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Introdução à Engenharia Dr. José Roberto Castilho Piqueira DIREÇÃO UNICESUMAR Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração, Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi. NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon , Diretoria de Design Educacional Débora Leite, Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho, Diretoria de Permanência Leonardo Spaine, Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho, Head de Metodologias Ativas Thuinie Daros, Gerência de Projetos Especiais Daniel F. Hey, Gerência de Produção de Conteúdos Diogo Ribeiro Garcia, Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila de Almeida Toledo, Projeto Gráfico José Jhonny Coelho e Thayla Guimarães Cripaldi, Fotos Shutterstock. Coordenador de Conteúdo Fábio Augusto Gentilin e Crislaine Rodrigues Galan Designer Educacional Yasminn Tavares Zagonel Revisão Textual Talita Dias Tomé e Meyre Barbosa Editoração Isabela Belido, José Jhonny Coelho, Melina Ramos e Thayla Guimarães Cripaldi Ilustração Bruno Pardinho, Marta Kakitani e Marcelo Goto Realidade Aumentada Kleber Ribeiro, Thiago Surmani e Leandro Naldei C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; PIQUEIRA, José Roberto Castilho. Introdução à Engenharia. José Roberto Castilho Piqueira. Maringá-PR.: Unicesumar, 2018. 256 p. “Graduação - EaD”. 1. Engenharia. 2. Introdução . 3. EaD. I. Título. ISBN 978-85-459-0986-6 CDD - 22 ed. 620 CIP - NBR 12899 - AACR/2 NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação CEP 87050-900 - Maringá - Paraná unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 Impresso por: PALAVRA DO REITOR WILSON DE MATOS SILVA REITOR Em um mundo global e dinâmico, nós trabalha- mos com princípios éticos e profissionalismo, não somente para oferecer uma educação de qualida- de, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo- -nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emo- cional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revi- samos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educadores soluções inteligentes para as ne- cessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! BOAS-VINDAS WILLIAM DE MATOS SILVA PRÓ-REITOR EXECUTIVO DE EAD Janes Fidélis Tomelin PRÓ-REITOR DE ENSINO EAD Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Co- munidade do Conhecimento. Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar tem sido conhecida pelos nossos alu- nos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é importante destacar aqui que não estamos falando mais daquele conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas de um conhecimento dinâ- mico, renovável em minutos, atemporal, global, democratizado, transformado pelas tecnologias digitais e virtuais. De fato, as tecnologias de informação e comu- nicação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, informações, da educação por meio da conectividade via internet, do acesso wireless em diferentes lugares e da mobilidade dos celulares. As redes sociais, os sites, blogs e os tablets ace- leraram a informação e a produção do conheci- mento, que não reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em segundos. A apropriação dessa nova forma de conhecer transformou-se hoje em um dos principais fatores de agregação de valor, de superação das desigualdades, propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. Logo, como agente social, convido você a saber cada vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a tecnologia que temos e que está disponível. Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg modificou toda uma cultura e forma de conhecer, as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, equipamentos e aplicações estão mudando a nossa cultura e transformando a todos nós. Então, prio- rizar o conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância (EAD), significa possibilitar o contato com ambientes cativantes, ricos em informações e interatividade. É um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer. Débora Leite DIRETORIA DE DESIGN EDUCACIONAL Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a so- ciedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabe- lecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompa- nhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, contribuindo no processo educa- cional, complementando sua formação profis- sional, desenvolvendo competências e habilida- des, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessários para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Stu- deo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendiza- gem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das discussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de apren- dizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquili- dade e segurança sua trajetória acadêmica. Kátia Coelho DIRETORIA DE GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO Leonardo Spaine DIRETORIA DE PERMANÊNCIA APRESENTAÇÃO Caro(a) aluno(a) do curso de Engenharia, esta primeira disciplina pretende apresentar uma ideia geral das atividades profissionais que você poderá exercer no futuro, com ênfase no fato de que a Engenharia é uma atividade de grande relevância para o progresso e bem-estar da humanidade.A Engenharia nos rodeia nas atividades caseiras que envolvem fogão, má- quina de lavar, geladeira, televisão, internet, chuveiro, aquecedor, ferro elétrico, projetados e produzidos em escala industrial, para uso comum. Isso sem falar da nossa própria habitação, projetada e construída para nos proporcionar abrigo e conforto. Da casa para o trabalho: ruas, avenidas, pontes e viadutos permitem que o transporte, individual ou coletivo, conduza-nos com segurança e confiabilidade. Do trabalho para o lazer: estádios, teatros, academias, parques e resorts transformam nosso cansaço diário em momentos de tranquilidade e cuidado com nossa vida. Há, ainda, os aviões e navios, que facilitam o comércio entre as nações, transportam turistas e exe- cutivos entre continentes. Poderíamos continuar essa enumeração por muitos parágrafos. Entretanto preferimos que você comece a trilhar seu caminho na nova profissão. Na Unidade I, visitaremos a Pré-História e a Antiguidade, iniciando com as armas, roupas e habitação, essenciais para a escalada evolutiva de nossa es- pécie e chegando às maravilhas das construções gregas, egípcias e romanas. A Unidade II mostrará a evolução da Engenharia, com o construtor ainda visto como operário braçal até seu reconhecimento como profis- são e a criação das primeiras escolas, no século XVII. Era o Positivismo, combinando ciência e tecnologia, trazendo as máquinas como alívio ao trabalho físico. O início do século XX, descrito na Unidade III, trouxe verdadeiras maravi- lhas que vão desde sofisticados eletrodomésticos até a conquista do espaço, com o homem pisando na Lua, em 1969. Nesse ponto, o desenvolvimento foi de tal monta, que as divisões em modalidades de estudo surgiram: Ci- vil (Unidade IV), Elétrica (Unidade V), Química (Unidade VI), Produção (Unidade VII), Mecânica (Unidade VIII), descritas em conjunto com suas subdivisões: Ambiental, Telecomunicações, Eletrônica, Energia, Materiais, Metalurgia, Petróleo, Naval, Aeronáutica, Mecatrônica e tantas outras de- nominações especializadas. O seu século, o XXI, chegou e trouxe a reunião de todas essas ramifica- ções sob um novo paradigma: a Engenharia da Complexidade, descrita na Unidade IX. É para essa viagem, da Pré-História ao século XXI, que você está convidado. “Plunct, Plact, Zum; pode partir sem problema algum” (Raul Seixas). CURRÍCULO DO PROFESSOR Dr. José Roberto Castilho Piqueira Possui graduação em Engenharia Elétrica pela Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (1974), mestrado em Engenharia Elétrica pela Escola de Engenharia de São Carlos da Universida- de de São Paulo (1983), doutorado em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1987) e livre-docência em Controle e Automação pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1997). Atualmente é professor titular (Concurso Público em 1999) e Diretor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, tem 110 artigos indexados na principal coleção da Web of Science (3 Editoriais, 89 em periódicos, 18 em con- gressos; h=12), orientou 23 mestrados, 24 douto- rados e supervisionou 9 pós-doutorados. Participa do corpo editorial dos periódicos: Journal of Con- trol, Automation and Electrical Systems (Springer) Journal of Taibah University for Science (Elsevier). É presidente do Conselho Superior do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) e mem- bro efetivo da Academia Nacional de Engenharia. Tem experiência nas áreas de Engenharia Elétrica e Biomédica, com ênfase em Teoria Geral dos Circui- tos Elétricos, atuando principalmente nos seguintes temas: dinâmica, bifurcação, sincronismo, caos e modelos matemáticos. http://lattes.cnpq.br/6644721827442957 Conceito Básico de Engenharia 13 A Engenharia como Atividade Artesanal e o Surgimento das Primeiras Escolas 41 Engenharia: do Positivismo à Integração 67 Engenharia Civil Engenharia Elétrica 101 123 Engenharia Química 149 Indústria e Produção Engenharia Mecânica 199 Engenharia da Complexidade 227 175 Utilize o aplicativo Unicesumar Experience para visualizar a Realidade Aumentada. 25 Aqueduto Pont du Gard na Gália Romana (atual sul da França) 46 Exemplo do uso de roldanas 83 Estação de tratamento e reciclagem de água 106 Exemplo de planta baixa 129 Gerador de Van Der Graaf 162 Usina termoelétrica: princípio de funcionamento 185 O interior de um chip 214 241 Processo de Fresagem Um “cluster” computacional PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Dr. José Roberto Castilho Piqueira • Compreender que a Engenharia rodeia a atividade huma- na desde os primórdios da escala evolutiva. • Compreender a Engenharia como a habilidade de utilizar os recursos disponíveis na natureza para benefício da vida humana. • Entender como as civilizações grega e egípcia realizaram grandes obras de engenharia construtiva, utilizando ele- mentos intuitivos da Matemática. • Verificar como o Império Romano aprimorou essa habili- dade iniciando a capacidade de planejamento da espécie humana. • Pesquisar e entender as obras de abastecimento de água do Império Romano, presentes e úteis até hoje. • Entender as modalidades de energia envolvidas nas ati- vidades descritas. • Finalizar entendendo que a Engenharia trabalha os diver- sos tipos de transformação e conservação de energia em benefício da vida no planeta. A Engenharia na Evolução Humana A Engenharia na Grécia Os sistemas de abastecimento de água do Império Romano Consumo de Energia e sua relação com a vida no Planeta A Engenharia no Império Romano Conceito Básico de Engenharia Engenharia na Evolução Humana O uso da energia, de ferramentas e de vestimen- tas pelo homem primitivo foi a primeira manifes- tação da Engenharia na vida da nossa espécie. Aproveitar os recursos que a natureza oferece para melhorar a vida no planeta é a principal finalidade da Engenharia. Você acaba de ingressar no curso de Engenharia, uma profissão nobre, responsável pelo desenvol- vimento da tecnologia desde as mais simples uti- lidades, como lâmpadas, móveis e embalagens até as mais sofisticadas, tais como máquinas elétricas, pontes, automóveis e computadores. Em toda nossa atividade diária, a Engenharia se faz presente: nos eletrodomésticos, nos trans- portes, nas ferramentas de trabalho e no mundo do lazer. Além disso, os hospitais e clínicas, cada vez mais, aprimoram suas técnicas com sofisti- cados equipamentos mecânicos e eletrônicos. É nesse mundo maravilhoso que você está ingres- 15UNIDADE I sando e, para começar, faremos uma breve retrospectiva histórica, mostrando como a criatividade e a habilidade humana permitiram que nossa espécie evoluísse da pré-história às viagens espaciais. A Engenharia acompanha o homem desde suas origens. A obten- ção do fogo, de vestimentas, das habitações e o tratamento de metais para a construção de armas e ferramentas permitiram a sobrevivên- cia da espécie (PIQUEIRA, 2014). Na Figura 1, podemos observar uma importante atividade de Engenharia sendo realizada por um indivíduo de uma espécie pré-humana: transferindo à pedra energia potencial gravitacional e energia proveniente de seus processos bioló- gicos internos, ele a usa para quebrar um osso e facilitar sua utilização. Figura 1 – Indivíduo de espécie pré-humana quebra osso de animal com uma pedra Fonte: Fernandes (2012, on-line)1. Esse é sempre o sinal de que a Engenharia manifesta-se: ela cria meios para que a energia seja transformada, conservada ou consu- mida, a bem do conforto da espécie. Não deixa, portanto, de ser um fato interessante que a Engenharia se manifeste, mesmo em escalas evolutivas primitivas. É dessa intuição, ligada à conservação da vida,que nasce a melhor Engenharia. Desde o início da civilização humana, o bom uso da energia se faz presente, inicialmente, com a obtenção do fogo, originária da transformação de energia mecânica em energia térmica e com o uso de cavernas como primeiras habitações, permitindo conservação de energia e viabilizando conforto térmico mínimo para sobrevivência, conforme ilustra a Figura 2. 16 Conceito básico de engenharia Figura 2 – Domínio do fogo e grutas como habitação Fonte: História... (2013, on-line)2. Os desenvolvimentos posteriores, alavancas e rodas também se relacionam ao bom uso da energia e de suas transformações. Nas- ce o que chamamos tecnologia, isto é, o domínio de técnicas que transformam recursos naturais em processos de preservação e de- senvolvimento da vida no planeta (BAZZO; PEREIRA, 2000). Assim foram dados os principais passos na evolução e progresso da espécie humana - usando os recursos energéticos disponíveis no planeta para garantir a vida. O blog PET-Civil da UFJF é um trabalho realizado por alunos dessa instituição, tratando, de maneira interessante, as questões históricas da Engenharia. Assim, para saber mais sobre a relação entre a Engenharia e a evolução humana, consulte o site: <https:// blogdopetcivil.com/2015/04/23/a-engenharia-na-historia-a-pre- historia/>. 17UNIDADE I A Engenharia na Grécia Além disso, estudaram profundamente os solos e as fundações e construíram sistemas de ca- lhas para escoamento da água da chuva. Esses avanços permitiram a materialização de grandes obras como pirâmides e templos (Figura 3), com impressionantes exemplos de uso de pedras e vidros. Os Egípcios iniciaram a indústria da constru- ção com grandes obras realizadas de maneira engenhosa (Engenharia), usando conhecimen- tos rudimentares e pré-científicos. Além disso, utilizaram, de maneira inteligente, a energia dos ventos (eólica) para a navegação. Os gre- gos aprimoraram as construções, introduzindo importantes valores estéticos combinados com a habilidade construtiva. A civilização egípcia antiga teve grande importância para a cons- trução civil, sendo responsável pela invenção do cimento, combinando sobras de polimentos com gesso e água. 18 Conceito básico de engenharia Figura 3 – Pirâmides e Templo de Faraós Fonte: Brasil ([2017], on-line)3. Os egípcios são os primeiros a usar grande quan- tidade de pedras em obras e, há mais de 5 mil anos, já utilizavam tijolos no formato atual. Além disso, tinham bons conhecimentos de Geologia e dos fatores que influenciavam a dureza das rochas. Além da construção civil, a construção naval era dominada pelos egípcios com o pri- meiro barco à vela, datado de 1000a.C. Outra área da Engenharia dominada pelos egípcios é a hidráulica, conhecendo a arte de construção de diques e canais e transformando o Nilo em importante meio de transporte. A Grécia Antiga, considerada o berço da civilização ocidental, notabilizou-se pela valo- rização do ser humano e pelo culto ao pensa- mento e ao belo, expresso pelo pensamento de Pitágoras: “O homem é a medida de todas as coisas”. A arquitetura, tratada como a arte de realizar grandes esculturas, passa a seguir nor- mas geométricas rigorosas, respeitando relações matemáticas precisas. Esculturas de deidades constituíam as colunas das construções (Figura 4) e, supostamente, contavam as histórias dos templos. Os principais monumentos da arqui- tetura grega foram os templos (Figura 4) e os teatros (Figura 5). Figura 4 – Mulheres esculpidas 19UNIDADE I As construções gregas eram feitas de madeira, barro ou tijolos de barro com telhados de palha. As colunas eram usadas para suporte, e o mármore passou a ser utilizado, a partir do século VII a.C., em templos e teatros. A maioria dos templos gregos foi construída com vigas de madeira envoltas por colunas de pedra, que serviam como forma de sustentação do telhado, e possuíam, também, três tipos de estética bem definidas: a dórica, a jônica e a coríntia (Figura 6). Figura 5 – Teatro de Epidauro servindo de colunas Figura 6 – Estética das colunas de sus- tentação (Jônico, Corinthio, Dórico) 20 Conceito básico de engenharia A ordem dórica tem origem no sentir do povo grego, representando o pensamento. A ordem jô- nica representa a graça e o feminino. Já a ordem coríntia refere-se ao luxo e à ostentação. “ Os gregos antigos não usavam argamassa em suas construções, mas braçadeiras e buchas para apertar as peças. Os blocos de mármore e calcário eram cuidadosamente extraídos e medidos e então cortados precisamente para garantir uma construção perfeita. As ferramentas usadas pelos pedreiros eram manuais, tais como enxada, broca, cinzel e marreta. Os mestres escultores enchiam as colunas de pedra e os plintos de entalhes altamente decorados. Um guindaste era usa- do para levantar e colocar no lugar as peças (SABINO, 2015, on-line). Neste ponto do nosso estudo, podemos fazer uma ligeira reflexão sobre as conquistas da Engenha- ria, anteriormente descritas, nas civilizações do Egito e da Grécia. Elas têm em comum a criação de grandes monumentos e construções suntuo- sas voltadas para a ostentação do poder de faraós e imperadores. O lado genial da capacidade de conceber obras robustas é pouco reportado e seus autores, arquitetos e engenheiros da época, prati- camente não são referenciados. Entretanto, é fato digno de nota que conce- beram e construíram obras e monumentos den- tro dos melhores padrões da Engenharia, sem o ferramental teórico que a Ciência proporcionou séculos depois, com o desenvolvimento da Física. Um ponto importante a se destacar é que, mais uma vez, é a energia dos operários, de seus inventos utilitários e da natureza que, bem apro- veitada, dá vida às obras. Em relação ao bom uso da Energia, é nesse período que as energias dos cursos d’água e do vento passam a ser utilizadas no transporte fluvial e marítimo. 21UNIDADE I A Engenharia no Império Romano O Império Romano, herdeiro dos grandes pro- gressos intelectuais e tecnológicos dos egípcios e gregos, produziu importantes desenvolvimentos na Engenharia. Além do aprimoramento dos ma- teriais utilizados e das técnicas construtivas, há um amplo avanço na infraestrutura de transpor- tes, com a construção de estradas, túneis e pontes com técnicas até hoje estudadas. A Engenharia da Roma antiga iniciou um período importante da história da civilização aprimoran- do a indústria da construção com a invenção do concreto. Concebeu as estruturas em arco, pavimentou áreas urbanas, construiu pontes e túneis tecnicamente perfeitos. 22 Conceito básico de engenharia Deve-se ressaltar, ainda, os aquedutos que garan- tiam abastecimento de água a boa parte de popu- lação e são os precursores das modernas redes de distribuição atuais. Do ponto de vista da constru- ção, a obra que melhor representa o trabalho da Engenharia Romana é o Coliseu (Figura 7), que se apresenta até os dias de hoje como modelo para construção de estádios. Com capacidade para 50 mil pessoas, foi cuidadosamente projetado com ventilação e iluminação naturais planejadas de maneira minuciosa, inaugurado em 80 d.C. Uma novidade introduzida pelos romanos foi a concepção de arruamentos e calçadas nos espa- ços urbanos, melhorando a qualidade de vida da população. Nesse período foram construídos mi- lhares de quilômetros de calçada com o esquema construtivo mostrado na Figura 8. Outra conquista da Engenharia romana foram as pontes, construídas com pedras no século II a.C. Originalmente os blocos eram fixados por grampos de ferro, mas houve uma importante evolução para o uso de núcleos de concreto e re- vestimentos de blocos de pedras (Figura 9). Figura 8 – Calçadas romanas Fonte: Pet Engenharia Civil UFJF (2016,on-line)4. Figura 7 – Coliseu Fonte: Pet Engenharia Civil UFJF (2016, on-line)4. 23UNIDADE I As construções romanas usaram amplamente as vantagens estruturais dos arcos. Suas pontes con- tinham arcos de pedra que permitiam a distribui- ção eficiente dos pesos. Em toda Europa existem, ainda, centenas de pontes romanas, indicando sua precisão técnica e alta confiabilidade. Os romanos aprimoraram, também, a cons- trução de túneis subterrâneos que permitiam circulação subterrânea, construídos com tal per- feição que estão em perfeito estado, até hoje. A recente descoberta de uma rede de túneis sob as ruínas da Villa Adriana, na cidade de Tivoli, Figura 9 – Ponte romana sobre o Rio Marecchia Fonte: Wikipédia ([2017], on-line)5. O blog Edukavita contém uma quantidade variada de informações úteis, com ênfase na História das maravilhas construídas pelo homem. Para saber mais sobre a Engenharia romana e suas construções, consulte o site: <https://edukavita. blogspot.com.br/2016/05/engenharia-romana- origens-e-historia.html>. Figura 10 – Vila Adriana perto de Roma, comprova esse fato (Figura 10). Deve-se ressaltar que os romanos construíram centenas de milhares de quilômetros de estradas para várias finalidades, como comércio e con- trole do império. Por fim, não há como negar que a mais impor- tante contribuição dos romanos para a construção foi a invenção do concreto, permitindo impressio- nantes construções. Inventado no final do século III, era obtido adicionando um pó vulcânico à argamassa feita de uma mistura de tijolo ou pe- daços de pedra, cal ou gesso e água. 24 Conceito básico de engenharia Os Sistemas de Abastecimento de Água do Império Romano Os aquedutos romanos colocam em evidência os dois bens mais preciosos que a natureza pro- porcionou ao planeta: água e energia. Conser- vá-los é tarefa de todos e finalidade primordial da Engenharia. Deixamos esta contribuição do Império Roma- no para a Engenharia em uma sessão especial, pois trata da primeira iniciativa organizada do bom uso da energia disponível na natureza para o bem-estar humano. Os aquedutos foram concebidos e construídos pelos romanos para satisfazer a vários tipos de aplicação. A principal era levar a água de lugares onde havia em abundância para lugares em que ela era escassa. Dessa maneira, a água, corretamente dire- cionada, servia chafarizes, banhos públicos ou privados e limpeza de latrinas. Adicionalmente, atividades de agricultura e mineração se serviram 25UNIDADE I dos benefícios proporcionados pela disponibilidade da água. Come- çam, então, de maneira organizada e planejada, os bons serviços da Engenharia, envolvendo os dois aspectos essenciais da vida: água e energia. É desses dois itens que depende a vida em nosso planeta, e uma mirada retrospectiva para os cuidados dos romanos deve ser de grande utilidade. Os aquedutos transportavam água fazendo uso da energia po- tencial gravitacional, aproveitando inclinações de canais enterra- dos. Nos locais onde a natureza era desfavorável, vales e planícies, canos de chumbo, em alta pressão ou canais passavam por pontes e alimentavam o sistema (Figura 11). Figura 11 – Aqueduto Pont du Gard na Gália Romana (atual sul da França) Fonte: Wikimedia ([2017], on-line)6. 26 Conceito básico de engenharia No século III, Roma tinha um grande número de aquedutos para uma população de mais de um milhão de pessoas que usavam a água de maneira extravagante. Não havia, ainda, a consciência da importância da preservação desse presente da natureza. Os Aquedutos Romanos refletiam a filosofia ro- mana de objetividade e praticidade. Roma nos deixou volumosas estruturas que tinham a fun- ção de conduzir a água pelas cidades. As fontes atestam que os romanos conheciam o sistema de transporte de água por canalização subterrânea e o de aquedutos em arcos suspensos que fora aprendido com os etruscos. A escolha por este modelo deu-se pelo preço inferior das obras, já que os materiais necessários eram mais abun- dantes e baratos. Para saber mais sobre esse assunto, acesse: <http://www.infoescola.com/historia/aquedutos- romanos/>. Fonte: Gasparetto Júnior ([2017], on-line)7. 27UNIDADE I Consumo de Energia e sua relação com a Vida no Planeta Para medidas práticas de consumo de energia, usa-se a unidade “quilowatt hora” (kWh), que cor- responde ao consumo de um aparelho de potência 1kW (1 000W), ligado durante uma hora (3 600s). Ao estudarmos a evolução da Engenharia, desde as civilizações pré-humanas até a civilização ro- mana, pudemos observar que nossa espécie, para evoluir e melhorar suas condições de vida, apro- veitou-se dos recursos naturais disponíveis, sem se preocupar com sua reposição ou conservação. O grande desafio do século XXI é a questão energética – trata-se de problema delicado e de abrangência mundial. O nível atual de desenvolvi- mento da humanidade, evidenciado pela tecnolo- gia, a medicina e o potencial de conforto, exige um consumo de energia por habitante bastante eleva- do. Interromper esse consumo – decisão simplista – seria negar o conhecimento adquirido e, talvez, comprometer a continuidade da civilização. 28 Conceito básico de engenharia Piqueira e Brunoro (2000, p. 5) afirmam que “sendo inevitável consumir energia, é importante haver bom senso na sua distribuição e renovação e também a consciência de que é urgente desenvol- ver novas tecnologias não poluentes para obtê-la”. A obtenção de energia para manter a sociedade, hoje, está atrelada, quase inevitavelmente, à degra- dação ambiental. A escolha adequada da matriz energética (distribuição entre as formas de gera- ção) mundial não pode levar em conta apenas os custos imediatos: deve assegurar a qualidade de vida das futuras gerações. Veremos, a seguir, alguns dos aspectos relativos ao uso da energia e suas implicações. Iniciamos com a ideia geral de que a energia é o bem de capital de maior valor para a nossa espécie, dis- cutindo-a no que se refere à utilização humana. Nas aulas de Biologia e Física, estamos acostu- mados a nos deparar com dois conceitos aparen- temente díspares de energia. Os biólogos parecem falar de algo concreto, que passa do Sol para as plantas e dessas para os animais, transforman- do-se no interior dos seres vivos, por processos fisiológicos complicados, nas mais diversas mo- dalidades, sendo essencial para funções como respiração, excreção, reprodução, manutenção de temperatura e condução de impulsos elétricos associados ao sistema nervoso. Os físicos pare- cem falar de algo mais abstrato, calculável por equações, relativo a situações mais simples, como carrinhos descendo montanhas-russas ou cargas elétricas em movimento nos circuitos. Os conceitos empregados nas duas disciplinas, entretanto, são integrados e remetem a mesma en- tidade física: a capacidade de um corpo (ou sistema de corpos), em qualquer escala espacial, produzir movimento próprio ou de outros corpos que estão no seu entorno. Assim, o ser humano, nas atividades diárias, todo o tempo utiliza energia. Ele a retira dos alimentos que ingere e, como se fosse uma máquina, transforma-a nas diversas modalidades necessárias ao funcionamento do seu organismo. A Tabela 1 ilustra o gasto de energia do corpo humano em diversas atividades: Necessidades energéticas para várias atividades (em kcal/hora) Trabalho leve Trabalho moderado Trabalho pesado Trabalho muito pesado Escrever 20 Dormindo 85-110 Marchando 280-400 Pedreiro 350 Permanecer relaxado 20 Tomando banho 125-125 Andando de bicicleta 180-600 Correndo 800-1000 Datilografando rapidamente 55 Carpintaria 150-180 Remando 120-600 Escalando 400-900 Tocando violino 40-50 Caminhando 130-240 Nadando 200-700 Esquiando 500-950Lavando louça 60 - - Subindo escadas 1000 Passando a ferro 60 - - - Tabela 1 – Necessidades energéticas para várias atividades (kcal/h) Fonte: Goldemberg (1998). 29UNIDADE I Evidentemente, à medida em que a nossa espécie foi se multiplicando e se apropriando do espaço terrestre, as necessidades de energia aumentaram consideravelmente, sobretudo, porque dela pas- sou a depender a vida sob condições adversas. O gráfico de barras da Figura 12 (GOLDEMBERG, 1998) mostra esse fato, indicando que, quanto mais sofisticada a vida e melhor sua qualidade, maior a necessidade de consumo de energia. Do homem primitivo até o homem tecnológico, o consumo diário cresceu, em um milhão de anos, de 2000 kcal para quase 230 000 kcal. Esse aumen- to foi progressivo, acompanhando o refinamento da tecnologia desenvolvida pela humanidade para modificar o meio ambiente em seu benefício. Os recursos energéticos disponíveis na Terra, porém, são limitados. Conciliar esse fato com as necessidades humanas é, como dizemos, um gran- de desafio a ser enfrentado pela ciência moderna, independentemente das administrações e das ideo- logias. Além disso, não há como negar que o con- sumo de energia está relacionado com a qualidade de vida, conforme mostram os gráficos ilustrativos (GOLDEMBERG, 1998) da Figura 13, em que a unidade de energia utilizada é a TEP (tonelada equivalente de petróleo), equivalente a 107 kcal. Figura 12 – Desenvolvimento e consumo de energia Fonte: Goldemberg (1998). Estágios de desenvolvimento e consumo de energia Alimentação Homem tecnológico230 77 20 12 6 2 Homem industrial Homem agrícola avançado Homem agrícola primitivo Homem caçador En er gi a to ta l c on su m id a pe r ca pi ta (m il kc al /d ia ) Homem primitivo Consumo diário per capita (mil kcal) 0 50 100 150 200 Moradia e comércio Indústria e agricultura Transporte Figura 13 – Energia e qualidade de vida Fonte: Goldemberg (1998). Expectativa de vida, mortalidade infantil, alfabetização e taxa de fertilidade total como uma função da energia comercial consumida per capita 80 20 0 2 4 6 40 Média de 127 países para grupos de 10 países Uso de energia TEP per capita por ano Ex pe ct at iv a de v id a (a no s) 60 80 20 0 2 64 8 40 Média de 127 países para grupos de 10 países Uso de energia TEP per capita por ano M or ta lid ad e in fa nt il (M or te s po r 10 0 na sc im en to s vi vo s) 60 80 20 40 Uso de energia TEP per capita por ano An al fa be tis m o (% p op ul aç ão a du lta ) 60 0 2 64 8 0 2 64 8 2 4 Oma Arábia Saudita LíbiaIra Gabão Mongolia Venezuela Kuwait Trinidad e Tobago Uso de energia TEP per capita por ano Ta xa d e fe rt ili da de to ta l ( TF T) 6 8 10 30 Conceito básico de engenharia Verificamos, então, que a energia é essencial à vida e fator de conforto e bem-estar. Entretan- to seu consumo é fator relevante nos problemas ambientais, principalmente em decorrência do emprego de combustíveis fósseis na produção de eletricidade, no setor de transporte e na indústria. Resolver esse problema eliminando a causa, evi- dentemente, é uma tarefa muito difícil, pois os com- bustíveis fósseis respondem por mais de 90% do con- sumo atual de energia mundial. Entretanto não parece impossível, dadas as alternativas de fontes renováveis disponíveis hoje. Usar gás natural nas termelétricas é interessante, pois, em comparação com os combus- tíveis fósseis, emite metade do CO2 por kWh e pra- ticamente não emite óxidos de enxofre e nitrogênio. Fazendas de produção de energia a partir de biomassa representam outra solução bastante con- vidativa, uma vez que o CO2 por elas emitido pode ser reabsorvido nos processos de fotossíntese e não há emissão de óxidos de enxofre e nitrogênio. Há, ainda, a energia solar, que pode ser utilizada como fonte quente nas termelétricas ou ser diretamente convertida em elétrica, nas células fotovoltaicas. As desigualdades entre os países, no entanto, de- terminam diferenças não só no volume de energia consumido (os pobres consomem menos que os ricos), como também na forma de obtê-la: as me- lhores soluções para a matriz energética dos países desenvolvidos, quando aplicadas ao contexto de paí- ses em desenvolvimento, nem sempre serão ótimas. A questão energética influencia diretamente o desenvolvimento e o meio ambiente. Não podemos privilegiar o primeiro provocando drásticos impac- tos no segundo. É nisso que se fundamenta o concei- to de desenvolvimento sustentável, que defende não só a qualidade de vida atual, mas também a herança a ser deixada para as gerações futuras, propondo a proteção e a manutenção dos sistemas naturais. Um passo significativo para a concretização desse conceito foi a Conferência de Estocolmo, em 1972, que enfatizou a questão ambiental e a con- vivência na Terra. Outro foi a ECO 92 ou United Nations Conference on Environment and Deve- lopment - Unced, realizada no Rio de Janeiro, que frisou o problema da utilização de combustíveis fósseis na produção de energia devido à emissão de CO2 e o consequente agravamento do efeito estufa. O Protocolo de Kyoto (1997) procurou restrin- gir a emissão de CO2 dos países, sugerindo o em- prego de mecanismos para um desenvolvimento limpo. O recente acordo de Paris (2015) rege as emissões de CO2, estabelecendo limites a serem atingidos em 2020. Para dar uma ideia dos reais responsáveis pelo efeito estufa e pela degradação ambiental, apre- sentamos a Tabela 2, com o volume anual de CO2 emitido por diversos países. Emissão de CO2 (toneladas de CO2 per capita) Quantidade Países Entre 16 e 36 Estados Unidos e Austrália. Entre 7 e 16 Japão, Canadá, Rússia, Ucrânia, Polônia e África do Sul. Entre 2,5 e 7 União Europeia, China, México, Chile, Argentina e Venezuela. Entre 0,8 e 2,5 Brasil, Índia, Indonésia, países da América Central e Caribe. Tabela 2 - Emissão de CO2 (toneladas per capita) Fonte: Goldemberg (1998). Os Estados Unidos, um dos maiores emissores de CO2, posicionaram-se contra as medidas propos- tas, alegando que elas acarretariam uma redução drástica na sua economia, podendo provocar re- cessão. Esse é um exemplo da tentativa suicida de 31UNIDADE I manter a economia dos ricos à custa da degrada- ção da qualidade de vida de todos. Para que você possa avaliar o consumo de energia de seu cotidiano, vamos recordar um ponto importante da Física: • No sistema internacional de unidades (SI), a energia, de qualquer tipo ou modalidade, é medida em joules (J). • Quando se trata de estudar processos de transformação de energia, usa-se o con- ceito de potência, medida em watts (W) e definida como energia por unidade de tempo. Assim, quando ligamos uma lâm- pada de 100W à rede elétrica, uma energia de 100 J é consumida, a cada segundo. • Para medidas práticas de consumo de energia, usa-se a unidade “quilowatt hora” (kWh), que corresponde ao consumo de um aparelho de potência 1kW (1 000W), ligado durante uma hora (3 600s). A título de exemplo, vamos considerar um chuvei- ro que, quando ligado em uma instalação de 220 volts (V), opera com potência de 2000W (2kW). Caso você tome um banho de 0,5 h (30min = 1800 s), o consumo de energia correspondente será de: C = 2000W.1800s = 3 600 000 J ou C = 2kW.0,5h = 1 kWh. Assim, podemos escrever: 1kWh = 3 600 000 J. Considerando nossas atividades cotidianas (Ta- bela 1), verificamos que, mesmo dormindo, nosso organismo consome cerca de 100 kcal/h. Akcal é uma unidade de energia que se rela- ciona com o joule por: 1 kcal = 4 000 J. Como em uma hora temos 3 600 s, esse nosso consumo de energia pode, também, ser expresso por: (100 . 