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Planejamento 
e Políticas Ambientais
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1.
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Planejamento e Políticas Ambientais
Autor: Prof. Dr. Ronaldo Tavares de Araujo
Como citar este documento: ARAUJO, Ronaldo Tavares. Planejamento e políticas ambientais. 
Valinhos: 2015.
Sumário
Apresentação da Disciplina 03
Unidade 1: A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes
Assista a suas aulas
05
20
Unidade 2: Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade
Assista a suas aulas
28
48
Unidade 3: Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental
Assista a suas aulas
56
79
Unidade 4: Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental
Assista a suas aulas
88
103
Unidade 5: Indicadores Ambientais e Planejamento
Assista a suas aulas
111
132
Unidade 6: Política e Gestão Ambiental
Assista a suas aulas
140
157
Unidade 7: Política e Planejamento Territorial
Assista a suas aulas
165
186
Unidade 8: Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade
Assista a suas aulas
195
2142/222
3/222
Apresentação da Disciplina
Desde a antiguidade, a organização do espaço, neste caso entendida como formas de 
planejamento, é instintiva para o coletivo humano que se propõe a viver em estado gregário, 
sob objetivos e normas comuns.
No processo de gestão ambiental, assim como na nossa vida cotidiana, o planejamento 
se torna imprescindível, uma vez que, estamos sempre planejando tudo que fazemos com 
vistas a alcançar o resultado almejado. Assim, os assuntos que iremos discutir aqui, embora 
contextualizados para à gestão ambiental, poderão ser utilizados em diversos contextos 
profissionais e pessoais.
Assim, esta disciplina foi estruturada para atender às necessidades de profissionais de 
diversas áreas do conhecimento capazes de unir conhecimentos ambientais complexos para a 
tomada de decisões estratégicas dentro das organizações, pois sabemos que no atual mundo 
competitivo só vão se sobressair aqueles que estiverem preparados para fazer boas escolhas e é 
esta a proposta que essa disciplina traz àqueles que a cursarem.
Neste contexto, é possível afirmar que a questão ambiental neste século se apresenta como 
tema central das agendas governamentais e empresariais em escala global e coloca à toda 
sociedade o desafio da sustentabilidade.
Este desafio relaciona-se integralmente à manutenção das funções ambientais que os 
4/222
ecossistemas proporcionam à humanidade desde sua origem. Observa-se que os “bens 
e serviços” proporcionados pelos ecossistemas naturais e seminaturais não têm sido 
considerados nas tomadas de decisões sobre o uso da terra, determinando que tanto as 
grandes com as pequenas áreas naturais, isoladas entre os sistemas culturais predominantes 
na paisagem, sejam relegadas e modificadas na perspectiva de ganhos econômicos a curto 
e médio prazo. Nessa perspectiva, o sistema econômico, nas várias tendências políticas, tem 
valorizado prioritariamente os aspectos culturais em detrimento dos recursos naturais.
Desta forma, visando assegurar a sustentabilidade local e regional e, portanto, a sobrevivência 
e o bem-estar das gerações atuais e futuras, torna-se indispensável elaborar o planejamento 
do desenvolvimento local e regional considerando as dimensões da sustentabilidade. Assim, 
o procedimento de planejar as ações deve objetivar o aumento do conhecimento sobre a 
importância dos sistemas ambientais e conscientizar o homem sobre suas funções, além da 
fundamental tarefa de incorporar informações ambientais no processo de planejamento e 
tomada de decisão.
Portanto, trazemos para esta disciplina os principais conceitos e aprendizados já desenvolvidos 
sobre o tema por importantes especialistas da área que serão apresentados de forma sintética, 
prática e pronta para você, aluno, desenvolver as competências necessárias para se tornar um 
grande gestor ambiental.
5/222
Unidade 1
A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes
Objetivos
1. Identificar como os paradigmas dominantes e 
alternativos alteram as questões ambientais.
2. Compreender o contexto histórico de 
desenvolvimento e importância das questões 
ambientais no Brasil e no mundo.
3. Entender como a gestão ambiental pode ser 
considerada um novo paradigma.
Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes6/222
Introdução
Provavelmente você já ouviu falar que a relação do homem com a natureza quase nunca foi 
desenvolvida de forma harmoniosa e que o poder e, consequentemente, a responsabilidade 
que o homem tem sobre a natureza é que podem responder pelo surgimento dos grandes 
problemas ambientais atuais, aqui tratados como questões ambientais, e também como 
deverá controlá-los da melhor forma possível, utilizando-se de novos paradigmas, ou seja, uma 
nova ética a seu favor. 
Entendendo, assim, a ética ambiental como sendo tão ou mais importante quanto a ética 
humana, impondo à humanidade grande responsabilidade, neste tempo onde o poder é 
extremo. Desta forma, as questões ambientais devem se transformar numa questão ideológica, 
buscando explicações e “soluções” nas ciências, filosofia e cultura, considerando que as 
modificações naturais atuais ocorrem de forma acelerada pelo forte impacto das modernas 
tecnologias.
1. Paradigmas do Desenvolvimento
Neste texto, será utilizada historicamente a Revolução Industrial como o ponto de partida 
das grandes alterações de origem antrópica no meio ambiente para assim definir o paradigma 
dominante.
Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes7/222
Nesta época, de acordo com Possamai 
(2010), o antropocentrismo teve 
início e assim a figura humana passou 
a ser o centro de referência de nossos 
pensamentos e ações. Este fato causou 
grande mudança na perspectiva filosófica 
e cultural que antes era centrada em Deus, 
passando assim a ser centrada no homem. 
Com isso, consolidou-se a ideia de que, 
com advento e o progresso da razão, o 
homem se tornaria cada vez melhor e cada 
vez mais perfeito.
Para saber mais
A Revolução Industrial que teve seu início entre 
os séculos XVIII e XIV foi não apenas um surto 
de inovações técnicas, mas um reordenamento 
nas formas de organização da produção, 
com novos mecanismos de exploração do 
trabalho e controle social do trabalhador, e 
tendo como consequência uma das mudanças 
econômicas mais profundas pela qual passou 
a espécie humana. Disponível em: <http://
guiadoestudante.abril.com.br/estudar/
pergunte-professor/saiba-mais-revolucao-
industrial-685882.shtml>. Acesso em: 11 jun. 
2015.
Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes8/222
Link
Assista ao vídeo A História das Coisas.
<https://www.youtube.com/
watch?v=7qFiGMSnNjw>. Acesso em: 11 jun. 
2015.
Desta teoria surge a desvalorização de 
todas as outras espécies do planeta e a 
degradação ambiental, já que a natureza 
existe para ser controlada e utilizada por 
nós, seres humanos.
Com o surgimento da Revolução 
Industrial, segundo Almeida, et al. (2008), 
aprofundam-se as transformações 
econômicas, sociais, políticas e culturais 
na humanidade. Nos estados-nações que 
compõem o eixo da economia mundial, 
o modelo produção-capital baseia-
se na pilhagem do sistema natural. O 
sistema econômico, comandado pela 
alta burguesia, imprime o ritmo do 
sistema produtivo, operado pela massa 
proletariada.
Para o autor, ainda, a forma de “operação 
deste super sistema” considera a natureza 
como amplas e inesgotáveis reservas 
de matéria-prima e energia. Entendem, 
também, que o sistema natural é 
completamente apto e capaz de assimilar 
e processar todas as formas de poluição 
de correntes das atividades produtivas e 
urbanas.
Unidade 1 • A Questão Ambiental e os ParadigmasContrastantes9/222
Assim, a partir dos escritos a seguir, você, aluno, compreenderá como os sistemas econômicos, 
produtivos e, por conseguinte ambientais estão fortemente ligados, podendo, a partir desta 
análise, traçar os paradigmas dominantes e alternativos presentes na sociedade até o 
momento de identificar a gestão ambiental como um novo paradigma.
O sistema econômico funciona interativamente com o sistema produtivo.
Para saber mais
O sistema econômico capitalista começou a se fortalecer após a Revolução Industrial. Esse sistema 
é caracterizado por fortalecer a ideia de individualismo. Uma das principais ideias do capitalismo é 
a de que o indivíduo só precisa dele mesmo para crescer e obter sucesso. Adam Smith, que era um 
economista escocês e é considerado o pai do capitalismo, defendia o liberalismo econômico, era 
contra a intervenção do Estado na economia. Smith acreditava que o homem capitalista tinha a 
liberdade econômica e que pelo trabalho e por suas relações sociais poderia obter a riqueza material. 
(Disponível em: <http://www.portaleducacao.com.br/administracao/artigos/52469/o-sistema-
economico-capitalista#ixzz3cpihAh4r>). Acesso em: 11 jun. 2015.
Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes10/222
Para saber mais
O sistema produtivo (sistema fabril mecanizado), isto é, as fábricas passaram da simples produção 
manufaturada para a complexa substituição do trabalho manual por máquinas. Essa substituição 
implicou na aceleração da produção de mercadorias, que passaram a ser produzidas em larga escala. 
Essa produção em larga escala, por sua vez, exigiu uma demanda cada vez mais alta por matéria-
prima, mão de obra especializada para as fábricas e mercado consumidor. Tal exigência implicou, por 
sua vez, também na aceleração dos meios de transporte de pessoas e mercadorias. Era necessário o 
encurtamento do tempo que se percorria de uma região à outra para escoar os produtos. (Disponível 
em: <http://www.historiadomundo.com.br/idade-moderna/revolucao-industrial.htm>). 
Acesso em: 11 jun. 2015.
Há uma retroalimentação positiva, consequentemente o sistema produtivo gera bens, que 
são absorvidos e impulsionam o sistema econômico no sentido de gerar capitais que pagam 
por esses bens. Por sua vez, o sistema produtivo para atender à demanda, cada vez maior, do 
sistema econômico tem requerido e exaurido mais recursos do sistema natural (ecossistemas), 
deixando de haver compensação para o funcionamento de recursos básicos gerados pelo 
sistema natural.
Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes11/222
Para saber mais
sistema natural (ecossistemas), significa o sistema onde se vive, o conjunto de características físicas, 
químicas e biológicas que influenciam a existência de uma espécie animal ou vegetal. É uma unidade 
natural constituída de parte não viva (água, gases atmosféricos, sais minerais e radiação solar) e de 
parcela viva (plantas e animais, incluindo os microrganismos) que interagem ou se relacionam entre si, 
formando um sistema estável. Os ecossistemas são divididos em ecossistemas terrestres e ecossistemas 
aquáticos. (Disponível em: <http://www.significados.com.br/ecossistema/>). Acesso em: 11 jun. 
2015.
Os bens de consumo, produzidos pelo 
sistema produtivo à custa do sistema 
natural estabelecem uma linha de 
aproximação, onde os sistemas produtivo 
e econômico são compensados por bens e 
capital. Ao sistema natural, espoliado pela 
extração de recursos, somam-se ainda 
mazelas da poluição nas suas mais variadas 
formas.
Assim, é possível que você identifique e 
possivelmente concorde com o Almeida et 
al (2008), que a otimização da economia de 
Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes12/222
escala fica na dependência da capacidade 
de apropriação do sistema produtivo. Este 
modelo de desenvolvimento apresenta 
problemas na base energética de 
sustentação da produção. Estabelecida a 
crise energética, o efeito de consecução 
afeta o custo da produção de bens e a 
circularidade mercadológica dos bens-
capitais. Assim, a crise econômica 
retroalimenta então a crise enérgica, 
surgindo a crise ambiental desencadeada 
a partir da implantação do modelo 
econômico vigente, esta crise se incorpora 
às outras duas, formando um complexo 
interativo com retroalimentação positivo, 
no sentido do aumento da crise estrutural, 
demonstrada na figura 1.
Figura 1 - Demonstração da crise estrutural 
(ambiental, energética e econômica)
Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes13/222
1.1. As questões ambientais e o 
processo de gestão ambiental 
como novo paradigma
A questão ambiental deve, portanto, se 
transformar, segundo Almeida et al. (2008), 
numa questão ideológica, frequentada 
pela ciência, pela política, pela filosofia e 
pela cultura, fazendo com que possamos 
diagnosticar basicamente dois paradigmas, 
sendo um dominante e outro alternativo, 
como apresentado na figura 2.
Figura 2 - Valores, paradigmas dominante e paradigma alternativo
Fonte: Adaptado de: Almeida et al. (2008)
Neste momento, depois desta leitura, você 
aluno, pode estar se perguntando: “Mas 
afinal o que é um paradigma? E como 
a gestão ambiental pode ser tornar um 
paradigma”? Vamos fazer a compreensão 
em conjunto? Na atualidade, podemos 
Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes14/222
pontuar a produção e distribuição 
igualitária de alimentos, geração de 
empregos, redução da pobreza, aumento 
e diversificação das matrizes energéticas, 
abastecimento e disponibilização de água 
de qualidade e em quantidade suficiente, 
a perda da integridade dos ecossistemas, 
incluindo a perda da biodiversidade 
como problemas fundamentais para 
o desenvolvimento humano (ARAUJO, 
2008). Já os paradigmas dominantes na 
sociedade, tendo seu início no período 
da Revolução Industrial, corroboraram 
para existência das questões ambientais 
globais deste século, tornam obrigatório à 
humanidade pensar e implantar sistemas 
capazes de, ao menos, minimizar os 
impactos destes paradigmas.
Link
Leia o artigo “A posição do ser humano no 
mundo e a crise ambiental contemporânea” 
e analise como o paradigma dominante se 
relaciona com o papel do homem no surgimento 
das questões ambientais. Autoria: Fábio Valenti 
Possamai, 2010. Disponível em: <http://www.
unesco.org.uy/ci/fileadmin/shs/redbioetica/
revista_1/Valenti.pdf>. Acesso em: 11 jun. 
2015.
Desta forma, para Philippi (2014), o 
processo de Gestão Ambiental pode ser 
considerado um novo paradigma, pois este 
se inicia quando se promovem adaptações 
Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes15/222
ou modificações no ambiente natural, de forma a adequá-lo às necessidades individuais ou 
coletivas.
Para saber mais
Gestão ambiental é um sistema de administração empresarial que enfatiza a sustentabilidade. Desta 
forma, a gestão ambiental visa ao uso de práticas e métodos administrativos para reduzir ao máximo 
o impacto ambiental das atividades econômicas nos recursos da natureza. Disponível em: <http://
www.portaleducacao.com.br/administracao/artigos/15412/gestao-ambiental-definicao-e-
aplicacao-pratica#ixzz3cpnSs8XH> Acesso em: 11 jun. 2015.
Neste aspecto, a maneira de gerir a utilização desses recursos é o fator que pode acentuar ou 
minimizar os impactos. Esse processo de gestão fundamenta-se em três variáveis: a diversidade 
dos recursos extraídos do ambiente natural, a velocidade de extração desses recursos, que 
permite ou não a sua reposição, e a forma de disposição e tratamento dos seus resíduos e 
Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes16/222
efluentes. Assim, a somatória dessas três variáveis e a maneira de geri-las defineo grau de 
impacto do ambiente urbano sobre o ambiente natural.
Glossário
Antropocentrismo: ué a filosofia que considera o homem como o centro do universo.
Paradigma: é um termo com origem no grego “paradeigma” que significa modelo, padrão. No sentido 
lato corresponde a algo que vai servir de modelo ou exemplo a ser seguido em determinada situação. São as 
normas orientadoras de um grupo que estabelecem limites e que determinam como um indivíduo deve agir 
dentro desses limites.
Questão
reflexão
?
para
17/222
Como você viu, o conceito de paradigma pode ser alterado pela 
ação do homem. A existência de paradigmas dominantes e 
alternativos em uma sociedade é a clara possibilidade do espaço 
para escolhas e responsabilidades do homem frente às principais 
questões ambientais existentes na atualidade, possibilitando assim 
o surgimento da gestão ambiental como novo paradigma das 
relações sociais, produção e natureza. Reflita sobre o conceito de 
paradigma e sua relação com a globalização pela leitura do artigo 
“O paradigma ambiental na globalização neoliberal: da condição 
crítica ao protagonismo de mercado” de autoria de Fernando 
Pinto Ribeiro (2012), disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.
php?pid=S1982-45132012000200004&script=sci_arttext>. Acesso 
em: 11 jun. 2015, e faça uma pequena resenha de até cinco páginas 
e entregue ao professor presencial.
18/222
Considerações Finais 
O poder e consequentemente a responsabilidade que a humanidade tem sobre a natu-
reza podem responder ao surgimento dos grandes problemas ambientais atuais (ques-
tões ambientais).
Paradigma deve ser compreendido com padrão, forma, e assim condição de livre arbítrio 
de escolha da sociedade, tornando-se dominante ou alternativo.
A gestão ambiental, ao promover adaptações ou modificações no ambiente natural, de 
forma a adequá-lo às necessidades individuais ou coletivas, torna-se uma nova forma 
de paradigma do qual a sociedade pode se apoderar com vistas a minimizar ou resolver 
as questões ambientais.
Unidade 1 • A Questão Ambiental e os Paradigmas Contrastantes19/222
Referências
ALMEIDA, J.R.; et al. Política e planejamento ambiental. 3. ed. 2. Reimpressão. Rio de Janeiro: 
Thex. 2008. 480p.
ARAUJO, R.T. de. Zoneamento ecológico-econômico do município de Santa Cruz da Conceição – 
SP: uma proposta conceitual de planejamento para a sustentabilidade local. São Carlos: UFSCar, 
Tese de Doutorado. 2008. 95p.
PHILIPPI JR. A.; ROMERO, M. A.; BRUNA, G.C. Curso de gestão ambiental. 2. ed. Barueri, SP: Ed. 
Manole, 2014. 1.250p.
POSSAMAI, F.V. A posição do ser humano no mundo e a crise ambiental contemporânea. 
2010. Disponível em: <http://www.unesco.org.uy/ci/fileadmin/shs/redbioetica/revista_1/Valenti.
pdf>. Acesso em: 11 jun. 2015.
20/222
Aula 1 - Tema: A Questão Ambiental e 
os Paradigmas Contrastantes – Parte I 
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/
06f9c45513fb120da6e7d6a67b4f295d>.
Aula 1 - Tema: A Questão Ambiental e 
os Paradigmas Contrastantes– Parte II.
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA-
piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/30c-
f2ee7c9ccb25000747a7c1cbc1a3c>. 
Assista a suas aulas
21/222
1 - Qual o motivo para as questões ambientais se transformarem numa 
questão ideológica?
a) Pelo fato das mudanças ambientais globais estarem mudando de forma natural.
b) Pelo fato das mudanças ambientais globais estarem mudando de forma digital.
c) Pelo fato das mudanças ambientais globais serem inibidas pelo uso da tecnologia.
d) Pelo fato das mudanças ambientais globais serem aceleradas pelo avanço tecnológico 
moderno.
e) Pelo fato das mudanças ambientais globais serem causadas pelo avanço científico e 
filosófico.
Questão 1
22/222
2 - O antropocentrismo inserido no contexto da Revolução Industrial 
pode ser entendido pela:
a) Expressão da figura humana ter passado a ser o centro de referência de nossos 
pensamentos e ações.
b) Expressão racional ter passado a ser o centro de referência de nossos pensamentos e 
ações.
c) Expressão da indústria ter passado a ser o centro de referência de nossos pensamentos e 
ações.
d) Expressão divina ter passado a ser o centro de referência de nossos pensamentos e ações.
e) Expressão ambiental ter passado a ser o centro de referência de nossos pensamentos e 
ações.
Questão 2
23/222
3 - Qual os três sistemas que se interagem e podem dar explicação para 
o surgimento da crise estrutural?
a) Econômico, Energético e Racional.
b) Racional, Ambiental e Energético.
c) Produtivo, Econômico e Natural.
d) Produtivo, Econômico e Energético.
e) Econômico, Natural e Racional.
Questão 3
24/222
4 - Os seguintes itens: “a produção e distribuição igualitária de alimen-
tos, geração de empregos, redução da pobreza, aumento e diversificação 
das matrizes energéticas, abastecimento e disponibilização de água de 
qualidade e em quantidade suficiente”, estão relacionados com:
a) Problemas alternativos para o desenvolvimento humano.
b) Problemas fundamentais para o desenvolvimento humano.
c) Paradigmas alternativos da humanidade.
d) Paradigmas dominantes da humanidade.
e) Itens dos sistemas econômicos e produtivos.
Questão 4
25/222
5 - A gestão ambiental é descrita como um novo paradigma para o al-
cance da sustentabilidade. Tendo o conceito de paradigma como orien-
tação da sua resposta assinale a alternativa correta.
a) A gestão ambiental é a ponte entre o antropocentrismo e o geocentrismo.
b) A gestão ambiental se inicia quando se promovem adaptações ou modificações no 
ambiente natural, de forma a adequá-lo às necessidades individuais ou coletivas.
c) A gestão ambiental promove a mudança de visão de mundo favorecendo o ser humano 
em detrimento do meio ambiente.
d) A gestão ambiental, assim como a definição de paradigma, explica o surgimento da 
sustentabilidade.
e) A gestão ambiental favorece o aparecimento dos paradigmas dominantes e alternativos 
de sustentabilidade.
Questão 5
26/222
Gabarito
1. Resposta: D.
É notório o fato das alterações no meio 
ambiente ocorridas desde a Revolução 
Industrial serem causadas pelo homem e 
acelerada nas últimas décadas pelo avanço 
tecnológico moderno e desta forma, enseja 
a necessidade de as questões ambientais 
serem tratadas de forma ideológica, ou 
seja, qual a ideia e direção que a sociedade 
deseja ter frente aos impactos destes 
avanços tecnológicos e os impactos 
negativos para o meio ambiente.
2. Resposta: A.
Na época da Revolução Industrial deu-se 
início à super valoração do ser humano 
frente aos aspectos da natureza. A figura 
humana passou a ser o centro de referência 
de nossos pensamentos e ações; este fato 
causou grande mudança na perspectiva 
filosófica e cultural que antes era centrada 
em Deus, passando assim a ser centrada no 
homem.
3. Resposta: C.
Os sistemas econômicos, produtivos e, por 
conseguinte ambientais estão fortemente 
ligados. A ocorrência de um desarranjo 
estrutural em qualquer um destes sistemas, 
causa a denominada crise estrutural. Este 
modelo de desenvolvimento apresenta 
problemas na base energética de 
sustentação da produção. Estabelecida a 
27/222
Gabarito
crise energética, o efeito de consecução 
afeta o custo da produção de bens e a 
circularidade mercadológica dos bens-
capitais. Assim, a crise econômica 
retroalimenta então a crise enérgica, 
surgindo a crise ambiental desencadeada 
a partir da implantação do modelo 
econômico vigente, esta crise se incorpora 
às outras duas, formando um complexo 
interativo com retroalimentação positivo, 
no sentido do aumento da crise estrutural.
4. Resposta: B.
Para que sejapossível a sustentabilidade, 
se faz necessário conhecer inicialmente 
quais os problemas que impede a 
sustentabilidade e resolver estes, 
promovendo a igualdade no acesso aos 
recursos naturais e assim, por sua vez, 
aos recursos produtivos e econômicos. 
Portanto, os itens apresentados na questão 
compõem necessariamente os problemas 
fundamentais para o desenvolvimento 
humano.
5. Resposta: B.
De acordo com Philippi (2014), o processo 
de Gestão Ambiental pode ser considerado 
um novo paradigma, pois este se inicia 
quando se promovem adaptações ou 
modificações no ambiente natural, de 
forma a adequá-lo às necessidades 
individuais ou coletivas.
28/222
Unidade 2
Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade
Objetivos
1. Identificar como o debate em torno do modelo 
de desenvolvimento mundial no século XX deu 
início à preocupação das questões ambientais 
e à sustentabilidade no Brasil e no mundo.
2. Compreender o termo sustentabilidade 
inserido no contexto do atual século e os 
desafios de sua integração junto à sociedade.
3. Entender o planejamento ambiental como 
um dos principais instrumentos indutores da 
sustentabilidade na sociedade.
Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade29/222
Introdução
Muitas vezes você se depara com algumas 
perguntas com respostas difíceis de 
serem encontradas, não é mesmo? Talvez 
algumas delas sejam: o ser humano sempre 
se preocupou com o meio ambiente? 
Porque falamos e nos preocupamos com 
a sustentabilidade hoje em dia? Tais 
respostas, nos obrigam a pesquisar como 
foi o desenvolvimento histórico destas 
questões e quais os seus contextos para 
chegar a tal preocupação nos dias atuais. 
Portanto, você está convidado a entrar 
nesta viagem do conhecimento dos 
principais fatos históricos ambientais do 
século XX.
Para saber mais
Smog é o termo usado para definir o acúmulo 
da poluição do ar nas cidades, que forma 
uma grande neblina de fumaça no ambiente 
atmosférico próximo à superfície. A palavra 
smog, aliás, é justamente a junção das palavras 
smoke (fumaça) e fog (neblina). Esse fenômeno 
prejudica a qualidade do ar e também diminui a 
visibilidade nos ambientes urbanos. Disponível 
em: <http://www.mundoeducacao.com/
geografia/smog.htm>. Acesso em: 11 jun. 
2015.
Paralelamente nos Estados Unidos, nas 
décadas de 1950 e 1960, o planejamento 
econômico ganhava importância sob a 
visão de crescimento econômico baseado 
Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade30/222
no PIB (Produto Interno Bruto), sem 
considerar as questões ambientais e sociais 
nestes planejamentos.
Neste mesmo período, o debate sobre a 
necessidade de se exigir os estudos de 
impacto ambiental das grandes obras 
estatais, tanto no continente europeu 
quanto no americano tomaram corpo, 
fazendo com que as universidades 
retomassem a visão holística e integradora 
do meio, considerando as ações humanas 
como parte do processo de avaliação. 
Nesta realidade, que se transformava 
lentamente, é que os princípios de 
planejamento das cidades e do campo 
foram incorporando o quesito “questões 
ambientais”.
