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Planejamento e Políticas Ambientais W B A 0 14 9 _v 1. 0 2/222 Planejamento e Políticas Ambientais Autor: Prof. Dr. Ronaldo Tavares de Araujo Como citar este documento: ARAUJO, Ronaldo Tavares. Planejamento e políticas ambientais. Valinhos: 2015. Sumário Apresentação da Disciplina 03 Unidade 1: A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes Assista a suas aulas 05 20 Unidade 2: Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade Assista a suas aulas 28 48 Unidade 3: Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental Assista a suas aulas 56 79 Unidade 4: Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental Assista a suas aulas 88 103 Unidade 5: Indicadores Ambientais e Planejamento Assista a suas aulas 111 132 Unidade 6: Política e Gestão Ambiental Assista a suas aulas 140 157 Unidade 7: Política e Planejamento Territorial Assista a suas aulas 165 186 Unidade 8: Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade Assista a suas aulas 195 2142/222 3/222 Apresentação da Disciplina Desde a antiguidade, a organização do espaço, neste caso entendida como formas de planejamento, é instintiva para o coletivo humano que se propõe a viver em estado gregário, sob objetivos e normas comuns. No processo de gestão ambiental, assim como na nossa vida cotidiana, o planejamento se torna imprescindível, uma vez que, estamos sempre planejando tudo que fazemos com vistas a alcançar o resultado almejado. Assim, os assuntos que iremos discutir aqui, embora contextualizados para à gestão ambiental, poderão ser utilizados em diversos contextos profissionais e pessoais. Assim, esta disciplina foi estruturada para atender às necessidades de profissionais de diversas áreas do conhecimento capazes de unir conhecimentos ambientais complexos para a tomada de decisões estratégicas dentro das organizações, pois sabemos que no atual mundo competitivo só vão se sobressair aqueles que estiverem preparados para fazer boas escolhas e é esta a proposta que essa disciplina traz àqueles que a cursarem. Neste contexto, é possível afirmar que a questão ambiental neste século se apresenta como tema central das agendas governamentais e empresariais em escala global e coloca à toda sociedade o desafio da sustentabilidade. Este desafio relaciona-se integralmente à manutenção das funções ambientais que os 4/222 ecossistemas proporcionam à humanidade desde sua origem. Observa-se que os “bens e serviços” proporcionados pelos ecossistemas naturais e seminaturais não têm sido considerados nas tomadas de decisões sobre o uso da terra, determinando que tanto as grandes com as pequenas áreas naturais, isoladas entre os sistemas culturais predominantes na paisagem, sejam relegadas e modificadas na perspectiva de ganhos econômicos a curto e médio prazo. Nessa perspectiva, o sistema econômico, nas várias tendências políticas, tem valorizado prioritariamente os aspectos culturais em detrimento dos recursos naturais. Desta forma, visando assegurar a sustentabilidade local e regional e, portanto, a sobrevivência e o bem-estar das gerações atuais e futuras, torna-se indispensável elaborar o planejamento do desenvolvimento local e regional considerando as dimensões da sustentabilidade. Assim, o procedimento de planejar as ações deve objetivar o aumento do conhecimento sobre a importância dos sistemas ambientais e conscientizar o homem sobre suas funções, além da fundamental tarefa de incorporar informações ambientais no processo de planejamento e tomada de decisão. Portanto, trazemos para esta disciplina os principais conceitos e aprendizados já desenvolvidos sobre o tema por importantes especialistas da área que serão apresentados de forma sintética, prática e pronta para você, aluno, desenvolver as competências necessárias para se tornar um grande gestor ambiental. 5/222 Unidade 1 A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes Objetivos 1. Identificar como os paradigmas dominantes e alternativos alteram as questões ambientais. 2. Compreender o contexto histórico de desenvolvimento e importância das questões ambientais no Brasil e no mundo. 3. Entender como a gestão ambiental pode ser considerada um novo paradigma. Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes6/222 Introdução Provavelmente você já ouviu falar que a relação do homem com a natureza quase nunca foi desenvolvida de forma harmoniosa e que o poder e, consequentemente, a responsabilidade que o homem tem sobre a natureza é que podem responder pelo surgimento dos grandes problemas ambientais atuais, aqui tratados como questões ambientais, e também como deverá controlá-los da melhor forma possível, utilizando-se de novos paradigmas, ou seja, uma nova ética a seu favor. Entendendo, assim, a ética ambiental como sendo tão ou mais importante quanto a ética humana, impondo à humanidade grande responsabilidade, neste tempo onde o poder é extremo. Desta forma, as questões ambientais devem se transformar numa questão ideológica, buscando explicações e “soluções” nas ciências, filosofia e cultura, considerando que as modificações naturais atuais ocorrem de forma acelerada pelo forte impacto das modernas tecnologias. 1. Paradigmas do Desenvolvimento Neste texto, será utilizada historicamente a Revolução Industrial como o ponto de partida das grandes alterações de origem antrópica no meio ambiente para assim definir o paradigma dominante. Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes7/222 Nesta época, de acordo com Possamai (2010), o antropocentrismo teve início e assim a figura humana passou a ser o centro de referência de nossos pensamentos e ações. Este fato causou grande mudança na perspectiva filosófica e cultural que antes era centrada em Deus, passando assim a ser centrada no homem. Com isso, consolidou-se a ideia de que, com advento e o progresso da razão, o homem se tornaria cada vez melhor e cada vez mais perfeito. Para saber mais A Revolução Industrial que teve seu início entre os séculos XVIII e XIV foi não apenas um surto de inovações técnicas, mas um reordenamento nas formas de organização da produção, com novos mecanismos de exploração do trabalho e controle social do trabalhador, e tendo como consequência uma das mudanças econômicas mais profundas pela qual passou a espécie humana. Disponível em: <http:// guiadoestudante.abril.com.br/estudar/ pergunte-professor/saiba-mais-revolucao- industrial-685882.shtml>. Acesso em: 11 jun. 2015. Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes8/222 Link Assista ao vídeo A História das Coisas. <https://www.youtube.com/ watch?v=7qFiGMSnNjw>. Acesso em: 11 jun. 2015. Desta teoria surge a desvalorização de todas as outras espécies do planeta e a degradação ambiental, já que a natureza existe para ser controlada e utilizada por nós, seres humanos. Com o surgimento da Revolução Industrial, segundo Almeida, et al. (2008), aprofundam-se as transformações econômicas, sociais, políticas e culturais na humanidade. Nos estados-nações que compõem o eixo da economia mundial, o modelo produção-capital baseia- se na pilhagem do sistema natural. O sistema econômico, comandado pela alta burguesia, imprime o ritmo do sistema produtivo, operado pela massa proletariada. Para o autor, ainda, a forma de “operação deste super sistema” considera a natureza como amplas e inesgotáveis reservas de matéria-prima e energia. Entendem, também, que o sistema natural é completamente apto e capaz de assimilar e processar todas as formas de poluição de correntes das atividades produtivas e urbanas. Unidade 1 • A Questão Ambiental e os ParadigmasContrastantes9/222 Assim, a partir dos escritos a seguir, você, aluno, compreenderá como os sistemas econômicos, produtivos e, por conseguinte ambientais estão fortemente ligados, podendo, a partir desta análise, traçar os paradigmas dominantes e alternativos presentes na sociedade até o momento de identificar a gestão ambiental como um novo paradigma. O sistema econômico funciona interativamente com o sistema produtivo. Para saber mais O sistema econômico capitalista começou a se fortalecer após a Revolução Industrial. Esse sistema é caracterizado por fortalecer a ideia de individualismo. Uma das principais ideias do capitalismo é a de que o indivíduo só precisa dele mesmo para crescer e obter sucesso. Adam Smith, que era um economista escocês e é considerado o pai do capitalismo, defendia o liberalismo econômico, era contra a intervenção do Estado na economia. Smith acreditava que o homem capitalista tinha a liberdade econômica e que pelo trabalho e por suas relações sociais poderia obter a riqueza material. (Disponível em: <http://www.portaleducacao.com.br/administracao/artigos/52469/o-sistema- economico-capitalista#ixzz3cpihAh4r>). Acesso em: 11 jun. 2015. Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes10/222 Para saber mais O sistema produtivo (sistema fabril mecanizado), isto é, as fábricas passaram da simples produção manufaturada para a complexa substituição do trabalho manual por máquinas. Essa substituição implicou na aceleração da produção de mercadorias, que passaram a ser produzidas em larga escala. Essa produção em larga escala, por sua vez, exigiu uma demanda cada vez mais alta por matéria- prima, mão de obra especializada para as fábricas e mercado consumidor. Tal exigência implicou, por sua vez, também na aceleração dos meios de transporte de pessoas e mercadorias. Era necessário o encurtamento do tempo que se percorria de uma região à outra para escoar os produtos. (Disponível em: <http://www.historiadomundo.com.br/idade-moderna/revolucao-industrial.htm>). Acesso em: 11 jun. 2015. Há uma retroalimentação positiva, consequentemente o sistema produtivo gera bens, que são absorvidos e impulsionam o sistema econômico no sentido de gerar capitais que pagam por esses bens. Por sua vez, o sistema produtivo para atender à demanda, cada vez maior, do sistema econômico tem requerido e exaurido mais recursos do sistema natural (ecossistemas), deixando de haver compensação para o funcionamento de recursos básicos gerados pelo sistema natural. Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes11/222 Para saber mais sistema natural (ecossistemas), significa o sistema onde se vive, o conjunto de características físicas, químicas e biológicas que influenciam a existência de uma espécie animal ou vegetal. É uma unidade natural constituída de parte não viva (água, gases atmosféricos, sais minerais e radiação solar) e de parcela viva (plantas e animais, incluindo os microrganismos) que interagem ou se relacionam entre si, formando um sistema estável. Os ecossistemas são divididos em ecossistemas terrestres e ecossistemas aquáticos. (Disponível em: <http://www.significados.com.br/ecossistema/>). Acesso em: 11 jun. 2015. Os bens de consumo, produzidos pelo sistema produtivo à custa do sistema natural estabelecem uma linha de aproximação, onde os sistemas produtivo e econômico são compensados por bens e capital. Ao sistema natural, espoliado pela extração de recursos, somam-se ainda mazelas da poluição nas suas mais variadas formas. Assim, é possível que você identifique e possivelmente concorde com o Almeida et al (2008), que a otimização da economia de Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes12/222 escala fica na dependência da capacidade de apropriação do sistema produtivo. Este modelo de desenvolvimento apresenta problemas na base energética de sustentação da produção. Estabelecida a crise energética, o efeito de consecução afeta o custo da produção de bens e a circularidade mercadológica dos bens- capitais. Assim, a crise econômica retroalimenta então a crise enérgica, surgindo a crise ambiental desencadeada a partir da implantação do modelo econômico vigente, esta crise se incorpora às outras duas, formando um complexo interativo com retroalimentação positivo, no sentido do aumento da crise estrutural, demonstrada na figura 1. Figura 1 - Demonstração da crise estrutural (ambiental, energética e econômica) Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes13/222 1.1. As questões ambientais e o processo de gestão ambiental como novo paradigma A questão ambiental deve, portanto, se transformar, segundo Almeida et al. (2008), numa questão ideológica, frequentada pela ciência, pela política, pela filosofia e pela cultura, fazendo com que possamos diagnosticar basicamente dois paradigmas, sendo um dominante e outro alternativo, como apresentado na figura 2. Figura 2 - Valores, paradigmas dominante e paradigma alternativo Fonte: Adaptado de: Almeida et al. (2008) Neste momento, depois desta leitura, você aluno, pode estar se perguntando: “Mas afinal o que é um paradigma? E como a gestão ambiental pode ser tornar um paradigma”? Vamos fazer a compreensão em conjunto? Na atualidade, podemos Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes14/222 pontuar a produção e distribuição igualitária de alimentos, geração de empregos, redução da pobreza, aumento e diversificação das matrizes energéticas, abastecimento e disponibilização de água de qualidade e em quantidade suficiente, a perda da integridade dos ecossistemas, incluindo a perda da biodiversidade como problemas fundamentais para o desenvolvimento humano (ARAUJO, 2008). Já os paradigmas dominantes na sociedade, tendo seu início no período da Revolução Industrial, corroboraram para existência das questões ambientais globais deste século, tornam obrigatório à humanidade pensar e implantar sistemas capazes de, ao menos, minimizar os impactos destes paradigmas. Link Leia o artigo “A posição do ser humano no mundo e a crise ambiental contemporânea” e analise como o paradigma dominante se relaciona com o papel do homem no surgimento das questões ambientais. Autoria: Fábio Valenti Possamai, 2010. Disponível em: <http://www. unesco.org.uy/ci/fileadmin/shs/redbioetica/ revista_1/Valenti.pdf>. Acesso em: 11 jun. 2015. Desta forma, para Philippi (2014), o processo de Gestão Ambiental pode ser considerado um novo paradigma, pois este se inicia quando se promovem adaptações Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes15/222 ou modificações no ambiente natural, de forma a adequá-lo às necessidades individuais ou coletivas. Para saber mais Gestão ambiental é um sistema de administração empresarial que enfatiza a sustentabilidade. Desta forma, a gestão ambiental visa ao uso de práticas e métodos administrativos para reduzir ao máximo o impacto ambiental das atividades econômicas nos recursos da natureza. Disponível em: <http:// www.portaleducacao.com.br/administracao/artigos/15412/gestao-ambiental-definicao-e- aplicacao-pratica#ixzz3cpnSs8XH> Acesso em: 11 jun. 2015. Neste aspecto, a maneira de gerir a utilização desses recursos é o fator que pode acentuar ou minimizar os impactos. Esse processo de gestão fundamenta-se em três variáveis: a diversidade dos recursos extraídos do ambiente natural, a velocidade de extração desses recursos, que permite ou não a sua reposição, e a forma de disposição e tratamento dos seus resíduos e Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes16/222 efluentes. Assim, a somatória dessas três variáveis e a maneira de geri-las defineo grau de impacto do ambiente urbano sobre o ambiente natural. Glossário Antropocentrismo: ué a filosofia que considera o homem como o centro do universo. Paradigma: é um termo com origem no grego “paradeigma” que significa modelo, padrão. No sentido lato corresponde a algo que vai servir de modelo ou exemplo a ser seguido em determinada situação. São as normas orientadoras de um grupo que estabelecem limites e que determinam como um indivíduo deve agir dentro desses limites. Questão reflexão ? para 17/222 Como você viu, o conceito de paradigma pode ser alterado pela ação do homem. A existência de paradigmas dominantes e alternativos em uma sociedade é a clara possibilidade do espaço para escolhas e responsabilidades do homem frente às principais questões ambientais existentes na atualidade, possibilitando assim o surgimento da gestão ambiental como novo paradigma das relações sociais, produção e natureza. Reflita sobre o conceito de paradigma e sua relação com a globalização pela leitura do artigo “O paradigma ambiental na globalização neoliberal: da condição crítica ao protagonismo de mercado” de autoria de Fernando Pinto Ribeiro (2012), disponível em: <http://www.scielo.br/scielo. php?pid=S1982-45132012000200004&script=sci_arttext>. Acesso em: 11 jun. 2015, e faça uma pequena resenha de até cinco páginas e entregue ao professor presencial. 18/222 Considerações Finais O poder e consequentemente a responsabilidade que a humanidade tem sobre a natu- reza podem responder ao surgimento dos grandes problemas ambientais atuais (ques- tões ambientais). Paradigma deve ser compreendido com padrão, forma, e assim condição de livre arbítrio de escolha da sociedade, tornando-se dominante ou alternativo. A gestão ambiental, ao promover adaptações ou modificações no ambiente natural, de forma a adequá-lo às necessidades individuais ou coletivas, torna-se uma nova forma de paradigma do qual a sociedade pode se apoderar com vistas a minimizar ou resolver as questões ambientais. Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes19/222 Referências ALMEIDA, J.R.; et al. Política e planejamento ambiental. 3. ed. 2. Reimpressão. Rio de Janeiro: Thex. 2008. 480p. ARAUJO, R.T. de. Zoneamento ecológico-econômico do município de Santa Cruz da Conceição – SP: uma proposta conceitual de planejamento para a sustentabilidade local. São Carlos: UFSCar, Tese de Doutorado. 2008. 95p. PHILIPPI JR. A.; ROMERO, M. A.; BRUNA, G.C. Curso de gestão ambiental. 2. ed. Barueri, SP: Ed. Manole, 2014. 1.250p. POSSAMAI, F.V. A posição do ser humano no mundo e a crise ambiental contemporânea. 2010. Disponível em: <http://www.unesco.org.uy/ci/fileadmin/shs/redbioetica/revista_1/Valenti. pdf>. Acesso em: 11 jun. 2015. 20/222 Aula 1 - Tema: A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes – Parte I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 06f9c45513fb120da6e7d6a67b4f295d>. Aula 1 - Tema: A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes– Parte II. Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA- piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/30c- f2ee7c9ccb25000747a7c1cbc1a3c>. Assista a suas aulas 21/222 1 - Qual o motivo para as questões ambientais se transformarem numa questão ideológica? a) Pelo fato das mudanças ambientais globais estarem mudando de forma natural. b) Pelo fato das mudanças ambientais globais estarem mudando de forma digital. c) Pelo fato das mudanças ambientais globais serem inibidas pelo uso da tecnologia. d) Pelo fato das mudanças ambientais globais serem aceleradas pelo avanço tecnológico moderno. e) Pelo fato das mudanças ambientais globais serem causadas pelo avanço científico e filosófico. Questão 1 22/222 2 - O antropocentrismo inserido no contexto da Revolução Industrial pode ser entendido pela: a) Expressão da figura humana ter passado a ser o centro de referência de nossos pensamentos e ações. b) Expressão racional ter passado a ser o centro de referência de nossos pensamentos e ações. c) Expressão da indústria ter passado a ser o centro de referência de nossos pensamentos e ações. d) Expressão divina ter passado a ser o centro de referência de nossos pensamentos e ações. e) Expressão ambiental ter passado a ser o centro de referência de nossos pensamentos e ações. Questão 2 23/222 3 - Qual os três sistemas que se interagem e podem dar explicação para o surgimento da crise estrutural? a) Econômico, Energético e Racional. b) Racional, Ambiental e Energético. c) Produtivo, Econômico e Natural. d) Produtivo, Econômico e Energético. e) Econômico, Natural e Racional. Questão 3 24/222 4 - Os seguintes itens: “a produção e distribuição igualitária de alimen- tos, geração de empregos, redução da pobreza, aumento e diversificação das matrizes energéticas, abastecimento e disponibilização de água de qualidade e em quantidade suficiente”, estão relacionados com: a) Problemas alternativos para o desenvolvimento humano. b) Problemas fundamentais para o desenvolvimento humano. c) Paradigmas alternativos da humanidade. d) Paradigmas dominantes da humanidade. e) Itens dos sistemas econômicos e produtivos. Questão 4 25/222 5 - A gestão ambiental é descrita como um novo paradigma para o al- cance da sustentabilidade. Tendo o conceito de paradigma como orien- tação da sua resposta assinale a alternativa correta. a) A gestão ambiental é a ponte entre o antropocentrismo e o geocentrismo. b) A gestão ambiental se inicia quando se promovem adaptações ou modificações no ambiente natural, de forma a adequá-lo às necessidades individuais ou coletivas. c) A gestão ambiental promove a mudança de visão de mundo favorecendo o ser humano em detrimento do meio ambiente. d) A gestão ambiental, assim como a definição de paradigma, explica o surgimento da sustentabilidade. e) A gestão ambiental favorece o aparecimento dos paradigmas dominantes e alternativos de sustentabilidade. Questão 5 26/222 Gabarito 1. Resposta: D. É notório o fato das alterações no meio ambiente ocorridas desde a Revolução Industrial serem causadas pelo homem e acelerada nas últimas décadas pelo avanço tecnológico moderno e desta forma, enseja a necessidade de as questões ambientais serem tratadas de forma ideológica, ou seja, qual a ideia e direção que a sociedade deseja ter frente aos impactos destes avanços tecnológicos e os impactos negativos para o meio ambiente. 2. Resposta: A. Na época da Revolução Industrial deu-se início à super valoração do ser humano frente aos aspectos da natureza. A figura humana passou a ser o centro de referência de nossos pensamentos e ações; este fato causou grande mudança na perspectiva filosófica e cultural que antes era centrada em Deus, passando assim a ser centrada no homem. 3. Resposta: C. Os sistemas econômicos, produtivos e, por conseguinte ambientais estão fortemente ligados. A ocorrência de um desarranjo estrutural em qualquer um destes sistemas, causa a denominada crise estrutural. Este modelo de desenvolvimento apresenta problemas na base energética de sustentação da produção. Estabelecida a 27/222 Gabarito crise energética, o efeito de consecução afeta o custo da produção de bens e a circularidade mercadológica dos bens- capitais. Assim, a crise econômica retroalimenta então a crise enérgica, surgindo a crise ambiental desencadeada a partir da implantação do modelo econômico vigente, esta crise se incorpora às outras duas, formando um complexo interativo com retroalimentação positivo, no sentido do aumento da crise estrutural. 4. Resposta: B. Para que sejapossível a sustentabilidade, se faz necessário conhecer inicialmente quais os problemas que impede a sustentabilidade e resolver estes, promovendo a igualdade no acesso aos recursos naturais e assim, por sua vez, aos recursos produtivos e econômicos. Portanto, os itens apresentados na questão compõem necessariamente os problemas fundamentais para o desenvolvimento humano. 5. Resposta: B. De acordo com Philippi (2014), o processo de Gestão Ambiental pode ser considerado um novo paradigma, pois este se inicia quando se promovem adaptações ou modificações no ambiente natural, de forma a adequá-lo às necessidades individuais ou coletivas. 28/222 Unidade 2 Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade Objetivos 1. Identificar como o debate em torno do modelo de desenvolvimento mundial no século XX deu início à preocupação das questões ambientais e à sustentabilidade no Brasil e no mundo. 2. Compreender o termo sustentabilidade inserido no contexto do atual século e os desafios de sua integração junto à sociedade. 3. Entender o planejamento ambiental como um dos principais instrumentos indutores da sustentabilidade na sociedade. Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade29/222 Introdução Muitas vezes você se depara com algumas perguntas com respostas difíceis de serem encontradas, não é mesmo? Talvez algumas delas sejam: o ser humano sempre se preocupou com o meio ambiente? Porque falamos e nos preocupamos com a sustentabilidade hoje em dia? Tais respostas, nos obrigam a pesquisar como foi o desenvolvimento histórico destas questões e quais os seus contextos para chegar a tal preocupação nos dias atuais. Portanto, você está convidado a entrar nesta viagem do conhecimento dos principais fatos históricos ambientais do século XX. Para saber mais Smog é o termo usado para definir o acúmulo da poluição do ar nas cidades, que forma uma grande neblina de fumaça no ambiente atmosférico próximo à superfície. A palavra smog, aliás, é justamente a junção das palavras smoke (fumaça) e fog (neblina). Esse fenômeno prejudica a qualidade do ar e também diminui a visibilidade nos ambientes urbanos. Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com/ geografia/smog.htm>. Acesso em: 11 jun. 2015. Paralelamente nos Estados Unidos, nas décadas de 1950 e 1960, o planejamento econômico ganhava importância sob a visão de crescimento econômico baseado Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade30/222 no PIB (Produto Interno Bruto), sem considerar as questões ambientais e sociais nestes planejamentos. Neste mesmo período, o debate sobre a necessidade de se exigir os estudos de impacto ambiental das grandes obras estatais, tanto no continente europeu quanto no americano tomaram corpo, fazendo com que as universidades retomassem a visão holística e integradora do meio, considerando as ações humanas como parte do processo de avaliação. Nesta realidade, que se transformava lentamente, é que os princípios de planejamento das cidades e do campo foram incorporando o quesito “questões ambientais”. A publicação do livro Primavera Silenciosa da americana Raquel Carson, em 1962, teve importante papel na conscientização da sociedade em relação aos riscos e comprometimento da qualidade do meio ambiente e seus efeitos na saúde humana. Carson aborda a magnificação biológica de moléculas de inseticidas sintéticos clorados, demonstrando que agrotóxicos utilizados nas doses recomendadas poderiam se concentrar na cadeia alimentar, causando problemas aos organismos que ocupam níveis mais elevados da escala trófica, entre eles o ser humano (PHILIPPI JR., 2014). Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade31/222 Link Assista ao vídeo: Dia da Terra - Earth Days - Parte 3 de 12 <https://www.youtube.com/watch?v=GK- Xyc9Wo3Q> Assim, no final da década de 1960 ocorreu uma releitura dos fundamentos conceituais de desenvolvimento, gerada por diversas causas histórico-políticas. Os países subdesenvolvidos estavam sempre muito longe dos padrões do Primeiro Mundo e a ênfase na mentalidade voltada para o consumo provocava consequências graves, tais como poluição, desigualdade social, aumento da criminalidade e insatisfações da sociedade. Ganha destaque a ideia de não haver um modelo único de desenvolvimento, sendo o melhor aquele que a própria sociedade decide, com satisfação de suas necessidades, segundo suas condições e sua representatividade social. Surgiram modelos alternativos de desenvolvimento, considerando benefícios desvinculados do aspecto puramente econômico – como qualidade de vida físico-mental, conforto, higiene, educação –, bem como características negativas do chamado “mundo desenvolvido”, como poluição e degradação ambiental (SANTOS, 2007). Na visão da mesma autora, aquelas antigas premissas de planejamento, com base Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade32/222 Para saber mais O Clube de Roma é uma organização independente, sem fins lucrativos. A função do Clube de Roma é debater as causas principais dos retos e as crises que o mundo enfrenta atualmente: o nosso conceito atual de crescimento, desenvolvimento e globalização. Disponível em: <https://www. portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/ biologia/o-clube-de-roma-1972/20122>. Acesso em: 11 jun. 2015. em definições econômicas e de caráter setorial, não mais serviam como referência indiscutível. Exigiam-se planejamentos mais abrangentes, dinâmicos, preocupados com avaliações de impacto ambiental. Não mais se admitia usar como sinônimos: desenvolvimento econômico e crescimento econômico, qualidade de vida e padrão de vida. Países subdesenvolvidos que haviam alcançado um significativo crescimento de seu PIB ainda conservavam um grande número de indivíduos sem acesso aos serviços sociais básicos (saúde, educação, nutrição), desvinculando a correlação entre crescimento econômico e bem-estar social. Em continuidade, Santos (2007) relata que os estudiosos na área ambiental são unânimes em afirmar que o marco das preocupações do homem moderno com o meio ambiente, incorporando questões sociais, políticas, ecológicas e econômicas com o uso racional dos recursos, deu-se em 1968, com o Clube de Roma. Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade33/222 Essa foi uma reunião de diversos países e de diversas áreas do conhecimento: biológica, econômica, social, política e industrial. Reuniram-se para discutir o uso dos recursos naturais e o futuro da humanidade. O relatório final chamado “Limites de Crescimento” abalou as convicções da época sobre o valor do desenvolvimento econômico e a sociedade passou a fazer maior pressão sobre os governos acerca da questão ambiental. Essa reunião foi o motivo impulsor para que, em 1969, os EUA elaborassem NEPA (National Environmental Policy Act), uma legislação que exigia considerações ambientais no planejamento e nas decisões sobre projetos de grande escala. Seguiram-se ao NEPA diversas legislações, em outros países, com considerações ambientais. Considerando os vários marcos históricos referentes a temas de interesse ambiental, após o “Limites de Crescimento” foram realizadas diversas conferências que passaram a discutir a questão ambiental. A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo, no ano de 1972, foi considerada a primeira grande reunião mundial sobre o tema e se transformou no marco histórico mais conhecido sobre a discussão ambiental até então. Na reunião de Estocolmo criou-se o PNUMA (Programadas Nações Unidas para o Meio Ambiente), com o objetivo de gerenciar as atividades de proteção ambiental, e o Fundo Voluntário Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade34/222 para o Meio Ambiente. Destaca-se ainda a consolidação do conceito de eco desenvolvimento, que nos anos seguintes foi considerado característico de um modelo ambiental extremista, ensejando a construção da nova terminologia “desenvolvimento sustentável”, que seria considerada uma proposta mais conciliadora e que, a partir daí muitos governos estimularam suas políticas ambientais em seus respectivos centros, tendo como consequência o início dos planejamentos estruturados nesta nova ordem. Já na década de 1980, com a criação da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), coordenada pela Primeira Ministra da Noruega Gro Brundtland, foi apresentado ao mundo em 1987 o Relatório “Nosso Futuro Comum” ou Relatório Brundtland, que oficializou o termo desenvolvimento sustentável. Neste documento foram apontadas as várias crises globais (como energia e camada de ozônio) e destacadas a extinção de espécies e o esgotamento de recursos genéticos. Reforçou-se ainda, o debate sobre o fenômeno da erosão induzida e a perda de florestas. Estas eram as bases a serem consideradas em futuros planejamentos, já adjetivadas nessa década como ambientais (SANTOS, 2007), (PHILIPPI JR, 2014). Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade35/222 Link Gro Brundtland é uma diplomata norueguesa, líder internacional na área do desenvolvimento sustentável e da saúde pública. Primeira mulher a chefiar o governo da Noruega, voltando a ocupar o cargo em outras duas ocasiões, é enviada especial das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, sendo uma das responsáveis por estabelecer o diálogo internacional com governos e organizações para o estabelecimento de um tratado pós-Protocolo de Kyoto. Gro Brundtland integra o The Elders, grupo fundado por Nelson Mandela, que reúne grandes líderes globais que trabalham em conjunto pela paz e pelos Direitos Humanos. Disponível em: <http://www.fronteiras.com/ conferencistas/gro-harlem-brundtland>. Acesso em: 11 jun. 2015. A Conferência Rio-92, vinte anos após o Encontro de Estocolmo, uniu 178 nações para debater temas voltados à conservação ambiental, à qualidade de vida na Terra e à consolidação política e técnica do desenvolvimento sustentável. Dos documentos finais produzidos pela conferência o que mais mereceu destaque mundial foi a Agenda 21, em que, dentre os seus Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade36/222 quarenta capítulos, o Capítulo 7 faz referência particular para o planejamento rural e urbano, recomendando a avaliação das atividades humanas, do uso da terra e a orientação desejada dos espaços dentro dos preceitos de desenvolvimento sustentável, desdobrado em sustentabilidade econômica, social, ambiental, política e cultural. Assim, a nova ordem para o planejamento estava documentada. Após a Rio-92 foram realizados diversos encontros mundiais para discussão da sustentabilidade, com destaque para as: Rio+5 (Nova York), Reunião de Quioto, no Japão, que deu origem ao Tratado de Quioto que visa diminuir a emissão de gases do efeito estufa na atmosfera, entretanto com baixo impacto mundial ainda; a Rio+10 (África do Sul) com a integração do saneamento ambiental nas discussões e Rio+20 (Rio de Janeiro), cujos resultados ainda não podem ser sentidos na prática (SANTOS, 2007), (PHILIPPI JR, 2014). Link A Agenda 21 pode ser definida como um instrumento de planejamento para a construção de sociedades sustentáveis, em diferentes bases geográficas, que concilia métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica. Disponível em: <http://www.mma. gov.br/responsabilidade-socioambiental/ agenda-21>. Acesso em: 11 jun. 2015. Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade37/222 Link O Protocolo de Quioto constitui um tratado complementar à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Criado em 1997, definiu metas de redução de emissões para os países desenvolvidos, responsáveis históricos pela mudança atual do clima. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/ clima/convencao-das-nacoes-unidas/ protocolo-de-quioto>. Acesso em: 11 jun. 2015. Atualmente, nos países em desenvolvimento, a alternativa encontrada nos planejamentos é aplicar um ou alguns princípios da Agenda 21 local como o ideário de desenvolvimento sustentável. 1.1. Reflexos do debate mundial sobre a prática da sustentabili- dade no Brasil Neste momento, após compreender o contexto histórico em que se desenvolveu o conceito de sustentabilidade no mundo, você pode estar indagando: “Mas e o Brasil nessa história? Qual a importância da sustentabilidade para o país? Quando o debate mundial sobre as questões ambientais já estava em pleno desenvolvimento, o Brasil vivia seu período de expansão econômica alavancando o seu parque industrial e como consequência aumentando os níveis de poluentes. Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade38/222 Somente no início dos anos 1980 que o Brasil se inseriu neste debate, com a Política Nacional de Meio Ambiente (Lei n° 6.938/81), uma verdadeira “carta de intenções” em relação à conservação do meio, mas que mesmo assim foi a responsável pela criação do CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente) e do SISNAMA (Sistema Nacional de Meio Ambiente), formulando diretrizes de avaliação de impactos, planejamento e gerenciamento, de zoneamento ambientais, usando como unidades de planejamento as bacias hidrográficas. Para saber mais O zoneamento ambiental, como uma ferramenta de planejamento integrado aparece como uma solução possível para o ordenamento do uso racional dos recursos, garantindo a manutenção da biodiversidade, os processos naturais e serviços ambientais ecossistêmicos. Esta necessidade de ordenamento territorial faz-se necessária frente ao rápido avanço da fronteira agrícola, a intensificação dos processos de urbanização e industrialização associados à escassez de recursos orçamentários destinados ao controle dessas atividades. Disponível em: <http://www.ibama.gov.br/areas-tematicas/ zoneamento-ambiental>. Acesso em: 11 jun. 2015. Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade39/222 Foi a primeira vez que, explicitamente, surgiu uma proposta de planejamento ambiental no Brasil, como forma de orientação de ordenamento territorial. A lei era densa e se baseava em concepções modernas de avaliação e gerenciamento do espaço. Esse documento inspirou muitos trabalhos voltados a planos de bacias hidrográficas (SANTOS, 2007). Na década de 1990, o planejamento ambiental foi incorporado aos planos diretores municipais. Foi a partir desses trabalhos que se obtiveram as informações mais contundentes sobre qualidade de vida, desenvolvimento sustentável, sociedade e meio ambiente, promovidas pela preocupação com o ser humano. Em 1997 foi estabelecida a Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei n° 9.433/97), já em 1998 foi sancionada a Lei de Crimes Ambientais (Lei n° 9.795/98) e em 1999 por meio da Lei n° 9.795/99, se estabeleceu a Política Nacional de Educação Ambiental. No ano de 2000, foi promulgada a Lei n° 9.985/00, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC). Em 2001, a Lei n° 10.257/01, conhecida como Estatuto das Cidades, estabelece diretrizes gerais da política urbana, que é uma política descentralizadora e participativa,no sentido de que as comunidades devem participar das decisões sobre suas áreas de vivência, sua comunidade, bairro ou município. Verifica-se, portanto, que em todos esses instrumentos legais, as Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade40/222 questões ambientais estão presentes e são conduzidas com caráter essencialmente democrático, principalmente no que tange ao desenvolvimento urbano, trazendo a participação social como fundamental em todos os processos de decisão. Em 2007 a Lei n° 11.445/07 cria a Política Nacional de Saneamento Básico, e por fim após 21 anos de tramitações no Congresso Nacional, em 2010, envolvendo embates políticos e econômicos a Lei n° 6.938/10, instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Desta forma resumida é que se apresenta os principais marcos históricos referentes às questões ambientais no Brasil, demonstrando que, mais do que outros países, o Brasil embora tenha uma grande quantidade de leis sobre as questões ambientais, está dando os primeiros passos tanto na execução dessas leis, como no processo de construção teórica sobre planejamento ambiental, e em contínuo processo de revisão, nestas últimas quatro décadas. 1.2. Planejamento Ambiental – conceitos e práticas a caminho da sustentabilidade A partir deste momento, você estudará os principais conceitos de planejamento ambiental e as suas formas práticas que induzem à sustentabilidade. Desde a antiguidade existem relatos de formas de planejamento, condição presente no instinto humano desde o Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade41/222 momento em que este se propôs a viver em sociedade, obedecendo normas e objetivos em comum. Como visto anteriormente, a crescente preocupação da humanidade com as questões ambientais tem seu início no século XX. Desta forma, para que se encaminhassem “soluções” para estas questões, lançou-se mão de instrumentos, em especial o planejamento, aqui entendido conceitualmente de forma simplificada, como um meio sistemático de determinar o estágio em que você está, onde deseja chegar e qual o melhor caminho para chegar lá. Se o planejamento implica decidir sobre ações futuras, previsões e estimativas de cenários futuros são essenciais. Devem ser previstas, por exemplo, as consequências de cada alternativa de ação proposta, bem como o somatório delas. Se ocorrem previsões e formulam-se suas probabilidades, a tomada de decisão também envolve as incertezas e os riscos. Tanto quanto os recursos, as ações propostas devem referir-se a um ou mais locais e também devem ser especializadas, qualificadas e quantificadas. Como costumam ser indicadas para datas e graus de emergência diferentes, elas precisam ser ordenadas por prioridade ao longo do tempo (SANTOS, 2007). A mesma autora cita que o planejamento surgiu, nas três últimas décadas, em razão do aumento dramático da competição por terras, água, recursos energéticos e biológicos, que gerou a necessidade de Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade42/222 organizar o uso da terra, de compatibilizar esse uso com a proteção de ambientes ameaçados e de melhorar a qualidade de vida das populações. Visando à sustentabilidade, o planejamento ambiental geralmente considera os critérios a longo prazo, mas busca estabelecer também medidas a curto e médio prazos. Este procedimento pretende reorganizar o espaço, paulatinamente, para que não apenas no presente, mas também no futuro, as fontes e meios de recursos sejam usados e manejados de forma a responderem pelas necessidades da sociedade. Para Santos (2007), tais necessidades conciliam-se na produção e distribuição de alimento, água, matéria-prima, energia e bens de consumo na construção de moradias e instalações, na disposição e tratamento de resíduos, na criação e manutenção de sistema de circulação e acesso, na criação e manutenção de espaços verdes, na promoção da educação e desenvolvimento cultural. Esta tarefa é bastante complexa e envolve todos os setores da sociedade. Por fim, o planejamento ambiental deve, sobretudo, resolver a questão sobre qual é a melhor combinação de usos de uma área, para satisfazer a necessidade de um maior número de pessoas de forma sustentada (hoje e no futuro) (ARAUJO, 2008). Desta forma, o planejamento ambiental deve estar atrelado ao conceito de desenvolvimento sustentável, cuja Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade43/222 definição - consagrada mundialmente - é o “desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das futuras gerações de satisfazer as suas necessidades” (CMMAD, 1988). Glossário PIB: é a sigla para Produto Interno Bruto e representa a soma, em valores monetários, de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região, durante um período determinado. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com.br/pib/>. Acesso em: 11 jun. 2015). Holístico ou holista: é um adjetivo que classifica alguma coisa relacionada com o holismo, ou seja, que procura compreender os fenômenos na sua totalidade e globalidade. (Fonte: Disponível em: <http://www. significados.com.br/holistico/>. Acesso em: 11 jun. 2015). Paulatinamente: De maneira paulatina; de modo lento; em que há lentidão: começou a caminhar, paulatinamente, pela casa. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio.com.br/paulatinamente/>. Acesso em: 11 jun. 2015). Questão reflexão ? para 44/222 Você observou que o século XX foi o precursor do debate mundial sobre as questões ambientais, que deu origem ao conceito de desenvolvimento sustentável. Neste cenário, o planejamento ambiental encontra-se como o principal instrumento de gestão ambiental indutor da sustentabilidade. Diante disto, leia o artigo Os “Limites do Crescimento” 40 anos depois: das “profecias do apocalipse ambiental” ao “futuro comum ecologicamente sustentável” de autoria Leandro Dias de Oliveira (2012), disponível em: <http://r1.ufrrj.br/revistaconti/pdfs/1/ART4.pdf>. Acesso em: 11 jun. 2015, e faça a análise da seção do artigo: Comparativo entre as premissas do “Limites do Crescimento” e o “Relatório Brundtland” e integre esta análise com os conceitos de planejamento ambiental 45/222 Questão reflexão ?para apresentados e discutidos na Leitura Fundamental, com o objetivo de mostrar a importância deste instrumento de gestão ambiental como indutor da sustentabilidade, através da escrita de um pequeno texto dissertativo e entregue ao professor presencial. 46/222 Considerações Finais É possível, por meio da compreensão histórica dos fatos, indicar respostas para o surgimento da preocupação humana frente às questões ambientais e como a mesma humanidade planeja e planejará suas ações, cada qual no seu tempo apropriado. Dentre todas as atribuições dadas ao planejamento ambiental, acredita-se que uma das mais importantes seja o fato de se pautar, predominantemente, pelo potencial e pelos limites que o meio apresenta, e não pela demanda crescente ou pela má gestão político-administrativa. Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade47/222 Referências ARAUJO, R.T. de. Zoneamento ecológico-econômico do município de Santa Cruz da Conceição – SP: uma proposta conceitual de planejamento para a sustentabilidade local. São Carlos: UFSCar, Tese de Doutorado. 2008. 95p. CMMAD, Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso futuro comum. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 1988. 430 p. PHILIPPI JR., A.; ROMERO, M. A.; BRUNA, G.C. Curso de gestão ambiental. 2. ed. Barueri, SP: Ed. Manole, 2014. 1.250p. SANTOS, R. F. Planejamento ambiental:teoria e prática. 2. ed. v. 1. São Paulo: Oficina de Textos, 2007, 184p. 48/222 Aula 2 - Tema: Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade – Parte I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ d7a671ebb2b0b1028f707bb8a128e0ef>. Aula 2 - Tema: Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade – Parte II. Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 3d62e85e0e5c8f38903b88fbfb1a03bf>. Assista a suas aulas 49/222 1 - Qual a publicação que teve papel fundamental para a difusão na cons- cientização da sociedade em relação aos riscos e comprometimento da qualidade do meio ambiente e seus efeitos na saúde humana? a) Primavera Cautelosa. b) Primavera Holística. c) Primavera Silenciosa. d) Primavera Carson. e) Primavera Contagiosa. Questão 1 50/222 2 - O surgimento de um fenômeno climático deu origem aos primeiros de- bates sobre a contaminação de ambientes naturais vinda das atividades in- dustriais, após a Segunda Guerra Mundial. Qual foi este fenômeno? a) Aquecimento Global. b) Buraco da Camada de Ozônio. c) Extinção das espécies da fauna. d) Extinção das espécies da flora. e) Smog. Questão 2 51/222 3 - Qual o significado da sigla PNUMA? a) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. b) Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. c) Programa das Nações Unidas para a Sustentabilidade. d) Programa das Nações Unidas para os Recursos Naturais. e) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano. Questão 3 52/222 4 - Na década de 1990, o planejamento ambiental foi incorporado em qual política pública de desenvolvimento urbano? a) Plano de Bacias Hidrográficas. b) Plano de Unidades de Conservação. c) Plano de Zoneamento. d) Plano Plurianual. e) Plano Diretor. Questão 4 53/222 5 - Visando à sustentabilidade, o planejamento ambiental geralmente con- sidera os critérios a longo prazo, mas busca estabelecer também medidas a curto e médios prazos. Marque a alternativa correta que explica esta afir- mação. a) Este procedimento pretende reorganizar o espaço, paulatinamente, para que não apenas no presente, mas também no futuro, as fontes e meios de recursos sejam usados e manejados de forma a responderem pelas necessidades da sociedade. b) O planejamento ambiental considera as informações primárias no estabelecimento de suas diretrizes. c) Este procedimento pretende reorganizar o espaço, rapidamente, para que apenas no presente, e não no futuro, as fontes e meios de recursos sejam usados e manejados de forma a responderem pelas necessidades da sociedade. d) O planejamento ambiental considera as informações secundárias no estabelecimento de suas diretrizes. e) Este procedimento pretende reorganizar o espaço, paulatinamente, para que apenas no presente, as fontes e meios de recursos sejam usados e manejados de forma a responderem pelas necessidades da sociedade. Questão 5 54/222 Gabarito 1. Resposta: C. A publicação do livro Primavera Silenciosa da Americana Raquel Carson, em 1962, teve importante papel na conscientização da sociedade em relação aos riscos e comprometimento da qualidade do meio ambiente e seus efeitos na saúde humana. Carson aborda a magnificação biológica de moléculas de inseticidas sintéticos clorados demonstrando que agrotóxicos utilizados nas doses recomendadas poderiam se concentrar na cadeia alimentar, causando problemas aos organismos que ocupam níveis mais elevados da escala trófica, entre eles o ser humano (PHILIPPI JR, 2014). 2. Resposta: E. Um primeiro grande momento histórico que merece sua citação foi a criação da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1946, logo após o final da Segunda Grande Guerra e nos anos seguintes, onde o debate se iniciava em torno da contaminação de ambientes naturais vinda das atividades industriais, como o smog em Londres. 3. Resposta: B. Na reunião de Estocolmo 1972, criou-se o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), com o objetivo de gerenciar as atividades de proteção ambiental, e o Fundo Voluntário para o Meio Ambiente. 55/222 4. Resposta: E. Na década de 1990, o planejamento ambiental foi incorporado aos planos diretores municipais. Foi a partir desses trabalhos que se obtiveram as informações mais contundentes sobre qualidade de vida, desenvolvimento sustentável, sociedade e meio ambiente, promovidas pela preocupação com o ser humano. 5. Resposta: A. Para Santos (2007), visando à sustentabilidade, o planejamento ambiental geralmente considera os critérios a longo prazo, mas busca Gabarito estabelecer também medidas a curto e médio prazos. Este procedimento pretende reorganizar o espaço, paulatinamente, para que não apenas no presente, mas também no futuro, as fontes e meios de recursos sejam usados e manejados de forma a responderem pelas necessidades da sociedade. E, tais necessidades conciliam- se na produção e distribuição de alimento, água, matéria-prima, energia e bens de consumo na construção de moradias e instalações, na disposição e tratamento de resíduos, na criação e manutenção de sistema de circulação e acesso, na criação e manutenção de espaços verdes, na promoção da educação e desenvolvimento cultural. 56/222 Unidade 3 Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental Objetivos 1. Identificar, por meio do planejamento ambiental, o que é essencial e representativo da realidade. 2. Entender a natureza, as características, a função e o funcionamento do todo. 3. Estudar as principais etapas, estruturas e instrumentos de planejamento ambiental com vistas à construção do próprio planejamento ambiental pelo aluno. Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental57/222 Introdução No dia a dia, muitas vezes você nem percebe, mas está planejando tudo a cada segundo, a cada passo que é dado na rua. É isto mesmo que você está pensando agora, sempre planejamos, mesmo que de forma inconsciente. Fazemos isto como forma de sobrevivência neste mundo contemporâneo onde o que é verdadeiro ou correto já não é mais daqui alguns momentos, obrigando-nos a cada instante planejar novamente nossas ações e “caminhos”. Desta forma, você é o convidado especial para o conhecimento das estruturas de organização e funcionamento do planejamento ambiental, instrumento fundamental nos sistemas de gestão ambiental que você utilizará no seu curso de pós-graduação e principalmente na vida profissional. Para estudar os sistemas ambientais, cujos elementos estão em permanente interação, exige-se como ferramenta a interação entre várias disciplinas, para que cada uma delas, em articulação com as demais, apresente resultados e interpretações que levem ao diagnóstico do sistema estudado. Desta forma, os métodos e técnicas de análise ambiental devem absorver a interdisciplinaridade como um pressuposto, o que, do ponto de vista dos participantes, exige profissionais de várias especialidades atuando em conjunto, numa equipe multidisciplinar (MAGLIO & PHILIPPI JR, 2010). Embora existam diversas formas e fontes bibliográficas para citar a descrição das etapas de planejamento ambiental, neste texto utilizou-se as etapas descritas na obra “Construindo o Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental58/222 desenvolvimento local sustentável”, de autoria de Sérgio C. Buarque (2008), que aborda o planejamento ambiental para uma localidade específica, neste caso o município. 1. Estrutura organizacional para o planejamento ambiental O processo de planejamento se divide em quatro etapas sequenciais,interligadas e continuadas: o conhecimento da realidade, a tomada de decisões, a execução do plano e, finalmente, o acompanhamento, o controle e a avaliação das ações (CARVALHO, 1997 apud BUARQUE, 2008). As duas primeiras etapas do processo de planejamento – conhecimento e tomada de decisões – constituem a fase de elaboração propriamente dita dos planos de desenvolvimento local, que definem o que será executado, expresso pelo documento ou produto (plano de desenvolvimento). Entretanto, devem ser definidos nessa fase os elementos básicos para a execução e o acompanhamento do plano, que se iniciam, efetivamente, imediatamente após a sua aprovação pela sociedade. Na realidade, um dos componentes centrais do plano que será, portanto, produzido nessas duas etapas, será a formulação de um modelo de gestão, que representa o sistema de organização da sociedade e dos agentes públicos para as duas etapas seguintes: a execução e o acompanhamento do plano. De forma resumida e sistemática, Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental59/222 apresenta-se, a seguir, a sequências das atividades de elaboração do plano. a. Conhecimento da realidade: para tomar decisões fundamentadas e consistentes, é necessário, antes de tudo, compreender a realidade da localidade, deve passar, de alguma forma e com diferentes níveis de profundidade e rigor técnico, pelos seguintes procedimentos sequenciais e complementares: • Delimitação do objeto: o processo de trabalho deve se iniciar com a delimitação da localidade (ou comunidade) que se pretende planejar: seus limites físico- geográficos e institucionais, as relações estruturais das variáveis determinantes e as relações da localidade com seu contexto socioeconômico, ambiental e político-institucional (onde está situada a localidade?). • Diagnóstico: O diagnóstico consiste na compreensão da realidade atual da localidade e dos fatores internos que estão amadurecendo e que podem facilitar ou dificultar o desenvolvimento local. Para se perceberem as condições atuais da localidade, é importante se analisar o processo de evolução recente da realidade, que sintetiza a história da localidade e os fatores que explicam o seu Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental60/222 desempenho. Para incorporar as concepções contemporâneas de desenvolvimento – desenvolvimento sustentável –, o diagnóstico deve tratar a realidade de forma multidisciplinar, procurando observar e confrontar os componentes ou dimensões econômica, sociocultural, ambiental, tecnológica e político- institucional. Toda análise e reflexão deve convergir para a identificação dos principais problemas e potencialidades locais, o que é insatisfatório na realidade ou está impedindo o desenvolvimento (problemas) e o que pode facilitar o desenvolvimento local (potencialidades). O que a sociedade não aceita e pretende modificar na realidade? O que emperra e estrangula o desenvolvimento local? E, quais as grandes potencialidades e condições da localidade para alavancar o desenvolvimento? • O diagnóstico deve combinar e confrontar o levantamento e análise técnica da realidade com a visão da sociedade – fazendo interagir as diferentes percepções dos atores sociais – sobre a situação local, seus principais problemas e potencialidades internas. Deve-se estabelecer Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental61/222 uma negociação das duas percepções da realidade, bastante distintas, mas complementares, cotejando os interesses e desejos da sociedade com os limites e as possibilidades técnicas. • Prognósticos: o prognóstico busca antecipar possíveis desdobramentos futuros da realidade e, principalmente, do seu contexto externo, informação importante para dimensionar as possibilidades de realização dos desejos da sociedade e, portanto, para formulação da estratégia de desenvolvimento local. Trata-se, nesse caso, de compreender em que condições se situa a localidade e para onde ela tenderia a evoluir, destacando as tendências prováveis dos processos externos, ressaltando aqueles de maior impacto sobre a realidade local. O prognóstico deve, assim, identificar as oportunidades que o contexto abre e oferece para o desenvolvimento local, e os fatores externos que podem constituir ameaças ao seu desenvolvimento. As alternativas futuras do contexto procuram interpretar para onde deve evoluir, provavelmente, o contexto socioeconômico e político-institucional em que está inserida a localidade. É, Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental62/222 portanto, uma expressão do cruzamento dos determinantes externos com os condicionantes internos, com diferentes hipóteses de comportamento futuro. Dependendo dessas hipóteses, a localidade pode caminhar para diferentes alternativas de desenvolvimento futuro, que delimitam as possibilidades de realização dos desejos da sociedade. b. Tomada de decisões: Esta etapa do processo de planejamento trata das efetivas escolhas da sociedade sobre o seu futuro e, principalmente, das ações necessárias e viáveis para se promover o desenvolvimento local. Como apresentado a seguir, as decisões se manifestam por meio de um conjunto de fatores que irão compor o plano de desenvolvimento: • Visão do futuro: a primeira definição importante da sociedade local diz respeito ao futuro desejado: aonde se pretende chegar com a implementação de um plano, o que se define por meio de uma descrição qualitativa e quantitativa da realidade futura. A visão do futuro se manifesta em três subconjuntos diferenciados (visão do futuro, objetivos e metas). O primeiro apresenta o estado futuro desejado pela Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental63/222 sociedade, atemporal e livre de restrições, sinalizando para uma imagem objetivo a longo prazo que serve de referência para as decisões estratégicas. • Considerando a realidade atual e o futuro desejado, podem ser definidos os objetivos que serão perseguidos pelo plano de desenvolvimento, expressando o desenho da situação futura desejada e possível de alcançar no horizonte do plano (o que se pretende e se pode alcançar e aonde se quer chegar no futuro?). Na verdade, os objetivos são uma descrição qualitativa do futuro desejado para um determinado prazo. • Por outro lado, as metas representam a quantificação dos objetivos, explicitando os resultados quantificáveis pretendidos e que podem ser gerados com a estratégia do plano em determinados prazos. • Formulação das opções estratégicas: a estratégia é um conjunto selecionado de ações convergentes e articuladas capazes de transformar a realidade, de modo a construir o futuro desejado e, portanto, viabilizar os objetivos e as metas definidas pela sociedade. Assim, as opções estratégicas Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental64/222 identificam as ações capazes de enfrentar e contornar os problemas e estrangulamentos centrais e de explorar as principais potencialidades locais, de modo a aproveitar as oportunidades externas e a permitir a defesa diante de prováveis ameaças. • Elaboração dos programas e projetos: o passo seguinte no processo decisório deve levar à formulação das ações concretas e operacionais. Dessa forma, a elaboração dos programas e projetos representa uma síntese consistente e integradora dos processos agregados – formulação das opções estratégicas – e desagregados – que detalham a estratégia na definição de ações por dimensão para enfrentaros problemas e explorar as potencialidades econômicas, socioculturais, ambientais, tecnológicas e político- institucionais. • Como todas as etapas do processo de planejamento, os programas resultam em um processo combinado de análise técnica, formulação política e visão da sociedade, incluindo as múltiplas e diferenciadas aspirações desta última, procurando analisar a sua consistência e viabilidade e sua relação com as definições Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental65/222 programáticas e técnicas. • Definição dos instrumentos: para a implementação da estratégia com suas políticas, programas e projetos, devem ser definidos e viabilizados instrumentos (meios financeiros, legais, organizacionais, institucionais) com que se pode e se deve contar para a efetiva execução do plano. Particularmente os instrumentos financeiros devem ser sistematizados em uma matriz de fontes e usos que distribua os recursos nas áreas programáticas, organizando os já existentes, os que podem ser captados e os que devem ser criados. Os instrumentos procuram definir, portanto, os meios financeiros, fiscais, organizacionais e institucionais, legais e políticos com que se pode e se deve atuar para a efetiva execução das ações locais. • Para definição dos instrumentos gerais devem ser realizados os seguintes procedimentos: (Análise dos meios requeridos; Análise dos diversos instrumentos, fontes de recursos, programas e projetos; Análise da pertinência e adequação; Análise da viabilidade financeira). • Formulação do modelo de gestão: O modelo de gestão Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental66/222 é o sistema institucional e a arquitetura organizacional adequados e necessários para se implementar a estratégia e o plano de desenvolvimento local, mobilizando e articulando os atores (organizações da sociedade) e agentes (instâncias públicas), com seus diversos instrumentos, e assegurando a participação da sociedade no processo, para a execução e acompanhamento das ações. • Trata-se da definição da forma como a sociedade e o Estado (setor público) devem se organizar para a implementação das ações, da gestão dos instrumentos e programas, e para avaliação dos seus resultados. • O sistema deve estruturar e distribuir as responsabilidades dos agentes e atores para a execução das diversas tarefas e atividades, expressas, de forma sintética, em uma matriz institucional, que distribui as responsabilidades e atividades entre os atores e agentes públicos (incluindo os indicadores de avaliação e acompanhamento), de modo a comprometer a sociedade numa situação de corresponsabilidade e reforçar o controle social sobre o processo. • Por outro lado, deve explicitar Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental67/222 os mecanismos e as instâncias de participação da sociedade e dos atores sociais no acompanhamento e na implementação do plano, assegurando o sistema participativo de gestão. • Construção da adesão e sustentabilidade políticas: o conjunto das atividades definidas para elaboração do plano deve gerar elementos suficientes para compor uma versão do documento que expresse a estratégia de desenvolvimento sustentável. Entretanto, para que esse documento tenha uma base sólida de sustentação na sociedade e nos parceiros, é necessário que passe por vários ciclos de discussão estruturada com a sociedade, para ir construindo a aderência política dos atores. Para tanto, devem ser implementadas a seguintes subatividades: (Distribuição de documento preliminar para as instâncias; Discussões e formulações da sociedade; Discussão na instância política mais agregada; construção de uma agenda de compromissos e revisão e produção da versão final). Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental68/222 2. Instrumentos de planejamen- to ambiental O planejamento ambiental pode se apresentar sob diferentes formas de expressão. A escolha de um determinado instrumento deve ocorrer em função dos objetivos, objeto e tema central enfocados. Deve considerar a adequação de sua estrutura e conteúdo, do espaço político- territorial visado, do detalhamento previsto para as proposições e do tempo disponível para execução. Em diversos casos, trabalhos com Zoneamentos, Estudos de Impacto Ambiental, Planos de Bacias Hidrográficas, Planos Diretores Ambientais, Planos de Manejo ou Áreas de Proteção Ambiental, entre outros, são apresentados como sinônimos de planejamento ambiental. Link Zoneamentos - elencado como um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei federal nº 6.938/1981), o termo, posteriormente, quando da edição do decreto federal nº 4.297/2002, evolui para zoneamento ecológico-econômico (ZEE). Disponível em: <http://www.mma.gov.br/ gestao-territorial/zoneamento-territorial/ item/8188>. Acesso em: 11 jun. 2015. Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental69/222 Link Estudos de Impacto Ambiental - é o conjunto de relatórios técnicos destinados a instruir o processo de licenciamento. Os relatórios são elaborados por equipe multidisciplinar, habilitada e independente, com base em Instruções Técnicas (IT´s) específicas. Disponível em: <http://www.inea.rj.gov.br/Portal/ MegaDropDown/Licenciamento/EstudoImpAmbReldeImpactoAmb/index.htm&lang=>. Acesso em: 11 jun. 2015. Para saber mais Planos de Bacias Hidrográficas - O objetivo geral do planejamento em recursos hídricos é garantir o bem-estar das pessoas em um ambiente ecologicamente sadio, incluindo esperança individual e coletiva de desenvolvimento sustentável. O objetivo geral de um plano de bacia é a compatibilização entre oferta e demanda de água, em quantidade e qualidade, para todos os pontos da bacia hidrográfica. Disponível em: <http://www.agenciapcj.org.br/novo/instrumentos-de-gestao/ plano-de-bacias>. Acesso em: 11 jun. 2015. Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental70/222 Para saber mais Planos Diretores Ambientais – ler o artigo “Política Ambiental Municipal: importância do Plano Diretor em normatizar a ocupação e expansão urbana no que tange ao desenvolvimento sustentável e recuperação ambiental”. Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_ link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11872>. Acesso em: 11 jun. 2015. Para saber mais Planos de Manejo - O manejo e gestão adequados de uma Unidade de Conservação devem estar embasados não só no conhecimento dos elementos que conformam o espaço em questão, mas também numa interpretação da interação destes elementos. Disponível em: <http://www.icmbio.gov.br/ portal/biodiversidade/unidades-de-conservacao/planos-de-manejo.html>. Acesso em: 11 jun. 2015. Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental71/222 Essas formas deveriam, na realidade, ser chamadas de instrumentos do planejamento ambiental, se atuam sobre o meio natural e atividades produtivas ou se atuam como caminho e recurso dirigidos a alcançar objetivos e metas específicos, e, ainda, se estão baseados em sua função ou utilidade e observam as formalidades e limites de suas atribuições particulares. A primeira questão a ser inquirida pelo planejador é se o instrumento selecionado representa um processo de planejamento ambiental, com uma estrutura composta das fases consideradas imprescindíveis, que englobam desde a proposição do objetivo e seleção da área a propostas que materializam as alternativas selecionadas ou a estratégia adotada. Um simples exemplo é o zoneamento territorial,comumente citado como um instrumento do planejamento. O zoneamento compõe-se das fases de inventário e diagnóstico, que resultam na definição de áreas que compartimentam os diversos sistemas ambientais componentes do espaço estudado. As zonas supostamente homogêneas referem-se às áreas identificadas numa paisagem (por exemplo, bacias hidrográficas) passíveis de ser delimitadas no espaço e na escala adotada e que possuem estrutura e funcionamento semelhantes. São definidas por agrupamentos das variáveis (componentes, fatores e atributos ambientais) que apresentam alto grau de associação Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental72/222 dentro da paisagem. Diferentes zonas homogêneas exibem significativa diferenciação entre os grupos de variáveis. Em outras palavras devem-se reconhecer com clareza as similaridades dos elementos componentes de um grupo e, simultaneamente claras definições entre os grupos. Estas zonas precisam considerar as potencialidades, vocações e fragilidades naturais, identificar os impactos, bem como expressar as relações sociais e econômicas do território. De forma geral, os zoneamentos ambientais são apresentados na forma de mapas temáticos, matrizes ou índices ambientais. Deve-se destacar que, no Brasil o zoneamento é muito usado pelo Poder Público como instrumento legal, para implementar normas de uso do território nacional. No entanto, o reconhecimento dessas áreas, que se restringe a analisar o ambiente e classificar seus atributos, é somente um suporte para um planejamento ambiental, necessitando de complementações metodológicas que conduzam a orientações para o uso desses espaços dentro de cenários temporais. Entre todas as considerações feitas, um aspecto crucial que os planejadores devem lembrar é que, seja qual for o instrumento de planejamento ambiental escolhido, sempre se trabalha com um recorte da realidade do espaço e, portanto, a complexidade e as relações do meio são simplificadas e generalizadas. O melhor Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental73/222 desempenho está na identificação de objetivos abrangentes e concretos, do instrumento correto, das variáveis que representam mais fielmente as principais relações existentes e dos problemas fundamentais no cenário real e futuro do espaço planejado. Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental74/222 Glossário Sistemática - Ação ou efeito de sistematizar; sistematização. Biologia. Ciência que caracteriza, sistematiza e/ou classifica os seres vivos. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio.com.br/ sistematica/>. Acesso em: 11 jun. 2015). Cotejar - Confrontar, comparar. Comparar, pôr em paralelo. (Fonte: Disponível em: <http:// www.dicio.com.br/cotejar/>. Acesso em: 11 jun. 2015). Atemporal - Que não pode ser controlado pelo tempo; que não se adequa a qualquer tempo; que não faz parte de um tempo determinado; intemporal: livro atemporal. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio.com.br/atemporal/>. Acesso em: 11 jun. 2015). Mobilizar - Dar movimento a, movimentar. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio.com.br/ mobilizar/>. Acesso em: 11 jun. 2015). Articular - Unir pelas juntas, juntar pelas articulações. Suceder-se numa ordem crescente: as partes de uma exposição que se articulam bem. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio.com. br/articular/>. Acesso em: 11 jun. 2015). Matriz - Lugar onde alguma coisa se gera ou se cria; fonte, manancial. Disposição ordenada de um conjunto de elementos estatísticos. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio.com.br/ matriz/>. Acesso em: 11 jun. 2015). Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental75/222 Glossário Instância - Qualidade daquilo que é iminente; particularidade do que pode acontecer a qualquer momento; atributo do que está prestes a... (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio. com.br/instancia/>. Acesso em: 11 jun. 2015). Enfocado - Que se pôs em foco. Visto conforme uma acepção. (Fonte: Disponível em: <http:// www.dicio.com.br/enfocado/>. Acesso em: 11 jun. 2015). Imprescindível - que não se pode dispensar ou renunciar. Que não se pode prescindir, renunciar ou dispensar. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio.com.br/imprescindivel/>. Acesso em: 11 jun. 2015). Comumente - De maneira comum, ordinária; de modo vulgar. Em que há frequência ou de modo habitual. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio.com.br/comumente/>. Acesso em: 11jun. 2015). Inventário - Listagem detalhada mercadorias, produtos etc. Caracterização pormenorizada de alguma coisa. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio.com.br/inventario/>. Acesso em: 11 jun. 2015). Questão reflexão ? para 76/222 Você observou que existem diversos instrumentos de planejamento ambiental que podem ser utilizados para resolução das questões ambientais atuais. Provavelmente em conjunto com o Zoneamento Ecológico-Econômico, os Planos de Manejo de Unidades de Conservação no Brasil sejam os principais e mais bem estudados e implementados. Desta forma, acesse o link do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade: <http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/unidades- de-conservacao/planos-de-manejo.html> e aprofunde seus conhecimentos sobre este instrumento, analisando um dos diversos planos de manejo de unidades de conservação existentes no país. 77/222 Considerações Finais » Identifica-se que para cumprir suas etapas, o planejamento ambiental, de forma geral, apresenta-se como um processo, ou seja, é elaborado em fases que evoluem sucessivamente, sendo o resultado de uma a base ou os princípios para o desenvolvimento da etapa seguinte. » Ao se escolher um instrumento de planejamento ambiental, é inevitável refletir se o planejamento preocupa-se em administrar o recurso, ordenar o espaço, executar tarefas, manusear o meio, propor alternativas, implementar projetos, monitorar, controlar eventos, controlar doenças, garantir a perenidade do recurso, aproveitar e explorar o recurso, entre outras ações. Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental78/222 Referências BUARQUE, S.C. Construindo o desenvolvimento local sustentável. Rio de Janeiro: Garamond, 2008. 4ed. cap. 5. p. 95-120. MAGLIO, I.C.; PHILIPPI JR, A. Planejamento ambiental: metodologia e prática de abordagem. In: PHILIPPI JR, A. Saneamento, saúde e ambiente. 1. ed. 2. reimpressão, Barueri, SP: Ed. Manole., 2010. p. 663-688. SANTOS, R. F. Planejamento ambiental: teoria e prática. 2. ed. v. 1. São Paulo: Oficina de Textos, 2007. 184p. 79/222 Aula 3 - Tema: Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental – Parte I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ f6c89a775dc2a455190b1e168938b56d>. Aula 3 - Tema: Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental – Parte II. Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 8f45ba95934ad63734f1d5e346264c32>. Assista a suas aulas 80/222 1- Quais são as quatro etapas sequenciais, interligadas e continuadas que integram um planejamento? a) O conhecimento da realidade, a tomada de decisões, a execução do plano e o acompanhamento e a coleta de dados primários, secundários e terciários. b) O controle e a avaliação das ações, a coleta de dados primários, secundários e terciários, montagem da equipe de trabalho e, a participação da sociedade local. c) O conhecimento da realidade, a tomada de decisões, a execução do plano e o acompanhamento e o controle e a avaliação das ações. d) O controle e a avaliação das ações.e) A coleta de dados primários, secundários e terciários, a tomada de decisões, montagem da equipe de trabalho e o desenvolvimento da liderança do planejamento. Questão 1 81/222 2- A delimitação do objeto e o diagnóstico são procedimentos sequenciais e complementares de qual etapa do planejamento? a) Tomada de decisões. b) Conhecimento da realidade. c) Avaliação das ações. d) Execução do plano. e) Acompanhamento e controle. Questão 2 82/222 3- Qual o significado da sigla PNUMA? a) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. b) Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. c) Programa das Nações Unidas para a Sustentabilidade. d) Programa das Nações Unidas para os Recursos Naturais. e) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano. Questão 3 83/222 4- Em geral, qual a forma de apresentação para a sociedade do zoneamen- to ambiental? a) Na forma de tabelas. b) Na forma de quadros. c) Na forma de gráficos. d) Na forma de mapas. e) Na forma de figuras. Questão 4 84/222 5- Dentre as alternativas abaixo, qual demonstra a maior das limitações de qualquer dos instrumentos de planejamento ambiental? a) O fato dos instrumentos de planejamento custarem muito caro. b) O fato dos instrumentos de planejamento demandarem conhecimento prévio e futuro da área a ser trabalhada. c) O fato de ter a obrigação de comissão de avaliação prévia de impacto ambiental. d) O fato de ser muito demorado o uso de instrumentos em planejamento ambiental. e) O fato de se trabalhar com um recorte da realidade do espaço e, portanto, a complexidade e as relações do meio são simplificadas e generalizadas. Questão 5 85/222 Gabarito 1. Resposta: C. O processo de planejamento se divide em quatro etapas sequenciais, interligadas e continuadas: o conhecimento da realidade, a tomada de decisões, a execução do plano e, finalmente, o acompanhamento, o controle e a avaliação das ações (CARVALHO, 1997 apud BUARQUE, 2008). 