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1 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 1 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão IMAGENOLOGIA 1º Período Medicina UFG Sumário EXAMES DE IMAGEM ............................................................................................................................. 2 RAIO X .................................................................................................................................................. 2 MECANISMO E OBSERVAÇÃO ................................................................................................................................. 3 POSICIONAMENTOS E ESTRATÉGIAS ......................................................................................................................... 5 ULTRASSONOGRAFIA........................................................................................................................... 11 MECANISMO E OBSERVAÇÃO ............................................................................................................................... 11 TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA .................................................................................................... 13 MECANISMO E OBSERVAÇÃO ............................................................................................................................... 13 RESSONÂNCIA MAGNÉTICA ................................................................................................................. 15 MECANISMO E OBSERVAÇÃO ............................................................................................................................... 15 2 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 2 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão ANATOMIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL ....................................................................................... 18 VISTA LATERAL DE UM HEMISFÉRIO CEREBRAL ......................................................................................................... 22 VISTA MEDIAL DE UM HEMISFÉRIO CEREBRAL. ......................................................................................................... 23 ÁREAS ELOQUENTES PRIMÁRIAS ........................................................................................................................... 23 Vista lateral de um hemisfério cerebral .................................................................................................. 23 Vista medial de um hemisfério cerebral .................................................................................................. 24 TRONCO ENCEFÁLICO ......................................................................................................................................... 24 SISTEMA LÍMBICO .............................................................................................................................................. 24 CORTE TRANSVERSAL DO CÉREBRO, VISTA SUPERIOR ................................................................................................. 24 SISTEMA VENTRICULAR ....................................................................................................................................... 25 MEDICINA NUCLEAR ............................................................................................................................ 17 Exames de imagem • Métodos de diagnóstico por imagem: o Raio X o Raio X contrastado o Angiografia o Ultrassonografia o Tomografia computadorizada o Ressonância magnética o Medicina nuclear o PET / TC • A decisão de qual exame solicitar, utilizando qual método, deve sempre levar em conta os seguintes aspectos: o História clínica o Exame físico o Impressão diagnóstica o Real necessidade do exame o Riscos e gastos para o paciente Raio X • Por meio do raio X, podem ser feitos os seguintes exames: 3 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 3 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão o Radiografias convencionais; o Radiografias contrastadas; o Mamografia; o Densitometria óssea; o Tomografia computadorizada; o Abreugrafia (obsoleta): radiografia do tórax em pequena escala. Era amplamente utilizada no Brasil devido ao alto número de casos de tuberculose. • A radiação X foi descoberta pelo físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen em 1895. Rendeu-lhe o 1° Nobel de Física, em 1901. • O principal risco desse tipo de método é a radiação, uma vez que os raios X são raios ionizantes, em excesso podendo trazer danos ao organismo humano. o Os tecidos mais