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��� �� 1ª Prova diagnóstica – 2015 – 3ª Série SEDUC-GO – Língua Portuguesa – Ens. M � ESCOLA: ________________________ Prof.:____________________________ Nome: ___________________________ Leia o texto abaixo e, em seguida, responda questões 1 e 2. Os Moralistas Luis Fernando Veríssimo — Você pensou bem no que vai fazer, Paulo? — Pensei. Já estou decidido. Agora não volto atrás. — Olhe lá, hein, rapaz... Paulo está ao mesmo tempo comovido e surpreso com os três amigos. Assim que souberam do seu divórcio iminente, correram para visitá-lo no hotel. A solidariedade lhe faz bem. Mas não entende aquela insistência deles em dissuadi-lo. Afinal, todos sabiam que ele não se acertava com a mulher. — Pense um pouco mais, Paulo. Reflita. Essas decisões súbitas... — Mas que súbitas? Estamos praticamente separados há um ano! — Dê outra chance ao seu casamento, Paulo. — A Margarida é uma ótima mulher. — Espera um pouquinho. —Você mesmo deixou de frequentar nossa casa por causa da Margarida. Depois que ela chamou vocês de bêbados e expulsou todo mundo. — E fez muito bem. Nós estávamos bêbados e tínhamos que ser expulsos. — Outra coisa, Paulo. O divórcio. Sei lá. — Eu não entendo mais nada. Você sempre defendeu o divórcio! — É. Mas quando acontece com um amigo... — Olha, Paulo. Eu não sou moralista. Mas acho a família uma coisa importantíssima. Acho que a família merece qualquer sacrifício. — Pense nas crianças, Paulo. No trauma. — Mas nós não temos filhos! — Nos filhos dos outros, então. No mau exemplo. — Mas isto é um absurdo! Vocês estão falando como se fosse o fim do mundo. Hoje, o divórcio é uma coisa comum. Não vai mudar nada. — Como, não muda nada? — Muda tudo! — Você não sabe o que está dizendo, Paulo! Muda tudo. — Muda o quê? — Bom, pra começar, você não vai poder mais frequentar as nossas casas. — As mulheres não vão tolerar. — Você se transformará num pária social, Paulo. — O quê?! — Fora de brincadeira. Um reprobo. — Puxa. Eu nunca pensei que vocês... — Pense bem, Paulo. Dê tempo ao tempo. — Deixe pra decidir depois. Passado o verão. — Reflita, Paulo. É uma decisão seríssima. Deixe para mais tarde. — Está bem. Se vocês insistem... Na saída, os três amigos conversam: — Será que ele se convenceu? — Acho que sim. Pelo menos vai adiar. — E no solteiros contra casados da praia, este ano, ainda teremos ele no gol. — Também, a ideia dele. Largar o gol dos casados logo agora. Em cima da hora. Quando não dava mais para arranjar substituto. — Os casados nunca terão um goleiro como ele. — Se insistirmos bastante, ele desiste definitivamente do divórcio. — Vai aguentar a Margarida pelo resto da vida. — Pelo time dos casados, qualquer sacrifício serve. — Me diz uma coisa. Como divorciado, ele podia jogar no time dos solteiros? — Podia. — Impensável. — É. — Outra coisa. — O quê? — Não é reprobo. É réprobo. Acento no "e". — Mas funcionou, não funcionou? VERISSIMO, Luis Fernando. Moralistas. In: As Mentiras que os Homens Contam. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2000, pág. 4. D4 –––––––– QUESTÃO 01 ––––––––––– Infere-se do texto que (A) os amigos de Paulo são solidários. (B) Paulo decidiu se separar de sua esposa. (C) os amigos de Paulo são falsos moralistas. (D) os amigos de Paulo defendem a importância da família. (E) Paulo, como divorciado, seria um mau exemplo para todos. D15 ––––––––– QUESTÃO 02 –––––––––– No trecho, “Assim que souberam do seu divórcio iminente, correram para visitá-lo no hotel.”, a expressão destacada estabelece uma relação de (A) conclusão. (B) concessão. (C) causalidade. (D) sequenciação. (E) temporalidade. D18 –––––––––– QUESTÃO 03 –––––––––– Leia o texto abaixo e, em seguida, responda: Por parte de pai Bartolomeu Campos Queirós Minha cama ficava no fundo do quarto. Pelas frestas da janela soprava um vento resmungando, cochichando, esfriando meus pensamentos, anunciando fantasmas. As roupas, dependuradas em cabides na parede, se transfiguravam em monstros e sombras. Deitado, enrolado, parado, imóvel, eu lia recado em cada mancha, em cada dobra, em cada sinal. O barulho do colchão de palha me arranhava. O escuro apertava minha garganta, roubava meu ar. O fio da luz terminava amarrado na cabeceira do catre. O medo assim maior do que o quarto me levava a apertar a pera de galalite e acender a luz, enfeitada com papel crepom. O claro me devolvia as coisas em seus tamanhos verdadeiros. O nariz do monstro era o cabo do guarda-chuva, o rabo do demônio o cinto do meu avô, o gigante, a capa ―Ideal‖ cinza para os dias de chuva e frio. Então, procurava distrair