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Contabilidade Gerencial / Aula 1: Contextualização da Contabilidade Gerencial Introdução - Nesta aula, você irá reconhecer como surgiu e se desenvolveu, ao longo do tempo, o ramo da Contabilidade voltado para a gestão. Irá compreender também a diferença da Contabilidade Financeira/Comercial/Societária em comparação à Contabilidade Gerencial. E por fim, irá reconhecer a importância da Contabilidade Gerencial para o processo de gestão empresarial, analisando o papel da informação gerencial contábil para ajudar nas atividades decisórias e de resolução de problemas. Bons estudos! Objetivos - Identificar o cenário contemporâneo da Contabilidade sob a perspectiva gerencial. Discutir as diferenças significativas entre a Contabilidade Gerencial e Contabilidade Financeira. Compreender o funcionamento do sistema de informações gerenciais. Créditos - Aderbal Torres Revisor / Laís Silva Designer Instrucional / Luís Rodrigues Web Designer / Rostan Luiz Desenvolvedor Panorama da Contabilidade Gerencial A Contabilidade é uma das ciências mais antigas do mundo e a que tem o registro científico mais antigo também, pois nas pinturas rupestres, desenhos primitivos dos homens das cavernas, está claro que a intenção daqueles registros era o controle do patrimônio, objeto de estudo da Ciência Contábil. Contudo, ao longo do tempo, a Contabilidade foi se desenvolvendo e passando por diversas transformações em processo de evolução. Fonte: https://goo.gl/UtkymE Assista a um rápido vídeo contando a história da Contabilidade ao longo dos séculos até os dias atuais. Percebeu como o homem sempre se preocupou em controlar seu patrimônio? Desta forma foi desenvolvendo ferramentas que possibilitasse o efetivo domínio das operações que alterasse o seu patrimônio com o objetivo de gerenciar seus recursos. Nascimento da Contabilidade Gerencial A Contabilidade Gerencial veio da Contabilidade de Custos, a primeira contabilidade efetivamente voltada ao controle gerencial e à tomada de decisão interna envolvendo todas as áreas de gerenciamento da empresa. Até a Revolução Industrial, o que se tinham eram as casas de ofício e os artesãos, bem característico da produção de bens e serviços da Idade Média. Após o surgimento da indústria, com a produção em larga escala, veio a necessidade de se identificar o custo de produção e o custo unitário de um produto para definir o preço de venda, a lucratividade, a viabilidade ou não de produção dentre outros indicadores que iremos estudar ao longo desta disciplina. Veja como era a contabilidade antes e depois da Revolução Industrial: Antes da Revolução Industrial Praticamente não existia contabilidade, já que as operações resumiam basicamente em comercialização de mercadorias, os estoques eram registrados e avaliados pelo seu custo real de aquisição. Após Revolução Industrial Necessidade de mais quantidade e mais precisão das informações, que permitissem uma tomada de decisão correta. Diante do que já vimos, como podemos definir a contabilidade gerencial? Conceito de Contabilidade Gerencial Destacamos os conceitos apresentados por alguns autores: Crepaldi (2012): Contabilidade Gerencial é o ramo da Contabilidade cujo objetivo é fornecer instrumentos aos administradores que os auxiliem em suas funções gerenciais. É voltada para um melhor uso dos recursos de uma organização, por meio de um adequado controle dos insumos, efetuado por um sistema de informação gerencial. Anthony (2011): Contabilidade Gerencial é o processo de identificar, mensurar, relatar e analisar as informações sobre os eventos econômicos da organização. Neste sentido, podemos perceber que a Contabilidade Gerencial deve proporcionar informações úteis que possibilitem os gestores a tomarem decisões tempestivamente e com um determinado nível de segurança. Funções da Contabilidade Gerencial São duas as funções mais relevantes: PRIMEIRA - Auxílio no Controle. SEGUNDA - Ajuda à Tomada de decisões. Por que estudar Contabilidade Gerencial? Para atender às necessidades gerenciais de três tipos: Informações sobre a rentabilidade e o desempenho de diversas atividades da entidade. Auxílio no planejamento, controle e desenvolvimento das operações. Dados para a tomada de decisões. Atenção O conhecimento dos custos é de vital importância para a empresa saber a viabilidade de determinado produto em função do seu preço de mercado e sua estrutura de custos para produzi-lo. Exercício! 1. Podemos afirmar que a Contabilidade Gerencial surgiu a partir: a) da Contabilidade Financeira, com o avanço do desenvolvimento econômico. b) da Contabilidade de Custos, com a necessidade da gestão em obter informações integradas da Contabilidade com as demais ciências como Administração, Economia, e Estatística. c) da Contabilidade Comercial, com a Revolução Francesa e do surgimento da burguesia. d) da Controladoria, com a Revolução Industrial. e) da Administração, com a Revolução Comercial. 2. Quais são as funções da Contabilidade Gerencial? a) Auxílio na decisão e Ajuda na tomada de controle. b) Preparação das Demonstrações Contábeis e Apuração dos Impostos. c) Apuração dos impostos e Ajuda na tomada de decisões. d) Auxílio no Controle e Ajuda na tomada de decisões. e) Auxílio no Controle e Preparação das Demonstrações Contábeis. Contabilidade Financeira X Contabilidade Gerencial Contabilidade Comercial/Financeira Produz dado para a arrecadação dos impostos da empresa e informações gerais para sua gama de usuários obedecendo aos padrões e às normas de Contabilidade, para que assim possa haver a comparabilidade da performance financeira de cada instituição. Contabilidade Gerencial Produz uma informação voltada para a gestão interna da empresa, não necessariamente seguindo as normas contábeis, mas sim a necessidade específica dos gestores. No quadro a seguir, temos um comparativo das principais diferenças entre a Contabilidade Financeira e a Contabilidade Gerencial. Sistema de Informações Gerenciais Um sistema de Informações Gerenciais é uma integração dos conhecimentos úteis, sob o aspecto gerencial, para a tomada de decisões da administração da empresa, oriundos de vários ramos da Contabilidade e de outras ciências. Em outras palavras, é o sistema que permite o gerenciamento da informação contábil em favor da administração da empresa. Como vimos, um Sistema de Contabilidade Gerencial é composto por conhecimentos de diferentes áreas. São elas: Sistema de Contabilidade Gerencial Contabilidade Financeira Contabilidade de Custos Análise de Balanços Economia Contabilidade Gerencial Administração Estatística Ciências comportamentais Outras ciências Podemos sintetizar o sistema de informações gerenciais a partir das seguintes ferramentas de controle, conforme descrito no quadro a seguir: Controle Operacional Fornece informação (feedback) sobre a eficiência e a qualidade das tarefas executadas. Custeio do Produto e do Cliente Mensura os custos dos recursos para se reproduzir, vender e entregar um produto ou serviço aos clientes. Controle Administrativo Fornece informações sobre o desempenho de gerentes e de unidades operacionais. Controle Estratégico Fornece informações sobre o desempenho financeiro e competitivo de longo prazo, condições de mercado, preferências dos clientes e inovações tecnológicas. Fonte: Adaptado de (CREPALDI, 2012) Exercício! 1. Não representa uma ferramenta de controle do sistema de Informações Gerenciais: a) Controle Operacional b) Custeio do Produto e do Cliente c) Controle Administrativo d) Controle Estratégico e) Controle Fiscal 2. As informações geradas, pela Contabilidade Gerencial, são utilizadas: a) Apenas pelos usuários externos b) Apenas pelos usuários internos c) Pelos usuários internos e externos d) Pela auditoria Interna e) Pela auditoria externa Atividade 1 - Analise a afirmativa a seguir: “As ferramentas da Contabilidade Gerencial são aplicadas ao gerenciamento dos recursos de grandesempresas, não sendo aplicáveis às micros e pequenas empresas.” Essa afirmativa é verdadeira? Justifique sua resposta. GABARITO A afirmativa está errada. A Contabilidade Gerencial aplica-se a todo tipo de negócio, independente da atividade operacional e do tamanho da empresa. É importante que o pequeno empresário tenha conhecimento que por meio da utilização da Contabilidade Gerencial, como instrumento de apoio na gestão dos negócios, sua empresa poderá tornar-se mais competitiva, pois o uso de todas as ferramentas disponíveis que possibilitem gerar informações úteis para a gestão dos negócios, será crucial para a permanência da empresa no mercado. 2 - Cite as principais diferenças entre a Contabilidade Gerencial e Contabilidade Financeira: GABARITO A principal diferença entre elas é com relação ao direcionamento das informações que produzem. A Contabilidade Financeira tem como objetivo a produção de informações gerais sobre a empresa, envolvendo apenas medidas financeiras, como foco no passado e voltada aos usuários externos. A Contabilidade Gerencial tem como objetivo a produção de informações específicas da empresa, envolvendo além de medidas financeiras, informações técnicas e segregadas por produtos, clientes ou áreas da empresa, e são voltadas exclusivamente aos usuários internos. Contabilidade Gerencial / Aula 2: Gestão estratégica de custos Introdução - Nesta aula, você irá reconhecer os conceitos básicos da terminologia de custos e suas aplicações, imprescindível para gestão correta e controle dos gastos da empresa. Irá analisar, de forma prática e objetiva, a terminologia da Contabilidade de Custos com foco na gestão correta e estratégica dos custos de uma empresa. Estudaremos esses aspectos conceituais da terminologia de custos como elemento estratégico no processo de gestão. Bons Estudos! Objetivos - Reconhecer a terminologia da contabilidade de custos, seus conceitos e suas aplicações. Classificar os gastos (custos e despesas) quanto a sua relação aos produtos e quanto a sua variabilidade. Identificar o custo como elemento estratégico no processo de gestão. Créditos Aderbal Torres Revisor / Laís Silva Designer Instrucional / Luís Rodrigues Web Designer / Rostan Luiz Desenvolvedor Terminologia de custos O estudo conceitual de custos e suas terminologias é de suma importância para o processo de gestão empresarial tendo em vista que muitos usuários das informações contábeis realmente não conseguem compreender perfeitamente o significado de muitos termos utilizados pela contabilidade. Assista ao vídeo “Custos, despesas e perdas: Qual a diferença?” para entender melhor o que significa Custos. Para o funcionamento das suas operações, as empresas precisam fazer uma série de sacrifícios financeiros. Custos, gastos, desembolsos, despesas para a contabilidade, não são sinônimos, cada um desses elementos tem seu conceito distinto. Vejamos a seguir: GASTOS - Termo abrangente e definido como todo e qualquer sacrifício que a empresa precisa arcar, visando à obtenção de bens ou serviços, mediante a entrega ou promessa de entrega de parte de seu ativo, sendo esses ativos representados normalmente em dinheiro. O gasto pode ser um custo, despesa, investimento, perda ou desperdício. Exemplos: • Material de expediente consumido no processo administrativo; • Matéria-prima consumida no processo produtivo; • Energia elétrica consumida na área industrial; • Serviço de frete consumido no processo de venda. DESEMBOLSOS - Saídas de dinheiro do caixa ou das contas bancárias das empresas, ou seja, são pagamentos. Em relação ao momento da contabilização dos gastos, os desembolsos podem ocorrer antes (pagamento antecipado), no momento (pagamento a vista) ou depois da ocorrência (pagamento a prazo). Exemplos: • Desembolso antecipado ao gasto: compra de matéria-prima a vista, em janeiro, para gasto/consumo pela fábrica em março. • Desembolso no momento do gasto: aquisição de peças à vista, para manutenção de uma máquina, as quais serão usadas imediatamente pelo técnico. • Desembolso depois da ocorrência do gasto: salário do pessoal de janeiro, cujo pagamento ocorrerá no 5º dia útil do mês seguinte: em fevereiro. CUSTOS - São gastos relativos a bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou serviços. Os custos são gastos ligados à produção. Exemplos: • Custo da produção de bens ou custo industrial: matéria-prima consumida; mão de obra produtiva (dos departamentos ligados à produção); materiais de embalagem; serviços de apoio à produção. • Custo da prestação de serviços ou custos dos serviços prestados: mão de obra; materiais; outros custos da prestação de serviços. DESPESAS - São gastos consumidos, direta ou indiretamente, na obtenção de receitas. • As empresas comerciais têm despesas (São gastos necessários para a geração de receita.) para gerar receitas; • As empresas industriais têm despesas para gerar receitas e custos (São os gastos necessários para produção de bens e serviços.) para a produção de bens/produtos acabados; • As empresas prestadoras de serviços têm despesas para gerar receitas e custos para prestação dos serviços. PERDA - É o consumo involuntário ou anormal de um bem ou serviço. As perdas se transformam em despesas, quando decorrentes de fatores externos, e em custos quando decorrentes da atividade produtiva da empresa. Exemplos: • Greves; • Incêndio; • Perda de matéria-prima. DESPERDÍCIO - Gastos evitáveis, ocorrendo no processo produtivo ou de geração de receitas, que possam ser eliminados sem prejuízo da qualidade ou quantidade de bens, serviços ou receitas geradas. Exemplos: • Estocagem e movimentação desnecessária de materiais e produtos; • Retrabalho decorrente de defeitos de fabricação; • Relatórios financeiros, administrativos e contábeis sem qualquer utilidade. INVESTIMENTOS - São aquisições feitas pela empresa, registrados no Ativo em função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a futuro(s) período(s). São lançados como custos, quando consumidos na produção de bens ou serviços e como despesas se consumidos fora da produção, na administração por exemplo. Exemplos: • Aquisição de bens do ativo imobilizado: máquinas, equipamentos, veículos. • Compra de matéria-prima ou materiais de consumo. Exercício Com base no que você aprendeu sobre a terminologia de custos, classifique os eventos em: I – Investimento C – Custos D – Despesa P - Perda ( ) Compra de matéria-prima ( ) Consumo de energia elétrica na produção ( ) Mão de obra direta ( ) Consumo de combustível para frete dos produtos vendidos ( ) Gastos com pessoal do faturamento (salário) ( ) Aquisição de máquinas ( ) Remuneração do pessoal da contabilidade geral (salário) ( ) Utilização de matéria-prima (transformação) ( ) Aquisição de embalagens ( ) Deterioração do estoque de matéria-prima por enchente ( ) Geração de sucata no processo produtivo ( ) Impostos ( ) Comissões proporcionais às vendas A sequência correta é: a) I; C; C; D; D; I; D; C; I; P; P; D; D b) I; I; C; P; D; I; C; C; I; I; P; D; D c) C; C; I; P; D; I; P; C; I; D; P; D; D d) C; D; C; I; D; I; D; C; I; I; P; C; D e) D; I; I; P; D; D; C; P; I; I; C; D; I Tipos e classificação dos gastos (custos e despesas) Os custos e as despesas podem ser classificados de várias maneiras, de acordo com sua finalidade. Quanto ao volume de produção são classificados em: Fixos Variáveis Quanto à apropriação aos produtos são classificados em: Diretos Indiretos A seguir, vamos conhecer a classificação dos custos quanto ao volume de produção e quanto à relação com os produtos. Classificação quanto ao volume de produção Custos e Despesas Fixas Também chamados de gastos de estrutura, são aqueles que ocorrem independentemente da produção, ou seja, que não sofrem alteração de valor em caso de aumento ou diminuição do volume produzido. Exemplos de Gastos Fixos: • Aluguel do prédio; • Salários dos funcionários;• Seguros dos veículos. Custos e Despesas Variáveis São os gastos diretamente ligados ao volume de produção, no caso dos custos e ao volume de venda, no caso das despesas. Exemplos de Gastos Variáveis: • Matéria-prima; • Embalagens; • Comissão dos vendedores; • Impostos. Classificação quanto à relação com os produtos Custos e Despesas Diretas São os gastos que estão física e diretamente ligados a um produto, um serviço ou qualquer outra entidade de custo de produção da empresa. Exemplos de Gastos Diretos: • Matéria-prima; • Mão de Obra Direta (salário dos operários e demais funcionários ligados diretamente à produção); • Material de embalagem. Custos e Despesas Indiretas São os gastos que não podem ser alocados de forma objetiva aos produtos, aos serviços, aos departamentos ou a outros objetos de custo. Sua alocação é feita com base em critérios de distribuição (rateio, alocação, apropriação etc). Exemplos de Gastos Indiretos: • Aluguel do prédio; • Salários dos funcionários não ligados à produção; • Energia elétrica. Exercício Com base no que você aprendeu sobre a classificação de custos, analise a tabela a seguir e, alocando o valor do custo de acordo com sua classificação (volume de produção e relação aos produtos), informe o total dos Custos Fixos, Variáveis, Diretos e Indiretos: Custo Valor Custo Direto Custo Indireto Custo Fixo Custo Variável Material de Embalagem 50,00 Energia da Fábrica 230,00 Salário do Operário 120,00 Seguro da Fábrica 260,00 Salário do Vigia da Fábrica 180,00 Matéria-prima 370,00 Total 1.210,00 Para preencher a tabela baixe-a clicando aqui. Em seguida, compare sua resposta com o gabarito apresentado. GABARITO Custo Valor Custo Direto Custo Indireto Custo Fixo Custo Variável Material de Embalagem 50,00 50,00 50,00 Energia da Fábrica 230,00 230,00 230,00 Salário do Operário 120,00 120,00 120,00 Seguro da Fábrica 260,00 260,00 260,00 Salário do Vigia da Fábrica 180,00 180,00 180,00 Matéria-prima 370,00 370,00 370,00 Total 1.210,00 540,00 670,00 790,00 420,00 Custo Total X Custo Unitário Qual a diferença entre Custo Total e Custo Unitário? Custo Total Para fabricar um conjunto de unidades do produto. Custo Total = Custo Fixo + Custo Variável ou Custo Total = Custo Direto + Custo Indireto Custo Unitário Para fabricar uma unidade do produto. Custo Unitário = Custo Total / Quantidade Produzida Exercício Com base no que você aprendeu sobre custo total e custo unitário, realize o exercício a seguir. A empresa Alfa produziu 2.000 unidades do produto X e teve um custo total de R$1.000,00. A empresa Beta produziu 5.000 unidades do produto X e teve um custo total de