2. Resposta: B. Conhecimento da realidade: para tomar decisões fundamentadas e consistentes, é necessário, antes de tudo, compreender a realidade da localidade, deve passar, de alguma forma e com diferentes níveis de profundidade e rigor técnico, pelos seguintes procedimentos sequenciais e complementares: • Delimitação do objeto: o processo de trabalho deve se iniciar com a delimitação da localidade (ou comunidade) que se pretende planejar: seus limites físico- geográficos e institucionais, as relações estruturais das variáveis determinantes e as relações da localidade com seu contexto socioeconômico, ambiental e político-institucional (onde está situada a localidade?). • Diagnóstico: o diagnóstico consiste na compreensão da realidade atual da localidade e dos fatores 86/222 internos que estão amadurecendo e que podem facilitar ou dificultar o desenvolvimento local. 3. Resposta: B. Na reunião de Estocolmo 1972, criou-se o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), com o objetivo de gerenciar as atividades de proteção ambiental, e o Fundo Voluntário para o Meio Ambiente. 4. Resposta: D. De forma geral, os zoneamentos ambientais são apresentados na forma de mapas temáticos, matrizes ou índices ambientais. 5. Resposta: E. No decorrer da leitura fundamental, comprova-se que um aspecto crucial que os planejadores devem lembrar é que, seja qual for o instrumento de planejamento ambiental escolhido, sempre se trabalha com um recorte da realidade do espaço e, portanto, a complexidade e as relações do meio são simplificadas e generalizadas. O melhor desempenho está na identificação de objetivos abrangentes e concretos, do instrumento correto, das variáveis que representam mais fielmente as principais Gabarito 87/222 relações existentes e dos problemas fundamentais no cenário real e futuro do espaço planejado. Gabarito 88/222 Unidade 4 Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental Objetivos 1. Identificar por quais temas o planejamento ambiental deve caminhar em busca da sustentabilidade. 2. Compreender a necessidade do entendimento multidisciplinar para construção do planejamento ambiental. 3. Compreender os elementos mais incipientes da paisagem até o contexto social de interação homem-território. Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental89/222 Introdução Ao se deparar com a missão de elaborar um planejamento ambiental, você entra em um universo complexo com diversas abordagens multidisciplinares que muitas vezes podem lhe causar confusões ou mesmo indecisões, contribuindo para erros estratégicos que acarretarão falsos diagnósticos, prognósticos, indicadores, monitoramentos e impactarão as decisões e assim o processo de gestão ambiental. Desta forma, você, a partir deste momento, compreenderá a necessidade de interpretar o meio em relação à sua composição, estrutura, processo e função, como um todo contínuo no espaço. Por essa razão, de acordo com Santos (2007), o diagnóstico procura compreender o meio de forma global, por intermédio do levantamento de dados ligados a diversas disciplinas. A tendência é apresentar as disciplinas numa sequência que representa a evolução das transformações e a velocidade de mudança no espaço estudado. Assim, o inventário principia pelos elementos climáticos e geológicos e caminha em direção às disciplinas que falam da ação do homem no espaço. Os temas que abordam as características dos objetivos e das ações humanas fundamentam o debate de todos os outros temas do planejamento. Afinal, eles revelam a coerência (ou incoerência) entre a estrutura espacial, dinâmica populacional e condições de vida da população e, ainda, traduzem o significado social e político do que foi descrito como estado do meio pelos temas do meio físico e biológico. Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental90/222 1. Interpretação dos níveis de informação (temas e temáticas) Na sistematização da apresentação das disciplinas, é necessário compreender que existem, pelo menos, dois níveis de informação a serem considerados: o das temáticas e o dos temas. O tema refere-se a uma determinada matéria que contém conceitos e métodos particulares. Cada tema é um núcleo próprio de dados que gera uma composição específica de informações. Conceitua-se temática como um conjunto de temas que, quando associados, permitem uma análise que é a síntese de uma fração particular do meio (SANTOS, 2007). Em planejamento ambiental é aconselhável que os temas ou indicadores sejam representados no espaço, pois esta estratégia facilita a interpretação, integração e manejo das informações por meio de documentação cartográfica. Podem ser mapeados quaisquer elementos do meio, seja físico, biótico, social, econômico ou cultural, porém, a capacidade de representação dos fenômenos está diretamente limitada à subjetividade do dado de entrada, à abrangência no espaço ou ao tipo de informação. Assim, mapeamentos auxiliam a compreensão sobre o meio, mas não podem ser entendidos como ferramenta única para a tomada de decisão (SANTOS, 2007). Embora não existam definições estáticas de quais temas/temáticas devem Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental91/222 ser abordados em cada planejamento, visto que esta “escolha” é dada por cada objetivo do planejamento, de maneira geral os aspectos físicos, biológicos, as pressões exercidas pelas atividades humanas, sociais e econômicas e as respostas da sociedade a essas pressões são encontrados de forma recorrente nos planejamentos. A seguir, você estudará os principais temas e temáticas encontrados nos planejamentos ambientais em discussão e execuçãono Brasil e certamente entenderá a obrigatoriedade do seu estudo de forma transdisciplinar voltado ao trabalho com as mais diversas áreas das ciências e seus profissionais, elevando sua formação acadêmica e profissional, proporcionando empregabilidade em funções líderes e de formação de opinião junto à sociedade. Os temas aqui estudados de acordo com Santos (2007), são: • Geologia: a maior parte dos planejamentos ambientais apresenta dados referentes à geologia, quase sempre espacializados em mapas. O objetivo é fornecer informações litológicas e estruturais do substrato rochoso da área planejada e subsidiar os estudos relativos à ocorrência de minerais e materiais de importância econômica. Os estudos geológicos apresentam as informações mais remotas sobre a formação, a Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental92/222 evolução e a estabilidade terrestre e auxiliam muito na construção dos cenários passados e atuais. Os planejamentos utilizam dados secundários e, algumas vezes, sistematizam e ajustam mapas geológicos existentes por meio da interpretação de imagens de sensores remotos e trabalhos de campo. No Brasil, o padrão é compilar cartas topográficas e geológicas, ajustando-as com imagens de radar ou satélite. Os estudos costumam indicar as unidades geológicas, sua estrutura, estratigrafia, litologia e evolução. As informações servem para a análise dos tipos e da dinâmica superficial dos terrenos. Elas subsidiam as interpretações sobre o relevo, solo e processos de erosão, entre outros dados e permitem ao pesquisador deduzir a permeabilidade do solo, o tipo de vegetação e a disponibilidade de água superficial e subterrânea e de recursos minerais. • Clima: o clima, o substrato rochoso e o relevo são os temas de maior hierarquia para caracterizar e ordenar as paisagens. O clima busca esclarecer a influência desse elemento na vida, na saúde, na distribuição e nas atividades humanas da área planejada. Em larga escala temporal, os dados permitem reconhecer a influência do clima sobre o solo, a fauna e a flora, auxiliando na Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental93/222 compreensão do cenário atual. O clima deve ser relacionado aos outros temas e, para tanto, são necessários dados de longo prazo e inúmeras variáveis. A maioria dos trabalhos prende-se a duas variáveis apresentadas como subtemas: a precipitação e a temperatura. • Geomorfologia: para estudos integrados da paisagem, os dados de geomorfologia são considerados imprescindíveis. A análise do relevo permite sintetizar a história das interações dinâmicas que ocorreram entre o substrato Iitólico, a tectônica e as variações climáticas. Associados a outros elementos do meio, os dados de geomorfologia podem auxiliar na interpretação de fenômenos como inundações e variações climáticas locais, são informações vitais para avaliar movimentos de massa e instabilidades dos terrenos. Cada tipo ou forma do relevo está associado a um conjunto fisionômico característico e a composições especificas de cobertura vegetal e distribuição da fauna, permitindo ampla correlação. Os dados geomorfológicos permitem interpretar uma questão indispensável para o planejamento ambiental: a relação entre as configurações superficiais do terreno, a Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental94/222 distribuição dos núcleos ou aglomerados humanos e dos usos do solo em função das limitações impostas pelo relevo. • Solos: o solo é o suporte dos ecossistemas e das atividades humanas sobre a terra, seu estudo é imprescindível para o planejamento. Quando se analisa o solo, pode-se deduzir sua potencial idade e fragilidade como elemento natural, como recurso produtivo, como substrato de atividades construtivas ou como concentrador de impacto. O solo é um tema importante para explicar o fenômeno de erosão e assoreamento, cuja compreensão é primordial ao planejamento. Em área rural, esses fenômenos estão muito ligados à agricultura, reconhecida por alterar substancialmente o meio, gerando impactos severos e rompendo o equilíbrio natural. Para o espaço urbano, a mesma lógica pode ser usada quando se pensa, por exemplo, na implantação e operação de obras civis, nas quais a característica do material de superfície pode definir a aptidão (ou restrição) para diferentes usos, como estradas, sistemas de tratamento, construção de canais, sistemas de drenagem etc. Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental95/222 • Capacidade de uso das terras: o tema derivado capacidade de uso é bastante desenvolvido em planejamento, pois fornece duas respostas básicas: o potencial de uso da área (ou o uso adequado, com práticas adequadas, voltadas à conservação e proteção do recurso) e a ocorrência de inadequação de uso (ou a ocorrência de conflitos envolvendo o uso atual e o uso recomendável). Em suma, essa análise norteia muitas tomadas de decisão do ponto de vista da conservação ambiental, da vocação agropecuária, do risco de erosão, da produtividade, do controle de impactos ou da indicação de tecnologias adequadas. São usadas informações sobre as características do clima, do solo, do relevo, da topografia ou da declividade, que limitam o uso agrícola e/ou impõem risco de degradação da terra. • Hidrografia: neste tema você normalmente usa a bacia ou microbacia hidrográfica como unidade de gestão. A estratégia é analisar as propriedades, a distribuição e a circulação da água, para interpretar as potencialidades e restrições de uso; mapear inicialmente a hidrografia com todas as drenagens que compõem a rede hídrica. Os documentos base, são as cartas topográficas oficiais. Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental96/222 • Vegetação: este tema tem grande potencial como indicador ambiental. É caracterizado pelo domínio, formações e tipos de cobertura natural, que devem ser espacializados, quantificados e qualificados de acordo com o seu estado de conservação atual, em seguida, a identificação da fisionomia, estrutura e composição florística. Essas avaliações, em datas diferentes, permitem indicar as mudanças, sua direção e velocidade ao longo do tempo. • Fauna: utilizado para indicar qualidade ambiental do meio, escolher áreas a serem protegidas e especificar manejo. É considerado um tema contíguo à flora. O caminho é reconhecer a estrutura e diversidade da comunidade, composição, abundância, frequência, distribuição, dominância e a riqueza das espécies; identificar espécies raras, em risco de extinção, exóticas e migratórias, endemismo e grau de perturbação. • Uso e ocupação das terras: retrata as atividades humanas que podem significar pressão e impacto sobre os elementos naturais. É uma ponte essencial para análise de fontes de poluição e um elo importante entre as informações dos meios biofísicos e socioeconômico. Em geral, as formas de uso e ocupação são identificadas (tipos de usos), espacializadas Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental97/222 (mapa de uso), caracterizadas (pela intensidade de uso e indícios de manejo) e quantificadas (percentual de área ocupada pelo tipo). As informações sobre esse tema devem descrever não só a situação atual, mas as mudanças recentes e o histórico de ocupação da área de estudo. • Temática Dinâmica Populacional, economia e aspectos políticos e institucionais: a análise do processo de urbanização, suas consequências e a compreensão da estrutura e dinâmica da população, importantes para o diagnóstico ambiental, dependem da interpretação de aspectos demográficos, econômicos e políticos institucionais. Os dados de entradas mais comuns compreendem dois tipos de unidades espaciais: municipal e por setor censitário. São obtidos a partir de levantamentos como censos, planilhas, cartogramasou mapas. • Temática Condições de Vida: condições de vida é uma expressão designada em planejamento para explicitar as desigualdades sociais, fornece indícios da dinâmica social e define os elos entre esses fatos e a qualidade do ambiente natural. Assim, por exemplo, a ocorrência de doenças infecto-parasitárias, ausência de saneamento básico, más condições de habitação, precária educação e baixa renda de um segmento da população Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental98/222 são frequentemente ligadas à péssima qualidade de água e à ausência de cobertura vegetal natural. Ao finalizar esta leitura, você deve compreende que a ênfase sobre os temas apresentados de forma resumida tem o objetivo de mostrar a complexidade do planejamento ambiental. Muitos desses planejamentos tratam as informações de uma forma excessivamente simplista, restrita às informações secundárias obtidas de censos e mapas. Outros utilizam indicadores adjetivados sem atentar ao que eles realmente representam, sem conceituar seu significado, deduzindo de forma rápida e indevida o valor da qualidade das informações obtidas. Desta forma, você somente terá sucesso no seu planejamento ambiental, por meio de um estudo muito bem desenvolvido, contendo um diagnóstico também muito bem desenvolvido, fechando as relações entre estados, pressão e resposta e traduzindo os impactos ambientais. Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental99/222 Glossário Espacialização - criar uma referência espacial a um objeto ou a um evento. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicionarioinformal.com.br/significado/espacializa%C3%A7%C3%A3o/6373/>. Acesso em: 17 jun. 2015). Informações litológicas - são aqueles referentes ao estudo das rochas. (Fonte: Disponível em: <http:// www.dicionarioinformal.com.br/litol%C3%B3gicas/>. Acesso em: 17 jun. 2015). Substrato - é a base, o fundamento, a essência. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com. br/substrato/>. Acesso em: 17 jun. 2015). Bacia ou microbacia hidrográfica - uma bacia hidrográfica ou bacia de drenagem de um curso de água é o conjunto de terras que fazem a drenagem da água das precipitações para esse curso de água e rios menores que desaguam em rios maiores (afluentes). (Fonte: Disponível em: <http://www. dicionarioinformal.com.br/bacia%20hidrogr%C3%A1fica/>. Acesso em: 17 jun. 2015). Questão reflexão ? para 100/222 Você compreendeu a necessidade de se juntar diversos temas e realizar a temática destes, ou seja, a sua análise e compreensão de forma transdisciplinar para que a construção do planejamento ambiental. Em geral, a bacia hidrográfica ou mesmo a microbacia hidrográfica em escala municipal/ territorial é a principal unidade de gerenciamento ambiental. Desta forma, acesse o link: <http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs/ index.php/raega/article/viewArticle/18225> e aprofunde seus conhecimentos a gestão ambiental de microbacias hidrográficas. 101/222 Considerações Finais Observa-se que a interdisciplinaridade é obrigatória na análise das temáticas ambientais; É possível verificar que até este momento não se tem clareza conceitual e metodológica acerca do caminho para se unir os temas, de forma a recriar, efetivamente, a paisagem global e as suas múltiplas relações de estado, pressão e resposta, todavia deve-se manter o conhecimento especializado original, para preservar a qualidade do trabalho. Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental102/222 Referências SANTOS, R. F. Planejamento ambiental: teoria e prática. 2. ed. v. 1, São Paulo: Oficina de Textos, 2007, 184p. 103/222 Aula 4 - Tema: Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental – Parte I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 4610c33965d5686be91475951d2ea8c0>. Aula 4 - Tema: Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental – Parte II. Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA- piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/c0a- aa5d56344c7ec357a899edef48c21>. Assista a suas aulas 104/222 1- Qual alternativa apresenta as diferenças entre temas e temáticas refe- rentes ao planejamento ambiental? a) O tema refere-se a uma determinada matéria que contém conceitos e métodos particulares e a temática é um conjunto de temas que, quando associados, permitem uma análise que é a síntese de uma fração particular do meio. b) O tema refere-se ao diagnóstico e a temática refere-se ao prognóstico do planejamento ambiental. c) O tema refere-se à apresentação dos indicadores por meio de mapas e a temática refere- se à apresentação dos indicadores por meio de tabelas. d) O tema refere-se aos dados primários em planejamento ambiental e a temática refere-se aos dados secundários em planejamento ambiental. e) O tema refere-se aos fenômenos subjetivos e a temática refere-se aos fenômenos objetivos no planejamento ambiental. Questão 1 105/222 2- Um dos temas estudados em planejamentos ambientais é a geologia. Assim, qual é o objetivo da geologia no planejamento ambiental? a) Fornecer informações do solo e sua estrutura pedológica. b) Estudar a influência das rochas no relevo da paisagem. c) Fornecer informações litológicas e estruturais do solo da área planejada para analisar os possíveis impactos ambientais provindos do solo. d) Fornecer informações litológicas e estruturais do substrato rochoso da área planejada e subsidiar os estudos relativos à ocorrência de minerais e materiais de importância econômica. e) Estudar a influência das rochas e minerais no relevo da paisagem com vistas à ocorrência de possíveis impactos ambientais provindos do solo. Questão 2 106/222 3- Quais são os documentos base para os estudos do tema hidrografia? a) Cartas geológicas oficiais. b) Cartas topográficas oficiais. c) Cartas hidrográficas oficiais. d) Plano de Bacia Hidrográfica. e) Plano de Drenagem hidrográfica. Questão 3 107/222 4- A análise do processo de urbanização, suas consequências e a com- preensão da estrutura e dinâmica da população, são componentes de qual temática? a) Classe de uso do solo. b) Urbanidade. c) Dinâmica periférica. d) Condições de vida. e) Dinâmica populacional. Questão 4 108/222 5- A temática condições de vida pode ser caracterizada como sendo uma temática de vanguarda, ou seja, uma temática nova e que desempenha importante papel de análise no planejamento ambiental. Desta forma, é possível afirmar que esta temática se preocupa com: a) As doenças e o valor salarial da população com vistas às orientações econômicas do planejamento ambiental. b) As desigualdades sociais fornecem indícios da dinâmica social e definem os elos entre esses fatos e a qualidade do ambiente natural. c) As desigualdades ambientais entre zona rural e urbana associadas ao ganho salarial das pessoas. d) O fato das condições sociais das pessoas interferirem no saneamento ambiental e nas doenças. e) A dinâmica demográfica sobre a qualidade ambiental da área estudada. Questão 5 109/222 Gabarito 1. Resposta: A. Na sistematização da apresentação das disciplinas, é necessário compreender que existem, pelo menos, dois níveis de informação a serem considerados: o das temáticas e o dos temas. O tema refere-se a uma determinada matéria que contém conceitos e métodos particulares. Cada tema é um núcleo próprio de dados que gera uma composição específica de informações. Conceitua-se temática como um conjunto de temas que, quando associados, permitem uma análise que é a síntese de uma fração particular do meio (SANTOS, 2007). 2. Resposta: D. O objetivo de estudar a geologia no planejamento ambientalé fornecer informações litológicas e estruturais do substrato rochoso da área planejada e subsidiar os estudos relativos à ocorrência de minerais e materiais de importância econômica. De forma geral, o substrato rochoso e o clima são os primeiros tópicos a serem tratados em planejamento. 3. Resposta: B. A estratégia é analisar as propriedades, a distribuição e a circulação da água, para interpretar as potencialidades e restrições de uso, mapear inicialmente a hidrografia 110/222 com todas as drenagens que compõem a rede hídrica. Os documentos base, são as cartas topográficas oficiais. 4. Resposta: E. Temática Dinâmica Populacional, economia e aspectos políticos e institucionais: a análise do processo de urbanização, suas consequências e a compreensão da estrutura e dinâmica da população, importantes para o diagnóstico ambiental, dependem da interpretação de aspectos demográficos, econômicos e políticos institucionais. Gabarito 5. Resposta: B. Temática Condições de Vida: condições de vida é uma expressão designada em planejamento para explicitar as desigualdades sociais, fornece indícios da dinâmica social e define os elos entre esses fatos e a qualidade do ambiente natural. Assim, por exemplo, a ocorrência de doenças infecto-parasitárias, ausência de saneamento básico, más condições de habitação, precária educação e baixa renda de um segmento da população são frequentemente ligadas à péssima qualidade de água e à ausência de cobertura vegetal natural. 111/222 Unidade 5 Indicadores Ambientais e Planejamento Objetivos 1. Estabelecer a relação entre indicadores – questões ambientais – e sustentabilidade na elaboração do planejamento ambiental. 2. Identificar as estratégias metodológicas. 3. Analisar a estrutura dos indicadores ambientais. Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento112/222 Introdução Em diversos momentos de sua vida, você observa que as realidades se sucedem ao longo do tempo e deixam marcas, evidências, retratos de paisagens. Elas, em si, são imutáveis. O que muda, ao longo do tempo do homem, é a interpretação que ele faz. De acordo com Santos (2007), as interpretações nada mais são do que a aspiração de se chegar cada vez mais próximo da verdade, ou seja, da “real realidade”. Para os diversos caminhos da interpretação, pratica- se a observação e análise dessas marcas, dessas evidências e desses retratos deixados pela história, fragmentados nos elementos que compõem o meio. Não há dúvidas de que a informação tem lugar de destaque nos diversos espaços de tomada de decisão e nas estratégias para definição dos recursos necessários ao desenvolvimento de comunidades, empresas e regiões (PHILIPPI JR.; MALHEIROS, 2012). A questão da sustentabilidade está presente em nossa sociedade, representada por um amplo conjunto de discussões e pela produção de textos e projetos, no âmbito internacional e local. Esta discussão em volta do uso de indicadores como ferramenta de apoio nos diversos processos de tomada de decisão, embora de longa experiência, só mais recentemente os esforços vêm sendo empreendidos na construção e aplicação de indicadores alinhados à proposta da sustentabilidade. Esse movimento pode ser observado principalmente a partir da década de 1990, com a própria consolidação do termo sustentabilidade, a assinatura da Agenda 21 Global e os diversos projetos da Agenda 21 Local (MALHEIROS, COUTINHO & Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento113/222 PHLIPPI JR, 2012). 