meu pavor decifrando os escritos na parede, no canto da cama, tão perto de mim. Mas era minha a dificuldade de acomodar as coisas dentro de mim. Sobrava sempre um pedaço [...] QUEIRÓS, Bartolomeu Campos. Por parte de pai. Belo Horizonte:RHJ, 1995. No trecho,“Pelas frestas da janela soprava um vento resmungando, cochichando, esfriando meus pensamentos, anunciando fantasmas.”, o termo sublinhado sugere (A) medo. (B) calma. (C) alívio. (D) remorso. (E) desânimo. D17 –––––––––– QUESTÃO 04 –––––––––– Leia o texto abaixo e, em seguida, responda: Disponível em: http://tiras-do-calvin.tumblr.com/image/26502826556 . Acesso em: 21/11/2014. O negrito utilizado no segundo quadrinho nas palavras “Meu” e “Minha” sugere (A) ironia. (B) crítica. (C) ênfase. (D) humor. (E) desprezo. Leia o texto abaixo e, em seguida, responda aos itens 5, 6 e 7. Quem vai encarar o Facebook? Felipe Vicilic "Sua rede social é controlada por publicitários. Você é o produto comprado e vendido." Assim, com desmedido exagero, a startup americana Ello anunciou o lançamento de uma nova rede social online, de mesmo nome. O site pretende se consolidar como uma espécie de antiFacebook. Nas palavras da equipe: "Livre de propagandas. A Ello não vende dados sobre você". Parece utópico. Google e Facebook nasceram com proposta similar, mas logo abriram as portas para o bem-vindo dinheiro da publicidade, sem o qual ambos não sobreviveriam, muito menos se tornariam empresas bilionárias. Logo que foi lançada, em março, a Ello foi levada ao canto do ringue. A opinião geral era de que cederia. No mês passado, foi além, ao se tornar uma corporação de utilidade pública, categoria que nos Estados Unidos abrange empresas que se comprometem com metas sociais. Com isso, o compromisso de ser livre de anúncios e de não faturar com coleta de dados virou uma obrigação legal. [...] VILICIC, Felipe. Quem vai encarar o Facebook? In: Revista Veja. Edição 2398. São Paulo: Editora Abril, 2014, p. 106. D9 –––––––––– QUESTÃO 05 –––––––––– Qual é a principal informação do texto? (A) A nova rede social online ser livre de propagandas. (B) As redes sociais serem controladas por publicitários. (C) O lançamento de uma nova rede social online, a Ello. (D) A pretensão do novo site se consolidar como um antiFacebook. (D) A abertura do Facebook e do Google para o dinheiro da publicidade. D12 –––––––––– QUESTÃO 06 –––––––––– O objetivo desse texto é (A) criticar. (B) instruir. (C) entreter. (D) anunciar. (E) informar. D13 –––––––––– QUESTÃO 07 –––––––––– A linguagem empregada nesse texto é a (A) formal. (B) técnica. (C) jurídica. (D) científica. (E) coloquial. Leia o texto abaixo e, em seguida, responda aos itens 8, 9 e 10. Em defesa da leitura sem vergonha Danilo Venticinque O sucesso de "A culpa é das estrelas" nos cinemas e nas livrarias é uma notícia excelente para o mercado literário. Deveria ser comemorada por qualquer pessoa que acredite num futuro em que o hábito de ler seja mais difundido.Mas os pessimistas de sempre não perderam a chance de se manifestar. Para alguns críticos literários e leitores elitistas, qualquer notícia é má notícia. A popularidade dos livros juvenis, em vez de ser um alento, é um desastre irremediável. Um artigo publicado há algumas semanas pela revista digital americana Slatesintetiza a opinião da turma do contra. O título já diz tudo: "Adultos que leem livros para crianças deveriam se envergonhar". Ao longo do texto, a jornalista Ruth Graham lista motivos pelos quais adultos não deveriam perder seu tempo com "A culpa é das estrelas" e outras obras do gênero. Diz que os livros são inocentes demais, incentivam uma leitura acrítica e oferecem uma gratificação instantânea. Para jovens leitores em formação, seriam um mal necessário. Mas os milhões de adultos que se emocionaram com a história narrada por John Green deveriam ter vergonha disso - e procurar um livro para adultos imediatamente. Ruth não está sozinha. Em qualquer conversa sobre literatura é possível encontrar leitores que manifestam, com ar de superioridade, opiniões semelhantes a essa. Histórias policiais, fantásticas ou romances adolescentes são vistos como subliteratura. Seus fãs, consequentemente, são subleitores. Bom mesmo é ler autores clássicos ou, na falta deles, uma meia dúzia de contemporâneos que tentam imitá-los. Ao condenarem livros populares, esses críticos contribuem parareforçar a imagem da literatura como um prazer sofisticado, que só pode ser aproveitado por uma elite intelectual. Mas não enxergam a importância que esses títulos têm não só para o mercado, como também para a formação de novos