R$3.000,00. Qual empresa foi mais eficiente? GABARITO A empresa Alfa foi mais eficiente, pois conseguiu produzir o produto X a um custo mais barato. Cunit empresa Alfa: Cunit = CT / Qp Cunit = 1.000,00/2.000 Cunit = 0,50 Cunit empresa Beta: Cunit = CT / Qp Cunit = 3.000,00/5.000 Cunit = 0,60 Atividade 1 - Assinale qual das alternativas seguintes apresenta um custo: a) Salários administrativos b) Encargos sobre salários da produção c) Aluguel de stand de vendas d) Conta de energia elétrica do escritório administrativo e) Conta de água da loja 2 - São considerados custos diretos em relação aos produtos: a) Embalagens, Encargos Sociais dos Operadores das Máquinas e Matéria-prima b) Embalagens, Energia da Fábrica e Matéria-prima c) Manutenção das Máquinas, Comissão dos Vendedores e Propaganda d) Matéria-prima, Aluguel da Loja e Salário da Supervisão da Produção e) Matéria-prima, Mão de Obra Direta e Custos Indiretos de Fabricação (CIF) 3 - Em um produto, temos Custos Indiretos de Fabricação = R$2.000,00; Matéria-prima = R$5,00/unidade; Mão de Obra = R$10,00/unidade. Qual o custo unitário de cada item produzido, considerando uma produção de 100 unidades deste item: a) R$ 20,00 b) R$ 25,00 c) R$ 30,00 d) R$ 35,00 e) R$ 40,00 4 - Considere os seguintes gastos ocorridos, em uma fábrica de móveis de madeira. Compra de um computador 3.000,00 Compra a prazo de 1.000 m³ de madeira 100.000,00 Apropriação de materiais diretos aplicadas na produção 5.000,00 Conta de luz do setor de vendas 800,00 Aluguel da fábrica 10.000,00 Conta de água referente ao consumo da administração 400,00 Apropriação dos salários dos operários da fabrica 11.000,00 Compra a prazo, de 500 caixas de papelão 7.000,00 Gastos com fretes e carretos dos produtos vendidos 2.000,00 Juros de sobre atraso no pagamento de duplicatas 300,00 Apropriação dos salários do supervisor da fábrica 2.500,00 O item correto é: a) Investimento R$ 100.000,00 b) Custo Fixo R$ 16.000,00 c) Custo Direto R$ 66.000,00 d) Custos Totais R$ 28.000,00 e) Despesas Totais R$ 6.000,00 Contabilidade Gerencial / Aula 3: Sistema de custeio absorção Introdução - Nesta aula, você irá reconhecer o Custeio Absorção, também conhecido como Custeio Integral ou Pleno. Irá compreender sua sistemática e importância para definição e formação do preço de venda. Irá calcular o custo unitário de um produto, a partir da identificação e apuração dos custos totais (custos diretos + custos indiretos). Você irá ainda montar o relatório de evidenciação dos resultados (lucros ou prejuízos) a partir desta sistemática de apuração custos. Bons estudos! Objetivos - Reconhecer o que é um sistema de custeio. Analisar a sistemática do sistema de custeio absorção para gestão estratégica de custos. Compreender o rateio dos custos indiretos. Créditos - Aderbal Torres Revisor / Laís Silva Designer Instrucional / Luís Rodrigues Web Designer / Rostan Luiz Desenvolvedor Método de custeio Antes de apresentar o conceito de método de custeio, vamos entender o significado de custeio: Custeio: significa apropriação de custos. Com base no significado de custeio, podemos definir método de custeio como: As maneiras pelas quais as empresas podem apropriar os custos dos seus produtos, atribuindo a estes “preço” e, consequentemente, apurar os resultados (lucros e prejuízos) com base nos custos calculados. Atenção Um sistema de custeio consiste num critério por meio do qual os custos são apropriados à produção. Os métodos utilizados para Custeio da Produção de Bens e Serviços são: Custeio por Absorção ou Integral ou Pleno Custeio Variável ou Direto Sistema de custeio absorção De acordo com Martins (2010): Custeio por absorção é o método da aplicação dos Princípios de Contabilidade, que consiste na apropriação de todos os custos (sejam eles diretos e indiretos, fixos ou variáveis) decorrente do uso de recursos da produção, e só os de produção. O Custeio por Absorção consiste na apropriação de todos os custos (sejam eles fixos ou variáveis, diretos ou indiretos) à produção do período. As despesas, gastos que não são efetuados para a produção, são excluídos como gastos da empresa e vão diretamente para o resultado do exercício, não afetando o custo do produto. O Sistema de Custeio por Absorção foi derivado do sistema desenvolvido na Alemanha no início do século XX conhecido por RKW (Reichskuratorium für Wirtschaftlichtkeit). As principais características do Custeio por Absorção são: Todos os custos de fabricação são considerados custos dos produtos: fixos, variáveis, diretos e/ou indiretos; O resultado (lucro ou prejuízo) varia em função da produção; Necessidade de utilizar de critério de rateios, no caso de apropriação dos custos indiretos (gastos gerais de produção) quando houver dois ou mais produtosou serviços; É possível estabelecer o Custo Total e Custo Unitário dos produtos; É o critério legal exigido no Brasil, entretanto nem sempre é útil como ferramenta de gestão e análise de custos, por possibilitar distorções ao distribuir custos indiretos entre diversos produtos e serviços de maneira subjetiva, possibilitando mascarar desperdícios e outras ineficiências produtivas. A principal distinção do sistema de Custeio por Absorção é entre custos e despesas. Veja a seguir: CUSTOS São alocados aos produtos, podendo ser ativados, no caso dos produtos ainda não vendidos e levados ao resultado apenas a parcela referente aos produtos que foram vendidos. DESPESAS São contabilizadas imediatamente no resultado do período. Exercício! 1 - No custeio por absorção, o valor final dos custos dos produtos é formado pelo somatório dos: a) custos e despesas fixos b) custos e despesas variáveis c) custos variáveis d) custos diretos e) custos diretos e indiretos 2 - (CESGRANRIO, 2012) É consenso entre os autores que a principal desvantagem do método de custeio por absorção e que afeta a formação do custo do produto é o fato de que: a) custos fixos são apropriados aos produtos, arbitrariamente, por meio de uma taxa de rateios. b) custos são separados das despesas. c) custos fixos não são rateados. d) gastos fixos e variáveis são separados, independentes de serem custo ou despesa. e) despesas fixas são consideradas do período e não do produto. Apropriação dos Custos Diretos Vamos conhecer dois dos principais componentes que compõem os custos diretos. Matéria-Prima É um dos principais componentes do custo de produção que, em boa parte das empresas industriais, é o gasto representado pelo consumo de matérias-primas, materiais de embalagens e materiais diversos e auxiliares. Em consequência, torna-se de fundamental importância a correta valorização do custo de aquisição de tais materiais, ou seja, a correta determinação do custo de compra com os diversos fornecedores. O custo de aquisição deve incluir todos os gastos necessários para que a mercadoria ou material chegue ao estabelecimento da empresa compradora. Veja um exemplo: Determinada indústria localizada em Fortaleza (CE) adquiriu, em maio/2017, 5.000 quilos da matéria-prima do fornecedor “Alfa” localizado no Polo Petroquímico de Camaçari (BA). O preço de venda desse fornecedor é de R$30,00 por quilo. O comprador pagou R$4.000,00 de frete para o transportador de Camaçari até Fortaleza, e mais R$2.000,00 de seguro contra riscos diversos. QUANTO FOI O CUSTO DE AQUISIÇÃO TOTAL E UNITÁRIO DESSA MATÉRIA PRIMA? R$ Valor Pago ao Fornecedor Alfa 150.000,00 Frete pago ao Transportador 4.000,00 Prêmio de Seguro sobre Frete 2.000,00 Custo Total de Aquisição 156.000,00 Custo Unitário de Aquisição 31,20 Mão de Obra Direta O conceito de “custo de mão de obra” compreende todos os gastos relacionados ao “ciclo de vida da mão de obra”. Para apropriação do Custo de Mão de Obra Direta são necessárias duas informações essenciais: Custo de cada hora de mão de obra, incluindo os salários e encargos, em valor. Consumo de horas, ou equivalentes, em cada produto. Exercício Vamos aplicar esse conceito: Apurou-se pelos engenheiros de produção que, para cada unidade do produto acabado “Delta”, gastam-se 2,4 horas da mão de obra dos operários de nível A (definição esta passado pelo departamento de pessoal), 3,7 horas dos operários de nível B, 8,6 horas dos operários de nível C, e assim por diante. Com base nesses dois tipos de informações, gastos de horas e custo de cada hora, faça a atribuição do custo da mão de obra aos diversos produtos. GABARITO Nível do operário Horas de mão de obra Custo (R$) de cada hora Total ($) A 2 15,00 30,00 B 2,5 20,00 50,00 C 4 7,00 28,00 Total do custo de mão de obra para produzir cada unidade 108,80 Apropriação dos Custos Indiretos Custos Indiretos de Fabricação (CIF) são os gastos ocorridos na produção de forma geral, não são identificáveis aos produtos de forma objetiva, necessitando de algum critério de alocação para os produtos. Os custos indiretos de fabricação podem ser: MATERIAIS INDIRETOS São materiais empregados nas atividades auxiliares de produção, ou cujo relacionamento com o produto é irrelevante. Exemplos: lixas, materiais de limpeza do produto etc. MÃO DE OBRA INDIRETA Representada pelo trabalho auxiliar à produção e que não são mensuráveis em nenhum produto ou serviço executado. Exemplos: salários e encargos dos supervisores, ajudantes etc. OUTROS CUSTOS INDIRETOS São os custos que dizem respeito à existência do setor de produção ou de prestação de serviços. Exemplos: materiais de limpeza da fábrica, vassouras, telefone, segurança no trabalho etc. A distribuição dos custos indiretos com base em algum critério pode ser feita por meio do Rateio dos Custos Indiretos. Veja alguns exemplos: Número de funcionários • Relação com utilização de pessoas; • Para rateio de pessoal do RH, administração geral etc. Número de requisições • Relação com utilização de serviços; • Para rateio dos custos de almoxarifado. Área ocupada • Relação com o espaço físico. Exemplo: aluguel, depreciação, seguros, IPTU etc. Consumo instalado • Relação com o consumo de energia; • Consumo de cada equipamento (kwh). Veja um exemplo: A empresa Alfa produz três modelos de tipos de um determinado produto (A, B e C). A conta de energia do mês foi R$2.000,00 e esse custo será atribuído aos produtos fabricados no seguinte critério de rateio: “tempo de utilização da energia nas máquinas que processam os produtos.” Produto Quantidade Produzida Tempo Unitário de Produção Tempo Total por Produto (Quant. Produz. * Tempo Unit. de Prod.) Taxa de Rateio (2.000,00/3.450) Custo por Produto A 50 2 100 2,50 250,00 B 100 3 300 2,50 750,00 C 200 4 800 2,50 2.000,00 Total 350 x 1.200 3.000,00 Atividade 1 - A Cia. Beta produziu 10.000 unidades do produto Z no ano calendário em que iniciou suas atividades. Durante o período, foram vendidas 8.000 unidades ao preço de R$50,00 cada uma. Os custos e as despesas da companhia, no referido exercício, foram: Matéria-prima: R$6,00 Materiais indiretos: R$10,00 CIF variáveis: R$8,00 Despesas variáveis: 20% do preço de venda Mão de obra da fábrica: R$80.000,00 Outros gastos de fabricação: R$100.000,00 Salário do pessoal da administração: R$60.000,00 Demais despesas da administração: R$40.000,00 Calcule o resultado da empresa (lucro ou prejuízo) utilizando o método de custeio por absorção: GABARITO Custo Total = Custos Fixos + Custos Variáveis ou Custos Diretos + Custos Indiretos Custo Total = (80.000,00+100.000,00) + ([6,00+10,00+8,00]*10.000) Custo Total = 180.000,00 + 24.000,00 = 204.000,00 Custo Unitário = Custo Total/Quantidade Produzida Custo Unitário = 204.000,00/10.000 = 24,00 DRE Custeio Absorção Receita (8.000*50,00) 400.000,00 (-) CPV (8.000*24,00) (192.000,00) = Lucro Bruto 208.000,00 (-) Despesas Variáveis (20% da Receita) (80.000,00) (-) Despesas Fixas (100.000,00) = Lucro Líquido 28.000,00 2 - A Cia. Filadélfia produziu 20.000 unidades de determinada peça no exercício de início de suas atividades. Durante o período, foram vendidas 16.000 unidades ao preço de R$30,00 cada uma. Os custos e as despesas da companhia, no referido exercício, foram: Matéria-Prima: R$8,00 Mão de Obra Direta: R$5,00 CIF Variáveis: R$4,00 Despesas Variáveis: 10% do Preço de Venda Custos Fixos: R$108.000,00 Despesas Fixas: R$50.000,00 O lucro líquido do exercício, apurado pelo sistema de custeio por absorção, é, em:a) R$ 89.600,00 b) R$ 61.600,00 c) R$ 52.400,00 d) R$ 33.400,00 e) R$ 23.600,00 3 - A valoração do custo dos produtos vendidos, pelo Custeio por Absorção, contempla: a) Apenas os custos diretos de produção. b) Apenas os custos fixos de produção. c) Custos de produção e de administração. d) Todos os custos de produção, e só eles. e) Apenas os custos com a transformação. 4 - (SEFAZ-RJ, 2014) A empresa Industrial produz um único produto e para produzir integralmente 1.000 unidades, deste produto, incorreu nos seguintes gastos durante o mês de junho de 2013: Custos fixos: R$21.000,00/mês Custos variáveis: Matéria-prima: R$9,00/unidade Mão de obra direta: R$4,00/unidade Despesas fixas: R$5.000,00/mês Despesas variáveis: R$2,00/unidade Comissões sobre venda: 10% do preço de venda Informações adicionais: Preço de venda: R$100,00/unidade Impostos sobre a venda: 10% da receita de vendas Quantidade vendida: 700 unidades Sabendo que a empresa Industrial utiliza o Custeio por Absorção, o custo unitário da produção do período foi: a) R$51,00 b) R$13,00 c) R$15,00 d) R$34,00 e) R$41,00 Contabilidade Gerencial / Aula 4: Sistema de custeio variável Introdução - Nesta aula, você irá reconhecer o Sistema de Custeio Variável, a metodologia de apuração de custos sob o enfoque gerencial, que dará suporte ao cálculo de todos os indicadores que iremos estudar nesta disciplina. Você irá identificar como evidenciar o resultado (lucro e prejuízo) em um novo formato de DRE — Demonstração do Resultado do Exercício, conhecida como DRE Gerencial ou DRE Variável. Irá também distinguir o Custeio Absorção e o Custeio Variável. Bons estudos! Objetivos - Analisar a sistemática do sistema de custeio variável para gestão estratégica da empresa. Identificar as diferenças entre os custeios variável e por absorção. Analisar vantagens e desvantagens do custeio variável e do custeio por absorção. Créditos Aderbal Torres Revisor / Laís Silva Designer Instrucional / Luís Rodrigues Web Designer / Rostan Luiz Desenvolvedor Método de custeio variável De acordo com Crepaldi (2012, p. 118): Custeio Variável (também conhecido como Custeio Direto) é um tipo de custeamento que considera como custo de produção do período apenas os custos variáveis incorridos. Os custos fixos não são considerados como custo de produção, pois eles existem mesmo que não haja produção. Portanto, os custos fixos serão considerados como despesas, sendo encerrados diretamente no resultado do período. Diferente do que aprendemos, na aula passada, quando estudamos o Custeio Absorção, nesta sistemática de custeio iremos considerar como custo do produto todos os gastos que variam de acordo com o volume de produção e volume vendido, dessa forma, iremos alocar aos produtos todos os custos e as despesas ligados diretamente à produção e às vendas e que se alteram em função da quantidade produzida (custos variáveis) e quantidade vendida (despesas variáveis). Desta forma, iremos considerar e apropriar aos produtos, somente os componentes de custos variáveis, ou seja, matérias-primas, mão de obra direta, embalagens, frete de distribuição dos produtos, impostos e comissões de vendas, proporcionalmente à quantidade produzida e/ou vendida. Neste sistema de custeio, não iremos precisar fazer o rateio dos gastos fixos de fabricação e/ou administração no custo do produto. Iremos considerá-los como despesa, o que o torna mais fácil de elaboração, comparado com o Custeio Absorção. Assim, para fazermos a apuração do resultado da empresa (lucro ou prejuízo) vamos seguir a seguinte separação dos gastos: CUSTOS E DESPESAS VARIÁVEIS (GASTOS DO PRODUTO) Diretamente ligados ao volume de produção, no caso dos custos e ao volume de venda, no caso das despesas. Exemplos: • Matéria-prima; • Embalagens; • Comissão dos vendedores; • Impostos. CUSTOS E DESPESAS FIXAS (GASTOS DA EMPRESA) Também chamados de gastos de estrutura, ocorrem independentemente da produção, ou seja, não sofrem alteração de valor em caso de aumento ou diminuição do volume produzido. Exemplos: • Aluguel do prédio; • Salários dos funcionários; • Seguros dos veículos. Como calcular o custo do produto no custeio variável? 1º Passo - Separamos os gastos entre fixos e variáveis; 2º Passo - Alocamos os gastos variáveis como custo do produto e os gastos fixos como despesas da empresa; 3º Passo - Montamos a demonstração de resultado, na estrutura gerencial, também chamada de variável ou direta. Para realizar a Demonstração de Resultado do Exercício do Custeio Variável ou Direto, deve-se seguir a estrutura: Receita (-) Custos e Despesas Variáveis = Margem de Contribuição (-) Custos e Despesas Fixas = Lucro Líquido Vejamos um exemplo prático! Vamos analisar agora o cálculo do lucro da empresa Alfa, considerando o Custeio Absorção e Custeio Variável. Ao final, faremos um comparativo entre os dois. Quantidade Produzida: 1.000 unidades Quantidade Vendida: 800 unidades Custos Fixos: R$ 12.000,00 Custos Variáveis: R$ 20,00 por unidade produzida Despesas Fixas: R$ 6.000,00 Despesas Variáveis: R$ 5,00 por unidade vendida Preço de Venda: R$ 60,00 por unidade CALCULO CUSTEIO ABSORÇÃO Receita = Quant. Vendida * Preço de Venda Receita = 800 * 60,00 = 48.000,00 Custo Total = Custo Fixo + Custo Variável CT = 12.000,00 + (1.000*20,00) = 12.000,00 + 20.000,00 = 32.000,00 Custo Unitário = Custo Total / Quantidade Produzida Cunit = 32.000,00/1.000 = 32,00 Custo dos Produtos Vendidos = Quant. Vendida * Custo Unitário CPV = 800 * 32,00 = 25.600,00 Despesas = Despesas Fixas + Despesas Variáveis Despesas = 6.000,00 + (800 * 5,0) = 6.000,00 + 4.000,00 = 10.000,00 Demonstração do Resultado – Custeio Absorção Receita 48.000,00 (-) CPV (25.600,00) = Lucro Bruto 22.400,00 (-) Despesas (10.000,00) = Lucro Líquido 12.400,00 CALCULO CUSTEIO VARIÁVEL Receita = Quant. Vendida * Preço de Venda Receita = 800 * 60,00 = 48.000,00 Gasto Variável = Custo Variável + DespesaVariável GV = (20,00 + 5,00) * 800 = 25,00 * 800 = 20.000,00 Gasto Fixo = Custo Fixo + Despesa Fixa Gasto Fixo = 12.000,00 + 6.000,00 = 18.000,00 Demonstração do Resultado – Custeio Variável Receita 48.000,00 (-) Gastos Variáveis (20.000,00) = Margem de Contribuição 28.000,00 (-) Gastos Fixos (18.000,00) = Lucro Líquido 10.000,00 Exercício 1 - A valoração do custo dos produtos vendidos, pelo Custeio por Variável, contempla: a) Apenas os Custos Fixos. b) Os Custos Fixos e as Despesas Fixas. c) Custos e Despesas de produção e de administração, tanto fixos quanto variáveis. d) Os Custos e as Despesas Variáveis. e) Os Custos Fixos e Os Custos Variáveis. 