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Direitos autorais reservados (Lei 9610/98). Proibida a reprodução, venda ou compartilhamento deste arquivo. 
Concurseiros Abençoados / Uso Individual. Cópia registrada para Talita Christian / CPF: 07802643716 
ELABORADO POR CONCURSEIROS ABENÇOADOS 
APOSTILA DE EXERCÍCIOS 
PORTUGUÊS 
 
100 QUESTÕES DA BANCA COSEAC. 
 
 
 
 
 
 
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01 
Mundo Engraçado 
1 O mundo está cheio de coisas engraçadas; quem quiser se distrair não precisa ir à Pasárgada do Bandeira, 
nem à minha Ilha do Nanja; não precisa sair de sua cidade, talvez nem da sua rua, nem da sua pessoa! (Somos 
engraçadíssimos, também, com tantas dúvidas, audácias, temores, ignorância, convicções...) 
2 Abre-se um jornal – e tudo é engraçado, mesmo o que parece triste. Cada fato, cada raciocínio, cada opinião 
nos faria sorrir por muitas horas, se ainda tivéssemos horas disponíveis. 
3 Há os mentirosos, por exemplo. E pode haver coisa mais engraçada que o mentiroso? Ele diz isto e aquilo, com 
a maior seriedade; fala-nos de seus planos; de seus amigos (poderosos, influentes, ricos); queixa-se de algumas 
perseguições (que, aliás, profundamente despreza); às vezes conta-nos que foi roubado em algum quadro célebre 
ou numa pedra preciosa, oferecida à sua bisavó pelo Primeiro Ministro da Cochinchina. O mentiroso conhece as 
maiores personalidades do Mundo – trata-as até por tu! Seus amores são a coisa mais poética do século. Suas 
futuras viagens prometem ser as mais sensacionais, depois dessas banalidades de Ulisses e Simbad... Certamente 
escreverá o seu diário, mas não o publicará jamais, porque é preciso um papel que não existe, um editor que ainda 
não nasceu e um leitor que terá de sofrer várias encarnações para ser digno de o entender. 
4 Em geral os mentirosos são muito agradáveis, desde que não se tome como verdade nada do que dizem. E 
esse é o inconveniente: às vezes, leva-se algum tempo para se fazer a identificação. Uma vez feita, porém, que 
maravilha! – é só deixá-los falar. É como um sonho, uma história de aventuras, um filme colorido. 
5 Há também os posudos. Os posudos ainda são mais engraçados que os mentirosos e geralmente acumulam 
as funções. O que os torna mais engraçados é serem tão solenes. Os posudos funcionários são deslumbrantes! 
Como se sentam à sua mesa! Como consertam os óculos! Que coisas dizem! As coisas que dizem são poemas 
épicos com a fita posta ao contrário. Não se entende nada – mas que diapasão! Que delicadas barafundas! Que 
sons! Que ritmos! Seus discursos e as palmas que os acompanham conseguem realizar o prodígio de serem a 
coisa mais cômica da terra pronunciada no tom mais sério, mais grave, mais trágico – de modo que o ouvinte, que 
rebenta de rir por dentro, sofre uma atrapalhação emocional e consegue manter-se estático, paralisado, 
equivocado. 
6 Os posudos, porém, são menos agradáveis que os simples mentirosos. Os mentirosos têm um jeito frívolo, 
como se andassem acompanhados de um criado que anunciasse: “Não creiam em nada do que o meu amo diz!" 
Mas os posudos levam um séquito de criados, todos posudos também, que recolhem nas sacolas, grandes e 
pequenas gorjetas, porque uma das qualidades do posudo é andar sempre com muito dinheiro – que não é seu! 
 (MEIRELES, Cecília. In www.pensador.uol.com.br) 
Leia com atenção as afirmativas abaixo a respeito do texto. 
 I - A graça do mundo está na própria condição humana de cada pessoa, em razão de suas desconfianças, 
petulâncias, inquietações, grosserias, crenças, etc. 
II - As notícias de jornal, embora pareçam tristes, são engraçadas: os acontecimentos, as ponderações, os juízos 
levariam a muitas horas de riso, caso houvesse momentos de desocupação. 
 III - Os mentirosos são muito engraçados, não obstante sejam capazes de inventar as mais disparatadas situações, 
mas sempre com a maior lisura. 
IV - A inconveniência de se conviver com o mentiroso é o tempo gasto para se fazer sua identificação; uma vez 
feita, tornam-se agradáveis, se bem que o que falam seja comparável a uma ficção. 
V - Os posudos são mais engraçados que os mentirosos, isso porque conseguem dar solenidade à mentira, a ponto 
de a comicidade pronunciada em tom mais grave, mesmo fazendo rir por dentro, produz no ouvinte uma barafunda 
emocional, levando-o à inércia e à dubiedade. 
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 VI - Os posudos não são tão agradáveis quanto os mentirosos porque, sempre acompanhados de comitiva formada 
por outros posudos, usam de meios pouco transparentes para se enriquecer. 
Sobre as afirmativas acima em relação ao texto, pode-se dizer que: 
a) apenas I, III, IV e V estão corretas. 
b) apenas II, IV e V estão corretas. 
 
c) apenas I, II, V e VI estão corretas. 
 
d) apenas III, IV e VI estão corretas 
 
e) todas estão corretas. 
 
 
02 
 “O mentiroso conhece as maiores personalidades do Mundo – trata-as até por tu!" (3º §) 
Ao afirmar que o mentiroso trata as maiores personalidades do Mundo por “tu", o texto está destacando na figura do 
mentiroso o seguinte traço: 
a) formalidade. 
b) coerência. 
c) subserviência. 
d) descontração. 
e) autenticidade. 
 
 
03 
Dos exageros atribuídos ao mentiroso no 3º parágrafo, fica claro, por suas características discursivas, que o mais 
narcisista de todos é: 
a) “queixa-se de algumas perseguições (que, aliás,profundamente despreza)". 
b) “às vezes conta-nos que foi roubado em algum quadro célebre ou numa pedra preciosa, oferecida à sua bisavó 
pelo Primeiro Ministro da Cochinchina". 
c) “Seus amores são a coisa mais poética do século". 
d) “Suas futuras viagens prometem ser as mais sensacionais, depois dessas banalidades de Ulisses e Simbad...". 
e) “Certamente escreverá o seu diário, mas não o publicará jamais, porque é preciso um papel que não existe, um 
editor que ainda não nasceu e um leitor que terá de sofrer várias encarnações para ser digno de o entender". 
04 
 “Que coisas dizem! As coisas que dizem são poemas épicos com a fita posta ao contrário. Não se entende nada – 
mas que diapasão!" (5º §) 
A fina ironia do trecho transcrito acima foi usada para caracterizar o posudo como um ser capaz de: 
a) seduzir seu interlocutor com um discurso repleto de figuras de linguagem. 
b) levar seus ouvintes ao delírio, com um discurso longo, mas comovente. 
c) introduzir no discurso elementos figurativos cujos resultados são o convencimento e, por consequência, o 
aplauso. 
d) produzir discursos incoerentes, mas numa tonalidade que causa profunda impressão nos ouvintes. 
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e) declamar poemas épicos que os ouvintes não entendem, mas que acompanham com atenção e respeito. 
 
05 
 “ou numa pedra preciosa, oferecida à sua bisavó pelo Primeiro Ministro da Cochinchina." (3º §) 
Reescrita na voz ativa, a oração do verbo “oferecer" terá a seguinte redação: 
a)ou numa pedra preciosa, que à sua bisavó oferecida pelo Primeiro Ministro da Cochinchina 
b)ou numa pedra preciosa, que o Primeiro Ministro da Cochinchinaofereceu à sua bisavó. 
c)ou numa pedra preciosa, que tinha sido oferecida à sua bisavó pelo Primeiro Ministro da Cochinchina. 
d)ou numa pedra preciosa, que a sua bisavó teria oferecido ao Primeiro Ministro da Cochinchina. 
e)ou numa pedra preciosa, que seria oferecida pelo Primeiro Ministro da Cochinchina à sua bisavó. 
 