leitores. Basta olhar para as listas de mais vendidos para comprovar que as livrarias e editoras estariam em apuros sem o público conquistado por esses best-sellers supostamente inferiores. Ao dizer que romances juvenis só deveriam ser lidos por adolescentes, os críticos se esquecem do óbvio: nem todos começam a ler na adolescência. Para muitos adultos, as histórias acessíveis e cativantes contadas em romances juvenis são uma excelente introdução à literatura. Ninguém começa lendo James Joyce. Entre ler a obra completa de John Green e parar nas primeiras páginas de Ulysses, a primeira opção me parece mais saudável e promissora para quem está descobrindo a leitura. Mesmo que os fãs de autores juvenis não abram um só livro "adulto" em todas suas vidas, ainda assim sua experiência terá sido positiva. Ler um romance juvenil pode até ser menos enriquecedor do que ler um clássico da literatura, mas é muito melhor do que não ler livro algum. Parece bobagem, mas muitos críticos não entendem que essa escolha entre ler livros clássicos e ler livros populares não existe. Para a maioria das pessoas, a escolha é entre ler livros populares e fazer outra coisa: jogar videogame, assistir a um filme, passar a tarde no Facebook. A decisão de ler um livro, não importa o gênero, é uma vitória para a literatura. Além de falta de visão, a crítica aos romances juvenis revela uma boa dose de hipocrisia. Não há leitor que não tenha, em sua prateleira, um daqueles livros que amamos sem respeitar. Pode ser uma história barata de detetive, uma ficção científica das mais absurdas, uma coleção de contos de terror ou, por que não, um romance adolescente. Ler um livro por prazer não deveria ser motivo de vergonha para ninguém. Vergonha é passar meses sem ler nada – ou criticar a leitura alheia em vez de olhar para a própria prateleira. Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/danilo-venticinque/noticia/2014/07/em-defesa-da-bleitura-sem-vergonhab.html. Acesso em 20/11/2014. D7 –––––––––– QUESTÃO 08 –––––––––– O autor Danilo Venticinque defende a tese de que (A) os livros de romances juvenis são inocentes demais. (B) o importante é ler um livro independente do gênero. (C) a popularidade dos livros juvenis é um desastre irremediável. (D) os adultos devem se envergonhar por lerem romances juvenis. (E) a leitura é um prazer sofisticado aproveitado por uma elite intelectual. D8 –––––––––– QUESTÃO 09 –––––––––– Qual é o principal argumento que sustenta a tese do texto? (A) “A decisão de ler um livro, não importa o gênero, é uma vitória para a literatura.” (B) "Mas os milhões de adultos que se emocionaram com a história narrada por John Green deveriam ter vergonha disso [...]" (C) "[...] os livros são inocentes demais, incentivam uma leitura acrítica e oferecem uma gratificação instantânea". (D) "Bom mesmo é ler autores clássicos ou, na falta deles, uma meia dúzia de contemporâneos que tentam imitá-los." (E) "Ao condenarem livros populares, esses críticos contribuem para reforçar a imagem da literatura como um prazer sofisticado." D21 –––––––––– QUESTÃO 10 –––––––––– As opiniões de Danilo Venticinque e de Ruth Graham sobre a leitura de livros juvenis por adultos são (A) semelhantes. (B) consonantes. (C) antagônicas. (D) inconsistentes. (E) complementares. PRODUÇÃO DE TEXTO O artigo de opinião é um gênero no qual o autor expõe seu posicionamento diante de algum tema atual e de interesse social. O tipo de texto que predomina nesse gênero é o dissertativo-argumentativo. Sendo assim, o escritor do artigo de opinião (o articulista), além de defender um ponto de vista (tese) em torno de uma questão polêmica, precisa sustentar essa defesa por meio de uma argumentação convincente. O uso de operadores argumentativos é fundamental para articular as ideias no texto. Escreva um artigo de opinião para um jornal local, apresentando a sua opinião sobre o tema: Leitura de livros juvenis: motivo de vergonha para adultos ou experiência positiva? Para a escrita de seu artigo de opinião posicione-se em relação ao tema apresentado e tenha como apoio o texto de Danilo Venticinque "Em defesa da leitura sem vergonha” (questões 8, 9 e 10), bem como os seus conhecimentos sobre a temática. Para tanto, é imprescindível que você defenda seu ponto de vista, apresentando argumentos que o sustentem e que possam refutar outros pontos de vista contrários aos seus. Considere as características próprias desse gênero. Crie um título que sintetize de forma criativa as ideias desenvolvidas em seu texto e que reforce a questão polêmica. __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ � PAGE �3