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TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR Prfa. Juliana Lima Fonteles TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR Constituem o conjunto de alterações conseqüentes á ação de agentes físicos sobre a coluna vertebral e aos elementos do sistema nervoso nela contidos; A medula espinhal é envolta pelas meninges; Estende-se do forame magno até a 1° ou 2° vértebra lombar; Apresenta duas dilatações ( plexos) O principal objetivo no atendimento às vítimas do trauma envolvendo a coluna vertebral e medula é: • reduzir a chance de haver déficits neurológicos; • prevenir lesões adicionais que podem ocorrer no atendimento à vítima. A medula espinhal é protegida pelos ossos da coluna vertebral, e leva os sinais nervosos do cérebro para o resto do corpo, distribuindo estes sinais aos nervos. Causas traumáticas: • Acidentes automobilísticos; • Acidentes trabalhistas; • Práticas esportivas; • Agressões; Causas não-traumáticas: Anomalias congênitas; Inflamações; Embolia da medula espinhal Poliomielite Mecanismos de lesão Flexão Extensão Rotação Carga axial Tração Combinados A medula espinhal é um grande condutor de impulsos nervosos sensitivos e motores; A coluna vertebral contém 33 vértebras, e protege a medula espinhal que possui 45 cm de comprimento, estende- se desde o atlas até a 1° ou 2° vértebra lombar onde a partir desse ponto afunila-se formando o cone medular e a cauda equina; NERVOS ESPINHAIS 31 PARES: 8 CERVICAIS 12 TORÁCICOS 5 LOMBARES 5 SACRAIS 1 COCCÍGENO TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR Todos os segmentos da coluna podem ser atingidos: Nível cervical; Nível torácico; Nível lombar; Nível cone medular e cauda eqüina. TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR Etiologicamente pode ser dividida em: • Lesões traumáticas: são o de maior incidência, e a lesão é causada por um evento traumático , como, acidentes automobilísticos, quedas ou ferimentos por arma de fogo; TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR Lesões não traumáticas: são secundárias a alguma patologia, como, subluxações, infecções(sífilis), siringomielia, abcessos da medula espinhal, neoplasias e doenças neurológicas como a esclerose múltipla, e a esclerose lateral amiotrófica; TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR São divididas em duas categorias funcionais amplas: Tetraplegia- paralisia parcial ou completa dos quatro membros e tronco, incluindo os músculos respiratórios e resulta de lesões da coluna cervical. Paraplegia- paralisia parcial ou completa de parte ou ambos os membros inferiores e tronco, resultando de lesões medulares torácicas, lombares ou das raízes sacrais. TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR LESÃO ALTA ( C1-T1) Lesão completa- TETRAPLEGIA Principal nível de lesão (C5-C6) Lesões acima de C4- parada cárdio respiratória (nervo frênico C1 a C3) Paralisia total ou parcial dos MMSS Paralisia dos músculos do tronco e MMII Alteração de sensibilidade abaixo do nível da lesão LESÃO BAIXA (T2- L1) Lesão completa- PARAPLEGIA Principal nível de lesão T12- L1 Paralisia total dos MMII Paralisia total ou parcial do tronco; Alteração de sensibilidade abaixo do nível da lesão Bizu: a partir de que nível é considerado paraplégico puro??? T2 LESÃO DE CAUDA EQUINA L2-S5 Geralmente são incompletas; Paraparesia Graus variáveis de déficit Preservação da função motora de MMSS e tronco; Comprometimento apenas de SNP; TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR *Lesões completas- Há perda de função sensorial e motora abaixo do nível da lesão. Ocorre devido a uma transecção completa, comprometimento vascular grave, ou compressão grave. *Lesões incompletas: ocorre preservação de alguma função sensorial e/ou motora abaixo do nível da lesão. Isto ocorre, devido a algum tecido neural intacto, cruzar a área da lesão e ir para segmentos distais. Escala de diminuição da ASIA (American Spinal Injury Association) Completa:Ausência de qualquer atividade motora voluntária e de sensibilidade Incompleta: Presença apenas de sensibilidade Presença de atividade motora voluntária, mas com força motora menor que 3 Presença de atividade