06 
 “Certamente escreverá o seu diário, mas não o publicará jamais, porque é preciso um papel que não existe" (3º §). 
Das alterações feitas na redação do enunciado acima, houve flagrante alteração de sentido em: 
a) Não publicará jamais o diário que certamente escreverá, de modo que será preciso um papel que não existe. 
b) Por ser preciso um papel que não existe, não publicará jamais o diário, que, com certeza, escreverá. 
c) Certamente escreverá o seu diário, contudo não o publicará jamais, visto que é preciso um papel que não existe. 
d) Com certeza irá escrever o seu diário, contudo, porquanto é preciso um papel que não existe, não o publicará 
jamais. 
e) Certamente escreverá o seu diário, mas, como é preciso um papel que não existe, não o publicará jamais. 
 
07 
 “Em geral os mentirosos são muito agradáveis, desde que não se tome como verdade nada do que 
dizem” (4º §). 
 A relação semântica entre a oração principal e a subordinada no enunciado acima é de sentido: 
a)comparativo. 
b) consecutivo. 
c) proporcional. 
 
d) causal. 
 
e) condicional. 
 
 
 
 
 
 
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08 
Está INCORRETA a indicação do antecedente do termo em destaque em: 
a) “fala-nos de SEUS planos” (3º §) / o mentiroso. 
 
b) “O mentiroso conhece as maiores personalidades do Mundo – trata-AS até por tu!” (3º §) / as maiores 
personalidades do Mundo. 
 
c) “um leitor que terá de sofrer várias encarnações para ser digno de O entender.” (3º §) / o mentiroso. 
d) “E ESSE é o inconveniente” (4º §) / tomar-se por verdade o que dizem. 
e) “O que OS torna mais engraçados” (5º §) / os posudos. 
 
 
09 
 “Como CONSERTAM os óculos!” (5º §). 
Pelo sentido da frase acima, tem de ser usado o verbo CONSERTAR, e não o seu homônimo CONCERTAR 
(harmonizar, participar de concerto). 
Das frases abaixo, aquela em que a lacuna deve ser preenchida pelo segundo elemento do par de homônimos 
entre parênteses é: 
a) O mentiroso era ____ de uma das pernas (coxo /cocho). 
b) O posudo trabalhava na ____ de licitações(sessão / seção) 
c) Mentirosos e posudos não têm o ____ do ridículo (senso / censo). 
 
d) O lojista deveria ____ as portas quando percebesse o tumulto na rua (cerrar / serrar). 
 
e) O posudo recebia em ____ as suas propinas (cheque / xeque). 
 
 
10 
O acento indicativo da crase na frase acima foi empregado em situação de crase facultativa. É facultativo também o 
emprego do acento indicativo da crase em: 
a) O mentiroso falava de seus planos às suas amigas. 
b) Seu amor às coisas poéticas era imenso. 
c) As coisas que os posudos dizem às claras deveriam ser ditas às escondidas. 
d) O posudo dizia que ia até à Itália a serviço. 
e) O que ele dizia era agradável às nossas fantasias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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11 
Pechada 
 
1 O apelido foi instantâneo. No primeiro dia de aula, o aluno novo já estava sendo chamado de 
“Gaúcho”. Porque era gaúcho. Recém-chegado do Rio Grande do Sul, com um sotaque carregado. 
2 — Aí, Gaúcho! 
3 — Fala, Gaúcho! 
4 Perguntaram para a professora por que o Gaúcho falava diferente. A professora explicou que cada 
região tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão grandes assim. Afinal, todos falavam 
português. Variava a pronúncia, mas a língua era uma só. E os alunos não achavam formidável que num 
país do tamanho do Brasil todos falassem a mesma língua, só com pequenas variações? 
5 — Mas o Gaúcho fala “tu”! — disse o gordo Jorge, que era quem mais implicava com o novato. 
6 — E fala certo — disse a professora. — Pode-se dizer “tu” e pode-se dizer “você”. Os dois estão certos. 
Os dois são português. 
7 O gordo Jorge fez cara de quem não se entregara. 
8 Um dia o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou para a professora o que acontecera. 
9 — O pai atravessou a sinaleira e pechou. 
10 — O quê? 
11 — O pai. Atravessou a sinaleira e pechou. 
12 A professora sorriu. Depois achou que não era caso para sorrir. Afinal, o pai do menino atravessara 
uma sinaleira e pechara. Podia estar, naquele momento, em algum hospital. Gravemente pechado. Com 
pedaços de sinaleira sendo retirados do seu corpo. 
13 — O que foi que ele disse, tia? — quis saber o gordo Jorge. 
14 — Que o pai dele atravessou uma sinaleira e pechou. 
15 — E o que é isso? 
16 — Gaúcho... Quer dizer, Rodrigo: explique para a classe o que aconteceu. 
17 — Nós vinha... 
18 — Nós vínhamos. 
19 — Nós vínhamos de auto, o pai não viu a sinaleira fechada, passou no vermelho e deu uma pechada 
noutro auto. 
20 A professora varreu a classe com seu sorriso. Estava claro o que acontecera? Ao mesmo tempo, 
procurava uma tradução para o relato do gaúcho. Não podia admitir que não o entendera. Não com o gordo 
Jorge rindo daquele jeito. 
21 “Sinaleira”, obviamente, era sinal, semáforo. “Auto” era automóvel, carro. Mas “pechar” o que era? 
Bater, claro. Mas de onde viera aquela estranha palavra? Só muitos dias depois a professora descobriu que 
“pechar” vinha do espanhol e queria dizer bater com o peito, e até lá teve que se esforçar para convencer o 
gordo Jorge de que era mesmo brasileiro o que falava o novato. Que já ganhara outro apelido: Pechada. 
22 — Aí, Pechada! 
23 — Fala, Pechada! 
 
 (VERÍSSIMO, Luiz Fernando. In www.revistaescola.abril.com.br) 
 
Sobre o texto são feitas as afirmativas abaixo. 
 
I - A razão pela qual Rodrigo ganhou os apelidos de “Gaúcho” e de “Pechada” decorreu de um mesmo fato. 
II - A professora aproveitou o sotaque do Gaúcho para ensinar que um mesmo idioma pode ter variações de 
pronúncia, de acordo com a região. 
III - Ao ensinar que “tu” e “você” estão ambos corretos em português, a professora está admitindo que se pode falar 
de uma ou de outra forma. 
IV - A frase com que o Gaúcho explicou a razão de ter chegado tarde à aula foi entendida com clareza pela 
professora, mas não pela turma. 
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V - A reação do gordo Jorge, rindo da explicação dada pelo Gaúcho, constrangeu a professora, por estar sugerindo 
que ela também não entendera a explicação. 
VI - Mesmo com as explicações dadas pela professora sobre a origem e o sentido de “pechar”, o gordo Jorge não se 
convenceu de que falava a mesma língua do colega. 
 
Sobre as afirmativas acima em relação ao texto, pode-se dizer que: 
 
a) todas estão corretas. 
b) apenas I, III, IV e VI estão corretas. 
c) apenas II, III e V estão corretas. 
d) apenas II, IV e V estão corretas. 
e) apenas I, II, III e VI estão corretas. 
 
12 
 “E os alunos não achavam formidável que num país do tamanho do Brasil todos falassem a mesma língua, só com 
pequenas variações?” (4º §) 
 
Com a frase interrogativaacima a professora estava dando destaque ao fato de: 
 
a) os alunos estranharem que um colega, nascido no Brasil, falasse uma língua distinta do português. 
b) o Brasil ser um país onde a língua apresenta tantas variações que parece ter mais de um idioma. 
c) o tamanho do Brasil concorrer para que todos falem a mesma língua, apesar das pequenas variações. 
d) os alunos acharem formidável que haja só pequenas variações na língua, apesar do tamanho do Brasil. 
e) a unidade da língua ser um aspecto positivo, apesar das variações, por facilitar a comunicação entre todos os 
brasileiros. 
 
