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Manual de Teologia Católica   Versão Atualizada

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a verdade criada em verdade sabida, pensada e expressa. A fé em busca da inteligência (fides quarens intellectum) conclusões deduzíveis. 
Em 1054, temos o primeiro grande cisma Ocidente/ Oriente com Miguel Cerulário. A teologia Oriental não assimila a dialética, ela conserva o aspeto contemplativo e simbólico, privilegiando a dimensão apofática, misteriosa, o silêncio da teologia. 
A figura mais alta da escolástica é Tomás de Aquino combina rigor teórico, criatividade e ousadia. Desenvolve uma teologia obediente à revelação que responde às exigências da epistemologia de Aristóteles e por conseguinte ela é chamada ciência. A suma teologia durante séculos foi texto base da elaboração teológica. 
Com Tomás de Aquino saímos do credere- crer para compreender (da patrística) e passamos ao crer e compreender. A elaboração sistematizante do pensamento é feita por via da relação afirmação, negação e síntese – o movimento de pensamento é uma elipse e não um círculo. Temos um duplo foco da teologia: ciência que Deus comunica e ciência que o homem alcança pela reflexão autónoma, ela conjuga o ponto de vista de Deus e o ponto de vista do homem, concilia fé e razão. 
1.2.5. Teologia anti- moderna – da Idade Média até Vaticano II cinco (5) séculos 
Época de mudanças sócias rápidas e profundas, capitalismo mercantil, trocas culturais, a formação da supremacia da razão e do individualismo racional, desenvolvimento da arte e do humanismo. 
Crescente separação entre império e papado, entre a Igreja e a política. 
É uma Teologia de defesa cujo ponto mais alto é a celebração do Concílio Vaticano I com a proclamação do dogma do primado e da infalibilidade papal. A teologia recusa-se a dialogar com o mundo moderno. 
Para quem é feita a teologia nesta época? Para o clérigo religioso ou diocesano. O Concilio de Trento decretou a criação de seminários para a formação do clero. 
Três áreas de desenvolvimento da teologia são identificadas: Fundamental, Moral e Dogmática A área da Teologia Fundamental ocupa-se da Apologética (suscitar e testemunhar a fé) 
 A Teologia Moral oferece estrutura da vida humana a partir da lei (divina, natural e positiva) 
 A Teologia Dogmática, graças ao seu método regre apresenta os pilares da fé Cristã. A partir de uma tese, busca argumentos racionais que iluminados pela Sagrada Escritura permitem justificar e fundamentar a fé cristã. É uma Teologia rigorosa, conceptual, objetiva e uniforme. 
1.3. A teologia hoje 
A teologia mais do que um discurso sobre Deus torna-se um discurso sobre a Palavra de Deus, cujo objetivo é compreender, aprofundar o seu sentido valendo-se de instrumentos de compreensão de que o homem dispõe. Mas dado que tais instrumentos mudam de uma época para a outra, de um continente para o outro segue-se logicamente a formação de uma grande variedade de discursos sobre Deus, isto é de teologias. 
Nos nossos dias a Teologia tem em conta um marco importante na Igreja Católica: o Concílio ecuménico Vaticano II (11/10/1962 – 8/12/1965). A Teologia, valoriza os esforços, aquisições e orientações deste Concílio, que concebe a fé como dom recebido e orienta o estudo das realidades divinas à luz da fé, sob a orientação do Magistério, fazendo da Sagrada Escritura a alma da Teologia. 
1.4. Revelação 
1.4.1. Conceito de revelação 
Entende-se por revelação o acto de tirar o véu que cobre uma realidade, o acto de tornar acessível uma verdade até então velada ou oculta. Este conceito é usado para indicar a realidade ampla que constitui o dado de fé que nos é oferecido no Evento Jesus Cristo. 
