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Avaliação de Empresas e
Governança Corporativa
Marcelo Cerqueira Silva
APRESENTAÇÃO
É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Avaliação de Empresas
e Governança Corporativa, parte integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao apren-
dizado dinâmico e autônomo que a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é
propiciar aos(às) alunos(as) uma apresentação do conteúdo básico da disciplina.
A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidis-
ciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail.
Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br,
a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso,
bem como acesso a redes de informação e documentação.
Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suple-
mento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para
uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal.
A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar!
Unisa Digital
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................... 5
1 AVALIAÇÃO E VALOR DE EMPRESA - VALUATION .......................................................... 7
1.1. Análise Detalhada do Risco da Atividade Empresarial .....................................................................................9
1.2 Fatores Determinantes do Risco das Empresas ...................................................................................................9
1.3 Visita às Empresas .........................................................................................................................................................13
1.4 Importância da Avaliação de Empresas ...............................................................................................................15
1.5 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................15
1.6 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................16
2 METODOLOGIAS DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS ......................................................... 17
2.1 Metodologia do Valor Contábil ...............................................................................................................................18
2.2 Metodologia do Valor Patrimonial e de Mercado ............................................................................................22
2.3 Metodologia do Valor de Liquidação ....................................................................................................................23
2.4 Metodologia do Preço por Lucro (P/L) .................................................................................................................23
2.5 Metodologia de Capitalização dos Lucros ..........................................................................................................24
2.6 Metodologia do Valor Presente Líquido ..............................................................................................................25
2.7 Taxa Interna de Retorno (TIR) ...................................................................................................................................27
2.8 Período Payback (PP) ................................................................................................................................................27
2.9 Metodologia dos Fluxos de Caixa Descontados ..............................................................................................30
2.10 Resumo do Capítulo .................................................................................................................................................32
2.11 Atividades Propostas ................................................................................................................................................32
3 ANÁLISE DOS ATIVOS INTANGÍVEIS ...................................................................................... 33
3.1 O Fator Humano na Gestão do Negócio ..............................................................................................................33
3.2 Goodwill ............................................................................................................................................................................35
3.3 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................36
3.4 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................36
4 ALAVANCAGEM NAS EMPRESAS ............................................................................................. 37
4.1 Alavancagem Financeira ............................................................................................................................................37
4.2 Alavancagem Operacional ........................................................................................................................................40
4.3 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................43
4.4 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................43
5 CUSTO DE CAPITAL ............................................................................................................................ 45
5.1 Custo Médio Ponderado de Capital (CMPC) ......................................................................................................46
5.2 Custo Líquido do Capital de Terceiros (CLCT) do Capital Próprio (CAPM) .............................................47
5.3 Cálculo do CMPC ......................................................................................................................................................48
5.4 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................50
5.5 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................50
6 POLÍTICA DE DIVIDENDOS ........................................................................................................... 51
6.1 Procedimentos para o Pagamento de Dividendos ..........................................................................................52
6.2 Datas para o Pagamento dos Dividendos ...........................................................................................................52
6.3 Planos de Reinvestimentos de Dividendos ........................................................................................................53
6.4 Teoria Residual de Dividendos ...............................................................................................................................54
6.5 Tipos de Políticas de Dividendos ...........................................................................................................................55
6.6 Distribuição de Dividendos como Consequência da Faltade Projetos ...................................................58
6.7 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................59
6.8 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................59
7 AVALIAÇÃO DE EMPRESAS COM EVA ................................................................................... 61
7.1 Cálculo do Valor Econômico Agregado (EVA) ....................................................................................................62
7.2 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................66
7.3 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................66
8 AVALIAÇÃO DE EMPRESAS COM MVA ................................................................................. 67
8.1 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................69
8.2 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................69
9 TEORIA DA AGÊNCIA ........................................................................................................................ 71
9.1 Conflitos de Interesse ..................................................................................................................................................72
9.2 Resumo do Capítulo ....................................................................................................................................................73
9.3 Atividades Propostas ...................................................................................................................................................73
10 GOVERNANÇA CORPORATIVA ................................................................................................ 75
10.1 Medida de Governança Corporativa e do Impacto no Valor e Desempenho ....................................78
10.2 Conceitos de Governança Corporativa ..............................................................................................................82
10.3 Modelos de Governança Corporativa no Mundo ..........................................................................................83
10.4 Governança Corporativa no Brasil .......................................................................................................................87
10.5 Novo Mercado .............................................................................................................................................................88
10.6 Atuação do BNDEs ...................................................................................................................................................90
10.7 Resumo do Capítulo .................................................................................................................................................91
10.8 Atividades Propostas ................................................................................................................................................92
RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS ..................................... 93
REFERÊNCIAS ............................................................................................................................................. 99
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5
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a),
O objetivo geral do curso é o de oferecer-lhe subsídios para um estudo sobre o processo de Ava-
liação de Empresas, analisando os principais fatores de risco presentes na atividade empresarial e des-
tacando a importância do gerenciamento efetivo de alguns desses fatores como forma de manter a so-
brevivência das organizações. Além disso, esta apostila e a disciplina, como um todo, buscam apresentar
a importância da Governança Corporativa para as empresas no Brasil e no mundo como fonte de trans-
missão da confiabilidade aos diferentes stakeholders presentes no dia a dia das empresas. Além disso,
apresentamos informações sobre os diferentes métodos de avaliação de empresas.
Dentro dessa perspectiva, o conteúdo está organizado de forma a promover sempre o seu apren-
dizado através da fundamentação de conceitos a partir dos mais renomados autores. Dessa forma, ana-
lisaremos a importância da aplicação dos diferentes métodos de avaliação de empresas destacando a
importância da composição dos ativos intangíveis e do fator humano nas organizações.
Posteriormente, discutiremos a composição e o custo de capital para as empresas; a contribuição
do EVA e MVA; a utilização do mecanismo da alavancagem financeira como fonte de crescimento da
organização; e a distribuição dos resultados obtidos pelas empresas na forma de dividendos. Por fim,
buscaremos a avaliação do seu aprendizado propondo a resolução de alguns exercícios. será um prazer
acompanhá-lo ao longo deste trajeto.
Marcelo Cerqueira Silva
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AVALIAÇÃO E VALOR DE EMPRESA -
VALUATION 1
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo, apresentaremos algumas das
principais formas de se determinar o valor econô-
mico de uma empresa. Trataremos também sobre
quanto a realização de visitas à empresa é um re-
curso complementar e fundamental para a deter-
minação do valor justo do negócio. Através desse
recurso, os avaliadores podem levantar informa-
ções complementares e/ou esclarecer dúvidas
gerais sobre a atividade operacional da empresa.
Por fim, descrevem-se as principais informações
da atividade operacional de uma empresa, que
devem ser conhecidas pelos avaliadores de uma
organização. Vamos iniciar a discussão?
A determinação do valuation – ou o valor
econômico de uma empresa – é uma mis-
tura de ciência e arte. As transações de
compra e venda envolvendo pequenas e
médias empresas possuem um compor-
tamento bastante distinto das transações
com grandes empresas, pois muitas vezes
o histórico de receitas e lucros apresenta
variações significativas que dificultam ou
mesmo inviabilizam certos métodos de
avaliação. (sANTOs, 2008).
De acordo com Rosseti (2004), a determina-
ção do valor econômico de uma empresa pode
ser feita genericamente por três famílias de meto-
dologias: a do Fluxo de Caixa Descontado (DCF –
Discounted Cash Flow), a do Valor Patrimonial, e a
Avaliação Relativa ou por Múltiplos. Outras meto-
dologias relevantes são o cálculo do Valor Econô-
mico Adicionado (EVA – Economic Value Added),
o cálculo do Valor de Liquidação e o cálculo do
Valor de Reposição.
santos (2008) menciona ainda que a meto-
dologia EVA pode ser vista como uma derivação
do cálculo do Fluxo de Caixa Descontado, e os
cálculos do Valor de Liquidação e de Reposição
como derivações do cálculo do Valor Patrimonial.
A metodologia utilizada com maior frequ-
ência é a do Fluxo de Caixa Descontado, seguida
pela Avaliação com uso de Múltiplos, que muitas
vezes é usada como complemento da primeira.
Porém, ao tratarmos de transações com empre-
sas pequenas e médias, a volatilidade inerente a
esses negócios faz com que os cálculos com base
no Valor Patrimonial ganhem grande importân-
cia, pois representam uma referência mais tan-
gível para o cálculo de valor da empresa, princi-
palmente quando os fluxos futuros de receita e
lucros apresentam um elevado grau de incerteza.
Gitman (2000) afirma que os métodos patri-
moniais de avaliação tipicamente são utilizadosquando o comprador percebe valor mais signifi-
cativo nos ativos do que no potencial de geração
de lucros através desses ativos. Dentro dos mé-
todos patrimoniais de avaliação há três cálculos
importantes que podem ser realizados: o Valor do
Patrimônio Líquido Contábil, o Valor de Reposi-
ção e o Valor de Liquidação.
O patrimônio líquido contábil é um valor
fácil de ser apurado e corresponde à diferença
entre os ativos e os passivos da empresa. Ao abrir-
mos uma empresa, esse valor é bastante preciso e
equivale ao valor econômico da empresa, porém
ao longo do tempo o valor do patrimônio líquido
contábil e o valor econômico vão se distanciando,
pois fatores, como obsolescência, envelhecimen-
to dos ativos e inflação, passam a distorcer os va-
lores constantes dos livros. Portanto, em muitos
casos o Valor do Patrimônio Líquido é somente
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referencial, não possuindo vínculo direto com a
realidade operacional do negócio, o que o torna,
portanto, em muitas situações, um parâmetro de
baixa relevância na avaliação do valor econômico
de uma empresa.
Em diversas negociações, é comum apurar-
-se o Valor do Patrimônio Líquido Ajustado, con-
siderando reavaliações e contingências, portanto,
gerando o chamado Valor de Reposição. Mas, o
que significa o Valor de Reposição? Ele representa
os recursos financeiros necessários para construir
uma empresa idêntica à que está sendo avalia-
da, excetuando-se o valor dos ativos intangíveis,
como a reputação da empresa, a qualidade do
seu corpo gerencial, sua marca e sua carteira de
clientes.
segundo Brigham (2000), em transações de
fusão de empresas, com ativos intangíveis de va-
lor comparável e negócios com características e
níveis de rentabilidade similares, a determinação
do Valor de Reposição é extremamente útil para
calcular rapidamente o quanto cada parte está
contribuindo para o novo negócio.
Finalmente, o valor de liquidação é aque-
le que representa o valor da empresa caso esta
necessite ser fechada. Esse é o valor mínimo que
pode ser obtido por uma empresa através da ven-
da dos ativos tangíveis e do pagamento das obri-
gações com os credores, e é normalmente consi-
derado o valor de piso em qualquer negociação.
Essa metodologia de cálculo de valor é indicada
para casos em que o comprador está interessado
somente nos ativos da empresa, desprezando a
capacidade de geração de lucros futuros que os
ativos ainda venham a possuir. É o caso típico dos
processos de falência.
Copeland (2002) menciona que além do
cálculo do Valor Patrimonial, frequentemente
discute-se o valor do goodwill, ou um valor intan-
gível que represente a capacidade da empresa de
gerar lucros futuros com base nos ativos existen-
tes. Tecnicamente, o goodwill é a diferença entre o
valor pago em uma transação de compra e venda
de uma empresa e seu valor contábil.
O cálculo do goodwill é sempre estimado.
seu valor depende de fatores como o apetite do
comprador, a definição do valor de um prêmio
pelo controle da empresa, entre outros.
O goodwill é uma representação econô-
mica dos ativos intangíveis da empresa,
tais como seu patrimônio intelectual,
suas marcas, seus recursos humanos e
suas relações externas potencialmente
geradoras de valor. (PINHEIRO, 2007).
A metodologia DCF (Demonstração do Fluxo
de Caixa) tenta amarrar o cálculo do goodwill a uma
estimativa bem embasada de potencial de contri-
buição de lucros do negócio. Porém, em pequenas
e médias empresas, muitas vezes não há um sólido
histórico de fluxo de caixa que permita uma proje-
ção de fluxos futuros com baixo nível de incerteza.
O uso do DCF nessas situações equivale a
construir um castelo de cartas: se as bases não
são firmes, a construção cai facilmente perante
os argumentos mais triviais. Nessas situações, a
identificação do goodwill tende a ser um balanço
entre o apetite do comprador e sua percepção de
payback do investimento.
De acordo com Padoveze (2000), o payback
é um cálculo simples que o comprador faz e que
indica em quantos anos seu investimento deverá
retornar. Paybacks entre 3 e 5 anos são comuns na
aquisição de pequenas e médias empresas. Pay-
backs acima de 5 anos tendem a gerar desinteres-
se e relutância por parte do comprador.
Na prática, segundo securato (1993), nem
todas as pequenas e mesmo médias empresas
possuem o mesmo rigor na apuração e gestão de
seus balanços patrimoniais. Em vários casos, o ba-
lanço é construído informalmente, no momento
da negociação, considerando a informação dis-
ponível, a experiência e a boa-fé das partes.
AtençãoAtenção
Todas as metodologias de avaliação servem a um
propósito principal: propor um valor econômico
para o negócio que possa ser racionalmente de-
fendido, permitindo com isso uma base consis-
tente para a negociação (SANTOS, 2008).
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Todas as metodologias de avaliação servem
a um propósito principal: propor um valor econô-
mico para o negócio que possa ser racionalmente
defendido, permitindo com isso uma base consis-
tente para a negociação. sem essa base, muitas
operações de compra e venda tornam-se inviá-
veis, uma vez que inexiste uma perspectiva cla-
ra dos parâmetros de avaliação de cada uma das
partes.
No procedimento de avaliação de empre-
sas, conforme santos (2007), entende-se por va-
lor o mais alto preço que poderia ser obtido se as
cotas ou ações de uma empresa fossem vendidas
em uma transação real de mercado. Nesse caso,
um comprador, para reduzir ou eliminar a com-
petição, obter uma economia de escala e/ou uma
sinergia em seu negócio, poderia pagar um preço
maior do que outros compradores.
A estimativa do valor justo de uma empresa
visa a orientar os investidores em suas estratégias
de comprar e vender ativos. Trata-se de uma das
principais e mais difíceis tarefas realizadas pelos
profissionais da área financeira, uma vez que de-
pende da disponibilidade de informações deta-
lhadas da atividade operacional da empresa.
1.1. Análise Detalhada do Risco da Atividade Empresarial
1.2 Fatores Determinantes do Risco das Empresas
Conforme a Figura 1, verifica-se uma série de
dados fundamentais para a realização da estimati-
va adequada do valor financeiro de uma empresa.
A seguir, descrevem-se as principais informações
da atividade operacional de uma empresa, que
devem ser conhecidas pelos avaliadores a partir
das variáveis da Figura 1.
Figura 1 – Dados para análise detalhada do risco da atividade operacional.
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Os riscos presentes em cada uma das variá-
veis são respectivamente:
♦ Objeto social: É fundamental conhecer
a natureza da atividade operacional da empresa,
ou seja, quais são os seus produtos e serviços –
além de seus níveis de rotatividade em épocas de
crescimento, estabilidade ou recessão econômi-
ca. Trata-se de informação importante para a pro-
jeção de resultados, uma vez que o consumo de
produtos essenciais ou de primeira necessidade
é menos afetado por fatores econômicos do que
os classificados como supérfluos ou de segundo
necessidade. Na primeira categoria de produtos,
destaca-se, por exemplo, itens do setor alimentí-
cio e de higiene e limpeza, os quais, com ou sem
recessão, continuam gerando fluxos de caixa. Em
contrapartida, a venda de produtos de segunda
necessidade sofre redução significativa em épo-
cas de recessão ou de queda do nível de ativida-
de econômica, uma vez que a redução de receita
(total ou parcial) influencia os consumidores a
postergar a compra de bens não imediatamente
essenciais, como os procedentes dos setores de
calçados e têxtil.
♦ Quadroadministrativo: Conhecer a
administração é o ponto de partida para a ava-
liação (qualitativa e quantitativa) dos resultados
financeiros da empresa. Entre as informações
referentes aos gestores do negócio e proprietá-
rios, destacam-se as relacionadas à experiência, à
sucessão administrativa e à idoneidade. Quanto
à experiência, é fundamental verificar a data de
início da atividade operacional da empresa e o
respectivo tempo de atuação dos administrado-
res no negócio; em relação à sucessão administra-
tiva, é necessário saber se as decisões estratégicas
sempre foram tomadas por uma única pessoa ou
se por um quadro de administradores também
experientes; já no que diz respeito à idoneidade,
é preciso estabelecer se os administradores hon-
ram pontualmente suas dívidas pessoais no mer-
cado de crédito.
Embora as causas de dificuldades finan-
ceiras sejam numerosas, muitas falências são
atribuíveis, direta ou indiretamente, às falhas da
administração das próprias empresas, em suas
estratégias de investimento, financiamento e cria-
ção de riqueza. Geralmente, problemas não finan-
ceiros levam a perdas que, por sua vez, resultam
em dificuldades financeiras e, eventualmente, na
falência. Dificilmente, uma única decisão errada
constitui a causa da dificuldade; em geral, a causa
é composta por uma série de erros, e a dificulda-
de vai aumentando gradativamente.
A competência dos proprietários, aliada à
idade do negócio, representa uma importante
informação no processo de avaliação de empre-
sas. Em estudo desenvolvido com esse fim, esse
autor chegou à constatação de que a maioria das
insolvências ocorre na faixa de três a seis anos da
data de fundação. Comparativamente, um estu-
do apresentado por Barrickman (1995) concluiu
que 50% das empresas norte-americanas recém-
-formadas quebram nos primeiros cinco anos de
atividade e 80% quebram nos primeiros dez anos.
Acrescenta-se que as empresas novas, cuja
potencialidade ainda é desconhecida, possuem
níveis de risco superiores ao observado em em-
presas já maduras, cuja posição está consolidada
no mercado. Aos riscos de intangibilidade de um
novo produto, acresce-se o de pouca experiência
gerencial do empresário (ou pequeno grupo de
empresários) e da possível insuficiência de garan-
tias reais. Ou seja, os riscos administrativos e de
mercado são maiores (e com menores possibili-
dades de diversificação) nas empresas menores,
reduzindo-se à medida que a empresa cresce.
Em estudo realizado por uma das mais tra-
dicionais empresas no setor de informações so-
bre crédito, a Dun & Bradstreet, constatou-se que,
dentre as causas responsáveis pela falência de
empresas, a principal relacionou-se à inadequada
gestão administrativa – observada em 89,9% dos
casos pesquisados.
♦ Quadro funcional: Dados sobre os de-
mais funcionários da administração, produção
e comercialização devem ser obtidos de forma
detalhada, para se conhecer os desembolsos sa-
lariais, benefícios complementares (como planos
de carreira, gastos com alimentação, educação,
transporte etc.) e índice de rotatividade funcio-
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nal. Além disso, deve-se analisar a relação custo-
-benefício em contratos de terceirização de mão
de obra; e os resultados da atuação de sindicatos
de categorias profissionais da região.
♦ Carteira de clientes: A abertura da cartei-
ra de clientes possibilita o conhecimento do grau
de diversificação e concentração de negócios da
empresa. O ideal é que as vendas sejam detalha-
das em termos de produtos, valores, regiões ge-
ográficas, direcionamento (setores privado e pú-
blico e mercados interno e externo) e formas de
recebimento. Quanto maior for a diversificação
desses itens, menor será a exposição aos riscos
sistemáticos, ou seja, aqueles de natureza exter-
na e, por isso, não controláveis, como os decor-
rentes de ações econômicas, governamentais e
concorrenciais. Riscos sistemáticos oriundos de
ações econômicas incluem aumento de inflação,
taxa de juros e câmbio, que podem reduzir a ge-
ração de fluxos de caixa das empresas; ações de
natureza governamental incluem a intervenção
do governo na atividade econômica, por meio da
redução do prazo de crédito, abertura de merca-
do e aumento da carga tributária – as duas pri-
meiras visam ao controle inflacionário, enquanto
a terceira, a maior arrecadação de recursos; ações
de caráter concorrencial compreendem medidas
que afetam imediatamente o fluxo de caixa das
empresas, tais como redução de preços e aumen-
to de prazos no crédito para aumentar a carteira
de clientes.
♦ Carteira de fornecedores: similarmente,
a abertura da carteira de fornecedores possibi-
lita o conhecimento do grau de diversificação e
concentração de negócios da empresa. O ideal é
que as compras sejam detalhadas em termos de
produtos, valores, regiões geográficas, direcio-
namento (mercados interno e externo) e formas
de pagamento. Quanto maior for a diversificação
desses itens, menor será a exposição aos riscos
sistemáticos, como os representados pela oscila-
ção cambial e escassez de matéria-prima ou mer-
cadoria no mercado.
♦ Participação de mercado: Avaliações
baseiam-se no monitoramento da participação
histórica de mercado da empresa diante de seus
principais concorrentes. Além da constatação de
evolução, manutenção ou involução da partici-
pação de mercado, é indispensável o diagnóstico
preciso das causas, para que os cenários e proje-
ções sejam simulados corretamente.
Quadro 1 – Índices de desempenho.
Índices Conceito
Liquidez
Capacidade de pagamento de dívidas com recursos financeiros disponíveis e contas a
receber.
Endividamento Montante de Dívidas ou passivos financiando os investimentos.
Imobilização
Montante de recursos financeiros permanentes (de longo prazo) que
está sendo investido em ativos produtivos (máquinas, equipamentos, veículos,
instalações etc.).
Lucratividade Margens de lucratividade obtidas no gerenciamento da atividade operacional.
Cobertura
Capacidade de pagamento de dívidas com a geração de lucro e fluxo de caixa
operacional.
Rotatividade
Período médio de conversão de estoques em vendas e duplicatas a receber em caixa.
Além disso, mostra o período médio de pagamento de dívidas com os fornecedores.
Rentabilidade Margens de retorno obtidas sobre os investimentos totais e o capital dos proprietários.
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♦ Situação financeira: Compreende o
levantamento e a análise da situação contábil-
-financeira da empresa (retrospectiva e prospec-
tiva), baseando-se em informações extraídas do
Balanço Patrimonial, da Demonstração de Resul-
tados e da Demonstração do Fluxo de Caixa do
Exercício.
♦ Dívidas contingenciais: Dívidas ou res-
ponsabilidades contingenciais são exigibilida-
des que podem ou não ocorrer, decorrentes de
eventos que acontecerão no futuro. Nesse item,
enquadram-se os avais, ações legais, garantias
prestadas em favor de terceiros (como bancos,
fornecedores etc.). Embora representem riscos
assumidos por assinaturas em contratos, podem
afetar significativamente a situação financeira da
empresa, quando os valores são desembolsados
do caixa. Por isso, o investidor deve avaliar o ris-
co do negócio sempre considerando dívidas “fora
balanço”, ou seja, não presentes numericamente
nas demonstrações financeiras.
♦ Ativos intangíveis: Ativos intangíveis são
recursos não materiais controlados pela empresa,
capazes de trazer benefícios futuros ao negócio.
Esses ativos não estão refletidos nas demonstra-
ções financeiras, mas se transformam em bene-
fícios quando estão associados à atividade ope-
racionalda empresa. são exemplos tradicionais
de ativos intangíveis: marcas, patentes, softwares,
direitos autorais, razão social, franquias, localiza-
ção, conhecimento técnico, capacidade de ino-
vação do capital humano etc. Em alguns casos, o
valor atribuído aos ativos intangíveis é superior
ao valor dos ativos tangíveis (refrigerantes Coca-
-Cola, por exemplo). Por isso, a sua quantificação
é indispensável para a determinação do valor to-
tal da empresa, uma vez que, juntamente com os
demais ativos de natureza tangível, contribuem
para a geração de fluxo de caixa futuros.
A partir do conhecimento detalhado do ris-
co da atividade operacional da empresa, de seus
índices de desempenho, de seu custo de capital,
e das expectativas relacionadas aos rumos da ma-
cro e microeconomia, são projetados os resulta-
dos para as vendas, custos e despesas, conside-
rando os cenários de crescimento, estabilidade e
recessão econômica.
Para isso, são feitas análises de sensibilida-
de para simular o impacto de fatores sistemáticos
sobre o fluxo de caixa das empresas. Por exemplo,
aumentos sucessivos da taxa de juros podem de-
sencadear redução do nível de atividade econô-
mica e até recessão. Como resultado, as empresas
geram fluxos de caixa líquidos cada vez menores,
o que compromete a capacidade de pagamento
de dívidas com todos os seus supridores de capital
(fornecedores, funcionários, governos, instituições
financeiras e acionistas). Para suportarem reduções
de faturamento, as empresas se veem forçadas à
reestruturação e reposicionamento no mercado, o
que inclui o corte de funcionários e de investimen-
tos em novos produtos e imobilizações.
Outras situações adversas que devem ser
levadas em consideração pelos avaliadores são:
As crises financeiras em economias de
países (desenvolvidos e emergentes)
que mantêm relacionamento comercial
significativo com o Brasil. Nesse caso,
ocorre redução de negócios entre em-
presas, governos e investidores;
A guerra de incentivos fiscais entre go-
vernos pode acarretar desemprego e
fechamento de empresas, quando seus
principais clientes decidem transferir
suas instalações (administrativas e ope-
racionais) para outros locais, visando à
redução de custos, aumento de receita
e benefícios fiscais.
As valorizações da moeda local em rela-
ção ao dólar. Para as empresas exporta-
Saiba maisSaiba mais
O custo histórico possui diversas limitações como
conceito a ser aplicado na avaliação patrimonial e
sua aceitação ampla ocorre de preferência no âm-
bito da contabilidade tradicional (princípio contábil
aceito), dada a sua relação bastante próxima com a
receita realizada na operação do resultado contábil
(ASSAF NETO, 2003).
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doras, trata-se de condição desfavorável,
uma vez que seus produtos tornam-se
mais caros que os de concorrentes sedia-
dos em países cujas moedas mantêm-se
estáveis em relação ao dólar;
As desvalorizações da moeda local em
relação ao dólar. Para as empresas im-
portadoras, trata-se de condição desfa-
vorável, uma vez que o produto impor-
tado torna-se mais caro.
Saiba maisSaiba mais
O valor de realização de mercado determina o valor
possível dos ativos da empresa de serem realizados
individualmente em condições normais de transa-
ções dentro de um mercado organizado, ou seja, o
preço razoável que se pode obter na alienação de
cada um deles. Além das dificuldades naturais de
avaliação, esse método não leva em consideração
a possível sinergia dos ativos (ASSAF NETO, 2003).
A realização de visitas à empresa é um recur-
so complementar e fundamental para a determi-
nação do valor justo do negócio. segundo santos
(2007), por meio desse recurso, os avaliadores po-
dem levantar informações complementares e/ou
esclarecer dúvidas gerais sobre a atividade opera-
cional da empresa, como as descritas a seguir:
Acionistas/Quotistas:
• Quem são os principais controlado-
res da empresa?
• Qual é a experiência dos proprietá-
rios no negócio?
• Quais são as causas das alterações
no capital social?
Sucessão administrativa:
• Existência de plano de sucessão ad-
ministrativa;
• Identificação e idoneidade dos su-
cessores;
Riscos sistemáticos:
• Quais são os principais fatores exter-
nos de risco à atividade operacional?
• Quais são as medidas mitigadoras
de riscos?
Número de funcionários:
• Causas da redução ou aumento do
quadro funcional;
Qualificação e motivação dos recur-
sos humanos:
• Quais são os programas de desen-
volvimento profissional?
• Quais são os benefícios oferecidos?