13 
 “Pode-se dizer ‘tu’ e pode-se dizer ‘você’. Os dois estão certos. Os dois são português.” (6º §) 
 
Com a afirmação acima, a professora ensinou que em português: 
 
a) tanto o pronome “tu” quanto o pronome “você” podem ser usados para tratar a pessoa com quem se fala. 
b) ambos estão corretos, mas o pronome “tu” deve ser usado para a pessoa com quem se fala, e “você” para a 
pessoa de quem se fala. 
c) ambos estão corretos, mas o tratamento com o pronome “tu” só é usado pelos gaúchos. 
d) o pronome “tu” só deve ser usado para tratar autoridades, e “você” para as pessoas comuns. 
e)ambos estão corretos, porque tanto o pronome “tu” quanto o pronome “você” levam o verbo a concordar na 3ª 
pessoa do singular. 
 
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14 
Observe as duas falas do Gaúcho: 
 
“O pai atravessou a sinaleira e pechou.” (9º §) 
“O pai. Atravessou a sinaleira e pechou.” (11º §) 
 
A opção que justifica a diferença de pontuação entre as duas falas do Gaúcho é: 
 
a) a 2ª fala, ao contrário da 1ª, o Gaúcho a pronunciou em duas frases, fazendo pausa entre o termo sujeito e o 
predicado 
b) a 2ª fala foi pronunciada em duas frases para que a turma entendesse o que tinha acontecido. 
c) na 2ª fala, o Gaúcho fez uma pausa por estar amedrontado com a pergunta da professora: “O quê?” 
d) separando a 2ª fala em duas frases, o Gaúcho revelou uma tendência própria do linguajar do Sul. 
e) na 1ª fala, o Gaúcho enfatiza a figura do pai; na 2ª enfatiza o fato ocorrido. 
 
15 
Ao ouvir o erro de concordância na fala do Gaúcho, “Nós vinha...” (17º §), a professora corrigiu: “Nós vínhamos” (18º §). 
 
Nas opções abaixo também foram feitas correções de flexão verbal, erros comuns na linguagem coloquial. A correção 
que NÃO corresponde à norma culta é: 
 
a) Arreia o embrulho no chão. / Arria o embrulho no chão. 
b) Você pode vim, que eu espero. / Você pode vir, que eu espero. 
c) Se você vê que não dá, não faça / Se você ver que não dá, não faça. 
d) A professora interviu na discussão. / A professora interveio na discussão. 
e) Ele não se conteu e começou a discussão. / Ele não se conteve e começou a discussão. 
 
16 
 “No primeiro dia de aula, o aluno novo já estava sendo chamado de ‘Gaúcho’”. (1º §) 
 
Reescrevendo-se o período acima na voz ativa, a redação será: 
 
a) O aluno novo já estava sendo chamado de “Gaúcho” no primeiro dia de aula. 
b) No primeiro dia de aula, já estavam chamando o aluno novo de “Gaúcho”. 
c) No primeiro dia de aula, o aluno novo já estava sendo chamado de “Gaúcho” pelos colegas. 
d) O aluno novo, no primeiro dia de aula, já estava sendo chamado de “Gaúcho”. 
e) Chamar o aluno novo, no primeiro dia de aula, de “Gaúcho” foi a reação dos colegas. 
 
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17 
 “Perguntaram para a professora POR QUE o Gaúcho falava diferente.” (4º §) 
 
No período acima, por norma ortográfica, o termo em destaque, é escrito com os elementos separados. Considerando-se as 
quatro formas distintas de grafia do referido termo, pode-se afirmar que, das frases abaixo, está INCORRETA: 
 
a) O gordo Jorge implicava com o Gaúcho porque este falava uma língua diferente da sua. 
b) Não se sabia o porquê de o Gaúcho falar diferente. 
c) Professora, ele fala outra língua por quê? 
d) Ele fala com sotaque diferente porque nasceu no Rio Grande do Sul. 
e) Desconhecia-se a razão porque o gordo Jorge implicava com o Gaúcho. 
 
18 
 “Só muitos dias depois a professora descobriu que ‘pechar’ vinha do espanhol e queria dizer bater com o peito” (21º §) 
 
O significado em espanhol descoberto pela professora não corresponde ao significado de “pechar” como foi usado no texto. De 
acordo com o texto, é sinônimo de “pechar”: 
 
a) ferir-se. 
b) capotar. 
c) vitimar-se. 
d) abalroar. 
e) desgovernar-se. 
 
19 
 “Um dia o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou para a professora o que acontecera.” (8º §) 
 
Quanto à regência, os verbos “chegar” e “explicar” empregados acima estariam mais adequados à norma culta da língua, se fosse 
dada ao período, sem alteração de sentido, a seguinte redação: 
 
a) Um dia o Gaúcho chegou tarde à aula e explicou à professora o que acontecera. 
b) Um dia o Gaúcho chegou tarde para a aula e explicou para a professora o que acontecera. 
c) Um dia o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou à professora o que acontecera. 
d) Um dia o Gaúcho chegou tarde da aula e explicou-se com a professora o que acontecera. 
e) Um dia o Gaúcho chegou tarde à aula e explicou sobre a professora o que acontecera. 
 
 
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20 
Considerando-se a acentuação gráfica dos vocábulos “gaúcho”, “automóvel” e “português”, pode-se afirmar que 
recebem acento gráfico em razão das mesmas normas, respectivamente, os vocábulos: 
a) saída / semáforo / refém. 
b) Grajaú / incrível / você. 
c) saúde / notável / Icaraí. 
d) jaú / projétil / parabéns. 
e) fúnebre / grátis / inglês. 
 
Respostas: 
01: 
02: 
03: 
04: 
05: 
06: 
07: 
08: 
09: 
10: 
11: 
12: 
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16: 
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18: 
19: 
20: 
 
 
 
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21 
1 (...) a democracia moderna, regime que admite conflitos, também gera um certo teor de conflito que poderia não 
existir. Quando um cargo é colocado em disputa, no âmbito público, aparecem candidatos. Ora, não é óbvio que 
sempre haja divergências, justificando candidaturas opostas. Mas é o que acontece. E, desde que os partidos foram 
considerados pilares da democracia representativa, a tendência deles é se diferenciarem, oporem-se. Então, a 
democracia não se limita a retratar divergências existentes na sociedade: ela aprofunda algumas, acentua-as, até 
mesmo as agrava. 
 
2 Crítica parecida, por sinal, foi feita por sucessivos inimigos da “democracia dos partidos", que é a principal forma 
moderna de democracia – desde os totalitários até o presidente francês de Gaulle e pensadores marxistas não 
autoritários. Mas o regime democrático também cumpre um papel mais reconhecido, mais alardeado, que é a 
menina dos olhos de quem o defende: ele aceita um teor de conflito na sociedade. Admite como normal que haja 
tensões entre pessoas ou grupos. Pela primeiravez na história do mundo, desobriga os humanos de viver num todo 
harmônico, equilibrado. Porque a harmonia é uma empulhação. Na Ásia, o discurso confuciano, assentado na ideia 
de que a sociedade se organiza como uma família, leva a entender a discórdia como traição. No Ocidente, a 
comparação do Estado a um corpo harmônico e saudável autorizou considerar o divergente um membro 
gangrenado ou doente, que deve ser amputado. Quem não obedece ao amor do príncipe não é apenas um 
divergente, uma pessoa livre para pensar de outra forma: é um traidor, um ingrato, um infame. 
 
3 Diante dessa representação hipócrita das relações sociais como amorosas e da conversão do amor em 
autoritarismo – porque quem não retribui o amor do ditador obedecendo-lhe em todas as coisas atrai o castigo –, a 
democracia simplesmente deixa as coisas acontecerem. Discorda? É um direito seu. Haverá regras para dizer a 
discordância e, mesmo, submetê-las ao voto. A democracia cria procedimentos para garantir o direito de oposição – 
que também reduzem o teor dos confrontos. 
 
4 Isso quer dizer que o conflito político não pode ser excessivo, e geralmente não o é. Primeiro, porque a política 
é a substituição da guerra. Em vez de armas, brigamos com votos. Eles não matam. O adversário não é inimigo. 
Não está em jogo, ao contrário do que pretendia Carl Schmidt, a extinção do outro. Pelo menos não se quer sua 
eliminação física, como na guerra, como com o inimigo. Segundo, porque a política se dá com palavras, que 
manejam emoções que se expressam no voto. Lembremos o que é “voto": o significado deste termo se vê em 
“votos de felicidade" ou de “feliz ano-novo". Votos são desejos. Expressamos nosso desejo em palavras, as do 
debate político, elaborando a decisão de votar em Fulano ou Beltrano. 
 