2 - Em relação ao custo, é correto afirmar que: a) os custos fixos totais mantêm-se estáveis, independentemente do volume da atividade fabril; b) os custos variáveis da produção crescem proporcionalmente à quantidade produzida, em razão inversa; c) os custos fixos unitários decrescem à medida que a quantidade produzida diminui; d) os custos variáveis unitários crescem ou decrescem, de conformidade com a quantidade produzida; e) o custo industrial unitário, pela diluição dos custos fixos, tende a afastar-se do custo variável unitário, à medida que o volume da produção aumenta. Método de custeio Absorção X Variável Os métodos de custeio Absorção e Variável são os mais praticados, no meio empresarial, contudo, para efeito de tributação para o fisco brasileiro, o modelo variável não é aceito, mas para uso como ferramenta gerencial é o mais usado. Podemos verificar as principais diferenças entre eles no quadro abaixo: Custeio Absorção Custeio Variável Todos os custos de fabricação (fixos, variáveis, diretos e indiretos) são considerados como custos dos produtos.Os gastos (custos e despesas) variáveis são considerados custos dos produtos. Os gastos (custos e despesas) fixos são considerados despesas da empresa. Resultado (lucro ou prejuízo) varia em função da produção. Resultado (lucro ou prejuízo) varia em função das vendas. É necessário utilizar métodos de rateio, muitas vezes arbitrários, para atribuir os custos fixos aos produtos. Não necessita de rateio. Os custos fixos são considerados como despesas da empresa e não como custos dos produtos. É possível calcular o custo unitário dos produtos. Calcula apenas um custo parcial unitário dos produtos. Não identifica a margem de contribuição. Identifica a margem de contribuição, tanto unitária quanto global. Importante para decisões de longo prazo. Importante para decisões de curto prazo. Quais as vantagens e desvantagens do custeio absorção? Vantagens A permissão legal do Custeio por Absorção pela legislação comercial e pela legislação fiscal, inclusive para apresentação de demonstrações contábeis para o pagamento do imposto de renda, representa por si só uma vantagem. No Custeio por Absorção, todos os custos são apropriados aos produtos e serviços; os custos variáveis de forma direta, e os fixos são absorvidos por cada produto por meio de rateios. Desvantagens A crítica que se faz ao Custeio por Absorção é que os custos fixos, independentemente de produção e venda, existem e terão de ser suportados pela empresa, razão pela qual os custos fixos devem ser encarados como gastos necessários para que a empresa tenha condições de produzir, e não como gastos de um produto específico. A adoção do Custeio por Absorção também não permite uma comparação em bases unitárias quando há alteração no volume de produção. Quais as vantagens e desvantagens do custeio variável? Vantagens Podemos citar como vantagem no Custeio Variável que os custos dos produtos podem ser comparados em bases unitárias, independentemente do volume de produção. Também por este método os custos fixos, por se apresentarem separados nos relatórios e nas demonstrações, podem ser mais bem controlados, facilitando o tempo e o trabalho com a apresentação de informações e fornecimento de instrumentos de decisão dentro da empresa. Desvantagens Contrariam a utilização do Custeio Variável as argumentações de que, na prática, a separação de custos fixos e variáveis não é tão clara como parece. Há também críticas em relação ao fato de que, no Custeio Variável, os custos fixos não são apropriados aos produtos, o que é totalmente contestável da nossa parte, os custos fixos não são provocados pela produção em si e não estão associados diretamente aos produtos e serviços, mas apenas necessários para dar à empresa condições de produzir. Atividade 1 - A indústria Brasileira de Malas tem capacidade prática de produção — planta, instalações, mão de obra etc. —, para fabricar até 5.000 unidades por mês. Em março, foram produzidas 4.000 unidades e vendidas 2.000. Seu único produto é vendido por R$50,00 e sobre esse preço a empresa remunera os vendedores com comissões de 10%. O custo de material direto (matéria-prima e embalagem) é de R$15,00 por unidade; e os custos e as despesas fixos mensais são os seguintes (em R$): Mão de obra Direta 20.000,00 Mão de obra Indireta 15.000,00 Custos Indiretos de Fabricação 5.000,00 Despesas administrativas 15.000,00 Com base nessas informações, elabore a DRE do mês de março pelo custeio variável. 2 - A Cia. Filadéfia produziu 20.000 unidades de determinada peça no exercício de início de suas atividades. Durante o período, foram vendidas 16.000 unidades ao preço de R$30,00 cada uma. Os custos e as despesas da companhia, no referido exercício, foram: Matéria Prima: R$ 8,00 Mão de Obra Direta: R$ 5,00 CIF Variáveis: R$ 4,00 Despesas Variáveis: 10% do Preço de Venda Custos Fixos: R$ 108.000,00 Despesas Fixas: R$ 50.000,00 O lucro líquido do exercício, apurado pelo sistema de custeio por variável, é, em R$: a) 2.000,00 b) 23.600,00 c) 52.400,00 d) 160.000,00 e) 480.000,00 3 - Quanto à apropriação dos custos do produto pelos Custeios Absorção e Variável, marque a opção verdadeira: a) O custo unitário do produto pelo custeio variável inclui todos os custos de fabricação (fixos, variáveis, diretos e indiretos). b) Pelo Custeio Absorção, é possível apenas calcular um custo parcial unitário dos produtos. c) No Custeio Variável, o resultado (lucro ou prejuízo) varia em função da produção. d) O Custeio Absorção é mais usado para decisões de longo prazo, enquanto o Custeio Variável para decisões de curto prazo. e) No Custeio Variável, é necessário utilizar métodos de rateio, muitas vezes arbitrários, para atribuir os custos fixos aos produtos. 4 - Uma empresa recebeu uma proposta para exportar seu produto, mas o gerente de vendas está analisando a proposta para saber se vai ou não aceitá-la. Para tomar esta decisão, o gerente possui as seguintes informações relativas ao mercado interno: Custos e despesas variáveis totais = R$ 19.200,00; Preço de Venda Unitário (Mercado Interno) = R$ 35,00; Custos e Despesas Fixos Totais = R$ 6.500,00; Quantidade Produzida e Vendida = 1.200 unidades; Capacidade máxima instalada = 1.500 unidades. Proposta: Vender mais 200 unidades de seu produto a um valor de R$25,00 cada. Supondo que a empresa aceite esta encomenda qual será o novo Resultado Líquido, incluindo o mercado interno? GABARITO R$ 18.100,00 DRE Mercado Interno Mercado Externo Total Receita 42.000,00 5.000,00 47.000,00 (-) CDV (19.200,00) (3.200,00) (22.400,00) = MC 22.800,00 1.800,00 24.600,00 (-) CDF (6.500,00) = LL 18.100,00 Contabilidade Gerencial / Aula 5: Margem de contribuição unitária Introdução Estudaremos, nesta aula, o primeiro indicador da Contabilidade Gerencial, a Margem de Contribuição Unitária, que identifica a margem de lucro financeira de um produto. Analisaremos sua importância como ferramenta gerencial para tomada de decisão na escolha de produzir e vender os produtos mais viáveis, vantajosos e lucrativos. O conteúdo estudado, nesta aula, é muito importante para a disciplina de Contabilidade Gerencial, pois a Margem de Contribuição dará suporte ao cálculo dos demais indicadores que iremos estudar nas próximas aulas ao longo da disciplina. Bons estudos! Objetivos - Reconhecer os conceitos da Margem de Contribuição e o Índice da Margem de Contribuição. Calcular a Margem de Contribuição e o Índice da Margem de Contribuição. Estabelecer a decisão gerencial mais vantajosa, a partir da análise da Margem de Contribuição e o Índice da Margem de Contribuição. Créditos Aderbal Torres Revisor / Laís Silva Designer Instrucional / Luís Rodrigues Web Designer / Rostan Luiz Desenvolvedor Margem de Contribuição É quantia em dinheiro que sobra do preço de venda de um produto, serviço ou mercadoria após retirar o valor do gasto variável (custos e despesas variáveis). Essa quantia que sobra irá garantir os pagamentos dos gastos da empresa (custos e despesas fixas) e proporcionar o lucro. A Margem de Contribuição é um dos indicadores econômico-financeiros mais importantes que a empresa pode ter e precisa ser analisado regularmente. A grande vantagem da Margem de Contribuição, é que além de muito útil gerencialmente é um indicador muito objetivo e bem simples de ser calculado. Conforme Crepaldi (2012, p. 375) a Margem de Contribuição é: O melhor meio para analisar o desempenho de um segmento de distribuição, é a análise tanto de sua margem de contribuição direta como de sua margem de contribuição indireta. Ela representa uma margem de cada produto vendido que contribuirá para a empresa cobrir todos seus custos e suas despesas fixas, chamados de custo de estrutura/suporte. Representada da seguinte forma: MC = PV - (CV + DV) Vamos esquematizar a fórmula da Margem de Contribuição:+ Valor Total das Vendas - Custos Variáveis Totais - Despesas Variáveis Totais = Margem de Contribuição Total OU + Preço de Vendas Unitário - Custos Variáveis Unitários - Despesas Variáveis Unitários = Margem de Contribuição Unitária Vejamos o que são cada um dos elementos que foram citados nos cálculos da Margem de Contribuição: VALOR TOTAL DAS VENDAS OU VENDAS BRUTAS TOTAIS É o Faturamento Total, consideradas as vendas à vista e as vendas a prazo, e refere-se ao volume financeiro dos negócios realizados pela empresa, ou seja, é a quantidade vendida de produtos multiplicada pelos seus respectivos Preços de Venda. CUSTOS VARIÁVEIS Nas pequenas empresas, podemos afirmar que os custos variáveis referem-se aos valores pagos especificamente para adquirir o que a empresa se propõe a vender aos seus clientes. Desta forma, para cada segmento de empresa temos: • Comércio: o valor de aquisição das mercadorias, observando, quando necessário, o acréscimo do valor de frete e do IPI e outros valores pagos na aquisição das mercadorias. Também quando for o caso, descontado o valor de Crédito do ICMS; • Indústria: o valor gasto na elaboração dos produtos, como matéria-prima, insumos, embalagens e etiquetas. Note que para facilitar, não são considerados os valores de salários fixos, nem mesmo do pessoal da produção, porque são valores pagos mensalmente. Desta maneira, estes salários não devem integrar o valor total dos custos variáveis para o cálculo da Margem de Contribuição; • Serviços: os valores gastos especificamente para realizar os serviços referem-se aos materiais/peças aplicados na execução do serviço. Por exemplo: em uma assistência técnica em eletrodomésticos, na realização de um serviço, as peças de reposição são consideradas como Custo Variável, pois só serão utilizadas se a venda de serviços acontecer, caso contrário, não. Já os salários dos funcionários são pagos integralmente independente de terem sido vendidos serviços ou não, e devem ser considerados como despesas fixas, não integrando os valores de custos variáveis, para o cálculo da Margem de Contribuição. DESPESAS VARIÁVEIS São aos valores pagos especificamente pelas vendas realizadas e são praticamente as mesmas para os segmentos de Indústria, Comércio e Serviços. Normalmente, referem-se a: • Impostos sobre as Vendas: valor ou percentual dos impostos respectivos das notas fiscais emitidas, portanto, só acontecem quando forem realizadas vendas. Considerar os impostos federais, estaduais e municipais conforme a natureza da empresa; • Comissão de Vendas: valores pagos aos funcionários ou representantes pelas vendas realizadas. Normalmente, é estabelecido um percentual a ser pago pelas vendas que cada um realiza. Portanto, se não ocorrerem vendas, não ocorrem as comissões. Por isso, a comissão é considerada como despesa variável e não fixa. Em qualquer que seja o segmento: Comércio, Indústria ou Serviços, é perfeitamente possível e fácil se apurar o valor e o percentual respectivo da Margem de Contribuição. A partir da Margem de Contribuição, podemos calcular um indicador adicional, Índice de Margem de Contribuição (IMC) que representa a relação entre a Margem de Contribuição e o preço de venda do produto: IMC = ( MC / PV)*100 Agora que já sabemos do que se trata a margem e de como podemos achá-la, vamos entender por que ela recebeu este nome: “Margem de Contribuição”. Vejamos: Margem É a diferença entre o Valor da Venda (preço de venda) e os Valores dos Custos e das Despesas específicas destas vendas, ou seja, valores também conhecidos por Custos Variáveis e Despesas Variáveis da venda. Contribuição Representa em quanto o valor das vendas contribui para o pagamento das Despesas Fixas e também para gerar Lucro. A Margem de Contribuição é também conhecida como Ganho Bruto, e representa o quanto o lucro da venda de cada produto contribuirá para a empresa cobrir todos os seus custos e suas despesas fixas, chamados de custo de estrutura, e ainda gerar lucro. Com base nisto, você pode calcular a quantidade mínima de produtos que precisará vender. Conhecer a Margem de Contribuição que as vendas proporcionam é de fundamental importância para o planejamento de qualquer empresa e é essencial para poder tomar decisões. Saiba Mais O termo Margem de Contribuição tem um significado igual ao termo Ganho Bruto sobre as Vendas. Isso indica o quanto sobra das vendas para que a empresa possa pagar suas despesas fixas e gerar lucro. Principalmente, se considerarmos que a Margem de Contribuição pode ser fixada como meta no momento da definição do preço de venda dos produtos e serviços. Se ela não é conhecida, a empresa pode estar vendendo bastante e mesmo assim tendo prejuízo. É a Margem de Contribuição que irá garantir a cobertura do custo fixo e da geração de lucro, após a empresa ter atingido o Ponto de Equilíbrio (ponto crítico das vendas), conteúdo que estudaremos nas próximas aulas. Vamos analisar a aplicabilidade da Margem de Contribuição em casos práticos: Caso 1 Determinada indústria adota como Método de Custeamento o Custeio Variável. No mês de fevereiro, produziu e vendeu 5.000 unidades de um produto, de acordo as seguintes informações: Preço de venda unitário: R$20,00 Alíquota de tributos incidentes sobre as vendas: 10% Custo variável unitário: R$11,00 Percentual de comissão sobre vendas: 5% Considerando-se apenas as informações apresentadas, vamos calcular a Margem de Contribuição Unitária e o Índice da Margem de Contribuição desse produto. SOLUÇÃO Cálculo da Margem de Contribuição: MCunit = PV – (CV + DV) MCunit = 20,00 – (11,00 + 2,00+ 1,00) MCunit = 20,00 – (14,00) MCunit = 6,00 Cálculo do Índice da Margem de Contribuição: IMC = (MCUnit / PV) * 100 IMC = (6,00 / 20,00) * 100 IMC = 30% Vamos esquematizar: + Valor Total das Vendas 100.000,00 - Custos Variáveis Totais (55.000,00) - Despesas Variáveis Totais (15.000,00) = Margem de Contribuição Total 30.000,00 Índice da Margem de Contribuição 30% OU + Preço de Vendas Unitário 20,00 - Custos Variáveis Unitários (11,00) - Despesas Variáveis Unitários (3,00) = Margem de Contribuição Unitária 6,00 Índice da Margem de Contribuição 30% Caso 2 Vejamos agora um caso onde a empresa precisa fazer uma escolha entre duas opções de venda. Vamos utilizar a Margem de Contribuição e o índice da Margem de Contribuição para decidir o que for mais vantajoso para a empresa. Suponha que uma empresa tenha capacidade de produção de 1.000 camisas por mês. Ela recebeu dois pedidos: o primeiro de 900 camisas básicas e o segundo de 1.000 camisas gola polo. Para atender a tais pedidos a empresa incorre com os seguintes gastos: Custos e Despesas Fixas = R$ 2.000,00 / mês Camisa Básica Camisa Polo Preço de Venda R$ 10,00 R$ 15,00 Custos e Despesas Variáveis R$ 7,00 R$ 12,50 Vejamos, mesmo que a empresa não venda nada e, independente de qual pedido que a empresa venha atender, os custos e as despesas fixas, seus gastos de estrutura irão ocorrer. Desta forma, vamos calcular a margem de contribuição unitária de cada camisa e verificar qual camisa tem mais capacidade de geração de lucro. Fórmulas: Em valor R$: MC = Preço de venda - (Cv + Dv) Em percentual (%): MC % = [MC (R$) / Preço Venda (R$)] * 100 SOLUÇÃO Camisa Básica: MCunit = 10,00 – 7,00 MCunit = 3,00 IMC = (3,00 / 10,00) * 100 IMC = 30% Camisa Polo: MCunit = 15,00 – 12,50 MCunit = 2,50 IMC = 2,50 / 15,00) * 100 IMC = 16,67% Podemos verificar pela MCUnit que apesar da camisa polo ser vendida por um preço mais caro, a camisa básica gera, financeiramente, um lucro maior de 0,50 centavos, R$3,00, enquanto a camisa polo foi R$2,50. Pelo IMC podemos ver o potencial de geração de lucro do produto. Na camisa básica, 30% do preço transformam-se em lucro. Já na camisa polo o percentual de lucratividade do produto é de apenas16,67%. Vejamos como fica o lucro da empresa analisando as duas opções na Demonstração de Resultado. DRE Camisa Básica Camisa Polo Receita 9.000,00 15.000,00 (-) Custos e Despesas Variáveis (6.300,00) (12.500,00) (=) Margem de Contribuição 2.700,00 2.500,00 (-) Custos e Despesas Fixas (2.000,00) (2.000,00) (=) Lucro 700,00 500,00 Percebemos que o lucro proporcionado pela venda de camisa básica foi R$200,00 a mais do que a venda de camisa polo. Apesar do pedido de camisa polo ser de 1.000 unidades, 100 unidades a mais do que a camisa básica, que foi de 900 unidades, e mesmo a camisa polo sendo vendida por um preço maior, a estrutura de custos do produto fez com que ela, mesmo tendo vantagens de preço e quantidade, não fosse a mais viável. Agora é com você! Atividades 1 – Supondo que uma empresa recebe uma proposta de um pedido com redução do preço de venda, contudo a empresa venderia uma quantidade maior. Observe, a partir da análise da Margem de Contribuição, se isso é vantajoso. Caso: Uma fábrica de camisetas produz e vende, mensalmente, 3.000 peças ao preço de venda de R$10,00 cada. As despesas variáveis representam 20% das vendas e os custos variáveis são de R$2,00 por unidade. A fábrica tem capacidade para produzir 5.000 camisetas por mês, sem alterações no custo fixo atual de R$6.000,00. Uma pesquisa de mercado revelou que ao preço de R$8,00 a unidade, haveria demanda no mercado para 6.000 unidades por mês. Temos, então, duas situações: 1 – Preço de Venda R$ 10,00 e 3.000 unidades vendidas; 2 – Preço de Venda R$8,00 e 5.000 unidades vendidas. Determine: Se é vantajoso para a empresa reduzir o seu preço para vender uma quantidade maior de produtos; A venda total nas duas situações e qual traz a maior Margem de Contribuição Total. GABARITO Situação 01 – Preço de Venda R$ 10,00 e 3.000 unidades vendidas: MCunit = 10,00 – (2,00 – 2,00) MCunit = 6,00 IMC = (7,00 / 10,00) * 100 IMC = 60% DRE Situação 01 Receita 30.000,00 (-) Custos e Despesas Variáveis 12.000,00 (=) Margem de Contribuição 18.000,00 (-) Custos e Despesas Fixas 6.000,00 ( = ) Lucro Líquido 12.000,00 Índice da Margem de Contribuição 70% Situação 02 – Preço de Venda R$8,00 e 5.000 unidades vendidas: Observação: apesar de existir uma demanda de mercado para comprar 6.000 unidades ao preço de R$8,00, a empresa só tem capacidade de produzir 5.000 unidades. Então, caso ela aceite reduzir seu preço, terá ainda como fator limitativo sua capacidade de produção. MCunit = 8,00 – (2,00 – 1,60) MCunit = 4,40 IMC = (4,40 / 8,00) * 100 IMC = 55% DRE Situação 02 Receita 40.000,00 ( - ) Custos Variáveis 18.000,00 (=) Margem de Contribuição 22.000,00 ( - ) Custos Fixos 6.000,00 ( = ) Lucro Líquido 16.000,00 Índice da Margem de Contribuição 55% Mesmo a situação 01 possuindo uma margem de contribuição maior: R$ 6,00, R$ 1,60 maior que a situação 2 que apresentou uma margem de contribuição de R$ 4,40, ainda assim a situação 02 foi mais vantajosa. Vejamos o porquê: O volume de vendas também influencia na decisão. Quando multiplicamos as margens de contribuição unitárias pelas quantidades vendidas temos a margem global de cada situação: MCTotal = MCUnit * Quantidade Vendida Situação 01: MCTotal = 6,00 * 3.000 MCTotal = 18.000,00 Situação 02: MCTotal = 4,40 * 5.000 MCTotal = 22.000,00 Mesmo que individualmente, considerando apenas 1 unidade, a situação 01 tenha um potencial maior de geração de lucro, ampliando a capacidade de produzir e vender mais, a situação 02 se torna mais vantajosa, por isso analisamos esse tipo de situação pela Margem de Contribuição Total e não pela Margem de Contribuição Unitária. Usaremos sempre o modelo de DRE do Custeio Variável para análises gerenciais. 