• Rotatividade dos funcionários (da
administração e da produção);
• Retorno por funcionário;
Principais produtos:
• Distribuição por natureza (1. neces-
sidade e 2. necessidade);
• Distribuição do faturamento por
produto e/ou serviço;
• sazonalidade;
• Descrição dos produtos mais rentá-
veis;
• Participação no mercado;
• Distribuição geográfica;
• Prazo médio de estoques;
• Causas da alteração no prazo mé-
dio de estoques;
Instalações administrativas e produ-
tivas:
• situação dos imóveis (próprios e/
ou alugados);
• Tecnologia utilizada;
Principais clientes:
• situação da carteira de clientes em
1.3 Visita às Empresas
Marcelo Cerqueira Silva
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14
valor e em concentração percentual;
• Concentração de negócios com
empresas privadas e públicas;
• Carteira de pedidos;
• Prazo médio de recebimento;
• Causas da alteração do prazo mé-
dio de recebimento;
• Causas da melhora ou deterioração
da inadimplência;
• Distribuição percentual da negocia-
ção das vendas (à vista e a prazo);
• Distribuição e abertura do fatura-
mento por clientes (nacionais e es-
trangeiros);
Principais fornecedores:
• situação da carteira de fornecedo-
res em valor e em concentração
percentual;
• Identificação dos fornecedores (na-
cionais e estrangeiros);
• Prazo médio de pagamento;
• Causas da alteração do prazo mé-
dio de pagamento;
• Distribuição percentual da negocia-
ção das compras (à vista e a prazo);
Principais concorrentes por linha de
produtos:
• Participação de mercado;
• Causas da conquista ou perda de
participação de mercado;
Capacidade instalada:
• Nível de ociosidade;
• Causas do aumento ou da redução
do nível de ociosidade;
• Idade dos itens componentes das
instalações;
Informações contábeis e financeiras:
• Causas da alteração na capacidade
de pagamento (liquidez);
• Causas da alteração no endivida-
mento;
• Causas da alteração na imobilização;
• Causas da alteração nas margens
de lucratividade e rentabilidade;
• Critérios adotados na projeção de
resultados;
Endividamento bancário:
• Valor;
• Modalidades;
• Garantias vinculadas;
• Prazo de amortização;
• Causas do aumento ou da redução;
Investimentos realizados:
• Previsão de novos investimentos;
• Finalidade;
• Montante;
• Forma de financiamento;
Empréstimos com empresas do grupo:
• Montante;
• Finalidade;
• Prazos de amortização;
Informações contábeis e financeiras
do grupo empresarial:
• Capital de giro, endividamento e
lucratividade das principais empre-
sas;
• Causas da alteração na situação fi-
nanceira;
• Alterações significativas (fusões,
aquisições, vendas e desinvesti-
mentos);
Situação tributária:
• Impostos realizáveis ou a receber –
modalidades e datas previstas de
recebimento;
• Impostos exigíveis ou a pagar –
modalidades e datas previstas de
pagamento;
Processos judiciais contra ou favorá-
veis à empresa, sócios e acionistas:
• Causas;
• Valor envolvido;• Previsão de conclusão;
Planejamento estratégico:
• Principais ações estratégicas adota-
das e resultados;
• Ações estratégicas a implementar;
• Benefícios financeiros de novas
ações estratégicas;
• Forma de financiamento de novas
ações estratégicas;
Avaliação de Empresas e Governança Corporativa
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15
A avaliação de empresas por meio da coleta
e análise de informações detalhadas no negócio
visa a prover sinergias, reduzir impostos, garantir
melhor economia de escala, melhorar as condi-
ções competitivas e expandir a participação de
mercado da empresa investidora.
Conforme Ross (2000), isso representa um
meio para a empresa se fortalecer diante da cres-
cente internacionalização das operações corpora-
tivas.
O processo de avaliação de empresas para
fins de fusão também tem por objetivo possibili-
tar a conquista de mercados externos, como, por
exemplo, a associação entre as cervejarias Ambev
e a Interbrew, em 2004. Outros exemplos destaca-
dos de fusões no mercado brasileiro foram:
Banco Francês e Brasileiro e Banco Itaú,
em 1995: o Banco Itaú fortaleceu sua
posição de mercado ao comprar uma
carteira de clientes de pessoas físicas
de alta renda;
Antártica e Brahma, em 1999: visou à re-
dução de custos em função dos ganhos
previstos na sinergia das empresas;
Arisco e Best Foods, em 2000: a empresa
compradora (Best Foods) desejava sim-
plesmente acabar com um nome que
lhe roubava clientes, fortalecer o seu
produto e até mesmo adquirir as faci-
lidades de produção (máquinas e rede
de insumos) e a cadeia de distribuição;
Tam e Varig, em 2003: objetivava gerar
economia de escala. Ambas buscavam
uma saída para a situação financeira
ruim que apresentavam por meio da re-
dução da capacidade ociosa.
Fundamental é que o mercado reaja favo-
ravelmente à associação entre empresas, ao ma-
ximizar o preço de suas ações – essa condição se
traduz em expectativas favoráveis quanto aos be-
nefícios da sinergia e maior geração de fluxos de
caixa operacionais.
1.4 Importância da Avaliação de Empresas
1.5 Resumo do Capítulo
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo estudamos que a avaliação de empresas por meio da coleta e análise de informações
detalhadas no negócio tem como objetivos prover sinergias, reduzir impostos, garantir melhor economia
de escala, melhorar as condições competitivas e expandir a participação de mercado da empresa inves-
tidora. Isso representa um meio para a empresa se fortalecer diante da crescente internacionalização das
operações corporativas. Verificamos ainda os principais fatores de risco que envolvem as empresas, e por
fim a importância de visitar a empresa que está sendo avaliada. Espero que tenha compreendido.
Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.
Marcelo Cerqueira Silva
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16
1. Explique a importância da realização da análise detalhada do risco da atividade empresarial.
2. Explique a importância da realização de visitas à empresa como um recurso complementar e
fundamental para a determinação do valor justo do negócio.
3. Explique a importância da participação de mercado de uma empresa como instrumento para
sua avaliação de risco.
1.6 Atividades Propostas
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17
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo, trataremos das circunstân-
cias especiais em que se faz necessária a estimati-
va (total ou parcial) do valor de mercado de uma
empresa, e apresentaremos as diferentes meto-
dologias existentes para a realização do processo
de avaliação de uma empresa; entre elas, a Meto-
dologia do Valor Contábil, Valor de Liquidação, do
Preço/Lucro, Capitalização dos Lucros, Valor Pre-
sente Líquido, da TIR e do Payback. Vamos iniciar
a discussão?
Nossa discussão inicia-se ressaltando que
nos cursos de finanças ocorrem circunstâncias
especiais em que se faz necessária a estimativa
(total ou parcial) do valor de mercado de uma em-
presa. Entre elas destacam-se:
compra ou venda;
partilha entre herdeiros;
determinação do valor das participa-
ções sociais;
fusão de duas ou mais empresas;
divisão de uma sociedade em duas ou
mais empresas;
privatização;
dissolução societária.
Além de todas essas situações específicas
que, vez por outra, ocorrem no curso normal
dos negócios empresariais, exigindo definição
do valor de um empreendimento, uma situação
se destaca pela sua importância: realizar periodi-
camente a avaliação de empresas com o intuito
de verificar se está ocorrendo maximização da ri-
queza dos proprietários e demais supridores de
capital.
Entre as diversas metodologias de ava-
liação de empresas, muitas vezes utilizadas em
conjunto para determinação do valor do negócio,
destacam-se as seguintes:
Metodologia do Valor Contábil;
Metodologia do Valor Patrimonial de
Mercado;
Metodologia do Valor de Liquidação;
Metodologia do Preço/Lucro;
Metodologia de Capitalização dos Lu-
cros;
Metodologia dos Múltiplos de Fatura-
mento;
Metodologia do Valor Presente Líquido;
Metodologias da TIR e do Payback
Metodologia do Fluxo de Caixa Descon-
tado.
METODOLOGIAS DE AVALIAÇÃO DE
EMPRESAS2
AtençãoAtenção
Devido à falta de informação necessária, avaliação
das decisões e o planejamento empresarial, mui-
tas empresas não têm obtido resultados necessá-
rios para o seu desenvolvimento, causando gran-
des transtornos para os gestores (SANTOS, 2008).
Marcelo Cerqueira Silva
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18
Para Martins (2008), a avaliação de uma
empresa normalmente se inicia pela leitura das
demonstrações contábeis. Todavia, por causa da
adoção dos princípios contábeis e da influência da
legislação tributária, elas geralmente são incapazes
2.1 Metodologia do Valor Contábil
de refletir, isoladamente, o valor econômico de um
empreendimento. Essa metodologia assume que o
Valor da Empresa (VE) corresponde ao valor do Pa-
trimônio Líquido registrado no Balanço Patrimonial
(Quadro 2).
Quadro 2 – Estrutura de um balanço patrimonial.
ATIVO CIRCULANTE
Caixas e bancos
Aplicações financeiras
Duplicatas a receber
Estoques
Adiantamento a
fornecedores
Recursos conversíveis
em caixa no curto prazo
(até 360 dias)
PASSIVO CIRCULANTE
Fornecedores
Empréstimos bancários
salários
Impostos e contribuições
Adiantamento a clientes
Dívidas
amortizáveis no
curto prazo (até
360 dias)
ATIVO REALIZÁVEL
EM LONGO PRAZO
Recursos conversíveis
em caixa no longo prazo
(superior a 360 dias)
PASSIVO EXIGÍVEL
EM LONGO PRAZO
Dívidas
amortizáveis
em longo prazo
(superior a 360
dias)
ATIVO PERMANENTE
Imobilizado
Diferido
Investimentos
Ativo imobilizado,
gastos com pesquisas,
desenvolvimentos e
investimentos em outras
empresas
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Capital
Reservas
Lucros acumulados
Capital dos
proprietários
Ativo Total = Passivo Total + Patrimônio Líquido
Baseando-se nessa metodologia, o valor da
empresa é expresso pela equação: Valor da Em-
presa (Patrimônio Líquido) = Valor do Ativo To-
tal – Valor do Passivo Total.
Como se trata de metodologia baseada no
valor de custo, apresenta deficiências por descon-
siderar as condições de mercado para a realização
dos ativos e amortização das dívidas. Outra falha
desse método é que os valores contábeis não refle-
tem os avanços da tecnologia que tanto alteram o
valor de ativos, e não consideram as necessidades
de investimento em capital de giro e imobilizações
para a manutenção da capacidade competitiva da
empresa para o próximo período.
De acordo com Martins (2008), como essa
metodologia assume que o Patrimônio Líquidorepresenta o valor contábil da empresa, deve-se
monitorar continuamente a capacidade de finan-
ciamento próprio da empresa por meio de índi-
ces de desempenho relacionados à Rentabilidade
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do Patrimônio Líquido, Rotatividade das Vendas,
Rotatividade do Lucro Operacional, Imobilização
com Recursos Próprios, Alavancagem e Cobertu-
ra de Juros com o Patrimônio Líquido.
Rentabilidade do Patrimônio Líquido (RPL)
Mensura a eficiência global da empresa em
gerar lucros com os investimentos realizados pe-
los proprietários. Calcula-se pela fórmula:
RPL = LUCRO LÍQUIDO ÷ PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Quadro 3 – Cálculo e interpretação do RPL.
ÍNDICE Ano 1 Ano 2 Situação Técnica
Retorno sobre o
Patrimônio Líquido
27% 34% Favorável
Retorno Sobre o Patrimônio Líquido
Para cada $ 1,00 investido pelos proprietários, a empresa
gerou um retorno líquido de $ 0,34 ou 34%. Tecnicamente,
sua situação melhorou em relação ao ano 1.
Rotatividade das Vendas (RVpl)
Mostra a contribuição do Patrimônio Líqui-
do para a geração do Faturamento ou Receita Lí-
quida da empresa. Calcula-se pela fórmula:
RVpl = RECEITA LÍQUIDA DE VENDAS ÷ PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Quadro 4 – Cálculo e interpretação do índice de Rotatividade das Vendas.
ÍNDICE Ano 1 Ano 2 Situação Técnica
Rotatividade das
Vendas
1,90 2,50 Favorável
Rotatividade das Vendas
Cada $ 1,00 de capital próprio financiado, o ativo está
contribuindo, proporcionalmente, para a geração de $ 2,50
de receita líquida de vendas. Tecnicamente, sua situação
melhorou em relação ao ano 1.
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20
Rotatividade do Lucro Operacional (RLOpl)
Mostra a contribuição do Patrimônio Líqui-
do na geração do Lucro Operacional da empresa.
Calcula-se pela fórmula:
RLOpl = LUCRO OPERACIONAL ÷ PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Quadro 5 – Cálculo e interpretação do índice de Rotatividade do Lucro Operacional.
ÍNDICE Ano 1 Ano 2 Situação Técnica
Rotatividade do Lucro
Operacional
0,50 0,60 Favorável
Rotatividade do Lucro Operacional
Cada $ 1,00 de capital financiado, o ativo está contribuindo,
proporcionalmente, para a geração de $ 0,60 de lucro
operacional. Tecnicamente, sua situação melhorou em
relação ao ano 1.
Imobilização com Recursos Próprios (Ipl)
Mostra em que proporção o capital próprio
está financiando as imobilizações, ou seja, máqui-
nas, equipamentos, veículos e instalações. Calcu-
la-se pela fórmula:
IPL = (ATIVO IMOBILIZADO BRUTO – DEPRECIAÇÃO ACUMULADA) ÷ PATRIMÔNIO LÍQUIDO
O índice de Imobilização com Recursos Pró-
prios somente é considerado satisfatório quando
constatado que investimentos em ativos imobili-
zados estão gerando contrapartida de aumento
do lucro operacional e dos fluxos de caixa livres,
durante e após o período de recuperação do ca-
pital investido (Período Payback).
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Quadro 6 – Cálculo e interpretação do índice de Imobilização.
ÍNDICE Ano 1 Ano 2
Imobilização 0,75 0,79
Imobilização
Para cada $ 1,00 de recursos próprios, $ 0,79 ou 79%
estão investidos em imobilizações. Caso a empresa gere
contrapartida de aumento do lucro operacional nos períodos
seguintes, será verificado que se trata de investimento viável.
Alavancagem (Apl)
Mostra a proporção entre dívidas e capital
dos proprietários no financiamento dos ativos.
Calcula-se pela fórmula:
APL = PASSIVO TOTAL ÷ PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Quadro 7 – Cálculo e interpretação do índice de Alavancagem.
ÍNDICE Ano 1 Ano 2 Situação Técnica
Alavancagem 1,15 0,80 Favorável
Alavancagem
Para cada $ 1,00 de capital dos proprietários financiando
o ativo, a proporção é de $ 0,80 de recursos de terceiros.
Tecnicamente, sua situação melhorou em relação ao ano 1.
Cobertura de Juros com o Patrimônio Líquido
(CJpl)
Mostra quantas vezes o capital próprio co-
bre o pagamento dos juros ou despesas financei-
ras. Calcula-se pela fórmula:
CJ = PATRIMÔNIO LÍQUIDO ÷ DESPESAS FINANCEIRAS
Quadro 8 – Cálculo e interpretação do índice de Cobertura de Juros.
ÍNDICE Ano 1 Ano 2 Situação Técnica
Cobertura de juros 2,50 4,00 Favorável
Cobertura de Juros
O capital próprio cobre quatro vezes as despesas financeiras.
Tecnicamente, sua situação melhorou em relação ao ano 1.
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22
Caso essa metodologia venha a ser utiliza-
da para a determinação do Valor da Empresa (VE),
a condicionante é que os valores contábeis do
Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido sejam com-
patíveis ou muito próximos aos seus valores de
mercado. Isso pressupõe a reavaliação e/ou atua-
lização do valor dos ativos e passivos, consideran-
do efeitos de variáveis, como depreciação, amor-
tização, exaustão, inflação, taxa de juros, paridade
cambial etc.
As três primeiras variáveis aplicam-se aos
elementos do ativo imobilizado:
Depreciação: quando corresponder à
perda do valor dos direitos que têm por
objeto bens físicos sujeitos a desgastes
2.2 Metodologia do Valor Patrimonial e de Mercado
Saiba maisSaiba mais
Ao administrar a estrutura de ativo da empresa, na
realidade ele está determinando a formação do
lado esquerdo de seu Balanço. Ao administrar sua
estrutura financeira, está elaborando o lado direito
do Balanço da empresa (GITMAN, 1997).
ou perda de utilidade por uso, ação da
natureza ou obsolescência;
Amortização: quando corresponder
à perda do valor do capital aplicado
na aquisição de direitos da proprieda-
de industrial ou comercial e quaisquer
outros com existência ou exercício de
duração limitada, ou cujo objeto sejam
bens de utilização por prazo legal ou
contratualmente limitado;
Exaustão: quando corresponder à
perda do valor, decorrente da sua ex-
ploração, de direitos cujo objeto seja
recursos minerais ou florestais, ou bens
aplicados nessa exploração.
Os ajustes da inflação, taxa de juros e a pari-
dade cambial são aplicados tanto em itens do ati-
vo quanto do passivo até a data de publicação do
balanço. Por exemplo, as obrigações em moeda
estrangeira, com cláusula de paridade cambial,
serão convertidas em moeda nacional à taxa de
câmbio em vigor na data do balanço.
Baseando-se nessa metodologia, o valor de
mercado da empresa é expresso pela equação:
VALOR DA EMPRESA (PL) = VALOR DO ATIVO TOTAL AJUSTADO – VALOR DO PASSIVO TOTAL AJUSTADO
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23
Muitas dessas decisões são impostas por
necessidade, mas algumas exigem uma análise
profunda das alternativas disponíveis, de seus
custos e de suas implicações em longo prazo.
Assista ao filme Wall Street
– Poder e Cobiça. O filme
aborda uma série de situa-
ções presentes no mercado
de ações que ajudará no
seu aprendizado. A histó-
ria se passa em Nova York,
1985, onde Bud Fox é um
jovem ambicioso corretor
que trabalha no mercado
de ações. O personagem Gordon Gekko é um
inescrupuloso bilionário proprietário de uma
corretora de valores que não mede esforços
para obter informações privilegiadas que lhe
proporcionam vantagem na tomada de decisão
sobre a compra e venda de ações. Atores: Daryl
Hannah, Michael Douglas, Charlie Sheen. Ano
de lançamento: 1987.
MultimídiaMultimídia
Assume que o Valor da Empresa (VE) corres-
ponde ao preço possível de eventual venda dos
bens e direitos no mercado, no estado em que se
encontrarem, caso as atividades sejam encerradas.
Martins (2008) menciona que, nessa situ-
ação,comumente verificam-se que os ativos da
empresa são realizados em valores inferiores aos
registrados nos relatórios gerenciais e demons-
trações contábeis. Isso decorre do poder de bar-
ganha dos compradores e necessidades imedia-
tas de caixa dos proprietários.
2.3 Metodologia do Valor de Liquidação
2.4 Metodologia do Preço por Lucro (P/L)
A premissa dessa metodologia baseia-se
na condição de que, se duas empresas atuam no
mesmo setor e possuem estrutura e porte seme-
lhantes (material, humana e financeira), poderá
ser realizada uma comparação direta entre os
seus resultados e indicadores de desempenho –
neste caso, o índice Preço/Lucro ou P/L.
O índice P/L mensura quanto os investido-
res estão dispostos a pagar por unidade de lucro
divulgado, e é calculado pela fórmula:
Marcelo Cerqueira Silva
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IPL = PREÇO DE MERCADO POR AÇÃO ÷ LUCRO CONTÁBIL POR AÇÃO
LPA = LUCRO LÍQUIDO ÷ NÚMERO DE AÇÕES EMITIDAS
Quadro 9 – Cálculo e interpretação do Preço/Lucro.
ÍNDICE Ano 1 Ano 2 Situação Técnica
Preço/Lucro 2,00 3,00 Favorável
Preço/Lucro
Para cada $ 1,00 de lucro contábil, o investidor paga
$ 3,00, ou o preço de mercado de ação corresponde
a 3 vezes o valor contábil por ação. Isso sugere que
os investidores estão considerando a empresa menos
arriscada e, portanto, estão projetando perspectivas
favoráveis sobre a capacidade de geração de fluxos de
caixa futuros.
segundo Martins (2001), apesar de aceito
pelo mercado, observam-se, nessa metodologia,
as seguintes limitações:
considera o lucro contábil (limitações já
comentadas);
ignora o valor do dinheiro no tempo e
os riscos;
considera implícita a ideia de eficiência
de mercado.
O Valor da Empresa (VE) é calculado por
meio da ponderação média e capitalização dos
lucros históricos por uma taxa de retorno ou
custo de capital (i) que corresponda ao risco do
negócio e reflita as incertezas de mercado. Em
seguida, soma-se o valor dos ativos não operacio-
nais ao valor operacional, para se chegar ao valor
total da empresa.
Aqui, podem-se assumir dois valores para a
empresa: o primeiro baseado na capitalização do
lucro operacional (lucro antes dos juros e imposto
de renda) e o segundo baseado na capitalização
do lucro líquido (lucro após o imposto de renda).
O exemplo baseia-se no lucro operacional,
uma vez que corresponde à geração de receitas
diretamente relacionadas à atividade principal da
empresa.
A M&M gerou os seguintes lucros operacio-
nais nos últimos cinco anos:
2.5 Metodologia de Capitalização dos Lucros
Lucro
(milhões)
Ano 1 Ano 2 Ano 3 A no 4 Ano 5
Histórico 105,70 111,41 117,65 124,47 131,32
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25
Considerando uma taxa de capitalização
histórica ou custo de capital de 12,50% e Ativos
Não Operacionais avaliados em $ 34,00, teríamos
o seguinte valor estimado para a M&M:
2.6 Metodologia do Valor Presente Líquido
Período (1) Lucro Operacional (2) Fator de Ponderação
(3 = 1 x 2) Lucro
Ponderado
Ano 1 105,70 1,0 105,70
Ano 2 111,41 2,0 222,82
Ano 3 117,65 3,0 352,95
Ano 4 124,47 4,0 497,88
Ano 5 131,32 5,0 656,60
Soma dos Lucros Operacionais Ponderados 1.835,95
÷ soma dos Fatores de Ponderação 15,00
= Lucros Operacionais Médios Ponderados 122,40
÷ Taxa de capitalização Histórica 12,50%
= Valor Operacional da Empresa (122,40 ÷ 0,1250) 979,20
+ Ativos Não Operacionais 34,00
= Valor total da Empresa 1.013,20
A principal limitação atribuída a essa me-
todologia é que ela parte do lucro apurado pela
contabilidade tradicional.
De acordo com a teoria tradicional de orça-
mento de capital, o Valor Presente Líquido (VPL)
de um projeto é o valor presente de seus fluxos
de caixa livres esperados no futuro, descontados
a uma taxa que reflita o risco do negócio e as in-
certezas de mercado.
Algebricamente, o VPL é encontrado sub-
traindo-se o investimento inicial (FCL0) de um
projeto do valor presente de suas entradas de
caixa (FCLn), descontadas a uma taxa (i) igual ao
custo de capital da empresa.
VPL = Valor Presente das Entradas de Caixa – Investimento Inicial
se o VPL é positivo, então, o projeto deve
ser aceito, uma vez que os fluxos de caixa livres
atualizados foram mais que suficientes para co-
brir o custo do investimento.
A Indústria Montadora de Veículos s.A. está
analisando a viabilidade de aquisição de uma
empresa produtora de autopeças, no final do Ano
1. O investimento é estimado em $ 250 milhões,
com expectativa de geração dos seguintes fluxos
de caixa livres para os próximos cinco anos.
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26
FCLs (milhões) Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Ano 6
Projetado 12,00 12,96 13,93 14,95 15,98
Para o período pós-projetado, a empresa
assumiu uma taxa de crescimento constante de
6,25%. Com isso, seu Valor Residual para o final do
último ano projetado é de $ 485,11, considerando
um custo de capital de 9,75%:
VR ano 6 = (15,98 x 1,0625) ÷ (0,0975 – 0,0625) = $485,11 milhões
Valor da Empresa (VE) para o final do ano 1 é de $357,23 milhões.
VE ano 1 = 12,00 + 12,96 + 13,93 + 14,95 + (15,98 + 485,11) = 357,23
(1,0975) (1,0975) (1,0975) (1,0975) (1,0975)
VPL para o final do ano 1 é de $ 107,23 milhões.
VPL ano 1 = $ 357,23 - $ 250,00 = $ 107,23
O resultado positivo recomenda o investi-
mento, uma vez que as entradas atualizadas de
caixa ($ 357,23 milhões) são superiores ao de-
sembolso com a aquisição da empresa ($ 250
milhões). A viabilidade do projeto também seria
reforçada pela sinergia entre as atividades opera-
cionais das empresas, que possibilitaria redução
de custos. Ao comprar uma empresa produtora
de autopeças, a montadora reduziria a depen-
dência de fornecedores e teria acesso mais rápido
e barato às matérias-primas.
A principal deficiência da Metodologia do
VPL é não levar em consideração as atitudes que
podem ser tomadas depois que o projeto tenha
sido aceito e colocado em operação e que podem
fazer com que os fluxos de caixa mudem.
Tratam-se das respostas imediatas ou adap-
tações às mudanças nas condições de mercado de-
correntes de efeitos de fatores sistemáticos, como
recessão, desemprego, alterações nas taxas de risco
(inflação, juros e câmbio), ações da concorrência
(redução do preço, alongamento do prazo do crédi-
to, lançamento de novos produtos etc.), avanços da
tecnologia, ações do governo (aumento da carga
tributária, abertura de mercado etc.), entre outras.
De acordo com Martins (2008), tais eventos
podem influenciar os investidores a tomar atitu-
des diferenciadas, como encerrar e reiniciar ativi-
dades, adiar seu início, expandi-las, contraí-las ou
abandoná-las. Apresentaremos a seguir as ferra-
mentas complementares à avaliação de empre-
sas, Taxa Interna de Retorno (TIR) e do Período de
Pagamento (Período Payback).
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27
É a taxa de desconto que leva o valor presen-
te das entradas de caixa de um projeto a se iguala-
rem ao valor presente das saídas de caixa. Trata-se
da taxa de rentabilidade periódica de um investi-
mento, geralmente definida para períodos anuais.
Para analisar a viabilidade de um projeto, a
TIR deve ser comparada com o custo de oportu-
nidade vigente, ou seja, a taxa de retorno mínima
exigida em face do risco do investimento. Essa taxa
mínima também é conhecida como de capital da
empresa. Conforme Gitman (2000), é muito simples
avaliar a viabilidade de projetos com a utilização da
TIR, adotando-se os seguintes critériosde decisão:
se a TIR for maior que o custo de capital,
recomenda-se aceitar o projeto;
se a TIR for menor que o custo de capi-
tal, recomenda-se rejeitar o projeto.
Isoladamente, esses critérios garantem que
a empresa ganhe pelo menos seu retorno exigi-
do, o que contribuiria para o aumento de seu va-
lor de mercado.
2.7 Taxa Interna de Retorno (TIR)
2.8 Período Payback (PP)
O Período de Payback (PP), também conhe-
cido como período de recuperação, é o tempo
exigido para a empresa recuperar seu investimen-
to inicial em um projeto. Ao medir com que rapi-
dez a empresa recupera seu investimento inicial,
o Período de Payback também considera implici-
tamente o timing dos fluxos de caixa e, portanto,
o valor do dinheiro no tempo.
Quanto mais amplo for o horizonte de tem-
po considerado, maior será o grau de incerteza
nas previsões. Desse modo, propostas de investi-
mento com menor prazo de retorno – mantidas
as outras variáveis constantes – podem apresen-
tar maior liquidez e, consequentemente, menor
risco.
