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REALISMO 
MADAME BOVARY
Gustave Flaubert
Considerado pela crítica um dos maiores escritores, conseguiu um modo de narrar que passa a ser inaugural na história da narrativa.
Romântismo X Realismo
Homem romântico- espiritualista, o amor era platônico, a mulher idealizada.
Na metade do século XIX, em torno de 1819, na França, 1850 em Portugal e no Brasil 1881, o homem deixa de ser romântico e passa a ser materialista.
O que ocorreu?
Revolução Industrial
TRABALHO (horas do dia) X CAPITAL=CAPITALISMO
FILME :TEMPOS MODERNOS
Revolução Industrial
 1ª Revolução industrial:Europa – Máquina à Vapor.
2ª Revolução Industrial:Estados Unidos-Comunicações- Fordismo, desenvolvimen to do transporte ;
3ª Revolução industrial:Japão-Robótica, in-
formática, alta tecnológia.
EUROPA
Como as teorias científicas estavam a todo vapor,o movimento literário só foi uma resposta as mudanças ocorridas na sociedade.
Doutrinas Filosóficas e Sociais
Positivismo- August Comte - 1798;
Determinismo – Hypolite Taine;
Evolucionismo -1809 – 1882;
Socialismo Científico- Marxismo – O Capital -1877;
Socialismo Utópico- Saint Simon.
Realismo:
 Real=do latim res = fato
REALISMO
 ismo= crença na doutrina
Quadro os Raspadores de Assoalho
Quadro as Catadoras de Batatas
Pergunta:
Qual dos dois quadros condiz com o tema estudado? Justifique.
O Realismo nas Artes Plásticas
O realismo manifestou-se principalmente na pintura, onde as obras retratavam cenas do cotidiano das camadas mais pobres da sociedade. O sentimento de tristeza expressa-se claramente através das cores fortes. Um dos principais pintores realistas foi o francês Gustave Coubert. Com obras que chocaram o público pelo alto grau de realismo e pelos temas sociais, este artista destacou-se com as seguintes telas : Os Quebradores de Pedras e Enterro em Ornans . 
Literatura Realista
Nas obras em prosa, o realismo atingiu seu ápice na literatura. Os romances realistas são de caráter social e psicológico, abordando temas polêmicos para a sociedade da segunda metade do século XIX. As instituições sociais são criticadas, assim como a Igreja Católica e a burguesia. Nas obras literárias deste período, os escritores também criticavam o preconceito, a intolerância e a exploração. Sempre utilizando uma linguagem direta e objetiva.
O que é Realismo?
Denominação genérica que se atribui a reação contra a ideologia do romantismo.
Realismo pregava a descrição e a análise da realidade, a partir da objetividade.
Quais são as diferenças entre o Romantismo e o Realismo?
Romantismo
Realismo
1.)Recorda o passado de preferência a
a Idade Média ;
1.) Olha o futuro é tem fé na ciência e no progresso;
2.)A imaginação e a sensibilidade dominam a narrativa;
2.)A observação do pormenor, a indiferença e a impassibilidade do narrador dominam as narrativas;
3.)Linguagem declamatória ,afetiva e
3.)Linguagem equilibrada,com
espontânea, com reticências,exclama
aperfeiçoamento da forma;
-çõese interrogações;
4.)Gosto pela paisagem colorida e pelo
4.)Gosto pela paisagem macabra ehor
minucioso e exato.
-renda e pelo descritivo idealizado;
5.)Ideais monárquicos.
5.)Ideais republicanos e socialistas.
Realismo
Segunda metade do século XIX, fase da Revolução Industrial, aumento da classe operária que irá revindicar seus direitos, juntamente com o aumento do poder da burguesia.
França,Alemanha e Inglaterra potências econômicas e Culturais
 
REALISMO :BRASIL
Na segunda metade do século XIX, o Brasil passou por mudanças políticas e sociais marcantes. 
