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O Príncipe MAQUIAVÉL

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Aumentando os tributos o povo o odiará.
Maquiavel afirma que um bom governador não teve temer ser taxado um pouco de miserável. Contanto que o povo não esteja em um estado de pobreza e que o Estado não precise exigir tributos demais dele, as pessoas não o odiarão.
Além disso, se for parcimonioso (gastar o mínimo possível para fazer o máximo de coisas possíveis), não terá problemas financeiros para defender seus territórios, pagar seus soldados e dominar novas terras.
Esse talvez seja um um dos capítulos mais polêmicos do livro O Príncipe. Nesse resumo tratarei de expor algumas passagens para facilitar a compreensão. Maquiavel já inicia o capítulo dizendo que todo líder deve desejar ser piedoso ao invés de cruel. Mas a crueldade, se moderada, pode se justificar. Para isso, exemplifica: César Bórgia era considerado cruel; entretanto, essa sua crueldade tinha recuperado a Romanha, logrando uní-la e pô-la em paz e em lealdade. O que, se bem considerado for, mostrará ter sido ele muito mais piedoso do que o povo florentino, o qual, para fugir à pecha de cruel, deixou que Pistóia fosse destruída.
O monarca não precisa temer ser considerado cruel se sua crueldade unir e salvar seu povo. Assim, é muito mais cruel alguém que, por ser piedoso demais, deixa seu povo ser roubado e assassinado.
Contudo, quando a situação exigir crueldade, deve agir com cautela, nunca com excessiva confiança e pressa. A questão que nasce daí, se é melhor ser temido ou amado, pode ser respondida pelo próprio Maquiavel:
A resposta é de que seria necessário ser uma coisa e outra; mas, como é difícil reuni-las, em tendo que faltar uma das duas é muito mais seguro ser temido do que amado.
Desse modo, na visão do autor, é melhor ser temido. Ele explica que o ser humano é mau por natureza, somente é seu amigo nos tempos bons. Nos tempos ruins, na menor das necessidades, te apunhala pelas costas.
No entanto, o temor é mantido permanentemente pelo medo do castigo. Apesar disso, ao ser temido, deve tentar não ser odiado, tomando as medidas mais drásticas somente quando a situação se mostrar conveniente e oportuna.
Deve, sobretudo, abster-se dos bens alheios, posto que os homens esquecem mais rapidamente a morte do pai do que a perda do patrimônio.
Quanto ao manejo dos exércitos, Maquiavel assevera que um chefe militar precisa ser ainda mais duro para preservar a disciplina e a união dos soldados.
O tópico desse capítulo versa sobre a necessidade ou não de manter a palavra. Maquiavel cita um mito dos antigos gregos para exemplificar. Ele menciona o centauro Chiron antigo mentor dos mais famosos governantes da Grécia Antiga, como Aquiles. Centauros, sendo metade homem e metade animal, representam a natureza dualista (mista) das pessoas. A primeira metade (humana) é a responsável pelas boas ações, enquanto a segunda (bestial) é responsável pelas ações más e pelos vícios.
Assim, o homem, para lidar com as situações do seu cotidiano precisa conciliar essas duas partes. Quanto à parte animal, ele ilustra com o exemplo da raposa e do leão. Pois o leão não sabe como se defender das armadilhas e a raposa não consegue lutar como os lobos.
É preciso, portanto, ser raposa para conhecer os laços e leão para aterrorizar os lobos. Aqueles que agem apenas como o leão, não conhecem a sua arte.
Dessa maneira, um lorde deve procurar manter sua palavra enquanto isso lhe for útil, mas ao menor sinal de necessidade, deve estar pronto para quebrá-la.
Lendo até aqui (O Príncipe: Resumo, capítulo 18) vocês já devem estar percebendo por que costuma-se falar que fulano é maquiavélico quando age com falsidade e se utiliza de mentiras para conseguir o que deseja. Ou quando está tramando algo furtivo com uma intensão não revelada. Isso será mais bem resumido à frente, mas, adiantando, para Maquiavel, os fins justificam os meios, não importa quais sejam.
Maquiavel, nesse capítulo, aconselha os monarcas a evitarem se tornar odiosos e desprezíveis. Isso porque essas características podem complicar ainda mais duas coisas: a invasão; e a conspiração. Uma invasão (ataque de outra nação) poderia muito bem ser defendida pelos exércitos do Estado, mas se o comandante for odiado, seu próprio povo poderá ajudar a derrubá-lo. Da mesma forma, mais facilmente se instaura uma conspiração contra um governo odiado.
Explica que os interesses dos nobres e dos plebeus são sempre contraditórios, mas se for contrariar alguém, que seja os nobres, já que o povo é muito mais perigoso se se irritar.
 Então, Maquiavel analisa o que seria melhor: desarmar a população ou manter uma fortaleza. Primeiro, diz que se o governo for novo, o melhor a se fazer é armar a população, se for antigo e estiver com o domínio em expansão. Quanto às fortalezas, afirma que podem ou não serem úteis a depender da situação enfrentada.
 Nesta parte do livro, o autor assevera que para um líder ter honra, deve conquistar novos territórios, demonstrando seu poderio militar, e “colocar a casa em ordem”, estabelecendo leis efetivas.
Como afirmado anteriormente, nunca é bom se manter neutro quando aos aliados e inimigos. Escolher um lado é importante para que todos não se voltem contra ele e para que tenha amparo em momentos difíceis.
Como o príncipe escolhe seus ministros? Para Maquiavel, ele deve primeiramente escolher alguém que seja leal. O que ele não pode fazer é escolher alguém ambicioso, com interesses diversos dos seus.
Por fim, o autor explica os tipos de inteligências que um governante precisa apresentar: E, porque são de três espécies as inteligências, uma que entende as coisas por si, a outra que discerne o que os outros entendem e a terceira que não entende nem por si nem por intermédio dos outros, a primeira excelente, a segunda muito boa e a terceira inútil (…).
Só há um meio de afastar os bajuladores: o governante não deve reprimir quem lhe diz a verdade, mesmo se for ruim, mas deixando todos falarem a verdade quando quiserem perde-se o respeito e a reverência.
Para resolver isso, o príncipe deverá ter ao seu redor algumas pessoas de extrema confiança que possam lhe aconselhar com a verdade, retirando dos demais esse privilégio. Além disso, seus conselheiros devem esperar seu pedido por conselho, nunca agindo por si próprios.
Nesse capítulo, Maquiavel faz uma síntese do livro O Príncipe, explicando por que o rei de Nápoles e o duque de Milão perderam seus Estados. Afirma que isso aconteceu por conta de sua incompetência na organização das forças militares e por conta de não saberem lidar com o povo.
Aqui, Maquiavel diz que os príncipes não podem ficar a mercê da boa ou má sorte. Ele compara a sorte a um rio, que pode ficar calmo por muito tempo até que uma tempestade invoque sua fúria. Assim, os homens que não se aproveitam da calmaria para edificarem barragens de proteção serão destruídos durante a tempestade. E não poderiam culpar a sorte, pois tiveram a chance de se resguardar.
Um líder também não pode ficar estanque no tempo. Deve sempre ser capaz de se adaptar às novas situações.
O Príncipe está caminhando para seu fim.
Maquiavel dedica esse livro a Lorenzo di Piero de’ Medici, instruindo-o a usar todos esses conselhos para sua governança de Florença. Afirma que se esses argumentos forem usados corretamente, os estrangeiros serão removidos do poder italiano e a Itália será uma nação forte e poderosa.

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