2 – A Cia. Só Ferros tem uma capacidade de produção de 800 toneladas/ano para determinado produto e atende ao mercado nacional que consome 500 toneladas/ano desse produto, o qual é vendido por R$260,00 cada tonelada. Para fabricação do referido item a empresa incorre com os seguintes gastos: Custos Fixos R$ 30.000,00 Custos Variáveis R$ 100,00 por tonelada Despesas Variáveis Comissão R$ 20,00 por tonelada Impostos R$ 20,00 por tonelada Despesas Fixas R$ 10.000,00 Surgiram duas propostas de venda ao exterior: 1ª Venezuela: Venda de 200 toneladas pelo preço de R$ 200,00/ton. com redução dos impostos para o valor de R$ 10,00/ton. 2ª Israel: Venda de 300 toneladas pelo preço de R$ 300,00/ton., com acréscimo de despesas de transporte de R$ 30,00/ton. e aumento nas despesas com impostos para o valor de R$ 30,00/ton. Determine qual das propostas a empresa deve aceitar. GABARITO Produto mais vantajoso: Pedido adicional mais vantajoso: Israel Venezuela: MCunit = 200,00 – (100,00 + 20,00 + 10,00) = 160,00 IMC = (160,00 / 200,00) * 100 = 35% Israel: MCunit = 300,00 – (100,00 + 20,00 + 30,00 + 30,00) = 210,00 IMC = (210,00 / 300,00) * 100 = 40% DREs: Proposta Brasil e Venezuela Brasil Venezuela Total Receita 130.000,00 40.000,00 170.000,00 ( - ) Custos Variáveis 50.000,00 20.000,00 70.000,00 ( - ) Despesas Variáveis 20.000,00 6.000,00 26.000,00 ( = ) Margem de Contribuição 60.000,00 14.000,00 74.000,00 ( - ) Custos Fixos 30.000,00 ( - ) Despesas Fixas 10.000,00 ( = ) Lucro Líquido 34.000,00 Índice da Margem de Contribuição 46% 35% 44% Proposta Brasil e Israel Brasil Israel Total Receita 130.000,00 90.000,00 220.000,00 ( - ) Custos Variáveis 50.000,00 30.000,00 80.000,00 ( - ) Despesas Variáveis 20.000,00 24.000,00 44.000,00 ( = ) Margem de Contribuição 60.000,00 36.000,00 96.000,00 ( - ) Custos Fixos 30.000,00 ( - ) Despesas Fixas 10.000,00 ( = ) Lucro Líquido 56.000,00 Índice da Margem de Contribuição 46% 40% 44% 3 – A empresa Lucrativa apresentou os seguintes dados: Custos Fixos: R$ 5.000,00 Custo Variável Unitário: R$ 40,00 Preço de Venda Unitário: R$ 80,00 Quantidade Produzida: 500 unidades Quantidade Vendida: 500 unidades Qual a sua Margem de Contribuição? a) 30,00 b) 40,00 c) 50,00 d) 55,00 d) 60,00 4 - (ESAF, 2012) Empresa Aceleração S.A. possui a seguinte estrutura de custos: Motor 1: Fórmula Motor 2: Agilex Matéria-Prima R$ 300,00 por unidade R$ 100,00 por unidade Mão de Obra Direta R$ 80,00 por hora 3 horas por unidade R$ 50,00 por hora 2 horas por unidade Preço de Venda R$ 600,00 por unidade R$ 300,00 por unidade A demanda requerida pelo mercado é de 50 unidades por exercício (ano) de cada produto. Com base nessas informações, qual o valor da margem de contribuição de cada produto é respectivamente: a) R$ 10,00 e R$ 50,00 b) R$ 30,00 e R$ 50,00 c) R$220,00 e R$ 150,00 d) R$ 60,00 e R$ 100,00 d) R$ 50,00 e R$ 30,00 5 – CESGRANRIO (2011): A margem de contribuição pode ser conceituada como a(o): a) diferença: receita menos a soma de custos e despesas variáveis b) alternativa não utilizada numa análise de projetos c) divisão do lucro pela receita d) soma de custos variáveis e despesas variáveis e) resultado da expressão: receita – custos variáveis + custos fixos 6 - (INFRAERO, 2009) A Cia. Mercúrio produziu 20.000 unidades de determinada peça no exercício de início de suas atividades. Durante o período, foram vendidas 16.000 unidades ao preço de R$30,00 cada uma. Os custos e despesas da companhia, no referido exercício, foram: Custos e Despesas Variáveis, por Unidade: Matéria-Prima: R$ 8,00 Mão de Obra Direta: R$ 5,00 CIF Variáveis: R$ 4,00 Despesas Variáveis: 10% do Preço de Venda Custos e Despesas fixas Totais, por Mês: Aluguel da Fábrica: R$ 40.000,00 Depreciação dos Equipamentos Industriais: R$ 18.000,00 Outros Gastos de Fabricação: R$ 50.000,00 Salários do Pessoal da Administração:R$ 30.000,00 Demais Despesas Administrativas: R$ 20.000,00 A margem de contribuição unitária, no sistema de custeio variável, equivale, em reais a: a) 28,00 b) 14,00 c) 13,00 d) 22,00 e) 10,00 7 – Imagine que você faz parte da diretoria de uma fábrica que produz três produtos: Suco em caixinha, refrigerante e energético. Porém, nos últimos exercícios, a fábrica não vem apresentando o lucro que todos queriam e resolveram investigar para tentar saber qual o produto que mais contribui e o que menos contribui para o lucro da empresa. Dessa forma, resolveram analisar alguns dados conforme quadro abaixo: Suco Refrigerante Energético Preço Unitário de venda R$7,00 R$5,00 R$7,00 Custos Variáveis por unidade R$4,50 R$2,70 R$3,40 Despesas Variáveis por unidade R$3,00 R$1,00 R$0,50 Vendas mensais (unidades) 100.000 u 165.000 u 70.000 u Custos Fixos Totais = R$340,00 Assim sendo, informe: Qual produto deve ter a venda incentivada e qual deve ter sua venda paralisada? GABARITO Incentivar o de maior margem de contribuição unitária = energético = 3,10. Paralisar as vendas daquele com menor margem de contribuição unitária = suco = -0,50. Contabilidade Gerencial / Aula 6: Restrição da capacidade de produção Introdução - Nesta aula, estudaremos a análise da Margem de Contribuição Unitária em situações que existe algum limite na capacidade de produção da empresa (tempo escasso, falta de matéria-prima etc.). O objetivo principal dessa análise é alcançar o maior lucro possível. E, para que isso aconteça, devemos utilizar o conceito de margem de contribuição de uma forma diferente do que vimos na aula anterior. Assim, a margem de contribuição unitária de um produto deve ser analisada pela utilização do fator limitante por esse produto. Bons estudos! Objetivos - Analisar a capacidade produtiva. Analisar a tomada de decisão da situação mais vantajosa a partir da Margem de Contribuição pelo Fator Limitativo. Créditos Aderbal Torres Revisor / Laís Silva Designer Instrucional / Luís Rodrigues Web Designer / Rostan Luiz Desenvolvedor Margem de Contribuição e Limitação da Capacidade Produtiva Vimos que Margem de Contribuição (MC) é a diferença entre o preço de venda e os gastos variáveis. Para Bórnia (2010, p. 72): A análise do custo-volume-lucro está intimamente relacionada com os conceitos de margem de contribuição unitária e de razão de contribuição, ou índice de margem de contribuição. Praticamente todas as aplicações de custos para decisões embasam-se na análise da margem de contribuição. Margem de Contribuição ou Contribuição Marginal é uma parcela do preço de venda de um produto ou serviço, que serve para cobertura dos custos fixos e formação do lucro. Portanto, quanto maior a margem de contribuição, melhor será a situação da empresa em termos de rentabilidade. (MARTINS, 2010). Margem de contribuição Rentabilidade empresa EM QUAIS SITUAÇÕES PODE-SE USAR A MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO? Muitas empresas se utilizam do cálculo da margem de contribuição para avaliar a eficiência dos departamentos, das divisões ou linhas de produção, fazendo análises comparativas entre eles (CREPALDI, 2012). A margem de contribuição por divisão de negócios também é muito utilizada para análise entre filiais, confrontando com aquelas que melhor contribuem para o pagamento dos gastos fixos comuns da empresa como um todo, bem como a todas as outras filiais. Quando surgir algum fator que limite a capacidade de produção da empresa, devemos procurar utilizar esse recurso da melhor forma possível, para que a empresa tenha o melhor resultado. E para que isso aconteça, precisamos utilizar o conceito de margem de contribuição de uma forma diferente do que vimos na aula anterior. A fórmula para calcular a Margem de Contribuição por Fator Limitativo, ou seja, a Margem de Contribuição dividida pela limitação da produção é: MC / FL = PV - ( CV + DV ) / FL Vejamos algumas situações adaptadas do livro de nossa bibliografia complementar: (MARTINS, 2010). Situação 1 Suponhamos que uma determinada empresa fabricante de barracas para camping produza quatro modelos diferentes (A, B, C e D). Os dados da estrutura de custos segue na Tabela 01 a seguir: Matéria-prima Mão de obra Direta Custo Direto Total Custo Indireto Variável Custo Variável Total $/unidades $/unidades $/unidades $/unidades $/unidades Modelo A 28,00 24,00 52,00 8,00 60,00 Modelo B 24,00 20,00 44,00 6,00 50,00 Modelo C 80,00 28,00 108,00 8,00 116,00 Modelo D 16,00 20,00 36,00 4,00 40,00 Tabela 01: Estrutura de Custos Fonte: Martins (2010, p. 187) Os Custos Indiretos Fixos são os seguintes: Mão de obra Indireta R$ 64.000,00/ano Aluguéis R$ 16.000,00/ano Depreciações R$ 12.000,00/ano Outros Indiretos Fixos R$ 8.000,00/ano Total R$100.000,00/ano Para efeito de avaliação de estoques, a empresa rateia os Custos Indiretos fixos à base da Mão de Obra Direta, visto que o maior custo indireto diz respeito à supervisão de operários. A empresa, sendo conhecedora das vantagens da utilização do conceito de Margem de Contribuição, para efeito de análise e decisão, procede como indicado na Tabela 02, alocando apenas os custos variáveis. Com isso, a empresa tem a seguinte tabela com relação à Margem de Contribuição de cada um dos modelos que fabrica: Custo Variável Total Preço de Venda Margem de Contribuição $/unidades $/unidades $/unidades Modelo A 60,00 80,00 20,00 Modelo B 50,00 72,00 22,00 Modelo C 116,00 140,00 24,00 Modelo D 40,00 48,00 8,00 Tabela 02: Cálculo da Margem de Contribuição Fonte: Martins (2010, p. 188) Analisando a coluna da Margem de Contribuição da Tabela 02, verificamos que o modelo com maior capacidade de trazer recursos para a empresa é o modelo C. Entretanto, a empresa não pode escolher apenas esse modelo para comercialização, pois deve se atentar à demanda do mercado, precisando oferecer todos eles aos consumidores. Em uma pesquisa de mercado, a empresa verificou que existe uma demanda de mercado nas seguintes quantidades de cada modelo: Modelo A — 3.300 unidades Modelo B — 2.800 unidades Modelo C — 3.600 unidades Modelo D — 2.000 unidades É claro que ela tentará, sempre que possível, incentivar a venda do modelo C, já que cada unidade dele produz maior margem de contribuição, quando não existir nenhum problema de limitação na produção. Contudo, a empresa possui a seguinte limitação: sua capacidade não é suficiente para fornecer esse volume, já que ela possui um nível máximo de produção de 97.000 horas/máquina, e a demanda de mercado lhe consumiria 103.150 horas/máquina, conforme o tempo de cada modelo mostrado na Tabela 03. Horas-Máquina Necessárias Demanda Prevista Total Horas/Máquina h/un. un. h Modelo A 9,5 3.300 31.350 Modelo B 9,0 2.800 25.200 Modelo C 11,0 3.600 39.600 Modelo D 3,5 2.000 7.000 Total 103.150 Tabela 03: Necessidade de Horas/Máquina Fonte: Martins (2010, p. 189) Analisando a Tabela 03, a fábrica precisará sacrificar a produção e venda de parte de seus produtos por não possuir horas/máquinas para produção de toda demanda do mercado. Suponhamos que a empresa tenha o interesse de maximizar seu lucro nesse ano e por isso sua decisão será baseada nesse objetivo. (Poderia estar interessada na manutenção de alguns dos tipos de clientes e querer atender a essa meta mesmo à custa de redução do lucro.) Pergunta: ONDE ENTÃO EFETUAR O CORTE DAS 6.150 HORAS EXCEDENTES A SUA CAPACIDADE (103.150 H-97.000 H)? Como já vimos, a decisão baseada no lucro unitário (após apropriação de todos os custos indiretos) não é correta, e sim a que considera a Margem de Contribuição. Com base nisso, é provávelque a nossa empresa venha a decidir pela redução na linha do Modelo D, já que apresenta a menor Margem de Contribuição por unidade, conforme Tabela 02 (Cálculo da Margem de Contribuição). Assim, a empresa precisaria deixar de produzir 1.757 unidades do Modelo D: 6.150 horas = 1.757 unidades 3,50 h/unid. A partir dessa previsão de produção, poderia constituir um quadro projetado do resultado: Quantidade Margem de Contribuição Unitária Margem de Contribuição Total Modelo A 3.300 20,00 66.000,00 Modelo B 2.800 22,00 61.600,00 Modelo C 3.600 24,00 86.400,00 Modelo D 243 8,00 1.944,00 Total Margem de Contribuição R$ 215.944,00 (R$ 100.000,00) (-) Custos Fixos Resultado R$ 115.944,00 Tabela 04: Necessidade de Horas/Máquina Fonte: Martins (2010, p. 189) Para termos certeza de que a decisão tomada de corte do Modelo D é a correta, podemos fazer alguns cálculos com o resultado que seria obtido caso se decidisse outra possibilidade de combinação do mix de produtos. Para tanto, vamos verificar qual seria a nova Margem de Contribuição Total com essa nova escolha, já que de todas as hipóteses possíveis, a que nos interessa é a que maximize a Margem de Contribuição Total, pois independente da combinação dos produtos, o mesmo montante de Custos Fixos será deduzido para se chegar ao Lucro. Vamos então verificar primeiramente o que teria acontecido se a empresa tivesse optado pelo corte do Modelo C, ao invés do Modelo D. Nesta opção, o número de unidades não produzidas do Modelo C seria: 6.150 horas = 559 unidades 11,0 h/unid O lucro alcançado pela empresa nessa situação seria: Quantidade Margem de Contribuição Unitária Margem de Contribuição Total Modelo A 3.300 20,00 6.000,00 Modelo B 2.800 22,00 61.600,00 Modelo C 3.041 24,00 72.984,00 Modelo D 2.000 8,00 16.000,00 Total Margem de Contribuição 216.584,00 Tabela 05: Margem de Contribuição com o Corte do Modelo C Fonte: Martins (2010, p. 190) A Tabela 05 evidencia que a Margem de Contribuição Total seria maior nessa hipótese que na anterior! Pergunta: ESTA SITUAÇÃO INVALIDA O CONCEITO DE MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO? Vamos analisar a razão dessa discrepância: Na primeira hipótese, deixamos de produzir 1.757 unidades do Modelo D, o que nos eliminou a possibilidade de obtenção de uma Margem de Contribuição Total de: 1.757 unid. x R$ 8,00/unid. = R$ 14.056,00 Enquanto que, na segunda hipótese, cortando da linha de produção o Modelo C, diminuímos um potencial de Margem de Contribuição Total de: 559 unid. x R$ 24,00/unid. = R$13.416,00 Apesar de, por unidade, o Modelo C produzir muito mais Margem de Contribuição, do que o Modelo D, dentro das 6.150 horas cortadas ele produz menos. Isso é devido ao tempo de máquina que cada unidade leva para ser elaborada. Uma unidade de C produz R$24,00 de Margem de Contribuição, mas leva 11 horas para ser feita. Assim, em cada hora, a Margem de Contribuição é de R$2,18, enquanto o produto D produz só R$8,00 por unidade, mas leva apenas 3,5 horas para ser elaborado, fornecendo R$2,29 por hora. Logo, cada hora usada na linha D rende mais do que na linha C. O resultado correto seria obtido então com o seguinte cálculo: Margem de Contribuição Unitária Tempo de Fabricação Margem de Contribuição por Hora/Máquina (R$) (hm) ($/hm) Modelo A 20,00 9,5 2,11 Modelo B 22,00 9,0 2,44 Modelo C 24,00 11,0 2,18 Modelo D 8,00 3,5 2,29 Tabela 06: Margem de Contribuição no Fator Limitativo Fonte: Martins (2010, p. 191) ANÁLISE DOS RESULTADOS Verificamos que o modelo que menos traz Margem de Contribuição por hora/máquina é o Modelo A, então este deverá ser o item a ter sua produção limitada. O Modelo D, que inicialmente deveria ser cortado primeiro, com a análise da Margem de Contribuição no Fator Limitativo, só deveria ser cortado como 3ª opção, depois do Modelo A e Modelo C, respectivamente. O Modelo D é, na realidade, o segundo produto mais interessante nessa situação. Concluímos então que a Margem de Contribuição continua sendo o elemento-chave em matéria de decisão, só que agora não por unidade, mas pelo fator limitante da capacidade produtiva. Nesta situação, o Modelo B será sempre mais interessante, já que produz maior Margem de Contribuição por hora/máquina. Suponhamos que a empresa resolvesse adquirir outras máquinas, com a intensão de aumentar sua capacidade de produção para 140.000hm, sem que nada se alterasse nos custos variáveis de cada produto. Desta forma, poderia agora atender a toda a demanda prevista pelo mercado consumidor e ainda teria uma folga de quase 37.000hm. Vamos refletir! Caso tivesse em mente efetuar algum tipo de esforço para tentar vender mais do que aquela previsão, por meio, por exemplo, de uma campanha publicitária ou de uma motivação maior com relação à equipe de vendedores, como deveria proceder se soubesse que conseguiria, no