apresentará metodo- logias e princípios sobre as técnicas específicas validadas internacionalmente, emba- sadas nos princípios previsto pela bibliografia Standard Methods for the examination of water and wastewater publicada pela American Public Health Association em 2005. Esta publicação é considerada indispensável aos profissionais que atuam em saneamento ambiental, e versa sobre métodos precisos de quantificação analítica dos inúmeros pa- râmetros de qualidade para águas e efluentes. Na sequência algumas metodologias relevantes, lembrando que a legislação estadual e nacional específicas sempre deverão ser consultada para a análise de parâmetros de qualidade sempre deverão ser atendidos pelo tratamento proposto. Classificação da Matéria Sólida: Pode ocorrer em função da sedimentabilidade, ou seca- gem da matéria em temperaturas médias ou altas. 1. Em função da sedimentabilidade: Sólidos Sedimentáveis. Método: Volumétrico. Princípio: o teor de sólidos sedimentáveis de um despejo é o volume de sólidos que se deposita no fundo de um cone Imhoff após um tempo determinado de repouso do líquido. 2. Em função da secagem em temp. média (103 a 105°C): Sólidos Totais, Sólidos Suspensão Totais, Sólidos Dissolvidos Totais. Método: Gravimétrico. Princípio: O teste de sólidos totais é realizado para interpretar quantitativamente a pre- sença total de matéria que não seja água, em um despejo, seja na forma de substâncias dissolvidas, em forma coloidal ou em suspensão. 100 3. Em função da secagem a alta temp. (550 a 600°C): Sólidos voláteis (matéria orgânica); Sólidos fixos (matéria inorgânica). Método: Gravimétrico. Princípio: O resultado obtido na determinação dos sólidos totais é submetido à incinera- ção a 550-560ºC. A fração orgânica irá oxidar a essa temperatura e será eliminada como gás, e a fração inorgânica permanecerá como cinzas. Temperatura: Medida da intensidade de calor. A temperatura da água afeta algumas características físicas e químicas da água. Exem- plo: solubilidade dos gases (OD) e densidade. A temperatura também afeta o comporta- mento dos microrganismos, alterando a velocidade com que os microrganismos degra- dam a matéria orgânica. Odor: Sua determinação ocorre de forma simples e direta, ou seja quando presente o odor é objetável, quando ausente odor é não objetável. Os odores característicos dos esgotos são causados pelos gases formados no proces- so de decomposição da matéria orgânica e outras substâncias adicionadas ao esgoto. Além dos odores produzidos pela decomposição da matéria orgânica nos despejos in- dustriais. Cor: Resulta da existência, na água, de substâncias em solução. Pode ser dividida em real e aparente. A análise deste parâmetro normalmente é realizada em um equipamento específico denominado colorímetro ou em espectrofotômetro. Cor Aparente: é a cor presente em uma amostra de água, devido a presença de substân- cias dissolvidas e substâncias em suspensão. Cor Verdadeira ou Real: é a cor presente em uma amostra de água, devido a presença de substâncias dissolvidas. Turbidez: Relacionada a presença de matéria em suspensão na água, como argila, silte, substâncias orgânicas finamente divididas, organismos microscópicos e outras partícu- las. A turbidez representa o grau de interferência com a passagem da luz através da água, conferindo uma aparência turva à mesma. Sua análise deve ser realizada em equipa- mento específico denominado turbidímetro. DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio): Retrata a quantidade de oxigênio requerida pelos microrganismos para estabilizar a matéria orgânica. A estabilização é um processo de simplificação da matéria orgânica através de microrganismos em substâncias mais simples, tais como: amônia (NH3), gás carbônico (CO2), água (H2O) e sais minerais. 101 DQO (Demanda Química de Oxigênio): Teste tem duração de 5 dias à temperatura de 20ºC; considera a fração biodegradável através da taxa de desoxigenação. Princípio: O método consiste em determinar a diferença entre o oxigênio da amostra no dia e após um período de incubação de 5 dias a 20°C, diferença esta que corresponde ao oxigênio gasto pelos microrganismos, para a mineralização da matéria orgânica. Fonte: APHA (2005). 102 1. Os eventos e peculiaridades acerca do processo de tratamento de água são diversos e apresentam-se necessários, pois, visam a garantia da qualidade da água enquanto produto final de um processo de tratamento. A Portaria 2914 de 2011 elaborada pelo Ministério da Saúde dispõe sobre os parâmetros de qualidade de água necessários para consumo humano, denominado de parâ- metros de potabilidade. Em relação a estes parâmetros apresentados, associe as duas colunas, relacionando os parâmetros com a sua correta definição/fina- lidade. (1) Cloro (2) Turbidez (3) pH (4) Coraparente ( ) Parâmetro relacionado a quantidade de partículas em suspensão (material insolúvel) presentes na água e que impedem a passagem de luz. ( ) Indica a natureza ácida ou básica da água. ( ) Parâmetro utilizado na eliminação de microrganismos que possam estar pre- sentes nas águas e que possam provocar doenças relacionadas a vias hídrica. ( ) Indica a presença de substâncias dissolvidas ou finamente divididas que con- ferem coloração específica à água. Assinale a sequência correta: a. 2, 3, 1 e 4. b. 1, 2, 3 e 4. c. 2, 4, 1 e 3. d. 2, 3, 4 e 1. e. 3, 1, 4 e 3. 2. Os processos oxidativos avançados têm obtido grande atenção em função do aumento da complexidade e dificuldade no tratamento de águas residuárias. Tal fato resultou na intensificação da busca por novas metodologias visando a remediação desses rejeitos. Em relação aos processos oxidativos avançados, assinale a alternativa correta: a. Os processos oxidativos avançados são componentes do tratamento primário. b. Possuem como principal objetivo a eliminação de sólidos dissolvidos e em sus- pensão. 103 c. São exemplos de processos oxidativos avançados o gradeamento e a coagu- lação. d. Processos oxidativos avançados são componentes do tratamento preliminar. e. Visam eliminação de substâncias mediante a quantidade de radicais hidroxilos (OH) disponíveis para oxidação. 3. As técnicas de tratamento terciário são responsáveis pela remoção de substân- cias específicas como hormônios ou fármacos que não puderam ser removidas nas etapas anteriores de tratamento. Dentre as técnicas destinadas ao trata- mento terciário figuram a adsorção, os processos oxidativos avançados e a fil- tração por membranas. Dentre os processos citados, a filtração em membranas se destaca como uma técnica emergente que garante excelentes resultados para a recuperação de insumo, tratamento de água e efluentes. Em face do exposto, discorra sobre o processo de filtração em membranas, abordando suas características e especificidades. 4. O tratamento secundário possui como essência a atividade biológica, visando a remoção de matéria orgânica. Nesta etapa em reservatórios destinados ex- clusivamente a esse tratamento, microrganismos como bactérias e fungos con- somem/degradam a matéria orgânica, gerando subprodutos não tóxicos, água e gás carbônico. Entretanto, para o sucesso deste tratamento, alguns fatores devem ser controlados para otimizar a ação dos microrganismos, como tempe- ratura, pH e presença ou ausência de oxigênio. Entretanto, todo tratamento se- cundário resultará em um lodo residual da atividade microbiológica que deve receber uma atenção especial. Considerando o exposto, discorra brevemente sobre as medidas que devem ser tomadas em relação a esse novo resíduo. 5. A necessidade de criação de legislações ambientais específicas foi embasada pela reforma sanitária de nosso país, por normas internacionais e pela grande pressão social. Em relação à legislação específica existente para o despejo de efluentes em corpos hídricos receptores, classifique as assertivas em verda- deiras (V) ou falsas (F): ( ) A legislação que discorre sobre parâmetros para o lançamento de efluentes em corpos hídricos é a Resolução 430/2011 do CONAMA. ( ) A legislação que discorre sobre parâmetros para o lançamento de efluentes em corpos hídricos é a Portaria 2914 do Ministério da Saúde. 104 ( ) Em relação ao regime de lançamento de efluentes, a vazão máxima é de até 1,5 da vazão média do agente poluidor, podendo ser superior em casos permitidos por autoridades competentes. ( ) Em relação ao parâmetro DBO, para que seja possível o lançamento do efluente em corpo hídrico deverá ocorrer uma remoção mínima de 60% deste parâmetro em relação ao seu valor inicial podendo ser alterado somente mediante a estudo de autodepuração. ( ) A legislação que discorre sobre parâmetros para o lançamento de efluentes em corpos hídricos não prevê nenhuma restrição em relação ao parâmetro tem- peratura. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Manual de tratamento de efluentes industriais José Eduardo W. Cavalcanti Editora: Oficina de Textos Sinopse: a finalidade deste Manual é proporcionar aos profissionais interessados em conhecer as nuances que envolvem o tratamento de efluentes industriais um rol de informações acerca das potencialidades e limitações dos vários processos e operações unitárias utilizados na depuração de diferentes tipos de águas residuais industriais, ao mesmo tempo orientar na elaboração de estudos e projetos visando a aquisição, implantação, reabilitação e operação de sistemas de tratamento. O Manual, prioritariamente dirigido à indústria, é constituído por 18 capítulos abordando temas especialmente selecionados em função das necessidades dos usuários industriais na condução do processo de controle de poluição no que tange particularmente a tratamento de efluentes e reuso de água. Ilha das Flores 1989 Este filme retrata a sociedade atual, tendo como enfoque seus problemas de ordem sociais, econômicas e culturais, na medida em que contrasta a força do apelo consumista, os desvios culturais retratados no desperdício, e o preço da liberdade do homem, enquanto um ser individual e responsável pela própria sobrevivência. Através da demonstração do consumo e desperdício diários de materiais (lixo), o autor aborda toda a questão da evolução social de indivíduo, em todos os sentidos. Torna evidente ainda todos os excessos decorrentes do poder exercido pelo dinheiro, numa sociedade onde a relação opressão e oprimido é alimentada pela falsa ideia de liberdade de uns, em contraposição à sobrevivência monitorada de outros. REFERÊNCIAS ANDREOLI, C. V.; VON SPERLING, M.; FERNANDES, F. Lodo de Esgotos: tratamento e disposição final. Belo Horizonte: Departamento de Engenharia Sanitária e Ambien- tal, UFMG, 2001. APHA. Standard Methods for the Examination for Water and Wastewater, twen- tieth ed. Washington, DC: American Public Health Association, 2005. BARROS, R. T. V. et al. Saneamento. Belo Horizonte: Escola de Engenharia da Univer- sidade Federal de Minas Gerais, 1995, 221p. BASSANI, F. Monitoramento do lixiviado do aterro controlado de Maringá, Para- ná, e avaliação da tratabilidade com coagulantes naturais, radiação ultraviole- ta (UV) e ozônio. 2010. 127p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Urbana) - UEM, Maringá, 2010. 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Para solucionar tal problema, limpezas devem ser incorporadas ao sistema de operação como forma de prevenir o fouling. A filtração por membranas é um método eficiente para redução de DQO, entretanto, amostras com elevado teor de matéria orgâ- nica ocasionam o fouling da membrana e reduzem drasticamente o fluxo de permeado. Tal fato dificulta a utilização de membranas em escala industrial. 4. Em todos os tipos de tratamento secundário citados é necessário fazer a gestão adequada do lodo gerado, sendo que o lodo resultante da atividade biológica eventualmente e conforme a necessidade, deverá ser retirado da lagoa em que estiver sendo aplicado, preferencialmente quando sua atividade biológica for reduzida devido a intensa utilização. Antes de seu descarte, todo esse lodo resi- dual deverá ser tratado antes de receber uma destinação final adequada. 5. V, F, V, V e F. U N ID A D E III Professor Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus Professora Me. Renata Cristina de Souza Chatalov A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar conceitos iniciais voltados à temática resíduos sólidos e relacionar sua geração com mudanças culturais, tecnológicas e comportamentais da sociedade. ■ Conceituar e diferenciar aterro sanitário e aterro de resíduos perigosos/inertes. ■ Conceituar e classificar os resíduos perigosos. ■ Conceituar resíduos radioativos e apresentar as diferentes formas de manejo e disposição destes resíduos. ■ Apresentar as diferentes técnicas utilizadas no tratamento dos resíduos sólidos. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Geração, Coleta e Transporte de Resíduos Sólidos. ■ Processamento e Disposição Final de Resíduos. ■ Gestão de Resíduos Perigosos. ■ Gestão de Resíduos Radioativos. ■ Técnicas de Tratamento de Resíduos Sólidos. INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), nesta unidade, abordaremos a questão dos resíduos sólidos gerados por quase todas as atividades humanas e compreendidos por uma grande diversidade de materiais, em que estão incluídos: orgânicos, papéis, plásticos, garrafas, lâmpadas, bagaço de cana, entulho de construção civil, pneus, pilhas, baterias, medicamentos vencidos, entre outros. Se não bastasse a grande variedade na composição dos resíduos sólidos, sua quantidade e qualidade mudaram no decorrer dos anos, acompanhando as mudanças culturais, tecnológicas e comportamentais da sociedade, pois quanto mais a população e a economia crescem, mais quantidades de resíduos são geradas. Veremos também a definição de resíduos sólidos, de acordo com a NBR ABNT 10.004/2004, a classificação dos resíduos sólidos bem como a sua tipolo- gia. Essa norma classifica os resíduos sólidos em I - perigosos, II A - não inertes e II B - como inertes, e é importante para se pensar na gestão de resíduos den- tro de uma organização. Além disso, estudaremos aspectos importantes do gerenciamento de resíduos sólidos: a geração, a coleta, o acondicionamento, a coleta externa, o transporte, o tratamento e disposição final adequada de resíduos sólidos. No que diz respeito ao tratamento de resíduos sólidos, abordaremos algumas técnicas de tratamento, tais como: compostagem, vermicompostagem, incineração, além do aproveita- mento energético de resíduos sólidos. E finalizaremos nossos estudos fazendo uma abordagem sobre o lixão, que é a formainadequada de disposição final de resíduos, além de definir e diferen- ciar aterro controlado e aterro sanitário. Veremos, também, as particularidades de aterros industriais. Dessa maneira, esperamos que compreendam todos os aspectos referentes à gestão de resíduos sólidos. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 113 A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E114 GERAÇÃO, COLETA E TRANSPORTE DE RESÍDUOS A palavra lixo é derivada do latim lix, que significa cinza. No dicionário, ela é definida como sujeira, imundície, coisa ou coisas inúteis, velhas, sem valor. De acordo com Rocha, Rosa e Cardoso (2009), lixo é considerado como sendo restos das atividades humanas consideradas pelos geradores como inúteis, des- cartáveis ou indesejáveis. Enquanto para Philippi Jr. e Aguiar (2005), os resíduos constituem os subpro- dutos da atividade humana com características específicas, definidas, geralmente, pelo processo que os gerou. Já os rejeitos são todos os resíduos que não têm apro- veitamento econômico por nenhum processo tecnológico disponível e acessível. A Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT), por meio da Norma Regulamentadora NBR 10.004/2004, define resíduos sólidos como sendo: aqueles que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e varrição. Ficam incluí- dos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos GERAÇÃO, COLETA E TRANSPORTE DE RESÍDUOS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 115 d’água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviá- veis em face à melhor tecnologia disponível (p. 01). GERAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS Os resíduos sólidos (Figura 1) são gerados por quase todas as atividades huma- nas, compreendem uma grande diversidade de materiais, nos quais se incluem restos de alimentos, computadores, garrafas, plástico, papelão, bagaço de cana, lâmpadas queimadas, palha de milho, baterias, pilhas, lodos de estação de trata- mento de esgoto (ETE), pneus, peças anatômicas, remédios vencidos, materiais radioativos, sucata de metal, produtos químicos perigosos, trapos velhos e outros. Figura 1 - Resíduos Sólidos A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E116 Outros fatores que influenciam a geração dos resíduos sólidos no meio urbano são: ■ Variações sazonais; ■ Condições climáticas; ■ Nível educacional; ■ Poder aquisitivo; ■ Área relativa de produção; ■ Sistematização na origem; ■ Número de habitantes do local; ■ Segregação na origem; ■ Leis e regulamentações específicas; ■ Tipo de equipamentos de coleta; ■ Hábitos e costumes da população. CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS As classificações mais utilizadas dos resíduos sólidos são quanto aos riscos poten- ciais de contaminação do meio ambiente e quanto à natureza ou origem. Classificação quanto aos riscos potenciais de contaminação do meio ambiente A ABNT NBR 10.004/2004 estabelece que a classificação dos resíduos pode ser feita com base nos critérios de periculosidade. Podemos observar essa classifi- cação na Figura 2: GERAÇÃO, COLETA E TRANSPORTE DE RESÍDUOS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 117 Figura 2 - Classificação dos Resíduos Sólidos de acordo com a NBR 10.004/2004 Fonte: adaptado de NBR 10.004/2004. Os Resíduos Classe I – Perigosos: são provenientes, principalmente, de proces- sos produtivos, em unidades industriais e fontes específicas. No entanto podem estar presentes também em domicílios e comércios (BRASIL, 2004). São resíduos ou mistura de resíduos que por sua natureza (inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade) e por suas propriedades físicas, quími- cas ou infectocontagiosas podem apresentar riscos à saúde pública, provocando ou acentuando aumento da mortalidade por incidências de doenças e dos ris- cos ao meio ambiente, quando o resíduo for gerenciado de maneira inadequada (DERÍSIO, 2012). Como exemplos de resíduos classe I temos: pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes, componentes eletrônicos de alta tecnologia (chips, fibra ótica, semicondutores, tubos de raios catódicos), embalagens de agrotóxicos, resíduos de tintas e solventes (BRASIL, 2006). A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E118 Os Resíduos Classe II - A (Não Inertes): podem ter como propriedades a biodegradabilidade, a combustibilidade ou a solubilidade em água (BRASIL, 2004). Como exemplos destes resíduos temos: resíduos orgânicos, papéis, plás- ticos, podas de árvores e outros. Os Resíduos da Classe II - B (Inertes): não apresentam nenhum de seus cons- tituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade em água, com exceção dos aspectos cor, turbidez, dureza e sabor. Ocorrendo a impossibilidade do enquadramento dos resíduos, em pelo menos um dos critérios (tóxico, corrosivo, inflamável, reativo e patogênico), a mesma norma estabelece a necessidade de que amostras deles sejam submetidas a ensaios tecnológicos. Classificação quanto à origem ou natureza No que diz respeito em função de sua origem ou natureza, a classificação dos resíduos sólidos pode ser: domiciliar ou doméstico, comercial, público, servi- ços de saúde, agrícola, industrial e de construção civil. Os resíduos domiciliares são provenientes de atividades residenciais, como restos de alimentos, jornais, revistas, garrafas, embalagens, papel higiênico e uma variedade de outros itens; os resíduos comerciais são originados a partir de atividades comerciais e de serviços, por exemplo, papel, plásticos, embalagens e outros; os resíduos públi- cos são oriundos de limpeza pública urbana, logradouros públicos, feiras livres e outros. Como exemplos podemos citar: terra, areia, folhas, galhadas, e tam- bém aqueles descartados de forma inadequada pela população, como entulho, papéis, restos de alimentos e embalagens. Os resíduos de serviços de saúde são aqueles comuns e especiais, produzi- dos em serviços de saúde, tais como hospitais, laboratórios, farmácias, clínicas veterinárias etc. Podemos observar essa classificação de acordo com a RDC ANVISA nº 306/04 e a Resolução do CONAMA 358/05, no Quadro 1 a seguir: GERAÇÃO, COLETA E TRANSPORTE DE RESÍDUOS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 119 Quadro 1 - Classificação dos Resíduos de Serviços de Saúde CLASSE DEFINIÇÃO EXEMPLOS A - Biológicos Resíduos com a possível pre- sença de agentes biológicos que, por suas características de maior virulência ou con- centração, podem apresentar risco de infecção. Culturas e estoques de microorganismos, bolsas contendo sangue, peças anatômicas e outros. B - Químicos Resíduos contendo substân- ciasquímicas que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas carac- terísticas de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade. Resíduos de saneantes, de- sinfectantes, efluentes de processadores de imagem, reagentes para laboratório e outros. C - Radioativos Quaisquer materiais resultan- tes de atividades humanas que contenham radionuclíde- os em quantidades superio- res aos limites de eliminação especificados nas normas da Comissão Nacional de Ener- gia Nuclear - CNEN e para os quais a reutilização é impró- pria ou não prevista. Materiais resultantes de laboratórios de pesquisa e ensino na área de saúde, laboratórios de análises clínicas e serviços de medi- cina nuclear e radioterapia que contenham radionu- clídeos em quantidade superior aos limites de eliminação. D - Comuns Resíduos que não apresen- tem risco biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente, podendo ser equiparados aos resí- duos domiciliares. Papéis, plásticos, resídu- os orgânicos, papelão e outros. E - Perfurocortan- tes Materiais perfurocortantes ou escarificantes. Lâminas de barbear, agu- lhas, escalpes, ampolas de vidro, brocas, limas endo- dônticas e outros. Fonte: adaptado da Resolução 358/05 CONAMA e RDC 306/04. A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E120 O manejo dos resíduos de saúde é entendido como a ação de gerenciar os resíduos em seus aspectos dentro e fora do estabelecimento, desde a geração até a dispo- sição final (DUARTE, 2010). O seu manuseio está regulamentado pela norma NBR 12.809/93 da ABNT e compreende os cuidados que se deve ter para segre- gar os resíduos na fonte e para lidar com os resíduos perigosos. Monteiro et al. (2001) afirma que o procedimento mais importante para manusear os resíduos dos serviços de saúde é a hora de separar na própria origem o lixo infectante dos resíduos comuns, uma vez que o primeiro representa apenas 10 a 15% do total de resíduos, e o lixo comum não necessita de muitos cuidados. Além disso, para manusear os resíduos infectantes, devem ser utilizados os seguintes equipamentos de proteção individual (EPI): avental plástico, luvas, bota ou sapato fechado, óculos, máscara. Os resíduos de serviços de saúde devem ser acondicionados diretamente nos sacos plásticos regulamentados pela norma NBR 9.191/2000 da ABNT, sustentados por suportes metálicos, para que não haja contato direto dos funcionários com os resíduos, e os suportes são opera- dos por pedais. No gerenciamento dos resíduos de saúde, devem estar previstos, além do manejo, a segregação, o tratamento, o acondicionamento, a identificação, coleta e transporte interno, o armazenamento temporário, a coleta externa e a dispo- sição final (DUARTE, 2010). Os