4 000)/(3 600) = 111 W, isto é, quando dormimos nosso organismo gasta a mesma energia de uma lâmpada de 100W perma- nentemente acesa. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. Piqueira e Brunoro escreveram um texto sobre as principais questões relativas ao uso da ener- gia e como seu uso e consumo se relacionam à vida e à sustentabilidade no nosso planeta. Além disso, abordam possíveis consequências do uso de energia proveniente de combustíveis fósseis para o clima na Terra. Para saber mais, acesse: <https://www. researchgate.net/publication/266247679_ ENERGIA_uso_geracao_e_impactos_ambientais>. Nesta unidade, procuramos apresentar uma ideia de como a criatividade humana e a ob- servação da natureza nos levou ao progresso tecnológico e como é possível manter a vida e preservar os recursos naturais disponíveis. Essa missão da espécie humana só é possível com a boa Engenharia, associada ao amplo conheci- mento das formas de energia disponíveis e de seu bom uso. 32 1. O abrigo do homem pré-histórico em cavernas, além da proteção contra espécies predadoras, proporcionava: a) Conservação da energia térmica. b) Aquecimento. c) Resfriamento. d) Trocas de calor rápidas. e) Aquecimento brusco. 2. Os egípcios se destacaram nas engenharias: a) Civil e Mecânica. b) Civil e Naval. c) Elétrica e Civil. d) Mecânica e Hidráulica. e) Naval e Mecânica. 3. Os tijolos dos egípcios eram: a) Poligonais. b) Arredondados. c) Com formato semelhante aos atuais. d) Hexagonais. e) Poligonal. 4. Para os gregos, a Arquitetura era: a) Uma arte. b) Um trabalho repetitivo. c) Um passeio pela imaginação. d) Um retorno ao mar. e) Um retorno à Terra. 33 5. A ordem Dórica representa: a) Fome. b) Pressão. c) Dor de cabeça. d) Ação impulsiva. e) Pensamento. 6. Os monumentos e as obras das civilizações egípcia e grega se fundamentavam: a) Nas leis de Newton. b) Nas equações de Maxwell. c) Nos fundamentos matemáticos da Geometria. d) Na prática e na intuição dos trabalhadores. e) No teorema de Pitágoras. 7. A navegação à vela, iniciada pelos egípcios e fenícios, fazia uso da energia: a) Química. b) Eólica. c) Potencial gravitacional. d) Eletromagnética. e) Nuclear. 8. Além das técnicas de construção, em quais áreas da Engenharia os romanos contribuíram: a) Transportes e Mecânica. b) Mecânica e Eletricidade. c) Transporte e Materiais. d) Materiais e Mecânica. e) Termodinâmica e Eletricidade. 34 9. O Coliseu, obra de referência da civilização romana, é usado, até hoje, como modelo para projetos de: a) Casas. b) Prédios. c) Pontes. d) Estradas. e) Estádios. 10. A qualidade de vida nas cidades urbanas do Império Romano teve uma melhoria considerável pela introdução de: a) Luz elétrica. b) Água potável. c) Rede de esgotos. d) Ruas e calçadas. e) Transporte coletivo. 11. As estruturas em arco permitem: a) Melhor distribuição de peso. b) Diminuição de peso. c) Melhor aparência. d) Diminuição da ação dos ventos. e) Diminuição da ação das águas. 12. O concreto inventado pelos romanos era constituído de: a) Pó vulcânico, tijolo, argamassa e água. b) Pó vulcânico, tijolo, gesso e água. c) Tijolo, gesso, água e óleo. d) Gesso, água, pó de licopódio e tijolo. e) Pó de licopódio, água, ácido clorídrico e tijolo. 35 13. Os aquedutos romanos transportavam água fazendo uso da energia: a) Cinética. b) Eólica. c) Elétrica. d) Potencial Gravitacional. e) Nuclear. 14. Os dois aspectos vitais para a espécie humana envolvidos na concepção dos aquedutos são: a) Água e Energia. b) Água e Ar. c) Ar e Energia. d) Oxigênio e Água. e) Oxigênio e Energia. 15. Além das aplicações de higiene proporcionadas pelos aquedutos, seus principais benefícios envolviam: a) Agricultura e Pecuária. b) Pecuária e Mineração. c) Mineração e Agricultura. d) Pecuária e Qualidade do ar. e) Qualidade do ar e Mineração. 16. Obtenha a relação de transformação de kWh para J. 17. Quantos kWh, por dia, gasta o homem tecnológico? Quanto gastava o homem agrícola primitivo? (Considere 1cal = 4J.) 18. Compare, aproximadamente, o consumo anual de energia per capita de um país com mortalidade infantil de 10 mortes por 1 000 nascimentos com outro de 40 mortes a cada 1 000 nascimentos. 36 19. Considere os seguintes dados a respeito da energia elétrica no Brasil, fornecidos pelo IBGE: Custo por kWh R$ 0,18 Número de chuveiros elétricos 28 000 000 Número médio de pessoas por residência 3,6 Tempo médio para um banho 8 minutos Potência média do chuveiro 4kW a) Considerando que cada pessoa toma um banho por dia, qual o consumo médio mensal de energia por residência? b) Compare o valor obtido no item anterior com os 100 kWh dados como limite pelos órgãos governamentais. c) Qual o consumo nacional anual em kWh, considerando apenas o gasto com banhos? d) Se uma residência tem, além do chuveiro, 3 lâmpadas de 100 W (1 hora por dia), uma geladeira de 300 W (8 horas por dia) e um ferro de passar roupa de 500 W (1 hora por dia), qual será o custo mensal da conta, considerando que o consumo acima de 200 kWh é sobretaxado em 50%? e) Considerando que uma termelétrica emite 100 g de CO2 por kWh, quantas to- neladas desse gás seriam emitidas por ano se toda a energia relativa a banhos do Brasil passasse a ser gerada dessa maneira? 37 Energia, Meio Ambiente & Desenvolvimento Autor: José Goldemberg e Osvaldo Lucon Editora: Edusp Sinopse: o papel da energia no desenvolvimento é bem conhecido, assim como o seu papel como uma das principais causa da degradação ambiental. Contudo, a inter-relação energia–desenvolvimento–meio ambiente não é adequadamente analisada pelo material bibliográfico convencional, e esta é a principal inovação deste livro. O livro discute, inicialmente, o conceito de energia; em seguida, aborda sua relação com as principais atividades humanas, como os recursos naturais existentes e com os indicadores de desenvolvimento. Discute, também, os principais problemas ambientais, suas causas e possíveis soluções. Com esses diagnósticos, classifica as fontes e os usos finais de energia, apresentando ten- dências futuras e soluções – tecnológicas, políticas e comportamentais – para os problemas de sustentabilidade ambiental, econômica e social. Tal abordagem é resultado de vários anos de estudos e experiência dos autores no ensino, bem como na formulação, discussão e implantação de políticas públicas relativas ao tema. LIVRO PET-Civil O blog PET-Civil da UFJF é um trabalho de ótima qualidade realizado por alunos dessa instituição, tratando de maneira interessante as questões históricas da Engenharia. Para boas leituras sobre História da Engenharia, consulte-o. <https://blogdopetcivil.com>. WEB 38 BAZZO, W. A.; PEREIRA, L. T. V. Introdução à engenharia. Florianópolis: UFSC, 2000. PIQUEIRA, J. R. C. Reflexões sobre história do ensino de Engenharia. Porvir: Inovações em Educação, 2014. Disponível em: <http://porvir.org/reflexoes-sobre-historia-ensino-de-engenharia/>. PIQUEIRA, J. R. C.; BRUNORO, C. M. Energia: uso, geração e impactos ambientais. São Paulo: Editora Anglo, 2000. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/266247679_ENERGIA_uso_geracao_e_im- pactos_ambientais>. Acesso em: 06 nov. 2017. SABINO, R. História da Engenharia: A Grécia antiga. 2015. Disponível em: <https://blogdopetcivil. com/2015/06/01/historia-da-engenharia-a-grecia-antiga>.Acessoem: 06 nov. 2017. GOLDEMBERG, J. Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. São Paulo: EDUSP, 1998. REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: <https://cpalexandria.wordpress.com/2012/02/13/definicao-contemporanea-de-pre-historia/>. Acesso em: 06 nov. 2017. 2Em: <http://rhistoriaz.blogspot.com/2013/06/historia-geral-i-pre-historia.html>. Acesso em: 06 nov. 2017. 3Em: <http://www.portalconsular.itamaraty.gov.br/seu-destino/egito>. Acesso em: 06 nov. 2017. 4Em: <https://blogdopetcivil.com/2016/09/26/historiadaengenhariaromaantiga/>. Acesso em: 06 nov. 2017. 5Em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Rimini>. Acesso em: 06 nov. 2017. 6Em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d8/Pont_du_Gard_Oct_2007.jpg>. Acesso em: 06 nov. 2017. 7Em: <https://www.infoescola.com/historia/aquedutos-romanos/>. Acesso em: 06 nov. 2017. 39 1. O abrigo do homem pré-histórico em cavernas, além da proteção contra espécies predadoras, proporcionava conservação da energia térmica, isolando o ambiente. (Alternativa A) 2. Os Egípcios se destacaram nas engenharias: Elétrica e Civil. (Alternativa B) 3. Os tijolos dos egípcios eram: com formato semelhante aos atuais. (Alternativa C) 4. Para os gregos, a Arquitetura era: uma arte. (Alternativa A) 5. A ordem Dórica representa: pensamento. (Alternativa E). 6. Os monumentos e obras da civilização Egípcia se fundamentavam: na prática e na in- tuição dos trabalhadores. (Alternativa D) 7. A navegação à vela, iniciada pelos Egípcios e Fenícios, fazia uso da energia Eólica. (Al- ternativa B) 8. Além das técnicas de construção, em quais áreas de Engenharia os romanos contribuí- ram: transporte e materiais. (Alternativa C) 9. O Coliseu, obra de referência da civilização romana, é usado até hoje como modelo para projetos de: estádios. (Alternativa E) 10. A qualidade de vida nas cidades urbanas teve uma melhoria considerável pela introdução de: ruas e calçadas. (Alternativa D) 11. As estruturas em arco permitem: melhor distribuição de peso. (Alternativa A) 12. O concreto inventado pelos romanos era constituído de: pó vulcânico, tijolo, gesso e água. (Alternativa B) 13. Os aquedutos romanos transportavam água fazendo uso da energia: Potencial Gravi- tacional. (Alternativa D) 14. Os dois aspectos vitais para a espécie humana envolvidos na concepção dos aquedutos são: água e energia. (Alternativa A) 15. Além das aplicações de higiene proporcionadas pelos aquedutos, seus principais bene- fícios envolviam: mineração e agricultura. (Alternativa C) 16. 3,6 . 106J. 17. Homem tecnológico: 255 kWh; homem agrícola primitivo: 13,3 kWh. 18. A energia gasta, per capita, em um país de 10 mortes por 100 nascimentos, é 7,5 vezes maior que a gasta por um de 40 mortes por 100 nascimentos. 19. a) 57,6 kWh. b) 1,92% do total proposto são gastos só com banhos, sobrando 98,08 kWh para o res- tante das atividades. c) 1,9.1010 kWh. d) R$ 27,65, desconsiderando-se os impostos. e) 1,9.106 toneladas. 40 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Compreender que a Engenharia, embora essencial para o desenvolvimento humano, até o final do século XVII, era considerada tarefa de artesãos e operários e de pouco valor intelectual. • Compreender que a Engenharia, até o século XVII, era exercida com extrema habilidade artesanal, guiada pela intuição e pela experiência. • Entender que, nessa época, Filosofia e Ciência eram con- sideradas atividades intelectuais nobres e de pouca in- fluência na Engenharia. • Entender como as atividades expansionistas de reis e imperadores incentivaram as primeiras escolas militares para o ensino da Engenharia, ainda como prática artesanal. • Verificar como a corrente filosófica do Positivismo apro- ximou a Engenharia das Ciências Básicas, que passou a utilizar os princípios da Física e da Matemática de maneira sistematizada. • Verificar o surgimento e difusão das Escolas Politécnicas, trabalhando a combinação dos conhecimentos científicos com a habilidade tecnológica. O construtor visto como operário A Ciência e a Filosofia O Positivismo O Positivismo e as Escolas Politécnicas As Academias Militares e Escolas Navais como precursoras das Escolas de Engenharia Dr. José Roberto Castilho Piqueira A Engenharia como Atividade Artesanal e o Surgimento das Primeiras Escolas O Construtor Visto como Operário Ao final da Idade Média, havia um grande conhe- cimento acumulado relativo às técnicas e mate- riais de construção. Essas atividades de constru- ção eram exercidas por operários, planejadas por aqueles que detinham conhecimento intuitivo e originário da prática. Olá, aluno(a), conforme você pôde notar na unida- de anterior, a Engenharia sempre esteve associada à criatividade e à intuição humana, que levou à con- cepção das maravilhas já descritas. A invenção da roda, o transporte do fogo e o fogo moldando me- tais são descobertas que garantiram a evolução da espécie. Pirâmides egípcias, colunas gregas, aque- dutos romanos são exemplos de engenhosidade e de entendimento intuitivo das forças da natureza. Além disso, embora haja registros históricos dos faraós associados às pirâmides, dos impera- dores gregos e romanos associados às obras de Arquitetura e Engenharia, preciosas e duradouras, 43UNIDADE II não se sabe ao certo quem as concebeu, projetou ou construiu. As pirâmides, por exemplo, são obras tão impressionantes que há até quem diga que fo- ram construídas por extraterrestres. Entretanto arqueólogos afirmam que as pirâmides foram construídas por trabalhadores livres e assalariados, supervisionados e orientados por operários mais experientes, não havendo registro de papiros ou pinturas indicando planejamento prévio. Na mesma linha, embora haja registros e lou- vores aos autores e intérpretes do teatro grego, pouco se sabe sobre aqueles que conceberam e realizaram as obras de seus espaços físicos, eternos trabalhos de engenharia e exemplos para constru- ção de estádios e arenas, até hoje. Sobre o teatro de Epidauro, sabe-se que o es- cultor e arquiteto Policleto o concebeu, indicando os primeiros sinais do surgimento da profissão. Entretanto não há registros de planejamento ou de evolução da construção, que era realizada por operários humildes. Considerando os feitos ro- manos, representados pela invenção do concreto e pela concepção das estruturas em arco, tam- bém não há registro de seus criadores. Estradas e aquedutos foram implementados por engenheiros anônimos que, com a pouca Matemática que ti- nham à mão, produziram essas maravilhas. Filosofia, Arte e Literatura se desenvolveram e eternizaram os nomes de seus autores como ine- gáveis geradores do saber humano, em espaços concebidos e construídos por trabalhadores e operários pouco lembrados. Esse conhecimen- to acumulado, acrescido de diversas descobertas científicas, passou a fazer parte do conjunto de segredos dominados por entidades poderosas, durante a Idade Média. É o final do século XVII, entre o Renascimento e o Iluminismo, que traz nova concepção de Engenharia, fundamentada no progresso científico e sua utilização para resolver problemas práticos e projetar máquinas. Ficou claro que, ao longo dos eventos aqui des- critos, as construções foram pensadas e realizadas a partir de uma apurada observação da natureza, com pouco uso do que chamamos de conheci- mento científico. Tentando ilustrar essa notável habilidade, vamos entender como as pedras, ma- terial básico da construção, ficavam unidas ao serem assentadas. Sobre as pirâmides do Egito: As pirâmides do Egito exercem um fascínio natural sobre as pessoas em geral, por sua grandeza e pelo conteúdo místico associado. Para um engenheiro, fica a pergunta: Como foram projetadas e construí- das? O site indicado traz informações sobre a Históriado Egito e, em particular, sobre as pirâmides. Acesse o link disponível em: <http://www.egipto.com.br/segredos-piramides-egito>. Sobre o teatro grego: Como uma construção da antiguidade apresenta acústica tão boa como as construções modernas, sem os equipamentos hoje disponíveis? Os teatros gregos são construídos com engenhosidade admirável. O site indicado traz interessantes noções sobre a História da Arquitetura e sobre as construções gregas. Acesse o link disponível em: <http://historiaearquitetura.blogspot.com.br/2012/01/teatro-de-epidauro- grecia.html>. 44 A engenharia como atividade artesanal e o surgimento das primeiras escolas Civilizações diferentes deram soluções diver- sas e criativas para o problema. Os romanos, como já vimos, desenvolveram o cimento que servia de liga entre as partes e, além disso, ali- sado, embelezava as áreas externas (Figura 1). Figura 2 – Pedras em construção INCA Figura 1 – Parede romana Os Incas, no século XV, construíram, na América do Sul, fortalezas usando imensas pedras encai- xadas geometricamente de maneira tão perfeita que até hoje não se sabe como os cortes das pe- dras eram feitos com tanta precisão (Figura 2). 45UNIDADE II A Ciência e a Filosofia O século XVII marca, na Engenharia, a passagem do uso de ferramentas totalmente empíricas para os métodos de projeto fundamentados nas leis da natureza. Os primeiros relatos da sistematização do conhe- cimento humano datam da Grécia Antiga e são relacionados à Filosofia idealista de Platão, com- plementadas por Aristóteles, que atribui à Natureza leis que regem seu funcionamento (BUNGE, 2017). Ao longo do tempo, nas civilizações egípcia, grega e romana, os estudos filosóficos implica- ram as primeiras descobertas da Matemática e alguns desenvolvimentos iniciais de leis relativas às Ciências da Natureza. Havia, na formulação dessas leis, uma forte dose de empirismo e uma sistematização ainda incipiente, o que não impedia que os artífices, artesãos e operários se aproprias- sem desse conhecimento e, combinando-os com a prática, construíssem as grandes obras já descritas. 46 A engenharia como atividade artesanal e o surgimento das primeiras escolas Apesar da distância social e das diferenças de costumes entre o mundo dos filósofos e dos operários da construção, os esgotos, teatros, pa- lácios, estradas, pontes e engenhos de guerra fo- ram construídos, baseados no saber científico que começava a se concretizar. Na Grécia Clássica, os conhecimentos de Matemática de algumas escolas filosóficas serviram para desenvolver a Mecânica e diminuir o trabalho manual (SCHNAID et al., 2006). Por exemplo, roldanas (Figura 3) facilita- ram transporte de materiais em construções e navios, enquanto que moinhos (Figura 4) viabi- lizaram a produção de alimentos. Atualmente, o uso de roldanas é geral e aplicável às mais diversas atividades que requerem multipli- cação e controle de forças, como aparelhos utiliza- dos para condicionamento físico. No final da Idade Média, a ciência procurou buscar explicações para os fenômenos mais pró- ximos da natureza, afastando-se um pouco do mundo das ideias de Platão e comprovando essas explicações experimentalmente. A consequência disso é que teorias formuladas e comprovadas permitiram o aparecimento da engenharia, com projetos fundamentados em cálculos, baseados nos princípios enunciados pela ciência. Esses princípios descrevem os fenômenos e predizem comportamentos de sistemas que permitem as prescrições, isto é, escolhas de parâmetros e gran- dezas físicas que levam a resultados esperados. Figura 3 – Exemplo do uso de roldanas 47UNIDADE II Um exemplo de projeto: Vamos considerar os seguintes pressupostos originários da Física a respeito da energia poten- cial gravitacional. A energia potencial gravitacional associada a um corpo de massa m, elevado a uma altura h é dada por: Epg= mgh. Nessa expressão, m é a massa da caixa em quilogramas (kg), g é a aceleração da gravidade em metro por segundo (m/s2) e h é a altura em relação ao solo, em metros (m). Com essas unidades, a energia potencial gravitacional é dada em Joules (J). • Quando se trata de estudar processos de transformação de energia, usa-se o conceito de potência, medida em watts (W) e definida como energia por unida- de de tempo. • A densidade de um corpo é sua massa por unidade de volume. • A vazão de um curso d’água é dada pelo volume por unidade de tempo. Consideremos, agora, o seguinte problema de engenharia: • Na idade do “homem agrícola avançado”, considere uma população de 10 000 pes- soas; • Suponha que a energia a ser fornecida para essas pessoas seja proveniente de uma que- da d’água com vazão 2 m3/s; • Sabendo-se que a densidade da água é de 1kg/L (1000 kg/ m3). Qual a altura mínima necessária para a queda d’água? Figura 4 - Moinho de Vento 48 A engenharia como atividade artesanal e o surgimento das primeiras escolas Estágios de desenvolvimento e consumo de energia Alimentação Homem tecnológico230x10 2 77x102 20x102 12x102 6x102 2x102 Homem industrial Homem agrícola avançado Homem agrícola primitivo Homem caçador En er gi a to ta l c on su m id a pe r ca pi ta (m il kc al /d ia ) Homem primitivo Consumo diário per capita (mil kcal) 0 50 100 150 200 Moradia e comércio Indústria e agricultura Transporte Figura 5 – Desenvolvimento e consumo de energia Fonte: Goldemberg (1998). • O primeiro passo a ser dado no projeto é determinar “qual é a necessidade”. Neste caso, qual é a potência necessária para fornecer a energia necessária à população. Como se trata do “homem agrícola avançado”, consultando a Figura 5 verificamos que o consumo individual de energia é 2.000 kcal/ dia e, como são 10.000 pessoas, chegamos a um consumo mínimo necessário de 20.000.000 kcal/dia. O valor obtido precisa ser convertido para unidades do Sistema Internacional (SI), isto é, kcal deve ser convertido em joule (J) e dia em segundo (s). Se 1 kcal = 1.000 cal, então 20.000.000 kcal = 20.000.000.000 cal. Sabemos que 1 cal = 4 J. Dessa forma, 20.000.000.000 cal = 80.000.000.000 J. Um dia possui 24h e 1h 3.600 s. Sendo assim, 1 dia = 24h*3.600s = 86.400s. Logo, a potência mínima necessária para atender à população de 10.000 pessoas será de: P = 80.000.000.000/86.400 = 925.925,925 W Ou P = 926 kW. • O segundo passo é verificar se a “necessidade pode ser aten- dida”, isto é, se a potência disponível na queda d’água pode atingir 926 MW. 49UNIDADE II Agora é a hora de usar a Física, isto é, calcular a potência P como energia potencial gravitacional por unidade de tempo: P = Epg / ∆t. Se Epg = m*g*h, então: P = mgh / ∆t. Sabendo que densidade (d) = massa (m) / vo- lume (V) e que vazão (Q) = volume (V) / variação de tempo (∆t), então temos que: P = dQgh. Agora, temos que P deve ser maior que 926 kW. Substituindo esse fato e os dados numéricos fornecidos pelo problema, temos: dQgh > 926 kW 1.000*2*10*h > 926 kW h > 926.000 / 20.000 h > 46,3 m. Imagine o homem caçador, isto é, alguém cujo consumo de energia era equivalente a 6 000 kcal por dia. A potência, em watts (W), relativa a esse consumo de energia é dada por: (6 000). (4 000)/ (24 . 3 600) = 278 W, isto é, esse consumo é equivalente ao consumo de 3 lâmpa- das de 100W acesas. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. Uma das principais fontes de energia é a prove- niente das quedas d’água. No Brasil, é a fonte mais significativa para a composição da matriz energética. O site indicado traz dados técnicos relevantes sobre as usinas hidrelétricas. Acesse o link disponívelem: <http://masterenergia. com.br/index.php/informacoes-tecnicas/78-como- medir-a-energia-hidraulica-e-hidreletrica>. Nos séculos XVII e XVIII, os reinados e as nações hegemônicas criaram escolas para o estudo siste- mático de técnicas de construção, voltadas para o uso militar. As academias militares são as pre- cursoras das escolas de Engenharia. Conforme consta em Piqueira (2014, on-line): “ A atividade da engenharia era vista como intelectualmente menor, própria dos artífices e artesãos, que passavam seu conhecimento sem preocupação com sistematização ou me- todologia. Pertencia ao mundo dos trabalha- dores braçais, e os intelectuais preocupavam- -se com questões filosóficas e metafísicas. Os exércitos, entretanto, perceberam a im- portância da engenharia para as batalhas, e a arte de construir passou a ser sistematizada, com seu ensino incorporado ao treinamen- As Academias Militares e Escolas Navais como Precursoras das Escolas de Engenharia 51UNIDADE II to de oficiais de maior patente. As escolas de navegação foram decisivas para os descobrimentos, nos séculos XV e XVI. O domínio das técnicas de construção naval e da prática de conduzir navios tornou-se essencial para as nações que procuravam expandir suas fronteiras e buscar riquezas. Essa era a engenharia até o final do século XVII: técnicas de construção de pontes, du- tos, armas e navios, reproduzindo os traços empíricos herdados das gerações anteriores, restritas ao âmbito militar. Nessa época, as Leis de Newton, que haviam sido propostas no início do século 18, deixa- ram de ser vistas como filosofia da natureza, sendo incorporadas aos trabalhos de enge- nharia, que ganharam contornos de projetos, com as construções sendo pensadas com abordagem baseada nos saberes científicos. Em Portugal, uma das nações hegemônicas da época, existia a chamada “Aula de Fortificação e Arquitetura Militar”, escola de engenharia militar, criada no século XVII e transformada, no século XVIII, na “Academia Militar da Corte”. Em Ma- drid, a Academia de Matemáticas y Arquitectura foi criada como sucessora da “Escola de Moços Fidalgos do Paço da Ribeira”. A Guerra da Restauração da Independência Portuguesa (1640-1668) gerou a necessidade da criação de uma Academia de Arquitetura Militar, fundada em 1647, por decreto de João IV de Por- tugal. Essa academia era localizada em Lisboa e nela eram lecionadas Matemática e Fortificação, sendo considerada uma das precursoras do ensino superior militar e do ensino da engenharia no país. No Brasil, as seguintes instituições foram formadas: • Em Salvador, na capitania da Bahia, a Es- cola de Artilharia e Arquitetura Militar (1696); • Na cidade do Rio de Janeiro, a Aula das Fortificações e Arquitetura (1698). Em Portugal, no ano de 1701, foi criada, também, uma Escola, na cidade de Viana do Castelo, que teve uma ação expressiva nas cidades fortifica- das do Norte do país. Em 1707, essa Escola foi transformada na Academia Militar da Corte, encerrada em 1779. Em 1790, a Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho passa a exercer importante papel no desenvolvimento da arquitetura e construção naval. Nesse contexto nasceu a primeira escola bra- sileira considerada de nível superior: a Escola Naval. No início do século 19, Dom João VI, ao transferir a corte portuguesa para o Brasil, trouxe a Escola Naval de Portugal, que aqui se estabeleceu formando oficiais de alto nível até os dias de hoje. A Engenharia brasileira tem, na sua origem, for- tes laços com as instituições militares. O trabalho constante do site a seguir é uma ótima referên- cia para entender como essa relação se deu. Acesse o link disponível em: <http://www. cporpa.eb.mil.br/images/2016/int/hist_mil/UDIV/ Apostila_Historia_Militar_Brasileira_Cap_6.pdf>. O progresso tecnológico experimentado a partir do século XVIII origina-se na adoção do método científico proposto por Galileu e resumido na frase: “A natureza é como um livro que se lê com caracteres matemáticos” (Galileu Galilei). Conforme pudemos observar neste histórico da En- genharia, da Antiguidade até o início do século XVII, a atividade de construir e modificar o meio que nos cerca, buscando o conforto e a melhoria da qualida- de de vida da espécie humana seguiu, sempre, uma perspectiva naturalista guiada por um fio condutor racionalista na interpretação dos fenômenos naturais. Essa perspectiva filosófica deixa claro que a Engenharia seguiu, sempre, os passos da razão, descoberta na Grécia antiga, trazendo à tona os princípios da ciência e da metafísica. Observando racionalmente a natureza, o ser humano foi capaz de construir verdadeiras maravilhas, roteiro que se interrompeu na Idade Média, período em que a ra- zão se submeteu à religião. Tal submissão tornou o conhecimento uma propriedade de uma instituição, que dele se serviu para progredir e dominar, dei- xando que o restante se submetesse à degradação. O Positivismo 53UNIDADE II O novo despertar da razão e a revolução científica ocorreram com o Iluminismo, entre os séculos XVII e XIX. A revolução científica se dá pelo embate entre racionalistas e empiristas. O empirismo é represen- tado por Bacon (1561-1626), Locke (1632-1704) e Hume (1711-1776), que acreditavam que a única fonte de conhecimento é a experiência (Figura 6).Figura 6 - Bacon, Locke e Hume (empiristas) Figura 7 - Descartes e Leibniz (racionalistas) Descartes Leibniz Figura 8 - Galileu Galilei Galileu RACIONALISTAS EMPIRISTAS MÉTODO CIENTÍFICO Descartes (1596-1650) e Leibniz (1646-1716) re- presentavam o racionalismo e propunham que o conhecimento se caracterizava por ideias inatas, e a metodologia a ser aplicada deveria ser sempre o questionamento metódico e crítico das fontes de conhecimento (Figura 7). Apesar do embate metodológico, empirismo-ra- cionalismo, os resultados são tentativas de traçar modelos para a natureza. Deve-se a Galileu (1564-1642) (Figura 8) a combi- nação das duas metodologias, resumidas, a seguir, como “método científico”. Locke Hume Bacon 54 A engenharia como atividade artesanal e o surgimento das primeiras escolas O conceito de mente estruturadora, com refe- rências objetivas, passou a ser um importante pa- radigma filosófico que, combinado com o avanço científico da época, levou a perspectivas de refor- mulação social e progresso expressas por Augusto Comte (1798-1857) em seu positivismo (Figura 10). Comte acreditava na reforma da sociedade pela reformulação das mentes e pela revolução científica. Teríamos uma revolução pacífica, li- derada por especialistas educados pelo método científico. Os positivistas propõem que a teoria seja for- temente baseada na prática com a matematiza- ção das experiências, sem problematizar qualquer questão a respeito do conhecimento. Esse foi o mote para a criação de um grande número de escolas de engenharia em todo mundo, entre 1700 e 1900, com a crença de que o apren- dizado matemático, suportado por leis e regras vindas da experimentação, criaria uma sociedade mais livre e independente, vivendo com conforto. Figura 10 - Augusto Comte Comte Figura 9 - Immanuel Kant e Crítica da Razão Pura Kant Passos do método científico (segundo Galileu): • Conceber uma ideia (razão); • Montar uma experiência (empirismo) e traduzi-la em caracteres matemáticos (ra- zão e empirismo); • Observar os resultados (empirismo) e compará-los com as hipóteses (razão e empirismo); • Formular leis (empirismo e razão). Nesse contexto, a ciência passou por um progresso tão grande que trouxe à baila importantes ques- tões filosóficas, que aparecem no trabalho de Kant (1724-1804), em sua obra seminal Crítica da Ra- zão Pura (Figura 9). O ponto central da contribuiçãode Kant é a separação estabelecida entre o conhecimento e a metafísica, retomando o conceito de sujeito, estabelecido por Descartes e a possibilidade de estabelecer um sujeito associado a um conheci- mento objetivo. 55UNIDADE II Embora, no âmbito militar, já houvesse educação em engenharia para oficiais graduados, a possi- bilidade da ampliação de sua metodologia para aplicações do cotidiano, no contexto aqui descrito, levou à criação de Escolas de Engenharia para a população civil, voltada para as elites sociais a serem convertidas em lideranças das reformas. Vários cientistas franceses, tais como Poisson, Navier, Coriolis, Poncelet e Monge, contribuíram para a definição de uma abordagem tecnológica, com fundamento científico, resultando na funda- ção, em Paris, em 1794, da École Polytechnique (Escola Politécnica), que tinha como finalidade formar lideranças para o novo modelo social a ser implantado. Entretanto, em 1747, havia sido criada, tam- bém na França, aquela que é considerada a pri- meira Escola de Engenharia do mundo, a École des Ponts et Chaussées (Escola de Engenharia Civil) que se diferenciava da École Polytechnique por formar especialistas em problemas de Enge- nharia, independentemente de modelos sociais. Era o Positivismo transformando os enge- nheiros de operários e artífices da construção em protagonistas das mudanças sociais do mundo moderno. O Positivismo teve forte influência na Engenharia do século XVIII, levando a Ciência para a práxis tecnológica. Para conhecer uma interessante visão do assunto, acesse o link: <http://vivianes. blogspot.com/2011/04/discussao-sobre- abordagem-positivista.html>. O método científico de Galileu e a postura de busca da verdade na natureza são os principais responsáveis pelo progresso da Engenharia. O positivismo incentivou o ensino da técnica, aliada à ciência, desenvolvendo o ensino da Engenharia em todo mundo, no século XIX. O desenvolvimento da ciência e da tecnologia, nesse período, em áreas como extração de miné- rios, siderurgia e metalurgia, além das construções de pontes e canais, foi notável, trazendo como consequência a necessidade do amplo domínio dessas áreas. Essa necessidade foi responsável pela criação das três primeiras escolas de Engenharia fora do âmbito militar: • École des Ponts et Chaussées, fundada em 1747, na França, de caráter prático e vol- tada para as construções; O Positivismo e as Escolas Politécnicas 57UNIDADE II • École Polytechnique, fundada em 1794, na França, de caráter mais teórico e des- tinada à formação de pesquisadores em Engenharia; • École de Mines, fundada em 1783, na Fran- ça, de caráter prático e destinada à explo- ração de recursos minerais. É a Engenharia, vista agora como profissão dig- na de respeito intelectual e aliada ao Positivis- mo, que levou à disseminação das chamadas Escolas Politécnicas, na Europa e na América do Norte. São exemplos disso as Escolas Politécnicas de Praga (1806), Viena (1815), Kerlsruche (1825), Munique (1827). Entre as escolas europeias, a de maior importância foi a de Zurique (1854). Nos Estados Unidos, os principais exemplos são o Car- negie Institute of Technology (1905), o Califórnia Institute of Technology (1919) e o MIT - Massa- chusetts Institute of Technology (1865). De uma maneira geral, eram institutos eliti- zados e voltados para as bases do positivismo: formar os dirigentes da nova sociedade. Conside- rando o panorama brasileiro, pode-se afirmar que a primeira Escola de Engenharia não-militar foi a Escola de Minas de Ouro Preto, em 1876, no mes- mo padrão da École de Mines de Paris, atendendo os interesses da Monarquia e voltada à exploração das riquezas minerais de nosso território. No Rio de Janeiro, instalou-se, em 1858, a Es- cola Central, de origem militar (Academia Real Militar), destinada exclusivamente à formação de engenheiros militares e de um pequeno número de civis, ligados à elite monarquista. Em São Paulo, os últimos anos do século XIX assistiam ao grande crescimento econômico, ori- ginário da cultura do café. Os jovens das famílias cafeeiras iam para a Europa realizar seus estudos. Entre esses jovens abastados estava Antônio Francisco de Paula Souza (1843-1917) (Figura 11) que estudou Engenharia na Alemanha e na Suíça. De volta ao Brasil, com espírito liberal e republi- cano, aboliu a escravatura em suas propriedades antes da Lei Áurea e, contagiado pelo Positivismo, sonhou a criação de uma escola de Engenharia que promovesse o progresso tecnológico e eco- nômico da população brasileira. Figura 11 - Antônio Francisco de Paula Souza Fonte: Instituto de Pesquisas Tecnológicas ([2017], on-line)1. Figura 12 - Teodoro Sampaio Fonte: Engenheiro de Vida (2014, on-line)2. 