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CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO
“LATO SENSU”
(ESPECIALIZAÇÃO) A DISTÂNCIA
PROCESSAMENTO E CONTROLE DE
QUALIDADE DE PRODUTOS DE ORIGEM
ANIMAL - PCQ
Físico-Química, Qualidade e
Processamento do Leite
Luiz Ronaldo de Abreu
Universidade Federal de Lavras - UFLA
Lavras – MG
2014
Ficha Catalográfica preparada pela Divisão de Processos
Técnicos da Biblioteca Central da UFLA
Palavras-chave: leite; físico-química; qualidade; processamento.
Governo Federal
Presidente da República: Dilma Vana Rousseff
Ministro da Educação: José Henrique Paim Fernandes
Universidade Federal de Lavras
Reitor: José Roberto Soares Scolforo
Vice-Reitora: Édila Vilela Resende von Pinho
Pró-Reitora de Pós-Graduação: Alcides Moino Júnior
Pró-Reitor Adjunto Lato sensu: Daniel Carvalho de Rezende
Centro de Educação a Distância
Coordenador Geral: Ronei Ximenes Martins
Coordenador Pedagógico: Warley Ferreira Sahb
Coordenador de Projetos: Daniel Carvalho de Rezende
Coordenadora de Apoio Técnico: Fernanda Barbosa Ferrari
Coordenador de Tecnologia da Informação: André Pimenta Freire
Coordenador(a) de Curso:
Processamento e Controle de Qualidade de Produtos de Oriegem
Animal (PCQ): Luiz Ronaldo de Abreu
SUMÁRIO
1 - INTRODUÇÃO ................................................................................. 1
2 – COMPOSIÇÃO QUÍMICA DO LEITE .............................................. 5
2.2 DESCRIÇÃO DOS MACROCONSTITUINTES ......................... 8
2.2.1 ÁGUA ..................................................................................... 8
2.2.2 LACTOSE .............................................................................. 8
2.2.3 PROTEÍNAS ....................................................................... 15
2.2.3.1 CASEÍNA .......................................................................... 17
2.3.3 LIPÍDEOS ........................................................................ 27
2.3.4 VITAMINAS E MINERAIS .................................................... 30
3 - DEFINIÇÃO DO LEITE .................................................................. 32
3.1 SOB PONTO DE VISTA FISIOLÓGICO ............................................. 33
3.2 SOB PONTO DE VISTA FÍSICO-QUÍMICO ........................................ 33
3.3 SOB PONTO DE VISTA HIGIÊNICO ................................................. 34
3.4 ANÁLISE DOS CONCEITOS .......................................................... 34
3.4.1 Produto íntegro ................................................................... 34
3.4.2 Ordenha total ...................................................................... 36
3.4.3 Ordenha sem interrupção .................................................... 37
3.4.4 Bom estado de saúde ......................................................... 37
3.4.5 Bem alimentada .................................................................. 38
3.4.6 Sem sofrer cansaço ............................................................ 39
3.4.7 Sem colostro ....................................................................... 39
3.4.8 Recolhido e manipulado em condições higiênicas .............. 40
4 - PRODUÇÃO HIGIÊNICA DO LEITE.............................................. 41
4.1 OBJETIVOS DA OBTENÇÃO HIGIÊNICA .......................................... 42
MÉTODO DE LAVAGEM .................................................................. 45
A ORDENHA .................................................................................... 45
O TRANSPORTE ............................................................................. 46
4.2 CUIDADOS GERAIS .............................................................. 46
5 - CONSIDERAÇÕES SOBRE A QUALIDADE DO LEITE ............... 49
5.1 COMPOSIÇÃO QUÍMICA .............................................................. 53
5.2 CONTAGEM TOTAL DE BACTÉRIAS ............................................... 55
5.3 RESFRIAMENTO DO LEITE ........................................................... 59
5.4 COLETA DE LEITE A GRANEL ....................................................... 62
5.5 CONTAGEM DE CÉLULAS SOMÁTICAS ........................................... 62
6 - TRATAMENTOS DO LEITE .......................................................... 66
6.1 FILTRAÇÃO ............................................................................... 67
6.2 RESFRIAMENTO ........................................................................ 67
6.3. HOMOGENEIZAÇÃO DO LEITE ............................................ 67
6.4 PASTEURIZAÇÃO ....................................................................... 73
6.4.1 Introdução e definição ......................................................... 73
6.5 PASTEURIZAÇÃO DO LEITE ......................................................... 74
7 – TERMIZAÇÃO DO LEITE ............................................................. 84
7.1 O QUE É TERMIZAÇÃO? ....................................................... 85
7.2 QUAL O SEU OBJETIVO? .................................................. 85
7.3 EM QUE CONDIÇÕES DEVE SER UTILIZADA? ................................. 86
7.4 QUAL TIPO DE LEITE? ................................................................ 86
7.5 QUAL TIPO DE EQUIPAMENTO? ................................................... 87
7.6 QUAL O PADRÃO ENZIMÁTICO? ................................................... 87
7.7 QUAL O TRATAMENTO COMPLEMENTAR? ..................................... 87
9 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................... 125
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
1
1 - INTRODUÇÃO
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
2
Segundo o Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de
Produtos de Origem Animal - RIISPOA, em seu Artigo 475:
“Entende-se por leite, sem outra especificação, o
produto oriundo da ordenha completa, ininterrupta, em
condições de higiene, de vacas sadias, bem
alimentadas e descansadas. O leite de outros animais
deve denominar-se segundo a espécie de que
proceda”.
O leite tem sido utilizado como alimento pelos humanos desde os
tempos pré-históricos, sendo obtido de cabra, búfala, ovelha e da vaca,
dentre outras. O leite e o mel são os únicos produtos cuja função na
natureza é exclusivamente a de servir como alimento. É lógico assumir,
portanto, que o leite é um produto de alto valor nutritivo. Possui
também uma complexidade muito grande, com mais de 100.000
espécies moleculares diferentes. Todas as espécies de mamíferos, do
ser humano às baleias, produzem leite com o objetivo de nutrir o
recém-nascido.
Há muitos séculos o homem primitivo aprendeu a domesticar
animais, primeiramente para a obtenção de carne e logo em seguida
descobriu as vantagens da utilização de seu leite. Para grande parte da
população humana, o leite é um importante alimento como tal e uma
importante matéria-prima na elaboração de produtos diversos.
Acredita-se que a domesticação de animais tenha acontecido
entre 10.000 e 6.000 a.C., na Mesopotâmia, região compreendida entre
os rios Tigres e Eufrates. Nas cercanias de UR foi encontrado um alto
relevo, datado de aproximadamente 3.500 anos a.C. mostrando vacas
sendo ordenhadas com o leite recolhido em vasilhame feitode barro.
Quando os descobridores chegaram à América não encontraram
no Novo Continente o gado bovino. Os primeiros dessa espécie foram
introduzidos no Brasil em 1534, por Martin Afonso de Souza, depois
nova remessa foi trazida por Tomé de Souza em 1550; Duarte da
Costa trouxe algumas cabeças para Pernambuco e Garcia D’Ávila para
a Bahia, tendo esses rebanhos se espalhado pelas capitanias do
Nordeste e daí para o centro do país.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
3
Garcia Rodrigues obteve em 1703 uma autorização para iniciar
uma criação de gado bovino em uma localidade denominada Borda da
Mata localizada hoje nas proximidades de Barbacena no estado de
Minas Gerais. Um importante político de Barbacena, Coronel Carlos de
Sá Fortes, proprietário de cinco fazendas e cento e vinte e nove
escravos, trouxe para a região dois touros holandeses, o primeiro em
1852 o touro Patuá e depois, em 1858, o touro Trigo. Esses touros
deram início à criação de gado leiteiro da raça holandesa nessa
localidade da Mantiqueira na região dos Campos das Vertentes de
Minas Gerais.
O gado holandês foi introduzido no estado de São Paulo em 1889,
em Guratinguetá, no Vale do Paraíba, por Rafael Brotero que importou
alguns reprodutores da Europa.
Embora já existissem no Brasil fábricas de laticínios rudimentares
desde o início da criação do gado bovino, é creditado ao Dr. Antônio
Pereira de Sá Fortes, neto do Coronel Carlos de Sá Fortes, a
montagem da primeira fábrica de laticínios mecanizada do país, após
esse médico ter passado um longo período de tempo na Europa, onde
adquiriu equipamentos e contratou técnicos os quais mais tarde
montaram suas próprias fábricas nas regiões de Palmira (hoje Santos
Dumont) e Lima Duarte no Estado das Alterosas.
Com o desenvolvimento das criações nas províncias de Minas
Gerais, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Paraná e Piauí, após a
segunda metade do século XIX, a pecuária tomou um grande impulso.
No início do século vinte surgiram as primeiras fábricas de leite
condensado, em Araras no estado de São Paulo, em Caxambú,
Oliveira, Taubaté e Itanhandú, todas elas dando mais tarde lugar a
estabelecimentos mais modernos.
Hoje, o leite representa, sem a menor sombra de dúvidas, um dos
produtos mais importantes da agropecuária brasileira, com um
importante e cada vez mais tecnificado parque fabril. Maiores
produções de leite, crescente processo de industrialização e
diversificação de produtos, mercado interno com maior poder de
compra, fazem com que Brasil possa almejar maior inserção no
mercado internacional de lácteos. Para acompanhar essa evolução e
pretensão, todos aqueles que atuam nos diversos setores da cadeia do
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
4
leite têm necessariamente que ter um objetivo dos mais importantes,
qual seja: A BUSCA INCESSANTE PELA MELHORIA DA
QUALIDADE DO LEITE PRODUZIDO NO BRASIL.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
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2 – COMPOSIÇÃO QUÍMICA
DO LEITE
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
6
2.1 COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA
A função do leite na natureza é a de nutrir e fornecer proteção
imunológica para o mamífero na primeira fase de sua vida. O leite tem
sido alimento para o ser humano desde épocas remotas; desde o leite
humano, de cabra, búfala, ovelha até o leite de vaca, hoje o mais
consumido e processado em todo o mundo. É interessante observar
que o leite e o mel são os únicos produtos cuja única função na
natureza é a de servir como alimento. Sabidamente o leite possui um
alto valor nutritivo, constituindo-se de um alimento complexo, com mais
de 100.000 espécies moleculares já identificadas. Existe um grande
número de fatores que afetam a composição do leite, tais como:
espécie, raça, indivíduo, estágio de lactação, ordem de parição,
manejo, alimentação, estações do ano, variações geográficas, primeira
e segunda ordenha, estado de saúde da vaca, sistema de ingestão de
água, dentre outros. Levando em consideração esses fatores de
variação, a composição química do leite pode ser expressa somente
em valores aproximados.
O leite pode ser fracionado em seus macroconstituintes, conforme
Figura 1.
LEITE
ÁGUA
GORDURA
SÓLIDOS TOTAIS
SÓLIDOS DESENGORDURADOS
LACTOSE PROTEÍNAS MINERAIS OUTROS
FIGURA 1 - Distribuição dos constituintes do leite
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
7
Composição aproximada do leite de vaca:
Água: aproximadamente 88,2%
Sólidos totais (E.S.T): aproximadamente 11,8%
Gordura: 3.5 % (Variando de 2.4% - 5.5%) – mínimo legal
de 3,0%*
Sólidos desengordurados: 8.8% de (7.9% - 10.0%): -
mínimo legal de 8,4%*
Lactose: 4.9%
Proteínas 3.25% - mínimo legal de 2,9*
Caseína: 78% - 81% do total de proteínas
Proteínas solúveis (-lactoglobulina e -lactoalbumina,
etc.): 19% - 22%
Minerais: 0.75% - Ca, P, citrato, Mg, K, Na, Zn, Cl, Fe, Cu,
sulfato, bicarbonato, dentre outros
*: Conforme a Instrução Normativa 51, para leite de rebanho e de
conjunto
O leite possui também outras substâncias que, embora estejam
presentes em pequenas quantidades, são muito importantes, dentre
outras, merecem destaque:
Ácidos 0.14-0.18%: citrato, formato, acetato, lactato,
oxalato
Enzimas: peroxidase, fosfatase alcalina catalase,
phosphatase ácida, lipase, xantina oxidase
Gases - oxigênio, nitrogênio
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
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Vitaminas - A, C, D, thiamine, riboflavin, outras
2.2 DESCRIÇÃO DOS MACROCONSTITUINTES
O conhecimento da estrutura, concentração, variação na
concentração e interações entre os constituintes do leite é importante
para o bom entendimento do leite como alimento de alto valor
nutricional, como matéria-prima na elaboração dos diversos produtos
lácteos, o leite como ingrediente na elaboração de produtos não
lácteos, além de imprescindível nos processos de detecção de fraudes.
2.2.1 ÁGUA
A água é o constituinte que entra em maior concentração na
formação do leite, fazendo desse um produto líquido. Pode apresentar-
se de diversas associações e formas: água livre, de constituição, de
hidratação. Possui diversas funções, algumas benéficas e outras
maléficas, sendo que esse julgamento deve ser considerado em
relação ao destino do leite, ou seja, a água pode ser benéfica em
muitos casos como, por exemplo: manter os outros constituintes
dispersos, na fabricação de queijo, leites fermentados, etc., ou causar
problemas como no transporte, no desenvolvimento microbiano e
atuação de enzimas, etc.
2.2.2 LACTOSE
A lactose, açúcar característico do leite, embora tenham outros
em concentrações muito pequenas, é descrita e caracterizada pela
IUPAC – International Union of Pure Applied Chemistry:
- β-D-galactopyranosyl-(1→4)-D-glucose
- Fórmula molecular: C12H22O11
- Massa molar: 342,30 g/Mol
- Densidade: 1,525 g/cm2
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
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A lactose pode ser também descrita como: 4-O-β-D-
galactopyranosyl-D-glucose.
Quimicamente a lactose é um dissacarídeo, formado por
galactose e glicose, sendo esses monossacarídeos unidos por uma
ligação glicosídica -4, ou seja, entre o carbono 1 da galactose e o
carbono 4 da glicose, em uma configuração característica, que confere
a esse açúcarpropriedades particulares, que irão ter influência tanto
sob o aspecto nutricional quanto no industrial.
A fórmula molecular da lactose está apresentada na figura 2.
FIGURA 2 - Fórmula molecular da lactose
Algumas características da lactose:
- Nomes: 4-O--D-galactopiranosil-D-glicopiranose, β-D
galactopyranosyl-(1→4)-D- glucose ) [IUPAC],
- Estado físico: em solução.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
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- Vantagem evolutiva: 50% da pressão osmótica (2 vezes o valor
calórico na mesma pressão). Isso é fundamental no processo
fisiológico de formação e excreção do leite pela fêmea mamífera.
- Responsável por 50 % da DPC (depressão do ponto de
congelamento) e potencial osmótica, tornando esta semelhante ao
potencial osmótico do sangue, o que é necessário para a formação do
leite pela glândula mamária.
- Sintetizada no complexo de Golgi, saindo da célula secretora por
meio de vesícula secretora, sendo que a água é “arrastada”
osmoticamente pela lactose até o lúmen os alvéolos.
- Auxilia no diagnóstico de infecção no úbere, por meio da relação
Cloro/lactose, ou seja, quando há aumento nessa relação é indício da
presença de infecção (mastite).
A lactose é o constituinte sólido de maior concentração do leite,
estando em torno de 4,9%, podendo essa concentração apresentar
variação, principalmente em decorrência da mastite, doença que causa
diminuição significativa na concentração desse açúcar.
O teor de lactose varia de produto para produto, como nos
exemplos:
PRODUTO Lactose (%)
Leite integral 4,9
Leite desnatado 5,0
Leite condensado 11
Leite em pó integral 36
Leite em pó desnatado 50
Soro lácteo em pó 70
Soro líquido 4,8 - 5,1
Deve-se ter em mente que existe uma variação dentro de um
mesmo produto e que os dados acima apresentados são valores
médios.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
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IMPORTÂNCIA DA LACTOSE
- FISIOLÓGICA
Juntamente com os sais minerais, contribui para o potencial
osmótico necessário para a formação do leite. Entre o leite, que se
encontra dentro do lúmen dos alvéolos e o sangue que circunda esses
alvéolos não pode haver diferença de potencial osmótico, ou seja, os
dois meios devem ser isoosmóticos, sendo que a lactose contribui com
50% do potencial osmótico do leite, os cloretos com 38% e os outros
constituintes com 12%. Esse equilíbrio é perturbado no caso de
mastite, havendo um aumento nos cloretos e como consequência
diminuição da lactose, para restabelecer o equilíbrio osmótico.
NUTRICIONAL
- Nutricionalmente a lactose apresenta as seguintes funções:
- Fonte de energia: 3,96 cal/g
- Fonte de galactose, carboidrato importante na formação cerebral
de crianças, pois participa da formação de algumas moléculas
importantes para esse fim. O leite é a única fonte alimentícia como
fonte significativa de galactose.
- Torna a musculatura intestinal mais rígida e saudável.
- Facilita absorção de cálcio e fósforo e vitamina D.
- Aumenta a permeabilidade da membrana e a produção.
- Diminui o pH intestinal, por servir de substrato para a
fermentação lática.
- Serve como substrato para fermentação láctica, por bactérias
benéficas (probióticos), contribuindo para a saúde do trato digestório.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
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INDUSTRIAL
A lactose é utilizada como ingrediente por um grande número de
indústrias, na produção de diversos produtos , destacando-se:
Farmacêuticos Produtos fermentados
Alimentos infantis Alimentos dietéticos
Produtos lácteos Adoçantes
Refrigerantes Chocolates
Sorvetes Produtos de Panificação
Farinhas Massa alimentícias
Snacks Alimentos enlatados diversos
Geleias Sucos de frutas
Licores Produtos cárneos
Temperos Sobremesas diversas
Mostarda Molhos
Maionese Etc.
Essas indústrias utilizam a lactose em diversas formas: com o
leite, soro lácteo fuido, leite e soro concentrados ou desidratados e
lactose purificada, seja bruta ou refinada.
PROBLEMAS NUTRICIONAIS DA LACTOSE
Embora a lactose possua diversas aplicações, ela também causa
alguns problemas nutricionais, como a intolerância à lactose
(insuficiência na produção de lactase) e galactosemia.
INTOLERÂNCIA À LACTOSE (insuficiência na produção de
lactase)
A intolerância está relacionada com a incapacidade do organismo
de produzir, ou com produção insuficiente de lactase (E.C. 3.2.1.108),
enzima que cliva a ligação β-14da lactose, gerando glicose e galactase
livres, para posterior absorção. Quando não há produção de lactase, ou
essa produção é insuficiente, a lactose se acumula no intestino (não há
absorção do dissacarídeo lactose), chegando então ao intestino grosso
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
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onde acontecem dois problemas: a própria lactose retém água e parte
é fermentada produzindo ácido lático, o qual possui maior capacidade
de retenção de água que a molécula íntegra de lacose. Esse acúmulo
de água no intestino grosso, além de outros problemas, causa diarreia,
sendo sua intensidade influenciada principalmente pela quantidade
ingerida e na deficiência na produção de lactase.
- Tipos de deficiência na produção de lactse:
A deficiência na produção de lactase (E.C. 3.2.1.108) pode ser
classificada como se segue:
Congênita
- Geneticamente controlada
- Não ligada ao sexo
- Evento recessivo
- Muito rara, com ocorrência de um para cada trinta e cinco
nascimentos, nesse caso o recém-nascido não possui os genes
responsáveis pela síntese da lactase.
Ontogenética
A mais frequente, o indivíduo simplesmente deixa de produzir a
lactase após o desmame, ou tem sua produção diminuída.
Secundária
Nesse caso, a pessoa produz normalmente a lactase, mas devido
a alguns fatos como, por exemplo: má nutrição infantil, fibrose cística,
colite ulcerativa, afta tropical, giardia, cirurgia com remoção de parte do
intestino, dentre outros, o indivíduo tem a produção de lactase
diminuída, ficando então intolerante a lactose.
- Testes de intolerância
Para diagnosticar o grau de produção de lactase, existe um teste
padrão, embora devido ao rigor do mesmo (alta exposição a lactose) a
validade desse teste está sendo questionada.
O teste consiste medir a glicose sanguínea do indivíduo e em
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
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seguida oferecer ao mesmo 50 gramas de lactose em uma solução a
20% e após 20 minutos proceder novamente a mesma medição. Se o
pico de glicose subir menos que 20 a 25mg/dl, o indivíduo é
diagnosticado como intolerante (insuficiência na produção de lactase).
Outro teste consiste em medir o hidrogênio da respiração. Se esse for
maior que 20 ppm, o diagnóstico será o mesmo.
Alternativas
Para aquelas pessoas que manifestam a intolerância,
principalmente ainda na fase muito jovem, recomenda-se:
- Substituto de leite (forma muito radical e não recomendada
antes de tentar outros métodos).
- Fazer uso do leite hidrolizado
- Não fazer o desmame da criança de forma abrupta
- Introduzir o leite de vaca de forma gradativa junto com o
desmame
- Para pessoas que ficaram muito tempo sem tomar leite,
recomenda-se sua introdução gradativa, muitas vezes a pessoa retoma
sua produção de lactase.
O leite hidrolizado é uma alternativa que vem sendo utilizada de
forma crescente. Esse leite pode ser produzido de algumas formas,
uma forma comum é a que se segue:Leite hidrolizado
Leite
Pasteurização (80oC por 1 minuto)
Resfriamento (37oC)
Adição da enzima (1 gota por litro)
Descanso (2 horas)
Aquecimento (utilizar até 24 horas). Esse leite existe também na
forma UAT
(UHT – longa vida)
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
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Microrganismos produtores de lactase:
Leveduras: Fungos filamentosos:
- Kluyveromyces fragilis - Aspergillus niger
- Kluyveromyces lactis - Aspergillus oryzae
- Candida pseudotropicalis
Bactérias: Similares ao Bacillus stearothermophilus
Streptococcus thermophillus
Formas isoméricas da Lactose
A lactose é obtida na forma de dois isômeros:
-Lactose mono- -Lactose anidra
OBTENÇÃO DA LACTOSE
Abaixo estão descrito dois métodos para a obtenção da lactose:
Matéria-prima: soro proveniente da fabricação de queijo e o
proveniente da obtenção da caseína, sendo o primeiro, de longe o mais
utilizado.
SORO SORO
Defecação Concentração
Concentração Coagulação e remoção proteína
Cristalização Concentração
Centrifugação Cristalização
Lavagem Recuperação dos cristais
Dessecação Lavagem
Refinação Dissolução e recristalização
-Lactose mono-
hidratada, sendo a -Lactose anidra conseguida em temperaturas
acima de 93,5ºC, com solução alcoólica.
2.2.3 PROTEÍNAS
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
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Quimicamente, proteínas são polímeros macromoleculares de
alto peso, cujas unidades básicas são os aminoácidos, os quais estão
ligados entre si por ligações peptídicas, formadas por unidades de
aminoácidos, unidos entre si por ligações peptídicas.
O conteúdo proteico do leite varia entre 2,65 e 4,25%, sendo que
a legislação brasileira estabelece o mínimo de 2,9% para os leites de
rebanho e de conjunto.
Em média as proteínas do leite podem ser classificadas em:
caseína (em torno de 80%), proteínas solúveis (em torno de20%) e
nitrogênio não proteico que corresponde a cerca de 6% do total do
nitrogênio do leite.
A concentração média das proteínas do leite podem ser
visualizada na Tabela 1
.
