Cuidados na Sala de Parto (RN)
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Cuidados na Sala de Parto (RN)


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Thiago Picco (LX)									 Tutoria 01 (SDC)
OBJETIVOS
Compreender os procedimentos realizados na sala de parto
Conhecer os parâmetros de classificação do RN
Compreender os cuidados com o RN na sala de parto
REFERÊNCIAS
Maria Fernanda Branco de Almeida; Ruth Guinsburg. Diretrizes sobre a reanimação do recém-nascido \u226534 semanas em sala de parto. Sociedade Brasileira de Pediatria. 2016.
A primeira distinção que devemos fazer é entre um nascido-vivo e um óbito fetal. Essa distinção pode parecer um tanto quanto óbvia, mas traz implicações práticas bem importantes.
- Quem é o nascido-vivo? A Organização Mundial de Saúde (OMS) define que há um nascido-vivo quando ocorre \u201ca expulsão completa do corpo da mãe, independentemente da duração da gravidez, de um produto de concepção que, depois da separação, respira ou apresenta quaisquer outros sinais de vida, tais como batimentos do coração, pulsações do cordão umbilical ou movimentos efetivos dos músculos de contração voluntária, estando ou não cortado o cordão umbilical e estando ou não desprendida a placenta\u201d.
- Como caracterizar o óbito fetal? A OMS define o óbito fetal, morte fetal ou perda fetal como sendo \u201ca morte de um produto da concepção antes da expulsão ou da extração completa do corpo da mãe, independentemente da duração da gravidez; indica o óbito o fato do feto, depois da separação, não respirar nem apresentar nenhum sinal de vida, como batimentos do coração, pulsações do cordão umbilical ou movimentos efetivos dos músculos de contração voluntária\u201d.
 
O RN quanto à idade gestacional ao nascimento:
 Pré-termo (prematuro): nascido com menos de 37 semanas de gestação.
 A Termo: nascido entre 37 e 41 semanas e seis dias de gestação.
 Pós-termo: nascido com 42 semanas ou mais de gestação.
Os prematuros podem ser subdivididos conforme a CID-10 em:
imaturidade extrema: idade gestacional inferior a 28 semanas.
outros prematuros: idade gestacional de 28 a 36 semanas.
O RN quanto ao seu peso ao nascimento:
Baixo peso ao nascer: < 2.500 g (entre 1.500 e 2.499 g).
Muito baixo peso ao nascer: < 1.500 g (entre 1.000 e 1.499 g).
Extremo baixo peso ao nascer: < 1.000 g.
O RN quanto à relação peso/idade gestacional ao nascimento:
Pequeno para a idade gestacional (PIG): abaixo do percentil 10.
Adequado para a idade gestacional (AIG): entre os percentis 10 e 90.
Grande para a idade gestacional (GIG): acima do percentil 90.
Uma das curvas mais tradicionais é a curva de peso-idade gestacional de Lubchenco. Esta curva é confeccionada pela análise de diversos RN, plotando-se no eixo das abscissas a idade gestacional e no eixo das ordenadas o peso ao nascer. Diversas outras curvas podem ser usadas com essa finalidade; a curva de Alexander e a de Fenton são atualmente utilizadas por muitos serviços de neonatologia.
Cuidado para não entender prematuridade e baixo peso ao nascer como sendo sinônimos. A prematuridade diz respeito apenas a um RN que nasceu antes do esperado. O baixo peso ao nascer pode estar associado com a prematuridade, mas nem sempre isso irá ocorrer. O baixo peso ao nascer pode ocorrer nas situações em que há uma restrição ao crescimento intrauterino.
Antes do nascimento, é necessário que seja realizada a anamnese materna, que o material utilizado no atendimento ao RN seja todo preparado e que a equipe responsável por esse atendimento esteja a postos. O objetivo da anamnese é principalmente buscar por condições que possam antecipar a necessidade de reanimação.
Além da realização da anamnese, também é fundamental que todo o material necessário para a reanimação esteja separado, testado e disponível. Preste muita atenção nisso: mesmo quando se assume que o parto é de baixo risco, todo o material necessário deve estar pronto. Não há qualquer segundo a se perder durante a reanimação neonatal com o preparo de equipamentos.
Logo após o nascimento, ao avaliarmos o RN, iremos avaliar três parâmetros:
\u2022 Gestação a termo?		\u2022 Respirando ou chorando?		\u2022 Tônus muscular em flexão?
Quando respondemos \u201cSIM\u201d a essas três perguntas, consideramos que o RN apresenta boa vitalidade e não necessita de qualquer manobra de reanimação, independentemente do aspecto do líquido amniótico.
O que faremos a seguir? Para os RN com 34 ou mais semanas, preconiza-se atualmente o clampeamento tardio do cordão. Essa medida parece trazer benefícios para os índices hematológicos entre três e seis meses de idade, ainda que possa elevar a necessidade de fototerapia por hiperbilirrubinemia nos primeiros dias de vida. O RN com boa vitalidade pode ser posicionado sobre o tórax ou o abdome materno por um a três minutos, para só então realizar-se o clampeamento do cordão. A definição do que é o clampeamento tardio varia na literatura, sendo considerado tardio o clampeamento após pelo menos um minuto (podendo ocorrer até vários minutos depois).
Na sala de parto, enquanto o RN está junto à mãe, prover calor, manter as vias aéreas pérvias e avaliar a sua vitalidade de maneira continuada. O contato do RN com a pele da mãe logo após sua expulsão, reduz o risco de hipotermia nos nascidos a termo, com boa vitalidade, desde que cobertos com campos pré-aquecidos. Já nesse momento, podemos iniciar o aleitamento materno, como preconizado pela OMS. Os RN prematuros com idade entre 34 e 37 semanas, mas que tenham bom tônus e estejam respirando regularmente, também podem ter o cordão clampeado tardiamente, mas serão conduzidos à mesa de reanimação; o mesmo é válido para os RN pós-termo.
Os RN com menos de 34 semanas de gestação também serão sempre conduzidos à mesa de reanimação. Porém, mesmo para eles, não é necessário o clampeamento imediato caso estejam respirando e com bom tônus. Nestes casos, pode-se aguardar 30-60 segundos antes de clampear o cordão. Este clampeamento após 30 segundos traz benefícios na redução do risco de enterocolite necrosante e hemorragia intracraniana, na menor necessidade de transfusões, ainda que aumente o risco de hiperbilirrubinemia.
Quando o RN não inicia a respiração espontânea, não tem tônus em flexão, ou quando a circulação placentária não estiver intacta (descolamento prematuro, placenta prévia, ruptura ou prolapso ou nó verdadeiro de cordão), o clampeamento deve ser imediato.
O recém-nascido com necessidade de reanimação
Os passos iniciais da reanimação neonatal são: prover calor, posicionar a cabeça em leve extensão, aspirar vias aéreas (se necessário) e secar o paciente.
Prover calor: O objetivo é manter a temperatura corporal do RN entre 36,5 e 37ºC. Para isso a temperatura da sala deve estar ao redor de 23-26oC, o RN deve ser recebido em campos aquecidos e colocado sob uma fonte de calor radiante. 
O RN é levado à mesa de reanimação envolto em campos aquecidos e posicionado sob calor radiante, em decúbito dorsal, com a cabeça voltada para o profissional de saúde. A mesa de reanimação não deve ter qualquer inclinação. Depois das medidas para manter as vias aéreas pérvias, outro passo para manter a normotermia é secar o corpo e a região da fontanela e desprezar os campos úmidos. Deve-se tomar cuidado especial para evitar a hipertermia (>37,5ºC), pois pode agravar a lesão cerebral em pacientes asfixiados.
Posicionar: a cabeça deve ser posicionada com uma leve extensão; a colocação de coxim sob os ombros pode facilitar esse posicionamento. Esse posicionamento da cabeça visa tão somente à manutenção da permeabilidade das vias aéreas. A fim de assegurar a permeabilidade das vias aéreas, manter o pescoço do RN em leve extensão. Evitar a hiperextensão ou a flexão exagerada do mesmo.
~ Os RN com menos de 34 semanas devem ter seu corpo envolto em saco plástico transparente logo após serem posicionados sob a fonte de calor radiante (introduz- se o corpo no saco, exceto a face). Este saco só será retirado após a estabilização na UTI neonatal. Usa-se, ainda, uma touca dupla (cobre-se o couro cabeludo com plástico e coloca-se touca de lã ou algodão).