O período máximo aceitável de Payback é
determinado pela alta administração da empre-
sa. Inicialmente, propostas que ultrapassem esse
limite de tempo são rejeitadas. O cálculo do Perí-
odo de Payback é simples:
1° Passo: identifica-se o custo inicial ou
valor atualizado do investimento para t0;
2° Passo: descontam-se os fluxos de
caixa projetados para t1, t2, t3,...tn, ao
custo de capital ou taxa de desconto
que represente o risco do negócio;
3° Passo: somam-se os fluxos de caixa
atualizados ano a ano;
4° Passo: verifica-se até que ano a em-
presa recuperou a predominância do
investimento inicial;
5° Passo: calcula-se quanto falta recu-
perar e em que período ocorrerá;
6° Passo: soma-se o número de anos
necessários para a recuperação da pre-
dominância do investimento inicial ao
resultado da divisão entre a quantia
restante a recuperar e o valor do fluxo
de caixa atualizado do período em que
ocorrerá a recuperação do total do in-
vestimento inicial.
Marcelo Cerqueira Silva
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28
Exemplo – Calcule o payback dos projetos
abaixo:
Meta para afirmação de viabilidade = 3 anos.
Período Projeto A Projeto B
0 50.000 50.000
1 15.000 8.000
2 28.000 8.000
3 19.000 8.000
4 5.000 12.000
5 7.000 35.000
6 10.000 10.000
Projeto A = 15.000 + 28.000 = 43.000
50.000 – 43.000 = 7.000
7.000 19.000 = 0,36842
0,36842 x 12 = 4,42
Resposta: 2 anos e 4 meses (aproveitamos somente o valor do lado esquerdo da vírgula).
Projeto B = 8.000 + 8.000 + 8.000 + 12.000 = 36.000
50.000 – 36.000 = 14.000
14.000 35.000 = 0,40
0,40 x 12 = 4,8 (aproveitamos somente o valor do lado esquerdo da vírgula)
Resposta: 4 anos e 4 meses.
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29
Resposta final de acordo com a meta do in-
vestidor: de acordo com a meta proposta pelo in-
vestidor, podemos afirmar, após a realização dos
cálculos com a ferramenta Payback, que o Projeto
A é viável, pois obtém a recuperação do investi-
mento inicial de acordo com o prazo estabeleci-
do pelo investidor, e que infelizmente o Projeto B
não oferece viabilidade, pois o prazo de recupera-
ção do investimento supera o prazo determinado
pelo mesmo.
Exemplo 2 – Calcule o payback dos proje-
tos abaixo:
Meta para afirmação de viabilidade = 4 anos.
Período Projeto A Projeto B
0 150.000 150.000
1 45.000 38.000
2 28.000 57.000
3 19.000 28.000
4 35.000 72.000
5 7.000 35.000
6 12.000 19.000
7 30.000 10.000
8 10.000 22.000
Projeto A = 45.000 + 28.000 + 19.000 + 35.000 + 7.000 +...
...+ 12.000 = 146.000
150.000 – 146.000 = 4.000
4.000 ÷ 30.000 = 0,13333
0,13333 x 12 = 1,6 (aproveitamos somente o valor do lado esquerdo da vírgula)
Resposta: 6 anos e 1 mês.
Projeto B = 38.000 + 57.000 + 28.000 = 123.000
150.000 – 123.000 = 27.000
27.000 ÷ 72.000 = 0,375
0,3750 x 12 = 4,5 (aproveitamos somente o valor do lado esquerdo da vírgula)
Resposta: 3 anos e 4 meses.
Marcelo Cerqueira Silva
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30
Resposta final de acordo com a meta do in-
vestidor: de acordo com a meta proposta pelo in-
vestidor, podemos afirmar, após a realização dos
cálculos com a ferramenta Payback, que o Projeto
B é viável, pois obtém a recuperação do investi-
mento inicial de acordo com o prazo estabeleci-
do pelo investidor, e que infelizmente o Projeto A
não oferece viabilidade, pois o prazo de recupera-
ção do investimento supera o prazo determinado
pelo mesmo.
O valor operacional da empresa é calculado
a partir da capitalização dos fluxos de caixa livres
da atividade principal (FCLs) descontados a uma
taxa de retorno (i) que corresponda ao risco do
negócio e reflita as incertezas de mercado. Em se-
guida, soma-se o valor dos Ativos Não Operacio-
nais ao Valor Operacional, para se chegar ao valor
total da empresa.
segundo santos (2008), essa taxa corres-
ponde ao custo médio ponderado de capital, ou
CMPC, que vem a ser justamente a média ponde-
rada das diferentes formas de financiamento pre-
sentes na estrutura de capital da empresa.
Essa técnica é uma das mais utilizadas em
cálculos de valor empresarial, porque incorpora
os fatores que interessam na avaliação do valor:
(1) fluxos de caixa (em vez de medidas contábeis)
e (2) o custo de capital.
2.9 Metodologia dos Fluxos de Caixa Descontados
O Valor da Empresa (VE) é, então, calculado
considerando-se o Valor dos Ativos Não Opera-
cionais (ano-ano 0) registrado no último ano de
atividades da empresa (Ano 0), os Fluxos de Cai-
xa Livres Projetados (FCLs) e o Valor Residual (VR)
no último ano projetado – os dois últimos atuali-
zados para o Ano 0 à taxa de desconto (i):
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O Valor Residual representa o Valor da Em-
presa no final do último ano projetado, ou seja,
o valor presente dos fluxos de caixa livres após o
período de previsão explícita. Em condições de
crescimento constante para o período pós-proje-
tado, o Valor Residual (VR) poderá ser calculado
pelo Modelo de Gordon:
Sendo:
VR ano u = Valor Residual para o Último Ano
do Período Projetado.
FCL ano u = Fluxo de Caixa Livre do Último
Ano Projetado.
G = Taxa de Crescimento Constante para os
Fluxos de Caixa Livres do Período Pós-Projetado.
CMPC = Custo Médio Ponderado de Capital
ou Taxa de Desconto.
Alternativamente, Copeland, Koller e Mur-
rin (2002) sugerem que o Valor Residual para o úl-
timo ano projetado seja calculado considerando
os Lucros Operacionais Ajustados (LOA):
Sendo:
LOA ano u = Lucro Operacional Ajustado do
Último Ano Projetado.
Exemplo de Cálculo do Valor da Empresa
pela Metodologia dos Fluxos de Caixa Descon-
tados – Considere que a empresa Apple s.A. ge-
rou os seguintes fluxos de caixa livres nos últimos
cinco anos:
FCLs ($ Milhões) Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5
Histórico 94,00 100,58 106,82 112,90 120,47
Baseando-se em expectativas e em seu de-
sempenho histórico, a empresa está projetando o
crescimento dos fluxos de caixa livres a uma taxa
de 5,5% para os próximos cinco anos.
FCLs ($ Milhões) Ano 6 Ano 7 Ano 8 Ano 9 Ano 10
Projetado 127,10 134,09 141,46 149,24 157,45
Assim, têm-se os seguintes fluxos de caixa
livres projetados:
Para o período pós-pojetado, assuma uma
taxa de crescimento constante de 5%. Com isso,
seu Valor Residual para o final do último ano pro-
jetado é de $ 2.543,41, considerando um custo de
capital de 11,50%:
Valor da Empresa (VE) para o final do Ano 5
é de $ 1.987,67 milhões.
Marcelo Cerqueira Silva
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32VE Ano 5 = $ 127,10 + $ 134,09 + $141,46 + $ 149,24 + ($ 157,45 + $ 2.543,41) = $ 1.987,67
(1,115)¹ (1,115)² (1,115)³ (1,115) (1,115)
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo estudamos as principais metodologias aplicadas no processo de avaliação de uma
empresa. Entendemos a aplicação da técnica do Período de Payback (PP), também conhecido como pe-
ríodo de recuperação e que é o tempo exigido para a empresa recuperar seu investimento inicial em
um projeto, e a importância da utilização da metodologia dos fluxos descontados. Espero que tenham
compreendido.
Vamos agora avaliar a sua aprendizagem.
2.10 Resumo do Capítulo
2.11 Atividades Propostas
1. Explique o seu entendimento sobre o processo de avaliação de empresas através do método
da capitalização dos lucros.
2. Explique o seu entendimento sobre o processo de avaliação de empresas através do método
do Valor Presente Líquido.
3. Explique o seu entendimento sobre o processo de avaliação de empresas através do método
da Taxa Interna de Retorno.
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Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo, apresentaremos o concei-
to dos ativos intangíveis. Apresentaremos ainda
a sua importância para as empresas e diversos
exemplos dessa modalidade de ativos. Observa-
remos ainda a interferência do fator humano na
gestão das empresas. Vamos iniciar a discussão?
Os Ativos Intangíveis são recursos não ma-
teriais controlados pela empresa, que têm proba-
bilidade de trazer benefícios futuros ao negócio.
Esses ativos não estão refletidos nas demonstra-
ções financeiras, mas se transformam em benefí-
cios quando estão associados a alguma atividade
ou ação da companhia.
são exemplos de ativos intangíveis:
patentes de produtos;
patentes de processos industriais;
marcas de fábrica (Grife);
marca registrada (Razão social);
softwares;
desenhos industriais;
direitos autorais;
contratos de transferência (Cessão de
Tecnologia);
franquias;
Goodwill econômico etc.
Esses ativos são pertencentes a um titular
legal e possuem um valor decorrente dos direi-
tos de propriedade a eles associados. Quando as
empresas investem em ativos intangíveis, incor-
rem em custos de curto prazo visando à geração
de maiores fluxos de caixa futuros (médio e lon-
go prazos). Embora possam envolver valores re-
levantes desembolsados do caixa, a maioria dos
gastos não é reconhecida como investimento na
contabilidade das empresas. O que ocorre é um
lançamento como custo operacional que, conse-
quentemente, reduz o lucro e o pagamento do
imposto de renda.
Essa condição é muito questionada nas co-
munidades acadêmica e empresarial, uma vez
que, igualmente à função dos ativos tangíveis, vi-
sam a contribuir para a geração de maiores fluxos
de caixa futuros.
3.1 O Fator Humano na Gestão do Negócio
ANÁLISE DOS ATIVOS INTANGÍVEIS3
Os preços das ações de uma empresa refle-
tem as expectativas do mercado em relação à sua
capacidade futura de gerar fluxos de caixa ope-
racionais para pagamento de todas as suas dívi-
das e maximização da riqueza dos proprietários.
Para honrar tais compromissos, é indispensável
que tanto os ativos tangíveis quanto os ativos
intangíveis sejam utilizados eficientemente. Isso
pressupõe a ação de profissionais qualificados,
continuamente atentos ao comportamento dos
fundamentos da economia e com ampla visão da
saúde financeira da empresa e das necessidades
potenciais de mercado.
Marcelo Cerqueira Silva
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34
Martins (2008) considera as pessoas como
as principais responsáveis pelas estratégias de
investimentos e financiamentos na gestão do
negócio; dessa forma, fundamental seria que a
elas fosse atribuído um valor nas demonstrações
financeiras. De fato, são elas que criam ideias para
o desenvolvimento de produtos, marcas, campa-
nhas comerciais, campanhas publicitárias e pro-
cessos produtivos. Além disso, são responsáveis
pela contratação de funcionários, modernização
tecnológica, captação de financiamentos e moti-
vação de toda a estrutura (administrativa e opera-
cional) para alavancar a lucratividade.
Mas, como atribuir valor à competência
das pessoas nas demonstrações financeiras? A
resposta deveria se centrar na geração de fluxos
de caixa que possibilitassem a maximização da
riqueza dos proprietários e demais supridores de
capital à empresa (funcionários, clientes, fornece-
dores, bancos entidades governamentais etc.).
se as estratégias traçadas para atender às
necessidades de todos esses agentes forem bem-
-sucedidas, a empresa receberá benefícios em
contrapartida, como melhor reputação, maior
credibilidade e menor custo para captar fundos
para financiamento de capital de giro e imobili-
zação. Isso favorece os resultados de seus vários
projetos, contribuindo para torná-los viáveis fi-
nanceiramente, ou seja, geradores de VPLs posi-
tivos.
Por exemplo, se a meta principal do perío-
do consiste em aumentar em 10% o número de
empresas participantes da carteira de clientes e
esse resultado é alcançado, ou, melhor, ultrapas-
sado, à equipe da área comercial caberia o rece-
bimento de uma recompensa arbitrada (fora o
salário) pela alta administração. Caso o aumento
da base de clientes contribuísse para o aumen-
to do faturamento, após análises qualitativas do
risco de crédito, também seria atribuída uma re-
compensa aos profissionais da área de crédito e
financiamento – isso já ocorre, na realidade. E as-
sim sucessivamente para as demais áreas da em-
presa (marketing, recursos humanos, produção,
controladoria etc.).
Como podemos verificar, a quantificação
desses resultados é possível, embora questioná-
vel por depender das políticas orçamentárias de
cada entidade. sendo o foco principal de toda e
qualquer empresa gerar lucro operacional, temos
como monitorar o desempenho desses resulta-
dos periodicamente, por meio das demonstra-
ções financeiras divulgadas.
A partir disso, podemos calcular o lucro
(exato, aproximado ou médio) por funcionário,
departamento, divisão, diretoria, linha de negó-
cio (produto ou serviço), segmento etc. Da mes-
ma forma, podemos desmembrar do salário dos
funcionários quanto representa a parcela fixa e a
parcela variável.
Apresentamos a seguir um exemplo co-
mentado de Ativos Intangíveis para um Banco
Comercial Múltiplo. Entre os ativos intangíveis O
Banco ABC s.A., são destaques: sua marca, sua
forte presença em todo o território brasileiro, sua
expertise nos diversos mercados em que atua, seu
sistema de gerenciamento de risco e, principal-
mente, a capacidade de inovação do seu capital
humano. À sua marca são vinculados atributos in-
dispensáveis: tradição, confiança e solidez.
A rede de distribuição do banco está posi-
cionada estrategicamente em todo o território
brasileiro, proporcionando grande capacidade
para colocação e venda de produtos e serviços. A
cultura interna do banco é voltada para o desen-
volvimento de novas formas de relacionamento
com parceiros e clientes, novos produtos e servi-
ços e novos processos, o que confere ao banco a
vantagem competitiva pela constante renovação
de seus negócios.
A expertise do banco nos mercados em que
atua e a qualificação de seu capital humano o fa-
zem um dos bancos mais inovadores do país, com
a mais completa carteira de produtos e serviços do
mercado brasileiro. Baseando-se em constantes
AtençãoAtenção
Na opinião de alguns autores, o reconhecimento da
competência dar-se-ia pelo pagamento de prêmios
ou bônus por metas atingidas (SANTOS, 2008).
Avaliação de Empresas e Governança Corporativa
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gastos com pesquisas e desenvolvimento, a ins-
tituição vem desenvolvendoprodutos e serviços
inovadores, os quase vêm lhe conferindo aumen-
tos graduais de participação no mercado. A junção
de todos esses fatores vem contribuindo continu-
amente para o aumento do faturamento, lucrati-
vidade e rentabilidade do banco diante de seus
principais concorrentes. Consequentemente, vem
apresentando índices P/L cada vez maiores, o que
representa as favoráveis expectativas projetadas
por seus investidores quanto à sua capacidade fu-
tura de gerar fluxos de caixa operacionais mais que
suficientes para maximizar a riqueza de seus pro-
prietários e honrar as dívidas com os demais supri-
dores de capital.
Entende-se por Goodwill as vantagens in-
tangíveis que uma empresa tem sobre seus con-
correntes, tais como uma excelente reputação,
localização estratégica, forte sinergia entre uni-
dades de negócios etc. Contabilmente, goodwill é
visto como um prêmio pela compra de um negó-
cio. Quando uma empresa compra outra, a quan-
tia paga é chamada de preço de compra. Os con-
tadores calculam o goodwill subtraindo o valor
contábil do preço de compra. segundo Iudícibus
(1997), o goodwill pode ser analisado de acordo
com as seguintes perspectivas:
excesso de preço pago na compra de
um negócio sobre o valor de mercado
de seus ativos líquidos;
nas consolidações, é o excesso de valor
pago pela investidora por sua participa-
ção sobre os ativos da subsidiária;
valor dos lucros futuros esperados, des-
contados de seus custos de oportuni-
dade.
As regras contábeis internacionais recomen-
dam que o valor do goodwill seja amortizado do
lucro ao longo de 40 anos. Como exemplo, consi-
dere a compra da rede Wendy’s pelo McDonald’s.
seguem os dados parciais da empresa:
3.2 Goodwill
McDonald’s
Lucro contábil $ 1.977.300.000
Ações emitidas 1,29 bilhões
Lucro contábil por ações emitidas $ 1,53
Wendy’s
Valor contábil $ 1.082.424.000
Valor contábil por ação $ 10,35
Ações emitidas 104.600.000
Lucro contábil $ 169.648.000
Lucro contábil por ações emitidas $ 1,62
Preço de mercado da ação $ 32
Marcelo Cerqueira Silva
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se o desembolso do McDonald’s pela aqui-
sição da Wendy’s se baseasse no valor da ação, de-
sembolsaria $ 3.347.200.000,00 (104.600.000 x
32).
Como o valor contábil da Wendy’s é de so-
mente $ 1.082.424.000,00 e o Mcdonald’s pagas-
se $ 3.347.200.000, ocorreria o pagamento de um
prêmio de $ 42.264.776.000. Esse prêmio apare-
ceria no balanço patrimonial como goodwill.
Assumindo o período de amortização sobre
o lucro de 40 anos, ter-se-ia que a cada ano, ime-
diatamente à aquisição, 1/40 do valor do goodwill
deveria ser subtraído do lucro do McDonald’s, ou
seja, $ 56.619.400,00.
Com a junção das empresas, assumindo a
geração de uma lucratividade semelhante para
o próximo ano, o McDonald’s geraria um lucro
total de $ 2.146.948.000,00 ($ 1.977.300.000 + $
1.699.648.000,00) ou 1,66 de lucro por ação ($
2.146.948.000 ÷ $ 1.290.000.000).
Os ativos intangíveis referem-se a um desmem-
bramento do ativo imobilizado, que, a partir da
vigência da Lei nº 11.638/2007, ou seja, a partir
de 01/01/2008, passou a contar apenas com bens
corpóreos de uso permanente. Deve ser ressaltado
que, para as companhias abertas, a existência des-
se subgrupo “Intangível” já se encontra regulada
pela Deliberação CVM nº 488/2005. Mensalmente
deve ser contabilizada a amortização desses bens,
em conta redutora específica (MARTINS, 2008).
CuriosidadeCuriosidade
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo estudamos que os ativos intangíveis são pertencentes a um titular legal e possuem
um valor decorrente dos direitos de propriedade a eles associado. Observamos ainda que o Goodwill
refere-se às vantagens intangíveis que uma empresa tem sobre seus concorrentes, tais como uma exce-
lente reputação, localização estratégica, forte sinergia entre unidades de negócios etc. Contabilmente,
goodwill é visto como um prêmio pela compra de um negócio. Por fim, verificamos a importância das
pessoas como as principais responsáveis pelas estratégias de investimentos e financiamentos na gestão
do negócio; dessa forma, fundamental seria que a elas fosse atribuído um valor nas demonstrações finan-
ceiras. Espero que tenha compreendido.
Vamos agora avaliar a sua aprendizagem.
3.3 Resumo do Capítulo
3.4 Atividades Propostas
1. O que você entende por ativos intangíveis?
2. Cite 3 exemplos de ativos intangíveis.
3. O que você entende por goodwill?
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37
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo, discutiremos os principais
modelos de alavancagem utilizados pelas empre-
sas: a alavancagem financeira e a alavancagem
4.1 Alavancagem Financeira
operacional. Veremos ainda, o processo de cálculo
do grau de alavancagem e suas vantagens. Vamos
iniciar a discussão?
Um dos aspectos mais importantes do pro-
cesso de avaliação de uma empresa é o estudo da
alavancagem financeira e operacional.
ALAVANCAGEM NAS EMPRESAS4
ATIVO PASSIVO
Alavancagem Operacional
Risco Operacional
Alavancagem Financeira
Risco Financeiro
A aplicação das alavancagens operacional e
financeira na avaliação de uma empresa permite
que se conheça sua viabilidade econômica, iden-
tificando-se claramente as causas que determina-
ram eventuais variações nos resultados.
AtençãoAtenção
Na definição de Assaf Neto (1997), alavancagem
financeira é o efeito de tomar, numa ponta, re-
cursos de terceiros a um custo y, aplicando-os na
outra ponta (ativos) a uma taxa x; a diferença vai
para os proprietários e altera seu retorno sobre o
patrimônio líquido, para mais ou para menos do
que aquele que seria obtido caso todo o investi-
mento fosse feito apenas com recursos próprios.
A Alavancagem Financeira significa a pos-
sibilidade de os acionistas da empresa obterem
maiores lucros para suas ações com o uso mais in-
tensivo de capitais de terceiros, ou seja, emprés-
timos. O fundamento da alavancagem financeira
é que os juros são custos fixos e, portanto, permi-
tem o fenômeno alavancagem. Como sempre, no
dilema risco e retorno, todo fenômeno alavanca-
gem, com base em custos fixos, tem a sua contra-
partida negativa, que é o risco.
DicionárioDicionário
Risco: “está sempre presente na atividade humana.
Quando os médicos realizam cirurgias ou diagnós-
ticos, engenheiros projetam novas construções,
pessoas iniciam negócios, o risco é um parceiro
inevitável. (BRIGHAM, 2001, p. 273).
Marcelo Cerqueira Silva
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38
Assim, a alavancagem financeira traz tam-
bém o risco financeiro.
Embora lidemos diariamente com as mais
variadas formas de risco, sua conceitua-
ção não é fácil. Isto pode estar relaciona-
do com a dificuldade de estabelecermos
a aversão ao risco, pois a atitude frente ao
risco é diferente para cada pessoa. situ-
ações de alto risco para um pode ser de
risco aceitável para outros. As diferentes
perspectivas, geradas por diferentes con-
juntos de informações, é que estabelece-
rão o nível de risco para um evento. (BRI-
GHAM, 2001, p. 274).
A alavancagem financeira decorrente do
aumento do volume é similar à alavancagem
operacional e, dentro de expectativas de volumes
maiores esperados, pode até aceitar taxas de ju-
ros maiores daquelas admissíveis dentro de volu-
mes menores de atividades e vendas.
A existência de capital de terceiros na estrutu-
ra de financiamento permite o fenômeno alavanca-
gem financeira para o capital próprio. Quando uma
empresa não utiliza capital de terceiros, não existe
a possibilidade de alavancagem financeira, e dize-
mos que se trata de uma empresa não alavancada.
A alavancagem financeira está ligada ao passivo.
Fórmula de cálculo do Grau de Alavancagem
Financeira:Grau de Alavancagem = Lucro Operacional = LOP
Financeira GAF Lucro Operacional – Despesas financeiras LOP – DF
A expressão revela a alteração percentual
no lucro líquido (disponível aos acionistas) deter-
minada por uma variação no lucro operacional.
Por exemplo, se o GAF for igual a 1,5, indica que
cada 1% de aumento no resultado operacional
resulta num acréscimo de 1,5% no lucro líquido.
O grau de alavancagem pode também ser
obtido por:
GAF = Variação Percentual no Lucro Líquido = LL
Variação Percentual no Lucro Operacional LOP
Exemplo: admita uma empresa com um
ativo total de $ 300, o qual proporciona um lucro
operacional de $ 45, o que equivale a uma renta-
bilidade de 15% sobre o investimento total (ati-
vo). A empresa está financiada por capital próprio
(patrimônio líquido) de $ 200 e empréstimo ban-
cário de $ 100, cujo custo é 12%, ou seja, despesas
financeiras de $ 12 (12% x 100).
Graficamente, tem-se a situação descrita:
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39
LOP = $ 45
+ Lucro Operacional (LOP) $ 45
- Despesas Financeiras (DF) (12)
= Lucro Líquido $33
A relação é maior que 1,00, indicando a exis-
tência de alavancagem financeira favorável. Qual-
quer variação no lucro operacional indica uma va-
riação 1,36 vezes maior que o resultado líquido dos
proprietários. sendo assim, quanto maior for o grau
de alavancagem financeira (GAF), mais elevada se
apresenta a capacidade da empresa em elevar o re-
torno de seus proprietários mediante acréscimos no
lucro operacional. Por exemplo, ao se supor um au-
mento de 20% no lucro operacional, é de se esperar
um incremento de 27,2% no lucro líquido, ou seja:
Lucro Líquido = Lucro Operacional GAF
Lucro Líquido = 20% x 1,36 = 27,2%
Com isso, o novo resultado líquido deve
passar de $ 33 para $ 42, indicando uma evolução
de 27,2%, ou seja:
Lucro Operacional: 45 x 1,20 $ 54
Despesas Financeiras (12)
Lucro Líquido $ 42
Variação no Lucro Líquido (42 ÷ 33) – 1 = 27,2%
Saiba maisSaiba mais
“Existe uma distinção entre os conceitos de risco e incerteza, não podendo ser confundidos. Em Finanças, podemos
dizer que o Risco existe quando o tomador da decisão pode embasar-se em probabilidade para estimar diferentes re-
sultados, e que a ocorrência da incerteza ocorre quando o tomador não dispõe de dados históricos acerca de um fato,
o que exigirá a tomada de decisão apenas pela intuição.” (GITMAN, 1997, p. 127).
Marcelo Cerqueira Silva
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40
Ao se desejar determinar o GAF após os efei-
tos do imposto de renda, é necessário apurar o lu-
cro operacional e o lucro líquido também após o
imposto. Admitindo uma alíquota de imposto de
renda de 40% temos:
Lucro Operacional Bruto $ 45,00
Imposto de Renda: 40% x $ 45 ($ 18,00)
Lucro Operacional Líquido: $ 27,00
Despesas Financeiras Brutas: ($ 12)
Economia IR: 40% x $ 12 $ 4,80 ($ 7,20)
Lucro Líquido após IR $ 19,80
GAF = $ 27,00 ÷ $ 19,80 = 1,36
A Alavancagem Operacional é possível pela
presença de custos e despesas fixas na estrutu-
ra de resultados de uma empresa. Esses custos
(despesas) não sofrem, por definição, nenhuma
variação diante de mudanças no volume de ati-
vidades, mantendo-se constantes no tempo. Para
Martins (2008), o exemplo da depreciação de
uma máquina ocorre independentemente de o
volume de atividade – ou seja, de, em certo perí-
odo, ter ocorrido acréscimos ou reduções na pro-
dutividade. Da mesma forma, o aluguel, salários,
honorários da administração, despesas de juros
de empréstimos e financiamentos são exemplos
de custos e despesas fixas.
A expressão do grau de alavancagem ope-
racional pode ser assim obtida:
4.2 Alavancagem Operacional
Grau de Alavancagem = Variação do Lucro Operacional = LOP
Operacional Variação no Volume De Atividade VA
Por exemplo, se um aumento de 10% nas
vendas de uma empresa determinar um acrés-
cimo de 35% nos lucros, tem-se um GAO de 3,5,
que representa uma elevação de 3,5% nos resul-
tados operacionais para cada 1% de elevação das
vendas.
Admitam-se como ilustração as empresas A
e B, iguais em todos os aspectos exceto em sua
estrutura de custos e despesas. A empresa A, por
ser mais automatizada, tem uma relação custo e
despesa fixa / custo e despesa total mais alta que
B. seus resultados são apresentados a seguir:
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Descrição Empresa A Variação % Empresa B Variação %
Receitas de Vendas $ 100 100% $ 100 100%
Custos e Despesas Variáveis $ 30 (30%) $ 70 (70%)
Margem de Contribuição $ 70 70% $ 30 30%
Custos e Despesas Fixos $ 60 $ 20
Resultado Operacional $ 10 $ 10
Apesar de as duas empresas apresentarem
o mesmo lucro operacional e volume de vendas,
a capacidade da empresa A em alavancar seus re-
sultados operacionais é superior à demonstrada
pela empresa B. se ocorrer um aumento no vo-
lume de vendas, por exemplo, o lucro operacio-
nal de A se incrementa percentualmente 7 vezes
mais, e o de B somente 3 vezes.
