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2016 14 Maria Bethania 03 10 16 FINALIZADO 1

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de se considerar a possibilidade de acompanhamento psicológico 
pré e/ou pós-operatório; 
 Métodos e técnicas psicológicos mais utilizados: Entrevista Psicológica 
ampla e detalhada, Testes psicológicos como os de personalidade e, eventualmente, 
de inteligência (em caso de dúvidas sobre habilidade intelectual do paciente.). 
 
Segundo Flores (2014) é imprescindível que todos os candidatos à cirurgia sejam 
submetidos a avaliação psicológica mais aprofundada, com o intuito de reduzir as 
complicações que podem aparecer após o procedimento, o que irá diminuir o risco assumido 
pelos pacientes e pela equipe, envolvidos nesse processo. O psicólogo que realiza avaliação 
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para CB é responsável por investigar os mais diversos aspectos da vida do paciente, não 
apenas para determinar sua prontidão para a operação, mas também para educá-lo acerca das 
mudanças implicadas através dela. 
 A Avaliação Psicológica se refere ao modo de conhecer fenômenos e processos 
psicológicos por meio de procedimentos de diagnóstico e prognóstico e, ao mesmo tempo, aos 
procedimentos de exame propriamente ditos para criar as condições de aferição ou 
dimensionamento dos fenômenos e processos psicológicos conhecidos. (ALCHIERI, J.C. & 
CRUZ, R.M., 2004) 
 Franques (2004) ressalta a importância da avaliação psicológica e do trabalho 
psicológico pré-operatório no prognóstico e na aderência do paciente ao tratamento pós 
operatório. 
Travado, Pires, Martins, Ventura & Cunha, (2004) reiteram que uma abordagem 
multidisciplinar que inclua intervenções psicológicas é primordial para o tratamento cirúrgico 
da obesidade. Desta forma a avaliação psicológica possui fundamental importância a fim de 
identificar na fase pré-operatória, demandas psicológicas e comportamentais que possam de 
alguma forma influenciar no sucesso da perda de peso na fase pós cirúrgica. 
Machado e Morona (2007) esclarecem que o processo de avaliação psicológica para a 
CB, deverá ter como objetivo a verificação e correta compreensão dos seguintes pontos: 
-O objetivo do sujeito com a cirurgia – que expectativas tem, como encara a 
obesidade, que benefícios imagina que a cirurgia irá trazer, o nível de consciência 
dos riscos envolvidos; 
- A condição de saúde em geral – física e psíquica; 
- O estabelecimento de um prognóstico a partir da cirurgia (se for o caso da 
indicação). Como o sujeito poderá se adaptar ao novo estilo de vida, as 
possibilidades de transferência da compulsão, as tendências à ansiedade e depressão. 
 
Ainda segundo Machado e Morona (2007), pode-se dizer que: 
...a metodologia para a avaliação do candidato à cirurgia bariátrica não pode ser 
baseada em fórmulas prontas, com a indicação desta (s) ou daquela (s) técnica (s). O 
psicólogo deverá, trabalhar de forma a estabelecer um processo de avaliação 
utilizando os instrumentos que melhor forem atingir os objetivos traçados, com o 
intuito de responder à pergunta crucial formulada no início da avaliação, ou seja: o 
candidato tem condições psicológicas para se submeter a cirurgia e a todos os 
procedimentos posteriores, todas as mudanças que ocorrerão, assim como adaptar-se 
a um novo estilo de vida e relacionamento? 
 