O tráfico de escravos foi extinto e a abolição da escravatura ocorreu em 1888. A falta da mão de obra escrava foi substituída pelo trabalho dos imigrantes europeus. 
Por causa do preconceito e da qualificação europeia para o trabalho assalariado, o negro foi marginalizado socialmente. 
REALISMO : BRASIL
A economia açucareira estava em decadência, enquanto o eixo econômico deslocava-se para o Rio de Janeiro, devido ao crescimento do comércio cafeeiro nessa região. 
A evolução na indústria trouxe tecnologia às empreitadas do governo: a primeira estrada de ferro foi construída em 1854 (ligava o Porto de Mauá à raiz da Serra da Estrela) e logo depois, a Estrada de Ferro Central do Brasil. 
Em 1889 foi proclamada a República pelo partido burguês Republicano Paulista (PRP), com a posse do primeiro presidente, o marechal Deodoro da Fonseca. 
Brasil -Realismo 
A partir da extinção do tráfico negreiro, em 1850, acelera-se a decadência da economia açucareira no Brasil e o país experimenta sua primeira crise depois da Independência. O contexto social que daí se origina, aliado à leitura de grandes mestres realistas europeus como Stendhal, Balzac, Dickens e Victor Hugo, propiciaram o surgimento do Realismo no Brasil.
Assim, em 1881 Aluísio Azevedo publica O Mulato (primeiro romance naturalista brasileiro) e Machado de Assis publica Memórias Póstumas de Brás Cubas (primeiro romance realista do Brasil).
Lembrando que Machado de Assis foi o principal escritor do Realismo no Brasil, suas principais obras foram: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro.
Memórias Póstumas de Brás Cubas
Não há ordem cronológica - traço modernista de Machado de Assis;
Há um vai e vem, conforme a memória-digressão;
Ironia;
Microrrealismo Psicológico:devassador de intimidades;
Pessimismo e Humor: problematização da vida.
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RESUMO:MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS
O romance começa pelo funeral de Brás Cubas, narrados por ele próprio.Defunto autor.
Vantagens de um Narrador-Defunto:
 Não ter ilusões sobre a vida;
 Não ter medo de revelar fatos constrangedores.
Conta, depois: sua morte,o nascimento,a infância e o primeiro amor, aos dezessete anos com a prostituta Marcela.
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Continuação
“Marcela amou-me durante 15 meses e 11 contos de réis”.
Segue depois para Coimbra, onde se forma em Direito.Retorna por ocasião da morte da mãe.Namora Eugênia filha de D. Eusébia , amiga pobre de sua família.Mas, o pai, de quem Brás Cubas herdara a fatuidade programa, por interesse político, casá-lo com Virgília , filha do Conselheiro Dutra,que acaba casando com Lobo Neves.
Continuação
Sobrevém a morte do pai de Brás Cubas.Instala -se litígio por herança entre sua irmã Sabina e Brás Cubas,casada com Contrim. Virgília e Brás tornam-se amantes e passam encontrar-se numa casa cuja a direção é dada a D.Plácida.Brás Cubas reencontra seu amigo de infância Quincas Borba(Joaquim Borba dos Santos), este é um filósofo e apresenta a doutrina do HUMANITISMO.Brás Cubas torna-se deputado. Lobo Neves e nomeado e parte com Virgília para o Norte.Termina as aventuras dos amantes.
Continuação
Brás Cubas namora, então,Nhá-loló, sobrinha de seu cunhado Contrim, a qual morre aos dezenove anos.
O solteirão tenta ser ministro de Estado e não consegue.Funda um jornal de oposição.Começa a loucura de Quincas Borba.Virgília, já velha, solicita a Brás Cubas amparo à D.Plácida, que morre em seguida.Morrem, também,Lobo Neves,Marcela e Quincas Borba.Eugênia é encontrada num cortiço.