Volume de Atividade = 20%
Descrição Empresa A Variação % Empresa B Variação %
Receitas de Vendas $ 120 100% $ 100 100%
Custos e Despesas Variáveis $ 36 (30%) $ 84 (70%)
Margem de Contribuição $ 84 70% $ 36 30%
Custos e Despesas Fixos $ 60 $ 20
Resultado Operacional $ 24 $ 16
Lucro Operacional +140% +60%
Volume de Atividade +20% +20%
GAO 140% ÷ 20% = 7 60% ÷ 20% = 3
Para cada 1% de aumento nas vendas, a
empresa A oferece uma elevação de 7% em seus
resultados operacionais, e a empresa B somente
3%. Por não sofrerem variações em seus valores,
os custos e despesas fixas são diluídos pela eleva-
ção do volume de atividade, alavancando maio-
res variações nos lucros operacionais.
Agora veremos uma nova proposta, na qual
haverá uma redução de 20% no volume de ven-
das para as duas empresas. Ao admitir tal redu-
ção, a empresa A revela-se incapaz de cobrir seus
custos e despesas fixos mais elevados, apurando
um prejuízo operacional. A empresa B, com uma
participação bem mais reduzida de custos e des-
pesas fixos, ainda consegue manter-se em situa-
ção de lucro, conforme é demonstrado a seguir.
Marcelo Cerqueira Silva
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Volume de Atividade = - 20%
Descrição Empresa A Variação % Empresa B Variação %
Receitas de Vendas $ 80 100% $ 80 100%
Custos e Despesas Variáveis $ 24 (30%) $ 56 (70%)
Margem de Contribuição $ 56 70% $ 24 30%
Custos e Despesas Fixos $ 60 $ 20
Resultado Operacional ($ 4) $ 4
Lucro Operacional -140% -60%
Volume de Atividade -20% -20%
GAO (140%) ÷ (20%) = 7 (60%) ÷ (20%) = 3
O grau de alavancagem operacional (GAO)
funciona nos dois sentidos, demonstrando maior
alavancagem dos lucros e também dos prejuízos.
Quanto maior o GAO, maior a participação dos
custos e despesas fixos na estrutura dos resultados
e também maior o risco operacional da empresa.
Fórmula de cálculo do Grau de Alavanca-
gem Operacional:
GAO = LOP ÷ VA
Sendo:
LOP = variação no lucro operacional.
VA = variação no volume de atividade.
Outras maneiras de obtermos o resultado
do Grau de Alavancagem Operacional são:
GAO = QTD (RV – CDV)
QTD (RV – CDV) – CDF
Essa expressão apura o grau de alavanca-
gem operacional com base em unidades de vo-
lume de atividade. Para um volume expresso em
valores monetáriostotais. sendo RV e CDV, res-
pectivamente, receitas de vendas totais e custos
e despesas variáveis totais.
GAO = (RV – CDV)
(RV - CDV) – CDF
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43
Empresa A
Empresa B
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo estudamos o conceito e a aplicação das alavancagens financeira e operacional. Ob-
servamos ainda a demonstração de um exemplo de cálculo do grau de alavancagem. Espero que tenham
compreendido.
Vamos agora avaliar a sua aprendizagem.
4.3 Resumo do Capítulo
4.4 Atividades Propostas
1. Explique a importância da alavancagem no processo de avaliação de uma empresa.
2. Explique o seu entendimento sobre alavancagem operacional.
3. Explique o seu entendimento sobre alavancagem financeira.
Assista ao filme Um Bom Ano. Tópicos explorados: mercados de capitais e análise técnica. A
passagem desse filme retrata a associação entre os movimentos dos agentes no mercado
financeiro e o comportamento dos preços dos ativos financeiros. Aos 11 anos, Max Skinner é
cuidadosamente educado na arte de saborear vinhos por seu tio Henry. Adulto, Max torna-se
um bem-sucedido homem de negócios e a trama segue. Ator principal: Russell Crowe. Ano
de lançamento: 2006.
MultimídiaMultimídia
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45
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo, trataremos do impacto do
custo de capital nas empresas. Apresentaremos
também os componentes do custo de capital com-
preendidos em capital próprio e capital de terceiros.
Como os investimentos são financiados por capital
próprio e capital de terceiros, estudaremos o mode-
lo mais utilizado e de grande aceitação no mercado,
que considera a contribuição de cada uma dessas
fontes na estrutura de capital da empresa: o Custo
Médio Ponderado de Capital, também conhecido
como CMPC. Vamos iniciar a discussão?
Iniciamos apresentando o Custo de Capital
(i) como a média ponderada das taxas de custo das
diversas fontes de financiamento em longo prazo
que integram a estrutura de capital da empresa.
sendo o Custo de Capital a taxa desejada de retor-
no que a empresa deve pagar para captar fundos,
ele pode ser um parâmetro para medir a atrativida-
de de diferentes alternativas de investimentos.
Quando o Custo de Capital se eleva no perí-
odo, isso significa que o risco de atividade opera-
cional da empresa aumentou, em decorrência de
uma série de fatores sequenciais, como os repre-
sentados pelas reduções do/a:
rotatividade dos produtos e serviços;
faturamento;
lucro (operacional e líquido);
liquidez;
capacidade de cobertura de juros etc.
Tais fatores são fortemente influenciados
por ações externas às empresas e afetam a gera-
ção dos seus fluxos de caixa livres. Por isso, pres-
supõe-se que os administradores estejam sempre
atentos a ações de agentes de mercado (concor-
rentes, governos, fornecedores, bancos etc.), para
que suas empresas possam sobreviver em épocas
de recessão ou do nível de atividade econômica.
Geralmente, quando ocorre aumento
das taxas de juros e câmbio, em épocas de reces-
são, empresas com elevados índices de endivi-
damento (interno e externo) passam a enfrentar
dificuldades para gerar fluxos de caixa suficientes
para pagar dívidas com instituições financeiras e
fornecedores.
Como consequência do aumento do risco
do negócio, os supridores de capital aumentam
o custo do financiamento às empresas e/ou pas-
sam a exigir garantias reais como condição para
concessão de crédito destinado às necessidades
de capital de giro e imobilização. Trata-se de um
prêmio adicional para cobrir o aumento de risco.
CUSTO DE CAPITAL5
AtençãoAtenção
O Custo de Capital (i) é um instrumento utilizado
para trazer os fluxos de caixa livres projetados a
valor presente, refletindo o risco do negócio (GIT-
MAN, 1997).
Saiba maisSaiba mais
O custo de capital de terceiros é a taxa de retorno
que os credores exigem para emprestar novos re-
cursos à empresa. Basta calcular a taxa de juros que
a empresa deve pagar quando toma recursos em-
prestados (SANTOS, 2008).
Marcelo Cerqueira Silva
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46
são exemplos reais:
bens patrimoniais (móveis e imóveis);
bens escriturais (duplicatas a receber);
bens financeiros (aplicações financeiras).
Como os investimentos são financiados por
capital próprio e capital de terceiros, a quantida-
de de cada um na estrutura de capital terá um im-
pacto relevante no valor da empresa. O modelo
mais utilizado e de grande aceitação no mercado,
que considera a contribuição de cada uma des-
sas fontes na estrutura de capital da empresa, é o
Custo Médio Ponderado de Capital (CMPC).
O CMPC corresponde à média ponderada
das taxas de custos das diversas fontes de finan-
ciamento em longo prazo que integram a estrutu-
ra de capital da empresa. No balanço patrimonial,
tais fontes são classificadas como itens do exigí-
vel a longo prazo, do passivo circulante quando
incluir transferências de dívidas onerosas e/ou
bancárias de longo prazo e do patrimônio líquido
(capital próprio):
5.1 Custo Médio Ponderado de Capital (CMPC)
Figura 2 – Fontes de financiamento a longo prazo no Balanço Patrimonial.
O passivo circulante operacional livre de
juros, representando, principalmente pela fon-
te de financiamento, as atividades operacionais
(fornecedores), é excluído do cálculo do CMPC
para evitar incoerências, uma vez que seu custo
será implícito no preço pago pelas mercadorias
que geraram a dívida. A dívida bancária de curto
prazo deve ser computada no cálculo do CMPC
quando referir-se à parcela da dívida bancária de
longo prazo.
O princípio mais importante a ser seguido
quando se calcula o CMPC é que ele tem de ser
consistente com o método de avaliação e com a
definição do fluxo de caixa livre a ser descontado.
Por isso, os avaliadores devem se ater aos seguin-
tes passos para calculá-lo:
considerar a média ponderada dos cus-
tos de todas as fontes de capital (dívidas,
ações etc.), já que o fluxo de caixa livre
representa o caixa disponível para remu-
nerar todos os provedores de capital;
ser calculado depois de todos os impos-
tos, já que o fluxo de caixa livre também
é calculado depois dos impostos;
usar taxas de retorno nominais e deriva-
das de taxas de juros reais e da inflação
esperada;
levar em conta os riscos sistemáticos as-
sumidos pelos investidores, tendo em
vista que cada um deles espera um re-
torno que compense o risco assumido;
empregar valores de mercado ao se pon-
derar o custo de cada fonte de capital, já
que os valores de capital refletem a verda-
deira composição do capital empregado,
o que não ocorre com o valor contábil;
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47
poder variar ao longo do período de
projeção do fluxo de caixa livre, em fun-
ção de mudanças esperadas nos fatores
de natureza sistemática (inflação, juros,
câmbio etc.) e na estrutura de capital da
empresa.
5.2 Custo Líquido do Capital de Terceiros (CLCT) do Capital Próprio (CAPM)
O custo de capital de terceiros é calculado
considerando o custo de emissão de dívida, ou
seja, a que custo os agentes de mercado estão dis-
postos a emprestar recursos financeiros à empre-
sa. Como as despesas financeiras (juros da dívida)
são dedutíveis para fins de impostos de renda,
reduzindo com isso o custo do endividamento, o
custo do capital de terceiros deve ser líquido da
Alíquota do imposto de renda (i).
Conforme Assaf Neto (2003), essa vanta-
gem não existe na Distribuição de lucros aos acio-
nistas, os quais sãodefinidos após a respectiva
provisão tributária. Com isso, o custo de capital
de terceiros reduz-se pela economia do imposto
de renda – efetivamente, o governo é quem paga
parte do custo total, permitindo maior capacida-
de de alavancagem que venha a contribuir para o
aumento do valor da empresa.
Embora se trate de importante alternativa de
financiamento, muitos autores alertam para os efei-
tos negativos do uso excessivo de dívidas na estru-
tura de capital das empresas. Até certo ponto, o fi-
nanciamento por meio de dívidas é benéfico. Além
desse ponto, entretanto, ocorre um aumento do ris-
co de insolvência e os supridores de capital acabam
por elevar seu custo para compensar o aumento do
risco em financiamentos às empresas.
Para mensurar custos de capital toleráveis,
a teoria da estrutura de capital sugere que cada
empresa tenha uma estrutura de capital ótima,
ou seja, aquela que maximiza o valor total da em-
presa e minimiza seu custo de capital total. Maior
aprofundamento sobre o assunto pode ser obti-
do em Brigham (2000).
De acordo com Martins (2008), o custo do
financiamento com capital de terceiros, além de
deduzir o pagamento de juros de impostos de ren-
da da empresa, tende a ser menos que o custo do
financiamento com capital próprio porque os por-
tadores de títulos de dívida exigem menos retorno
em relação ao retorno exigido pelos acionistas. Isso
ocorre porque os credores da empresa têm prefe-
rência sobre os acionistas quando da sua liquidação
financeira, portanto incorrem em um menor risco,
já que a remuneração é fixa, enquanto a remune-
ração do capital próprio depende do desempenho
da empresa.
É importante destacar que, quando o Passi-
vo Circulante incluir empréstimos bancários repre-
sentando transferências de dívidas de longo prazo,
seus custos deverão ser computados no cálculo do
Custo Total do Capital de terceiros e CMPC.
O CAPM (Capital Asset Pricing Model) ofere-
ce a oportunidade de se conhecer a taxa de retor-
no requerida pelos proprietários da empresa, ou
seja, seu custo de capital próprio. O CAPM postu-
la que o custo de oportunidade do capital ordi-
nário seja igual ao retorno sobre os títulos livres
de risco (Tlr) mais o risco sistemático da empresa
(β), multiplicado pelo preço de mercado do risco,
ágio ou prêmio pelo risco.
Fórmula de cálculo do CAPM:
CAPM = RF + beta (RM – RF)
Os componentes da fórmula do CAPM são
descritos a seguir.
Taxa Livre de Risco (RF)
A taxa de remuneração isenta de risco é
calculada em função do investimento de menor
risco disponível no mercado. Nesse contexto, o
parâmetro adotado em análises financeiras é o
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48
U.s. Treasure Bonds de 30 anos, por ser conside-
rado, intencionalmente, como o indicador que
apresenta um dos menores graus de risco, por es-
tar lastreado pelo aval da economia mais rica do
mundo. Essa é a taxa que melhor reflete as expec-
tativas de longo prazo do mercado para a inflação
e é a menos afetada por desbalanceamentos de
oferta e demanda e intervenções de curto prazo.
Beta (β)
É uma medida estatística da volatilidade do
preço de ações em relação à carteira referencial
de mercado (Bovespa, Dow Jones, s&P 500 etc.).
Representa o risco sistemático e específico da
empresa e/ou de seu setor de atuação. Entende-
-se pelo risco sistemático ou não diversificável
aquele atribuível a valores de mercado que afe-
tam todas as empresas e, por isso, não pode ser
eliminado por meio da diversificação. Fatores,
como guerra, inflação, taxas de juros, câmbios,
eventos políticos etc., respondem pelo risco siste-
mático. Quanto maior o índice de volatilidade da
empresa (β), maior o risco de investimento (GIT-
MAN, 1997).
No caso de avaliação de empresas que se-
jam listadas e tenham negociação expressiva em
bolsas de valores, o beta da ação é calculado re-
gredindo seus retornos (diários, semanais, men-
sais etc.) com relação ao índice de mercado sele-
cionado durante anos anteriores à data base da
avaliação – recomenda-se entre três e cinco anos
anteriores. A medição empírica do beta é efetua-
da pelo uso de Análise de Regressão de Mínimos
Quadrados para encontrar o Coeficiente de Re-
gressão (bj). A equação Y = a + bX + ε é a forma
padrão de uma regressão simples ou linear (KAZ-
MIER, 1982).
Tendo sido determinadas as taxas de cus-
tos das fontes de financiamentos a longo prazo, o
passo seguinte consiste no cálculo da média pon-
derada dessas taxas que corresponderá ao Custo
do Capital ou Custo Médio Ponderado de Capital
(CMPC). A ponderação das taxas de custo deve
refletir as proporções dos valores de cada tipo de
fundos em relação ao seu total, de tal forma que a
soma dos pesos corresponda a 1,0 ou 100%. sen-
do assim apresentamos a seguir alguns exemplos
de cálculo do CMPC.
5.3 Cálculo do CMPC
Saiba maisSaiba mais
As ações preferenciais ou capital preferencial ofe-
rece preferência na distribuição de resultados ou
no reembolso do capital, em caso de liquidação da
companhia. O nome da empresa é seguido da no-
tação PN (PINHEIRO, 2005).
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49
Exemplo 1 – A Karlson s.A. apresenta as se-
guintes formas de financiamento a longo prazo e
seus respectivos custos de capital. Pelos valores
enunciados, pode-se mensurar o CMPC da em-
presa da seguinte forma:
Fontes de financiamento Montante ($) Proporção (%) Custo líquido anual
Empréstimos a l. prazo 1.200 30,00% 10,75%
Capital preferencial 1.100 27,50% 13,50%
Capital ordinário 1.700 42,50% 15,34%
Total de fundos a l. prazo 4.000 100%
Pelos valores enunciados, pode-se mensu-
rar o CMPC da empresa da seguinte forma:
CMPC = [ (30,00% x 0,1075) + (27,50% x 0,1534) ] = 13,46%
Exemplo 2 – A Albertini s.A. apresenta a se-
guinte estrutura de capital para financiamentos
Fontes de financiamento Montante ($) Proporção (%) Custo líquido anual (%)
Empréstimos a l. prazo 1.800 30 7
Capital preferencial 600 10 12
Capital ordinário 3.600 60 16
Total de fundos a l. prazo 6.000 100
de longo prazo. Pelos valores enunciados, pode-se
mensurar o CMPC da empresa da seguinte forma:
Pelos valores enunciados, pode-se mensu-
rar o CMPC da empresa da seguinte forma:
CMPC = [ (30,00% x 0,07) + (10,00% x 0,12) + (60,00% x 0,16) ] = 12,90%
Caso a empresa captasse mais $ 1.500 em
debêntures para amortização em três anos ao
custo líquido do imposto de renda de 9%, sua
nova estrutura de capital e CMPC seriam:
Fontes de financiamento Montante ($) Proporção (%) Custo líquido anual (%)
Empréstimos a l. prazo 1.800 24 7
Debêntures 1.500 20 9
Capital preferencial 600 8 12
Capital ordinário 3.600 48 16
Total de fundos l. prazo 7.500 100
CMPC = [ (24% x 0,07) + (20% x 0,09) + (8% x 0,12) + (48% x 0,16) ] = 12,12%
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50
Agora o cálculo do CMPC, considerando:
índice de alavancagem das fontes de
longo prazo = 0,72;
custo bruto da dívida = 15,00%;
CAPM = 12,00%;
Alíquota do IR = 34,00%.
Quando não são informados os valores de
financiamento, a proporção é calculada por meio
do desmembramento do índice de alavancagem:
Fontes de longo prazo Montante ($) Proporção (%)
Patrimônio líquido 1,00 58,14
Exigível a longo prazo 0,72 41,86
Fundos totais 1,72 100
CMPC = { (58,14% x 0,12) + [41,86% x 0,15 x (1 – 0,34) ] } = 11,12%
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo estudamos o conceito do custo de capital e verificamos ainda as diferentes fontes
de financiamento. As diferentes fontes de financiamento utilizadas na estrutura financeira das empresas
compõem as variáveis do custo médio ponderado de capital e que são divididas em dois grupos.são
eles: o capital próprio e o capital de terceiros. Espero que tenham compreendido.
Vamos agora avaliar a sua aprendizagem.
5.4 Resumo do Capítulo
5.5 Atividades Propostas
1. Explique o seu entendimento sobre o custo médio ponderado de capital (CMPC).
2. Explique o se entendimento sobre o custo de capital.
3. Explique em quais condições o custo de capital de uma empresa se eleva.
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51
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo, trataremos sobre a importân-
cia da geração e pagamento dos dividendos. serão
apresentados o conceito e os procedimentos para o
seu pagamento. Vamos conhecer ainda as principais
formas de pagamento de dividendos e os planos de
reinvestimentos. Vamos iniciar a discussão?
Iniciamos mencionando que o pagamento
de dividendos depende do conselho de diretoria
e muitas empresas pagam-nos trimestralmente,
em dinheiro, ações ou mercadorias. Os dividen-
dos em dinheiro são mais comuns, e dividendos
em mercadoria, os menos comuns.
De acordo com Gitman (2000), o acionista
comum não tem certeza de receber um dividen-
do, porém espera certos pagamentos de dividen-
dos segundo o padrão histórico de dividendos da
empresa. Antes de os dividendos serem pagos
aos acionistas comuns, é preciso satisfazer as rei-
vindicações de todos os credores, do governo e
dos acionistas preferenciais.
Algumas pessoas acreditam que, por serem
irrelevantes, os dividendos deveriam ser tratados
como um resíduo – o montante que restaria após
todas as oportunidades aceitáveis de investimen-
tos terem sido aproveitadas. Quais argumentos
você utilizaria para justificar a relevância dos divi-
dendos para se alcançar os objetivos da empresa
de maximização da riqueza dos acionistas? Antes
de prosseguir a leitura, reflita alguns instantes so-
bre essa questão.
Lucros que são distribuídos como dividendos
são uma forma de financiamento interno. O nível
esperado de dividendos em dinheiro é variável bá-
sica do retorno, a partir da qual os proprietários e
investidores determinam o preço da ação. Os divi-
dendos representam uma fonte de fluxo de caixa
para os acionistas e fornecem informações a respei-
to da performance atual e futura da empresa.
Como os lucros retidos – lucros que não são
distribuídos como dividendos – são uma forma
de financiamento interno, a decisão de investi-
mentos pode afetar significativamente as neces-
sidades de financiamentos externos da empresa.
Em outros termos, caso a empresa necessite
de financiamento, observa-se que quanto maio-
res os dividendos pagos em dinheiro, maiores os
montantes de financiamento que devem ser leva-
dos externamente por meio de empréstimos ou
da venda de ações preferenciais e/ou ordinárias.
Como forma de entender os fundamentos da
política de dividendos, serão discutidos os proce-
dimentos para o pagamento de dividendos em di-
nheiro, os planos de reinvestimentos de dividendos,
as teorias acerca das políticas de dividendos e os fa-
tores básicos que afetam a política de dividendos.
POLÍTICA DE DIVIDENDOS6
DicionárioDicionário
Os dividendos são uma forma de rendimento de
propriedade recebidos pelos proprietários de
ações, aos quais os mesmos ganham direito em
resultado da colocação de fundos à disposição
das sociedades. Regulamento (CEE) nº 2.223/96 do
Conselho, de 25/06/96 - JO L 310 de 30/11/1996; §
4.53 e 4.54 (PINHEIRO, 2005).
AtençãoAtenção
Lembre-se de que, embora os dividendos
sejam relacionados a lucros retidos, eles
representam redução do ativo caixa (GIT-
MAN, 1997).
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52
O pagamento de dividendos em dinheiro
aos acionistas é decidido pelo conselho de admi-
nistração. Os diretores normalmente se reúnem
trimestral ou semestralmente, quando avaliam o
desempenho financeiro passado e as perspecti-
vas futuras da empresa, para determinar se e em
que montante os dividendos devem ser pagos.
Em geral, informações acerca de dividen-
dos pagos recentemente podem ser encontradas
nos relatórios anuais da empresa. A data de pa-
gamento dos dividendos em dinheiro (se foram
declarados) também precisa ser estabelecida.
O pagamento de dividendos e o montante
a ser distribuído são decisões importantes que
dependem muito da política de dividendos da
empresa. A maioria das empresas paga um divi-
dendo em dinheiro a cada período. O montante
é geralmente fixo, embora os aumentos e dimi-
nuições significativos no lucro possam justificar
possíveis variações. Apesar de um número subs-
tancial de empresas assumir uma política defini-
da a respeito do montante dos dividendos, os di-
retores podem alterar o montante na assembleia
sobre dividendos.
6.1 Procedimentos para o Pagamento de Dividendos
6.2 Datas para o Pagamento dos Dividendos
Data estabelecida pelos diretores da empresa
na qual cada pessoa, cujo nome esteja registrado
como acionista, receberá um dividendo declarado
numa data futura. se o conselho administrativo
declarar os dividendos a serem pagos, as datas de
registro e de pagamento associadas aos dividen-
dos também serão decididas em assembleia. Geral-
mente, é emitida uma declaração determinando os
dividendos, a data de registro e a data de pagamen-
to, sendo publicadas nos jornais.
Período que se inicia quatro dias úteis antes
da data de registro, durante o qual a ação será ven-
dida sem o direito de recebimento do dividendo.
Todas as pessoas cujos nomes contam como acio-
nistas no livro de registros de ações, na data de
registro consignada pela assembleia, receberão
um dividendo declarado. Esses acionistas muitas
vezes são conhecidos por acionistas registrados.
segundo Brigham (2001), devido ao tem-
po necessário para se fazerem os lançamentos
quando uma ação é negociada, esta será vendida
ex-dividendos quatro dias úteis antes da data de
registro. Quando uma ação é vendida ex-dividen-
dos, os acionistas não os recebem.
Por fim, caso se ignorem as possíveis flutua-
ções de mercado, espera-se que o preço da ação
caia no montante do dividendo declarado, no dia
em que a mesma se tornar ex-dividendo. A data
do efetivo pagamento do dividendo aos acionis-
tas constantes no livro de registro de ações.
A data de pagamento também é determi-
nada pela assembleia. Geralmente, ela é estabe-
lecida algumas semanas após a data de registro.
A data de pagamento é a data efetiva em que a
empresa remeterá por cheque nominativo os di-
videndos aos acionistas registrados. Um exemplo
esclarecerá as várias datas e lançamentos contá-
beis associados ao pagamento de dividendos em
dinheiro.
Na assembleia geral ordinária da Best Com-
pany, realizada em 10 de junho, declarou-se um
dividendo de $ 0,80 por ação para os acionistas
registrados em 1º de julho, segunda-feira. A em-
presa possuía 100.000 ações ordinárias em circu-
lação. A data de pagamento dos dividendos era
1º de agosto e antes que estes fossem pagos, as
contas da empresa, que nos interessam, eram:
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Caixa $ 200.000
Dividendos a pagar $ 0
Lucros retidos 1.000.000
6.3 Planos de Reinvestimentos de Dividendos
Quando os dividendos foram anuncia-
dos pela assembleia, $ 80.000 ($ 0,80 por ação x
100.000 ações) dos lucros retidos foram transferi-
dos à conta dividendos a pagar. Assim, as contas
em questão ficaram:
Caixa $200.000
Dividendos a pagar $ 80.000
Lucros retidos 920.000
A ação da Best Company foi vendida ex-
-dividendos quatro dias úteis antes da data de
registro, dia 25 de junho, antes de receberem os
direitos aos dividendos, e os que compraram no
dia 25 ou após não os receberam. Desde que se
suponha a estabilidade do mercado, o preço da
ação deveria cair em $ 0,80, quandofosse vendida
ex-dividendos em 25 de junho. Quando chegou a
data de pagamento em 1º de agosto, a empresa
remeteu os cheques aos acionistas de registro em
1º de julho. Isso resultou nos seguintes saldos nas
contas em questão:
Caixa $120.000
Dividendos a pagar $ 0
Lucros retidos 920.000.000
Atualmente, em torno de 900 empresas
oferecem planos de reinvestimentos de dividen-
dos, os quais permitem aos acionistas o uso de
dividendos recebidos sobre ações da empresa na
aquisição de ações adicionais, a custos de transa-
ções reduzidos ou nulos. De acordo com as leis
tributárias, os dividendos em dinheiro derivados
desses planos são taxados como lucro comum.
Além disso, quando as ações adquiridas forem
vendidas e se as receitas obtidas superarem os
valores originais, o ganho de capital também será
taxado como lucro normal.
Os planos de reinvestimentos podem ser
geridos de duas formas por uma empresa, sen-
do que em ambos permite-se que os acionistas
reinvistam seus dividendos em ações da mesma.
Na primeira abordagem, uma terceira parte (por
exemplo, uma corretora) recebe uma compensa-
ção para comprar ações da empresa no mercado,
em nome de acionistas que desejem reinvestir
seus dividendos.
Esse tipo de plano beneficia acionistas par-
ticipantes, na medida em que lhes permite usar
seus dividendos na compra de ações com custos
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54
de transações menores do que conseguiriam nor-
malmente. A segunda abordagem envolve a com-
pra de novas emissões de ações da empresa, sem
qualquer pagamento de custos de transação.
Lodi (2000) demonstra a abordagem que
possibilita à empresa levantar capital, ao mesmo
tempo que os acionistas podem reinvestir seus di-
videndos, frequentemente a um custo 5% abaixo
daquele de mercado. Obviamente, a existência de
planos de reinvestimentos de dividendos pode
aumentar a atratividade das ações de empresas.
Os planos de reinvestimentos são planos
que permitem aos acionistas o uso de dividendos
recebidos sobre ações da empresa na aquisição
de adicionais de ações a custos de transações re-
duzidos ou nulos. Assim, o efeito líquido da decla-
ração e do pagamento de dividendo foi reduzir os
ativos totais (e o patrimônio líquido) em $ 80.000.