TABELA 1 Concentração das proteínas do leite.
gramas/ litro % da proteína total
Proteína total 33 100
Caseína total 26 79.5
alfa s1 10 30.6
alfa s2 2.6 8.0
Beta 9.3 28.4
Kapa 3.3 10.1
Proteínas totais do soro 6.3 19.3
alfa lactalbumina 1.2 3.7
beta lactoglobulina 3.2 9.8
BSA 0.4 1.2
Imunoglobulinas 0.7 2.1
Proteose peptone 0.8 2.4
Fonte: adaptado de Bobbio e Bobbio
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
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FIGURA 3 Partição esquemática das proteínas do leite
2.2.3.1 CASEÍNA
A caseína é a proteína mais importante do leite, principalmente no
que se refere à fabricação de queijos. Na realidade não existe apenas
uma caseína, existem moléculas denominada para-caseínas”, que se
agrupam e formam uma estrutura globular, conhecida como micela de
caseína.
As principais frações que se associam para formar a micela de
caseína são:
alfa-s1, alfa-s2, beta e kapa caseínas. Existe também a gama
caseína, entretanto ela é derivada da -caseína pela
enzima plamina, sendo um peptídeo solúvel e, portanto, não fazendo
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
18
parte da micela de caseína.
Para manter a solubilidade da caseína no leite, ela se encontra na
forma de micela, onde cada fração constitui uma submicela
estabilizadas por grupos fosfatos os quais estão esterificados a
resíduos de serina. Esses grupamentos fosfato unem as frações
proteicas (submicelas), por meio de pontes de cálcio, mantendo a
integridade da micela.
alfa(s1)-caseína:
Possui duas regiões hidrofóbicas, separadas por uma região
hidrofílica. É uma caseína muito sensível ao cálcio (precipita
facilmente) e como consequência é muito facilmente precipitada
quando da coagulação do leite para a elaboração de queijos.
alfa(s2)-caseína:
Tem suas cargas negativas concentradas nas proximidades do N-
terminal a as positivas nas do C-terminal. Pode também ser precipitada
com baixas concentrações de cálcio.
beta -caseína:
Essa caseína possui duas regiões bem distintas. Na região
próxima ao N-terminal é muito hidrofílica, sendo muito hidrofóbica na
região C-terminal. É consequentemente uma proteína muito anfipática.
Ela é menos sensível ao cálcio e a temperaturas próximas de 4C sai
totalmente ou parcialmente da micela, retornando à sua posição
original quando o leite é novamente aquecido e mantido a temperaturas
mais altas por um certo período de tempo.
kapa-casein:
É uma caseína muito resistente ao cálcio, não precipitando na
presença deste. Ela tem a função principal de proteger as caseínas
internas da micela contra a ação do cálcio que se encontra solúvel no
leite. Entretanto, quando de adiciona enzimas (coalho) ao leite, este
rompe a ligação entre os aminoácidos Phe105-Met106 eliminando a
proteção contra o cálcio, permitindo que este combine com as outras
caseínas, formando uma rede, a qual aprisiona a água, lactose,
gordura etc., transformando o leite líquido em uma coalhada. Esse tipo
de coagulação do leite é utilizado para a elaboração da maioria dos
tipos de queijos conhecidos.
Micelas de Caseína
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
19
No leite, as caseínas relacionam-se entre si e com os íons ou sais
(especialmente fosfato de cálcio), para formar complexos micelares
volumosos, com diâmetro de 20 a 300 nm.
A estrutura micelar vem sendo estudada há tempos e vários
modelos já foram propostos. Esses modelos recaem basicamente em
duas categorias. A primeira é um conceito de “capa-núcleo” em que
subunidades de s1 e -caseínas formariam núcleos
termodinamicamente estáveis em roseta cobertos por camadas
periféricas de -caseína. O segundo modelo é representado por uma
estrutura aberta composta de subunidades de tamanho uniforme,
contendo s1 e -caseínas no centro e -caseína na periferia. Ambos os
modelos permitem a associação das subunidades através de ligações
de cálcio ou fosfato de cálcio coloidal.
O conhecimento da estrutura da micela de caseína é de grande
importância para a tecnologia do leite; 80 a 90% desta proteína
encontra-se na forma de partículas coloidais aproximadamente
esféricas, medindo de 50 a 200 nm de diâmetro de peso equivalente a
107 109 daltons. O termo micela tem sido usado para designar as
partículas dispersas do leite, formadas de uma mistura complexa de
proteínas. As micelas são formadas de subunidades de tamanho
uniforme (~ 10-20 nm de diâmetro) contendo de 25 a 30 monômeros de
caseína com um peso médio de partícula de 6x105 daltons.
As estruturas exatas das subunidades e das micelas de caseína
ainda não foram determinadas, apenas alguns modelos têm sido
sugeridos por diversos autores.
Um dos modelos mais aceitos e estudados é representado por
uma estrutura aberta composta de subunidades de tamanho uniforme
contendo s1 , s2, e caseína no centro e -caseína na periferia.
A k-caseína ocupa nestas submicelas uma posição muito
especial, predominantemente nas superfícies. Esta fração ao contrário
das demais e, em particular, da S-caseína é insensível ao cálcio. Esta
propriedade confere uma atividade de coloide protetor. A ação
protetora se deve fundamentalmente a que, porções desta k-caseína,
conhecidas com o nome de glicomacropeptídeos, penetra na base
aquosa do leite formando, pelo seu caráter hidrolítico uma capa de
hidratação. O resto da k-caseína é sensível ao cálcio e se encontra da
mesma forma que as demais frações, unidas a este. A capa de
hidratação aloja cargas elétricas de mesmo sinal, o quefaz com que as
micelas de caseína se afastem umas das outras. Desta forma, é
impedida a precipitação da caseína.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
20
É provável que a k-caseína funcione comum "nó" de uma rede
tridimensional formada pelas alfas e betas caseínas, enquanto o
cálcio, com a precipitação do fosfato inorgânico (coloidal) constituam os
elementos de ligação entre as diversas moléculas de caseína.
A interação entre as várias subunidades micelares deve envolver
o grupo carboxílico dos aminoácidos e os íons cálcio e fosfato
inorgânico, uma vez que o esterfosfoserina (fosfato orgânico) não é
quantitativamente suficiente para causar a aglomeração do
fosfocaseinato de cálcio existente no leite.
Cerca de 10-20% da caseína permanece solúvel não fazendo
parte das micelas. A quantidade e a composição da fração solúvel de
caseína irá depender de fatores como temperatura, concentração de
íons, cálcio e pH. À temperatura abaixo de 8o C, - caseína, em
particular, e pequenas quantidades do complexo -s1 -caseína se
dissocia da micela e passa para o soro. Aquecendo-se o leite esses
componentes retornam às micelas, porém não se sabe se readquirem
a mesma estrutura anterior. Da mesma forma a remoção de cálcio do
sistema por agentes quelantes ou diálise verifica-se a dissociação das
micelas em subunidades, que voltam a se reestruturarem pela adição
de cálcio.
A desfosforilação da caseína torna o sistema instável, apesar da
ação estabilizadora da k-caseína, dificultando a sua coagulação em
presença de cálcio.
FIGURA 4 Modelo sugerido para a micela de caseína.
Fonte: Adaptado de (http://www.foodsci.uoguelph.ca/dairyedu/chem.html)
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
21
O fosfocaseínato é sensível às modificações do pH do meio, seja
pela adição de ácido ou acidificação natural (fermentação lática) , ou
pela basificação, quando há formação do caseinato do alcali
adicionado. A um determinado pH observa-se um equilíbrio entre as
cargas positivas e negativas da proteína; neste caso, diz-se que a
caseína está no seu ponto isoelétrico (pH = 4,6). A adição de ácidos
até pH 4,6 , aumenta a atividade de cálcio(redução de cargas
negativas), resultando associações intermicelares e subsequente
precipitação. O ácido, além de reduzir as cargas negativas, promove a
desidratação das micelas, devido a grande afinidade de seus íons pela
água. Neste caso, o fosfocaseinato de cálcio é desmineralizado devido
a perda de cálcio que migra para o ácido adicionado, obtendo-se então
a "caseína isoelétrica" ou "ácida".
A ação específica da renina sobre a k-caseína destrói a função
estabilizadora das micelas promovendo associações hidrofóbicas
intermicelares e formação do coágulo.
Em termos de composição centesimal, a micela de caseína
contém 93% de proteína; 2,8% de cálcio; 2,3% de fosfato orgânico;
2,9% de fosfato inorgânico; 0,4% de citrato, além de níveis baixos de
Mg . Na e K. Em média contém caseínas s1 , e e nas proporções
de 3:2:1 (ou s1 , s2, , e -caseínas em uma relação média de
3:1:3:1 ).
Cerca de 10 a 20 % da caseína permanece solúvel, não fazendo
parte das micelas. A quantidade e a composição da fração solúvel de
caseína irá depender de fatores como temperatura, concentração de
íons, cálcio e pH. À temperatura abaixo de 8C, -caseína, em
particular, e pequenas quantidades do complexo de -s1 caseína se
dissocia da micela e passa para o soro. Aquecendo-se o leite, esses
componentes retornam às micelas, porém não se sabe se readquirem
a mesma estrutura anterior. Da mesma forma, na remoção de cálcio do
sistema por agentes quelantes ou diálise verifica-se a dissociação das
micelas em suas subunidades, que voltam a se reestruturar pela adição
de cálcio. A desfosforilação das caseínas s1 reprimem a interação
estabilizadora da -caseína, tornando a micela instável. A adição de
ácido, pH 4,6, aumenta a atividade de cálcio, resultando associações
intermicelares e subsequente precipitação. A ação da renina sobre a -
caseína destrói a função estabilizadora das micelas, promovendo
associações hidrofóbicas intermicelares e formação de coágulo.
As micelas de caseína contém, em média, caseínas s1, e nas
proporções de 3:2:1, respectivamente. Mas, no entanto, nem todas as
micelas têm a mesma composição; micelas menores, por exemplo, têm
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
22
concentração mais elevada de -caseína. Em média, as micelas
contêm: proteína 93 %, cálcio 2,8%; fósforo orgânico 2,3 %; fósforo
inorgânico 2,9 %; citrato 0,4 %; além de níveis baixos de Mg, Na e K.
Estabilidade da micela de caseína
As micelas resistem muito bem a temperaturas superiores a
100C e fortes tratamentos de homogeneização, mas podem
desestabilizar com ligeiras variações na composição do soro.
Efeitos da temperatura
Durante o armazenamento do leite a baixas temperaturas (4 a
7C), as micelas se dissociam parcialmente em submicelas e liberam
até 50 % da -caseína em 24 horas. Como já foi comentado
anteriormente, ao reaquecermos o leite a -caseína volta a se associar
lentamente às micelas. Se aumentarmos a temperatura, há uma
diminuição contínua da caseína solúvel constituída principalmente por
-caseína, sendo esta a causa pela qual o emprego do leite resfriado
para a fabricação de queijos causa perdas de caseína solúvel, e
consequentemente leva a um rendimento menor.
Coagulação da caseína
O leite é um produto líquido, em função das cargas negativas que
se encontram na superfície da micela, na região hidrofílica da k-
caseína. Como cargas de mesmo nome se repelem, essas cargas
negativas mantêm as micelas separadas uma das outras, deixando a
água em sua forma livre.
Esse sistema é desequilibrado fazendo com que essa repulsão
entre as caseínas desapareçam, levando à aglomeração entre elas,
criando uma malha protéica a qual aprisiona a água. A água então,
passando de sua forma livre para a aprisionada, perde sua mobilidade
e como consequência o leite deixa de ser líquido passando para a
forma de gel, denominada coalhada.
Existem dois tipos principais de coagulação do leite, a coagulação
por meio ácido e a coagulação enzimática.
a) Coagulação ácida
Essa coagulação ocorre quando o leite é acidificado, quer seja
naturalmente pela fermentação da lactose por microrganismos ou por
adição direta de ácido. O ácido em contato com a água do leite
dissocia gerando sua forma iônica mais os íons hidrogênio (cátions) os
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
23
quais neutralizam as cargas negativas da k-caseína. Quando o pH
atinge 4,6, na temperatura de 20ºC, atinge-se o “ponto isoelétrico” da
caseína, significando que o número de cargas positivas (H+ ) igualam-
se ao número de cargas negativas. Como consequência dessa
neutralização das cargas negativas, não existe mais a força de
repulsão e uma micela tem oportunidade de aproximarem uma das
outras e através de pontes de hidrogênio ocorre a união entre elas,
formando uma rede (caseína unidas por pontes de hidrogênio). Dessa
forma, a água perde sua mobilidade e o leite deixa então de ser líquido
transformando-se em um gel (coalhada). Esse tipo de coagulação é
indesejável no caso do leite de consumo, pois azeda o leite, mas é
indispensável na elaboração de alguns produtos, como por exemplo, o
iogurte. A coalhada obtida dessa forma é friável, de pouca firmeza, pois
no processo de acidificação, além dos íons hidrogênio, há a formação
do lactato, o qual combina com o cálcio, desestruturando as micelas de
caseína.
Lactose Acido lático Lactato + H+C++
Lactado de cálcio
b) Coagulação enzimática
Essa coagulação acontece em função da adição ao leite de
enzimas específicas, que clivam a k-caseína, que possui 169
aminoácidos, na posição 105-106 (entre a fenilalanina e metionina)
liberando sua parte hidrofílica. Com a saída dessa fração (do
aminácido 106 ao 189), as micelas perdem a capacidade de repulsão
havendo oportunidade de aproximação uma das outras. Como
conseqüuência as micelas são unidas por pontes de cálcio, formando
uma rede proteica aprisionando a água, formando então uma coalhada.
As pontes de cálcio acontecem quando um grupamento seril-fosfato de
uma micela se liga a uma valência do cálcio e a outra valência desse
cátion se liga ao grupamento seril-fosfato da outra micela.
Esse tipo de coagulação é utilizado para fabricar a maioria dos
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
24
tipos de queijo conhecidos. A coalhada obtida enzimaticamente é mais
firme que a obtida por acidificação. A estabilidade da micela depende
da proporção de -caseína e teor de cálcio iônico presente. Considera-
se que a coagulação não se dá até que haja mais de 85% da -caseína
da micela hidrolizada pela enzima.
2.2.3.2 PROTEÍNAS SOLÚVEIS
As proteínas solúveis (muitas vezes denominadas proteínas do
soro) representam cerca de 20% das proteínas do leite. São proteínas
globulares desnaturáveis pelo calor e por ácidos. Incluindo-se ainda os
produtos da proteólise das caseínas. As duas principais proteínas do
soro -lactalbumina e -lactoglobulina perfazem 70-80% das proteínas
solúveis totais, (Tabela 1). Além dessas são encontradas a
soralbumina (albumina do soro bovino), as imunoglobulinas, proteose-
peptonas, lactoferrina, transferrina e enzimas.
As proteínas solúveis contêm altas concentrações de aminoácidos
sulfurados e composição aminoacídica superior à da caseína no teor
de aminoácidos essenciais e com excedente em relação à proteína
padrão da FAO; são de grande interesse como fonte proteica.
TABELA 2 Características das proteínas do soro
Proteína Proteína (%) Peso Molecular Ponto Isoelétrico
-lactoglobulina 55-65 18.300 5,13 - 5,14
-lactalbumina 15-25 14.200 4,20 - 4,50
Imunoglobulina 10-15 80.000 - 900.000 5,50 - 8,30
Albumina Soro Bovino 5-6 66.300 4,70 - 4,90
Caseínas Solúveis 1-2 15.000 4,60 - 5,10
Fração PP * 10 < 4.100 -
Proteínas Menores <0,5 30.000 - 100.000 -
* Fração PP - fração proteose-peptona
Fonte: Adaptado de Harper, (1984), Eigel et al., (1984), Fox (2003)
-Lactoglobulina
A designação beta é derivada do fato de aparecer como segunda
banda no perfil de ultracentrifugação do soro de leite. Sofre
desnaturação térmica pelo aquecimento por 30 minutos a temperaturas
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
25
superiores a 60C. A 95C verifica-se completa desnaturação, sofrendo
extensa transformação conformacional com exposição de grupos
nucleofílicos (-SH:-NH+3) altamente reativos e de áreas hidrofóbicas.
Seu alto teor no soro de leite bovino inviabiliza a adição deste “in
natura” em alimento infantil, pois é considerado seu principal
componente alergênico.
-Lactalbumina
A designição alfa deriva do fato de ser a primeira banda do perfil
de ultracentrifugação. Sua propriedade mais característica é a
tendência de formar associações em pH abaixo de seu ponto
isoelétrico. No pH natural do leite, pH 6,6 e acima, a -lactalbumina
aparece como monômero. Essa proteína é dos componentes
responsáveis pela síntese de lactose pelas células secretoras da
glândula mamária.
O leite de todos os mamíferos, em que a lactose é o principal
açúcar, contém -lactalbumina. Na sua ausência, a enzima galactosil
transferase transfere galactose preferencialmente da UDP-galactose
para N-acetilglicosaminil-glicoproteína, mesmo na presença de glicose,
uma vez que a transferência da galactose para a glicose é muito lenta
(Km=1400mM). Na presença de -lactalbumina, a transferência da
galactose para a glicose é rápida (Km=5mM) tornando-se a glicose o
substrato de preferência desta enzima. A reação de síntese na
presença de -lactalbumina é:
Soralbumina Bovina (BSA)
Essa proteína tem sido isolada na forma cristalina a partir do soro
de leite; parece ser idêntica à proteína encontrada no soro sanguíneo e
passa para o leite através do sistema vascular, possivelmente por vias
similares às das imunoglobulinas do soro.
É o maior componente do soro sanguíneo bovino e corresponde a
cerca 1,2% do nitrogênio proteico do leite, mas no início da lactação ou
em um quadro de infecção mamária, este teor pode aparecer
aumentado. Pouco se conhece a respeito do seu comportamento no
leite e produtos lácteos e de sua possível influência nas propriedades
desses.
Imunoglobulinas
O termo é aplicado para uma família de glicoproteínas de elevado
peso molecular, com propriedades físicas, químicas e imunológicas
semelhantes. Ocorrem no soro sanguíneo e em outros fluídos do
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
26
organismo. No colostro (primeira secreção das glândulas mamárias
após parição) bovino servem para transferir imunidade passiva aos
bezerros, protegendo-os contra doenças até que seu próprio sistema
imunológico seja ativado. São, entre as soroproteínas, as mais
termolábeis.
Existem três classes gerais de imunoglobulina: IgG (G1 e G2), IgA
e IgM.
Proteose-Peptona
Compreende quatro componentes principais: 3, 5, 8 “slow”, 8
“fast”. O componente 3 possui um alto teor de carboidrato e é,
provavelmente, derivado de um constituinte da membrana do glóbulo
de gordura. Os demais componentes são oriundos da hidrólise da -
caseína.
Lactoferrina
É uma metaloproteína que liga muito fortemente dois átomos de
ferro por mole de proteína. Quando dissolvida em água produz uma
coloração vermelho-salmão e livre de ferro apresenta-se incolor. A
lactoferrina é uma proteína básica com ponto isoelétrico (pI) ao redor
de pH 8,0. Com o conteúdo normal de ferro essa proteína é bastante
resistente à desnaturação térmica e química e à ação enzimática.
A função da lactoferrina é semelhante à da transferrina do soro
sangüíneo, isto é, fixa o ferro na forma de quelato. Essa proteína
exerce no leite uma ação bacteriostática contra microrganismos
patógenos que dependem de ferro livre.
Fosfatase Alcalina
Essa enzima se encontra em complexos lipoproteicos distribuídos
nas membranas dos glóbulos e na fase aquosa. É usada como enzima
de referência (indicador) na monitoração do processo de
pasteurização do leite (71,5C, 16 seg.). Detecção de atividade no leite
pasteurizado pode indicar leite não pasteurizado ou contaminado com
leite cru. Contudo, em alguns produtos lácteos processados e
estocados em temperaturas superiores a 5C pode-se encontrar
atividade, a qual pode ser atribuída à sua regeneração.
Peroxidase
A lactoperoxidase representa 0,5 a 1,0% das proteínas de soro de
leite. Catalisa a decomposição de peróxido de hidrogênio (H2O2) na
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
27
presença de um doador de hidrogênio ou de um componente oxidável.
É também utilizada como indicador de tratamento térmico do leite, pois
é desnaturada em temperaturas acima daquelas de pasteurização.
Dessa forma, um leite pasteurizado deve apresentar como padrão
enzimático: fosfatase alcalina negativa e peroxidase positiva. Caso o
leite apresente peroxidase negativa é sinal que ele foi superaquecido
(acima das temperaturasde pasteurização).
2.3.3 LIPÍDEOS
A fração lipídica do leite é comumente denominada gordura, em
função de seu estado sólido a temperatura ambiente. Fisiologicamente
serve com fonte de energia e pelo seu teor em vitamina A e D, e sua
ação, é importante no crescimento e desenvolvimento dos mamíferos
jovens, sobretudo durante o período em que a alimentação é
exclusivamente ou predominante láctea.
A gordura do leite é formada por aproximadamente 98% de
triacilgliceróis, sendo os 2% restantes formados por diacilgliceróis,
monoacilgliceroise ácidos graxos livres e outros componentes que
entram em baixas proporções. O leite de vaca contém em média 35g
de gorduras por litro, sendo que esse constituinte é o que mais varia
em concentração no leite. O conteúdo de gordura do leite possui
grande importância econômica, sendo que seu teor é um dos
importantes fatores determinantes do pagamento do leite pela
qualidade. Os lipídeos se encontram no leite principalmente na forma
de triacilgliceróis (glicerol esterificado com três ácidos graxos). Os
principais ácidos graxos do leite são:
De cadeia média e longa
C14 – mirístico - 11%
C16 – palmítico - 26%
C18 – esteárico - 10%
C18:1 – oleico - 20%
De cadeia curta (11%)
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
28
C4 – butírico
C6 – caproico
C8 – caprílico
C10 – cáprico
O ácido butírico é característico da gordura do leite de
ruminantes, particularmente de vaca, sendo responsável pelo aroma
rançoso quando é hidrolizado do glicerol, pela ação de lipases.
Ácidos graxos saturados (sem dupla ligação), como o mirístico,
palmítico e esteárico, correspondem a aproximadamente dois terços
dos ácidos graxos do leite.
Ácidos graxos insaturados (com duplas ligação), como o oleico,
linoleico, linoleico e palmitoleico sendo o ácido oleico (C18:1) o mais
abundante ácido graxo insaturado do leite. Na natureza a forma cis é o
isômero geométrico quase que unicamente encontrado, entretanto,
devido biohidrogenação que ocorre no rúmen leva ao aparecimento de
isômeros trans no leite de ruminantes, que podem perfazer um total de
aproximadamente 5% de todas as duplas ligações. Esses ácidos são
representados pelos ácidos linoleico conjugado (CLA), os quais
possuem comprovadas propriedades terapêuticas e dietéticas.
A distribuição dos ácidos graxos nas posições do glicerol, embora
possa acontecer em centenas de combinações diferentes não acontece
de forma aleatória. O tipo e a posição do ácido graxo esterificado ao
glicerol são importantes para determinar as propriedades físicas desse
lipídeo. Em geral, na posição SN1 e SN2 do glicerol, estão
esterificados ácidos graxos de cadeia longa, ao passo que na posição
SN3 estão esterificados na maioria das vezes ácidos graxos de cadeia
curta ou insaturada. Por exemplo:
C4 - 97% estão esterificados na posição SN3
C6 - 84% estão esterificados também na posição SN3
C18 - 58% estão esterificados na posição SN1
As pequenas concentrações de monoacilgliceróis, diacilgliceróis e
ácidos graxos livres em leite fresco, podem ser devidas a lipólise que
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
29
acontece no leite ou pode ser devido a uma síntese incompleta. Outras
classes de lipídeos incluem os fosfolipídeos (0,8%), que estão
associados principalmente com as membranas dos glóbulos de gordura
e o colesterol (0,3%).
Características físicas dos lipídeos do leite
Podem-se resumir as características físicas dos lipídeos do leite
da seguinte maneira:
- densidade a 15°C: 0,930
- índice refratométrico (589 nm): 1.462 o qual diminui com o
aumento de temperatura
- solubilidade de água em gordura: 0.14% (p/p) a 20°C
aumentando com a elevação da temperatura.