significantemente afetados pelos raios X são aqueles que estão em intenso processo de divisão e multiplicação celular. Por isso, não se faz esse exame em mulheres grávidas ou potencialmente grávidas, para não prejudicar o feto, e em crianças pequenas. o A proteção padrão para o profissional que lida com a radiação X é o uso de avental plumbífero e óculos de chumbo. Os profissionais de radiologia precisam estar sempre protegidos, pois lidam com os raios X muito frequentemente. Mecanismo e observação • Para a realização de um exame de raio X, o paciente se deita em uma mesa e um emissor de raios X é colocado sobre a região de interesse. O emissor é então ativado, e os raios atravessam o corpo do paciente, sendo então captados por um filme radiográfico (antigamente) ou por uma película radiográfica (atualmente). o Uma vez que diferentes partes do corpo absorvem mais ou menos esses raios, seu padrão de detecção pela película será distinto, podendo a imagem ser nela gerada a partir da quantidade de raios que atravessaram aquele tecido. A intensidade de raios detectada pela película é evidenciada pelo contraste: quanto mais escurecida a região, mais radiação a atravessou. o Existem ainda aparelhos de raios X digitalizados, que são capazes de enviar a imagem captada diretamente para um computador. 4 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 4 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão Figura 1: Mecanismo de ação do exame de raios X. • Nas radiografias é possível se observar quatro densidades/tonalidades distintas. Quanto mais densa a região do corpo, menos os raios X a atravessam, assim, a região fica com tonalidade embranquecida na radiografia. Em ordem decrescente de densidade, tem-se: o Ossos (muito branco); o Tecidos moles (levemente embranquecidos); o Gordura (levemente escurecidos); o Ar (completamente preto). o Caso haja sobreposição dessas regiões de tonalidades distintas, a tonalidade resultante será a soma das densidades pelas quais os raios X atravessaram. • Outros corpos observáveis pelos raios X incluem: marcapasso, próteses, pinos, parafusos, placas, cateteres, compressas, etc. Caso esses corpos sejam feitos de metal, a tonalidade resultante será muito branca. Figura 2: Tonalidades observáveis no exame de raios X. 5 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 5 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão Posicionamentos e estratégias • A posição do paciente para a formação de uma imagem radiográfica é determinada por aquilo que se quer visualizar na radiografia, uma vez de que esse exame produz certas distorções. o Ex.: as regiões do corpo que ficarem mais próximas à fonte emissora de raios X aparecerão com dimensões maiores do que o real nas imagens resultantes; enquanto regiõesmais distantes aparecerão menores. • Para contornar essas distorções, é preciso ter conhecimento acerca dos posicionamentos do paciente em relação à fonte de radiação. o Anteroposterior (AP): os raios passam do ventre para o dorso o Posteroanterior (PA): os raios passam do dorso para o ventre ▪ É importante notar que, convencionalmente, independente da radiografia ser AP ou PA, o lado direito do paciente é sempre colocado à esquerda na radiografia, como na posição anatômica. Figura 3: Radiografias AP e PA, respectivamente. Em AP, é possível perceber as escápulas justapostas aos pulmões, e a clavícula fica horizontalizada. Em PA, não é possível ver as escápulas, e as clavículas estão anguladas obliquamente. 6 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 6 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão o Perfil esquerdo: lado esquerdo do paciente em contato com o filme radiográfico. o Perfil direito: lado direito do paciente em contato com o filme radiográfico. o Oblíquo: posição intermediária em relação às outras. • Os posicionamentos AP/PA e de perfil esquerdo/direito são geralmente combinados para se obter a localização exata de alguma estrutura no corpo humano, uma vez que serão dois planos bidimensionais combinados, fornecendo a projeção mental de uma imagem tridimensional. o Ex.: uma imagem AP/PA pode informar a localização de uma estrutura nos eixos transversal e longitudinal, porém não no eixo sagital. Já uma imagem de perfil direito/esquerdo fornece a localização de uma estrutura nos eixos longitudinal e sagital, porém não no eixo transversal. Combinadas, ambas as imagens fornecem a localização nos três eixos. Figura 4: Combinação de duas radiografias em posicionamentos distintos para localizar uma massa atípica na caixa torácica. • Certas condições patológicas determinam alterações de formato, tonalidade, aspecto ou posicionamento de certas regiões do corpo quando visualizadas