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HUPP   Capítulos 6 9 Cirurgia Oral Básica

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CAPÍTULO
SUMÁRIO DO CAPÍTULO
INCISANDO O TECIDO
ELEVANDO O MUCOPERIÓSTEO
AFASTANDO O TECIDO MOLE
APREENDENDO O TECIDO MOLE
CONTROLANDO HEMORRAGIAS
REMOVENDO OSSO
Pinças-goivas
Broca e Peça de Mão
Martelo e Cinzel
Lima para Osso
REMOVENDO TECIDO MOLE DE CAVIDADES ÓSSEAS
SUTURANDO O TECIDO MOLE
Porta-agulhas
Agulha de Sutura
Material de Sutura
Tesouras
MANTENDO A BOCA ABERTA
ASPIRANDO
MANTENDO OS CAMPOS CIRÚRGICOS EM POSIÇÃO
IRRIGANDO
EXTRAINDO DENTES
Alavancas Dentais
Tipos de Alavancas
Fórceps para Exodontia
Componentes dos Fórceps
Fórceps para Maxila
Fórceps para Mandíbula
SISTEMAS DE BANDEJAS PARA INSTRUMENTOS
A lâmina de bisturi é cuidadosamente montada no cabo, sen-
do segura por um porta-agulhas. Isto minimiza a chance de le-
sionar os dedos. A lâmina também é segurada pelo lado não cor-
tante, onde é reforçada com pequena ranhura, e o cabo é fi xado 
de forma que a parte do encaixe esteja virada para cima (Fig. 6-3, 
A). A lâmina do bisturi é então deslizada lentamente no cabo 
ao longo dos sulcos da porção macho até que ela se encaixa em 
posição (Fig. 6-3, B). A lâmina é removida de maneira similar. O 
porta-agulhas segura a ponta da lâmina (Fig. 6-3, C) e a levanta 
para soltá-la do encaixe do cabo lentamente. A lâmina é então 
deslizada para fora do cabo (Fig. 6-3, D). Depois de usada ela 
deve ser descartada imediatamente em uma caixa coletora rígida 
de materiais perfurocortantes, especifi camente desenhada para 
este fi m. Estas caixas geralmente são vermelhas1 (ver Fig. 5-6).
Quando se utiliza um bisturi para fazer a incisão, o cirurgião 
quase sempre segura o cabo como uma caneta (Fig. 6-4) a fi m 
de permitir o máximo de controle da lâmina durante a incisão. 
Tecidos moles desapoiados devem ser mantidos fi rmemente em 
posição sob certa tensão, de forma que durante a confecção da 
incisão a lâmina incise, e não simplesmente empurre a mucosa. 
Quando se incisa um tecido mole retrátil, um instrumento tipo 
afastador deve ser usado para manter o tecido estendido durante 
a incisão. Quando se faz uma incisão mucoperiosteal, a lâmina 
deve ser pressionada de forma que esta incisão penetre a mucosa 
e o periósteo no mesmo movimento.
Lâminas de bisturi e conjuntos de cabo e lâminas de bisturi 
descartáveis são feitas para a utilização em apenas um paciente. 
Elas perdem corte facilmente quando entram em contato com 
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Instrumentação para Cirurgia 
Oral Básica
JAMES R. HUPP 
O propósito deste capítulo é apresentar os instrumentos comu-
mente necessários para uma extração dentária de rotina e outros 
procedimentos básicos em cirurgia oral. Os instrumentos são 
usados numa ampla variedade de propósitos, incluindo proce-
dimentos no tecido mole e no tecido duro. Este capítulo trata, 
basicamente, da descrição dos instrumentos.
INCISANDO O TECIDO
Muitos procedimentos cirúrgicos se iniciam com uma incisão. 
O instrumento básico para fazer estas incisões é o bisturi, que 
é composto por um cabo reutilizável e por uma lâmina afi ada 
estéril e descartável. Bisturis também estão disponíveis para uso 
único, com um cabo plástico e uma lâmina fi xa. O cabo mais co-
mumente utilizado para cirurgia oral é o no 3 (Fig. 6-1). A ponta 
de um cabo do bisturi é preparada para receber uma variedade de 
lâminas de diferentes formatos que devem ser inseridas na ponta 
do cabo, onde se encaixa em uma fenda.
A lâmina de bisturi mais empregada na cirurgia intraoral é a 
de no 15 (Fig. 6-2). Ela é pequena e utilizada para fazer incisões 
ao redor dos dentes e nos tecidos moles. A lâmina é similar, em 
sua forma, a uma superior que a no 10, utilizada para incisões 
maiores na pele em outras partes do corpo. Outras lâminas co-
mumente empregadas na cirurgia intraoral incluem as de no 11 
e 12. A lâmina no 11 possui ponta afi ada e pontiaguda que é 
utilizada, primariamente, para se fazer pequenas incisões perfu-
rantes e também para incisar um abscesso. A lâmina no 12 curva 
é útil para procedimentos mucogengivais nos quais as incisões 
são feitas na face distal dos dentes ou na área da tuberosidade. 1Nota do T.: No Brasil estas caixas são amarelas. 
76 PARTE II • PRINCÍPIOS DE EXODONTIA
tecido duro como osso ou dente, e mesmo depois de repetidas 
incisões em tecidos queratinizados. Se forem necessárias várias 
incisões através do mucoperiósteo até o osso, poder’a ser ne-
cessária a utilização de uma segunda lâmina durante uma única 
cirurgia. Lâminas cegas não fazem incisões limpas e precisas no 
tecido mole e, portanto, devem ser trocadas antes que se tornem 
excessivamente sem corte.
ELEVANDO O MUCOPERIÓSTEO
Quando uma incisão é feita através do periósteo, este, idealmen-
te, deve ser descolado do osso cortical subjacente em apenas 
uma camada com um descolador de periósteo. O instrumento 
utilizado com maior frequência em cirurgia oral é o descolador 
de periósteo tipo Molt no 9 (Fig. 6-5). Este instrumento tem uma 
ponta afi ada e pontiaguda e uma outra mais larga e arredonda-
da. A parte pontiaguda é utilizada para iniciar o descolamento 
e para descolar a papila gengival entre os dentes, e a parte mais 
larga e arredondada é utilizada para continuar o descolamento 
do periósteo do osso.
Existem outros tipos de descolador de periósteo para uso dos 
periodontistas, ortopedistas e outros cirurgiões envolvidos em 
cirurgias ósseas.
O descolador de periósteo Molt no 9 pode ser usado para des-
colar o tecido por três métodos. Primeiro, a parte pontiaguda 
pode ser usada com movimentos de alavanca para elevar o te-
cido mole. Isto é mais comumente utilizado quando se descola 
uma papila gengival da região interdental ou da mucosa aderi-
da ao redor de um dente a ser extraído. O segundo método é o 
movimento de empurrar, no qual a parte pontiaguda ou a parte 
mais larga é forçada para baixo do periósteo, separando-o do 
osso subjacente. Este é o movimento mais efi ciente e resulta no 
descolamento mais preciso do periósteo. O terceiro método é 
um movimento de puxar. Este método eventualmente é útil, mas 
tende a rasgar ou dilacerar o periósteo, a não ser que seja cuida-
dosamente executado.
AFASTANDO O TECIDO MOLE
Um bom acesso e uma boa visão são essenciais para uma exce-
lente cirurgia. Uma variedade de afastadores tem sido desenhada 
para afastar as bochechas, língua e retalhos mucoperiósteos com 
o objetivo de fornecer acesso e visibilidade durante a cirurgia. Os 
afastadores também podem auxiliar na proteção do tecido mole 
de instrumentos perfurocortantes.
Os dois afastadores de bochecha mais populares são (1) o afas-
tador de ângulo reto de Austin (Fig. 6-6) e (2) o mais amplo 
afastador de Minnesota (Fig. 6-7). Estes afastadores também po-
dem ser utilizados para separar a bochecha e um retalho muco-
periósteo simultaneamente. Antes de ser feito o retalho, o afas-
tador aparta delicadamente a bochecha, e uma vez que o retalho 
tenha sido descolado, a borda do afastador é apoiada sobre o 
osso e, então, ele é utilizado para separar o retalho.
O afastador de Seldin é um outro tipo de instrumento (Fig. 
6-8) utilizado para apartar tecidos moles orais. Embora este afas-
tador possa parecer um descolador de periósteo, a borda ativa 
não é afi ada e sim, na verdade, suave; ele não deve ser utilizado 
para descolar o mucoperiósteo. O deslocador de periósteo de 
Molt no 9 também pode ser utilizado como um afastador. Uma 
vez que o periósteo tenha sido descolado, a lâmina mais larga 
do deslocador de periósteo é mantida fi rmemente sobre o osso, 
afastando o retalho mucoperiósteo.
O instrumento mais usado para afastar a língua durante a 
exodontia de rotina é o espelho bucal. O espelho normalmente 
é parte de qualquer bandeja básica por ter a função de permitir 
a visualização indireta durante o exame e procedimentos odon-
tológicos. O espelho também pode ser utilizado como um afas-
tador de língua