2017.0001.3617 0809782 11.2017.814.0301 IGOR DE OLIVEIRA VITAL (5 ANOS 2011 a 2015) Contestação FGTS Temporários JEF
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2017.0001.3617 0809782 11.2017.814.0301 IGOR DE OLIVEIRA VITAL (5 ANOS 2011 a 2015) Contestação FGTS Temporários JEF

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ESTADO DO PARÁ
PROCURADORIA-GERAL

AO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA FAZENDA PÚBLICA DE BELÉM

	ESTADO DO PARÁ, pessoa jurídica de direito público interno, inscrito no CNPJ sob o n.º 05.054.861/0001-76, representado judicialmente pela Procuradoria-Geral do Estado, com sede na Rua dos Tamoios, n.° 1671, Batista Campos – Belém/PA, CEP 66.025-540, vem perante Vossa Excelência e de acordo com fundamento no art. 30, da Lei n. 9.099/95, apresentar CONTESTAÇÃO à ação ordinária que lhe foi movida por IGOR DE OLIVEIRA VITAL (0809782-11.2017.814.0301), nos termos de fato e de direito que passa a expor:

I – SÍNTESE DA INICIAL

	Informa a parte autora que trabalhou para Estado, mediante contrato temporário, para exercer a função de engenheiro florestal, na SEMAS, no período compreendido entre 01/março/2011 e 16/setembro/2015.

	Aduz ainda, que, na ocasião do término do seu contrato temporário, não lhe foram pagas a verbas relativas ao FGTS, que, segundo sua ótica, alcançaria R$-12.281,42 (doze mil, duzentos e oitenta e um reais e quarenta e dois centavos).
	Assim, requer a condenação do contestante no pagamento: i) das verbas fundiárias e seus reflexos em aviso prévio, 13º salário, 1/3 de férias + férias; ii) de aviso prévio, 13º salário, 1/3 de férias + férias; iii) além de honorários de advogado.
	Eis, sucintamente, os fatos.
	Como se verificará, não assiste razão à parte demandante, porquanto o Estado do Pará efetuou o pagamento de todos os valores, efetivamente devidos, decorrentes da relação jurídica anteriormente estabelecida.
		
II – DA TEMPESTIVIDADE DA PRESENTE CONTESTAÇÃO

	O prazo para o réu responder a demanda é, nos termos do mandado recebido, de 30 (trinta) dias.
	Considerando que o mandado de citação foi cumprido em 06/junho/2017, não restam dúvidas que esta defesa é tempestiva, mormente porquanto os prazos processuais estiveram suspensos entre 06/julho/2017.

III - DO DIREITO

III.1. DO MÉRITO

a) DA PRESCRIÇÃO

	De início, é medida que se impõe a declaração de prescrição dos créditos perseguidos nesta demanda, em observância ao que dispõe o art. 3o, do Decreto n. 20.910/32 e Súmula 85 do STJ, em referência aos créditos dos anos anteriores ao quinquênio contado regressivamente à propositura desta demanda.
	
b) BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DA ORIGEM DO FGTS. DA INCOMPATIBILIDADE DO INSTITUTO COM A PRECARIDADE DA CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA. DA DISCRICIONARIEDADE DO ATO ADMINISTRATIVO DE EXONERAÇÃO DO SERVIDOR TEMPORÁRIO.

	O FGTS foi criado em 1966 como alternativa à chamada estabilidade decenal anteriormente assegurada aos trabalhadores celetistas. Tratava-se de uma forma de compensação a esta perda de estabilidade, garantindo aos trabalhadores o levantamento dos valores depositados acaso demitidos sem justa causa.
	Por meio de rápida análise da origem do instituto, verifica-se facilmente sua absoluta incompatibilidade com os contratos de natureza temporária celebrados pelo Poder Público. Os referidos contratos nunca geraram, nem jamais gerarão, o direito do servidor a qualquer tipo de estabilidade. Se aos temporários nunca foi assegurado este direito, não há qualquer perda a ser compensada quando de sua demissão.
	Os servidores temporários são contratados com a consciência da transitoriedade do vínculo com o Estado e nem mesmo eventuais prorrogações possuem o condão de desnaturar essa precariedade, transformando-o o contrato em permanente.
	Garantir o pagamento do FGTS aos trabalhadores temporários implicaria em reconhecer a eles mais direitos do que os conferidos aos servidores ocupantes de cargos de provimento efetivo, os quais tiveram de se submeter a um árduo processo seletivo. Com efeito, a aquisição da estabilidade no serviço público exige não somente a aprovação em prévio concurso público, mas também o cumprimento de um longo período de estágio probatório.
	Caso um servidor ocupante de cargo efetivo seja demitido antes dos três anos necessários ao cumprimento do estágio probatório, não lhe é assegurado o pagamento de indenização e isso se dá por um único motivo: a estabilidade ainda não tinha sido adquirida. Garantir mais direitos ao trabalhador temporário exonerado do que a um servidor ocupante de cargo efetivo que submeteu a concurso público seria o mais absurdo contrassenso.