em radiografias. o Ex.: no derrame pleural, o acúmulo de líquido na pleural faz com que a densidade de ar que o pulmão normalmente exibiria seja alterada para uma 7 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 7 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão densidade de tecidos moles. Dessa forma, o pulmão radiografado exibe um formato atípico extremamente relevante para o diagnóstico. Figura 5: Radiografia de pulmão esquerdo exibindo aspecto atípico devido a derrame pleural. • Densitometria óssea: utilização dos raios X para a determinação da idade óssea de um indivíduo. Ao nascer, as epífises da maioria dos ossos longos não estão totalmente calcificadas, mas exibindo constituição cartilaginosa. Por isso, quando submetidos à radiografia convencional, esses ossos exibirão suas epífises com tonalidade de tecido mole. Com o progredir do desenvolvimento, a calcificação se completa e toda extensão óssea exibirá tonalidade de ossos. 8 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 8 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão Figura 6: Densitometria óssea. Da esquerda para a direita: um bebê, um adolescente e um adulto. • Mamografia: exame extremamente importante para a detecção de câncer de mama. Nele, são feitas radiografias em duas posições: transversalmente (achatando-se as mamas no sentido horizontal) e de perfil (achatando-se as mamas no sentido vertical). Em exames normais, a maior parte da mama é composta de tecido gorduroso com alvéolos mamários (tecido mole) na porção central. O envelhecimento da mulher, entretanto, faz com que a massa de alvéolos mamários diminua. o Tumores nas mamas, malignos ou não, apresentam uma tonalidade esbranquiçada em posição atípica. Como são feitas radiografias em dois planos distintos, a determinação da localização do tumor é precisa. 9 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 9 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão Figura 7: Mamografia evidenciando possível tumor na região inferior, anterior e medial da mama direita. • Exames contrastados: técnica utilizada para se evidenciar estruturas até então indistinguíveis por radiografia convencional. Nela, são utilizadas substâncias cuja impregnação em certas regiões do corpo faz com que elas exibam tonalidade notável em exames de raios X para que possam visualizadas. o Ex.: pede-se ao paciente para que beba uma substância com o contraste que faça que as regiões do intestino com ela impregnadas fiquem evidenciadas na radiografia. Com isso, pode-se verificar, entre outros: obstrução do lúmen gastrointestinal, presença de divertículos/bolsas/quistos, e perfuração intestinal. Figura 8: Exames contrastados do trato gastrointestinal demonstrando, da esquerda para a direita: obstrução, divertículo e perfuração gastrointestinais. 10 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 10 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão o Ex2.: pede-se ao paciente para que beba uma substância com o contraste que permite sua absorção pelos rins e excreção por meio da urina. Assim, é possível evidenciar os rins, ureteres, bexiga e uretra. É especialmente útil para detectar hidronefrose (acúmulo de urina nos rins), obstrução do trato urinário e doenças renais. Figura 9: Exame contrastado do trato urinário evidenciando hidronefrose em rim direito. • Angiografia: um tipo de exame contrastado de aplicação no sistema circulatório, sendo necessário o paciente ser submetido a um cateterismo para injeção direta do contraste na circulação de interesse. É especialmente útil para a detecção de vasoclusão em vasos que irrigam órgãos nobres como o cérebro, causando, por exemplo, isquemia que pode evoluir para acidente vascular cerebral. Figura 10: Angiografia de artéria cerebral. Normalmente, nas angiografias, o primeiro exame obtido (esquerda) sofre inversão cromática (direita) para melhor evidenciar o trajeto dos vasos. 11 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 11 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão Ultrassonografia • Não utiliza radiação ionizante para a geração de imagem, tendo menos riscos que os raios X. • É amplamente utilizada na ginecologia e obstetrícia para visualizar o feto em gestação. Mas também é utilizada na medicina interna para visualizar glândulas, músculos e tendões. Mecanismo e observação • O aparelho de ultrassonografia consiste de uma corrente elétrica que estimula um cristal de quartzo a emitir ondas de ultrassom. O ultrassom, ao encontrar uma região do corpo, sofre eco dependendo da impedância acústica da região, sendo então captado de volta pelo quartzo, que envia outra corrente elétrica ao aparelho para ser captada e gerar a imagem. o O feixe de ultrassom é fino, então é possível visualizar apenas poucas fatias do órgão, e até a profundidade máxima que o ultrassom alcança. ▪ Ex.: um ultrassom lateral de útero capta uma fatia central desse útero. É possível ver a espessura do endométrio dependendo da fase do ciclo menstrual. Figura 11: Ultrassom evidenciando útero com endométrio delgado (acima) e espesso (abaixo). 