Inúmeras teorias e constatações empíricas
acerca de políticas de dividendos têm sido relata-
das na literatura de finanças ao longo dos últimos
35 anos, aproximadamente. Embora essas pesqui-
sas tenham propiciado alguns argumentos e elu-
cidações interessantes a propósito da política de
dividendos, as decisões de investimentos e de fi-
nanciamento continuam sendo consideradas mais
importantes do que as decisões de dividendos.
Em outras palavras, decisões bem conduzidas
de investimentos e financiamentos não deveriam
ser sacrificadas por uma política de dividendos de
importância questionável. Ademais, várias ques-
tões básicas ainda precisam ser resolvidas: a política
de dividendos é importante? Qual o efeito da polí-
tica de dividendos nos preços das ações? A seguir,
descreveremos a teoria residual de dividendos, a
qual servirá de parâmetro para discussões acerca
dos argumentos básicos que sustentam tanto a ir-
relevância quanto a relevância dos dividendos.
Postula-se que os dividendos seriam o mon-
tante que tenha sobrado, após terem sido em-
preendidas todas as oportunidades aceitáveis de
investimentos por parte da empresa. Uma escola
de pensamento – a da teoria residual de dividen-
dos – sugere que os dividendos pagos pela em-
presa sejam encarados como um resíduo, ou seja,
o montante que tenha sobrado após terem sido
empreendidas todas as oportunidades aceitáveis
de investimentos. sob essa abordagem, a empre-
sa trataria a decisão de dividendos de acordo com
as três etapas que se seguem:
1. A empresa determina seu nível ótimo
de investimentos de capital, o qual será
o nível indicado pelo ponto de inter-
seção do perfil de oportunidades de
investimento (POI) com a função do
custo marginal ponderado de capital
(CMaPC);
2. Utilizando as proporções de estrutura
ótima de capital, seria estimado o mon-
tante total de financiamento com capi-
tal próprio necessário para se sustentar
os gastos indicados na etapa 1;
3. Como o custo dos lucros retidos, kr, é
inferior ao custo de novas ações ordi-
nárias, kn, os lucros retidos seriam usa-
dos para atender à exigência de capital
próprio determinada na etapa 2. se os
lucros retidos forem inadequados para
atender a essa exigência, devem ser
vendidas novas ações ordinárias. se os
lucros retidos disponíveis forem supe-
riores a essa necessidade, o montante
excedente deve ser distribuído em for-
ma de dividendos.
6.4 Teoria Residual de Dividendos
Avaliação de Empresas e Governança Corporativa
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55
Deve ficar claro, dessa abordagem de Git-
man (2000), que se as necessidades de capital
excedem os lucros retidos, nenhum dividendo
em dinheiro será pago. Caso ocorra um excesso
de lucros retidos, o montante residual será, então,
distribuído.
O argumento que sustenta essa abordagem
é de que uma administração competente deveria
6.5 Tipos de Políticas de Dividendos
certificar-se de que a empresa tem o dinheiro que
necessita para competir satisfatoriamente no mer-
cado e, portanto, conseguir elevar o valor de suas
ações. Essa visão dos dividendos sugere que a taxa
exigida não é influenciada pela política de dividen-
dos da empresa – premissa essa que sugere, por
sua vez, que a política de dividendos é irrelevante.
Os acionistas tendem a responder mais fa-
voravelmente a informações que lhes sinalizem
que a empresa está indo bem e que minimize sua
incerteza. À luz desse fato comportamental, quais
as características gerais que você incluiria na po-
lítica de dividendos de sua empresa? Antes de
prosseguir a leitura, reflita alguns instantes sobre
essa questão.
A política de dividendos da empresa repre-
senta um plano de ação a ser seguido, quando for
necessário tomar uma decisão sobre dividendos.
A política de dividendos deve ser formulada com
dois objetivos em mente: maximizar a riqueza dos
acionistas e fornecer financiamentos suficientes.
Esses dois objetivos não são excludentes, mas,
sim, estão inter-relacionados.
Eles precisam ser alcançados em função de
inúmeras restrições – legais, contratuais, internas,
crescimento, desejos dos proprietários e relacio-
nadas com o mercado – que limitam as alterna-
tivas de quem toma decisões, ao se estabelecer
uma política de dividendos. Três das políticas de
dividendos mais comumente usadas são descri-
tas a seguir, sendo que uma política específica
pode conter elementos de cada uma delas.
Política de Dividendos com Índice de Payout
Um tipo de política de dividendos que as
empresas adotam eventualmente é o do uso
de um índice de payout constante. O índice de
payout de dividendos, calculado dividindo-se os
dividendos por ação pelos lucros por ação, indica
a porcentagem de cada unidade monetária ga-
nha que será distribuída para os proprietários na
forma de dinheiro em cada período.
Por sua vez, numa política de índice de
payout constante, a empresa estabelece qual o
percentual dos ganhos será pago em cada perío-
do de dividendos.
O problema desse tipo de política é que se
o lucro da empresa cair ou ocorrer um prejuízo
de um determinado período, os dividendos serão
baixos ou até inexistentes. Já que se considera
que os dividendos fornecem certas informações
acerca do futuro da empresa, será bem provável
que a ação da empresa seja adversamente afeta-
da com uma ocorrência desse tipo. Um exemplo
esclarecerá os problemas oriundos de uma políti-
ca de índice de payout constante.
Plano de ação a ser seguido, quando for ne-cessário tomar uma decisão sobre dividendos. O
Índice de payout de dividendos: indica a porcenta-
gem de cada unidade monetária que é distribuída
para os proprietários em dinheiro; é calculado pela
divisão do dividendo em dinheiro por ação pelos
lucros por ação; política de dividendos baseada no
pagamento aos acionistas de uma certa porcenta-
gem dos ganhos, em cada período de dividendos.
Exemplo: A Peachtree Industries, de mine-
ração de potássio, assume uma política segundo
a qual são distribuídos 40% do lucro em dinheiro.
Em períodos em que ocorre um prejuízo, a políti-
ca da empresa é não pagar dividendos em dinhei-
ro. O LPA e os dividendos por ação, assim como o
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56
preço médio da ação, são dados abaixo, para um
período de seis anos:
Os dividendos aumentaram em 1991-1992
e 1992-1993, enquanto diminuíram em 1989-
1990, 1990-1991 e 1993-1994. Os dados mostram
que, nos anos em que os dividendos aumenta-
ram, o preço da ação subiu. Os pagamentos es-
porádicos de dividendos da Peachtree podem
deixar seus proprietários inseguros a respeito dos
retornos esperados de seus investimentos na em-
presa e geralmente tendem a abaixar o preço da
ação. Embora uma política de índice de payout
constante seja usada por algumas empresas, ela
não é recomendada.
Política de Dividendos Regulares
Outro tipo de política de dividendos baseia-
-se no pagamento de um dividendo fixo em di-
nheiro, em cada período. A política de dividendos
regulares fornece aos proprietários informações
geralmente positivas, indicando que a empresa
vai bem e, portanto, minimiza a incerteza.
Muitas vezes, as empresas que usam essa
política aumentaram o dividendo regular, após
ter ocorrido um aumento comprovado nos lucros.
Com essa política, os dividendos quase nunca são
reduzidos. Um exemplo esclarecerá como opera
uma política de dividendo regular.
Exemplo: A política de dividendos da Woo-
dward Laboratories é pagar dividendos anuais de
$ 1,00 por ação, até que o LPA tenha excedido $
4,00 durante três anos consecutivos, época em
que o dividendo será elevado a $ 1,50 por ação
e um novo plateau de lucros será estabelecido. A
empresa não prevê um decréscimo nos dividen-
dos, a menos que sua liquidez esteja em perigo.
O LPA e dividendos por ação da Woodward, assim
como o preço médio por ação nos últimos doze
anos, são dados abaixo:
Pode-se ver que, independentemente do
nível de lucros, o Woodward Laboratories pagou
dividendos de $ 1,00 até 1991. Em 1992, o divi-
dendo foi aumentado para $ 1,50 por ação, pois
o LPA excedente de $ 4,00 havia sido atingindo
durante três anos. Ainda com relação a 1992, a
empresa deveria estabelecer um novo plateau
para futuros acréscimos de dividendos. Apesar de
um padrão pouco volátil dos lucros, o preço por
ação da Woodward mostrou um comportamento
crescente e estável.
Muitas vezes, uma política de dividen-
dos regulares baseia-se em um índice-meta de
payout. A empresa tenta distribuir uma certa por-
centagem do lucro; porém, em vez de deixar os
dividendos flutuarem, ela os paga em termos de
unidades monetárias, ajustando em direção ao
índice-meta de payout tão logo ocorram aumen-
tos comprovados no lucro. Por exemplo, a Woo-
dward Laboratories parece ter um índice-meta de
payout de cerca de 35%. A Distribuição era apro-
ximadamente dessa magnitude ($ 1,00/$ 2,85),
quando a política de dividendos foi estabelecida
em 1983. Quando a política foi alterada em 1992
(dividendo de $ 1,50), o índice de payout era de
aproximadamente 33% ($ 1,50/$ 4,60).
O índice meta de payout é uma política se-
gundo a qual a empresa tenta distribuir uma cer-
ta porcentagem do lucro, ajustando-a em direção
ao índice-meta de payout tão logo ocorram au-
mentos comprovados no lucro.
Ao estabelecer uma política de dividendos,
a empresa deve ter a preocupação básica de esta-
belecer uma política favorável à maximização da
riqueza da maioria dos seus acionistas e manter a
empresa capitalizada para que possa realizar suas
atividades futuras. Além disso, uma considera-
ção importante é o conteúdo informacional dos
dividendos, já que muitas vezes esses são vistos
como indicadores de futuro sucesso da empresa.
segundo Gitman (2000), a decisão sobre
políticas de dividendos é uma decisão financeira
fundamental que a empresa enfrenta. Como tal,
pode ter um impacto significativo sobre a sua ca-
pacidade de atingir seu objetivo, admitindo ser
o objeto da empresa a maximização do preço de
mercado de suas ações.
Contudo, considera-se que os objetivos das
políticas de dividendos da empresa vão além da
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57
maximização do valor das ações, ou seja, incluem
também outras formas de maximizar a riqueza
de seus proprietários. Portanto, deve a empresa
tomar suas decisões sobre dividendos de forma
a aumentar tanto quanto possível a riqueza dos
proprietários e não somente o valor das ações.
Teoria do Pássaro na Mão
segundo Gitman (2003), a “Teoria do pássa-
ro na mão” é fundamental para aqueles estudio-
sos que defendem a relevância dos dividendos.
O argumento-chave que apoia essa relevância é
atribuído a Gordon e Lintner (1961), os quais su-
geriram haver uma relação direta entre o volume
de dividendos distribuído pelas empresas e seu
valor de mercado. Isso leva a crer que os investi-
dores veem o recebimento de dividendos corren-
tes como uma forma menos arriscada de auferir a
remuneração sobre o investimento realizado em
relação ao recebimento futuro de dividendos ou
ganhos de capital. A esse raciocínio pode ser feita
uma analogia com o dito popular: “mais vale um
pássaro na mão do que dois voando”.
Para Gitman (2000), os pagamentos de di-
videndos correntes reduzem a incerteza dos in-
vestidores. Isso afeta a avaliação de uma empresa
com base no seu fluxo de dividendos desconta-
dos. Esse tipo de avaliação é feito com base no
valor de todos os dividendos a serem recebidos
no futuro, descontando os juros neles embutidos
para ajustá-los ao valor presente.
Dessa forma, o valor presente do fluxo de
dividendos de uma empresa, que distribui divi-
dendos de forma agressiva, será superior a outra
que, embora distribua os mesmos valores aos
seus acionistas, entregue a eles um percentual
menor de seu lucro.
Exemplificando: a empresa X tem lucro de
$ 110 e distribui $ 10 a título de dividendo, já a
empresa Y tem um lucro de $ 100 unidades mo-
netárias e distribui $ 10 a título de dividendos. O
acionista, segundo essa teoria, daria preferência
à empresa Y, que distribui uma maior quantidade
de dividendos em relação ao lucro obtido.
Essa relação é conhecida por payout. Isso
ocorre porque o acionista pode considerar que
o rendimento oferecido pela empresa Y é de re-
cebimento mais certo que o da empresa X. Dessa
forma, ele descontará o rendimento futuro a uma
taxa de juros inferior, o que implica maior valor
presente baseado no fluxo de caixa descontado.
A Teoria da Indiferença
No início da década de 1960, a teoria que
afirmava mais valer um dividendo certo hoje que
um ganho de capital incerto no futuro, conheci-
da por “teoria do pássaro na mão”, foi contesta-
da por Modigliani e Miller (1961). Nascia, então,
a corrente que defendia a irrelevância da política
de dividendos para a maximização da riqueza dos
acionistas.
Uma política de dividendos irrelevante para
o acionista significa que para ele seria indiferente
o recebimento ou não de dividendos, pois sua ri-
queza não seria afetada pela decisão sobre qual
política a empresa adotaria. Os defensores da irre-
levância dos dividendos concluem que, uma vez
que estes são irrelevantes para o valor de uma
empresa, esta nãoprecisa ter uma política de di-
videndo.
Para a defesa da irrelevância dos dividendos
são empregados três argumentos: a avaliação da
empresa se baseia em seus ativos, existe a valori-
zação semelhante dos diferentes ativos e o efeito
clientela.
A avaliação da empresa é baseada em seus
ativos, entretanto, Modigliani e Miller (1961) ar-
gumentam que, considerando um mercado per-
feito, o valor da empresa é determinado apenas
pelo seu potencial de geração de lucros e risco de
seus ativos (investimentos).
O destino dos lucros, que podem ser retidos
ou distribuídos, não afeta o valor da empresa. Os
autores sugerem que, em um mundo perfeito, o
administrador não seria capaz de influenciar o
preço da ação apenas elevando ou reduzindo o
nível de dividendos pagos aos investidores.
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58
Ross e Westerfield (2000) partem das se-
guintes premissas para conceituar o mercado
perfeito. Entretanto, essas premissas raramente
são verificadas na prática:
Não há impostos ou corretagens;
Nenhum participante do mercado é
capaz de afetar o preço de mercado do
título por meio de suas transações;
Todos os indivíduos têm as mesmas ex-
pectativas em relação a investimentos,
lucros e dividendos futuros;
A política de investimento da empresa
é preestabelecida, não sendo alterada
por mudanças de política de dividen-
dos.
A valorização semelhante dos diferentes
ativos é realizada em um mercado perfeito, onde
o retorno esperado de todos os títulos ou inves-
timentos seriam iguais. Isso ocorre porque, em
vista da simetria de informações, as taxas de ris-
co seriam iguais. Dessa forma, os fluxos de ren-
dimentos futuros seriam todos descontados das
mesmas taxas.
Por fim, o efeito clientela, de acordo com
Gitman (2000), dispõe que uma empresa atrairá
acionistas que preferem a política de pagamento
de dividendos por ela utilizada. Assim sendo, se
a empresa adotar uma política de distribuição de
dividendos “generosos”, deverá mantê-la, pois o
valor das suas ações dependerá da manutenção
dessa prática.
Isso porque a redução do fluxo de dividen-
dos pode ser interpretada pelos acionistas como
um indicador de mau desempenho da empresa.
O mesmo vale para as empresas que adotam a
política de reinvestimento de lucros.
Essas visões de Modigliani e Miller (1961),
com relação à irrelevância dos dividendos, servi-
ram como base para a teoria residual, que aborda
a tomada das melhores decisões de investimento
para maximizar o valor das ações.
Teoria Residual
Para Gitman (2003), a Teoria Residual é uma
escola de pensamento que sugere que o dividen-
do pago por uma empresa deve ser visto como
resíduo. Entende-se por resíduo o montante dis-
ponível depois que todas as oportunidades acei-
táveis de investimento foram aproveitadas.
De acordo com essa abordagem, enquanto
a necessidade de capital da empresa exceder os
lucros retidos, nenhum dividendo em dinheiro
deve ser pago. se existir excesso de lucro, então
o montante residual deve ser distribuído como
dividendos.
Essa abordagem baseia-se em uma admi-
nistração segura: deve-se certificar que a empre-
sa tenha o dinheiro necessário para competir de
modo efetivo. Essa escola sugere que o retorno
exigido de investidores não é influenciado pela
política de dividendos da empresa – premissa
que, por sua vez, implica que a política de divi-
dendos é irrelevante.
6.6 Distribuição de Dividendos como Consequência da Falta de Projetos
Alguns autores levam as teorias de M&M ao
extremo, distorcendo-as. Esses autores afirmam
que a distribuição de dividendos seria prejudicial
ao investidor. Isso ocorreria por dois motivos bá-
sicos, segundo sanvicente (1996). Entre as várias
considerações feitas por aquele autor, “a distri-
buição de dividendos elevados pode prejudicar a
empresa ao engessar a sua administração [...], im-
pedindo-a de aproveitar oportunidades de inves-
timento que beneficiariam os próprios acionistas.”
securato (1993) fundamenta sua colocação
pelas oportunidades de investimentos à dispo-
sição dessas empresas no mercado de capitais e
em outros projetos de investimento. Dessa forma,
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os acionistas, ao manterem seus recursos na em-
presa, ao invés de retirá-los na forma de dividen-
dos, teriam perspectivas de retorno superior ao
de outras aplicações feitas de forma individual.
Outro argumento contrário à distribuição
de dividendos é decorrente do argumento ante-
rior. segundo esse argumento, as empresas que
distribuem dividendo somente o fariam de forma
racional, caso não tivessem novos projetos para
investir os seus lucros de forma eficiente.
Alguns gestores podem usar tais argumentos
para justificar a retenção de lucros. Essa postura re-
tira da mão do pequeno acionista a possibilidade
de decidir o que fazer com a parte do lucro que a
ele seria destinada. Essa decisão seria transferida
para a assembleia de acionistas, na qual o minori-
tário nem sempre é adequadamente representado.
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo estudamos que os planos de reinvestimentos são planos que permitem aos acionis-
tas o uso de dividendos recebidos sobre ações da empresa na aquisição de adicionais de ações a custos
de transações reduzidos ou nulos. Assim, o efeito líquido da declaração e do pagamento de dividendo
foi reduzir os ativos totais. Verificamos ainda os principais tipos de pagamento de dividendos. Espero que
tenha compreendido.
Vamos agora avaliar a sua aprendizagem.
6.7 Resumo do Capítulo
6.8 Atividades Propostas
1. O que você entende por dividendos?
2. Qual é a importância do pagamento de dividendos para as empresas?
3. Explique o seu entendimento sobre os procedimentos para o pagamento de dividendos.
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61
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo, apresentaremos o conceito
do EVA e sua aplicabilidade no processo de avalia-
ção de empresas. Discutiremos ainda sobre o pro-
cedimento de cálculo do EVA. Por fim, apresenta-
remos um exemplo de cálculo e interpretação do
conceito. Vamos iniciar a discussão?
O EVA®1 (Economic Value Added) é uma me-
dida quantitativa que reflete o montante de valor
que foi criado ou destruído, num determinado
período, pela administração da companhia. O va-
lor Econômico Agregado é igual à diferença entre
o Retorno sobre o Capital Investido (RCI) e o Custo
Médio Ponderado de Capital (CMPC) multiplicada
pelo volume de Capital Operacional Investido
(COI) no início do exercício – ou a média entre o
início e o fim do exercício.
Conforme santos (2008), várias são as ma-
neiras de se medir o aumento da “riqueza” de uma
empresa, mas poucas são as que o fazem de modo
eficaz. Nesse contexto, surge a ideia da busca pela
maximização do valor, que se destaca como meio
que melhor gera eficiência administrativa.
O conceito de criação de valor está associa-
do à ideia de empregar recursos de modo mais
produtivo e lucrativo possível. Para tanto, é neces-
sário mensurar esse valor criado (ou adicionado)
ao negócio.
AVALIAÇÃO DE EMPRESAS COM EVA7
1 EVA é uma marca registrada da stewart & Co.
AtençãoAtenção
A administração deveria se focar na maximiza-
ção de uma medida chamada valor econômico
adicionado (EVA®), que resulta da diferença entre
o lucro operacional e o custo de todo o capital
empregado para produzir esse lucro. O EVA® cres-
cerá se o lucro operacional puder ser aumenta-
do sem empregar mais capital, se novos capitais
puderem ser investidos em projetos que rendam
mais do que o custo total do capital e se o capital
puder ser retirado das unidades de negócios que
não gerem retornos adequados (SANTOS, 2008).
SaibamaisSaiba mais
O valor econômico agregado (EVA) é um conceito
desenvolvido pela Stern Stewart, no início da dé-
cada de 1980, que recupera a antiga ideia de lucro
econômico (ou lucro residual) adicionado ao pa-
trimônio dos proprietários, em um único exercício
(GITMAN, 1997).
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62
O Valor Econômico Agregado é igual à di-
ferença entre o Retorno sobre o Capital Investi-
do (RCI) e o Custo Médio Ponderado de Capital
(CMPC) multiplicada pelo volume de Capital Ope-
racional Investido (COI) no início do exercício – ou
a média entre o início e o fim do exercício.
7.1 Cálculo do Valor Econômico Agregado (EVA)
EVA = COI x (RCI – CMPC)
Capital Operacional Investido (COI)
O COI representa o volume de investimentos
realizados na atividade operacional da empresa, no
início do exercício, para suprir necessidades de ca-
pital de giro e de imobilizações.
O COI é calculado a partir dos dados do Ba-
lanço Patrimonial:
2 Exceto as contas de Empréstimos Bancários de Longo Prazo e de Imposto de Renda Diferido, que são utilizadas para calcular
a Dívida Onerosa Total e para ajustar ou somar ao Patrimônio Líquido, respectivamente.
Ativos circulantes a partir dos dados do Balanço Patrimonial (exclui as aplicações financeiras)
( – ) Passivos Circulantes Operacionais (exclui os empréstimos bancários)
= Capital de Giro Operacional
+ Ativo Imobilizado Líquido
+/– saldo de Outras Contas de Longo Prazo (Outros Ativos – Outros Passivos2)
= Capital Operacional Investido (COI)
Retorno sobre o Capital Investido (RCI)
O RCI é calculado a partir da divisão entre o
Lucro Operacional Ajustado (LOA), contabilizado
no exercício (t + 1), e o Capital Operacional Inves-
tido (COI), no início do exercício (t).
RCI = LOA ÷ COI
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63
O Lucro Operacional Ajustado (LOA) repre-
senta o lucro gerado nas operações da empresa,
independentemente de como ela é financiada.
seu objetivo é medir a geração de lucros dos ati-
vos da companhia, que é resultado das decisões
operacionais de seus administradores.
Fórmula para calcular o LOA:
LOA = LAJIR – IR + ΔIRD
Sendo:
LAJIR: Lucro Antes dos Juros e Imposto de Renda.
IR = Imposto de Renda Ajustado sobre o LAJIR.
ΔIRD = Variação na conta de Imposto de Renda Diferido no Exigível a
Longo Prazo.
De uma maneira simples, o LOA é calculado
a partir dos Dados de Demonstração de Resulta-
dos do exercício:
Receita Líquida de Vendas
( – ) Custos Operacionais
( – ) Despesas Operacionais
( – ) Depreciação
= Lucro Operacional (LAJIR)
( – ) Imposto de Renda Ajustado sobre o LAJIR
+ Variação na conta de Imposto de Renda Deferido no Exigível a Longo Prazo
= Lucro Operacional Ajustado (LOA)
O Imposto de Renda Ajustado sobre o LA-
JIR representa os financiamentos que a empresa
pagaria se não tivesse endividamento, caixa além
das necessidades operacionais ou receitas ou des-
pesas operacionais, e é calculado a partir de dados
da Demonstração de Resultados do Exercício.
Custo Médio Ponderado de Capital (CMPC)
O CMPC é a taxa utilizada para descontar o
valor do dinheiro no tempo, convertendo os flu-
xos de caixa futuros em valor presente para todos
os investidores. Representa o retorno mínimo
requerido da empresa, ou seja, o custo de opor-
tunidade de cada fonte de capital (acionistas e
terceiros).
O custo de oportunidade para uma classe de
investidores é igual ao retorno que eles esperam re-
ceber em outras alternativas de risco semelhante.
Para determinação do Valor Econômico
Agregado (EVA), o CMPC pode ser ajustado, con-
siderando-se apenas as fontes de financiamentos
permanentes, ou de longo prazo, conforme mos-
tra a fórmula:
Marcelo Cerqueira Silva
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64
De uma maneira simples, o EVA é o resulta-
do operacional da empresa, após impostos, me-
nos um encargo pelo uso do capital fornecido
por terceiros e acionistas. Assim, o EVA também
pode ser calculado pela diferença entre o Lucro
Operacional Ajustado (LOA) e os Encargos de Ca-
pital (EC), calculado pela multiplicação do capital
empregado com o custo de capital (COI x CMPC).
Para a interpretação do EVA, deve-se consi-
derar que a agregação de valor somente ocorrerá
quando a empresa gerar taxas de Retorno sobre
o Capital Investido superiores ao seu Custo Médio
Ponderado de Capital. Desse modo, o EVA mede
quanto foi gerado em excesso ao retorno mínimo
requerido pelos fornecedores da empresa (tercei-
ros e acionistas).
Os balanços, após todas as baixas de ativos
e provisões para despesas futuras prováveis, não
fornecem uma medida do caixa que os investido-
res aplicaram num empreendimento, ou seja, o
que chamamos de capital. Em vez disso, eles ten-
dem a apresentar muito mais o valor mínimo que
um liquidante poderia esperar obter na venda de
ativos, num processo de liquidação de empresa.
Nesse mesmo sentido, a stern stewart ten-
ta melhorar o Lucro Residual ajustando o Capital
Operacional Investido (COI) e o Lucro Operacional
Ajustado (LOA), visando a corrigir aquilo que eles
veem como distorções do modelo contábil.
Dessa forma, são necessários alguns ajustes
nos demonstrativos contábeis para que reflitam
mais adequadamente tanto o resultado econô-
mico quanto o capital efetivamente alocado nas
operações da companhia. Apresentamos a seguir
um exemplo hipotético.
A indústria de Alimentos ALPHA BETA s.A.
apresentou as seguintes informações em suas de-
monstrações financeiras:
Saiba maisSaiba mais
A metodologia do EVA deriva, o seu aspecto prático
e a sua relativa simplicidade, do fato de se basear
nos demonstrativos contábeis tradicionais. Por ou-
tro lado, a utilização pura e simples desses demons-
trativos contábeis tradicionais não prove a adminis-
tração de uma ferramenta adequada para medir a
performance, uma vez que a contabilidade tradicio-
nal se orienta de maneira acentuada pelo Princípio
do Conservadorismo (GITMAN, 1997).
Cálculo do Capital Operacional Investido (COI)
Valores em $ Milhões Ano 1 Ano 2 Ano 3
Ativo Circulante Operacional 57 58 65
(- ) Passivo Circulante Operacional 43 42 47
Capital de Giro Operacional 14 16 18
+ Ativo Imobilizado Líquido 99 92 95
+/- Outros Ativos de L. P. – outros passivos de L. P. 8 8 7
= Capital Operacional Investido (COI) 121 116 120
Avaliação de Empresas e Governança Corporativa
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65
Cálculo do Lucro Operacional Ajustado (LOA)
Valores em $ Milhões Ano 1 Ano 2 Ano 3
Receita Líquida 181 190 203
( - ) Custo 94 103 107
= Lucro Bruto 87 87 96
( - ) Despesas Operacionais 50 47 49
( - ) Depreciação 10 10 11
= Lucro Operacional (LAJIR) 27 30 36
( - ) Impostos ajustados sobre o lucro operacional 8 9 13
+/- Variação na conta de impostos Diferidos Exig.
Longo Prazo
- 4* -4 -1
= Lucro Operacional Ajustado (LOA) 15 17 22
* Como não foram apresentadas as informações do Ano 0, o valor atribuído à variação na coluna do ano 1 foi arbitrado.