Finalização
Brás Cubas adoece, quando pensava inventar um emplastro, Virgília acompanhada do filho visita o ex-amante . Após um longo delírio Brás Cubas morre aos sessenta e quatro anos e, depois de morto, começa a contar, de trás para frente, a história de sua vida, não podemos deixar de citar a dedicatória, na abertura do livro, em forma de epitáfio:
“Ao verme que primeiro comeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas MEMÓRIAS PÓSTUMAS”
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Continuação...
“EU NÃO TIVE FILHOS, EU NÃO TRANSMITI A NENHUMA CRIATURA O LEGADO DE NOSSA MISÉRIA.”
Realismo em Portugal
Questão de Coimbrã:Embate entre a nova e a velha geração de escritores portugueses.
Antero de Quental X Antonio Feliciano de Castilho(Mestre da Literatura Romântica).
Antero lança o livro de Poemas Odes Modernas,exigindo que a poesia fosse a vozda revolução. 
Antonio Feliciano de Castilho desaprova aquela opinião, assim Antero revoltado lança
Panfleto “BOM SENSO E BOM GOSTO” .
CONTINUAÇÃO
Conferências Democráticas do Cassino Lisbonense tinha a intenção de discutir as transformação:política, religiosa da sociedade portuguesa. Não aconteceu por proibição do governo.
Eça de Queiroz, em 1875, lança o livro “O Crime do Padre Amaro”, criticando e denunciando o clero dissoluto e criminoso.
EÇA DE QUEIRÓS:O PRIMO BASÍLIO
Luísa casara-se com o engenheiro Jorge,apesar de não amá-lo.Tendo que viajar para Alentejo, Jorge deixa a esposa em Lisboa, sozinha, entregue a uma vida de tédio, pois Luísa não tem nenhuma ocupação.Um dia recebe a visita de seu primo Basílio,antigo namorado, recém chegado do Brasil.Tornam-se amantes em pouco tempo,encontrando-se frequentemente em um quarto alugado especialmente para esse fim amoroso.
Continuação:O Primo Basílio 
Logo a criada intercepta a correspondência da patroa.A criada passa a chantagear a patroa, que por sua vez , desesperada, propõe a Basílio que fujam.Este não aceita a proposta da amante e parte sozinho para Paris.
A mercê da empregada, Luísa torna-se pouco a pouco uma verdadeira presa nas mãos de Juliana: é obrigada a fazer serviço doméstico em lugar da criada e sua situação fica insustentável.
Continuação:O Primo Basílio
Jorge retorna do Alentejo e estranha a situação da esposa. Luísa desesperada, procura o amigo Sebastião e pede-lhe ajuda.
Sebastião pressiona Juliana e recupera as cartas comprometedoras.A criada morre. Luísa fica doente em seguida.Um dia recebe uma carta de Basílio, que Jorge lê e toma conhecimento das relações entre a esposa e o primo.Quase convalescente a jovem tem uma recaída, delirando e entrando em estado irrecuperável.Termina por falecer.
Aluísio de Azevedo:O Cortiço
O Cortiço (1890), expressão máxima do Naturalismo Brasileiro, apresenta como personagem principal João Romão, português que pode ser encarado como metáfora do capitalismo selvagem, pois tem como principal objetivo na vida enriquecer a qualquer custo. Ambicioso ao extremo, não mede esforços, sacrificando até a si mesmo. Veste-se mal. Dorme no mesmo balcão em que trabalha. Das verduras de sua horta, come as piores: o resto vende.
Mas sua ascensão não se vai basear apenas na autoflagelação. Explora descaradamente o próximo. O vinho que vende aos seus clientes é diluído em água (fica aqui nas entrelinhas a idéia de que o brasileiro está destinado a ser explorado pelo estrangeiro). Mas o mais sintomático de seu caráter está na sua relação com Bertoleza.