máximo, aumentar em mais 10% seu volume de vendas? GABARITO - Estando com capacidade para 140.000 hm, mesmo com adição de mais 10% em seu volume de trabalho, não chegará a este limite, ficando, no máximo, ao redor de 113.500 hm. Nessa situação, deve incentivar a venda do produto B, que proporciona maior Margem de Contribuição por hora/máquina, ou do modelo C, que fornece maior Margem por unidade? GABARITO - Fica claro que, se não há restrição, interessa vender o máximo possível do produto que, por unidade, tem a maior Margem de Contribuição. Assim, cada unidade de C produz R$24,00 de Margem de Contribuição, e, mesmo que demore mais tempo que B para ser produzida, deverá ser preferida, pois não há mais problema de tempo de máquina. Podemos concluir que, se não houver limitação na capacidade produtiva, devemos priorizar o artigo que produz maior Margem de Contribuição por unidade, mas, se existir limitação, devemos priorizar o que produz maior Margem de Contribuição pelo fator limitativo. Situação 2 - Supondo que determinada indústria automobilística produza dois modelos de veículos, com as seguintes características: Modelos Preço de Venda Gastos Variáveis Margem de Contribuição 4 portas 50.000,00 20.000,00 30.000,00 2 portas 40.000,00 15.000,00 25.000,00 Devemos supor ainda que a demanda de mercado é de 15 modelos de cada tipo de veículos por mês e que a empresa tem gastos fixos de R$200.000,00 por mês. Sem limitação na capacidade produtiva Não havendo limitação na produção, podemos verificar pela Margem de Contribuição que dos dois modelos de carros, o de 4 portas é o que possui maior potencial de geração de lucro, pois cada unidade vendida gera R$30.000,00 de lucro, enquanto o de 2 portas o lucro é de R$25.000,00, R$5.000,00 a menos. Ao priorizarmos a produção e venda do máximo possível de carro de 4 portas, teremos: DRE — Modelo 4 portas Receita 750.000,00 (-) Gastos Variáveis 300.000,00 = Margem de Contribuição 450.000,00 (-) Gastos Fixos 200.000,00 = Lucro Líquido 250.000,00 O modelo de 4 portas proporcionaria um lucro final de R$250.000,00. DRE — Modelo 2 portas Receita 600.000,00 (-) Gastos Variáveis 225.000,00 = Margem de Contribuição 375.000,00 (-) Gastos Fixos 200.000,00 = Lucro Líquido 175.000,00 O modelo de 2 portas proporcionaria um lucro final de R$175.000,00. Vamos supor a seguinte limitação na capacidade produtiva: ✔ Todas as maçanetas usadas em qualquer modelo são iguais, quer nas portas dianteiras, quer nas traseiras, e são importadas; cada modelo leva o mesmo tempo de produção; ✔ No referido mês, só conseguiu importar 40 maçanetas. Vamos calcular como ficaria o lucro na produção de cada modelo de carro. Com 40 maçanetas, fabricaríamos 10 carros de 4 portas. Dessa forma, obteríamos um Lucro Líquido de R$100.000,00. DRE — Modelo 4 portas Receita 500.000,00 (-) Gastos Variáveis 200.000,00= Margem de Contribuição 300.000,00 (-) Gastos Fixos 200.000,00 = Lucro Líquido 100.000,00 Com 40 maçanetas, fabricaríamos 20 carros de 2 portas, contudo a demanda de mercado mensal da empresa é de 15 veículos. Assim, fabricaríamos 15 unidades de veículos de 2 portas e obteríamos um Lucro Líquido de R$175.000,00. DRE — Modelo 2 portas Receita 600.000,00 (-) Gastos Variáveis 225.000,00 = Margem de Contribuição 375.000,00 (-) Gastos Fixos 200.000,00 = Lucro Líquido 175.000,00 Com a produção de 15 carros de 2 portas, usaríamos 30 maçanetas. Como tínhamos 40 unidades, com as 10 unidades que sobraram podemos fabricar mais dois carros de 4 portas. Sobrariam ainda mais duas unidades de maçanetas, contudo o carro adicional de duas portas, que poderia ser fabricado com essas maçanetas restantes, não seria vendido naquele mês, pois a empresa já teria atingido a demanda máxima do mercado. Teríamos o seguinte lucro, na otimização da produção, do máximo possível com carros de duas portas (por possuir mais lucratividade por maçaneta) e, em seguida, o máximo possível de carros de quatro portas. Vejamos a DRE: DRE Modelo 2 portas (15 unidades) Modelo 4 portas (2 unidades) Total Receita 600.000,00 100.000,00 700.000,00 (-) Gastos Variáveis 225.000,00 40.000,00 265.000,00 = Margem de Contribuição 375.000,00 60.000,00 435.000,00 (-) Gastos Fixos 200.000,00 = Lucro Líquido 235.000,00 Atenção - Quando não existir limitação na produção, o mais rentável será o produto com maior MCUnit. Quando existir limitação na produção, o mais rentável será o produto maior MCUnit pelo fator limitativo da capacidade produtiva. Atividade 1 - Determinada empresa industrial fabrica e vende dois produtos: Alfa e Beta, dos quais consome os seguintes recursos: Produto Alfa Beta Preço de Venda R$ 25,00 R$ 15,00 Matéria-prima A (em kg/unid.) 1 1,2 Matéria-prima B (em kg/unid.) 2 0,5 Mão de Obra (em h/unid.) 2 2 Horas/Máquina (em h/unid.) 3 1 Demanda (em unid./mês) 50 80 Os recursos possuem os seguintes custos e disponibilidade: Recursos Custo Unitário Disponibilidade Matéria-prima A R$ 1,00 por kg 140 kg Matéria-prima B R$ 2,00 por kg 130 kg Mão de Obra R$ 3,00 por hora 280 horas Hora/Máquina R$ 4,00 por hora 200 horas Sabe-se, ainda, que: I. a empresa não tem como aumentar as suas disponibilidades no próximo mês; portanto, precisa gerenciar aquelas restrições; II. a empresa tem por política trabalhar sem estoque final de produtos acabados. III. os custos e as despesas fixas da empresa totalizam R$100,00 no período. Com base nessas informações, elabore a DRE considerando o lucro máximo que a empresa pode alcançar, tendo em vista sua capacidade produtiva. GABARITO CVAlfa = (1kg/un x R$1/kg) + (2kg/un x R$2/kg) + (2h/un x R$3/h) + (3h/un x 4/h) = R$23,00 MCUnitAlfa = R$25,00 (PV) – 23,00 (CV) = R$2,00 CVBeta = (1,2kg/un x R$1/kg) + (0,5kg/un x R$2/kg) + (2h/un x R$3/h) + (1h/un x 4/h) = R$12,20 MCUnitBeta = R$15,00 (PV) – R$12,20 (CV) = R$2,80 Como Beta tem maior MCunit, devemos tentar produzir o máximo possível desse produto; com o que sobrar de recursos, produziremos Alfa. Consumo de recursos na produção de Beta: Matéria-prima A: 1,20/un x 80 un (demanda) = 96kg (sobram 44kg) Matéria-prima B: 0,5/un x 80 un = 40kg (sobram 110kg) HM1: 2/un x 80 un = 160h (sobram 140h) HM2: 1/un x 80 un = 80h (sobram 220h) Logo, devemos produzir 80 unidades de Beta e usar o restante dos recursos na produção de Alfa. Consumo de recursos em Alfa: Matéria-prima A: 44kg/ 1kg/un = 44 unidades Matéria-prima B: 110kg/ 2kg/un = 55 unidades HM1: 140h/ 2h/un = 70 unidades HM 2: 220h/ 3h/un = 73,3 unidades Logo, será possível apenas produzir 44 unidades de Alfa já que qualquer unidade a mais não haverá recursos da matéria-prima A. DRE: DRE Beta (80 unidades) Alfa (44 unidades) Total Receita 1.250,00 660,00 1.910,00 (-) Gastos Variáveis 1.150,00 536,80 1.686,80 = Margem de Contribuição 100,00 123,20 223,20 (-) Gastos Fixos 130,00 = Lucro Líquido 100,00 123,20 93,20 2 - (Prova: CESGRANRIO - 2011 - Petrobrás - Contador Júnior): A Indústria Santa Maria Ltda. fabrica 5 produtos. Para realizar essa produção, a empresa utiliza, habitualmente, 178.000 horas/máquina. Entretanto, em julho de 2010, ocorreu um defeito em uma das máquinas operadoras, reduzindo tal capacidade em 15%. Os dados dos produtos são os seguintes: Modelos Matéria-prima Mão de Obra Custos Indiretos Variáveis Hora/ Máquina Unidades Vendidas Preço de Venda Alfa 120,00 100,00 70,00 1,5 H/M 20.000 410,00 Beta 130,00 80,00 60,00 2,0 H/M 18.000 400,00 Gama 110,00 55,00 60,00 2,5 H/M 16.000 395,00 Delta 145,00 115,00 90,00 3,0 H/M 14.000 580,00 Eta 135,00 105,00 80,00 3,5 H/M 12.000 560,00 Sabendo-se que os custos fixos montam a R$3.300.000,00 por mês, o produto que deve ter sua produção reduzida em função do defeito ocorrido, visando a maximizar o resultado da empresa, é o denominado: a) Alfa b) Beta c) Gama d) Delta 3 - Uma fábrica de camisetas produz e vende, mensalmente, 3.500 peças ao preço de R$5,00 cada. As despesas variáveis representam 20% do preço de venda e os custos variáveis são de R$1,20 por unidade. A fábrica tem capacidade para produzir 5.000 camisetas por mês, sem alterações no custo fixo atual de R$6.000,00. Uma pesquisa de mercado revelou que, ao preço de R$4,00 a unidade, haveria demanda no mercado para 6.000 unidades por mês. Caso a empresa adote a redução de preço para aproveitar o aumento de demanda, mantendo a estrutura atual de custos fixos e capacidade produtiva, o resultado final da empresa: a) Aumentará em R$2.200,00 b) Aumentará em R$200,00 c) Reduzirá em R$3.500,00 d) Reduzirá em R$800,00 4 - (CESPE, 2016): A tabela a seguir apresenta algumas informações de determinada empresa, relativas ao mês de abril de 2016. Produto Custo Variável Total por unidade (em R$) Custo Fixo Total por unidade (em R$) Preço de Venda por unidade (em R$) Tempo de Fabricação (hora/máquina) MODELO I 60 12 80 5 MODELO II 50 15 71 7 MODELO III 116 18 141 5 MODELO IV 40 7 58 3 MODELO V 45 8 73 4 Considerando-se essas informações e o fato de que a empresa receba uma demanda extra de um cliente e constate que não tem capacidade suficiente para fornecer tal volume, em função de limitação na disponibilidade de horas/máquinas, o primeiro produto cujo volume de produção deve ser reduzido em prol da obtenção do melhor resultado para a empresa é o modelo: a) III b) IV c) V d) II 5 - Considera-se capacidade normal de produção a: a) capacidade total instalada da entidade para produzir, sem considerar as necessidades de manutenção preventiva e de férias coletivas que podem ser aplicadas ou não. b) média que se espera atingir ao longo de vários períodos, em condições normais, conforme as necessidades de manutenção preventiva, de férias coletivas e de outros eventos semelhantes considerados normais para a entidade. c) menor produção obtida no último ano de produção, estabelecendo-se assim um padrão de referência para a entidade. d) maior produção obtida nos últimos doze meses desconsiderando, caso haja, os meses que a entidade atinja a capacidade instalada total, conforme as necessidades de manutenção preventiva, de férias coletivas e de outros eventos semelhantes. 6 - Os produtos A, B, C e D têm, respectivamente, os seguintes preços: R$20,00; R$16,00; R$36,00 e R$8,00. Os gastos variáveis unitários de cada um são: R$8,00; R$12,00; R$10,00 e R$6,00. Os tempos de processamento de cada um dos produtos são: 3 horas para o produto A; 2 horas para o produto B; 4 horas para o produto C e 1 hora para o produtoD. Sabendo que a capacidade máxima de produção da empresa tem uma limitação de 160 horas; seus gastos fixos mensais de R$500,00; e sua demanda máxima de venda de 25 unidades de cada produto, responda: qual o lucro máximo que a empresa pode alcançar? GABARITO Cálculo da MCUnit no fator Limitativo: A B C D Preço de Venda 20,00 16,00 36,00 8,00 (-) Gastos Variáveis (8,00) (12,00) (10,00) (6,00) MCUnit 112,00 4,00 26,00 2,00 Fator Limitativo (FL) 3 2 4 1 MCUnit / FL 4,00 2,00 6,50 2,00 De acordo com o que cada produto contribui considerando o fator limitativo (MCUnit/FL). Devemos produzir, prioritariamente, o produto C, e conforme a disponibilidade de horas restantes, o produto A. Respeitando ainda a demanda máxima de venda, serão produzidas 25 unidades de C e 20 de A. Assim, temos: DRE 25 unid C 20 unid A Total Receita 900,00 400,00 1.300,00 (-) Gastos Variáveis (250,00) (160,00) (410,00) = Margem de Contribuição 650,00 240,00 890,00 (-) Gastos Fixos (500,00) = Lucro Líquido 390,00 Tendo em vista o mix de produtos da empresa e sua limitação de produção, o lucro máximo que ela pode alcançar é R$ 390,00. Contabilidade Gerencial / Aula 7: Ponto de equilíbrio Introdução - Nesta aula, estudaremos o Ponto de Equilíbrio, ou seja, a ruptura na qual as receitas se igualam aos custos de despesas da empresa, não havendo nem lucro e nem prejuízo. O Ponto de Equilíbrio é um importante indicador de segurança para a gestão empresarial, pois mostra o nível mínimo de atividade em que a empresa ou cada divisão deve operar. Bons estudos! Objetivos - Reconhecer os conceitos de Ponto de Equilíbrio. Diferenciar o Ponto de Equilíbrio Contábil, Econômico e Financeiro. Analisar o Ponto de Equilíbrio. Créditos - Aderbal Torres Revisor Laís Silva Designer Instrucional Luís Rodrigues Web Designer Rostan Luiz Desenvolvedor Ponto de Equilíbrio É um indicador gerencial de segurança, pois mostra o quanto é necessário vender para que as receitas se igualem aos custos. De acordo com Bórnia (2010, p. 58): “O ponto de equilíbrio, ou ponto de ruptura, é o nível de vendas no qual o lucro é nulo”. O Ponto de Equilíbrio indica em que momento, a partir das projeções de vendas, a empresa estará igualando suas receitas e seus gastos. Com isso, é eliminada a possibilidade de prejuízo em sua operação. Vejamos em um gráfico: Gráfico: Ponto de Equilíbrio Fonte: Elaborado pelo autor (GOMES, Paulo, 2017) ANÁLISE DO GRÁFICO • Os custos fixos são os mesmos, permanecendo estáveis independentemente do nível de vendas, e assim são representados por uma linha horizontal paralela ao eixo do volume de vendas (em quantidade). • Os custos variáveis aumentam à medida que o volume de operações cresce, assim como a receita aumenta à medida que o volume vendido cresce. • O fato da linha dos custos totais (custos fixos + custos variáveis) tocar a linha das receitas, neste momento, não haverá lucro nem prejuízo (ponto de equilíbrio). • Abaixo desse ponto, as vendas não cobrem os gastos e a empresa tem prejuízo. • Acima desse ponto, as receitas superam os gastos e a empresa tem lucro. Todo gestor financeiro precisa saber qual a operação mínima da empresa, na qual seus custos e suas despesas são integralmente pagos. A vantagem de se conhecer o ponto de equilíbrio é que permite auxiliar decisões, como: ✔ Retirada de linhas de produtos do mercado; ✔ Saneamento de prejuízos; e ✔ Enxugamento da estrutura operacional. Alterações no Ponto de Equilíbrio De acordo com Bórnia (2010), mudanças no preço de venda, nos custos fixos ou nos custos variáveis alteram o ponto de equilíbrio. Vamos esquematizar: Gráfico: Alteração do Ponto de Equilíbrio por aumento no preço Fonte: Bórnia (2010, p. 62) Conforme vimos, se o preço de venda do produto aumentar, a receita será maior e o ponto de equilíbrio será menor. O gráfico a seguir demonstra a alteração do Ponto de Equilíbrio por aumento nos custos fixos. Gráfico: Alteração do Ponto de Equilíbrio por aumento nos custos fixos Fonte: Bórnia (2010, p. 62) Conforme vimos no gráfico anterior, se os custos fixos crescerem, o ponto de equilíbrio será deslocado para cima. O gráfico a seguir demonstra a alteração do Ponto de Equilíbrio por aumento nos custos variáveis. Gráfico: Alteração do Ponto de Equilíbrio por aumento nos custos variáveis Fonte: Bórnia (2010, p. 63) Conforme apresentado nesse gráfico, se os custos variáveis crescerem, o ponto de equilíbrio será deslocado para cima. Cálculo do Ponto de Equilíbrio Esse cálculo é relativamente simples, utilizando-se quase que exclusivamente os dados contábeis. Existem três variações do cálculo de Ponto de Equilíbrio, vejamos: PONTO DE EQUILÍBRIO CONTÁBIL (PEC) Também chamado de Ponto de Equilíbrio Operacional, é o indicador que informa quando efetivamente o resultado das operações da empresa é zero. Quando não há nem lucro nem prejuízo. Vejamos as fórmulas para calcular o PEC em quantidade e valor: PONTO DE EQUILÍBRIO FINANCEIRO (PEF) Também é conhecido como Ponto de Equilíbrio de Caixa. Este indicador não leva em consideração a depreciação e a amortização, fatores que diminuem o lucro contabilmente, mas não representam saída de caixa. Vejamos as fórmulas para calcular o PEF em quantidade e valor: PONTO DE EQUILÍBRIO ECONÔMICO (PEE) Considera o Custo de Oportunidade no cálculo do Ponto de Equilíbrio. Nesse caso, a empresa determina um lucro mínimo desejado para se embutir no cálculo do Ponto de Equilíbrio, representando uma remuneração ao capital investido nela. Vejamos as fórmulas para calcular o PEE em quantidade e valor: Atenção Os Pontos de Equilíbrio (Contábil, Financeiro e Econômico), em valor, podem ser calculados tanto usando suas respectivas fórmulas que dividem os gastos fixos pelo Índice da Margem de Contribuição quanto multiplicando o quantidade do Ponto de Equilíbrio pelo preço de venda. Exercício! O Ponto de Equilíbrio Operacional também é conhecido como: a) Ponto de Equilíbrio Econômico b) Ponto de Equilíbrio Contábil c) Ponto de Equilíbrio Financeiro d) Ponto de Equilíbrio Gerencial e) Ponto de Equilíbrio de Caixa Diferença entre os Pontos de Equilíbrio De acordo com Bórnia (2010), a diferença fundamental entre os três pontos de equilíbrio são os custos e as despesas fixos a serem considerados em cada caso. Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC) São levados em conta todos os custos e as despesas contábeis relacionados com o funcionamento da empresa. Ponto de equilíbrio econômico (PEE) São também incluídos nos custos e nas despesas fixos, considerados todos os custos de oportunidade referentes ao capital próprio, ao possível aluguel das edificações (caso a empresa seja proprietária) e a outros itens do gênero. Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF) Os custos considerados são apenas os custos desembolsados que realmente oneram financeiramente a empresa. Os três pontos de equilíbrio fornecem importantes subsídios para um bom gerenciamento da empresa. O Ponto de Equilíbrio Financeiro informa o quanto a empresa terá de vender para não ficar sem dinheiro e, consequentemente, ter de fazer empréstimos, prejudicando ainda mais os lucros. Se a empresa estiver operando abaixo do Ponto de Equilíbrio Financeiro, poderá até cogitar uma perda temporária nas atividades. O Ponto de Equilíbrio Econômico mostra a rentabilidade real que a atividade escolhida traz, confrontando-a como outras opções de investimento. Vejamos uma situação onde aplicamos esses conceitos. Supondo que uma empresa tem as seguintes características: • Custos + Despesas Variáveis: R$600,00 por unidade • Custos + Despesas Fixas: R$4.000.000,00 por ano • Preço de Venda: R$800,00 por unidade • Depreciação: R$800.000,00 • Patrimônio Líquido: R$10.000.000,00, com custo de oportunidade de 10% ao ano. Vamos calcular seus Pontos de Equilíbrio (Contábil, Financeiro e Econômico): SOLUÇÃO O primeiropasso é calcular a Margem de Contribuição Unitária. Indicador indispensável para o cálculo do Ponto de Equilíbrio: MCUnit = PV – (CV + DC) MCUnit = 800,00 – 600,00 = 200,00 IMC = (MCunit / PV)*100 IMC = (200,00/800,00)*100 = 25% Ponto de Equilíbrio Contábil: PECQ = 4.000.000,00 / 200,00 = 20.000 unidades PEC$ = 4.000.000,00 / 25% = R$ 16.000000,00 Ou PEC$ = 20.000 * 800,00 = R$ 16.000.000,00 Isso quer dizer que se a empresa vender 20.000 unidades, alcançando uma receita total de R$16.000.000,00, não terá nem lucro nem prejuízo. A cada unidade vendida abaixo do Ponto de Equilíbrio Contábil, a empresa tem um prejuízo de R$200,00. A cada unidade vendida acima do Ponto de Equilíbrio, a empresa tem um lucro de R$200,00. Conforme aprendemos nas aulas anteriores a MCUnit indica a potencialização de lucro que cada unidade contribui. Ponto de Equilíbrio Financeiro: PEFQ = (4.000.000,00 – 800.000,00) / 200,00 = PEFQ = 3.200.000,00 / 200,00 = 16.000 unidades PEF$ = (4.000.000,00 – 800.000,00) / 25% = R$ 12.800.000,00 PEF$ = 3.200.000,00 / 25% = R$ 12.800.000,00 ou PEF$ = 16.000 * 800,00 = R$ 12.800.00,00 Isso quer dizer que se a empresa vender 16.000 unidades, alcançando uma receita total de R$12.800.000,00, não terá nem déficit nem superávit de caixa, ou seja, mesmo tendo um prejuízo operacional, o valor recebido pelas vendas paga todos os seus gastos desembolsáveis. A cada unidade vendida abaixo do Ponto de Equilíbrio Financeiro, a empresa tem um déficit de caixa de R$200,00. A cada unidade vendida acima do ponto de equilíbrio financeiro, a empresa tem um superávit de caixa de R$200,00. Ponto de Equilíbrio Econômico: PEEQ = (4.000.000,00 + 1.000.000,00) / 200,00 = 25.000 unidades PEE$ = (4.000.000,00 – 1.000.000,00) / 25% = R$ 20.000.000,00 PEE$ = 5.000.000,00 / 25% = R$ 20.000.000,00 ou PEE$ = 25.000 * 800,00 = R$ 20.000.00,00 Isso quer dizer que se a empresa vender 25.000 unidades, alcançando uma receita total de R$20.000.000,00, além de cobrir todos os custos da sua operação ainda garante um lucro mínimo de R$1.000.000,00, equivalente ao custo de oportunidade de remuneração do capital investido pelos sócios. A cada unidade vendida abaixo do Ponto de Equilíbrio Econômico, a empresa tem um comprometimento de R$200,00 a menos na remuneração de seus sócios. A cada unidade vendida acima do Ponto de Equilíbrio Econômico, a empresa tem um lucro efetivo de R$200,00. Ponto de Equilíbrio com Vários Produtos Quando a empresa fabrica um único produto, o cálculo do Ponto de Equilíbrio é bastante simples, conforme demonstramos anteriormente. Contudo, quando a empresa produz uma variedade de produtos, a obtenção do Ponto de Equilíbrio torna-se um pouco mais complexa. A empresa, conhecendo a formação de todos os gastos e preços dos seus produtos, poderá apurar a quantidade necessária a ser vendida, de cada um, para determinar o início de obtenção do lucro. Utilizado para calcular (em unidades) vários produtos ao mesmo tempo, temos o Ponto de Equilíbrio em um mix de produtos definido pela seguinte fórmula: OU Em outras palavras, se uma empresa opera com diferentes produtos, a melhor forma de expressar o Ponto de Equilíbrio seria pela divisão dos gastos fixos por uma margem de contribuição média. Para obter a margem de contribuição média, basta multiplicar as margens individuais pela participação percentual nas vendas e depois, somar o resultado. Vejamos uma situação onde aplicamos esse conceito. Suponha que uma empresa produz e vende sandálias e sapatos de couro. As sandálias são vendidas por R$40,00 e têm custos e despesas variáveis de R$20,00. Os sapatos são vendidos por R$90,00 e têm custos e despesas variáveis de R$50,00. Os custos e as despesas fixas mensais da empresa são, em média, de R$150.000,00. No mês anterior, a empresa vendeu 5.000 sapatos e 8.750 sandálias. Vamos determinar qual o Ponto de Equilíbrio Operacional da empresa. SOLUÇÃO Inicialmente, vamos calcular a Margem de Contribuição Unitária de cada produto, depois faremos a Margem de Contribuição Média. MCUnit = PV – (CV + DC) MCUnitSapato = 90,00 – 50,00 = 40,00 MCUnitSandália = 40,00 – 20,00 = 20,00 A média ponderadamente da margem de contribuição será obtida de acordo com o peso que cada produto tem de representatividade das vendas. Assim, temos: Dos 13.750 pares de calçados, em média são vendidos 5.000 pares, o que representa 36,36% das vendas e, em média, são vendidos 5.000 pares de sandálias, representando 63,64% do total de calçados vendidos. Dessa forma, atribuindo o peso de cada tido de produto, temos a seguinte Margem de Contribuição Média: MCUnit Média Ponderada = MCUnitSapato * % de vendas do Sapato + MCUnitSandália* % de vendas da sandália MCUnit Média Ponderada = 40,00 * 36,36% + 20,00 *63,64% MCUnit Média Ponderada = 14,55 + 12,72 MCUnit Média Ponderada = 27,27 Para encontrarmos o Ponto de Equilíbrio aplicamos a fórmula: PE Mix = CDF / Média Pond. MCUint PE Mix = 150.000,00 / 27,27 PE Mix = 5.500 unidades Isso quer dizer que se a empresa vender 5.500 calçados, combinados entre sapatos e sandálias chegará ao seu Ponto de Equilíbrio Operacional. Mas, dos 5.500 calçados, quantos são sapatos e quantos são sandálias? Para encontrarmos a quantidade de cada tipo de produto, aplicamos o percentual médio de venda deles: Quantidade de sapatos = PE Mix * % de vendas dos sapatos Quantidade de sapatos = 5.500 * 36,36% Quantidade de sapatos = 2.000 pares de sapatos Quantidade de sandália = PE Mix * % de vendas das sandálias Quantidade de sandália = 5.500 * 63,64% Quantidade de sandália = 3.500 sandálias Atividades 1 - Uma empresa apresenta gastos fixos durante o mês no valor de R$550.000,00, considerando que desses valores R$50.000,00 correspondem à depreciação. O seu produto é vendido por R$1.000,00 cada e seus gastos para fabricação ficaram em 40% do preço de venda e ainda existe uma despesa com comissão sobre cada produto vendido no percentual de 5%. Qual o Ponto de Equilíbrio dessa empresa em valor? GABARITO PECq = CDF / Mcunit PECq = 550.000,00 / 550,00 PECq = 1.000 unidades PEC$ = Q x PV = 1.000 x 1.000,00 PEC$ = R$ 1.000.000,00 2 - Quando aumenta o custo fixo total: a) O Ponto de Equilíbrio aumenta, em quantidade e valor, e o preço de venda se mantém constante. b) O Ponto de Equilíbrio não se altera. c) Há um aumento no Ponto de Equilíbrio que não pode ser compensado com o aumento do preço de venda. d) Altera-se também a Margem de Contribuição. e) Alteram-se também os custos variáveis. 3 - A Cia. Veloz é uma indústria automobilística e alcança o Ponto de Equilíbrio com a venda de 12 automóveis, conforme dados que se seguem: Custo Fixo R$18.000,00; Custo Variável Unitário R$1.500,00 e Preço de Venda R$3.000,00. Uma redução de 20% no Preço de Venda representa um acréscimo no Ponto de Equilíbrio de: a) 8 automóveis b) 2 automóveis c) 10 automóveis d) 15 automóveis e) 20 automóveis 4 - Uma empresa apurou um resultado positivo de $720.000, no mesmo período em que os custos — que permanecem constantes em qualquer nível de atividade — montaram em $1.200.000. Sabendo que a receita de vendas foi de $2.400.000 e que foram vendidas 16.000 unidades, em qual nível de atividade esta empresa alcançaria o seu ponto de equilíbrio? a) 6.400 unidades b) 7.500 unidades c) 8.000 unidades d) 10.000 unidades e) 12.000 unidades 5 - Uma empresa produz um produto com preço de venda de R$10,00 por unidade. Os custos variáveis são R$8,00 por unidade e os custos fixos totalizam R$18.000,00 por ano, dos quais R$4.000,00 são relativos à depreciação. O Patrimônio Líquido da empresa é de R$50.000,00 e a sua taxa mínima de atratividade é de 10% ao ano. Os pontos de equilíbrio contábil, econômico e financeiro são, respectivamente: a) 9.000 unidades por ano, 11.500 unidades por ano e 7.000 unidades por ano. b) 9.000 unidades por ano, 11.500 unidades por ano e 9.500 unidades por ano. c) 9.000 unidades por ano, 7.000 unidades por ano e 9.500 unidades por ano. d) 9.000 unidadespor ano, 9.500 unidades por ano e 7.000 unidades por ano. e) 7.000 unidades por ano, 9.000 unidades por ano e 9.500 unidades por ano. Contabilidade Gerencial / Aula 8: Margem de segurança e grau de alavancagem Introdução- Nesta aula, vamos estudar a Margem de Segurança e o Grau de Alavancagem. Estes dois indicadores são essenciais para tomada de decisão no processo gerencial. Vamos estudar a integração deles e como analisá-los. A Margem de Segurança representa um percentual de média ou meta de vendas acima do Ponto de Equilíbrio. Já o Grau de Alavancagem representa o impacto causado no lucro quando há variações nas vendas. Bons estudos! Objetivos - Reconhecer os conceitos e a sistemática de cálculo da margem de segurança da empresa. Compreender os conceitos e a sistemática de cálculo do grau de alavancagem. Analisar a margem de segurança e grau de alavancagem como ferramentas gerenciais. Créditos - Aderbal Torres Revisor/ Laís Silva Designer Instrucional / Luís Rodrigues Web Designer / Rostan Luiz Desenvolvedor Margem de Segurança De acordo com Crepaldi (2012, p. 186): “Margem de segurança é um indicador que representa o risco econômico de exploração”. A Margem de Segurança representa a diferença, em percentual, entre as vendas da empresa e o seu ponto de equilíbrio. VENDAS ≠ PONTO DE EQUILÍBRIO Assim, a margem de segurança determina a folga no nível de vendas da empresa, podendo ocorrer diminuição do volume de vendas, sem que esta entre na faixa de prejuízo operacional. É este indicador que dá a percentagem do volume de atividade efetivamente praticada pela empresa acima do seu ponto crítico. Para calcular a margem de segurança temos de conhecer sempre, previamente, o ponto de equilíbrio das vendas (em valor, ou em quantidade), conteúdo estudado na aula anterior. Vejamos a fórmula: Podemos calcular a Margem de Segurança usando: 1 - A comparação da quantidade vendida na meta de vendas; ou 2 - A média de vendas da empresa e a quantidade do ponto de equilíbrio; ou 3 - A diferença entre o faturamento da empresa nesta média; ou 4 - A meta de vendas menos o ponto de equilíbrio em valor. Vejamos uma aplicação desse conceito: Suponhamos que uma indústria produza e venda lâminas de aço na seguinte situação: Custos e Despesas Variáveis: R$50,00 Custos e Despesas Fixas: R$2.100,00 Preço de Venda: R$110,00 Meta Mínima de Vendas por mês: 42 unidades Vamos calcular sua margem de segurança em comparação ao seu ponto de equilíbrio. SOLUÇÃO Primeiro Passo: Cálculo da Margem de Contribuição Unitária MCunit = PV – (CV + DV) MCunit = 110,00 – 50,00 MCunit = 60,00 Segundo Passo: Cálculo do Ponto de Equilíbrio PEQ = CDF/ MCUnit = PEQ = 2.100,00 / 60,00 = PEQ = 35 unidades PE$ = PV * PEQ = PE$ = 110,00 * 35 = PE$ = R$ 3.850,00 Terceiro Passo: Cálculo da Margem de Segurança Podemos encontrar o percentual da margem de segurança usando tanto as informações em quantidade ou em valor, vejamos: Utilizando as informações em quantidade: MS = Meta – PE / PE = MS = (42 – 35 / 35) * 100 = MS = (7 / 35) * 100 = MS = 20% A Margem de Segurança da empresa é 20%, isso quer dizer que a empresa, para se distanciar do prejuízo, tem como meta de vendas 36 unidades, 6 a mais do que seu ponto crítico de vendas. Assim, podemos dizer que a empresa está operando com uma Margem de Segurança de 6 lâminas de aço, podendo ter essa redução sem entrar na faixa de prejuízo. Utilizando as informações em quantidade: MS = Meta – PE / PE = MS = (4.620,00 – 3.850,00 / 3.850,00) * 100 = MS = (770,00 / 3.850,00) * 100 = MS = 20% Da mesma forma que comparando em quantidade, em valor também temos a Margem de Segurança de 20%, isso quer dizer que a empresa está operando com uma Margem de Segurança de R$770,00, podendo ter essa redução em suas vendas sem entrar na faixa de prejuízo. Vamos esquematizar: No gráfico a seguir, podemos perceber a margem de segurança visualizada em quantidade e em valor: Margem de Segurança Fonte: Elaborado pelo autor (Gomes, 2017) Como podemos verificar, no gráfico acima, a empresa atinge seu ponto de equilíbrio em uma venda de 35 unidades, na qual obtém uma receita de R$4.6020,00. Sua Margem de Segurança tanto em valor (R$ 3.850,00), quanto em quantidade (42 unidades) supera em 20% seu ponto de equilíbrio. Exercício! 1 - Quanto à Margem de Segurança é correto afirmar: a) Evidencia em quanto a variação das vendas impactou no lucro. b) Evidencia a meta mínima que a empresa precisa vender para aumentar seu grau de alavancagem. c) Indica o momento no qual a empresa atinge o resultado positivo em suas vendas, evidenciando o quanto ela terá de lucro. d) Representa o percentual de variação entre determinada venda em comparação ao ponto de equilíbrio. e) É o ponto máximo de vendas, ou seja, o lucro máximo que uma empresa pode atingir. 2 - (ESAF, 2012) A empresa Plataf S.A. vende 15 plataformas por ano. Com base nos dados a seguir, pode-se afirmar que a margem de segurança é: Vendas R$ 4.500,00 Por unidade Custos Variáveis R$ 3.000.000,00 Por unidade Custos Fixos R$ 10.000.000,00 Por ano Despesas Fixas R$ 5.000.000,00 Por ano a) 150% b) 250% c) 50% d) 33% e) 25% Grau de Alavancagem Em Física, o conceito de alavancagem decorre do uso de uma alavanca para levantar um objeto pesado com o uso de uma pequena força. Contabilmente, o Grau de Alavancagem representa o efeito que um aumento ou uma redução na quantidade de vendas impacta no lucro da empresa. De acordo com Martins (2010, p. 259): “A alavancagem pode ser compreendida como o uso de ativos operacionais, como custos e despesas fixas, com o objetivo de aumentar os lucros.” O Grau de Alavancagem (GA) é um conceito muito usado não apenas em Contabilidade Gerencial, mas também em Finanças e até mesmo em Análise das Demonstrações Contábeis. No ambiente empresarial dos negócios, um alto grau de alavancagem indica que um pequeno crescimento percentual nas vendas provocará um crescimento muito maior no lucro. O efeito de alavanca ocorre devido ao fato de os gastos fixos serem distribuídos por um volume maior de produção, ou seja, melhor uso dos recursos operacionais da empresa, fazendo com que o custo total de cada unidade produzida seja reduzido. Para determinarmos o Grau de Alavancagem usamos a seguinte fórmula: Onde: GA: Grau de Alavancagem MCtotal: Margem de Contribuição Total LL: Lucro Líquido Para encontrarmos as variáveis da fórmula: Margem de Contribuição Total e Lucro Líquido precisamos fazer uma DRE. Mas, fazemos uma DRE considerando qual volume de venda? Utilizamos o volume de vendas da Margem de Segurança, pois esta representa a meta de vendas da empresa ou ainda a média de vendas que a empresa costuma trabalhar. Vejamos uma situação: Suponhamos que uma vidraçaria esteja produzindo um tipo de vaso com as seguintes características: Custos + Despesas Variáveis: R$4,00 / unid. Custos + Despesas Fixas: R$27.000,00 / mês Preço de Venda: R$10,00 / unid. Meta Mínima de Vendas: 6.000 unidades por mês Vamos calcular o Grau de Alavancagem. SOLUÇÃO Precisamos fazer a DRE da empresa em sua meta de vendas: DRE Quant: 6.000 unid. Receita 60.000,00 (-) Custos e Despesas Variáveis (24.00,00) (=) Margem de Contribuição 36.000,00 (-) Custos e Despesas Fixas (27.000,00) (=) Lucro 9.000,00 Aplicando a fórmula do GA, temos: GA = MCtotal / LL GA = 36.000,00 / 9.000,00 GA = 4 O Grau de Alavancagem 4 indica que o percentual de variação no lucro será 4 vezes mais que o percentual de variação das vendas. Com base nessa situação, responda às seguintes perguntas: 1 - Caso as vendas aumentassem 10%, ou seja, a empresa vendesse 600 vasos a mais, quanto seria o aumento do lucro? GABARITO Se o GA da empresa foi 4, logo o lucro vai variar 4 vezes mais que a variação da receita. Assim, o lucro terá uma variação de 40%: Lucro Líquido em S1 = LL + 40% * LL Lucro Líquido em S1 = 9.000,00 + 0,4 * 9.000,00 Lucro Líquido em S1 =9.000,00 + 3.600,00 Lucro Líquido em S1 = R$12.600,00 A partir da elaboração de uma nova DRE com quantidade dessa situação, o valor do novo lucro líquido será: DRE Quant: 6.600 unid. Receita 66.000,00 (-) Custos e Despesas Variáveis (26.400,00) (=) Margem de Contribuição 39.600,00 (-) Custos e Despesas Fixas (27.000,00) (=) Lucro 12.600,00 2 - Se a empresa vender menos 900 vasos, ou seja, tiver uma queda de 15% nas vendas, qual impacto haverá no lucro? GABARITO Se o GA da empresa foi 4, logo o lucro vai variar 4 vezes mais que a variação da receita. Logo o lucro terá uma variação de -60%: Lucro Líquido em S2 = LL - 60% * LL Lucro Líquido em S2 = 9.000,00 - 0,6 * 9.000,00 Lucro Líquido em S2 = 9.000,00 - 5.400,00 Lucro Líquido em S2 = R$ 3.600,00 Vamos verificar, a partir da elaboração de uma nova DRE com quantidade dessa situação, o valor do novo lucro líquido: DRE Quant: 5.100 unid. Receita 51.000,00 (-) Custos e Despesas Variáveis (20.400,00) (=) Margem de Contribuição 30.600,00 (-) Custos e Despesas Fixas (27.000,00) (=) Lucro 3.600,00 Vejamos então, neste caso, a análise do grau de alavancagem desta empresa de acordo com os dados apresentados na tabela a seguir, comparando a situação base, e as variações nas vendas ocorridas nas situações 1 e 2. Variações nas Vendas (∆%) -15% Base +10% Unidades vendidas 5.100 6.000 6.600 DRE Receitas de Vendas 51.000,00 60.000,00 66.000,00 (-) Gastos Variáveis (20.400,00) (24.000,00) (26.400,00) = Margem de Contribuição Total 30.600,00 36.000,00 39.600,00 Gastos Fixos (27.000,00) (27.000,00) (27.000,00) Lucro Líquido 3.600,00 9.000,00 12.600,00 Variação no Lucro (∆%) -60% Base +40% Impacto decorrente na variação na quantidade Fonte: Elaborada pelo autor (Gomes, 2017) Quais conclusões podemos considerar? Na situação 1, a empresa aumentou as vendas em 10%: 600 unidades a mais. Em decorrência desse aumento, a receita partiu de R$60.000,00 para R$66.000,00. Já a variação do lucro foi 4 vezes mais a variação da receita. O novo lucro, em S1, foi de R$12.600,00, 40% maior que o lucro base. O impacto causado no lucro quando há uma queda nas vendas. Em decorrência dessa queda de 10%, ou seja, 900 vasos a menos, a receita partiu de R$60.000,00 para R$5.100,00. Já a variação do lucro foi 4 vezes menor em comparação à variação da receita. O novo lucro em S2 foi de R$3.600,00, 60% menor que o lucro base. O Grau de Alavancagem Operacional possui aplicação prática sob dois aspectos: 1º O primeiro deles é medir a variação no lucro em relação à variação ocorrida nas vendas. Se o lucro aumentou 30% para um aumento de 10% nas vendas, dizemos que a alavancagem operacional é 3. 