A obesidade não é considerada uma doença psiquiátrica, embora possa estar associada 
a transtornos como ansiedade e depressão. Assim sendo, torna-se de suma importância a 
abordagem desse aspecto no acompanhamento e tratamento de pacientes obesos (ALMEIDA, 
2015); 
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Almeida et al. (2015), realizou um trabalho cujo objetivo era avaliar a ansiedade e 
depressão em pacientes com excesso de peso atendidos em ambulatório especializado em PE, 
com uma amostra de 130 pacientes; para tanto utilizou-se das Escalas de Depressão de Beck 
(BDI) e de Ansiedade (BAI). 
Franques e Ascencio (2006) relatam estudos de diagnósticos de depressão e sua 
intensidade em pacientes candidatos a cirurgia bariátrica. Elas se referem ao uso do teste 
Inventário de depressão de Beck - BDI como ferramenta de diagnóstico e para auxiliar a 
escolha da conduta do tratamento para esses pacientes. 
Wadden e Sarwer (2006) também discutem a avaliação psicológica dos pacientes que 
procuram a cirurgia bariátrica e quais são as complicações psicossociais mais frequentes 
nessas pessoas. Após analisarem artigos que discorriam sobre os transtornos alimentares e 
sobre a depressão e a cirurgia bariátrica, concluíram que há poucos resultados sobre o quanto 
essas psicopatologias podem afetar o pós-operatório dos pacientes. 
A Entrevista Psicológica ampla e detalhada e testes psicológicos como os de 
personalidade e, eventualmente de inteligência (em caso de dúvidas sobre habilidade 
intelectual do paciente.) são os instrumentos mais utilizados na avaliação psicológica para 
cirúrgia barátrica (COF/CRP-08, 2016). 
Glinski, Wetzler e Goodman (2001) alertam para que sejam observados na referida 
avaliação psicológica os fatores psicossociais no tratamento da obesidade, considerando 
também a adequação cognitiva comportamental dos pacientes, sendo esses fatores de bom 
prognóstico do tratamento. Ainda segundo os mesmos autores a TCC colabora com os 
programas de autocontrole, com a redução dos estados emocionais negativos e possibilita 
melhor funcionamento psicossocial. 
França, (2014) em sua tese de doutorado entrevistou 18 psicólogos que realizam 
avaliação psicológica para CB. Constatando que nesta avaliação diversos instrumentos podem 
ser utilizados. Nessa pesquisa houve entrevistado que respondeu utilizar apenas 1 
instrumento, até outro profissional que utiliza 6 instrumentos em sua avaliação. A maioria 
relatou utilizar 3 instrumentos para realizar sua coleta de dados junto aos pacientes. Os 
instrumentos citados foram: entrevista individual; entrevista com familiar; testes psicológicos; 
sessão informativa (pedagógica); entrevista de devolução; e outros: técnicas da TCC como 
exercícios de respiração; elaboração de um diário alimentar (um registro detalhado da 
alimentação do paciente durante um período de tempo combinado em que são anotados: o 
horário da refeição; qual o alimento ingerido; qual o sentimento que o paciente percebia sentir 
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no momento em que comeu e, em um caso, qual a nota que ele atribuía a sua fome e a sua 
vontade de comer); redação; e seleção de fotografias. 
 A maioria dos entrevistados 67% fazem uso de testes psicológicos, enquanto 33% não 
o fazem. Os testes mais citados são Escala de Hamilton, EAT, HTP,EFN. Da TCC foram 
citados as escalas de Beck, BAI, BDI e Escala de Intenção Suicida (BSI) (FRANÇA, 2014). 
 Constatou que 33% dos entrevistados utilizam-se da escala BAI, sendo estes de 
diversas abordagens, não somente TCC. Em relação ao BDI, 22% utilizam esta escala, 
divididos em diversas abordagens. Deste total 50% são psicanalistas, 25% da TCC e 25% de 
outras abordagens. Já em relação a escala de ideação suicida BSI, somente 6% dizem fazer 
uso deste instrumento (FRANÇA, 2014). 
 No referido estudo ainda, os profissionais foram solicitados a escreverem seus critérios 
para considerarem apto ou inapto um candidato à cirurgia bariátrica. Os critérios citados 
foram: presença de depressão aguda, uso de álcool, uso de drogas, presença de medo 
excessivo do procedimento, presença de fantasias em relação à cirurgia, diagnóstico de 
psicose, diagnósticos de transtornos psiquiátricos em geral, problemas de saúde física, 
diagnóstico de retardo mental, ausência de suporte familiar, o paciente ter esgotado todas as 
outras formas de tratamento para a obesidade e outros critérios (FRANÇA, 2014). 
 Oliveira e Yoshida (2008), em trabalho de revisão de literatura também constatam a 
utilização do BDI como um dos instrumentos utilizados na

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