58 A engenharia como atividade artesanal e o surgimento das primeiras escolas Aliado a Teodoro Sampaio (Figura 12), apresen- tou seu projeto de Escola à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, sendo diariamente com- batido por Euclydes de Cunha que, em artigos publicados em importante jornal paulista, quali- ficava o projeto de mirabolante e desnecessário. Como consequência, o projeto de Paula Souza e Teodoro Sampaio foi reprovado em sua primeira proposição. Depois de dois anos de trabalho e negociações, a Assembleia Legislativa de São Pau- lo regulamentou, em setembro de 1893, a Escola Politécnica de São Paulo. Outro grupo positivista brasileiro importante surgiu no Rio Grande do Sul e fundou a Escola de Engenharia de Porto Alegre, em 1896. Essa escola forneceu parte significativa dos quadros técnicos das secretarias e agências do estado nas décadas seguintes, notadamente da Secretaria dos Negócios e de Obras Públicas. Duas outras Escolas Politécnicas foram cria- das no Brasil dentro do movimento positivista: Bahia (1897) e Pernambuco (1912). As Escolas Politécnicas, a Escola Central do Rio de Janeiro e a Escola de Minas são responsáveis por muito do progresso experimentado pelo Brasil no século XX, servindo de modelo e de suporte para outras excelentes escolas hoje existentes. Nesta unidade, apresentamos como a Enge- nharia passou a adotar os conhecimentos cien- tíficos em suas atividades de natureza tecnoló- gica, dando início às atividades de formação dos primeiros Engenheiros, inicialmente no âmbito militar e, posteriormente, no civil. Um resumo histórico do aparecimento das primeiras escolas de Engenharia no Brasil e no mundo mostrou a atividade do Engenheiro como elemento transformador da natureza, em benefício da sociedade. Para saber mais sobre Engenharia e Positivismo no Brasil, leia Positivistas e republicanos: os professores da Escola de Engenharia de Porto Alegre entre a atividade política e a administração pública (1896- 1930) de Flávio Heinz, disponível em: <http://observatory-elites.org/wp-content/uploads/2011/11/ Heinz-Positivistas-e-republicanos.pdf>. 59 1. As pirâmides do Egito foram construídas por: a) Escravos dos faraós. b) Extraterrestres. c) Sacerdotes. d) Trabalhadores assalariados. e) Escravos estrangeiros. 2. Os teatros gregos servem de modelo para: a) Projetos de residência. b) Projetos de estádios. c) Projetos de salas de estudo. d) Projetos de tribunais de júri. e) Projetos de áreas de recreação. 3. Na Grécia e Roma Antigas, a concepção das construções era feita por: a) Senadores. b) Imperadores. c) Engenheiros. d) Pintores. e) Arquitetos. 4. Os dispositivos mecânicos desenvolvidos na Antiguidade, fundamentados na geometria, foram: a) Roldanas e catapultas. b) Roldanas e balões aferidos. c) Guindastes e catapultas. d) Carregadores e roldanas. e) Moinhos e válvulas hidráulicas. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 60 5. (MACKENZIE)- Sendo de 180 m3 por minuto a vazão de uma cascata e tendo a água a velocidade de 4 m/s, qual a potência hidráulica desenvolvida por essa cascata? 6. Nos séculos XVI e XVII, o progresso da Engenharia é, majoritariamente, devido: a) À construção de estradas entre reinos. b) Às grandes navegações. c) À independência das nações americanas. d) Ao comércio de especiarias entre a Europa e a América. e) À construção de redes de esgotos. 7. A primeira escola militar brasileira foi estabelecida em: a) Pernambuco. b) São Paulo. c) Bahia. d) Rio de Janeiro. e) Rio Grande do Sul. 8. Para o empirismo, a única fonte legítima de conhecimento é: a) O cérebro humano. b) Qualquer rede de neurônios. c) O universo dos números. d) A experiência. e) O raciocínio lógico. 9. São representantes da filosofia empirista: a) Locke, Hume e Bacon. b) Locke, Descartes e Bacon. c) Descartes, Hume e Bacon. d) Locke, Hume e Kant. e) Kant, Descartes e Galileu. 61 10. A filosofia racionalista diz que a única fonte legítima de conhecimento é: a) A experiência. b) O raciocínio. c) As leis religiosas pré-estabelecidas. d) Os escritores consagrados. e) O trabalho braçal. 11. Os principais filósofos representantes do Racionalismo foram: a) Leibniz e Cauchy. b) Einstein e Descartes. c) Galileu e Leibniz. d) Eistein e Bohr. e) Leibniz e Descartes. 12. O método científico de Galileu é: a) Empirista. b) Racionalista. c) Religioso. d) Uma combinação de Empirismo com Racionalismo. e) Baseado nas Sagradas Escrituras. 13. As primeiras escolas de engenharia não-militares foram criadas na: a) Inglaterra. b) França. c) Noruega. d) Suíça. e) Holanda. 62 14. O grande progresso da Engenharia no século XIX se deve: a) Ao ensino de filosofia. b) Ao ensino de literatura. c) Ao ensino aliando teoria e prática. d) Ao trabalho de campo. e) À disciplina nas escolas militares. 15. A Escola de Engenharia de Ouro Preto foi criada para desenvolver: a) Os transportes. b) A construção de moradias. c) A geração de energia. d) A exploração de recursos minerais. e) A agricultura. 63 Ensino de Engenharia: do positivismo à construção de mudanças para o século XXI Autor: Fernando Schnaid, Milton Antônio Zaro, Maria Izabel Timm Editora: UFRGS-Editora Sinopse: o livro é uma coletânea de artigos organizados pelo núcleo de ensino de Engenharia da UFRGS. Seu conteúdo é dividido em dois grandes blocos: Parte I – A formação de engenheiro: desafios históricos culturais e filosóficos; Parte II – Tecnologias educacionais e ensino a distância e seu uso no ensino de Engenharia. Comentário: textos de excelente qualidade, úteis para o jovem estudante e para o orientador em Engenharia. LIVRO 64 BUNGE, M. Matéria e Mente. São Paulo: Perspectiva, 2017. SCHANAID, F.; ZARO, M. A.; Timm, M. I. Ensino de Engenharia: do positivismo à construção das mudanças para o século XXI. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2006. PIQUEIRA, J. R. C. Reflexões sobre história do ensino de Engenharia. Porvir: Inovações em Educação, 2014. Disponível em: <http://porvir.org/reflexoes-sobre-historia-ensino-de-engenharia/>. Acesso em: 13 nov. 2017. REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: < http://www.ipt.br/institucional/campanhas/12personalidades_ipt___antonio_francisco_de_paula_ souza.htm>. Acesso em: 10 nov. 2017. 2Em: < http://engenheirodevida.blogspot.com.br/2014/11/uma-homenagem-aos-engenheiros-negros.html>. Acesso em: 10 nov. 2017. 65 1. D 2. B 3. E 4. A 5. 24 000 W 6. B 7. C 8. D 9. A 10. B 11. E 12. D 13. B 14. C 15. D 66 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Discutir como, ao longo do século XX, a Ciência se com- partimentou e como a Engenharia seguiu os mesmos caminhos. • Mostrar a proliferação de denominações, de divisões e subdivisões, que influenciou a prática da Engenharia e afetou o desempenho profissional. • Discutir como as modalidades podem ser agrupadas em grandes áreas: Civil, Mecânica, Elétrica e Química. • Discutir possíveis divisões de tarefas nas áreas: Projeto, Execução, Operação e Manutenção. • Discutir de maneira genérica como a construção de um conjunto habitacional envolve as diversas modalidades da Engenharia. Divisão de tarefas, divisão de competências As Modalidades de Engenharia Divisão de tarefas Integração de tarefas Uma divisão aceitável Dr. José Roberto Castilho Piqueira Engenharia: do Positivismo à Integração Divisão de Tarefas, Divisão de Competências Cientistas contribuem para o entendimento da natureza; Engenheiros, para modificá-la, em be- nefício do ser humano. O século XX inicia-se com o amadurecimento das engenharias Civil e Mineral e a emergência das engenharias Elétrica e Mecânica. Em nossas discussões anteriores, insistimos em apresentar a atividade de Engenharia como trans- formadora da natureza, em benefício da espécie humana, e relatamos o fato de que, no final do século XIX, a atividade de formação e ensino das técnicas de construção, obtenção de materiais e de industrialização marcaram o início do reco- nhecimento profissional do Engenheiro. Vamos, então, nos aprofundar melhor no en- tendimento da função do engenheiro, tentando distingui-la daquela exercida pelo cientista, em- 69UNIDADE III Figura 1a – Riacho Figura 1b - Córrego canalizado bora a proximidade e superposição entre elas seja, de maneira geral, inevitável. A divisão natural/artificial, com a qual nos acostumamos desde nossa infância, pode ajudar nessa distinção. Grosseiramente, consideramos natural aquilo que encontramos à nossa volta cujas existência e formação dependeram, apenas, de fenômenos da natureza, sem a influência do homem. Por artificial, consideramos aquilo que encontramos e que, de alguma maneira, seja re- sultado da ação humana. Um riacho, no meio da floresta, é um objeto natural (Figura 1a); um cór- rego canalizado, artificial (Figura 1b). Manter a riqueza e a biodiversidade das águas e florestas é tão fundamental para o ser humano como canalizar um córrego, viabilizando a vida urbana saudável. Esse é o principal papel do en- genheiro moderno: saber discernir entre o pre- servar e o transformar, respeitando a vida que nos rodeia. No entanto, desenvolver a competência e o discernimento do engenheiro só é possível com seu bom entendimento dos fenômenos físicos, químicos e biológicos. Os Físicos estudam do que a matéria é com- posta, quais são as leis de interação entre as partes da matéria e como a energia manifesta-se, trans- forma-se e se conserva. Já os Químicos, com o conhecimento da Física, estudam como a matéria se agrupa e se transforma, alterando a composição de elementos e substâncias, natural ou artificial- mente. Biólogos, munidos da Física e da Química, estudam a formação dos seres vivos, animais ou plantas, de maneira geral. Isto é, cientistas olham para os objetos procurando respostas sobre como eles se formaram, de que são feitos e como se com- portam. Engenheiros olham para os objetos pen- sando em como combiná-los para a obtenção de novos objetos e sistemas, úteis à sociedade. 70 Engenharia: do positivismo à integração As ciências, à medida que aprofundaram seus conhecimentos, foram se fragmentando ao lon- go dos séculos XIX e XX: a Física em Mecâ- nica Clássica, Eletromagnetismo, Estrutura da Matéria, Cosmologia, Relatividade, Mecânica Quântica, a Química em Orgânica, Inorgânica, Bioquímica, Físico-Química, Química Analí- tica, a Biologia em Citologia, Histologia, Ge- nética, Fisiologia, Botânica, Zoologia. Enfim, o conhecimento científico humano progrediu e se acumulou em tal quantidade e qualidade que não há cérebro capaz de, nem ao menos,enumerar todos os ramos. A Engenharia, filha da Ciência e sua discí- pula, passou pelo mesmo processo. No início da fase em que, além dos militares, os civis passaram a estudá-la (final do século XVIII e início do século XIX), havia apenas duas modalidades. A Engenharia Civil, com suas construções, pon- tes, estradas, sistemas de abastecimento de águas e coletas de esgoto (Figura 2a) e a Engenharia Mineral, trabalhando a exploração e a obten- ção das riquezas minerais, transformando-as em matérias para as mais variadas finalidades (Figura 2b). Um fenômeno ocorrido no século XIX foi a chamada Revolução Industrial, originária do uso da máquina a vapor nas indústrias e nos trans- portes, automatizando processos de produção e criando meios de transporte de massas (Figura 3). As máquinas térmicas, representadas pelos traba- lhos de Sadi Carnot (1796-1832), aproveitavam os conhecimentos da Termodinâmica e, acrescidas das máquinas simples (polias, talhas, alavancas) usadas nas construções, foram o embrião do que se chama hoje de Engenharia Mecânica. Figura 2a - Engenharia Civil: Ponte Figura 2b - Engenharia Mineral: Mina de ouro 71UNIDADE III Figura 5a - Engenharia Elétrica – Energia Figura 5b – Engenharia Elétrica: Comunicações Figura 3 - Locomotiva a vapor Figura 4 - Michael Faraday A descoberta do fenômeno da indução eletromag- nética, por Michael Faraday (1791-1867) (Figura 4), é outro marco importante na engenharia do final do século XIX. A possibilidade da obtenção de correntes elétri- cas por variação de fluxo magnético, sem conexão física entre circuitos, permitiu o desenvolvimento das máquinas elétricas, da geração de grandes blo- cos de energia elétrica e da transmissão de sinais à distância. Chegamos, então, aos primórdios da engenharia elétrica de Energia (Figura 5a) e de Comunicações (Figura 5b). Começa, então, o século XX com marcantes di- visões de trabalho: entre a Ciência e a Engenharia, o entendimento e a modificação da natureza. Na Ciência: a Física e a Química dos objetos não vivos, a Biologia, ocupada com a vida. A Engenharia, com a Mecânica e a Elétrica desprendendo-se da Civil e a Mineral, aprimorando seus processos metalúrgicos. 72 Engenharia: do positivismo à integração O século XX foi o século da especialização, que gerou grande progresso tecnológico nas diversas áreas da Engenharia. A seleção de conquistas do século XX, proposta por Neil Armstrong, permite entender a presença das diversas modalidades da Engenharia na civilização moderna. O século XX assistiu uma hiper especialização em todas as áreas do conhecimento. Novas pro- fissões surgiram, e a Engenharia passou a receber um grande número de adjetivos. Essa especiali- zação, embora tenha gerado grandes progressos, afastou-nos das Ciências básicas, trazendo perdas para nossa formação. Entretanto falaremos disso no decorrer de nosso percurso pelas próximas unidades. Falando um pouco em primeira pessoa, consi- dero a imensa quantidade de adjetivos utilizados (Civil, Ambiental, Sanitária, Mecânica, Mecatrôni- As Modalidades de Engenharia 73UNIDADE III Materiais de Alto desempenho Ligas metálicas com propriedades elétricas e me- cânicas especiais (Figura 7), materiais cerâmicos e materiais semicondutores são pertinentes ao traba- lho dos Engenheiros Metalurgistas, Engenheiros de Microeletrônica, com forte suporte da Engenharia Química e da Engenharia Mecânica de Processos. Figura 7 - Perfis especiais de aço Tecnologia Nuclear Diferente do que popularmente se apregoa, a tec- nologia nuclear é de grande valia para o homem, não só na geração de energia (Figura 8a) como na fabricação de fármacos (Figura 8b) relacio- nados ao tratamento de doenças graves, além, é claro, das tecnologias relativas a imagens médicas e odontológicas. ca, Elétrica, Eletrônica, Telecomunicações, Auto- mação, Computação, Química, Metalúrgica, Ma- teriais, Naval, Aeronáutica, Produção, Nuclear e muitos outros) mera consequência de ações mer- cadológicas e de reserva de mercado de trabalho. Por essa razão, de agora em diante, falaremos das grandes conquistas da Engenharia no século XX, associando a elas possíveis denominações, ad- jetivos e códigos, considerados irrelevantes, uma vez que a Engenharia é multidisciplinar na essên- cia e se fundamenta no bom uso da Matemática, da Física, da Química e da Biologia. A maior conquista da Engenharia do século XX foi, sem dúvida, a chegada do homem à Lua, em 20 de julho de 1969 (Figura 6). As viagens espaciais nos anos 60 eram o grande agende mo- tivador dos jovens para a escolha da área de En- genharia como profissão. Neil Armstrong (1930-2012), primeiro homem a pisar na Lua, em palestra realizada na Academia Nacional de Engenharia, em 22 de fevereiro de 2000, apresentou vinte itens, considerados por ele as grandes conquistas da Engenharia do século XX. Apresentaremos esses pontos agrupados, co- mentando-os brevemente e os contextualizando no universo de denominações da Engenharia ha- bituais no Brasil. Figura 6 - Neil Armstrong em selo comemorativo 74 Engenharia: do positivismo à integração Para regulamentar e dirigir o uso dessas tecnolo- gias na área da saúde, a formação em Engenharia Biomédica é adequada. Engenheiros Civis se en- volvem na construção de fundações e edifícios de contenção para os reatores. Engenheiros Mecâni- cos e Eletricistas projetam os sistemas de troca de calor e energia. Cabe aos Engenheiros Químicos e de Materiais os projetos relativos aos chamados combustíveis nucleares, que são o ponto de partida dos me- canismos energéticos. Em algumas escolas de Engenharia estrangeiras e brasileiras, há a habilitação de Engenharia Nuclear, com noções básicas das Enge- nharias citadas, enfati- zando o projeto, insta- lação e manutenção das plantas nucleares. Essa é uma área de grande atuação dos Físicos, que desenvolveram lasers potentes e al- tamente controláveis (Figura 9a). Figura 8b – Tecnologia nuclear: Fármaco. Figura 8a - Tecnologia nuclear: núcleo de um reator 75UNIDADE III Os Engenheiros Eletrônicos e Biomédicos conce- beram, a partir deles, equipamentos hospitalares e odontológicos (Figura 9b) de grande precisão. Na área de Telecomunicações, os lasers, alia- dos às fibras ópticas, mudaram o mundo da in- formação, a partir do trabalho dos Engenheiros Eletrônicos e de Telecomunicações. Não podemos deixar de citar que, dada a pre- cisão necessária para a construção das antenas e dos dispositivos ópticos, a atuação da Engenharia Mecânica foi, também, de grande importância. Figura 9b - Laser Odontológico Figura 9a – Laser Controlável 76 Engenharia: do positivismo à integração Tecnologias de Petróleo e Gás Os combustíveis fósseis foram, e ainda são, os res- ponsáveis pela matriz energética mundial. En- genheiros Civis projetam, constroem e operam instalações de exploração e refino. No final do século XX, a exploração de petróleo “off-shore” passou por um grande desenvolvimento, empre- gando um grande número de Engenheiros Navais no projeto, construção e operação de plataformas (Figura 10). O armazenamento, refino e obtenção das composi- ções especificadas para os combustíveis é trabalho dos Engenheiros Químico. A cadeia produtiva do setor de petróleo e gás tornou-se tão sofisticada que Engenheiros de Produção e Logísticas executam tra- balhos de alta sofisticação metodológica para a área. Tecnologias de Saúde Engenheiros Mecânicos, Eletricistas e Biomédicos constroem equipamentos hospitalares, como res- piradores, tomógrafos, laparoscópios, equipamen- tos de ressonância magnética, instrumentos de medição e instrumentos cirúrgicos, complemen- tando e facilitando o trabalho dos profissionais de saúde (Figura11a). Materiais sofisticados para próteses e órteses (Figura 11b) são desenvolvidos por Engenheiros Mecânicos e de Materiais, salvando vidas e recupe- rando funções perdidas por acidentes ou doenças. Figura 11b - Implante de titânio em fratura Os Engenheiros Biomédicos e de Computação têm obtido sucesso na construção de dispositivos, fundamentados em inteligência artificial, para a recuperação de funções perdidas por lesões me- dulares. Figura 10 - Plataforma de Petróleo Figura 11a - Equipamento de respiração mecânica 77UNIDADE III Figura 12 - Eletrodomésticos Eletrodomésticos, Ar con- dicionado e Refrigeração, Rádio e TV Liquidificadores, batedeiras, fornos de micro-on- das, ventiladores, aparelhos de ar condicionado, fogões sofisticados, aparelhos de TV, computa- dores pessoais, máquinas de lavar fazem parte do mundo moderno, sendo impensável viver sem eles (Figura 12). São produtos da criatividade e da Engenharia, que mistura a Eletricidade com a Mecânica, in- dustrializados em larga escala. Tecnologia de Imagens Tomografias, ultrassom, PET-Scan passaram a ser correntes na vida dos médicos. Técnicas e algorit- mos, desenvolvidos por Engenheiros de Compu- tação e Biomédicos, proporcionam diagnósticos precisos, por técnicas não invasivas (Figura 13a). Os mesmos algoritmos invadiram a arte e o entretenimento, levando a precisão extrema do processamento digital de sinais aos dispositivos de fotografia e filmagem de uso corrente (Figura 13b). Figura 13b - Câmera fotográfica Figura 13a – Diagnóstico 78 Engenharia: do positivismo à integração Internet Iniciada por uma rede militar estratégica dos Esta- dos Unidos (Arpanet), mudou a vida das pessoas, proporcionando acesso ao mundo da informação em um simples apertar de botão (Figura 14). Engenheiros, Físicos, Matemáticos, Cientistas da Computação, Biólogos, Médicos, Economistas, Juristas, Linguistas colocam o mundo do conhe- cimento à disposição de todos em sites, blogs e redes sociais. Relações de amizade se refazem, contatos com entes queridos distantes povoam o novo dia a dia das pessoas. Claro que estamos falando só do lado bom da tecnologia. A intriga, a mentira e a infor- mação falsa estão fora da nossa análise. Exploração do Espaço Embora não percebamos isso com clareza, muitas das facilidades incorporadas ao nosso cotidiano tiveram origem nas viagens espaciais. Forno de micro-ondas, Velcro, GPS e lentes de contato nasceram nas pesquisas aeroespaciais, voltadas para as viagens. Até mesmo o tratamen- to para a osteoporose recebeu relevante contri- buição proveniente da análise de tripulantes das viagens. Automóvel e Sistema de es- tradas de rodagem Os sistemas de estradas não são uma invenção do século XX, uma vez que já existiam desde a antiguidade, com os romanos. Entretanto o aper- feiçoamento da fabricação dos automóveis e seu uso maciço como meio de transporte, criando novos hábitos de mobilidade, proporcionou a necessidade de estradas (rodovias) com pisos de alta qualidade e medidas de segurança efetivas. A Engenharia Mecânica aprimorou os auto- móveis (Figura 16) e a Engenharia Civil garantiu a evolução da infraestrutura necessária para seu uso (Figura 17). Figura 15 - Apolo 13Figura 14 – Internet (Figura conceitual) 79UNIDADE III Telefone Soa jurássico, na época de celulares e tablets, lem- brar dos telefones fixos de uma única função. En- tretanto a evolução da telefonia no século XX foi decisiva para que as comunicações transformas- sem nosso planeta em uma aldeia global. Até os anos 50, as ligações eram feitas manual- mente (Figura 18a), por telefonistas, com trans- missão analógica, quando as centrais automáticas cross-point eletromecânicas começaram a aparecer. Nos anos 60, houve uma evolução para as cen- trais eletromecânicas de barras cruzadas (cros- s-bar) (Figura18b), transformando, para os pa- drões da época, a telefonia em confiável e rápido meio de comunicação. A qualidade de serviço da Engenharia de Te- lecomunicações nos anos 60 era tão satisfatória que, nas principais cidades do mundo, imensos congestionamentos telefônicos passaram a ocorrer, por excesso de uso.Para aumentar a capacidade de tráfego das linhas, os laboratórios Bell, de Nova York, conceberam a modulação digital PCM (Pulse Code Modulation). O novo processo de modula- ção, a miniaturização da Eletrônica e a evolução dos computadores, levaram-nos, então, em menos de 20 anos, à integração total dos serviços de co- municação. Figura 16a – 1904 Figura 16b - 2017 Figura 17a - Rodovia de terra Figura 17b - Rodovia Moderna 80 Engenharia: do positivismo à integração Computadores e Eletrônica Na primeira metade do século XX, os circuitos eletrônicos à válvula tiveram grande desenvolvi- mento e impulsionaram a comunicação via rádio, marcando o início das Engenharias Eletrônicas e de Telecomunicações. Além disso, máquinas de computação eletro- mecânicas, concebidas para a realização de cál- culos relativos ao projeto da bomba atômica, em Los Álamos -USA, deram início à implementação efetiva de um computador universal (Máquina de Turing - Figura 19a) (PIQUEIRA, 2016). O célebre trabalho de von Neumann (Figura 19b), propondo a arquitetura do computador uni- versal (VON NEUMANN, 1945) marca o início da Engenharia da computação, nos moldes que hoje conhecemos. A invenção do transistor nos Laboratórios da Bell Telephone, por John Bardeen e Walter Houser Brattain, em 1947, cuja viabilidade foi demonstrada em 23 de dezembro de 1948, por John Bardeen, Walter Houser Brattain e William Bradford Shockley, além de garantir a seus in- ventores o Nobel de Física, em 1956, deu início à chamada era da microeletrônica. A invenção dos circuitos integrados por Jack Kilby, da Texas Instruments e Robert Noycem, da Fairchild Semiconductor, em 1958, acelerou a mi- niaturização dos circuitos, transformando equi- pamentos de telecomunicações e computadores em sistemas cada vez mais compactos e amigáveis. O resultado disso, aliado ao desenvolvimento do processamento digital de sinais, está na mão de toda a população, dada a praticidade dos dis- positivos e seu baixo custo. Figura 19a – Estátua de Alan Turing (1912-1954) Figura 19b – John von Neumann (1903-1957) Figura 18a – Central telefônica manual Fontes: Davidin (2006, on-line)1. Figura 18b – Central telefônica Barras cruzadas Fonte: Museu das Comunicações ([2017], on-line)2. 81UNIDADE III Aviação Falar de aviões emociona os brasileiros. Imedia- tamente pensamos em Alberto Santos Dumont (1873-1932), que, em 1906, realizou um voo con- trolado com seu Oiseau de Proie III. Se foi o primeiro ou não, não é objeto deste tex- to. A verdade é que nós, brasileiros, temos vocação para a Engenharia Aeronáutica e nos orgulhamos do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) e da EMBRAER (Figura 20), instituições de renome mundial nessa sofisticada área tecnológica. Mecanização da Lavoura Durante o século XX, as máquinas agrícolas e a tecnologia agropecuária se desenvolveram a ponto de trabalhar com dispositivos totalmente automatizados em suas diversas tarefas: preparo do solo, semeadura, colheita e armazenamento. Inicialmente, a Engenharia Agrícola teve como principal parceira a Engenharia Mecânica desenvolvendo tratores, arados e colhedeiras. O desenvolvimento da Engenharia de Automação acrescentou à Engenharia Agrícola processos au- tomáticos otimizados aos tipos de máquinas já existentes e, além disso, proporcionou novas má- quinas autônomas que, trabalhando com extrema precisão, controlam níveis e composição de solos. O desenvolvimento da automação agrícola em nosso país édigno de nota. Uma visita ao site da EMBRAPA – Instrumentação (https://www. embrapa.br/instrumentacao) proporcionará uma visão das principais ferramentas disponíveis para a modernização e otimização dos processos produtivos. Figura 20 – O EMBRAER 190: Projetado e Fabricado no Brasil 82 Engenharia: do positivismo à integração Abastecimento de Água e Eletrificação O abastecimento de água, conforme já vimos, é ob- jeto da Engenharia de Construção desde a Roma antiga. No século XX, houve um grande progresso no tratamento e potabilidade da água. É disso que Armstrong falou: como a Engenharia Química e a Engenharia Ambiental aliaram-se à Civil, criando processos e sistemas de abastecimento de água em quantidade e adequada para as diversas tarefas es- senciais à vida (Figura 21). Além da água, outro fator que garante a vida é a energia. No século XX, desenvolveu-se a trans- missão de energia elétrica em corrente alternada, que garantiu a eletrificação maciça dos sistemas de energia (Figura 22). Assim, terminamos esta sessão, esperando que as ideias de Neil Armstrong tenham servido de amos- tra dos saltos da Engenharia, no século XX. Deve- mos entender, entretanto, que essa é apenas uma visão geral e que a Engenharia progride diariamente, tentando seguir o expressivo progresso das Ciências. Figura 22 - Linha de transmissão Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. Pense em como sua moradia foi construída e em como você vive nela. Que modalidades de Enge- nharia você é capaz de identificar? 83UNIDADE III Figura 21 – Estação de tratamento e reciclagem de água O discurso de Neil Armstrong foi a base do texto que você acaba de ler. Você poderá assisti- lo na íntegra no site disponível em: <https:// www.rmastri.it/spacestuff/neil-armstrong/neil- armstrongs-speech-on-engineering-in-the-20th- century-2000/>. 84 Engenharia: do positivismo à integração As modalidades de Engenharia podem ser agru- padas em quatro grandes áreas: Civil, Mecânica, Elétrica e Química. As modalidades Aeronáutica, Naval, Mecatrônica, Minas e Naval são combina- ções de grandes áreas. A Engenharia de Produ- ção perpassa as diversas modalidades, otimizan- do as cadeias produtivas. Conforme foi possível notar, o século XX foi carac- terizado por um forte movimento no sentido da divisão das diversas áreas da Engenharia e a cria- ção de novas denominações, indicando especia- lização e concentração em problemas específicos. Esse movimento acelerou o progresso das áreas, mas tirou do engenheiro sua visão genera- lista e multidisciplinar. Nos centros tecnológicos mais avançados, entretanto, essa verticalização passou a ser questionada, principalmente quando o computador passou a ser elemento facilitador de tarefas repetitivas. Uma Divisão Aceitável 85UNIDADE III A consequência é que o engenheiro, aliviado de muitas tarefas de prancheta e de cálculos manuais, passou a olhar seus projetos de maneira mais glo- bal e entendê-los como inseridos nos ambientes. A principal evidência disso é o amplo sucesso da Engenharia de Produção, criada no Brasil, nos anos 50, que passou a formar profissionais de visão ampla da cadeia produtiva e de logística, desenvol- vendo métodos eficientes de otimização e controle dos processos que envolvem industrialização. Uma proposta interessante, situada no ponto médio entre a especialização e a abordagem ge- neralista talvez seja a divisão da Engenharia em quatro grandes áreas: Civil, Elétrica, Mecânica e Química. A Grande área Civil é responsável pelo projeto, construção, operação e manutenção das obras de infraestrutura essenciais para a vida produtiva e confortável. Sob as denominações Engenheiro Civil, Engenheiro de Infraestrutura, Engenheiro Sanitarista, Engenheiro de Transportes, é respon- sável pelas moradias, praças, estádios, espaços ur- banos, avenidas, ruas e estradas. Essa responsabilidade vai além do projeto e da construção, estendendo-se à otimização do uso dos espaços naturais e criados, além de sua preservação. É também de sua atribuição projetar, construir, operar e manter os sistemas de abaste- cimento de águas e tratamento de esgotos, assim como hospitais, portos e aeroportos. Em todas as atividades, a interação com as En- genharias Elétrica e Mecânica, nas suas diversas áreas, proporciona o devido provimento de ener- gia e de automação/instrumentação dos processos envolvidos. Os portos devem ser trabalhados em conjunto com os Engenheiros Navais e os aeroportos, com os Engenheiros Aeronáuticos. Sob as denomina- ções Engenheiro Eletricista, Engenheiro Eletrô- nico, Engenheiro de Computação, Engenheiro de Telecomunicações, Engenheiro de Sistemas de Potência, Engenheiro de Máquinas, Engenheiro Biomédico a grande área Elétrica é responsável pela geração, transmissão e distribuição da ener- gia elétrica nos locais em que for necessária. Além disso, é responsável pela infraestrutura de comunicações, projetando, instalando, ope- rando e mantendo sistemas que proporcionem as mais diversas formas de comunicação: voz, dados, imagens, rádio, TV de maneira separada ou inte- grada, visando sempre a um consumo mínimo de energia e à rapidez de respostas, nos proces- samentos de sinais. A Engenharia Elétrica é também responsável pela fabricação de componentes (válvulas, resisto- res, capacitores, transformadores, indutores, tran- sistores, circuitos integrados, microprocessadores) essenciais para a montagem de equipamentos dos mais variados tipos de indústria, desde os ele- trodomésticos e entretenimento até a indústria profissional, envolvendo alta tecnologia. A grande área Mecânica é a modalidade que recebeu um menor número de novas adjetivações. Apesar de títulos, como Engenheiro Mecânico, Engenharia Industrial, Engenharia Automobilís- tica e Engenharia de Robótica, manteve suas três áreas clássicas: Máquinas, Energia e Fluidos. Na área de máquinas, estão o projeto, fabrica- ção, operação e manutenção de máquinas, desde as operatrizes para fins industriais até os compo- nentes de automóveis, navios e aviões. Já na área de energia, o estudo do balanço energético dos processos combina com o estudo dos fluidos, tan- to para a finalidade de propulsão como para sim- ples operação de aparelhos de ar condicionado. A grande área Química carrega denominações, como Engenheiro Químico, Engenheiro Meta- lurgista, Engenheiro de Alimentos e Engenheiro de Materiais sendo responsável por praticamente tudo que nos rodeia. 86 Engenharia: do positivismo à integração Controle da qualidade do ar e da água, produ- ção de fármacos e alimentos permitem que a vida se prolongue e tenha qualidade. Materiais cerâmi- cos, metálicos e plásticos contribuem para fabricar brinquedos, instrumentos cirúrgicos, máquinas, mobiliário e computadores. Além disso, adquiriu importância fundamental no mundo moderno, otimizando o processamento de resíduos e os reciclando, o que contribui decisivamente para a sustentabilidade. Não se pode esquecer da Engenharia de Produ- ção, que começou na grande área Mecânica e, hoje, é fundamental em todas, garantindo design e custos compatíveis com as necessidades das populações. É importante, também, ressaltar que há modalidades que combinam grandes áreas. Por exemplo, a Engenharia Ambiental combina Civil e Química, enquanto que as Engenharias Naval e Aeronáutica juntam a infraestrutura da Civil com as três áreas clássicas da Mecânica. Outra modalidade híbrida é a Engenharia de Automação e Controle, ou Mecatrônica, combi- nando Eletrônica, Computação, Mecânica, e Pro- dução transforma a Cibernética em realidade a cada dia que passa (BENNATON, 1986). Finalmente, a Energia de Minas, iniciada no século XVIIIpara o aproveitamento dos recursos minerais, é hoje uma sofisticada combinação da Engenharia Civil com a Engenharia Química. Esta é apenas uma visão geral de uma tentativa de organizar o trabalho multidisciplinar do engenheiro. A Engenharia é tão ampla que, certamente, a abordagem está incompleta. Você é capaz de identificar as modalidades de Engenharia envolvidas na produção de energia elétrica, nas usinas nucleares? Resposta: • Química, na obtenção do combustível. • Metalúrgica, na obtenção dos materiais metálicos sofisticados do reator. • Mecânica, nos diversos tipos de transfor- mação e troca de energia. • Civil, na construção das fundações, prédio e contenção. • Elétrica, no projeto da turbina. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. Conforme você pode notar no texto desta sessão, o engenheiro tem sempre um leque amplo de possibilidades de trabalho. No Brasil, a Engenharia é profissão regulamentada, seguindo normas do CONFEA (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia). Para conhecer essa regulamentação, consulte: <http://normativos.confea.org.br/ementas/visualiza. asp?idEmenta=266>. 