1. Desafios do uso de indicado- res na avaliação da sustentabili- dade Os princípios norteadores desses documentos de planejamento podem orientar a construção de sistemas adequados de medições, os quais são indispensáveis para operacionalizar o conceito de sustentabilidade, pois possibilitam aos tomadores de decisão e à sociedade estabelecer objetivos e metas, bem como avaliar o seu desempenho em relação a eles. A alta complexidade dos processos de sustentabilidade, nas suas diversas dimensões – ambiental, social, cultural, econômica, institucional, entre outras – amplia o desafio da construção de bons indicadores. É nesse contexto, de encontrar caminhos que viabilizem interesse e soma de esforços na construção de bases duradouras para o desenvolvimento, que os indicadores de sustentabilidade vêm à tona, com a tarefa de descrever a realidade de forma simples e confiável, orientar a escolha de dados para medir os avanços, bem como passar a mensagem sobre os desafios ambientais, humanos, econômicos, tecnológicos e políticos associados. Portanto, Malheiros, Coutinho & Phlippi Jr. (2012) questionam “o que é um indicador nessa abordagem”, e em sequência respondem que existem diversas definições presentes na Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento114/222 literatura, mas de forma geral, refere-se a uma medida que resume informações importantes sobre determinado fenômeno. A ideia é que aquilo que está sendo efetivamente medido tenha significado maior do que simplesmente o valor associado a essa medição, sempre dentro da proposta do uso do indicador na tomada de decisão. Medir, por exemplo, o volume de um reservatório de água pode ter relação com produção de alimentos (disponibilidade de água para irrigação), abastecimento de água para determinada comunidade, capacidade de produção de energia, proteção de áreas contra inundação, tamanho da modificação ambiental, entre outros. Assim, o que se observa é a concepção do indicador como um sinal, algo que representa alguma coisa para uma pessoa ou um grupo com referência a algo. Bakkes et al. (1994 apud MALHEIROS; COUTINHO; PHLIPPI JR., 2012), destacam que as diversas definições sobre indicadores e o uso dessa terminologia apresentam-se muitas vezes confusas, sendo usadas de forma inadequada, misturando os termos indicador, meta, padrão, limites, dados e outros. Segundo Winograd e Farrow (2009 apud MALHEIROS; COUTINHO; PHLIPPI JR., 2012), os dados são a base para indicadores e informações, e por si só não podem ser usados para interpretar mudanças ou condições, ou seja, um dado torna-se um indicador quando Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento115/222 sua compreensão ultrapassa o número, a mensuração, no sentido de adquirir significado através da informação interpretada. Ao apresentar a parte conceitual sobre indicadores, Segnestam (2002 apud MALHEIROS; COUTINHO; PHLIPPI JR., 2012) define dados como o componente básico no trabalho com indicadores. E indicadores, os quais são derivados dos dados, como ferramenta analítica para o estudo de mudanças na sociedade. A combinação de indicadores, forma índices usados com mais frequência em níveis de análise mais agregada, como nos âmbitos regionais e nacionais. Os dados de um parâmetro indicador devem vir acompanhados de perguntas sobre o estado, as pressões e as respostas do meio, devem responder sobre as características, propriedades e qualidades do meio e estar intimamente associados aos objetivos e ao objeto do planejamento. Bons indicadores devem ter a capacidade de gerar modelos que representem as realidades. Para a EPA (Environmental Protection Angecy) (1995 apud SANTOS, 2007), indicadores medem o avanço em direção a metas e objetivos. No contexto dos indicadores, os conceitos de padrão e norma são similares. Eles se referem fundamentalmente a valores estabelecidos ou desejados pelas autoridades governamentais ou obtidos por um consenso social. Esses indicadores são utilizados dentro de um senso normativo, um valor técnico de referência. Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento116/222 As metas, por outro lado, representam uma intenção, valores específicos a serem alcançados.Elas, normalmente, são estabelecidas a partir do processo decisório, dentro de uma expectativa de que seja, de alguma maneira, alcançável. Os processos no sentido do alcance das metas devem ser observáveis ou mensuráveis como, por exemplo, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) das Metas do Milênio que define oito objetivos e para cada objetivo define metas (SANTOS, 2007). Para saber mais Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) das Metas do Milênio - O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) é a rede de desenvolvimento global da Organização das Nações Unidas. O PNUD faz parcerias com pessoas em todas as instâncias da sociedade para ajudar na construção de nações que possam resistir a crises, sustentando e conduzindo um crescimento capaz de melhorar a qualidade de vida para todos. Presente em mais de 170 países e territórios, o PNUD oferece uma perspectiva global aliada à visão local do desenvolvimento humano para contribuir com o empoderamento de vidas e com a construção de nações mais fortes e resilientes. Em 2000, os líderes mundiais assumiram o compromisso de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, um Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento117/222 Para saber mais conjunto de oito metas cujo objetivo é tornar o mundo um lugar mais justo, solidário e melhor para se viver, incluindo o objetivo maior de reduzir a pobreza extrema pela metade até 2015. O PNUD trabalha mundialmente para ajudar e coordenar os esforços de cada país no alcance desses objetivos. Disponível em: <http://www.pnud.org.br/SobrePNUD.aspx>. Acesso em: 2015. A questão dos indicadores reside essencialmente na escolha da variável, ou das variáveis, cujos valores provêm de medições (variáveis quantitativas) ou observações (para variáveis qualitativas) em tempos, lugares, populações, entre outras, distintas. Os indicadores são fundamentais para tomadores de decisão e para a sociedade, pois permitem tanto criar cenários sobre o estado do meio, quanto aferir ou acompanhar os resultados de uma decisão tomada. São indicativos das mudanças e condições no ambiente e, se bem conduzidos, permitem representar a rede de causalidades presente num determinado meio. Os indicadores são empregados para avaliar e comparar territórios de diferentes dimensões e de diversas complexidades. Podem, assim, ser úteis para prognosticar futuros cenários e nortear ações preventivas. Portanto, não se deve jamais esquecer que a principal Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento118/222 característica dos indicadores é sua capacidade de quantificar e simplificar a informação (SANTOS, 2007). Quanto aos números de indicadores a serem utilizados em um planejamento, por maiores que sejam os esforços dos pesquisadores da área, não existe um consenso a este respeito, todavia o caminho sugerido é que este número se relaciona fortemente à escala e ao espaço físico em que se está trabalhando, com uma tendência de que se a escala espacial de trabalho for maior, se diminui o número de indicadores e vice-versa. É considerado senso comum que um indicador é de qualidade quando tem a capacidade de medir, analisar e expressar, com fidelidade, o fenômeno ao qual se refere. Em planejamento ambiental este conceito aplica-se a partir de um amplo espectro de considerações. Nessa área do conhecimento, a qualidade de um indicador ambiental deve ser medida por meio de um conjunto de características que denotam sua relevância, mensurabilidade, confiabilidade, tempo de resposta ao estímulo, integridade, estabilidade, solidez, relação com as prioridades do planejamento, utilidade para o usuário, eficiência e eficácia. Muitos pesquisadores, tentados a obter o indicador ideal, seja para planejamentos ou para medidas do desenvolvimento sustentável, enumeram muitos critérios ou características desejáveis que permitam avaliar sua qualidade. Especificamente Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento119/222 para planejamento ambiental, de acordo com Santos (2007), estas características devem ser verificadas por um mínimo de vinte e sete requisitos, a saber: 1. Fonte de informação. 2. Forma de coleta e elaboração do dado. 3. Atualização da informação em intervalos regulares. 4. Clareza dos procedimentos. 5. Objetividade dos procedimentos. 6. Validade científica. 7. Valores de referência. 8. Redundância. 9. Conformidade temporal. 10. Representatividade. 11. Tradução. 12. Conveniência da escala cartográfica. 13. Abrangência geográfica. 14. Sensibilidade às mudanças. 15. Natureza preventiva. 16. Séries temporais. 17. Conectividade. 18. Integrador. 19. Tipo de relação. 20. Informação prescritiva. 21. Informação descritiva. 22. Capacidade de linha divisória. 23. Disponibilidade. 24. Acessibilidade. Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento120/222 25. Custo. 26. Facilidade em informar. 27. Capacidade de atrair atenção. Em planejamento ambiental, as informações obtidas por meio dos indicadores selecionados, obrigatoriamente, devem ser sistematizadas, ordenadas e agrupadas. Cabe aqui então discutir a conceituação de índice. Os índices são entendidos, segundo Santos (2007), como o resultado da combinação de um conjunto de parâmetros associados uns aos outros por meio de uma relação pré-estabelecida que dá origem a um novo e único valor. Nessa associação são atribuídos valores relativos a cada parâmetro que compõe o índice, e a relação pode ser estabelecida por meio de estatística, formulação analítica ou cálculo de razão matemática. A proposta de Heinemann et al. (1999 apud SANTOS, 2007) é mais próxima de nossa realidade. Esses autores sugerem que a pirâmide seja construída, mas que exista no topo somente um indicador simples (e não índice) global do sistema, que pode ser monitorado a baixo custo. À medida que se forma, a pirâmide revela níveis de custo cada vez mais altos. Assim, quanto mais se trabalha em níveis menores, mais o trabalho é viável economicamente. Qual o limite de decisão para a passagem de nível? Depende da capacidade do planejador de avaliar a necessidade de mudança de patamar, para revelar as Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento121/222 características e relações dos fenômenos estudados necessárias ao planejamento. Outra limitação do uso de índices no Brasil é a dificuldade de promover associação clara entre metas do planejamento e a interpretação do índice selecionado. 2. Estratégias metodológicas para a estruturação dos indica- dores Planejamentos ambientais utilizam dados primários e secundários. Primários: através de procedimentos metodológicos orientados para responder uma pergunta ou testar uma hipótese não respondida pelas informações ou levantamentos anteriormente realizados (aplicação de questionários – quantitativos e qualitativos). Secundários: obtidos por meio de levantamentos de diversas fontes (trabalho de pesquisa, cadastros simples ou apontamentos). Uma vez adotado(s) o(s) método(s) de coleta de dados, é importante a descrição do seu procedimento, para prevenir limitações de interpretações que advêm de falhas de sua capacidade de representação. Assim, por exemplo, em um inventário: a. os critérios de seleção dos indicadores; b. a estratégia para compilação dos dados ou informações (gráficos, quadros, tabelas); c. o tipo e as características da Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento122/222 amostragem de campo; d. a justificativa do nível de detalhamento adotado; e. as limitações e impasses ocorridos nos levantamentos; e f. as fontes bibliográficas de suporte ao levantamento(SANTOS, 2007). No planejamento ambiental deve-se organizar os indicadores a partir de um protocolo que comporte em uma coluna as questões-chave do planejamento e, na outra, questões relativas aos indicadores como: o que avaliar, sua relação com o problema, origem da informação, em qual espaço temporal e físico, etc., como se faz usualmente em auditorias ambientais. Esta é uma forma preliminar de organização que pode resultar numa súmula dos preceitos para seleção e organização do banco de dados. Após a organização do conjunto de indicadores a ser utilizados, para Santos (2007), deve-se fazer a estruturação destes de acordo com o propósito da medida ou observação do meio. Podem ser agrupados pelas políticas setoriais, pressões ou impactos das atividades humanas no ambiente e pelas relações sociais. Podem ainda ser organizados pela natureza da informação (fisiográfica, topográfica, econômica, cultural, legal) e outras, pelas questões-chave do planejamento, como impactos econômicos, saúde, valor visual das paisagens, recreação. A forma mais usual de organizar os Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento123/222 indicadores, principalmente quando o planejamento se fundamenta em princípios de desenvolvimento sustentável, é por meio da estrutura da OECD (Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento), que recomenda a adoção de 3 grupos de indicadores: 1. O estado do meio e dos recursos naturais (ar, água, recursos vivos). 2. As pressões das atividades humanas sobre o meio (energia, transporte, indústria, agricultura). 3. As respostas da sociedade pelo resultado das pressões e condições do estado. Para saber mais A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com sede em Paris, França, é um organismo composto por 34 membros. A OCDE foi fundada em 14 de dezembro de 1961, sucedendo a Organização para a Cooperação Econômica Europeia, criada em 16 de abril de 1948. Desde 1º de junho de 2006, seu Secretário-Geral é o mexicano José Ángel Gurría Treviño. A OCDE atua nos âmbitos internacional e intergovernamental e reúne os países mais industrializados do mundo e alguns países emergentes, como México, Chile, Coreia do Sul e Turquia. No âmbito da Organização, os representantes Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento124/222 Para saber mais efetuam o intercâmbio de informações e alinham políticas com o objetivo de potencializar seu crescimento econômico e colaborar com o desenvolvimento de todos os demais países membros. Disponível em: <http://www.sain.fazenda.gov.br/sobre-a-sain-1/ocde>. Acesso em: 20 jun. 2015. O modelo Pressão-Estado-Resposta da OECD (1994/1998) é construído na casualidade: “As atividades humanas exercem pressão sobre o ambiente, alterando a quantidade e a qualidade de recursos naturais, ou seja, mudando seu estado. Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento125/222 Figura 1 – Modelo Pressão-Estado-Resposta OECD Fonte: Disponível em: <http://www.fao.org/ag/againfo/programmes/pt/lead/toolbox/Refer/PSRsm.gif>. Acesso em: 20 jun. 2015. As mudanças afetam a qualidade do ambiente. A sociedade responde a essas mudanças ambientais com políticas ambientais, econômicas ou setoriais (a resposta da sociedade), almejando deter, reverter, mitigar ou prevenir os efeitos negativos da pressão do homem sobre Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento126/222 o meio. Para cada fator de casualidade deve haver um conjunto específico de indicadores ambientais que responderão por suas características internas, ou de relação com os outros dois fatores vizinhos”. Deve-se por fim, levar em conta alguns erros comuns a se evitar na escolha de indicadores: • Agregação exagerada. • Medir o que é mensurável em detrimento de medir o que é importante. • Depender de falsos modelos. • Falsificação deliberada. • Desviar a atenção da experiência direta. • Incompletos. Ao término desta leitura, você assimilou que a questão dos indicadores de sustentabilidade devem ser uma ferramenta presente e constante nos processos decisórios. E, além disso, é necessário que se construam indicadores de automonitoramento dos sistemas gestores, numa perspectiva de aprendizado contínuo, de melhoria progressiva, que responda às complexas redes de decisão política nos diferentes níveis de atuação. Visto que, segundo Malheiros, Coutinho e Philipp Jr. (2012), da mesma forma que a informação expõe aspectos positivos, é ferramenta importante também no rastreamento de pontos frágeis, de Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento127/222 problemas, que podem representar vazadouros de receitas e de esforços, inviabilizando o funcionamento do sistema como um todo, como no caso de cidades e empresas, na gestão de planos, programas e projetos. Essa demanda da gestão, seja no setor público ou privado, por informações que ampliem o potencial da decisão, requer, portanto, entender as dificuldades relativas principalmente às dimensões ambientais e sociais e suas interfaces com os componentes do desenvolvimento sustentável. Portanto, a construção e a operacionalização de bons indicadores requerem um estabelecimento de princípios e boas práticas que norteiem todo o processo, partindo da definição de necessidades e de foco, de engajamento de partes interessadas, de procedimentos de comunicação e diálogo, e do seu uso na formação e implementação de políticas públicas. Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento128/222 Glossário Fisiografia - Descrição da natureza, da terra e dos fenômenos naturais. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com.br/?s=fisiografia>. Acesso em: 20 jun. 2015). Mitigar - ato de diminuir a intensidade de algo, fazer com que fique mais brando, calmo ou relaxado. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com.br/?s=mitigar>. Acesso em: 20 jun. 2015). Questão reflexão ? para 129/222 Agora que você compreendeu os conceitos, estruturação e a importância do uso e aplicação dos indicadores ambientais como forma de viabilizar a capacidade de integração e síntese, bem como favorecer horizontes de planejamento que atendam às demandas atuais e não comprometam as oportunidades das gerações futuras, faça a leitura do texto “Indicadores ambientais como sistema de informação”, de Maria Elisabeth Pereira Kraemer, disponível no link a seguir e aprofunde seus conhecimentos sobre o uso dos indicadores ambientais como forma de um sistema de informação social no ambiente empresarial corporativo moderno. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2004_ Enegep1002_0087.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2015. 130/222 Considerações Finais Você, futuro gestor ambiental, trabalhando diretamente com indicadores ambientais, tem à sua frente um amplo conjunto de questões referentes ao uso adequado dessa ferramenta tão essencial na gestão para a sustentabilidade. Neste processo, visto como inovador e de mudança, sob o ponto de vista temporal histórico, você deve trabalhar em conjunto com demais profissionais das diversas áreas das ciências para vencer esses obstáculos políticos, técnicos e tecnológicos, o que significa criar um ambiente de diálogo e aprendizagem coletiva, bem como dar permanente prioridade a processos de educação e capacitação para o desenvolvimento sustentável. Isso significa transformar a forma de olhar e perceber as diferentes realidades. Novos fatores, portanto, serão colocados na cesta da tomada de decisão. Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento131/222 Referências MALHEIROS, T. F.; COUTINHO, S. M. V.; PHILIPPI, JR. Desafios do uso de indicadores na avaliação da sustentabilidade. In: PHILIPPI JR., A.; MALHEIROS, T. F. Indicadores de sustentabilidade egestão ambiental. Barueri, SP: Ed. Manole. 2012. p. 21-29. ______. Indicadores de sustentabilidade: uma abordagem conceitual. In: PHILIPPI JR, A.; MALHEIROS, T.F. Indicadores de sustentabilidade e gestão ambiental. Barueri, SP: Ed. Manole. 2012. p. 31-76. ______. Construção de indicadores de sustentabilidade. In: PHILIPPI JR, A.; MALHEIROS, T.F. indicadores de sustentabilidade e gestão ambiental. Barueri, SP: Ed. Manole. 2012. p. 77-87. PHILIPPI JR, A. Saneamento, saúde e ambiente. Barueri, SP: Manole. 2005. 842 p. PHILIPPI JR, A.; MALHEIROS, T.F. Indicadores de sustentabilidade e gestão ambiental. Barueri, SP: Ed. Manole. 2012. 724p. SANTOS, R. F. Planejamento ambiental: teoria e prática. 2. ed. v. 1. São Paulo: Oficina de Textos, 2007, 184p. 132/222 Aula 5 - Tema: Indicadores Ambientais e Planejamento – Parte I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 1d58a835d0ca708d3fed5b925495c362>. Aula 5 - Tema: Indicadores Ambientais e Planejamento – Parte II. Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ b14211fa81eb8a930b8058fe28771c49>. Assista a suas aulas 133/222 1- Quando um dado se torna um indicador? a) Quando este é analisado sob as perspectivas de análises direta e indireta do mesmo, com objetivo de diagnosticar os problemas ambientais. b) Quando este é analisado sob as perspectivas de análises verticais e horizontais do mesmo, com objetivo de diagnosticar os problemas ambientais. c) Quando sua compreensão ultrapassa o número, a mensuração, no sentido de adquirir significado através da informação interpretada. d) Quando sua compreensão não ultrapassa o número e a mensuração, no sentido de adquirir significado através da informação interpretada. e) Quando sua compreensão se concentra na mensuração e conceituação dos problemas analisados, no sentido de adquirir significado através da informação interpretada. Questão 1 134/222 2- Qual são as duas variáveis que dão base para o estabelecimento dos indicadores? a) Derivadas e Integrais. b) Positivas e Negativas. c) Verticais e Horizontais. d) Quantitativas e Qualitativas. e) Diretas e Indiretas. Questão 2 135/222 3- Inseridos no estudo de indicadores e seu uso no planejamento am- biental, os índices desempenham papel de extrema importância. Desta forma, os índices aparecem em qual sequência de formulação dos indi- cadores? a) Os índices são estabelecidos antes da criação dos indicadores. b) Os índices são estabelecidos após a criação dos indicadores. c) Os índices exprimem a realidade dos indicadores. d) Os índices não exprimem a realidade dos indicadores. e) Os índices são estabelecidos em conjunto com os indicadores, nem antes, nem depois. Questão 3 136/222 4- A OECD (Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvi- mento) recomenda a adoção de três grupos de indicadores. Qual alterna- tiva apresenta-os de forma correta? a) Condição, Pressão e Monitoramento. b) Estado, Condição e Monitoramento. c) Estado, Condição e Resposta. d) Condição, Resposta e Monitoramento. e) Estado, Pressão e Resposta. Questão 4 137/222 5- Agregação exagerada e medir o que é mensurável em detrimento de medir o que é importante. Qual o significado destas características para o estudo de indicadores no planejamento ambiental? a) São características de indicadores matemáticos e ambiental, respectivamente. b) São características de indicadores ambiental e matemáticos, respectivamente. c) São considerados erros comuns a se evitar na escolha de indicadores. d) São considerados vícios de planejadores ambientais. e) São características desejáveis nos planejamentos ambientais modernos. Questão 5 138/222 Gabarito 1. Resposta: C. Segundo Winograd & Farrow (2009 apud MALHEIROS, COUTINHO & PHLIPPI JR., 2012), os dados são a base para indicadores e informações, e por si só não podem ser usados para interpretar mudanças ou condições, ou seja, um dado torna-se um indicador quando sua compreensão ultrapassa o número, a mensuração, no sentido de adquirir significado através da informação interpretada. 2. Resposta: D. A questão dos indicadores reside essencialmente na escolha da variável ou das variáveis, cujos valores provêm de medições (variáveis quantitativas) ou observações (para variáveis qualitativas) em tempos, lugares, populações, entre outras, distintas. 3. Resposta: C. Em planejamento ambiental, as informações obtidas por meio dos indicadores selecionados, obrigatoriamente, devem ser sistematizadas, ordenadas e agrupadas. Cabe aqui então discutir a conceituação de índice. Os índices são entendidos, segundo Santos (2007), como o resultado da combinação de um conjunto de parâmetros associados uns aos outros por meio de uma relação pré-estabelecida que dá origem a um novo e único valor. Nessa 139/222 associação são atribuídos valores relativos a cada parâmetro que compõe o índice, e a relação pode ser estabelecida por meio de estatística, formulação analítica ou cálculo de razão matemática. 4. Resposta: E. A forma mais usual de organizar os indicadores, principalmente quando o planejamento se fundamenta em princípios de desenvolvimento sustentável, é por meio da estrutura da OECD (Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento) que recomenda a adoção de três grupos de indicadores: 1. O estado do meio e dos recursos naturais (ar, água, recursos vivos). 2. As pressões das atividades humanas sobre o meio (energia, transporte, indústria, agricultura). 3. As respostas da sociedade pelo resultado das pressões e condições do estado. 5. Resposta: C. Deve-se por fim, levar em conta alguns erros comuns a se evitar na escolha de indicadores: • Agregação exagerada. • Medir o que é mensurável em detrimento de medir o que é importante. 140/222 Unidade 6 Política e Gestão Ambiental Objetivos 1. Estudar a relação sociedade, política e desenvolvimento na concepção histórica e contemporânea das políticas públicas ambientais. 2. Compreender o processo de transformação das informações coletadas em políticas públicas como construção coletiva da sustentabilidade local e regional. 3. Identificar as principais políticas públicas existentes no estabelecimento do planejamento e sustentabilidade local e regional. Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental141/222 Introdução Ao se estudar as ciências sociais e ciências políticas sob a ótica da construção histórica das políticas públicas, você observa que muitos dos principais conceitos das ciências sociais repousam em polarizações: público e privado, cultura e natureza, comunidade e sociedade, sociedade e Estado, sendo que esta última se reveste de maior importância para a compreensão das formações sociais contemporâneas. A teorização sobre a relação Estado e sociedade constitui um dos pontos mais importantes da ciência política (ZIONI, 2014). A palavra política, derivada do grego polis (cidade), tem sido empregada ao longo do tempo para designar o conjunto de atividades exercidas sobre a vida coletiva, assim como as reflexões sobre essas atividades e a instituição encarregada de sua implementação, o Estado. Atos políticos podem ser definidos como aqueles que dizem respeito à regulação de determinadas ações, que proíbem ou permitem à totalidade dos membros de um grupo, ou parte deles, uma determinada forma de ser. A palavra política, assim, designa não somente atos relacionados à conquista e à manutenção do poder, mas também uma série de atividades inerentes à vida coletiva (ZIONI, 2005. A mesma autora segue a escrita que por poder entende-se a capacidade de, emuma relação social, um indivíduo ou grupo impor sua vontade a outros e, assim, determinar a forma de comportamento dos que se submetem a esse indivíduo ou grupo. Ao longo da história, várias formas de conquista e manutenção do poder foram desenvolvidas no interior de diferentes Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental142/222 sociedades, visto que essa relação assimétrica se vincula necessariamente a uma desigualdade social preexistente. Nas sociedades contemporâneas existem, em nível formal, três principais formas de poder: econômica, ideológica e política. Em seguida, a autora contextualiza que o poder econômico repousa na capacidade que a posse dos bens, considerados vitais em determinadas situações, confere a quem os possui, no sentido de determinar o comportamento alheio. O poder ideológico, por sua vez, consiste na propriedade que determinados grupos possuem para criar e difundir valores – que lhes são próprios – para o conjunto da sociedade. O poder político, enfim, consiste na posse dos instrumentos mediante os quais se pode coagir outros indivíduos. 