- condutividade térmica: cerca de 0.17 J.m-1.s-1.K-1 a 20°C
- calor específico a 40°C: cerca de 2.1kJ.kg-1K
- condutividade elétrica: <10(-12) ohm(-1) cm(-1)
- constante dielétrica: cerca de 3.1
- ponto de fusão: situa-se na faixa de 37 ºC a 40ºC
- ponto de solidificação: entre 28ºC e 33ºC.
O glóbulo de gordura
Mais de 95% do total dos lipídeos do leite estão na forma de um
glóbulo, o qual varia em tamanho de 0,1M a 15M de diâmetro. A
gordura é dessa forma envolvida por uma fina membrana de espessura
entre 8nm e 10nm. Essa membrana do glóbulo de gordura tem sua
origem na parte apical da membrana da célula epitelial lactígena (célula
secretora) e sendo de origem celular é formada basicamente de
proteínas e fosfolipídeos. Essa membrana evita que os glóbulos se
floculem com facilidade e protege a gordura em seu interior contra o
ataque de enzimas lipolíticas.
O leite quando em repouso, principalmente quando refrigerado,
permite a ascensão de uma camada de gordura, associada a outros
constituintes, principalmente proteínas solúveis, a qual é conhecida
como nata. Isso acontece mais facilmente com o leite resfriado, pois a
IgM, uma imunoglobulina do leite forma um complexo com
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
30
lipoproteínas, complexo este conhecido como crioglobulina ou
crioproteína o qual precipita sobre a membrana do glóbulo facilitando
sua floculação (ajuntamento de glóbulos), formando uma camada de
nata bem visível entre 20 a 30 minutos em leite refrigerado. A
homogeneização do leite, evita a formação da nata, por diminuir o
diâmetro desses glóbulos, e promove também a inclusão de proteínas
na membrana, aumentando consequentemente sua densidade.
2.3.4 VITAMINAS E MINERAIS
Vitaminas
Vitaminas são substâncias essenciais para muitos processos que
ocorrem nos organismos vivos. O leite possui em quantidades
consideráveis as vitaminas lipossolúveis A , D, E, e K. A Vitamina A é
derivada do retinol e -caroteno. O leite integral é importante fonte
dessa vitamina e como o consumo de leite desnatado vem aumentando
consideravelmente faz-se necessário criar mecanismos de incentivo à
adição de vitamina A a esse leite.
O leite é também uma importante fonte de vitaminas
hidrossolúveis, como as vitaminas B1 (tiamina), B2 (riboflavina), B6
(piridoxina), B12 (cianocobalamina), niacina e ácido pantotênico.
Existem ainda pequenas quantidades de vitamina C (ácido ascórbico)
no leite cru, mas essa é termolábil sendo parte destruída pela
pasteurização e esterilização.
O conteúdo de vitaminas em leite fresco é dado a seguir:
TABELA - 3 Conteúdo médio de vitaminas do leite de vaca.
Vitamina Quantidade por litro
A (ug RE) 400
D (IU) 40
E (ug) 1000
K (ug) 50
B1 (ug) 450
B2 (ug) 1750
Niacin (ug) 900
B6 (ug) 500
Pantothenic acid (ug) 3500
Biotin (ug) 35
Folic acid (ug) 55
B12 (ug) 4.5
C (mg) 20
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
31
Minerais
Todos os 22 minerais considerados essenciais à dieta do ser
humano estão presentes no leite. Estes estão incluídos em três grupos
de sais:
1 Sódio (Na), Potássio (K) e cloro (Cl): estes íons livres estão
inversamente correlacionados com a lactose para manter o equilíbrio
osmótico entre o sangue da vaca e o seu leite, equilíbrio este
necessário fisiologicamente para a produção de leite.
2 Cálcio (Ca), Magnésio (Mg), fósforo inorgânico [P(i)], e Citratos:
este grupo consiste de 2/3 do Ca do leite, 1/3 do Mg, 1/2 do P(i), e
menos de 1/10 de citrato coloidal (não solúvel) que está presente na
micela de caseína.
3 Sais solúveis de Ca, Mg, citrato, Ca++, e HPO4
2-: estes sais são
muito pH dependentes e contribuem para o equilíbrio ácido-básico
geral do leite.
O conteúdo de minerais do leite fresco pode ser observado na
Tabela 4
TABELA 4 Conteúdede alguns minerais do leite de vaca.
Mineral Conteúdo por litro
Sódio (mg) 350-900
Potássio (mg) 1100-1700
Cloro (mg) 900-1100
Cálcio (mg) 1100-1300
Magnésio (mg) 90-140
Fósforo (mg) 900-1000
Ferro (g) 300-600
Zinco (g) 2000-6000
Cobre (g) 100-600
Manganês (g) 20-50
Iodo (g) 260
Flúor (g) 30-220
Selênio (g) 5-67
Cobalto (g) 0.5-1.3
Molibdênio (g) 18-120
Níquel (g) 0-50
Vanádio (g) tr-310
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
32
3 - DEFINIÇÃO DO LEITE
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
33
Sendo o leite um produto de alta complexidade, fica difícil
estabelecer uma definição única e precisa. Várias definições já foram
criadas e publicadas nos mais diversos meios de difusão de
conhecimentos, entretanto, pode-se de maneira geral fazer a definição
do leite tomando como base alguns pontos de vista baseados
sobretudo nos interesses daqueles que tentam. Dessa forma, os
químicos, fisiologistas, nutricionistas, zootecnistas, sanitaristas etc.,
tendem a definir o leite de acordo com seus campos de atuação.
Todavia, de uma maneira geral e didaticamente apropriada, o leite
pode ser definido segundo três pontos de vistas, que atendem à maior
parte da área laticinista e daquelas áreas correlatas.
3.1 SOB PONTO DE VISTA FISIOLÓGICO
Sob o ponto de vista fisiológico o leite pode ser definido como:
“Leite é o produto de secreção das glândulas mamárias das
fêmeas mamíferas, logo após o parto, com a finalidade de alimentar o
recém-nascido na primeira fase de sua vida”.
Fica claro nessa definição a função biológica do leite. A natureza
fez com que a composição química do leite fosse variável entre as
várias espécies, para atender as exigências nutricionais dos recém-
nascidos de cada uma. Dessa forma, o leite da própria espécie e
particularmente o da própria mãe ainda é o melhor alimento para a cria.
No caso particular do ser humano, o leite materno e o da própria mãe
em particular é o melhor alimento, sendo capaz de nutrir, sozinho, uma
criança normal até os seis meses de vida, exceção se faz quando a
criança nasce com peso abaixo do normal ou a mãe fica de algum
modo impedida de amamentar.
O leite materno possui todos os elementos de forma balanceada e
em quantidade suficiente, além de possuir com exclusividade alguns
elementos muito importantes para o desenvolvimento do recém-
nascido, como taurino, lactulose, alguns oligossacarídeos dentre
outros. O ato de amamentar cria também um vínculo entre o filho e a
mãe, que hoje se acredita ter influência importante no comportamento
emocional durante toda a vida do indivíduo.
3.2 SOB PONTO DE VISTA FÍSICO-QUÍMICO
“Leite é uma emulsão natural perfeita, na qual os glóbulos de
gordura estão mantidos em suspensão, em um líquido salino
açucarado, graças à presença de substâncias proteicas e minerais em
estado coloidal”.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
34
3.3 SOB PONTO DE VISTA HIGIÊNICO
Embora as definições acima sejam importantes, o entendimento
da definição do leite sob o ponto de vista higiênico é extremamente
importante, pois na mesma estão embutidos todos os conceitos de
qualidade do leite. Essa definição foi criada no primeiro Congresso
Mundial de Laticínios, que aconteceu na Suíça em 1917. Baseando-se
nos aspectos higiênicos o leite pode ser definido como se segue.
“Leite é o produto íntegro da ordenha
total e sem interrupção de uma fêmea
leiteira em bom estado de saúde, bem
alimentada e sem sofrer cansaço, isento
de colostro, recolhido e manipulado em
condições higiênicas”.
Mais importante do que memorizar a definição acima, é entender
os vários conceitos embutidos nela. Segue abaixo uma descrição de
cada um dos conceitos contidos na definição que, se entendidos de
maneira global, proporcionam um entendimento fácil de todos os
aspectos envolvidos no que se refere à qualidade do leite.
3.4 ANÁLISE DOS CONCEITOS
3.4.1 Produto íntegro
Entende-se por produto íntegro aquele no qual não foi adicionada
nenhuma substância estranha e do qual não foi removido nenhum de
seus constituintes. Infelizmente, muitas pessoas, de forma fraudulenta
e ilegal, adicionam certas substâncias ao leite, sendo as mais
frequentemente utilizadas a água, conservantes, neutralizantes e
reconstituintes da densidade e crioscopia.
Água
A água, embora seja um constituinte natural do leite, é muitas
vezes adicionada ao mesmo, de forma fraudulenta, com o objetivo
principal de aumentar seu volume. Dessa forma um produtor que
adiciona 20 litros de água em 100 litros de leite, passará a vender aos
laticínios 120 litros de leite. Isso ocasiona dois problemas principais, o
primeiro é a diminuição do valor nutricional do leite e isso é
particularmente importante quando esse for comercializado na forma
fluida (pasteurizado, esterilizado), visto que o valor nutricional do leite
está exclusivamente relacionado aos seus sólidos, totais e
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
35
desengordurado. O segundo problema relacionado à aguagem do leite
se refere à diminuição do seu rendimento industrial, sendo esse
rendimento diretamente dependente do conteúdo de sólidos do leite.
Secundariamente, a adição de água ao leite dilui sua acidez,
proporcionalmente à quantidade adicionada. Além disso, a água
adicionada pode estar contaminada, o que causa problemas na
qualidade microbiológica do leite.
Nunca é desnecessário salientar que essa prática é proibida, é
uma fraude e deve ser combatida.
Conservantes
Conservantes ou inibidores podem ser definidos como qualquer
substância adicionada ao leite com o objetivo de matar os
microrganismos ou diminuir seu desenvolvimento. Como o maior
problema responsável pela rejeição de leite na recepção dos laticínios
é a acidez elevada, a adição de substâncias bactericidas ou
bacteriostáticas faz com que a desclassificação do leite seja diminuída
ou eliminada, pois não havendo microrganismos no leite a fermentação
não acontece.
A adição de conservante ao leite é proibida por lei, entretanto
mais importante que o aspecto legal é o fato de que os conservantes
podem ser danosos à saúde. Além disso, a presença dessas
substâncias é um indicativo de que o produtor não dispensou os
cuidados necessários para a produção de um leite de boa qualidade,
tendo que lançar mão de métodos ilícitos e inescrupulosos para que
seu produto seja aceito pelos laticínios.
É importante ficar claro para o leitor que o objetivo da inclusão
desse tópico é única e exclusivamente para informar que é fraude, é
ilegal, é inescrupulosa a adição de quaisquer substâncias ao leite com
a finalidade de mascarar defeitos, impedir sua acidificação ou tentar
ludibriar a indústria com um produto de baixa qualidade.
Exemplos de conservantes não serão aqui citados, para evitar
que algum leitor menos atento possa concluir que esse material está
preconizando a adição de tais substâncias ao leite. Muito antes pelo
contrário, esse material tem o objetivo de enfatizar que essa fraude
existe e todos aqueles que trabalham na área devem ficar atentos para
Lactose Ácido Lático
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
36
combater tal prática.
Neutralizantes
Neutralizantes são substâncias alcalinas que combinam com o
ácido lático formando sal mais água, diminuindo com isso a acidez do
leite. Esses produtos não matam nem impedem o desenvolvimento
microbiano, mas sim agem eliminando o produto de sua fermentação.
É utilizado, também de forma fraudulenta, para corrigir defeitos do leite,
nesse caso, a acidificação. O desenvolvimentoexcessivo de
microrganismos no leite leva a um aumento da acidez, que é facilmente
detectada na plataforma dos laticínios, sendo esse teste, inclusive, feito
em todo o leite recebido. Dessa forma, para ludibriar esse teste, alguns
produtores adicionam, de forma inescrupulosa, substâncias redutoras
da acidez do leite.
Embora a acidez seja a causa mais evidente e facilmente
detectável da fermentação do leite, o seu abaixamento, pela adição de
neutralizantes, de forma alguma consegue corrigir ou melhorar a
qualidade do leite, visto que durante o processo fermentativo vários
componentes do leite são degradados ou modificados e vários
produtos, além do ácido lático, são formados, diminuindo em muito a
qualidade do leite, tanto nutricional como sua aptidão para elaboração
de produtos e consequentemente a qualidade desses.
Reconstituintes da densidade e crioscopia
A densidade e a crioscopia são técnicas analíticas utilizadas para
verificar a integridade do leite, principalmente com relação à adicionada
água. Entretanto, alguns produtores, com o objetivo de mascarar os
resultados, adicionam juntamente com a água certas substâncias que
possuem o poder de influenciar essas análises no sentido oposto ao da
água. Assim, a adição de água, juntamente com essas substâncias
pode, dependendo da quantidade de ambas, produzir um “leite” com
densidade e crioscopia normais.
3.4.2 Ordenha total
O termo “ordenha total” significa que se devem esgotar por
completo os quatro quartos da vaca, evitando o leite residual.
Evidentemente quando a ordenha é feita com o bezerro ao pé, ele faz
essa função. O leite residual causa sérios danos para a qualidade do
leite, uma vez que após a ordenha o canal do teto fica dilatado,
permitindo a entrada de microrganismos para a cisterna do teto. Com a
presença de grande quantidade de leite residual haverá um aumento
muito grande do número de microrganismos, o que irá comprometer a
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
37
qualidade do leite da ordenha seguinte, mesmo que sejam
desprezados os três primeiros jatos. Além disso, sabe-se que o teor de
gordura do leite no final da ordenha é muito maior e caso esse não seja
incorporado, o leite ordenhado possuirá consequentemente menor teor
de gordura.
Outro problema causado pelo leite residual diz respeito ao
aparecimento de mamite. O leite que não foi retirado acumula-se com o
da ordenha seguinte, aumentando o volume de leite no úbere e por
consequência a pressão dentro do úbere. Isso facilita a formação de
lesões que, com a presença de grande número de microrganismos,
aumenta a possibilidade do aparecimento de infecção.
No caso específico da ordenha mecânica, é importante salientar
que após a retirada das teteiras, é recomendável fazer o “repasse”
manualmente para retirar o leite que a ordenhadeira não conseguiu.
3.4.3 Ordenha sem interrupção
O processo de “descida” do leite durante a ordenha é controlado
por um hormônio denominado “ocitocina” que é produzido pela
glândula hipófise e controlado por estímulo condicionado (massagem
no úbere, pelo ambiente da ordenha, barulho da ordenhadeira,
presença do bezerro, etc.). A liberação desse hormônio acontece em
um período que varia de 6 a 8 minutos. A ordenha deve então ser
realizada dentro desse período de tempo, caso contrário, ela ocorrerá
quando a vaca já não mais estiver liberando a ocitocina, tendo
consequentemente interrompido a descida do leite. Com isso a
possibilidade de haver leite residual é muito grande, ocasionando todos
aqueles problemas já citados no item anterior. Face a isso, fica claro
que a ordenha deve ser conduzida de forma contínua, sem interrupção,
para que o processo não seja demorado.
Um outro ponto importante a ser considerado é que a interrupção
na ordenha causa um stress no animal, com produção do hormônio
adrenalina pela glândula suprarrenal. A ocitocina e a adrenalina são
antagônicos, ou seja, com a produção de adrenalina cessa a produção
de ocitocina e por via de consequência a decida do leite, levando à
retenção de leite no úbere.
3.4.4 Bom estado de saúde
O estado de saúde reflete:
Na quantidade de leite produzida
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
38
A produção de leite exige uma quantidade de energia muito
grande. Quando a vaca está acometida de uma doença, ela consome
menos alimento, tem seu metabolismo modificado e desvia parte de
suas energias para o combate à enfermidade. Com isso certamente a
produção de leite será diminuída.
Na qualidade desse leite
Diz o ditado que “o leite é o espelho da vaca”. Qualquer alteração
na saúde da vaca reflete diretamente na qualidade do seu leite.
Leite sadio só de vaca sadia. Existem, inclusive, algumas doenças da
vaca que podem ser diagnosticas através da análise de seu leite.
Além disso, muitas doenças do gado leiteiro podem ser
transmitidas ao homem através do leite.
ALGUMAS DOENÇAS TRANSMITIDAS PELO LEITE
Tuberculose Brucelose
Leptospirose
Toxoplasmose Escarlatina
Difteria
Yersiniose Salmonelose
Listeriose
Intoxicação estafilacócica Campilobacteriose
Febre Q
Hepatite A Gastroenterites
Aftosa
3.4.5 Bem alimentada
A alimentação da vaca influencia a produção de leite em dois
aspectos:
na qualidade de leite produzida;
na qualidade desse leite.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
39
Sabe-se que para a vaca leiteira expressar todo seu potencial
genético na forma de produção de leite, faz-se necessário que ela
receba ração em quantidade suficiente, devendo essa ser
apropriadamente balanceada para o nível de produção do animal.
Além disso, a alimentação tem influência direta na qualidade do
leite produzido. Alguns alimentos modificam a composição química do
leite e outros podem alterar seu sabor e seu aroma.
3.4.6 Sem sofrer cansaço
É de conhecimento geral que durante a ordenha a vaca deve
estar descansada, tranquila, sendo que em muitas propriedades existe
inclusive na sala de ordenha música ambiente. Como já comentado do
item “c” uma vaca cansada, agitada, estressada, lança na corrente
sanguínea uma quantidade muito elevada de adrenalina. Como a
adrenalina é antagônica à ocitocina, que é o hormônio responsável
pela decida do leite, isso levará à retenção de leite no úbere,
ocasionando todos aqueles problemas mencionados no item “c”. Junta-
se a isso o fato de que a vaca cansada, libera além da adrenalina,
outros metabólitos no sangue que passarão para o leite diminuindo sua
qualidade. Aqueles que trabalham com iogurte sabem muito bem que
quando esse produto é elaborado com leite de vacas cansadas,
estressada, o processo de fermentação é prolongado, pois esses
metabólitos prejudicam o desenvolvimento e a atuação do fermento.
3.4.7 Sem colostro
O colostro é, sabidamente, de fundamental importância para o
recém-nascido. Entretanto, devido à diferença de composição, sua
presença no leite, tanto de consumo quanto industrial, diminui
sobremaneira sua qualidade.
TABELA 5 Comparação da composição do colostro com a do
leite normal
Componentes Colostro Leite normal
Sólidos Totais (%) 23,90 12,90
Gordura (%) 6,70 4,00
Proteína (%) 14,00 3,10
Lactose (%) 2,70 5,00
Cinza (%) 1,11 0,74
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
40
A quantidade excessiva de proteínas solúveis do colostro modifica
a composição do leite normal, causando sabores desagradáveis ao
leite de consumo e amargo nos produtos lácteos, principalmente
queijos. Além disso, o colostro possui um aspecto viscoso, amarelado,
que torna o leite de consumo repugnante. A presença do colostro em
leites de indústria, causa sérios problemas no processamento,uma vez
que ele possui muitas substâncias antimicrobianas que dificultam a
atuação do fermento lático nas fabricações de queijos e iogurte.
3.4.8 Recolhido e manipulado em condições higiênicas
O termo “recolhido e manipulado em condições higiênicas” é
também conhecido com produção ou obtenção higiênica do leite.
Embora esteja embutido dentro da definição do leite, esse item, devido
a sua grande importância e facilidade de leitura, será aqui tratado
separadamente.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
41
4 - PRODUÇÃO HIGIÊNICA
DO LEITE
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
42
A produção higiênica, também denominada obtenção higiênica,
abrange todos os cuidados necessários na produção de um leite de
boa qualidade.
4.1 OBJETIVOS DA OBTENÇÃO HIGIÊNICA
Produção de leite limpo:
Leite limpo é aquele que não possui substâncias grosseiras
estranhas ao produto, como pedaços de silagem, feno, isento
de poeira, carrapatos etc.
Com baixa contagem bacteriana:
A produção de leite com a menor contagem microbiana possível é
fator determinante na sua qualidade, uma vez que são os
microrganismos os principais responsáveis pela sua deterioração.
Microrganismos do leite:
Os microrganismos do leite podem ser classificados sob diversas
formas:
Patogênicos:
São aqueles capazes de causar doenças a quem vier a consumir
leite, caso esse leite possuo microrganismos viáveis.
Fermentativos:
São microrganismos que fermentam componentes do leite
(principalmente a lactose) causando deteriorações.
Saprófitas:
São microrganismos incidentais que estão presentes no leite por
acaso, não causando doenças nem deteriorando o leite.
Finalidades:
Quanto à finalidade os microrganismos que normalmente estão
presentes, ou são propositadamente adicionados ao leite, podem ser
classificados em:
Úteis:
São aqueles adicionados ao leite para promoverem fermentações
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
43
desejáveis. Como exemplo pode-se citar aqueles adicionados via
fermento lático na produção de queijos leites fermentados, etc.
Prejudiciais:
Os microrganismos prejudiciais são aqueles que produzem
fermentação indesejável ou são patogênicos.
Sem importância:
São os que não causam doenças e nem fermentam o leite de
forma indesejável, podem ser denominados saprófitas.
É importante ter em mente que um microrganismos pode ser útil
para um certo fim e prejudicial a outro. Quando da elaboração do
iogurte, é necessário a utilização de microrganismos para fermentar o
leite, entretanto esses mesmos microrganismos são prejudiciais
quando se considera o leite de consumo.
Origem:
Os microrganismos podem chegar ao leite de diversas formas,
provenientes dos mais diversos lugares.
Contaminação endógena:
É aquela que tem origem de dentro do úbere da vaca, ou seja, o
leite quando sai do teto da vaca já sai com microrganismos, nesse caso
diz-se que é uma contaminação endógena.
Contaminação exógena:
A contaminação exógena é aquela que acontece após o leite sair
do teto da vaca. Várias são as fontes da contaminação exógena.
Origem da contaminação exógena:
do animal do ambiente
do homem do utensílio
do vasilhame da água
Para se obter um leite limpo e higiênico é necessário que levemos
em consideração os seguintes itens:
Prestar especial atenção às fêmeas:
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
44
Em estado de magreza extrema ou visivelmente esgotadas.
Excessivamente infestadas por endo ou ectoparasitos.
Suspeita ou declaradamente tuberculosas.
Suspeita ou declaradamente brucélicas.
Em estado febril.
Com diarreia ou corrimento vaginal.
Recém paridas.
Com inflamação no úbere.
Quando se diz “afastar as fêmeas” não se pretende querer
eliminá-las, mas sim tomar cuidados especiais com as mesmas.
Os ordenhadores:
Devem apresentar perfeita saúde e ter hábitos higiênicos.
Usar roupas limpas durante a ordenha.
Não fumar, cuspir ou escarrar no local de trabalho.
Ter mãos e braços limpos na hora da ordenha e unhas aparadas.
Os ordenhadores são peças fundamentais na produção de leite,
pois são eles que irão ter contato direto com os animais, com o
vasilhame e equipamentos e terá a responsabilidade de manipular o
leite.
Local da ordenha
O local da ordenha não necessita ser “luxuoso”, entretanto alguns
requisitos não necessários para se produzir leite de boa qualidade, tais
como:
Arejado, sem ventos fortes .
Seco e limpo, em nível elevado, ensolarado e com ligeiro declive.
Isolado de currais, pocilga e aviários.
Ser coberto, “cercado lateralmente a meia altura”, Piso firme.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
45
De uso exclusivo da ordenha, Mantido limpo.
Vasilhame
É indispensável cuidados com o vasilhame, pois o leite terá
contato direto com o mesmo, sendo que na prática observa-se ser esse
um ponto de grande importância na produção de leite de boa
qualidade.