Era essa uma escrava que ganhava a vida vendendo peixe frito diante da venda de João Romão. Os dois tornam-se amantes. O protagonista aproveita as economias dela e, mentindo que havia comprado a sua carta de alforria, investe em seus próprios negócios, construindo três casinhas, imediatamente alugadas.
Com o tempo, de três chegam a 99 casinhas (na realidade, o progresso é devido não só ao tempo. Há também o dinheiro dos aluguéis que vai sendo investindo, numa postura claramente capitalista, e também o furto que João Romão e sua amante vão realizando do material de construção dos vizinhos), tornando-se o Cortiço São Romão (a maneira como Aluísio Azevedo descreve a origem e o estágio atual desse fervilhar tem claro gosto naturalista. 
No primeiro aspecto, as condições do meio – água à vontade – permitiram que a moradia coletiva se desenvolvesse. Existe, nesse tópico, uma forte influência dos avanços que a Biologia estava tendo na época. 
Quanto ao segundo aspecto, a maneira como são descritos os moradores em sua agitação, semelhantes a larvas minhocando num monte de esterco, é de uma escatologia tradicional a essa escola literária, rebaixadora ou mesmo aniquiladora da nobreza humana, ao comparar degradantemente suas personagens a animais, num processo conhecido como zoormorfismo). Aqui está a salvação do romance. 
Aluísio Azevedo tem deficiências no trato de personagens, tornando-as psicologicamente pobres, o que pode ser desculpável, pois o Naturalismo tem uma predileção por tipos. Essa característica vem a calhar a um autor que se notabilizara como caricaturista.
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NATURALISMO
O Naturalismo foi um movimento cultural relacionado às artes plásticas, literatura e teatro. Surgiu na França, na segunda metade do século XIX. Este movimento foi uma radicalização do Realismo.
Naturalismo Francês
Emile Zola é considerado o idealizador e maior representante da literatura naturalista mundial. Foi muito influenciado pelo evolucionismo e pelo socialismo. Sua principal obra foi O Germinal(1885), onde aborda a realidade social nas minas de extração de carvão. Para escrever esta obra, Zola viveu com uma família de mineiros para sentir na pele a dura vida destes trabalhadores. 
Naturalismo-HISTÓRICO
Segunda Revolução Industrial (eletricidade; siderurgia)
Burguesia x Proletário (protestos, etc.)
Em prol do proletário:
- Socialismo Utópico, liberdade do proletário;
- Destruição das formas de poder, anarquismo;
Características do Naturalismo
- O mundo pode ser explicado através das forças da natureza;
- O ser humano está condicionado às suas características biológicas (hereditariedade) e ao meio social em que vive;
- Forte influência do evolucionismo de Charles Darwin;
Características
- A realidade é mostrada através de uma forma científica (influência do positivismo);
- Nas artes plásticas, por exemplo, os pintores enfatizam cenas do mundo real em suas obras. Pintavam aquilo que observavam;
- Na literatura, ocorre muito o uso de descrições de ambientes e de pessoas;
- 
Características
Ainda na literatura, a linguagem é coloquial;
- Os principais temas abordados nas obras literárias naturalistas são: desejos humanos, instintos, loucura, violência, traição, miséria, exploração social, etc.
Continuação
-Universalização: temas universais (ocorre em qualquer hora e em qualquer lugar)
-Objetivismo : vê o mundo como ele é.
-Observação e análise: fatos presentes
-Contemporaneidade: exatidão para localizar o tempo e espaço
-Descritivismo :dá veracidade à obra.
-Mulher idealizada (mas não submissa): manipulada e dissimulada. Homem: inseguro
-Casamento arranjado
Continuação
Reformismo Crítico: criticar para reformar; mostra as realidades.
Ironia: em relação ao comportamento humano.