resíduos de portos, aeroportos e terminais rodoviários, são gerados em terminais, dentro de navios, aviões e veículos de transporte. Resíduos de aeroportos e portos podem ser decorrentes do consumo dos passageiros e sua periculosidade está no risco de transmissão de doenças que já foram erradicadas no país. A transmissão pode ocorrer também por meio de cargas que podem estar contaminadas, tais como animais, plantas e carnes (MONTEIRO et al., 2001). Os resíduos agrícolas são compostos por embalagens de fertilizantes e defen- sivos agrícolas, rações, resíduos de colheita e outros. Assim, o manuseio deles deve seguir as mesmas rotinas e utilizar os mesmos recipientes empregados para resíduos classe I (Perigosos), no caso de embalagens de agrotóxicos. Os resíduos industriais são aqueles gerados pelas atividades industriais, são muito variados e apresentam características diversificadas, pois estas dependem do tipo de produto manufaturado. Portanto, devem ser estudados caso a caso e GERAÇÃO, COLETA E TRANSPORTE DE RESÍDUOS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 121 é imprescindível o conhecimento prévio do processo industrial para classifica- ção do resíduo. Para isto, é adotada a NBR 10.004/04 da ABNT para se classificarem os resí- duos industriais: Classe I (Perigosos), Classe II - A (Não-Inertes) e Classe II - B (Inertes), que abordamos no início deste tópico. No caso dos resíduos industriais, quando a sua origem é desconhecida, o trabalho para classificá-lo se torna mais complexo. Nesse caso, a experiência e o bom senso do técnico serão fundamentais. Muitas vezes, mesmo para resíduos com origem conhecida, torna-se impossível conseguir uma resposta conclusiva, e para estes casos, será necessário analisar parâmetros indiretos ou realizar bioen- saios. A NBR 10.004/04 apresenta um fluxograma simples com etapas necessárias para classificação de um resíduo, que podemos visualizar na Figura 3. Figura 3 - Fluxograma NBR 10.004/2004 Fonte: adaptado de NBR 10.004/2004 A caracterização de um resíduo inicia-se durante o processo industrial que origi- nou o resíduo. É importante que se obtenha informações suficientes do processo que possam permitir a caracterização correta do resíduo, como por exemplo, revi- sando fluxogramas, balanços de massa, localizando entradas e saídas. Além disso, é importante observar as características físicas do resíduo, volume produzido A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E122 bem como sua composição. Baseado nestas informações pode-se definir se o resíduo é ou não conhecido, e verificar se o mesmo é encontrado no Anexo A ou B da NBR 10.004 (ABNT, 2004). Caso seja encontrado o resíduo em uma destas listagens, ele é automatica- mente classificado como perigoso (classe I). Se não for encontrado, é importante verificar informações sobre esse resíduo, com o intuito de verificar se ele possui ou não características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade. Caso não consiga verificar essas características, é recomendado que se faça coleta de amostras desse resíduo e encaminhe para um laboratório especializado, para que façam testes que permitam verificar essas especificações (SILVA, 2008). Os Resíduos da Construção Civil são compostos por materiais de demo- lições, entulhos, solos de escavações, além disso, podem conter componentes tóxicos como resíduos de tintas, solventes e peças de Amiantos. São classifica- dos de acordo com a Resolução do CONAMA 307/02, que podemos visualizar no Quadro 2: Quadro 2 - Classificação dos Resíduos de Construção Civil CLASSE DEFINIÇÃO EXEMPLOS A Resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agrega- dos. Tijolos, blocos, telhas, placas de revesti- mento, argamassa, concreto B Resíduos recicláveis para outras destinações Plástico, papel, papelão, metais, vidros e madeiras C Resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reci- clagem/recuperação Gesso D Resíduos perigosos oriundos do processo de construção Tintas, solventes, óleos e outros, ou aqueles contaminados oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações indus- triais. Fonte: adaptado de Resolução CONAMA 307 (2002). GERAÇÃO, COLETA E TRANSPORTE DE RESÍDUOS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 123 Sobre a disposição dos resíduos de construção civil, a Resolução CONAMA n° 307/2002, afirma que os mesmos não poderão ser dispostos ematerros de resí- duos domiciliares, em áreas de bota fora, em encostas, corpos d’água, lotes vazios e em áreas protegidas por Lei. Mas infelizmente, em grande parte dos municí- pios, esses resíduos são depositados clandestinamente em margens de rios ou terrenos baldios. A deposição irregular de entulho pode ocasionar proliferação de vetores de doenças, entupimento de galerias e bueiros, assoreamento de córregos e rios, contaminação de águas superficiais e poluição visual. COLETA E TRANSPORTE Para Souto e Povinelli (2013) a coleta é o ponto-chave no gerenciamento de resíduos sólidos. É a etapa em que os resíduos são recolhidos junto ao gerador e encaminhados para a destinação final. A coleta dos resíduos sólidos urbanos feita pelo município ou empresa concessionária recebe o nome de coleta regular. A coleta de outros tipos de resíduos recebe o nome de coleta especial, quando existe uma segregação prévia de acordo com a composição ou na constituição dos resíduos, temos a coleta seletiva. A segregação na fonte permite-nos otimizar os sistemas de tratamento e dis- posição final dos resíduos. Quando se permite que um resíduo perigoso seja misturado a resíduos não perigosos, o resultado é que a massa total de resíduo acaba sendo classificada como perigosa, tratada e disposta como tal. Dessa maneira, nunca devemos misturar resíduos perigosos com resíduos comuns. É muito importante fazer corretamente a classificação dos resíduos sólidos. Fonte: os autores. A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E124 Coleta regular Geralmente, essa coleta é feita de porta em porta, com caminhões compactado- res. Os Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) podem ser acondicionados em sacos plásticos (Figura 4), como é feita aqui no Brasil, ou contêineres. Figura 4 - Sacos plásticos para acondicionamento de resíduos Coleta especial Existem vários tipos de resíduos que não devem ser misturados aos RSU, como: Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) e Resíduos da Construção Civil (RCC). Para alguns resíduos, como é o caso dos RCC, pode ser aplicada a logística reversa, que consiste no processo de retornar um material do consumidor ao fabri- cante. De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a Lei nº 12.305/2010, a logística reversa é: o conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para re- aproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada (BRASIL, 2010, on-line). Outros exemplos de materiais que estão sujeitos à logística reversa são os agro- tóxicos, pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes e outros. GERAÇÃO, COLETA E TRANSPORTE DE RESÍDUOS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 125 Coleta seletiva A coleta seletiva é muito importante para o sucesso de iniciativas, como a reci- clagem, pois tende a aumentar a quantidade de matéria-prima disponível. Em um programa de coleta seletiva, o acondicionamento dos resíduos recicláveis pode ser feito de forma diferenciada. A Resolução CONAMA n° 275/2001 esta- belece um código de cores para os diferentes tipos de resíduos na coleta seletiva, de acordo com o Quadro 3 (vide versão colorida no AVA): Quadro 3 - Código de cores para os diferentes tipos de resíduos na coleta seletiva CORES MATERIAL Azul Papel/Papelão Vermelho Plástico Verde Vidro Amarelo Metal Preto Madeira Laranja Resíduos perigosos Branco Resíduos ambulatoriais e de saúde Roxo Resíduos radioativos Marrom Resíduos orgânicos Cinza Resíduo geral não reciclável ou misturado, ou contaminado, não passível de separação Fonte: adaptado da Resolução do CONAMA 275 (2001). A coleta seletiva de lixo pode apresentar inúmeras vantagens, tais como: ■ Aumento da vida útil no aterro sanitário; ■ Redução no consumo de energia; ■ Redução dos gastos com limpeza urbana; ■ Diminuição na poluição da água e do solo; A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E126 ■ Geração de empregos; ■ Renda para comercialização dos recicláveis. Além disso, os resíduos recicláveis retornam ao ciclo de produção como maté- ria-prima, reduzindo o consumo de energia e de recursos naturais, e a matéria orgânica, após sua transformação em compostos orgânicos, é reintroduzida no ciclo ecológico como condicionador de solos, rico em húmus (DUARTE, 2010). TRANSPORTE Os resíduos, quando coletados, devem ser transportados até os pontos de des- tinação final, sejam eles as indústrias de reciclagem, centrais de tratamento ou aterros. Quando as distâncias e volumes são pequenos, o transporte pode ser feito pelos próprios veículos de coleta. PROCESSAMENTO E DISPOSIÇÃO FINAL DE RESÍDUOS Dentre as técnicas para disposição final de resíduos sólidos, temos a forma ina- dequada, que são os lixões, e as formas apropriadas e recomendadas, que são os aterros sanitários e industriais, que veremos cada um deles, a seguir. LIXÕES Os lixões apresentam-se como o meio mais barato e o pior, ambientalmente, para disposição final de resíduos sólidos, pois não implicam custos de tratamento e controle. Em outras palavras, é apenas a disposição do resíduo a céu aberto em PROCESSAMENTO E DISPOSIÇÃO FINAL DE RESÍDUOS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 127 terrenos baldios, que fica exposto sem nenhum tratamento, provocando intensa proliferação de moscas, baratas e ratos, vetores de doenças por meio de organis- mos patogênicos, poluindo o solo e os corpos d’água com o chorume, líquido que, além de exalar mau cheiro pelos gases produzidos, é um detrimento visual das cidades. Phillip Jr. e Aguiar (2005) afirmam que os lixões são considerados locais ou formas de disposição final e de tratamento totalmente inadequados do ponto de vista social, sanitário e ecológico, pois, no conjunto, propiciam a proliferação de vetores e o aparecimento de doenças em animais e em seres humanos, além da poluição atmosférica e das contaminações do solo e dos recursos naturais. Figura 5 - Lixão Além de todos os problemas ambientais que os resíduos podem causar ao meio ambiente, outra questão deve ser levada em consideração, a questão social. É um aspecto social degradante, nos serviços de limpeza pública, os catadores de reci- cláveis misturados ao lixo, entre animais e máquinas, em condições insalubres. A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E128 ATERROS CONTROLADOS Para Rocha, Rosa e Cardoso (2009), a disposição final de resíduos sólidos em aterros sanitários é semelhante a dos lixões, cujos resíduos são colocados direto no solo antes impermeabilizado. Diariamente, é feita uma cobertura com terra, do resíduo depositado para minimizar os efeitos ambientais como os dos lixões. O lixiviado (chorume), gerado da decomposição do resíduo, pode ser drenado de forma controlada, podendo ou não ser tratado. Dessa forma, podemos afirmar que o aterro controlado é uma fase interme- diária entre lixão e aterro sanitário. Neste caso, após a cobertura dos resíduos, verifica-se que o impacto visual e o odor são muito menores se comparados ao lixão, graças à cobertura que é feita. Além disso, essa cobertura contribui para impedir a proliferaçãode insetos e outros animais que visitam o local em busca de alimentos. ATERROS O aterro é uma forma de disposição de resíduos no solo, que, fundamentada em critérios de engenharia operacionais específicas, garante um confinamento seguro em termos de poluição ambiental e proteção a saúde pública. Como vimos anteriormente, são inúmeros os problemas oriundos da disposição final inadequada de resíduos sólidos, como odores, gases tóxicos, poluição da água, do solo e outros. Estes problemas são eliminados em um aterro pela adoção de seguintes medidas (SILVA, 2008): ■ Localização adequada; ■ Elaboração de projeto criterioso; ■ Implantação de infraestrutura de apoio; ■ Implantação de obras de controle de poluição; ■ Regras operacionais específicas. PROCESSAMENTO E DISPOSIÇÃO FINAL DE RESÍDUOS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 129 Os aterros podem ser chamados de aterros sanitários quando são projetados e implantados, especialmente, para disposição de resíduos sólidos urbanos, ou aterros industriais quando são projetados para disposição de resíduos sólidos industriais. ATERRO SANITÁRIO Os aterros sanitários consistem em um sistema de impermeabilização de base e laterais, normalmente um filme plástico de polietileno de alta densidade, com sistema de recobrimento diário do resíduo depositado e com cobertura final da área quando saturada. É definido pela NBR 8.419/92 como sendo: uma técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo, sem causar danos à saúde pública e à segurança, minimizando os impactos ambientais, método este que utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos à menor área possível e reduzi-los ao menor volume permissível, cobrindo-os com uma camada de terra na conclusão de cada jornada de trabalho, ou a intervalos menores, se necessário. O projeto deve ser elaborado para a implantação de um aterro sanitário que deve contemplar todas as instalações fundamentais ao bom funcionamento e ao necessário controle sanitário e ambiental durante o período de operação e fechamento do aterro (BRASIL, 1992, p. 1). Para o IBGE (2007), o aterro sanitário consiste em uma técnica de disposição do lixo fundamentada em critérios de engenharia e normas operacionais específicas, que permite a confinação segura em termos de controle da poluição ambiental e proteção à saúde pública (Figura 6). É uma forma adequada de disposição dos resíduos no solo, logo, o aterro sanitário dispõe de impermeabilização de base, de sistemas de tratamento de chorume e de sistemas de dispersão dos gases gerados. A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E130 Figura 6 - Aterro Sanitário De acordo com Donha (2002), aterro sanitário é um método de disposição final do lixo sob o solo, sem que se crie no meio ambiente incômodos ou perigos à segurança e à saúde públicas, em que se utilizam princípios da engenharia para confinar o lixo à menor área possível, reduzindo-o ao menor volume verificável na prática e o cobrindo com uma camada de terra ao fim de cada dia de opera- ção ou a menores intervalos. Os aterros sanitários são construídos seguindo o que exige a legislação, ou seja, distante das cidades. Esta exigência legal a ser respeitada serve para distan- ciar os moradores dos diversos tipos de odores, da contaminação do solo e do lençol freático provenientes da degradação dos materiais orgânicos (PHILIPPI JR., 2005). O resíduo enterrado sofre decomposição anaeróbia, gerando o produto líquido, o chorume, grande quantidade de gases, o metano, além de dióxido de carbono e sulfeto de hidrogênio e amônia, que são responsáveis pelo odor carac- terístico destes locais (ROCHA, ROSA; CARDOSO, 2009). O lixiviado, conhecido como chorume, é um líquido resultante do processo de putrefação de matérias orgânicas, como característica, é viscoso, escuro, pos- sui odor muito forte e desagradável. Em função da grande quantidade de matéria orgânica presente no chorume, consuma atrair vetores e microrganismos que podem contribuir com a proliferação de doenças aos seres humanos (BRAGA et al., 2005). PROCESSAMENTO E DISPOSIÇÃO FINAL DE RESÍDUOS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 131 Quando não tratado, ele pode atingir lençóis freáticos, rios e córregos, levando a contaminação para estes recursos hídricos e interferindo na vida da fauna e da flora. Nesta situação, os peixes podem ser contaminados e, caso a água seja usada na irrigação agrícola, a contaminação pode chegar aos alimentos. A esco- lha de um local para a implantação de um aterro sanitário não é tão simples, pois, devido ao alto grau de urbanização das cidades, a ocupação intensiva do solo pode restringir a disponibilidade de áreas próximas aos locais de geração de lixo e com as dimensões requeridas para se implantar um aterro sanitário que atenda às necessidades dos municípios (MONTEIRO et al., 2001). Também é preciso pensar no aspecto de vida útil do aterro, visto que é difícil encontrar novos locais para disposição de resíduos sólidos urbanos. Tratamento do Lixiviado O lixiviado pode conter matéria orgânica dissolvida ou solubilizada, nutrientes, produtos intermediários da digestão anaeróbia dos resíduos, ácidos orgânicos voláteis e substâncias químicas provenientes do descarte de inseticidas e agro- tóxicos, além de microrganismos patógenos. Também podem ter compostos xenobióticos, presentes em baixas concentrações, como: incluindo hidrocar- bonetos aromáticos, fenóis e compostos alifáticos clorados; metais, como boro, mercúrio, selênio, cobalto; substâncias húmicas (CHRISTENSEN et al., 2001). Visto a recalcitrância desses efluentes, é preciso fazer um tratamento prévio de remoção da carga poluidora, e esses componentes são específicos. Dependendo das características, tem de ser empregadas técnicas acopladas de tratabilidade Existem diferenças entre lixões, aterros controlados e aterros industriais. Li- xões causam poluição no solo, na água, pois não oferece nenhum tipo de tratamento aos resíduos, enquanto os aterros possuem critérios de enge- nharia para sua projeção e operação. Acesse o link a seguir e saiba mais so- bre a diferença entre lixões, aterro controlado e aterro industrial. Fonte: Fogaça ([2018], on-line)1. A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E132 para que o efluente adeque-se aos padrões de lançamento de efluentes determi- nados pela legislação vigente. Em aterro sanitário, o lixiviado é drenado para o tratamento, que pode ser uma lagoa de estabilização aeróbia ou anaeróbia, para, em seguida, ser lançado em um corpo receptor, desde que atenda à legislação ambiental vigente. Biogás Os gases gerados em aterro sanitário, se gerenciados de forma adequada, podem gerar energia para o próprio aterro ou serem vendidos para companhias elétricas. Esses gases são compostos por metano, dióxido de carbono e outros em quanti- dades em traços. Os gases presentes nos aterros de resíduos incluem o metano (CH4), dióxido de carbono (CO2), amônia (NH3), hidrogênio (H2), gás sulfídrico (H2S), nitrogênio (N2) e oxigênio (O2). O metano e o dióxido de carbono são os principais gases provenientes da decomposição anaeróbia dos compostos bio- degradáveis dos resíduos orgânicos (PHILIPPI JR., 2005). Diante disso, a captação e a utilização do gás produzido em aterros é umaboa opção para a redução de gases do efeito estufa. Além disso, o metano possui grande energia contida nos seus átomos que faz com que o gás possa ser usado para a produção de energia elétrica por meio de sua combustão dentro de moto- geradores que movem turbinas (SILVA; CAMPOS, 2008). Projetos deste tipo são importantes, pois diferentes fontes de energia alterna- tiva podem diversificar ou incrementar a matriz energética atualmente existente, tais como a eólica, a solar, a biomassa e também a proveniente do biogás. Nesse sentido, as vantagens da transformação do lixo energia são muitas, tais como: ■ diminuição do volume de resíduos em aterros sanitários e em lixões; ■ menor produção de gases poluentes; ■ menores riscos ao meio ambiente e a saúde pública; ■ mais economia e geração de empregos. PROCESSAMENTO E DISPOSIÇÃO FINAL DE RESÍDUOS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 133 ATERROS INDUSTRIAIS Os aterros industriais podem ser classificados nas classes I, II-A ou II-B, de acordo com a periculosidade dos resíduos a serem dispostos, isto é, aterros Classe I podem receber resíduos industriais; Classe II-A resíduos não-inertes, enquanto aterro Classe II-B resíduos inertes. Esta classificação dos resíduos sólidos quanto à periculosidade foi abordada no tópico anterior. No Aterro Classe I, são destinados os resíduos considerados perigosos de alta periculosidade, como resíduos inflamáveis, cinzas de incineradores, tóxi- cos e outros. Esse tipo de aterro precisa ser operado com cobertura total com o intuito de evitar a formação de percolado, devido à ocorrência de águas pluviais, para isso, possui sistema de dupla impermeabilização com manta polietileno de alta densidade (PEAD), protegendo o solo e as águas subterrâneas. O aterro Classe I deve estar de acordo com o estabelecido pela NBR-10157, que define as exigências quanto aos critérios de projeto, construção e operação de aterros industriais Classe I (SILVA, 2008). O Aterro Classe II compreende a destinação final de resíduos não perigosos e não inertes e tem as seguintes características: impermeabilização com argila e geomembrana de PEAD, sistema de drenagem e tratamento de efluentes líqui- dos e gasosos e completo programa de monitoramento ambiental. O Aterro Classe II-B compreende a destinação final de resíduos inertes. Devido à característica inerte dos resíduos dispostos, esse tipo de aterro dis- pensa a impermeabilização do solo, no entanto, possui sistema de drenagem de águas pluviais e um programa de monitoramento ambiental. A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E134 GESTÃO DE RESÍDUOS PERIGOSOS Uma substância perigosa é definida como qualquer substância que: em razão de sua quantidade, concentração, características físicas, quí- micas ou infecciosas, pode causar ou contribuir consideravelmente para um aumento na mortalidade, provocar um aumento no número de casos de doenças graves irreversíveis ou incapacitantes reversíveis, ou representar um risco substancial atual ou potencial à saúde humana e ao meio ambiente quando tratada, armazenada, transportada, descar- tada ou gerenciada inadequada (VESILIND; MORGAN, 2011, p. 351). Resíduo perigoso é o nome dado ao material que, quando deve ser descartado, atende a um ou dois critérios, a saber: 1. Contém um ou mais dos critérios de poluentes ou de substâncias quími- cas que foram listadas como perigosas; 2. O resíduo pode ser assim definido (por testes de laboratório) como tendo pelo menos uma das seguintes características: a. Inflamabilidade; b. Reatividade; GESTÃO DE RESÍDUOS PERIGOSOS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 135 c. Corrosividade; d. Toxicidade. Segundo Vesilind e Morgan (2011), materiais inflamáveis são líquidos com ponto de fusão abaixo de 60 ºC ou materiais que são facilmente incendiados e queimam de forma vigorosa e persistente. Materiais corrosivos são aqueles que, em uma solução aquosa, têm valores de pH fora da faixa de 2,0 a 12,5 ou qual- quer líquido que mostre corrosividade ao aço a uma taxa superior a 6,5 mm por ano. Resíduos reativos são classificados como instáveis e podem formar vapores tóxicos ou explodir. A maior dificuldade em definir resíduos perigosos vem do estabelecimento do que é ou não tóxico. Para Davis e Masten (2016), a escala de prioridades na gestão de resíduos sólidos consiste em: 1. Priorizar a redução da quantidade de resíduos perigosos gerados; 2. Estimular a criação de bolsas resíduos: os resíduos perigosos de uma indústria podem ser utilizados como matéria-prima de outra indústria; 3. Reciclar materiais, aproveitar o conteúdo energético ou outros recursos úteis contidos como resíduos perigosos; 4. Descontaminação e a neutralização de resíduos perigosos líquidos mediante tratamento químico e biológico; 5. Redução do volume com a desidratação de lodos; 6. Destruição de resíduos perigosos combustíveis em incineradores especiais, capazes de propiciar temperaturas de combustão elevadas e equipamentos com dispositivos de controle e monitoramento de emissões atmosféri- cas adequados; 7. Estabilizar lodos solidificados e de cinzas, no sentido de reduzir os índi- ces de lixiviação de metais. 