O vasilhame deve ser:
De uso exclusivo da ordenha; feito de alumínio, ferro estanhado,
aço inoxidável ou plástico; possuir formato próprio, sem
ângulos vivos.
Quando a ordenha é manual, recomenda-se o uso de balde de
boca estreita (3/4 fechada). Alguns trabalhos têm demonstrado
sua eficiência, sendo que uma redução na contagem total tem
sido observada. Abaixo estão apresentados os dados médios
coletados em alguns deles.
Boca Larga - 87.380 ufc/ml
Boca Estreita - 29.262 ufc/ml
MÉTODO DE LAVAGEM
Embora existam várias recomendações sobre os métodos de
limpeza e sanitização de equipamento, eles seguem uma linha geral na
seguinte ordem:
Água morna
Água quente mais detergente
Enxaguar
Esterilizar (Vapor, cloro ou outro sanitizante de comprovada
eficiência);
Guardar em local limpo
A ORDENHA
No caso da ordenha manual recomendam-se os seguintes
cuidados que devem ser observados:
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
46
O animal deve estar com o úbere limpo e sem pelos longos.
Prender a cauda da vaca.
Ordenhar em diagonal.
Feita a fundo e contínua.
Coar o leite.
Resfriar o leite.
Primeiros jatos em caneca telada.
Anotar a produção.
O TRANSPORTE
Embora o sistema de transporte de leite no Brasil está sofrendo
grandes transformações, pela implantação do sistema de coleta a
granel, deve-se observar no caso do transporte em latões que:
Seja feito mais o rápido possível.
Deve-se evitar que os raios solares incidam sobre os latões.
Quando possível os latões devem estar completamente cheios.
Se possível, à baixa temperatura.
Obs. A coleta de leite à granel está gradativamente sendo
implantada no Brasil, o que tem trazido muitos benefícios para a
melhoria da qualidade do leite.
4.2 CUIDADOS GERAIS
Alguns cuidados gerais devem ser tomados, os quais, embora
não acarretando gastos econômicos, contribuem para a produção de
leite de boa qualidade. Os cuidados gerais a serem tomados são:
Evitar espirros de urina e fezes.
Evitar mosquitos, carrapatos, pelos.
Evitar poeira no estábulo.
Limpeza periódica do curral.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
47
Latões em estrado de madeira.
Manter os latões à sombra e verificar periodicamente a limpeza.
Afastar os latões defeituosos ou reformá-los.
Não usar os latões para outros fins.
Não arear o vasilhame.
Limpar o úbere antes da ordenha.
Evitar grande número de transvase.Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
48
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
49
5 - CONSIDERAÇÕES
SOBRE A QUALIDADE DO
LEITE
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
50
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
51
A qualidade do leite e de seus derivados está de forma crescente
ganhando importância em toda a cadeia produtiva dessa atividade,
englobando também o consumidor, que está cada vez mais atento à
qualidade dos produtos que adquire, qualidade esta que, juntamente
com o preço, determinam a competitividade de um determinado
produto no mercado. Até pouco tempo o sistema de pagamento do leite
levava em consideração somente o volume recebido pelos laticínios e
em alguns casos o seu teor de gordura; dessa forma o produtor de leite
tinha de se preocupar quase que exclusivamente em ter seu leite aceito
(leite não ácido) pelos laticínios. Nos últimos tempos, entretanto, o
sistema de pagamento do leite levando em consideração alguns
atributos de qualidade está se tornando uma realidade em muitas
regiões brasileiras, sendo a expansão desse sistema um fato que está
e continuará acontecendo, a despeito das tradições e realidades
regionais.
O conceito mais aceito para o termo qualidade é aquele que
o considera como “O conjunto de características que diferencia as
unidades individuais de um produto e que tem importância na
determinação do grau de aceitabilidade daquela unidade pelo
comprador/consumidor.”
A não observação de certos pontos que interferem diretamente
nessa qualidade, leva a maior ocorrência de rejeição do leite, causando
prejuízos significativos para o produtor.
O conceito de qualidade se refere ao conjunto de atributos, os
quais refletem tanto no leite fluido quanto em seus derivados, sendo
que o consumidor diariamente avalia esses atributos; dessa forma não
basta apenas ter no mercado produtos de qualidade, mas também é
necessário que esta qualidade seja constante, ou seja, é necessário
que o produto tenha certo grau de padronização, pois o consumidor
quando compra um determinado produto, ele espera que da próxima
vez esse se apresente com a mesma qualidade.
É importante ressaltar que os tratamentos dispensados ao leite,
após a ordenha não melhoram sua qualidade, eles apenas têm o
objetivo de manter essa qualidade. Por outro lado, caso não se tome
alguns cuidados, a tendência é uma perda considerável e constante da
qualidade do leite. Assim, a qualidade do leite é de responsabilidade,
em primeiro lugar do produtor e pode ser reduzida por práticas
inadequadas de ordenha, manipulação, alimentação, por adulteração,
ausência de resfriamento imediatamente após a ordenha, etc. A
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
52
responsabilidade da indústria é manter a qualidade do leite que recebe,
através de correta manipulação, estocagem, boas práticas de
fabricação e cabe ao distribuidor a correta conservação dos produtos
no mercado. Muitas vezes o produtor e a indústria fazem suas partes,
mas quando chega ao mercado o produto é mantido de forma
inadequada; não é raro o fato de estabelecimentos comerciais não
exporem seus produtos em temperaturas adequadas, e alguns de
forma rotineira desligam o “frio” das gôndolas durante a noite ou final
de semana.
O futuro da atividade leiteira depende em última análise da
capacidade dos órgãos governamentais em lidar com o setor, e da
eficiência dos produtores, industriais e distribuidores de produzir,
industrializar e oferecer ao consumidor um produto de qualidade
superior. A realidade brasileira pode trazer dúvidas quanto à
aplicabilidade dessa previsão, entretanto com a abertura do mercado a
produtos importados, a atividade somente sobreviverá com
competitividade quando os aspectos de qualidade forem realmente
pensados como fatores integrantes e indispensáveis.
Todos os especialistas na área de leite concordam que a
qualidade do leite pode ser definida e medida levando em consideração
cinco aspectos:
Composição química
Qualidade microbiológica
Contagem de células somáticas
Integridade
Aspectos estéticos e sensoriais
Alguns outros aspectos podem em casos específicos serem
considerados como, por exemplo, a radioatividade que em algumas
regiões pode ser relevante. Outro aspecto, e esse sim muito relevante
em qualquer situação, é a forma com que o leite é produzido e
processado, levando em consideração: o cuidado com o meio
ambiente, com o animal, o homem que trabalha na atividade, dentre
outros.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
53
5.1 COMPOSIÇÃO QUÍMICA
Sendo o leite um alimento de alto valor nutritivo, sua composição
química é muito importante, pois a qualidade nutricional do leite
depende da quantidade e distribuição de seus constituintes sólidos,
sendo o teor de proteínas, lactose, gordura, sais minerais etc.,
fundamental na determinação dessa qualidade. Além disso, o
rendimento industrial do leite, ou seja, a quantidade de queijo,
requeijão, doce de leite, leite em pó etc., é diretamente dependente da
qualidade de sua composição química.
Quimicamente, o leite pode ser fracionado em seus
macroconstituintes, conforme Figura 5.
LEITE
ÁGUA
GORDURA
SÓLIDOS TOTAIS
SÓLIDOS DESENGORDURADOS
LACTOSE PROTEÍNAS MINERAIS OUTROS
FIGURA 5. Distribuição dos constituintes do leite
Basicamente, a qualidade química do leite está no seu E.S.T.,
ou seja, quanto mais rica for essa fração mais qualidade química terá o
leite. Entretanto, não basta que o leite possua E.S.T. elevado, deve-se
também considerar o equilíbrio entre seus componentes, já que a
elevação de alguns constituintes e desequilíbrio entre outros
Extrato Seco Total (E.S.T.) ou Sólidos Totais:
O E.S.T. pode ser definido como sendo todos os componentes do
leite menos a água.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
54
prejudicam a qualidade. Como exemplo, pode ser citado o equilíbrio
entre caseína e proteínas solúveis, ou seja, deseja-se que o leite
contenha elevado teor de caseína e baixo teor de proteínas solúveis, o
mesmo acontece com os cloretos cuja concentração, se aumentada,
além de limites razoáveis, é indicativo de leite de qualidade inferior.
O teor de gordura é importante sob o aspecto nutricional, pois é
fonte de energia e de ácidos graxos essenciais, principalmente o
linoleico. Junte-se a isso o fato de a gordura do leite ser,
provavelmente, a única fonte significativa de “ácido linoleico conjugado
– CLA”, substância importantíssima, com comprovadas propriedades
terapêuticas e dietéticas. Além disso, a gordura do leite é fonte de
outras substâncias como a vitamina A, importantíssimo fator nutricional.
Industrialmente a gordura é de extrema importância, pois é
matéria-prima na elaboração de manteiga, chantilly, creme de leite. É
componente fundamental em diversos produtos lácteos como queijo,
sorvete, doce de leite, leites fermentados, conferindo a esses produtos,
cor, maciez, elasticidade, untuosidade, brilho; melhorando
consideravelmente o sabor, odor e mascarando sabores
desagradáveis. A gordura é também importante ingrediente na
elaboração de produtos não lácteos, como produtos de padaria e
confeitaria, bares e lanchonetes, preparos caseiros de produtos
diversos, etc.
Dessa forma, considera-se que leite com elevada concentração
de gordura tenha melhor qualidade, evidentemente, desconsiderando
os outros fatores de qualidade.
Sendo a gordura o componente do leite quemais varia em
concentração e sendo fácil de ser removida do leite, através de
desnate, as indústrias se preocupam em analisar o leite recebido para
verificar a sua concentração em gordura, pois quanto mais gordo for o
leite maior lucro ele vai proporcionar, pois essa pode ser parcialmente
ou totalmente removida e utilizada para a elaboração principalmente de
manteiga e na padronização de leite para outros fins.
Extrato Seco Desengordurado (E.S.D.) ou Sólidos
Desengordurado:
O E.S.D. é definido como sendo todos os componentes do leite
menos a água e menos a gordura. Ou seja, o E.S.D. é o E.S.T.
menos a gordura.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
55
É no E.S.D. que estão os componentes sólidos não gordurosos:
proteínas, lactose, minerais e os microconstituintes, como vitaminas
etc. No geral, melhor qualidade terá o leite com maior teor de sólidos
desengordurados, sendo que a legislação brasileira estabelece limite
mínimo de 8,4%. Entretanto, deve-se ter em mente que alguns
componentes podem diminuir a qualidade do leite, quando suas
concentrações aumentam acima de limites toleráveis.
A composição química do leite não é um valor fixo, ao contrário,
existe uma variação que pode ser devida a vários fatores, como a raça,
diferenças entre indivíduos da mesma raça, ordem de parição, estágio
de lactação, alimentação, estado de saúde do animal, primeira e
segunda ordenha, regime de consumo de água, dentre vários outros.
Existe grande variedade de publicações na área de composição
química do leite, às quais os interessados em aprofundar seus
conhecimentos no assunto devem recorrer. Nesse capítulo, entretanto,
o assunto não é abordado com mais profundidade em função dos
objetivos desse material.
5.2 CONTAGEM TOTAL DE BACTÉRIAS
O leite que a vaca forma em suas células secretoras é isento de
bactérias. Entretanto, sabe-se que o leite, mesmo ordenhado sob as
mais rigorosas condições de higiene, possui uma certa quantidade de
bactérias, que tem seu número elevado quando em contato com o
exterior. A contaminação do leite pode ser dividida em endógena e
exógena e sua intensidade depende de vários fatores.
Alguns fatores contribuem para a maior ou menor contagem de
bactérias que saem do úbere da vaca juntamente com o leite, sendo
que doenças do úbere e permanência de leite residual (da ordenha
anterior) são os mais importantes.
Contaminação endógena:
Essa contaminação ocorre dentro do úbere da vaca. Nesse caso os
microrganismos já se encontram no leite quando o mesmo sai pelo
canal do teto, por ocasião da ordenha.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
56
Contaminação exógena:
Essa contaminação ocorre após o leite sair do úbere da vaca. Pode
ser proveniente do exterior da vaca (cauda, pelos, etc.), do ordenhador,
do vasilhame, do equipamento, do ambiente, etc.
Em resumo, pode-se afirmar que a qualidade higiênica do leite é
influenciada principalmente pelo estado sanitário do rebanho, manejo dos
animais e dos equipamentos durante a ordenha, e a presença de
microrganismos, resíduos de drogas e odores estranhos.
Do ponto de vista higiênico, o leite deve ter as seguintes
características e propriedades: Agradável (com preservação das suas
propriedades de sabor, cor, odor, viscosidade); Limpo (livre de sujeiras,
microrganismos e resíduos); Íntegro (composição correta e
conservação adequada); Ausência de patógenos, Ausência de toxinas
microbianas (micotoxinas, enterotoxinas, etc.)
No processo de produção do leite devem-se observar os
seguintes fatores, para que o leite atenda aos requisitos de qualidade
microbiológica:
a vaca leiteira deve possuir perfeito estado de saúde, deve
ser bem alimentada, deve ser manejada de forma a não
sofrer stress. Principalmente no momento da ordenha a
vaca deve estar calma e tranquila, pois uma vaca
estressada tem sua produção diminuída e a qualidade do
leite prejudicada, devido a uma série de toxinas que a vaca
libera no leite. O leite pode ser considerado o “espelho” da
vaca, pois qualquer alteração no estado de saúde desta
Definição do leite sob o ponto de vista higiênico:
Leite é o produto íntegro da ordenha total e sem interrupção de
uma vaca leiteira em bom estado de saúde, bem alimentada, sem sofrer
cansaço, devendo ser recolhido em condições higiênicas e sem
colostro.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
57
reflete diretamente na qualidade do leite; algumas doenças
da vaca leiteira são inclusive diagnosticadas através do seu
leite;
o equipamento e vasilhame utilizado deve ser de uso
exclusivo da ordenha e manipulação do leite. Deve ser feito
com material adequado (aço inoxidável, plástico, alumínio,
ferro estanhado ou outro material aprovado pela
legislação). Esse material deve ter formato próprio, sem
ângulos vivos, para facilitar o processo de limpeza. Quando
a ordenha é manual, recomenda-se o uso de balde de boca
estreita (3/4 fechada). Alguns trabalhos têm demonstrado
sua eficiência na diminuição da contagem de bactérias do
leite;
o ordenhador deve estar em bom estado de saúde, ter
hábitos higiênicos, paciência na lida com os animais e ter
consciência de que ele é a peça mais importante em todo o
processo. Ter mãos limpas e usar roupas limpas no
momento da ordenha;
manter o local da ordenha limpo, seco, arejado, porém sem
ventos fortes, deve ser construído em nível elevado e
possuir um ligeiro declive para facilitar o escoamento de
água. Deve ser coberto, cercado lateralmente a meia altura
e possuir piso firme. Deve ser isolado de currais, pocilga,
aviários etc. Deve ser coberto, cercado lateralmente a meia
altura e ser de piso firme. Tem que ser necessariamente de
uso exclusivo da ordenha e mantido limpo.
a ordenha deve ser feita a fundo e contínua, o animal deve
estar com o úbere limpo, sem pelos longos, no caso de
ordenha manual deve-se prender a cauda e ordenhar em
diagonal. Secar as tetas com papel toalha descartável; os
primeiros jatos de leite devem ser ordenhados em uma
caneca de fundo preto ou telada, para, além de eliminar
esse primeiro leite (que fica na cisterna do teto) que tem
uma contagem de bactérias muito elevada, ajuda ainda a
fazer diagnóstico de mastite clínica (grumos no leite). O leite
deve ser coado em coadores próprios (nunca deve usado o
pano, caso não se dispõe de coadores é melhor não coar o
leite. Anotar a produção, pois assim o produtor consegue
fazer uma avaliação individual das vacas; muitas vezes
consegue-se detectar problemas de saúde da vaca pela
brusca variação da produção de leite. Resfriar o leite
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
58
imediatamente após a ordenha; o resfriamento do leite será
tratado com mais detalhes em item próprio;
o transporte do leite é um ponto dos mais importantes da
atividade leiteira, tendo nos últimos tempos recebido
especial atenção dos produtores, industriais de laticínios,
órgãos governamentais etc. Quando utilizado o sistema
tradicional de latões, alguns pontos devem ser observados:
o leite deve ser entregue na plataforma de recepção o mais
rápido possível; evitar a incidência de raios solares nos
latões, para isso, os caminhões devem ser equipados com
toldos; os latões devem, se possível estar completamente
cheios, pois durante o transporte, principalmente em
estradas ruins há uma formação de manteiga devido à
“bateção” da gordura do leite, isso causa uma diminuição
significativa do teor de gordura do leite. O sistema de
coleta de leite à granel está gradativamente sendo
implantado no Brasil, o que tem trazido muitos benefícios
para a melhoriada qualidade do leite. Esse tema será
discutido em item específico; alguns cuidados gerais
devem ser tomados para diminuir a contaminação do leite.
Dentre muitos podemos destacar: Evitar espirros de urina e
fezes no leite; evitar ou pelo menos diminuir a incidência de
mosquitos nos locais de ordenha e manipulação do leite;
evitar poeira no estábulo, no local de ordenha e
manipulação de leite; fazer a limpeza periódica dos
currais; guardar os latões em estrado de madeira ou
plástico (já disponível no mercado); manter os latões à
sombra e verificar periodicamente sua limpeza; afastar os
latões defeituosos ou reformá-los; não usar os latões para
outros fins; não arear o vasilhame; evitar grande número de
transvase (passar o leite de um vasilhame para outro).
Sequência recomendada para lavar os latões, baldes, etc.:
água à temperatura ambiente;
água quente mais detergente;
enxágue com água de boa qualidade e em abundância;
fazer a sanificação com solução de cloro (ou vapor);
colocar o vasilhame de boca para baixo para secar.
Observações:
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
59
a primeira água de lavagem tem a função de eliminar o
resíduo de leite do vasilhame, ela é empregada sozinha
para economizar detergente. Essa água não deve ser nem
muito quente, nem muito fria, pelas seguintes razões: (a)
água muito quente: irá coagular o leite, caso esse esteja
com acidez elevada e b) água muito fria: irá solidificar a
gordura, dificultando sua posterior remoção;
o detergente utilizado deve ser de boa qualidade. Uma
questão importante é: ele deve ser alcalino, neutro ou
ácido? Essa é uma pergunta difícil de ser respondida, vai
depender muito de vários fatores. Normalmente, quando a
pessoa tem um bom conhecimento do que está fazendo, as
empresas fornecem detergentes ácidos e alcalinos sendo
necessário seguir rigorosamente as instruções do
fornecedor que, via de regra, recomenda lavagens
alternadas (alcalino – ácido), principalmente no sistema de
ordenha mecânica. Entretanto, principalmente na ordenha
manual e quando não se tem absoluta certeza que o
programa de lavagem irá ser conduzido de forma correta, o
melhor é recomendar o uso de detergente neutro, pois
caso fique resíduo no vasilhame, irá causar problema no
leite, mas em menor intensidade que um detergente ácido
ou alcalino;
após o enxágue e/ou sanificação, não se deve de hipótese
alguma usar pano para enxugar o vasilhame. Deve-se
colocá-lo de boca para baixo em um local limpo e seco;
o tempo de contato do detergente ou desinfetante com a
superfície dos utensílios não pode ser inferior a 30
segundos;
o mesmo cuidado dispensado ao vasilhame deve ser
dispensado às tampas.
5.3 RESFRIAMENTO DO LEITE
O resfriamento do leite imediatamente após a ordenha é o fator
individual mais importante na manutenção da qualidade microbiológica
do leite. O leite deve ser resfriado a temperatura de 4C ou menos
(sem atingir o ponto de congelamento), sendo importante que o leite
seja mantido a essa temperatura, nos sistemas de resfriamento nas
propriedades rurais, durante o transporte, na indústria antes do
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
60
processamento, durante o transporte do leite pasteurizado e não
menos importantes nos locais de distribuição no mercado. Após a
aquisição o consumidor também tem a função de levar esse leite o
mais rápido possível para casa e mantê-lo refrigerado até o consumo.
Muitos proprietários de laticínios reclamam que seus produtos,
embora elaborados e manipulados corretamente, não são conservados
adequadamente no comércio, sendo que muitos estabelecimentos
comerciais, por questão de economia, têm o hábito de desligar a
energia elétrica durante a noite e final de semana, trazendo com isso
enormes prejuízos aos produtos que necessitam ser conservados a
baixa temperatura, especialmente o leite pasteurizado. É sabido que
para cada 18 F na elevação da temperatura, a taxa de bactérias do
leite é dobrada.
Entretanto, a despeito de todas as vantagens e benefícios que a
refrigeração do leite traz para a manutenção de sua qualidade, o
produtor não pode ver nesse processo um fator isolado e milagroso. É
importante ter em mente que nenhum processamento melhora a
qualidade do leite, eles simplesmente impedem ou retardam sua
deterioração. Dessa forma, se um leite de alta contagem bacteriana for
resfriado, isso irá apenas impedir ou diminuir o aumento dessa
contagem.
Um outro fator importante, é que existem certos tipos de
bactérias, denominadas psicrotróficas, pseudomonas, principalmente
P. fluorescens; Achromobacter; Acinetobacter; Bacillus; Clostridiu;
Alcaligenes; Flavobacterium, que são os principais psicrotróficos
contaminantes do leite. Como não utilizam a lactose como principal
fonte de energia, eles não acidificam o leite, entretanto produzem
enzimas, principalmente proteases e lipases, que causam prejuízos à
qualidade do leite e principalmente dos produtos elaborados,
sobretudo queijos.
Essas bactérias são destruídas pelo processo de pasteurização,
entretanto suas enzimas são termorresistentes, permanecendo ativas,
mesmo quando submetidas a temperaturas bastante elevadas, tendo
suas atividades, consequentemente, mantidas após a pasteurização do
leite.
Os problemas que essas enzimas causam ao leite dependem de
sua concentração. Dessa forma, deve-se produzir, manipular,
conservar o leite de forma adequada para diminuir ao máximo a
presença de bactérias psicrotróficas no leite. Pseudomonas fluorescens
é a que ocorre com maior frequência e abundância no leite, e quando
seu número ultrapassa 106 unidades formadoras de colônias UFC/ml,
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
61
número não difícil de ser alcançado quando as condições de produção
do leite não são adequadas, causa grandes prejuízos econômicos e na
qualidade dos produtos.
As proteases são as enzimas que causam maiores prejuízos
econômicos e para a qualidade do leite e produtos, pois elas atuam
sobre a proteína do leite (principalmente sobre a K- e -caseínas),
causando diminuição no rendimento do leite em queijos, sabor amargo
no leite e seus produtos, gelificação do leite esterilizado (longa vida).
As lipases atuam sobre a gordura do leite, liberando ácidos
graxos que livres no leite (não esterificados ao glicerol) causam um
sabor de ranço no leite e seus derivados, principalmente em queijos de
maturação, onde causam um sabor de “sabão” nesses produtos. Essas
lipases não possuem especificidade, liberando nesses produtos ácidos
graxos de cadeias de vários tamanhos, sendo os de cadeia longa os
principais geradores desses sabores desagradáveis nos queijos. Esse
defeito é agravado quando o leite é submetido a agitações severas,
pois nesses casos a gordura é “quebrada” em glóbulos menores,
facilitando a atuação dessa enzima.
O resfriamento imediato de leite de vacas sadias, ordenhado e
manipulado de forma higiênica, a manutenção dessa temperatura
durante todo o processo de armazenamento, transporte e distribuição
são, juntamente com as boas práticas de fabricação, fatores
indispensáveis para a qualidade do leite.
Psicrotróficas:
São bactérias que
se multiplicam em
temperaturas de
refrigeração,
embora possuam
temperaturas
ótimas de
desenvolvimento
mais elevadas
(normalmente
entre 20 e 30C
Lipases:
São enzimas que
hidrolizam ligação
éster liberando
ácidos graxos.