87UNIDADE III O trabalho, em todas modalidades de Engenha- ria, apresenta tarefas típicas, como projeto, insta- lação, operação e manutenção. Os diversos pro- fissionais, de acordo com seus perfis, interesses e oportunidades, optam por exercer uma delas e, de acordo com as experiências adquiridas, transitam entre elas. Todas as modalidades de Engenharia possuem um número muito grande de atividades diferen- tes, ligadas ao seu exercício. Embora haja uma certa semelhança entre as modalidades, para cada uma delas há um conjunto diverso do ponto de vista da natureza do trabalho. Por essa razão, nas próximas sessões, que tratam das modalidades em separado, essas atividades se- rão descritas, caso a caso. Entretanto, neste ponto da exposição, daremos uma ideia genérica dessa di- visão de tarefas, a ser aprofundada posteriormente. Divisão de Tarefas 88 Engenharia: do positivismo à integração Especificação Todo trabalho de Engenharia começa com uma especificação que deve conter as características de- sejadas para o produto ou obra. No caso de uma residência, por exemplo, onde se localiza e quais são as dimensões do terreno? Qual a área construída desejada? Quantos cômodos e andares? Como são as redes de água, esgotos, energia e telefonia? Qual o orçamento disponível? Projeto inicial Esse trabalho define as características gerais da obra. Para uma residência: planta baixa com as localiza- ções dos cômodos, dos pontos de energia, dos pon- tos de TV e de Internet. Além disso, a distribuição de água, energia e rede de esgoto devem estar definidas. Projeto executivo O trabalho a ser realizado nessa fase do processo consiste em definir todos os detalhes construtivos ou de fabricação, a quantidade e qualidade do mate- rial a ser utilizado e seu custo associado, as diversas etapas a serem seguidas, bem como as pessoas e custos envolvidos devem estar bem definidos em memoriais e cronogramas. Construção ou Fabricação Toda construção ou fabricação deve ser gerencia- da e acompanhada, para garantir a qualidade de sua execução, os prazos e os custos. Há, aqui, dois tipos de tarefas: a gerência do empreendimento, exercida a partir de programas, como PERT, COM, BIM ou PMO e o acompanha- mento diário, in loco, de cada tarefa de construção e montagem. Via de regra, essas duas tarefas são exercidas por pessoas diferentes e com perfis complemen- tares, administrativo e construtivo. Operação O bom uso de um dispositivo, seja ele uma má- quina, uma estrada, um porto ou um aeroporto, requer acompanhamento diário de engenheiros e técnicos, responsáveis por normas de operação e atendimento, bem como leituras diárias de ins- trumentos de medição de parâmetros críticos. Manutenção As medições obtidas por operadores dão sinais da necessidade de pequenos reparos preventivos e de interrupções de uso para que o bem ou equipamento não se deteriore. A isso se dá o nome de manutenção preventiva, exercida e supervisionada por engenheiros. Acidentes e funcionamentos inadequados ocor- rem, mesmo quando a manutenção preventiva é boa. Recuperar o bem ou equipamento danificado é função dos engenheiros de manutenção corretiva. Essa é uma visão aproximada das funções co- muns a todas as modalidades de engenharia. Os perfis pessoais dos engenheiros devem, em geral, ser compatíveis com suas funções. Conforme discutido nesta sessão, o planejamen- to e acompanhamento de projetos e obras são decisivos para seu sucesso. O PMI (Project Ma- nagement Institute) é um órgão independente que certifica engenheiros para essa atividade, usando ferramentas de alto nível. Para saber mais sobre o PMI, visite o site: <https:// search.pmi.org/default.aspx?q=PMO>. 89UNIDADE III O final do XX trouxe a reintegração das Ciências e a verdadeira multidisciplinaridade. A Engenharia, beneficiando-se dessa multidisciplinaridade e das ferramentas de “Big Data”, chega ao século XXI integrando modalidades e saberes. No final do século XX e início do século XXI, com a automação de um grande número de tarefas, antes dos engenheiros, apareceram as ideias de integração de tarefas e o consequente conceito de Engenharia da Complexidade. Para conceituar complexidade no contexto da atividade de Engenharia, é necessário enfrentar o significado conotativo atribuído à palavra, ao lon- go dos anos. No dia a dia do Engenheiro, comple- xo é tudo que apresenta dificuldades especiais em relação à concepção, ao projeto, à montagem e à operação. Por exemplo, uma ponte ou uma via ele- vada é uma obra que pode ser de alta dificuldade. Integração de Tarefas 90 Engenharia: do positivismo à integração Sua concepção inicia-se com necessidade de ligar dois locais separados por algum fator geográfico que impede ou dificulta o trânsito de pessoas e veículos. Nessa fase, estão presentes fatores econômicos, sociais, ambientais e financeiros que determinam a localização e o custo máximo permitido que, uma vez definidos, dão a partida para as primeiras especificações da obra. Possíveis esforços naturais a serem suportados, cargas permissíveis devidas ao tráfego e aos fato- res geométricos dão início aos cálculos. Esforços solicitantes e possíveis variações atmosféricas proporcionam a definição dos materiais, vigas, pilares, pavimentação e sustentação. Em seguida, vem o projeto executivo. Todos os materiais e custos de mão de obra são detalhados para que a obra possa ser iniciada e comece a sair do mundo do papel. A construção é árdua e requer acompanhamento constante para sanar proble- mas não previstos no projeto e que são inevitáveis durante o trabalho de implementação. Pronta e inaugurada, a ponte ou via elevada precisa ser mantida, com medições constantes usando sensores de posição e de cargas. O resul- tado dessa monitoração permite a prevenção e correção de falhas. Recorrendo ao sentido habitual da palavra, todos concordarão que conceber, projetar, cons- truir e manter uma ponte constitui um complexo problema de engenharia. Outro possível exemplo é o da concepção, do projeto, da construção e da operação de uma ave- nida ligando dois bairros de uma cidade, com o in- tuito de melhorar a mobilidade urbana. Definir o traçado da via é o ponto de partida, problema que pode envolver complicadas questões econômicas, sociais e ambientais. Não basta o conhecimento geométrico para essa tarefa: o planejamento ur- bano, combinando tráfego de veículos e pessoas, aliado ao atendimento das populações a serem deslocadas, são elementos essenciais nessa tarefa. Definido o traçado, há o projeto queenvolve alterações de uso do solo, com demolições, proce- dimentos de terraplenagem, definições de pisos e bordas e o projeto executivo, prevendo o preparo dos materiais e máquinas, bem como os custos de mão de obra. Do papel para a realidade, tarefa di- fícil, com trabalho durante possíveis intempéries, com alterações de circulação de veículos e pessoas no entorno dos canteiros de obra. Depois das inaugurações, discursos e cortes de fitas, há a operação e manutenção, com me- dições que podem ser sofisticadas e ações que podem influenciar a rotina diária de motoristas e usuários de transporte individual e coletivo. Mais uma vez, usando a linguagem diária, conceber, projetar, construir e manter uma avenida é tarefa de complexidade considerável. Essa ideia de complexidade, explorada nos dois exemplos, carrega a carga semântica da disjunção, isto é, o problema complexo da implantação de uma ponte ou via elevada é visto como decom- posto em sequência de operações, realizadas por pessoas diferentes que executam tarefas aparen- temente estanques e sem conexão. A ponte ou via elevada são vistas e estudadas como sistemas fechados. Suas interações com o entorno são compreendidas de uma maneira probabilista, como se fossem responsáveis pelo imponderável, atribuindo-se a elas fatores de se- gurança que, nem sempre, funcionam adequa- damente. A queda do elevado Paulo de Frontin (Rio de Janeiro) e o incêndio sob a ponte da Avenida San- to Amaro (São Paulo) são exemplos ilustrativos dessa falha de abordagem. Da mesma maneira, a construção da avenida, da qual a ponte ou via elevada podem fazer parte, se for vista como sistema fechado pode trazer mais prejuízos do que benefícios. Basta olhar o “Minho- cão” de São Paulo para entender o estrago urbano causado por uma melhoria de tráfego. 91UNIDADE III O pensamento complexo aparece em um con- texto complementar ao da prática atual da enge- nharia cujos sucessos poderiam ser enumerados em todas as áreas da atividade humana. Trata-se de adicionar aos trabalhos três novos pontos de vista: as obras como sistemas abertos, a emergên- cia de fenômenos resultantes das não linearidades e o olhar da incompletude. Assim, passamos a entender a Engenharia da Complexidade como aquela que adiciona à visão tradicional da disjunção e do fechamento dos sistemas uma abordagem aberta, não linear e com a incompletude em sua gênese. Apoia-se nas conquistas e nos conhecimentos bem estabeleci- dos, mas proporciona uma abordagem global e transdisciplinar, trabalhando a noção de sistemas (VON BERTALANFY, 1968). Essa é a Engenharia do século XXI, integran- do os mais variados conhecimentos científicos e fazendo uso das ferramentas de “Big Data”, ori- ginária da moderna Engenharia da Computação. Caro(a) aluno(a), nesta unidade você viu como a compartimentalização das Ciências e da Enge- nharia, no século XX, levou a espécie humana às conquistas tecnológicas com as quais convivemos hoje. Além disso, percebeu como essas conquis- tas remeteram-nos à reintegração dos diversos compartimentos da Ciência e da Engenharia, con- duzindo-nos a um século XXI de grandes pers- pectivas para a preservação da vida e do planeta. A integração das modalidades e saberes da Engenharia da Complexidade chegou ao Brasil. Para saber mais sobre isso, consulte: <http:// revistapesquisa.fapesp.br/2017/03/17/uma- engenharia-mais-ampla/>. 92 1. A função do engenheiro, no final do século XIX, passa ser entendida por: a) Entender profundamente a composição da matéria. b) Descobrir como duas substâncias diferentes se combinam. c) Entender a emergência de comportamentos em seres vivos. d) Aplicar os conhecimentos científicos para modificar e combinar objetos da natureza. e) Propiciar ganhos econômicos em transações bancárias. 2. As principais Ciências Naturais são: a) Biologia, Química e Física. b) Matemática, Física e Química. c) Biologia, Matemática e Sociologia. d) Química, Biologia e Matemática. e) História Natural, Matemática e Química. 3. A revolução industrial, ocorrida no Reino Unido, no século XIX está ligada à: a) Geometria. b) Química Orgânica. c) Termodinâmica. d) Eletricidade. e) Indução Eletromagnética. 4. A descoberta do fenômeno da indução eletromagnética contribuiu para o de- senvolvimento das: a) Pontes metálicas. b) Comunicações. c) Estruturas de navios. d) Máquinas térmicas. e) Grandes máquinas industriais. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 93 5. Assinale a afirmativa correta: a) A chegada do homem à Lua não ocorreu, sendo uma farsa teatral do governo americano. b) A exploração do espaço não trouxe benefícios para a espécie humana. c) As tecnologias de processamento de imagens se desenvolveram durante a corrida espacial. d) A existência de vida em outros planetas do Sistema Solar está comprovada. e) Em Marte, a existência de energia hidráulica de quedas d´água contribui para a existência de vida. 6. O domínio da tecnologia nuclear contribui positivamente para o: a) Desenvolvimento das telecomunicações. b) Desenvolvimento da vida em outros planetas. c) Desenvolvimento de computadores mais rápidos. d) Desenvolvimento de produtos de beleza. e) Desenvolvimento de fármacos. 7. A Engenharia de Petróleo combina: a) Engenharia Civil, Mecânica e Química. b) Engenharia Nuclear, Sanitária e Metalúrgica. c) Engenharia Mecânica, Elétrica e Aeronáutica. d) Engenharia Elétrica, Mecânica e Química. e) Engenharia Naval, Nuclear e Mecânica. 8. Assinale a afirmativa correta: a) Os primeiros sistemas de abastecimento de água foram construídos no século XX. b) As primeiras estradas foram construídas na Roma antiga. c) A telefonia digital começou a se desenvolver em 1 900. d) A precisão nas imagens médicas depende de como a Anvisa vistoria a aparelhagem. e) A máquina de Turing foi desprezada por John von Neumann. 94 9. A grande área Civil é responsável por: a) Geração de Energia. b) Construção de navios. c) Provimento de materiais cerâmicos. d) Construção de estradas. e) Construção de dispositivos de troca de energia em usinas. 10. As comunicações digitais tiveram origem: a) Na eletrônica, combinada com a computação. b) Na mecânica dos fluidos. c) Nos trabalhos filosóficos dos gregos. d) Na construção automatizada de edifícios. e) Nas redes sociais, como facebook e twitter. 11. As três áreas clássicas da Engenharia Mecânica são: a) Energia, circuitos elétricos e fluidos. b) Máquinas, energia e fluidos. c) Fluidos, construção e máquinas. d) Máquinas, tintas e software. e) Hardware, fluidos e software. 12. Duas atividades essenciais para a vida fazem parte da grande área Química: a) Qualidade do ar e computação. b) Alimentos e distribuição de água. c) Alimentos e Qualidade do ar. d) Alimentos e redes de esgotos. e) Alimentos e computação. 95 13. No projeto executivo de uma obra ou equipamento: a) É necessário fornecer apenas o custo da mão de obra. b) Não há necessidade de apresentar cronograma. c) Todos os custos envolvidos devem constar, com o maior nível de detalhamento possível. d) Os dados relativos ao consumo de energia são desnecessários. e) Caso a obra seja uma residência, os dados das fundações são irrelevantes. 14. Assinale a afirmativa correta: a) PERT e CPM são ferramentas computacionais relativas à operação de bens ou de equipamentos. b) PERT e CPM são ferramentas computacionais relativas à manutenção de bens ou de equipamentos. c) Para fiscalizar a qualidade da execução de uma obra, o engenheiro necessita de um cronograma. d) Para fiscalizar a qualidade da execução de uma obra, o engenheiro deve ter um perfil detalhista. e) A tarefa de manutençãopreventiva não requer medições de parâmetros. 15. Assinale a afirmativa correta: a) Sistemas complexos são aqueles difíceis de entender. b) A Engenharia só estuda sistemas não complexos. c) Projetar um sistema complexo é desnecessário para o homem. d) Sistemas complexos são lineares. e) Sistemas complexos são não lineares. 96 Introdução à Engenharia - Modelagem e Solução de Problemas Autor: Jay B. Brockman Editora: LTC Sinopse: introdução à Engenharia - Modelagem e Solução de Problemas mostra como os profissionais resolvem problemas no dia a dia, provendo os engenheiros do conhecimento essencial que precisam para ter sucesso. Brockman utiliza os conceitos básicos de matérias como matemática, ciência e física para resolver os problemas que surgem no exercício da profissão - desde a estabilidade de uma plataforma off-shore de petróleo à maneira mais eficiente de fornecer água a comunidades carentes. Os capítulos da primeira parte deste livro discutem a representação e a resolução de problemas, abrangendo engenharia e sociedade e organização e representação de sistemas de engenharia. Já a segunda parte trata dos projetos baseados em modelos matemáticos da engenharia, usando para isso leis da natureza e modelos teóricos, análise de dados e modelos empí- ricos e modelagem da relação entre os componentes de um sistema (estruturas leves), entre outras ferramentas. Por fim, o pacote computacional MATLAB é o assunto da terceira parte, com a apresentação das ferramentas necessárias para implementar os modelos apresentados na segunda parte desta obra. LIVRO 97 BENNATON, J. O que é Cibernética. São Paulo: Editora Brasiliense, Coleção Primeiros Passos, 1986. PIQUEIRA, J. R. C. Complexidade computacional e medida da informação: caminhos de Turing e Shannon. Estudos Avançados, v. 30, p. 339-344, 2016. ______. Reflexões sobre história do ensino de Engenharia. Porvir: Inovações em Educação, 2014. Disponível em: <http://porvir.org/reflexoes-sobre-historia-ensino-de-engenharia/>. Acesso em: 13 nov. 2017. SCHANAID, F.; ZARO, M. A.; TIMM, M. I. Ensino de Engenharia: do positivismo à construção das mudanças para o século XXI. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2006. VON NEUMANN, J. First draft of a Report on EDVAC. Moore School of Electrical Engineering, University of Pennsylvania, 1945. VON BERTALANFFY, L. General System Theory: Foundations, Development, Applications. New York: George Braziller Inc., 1968. REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: <http://www.davidin.com/central-telefonica-i/>. Acesso em: 14 nov. 2017. 2Em:<http://macao.communications.museum/por/exhibition/secondfloor/MoreInfo/2_6_5_2_ EricssonARF503.html>. Acesso em: 14 nov. 2017. 98 1. D 2. A 3. C 4. B 5. C 6. E 7. A 8. B 9. D 10. A 11. B 12. C 13. C 14. D 15. E 99 100 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Discutir e esclarecer os pontos de atribuição de atividades de Engenheiros Civis e Arquitetos, ressaltando a aborda- gem cooperativa. • Mostrar como se trabalha em um escritório de projetos, com ênfase nas ferramentas computacionais disponíveis. • Descrever as diversas atividades concernentes a uma obra civil, estendendo a discussão de relacionamentos huma- nos com operários e auxiliares. • Apresentar as diversas questões relacionadas à Engenha- ria Civil: Materiais, Hidráulica, Estruturas e Transportes. • Trabalhar os problemas ambientais das obras bem como discutir escolhas de materiais mais econômicos e duráveis. O Engenheiro e o Arquiteto Engenheiro Civil no Escritório As áreas de Engenharia Civil Construção SustentávelEngenheiro Civil na Obra Dr. José Roberto Castilho Piqueira Engenharia Civil O Engenheiro e o Arquiteto A denominação “Engenharia Civil” foi cunhada no século XVIII, indicando que a Engenharia como atividade profissional deixava de ser exclusiva da formação militar. No começo do século XX, a modalidade profis- sional “Engenheiro-Arquiteto” adquire grande importância na consolidação das concepções de cidades e moradias. Em meados do século XX, a Arquitetura torna-se profissão distinta da En- genharia Civil. As atividades em Engenharia Civil realizam-se, predominantemente, em campo, exigindo do profissional a habilidade de liderança. Qualquer atividade construtiva humana é pro- duto do conhecimento adquirido e da experiên- cia individual ou coletiva, conforme você pode observar nas nossas unidades anteriores. A espécie humana, durante séculos, aprendeu e aprimorou a Engenharia, exercendo a prática construtiva, desde a antiguidade. O saber cons- 103UNIDADE IV truir teatros, moradias, praças, sistemas de trans- porte e de abastecimento de água não era ensina- do sistematicamente. Mestres de obras aprendiam com a natureza, passando suas competências e habilidades durante o trabalho. Os conhecimentos sistematizados de Enge- nharia começaram a ser cultivados nas academias militares para, basicamente, garantir expansão e manutenção de poderes. Esse era o panorama vigente, em meados do século XVIII: o ensino de Engenharia adquire qualidade e prestígio, mas é, essencialmente, militar. Essa é a origem da denominação Engenharia Civil: os progressos obtidos pela aplicação das metodologias científicas às construções dos am- bientes rurais e urbanos passam a transcender o mundo Militar, sendo ensinados em escolas que admitem a presença da população civil. A primeira dessas escolas foi a École des Ponts et Chaussées, fundada em 1747, na França, de caráter prático e voltada para as construções de moradias e cidades. Por essa razão, a Engenharia Civil é considerada muito ampla. Construir re- quer alicerces, materiais, estrutura adequada às condições ambientais, provimento de energia, abastecimento de águas, tratamento de esgotos e, tratando-se de um espaço urbano, garantia da possibilidade de movimentação das populações. Assim progrediu a Engenharia até o início do século XX, adjetivada como Civil, com o progresso tecnológico trazendo as novas subdi- visões e modalidades já destacadas nos capítulos 2 e 3 de nosso curso. Uma questão relevante a ser pontuada é que toda obra ou intervenção urbana combina as- pectos tecnológicos, sociais e estéticos. Assim, no início do século XX, uma nova profissão emergiu no âmbito da Engenharia Civil: o En- genheiro Arquiteto. No Brasil, o explosivo desenvolvimento urbano ocorrido em São Paulo levou a então recém-criada Escola Politécnica à constituição do curso de Engenheiro-Arquiteto, iniciado em 1894 e extinto em 1954 (FICHER, 2005). O pri- meiro Engenheiro-Arquiteto formado por esse curso foi João Moreira Maciel (1899). O des- taque do corpo docente era o Engenheiro-Ar- quiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo, formado pela École Spéciele du Genie Civil et des Arts Manufactures da Universidade de Gan- d-Bélgica, em 1878. Além de lecionar, Ramos de Azevedo mante- ve ativo o escritório de Arquitetura, responsável por obras emblemáticas da cidade de São Paulo, como o teatro municipal (Figura 1) e o edifício dos correios. Figura 1 – Teatro Municipal – São Paulo Figura 2 – Obras de Ramos de Azevedo (Pinacoteca – São Paulo) 104 Engenharia civil O progresso da modalidade de Engenheiro-Ar- quiteto foi bastante notável no início do século XX, consolidando a Arquitetura como carreira profissional específica, que agregou o urbanismo como uma de suas atribuições adicionais. Um dos mais eminentes egressos da Escola Politécnica de São Paulo, Luiz Ignácio de Anhaia Melo, formado Engenheiro-Arquiteto, em 1913, liderou a concepção do curso de Arquitetura e Urbanismo que passou a ser ministrado, então, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Universidade de São Paulo, criada em 1948. O prédio da FAU-USP, localizadona cidade universitária de São Paulo, projetado por João Ba- tista Vilanova Artigas, também egresso da Escola Politécnica, foi um marco para a transformação do ensino, pois buscava que seu interior (Figura 3) fosse um espaço de integração e aprendizado ativo. O movimento de criação de Escolas de Ar- quitetura e Urbanismo, destacadas dos cursos de Engenharia Civil, ocorreu em meados do século XX, em todo o mundo, consolidando a ideia de que o viver bem não está associa- do apenas à qualidade técnica das obras, mas também a aspectos estéticos, humanos e sociais relevantes. A Engenharia Civil passa a ter um crescimen- to considerável nos aspectos relativos à tecno- logia, com grande aprofundamento de conheci- mento em várias áreas, todas com fortes ligações com outras modalidades e com a arquitetura e o urbanismo. Entre essas áreas, destacam-se: o cálculo estru- tural, a geotécnica, os transportes, a hidráulica, a construção e o planejamento urbano. Em todas elas há a atividade de projeto, realizada em escri- tórios, mas as atividades, como edificação, fiscali- zação, operação e manutenção são realizadas em campo, exigindo, além do conhecimento técnico, a capacidade de liderança. Figura 3 – Interior do prédio da FAU-USP 105UNIDADE IV Engenheiro Civil no Escritório Nos escritórios de engenharia dos órgãos pú- blicos, são definidas as especificações técnicas e financeiras das obras públicas necessárias. Já nos escritórios das empresas de engenharia, são realizados os projetos funcionais e executivos. O exercício da Engenharia Civil demanda ati- vidades que se realizam em vários tipos de am- bientes predominantes: escritórios, laboratórios e canteiros de obras. No ambiente de escritório, normalmente são executadas atividades de plane- jamento e projeto. Em escritórios de prefeituras e órgãos governamentais, são discutidas as políticas públicas e sua implementação, especificando as características técnicas e de custos desejáveis para as obras públicas, fixando-se editais para concor- rências e seu julgamento. Nos escritórios de projeto das empresas de En- genharia, são definidas, a partir de levantamentos de campo e especificações técnicas, as característi- cas gerais funcionais da obra, sua disposição física 106 Engenharia civil e localização, bem como os custos esperados de material e mão de obra. Nesse mesmo ambiente, são executados, também, os chamados projetos executivos que, de maneira detalhada, apresentam as listas de materiais, as dimensões dos compartimentos, os detalhes de fundação e de inserção no ambiente. Por exemplo, o primeiro passo para definir um projeto de uma residência é determinar suas funcionalidades: para uma residência sem so- fisticações, 3 quartos, sala cozinha, banheiro e garagem, o projeto funcional pode ser dado pela planta da Figura 4. O projeto executivo relativo ao desenho da Figura 4 consiste, entre outras definições, de: Figura 4 – Exemplo de planta baixa Fonte: adaptado de Thiago Surmani. • Pisos a serem utilizados; • Revestimentos de paredes; • Tipos de tijolos; • Projeto da cobertura e telhado; • Planejamento da fundação; • Pias e louças dos banheiros e cozinha; • Localização e quantidade de lâmpadas, interruptores e tomadas; • Localização e definição dos encanamentos de água e esgoto. De posse do projeto executivo é que o engenheiro da obra pode iniciar seu trabalho de supervisão da execução e de garantia do cumprimento das especificações. 107UNIDADE IV Vamos juntos esboçar alguns pontos do projeto de sua residência: • Como é a planta baixa? • Como é a cobertura? • Que pisos foram utilizados? • Como são as pias e louças? • Como foram passados os fios elétricos? • Como é o encanamento? Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. O desenvolvimento da informática e da engenha- ria de software trouxe para a Engenharia Civil um progresso considerável na disponibilidade de ferramentas computacionais para projeto e acompanhamento de obras. Aparentemente, a tecnologia computacional mais utilizada é a chamada Building Information Modeling - BIM, um processo de modelagem 3D que permite visualizar e realizar os projetos de arquitetura e engenharia, monitorar a cons- trução, com ferramentas adicionais eficientes de planejamento e controle de construção de edifícios e obras de infraestrutura. As ferramentas BIM são, nos dias de hoje, essenciais para o bom projeto e gerenciamento de uma obra. Saiba mais no link disponível em: <http://www.au.pini.com.br/arquitetura- urbanismo/208/artigo224333-2.aspx>. 108 Engenharia civil Respeito e incentivo aos operários são qualida- des essenciais para o engenheiro de obras. Ele deve ser cuidadoso e detalhista, para garantir a qualidade do trabalho. O engenheiro de obras é aquele que transforma em realidade o objeto projetado. Para isso, algu- mas características pessoais devem fazer parte de sua personalidade. A primeira delas é a de ser um indivíduo cuidadoso e detalhista, que não pode deixar de notar qualquer detalhe construtivo, du- rante o curso da obra, garantindo a qualidade. Além disso, deve estar sempre atento aos proce- dimentos de segurança dos operários, evitando possíveis acidentes. Essa interação com operários requer que o engenheiro seja capaz de manter bom relaciona- mento com seus subordinados, respeitando-os e incentivando o trabalho de qualidade e em equipe (Figura 5). Engenheiro Civil na Obra 109UNIDADE IV O início do trabalho é um bom estudo do projeto executivo, verificando se tudo está bem especifi- cado realizando a partir dele um planejamento de métodos e etapas da construção. O projeto executivo permite ao engenheiro de obras a quantificação dos materiais a serem utili- zados. De posse desse dado, o engenheiro poderá adaptar a compra dos materiais ao cronograma físico-financeiro, otimizando o uso dos recursos disponíveis. Além disso, cabe ao engenheiro de obras garantir a correção e eficiência dos proces- sos, evitando o desperdício de materiais. Nos dias de hoje, é essencial que o engenheiro de obras zele pela reutilização e reciclagem dos materiais no canteiro, praticando a economia e a consciência ambiental. Outro ponto relevante para o engenheiro de obras é que ele deve conhe- cer a metodologia de estocagem dos materiais e de administração do almoxarifado (Figura 6), poupando custos desnecessários. Ser engenheiro de obras requer, além do conhecimento técnico, qualidades humanas, como capacidade de relacionamento e de conduta cuidadosa. O site, a seguir, contém informações relevantes sobre esses aspectos da vida do engenheiro: <http://techne.pini.com. br/engenharia-civil/161/artigo286729-1.aspx>. Figura 5 – Trabalho em equipe (obra) Figura 6 – Almoxarifado de uma obra 110 Engenharia civil As Áreas de Engenharia Civil A Engenharia Civil rodeia-nos e constrói obras de infraestrutura fundamentais para o conforto humano. Aeroportos, portos, pontes, viadutos, praças, barragens nascem nas pranchetas dos escritórios e são construídos, melhorando a vida do ser humano a cada dia. Até aqui, apresentamos a Engenharia Civil em seus aspectos mais simples e próximos da nossa vida co- tidiana. Entretanto ela está presente em praticamen- te todas as atividades humanas, uma vez que está ligada à infraestrutura vital para o mundo moderno. Vou tentar explicar isso falando um pouco do domingo de um paulistano típico. Peço que os habi- tantes de outras cidades ou estados não se ofendam. Não se trata de prepotência ou mania de grandeza, mas da descrição de uma experiência pessoal. Nós sabemos que todos os brasileiros torcem pelo Corinthians, metade a favor e metade contra. Sou do primeirogrupo e, morando no Brooklyn 111UNIDADE IV paulista, resolvi assistir a uma partida dele no Itaquerão ou Arena-Corinthians. Começo con- sultando o Google Maps, que me dá a seguinte informação: a distância da minha casa à Arena é, seguindo de automóvel pela Avenida Radial Leste (Figura 7), de 30,3km (tempo estimado de 58min) ou, seguindo pela Marginal Tietê (Figura 8), de 47,4km (tempo estimado de 1h e 3min). Nesse momento, eu me dou conta de que a Zona Leste, onde se concentra uma grande po- pulação que, em geral, trabalha em outras regiões da cidade, exigiu das administrações da cidade a construção de grandes obras viárias. O complexo de viadutos da Radial Leste é uma obra prima de infraestrutura de transportes (Engenharia Civil), partindo do centro da cidade, segue radialmente, margeando todos os bairros da nossa Zona Leste, de acordo com cuidadoso trabalho de planeja- mento urbano (também Engenharia Civil). Outra obra prima da Engenharia Civil são as Marginais Pinheiros e Tietê, atravessando toda a cidade, de Leste a Oeste, passando pelo seu centro e dando acesso às Zonas Norte e Sul. Porém o Google Maps, também uma maravilha da Geo- désia, indica que os engenheiros de logística de trânsito da cidade indicam outra solução: ônibus e metrô em 1h43min. Opto pelo metrô (Figura 9) e chego à Arena (Figura 10), observando a alegria dos torcedores. Durante a viagem, fico pensando na engenha- ria de estruturas envolvida no projeto das estações e na via subterrânea. Além disso, na construção e na concretagem das paredes e na logística dos pla- nejadores das linhas. No estádio, impossível não admirar a estrutura e a qualidade da construção. O Timão perdeu, mas eu voltei para casa feliz com a engenharia brasileira, elegante e competente, mesmo sujeita a tantas manobras escusas. Vocês podem dizer: e as Engenharias Elétrica e Mecânica necessárias para o passeio? Falarei delas nas próximas unidades. Figura 7 – Radial Leste Figura 8 – Marginal Tietê 112 Engenharia civil Figura 10 – Metrô – São Paulo Figura 9 – Arena Corinthians O provimento de energia elétrica, no Brasil, deve-se, essencialmente, ao seu potencial hidrelétrico. Para o bom aproveitamento desse potencial, a construção de barragens é mandatória. O site, a seguir, contém importante trabalho sobre essas barragens: <http://www.ipea.gov.br/portal/index. php?option=com_content&view=article&id=19703>. 113UNIDADE IV A cadeia produtiva da construção civil é impor- tante agente consumidor de recursos da natu- reza e contribui de maneira considerável para o efeito estufa. A cadeia da construção civil, constituída por ci- dades, estradas e novas edificações é quem mais extrai riquezas da natureza, que vão terminar em edifícios, rodovias e outras obras, produzindo um impacto ambiental significativo (JOHN, 2000). Os resíduos de construções e demolições são da ordem de 500 quilos por habitante, anualmente, representando volume maior que o de lixo urbano domiciliar e de escritórios. Embora tímidas, algumas ações têm sido to- madas, no Brasil. Existem exemplos de evolução tecnológica, como o concreto de alta resistência, muito mais ecoeficiente. Na década de 1960, quando a indústria do aço aumentou a resistência do produto, surgiram os tipos CA 50 e CA 60, que provocaram expressiva diminuição nos diâmetros dos pilares. O mesmo Construção Sustentável 114 Engenharia civil aconteceu quando se trocou o tijolo maciço pelo tijolo furado, fazendo com que o peso das paredes caísse de 200 para 120 quilos por metro quadrado. Além disso, ao se fabricar cimento, produz-se uma quantidade considerável de CO2, aumentan- do o efeito estufa. A Figura 11 mostra a variação do percentual dessas emissões, ao longo do tempo. Assim, fica claro o efeito das obras de constru- ção e extração de matérias-primas na destruição da fauna e da flora. A água, também usada em abundância na construção civil, é, para o planeta como um todo, produto escasso e caro, requeren- do cuidado e preservação. Nesta unidade, discutimos a Engenharia Ci- vil e sua importância para a construção da in- fraestrutura necessária para a vida do homem O professor Vanderley M. John é importante pesquisador na área de construção sustentável. Você pode encontrar o trabalho por ele apresentado como tese de livre docência no link: <http://www.ietsp.com.br/static/media/ media-files/2015/01/23/LV_Vanderley_John_-_ Reciclagem_Residuos_Construcao_Civil.pdf>. CO 2 Ci m en to (% ) Ano 1920 0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 1940 1960 1980 2000 Global Brasil Figura 11 – Evolução histórica da participação da indústria de cimento na geração mundial de CO2 Fonte: John (2000). moderno. Além disso, a questão da sustentabi- lidade da cadeia produtiva da construção civil foi abordada. 115 1. A denominação “Engenharia Civil” designa, originalmente, a atividade de: a) De construção dos sistemas de distribuição de energia. b) De realização de obras coordenadas por oficiais de exército. c) De montagem de pontes. d) De realização de obras coordenadas por engenheiros não militares. e) De realização de vendas de habitações. 2. Os profissionais denominados Engenheiros-Arquitetos eram responsáveis: a) Somente aspectos estéticos das obras. b) Somente por aspectos sociais das obras. c) Por aspectos econômico-financeiros das obras. d) Somente pela fachada dos edifícios. e) Por aspectos estéticos e estruturais dos edifícios. 3. Nos dias de hoje, considera-se como área da Engenharia Civil: a) O saneamento básico. b) O planejamento energético. c) O projeto de uma máquina. d) O estabelecimento de uma linha de produção. e) A produção de materiais cerâmicos. Para as próximas três perguntas, considere a planta a seguir: Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 116 COZINHA SALÃO VARANDA QUARTO QUARTO BANHO BANHO SUÍTE ÁREA DA CASA = 72,32m² ÁREA EXTERNA = 33,40m² ÁREA TOTAL = 108,72m² 1.202.00 2.50 3.45 11.43 2.852.252.10 8.00 3. 30 6 .5 9 9. 20 2. 90 2. 90 2. 25 1.20 Fonte: (<http://www.tudoconstrucao.com/wp-content/uploads/2015/03/Planta-Baixa.jpg>). 4. A relação entre a área da casa e a área total é: a) 80%. b) 66%. c) 72%. d) 34%. e) 100%. 5. A área total dos quartos vale: a) 18,27 m2. b) 10,95 m2. c) 18,00 m2. d) 18,95 m2. e) 5,95 m2. 117 6. A área do banheiro da suíte vale: a) 4,7m2. b) 8,9m2. c) 9,1m2. d) 2,7m2. e) 2,0m2. 7. O conhecimento que o engenheiro de obras deve ter do projeto a ser executado: a) Pode ser superficial. b) É desnecessário. c) Deve ser levado ao maior grau de detalhamento possível. d) Pode ser conhecido no final da obra. e) Serve apenas para o fiscal de obras. 