Cálculo do Retorno sobre o Capital Investido (RCI) (para o final do ano 0, considere um valor de
Capital Operacional Investido de $ 103 milhões)
RCI em % Ano 1 Ano 2 Ano 3
Lucro Operacional Ajustado (LOA) 15 17 22
Capital Operacional Investido (COI) 103 121 116
RCI 14,56% 14,05% 18,97%
Método 1: EVA = COI x (RCI – CMPC)
Valores em $ Milhões Ano 1 Ano 2 Ano 3
Capital Operacional Investido (COI) 103 121 116
Retorno Sobre o Capital Investido (RCI) 14,56% 14,05% 18,97%
Custo Médio Ponderado de Capital (CMPC) 9,28% 9,28% 9,28%
Valor Econômico Agregado (EVA) 5,44 5,77 11,24
Método 2: EVA = LOA - (COI X CMPC)
Valores em $Milhões Ano 1 Ano 2 Ano 3
Lucro Operacional Ajustado (LOA) 15 17 22
Retorno Sobre o Capital Investido (RCI) 14,56% 14,05% 18,97%
Custo Médio Ponderado de Capital (CMPC) 9,28% 9,28% 9,28%
Valor Econômico Agregado (EVA) 5,44 5,77 11,24
Análise dos Resultados: A indústria de Ali-
mentos ALPHA BETA atua em segmento de pro-
dutos de primeira necessidade (alimentício), de
giro rápido e de preço acessível à população. seus
dados contábeis revelam uma situação favorável e
evolutiva em termos de liquidez, endividamento,
lucratividade operacional, cobertura de juros,
rotatividade, rentabilidade e agregação de valor
(EVA). Ao associar as informações do negócio às
informações contábeis, verifica-se como coerente
que os índices P/L e P/VPA evidenciem as perspecti-
vas positivas dos investidores quanto à capacidade
futura de geração de fluxos de caixa da empresa.
Marcelo Cerqueira Silva
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66
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo estudamos o conceito do CMPC, que se trata da taxa utilizada para descontar o valor
do dinheiro no tempo, convertendo os fluxos de caixa futuros em valor presente para todos os investi-
dores. Verificamos ainda que para a determinação do Valor Econômico Agregado (EVA), o CMPC pode ser
ajustado, considerando-se apenas as fontes de financiamentos permanentes, ou de longo prazo; e, ainda
que de uma maneira simples, o EVA é o resultado operacional da empresa, após impostos, menos um
encargo pelo uso do capital fornecido por terceiros e acionistas. Espero que tenha compreendido.
Vamos agora avaliar a sua aprendizagem.
7.2 Resumo do Capítulo
7.3 Atividades Propostas
1. O que você entende por EVA?
2. O que deve ser considerado para a interpretação do EVA?
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67
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo, abordaremos o conceito e
o desenvolvimento do cálculo do MVA. Veremos
ainda as diferenças entre as abordagens do EVA e
MVA. Por fim, verificaremos as limitações do MVA.
Vamos iniciar a discussão?
Iniciamos reforçando a ideia de que a rique-
za do acionista é maximizada sempre que o valor
de mercado do capital dos acionistas é superior
ao montante de capital que eles investiram na
empresa. Essa diferença é chamada de Market Va-
lue Added (MVA) ou Valor de Mercado Agregado.
Trata-se de metodologia elaborada pela
stern stewart para aferir as expectativas dos in-
vestidores quanto à capacidade futura da empre-
sa de gerar fluxos de caixa operacionais, cobrir as
dívidas e maximizar a riqueza dos proprietários.
Conforme as próprias palavras da stern
stewart (1990, p. 153), “o MVA é a diferença em
valor absoluto entre o valor de mercado da com-
panhia e o seu capital. Diferentemente da taxa de
retorno que reflete o resultado de um período, o
MVA é uma medida cumulativa da performance
da empresa.”
De acordo com Pinheiro (2007), o MVA re-
presenta a avaliação feita pelo mercado de ca-
pitais, num determinado instante do tempo, do
valor presente líquido de todos os projetos de in-
vestimentos da companhia, tanto os já realizados
quanto os ainda a realizar.
Ele reflete tanto o grau de sucesso da com-
panhia nos investimentos realizados no passa-
do quanto o provável grau de sucesso sobre os
novos investimentos de capital no futuro. Assim,
maximizar o MVA deveria ser o objetivo principal
de toda empresa que se preocupa com o bem-
-estar de seus acionistas.
santos (2008, p. 82), por sua vez, faz o se-
guinte comentário:
O MVA constitui interessante forma de
analisar a expectativa de crescimento do
valor de uma empresa. Indica, em valor
monetário, a expectativa de crescimen-
to que o mercado tem em relação a de-
terminada ação Quanto maior esse valor,
melhor é o desempenho esperado da em-
presa no que diz respeito ao aumento de
valor do investimento feito pelo acionista.
É importante destacar que as expectativas
dos investidores se baseiam na disponibilidade
de informações sobre as estratégias de investi-
mento e financiamento adotadas pelas empre-
sas, a fim de atingir metas de geração de fluxos de
caixa operacionais, para que se possam atender
às necessidades de todos os seus supridores de
capital.
Isso pressupõe que a empresa comercialize
produtos de alta rotatividade, tenha baixa sensibi-
lidade à ocorrência de fatores sistemáticos negati-
vos (aumento das taxas de juros e câmbio – caso
seja tomadora de recursos bancários e faça impor-
tação de matéria-prima), tenha uma administra-
ção eficiente, seja beneficiada pelas condições do
cenário econômico e apresente histórico de resul-
tados contábeis-financeiros e EVA favoráveis.
O melhor caminho é gerenciar visando ao
aumento de EVAs, porque EVA é a medida interna
de desempenho mais estreitamente relacionada
ao MVA e oferece a indicação mais confiável de
saber se – e em quanto – as decisões da gerência
contribuirão para a riqueza dos acionistas.
AVALIAÇÃO DE EMPRESAS COM MVA8
Marcelo Cerqueira Silva
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68
Ao relacionar numericamente o EVA ao
MVA, Franco (2001) comenta que o MVA nada
mais é do que o valor presente de todos os EVAs
futuros da empresa.
A diferença básica entre essas duas meto-
dologias do valor agregado é que, enquanto o
MVA reflete o desempenho ao longo da vida in-
teira da empresa e suas expectativas de geração
de fluxos de caixa livres futuros, o EVA mostra o
valor agregado durante determinado ano já fina-
lizado. Como se percebe, as duas se complemen-
tam, uma vez que as expectativas dos investido-
res se fundamentam nos desempenhos passados
e futuros da empresa.
O MVA corresponde à diferença entre o Valor
de Mercado do Patrimônio Líquido (VMPL) da em-
presa e a quantia de capital próprio que foi fornecida
pelos acionistas, ou seja, o Capital Investido (CIA).
AtençãoAtenção
A limitação mais evidente do MVA é de
que a sua aplicação só é possível para em-
presas de capital aberto, porque sua me-
todologia exige que as ações da empresa
tenham um valor de mercado, ou seja, se-
jam negociadas em bolsas de valores (PI-
NHEIRO, 2008).
MVA = VMPL – PL
VMPL = Quantidade das Ações em Circulação x Preço da Ação
PL = Patrimônio Líquido Total
Conforme Brigham (2001), a interpretação
do MVA é muito simples. É só confrontar o Valor
de Mercado do Patrimônio Líquido com o seu
respectivo Valor Contábil registrado no Balanço
Patrimonial. É importante destacar que o MVA, ao
sinalizar a riqueza dos proprietários, se baseia nas
ações ordinárias.
A indústria de Alimentos ALPHA BETA s.A.
apresentou as seguintes informações em últi-
mas demonstrações financeiras: Cálculo do MVA,
considerando que 100% do Patrimônio Líquido é
composto por ações ordinárias:
Valores em milhões $ Ano 1 Ano 2 Ano 3
Preço da Ação $ 30,10 $ 37,70 $ 52,00
Número de Ações 5 5 5
Valor de Mercado do Patrimônio Líquido $ 150,50 $ 188,50 $ 260,00
Valor Contábil do Patrimônio Líquido $ 90,00 $ 95,00 $ 105,00
MVA $ 60,50 $ 93,50 $ 155,00
Valor de Mercado/Valor Contábil 1,67 1,98 2,48
MVA/Valor de Mercado do Patrimônio
Líquido
0,40 0,50 0,60
Avaliação de Empresas e Governança Corporativa
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Interpretação dos resultados: Os MVAs
dos três períodos demonstram a capacidade de
valorização crescente da empresa no mercado e
maximização da riqueza dos acionistas ordiná-
rios, caso a companhia fosse vendida.
Conforme se pode observar, o mercado
cobra preços muito superiores aos registrados
nos livros contábeis da empresa. Isso pressupõe
que as expectativas dos investidores vêm sendo
favoráveis à performance futura da empresa, de
seu setor de atuação e do cenário econômico. Ao
interpretar a relação MVA/Valor de Mercado Pa-
trimônio Líquido como uma margem de retorno,ter-se-ia o seguinte comentário a destacar:
Para cada $ 1,00 de Valor de Mercado, o re-
torno obtido é de $ 0,40, $ 0,50 e $ 0,60, respec-
tivamente. Isso demonstra geração de receita, ou
melhor, maximização contínua do valor da em-
presa no mercado e da riqueza de seus acionistas
ordinários.
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo estudamos o conceito do MVA. Observamos ainda que a interpretação do MVA é
muito simples. Por fim, verificamos, na interpretação dos resultados obtidos no exemplo final, que o mer-
cado cobra preços muito superiores aos registrados nos livros contábeis da empresa, e isso pressupõe
que as expectativas dos investidores vêm sendo favoráveis à performance futura da empresa, de seu
setor de atuação e do cenário econômico. Espero que tenha compreendido.
Vamos agora avaliar a sua aprendizagem.
8.1 Resumo do Capítulo
8.2 Atividades Propostas
1. O que você entende por MVA?
2. Explique a diferença entre a metodologia de avaliação de empresa do EVA e do MVA.
3. Apresente uma limitação da metodologia de avaliação de empresa pelo MVA.
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71
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo, trataremos sobre o surgi-
mento da teoria da agência. Observaremos ainda
que o agente participante da organização, muitas
vezes, preocupa-se com sua própria riqueza, sua
segurança no emprego e outras vantagens pes-
soais. Ao abordar relações econômicas bilaterais
entre o principal e o agente, a teoria da agência
apresenta algumas condições que serão estuda-
das a partir de agora. Vamos iniciar a discussão?
De acordo com Girman (2000), no início do
século passado, os conflitos entre os diversos in-
teresses envolvidos nas empresas e os chamados
custos de agência, que definiremos posteriormen-
te, não eram tão relevantes, pois a propriedade e o
controle das grandes empresas estavam nas mãos
dos indivíduos chamados de “capitães da indús-
tria“, entre os quais Rockfeller, Du Pont e Morgan.
A crise econômica de 1929, que acarretou
grandes perdas para investidores, e os surgimentos
das grandes corporações levaram à desconcentra-
ção da propriedade e à criação de um novo modelo
de controle empresarial, em que o principal, o titu-
lar da propriedade, delega ao agente o poder de
decisão sobre essa propriedade. Uma vez que os in-
teresses do primeiro nem sempre estão alinhados
aos do último, podem ocorrer conflitos de agência.
Uma das teorias desenvolvidas para solucio-
nar tais conflitos foi a teoria da agência, formali-
zada por Jensen e Meckling, que também desen-
volveram um modelo de custos de agência para
os acionistas. Com base nesse modelo, houve, nos
anos 1980, um grande desenvolvimento da teoria,
até então focada nas empresas americanas, que, a
partir da década de 1990, expandiu-se para outros
países.
Na teoria da agência, a sociedade é con-
cebida como uma rede de contratos, explícitos
e implícitos, os quais estabelecem as funções e
definem os direitos e deveres de todos os parti-
cipantes – principal e agente; sendo que o agen-
te se situa no centro das relações entre todos os
interessados na empresa – empregados, fornece-
dores, clientes, concorrentes, acionistas, credores,
reguladores e governos.
Dessa forma, segundo Brighan (2001), a fir-
ma pode ser analisada como uma ficção legal em
que objetivos conflitantes de indivíduos são co-
locados em equilíbrio por meio de contratos. No
entanto, estes não são perfeitos e completos, pois
é impossível prever todos os conflitos que pos-
sam existir entre acionistas e diretores.
Como, devido à separação entre a proprie-
dade e a gestão, quem exerce, efetivamente, o
controle são os administradores das companhias,
ocorre uma assimetria de informações, pois o
agente tem o acesso a dados a que o principal
não tem. A hipótese fundamental dessa teoria é
que as pessoas têm interesses diferentes e cada
uma busca maximizar seus próprios objetivos.
Embora se espere que as decisões do agen-
te visem aos interesses do principal, conflitos po-
dem surgir quando as ações do agente não estão
de acordo com as expectativas dele. O agente,
muitas vezes, preocupa-se com sua própria rique-
za, sua segurança no emprego e outras vantagens
TEORIA DA AGÊNCIA9
AtençãoAtenção
A elaboração do Ciclo Operacional auxilia o Ad-
ministrador Financeiro a gerenciar de forma mais
confiável as entradas e recursos financeiros.
Fonte: http//www.sebrae.br.
Marcelo Cerqueira Silva
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72
pessoais, o que pode levá-lo a agir contrariamen-
te à maximização de riqueza do principal.
Ao abordar relações econômicas bilaterais
entre o principal e o agente, a teoria da agência
apresenta três condições: o agente dispõe de vá-
rios comportamentos possíveis de adoção; a ação
dos agentes afeta não apenas seu bem-estar, mas
também o do principal; e as ações do agente di-
ficilmente são observáveis pelo principal, por ha-
ver assimetria informacional entre as partes.
As relações da agência estão presentes em
inúmeras situações do cotidiano das empresas.
Conforme shleifer e Vishny explicam, o conflito
de agência ocorre, geralmente, quando os agen-
tes aplicam o fluxo de caixa da empresa antes de
prestar contas aos proprietários.
Hoji (2007) exemplifica algumas ações que
podem gerar o conflito entre agentes e principal:
expectativa de prazo de retorno dos projetos; in-
vestimentos não lucrativos que absorvem grande
parte do fluxo de caixa, o qual poderia ser distribuí-
do na forma de dividendos; uso de recursos da em-
presa para interesses individuais; exposição a riscos
e conveniência de novos investimentos; remunera-
ção excessiva para os diretores da empresa; fusões
e aquisições que não agregam valor; e compras de
insumos com preços acima do valor de mercado.
Na teoria econômica tradicional, a gover-
nança corporativa surge com vistas a superar o
conflito de agência. Na perspectiva da teoria da
agência, a preocupação maior é criar mecanismos
eficientes – sistemas de monitoramento e incen-
tivos – para garantir que o comportamento dos
executivos esteja alinhado com o interesse dos
acionistas.
O alinhamento dos interesses dos acionis-
tas e dos efetivos controladores da empresa não é
automático; para tanto, são necessárias estruturas
e sistemas que harmonizam os conflitos de inte-
resses entre eles.
Conforme Pinheiro (2007), a governança
corporativa deve se voltar para a análise de como
o principal estabelece um sistema de monitora-
mento e incentivo (contrato) que motive outro in-
divíduo (agente) a agir de acordo com o interesse
do primeiro.
Os conflitos de interesse geram custos, pois
são necessárias medidas para monitorar os ad-
ministradores, as quais incluem: contratação de
auditoria independente; implementação de me-
didas de controle; gastos com seguros contra da-
nos provocados por atos desonestos de adminis-
tradores; e estabelecimento da remuneração dos
agentes vinculada ao aumento da riqueza dos
acionistas, como concessão de ações ou opções
de ações aos administradores e outros incentivos
ao alinhamento dos interesses entre estes e a ad-
ministração. Os custos de minimização do conflito
de agência são denominados custos de agência.
Mesmo que se incorra nesses custos, os
problemas de agência não podem ser totalmente
solucionados, pois nem sempre os agentes atua-
rão segundo os interesses dos acionistas. A perda
de riqueza decorrente do conflito de agência foi
chamada de perda residual por Jensen Meckling.
Portanto, os custos de agência são a soma total
dos gastos com monitoramento, por parte do
principal, com a perda residual.
Os mecanismos de governança têm por
objetivo controlar e monitorar a empresa de for-
ma que os administradores tomem suas decisões
com vistas aos interesses dos proprietários. Por
isso,uma boa estrutura de governança deve mi-
nimizar os conflitos e os custos de agência e ma-
ximizar o valor da empresa.
No Brasil, onde a propriedade das empresas
é altamente concentrada nas mãos dos acionis-
tas controladores, que, geralmente, também fa-
zem parte da diretoria executiva, o conflito entre
principal e agentes é relativamente reduzido. No
9.1 Conflitos de Interesse
Avaliação de Empresas e Governança Corporativa
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73
nosso país, ao contrário dos Estados Unidos e da
Inglaterra, o centro do poder de controle corpo-
rativo não está com a diretoria, mas, sim, com o
acionista controlador.
Nesse contexto, como existe um agente ca-
paz de influenciar o controle de uma companhia,
um novo problema de agência pode surgir, dessa
vez entre os acionistas controladores e os acionis-
tas minoritários.
Nas companhias brasileiras, os maiores con-
flitos ocorrem entre o acionista controlador e os
acionistas minoritários, uma vez que o primeiro
detém a maioria dos votos e o poder de eleger
grande parte dos administradores. Nesse caso, a
governança corporativa deve se preocupar em
resolver e em evitar os conflitos de interesse entre
os acionistas.
A transparência das informações e os acor-
dos de acionistas podem ser usados para regular
os conflitos entre acionistas controladores e mi-
noritários. Os acordos podem restringir os po-
deres do acionista controlador, estabelecer ma-
térias estratégicas que necessitam de aprovação
de acionistas minoritários, prever o direito de os
acionistas minoritários indicarem um determina-
do número de conselheiros.
Saiba maisSaiba mais
“O modelo de governança corporativa depende do
ambiente cultural, legal e institucional em que está
inserto. Nos países onde o mercado de capitais é
ativo e desenvolvido, o conflito ocorre entre princi-
pal e agente. Em países com mercados de capitais
menos líquidos e desenvolvidos, o conflito de agên-
cia ocorre entre acionistas controladores e acionis-
tas minoritários.” (PINHEIRO, 2007, p. 192).
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo estudamos que os conflitos de interesse geram custos para as organizações, pois
são necessárias medidas para monitorar os administradores, as quais incluem: contratação de auditoria
independente, implementação de medidas de controle; gastos com seguros contra danos provocados
por atos desonestos de administradores; e estabelecimento da remuneração dos agentes vinculada ao
aumento da riqueza dos acionistas, como concessão de ações ou opções de ações aos administradores
e outros incentivos ao alinhamento dos interesses entre estes e a administração. Observamos ainda que
a análise dos principais modelos de governança corporativa, presentes em diferentes países do mundo,
passa a ter importância fundamental e será objeto de estudo no próximo capítulo.
Vamos agora avaliar a aprendizagem.
9.2 Resumo do Capítulo
9.3 Atividades Propostas
1. Apresente a principal hipótese para a existência da teoria de agência.
2. Apresente as principais consequências para as empresas resultante dos conflitos de interesse.
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75
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo, trataremos a respeito do for-
talecimento do mercado de capitais que possui
uma relação direta com a retomada do ciclo de
crescimento no país, com o aumento do investi-
mento e da criação de empregos diretos e indi-
retos. Estudaremos ainda a grande diversidade
de conceitos sobre governança corporativa e os
principais modelos utilizados (o anglo-saxão e o
nipo-germânico). Por fim, trataremos da atuação
do BNDEs no processo de auxílio ao desenvolvi-
mento do mercado de capitais brasileiro. Vamos
iniciar a discussão?
Iniciamos através da constatação de diver-
sos estudos empíricos publicados sistematica-
mente em vários países atestando a existência de
uma relação positiva entre governança corporati-
va e valor e desempenho das empresas.
Um dos estudos mais conhecidos sobre o va-
lor da governança corporativa foi conduzido pela
McKinsey Company, para o qual foram entrevista-
dos diversos investidores na Europa, na Ásia e na
América Latina com o objetivo de determinar se
eles estariam dispostos a pagar mais por uma em-
presa com boas práticas de governança corporativa
e de quanto seria esse prêmio pela boa governança.
Na América Latina, quase a metade dos in-
vestidores considerou a governança mais impor-
tante que o desempenho financeiro e, no que se
refere ao valor da governança, o prêmio pago pe-
los investidores variou em relação ao país, confor-
me pode ser visto no Quadro 10.
GOVERNANÇA CORPORATIVA10
AtençãoAtenção
De acordo com os resultados, mais de 80% dos
entrevistados estariam dispostos a pagar mais
por uma empresa com boas práticas de gover-
nança corporativa, enquanto 75% dos investido-
res consideravam a governança tão importante
quanto o desempenho financeiro da companhia
(PINHEIRO, 2005).
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76
Quadro 10 – Prêmio de Governança Corporativa.
PAÍS Prêmio (%)
Reino Unido 17,9
Suíça 18,0
Suécia 18,2
Estados Unidos 18,2
Holanda 18,5
Espanha 19,2
Bélgica 19,6
França 19,8
Alemanha 20,2
Japão 20,2
Taiwan 20,2
Chile 20,8
Argentina 21,2
México 21,5
Itália 22,0
Brasil 22,9
Coreia 24,2
Malásia 24,9
Tailândia 25,7
Indonésia 27,1
Colômbia 27,2
Venezuela 27,6
O prêmio pela boa governança variou de 18
a 28%; isso demonstra que para a maioria as prá-
ticas de governança podem trazer um aumento
significativo no valor da ação da companhia no
mercado. Em países onde o grau de proteção le-
gal aos investidores é maior, como Reino Unido,
suíça, suécia e Estados Unidos, os prêmios de
governança corporativa tendem a ser menores,
uma vez que a maioria das empresas já mantém
boas práticas. Já em países onde a qualidade das
práticas de governança corporativa é precária, os
prêmios de governança corporativa passam a ser
maiores, o que beneficia as empresas que conse-
guem se diferenciar das demais por meio de boas
práticas.
Outra pesquisa, realizada pelo banco fran-
cês Credit Lyonnais, comparou o desempenho de
115 companhias de acordo com suas práticas de
governança corporativa. Para dividir as empresas
em diferentes grupos, com melhores e piores prá-
ticas de governança, foi definido um padrão de
boas práticas de governança. O Quadro 11 apre-
senta os resultados desse estudo.
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77
Quadro 11 – Valorização das ações.
GC Empresas
Valorização das Ações
1 ano 3 anos 5 anos
Média 38,3 169,7 210,9
30 melhores 46,6 369,8 324,5
30 piores 21,4 113,5 105,0
As 30 empresas com melhores práticas de
governança corporativa valorizaram-se significa-
tivamente em relação às empresas com as piores
práticas (324,5% e 105% ao longo de cinco anos,
respectivamente).
No Brasil, desde a criação do Novo Mercado
pela Bovespa, diversas companhias fizeram sua
abertura de capital (IPO) diretamente nos níveis
diferenciados de governança corporativa.
O Quadro 12 ilustra as empresas que abriram
o capital nos primeiros cinco anos de existência
do Novo Mercado e também as valorizações das
suas ações depois de 1,6 e 12 meses, nessa ordem.
A maioria das empresas que abriu o capital dire-
tamente nos níveis diferenciados de governança
corporativa valorizou-se significativamente nos
primeiros meses após o lançamento das ações.
A Natura Cosméticos, por exemplo, teve
uma valorização de 30,1% no primeiro mês e de
99,9% no final do primeiro ano. A Localiza Rent a
Car começou com uma valorização mais modesta
no primeiro mês (1,5%) e atingiu uma valorização
recorde de292,7% no primeiro ano.
No entanto, verificamos que algumas em-
presas, em virtude do setor em que estão e dos
elevados preços de lançamento das ações, apre-
sentaram retornos negativos após a abertura de
capital, mesmo com a adoção de boas práticas de
governança corporativa. Apesar disso, a estraté-
gia de comprar ações de empresas que abriram
o capital nos níveis diferenciados de governança
corporativa teria rendido, em média, 1,8%, 31,7%
e 81,9% no final de 1,6 e 12 meses.
Quadro 12 – Aberturas de capital no Brasil e Governança Corporativa.
Empresas
Valorização das Ações após o IPO
1 mês 6 meses 1 ano
Diagnósticos da América 16,0 50,0 100,0
Gol linhas aéreas - 4,8 56,2 38,3
Grendene 6,8 - 41,1 - 45,8
Localiza Rent a Car 1,5 108,4 292,7
Natura 30,1 72,8 99,9
Renar Maçãs - 18,8 - 53,8 - 55,6
submarino - 18,2 29,7 144,0
Média 1,8 31,7 81,9
Marcelo Cerqueira Silva
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78
O Quadro 13 apresenta a valorização de
diversos ativos financeiros desde o lançamento
do IGC pela Bovespa. Como reflexo da adoção de
boas práticas de governança corporativa, o de-
sempenho do IGC é superior ao do Ibovespa em
todos os períodos. Além disso, no médio e no lon-
go prazo, as ações do IGC tiveram desempenho
significativo em relação ao certificado de depósi-
to interbancário (CDI) e ao dólar.
Quadro 13 – Desempenho de ativos financeiros no Brasil.
Ativo
Valorização dos Ativos (%)
1 ano 3 anos 5 anos
IGC - 8,2 74,0 287,3
Ibovespa - 26,0 42,4 138,4
CDI 18,5 72,3 138,5
Dólar 22,9 34,9 - 2,3
De acordo com Pinheiro (2007), existe um
grande debate no meio acadêmico e profissional
sobre como medir a qualidade das práticas de go-
vernança corporativa de uma empresa. Carvalhal
e Leal, em parceria com o Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID), desenvolveram um
índice de governança corporativa para avaliar a
qualidade das práticas das empresas brasileiras
(IGCBRA), que usa uma metodologia adotada em
diversos estudos internacionais.
O IGCBRA consiste em 15 perguntas, que
cobrem quatro categorias: transparência; conse-
lho de administração; conflitos de interesse; e di-
reitos dos acionistas. O número de perguntas foi
estabelecido de forma a poder capturar a nature-
za multivariada da governança corporativa sem
tornar a coleta de dados difícil ou trabalhosa.
A grande vantagem desse índice é sua obje-
tividade, uma vez que suas perguntas são respon-
didas por meio de dados públicos, entre eles, es-
tatutos sociais e relatórios anuais. Cada pergunta
pode ter uma resposta: sim ou não. se a resposta
for sim, atribui-se um ponto, caso contrário, o va-
lor é zero. O IGCBRA é a soma dos valores atribuí-
dos a todas as perguntas e tem um valor máximo
de 15 pontos. O Quadro 14 mostra o IGCBRA e
seus quatro subíndices.
10.1 Medida de Governança Corporativa e do Impacto no Valor e Desempenho
Avaliação de Empresas e Governança Corporativa
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79
Quadro 14 – IGCBRA e seus quatro subíndices.
Transparência
1 A empresa publica seus relatórios financeiros no prazo estabelecido pela lei?
2 A empresa adota padrões internacionais de contabilidade (U.s. GAAP ou IAsB)?
3 A empresa contrata firmas de auditoria com reputação global?
4 A empresa divulga a remuneração do CEO e dos conselheiros?
Conselho de Administração
5 O presidente do conselho e o CEO são pessoas diferentes?
6 O conselho é formado claramente por membros independentes?
7 O conselho tem comitês especializados (auditoria, remuneração etc.)?
8 Existe um conselho fiscal permanente?
Conflitos de Interesse
9 A razão entre o percentual no capital votante e o percentual no capital total detido pelo acionista controlador é menor ou igual a um?
10 A CVM nunca condenou ou investigou a empresa por más práticas de governança corporativa ou por violação à legislação do mercado de capitais?