2º O segundo aspecto é medir a distância em que a empresa se encontra do ponto de equilíbrio. Em geral, quanto maior o Grau de Alavancagem, mais perto do ponto de equilíbrio encontra-se a empresa. Por este motivo dizemos que o GAO é uma medida de risco operacional. Quanto maior for o valor dos Custos Fixos, em comparação à Margem de Contribuição, maior será o Grau de Alavancagem da empresa. E quanto mais alavancada for uma empresa, maior será seu risco e retorno, pois mais sensível ficará o Resultado (lucro ou prejuízo) se houver qualquer variação nas vendas. Atividade 1 - Suponhamos uma empresa com os seguintes dados: Preço de Venda = R$135,00/unidade Custos Variáveis = R$25,00/unidade Despesas Variáveis = R$30,00/unidade Custos Fixos = R$1.500,00/mês Despesas Fixas = R$2.500,00/mês Pede-se: a) Calcule o Grau de Alavancagem considerando que a empresa adota uma margem de segurança de 10% acima das vendas no seu ponto de equilíbrio. b) Determine qual será o lucro contábil se a empresa aumentar suas vendas em 30% acima da margem de segurança. GABARITO a) DRE na Margem Segurança Quant: 10.000 unid. Receita 110.000,00 (-) Custos e Despesas Variáveis (70.000,00) (=) Margem de Contribuição 40.000,00 (-) Custos e Despesas Fixas (35.000,00) (=) Lucro 5.000,00 GA = MCtotal / LL GA = 40.000,00 / 5.000,00 GA = 8 Resposta: Grau de Alavancagem = 8 vezes b) O Grau de Alavancagem 8 indica que o impacto que uma variação nas vendas provoca na alteração do lucro é de 4 vezes. Logo, com uma variação de 30% nas vendas, implicará em uma variação 8 vezes maior no lucro, ou seja, 240% (30% * 8). Resposta: Variação do Lucro = 240% 2 - O grau de alavancagem operacional indica o impacto que uma variação ocorrida na receita de vendas irá provocar no resultado operacional de uma empresa. Nesse contexto, a indústria AZ, que pretende apurar seu grau de alavancagem operacional, fez, em reais, as seguintes anotações referentes a um determinado período produtivo: Custos fixos 160.000,00 Custos variáveis 380.000,00 Despesas fixas 40.000,00 Despesas variáveis 100.000,00 Receita de vendas 780.000,00 Considerando-se as anotações realizadas pela indústria AZ, o seu grau de alavancagem operacional apurado, no período produtivo das anotações informadas, é: a) 1,6 b) 2,0 c) 2,4 d) 3,0 e) 4,0 3 - Uma companhia apresenta os seguintes dados de custos de produção de uma mercadoria: Custos e despesas fixas: R$315.000,00 Custos e despesas variáveis unitárias: R$50,00 Preço unitário de venda do produto: R$110,00 O grau de alavancagem operacional, correspondente à produção de 6.000 unidades, é: a) 8,5 b) 8,0 c) 7,5 d) 7,0 e) 5,0 4 - (CESPE, 2010) Considere a análise dos custos e o grau de alavancagem de lucros, tendo em conta os dados de determinado produto, apresentados na tabela abaixo. Vendas de 1.000 unidades R$35.000,00 Custos variáveis (1.000 unidades) R$25.000,00 Margem de contribuição R$10.000,00 Custos fixos R$5.000,00 Lucro inicial gerado pelo produto R$5.000,00 Com base nessas informações, assinale a opção correta acerca do valor das vendas e à geração de lucros desse produto. a) Ao se aumentar as vendas em 55%, o aumento no lucro será de 100%. b) Ao se aumentar as vendas em 47%, o aumento no lucro será de 75%. c) Ao se aumentar as vendas em 26%, o aumento no lucro será de 12%. d) Ao se aumentar as vendas em 90%, o aumento no lucro será de 46%. e) Ao se aumentar as vendas em 33%, o aumento no lucro será de 66%. Contabilidade Gerencial / Aula 9: Custo de oportunidade Introdução - Nesta aula, vamos estudar o lucro que poderia ter sido obtido, em uma aplicação de recurso, quando existem possibilidades para esse investimento. Chamamos o custo resultante de uma alternativa que se tenha renunciado de Custo de Oportunidade. Estudaremos além dos seus conceitos e das suas aplicabilidades, a importância da análise dessa metodologia para escolha das melhores oportunidades de investimentos e escolhas de custos alternativos. Bons estudos! Objetivos - Reconhecer os conceitos de custo de oportunidade. Analisar a tomada de decisão no processo de gestão considerando o custo de oportunidade. Créditos - Aderbal Torres Revisor / Laís Silva Designer Instrucional / Luís Rodrigues Web Designer / Rostan Luiz Desenvolvedor Custo de oportunidade De acordo com Martins (2010), o Custo de Oportunidade representa o quanto a empresa sacrificou em termos de remuneração por ter aplicado seus recursos em uma alternativa ao invés de outra. Assim, podemos entender que o custo de oportunidade representa o valor do dinheiro usado para se tomar a decisão de aplicar seus recursos em determinada alternativa, em detrimento de outra capaz de proporcionar melhor benefício. Exemplo - Se a empresa usou seus recursos para comprar um equipamento para a produção de tecido, o custo de oportunidade desse investimento é o que a empresa deixou de ganhar por não ter aplicado aquele valorem outra forma de investimento ao seu alcance. Podemos dizer também que o custo de oportunidade se refere ao valor líquido de caixa perdido quando se optou por uma alternativa ao invés de outra. Os agentes econômicos possuem diversas opções de investimento, para os recursos que possuem cada opção com suas características diferentes. A partir do momento da decisão de investimento, em uma das alternativas, as demais, possivelmente, ficaram perdidas. Nestes casos, a melhor opção deverá ser a que traga maior grau de satisfação ao agente econômico. O Custo de Oportunidade está relacionado a uma situação de escolha, ou de tomada de decisão. O gestor de uma empresa, quando tiver que tomar uma decisão entre alternativas viáveis de captação ou de aplicação de recursos, estará diante de um problema de custo de oportunidade. Em termos práticos, precisamos fazer comparações entre valores de igual poder de compra, dessa forma, trabalharemos com lucro, receitas, despesas, ou seja, analisaremos resultados. Vamos analisar algumas situações: Situação 1 Observe as duas possibilidades de investimentos: Alternativa 01 - benefício proporcionado = R$ 300,00 Alternativa 02 - benefício proporcionado = R$ 260,00 Vamos realizar a apuração do custo de oportunidade. SOLUÇÃO O custo de oportunidade da escolha da 1ª alternativa corresponde ao benefício que seria obtido caso fosse escolhida a 2ª alternativa. O resultado da escolha da 1ª alternativa é apurado da seguinte forma: Benefício Gerado pela Alternativa 01 R$ 300,00 Custo de Oportunidade (R$ 260,00) Resultado R$ 40,00 O custo de oportunidade da escolha da 2ª alternativa corresponde ao benefício que seria obtido, caso fosse escolhida a 1ª alternativa. O resultado da escolha da 2ª alternativa é apurado da seguinte forma: Benefício Gerado pela Alternativa 02 R$ 260,00 Custo de Oportunidade (R$ 300,00) Resultado (R$ 40,00) Situação 2 Suponhamos que não haja inflação, e a empresa realizou um investimento no imobilizado no valor de R$10.000,00. Suponhamos ainda que o custo de oportunidade tomado pela empresa, em termos reais, seja de 6% ao ano. Suponhamos também que a empresa tenha alcançado, em seu primeiro ano de operação, o seguinte lucro bruto: Receita de Vendas 15.000.000,00 (-) Custos dos Produtos Vendidos (14.000.000,00) = Lucro Bruto 1.000.000,00 Vamos calcular o custo de oportunidade! SOLUÇÃO Usando a regra de três, vamos calcular o custo de oportunidade: 6% _____________ R$ 10.000,00 100% _____________ X 0,06X = 10.000,00 X = R$ 600.000,00 Dessa forma, teríamos então, um custo de oportunidade em termos reais no valor de R$600.000,00 ao ano. Considerando o custo de oportunidade de R$600.000,00, temos um lucro de R$400.000,00, que representa o verdadeiro valor do resultado da atividade, ou seu lucro efetivo. Os R$400.000,00 de lucro efetivo representam o que a empresa conseguiu obter a mais do que conseguiria se aplicasse o capital no mercado a taxa de 6% ao ano. Atenção - Não há uma fórmula do custo de oportunidade. O cálculo deve ser estimado caso a caso. Existem algumas orientações para tentar estimar o Custo de Oportunidade: Quando há investimento na operação, o custo de oportunidade é calculado pelos juros pagos; Quando o financiamento é elevado e restringe o limite de crédito de outras operações, deve-se levar em conta essa limitação; Quando se trata de recursos próprios, deve-se analisar se há possibilidade de investir, sem risco, esse recurso e em quais seriam tais investimentos; Devemos analisar o retorno sobre o ativo (ROA) da entidade. Se a perspectiva de retorno com a aquisição de determinado ativo (independente se imobilizado ou investimento) for inferior à média da empresa, podemos estar diante de uma decisão que não seja a mais eficiente (como expandir ao invés de investir em uma nova empresa); Comparam-se duas oportunidades dentro do mesmo período; Avalia-se a primeira oportunidade levando em conta o que pode ser ganho caso escolha a segunda; Calculam-se os custos da primeira oportunidade que não terá que pagar se escolher a segunda. Exemplos de custos de oportunidade: CUSTO DE OPORTUNIDADE DO CAPITAL Um empresário investe R$100.000,00 em um negócio que tem um lucro anual de R$5.000,00. Se o empresário tivesse escolhido a alternativa de fazer uma aplicação bancária poderia ganhar algo em torno de 8% ao ano, ou seja, R$8.000,00, esse portanto é o custo de oportunidade do capital. CUSTO DE OPORTUNIDADE DO IMÓVEL Uma empreendedora utilizou um amplo e bem localizado imóvel da família para instalar um salão de beleza. Após anos de trabalho percebeu que os lucros mensais do negócio estavam estabilizados e rendiam aproximadamente R$5.000,00 por mês, no entanto, caso optasse por alugar o imóvel obteria um aluguel mensal de, pelo menos, R$8.000,00. Esse seria, portanto, o seu custo de oportunidade, que não aparece na contabilidade do salão de beleza, mas mostra à empresária qual é a melhor opção de emprego do imóvel. CUSTO DE OPORTUNIDADE DA MÃO DE OBRA Um representante de vendas, autônomo, após contabilizar receitas e custos verifica que teve um lucro médio mensal, no ano passado, de R$3.500,00, no entanto, lembramos que antes de deixar o emprego para abrir sua representação comercial tinha um salário médio de R$8.500,00. Esse é o custo de oportunidade de sua mão de obra, o custo da melhor alternativa do emprego de sua força de trabalho. Atenção Uma vez considerados os Custos de Oportunidade, percebemos que muitos negócios aparentemente lucrativos de acordo com os registros contábeis não são a melhor opção de emprego do recurso produtivo. Exercício! 1 - (INSS, 2005) Pode-se conceituar “Custo de Oportunidade” como o(a): a) montante de custos aplicados em um produto cuja venda depende de uma oportunidade de mercado. b) valor correspondente ao conjunto de insumos aplicados sobre um produto. c) valor sacrificado em uma alternativa em detrimento de outra. d) custo despendido em processos produtivos eventuais ou cíclicos. e) diferença entre o custo total do produto e o seu custo marginal. 2 - Se uma pessoa que ganha um salário de R$8.000,00/mês largar o emprego para montar um novo negócio e, em determinado mês, o negócio apresentar lucro de R$6.000,00, a diferença de R$2.000,00 em relação ao salário constitui: a) custo de capital. b) custo de captação. c) custo de oportunidade. d) custos de transformação. e) margem de contribuição unitária 60,00. Análise do custo de oportunidade em uma linha de produção Uma das aplicabilidades mais importantes dos conceitos de Custo de Oportunidade é a identificação dos produtos ou das linhas de produção e o retorno que eles estão proporcionando. Diversas vezes, alguns produtos estão gerando lucro, contudo se fizermos uma análise mais aprofundada talvez possamos encontrar que, em alguns produtos, o lucro gerado por eles seja menor do que o custo de oportunidade do investimento utilizado para produzi-los. Vejamos agora um exemplo adaptado de Martins (2010): Suponhamos que uma empresa esteja trabalhando com a produção de quatro produtos (A, B, C e D). Todos eles com Margem de Contribuição individual e global positiva: DRE / Produtos A B C D Total Receita R$ 10.000,00 R$ 7.000,00 R$ 9.000,00 R$ 4.000,00 R$ 30.000,00 (-) Custos Variáveis (R$ 8.000,00) (R$ 6.000,00) (R$ 7.500,00) (R$ 3.500,00) (R$ 25.000,00) = Margem de Contribuição R$ 2.000,00 R$ 1.000,00 R$ 1.500,00 R$ 500,00 R$ 5.000,00 (-) Custos Fixos (R$ 3.000,00) = Lucro R$ 2.000,00 A partir do exemplo acima, podemos elucidar diversas possibilidades para analisar o custo de oportunidade em comparação com o resultado gerado por cada produto e seu custo para produzi-lo. Vejamos: 1ª HIPÓTESE O resultado final não é compatível com o investimento feito. Apesar das margens de contribuição de cada produto e global, bem como o lucro final serem positivos, uminvestimento de, por exemplo, R$50.000,00, estaria proporcionando apenas 4% de retorno, e com um custo de oportunidade de 6% estaria proporcionando uma taxa final real negativa de 2%. O que devemos fazer diante dessa situação? Melhorar o retorno ou desistir do empreendimento? Para aumentar o retorno, devemos analisar diferentes possibilidades: • aumentar o preço de venda; • aumentar o volume de vendas; • reduzir ou custos; • substituir alguns dos produtos por outros que proporcionem maiores valores de retorno; • ou ainda, uma combinação dessas possibilidades. 2ª HIPÓTESE O resultado final é compatível com o investimento feito, mas existem outras opções de bens ou serviços para produzir. Talvez o investimento tenha sido de R$25.000,00, e o retorno de R$2.000,00 seja considerado razoável, acima do Custo de Oportunidade, mas haja a possibilidade de a empresa substituir alguns produtos ou adicionar outros à linha existente. Para a substituição, digamos que não haja necessidade de investimentos adicionais; bastaria então a análise do diferencial da Margem de Contribuição entre o produto atual e o substituto. Se, por exemplo, houver possibilidade de trocar o produto por outro que produza um MCT de R$1.300,00, não haveria dúvidas de que seria economicamente a alternativa correta; mesmo que acontecesse de, por unidade, produzir menos o novo produto, o que interessa, independentemente da quantidade, é que a margem de contribuição dele é R$300,00 maior que a do produto B. Isso aumentaria diretamente o lucro final da empresa neste valor. Para o estudo da adição de um novo produto, o importante é verificarmos se haverá ou não aumento dos custos. Se a adição não aumenta os custos, é porque estaríamos aproveitando a capacidade ociosa; e qualquer outra opção com MCT positiva melhoraria nossa realidade. Se o novo produto provocar aumento dos custos fixos, é importante verificarmos se o valor adicional de margem de contribuição trazido por ele é maior do que o aumento gerado nos custos fixos. 3ª HIPÓTESE Independentemente de o resultado ser ou não compatível, existe possibilidade de excluir um dos produtos da linha de produção. O produto D, por exemplo, mostra uma margem de contribuição de R$500,00, a mais baixa de todas. Poderia acontecer de a empresa verificar se, desistindo da produção de D, pudesse desativar parte da sua planta (estrutura de produção), reduzindo assim o investimento feito. O problema agora seria verificar qual das duas opções é melhor, e isso depende do valor que se poderia obter pela desativação e da alternativa de sua aplicação. Digamos que o investimento que esteja produzindo os R$2.000,00 de lucro seja R$32.000,00 (retorno de 6,25%) e que, na desativação do produto D, se conseguisse reduzir o investimento em R$9.000,00, bem como os custos fixos em R$300,00. Neste caso, teríamos um resultado de R$2.000,00 transformado em R$1.800,00 (R$2.000,00 – R$500,00 + R$300,00), o que representaria um retorno de 7,8% sobre o investimento líquido de R$23.000,00 (R$32.000,00 – R$9.000,00). Saiba Mais - Outras hipóteses poderiam ser desenvolvidas, contudo a intensão não é mostrar a diversidade de opções, mas sim o raciocínio para a análise do custo de oportunidade. Custos Perdidos São valores já gastos no passado, e, mesmo que ainda não contabilizados totalmente como custos, serão custos no futuro. Os custos perdidos são considerados irrelevantes para uma série de decisões, a não ser no que diz respeito a seus efeitos sobre o fluxo de caixa, principalmente por sua influência na distribuição do imposto de renda ao longo do exercício. Exemplo - Podemos citar como exemplos de custos perdidos: amortização e depreciação. Exercício! (ANS, 2015) Um gestor, ao analisar os custos e as receitas potenciais de duas alternativas de investimentos, decidiu desconsiderar os custos de depreciação de itens do imobilizado que, em uma das alternativas, terá seu uso descontinuado. O fato de desconsiderar esses custos demonstra que ele está: a) analisando apenas os custos implícitos. b) aplicando o conceito de custo perdido. c) analisando apenas os custos de oportunidade. d) eliminando os efeitos de inflação da análise. e) distorcendo a análise pela falta de dados relevantes. Custos Imputados O Custo Imputado: É o valor apropriado ao produto para efeitos internos, mas não contabilizados; É um tipo de Custo de Oportunidade; Representa os sacrifícios econômicos, mas não financeiros da empresa, ou por esse motivo não são contabilizados, pois não geram gastos para a empresa e são muito subjetivos e polêmicos. Como exemplos de Custo Imputado, temos o Juro sobre o Capital Próprio, pois é considerado um custo imputado relativo ao custo de oportunidade do Capital Próprio. Trata-se de um custo relevante do ponto de vista gerencial, mas que não pode ser tratado contabilmente. Uma de suas grandes dificuldades é sua alocação a cada produto. Essas dificuldades são semelhantes às encontradas na alocação de Custos Indiretos no Custeio por Absorção. Exercício! 