8. Descarte de resíduos tratados remanescentes em aterros especiais. A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E136 Outro aspecto importante na gestão de resíduos perigosos é a minimização na geração de resíduos, para isso, esse tipo de programa deve incluir: ■ O compromisso dos níveis hierárquicos mais altos da organização; ■ Os recursos financeiros; ■ Os recursos técnicos; ■ A organização, as metas e as estratégias adequadas. GESTÃO DE RESÍDUOS RADIOATIVOS Os Resíduos Radioativos são definidos como qualquer material resultante de atividades humana, que contém radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de isenção especificados nas Instruções Normativas da Comissão Nacional de Energia Nuclear - Norma CNEN-NE-6.02 - Licenciamento de Instalações Radioativas, e para o qual a reutilização é imprópria ou não prevista. Existem vários tipos de resíduos radioativos, tais como: a. Líquidos: apresentam-se como solvente aquoso e solvente orgânico. b. Gasosos: constituem-se de radionuclídeos gasosos ou subprodutos de outros resíduos. c. Sólidos: constituem-se de lixo radioativo em geral, como frascos, ponteiras para pipeta, micro placas, luvas, papel toalha, membrana de nitrocelu- lose, géis radioativos, animais, sangue. A separação desses resíduos deve ser feita no mesmo local em que foram pro- duzidos, levando em conta as seguintes características: se são sólidos, líquidos e gasosos, meia vida curta ou longa; se são ou não compatíveis; orgânicos ou inor- gânicos; putrescíveis ou patogênicos e outras características como explosividade, combustibilidade, inflamabilidade, piroforicidade, corrosividade e toxicidade química (DUARTE, 2010). TÉCNICAS E TRATAMENTOS DE RESÍDUOS SÓLIDOS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 137 TÉCNICAS E TRATAMENTOS DE RESÍDUOS SÓLIDOS Quando pensamos em uma técnica de tratamento para resíduos sólidos, a alter- nativa a ser adotada deve adotar aos aspectos:■ Custo de implantação e operação; ■ Disponibilidade financeira dos agentes envolvidos; ■ Capacidade de atender às exigências legais; ■ Quantidade e capacitação técnica de recursos humanos. Para Calijuri e Cunha (2013), o fato de uma alternativa apresentar um custo alto em termos absolutos, como um incinerador, não é razão suficiente para que seja descartada, pois talvez seja a mais barata e eficaz para tratar um determinado resíduo industrial ou de serviços de saúde quando comparadas a outras tecno- logias existentes. COMPOSTAGEM Para Bidone e Povinelli (2010), a compostagem é um processo de tratamento biológico que transforma resíduos orgânicos em um material estabilizado, deno- minado húmus ou composto. Essa técnica pode ser utilizada para tratar a parcela orgânica dos resíduos sólidos urbanos. A compostagem pode ser feita pelo método convencional, em que os resíduos são dispostos em leiras de forma cônica ou prismática. Nesse processo, as leiras (pilhas) são removidas e ume- decidas periodicamente (por pás carregadeiras ou escavadeiras) para se obter a aeração necessária no processo (Figura 7). A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E138 Figura 7 - Aterro Sanitário Já no processo de leiras aeradas, não há revolvimento por meio de pás ou car- regadeiras, a aeração é obtida insuflando-se ar pela base da leira. Para Bidone e Povinelli (2010) isso acelera o processo de compostagem, mas exige um maior controle das condições da massa de resíduos. A compostagem ocorre em 4 fases, sendo (CALIJURI; CUNHA, 2013): 1. A primeira fase ocorre com a decomposição da matéria orgânica pelas bactérias e fungos, gerando um excedente de calor, e isso faz com que a temperatura da leira de compostagem suba rapidamente, atinja a faixa ótima do processo (entre 55ºC e 60ºC). Caso seja deixado ao natural, a temperatura pode atingir 70ºC e, assim, os microrganismos podem mor- rer, então, é preciso introduzir um fator externo de controle, por isso, há a necessidade de fazer um revolvimento da leira de compostagem e adição de umidade. 2. A segunda fase, com a temperatura ótima, a decomposição leva entre 60 a 90 dias (pelo método tradicional) e 30 dias (pelo método de leiras aeradas), a manutenção de temperaturas elevadas por um tempo suficientemente longo garante a eliminação dos patógenos (BIDONE; POVINELLI, 2010). 3. Após a fase mais ativa, a temperatura da leira começa a diminuir, retor- nando à temperatura ambiente, e esse processo dura de 3 a 5 dias (fase 3). TÉCNICAS E TRATAMENTOS DE RESÍDUOS SÓLIDOS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 139 4. Na quarta etapa, ocorre a fase de maturação ou cura do composto, com a formação de ácidos húmicos, que leva de 30 a 60 dias. A Figura 8 apresenta o composto final (húmus) Figura 8 - Composto ao término do processo de compostagem. VERMICOMPOSTAGEM De acordo com Calijuri e Cunha (2013), a vermicompostagem é um processo complementar à compostagem, que há a adição de minhocas, que dependem de determinadas condições para sobrevivência. Assim, o composto não pode ser encharcado, pois afogaria as minhocas e também não pode ser ressecado. As lei- ras não podem ser tão profundas (pois há a necessidade de ar) e a temperatura deve estar entre 12º e 25ºC. A Figura 9 apresenta-nos um processo de vermicompostagem: A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E140 Figura 9 - Vermicompostagem INCINERAÇÃO A incineração consiste na combustão dos resíduos em temperaturas elevadas, acima de 800ºC, com injeção de ar para garantir a queima completa (conversão total da matéria orgânica em CO2 e água). Praticamente toda matéria orgânica e umidade são eliminados (CALIJURI; CUNHA, 2013). Os resíduos são con- vertidos em cinzas e devem ser classificados com a NBR 10.004/2004 (BRASIL, 2004) e encaminhados para destinação final correspondente. Na incineração, os gases gerados no processo devem ser tratados. APROVEITAMENTO ENERGÉTICO Alguns resíduos podem ser utilizados para obtenção de energia. O reaprovei- tamento pode ser direto ou indireto. No reaproveitamento direto, os resíduos são usados diretamente como fonte de energia, podem passar antes por alguns processos simples de tratamento, como fragmentação ou moagem. No reaprovei- tamento indireto, os resíduos são convertidos por via química ou biológica em outros materiais, os quais são empregados como fonte de energia (CALIJURI; CUNHA, 2013). CONSIDERAÇÕES FINAIS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 141 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, abordamos a problemática dos resíduos sólidos bem como suas formas de gerenciamento. Vimos aspectos pertinentes à geração, estudamos que a mudança de comportamento da população, a economia, a sazonalidade, hábitos de consumo, mudanças tecnológicas, mudanças culturais, influenciam direta- mente na geração de resíduos, pois à medida que há crescimento e mudança, consequentemente, há uma aumento na quantidade de resíduos. Estudamos que uma das formas de minimizar a quantidade de resíduos sólidos é a redução na geração, coleta seletiva, reciclagem e outros programas para diminuir a quanti- dade de resíduos. Para melhor entendermos a gestão de resíduos, estudamos a classificação dos resíduos sólidos de acordo com a NBR 14001/2004, como Classe I - peri- gosos, Classe II - A não inertes e classe II - B inertes, que estas características são fundamentais para o gerenciamento dos resíduos sólidos, pois um resíduo perigoso é ideal que ele tenha um manejo e destinação final adequado, sendo diferente de um resíduo comum. Devemos tomar cuidado no manejo e acon- dicionamento de resíduos, pois um resíduo perigoso pode vir a contaminar um resíduo comum, e este passa a ser tratado como resíduo perigoso. Além disso, vimos que os resíduos sólidos são classificados de acordo com sua origem em: domésticos, industriais, serviços de saúde, construção civil, radioativos, públicos, comerciais, agrícolas e outros. O processo que os origi- nou é fundamental para seu manejo e gerenciamento. Quanto ao gerenciamento, tratamos das formas de coleta, segregação, programas de coleta seletiva, reci- clagem, acondicionamento, tratamento e disposição final adequada de resíduos sólidos urbanos e resíduos industriais. Esperamos que você tenha compreendido todos estes aspectos, desde a gera- ção até a disposição final, pois são fundamentais para a gestão de resíduos sólidos. Bons estudos! 142 REAPROVEITAMENTO DE ENERGIA A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) acaba de patentear uma inovação que possibilita aproveitar o calor gerado pelo sistema de refrigeração da gela- deira para aquecer a água da torneira de cozinha e chuveiro. Concebido pelo professor José Roberto Simões Moreira, coordenador do Laboratório de Sistemas Energéticos Al- ternativos (SISEA), do Departamento de Engenharia Mecânica da Poli, e pelo aluno de graduação Lucas Zuzarte, o projeto resultou em dispositivo que pode ser usado tanto em residências como em estabelecimentos comerciais. “Basicamente, o sistema que desenvolvemos capta o calor que é naturalmente produzi- do no processo de refrigeração”, resume Simões. Na prática, funciona assim: no processo de circulação do gás refrigerante da geladeira, o gás é aspirado pelo compressor e com- primido, o que resulta emaumento da pressão e temperatura do gás. Em seguida, ele prossegue para um condensador – uma espécie de serpentina que fica na parte poste- rior da geladeira doméstica, onde o calor é dissipado. “O que fizemos foi aproveitar a energia térmica gerada no processo de compressão, que atinge cerca de 60 °C”, explica o professor. “Inserimos um tanque de água entre o com- pressor e o condensador, permitindo, assim, que o calor do gás quente fosse transferido para a água em vez de ser dissipado para o ambiente em que se encontra a geladeira”, acrescenta. Embora pareça simples, o desenvolvimento do dispositivo consumiu cerca alguns meses de testes, tendo sido construído um protótipo de uma geladeira comercial do tipo balcão vertical. Economia e eficiência - Nos testes em laboratório, feitos com uma geladeira comercial de 565 litros e um tanque de 25 litros de água acoplado ao sistema, a temperatura final da água chegou a 55º C (média de aumento de 5º por hora). Comparando o custo de aquecer este volume de água com aquecedores elétricos, a economia com o dispositivo seria superior a R$ 35,00 ao mês. “Além de garantir água quente, a instalação do equi- pamento melhora o desempenho da geladeira”, garante. Nos testes, o coeficiente de performance do refrigerador (COP), que mensura sua eficiência energética, aumentou mais de 13%. Já o consumo de energia do compressor caiu entre 7% e 18%. A capacidade de aquecimento do equipamento, no entanto, depende de algumas va- riáveis. “Da potência da geladeira e do regime de uso do refrigerador”, resume Simões. Por outro lado, o custo de todos os equipamentos do sistema não é alto. No caso de um sistema com tanque de 25 litros, o retorno do investimento ocorreria em, aproximada- mente, um ano. Simões pondera que o processo é mais eficiente em refrigeradores comerciais por cau- sa da potência dos aparelhos. “Creio que para restaurantes, lojas de conveniência de postos combustíveis e outros pontos comerciais do gênero será uma inovação muito bem-vinda, porque pode otimizar a economia de energia de fato, mas em residências, sua aplicação também pode ser viabilizada”. Além disso, o sistema tem como vantagem ser fácil e barato de instalar. “Pode ser facilmente instalado por qualquer técnico de re- 143 frigeração”, diz. Compreende, basicamente, um tanque que, no caso dos testes, foi feito em aço inox, mas pode ser confeccionado com material mais barato e alguns tubos de cobre e de PVC. “Um técnico não cobraria mais do que R$ 400,00, incluindo material e mão de obra, se o tanque for produzido em escala industrial”, calcula. Simões tem planos mais ambiciosos para o sistema. “A princípio, a ideia é apresentar o sistema aos fabricantes de geladeiras, que teriam condições de oferecê-lo como opcio- nal na compra do aparelho”, conta. Potencial de mercado é o que não falta. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), só no Brasil existem mais de 50 milhões de refrigeradores em uso. Fonte: Acadêmica Agência de Comunicação. Reaproveitamento de energia. Disponível em:<http://www.poli.usp.br/pt/comunicacao/noticias/destaques/1550-reaproveita- mento-de-energia.html>. Acesso em: 22 mar. 2018. 144 1. Assinale a alternativa correta quanto à norma brasileira que define e classifica os resíduos sólidos: a. NBR 12.216/1992. b. NBR 10.004/2004. c. NBR 10.006/2004. d. NBR 10.007/2004. e. NBR 10.120/2007. 2. Consiste em uma área licenciada por órgãos ambientais, que é destinada a re- ceber os resíduos sólidos urbanos, de forma planejada, em que os resíduos são compactados e cobertos por terra, formando diversas camadas. Esta técnica trata-se de: a. Lixões. b. Aterro sanitário. c. Aterro industrial. d. Compostagem. e. Reciclagem. 3. Os resíduos são constituídos por subprodutos da atividade humana com carac- terísticas específicas, definidas geralmente, pelo processo que os gerou. Sobre os fatores que influenciam a geração dos resíduos sólidos, analise as afirma- tivas a seguir: I. A urbanização, bem como o aumento populacional, acompanha a série de mudanças no estilo de vida e consumo da população e, consequentemen- te, aumentam a geração de resíduos. II. Os resíduos produzidos passaram a abrigar compostos sintéticos e prejudi- ciais aos ecossistemas e à saúde humana, decorrente das novas tecnolo- gias incorporadas ao cotidiano. III. No Brasil, temos uma estimativa exata da quantidade de resíduos sólidos ge- rados por habitante/dia. IV. A maior parte dos resíduos sólidos gerados no Brasil é composta por resíduos hospitalares. 145 É correto o que se afirma em: a. I e II, apenas. a. I e III, apenas. a. II e III, apenas. a. I, II e III, apenas. a. II, III e IV, apenas. 4. A incineração é um processo de queima, na presença de excesso de oxigênio, em que os materiais à base de carbono são decompostos, desprendendo calor e gerando um resíduo de cinzas, gases e escória. Diante do exposto, leia as afirmativas a seguir: I. A incineração de resíduos sólidos é um tratamento eficaz para aumentar o seu volume, tornando o resíduo absolutamente inerte em pouco tempo, se realizada de forma adequada. II. Na incineração, ocorre a decomposição térmica via oxidação à alta temperatu- ra da parcela orgânica dos resíduos, em que é transformada na fase gasosa e outra sólida, na qual é reduzido: o volume, o peso e as características de periculosidade dos resíduos. III. A incineração é um processo que, se não operado em condições adequadas, pode liberar gases nocivos à saúde humana. IV. A incineração é uma alternativa que resolveria integralmente todos os proble- mas da destinação final de resíduos sólidos. É correto o que se afirma em: a. I e II, apenas. a. I e III, apenas. a. II e III, apenas. a. I, II e III, apenas. a. II, III e IV, apenas. 146 5. O aterro sanitário consiste em uma técnica de disposição do lixo fundamentada em critérios de engenharia e em normas operacionais específicas. Sobre o aterro sanitário, analise as afirmativas a seguir: I. O projeto de um aterro sanitário deve incluir todas as instalações fundamentais ao bom funcionamento e ao necessário controle sanitário e ambiental du- rante o período de operação e fechamento. II. O aterro sanitário é um método de disposição final do lixo sob o solo que mi- nimiza a geração de incômodos ou perigos à segurança e saúde públicas. III. Em um aterro são utilizadas técnicas da engenharia para confinar o lixo à menor área possível, reduzindo-o ao menor volume. IV. Aterro sanitário é indicado para disposição final de resíduos coletados apenas em pequenas comunidades. É correto o que se afirma em: a. I e II, apenas. b. I e III, apenas. c. II e III, apenas. d. I, II e III, apenas. e. II, III e IV, apenas. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Engenharia Ambiental Maria do Carmo Calijuri; Davi Gasparini Fernandes Cunha Editora: Elsevier Sinopse: livro pioneiro na área, “Engenharia Ambiental: Conceitos, Tecnologia e Gestão”, reúne material didático proveniente de diversos campos de conhecimento para oferecer uma boa base aos alunos de cursos de graduação em Engenharia Ambiental. O livro busca uma transição das engenharias “hard” para uma engenharia que leva explicitamente em conta a vida no planeta e representa um acordar para a Engenharia Ambiental de maneira fl uida, reforçando a responsabilidade da engenharia para com o meio ambiente. Dividido em cinco eixos temáticos, desde fundamentos até gestão ambiental, varrendo os ecossistemas, impactos ambientais e ações mitigadoras, o livro apresenta de forma didática os conceitos modernos como os da microbiologia e as suas técnicas. São ressaltados os serviços proporcionados por diversos ecossistemas e as estratégias sustentáveispara os usos humanos. REFERÊNCIAS ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 306, de 07 de dezembro de 2004. Disposição sobre o regulamento técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde, 2004. BIDONE, F. R. A; POVINELLI, J. Conceitos básicos de resíduos sólidos REENGE. São Carlos: Escola de Engenharia de São Carlos, USP, 2010. BRAGA, B.; HESPANHOL, I.; CONEJO, J. G. L.; BARROS, M. T. L. de.; SPENCER, M.; PORTO, M.; NUCCI, N.; JULIANO, N.; EIGER, S. Introdução a Engenharia Ambiental. 2. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2005. BRASIL. ABNT NBR 10004. Resíduos sólidos – Classificação. Brasília, 2004. BRASIL. ABNT NBR 9.191. Sacos plásticos para acondicionamento de lixo - Requi- sitos e métodos de ensaio. Brasília, 2000. BRASIL, Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Manual de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde / Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. – Brasília: Ministério da Saúde, 2006. BRASIL. ABNT NBR 10.004. Classificação de Resíduos sólidos. Brasília, 2004. BRASIL. ABNT 12.809. Manuseio de resíduos de serviços de saúde - Procedimen- to. Brasília, 1993. BRASIL. ABNT NBR 8419. Apresentação de projetos de aterros sanitários de resí- duos sóli- dos urbanos. Brasília, 1992. BRASIL. ABNT NBR 10157. Aterro de resíduo perigoso – Critérios para projetos, construção e operação. Brasília, 1987. BRASIL. Lei nº 12.305, de 02 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resí- duos Sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providên- cias. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/ lei/l12305.htm> Acesso em: 20 mar. 2018. CALIJURI, M. C.; CUNHA, D., Gasparini Fernandes. Engenharia Ambiental. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. CHRISTENSEN, T. H.; BJERG, P. P. L.; JENSEN, D. L.; J. B.; CHRISTENSEN, A.; BAUM, A.; ALBRECHTSEN, H-J.; HERON G. Biochemistry of landfil leachate plumes. Applied Ge- ochemistry. v. 16, p. 659-718, 2001. CONAMA, Conselho Nacional de Meio Ambiente. Resolução nº 275, de 25 de abril de 2001. Estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos, a ser adotado na identificação de coletores e transportadores, bem como nas campa- nhas informativas para a coleta seletiva. Publicada no Diário Oficial da União em 25/01/2001. ______. Resolução Nº 307, de 5 de julho de 2002. Ministério das Cidades, Secre- taria Nacional de Habitação. Publicada no Diário Oficial da União em 17/07/2002. REFERÊNCIAS 149 ______. Resolução nº 358 de 29 de abril de 2005. Dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos de serviços de saúde e dá outras providências. DAVIS, M. L.; MASTEN, S. J. Princípios de Engenharia Ambiental. 3. ed. Porto Ale- gre: AMGH, 2016. DERISIO, J. C. Introdução ao controle de poluição ambiental. 4. ed. São Paulo, SP: Oficina de Textos, 2012. DONHA, M. S. Conhecimento e participação da comunidade no sistema de ge- renciamento de resíduos sólidos urbanos: o caso de Marechal Cândido Rondon/ PR. 2002. 113 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) - Universidade Estadual de Santa Catarina, Florianópolis, 2002. DUARTE, M. C. Avaliação do Gerenciamento dos Resíduos Sólidos Urbanos do Município de Floresta/PR. Dissertação (Mestrado em Engenharia Urbana) - Univer- sidade Estadual de Maringá, Maringá, 2010. IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Sanea- mento Básico – PNSB. Contagem Populacional. Rio de Janeiro, 2007. MONTEIRO, J. H. P. et al. Manual de Gerenciamento Integrado de resíduos sóli- dos. Rio de Janeiro: IBAM, 2001. 200p. PHILIPPI JR, A.; AGUIAR, A. O. Resíduos sólidos: características e gerenciamento. In: PHILIPPI JR, Arlindo. Saneamento, Saúde e Ambiente. Fundamentos para um de- senvolvimento sustentável. Barueri, SP: Manole, 2005. ROCHA, J. C.; ROSAM A. H.; CARDOSO, A. A. Introdução à Química Ambiental. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. SILVA, F. R. Gestão de Resíduos Industriais. 2. ed. São Paulo: Via Spaipa, 2008. SILVA, T. N.; CAMPOS, L. M. de. Avaliação da produção e qualidade do gás de ater- ro para energia no aterro sanitário dos Bandeirantes – SP. Revista de Engenharia Sanitária e Ambiental. v. 13, n. 1, jan./mar., 2008. CALIJURI, M. C.; CUNHA, D. G. F. Engenharia Ambiental. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. VESILIND, P. A.; MORGAN, S. M. Introdução à Engenharia Ambiental. São Paulo: Cengage Learning, 2011. REFERÊNCIAS ONLINE 1 Em: <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/diferenca-entre-lixao-ater- ro-controlado-aterro-sanitario.htm>. Acesso em: 22 mar. 2018. GABARITOGABARITO 1) B 2) B 3) A 4) C 5) D U N ID A D E IV Professor Me. Gustavo Affonso Pisano Mateus Professora Me. Renata Cristina de Souza Chatalov CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Objetivos de Aprendizagem ■ Conceituar poluição atmosférica, apresentar os principais poluentes atmosféricos e suas fontes. ■ Apresentar os diferentes métodos de controle de emissão de poluentes atmosféricos. ■ Apresentar os diferentes parâmetros de qualidade presentes na legislação. ■ Conceituar Ruído e apresentar suas diferentes classificações. ■ Correlacionar os diferentes ruídos existentes com a saúde laboral e coletiva. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Poluição do Ar e Fontes de Emissão ■ Métodos de Controle ■ Padrões de Qualidade ■ Poluição Sonora ■ Redução e Controle de Ruídos INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), nesta unidade, abordaremos a questão da poluição atmosfé- rica e da poluição sonora. Veremos que, ao tratarmos de poluição do ar, temos as fontes naturais e as fontes antrópicas. As fontes naturais são aquelas cuja ori- gem está ligada diretamente à natureza, em que não há interferência humana, como o vulcanismo; as fontes antrópicas ou antropogênicas têm a origem relacio- nada a atividades humanas, como indústrias, automóveis e outras cujos impactos ambientais das atividades tornaram-se mais significativos quanto à poluição do ar. A maior parte dos problemas relacionados à poluição atmosférica está relacio- nada com a exploração e a utilização de energia em vários processos produtivos. Poluição atmosférica, chuva ácida, destruição da camada de ozônio, efeito estufa, destruição da fauna e da flora são alguns exemplos que podemos citar, causados por processos produtivos. Podemos classificar os agentes poluidores do ar em dois grupos principais: os primários e os secundários. Os poluentes primários são os que saem direta- mente da fonte emissora, enquanto os poluentes formados pela interação entre componentes naturais e poluentes primários são chamados de secundários. Os principais poluentes atmosféricos são: monóxido de carbono, dióxido de enxofre, dióxido de carbono, chumbo, ozônio, clorofluorcarbonetos, materiais particu- lados.Também apresentaremos alguns métodos de controle da poluição do ar, e dividimos em: controle de particulados e controle de poluentes. Em seguida, estu- daremos sobre os padrões de qualidade do ar bem como as legislações aplicáveis. Além disso, abordaremos o conceito de poluição sonora, suas principais fon- tes e seus efeitos sobre a saúde humana, além de métodos de controle de ruídos. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 153 CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E154 POLUIÇÃO DO AR E FONTES DE EMISSÃO O ar que respiramos é essencial à vida. Dessa maneira, esperamos respirarum ar limpo. Mas em que consiste esse ar limpo? Ele é uma mistura de gases e, de acordo com Veslind e Morgan (2011), é composto por: ■ 78,0% de nitrogênio; ■ 20,1% de oxigênio; ■ 0,9% de argônio; ■ 0,03% de dióxido de carbono; ■ 0,002% de neônio; ■ 0,0005% de hélio. No entanto esse ar não é encontrado na natureza e nos serve como referência. Se isso é ar puro, então, é importante definir como poluentes aqueles materiais (líquidos, gases ou sólidos) que, quando são adicionados ao ar puro em uma concentração suficientemente alta, causarão efeitos adversos, como compostos de enxofre emitidos na atmosfera, que reduzem o pH da chuva e resultam em POLUIÇÃO DO AR E FONTES DE EMISSÃO Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 155 acidez de rios e lagos, ocasionando danos. Para Derisio (2012), o uso básico do recurso natural ar é para manter a vida. Todos os usos devem estar sujeitos à manutenção da qualidade de ar que não degrada, aguda ou cronicamente, a saúde ou o bem-estar humano. Além disso, é preciso levar em consideração os aspectos estéticos e os impactos econômicos decorrentes da poluição do ar. POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA O conceito de poluição atmosférica envolve uma série de atividades, fenômenos e substâncias que contribuem para o desequilíbrio e a deterioração da qualidade natural da atmosfera. A Lei nº 6.938/81, que estabelece a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), por meio do seu art. 3º, III define poluição como a degradação da qualidade ambiental resultante de atividade que, direta ou indi- retamente (BRASIL, 1981): a. Prejudique a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b. Crie condições adversas às atividades sociais e econômicas; c. Afete, desfavoravelmente, a biota; d. Afete as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente. Para Dallarosa (2005, p. 5): a poluição atmosférica é abordada como um fenômeno decorrente principalmente devido à ação humana em vários aspectos, citando-se o rápido crescimento populacional, industrial e econômico, a concentra- ção populacional e industrial, bem como dos hábitos da população e as medidas adotadas para o controle da poluição. Dessa maneira, podemos afirmar que a atmosfera apresenta, naturalmente, certa concentração típica de compostos químicos em sua composição, o que de uma forma geral não afeta as condições normais de existência dos seres vivos e dos materiais. Assim, a poluição atmosférica consiste na adição destes elementos capazes de atingir concentrações que são nocivas ao ambiente. CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E156 PRINCIPAIS POLUENTES DO AR Os principais poluentes atmosféricos podem ser classificados, de maneira gené- rica, em três grupos de substâncias: líquidas, sólidas e gasosas. No entanto, na prática, eles podem ser apresentados de forma combinada entre si, de tal maneira que conseguimos restringi-los em dois grupos: os gases e os materiais particula- dos. Ao observarmos a origem dos poluentes, eles podem ser classificados como primários ou secundários. Segundo Dallarosa (2005), são: ■ Poluentes primários: aqueles emitidos diretamente na atmosfera. Constituem esta classe: dióxido de enxofre (SO2), monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio (NOx) e hidrocarbonetos (HC). ■ Poluentes secundários: formados pela reação química entre poluentes primários ou destes com constituintes naturais da atmosfera. Como exem- plos pertencentes desta classe podemos citar: ozônio (O3), peróxido de hidrogênio (H2O2), aldeídos (RCHO), peroxiacetilnitrato (PAN). Materiais particulados O material particulado é uma mistura de partículas líquidas e sólidas em sus- pensão na atmosfera. Pode ser classificado como névoa, poeira, vapor, fumaça ou spray. Sua composição e o tamanho das partículas vão depender de sua fonte de emissão (SALDIVA; COELHO, 2013). As faixas de tamanho dos poluentes são apresentadas a seguir (VESLIND; MORGAN, 2011): ■ Poeira: são partículas relativamente grandes, sendo definida como par- tículas sólidas que são: ■ Carregadas por gases de processo provenientes de materiais sendo manipulados ou processados, como carvão, cinzas e cimento. ■ Produtos diretos de um material básico, passando por operações mecâ- nicas, como serragem de um trabalho com madeira. POLUIÇÃO DO AR E FONTES DE EMISSÃO Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 157 ■ Materiais carregados após a utilização em operações mecânicas, como a areia utilizada no processo de jateamento. ■ Vapor: consiste em uma partícula sólida, frequentemente, um óxido metálico, formado pela condensação de vapores por sublimação, destila- ção, calcinação ou processos de reações químicas, como: óxidos de zinco e chumbo oriundos da condensação e oxidação de metal volatilizado em um processo a uma alta temperatura. São partículas bem pequenas, com diâmetros entre 0,03 a 0,3 µ. ■ Névoa: consiste em partículas líquidas formadas pela condensação de um vapor e uma reação química. Seu diâmetro varia de 0,5 a 3,0 µ. ■ Fumaça: partículas sólidas formadas pela combustão incompleta de metais carbonáceos. Embora hidrocarbonetos, ácidos orgânicos, óxidos de enxofre e óxidos de nitrogênio sejam também produzidos por proces- sos de combustão, apenas as partículas sólidas resultantes da combustão incompleta de materiais carbonáceos são chamados de fumaça. Possuem diâmetros de 0,05 até aproximadamente 1 µ. ■ Sprays: consiste em partículas líquidas formadas pela atomização de um líquido base e sedimentam sob o efeito da gravidade. Poluentes gasosos Os poluentes gasosos incluem substâncias que são gases a uma temperatura e pres- são normais, assim como vapores de substâncias líquidas ou sólidas sob condições normais. Dentre estes poluentes, os que apresentam maior relevância são: monó- xido de carbono, hidrocarbonetos, ácido sulfúrico, óxidos de nitrogênio, ozônio e outros. O Quadro 1 apresenta-nos alguns poluentes gasosos presentes no ar: CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E158 Quadro 1 - Poluentes gasosos presentes no ar NOME FÓRMULA PROPRIEDADES RELEVANTES SIGNIFICÂNCIA COMO POLUENTE DO AR Dióxido de enxofre SO2 Gás incolor, provoca as- fixia intensa, forte odor, altamente solúvel em água, formando ácido sulfurosos, H2SO3. Perigo para propriedade, Saúde e vegetação. Trióxido de enxofre SO3 Solúvel em água formando o ácido sulfúrico - H2SO4. Altamente corrosivo. Ácido sulfí- drico H2S Odor de ovo estragado em baixas concentra- ções, inodoro a altas concentrações. Altamente venenoso. Óxido nitroso N2O Gás incolor, utilizado como gás de transpor- te em produtos com aerossol. Relativamente inerte; não produzido na com- bustão. Óxido nítrico NO Gás incolor. Produzido em combus- tão a altas temperaturas e pressão, oxida para NO2. Dióxido de nitrogênio NO2 Gás de cor marrom a alaranjada. Principal componente na formação de névoa fotoquímica Monóxido de carbono CO Incolor e inodoro. Produtos de combustões incompletas, venenoso. Dióxido de carbono CO2 Incolor e inodoro. Formado durante com- bustões completas; gás do efeito estufa. Ozônio O3 Altamente reativo. Perigo para vegetações e propriedades; produ- zido, principalmente, durante a formaçãode névoa fotoquímica. Hidrocarbo- neto CxHy ou HC Diversas. Emitido por automóveis e indústrias, formado na atmosfera. POLUIÇÃO DO AR E FONTES DE EMISSÃO Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 159 Metano CH4 Combustível, inodoro. Gás do efeito estuda. Clorofluorcar- bonetos CFC Não reativo, excelentes propriedades térmicas. Decompõe o ozônio na camada superior da atmosfera. Fonte: adaptado de Veslind e Morgan (2011, p. 279). FONTES DE POLUIÇÃO Quando discutimos a origem da poluição atmosférica, devemos distinguir os processos envolvidos na formação dos poluentes atmosféricos, que resultam de processos naturais ou processos antropogênicos. As fontes de poluição con- sistem em qualquer processo natural ou antropogênico que possa liberar ou emitir matéria ou energia para atmosfera deixando-a contaminada ou poluída (DALLAROSA, 2005). As fontes naturais de poluentes consistem em emis- sões que ocorrem na natureza sem a interferência humana, como a emissão de gases provocada por erupções vulcâ- nicas (vulcanismo) (Figura 1), a decomposição de vegetais e ani- mais, a ressuspensão de poeira do solo pela ação do vento, os aerossóis marinhos, a formação de ozônio devido a descargas elé- tricas na atmosfera, os incêndios naturais em florestas e os pólens de plantas (DALLAROSA, 2005). As fontes antropogênicas (ou antrópicas) são aquelas que emitem poluentes a partir atividades humanas, provenientes de transportes, atividades industriais, fontes de descargas de resíduos sólidos. No que diz respeito a processos indus- triais que podem ocasionar a poluição do ar, podemos destacar a queima de Figura 1 - Vulcanismo CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E160 combustível por meio de veículos a álcool, à gasolina ou a outro combustível, combustão industrial e à geração de energia. Fontes Fixas ou Estacionárias As fontes fixas de poluição atmosféricas são aquelas que ocupam uma área relativa- mente limitada, que permitem uma análise direta na fonte. As fontes classificadas como fixas são referentes às atividades industriais de transformação, mineração e produção de energia através de usinas termelétricas (MMA, 2017a, on-line)1. Cada fonte industrial de poluição do ar apresenta problemas específicos de poluição, pois as emissões são decorrentes de características inerentes do pro- cesso de produção, das quais podemos citar: matérias-primas e combustíveis, processos e operações adotados, produtos fabricados, eficiência do processo industrial e medidas de controle utilizadas pela indústria. De acordo com Derisio (2012), as indústrias, normalmente, são classificadas em categorias (metalúrgicas, mecânicas, têxteis, bebidas, alimentícias, químicas e outras) por meio das quais se pode calcular o potencial de poluição atmosfé- rica por categoria. O Quadro 2 apresenta-nos os tipos de indústrias bem como os tipos de poluentes emitidos por elas. Quadro 2 - Tipos de indústrias e tipos de poluentes TIPOLOGIA DA INDÚSTRIA NATUREZA DA ATIVIDADE TIPOS DE POLUENTES Indústria de minerais não metálicos - Incluem indústrias que fabricam pro- dutos de material cerâmico e refratá- rio, cimento, vidro, concreto, produtos de gesso e abrasivos. Os principais processos e ope- rações poluidores são cons- tituídos pelas operações de redução de tamanho, pela ma- nipulação e pelo transporte de matéria-prima, por processos de desidratação, calcinação, oxidação da matéria orgânica e íon ferroso e formação de silicatos em estufas e fornos, por operações e acabamento como de esmaltação. Poeiras - principalmen- te provenientes de operações de redução de tamanho; Fumaça e fumos - prin- cipalmente prove- nientes dos processos de combustão e de secagem e cozimento em fornos. POLUIÇÃO DO AR E FONTES DE EMISSÃO Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 161 Indústrias metalúrgi- cas - fundições Fundições primárias, que se referem àquelas que produzem o metal do minério, e as fundi- ções secundárias, que incluem aquelas que recuperam o metal de sucatas e refugos e produzem ligas e lingotes. Fumos de óxidos metá- licos, poeira e produ- tos de combustão da operação de fusão, dependendo da volati- lidade e das impurezas dos metais, sucata ou minério; Dióxido de enxofre, de- pendendo do enxofre no minério no carvão e no combustível utilizado. Indústrias metalúrgi- cas - produtos Envolvem indústrias que pro- duzem peças forjadas, lamina- das, trefiladas e extrudadas. Fumos metálicos, poeiras das fundições, névoas e vapores de solventes provenientes da aplicação do reves- timento de proteção nos departamentos de acabamento. Indústria de madeira e mobiliário Indústrias de desdobramento, compensação e produção de chapas de madeira prensada, de fabricação de peças e estru- turas de madeira aparelhada, fabricação de artigos de tan- cara e de cortiça, fabricação de artigos diversos de madeiras e produtos afins. Material particulado, gotícula de tinta, solventes e fumaça de equipamentos que queimam resíduos. CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E162 Indústrias químicas e farmacêuticas Incluem uma variedade de pro- dutos: elementos químicos e produtos químicos inorgânicos e orgânicos, matérias plásticas básicas e fios artificiais, pólvora e explosivos, óleos brutos, essências vegetais e matérias graxas animais, preparados para limpeza e polimento, desinfetantes, inseticidas, germicidas, tintas, esmaltes, vernizes, sabões, velas, produ- tos farmacêuticos e outros. Fabricação do ácido nítrico: por meio do processo de oxidação da amônia são emiti- dos cerca de 26 kg de óxidos de nitrogênio, expressos em NO2, por tonelada de ácido produzida. Fabricação de ácido sulfúrico: por meio do processo de contato, estima-se uma emis- são de 9 a 32 kg de SO2 e de 0,14 a 3,40 kg de névoas ácidas por tonelada de ácido produzida. Fabricação de ácido fosfórico: por meio do processo unido esti- ma-se uma emissão de compostos de flúor de 9 a 27 kg por tonelada de P2O5 produzida. Indústria de produ- tos alimentares e bebidas Incluem beneficiamento, torre- fação e moagem de produtos alimentares, preparação de conservas de frutas, legumes, especiarias, pasteurização de leite e fabricação de laticínios, fabricação e refino de açúcar, fabricação de balas, produtos de padaria e outros produtos. Diferentes poluentes e odores podem ocorrer nas fases do processa- mento dos produtos. Poeiras são emitidas das operações de beneficiamento e moagem. Indústrias de papel e papelão Fabricação de papel e papelão. Material particulado e substâncias odoríferas (mercaptanas e sulfeto de hidrogênio). Fonte: adaptado de Derisio (2012). POLUIÇÃO DO AR E FONTES DE EMISSÃO Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 163 Fontes móveis São constituídos por veículos automotores, trens, aviões, embarcações marinhas, denominadas de fontes móveis. Para Derisio (2012), os veículos são divididos em leves, que utilizamgasolina, álcool e gás natural e pesados, que utilizam óleo diesel. Independentemente do tipo do veículo, ele produz gases, vapores e mate- riais particulados. Os principais gases tóxicos são o monóxido de carbono (CO), compostos orgânicos chamados de hidrocarbonetos (HC), óxidos de nitrogê- nio (NOx), aldeídos e material particulado, que é constituído por partículas de dimensões diminutas, da ordem milésimos de milímetros, identificados como fuligem ou poeira. EFEITOS DA POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA Os efeitos da poluição atmosférica são caracterizadas de acordo com a alteração das condições normais da atmosfera ou pelo aumento de problemas já existen- tes. Esses efeitos podem ser globais, locais ou regionais. No que diz respeito à escala global, podemos citar a alteração da acidez das águas de chuva (chuva ácida), aumento da temperatura do planeta, modificação da intensidade da radiação solar (DALLAROSA, 2005). De uma maneira geral, os efeitos causados pela poluição do ar são manifes- tados por danos à saúde humana, às propriedades da atmosfera, à vegetação, à economia bem como danos materiais. Danos à saúde Poluentes atmosféricos podem causar um impacto negativo na saúde humana. De acordo com Derisio (2012), os efeitos da poluição atmosférica sobre o que pode provocar na saúde são: doenças agudas ou morte, doenças crônicas, encurtamento da vida ou dano ao crescimento, alteração de importantes funções fisiológicas, tais como ventilação do pulmão, asma, bronquite, transporte de oxigênio pela hemoglobina, irritação sensorial, fadiga e outros. CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E164 É importante salientar que, no decorrer dos anos, a poluição atmosférica provocou uma série de episódios agudos. O Quadro 3 apresenta-nos alguns epi- sódios ocasionados pela poluição do ar. Quadro 3 - Episódios provocados pela poluição do ar ANO LOCAL HISTÓRICO Nº DE MORTES 1930 Bélgica - Vale do Rio Meuse Região que tinha muitas indústrias, na qual ocor- reu uma inversão de temperatura, provocando congestão das vias respiratórias especialmente em crianças e pessoas idosas. 60 1948 Estados Unidos - Donnora Região de indústrias metalúrgicas onde ocorreu inversão de temperatura, provocando congestão das vias respiratórias. 17 1950 México - Poza Rica Compostos de enxofre emitidos por uma indústria provocaram a internação de 320 pessoas acometi- das de problemas respiratórios e nervosos, durante uma inversão de temperatura. 32 1952 Brasil - Bauru Doenças respiratórias agudas em 150 pessoas, pro- vocadas por alergia ao pó de semente de mamona, utilizada na fabricação de óleo. 9 1957 Inglaterra Smog (mistura de fumaça com neblina). 1.000 1960 Inglaterra Smog 800 1962 Inglaterra Smog 700 Fonte: adaptado de Derisio (2012). Em 5 de dezembro de 1952, um grande nevoeiro tomou conta da cidade de Londres: era o começo do desastre de poluição atmosférica mais letal da história britânica. Mais de 60 anos depois, uma equipe internacional de químicos descobriu por que a névoa era fatal. Saiba mais acessando o link: <http://gizmodo.uol.com.br/formacao-nevoeiro-londres/>. Fonte: Stone (2016, on-line)2. POLUIÇÃO DO AR E FONTES DE EMISSÃO Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 165 Danos aos materiais A poluição atmosférica também pode causar danos aos materiais, tais como: a deposição sobre materiais, abrasão, remoção, ataques químicos diretos e indi- retos e a corrosão eletroquímica. Danos às propriedades da atmosfera A falta de visibilidade é um dos principais problemas ocasionados pela poluição atmosférica. Para Derisio (2012), a visibilidade urbana pode ser afetada, princi- palmente, por fatores meteorológicos, a saber: ■ Altura de inversão e velocidade dos ventos; ■ Elevadas condições de umidade. A diminuição da visibilidade ocorre em função das partículas líquidas e sólidas que estão suspensas na atmosfera, que dispersam e absorvem a luz. Danos à vegetação As plantas podem ser afetadas por poluentes atmosféricos tais como: necrose de tecidos de folhas, redução da penetração de luz (isso reduz a capacidade da fotossíntese), penetração de poluentes pelos estômatos das plantas, redução da taxa de crescimento, aumento na suscetibilidade de doenças, interrupções do processo reprodutivo da planta (DALLAROSA, 2005). Danos à economia Para controlar e/ou remover a poluição atmosférica, os efeitos adversos são extre- mamente onerosos para os habitantes de áreas urbanas industrializadas (DERISIO, 2012). O custo é complexo, entretanto podemos fazer certas estimativas. CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E166 MÉTODOS DE CONTROLE Vimos que as fontes de poluição do ar podem emitir poluentes gasosos ou par- tículas, monóxido de carbono, hidrocarbonetos, dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio, que são exemplos de poluentes gasosos. Já como exemplos de emis- sões de partículas temos: fumaça, emissões de poeira e outros. Segundo Marra Junior (2013), os poluentes existentes na atmosfera, lança- dos pelas fontes de emissão, são denominados poluentes primários, por exemplo: monóxido de carbono, dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio. Enquanto os poluentes secundários são aqueles formados na atmosfera como resultados de reações, tais como: hidrólise, oxidação e oxidação fotoquímica, como névoas ácidas e oxidantes fotoquímicos. No que diz respeito à gestão da qualidade do ar, as principais estratégias estão voltadas ao controle da origem dos poluentes primários, pois o meio mais eficaz de controlar os poluentes secundários é mini- mizar os poluentes primários. Quando avaliamos os níveis de qualidade do ar em uma região, devemos saber algumas informações importantes, como conhe- cer a quantidade bem como as características das emissões. MÉTODOS DE CONTROLE Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 167 Dessa maneira, podemos dividir os métodos de controle da poluição do ar em duas categorias: aquelas que realizam a remoção de material particulado em suspensão, e aquelas que buscam a remoção de poluentes gasosos das corren- tes gasosas. CONTROLE DE PARTICULADOS Primeiramente, começaremos nossos estudos com o controle de métodos para remoção do material particulado suspenso. São eles: câmara gravitacional, ciclone, filtros de saco, precipitador eletrostático e Lavador Venturi. Veremos com deta- lhes o funcionamento destes equipamentos a seguir. Câmara gravitacional É um modelo simples e um dos mais antigos para controle da poluição do ar, que consiste, basicamente, em uma câmara de expansão, na qual ocorre a redução da velocidade do gás até um ponto em que as partículas nele em suspensão são capturadas pela ação da gravidade (sedimentação) (MARRA JUNIOR, 2013). Quanto maior for a partícula, maior será a taxa de sedimentação. Em uma dada corrente gasosa, as partículas maiores sedimentam mais rápido do que as maiores. Ciclone Conhecidos como separadores centrífugos (Figura 2), os ciclones são bem utili- zados no controle de particulados, em especial quando partículas relativamente grandes precisam ser coletadas (MARRA JUNIOR, 2013). CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.IVU N I D A D E168 Figura 2 - Modelo de um ciclone Apresentam baixo custo de instalação e manutenção, não possuem partes móveis, podem ser confeccionados em vários materiais e ocupam espaço reduzido. Podem se apresentar em muitas formas e tamanhos, mas o princípio básico da sepa- ração consiste na atuação da força centrífuga sobre as partículas. Para Vesilind e Morgan (2011), o esquema consiste no ar sujo que é forçado para dentro do cone, como em uma centrífuga. Os sólidos pesados migram para a parede do cilindro, onde reduzem a velocidade em função do atrito, deslizam pelo conte e saem pelo fundo. O ar limpo fica no meio do cilindro e sai pelo topo. Filtros de saco Também conhecidos como filtros de tecido, utilizados para coletar a poeira, que deve ser retirada do saco periodicamente. Segundo Marra Junior (2013), em aplicações industriais, o meio material poroso é, geralmente, um tecido (pano), com que se confecciona uma estrutura de formato tubular, semelhante a uma manga de camisa. MÉTODOS DE CONTROLE Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 169 Precipitador eletrostático O material particulado é removido após ser eletricamente carregado por elé- trons, passando de um eletrodo de alta tensão para outro e, então, migra para o eletrodo de coleta com carga positiva (VESILIND; MORGAN, 2011). Existem vários mecanismos pelos quais partículas sólidas ou líquidas podem adquirir cargas elétricas, e os mais comuns são: eletrificação por contato ou atrito (tri- boeletrificação) por indução, por corrente corona e por ionização (MARRA JUNIOR, 2013). Para Marra Junior (2013, p. 549): uma corrente ou descarga corona é produzida quando uma alta volta- gem é aplicada entre dois eletrodos, sendo um deles, normalmente, um fio ou uma barra de diâmetro pequeno e outro, uma placa plana, geran- do, assim, um campo elétrico não uniforme. Como resultado, o campo elétrico nas proximidades do eletrodo fino é intensificado. Lavador Venturi Consiste em colocar em contato íntimo a corrente gasosa e um líquido atomizado, geralmente água. O termo “lavadores”, de certa forma, é utilizado para remover ou coletar materiais particulados (MARRA JUNIOR, 2013). Um