8. Entre as atribuições do engenheiro de obras está: a) O planejamento da rede telefônica. b) O cumprimento dos prazos. c) O planejamento urbano. d) A precificação dos materiais. e) O contato com o futuro usuário. 9. A Engenharia de Transportes é: a) Um ramo da Engenharia Civil. b) Um ramo da Engenharia de Materiais. c) Um ramo híbrido: Civil-Logística-Materiais. d) Um ramo da Engenharia de Produção. e) Um ramo Híbrido Mecânica-Logística. 118 10. O planejamento urbano é uma atividade: a) Exclusiva da Engenharia Civil. b) Exclusiva da Arquitetura. c) Híbrida Engenharia Civil-Produção. d) Híbrida Engenharia Civil-Arquitetura. e) Exclusiva da Câmara de Vereadores. 11. Os três principais fatores que fazem com que a indústria da construção civil degrade o meio ambiente são: a) Uso de recursos naturais, aumento da umidade relativa, consumo de petróleo. b) Uso de recursos naturais, emissão de CO2 euso da água. c) Uso da água, emissão de CO2 e mudança da densidade do ar. d) Aumento da umidade relativa, mudança da densidade do ar, uso da água. e) Uso da água, emissão de CO2 e aumento da umidade relativa. 12. A mudança de tijolo maciço para tijolo vazado diminui o peso das paredes em: a) 40%. b) 66%. c) 80%. d) 60%. e) 20%. 119 O desafio da sustentabilidade na construção civil Autor: Vahan Agopyan e Vanderley M. John Editora: Blucher Sinopse: a Série Sustentabilidade surgiu a partir da análise do panorama his- tórico com o início do conceito de desenvolvimento sustentável, formulado pela Comissão Brundtland em 1970, até o evento da Agenda 21 com enorme influência no mundo em todas as áreas, reforçando o movimento ambientalista. A série, escrita por renomados pesquisadores nacionais que apresentam análises do impacto do conceito de desenvolvimento sustentável no Brasil, é coordenada pelo prof. José Goldemberg e tem como objetivo analisar o que está sendo feito para evitar um crescimento populacional sem controle e uma industrialização predatória, em que a ênfase seja apenas o crescimento econômico, bem como o que pode ser feito para reduzir a poluição e os impactos ambientais em geral, aumentar a produção de alimentos sem destruir as florestas e evitar a exaustão os recursos naturais por meio do uso de fontes de energia de outros produtos renováveis. Neste Volume 5 - O Desafio da Sustentabilidade na Construção Civil, os auto- res orientam o profissional sobre o tema e fornecem dados para permitir o desenvolvimento de suas atividades, levando em consideração os aspectos da sustentabilidade da construção, em particular a preservação do meio ambiente. Comentário: a Engenharia Civil é essencial para o desenvolvimento da infraes- trutura e deve ser tratada dentro dos padrões atuais de sustentabilidade. O livro indicado traz considerações essenciais para o bom exercício do progresso sustentável. LIVRO 120 FICHER, S. Os Arquitetos da Poli. São Paulo: EDUSP, 2005. JOHN, V. M. Reciclagem de resíduos na construção civil: Contribuição para metodologia de pesquisa e desenvolvimento. São Paulo: EPUSP, 2000. SCHANAID, F.; ZARO, M. A.; TIMM, M. I. Ensino de Engenharia: do positivismo à construção das mudanças para o século XXI. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2006. 121 1. D 2. E 3. A 4. B. Analisando os dados: área construída= 72,32m2 ; área total=108,72m2. Logo, a relação pedida é: 72,32/108,72 = 0,66 ou 66%. 5. A. Analisando a figura, a área total dos quartos vale: 18,27 m2, obtidos por: (2,85+3,45)*2,90. 6. D. Analisando a figura, a área do banheiro da suíte vale: (2,25.1,20) = 2,7m2. 7. C 8. B 9. C 10. D 11. B 12. A. De acordo com o texto, a diminuição foi de (200-120)/200 = 0,4 ou 40%. 122 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Mostrar que a Energia Elétrica é a modalidade mais eco- nômica para prover as populações de suas necessidades energéticas para a vida. • Mostrar como o domínio do fenômeno da “Indução Ele- tromagnética” mudou a sociedade. • Discutir a controvérsia e o papel de Tesla no desenvolvi- mento dos aparatos elétricos. • Descrever a evolução da rádio difusão para Internet. • Apresentar as fontes de energia disponíveis e suas van- tagens e desvantagens na conversão em energia elétrica. Energia Elétrica como Energia Intermediária A descoberta de Faraday Ondas Eletromagnéticas Fontes de EnergiaCorrente contínua x corrente alternada Dr. José Roberto Castilho Piqueira Engenharia Elétrica A Energia Elétrica como Modalidade Intermediária A energia elétrica é uma modalidade de energia que permite a distribuição de grandes quantida- des de energia, de maneira eficiente e econômica. Sistemas de comunicação são análogos aos siste- mas sensoriais dos seres vivos. Computadores tive- ram sua arquitetura inspirada no cérebro humano. Você é capaz de imaginar o que aconteceria com a sua cidade se a rede de distribuição de energia elétrica caísse por uma semana? Alimentos pereceriam; ci- rurgias, exames e tratamentos hospitalares parariam, levando hospitais ao colapso; meios de comunicação e computadores esgotariam suas baterias, silenciando a troca de informações; sem contar todos os outros inconvenientes, como escuridão e mau funcionamen- to dos sistemas de abastecimento de água. Nos dias de hoje, é difícil conceber o cotidiano sem energia elétrica. Esse é um panorama que se iniciou nos primórdios do século XX, quando houve a percepção de que o método mais eficiente 125UNIDADE V e econômico de levar energia para a população é convertê-la em elétrica, distribuí-la e, no final, reconvertê-la para as formas adequadas ao uso. Na natureza, esse tipo de processo trouxe a vida para a Terra. A fonte de toda energia aproveitada em nosso planeta é o Sol, que a produz pelo pro- cesso de fusão nuclear. Essa energia é convertida em radiação, transmitida à Terra e transformada nas diversas formas de energia, como a mecânica, a química, a térmica e outras necessárias para a geração e manutenção da vida (CARRON; PI- QUEIRA; GUIMARÃES, 2017). A radiação é uma combinação de campos elétricos e magnéticos que, de maneira eficiente, transmite a energia do Sol à Terra por ondas ele- tromagnéticas (Figura 1). Outro exemplo dessa estratégia encontrado na natureza são os processos sensoriais e fisiológicos, em nosso corpo, que ocorrem por intermediação de campos elétricos e magnéticos. Tomando o nosso tato para efeito de raciocínio, quando pas- samos os dedos sobre uma superfície, as rugosi- dades provocam ações elétricas nas terminações nervosas de nossos dedos. Essas ações elétricas são propagadas ao sistema nervoso central, pro- duzindo as sensações de tato (Figura 2). Figura 1 – A energia liberada pela fusão nuclear no Sol viaja até a Terra por ondas eletromagnéticas Fonte: Carron, Piqueira e Guimarães (2017). Figura 2 – Representação da propagação de impulsos nervosos para o cérebro Fonte: Carron, Piqueira e Guimarães (2017). 126 Engenharia elétrica Ao imitar a natureza e utilizar a energia elétrica como fonte intermediária, a espécie humana ex- perimentou um grande progresso tecnológico, tornando eficiente a transmissão de energia em grandes quantidades. Convertendo em energia elétrica, a energia mecânica (Figura 3), a energia térmica (Figura 4), a energia eólica (Figura 5) ou nuclear (Figura 6) e usando linhas de transmissão para enviá-las aos usuários, obtemos alta eficiência e qualidade no provimento de energia às populações. Adicionalmente, vivemos a era da rapidez do processamento e da transmissão da informação, iniciada pelos criadores da Cibernética: Norbert Wiener, Alan Turing e John von Neumann e con- solidada pela obra seminal de John von Neumann, publicada, pela primeira vez, em 1958, propondo uma arquitetura computacional análoga ao cére- bro humano (VON NEUMANN, 1958). É da engenharia dessas ações que esta unidade trata: conversão e transmissão de energia, com- putação e comunicações. Para os engenheiros, eletricistas ou não, conhecer a organização do setor elétrico brasileiro é bastante útil, permitindo o entendimento das possibilidades de uso da energia elétrica. Para saber mais sobre essa análise, consulte o link: <http://www.abradee.com.br/setor-eletrico/ visao-geral-do-setor>. 127UNIDADE V Figura 3 – Fonte mecânica Figura 4 – Fonte térmica Figura 5 – Fonte eólica Figura 6 – Fonte Nuclear 128 Engenharia elétrica Pieter van Musschenbroek concebeu um disposi- tivo de armazenamento de energia elétrica. Alessandro Volta, ao propor sua pilha elétrica, deu início à ideia de corrente elétrica. Ørsted e Ampère relacionaram a Eletricidade com o Magnetismo. A indução eletromagnética, descoberta por Fa-raday, permitiu a conversão eletromecânica de energia e as comunicações a distância. Embora a Eletricidade fosse conhecida desde Ta- les de Mileto, importante Filósofo e Matemático que viveu entre 623 a.C. e 548 a.C., foi o engenhei- ro Pieter van Musschenbroek (1692-1761) (Figu- ra 7) que construiu, na Universidade de Leyden, o primeiro dispositivo armazenador de energia elétrica, que passou a ser chamado de “garrafa de Leyden” (Figura 8a). O princípio da garrafa de Leyden encontra-se, também, materializado no gerador de Van Der Graaf, como podemos visua- lizar na Figura 8b. A Descoberta de Faraday 129UNIDADE V Figura 8a – Garrafa de Leyden Fonte: COE (2000, on-line)2. Figura 7 – Pieter van Musschenbroek Fonte: Wikmedia Commons ([2018], on-line)1. Figura 8b – gerador de Van Der Graaf Fonte: o autor. 130 Engenharia elétrica Entretanto vamos considerar como marco inicial da Engenharia Elétrica a construção, por Alessan- dro Volta (Figura 9) (1745-1827), no ano de 1800, da chamada pilha de Volta (Figura 10). A partir dessa construção, a eletricidade, até então conhecida como um fenômeno estático, passa a ser vista como um fenômeno dinâmico, devido às correntes elétricas, e sua relação com o magnetismo passa a ser explorada. Foi o físi- co dinamarquês Hans Christian Ørsted (Figura 11) (1777-1851) que, em 1820, anunciou que as correntes elétricas geram campos magnéticos, interagindo com imãs. O trabalho Ørsted foi seguido por André Marie Ampère (Figura 12) (1775-1836), que formalizou, matematicamente, os resultados experimentais e demonstrou, também, que fios percorridos por correntes interagiam. Figura 9 – O início da Engenharia Elétrica com Alessandro Volta Figura 10 – Pilha de Volta Figura 11 – Hans Christian Ørsted Fonte: Wikimédia ([2017], on-line)3. Figura 12 – André Marie Ampère 131UNIDADE V Apesar desse conhecimento inicial das relações entre a Eletricidade e o Magnetismo parecer ru- dimentar, permitiu a viabilização do código Morse e do telégrafo elétrico (Figura 13), patenteado por Samuel Morse (Figura 14) (1791-1872) em 1837. Para o mundo tecnológico atual, o ano de 1831 é marcante. Nesse ano, Michael Faraday (1791- 1867) apresentou um artigo científico denomi- nado “Experimental Researches in Eletricity” no qual descreveu, pela primeira vez, o fenômeno da indução eletromagnética. Esse talvez seja o fato histórico mais relevante para o modo de vida da sociedade atual, uma vez que proporcionou dois desenvolvimentos tecno- lógicos importantes: a possibilidade de conversão, de maneira econômica, da energia mecânica em elétrica e a possibilidade de comunicação, sem su- porte material, pelo uso de ondas eletromagnéticas. Figura 13 – O aparelho telegráfico Figura 14 – Samuel Morse 132 Engenharia elétrica São marcos iniciais da tecnologia do século XX: • A conversão de energia mecânica em elé- trica, viabilizando as construções de usinas geradoras, como as mostradas na Figura 3, levando ao desenvolvimento industrial (Figura 15) e ao desenvolvimento do trans- porte por tração elétrica (16). • A possibilidade de transmissão de sinais à distância, sem a necessidade de fios conduto- res, fazendo uso das ondas eletromagnéticas geradas por variações de campos elétricos e magnéticos variáveis no tempo, permitiu o grande desenvolvimento das comunicações (Figuras 17 e 18). Considera-se que esse mar- co tecnológico se deve a Guglielmo Marconi (1874-1937), que propôs o primeiro sistema prático de telégrafo sem fios, em 1896. Essas conquistas tecnológicas eram associadas aos engenheiros eletricistas, até meados do sé- culo XX, dividindo-os de maneira simplista em: Eletrotécnicos, associados às máquinas e à dis- tribuição de energia, e Eletrônicos, associados às Telecomunicações. Porém os Físicos e Matemá- ticos preparavam duas revoluções silenciosas: a miniaturização dos circuitos e o tratamento dos problemas lógicos usando circuitos elétricos. Figura 15 – Conversão Eletromecânica de Energia – Fábrica Automatizada Os computadores ganharam poderosos al- goritmos de controle e tratamento de sinais, executados com rapidez inimaginável e ad- quiriram imensa capacidade de memória em espaços pequenos, invadindo até mesmo a Medicina. Adjetivar os engenheiros eletricistas, hoje, é tarefa impossível: Máquinas Elétricas, Sistemas de Potência, Automação e Controle, Computa- ção, Microeletrônica, Telecomunicações, Redes Inteligentes, Engenharia Biomédica, Energia, Processamento de Imagens, Engenharia de Software e tantos outros nomes que nos con- fundem. Todos nascidos na descoberta de Mi- chael Faraday. A verdadeira Engenharia Eletrônica nasceu com Michael Faraday. Se quiser conhecer a história desse gênio da ciência e suas descobertas, consulte: <http://www.ghtc.usp.br/Biografias/ Faraday/Faraday3.htm>. 133UNIDADE V Figura 18 – Telecomunicações Estação base de rede Figura 17 – Telecomunicações Antenas de transmissão e recepção Figura 16 – Conversão Eletromecânica de Energia Tração Elétrica 134 Engenharia elétrica Geração de energia elétrica em grandes quanti- dades deve ser em corrente alternada. Transmissão de energia elétrica em grandes quantidades à curta distância deve ser em cor- rente alternada. Transmissão de energia elétrica em grandes quantidades à longa distância deve ser em cor- rente contínua. Os primeiros dispositivos elétricos utilizados para as diversas aplicações, ainda no século XIX, eram em corrente contínua, isto é, de correntes elétricas mantidas constantes durante certo in- tervalo de tempo. Isso se devia ao fato de as cor- rentes elétricas, na época, serem provenientes de geradores eletroquímicos. O início do século XX viabilizou a construção de geradores de corrente alternada, isto é, com corren- tes elétricas variando de maneira senoidal, durante certo intervalo de tempo. Isso se deveu, fundamen- Corrente Contínua X Corrente Alternada 135UNIDADE V talmente, à geração de corrente elétrica a partir do movimento de rotação de espiras em campos magnéticos (indução eletromagnética). A Eletricidade começava a ser usada em larga escala na ilumi- nação, nos transportes, nos eletrodomésticos, nas fábricas e nas comunicações. Era o início de um negócio de alto lucro, e duas tecnologias competiam: a de corrente contínua, defendida por Tho- mas Edison (1847-1931) e a de corrente alternada, defendida por George Westinghouse (1846-1914) com a tecnologia patenteada por Nikola Tesla (1856-1943). Como a disputa envolvia um negócio altamente promissor, o grupo patrocinado por Edison tentou de todas as formas desacredi- tar os trabalhos de Tesla, relacionados com a corrente alternada. Até mesmo o apelo para o obscurantismo foi tentado. Edison sustentava que a corrente alternada era “amaldiçoada”. O engenheiro Harold Brown, patrocinado por Edison, eletrocu- tou um cachorro diante de uma plateia exasperada, no Columbia College, para provar o quanto a corrente alternada era perigosa. Edison tentou associar o termo being electrocuted (ser eletrocutado) à expressão ser “Westinghoused”. Apesar de a corrente contínua ter se mostrado menos eficiente para a geração de energia elétrica, Edison não se conformou com o fato e patrocinou a execução de um elefante (Topsy) que, acidentalmente, matara uma pessoa em um circo, em Coney Island. O esforço de Edison em detratar a corrente alternada foi tal que patrocinou a invenção da cadeira elétrica, por Harold Brown, em Nova York, tentando mostrar que a letalidade da corrente alternada era maior que da contínua. Em 6 de agosto de 1890, a tentativa de executar o condenado William Kemmler, na cadeira elétrica, transformou-se em um triste espetáculo de crueldade, pois, como os cálculos das tensões elétricas não estavamcorretos, vários choques sucessivos foram necessários para a execução. A polêmica corrente contínua (Edison) versus corrente alternada (Westinghouse) foi bastante acirrada, pois envolvia possíveis ganhos com a eletrificação das cidades, tendo sido chamada de guerra das correntes. Você pode saber mais sobre isso assistindo ao vídeo disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=xaCjwL0Zk7o>. 136 Engenharia elétrica Custo Comparação de custo entre CC e CA Corrente alternada Corrente contínua Comprimento da linha (km) Linha em CC mais econômica Linha em CA mais econômica Figura 19 – Economia em transmissão de Energia Fonte: Piqueira e Brunoro (2000). Como futuro engenheiro, você pode tirar uma importante li- ção desse episódio: soluções técnicas devem ser validadas com experimentos honestos e possuem intervalos de validade bem determinados. Sabemos, hoje, que transmissão de energia elétrica pode ser feita em corrente contínua (CC) ou alternada (CA). Nas usinas, a geração é em CA, porém, se a distância envolvida na transmissão da energia é maior que 700 km, é mais econômico transmiti-la convertida em CC. O gráfico da Figura 19 traz uma comparação dos custos para CC e CA. Deve-se considerar, ainda, que, para transportar grandes quan- tidades de energia, são necessárias altas tensões, pois o processo envolve perdas. Minimizá-las para tensões menores implicaria utilizar condutores com bitolas enormes. Assim, de acordo com a distância a ser coberta pela rede, existem tensões de transmissão padronizadas, sendo as mais utilizadas: • Alta Tensão (AT): 138 e 230 kV • Extra Alta Tensão (EAT): 345, 440, 500 e 765 kV • Ultra Alta Tensão (UAT): 1000 e 1200 kV 137UNIDADE V Maxwell unificou os trabalhos de Young, Ørsted, Ampère e Faraday em um conjunto de equações que permitiu mostrar a existência das ondas ele- tromagnéticas. Todas as ondas eletromagnéticas se propagam no vácuo com velocidade 300 000 km/s. Conforme você notou ao longo desta unidade, o século XIX teve uma posição de destaque no desenvolvimento da Eletricidade, do Magnetismo e da Óptica, mais especificamente, da natureza da luz. Um ponto importante desse desenvolvimento foi a previsão e a comprovação da existência de ondas eletromagnéticas. O trabalho começa com Thomas Young (Figura 20) (1773-1829) que realizou pesquisas sobre cordas vibrantes e tubos sonoros, e a in- fluência das experiências com ondas sonoras e sobre a interferência de ondas na água levaram Young a apresentar à Royal Society of London, em1801, os resultados dos seus experimentos sobre a interferência de raios luminosos, que re- velavam o caráter ondulatório da luz. Ondas Eletromagnéticas 138 Engenharia elétrica Entre 1864 e 1865, James Clerk Maxwell (Figu- ra 21) (1831-1879) unificou as teorias de Young, Ørsted, Ampère e Faraday em um conjunto de equações, que passariam a ser conhecidas como equações de Maxwell. As equações de Maxwell englobaram as leis da Eletricidade e do Magnetismo e, além disso, previram a existência de ondas eletromagnéticas que se deslocam no vácuo com a velocidade da luz, ou seja, 300 000 km/s. Essa previsão foi veri- ficada, experimentalmente, por Henrich Rudolf Hertz (Figura 22) (1857-1894), em 1887, utili- zando uma fonte de frequência conhecida para produzir ondas eletromagnéticas estacionárias. Hertz mediu o comprimento de onda e, como a frequência da onda é igual à da fonte, ele, usando a equação fundamental da ondulatória, v =λ. f, verificou que a velocidade da onda era igual à da luz, comprovando a teoria de Maxwell. Em reco- nhecimento ao trabalho de Hertz, a unidade de frequência, no Sistema Internacional de medidas (SI), recebeu o nome de hertz. Ondas eletromagnéticas são compostas por um campo magnético perpendicular a um cam- po elétrico (Figura 23). Assim como produzimos ondas mecânicas na água, por meio da agitação de uma varinha, podemos produzir ondas ele- tromagnéticas no ar mediante a variação de uma corrente elétrica, do movimento de uma carga elétrica, de um campo elétrico ou magnético. Figura 23 – Representação da onda Eletromagnética Fonte: Encrypted... ([2017], on-line)6. Onda Eletro magn ética Camp o magn ético ( B) Comp . de onda (λ) Camp o elétric o (E) Direçã o da propa gação Onda Eletro magn ética Camp o magn ético ( B) Comp . de onda (λ) Camp o elétric o (E) Direçã o da propa gação Onda Eletromagnética Campo magnético (B) Comp. de onda (λ) Campo elétrico (E) Direção da propagação Figura 20 – Thomas Young Fonte: Wikimédia ([2017], on-line)4. Figura 21 – James Clerk Maxwell Figura 22 – Henrich Rudolf Hertz Fonte: Wikimédia ([2017], on-line)5. 139UNIDADE V As ondas eletromagnéticas fazem parte da vida das pessoas: celular, TV, tablets. Para conhecê- las melhor, assista a aula do professor Gil da Costa Marques em: <https://www.youtube.com/ watch?v=VNTBHXDarb4>. A frequência das ondas produzidas é igual à fre- quência da fonte. Como todas as ondas eletromag- néticas propagam-se com a mesma velocidade no vácuo – com a velocidade da luz – sua classificação é feita com base na frequência ou no comprimen- to de onda. As frequências das ondas eletromag- néticas variam de alguns ciclos por segundo (Hz) a valores quase inimagináveis, como 1022 Hz, que é a frequência de alguns raios cósmicos. Em termos de comprimento de onda, temos uma variação que inclui valores extremamente pequenos, da ordem de 10215 m, até valores da ordem de metros. Na Figura 24, temos o chamado espectro eletro- magnético, incluindo as frequências (f) e os com- primentos de onda (λ) correspondentes. Podemos observar que as ondas de rádio têm menor frequência e maior comprimento de onda. Na sequência, micro-ondas; infravermelho; luz visível, ultravioleta, raios X e raios gama com frequências crescentes e comprimentos de onda decrescentes. Refração de ondas A frequência (f) de uma onda eletromagnética depende, exclusivamente, da fonte que a gera. Ao sofrer refração, passagem de um meio para o outro, sua velocidade de propagação (v) varia e, portanto, seu comprimento de onda (λ) também. Matematicamente: f = v/λ = constante, isto é, v e λ variam na mesma proporção. Figura 24 – Espectro Eletromagnético Fonte: Carron, Piqueira e Guimarães (2017). Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 140 Engenharia elétrica A matriz energética brasileira, relativa à energia elétrica, é, predominantemente, constituída por fontes renováveis. Como estamos discutindo, desde a primeira unidade, as questões energéticas do planeta, queremos termi- nar apresentando alguns dados de interesse geral. A Figura 25 indica a matriz energética brasilei- ra, relativa à geração de energia elétrica, em 2011, e podemos observar a predominância de energias renováveis (Hidráulica, Biomassa e Eólica), indi- cando um país responsável em relação ao uso dos recursos naturais. Na Figura 26, observamos a evolução da matriz energética brasileira, comparada com a matriz mundial, evidenciando a qualidade do sistema brasileiro em termos de sustentabilidade. Encerramos esta unidade, convidando os enge- nheiros eletricistas de todas as especialidades: má- quinas, sistemas de potência, telecomunicações, au- tomação e controle, eletrônica, computação, software, biomédica, redes e todos os outros a realizar seus projetos, preservando a energia de nosso planeta. Fontes de Energia 141UNIDADE V Biomassa 29,7% Petróleo e derivados 38,4% Gás natural 9,3% Hidro- elétrica 15,0% Carvão 6,4% Urânio 1,2% Biomassa 11,2% Petróleo e derivados 35,3% Gás natural 20,9% Hidro-elétrica 2,1% Carvão 24,1% Urânio 6,4% Brasil Mundo 44,7% renovável 13,3% renovável BRASIL (2011) Hidráulica2 81,7% Biomassa3 6,5% Eólica 0,5% Gás Natural 4,6%Derivados de Petróleo 2,5% Nuclear 2,7% Carvão e Derivados1 2,7% BRASIL (2011) Hidráulica2 81,7% Biomassa3 6,5% Eólica 0,5% Gás Natural 4,6%Derivados de Petróleo 2,5% Nuclear 2,7% Carvão e Derivados1 2,7%Figura 25 – Matriz energética (elétrica) brasileira – 2011 Fonte: Brasil Nosso ([2017], on-line)7. Figura 26 – Matriz energética: comparação Brasil-mundo Fonte: 3Bp ([2017], on-line)8. Prever as expansões da matriz energética brasileira é de interesse de toda população. Para entender mais do assunto, assista à palestra do professor José Goldemberg, disponível no link: <https://www. youtube.com/watch?v=dqRlgXkGFiI>. 142 1. Fazem parte do escopo da Engenharia Elétrica: a) Geração e distribuição de energia, pontes e telecomunicações. b) Telecomunicações, estradas e computadores. c) Computadores, pontes e estradas. d) Geração e distribuição de energia, computadores e telecomunicações. e) Pontes, estradas e siderurgia. 2. Nas usinas hidrelétricas e eólicas, a energia se converte de: a) Nuclear em elétrica. b) Mecânica em elétrica. c) Química em elétrica. d) Térmica em elétrica. e) Elétrica em química. 3. Nas usinas termelétricas e nucleares, a energia se converte de: a) Nuclear em elétrica. b) Mecânica em elétrica. c) Química em elétrica. d) Térmica em elétrica. e) Elétrica em química. 4. Os fenômenos elétricos são conhecidos pela humanidade desde: a) 1945. b) 1800. c) 1793. d) Século VI a.C. e) Século I a.C. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 143 5. A primeira máquina destinada a armazenar energia elétrica foi concebida por: a) Pieter van Musschenbroek . b) André Marie Ampère. c) Michael Faraday. d) Tales de Mileto. e) Isaac Newton. 6. A relação matemática entre correntes elétricas e campos magnéticos foi pro- posta por: a) Pieter van Musschenbroek b) André Marie Ampère. c) Michael Faraday. d) Tales de Mileto. e) Isaac Newton. 7. A conversão eletromecânica de energia fundamenta-se no fenômeno da: a) Eletrólise. b) Indução eletromagnética. c) Atração eletrostática. d) Gravitação universal. e) Conservação do momento angular. 8. A geração de energia elétrica em grandes quantidades deve, preferencialmente, ser feita em: a) CC. b) CA. c) CC ou CA, pois são equivalentes. d) Geradores químicos. e) Geradores termo hidráulicos. 9. A transmissão de energia elétrica para grandes distâncias deve ser em: a) CC. b) CA. 144 c) CC ou CA, pois são equivalentes. d) Via rádio. e) Via micro-ondas. 10. Suponha que as ondas eletromagnéticas no vácuo tenham comprimento de onda 1,2. 10-4. A frequência de um receptor sintonizado deve ter para captá-las: a) 2,5. 1012 Hz. b) 2,5. 1018 Hz. c) 2,5. 109 Hz. d) 2,5. 1016 Hz. e) 2,5. 1020 Hz. 11. A frequência de uma onda eletromagnética depende: a) Do meio. b) Da velocidade de propagação. c) Do comprimento de onda. d) Da densidade do meio. e) Da fonte. 12. Todas as ondas eletromagnéticas têm, no vácuo: a) A mesma velocidade de propagação. b) O mesmo período. c) A mesma frequência. d) O mesmo comprimento de onda. e) O mesmo índice de refração. 13. O percentual total de energia elétrica consumida no Brasil, proveniente de fontes renováveis, no Brasil, em 2011, era: a) 88,7%. b) 92,5%. c) 6,8%. d) 78,9%. e) 42%. 145 Energia e Meio Ambiente Autor: Roger A. Hinrichs, Merlin Kleinbach, Lineu Belico dos Reis Editora: Cengage Learning Sinopse: Energia e meio ambiente – Tradução da 4ª edição norte-americana, é um livro que enfatiza os princípios físicos por trás do uso da energia e seus efeitos sobre nosso ambiente. Aborda a desregulação e o aumento da competição no setor de geração de energia, o aumento dos preços do petróleo e o crescente compromisso global com as fontes de energia renováveis. Ao examinar os di- ferentes aspectos de cada recurso energético, inclui os princípios envolvidos e as consequências ambientais e econômicas do seu uso, e enfatiza o impacto ambiental do consumo de combustíveis fósseis, a poluição atmosférica e o aquecimento global. Esta edição inovadora traz artigos que discutem a questão energética no Brasil. São discutidos os padrões de uso da energia no Brasil, a conservação, a energia de combustíveis fósseis, a energia solar, as fontes renováveis de energia e a energia nuclear entre outros importantes temas. Trata-se de uma obra de referência para estudantes e profissionais das várias áreas da engenharia e das ciências exatas. Comentário: Livro excelente para que o futuro engenheiro, de todas modali- dades, possa conhecer os problemas associados à sustentabilidade de nosso planeta. LIVRO 146 Carron, W.; PIQUEIRA, J. R. GUIMARÃES, O. Física-PNLD. São Paulo: Editora Ática, 2017. NEUMANN, J. V. The Computer and the Brain, USA: Yale University Press, 1958. PIQUEIRA, J. R. C.; BRUNORO, C. M. Energia: uso, geração e impactos ambientais. São Paulo: Editora Anglo, 2000. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/266247679_ENERGIA_uso_geracao_e_im- pactos_ambientais>. Acesso em: 14 nov. 2017. REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Pieter_van_Musschenbroek#/media/File:P_v_ Musschenbroek_t-E.jpg>. Acesso em: 16 nov. 2017. 2Em: <http://www.coe.ufrj.br/~acmq/leydenpt.html>. Acesso em: 16 nov. 2017. 3Em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/79/%C3%98rsted.jpg/200px-%C3%98rsted. jpg>. Acesso em: 16 nov. 2017. 4Em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9b/Young_Thomas_black_white.jpg/200px- Young_Thomas_black_white.jpg>. Acesso em: 16 nov. 2017. 5Em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/30/HEINRICH_HERTZ.JPG/1200px- HEINRICH_HERTZ.JPG>. Acesso em: 16 nov. 2017. 6Em:<https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTsebdYrWnmDWEpPGZfOiu2SnRjSE0X- WIFMA18kmpbaPWUYoIRiZw>. Acesso em: 16 nov. 2017. 7Em: <https://brasilnosso.wordpress.com/matrizes-energeticas-do-brasil/>. Acesso em: 16 nov. 2017. 8Em: <http://3.bp.blogspot.com/-0vEyOqPpjEo/TcslD7VmRfI/AAAAAAAABC0/Xxl7im8H0eo/s1600/ energia+1.jpg>. Acesso em: 16 nov. 2017. 147 1. D 2. B 3. D 4. D 5. A 6. B 7. B 8. B 9. A 10. A Resolução: λ = 1,2. 10-4m v=3. 108m/s. f = v/λ = (3. 108)/ 1,2. 10-4 = 2,5. 1012Hz 11. E 12. A 13. A Resolução: Hidráulica (81,7) + Eólica(0,5) + Biomassa (6,5) = 88,7% 148 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Apresentar a diferença entre Ciência Química e Engenharia Química. • Mostrar como a indústria se estrutura nas diversas ativida- des correlatas à Engenharia Química: Produtos, Alimentos Fármacos, Materiais, Petróleo. • Apresentar o conceito de operação unitária e como ele permite simplificar os projetos e processos. • Descrever a metodologia para prever e controlar o balanço de materiais em processos. • Apresentar processos simples, com aplicações industriais, de balanço de massas. Ciência e Engenharia Química e Indústria Balanço de materiais Exemplos de balanço de massas Operações unitárias Dr. José Roberto Castilho Piqueira Engenharia Química Ciência e Engenharia • A Química é a Ciência das transformações, e a Engenharia Química projeta e implementa as transformações em larga escala. • Lavoisier é considerado o iniciador da Quí- mica como Ciência e enunciou o princípio da conservação da massa em reações químicas. • A tabela periódica, além de agrupar os ele- mentos por propriedades físicas e químicas, permitiua previsão da síntese de elementos não existentes na natureza. • O Engenheiro Químico atua em um grande número de setores da atividade humana, como a indústria farmacêutica e a agricultura. 151UNIDADE VI É um conhecimento quase lendário que diz que a Química tem origem na Alquimia, prática da Idade Média que consistia na busca da “pedra filosofal”, remédio de todos os males e que, a um simples toque, transformaria qualquer metal em ouro. A “pedra filosofal” nunca foi encontrada, mas a ideia de trans- formação de uma substância em outra, com novas propriedades é a base da Química que, acompanhando o movimento geral de desenvolvimento, passou a ser tratada com bases científicas durante o século XVIII. O francês Antoine-Laurent Lavoisier (Figura 1a) (1743-1794), ao enunciar a lei de conservação das massas em uma transformação, deu origem à Ciência Química, como é vista hoje, depois de passar por grande desenvolvimento. Apesar de todo seu brilho científico, Lavoisier foi guilhotinado pela Revolução Francesa, em 8 de maio de 1794. O grande matemá- tico Joseph-Louis de Lagrange (Figura 1b) (1736-1813), contem- porâneo de Lavoisier, disse: “Não bastará um século para produzir uma cabeça igual à que se fez cair num segundo”. A evolução da Química como ciência, nos séculos XIX e XX, desvendou a estrutura da matéria, permitindo a descoberta e a classificação dos elementos químicos. Além disso, permitiu o en- tendimento de como esses elementos podem se agregar, formando as moléculas e como elas podem reagir, formando as substâncias que nos dão a vida, mantendo-as pelos constantes ciclos naturais. Devemos a Dmitri Ivanovich Mendeleev (Figura 2) (1834-1907) a criação, em 1869, da tabela periódica, colocando os 63 elementos químicos então conhecidos na forma de uma tabela, agrupando- -os de acordo com as massas atômicas e as propriedades físicas e químicas. A tabela periódica dos elementos (Figura 3) foi uma ideia tão importante que permitiu, ao longo do tempo, ser completada con- tendo os 118 elementos químicos conhecidos atualmente, sendo 92 naturais e 26 artificiais. Figura 1a – Lavoisier Figura 1b – Lagrange Figura 2 – Dmitri Ivanochi Mendeleev 152 Engenharia química O bom uso da ciência Química e o entendimento dos mecanismos de ligações e reações levaram a verdadeiras maravilhas: síntese de fármacos, pro- cessamento de alimentos e melhoria da qualidade dos solos estão entre elas. Começa, então, o encon- tro da Ciência Química com a Engenharia Quí- mica: produzir em escala as descobertas e sínteses realizadas nos laboratórios, disponibilizando-as para a melhoria da vida. Essa é a essência da Engenharia Química: modificar a composição, conteúdo energético ou estado físico da matéria-prima, para que os produtos resultantes atendam determinado fim. Para efetuar essas modificações em larga escala, é necessário conceber um processo que deve ser composto de várias fases: síntese, projeto, teste, escalonamento, operação, controle, otimização. Assim, o Engenheiro Químico está na indústria de transformação, de uma maneira geral: borracha, celulose, tintas, corantes, inseticidas, derivados de petróleo, resinas, medicamentos e bebidas. Figura 3 – Tabela periódica dos elementos Fonte: Tabela Periódica (2016, on-line)1. Seus setores de atuação podem, de maneira simplificada, ser enumerados (CREMASCO, 2015): • Automobilístico: álcool, gasolina, óleo die- sel, lubrificantes; • Construção: borracha, tinta, cal, cimento; • Eletrônicos: silicone, fibras de carbono; • Energia: gás para aquecimento; • Farmacêutico: antissépticos, anestésicos, antitérmicos; • Bebidas: cervejas (fermentação); • Fibras sintéticas: roupas, cortinas, cober- tores; • Hortifrutigranjeiros: fertilizantes, fungici- das, inseticidas; • Limpeza: detergentes, desinfetantes, ceras, sabões; • Metais: manufatura de aço e zinco; • Plásticos: brinquedos, baldes, isolantes elé- tricos. Og oganessônio 118 [294] Cu cobre 29 63,546(3) Ni níquel 28 58,693 Co cobalto 27 58,933 Fe ferro 26 55,845(2) Mn manganês 25 54,938 Cr crômio 24 51,996 V vanádio 23 50,942 Ti titânio 22 47,867 Sc escândio 21 44,956 Ca cálcio 20 40,078(4) Mg magnésio 12 24,305 Be berílio 4 9,0122 K potássio 19 39,098 Na sódio 11 22,990 Li lítio 3 6,94 H hidrogênio 1 1,008 Kr criptônio 36 83,798(2) Br bromo 35 79,904 Se selênio 34 78,971(8) As arsênio 33 74,922 Ge germânio 32 72,630(8) Ga gálio 31 69,723 Al alumínio 13 26,982 Si silício 14 28,085 P fósforo 15 30,974 S enxofre 16 32,06 Cl cloro 17 35,45 Ar argônio 18 39,948 B boro 5 10,81 C carbono 6 12,011 N nitrogênio 7 14,007 O oxigênio 8 15,999 F flúor 9 18,998 Ne neônio 10 20,180 He hélio 2 4,0026 Zn zinco 30 65,38(2) Rb rubídio 37 85,468 Cs césio 55 132,91 Fr frâncio 87 [223] Sr estrôncio 38 87,62 Ba bário 56 137,33 Ra rádio 88 [226] Y ítrio 39 88,906 Zr zircônio 40 91,224(2) Hf háfnio 72 178,49(2) Ta tântalo 73 180,95 W tungstênio 74 183,84 Re rênio 75 186,21 Os ósmio 76 190,23(3) Ir irídio 77 192,22 Pt platina 78 195,08 Au ouro 79 196,97 Hg mercúrio 80 200,59 Tl tálio 81 204,38 Pb chumbo 82 207,2 Bi bismuto 83 208,98 Po polônio 84 [209] At astato 85 [210] Rn radônio 86 [222] Rf rutherfórdio 104 [267] Db dúbnio 105 [268] Sg seabórgio 106 [269] Bh bóhrio 107 [270] Hs hássio 108 [269] Mt meitnério 109 [278] Ds darmstádtio 110 [281] Rg roentgênio 111 [281] Cn copernício 112 [285] Nh nihônio 113 [286] Fl fleróvio 114 [289] Mc moscóvio 115 [288] Lv livermório 116 [293] Ts tenessino 117 [294] Nb nióbio 41 92,906 Mo molibdênio 42 95,95 Tc tecnécio 43 [98] Ru rutênio 44 101,07(2) Rh ródio 45 102,91 Pd paládio 46 106,42 Ag prata 47 107,87 Cd cádmio 48 112,41 In índio 49 114,82 Sn estanho 50 118,71 Sb antimônio 51 121,76 Te telúrio 52 127,60(3) I iodo 53 126,90 Xe xenônio 54 131,29 La lantânio 57 138,91 Ac actínio 89 [227] Ce cério 58 140,12 Th tório 90 232,04 Pr praseodímio 59 140,91 Pa protactínio 91 231,04 Nd neodímio 60 144,24 U urânio 92 238,03 Pm promécio 61 [145] Np netúnio 93 [237] Sm samário 62 150,36(2) Pu plutônio 94 [244] Eu európio 63 151,96 Am amerício 95 [243] Gd gadolínio 64 157,25(3) Cm cúrio 96 [247] Tb térbio 65 158,93 Bk berquélio 97 [247] Dy disprósio 66 162,50 Cf califórnio 98 [251] Ho hólmio 67 164,93 Es einstênio 99 [252] Er érbio 68 167,26 Fm férmio 100 [257] Tm túlio 69 168,93 Md mendelévio 101 [258] Yb itérbio 70 173,05 No nobélio 102 [259] Lu lutécio 71 174,97 Lr laurêncio 103 [262] Tabela periódica1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 www.tabelaperiodica.org Licença de uso Creative Commons By-NC-SA 4.0 - Use somente para fins educacionais Caso encontre algum erro favor avisar pelo mail luisbrudna@gmail.com Versão IUPAC (pt-br) com 5 algarismos significativos,baseada em DOI:10.1515/pac-2015-0305 - Atualizada em 27 de março de 2017 57 a 71 89 a 103 Li lítio 3 [6,938 - 6,997] número atômico símbolo químico nome peso atômico (ou número de massa do isótopo mais estável) 153UNIDADE VI Linus Pauling (1901-1994) foi um importante Químico do século XX e a ele devemos, entre outras coisas, a distribuição dos elétrons em níveis de energia nos átomos e a explicação das ligações químicas. Para saber mais sobre Linus Pauling, consulte: <https://www.ebiografia.com/linus_pauling/>. 