Proteases:
São enzimas
capazes de
hidrolizar
proteínas, com
intensidade
variável,
dependendo de
diversos fatores
(temperatura,
substrato, pH,
acesso físico à
proteína, etc.)
Físico-Química, Qualidade e Processamentodo Leite
62
5.4 COLETA DE LEITE A GRANEL
A implantação do sistema de coleta de leite a granel no Brasil já é
uma realidade em muitas regiões. Várias vantagens podem ser
apontadas para esse sistema, dentre elas podem-se citar: menor custo
de transporte e mão de obra; menor perda de leite pela acidez;
possibilidade de coleta em dias alternados; qualidade do leite avaliada
na propriedade antes de longos percursos, característicos do sistema
de coleta em latões; menor perda de resíduos de leite nos latões;
ordenha podendo ser feita em horas mais convenientes.
Entretanto, a maior vantagem do sistema é a obrigatoriedade do
resfriamento do leite logo após a ordenha.
5.5 CONTAGEM DE CÉLULAS SOMÁTICAS
A contagem de células somáticas (CCS) é um dos parâmetros
mais eficientes para se medir a qualidade do leite. Células somáticas
são células do organismo animal presentes em baixos níveis no leite de
vacas sem problemas no úbere. Porém, quando o número dessas
células se eleva de forma considerável, é uma indicação eficiente de
infecção intramamária (mastite).
A maioria das células somáticas é formada por leucócitos (células
brancas do sangue) e em menor número por células epiteliais (células
de descamação do úbere). As células epiteliais faz parte do processo
normal das funções do organismos e são eliminadas e renovadas num
processo normal de renovação celular da glândula mamária. Por outro
lado, os leucócitos tem função no mecanismo de defesa celular de
combater doenças (infecção) e auxiliar na reparação de tecidos
danificados.
Leite com alta CCS apresenta mais ou menos o mesmo teor de
proteínas totais, entretanto o conteúdo em caseína é reduzido e o de
proteínas do soro é elevado; esse desbalanceamento proteico resulta
necessariamente em um menor rendimento desse leite em queijos,
além de conferir sabores estranhos no produto. Uma outra
consequência de alta CCSS é a diminuição da vida de prateleira e o
aparecimento de “flavor” adverso no leite.
O principal fator que causa elevação na CCS é a infecção da
glândula mamária; essa contagem pode ser de um único quarto, do
leite total de uma vaca, de uma única propriedade ou do leite de
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
63
conjunto (de vários produtores). A contagem de células somáticas é o
meio mais eficiente para avaliar a saúde da glândula mamária. A
contagem normal de células somáticas está geralmente abaixo de
200.000 por ml de leite, mas pode estar abaixo de 100.000 em
rebanhos muito bem manejado; uma contagem acima de 250.000-
300.000 pode ser uma indicação de infecção bacteriana do úbere.
Os organismos mais comuns relacionados com infecção mamária
podem ser classificados em dois grupos: Contagiosos e patogênicos
Patogênicos relacionados com o meio ambiente
Os patogênicos contagiosos (Staplylococcus aureos,
Streptococcus agalactiae) geralmente causam os maiores aumentos na
CCS; outros Streptococcus, Corynebacterium bovis e Staphylococcus
coagulase negativa, normalmente causam menor elevação na CCS.
Outros fatores, além de infecção, podem também alterar de forma
normal a CCS do leite, dentre esses podem-se citar:
1 Estágio de lactação avançada
Elevada CCS pode ser observada em vacas no final da lactação,
principalmente em vacas em estágio de gestação avançada. Essa
elevação parece ser parte do sistema de resposta imune do animal
para aumentar os mecanismos de defesa da glândula mamária
imediatamente após o parto. Entretanto, quartos sem infecção
geralmente tem uma brusca diminuição na CCS dentro de poucos dias
após o parto.
2 Idade do animal
Vacas com idade avançada tendem a produzir leite com CCS
mais elevada.
3 Stress
Vários tipos de stress podem causar a elevação da CCS do leite.
As contagens mais baixas são geralmente observadas em vacas que
são mantidas em locais limpos, confortáveis.
4 Estação do ano
As condições do tempo e o manejo são fatores importantes no
controle da mastite. O aumento da incidência de mastite clínica no
verão é geralmente devido às altas temperaturas e umidade, que
aumentam o número de microrganismos patogênicos
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
64
Mastite Clínica:
É a inflamação do úbere que apresenta sinais visíveis
5 Injúrias na glândula mamária
As injúrias do tecido mamário, mesmo sem a presença de
infecção, podem elevar temporariamente a CCS, que normalmente tem
curta duração, voltando ao normal logo após a cicatrização. Entretanto,
tecidos injuriados são muito susceptíveis à infecção.
6 Causas indiretas
Ordenha conduzida de forma inadequada, principalmente a
mecânica quando não se regula corretamente o vácuo ou não se retira
as teteiras após esgota completa da vaca, dentre várias outras.
TABELA 5.1 Efeito da mastite na produção de leite. Dados baseados na
produção média de 5.000quilos de leite de uma vaca sadia por
ano.
Contagem de células do
leite total do rebanho
Redução na
produção
(kg/vaca/ano)
Redução total na
produção (%)
< 250.000 - -
250.000 - 500.000 200 4
500.000 - 750.000 350 7
750.000 - 1.000.000 750 15
> 1.000.000 900 18
Fonte: KORHONEN, H. & KAARTINEN, L.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
65
TABELA 5.2 Alterações na composição do leite associadas à mastite subclínica
(%).
Componentes Leite Normal
Leite com altas
contagens de células
Sólidos desengordurados gordurosos 8,9 8,8
Gordura 3,5 3,2
Lactose 4,9 4,4
Proteína total 3,61 3,56
Caseína total 2,8 2,3
Proteínas do sangue 0,8 1,3
Soro-albumina 0,02 0,07
Lactoferrina 0,02 0,10
Imunoglobulinas 0,10 0,60
Sódio 0,057 0,105
Cloretos 0.091 0.147
Potássio 0.173 0,157
Cálcio 0,12 0,04
Fonte: Brito, (1995)
TABELA 5.3 Efeito do leite com altas contagens de células somáticas
sobre os produtos lácteos.
Produto Problema
Leite condensado
Leite evaporado
- estabilidade ao calor diminuída
Leite em pó - gosto de queimado ou outros sabores estranhos
Queijo - aumento do tempo de coagulação
- diminuição da firmeza do coágulo
- queda no rendimento
Leite fluido - alteração do sabor na estocagem
Produtos fermentados - inibição do crescimento das culturas lácteas
Manteiga - diminuição do rendimento
- aumento da rancificação
Fonte: Brito, (1995)
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
66
6 - TRATAMENTOS DO
LEITE
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
67
O beneficiamento do leite engloba uma série de tratamentos
aplicados ao leite, tais como filtração, resfriamento, clarificação,
homogeneização, pasteurização, termização, processamento UHT,
concentração, pulverização, etc. Alguns serão descritos com algum
detalhe.
6.1 FILTRAÇÃO
É a retirada, por processos mecânicos, das impurezas do leite,
mediante centrifugação ou passagem em tecido filtrante próprio, sob
pressão.
Todo leite destinado ao consumo deve ser filtrado, antes de
qualquer outra operação de beneficiamento.
6.2 RESFRIAMENTO
O resfriamento do leite tem o objetivo de criar um meio
desfavorável ao desenvolvimento microbiano. A temperatura baixa
diminui a taxa de multiplicação dos microrganismos e a atividade
enzimática. O leite deve ser mantido refrigerado desde a ordenha.
Entretanto, deve-se ter em mente que muitas bactérias (psicrotróficas)
desenvolvem a temperaturas baixas. Essas bactérias produzem
enzimas (proteases e lipases) que embora não acidificando o leite,
atuam sobre as proteínas e lipídeos, causando problemas,
principalmente quando esse leite é utilizado aoprocessamento UHT,
no qual causa o defeito conhecido com “gelificação do leite longa vida”
e na elaboração de queijos, principalmente os de longa maturação, nos
quais produzem sabores desagradáveis (rançoso e de sabão) além de
diminuir o rendimento do leite em queijos. O resfriamento do leite logo
após a ordenha é, talvez, o fator isolado mais importante na
manutenção da qualidade o leite, entretanto esse tratamento não
dispensa todos os cuidados higiênicos durante a produção, uma vez
que o resfriamento não melhora a qualidade do leite, mas sim conserva
sua qualidade ou diminui a velocidade da perda da qualidade inicial.
6.3. HOMOGENEIZAÇÃO DO LEITE
Quando o leite fica por algum tempo em repouso, uma camada
mais densa e amarelada (nata) se forma na superfície. Isso é mais
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
68
intenso quanto mais frio estiver o leite. No caso de alguns tipos de leite
já processados, não se forma essa nata, mesmo que o leite seja
integral. Nesse último caso, o leite é homogeneizado, por isso não
forma a camada “nata”.
Para o entendimento do processo, necessita-se primeiro,
conhecer a gordura do leite, sua formação e a forma com que se
encontra no leite. Uma glândula mamária, com detalhes de um alvéolo
está esquematizada na Figura 6.
Fonte:
FIGURA 6 Esquema de uma glândula mamária, detalhando um alvéolo
A figura detalha esquematicamente um alvéolo, também
conhecido como ácino glandular. Internamente o alvéolo é entapetado
por uma camada de células, as células epiteliais lactígenas ou células
secretoras. São essas células que produzem o leite, por incorporação
de substâncias extraídas do sangue, as quais são metabolizadas e
lançadas no lúmen na forma de leite.
A maioria das substâncias, proteínas, lactose, minerais, possuem
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
69
afinidade com a água, enquanto que a gordura não, ela é insolúvel em
água. Como o conteúdo celular é basicamente aquoso, a gordura tem
dificuldade em permanecer no seu interior. Assim ela tem de se
associar a membranas internas, para fugir da água e, além disso, as
gorduras formadas no interior da célula se ajuntam, formando uma gota
relativamente grande, diminuindo com isso a superfície de contato com
a água. A Figura 7 representa esquematicamente uma célula secretora:
FIGURA 7 Esquema de uma célula secretora formando um glóbulo de gordura
Observe que as proteínas (dentro das vesículas secretoras – SV),
são moléculas pequenas em comparação com a gota de gordura e são
facilmente excretadas para o lúmen assim que são elaboradas, o
mesmo acontece com a lactose.
Para sair, a gota de gordura, muito grande, é forçada contra a
membrana apical da célula, empurrando essa membrana e no final a
gordura sai envolta pela membrana. Dessa forma, a gordura do leite se
encontra envolta por uma membrana, que tem sua origem na parte
apical da célula secretora, essa membrana isola a gordura da água do
leite. Ao conjunto gordura e membrana dá-se o nome de glóbulo de
gordura, representado na figura por MFG, sendo a membrana
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
70
denominada “membrana do glóbulo de gordura”.
Após a secreção, proteínas (principalmente algumas
imunoglobulinas) adsorvem-se à membrana do glóbulo de gordura,
principalmente no leite de vaca, recebendo o nome de aglutininas ou
crioproteínas (por possuírem maior atividade a frio). Essas proteínas
possuem a capacidade de serem pegajosas e essa característica é
muito aumentada em temperaturas baixas. Com isso, os glóbulos de
gordura tendem a aderir às superfícies, bactérias, e entre si formando
aglomerados.
A gordura do leite possui densidade menor que a do leite, 0,930
contra 1,0315. Essa menor densidade associada à aglomeração faz
com que a gordura do leite tende a ascender à superfície, formando
uma camada de gordura (creme ou nata). A velocidade de
deslocamento pode ser calculada pela “lei de Stoke” a qual indica que
quanto maior o glóbulo de gordura e seus aglomerados, maior a
velocidade de deslocamento.
Para evitar a ascensão da gordura do leite, utiliza-se o processo
de homogeneização.
Homogeneizar o leite significa simplesmente forçá-lo a passar por
uma abertura, que terá o diâmetro um pouco maior que os glóbulos de
gordura. A secção de um homogeneizador está representada
esquematicamente na Figura 8.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
71
Fonte: Adaptado de (http://www.foodsci.uoguelph.ca/dairyedu/)
FIGURA 8 Representação esquemática de um homogeneizador de dois estágios
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
72
A válvula de pressão fecha o orifício contido no assento da
válvula. O leite não homogeneizado é forçado por uma bomba potente,
que empurra a válvula de pressão, abrindo uma estreita passagem
para o leite. A pressão é controlada simplesmente girando a borboleta
do ajuste de pressão.
O deslocamento do leite por essa passagem gera uma força de
sizalhamento, pois a velocidade no centro é maior que a velocidade na
periferia, provocando uma “fricção” entre os glóbulos.
Além disso o leite recebe um grande impacto no anel de impacto
(simplesmente uma parede). Há a necessidade de um espaço entre a
válvula e o anel, para permitir esse impacto.
Sofrendo o sizalhamento e o impacto, os aglomerados de
glóbulos de gordura são desfeitos e cada glóbulo individualmente é
partido em glóbulos menores.
Como os glóbulos são envoltos por uma membrana e eles são
partidos em glóbulos menores, vão ficar partes do glóbulo desprovido
de membrana. Nessas partes sem membranas serão aderidas
proteínas. Como a densidade da gordura é baixa (0,930) e a das
proteínas é alta (1,346) esse conjunto proteína/gordura terá uma
densidade semelhante à densidade do leite (1,031). A Figura 9
representa bem esse processo.
Fonte: Adaptado de (http://www.foodsci.uoguelph.ca/dairyedu/)
FIGURA 9 Esquema representando a gordura e as proteínas do leite
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
73
O processo de homogeneização normalmente acontece após o
leite ser pré-aquecido na regeneração da pasteurização. A temperatura
normal do leite requerida para o processo ser efetivo é de 60ºC a 70ºC.
A homogeneização deve também ser feita em dois estágios, para evitar
a reaglutinação de glóbulos pequenos. A pressão é normalmente de
100 a 170 Bars no primeiro estágio e a metade do valor no segundo
estágio.
Efeito da homogeneização:
Glóbulo de gordura Não homogeneizado
Homogeneizado (170Bars)
Diâmetro médio (µ m) 3.3 0.4
Diâmetro máximo (µ m) 10 2
Área superficial (m2.mL-1) 0.08 0.75
Número de glóbulos (µm-3) 0.02 12
Além desse objetivo primário, duas observações devem ser feitas.
A primeira é que a homogeneização tem a capacidade de destruir
células somáticas, liberando suas enzimas, facilitando a desnaturação
térmica; as células somáticas podem também engolfar bactérias
protegendo-as contra tratamentos térmicos, como a pasteurização. A
segunda é que os aglomerados de gordura podem proteger bactérias,
por agirem como isolantes térmicos, o que prejudica o processo de
pasteurização, o que não acontece com o leite homogeneizado.
Observa-se na prática que leite homogeneizado é melhor,
microbiologicamente, que o leite não homogeneizado.
6.4 PASTEURIZAÇÃO
6.4.1 Introdução e definição
O termo “pasteurização” é em homenagem ao cientista francês
Louis Pasteur que nos meados do século passado (1865) descobriu
que organismos causadores de deterioração em vinho e leite poderiam
ser inativados por aplicação de temperaturas abaixo do ponto de
ebuliçãoda água. O processo foi então aplicado e é, até hoje, a mais
importante operação no processamento do leite
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
74
6.5 PASTEURIZAÇÃO DO LEITE
Para melhor entendimento do processo de pasteurização do leite,
faz-se necessário responder as seguintes perguntas:
O que é pasteurização?
Qual seu objetivo?
Qual o microrganismo alvo?
Qual seu padrão enzimático?
Quais os tratamentos complementares?
Qual o padrão enzimático (leite)?
Quais os métodos utilizados?
O QUE É PASTEURIZAÇÃO?
Segundo o Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária dos
Produtos de Origem Animal (R.I.I.S.P.O.A) “Entende-se por
pasteurização o emprego conveniente do calor, com o fim de destruir
totalmente a flora microbiana patogênica sem alteração sensível da
constituição física e do equilíbrio do leite, sem prejuízo dos seus
elementos bioquímicos, assim como de suas propriedades
organolépticas normais”.
Essa definição legal pode ser dividida, para efeito de melhor
entendimento, em duas, quais sejam, “o que é pasteurização” e “quais
seus objetivos”.
Pasteurização então é elevar a temperatura do leite até certo grau
e deixar o leite permanecer nessa temperatura por certo período de
tempo.
Que temperatura e tempo são esses, serão respondidos na última
pergunta.
Um ponto importante a ser entendido é que o aquecimento
exagerado como, por exemplo, a fervura, também conserva o leite.
Entretanto, aquecimentos rigorosos causam prejuízos para o valor
nutricional e às características sensoriais.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
75
Qual seu objetivo?
Pode-se assumir que o principal objetivo da pasteurização é a
total destruição dos microrganismos patogênicos e da maioria dos
fermentativos.
A pasteurização pode ser então considerada sob dois aspectos
principais:
Sob os aspectos de saúde pública
Sob o de manutenção de sua qualidade, com alongamento de sua
vida de prateleira e manutenção de suas propriedades sensoriais o
mais próximo possível do leite cru.
Qual o microrganismo alvo?
Embora os microrganismos patogênicos sejam na sua vasta
maioria mesófilos, existem aqueles que resistem temperaturas mais
elevadas que outros, consequentemente o processo de pasteurização
visa eliminar aquele mais resistente. Dentre os patogênicos, a Coxiella
burnetii é o mais termorresistente, o que consequentemente a torna a
bactéria alvo da pasteurização, ou seja, se ela for destruída, todas as
outras patogênicas também o serão. Nos últimos tempos o binômio
tempo/temperatura vem sendo discutido em função da identificação de
outras bactérias patogênicas no leite pasteurizado, presumidamente
mais termorresistentes que a Coxiella burnetii.
Qual seu padrão enzimático?
Existem no leite duas enzimas que possuem o binômio
tempo/temperatura de inativação próximo àquele estabelecido para a
pasteurização: Fosfatase alcalina e peroxidade. A fosfatase alcalina é
desnaturada em temperaturas ligeiramente abaixo enquanto a catalase
em temperaturas ligeiramente acima do processo de pasteurização.
Dessa forma elas são utilizadas para determinar se um leite foi ou não
pasteurizado. Um leite pasteurizado deve apresentar:
Fosfatase alcalina: negativa
Peroxidade: positiva
Caso a fosfatase e peroxidase forem positivas é porque o leite
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
76
não foi pasteurizado ou foi contaminado com leite cru. Ao contrário, se
ambas forem negativas é porque o leite foi superaquecido como, por
exemplo nos leites fervido e esterilizado.
Pode-se então concluir que não existe leite bem ou mal
pasteurizado, ou ele foi pasteurizado ou não foi.
Os gráficos de pasteurização e termização (que será discutida no
capítulo 7) estão representados na Figura 10.
FIGURA 10 Representação gráfica do sistema de pasteurização e termização
Quais os tratamentos complementares?
Como a pasteurização não destrói a totalidade dos
microrganismos, faz-se necessário resfriar o leite imediatamente após
esse tratamento térmico, com a finalidade de criar um ambiente
desfavorável ao seu desenvolvimento. É fácil entender que os
microrganismos que resistem à pasteurização, resistem e preferem
temperaturas mais elevadas, dessa forma o abaixamento da
temperatura imediatamente após a pasteurização irá criar um ambiente
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
77
desfavorável a esses bactérias, prolongando a vida útil do leite. É
importante lembrar que a pasteurização não destrói esporos. Isso não
é problema para o leite de consumo, pois esses esporos não
encontram ambiente favorável para a germinação. No caso particular
de alguns tipos de queijo, como o Prato, Parmesão e similares, esses
esporos são importantes, pois podem germinar na massa do queijo e
gerar um tipo de defeito conhecido como estufamento tardio.
Outro objetivo do resfriamento é interromper a pasteurização,
caso contrário, o tempo excessivo de exposição do leite a alta
temperatura, fará com que o mesmo ultrapasse os limites da
pasteurização, dando nesse caso negativo no teste de peroxidase,
sendo o leite considerado superaquecido.
O leite deve, após ser resfriado, permanecer em temperaturas
baixas até o consumo. Isso parece óbvio, mas muitas vezes a
temperatura do leite é elevada, por exemplo, quando os veículos de
distribuição não são frigoríficos ou nem mesmo isotérmicos; quando a
temperatura das gôndolas nos postos de venda não são adequadas, ou
em alguns casos a energia elétrica é desligada a noite ou fim de
semana. O próprio fato do consumidor, após a aquisição, demorar em
colocar o leite na geladeira causa uma elevação na temperatura
permitindo o desenvolvimento das bactérias que sobreviveram à
pasteurização.
Observação: No processo de pasteurização é indispensável
aplicação dos programas de controle de qualidade, incluindo
necessariamente as “Boas Práticas de Fabricação” – BPF.
Quais os métodos utilizados?
Embora o conceito “pasteurização” seja único, ele pode ser
conduzido por dois métodos básicos, que apesar de diferirem quanto
ao binômio tempo/temperatura, possuem as mesmas finalidades.
Métodos de Pasteurização
Permitem-se os seguintes processos de pasteurização:
1 - Pasteurização lenta:
Esse método, também conhecido como descontínuo ou em
batelada, consiste no aquecimento do leite a 62 - 65 ºC por 30 (trinta)
minutos, mantendo-se o leite em grande volume sob agitação
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
78
mecânica, lenta, em aparelhagem própria. É aprovado para trabalhar
com pequenos volumes de leite. Esse processo é ainda utilizado em
fábricas de queijos que trabalham com pequenos volumes de leite.
2 - Pasteurização rápida:
Também denominado sistema contínuo, por placas ou sistema
HTST:
Consiste em aquecer o leite em camadas laminares entre 72 ºC e
75ºC por 15 a 20 segundos, em aparelhagem própria (pasteurizador a
placas, com controle de vazão e temperatura acoplado com válvula de
desvio de fluxo).
TIPOS DE PASTEURIZAÇÃO LENTA:
O processo de pasteurização lenta pode ser conduzido por:
- aquecimento direto: quando o leite é colocado em um vasilhame
e esse recebe fogo direto. É mais utilizado em pasteurizações caseiras.
Seu grande inconveniente é a possibilidade de queima do leite no
fundo do vasilhame, causando o gosto de queimado e destruindo
parcialmente as proteínas;
- aquecimento indireto: utilizam-se, nesse caso, tanques de
parede dupla; entre as duas paredes é colocado água, a qual é
aquecida por fogo, vapor ou simplesmente pela circulação de água
quente. O leite dentro do tanque é então aquecido pela troca de calorcom a água;
- injeção direta de vapor: é um sistema que permite a injeção de
vapor diretamente no leite. Evidentemente esse processo não é
utilizado para o leite de consumo, pois incorpora cerca de 10 a 12% de
água ao leite. É muito utilizado em fábricas de queijos, que trabalham
com pequeno volume de leite;
- ejetor de vapor: o princípio de aquecimento é o mesmo da
injeção, só que utiliza um equipamento chamado ejetor de vapor, que
além de aquecer o leite, promove uma homogeneização parcial do
leite. É utilizado principalmente no Sul de Minas, em fábricas de queijo.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
79
Fonte: Adaptado de (http://www.foodsci.uoguelph.ca/dairyedu/)
FIGURA 11 Sistema de pasteurização lenta com controle de temperatura.
SISTEMA HTST
Esse sistema pode pasteurizar grande volume de leite por hora, é
utilizado em grandes, médias e mais recentemente em pequenas
indústrias, pois várias empresas estão fabricando equipamentos de
pequeno porte e de preço acessível.
O método se baseia no princípio da troca de calor do leite com
água quente através de uma placa metálica com alta condutividade
térmica.