12 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 12 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão ▪ Ex2.: em uma gravidez, normalmente se faz ultrassomtransversal. É possível ver o feto desde sua etapa de saco gestacional. É extremamente útil para acompanhamento da evolução da gravidez. Métodos modernos podem até compor uma imagem tridimensional com a justaposição das imagens fatiadas obtidas do feto. Figura 12: Ultrassom de gravidez. ▪ Ex3.: em uma ultrassonografia longitudinal de quadrante superior do abdome é possível ver o fígado, a veia porta e a vesícula biliar, e também os rins. Assim, é possível detectar cálculos na vesícula e nos rins. • O ultrassom não funciona quando a impedância acústica da região é muito diferente: ar e ossos, por exemplo. Dessa forma, não é possível visualizar o cérebro (que está contido na caixa craniana) e nem os pulmões (que estão cheios de ar) o Há uma exceção para os ossos: pode-se ver o cérebro de recém-nascidos passando-se o ultrassom pelas fontanelas (ultrassom transfontanela). Com isso, pode-se detectar malformações do cérebro do bebê. o Caso contrário, só se consegue ver o cérebro se algum osso craniano for removido. O uso de ultrassonografia em cirurgias cerebrais é especialmente útil para a visualização das estruturas internas. • Ultrassom com doppler: o doppler é um recurso que permite conhecer a velocidade com que um líquido passa em um tubo. Assim, ele pode ser usado para determinar a velocidade do sangue no interior dos vasos, que sofre picos de valor dependendo do vaso, por causa da sístole e diástole cardíaca. 13 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 13 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão Figura 13: Ultrassom com doppler de um vaso sanguíneo (acima) permitindo a composição de um gráfico de velocidade sanguínea no interior dele (abaixo). Tomografia computadorizada • Desenvolvida pelo engenheiro elétrico inglês Sir Godfrey Newbold Hounsfield. Em 1972 a descoberta foi publicada, e em 1979 lhe rendeu o Prêmio Nobel. • Utiliza também raios X, portanto, faz uso da radiação ionizante. Mecanismo e observação • Há um emissor de raios X de um lado de um anel rotador, e um detector de radiação do lado exatamente oposto. A detecção, nesse caso, vai ser dos feixes de raio X de um único plano (“fatia”), em todos os sentidos possíveis para compor uma imagem daquele plano corporal, por meio da rotação do aparelho emissor. Uma composição dos planos também pode gerar imagens tridimensionais. Figura 14: Mecanismo da máquina de tomografia computadorizada. Um anel promove a rotação da fonte de raios X, que atravessa uma fatia inteira do organismo do indivíduo, sendo então captados do lado oposto para a formação da imagem desta fatia. 14 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 14 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão o O aparelho de tomografia é capaz de medir a densidade de cada ponto individual da imagem formada para compor as tonalidades e formar uma imagem compreensível. Assim, é possível visualizar o cérebro no interior da caixa craniana, que até então inibia totalmente a visualização deste órgão pela radiografia convencional. Figura 15: Tomografia computadorizada da cabeça, a nível da conexão do cérebro com o tronco encefálico. o É também possível ver detalhes de vários órgãos da região abdominal, sem o uso de contraste individual para cada um deles, e sem que as tonalidades fiquem idênticas. Figura 16: Tomografia computadorizada do abdome a nível do estômago, vesícula biliar e pâncreas. 15 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 15 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão Ressonância magnética • Desenvolvida pelo químico americano Paul Lauterbur e pelo físico inglês Peter Mansfield. Localizaram o sinal por ressonância magnética (RM) em 1970, mas o primeiro aparelho de ressonância magnética veio apenas em 1984. Em 1987, o primeiro contraste paramagnético, e em 2003, o Prêmio Nobel. • Sem uso de radiação ionizante. Mecanismo e observação • A ressonância magnética se baseia em informações eletromagnéticas dos átomos do corpo. Escolhe-se um átomo para observação, no caso, o hidrogênio. Com a aplicação de um campo magnético, todos os átomos de hidrogênio ficam alinhados na mesma direção. Assim, é possível analisar a precessão do átomo de hidrogênio. Uma vez determinada, liga-se um aparelho de radiofrequência que passa a alterar o sentido de precessão desse átomo. Desliga-se o aparelho de radiofrequência, e o átomo vai voltar para o sentido original. Neste retorno, ele emite sinais de intensidades diferentes, a depender de qual região ele esteja. Uma antena capta esses sinais e os interpreta para formar uma imagem. Figura 17: Mecanismo de funcionamento da ressonância magnética. 