5 Assim, a democracia representativa de partidos gera necessariamente conflitos, mas não os deixa transbordar 
para a forma bélica. Ela exige um certo teor de conflito, mas não excessivo. Não vive sem conflitos, mas morre se o 
conflito se exacerbar. 
 
 (RIBEIRO, Renato Janine. Rev. Filosofia: set., 2014, p. 82.) 
 
 
Para persuadir o leitor a concluir como ele, vale-se o autor de todas as estratégias argumentativas a seguir, 
EXCETO: 
a) explicar o sentido de termo relativo à proposição que defende. 
b) fazer referência a fatos históricos 
c) recorrer a raciocínio do tipo lógico-dedutivo. 
d) desautorizar ponto de vista divergente. 
e) apoiar-se em argumento de autoridade. 
 
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22 
Em relação ao ponto de vista emitido no tópico do quarto parágrafo, o que se segue, no seu desenvolvimento, tem o 
seguinte papel na argumentação do autor: 
a) exemplificar. 
b) generalizar. 
c) refutar. 
d) justificar 
e) conceder. 
 
23 
Em: “que poderia não existir” (§ 1) e “que deve ser amputado” (§ 2), o autor emprega os auxiliares “poder” e “dever” 
para sinalizar que o leitor deve interpretar o conteúdo dos enunciados em apreço, respectivamente, como: 
a) obrigatório / possível 
b) possível / necessário. 
c) necessário / duvidoso 
d) duvidoso / certo. 
e) certo / obrigatório. 
 
24 
Altera-se o sentido fundamental de: “Ora, não é óbvio que sempre haja divergências, justificando candidaturas 
opostas. Mas é o que acontece” (§ 1) com a seguinte reescrita dos dois períodos num período único: 
a) Ora, apesar de não ser óbvio que sempre haja divergências, justificando candidaturas opostas, é o que acontece. 
b) Ora, visto não ser óbvio que sempre haja divergências, justificando candidaturas opostas, é o que acontece. 
c) Ora, sem ser óbvio que sempre haja divergências, justificando candidaturas opostas, é o que acontece 
d) Ora, conquanto não seja óbvio que sempre haja divergências, justificando candidaturas opostas, é o que 
acontece. 
e) Ora, ainda que não seja óbvio que sempre haja divergências, justificando candidaturas opostas, é o que 
acontece. 
 
25 
O pronome em destaque faz referência, não a elemento do próprio texto, mas a algo que se encontra fora dele, em: 
a) “obedecendo-LHE em todas as coisas” (§ 3). 
b) “QUE também reduzem o teor dos confrontos” (§ 3). 
c) “e geralmente não O é” (§ 4). 
d) “não se quer SUA eliminação física” (§ 4). 
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e) “Expressamos NOSSO desejo em palavras” (§ 4). 
 
26 
A alternativa em que a conjunção “como” tem, fundamentalmente, o mesmo valor relacional que em: “assentado na 
ideia de que a sociedade se organiza COMO uma família” (§ 2) é: 
a) Como fazia calor, entreabriu as janelas. 
b) Como todos devem saber, gosto de literatura. 
c) Mostrava-se tão estudiosa como inteligente. 
d) Era, como sempre lhe disse, um bom aluno. 
e) Como ele obteve essa nota ninguém sabe. 
 
27 
Com a mudança de posição do termo em destaque, altera-se o sentido fundamental do enunciado em: 
a) “ENTÃO, a democracia não se limita a retratar divergências existentes na sociedade” (§ 1) / A democracia não se 
limita, ENTÃO, a retratar divergências existentes na sociedade. 
b) “Crítica parecida, POR SINAL, foi feita por sucessivos inimigos da „democracia dos partidos‟” (§ 2) / POR SINAL, 
crítica parecida foi feita por sucessivos inimigos da “democracia dos partidos”. 
c) “Mas o regime democrático TAMBÉM cumpre um papel mais reconhecido, mais alardeado” (§ 2) / Mas TAMBÉM 
o regime democrático cumpre um papel mais reconhecido, mais alardeado. 
d) “PELO MENOS não se quer sua eliminação física, como na guerra, como com o inimigo” (§ 4) / Não se quer 
PELO MENOS sua eliminação física, como na guerra, como com o inimigo. 
e) “ASSIM, a democracia representativa de partidos gera necessariamente conflitos” (§ 5) / A democracia 
representativa de partidos gera, ASSIM, necessariamente conflitos. 
 
28 
Nos enunciados: “não é óbvio que sempre haja divergências” (§ 1) e “Haverá regras para dizer a discordância” (§ 3), 
pode-se substituir o verbo “haver”, sem infringir norma de concordância verbal, por, respectivamente: 
a) tenha havido / Hão de existir. 
b) tenham existido / Hão de haver. 
c) tenha existido / Há de haver. 
d) tenham havido / Há de existir. 
e) tenha existido / Hão de haver. 
 
29 
Dentre as mudanças de colocação do pronome átono propostas a seguir, aquela que se mostra amparada por 
nossas gramáticas normativas encontra-se em: 
a) “a democracia não se limita a retratar divergências” (§ 1) / limita-se. 
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b) “ela aprofunda algumas, acentua-as” (§ 1) / as acentua. 
c) “que é a menina dos olhos de quem o defende” (§ 2) / defende-o. 
d) “o significado deste termo se vê em „votos de felicidade‟” (§ 4) / vê-se. 
e) “mas não os deixa transbordar para a forma bélica” (§ 5) / deixa-os. 
 
30 
Em: “o regime democrático também cumpre um papel mais reconhecido, mais alardeado, que é a menina dos olhos 
de quem o defende: ele aceita um teor de conflito na sociedade” (§ 2), o sinal de dois-pontos anuncia uma: 
a) explicação. 
b) consequência. 
c) síntese 
d) citação.e) conclusão. 
 
31 
Leia o texto abaixo e responda ao que se pede. 
 
Existe no Oceano Pacífico uma ilha feita de duas montanhas. É como se alguém tivesse colado dois grandes 
montes de terra no meio do mar. A maior chama-se Tristeza e a menor, Alegria. 
 
Dizem que há muitos anos atrás a Alegria era maior e mais alta que a Tristeza. Dizem também que, por causa de 
um terremoto, parte da Alegria caiu no mar e afundou, deixando a montanha do jeito que está hoje. 
 
Ninguém sabe se isso é mesmo verdade. Verdade é que ao pé desses dois cumes, exatamente onde eles se 
encontram, moram uma menina chamada Aleteia e sua avó. 
 
Aleteia e a avó são como as montanhas: duas pessoas que estão sempre juntas. 
 
Hoje Aleteia é menor, mais baixa que sua avó; acontece que daqui a algum tempo, ninguém sabe quando, Aleteia 
vai acordar e estará mais alta que a avó. Aleteia vai crescer e eu acho que, quando esse dia chegar, elas ainda 
estarão juntas. Igual às montanhas da ilha. 
 
Um dia Aleteia perguntou: “Vovó, quem fez o mundo?”, e sua avó respondeu: “Deus”. 
 
- Todo ele? 
- Sim, todo. 
- Sozinho? 
- Sim, sozinho. 
 
Aleteia saiu da sala com aquela conversa na cabeça. Não estava convencida. Pensou muito a respeito do assunto. 
Para raciocinar melhor, saiu para caminhar e caminhou muito pela ilha. Pensava sozinha, pensava em voz alta e 
começou a dividir seus pensamentos com as coisas que lhe apareciam pelo caminho: folhas, árvores, pedras, 
formigas, grilos, etc. Deus tinha criado o mundo sozinho? 
 
(KOMATSU, Henrique. A menina que viu Deus. p.3-6, formato eletrônico, fragmento.) 
 