As figuras 12, 13 e 14 representam as placas individuais, sendo
montadas e de um foto de um conjunto de placas montadas,
respectivamente.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
80
Fonte: Adaptado de (http://www.foodsci.uoguelph.ca/dairyedu/)
FIGURA 12 Conjunto de placas do sistema HTST
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
81
Fonte: (http://www.foodsci.uoguelph.ca/dairyedu/)
FIGURA 13 Esquema de montagem das placas em um sistema HTST
FIGURA 14 Foto de um conjunto de placas montadas
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
82
Resumo do funcionamento de umpasteurizador a placas (HTST):
O leite frio, por meio de uma bomba sanitária, sai do tanque de
equilíbrio, passa por um filtro de linha, entra no pasteurizador (placas)
em uma região chamada regeneração, deslocondo por entre as placas.
Quando ele sai da regeneração ele entra na região do
aquecimento. Ali, ele troca calor com o material aquecente (água), vale
sempre lembrar... o leite de um lado da placa e a água do outro.;
Acontece que o tempo de permanência do leite nas placas é
muito curto, cerca de 2,5 segundos, o que não é suficiente para a
pasteurização.
Após sair da região de aquecimento o leite tem de permanecer
nessa temperatura para completar o tempo de pasteurização, cerca de
16 segundos. Esse tempo é dado pelo “retardamento”. Nessa secção,
o leite tem de percorrer uma tubulação por onde circula até completar o
tempo de pasteurização. Essa tubulação é denominada “retardamento”.
Quando o leite sai do retardamento ele está pasteurizado.É nesse
retardo que o leite é efetivamente pasteurizado. No final dessa etapa,
quando o leite está efetivamente pasteurizado, são tomadas as
temperaturas para o controle do sistema.
Após sair do retardamento, ao invés do leite ir para a seção de
resfriamento ele retorna para o regenerador, onde encontra, em contra
corrente com o leite frio que está entrando (um de um lado da placa e
outro do outro). Os dois leites então trocam calor, o frio (que está
entrando no sistema) aquece e o quente (recém-pasteurizado) resfria.
É um sistema muito inteligente e que economisa grande quantidade de
energia
Saindo do regenerador o leite entra na seção de resfriamento
onde troca calor com a água gelada.
Na Figura 15 está representado graficamente o processo de
pasteurização pelo sistema HTST.
Observa-se que a quantidade de energia em todo o processo
somente é requerida, ou seja, é colocada no processo, no aquecimento
e no resfriamento, que representam uma pequena proporção da
energia total, menos de 10%. Não existindo aquecimento no tubo
retardador, há uma pequena queda de temperatura nessa seção. Vale
lembrar que na saída desse tubo o leite está pasteurizado. Observa-se
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
83
também que na realidade o leite é pasteurizado no tubo de
retardamento e que quando o leite sai das placas aquecedoras sua
temperatura é ligeiramente maior que a de pasteurização para
compensar a queda de temperatura no retardamento.
FIGURA 15 Curva representativa do sistema de pasteurização HTST
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
84
7 – TERMIZAÇÃO DO LEITE
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
85
Para o melhor entendimento do processo de termização, as
seguintes questões devem ser respondidas e principalmente bem
entendidas. Além disso, o entendimento do gráfico abaixo auxilia
sobremaneira a compreensão desse importante, mas subtilizado
processamento do leite.
O que é termização?
Qual o objetivo?
Em que condições deve ser utilizada?
O caso particular do leite.
Qual tipo de leite?
Qual tipo de equipamento?
Que equipamento utilizar?
Qual o padrão enzimático?
Qual o tratamento complementar?
7.1 O QUE É TERMIZAÇÃO?
A termização, também denominada “pré-aquecimento”, é um tipo
de processamento do leite no qual é aplicado o binômio
tempo/temperatura utilizando temperaturas e tempo abaixo daqueles
empregados no processo de pasteurização.
7.2 QUAL O SEU OBJETIVO?
O objetivo da termização (pré-tratamento) do leite é eliminar
grande parte dos microrganismos do leite.
Observa-se no gráfico da Figura 7.1 que a termização elimina
quase que totalmente os coliformes e psicrotróficos, além de diminuir o
número de bactérias fermentativas. Dessa forma a acidificação do leite
é consideravelmente retardada, e os danos causados pelos coliformes
e psicrotróficos praticamente eliminados.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
86
FIGURA 7.1 Gráfico representavido do processo de terminzação do leite
7.3 EM QUE CONDIÇÕES DEVE SER UTILIZADA?
Um leite vai permanecer por um longo período de tempo antes de
ser processado, transportando por longas distâncias, ou seja, esse leite
vai ser coletado, resfriado, armazenado, colocado em um caminhão
tanque, transportado, recepcionado no local de destino, ajustado
novamente sua temperatura, armazenado e então processado.
Nesse caso o pré-aquecimento se torna um processamento muito
conveniente.
7.4 QUAL TIPO DE LEITE?
O pré-aquecimento não é permitido para os leites tipos “A” e “B”.
Sua utilização é conveniente para o leite “cru refrigerado”,
principalmente aqueles destinados à fabricação de queijos de longa
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
87
maturação, processamento UHT, condensação, pulverização, dentre
outros. Sabidamente um dos grandes problemas na fabricação de
certos tipos de queijos, como o parmesão, é o aparecimento do sabor
de sabão, devido a atuação de lipases provenientes de psicrotróficos.
Nesse caso a termização do leite é extremamente útil; o leite deve ser
termizado antes do armazenamento nos postos de resfriamento, pois o
armazenamento, transporte, novo resfriamento e armazenado no seu
destino final, onde vai ser submetido ao processamento final, tomam
um longo período de tempo.
7.5 QUAL TIPO DE EQUIPAMENTO?
A termização deve ser conduzida em aparelhagem própria, ou
seja, trocadores de calor a placas, equipado com termorregistradores.
7.6 QUAL O PADRÃO ENZIMÁTICO?
O gráfico da Figura 7.1 deixa claro que o padrão enzimático do
leite termizado deve apresentar as seguintes atividades enzimáticas:
Fostatase alcalina: positiva
Peroxidase:positiva
Ou seja, o padrão enzimático o leite submetido ao pré-
aquecimento é igual ao do leite cru.
7.7 QUAL O TRATAMENTO COMPLEMENTAR?
O tratamento complementar é o resfriamento imediatamente após
o aquecimento. O resfriamento tem objetivos iguais aos da
pasteurização, ou seja, criar um ambiente desfavorável aos
microrganimos sobreviventes e interromper o processo.
Está apresentado abaixo um resumo da legislação que trata sobre
o assunto:
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
88
DECRETO NÚMERO 1.812, DE 8 DE FEVEREIRO DE 1996
Altera dispositivos do Decreto número 30.691, de 29 de março de 1952,
que aprovou o Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de
Produtos de Origem Animal, alterado pelo Decreto número 1.255, de 25
de junho de 1962.
O Presidente da República, no uso da atribuição que lhe confere o art.
84,inciso IV, da Constituição, e Considerando a adesão do Brasil ao
Tratado de Assunção, que criou o Mercado Comum do Sul -
MERCOSUL.
DECRETA:
Art.516- Entende-se por pré-aquecimento (Termização) a aplicação do
calor ao leite, em aparelhagem própria, com a finalidade de reduzir sua
carga microbiana, sem alteração das características próprias do leite
cru."
Art. 517-
§2o - Imediatamente após o aquecimento, o leite será refrigerado entre
2ºC e 5ºC (dois e cinco graus centígrados) e em seguida envasado.
1- termização: tratamento térmico que não inativa a fosfatase alcalina;
BRASÍLIA, 8 DE FEVEREIRO DE 1996;
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
José Eduardo de Andrade Vieira
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
89
8 - LEGISLAÇÃO
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
90
RESUMO DA:
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 62, DE 29 DE DEZEMBRO DE
2011.
O MINISTRO DE ESTADO, INTERINO, DA AGRICULTURA,
PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, no uso da atribuição que lhe confere
o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição, tendo em vista o
disposto na Lei nº 7.889, de 23 de novembro de 1989, no Decreto nº
5.741, de 30 de março de 2006, no Decreto nº 30.691, de 29 de março
de 1952, e o que consta do Processo nº 21000.015645/2011-88,
resolve:
Art. 1º Alterar o caput, excluir o parágrafo único e inserir os §§ 1º ao 3º,
todos do art. 1º, da Instrução Normativa MAPA nº 51, de 18 de
setembro de 2002, que passam a vigorar com a seguinte redação:
"Art. 1º Aprovar o Regulamento Técnico de Produção, Identidade e
Qualidade do Leite tipo A, o Regulamento Técnico de Identidade e
Qualidade de Leite Cru Refrigerado, o Regulamento Técnico de
Identidade e Qualidade de Leite Pasteurizado e o Regulamento
Técnico da Coleta de Leite Cru Refrigerado e seu Transporte a Granel,
em conformidade com os Anexos desta Instrução Normativa.
§ 1º Esta Instrução Normativa é aplicável somente ao leite de vaca.
§ 2º Os aspectos relacionados à remuneração ao produtor baseada na
qualidade do leite devem ser estabelecidos mediante acordo setorial
específico.
§ 3º O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento- MAPA
instituirá Comissão Técnica Consultiva permanente, com vistas à
avaliação das ações voltadas para a melhoria da qualidade do leite no
Brasil."(NR)
Art. 2º Alterar os Anexos I, IV, V e VI da Instrução Normativa MAPA nº
51, de 18 de setembro de 2002, na forma dos Anexos I a IV desta
Instrução Normativa.
Art. 3º Ficam revogados os Anexos II e III da Instrução Normativa
MAPA nº 51, de 18 de setembro de 2002.
Art. 4º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua
publicação.
JOSÉ CARLOS VAZ
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
91
ANEXO I - REGULAMENTO TÉCNICO DE PRODUÇÃO,
IDENTIDADE E
QUALIDADE DE LEITE TIPO A
1. Alcance
1.1. Objetivo
Fixar os requisitos mínimos que devem ser observados para a
produção, a identidade e a qualidade do leite tipo A.
1.2. Âmbito de Aplicação
O presente Regulamento se refere ao leite tipo A destinado ao
comércio nacional.
2. Descrição
2.1. Definições
2.1.1. Entende-se por leite, sem outra especificação, o produto
oriundo da ordenha completa e ininterrupta, em condições de higiene,
de vacas sadias, bem alimentadas e descansadas. O leite de outros
animais deve denominar-se segundo a espécie de que proceda;
2.1.2. Entende-se por Leite Pasteurizado tipo A o leite classificado
quanto ao teor de gordura em integral, padronizado, semidesnatado ou
desnatado, produzido, beneficiado e envasado em estabelecimento
denominado Granja Leiteira.
2.1.2.1. Imediatamente após a pasteurização o produto assim
processado deve apresentar teste qualitativo negativo para fosfatase
alcalina, teste positivo para peroxidase e enumeração de coliformes a
30/35ºC (trinta/trinta e cinco graus Celsius) menor do que 0,3 NMP/mL
(zero vírgula três Número Mais Provável / mililitro) da amostra.
2.2. Designação (denominação de venda)
2.2.1. Leite Pasteurizado tipo A Integral;
2.2.2. Leite Pasteurizado tipo A Padronizado;
2.2.3. Leite Pasteurizado tipo A Semidesnatado;
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
92
2.2.4. Leite Pasteurizado tipo A Desnatado;
Deve constar a expressão Homogeneizado na rotulagem do
produto, quando for submetido a esse tratamento, nos termos do
presente Regulamento Técnico.
3. Classificação e Características do Estabelecimento
3.1. Classificação: Granja Leiteira é o estabelecimento destinado
à produção, pasteurização e envase de leite Pasteurizado tipo A para o
consumo humano, podendo, ainda, elaborar derivados lácteos a partir
de leite de sua própria produção.
(ITENS REMOVIDOS - REFERENTES À PRODUÇÃO DO LEITE)
3.3.5. Dependências de Beneficiamento, Industrialização e
Envase.
3.3.5.1. Localizadas no mesmo prédio da dependência de
ordenha ou contíguas a esta, obedecendo, entretanto, completo
isolamento e permitindo a condução do leite da ordenha em circuito
fechado, através de tubulação menos extensa possível. Devem estar
afastadas de outras construções para abrigo de animais. As
características de construção civil devem atender às condições
exigidas pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) para uma usina de
beneficiamento;
3.3.5.2. Devem dispor de equipamentos em aço inoxidável, de
bom
acabamento, para realização das operações de beneficiamento e
envase do leite, em sistema automático de circuito fechado, constituído
de refrigerador a placas para o leite proveniente da ordenha, tanque
regulador de nível constante provido de tampa, bombas sanitárias,
filtro-padronizadora centrífuga, pasteurizador, tanque isotérmico para
leite pasteurizado e máquinas de envase. Não deve ser aceito pelo SIF
o resfriamento do leite pasteurizado pelo sistema de tanque de
expansão;
3.3.5.3. O pasteurizador deve ser de placas e possuir painel de
controle, termoregistrador automático, termômetros e válvula
automática de desvio de fluxo, bomba positiva ou homogeneizador,
sendo que a refrigeração a 4°C (quatro graus Celsius) máximos após a
pasteurização deve ser feita igualmente em seção de placas;
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
93
3.3.5.4. No conjunto de equipamentos é obrigatório o emprego de
homogeneizador, se a validade do produto for superior a 24 h (vinte e
quatro horas). Os equipamentos devem ser localizados de acordo com
o fluxo operacional, com o espaçamento entre si, e entre as paredes e
divisórias, que proporcione facilidades de operação e sanitização;
3.3.5.5. Para a fabricação de outros produtos lácteos devem ser
previstas as instalações e equipamentos exigidos em normas ou
Regulamentos Técnicosdo Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento.
3.3.6. Câmara Frigorífica: com capacidade compatível com a
produção da Granja, a câmara deve ser situada anexa à dependência
de beneficiamento e em fluxológico em relação ao local de envase e à
expedição. São aceitas câmaras pré-moldadas ou construídas em
outros materiais, desde que de bom acabamento e funcionamento. As
aberturas devem ser de aço inoxidável, fibra de vidro ou outro material
adequado. A câmara deve possuir termômetro de leitura para o exterior
e assegurar a manutenção do leite em temperatura máxima de 4°C
(quatro graus Celsius), e os demais produtos, conforme indicação
tecnológica.
3.3.7. Dependências de recepção e sanitização de caixas
plásticas : possuindo as mesmas características físicas relativas ao pé
direito, piso, paredes e teto da dependência de beneficiamento e
envase, devem ser situadas anexas à mesma, porém isoladas, com
abertura apenas suficiente para passagem das caixas lavadas. Na sua
localização deve ser levada em conta a posição do local de envase, de
forma que ofereçam facilidade ao fluxo de caixas lavadas até o mesmo.
As suas dimensões devem ser suficientes para comportar os tanques
ou máquinas para lavagem e oferecer espaço para a guarda da
quantidade de caixas em uso. Os tanques devem ser construídos em
alvenaria, revestidos com azulejos ou outro material adequado. Não se
permite o uso de tanques tipo caixas de cimento - amianto. Devem ser
providas de instalação de água sob pressão. No local de descarga das
caixas a cobertura deve ser projetada para o exterior, de modo a
oferecer abrigo ao veículo.
3.3.8. Expedição: a expedição deve ser localizada levando-se em
conta a posição das câmaras frigoríficas e a saída do leite e dos
demais produtos do estabelecimento. Deve estar separada da
recepção de caixas plásticas, considerada como "área suja", bem como
ser provida de cobertura com dimensões para abrigo dos veículos em
operação.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
94
3.3.9. Laboratórios: os laboratórios devem estar devidamente
equipados para a realização do controle físico-químico e microbiológico
do leite e demais produtos. Devem constar de áreas específicas para
os fins distintos acima mencionados, compatíveis com os
equipamentos a serem instalados, com o volume de trabalho a ser
executado e com as características das análises. Podem ser
localizados no prédio principal ou dele afastados. As características
físicas da construção, relativas ao piso, paredes, portas e janelas
devem observar às mesmas da dependência de beneficiamento e
envase, com exceção do pé direito, que pode ser inferior, e do forro,
que deve estar presente, exigindo-se na sua confecção material
apropriado, de fácil limpeza e conservação.
3.3.10. Dependência para guarda de embalagens: deve estar
situada no prédio da dependência de beneficiamento e envase ou num
dos seus anexos.
3.3.11. Abastecimento de água: a fonte de abastecimento deve
assegurar um volume total disponível correspondente à soma de 100 l
(cem litros) por animal a ordenhar e 6L (seis litros) para cada litro de
leite produzido. Deve ser de boa qualidade e apresentar,
obrigatoriamente, as características de potabilidade fixadas no
Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem
Animal - RIISPOA. Deve ser instalado equipamento automático de
cloração, como medida de garantia de sua qualidade microbiológica,
independentemente de sua procedência;
3.3.11.1. Nos casos em que for necessário, deve ser feito o
tratamento completo (floculação, sedimentação, filtração, neutralização
e outras fases);
3.3.11.2. Os reservatórios de água tratada devem ser situados
com o necessário afastamento das instalações que lhes possam trazer
prejuízos e mantidos permanentemente tampados e isolados através
de cerca. Diariamente deve ser feito o controle da taxa de cloro;
3.3.11.3. Todas as dependências da granja destinadas à
produção e abrigo de animais devem ter mangueiras com água sob
pressão, além de água quente nas seções de sanitização,
beneficiamento, industrialização e envase, bem como na de limpeza de
caixas plásticas;
3.3.11.4. As mangueiras existentes nestas seções devem ser
mantidas em suporte metálico. A água de recuperação utilizada na
refrigeração só pode ser reutilizada na produção de vapor.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
95
3.3.12. Redes de esgotos e de resíduos orgânicos: todas as
dependências da granja destinadas ao abrigo, arraçoamento ou
confinamento de animais e a dependência para ordenha devem ser
providas de canaletas de fundo côncavo, com largura, profundidade e
inclinação suficientes para fácil escoamento das águas e resíduos
orgânicos, os quais, obrigatoriamente, devem ser conduzidos por
tubulação para fossas esterqueiras devidamente afastadas, não sendo
permitida a deposição em estrumeiras abertas;
3.3.12.1. Nas demais seções, a rede de esgotos deve constar de
canaletas de fundo côncavo ou ralos sifonados ligados a sistemas de
tubulações para condução e eliminação, não se permitindo o deságue
direto das águas residuais na superfície do terreno, devendo, no seu
tratamento, ser observadas as prescrições estabelecidas pelo órgão
competente. As instalações sanitárias devem ter sistema de esgotos
independente.
3.3.13. Anexos e Outras Instalações
3.3.13.1. Bezerreiro: o bezerreiro deve ser localizado em áreas
afastadas das dependências de ordenha e de beneficiamento,
industrialização e envase, sendo que as características gerais da
construção devem observar às mesmas estabelecidas para a
dependência de abrigo e arraçoamento;
3.3.13.2. Dependência para isolamento e tratamento de animais
doentes: de existência obrigatória e específica para os fins
mencionados, deve constar de currais, abrigos e piquetes,
devidamente afastados das demais construções e instalações, de
forma que assegurem o necessário isolamento dos animais;
3.3.13.3. Silos, depósitos de feno, dependência para preparo e
depósito de ração, banheiro ou pulverizadores de carrapaticidas e
brete: estas instalações, quando existentes, devem ser situadas em
locais apropriados, suficientemente distanciadas das dependências de
ordenha e de beneficiamento, industrialização e envase, de modo a
não prejudicar o funcionamento e higiene operacional das mesmas;
3.3.13.4. Sala de máquinas: deve possuir área suficiente para
comportar os equipamentos a serem instalados, e, quando localizada
no corpo do prédio, deve ser separada por paredes completas,
podendo ser aplicados elementos vazados tipo "cobogó" somente nas
paredes externas, quando existentes;
3.3.13.5. Caldeira: quando existente, deve ser localizada em
prédio específico, guardando adequado afastamento de quaisquer
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
96
outras construções, observando-se a legislação específica. Os
depósitos de lenha ou de outros combustíveis devem ser localizados
adequadamente e de modo a não prejudicar a higiene e o
funcionamento do estabelecimento;
3.3.13.6. Sanitários e vestiários: localizados de forma adequada
ao fluxo de operários. Estas instalações devem ser dimensionadas de
acordo com o número de funcionários, recomendando-se a proporção
de 1 (um) lavatório, 1 (um) sanitário e 1(um) chuveiro para até 15
(quinze) operários do sexo feminino e de 1 (um) chuveiro para até 20
(vinte) operários do sexo masculino. Devem ainda ser quantificados de
forma que sejam de uso separado: para os operários do setor de
beneficiamento e envase, e para os demais ligados aos trabalhos nas
instalações de animais. Observada esta mesma separação, os
mictórios devem ser dimensionados na proporção de 1 (um) para cada
30 (trinta) homens. Não é permitida a instalaçãode vaso tipo "turco”.
Os vestiários devem ser providos de armários, preferentemente
metálicos, com telas que permitam boa ventilação; devem ser
individuais e com separação interna para roupas e calçados. Quanto às
características da construção, devem possuir paredes azulejadas até
1,50m (um vírgula cinquenta metro), pisos impermeáveis, e forros
adequados, ventilação e iluminação suficientes. Os lavatórios devem
ter à disposição, permanentemente, sabão líquido e neutro, toalhas
descartáveis e cestas coletoras;
3.3.13.7. Refeitório: quando necessário os operários devem dispor
de instalações adequadas para as suas refeições, sendo proibido
realizá-las nas dependências de trabalho ou em locais impróprios;
3.3.13.8. Almoxarifado, escritórios e farmácia veterinária:
localizados de modo a não permitir acesso direto às dependências
destinadas à produção e beneficiamento do leite, estas instalações
devem constar de dependências específicas para cada finalidade. O
almoxarifado deve se destinar à guarda dos materiais de uso geral nas
instalações voltadas a produção e beneficiamento do leite, possuindo
dimensões suficientes para o depósito dos mesmos em locais
separados, de acordo com sua natureza;
3.3.13.9. Sede do Serviço de Inspeção Federal. composta de um
gabinete com instalação sanitária e vestiário. Os móveis, material e
utensílios necessários devem ser fornecidos pelo estabelecimento;
3.3.13.10. Garagem, oficinas e local para lavagem de veículos:
estas instalações devem ser situadas em setor específico, observando
o devido afastamento das demais construções. Anexos às mesmas
devem ser depositados os materiais e insumos do setor, tais como
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
97
máquinas, peças, arados, pneus, etc.
(ITENS REMOVIDOS - REFERENTES À SAÚDE ANIMAL)
5.2.4. Os trabalhadores da Granja, quaisquer que sejam suas
funções, devem dispor de carteira de saúde, que será renovada
anualmente ou quando necessário;
5.2.6. Todos os funcionários ocupados com operações nas
dependências de ordenha e de beneficiamento e envase devem usar
uniformes brancos completos (gorro, macacão ou jaleco, calça e
botas). Para os demais devem ser uniformes azuis e botas pretas;
5.2.7. Todo o pessoal que trabalha nas dependências voltadas à
produção deve apresentar hábitos higiênicos;
5.2.9. Todas as dependências da granja leiteira devem ser
mantidas permanentemente limpas;
5.2.11. Todo equipamento, após a utilização, deve ser
cuidadosamente lavado e sanitizado, de acordo com Procedimentos
Padronizados de Higiene Operacional (PPHO). A realização desses
procedimentos deve ser registrada em documentos específicos,
caracterizando a padronização e garantia da qualidade, para gerar
rastreabilidade e confiabilidade, a exemplo do processo de Análise de
Perigos e Pontos Críticos de Controle - APPCC.