16 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 16 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão • Com a ressonância magnética também se vê fatias do corpo do paciente como na tomografia computadorizada, mas com muito mais precisão de detalhes tendo em vista a composição bioquímica peculiar de cada órgão – com a vantagem de que podem ser feitas em todos os planos de corte possíveis (axial, coronal e sagital). Figura 18: Ressonância magnética de cabeça evidenciando diversos órgãos. • Não se pode entrar com objetos ferromagnéticos dentro da sala de ressonância magnética, pois a força magnética de atração exercida pela máquina de ressonância é muito forte. • As várias fatias dos cortes em um mesmo plano podem ser juntadas em um computador para compor imagens tridimensionais. • Com a ressonância magnética também se pode medir a quantidade de sangue que passe em uma região, por meio da captação sucessiva de imagens de sangue contrastado em um mesmo período de tempo. Esse processo é chamado de perfusão. Certas doenças podem ter uma perfusão diferente dependendo de sua natureza. • Espectroscopia de prótons: estudo bioquímico de uma região captada pela imagem. Um computador pode determinar os picos de concentração de certas substâncias, o que é útil à caracterização de doenças. 17 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 17 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão • Difusão: mede a mobilidade da molécula de água. O que o aparelho faz, por exemplo, é detectar a movimentação da água em determinadas direções não aleatórias, como por exemplo dentro do axônio. Uma máquina de ressonância magnética detecta o sentido desse movimento também, podendo identificar substância branca, por exemplo. Esse exame é chamado de tratografia. o Ex.: Outra possível detecção é o de edema citotóxico, que ocorre em células que estão morrendo e sofrem entrada profusa de água dentro de si. A ressonância detecta, nesses locais, as moléculas de água inertes. o Ex2.: Também é possível distinguir abcessos de tumores, pois os abcessos provocam acúmulo água em uma região. • BOLD (Blood Oxygen Level Dependent Contrast): permite identificar com precisão certas regiões, por exemplo, o giro motor do cérebro. Esse giro motor é responsável pelo movimento do corpo, então em uma situação de movimentação, essa região irá consumir mais oxigênio do que o normal. A ressonância magnética é capaz de detectar esse consumo de oxigênio. Medicina nuclear Bruno Galafassi Ghini – bghini@yahoo.com – 981074644 • Uso de radiofármacos com finalidade diagnóstica (emissão gama) ou terapêutica (emissão beta). • Radiofármacos: compostos químicosmarcados com radioisótopo que se acumulam seletivamente em determinados órgãos ou tecidos. • Puramente baseada na fisiologia/função. A concentração do traçador/fármacos depende de 1) via de chegada (fluxo sanguíneo), 2) viabilidade celular e 3) receptor ao traçador; além de 4) proporcionalidade na biodistribuição, que mostra a função no momento da administração do traçador. • Existe uma variedade de radiofármacos com diferentes propriedades de biodistribuição baseados nos radioisótopos utilizados. o 99mTc: o núcleo libera radiação γ, que é radiação X. o 153Sm: o seu nêutron libera um próton e radiação β- (um elétron). o 18F: o seu próton libera um nêutron e β+, um pósitron, que por sua vez interage com um elétron, aniquilando-se mutuamente e liberando energia (radiação γ). É o princípio do PET (tomografia por emissão de pósitrons). 