Realismo - criado para combater o Romantismo - disseca a sociedade (mostra problemas em todas as classes);
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Continuação
Observação e análise psicológica:
-Personagens esféricas
-Descrições psicológicas
-Pessimismo psicológico
-Pessimismo filosófico
-Sutileza
Comparação entre:
Realismo
Naturalismo
a investigação da sociedade e dos caracteres individuais é feita de "dentro para fora", isto é, por meio de uma análise psicológica capaz de abranger toda a sua complexidade, utilizando entre outros recursos a ironia, que sugere e aponta, em vez de afirmar;
* ênfase nas relações entre os homens e a sociedade burguesa, atacando suas instituições e seus fundamentos ideológicos: o casamento, o clero, a escravidão do homem ao trabalho como meio de "vencer na vida"; as contradições entre ricos e pobres, vistas da ótica dos "vencidos"(os marginais, os operários, as prostitutas) e não dos "vencedores".
* o tratamento imparcial e objetivo dos temas garante ao leitor um espaço de interpretação, de elaboração de suas próprias conclusões a respeito das obras.
a investigação da sociedade e dos caracteres individuais ocorre "de fora para dentro"; as personagens tendem a se simplificar, pois são vistas como joguetes, títeres dos fatores biológicos e sociais que determinam suas ações, pensamentos e sentimentos;
* ênfase na descrição das coletividades, dos tipos humanos que encarnam os vícios, as taras, as patologias e anormalidades reveladoras do parentesco entre o homem e o animal, no homem descendo à condição animalesca em sua situação de mero produto das circunstâncias externas, como a hereditariedade e o maio ambiente;
*o tratamento dos temas a partir de uma visão determinista conduz e direciona as conclusões do leitor e empobrece literalmente os textos
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Aluísio de Azevedo:O Cortiço
De fato, os moradores do cortiço vão formar uma galeria de tipos extremamente rica, colorida, autorizando-nos a dizer que essa coletividade é que se torna a melhor personagem da obra. A moradia coletiva comporta-se como um só personagem, um ser vivo.
Nesse lugar, encontramos inúmeras figuras, cada uma representando um mergulho nas diferentes taras (o enfoque das patologias sexuais, apresentando o homem com um prisioneiro dos instintos carnais – bem longe da imagem idealizada de racionalidade e nobreza – é uma das predileções do Naturalismo) e facetas da decadência humana.
Continuação
Há vários exemplos, como Neném, adolescente negra de libido explosiva que acaba perdendo a virgindade nas mãos de um empregado de João Romão. Cai na vida. Existe também Albino, de tendências homossexuais, ou então Machona, de pulso firme, tanto denotativa quanto conotativamente. 
Continuação
Botelho, homem corroído pelas hemorroidas (a menção a esse detalhe, degradante, é típica do Naturalismo) e pelo pior tipo de materialismo – o alimentado pela cobiça de quem não tem nada.
Continuação
Pombinha, moça afilhada da prostituta Leoni, que é responsável também por sua iniciação sexual. A menina é noiva de João da Costa. Seu casamento seria a garantia de saída daquela moradia pobre. Mas sua mãe tinha escrúpulos que adiavam o casamento: enquanto a filha não se tornasse mulher – ou seja, tivesse sua primeira menstruação – não podia casar-se.
Aluísio de Azevedo:O Cortiço
No entanto, a menarca estava por demais atrasada, o que se transformava num drama acompanhado pelos moradores do cortiço, que a tratavam como a flor mais preciosa (é também típica do Naturalismo essa força que os aspectos biológicos exercem sobre o caráter da personagem). Enquanto não tem sua primeira menstruação, é menina pura. 
Tanto que, uma das poucas alfabetizadas e dotadas de tempo ocioso, dedica-se a ler e a escrever as cartas dos diversos moradores do cortiço, entrando em contato com a podridão das paixões humanas. Mas isso não macula sua inocência até o momento em que, mulher – ou seja, já capaz de menstruar e, portanto, cumprir seu papel biológico de reprodução –, adquire maturidade para entender o que se passa entre aquela multidão de machos e de fêmeas. 