dos lavadores que são bem utilizados em indústrias para tratamento de efluentes gasosos é o lavador tipo Venturi, um equipamento industrial que tem como principal obje- tivo limpar a corrente gasosa dos contaminantes antes de sua emissão externa, assim, trabalha com um aumento da velocidade da corrente de ar em sua gar- ganta a fim de aumentar sua eficiência na coleta (COSTA, 2002). O lavador Venturi é exigido em casos em que a eficiência precisa ultrapas- sar 90% para partículas finas. É composto por um duto transversal (circular ou retangular), sendo distinto em três partes: seção convergente, a garganta e a seção divergente (ou difusor). Podemos observar o esquema do lavador Venturi, na Figura 3: CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E170 Figura 3 - Lavador Venturi e suas partes principais Fonte: adaptado de Marra Junior (2013, p. 552). O seu funcionamento ocorre da seguinte maneira: o líquido de lavagem é introdu- zido com pressão na “garganta” (vena contracta), por meio de bicos atomizadores em que são geradas pequenas gotas. O gás sujo, contaminado por materiais par- ticulados, atravessa essa região em alta velocidade, em torno de 30 m/s a 120 m/s (MARRA JUNIOR, 2013), o que ajuda na dispersão das gotas de líquido e na captura do material particulado. Nesse equipamento, tem-se a necessidade de introduzir uma corrente gasosa (que é a que será tratada) e uma corrente líquida (corrente de tratamento). Podem ser empregados no controle de emissão de partículas oriundas de indústrias quími- cas de produtos minerais, polpa e papel, alumínio, ferro e outros tipos de resíduos sólidos de origem tóxica, abrasiva, corrosiva e até mesmo explosiva (COSTA, 2002). Em aplicações industriais há muitas vantagens, a saber (COSTA, 2002): ■ Alta eficiência na coleta de partículas finas e ultrafinas (respiráveis); ■ É compacto, exige pouco espaço físico nas indústrias; ■ Capacidade de trabalhar com particulados explosivos, inflamáveis, pega- josos e aderentes, pelo fato de operar como coletores úmidos; ■ Pode-se trabalhar com a limpeza simultânea de gases tóxicos e particulados; ■ Reaproveitamento do efluente líquido gerado, por trabalhar em um sis- tema fechado; ■ Pode trabalhar no tratamento de gases a altas temperaturas e altas umidades. MÉTODOS DE CONTROLE Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 171 Costa (2002) também elenca algumas desvantagens na sua utilização, tais como: ■ Pode necessitar de um sistema de tratamento de efluentes líquidos; ■ O material é coletado a úmido dificultando a sua reutilização; ■ Mais suscetível a problemas de corrosão; ■ Perda de carga alta para altas eficiências de coleta; ■ Pode apresentar problemas de incrustação. CONTROLE DE POLUENTES GASOSOS Agora, estudaremos os métodos de controle de métodos para remoção de poluentes gasosos, como: condensador, absorvedor, incinerador e separador por membranas. Condensador Segundo Marra Junior (2013), a condensação consiste em um processo de con- versão de um gás ou de um vapor líquido (ocorre a mudança de fase). Assim, os condensadores, normalmente, utilizam água ou ar para resfriar e conden- sar uma corrente gasosa ou um de seus componentes. São dispositivos que não atingem temperaturas muito baixas (aproximadamente 30ºC), portanto, não têm muita eficiência de remoção da maioria dos gases, apenas em casos que o vapor se condense em altas temperaturas. A condensação pode ocorrer quando a pressão parcial do poluente na corrente (mistura) gasosa é igual a sua pressão de vapor como substância pura, na temperatura considerada. As condições nas quais um determinado gás pode se condensar dependerá de suas propriedades físicas e químicas, que podem ocorrer quando a pressão parcial do poluente na corrente (mistura) gasosa é igual a sua pressão de vapor como substância pura, na temperatura considerada. Em situações práticas, os condensadores operam com remoção de calor da corrente gasosa (abaixamento de temperatura). Os tipos mais comuns são: condensadores de contato (fluido CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E172 resfriador ou fluido é colocado em contato direto com a corrente gasosa), mis- turado com o gás e os de superfície (fluido do resfriador está confinado em um compartimento distinto da corrente gasosa). Absorvedor Segundo Marra Junior (2013, p. 555): absorção envolve a remoção de poluentes gasosos (chamados de absor- vados ou solutos) de uma corrente de processos pela dissolução em um líquido (chamado de absorvente ou solvente). A condição necessária para a aplicação da absorção para o controle da poluição é a solubilida- de dos poluentes no líquido. Em um processo de absorção, colocamos em contato íntimo a corrente gasosa e o líquido, mais favorável é a con- dição para a absorção, pois, sendo este um processo de transferência de massa, a elevada área inferfacial líquido-gás colabora com o fenômeno. O mecanismo principal de transferência de massa é a difusão entre os constituintes das fases gasosa e líquida. Consequentemente, a taxa de absorção é determinada pelastaxas de difusão nas fases. O processo de transferência de massa ocorre até que o equilíbrio seja atingido (equilíbrio de fases). Para utilizar a absorção em seu dimensionamento, é preciso conhecer as caracterís- ticas do solvente, que precisa ter as características, a saber (VESILIN; MORGAN, 2011): ■ Alta solubilidade no gás; ■ Baixa volatilidade; ■ Baixa viscosidade e toxicidade; ■ Alta estabilidade química e baixo ponto de congelamento; ■ Baixo custo. Segundo Marra Junior (2013), temos configurações de equipamentos diferentes, sendo as mais utilizadas as colunas de recheio ou empacotadas (packed beds) ou colunas de aspersão (spray towers). MÉTODOS DE CONTROLE Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 173 Adsorvedor De acordo com Veslind e Morgan (2011) a adsorção é um método importante quando conseguimos colocar o poluente em contato com um adsorvente, como o carvão ativado. A quantidade de moléculas (ou massa) que um adsorvente é capaz de reter chamamos de adsorção, e é expressa pela razão entre a massa de adsorvato e a massa de adsorvente, como por exemplo, g de adsorvato/ g de adsorvente (MARRA JUNIOR, 2013). Os adsorventes podem ter formas e tamanhos diferentes, e seu processo, nor- malmente, por meio de um sistema cíclico no qual o adsorvente é submetido a uma etapa de adsorção, na qual os componentes adsorvidos são removidos e o adsorvente é regenerado, esse tipo de operação chamamos de batelada cíclica. Além disso, temos configurações de equipamentos (recheio ou empacotadas) ou de leitos fixos. Incinerador De acordo com Marra Junior (2013) a combustão é um processo químico que ocorre com a combinação do oxigênio com vários compostos químicos, que liberam calor. O processo de combustão (oxidação térmica) é mais frequente no controle de emissões de compostos orgânicos. Além disso, pode ser empregado, quando os poluentes devem ser destruídos de maneira mais eficiente, como é o caso de gases tóxicos ou perigosos. Os siste- mas de combustão são relativamente caros, utilizam um sistema adicional para queima dos poluentes e geralmente possuem algum dispositivo para recupera- ção do calor gerado. Um processo ideal é aquele que a combustão é completa, ou seja, os produtos da reação são apenas H2O e CO2. Se outros produtos são gerados, como o CO ou óxidos de nitrogênio, a combustão é incompleta. Se a combustão é incompleta, pode gerar problemas adicionais, resultando na for- mação de aldeídos ou ácidos orgânicos. A oxidação de compostos contendo enxofre ou halogênios produz compos- tos indesejáveis, como dióxido de enxofre, ácido clorídrico, ou fosgênio (COCl2). Sendo assim, um processo de absorção deve ser utilizado para tratamento das CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E174 emissões. Para que seja alcançada a combustão completa, devemos colocar em contato íntimo os poluentes, o combustível e o ar (oxigênio), proporcionando as seguintes condições: temperatura elevada para ignição da mistura poluente/ combustível, mistura turbulenta dos reagentes e tempo de residência suficiente para a reação ocorrer (MARRA JUNIOR, 2013). Incineradores operam com temperaturas entre 600 e 650 ºC quando oxidam a maioria dos compostos orgânicos, mas, em alguns casos, podem variar entre 1.800 e 2.200 ºC para poluentes mais perigosos. Podem ser utilizados gás natural ou propano como combustíveis para manutenção das temperaturas adequadas. A Figura 4 apresenta a forma simplificada de um incinerador: Figura 4 - Esquema simplificado de um incinerador Fonte: adaptado de Marra Junior (2013, p. 560). O oxigênio é necessário para a combustão ocorrer e, para combustão completa de um composto, uma quantidade de oxigênio deve estar presente para a con- versão de todo carbono a gás carbônico. No processo de incineração, se não houver oxigênio suficiente, a combus- tão será incompleta. Quando trabalhamos a incineração no tratamento de gases, é preciso que haja a quantidade de oxigênio adequada, senão a com- bustão será incompleta. Fonte: a autora. PADRÕES DE QUALIDADE Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 175 Separador de membranas Esse processo tem como característica a passagem da mistura gasosa através de uma membrana permeável, ocorrendo separação seletiva dos componentes (esse processo também pode ser utilizado no tratamento de efluentes líquidos, tratamento de águas). As membranas comerciais são, normalmente, sintetizadas a partir de mate- riais polimétricos. O polipropileno, a poliamida e o poliacrilonitrilo (MARRA JUNIOR, 2013) são utilizados na fabricação de membranas. Também são uti- lizados materiais inorgânicos, como alumina e sílica. Na limpeza dos gases, as membranas são mais frequentemente utilizadas para o tratamento de correntes gasosas que contém compostos orgânicos voláteis com concentrações acima de 1.000 ppm e vazões moderadas. PADRÕES DE QUALIDADE Para conhecer os padrões de qualidade, é preciso conhecer alguns conceitos importantes, que, segundo Derísio (2012), são: ■ Meteorologia: ciência que estuda os fenômenos atmosféricos que se manifestam e ocorrem na natureza. É de suma importância, pois esses fenômenos são fundamentais em relação à poluição do ar. As condições meteorológicas possibilitam estabelecer uma forma de ligação entre a fonte de poluição e o receptor, tendo como referência o transporte e dis- persão dos poluentes. ■ Estabilidade atmosférica: relacionada com os movimentos ascendentes e descendentes de volumes de ar, depende da velocidade do vento, turbu- lência atmosférica, insolação, chuva, neve e outras condições climáticas. CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E176 ■ Inversões térmicas: Temos duas formas por radiação e subsidiência: ■ Por radiação: acontece quando o solo esfria por radiação durante a noite, isso impede a dispersão das emissões de poluentes na cidade, à noite. ■ Térmica: ocorre quando da existência do processo de afundamento e compressão de massa de ar, quanto maior for a convergência em altitude, maior o movimento descendente, havendo maior grau de compressão da atmosfera, com isso há o aumento de temperatura. QUALIDADE DO AR Além das condições meteorológicas, a análise da concentração de poluentes pre- sentes na atmosfera é fundamental para um programa de controle da poluição do ar por parte da agência governamental responsável por esse controle. Segundo Derisio (2012), os propósitos em avaliar são inúmeros, a saber: ■ Ter conhecimento e fazer comparação da atual qualidade do ar na área de jurisdição; A inversão térmica é um fenômeno que dificulta a dispersão dos poluentes gerados nos centros urbanos. Ela é consequência do rápido aquecimento e resfriamento da superfície. Esse fenômeno pode ocorrer naturalmente ou ser causado pela maneira como a cidade está estruturada. Conheça melhor o fenômeno da inversão térmica, acessando o link a seguir: <https://www. ecycle.com.br/component/content/article/63-meio-ambiente/4175-inver- sao-termica-fenomeno-poluicao-do-ar-problemas-saude-centros-urbanos- -fontes-emissoras-dispersao-chamine-fabricas-topografia-direcao-ventos- -clima-transportes-combustao-poluentes-troposfera-temperatura-medi- das-diminuicao.html>. Acesso: 29/12/2017 Fonte: Equipe eCycle (2017, on-line)3.PADRÕES DE QUALIDADE Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 177 ■ Analisar tendências com o intuito de fixar padrões de qualidade do ar; ■ Ativar ações de emergência com o objetivo de evitar episódios agudos referentes à poluição atmosférica; ■ Prover dados para o planejamento de uso e ocupação do solo; ■ Estudar a viabilidade de modelos matemáticos utilizados na dispersão atmosférica. INDICADORES DE QUALIDADE Os indicadores de qualidade do ar são medidos pela quantificação de suas subs- tâncias poluentes. Para Derisio (2012), a variedade de substâncias presentes na atmosfera é muito grande, o que torna difícil a tarefa de estabelecer uma classi- ficação, no entanto podemos dividir em duas categorias, a saber: ■ Poluentes primários: emitidos diretamente pelas fontes de emissão. ■ Poluentes secundários: formados por meio da reação química entre poluentes primários e constituintes naturais da atmosfera. PADRÕES DE QUALIDADE DO AR Os principais objetivos da avaliação da qualidade por monitoramento são: ■ Avaliar a qualidade do ar com o intuito de proteger a saúde e o bem-es- tar das pessoas; ■ Fornecer dados para ativar ações de emergência durante períodos de estag- nação atmosférica (quando os níveis de poluentes na atmosfera possam representar risco à saúde pública); ■ Acompanhar as tendências e mudanças na qualidade do ar. Com o intuito de atender a esses objetivos, faz-se necessária a fixação de padrões de qualidade ar, que, para Derisio (2012, p. 133): CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E178 define legalmente um limite máximo para a concentração de um com- ponente atmosférico, que garanta a proteção da saúde e do bem-estar das pessoas. Os padrões de qualidade do ar são baseados em estudos científicos dos efeitos produzidos por poluentes específicos e são fixa- dos em níveis que possam propiciar uma margem de segurança ade- quada. Os padrões de qualidade do ar (PQAr) podem variar de acordo com a aborda- gem adotada para balancear riscos à saúde, viabilidade técnica, considerações econômicas e vários outros fatores políticos e sociais que, por sua vez, depen- dem, entre outras coisas, do nível de desenvolvimento e da capacidade nacional de gerenciar a qualidade do ar (MMA, 2017b, on-line)4. Aqui no Brasil, os padrões de qualidade do ar foram estabelecidos pela Resolução CONAMA nº 3/1990 sendo de acordo com esta resolução divididos em padrões primários e secundários, a saber: ■ São padrões primários de qualidade do ar: as concentrações de poluen- tes que, ultrapassadas, poderão afetar a saúde da população. Podem ser entendidos como níveis máximos toleráveis de concentração de poluen- tes atmosféricos, constituindo-se em metas de curto e médio prazo (CONAMA, 1990c). ■ São padrões secundários de qualidade do ar: as concentrações de poluen- tes atmosféricos abaixo das quais se prevê o mínimo efeito adverso sobre o bem-estar da população, assim como o mínimo dano à fauna e à flora, aos materiais e ao meio ambiente em geral. Podem ser entendidos como níveis desejados de concentração de poluentes, constituindo-se em meta de longo prazo (CONAMA, 1990c). PRONAR - Programa Nacional de Controle da Poluição do Ar A Resolução CONAMA nº 05 de 1989 instituiu o PRONAR como um dos ins- trumentos básicos da gestão ambiental para proteção da saúde e bem-estar das populações e melhoria da qualidade de vida, que tem por objetivo permitir o desenvolvimento econômico e social do país, de forma ambientalmente segura, pela limitação dos níveis de emissão de poluentes por fontes de poluição atmos- férica, com vistas (CONAMA, 1989): PADRÕES DE QUALIDADE Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 179 ■ À melhoria na qualidade do ar; ■ Ao atendimento aos padrões estabelecidos; ■ Ao não comprometimento da qualidade do ar em áreas consideradas não degradadas. A estratégia era limitar, em nível nacional, as emissões por tipologia de fon- tes e poluentes prioritários, reservando o uso dos padrões de qualidade do ar como ação complementar de controle, conceituando e propondo-se a estabele- cer (CONAMA, 1989): ■ Limites Máximos de Emissão: a quantidade de poluentes permissível de ser lançada por fontes poluidoras para a atmosfera, que serão diferencia- dos em função da classificação de usos pretendidos para as diversas áreas e serão mais rígidos para as fontes novas de poluição - aqueles empreen- dimentos que não tenham obtido a licença prévia do órgão ambiental na data da publicação da Resolução. ■ Adoção de Padrões Nacionais de Qualidade do Ar: para uma avaliação permanente das ações de controle estabelecidas são adotados padrões de qualidade do ar, como ação complementar e referencial aos limites máxi- mos de emissão estabelecidos. Foram estabelecidos dois tipos de padrões de qualidade do ar: os primários e os secundários. ■ Prevenção de Deterioração Significativa da Qualidade do Ar: para implementar a política de não deterioração significativa da qualidade do ar em todo o território nacional, previa que as áreas deveriam ser enqua- dradas de acordo com a seguinte classificação de usos pretendidos: ■ Classe I: áreas de preservação, lazer e turismo, tais como Parques Nacionais e Estaduais, Reservas e Estações Ecológicas, Estâncias Hidrominerais e Hidrotermais. Nestas áreas, deverá ser mantida a qualidade do ar em nível o mais próximo possível do verificado sem a intervenção antropogênica. ■ Classe II: áreas onde o nível de deterioração da qualidade do ar seja limitado pelo padrão secundário de qualidade. ■ Classe III: áreas de desenvolvimento onde o nível de deterioração da qualidade do ar seja limitado pelo padrão primário de qualidade; por CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E180 meio de Resolução específica do CONAMA serão definidas as áreas Classe I e Classe III, sendo as demais consideradas Classe II.” ■ Monitoramento da Qualidade do Ar: com base na necessidade de conhecer e acompanhar os níveis de qualidade do ar, como forma de avaliação das ações de controle estabelecidas, estabeleceu a criação de uma Rede Nacional de Monitoramento da Qualidade do Ar, que deveria permitir o acompanhamento e a comparação com os respectivos padrões estabelecidos. ■ Gerenciamento do Licenciamento de Fontes de Poluição do Ar: esta- beleceu um sistema de disciplinamento da ocupação do solo baseado no licenciamento prévio das fontes de poluição, por meio do qual o impacto de atividades poluidoras deve ser analisado previamente, prevenindo a deterioração descontrolada da qualidade do ar. ■ Inventário Nacional de Fontes e Poluentes do Ar: estabeleceu a criação, objetivando desenvolver metodologias que permitam o cadastramento e a estimativa das emissões bem como o devido processamento dos dados referentes às fontes de poluição do ar. ■ Gestões Políticas: estabeleceu que o IBAMA coordene gestões junto aos órgãos da Administração Pública Direta ou Indireta, Federais, Estaduais ou Municipais e Entidades Privadas, no intuito de se manter permanente canal de comunicação, visando viabilizar a solução de aplicação de medi- das de controle da poluição do ar nos diferentes setores da sociedade. ■ Desenvolvimento Nacional na Área de Poluição do Ar: promover junto aos órgãos ambientais meios de estruturaçãode recursos humanos e labo- ratoriais a fim de se desenvolver programas regionais que viabilizarão o atendimento dos objetivos estabelecidos no PRONAR. ■ Ações de Curto, Médio e Longo Prazo: definiu metas de curto, médio e longo prazo para as ações, considerando: ■ Curto Prazo: definição dos limites de emissão para fontes poluidoras prioritárias; definição dos padrões de qualidade do ar; enquadramento das áreas na classificação de usos pretendidos; apoio à formulação dos Programas Estaduais de Controle de Poluição do Ar; capacitação labo- ratorial e capacitação de recursos humanos. PADRÕES DE QUALIDADE Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 181 ■ Médio Prazo: definição dos demais limites de emissão para fontes poluidoras; implementação da Rede Nacional de Monitoramento da Qualidade do Ar; criação do Inventário Nacional de Fontes e Emissões; capacitação laboratorial (continuidade) e capacitação de recursos humanos (continuidade). ■ Longo Prazo: capacitação laboratorial (continuidade); capacitação de recursos humanos (continuidade) e avaliação e retroavaliação do PRONAR. Para que as ações de controle definidas pudessem ser concretizadas e como meio de instrumentalizar tais medidas foram estabelecidos alguns instru- mentos de apoio e operacionalização: limites máximos de emissão; padrões de qualidade do ar; o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (PROCONVE); o Programa Nacional de Controle da Poluição Industrial (PRONACOP); o Programa Nacional de Avaliação da Qualidade do Ar; o Programa Nacional de Inventário de Fontes Poluidoras do Ar e os Programas Estaduais de Controle da Poluição do Ar que, sob uma perspectiva conceitual, dá ao PRONAR uma ótica de gestão. PNQA - Plano Nacional de Qualidade do Ar No ano de 2009, o Ministério das Cidades, o Ministério da Saúde e o Ministério do Meio Ambiente lançaram em conjunto o Plano Nacional de Qualidade do Ar. De acordo com o documento (MMA, 2009, p. 1): Ações de gestão são necessárias para prevenir ou reduzir as emissões de poluentes e os efeitos da degradação do meio aéreo, o que já foi de- monstrado ser compatível com o desenvolvimento econômico e social. A gestão da qualidade do ar envolve, portanto, medidas mitigadoras que tenham como base a definição de limites permissíveis de concen- tração dos poluentes na atmosfera, a restrição de emissão dos mesmos, bem como um melhor desempenho na aplicação dos instrumentos de comando e controle, entre eles o licenciamento ambiental e o monito- ramento. Os objetivos estratégicos do PNQA são (MMA, 2009): CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E182 ■ Reduzir as concentrações de contaminantes na atmosfera de modo a assegurar a melhoria da qualidade ambiental e a proteção à saúde, com- patibilizando o alcance de metas de qualidade do ar com desenvolvimento econômico; ■ Integrar políticas públicas e instrumentos que se complementam nas ações de planejamento territorial, setorial e de fomento e na aplicação de mecanismos de comando e controle necessários ao alcance de metas de qualidade do ar temporalmente definidas; ■ Contribuir para a diminuição da emissão de gases do efeito estufa. Observa-se que, apesar da abordagem mais moderna sobre o tema, ainda per- siste a ênfase no comando e controle. Complementarmente à legislação federal vigente, os Estados também possuem uma série de instrumentos legais destinados a medidas de controle da poluição e prevenção da degradação da qualidade do ar. POLUIÇÃO SONORA SOM O som puro é descrito como ondas de pressão que se propagam em um meio (ar) (VESILIND; MORGAN, 2011) e nos permite comunicar, faz-nos alertas ou pre- vine em muitas circunstâncias. De acordo com Saliba (2009), o som é qualquer POLUIÇÃO SONORA Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 183 vibração ou conjunto de vibrações ou ondas mecânicas que podem ser ouvi- das. Essas ondas são transmitidas por meio de várias fontes (veículos, televisão, conversa entre pessoas, eletrodomésticos etc.) e produzem no meio em que se propagam uma variação de pressão no ar, no caso, pressão das ondas sonoras ou, simplesmente, pressão sonora. Dessa maneira, as fontes sonoras são os meios pelos quais as ondas de pres- são são formadas no ar, podendo ser um equipamento em vibração, uma música, o chiado de uma chaleira etc. Para Vesilind e Morgan (2011), os ouvidos huma- nos saudáveis