154 Engenharia química Química e Indústria • Como o Engenheiro Químico trabalha proces- sos de transformação, em geral, sua formação deve ser multidisciplinar. • Engenheiros Químicos podem trabalhar em de- senvolvimento de produtos, segurança, gestão de projetos, gestão financeira e vendas. • As engenharias Ambiental, de Alimentos, de Metalurgia, de Materiais, de Minas e de Petró- leo podem ser consideradas da grande área Química. Conforme já dissemos anteriormente, o Enge- nheiro Químico trabalha ligado a processos de transformação de matéria-prima em produtos comerciais ou industriais. Por essa razão, sua pre- sença é sempre notável nas mais diversas áreas de atividade, demandando um conhecimento mul- tidisciplinar que, além das questões científicas e tecnológicas, envolve responsabilidade social. A atividade mais visível é a de engenharia de produto, que trata do planejamento do processo 155UNIDADE VI de transformação, da garantia da qualidade dos resultados, do aprimoramento e da otimização dos métodos de produção. Além disso, o enge- nheiro de produto deve manter um forte conhe- cimento do mercado, monitorando os processos de custos e precificação, decidindo continuidade ou desenvolvimento dos bens produzidos. Outra atividade vital da Engenharia Química é a engenharia de segurança, responsável pela qualida- de do trabalho dentro das fábricas, bem como pelo planejamento de uma interação sustentável e não poluidora entre as plantas industriais e seu entorno. Cada projeto a ser implantado para a produção de um bem na indústria requer gestão cuidado- sa, planejando a capacidade produtiva necessária para atendimento das expectativas de vendas, a estocagem da matéria-prima e os cronogramas de entrega de produtos. Essas atividades são, normal- mente, exercidas pelo Engenheiro Químico gestor de projeto. A gestão dos custos de produção é ati- vidade do Engenheiro Químico gestor financeiro que, além disso, se ocupa do controle monetário da atividade industrial. As Engenharias, de maneira geral, envolvem a geração de produtos cuja venda pode requerer conhecimento especializado do processo. É o que faz o Engenheiro Químico de Vendas, apresenta os produtos, explicando como cada um deles pode compor o sistema do cliente. Para exemplificar essas atividades, vamos con- siderar a indústria de refino de petróleo (Figura 4) e petroquímica. Tudo começa no projeto do pro- cesso e na definição da composição do produto a ser fabricado (engenharia de gestão de projeto). Figura 4 – Refinaria de petróleo 156 Engenharia química Uma vez implantada a unidade industrial e o que vai ser fabricado, cabe monitorar a operação da planta garantindo a qualidade de produtos, cata- lizadores e processos (engenharia de produto). Essa operação deve ser segura tanto do ponto de vista interno como externo, protegendo os tra- balhadores de eventuais acidentes e cuidando da não degradação do meio ambiente (engenharia de segurança). Os gestores (de projeto e financeiro) planejam a produção do petróleo e dos produtos associados, bem como seu armazenamento e distribuição. Engenheiros de venda pesquisam, desenvol- vem o mercado e são responsáveis por prover assistência técnica, quando necessário. Essa amplitude das atividades de um Enge- nheiro Químico proporciona uma grande super- posição com atividades de engenharia que rece- bem outras denominações e que, talvez, pudessem ser englobadas dentro de uma grande área. Por exemplo, o Engenhei- ro Ambiental (Figura 5) trabalha com tecnologias que permitem o desenvol- vimento dos diversos seto- res, sem degradar o meio ambiente. Cuida da água, do ar e do solo, recom- pondo e saneando regiões e aprimorando matrizes energéticas. O Engenheiro de Ali- mentos (Figura 6) cuida da fabricação, análise, conserva- ção e transporte de alimentos in- dustrializados e de bebidas. Estuda e acompanha o processamento de matérias-primas básicas como o leite, a carne, as verduras, as frutas e os legumes. Figura 5 – Engenharia Ambiental 157UNIDADE VI Assim, poderíamos também envolver as engenharias de Materiais, de Metalurgia, de Minas e de Petróleo, todas elas ligadas a impor- tantes transformações nas matérias-primas. Figura 6 – Engenharia de Alimentos A implantação de uma planta química é tarefa complexa e envolve conhecimentos de várias modalidades de engenharia. Para saber mais sobre esse assunto, consulte o excelente trabalho de formatura do site: <http://pro.poli.usp.br/wp-content/uploads/2012/pubs/ planejamento-do-arranjo-fisico-de-uma-industria-quimica.pdf>. 158 Engenharia química Operações Unitárias • A sistematização do projeto dos processos em Engenharia Química se dá a partir do conceito de operações unitárias. • Existem três tipos de operações unitárias: me- cânicas, transferência de energia e transferên- cia de massa. A multidisciplinaridade e a diversidade de proces- sos em que a Engenharia Química está envolvida parece, em um primeiro momento, ser um ramo de estudos de difícil sistematização. Entretanto, em 1915, o Engenheiro Quími- co do Instituto de Tecnologia de Massachucetts Arthur Dehon Little (1863-1935) apresentou o conceito de “operações unitárias”, permitindo a divisão de um processo químico em etapas básicas de três tipos fundamentais: mecânicas, transferência de massa e transferência de energia (Figura 7). 159UNIDADE VI Figura 7 – Arthur Dehon Little Fonte: The new Atlantis ([2017], on-line)2. Assim, cada etapa de um processo químico na indústria recebe o nome de “operação unitária”. O conjunto de todas as etapas é chamado “processo unitário”. Consideram-se como operações unitá- rias mecânicas aquelas que envolvem transporte ou separação de fluidos e sistemas particulados. São exemplos desse tipo de operação unitária: • Filtração: separação de particulados por diferença de tamanho entre as partículas e os poros do elemento filtrante, encon- trados na fabricação de adesivos e fibras artificiais; • Flotação: separação de sólidos por meio da suspensão de matéria para a superfície de um líquido e sua posterior remoção, encontrado na fabricação de resinas e tra- tamento de água; • Sedimentação: separação de particulados por meio de deposição de material, encon- trado na fabricação de papel e tintas. As operações unitárias de transferência de energia envolvem a troca de calor entre as partes compo- nentes de um processo. São exemplos desse tipo de operação unitária: • Aquecimento: fornecimento de energia a um fluido ou sólido, presente na indústria de adesivos e fertilizantes; • Condensação: retirada de energia de um vapor para provocar sua mudança de es- tado, presente na indústria de inseticidas e derivados do petróleo; • Trocador de calor: processo simultâneo de aquecimento e resfriamento envolven- do correntes de fluídos, encontrado na in- dústria de açúcar, petróleo e bebidas. As operações unitárias de transferência de massa envolvem a troca de matéria entre as partes com- ponentes de um processo. São exemplos desse tipo de operação unitária: • Absorção: separação preferencial de molé- culas presentes em uma mistura gasosa por meio de sua retençãoem um líquido, presente na indústria de ácido sulfúrico e fertilizantes; • Adsorção: separação preferencial de mo- léculas presentes em um gás ou líquido por meio de sua retenção em um sólido, presente na indústria de fármacos e resinas; • Destilação: separação de líquidos por aquecimento, baseado na diferença de seus pontos de ebulição, presente na indústria de derivados de petróleo e tintas. As operações unitárias são a base da Engenharia Química. Para entendê-las melhor, consulte as notas de aula do professor Armin Isenmann, disponíveis em: <http://sistemas.timoteo.cefetmg. br/nos/_media/bd:livro:quimica:operacoes_ unitarias_08_2018.pdf>. 160 Engenharia química Balanço de Materiais • O conceito de operações unitárias permite decompor processos em etapas e analisá-las separadamente. • Definido um sistema e um intervalo de tempo, a equação de balanço de propriedades exten- sivas pode ser aplicada. O conceito de operações unitárias permite uma sistematização da metodologia de estudo de um processo por sua decomposição sucessiva em etapas, aplicando a cada uma delas o balanço de quantidades relativas às grandezas extensivas de cada etapa. Simplificadamente, entendemos por grandezas extensivas a massa, a energia, a carga elétrica e a quantidade de partículas. Assim, para enunciarmos a lei geral de balanço de grandezas extensivas, é necessário definir os seguintes pontos: • Qual a propriedade cuja quantidade (Q) será analisada; 161UNIDADE VI • Qual é a fronteira do sistema; • Qual o intervalo de tempo a ser conside- rado. Uma maneira pictórica de se enxergar a lei de balanço está mostrada na Figura 8, e estabelece- remos a seguinte notação: • Qentrada: quantidade da grandeza extensiva entrando no sistema; • Qsaída: quantidade da grandeza extensiva saindo do sistema; • Qgerada: quantidade da grandeza extensiva gerada no sistema; • Qconsumida: quantidade da grandeza extensi- va consumida no sistema; • Qinstantânea: quantidade da grandeza extensi- va existente no sistema. SISTEMA Qentrada Qsaída Fronteira Figura 8 – Balanço de propriedades extensivas Fonte: o autor. Examinando a Figura 8, observa-se que Qentrada e Qgerada contribuem positivamente para Qinstantânea, enquanto que Qsaída e Qconsumida contribuem negati- vamente. Logo, a equação de balanço de proprie- dades extensivas do sistema pode ser escrita para um dado intervalo de tempo, entre um instante inicial (ti) e um instante final (tf): Qinstantânea final - Qinstantânea inicial = (Qentrada+ Qgerada) – (Qsaída + Qconsumida). Exemplo: Vamos fazer um exemplo simples, mas que ilustra de maneira simples a equação de balanço: Ao levantar pela manhã, uma pessoa encontra uma garrafa de água contendo 500g do precioso líquido e consome 200g. Outra pessoa, ao acor- dar mais tarde e encontrar a garrafa resolve repor 400g de água. Apesar da trivialidade do exemplo, podemos estabelecer os seguintes pontos: • Propriedade extensiva: massa de água; • Sistema: garrafa; • Instante inicial: primeira pessoa acorda; • Instante final: segunda pessoa termina de adicionar líquido à garrafa. Com essas informações: Qinstantânea inicial = 500g; Qsaída= 200g; Qentrada= 400g; Qgerada=0; Qconsumida= 0 e, portanto: Qinstantânea final – 500 = (400+0) – (200+0), implicando Qinstantânea final = 700g. Entre os processos de transferência de massa, a difusão é de grande utilidade na prática. Para saber mais sobre esse assunto, assista ao vídeo disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=rbB6FhBAp6U>. 162 Engenharia química 1a Lei da Termodinâmica (Balanço Energético) A primeira lei da Termodinâmica é uma aplicação da equação de balanço de quantidades extensivas. Especificamente em relação a um sistema termodinâmico (Figura 9a): Figura 9a – Sistema Termodinâmico Fonte: Carron e Piqueira (2017). Biela Pistão Cilindro Caldeira Água Vapor Calor Combustível Eletricidade Correia Roda Gerador M ov im en to Figura 9b – Usina termoelétrica: princípio de funcionamento Ilustração: adaptada por Marcelo Goto. • a quantidade de energia Q, na forma de calor, trocada pelo sistema com o meio externo; • o trabalho mecânico Ʈ trocado pelo sistema com o meio externo; • a variação de energia interna ∆U = Ufinal - Uinicial do siste- ma termodinâmico. Assim, se um sistema termodinâmico recebe calor do meio externo e realiza trabalho sobre ele, sua equação de balanço energético fica: Ufinal - Uinicial = Q – Ʈ. Tenha sua dose extra de conhe- cimento assis- tindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 163UNIDADE VI Exemplos de Balanço de Massas • Fluxo ou vazão em massa é a massa por unida- de de tempo que entra ou sai do componente de um sistema. • O balanço de massas é equivalente ao balanço de fluxos. Quando falamos de balanço de massa em um processo químico, partimos do pressuposto que as massas relativas a certos compostos e a certas partes do sistema variam ao longo do tempo. Assim, vamos estabelecer uma notação de- finindo taxa de variação da massa de um certo composto ou componente como: w = (∆m) / (∆t), dada em unidades de massa por unidade de tempo, por exemplo, em kg/h ou g/s. Exemplo: Uma companhia fabrica o produto P a partir de um reagente R, sob a seguinte equação es- tequiométrica: 164 Engenharia química R → P + W, com W representando o resíduo indesejado da reação. A Figura 10 esquematiza o processo, considerando-se que a reação ocorre na unidade 1, na unidade 2, o resíduo é removido e, na unidade 3, executa-se uma purificação. 1 2 3 AWR WP WW WR WP WW WR WP WW WR WP WW B D C WR WP WW WR WP WW E F Figura 10 – Processo de produção do produto P Fonte: o autor. Na Tabela 1, fornecemos as taxas relativas às massas de cada um dos participantes da reação, nos diversos pontos do processo. Fluxo wtotal (kg/h) wR (kg/h) wP (kg/h) ww (kg/h) A 200 ? 2 2 B ? ? ? ? C 10 ? ? 10 D ? ? ? ? E 150 30 120 0 F ? 28 12 0 Tabela 1 – Fluxos (Produção da substância P) Fonte: o autor. Na sequência, mostraremos como completar a tabela, resolvendo as interrogações. • O balanço de massas do fluxo em A pode ser escrito como: 200 = wR + 2 + 2 e, portanto, wR = 196 kg/h. • Como no reator não há perda de massa, para o fluxo em B, wtotal = 200 kg/h. 165UNIDADE VI • Fazendo o balanço de massas na unidade 3, para o fluxo em F, podemos escrever: wtotal = 28 + 12 + 0 e, portanto, wtotal = 40 kg/h. • Para os fluxos em C da unidade 2 é simples concluir que: wR = wp = 0. Para bem da clareza, vamos repetir a tabela, acrescentando os valores obtidos até aqui: Fluxo wtotal (kg/h) wR (kg/h) wP (kg/h) ww (kg/h) A 200 196 2 2 B 200 ? ? ? C 10 0 0 10 D ? ? ? ? E 150 30 120 0 F 40 28 12 0 Tabela 2 – Fluxos (Produção da substância P) Fonte: o autor. • Como na unidade 3, o fluxo em D deve ser a soma dos fluxos em E e F, temos: wR = 30 + 28 = 58 kg/h; wP = 120 + 12 = 132 kg/h e ww = 0, o que nos permite reescrever a tabela. Fluxo wtotal (kg/h) wR (kg/h) wP (kg/h) ww (kg/h) A 200 196 2 2 B 200 ? ? ? C 10 0 0 10 D 190 58 132 0 E 150 30 120 0 F 40 28 12 0 Tabela 3 – Fluxos (Produção da substância P) Fonte: o autor. 166 Engenharia química • Como na unidade 2, o fluxo B é igual à soma dos fluxos em C e D, escrevemos: wR = 0 + 58 = 58 kg/h; wP = 0 + 132 = 132 kg/h; wW = 10 + 0 = 10 kg/h e completamos a tabela. Fluxo wtotal (kg/h) wR (kg/h) wP (kg/h) ww (kg/h) A 200 196 2 2 B 200 58 132 10 C 10 0 0 10 D 190 58 132 0 E 150 30 120 0 F 40 28 12 0 Tabela 4 – Fluxos (Produção da substância P) Fonte: o autor. A primeira lei da termodinâmicapode ser entendida como uma equação de balanço de energia. Para saber mais sobre o assunto, assista ao vídeo: <http://tvcultura.com.br/videos/53852_fisica-geral- aula-19-utilidade-do-calor-a-primeira-lei-da-termodinamica.html>. Assim completamos esta unidade, entendendo que a Engenharia Química, com toda sua abrangência e amplitude de uso, pode ser estudada de maneira sistemática, pelas operações unitárias. 167 1. O cientista considerado o pai da Química foi: a) Proust. b) Dalton. c) Richter. d) Lavoisier. e) Mendeleev. 2. O idealizador da tabela periódica foi: a) Proust. b) Dalton. c) Richter. d) Lavoisier. e) Mendeleev. 3. Realizar projetos de processos de transformação de matéria-prima em larga escala é trabalho do: a) Engenheiro Civil. b) Engenheiro Químico. c) Engenheiro Eletricista. d) Engenheiro Mecânico. e) Engenheiro Ambiental. 4. As principais atividades da Engenharia Química são: a) Projeto, produto, segurança, gestão e vendas. b) Projeto, produto, simulação computacional, gestão e vendas. c) Projeto, ensino, segurança, gestão e vendas. d) Projeto, produto, segurança, gestão e seleção de pessoal. e) Projeto, produto, segurança, pagamento de fornecedores e vendas. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 168 5. A Engenharia Ambiental pode ser considerada da grande área Química, pois: a) Trabalha com a previsão do tempo. b) Cuida dos processos de preservação da qualidade da água, do ar e do solo. c) Cuida das descargas elétricas na atmosfera. d) Trabalha com o aumento da eficiência da produção. e) Cuida da produção de materiais poliméricos. 6. A Engenharia de Alimentos pode ser considerada da grande área Química, pois: a) Estuda as frutas e verduras. b) Cuida dos processos saudáveis de alimentação. c) Projeta máquinas e fornos. d) Estuda a transformação de matéria-primas básicas, como leite, carne, verduras, frutas e legumes. e) Projeta biodigestores. 7. Existem três tipos de operações unitárias: a) Mecânicas, Hidráulicas e Elétricas. b) Mecânicas, Transferência de Energia e Transferência de Entalpia. c) Mecânicas, Elétricas e Transferência de Massa. d) Mecânicas, Transferência de Energia e Elétricas. e) Mecânicas, Transferência de Energia e Transferência de Massa. 8. Flotação é uma operação unitária: a) Mecânica. b) Transferência de massa. c) Transferência de Energia. d) Geração de Energia e) Transferência de Quantidade de Movimento. 9. Destilação é uma operação unitária: a) Mecânica. b) Transferência de massa. c) Transferência de Energia. d) Geração de Energia. e) Transferência de Quantidade de Movimento. 169 10. Um container não vedado contém 25 kg de acetona e, duas horas depois, 23 kg de acetona permanecem no container. A perda de massa foi de: a) 6 kg. b) 3 kg. c) 8 kg. d) Zero. e) 2 kg. 11. Depois de quanto tempo não restará acetona no container: a) 0,5 h. b) 1,5 h. c) 12 h. d) 25 h. e) 11 h. 12. Um gás ideal absorve 50cal de energia na forma de calor e se expande reali- zando um trabalho de 100J. Considerando 1cal = 4J, qual a variação da energia interna do gás? 170 Vale a pena estudar Engenharia Química Autor: Marco Aurélio Cremasco Editora: Blucher Sinopse: este livro procura mostrar a importância da Engenharia Química e como ela se faz presente no cotidiano das pessoas. A intenção é a de ser um livro introdutório em que se deixam fórmulas químicas e equações matemáticas para outra oportunidade, visando esclarecer aspectos sobre a formação do en- genheiro químico. Busca-se, portanto, entender a Engenharia Química por meio de áreas e campos de atuação do seu profissional, assim como dos produtos e serviços advindos de suas atividades. Além disso, existe a preocupação de contextualizar a profissão por meio da apresentação de um pouco da história mundial e nacional da Indústria Química e da Engenharia Química, assim como das responsabilidades e habilidades desejadas ao engenheiro químico, ressal- tando a importância da Ética como norteadora de suas ações. LIVRO 171 CREMASCO, M. A. Vale a Pena Estudar Engenharia Química. São Paulo: Blucher, 2015. GLOVER, C. J.; LUNSFORD, K. M.; FLEMING, J. A. Conservation Principles and the Structure of Engi- neering. USA: McGraw Hill Inc., 1996. REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: <https://www.tabelaperiodica.org/tabela-periodica-atualizada-2016-versoes-para-impressao/>. Acesso em: 21 nov. 2017. 2Em: < http://www.thenewatlantis.com/imgLib/20141021_TNA42Mills08Little.jpg>. Acesso em: 22 nov. 2017. 172 1. D 2. E 3. B 4. A 5. B 6. D 7. E 8. A 9. B 10. E 11. D 12. Q = 50.4 =200J; = 100J. Logo ∆U = 200-100 = 100J 173 174 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Descrever os principais tipos de operações em uma in- dústria e apresentar, resumidamente, metodologias de gestão. • Apresentar métodos, aplicativos e processos para gestão econômica de empreendimentos. • Descrever estratégias de montagem de sistemas de in- formação para empreendimentos públicos ou privados. • Apresentar os conceitos relativos ao ciclo de vida de pro- dutos e empreendimentos, levando em conta parâmetros de sustentabilidade. • Descrever como considerar o ser humano como protago- nista do trabalho e de suas ações no ambiente. Gestão de Operações Gestão Econômica Ciclo de Vida ErgonomiaSistemas de Informação Dr. José Roberto Castilho Piqueira Indústria e Produção Gestão de Operações • Os fundamentos científicos da engenharia de produção foram estabelecidos por Taylor (USA) e Fayol (França). • A gestão de operações em uma indústria se divide em: recursos humanos, recursos ma- teriais, transformações e qualidade. • O Sistema Toyota de Produção introduziu o con- ceito de just in time, eliminando o desperdício. Conforme você deve ter notado nas unidades re- lativas às Engenharias Civil, Elétrica e Química, uma boa parte do trabalho do engenheiro está relacionada com o planejamento e controle dos processos, com o cumprimento de prazos e com a viabilização financeira dos empreendimentos. Esse tipo de atividade está presente em todos os ramos da vida humana, tendo em vista que o aumento da população requer racionalidade e produção em larga escala dos bens relacionados ao dia a dia da espécie humana e de seu ambiente. 177UNIDADE VII A percepção da necessidade de bases lógicas para planejamento e controle da produção, origem da chamada Engenharia de Produção ou Indus- trial, talvez se deva à Frederick Winslow Taylor (1856-1915) (Figura 1) que, ao observar o modelo de produção da indústria americana do início do século XX, pensou em estabelecer bases científicas para os processos produtivos. Nessa época, a indústria automobilística ameri- cana se fundamentava no modelo de Henry Ford (1863-1947), pioneiro da indústria automobilística, que preconizava que cada operário deveria fazer uma parte específica do produto, tornando-se um especia- lista, voltado para os detalhes de sua peça (Figura 2). Taylor era um engenheiro mecânico e foi presi- dente da ASME (American Society of Mechanical Engineering), tendo escrito vários artigos publica- dos nos periódicos da época. Entretanto sua obra seminal é o livro de 1911, Principles of Scientific Management, editado pela Harper & Brothers, em Londres e Nova York. Nesse livro, estão colocadas as bases do Tay- lorismo que defende a especialização e visão de tarefas, com rigoroso treinamento para os ope- rários, além da execução de um controle sobre o rendimento de cada um, atribuindo prêmios àque- les que as executam com maior eficiência. Além disso, defendia que o processo de produção era de responsabilidade dividida equitativamenteentre o corpo diretivo da fábrica e seus operários. Figure 1 – Frederick Winslow Taylor Fonte: Wikipédia ([2017])1. Figura 2 – Henry Ford Fonte: Qad ([2017])2. 178 Indústria e produção Contemporaneamente a Taylor, porém na França, Jules Henri Fayol (1941-1925) (Figura 3), que tinha como formação a Engenharia de Minas, propôs o que se chama, nos dias de hoje, a Teoria Clássica da Administração, composta por 14 princípios: divi- são do trabalho, disciplina, unidade de comando, unidade de direção, subordinação dos interesses particulares ao interesse geral, remuneração, cen- tralização, hierarquia, ordem, equidade, estabilida- de do pessoal, iniciativa e união do pessoal. Embora as ideias propostas por Taylor e Fa- yol apresentem divergências, principalmente em relação às hierarquias de comando, ambos con- juntos de princípios são aplicáveis, considerando sua adequação a cada caso particular. Taylor iniciou trabalhando como operário, passou pela função de contramestre e chegou a engenheiro chefe. Por isso, seus princípios têm um bom olho dos operários e do pessoal de linha de produção, combinado com o ponto de vista do corpo diretivo da fábrica. Fayol sempre trabalhou ligado à administração superior da companhia em que trabalhava e, pos- teriormente, trabalhou na administração pública francesa. Por isso, seus princípios se assemelham a um receituário para a alta administração. Nos dias de hoje, essa metodologia desenvol- vida no início do século XX deve ser aplicada a sistemas produtivos cada vez mais complicados, muitas vezes, constituídos por um emaranhado de processos de entrada, saída e retroalimenta- ção. De maneira simplificada, poderíamos dizer que processos são atividades ou conjuntos de atividades que, a partir de entradas, as transfor- mam, fornecendo uma saída. Uma maneira mais específica de se expressar isso é considerar que um processo é um conjunto de recursos mate- riais e humanos, submetidos a regras, normas e transformações, que devem gerar um produto. Assim, gerir um processo é prover e gerir recur- sos, projetar e controlar regras de transformação para obter um produto específico, dentro de padrões de qualidade previamente definidos, veja na figura, a seguir, a divisão das tarefas de gestão de um processo. A gestão de recursos humanos, fundamenta- da nos modelos de Taylor e Fayol, tem sido exer- cida de maneira a criar linhas de montagem de móveis, com trabalhadores especializados. Figura 3 – Jules Henri Fayol Fonte: Wikimédia ([2017, on-line)3. 179UNIDADE VII Embora essa abordagem seja de sucesso, tem como principal desvantagem a pouca flexibilidade, pois a cada nova versão ou novo produto, novas fer- ramentas devem ser projetadas, e a mão de obra trei- nada novamente aumentando, os custos de produção. No ambiente industrial dos dias de hoje, os ope- rários trabalham em grupos colaborativos, com au- to-gestão, permitindo flexibilidade de funções e de atuação, melhorando a eficiência da mão de obra. A gestão de materiais é, também, um ponto em que as estratégias de controle estão sendo for- temente modificadas. A verticalização e o controle de todas as fontes de suprimento estão sendo subs- tituídos pelo chamado just in time. Nessa modali- dade, a indústria associa à matéria-prima de seus produtos fornecedores dedicados que fornecem material apenas quando necessário. É o que se pode chamar de combate à cultura do desperdício. É na gestão das transformações que as in- dústrias estão se aprimorando a cada dia. O desen- volvimento de ferramentas computacionais e de automação permite uma grande economia, pois evita a troca de hardware quando os processos precisam ser alterados. Mudanças de softwares e ampliações de memória dão conta das atualiza- ções, mantendo máquinas e pessoas. As novas maneiras de gerir a fabricação dos produtos industriais permitem uma grande re- dução de custos, proveniente da eliminação de desperdícios e de compra de máquinas e fer- ramentas. Além disso, o uso de ferramentas de precisão (lasers e fibras ópticas) controlados por software tornou a gerência da qualidade o fator primordial da inserção de produtos no mercado. A indústria automobilística, por exemplo, antes dominada pelo alto luxo e alto preço, volta-se para a alta qualidade de baixo preço, fundamentada no chamado “Sistema Toyota de Produção”, criado por Eiji Toyoda (Figura 4a), (1913-2013), da família proprietária das indústrias Toyota e de seu enge- nheiro chefe Taiichi Ohno (Figura 4b), (1912-1990). O sistema Toyota de Produção, concebido pelo Engenheiro Taiichi Ohno, revolucionou a indústria em todo mundo. Para saber mais sobre ele, assista: <https://www.youtube.com/ watch?v=1SvaVIvbEnM>. Figura 4a – Eiji Toyoda Fonte: Encrypted ([2017], online)4. Figura 4b – Taiichi Ohno Fonte: Encrypted ([2017], on-line)5. 180 Indústria e produção • A gestão econômica, no ambiente industrial, está ligada aos custos de fabricação de um dado produto. • Esse custo inclui insumos, como recursos ma- teriais e humanos, bem como administração, depreciação e energia. A gestão econômica de um negócio comercial foi, ao longo do tempo, objeto de um raciocínio simples: X = Receita, isto é, quanto recebi pelas mer- cadorias vendidas; Y = Despesa, isto é, quanto paguei por elas + quanto gastei de aluguel + salários de funcio- nários + impostos + contas de água e energia; Lucro = X – Y. Entretanto essa maneira de calcular, embora útil, resume, nos dias de hoje, procedimentos mais complicados, uma vez que, no ambiente indus- trial, a expressão “quanto paguei por elas” pode ser difícil de ser calculada, diferentemente de um ambiente comercial, em que as mercadorias são compradas prontas, diretamente dos fornecedores. Gestão Econômica 181UNIDADE VII Até os anos 90, as indústrias fabricavam pro- dutos submetidos a inovações mais vagarosas, e suas máquinas e ferramentas requeriam reno- vação em ritmo não muito rápido, tornando a estrutura de custos de fabricação mais previsível. O advento dos computadores, da explosiva miniaturização da eletrônica e da automação mudou totalmente esse panorama. Para manter suas posições nos mercados, as indústrias devem produzir produtos inovadores e com conteúdo tecnológico cada vez mais alto. Isso requer renovações em produtos e linhas de produção flexíveis, que permitam alterações constantes, com equipes de trabalho criativas pro- duzindo softwares renovados para um hardware que, na medida do possível, deve ser mantido. É da gestão da expressão “quanto paguei por elas” ou do custo de fabricação que estamos tra- tando nesta seção, ressaltando que não estamos propondo uma abordagem completa e fechada, mas algumas noções que podem ser úteis se aperfeiçoadas em estudos posteriores. Iniciamos definindo custo de fabricação como o valor dos insumos consumidos na fabricação de um dado produto, entendendo por insumos a matéria- prima, os recursos humanos, a energia elétrica, as máquinas, as ferramentas e os equipamentos. En- tre os custos de recursos humanos, distinguem-se aqueles relativos à mão de obra direta, relacionada diretamente com a fabricação, e a indireta, relacio- nada com os recursos necessários para a adminis- tração e os cuidados com o ambiente fabril. É importante ressaltar, também, que máqui- nas, ferramentas e equipamentos estão sujeitos à depreciação, custo relacionado com a sua perda de valor, ao longo do tempo. Exemplo: Para tornar mais claras essas ideias, vamos con- siderar que uma certa fábrica que produz dois produtos, ao final de um mês de operação, apre- sentou os seguintes custos: • Salários: R$ 20 000; • Materiais de consumo: R$ 8 000; • Depreciação: R$ 2 000; • Energia Elétrica: R$ 800. Os custos, divididos por item dedespesa, encon- tram-se na Tabela 1. Item Valor (R$) Administração Geral Manutenção Usinagem Montagem Salários 20 000,00 10 000,00 2 000,00 6 000,00 2 000,00 Materiais 8 000,00 800,00 1 800,00 2 000,00 3 400,00 Energia 800,00 200,00 300,00 200,00 100,00 Depreciação 2 000,00 - 1 500,00 500,00 - Total 30 800,00 11 000,00 5 600,00 8 700,00 5 500,00 Tabela 1 – Custos de Fabricação Fonte: o autor. 182 Indústria e produção Nesse exemplo, podemos distinguir: • Custos Fixos: salários + materiais = R$ 28 000,00; • Custos Variáveis: energia + depreciação = R$ 2 800,00; • Custos diretos (relativos à fabricação) = usinagem + montagem = R$ 14 200,00; • Custos indiretos = administração + manu- tenção = R$ 16 600,00 Análise Algumas conclusões que podem ser úteis: • Os maiores custos são os de administração (custo indireto); • Os custos de energia são pouco conside- ráveis; • Se a fábrica produzir 200 unidades do pro- duto A, gastando 60% dos recursos, o custo de produção de A será de: CA = 0,6 . 30 800/ 200 = R$ 92,4, por uni- dade produzida; • Se a fábrica produzir 100 unidades do pro- duto B, gastando 40% dos recursos, o custo de produção de B será de: CB = 0,4 . 30 800/ 100 = R$ 123,2 por uni- dade produzida. Princípio de Pareto O princípio de Pareto é uma técnica para selecio- nar prioridades quando há vários fatores contri- buindo para um certo ponto a ser aprimorado. Se- gundo o economista Vilfredo Pareto (1848-1923), os itens significativos, normalmente, pertencem a um número pequeno de itens, o que se pode identificar no chamado Diagrama de Pareto. Considerando o exemplo da Tabela 1, pode- mos fazer o diagrama de Pareto para a análise dos custos de fabricação dos produtos exemplificados, conforme mostra a Figura 5. A análise desse gráfico, segundo Pareto, indica que um único item (salários) é responsável por 65% do custo de fabricação. Além disso, salários e materiais são responsáveis por 91% dos custos. A gestão econômica é item fundamental para a composição do custo dos produtos que, no mercado altamente competitivo como o atual, é decisivo para o sucesso do empreendimento. Para saber mais sobre este assunto, leia o artigo do site abaixo: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S1413-92511996000200001>. Figura 5 – 1- Salários; 2- Materiais; 3- Energia; 4 - Depreciação Fonte: o autor. 