1 - A empresa Oportuna possui uma capacidade prática para produzir até 58.000 compressores por período, mas vem conseguindo colocar no mercado apenas 54.000 unidades, ao preço líquido de R$220,00. Sobre esse preço a empresa paga comissão de 10% aos vendedores. Seus custos diretos são os seguintes: Matéria-prima (por unidade) R$110,00 Embalagem (por unidade) R$28,00 Mão de obra direta por período (custo fixo) R$300.000,00 Seus custos indiretos de produção e despesas totalizaram R$1.200.000. O departamento de Marketing fez uma pesquisa de mercado para saber qual seria o volume de vendas a diversos níveis de preço. O resultado foi o seguinte: Preço por unidade (em $) Quantidade que seria vendida por período R$ 200,00 58.000 R$ 220,00 54.000 R$ 240,00 48.000 R$ 260,00 42.000 R$ 280,00 36.000 R$ 300,00 30.000 Desconsiderando a incidência de tributos sobre a receita, calcule o custo de oportunidade da empresa ao praticar o preço de: a) R$ 300 b) R$ 200 c) R$ 260 GABARITO a) Preço de R$ 300 O custo econômico de ociosidade é o custo de oportunidade, isto é, o quanto se deixa de ganhar na melhor alternativa desprezada. Ao preço de R$300 a empresa venderia 30.000 amortecedores e deixaria de produzir e vender 28.000; os cursos de ações possíveis são: Ao praticar o preço de R$ 260,00: Receita (42.000 * 260,00) R$ 10.920.000,00 (-) Comissão de 10% (R$ 1.092.000,00) (-) Custos (42.000 * R$ 138,00) (R$ 5.796.000,00) = MCT R$ 4.032.000,00 Ao praticar o preço de R$ 200,00: Receita (58.000 * 200,00) R$ 11.600.000,00 (-) Comissão de 10% (R$ 1.600.000,00) (-) Custos (58.000 * R$ 138,00) (R$ 8.004.000,00) = MCT R$ 2.436.000,00 Logo, o custo econômico de ociosidade, medido pela MCT que seria obtida a plena capacidade, é de R$2.436.000,00; menor, portanto, que a MCT com ociosidade. Podemos concluir, portanto, que é mais vantajoso operar com ociosidade, praticando o preço de R$300,00 e produzindo 30.000 unidades por período. b) Preço de R$ 200,00 Não há custo de ociosidade ao praticar o preço de R$200,00. O máximo que a empresa consegue vender é a sua capacidade de produção, que é de 58.000 unidades. c) Preço de R$ 260,00 Ao praticar o preço de R$ 300,00: Receita (30.000 * 300,00) R$ 9.000.000,00 (-) Comissão de 10% (R$ 900.000,00) (-) Custos (30.000 * R$ 138,00) (R$ 4.140.000,00) = MCT R$ 3.960.000,00 Ao praticar o preço de R$ 200,00: Receita (58.000 * 200,00) R$ 11.600.000,00 (-) Comissão de 10% (R$ 1.600.000,00) (-) Custos (58.000 * R$ 138,00) (R$ 8.004.000,00) = MCT R$ 2.436.000,00 É mais vantajoso vender 42.000 ao preço de R$260. 2 - O custo considerado para efeitos internos, gerenciais, mas não contabilizados por não representar transação com o ambiente externo, é denominado: a) custo imputado b) custo de oportunidade c) custo perdido d) custo indireto e) custo padrão 3 - Determinadaempresa possui 4 projetos para investir: W, X, Y e Z. No entanto, por motivos de restrição de capital, ela está limitada a investir R$20 milhões em cada um dos anos 0 e 1, conforme apresentado: Fluxo de Caixa (R$ milhões) Projeto FC0 FC1 FC2 W -20 +60 +10 X -10 +10 +40 Y -10 +10 +30 Z 0 -80 +120 O custo de oportunidade do capital é de 10% ao ano. Qual(is) projeto(s) a empresa deve selecionar para maximizar o valor para os acionistas? Considere 1/(1+0,1) = 0,9 e 1/(1+0,1)² = 0,8 a) W b) Y e Z c) X e Z d) X e Y e) W e Z Contabilidade Gerencial / Aula 10: Precificação Introdução - Nesta aula, vamos estudar precificação, isto é, a formação do preço de venda, uma ferramenta indispensável ao processo gerencial. Iremos analisar as ferramentas que possibilitam a empresa definir seu preço de venda de todos os gastos (custos, despesas, impostos etc.) bem como a parcela de lucro que o produto deve proporcionar. O correto uso das ferramentas de precificação proporciona um preço de venda competitivo e atrativo, garantindo assim a lucratividade do negócio e a satisfação dos clientes. Bons estudos! Objetivos - Descrever conceitos e ferramentas para formação do preço de venda. Compreender os métodos de determinação do preço de venda. Calcular o Mark Up. Créditos Aderbal Torres Revisor / Laís Silva Designer Instrucional / Luís Rodrigues Web Designer / Rostan Luiz Desenvolvedor Formação do preço de vendas A formação do preço de venda dos produtos e serviços é uma ferramenta gerencial determinante para a sobrevivência das empresas, representando um dos fatores mais relevantes para o fracasso ou sucesso de um negócio. Para determinarmos o preço final de venda de um produto ou serviço, precisamos conhecer bem a estrutura de gastos da empresa, bem como o custo mais especificamente do produto ou serviço a ser comercializado. Outros elementos, além dos fatores gerenciais da empresa, influenciam o preço do produto, como por exemplo: O mercado consumidor A lei de oferta e procura Os produtos concorrentes Os produtos substitutos etc. Apesar das variáveis externas e econômicas que influenciam na empresa, a gestão estratégica dos seus custos será sempre o fator decisivo para se determinar um preço competitivo e atrativo, garantindo assim a lucratividade do negócio e a satisfação dos clientes. Sobre isso, assista ao vídeo a seguir que fala sobre o preço de automóveis no Brasil. Como vimos na reportagem, não é o peso da carga tributária que faz com que o Brasil tenha o carro mais caro do mundo, outros fatores levam a esse preço tão abusivo. Vimos como, tecnicamente, a partir de ferramentas gerenciais, se dá a formação do preço de venda. Conceitos (Preço X Valor X Custo) A palavra preço vem do latim pretium, e representa o valor monetário de algo. Todos os produtos e os serviços que são vendidos no mercado têm um preço. É o dinheiro que o comprador ou o cliente deve pagar para efetivar a operação. De acordo com Atkinson et al (2011): Custo - É o quanto foi gasto pela empresa para ofertar um determinado produto ou serviço. Valor - É o quanto determinado produto ou serviço atende à necessidade dos clientes. Preço - É a expressão monetária que exprime quanto o produto ou serviço vale, ou seja, quanto o comprador está disposto a pagar para obter determinado produto/serviço. Assim podemos entender o preço como a representação da avaliação que o comprador faz das utilidades que um produto ou serviço agrega. Quais as variáveis e influências da formação do preço de venda? Existem vários elementos que influenciam no processo de decisão do preço de venda. Podemos dividi-los em dois grandes grupos: VARIÁVEIS INTERNAS Referentes às decisões gerenciais da empresa: a) Estratégia de Marketing; b) Estrutura de Custos da Empresa; e c) Aspectos Organizacionais. VARIÁVEIS EXTERNAS Econômicas e de mercado: a) Mercado e Demanda; b) Capacidade de Pagamentos do Consumidor; e c) Produtos Substitutos e Concorrentes. Atenção - O preço sofrerá a influência tanto das variáveis internas quanto das variáveis externas à empresa e, antes de qualquer coisa, a empresa deverá sempre levar em consideração todos esses elementos. Essas variáveis irão direcionar a empresa em seu planejamento estratégico, definir financeiramente o preço de venda a fim de que ele seja capaz de: 1 - Pagar todos os gastos (custos, despesas e impostos) incorridos na produção e venda do produto ou serviços; 2 - Recuperar os investimentos realizados; 3 - Gerar lucro. Para entendermos melhor, vejamos a figura a seguir que representa financeiramente a formação do preço de venda. Elementos financeiros que compõem o preço de venda Fonte: Elaborada pelo autor (Gomes, 2017) Métodos de determinação do preço de venda A formação de preço é uma técnica amplamente estudada tanto em Economia, quanto em Contabilidade. Existem três métodos de formação do Preço de Venda: PREÇO BASEADA NA CONCORRÊNCIA Neste caso, há liberdade pelas empresas, a partir de seu diferencial (atendimento, qualidade do produto, prazo de entrega, garantia etc.), para definir seu próprio preço, contudo a empresa pode optar em vender pelo mesmo preço do seu concorrente. Exemplo: Se meus concorrentes estão vendendo por R$10,00, então vou vender também por R$10,00. PREÇO BASEADO NO MERCADO Em alguns casos, por exemplo, nas commodities (matérias-primas e produtos agrícolas tais como minério de ferro, petróleo, carvão, sal, alumínio, arroz etc.), o preço já é definido pelo mercado e, se a empresa deseja entrar nesse ramo, tem que seguir o preço economicamente estabelecido. PREÇO É BASEADO NO CUSTO É formado a partir das técnicas gerenciais, no qual é adicionada uma margem ao preço de custo. Vamos conhecer agora a técnica de formação de preços mais utilizada no meio empresarial de definição da margem a ser atribuída ao custo, o Mark Up. Exercício! 1 - (CFC, 2017) Uma Sociedade Empresária estabelece o preço de venda de suas mercadorias com base no custo de aquisição. A mercadoria “A” tem custo de aquisição igual a R$12,00 por unidade. Segundo a política de formação de preço utilizada pela Sociedade Empresária, o valor de venda estabelecido deve proporcionar uma margem de contribuição, líquida de tributos e despesas variáveis, de 30% sobre o preço de venda. Os tributos incidentes sobre as vendas somam 27,25% e as despesas variáveis de venda somam 2,75%. Considerando-se as informações apresentadas, o preço de venda da mercadoria “A” será de: a) R$16,80 b) R$19,20 c) R$20,00 d) R$30,00 2 - (CFC, 2015) Uma Sociedade Empresária apresenta os seguintes dados: • Custo de Aquisição dos produtos R$10,00 • ICMS sobre a venda 18,00% • PIS sobre a venda 0,65% • Cofins sobre a venda 3,00% • Comissão sobre as vendas 5,00% • Margem líquida desejada 40,00% Com base nos dados informados, o preço de venda mínimo do produto deve ser de, aproximadamente: a) R$13,63 b) R$18,18 c) R$29,99 d) R$26,08 Mark Up Termo em inglês o qual podemos traduzir como marcador. O que podemos concluir sobre o Mark Up: ✔ É um índice, multiplicador ou divisor, aplicado sobre o custo de um produto ou serviço para determinar o preço de venda; ✔ Baseado na ideia de margem, pois, nessa metodologia é adicionada ao custo unitário do bem uma margem de lucro; ✔ É um índice que cobre todos os gastos da empresa e garante a lucratividade que se espera (definida no Orçamento Empresarial); ✔ É um método de precificação com base no custo; ✔ Seu cálculo é muito prático, por isso ele é muito utilizado. O Mark Up consiste em somar uma margem de lucro ao custo unitário do produto ou serviço para obter o preço de venda. Para chegarmos ao valor da margem, precisamos incluir todos os gastos (impostos, taxas, despesas administrativas, despesas financeiras) e o percentual de lucro desejado. Vejamos como calculá-lo! Existem duas fórmulas para o cálculo do Mark Up, ambas chegam ao mesmo resultado: Mark Up Divisor = 1- ∑taxas percentuais ou As taxaspercentuais representam toda a estrutura de gastos da empresa vinculada ao produto ou serviço do qual será definido o preço mais o percentual de lucro desejado pela empresa. A ideia do Mark Up é chegar ao preço de venda a partir do preço de custo, então faremos o Custo pelo Mark Up. Utilizando o Mark Up Divisor, encontraremos o preço de venda, dividindo o custo pelo mark up: Vejamos algumas situações que demonstram esse conceito: Situação 1 Suponhamos que a empresa Alfa compre determinado produto por R$5,70. O ICMS cobrado, na venda do produto, é de 17%; sobre o preço de venda, também incide PIS e Cofins, totalizando uma alíquota de 3,65%. As despesas administrativas da empresa giram em torno dos 6%. A empresa remunera seus vendedores com uma comissão de 3% e seu lucro desejado antes do IR é de 20%. Vamos determinar qual deve ser o seu preço de venda. SOLUÇÃO Primeiro passo: Cálculo das taxas percentuais: (+) ICMS da venda = 17% (+) PIS e COFINS = 3,65% (+) Comissão do Vendedor = 3% (+) Despesas Administrativas = 15% (+) Lucro desejado = 20% (=) Taxas Percentuais = 58,65% Segundo passo: Cálculo do Mark Up Mark Up Divisor = 1- ∑taxas percentuais Mark Up Divisor = 1- 0,5865 Mark Up Divisor = 0,4135 Mark Up Multiplicador = 2,4183 Terceiro passo: Cálculo do Preço de Venda Utilizando o mark up divisor: Preço de Venda = R$ 13,80 Utilizando o mark up multiplicador: Preço de Venda = Custo * Mark Up Multiplicador Preço de Venda = 5,70 * 2,4183 Preço de Venda = R$ 13,80 Situação 2 Agora vamos calcular a partir da análise do exemplo da Demonstração do Resultado do Exercício: • se caso a empresa adotar o preço de venda encontrado a partir do Mark Up; • se conseguirá pagar o custo do produto, as despesas, impostos e ainda auferir um lucro de 20% na comercialização deste item. SOLUÇÃO DRE Valor Percentual Receita Bruta R$13,80 100% (-) ICMS (R$2,35) 17% (-) PIS e Cofins (R$0,50) 3,65% Receita Líquida R$10,95 79% (-) CMV (R$5,70) 41% = Lucro Bruto R$5,25 38% (-) Despesas Administrativas (R$2,07) 15% (-) Despesas com Comissões (R$0,41) 3% = Lucro Operacional R$2,77 20% Verificamos, a partir da DRE, que a empresa, comprando o produto por R$5,70 com a aplicação do Mark Up, conseguirá cobrir toda sua estrutura de custos, pagar as despesas, os impostos e ainda manter uma margem de lucro de 20%. O índice de marcação de preço encontrado pelo Mark Up se aplicaria a qualquer produto comercializado pela empresa que tivesse, é claro, a mesma incidência tributária e não tivesse alguma especificidade de custo.Com o Mark Up, além de a empresa obter mais segurança nas negociações, podemos ainda estabelecer limites para os descontos e trabalhar a margem de lucro que se espera alcançar com as vendas, pois o Mark Up trabalha justamente a questão da margem de lucratividade do preço dos produtos ou serviços. Ter na ponta da caneta um multiplicador que garante, ao preço do produto ou serviço, a cobertura de todos os custos e a margem de lucro torna a gestão muito mais fácil. Atenção - O preço de venda por Mark Up pode ser calculado para cada produto individualmente ou para todos os produtos de forma genérica. Preço de Venda a Prazo Para definirmos o preço de um produto ou serviço que será vendido a prazo, ou seja, para ser recebido no futuro, devemos calcular, adicionalmente ao preço de venda encontrado pelo uso do Mark Up, o custo financeiro do dinheiro no tempo. Podemos utilizar a sistemática da Matemática Financeira e Administração, para fazer a atualização do dinheiro no tempo: Preço de Venda a Prazo = Preço de Venda à Vista * (1 + i)n Onde: i = taxa de juros do mercado n = quantidade de meses da venda a prazo Vejamos uma situação: Utilizando as informações do exemplo Alfa, vamos calcular o preço de venda a prazo considerando que a empresa concede ao cliente o prazo de pagamento de 60 dias e o custo do capital para a empresa é de 2% a.m. SOLUÇÃO Preço de Venda a Prazo = Preço de Venda à Vista * (1 + i)n Preço de Venda a Prazo = 13,80 * (1 + 0,02)2 Preço de Venda a Prazo = 13,80 * (1,02)2 Preço de Venda a Prazo = 13,80 * 1,0404 Preço de Venda a Prazo = R$ 14,35 Ressalta-se que o valor de R$1,35 é o preço do produto que será recebido, em uma única parcela, 60 dias após a data da compra. Vejamos como ficaria o preço de venda do produto, caso a venda a prazo fosse em parcelas: Onde: i = taxa de juros do mercado n = quantidade de parcelas da venda a prazo Vamos supor que a empresa tenha vendido o produto parcelado em 5 vezes e o custo do capital para a empresa permaneça de 2% a.m. Quanto fica o valor de cada parcela e qual o valor do preço de venda final do produto? Valor da Parcela na Venda a Prazo = R$ 2,94 Preço Final do Produto na Venda a Prazo = 2,94 * 5 Preço Final do Produto na Venda a Prazo = R$ 14,70 Atividade 1 - Qual preço de venda deve ser aplicado em determinado produto cujo custo de compra é de R$17,20? Os impostos incidentes sobre as vendas são: ICMS de 17%, PIS e Cofins 3,65% e seu lucro desejado antes do IR é de 20%. A empresa possui a seguinte estrutura de gastos: Estrutura de Despesas Comissões 2,00% Embalagens 1,50% Frete 2,50% Publicidade 1,00% Despesas de Vendas 5,52% Despesas Administrativas 8,00% Em posse dessa informação, elabore, ainda, a DRE evidenciando que a formação do preço cobre toda a estrutura de custos da empresa, paga seus tributos e alcança o lucro desejado. GABARITO - Cálculo das taxas percentuais: ICMS da venda 17% PIS e COFINS 3,65% Comissões 2% Embalagens 1,5% Frete 2,5% Publicidade 1% Despesas de Vendas 5,52% Despesas Administrativas 8% Lucro desejado 20% (=) Taxas Percentuais 61,17 Cálculo do Mark Up Mark Up Divisor = 1- ∑taxas percentuais Mark Up Divisor = 1- 0,6117 Mark Up Divisor = 0,3883 Mark Up Multiplicador = 2,5753 Cálculo do Preço de Venda Utilizando o mark up divisor: Preço de Venda = R$ 17,00 Utilizando o mark up multiplicador: Preço de Venda = Custo * Mark Up Multiplicador Preço de Venda = 6,60 * 2,5753 Preço de Venda = R$ 17,00 DRE Valor Percentual Receita Bruta R$17,00 100% (-) ICMS R$2,89 17% (-) PIS e Cofins R$0,62 3,65% Receita Líquida R$13,49 79% (-) CMV R$6,60 39% = Lucro Bruto R$6,89 41% (-) Despesas Operacionais R$3,57 21% = Lucro Operacional R$3,32 20% 2 - (TCE-PA, 2012) O senhor Marcos necessita calcular o custo de produção da sua empresa e, assim, poder determinar o seu preço de venda. Para tanto levantou algumas informações dos seus dados contábeis conforme tabela abaixo. E, também, levantou informações sobre os componentes que o produto utiliza, assim como o tempo necessário para a sua produção. 1.° A empresa fabrica os produtos AAA e BBB, que utilizam as mesmas matérias primas YYY e ZZZ com a seguinte composição: Produtos Matérias primas YYY ZZZ AAA 3 2 BBB 2 4 2.° O custo da matéria prima no seu controle de estoques de YYY é de R$25,00 e de ZZZ é R$12,00. 3.° Os tempos de produção dos produtos AAA e BBB, respectivamente são: 2,5 horas e 4,5 horas. 4.° As horas/homens contratadas para o período, totalmente dedicado à produção, é de 4.120 horas a um custo de R$39.552,00, no entanto, os estudos mostraram que há 20% de tempo improdutivo. 5.° Os custos indiretos de fabricação totalizam R$14.832,00 e a empresa pretende alocar com base nas horas/MOD. 6.° O volume de produção para o período é de 800 unidades de AAA e de 288 unidades de BBB. 7.° As despesas operacionais representam 16% e os tributos 27% sobre a receita. Considerando os dados acima, calcule os custos unitários de cada produto e o Mark Up multiplicador, sabendo-se que a empresa deseja um lucro de 10%; e assinale a alternativa correta. a) R$ 140,25; R$ 172,25 e 2,1277 b)R$ 132,00; R$ 157,40 e 2,1277 c) R$ 132,00; R$ 157,40 e 1,7544 d) R$ 140,25; R$ 172,25 e 1,7544 e) R$ 138,00; R$ 168,20 e 2,1277 3 - (IADES, 2016) Um dos métodos usados para determinar o preço de venda de um produto é a partir dos respectivos custos, acrescidos de uma margem, ou Mark Up, para cobrir gastos como impostos, despesas administrativas e a margem de lucro definida pela empresa. Considere hipoteticamente que determinado produto apresente os dados a seguir. Custo unitário = $20 Despesas administrativas: equivalente a 10% da receita bruta Impostos: 25% do preço de venda Margem de lucro: 25% da receita bruta Com base nessas informações, o preço de venda do produto será: a) $33,33 b) $50 c) $53,50 d) $58 4 - (Petrobrás, 2010) No que se refere ao etanol, considere as informações apresentadas abaixo: Custo variável unitário (litro): $0,80/litro Custos fixos: $300.000,00 Venda esperada em unidades (litros): 500.000 litros Uma distribuidora de combustíveis instituiu que o preço do etanol, em seus postos, será determinado com base no Mark Up de 20% sobre as vendas. Assim, o preço de Mark Up para o litro do etanol seria: a) 1,75 b) 1,68 c) 1,60 d) 1,40