	O ato de distrato/dispensa de servidor público temporário é, por sua essência, discricionário. Nem poderia ser diferente dado o caráter excepcional da contratação. E como ato discricionário, o distrato ou a dispensa de servidor temporário pode ser efetivado pela administração pública, a qualquer momento, sem prévio aviso, diante de critérios pautados na oportunidade e na conveniência do encerramento do pacto, sem que haja necessidade do pagamento de qualquer indenização, mas tão somente dos dias efetivamente trabalhados.
	Sob a égide da Lei Estadual n.º 5.389/87, está expressamente prevista a possibilidade de dispensa do servidor temporário a critério da Administração, senão veja-se:

“Art. 13 – Dar-se-á a dispensa do pessoal temporário (art. 2º, I, a e b):
(…)
V – a critério da administração”.

	Diante disso, considerando a incompatibilidade do instituto do FGTS com a transitoriedade do contrato temporário, especialmente, quando levado em consideração que o ato de dispensa desses servidores é absolutamente discricionário, forçoso reconhecer a ausência do direito pleiteado pela parte autora.

c) DA REGULAMENTAÇÃO DA CONTRATAÇÃO DE SERVIDORES TEMPORÁRIOS. DA POSSIBILIDADE DE ESCOLHA DO REGIME JURÍDICO APLICÁVEL PELO ENTE PÚBLICO.

	A contratação de servidor público temporário é medida constitucionalmente permitida, conforme o teor do art. 37, IX, da Constituição Federal, que assim dispõe, in verbis: “IX – a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público”.
	Trata-se de norma de eficácia limitada, cabendo a cada ente editar lei que regulamente a contratação temporária em sua esfera de poder.
	Muito se discute sobre a natureza jurídica do vínculo temporário firmado pelo ente público. Se por um lado, a Constituição fala em “contratação”, de outro, é inegável que o contratado temporariamente exerce atividade em prol do interesse público, servindo à coletividade da mesma maneira que o faz um concursado.
	Sob este prisma, tendo em vista a liberdade atribuída pela CF aos entes públicos, é inegável que, no exercício de sua autonomia, os Estados e Municípios podem dispor acerca dos casos em que haverá contratação temporária, bem como sobre a natureza jurídica desses contratos, podendo este vínculo ser de natureza celetista ou estatutária.
	Nesse sentido, Gustavo Alexandre Magalhães (in Contratação temporária por excepcional interesse público: aspectos polêmicos. São Paulo: LTr, 2005, p. 226) afirma que, “quanto à natureza jurídica do vínculo do servidor temporário, (...) cabe ao legislador dos respectivos entes federativos optar pelo regime trabalhista ou pelo contrato administrativo de trabalho”.
	No caso do Estado do Pará, foi editada a Lei Complementar nº 07/1991 que atribuí, expressamente, natureza estatutária aos contratos temporários:

“Art. 4º O regime jurídico dos servidores contratados é de natureza administrativa, regendo-se por princípio de direito público, aplicando-se-lhes, durante o exercício da função ou a realização do serviço, naquilo que for compatível com a transitoriedade da contratação, os direitos e deveres referidos no Estatuto Dos Funcionários Públicos, contando-se o tempo da prestação do serviço para o fim do disposto no art. 33, §3º, da Constituição do Estado do Pará”

	Assim sendo, todas as contratações de servidores temporários pelo Estado do Pará submetem-se, por força de lei, ao regime jurídico administrativo, subordinando-se à Lei Estadual n.º 5.810/94, com a exclusão de direitos tipicamente trabalhistas, como é o caso do FGTS.
	Desta forma, não poderia o gestor, ao arrepio da lei, durante a vigência do contrato temporário submetido ao regime