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Segundo o autor, na ilha, a diferença entre as montanhas de hoje e as de antigamente era que: 
a) as duas eram da mesma altura. 
b) a Tristeza era mais alta que a Alegria. 
c) a Alegria era mais alta que a Tristeza. 
d) eram coloridas e agora não. 
 
32 
De acordo com o texto, o fato de a montanha Alegria estar na condição em que está atualmente se deve a: 
a) terremoto. 
b) um vendaval. 
c) uma tempestade. 
d) uma erupção vulcânica. 
 
33 
As personagens do texto que residem na ilha são: 
a) Aleteia e a mãe. 
b) Aleteia e a avó. 
c) A mãe de Aleteia e a avó. 
d) Aleteia com os irmãos. 
 
34 
A maior curiosidade da menina, conforme o texto, era saber: 
a) sobre o mundo das formigas. 
b) como se formou a ilha. 
c) por que Alegria diminuiu. 
d) quem fez o mundo. 
 
35 
A frase do texto que indica a descrença na resposta da avó é: 
a) “- Todo ele?” 
b) “ – Sozinho?” 
c) “Não estava convencida” 
d) “Vovó quem fez o mundo?” 
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36 
Dentre as alternativas abaixo, a que apresenta um elemento da natureza com o qual a menina NÃO compartilhou 
suas dúvidas é: 
a) grilos. 
b) pedras. 
c) nuvens. 
d) árvores. 
 
37 
Os nomes das montanhas Tristeza e Alegria formam um par de: 
a) antônimos. 
b) sinônimos. 
c) homônimos. 
d) parônimos. 
 
38 
Das frases abaixo, a que NÃO apresenta uma comparação é: 
a) Aleteia e a avó são como montanhas. 
b) Hoje Aleteia é menor, mais baixa que sua avó. 
c) Aleteia vai acordar e estará mais alta que a avó. 
d) Pensou muito a respeito do assunto. 
 
39 
Em “... ao pé desses dois cumes...” a palavra destacada significa: 
a) local íngreme de um terreno. 
b) parte mais alta de um monte. 
c) parte mais elevada do telhado. 
d) onde se planta cominho. 
 
 
 
 
 
 
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40 
Para o preenchimento CORRETO das lacunas na frase “A menina não tinha o ________ costume de duvidar da 
avó, _________, naquele assunto,________ havia terminado a conversa, ela foi perguntar à natureza.”, empregam-
se, respectivamente, as formas: 
a) mau, mais, mal. 
b) mau, mas, mal. 
c) mal, mas, mau. 
d) mal, mais, mal. 
 
Respostas: 
21: 
22: 
23: 
24: 
25: 
26: 
27: 
28: 
29: 
30: 
31: 
32: 
33: 
34: 
35: 
36: 
37: 
38: 
39: 
40: 
 
 
 
 
 
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41 
Leia o texto abaixo e responda ao que se pede. 
 
Existe no Oceano Pacífico uma ilha feita de duas montanhas. É como se alguém tivesse colado dois grandes 
montes de terra no meio do mar. A maior chama-se Tristeza e a menor, Alegria. 
 
Dizem que há muitos anos atrás a Alegria era maior e mais alta que a Tristeza. Dizem também que, por causa de 
um terremoto, parte da Alegria caiu no mar e afundou, deixando a montanha do jeito que está hoje. 
 
Ninguém sabe se isso é mesmo verdade. Verdade é que ao pé desses dois cumes, exatamente onde eles se 
encontram, moram uma menina chamada Aleteia e sua avó. 
 
Aleteia e a avó são como as montanhas: duas pessoas que estão sempre juntas. 
 
Hoje Aleteia é menor, mais baixa que sua avó; acontece que daqui a algum tempo, ninguém sabe quando, Aleteia 
vai acordar e estará mais alta que a avó. Aleteia vai crescer e eu acho que, quando esse dia chegar, elas ainda 
estarão juntas. Igual às montanhas da ilha. 
 
Um dia Aleteia perguntou: “Vovó, quem fez o mundo?”, e sua avó respondeu: “Deus”. 
 
- Todo ele? 
- Sim, todo. 
- Sozinho? 
- Sim, sozinho. 
 
Aleteia saiu da sala com aquela conversa na cabeça. Não estava convencida. Pensou muito a respeito do assunto. 
Para raciocinar melhor, saiu para caminhar e caminhou muito pela ilha. Pensava sozinha, pensava em voz alta e 
começou a dividir seus pensamentos com as coisas que lhe apareciam pelo caminho: folhas, árvores, pedras, 
formigas, grilos, etc. Deus tinha criado o mundo sozinho? 
 
(KOMATSU, Henrique. A menina que viu Deus. p.3-6, formato eletrônico, fragmento.) 
 
 
Na frase “Aleteia e a avó são como as montanhas:”, o pronome que substitui corretamente a expressão grifada é: 
a) ela. 
b) eles. 
c) nós. 
d) elas. 
 
42 
No trecho “Existe no Oceano Pacífico uma ilha feita de duas montanhas.”, a palavra grifada segue a mesma regra 
de acentuação que: 
a) árvores. 
b) vovó. 
c) também. 
d) estará. 
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43 
A alternativa em que todas as palavras retiradas do texto apresentam a mesma classe gramatical é: 
a) oceano, terra, alta. 
b) sobre, para, ela. 
c) montanha, ilha, avó. 
d) dizem, estão, juntas. 
 
44 
Se você __________________ Deus, o que lhe _________________? 
 
 
Completando-se as lacunas com os verbos nos tempos adequados, as formas corretas são: 
a) encontrasse / pedirá. 
b) encontrar / pediu. 
c) encontrasse / pediria. 
d) encontrava / pede.45 
Dentre as palavras abaixo, a que NÃO apresenta dígrafo é: 
a) terremoto. 
b) montanha. 
c) pessoas. 
d) tristeza. 
 
46 
Primavera 
 
1 A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim 
para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais 
que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega. 
 
2 Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, - e arautos 
sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores. 
 
3 Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jaipur. Vozes 
novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e 
amarelas apressam-se pelos ares, - e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende. 
 
4 Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, 
alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol. 
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5 Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, - e só os poetas, entre os 
humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços 
carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz. 
 
6 Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para 
as festas da sua perpetuação. 
 
7 Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no 
momento em que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros 
serão outros, com outros cantos e outros hábitos, - e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais 
com tudo aquilo que, outrora, se entendeu e amou. 
 
8 Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão 
beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda 
conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se 
vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão 
sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor. 
 
9 Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, - por fidelidade à obscura semente, ao que 
vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida - e efêmera. 
 
(MEIRELES, Cecília. "Cecília Meireles - Obra em Prosa?, Vol. 1. Nova Fronteira: Rio de Janeiro, 1998, p. 366.) 
 
A respeito do texto pode-se afirmar que: 
a) apenas nos bosques e jardins é que se observam as transformações da natureza que anunciam a chegada da 
primavera. 
b) a chegada da primavera é um fenômeno natural de beleza ímpar, que se manifesta pelo movimento do sol e 
pelas alterações na fauna e na flora. 
c) se os homens insistirem em agredir a natureza, corre-se o risco de não mais haver o ciclo das estações e, com 
isso, desaparecer a primavera. 
d) a durabilidade da estação da primavera está condicionada aos poetas, porque só estes, entre os humanos, 
apreciam sua beleza e exuberância. 
 
47 
De acordo com o texto, são sinais de chegada da primavera os abaixo relacionados, EXCETO: 
a) "Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jaipur." (3º §) 
b) "a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação." (6º §) 
c) "e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora, se entendeu e amou." 
(7º §) 
d) "lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos." (8º §) 
 
 
 
 
 
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48 
"A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome.." (1º §) 
 
Para que seja mantido o sentido original da segunda oração do fragmento acima, pode-se redigi-la da seguinte 
forma: 
a) se bem que ninguém mais saiba seu nome. 
b) visto ninguém mais saber seu nome. 
c) caso ninguém mais saiba seu nome. 
d) a ponto de ninguém mais saber seu nome. 
 
49 
"...e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar 
sua vida para a primavera que chega" (1º §) 
 
No fragmento acima, as vírgulas foram empregadas para: 
a) marcar termo adverbial intercalado. 
b) isolar oração adjetiva explicativa. 
c) enfatizar o termo sujeito em relação ao predicado. 
d) separar termo em função de aposto. 
 
50 
"Há bosques de rododendros.." (3º §) 
 
Das alterações feitas na redação da oração acima, está em DESACORDO com as normas de concordância a 
seguinte: 
a) Existem bosques de rododendros. 
b) Deve haver bosques de rododendros. 
c) Hão de existir bosques de rododendros. 
d) Haviam bosques de rododendros. 
 
51 
I – "...e vem dançar neste mundo CÁLIDO, de incessante luz." (5º §) 
 
II – "...e a eufórbia se vai tornando PULQUÉRRIMA, em cada coroa vermelha que desdobra." (8º §) 
 
III - "Saudemos a primavera, dona da vida — e EFÊMERA."(9º §) 
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A opção em que estão expressos, respectivamente, os sinônimos dos adjetivos em destaque acima é: 
a) caloroso / belíssima / passageira. 
b) apaixonado / riquíssima / interminável. 
c) experiente / amabilíssima / momentânea. 
d) astucioso / agradabilíssima / perecedoura. 
 
52 
A informação sobre o referente do pronome em destaque está INCORRETA em: 
a) "começam a preparar SUA vida para a primavera que chega" (1º §) / habitantes da mata. 
b) "começam a ensaiar as árias tradicionais de SUA nação" (3º §) / passarinhos. 
c) "para as festas da SUA perpetuação" (6º §) / festas. 
d) "E flores agrestes acordam com SUAS roupas de chita multicor" (8º §) / flores agrestes. 
 
53 
"...por fidelidade à obscura semente..." (9º §) 
 
Das alterações feitas no fragmento acima, há erro no emprego do acento indicativo da crase em: 
a) por fidelidade àquela obscura semente. 
b) por fidelidade à essa obscura semente. 
c) por fidelidade à mesma obscura semente. 
d) por fidelidade à nova e obscura semente. 
 
54 
"Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento em que quiserem..." (§ 7) 
 
Das alterações feitas na passagem acima, está INADEQUADA a correlação entre os tempos verbais em: 
a) Algum dia, talvez, os homens teriam a primavera que desejarem, no momento em que quiserem. 
b) Algum dia, talvez, os homens tenham a primavera que desejam, no momento em que queiram. 
c) Algum dia, talvez, os homens tivessem a primavera que desejavam, no momento em que queriam. 
d) Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejam, no momento em que queiram. 
 
 
 
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55 
"Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão 
beijinhos para o ar azul." (§ 8) 
 
Das alterações feitas na oração adjetiva do período acima, está INADEQUADA ao padrão culto da língua a 
seguinte: 
a) prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, aos quais são atribuídas funções primaveris. 
b) prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, sob os quais reflete o nascer do sol. 
c) prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, para os quais a natureza acena. 
d) prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, cujos beijinhos tanto agradam ao ar azul. 
 
56 
MINHA CALÇADA 
 
 Morreu na semana passada, atropelado pela multidão que vinha na direção oposta, o último cronista 
andarilho. Ele insistia em fazer como seus antepassados, João do Rio, Lima Barreto, Benjamim Costallat, 
Antônio Maria, Carlinhos Oliveira, e flanava em busca de assuntos. Descanse em paz, pobre coitado. 
 O cronista andarilho estava na calçada par da Avenida Rio Branco, em frente à Galeria dos 
Empregados no Comércio, às 13h15m de quarta-feira, quando foi abalroado por um pelotão de transeuntes 
que marchava apressado no contrafluxo. Caiu, bateu com a cabeça num fradinho. Morreu constrangido por 
estar atrapalhando o tráfego de pedestres, categoria à qual sempre se orgulhou de pertencer. 
 A perícia encontrou em seu bolso um caderno com a anotação “escrever sobre as mulheres executivas 
que caminham de salto alto sobre as pedras portuguesas do Centro, o que lhes aumenta ainda mais a 
sensualidade do rebolado”. O documento, entregue ao museu da Associação Brasileira de Imprensa, já está 
numa vitrine de relíquias cariocas. 
 O cronista que ora se pranteia era um nostálgico das calçadas e tinha como livro de cabeceira “Um 
passeio pela cidade do Rio de Janeiro”. Nele, Joaquim Manuel de Macedo descreve uma caminhada pela 
Rua do Ouvidor como um dos grandes prazeres da vida. No apartamento do cronista, de quem no momento 
se faz este funéreo, foi encontrada também a gravura de J. Carlos em que um grupo de almofadinhas 
observa, deslumbrado, a passagem de uma melindrosa de vestido curto e perna grossa pela Avenida Central 
dos anos 1920. 
 As calçadas inspiravam o morto. Fez dezenas de crônicas sobre a poesia do flanar sem rumo, às vezes 
lambendo uma casquinha de sorvete. Numa delas chegou a falar da perda de tempo que era subir até o 
Corcovado para admirar o Rio. O cronista andarilho, agora de saudosa memória, dizia não haver melhor 
jeito e lugar para se entender a cidade do que bater perna descompromissadamente, mas em passos mais 
curtos do que essa palavra imensa, pelas calçadas. 
 Ele ia assim como quem não quer nada, na terapia gratuita de atravessar de um lado para o outro e não 
estar focado em nada — enfim, na exata contramão do que recomenda o odioso estresse moderno que o 
atropelou próximo ao turbilhão da Galeria. 
 O cronista andarilho gostava de ouvir os torcedores discutindo futebol na banca do botafoguense 
Tolito, na esquina com a Sete de Setembro. Também podia rir da pregação moralista do profeta Gentileza 
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no Largo da Carioca, ou dar uma parada no Cineac Trianon, na Rio Branco 181, e avaliar as fotos das 
strippers que naquele momento estariam tirando a roupa lá dentro, na tela do cinema. 
 A vida era o que lhe ia pelas calçadas do Rio, um espaço historicamente sem entraves para se analisar 
como caminhava a Humanidade. O cronista andarilho, desde já saudoso como o frapê de coco do Bar 
Simpatia, não percebeu o fim das calçadas — e, na distração habitual, foi vítima da confusão que se 
estabeleceu sobre elas, uma combinação criminosa das novas multidões apressadas com fradinho, anotador 
do jogo do bicho, bicicleta, burro sem rabo, mesa de botequim, gola de árvore acimentada, esgoto, banca 
de jornal, segurança de loja sentado no meio do caminho e o escambau a quatro. 
 Calçadas não há mais. Eram passarelas onde os vizinhos se encontravam, perpetuavam os hábitos do 
bairro e tocavam a vida em frente com certa intimidade pública — no subúrbio chegava-se a colocar as 
cadeiras para curtir com mais conforto o mundo que passava. O cronista andarilho acreditava que na 
calçada pulsava a alma carioca. Com o caderno sempre à mão, anotava os modismos, os pequenos 
acontecimentos. No dia seguinte publicava o que achava ser a história afetiva da cidade, aquela em que as 
pessoas se reconhecem, pois são as obreiras. 
 O homem gastava sola de sapato. Uma outra inspiração para o seu ofício era o livro “A arte de 
caminhar pelas ruas do Rio de Janeiro”, escrito pelo contista e pedestre Rubem Fonseca nos anos 1990. 
Ainda havia calçada suficiente para o protagonista descer andando das ladeiras do Morro da Conceição, se 
esgueirar pelos becos nos fundos da Rua Larga e, sem GPS, chegar à Rua Senador Dantas. Não há mais. 
 O cronista peripatético costumava cruzar na vida real com Rubem Fonseca, os dois flanando pelas 
calçadas do Leblon. As meninas do Leblon não olhavam para eles, não tinha importância. O mestre seguia 
em aparente calma, enquanto a mente elucubrava cenas cruéis de sexo e violência para um próximo conto. 
Mas, como sabem todos os que têm passado por ali, as calçadas do Leblon também desapareceram 
embaixo de tapume do metrô e da multidão trazida pelo shopping center. O engarrafamento agora é de 
gente — e foi aí que se deu o passamento do último cronista andarilho, vítima da absoluta impossibilidade 
de se caminhar pelas agressivas calçadas da sua cidade. 
 (SANTOS, J. Ferreira dos. O Globo, 17/03/2014.) 
Sobre o cronista andarilho são feitas as afirmativas abaixo. 
 