18 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 18 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão o Os radiofármacos são obtidos, por exemplo, por meio de geradores de radioisótopos que o misturam com os fármacos. • Obtenção da imagem: átomos do corpo do paciente emitem radiação após administrados com o radiofármaco. Esta radiação é captada pelos cristais da gama- câmara/câmara de cintilação e transformada em eletricidade. O computador interpreta a eletricidade e cria a imagem. o Os tipos de aquisição de imagem podem ser planares, que por sua vez podem ser estáticas ou dinâmicas (sequenciais ou engatilhadas) ou tomatográficas/com volume. Podem ser também 4D (tridimensional + tempo) ou 5D (adiciona o formato do órgão). • PET: cristais fazem uma circunferência completa na câmara de cintilação. As meias-vidas dos radioisótopos utilizados é muito pequena, precisando a injeção ser feita ao mesmo tempo da obtenção da imagem. • Útil para a cirurgia radioguiada. Anatomia do sistema nervoso central • O tubo neural, durante o desenvolvimento do embrião, formará o encéfalo, com abaulamentos que darão origem ao prosencéfalo, ao mesencéfalo e ao rombencéfalo. o A parte rostral do tubo neural, que sofre abalamentos laterais para formar o prosencéfalo, irá formar o diencéfalo, o telencéfalo e as vesículas ópticas. Dentro deles, passa o aqueduto neural. Abaixo dele, se inicia a medula espinhal. Já o telencéfalo formará o córtex cerebral e o bulbo olfatório. o O diencéfalo formará o tálamo e estruturas associadas. o O mesencéfalo será mantido, sendo dividido em teto e tegmento. o O rombencéfalo formará o tronco encefálico (com ponte e bulbo) e o cerebelo. O cerebelo e a ponte são chamados de metencéfalo, e o bulbo, de mielencéfalo. 19 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 19 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão Figura 19: Embriologia do sistema nervoso central. • As células do tubo neural são diferenciadas em neuroepitélio (neuroectoderma) e células mesenquimais. o O neuroepitélio forma: ▪ neuroblasto apolar → neuroblasto bipolar → neuroblasto unipolar → neurônio (com dendritos, pericário e axônio) ▪ glioblasto → astroblasto e oligodendroblasto ❖ astroblasto → astrócitos protoplasmáticos e fibrosos ❖ oligodendroblasto → oligodendrócito ▪ epêndima (células do canal ependimário) o As células mesenquimais formam a micróglia. 20 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 20 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão Figura 20: Diferenciação das células do tecido nervoso. • O crânio possui os ossos: frontal, parietal, occipital, temporal, zigomático, nasal, maxilar, palatino, etmoide, lacrimal, vômer, esfenoide e mandibular. o O osso esfenoide possui asa maior, asa menor, sela túrcica (sobre a qual se assenta a hipófise), canal óptico, processos clinoides anterior e posterior, fissura orbital superior, forame redondo, forame oval, forame espinhoso e forame lacerado. o O osso etmoide possui a placa crivosa/lâmina cribriforme. o O osso temporal possui rochedo petroso, meato acústico interno, conduto acústico interno, canal carótico, processo estiloide, forame estilomastoide, processo mastoide e forame jugular 21 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 21 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão o O osso occipital possui o canal do nervo hipoglosso e o forame magno. • Pares de nervos cranianos: o I par: nervo olfatório o II par: nervo óptico o III par: nervo oculomotor o IV par: nervo troclear o V par: nervo trigêmeo (V1: nervo oftálmico, V2: nervo maxilar, V3: nervo mandibular) o VI par: nervo abducente o VII par: nervo facial o VIII par: nervo vestibulococlear o IX par: nervo glossofaríngeo o X par: nervo vago o XI par: nervo acessório o XII par: nervo hipoglosso • Orifícios importantes: Placa crivosa • Bulbo do nervo olfatório (I par) Canal óptico • Nervo óptico (II par) • Artéria oftálmica (da artéria carótida interna) Fissura orbital superior • Nervo oculomotor (III par) • Nervo troclear (IV par) • Nervo oftálmico (V1) • Nervo abducente (VI par) Forame redondo • Nervo maxilar (V2) Forame oval • Nervo mandibular (V3) Forame espinhoso • Artéria meníngea média (da artéria carótida externa) Forame lacerado • Artéria carótida interna Canal carótico • Artéria carótida interna Meato acústico interno • Nervo facial (VII par) • Nervo vestibulococlear (VIII par) 22 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 22 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão Forame estilomastoide • Nervo facial (VII par) Forame jugular • Veia jugular / seio sigmoide • Nervo glossofaríngeo (IX par) • Nervo vago (X par) • Nervo acessório (XI par) Canal do nervo hipoglosso • Nervo hipoglosso (XI par) Forame magno • Bulbo / medula espinhal • Divisão anatômica do cérebro: lobo frontal, lobo parietal, lobo temporal e lobo occipital. Internamente, o lobo da ínsula entre o parietal e o temporal. o Lobo temporal / sulco lateral / lobo frontal e parietal o Lobo frontal / sulco central / lobo parietal o Lobo parietal / sulco parieto-occipital / lobo occipital o Entre os hemisféricos, existe o corpo caloso comunicando ambos, e acima dele, o giro do cíngulo. Margeando o giro do cíngulo, existe o sulco do cíngulo. Seguindo o sulco do cíngulo, ele se projeta superiormente para formar o sulco central, que separa o lobo parietal do lobo parietal. Vista