captam sons cuja frequência variam de aproximadamente 15 a 20.000 Hz, uma ampla faixa. Os sons de baixa frequência são graves, enquanto de alta frequência são mais agudos. De acordo com Rosa (2007), as ondas sonoras são as que possuem frequên- cia de vibração entre 20 e 20.000 Hz, sendo recebidas e processadas por nosso sistema auditivo e se originam a partir de vibrações do ar que são captadas pelo tímpano com frequência e amplitudes pré-definidas. Pessoas jovens e saudáveis podem ouvir frequências muito altas, que geralmente incluem os sinais de por- tas automáticas. Com a idade, infelizmente, com os danos causados, a habilidade de detectar uma ampla faixa de frequências diminui. A amplitude (A) representa a intensidade do som que percebemos. A sua variação é proporcionalmente relativa à variação da pressão atmosférica causada pela onda (pressão sonora) representada pela diferença de seus valores, máximo e médio, no tempo e num determinado ponto do espaço, ou, também, ao longo do espaço num determinado instante de tempo (SALIBA, 2009). Frequência (f) é o número de oscilações (vibrações completas) por segundo de uma determinada onda, sendo que a unidade de medida da frequência no Sistema Internacional (SI) é o hertz (Hz), que corresponde à frequência de um som que executa vibração completa ou um ciclo por segundo. Para uma onda sonora em propagação, a frequência é o número de ondas que passam por um determinado referencial em um intervalo de tempo (SALIBA, 2009). CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E184 MEDIÇÃO DO SOM O som é medido com um instrumento que converte a energia das ondas de pres- são em um sinal elétrico. Um microfone capta as ondas de pressão, e um medidor lê o nível de pressão sonora, diretamente calibrado para decibéis. Os dados obti- dos dessa forma com um medidor de nível de pressão sonora representam uma medição precisa do nível de energia do ar (VESILIND; MORGAN, 2011). Mas esse nível de pressão não é necessariamente o que os ouvidos humanos escutam, conforme já mencionado em tópico anterior, que o ouvido humano detecta frequências entre 20 e 20.000 Hz. A escala decibel (dB) usa o limiar da audição µPa como seu ponto de partida ou pressão de referência. Isso é definido como ser igual a 0dB. Cada vez que se multiplica por 10 a pressão sonora em Pa, adiciona-se 20 dB; assim, 200 µPa corresponde a 20 dB; 2.000 µPa corresponde a 40 dB e assim sucessivamente (DERISIO, 2012). EFEITOS DE RUÍDOS NA SAÚDE HUMANA Os efeitos do ruído, no homem, podem ser físicos, psicológicos e sociais. O ruído prejudica a audição, interfere em comunicações, provoca fadiga, incô- modo, aumenta produção de adrenalina, reações musculares e outros (DERISIO, 2012). Os efeitos quanto à saúde e bem-estar do homem são: ■ Redução da capacidade auditiva; ■ Resposta vegetativa, quer seja involuntária quer seja consciente;■ Cardiovascular; ■ Incômodo; ■ Alterações fisiológicas (como perturbação ao sono, aumento de riscos de acidentes e outros); ■ Medo, ansiedade. POLUIÇÃO SONORA Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 185 FONTES DE RUÍDO As fontes de ruído, para Derisio (2012), podem ser classificadas em estacioná- rias ou móveis, a saber: a. Estacionárias: encontram-se fixas em certos locais, como indústrias, cons- truções, casas noturnas e outros. b. Móveis: movimentam de um lugar para outro, como exemplos: veícu- los, aeronaves, trens. DEFINIÇÃO DE POLUIÇÃO SONORA A poluição sonora é um dos grandes problemas ambientais dos centros urbanos. Para Saliba (2009), a poluição sonora consiste na emissão de barulhos, ruídos e sons em limites perturbadores da comodidade auditiva. Todo ruído que causa incômodo pode ser considerado poluição sonora. A noção do que é barulho (ruído) pode variar de pessoa para pessoa, mas o organismo tem limites físicos para suportá-lo. Barulho em excesso pode provocar surdez e desencadear outras doenças, como pressão alta, disfunções. CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E186 REDUÇÃO E CONTROLE DE RUÍDOS As técnicas de controle de ruídos podem ser realizadas na própria fonte, no percurso entre a fonte e o receptor e podem ser utilizadas isolada ou simultane- amente, e deve contemplar medidas, a saber (DERISIO, 2012): ■ Substituição do equipamento por outro mais silencioso; ■ Redução ou minimização das forças envolvidas, as quais podem compre- ender uma correta lubrificação, alinhamento, equilíbrio das partes móveis e ancoragem do equipamento em suportes antivibratórios; ■ Alteração de processos produtivos, com a substituição de equipamentos em períodos pré-estabelecidos, eliminação ou redução de atividades em períodos noturnos. Para Vesilind e Morgan (2011), podemos ter: ■ Proteção do receptor: medidas que envolvem o uso de protetores auri- culares ou outros tipos de proteção; ■ Redução nas fontes do ruído: mudanças em motores utilizados, trocas de equipamentos; REDUÇÃO E CONTROLE DE RUÍDOS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 187 ■ Controle do caminho dos ruídos: aumento das paredes antirruídos ou barreiras ao longo das estradas. Os problemas relativos aos níveis excessivos de ruídos estão incluídos entre os sujeitos ao controle da poluição ambiental, em que a normatização e o estabele- cimento de padrões compatíveis com o meio ambiente equilibrado e necessário à sadia qualidade de vida, são atribuídos ao CONAMA, segundo o que está disposto no inciso II, do artigo 6º, da Lei 6.938 (BRASIL, 1981). Vimos, ante- riormente, que a identificação entre som e ruído é feita por meio da utilização de unidades de medição do nível de ruído. Com isso, também são definidos os padrões de emissão aceitáveis e inaceitáveis, criando-se e se permitindo a veri- ficação do ponto limítrofe com o ruído. O nível de intensidade sonora é apresentado, geralmente, em decibéis (dB) e é apurada com a utilização de um aparelho chamado decibelímetro. No que diz respeito ao ruído, é regulado pela Resolução do CONAMA 001/1990 (CONAMA 1990a), na qual considera um problema os níveis excessivos de ruídos bem como a deterioração da qualidade de vida causada pela poluição. Esta Resolução adota os padrões estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas e pela Norma Brasileira Regulamentar, NBR 10.151 (ABNT, 2000). A Resolução 001 do CONAMA (1990a, p. 1) determina que: I - A emissão de ruídos, em decorrência de quaisquer atividades indus- triais, comerciais, sociais ou recreativas, inclusive as de propaganda po- lítica obedecerá no interesse da saúde, do sossego público, aos padrões, critérios e dire- trizes estabelecidos nesta Resolução. II - São prejudiciais à saúde e ao sossego público, para os fins do item anterior aos ruídos com níveis superiores aos considerados aceitáveis pela norma NBR 10.152 - Avaliação do Ruído em Áreas Habitadas vi- sando ao conforto da comunidade, da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. III - Na execução dos projetos de construção ou de reformas de edifica- ções para atividades heterogêneas, o nível de som produzido por uma delas não poderá ultrapassar os níveis estabelecidos pela NBR 10.152 - Avaliação do Ruído em Áreas Habitadas visando ao conforto da co- munidade, da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E188 IV - A emissão de ruídos produzidos por veículos automotores e os produzidos no interior dos ambientes de trabalho, obedecerão às nor- mas expedidas, respectivamente, pelo Conselho Nacional de Trânsito - CONTRAN e pelo órgão competente do Ministério do Trabalho. V - As entidades e órgãos públicos (federais, estaduais e municipais) competentes, no uso do respectivo poder de política, disporão, de acor- do com o estabelecido nesta Resolução, sobre a emissão ou proibição da emissão de ruídos produzidos por quaisquer meios ou de qualquer espécie, considerando sempre os locais, os horários e a natureza das atividades emissoras, com vistas a compatibilizar o exercício das ativi- dades com a preservação da saúde e do sossego público. A NBR 10.151 (ABNT, 2000) dispõe sobre a avaliação do ruído em áreas habita- das, visando ao conforto da comunidade. Esta Norma fixa as condições exigíveis para a avaliação da aceitabilidade do ruído em comunidades, independentemente da existência de reclamações. Além da NBR 10.151, tem-se a NBR 10.152 (ABNT, 1987), que trata dos níveis de ruídos para conforto acústico, estabelecendo os limites máximos em decibéis a serem adotados em determinados locais. Exemplificando, em um res- taurante o nível de ruído não deve ultrapassar os 50 decibéis estabelecidos pela NBR 10.152. Vale lembrar que a NBR 10.152 referente à acústica de edificações sofreu alterações no ano de 2017. O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) considerando que o A norma NBR 10152 Acústica – Níveis de Pressão Sonora em Ambien- tes Internos a Edificações, foi revisada desde 2014, pelo Comitê Brasileiro da Construção Civil (CB-002), da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), foi publicada, e esse texto substituirá a NBR 10152 – Níveis de Ruí- do para Conforto Acústico, que está em vigor desde 1987. Saiba mais sobre as mudanças na NBR 10.152, acessando o link a seguir:<http://techne.pini. com.br/2017/12/nbr-10152-de-acustica-em-edificacoes -e-publicada-apos- -revisao/>. Acesso em: 19 mar. 2018. REDUÇÃO E CONTROLE DE RUÍDOS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 189 crescimento demográfico descontrolado ocorrido nos centros urbanos acarreta uma concentração de diversos tipos de fontes de poluição sonora, sendo fun- damental o estabelecimento de normas, métodos e ações para controlar o ruído excessivo que possa interferir na saúde e bem-estar da população, estabeleceu a Resolução 2 (CONAMA, 1990b), que veio a instituir o Programa Nacional de Educação e Controle da PoluiçãoSonora – Silêncio (12), com o seguinte obje- tivo (CONAMA, 1990b, p. 01): a) Promover cursos técnicos para capacitar pessoal e controlar os pro- blemas de poluição sonora nos órgãos de meio ambiente estaduais e municipais em todo o país; b) Divulgar junto à população, através dos meios de comunicação dis- poníveis, matéria educativa e conscientizadora dos efeitos prejudiciais causados pelo excesso de ruído. c) Introduzir o tema “poluição sonora” nos cursos secundários da rede oficial e privada de ensino, através de um Programa de Educação Na- cional; d) Incentivar a fabricação e uso de máquinas, motores, equipamentos e dispositivos com menor intensidade de ruído quando de sua utilização na indústria, veículos em geral, construção civil, utilidades domésticas etc. e) Incentivar a capacitação de recursos humanos e apoio técnico e lo- gístico dentro da política civil e militar para receber denúncias e tomar providências de combate para receber denúncias e tomar providências de combate à poluição sonora urbana em todo o Território Nacional; f) Estabelecer convênios, contratos e atividades afins com órgãos e en- tidades que, direta ou indiretamente, possam contribuir para o desen- volvimento do Programa SILÊNCIO. Em relação a níveis de ruído em ambientes internos, a competência é exclusiva do âmbito federal, a cargo do Ministério do Trabalho. CONTROLE E QUALIDADE DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E190 CONSIDERAÇÕES FINAIS Estudamos, nesta unidade, as principais fontes de poluição atmosférica, além de classificar os poluentes em primários e secundários. Vimos que os materiais particulados consistem em uma mistura de partículas líquidas e sólidas que estão em suspensão na atmosfera e classificamos de acordo com seu tamanho em: poeira, vapor, névoa, fumaça e sprays. Enquanto poluentes gasosos estão incluídas as substâncias que são gases a uma temperatura e pressão normais, e vapores de substâncias líquidas ou sólidas sob condições normais, por exemplo: monóxido de carbono, hidrocarbonetos, ácido sulfúrico, óxidos de nitrogênio, ozônio e outros. Vimos que as fontes fixas de poluição do ar são aquelas que ocupam uma área relativamente limitada e que podem ser avaliadas diretamente na fonte, como indústrias, mineração e produção de energia por meio de usinas termelétricas. Enquanto as fontes móveis são aquelas que não podem ser avaliadas diretamente na fonte, como veículos, aviões, trens e outros. Além disso, estudamos que os efeitos da poluição do ar podem ser caracterizados de acordo com a alteração das condições normais da atmosfera ou por aumento de problemas já existentes e que de uma forma geral, os efeitos causados pela poluição do ar são manifes- tados por muitos danos à saúde humana, materiais, propriedades da atmosfera, vegetação e economia. Também vimos as formas de controlar as emissões atmosféricas e os aspectos legais, estudamos os indicadores de qualidade do ar, os padrões de qualidade do ar e os programas de prevenção da qualidade do ar. Definimos, por fim, polui- ção sonora como a emissão de barulhos, ruídos e sons em limites perturbadores da comodidade auditiva, as suas consequências para a saúde humana e algumas técnicas de controle para o controle de ruídos, que podem ser feitas na própria fonte, percurso e receptor. 191 QUALIDADE DO AR Os processos industriais e de geração de energia, os veículos automotores e as queima- das são, dentre as atividades antrópicas, as maiores causas da introdução de substâncias poluentes à atmosfera, muitas delas tóxicas à saúde humana e responsáveis por danos à flora e aos materiais. A poluição atmosférica pode ser definida como qualquer forma de matéria ou energia com intensidade, concentração, tempo ou características que possam tornar o ar im- próprio, nocivo ou ofensivo à saúde, inconveniente ao bem-estar público, danoso aos materiais, à fauna e à flora ou prejudicial à segurança, ao uso e ao gozo da propriedade e à qualidade de vida da comunidade. De forma geral, a qualidade do ar é produto da in- teração de um complexo conjunto de fatores dentre os quais se destacam a magnitude das emissões, a topografia e as condições meteorológicas da região, favoráveis, ou não, à dispersão dos poluentes. Frequentemente, os efeitos da má qualidade do ar não são tão visíveis comparados a outros fatores mais fáceis de serem identificados. Contudo os estudos epidemiológicos têm demonstrado correlações entre a exposição aos poluentes atmosféricos e os efeitos de morbidade e mortalidade, causadas por problemas respiratórios (asma, bronquite, enfisema pulmonar e câncer de pulmão) e cardiovasculares, mesmo quando as concen- trações dos poluentes na atmosfera não ultrapassam os padrões de qualidade do ar vigentes. As populações mais vulneráveis são as crianças, os idosos e as pessoas que já apresentam doenças respiratórias. A poluição atmosférica traz prejuízos não somente à saúde e à qualidade de vida das pessoas, mas também acarretam maiores gastos do Estado, decorrentes do aumento do número de atendimentos e internações hospitalares, além do uso de medicamentos, custos esses que poderiam ser evitados com a melhoria da qualidade do ar dos centros urbanos. A poluição de ar pode também afetar, ainda, a qualidade dos materiais (corro- são), do solo e das águas (chuvas ácidas), além de afetar a visibilidade. A gestão da qualidade do ar tem como objetivo garantir que o desenvolvimento socio- econômico ocorra de forma sustentável e ambientalmente segura. Para tanto, fazem-se necessárias ações de prevenção, combate e redução das emissões de poluentes e dos efeitos da degradação do ambiente atmosférico. Gestão da Qualidade do Ar no Ministério do Meio Ambiente A gestão deste tema no MMA é atribuição da Gerência de Qualidade do Ar (GQA), vin- culada ao Departamento de Qualidade Ambiental na Indústria. Esta gerência foi criada com o objetivo de formular políticas e executar as ações necessárias, no âmbito do Go- verno Federal, à preservação e à melhoria da qualidade do ar. A GQA tem como atri- buições formular políticas de apoio e fortalecimento institucional aos demais órgãos do SISNAMA, responsáveis pela execução das ações locais de gestão da qualidade do ar, que envolvem o licenciamento ambiental, o monitoramento da qualidade do ar, a 192 elaboração de inventários de emissões locais, a definição de áreas prioritárias para o controle de emissões, o setor de transportes, o combate às queimadas, entre outras. Cabe, ainda, à GQA propor, apoiar e avaliar tecnicamente estudos e projetos relaciona- dos à preservação e à melhoria da qualidade do ar, implementar programas e projetos na sua área de atuação, assistir tecnicamente os órgãos colegiados de assuntos afeitos a essa temática (CONAMA; CONTRAN), elaborar pareceres e notas técnicas sobre os as- suntos de sua competência. Entre os programas da Gerência, destacam-se os programas para fontes específicas de poluição atmosférica, tais como o PRONAR, o PROCONVE, o PROMOT e o apoio aos Estados para a elaboração dos Planos de Controle da Poluição Veicular - PCPVs e dos Programas de Inspeção e Manutenção Veicular - I/M, conforme Resolução CONAMA nº 418/2009. Fonte: Brasil (2009). 193 1. São chamados de poluentes originados diretamente na atmosfera. Estamos falando de: a. Poluentes primários. b. Poluentes secundários. c. Poluentes terciários. d. Poluição atmosférica. e. Poluição por atividades industriais. 2. Consiste em um tratamento para remoção de particulados, que também é de- nominado de separador centrífugo. Trata-se de: a. Câmara gravitacional. b. Ciclone. c. Filtros de saco. d. Precipitador eletrostático. e. Lavador Venturi. 3. Os padrões de qualidade do ar,aqui no Brasil, foram estabelecidos pela Reso- lução CONAMA nº 3/1990. Diante disso, as concentrações de poluentes, que sejam excedidas e que podem afetar a saúde da população são chamadas de: a. Padrões primários. b. Padrões secundários. c. Padrões terciários. d. Monitoramento de qualidade do ar. e. Inventário Nacional de Fontes e Poluentes do Ar. 194 4. Consiste no número de vibrações completas por segundo de uma determina- da onda. Trata-se de: a. Ondas sonoras. b. Amplitude. c. Frequência. d. Som. e. Pressão. 5. É a norma que dispõe sobre a avaliação do ruído em áreas habitadas, visando ao conforto da comunidade. Estamos falando de qual Norma? a. NBR 10.151. b. NBR 10.152. c. NBR 10.155. d. NBR 10.044. e. NBR 10.066. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Introdução à Engenharia Ambiental P. Aarne Vesilind eSusan M. Morgan Editora: Cengage Learning Sinopse: Introdução à Engenharia Ambiental traz discussões, principalmente, sobre dois temas: o balanço de materiais e a ética ambiental. A obra é dividida em três partes: a primeira parte oferece exemplos de questões complexas que circundam a identifi cação e a solução dos problemas ambientais. A segunda parte introduz os conceitos fundamentais do balanço de materiais e reações que ocorrem em reatores. Na terceira parte esses princípios são aplicados à engenharia ambiental e à ciência. REFERÊNCIAS ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS E TÉCNICAS. NBR 10151. Acústica - Avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade - Procedimento. Rio de Janeiro, 2000. Disponível em: <http://www.semace.ce.gov. br/wp-content/uploads/2012/01/Avalia%C3%A7% C3%A3o+do+Ru%C3%AD- do+em+%C3%81reas+Habitadas.pdf>. Acesso em: 19 mar. 2018. ______. NBR 10152. Níveis de ruído para conforto acústico. Rio de Janeiro, 1987. Disponível em: < http://www.joaopessoa.pb.gov.br/portal/wp-content/uplo- ads/2015/02/NBR_10152-1987-Conforto-Ac_stico.pdf>. Acesso em: 9 mar. 2018. BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras pro- vidências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6938.htm>. Acesso em: 9 mar. 2018. ______. Resolução nº 003, de 28 de junho de 1990c. Dispõe sobre padrões de qualidade do ar, previstos no PRONAR. Disponível em: < http://www.mma.gov.br/ port/conama/legiabre.cfm?codlegi=100>. Acesso em: 19 mar. 2018. ______. Resolução nº 005, de 15 de junho de 1989. Dispõe sobre o Programa Na- cional de Controle da Poluição do Ar - PRONAR. Disponível em: <http://www.mma. gov.br/port/conama/res/res89/res0589.html>. Acesso em: 19 mar. 2018. ______. Resolução nº 418, de 25 de novembro de 2009. Dispõe sobre critérios para a elaboração de Planos de Controle de Poluição Veicular - PCPV e para a im- plantação de Programas de Inspeção e Manutenção de Veículos em Uso - I/M pe- los órgãos estaduais e municipais de meio ambiente e determina novos limites de emissão e procedimentos para a avaliação do estado de manutenção de veículos em uso. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/qualidade- -do-ar>. Acesso em: 19 mar. 2018. ______. Resolução nº 001, de 08 de junho de 1990a. Dispõe sobre critérios de padrões de emissão de ruídos decorrentes de quaisquer atividades industriais, co- merciais, sociais ou recreativas, inclusive as de propaganda política. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res90/res0190.html>. Acesso em: 19 mar. 2018. ______. Resolução nº 002, de 08 de junho de 1990b. Dispõe sobre o Programa Nacional de Educação e Controle da Poluição Sonora – <Silêncio>. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res90/res0290.html>. 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Bem como as certificações da família ISO. ■ Conceituar produção mais limpa. ■ Apresentar e conceituar Auditoria Ambiental, bem como as normatizações envolvidas nos processos de certificação. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Legislação Pertinente ■ A Gestão Ambiental de Empresas ■ Produção mais limpa ■ Auditoria Ambiental INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a) nesta unidade, vamos estudar a legislação ambiental perti- nente, trataremos de leis importantes que gestores precisam que são aplicáveis a organizações e/ou indústrias. Iniciaremos tratando sobre a questão de Políticas Públicas no Brasil, em seguida falaremos sobre os principais marcos da polí- tica ambiental brasileira, abrangendo as leis: código das águas, código florestal, Política Nacional de Meio Ambiente (Lei 6.938/81), lei da política agrícola, lei das águas, lei de crimes ambientais e Política Nacional de Resíduos Sólidos. Após, vamos falar sobre a importância da gestão ambiental para as organiza- ções, além de apresentar um histórico da questão ambiental desde a publicação do livro Primavera Silenciosa até os dias atuais. Trabalharemos com as abordagens da questão ambiental, sendo a primeira: controle da poluição, que consiste apenas em impedir os efeitos da poluição oca- sionados por determinado processoprodutivo. A segunda abordagem trata-se da prevenção da poluição, que envolve ações organizacionais buscando evitar, reduzir, modificar a geração da poluição, e a terceira abordagem, é a abordagem estratégica, na qual os problemas ambientais são visto como uma questão estra- tégica pela organização. Também vamos abordar uma questão importante referente a legislação ambiental que deve ser cumprida pelas organizações: o licenciamento ambien- tal, definiremos a licença prévia, licença de instalação e licença de operação, cada uma com suas particularidades. Além disso, vamos tratar sobre as normas e cer- tificações ambientais, propostas pela ISO 14001:2015. Falaremos sobre a produção mais limpa, seus aspectos, aplicações e impor- tância para as organizações, e vamos finalizar nossos estudos definindo auditoria ambiental, apresentando os diferentes tipos de auditorias ambientais e a audito- ria ambiental mediante a norma ISO 19011:2012. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 201 A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E202 LEGISLAÇÃO PERTINENTE Para Testa (2015), a Legislação Ambiental consiste em um conjunto de leis, nor- mas, regras e padrões criados para proteger o meio ambiente, buscando planejar e controlar os impactos ambientais. As atitudes relacionadas com a gestão ambiental só começaram a se manifes- tar por meio dos governos estaduais, ao passo que os problemas iam surgindo, isto é, eram medidas isoladas de caráter remediador ou reparador. As iniciativas iniciais no que diz respeito à gestão ambiental, eram apenas corretivas e não preventivas, a partir da década de 1970, tiveram início algumas medidas preventivas através de políticas governamentais. POLÍTICA PÚBLICA AMBIENTAL BRASILEIRA O Poder Público no Brasil começou a se preocupar com o meio ambiente na década de 1930. Não que antes não houvesse nada a esse respeito, mas eram pou- cas iniciativas e não eram tão eficazes. Para Barbieri (2016) antes do século XX, o campo político e institucional brasileiro não se sensibilizava com os problemas ambientais, embora não fal- tassem problemas que os apontassem. A abundância de terras férteis, além de outros recursos naturais, enaltecida desde a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, tornou-se uma espécie de dogma que impedia enxergar a des- truição que vinha ocorrendo desde o período da colonização. A degradação de uma área não era considerada um problema ambiental pela classe política. As denúncias sobre a má gestão e uso de recursos naturais não se encontravam eco na esfera política dessa época. Somente quando o Brasil começa a dar passos firmes em direção à industrialização inicia-se o esboço de uma política ambien- tal. Tomando como critério a eficácia da ação pública, e não apenas a geração de leis, pode-se apontar a década de 1930 como início de uma política ambien- tal mais efetiva. LEGISLAÇÃO PERTINENTE Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 203 PRINCIPAIS MARCOS DA POLÍTICA AMBIENTAL BRASILEIRA Agora, estudaremos os principais marcos da Política Ambiental Brasileira. Código das Águas - Decreto nº 24.643/1934 Norma legal que disciplina o aproveitamento industrial das águas e o aprovei- tamento e a exploração da energia elétrica, sendo dividida em duas partes. A primeira é reservada às águas em geral e ao seu domínio; já a segunda parte esta- belece uma disciplina legal para geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Código Florestal - Decreto nº 23793/1934 O Decreto nº 23.793/1934 estabeleceu o Código Florestal, que tratava de regras acerca de onde e de que forma a vegetação nativa do território brasileiro poderia ser explorada. Determinava, também, as áreas que devem ser preservadas e quais regiões podem receber diferentes tipos de produção rural. O Código Florestal sofreu modificações importantes e, em 1965, se tornou mais exigente. Teve sua última alteração em maio de 2012, por meio da Lei nº 12.521/2012. O Código Florestal brasileiro institui as regras gerais acerca de onde e de que forma o território brasileiro pode ser explorado, ao determinar as áreas de vegetação nativa que devem ser preservadas e quais regiões são legalmen- te autorizadas a receber os diferentes tipos de produção rural. Você já ouviu falar no novo Código Florestal? Saiba mais ao acessar ao link disponível em: <www. brasil.gov.br/meio-ambiente/2012/11/entenda-as-principais-re- gras-do-codigo-florestal>. Fonte: BRASIL. Entenda as principais regras do Código Florestal. 06 nov. 2012. Portal Brasil. Disponível em: <www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2012/11/ entenda-as-principais-regras-do-codigo-florestal>. Acesso em: 21 mar. 2018 A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E204 Política Nacional de Meio Ambiente - Lei nº 6.938/1981 A Lei nº 6.938/1981 estabeleceu a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA). A PNMA representou uma mudança importante no tratamento das questões ambientais, na medida em que procura integrar as ações governamentais den- tro de uma abordagem sistemática. Tem como tem por objetivo a preservação, a melhoria e a recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar as condições de desen- volvimento socioeconômico, os interesses da segurança nacional e a proteção da dignidade humana. O meio ambiente como um todo é considerado patrimônio público que deve ser protegido, tendo em vista o uso coletivo (BRASIL, 1981). Com essa Lei, foi instituído o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), responsável pela proteção e melhoria do meio ambiente e constituído por órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Podemos observar os componentes do SISNAMA no Quadro 1. Quadro 1 - Componentes do SISNAMA ÓRGÃO COMPONENTE Órgão supe- rior Conselho de Governo que auxilia o presidente da República na formulação de políticas públicas. Órgão Consultivo e Deliberativo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), presidido pelo ministro do meio ambiente. Esse órgão analisa, delibera e propõe diretrizes e normas acerca da política ambiental. Órgão Cen- tral Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal (MMA). Órgão responsável por planejamento, coordenação, supervisão e controle da Política Nacional do Meio Ambiente. Órgãos Exe- cutores Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversi- dade. Autarquias vinculadas ao Ministério do Meio Ambiente que executam e fiscalizam a política ambiental no âmbito federal. LEGISLAÇÃO PERTINENTE Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 205 Órgãos Seccionais Órgãos ou entidades estaduais responsáveis pela execução de programas e projetos e pelo controle e pela fiscalização de ativi- dades capazes de provocar a degradação ambiental. Órgãos Locais Órgãos ou entidades municipais responsáveis pelo controle e pela fiscalização dessas atividades nas suas respectivas jurisdi- ções. Fonte: adaptado de Brasil (1981). Ao se espelharem no SISNAMA, os estados criaram seus Sistemas Estaduais do Meio Ambiente para integrar as ações ambientaisde diferentes entidades públi- cas nesse âmbito de abrangência. Outra inovação importante foi o conceito de responsabilidade objetiva do poluidor. O poluidor fica obrigado, independente de existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros afetados por suas atividades (BARBIERI, 2016). De acordo com Dias (2011) o princípio do poluidor-pagador é uma das prin- cipais normas do direito ambiental e um importante instrumento de políticas governamentais. O princípio torna a organização que contamina responsável pelo pagamento do prejuízo que causou, dessa maneira, os custos de tratamen- tos dos danos ou de recuperação de áreas poluídas não reincidem no governo. O Art. 9º da Lei nº 6.938/81 aborda os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente (BRASIL, 1981, p. 3): I - o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental; II - o zoneamento ambiental; III - a avaliação de impactos ambientais; IV - o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras; V - os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação ou absorção de tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade am- biental; VI - a criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Po- der Público federal, estadual e municipal, tais como áreas de proteção ambiental, de relevante interesse ecológico e reservas extrativistas; VII - o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente; VIII - o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de De- A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E206 fesa Ambiental; IX - as penalidades disciplinares ou compensatórias ao não cumpri- mento das medidas necessárias à preservação ou correção da degrada- ção ambiental. X - a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, a ser divulgado anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. XI - a garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambien- te, obrigando-se o Poder Público a produzi-las, quando inexistentes; XII - o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente polui- doras e/ou utilizadoras dos recursos ambientais. XIII - instrumentos econômicos, como concessão florestal, servidão ambiental, seguro ambiental e outros. A Constituição Federal (CF) de 1988 estabelece que a construção, a instalação, a ampliação e o funcionamento de estabelecimentos e de atividades utilizadoras dos recursos ambientais, considerados efetivos ou potencialmente poluidores, dependeriam de prévio licenciamento por órgão estadual integrante do SISNAMA, sem prejuízo de outras licenças exigíveis (BRASIL, 1988). Assim, também se torna importante conhecermos o capítulo VI, do art. 225 da Constituição Federal de 1998, o qual afirma que: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impon- do-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preser- vá-lo para as presentes e futuras gerações. Lei da Política Agrícola - Lei nº 8.171/1991 Essa lei tem com principal objetivo proteger o meio ambiente, define que o poder público deve disciplinar e fiscalizar o uso racional do solo, da água, da fauna e da flora. O Estado também deve realizar zoneamentos agroecológicos, buscando ordenar a ocupação de atividades produtivas, desenvolver programas de educa- ção ambiental e incentivar a produção de mudas de espécies nativas. LEGISLAÇÃO PERTINENTE Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 207 Lei dos Recursos Hídricos - Lei nº 9.433/1997 Também conhecida como a Lei dos Recursos Hídricos ou Lei das Águas, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH). Segundo a Lei das Águas, a Política Nacional de Recursos Hídricos tem seis fundamentos. A água é consi- derada um bem de domínio público e um recurso natural limitado, dotado de valor econômico, sendo sua gestão baseada em usos múltiplos (abastecimento, energia, irrigação, indústria etc.) (BRASIL, 1997). O instrumento legal prevê que a gestão dos recursos hídricos deve propor- cionar os usos múltiplos das águas, de forma descentralizada e participativa, contando com a participação do Poder Público, dos usuários e das comunida- des. O consumo humano e de animais é prioritário em situações de escassez (BRASIL, 1997). Lei de Crimes Ambientais - Lei nº 9.605/98 Condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente passaram a ser punidas, de forma civil, administrativa e criminal. A lei não trata apenas de punições severas, pois incorpora métodos e possibilidades de não aplicação das penas, desde que o infrator recupere o dano, ou, de outra forma, pague sua dívida à sociedade (BRASIL, 1998). Política Nacional de Resíduos Sólidos - Lei nº 12.305/2010 A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi um marco regulatório na área de Resíduos Sólidos. A PNRS faz a distinção entre resíduo (lixo que pode ser reaproveitado ou reciclado) e rejeito (o que não é passível de reaproveitamento), além de se referir a todo tipo de resíduo: doméstico, industrial, da construção civil, eletroeletrônico, lâmpadas de vapores mercuriais, agrosilvopastoril, da área de saúde e perigosos (BRASIL, 2010). A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E208 Figura 1 - Reciclagem e aproveitamento de resíduos A PNRS instituiu o princípio de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, incluiu a chamada logística reversa, que refere ao con- junto de ações para facilitar o retorno dos resíduos aos seus geradores, a fim de que sejam tratados ou reaproveitados em novos produtos e estabeleceu princí- pios para a elaboração dos Planos Nacional, Estadual, Regional e Municipal de Resíduos Sólidos. Ainda propiciou oportunidades de cooperação entre o poder público federal, estadual e municipal, o setor produtivo e a sociedade em geral (BRASIL, 2010). Dentre os principais instrumentos instituídos pela PNRS (BRASIL, 2010, p. 3), destacam-se: I - os planos de resíduos sólidos; II - os inventários e o sistema declaratório anual de resíduos sólidos; III - a coleta seletiva, os sistemas de logística reversa e outras ferramen- tas relacionadas à implementação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos; IV - o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis; V - o monitoramento e a fiscalização ambiental, sanitária e agropecuária; LEGISLAÇÃO PERTINENTE Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 209 VI - a cooperação técnica e financeira entre os setores público e priva- do para o desenvolvimento de pesquisas de novos produtos, métodos, processos e tecnologias de gestão, reciclagem, reutilização, tratamento de resíduos e disposição final ambientalmente adequada de rejeitos; VII - a pesquisa científica e tecnológica; VIII - a educação ambiental; IX - os incentivos fiscais, financeiros e creditícios; X - o Fundo Nacional do Meio Ambiente e o Fundo Nacional de De- senvolvimento Científico e Tecnológico; XI - o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir); XII - o Sistema Nacional deInformações em Saneamento Básico (Si- nisa); XIII - os conselhos de meio ambiente e, no que couber, os de saúde; XIV - os órgãos colegiados municipais destinados ao controle social dos serviços de resíduos sólidos urbanos; XV - o Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos Perigosos; XVI - os acordos setoriais; XVII - no que couber, os instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente, entre eles: a) os padrões de qualidade ambiental. Os principais objetivos da PNRS são (BRASIL, 2010): ■ não geração, redução, reutilização e tratamento de resíduos sólidos; ■ destinação final ambientalmente adequada dos rejeitos; ■ diminuição do uso de recursos naturais, no processo de produção de ■ novos produtos; ■ intensificação de ações de educação ambiental; ■ aumento da reciclagem no país; ■ promoção da inclusão social; ■ geração de emprego e renda para catadores de materiais recicláveis. A GESTÃO AMBIENTAL DE EMPRESAS Agora que já estudamos as legislações ambientais pertinentes, conheceremos um pouco sobre a gestão ambiental e suas formas de gestão dentro de uma empresa. GESTÃO AMBIENTAL Segundo Campos (2001, p. 116), a gestão ambiental é definida como sendo: a administração do uso dos recursos ambientais, por meio de ações ou medidas econômicas, investimentos e potenciais institucionais e jurídi- cos, com a finalidade de manter ou recuperar a qualidade de recursos e desenvolvimento social. Dessa maneira, temos uma sociedade e em- presas mais preocupadas e conscientes de suas responsabilidades frente à exploração dos recursos naturais, assim, surgiu a necessidade de uma gestão mais especializada, com uma visão estratégica no que diz respei- to à exploração dos recursos de maneira mais racional. Dessa forma, podemos afirmar que a gestão ambiental iniciou a partir da necessi- dade de o homem organizar sua maneira de relacionar-se com o meio ambiente. De acordo com Valle (2002, p. 39), a gestão ambiental consiste em: um conjunto de medidas e procedimentos definidos e adequadamente aplicados que visam reduzir e controlar os impactos introduzidos por um empreendimento sobre o meio ambiente. Para segundo Barbieri (2016, p. 18), a gestão ambiental: compreende as diretrizes e as atividades administrativas realizadas por uma organização para alcançar efeitos positivos sobre o meio ambiente, ou seja, para reduzir, eliminar ou compensar os problemas ambientais decorrentes da sua atuação e evitar que outros ocorram no futuro. As ações para combater a poluição começaram a ser efetivadas somente a par- tir da Revolução Industrial, e de acordo com Barbieri (2016), embora desde a Antiguidade diversas experiências já tivessem sido tentadas, com o intuito de reti- rar o lixo urbano que se alastrava ruas e cidades, prejudicando o meio ambiente e a saúde dos habitantes. Na segunda metade do século XIX, começou também um intenso debate entre os membros da comunidade científica e artística para A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E210 delimitar as áreas do ambiente natural a serem protegidas e foram criados san- tuários onde a vida selvagem pudesse ser preservada. Assim, a questão ambiental era restrita a pequenos grupos de políticos e cien- tistas e foi se espalhando devido ao grau de deterioração que o meio ambiente estava sofrendo. O Quadro 2 apresenta-nos os marcos históricos da questão ambiental. Quadro 2 - Marcos históricos da questão ambiental ANO DESCRIÇÃO 1962 Publicação do livro “Primavera Silenciosa”, de Rachel Carson, o qual teve uma grande repercussão pública e expôs os perigos da utiliza- ção do DDT. 1968 Clube de Roma - um grupo de cientistas, educadores e empresários se reuniram em Roma e tiveram como objetivo discutir os dilemas atuais e futuros do homem. 1972 Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (Conferência de Estocolmo), que teve como resultado a declaração de um plano de ação para o Meio Ambiente Humano. Foi a primeira conferência que procurou preservar o meio ambiente, pois naquela época, acreditava-se que o meio ambiente era uma fonte inesgotá- vel e a relação homem-natureza era desigual - de um lado, os seres humanos gananciosos tentando satisfazer seus desejos de conforto e consumo; do outro, a natureza com toda a sua riqueza e exuberância, sendo a fonte principal para as ações dos homens. 1987 Relatório Brundtland (ou Nosso Futuro Comum), que publicou a definição de desenvolvimento sustentável utilizada até hoje, que consiste no desenvolvimento que satisfaz às necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades. A GESTÃO AMBIENTAL DE EMPRESAS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 211 1992 Rio 92 (ou Eco 92) que consolidou o conceito de desenvolvimento sustentável e aprovou a Agenda 21. 1996 Emissão da norma ISO 14001 (primeira versão) - teve adesões sem escala crescente por parte das empresas internacionais e nacionais. 1997 O Protocolo de Kyoto foi um tratado internacional que teve como objetivo fazer com que os países desenvolvidos assumissem o compromisso de reduzir a emissão de gases que agravam o efeito estufa, para analisar os impactos causados pelo aquecimento global. Também foram realizadas discussões para estabelecer metas e criar formas de desenvolvimento que não sejam prejudiciais ao Planeta. 2002 Rio+10 (Joanesburgo - África do Sul) reuniu representantes de 189 países, além da participação de centenas de Organizações Não Governamentais (ONGs). As discussões na Rio+10 não se restringiram à preservação do meio ambiente, englobaram, também, aspectos sociais. 2012 Rio + 20: uma das grandes discussões da Conferência foi acerca do papel de uma instância global que seja capaz de unir as metas de preservação do meio ambiente com as necessidades contínuas de progresso econômico, isto é, progredir sem agredir o meio ambiente. Fonte: adaptado de Silva e Crispim (2011). Isso já começa a demonstrar que mostra que o número de pessoas preocupadas com a questão ambiental e que começam a exigir das organizações uma postura mais pró-ativa no que diz respeito ao meio ambiente. ABORDAGENS DA GESTÃO AMBIENTAL Existem três diferentes abordagens de que as empresas podem se valer para lida- rem com problemas ambientais: controle da poluição, prevenção da poluição e estratégica. O Controle da poluição, para Barbieri (2016), é caracterizado por práticas administrativas e operacionais que têm por intuito impedir os efeitos da poluição gerada por certo processo produtivo. Aqui as ações ambientais são A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E212 resultantes de uma postura reativa da organização. As soluções tecnológicas buscam controlar a poluição gerada sem alterar seus processos produtivos, tendo dois tipos: tecnologia de remediação e con- trole no final do processo (end-of-pipe). A tecnologia de remediação procura resolver problemas que já ocorreram, como tecnologia para remediação de um solo contaminado, enquanto as tecnologias end-of-pipe (ou fim de tubo) pro- curam captar e tratar a poluição resultante de seus processos produtivos, como por exemplo, uma chaminé ou uma planta de tratamento de efluentes (Figura 2): Figura 2 - Planta de tratamento de efluentes A prevenção da poluição envolve ações empresariais que buscam atuar sobre os produtos e processos produtivos com o intuito de evitar, reduzir, modificar a geração da poluição, isso requer mudanças em processos produtivosa fim de reduzir ou eliminar os rejeitos na fonte, isto é, antes que eles sejam produzidos e lançados ao ambiente. Suas prioridades são: reduzir na fonte, reciclagem (ou reuso), recuperação energética, tratamento e disposição final. A abordagem estra- tégica, os problemas ambientais são tratados como uma das questões estratégicas da empresa, relacionadas com a busca de uma situação vantajosa no futuro, tais A GESTÃO AMBIENTAL DE EMPRESAS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 213 como lucratividade, melhoria na imagem no mercado, entre outros. Para Barbieri (2016, p. 90), a gestão ambiental traz os benefícios estratégicos: a) melhoria da imagem institucional; b) renovação do portfólio de produtos; c) aumento da produtividade; d) maior comprometimento dos funcionários e melhores relações do trabalho; e) criatividade e abertura para novos desafios; f) melhores relações com autoridades públicas, comunidade e grupos ambientais ativistas; g) acesso assegurado aos mercados externos; h) mais facilidade para cumprir os padrões ambientais. (Barbieri, 2016, p. 90).” O Quadro 3 resume as abordagens da gestão ambiental empresarial. Quadro 3 - Abordagens da gestão ambiental empresarial CARACTERÍSTICAS ABORDAGEM DO CONTROLE DA POLUIÇÃO ABORDAGEM DA POLUIÇÃO A B O R D A G E M ESTRATÉGICA Preocupação básica Cumprir legisla- ção e respostas as pressões da comunidade. Uso eficiente dos insumos. Ccompetitividade Postura reativa reativa e proativa reativa e proativa Ações típicas Corretivas; uso de tecnologias de re- mediação e fim de tubo; aplicações de normas de saúde e segurança do trabalho. Corretivas e preventivas; conservação e substituição de insumos; tecnolo- gias limpas. Corretivas, pre- ventivas e anteci- patórias. Percepção dos empresários custo adicional Redução do custo; aumento de pro- dutividade. Vantagens compe- titivas. A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E214 Envolvimento da alta administração esporádico periódico permanente e sistemático Áreas envolvidas áreas geradoras da poluição crescente envolvi- mento de outras áreas como pro- dução, compras, desenvolvimento de produto e marketing. atividades am- bientais dissemi- nadas pela organi- zação; ampliação das ações ambien- tais para a cadeia de suprimentos. Fonte: Barbieri (2016, p. 86). LICENCIAMENTO AMBIENTAL O licenciamento é um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) que tem como objetivo agir preventivamente sobre a proteção do bem comum do povo, o meio ambiente, além de compatibilizar sua preservação com o desenvolvimento econômico-social, essencial para a sociedade (TCU, 2007). O Licenciamento Ambiental pode ser definido como: Procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreen- dimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, considera- das efetiva ou potencialmente poluidoras; ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as dispo- sições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso (CONAMA, 1997, p. 1). Dessa maneira, a Licença Ambiental pode ser entendida como: Ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente estabelece as condições, restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou jurídica, para loca- lizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou atividades utiliza- doras dos recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degra- dação ambiental (CONAMA, 1997, p. 1). A GESTÃO AMBIENTAL DE EMPRESAS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 215 De acordo com TCU (2007, p. 10), a licença ambiental é: uma autorização emitida pelo órgão público competente, que é conce- dida ao empreendedor para que possa exercer seu direito à livre inicia- tiva, desde que sejam atendidas às precauções requeridas, com o intui- to de resguardar o direito coletivo ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. O licenciamento ambiental é composto por três tipos de licença: a licença prévia, a licença de instalação e a licença de operação. Cada uma