11 A empresa utiliza arbitragem para resolver conflitos societários?
Direitos dos Acionistas
12 A empresa facilita o processo de votação além do exigido pela lei?
13 A empresa concede direitos adicionais de voto aos acionistas além do exigido pela lei?
14 A empresa concede direitos adicionais de tag along além do exigido pela lei?
15 Os acordos entre acionistas, se existirem, diminuem o poder dos acionistas controladores?
O subíndice transparência apresenta quatro
quesitos: data de publicação dos relatórios finan-
ceiros; adoções de padrões internacionais de con-
tabilidade (U.s. GAAP ou IAsB); qualidade e repu-
tação global das firmas de auditoria; e divulgação
da remuneração do CEO e dos conselheiros.
No final do período analisado, 98% das
empresas brasileiras publicaram seus relatórios
financeiros no prazo estabelecido pela lei, 39%
adotavam padrões internacionais de contabilida-
de, 83% contratavam firmas de auditoria com re-
putação global e 91% divulgavam a remuneração
do CEO e dos conselheiros.
O segundo subíndice diz respeito ao con-
selho de administração e apresenta quatro que-
sitos: exercícios por pessoas diferentes dos cargos
de chairman e CEO; presença de conselheiros in-
dependentes; comitês especializados (auditoria,
remuneração etc.); e conselho fiscal permanente.
Os resultados indicaram que 74% das empresas
tinham o cargo de chairman e de CEO ocupados
por pessoas diferentes, 35% possuíam conselhei-
ros independentes, 23% apresentavam comitês
especializados e 38% instituíram um conselho fis-
cal permanente.
Os três pontos do subíndice conflitos de
interesse tentaram capturar possíveis atritos en-
tre os acionistas controladores e os minoritários:
afastamento do princípio uma ação = um voto
por parte do controlador; investigações ou con-
denações da CVM por más práticas de governan-
ça corporativa ou por violação à legislação do
Marcelo Cerqueira Silva
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80
mercado de capitais; e utilização de arbitragem
para resolver conflitos societários. A maioria das
empresas brasileiras (86%) viola o princípio uma
ação = um voto, 9% já foram investigadas ou con-
denadas pela CVM, e somente 3% utilizavam a ar-
bitragem para resolver conflitos societários.
Outros resultados interessantes, não retra-
tados diretamente no IGCBRA, comprovam a se-
paração total entre controle (ações ordinárias) e
propriedade (ações ordinárias e preferenciais) no
Brasil. Em média, 59% das ações emitidas por uma
empresa são ordinárias e 41% são preferenciais.
O acionista controlador possui 72% das
ações ordinárias, mas apenas 28% das preferen-
ciais e 56% do total de ações. Portanto, a violação
ao princípio uma ação = um voto é evidente. A re-
lação entre o controle e a propriedade é de 1,29;
isto é, cada ação detida pelo controlador lhe con-
fere 1,29 votos.
O subíndice direitos dos acionistas contém
quatro quesitos, todos relacionados à concessão
de direitos adicionais, além do exigido pela lei, aos
acionistas. Entre esses direitos, destacamos: faci-
lidade no processo de votação (94%), não conce-
dem direitos adicionais de voto (88%) e tag along;
e existência de acordos entre acionistas para dimi-
nuição do poder dos acionistas controladores.
Em geral, as empresas não facilitam o pro-
cesso de votação (94%), não concedem direitos
adicionais de voto (88%) e tag along (89%), e pou-
cos acordos entre acionistas diminuem o poder
dos acionistas controladores (16%). As empresas
brasileiras podem ser classificadas em três grupos
de acordo com a qualidade de suas práticas de go-
vernança corporativa: práticas excelentes (IGCBRA
de 11 a 15), práticas medianas (IGCBRA de 6 a 10)
e práticas indesejáveis (IGCBRA de 0 a 5). No Brasil,
3% das empresas possuem práticas de governan-
ça corporativa excelentes, 79% apresentampráti-
cas medianas e 18% adotam práticas indesejáveis.
Existem diversos estudos internacionais que
comprovam, empiricamente, a relação positiva
entre as boas práticas de governança corporativa
e o valor e o desempenho operacional da empre-
sa. No Brasil, há poucos estudos sobre o tema, e
a maioria deles analisa um período limitado em
virtude da ausência de dados históricos sobre prá-
ticas de governança corporativa.
A construção do IGCBRA permite analisar a
relação entre práticas de governança corporati-
va, valor de mercado e desempenho operacional
desde o início do Plano Real, maior fase já anali-
sada no Brasil nesse tipo de estudo. Para captu-
rar o efeito dessa comparação em cada empresa
ao longo do tempo, a técnica econométrica de
painéis é a mais adequada, uma vez que permite
combinar as análises cross-section (por empresa)
e de time-series (por tempo).
No modelo de painéis, procuramos estudar
como as variáveis independentes influenciam
as variáveis dependentes. Assume-se, portanto,
uma relação entre elas, de modo que a depen-
dente seja explicada pelas independentes.
No nosso modelo, as variáveis dependentes
são: o valor de mercado e o desempenho ope-
racional de cada empresa ao longo do tempo. O
primeiro é medido pelo Q de Tobin, e o último é
calculado pelo retorno sobre os ativos (ROA). A
variável independente, utilizada para explicar as
variáveis dependentes, é o IGCBRA.
Os resultados indicam que as firmas brasi-
leiras que mantêm melhores práticas de gover-
nança corporativa têm valor de mercado maior e
desempenho operacional superior. Na média, um
aumento de um ponto no IGCBRA gera um au-
mento de 16,5% no preço da ação da empresa e
de 0,75% em seu desempenho operacional.
se a empresa fosse de um extremo (IGCBRA
igual a zero) a outro (IGCBRA de 15), o aumento
no preço da ação da empresa e no desempenho
operacional seria de 247,5% e 11,25%, respectiva-
mente. O Quadro 15 ilustra o efeito de cada ponto
de aumento do IGCBRA no preço da ação e no de-
sempenho operacional da empresa.
Avaliação de Empresas e Governança Corporativa
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Quadro 15 – Governança corporativa, valor e desempenho.
Aumento de pontos
no IGCBRA
Aumento no
Preço da Ação
Aumento no
Desempenho
1 16,50% 0,75%
2 33,00% 1,50%
3 49,50% 2,25%
4 66,00% 3,00%
5 82,50% 3,75%
6 99,00% 4,50%
7 115,50% 5,25%
8 132,00% 6,00%
9 148,50% 6,75%
10 165,00% 7,50%
11 181,50% 8,25%
12 198,00% 9,00%
13 214,50% 9,75%
14 231,00% 10,50%
15 247,50% 11,25%
A relação positiva, portanto, entre boas prá-
ticas de governança corporativa, valor de mer-
cado e desempenho operacional da empresa é
evidente e significativa no Brasil, equivalente às
evidências encontradas em outros países. Pode-
mos afirmar, com forte embasamento teórico e
empírico, que melhores práticas de governança
corporativa levam a um valor de mercado maior e
a um desempenho operacional superior das em-
presas brasileiras.
Nos últimos anos, a evolução das práticas
de governança corporativa tem se intensificado
bastante em nosso país, impulsionada pela aber-
tura da economia, pelo aumento dos investimen-
tos estrangeiros, pelo processo de privatização
de empresas estatais e pelo crescente número de
empresas brasileiras com acesso aos mercados in-
ternacionais.
Conforme Pinheiro (2007), destacam-se
diversas iniciativas de estímulo e de aperfeiçoa-
mento ao modelo de governança nas empresas
no Brasil, entre elas a criação do Novo Mercado
da Bovespa, a nova Lei das sociedades por Ações,
o Código do IBGC, as recomendações da CVM e o
ativismo do BNDEs e dos fundos de pensão.
No entanto, embora se tenha desenvolvido
bastante, o movimento de governança corporati-
va no Brasil é ainda reflexo da situação econômica
dos últimos anos, caracterizada por uma taxa de
juros elevada e pela falta de uma cultura de mer-
cado de capitais, o que se evidencia pelo baixo in-
vestimento em ativos de renda variável realizado
no país.
Muitas empresas brasileiras ainda têm uma
estrutura não condizente com o que são conside-
radas as melhores práticas de governança corpo-
rativa: violação do princípio uma ação = um voto;
dependência dos conselheiros de administração
a grupos limitados de acionistas pelos quais são
indicados; gestão familiar não profissional; falta de
transparência; ausência de instrumentos adequa-
dos de supervisão das companhias; e restrições
Marcelo Cerqueira Silva
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82
aos direitos dos acionistas minoritários, o que leva
o investidor a desejar pagar menos pelas ações
das companhias com esse perfil.
Estes, entre outros aspectos, demonstram
que o mercado não oferece custo de capital ade-
quado às empresas, as quais não se sentem entu-
siasmadas a emitir novas ações.
O desenvolvimento do mercado de capitais
está na raiz da expansão de economias saudáveis,
pois um mercado de capitais forte significa mais
crescimento econômico, como uma alternativa
viável para financiar a expansão das empresas.
Nos últimos anos, menos de 10% dos inves-
timentos feitos por companhias de capital aberto
no Brasil foram tomados no mercado acionário;
o restante veio de empréstimos bancários ou foi
suportado com capital próprio, gerado pelos lu-
cros obtidos com a atividade empresarial.
O fortalecimento do mercado de capitais
tem relação direta com a retomada do ciclo de
crescimento no país, com aumento do investi-
mento e da criação de empregos diretos e indi-
retos. O mercado acionário brasileiro é hoje uma
sombra do que poderia representar em termos
de financiamento da produção e de incentivo a
novos investimentos.
Nesse contexto, é importante investir em
boas práticas de governança corporativa, pois
reduz o custo de capital, aumenta o valor da em-
presa e, consequentemente, o retorno para seus
acionistas, além de ser medida salutar para forta-
lecer o mercado de capitais nacional.
Na comunidade acadêmica, o conceito de
governança corporativa tem sido abordado des-
de o estudo de Berle e Means sobre o surgimento
das modernas corporações, nas quais há separa-
ção entre controle e gestão. Entretanto, somen-
te a partir da década de 1980, o tema se tornou
importante e o termo ‘governança corporativa’
ganhou força em diversos países, não somente
no meio acadêmico, mas também em debates de
interesse do público em geral.
Etimologicamente, a palavra ‘governança’
está relacionada a governo; assim, governan-
ça corporativa refere-se ao sistema pelo qual os
órgãos e os poderes são organizados dentro de
uma empresa (corporation). A literatura apresenta
diferentes definições sobre o termo.
Hoji (2007) define governança corporativa
como o sistema pelo qual as empresas são dirigi-
das e controladas, distribuindo direitos e respon-
sabilidades entre os diferentes participantes da
empresa, tais como conselho de administração,
diretoria, proprietários e outros stakeholders.
Ross (2000, p.287) já a conceitua da seguin-
te forma: “sistema de controle e monitoramento
estabelecidos pelos acionistas controladores de
uma determinada empresa ou corporação, de tal
modo que os administradores tomem suas de-
cisões sobre a alocação dos recursos de acordo
com o interesse dos proprietários.”
santos (2008) define governança como um
conjunto de ações dos administradores e acionis-
tas com o intuito de negociar e determinar como
o valor da firma será distribuído.
Já securato (1993, p. 189) conceitua o siste-
ma como o “conjunto de instituições, regulamen-
tos e convenções culturais, que rege a relação
entre as administrações das empresas e os acio-
nistas ou outros grupos aos quais as administra-
ções devem prestar contas.”
Copeland (2002) considera que o sistemade governança determina os termos de um con-
trato de acionistas, os quais mencionam que os
administradores têm autonomia para gerir os ne-
gócios da companhia e os acionistas devem rece-
ber o lucro resultante das operações da empresa.
A Organização para a Cooperação e Desen-
volvimento Econômico (OCDE) diz que um bom
regime de governança corporativa representa
10.2 Conceitos de Governança Corporativa
Avaliação de Empresas e Governança Corporativa
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uma forma eficaz de utilização de recursos, e as
empresas devem levar em conta os interesses
não só dos acionistas, mas também de uma gama
maior de stakeholders.
O Instituto Brasileiro de Governança Corpo-
rativa (IBGC) define governança corporativa como
o sistema que assegura aos sócios proprietários o
governo estratégico da empresa e a efetiva moni-
toração da diretoria executiva. segundo o IBGC,
governança corporativa é o conjunto de práticas
e relacionamentos entre acionistas, conselho de
administração, diretoria, auditoria independen-
te e conselho fiscal, cuja finalidade é otimizar o
desempenho da empresa e facilitar o acesso ao
capital.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) con-
ceitua governança corporativa como o conjunto
de práticas que tem por finalidade melhorar o de-
sempenho de uma companhia ao proteger todas
as partes interessadas, por exemplo, investidores,
empregados e credores, facilitando o acesso ao ca-
pital. segundo essa definição, a análise das práticas
de governança corporativa aplicada ao mercado
de capitais envolve principalmente: transparência,
equidade de tratamento dos acionistas e prestação
de contas.
O ponto comum entre todas essas defini-
ções permite-nos descrever a governança corpo-
rativa como um conjunto de princípios e práticas
que procura minimizar os potenciais conflitos de
interesse entre os diferentes agentes da compa-
nhia (stakeholders), com o objetivo de reduzir o
custo de capital e aumentar tanto o valor da em-
presa quanto o retorno aos seus acionistas.
10.3 Modelos de Governança Corporativa no Mundo
Um marco no debate sobre governança
corporativa é o trabalho de Berle e Means, que
documentaram uma mudança significativa na
estrutura societária das empresas norte-ameri-
canas, cuja base acionária passou a se apresentar
mais dispersa. A partir dos anos 1970, o enfoque
contratual das relações econômicas despertou
interesse entre profissionais e acadêmicos em di-
versos países. A seguir apresentam-se os modelos
de governança com base nas definições apresen-
tadas por Pinheiro (2007).
Os modelos de governança variam de país
para país, mas, em geral, delimitam-se dois siste-
mas: o anglo-saxão, que prevalece nos Estados
Unidos e no Reino Unido, e o nipo-germânico,
o qual predomina no Japão, na Alemanha e na
maioria dos países da Europa Continental. O que
diferencia esses dois sistemas são as estruturas de
controle e de propriedade, as formas de monito-
ramento usadas pelos proprietários e suas visões
a respeito dos objetivos finais das empresas.
No modelo anglo-saxão, a propriedade
relativamente pulverizada (outsider system) e a
liquidez das ações são garantidas nas bolsas de
valores, o que diminui os riscos dos acionistas. No
modelo nipo-germânico, existe mais concentra-
ção da propriedade (insider system) e as participa-
ções acionárias são de longo prazo.
Enquanto no primeiro modelo o objetivo
principal das empresas é a criação de valor para
os acionistas (shareholders), no segundo, as em-
presas buscam equilibrar os interesses dos acio-
nistas com os de outros grupos interessados na
empresa; entre eles, empregados, fornecedores,
clientes e comunidade em geral (stakeholders).
No modelo shareholder, a obrigação pri-
mordial dos administradores é agir em nome dos
interesses dos acionistas, enquanto, no modelo
stakeholder, além dos acionistas, há um conjunto
mais amplo de interesses que deve ser contem-
plado pela ação e pelos resultados da corporação.
Na prática, o modelo anglo-saxão é caracte-
rizado pelo sistema shareholder de controle exter-
no por equity, enquanto o modelo nipo-germâni-
co volta-se para o sistema stakeholder de controle
interno por debt. Outros países, principalmente
países em desenvolvimento, entre eles o Brasil,
aplicam os sistemas intermediários.
Marcelo Cerqueira Silva
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84
Devido à importância dos Estados Unidos
no cenário econômico mundial, a disseminação
de sua cultura institucional, em termos de con-
trole corporativo, tende a apontar a hegemonia
do modelo anglo-saxão. No entanto, esse modelo
começou a ser questionado no final da década de
1980, com o crescente ganho de competitivida-
de das empresas japonesas em comparação às
norte-americanas, de modo que, atualmente, não
encontramos os modelos anglo-saxão e nipo-
-germânico em sua forma pura.
No modelo anglo-saxão, o principal conflito
de interesse ocorre entre administração e acionis-
tas. O mercado de capitais é ativo e desenvolvido,
responsável pelas funções de monitoramento da
administração das empresas. Os investidores ins-
titucionais e os conselhos de administração têm
um papel fundamental na governança corpora-
tiva, enquanto se reserva aos bancos um papel
passivo na atividade de monitoramento das com-
panhias.
No modelo nipo-germânico, o conflito de
agência acontece entre acionistas controladores
e acionistas minoritários. É comum a presença de
estruturas acionárias cruzadas entre empresas e
bancos; eles têm um papel importante nas ativi-
dades de monitoramento da administração das
empresas, razão pela qual a alavancagem finan-
ceira é superior nesse sistema. Os mercados de
capitais são menos líquidos e desenvolvidos, e os
investidores institucionais não têm um papel tão
ativo como no modelo anglo-saxão.
Existem vantagens e desvantagens nos dois
modelos. A globalização provoca modificações e
certa convergência entre os dois sistemas, já que
o modelo nipo-germânico adota algumas carac-
terísticas do anglo-saxão e vice-versa. No entanto,
é difícil prever se haverá uma convergência total
ou se algum sistema prevalecerá, pois suas diver-
gências são históricas, culturais e legais. O mais
importante é que ambos os modelos podem ser
eficientes desde que cumpram os critérios de efi-
ciência apropriados ao sistema e às particulari-
dades culturais, econômicas e históricas de cada
país.
Governança Corporativa nos Estados Unidos
O movimento de governança corporati-
va teve início nos Estados Unidos. Até a década
de 1980, em virtude da pulverização do capital
nas bolsas de valores – modelo anglo-saxão –,
os acionistas eram passivos e não monitoravam
intensamente as decisões tomadas pela adminis-
tração da empresa, que estava a cargo do CEO, o
qual, muitas vezes, acumulava o cargo de presi-
dente do conselho de administração.
Na década de 1980, essa situação começou
a mudar com o ativismo dos investidores institu-
cionais, em especial dos fundos de pensão, nos
casos de expropriação dos acionistas e abuso de
poder por parte dos executivos e dos conselhei-
ros.
Em 1989, o Calpers enviou à Securities and
Exchange Commission (sEC) – órgão regulador do
mercado de capitais nos Estados Unidos, equiva-
lente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no
Brasil – uma carta com recomendações para me-
lhorar a relação das empresas com o mercado, de
forma a aumentar a transparência, a fiscalização
e a comunicação. O fundo começou a publicar,
também, a lista das companhias em que havia
deixado de investir e quais os motivos que o leva-
ram ao desinvestimento.
Na década de 1990, muitos investidores
institucionais elaboraram códigos de governança
corporativa, os quais deveriam ser seguidos pelas
empresas da carteira como condiçãonecessária
para investimentos. surgiu também o código de
governança da National Association of Corporate
Directors (NACD).
Em 1994, a General Motors publicou seu có-
digo de governança corporativa como reflexo di-
reto do movimento de acionistas e de conselhei-
ros para derrubar o executivo principal e também
o presidente do conselho da empresa. Esse códi-
go causou tal impacto que se costuma dividir a
história dos conselhos em duas eras: pré-General
Motors e pós-General Motors.
O movimento de governança corporativa
seria novamente impulsionado, a partir de 2001,
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85
com uma série de escândalos de fraudes que en-
volvia a administração executiva de diversas em-
presas, como Enron, Worldcom, Qwest e Tyco In-
ternational.
Um dos maiores escândalos atingiu a com-
panhia energética Enron, cuja fraude contábil
escondeu um endividamento expressivo que
ocasionou a falência da empresa. A Arthur Ander-
sen, na época uma das maiores empresas inter-
nacionais de auditoria, também faliu, acusada de
compactuar com o esquema e de destruir provas
durante o processo judicial.
A causa da grande parte dos recentes es-
cândalos corporativos nos Estados Unidos foi o
desejo desenfreado de aumento dos preços das
ações das empresas, pois uma parcela considerá-
vel da remuneração dos executivos consistia em
opções de ações (stock options).
Como resposta e como consequência ime-
diata desses escândalos, muitos executivos foram
julgados e condenados à prisão, e o Congresso
Americano publicou, no final de julho de 2002,
a lei sarbanes-Oxley (sOx), que apresentou pu-
nições severas para quem levasse o mercado de
capitais.
O alcance dessa lei é amplo, pois dispõe de
um conjunto extenso de regras sobre governança
corporativa, que afetam não só a administração das
empresas e as firmas de auditoria, mas também
bolsas de valores, analistas de mercado, corretores
advogados, empresas de rating, entre outros.
Governança Corporativa no Reino Unido
Berço da Revolução Industrial, a Inglaterra
foi o primeiro país a industrializar-se. Em grande
parte, seu processo de industrialização foi finan-
ciado pela acumulação do capital por grupos fa-
miliares e empresariais, com pouca intervenção
estatal. Como reflexo desse padrão de industria-
lização e com o nível de acumulação e centraliza-
ção de capitais, no Reino Unido, é forte o modelo
anglo-saxão de governança corporativa, no qual
o capital acionário é diluído entre diversos pe-
quenos investidores.
Apesar da industrialização precoce, o mo-
vimento de governança corporativa no Reino
Unido iniciou-se somente no final da década de
1980. Após alguns escândalos no mundo empre-
sarial, o Banco da Inglaterra criou o Comitê Cad-
bury, liderado por Adrian Cadbury e formado por
representantes daquela instituição financeira, da
Bolsa de Valores de Londres, do Conselho de Con-
tadores Certificados e do Conselho de Relatórios
Financeiros, com o objetivo de analisar as práticas
contábeis e de governança corporativa das em-
presas britânicas.
Em dezembro de 1992, esse comitê publi-
cou o primeiro documento sobre governança
corporativa no país – The financial aspects of cor-
porate governance –, que contém seções sobre
responsabilidade dos conselheiros, importância
de conselheiros independentes, necessidade de
comitês do conselho, principalmente comitê de
auditoria, de nomeação e de remuneração, além
de recomendações sobre composição, estilo de
trabalho e normas de funcionamento do conse-
lho.
Em 1995, o Comitê Greenbury elaborou um
conjunto de regras de governança relacionadas à
remuneração dos administradores, o que não ha-
via sido abordado pelo comitê Cadbury. Três anos
mais tarde, o Comitê Hampel revisou o relatório
dos dois comitês anteriores e destacou a impor-
tância da governança corporativa para a prospe-
ridade das empresas no longo prazo.
Em 1998, o Comitê Hampel publicou seu có-
digo de governança corporativa e, desde então, a
observância das suas normas pelas companhias
passou a ser uma das exigências para a listagem
na Bolsa de Valores de Londres.
Governança Corporativa na Alemanha
O modelo nipo-germânico de governança
corporativa é seguido na Alemanha, onde a pro-
priedade é muito concentrada, o mercado de ca-
pitais tem papel relativamente limitado em com-
paração ao modelo anglo-saxão e o mercado de
crédito é bastante ativo, caracterizado pela forte
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participação acionária dos bancos nas empresas
e pela busca de equilíbrio entre os interesses dos
acionistas e os de outros grupos interessados na
empresa (stakeholders).
O sistema financeiro alemão sempre se ba-
seou no sistema bancário, ao proteger prioritaria-
mente os credores em detrimento dos acionistas.
Esse sistema era favorecido pela regulação alemã,
que permitia a participação acionária ilimitada
dos bancos em diversos setores da economia, o
que levava ao intenso financiamento, de longo
prazo, da indústria pelos bancos.
O alinhamento ao modelo stakeholder na
Alemanha tem sua origem no sistema de indus-
trialização extremamente controlado pelo Es-
tado, somado aos fatos ocorridos no século XX,
como as duas guerras mundiais e a reintegração
com a Alemanha Oriental. A busca do equilíbrio
dos interesses dos acionistas com os de outros
grupos interessados na empresa fica clara na atu-
al lei alemã, que prevê o direito dos empregados
em eleger representantes no conselho de super-
visão das empresas alemãs.
Na década de 1990, muitas empresas ale-
mãs adotaram boas práticas de governança cor-
porativa, em especial as companhias com ADR
e GDR, que precisavam se adequar aos padrões
internacionais exigidos pelas bolsas de Nova York
e de Londres.
Um marco importante no movimento de
governança corporativa na Alemanha foi, em
1997, a criação do Neuer Market (Novo Mercado),
que, inicialmente, tinha o objetivo exclusivo de
atrair empresas de setores de rápido crescimento
e alta tecnologia, como internet, telecomunica-
ções, biotecnologia, e, posteriormente, passou a
ter a finalidade de listar empresas que se compro-
metiam com regras fortes em termos de gover-
nança corporativa.
Governança Corporativa no Japão
De forma semelhante à Alemanha, o Japão
também teve seu processo de industrialização
posterior aos países anglo-saxões, e a intervenção
governamental foi bastante efetiva. Além da forte
atuação estatal, a industrialização foi financiada
por cartéis, associações de comércio e bancos,
que passaram a administrar as grandes empresas.
Como reflexo desse processo, o modelo de
governança corporativa no Japão busca o equilí-
brio dos interesses de diversos stakeholders. A po-
lítica de emprego vitalício é bastante frequente,
embora a globalização e o aumento da concor-
rência internacional ocasionem a diminuição do
número de empresas que oferecem tal garantia
aos funcionários.
A governança corporativa no Japão pode
ser retratada pela presença dos Keiretsu, conglo-
merados de bancos e empresas entrelaçados em
estruturas indiretas de controle e de participa-
ções cruzadas. Os bancos domésticos têm signi-
ficativa participação acionária e exercem papel
fundamental no financiamento das operações
dos Keiretsu.
Com o objetivo de estimular os mecanis-
mos de governança e de adaptá-los aos padrões
internacionais, a Japanese Federation of Econo-
mic Organizations divulgou, em 1997, o relatório
Urgent Recommendations Concerning Corporate
Governance, que apresenta recomendações ur-
gentes sobre a implementação de práticas de go-
vernança corporativa no Japão.
Um ano depois, foram publicados os prin-
cípios japoneses de governança corporativa (Cor-
porategovernance principles – A japanese view)
pelo Corporate Governance Forum of Japan, o
qual, com base no código Hampel, apresenta re-
gras sobre o funcionamento do conselho de ad-
ministração, principalmente sobre a diminuição
do número de seus membros.
Resumo dos Principais Modelos de Governan-
ça no Mundo
La Porta, shleifer, Lopez-De-silanes e Vishny
(apud PINHEIRO, 2007) classificaram os modelos
de governança corporativa em diversos países do
mundo de acordo com os sistemas jurídicos de
cada um. Basicamente, existem duas correntes
Avaliação de Empresas e Governança Corporativa
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principais: common law, seguida na maioria dos
países de língua inglesa, e civil law, fundamenta-
da no direito romano e subdividida em três tipos:
de origem francesa (baseada no código napole-
ônico de 1804), de origem germânica (seguindo
o código de Otto Von Bismarck de 1896) e de ori-
gem escandinava.
Como vimos, nos Estados Unidos e no Reino
Unido, a propriedade acionária é relativamente
pulverizada, o mercado de ações desenvolvido,
o papel dos bancos no monitoramento da gover-
nança não é tão forte e a proteção legal aos inves-
tidores é alta, característica marcante dos países
que adotam o direito comum (common law), ba-
seado na jurisprudência.
No modelo nipo-germânico, a propriedade
acionária é concentrada, o mercado de ações é me-
nos desenvolvido do que nos países anglo-saxões,
o papel dos bancos é muito forte e a proteção legal
aos investidores é baixa, reflexo da aplicação do di-
reito civil, baseado no direito codificado. O Japão,
que tem um mercado de ações bem desenvolvido,
situa-se entre os Estados Unidos e a Alemanha em
relação ao grau de proteção aos investidores.