Continuação
Com nojo de tudo o que via, desencanta-se. No fim, vira lésbica e cai na vida, principalmente por influência de sua iniciadora, Leoni (outra leitura interessante que se pode fazer em O Cortiço é captar o destino a que é submetida a mulher. Ou se torna objeto do homem, ou sabe seduzir, de objeto tornando-se sujeito, ou despreza-o totalmente. Qualquer uma dessas posições é, na óptica da obra, degradante).
Simbolismo Português(1890-1915)
Simbolismo português (1890-1915 )
O Simbolismo é originário da França e se iniciou com a publicação de As Flores do Mal, de Baudelaire, em 1857. Nome inicial: Decadentismo.
Bases Filosóficas
Kiekegaard – o homem passa por três estágios em sua existência – estético (presença do novo), ético (gravidade e responsabilidade da vida) e religioso (relação com Deus). Bergson – não é a inteligência que chega a compreender a vida. É a intuição.
Em Portugal, o Simbolismo tem início em 1890, com o livro de poemas de Eugênio de Castro, Oaristos, e com revistas acadêmicas, Os Insubmissos e Boêmia Nova, cujos colaboradores eram Eugênio de Castro e Antônio Nobre.
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Características
Os autores voltam-se à realidade subjetiva, às manifestações metafísicas e espirituais, abandonadas desde o Romantismo. Buscavam a essência do ser humano, a alma; a oposição entre matéria e espírito, a purificação do espírito, a valorização do inconsciente e do subconsciente.
Musicalidade: música, a mais importante de todas as artes. “A música antes de tudo.” Aliterações, assonâncias, onomatopéias, sinestesias
Linguagem vaga, imprecisa, sugestiva: não mostrava as coisas, apenas as sugeria.
Negação do materialismo: reação ao materialismo e ao cientificismo realistas. Retorno à mentalidade mística: comunhão com o cosmo, astros. Esoterismo.
Maiúsculas alegorizantes: personificação.
Mergulho no eu profundo: nefelibatas – habitantes das nuvens.
Parnasianismo Brasileiro
Na segunda metade do século XIX, o contexto sociopolítico europeu mudou profundamente. Lutas sociais, tentativas e revolução, novas idéias políticas, científicas... O mundo agitava-se e a literatura não podia mais, como no tempo do Romantismo, viver de idealizações, do culto do eu e da fuga à realidade. Era necessária uma arte mais objetiva, que atendesse ao desejo do momento: o de analisar, compreender, criticar e transformar a realidade. Como resposta a essa necessidade, nascem quase ao mesmo tempo três tendências anti-românticas na literatura, que se entrelaçam e se influenciam mutuamente: o Realismo, o Naturalismo e o Parnasianismo.
Diferentemente do Realismo e do Naturalismo, que se voltavam para o exame da realidade, o Parnasianismo representou na poesia o retorno à orientação clássica, ao princípio do belo na arte, à busca do equilíbrio e da perfeição formal.
Os parnasianos acreditavam que o sentido maior da arte reside nela mesma, em sua perfeição, e não no mundo exterior.
Continuação
Se examinarmos a seqüência histórica da arte e da literatura, veremos que elas se constroem a partir de ciclos. O homem está sempre rompendo com aquilo que considera ultrapassado e propondo algo novo Contudo, esse novo, muitas vezes, não passa de algo ainda mais velho, revestido de uma linguagem diferente.
Assim foi o Parnasianismo no Brasil, na década de 80 do século XIX. Depois da revolução romântica, que impôs novos parâmetros e valores artísticos, surgiu em nosso pais um grupo de poetas parnasianos que desejava restaurar a poesia clássica, desprezada pelos românticos.
Os parnasianos achavam que certos princípios românticos, como a busca de uma poesia mais acessível, da paisagem nacional, de uma língua brasileira, dos sentimentos, tudo isso teria feito perder as verdadeiras qualidades da poesia. Em seu lugar propõem, então, uma poesia objetiva, de elevado nível vocabular, racionalista, perfeita do ponto de vista formal e voltada a temas universais.