A publicação do livro Primavera Silenciosa 
da americana Raquel Carson, em 1962, 
teve importante papel na conscientização 
da sociedade em relação aos riscos e 
comprometimento da qualidade do 
meio ambiente e seus efeitos na saúde 
humana. Carson aborda a magnificação 
biológica de moléculas de inseticidas 
sintéticos clorados, demonstrando 
que agrotóxicos utilizados nas doses 
recomendadas poderiam se concentrar 
na cadeia alimentar, causando problemas 
aos organismos que ocupam níveis mais 
elevados da escala trófica, entre eles o ser 
humano (PHILIPPI JR., 2014).
Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade31/222
Link
Assista ao vídeo: 
Dia da Terra - Earth Days - Parte 3 de 12
<https://www.youtube.com/watch?v=GK-
Xyc9Wo3Q>
Assim, no final da década de 1960 ocorreu 
uma releitura dos fundamentos conceituais 
de desenvolvimento, gerada por diversas 
causas histórico-políticas. Os países 
subdesenvolvidos estavam sempre muito 
longe dos padrões do Primeiro Mundo e 
a ênfase na mentalidade voltada para o 
consumo provocava consequências graves, 
tais como poluição, desigualdade social, 
aumento da criminalidade e insatisfações 
da sociedade. Ganha destaque a ideia 
de não haver um modelo único de 
desenvolvimento, sendo o melhor aquele 
que a própria sociedade decide, com 
satisfação de suas necessidades, segundo 
suas condições e sua representatividade 
social. Surgiram modelos alternativos de 
desenvolvimento, considerando benefícios 
desvinculados do aspecto puramente 
econômico – como qualidade de vida 
físico-mental, conforto, higiene, educação 
–, bem como características negativas do 
chamado “mundo desenvolvido”, como 
poluição e degradação ambiental (SANTOS, 
2007).
Na visão da mesma autora, aquelas antigas 
premissas de planejamento, com base 
Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade32/222
Para saber mais
O Clube de Roma é uma organização independente, 
sem fins lucrativos. A função do Clube de Roma 
é debater as causas principais dos retos e as 
crises que o mundo enfrenta atualmente: o nosso 
conceito atual de crescimento, desenvolvimento 
e globalização. Disponível em: <https://www.
portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/
biologia/o-clube-de-roma-1972/20122>. 
Acesso em: 11 jun. 2015.
em definições econômicas e de caráter 
setorial, não mais serviam como referência 
indiscutível. Exigiam-se planejamentos 
mais abrangentes, dinâmicos, preocupados 
com avaliações de impacto ambiental. 
Não mais se admitia usar como sinônimos: 
desenvolvimento econômico e crescimento 
econômico, qualidade de vida e padrão de 
vida. Países subdesenvolvidos que haviam 
alcançado um significativo crescimento 
de seu PIB ainda conservavam um grande 
número de indivíduos sem acesso aos 
serviços sociais básicos (saúde, educação, 
nutrição), desvinculando a correlação entre 
crescimento econômico e bem-estar social.
Em continuidade, Santos (2007) relata 
que os estudiosos na área ambiental são 
unânimes em afirmar que o marco das 
preocupações do homem moderno com 
o meio ambiente, incorporando questões 
sociais, políticas, ecológicas e econômicas 
com o uso racional dos recursos, deu-se 
em 1968, com o Clube de Roma.
Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade33/222
Essa foi uma reunião de diversos países 
e de diversas áreas do conhecimento: 
biológica, econômica, social, política e 
industrial. Reuniram-se para discutir o 
uso dos recursos naturais e o futuro da 
humanidade. O relatório final chamado 
“Limites de Crescimento” abalou as 
convicções da época sobre o valor do 
desenvolvimento econômico e a sociedade 
passou a fazer maior pressão sobre os 
governos acerca da questão ambiental. 
Essa reunião foi o motivo impulsor para 
que, em 1969, os EUA elaborassem NEPA 
(National Environmental Policy Act), uma 
legislação que exigia considerações 
ambientais no planejamento e nas 
decisões sobre projetos de grande escala. 
Seguiram-se ao NEPA diversas legislações, 
em outros países, com considerações 
ambientais. Considerando os vários 
marcos históricos referentes a temas de 
interesse ambiental, após o “Limites de 
Crescimento” foram realizadas diversas 
conferências que passaram a discutir a 
questão ambiental. 
A Conferência das Nações Unidas sobre o 
Meio Ambiente Humano, em Estocolmo, 
no ano de 1972, foi considerada a primeira 
grande reunião mundial sobre o tema e 
se transformou no marco histórico mais 
conhecido sobre a discussão ambiental 
até então. Na reunião de Estocolmo 
criou-se o PNUMA (Programadas Nações 
Unidas para o Meio Ambiente), com o 
objetivo de gerenciar as atividades de 
proteção ambiental, e o Fundo Voluntário 
Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade34/222
para o Meio Ambiente. Destaca-se 
ainda a consolidação do conceito de eco 
desenvolvimento, que nos anos seguintes 
foi considerado característico de um 
modelo ambiental extremista, ensejando 
a construção da nova terminologia 
“desenvolvimento sustentável”, que 
seria considerada uma proposta mais 
conciliadora e que, a partir daí muitos 
governos estimularam suas políticas 
ambientais em seus respectivos centros, 
tendo como consequência o início dos 
planejamentos estruturados nesta nova 
ordem. Já na década de 1980, com a 
criação da Comissão Mundial sobre Meio 
Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), 
coordenada pela Primeira Ministra da 
Noruega Gro Brundtland, foi apresentado 
ao mundo em 1987 o Relatório “Nosso 
Futuro Comum” ou Relatório Brundtland, 
que oficializou o termo desenvolvimento 
sustentável. Neste documento foram 
apontadas as várias crises globais (como 
energia e camada de ozônio) e destacadas 
a extinção de espécies e o esgotamento 
de recursos genéticos. Reforçou-se ainda, 
o debate sobre o fenômeno da erosão 
induzida e a perda de florestas. Estas eram 
as bases a serem consideradas em futuros 
planejamentos, já adjetivadas nessa 
década como ambientais (SANTOS, 2007), 
(PHILIPPI JR, 2014).
Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade35/222
Link
Gro Brundtland é uma diplomata norueguesa, líder internacional na área do 
desenvolvimento sustentável e da saúde pública. Primeira mulher a chefiar o governo 
da Noruega, voltando a ocupar o cargo em outras duas ocasiões, é enviada especial das 
Nações Unidas para Mudanças Climáticas, sendo uma das responsáveis por estabelecer 
o diálogo internacional com governos e organizações para o estabelecimento de um 
tratado pós-Protocolo de Kyoto. Gro Brundtland integra o The Elders, grupo fundado 
por Nelson Mandela, que reúne grandes líderes globais que trabalham em conjunto 
pela paz e pelos Direitos Humanos. Disponível em: <http://www.fronteiras.com/
conferencistas/gro-harlem-brundtland>. Acesso em: 11 jun. 2015.
A Conferência Rio-92, vinte anos após o Encontro de Estocolmo, uniu 178 nações para debater 
temas voltados à conservação ambiental, à qualidade de vida na Terra e à consolidação 
política e técnica do desenvolvimento sustentável. Dos documentos finais produzidos pela 
conferência o que mais mereceu destaque mundial foi a Agenda 21, em que, dentre os seus 
Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade36/222
quarenta capítulos, o Capítulo 7 faz 
referência particular para o planejamento 
rural e urbano, recomendando a 
avaliação das atividades humanas, do 
uso da terra e a orientação desejada 
dos espaços dentro dos preceitos de 
desenvolvimento sustentável, desdobrado 
em sustentabilidade econômica, social, 
ambiental, política e cultural. Assim, a 
nova ordem para o planejamento estava 
documentada. Após a Rio-92 foram 
realizados diversos encontros mundiais 
para discussão da sustentabilidade, com 
destaque para as: Rio+5 (Nova York), 
Reunião de Quioto, no Japão, que deu 
origem ao Tratado de Quioto que visa 
diminuir a emissão de gases do efeito 
estufa na atmosfera, entretanto com baixo 
impacto mundial ainda; a Rio+10 (África 
do Sul) com a integração do saneamento 
ambiental nas discussões e Rio+20 (Rio de 
Janeiro), cujos resultados ainda não podem 
ser sentidos na prática (SANTOS, 2007), 
(PHILIPPI JR, 2014).
Link
A Agenda 21 pode ser definida como um 
instrumento de planejamento para a construção 
de sociedades sustentáveis, em diferentes 
bases geográficas, que concilia métodos de 
proteção ambiental, justiça social e eficiência 
econômica. Disponível em: <http://www.mma.
gov.br/responsabilidade-socioambiental/
agenda-21>. Acesso em: 11 jun. 2015.
Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade37/222
Link
O Protocolo de Quioto constitui um tratado 
complementar à Convenção-Quadro das Nações 
Unidas sobre Mudança do Clima. Criado em 
1997, definiu metas de redução de emissões 
para os países desenvolvidos, responsáveis 
históricos pela mudança atual do clima. 
Disponível em: <http://www.mma.gov.br/
clima/convencao-das-nacoes-unidas/
protocolo-de-quioto>. Acesso em: 11 jun. 
2015.
Atualmente, nos países em 
desenvolvimento, a alternativa encontrada 
nos planejamentos é aplicar um ou alguns 
princípios da Agenda 21 local como o 
ideário de desenvolvimento sustentável.
1.1. Reflexos do debate mundial 
sobre a prática da sustentabili-
dade no Brasil
Neste momento, após compreender o 
contexto histórico em que se desenvolveu 
o conceito de sustentabilidade no mundo, 
você pode estar indagando: “Mas e o Brasil 
nessa história? Qual a importância da 
sustentabilidade para o país?
Quando o debate mundial sobre as 
questões ambientais já estava em pleno 
desenvolvimento, o Brasil vivia seu período 
de expansão econômica alavancando o seu 
parque industrial e como consequência 
aumentando os níveis de poluentes. 
Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade38/222
Somente no início dos anos 1980 que 
o Brasil se inseriu neste debate, com a 
Política Nacional de Meio Ambiente (Lei 
n° 6.938/81), uma verdadeira “carta de 
intenções” em relação à conservação 
do meio, mas que mesmo assim foi a 
responsável pela criação do CONAMA 
(Conselho Nacional de Meio Ambiente) 
e do SISNAMA (Sistema Nacional de 
Meio Ambiente), formulando diretrizes 
de avaliação de impactos, planejamento 
e gerenciamento, de zoneamento 
ambientais, usando como unidades de 
planejamento as bacias hidrográficas.
Para saber mais
O zoneamento ambiental, como uma ferramenta 
de planejamento integrado aparece como 
uma solução possível para o ordenamento 
do uso racional dos recursos, garantindo a 
manutenção da biodiversidade, os processos 
naturais e serviços ambientais ecossistêmicos. 
Esta necessidade de ordenamento territorial 
faz-se necessária frente ao rápido avanço da 
fronteira agrícola, a intensificação dos processos 
de urbanização e industrialização associados à 
escassez de recursos orçamentários destinados 
ao controle dessas atividades. Disponível em: 
<http://www.ibama.gov.br/areas-tematicas/
zoneamento-ambiental>. Acesso em: 11 jun. 
2015.
Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade39/222
Foi a primeira vez que, explicitamente, 
surgiu uma proposta de planejamento 
ambiental no Brasil, como forma de 
orientação de ordenamento territorial. A 
lei era densa e se baseava em concepções 
modernas de avaliação e gerenciamento 
do espaço. Esse documento inspirou 
muitos trabalhos voltados a planos de 
bacias hidrográficas (SANTOS, 2007).
Na década de 1990, o planejamento 
ambiental foi incorporado aos planos 
diretores municipais. Foi a partir desses 
trabalhos que se obtiveram as informações 
mais contundentes sobre qualidade 
de vida, desenvolvimento sustentável, 
sociedade e meio ambiente, promovidas 
pela preocupação com o ser humano. Em 
1997 foi estabelecida a Política Nacional 
de Recursos Hídricos (Lei n° 9.433/97), 
já em 1998 foi sancionada a Lei de 
Crimes Ambientais (Lei n° 9.795/98) e 
em 1999 por meio da Lei n° 9.795/99, 
se estabeleceu a Política Nacional de 
Educação Ambiental. No ano de 2000, 
foi promulgada a Lei n° 9.985/00, que 
instituiu o Sistema Nacional de Unidades 
de Conservação da Natureza (SNUC). Em 
2001, a Lei n° 10.257/01, conhecida como 
Estatuto das Cidades, estabelece diretrizes 
gerais da política urbana, que é uma 
política descentralizadora e participativa,no sentido de que as comunidades devem 
participar das decisões sobre suas áreas 
de vivência, sua comunidade, bairro ou 
município. Verifica-se, portanto, que 
em todos esses instrumentos legais, as 
Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade40/222
questões ambientais estão presentes e são 
conduzidas com caráter essencialmente 
democrático, principalmente no que tange 
ao desenvolvimento urbano, trazendo a 
participação social como fundamental em 
todos os processos de decisão. Em 2007 a 
Lei n° 11.445/07 cria a Política Nacional de 
Saneamento Básico, e por fim após 21 anos 
de tramitações no Congresso Nacional, 
em 2010, envolvendo embates políticos 
e econômicos a Lei n° 6.938/10, instituiu 
a Política Nacional de Resíduos Sólidos. 
Desta forma resumida é que se apresenta 
os principais marcos históricos referentes 
às questões ambientais no Brasil, 
demonstrando que, mais do que outros 
países, o Brasil embora tenha uma grande 
quantidade de leis sobre as questões 
ambientais, está dando os primeiros 
passos tanto na execução dessas leis, como 
no processo de construção teórica sobre 
planejamento ambiental, e em contínuo 
processo de revisão, nestas últimas quatro 
décadas.
1.2. Planejamento Ambiental – 
conceitos e práticas a caminho 
da sustentabilidade
A partir deste momento, você estudará 
os principais conceitos de planejamento 
ambiental e as suas formas práticas que 
induzem à sustentabilidade.
Desde a antiguidade existem relatos 
de formas de planejamento, condição 
presente no instinto humano desde o 
Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade41/222
momento em que este se propôs a viver em 
sociedade, obedecendo normas e objetivos 
em comum. Como visto anteriormente, a 
crescente preocupação da humanidade 
com as questões ambientais tem seu 
início no século XX. Desta forma, para 
que se encaminhassem “soluções” 
para estas questões, lançou-se mão de 
instrumentos, em especial o planejamento, 
aqui entendido conceitualmente de forma 
simplificada, como um meio sistemático 
de determinar o estágio em que você 
está, onde deseja chegar e qual o melhor 
caminho para chegar lá. Se o planejamento 
implica decidir sobre ações futuras, 
previsões e estimativas de cenários futuros 
são essenciais. Devem ser previstas, 
por exemplo, as consequências de cada 
alternativa de ação proposta, bem como 
o somatório delas. Se ocorrem previsões 
e formulam-se suas probabilidades, a 
tomada de decisão também envolve 
as incertezas e os riscos. Tanto quanto 
os recursos, as ações propostas devem 
referir-se a um ou mais locais e também 
devem ser especializadas, qualificadas 
e quantificadas. Como costumam 
ser indicadas para datas e graus de 
emergência diferentes, elas precisam ser 
ordenadas por prioridade ao longo do 
tempo (SANTOS, 2007).
A mesma autora cita que o planejamento 
surgiu, nas três últimas décadas, em razão 
do aumento dramático da competição 
por terras, água, recursos energéticos e 
biológicos, que gerou a necessidade de 
Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade42/222
organizar o uso da terra, de compatibilizar 
esse uso com a proteção de ambientes 
ameaçados e de melhorar a qualidade de 
vida das populações.
Visando à sustentabilidade, o 
planejamento ambiental geralmente 
considera os critérios a longo prazo, mas 
busca estabelecer também medidas a 
curto e médio prazos. Este procedimento 
pretende reorganizar o espaço, 
paulatinamente, para que não apenas 
no presente, mas também no futuro, as 
fontes e meios de recursos sejam usados e 
manejados de forma a responderem pelas 
necessidades da sociedade.
Para Santos (2007), tais necessidades 
conciliam-se na produção e distribuição 
de alimento, água, matéria-prima, energia 
e bens de consumo na construção de 
moradias e instalações, na disposição 
e tratamento de resíduos, na criação e 
manutenção de sistema de circulação 
e acesso, na criação e manutenção de 
espaços verdes, na promoção da educação 
e desenvolvimento cultural. Esta tarefa 
é bastante complexa e envolve todos os 
setores da sociedade.
Por fim, o planejamento ambiental deve, 
sobretudo, resolver a questão sobre qual 
é a melhor combinação de usos de uma 
área, para satisfazer a necessidade de 
um maior número de pessoas de forma 
sustentada (hoje e no futuro) (ARAUJO, 
2008). Desta forma, o planejamento 
ambiental deve estar atrelado ao conceito 
de desenvolvimento sustentável, cuja 
Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade43/222
definição - consagrada mundialmente - é o “desenvolvimento que atende às necessidades 
do presente sem comprometer a possibilidade das futuras gerações de satisfazer as suas 
necessidades” (CMMAD, 1988).
Glossário
PIB: é a sigla para Produto Interno Bruto e representa a soma, em valores monetários, de todos os bens e 
serviços finais produzidos numa determinada região, durante um período determinado. (Fonte: Disponível 
em: <http://www.significados.com.br/pib/>. Acesso em: 11 jun. 2015).
Holístico ou holista: é um adjetivo que classifica alguma coisa relacionada com o holismo, ou seja, que 
procura compreender os fenômenos na sua totalidade e globalidade. (Fonte: Disponível em: <http://www.
significados.com.br/holistico/>. Acesso em: 11 jun. 2015).
Paulatinamente: De maneira paulatina; de modo lento; em que há lentidão: começou a caminhar, 
paulatinamente, pela casa. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio.com.br/paulatinamente/>. Acesso 
em: 11 jun. 2015).
Questão
reflexão
?
para
44/222
Você observou que o século XX foi o precursor do debate mundial 
sobre as questões ambientais, que deu origem ao conceito de 
desenvolvimento sustentável. Neste cenário, o planejamento 
ambiental encontra-se como o principal instrumento de gestão 
ambiental indutor da sustentabilidade. Diante disto, leia o artigo 
Os “Limites do Crescimento” 40 anos depois: das “profecias 
do apocalipse ambiental” ao “futuro comum ecologicamente 
sustentável” de autoria Leandro Dias de Oliveira (2012), disponível 
em: <http://r1.ufrrj.br/revistaconti/pdfs/1/ART4.pdf>. Acesso em: 11 
jun. 2015, e faça a análise da seção do artigo: Comparativo entre as 
premissas do “Limites do Crescimento” e o “Relatório Brundtland” 
e integre esta análise com os conceitos de planejamento ambiental 
45/222
Questão
reflexão ?para
apresentados e discutidos na Leitura Fundamental, com o objetivo 
de mostrar a importância deste instrumento de gestão ambiental 
como indutor da sustentabilidade, através da escrita de um 
pequeno texto dissertativo e entregue ao professor presencial.
46/222
Considerações Finais
É possível, por meio da compreensão histórica dos fatos, indicar respostas 
para o surgimento da preocupação humana frente às questões ambientais e 
como a mesma humanidade planeja e planejará suas ações, cada qual no seu 
tempo apropriado.
Dentre todas as atribuições dadas ao planejamento ambiental, acredita-se 
que uma das mais importantes seja o fato de se pautar, predominantemente, 
pelo potencial e pelos limites que o meio apresenta, e não pela demanda 
crescente ou pela má gestão político-administrativa.
Unidade 2 • Planejamento Ambiental: Fator Indutor da Sustentabilidade47/222
Referências 
ARAUJO, R.T. de. Zoneamento ecológico-econômico do município de Santa Cruz da Conceição – 
SP: uma proposta conceitual de planejamento para a sustentabilidade local. São Carlos: UFSCar, 
Tese de Doutorado. 2008. 95p.
CMMAD, Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso futuro comum. 
Rio de Janeiro: Ed. FGV, 1988. 430 p.
PHILIPPI JR., A.; ROMERO, M. A.; BRUNA, G.C. Curso de gestão ambiental. 2. ed. Barueri, SP: Ed. 
Manole, 2014. 1.250p.
SANTOS, R. F. Planejamento ambiental:teoria e prática. 2. ed. v. 1. São Paulo: Oficina de Textos, 
2007, 184p.
48/222
Aula 2 - Tema: Planejamento Ambiental: 
Fator Indutor da Sustentabilidade – Parte I 
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/
d7a671ebb2b0b1028f707bb8a128e0ef>.
Aula 2 - Tema: Planejamento Ambiental: 
Fator Indutor da Sustentabilidade – Parte II.
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/
3d62e85e0e5c8f38903b88fbfb1a03bf>. 
Assista a suas aulas
49/222
1 - Qual a publicação que teve papel fundamental para a difusão na cons-
cientização da sociedade em relação aos riscos e comprometimento da 
qualidade do meio ambiente e seus efeitos na saúde humana?
a) Primavera Cautelosa.
b) Primavera Holística.
c) Primavera Silenciosa.
d) Primavera Carson.
e) Primavera Contagiosa.
Questão 1
50/222
2 - O surgimento de um fenômeno climático deu origem aos primeiros de-
bates sobre a contaminação de ambientes naturais vinda das atividades in-
dustriais, após a Segunda Guerra Mundial. Qual foi este fenômeno?
a) Aquecimento Global.
b) Buraco da Camada de Ozônio.
c) Extinção das espécies da fauna.
d) Extinção das espécies da flora.
e) Smog.
Questão 2
51/222
3 - Qual o significado da sigla PNUMA?
a) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
b) Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
c) Programa das Nações Unidas para a Sustentabilidade.
d) Programa das Nações Unidas para os Recursos Naturais.
e) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano.
Questão 3
52/222
4 - Na década de 1990, o planejamento ambiental foi incorporado em qual 
política pública de desenvolvimento urbano?
a) Plano de Bacias Hidrográficas.
b) Plano de Unidades de Conservação.
c) Plano de Zoneamento.
d) Plano Plurianual.
e) Plano Diretor.
Questão 4
53/222
5 - Visando à sustentabilidade, o planejamento ambiental geralmente con-
sidera os critérios a longo prazo, mas busca estabelecer também medidas 
a curto e médios prazos. Marque a alternativa correta que explica esta afir-
mação.
a) Este procedimento pretende reorganizar o espaço, paulatinamente, para que não apenas 
no presente, mas também no futuro, as fontes e meios de recursos sejam usados e manejados 
de forma a responderem pelas necessidades da sociedade.
b) O planejamento ambiental considera as informações primárias no estabelecimento de 
suas diretrizes.
c) Este procedimento pretende reorganizar o espaço, rapidamente, para que apenas no 
presente, e não no futuro, as fontes e meios de recursos sejam usados e manejados de forma a 
responderem pelas necessidades da sociedade.
d) O planejamento ambiental considera as informações secundárias no estabelecimento de 
suas diretrizes.
e) Este procedimento pretende reorganizar o espaço, paulatinamente, para que apenas no 
presente, as fontes e meios de recursos sejam usados e manejados de forma a responderem 
pelas necessidades da sociedade.
Questão 5
54/222
Gabarito
1. Resposta: C.
A publicação do livro Primavera Silenciosa 
da Americana Raquel Carson, em 1962, 
teve importante papel na conscientização 
da sociedade em relação aos riscos e 
comprometimento da qualidade do meio 
ambiente e seus efeitos na saúde humana. 
Carson aborda a magnificação biológica de 
moléculas de inseticidas sintéticos clorados 
demonstrando que agrotóxicos utilizados 
nas doses recomendadas poderiam se 
concentrar na cadeia alimentar, causando 
problemas aos organismos que ocupam 
níveis mais elevados da escala trófica, entre 
eles o ser humano (PHILIPPI JR, 2014).
2. Resposta: E.
Um primeiro grande momento histórico 
que merece sua citação foi a criação da 
Organização Mundial da Saúde (OMS) em 
1946, logo após o final da Segunda Grande 
Guerra e nos anos seguintes, onde o debate 
se iniciava em torno da contaminação de 
ambientes naturais vinda das atividades 
industriais, como o smog em Londres.
3. Resposta: B.
Na reunião de Estocolmo 1972, criou-se 
o PNUMA (Programa das Nações Unidas 
para o Meio Ambiente), com o objetivo 
de gerenciar as atividades de proteção 
ambiental, e o Fundo Voluntário para o 
Meio Ambiente.
55/222
4. Resposta: E.
Na década de 1990, o planejamento 
ambiental foi incorporado aos planos 
diretores municipais. Foi a partir desses 
trabalhos que se obtiveram as informações 
mais contundentes sobre qualidade 
de vida, desenvolvimento sustentável, 
sociedade e meio ambiente, promovidas 
pela preocupação com o ser humano.
5. Resposta: A.
Para Santos (2007), visando à 
sustentabilidade, o planejamento 
ambiental geralmente considera os 
critérios a longo prazo, mas busca 
Gabarito
estabelecer também medidas a curto e 
médio prazos. Este procedimento pretende 
reorganizar o espaço, paulatinamente, para 
que não apenas no presente, mas também 
no futuro, as fontes e meios de recursos 
sejam usados e manejados de forma 
a responderem pelas necessidades da 
sociedade. E, tais necessidades conciliam-
se na produção e distribuição de alimento, 
água, matéria-prima, energia e bens de 
consumo na construção de moradias e 
instalações, na disposição e tratamento 
de resíduos, na criação e manutenção de 
sistema de circulação e acesso, na criação 
e manutenção de espaços verdes, na 
promoção da educação e desenvolvimento 
cultural.
56/222
Unidade 3
Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental
Objetivos
1. Identificar, por meio do planejamento 
ambiental, o que é essencial e representativo 
da realidade.
2. Entender a natureza, as características, a 
função e o funcionamento do todo.
3. Estudar as principais etapas, estruturas e 
instrumentos de planejamento ambiental com 
vistas à construção do próprio planejamento 
ambiental pelo aluno.