No entanto, os sistemas básicos de gover-
nança corporativa fundamentados na proteção
legal e em grandes investidores (Estados Unidos
e Reino Unido) e nos bancos (Alemanha e Japão)
não estão presentes na maioria dos demais paí-
ses, nos quais se veem sistemas fundamentados
na propriedade familiar e com proteção legal aos
investidores muito menos eficaz, em virtude da
ausência de leis e da fragilidade do sistema judici-
ário no efetivo cumprimento da lei.
O sistema de governança na América Lati-
na e no sudeste Asiático é caracterizado por uma
estrutura de propriedade altamente concentra-
da nas mãos de poucos acionistas, a maioria fa-
miliares, e pela separação nítida entre os direitos
de fluxo de caixa (propriedade) e voto (controle).
Como consequência da adoção do direito civil
francês, os sistemas de governança nesses países
são caracterizados pela baixa proteção legal aos
investidores. No Brasil, o sistema de governança
corporativa está inserido nesse contexto e será
avaliado detalhadamente nos próximos itens.
No Brasil, a governança corporativa evoluiu
bastante na última década, como reflexo da aber-
tura da economia brasileira, do aumento dos in-
vestimentos estrangeiros no país, do processo de
privatização de empresas estatais e do número
crescente de empresas brasileiras com acesso aos
mercados internacionais.
Até a década de 1980, a presença do Esta-
do na economia tinha algumas características do
modelo stakeholder, que foram sendo alteradas
ao focar-se a rentabilidade com o objetivo de
atrair investimentos para privatização.
Após sucessivos escândalos em que os con-
troladores beneficiaram-se em detrimento dos
minoritários, o movimento atual de governança
corporativa no Brasil leva a uma mudança na es-
trutura da empresa, marcada por: ativismo dos
investidores institucionais; maior proteção e res-
peito aos acionistas minoritários; fragmentação e
compartilhamento do controle acionário; e foco
na eficiência econômica e na transparência de
gestão.
Embora se tenha desenvolvido bastante, o
movimento de governança corporativa no Brasil
é ainda recente. A maioria das empresas ainda
mantém uma estrutura de propriedade e tradição
familiar, de conselhos e de gestão não profissio-
nal, de modo que a presença do acionista contro-
lador continue forte.
No entanto, o esforço em busca das práti-
cas de governança corporativa tem sido enorme;
nesse sentido, podem-se destacar as seguintes
iniciativas: criação do Novo Mercado da Bolsa de
Valores de são Paulo (Bovespa), a nova Lei das
10.4 Governança Corporativa no Brasil
Marcelo Cerqueira Silva
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88
s.A., o código de boas práticas do IBGC, as reco-
mendações da CVM sobre governança corporati-
va e o ativismo do Banco Nacional de Desenvolvi-
mento Econômico e social (BNDEs) e dos fundos
de pensão. Antes de detalhar cada iniciativa de
governança corporativa, precisamos compreen-
der a estrutura dos órgãos e a divisão de poder
nas sociedades por ações no Brasil.
A governança corporativa refere-se às re-
gras que governam a estrutura e o exercício de
poder e de controle na companhia. A sociedade
por ações está dividida em diversos órgãos, como
assembleia geral de acionistas, conselho de ad-
ministração, diretoria, auditoria independente e
conselho fiscal.
Os órgãos de uma sociedade por ações visam
a garantir a democracia na tomada de decisões, pois
suas deliberações afetam os interesses de diversos
stakeholders. Podemos classificar esses órgãos em
três categorias: deliberativa, que expressa a vonta-
de da sociedade (assembleia geral), executiva, que
realiza a vontade social (administração) e controla-
dora, que fiscaliza a fiel execução da vontade social
(conselho fiscal). Os princípios da boa governança
corporativa visam a diminuir os potenciais conflitos
entre esses diversos órgãos.
Compete ao conselho de administração,
se houver, ou à diretoria convocar a assembleia
geral. Em casos excepcionais, previstos expressa-
mente na lei, visando a regular o funcionamento
da sociedade e a tutela aos direitos dos acionistas
minoritários, o conselho fiscal e os acionistas tam-
bém podem convocar a assembleia geral.
O Novo Mercado é um segmento especial
da Bolsa de Valores de são Paulo (Bovespa), im-
plantado, em 11 de dezembro de 2000, com a
atribuição de negociar ações emitidas por empre-
sas que se comprometem, voluntariamente, com
a adoção de boas práticas de governança corpo-
rativa. Esse segmento, na verdade, é composto de
três partes (Nível 1, Nível 2 e Novo Mercado), as
quais seguem regras de governança corporativa
mais exigentes do que a legislação vigente. Os Ní-
veis 1 e 2 foram criados com a finalidade de incen-
tivar e preparar gradativamente as companhias a
aderirem ao Novo Mercado.
As empresas participantes devem seguir as
normas diferenciadas de governança corporativa
definidas pela Bovespa e consolidadas no regu-
lamento de listagem. Essas regras ampliam os di-
reitos dos acionistas e melhoram a qualidade das
informações prestadas pelas companhias.
Os compromissos presentes no regulamen-
to de listagem do Nível 1, Nível 2 e Novo Merca-
do devem ser aprovados em assembleias gerais e
incluídos no estatuto social da companhia. Além
disso, controladores e administradores devem as-
sinar um contrato entre a Bovespa e a empresa,
fortalecendo a exigibilidade do cumprimento das
regras.
As companhias que aderem ao Nível 1 com-
prometem-se com a transparência das informa-
ções do mercado e com a dispersão acionária. As
principais práticas do Nível 1 são:
publicação trimestral das demonstra-
ções financeiras consolidadas e da de-
monstração dos fluxos de caixa;
divulgação anual da qualidade e das ca-
racterísticas dos valores mobiliários de
emissão da companhia detidos pelos
acionistas controladores, membros do
conselho de administração, diretores e
membros do conselho fiscal;
realização de reuniões públicas com
analistas e investidores, ao menos uma
vez por ano; apresentação de um calendário anual
10.5 Novo Mercado
Avaliação de Empresas e Governança Corporativa
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89
dos eventos corporativos, como assem-
bleias, divulgação de resultados etc.;
divulgação dos contratos firmados en-
tre a companhia e as partes relaciona-
das;
divulgação mensal das negociações
de valores mobiliários e derivativos de
emissão da companhia por parte dos
acionistas controladores;
manutenção em circulação de uma par-
cela mínima de 25% do capital social da
companhia (free float);
realização de ofertas públicas de colo-
cação de ações por meio de mecanis-
mos que favoreçam a dispersão do ca-
pital;
divulgação de acordos com acionistas e
programas de stock options;
compromisso de não elevação do per-
centual de ações preferenciais sobre a
totalidade do capital, comparativamen-
te ao percentual existente antes do in-
gresso no Nível 1.
Para classificar-se no Nível 2, a companhia
deve cumprir todas as obrigações contidas no Ní-
vel 1 e comprometer-se com um conjunto bem
mais amplo de práticas de governança e de direi-
tos adicionais para os acionistas minoritários. As
obrigações do Nível 2 são:
divulgação de demonstrações financei-
ras de acordo com os padrões interna-
cionais (U.s. GAAP ou IAsB);
conselho de administração com o míni-
mo de cinco membros e mandato uni-
ficado de até dois anos, permitida a re-
eleição, formado por, pelo menos, 20%
de conselheiros independentes;
direito de voto às ações preferenciais em
matérias relevantes, como transformação,
incorporação, fusão, cisão da companhia
e aprovação de contratos entre a compa-
nhia e as empresas do mesmo grupo;
extensão, para todos os acionistas de-
tentores de ações ordinárias, das iguais
condições obtidas pelos controladores
quando da venda do controle da com-
panhia e de, no mínimo, 80% desse va-
lor para os detentores de ações prefe-
renciais;
realização de uma oferta pública de
aquisição de todas as ações em circula-
ção, no mínimo, pelo valor econômico,
nas hipóteses de fechamento do capital
ou pelo cancelamento do registro de
negociação no Nível 2;
adesão à câmara de arbitragem do mer-
cado para resolução de conflitos socie-
tários.
A câmara arbitral, instituída com base na Lei
nº 9.307/1996, oferece um foro adequado de dis-
cussão de matérias relativas à Lei das sociedades
por Ações, aos estatutos sociais das companhias,
e às normas editadas pelo Conselho Monetário
Nacional (CMN), pelo Banco Central do Brasil (BA-
CEM), pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
e pela Bovespa.
Para classificar-se no Novo Mercado, a com-
panhia deve cumprir todas as obrigações presentes
nos Níveis 1 e 2 e emitir exclusivamente ações or-
dinárias, estendendo a todos os acionistas o direito
de voto e iguais condições obtidas pelos controla-
dores, quando da venda do controle da companhia.
A adesão aos níveis diferenciados de go-
vernança corporativa da Bovespa dá mais desta-
que aos esforços da empresa para a melhoria da
relação com investidores e eleva o potencial de
valorização dos seus ativos. A premissa básica do
Novo Mercado é de que a valorização e a liquidez
das ações são influenciadas positivamente pelo
grau de segurança que os direitos concedidos
aos acionistas oferecem e pela qualidade das in-
formações prestadas pelas empresas.
Cinco anos após seu lançamento, já exis-
tiam 71 companhias listadas nos segmentos es-
peciais de governança corporativa da Bovespa: 36
no Nível 1, 12 no Nível 2 e 23 no Novo Mercado.
Marcelo Cerqueira Silva
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90
Com o objetivo de desenvolver o mercado
de capitais brasileiro, o BNDEs lançou diversos
programas para capitalizar empresas com boas
práticas de governança corporativa. Em outubro
de 2000, foi lançado o Programa de Apoio às No-
vas sociedades Anônimas, visando a capitalizar
pequenas e médias empresas que adotem boas
práticas de governança corporativa. O BNDEs
subscreve ações ou debêntures conversíveis em
ações no percentual máximo de 35% sobre o ca-
pital futuro da companhia.
O BNDEs lançou também os chamados fun-
dos de liquidez ou de governança, com o objetivo
de agrupar pequenos lotes de ações, pertencen-
tes a dois ou mais investidores institucionais, e
formar blocos com tamanho suficiente para ele-
ger representantes nos conselhos de administra-
ção ou fiscal das empresas. O papel e a ação des-
ses fundos ajudam a disseminar e a desenvolver a
governança corporativa no mercado nacional.
O Programa de Incentivo à Adoção de Prá-
ticas de Governança Corporativa foi lançado, no
final de 2002, com o objetivo de oferecer condi-
ções diferenciadas de financiamento aos clientes
que adotassem, voluntariamente, melhores práti-
cas de governança corporativa.
As empresas que aderissem ao programa
receberiam um bônus de governança corpora-
tiva, que representava mais participação do BN-
DEs no valor total do investimento, ampliação do
prazo de pagamento e/ou diminuição do custo
financeiro, de acordo com os níveis de exigência
do programa.
O programa é composto de quatro pacotes,
denominados bronze, prata, ouro e platina, que
apresentam diferentes graus de exigência em re-
lação às práticas de governança corporativa. As
companhias podem escolher, em cada pacote, o
conjunto de práticas que devem adotar, mas, para
migrarem para um pacote superior, têm de cum-
prir todas as exigências previstas no pacote em
que estiverem classificadas.
Além das exigências de cada pacote, foram
implementadas algumas regras obrigatórias de
governança corporativa aplicáveis a todas as em-
presas que obtiveram faturamento líquido anual
médio superior a R$ 100 milhões nos últimos dois
anos. As regras obrigatórias são:
vedação de mútuo, aval ou garantia da
controlada para o controlador, caso as
companhias tenham sócios diferentes;
apresentação de demonstrativos finan-
ceiros sujeitos a auditoria feita por em-
presa cadastrada na CVM;
vedação de partes beneficiárias em em-
presas fechadas, como já é previsto na
lei para as empresas abertas;
transações com partes relacionadas
devem ser descritas nos demonstrati-
vos financeiros, serem realizadas em
condições de mercado, fazerem parte
dos objetivos de negócios da empresa
e serem submetidas ao voto de todos
os acionistas em assembleia geral, caso
a empresa seja aberta e os valores dos
contratos sejam superiores a 10% do
seu patrimônio líquido.
10.6 Atuação do BNDES
Avaliação de Empresas e Governança Corporativa
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91
Caro(a) aluno(a),
Neste capítulo estudamos que ocorreu um fortalecimento do mercado de capitais brasileiro que
ocasionou a retomada do ciclo de crescimento no país e que, como consequência, ocorreu o aumento
dos investimentos e do número de empregos. Foi apresentada uma série de conceitos sobre a gover-
nança corporativa. Verificou-se ainda que os modelos de governança variam de país para país, mas, em
geral, delimitam-se dois sistemas: o anglo-saxão, que prevalece nos Estados Unidos e no Reino Unido, e
o nipo-germânico, o qual predomina no Japão, na Alemanha e na maioria dos países da Europa Conti-
nental. O que diferencia esses dois sistemas são as estruturas de controle e de propriedade, as formas de
monitoramento usadas pelos proprietários e suas visões a respeito dos objetivos finais das empresas. No
Brasil, a governança corporativa evoluiu bastante na última década, como reflexo da abertura da econo-
mia brasileira, do aumento dos investimentos estrangeiros no país, do processo de privatização de em-
presas estatais e do número crescente de empresas brasileiras com acesso aos mercados internacionais.
O Novo Mercado é um segmento especialda Bolsa de Valores de são Paulo (Bovespa), implantado, em 11
de dezembro de 2000, com a atribuição de negociar ações emitidas por empresas que se comprometem,
voluntariamente, com a adoção de boas práticas de governança corporativa. Por fim, estudamos que,
com o objetivo de desenvolver o mercado de capitais brasileiro, o BNDEs lançou diversos programas para
capitalizar empresas com boas práticas de governança corporativa.
Vamos agora avaliar a sua aprendizagem.
10.7 Resumo do Capítulo
Assita ao filme A Fraude, por meio do qual você terá a oportunidade de compreender melhor
alguns conceitos apresentados sobe o Mercado de Futuros. Nick é um dos muitos emprega-
dos ambiciosos do Barings Bank. Ele se casa e vai para Singapura, quando o banco oferece
a ele um emprego de corretor da bolsa para montar as opções de operação em mercado
futuro. Seu primeiro ano de negócios é um grande sucesso. Assista ao filme e você descobrirá
o que acontecerá com Nick. Ator principal: Ewan McGregor. Ano de lançamento: 1998.
MultimídiaMultimídia
Marcelo Cerqueira Silva
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92
1. Explique a importância da governança corporativa para as empresas.
2. Explique o seu entendimento sobre o modelo de governança corporativa anglo-saxão.
3. Explique a importância do BNDEs na implantação do modelo de governança para as empresas.
10.8 Atividades Propostas
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CAPÍTULO 1
1. Trata-se de uma das principais e mais difíceis tarefas realizadas pelos profissionais da área fi-
nanceira, uma vez que depende da disponibilidade de informações detalhadas da atividade
operacional da empresa. Essa análise permite a redução dos riscos implícitos no processo de
avaliação de empresas.
2. A realização de visitas à empresa é um recurso complementar e fundamental para a deter-
minação do valor justo do negócio. Por meio desse recurso, os avaliadores podem levantar
informações complementares e/ou esclarecer dúvidas gerais sobre a atividade operacional da
empresa.
3. Além da constatação de evolução, manutenção ou involução da participação de mercado, é
indispensável o diagnóstico preciso no processo de avaliação de empresas. saber a quantidade
de clientes, verificar se há concentração das vendas em poucos clientes ou se as vendas são
pulverizadas influenciam no processo de avaliação da empresa.
CAPÍTULO 2
1. Utilizando essa metodologia, o Valor da Empresa (VE) é calculado por meio da ponderação
média e capitalização dos lucros históricos por uma taxa de retorno ou custo de capital (i) que
corresponda ao risco do negócio e reflita as incertezas de mercado. Em seguida, soma-se o va-
lor dos ativos não operacionais ao valor operacional, para se chegar ao valor total da empresa.
2. De acordo com a teoria tradicional de orçamento de capital, o Valor Presente Líquido (VPL) de
um projeto é o valor presente de seus fluxos de caixa livres esperados no futuro, descontados
a uma taxa que reflita o risco do negócio e as incertezas de mercado. Algebricamente, o VPL
é encontrado subtraindo-se o investimento inicial (FCL0) de um projeto do valor presente de
suas entradas de caixa (FCLn), descontadas a uma taxa (i) igual ao custo de capital da empresa.
3. É a taxa de desconto que leva o valor presente das entradas de caixa de um projeto a se igua-
larem ao valor presente das saídas de caixa. Trata-se da taxa de rentabilidade periódica de um
investimento, geralmente definida para períodos anuais. Para analisar a viabilidade de um pro-
jeto, a TIR deve ser comparada com o custo de oportunidade vigente, ou seja, a taxa de retorno
mínima exigida em face do risco do investimento.
RESPOSTAS COMENTADAS DAS
ATIVIDADES PROPOSTAS
Marcelo Cerqueira Silva
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94
CAPÍTULO 3
1. Os Ativos Intangíveis são recursos não materiais controlados pela empresa, que têm probabili-
dade de trazer benefícios futuros ao negócio. Esses ativos não estão refletidos nas demonstra-
ções financeiras, mas se transformam em benefícios quando estão associados a alguma ativi-
dade ou ação da companhia.
2. são exemplos de ativos intangíveis:
patentes de produtos;
patentes de processos industriais;
marcas de fábrica (Grife);
marca registrada (Razão social);
softwares;
desenhos industriais;
direitos autorais.
3. Entende-se por Goodwill as vantagens intangíveis que uma empresa tem sobre seus concorren-
tes, tais como: uma excelente reputação, localização estratégica, forte sinergia entre unidades
de negócios etc. Contabilmente, goodwill é visto como um prêmio pela compra de um negócio.
CAPÍTULO 4
1. A aplicação da alavancagem na avaliação de uma empresa permite que se conheça sua via-
bilidade econômica e operacional, identificando-se claramente as causas que determinaram
eventuais variações nos resultados.
2. A Alavancagem Financeira significa a possibilidade de os acionistas da empresa obterem maio-
res lucros para suas ações, com o uso mais intensivo de capitais de terceiros, ou seja, emprés-
timos. O fundamento da alavancagem financeira é que os juros são custos fixos e, portanto,
permitem o fenômeno alavancagem.
3. A Alavancagem Operacional é possível pela presença de custos e despesas fixas na estrutura
de resultados de uma empresa. Esses custos (despesas) não sofrem, por definição, nenhuma
variação diante de mudanças no volume de atividades mantendo-se constantes no tempo.
CAPÍTULO 5
1. O CMPC corresponde à média ponderada das taxas de custos das diversas fontes de financia-
mento a longo prazo que integram a estrutura de capital da empresa. No balanço patrimonial,
tais fontes são classificadas como itens do exigível a longo prazo, do passivo circulante quando
incluir transferências de dívidas onerosas e/ou bancárias de longo prazo e do patrimônio líqui-
do (capital próprio).
Avaliação de Empresas e Governança Corporativa
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95
2. Entende-se como o Custo de Capital (i) a média ponderada das taxas de custo das diversas fon-
tes de financiamento a longo prazo que integram a estrutura de capital da empresa. sendo o
Custo de Capital a taxa desejada de retorno que a empresa deve pagar para captar fundos, ele
pode ser um parâmetro para medir a atratividade de diferentes alternativas de investimentos.
3. Quando o Custo de Capital se eleva no período, significa que o risco de atividade operacional
da empresa aumentou, em decorrência de uma série de fatores sequenciais, como os represen-
tados pelas reduções da rotatividade dos produtos e serviços, faturamento, lucro (operacional
e líquido), liquidez, capacidade de cobertura de juros etc.
CAPÍTULO 6
1. Os dividendos são uma forma de rendimento de propriedade recebidos pelos proprietários de
ações, aos quais os mesmos ganham direito em resultado da colocação de fundos à disposição
das sociedades.
2. É de extrema importância para as empresas o pagamento de dividendos. O nível esperado de
dividendos em dinheiro é variável básica do retorno, a partir da qual os proprietários e inves-
tidores determinam o preço da ação. Os dividendos representam uma fonte de fluxo de caixa
para os acionistas e fornecem informações a respeito da performance atual e futura da empre-
sa. É ainda uma forma de atração de novos investidores.
3. O pagamento de dividendos em dinheiro aos acionistas é decidido pelo conselho de adminis-
tração. Os diretores normalmente se reúnem trimestral ou semestralmente, quando avaliam o
desempenho financeiro passado e as perspectivas futuras da empresa, para determinar se, e
em que montante, os dividendos devem ser pagos. Em geral, informações acerca de dividen-
dos pagos recentemente podem ser encontradas nos relatórios anuais da empresa. A data de
pagamento dos dividendos em dinheiro (se foram declarados)também precisa ser estabele-
cida. O pagamento de dividendos e o montante a ser distribuído são decisões importantes
que dependem muito da política de dividendos da empresa. A maioria das empresas paga um
dividendo em dinheiro a cada período. O montante é geralmente fixo, embora os aumentos e
diminuições significativos no lucro possam justificar possíveis variações.
CAPÍTULO 7
1. O EVA é o resultado operacional da empresa, após impostos, menos um encargo pelo uso do
capital fornecido por terceiros e acionistas.
2. Para a interpretação do EVA deve-se considerar que a agregação de valor somente ocorrerá
quando a empresa gerar taxas de Retorno sobre o Capital Investido superiores ao seu Custo
Médio Ponderado de Capital. Desse modo, o EVA mede quanto foi gerado em excesso ao retor-
no mínimo requerido pelos fornecedores da empresa (terceiros e acionistas).
Marcelo Cerqueira Silva
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CAPÍTULO 8
1. O MVA é a diferença em valor absoluto entre o valor de mercado da companhia e o seu capital.
Diferentemente da taxa de retorno que reflete o resultado de um período, o MVA é uma medi-
da cumulativa da performance da empresa. Representa ainda a avaliação feita pelo mercado
de capitais, num determinado instante do tempo, do valor presente líquido de todos os proje-
tos de investimentos da companhia, tanto os já realizados quanto os ainda a realizar.
2. A diferença básica entre essas duas metodologias do valor agregado é que, enquanto o MVA
reflete o desempenho ao longo da vida inteira da empresa e suas expectativas de geração de
fluxos de caixa livres futuros, o EVA mostra o valor agregado durante determinado ano já fina-
lizado. Como se percebe, as duas se complementam, uma vez que as expectativas dos investi-
dores se fundamentam nos desempenhos passados e futuros da empresa.
3. A limitação mais evidente do MVA é de que a sua aplicação só é possível para empresas de
capital aberto, porque sua metodologia exige que as ações da empresa tenham um valor de
mercado, ou seja, sejam negociadas em bolsas de valores
CAPÍTULO 9
1. A principal hipótese decorre da crise econômica de 1929, que acarretou grandes perdas para
investidores, e os surgimentos das grandes corporações levaram à desconcentração da pro-
priedade e à criação de um novo modelo de controle empresarial, em que o principal, o titular
da propriedade, delega ao agente o poder de decisão sobre essa propriedade. Uma vez que os
interesses do primeiro nem sempre estão alinhados aos do último, podem ocorrer conflitos de
agência.
2. Os conflitos de interesse geram custos, pois são necessárias medidas para monitorar os ad-
ministradores, as quais incluem: contratação de auditoria independente; implementação de
medidas de controle; gastos com seguros contra danos provocados por atos desonestos de
administradores; e estabelecimento da remuneração dos agentes vinculada ao aumento da
riqueza dos acionistas, como concessão de ações ou opções de ações aos administradores e
outros incentivos ao alinhamento dos interesses entre estes e a administração.
CAPÍTULO 10
1. A implantação da governança corporativa nas empresas é importante, pois constatou-se atra-
vés de diversos estudos empíricos publicados sistematicamente em vários países que há uma
relação positiva entre governança corporativa e valor e desempenho das empresas. Um dos
estudos mais conhecidos sobre o valor da governança corporativa foi conduzido pela McKin-
sey Company, para o qual foram entrevistados diversos investidores na Europa, na Ásia e na
América Latina com o objetivo de determinar se eles estariam dispostos a pagar mais por uma
empresa com boas práticas de governança corporativa e de quanto seria esse prêmio pela boa
governança.
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2. No modelo anglo-saxão, a propriedade relativamente pulverizada (outsider system) e a liquidez
das ações são garantidas nas bolsas de valores, o que diminui os riscos dos acionistas, e seu
objetivo principal é a criação de valor para os acionistas (shareholders).
3. Com o objetivo de desenvolver o mercado de capitais brasileiro, o BNDEs lançou diversos pro-
gramas para capitalizar empresas com boas práticas de governança corporativa. Entre eles des-
taca-se o Programa de Apoio às Novas sociedades Anônimas, visando a capitalizar pequenas e
médias empresas que adotem boas práticas de governança corporativa.
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99
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REFERÊNCIAS
Avaliação de Empresas e Governança_2013_3_online
INTRODUÇÃO
1
AVALIAÇÃO E VALOR DE EMPRESA - VALUATION
1.1. Análise Detalhada do Risco da Atividade Empresarial
1.2 Fatores Determinantes do Risco das Empresas
1.3 Visita às Empresas
1.4 Importância da Avaliação de Empresas
1.5 Resumo do Capítulo
1.6 Atividades Propostas
2
METODOLOGIAS DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS
2.1 Metodologia do Valor Contábil
2.2 Metodologia do Valor Patrimonial e de Mercado
2.3 Metodologia do Valor de Liquidação
2.4 Metodologia do Preço por Lucro (P/L)
2.5 Metodologia de Capitalização dos Lucros
2.6 Metodologia do Valor Presente Líquido
2.7 Taxa Interna de Retorno (TIR)
2.8 Período Payback (Pp)
2.9 Metodologia dos Fluxos de Caixa Descontados
2.10 Resumo do Capítulo
2.11 Atividades Propostas
3
ANÁLISE DOS ATIVOS INTANGÍVEIS
3.2 Goodwill
3.3 Resumo do Capítulo
3.4 Atividades Propostas
4
ALAVANCAGEM NAS EMPRESAS
4.2 Alavancagem Operacional
4.3 Resumo do Capítulo
4.4 Atividades Propostas
5
CUSTO DE CAPITAL
5.1 Custo Médio Ponderado de Capital (Cmpc)
5.2 Custo Líquido do Capital de Terceiros (Clct) d do Capital Próprio (Capm)
5.3 Cálculo do Cmpc
5.4 Resumo do Capítulo
5.5 Atividades Propostas
6
POLÍTICA DE DIVIDENDOS
6.1 Procedimentos para o Pagamento de Dividendos
6.2 Datas para o Pagamento dos Dividendos
6.3 Planos de Reinvestimentos de Dividendos
6.4 Teoria Residual de Dividendos
6.5 Tipos de Políticas de Dividendos
6.6 Distribuição de Dividendos como Consequência da Falta de Projetos
6.7 Resumo do Capítulo
6.8 Atividades Propostas
7
AVALIAÇÃO DE EMPRESAS COM EVA
7.1 Cálculo do Valor Econômico Agregado (Eva)
7.2 Resumo do Capítulo
7.3 Atividades Propostas
8
AVALIAÇÃO DE EMPRESASCOM MVA
8.1 Resumo do Capítulo
8.2 Atividades Propostas
9
TEORIA DA AGÊNCIA
9.1 Conflitos de Interesse
9.2 Resumo do Capítulo
9.3 Atividades Propostas
10
GOVERNANÇA CORPORATIVA
10.1 Medida de Governança Corporativa e do Impacto no Valor e Desempenho
10.2 Conceitos de Governança Corporativa
10.3 Modelos de Governança Corporativa no Mundo
10.4 Governança Corporativa no Brasil
10.5 Novo Mercado
10.6 Atuação do Bndes
10.7 Resumo do Capítulo
10.8 Atividades Propostas
RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS
REFERÊNCIAS