motora voluntária, com força motora maior ou igual a 3 Normal: Exame neurológico normal TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR Lesão medular anterior Lesão medular central Cone medular Lesão de cauda eqüina Lesão medular posterior Síndrome de Brown-Séquard SÍNDROME MEDULAR ANTERIOR: A lesão produz perda: • da função motora; • da sensibilidade dolorosa e térmica (exteroceptiva- superficial); • Preservação da propriocepção (sensibilidade profunda); Danos na região ventral da medula SÍNDROME MEDULAR CENTRAL Lesão na substância cinzenta; Alterações motoras predominantemente nos MMSS; (na região central chegam vias que inervam mais os MMSS do que MMII) Mecanismo de lesão: hiperextensão LESÃO MEDULAR POSTERIOR É rara; Produz danos nas colunas posteriores; Alterações: Sensibilidade para o toque leve; Propriocepção e vibração; Preservação da função motora, da via da dor e da temperatura; Ataxia decorrente da perda da propriocepção- marcha taloneante ou tabética SÍNDROME DE BROWN-SÉQUARD É causada pela secção funcional de metade da medula. Alteração motora homolateral; Sinais de piramidalismo homolateral Alteração proprioceptiva e exteroceptiva homolateral; Alteração de dor e temperatura (superficial) contralateral Bizu: parte do tracto espinotalâmico inerva a parte contralateral, ele cruza a medula, logo alterações de dor e T° ocorreram dos dois lados TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR TRATAMENTO GERAL: Tratamento imediato *Internação hospitalar *Estabilização da coluna vertebral *Sistema respiratório *Circulação *Sistema gastrointestinal *Sistema urinário *Pele TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR Problemas especiais na lesão de medula espinhal: Disreflexia autônomica; Tônus muscular aumentado (Espasticidade); Osteoporose; Ossificação heterotópica; Bexiga e intestino neurogênico; Disreflexia autônoma (DA) A DA reflete descargas do sistema nervoso simpático que produzem os seguintes sinais e sintomas: • Hipertensão; • Bradicardia; • Sudorese; • Palidez • Vasocontrição cutânea • Cefaléia • Ereção pilosa • Cada raiz nervosa recebe informações sensitivas de áreas da pele denominadas de dermátomos e, similarmente, cada raiz nervosa inerva um grupo de músculos denominados de miótomos. A localização do segmento da medula espinhal não está na mesma altura do segmento ósseo vertebral correspondente; Extensão da lesão X ZPP Completa: não há atividade motora voluntária nem sensibilidade do nível da lesão até o segmento Sacral S4-S5. obs: Podem apresentar alguns níveis abaixo da lesão com contração muscular voluntária parcial e/ou sensibilidade parcial = Zona de Preservação Parcial (ZPP) Incompleta: há atividade motora voluntária parcial e sensibilidade parcial até o segmento sacral S4- S5. Níveis de lesão cervicais até torácico T11: apresentam paralisia espástica (contração muscular involuntária). Níveis de lesão torácico T12 para baixo: apresentam paralisia flácida (sem contração involuntária). Cada nível de lesão apresenta um Nível Neurológico de funcionalidade com uma característica funcional correspondente ao que o individuo é capaz de realizar. O Nível Neurológico funcional do indivíduo é determinado pelo último nível da medula com atividade motora e sensitiva normal (geralmente é o nível imediatamente acima do nível da lesão). Função sensitiva O exame neurológico consiste na avaliação da sensibilidade, da função motora e dos reflexos. A área de sensibilidade do paciente é examinada no sentido craniocaudal; Avaliação da sensibilidade à variação de temperatura, sensibilidade dolorosa e sensibilidade tátil, que são funções mediadas pelo trato espinotalâmico lateral, cujas fibras estão na porção anterolateral da medula espinhal. A avaliação da vibração por meio de diapasão ou da posição espacial dos membros avalia as condições do trato posterior da medula espinhal (funículo grácil e cuneiforme) Função sensitiva A distribuição dos dermátomos está relacionada com algumas regiões anatômicas e possuem importância semiológica: • Mamilos (T4); • Processo xifóide (T7); • Umbigo (T10); • Região inguinal(T12-L1) • Região perineal(S2- S3- S4) Função motora A avaliação da função motora é realizada por meio