47% 36% 12% 5% 1 2 3 4 Princípio de Pareto: Custos Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 183UNIDADE VII • As arquiteturas computacionais combinam três tipos de função: memória, processamento e entrada e saída de dados. • A hiperminiaturização da eletrônica e o proces- samento digital de sinais criaram ambientes virtuais de trabalho de grande eficiência. Conforme já apresentamos em nossa Unidade III, devemos a John Von Neumann (VON NEU- MANN, 1945) a arquitetura de computadores composta por três funções básicas: memórias, processamento e entrada e saída de dados. Em 1965, Gordon Earle Moore (Figura 6), nascido em 1929 e fundador da Intel, empresa pioneira na fabricação de chips eletrônicos, previu que o número de transistores no interior de um mesmo chip dobraria a cada 18 meses, levando à hiperminiaturização dos componentes eletrôni- cos, sem aumento de custos. Sistemas de Informação 184 Indústria e produção Para efeito de ilustração desse fato, a Figura 8 mostra o interior de um chip, com as diversas camadas de material depositado, formando os componentes internos. Durante esse mesmo período, o processamen- to digital de sinais revolucionou as telecomuni- cações e, nos dias de hoje, dispositivos eletrôni- cos baratos e pequenos se comunicam trocando grande quantidade de informação, transformando empresas em todo o mundo. As barreiras físicas acabaram e a arquitetura Von Neumann pode ter suas partes descentra- lizadas e espalhadas pelo mundo. O conceito de empresa global está cada dia mais presente na vida das pessoas. Aplicativos desenvolvem negócios antes impensáveis: empresas líderes em transporte de pessoas não possuem veículos; empresas líde- res na indústria hoteleira não possuem imóveis. Figura 6 – Lei de Moore Gordon Earle Moore Fonte: Ethw ([2017], on-line)7. Figura 7 – Expressão gráfica da Lei de Moore Fonte: Wikipédia ([2017], on-line)7. Essa previsão, de fato, materializou-se. A Figura 7 mostra o crescimento do número de transistores para processadores Intel (pontos) e a previsão de Moore (linha de cima=18 meses, linha de baixo=24 meses). 185UNIDADE VII interior de um chip Figura 8 – O interior de um chip 186 Indústria e produção Enfim, a automação de processos comerciais ou industriais, as ferramentas de projeto e planeja- mento que tanto nos maravilharam no século XX são barreiras vencidas. Estamos agora no mundo virtual, com arquiteturas em nuvem oferecidas por grandes indústrias líderes e inovadoras. É do uso delas que falaremos aqui, brevemente. O conceito de organização virtual consiste no bom uso das comunicações entre seus diver- sos componentes: recursos humanos, clientes e fornecedores podendo, até mesmo, incluir concorrentes. A distância passa a ser um fator irrelevan- te e, via dispositivos de comunicação, pessoas e organizações se juntam, de maneira temporária ou duradoura, com nível de burocracia bastante simplificado. Uma outra forma moderna de trabalho são as chamadas redes virtuais de colaboração, forma- das por pessoas ou organizações interessadas em trocar informações com seus pares. A rede What’s up é um grande exemplo de sucesso nessa área, reunindo famílias e amigos dispersos pelo mundo. Na indústria brasileira de petróleo há uma im- portante rede de colaboração unindo Petrobrás, USP, PUC-Rio, UFRJ, UFAL e ITA. Essa rede tem sido decisiva para a pesquisa e o desenvolvimento na área, sendo responsável por importantes pro- gressos do país. Uma terceira forma interessante é a dos tra- balhadores virtuais. Pessoas com compromis- sos familiares, portadores de deficiência de loco- moção ou pessoas localizadas em outras cidades, podem trabalhar de suas casas, sem precisar ir aos escritórios. Os encontros pessoais podem, até, ser realizados remotamente, utilizando pro- gramas de videoconferência. Enfim, é o mundo sem distâncias, resultado da criatividade e da inteligência humana. Novas empresas virtuais surgem diariamente. Se você quer saber mais sobre como elas funcionam, leia o artigo de Geraldo Maciel de Araújo, encontrado em: <http://www.abepro.org. br/biblioteca/ENEGEP1997_T6303.PDF>. 187UNIDADE VII • O ciclo de vida de um produto compreende: in- trodução, crescimento, maturidade e declínio. • A sustentabilidade de uma indústria deve ser mantida pelo bom planejamento do declínio dos velhos produtos e do crescimento de novos. Um dos parâmetros importantes na definição de um produto é seu ciclo de vida. Produtos são con- cebidos, inicialmente, como ideias nos cérebros das pessoas. Em seguida, passam para o papel como ras- cunhos para que as ideias possam ser comunicadas a possíveis interessados. Do papel para o chamado “modelo aranha”, temos uma passagem de definição de especificações, materiais, ferramentas e mercado. Do “modelo aranha” para o protótipo, defi- nem-se os procedimentos de fabricação, as listas de componentes e os possíveis preços de venda. Essa é uma fase de preparação que, nos mercados atuais, precisa ser rápida e de fácil adaptação, pois novas concepções de produtos aparecem todos os dias. Até o final dos anos 80, essa fase de concep- ção era bastante cuidadosa, pois se imaginava que um produto, uma vez no mercado, teria vida muito longa, com produção e venda ga- rantida e praticamentecontínua. Ciclo de Vida 188 Indústria e produção O Fusca (Figura 9a) e a máquina de escrever (Fi- gura 9b), provavelmente, representam, para você, peças de museu, mas foram produtos de grande sucesso, sobrevivendo mais de 30 anos no mercado. Nos dias de hoje, pequenos computadores de grande capacidade e flexibilidade, embora sejam duráveis, são rapidamente substituídos, pois seus usuários estão sempre ávidos por novidades. Esse é um fenômeno que ocorre de maneira ge- ral para roupas, aparelhos de TV, carros, telefones celulares e tantos outros bens de capital e consumo. Enfim, parece que a cultura do desperdício passou da indústria para o mercado consumidor, com- prometendo decisivamente o futuro do planeta. Mesmo diante dessa nova postura industrial e do mercado consumidor, podemos dividir o ciclo de vida de um produto, após sua concepção, em: introdução, crescimento, maturidade e declínio. A introdução caracteriza-se, normalmente, por elevadas despesas e a incorporação de inova- ções, para que o produto atenda efetivamente o mercado. O crescimento caracteriza-se pelo au- mento de suas vendas e pelo reconhecimento do mercado da sua qualidade. Na maturidade, a taxa de crescimento das vendas estabiliza-se e o custo de produção fica reduzido. É o tempo de picos de vendas e lucros, sinalizando, entretanto, necessi- dade de novas ideias para manter o mercado. Já o declínio de um produto é inevitável, as vendas e lucros diminuem e um bom planejamento do fim do produto se faz necessário para manter a rentabilidade global da empresa. O conceito de ciclo de vida de um produto é fator importante na definição de estratégias de mercado. Para saber mais sobre o assunto, assista à aula do Prof. Aldo Roberto Ometto, disponível em: <https:// www.youtube.com/watch?v=LSR6w14aWVE>. Figura 9a – Fusca Figura 9b – Máquina de escrever 189UNIDADE VII • A Ergonomia proporciona métodos de projeto para que os processos sejam adequados aos seres humanos que deles participam. • A Ergonomia deve cuidar de fatores físicos e psicológicos dos trabalhadores. Os trabalhos a serem executados em um ambien- te industrial têm, sempre, alguma ação humana, seja na operação direta de uma máquina, seja na supervisão de uma ilha robótica de produção. Dentro do escopo da Engenharia de Produção, entendemos por Ergonomia o estudo das intera- ções dos seres humanos com os outros compo- nentes do sistema de trabalho (BATALHA, 2008) sejam eles máquinas, ferramentas, mobiliário sejam outros seres humanos, visando aprimorar processos físicos, emocionais e organizacionais. A ergonomia é assunto tão vasto e multidisci- plinar que tentar dar a ele um arcabouço formal normativo é tarefa quase impossível. Por essa ra- zão, há várias abordagens, cada uma privilegiando algum aspecto das relações de trabalho e condi- ções de trabalho. Ergonomia 190 Indústria e produção Entre essas abordagens, a que mais se aproxima do dia a dia de uma fábrica é a chamada ho- mem-máquina-ambiente, considerando que cada operário realiza seu trabalho em postos que podem ser de controle de máquinas, de opera- ção de máquinas e de escritório. Recebendo in- formações das máquinas e do meio ambiente, processa-as e atua sobre seu posto de trabalho para a realização das tarefas. A escola francesa de ergonomia propõe uma análise ergonômica do trabalho, isto é, uma análise cuidadosa das tarefas a serem realizadas, projetando o ambiente adequado ao trabalho. Essa análise, realizada por equipe multidisci- plinar que inclui médicos, deve ter a participação dos trabalhadores que influenciam no projeto do processo, tornando-se protagonistas das ações e criando um ambiente colaborativo. Os resultados dessa análise proporcionam diagnósticos sobre os processos, permitindo alterações nos seus proje- tos, tornando-os adequados à saúde física e men- tal dos trabalhadores. Outro aspecto importante da Ergonomia está relacionado com a previsão de lesões que podem ser provocadas pelo trabalho constante e repetitivo que utiliza alguns órgãos do corpo, de maneira pre- dominante. Essas lesões podem ser minimizadas ou evitadas, projetando-se de maneira adequada o sistema de produção, evitando trabalhos que en- volvam torção do tronco, manipulações com braço esticado acima do ombro, ficar em pé por longos períodos, empurrar e puxar objetos pesados. Enfim, cabe à Engenharia de Produção criar processos que não atuem contra a saúde e a dig- nidade do ser humano. Assim terminamos esta unidade. Aqueles que vão seguir a Engenharia de Produção verão os assuntos aqui descritos com muito mais detalhes. Entretanto consi- deramos que todo engenheiro, de qualquer modalidade, deve ter conhecimento do que foi estudado aqui. O trabalho a ser realizado por seres humanos requer respeito às suas limitações. O Prof. Laerte Idal Sznelwar é um conceituado especialista em Ergonomia, e você pode saber mais sobre o assunto acessando o link: <https://www.youtube. com/watch?v=smXK3uE-p98>. 191 1. As bases científicas da Engenharia de Produção tiveram origem: a) No século XVIII. b) Na Grécia Antiga. c) No início do século XXI. d) No início do século XX. e) Na Idade Média. 2. Sobre a divisão de responsabilidades na linha de produção, Taylor apregoava: a) Parcelas equitativas entre operários e corpo diretivo. b) Totalmente dos operários. c) Totalmente do corpo diretivo. d) Parcelas equitativas entre o mercado consumidor e corpo diretivo. e) Parcelas equitativas entre mercado consumidor e operários. 3. A visão de Fayol sobre a administração da produção apresenta ponto de vista: a) Voltado para o operário. b) Centralizador e voltado para o controle pelo corpo diretivo. c) Descentralizado entre corpo diretivo e operários. d) Voltado para o mercado. e) Voltado para a economia de material. 4. As duas principais características do sistema Toyota de produção são: a) Material em abundância e ferramentas precisas. b) Eliminação de desperdício e ferramentas dependentes do processo. c) Eliminação de desperdício e qualidade. d) Material em abundância e qualidade. e) Eliminação de desperdício e hardware variável. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 192 A tabela abaixo se refere às próximas 4 questões: Item Valor (R$) Administr. Geral Manutenção Usinagem Montagem Salários 5 000,00 2 000,00 1 000,00 1 000,00 1 000,00 Materiais 2 500,00 200,00 300,00 1 500,00 500,00 Energia 400,00 100,00 100,00 100,00 100,00 Depreciação 1 000,00 - 500,00 500,00 - Total 8 900,00 2 300,00 1 900,00 3 100,00 1 600,00 Tabela 1 – Custos de Fabricação Fonte: o autor. 5. O valor total dos custos fixos é, em R$: a) 7 500,00. b) 5 400,00. c) 6 000,00. d) 5 000,00. e) 1 400,00. 6. O valor total dos custos variáveis é, em R$: a) 7 500,00. b) 5 400,00. c) 6 000,00. d) 5 000,00. e) 1 400,00. 7. Os custos diretos de fabricação, em reais, somam: a) 4 200,00. b) 3 200,00. c) 4 700, 00. d) 4 100,00. e) 7 200,00. 193 8. Os custos indiretos de fabricação, em reais, somam: a) 4 200,00. b) 3 200,00. c) 4 700, 00. d) 4 100,00. e) 7 200,00. 9. Os principais fatores relacionados à expansão da tecnologia da informação foram: a) Hiperminiaturização da eletrônica e a tecnologia de materiais. b) Uso das válvulas e processamento digital de sinais. c) Hiperminiaturização da eletrônica e tecnologia nuclear. d) Hiperminiaturização da eletrônica e processamento digital de sinais. e) Desenvolvimento de reatores químicos e digitalização de sinais de voz. 10. A empresa “Amazon” é um exemplo de: a) Empresa industrial. b) Empresa de produção de livros. c) Editora. d) Empresa acadêmica. e) Empresa virtual. 11.A fase do ciclo de vida de um produto que envolve maior custo é a: a) Concepção. b) Introdução. c) Crescimento. d) Maturidade. e) Declínio. 194 12. A fase do ciclo de vida de um produto que envolve maior lucro é a: a) Concepção. b) Introdução. c) Crescimento. d) Maturidade. e) Declínio. 13. A Ergonomia se dedica ao estudo das: a) Relações operário-sociedade. b) Relações operário-salários. c) Relações chefe-operário. d) Relações operário-ambiente de trabalho. e) Relações entre doenças e sociedade. 195 Introdução à Engenharia de Produção Autor: Mário Otávio Batalha Editora: Campus – Elsevier – Rio de Janeiro - 2008 Sinopse: o número de cursos de graduação e pós-graduação em Engenharia de Produção vem aumentando rapidamente no Brasil. Hoje já são mais de 200 cursos de graduação em todo o Brasil. Este número é um dos indicadores da vitalidade e da importância desta área para o país. O engenheiro de produção atua no sentido de projetar, aperfeiçoar e implantar sistemas de produção (combinando pessoas, materiais, informações, equipa- mentos e energia) para a produção sustentável de bens e serviços. Para isso, ele dispõe de um conjunto de conhecimentos oriundos das mais diversas áreas do saber. É este conjunto de conhecimentos, dividido nas grandes áreas da Engenharia de Produção, que é apresentado neste livro. Este livro, terceira obra da Coleção Livros Didáticos ABEPRO-CAMPUS em En- genharia de Produção, supre uma lacuna importante na bibliografia nacional. Elaborado por uma equipe competente e experiente nas várias disciplinas apre- sentadas, ele destina-se a estudantes, professores e profissionais que desejam conhecer o campo da Engenharia de Produção. LIVRO 196 MAXMIANO, A. C. A. Teoria Geral da Administração. São Paulo: Atlas, 2006. BATALHA, M. O. Introdução à Engenharia de Produção. Rio de Janeiro: Campus-Elsevier, 2008. NEUMANN, J. V. First draft of a Report on EDVAC. Moore School of Electrical Engineering, University of Pennsylvania, 1945. REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Frederick_Taylor>. Acesso em: 23 nov. 2017. 2Em: <http://blog.qad.com/wp-content/uploads/2016/12/Blog_01.05.2017_a.jpg>. Acesso em: 23 nov. 2017. 3Em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/7e/Luther_Halsey_Gulick.jpg/800px- Luther_Halsey_Gulick.jpg>. Acesso em: 23 nov. 2017. 4Em: <https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSLSHUasl_IfwwEOjfsIiGMZDYi2Qgb8t- MlPDomGJfw0vBifuGn>. Acesso em: 23 nov. 2017. 5Em: <https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTA_s_8YQxu6_um5CR7jXUt9Q- QHYMDmP6to7mDZZbjg6FXmPsgG_g>. Acesso em: 23 nov. 2017. 6Em: <http://ethw.org/w/images/1/15/Gordon_E._Moore.jpg>. Acesso em: 23 nov. 2017. 7Em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Moore>. Acesso em: 23 nov. 2017. 197 1. D 2. A 3. B 4. C 5. A 6. E 7. C 8. A 9. D 10. E 11. B 12. D 13. D 198 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Descrever as principais áreas de atuação da engenharia mecânica e suas ramificações: máquinas, energia e fluidos, mecatrônica, naval e aeronáutica. • Descrever as principais conquistas da Engenharia Mecâ- nica e suas ramificações: automóvel, programa espacial, fontes alternativas de energia, aviões, robótica, conforto térmico. • Mostrar as diversas maneiras de transmissão de força e de movimentos no projeto de máquinas. • Descrever os principais processos relativos à produção de máquinas e ferramentas, garantindo qualidade e precisão. • Descrever as técnicas de simulação de processos, permi- tindo seu aprimoramento durante o projeto, sem neces- sidade de construção prévia. Elementos de Engenharia Mecânica As conquistas da Engenharia Mecânica Processos de manufatura Simulação de processosForças e máquinas Dr. José Roberto Castilho Piqueira Engenharia Mecânica Elementos de Engenharia Mecânica • Os primeiros dispositivos de transmissão e mul- tiplicação de forças apareceram na Antiguidade, nas construções de moradias e monumentos. • As máquinas a vapor foram utilizadas na auto- mação da manufatura e nos transportes, colabo- rando decisivamente para a revolução industrial. • O progresso da eletrônica permitiu a constru- ção de robôs que atuam na manufatura fabril. Conforme você deve ter observado ao longo das unidades iniciais deste curso, tudo indica que a Engenharia Mecânica nasceu na pré-história, com os seres humanos construindo suas primeiras ferramentas e armas. Na Antiguidade, os processos de construção demandaram as primeiras máquinas para trans- missão e multiplicação de forças e torques, dimi- nuindo o esforço humano necessário nas obras de monumentos e edificações. Surgem, então as alavancas, polias e rodas que atendem às mais diversas necessidades do trabalho. 201UNIDADE VIII Arquimedes (Figura 1), filósofo nascido em Siracu- sa (Itália), em 287 a.C., realizou vários estudos que, nos dias atuais, são classificados como de Engenha- ria Mecânica, sendo o autor da frase: “deem-me uma alavanca suficientemente longa e um fulcro suficientemente forte e eu moverei o mundo”. Nos dias de hoje, podemos considerar a En- genharia Mecânica como o ramo da tecnologia que se ocupa da geração, transmissão e controle de movimentos e, portanto, tem como grandezas fundamentais a serem estudadas as forças, os tor- ques, o trabalho e a energia. O conhecimento e uso da Engenharia Mecâni- ca passou por grande desenvolvimento a partir da Termodinâmica, isto é, dos fenômenos dinâmicos provocados por trocas de calor cujos estudos ex- perimentais se iniciaram no século XVII, quando Otto von Guericke (1602-1686), o mesmo cientis- ta já citado no tópico 2, da Unidade V, construiu a primeira bomba de vácuo. Seguindo o trabalho de Guericke, Robert Boyle (1627-1691) (Figura 2a) e Robert Hooke (1635- 1703) (Figura 2b) estabeleceram as relações entre as grandezas: pressão, volume temperatura. O trabalho de Boyle e Hooke permitiu esta- belecer que, quando um sistema gasoso desloca suas fronteiras (variação de volume), sua força de pressão realiza trabalho mecânico, levando à possibilidade de converter energia na forma de calor em energia mecânica útil. Essa ideia foi essencial para a construção da pri- meira máquina térmica pelo engenheiro Thomas Savery (1650-1715) (Figura 3a), em 1697, movi- mentando pistões a partir de variações de volume de gases aquecidos, baseada na máquina de Denis Papin (1647-1712) (Figura 3b), de um único pistão. Figura 2a – Robert Boyle Figura 2b – Robert Hooke Fonte: Wikimédia ([2017])1.Figura 1 – Arquimedes Figura 3b – Denis Papin Figura 3a – Thomas Savery Fontes: Wikimédia ([2017])2. 202 Engenharia mecânica Sadi Carnot (1796-1832) (Figura 4a) publicou, em 1824, o livro Reflexões sobre energia motora e fogo, obra seminal que explicou o funcionamento das máquinas a vapor que passaram a ser utilizadas nas fábricas, iniciando a automatização dos processos industriais, e no transporte com trens movidos a vapor encurtando distâncias e levando progresso (Figura 4b). Esse progresso tecnológico redundou na chamada “Revolução Industrial”, marcando a transição dos métodos de produção artesanais para a produção usando máquinas. O início desse processo ocorreu na Inglaterra e se espalhou por toda Europa Ocidental e Estados Unidos. Gradativamente, os pro- cessos de produção foram aprimorados e, na segunda metade do século XX, iniciou-se a chamada “Terceira Onda”, termo moldado por Alvin Toffler (1928-2016) (Figura 5a) em seu quase profético livro (Figura 5b). Toffler considera que o início da fixação em torno de suas produções agrícolas foi a primeira onda de progresso da humanidade. A segunda onda foi a “Revolução Industrial” e a terceira foi a chamada“Revolução da Informação”, marcada pelo uso maciço dos computadores e pelo desenvolvimento da inteligência artificial. Figura 4a – Sadi Carnot Figura 4b – Trem a vapor Fontes: Miniweb ([2017])3. 203UNIDADE VIII A “Revolução da Informação” produziu os robôs industriais, mudando o modo de produção das fábricas e dando início à chamada “Engenharia Mecatrônica”, combinando a Mecânica com a Eletrônica nos processos de manufatura. Assim, temos hoje uma importante subdivisão da Engenharia Mecânica que, na maioria das escolas, transformou-se em nova modalidade. No âmbito da Engenharia Mecânica há, ainda, duas outras modalidades especializadas: Naval e Aeronáutica. Ambas combinam o projeto de estruturas com problemas complexos de Mecânica dos Fluidos, relativos aos meios nos quais navios, submarinos e aeronaves se movimentam. O desenvolvimento das máquinas térmicas está diretamente ligado à “Revolução Industrial”. Para entender melhor como isso ocorreu, consulte o site: <https://www.todamateria.com.br/revolucao- industrial/>. Figura 5a – Alvin Toffler Fonte: Wikipédia ([2017])4. Figura 5b – Capa do livro A terceira onda Fonte: Amazon ([2017])5. 204 Engenharia mecânica • É difícil encontrar um produto ou serviço que não tenha sido concebido pela Engenharia Me- cânica em seu projeto ou fabricação. • Carros, aviões, navios, respiradores artificiais, próteses, órteses, estações espaciais são ma- ravilhas da Engenharia Mecânica. Conforme temos insistido ao longo desta disci- plina, a principal finalidade da Engenharia é de- senvolver produtos e processos que contribuam para a qualidade de vida da espécie humana e para a sustentabilidade do nosso planeta. Dentro desse panorama, a Engenharia Me- cânica se destaca, uma vez que é praticamente impossível encontrar um produto que não tenha na sua realização a participação da Engenharia Mecânica, na sua concepção ou no projeto e fa- bricação das máquinas que o produzem. As Conquistas da Engenharia Mecânica 205UNIDADE VIII Assim, falar de Engenharia Mecânica é, por exemplo, falar dos carros ou dos meios de transporte, em geral. Os carros que nasceram da ideia de Nikolaus August Otto (1832-1891) (Figura 6a), que con- cebeu o motor à combustão interna de quatro tempos (Figura 6b), fundamentado no hoje chamado “Ciclo de Otto. Figura 6a – Nikolaus August Otto Fontes: Wikimédia ([2017])6. Figura 6b – Motor de quatro tempos Fonte: 2Bp ([2017])7. O uso do ciclo de Otto nos motores à combustão interna permitiu obter altas potências, com motores leves e industrialmente reprodutíveis, transformando o carro em um bem de consumo de grande utilidade. Ao longo dos anos, os carros tiveram seus projetos aprimorados no que tange à segurança, ao conforto e à estética. Além disso, houve o desenvolvimento de diversos tipos de combustíveis de alto desempenho. Apesar de todas as vantagens que o uso maciço do carro trouxe para a humanidade, como foi pen- sado inicialmente para ser movido a combustíveis fosseis, causou um sério problema para o planeta, uma vez que contribui fortemente para as emissões de CO2, aumentando o efeito estufa. 206 Engenharia mecânica Figura 7 – O carro sem motorista Figura 8a – Arado Figura 8b – Irrigação Figura 9a – Plantio de trigo 9b – Combate a pragas Figura 10 – Estudos de Aerodinâmica 207UNIDADE VIII Hoje, engenheiros mecânicos em todo o mundo trabalham no desenvolvimento de combustíveis menos poluentes, tais como biocombustíveis e gás natural. Além disso, técnicas de sequestro de car- bono da atmosfera estão sendo projetadas. Outra conquista que parece estar em vias de se tornar um produto massivo é o carro sem motorista (Fi- gura 7), desenvolvido combinando técnicas de posicionamento global (GPS) com a robótica e a “Internet das coisas” (IoT), em um panorama quase de ficção científica, que Alvin Toffler talvez chamasse de “A Quarta Onda”. Outro setor cujo desenvolvimento tem um grande aporte da Engenharia Mecânica é a agri- cultura. Desde seus primórdios, com arados de tração animal (Figura 8a) e mecanismos de irriga- ção (Figura 8b), evoluiu com um grande número de dispositivos, como colhedeiras, máquinas de plantio e mecanismos de combate a pragas. Atualmente, a mecânica de precisão contribui para ferramentas de plantio otimizado e automá- tico (Figura 9a), colheita automática e os drones podem ser usados para espalhar sementes e com- bater pragas (Figura 9b). Outra área de grande importância relacionada com a Engenharia Mecânica é a aviação. Desde a concepção dos primeiros aviões, no começo do sé- culo XX até os dias de hoje, a aviação experimentou um grande desenvolvimento, sob os mais diversos aspectos. Em relação à aerodinâmica, muitos trabalhos são realizados diariamente com ensaios e simulações (Figura 10) que visam aprimorar a estabilidade dos voos e adaptabilidade das formas geométricas aos diversos tipos de atmosferas a serem enfrentados. A engenharia de materiais é, também, altamen- te sofisticada, pois - durante decolagens, voos e pousos - as diversas partes podem estar sujeitas a fortes tensões mecânicas. Aliados a isso, estão os desenvolvimentos de pilotagem, controle e segu- rança, que devem ser altamente confiáveis. Em relação aos motores, de acordo com o uso do avião, há os mecanismos do tipo hélice (turbo hélice) (Figura 11a) ou a jato (turbo jato) (Figura 11b). O desenvolvimento da aviação militar levou ao desenvolvimento de motores altamente sofisti- cados, que podem ser acelerados e desacelerados muito rapidamente, de acordo com as necessida- des de combate. Os exemplos aqui discutidos dão uma ideia da abrangência da Engenharia Mecânica. Se você olhar em volta, vai perceber muitos outros exem- plos: viagens espaciais, geração de energia, confor- to térmico, construção e lançamento de satélites, navios, usinas nucleares e tantas outras aplicações cuja enumeração transcende ao escopo deste texto. Figura 11b – Turbo jato Figura 11a – Turbo hélice 208 Engenharia mecânica O problema de conforto em cabines de avião é afeto às Engenharias Mecânica, Mecatrônica e Aeronáutica. Para saber sobre pesquisas feitas no Brasil sobre o assunto, visite: <https://www. monolitonimbus.com.br/conforto-de-cabine/>. 209UNIDADE VIII • Três exemplos de cálculo em Engenharia Me- cânica são estudados: força de pressão em um avião, energia gerada em um exercício, consu- mo de gasolina de um carro. Nesta parte da unidade, faremos três exemplos de problemas relativos à Engenharia Mecânica que requerem, para seu entendimento, apenas o co- nhecimento de Física do Ensino Médio e, quando for necessário, recordaremos os conceitos. Exemplo 1: A porta de um avião Sabemos que em altitudes de cruzeiro de aviões a jato (cerca de 9 000 pés), a pressão atmosférica é cerca de 30% da pressão atmosférica no nível do mar. Para não causar desconforto, a pressão interna da cabine é mantida em cerca de 70% da pressão atmosférica no nível do mar. Consequentemente, a diferença de pressão entre a cabine e o meio ex- terno provoca forças na estrutura do avião, e vamos estimar o valor dessa força na porta do avião. Forças e Máquinas 210 Engenharia mecânica • Consideraremos que a área da porta do avião é de 2m2; • Consideraremos que a pressão atmosférica no nível do mar é de 100 kPa (quilo pascal), isto é, 100 kN por m2 (quilo newton por metro quadrado); • Nessas condições, a diferença entre as pres- sões interna e externa da cabine vale: (0,7 – 0,3). 100 = 40 kPa, isto é, 40 kN por m2; • Como a área da porta é de 2m2, a força so- bre ela vale: 40.2=80kN, dirigida do inte- rior para o exterior da aeronave. Exemplo 2: A energia de um ciclista Neste exemplo, vamos verificar se a energia produzida por uma pessoa pedalandoé suficiente para alimentar uma TV de LCD: • Consideraremos que uma TV de LCD ne- cessita receber 110 W de potência elétrica para funcionar; • Consideraremos que o rendimento da con- versão de energia mecânica da pedalada em energia elétrica é 80%; • Pedalar uma bicicleta ergométrica equivale a uma subida de escada de 3m em 10s; • A massa da pessoa é cerca de 70kg; • Logo, a energia transferida pela pessoa à bicicleta equivale à energia potencial gra- vitacional, isto é, mgh = 70. 10. 3 = 2 100 J; • A potência mecânica vale: 2 100/ 10 = 210 J/s = 210 W; • A potência elétrica vale: 0,8. 210 = 168 W e, portanto, a energia fornecida nas peda- ladas pode alimentar a TV de LCD. Exemplo 3: Consumo de gasolina • Um motor de automóvel é alimentado por um combustível que fornece 4 000 000 Joules por litro (J/L); • O motor consome 7 000 Joules por segun- do, isto é, 7 000 W, com rendimento 30%, em um dado percurso de 0,5 h de rodagem; • Nessas condições podemos calcular a po- tência total fornecida ao motor, pois: ren- dimento = potência útil/potência total; • Logo: 0,3 = 7000/potência total e, portanto, potência total = 7 000/0,3 = 23 300 W; • Em meia hora de rodagem, a energia ne- cessária vale: 23 300. 0,5. 3600 = 41 940 000J; • Portanto, a quantidade de combustível para realizar esse percurso vale: 41 940 000/ 4 000 000 = 10,48L. A busca de energias alternativas é objeto de ampla pesquisa, visando garantir a sustentabilidade do planeta. O uso de energias provenientes da marcha do ser humano parece ser tecnicamente viável. Para saber mais sobre isso, visite o site: <https:// www.ecycle.com.br/component/content/ article/37/1463-britanico-cria-tapete-que-gera- energia-eletrica-com-as-pisadas.html>. 211UNIDADE VIII Motores térmicos Nos motores térmicos, o trabalho realizado na fase de expansão é maior que o despendido na fase de compressão para atender à finalidade da máquina: transformar a energia recebida na forma de calor em energia mecânica. A Figura 12 ilustra as trocas de energia em um ciclo genérico de um motor térmico. Figura 12 – Energias em um motor térmico Fonte: o autor. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. Ele recebe energia na forma de calor de uma fonte quente, disponibiliza trabalho mecânico e, para que possa voltar ao estado inicial e começar um novo ciclo, cede energia na forma de calor para uma fonte fria. Por essa descrição, fica evidente a necessidade das duas fontes. Uma para fornecer a energia ao motor, na forma de calor, e a outra para retirar a parcela do calor fornecido que não foi convertida em trabalho mecânico e fazer o motor retornar à condição inicial. No caso de um motor comum de automóvel, a queima do combustível, que gera o calor, é a fonte quente; a atmosfera, para a qual o motor cede calor, é a fonte fria. 212 Engenharia mecânica • Os processos de manufatura podem ser classi- ficados em: fundição, conformação, usinagem e junção. • Os processos de conformação podem ser: forjamento, laminação, trefilação, extrusão, embutimento, estiramento, dobramento e ci- salhamento. • Os principais processos de usinagem são: fura- ção, serragem, frezagem e torneamento. • A junção entre as diversas partes de um siste- ma pode ser feita por: soldagem, rebites, pa- rafusos ou material adesivo. Uma área importante da Engenharia Mecânica é constituída pelo estudo dos processos de manu- fatura, que permitem a fabricação de peças e par- tes de produtos como automóveis, robôs, aviões e navios. O mais conhecido deles é a fundição, que consiste em derramar um metal líquido em um molde para seu resfriamento e solidificação, adquirindo a forma desejada (Figura 13). Processos de Manufatura 213UNIDADE VIII Outro processo importante para obtenção de peças com formatos particulares é a conforma- ção, no qual, por aplicação de forças intensas de tração, dobra ou compressão, obtém-se a forma desejada para uma dada peça. As operações de conformação podem ser de diversos tipos, como: forjamento (Figura 14a), la- minação, trefilação (Figura 14b), extrusão, embu- timento, estiramento, dobramento e cisalhamento. A usinagem consiste na retirada de material de uma peça, cortando-a com uma ferramenta afiada. As técnicas de usinagem mais usadas são: furação (Figura 15a), serragem (Figura 15b), fre- sagem (Figura 16a) e torneamento (figura 16b). Figura 13 – Fundição Fonte: Bm Fundição ([2017])8. Figura 14a – Conformação: Forjamento manual Figura 14b – Máquina de trefilar (fazer fios) Fonte: Wikimédia ([2017])9. Figura 15a – Furadeira Figura 15b – Serra 214 Engenharia mecânica Figura 16a – Processo de Fresagem Ilustração: Thiago Surmani (2017). Figura 16b – Torno Fonte: Ytimg ([2017])10. 215UNIDADE VIII O processo de manufatura conhecido por junção consiste na combinação de componentes por soldas (Figura 17a), rebites, parafusos (Figura 17b) ou materiais adesivos, como em um quadro de bicicletas em que as diversas peças são soldadas formando o bloco. 1. Os processos de torneamento e fresagem são de grande importância nas indústrias mecânicas, mecatrônicas, navais e aeronáuticas. Para conhecê-los melhor, consulte os sites: <https://www.youtube.com/watch?v=jy6Pa9FqdRc> e <https://www.youtube.com/watch?v=zzEAsyD7MZU> 2. A Engenharia Mecânica brasileira deve muito ao engenheiro suíço Robert Mange que, além de ter sido catedrático da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, concebeu as escolas SENAI. Caso você queira saber mais sobre isso, leia o excelente artigo de Desirê Luciane Dominschek disponível em: <http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/histensino/article/view/11258/10028>. Figura 17a – Soldagem Fonte: Mecânica Industrial ([2017])11. Figura 17b – Rebites, pregos e parafusos 216 Engenharia mecânica A simulação computacional permite realizar pro- jetos minimizando o número de protótipos a se- rem construídos e, portanto, de maneira mais econômica e precisa. O desenvolvimento da indústria de computadores tornou possível armazenar e tratar grandes blocos de informação de maneira relativamente barata. Assim, os diversos equipamentos e processos a serem desenvolvidos na indústria podem pres- cindir da construção de muitos protótipos para seu desenvolvimento, pois é possível simular suas operações nos mais variados cenários e escolher os parâmetros de projeto com maior segurança. Para isso, é necessário estabelecer modelos para as diversas partes do sistema a ser simulado, propondo para cada uma delas um comporta- mento dinâmico expresso por equações ou con- juntos de dados. Simulação de Processos 217UNIDADE VIII Essas equações combinadas e tratadas por programas especiais permitem visualização rápida e fidedigna dos processos ao variarmos seus parâmetros, levando-nos a decisões de projeto seguras, diminuindo os estágios e custos de testes. A Figura 18 traz a simulação de um processo metalúrgico com as cores indicando o perfil de velo- cidades de um fluido ao longo da peça. Sem construir a peça, seu comportamento dinâmico pode ser obtido e seu projeto realizado de maneira mais segura. Figura 18 – Fluido Perfil de velocidades de um fluido em uma peça Fonte: Ipt ([2017])12. Outro exemplo interessante de simulação computacional aparece na Figura 19, em que a permeabili- dade de um reservatório do pré-sal é modelada e estudada, sem a necessidade de realizar caríssimos experimentos no local. 