A “arte pela arte”
Apesar de contemporâneos, o Parnasianismo difere profundamente do Realismo e do Naturalismo. Enquanto esses movimentos se propunham a analisar e compreender a realidade social e humana, o Parnasianismo se distancia da realidade e se volta para si mesmo. Defendendo o princípio da “arte pela arte”, os parnasianos achavam que o objetivo maior da arte não é tratar dos problemas humanos e sociais, mas alcançar a “perfeição” em sua construção: rimas, métrica, imagens, vocabulário seleto, equilíbrio, controle das emoções, etc.
Observação: “Arte sobre a Arte”
Distanciados dos problemas sociais, alguns parnasianos dedicam-se a tematizar em seus poemas a própria arte. Por exemplo, descrevem com precisão obras de arte, como vasos, peças de escultura, lápides tumulares, bordados, etc. Nesse caso, trata-se de uma restrição ainda maior do princípio da “arte pela arte”, que se transforma em “arte sobre a arte”.
A influência clássica
A origem da palavra Parnasianismo associa-se ao Parnaso grego, segundo a lenda, um monte da Fócida, na Grécia central, consagrado a Apolo e às musas. A escolha do nome já comprova o interesse dos parnasianos pela tradição clássica. Acreditavam que, assim, estariam combatendo os exageros de emoção e fantasia do Romantismo e, ao mesmo tempo, garantindo o equilíbrio desejado, por se apoiarem nos modelos clássicos.
Contudo a presença de elementos clássicos na poesia parnasiana não ia além de algumas referências a personagens da mitologia e de um enorme esforço de equilíbrio formal. Pode-se afirmar que não passava de um verniz que revestiu artificialmente essa arte, comoforma de garantir-lhe prestígio entre as camadas letradas do público consumidor brasileiro.
A “Batalha do Parnaso”
As idéias parnasianas já vinham sendo difundidas no Brasil desde os anos 70 do século XIX. Contudo foi no final dessa década que se travou no jornal Diário do Rio de Janeiro uma polêmica literária que reuniu, de um lado, os adeptos do Romantismo e, de outro, os adeptos do Realismo e do Parnasianismo. O saldo da polêmica, que ficou conhecida como Batalha do Parnaso, foi a ampla divulgação das idéias do Realismo e do Parnasianismo nos meios artísticos e intelectuais do país.
A primeira publicação considerada parnasiana propriamente dita é a obra Fanfarras (1882), de Teófilo Dias. Entretanto caberia a Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, Olavo Bilac, Vicente de Carvalho e Francisca Júlia o papel de implantar e solidificar o movimento entre nós, bem como definir melhor os contornos de seu projeto estético.
Observação: abolicionismo, república e vasos gregos
A linguagem da poesia parnasiana
A poesia parnasiana pretende ser universal. Por isso utiliza uma linguagem objetiva, que busca a contenção dos sentimentos e a perfeição formal. Seus temas são, igualmente, universais: a natureza, o tempo, o amor, objetos de arte e, principalmente, a própria poesia.
Observação: a máquina de fazer versos
O poeta modernista Oswald de Andrade, em seu Manifesto da Poesia Pau-Brasil, desfere várias críticas aos poetas parnasianos, dentre as quais a rigidez formal excessiva e a falta a liberdade no ato da criação poética. Diz ele, ironicamente: “Só não me inventou uma máquina de fazer versos – já havia o poeta parnasiano”.
Características do Parnasianismo
Formas poéticas tradicionais: com esquema métrico rígido, rima, soneto.
Purismo e preciosismo vocabular, com predomínios de termos eruditos, raros, visando à máxima precisão e de construções sintáticas refinadas. Escolhe as palavras no dicionário para escrever o poema com palavras difíceis.
Tendência descritivista, buscando o máximo de objetividade na elaboração do poema e assim separando o sujeito criador do objeto criado.
