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INTRODUÇÃO Um dos assuntos mais fascinantes para alguém interessado na área de medicamentos é saber como uma substância química, utilizada como fármaco, exerce a sua atividade dentro do nosso corpo. Alguns desses fármacos são quirais ou têm quiralidade, ou seja, têm em sua estrutura um ou mais átomos (na maioria das vezes carbono) que têm a sua orientação tridimensional muito bem definida. A modificação dessa orientação pode levar à diminuição do efeito biológico, à sua total supressão ou ao aparecimento de um efeito biológico adverso. Convém deixar claro que a quiralidade não é condição para que uma substância apresente efeito farmacológico, entretanto se a estrutura tiver um centro quiral é importante saber qual a orientação espacial responsável pela atividade. O QUE É QUIRALIDADE? Quiralidade é um atributo geométrico, e diz que um objeto que não pode ser sobreposto à sua imagem especular é quiral, enquanto que um objeto aquiral é aquele em que a sua imagem especular pode ser sobreposta ao objeto original. EXEMPLOS DE FÁRMACOS QUIRAIS O exemplo mais conhecido de um fármaco no qual cada um dos seus enantiómeros tem propriedades biológicas distintas é o caso da talidomida. Neste caso, verificou-se que um dos enantiómeros da talidomida possui propriedades sedativas, e que o outro enantiómero possui propriedades teratogénicos. Imagem da esquerda – Isómero S (Propriedades terotogénicas) Imagem da direita – Isómero R (Efeito sedativo) Outros exemplos: Anfetamina Dopamina Cetamina