218 Engenharia mecânica Figura 19 – Permeabilidade de um reservatório Fonte: USP ([2017])13. O ICMC (Instituto de Ciências Matemáticas e Computacionais) da USP realiza trabalho notável na área de simulação. Para saber mais sobre esse grupo, visite o site: <http://jornal.usp.br/universidade/tecnicas-de-simulacao-computacional-vao-ajudar-extracao-no-pre-sal/>. Assim terminamos esta breve exposição sobre as Engenharias Mecânica, Mecatrônica, Aeronáutica e Naval. Como você notou, a abrangência dessas áreas permite que a vida da espécie humana seja cada vez melhor, mas há uma preocupação sempre presente com o esgotamento de recursos e a poluição do nosso planeta. 219 1. Podemos incluir como especializações da Engenharia Mecânica as Engenharias: a) Civil e Elétrica. b) Naval e Química. c) Química e Elétrica. d) Aeronáutica e elétrica. e) Naval e Aeronáutica. 2. A revolução industrial, ocorrida na Inglaterra, no início do século XIX, deveu-se à (ao): a) Primeira Guerra Mundial. b) Desenvolvimento das máquinas a vapor. c) Desenvolvimento dos motores elétricos. d) Conflito entre a Europa Ocidental e Oriental. e) Conflito entre patentes de cientistas. 3. Alvin Toffler considera que a segunda onda de desenvolvimento econômico da espécie humana é: a) A revolução agrícola. b) A revolução industrial. c) A Internet das coisas. d) A revolução da informação. e) A indústria 4.0. 4. As pesquisas sobre carros sem motorista: a) Estão no âmbito da ficção científica. b) Foram desenvolvidas por Henry Ford. c) Foram desenvolvidas por Sadi Carnot. d) Estão bem desenvolvidas, com alguns experimentos bem sucedidos. e) Constituem problema tecnologicamente bem resolvido. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 220 5. A automatização da lavoura permite: a) Plantação controlada eletronicamente. b) Controle da umidade relativa do ar. c) Controle de temperatura nas valas de plantio. d) Controle do índice pluviométrico. e) Controle de preços de mercado. 6. Para o estudo da aerodinâmica em aviões, um conhecimento indispensável é sobre: a) Circuitos elétricos. b) Materiais de construção. c) Mecânica dos fluidos. d) Eletrodinâmica. e) Eletromagnetismo. 7. Considere que, em uma aeronave, a pressão interna seja de 60kPa e a externa seja de 20kPa. A força de pressão exercida em uma área de 3m2 da superfície da aeronave vale: a) 120 kN. b) 80 kN. c) 60 kN. d) 20 kN. e) 180 kN. 8. Uma pessoa de 80kg sobe uma escada de 5m de altura em 10s. A potência, em watts, por ela consumida vale: a) 40W. b) 400W. c) 80W. d) 800W. e) 200W. 221 9. Rebitagem é um processo de: a) Conformação. b) Usinagem. c) Fundição. d) Corte. e) Junção. 10. Torneamento e frenagem são processos de: a) Conformação. b) Usinagem. c) Fundição. d) Corte. e) Junção. 11. Cisalhamento é um processo de: a) Conformação. b) Usinagem. c) Fundição. d) Corte. e) Junção. 222 Introdução à Engenharia Mecânica Autor: Jonathan Wickert, Kemper Lewis Editora: CENGAGE Learning Brasil Sinopse: este livro traz uma abordagem introdutória ao campo da Engenharia Mecânica e proporciona aos estudantes uma visão de como os engenheiros devem projetar máquinas e equipamentos, os quais contribuem para o avanço de nossa sociedade. Equilibrando habilidades de resolução de problemas, aná- lise e execução de projetos, aplicações ao mundo real e à tecnologia prática, o livro oferece uma base contínua para o estudo futuro na engenharia mecânica. LIVRO 223 WICKERT, J.; LEWIS, K. Introdução à Engenharia Mecânica. São Paulo: CENGAGE, 2016. REFERÊNCIAS ON-LINE 1 Em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Robert_Hooke#/media/File:Robert_Hooke_portrait.jpg>. Acesso em: 27 nov. 2017. 2 Em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/cf/Thomas_Savery.gif>. Acesso em: 27 nov. 2017. 3 Em: <http://www.miniweb.com.br/ciencias/artigos/Imagens/carnot_sadi_001.jpg>. Acesso em: 27 nov. 2017. 4 Em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Alvin_Toffler>. Acesso em: 27 nov. 2017. 5 Em: <https://www.amazon.com.br/Terceira-Onda-Alvin-Tofler/dp/8501017973>. Acesso em: 27 nov. 2017. 6 Em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4a/Nikolaus_August_Otto.png>. Acesso em: 27 nov. 2017. 7 Em: <http://2.bp.blogspot.com/-nKAcB9iiD4E/UTACWosEySI/AAAAAAAADEI/wsTnkFUbILc/s1600/08. jpg>. Acesso em: 27 nov. 2017. 8 Em: <http://www.bmfundicao.com.br/2-2.php>. Acesso em: 27 nov. 2017. 9 Em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/47/Huzas02.jpg>. Acesso em: 27 nov. 2017. 10 Em: <https://i.ytimg.com/vi/u5QMiLkHm_Q/hqdefault.jpg>. Acesso em: 27 nov. 2017. 11 Em: <https://www.mecanicaindustrial.com.br/wp-content/uploads/2012/05/solda-el%C3%A9trica.jpg>. Acesso em: 27 nov. 2017. 12 Em: <http://www.ipt.br/banco_imagens/3026_maior.jpg>. Acesso em: 27 nov. 2017. 13 Em: <http://jornal.usp.br/wp-content/uploads/20170405_02_pre-sal.png>. Acesso em: 27 nov. 2017. 224 1. E 2. B 3. B 4. D 5. A 6. C 7. A 8. B 9. E 10. B 11. A 225 226 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Dr. José Roberto Castilho Piqueira • Descrever a maneira integrada de pensar a engenharia do ponto de vista da Teoria da Complexidade. • Conceituar sistema aberto e seu projeto. • Descrever as possíveis não linearidades e como cada uma delas altera o projeto de um sistema de Engenharia. • Descrever o fenômeno da emergência e mostrar como tratá-lo em um projeto. • Mostrar como as ferramentas de “Big-Data” e Internet das coisas influenciam no projeto de um sistema. Engenharia no Século XXI Sistemas Abertos Emergência Engenharia de DadosNão Linearidades Engenharia da Complexidade Engenharia do Século XXI • A metodologia de projeto em Engenharia, no século XX, foi apoiada na disjunção. • A computação teve um desenvolvimento considerável nos últimos anos, permitindo novas abordagens para projetos, aumentan- do a precisão e previsibilidade dos cálculos. Nesta última unidade, apresentaremos uma abor- dagem de engenharia, a Engenharia da Comple- xidade, considerando os pressupostos do pensa- mento complexo apresentado por Edgar Morin (Figura 1). Os fundamentos principais desse enfoque: projeto de sistemas abertos, emergência, inclusão da aleatoriedade e incompletude Gödeliana são contextualizados em exemplos reais de proble- mas construtivos. Para conceituar complexidade no contexto da atividade de engenharia é necessário enfrentar o 229UNIDADE IX significado conotativo atribuído à palavra, ao longo dos anos. No dia a dia do engenheiro, complexo é tudo que apresenta dificuldades especiais em rela- ção à concepção, ao projeto, à montagem e à ope- ração. Por exemplo, uma ponte ou uma via elevada é uma obra que pode ser de alta dificuldade. Sua concepção inicia-se com necessidade de ligar dois locais separados por algum fator geográfico que impede ou dificulta o trânsito de pessoas e veículos. Figura 1 – Edgar Morin Figura 2a – Elevado Paulo de Frontin Figura 2b – Avenida Santo Amaro Nessa fase, estão presentes fatores econômi- cos, sociais, ambientais e financeiros, que de- terminam a localização e o custo máximo per- mitido e, uma vez definidos, dão a partida para as primeiras especificações da obra. Possíveis esforços naturais a serem suportados, cargas permissíveis devidas ao tráfego e aos fatores geométricos dão início aos cálculos. Esforços solicitantes e possíveis variações atmosféricas 230 Engenharia da complexidade proporcionam a definição dos materiais, vigas, pilares, pavimentação e sustentação. Em seguida vem o projeto executivo. Todos os materiais e custos de mão de obra são detalhados para que a obra possa ser iniciada e comece a sair do mundo do papel. A construção é árdua e requer acompanhamento constante para sanar problemas não previstos no projeto e que são inevitáveis du- rante o trabalho de implementação. Pronta e inau- gurada, a ponte ou via elevada precisa ser mantida, com medições constantesusando sensores de po- sição e de cargas. O resultado dessa monitoração permite a prevenção e correção de falhas. Recorrendo ao sentido habitual da palavra, todos concordarão que conceber, projetar, cons- truir e manter uma ponte constitui um com- plexo problema de engenharia. Outro possível exemplo é o da concepção, projeto, construção e operação de uma avenida ligando dois bair- ros de uma cidade, com o intuito de melhorar a mobilidade urbana. Figura 3 – Elevado João Goulart (São Paulo) Fonte: 3Bp ([2017])3. Definir o traçado da via é o ponto de partida, problema que pode envolver complicadas questões econômicas, sociais e ambientais. Não basta o conhe- cimento geométrico para essa tarefa: o planejamento urbano, combinando tráfego de veículos e pessoas, aliado ao atendimento das populações a serem des- locadas, são elementos essenciais nessa tarefa. Definido o traçado, há o projeto que envolve alterações de uso do solo, com demolições, proce- dimentos de terraplenagem, definições de pisos e bordas e o projeto executivo, prevendo o preparo dos materiais e máquinas, bem como os custos de mão de obra. Do papel para a realidade, tarefa di- fícil, com trabalho durante possíveis intempéries, com alterações de circulação de veículos e pessoas no entorno dos canteiros de obra. Depois das inaugurações, discursos e cortes de fitas, há a operação e manutenção, com medições que podem ser sofisticadas e ações que podem influenciar a rotina diária de motoristas e usuários de transporte individual e coletivo. 231UNIDADE IX Figura 4 – Kurt Gödel Fonte: Wikimédia ([2017]). A queda do elevado Paulo de Frontin, ocorrida em 20 de Novembro de 1971, no Rio de Janeiro, foi um dos maiores desastres da engenharia brasileira. Se quiser saber mais sobre o caso, veja a excelente apresentação em: <https:// prezi.com/ytkzjnsut_c_/elevado-paulo-de- frontin/>. Mais uma vez, usando a linguagem diária, con- ceber, projetar, construir e manter uma avenida é tarefa de complexidade considerável. Essa ideia de complexidade, explorada nos dois exemplos, carrega a carga semântica da disjunção, isto é, o problema complexo da implantação de uma pon- te ou via elevada é visto como decomposto em sequência de operações, realizadas por pessoas diferentes que executam tarefas aparentemente estanques e sem conexão. A ponte ou via elevada são vistas e estudadas como sistemas fechados. Suas interações com o en- torno são compreendidas de uma maneira proba- bilista, como se fossem responsáveis pelo impon- derável, atribuindo-se a elas fatores de segurança que, nem sempre, funcionam adequadamente. A queda do elevado Paulo de Frontin (Rio de Janeiro) (Figura 2a) e o incêndio sob a ponte da Avenida Santo Amaro (São Paulo) (Figura 2b) são exemplos ilustrativos dessa falha de abordagem. Da mesma maneira, a construção da avenida, da qual a ponte ou via elevada podem fazer parte, se for vista como sistema fechado, pode trazer mais prejuízos do que benefícios. Basta olhar o “Minhocão” de São Paulo (Figura 3) para enten- der o estrago urbano causado por uma melhoria de tráfego. O pensamento complexo aparece em um con- texto complementar ao da prática atual da enge- nharia cujos sucessos poderiam ser enumerados em todas as áreas da atividade humana. Trata-se de adicionar aos trabalhos três novos pontos de vista: as obras como sistemas abertos, a emergên- cia de fenômenos resultantes das não linearidades e o olhar Gödeliano (Kurt Gödel-1906-1978) (Fi- gura 4) da incompletude. Assim, passamos a entender a Engenharia da Complexidade como aquela que adiciona à visão tradicional da disjunção e do fechamento dos sis- temas uma abordagem aberta, não linear e com a incompletude em sua gênese. Apoia-se nas conquis- tas e nos conhecimentos bem estabelecidos, mas proporciona uma abordagem global e transdisci- plinar, trabalhando a noção de “sistema de sistemas”. 232 Engenharia da complexidade • A abordagem convencional dos projetos de engenharia considera sistemas fechado e logicamente disjuntos. • A simulação computacional permite a ava- liação de um grande número de cenários diferentes de projeto. • Com ferramentas computacionais cada vez mais eficientes, a Termodinâmica pode ser considerada nos projetos. Nos exemplos apresentados anteriormente, fica cla- ro o estabelecimento, a partir da fase de projeto, de sistemas que consideram sua interação com o am- biente como estática, refletida nos parâmetros físicos e coeficientes de segurança estabelecidos de início. Essa é uma metodologia que, ao longo da histó- ria, tem sido aplicada com sucesso, mas que traba- lha como se o sistema em estudo ou construção seja Sistemas Abertos 233UNIDADE IX considerado fechado, limitando as possíveis alea- toriedades às margens de variação de parâmetros. As possibilidades proporcionadas pelo desen- volvimento da computação, permitindo a mani- pulação rápida e precisa de grande quantidade de dados coloca nas mãos da engenharia poderosas ferramentas de análise e síntese de sistemas em ní- veis de detalhe antes não imagináveis. Além disso, ferramentas e programas de simulação altamente eficientes permitem trabalhar as mais variadas possibilidades de montagem e execução com ra- pidez e alto grau de previsibilidade (Figura 5). Isso nos aproxima do trabalho de concepção, projeto, execução e manutenção para um siste- ma aberto e sujeito às leis da Termodinâmica, incluindo os efeitos dos processos dinâmicos de diferentes escalas temporais. No exemplo da ponte ou via elevada, o novo tratamento a ser dado parte do princípio de que o sistema a ser concebido deixa de ser a ponte ou via elevada real e passa a ser um novo elemento em que a realidade reside no elo entre o sistema e o meio ambiente, com a maior parte das interações podendo ser simuladas, permitindo decisões que levam em conta as incertezas como componentes do conjunto. Como a ponte ou via elevada está posicionada no contexto global da via da qual faz parte? Como as intempéries podem mudar sua construção e operacionalidade? Como a operação da ponte afe- tará a mobilidade urbana? Como o tráfego em volta afetará seus parâmetros físicos? Como a emissão de poluentes dos veículos afetará a saúde das popula- ções vizinhas? Como a área em volta se organizará? Figura 5 – Simulador de voo de helicópteros 234 Engenharia da complexidade Enfim, há uma infinidade de perguntas e ce- nários a serem simulados e analisados, trazendo melhor segurança decisória e acrescentando co- nhecimento à Engenharia. Além disso, o processa- mento dos dados, medidos continuamente pelos diversos tipos de sensores durante a construção e operação, permitirá cuidados preventivos e cor- retivos de ampla eficiência. Da ponte para a indústria química. A implanta- ção da indústria de um certo produto começa por uma criteriosa análise de sua adequação de bene- fícios e prejuízos para a população e para o meio ambiente. Segue-se a escolha do local, problema a ser resolvido a partir de importantes questões ambien- tais, econômicas, sociais e de segurança. O projeto envolverá a infraestrutura a ser construída para aco- lher a planta, adequando-a a condições de pressão, umidade, temperatura e circulação de ar e água. Esse é um projeto fortemente dependente do processo a ser implantado, também de alta com- plicação e passível de grande cuidado de produ- ção, considerando o trabalhador interno e os cui- dados ergonômicos e de segurança que protejam a vida e proporcionem dignidade. Com a fábrica em operação, para onde irão os rejeitos? As normas de sustentabilidade serão respeitadas? A qualidade do ar e dos mananciais serão preservadas? Todos esses fatores considera- dos proporcionarão viabilidade econômica? Mais uma vez, cenários diversospoderão ser simulados e estudados cuidadosamente, modelan- do o físico-químico, o biológico e o antropológico, levando o transdisciplinar ao nível de interação efetiva, aproximando possíveis aleatoriedades do modelo do processo. Assim, a Engenharia da Complexidade apresenta uma proposta multidimensional não totalitária e não doutrinária, que proporciona conexão flexível entre incerteza física e indeci- dibilidade teórica. Complementarmente, os princípios da Termo- dinâmica não fazem apenas papel de condições de contorno complementares ou indesejáveis, passam a fazer parte integrante da concepção dos projetos e obras representando importante abertura epistêmica. A Engenharia do século XXI passou a usar de maneira ampla e efetiva os conceitos de sistemas abertos e de integração entre as partes de um sistema. Para saber mais sobre esse assunto, assista ao vídeo no link a seguir: <https://www.youtube. com/watch?v=NFHsi_OA4dc>. 235UNIDADE IX • Ao se realizar um projeto, as não linearida- des devem ser consideradas, pois podem ser responsáveis por fenômenos inesperados. • A Teoria da Informação permite analisar e prever comportamentos complexos. • O fenômeno da auto-organização está rela- cionado com a emergência da vida. Sinais aleatórios espúrios, chamados generica- mente de ruídos, parecem ser uma grande dificul- dade para a boa operação de sistemas eletrônicos, em comunicações e instrumentação. A concepção de um projeto nessas áreas come- ça pela especificação da relação sinal-ruído, i.e., de quantas vezes o sinal é mais intenso do que o ruído. Daí decorre o teorema fundamental da teoria da informação: caso a relação sinal-ruído de uma fonte de dados seja maior ou igual à capacidade do canal, é sempre possível codificar os dados e transmiti-los para um receptor, com pequena e arbitrária taxa de erros. Não Linearidades 236 Engenharia da complexidade Além do conhecimento advindo da teoria da informação, proposta por Claude Elwood Shannon (1916-2001) (Figura 6), os engenheiros de eletrôni- ca e comunicações se serviram amplamente da teo- ria de processos estocástico, do eletromagnetismo e da teoria dos circuitos para desenvolverem dispo- sitivos de modulação e demodulação, responsáveis pela prontidão e ubiquidade dos acessos à Internet. Originalmente, esses avanços foram obtidos por projetos e dispositivos lineares, isto é, aque- les que satisfazem o princípio da superposição: o efeito da soma é a soma dos efeitos. Essa é uma hipótese que, quando satisfeita, proporciona facili- dade de projeto e precisão de operação. Entretanto os componentes eletrônicos apresentam não li- nearidades e superposição de efeitos nem sempre satisfeitas, fato que pode dificultar os projetos, mas incrementá-los, se bem utilizado. Em meados dos anos 80, houve uma grande movimentação no mundo da Física e da Engenha- ria Mecânica com origem na facilidade compu- tacional de simular sistemas dinâmicos descritos por equações diferenciais não lineares, produzin- do o chamado caos determinístico. Entende-se por caos determinístico o com- portamento aleatório de um sistema dinâmico descrito por equações não lineares determinis- tas, associado à emergência de comportamentos sensíveis às condições iniciais. Está, então, criada a dicotomia, sempre própria da complexidade: o imprevisível dentro do previsível. Alguns circuitos elétricos apresentando esse fenômeno foram desenvolvidos, e os campos da modulação e da criptografia ficaram enriquecidos com essas novas possibilidades. O caos determinístico e sua emergência fazem parte integrante da Engenharia da Complexidade em suas diversas atividades de concepção e proje- to, aprimorando a acuidade dos modelos das inte- rações e, na implantação e operação, permitindo a visualização de uma variedade maior de cenários. Outro fator a ser considerado no contexto da Engenharia da Complexidade é o da auto-orga- nização do sistema constituído pela obra e seu entorno físico, biológico e humano. A interação física, por mais complicada que seja, tem meto- dologias relativamente bem desenvolvidas para serem estudadas e contextualizadas. As interações biológicas podem trazer maio- res e mais inesperadas surpresas. Alterações am- bientais produzidas por uma ação de Engenharia podem implicar degradações de paisagens e pro- pagação de doenças. O fator mais relevante a ser incluído é, entretanto, o antropológico. Obras de engenharia são trabalhos humanos que devem visar à melhoria da vida no planeta, sob os mais variados aspectos. Não se pode esquecer que seres humanos são dotados de consciência e discernimento, o que pode influenciar de maneira direta decisões de concepção, projeto, implantação e operação de um sistema e, principalmente, contextualizá-los às condições humanas de cada população. Figura 6 – Claude Elwood Shannon Fonte: Wikimédia ([2017])5. 237UNIDADE IX De nada adianta construir estradas modernas em locais em que as populações são tão caren- tes que sequer gozam de mobilidade. Da mesma forma, com a necessidade premente de água e energia para manutenção da vida, não faz sentido coibir o desenvolvimento de fontes alternativas e de mecanismos de despoluição de mananciais. Interesses de grandes grupos econômicos podem trabalhar contra a erradicação da fome no planeta, e fanatismos bélicos e religiosos podem fomentar de- senvolvimento de máquinas de destruição. O balan- ço cultural, social e econômico é o ponto central da Engenharia da Complexidade que, além de transdis- ciplinar, deve ser uma ferramenta de entendimento, paz e qualidade de vida para todos. • Ao considerar as não linearidades nos projetos, eles se tornam mais precisos e compatíveis com a realidade. Para saber mais sobre não linearidades, leia o artigo do site: <http://www. scielo.br/pdf/trans/v17/v17a11.pdf>. • A auto-organização é um fenômeno natural relacionado com a vida e seu desenvolvi- mento. Para saber mais sobre auto-orga- nização, leia o artigo do site: <http://www. scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi- d=S0103-40141998000200015>. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. Complexidade: Caminhos de Turing e Shannon Existem dois conceitos matemáticos de me- dida de complexidade: complexidade computa- cional algorítmica (Turing) e de complexidade computacional informacional (Shannon). Esses conceitos, embora de origem em pensa- mentos independentes, de naturezas diferentes, produziram conceitos matemáticos similares e de grande utilidade para a computação e para a engenharia modernas. 238 Engenharia da complexidade O projeto de engenharia deve visar à integração dos fatores biológicos e antropológicos, associan- do-os aos fatores físicos, levando a soluções que respeitem os seres humanos e a sustentabilidade do planeta. Uma das discussões prediletas dos vendedores de novos produtos e dos entusiastas das novidades tem sido sobre as cidades inteligentes e sobre a chamada Internet das coisas. Fabricantes tradicionais de hardware e soft- ware promovem simpósios, oferecem soluções gratuitas para demonstração, financiam desen- volvimento e publicações, visando liderar um mercado aparentemente muito promissor. Há soluções para a segurança de logradouros e residências, para monitoração de acidentes, en- chentes e multidões. Há até ministro encantado com a possibilidade de ligar o liquidificador da casa remotamente. O difícil será tomar o suco re- Emergência 239UNIDADE IX motamente, uma vez que o teletransporte das pes- soas e das coisas ainda é ficção cinematográfica. Esse é o jeito tradicional de olhar os proble- mas de engenharia, pensando nos modelos físicos. Cada sistema como sendo único, fechadoe volta- do para uma finalidade exclusiva. O pensamen- to complexo aplicado às cidades inteligentes e à Internet das coisas começaria pelo pensamento antropológico, integrando o biológico e o físico. Uma cidade inteligente começa pela cultura e pelo conforto e qualidade de vida da população que a ocupa, sendo, portanto, um sistema de sistemas, definido e concebido caso a caso. Pensando no território brasileiro, não há como achar que tornar São Paulo inteligente seja colocar semáforos sincronizados nos grandes corredores de tráfego ou monitorar as áreas de enchente. Há muitos problemas anteriores: déficit habitacional, pobreza, concentração de populações em áreas de infraestrutura precária, crianças fora das escolas, criminalidade e tantos outros. A Engenharia da Complexidade contém em sua proposta a integração de todos esses fatores, formando os chamados sistemas de sistemas. Essa forma de pensamento melhora a eficácia das soluções, mas, como toda solução, é incom- pleta, pois jamais poderemos ter um saber total: “a totalidade é a não verdade”. Trata-se de enfrentar um emaranhado de inter-relações e realimentações, a incerteza e a contradição usando as ferramentas conceituais já desenvolvidas e as novas, emergentes de dife- rentes e inovadoras linhas de raciocínio. Conciliar unidade e diversidade, continuidade e rupturas é tarefa do pensamento complexo que, semelhante aos sistemas lógicos, é incompleto. É inegável a importância da Antropologia em qualquer ramo da atividade humana. Para saber mais sobre o assunto, leia o excelente artigo de Verlan Valle Gaspar Neto, que pode ser encontrado no site: <http://www.ufjf.br/maea/ files/2009/10/relevancia1.pdf>. 240 Engenharia da complexidade Dada a rapidez de processamento e a capacida- de de memória, cada vez mais surpreendente, a Engenharia de Dados emerge como a Engenha- ria do século XXI. Diante do novo panorama da Engenharia no século XXI, parece que as diversas modalidades, uma vez unidas em estudos integrados, tornam imprescindí- vel o projeto e a concepção de bancos de dados, não no sentido convencional de acúmulo de “bits”, mas no sentido de seu bom uso e de facilidade de acesso. Assim, desenvolvem-se, diariamente, novas técnicas relacionadas com a modelagem de ban- cos de dados e administração de recursos de ar- mazenamento e gerenciamento de dados, reque- rendo conhecimento de “hardware” e “software” de sistemas computacionais, com toda a gama possível de capacidades. Surge, então, a Engenharia de Dados, com a finalidade de conceber, especificar, analisar, de- senvolver, implementar, adaptar e manter sistemas de bancos de dados (Figura 7) voltados às ne- cessidades de instituições de pesquisa ou ensino, Engenharia de Dados 241UNIDADE IX indústrias ou empresas de diversos ramos cujas demandas por sistemas de bancos de dados pas- sam a ser cada dia mais expressivas. Além disso, é essencial o estabelecimento de uma visão crítica das atuais técnicas e métodos relacionados com a tecnologia de bancos de da- dos e com condições de apresentar e conduzir mudanças que proporcionarão bens e serviços com uma elevada qualidade. Para tanto, novos requisitos são necessários para os novos profissionais dessa atividade: conhecimen- to abrangente das atividades inerentes à engenharia e administração de bancos de dados (interdiscipli- naridade); postura ética como cidadão e profissio- nal, sustentada pela consciência de uma responsa- bilidade no contexto amplo e individual, uma vez que terão acesso a informações de todos os níveis. Aparece, então, a grande importância da ho- nestidade e retidão de comportamento. Dados privilegiados de pessoas físicas e jurídicas passa- rão a ser de mais fácil acesso, bem como informa- ções relativas a ações governamentais. Tratá-los com conhecimento técnico e responsabilidade faz parte da Engenharia de Dados. Assim terminamos nossa viagem que come- çou na Pré-História, passou pela Antiguidade, pelo Renascimento, pelo século XX, chegando ao século XXI com recursos tecnológicos quase ilimitados, mas com necessidade premente de conservar nosso planeta. Figura 7 – Um “cluster” computacional Clusters e Grids são as ferramentas computa- cionais do século XXI. Para entendê-las, leia o excelente artigo de Taís Appel Colvero e Marco Antonio Ribeiro Dantas, que pode ser encontra- do no site: <http://www.sirc.unifra.br/arquivos/ edicoes/2004/Artigo18.pdf>. 242 1. As principais fases de um projeto de engenharia são: a) Concepção, projeto funcional, projeto executivo. b) Concepção, projeto funcional, construção. c) Concepção, construção, projeto executivo. d) Construção, projeto funcional, projeto executivo. e) Projeto executivo, manutenção e demolição. 2. A queda do elevado Paulo de Frontin poderia ser evitada se o projeto previsse: a) Existência de ventos na região. b) Uso de escavadeiras controladas por computador. c) Integração entre equipes de projeto e de obras. d) Integração entre a prefeitura e a empreiteira. e) Não existência de empreiteiras. 3. O conceito de sistema aberto: a) Não pode ser aplicado à construção civil. b) É um conceito próprio da Engenharia Mecânica. c) É incompatível com a Engenharia Química. d) Só vale para circuitos elétricos. e) Permite incluir a segunda lei da Termodinâmica. 4. A simulação computacional permite: a) Prever o comportamento de sistemas sem construí-los. b) Construir pontes controladas por computador. c) Controlar a concentração de CO2 durante a execução das obras. d) Emitir relatórios de trabalho dos operários. e) Controlar agentes poluidores na indústria química. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 243 5. Sinais semelhantes a ruídos, sem fontes de ruídos ocorrem em: a) Robots industriais lineares. b) Circuitos elétricos não lineares. c) Circuitos elétricos lineares. d) Sistemas de comunicação lineares. e) Linhas de transmissão lineares. 6. Caos determinístico ocorre em: a) Sistemas lineares de grande porte. b) Todos os sistemas de grande porte. c) Sistemas não lineares d) Sistemas lineares de troca de calor. e) Todos os sistemas de troca de calor. 7. Os fatores antropológicos em um projeto de engenharia a) Já estão levados em conta nos fatores biológicos. b) São irrelevantes. c) Têm influência apenas na construção civil. d) São objeto apenas da Engenharia de Produção. e) Devem ser considerados em conjunto com os fatores físico-químicos e biológicos. 8. Em uma cidade inteligente: a) Todos os semáforos são interligados em rede. b) As enchentes são monitoradas. c) A cultura e o conforto da população são fatores essenciais d) O laser é fator secundário. e) Os postos de trabalho devem ser distantes das moradias. 9. O profissional de Engenharia de Dados deve: a) Ser responsável pela segurança das informações. b) Desenvolver métodos para controlar as tensões das fontes. c) Projetar o controle de processos de uma fábrica. d) Projetar os circuitos de memória. e) Projetar os dispositivos de roteamento de uma rede. 244 Introdução à engenharia: Modelagem e solução de problemas Autor: Jay B. Brockman Editora: LTC – Rio de Janeiro - 2010 Sinopse: introdução à Engenharia - Modelagem e Solução de Problemas mostra como os profissionais resolvem problemas no dia a dia, provendo os engenheiros do conhecimento essencial que precisam para ter sucesso. Brockman utiliza os conceitos básicos de matérias como matemática, ciência e física para resolver os problemas que surgem no exercício da profissão - desde a estabilidade de uma plataforma off-shore de petróleo à maneira mais eficiente de fornecer água a comunidades carentes. Os capítulos da primeira parte deste livro discutem a representação ea resolução de problemas, abrangendo engenharia e sociedade e organização e representa- ção de sistemas de engenharia. Já a segunda parte trata dos projetos baseados em modelos matemáticos da engenharia, usando para isso leis da natureza e modelos teóricos, análise de dados e modelos empíricos e modelagem da relação entre os componentes de um sistema (estruturas leves), entre outras ferramentas. Por fim, o pacote computacional MATLAB é o assunto da terceira parte, com a apresentação das ferramentas necessárias para implementar os modelos apresentados na segunda parte desta obra. O livro possui quatro apêndices como adição ao já completo conteúdo do livro, disponibilizando ao estudante orientação para método de resolução de problemas, taxonomia de Bloom, sociedades de engenharia norte-americanas e sistemas de unidades. LIVRO 245 MORIN, E. Introdução ao Pensamento Complexo. 5. ed. Porto Alegre: Editora Sulina, 2005. BERTALANFFY. L. V. General System Theory: Foundations, Development, Applications. New York: George Braziller Inc., 1968. KONDEPUDI, D.; PRIGOGINE, I. Modern Thermodynamics: From Heat Engines to Dissipative Structures. 2. ed. Susex – UK: John Wiley and Sons Ltda., 2015. REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: <https://3.bp.blogspot.com/-f8cmJYYXaGI/U8-HDVVwUbI/AAAAAAAACio/nmyKNORW0Bs/s1600/ viaduto+paulo+de+frontin.jpg>. Acesso em: 27 nov. 2017. 2Em: <https://i.ytimg.com/vi/YhkqjcX60DY/maxresdefault.jpg>. Acesso em: 27 nov. 2017. 3Em: <https://3.bp.blogspot.com/-YGUW1Kh-Ea4/V2y9_K-pxoI/AAAAAAAAj3g/CJvl7JAxMFU95GG- lC7ZCEAZ0Za3NgpbwCLcB/s1600/minhocao05.jpg>. Acesso em: 27 nov. 2017. 4Em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c1/1925_kurt_g%C3%B6del. png/200px-1925_kurt_g%C3%B6del.png>. Acesso em: 27 nov. 2017. 5Em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/99/ClaudeShannon_MFO3807.jpg>. Acesso em: 27 nov. 2017. 246 1. A 2. C 3. E 4. A 5. B 6. C 7. E 8. C 9. A 247 248 249 250 251 252 253 254 255 CONCLUSÃO Neste material, procuramos trabalhar os assuntos ligados à Engenharia, estabelecendo conexões entre suas diversas atividades e conquistas, para que o estudante tenha uma visão geral, atualizada e contextualizada da atividade que exercerá no futuro. Iniciamos, na Unidade I, com noções de como as atividades de trans- formação e uso dos recursos naturais permitiram à espécie humana sua sobrevivência e evolução. O cuidado com as habitações, a manufatura de ferramentas e armas foram os primeiros sinais do surgimento da ativida- de de engenharia. Ainda na Unidade I, mostramos como na antiguidade (Grécia, Egito e Roma) a construção se desenvolveu como arte e como tecnologia, com o surgimento de teatros, arenas, monumentos, sistemas de distribuição de água e estradas, marcando o construtor como novo protagonista da sociedade. Na Unidade II, tratamos do surgimento das primeiras Escolas de Enge- nharias no mundo e no Brasil, durante os séculos XVII, XVIII e XIX, e como o Positivismo transformou a Engenharia em um prolongamento tecnológico da ciência. Na Unidade III, discutimos as grandes conquistas da Engenharia, que mudaram o mundo no século XX, relacionando-as com as modalidades de trabalho emergentes. As Unidades IV, V, VI, VII e VIII foram dedicadas às engenharias Civil, Elétrica, Química, Produção e Mecânica, respectivamente. A apresentação de todas elas seguiu o mesmo esquema, mostrando as áreas de atuação, pequenos problemas e tendências à modernização do trabalho. Na última unidade, tratamos da Engenharia do século XXI (Complexidade) que, nos dias de hoje, integra as modalidades e usa de maneira expressiva os recursos computacionais disponíveis. Foi uma jornada de conhecimento e descobertas, sempre enfatizando a necessidade de usar racionalmente os recursos disponíveis, respeitar a vida e a sustentabilidade do planeta. Figura 11 – Aqueduto Pont du Gard na Gália Romana (atual sul da França) Figura 3 – Roldanas em um navio. Figura 21 – Estação de tratamento e reciclagem de água Figura 4 – Exemplo de planta baixa Figura 8b - gerador de Van Der Graaf Figura 9b – Usina termoelétrica: princípio de funcionamento Figura 8 – O interior de um chip Figura 16a – Fresa Figura 7 – Um “cluster” computacional Conceito Básico de Engenharia A Engenharia como Atividade Artesanal e o Surgimento das Primeiras Escolas Engenharia: do Positivismo à Integração Engenharia Civil Engenharia Elétrica Engenharia Química Indústria e Produção Engenharia Mecânica Engenharia da Complexidade