I Andava sem rumo pela cidade em busca de assuntos para suas crônicas, assim como fizeram cronistas 
antepassados, João do Rio, Lima Barreto, etc. 
 
II Orgulhava-se de pertencer à categoria dos pedestres, daí ter morrido constrangido por estar 
atrapalhando o tráfego dos transeuntes. 
 
III Era um nostálgico das calçadas e gostava de passear pela Rua do Ouvidor em companhia de Joaquim 
Manoel de Macedo. 
 
IV As calçadas eram sua fonte de inspiração, e dizia não haver melhor jeito e lugar para entender a 
cidade do que caminhar sem pressa por elas. 
 
V Fazia de suas caminhadas uma terapia gratuita consciente contra o odioso estresse moderno, em 
virtude do qual morreu. 
 
VI Acreditava que na calçada pulsava a alma carioca, razão pela qual, caderno sempre à mão, anotava 
os modismos, os pequenos acontecimentos, para no dia seguinte publicar o que achava ser a história 
afetiva da cidade. 
 
VII Andando pelas calçadas do Leblon, ao passar pelas meninas, ele seguia em aparente calma, 
elucubrando cenas cruéis de sexo e violência para um próximo conto. 
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Das afirmativas acima, estão de acordo com o texto apenas: 
 
a) I, III, IV e V. 
 
b) I, II, IV e VI. 
c) I, II, V e VI. 
d) II, IV, VI e VII. 
e) III, V, VI e VII. 
 
57 
Aindaque expresso em termos figurativos, concretos, depreende-se do texto um componente temático que consiste 
em: 
a) criticar as autoridades públicas por não se sensibilizarem com o problema da violência urbana na cidade do Rio 
de Janeiro. 
b) destacar a figura do cronista andarilho, do ponto de vista da sutileza poética de seus textos, comparável à dos 
grandes cronistas cariocas. 
c) chamar a atenção para um problema de mobilidade urbana dos pedestres, relativo à situação caótica das 
calçadas em muitos bairros da cidade do Rio de Janeiro. 
d) lamentar a morte do último cronista andarilho carioca, vítima da violência urbana na cidade do Rio de Janeiro, 
provocada por turbas em arrastões. 
e) denunciar a irresponsabilidade dos gestores públicos da cidade do Rio de Janeiro, por realizarem obras que 
impedem a circulação das pessoas pelas calçadas. 
 
58 
Quanto à estrutura dos parágrafos, constata-se que todos estão constituídos de dois ou mais períodos, EXCETO o: 
a) 1º parágrafo. 
b) 2º parágrafo. 
c) 5º parágrafo. 
d) 6º parágrafo. 
e) 10º parágrafo. 
 
59 
Quanto ao modo de organização, pode-se afirmar que o texto apresenta predominantemente características 
discursivas próprias de uma: 
a) narração, pois se reporta a fato ocorrido com determinado personagem, em tempo relativamente recente, no 
espaço da cidade do Rio de Janeiro. 
b) dissertação expositiva, pois analisa, interpreta, explica e avalia dados da realidade de quem usa como pedestre 
as calçadas da cidade do Rio de Janeiro. 
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c) dissertação argumentativa, pois procura persuadir o leitor, convencendo-o de que a vida de quem precisa usar as 
calçadas do Rio de Janeiro está virando um inferno. 
d) descrição, pois retrata um personagem em suas andanças pelo Rio de Janeiro, destacando os lugares e os 
amigos de sua preferência. 
e) descrição, por retratar vários recantos da cidade do Rio de Janeiro com saudosismo, combinada com trechos 
dissertativos, onde é feita avaliação das condições das calçadas da cidade. 
 
60 
 “Morreu constrangido por estar atrapalhando o tráfego de pedestres...” (§ 2) 
Das modificações feitas na redação do trecho acima, aquela em que houve sensível alteração do sentido original é: 
 
a) Morreu constrangido porque estava atrapalhando o tráfego de pedestres. 
b) Como estivesse atrapalhando o tráfego de pedestres, morreu constrangido. 
c) Morreu constrangido conquanto estivesse atrapalhando o tráfego de pedestres. 
d) Morreu constrangido em razão de estar atrapalhando o tráfego de pedestres. 
e) Visto estar atrapalhando o tráfego de pedestres, morreu constrangido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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61 
MINHA CALÇADA 
 
 Morreu na semana passada, atropelado pela multidão que vinha na direção oposta, o último cronista 
andarilho. Ele insistia em fazer como seus antepassados, João do Rio, Lima Barreto, Benjamim Costallat, 
Antônio Maria, Carlinhos Oliveira, e flanava em busca de assuntos. Descanse em paz, pobre coitado. 
 O cronista andarilho estava na calçada par da Avenida Rio Branco, em frente à Galeria dos 
Empregados no Comércio, às 13h15m de quarta-feira, quando foi abalroado por um pelotão de transeuntes 
que marchava apressado no contrafluxo. Caiu, bateu com a cabeça num fradinho. Morreu constrangido por 
estar atrapalhando o tráfego de pedestres, categoria à qual sempre se orgulhou de pertencer. 
 A perícia encontrou em seu bolso um caderno com a anotação “escrever sobre as mulheres executivas 
que caminham de salto alto sobre as pedras portuguesas do Centro, o que lhes aumenta ainda mais a 
sensualidade do rebolado”. O documento, entregue ao museu da Associação Brasileira de Imprensa, já está 
numa vitrine de relíquias cariocas. 
 O cronista que ora se pranteia era um nostálgico das calçadas e tinha como livro de cabeceira “Um 
passeio pela cidade do Rio de Janeiro”. Nele, Joaquim Manuel de Macedo descreve uma caminhada pela 
Rua do Ouvidor como um dos grandes prazeres da vida. No apartamento do cronista, de quem no momento 
se faz este funéreo, foi encontrada também a gravura de J. Carlos em que um grupo de almofadinhas 
observa, deslumbrado, a passagem de uma melindrosa de vestido curto e perna grossa pela Avenida Central 
dos anos 1920. 
 As calçadas inspiravam o morto. Fez dezenas de crônicas sobre a poesia do flanar sem rumo, às vezes 
lambendo uma casquinha de sorvete. Numa delas chegou a falar da perda de tempo que era subir até o 
Corcovado para admirar o Rio. O cronista andarilho, agora de saudosa memória, dizia não haver melhor 
jeito e lugar para se entender a cidade do que bater perna descompromissadamente, mas em passos mais 
curtos do que essa palavra imensa, pelas calçadas. 
 Ele ia assim como quem não quer nada, na terapia gratuita de atravessar de um lado para o outro e não 
estar focado em nada — enfim, na exata contramão do que recomenda o odioso estresse moderno que o 
atropelou próximo ao turbilhão da Galeria. 
 O cronista andarilho gostava de ouvir os torcedores discutindo futebol na banca do botafoguense 
Tolito, na esquina com a Sete de Setembro. Também podia rir da pregação moralista do profeta Gentileza 
no Largo da Carioca, ou dar uma parada no Cineac Trianon, na Rio Branco 181, e avaliar as fotos das 
strippers que naquele momento estariam tirando a roupa lá dentro, na tela do cinema. 
 A vida era o que lhe ia pelas calçadas do Rio, um espaço historicamente sem entraves para se analisar 
como caminhava a Humanidade. O cronista andarilho, desde já saudoso como o frapê de coco do Bar 
Simpatia, não percebeu o fim das calçadas — e, na distração habitual, foi vítima da confusão que se 
estabeleceu sobre elas, uma combinação criminosa das novas multidões apressadas com fradinho, anotador 
do jogo do bicho, bicicleta, burro sem rabo, mesa de botequim, gola de árvore acimentada, esgoto, banca 
de jornal, segurança de loja sentado no meio do caminho e o escambau a quatro. 
 Calçadas não há mais. Eram passarelas onde os vizinhos se encontravam, perpetuavam os hábitos do 
bairro e tocavam a vida em frente com certa intimidade pública — no subúrbio chegava-se a colocar as 
cadeiras para curtir com mais conforto o mundo que passava. O cronista andarilho acreditava que na 
calçada pulsava a alma carioca. Com o caderno sempre à mão, anotava os modismos, os pequenos 
acontecimentos. No dia seguinte publicava o que achava ser a história afetiva da cidade, aquela em que as 
pessoas se reconhecem, pois são as obreiras. 
 O homem gastava sola de sapato. Uma outra inspiração para o seu ofício era o livro “A arte de 
caminhar pelas ruas do Rio de Janeiro”, escrito pelo contista e pedestre Rubem Fonseca nos anos 1990. 
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Ainda havia calçada suficiente para o protagonista descer andando das ladeiras do Morro da Conceição, se 
esgueirar pelos becos nos fundos da Rua Larga e, sem GPS, chegar à Rua Senador Dantas. Não há mais. 
 O cronista peripatético costumava cruzar na vida real com Rubem Fonseca, os dois flanando pelas 
calçadas do Leblon. As meninas do Leblon não olhavam para eles, não tinha importância. O mestre seguia 
em aparente calma, enquanto a mente elucubrava cenas cruéis de sexo e violência para um próximo conto. 
Mas, como sabem todos os que têm passado por ali, as calçadas do Leblon também desapareceram 
embaixo de tapume do metrô e da multidão trazida pelo shopping center. O engarrafamento agora é de 
gente — e foi aí que se deu o passamento do último cronista andarilho, vítima da absoluta impossibilidade 
de se caminhar pelas agressivas calçadas da sua cidade. 
 (SANTOS, J. Ferreira dos. O Globo, 17/03/2014.) 
Leia com atenção os fragmentos extraídos do parágrafo 11. 
I “...os dois FLANANDO pelas calçadas do Leblon.” 
II “...enquanto a mente ELUCUBRAVA cenas cruéis de sexo e violência para um próximo conto.” 
A opção em que estão expressos, respectivamente, os sinônimos dos verbos em destaque acima é: 
 