Destaque ao erotismo e à sensualidade feminina.
Referências à mitologia greco-latina.
esteticismo, a depuração formal, o ideal da “arte pela arte”. O assunto não é importante, o que importa é o jeito de escrever.
A visão da obra como resultado do trabalho, do esforço do artista, que se coloca como um ourives que talha e lapida a jóia.
Transpiração no lugar da inspiração romântica. O escritor precisa trabalhar muito, suar a camisa, para fazer uma boa obra. Poeta é comparado ao ourives.
SIMBOLISMO
A partir de 1881, na França, poetas, pintores, dramaturgos e escritores em geral, influenciados pelo misticismo advindo do grande intercâmbio com as artes, pensamento e religiões orientais - procuram refletir em suas produções a atmosfera presente nas viagens a que se dedicavam.
Marcadamente individualista e místico, foi, com desdém, apelidado de "decadentismo" - clara alusão à decadência dos valores estéticos então vigentes e a uma certa afetação que neles deixava a sua marca. Em 1886 um manifesto trouxe a denominação que viria marcar definitivamente os adeptos desta corrente: simbolismo.
[Transcendentalismo Um dos princípios básicos dos simbolistas era sugerir através das palavras sem nomear objetivamente os elementos da realidade. Ênfase no imaginário e na fantasia. Para interpretar a realidade, os simbolistas se valem da intuição e não da razão ou da lógica. Preferem o vago, o indefinido ou impreciso. O fato de preferirem as palavras névoa, neblina, e palavras do genêro, transmite a idéia de uma Obsessão pelo branco (outra característica do simbolismo) como podemos observar no poema de Cruz e Sousa:
"Ó Formas alvas, brancas, Formas claras De luares, de neves, de neblinas!... Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas... Incensos dos turíbulos das aras..." [...]
Dado esse poema de Cruz e Sousa, percebe-se claramente uma obsessão pelo branco, sendo relatado com grande constância no simbolismo.
[editar] Literatura do simbolismo
] Principais características
Subjetivismo Os simbolistas terão maior interesse pelo particular e individual do que pela visão mais geral. A visão objetiva da realidade não desperta mais interesse, e, sim, está focalizada sob o ponto de vista de um único indivíduo. Dessa forma, é uma poesia que se opõe à poética parnasiana e se reaproxima da estética romântica, porém, mais do que voltar-se para o coração, os simbolistas procuram o mais profundo do "eu" e buscam o inconsciente, o sonho.
Continuação: Musicalidade 
A musicalidade é uma das características mais destacadas da estética simbolista, segundo o ensinamento de um dos mestres do simbolismo francês, Paul Verlaine, que em seu poema "Art Poétique", afirma: "De la musique avant toute chose..." (" A música antes de mais nada...") Para conseguir aproximação da poesia com a música, os simbolistas lançaram mão de alguns recursos, como por exemplo a aliteração, que consiste na repetição sistemática de um mesmo fonema consonantal, e a assonância, caracterizada pela repetição de fonemas vocálicos.
Literatura :Simbolismo
Os temas são místicos, espirituais, ocultos. Abusa-se da sinestesia, sensação produzida pela interpenetração de órgãos sensoriais: "cheiro doce" ou "grito vermelho", das aliterações (repetição de letras ou sílabas numa mesma oração: "Na messe que estremece") e das assonâncias, repetição fônica das vogais: repetição da vogal "e" no mesmo exemplo de aliteração, tornando os textos poéticos simbolistas profundamente musicais.
Brasil-Poetas Simbolistas
No Brasil, dois grandes poetas destacaram-se dentro do movimento simbolista: Cruz e Sousa, e Alphonsus de Guimaraens. No primeiro, a angústia de sua condição, reflete-se no comentário de Manuel Bandeira: "Não há (na literatura brasileira) gritos mais dilacerantes, suspiros mais profundos do que os seus".

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