1.4.2. Conteúdos da revelação 
A Constituição Dogmática sobre a Revelação divina no seu número dois condensa o conteúdo da Revelação na Economia da Salvação nos seguintes termos: “Aprouve a Deus, na sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e tornar conhecido o mistério da sua vontade, por meio do qual os homens, através de Cristo, Verbo Incarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e n’Ele se tornam participantes da natureza divina” (Concílio Vaticano II, Dei Verbum, 2) Está claro que é livre iniciativa de Deus o acto de se revelar. O movente da tal liberdade é a sua bondade e sabedoria. Era natural que Deus que é suma bondade não permanecesse fechado em si mesmo eternamente. E a sabedoria sempre move para o bem. A intenção do acto é salvífica, porque é para que os homens tenham acesso ao Pai pelo Espírito. Deus faz-se conhecer para o homem entrar no mundo de Deus. [7: Chamamos Economia da Salvação ao processo de revelação da Verdade sobre Deus ao longo da história da humanidade, tal como se revelou na História de Israel atingindo o seu ápice em Jesus Cristo. ]
A revelação divina concretiza-se por meio de palavras e acções intimamente ligadas entre si ao longo da história da salvação. Mas a revelação plena acontece na pessoa de Cristo que é o mediador e o agente do projecto de revelação do Pai. Ele é o mediador porque é o enviado, é o agente porque Ele mesmo é Deus em acção. 
1.4.3. Etapas da revelação 
Chamamos etapas da Revelação os diferentes momentos nos quais as verdades sobre Deus foram reveladas à humanidade. 
1.5. Deus se revela na Criação 
Um dos aspectos nos quais Deus se revelou ao homem é como o Deus criador. Este aspecto da revelação é comum às três grandes religiões: o judaísmo, o cristianismo e o Islão. 
1.5.1. Conceito de Criação 
O termo «criação» é um conceito propriamente teológico de fé judaico-cristão e trata do conjunto de todos os seres com o sinónimo de criaturas. A criação é «o fundamento de todos os divinos desígnios salvíficos, e manifesta o amor omnipotente e sapiente de Deus; é o primeiro passo para a aliança do único Deus com o seu povo; é o início da história da salvação que culmina em Cristo; é a primeira resposta às interrogações fundamentais do homem acerca da própria origem e do próprio fim» (cfr. CIC 279-289 315). 
O termo criar, assim designa uma actividade própria e exclusiva de Deus, uma actividade diferente de fabricação humana. Não se trata, portanto, de um mero fazer teórico e instrumental que exige provas científicas, mas sim um agir que envolve a intencionalidade do agente (Deus) pela própria iniciativa como seu projecto por Ele iniciado e que envolve o homem através do seu convite a ser co-criador. 
Para designar a acção criadora de Deus, se emprega o verbo hebraico barã (criar), da tradição sacerdotal, para designar a criação de Deus. Ele significa a criação – não condicionada e livre de requisitos – como marco histórico da natureza e do espírito. O que não existia passa a existir nesse momento (Ex 34,10; Nm 16,30; Sl 51,12, etc.). Esta actividade divina carece de analogias (Conte, 1994, p. 237). 
Distingue –se assim o “criar” (barã) e “fazer” (asâh). O verbo barã designa a totalidade da criação e é empregado exclusivamente quando se fala de Deus, na sua acção criadora, ou seja, na criação: «No princípio, Deus criou o céu e a terra» (Gn 1,1). Diferentemente, o verbo asâh, inicia no versículo 2 e é concluído com o dia de descanso, indica a realização consequente de uma obra, a função determinada de uma obra. Somente o fazer, na medida em que é uma configuração e produção, é modelo do trabalho manual. Mas a actividade criadora divina e a actividade humana não têm nada em comum. 
1.5.2. Deus é o Criador 
A omnipotência de Deus tem como última consequência a sua actividade criadora, ou mais exactamente, a criação do nada. 
O evento da criação é apresentado como criação mediante a palavra: Ele cria pela sua palavra (Bauer, 1988, p. 233). 
A ideia da criação do nada, ou seja, do nada tudo proveio, vem da expressão Creatio ex nihil, expressão que se encontra na boca da mãe dos filhos Macabeus (cf. 2Mac 7,28). 
Deus cria livremente, sem necessidade alguma, sem coação alguma. No entanto, a expressão creatio ex nihil indica um limite. O nihil é limite “do nada”, i. é.do puro nada (La Peña, 1986, pp. 
134-139). A preposição “de” não aponta para algo preexistente, mas exclui toda matéria. 
1.5.3. Cristo princípio,