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental57/222
Introdução
No dia a dia, muitas vezes você nem percebe, mas está planejando tudo a cada segundo, 
a cada passo que é dado na rua. É isto mesmo que você está pensando agora, sempre 
planejamos, mesmo que de forma inconsciente. Fazemos isto como forma de sobrevivência 
neste mundo contemporâneo onde o que é verdadeiro ou correto já não é mais daqui alguns 
momentos, obrigando-nos a cada instante planejar novamente nossas ações e “caminhos”. 
Desta forma, você é o convidado especial para o conhecimento das estruturas de organização 
e funcionamento do planejamento ambiental, instrumento fundamental nos sistemas de 
gestão ambiental que você utilizará no seu curso de pós-graduação e principalmente na vida 
profissional.
Para estudar os sistemas ambientais, cujos elementos estão em permanente interação, 
exige-se como ferramenta a interação entre várias disciplinas, para que cada uma delas, em 
articulação com as demais, apresente resultados e interpretações que levem ao diagnóstico do 
sistema estudado. Desta forma, os métodos e técnicas de análise ambiental devem absorver a 
interdisciplinaridade como um pressuposto, o que, do ponto de vista dos participantes, exige 
profissionais de várias especialidades atuando em conjunto, numa equipe multidisciplinar 
(MAGLIO & PHILIPPI JR, 2010). 
Embora existam diversas formas e fontes bibliográficas para citar a descrição das etapas de 
planejamento ambiental, neste texto utilizou-se as etapas descritas na obra “Construindo o 
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental58/222
desenvolvimento local sustentável”, de 
autoria de Sérgio C. Buarque (2008), que 
aborda o planejamento ambiental para 
uma localidade específica, neste caso o 
município.
1. Estrutura organizacional para 
o planejamento ambiental
O processo de planejamento se divide em 
quatro etapas sequenciais,interligadas e 
continuadas: o conhecimento da realidade, 
a tomada de decisões, a execução do 
plano e, finalmente, o acompanhamento, 
o controle e a avaliação das ações 
(CARVALHO, 1997 apud BUARQUE, 2008).
As duas primeiras etapas do processo de 
planejamento – conhecimento e tomada de 
decisões – constituem a fase de elaboração 
propriamente dita dos planos de 
desenvolvimento local, que definem o que 
será executado, expresso pelo documento 
ou produto (plano de desenvolvimento). 
Entretanto, devem ser definidos nessa fase 
os elementos básicos para a execução e o 
acompanhamento do plano, que se iniciam, 
efetivamente, imediatamente após a sua 
aprovação pela sociedade. Na realidade, 
um dos componentes centrais do plano 
que será, portanto, produzido nessas duas 
etapas, será a formulação de um modelo 
de gestão, que representa o sistema de 
organização da sociedade e dos agentes 
públicos para as duas etapas seguintes: a 
execução e o acompanhamento do plano.
De forma resumida e sistemática, 
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental59/222
apresenta-se, a seguir, a sequências das 
atividades de elaboração do plano.
a. Conhecimento da realidade: para 
tomar decisões fundamentadas e 
consistentes, é necessário, antes de 
tudo, compreender a realidade da 
localidade, deve passar, de alguma 
forma e com diferentes níveis de 
profundidade e rigor técnico, pelos 
seguintes procedimentos sequenciais 
e complementares:
• Delimitação do objeto: o processo 
de trabalho deve se iniciar com 
a delimitação da localidade (ou 
comunidade) que se pretende 
planejar: seus limites físico-
geográficos e institucionais, as 
relações estruturais das variáveis 
determinantes e as relações da 
localidade com seu contexto 
socioeconômico, ambiental e 
político-institucional (onde está 
situada a localidade?).
• Diagnóstico: O diagnóstico 
consiste na compreensão da 
realidade atual da localidade 
e dos fatores internos que 
estão amadurecendo e que 
podem facilitar ou dificultar o 
desenvolvimento local. Para se 
perceberem as condições atuais 
da localidade, é importante se 
analisar o processo de evolução 
recente da realidade, que 
sintetiza a história da localidade 
e os fatores que explicam o seu 
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental60/222
desempenho. Para incorporar 
as concepções contemporâneas 
de desenvolvimento – 
desenvolvimento sustentável –, o 
diagnóstico deve tratar a realidade 
de forma multidisciplinar, 
procurando observar e confrontar 
os componentes ou dimensões 
econômica, sociocultural, 
ambiental, tecnológica e político-
institucional. Toda análise e 
reflexão deve convergir para 
a identificação dos principais 
problemas e potencialidades 
locais, o que é insatisfatório na 
realidade ou está impedindo o 
desenvolvimento (problemas) 
e o que pode facilitar o 
desenvolvimento local 
(potencialidades). O que a 
sociedade não aceita e pretende 
modificar na realidade? O 
que emperra e estrangula o 
desenvolvimento local? E, quais 
as grandes potencialidades e 
condições da localidade para 
alavancar o desenvolvimento?
• O diagnóstico deve combinar 
e confrontar o levantamento e 
análise técnica da realidade com 
a visão da sociedade – fazendo 
interagir as diferentes percepções 
dos atores sociais – sobre a 
situação local, seus principais 
problemas e potencialidades 
internas. Deve-se estabelecer 
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental61/222
uma negociação das duas 
percepções da realidade, bastante 
distintas, mas complementares, 
cotejando os interesses e desejos 
da sociedade com os limites e as 
possibilidades técnicas.
• Prognósticos: o prognóstico 
busca antecipar possíveis 
desdobramentos futuros da 
realidade e, principalmente, do 
seu contexto externo, informação 
importante para dimensionar as 
possibilidades de realização dos 
desejos da sociedade e, portanto, 
para formulação da estratégia de 
desenvolvimento local. Trata-se, 
nesse caso, de compreender em 
que condições se situa a localidade 
e para onde ela tenderia a evoluir, 
destacando as tendências 
prováveis dos processos externos, 
ressaltando aqueles de maior 
impacto sobre a realidade local. 
O prognóstico deve, assim, 
identificar as oportunidades 
que o contexto abre e oferece 
para o desenvolvimento local, 
e os fatores externos que 
podem constituir ameaças 
ao seu desenvolvimento. As 
alternativas futuras do contexto 
procuram interpretar para onde 
deve evoluir, provavelmente, 
o contexto socioeconômico e 
político-institucional em que 
está inserida a localidade. É, 
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental62/222
portanto, uma expressão do 
cruzamento dos determinantes 
externos com os condicionantes 
internos, com diferentes hipóteses 
de comportamento futuro. 
Dependendo dessas hipóteses, 
a localidade pode caminhar 
para diferentes alternativas de 
desenvolvimento futuro, que 
delimitam as possibilidades 
de realização dos desejos da 
sociedade.
b. Tomada de decisões: Esta etapa 
do processo de planejamento 
trata das efetivas escolhas da 
sociedade sobre o seu futuro 
e, principalmente, das ações 
necessárias e viáveis para se 
promover o desenvolvimento 
local. Como apresentado a seguir, 
as decisões se manifestam por meio 
de um conjunto de fatores que irão 
compor o plano de desenvolvimento:
• Visão do futuro: a primeira 
definição importante da sociedade 
local diz respeito ao futuro 
desejado: aonde se pretende 
chegar com a implementação de 
um plano, o que se define por meio 
de uma descrição qualitativa e 
quantitativa da realidade futura. 
A visão do futuro se manifesta em 
três subconjuntos diferenciados 
(visão do futuro, objetivos e 
metas). O primeiro apresenta 
o estado futuro desejado pela 
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental63/222
sociedade, atemporal e livre de 
restrições, sinalizando para uma 
imagem objetivo a longo prazo 
que serve de referência para as 
decisões estratégicas.
• Considerando a realidade atual 
e o futuro desejado, podem 
ser definidos os objetivos que 
serão perseguidos pelo plano de 
desenvolvimento, expressando 
o desenho da situação futura 
desejada e possível de alcançar 
no horizonte do plano (o que se 
pretende e se pode alcançar e 
aonde se quer chegar no futuro?). 
Na verdade, os objetivos são uma 
descrição qualitativa do futuro 
desejado para um determinado 
prazo.
• Por outro lado, as metas 
representam a quantificação 
dos objetivos, explicitando 
os resultados quantificáveis 
pretendidos e que podem ser 
gerados com a estratégia do plano 
em determinados prazos.
• Formulação das opções 
estratégicas: a estratégia é um 
conjunto selecionado de ações 
convergentes e articuladas 
capazes de transformar a 
realidade, de modo a construir 
o futuro desejado e, portanto, 
viabilizar os objetivos e as 
metas definidas pela sociedade. 
Assim, as opções estratégicas 
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental64/222
identificam as ações capazes 
de enfrentar e contornar os 
problemas e estrangulamentos 
centrais e de explorar as principais 
potencialidades locais, de modo 
a aproveitar as oportunidades 
externas e a permitir a defesa 
diante de prováveis ameaças.
• Elaboração dos programas e 
projetos: o passo seguinte no 
processo decisório deve levar à 
formulação das ações concretas 
e operacionais. Dessa forma, 
a elaboração dos programas e 
projetos representa uma síntese 
consistente e integradora dos 
processos agregados – formulação 
das opções estratégicas – e 
desagregados – que detalham a 
estratégia na definição de ações 
por dimensão para enfrentaros problemas e explorar as 
potencialidades econômicas, 
socioculturais, ambientais, 
tecnológicas e político-
institucionais.
• Como todas as etapas do processo 
de planejamento, os programas 
resultam em um processo 
combinado de análise técnica, 
formulação política e visão da 
sociedade, incluindo as múltiplas 
e diferenciadas aspirações desta 
última, procurando analisar a 
sua consistência e viabilidade e 
sua relação com as definições 
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental65/222
programáticas e técnicas.
• Definição dos instrumentos: para 
a implementação da estratégia 
com suas políticas, programas 
e projetos, devem ser definidos 
e viabilizados instrumentos 
(meios financeiros, legais, 
organizacionais, institucionais) 
com que se pode e se deve 
contar para a efetiva execução 
do plano. Particularmente os 
instrumentos financeiros devem 
ser sistematizados em uma matriz 
de fontes e usos que distribua os 
recursos nas áreas programáticas, 
organizando os já existentes, 
os que podem ser captados e 
os que devem ser criados. Os 
instrumentos procuram definir, 
portanto, os meios financeiros, 
fiscais, organizacionais e 
institucionais, legais e políticos 
com que se pode e se deve atuar 
para a efetiva execução das ações 
locais.
• Para definição dos instrumentos 
gerais devem ser realizados os 
seguintes procedimentos: (Análise 
dos meios requeridos; Análise 
dos diversos instrumentos, 
fontes de recursos, programas e 
projetos; Análise da pertinência e 
adequação; Análise da viabilidade 
financeira).
• Formulação do modelo de 
gestão: O modelo de gestão 
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental66/222
é o sistema institucional e a 
arquitetura organizacional 
adequados e necessários para 
se implementar a estratégia e 
o plano de desenvolvimento 
local, mobilizando e articulando 
os atores (organizações da 
sociedade) e agentes (instâncias 
públicas), com seus diversos 
instrumentos, e assegurando 
a participação da sociedade 
no processo, para a execução e 
acompanhamento das ações.
• Trata-se da definição da forma 
como a sociedade e o Estado 
(setor público) devem se organizar 
para a implementação das ações, 
da gestão dos instrumentos e 
programas, e para avaliação dos 
seus resultados.
• O sistema deve estruturar e 
distribuir as responsabilidades dos 
agentes e atores para a execução 
das diversas tarefas e atividades, 
expressas, de forma sintética, 
em uma matriz institucional, que 
distribui as responsabilidades 
e atividades entre os atores 
e agentes públicos (incluindo 
os indicadores de avaliação e 
acompanhamento), de modo a 
comprometer a sociedade numa 
situação de corresponsabilidade e 
reforçar o controle social sobre o 
processo.
• Por outro lado, deve explicitar 
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental67/222
os mecanismos e as 
instâncias de participação 
da sociedade e dos atores 
sociais no acompanhamento 
e na implementação do 
plano, assegurando o sistema 
participativo de gestão.
• Construção da adesão e 
sustentabilidade políticas: o 
conjunto das atividades definidas 
para elaboração do plano deve 
gerar elementos suficientes para 
compor uma versão do documento 
que expresse a estratégia de 
desenvolvimento sustentável. 
Entretanto, para que esse 
documento tenha uma base sólida 
de sustentação na sociedade e nos 
parceiros, é necessário que passe 
por vários ciclos de discussão 
estruturada com a sociedade, para 
ir construindo a aderência política 
dos atores. Para tanto, devem 
ser implementadas a seguintes 
subatividades: (Distribuição 
de documento preliminar para 
as instâncias; Discussões e 
formulações da sociedade; 
Discussão na instância política 
mais agregada; construção de uma 
agenda de compromissos e revisão 
e produção da versão final).
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental68/222
2. Instrumentos de planejamen-
to ambiental
O planejamento ambiental pode se 
apresentar sob diferentes formas de 
expressão. A escolha de um determinado 
instrumento deve ocorrer em função dos 
objetivos, objeto e tema central enfocados.
Deve considerar a adequação de sua 
estrutura e conteúdo, do espaço político-
territorial visado, do detalhamento previsto 
para as proposições e do tempo disponível 
para execução. Em diversos casos, 
trabalhos com Zoneamentos, Estudos 
de Impacto Ambiental, Planos de Bacias 
Hidrográficas, Planos Diretores Ambientais, 
Planos de Manejo ou Áreas de Proteção 
Ambiental, entre outros, são apresentados 
como sinônimos de planejamento 
ambiental.
Link
Zoneamentos - elencado como um dos 
instrumentos da Política Nacional do Meio 
Ambiente (Lei federal nº 6.938/1981), o 
termo, posteriormente, quando da edição do 
decreto federal nº 4.297/2002, evolui para 
zoneamento ecológico-econômico (ZEE). 
Disponível em: <http://www.mma.gov.br/
gestao-territorial/zoneamento-territorial/
item/8188>. Acesso em: 11 jun. 2015.
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental69/222
Link
Estudos de Impacto Ambiental - é o conjunto de relatórios técnicos destinados a instruir o processo de 
licenciamento. Os relatórios são elaborados por equipe multidisciplinar, habilitada e independente, com 
base em Instruções Técnicas (IT´s) específicas. Disponível em: <http://www.inea.rj.gov.br/Portal/
MegaDropDown/Licenciamento/EstudoImpAmbReldeImpactoAmb/index.htm&lang=>. 
Acesso em: 11 jun. 2015.
Para saber mais
Planos de Bacias Hidrográficas - O objetivo geral do planejamento em recursos hídricos é garantir 
o bem-estar das pessoas em um ambiente ecologicamente sadio, incluindo esperança individual e 
coletiva de desenvolvimento sustentável. O objetivo geral de um plano de bacia é a compatibilização 
entre oferta e demanda de água, em quantidade e qualidade, para todos os pontos da bacia 
hidrográfica. Disponível em: <http://www.agenciapcj.org.br/novo/instrumentos-de-gestao/
plano-de-bacias>. Acesso em: 11 jun. 2015.
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental70/222
Para saber mais
Planos Diretores Ambientais – ler o artigo “Política Ambiental Municipal: importância do Plano 
Diretor em normatizar a ocupação e expansão urbana no que tange ao desenvolvimento sustentável 
e recuperação ambiental”. Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_
link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11872>. Acesso em: 11 jun. 2015.
Para saber mais
Planos de Manejo - O manejo e gestão adequados de uma Unidade de Conservação devem estar 
embasados não só no conhecimento dos elementos que conformam o espaço em questão, mas também 
numa interpretação da interação destes elementos. Disponível em: <http://www.icmbio.gov.br/
portal/biodiversidade/unidades-de-conservacao/planos-de-manejo.html>. Acesso em: 11 jun. 
2015.
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental71/222
Essas formas deveriam, na realidade, 
ser chamadas de instrumentos do 
planejamento ambiental, se atuam sobre o 
meio natural e atividades produtivas ou se 
atuam como caminho e recurso dirigidos 
a alcançar objetivos e metas específicos, 
e, ainda, se estão baseados em sua função 
ou utilidade e observam as formalidades e 
limites de suas atribuições particulares.
A primeira questão a ser inquirida pelo 
planejador é se o instrumento selecionado 
representa um processo de planejamento 
ambiental, com uma estrutura composta 
das fases consideradas imprescindíveis, 
que englobam desde a proposição do 
objetivo e seleção da área a propostas que 
materializam as alternativas selecionadas 
ou a estratégia adotada. Um simples 
exemplo é o zoneamento territorial,comumente citado como um instrumento 
do planejamento.
O zoneamento compõe-se das fases de 
inventário e diagnóstico, que resultam na 
definição de áreas que compartimentam os 
diversos sistemas ambientais componentes 
do espaço estudado.
As zonas supostamente homogêneas 
referem-se às áreas identificadas 
numa paisagem (por exemplo, bacias 
hidrográficas) passíveis de ser delimitadas 
no espaço e na escala adotada e que 
possuem estrutura e funcionamento 
semelhantes. São definidas por 
agrupamentos das variáveis (componentes, 
fatores e atributos ambientais) que 
apresentam alto grau de associação 
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental72/222
dentro da paisagem. Diferentes zonas 
homogêneas exibem significativa 
diferenciação entre os grupos de variáveis. 
Em outras palavras devem-se reconhecer 
com clareza as similaridades dos 
elementos componentes de um grupo e, 
simultaneamente claras definições entre os 
grupos.
Estas zonas precisam considerar as 
potencialidades, vocações e fragilidades 
naturais, identificar os impactos, bem 
como expressar as relações sociais e 
econômicas do território. De forma 
geral, os zoneamentos ambientais 
são apresentados na forma de mapas 
temáticos, matrizes ou índices ambientais. 
Deve-se destacar que, no Brasil o 
zoneamento é muito usado pelo Poder 
Público como instrumento legal, para 
implementar normas de uso do território 
nacional. No entanto, o reconhecimento 
dessas áreas, que se restringe a analisar 
o ambiente e classificar seus atributos, 
é somente um suporte para um 
planejamento ambiental, necessitando 
de complementações metodológicas que 
conduzam a orientações para o uso desses 
espaços dentro de cenários temporais.
Entre todas as considerações feitas, um 
aspecto crucial que os planejadores devem 
lembrar é que, seja qual for o instrumento 
de planejamento ambiental escolhido, 
sempre se trabalha com um recorte 
da realidade do espaço e, portanto, a 
complexidade e as relações do meio são 
simplificadas e generalizadas. O melhor 
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental73/222
desempenho está na identificação de 
objetivos abrangentes e concretos, do 
instrumento correto, das variáveis que 
representam mais fielmente as principais 
relações existentes e dos problemas 
fundamentais no cenário real e futuro do 
espaço planejado.
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental74/222
Glossário
Sistemática - Ação ou efeito de sistematizar; sistematização. Biologia. Ciência que caracteriza, 
sistematiza e/ou classifica os seres vivos. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio.com.br/
sistematica/>. Acesso em: 11 jun. 2015).
Cotejar - Confrontar, comparar. Comparar, pôr em paralelo. (Fonte: Disponível em: <http://
www.dicio.com.br/cotejar/>. Acesso em: 11 jun. 2015).
Atemporal - Que não pode ser controlado pelo tempo; que não se adequa a qualquer tempo; 
que não faz parte de um tempo determinado; intemporal: livro atemporal. (Fonte: Disponível 
em: <http://www.dicio.com.br/atemporal/>. Acesso em: 11 jun. 2015).
Mobilizar - Dar movimento a, movimentar. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio.com.br/
mobilizar/>. Acesso em: 11 jun. 2015).
Articular - Unir pelas juntas, juntar pelas articulações. Suceder-se numa ordem crescente: as 
partes de uma exposição que se articulam bem. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio.com.
br/articular/>. Acesso em: 11 jun. 2015).
Matriz - Lugar onde alguma coisa se gera ou se cria; fonte, manancial. Disposição ordenada 
de um conjunto de elementos estatísticos. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio.com.br/
matriz/>. Acesso em: 11 jun. 2015).
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental75/222
Glossário
Instância - Qualidade daquilo que é iminente; particularidade do que pode acontecer a 
qualquer momento; atributo do que está prestes a... (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio.
com.br/instancia/>. Acesso em: 11 jun. 2015).
Enfocado - Que se pôs em foco. Visto conforme uma acepção. (Fonte: Disponível em: <http://
www.dicio.com.br/enfocado/>. Acesso em: 11 jun. 2015).
Imprescindível - que não se pode dispensar ou renunciar. Que não se pode prescindir, 
renunciar ou dispensar. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio.com.br/imprescindivel/>. 
Acesso em: 11 jun. 2015).
Comumente - De maneira comum, ordinária; de modo vulgar. Em que há frequência ou de 
modo habitual. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio.com.br/comumente/>. Acesso em: 
11jun. 2015).
Inventário - Listagem detalhada mercadorias, produtos etc. Caracterização pormenorizada de 
alguma coisa. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicio.com.br/inventario/>. Acesso em: 11 jun. 
2015).
Questão
reflexão
?
para
76/222
Você observou que existem diversos instrumentos de 
planejamento ambiental que podem ser utilizados para resolução 
das questões ambientais atuais. Provavelmente em conjunto 
com o Zoneamento Ecológico-Econômico, os Planos de Manejo 
de Unidades de Conservação no Brasil sejam os principais e mais 
bem estudados e implementados. Desta forma, acesse o link 
do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade: 
<http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/unidades-
de-conservacao/planos-de-manejo.html> e aprofunde seus 
conhecimentos sobre este instrumento, analisando um dos 
diversos planos de manejo de unidades de conservação existentes 
no país.
77/222
Considerações Finais
 » Identifica-se que para cumprir suas etapas, o planejamento ambiental, 
de forma geral, apresenta-se como um processo, ou seja, é elaborado 
em fases que evoluem sucessivamente, sendo o resultado de uma a 
base ou os princípios para o desenvolvimento da etapa seguinte.
 » Ao se escolher um instrumento de planejamento ambiental, é 
inevitável refletir se o planejamento preocupa-se em administrar o 
recurso, ordenar o espaço, executar tarefas, manusear o meio, propor 
alternativas, implementar projetos, monitorar, controlar eventos, 
controlar doenças, garantir a perenidade do recurso, aproveitar e 
explorar o recurso, entre outras ações.
Unidade 3 • Etapas, Estruturas e Instrumentos do Planejamento Ambiental78/222
Referências 
BUARQUE, S.C. Construindo o desenvolvimento local sustentável. Rio de Janeiro: Garamond, 
2008. 4ed. cap. 5. p. 95-120.
MAGLIO, I.C.; PHILIPPI JR, A. Planejamento ambiental: metodologia e prática de abordagem. In: 
PHILIPPI JR, A. Saneamento, saúde e ambiente. 1. ed. 2. reimpressão, Barueri, SP: Ed. Manole., 
2010. p. 663-688.
SANTOS, R. F. Planejamento ambiental: teoria e prática. 2. ed. v. 1. São Paulo: Oficina de 
Textos, 2007. 184p.
79/222
Aula 3 - Tema: Etapas, Estruturas e Instrumentos 
do Planejamento Ambiental – Parte I 
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/
f6c89a775dc2a455190b1e168938b56d>.
Aula 3 - Tema: Etapas, Estruturas e 
Instrumentos do Planejamento Ambiental – 
Parte II.
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/
8f45ba95934ad63734f1d5e346264c32>. 
Assista a suas aulas
80/222
1- Quais são as quatro etapas sequenciais, interligadas e continuadas que 
integram um planejamento?
a) O conhecimento da realidade, a tomada de decisões, a execução do plano e o 
acompanhamento e a coleta de dados primários, secundários e terciários.
b) O controle e a avaliação das ações, a coleta de dados primários, secundários e terciários, 
montagem da equipe de trabalho e, a participação da sociedade local.
c) O conhecimento da realidade, a tomada de decisões, a execução do plano e o 
acompanhamento e o controle e a avaliação das ações.
d) O controle e a avaliação das ações.e) A coleta de dados primários, secundários e terciários, a tomada de decisões, montagem 
da equipe de trabalho e o desenvolvimento da liderança do planejamento.
Questão 1
81/222
2- A delimitação do objeto e o diagnóstico são procedimentos sequenciais 
e complementares de qual etapa do planejamento?
a) Tomada de decisões.
b) Conhecimento da realidade.
c) Avaliação das ações.
d) Execução do plano.
e) Acompanhamento e controle.
Questão 2
82/222
3- Qual o significado da sigla PNUMA?
a) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
b) Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
c) Programa das Nações Unidas para a Sustentabilidade.
d) Programa das Nações Unidas para os Recursos Naturais.
e) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano.
Questão 3
83/222
4- Em geral, qual a forma de apresentação para a sociedade do zoneamen-
to ambiental?
a) Na forma de tabelas.
b) Na forma de quadros.
c) Na forma de gráficos.
d) Na forma de mapas.
e) Na forma de figuras.
Questão 4
84/222
5- Dentre as alternativas abaixo, qual demonstra a maior das limitações de 
qualquer dos instrumentos de planejamento ambiental?
a) O fato dos instrumentos de planejamento custarem muito caro.
b) O fato dos instrumentos de planejamento demandarem conhecimento prévio e futuro da 
área a ser trabalhada.
c) O fato de ter a obrigação de comissão de avaliação prévia de impacto ambiental.
d) O fato de ser muito demorado o uso de instrumentos em planejamento ambiental.
e) O fato de se trabalhar com um recorte da realidade do espaço e, portanto, a complexidade 
e as relações do meio são simplificadas e generalizadas.
Questão 5
85/222
Gabarito
1. Resposta: C.
O processo de planejamento se divide em 
quatro etapas sequenciais, interligadas e 
continuadas: o conhecimento da realidade, 
a tomada de decisões, a execução do 
plano e, finalmente, o acompanhamento, 
o controle e a avaliação das ações 
(CARVALHO, 1997 apud BUARQUE, 2008).
2. Resposta: B. 
Conhecimento da realidade: para tomar 
decisões fundamentadas e consistentes, 
é necessário, antes de tudo, compreender 
a realidade da localidade, deve passar, 
de alguma forma e com diferentes níveis 
de profundidade e rigor técnico, pelos 
seguintes procedimentos sequenciais e 
complementares:
• Delimitação do objeto: o processo 
de trabalho deve se iniciar com 
a delimitação da localidade (ou 
comunidade) que se pretende 
planejar: seus limites físico-
geográficos e institucionais, as 
relações estruturais das variáveis 
determinantes e as relações da 
localidade com seu contexto 
socioeconômico, ambiental e 
político-institucional (onde está 
situada a localidade?).
• Diagnóstico: o diagnóstico consiste 
na compreensão da realidade 
atual da localidade e dos fatores 
86/222
internos que estão amadurecendo 
e que podem facilitar ou dificultar o 
desenvolvimento local.
3. Resposta: B.
Na reunião de Estocolmo 1972, criou-se 
o PNUMA (Programa das Nações Unidas 
para o Meio Ambiente), com o objetivo 
de gerenciar as atividades de proteção 
ambiental, e o Fundo Voluntário para o 
Meio Ambiente.
4. Resposta: D.
De forma geral, os zoneamentos 
ambientais são apresentados na forma 
de mapas temáticos, matrizes ou índices 
ambientais.
5. Resposta: E.
No decorrer da leitura fundamental, 
comprova-se que um aspecto crucial que 
os planejadores devem lembrar é que, seja 
qual for o instrumento de planejamento 
ambiental escolhido, sempre se trabalha 
com um recorte da realidade do espaço e, 
portanto, a complexidade e as relações do 
meio são simplificadas e generalizadas. O 
melhor desempenho está na identificação 
de objetivos abrangentes e concretos, do 
instrumento correto, das variáveis que 
representam mais fielmente as principais 
Gabarito
87/222
relações existentes e dos problemas 
fundamentais no cenário real e futuro do 
espaço planejado.
Gabarito
88/222
Unidade 4
Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental
Objetivos
1. Identificar por quais temas o planejamento 
ambiental deve caminhar em busca da 
sustentabilidade.
2. Compreender a necessidade do entendimento 
multidisciplinar para construção do planejamento 
ambiental.
3. Compreender os elementos mais incipientes 
da paisagem até o contexto social de interação 
homem-território.
Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental89/222
Introdução
Ao se deparar com a missão de elaborar um planejamento ambiental, você entra em um 
universo complexo com diversas abordagens multidisciplinares que muitas vezes podem 
lhe causar confusões ou mesmo indecisões, contribuindo para erros estratégicos que 
acarretarão falsos diagnósticos, prognósticos, indicadores, monitoramentos e impactarão as 
decisões e assim o processo de gestão ambiental. Desta forma, você, a partir deste momento, 
compreenderá a necessidade de interpretar o meio em relação à sua composição, estrutura, 
processo e função, como um todo contínuo no espaço. Por essa razão, de acordo com Santos 
(2007), o diagnóstico procura compreender o meio de forma global, por intermédio do 
levantamento de dados ligados a diversas disciplinas. A tendência é apresentar as disciplinas 
numa sequência que representa a evolução das transformações e a velocidade de mudança 
no espaço estudado. Assim, o inventário principia pelos elementos climáticos e geológicos 
e caminha em direção às disciplinas que falam da ação do homem no espaço. Os temas que 
abordam as características dos objetivos e das ações humanas fundamentam o debate de 
todos os outros temas do planejamento. Afinal, eles revelam a coerência (ou incoerência) 
entre a estrutura espacial, dinâmica populacional e condições de vida da população e, ainda, 
traduzem o significado social e político do que foi descrito como estado do meio pelos temas 
do meio físico e biológico.
Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental90/222
1. Interpretação dos níveis de 
informação (temas e temáticas)
Na sistematização da apresentação das 
disciplinas, é necessário compreender 
que existem, pelo menos, dois níveis de 
informação a serem considerados: o das 
temáticas e o dos temas. O tema refere-se 
a uma determinada matéria que contém 
conceitos e métodos particulares. Cada 
tema é um núcleo próprio de dados que 
gera uma composição específica de 
informações. Conceitua-se temática 
como um conjunto de temas que, quando 
associados, permitem uma análise que é a 
síntese de uma fração particular do meio 
(SANTOS, 2007).
Em planejamento ambiental é 
aconselhável que os temas ou indicadores 
sejam representados no espaço, pois 
esta estratégia facilita a interpretação, 
integração e manejo das informações 
por meio de documentação cartográfica. 
Podem ser mapeados quaisquer 
elementos do meio, seja físico, biótico, 
social, econômico ou cultural, porém, 
a capacidade de representação dos 
fenômenos está diretamente limitada 
à subjetividade do dado de entrada, à 
abrangência no espaço ou ao tipo de 
informação. Assim, mapeamentos auxiliam 
a compreensão sobre o meio, mas não 
podem ser entendidos como ferramenta 
única para a tomada de decisão (SANTOS, 
2007). Embora não existam definições 
estáticas de quais temas/temáticas devem 
Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental91/222
ser abordados em cada planejamento, visto que esta “escolha” é dada por cada objetivo do 
planejamento, de maneira geral os aspectos físicos, biológicos, as pressões exercidas pelas 
atividades humanas, sociais e econômicas e as respostas da sociedade a essas pressões são 
encontrados de forma recorrente nos planejamentos.
A seguir, você estudará os principais temas e temáticas encontrados nos planejamentos 
ambientais em discussão e execuçãono Brasil e certamente entenderá a obrigatoriedade 
do seu estudo de forma transdisciplinar voltado ao trabalho com as mais diversas áreas das 
ciências e seus profissionais, elevando sua formação acadêmica e profissional, proporcionando 
empregabilidade em funções líderes e de formação de opinião junto à sociedade. Os temas aqui 
estudados de acordo com Santos (2007), são:
• Geologia: a maior parte dos planejamentos ambientais apresenta dados referentes à 
geologia, quase sempre espacializados em mapas.
O objetivo é fornecer informações litológicas e estruturais do substrato rochoso da 
área planejada e subsidiar os estudos relativos à ocorrência de minerais e materiais de 
importância econômica.
Os estudos geológicos apresentam as informações mais remotas sobre a formação, a 
Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental92/222
evolução e a estabilidade terrestre e auxiliam muito na construção dos cenários passados 
e atuais. Os planejamentos utilizam dados secundários e, algumas vezes, sistematizam e 
ajustam mapas geológicos existentes por meio da interpretação de imagens de sensores 
remotos e trabalhos de campo.
No Brasil, o padrão é compilar cartas topográficas e geológicas, ajustando-as com 
imagens de radar ou satélite. Os estudos costumam indicar as unidades geológicas, sua 
estrutura, estratigrafia, litologia e evolução.
As informações servem para a análise dos tipos e da dinâmica superficial dos terrenos. 
Elas subsidiam as interpretações sobre o relevo, solo e processos de erosão, entre outros 
dados e permitem ao pesquisador deduzir a permeabilidade do solo, o tipo de vegetação e 
a disponibilidade de água superficial e subterrânea e de recursos minerais.
• Clima: o clima, o substrato rochoso e o relevo são os temas de maior hierarquia para 
caracterizar e ordenar as paisagens.
O clima busca esclarecer a influência desse elemento na vida, na saúde, na distribuição 
e nas atividades humanas da área planejada. Em larga escala temporal, os dados 
permitem reconhecer a influência do clima sobre o solo, a fauna e a flora, auxiliando na 
Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental93/222
compreensão do cenário atual.
O clima deve ser relacionado aos outros temas e, para tanto, são necessários dados de 
longo prazo e inúmeras variáveis. A maioria dos trabalhos prende-se a duas variáveis 
apresentadas como subtemas: a precipitação e a temperatura.
• Geomorfologia: para estudos integrados da paisagem, os dados de geomorfologia 
são considerados imprescindíveis. A análise do relevo permite sintetizar a história das 
interações dinâmicas que ocorreram entre o substrato Iitólico, a tectônica e as variações 
climáticas.
Associados a outros elementos do meio, os dados de geomorfologia podem auxiliar 
na interpretação de fenômenos como inundações e variações climáticas locais, são 
informações vitais para avaliar movimentos de massa e instabilidades dos terrenos.
Cada tipo ou forma do relevo está associado a um conjunto fisionômico característico e a 
composições especificas de cobertura vegetal e distribuição da fauna, permitindo ampla 
correlação.
Os dados geomorfológicos permitem interpretar uma questão indispensável para o 
planejamento ambiental: a relação entre as configurações superficiais do terreno, a 
Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental94/222
distribuição dos núcleos ou aglomerados humanos e dos usos do solo em função das 
limitações impostas pelo relevo.
• Solos: o solo é o suporte dos ecossistemas e das atividades humanas sobre a terra, seu 
estudo é imprescindível para o planejamento.
Quando se analisa o solo, pode-se deduzir sua potencial idade e fragilidade como 
elemento natural, como recurso produtivo, como substrato de atividades construtivas ou 
como concentrador de impacto.
O solo é um tema importante para explicar o fenômeno de erosão e assoreamento, cuja 
compreensão é primordial ao planejamento. Em área rural, esses fenômenos estão muito 
ligados à agricultura, reconhecida por alterar substancialmente o meio, gerando impactos 
severos e rompendo o equilíbrio natural.
Para o espaço urbano, a mesma lógica pode ser usada quando se pensa, por exemplo, na 
implantação e operação de obras civis, nas quais a característica do material de superfície 
pode definir a aptidão (ou restrição) para diferentes usos, como estradas, sistemas de 
tratamento, construção de canais, sistemas de drenagem etc.
Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental95/222
• Capacidade de uso das terras: o tema derivado capacidade de uso é bastante 
desenvolvido em planejamento, pois fornece duas respostas básicas: o potencial de 
uso da área (ou o uso adequado, com práticas adequadas, voltadas à conservação e 
proteção do recurso) e a ocorrência de inadequação de uso (ou a ocorrência de conflitos 
envolvendo o uso atual e o uso recomendável).
Em suma, essa análise norteia muitas tomadas de decisão do ponto de vista da 
conservação ambiental, da vocação agropecuária, do risco de erosão, da produtividade, 
do controle de impactos ou da indicação de tecnologias adequadas. São usadas 
informações sobre as características do clima, do solo, do relevo, da topografia ou da 
declividade, que limitam o uso agrícola e/ou impõem risco de degradação da terra.
• Hidrografia: neste tema você normalmente usa a bacia ou microbacia hidrográfica como 
unidade de gestão. 
A estratégia é analisar as propriedades, a distribuição e a circulação da água, para 
interpretar as potencialidades e restrições de uso; mapear inicialmente a hidrografia com 
todas as drenagens que compõem a rede hídrica. Os documentos base, são as cartas 
topográficas oficiais.
Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental96/222
• Vegetação: este tema tem grande potencial como indicador ambiental. É caracterizado 
pelo domínio, formações e tipos de cobertura natural, que devem ser espacializados, 
quantificados e qualificados de acordo com o seu estado de conservação atual, em 
seguida, a identificação da fisionomia, estrutura e composição florística. Essas avaliações, 
em datas diferentes, permitem indicar as mudanças, sua direção e velocidade ao longo do 
tempo.
• Fauna: utilizado para indicar qualidade ambiental do meio, escolher áreas a serem 
protegidas e especificar manejo. É considerado um tema contíguo à flora. O caminho 
é reconhecer a estrutura e diversidade da comunidade, composição, abundância, 
frequência, distribuição, dominância e a riqueza das espécies; identificar espécies raras, 
em risco de extinção, exóticas e migratórias, endemismo e grau de perturbação.
• Uso e ocupação das terras: retrata as atividades humanas que podem significar 
pressão e impacto sobre os elementos naturais. É uma ponte essencial para análise de 
fontes de poluição e um elo importante entre as informações dos meios biofísicos e 
socioeconômico. 
Em geral, as formas de uso e ocupação são identificadas (tipos de usos), espacializadas 
Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental97/222
(mapa de uso), caracterizadas (pela intensidade de uso e indícios de manejo) e 
quantificadas (percentual de área ocupada pelo tipo). As informações sobre esse tema 
devem descrever não só a situação atual, mas as mudanças recentes e o histórico de 
ocupação da área de estudo.
• Temática Dinâmica Populacional, economia e aspectos políticos e institucionais: a 
análise do processo de urbanização, suas consequências e a compreensão da estrutura 
e dinâmica da população, importantes para o diagnóstico ambiental, dependem da 
interpretação de aspectos demográficos, econômicos e políticos institucionais. 
Os dados de entradas mais comuns compreendem dois tipos de unidades espaciais: 
municipal e por setor censitário. São obtidos a partir de levantamentos como censos, 
planilhas, cartogramasou mapas.
• Temática Condições de Vida: condições de vida é uma expressão designada em 
planejamento para explicitar as desigualdades sociais, fornece indícios da dinâmica social 
e define os elos entre esses fatos e a qualidade do ambiente natural. Assim, por exemplo, 
a ocorrência de doenças infecto-parasitárias, ausência de saneamento básico, más 
condições de habitação, precária educação e baixa renda de um segmento da população 
Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental98/222
são frequentemente ligadas à péssima qualidade de água e à ausência de cobertura 
vegetal natural.
Ao finalizar esta leitura, você deve compreende que a ênfase sobre os temas apresentados 
de forma resumida tem o objetivo de mostrar a complexidade do planejamento ambiental. 
Muitos desses planejamentos tratam as informações de uma forma excessivamente simplista, 
restrita às informações secundárias obtidas de censos e mapas. Outros utilizam indicadores 
adjetivados sem atentar ao que eles realmente representam, sem conceituar seu significado, 
deduzindo de forma rápida e indevida o valor da qualidade das informações obtidas. Desta 
forma, você somente terá sucesso no seu planejamento ambiental, por meio de um estudo 
muito bem desenvolvido, contendo um diagnóstico também muito bem desenvolvido, 
fechando as relações entre estados, pressão e resposta e traduzindo os impactos ambientais.
Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental99/222
Glossário
Espacialização - criar uma referência espacial a um objeto ou a um evento. (Fonte: Disponível em: 
<http://www.dicionarioinformal.com.br/significado/espacializa%C3%A7%C3%A3o/6373/>. Acesso 
em: 17 jun. 2015).
Informações litológicas - são aqueles referentes ao estudo das rochas. (Fonte: Disponível em: <http://
www.dicionarioinformal.com.br/litol%C3%B3gicas/>. Acesso em: 17 jun. 2015).
Substrato - é a base, o fundamento, a essência. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com.
br/substrato/>. Acesso em: 17 jun. 2015).
Bacia ou microbacia hidrográfica - uma bacia hidrográfica ou bacia de drenagem de um curso 
de água é o conjunto de terras que fazem a drenagem da água das precipitações para esse curso de 
água e rios menores que desaguam em rios maiores (afluentes). (Fonte: Disponível em: <http://www.
dicionarioinformal.com.br/bacia%20hidrogr%C3%A1fica/>. Acesso em: 17 jun. 2015).
Questão
reflexão
?
para
100/222
Você compreendeu a necessidade de se juntar diversos 
temas e realizar a temática destes, ou seja, a sua análise e 
compreensão de forma transdisciplinar para que a construção 
do planejamento ambiental. Em geral, a bacia hidrográfica 
ou mesmo a microbacia hidrográfica em escala municipal/
territorial é a principal unidade de gerenciamento ambiental. 
Desta forma, acesse o link: <http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs/
index.php/raega/article/viewArticle/18225> e aprofunde 
seus conhecimentos a gestão ambiental de microbacias 
hidrográficas.
101/222
Considerações Finais
Observa-se que a interdisciplinaridade é obrigatória na análise das temáticas 
ambientais;
É possível verificar que até este momento não se tem clareza conceitual e metodológica 
acerca do caminho para se unir os temas, de forma a recriar, efetivamente, a paisagem 
global e as suas múltiplas relações de estado, pressão e resposta, todavia deve-se 
manter o conhecimento especializado original, para preservar a qualidade do trabalho.
Unidade 4 • Temáticas e Temas Usados em Planejamento Ambiental102/222
Referências
SANTOS, R. F. Planejamento ambiental: teoria e prática. 2. ed. v. 1, São Paulo: Oficina de Textos, 
2007, 184p.
103/222
Aula 4 - Tema: Temáticas e Temas Usados
em Planejamento Ambiental – Parte I 
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/
4610c33965d5686be91475951d2ea8c0>.
Aula 4 - Tema: Temáticas e Temas Usados
em Planejamento Ambiental – Parte II.
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA-
piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/c0a-
aa5d56344c7ec357a899edef48c21>. 
Assista a suas aulas
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1- Qual alternativa apresenta as diferenças entre temas e temáticas refe-
rentes ao planejamento ambiental?
a) O tema refere-se a uma determinada matéria que contém conceitos e métodos 
particulares e a temática é um conjunto de temas que, quando associados, permitem uma 
análise que é a síntese de uma fração particular do meio.
b) O tema refere-se ao diagnóstico e a temática refere-se ao prognóstico do planejamento 
ambiental.
c) O tema refere-se à apresentação dos indicadores por meio de mapas e a temática refere-
se à apresentação dos indicadores por meio de tabelas.
d) O tema refere-se aos dados primários em planejamento ambiental e a temática refere-se 
aos dados secundários em planejamento ambiental.
e) O tema refere-se aos fenômenos subjetivos e a temática refere-se aos fenômenos 
objetivos no planejamento ambiental.
Questão 1
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2- Um dos temas estudados em planejamentos ambientais é a geologia. 
Assim, qual é o objetivo da geologia no planejamento ambiental?
a) Fornecer informações do solo e sua estrutura pedológica.
b) Estudar a influência das rochas no relevo da paisagem.
c) Fornecer informações litológicas e estruturais do solo da área planejada para analisar os 
possíveis impactos ambientais provindos do solo.
d) Fornecer informações litológicas e estruturais do substrato rochoso da área planejada e 
subsidiar os estudos relativos à ocorrência de minerais e materiais de importância econômica.
e) Estudar a influência das rochas e minerais no relevo da paisagem com vistas à ocorrência 
de possíveis impactos ambientais provindos do solo.
Questão 2
106/222
3- Quais são os documentos base para os estudos do tema hidrografia?
a) Cartas geológicas oficiais.
b) Cartas topográficas oficiais.
c) Cartas hidrográficas oficiais.
d) Plano de Bacia Hidrográfica.
e) Plano de Drenagem hidrográfica.
Questão 3
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4- A análise do processo de urbanização, suas consequências e a com-
preensão da estrutura e dinâmica da população, são componentes de 
qual temática?
a) Classe de uso do solo.
b) Urbanidade.
c) Dinâmica periférica.
d) Condições de vida.
e) Dinâmica populacional.
Questão 4
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5- A temática condições de vida pode ser caracterizada como sendo uma 
temática de vanguarda, ou seja, uma temática nova e que desempenha 
importante papel de análise no planejamento ambiental. Desta forma, é 
possível afirmar que esta temática se preocupa com:
a) As doenças e o valor salarial da população com vistas às orientações econômicas do 
planejamento ambiental.
b) As desigualdades sociais fornecem indícios da dinâmica social e definem os elos entre 
esses fatos e a qualidade do ambiente natural.
c) As desigualdades ambientais entre zona rural e urbana associadas ao ganho salarial das 
pessoas.
d) O fato das condições sociais das pessoas interferirem no saneamento ambiental e nas 
doenças.
e) A dinâmica demográfica sobre a qualidade ambiental da área estudada.
Questão 5
109/222
Gabarito
1. Resposta: A.
Na sistematização da apresentação das 
disciplinas, é necessário compreender 
que existem, pelo menos, dois níveis de 
informação a serem considerados: o das 
temáticas e o dos temas. O tema refere-se 
a uma determinada matéria que contém 
conceitos e métodos particulares. Cada 
tema é um núcleo próprio de dados que 
gera uma composição específica de 
informações. Conceitua-se temática 
como um conjunto de temas que, quando 
associados, permitem uma análise que é a 
síntese de uma fração particular do meio 
(SANTOS, 2007).
2. Resposta: D.
O objetivo de estudar a geologia no 
planejamento ambientalé fornecer 
informações litológicas e estruturais do 
substrato rochoso da área planejada e 
subsidiar os estudos relativos à ocorrência 
de minerais e materiais de importância 
econômica. De forma geral, o substrato 
rochoso e o clima são os primeiros tópicos 
a serem tratados em planejamento.
3. Resposta: B.
A estratégia é analisar as propriedades, a 
distribuição e a circulação da água, para 
interpretar as potencialidades e restrições 
de uso, mapear inicialmente a hidrografia 
110/222
com todas as drenagens que compõem a 
rede hídrica. Os documentos base, são as 
cartas topográficas oficiais.
4. Resposta: E.
Temática Dinâmica Populacional, 
economia e aspectos políticos e 
institucionais: a análise do processo de 
urbanização, suas consequências e a 
compreensão da estrutura e dinâmica da 
população, importantes para o diagnóstico 
ambiental, dependem da interpretação 
de aspectos demográficos, econômicos e 
políticos institucionais.
Gabarito
5. Resposta: B.
Temática Condições de Vida: condições 
de vida é uma expressão designada 
em planejamento para explicitar as 
desigualdades sociais, fornece indícios 
da dinâmica social e define os elos entre 
esses fatos e a qualidade do ambiente 
natural. Assim, por exemplo, a ocorrência 
de doenças infecto-parasitárias, ausência 
de saneamento básico, más condições 
de habitação, precária educação e baixa 
renda de um segmento da população 
são frequentemente ligadas à péssima 
qualidade de água e à ausência de 
cobertura vegetal natural.
111/222
Unidade 5
Indicadores Ambientais e Planejamento
Objetivos
1. Estabelecer a relação entre indicadores – 
questões ambientais – e sustentabilidade na 
elaboração do planejamento ambiental.
2. Identificar as estratégias metodológicas.
3. Analisar a estrutura dos indicadores 
ambientais.
Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento112/222
Introdução
Em diversos momentos de sua vida, você observa que as realidades se sucedem ao longo do 
tempo e deixam marcas, evidências, retratos de paisagens. Elas, em si, são imutáveis. O que 
muda, ao longo do tempo do homem, é a interpretação que ele faz. De acordo com Santos 
(2007), as interpretações nada mais são do que a aspiração de se chegar cada vez mais próximo 
da verdade, ou seja, da “real realidade”. Para os diversos caminhos da interpretação, pratica-
se a observação e análise dessas marcas, dessas evidências e desses retratos deixados pela 
história, fragmentados nos elementos que compõem o meio.
Não há dúvidas de que a informação tem lugar de destaque nos diversos espaços de tomada 
de decisão e nas estratégias para definição dos recursos necessários ao desenvolvimento de 
comunidades, empresas e regiões (PHILIPPI JR.; MALHEIROS, 2012).
A questão da sustentabilidade está presente em nossa sociedade, representada por um 
amplo conjunto de discussões e pela produção de textos e projetos, no âmbito internacional e 
local. Esta discussão em volta do uso de indicadores como ferramenta de apoio nos diversos 
processos de tomada de decisão, embora de longa experiência, só mais recentemente os 
esforços vêm sendo empreendidos na construção e aplicação de indicadores alinhados à 
proposta da sustentabilidade. Esse movimento pode ser observado principalmente a partir 
da década de 1990, com a própria consolidação do termo sustentabilidade, a assinatura da 
Agenda 21 Global e os diversos projetos da Agenda 21 Local (MALHEIROS, COUTINHO & 
Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento113/222
PHLIPPI JR, 2012).
1. Desafios do uso de indicado-
res na avaliação da sustentabili-
dade
Os princípios norteadores desses 
documentos de planejamento podem 
orientar a construção de sistemas 
adequados de medições, os quais são 
indispensáveis para operacionalizar 
o conceito de sustentabilidade, pois 
possibilitam aos tomadores de decisão e à 
sociedade estabelecer objetivos e metas, 
bem como avaliar o seu desempenho 
em relação a eles. A alta complexidade 
dos processos de sustentabilidade, nas 
suas diversas dimensões – ambiental, 
social, cultural, econômica, institucional, 
entre outras – amplia o desafio da 
construção de bons indicadores. É nesse 
contexto, de encontrar caminhos que 
viabilizem interesse e soma de esforços 
na construção de bases duradouras para 
o desenvolvimento, que os indicadores de 
sustentabilidade vêm à tona, com a tarefa 
de descrever a realidade de forma simples 
e confiável, orientar a escolha de dados 
para medir os avanços, bem como passar a 
mensagem sobre os desafios ambientais, 
humanos, econômicos, tecnológicos e 
políticos associados. Portanto, Malheiros, 
Coutinho & Phlippi Jr. (2012) questionam 
“o que é um indicador nessa abordagem”, 
e em sequência respondem que existem 
diversas definições presentes na 
Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento114/222
literatura, mas de forma geral, refere-se 
a uma medida que resume informações 
importantes sobre determinado fenômeno. 
A ideia é que aquilo que está sendo 
efetivamente medido tenha significado 
maior do que simplesmente o valor 
associado a essa medição, sempre dentro 
da proposta do uso do indicador na 
tomada de decisão. Medir, por exemplo, o 
volume de um reservatório de água pode 
ter relação com produção de alimentos 
(disponibilidade de água para irrigação), 
abastecimento de água para determinada 
comunidade, capacidade de produção 
de energia, proteção de áreas contra 
inundação, tamanho da modificação 
ambiental, entre outros. Assim, o que se 
observa é a concepção do indicador como 
um sinal, algo que representa alguma 
coisa para uma pessoa ou um grupo com 
referência a algo.
Bakkes et al. (1994 apud MALHEIROS; 
COUTINHO; PHLIPPI JR., 2012), destacam 
que as diversas definições sobre 
indicadores e o uso dessa terminologia 
apresentam-se muitas vezes confusas, 
sendo usadas de forma inadequada, 
misturando os termos indicador, 
meta, padrão, limites, dados e outros. 
Segundo Winograd e Farrow (2009 
apud MALHEIROS; COUTINHO; PHLIPPI 
JR., 2012), os dados são a base para 
indicadores e informações, e por si só 
não podem ser usados para interpretar 
mudanças ou condições, ou seja, um 
dado torna-se um indicador quando 
Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento115/222
sua compreensão ultrapassa o número, 
a mensuração, no sentido de adquirir 
significado através da informação 
interpretada. Ao apresentar a parte 
conceitual sobre indicadores, Segnestam 
(2002 apud MALHEIROS; COUTINHO; 
PHLIPPI JR., 2012) define dados como 
o componente básico no trabalho com 
indicadores. E indicadores, os quais são 
derivados dos dados, como ferramenta 
analítica para o estudo de mudanças na 
sociedade. A combinação de indicadores, 
forma índices usados com mais frequência 
em níveis de análise mais agregada, como 
nos âmbitos regionais e nacionais.
Os dados de um parâmetro indicador 
devem vir acompanhados de perguntas 
sobre o estado, as pressões e as respostas 
do meio, devem responder sobre as 
características, propriedades e qualidades 
do meio e estar intimamente associados 
aos objetivos e ao objeto do planejamento.
Bons indicadores devem ter a capacidade 
de gerar modelos que representem as 
realidades. Para a EPA (Environmental 
Protection Angecy) (1995 apud SANTOS, 
2007), indicadores medem o avanço em 
direção a metas e objetivos.
No contexto dos indicadores, os conceitos 
de padrão e norma são similares. Eles 
se referem fundamentalmente a valores 
estabelecidos ou desejados pelas 
autoridades governamentais ou obtidos 
por um consenso social. Esses indicadores 
são utilizados dentro de um senso 
normativo, um valor técnico de referência. 
Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento116/222
As metas, por outro lado, representam uma intenção, valores específicos a serem alcançados.Elas, normalmente, são estabelecidas a partir do processo decisório, dentro de uma expectativa 
de que seja, de alguma maneira, alcançável. Os processos no sentido do alcance das metas 
devem ser observáveis ou mensuráveis como, por exemplo, o Programa das Nações Unidas 
para o Desenvolvimento (PNUD) das Metas do Milênio que define oito objetivos e para cada 
objetivo define metas (SANTOS, 2007).
Para saber mais
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) das Metas do Milênio - O Programa das 
Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) é a rede de desenvolvimento global da Organização das 
Nações Unidas. O PNUD faz parcerias com pessoas em todas as instâncias da sociedade para ajudar na 
construção de nações que possam resistir a crises, sustentando e conduzindo um crescimento capaz 
de melhorar a qualidade de vida para todos. Presente em mais de 170 países e territórios, o PNUD 
oferece uma perspectiva global aliada à visão local do desenvolvimento humano para contribuir com o 
empoderamento de vidas e com a construção de nações mais fortes e resilientes. Em 2000, os líderes 
mundiais assumiram o compromisso de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, um 
Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento117/222
Para saber mais
conjunto de oito metas cujo objetivo é tornar o mundo um lugar mais justo, solidário e melhor para se 
viver, incluindo o objetivo maior de reduzir a pobreza extrema pela metade até 2015. O PNUD trabalha 
mundialmente para ajudar e coordenar os esforços de cada país no alcance desses objetivos. Disponível 
em: <http://www.pnud.org.br/SobrePNUD.aspx>. Acesso em: 2015.
A questão dos indicadores reside 
essencialmente na escolha da variável, 
ou das variáveis, cujos valores provêm 
de medições (variáveis quantitativas) ou 
observações (para variáveis qualitativas) 
em tempos, lugares, populações, entre 
outras, distintas.
Os indicadores são fundamentais para 
tomadores de decisão e para a sociedade, 
pois permitem tanto criar cenários 
sobre o estado do meio, quanto aferir 
ou acompanhar os resultados de uma 
decisão tomada. São indicativos das 
mudanças e condições no ambiente e, se 
bem conduzidos, permitem representar 
a rede de causalidades presente num 
determinado meio. Os indicadores são 
empregados para avaliar e comparar 
territórios de diferentes dimensões e de 
diversas complexidades. Podem, assim, ser 
úteis para prognosticar futuros cenários e 
nortear ações preventivas. Portanto, não 
se deve jamais esquecer que a principal 
Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento118/222
característica dos indicadores é sua 
capacidade de quantificar e simplificar a 
informação (SANTOS, 2007).
Quanto aos números de indicadores a 
serem utilizados em um planejamento, 
por maiores que sejam os esforços dos 
pesquisadores da área, não existe um 
consenso a este respeito, todavia o 
caminho sugerido é que este número se 
relaciona fortemente à escala e ao espaço 
físico em que se está trabalhando, com 
uma tendência de que se a escala espacial 
de trabalho for maior, se diminui o número 
de indicadores e vice-versa.
É considerado senso comum que um 
indicador é de qualidade quando tem a 
capacidade de medir, analisar e expressar, 
com fidelidade, o fenômeno ao qual se 
refere. Em planejamento ambiental este 
conceito aplica-se a partir de um amplo 
espectro de considerações. Nessa área 
do conhecimento, a qualidade de um 
indicador ambiental deve ser medida por 
meio de um conjunto de características 
que denotam sua relevância, 
mensurabilidade, confiabilidade, tempo 
de resposta ao estímulo, integridade, 
estabilidade, solidez, relação com as 
prioridades do planejamento, utilidade 
para o usuário, eficiência e eficácia. 
Muitos pesquisadores, tentados a obter o 
indicador ideal, seja para planejamentos 
ou para medidas do desenvolvimento 
sustentável, enumeram muitos critérios ou 
características desejáveis que permitam 
avaliar sua qualidade. Especificamente 
Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento119/222
para planejamento ambiental, de acordo 
com Santos (2007), estas características 
devem ser verificadas por um mínimo de 
vinte e sete requisitos, a saber:
1. Fonte de informação.
2. Forma de coleta e elaboração do 
dado.
3. Atualização da informação em 
intervalos regulares.
4. Clareza dos procedimentos.
5. Objetividade dos procedimentos.
6. Validade científica.
7. Valores de referência.
8. Redundância.
9. Conformidade temporal.
10. Representatividade.
11. Tradução.
12. Conveniência da escala 
cartográfica.
13. Abrangência geográfica.
14. Sensibilidade às mudanças.
15. Natureza preventiva.
16. Séries temporais.
17. Conectividade.
18. Integrador.
19. Tipo de relação.
20. Informação prescritiva.
21. Informação descritiva.
22. Capacidade de linha divisória.
23. Disponibilidade.
24. Acessibilidade.
Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento120/222
25. Custo.
26. Facilidade em informar.
27. Capacidade de atrair atenção.
Em planejamento ambiental, as 
informações obtidas por meio 
dos indicadores selecionados, 
obrigatoriamente, devem ser 
sistematizadas, ordenadas e agrupadas. 
Cabe aqui então discutir a conceituação 
de índice. Os índices são entendidos, 
segundo Santos (2007), como o resultado 
da combinação de um conjunto de 
parâmetros associados uns aos outros por 
meio de uma relação pré-estabelecida que 
dá origem a um novo e único valor. Nessa 
associação são atribuídos valores relativos 
a cada parâmetro que compõe o índice, e a 
relação pode ser estabelecida por meio de 
estatística, formulação analítica ou cálculo 
de razão matemática.
A proposta de Heinemann et al. (1999 apud 
SANTOS, 2007) é mais próxima de nossa 
realidade. Esses autores sugerem que a 
pirâmide seja construída, mas que exista 
no topo somente um indicador simples (e 
não índice) global do sistema, que pode 
ser monitorado a baixo custo. À medida 
que se forma, a pirâmide revela níveis de 
custo cada vez mais altos. Assim, quanto 
mais se trabalha em níveis menores, mais 
o trabalho é viável economicamente. 
Qual o limite de decisão para a passagem 
de nível? Depende da capacidade do 
planejador de avaliar a necessidade de 
mudança de patamar, para revelar as 
Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento121/222
características e relações dos fenômenos 
estudados necessárias ao planejamento. 
Outra limitação do uso de índices no Brasil 
é a dificuldade de promover associação 
clara entre metas do planejamento e a 
interpretação do índice selecionado.
2. Estratégias metodológicas 
para a estruturação dos indica-
dores
Planejamentos ambientais utilizam 
dados primários e secundários. Primários: 
através de procedimentos metodológicos 
orientados para responder uma pergunta 
ou testar uma hipótese não respondida 
pelas informações ou levantamentos 
anteriormente realizados (aplicação 
de questionários – quantitativos e 
qualitativos). Secundários: obtidos por 
meio de levantamentos de diversas fontes 
(trabalho de pesquisa, cadastros simples 
ou apontamentos).
Uma vez adotado(s) o(s) método(s) de 
coleta de dados, é importante a descrição 
do seu procedimento, para prevenir 
limitações de interpretações que advêm de 
falhas de sua capacidade de representação. 
Assim, por exemplo, em um inventário:
a. os critérios de seleção dos 
indicadores;
b. a estratégia para compilação dos 
dados ou informações (gráficos, 
quadros, tabelas);
c. o tipo e as características da 
Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento122/222
amostragem de campo;
d. a justificativa do nível de 
detalhamento adotado;
e. as limitações e impasses ocorridos 
nos levantamentos; e
f. as fontes bibliográficas de suporte ao 
levantamento(SANTOS, 2007).
No planejamento ambiental deve-se 
organizar os indicadores a partir de um 
protocolo que comporte em uma coluna 
as questões-chave do planejamento e, na 
outra, questões relativas aos indicadores 
como: o que avaliar, sua relação com o 
problema, origem da informação, em qual 
espaço temporal e físico, etc., como se faz 
usualmente em auditorias ambientais. Esta 
é uma forma preliminar de organização que 
pode resultar numa súmula dos preceitos 
para seleção e organização do banco de 
dados.
Após a organização do conjunto de 
indicadores a ser utilizados, para Santos 
(2007), deve-se fazer a estruturação destes 
de acordo com o propósito da medida ou 
observação do meio. Podem ser agrupados 
pelas políticas setoriais, pressões ou 
impactos das atividades humanas no 
ambiente e pelas relações sociais. Podem 
ainda ser organizados pela natureza da 
informação (fisiográfica, topográfica, 
econômica, cultural, legal) e outras, pelas 
questões-chave do planejamento, como 
impactos econômicos, saúde, valor visual 
das paisagens, recreação.
A forma mais usual de organizar os 
Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento123/222
indicadores, principalmente quando o planejamento se fundamenta em princípios de 
desenvolvimento sustentável, é por meio da estrutura da OECD (Organização para a 
Cooperação Econômica e Desenvolvimento), que recomenda a adoção de 3 grupos de 
indicadores:
1. O estado do meio e dos recursos naturais (ar, água, recursos vivos).
2. As pressões das atividades humanas sobre o meio (energia, transporte, indústria, 
agricultura).
3. As respostas da sociedade pelo resultado das pressões e condições do estado.
Para saber mais
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com sede em Paris, França, é 
um organismo composto por 34 membros. A OCDE foi fundada em 14 de dezembro de 1961, sucedendo 
a Organização para a Cooperação Econômica Europeia, criada em 16 de abril de 1948. Desde 1º de 
junho de 2006, seu Secretário-Geral é o mexicano José Ángel Gurría Treviño. A OCDE atua nos âmbitos 
internacional e intergovernamental e reúne os países mais industrializados do mundo e alguns países 
emergentes, como México, Chile, Coreia do Sul e Turquia. No âmbito da Organização, os representantes 
Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento124/222
Para saber mais
efetuam o intercâmbio de informações e alinham políticas com o objetivo de potencializar seu 
crescimento econômico e colaborar com o desenvolvimento de todos os demais países membros. 
Disponível em: <http://www.sain.fazenda.gov.br/sobre-a-sain-1/ocde>. Acesso em: 20 jun. 2015.
O modelo Pressão-Estado-Resposta da OECD (1994/1998) é construído na casualidade: “As 
atividades humanas exercem pressão sobre o ambiente, alterando a quantidade e a qualidade 
de recursos naturais, ou seja, mudando seu estado.
Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento125/222
Figura 1 – Modelo Pressão-Estado-Resposta OECD
Fonte: Disponível em: <http://www.fao.org/ag/againfo/programmes/pt/lead/toolbox/Refer/PSRsm.gif>. Acesso em: 20 jun. 2015.
As mudanças afetam a qualidade do ambiente. A sociedade responde a essas mudanças 
ambientais com políticas ambientais, econômicas ou setoriais (a resposta da sociedade), 
almejando deter, reverter, mitigar ou prevenir os efeitos negativos da pressão do homem sobre 
Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento126/222
o meio.
Para cada fator de casualidade deve haver 
um conjunto específico de indicadores 
ambientais que responderão por suas 
características internas, ou de relação com 
os outros dois fatores vizinhos”.
Deve-se por fim, levar em conta alguns 
erros comuns a se evitar na escolha de 
indicadores:
• Agregação exagerada.
• Medir o que é mensurável em 
detrimento de medir o que é 
importante.
• Depender de falsos modelos.
• Falsificação deliberada.
• Desviar a atenção da experiência 
direta.
• Incompletos.
Ao término desta leitura, você assimilou 
que a questão dos indicadores de 
sustentabilidade devem ser uma 
ferramenta presente e constante nos 
processos decisórios. E, além disso, é 
necessário que se construam indicadores 
de automonitoramento dos sistemas 
gestores, numa perspectiva de aprendizado 
contínuo, de melhoria progressiva, que 
responda às complexas redes de decisão 
política nos diferentes níveis de atuação. 
Visto que, segundo Malheiros, Coutinho 
e Philipp Jr. (2012), da mesma forma que 
a informação expõe aspectos positivos, 
é ferramenta importante também no 
rastreamento de pontos frágeis, de 
Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento127/222
problemas, que podem representar vazadouros de receitas e de esforços, inviabilizando o 
funcionamento do sistema como um todo, como no caso de cidades e empresas, na gestão de 
planos, programas e projetos. Essa demanda da gestão, seja no setor público ou privado, por 
informações que ampliem o potencial da decisão, requer, portanto, entender as dificuldades 
relativas principalmente às dimensões ambientais e sociais e suas interfaces com os 
componentes do desenvolvimento sustentável. Portanto, a construção e a operacionalização 
de bons indicadores requerem um estabelecimento de princípios e boas práticas que norteiem 
todo o processo, partindo da definição de necessidades e de foco, de engajamento de partes 
interessadas, de procedimentos de comunicação e diálogo, e do seu uso na formação e 
implementação de políticas públicas.
Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento128/222
Glossário
Fisiografia - Descrição da natureza, da terra e dos fenômenos naturais. (Fonte: Disponível em: 
<http://www.significados.com.br/?s=fisiografia>. Acesso em: 20 jun. 2015).
Mitigar - ato de diminuir a intensidade de algo, fazer com que fique mais brando, calmo ou 
relaxado. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com.br/?s=mitigar>. Acesso em: 20 
jun. 2015).
Questão
reflexão
?
para
129/222
Agora que você compreendeu os conceitos, estruturação e a 
importância do uso e aplicação dos indicadores ambientais 
como forma de viabilizar a capacidade de integração e 
síntese, bem como favorecer horizontes de planejamento 
que atendam às demandas atuais e não comprometam as 
oportunidades das gerações futuras, faça a leitura do texto 
“Indicadores ambientais como sistema de informação”, de 
Maria Elisabeth Pereira Kraemer, disponível no link a seguir e 
aprofunde seus conhecimentos sobre o uso dos indicadores 
ambientais como forma de um sistema de informação social 
no ambiente empresarial corporativo moderno. Disponível 
em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2004_
Enegep1002_0087.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2015.
130/222
Considerações Finais
Você, futuro gestor ambiental, trabalhando diretamente com indicadores 
ambientais, tem à sua frente um amplo conjunto de questões referentes 
ao uso adequado dessa ferramenta tão essencial na gestão para a 
sustentabilidade.
Neste processo, visto como inovador e de mudança, sob o ponto de 
vista temporal histórico, você deve trabalhar em conjunto com demais 
profissionais das diversas áreas das ciências para vencer esses obstáculos 
políticos, técnicos e tecnológicos, o que significa criar um ambiente de 
diálogo e aprendizagem coletiva, bem como dar permanente prioridade a 
processos de educação e capacitação para o desenvolvimento sustentável. 
Isso significa transformar a forma de olhar e perceber as diferentes 
realidades. Novos fatores, portanto, serão colocados na cesta da tomada de 
decisão.
Unidade 5 • Indicadores Ambientais e Planejamento131/222
Referências
MALHEIROS, T. F.; COUTINHO, S. M. V.; PHILIPPI, JR. Desafios do uso de indicadores na avaliação 
da sustentabilidade. In: PHILIPPI JR., A.; MALHEIROS, T. F. Indicadores de sustentabilidade egestão ambiental. Barueri, SP: Ed. Manole. 2012. p. 21-29.
______. Indicadores de sustentabilidade: uma abordagem conceitual. In: PHILIPPI JR, A.; 
MALHEIROS, T.F. Indicadores de sustentabilidade e gestão ambiental. Barueri, SP: Ed. Manole. 
2012. p. 31-76.
______. Construção de indicadores de sustentabilidade. In: PHILIPPI JR, A.; MALHEIROS, T.F. 
indicadores de sustentabilidade e gestão ambiental. Barueri, SP: Ed. Manole. 2012. p. 77-87.
PHILIPPI JR, A. Saneamento, saúde e ambiente. Barueri, SP: Manole. 2005. 842 p.
PHILIPPI JR, A.; MALHEIROS, T.F. Indicadores de sustentabilidade e gestão ambiental. Barueri, 
SP: Ed. Manole. 2012. 724p.
SANTOS, R. F. Planejamento ambiental: teoria e prática. 2. ed. v. 1. São Paulo: Oficina de Textos, 
2007, 184p.
132/222
Aula 5 - Tema: Indicadores Ambientais e 
Planejamento – Parte I 
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/
1d58a835d0ca708d3fed5b925495c362>.
Aula 5 - Tema: Indicadores Ambientais e 
Planejamento – Parte II.
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/
b14211fa81eb8a930b8058fe28771c49>. 
Assista a suas aulas
133/222
1- Quando um dado se torna um indicador?
a) Quando este é analisado sob as perspectivas de análises direta e indireta do mesmo, com 
objetivo de diagnosticar os problemas ambientais.
b) Quando este é analisado sob as perspectivas de análises verticais e horizontais do mesmo, 
com objetivo de diagnosticar os problemas ambientais.
c) Quando sua compreensão ultrapassa o número, a mensuração, no sentido de adquirir 
significado através da informação interpretada.
d) Quando sua compreensão não ultrapassa o número e a mensuração, no sentido de 
adquirir significado através da informação interpretada.
e) Quando sua compreensão se concentra na mensuração e conceituação dos problemas 
analisados, no sentido de adquirir significado através da informação interpretada.
Questão 1
134/222
2- Qual são as duas variáveis que dão base para o estabelecimento dos 
indicadores?
a) Derivadas e Integrais.
b) Positivas e Negativas.
c) Verticais e Horizontais.
d) Quantitativas e Qualitativas.
e) Diretas e Indiretas.
Questão 2
135/222
3- Inseridos no estudo de indicadores e seu uso no planejamento am-
biental, os índices desempenham papel de extrema importância. Desta 
forma, os índices aparecem em qual sequência de formulação dos indi-
cadores?
a) Os índices são estabelecidos antes da criação dos indicadores.
b) Os índices são estabelecidos após a criação dos indicadores.
c) Os índices exprimem a realidade dos indicadores.
d) Os índices não exprimem a realidade dos indicadores.
e) Os índices são estabelecidos em conjunto com os indicadores, nem antes, nem depois.
Questão 3
136/222
4- A OECD (Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvi-
mento) recomenda a adoção de três grupos de indicadores. Qual alterna-
tiva apresenta-os de forma correta?
a) Condição, Pressão e Monitoramento.
b) Estado, Condição e Monitoramento.
c) Estado, Condição e Resposta.
d) Condição, Resposta e Monitoramento.
e) Estado, Pressão e Resposta.
Questão 4
137/222
5- Agregação exagerada e medir o que é mensurável em detrimento de 
medir o que é importante. Qual o significado destas características para 
o estudo de indicadores no planejamento ambiental?
a) São características de indicadores matemáticos e ambiental, respectivamente.
b) São características de indicadores ambiental e matemáticos, respectivamente.
c) São considerados erros comuns a se evitar na escolha de indicadores.
d) São considerados vícios de planejadores ambientais.
e) São características desejáveis nos planejamentos ambientais modernos.
Questão 5
138/222
Gabarito
1. Resposta: C.
Segundo Winograd & Farrow (2009 
apud MALHEIROS, COUTINHO & PHLIPPI 
JR., 2012), os dados são a base para 
indicadores e informações, e por si só 
não podem ser usados para interpretar 
mudanças ou condições, ou seja, um 
dado torna-se um indicador quando 
sua compreensão ultrapassa o número, 
a mensuração, no sentido de adquirir 
significado através da informação 
interpretada.
2. Resposta: D.
A questão dos indicadores reside 
essencialmente na escolha da variável 
ou das variáveis, cujos valores provêm 
de medições (variáveis quantitativas) ou 
observações (para variáveis qualitativas) 
em tempos, lugares, populações, entre 
outras, distintas.
3. Resposta: C.
Em planejamento ambiental, as 
informações obtidas por meio 
dos indicadores selecionados, 
obrigatoriamente, devem ser 
sistematizadas, ordenadas e agrupadas. 
Cabe aqui então discutir a conceituação 
de índice. Os índices são entendidos, 
segundo Santos (2007), como o resultado 
da combinação de um conjunto de 
parâmetros associados uns aos outros por 
meio de uma relação pré-estabelecida que 
dá origem a um novo e único valor. Nessa 
139/222
associação são atribuídos valores relativos 
a cada parâmetro que compõe o índice, e a 
relação pode ser estabelecida por meio de 
estatística, formulação analítica ou cálculo 
de razão matemática.
4. Resposta: E.
A forma mais usual de organizar os 
indicadores, principalmente quando 
o planejamento se fundamenta 
em princípios de desenvolvimento 
sustentável, é por meio da estrutura da 
OECD (Organização para a Cooperação 
Econômica e Desenvolvimento) que 
recomenda a adoção de três grupos de 
indicadores:
1. O estado do meio e dos recursos 
naturais (ar, água, recursos vivos).
2. As pressões das atividades humanas 
sobre o meio (energia, transporte, 
indústria, agricultura).
3. As respostas da sociedade pelo 
resultado das pressões e condições 
do estado.
5. Resposta: C.
Deve-se por fim, levar em conta alguns 
erros comuns a se evitar na escolha de 
indicadores:
• Agregação exagerada.
• Medir o que é mensurável em 
detrimento de medir o que é 
importante.
140/222
Unidade 6
Política e Gestão Ambiental
Objetivos
1. Estudar a relação sociedade, política e 
desenvolvimento na concepção histórica e 
contemporânea das políticas públicas ambientais.
2. Compreender o processo de transformação das 
informações coletadas em políticas públicas como 
construção coletiva da sustentabilidade local e 
regional.
3. Identificar as principais políticas públicas 
existentes no estabelecimento do planejamento e 
sustentabilidade local e regional.
Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental141/222
Introdução
Ao se estudar as ciências sociais e ciências políticas sob a ótica da construção histórica 
das políticas públicas, você observa que muitos dos principais conceitos das ciências 
sociais repousam em polarizações: público e privado, cultura e natureza, comunidade e 
sociedade, sociedade e Estado, sendo que esta última se reveste de maior importância para a 
compreensão das formações sociais contemporâneas. A teorização sobre a relação Estado e 
sociedade constitui um dos pontos mais importantes da ciência política (ZIONI, 2014).
A palavra política, derivada do grego polis (cidade), tem sido empregada ao longo do tempo 
para designar o conjunto de atividades exercidas sobre a vida coletiva, assim como as reflexões 
sobre essas atividades e a instituição encarregada de sua implementação, o Estado. Atos 
políticos podem ser definidos como aqueles que dizem respeito à regulação de determinadas 
ações, que proíbem ou permitem à totalidade dos membros de um grupo, ou parte deles, uma 
determinada forma de ser. A palavra política, assim, designa não somente atos relacionados 
à conquista e à manutenção do poder, mas também uma série de atividades inerentes à vida 
coletiva (ZIONI, 2005.
A mesma autora segue a escrita que por poder entende-se a capacidade de, emuma relação 
social, um indivíduo ou grupo impor sua vontade a outros e, assim, determinar a forma de 
comportamento dos que se submetem a esse indivíduo ou grupo. Ao longo da história, várias 
formas de conquista e manutenção do poder foram desenvolvidas no interior de diferentes 
Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental142/222
sociedades, visto que essa relação assimétrica se vincula necessariamente a uma desigualdade 
social preexistente. Nas sociedades contemporâneas existem, em nível formal, três principais 
formas de poder: econômica, ideológica e política.
Em seguida, a autora contextualiza que o poder econômico repousa na capacidade que a 
posse dos bens, considerados vitais em determinadas situações, confere a quem os possui, 
no sentido de determinar o comportamento alheio. O poder ideológico, por sua vez, consiste 
na propriedade que determinados grupos possuem para criar e difundir valores – que lhes 
são próprios – para o conjunto da sociedade. O poder político, enfim, consiste na posse dos 
instrumentos mediante os quais se pode coagir outros indivíduos.
1. Sociedade, política e desenvolvimento
Nas sociedades antigas, de pouca complexidade tecnológica e/ou posse comunal dos bens 
de produção, o poder ideológico representava a estratégia predominante de dominação. Nas 
sociedades modernas, de maior complexidade tecnológica e diferenciação social, o poder 
econômico passou a impor-se sobre as outras formas; em situações extremas, passou a ocupar 
lócus específico dos outros poderes como o Estado (poder político), a arte, a cultura, a ciência, a 
educação (poder ideológico).
Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental143/222
Nas sociedades contemporâneas, 
extremamente complexas, esses três tipos 
de poderes coexistem e se desenvolvem no 
sentido de manter a desigualdade entre as 
sociedades. (BOBBIO; BOVERO, 1994 apud 
ZIONI, 2005).
Para exercer o consenso nessa 
“desigualdade”, o Estado deve convencer 
todas as classes sociais sobre a 
legitimidade de sua atuação. Essa tarefa é 
realizada por meio de instituições sociais 
como o sistema de ensino, a religião, a 
mídia e a indústria cultural. Vale lembrar 
que essa esfera de atuação do Estado, 
a esfera do consenso, não se limita 
a promover uma difusão dos valores 
dominantes para o conjunto da sociedade. 
As classes populares também são capazes 
de desenvolver um sistema de valores que 
defendam suas visões de mundo, seus 
interesses, e de pressionar o Estado para 
que estes também sejam contemplados em 
suas decisões.
De acordo com Zioni (2005), essa 
percepção da relação Estado-Sociedade 
escapa totalmente de uma visão 
determinista e valoriza o campo da ação 
política indo, também, ao encontro de 
teorias do campo das ciências sociais, 
com enfoques mais contemporâneos 
que privilegiam a noção de ator sobre a 
de estruturas. Contribui, também, para 
um primeiro entendimento sobre o que 
seriam políticas públicas: ações, projetos, 
regulamentações, diretrizes, leis e normas 
que o Estado desenvolve para administrar 
Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental144/222
os diferentes interesses sociais.
Para a mesma autora, a concepção de 
Estado no Brasil foi sempre bastante 
marcada por uma redução estrutural-
funcionalista, concepção esta que 
acentuava seu papel para garantir a 
reprodução da ordem capitalista, da 
acumulação de capital. Assim, uma 
estrutura de classes definiria não somente 
uma situação de desigualdade, como 
também determinaria todas as relações 
políticas, todo processo decisório, fato que, 
invariavelmente, levaria à manutenção de 
um status de vantagens para as classes 
dominantes e desvantagens para os 
outros setores. Essas relações implicariam 
na necessidade do uso da força, papel 
assumido integralmente pelo Estado.
Diante dessas reflexões a característica 
essencial do Estado seria a capacidade, o 
papel social e histórico de mediar conflitos 
por meio de políticas que garantam o 
acesso do conjunto dos membros de uma 
sociedade aos bens produzidos por ela 
mesma. Essa representação de Estado-
Sociedade contempla o processo de 
construção de cidadania que, de acordo 
com diferentes conjunturas, vem se 
estendendo de maneira mais ou menos 
limitada.
2. Política e gestão ambiental
A importância do estudo e compreensão 
do meio ambiente em maior profundidade, 
levando em consideração uma abordagem 
Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental145/222
abrangente que seja integrada e sistêmica, 
leva a afirmar que política e gestão 
possuem uma relação intrínseca e até 
mesmo ontológica, permitindo concluir 
que, pelo menos em teoria, uma não pode 
existir sem a outra.
Isso significa que as políticas ambientais, 
por sua vez, para serem implementadas 
necessitam de um sistema de gestão 
adequado. Em outras palavras, é preciso 
poder contar com uma gestão integrada 
dos temas pertinentes ao setor, o que se 
materializa por meio de políticas públicas 
que geram planos, programas e projetos.
De acordo com Philipp Jr. e Bruna (2014), 
o Estado, como representante das 
comunidades humanas, tem o dever 
de proporcionar-lhes um ambiente 
de qualidade. E, para a execução 
dessa empreitada, precisa do apoio de 
conhecimentos técnicos que lhe deem 
possibilidades de controle da qualidade 
ambiental. Por meio de seus governos, 
será capaz de elaborar políticas públicas 
prevendo intervenções diretas e indiretas, 
quer no ambiente natural, quer no 
construído.
As políticas públicas ambientais são assim 
consideradas como condição necessária 
e suficiente para se estabelecer um modus 
vivendi compatível com a capacidade de 
suporte territorial e, por conseguinte, com 
o desenvolvimento autossustentável.
Por isso, costuma-se responsabilizar 
o Estado pelos problemas ambientais 
gerados pelas comunidades humanas 
Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental146/222
que vislumbram unicamente nesse 
Estado o poder de sanear todos os males 
encontrados. Conceitualmente, o fato de 
atribuir ao Estado dever de sanear o meio 
ambiente, controlando a qualidade do ar, 
da água, do solo, bem como a poluição 
gerada pelas atividades humanas, de certa 
maneira não encontra opositores, pode-se 
mesmo dizer que é uma voz corrente que 
vem se prolongando ao longo de muitos 
anos (PHILIPP JR.; BRUNA, 2014).
O sistema político congrega um 
conjunto de objetivos que informam 
determinados programas de ação de 
governo e condicionam sua execução. 
Como política é o conjunto de diretrizes 
advindas da sociedade, por meio de seus 
vários grupos, os programas de ação e 
sua execução destinam-se a atingir seus 
objetivos. Quando esses objetivos estão 
relacionados com a proteção do meio 
ambiente e são submetidos e aprovados 
pelos parlamentos, em seus diversos níveis, 
tem-se a política ambiental.
Para Philipp Jr. e Bruna (2014), política 
pública é, portanto, um conjunto de 
diretrizes estabelecido pela sociedade, 
por meio de sua representação política, 
em forma de lei, visando à melhoria das 
condições de vida dessa sociedade.
As políticas de governo são aquelas que 
trazem propostas implementadas pelo 
governo e estão diretamente vinculadas à 
administração que está exercendo o poder 
e que as tem como prioridade de ação 
durante seu mandato. Constituem políticas 
Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental147/222
que podem ou não ter continuidade, 
pois refletem um programa de governo, 
podendo imprimir um aspecto específico, 
conforme o grupo que está no poder.
Link
Sobre políticas de governo e políticas de Estado: 
distinções necessárias. Disponível em: <http://
www.institutomillenium.org.br/artigos/
sobre-politicas-de-governo-e-politicas-de-
estado-distincoes-necessarias/>. Acesso em: 
21 jun. 2015.
Deve-se levar em conta a necessidade 
de políticas nacionais que indiquem os 
grandesrumos a serem seguidos e que 
fixem aqueles objetivos considerados 
fundamentais a serem alcançados. Sua 
implementação deverá ser feita através de 
políticas governamentais.
Neste momento, podem ser destacadas 
oito das principais leis que manifestam 
políticas públicas nacionais que se 
relacionam com questões do meio 
ambiente:
1. Política Nacional do Meio Ambiente.
2. Política Nacional de Saúde.
3. Política Nacional de Recursos 
Hídricos.
4. Política Nacional de Educação 
Ambiental.
5. Política Nacional de Desenvolvimento 
Urbano.
Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental148/222
6. Política Nacional de Saneamento 
Ambiental.
7. Política Nacional sobre Mudança do 
Clima.
8. Política Nacional de Resíduos Sólidos.
O campo da gestão ambiental é muito 
extenso. Essa extensão se explica, porque 
o tema meio ambiente precisa ser 
entendido em sua complexidade como 
um conjunto de fatores que constituem 
o todo. Acontece que a extensão dos 
problemas costuma não ser conhecida 
como decorrência das diversas facetas que 
compõem as questões ambientais, como 
se fossem compartimentos independentes 
cuja importância e emergência dependem 
do problema a ser resolvido.
O tratamento multidisciplinar é, dessa 
maneira, um requisito básico para o 
enfrentamento de problemas desse tipo, 
o que exige o trabalho de profissionais de 
diferentes formações atuando de forma 
articulada e envolvendo a sociedade.
Portanto, a visão aqui explicitada é de 
gestão ambiental com uma abordagem 
integrada, que procura abranger 
simultaneamente as questões que 
interferem no meio ambiente – natural 
ou construído – bem como as interações 
envolvendo diferentes sistemas (PHILIPP 
JR.; BRUNA, 2014).
Há que se ampliar reflexões e estudos sobre 
o espaço urbano em seu sentido ecológico.
Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental149/222
Para saber mais
O espaço urbano brasileiro foi profundamente 
marcado pelas dinâmicas ocorridas no século 
XX e conta com uma elevada concentração 
populacional em torno das cidades do 
Sudeste. Disponível em: <http://www.
mundoeducacao.com/geografia/o-espaco-
urbano-brasileiro.htm>. Acesso em: 21 jun. 
2015.
Afinal, a cidade é por excelência o ambiente 
do homem (COIMBRA, 1985 apud PHILIPPI 
JR.: BRUNA, 2014). É nesse ambiente 
– ecossistema construído – que são 
encontrados os mais graves indicadores 
de desequilíbrio. Este, provocado pelo 
estágio de degradação dos elementos da 
natureza, exige urgente atuação da gestão 
ambiental.
A promoção da qualidade de vida, 
escopo último da gestão ambiental, tem 
fortes vínculos com a saúde pública e 
o planejamento territorial. Trata-se de 
equacionar os problemas da convivência 
humana com os seus impactos negativos 
sobre a saúde pública e o meio ambiente. 
Daí a importância da gestão ambiental.
O significado etimológico dos dois 
vocábulos – gestão e ambiental – tem suas 
raízes na língua latina.
Gestão originou-se de gestioni, que 
exprime o ato de gerir. Gerir é um 
verbo incomum no linguajar de cada 
Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental150/222
dia, cujo significado é ter gerência 
sobre, administrar, reger, dirigir. Desses 
sinônimos, o mais usado é o substantivo 
derivado: gestão, ou seja, o ato de gerir, de 
administrar. O vocábulo ambiental também 
tem origem na língua-mãe latina. É o 
adjetivo aplicado para referir-se às coisas 
do ambiente, tanto ambiente construído, 
quanto ambiente natural (PHILIPP JR.; 
BRUNA, 2014).
Com base nesses conceitos, gestão 
ambiental é o ato de gerir o ambiente, isto 
é, o ato de administrar, dirigir ou reger as 
partes construtivas do meio ambiente.
Para entender a abrangência e o alcance 
dessa definição, Philipp Jr. e Bruna (2014) 
destacam que gestão ambiental é o ato 
de administrar, de dirigir ou reger os 
ecossistemas naturais e sociais em que se 
insere o homem, individual e socialmente, 
em um processo de interação entre 
as atividades que exerce, buscando a 
preservação dos recursos naturais e das 
características essenciais do entorno, 
de acordo com padrões de qualidade. O 
objetivo último é estabelecer, recuperar 
ou manter o equilíbrio entre natureza e 
homem.
Na verdade, pelo que se depreende 
do conceito de gestão ambiental, sua 
finalidade última é a busca da harmonia 
entre o homem – aquele ser social – e seu 
meio ambiente natural ou construído. 
Em outras palavras, a gestão ambiental 
fundamenta sua razão de ser na conquista 
de um nível ideal de qualidade de vida, 
Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental151/222
para a sociedade e todos os seus membros. 
Ora, qualidade de vida é um dos direitos 
fundamentais do homem; por conseguinte, 
é dever do Estado promovê-la por meio 
de ações políticas que pressuponham 
uma estrutura de leis específicas, tendo 
como contrapartida seu cumprimento 
por parte de todos aqueles que formam o 
Estado. Políticas públicas envolvem, pois, 
iniciativas de governantes e de governados 
em benefício do bem comum, em um 
convívio de cidadãos de ambos os lados 
(PHILIPP JR.; BRUNA, 2014).
O caminho para uma solução é a gestão 
ambiental, pois equivale a conseguir 
uma administração integral e integrada 
de todos os setores que influenciam a 
qualidade ambiental. Contempla, assim, 
todos os temas pertinentes à questão e se 
materializa por meio de políticas e planos 
decorrentes. A operacionalização da 
gestão é feita pelo gerenciamento voltado 
a preocupações de ordem prática do dia a 
dia na execução de programas e projetos 
de ação. 
Ao término desta leitura, você assimilou 
que a prática do planejamento e gestão 
ambiental se faz por meio da elaboração de 
políticas públicas ambientais direcionadas 
à sustentabilidade, ou seja, aquela que cria 
condições para existência de equilíbrio 
entre as ações de governo – nas três 
esferas – e as aspirações da sociedade, 
com vistas ao bem comum.
Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental152/222
Glossário
Polarizações - Concentração da atenção, das atividades, das influências, num mesmo tema 
ou pessoa: polarizacão de opinião. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com.
br/?s=polariza%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em: 21 jun. 2015).
Lócus - é uma expressão em latim, que significa “no lugar” ou “no próprio local” e é equivalente 
à expressão in situ. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com.br/?s=l%C3%B3cus>. 
Acesso em: 21 jun. 2015).
Ontológica – refere-se à ou característico da ontologia. Contrário ao ôntico - existência 
concreta; refere-se ao sujeito em si mesmo, em sua complexidade irrestrita e indispensável. 
(Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com.br/?s=ontol%C3%B3gico>. Acesso em: 21 
jun. 2015).
Modus vivendi - modo de viver. (Fonte: Disponível em: <http://www.dicionariodelatim.com.br/
modus-vivendi/>. Acesso em: 21 jun. 2015).
Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental153/222
Glossário
Faceta - pequena superfície plana de um objeto qualquer: facetas de um diamante. Lado, 
aspecto, ângulo apresentado por pessoa ou coisa. (Fonte: Disponível em: <http://www.
significados.com.br/?s=faceta>. Acesso em: 21 jun. 2015).
Etimologia é o estudo gramatical da origem e história das palavras, de onde surgiram e 
como evoluíram ao longo dos anos. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com.
br/?s=etimologia>. Acesso em: 21 jun. 2015).
Questão
reflexão
?
para
154/222
Após a realização da leitura fundamental, você 
deve ampliar sua compreensão frente ao processo 
de construção de uma política pública. Para tanto, 
faça a leitura do texto “As cinco fases das políticas 
públicas”, disponível no link: <http://www.politize.com.
br/ciclo-politicas-publicas/> e identifique as etapas 
que compõem o chamado ciclo das políticas públicas, 
inserindo-as no contexto daelaboração da Agenda 21 
Local, ou seja, visando à elaboração de componentes 
da Agenda 21 para a sua localidade como uma forma 
de política pública ambiental.
155/222
Considerações Finais
No processo de construção de políticas públicas ambientais, você nota a necessidade 
de contextualizar o desenvolvimento histórico das sociedades frente as suas escolhas 
dos modelos de desenvolvimento econômico e seus impactos na sustentabilidade 
destes modelos escolhidos.
O processo de elaboração e prática das políticas públicas ambientais em escala 
nacional (já existente para diversas questões ambientais), ou mesmo local, deve se 
pautar na escuta dos atores deste processo, ou seja, a política pode e deve nascer 
tanto do Estado como da própria sociedade, e você, como gestor ambiental, tem 
papel fundamental nesta construção, podendo estabelecer a união entre esses 
atores, criando um ambiente de diálogo e aprendizado coletivo, direcionado para a 
sustentabilidade local, territorial, regional e global.
Unidade 6 • Política e Gestão Ambiental156/222
Referências
PHILIPPI JR., A; BRUNA, G.C. Política e gestão ambiental. In: PHILIPPI JR., A. Curso de gestão 
ambiental. Barueri, SP: Manole. 2014. P. 707-765.
ZIONI, F. Sociedade, desenvolvimento e saneamento. In: PHILIPPI JR., A. Saneamento, saúde e 
ambiente. Barueri, SP: Ed. Manole. 2005. p. 33-55.
157/222
Aula 6 - Tema: Política e Gestão Ambiental – 
Parte I 
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f-
1d/55930bab9586b0dc7e7c9397effdb667>.
Aula 6 - Tema: Política e Gestão Ambiental – 
Parte II.
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/
b1dbc929c15c2d2e793249659af2be32>. 
Assista a suas aulas
158/222
1- Quais as três principais formas de poder nas sociedades contemporâne-
as?
a) Territorial, Econômica e Política.
b) Econômica, Ideológica e Política.
c) Econômica, Política e Militar.
d) Militar, Ideológica e Territorial.
e) Ideológica, Militar e Política.
Questão 1
159/222
2- Qual o motivo de se afirmar que política e gestão possuem uma re-
lação intrínseca e até mesmo ontológica, permitindo concluir que, pelo 
menos em teoria, uma não pode existir sem a outra?
a) Porque com a elaboração da política ambiental se faz necessário um sistema de gestão 
para organizar a execução das políticas.
b) Porque existe exigência legal desta ligação, ou seja, somente é válido dentro da lei uma 
política ambiental se existir a gestão.
c) Visto que a vontade da sociedade é expressa na política, o sistema de gestão ocorre de 
forma natural na sua expressão.
d) Visto que sociedade e política andam juntas e assim o sistema de gestão é a 
representação social desta junção.
e) Porque é uma obrigação do meio acadêmico e técnico dos planejadores ambientais 
modernos.
Questão 2
160/222
3- Qual alternativa demonstra a correta diferença entre política pública e 
política de governo?
a) Política pública expressa a vontade de um grupo social apenas e a política de governo 
expressa a vontade do governo.
b) Política pública se relaciona com as políticas setoriais temporárias do mandato político do 
governante e política de governo se relaciona com as diretrizes de governo nas suas ações.
c) Política pública visa beneficiar apenas o setor público e não o setor privado da economia 
de uma sociedade e política de governo visa beneficiar o setor público e o setor privado da 
economia de uma sociedade.
d) Política pública distingue os beneficiários pelos mais necessitados socialmente e a política 
de governo beneficia a todos sem distinção.
e) Política pública expressa a vontade da sociedade e a política de governo expressa a 
vontade do governo.
Questão 3
161/222
4- Por que se faz necessária a gestão ambiental no ambiente urbano?
a) Porque a presença do homem está concentrada no espaço urbano.
b) Porque somente na urbanidade é que os problemas ambientais se fazem presentes.
c) Porque deve-se equacionar no ambiente urbano os problemas da convivência humana 
com os seus impactos negativos sobre a saúde pública e o meio ambiente.
d) Por ser considerado um sistema barato de resolução dos problemas ambientais urbanos.
e) Por ser considerado um sistema de rápida resposta frente aos problemas ambientais 
urbanos.
Questão 4
162/222
5- Na concepção da política ambiental e assim da gestão ambiental, a 
participação social se faz necessária e obrigatória?
a) Não, pois por se tratar de assunto técnico específico, se faz necessário a participação de 
técnicos no assunto, apenas.
b) Sim, pois com a participação social se acelera o processo e diminui os custos operacionais 
da construção das políticas e gestão ambiental.
c) Não, pois seria impossível no quesito tempo ouvir todos os setores da sociedade na 
construção das políticas e gestão ambiental.
d) Sim, pois com a participação da sociedade é que o processo de criação das políticas e, 
por conseguinte da gestão ambiental terá validade expressando a vontade social frente aos 
problemas apresentados.
e) Depende, pois caso a sociedade não conheça os assuntos a serem estudados e não se 
interesse em participar, esta não deve integrar a discussão política e de gestão ambiental, mas 
caso a sociedade seja interessada e entendida este é desejável a sua presença.
Questão 5
163/222
Gabarito
1. Resposta: B.
Ao longo da história várias formas de 
conquista e manutenção do poder foram 
desenvolvidas no interior de diferentes 
sociedades, visto que essa relação 
assimétrica se vincula necessariamente 
a uma desigualdade social preexistente. 
Nas sociedades contemporâneas existem, 
em nível formal, três principais formas de 
poder: econômica, ideológica e política.
2. Resposta: A.
Isso significa que as políticas ambientais, 
para serem implementadas, necessitam de 
um sistema de gestão adequado. Em outras 
palavras, é preciso poder contar com uma 
gestão integrada dos temas pertinentes 
ao setor, o que se materializa por meio 
de políticas públicas que geram planos, 
programas e projetos.
3. Resposta: E.
Para Philipp Jr. e Bruna (2014), política 
pública é, portanto, um conjunto de 
diretrizes estabelecido pela sociedade, 
por meio de sua representação política, 
em forma de lei, visando à melhoria das 
condições de vida dessa sociedade. As 
políticas de governo são aquelas que 
trazem propostas implementadas pelo 
governo e estão diretamente vinculadas à 
administração que está exercendo o poder 
e que as tem como prioridade de ação 
164/222
Gabarito
durante seu mandato. Constituem políticas 
que podem ou não ter continuidade, 
pois refletem um programa de governo, 
podendo imprimir um aspecto específico 
conforme o grupo que está no poder.
4. Resposta: C.
A cidade é por excelência o ambiente do 
homem (COIMBRA, 1985 apud PHILIPPI 
JR.; BRUNA, 2014). É nesse ambiente 
– ecossistema construído – que são 
encontrados os mais graves indicadores 
de desequilíbrio. Este, provocado pelo 
estágio de degradação dos elementos da 
natureza, exige urgente atuação da gestão 
ambiental. A promoção da qualidade de 
vida, escopo último da gestão ambiental, 
tem fortes vínculos com a saúde pública 
e o planejamento territorial. Trata-se de 
equacionar os problemas da convivência 
humana com os seus impactos negativos 
sobre a saúde pública e o meio ambiente. 
Daí a importância da gestão ambiental.
5. Resposta: D.
A prática do planejamento e gestão 
ambiental se faz por meio da elaboração de 
políticas públicas ambientais direcionadas 
à sustentabilidade, ou seja, aquela que cria 
condições para existência de equilíbrio 
entre as ações de governo – nas três 
esferas – e as aspirações da sociedade, com 
vistasao bem comum.
165/222
Unidade 7
Política e Planejamento Territorial
Objetivos
1. Compreender por meio do processo histórico 
brasileiro a forma que foi construído o 
planejamento territorial e suas dificuldades de 
implantação.
2. Identificar os principais instrumentos de 
gestão ambiental do território.
3. Mapear as suas definições e formas para a 
implementação da política ambiental do 
município.
Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial166/222
Introdução
Se você, futuro gestor ambiental, consultar 
a Constituição Brasileira, verá que esta 
estabelece que a República Federativa do 
Brasil é formada pela união dos Estados 
e Municípios e do Distrito Federal. Ela 
caracteriza ainda a autonomia da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios ao tratar da organização 
político-administrativa do Brasil (BRASIL, 
1988). Ao mesmo tempo que caracteriza 
autonomia, a Constituição confere 
competência aos entes federativos para 
“proteger o meio ambiente e combater 
a poluição em qualquer de suas formas” 
(BRASIL, 1988). No seu artigo 225 
consagra o meio ambiente como “bem 
de uso comum do povo e essencial à 
sadia qualidade de vida, impondo-se ao 
poder público e à coletividade o dever de 
defende-lo e preservá-lo para as presentes 
e futuras gerações” (BRASIL, 1988).
Uma vez que as responsabilidades a 
respeito das questões ambientais estão 
colocadas sobre todos os entes federativos, 
de acordo com Philipp Jr. e Zualauf (1999), 
cabe aos municípios não só assumir 
claramente sua parte como, também, 
estabelecer cooperação e parcerias com a 
União, os Estados, o Distrito Federal e os 
outros municípios no encaminhamento 
de ações voltadas ao fiel cumprimento 
dos preceitos constitucionais. Cabe, 
por conseguinte, aos municípios 
estruturarem-se para a implementação 
ou aperfeiçoamento dos seus sistemas 
de gestão ambiental em termos técnicos, 
tecnológicos e operacionais.
Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial167/222
1. O Planejamento Territorial e 
o Estado
Segundo Philipp Jr e Zualauf (1999), 
para essa estruturação é fundamental 
identificar as atribuições que serão 
assumidas pelo órgão local, entre as 
inúmeras possibilidades ou exigências 
de intervenção existentes. A título de 
ilustração, sem pretender esgotar o 
conjunto das possíveis e necessárias 
atribuições, são destacadas atividades 
que chamam a responsabilidade dos 
municípios:
a. Parques, área de proteção ambiental, 
manguezais e mananciais, as áreas 
verdes.
b. O controle da qualidade do ar, 
envolvendo atividades industriais, 
comerciais, agrícolas, de transporte 
com veículos automotores.
c. O controle da qualidade das águas, 
envolvendo atividades relacionadas 
ao seu uso: para abastecimento 
público, industrial, produção de 
energia, comercial, recreacional, 
agrícola e na pecuária.
d. O controle do uso, ocupação e 
qualidade do solo envolvendo 
atividades imobiliárias, agrícolas, 
turísticas, industriais, de controle de 
cheias e de erosão.
e. O controle de resíduos sólidos 
domésticos, industriais, comerciais, 
de serviços de saúde, envolvendo 
todas as atividades e processos de 
Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial168/222
administrações públicas e da sociedade 
civil.
Naturalmente, a estruturação de um 
sistema de gestão ambiental municipal 
passa pela necessidade de efetuar uma 
revisão das políticas urbanas até adotadas, 
sob o prisma da sustentabilidade. Esta 
revisão possibilitará estudar o modelo de 
política ambiental urbana mais apropriada 
para cada município dentro de seu 
contexto regional (PHILIPP JR.; ZUALAUF, 
1999).
Este caminho, para os mesmos autores, 
passa pela imperiosa necessidade de 
serem encontrados mecanismos de 
transformação que, pouco a pouco 
aplicados, passam a gerar consciência 
ativa e criativa de sustentabilidade 
acondicionamento ao tratamento 
e disposição final; e práticas 
de redução, minimização e 
comportamentais referentes a 
cuidados sanitários, ocupacionais e 
para reaproveitamento.
f. O controle de ruído e vibrações, 
envolvendo atividades comerciais, 
industriais e serviços.
g. O monitoramento e atendimento a 
emergências ambientais.
Como se pode depreender, a área 
ambiental tem envolvimento em todos 
os setores da atividade humana, o que 
exige uma atuação baseada na busca 
do entendimento e na construção de 
parcerias nos mais variados segmentos das 
Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial169/222
como forma de melhorar a qualidade de 
vida das sociedades urbanas. O mesmo 
processo, aplicado ao município como um 
todo, propiciará ao seu gestor atender às 
sucessivas demandas dos demais cidadãos, 
com base na participação e construção 
conjunta das soluções.