1. Sociedade, política e desenvolvimento Nas sociedades antigas, de pouca complexidade tecnológica e/ou posse comunal dos bens de produção, o poder ideológico representava a estratégia predominante de dominação. Nas sociedades modernas, de maior complexidade tecnológica e diferenciação social, o poder econômico passou a impor-se sobre as outras formas; em situações extremas, passou a ocupar lócus específico dos outros poderes como o Estado (poder político), a arte, a cultura, a ciência, a educação (poder ideológico). Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental143/222 Nas sociedades contemporâneas, extremamente complexas, esses três tipos de poderes coexistem e se desenvolvem no sentido de manter a desigualdade entre as sociedades. (BOBBIO; BOVERO, 1994 apud ZIONI, 2005). Para exercer o consenso nessa “desigualdade”, o Estado deve convencer todas as classes sociais sobre a legitimidade de sua atuação. Essa tarefa é realizada por meio de instituições sociais como o sistema de ensino, a religião, a mídia e a indústria cultural. Vale lembrar que essa esfera de atuação do Estado, a esfera do consenso, não se limita a promover uma difusão dos valores dominantes para o conjunto da sociedade. As classes populares também são capazes de desenvolver um sistema de valores que defendam suas visões de mundo, seus interesses, e de pressionar o Estado para que estes também sejam contemplados em suas decisões. De acordo com Zioni (2005), essa percepção da relação Estado-Sociedade escapa totalmente de uma visão determinista e valoriza o campo da ação política indo, também, ao encontro de teorias do campo das ciências sociais, com enfoques mais contemporâneos que privilegiam a noção de ator sobre a de estruturas. Contribui, também, para um primeiro entendimento sobre o que seriam políticas públicas: ações, projetos, regulamentações, diretrizes, leis e normas que o Estado desenvolve para administrar Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental144/222 os diferentes interesses sociais. Para a mesma autora, a concepção de Estado no Brasil foi sempre bastante marcada por uma redução estrutural- funcionalista, concepção esta que acentuava seu papel para garantir a reprodução da ordem capitalista, da acumulação de capital. Assim, uma estrutura de classes definiria não somente uma situação de desigualdade, como também determinaria todas as relações políticas, todo processo decisório, fato que, invariavelmente, levaria à manutenção de um status de vantagens para as classes dominantes e desvantagens para os outros setores. Essas relações implicariam na necessidade do uso da força, papel assumido integralmente pelo Estado. Diante dessas reflexões a característica essencial do Estado seria a capacidade, o papel social e histórico de mediar conflitos por meio de políticas que garantam o acesso do conjunto dos membros de uma sociedade aos bens produzidos por ela mesma. Essa representação de Estado- Sociedade contempla o processo de construção de cidadania que, de acordo com diferentes conjunturas, vem se estendendo de maneira mais ou menos limitada. 2. Política e gestão ambiental A importância do estudo e compreensão do meio ambiente em maior profundidade, levando em consideração uma abordagem Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental145/222 abrangente que seja integrada e sistêmica, leva a afirmar que política e gestão possuem uma relação intrínseca e até mesmo ontológica, permitindo concluir que, pelo menos em teoria, uma não pode existir sem a outra. Isso significa que as políticas ambientais, por sua vez, para serem implementadas necessitam de um sistema de gestão adequado. Em outras palavras, é preciso poder contar com uma gestão integrada dos temas pertinentes ao setor, o que se materializa por meio de políticas públicas que geram planos, programas e projetos. De acordo com Philipp Jr. e Bruna (2014), o Estado, como representante das comunidades humanas, tem o dever de proporcionar-lhes um ambiente de qualidade. E, para a execução dessa empreitada, precisa do apoio de conhecimentos técnicos que lhe deem possibilidades de controle da qualidade ambiental. Por meio de seus governos, será capaz de elaborar políticas públicas prevendo intervenções diretas e indiretas, quer no ambiente natural, quer no construído. As políticas públicas ambientais são assim consideradas como condição necessária e suficiente para se estabelecer um modus vivendi compatível com a capacidade de suporte territorial e, por conseguinte, com o desenvolvimento autossustentável. Por isso, costuma-se responsabilizar o Estado pelos problemas ambientais gerados pelas comunidades humanas Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental146/222 que vislumbram unicamente nesse Estado o poder de sanear todos os males encontrados. Conceitualmente, o fato de atribuir ao Estado dever de sanear o meio ambiente, controlando a qualidade do ar, da água, do solo, bem como a poluição gerada pelas atividades humanas, de certa maneira não encontra opositores, pode-se mesmo dizer que é uma voz corrente que vem se prolongando ao longo de muitos anos (PHILIPP JR.; BRUNA, 2014). O sistema político congrega um conjunto de objetivos que informam determinados programas de ação de governo e condicionam sua execução. Como política é o conjunto de diretrizes advindas da sociedade, por meio de seus vários grupos, os programas de ação e sua execução destinam-se a atingir seus objetivos. Quando esses objetivos estão relacionados com a proteção do meio ambiente e são submetidos e aprovados pelos parlamentos, em seus diversos níveis, tem-se a política ambiental. Para Philipp Jr. e Bruna (2014), política pública é, portanto, um conjunto de diretrizes estabelecido pela sociedade, por meio de sua representação política, em forma de lei, visando à melhoria das condições de vida dessa sociedade. As políticas de governo são aquelas que trazem propostas implementadas pelo governo e estão diretamente vinculadas à administração que está exercendo o poder e que as tem como prioridade de ação durante seu mandato. Constituem políticas Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental147/222 que podem ou não ter continuidade, pois refletem um programa de governo, podendo imprimir um aspecto específico, conforme o grupo que está no poder. Link Sobre políticas de governo e políticas de Estado: distinções necessárias. Disponível em: <http:// www.institutomillenium.org.br/artigos/ sobre-politicas-de-governo-e-politicas-de- estado-distincoes-necessarias/>. Acesso em: 21 jun. 2015. Deve-se levar em conta a necessidade de políticas nacionais que indiquem os grandesrumos a serem seguidos e que fixem aqueles objetivos considerados fundamentais a serem alcançados. Sua implementação deverá ser feita através de políticas governamentais. Neste momento, podem ser destacadas oito das principais leis que manifestam políticas públicas nacionais que se relacionam com questões do meio ambiente: 1. Política Nacional do Meio Ambiente. 2. Política Nacional de Saúde. 3. Política Nacional de Recursos Hídricos. 4. Política Nacional de Educação Ambiental. 5. Política Nacional de Desenvolvimento Urbano. Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental148/222 6. Política Nacional de Saneamento Ambiental. 7. Política Nacional sobre Mudança do Clima. 8. Política Nacional de Resíduos Sólidos. O campo da gestão ambiental é muito extenso. Essa extensão se explica, porque o tema meio ambiente precisa ser entendido em sua complexidade como um conjunto de fatores que constituem o todo. Acontece que a extensão dos problemas costuma não ser conhecida como decorrência das diversas facetas que compõem as questões ambientais, como se fossem compartimentos independentes cuja importância e emergência dependem do problema a ser resolvido. O tratamento multidisciplinar é, dessa maneira, um requisito básico para o enfrentamento de problemas desse tipo, o que exige o trabalho de profissionais de diferentes formações atuando de forma articulada e envolvendo a sociedade. Portanto, a visão aqui explicitada é de gestão ambiental com uma abordagem integrada, que procura abranger simultaneamente as questões que interferem no meio ambiente – natural ou construído – bem como as interações envolvendo diferentes sistemas (PHILIPP JR.; BRUNA, 2014). Há que se ampliar reflexões e estudos sobre o espaço urbano em seu sentido ecológico. Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental149/222 Para saber mais O espaço urbano brasileiro foi profundamente marcado pelas dinâmicas ocorridas no século XX e conta com uma elevada concentração populacional em torno das cidades do Sudeste. Disponível em: <http://www. mundoeducacao.com/geografia/o-espaco- urbano-brasileiro.htm>. Acesso em: 21 jun. 2015. Afinal, a cidade é por excelência o ambiente do homem (COIMBRA, 1985 apud PHILIPPI JR.: BRUNA, 2014). É nesse ambiente – ecossistema construído – que são encontrados os mais graves indicadores de desequilíbrio. Este, provocado pelo estágio de degradação dos elementos da natureza, exige urgente atuação da gestão ambiental. A promoção da qualidade de vida, escopo último da gestão ambiental, tem fortes vínculos com a saúde pública e o planejamento territorial. Trata-se de equacionar os problemas da convivência humana com os seus impactos negativos sobre a saúde pública e o meio ambiente. Daí a importância da gestão ambiental. O significado etimológico dos dois vocábulos – gestão e ambiental – tem suas raízes na língua latina. Gestão originou-se de gestioni, que exprime o ato de gerir. Gerir é um verbo incomum no linguajar de cada Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental150/222 dia, cujo significado é ter gerência sobre, administrar, reger, dirigir. Desses sinônimos, o mais usado é o substantivo derivado: gestão, ou seja, o ato de gerir, de administrar. O vocábulo ambiental também tem origem na língua-mãe latina. É o adjetivo aplicado para referir-se às coisas do ambiente, tanto ambiente construído, quanto ambiente natural (PHILIPP JR.; BRUNA, 2014). Com base nesses conceitos, gestão ambiental é o ato de gerir o ambiente, isto é, o ato de administrar, dirigir ou reger as partes construtivas do meio ambiente. Para entender a abrangência e o alcance dessa definição, Philipp Jr. e Bruna (2014) destacam que gestão ambiental é o ato de administrar, de dirigir ou reger os ecossistemas naturais e sociais em que se insere o homem, individual e socialmente, em um processo de interação entre as atividades que exerce, buscando a preservação dos recursos naturais e das características essenciais do entorno, de acordo com padrões de qualidade. O objetivo último é estabelecer, recuperar ou manter o equilíbrio entre natureza e homem. Na verdade, pelo que se depreende do conceito de gestão ambiental, sua finalidade última é a busca da harmonia entre o homem – aquele ser social – e seu meio ambiente natural ou construído. Em outras palavras, a gestão ambiental fundamenta sua razão de ser na conquista de um nível ideal de qualidade de vida, Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental151/222 para a sociedade e todos os seus membros. Ora, qualidade de vida é um dos direitos fundamentais do homem; por conseguinte, é dever do Estado promovê-la por meio de ações políticas que pressuponham uma estrutura de leis específicas, tendo como contrapartida seu cumprimento por parte de todos aqueles que formam o Estado. Políticas públicas envolvem, pois, iniciativas de governantes e de governados em benefício do bem comum, em um convívio de cidadãos de ambos os lados (PHILIPP JR.; BRUNA, 2014). O caminho para uma solução é a gestão ambiental, pois equivale a conseguir uma administração integral e integrada de todos os setores que influenciam a qualidade ambiental. Contempla, assim, todos os temas pertinentes à questão e se materializa por meio de políticas e planos decorrentes. A operacionalização da gestão é feita pelo gerenciamento voltado a preocupações de ordem prática do dia a dia na execução de programas e projetos de ação. Ao término desta leitura, você assimilou que a prática do planejamento e gestão ambiental se faz por meio da elaboração de políticas públicas ambientais direcionadas à sustentabilidade, ou seja, aquela que cria condições para existência de equilíbrio entre as ações de governo – nas três esferas – e as aspirações da sociedade, com vistas ao bem comum. Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental152/222 Glossário Polarizações - Concentração da atenção, das atividades, das influências, num mesmo tema ou pessoa: polarizacão de opinião. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com. br/?s=polariza%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em: 21 jun. 2015). Lócus - é uma expressão em latim, que significa “no lugar” ou “no próprio local” e é equivalente à expressão in situ. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com.br/?s=l%C3%B3cus>. Acesso em: 21 jun. 2015). Ontológica – refere-se à ou característico da ontologia. Contrário ao ôntico - existência concreta; refere-se ao sujeito em si mesmo, em sua complexidade irrestrita e indispensável. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com.br/?s=ontol%C3%B3gico>. Acesso em: 21 jun. 2015). Modus vivendi - modo de viver. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicionariodelatim.com.br/ modus-vivendi/>. Acesso em: 21 jun. 2015). Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental153/222 Glossário Faceta - pequena superfície plana de um objeto qualquer: facetas de um diamante. Lado, aspecto, ângulo apresentado por pessoa ou coisa. (Fonte: Disponível em: <http://www. significados.com.br/?s=faceta>. Acesso em: 21 jun. 2015). Etimologia é o estudo gramatical da origem e história das palavras, de onde surgiram e como evoluíram ao longo dos anos. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com. br/?s=etimologia>. Acesso em: 21 jun. 2015). Questão reflexão ? para 154/222 Após a realização da leitura fundamental, você deve ampliar sua compreensão frente ao processo de construção de uma política pública. Para tanto, faça a leitura do texto “As cinco fases das políticas públicas”, disponível no link: <http://www.politize.com. br/ciclo-politicas-publicas/> e identifique as etapas que compõem o chamado ciclo das políticas públicas, inserindo-as no contexto daelaboração da Agenda 21 Local, ou seja, visando à elaboração de componentes da Agenda 21 para a sua localidade como uma forma de política pública ambiental. 155/222 Considerações Finais No processo de construção de políticas públicas ambientais, você nota a necessidade de contextualizar o desenvolvimento histórico das sociedades frente as suas escolhas dos modelos de desenvolvimento econômico e seus impactos na sustentabilidade destes modelos escolhidos. O processo de elaboração e prática das políticas públicas ambientais em escala nacional (já existente para diversas questões ambientais), ou mesmo local, deve se pautar na escuta dos atores deste processo, ou seja, a política pode e deve nascer tanto do Estado como da própria sociedade, e você, como gestor ambiental, tem papel fundamental nesta construção, podendo estabelecer a união entre esses atores, criando um ambiente de diálogo e aprendizado coletivo, direcionado para a sustentabilidade local, territorial, regional e global. Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental156/222 Referências PHILIPPI JR., A; BRUNA, G.C. Política e gestão ambiental. In: PHILIPPI JR., A. Curso de gestão ambiental. Barueri, SP: Manole. 2014. P. 707-765. ZIONI, F. Sociedade, desenvolvimento e saneamento. In: PHILIPPI JR., A. Saneamento, saúde e ambiente. Barueri, SP: Ed. Manole. 2005. p. 33-55. 157/222 Aula 6 - Tema: Política e Gestão Ambiental – Parte I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/55930bab9586b0dc7e7c9397effdb667>. Aula 6 - Tema: Política e Gestão Ambiental – Parte II. Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ b1dbc929c15c2d2e793249659af2be32>. Assista a suas aulas 158/222 1- Quais as três principais formas de poder nas sociedades contemporâne- as? a) Territorial, Econômica e Política. b) Econômica, Ideológica e Política. c) Econômica, Política e Militar. d) Militar, Ideológica e Territorial. e) Ideológica, Militar e Política. Questão 1 159/222 2- Qual o motivo de se afirmar que política e gestão possuem uma re- lação intrínseca e até mesmo ontológica, permitindo concluir que, pelo menos em teoria, uma não pode existir sem a outra? a) Porque com a elaboração da política ambiental se faz necessário um sistema de gestão para organizar a execução das políticas. b) Porque existe exigência legal desta ligação, ou seja, somente é válido dentro da lei uma política ambiental se existir a gestão. c) Visto que a vontade da sociedade é expressa na política, o sistema de gestão ocorre de forma natural na sua expressão. d) Visto que sociedade e política andam juntas e assim o sistema de gestão é a representação social desta junção. e) Porque é uma obrigação do meio acadêmico e técnico dos planejadores ambientais modernos. Questão 2 160/222 3- Qual alternativa demonstra a correta diferença entre política pública e política de governo? a) Política pública expressa a vontade de um grupo social apenas e a política de governo expressa a vontade do governo. b) Política pública se relaciona com as políticas setoriais temporárias do mandato político do governante e política de governo se relaciona com as diretrizes de governo nas suas ações. c) Política pública visa beneficiar apenas o setor público e não o setor privado da economia de uma sociedade e política de governo visa beneficiar o setor público e o setor privado da economia de uma sociedade. d) Política pública distingue os beneficiários pelos mais necessitados socialmente e a política de governo beneficia a todos sem distinção. e) Política pública expressa a vontade da sociedade e a política de governo expressa a vontade do governo. Questão 3 161/222 4- Por que se faz necessária a gestão ambiental no ambiente urbano? a) Porque a presença do homem está concentrada no espaço urbano. b) Porque somente na urbanidade é que os problemas ambientais se fazem presentes. c) Porque deve-se equacionar no ambiente urbano os problemas da convivência humana com os seus impactos negativos sobre a saúde pública e o meio ambiente. d) Por ser considerado um sistema barato de resolução dos problemas ambientais urbanos. e) Por ser considerado um sistema de rápida resposta frente aos problemas ambientais urbanos. Questão 4 162/222 5- Na concepção da política ambiental e assim da gestão ambiental, a participação social se faz necessária e obrigatória? a) Não, pois por se tratar de assunto técnico específico, se faz necessário a participação de técnicos no assunto, apenas. b) Sim, pois com a participação social se acelera o processo e diminui os custos operacionais da construção das políticas e gestão ambiental. c) Não, pois seria impossível no quesito tempo ouvir todos os setores da sociedade na construção das políticas e gestão ambiental. d) Sim, pois com a participação da sociedade é que o processo de criação das políticas e, por conseguinte da gestão ambiental terá validade expressando a vontade social frente aos problemas apresentados. e) Depende, pois caso a sociedade não conheça os assuntos a serem estudados e não se interesse em participar, esta não deve integrar a discussão política e de gestão ambiental, mas caso a sociedade seja interessada e entendida este é desejável a sua presença. Questão 5 163/222 Gabarito 1. Resposta: B. Ao longo da história várias formas de conquista e manutenção do poder foram desenvolvidas no interior de diferentes sociedades, visto que essa relação assimétrica se vincula necessariamente a uma desigualdade social preexistente. Nas sociedades contemporâneas existem, em nível formal, três principais formas de poder: econômica, ideológica e política. 2. Resposta: A. Isso significa que as políticas ambientais, para serem implementadas, necessitam de um sistema de gestão adequado. Em outras palavras, é preciso poder contar com uma gestão integrada dos temas pertinentes ao setor, o que se materializa por meio de políticas públicas que geram planos, programas e projetos. 3. Resposta: E. Para Philipp Jr. e Bruna (2014), política pública é, portanto, um conjunto de diretrizes estabelecido pela sociedade, por meio de sua representação política, em forma de lei, visando à melhoria das condições de vida dessa sociedade. As políticas de governo são aquelas que trazem propostas implementadas pelo governo e estão diretamente vinculadas à administração que está exercendo o poder e que as tem como prioridade de ação 164/222 Gabarito durante seu mandato. Constituem políticas que podem ou não ter continuidade, pois refletem um programa de governo, podendo imprimir um aspecto específico conforme o grupo que está no poder. 4. Resposta: C. A cidade é por excelência o ambiente do homem (COIMBRA, 1985 apud PHILIPPI JR.; BRUNA, 2014). É nesse ambiente – ecossistema construído – que são encontrados os mais graves indicadores de desequilíbrio. Este, provocado pelo estágio de degradação dos elementos da natureza, exige urgente atuação da gestão ambiental. A promoção da qualidade de vida, escopo último da gestão ambiental, tem fortes vínculos com a saúde pública e o planejamento territorial. Trata-se de equacionar os problemas da convivência humana com os seus impactos negativos sobre a saúde pública e o meio ambiente. Daí a importância da gestão ambiental. 5. Resposta: D. A prática do planejamento e gestão ambiental se faz por meio da elaboração de políticas públicas ambientais direcionadas à sustentabilidade, ou seja, aquela que cria condições para existência de equilíbrio entre as ações de governo – nas três esferas – e as aspirações da sociedade, com vistasao bem comum. 165/222 Unidade 7 Política e Planejamento Territorial Objetivos 1. Compreender por meio do processo histórico brasileiro a forma que foi construído o planejamento territorial e suas dificuldades de implantação. 2. Identificar os principais instrumentos de gestão ambiental do território. 3. Mapear as suas definições e formas para a implementação da política ambiental do município. Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial166/222 Introdução Se você, futuro gestor ambiental, consultar a Constituição Brasileira, verá que esta estabelece que a República Federativa do Brasil é formada pela união dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. Ela caracteriza ainda a autonomia da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios ao tratar da organização político-administrativa do Brasil (BRASIL, 1988). Ao mesmo tempo que caracteriza autonomia, a Constituição confere competência aos entes federativos para “proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas” (BRASIL, 1988). No seu artigo 225 consagra o meio ambiente como “bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defende-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” (BRASIL, 1988). Uma vez que as responsabilidades a respeito das questões ambientais estão colocadas sobre todos os entes federativos, de acordo com Philipp Jr. e Zualauf (1999), cabe aos municípios não só assumir claramente sua parte como, também, estabelecer cooperação e parcerias com a União, os Estados, o Distrito Federal e os outros municípios no encaminhamento de ações voltadas ao fiel cumprimento dos preceitos constitucionais. Cabe, por conseguinte, aos municípios estruturarem-se para a implementação ou aperfeiçoamento dos seus sistemas de gestão ambiental em termos técnicos, tecnológicos e operacionais. Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial167/222 1. O Planejamento Territorial e o Estado Segundo Philipp Jr e Zualauf (1999), para essa estruturação é fundamental identificar as atribuições que serão assumidas pelo órgão local, entre as inúmeras possibilidades ou exigências de intervenção existentes. A título de ilustração, sem pretender esgotar o conjunto das possíveis e necessárias atribuições, são destacadas atividades que chamam a responsabilidade dos municípios: a. Parques, área de proteção ambiental, manguezais e mananciais, as áreas verdes. b. O controle da qualidade do ar, envolvendo atividades industriais, comerciais, agrícolas, de transporte com veículos automotores. c. O controle da qualidade das águas, envolvendo atividades relacionadas ao seu uso: para abastecimento público, industrial, produção de energia, comercial, recreacional, agrícola e na pecuária. d. O controle do uso, ocupação e qualidade do solo envolvendo atividades imobiliárias, agrícolas, turísticas, industriais, de controle de cheias e de erosão. e. O controle de resíduos sólidos domésticos, industriais, comerciais, de serviços de saúde, envolvendo todas as atividades e processos de Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial168/222 administrações públicas e da sociedade civil. Naturalmente, a estruturação de um sistema de gestão ambiental municipal passa pela necessidade de efetuar uma revisão das políticas urbanas até adotadas, sob o prisma da sustentabilidade. Esta revisão possibilitará estudar o modelo de política ambiental urbana mais apropriada para cada município dentro de seu contexto regional (PHILIPP JR.; ZUALAUF, 1999). Este caminho, para os mesmos autores, passa pela imperiosa necessidade de serem encontrados mecanismos de transformação que, pouco a pouco aplicados, passam a gerar consciência ativa e criativa de sustentabilidade acondicionamento ao tratamento e disposição final; e práticas de redução, minimização e comportamentais referentes a cuidados sanitários, ocupacionais e para reaproveitamento. f. O controle de ruído e vibrações, envolvendo atividades comerciais, industriais e serviços. g. O monitoramento e atendimento a emergências ambientais. Como se pode depreender, a área ambiental tem envolvimento em todos os setores da atividade humana, o que exige uma atuação baseada na busca do entendimento e na construção de parcerias nos mais variados segmentos das Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial169/222 como forma de melhorar a qualidade de vida das sociedades urbanas. O mesmo processo, aplicado ao município como um todo, propiciará ao seu gestor atender às sucessivas demandas dos demais cidadãos, com base na participação e construção conjunta das soluções. O planejamento aqui estudado se refere a uma atividade vinculada ao Estado, qualquer que seja o nível territorial em que ocorra. O planejamento regional ou, em um sentido mais amplo, o planejamento territorial, é uma atividade vinculada ao Estado ou Federação, ou eventualmente, a um consórcio de municípios. Essas afirmações trazem consigo o conceito de que todo planejamento, por ser uma atividade do Estado, tem necessariamente um caráter político (JORGE, 2014). Em continuidade, o mesmo autor descreve que na história, em nível nacional, a ação do Estado foi fundamental para garantir a implantação da industrialização, o fenômeno mais importante para a economia brasileira no século XX. A Revolução de 1930 (Governo Vargas) trouxe ao Estado o apoio à consolidação da burguesia industrial, que passou a determinar os rumos da economia brasileira. Nos anos seguintes a industrialização conferiu uma nova fisionomia às cidades, acelerando o processo de urbanização, criando uma população excluída que moldou as periferias urbanas e, principalmente, expandiu e concentrou a rede urbana, Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial170/222 com a formação, inclusive das metrópoles brasileiras. Assim, o Estado, utilizando os fundos públicos, investiu vigorosamente durante cinco décadas nos setores de infraestrutura de transporte, energia, comunicações e indústria de base. Deve- se pontuar que o Brasil não teve políticas explícitas para o setor urbano até o regime militar, iniciado em 1964. Os chamados problemas urbanos – habitação, transporte e saneamento – somente passaram a ser considerados importantes e críticos quando as cidades brasileiras chegaram a patamares populacionais significativos. A questão do crescimento urbano não era vista como problemática, e sim um salutar reflexo do desenvolvimento do país. Em São Paulo, por exemplo, o slogan adotado pelo município no primeiro centenário da cidade foi: São Paulo não poder parar! Historicamente, o planejamento territorial, em escala regional, acontece no Brasil em duas grandes vertentes: 1. Como consequência e desdobramento de grandes investimentos públicos em infraestrutura, a exemplo das hidrelétricas implantada onde havia recursos hídricos e que terminaram por levar a ações mais amplas de deslocamento de populações e a projetos de irrigação e de navegação. 2. Como política compensatória do desequilíbrio regional e urbano do desenvolvimento brasileiro, que leva Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial171/222 à concentração espacial (criação da SUDENE e SUDAM). Os Estados também apresentam experiências em regionalização, mais como um instrumento de racionalização administrativa que de desenvolvimento regional. É o exemplo das regiões administrativas, criadas pelo Governo do Estado de São Paulo. Em inúmeras cidades de porte, novas experiências extremamente importantes na gestão urbana e no planejamento local têm sido implantadas: o orçamento participativo,a renda mínima, a negação do zoneamento como instrumento de segregação social etc. O planejamento estratégico aparece, nos últimos anos, como a grande novidade no setor, um instrumento capaz de oferecer suporte às gestões urbanas perante as questões de desenvolvimento, das quais a mais importante é atrair investimentos externos (JORGE, 2014). 2. Instrumentos de gestão am- biental do território Para implementar o seu trabalho, o gestor ambiental dispõe de instrumentos preventivos, proativos ou de reparação e correção de danos. Alguns deles, como a fiscalização e o licenciamento, já são implementados há algum tempo. Outros, como o monitoramento ambiental, enquadramento de cursos d’água, e os Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial172/222 instrumentos econômicos, são de aplicação mais recente (figura 1) (ALMEIDA et al., 2008). Figura 1 – Instrumentos de Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável Fonte: Adaptado de: Almeida (2008) Dentre os instrumentos de Gestão, segundo Almeida et al. (2008), destacam-se aqueles que subsidiam a definição e implementação da política ambiental do município. O governo municipal é responsável pelo gerenciamento ambiental, cabendo-lhe a concepção, elaboração Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial173/222 e aplicação de normas de controle e urbano. Os seguintes respaldo legais garantem aos Municípios a implementação de política urbanística e ambiental própria: • Legislação Ambiental: a lei municipal de meio ambiente deve apresentar as diretrizes gerais para a atuação municipal, em sintonia com o Plano Diretor, devendo avaliar a realidade local em termos políticos, econômicos, sociais e ambientais. O texto legal deverá definir os objetivos da política ambiental do município, conceituando os temas específicos e definindo os instrumentos necessários à sua implementação; deve garantir a participação da comunidade na sua execução e prever a criação do Conselho Municipal de Meio Ambiente, com representação dos segmentos da sociedade, para ser o órgão central na condução das ações previstas, e do Fundo Municipal de Meio Ambiente, para gerir os recursos necessários ao processo de gestão. • Lei Orgânica: a Lei Orgânica é a Constituição Municipal e define o que é conveniente, num espaço territorial, o espaço do município, para a organização social e econômica em um município. Ao município, através de sua Lei Orgânica, cabe estabelecer as formas mais adequadas, diante de sua realidade geográfica e econômica, de compatibilizar as suas Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial174/222 atividades produtivas e sociais com a proteção e melhoria da qualidade ambiental. • Plano Diretor: a lei do Plano Diretor, prevista no artigo 182 da Constituição Federal de 1988 e o Estatuto das Cidades de 2001, são os instrumentos básicos para a definição da política de desenvolvimento e expansão urbana, devendo estabelecer um modelo compatível com a proteção dos recursos naturais, em defesa do bem-estar da população. A elaboração do Plano Diretor pressupõe o conhecimento das deficiências e potencialidades do território municipal e da região, para que se possa priorizar as intervenções sobre esse espaço e viabilizar os recursos necessários à sua realização e sustentação. • Lei de Parcelamento do Solo: a Lei de Parcelamento do Solo orienta o processo de expansão urbana, controlando a abertura de novos loteamentos ou a divisão de áreas, tendo em vista que estabelece as condições para a sua regularização, entre as quais destacam-se a proibição do parcelamento em áreas de preservação permanente, inundáveis ou de risco; a proteção de reservas naturais para preservação da fauna e flora, e a reserva de áreas de lazer e para equipamentos públicos. O município pode legislar Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial175/222 sobre parcelamento do solo, imputando medidas restritivas e/ou regulatórias. Por ser uma atividade potencialmente poluidora, devido à movimentação de terra e às implicações decorrentes da própria ocupação humana, o parcelamento deve ser submetido ao licenciamento ambiental. • Lei do Uso e Ocupação do Solo: a Lei de Uso e Ocupação do Solo define os usos dos diversos espaços e as condições para a sua ocupação em áreas urbanas, tendo como referência básica o zoneamento ambiental, que objetiva garantir condições adequadas de iluminação, ventilação, salubridade, melhor circulação de veículos, a proteção de áreas de interesse ambiental, e ainda compatibilizar os diversos usos. O assentamento de atividades potencialmente poluidoras, em especial as que provocam poluição atmosférica e sonora, em áreas predominantemente residenciais, deve ser regulamentado com vistas ao controle ambiental. • Código de Obras: o Código de Obras tem como objetivo garantir às construções, públicas ou privadas, condições mínimas de segurança, conforto e higiene. Questões relativas à saúde e ao meio ambiente devem constar do Código de Obras: tratamento de efluentes industriais Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial176/222 e domésticos, controle da poluição sonora, instalação de equipamentos de proteção contra incêndio, normas técnicas para armazenamento de produtos perecíveis ou tóxicos, dimensionamento de áreas de ventilação e iluminação etc. • Código de Posturas: o Código de Posturas define e regula a utilização dos espaços públicos e de uso coletivo. Trata de questões relacionadas ao controle da poluição sonora, à apreensão de animais, ao cuidado com as calçadas e passeios públicos, à disposição de resíduos, instalação de placas e cartazes, arborização pública, exploração de pedreiras e areeiros, à proibição do lançamento de esgotos nos cursos d’água etc. • Código Tributário: o Código Tributário permite instituir incentivos para os cidadãos ou empreendimentos que se proponham a proteger, conservar e/ou recuperar o meio ambiente municipal, com a adoção de medidas como a preservação de construções e monumentos de interesse histórico, cultural e paisagístico; a recuperação, manutenção ou construção de praças e jardins públicos; o desenvolvimento de projetos de educação ambiental; e o emprego de tecnologias alternativas para uso sustentado dos recursos Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial177/222 naturais. Os incentivos à proteção do ambiente e do patrimônio cultural induzem a mudanças positivas de comportamentos relacionados à questão ambiental. • Lei de Diretrizes Orçamentária: a Lei de Diretrizes Orçamentárias é importante para o sucesso das políticas municipais, uma vez que determina a aplicação de recursos compatíveis com as diretrizes de um Plano Diretor. Para definir adequadamente as prioridades de aplicação dos recursos, de forma a atender às reais necessidades sociais do município, é fundamental que, no processo de elaboração do orçamento, haja uma efetiva participação da comunidade. • Lei de Limpeza Pública: ao município compete organizar e disciplinar os serviços de coleta e disposição final de resíduos. A normatização da limpeza pública define objetivamente as responsabilidades dos cidadãos, das entidades privadas e dos governos para a obtenção de níveis adequados de higiene individual e ou coletiva. • Avaliação de Impacto e Licenciamento Ambiental pelos municípios: o município pode editar norma legal para condicionar a implantação de atividades que provocam degradação ambiental à realização prévia de avaliação Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial178/222 de impactos (Estudo de Impacto Ambiental - EIA, Relatório de Impacto Ambiental - RIMA, Estudo de Impactode Vizinhança – EIV, Licença Prévia – LP (concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade, aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação), Licença de Instalação – LI (autoriza a instalação ou atividade, de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para a operação) e Licença de Operação – LO (autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para operação); • Fiscalização Ambiental: a fiscalização ambiental tem como fundamento atuar de forma educativa, orientando e alertando empreendedores quanto à necessidade de compatibilização do desenvolvimento econômico com a preservação dos recursos naturais, Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial179/222 objetivando garantir a sua própria existência. • Zoneamento Ambiental: além de regulamentar a preservação dos recursos naturais, o zoneamento ambiental é o instrumento de gestão adequado para dirimir os conflitos gerados pelo desenvolvimento simultâneo de várias atividades impactantes numa dada região. • • Educação, Extensão e Comunicação Ambiental: a educação ambiental formal precisa permear as disciplinas curriculares das escolas públicas e privadas. A educação ambiental não formal compreende práticas educativas voltadas para a mobilização da comunidade em ações que visem à melhoria da qualidade do meio ambiente, promovendo a transformação cultural). • Gerenciamento de Bacias Hidrográficas: o gerenciamento de bacia hidrográfica é o instrumento que orienta o poder público e a sociedade, a longo prazo, na utilização e monitoramento dos recursos ambientais – naturais, econômicos e socioculturais –, na área de abrangência de uma bacia hidrográfica, de forma a promover o desenvolvimento sustentável (LANNA, 1995 apud ALMEIDA, 2004). Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial180/222 • ICMS (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação) ecológico: legislação existente em diversos estados brasileiros que prevê a distribuição dos recursos disponíveis em diversos setores, em especial nos componentes: saneamento básico e unidades de conservação. Para saber mais A possibilidade do estado criar o ICMS Ecológico dá-se mediante consideração do critério ambiental no momento de calcular a participação de cada um dos municípios na repartição dos valores arrecadados, ou seja, o nome “ICMS Ecológico” advém da possibilidade de estipular critérios ambientais para uma parcela desse ¼ dos 25% a que fazem jus os municípios, conforme previsto na Constituição Federal. Disponível em: <http://www. icmsecologico.org.br/site/>. Acesso em: 21/06/ jun. 2015. Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial181/222 • Saneamento Básico: o objetivo do componente saneamento básico é incentivar os municípios a implantarem sistemas de tratamento de esgotos sanitários e disposição final de resíduos sólidos). • Unidades de Conservação: o objetivo do componente unidades de conservação é compensar os municípios que possuem parte de seu território protegida por parques, reservas ecológicas, áreas de proteção ambiental (APA’s), entre outras. A lei incentiva a criação, implantação e manutenção dessas unidades pelos próprios municípios, contribuindo para descentralizar e consolidar a política de proteção dos ecossistemas naturais do Estado. A aplicação integrada e combinada dos instrumentos de gestão ambiental exige mudanças culturais, abrangendo os procedimentos, a consciência e a prática cotidiana de cada cidadão envolvido com a gestão ambiental. O uso dos instrumentos de forma combinada aproveita melhor suas qualidades e leva em conta as limitações de cada um deles (ALMEIDA, 2008). Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial182/222 Glossário Depreender - obter entendimento intelectual acerca de; perceber claramente alguma coisa; compreender: depreender um sentido metafórico. Alcançar a resposta; chegar à compreensão ou à conclusão de; deduzir. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com. br/?s=depreender>. Acesso em: 21 jun. 2015). Imperioso - autoritário, dominador, arrogante, altivo. Necessário, forçoso, urgente. (Fonte: Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=imperioso>. Acesso em: 21 jun. 2015). Dirimir - obter o esclarecimento de; resolver: dirimiu todas as dívidas; dirimiu aquela luta. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com.br/?s=dirimir>. Acesso em: 21 jun. 2015). Questão reflexão ? para 183/222 Após a realização da leitura fundamental, você agora aprofundará seus conhecimentos acerca de políticas ambientais voltadas à noção de território, a partir da leitura dos itens (Histórico do ZEE; Marcos legais; Diretrizes Metodológicas e Avaliação do ZEE) no link <http://www.mma.gov.br/gestao-territorial/zoneamento- territorial> do Programa do Governo Federal de Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente que tem sido utilizado pelo poder público com projetos realizados em diversas escalas de trabalho e em frações do território nacional. Municípios, estados da federação e órgãos federais têm executado ZEE’s e avançado na conexão entre os produtos gerados e os instrumentos de políticas públicas, com o objetivo de efetivar ações de planejamento ambiental territorial. 184/222 Considerações Finais É importante afirmar que o planejamento local e regional pressupõe uma política de âmbito nacional, que é decisiva para o desenvolvimento urbano. Para que ele se estabeleça, é necessário que o Estado seja recuperado como entidade responsável pelo desenvolvimento econômico e social das cidades, por meio de vigorosas políticas sociais que, principalmente, melhorem a distribuição de renda. Introduzir o conceito de território na gestão ambiental não é considerado uma tarefa fácil, pois exigirá de você, futuro gestor ambiental, amplos conhecimentos deste território, suas potencialidades e fragilidades, assim como a habilidade de fazer o uso combinado dos instrumentos de gestão para integrar as políticas públicas ambientais dentro do território. Esta habilidade sem dúvida nenhuma passa pelo entendimento histórico de surgimento e desenvolvimento deste território. Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial185/222 Referências ALMEIDA, J.R.; et al. Política e planejamento ambiental. 3. ed. 2. Reimpressão. Rio de Janeiro: Thex, 2008. 480p. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado, 1988. JORGE, W.E. Política e planejamento territorial. In: PHILIPPI JR, A. Curso de gestão ambiental. Barueri, SP: Manole. 2014. p. 831-852. PHILIPP JR, A.; ZUALAUF, W. Estruturação dos municípios para a criação e implementação do sistema de gestão ambiental. In: PHILIPPI JR, A. Municípios e meio ambiente: perspectivas para a municipalização da gestão ambiental no Brasil. São Paulo: Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente, 1999. p. 47-56. 186/222 Aula 7 - Tema: Política e Planejamento Territorial – Parte I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ ab9ec4283c23c4e39ddbc53639fb6ac5>. Aula 7 - Tema: Políticae Planejamento Territorial – Parte II. Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA- piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/8d- 2f29ebe2dd790d89a35a458a4fb09d>. Assista a suas aulas 187/222 1- O planejamento territorial apresentado e discutido na leitura fundamen- tal desta aula é atribuição de qual ente da sociedade? a) Constituição. b) Estado. c) Empresariado. d) A própria sociedade. e) As Forças Armadas. Questão 1 188/222 2- Qual foi o processo estimulado pelo governo nos anos 1930 e poste- rior que conferiu uma nova fisionomia às cidades, acelerando o processo de urbanização? a) Expansão do setor produtivo agrícola. b) Expansão do setor produtivo da mineração. c) Expansão da malha rodoviária. d) Expansão da industrialização. e) Expansão da malha ferroviária. Questão 2 189/222 3 - “Regulação, normatização, educação, comunicação e extensão”, fa- zem parte de qual tipo de instrumento de política que o gestor ambiental dispõe para sua implantação? a) Proativo. b) Repressivo. c) Reativo. d) Dissociativo. e) Preventivo Questão 3 190/222 4- Qual a diferença entre a Lei de Parcelamento do Solo e a Lei do Uso e Ocupação do Solo? a) A primeira visa definir os usos dos diversos espaços e as condições para a sua ocupação em áreas urbanas e a segunda orienta o processo de expansão urbana, controlando a abertura de novos loteamentos ou a divisão de áreas. b) A primeira orienta o processo de expansão urbana, controlando a abertura de novos loteamentos ou a divisão de áreas e a segunda visa definir os usos dos diversos espaços e as condições para a sua ocupação em áreas urbanas. c) A primeira diz respeito à divisão do solo tanto urbano quanto rural e a segunda diz respeito ao uso do solo urbano, apenas. d) A primeira diz respeito à divisão do solo urbano, apenas e a segunda diz respeito ao uso do solo rural e urbano. e) A primeira associa a possibilidade de divisão do solo ao valor dos terrenos e ao seu respectivo zoneamento urbano e a segunda associa a possibilidade do uso e ocupação do solo para moradias de baixa renda e comércios populares. Questão 4 191/222 5- Quais as mudanças que a aplicação integrada e combinada dos ins- trumentos de gestão ambiental exige da sociedade? a) Mudanças econômicas. b) Mudanças sociais. c) Mudanças culturais. d) Mudanças demográficas. e) Mudanças ambientais. Questão 5 192/222 Gabarito 1. Resposta: B. O planejamento aqui estudado se refere a uma atividade vinculada ao Estado, qualquer que seja o nível territorial em que ocorra. O planejamento regional ou, em um sentido mais amplo, o planejamento territorial, é uma atividade vinculada ao Estado ou Federação, ou eventualmente, a um consórcio de municípios. Essas afirmações trazem consigo o conceito de que todo planejamento, por ser uma atividade do Estado, tem necessariamente um caráter político (JORGE, 2014). 2. Resposta: D. A Revolução de 1930 (Governo Vargas) trouxe ao Estado o apoio à consolidação da burguesia industrial, que passou a determinar os rumos da economia brasileira. Nos anos seguintes a industrialização conferiu uma nova fisionomia às cidades, acelerando o processo de urbanização, criando uma população excluída que moldou as periferias urbanas e, principalmente, expandiu e concentrou a rede urbana, com a formação, inclusive das metrópoles brasileiras. 3. Resposta: A De acordo com a figura 1 (ALMEIDA et al., 2008), exposta e discutida na leitura fundamental da aula, para 193/222 implementar o seu trabalho, o gestor ambiental dispõe de instrumentos preventivos, proativos ou de reparação e correção de danos. Alguns deles, como a fiscalização e o licenciamento já são implementados há algum tempo. Outros, como o monitoramento ambiental, enquadramento de cursos d’água, e os instrumentos econômicos, são de aplicação mais recente. Esta figura apresenta que os itens apresentados no enunciado da questão se relaciona com o tipo de instrumentos de política proativo, visto que neste Gabarito 4. Resposta:B São instrumentos legais que os municípios podem utilizar para implementar política urbanística e ambiental própria, entre outros: A Lei de Parcelamento do Solo orienta o processo de expansão urbana, controlando a abertura de novos loteamentos ou a divisão de áreas; A Lei de Uso e Ocupação do Solo define os usos dos diversos espaços e as condições para a sua ocupação em áreas urbanas. 5. Resposta: C. A aplicação integrada e combinada dos instrumentos de gestão ambiental exige 194/222 Gabarito mudanças culturais, abrangendo os procedimentos, a consciência e a prática cotidiana de cada cidadão envolvido com a gestão ambiental. O uso dos instrumentos de forma combinada aproveita melhor suas qualidades e leva em conta as limitações de cada um deles (ALMEIDA, 2008). 195/222 Unidade 8 Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade Objetivos 1. Estudar as novas tendências do planejamento ambiental, por meio da incorporação de novos temas e “olhares” tanto em níveis locais quanto global. 2. Compreender a governança municipal como instrumento de estudo e planejamento ambiental. 3. Compreender a centralização do espaço geográfico e da paisagem do município como ente central na gestão ambiental contemporânea. Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade196/222 Introdução Ao se estudar as “questões ambientais”, você, futuro gestor ambiental, se depara com literalmente um “mundo” de problemas e que muitas vezes não consegue “enxergar” possíveis “soluções” para estes problemas, não é mesmo? Muitas destas “questões ambientais” foram apresentadas para você, nesta disciplina, e são de ocorrência essencialmente urbana, configurando a cidade um verdadeiro ecossistema que contém uma comunidade de organismos vivos, onde predominam o homem, um meio físico que se vai transformando, fruto da atividade interna, e um funcionamento à base de trocas de matéria, energia e informação. Todos os ecossistemas tendem ao aumento da complexidade e a estágios mais maduros da sucessão. Isso sucede também nos ecossistemas urbanos e assim se comprova que a complexidade do conjunto da cidade tem tendência a aumentar. Não obstante, também é comprovável que a complexidade diminui nas que a configurem, pois a homogeneidade aumenta a causa da zonificação funcional. A cidade, bem como seu sentido ampliado para área metropolitana, pode ser classificada, na visão ecológica, como um ecossistema incompleto e heterotrófico. Embora as cidades não ocupem uma área muito grande da superfície terrestre (apenas de 1 a 5% do mundo inteiro, segundo Odum), elas, porém alteram a natureza dos rios, campos naturais e cultivados, florestas, além da atmosfera e dos oceanos, por causa dos ambientes extensos de entrada e de saída que elas demandam (ALMEIDA, 2008). Ao se utilizar possíveis argumentos extraídos das ciências sociais com o objetivo de Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade197/222 aproximar a ideia de sustentabilidade do debate sobre gestão cidadã de políticas, observa- se que a contemporaneidade representa um momento de grande definição histórica para a humanidade, diante da consciência crescente de que o impacto da ação humana sobre o ambiente biofísico, social e psicocultural vem afetando a saúde e mesmo a sobrevivência no planeta (BRASIL, 1997 apud MANTOVANELI JR., 2012). 