6. Controle da Produção
6.1. As instalações e equipamentos devem estar em perfeitas
condições de conservação e funcionamento, de forma a assegurar a
obtenção, tratamento e conservação do produto dentro dos níveis de
garantia obrigatórios;
6.3. Na pasteurização devem ser fielmente observados os limites
quanto a temperatura e tempo de aquecimento de 72º a 75ºC (setenta
e dois graus a setenta e cinco graus Celsius) por 15 a 20s (quinze a
vinte segundos). Na refrigeração subsequente, a temperatura de saída
do leite não deve ser superior a 4°C (quatro graus Celsius);
6.4. Especial cuidado deve ser sempre dispensado para a correta
observação do tempo de sangria do pasteurizador, de forma que a
água acumulada no seu interior seja totalmente eliminada;
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
98
6.5. Os gráficos de registro das temperaturas do pasteurizador
devem ser rubricados e datados pelo encarregado dos trabalhos;
6.6. O envase deve iniciar-se em seguida à pasteurização e de
modo a otimizar as operações;
6.7. A máquina de envase (quando o processo de envase
empregar lactofilme) deve possuir lâmpada ultravioleta sempre em
funcionamento e, antes de iniciar-se a operação, deve-se assegurar de
que o sistema de alimentação esteja esgotado;
6.8. O leite envasado deve ser imediatamente depositado na
câmara frigorífica e mantido à temperatura máxima de 4°C (quatro
graus Celsius), aguardando a expedição.
7. Procedimentos Específicos para o Controle de Qualidade da
Matéria-Prima.
7.1. Contagem Padrão em Placas (CPP);
7.2. Contagem de Células Somáticas (CCS);
7.3. Pesquisa de Resíduos de Antibióticos (ver Nota nº 2);
7.4. Determinação do Índice Crioscópico (Depressão do Ponto de
Congelamento, DPC);
7.5. Determinação do Teor de Sólidos Totais e Não-Gordurosos;
7.6. Determinação da Densidade Relativa;
7.7. Determinação da Acidez Titulável;
7.8. Determinação do Teor de Gordura;
7.9. Medição da Temperatura do Leite Cru Refrigerado;
Nota nº 2: os métodos analíticos empregados na pesquisa de
resíduos de antibióticos no leite devem apresentar sensibilidade para
os LMR (Limites Máximos de Resíduos) adotados pelo Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento sobre o assunto.
Nota nº 3: periodicidade das análises:
- Gordura, Acidez Titulável, Densidade Relativa, Índice
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
99
Crioscópico (Depressão do Ponto de Congelamento), Sólidos Não
Gordurosos, Alizarol, Tempo de Redução do Azul de Metileno (quando
for o caso): diária, tantas vezes quanto necessário. - Contagem Padrão
em Placas: média geométrica sobre um período de 03 (três) meses,
com pelo menos 01 (uma) análise mensal, em Unidade Operacional da
Rede Brasileira de Laboratórios para Controle da Qualidade do Leite,
independentemente das análises realizadas na frequência estipulada
pelo Programa de Controle de Qualidade interno da Granja Leiteira.
- Contagem de Células Somáticas: média geométrica sobre um
período de 03 (três) meses, com pelo menos 01 (uma) análise mensal
em Unidade Operacional da Rede Brasileira de Laboratórios para
Controle da Qualidade do Leite, independentemente das análises
realizadas na frequência estipulada pelo Programa de Controle de
Qualidade interno da Granja Leiteira.
- Pesquisa de Resíduos de Antibióticos: pelo menos 01 (uma)
análise mensal, em Unidade Operacional da Rede Brasileira de
Laboratórios para Controle da Qualidade do Leite, independentemente
das análises realizadas na frequência estipulada pelo Programa de
Controle de Qualidade interno da Granja Leiteira.
7.11. A Granja Leiteira pode medir alguns destes parâmetros,
além de outros não relacionados, via análise instrumental;
7.12. É permitido às Granjas Leiteiras utilizar, individual ou
coletivamente, laboratórios credenciados ou reconhecidos pelo
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para a realização
do seu controle de qualidade, rotineiro ou não, através de metodologia
analítica convencional ou instrumental, de parâmetros físicos, químicos
e microbiológicos usualmente não realizados nos laboratórios das
Granjas Leiteiras, tanto por questões de risco biológico quanto pelo
custo e nível de dificuldade da metodologia analítica ou dos
equipamentos requeridos para sua execução;
7.13. A responsabilidade pelo controle de qualidade do produto
elaborado é exclusiva da Granja Leiteira, inclusive durante sua
distribuição. Sua verificação deve ser feita periódica ou
permanentemente pelo Serviço de Inspeção Federal, de acordo com
procedimentos oficialmente previstos, a exemplo das Auditorias de
Boas Práticas de Fabricação (BPF) e dos Sistemas de Análise de
Perigos e de Pontos Críticos de Controle (APPCC) de cada
estabelecimento e segundo a classificação que este receber como
conclusão da Auditoria realizada.
Físico-Química, Qualidadee Processamento do Leite
100
8. Composição e Requisitos Físicos, Químicos e Microbiológicos
do Leite Cru Refrigerado Tipo A Integral e do Leite Pasteurizado Tipo
A.
8.1. Ingrediente Obrigatório: Leite Cru Refrigerado tipo A Integral;
8.2. Conjunto do Leite Cru Refrigerado tipo A Integral:
Item de Composição Requisito
Gordura (g/100 g) min. 3,0
Acidez, em g de ácido láctico/100 mL 0,14 a 0,18
Densidade relativa, 15/15
o
C, g/mL
(4)
1,028 a 1,034
Índice crioscópico:
- 0,530ºH a -0,550ºH
(equivalentes a -0,512ºC e a -0,531ºC)
Sólidos Não-Gordurosos(g/100g): mín. 8,4
Proteína Total (g/100 g) mín. 2,9
Estabilidade ao Alizarol 72 % (v/v) Estável
Contagem Padrão em placas (UFC/mL) Máx.. 1x10
4
Contagem de Células Somáticas(CS/mL):
De 01.1.2012 até 30.6.2014
Máx.. 4,8x10
5
Contagem de Células Somáticas(CS/mL):
A partir de 01.7.2014 até 30.6.2016
Máx.. 4,0x10
5
Contagem de Células Somáticas(CS/mL):
A partir de 01.7.2016
Máx.. 3,6x10
5
Nota nº (4): Densidade Relativa: dispensada quando os teores
de Sólidos
Totais (ST) e Sólidos Não Gordurosos (SNG) forem
determinados eletronicamente.
8.3. Leite Pasteurizado tipo A
Requisitos Padronizado Semidesnatado Desnatado
Gordura, (g/100g) Mínimo 3,0 0,6 a 2,9 máx. 0,5
Acidez, (g ác.
Láctico/100mL)
0,14 a 0,18 para todas as variedades
Estabilidade ao Alizarol
72 % (v/ v)
Estável para todas as variedades
Sólidos Não
Gordurosos(g/100g)
Mín. de 8,4 *
Índice Crioscópico -- 0,530ºH a -0,550ºH (equivalentes a -0,512ºC e a -
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
101
máximo 0,531ºC)
Testes Enzimáticos: -
prova de fosfatase
alcalina
- prova de peroxidase:
Negativa
Positiva
Contagem Padrão em
Placas (UFC/mL) **
n = 5; c = 2; m = 5,0x102 M = 1,0x103
Coliformes – NMP/mL
(30/35oC)**
N = 5; c = 0; m < 1
Coliformes – NMP/mL
(45oC)**
N = 5; c = 0; m= ausência
Salmonella spp /
25mL**
N = 5; c = 0; m= ausência
* Teor mínimo de SNG, com base no leite integral. Para os demais teores de
gordura, esse valor deve ser corrigido pela seguinte fórmula: SNG = 8,652 -
(0,084 x G)
(onde SNG = Sólidos Não-Gordurosos, g/100g; G = Gordura, g/100g).
** Padrões microbiológicos a serem observados até a saída do estabelecimento
industrial produtor.
Nota nº (5): imediatamente após a pasteurização, o leite
pasteurizado tipo A deve apresentar enumeração de coliformes a
30/35o C (trinta/trinta e cinco graus Celsius) menor do que 0,3 NMP/ml
(zero vírgula três Número Mais Provável/mililitro) da amostra.
9. Higiene Geral e Sanitização das Instalações e Equipamentos
de Beneficiamento, Industrialização e Envase.
Devem ser observados os Regulamentos Técnicos de Boas
Práticas de Fabricação e os Procedimentos Padronizados de Higiene
Operacional (PPHO).
10. Pesos e Medidas
Deve ser aplicada a legislação específica.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
102
11. Rotulagem
11.1. Deve ser aplicada a legislação específica;
11.2. A seguinte denominação do produto deve constar na sua
rotulagem, de acordo com o seu teor de gordura:
11.2.1. Leite Pasteurizado tipo A Integral;
11.2.2. Leite Pasteurizado tipo A Semidesnatado;
11.2.3. Leite Pasteurizado tipo A Padronizado;
11.2.4. Leite Pasteurizado tipo A Desnatado;
11.3. Deve constar no rótulo à expressão "Homogeneizado",
quando o leite for submetido a esse tratamento, em conformidade com
o que especifica o item 3.3.5.4 do presente Regulamento Técnico, em
função da sua validade.
12. Acondicionamento
O leite pasteurizado deve ser envasado com material adequado
para as condições previstas de armazenamento e que garanta a
hermeticidade da embalagem e proteção apropriada contra
contaminação.
13. Expedição e Transporte do Leite Envasado
A expedição do Leite Pasteurizado tipo A deve ser conduzida sob
temperatura máxima de 4°C (quatro graus Celsius), mediante seu
acondicionamento adequado, e levado ao comércio distribuidor através
de veículos com carroçarias providas de isolamento térmico e dotadas
de unidade frigorífica, para alcançar os pontos de venda com
temperatura não superior a 7°C (sete graus Celsius).
14. Aditivos e Coadjuvantes de Tecnologia/Elaboração
Não é permitida a utilização.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
103
15. Contaminantes
Os contaminantes orgânicos e inorgânicos eventualmente
presentes no produto não devem superar os limites estabelecidos pela
legislação específica.
16. Higiene
16.1. Todo equipamento, após a utilização, deve ser
cuidadosamente lavado e sanitizado, de acordo com Procedimentos
Padronizados de Higiene Operacional (PPHO). A realização desses
procedimentos deve ser registrada em documentos específicos,
caracterizando a padronização e garantia da qualidade, para gerar
rastreabilidade e confiabilidade, a exemplo do processo de Análise de
Perigos e Pontos Críticos de Controle - APPCC;
16.2. Ademais, as práticas de higiene para elaboração do produto
devem estar de acordo com o estabelecido no Código Internacional
Recomendado de Práticas, Princípios Gerais de Higiene dos Alimentos
(CAC/RCP I -1969, Rev. 3, 1997), além do disposto no "Regulamento
Técnico sobre as Condições Higiênico-Sanitárias e de Boas Práticas de
Fabricação para Estabelecimentos Elaboradores/Industrializadores de
Alimentos", aprovado pela Portaria nº 368 / 97 -MA, de 04 de setembro
de 1997;
16.3. Critérios Macroscópicos e Microscópicos: ausência de
qualquer tipo de impurezas ou elementos estranhos.
17. Métodos de Análise
17.1. Os métodos de análise recomendados são os indicados no
presente Regulamento Técnico. Esses são métodos de referência,
podendo ser utilizados outros métodos de controle operacional, desde
que conhecidos os seus desvios e correlações em relação aos
respectivos métodos de referência.
18. Amostragem
Devem ser seguidos os procedimentos recomendados na Norma
IDF 50 C : 1995.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
104
19. Disposições Gerais
19.1. Para as Granjas que distribuem o Leite Pasteurizado tipo A
nos municípios integrantes das grandes metrópoles e localizadas fora
desses municípios, recomenda-se dispor de entrepostos nos locais de
distribuição;
19.2. No transporte e distribuição do Leite Pasteurizado tipo A não
é permitido o transvase do produto para outros veículos fora dos
entrepostos referidos no item anterior;
19.3. Os critérios a serem observados para a desclassificação do
Leite tipo A são aqueles previstos nos Critérios de Inspeção de Leite e
Derivados.
ANEXO IV
REGULAMENTO TÉCNICO DE IDENTIDADE E QUALIDADE DE
LEITE CRU REFRIGERADO
1. Alcance
1.1. Objetivo
O presente Regulamento fixa a identidade e os requisitos mínimos
de qualidade que deve apresentar o Leite Cru Refrigerado nas
propriedades rurais.
1.2. Âmbito de Aplicação
O presente Regulamento se refere ao Leite Cru Refrigerado
produzido nas propriedades rurais do território nacional e destinado à
obtenção de Leite Pasteurizado para consumo humano direto ou para
transformação em derivados lácteos em todos os estabelecimentos de
laticínios submetidos a inspeção sanitária oficial.
2. Descrição
2.1. Definições
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
105
2.1.1. Entende-se por leite, sem outra especificação, o produto
oriundo da ordenha completa, ininterrupta, em condições de higiene, de
vacas sadias, bem alimentadas e descansadas. O leite de outras
espécies deve denominar-se segundo a espécie da qualproceda;
2.1.2. Entende-se por Leite Cru Refrigerado, o produto definido
em 2.1.1., refrigerado e mantido nas temperaturas constantes da tabela
2 do presente Regulamento Técnico, transportado em carro-tanque
isotérmico da propriedade rural para um Posto de Refrigeração de leite
ou estabelecimento industrial adequado, para ser processado.
2.2. Designação (denominação de venda)
- Leite Cru Refrigerado.
3. Composição e Qualidade
3.1. Requisitos
3.1.1. Características Sensoriais
3.1.1.1. Aspecto e Cor: líquido branco opalescente homogêneo;
3.1.1.2. Sabor e Odor: característicos. O Leite Cru Refrigerado
deve apresentar-se isento de sabores e odores estranhos.
3.1.2. Requisitos gerais
3.1.2.1. Ausência de neutralizantes da acidez e reconstituintes de
densidade;
3.1.2.2. Ausência de resíduos de antibióticos e de outros agentes
inibidores do crescimento microbiano.
3.1.3. Requisitos Físico-Químicos, Microbiológicos, Contagem de
Células Somáticas e Resíduos Químicos:
3.1.3.1. O leite definido no item 2.1.2. deve seguir os requisitos
físicos, químicos, microbiológicos, de contagem de células somáticas e
de resíduos químicos relacionados nas Tabelas 1 e 2, onde estão
também indicados os métodos de análises e frequências
correspondentes:
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
106
TABELA 1 - Requisitos Físicos e Químicos.
Requisitos Limites
Matéria Gorda, g /100 g Teor Original, com o mínimo de 3,0
(1)
Densidade relativa a 15/15
O
C g/mL
(2)
1,028 a 1,034
Acidez titulável, g ácido lático/100 mL 0,14 a 0,18
Extrato seco desengordurado, g/100 g mín. 8,4
Índice Crioscópico máximo
- 0,530ºH a -0,550ºH
(equivalentes a -0,512ºC e a -0,531ºC)
Proteínas, g /100g mín. 2,9
Nota nº (1): é proibida a realização de padronização ou desnate na
propriedade rural
Nota nº (2): dispensada a realização quando o ESD for determinado
eletronicamente
TABELA 2 - Requisitos microbiológicos, físicos, químicos, de CCS, de
resíduos químicos a serem avaliados pela Rede Brasileira de
Laboratórios de Controle da Qualidade do Leite.
Índice medido
(por propriedade
rural ou por
tanque
comunitário
Até 01.7.
2005
Regiões: S /
SE / CO
Até 01.7.
2007
Regiões: N /
NE
De 01.7. 2005
Até 01.7. 2008
Regiões: S / SE /
CO
De 01.7. 2007
até 01.7.2010
Regiões: N / NE
A partir de 01.7.
2008
Até 01.7. 2011
Regiões:
S / SE / CO
A partir de 01.7.
2010 até 01.7.
20012
Regiões: N / NE
A partir de 01.7.
2011
Regiões: S / SE /
CO
A partir de 01.7.
2012
Regiões: N / NE
Contagem
Padrão em
Placas (CPP),
expressa em
UFC/mL
(mínimo de 01
análise mensal,
com média
geométrica
sobre período
de 03 meses
Máximo 1,0 x
10
6
, para
estabelecime
ntos que se
habilitarem
antecipadam
ente aos
termos do
presente
RTIQ
Máximo 1,0 x
10
6
, para todos
os
estabelecimentos
, nos termos do
presente RTIQ
Máximo de
7,5 x 10
5
Máximo de 1,0 x
10
5
(individual)
Máximo de 3,0 x
10
5
(leite de
conjunto)
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
107
Contagem de
Células
Somáticas
(CCS), expressa
em CS/mL
(mínimo de 01
análise mensal,
com média
geométrica
sobre período
de 03 meses)
Máximo 1,0 x
10
6
para
estabelecime
ntos que se
habilitarem
antecipadam
ente ao
presente
RTIQ
Máximo 1,0 x 10
6
para todos os
estabelecimentos
, nos termos
deste RTIQ
Máximo de
7,5 x 10
5
Máximo de 4,0 x
10
5
Pesquisa de Resíduos de Antibióticos/outros Inibidores do crescimento microbiano:
Limites Máximos previstos no Programa Nacional de Controle de Resíduos – MAPA
Temperatura máxima de conservação do leite: 7
o
C na propriedade rural /Tanque
comunitário e 10
o
C
No estabelecimento processador.
Composição Centesimal: Índices estabelecidos na Tabela 1 do presente RTIQ.
4. Sanidade do rebanho A sanidade do rebanho leiteiro deve ser
atestada por médico veterinário, nos termos discriminados abaixo e em
normas e regulamentos técnicos específicos, sempre que requisitado
pelas Autoridades Sanitárias.
4.1. As atribuições do médico veterinário responsável pela propriedade
rural incluem:
4.1.1. Controle sistemático de parasitoses;
4.1.2. Controle sistemático de mastites;
4.1.3. Controle de brucelose (Brucella abortus) e tuberculose
(Mycobacterium bovis), respeitando normas e procedimentos
estabelecidos no Regulamento Técnico do Programa Nacional de
Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal;
4.1.4. Controle zootécnico dos animais.
4.2. Não é permitido o envio de leite a Posto de Refrigeração de leite
ou estabelecimento industrial adequado, quando oriundo de animais
que:
4.2.1. Estejam em fase colostral;
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
108
4.2.2. Cujo diagnóstico clínico ou resultado positivo a provas
diagnósticas indiquem presença de doenças infecto-contagiosas que
possam ser transmitidas ao homem através do leite;
4.2.3. Estejam sendo submetidos a tratamento com drogas e
medicamentos de uso veterinário em geral, passíveis de eliminação
pelo leite, motivo pelo qual devem ser afastados da produção pelo
período recomendado pelo fabricante, de forma a assegurar que os
resíduos da droga não sejam superiores aos níveis fixados em normas
específicas.
4.3. É proibido o fornecimento de alimentos com medicamentos às
vacas em lactação, sempre que tais alimentos possam prejudicar a
qualidade do leite destinado ao consumo humano.
4.4. Qualquer alteração no estado de saúde dos animais, capaz de
modificar a qualidade sanitária do leite, constatada durante ou após a
ordenha, implicará condenação imediata desse leite e do conjunto a ele
misturado. As fêmeas em tais condições serão afastadas do rebanho,
em caráter provisório ou definitivo, de acordo com a gravidade da
doença.
4.5. É proibido ministrar alimentos que possam prejudicar os animais
lactantes ou a qualidade do leite, incluindo-se nesta proibição
substâncias estimulantes de qualquer natureza, não aprovadas pelo
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, capazes de
provocarem aumento de secreção láctea.
5. Controle Diário de Qualidade do Leite Cru Refrigerado no
estabelecimento industrial.
5.1. Leite de conjunto de produtores, quando do seu recebimento no
Estabelecimento Beneficiador (para cada compartimento do tanque):
- Temperatura;
- Teste do Álcool /Alizarol na concentração mínima de 72% v/v (setenta
e dois por cento volume/volume);
- Acidez Titulável;
- Índice Crioscópico;
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
109
- Densidade Relativa, a 15/15ºC;
- Teor de Gordura;
- Pesquisa de Fosfatase Alcalina (quando a matéria-prima for
proveniente de Usina e ou Fábrica);
- Pesquisa de Peroxidase (quando a matéria-prima for proveniente de
Usina e ou Fábrica);
- % de ST e de SNG;
- Pesquisa de Neutralizantes da Acidez e de Reconstituintes da
Densidade;
- Pesquisa de agentes inibidores do crescimento microbiano;
- outras pesquisas que se façam necessárias.
6. Aditivos e Coadjuvantes de Tecnologia/Elaboração Não se admite
nenhum tipo de aditivo ou coadjuvante.
7. Contaminantes O leite deve atender a legislação vigente quanto aos
contaminantes orgânicos, inorgânicos e os resíduos biológicos.
8. Higiene
8.1. Condições Higiênico-Sanitárias Gerais para a Obtenção da
Matéria-Prima:
Devem ser seguidos os preceitos contidos no "Regulamento Técnico
sobre as Condições Higiênico-Sanitárias e de Boas Práticas de
Fabricaçãopara Estabelecimentos Elaboradores/Industrializadores de
Alimentos, item 3: Dos Princípios Gerais Higiênico-Sanitários das
Matérias-Primas para Alimentos Elaborados/Industrializados", aprovado
pela Portaria MA nº 368, de 4 de setembro de 1997, para os seguintes
itens:
8.1.1. Localização e adequação dos currais à finalidade;
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
110
8.1.2. Condições gerais das edificações (área coberta, piso, paredes ou
equivalentes), relativas à prevenção de contaminações;
8.1.3. Controle de pragas;
8.1.4. Água de abastecimento;
8.1.5. Eliminação de resíduos orgânicos;
8.1.6. Rotina de trabalho e procedimentos gerais de manipulação;
8.1.7. Equipamentos, vasilhame e utensílios;
8.1.8. Proteção contra a contaminação da matéria-prima;
8.1.9. Acondicionamento, refrigeração, estocagem e transporte.
8.2. Condições Higiênico-Sanitárias Específicas para a Obtenção da
Matéria-Prima:
8.2.1. As tetas do animal a ser ordenhado devem sofrer prévia lavagem
com água corrente, seguindo-se secagem com toalhas descartáveis de
papel não reciclado e início imediato da ordenha, com descarte dos
jatos iniciais de leite em caneca de fundo escuro ou em outro recipiente
específico para essa finalidade. Em casos especiais, como os de alta
prevalência de mamite causada por microrganismos do ambiente,
pode-se adotar o sistema de desinfecção das tetas antes da ordenha,
mediante técnica e produtos desinfetantes apropriados, adotando-se
cuidados para evitar a transferência de resíduos desses produtos para
o leite (secagem criteriosa das tetas antes da ordenha);
8.2.2. Após a ordenha, desinfetar imediatamente as tetas com produtos
apropriados. Os animais devem ser mantidos em pé pelo tempo
necessário para que o esfíncter da teta volte a se fechar. Para isso,
recomenda-se oferecer alimentação no cocho após a ordenha;
8.2.3. O leite obtido deve ser coado em recipiente apropriado de aço
inoxidável, náilon, alumínio ou plástico atóxico e refrigerado até a
temperatura fixada neste Regulamento, em até 3 h (três horas);
8.2.4. A limpeza do equipamento de ordenha e do equipamento de
refrigeração do leite deve ser feita de acordo com instruções do
fabricante, usando-se material e utensílios adequados, bem como
detergentes inodoros e incolores.
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
111
9. Transporte - Para o seu transporte deve ser aplicado o Regulamento
Técnico para Coleta de Leite Cru Refrigerado e seu Transporte a
Granel.
10. Identificação/Rotulagem Deve ser observada a legislação
específica.
11. Métodos de Análise
11.1. Devem ser utilizados os métodos oficiais publicados pelo MAPA,
podendo ser utilizados outros métodos de controle operacional, desde
que conhecidos os seus desvios e correlações em relação aos
respectivos métodos de referência.