O planejamento aqui estudado se refere 
a uma atividade vinculada ao Estado, 
qualquer que seja o nível territorial em que 
ocorra. O planejamento regional ou, em 
um sentido mais amplo, o planejamento 
territorial, é uma atividade vinculada ao 
Estado ou Federação, ou eventualmente, 
a um consórcio de municípios. Essas 
afirmações trazem consigo o conceito 
de que todo planejamento, por ser uma 
atividade do Estado, tem necessariamente 
um caráter político (JORGE, 2014).
Em continuidade, o mesmo autor descreve 
que na história, em nível nacional, a ação 
do Estado foi fundamental para garantir 
a implantação da industrialização, 
o fenômeno mais importante para a 
economia brasileira no século XX. A 
Revolução de 1930 (Governo Vargas) 
trouxe ao Estado o apoio à consolidação 
da burguesia industrial, que passou 
a determinar os rumos da economia 
brasileira. Nos anos seguintes a 
industrialização conferiu uma nova 
fisionomia às cidades, acelerando o 
processo de urbanização, criando uma 
população excluída que moldou as 
periferias urbanas e, principalmente, 
expandiu e concentrou a rede urbana, 
Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial170/222
com a formação, inclusive das metrópoles 
brasileiras. Assim, o Estado, utilizando os 
fundos públicos, investiu vigorosamente 
durante cinco décadas nos setores de 
infraestrutura de transporte, energia, 
comunicações e indústria de base. Deve-
se pontuar que o Brasil não teve políticas 
explícitas para o setor urbano até o regime 
militar, iniciado em 1964. Os chamados 
problemas urbanos – habitação, transporte 
e saneamento – somente passaram a 
ser considerados importantes e críticos 
quando as cidades brasileiras chegaram 
a patamares populacionais significativos. 
A questão do crescimento urbano não era 
vista como problemática, e sim um salutar 
reflexo do desenvolvimento do país. Em 
São Paulo, por exemplo, o slogan adotado 
pelo município no primeiro centenário da 
cidade foi: São Paulo não poder parar!
Historicamente, o planejamento territorial, 
em escala regional, acontece no Brasil em 
duas grandes vertentes:
1. Como consequência e 
desdobramento de grandes 
investimentos públicos em 
infraestrutura, a exemplo das 
hidrelétricas implantada onde havia 
recursos hídricos e que terminaram 
por levar a ações mais amplas de 
deslocamento de populações e a 
projetos de irrigação e de navegação.
2. Como política compensatória do 
desequilíbrio regional e urbano do 
desenvolvimento brasileiro, que leva 
Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial171/222
à concentração espacial (criação da 
SUDENE e SUDAM).
Os Estados também apresentam 
experiências em regionalização, mais 
como um instrumento de racionalização 
administrativa que de desenvolvimento 
regional. É o exemplo das regiões 
administrativas, criadas pelo Governo do 
Estado de São Paulo.
Em inúmeras cidades de porte, novas 
experiências extremamente importantes 
na gestão urbana e no planejamento 
local têm sido implantadas: o orçamento 
participativo,a renda mínima, a negação 
do zoneamento como instrumento de 
segregação social etc.
O planejamento estratégico aparece, nos 
últimos anos, como a grande novidade no 
setor, um instrumento capaz de oferecer 
suporte às gestões urbanas perante as 
questões de desenvolvimento, das quais 
a mais importante é atrair investimentos 
externos (JORGE, 2014).
2. Instrumentos de gestão am-
biental do território
Para implementar o seu trabalho, o 
gestor ambiental dispõe de instrumentos 
preventivos, proativos ou de reparação 
e correção de danos. Alguns deles, como 
a fiscalização e o licenciamento, já são 
implementados há algum tempo. Outros, 
como o monitoramento ambiental, 
enquadramento de cursos d’água, e os 
Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial172/222
instrumentos econômicos, são de aplicação mais recente (figura 1) (ALMEIDA et al., 2008).
Figura 1 – Instrumentos de Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável
Fonte: Adaptado de: Almeida (2008)
Dentre os instrumentos de Gestão, segundo Almeida et al. (2008), destacam-se aqueles 
que subsidiam a definição e implementação da política ambiental do município. O governo 
municipal é responsável pelo gerenciamento ambiental, cabendo-lhe a concepção, elaboração 
Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial173/222
e aplicação de normas de controle e 
urbano. Os seguintes respaldo legais 
garantem aos Municípios a implementação 
de política urbanística e ambiental própria:
• Legislação Ambiental: a lei 
municipal de meio ambiente deve 
apresentar as diretrizes gerais para a 
atuação municipal, em sintonia com 
o Plano Diretor, devendo avaliar a 
realidade local em termos políticos, 
econômicos, sociais e ambientais. O 
texto legal deverá definir os objetivos 
da política ambiental do município, 
conceituando os temas específicos 
e definindo os instrumentos 
necessários à sua implementação; 
deve garantir a participação da 
comunidade na sua execução e prever 
a criação do Conselho Municipal de 
Meio Ambiente, com representação 
dos segmentos da sociedade, para 
ser o órgão central na condução das 
ações previstas, e do Fundo Municipal 
de Meio Ambiente, para gerir os 
recursos necessários ao processo de 
gestão.
• Lei Orgânica: a Lei Orgânica é a 
Constituição Municipal e define o que 
é conveniente, num espaço territorial, 
o espaço do município, para a 
organização social e econômica em 
um município. Ao município, através 
de sua Lei Orgânica, cabe estabelecer 
as formas mais adequadas, diante 
de sua realidade geográfica e 
econômica, de compatibilizar as suas 
Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial174/222
atividades produtivas e sociais com 
a proteção e melhoria da qualidade 
ambiental.
• Plano Diretor: a lei do Plano 
Diretor, prevista no artigo 182 da 
Constituição Federal de 1988 e o 
Estatuto das Cidades de 2001, são os 
instrumentos básicos para a definição 
da política de desenvolvimento 
e expansão urbana, devendo 
estabelecer um modelo compatível 
com a proteção dos recursos 
naturais, em defesa do bem-estar da 
população. A elaboração do Plano 
Diretor pressupõe o conhecimento 
das deficiências e potencialidades do 
território municipal e da região, para 
que se possa priorizar as intervenções 
sobre esse espaço e viabilizar os 
recursos necessários à sua realização 
e sustentação.
• Lei de Parcelamento do Solo: a Lei 
de Parcelamento do Solo orienta 
o processo de expansão urbana, 
controlando a abertura de novos 
loteamentos ou a divisão de áreas, 
tendo em vista que estabelece as 
condições para a sua regularização, 
entre as quais destacam-se a 
proibição do parcelamento em 
áreas de preservação permanente, 
inundáveis ou de risco; a proteção de 
reservas naturais para preservação 
da fauna e flora, e a reserva de 
áreas de lazer e para equipamentos 
públicos. O município pode legislar 
Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial175/222
sobre parcelamento do solo, 
imputando medidas restritivas e/ou 
regulatórias. Por ser uma atividade 
potencialmente poluidora, devido 
à movimentação de terra e às 
implicações decorrentes da própria 
ocupação humana, o parcelamento 
deve ser submetido ao licenciamento 
ambiental.
• Lei do Uso e Ocupação do Solo: 
a Lei de Uso e Ocupação do Solo 
define os usos dos diversos espaços 
e as condições para a sua ocupação 
em áreas urbanas, tendo como 
referência básica o zoneamento 
ambiental, que objetiva garantir 
condições adequadas de iluminação, 
ventilação, salubridade, melhor 
circulação de veículos, a proteção 
de áreas de interesse ambiental, 
e ainda compatibilizar os diversos 
usos. O assentamento de atividades 
potencialmente poluidoras, em 
especial as que provocam poluição 
atmosférica e sonora, em áreas 
predominantemente residenciais, 
deve ser regulamentado com vistas 
ao controle ambiental.
• Código de Obras: o Código de 
Obras tem como objetivo garantir às 
construções, públicas ou privadas, 
condições mínimas de segurança, 
conforto e higiene. Questões 
relativas à saúde e ao meio ambiente 
devem constar do Código de Obras: 
tratamento de efluentes industriais 
Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial176/222
e domésticos, controle da poluição 
sonora, instalação de equipamentos 
de proteção contra incêndio, normas 
técnicas para armazenamento de 
produtos perecíveis ou tóxicos, 
dimensionamento de áreas de 
ventilação e iluminação etc.
• Código de Posturas: o Código 
de Posturas define e regula a 
utilização dos espaços públicos e 
de uso coletivo. Trata de questões 
relacionadas ao controle da poluição 
sonora, à apreensão de animais, ao 
cuidado com as calçadas e passeios 
públicos, à disposição de resíduos, 
instalação de placas e cartazes, 
arborização pública, exploração de 
pedreiras e areeiros, à proibição do 
lançamento de esgotos nos cursos 
d’água etc.
• Código Tributário: o Código 
Tributário permite instituir 
incentivos para os cidadãos 
ou empreendimentos que se 
proponham a proteger, conservar 
e/ou recuperar o meio ambiente 
municipal, com a adoção de medidas 
como a preservação de construções 
e monumentos de interesse 
histórico, cultural e paisagístico; 
a recuperação, manutenção ou 
construção de praças e jardins 
públicos; o desenvolvimento de 
projetos de educação ambiental; e o 
emprego de tecnologias alternativas 
para uso sustentado dos recursos 
Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial177/222
naturais. Os incentivos à proteção do 
ambiente e do patrimônio cultural 
induzem a mudanças positivas de 
comportamentos relacionados à 
questão ambiental.
• Lei de Diretrizes Orçamentária: 
a Lei de Diretrizes Orçamentárias 
é importante para o sucesso das 
políticas municipais, uma vez que 
determina a aplicação de recursos 
compatíveis com as diretrizes 
de um Plano Diretor. Para definir 
adequadamente as prioridades de 
aplicação dos recursos, de forma 
a atender às reais necessidades 
sociais do município, é fundamental 
que, no processo de elaboração 
do orçamento, haja uma efetiva 
participação da comunidade.
• Lei de Limpeza Pública: ao município 
compete organizar e disciplinar os 
serviços de coleta e disposição final 
de resíduos. A normatização da 
limpeza pública define objetivamente 
as responsabilidades dos cidadãos, 
das entidades privadas e dos 
governos para a obtenção de níveis 
adequados de higiene individual e ou 
coletiva.
• Avaliação de Impacto e 
Licenciamento Ambiental pelos 
municípios: o município pode 
editar norma legal para condicionar 
a implantação de atividades que 
provocam degradação ambiental 
à realização prévia de avaliação 
Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial178/222
de impactos (Estudo de Impacto 
Ambiental - EIA, Relatório de 
Impacto Ambiental - RIMA, Estudo 
de Impactode Vizinhança – EIV, 
Licença Prévia – LP (concedida na 
fase preliminar do planejamento 
do empreendimento ou atividade, 
aprovando sua localização e 
concepção, atestando a viabilidade 
ambiental e estabelecendo os 
requisitos básicos e condicionantes 
a serem atendidos nas próximas 
fases de sua implementação), 
Licença de Instalação – LI (autoriza 
a instalação ou atividade, de acordo 
com as especificações constantes 
dos planos, programas e projetos 
aprovados, incluindo as medidas de 
controle ambiental e condicionantes 
determinados para a operação) e 
Licença de Operação – LO (autoriza 
a operação da atividade ou 
empreendimento, após a verificação 
do efetivo cumprimento do que 
consta das licenças anteriores, com 
as medidas de controle ambiental e 
condicionantes determinados para 
operação);
• Fiscalização Ambiental: a 
fiscalização ambiental tem como 
fundamento atuar de forma 
educativa, orientando e alertando 
empreendedores quanto à 
necessidade de compatibilização do 
desenvolvimento econômico com a 
preservação dos recursos naturais, 
Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial179/222
objetivando garantir a sua própria 
existência.
• Zoneamento Ambiental: além de 
regulamentar a preservação dos 
recursos naturais, o zoneamento 
ambiental é o instrumento de gestão 
adequado para dirimir os conflitos 
gerados pelo desenvolvimento 
simultâneo de várias atividades 
impactantes numa dada região.
• 
• Educação, Extensão e Comunicação 
Ambiental: a educação ambiental 
formal precisa permear as 
disciplinas curriculares das escolas 
públicas e privadas. A educação 
ambiental não formal compreende 
práticas educativas voltadas para 
a mobilização da comunidade 
em ações que visem à melhoria 
da qualidade do meio ambiente, 
promovendo a transformação 
cultural).
• Gerenciamento de Bacias 
Hidrográficas: o gerenciamento de 
bacia hidrográfica é o instrumento 
que orienta o poder público e 
a sociedade, a longo prazo, na 
utilização e monitoramento dos 
recursos ambientais – naturais, 
econômicos e socioculturais –, na 
área de abrangência de uma bacia 
hidrográfica, de forma a promover 
o desenvolvimento sustentável 
(LANNA, 1995 apud ALMEIDA, 2004).
Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial180/222
• ICMS (Imposto sobre Operações 
relativas à Circulação de 
Mercadorias e sobre Prestações 
de Serviços de Transporte 
Interestadual e Intermunicipal 
e de Comunicação) ecológico: 
legislação existente em diversos 
estados brasileiros que prevê a 
distribuição dos recursos disponíveis 
em diversos setores, em especial nos 
componentes: saneamento básico e 
unidades de conservação.
Para saber mais
A possibilidade do estado criar o ICMS 
Ecológico dá-se mediante consideração do 
critério ambiental no momento de calcular a 
participação de cada um dos municípios na 
repartição dos valores arrecadados, ou seja, o 
nome “ICMS Ecológico” advém da possibilidade 
de estipular critérios ambientais para uma 
parcela desse ¼ dos 25% a que fazem jus os 
municípios, conforme previsto na Constituição 
Federal. Disponível em: <http://www.
icmsecologico.org.br/site/>. Acesso em: 
21/06/ jun. 2015.
Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial181/222
• Saneamento Básico: o objetivo 
do componente saneamento 
básico é incentivar os municípios a 
implantarem sistemas de tratamento 
de esgotos sanitários e disposição 
final de resíduos sólidos).
• Unidades de Conservação: o 
objetivo do componente unidades 
de conservação é compensar os 
municípios que possuem parte de 
seu território protegida por parques, 
reservas ecológicas, áreas de 
proteção ambiental (APA’s), entre 
outras. A lei incentiva a criação, 
implantação e manutenção dessas 
unidades pelos próprios municípios, 
contribuindo para descentralizar e 
consolidar a política de proteção dos 
ecossistemas naturais do Estado.
A aplicação integrada e combinada dos 
instrumentos de gestão ambiental exige 
mudanças culturais, abrangendo os 
procedimentos, a consciência e a prática 
cotidiana de cada cidadão envolvido com a 
gestão ambiental. O uso dos instrumentos 
de forma combinada aproveita melhor suas 
qualidades e leva em conta as limitações 
de cada um deles (ALMEIDA, 2008).
Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial182/222
Glossário
Depreender - obter entendimento intelectual acerca de; perceber claramente alguma 
coisa; compreender: depreender um sentido metafórico. Alcançar a resposta; chegar à 
compreensão ou à conclusão de; deduzir. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com.
br/?s=depreender>. Acesso em: 21 jun. 2015).
Imperioso - autoritário, dominador, arrogante, altivo. Necessário, forçoso, urgente. (Fonte: 
Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=imperioso>. Acesso 
em: 21 jun. 2015).
Dirimir - obter o esclarecimento de; resolver: dirimiu todas as dívidas; dirimiu aquela luta. 
(Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com.br/?s=dirimir>. Acesso em: 21 jun. 2015).
Questão
reflexão
?
para
183/222
Após a realização da leitura fundamental, você agora aprofundará 
seus conhecimentos acerca de políticas ambientais voltadas à 
noção de território, a partir da leitura dos itens (Histórico do ZEE; 
Marcos legais; Diretrizes Metodológicas e Avaliação do ZEE) no 
link <http://www.mma.gov.br/gestao-territorial/zoneamento-
territorial> do Programa do Governo Federal de Zoneamento 
Ecológico-Econômico (ZEE), instrumento da Política Nacional do 
Meio Ambiente que tem sido utilizado pelo poder público com 
projetos realizados em diversas escalas de trabalho e em frações 
do território nacional. Municípios, estados da federação e órgãos 
federais têm executado ZEE’s e avançado na conexão entre os 
produtos gerados e os instrumentos de políticas públicas, com o 
objetivo de efetivar ações de planejamento ambiental territorial.
184/222
Considerações Finais
É importante afirmar que o planejamento local e regional pressupõe uma 
política de âmbito nacional, que é decisiva para o desenvolvimento urbano. 
Para que ele se estabeleça, é necessário que o Estado seja recuperado como 
entidade responsável pelo desenvolvimento econômico e social das cidades, 
por meio de vigorosas políticas sociais que, principalmente, melhorem a 
distribuição de renda.
Introduzir o conceito de território na gestão ambiental não é considerado 
uma tarefa fácil, pois exigirá de você, futuro gestor ambiental, amplos 
conhecimentos deste território, suas potencialidades e fragilidades, assim 
como a habilidade de fazer o uso combinado dos instrumentos de gestão 
para integrar as políticas públicas ambientais dentro do território. Esta 
habilidade sem dúvida nenhuma passa pelo entendimento histórico de 
surgimento e desenvolvimento deste território.
Unidade 7 • Política e Planejamento Territorial185/222
Referências
ALMEIDA, J.R.; et al. Política e planejamento ambiental. 3. ed. 2. Reimpressão. Rio de Janeiro: 
Thex, 2008. 480p.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: 
Senado, 1988.
JORGE, W.E. Política e planejamento territorial. In: PHILIPPI JR, A. Curso de gestão ambiental. 
Barueri, SP: Manole. 2014. p. 831-852.
PHILIPP JR, A.; ZUALAUF, W. Estruturação dos municípios para a criação e implementação do 
sistema de gestão ambiental. In: PHILIPPI JR, A. Municípios e meio ambiente: perspectivas para 
a municipalização da gestão ambiental no Brasil. São Paulo: Associação Nacional de Municípios 
e Meio Ambiente, 1999. p. 47-56.
186/222
Aula 7 - Tema: Política e Planejamento 
Territorial – Parte I 
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/
ab9ec4283c23c4e39ddbc53639fb6ac5>.
Aula 7 - Tema: Políticae Planejamento 
Territorial – Parte II.
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA-
piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/8d-
2f29ebe2dd790d89a35a458a4fb09d>. 
Assista a suas aulas
187/222
1- O planejamento territorial apresentado e discutido na leitura fundamen-
tal desta aula é atribuição de qual ente da sociedade?
a) Constituição.
b) Estado.
c) Empresariado.
d) A própria sociedade.
e) As Forças Armadas.
Questão 1
188/222
2- Qual foi o processo estimulado pelo governo nos anos 1930 e poste-
rior que conferiu uma nova fisionomia às cidades, acelerando o processo 
de urbanização?
a) Expansão do setor produtivo agrícola.
b) Expansão do setor produtivo da mineração.
c) Expansão da malha rodoviária.
d) Expansão da industrialização.
e) Expansão da malha ferroviária.
Questão 2
189/222
3 - “Regulação, normatização, educação, comunicação e extensão”, fa-
zem parte de qual tipo de instrumento de política que o gestor ambiental 
dispõe para sua implantação?
a) Proativo.
b) Repressivo.
c) Reativo.
d) Dissociativo.
e) Preventivo
Questão 3
190/222
4- Qual a diferença entre a Lei de Parcelamento do Solo e a Lei do Uso e 
Ocupação do Solo?
a) A primeira visa definir os usos dos diversos espaços e as condições para a sua ocupação 
em áreas urbanas e a segunda orienta o processo de expansão urbana, controlando a abertura 
de novos loteamentos ou a divisão de áreas.
b) A primeira orienta o processo de expansão urbana, controlando a abertura de novos 
loteamentos ou a divisão de áreas e a segunda visa definir os usos dos diversos espaços e as 
condições para a sua ocupação em áreas urbanas.
c) A primeira diz respeito à divisão do solo tanto urbano quanto rural e a segunda diz 
respeito ao uso do solo urbano, apenas.
d) A primeira diz respeito à divisão do solo urbano, apenas e a segunda diz respeito ao uso do 
solo rural e urbano.
e) A primeira associa a possibilidade de divisão do solo ao valor dos terrenos e ao seu 
respectivo zoneamento urbano e a segunda associa a possibilidade do uso e ocupação do solo 
para moradias de baixa renda e comércios populares.
Questão 4
191/222
5- Quais as mudanças que a aplicação integrada e combinada dos ins-
trumentos de gestão ambiental exige da sociedade?
a) Mudanças econômicas.
b) Mudanças sociais.
c) Mudanças culturais.
d) Mudanças demográficas.
e) Mudanças ambientais.
Questão 5
192/222
Gabarito
1. Resposta: B.
O planejamento aqui estudado se refere 
a uma atividade vinculada ao Estado, 
qualquer que seja o nível territorial em que 
ocorra. O planejamento regional ou, em 
um sentido mais amplo, o planejamento 
territorial, é uma atividade vinculada ao 
Estado ou Federação, ou eventualmente, 
a um consórcio de municípios. Essas 
afirmações trazem consigo o conceito 
de que todo planejamento, por ser uma 
atividade do Estado, tem necessariamente 
um caráter político (JORGE, 2014).
2. Resposta: D.
A Revolução de 1930 (Governo Vargas) 
trouxe ao Estado o apoio à consolidação 
da burguesia industrial, que passou 
a determinar os rumos da economia 
brasileira. Nos anos seguintes a 
industrialização conferiu uma nova 
fisionomia às cidades, acelerando o 
processo de urbanização, criando uma 
população excluída que moldou as 
periferias urbanas e, principalmente, 
expandiu e concentrou a rede urbana, 
com a formação, inclusive das metrópoles 
brasileiras.
3. Resposta: A
De acordo com a figura 1 (ALMEIDA 
et al., 2008), exposta e discutida na 
leitura fundamental da aula, para 
193/222
implementar o seu trabalho, o gestor 
ambiental dispõe de instrumentos 
preventivos, proativos ou de reparação 
e correção de danos. Alguns deles, como 
a fiscalização e o licenciamento já são 
implementados há algum tempo. Outros, 
como o monitoramento ambiental, 
enquadramento de cursos d’água, e 
os instrumentos econômicos, são de 
aplicação mais recente. Esta figura 
apresenta que os itens apresentados no 
enunciado da questão se relaciona com o 
tipo de instrumentos de política proativo, 
visto que neste
Gabarito
4. Resposta:B
São instrumentos legais que os municípios 
podem utilizar para implementar política 
urbanística e ambiental própria, entre 
outros: A Lei de Parcelamento do Solo 
orienta o processo de expansão urbana, 
controlando a abertura de novos 
loteamentos ou a divisão de áreas; A Lei de 
Uso e Ocupação do Solo define os usos dos 
diversos espaços e as condições para a sua 
ocupação em áreas urbanas.
5. Resposta: C.
A aplicação integrada e combinada dos 
instrumentos de gestão ambiental exige 
194/222
Gabarito
mudanças culturais, abrangendo os 
procedimentos, a consciência e a prática 
cotidiana de cada cidadão envolvido com a 
gestão ambiental. O uso dos instrumentos 
de forma combinada aproveita melhor suas 
qualidades e leva em conta as limitações 
de cada um deles (ALMEIDA, 2008).
195/222
Unidade 8
Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade
Objetivos
1. Estudar as novas tendências do planejamento 
ambiental, por meio da incorporação de novos 
temas e “olhares” tanto em níveis locais quanto 
global.
2. Compreender a governança municipal como 
instrumento de estudo e planejamento 
ambiental.
3. Compreender a centralização do espaço 
geográfico e da paisagem do município 
como ente central na gestão ambiental 
contemporânea.
Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade196/222
Introdução
Ao se estudar as “questões ambientais”, você, futuro gestor ambiental, se depara com 
literalmente um “mundo” de problemas e que muitas vezes não consegue “enxergar” possíveis 
“soluções” para estes problemas, não é mesmo? Muitas destas “questões ambientais” 
foram apresentadas para você, nesta disciplina, e são de ocorrência essencialmente 
urbana, configurando a cidade um verdadeiro ecossistema que contém uma comunidade de 
organismos vivos, onde predominam o homem, um meio físico que se vai transformando, 
fruto da atividade interna, e um funcionamento à base de trocas de matéria, energia e 
informação. Todos os ecossistemas tendem ao aumento da complexidade e a estágios mais 
maduros da sucessão. Isso sucede também nos ecossistemas urbanos e assim se comprova 
que a complexidade do conjunto da cidade tem tendência a aumentar. Não obstante, também 
é comprovável que a complexidade diminui nas que a configurem, pois a homogeneidade 
aumenta a causa da zonificação funcional. A cidade, bem como seu sentido ampliado para área 
metropolitana, pode ser classificada, na visão ecológica, como um ecossistema incompleto e 
heterotrófico. Embora as cidades não ocupem uma área muito grande da superfície terrestre 
(apenas de 1 a 5% do mundo inteiro, segundo Odum), elas, porém alteram a natureza dos 
rios, campos naturais e cultivados, florestas, além da atmosfera e dos oceanos, por causa dos 
ambientes extensos de entrada e de saída que elas demandam (ALMEIDA, 2008).
Ao se utilizar possíveis argumentos extraídos das ciências sociais com o objetivo de 
Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade197/222
aproximar a ideia de sustentabilidade do debate sobre gestão cidadã de políticas, observa-
se que a contemporaneidade representa um momento de grande definição histórica para 
a humanidade, diante da consciência crescente de que o impacto da ação humana sobre o 
ambiente biofísico, social e psicocultural vem afetando a saúde e mesmo a sobrevivência no 
planeta (BRASIL, 1997 apud MANTOVANELI JR., 2012).