da avaliação de ambos os lados, de músculos denominados “músculos chaves” em 10 pares de miótomos: C5- flexores do cotovelo C6- flexores do punho C7- extensores do cotovelo C8- flexores do dedo (falanges média e distal) T1- abdutores (dedo mínimo) L2- flexores do quadril L3- flexores do joelho L4- dorsiflexores do tornozelo L5- extensor longo dos dedos S1- flexores plantares do tornozelo Pontos chaves na avaliação da lesão neurológica Miótomos de MMSS: C4 ELEVADORES DA ESCÁPULA C5 DELTÓIDE E BÍCEPS C6 BÍCEPS BRAQUIAL E EXTENSORES DE PUNHO C7 TRÍCEPS C8 FLEXORES DE DEDOS T1 INTEROSSEOS REFLEXOS ALTERADOS: C5 C6- BICIPITAL C6 ESTILORADIAL C7 TRICIPITAL Miótomos de MMII: L2-L3 FLEXORES DO QUADRIL L3 -L4 EXTENSORES DE JOELHO L4-L5 DORSIFLEXORES L5-S1 EXTENSORES DOS DEDOS S1-S2 FLEXORES PLANTARES REFLEXOS ALTERADOS: L3-L4 PATELAR L2-L4 ADUTOR S1-S2 AQUILEU DERMÁTONOS TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR Tratamento fisioterapêutico- Objetivos na fase aguda *Esquema respiratório profilático *Manutenção das ADMs *Monitorar o estado neurológico *Instruir o paciente na medida do possível e seus familiares *Manter/Fortalecer, todos os grupos de músculos inervados. TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR Reabilitação a longo prazo- Objetivos *Intervenção imediata para evitar complicações; *Atingir a máxima independência funcional, de acordo com o nível da lesão; TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR • FNP • Exercícios passivos, assistidos, ativo livre, ativos.... • Transferência • Treino deMarcha • Técnicas respiratórias de acordo com a necessidade ( desobstrutivas x expansivas) Vamos treinar??? Com relação à úlcera de pressão pós-lesão medular, assinale a opção correta. a. Evitar o aquecimento da pele constitui medida preventiva para a ocorrência da úlcera de pressão. b. A diabetes é considerada como o único fator de risco par recorrência da úlcera de pressão; c. A ocorrência da úlcera de pressão independe da ação da gravidade; d. O estado nutricional da pele e a extensão da lesão medular não influenciam na origem da úlcera; e. A úlcera de pressão é uma complicação rara em pacientes com lesão medular. Assinale a opção em que se apresenta uma complicação respiratória frequente em pacientes vítimas de traumatismo raquimedular alto: a. reflexo de tosse aumentado; b. aumento da capacidade inspiratória; c. aumento da mobilidade da parede torácica; d. aumento da produção de secreção; e. hiperinsuflação pulmonar Para um paciente com trinta e dois anos de idade, vítima de lesão medular por mergulho em água rasa, com lesão completa de nível C5 e C6 e paralisia flácida, com o objetivo de evitar um padrão deformante nas mãos, por desequilíbrio muscular, deve-se indicar uma órtese de: a. punho-mãos e polegar em posição funcional; b. punho-mãos-dedos com extensão de punho e dedos; c. punho-mãos-dedos em posição funcional; d. punho-mãos em semiflexão de punho; e. punho-mãos-dedos com flexão de punho. VAMOS TREINAR? A Síndrome de Brown-Séquard envolve uma lesão: A) de raiz nervosa B) de cauda eqüina; C) incompleta da medula espinhal; D) completa da medula espinhal (IJF , 2005) Na degeneração walleriana ocorrem mudanças: A) no nervo proximais ao local da lesão B) no nervo distais ao local da lesão C) no nervo apenas no local da lesão D) proximais e distais ao local da lesão no nervo Vamos treinar??? Com relação à úlcera de pressão pós-lesão medular, assinale a opção correta. a. Evitar o aquecimento da pele constitui medida preventiva para a ocorrência da úlcera de pressão. b. A diabetes é considerada como o único fator de risco par recorrência da úlcera de pressão; c. A ocorrência da úlcera de pressão independe da ação da gravidade; d. O estado nutricional da pele e a extensão da lesão medular não influenciam na origem da úlcera; e. A úlcera de pressão é uma complicação rara em pacientes com lesão medular. Assinale a opção em que se apresenta uma complicação respiratória frequente em pacientes vítimas de traumatismo raquimedular alto: a. reflexo de tosse aumentado; b. aumento da capacidade inspiratória; c. aumento da mobilidade da parede torácica; d. aumento da produção de secreção; e. hiperinsuflação pulmonar