12. Colheita de Amostras: devem ser seguidos os procedimentos
padronizados recomendados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento por meio de Instrução Normativa, ou por delegação
deste à Rede Brasileira de Laboratórios de Controle da Qualidade do
Leite ou Instituição Oficial de Referência.
13. Laboratórios credenciados para realização das análises de caráter
oficial:
As determinações analíticas de caráter oficial devem ser realizadas
exclusivamente pelas Unidades Operacionais integrantes da Rede
Brasileira de Laboratórios de Controle da Qualidade do Leite, instituída
por meio da Instrução Normativa MAPA nº 37, de 18 de abril de 2002,
ou integrantes da Coordenação Geral de Apoio Laboratorial (CGAL), da
Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento (MAPA) ou por esta credenciada.
14. Disposições Gerais
14.1. A coleta de amostras nos tanques de refrigeração individuais
localizados nas propriedades rurais e nos tanques comunitários, o seu
encaminhamento e o requerimento para realização de análises
laboratoriais de caráter oficial, dentro da frequência e para os itens de
qualidade estipulados na Tabela 2 deste Regulamento, devem ser de
responsabilidade e correr às expensas do estabelecimento que
primeiramente receber o leite de produtores individuais;
14.2. No caso de tanques comunitários, devem ser enviadas
juntamente com a amostra do tanque amostras individualizadas de
todos os produtores que utilizam os tanques comunitários, as quais
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
112
devem ser colhidas antes da entrega do leite nos tanques e mantidas
em temperatura de refrigeração de até 7ºC até o envio ao laboratório.
14.3. O controle da qualidade do Leite Cru Refrigerado na propriedade
rural ou em tanques comunitários, nos termos do presente
Regulamento e dos demais instrumentos legais pertinentes ao assunto,
somente será reconhecido pelo sistema oficial de inspeção sanitária a
que estiver ligado o estabelecimento, quando realizado exclusivamente
em unidade operacional da Rede Brasileira de Laboratórios de Controle
da Qualidade do Leite - RBQL;
14.4. A RBQL deve disponibilizar os resultados das análises para o
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, estabelecimentos
industriais e produtores.
14.5. O SIF/DIPOA, a seu critério, pode colher amostras de leite cru
refrigerado na propriedade rural para realização de análises fiscais em
Laboratório Oficial do MAPA ou em Unidade Operacional credenciada
da Rede Brasileira, referida no item 13 deste Anexo. Quando
necessário recorrer esta última alternativa, os custos financeiros
decorrentes da realização das análises laboratoriais e da remessa dos
resultados analíticos ao Fiscal Federal Agropecuário responsável pela
colheita das amostras devem correr por conta da Unidade Operacional
credenciada utilizada;
14.6. Admite-se o transporte do leite em latões ou tarros e em
temperatura ambiente, desde que:
14.6.1. O estabelecimento processador concorde em aceitar trabalhar
com esse tipo de matéria-prima;
14.6.2. A matéria-prima atinja os padrões de qualidade fixadas neste
Anexo, a partir dos prazos constantes da Tabela 2 deste Anexo;
14.6.3. O leite seja entregue ao estabelecimento processador no
máximo até 2h (duas horas) após a conclusão da ordenha.
14.6.4 O estabelecimento industrial que receber leite em latões deverá
realizar todas as análises exigidas para leite de conjunto definidas no
item 5.1 deste Anexo, por latão."(NR) ANEXO III
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
113
ANEXO V
REGULAMENTO TÉCNICO DE IDENTIDADE E QUALIDADE DE
LEITE PASTEURIZADO
1. Alcance
1.1. Objetivo
Fixar a identidade e os requisitos mínimos de qualidade que deve
ter o Leite Pasteurizado, sendo permitida a produção de outros tipos de
leite pasteurizado desde que definidos em regulamentos técnicos de
identidade e qualidade específicos.
2. Descrição
2.1. Definições
2.1.1. Leite Pasteurizado é o leite fluido elaborado a partir do Leite
Cru Refrigerado na propriedade rural, que apresente as especificações
de produção, de coleta e de qualidade dessa matéria-prima contidas
em Regulamento Técnico próprio e que tenha sido transportado a
granel até o estabelecimento processador;
2.1.1.1 O Leite Pasteurizado definido no item 2.1.1. deste
Regulamento Técnico deve ser classificado quanto ao teor de gordura
como integral, padronizado a 3% m/m (três por cento massa/massa),
semidesnatado ou desnatado, e, quando destinado ao consumo
humano direto na forma fluida, submetido a tratamento térmico na faixa
de temperatura de 72 a 75ºC (setenta e dois a setenta e cinco graus
Celsius) durante 15 a 20s (quinze a vinte segundos), em equipamento
de pasteurização a placas, dotado de painel de controle com termo-
registrador e termorregulador automáticos, válvulaautomática de
desvio de fluxo, termômetros e torneiras de prova, seguindo-se
resfriamento imediato em aparelhagem a placas até temperatura igual
ou inferior a 4ºC (quatro graus Celsius) e envase em circuito fechado
no menor prazo possível, sob condições que minimizem
contaminações;
2.1.1.2. Imediatamente após a pasteurização o produto assim
processado deve apresentar teste negativo para fosfatase alcalina,
teste positivo para peroxidase e coliformes 30/350C (trinta/trinta e cinco
graus Celsius) menor que 0,3 NMP/ml (zero vírgula três Número Mais
Provável /mililitro) da amostra;
2.1.1.3. Podem ser aceitos outros binômios para o tratamento
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
114
térmico acima descrito, equivalentes ao da pasteurização rápida
clássica e de acordo com as indicações tecnológicas pertinentes,
visando a destinação do leite para a elaboração de derivados lácteos.
2.1.1.4. Em estabelecimentos de laticínios de pequeno porte pode
ser adotada a pasteurização lenta (“Low Temperature, Long Time” -
LTLT, equivalente à expressão em vernáculo “Baixa
Temperatura/Longo Tempo”) para produção de Leite Pasteurizado para
abastecimento público ou para a produção de derivados lácteos, nos
termos do presente Regulamento, desde que:
2.1.1.4.1. O equipamento de pasteurização a ser utilizado cumpra
com os requisitos ditados pelo Regulamento de Inspeção Industrial e
Sanitária de Produtos Animal - RIISPOA ou em Regulamento Técnico
específico, no que for pertinente;
2.1.1.4.2. O envase seja realizado em circuito fechado, no menor
tempo possível e sob condições que minimizem contaminações;
2.1.1.4.3. A matéria-prima satisfaça às especificações de
qualidade estabelecidas pela legislação referente à produção de Leite
Pasteurizado, excetuando-se a refrigeração do leite e o seu transporte
a granel, quando o leite puder ser entregue em latões ou tarros e em
temperatura ambiente ao estabelecimento processador no máximo 2
(duas) horas após o término da ordenha;
2.1.1.4.4. Não é permitida a pasteurização lenta de leite
previamente envasado em estabelecimentos sob inspeção sanitária
federal.
2.2. Classificação
De acordo com o conteúdo da matéria gorda, o leite pasteurizado
classifica-se em:
2.2.1. Leite Pasteurizado Integral;
2.2.2. Leite Pasteurizado Padronizado;
2.2.3. Leite Pasteurizado Semidesnatado;
2.2.4. Leite Pasteurizado Desnatado.
2.3. Designação (denominação de venda)
Deve ser denominado “Leite Pasteurizado Integral, Padronizado,
Semidesnatado ou Desnatado”, de acordo com a classificação
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
115
mencionada no item 2.2.
Deve constar na rotulagem a expressão "Homogeneizado",
quando o produto for submetido a esse tratamento.
3. Composição e Requisitos
3.1. Composição
3.1.1. Ingrediente Obrigatório
Leite Cru Refrigerado na propriedade rural e transportado a
granel;
3.2. Requisitos
3.2.1. Características sensoriais
3.2.1.1. Aspecto: líquido;
3.2.1.2. Cor: branca;
3.2.1.3. Odor e sabor: característicos, sem sabores nem odores
estranhos.
3.2.2. Características Físicas, Químicas e Microbiológicas.
Requisitos Integral Semi desnatado Desnatado
Gordura, (g/100g) Mínimo 3,0 0,6 a 2,9 máx. 0,5
Acidez, (g ác. áctico/100mL)
0,14 a 0,18 para todas as variedades quanto ao teor
de gordura
Estabilidade ao Alizarol
72% (v/ v)
Estável para todas as variedades quanto ao teor de
gordura
Sólidos Não Gordurosos
(g/100g) mín.de 8,4
(1)
Índice Crioscópico máximo
- 0,530ºH a -0,550ºH (equivalentes a -0,512ºC e a -
0,531ºC)
Contagem Padrão em Placas
(UFC/mL) n = 5; c = 2;m = 4,0x10
4
M = 8,0x10
4
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
116
Coliformes, NMP/mL
(30/35ºC)
n = 5; c = 2; m = 2; M = 4
Coliformes, NMP/ mL(45ºC) n = 5; c = 1; m = 1; M = 2
Salmonella spp/25mL n = 5; c = 0; m= ausência.
Nota nº 1: teor mínimo de SNG, com base no leite integral. Para
os demais teores de gordura, esse valor deve ser corrigido pela
seguinte fórmula:
SNG = 8,652 - (0,084 x G)
(onde SNG = Sólidos Não-Gordurosos, g/100g; G = Gordura, g/100g)
Nota nº 2: imediatamente após a pasteurização, o leite
pasteurizado tipo C deve apresentar enumeração de coliformes a
30/35ºC (trinta/trinta e cinco graus Celsius) menor do que 0,3 NMP/ml
(zero vírgula três Número Mais Provável/ mililitro) da amostra.
3.2.3. Acondicionamento
O Leite Pasteurizado deve ser envasado com materiais
adequados para as condições previstas de armazenamento e que
garantam a hermeticidade da embalagem e proteção apropriada contra
a contaminação.
4. Aditivos e Coadjuvantes de Tecnologia/Elaboração
Não é permitida a utilização.
5. Contaminantes
Os contaminantes orgânicos e inorgânicos presentes não devem
superar os limites estabelecidos pela legislação específica.
6. Higiene
6.1. Considerações Gerais:
6.1.1. Todo equipamento, após a utilização, deve ser
cuidadosamente lavado e sanitizado, de acordo com Procedimentos
Padronizados de Higiene Operacional (PPHO). A realização desses
procedimentos deve ser registrada em documentos específicos,
caracterizando a padronização e garantia da qualidade, para gerar
rastreabilidade e confiabilidade, a exemplo do processo de Análise de
Perigos e Pontos Críticos de Controle - APPCC.
6.1.2. Ademais, as práticas de higiene para elaboração do produto
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
117
devem estar de acordo com o estabelecido no Código Internacional
Recomendado de Práticas, Princípios Gerais de Higiene dos Alimentos
(CAC/RCP I -1969, Rev. 3, 1997), além do disposto no "Regulamento
Técnico sobre as Condições Higiênico-Sanitárias e de Boas Práticas de
Fabricação para Estabelecimentos Elaboradores/Industrializadores de
Alimentos", aprovado pela Portaria nº 368/97 - MA, de 04 de setembro
de 1997.
6.2. Critérios Macroscópicos e Microscópicos
Ausência de qualquer tipo de impurezas ou elementos estranhos.
7. Pesos e Medidas
Deve ser aplicada a legislação específica.
8. Rotulagem
8.1. Deve ser aplicada a legislação específica.
8.2. O produto deve ser rotulado como “Leite Pasteurizado
Integral”, “Leite Pasteurizado Padronizado", "Leite Pasteurizado
Semidesnatado” e “Leite Pasteurizado Desnatado”, segundo o tipo
correspondente.
8.3. Deve ser usada a expressão “Homogeneizado” quando for o
caso.
9. Expedição e Transporte do Leite Pasteurizado
9.1. A expedição do Leite Pasteurizado deve ser conduzida sob
temperatura máxima de 4°C (quatro graus Celsius), mediante seu
acondicionamento adequado, e levado ao comércio distribuidor através
de veículos com carroçarias providas de isolamento térmico e dotadas
de unidade frigorífica, para alcançar os pontos de venda com
temperatura não superior a 7°C (sete graus Celsius).
10. Métodos de Análise
10.1. Os métodos de análises recomendados são os indicados no
item 3.2.2. do presente Regulamento Técnico de Identidade e
Qualidade. Esses métodos são de referência, podendo ser utilizados
outros métodos de controle operacional, desde que conhecidos os seus
desvios e correlações em relação aos respectivos métodos de
referência.
11. Amostragem
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
118
Devem ser seguidos os procedimentos recomendados na norma FIL 50
C: 1995. "(NR). ANEXO IV
ANEXO VI
REGULAMENTO TÉCNICO DA COLETA DE LEITE CRU
REFRIGERADO E SEU TRANSPORTE A GRANEL
1. Alcance
1.1. Objetivo
Fixar as condições sob as quais o Leite Cru Refrigerado,
independentemente do seu tipo, deve ser coletado na propriedaderural
e transportado a granel, visando promover a redução geral de custos
de obtenção e, principalmente, a conservação de sua qualidade até a
recepção em estabelecimento submetido a inspeção sanitária oficial.
2. Descrição
2.1. Definição
2.1.1. O processo de coleta de Leite Cru Refrigerado a Granel
consiste em recolher o produto em caminhões com tanques isotérmicos
construídos internamente de aço inoxidável, através de mangote
flexível e bomba sanitária, acionada pela energia elétrica da
propriedade rural, pelo sistema de transmissão ou caixa de câmbio do
próprio caminhão, diretamente do tanque de refrigeração por expansão
direta ou dos latões contidos nos refrigeradores de imersão.
3. Instalações e Equipamentos de Refrigeração
3.1. Instalações: deve existir local próprio e específico para a
instalação do tanque de refrigeração e armazenagem do leite, mantido
sob condições adequadas de limpeza e higiene, atendendo, ainda, o
seguinte:
- ser coberto, arejado, pavimentado e de fácil acesso ao veículo
coletor, recomendando-se isolamento por paredes;
- ter iluminação natural e artificial adequadas;
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
119
- ter ponto de água corrente de boa qualidade, tanque para
lavagem de latões (quando utilizados) e de utensílios de coleta, que
devem estar reunidos sobre uma bancada de apoio às operações de
coleta de amostras;
- a qualidade microbiológica da água utilizada na limpeza e
sanitização do equipamento de refrigeração e utensílios em geral
constitui ponto crítico no processo de obtenção e refrigeração do leite,
devendo ser adequadamente clorada.
3.2. Equipamentos de Refrigeração
3.2.1. Devem ter capacidade mínima de armazenar a produção de
acordo com a estratégia de coleta;
3.2.2. Em se tratando de tanque de refrigeração por expansão
direta, ser dimensionado de modo tal que permita refrigerar o leite até
temperatura igual ou inferior a 4ºC (quatro graus Celsius) no tempo
máximo de 3h (três horas) após o término da ordenha,
independentemente de sua capacidade;
3.2.3. Em se tratando de tanque de refrigeração por imersão, ser
dimensionado de modo tal que permita refrigerar o leite até
temperatura igual ou inferior a 7ºC (sete graus Celsius) no tempo
máximo de 3h (três horas) após o término da ordenha,
independentemente de sua capacidade;
3.2.4. O motor do refrigerador deve ser instalado em local arejado;
3.2.5. Os tanques de expansão direta devem ser construídos e
operados de acordo com Regulamento Técnico específico.
4. Especificações Gerais para Tanques Comunitários
4.1. Admite-se o uso coletivo de tanques de refrigeração a granel
("tanques comunitários"), por produtores de leite, desde que baseados
no princípio de operação por expansão direta. A localização do
equipamento deve ser estratégica, facilitando a entrega do leite de
cada ordenha no local onde o mesmo estiver instalado;
4.2. Não é permitido acumular, em determinada propriedade rural,
a produção de mais de uma ordenha para enviá-la uma única vez por
dia ao tanque comunitário;
4.3. Os latões devem ser higienizados logo após a entrega do
leite, através do enxágue com água corrente e a utilização de
detergentes biodegradáveis e escovas apropriadas;
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
120
4.4. A capacidade do tanque de refrigeração para uso coletivo
deve ser dimensionada de modo a propiciar condições mais adequadas
de operacionalização do sistema, particularmente no que diz respeito à
velocidade de refrigeração da matéria-prima.
5. Carro com tanque isotérmico para coleta de leite a granel
5.1. Além das especificações gerais dos carros-tanque, contidas
no presente Regulamento ou em legislação específica, devem ser
observadas mais as seguintes:
5.1.1. A mangueira coletora deve ser constituída de material
atóxico e apto para entrar em contato com alimentos, apresentar-se
internamente lisa e fazer parte dos equipamentos do carro-tanque;
5.1.2. Deve ser provido de caixa isotérmica de fácil sanitização para
transporte de amostras e local para guarda dos utensílios e aparelhos
utilizados na coleta, que deve ser mantida em temperatura de até 7ºC
para envio das amostras ao laboratório.
5.1.3. Deve ser dotado de dispositivo para guarda e proteção da
ponteira, da conexão e da régua de medição do volume de leite;
5.1.4. Deve ser, obrigatoriamente, submetido à limpeza e sanitização
após cada descarregamento, juntamente com os seus componentes e
acessórios.
6. Procedimentos de Coleta
6.1. O funcionário encarregado da coleta deve receber
treinamento básico sobre higiene, análises preliminares do produto e
coleta de amostras, podendo ser o próprio motorista do carro-tanque.
Deve estar devidamente uniformizado durante a coleta. A ele
cabe rejeitar o leite que não atender às exigências, o qual deve
permanecer na propriedade;
6.2. A transferência do leite do tanque de refrigeração por
expansão direta para o carro-tanque deve se processar sempre em
circuito fechado;
6.3. O tempo transcorrido entre a ordenha inicial e seu
recebimento no estabelecimento que vai beneficiá-lo (pasteurização,
esterilização, etc.) deve ser no máximo de 48h (quarenta e oito horas),
independentemente do seu tipo, recomendando-se como ideal um
período de tempo não superior a 24h (vinte e quatro horas);
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
121
6.4. A eventual passagem do Leite Cru Refrigerado na
propriedade rural por um Posto de Refrigeração implica sua
refrigeração em equipamento a placas até temperatura não superior a
4ºC (quatro graus Celsius), admitindo-se sua permanência nesse tipo
de estabelecimento pelo período máximo de 6h (seis horas);
6.5. Antes do início da coleta, o leite deve ser agitado com
utensílio próprio e ter a temperatura anotada, realizando-se a prova de
alizarol na concentração mínima de 72% v/v (setenta e dois por cento
volume/volume). Em seguida deve ser feita a coleta da amostra, bem
como a sanitização do engate da mangueira e da saída do tanque de
expansão ou da ponteira coletora de aço inoxidável. A coleta do leite
refrigerado deve ser realizada no local de refrigeração e armazenagem
do leite;
6.6. Após a coleta, a mangueira e demais utensílios utilizados na
transferência do leite devem ser enxaguados para retirada dos
resíduos de leite. Para limpeza e sanitização do tanque de refrigeração
por expansão direta, seguir instruções do fabricante do equipamento. O
enxágue final deve ser realizado com água em abundância;
6.7. No caso de tanque de expansão comunitário, o responsável
pela recepção do leite e manutenção das suas adequadas condições
operacionais deve realizar a prova do alizarol na concentração mínima
de 72% v/v(setenta e dois por cento volume/volume) no leite de cada
latão antes de transferir o seu conteúdo para o tanque, no próprio
interesse de todos os seus usuários;
6.8. As amostras de leite a serem submetidas a análises
laboratoriais devem ser transportadas em caixas térmicas
higienizáveis, na temperatura e demais condições recomendadas pelo
laboratório que procederá às análises;
6.9. A temperatura e o volume do leite devem ser registrados em
formulários próprios;
6.10. As instalações devem ser limpas diariamente. As vassouras
utilizadas na sanitização do piso devem ser exclusivas para este fim;
6.11. O leite que apresentar qualquer anormalidade ou não estiver
refrigerado até a temperatura máxima admitida pela legislação em vigor
não deve ser coletado a granel.
7. Controle no Estabelecimento Industrial
7.1. A temperatura máxima do Leite Cru Refrigerado no ato de
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
122
sua recepção no estabelecimentoprocessador é a estabelecida no
Regulamento Técnico específico;
7.2. As análises laboratoriais de cada compartimento dos carros-
tanque devem ser realizadas no mínimo de acordo com a freqüência
especificada para os produtores nos Regulamentos Técnicos de cada
tipo de leite;
7.3. O Serviço de Inspeção Federal - SIF/DIPOA pode determinar
a alteração dessa frequência mínima, abrangendo total ou parcialmente
os tipos de análises indicadas para cada tipo de leite, sempre que
constatar desvios graves nos dados analíticos obtidos ou que ficar
evidenciado risco à saúde pública;
7.4. No descarregamento do leite contido nos carros - tanques,
podem ser utilizadas mangueiras no comprimento estritamente
necessário para efetuar as conexões. Tais mangueiras devem
apresentar as características de acabamento mencionadas neste
Regulamento;
7.5. Os caminhões de transporte do leite devem ser lavados
externamente antes do descarregamento e higienizados internamente
após cada descarga.
7.6. O leite refrigerado a granel pode ser recebido a qualquer
hora, de comum acordo com a empresa, observados os prazos de
permanência na propriedade/estabelecimentos intermediários e as
temperaturas de refrigeração.
8. Procedimentos para Leite que não atenda aos requisitos de
qualidade.
8.1. O leite do produtor cujas análises revelarem resultados fora do
padrão deve ser, obrigatoriamente, submetido a nova coleta para
análises em até 30 (trinta) dias. Nesse caso, o produtor deve ser
comunicado da anormalidade para que adote as ações corretivas
necessárias para o atendimento aos padrões de qualidade do leite.
8.2. O leite que não atenda aos requisitos de qualidade deve sofrer
destinação conforme Plano de Controle de Qualidade do
estabelecimento, que deve tratar da questão baseando-se nas Normas
de Destinação do Leite e Derivados.
9. Obrigações da Empresa
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
123
9.1. Os estabelecimentos devem realizar o cadastramento de seus
fornecedores em sistema próprio do MAPA e atualizá-lo sempre que
necessário.
9.2. A interessada deve manter formalizado e atualizado seu Programa
de Coleta a Granel, no qual constem:
9.2.1 Nome do produtor, volume, capacidade do refrigerador, horário e
frequência de coleta;
9.2.2. Rota da linha granelizada, inserida em mapa de localização;
9.2.3. Programa de Controle de Qualidade da matéria-prima, por
conjunto de produtores e se necessário, por produtor, observando o
estabelecido nos Regulamentos Técnicos;
9.2.4. A empresa deve implantar um programa de educação continuada
dos participantes que deve ter sua eficácia demonstrada pelos
resultados de análises de qualidade dos seus fornecedores realizados
pela Rede Brasileira de Laboratórios da Qualidade do Leite.
9.2.5. Para fins de rastreamento da origem do leite, fica expressamente
proibida a recepção de Leite Cru Refrigerado transportado em veículo
de propriedade de pessoas físicas ou jurídicas independentes ou não
vinculadas formal e comprovadamente ao Programa de Coleta a
Granel dos estabelecimentos sob Serviço de Inspeção Federal (SIF)
que realizem qualquer tipo de processamento industrial ao leite,
incluindo-se sua simples refrigeração.
10. Disposições Gerais
10.1. O produtor integrante de um Programa de Granelização está
obrigado a cumprir as especificações do presente Regulamento
Técnico. Seu descumprimento parcial ou total pode acarretar, inclusive,
seu afastamento desse Programa."(NR)
http://www.agricultura.gov.br/sda/dipoa/index.htm
D.O.U., 30/12/2011 - Seção 1
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
124
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
125
9 – REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
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ABASTECIMENTO. Secretaria de Defesa Agropecuária. Instrução
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Físico-Química, Qualidade e Processamento do Leite
127
NÚMERO 1.812, DE 8 DE FEVEREIRO DE 1996
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