1. A cidade como Ecossistema
Os impasses que atualmente vêm caracterizando uma grande crise ecoambiental originam-se 
de, e propagam-se por um padrão de conduta humana que marcou a modernidade no campo 
da ciência, da moral, da tecnologiae da política. São, ao mesmo tempo, causa e efeito de um 
jogo de domínio antropocêntrico sobre o homem e a natureza, em que o darwinismo social, 
o materialismo e uma ética menor, como diria Freire (1997 apud MANTOVANELI JR.; 2012), 
a ética do lucro, delimitam os parâmetros de desenvolvimento dos países ricos e pobres, ou 
subdesenvolvidos.
Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade198/222
Para saber mais
Darwinismo social - No ano de 1859, um estudioso chamado Charles Darwin 
transformou uma longa caminhada de viagens, anotações e análises no livro “A origem 
das espécies”. Nas páginas daquela obra revolucionária nascia a teoria evolutiva, 
o mais novo progresso galgado pela ciência da época. Negando as justificativas 
religiosas vigentes, Darwin apontou que a constituição dos seres vivos é fruto de um 
longo e ininterrupto processo de transformação e adaptação ao ambiente. Disponível 
em: <http://www.brasilescola.com/historiag/darwinismo-social.htm>. Acesso em: 22 
jun. 2015.
1.2. O município e a governança municipal na vanguarda do planejamen-
to e gestão ambiental
Com o crescimento econômico ostensivo que as sociedades modernas têm vivido, concretizado 
pela crescente industrialização, urbanização e estilo de vida baseado na produção e consumo 
cada vez mais diversificados, cresce também a demanda pelo uso de recursos naturais, gerando 
intenso impacto ambiental.
Nas cidades, esse processo ficou mais visível nas últimas décadas, quando a concentração 
Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade199/222
urbana cresceu sobremaneira. No século 
XXI, a maioria da população urbana 
continuará a viver em cidades com menos 
de 500 mil habitantes e em cidades ditas 
intermediárias, com populações entre 
um e cinco milhões (ONU-Habitat, 2010 
apud GIARETTA; FERNANDES; PHILIPPI 
JR., 2012). A migração para as cidades é 
justificada pelas oportunidades oferecidas 
nos centros urbanos, como empregos, 
educação e saúde, opções de lazer e fluxos 
sociais, culturais, econômicos e de poder.
Por dedução, segundo Rogers (2001 apud 
GIARETTA; FERNANDES; PHILIPPI JR., 2012), 
é nas cidades que ocorre grande parte 
dos impactos ambientais das atividades 
produtivas, sendo elas também a origem 
de muitos impactos que ocorrem no 
meio rural. Entre os inúmeros impactos, 
destacam-se os resultantes de uma cultura 
de consumo, não necessariamente baseada 
em necessidades reais. Atualmente, 
metade da população mundial urbana 
consome em média três quartos da energia 
produzida no planeta e geram três quartos 
dos resíduos.
No bojo das discussões sobre 
desenvolvimento sustentável e gestão 
ambiental, de acordo com Fernandes 
e Sampaio (2008 apud GIARETTA; 
FERNANDES; PHILIPPI JR., 2012), as cidades 
constituem espaço fundamental para 
uma mudança de paradigma, não só em 
relação ao uso dos recursos naturais, 
mas na construção da territorialidade e 
consequentemente nos seus processos de 
Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade200/222
gestão. 
Em continuidade, os mesmos autores citam 
as cidades como o locus desse processo, 
porque é onde vive a maior parte da 
população brasileira e, portanto, segundo 
boa parcela das correntes teóricas que 
vêm pensando a gestão ambiental, é o 
locus também onde se pode construir uma 
ação democrática de gestão apoiada na 
participação social, como sustentação de 
um processo durável que não se esvai a 
cada troca de governo.
Assim, a gestão urbana, que implica 
atualmente muito fortemente o desafio 
de equacionar também as questões 
socioambientais, deve levar em conta o 
contexto e a população envolvida nesse 
contexto, considerando seu conhecimento 
acerca da realidade e consequente 
engajamento e participação social.
O município é formado pelos seguintes 
ambientes que permanecem relacionados 
entre si: urbano, que contempla circulação 
de pessoas, trabalho, lazer, habitações, 
saneamento, dentre outros; rural, que 
abriga atividades agrícolas e minerais, 
basicamente o setor primário de produção; 
e primevo, com característica específicas 
de cada região, reservas e identidades 
do ecossistema (PHILIPPI JR., et al, 2004). 
Destes, ganha destaque o ambiente 
urbano, no qual se constitui o espaço de 
maior ocupação, abrigando as relações 
de trabalho e residenciais, permeado, 
portanto, de ações antrópicas.
No Brasil, os municípios só ganharam 
Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade201/222
reconhecimento para a adoção de ações 
relevantes à proteção dos recursos 
naturais a partir da promulgação da 
Constituição Federal 1988. A partir da 
Resolução CONAMA 237/97, os municípios 
passam a ter diretrizes para exercício 
de licenciamentos ambientais, tendo 
como obrigatoriedade para esta ação, a 
implementação de conselhos municipais 
de meio ambiente com caráter deliberativo 
e participação social, além de possuírem ou 
terem à disposição profissional habilitado 
para exercer esta ação (FERNANDES; 
SAMPAIO, 2008 apud GIARETTA; 
FERNANDES; PHILIPPI JR., 2012).
Cada município tem dever e 
responsabilidades de promover: “a defesa 
de seu patrimônio, natural ou cultural e do 
bem-estar de seus cidadãos; entretanto, 
para chegar a isto, ele necessita capacitar-
se, preparar-se e enfrentar os conflitos, o 
que gera a tomada de posição em relação 
a um tema abrangente e pouco conhecido, 
como é a questão ambiental”. (FRANCO, 
1999, p. 21 apud GIARETTA; FERNANDES; 
PHILIPPI JR., 2012).
Para que isso ocorra, esses mesmos 
autores sugerem alguns princípios, a saber:
• Ter um número de servidores 
adequados às necessidades dos 
municípios.
• Poder contar com apoio externo 
como de universidades, ONG 
(Organização Não Governamental), 
e instituições que possam trazer 
Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade202/222
saberes privilegiados da cidade para 
melhor capacitação dos funcionários.
• Evitar superposições e conflitos 
entre equipes, buscando sinergias e 
cooperação institucionais.
• Evitar procedimentos longos e 
burocratizados, substituindo-os 
por caminhos mais curtos, ágeis e 
eficazes.
• Divulgar para todos os níveis de 
parceiros e corresponsáveis as ações 
desenvolvidas, suas dinâmicas, 
prazos e justificativa, facilitando o 
conhecimento de todos sobre as 
ações realizadas pelo município.
Muitas vezes o ambiente natural nas 
cidades, as sedes dos municípios, é mais 
reduzido, principalmente naquelas mais 
urbanizadas e que, muitas vezes, possuem 
áreas urbanas fragmentadas e dispersas.
No ambiente construído das cidades 
ocorrem as relações entre o sistema 
natural, formado pelos meios físico e 
biológico, e o sistema antrópico, composto 
pelo elemento humano e suas atividades, 
constituindo o que se chama ecossistema 
urbano. As necessidades e dinâmicas desse 
ecossistema que abriga o ser humano vão 
além das biológicas, abrangendo também 
aspectos culturais, sociais e econômicos 
(MOTA, 1999 apud JORGE; BRUNA, 2014).
Assim, diz Reissman (1970 apud JORGE; 
BRUNA, 2014), a cidade pode ser 
considerada como um grande invento 
Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade203/222
humano e para tanto precisa organizar 
esse sistema e viver em área urbana e 
ocupar o meio ambiente, ou seja, organizar 
sua gestão. Muitos dos problemas dessa 
gestão da cidade hoje são os mesmos de 
antigamente, talvez em escala diferente 
devido ao tamanho da comunidade. A 
água para beber e o tratamento do esgoto 
sempre foram necessários, mas atualmente 
a escala desses serviços é extremamente 
grande, demandando maior atenção e 
melhor tecnologia para o desenvolvimento 
desses serviços.
Também, nesse processo ecológico, são 
utilizados insumosdo meio natural e ficam 
os rejeitos e mais insumos são usados e 
mais rejeitos são produzidos, formando 
um desafio para as gerações atuais e as 
futuras. Como cooperar com as condições 
do meio ambiente produzindo um 
equilíbrio entre o uso de recursos naturais 
sem desgastar o planeta, de modo que as 
novas gerações ainda possam viver com 
qualidade ambiental?
No final do século XX, segundo Silva et 
al. (2007 apud JORGE; BRUNA, 2014), 
buscavam-se modelos de gestão que se 
distanciavam-se dos modelos tradicionais 
e autoritários e que pudessem absorver a 
participação da sociedade e permitir maior 
transparência. Assim, em face deste novo 
paradigma governamental que surgiu, o 
desenvolvimento com bases sustentáveis 
torna os aspectos econômico, social, 
ambiental e institucional mais complexo, 
o que exigiu uma nova forma de gestão, 
Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade204/222
que, por ser compartilhada e democrática, 
denominou-se de governança.
A governança é um conceito 
suficientemente amplo para incluir o 
governo, indivíduos, instituições públicas 
e privadas para administrar os problemas 
e objetivos comuns. Isto pode acontecer 
de maneira formal e institucional, mas 
pode também ser informal. Em função do 
estabelecimento de objetivos comuns, 
no entanto, raramente é necessária a 
utilização de coerção para se implantar 
decisões tomadas nesse tipo de processo. 
Para Gohn (2007 apud JORGE; BRUNA, 
2014), a governança local refere-se a 
um sistema de governo formado por 
um universo de parcerias e gestão 
compartilhada entre diversos atores 
de diferentes origens, como ONGs, 
empresários, sociedade civil organizada 
ou não, e órgãos públicos. Nesse sentido, a 
governança qualifica o uso da autoridade 
do Estado. Envolve, portanto, a forma 
como o poder é exercido, ou seja, como 
é a relação entre o Estado e os grupos 
organizados da sociedade nos processos 
de tomada de decisão, de monitoramento 
e implementação das políticas públicas 
(ANASTÁCIA; AZEVEDO, 2002 apud JORGE; 
BRUNA, 2014).
Como a governança necessariamente inclui 
participação de outros atores que não 
apenas o poder público, ela é considerada 
mais ampla que o governo (GONÇALVES, 
2006 apud JORGE; BRUNA, 2014). Essas 
questões de governança se destacam 
Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade205/222
principalmente em um período em que 
as interdependências estão crescendo 
e o desafio da governança passa a gerar 
princípios normativos capazes de alterar o 
comportamento de grupos, influenciando 
comportamentos individuais apropriados. 
Desse modo, destaca-se, por exemplo, 
o limite de uso do solo, tanto urbano 
quanto rural, introduzindo mecanismos 
de compartilhamento de custo e de 
responsabilidades, entre outros. Desse 
modo, não mais se aceita um crescimento 
econômico que ignore os impactos no 
meio ambiente, pois se deve lutar para 
organizar sociedades que partilhem, 
simultaneamente, o desenvolvimento 
econômico, social e ambiental.
A busca por alternativas que possibilitem 
impulsionar o desenvolvimento local 
tem sido o foco de discussão nos últimos 
tempos. O objetivo, contudo, é mais amplo: 
um desenvolvimento efetivo, alicerçado 
nas dimensões da sustentabilidade. 
Essas dimensões, elencadas por Sachs 
(1993 apud JORGE; BRUNA, 2014), vêm 
sendo revisitadas constantemente nos 
eventos debatedores da temática da 
sustentabilidade:
Sustentabilidade ecológico-ambiental: 
refere-se à base física do processo de 
desenvolvimento e objetiva a conservação 
e uso racional do estoque de recursos 
naturais incorporados às atividades 
produtivas e à manutenção da capacidade 
de carga dos ecossistemas, ou seja, da 
capacidade do meio ambiente para 
Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade206/222
absorver e recuperar-se das agressões 
antrópicas.
Sustentabilidade econômica: permite 
a manutenção de um crescimento 
econômico cujas variáveis não afetem 
de forma negativa as demais dimensões. 
Constitui-se em um desafio e pivô de 
grande parte das controvérsias em 
torno do conceito de desenvolvimento 
sustentável, pois a introdução da ética no 
campo da economia faz que o conceito de 
sustentabilidade econômica permaneça 
um tanto vago e obscuro. Essa dimensão 
pressuporia a desconstrução do modelo 
alicerçado no utilitarismo econômico e a 
consequente reconstrução de um novo 
modelo.
Sustentabilidade demográfica 
ou espacial: renovada por teorias 
neomalthusianas, refere-se à capacidade 
de suporte do planeta ante o crescimento 
desenfreado da população e suas 
consequentes características, como 
ocupação irregular do espaço, migração 
etc.
Link
A Teoria Neomalthusiana defende o 
controle do crescimento populacional 
para conter o avanço da miséria nos países 
subdesenvolvidos. Disponível em: <http://www.
mundoeducacao.com/geografia/teoria-
neomalthusiana.htm>. Acesso em: 22 jun. 
2015.
Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade207/222
• Sustentabilidade social: tem por 
objetivo principal a melhoria da 
qualidade de vida, ou seja, a redução 
de problemas como a pobreza, a 
desigualdade e a exclusão social.
• Sustentabilidade cultural: refere-
se à manutenção da diversidade 
em sentido mais amplo, isto é, à 
preservação de valores, costumes, 
práticas e toda e qualquer 
manifestação que represente a 
identidade de um povo, um grupo, 
uma nação, uma região.
• Sustentabilidade política: está 
ligada ao processo de construção 
da cidadania, à garantia do pleno 
acesso dos indivíduos aos direitos 
e garantias fundamentais e à 
participação dos cidadãos nos 
processos de desenvolvimento.
• Sustentabilidade institucional: 
projeta no próprio desenho das 
instituições que regulam a sociedade 
e a economia as dimensões sociais e 
políticas da sustentabilidade em seus 
conteúdos macro.
No que diz respeito à dimensão 
institucional do desenvolvimento, 
observa-se que ela ganha corpo 
na atual conjuntura. Ela prevê que 
novas ou redesenhadas arquiteturas 
organizacionais sejam implementadas na 
busca de estratégias para a construção 
de um desenvolvimento socialmente 
mais justo, ecologicamente prudente 
e economicamente eficaz. Evoca-se 
Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade208/222
o desenvolvimento e/ou mudanças 
institucionais das organizações do 
governo da sociedade civil e dos agentes 
produtivos, buscando a criação de novas 
ou reformulação de antigas formas 
de articulação entre essas esferas 
(DALLABRIDA; PELLIN, 2012).
Para estes autores, a criação de consórcios 
intermunicipais revela-se uma iniciativa 
muito eficaz. Municípios pertencentes 
à mesma região ou microrregião se 
unem e somam forças, compartilham 
estruturas, dividem investimentos e 
recursos e diminuem os custos de cada 
ente para resolver problemas comuns 
que extrapolam as fronteiras de cada 
município. Parcerias como essas permitem 
que os municípios solucionem problemas 
comuns sem lhes retirar ou diminuir a 
autonomia. Muitos já adotam consórcios 
intermunicipais no âmbito da saúde, 
mas essa atuação conjunta certamente 
pode render bons resultados também em 
outras áreas, como meio ambiente, obras, 
serviços públicos, turismo e tratamento do 
lixo, sobretudo em municípios de pequeno 
porte.
Assim, em que pese os consórcios 
públicos intermunicipais servirem como 
alternativas e ferramentas da União e 
dos estados para repassarem funções e 
serviços e transferirem responsabilidades 
às instâncias municipais e regionais, 
cujas competências são dos três entes 
federados, estudos demonstram que, do 
ponto de vista das ações dos governos 
Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Políticae Sustentabilidade209/222
municipais envolvidos, sua criação pode 
produzir resultados positivos de cinco tipos 
(VAZ; CACCIA-BAVA, 2000, p. 28 apud 
DALLABRIDA; PELLIN, 2012):
• Aumento da capacidade de 
realização.
• Maior eficiência do uso dos recursos 
públicos.
• Realização de ações inacessíveis a 
uma única prefeitura.
• Aumento do poder de diálogo, 
pressão e negociação dos municípios.
• Aumento da transparência das 
decisões públicas.
• Estimulo a uma mudança de cultura.
A crescente demanda por serviços 
essenciais – muitos dos quais 
responsabilidades transferidas de outros 
entes, sem a devida contraprestação de 
recursos – atrelada à impossibilidade de 
atendê-los de forma efetiva, exige que 
as instâncias locais deixem sua zona de 
conforto e sejam obrigadas a encontrar 
alternativas criativas e inovadoras 
para fazer frente às suas competências 
e responsabilidades. A criação de 
consórcios intermunicipais constitui-
se em uma dessas alternativas, cuja 
operacionalização, inclusive, encontra-
se agora amparada por legislação 
disciplinadora em âmbito nacional.
O arranjo institucional caracterizado pelo 
consórcio municipal demonstra, portanto, 
Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade210/222
ser uma alternativa viável para a solução de questões locais/regionais. Ela não deve, porém, ser 
levada a cabo somente como resposta a uma necessidade premente e inadiável, mas fruto de 
um processo de planejamento para a sustentabilidade local.
Glossário
Governança - deriva do termo governo, e pode ter várias interpretações, dependendo do 
enfoque. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com.br/?s=governan%C3%A7a>. 
Acesso em: 22 jun. 2015.
Vanguarda - frente, dianteira. (Fonte: Disponível em: <http://www.significados.com.br/
vanguarda/>. Acesso em: 22 jun. 2015).
Questão
reflexão
?
para
211/222
Após a realização da leitura fundamental, você agora 
aprofundará seus conhecimentos acerca do conceito 
e prática da sustentabilidade nas cidades, acessando 
o site <http://www.cidadessustentaveis.org.br/> e 
identificando os diversos exemplos práticos de cidades 
sustentáveis e a aplicação do conceito de governança 
ambiental municipal, por meio da leitura dos artigos na 
seção biblioteca e demais seções disponíveis no site.
212/222
Considerações Finais
Para que se incorpore “novos olhares e vivências” direcionados às 
novas tendências do planejamento ambiental para a sustentabilidade 
nos territórios e localidades, devemos pensar o desenvolvimento, a 
modernização, as mudanças requeridas em nosso tempo para o que se 
avizinha, por um caminho “ecocentricamente” (não “egocentricamente”) 
virtuoso, mais que exclamações enfáticas, uma abordagem crítica sim, mas 
vivencial.
Diante do fato do município se estabelecer, ora como território geopolítico, 
ora como territorialidade que constitui o espaço local e, portanto, o 
lócus onde a vida se dá e onde se constrói fundamentalmente o senso de 
pertencimento e de responsabilidade. Por esse motivo, a temática ambiental 
considera que o “local” se constitui o espaço por excelência da gestão 
ambiental, que deve ser, sobretudo, fundamentada na participação social, ou 
mais especificamente na governança.
Unidade 8 • Novas Tendências de Planejamento, Política e Sustentabilidade213/222
Referências
ALMEIDA, J.R.; et al. Política e planejamento ambiental. 3. ed. 2. Reimpressão. Rio de Janeiro: 
Thex, 2008. 480p.
DALLABRIDA, I.S. Gestão consorciada intermunicipal para sustentabilidade. In: PHILIPPI JR., A. 
SAMPAIO, C. A. C.; FERNANDES, V. Gestão de natureza pública e sustentabilidade. Barueri, SP: 
Manole. 2012. p. 57-89.
GIARETTA, J. B. Z. O município como ente central na gestão ambiental brasileira. In: PHILIPPI JR., 
A. SAMPAIO, C. A. C.; FERNANDES, V. Gestão de natureza pública e sustentabilidade. Barueri, 
SP: Manole. 2012. p. 179-208.
JORGE, P. R.; BRUNA, G. C. Governança municipal como ferramenta para o desenvolvimento 
sustentável. In: PHILIPPI JR., A.; ROMERO, M. A.; BRUNA, G. C. Curso de gestão ambiental. 
Barueri, SP: Manole. 2014. p. 57-89.
MANTOVANELI JR, G. A sustentabilidade como projeto para a cidadania planetária. In: PHILIPPI 
JR., A. SAMPAIO, C. A. C.; FERNANDES, V. Gestão de natureza pública e sustentabilidade. 
Barueri, SP: Manole. 2012. p. 57-89.
PHILIPPI JR., A. et al. Uma introdução à gestão ambiental. In: PHILIPPI JR, A. et al. (orgs.). Curso 
de gestão ambiental. Barueri, SP: Manole. 2004. p. 03-15.
214/222
Aula 8 - Tema: Novas Tendências ee 
Planejamento, Política e Sustentabilidade
 – Parte I 
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f-
1d/68cc6fb37e25377635957fb1ab1d3420>.
Aula 8 - Tema: Novas Tendências ee 
Planejamento, Política e Sustentabilidade – 
Parte II.
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA-
piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/5b-
9c46ddc7f87803f698277ca2f458c4>. 
Assista a suas aulas
215/222
1- Existe uma tendência que relaciona complexidade nos ecossistemas e 
seu estágio de amadurecimento e por sequência nos ecossistemas urba-
nos. Qual é esta tendência?
a) Verticalização da complexidade.
b) Manutenção da complexidade.
c) Redução da complexidade.
d) Alteração da complexidade.
e) Aumento da complexidade.
Questão 1
216/222
2- “Não retirar da natureza mais que a sua capacidade de reciclagem e 
não lançar nos ecossistemas mais que sua capacidade de absorção” re-
quer mais que conhecimento dos limites da natureza, ou seja, requer:
a) Maiores investimentos em produção limpa e em sistemas de aterros sanitários adequados.
b) Maiores investimentos financeiros em materiais recicláveis.
c) Novos valores de mediação da relação sociedade-natureza, entre espaço individual e 
coletivo, entre gerações presentes e futuras.
d) Novos valores de educação ambiental direcionados as gerações atuais, afim de minimizar 
os impactos futuros.
e) Maiores investimentos financeiros em educação ambiental direcionados as gerações 
atuais, afim de minimizar os impactos futuros.
Questão 2
217/222
3- Quais os três componentes de um município que segundo Philippi Jr. 
et al, (2004), permanecem relacionados entre si?
a) Urbano, Rural e Primevo.
b) Urbano, Rural e Topográfico.
c) Rural, Paisagem e Primevo.
d) Rural, Primevo e Topográfico.
e) Primevo, Urbano e Topográfico.
Questão 3
218/222
4 - O que significa nas diversas dimensões da sustentabilidade, a susten-
tabilidade demográfica ou espacial?
a) Está ligada ao próprio desenho das instituições que regulam a sociedade e a economia as 
dimensões sociais e políticas da sustentabilidade em seus conteúdos macro.
b) Está ligada ao processo de construção da cidadania, à garantia do pleno acesso dos 
indivíduos aos direitos e garantias fundamentais e à participação dos cidadãos nos processos 
de desenvolvimento.
c) Refere-se à manutenção da diversidade em sentido mais amplo, isto é, à preservação de 
valores, costumes, práticas e toda e qualquer manifestação que represente a identidade de um 
povo, um grupo, uma nação, uma região.
d) Refere-se à base física do processo de desenvolvimento e objetiva a conservação e uso 
racional do estoque de recursos naturais.
e) Refere-se à capacidade de suporte do planeta ante o crescimento desenfreado da 
população e suas consequentes características, como ocupação irregular do espaço, migração 
etc.
Questão 4
219/222
5- Qual é a iniciativa apresentada na leitura fundamental como inova-
dora e eficaz segundo diversos autores para o gerenciamento ambiental 
territorial pelos municípios?
a) Convênios.
b) Consórcios.
c) Programas e Projetos.
d) Planejamentos.
e) Parcerias.
Questão 5220/222
Gabarito
1. Resposta: E.
Todos os ecossistemas tendem ao aumento 
da complexidade e a estágios mais 
maduros da sucessão. Isso sucede também 
nos ecossistemas urbanos e assim se 
comprova que a complexidade do conjunto 
da cidade tem tendência a aumentar.
2. Resposta: C.
No bojo das discussões sobre 
desenvolvimento sustentável e gestão 
ambiental, de acordo com Fernandes 
e Sampaio (2008 apud GIARETTA; 
FERNANDES; PHILIPPI JR., 2012), as cidades 
constituem espaço fundamental para 
uma mudança de paradigma, não só em 
relação ao uso dos recursos naturais, 
mas na construção da territorialidade e 
consequentemente nos seus processos de 
gestão.
3. Resposta: A.
O município é formado pelos seguintes 
ambientes que permanecem relacionados 
entre si: urbano, que contempla circulação 
de pessoas, trabalho, lazer, habitações, 
saneamento, dentre outros; rural, que 
abriga atividades agrícolas e minerais, 
basicamente o setor primário de produção; 
e primevo, com característica específicas 
de cada região, reservas e identidades do 
ecossistema (PHILIPPI JR., et al, 2004).
221/222
Gabarito
4. Resposta: E.
A busca por alternativas que possibilitem 
impulsionar o desenvolvimento local 
tem sido o foco de discussão nos últimos 
tempos. O objetivo, contudo, é mais amplo: 
um desenvolvimento efetivo, alicerçado 
nas dimensões da sustentabilidade. 
Essas dimensões, elencadas por Sachs 
(1993 apud JORGE; BRUNA, 2014), vêm 
sendo revisitadas constantemente nos 
eventos debatedores da temática da 
sustentabilidade: sustentabilidade 
demográfica ou espacial: renovada por 
teorias neomalthusianas, refere-se à 
capacidade de suporte do planeta ante o 
crescimento desenfreado da população e 
suas consequentes características, como 
ocupação irregular do espaço, migração 
etc.
5. Resposta: B.
Evoca-se o desenvolvimento e/ou 
mudanças institucionais das organizações 
do governo da sociedade civil e dos 
agentes produtivos, buscando a criação 
de novas ou reformulação de antigas 
formas de articulação entre essas esferas 
(DALLABRIDA; PELLIN, 2012). Para 
estes autores, a criação de consórcios 
intermunicipais revela-se uma iniciativa 
muito eficaz.

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