das licenças refere-se a uma fase distinta do empreendimento e segue uma sequência lógica. É impor- tante compreendermos que essas licenças não dispensam o empreendedor da obtenção de outras autorizações ambientais específicas junto aos órgãos compe- tentes, a depender da natureza do empreendimento e dos recursos ambientais envolvidos. Por exemplo, se temos uma indústria que for utilizar algum recurso hídrico em sua atividade, também é necessária a outorga de direito de uso do recurso hídrico, de acordo os preceitos da Lei 9.433/97, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos. Tipos de Licenciamento Ambiental Veremos a seguir os tipos de licenciamento ambiental: licença prévia, licença de instalação e licença de operação. Licença prévia (LP) É a licença que precisa ser solicitada na fase preliminar de planejamento da ativi- dade, deve conter os requisitos básicos a serem atendidos nas fases de localização, instalação e operação, observados os planos municipais, estaduais e federais de uso do solo (CONAMA, 1997). Seu objetivo é definir as condições a partir das quais o projeto se torne compatível com a preservação do meio que afetará. Consiste no compromisso que o empreendedor assume de que irá seguir o pro- jeto, de acordo com os requisitos determinados pelo órgão ambiental (TCU, 2007). É importante salientar que as atividades que são consideradas efetivas ou potencialmente causadoras de significativa degradação ambiental, a concessão da A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E216 licença prévia irá depender da aprovação de estudo prévio de impacto ambien- tal e do respectivo relatório de impacto sobre o meio ambiente (EIA/RIMA) (CONAMA, 1997). Além disso, esses instrumentos também são essenciais para a solicitação de financiamentos e obtenção de incentivos fiscais. A licença prévia tem extrema importância no atendimento ao princípio da prevenção (TCU, 2007). Licença de instalação (LI) A licença de instalação é a autorização para o início da implantação, de acordo com as especificações constantes no projeto executivo aprovado. O início da instalação do empreendimento ou da atividade só deve acontecer depois da expe- dição da licença de instalação, em que são verificadas especificações constantes nos planos, programas e projetos aprovados, bem como medidas de controle ambiental, de compensação e outras consideradas importantes na fase anterior (CONAMA, 1997). Ao conceder a licença de instalação, o órgão gestor de meio ambiente terá (TCU, 2007): ■ autorizado o empreendedor a começar as obras; ■ concordado com as especificações constantes dos planos, programas e projetos ambientais, seus detalhamentos e respectivos cronogramas de implementação; ■ verificado o atendimento das condicionantes determinadas na licença prévia; ■ estabelecido medidas de controle ambiental, com vistas a garantir que a fase de implantação do empreendimento obedecerá aos padrões de qua- lidade ambiental estabelecidos em leiou regulamentos. Licença de operação (LO) A licença de operação autoriza, após as verificações necessárias, o início da atividade licenciada e o funcionamento de seus equipamentos de controle da A GESTÃO AMBIENTAL DE EMPRESAS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 217 poluição, de acordo com o previsto na licença prévia e de instalação (CONAMA, 1997). A licença de operação é aquela que autorizará o início das operações do empreendimento ou da atividade objeto do projeto, sua expedição depende da verificação e do cumprimento das etapas anteriores e tem três características básicas (TCU, 2007): 1. É concedida após a verificação, pelo órgão ambiental do efetivo cumpri- mento das condicionantes estabelecidas nas licenças anteriores (prévia e de instalação); 2. Contém as medidas de controle ambiental (padrões ambientais) que servi- rão de limite para o funcionamento do empreendimento ou da atividade; 3. Especifica as condicionantes determinadas para a operação do empre- endimento, cujo cumprimento é obrigatório, sob pena de suspensão ou cancelamento da operação. Cada uma das licenças ambientais tem prazos de validade que estão apresenta- das no Quadro 4. Quadro 4 - Prazos de validade das Licenças ambientais TIPO DE LICENÇA PRAZO MÁXIMO PRAZO MÍNIMO Licença Prévia (LP) 5 anos Prazo estabelecido pelo cronograma de planos, pro- gramas e projetos relativos à atividade ou ao empre- endimento. Esse prazo poderá ser prorrogado desde que não ultrapasse o prazo máximo da licença. Licença de Instalação (LI) 6 anos Licença de Operação (LO) 10 anos Mínimo de 4 anos ou o prazo considerado nos planos de controle ambiental. Prazos específicos para empre- endimentos ou atividades sujeitos a encerramentos ou modificações em prazos inferiores. Fonte: Barbieri (2016, p. 267). A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E218 Além disso, é importante entendermos que nem toda a atividade ou empreen- dimento está sujeita ao licenciamento ambiental. Para saber qual atividade deve passar por todo processo de licenciamento, a Resolução 237 (CONAMA, 1997), no seu anexo 1, apresenta as atividades sujeitas ao licenciamento. No entanto, caso você tenha dúvida de alguma atividade, deve ser feita uma consulta ao órgão ambiental competente, pois a lista do anexo 01, não se trata de uma lista exaustiva. São exemplos do anexo 01 da Resolução 237 de 1997, de atividades sujeitas ao licenciamento ambiental (CONAMA, 1997): ■ Extração e tratamento de minerais; ■ Indústria de produtos minerais não metálicos; ■ Indústria metalúrgica; ■ Indústria mecânica; ■ Indústria de material elétrico, eletrônico e comunicações; ■ Indústria de material de transporte; ■ Indústria de madeira; ■ Indústria de papel e celulose; ■ Indústria de borracha; ■ Indústria de couros e peles; ■ Indústria química; ■ Indústria de produtos de matéria plástica; ■ Indústria têxtil, de vestuário, calçados e artefatos de tecidos; ■ Indústria de produtos alimentares e bebidas; ■ Indústria de fumo; ■ Indústrias diversas; ■ Obras civis (rodovias, hidrovias, ferrovias, barragens, e outros) ■ Serviços de utilidade (produção de energia termoelétrica, transmissão A GESTÃO AMBIENTAL DE EMPRESAS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 219 de energia elétrica, estações de tratamento de água, interceptores, emis- sários, estação elevatória e tratamento de esgoto sanitário, tratamento e destinação de resíduos industriais (líquidos e sólidos) e outros); ■ Transporte, terminais e depósitos; ■ Turismo (complexos turísticos e de lazer, inclusive parques temáticos e autódromos); ■ Atividades diversas; ■ Atividades agropecuárias; ■ Uso de recursos naturais (silvicultura, exploração econômica da madeira ou lenha e subprodutos florestais, atividade de manejo de fauna exótica e criadouro de fauna silvestre e outros). NORMAS DA FAMÍLIA ISO 14000 As normas ISO 14000 são uma família de normas que procuram estabelecer ferramentas e sistemas para gestão ambiental de uma organização, buscam a padronização de algumas ferramentas-chave de análise, tais como a auditoria A Resolução CONAMA Nº 001/86 define que o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) é o conjunto de estudos realizados por especialistas de diversas áreas, com dados técnicos detalhados. O acesso a ele é restrito, em respeito ao sigilo industrial. O relatório de impacto ambiental, RIMA, refletirá as conclu- sões do estudo de impacto ambiental (EIA). O RIMA deve ser apresentado de forma objetiva e adequada à sua compreensão, as informações devem ser traduzidas em linguagem acessível, ilustradas por mapas, cartas, quadros, gráficos e demais técnicas de comunicação visual, de modo que se possam entender as vantagens e desvantagens do projeto bem como todas as con- sequências ambientais de sua implementação. Saiba mais sobre o EIA/RIMA, acessando o link: <http://www.matanativa.com.br/blog/o-que-e-eia-rima- -estudo-e-relatorio-de-impacto-ambiental/>. Fonte: Mata Nativa ([2018], on-line)1. A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E220 ambiental e a análise do ciclo de vida (BRASIL, 2017). O Quadro 5 apresenta- -nos as normas da família ISO 14000: Quadro 5 - Família ISO 14000 NORMA DESCRIÇÃO ISO 14001 Sistema de Gestão Ambiental (SGA) ISO 14004 Sistema de Gestão Ambiental - Diretrizes Gerais ISO 14010 Guias para Auditoria Ambiental - Diretrizes Gerais ISO 14011 Diretrizes para Auditoria Ambiental e Procedimentos para Audito- rias ISO 14012 Diretrizes para Auditoria Ambiental - Critérios de Qualificação ISO 14020 Rotulagem Ambiental - Princípios Básicos ISO 14021 Rotulagem Ambiental - Termos e Definições ISO 14022 Rotulagem Ambiental - Simbologia para Rótulos ISO 14023 Rotulagem Ambiental - Testes e Metodologias de Verificação ISO 14024 Rotulagem Ambiental - Guia para Certificação com Base em Análi- se Multicriterial ISO 14031 Avaliação da Performance Ambiental ISO 14032 Avaliação da Performance Ambiental dos Sistemas de Operações ISO 14040 Análise do Ciclo de Vida - Princípios Gerais ISO 14041 Análise do Ciclo de Vida - Inventário ISO 14042 Análise do Ciclo de Vida - Análise dos Impactos ISO 14043 Análise do Ciclo de Vida - Migração dos Impactos Fonte: ABNT (2017). A GESTÃO AMBIENTAL DE EMPRESAS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 221 A principal norma da família ISO 14000 é a ISO 14001, que estabelece os requi- sitos necessários para implementação do Sistema de Gestão Ambiental (SGA), que tem por objetivo gerir a organização dentro de um SGA certificável, estru- turado e integrado à atividade geral de gestão, buscando apresentar requisitos que sejam aplicáveis a qualquer tipo e tamanho de organização (SEIFFERT, 2011). Segundo Barbieri (2016), de forma sucinta, o SGA proposto deve cum- prir estes requisitos: ■ Política Ambiental; ■ Planejamento; ■ Implementação e Operação; ■ Verificação e Ação Corretiva. No que diz respeito à Política Ambiental, é preciso que a alta administração defina sua política ambiental e assegure que ela (BRASIL, 2015, p. 8): • seja apropriadaà natureza, à escala e aos impactos ambientais de suas atividades, produtos ou serviços; • inclua o comprometimento com a melhoria contínua e com a pre- venção da poluição; • inclua o comprometimento com o atendimento à legislação, às normas ambientais aplicáveis e aos demais requisitos da organi- zação; • forneça estrutura para o estabelecimento e a revisão dos objetivos e das metas ambientais; • seja documentada, implementada, mantida e comunicada a todos os colaboradores; • esteja disponível para o público. ISO 14001 A ISO 14001 pode ser implementada e aplicada por qualquer tipo de organiza- ção de todos os portes e segmentos. É uma norma aplicável para empresas que desejam (ROBLES JR, 2003, p. 136): A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E222 • Implantar, manter e aprimorar um sistema de gestão ambiental. • Assegurar-se do atendimento a sua política ambiental. • Demonstrar tal conformidade a terceiros. • Buscar certificação/registro de seu SGA por uma organização ex- terna. • Realizar auto-avaliação e emitir declaração de conformidade à norma (ROBLES JR, 2003, p. 136). A primeira edição da ISO 14001 foi no ano de 1996, a segunda edição em 2004, quando se buscou esclarecer a edição de 1996 e alinhá-la melhor com a norma ISO 9001:2000. Com isso, algumas seções não modificadas em seu conteúdo foram reescritas para alinhar à ISO 14001:2004 com o formato, os termos e a diagramação da ISO 9001:2000 e para aumentar a compatibilidade entre as duas normas (SEIFFERT, 2011). ISO 14001:2015 Após onze anos da publicação da última revisão da norma ISO 14001 (em 2004), no segundo semestre de 2015, ocorreu o lançamento oficial da ISO 14001:2015, que estabelece os requisitos para implementação e certificação do Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Essa nova versão teve várias modificações que ocor- reram para adaptar a norma de acordo com a estrutura do Anexo SL, que tem por intuito criar uma estrutura padrão para todas as normas que orientam a implantação e a certificação dos sistemas de gestão. O prazo final para transição das empresas que têm a certificação ISO 14001:2004 é até o final de 2018. As empresas certificadas pela versão de 2004, da ISO 14001, precisam fazer a transição em 2018. Fonte: adaptado de ABNT (2017). A GESTÃO AMBIENTAL DE EMPRESAS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 223 Dessa maneira, de acordo com a ABNT (2015), a nova estrutura da ISO 14001, também proposta no anexo SL é: ■ Introdução; ■ Escopo; ■ Referência normativa; ■ Termos e definições; ■ Contexto da organização; ■ Liderança; ■ Planejamento; ■ Apoio; ■ Operação; ■ Avaliação de desempenho; ■ Melhoria. Essa estrutura da nova versão é a mesma ISO 9001 que aborda o Sistema de Gestão de Qualidade (SGQ). A estrutura que sustenta um SGA é baseada no ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act). O ciclo PDCA fornece um processo interativo utilizado pelas organizações para alcançar a melhoria contínua. Esse ciclo pode ser aplicado a um sistema de gestão ambiental e a cada um dos seus elementos individuais (ABNT, 2015). A Figura 3 apresenta-nos a estrutura da norma ISO 14001:2015 integrada ao ciclo PDCA: A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E224 Figura 3 - Modelo do Sistema de Gestão Ambiental Fonte: Carpinetti e Gerolamo (2016, p. 159). A Estrutura de Alto Nível distribui as cláusulas em 10 seções (ou seja, em 10 itens), alinhadas com a abordagem PDCA (Figura 1), de modo a dar sequência lógica aos requisitos dos sistemas de gestão e propõe texto comum para requisi- tos muito estáveis dos sistemas de gestão, tais como a informação documentada, as ações corretivas, as auditorias internas, a revisão pela gestão, dentre outros. Assim, a nova versão da ISO 14001 tem a estrutura apresentada no Quadro 6 (ABNT, 2015): A GESTÃO AMBIENTAL DE EMPRESAS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 225 Quadro 6 - Estrutura da Norma ISO 14001:2015 0. Introdução 1. Escopo 2. Referências normativas 3. Termos e definições P L A N E J A R 4. Contexto da organização: 4.1 Entendendo a organização e seu contexto. 4.2 Entendendo as necessidades e as expectativas de partes interessadas. 4.3 Determinando o escopo do sistema de gestão ambiental (SGA). 4.4 Sistema de Gestão Ambiental 5. Liderança 5.1 Liderança e comprometimento 5.2 Política ambiental 5.3 Papéis, responsabilidades e autoridades organizacionais 6. Planejamento 6.1 Ações para abordar riscos e oportunidades 6.1.1 Generalidades 6.1.2 Aspectos ambientais 6.1.3 Requisitos legais e outros requisitos 6.1.4 Planejamento das ações 6.2 Objetivos ambientais e planejamento para alcançá-los 6.2.1 Objetivos ambientais A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E226 6.2.2 Planejamento de ações para alcançar os objetivos ambien- tais 7. Apoio 7.1 Recursos 7.2 Competência 7.3 Conscientização 7.4 Comunicação 7.4.1 Generalidades 7.4.2 Comunicação interna 7.4.3 Comunicação externa 7.5 Informação documentada 7.5.1 Generalidades 7.5.2 Criando e atualizando. 7.5.3 Controle de informação documentada. EXECUTAR 8. Operação 8.1 Planejamento e controle operacionais 8.2 Preparação e resposta a emergências A GESTÃO AMBIENTAL DE EMPRESAS Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 227 AVALIAR 9. Avaliação de desempenho 9.1 Monitoramento, medição, análise e avaliação 9.1.1 Generalidades 9.1.2 Avaliação do atendimento aos requisitos legais e outros requisitos 9.2 Auditoria Interna 9.2.1 Generalidades 9.2.2 Programa de auditoria interna 9.3 Análise crítica pela direção AGIR 10. Melhoria 10.1 Generalidades 10.2 Não conformidade e ação corretiva 10.3 Melhoria contínua Fonte: adaptado de ABNT (2015). A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E228 PRODUÇÃO MAIS LIMPA Durante o ano de 1989, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) introduziu o conceito de produção mais limpa para definir a apli- cação contínua de uma estratégia ambiental preventiva e integral que envolve processos, produtos e serviços, de maneira que se previnam ou reduzam os ris- cos de curto ou longo prazo para o ser humano e o meio ambiente (DIAS, 2017). A produção mais limpa (P+L) adota os procedimentos, a saber: ■ Processos de produção: conservando as matérias-primas e energia, eli- minando aquelas que são tóxicas bem como reduzindo a quantidade e a toxicidade de todas as emissões e resíduos. ■ Produtos: buscando reduzir os impactos ambientais negativos ao longo do ciclo de vida do produto, desde a extração da matéria-prima até a dis- posição final. ■ Serviços: incorporando as preocupações ambientais no projeto e forne- cimento de serviços. PRODUÇÃO MAIS LIMPA Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 229 ■ Além disso, podemos definir como sendo uma estratégia ambiental, de caráter preventivo que é aplicada a processos, produtos e serviços empre- sariais com o intuito de utilizar eficientemente os recursos e a diminuir o impacto ambiental no meio ambiente (DIAS, 2017). Para o CNTL (1999), a produção mais limpa é uma aplicação contínua de uma estratégia ambiental, econômica e tecnológica que está integrada aos processos e produtos, com o intuito de aumentar a eficiência no uso de matérias-primas, energia, água, por meio da não geração, minimização ou reciclagem de resíduos gerados. A Figura 4 apresenta-nos os níveis de P+L: Figura 4 - P + L - Níveis de intervenção Fonte: adaptado de Barbieri (2016, p. 101). A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E230 Podemos observar, na Figura 4, que as alternativas do nível 1, que constituem a prioridade máxima, envolvem modificações em processos e produtos com o intuito de reduzir emissões e resíduos na fonte bem como para eliminar e redu- zir sua toxicidade. Para Barbieri (2016), essas modificações ocorrem mediante revisões de suas especificações para reduzir geração de resíduos, realizadas por meio de: • boas práticas operacionais (housekeeping): procedimentos admi- nistrativos e operacionais usuais, como planejamento e programa- ção da produção, gestão de estoques, organização do local de tra- balho, limpeza, manutenção de equipamentos, providências para evitar acidentes nos deslocamentos de materiais, coleta e separa- ção de resíduos, padronização de atividades, elaboração e atualiza- ção de manuais, fichas técnicas, treinamento e outros. • substituição de materiais: avaliação e seleção de materiais para re- duzir ou eliminar materiais perigosos nos processos produtivos ou na geração de resíduos perigosos, por exemplo, substituir solven- tes químicos por solventes à base de água, selecionar matérias-pri- mas e materiais auxiliares que gerem menos resíduos; • mudanças na tecnologia: inovações nos processos produtivos para reduzir emissões e perdas, podendo ser inovações incrementais, como mudanças nas especificações do processo ou no layout, ou radicais, como novos equipamentos, instalações e outros compo- nentes do processo (BARBIERI, 2016, p. 100). Emissões e ruídos que continuam sendo gerados nos processos devem ser reu- tilizados internamente, como apresentado no nível 2. Já no nível 3, quando não existe a possibilidade do resíduo ou da emissão ser utilizado na própria uni- dade produtiva que o gerou, pode ser feita a reciclagem externa, por meio de doações ou venda. Caso isso ainda não seja possível, podem ser tratados para serem assimilados no meio ambiente, como a compostagem (ciclos biogênicos) (BARBIERI, 2016). PRODUÇÃO MAIS LIMPA Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 231 OUTROS MODELOS DE GESTÃO AMBIENTAL Veremos agora outros modelos de gestão ambiental. Administração da Qualidade Total (TQM) No ano de 1990, 21 empresas multinacionais formaram a Global Environmental Management Initiative (Gemi), que criou o conceito de Total Quality Environmental Management (TQEM), uma extensão dos conceitos da Administração da Qualidade Total (TQM). A Administração da Qualidade Total (TQM) tem como meta o defeito zero, e a Administração da Qualidade Ambiental Total tem como meta a poluição zero. Para alcançar seus objetivos ambientais, a TQEM utiliza ferramentas típicas da qualidade, como diagrama de causa e efeito, ben- chmarking, diagramas de fluxos de processos, gráfico de Pareto e ciclo PDCA (BARBIERI, 2016). Veja no Quadro 7: Quadro 7 - Ferramentas da qualidade FERRAMENTA DESCRIÇÃO Ciclo PDCA Do inglês, plan, do, check, act, propõe a análise dos processos com vistas à sua melhoria. Diagrama de causa e efeito Sua representação é comparada a uma espinha de peixe, em que, na coluna do meio, sinalizada por uma seta, é representado o efeito ou a consequência e, na parte lateral, acima e abaixo da seta, estão as causas que interferem no processo. Gráfico de Pareto Pode ser utilizado, para classificar causas que atuam em um pro- cesso com maior ou menor intensidade, ou, ainda, com diferen- tes níveis de importância. Lista de verificação (checklist) É um método pelo qual se faz a constatação de quantas vezes algo ocorre e mostra a frequência de sua ocorrência. Também, é conhecida como folha de checagem. É uma das ferramentas mais simples e mais eficientes para analisar o desenvolvimento de atividades ao longo de um processo. A POLÍTICA AMBIENTAL NO BRASIL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E232 Gráficos de controle Buscam trabalhar com as variações de um processo e estão restritos a áreas determinadas do processo. Como regra geral, os gráficos de controle são instrumentos para separar causas alea- tórias das causas assinaláveis, verificam se o processo é estável, se o processo está sob controle e se permanecem assim e, ainda, permitem a análise das tendências do processo. Fonte: Carvalho e Paladini (2012, p. 358). Os custos de prevenção estão associados a ações para evitar problemas ambien- tais futuros, os custos de avaliação consistem nas ações para verificar como a organização está em relação aos cumprimentos das normas legais. Os custos de falhas internas estão relacionados às ações para controle de impactos ambien- tais, já os custos de falhas externas relacionam-se às ações para controlar, reparar e mitigar impactos produzidos fora da empresa (DIAS, 2017). Ecoeficiência A ecoeficiência tem por intuito o uso mais eficiente de matérias-primas e ener- gia, com o objetivo de reduzir os custos econômicos, os impactos ambientais e os riscos de acidente, melhorando a relação da organização com as partes inte- ressadas (DIAS, 2017). Assim, uma empresa torna-se ecoeficiente para Barbieri (2016) quando: ■ reduz o consumo de materiais com bens e serviços; ■ reduz o consumo de energia com bens e serviços; ■ reduz a dispersão de substâncias tóxicas; ■ intensifica a reciclagem de materiais; ■ maximiza o uso sustentável dos recursos naturais; ■ prolonga a durabilidade dos produtos; ■ agrega valor aos bens e serviços. A ecoeficiência é baseada na ideia de que a redução de materiais e energia, ao longo do sistema produtivo, aumenta a competitividade da empresa ao mesmo tempo que reduz as pressões sobre o meio ambiente (DIAS, 2017). A ecoeficiência PRODUÇÃO MAIS LIMPA Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 233 está relacionada a três importantes objetivos (DIAS, 2017): 1. Redução do consumo de recursos; 2. Redução no impacto na natureza; 3. Aumento de produtividade ou do valor do produto. Os princípios para a definição e para a utilização dos indicadores de ecoeficiên- cia estão apresentados a seguir: 1. Serem relevantes e significativos na proteção do meio ambiente e da saúde humana e/ou na melhoria da qualidade de vida. 2. Fornecerem informação aos tomadores de decisão, com o objetivo de melhorar o desempenho da organização. 3. Reconhecerem a diversidade inerente a cada negócio. 4. Apoiarem o benchmarking e monitorarem a evolução do desempenho. 5. Serem claramente definidos, mensuráveis, transparentes e verificáveis. 6. Serem compreensíveis e significativos para as várias partes interessadas.