1. A cidade como Ecossistema Os impasses que atualmente vêm caracterizando uma grande crise ecoambiental originam-se de, e propagam-se por um padrão de conduta humana que marcou a modernidade no campo da ciência, da moral, da tecnologiae da política. São, ao mesmo tempo, causa e efeito de um jogo de domínio antropocêntrico sobre o homem e a natureza, em que o darwinismo social, o materialismo e uma ética menor, como diria Freire (1997 apud MANTOVANELI JR.; 2012), a ética do lucro, delimitam os parâmetros de desenvolvimento dos países ricos e pobres, ou subdesenvolvidos. Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade198/222 Para saber mais Darwinismo social - No ano de 1859, um estudioso chamado Charles Darwin transformou uma longa caminhada de viagens, anotações e análises no livro “A origem das espécies”. Nas páginas daquela obra revolucionária nascia a teoria evolutiva, o mais novo progresso galgado pela ciência da época. Negando as justificativas religiosas vigentes, Darwin apontou que a constituição dos seres vivos é fruto de um longo e ininterrupto processo de transformação e adaptação ao ambiente. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/historiag/darwinismo-social.htm>. Acesso em: 22 jun. 2015. 1.2. O município e a governança municipal na vanguarda do planejamen- to e gestão ambiental Com o crescimento econômico ostensivo que as sociedades modernas têm vivido, concretizado pela crescente industrialização, urbanização e estilo de vida baseado na produção e consumo cada vez mais diversificados, cresce também a demanda pelo uso de recursos naturais, gerando intenso impacto ambiental. Nas cidades, esse processo ficou mais visível nas últimas décadas, quando a concentração Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade199/222 urbana cresceu sobremaneira. No século XXI, a maioria da população urbana continuará a viver em cidades com menos de 500 mil habitantes e em cidades ditas intermediárias, com populações entre um e cinco milhões (ONU-Habitat, 2010 apud GIARETTA; FERNANDES; PHILIPPI JR., 2012). A migração para as cidades é justificada pelas oportunidades oferecidas nos centros urbanos, como empregos, educação e saúde, opções de lazer e fluxos sociais, culturais, econômicos e de poder. Por dedução, segundo Rogers (2001 apud GIARETTA; FERNANDES; PHILIPPI JR., 2012), é nas cidades que ocorre grande parte dos impactos ambientais das atividades produtivas, sendo elas também a origem de muitos impactos que ocorrem no meio rural. Entre os inúmeros impactos, destacam-se os resultantes de uma cultura de consumo, não necessariamente baseada em necessidades reais. Atualmente, metade da população mundial urbana consome em média três quartos da energia produzida no planeta e geram três quartos dos resíduos. No bojo das discussões sobre desenvolvimento sustentável e gestão ambiental, de acordo com Fernandes e Sampaio (2008 apud GIARETTA; FERNANDES; PHILIPPI JR., 2012), as cidades constituem espaço fundamental para uma mudança de paradigma, não só em relação ao uso dos recursos naturais, mas na construção da territorialidade e consequentemente nos seus processos de Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade200/222 gestão. Em continuidade, os mesmos autores citam as cidades como o locus desse processo, porque é onde vive a maior parte da população brasileira e, portanto, segundo boa parcela das correntes teóricas que vêm pensando a gestão ambiental, é o locus também onde se pode construir uma ação democrática de gestão apoiada na participação social, como sustentação de um processo durável que não se esvai a cada troca de governo. Assim, a gestão urbana, que implica atualmente muito fortemente o desafio de equacionar também as questões socioambientais, deve levar em conta o contexto e a população envolvida nesse contexto, considerando seu conhecimento acerca da realidade e consequente engajamento e participação social. O município é formado pelos seguintes ambientes que permanecem relacionados entre si: urbano, que contempla circulação de pessoas, trabalho, lazer, habitações, saneamento, dentre outros; rural, que abriga atividades agrícolas e minerais, basicamente o setor primário de produção; e primevo, com característica específicas de cada região, reservas e identidades do ecossistema (PHILIPPI JR., et al, 2004). Destes, ganha destaque o ambiente urbano, no qual se constitui o espaço de maior ocupação, abrigando as relações de trabalho e residenciais, permeado, portanto, de ações antrópicas. No Brasil, os municípios só ganharam Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade201/222 reconhecimento para a adoção de ações relevantes à proteção dos recursos naturais a partir da promulgação da Constituição Federal 1988. A partir da Resolução CONAMA 237/97, os municípios passam a ter diretrizes para exercício de licenciamentos ambientais, tendo como obrigatoriedade para esta ação, a implementação de conselhos municipais de meio ambiente com caráter deliberativo e participação social, além de possuírem ou terem à disposição profissional habilitado para exercer esta ação (FERNANDES; SAMPAIO, 2008 apud GIARETTA; FERNANDES; PHILIPPI JR., 2012). Cada município tem dever e responsabilidades de promover: “a defesa de seu patrimônio, natural ou cultural e do bem-estar de seus cidadãos; entretanto, para chegar a isto, ele necessita capacitar- se, preparar-se e enfrentar os conflitos, o que gera a tomada de posição em relação a um tema abrangente e pouco conhecido, como é a questão ambiental”. (FRANCO, 1999, p. 21 apud GIARETTA; FERNANDES; PHILIPPI JR., 2012). Para que isso ocorra, esses mesmos autores sugerem alguns princípios, a saber: • Ter um número de servidores adequados às necessidades dos municípios. • Poder contar com apoio externo como de universidades, ONG (Organização Não Governamental), e instituições que possam trazer Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade202/222 saberes privilegiados da cidade para melhor capacitação dos funcionários. • Evitar superposições e conflitos entre equipes, buscando sinergias e cooperação institucionais. • Evitar procedimentos longos e burocratizados, substituindo-os por caminhos mais curtos, ágeis e eficazes. • Divulgar para todos os níveis de parceiros e corresponsáveis as ações desenvolvidas, suas dinâmicas, prazos e justificativa, facilitando o conhecimento de todos sobre as ações realizadas pelo município. Muitas vezes o ambiente natural nas cidades, as sedes dos municípios, é mais reduzido, principalmente naquelas mais urbanizadas e que, muitas vezes, possuem áreas urbanas fragmentadas e dispersas. No ambiente construído das cidades ocorrem as relações entre o sistema natural, formado pelos meios físico e biológico, e o sistema antrópico, composto pelo elemento humano e suas atividades, constituindo o que se chama ecossistema urbano. As necessidades e dinâmicas desse ecossistema que abriga o ser humano vão além das biológicas, abrangendo também aspectos culturais, sociais e econômicos (MOTA, 1999 apud JORGE; BRUNA, 2014). Assim, diz Reissman (1970 apud JORGE; BRUNA, 2014), a cidade pode ser considerada como um grande invento Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade203/222 humano e para tanto precisa organizar esse sistema e viver em área urbana e ocupar o meio ambiente, ou seja, organizar sua gestão. Muitos dos problemas dessa gestão da cidade hoje são os mesmos de antigamente, talvez em escala diferente devido ao tamanho da comunidade. A água para beber e o tratamento do esgoto sempre foram necessários, mas atualmente a escala desses serviços é extremamente grande, demandando maior atenção e melhor tecnologia para o desenvolvimento desses serviços. Também, nesse processo ecológico, são utilizados insumosdo meio natural e ficam os rejeitos e mais insumos são usados e mais rejeitos são produzidos, formando um desafio para as gerações atuais e as futuras. Como cooperar com as condições do meio ambiente produzindo um equilíbrio entre o uso de recursos naturais sem desgastar o planeta, de modo que as novas gerações ainda possam viver com qualidade ambiental? No final do século XX, segundo Silva et al. (2007 apud JORGE; BRUNA, 2014), buscavam-se modelos de gestão que se distanciavam-se dos modelos tradicionais e autoritários e que pudessem absorver a participação da sociedade e permitir maior transparência. Assim, em face deste novo paradigma governamental que surgiu, o desenvolvimento com bases sustentáveis torna os aspectos econômico, social, ambiental e institucional mais complexo, o que exigiu uma nova forma de gestão, Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade204/222 que, por ser compartilhada e democrática, denominou-se de governança. A governança é um conceito suficientemente amplo para incluir o governo, indivíduos, instituições públicas e privadas para administrar os problemas e objetivos comuns. Isto pode acontecer de maneira formal e institucional, mas pode também ser informal. Em função do estabelecimento de objetivos comuns, no entanto, raramente é necessária a utilização de coerção para se implantar decisões tomadas nesse tipo de processo. Para Gohn (2007 apud JORGE; BRUNA, 2014), a governança local refere-se a um sistema de governo formado por um universo de parcerias e gestão compartilhada entre diversos atores de diferentes origens, como ONGs, empresários, sociedade civil organizada ou não, e órgãos públicos. Nesse sentido, a governança qualifica o uso da autoridade do Estado. Envolve, portanto, a forma como o poder é exercido, ou seja, como é a relação entre o Estado e os grupos organizados da sociedade nos processos de tomada de decisão, de monitoramento e implementação das políticas públicas (ANASTÁCIA; AZEVEDO, 2002 apud JORGE; BRUNA, 2014). Como a governança necessariamente inclui participação de outros atores que não apenas o poder público, ela é considerada mais ampla que o governo (GONÇALVES, 2006 apud JORGE; BRUNA, 2014). Essas questões de governança se destacam Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade205/222 principalmente em um período em que as interdependências estão crescendo e o desafio da governança passa a gerar princípios normativos capazes de alterar o comportamento de grupos, influenciando comportamentos individuais apropriados. Desse modo, destaca-se, por exemplo, o limite de uso do solo, tanto urbano quanto rural, introduzindo mecanismos de compartilhamento de custo e de responsabilidades, entre outros. Desse modo, não mais se aceita um crescimento econômico que ignore os impactos no meio ambiente, pois se deve lutar para organizar sociedades que partilhem, simultaneamente, o desenvolvimento econômico, social e ambiental. A busca por alternativas que possibilitem impulsionar o desenvolvimento local tem sido o foco de discussão nos últimos tempos. O objetivo, contudo, é mais amplo: um desenvolvimento efetivo, alicerçado nas dimensões da sustentabilidade. Essas dimensões, elencadas por Sachs (1993 apud JORGE; BRUNA, 2014), vêm sendo revisitadas constantemente nos eventos debatedores da temática da sustentabilidade: Sustentabilidade ecológico-ambiental: refere-se à base física do processo de desenvolvimento e objetiva a conservação e uso racional do estoque de recursos naturais incorporados às atividades produtivas e à manutenção da capacidade de carga dos ecossistemas, ou seja, da capacidade do meio ambiente para Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade206/222 absorver e recuperar-se das agressões antrópicas. Sustentabilidade econômica: permite a manutenção de um crescimento econômico cujas variáveis não afetem de forma negativa as demais dimensões. Constitui-se em um desafio e pivô de grande parte das controvérsias em torno do conceito de desenvolvimento sustentável, pois a introdução da ética no campo da economia faz que o conceito de sustentabilidade econômica permaneça um tanto vago e obscuro. Essa dimensão pressuporia a desconstrução do modelo alicerçado no utilitarismo econômico e a consequente reconstrução de um novo modelo. Sustentabilidade demográfica ou espacial: renovada por teorias neomalthusianas, refere-se à capacidade de suporte do planeta ante o crescimento desenfreado da população e suas consequentes características, como ocupação irregular do espaço, migração etc. Link A Teoria Neomalthusiana defende o controle do crescimento populacional para conter o avanço da miséria nos países subdesenvolvidos. Disponível em: <http://www. mundoeducacao.com/geografia/teoria- neomalthusiana.htm>. Acesso em: 22 jun. 2015. Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade207/222 • Sustentabilidade social: tem por objetivo principal a melhoria da qualidade de vida, ou seja, a redução de problemas como a pobreza, a desigualdade e a exclusão social. • Sustentabilidade cultural: refere- se à manutenção da diversidade em sentido mais amplo, isto é, à preservação de valores, costumes, práticas e toda e qualquer manifestação que represente a identidade de um povo, um grupo, uma nação, uma região. • Sustentabilidade política: está ligada ao processo de construção da cidadania, à garantia do pleno acesso dos indivíduos aos direitos e garantias fundamentais e à participação dos cidadãos nos processos de desenvolvimento. • Sustentabilidade institucional: projeta no próprio desenho das instituições que regulam a sociedade e a economia as dimensões sociais e políticas da sustentabilidade em seus conteúdos macro. No que diz respeito à dimensão institucional do desenvolvimento, observa-se que ela ganha corpo na atual conjuntura. Ela prevê que novas ou redesenhadas arquiteturas organizacionais sejam implementadas na busca de estratégias para a construção de um desenvolvimento socialmente mais justo, ecologicamente prudente e economicamente eficaz. Evoca-se Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade208/222 o desenvolvimento e/ou mudanças institucionais das organizações do governo da sociedade civil e dos agentes produtivos, buscando a criação de novas ou reformulação de antigas formas de articulação entre essas esferas (DALLABRIDA; PELLIN, 2012). Para estes autores, a criação de consórcios intermunicipais revela-se uma iniciativa muito eficaz. Municípios pertencentes à mesma região ou microrregião se unem e somam forças, compartilham estruturas, dividem investimentos e recursos e diminuem os custos de cada ente para resolver problemas comuns que extrapolam as fronteiras de cada município. Parcerias como essas permitem que os municípios solucionem problemas comuns sem lhes retirar ou diminuir a autonomia. Muitos já adotam consórcios intermunicipais no âmbito da saúde, mas essa atuação conjunta certamente pode render bons resultados também em outras áreas, como meio ambiente, obras, serviços públicos, turismo e tratamento do lixo, sobretudo em municípios de pequeno porte. Assim, em que pese os consórcios públicos intermunicipais servirem como alternativas e ferramentas da União e dos estados para repassarem funções e serviços e transferirem responsabilidades às instâncias municipais e regionais, cujas competências são dos três entes federados, estudos demonstram que, do ponto de vista das ações dos governos Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Políticae Sustentabilidade209/222 municipais envolvidos, sua criação pode produzir resultados positivos de cinco tipos (VAZ; CACCIA-BAVA, 2000, p. 28 apud DALLABRIDA; PELLIN, 2012): • Aumento da capacidade de realização. • Maior eficiência do uso dos recursos públicos. • Realização de ações inacessíveis a uma única prefeitura. • Aumento do poder de diálogo, pressão e negociação dos municípios. • Aumento da transparência das decisões públicas. • Estimulo a uma mudança de cultura. A crescente demanda por serviços essenciais – muitos dos quais responsabilidades transferidas de outros entes, sem a devida contraprestação de recursos – atrelada à impossibilidade de atendê-los de forma efetiva, exige que as instâncias locais deixem sua zona de conforto e sejam obrigadas a encontrar alternativas criativas e inovadoras para fazer frente às suas competências e responsabilidades. A criação de consórcios intermunicipais constitui- se em uma dessas alternativas, cuja operacionalização, inclusive, encontra- se agora amparada por legislação disciplinadora em âmbito nacional. O arranjo institucional caracterizado pelo consórcio municipal demonstra, portanto, Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade210/222 ser uma alternativa viável para a solução de questões locais/regionais. Ela não deve, porém, ser levada a cabo somente como resposta a uma necessidade premente e inadiável, mas fruto de um processo de planejamento para a sustentabilidade local. Glossário Governança - deriva do termo governo, e pode ter várias interpretações, dependendo do enfoque. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com.br/?s=governan%C3%A7a>. Acesso em: 22 jun. 2015. Vanguarda - frente, dianteira. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com.br/ vanguarda/>. Acesso em: 22 jun. 2015). Questão reflexão ? para 211/222 Após a realização da leitura fundamental, você agora aprofundará seus conhecimentos acerca do conceito e prática da sustentabilidade nas cidades, acessando o site <http://www.cidadessustentaveis.org.br/> e identificando os diversos exemplos práticos de cidades sustentáveis e a aplicação do conceito de governança ambiental municipal, por meio da leitura dos artigos na seção biblioteca e demais seções disponíveis no site. 212/222 Considerações Finais Para que se incorpore “novos olhares e vivências” direcionados às novas tendências do planejamento ambiental para a sustentabilidade nos territórios e localidades, devemos pensar o desenvolvimento, a modernização, as mudanças requeridas em nosso tempo para o que se avizinha, por um caminho “ecocentricamente” (não “egocentricamente”) virtuoso, mais que exclamações enfáticas, uma abordagem crítica sim, mas vivencial. Diante do fato do município se estabelecer, ora como território geopolítico, ora como territorialidade que constitui o espaço local e, portanto, o lócus onde a vida se dá e onde se constrói fundamentalmente o senso de pertencimento e de responsabilidade. Por esse motivo, a temática ambiental considera que o “local” se constitui o espaço por excelência da gestão ambiental, que deve ser, sobretudo, fundamentada na participação social, ou mais especificamente na governança. Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade213/222 Referências ALMEIDA, J.R.; et al. Política e planejamento ambiental. 3. ed. 2. Reimpressão. Rio de Janeiro: Thex, 2008. 480p. DALLABRIDA, I.S. Gestão consorciada intermunicipal para sustentabilidade. In: PHILIPPI JR., A. SAMPAIO, C. A. C.; FERNANDES, V. Gestão de natureza pública e sustentabilidade. Barueri, SP: Manole. 2012. p. 57-89. GIARETTA, J. B. Z. O município como ente central na gestão ambiental brasileira. In: PHILIPPI JR., A. SAMPAIO, C. A. C.; FERNANDES, V. Gestão de natureza pública e sustentabilidade. Barueri, SP: Manole. 2012. p. 179-208. JORGE, P. R.; BRUNA, G. C. Governança municipal como ferramenta para o desenvolvimento sustentável. In: PHILIPPI JR., A.; ROMERO, M. A.; BRUNA, G. C. Curso de gestão ambiental. Barueri, SP: Manole. 2014. p. 57-89. MANTOVANELI JR, G. A sustentabilidade como projeto para a cidadania planetária. In: PHILIPPI JR., A. SAMPAIO, C. A. C.; FERNANDES, V. Gestão de natureza pública e sustentabilidade. Barueri, SP: Manole. 2012. p. 57-89. PHILIPPI JR., A. et al. Uma introdução à gestão ambiental. In: PHILIPPI JR, A. et al. (orgs.). Curso de gestão ambiental. Barueri, SP: Manole. 2004. p. 03-15. 214/222 Aula 8 - Tema: Novas Tendências ee Planejamento, Política e Sustentabilidade – Parte I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/68cc6fb37e25377635957fb1ab1d3420>. Aula 8 - Tema: Novas Tendências ee Planejamento, Política e Sustentabilidade – Parte II. Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA- piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/5b- 9c46ddc7f87803f698277ca2f458c4>. Assista a suas aulas 215/222 1- Existe uma tendência que relaciona complexidade nos ecossistemas e seu estágio de amadurecimento e por sequência nos ecossistemas urba- nos. Qual é esta tendência? a) Verticalização da complexidade. b) Manutenção da complexidade. c) Redução da complexidade. d) Alteração da complexidade. e) Aumento da complexidade. Questão 1 216/222 2- “Não retirar da natureza mais que a sua capacidade de reciclagem e não lançar nos ecossistemas mais que sua capacidade de absorção” re- quer mais que conhecimento dos limites da natureza, ou seja, requer: a) Maiores investimentos em produção limpa e em sistemas de aterros sanitários adequados. b) Maiores investimentos financeiros em materiais recicláveis. c) Novos valores de mediação da relação sociedade-natureza, entre espaço individual e coletivo, entre gerações presentes e futuras. d) Novos valores de educação ambiental direcionados as gerações atuais, afim de minimizar os impactos futuros. e) Maiores investimentos financeiros em educação ambiental direcionados as gerações atuais, afim de minimizar os impactos futuros. Questão 2 217/222 3- Quais os três componentes de um município que segundo Philippi Jr. et al, (2004), permanecem relacionados entre si? a) Urbano, Rural e Primevo. b) Urbano, Rural e Topográfico. c) Rural, Paisagem e Primevo. d) Rural, Primevo e Topográfico. e) Primevo, Urbano e Topográfico. Questão 3 218/222 4 - O que significa nas diversas dimensões da sustentabilidade, a susten- tabilidade demográfica ou espacial? a) Está ligada ao próprio desenho das instituições que regulam a sociedade e a economia as dimensões sociais e políticas da sustentabilidade em seus conteúdos macro. b) Está ligada ao processo de construção da cidadania, à garantia do pleno acesso dos indivíduos aos direitos e garantias fundamentais e à participação dos cidadãos nos processos de desenvolvimento. c) Refere-se à manutenção da diversidade em sentido mais amplo, isto é, à preservação de valores, costumes, práticas e toda e qualquer manifestação que represente a identidade de um povo, um grupo, uma nação, uma região. d) Refere-se à base física do processo de desenvolvimento e objetiva a conservação e uso racional do estoque de recursos naturais. e) Refere-se à capacidade de suporte do planeta ante o crescimento desenfreado da população e suas consequentes características, como ocupação irregular do espaço, migração etc. Questão 4 219/222 5- Qual é a iniciativa apresentada na leitura fundamental como inova- dora e eficaz segundo diversos autores para o gerenciamento ambiental territorial pelos municípios? a) Convênios. b) Consórcios. c) Programas e Projetos. d) Planejamentos. e) Parcerias. Questão 5220/222 Gabarito 1. Resposta: E. Todos os ecossistemas tendem ao aumento da complexidade e a estágios mais maduros da sucessão. Isso sucede também nos ecossistemas urbanos e assim se comprova que a complexidade do conjunto da cidade tem tendência a aumentar. 2. Resposta: C. No bojo das discussões sobre desenvolvimento sustentável e gestão ambiental, de acordo com Fernandes e Sampaio (2008 apud GIARETTA; FERNANDES; PHILIPPI JR., 2012), as cidades constituem espaço fundamental para uma mudança de paradigma, não só em relação ao uso dos recursos naturais, mas na construção da territorialidade e consequentemente nos seus processos de gestão. 3. Resposta: A. O município é formado pelos seguintes ambientes que permanecem relacionados entre si: urbano, que contempla circulação de pessoas, trabalho, lazer, habitações, saneamento, dentre outros; rural, que abriga atividades agrícolas e minerais, basicamente o setor primário de produção; e primevo, com característica específicas de cada região, reservas e identidades do ecossistema (PHILIPPI JR., et al, 2004). 221/222 Gabarito 4. Resposta: E. A busca por alternativas que possibilitem impulsionar o desenvolvimento local tem sido o foco de discussão nos últimos tempos. O objetivo, contudo, é mais amplo: um desenvolvimento efetivo, alicerçado nas dimensões da sustentabilidade. Essas dimensões, elencadas por Sachs (1993 apud JORGE; BRUNA, 2014), vêm sendo revisitadas constantemente nos eventos debatedores da temática da sustentabilidade: sustentabilidade demográfica ou espacial: renovada por teorias neomalthusianas, refere-se à capacidade de suporte do planeta ante o crescimento desenfreado da população e suas consequentes características, como ocupação irregular do espaço, migração etc. 5. Resposta: B. Evoca-se o desenvolvimento e/ou mudanças institucionais das organizações do governo da sociedade civil e dos agentes produtivos, buscando a criação de novas ou reformulação de antigas formas de articulação entre essas esferas (DALLABRIDA; PELLIN, 2012). Para estes autores, a criação de consórcios intermunicipais revela-se uma iniciativa muito eficaz.