lateral de um hemisfério cerebral o No lobo frontal: ▪ O giro anterior ao sulco central é o giro pré-central, que é o giro motor primário. ▪ Anterior ao giro pré-central, existem, de superior para inferior, os giros: frontal superior, frontal médio e frontal inferior. ▪ Inferior ao giro frontal médio e giro frontal inferior, existem os giros orbitários e o giro reto. Giro reto / sulco olfatório / giros orbitários. Os giros orbitários entre si se separam pelos sulcos orbitários. o No lobo parietal: ▪ O giro posterior ao sulco central é o giro pós-central, que é o giro sensitivo primário. ▪ Posterior ao giro pós-central, existe o lóbulo parietal superior e o lóbulo parietal inferior. Mais lateralmente, margeando o lóbulo parietal inferior, existe o giro supramarginal e o giro angular. 23 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 23 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristãoo No lobo temporal, existem o giro temporal superior, o giro temporal médio e o giro temporal inferior, externamente. Internamente, existem, de inferior para superior, o sulco occipito-temporal, o sulco colateral e o sulco do hipocampo. O sulco parieto-occipital converge com o sulco calcarino. Com isso, de delimita, de inferior para superior: giro temporal inferior, giro occipito-temporal lateral, giro occipito-temporal medial, giro parahipocampal, úncus e istmo do cíngulo. o O lobo occipital é dividido superiormente em cúneos (entre o sulco parieto- occipital e o sulco calcarino) e giro occipito-temporal medial (abaixo do sulco calcarino). É uma área de importância para a visão. o O lobo da ínsula é dividido superiormente pelo sulco circular da ínsula e no meio pelo sulco lateral da ínsula. Possui os giros longos da ínsula e os giros curtos da ínsula. Vista medial de um hemisfério cerebral. o Sulco paracentral (anteriormente) e ramo marginal (posteriormente) na região superior do sulco do cíngulo, que é contínuo com o sulco subparietal. Abaixo do sulco do cíngulo, o cíngulo do corpo caloso. o De anterior para posterior: giro frontal superior, lóbulo paracentral e pré- cúneos. Abaixo de todos eles, o giro do cíngulo. Áreas eloquentes primárias Vista lateral de um hemisfério cerebral • Giro pré-central: centro motor primário do lado contralateral, onde se pode representar o homúnculo. o Área motora acessória: ajuda a coordenar os movimentos. • Giro pós-central: centro sensitivo primário do lado contralateral, onde se pode representar o homúnculo. • Continuidade do centro visual primário. • Giro temporal superior (giro de Hesh): centro auditivo primário. • Giro frontal inferior (área de Broca): área motora da fala; e área final do sulco de Sylvius (área de Wernicke): área da compreensão da fala. Ambos ficam no hemisfério dominante (do lado oposto ao que se escreve). Estão associadas ao córtex motor primário, o córtex sensorial primário, o córtex visual primário e o córtex auditivo primário. 24 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 24 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão • Córtex gustatório: giro longo da ínsula. Vista medial de um hemisfério cerebral • Continuidade do centro motor primário. • Continuidade do centro sensitivo primário. • Acima e abaixo do sulco calcarino: centro visual primário. Tronco encefálico • Pedúnculos cerebrais: tegmento e teto • Pedúnculos cerebelares: três de cada lado • Mesencéfalo • Ponte • Bulbo • Núcleos dos pares cranianos Sistema límbico • Comportamentos emocionais e sexuais • Aprendizagem e memória • Respostas homeostáticas • Integração das informações sensitivo-sensoriais • Giro do cíngulo: se continua com o giro parahipocampal. • Bulbo olfatório vira trato olfatório, se divide em estria lateral e estria medial, a estria lateral se comunica com a amígdala, a estria medial passa entre o corpo caloso e o giro do cíngulo virando indusium griseum e vira giro parahipocampal. • Corpo mamilar vira fórnix que vira fímbria hipocampal. Corte transversal do cérebro, vista superior • Núcleos cinzentos no lobo da ínsula • Claustrum • Núcleo lentiforme: o núcleo putaminal o globo pálido lateral o globo pálido medial • Terceiro ventrículo • Tálamo • Núcleo caudado 25 Guilherme de Matos Abe – Acadêmico de Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão 25 Imagenologia – Medicina UFG Núcleo Universitário Cristão • Tratos de substância branca: o Cápsula interna: leva informações do giro motor para o tronco encefálico o Cápsula externa o Cápsula extrema Sistema ventricular • Ventrículos laterais • Terceiro ventrículo • Aqueduto cerebral • Quarto ventrículo • Plexos coroides: produzem líquor para o espaço subaracnóideo. • Granulações aracnoides: drenagem do líquor.