a) vadiando / descobria. 
b) vagabundeando / consumia. 
c) voejando / descortinava. 
d) perambulando / meditava. 
e) vagueando / desconstruía. 
 
62 
No oitavo parágrafo, são relacionados fatores que vêm dificultando o trânsito de pedestres pelas calçadas, tais 
como “fradinho, anotador do jogo do bicho, bicicleta, burro sem rabo”, etc., concluindo-se o parágrafo com a 
expressão de linguagem informal “e o escambau a quatro”. A expressão final significa: 
a) bem como mendigos e pedintes. 
b) e outras coisas inacreditáveis. 
c) além de várias obras inacabadas. 
d) e muitas outras distorções. 
e) e também bancas de camelô. 
 
63 
Pelas ações e características do cronista falecido, designá-lo como “cronista peripatético” (§ 11) é o mesmo que 
chamá-lo de cronista: 
a) alucinado. 
b) indolente. 
c) observador. 
d) inspirado. 
e) andarilho. 
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64 
 “escrever SOBRE as mulheres executivas que caminham de salto alto SOBRE as pedras portuguesas do Centro, o que lhes 
aumenta ainda mais a sensualidade do rebolado”. (§ 3) 
As preposições em destaque no trecho acima exprimem, respectivamente, os sentidos de: 
 
a) instrumento e referência. 
b) causa e consequência. 
c) modo e posição superior. 
d) assunto e lugar em cima de. 
e) meio e finalidade. 
 
65 
 “O cronista andarilho, agora de saudosa memória, dizia não haver melhor jeito e lugar para se entender a cidade do que bater 
perna descompromissadamente, mas em passos mais curtos do que essa palavra imensa, pelas calçadas.” 
(§ 5) 
No período acima, constata-se a ocorrência de duas comparações, ambas com forte carga de expressividade, caracterizando o 
sentido conotativo. Na segunda ocorrência, a comparação foi empregada para a expressão semântica de uma: 
 
a) polissemia. 
b) paronímia. 
c) homonímia. 
d) sinonímia. 
e) antonímia. 
 
66 
 “Morreu constrangido por estar atrapalhando o tráfego de pedestres, categoria à qual sempre se orgulhou de pertencer.” (§ 2) 
Das alterações feitas na oração subordinada adjetiva do período acima, está em DESACORDO com as normas de regência a 
seguinte: 
 
a) na qual sempre confiou plenamente. 
b) sobre a qual sempre falou com orgulho. 
c) para a qual sempre trabalhou com afinco. 
d) com a qual sempre manteve uma boa relação. 
e) da qual sempre lutou com dedicação. 
 
 
 
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 “Com o caderno sempre à mão, anotava os modismos, os pequenos acontecimentos.” (§ 9) 
Na frase acima, o acento indicativo da crase foi corretamente empregado. Das frases abaixo, aquela em que está INCORRETO o 
emprego do acento indicativo da crase é: 
 
a) O cronista pagava à vista os cenários que adquiria da natureza. 
b) O cronista caminhava pelas calçadas à par de seus amigos. 
c) Os cronistas ficavam à procura de temas para os textos diários. 
d) À uma hora em ponto, todos se reuniam para almoçar. 
e) O restaurante ficava à esquerda do prédio colonial. 
 
68 
Nos trechos abaixo, estão informados os termos a que os pronomes em destaque se referem. De acordo com o 
texto, há erro de informação em: 
a) “o que LHES aumenta ainda mais a sensualidade do rebolado.” (§ 3) / mulheres executivas. 
b) “Numa dELAS chegou a falar da perda de tempo” (§ 5) / poesia do flanar sem rumo. 
c) “que O atropelou próximo ao turbilhão da Galeria” (§ 6) / ele, o cronista andarilho. 
d) “A vida era o que LHE ia pelas calçadas do Rio” (§ 8) / o cronista andarilho. 
e) "AQUELA em que as pessoas se reconhecem” (§ 9) / a história afetiva da cidade. 
 
69 
A respeito da formação da palavra “descompromissadamente” (§ 5), podem ser feitas as análises abaixo, EXCETO: 
a) processo de formação: derivação parassintética. 
b) prefixo “des”: negação. 
c) sufixo “mente”: formador de advérbio. 
d) base da derivação: verbo “compromissar”. 
e) sufixo “ada”: formador de particípio/adjetivo. 
 
70 
Das opções abaixo, aquela em que os dois vocábulos foram formados, respectivamente, por sufixos 
semanticamente semelhantes aos sufixos formadores de “sensualidade” (§ 3) e “pregação” (§ 7) é: 
a) padeiro / silvestre. 
b) vidraça / vadiagem. 
c) orfanato / casamento. 
d) viuvez / mudança. 
e) civismo / estudante. 
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71 
Se forem comparados os termos em destaque nas expressões “o TRÁFEGO de pedestres” (§ 2) e “o TRÁFICO de pessoas”, 
pode-se concluir que se trata de um par de vocábulos parônimos, corretamente empregados. 
Dos pares de parônimos usados nas frases abaixo, houve inversão de sentido em: 
 
a) Era iminente o risco de violência nas calçadas. / Era um escritor eminente em visita ao Brasil. 
b) Andar pelas ruas era para o cronista o cumprimento de uma tarefa. / O comprimento da calçada era estreito, 
atrapalhando o fluxo de pessoas. 
c) O cronista agia com discrição em suas andanças pelas ruas. / A descrição que o cronista fez do bairro encantou 
a todos. 
d) O cronista discriminava com detalhes os elementos a serem tratados. / Os transeuntes foram descriminados da 
responsabilidade pela morte do cronista. 
e) Os transeuntes infligiam as normas de trânsito pelas calçadas. / Os guardas infringiram pesadas multas aos 
transgressores. 
 
72 
 “O cronista peripatético costumava cruzar na vida real com Rubem Fonseca, os dois flanando pelas calçadas do 
Leblon." (§ 11) 
 
O período composto acima continuará exprimindo o mesmo sentido se lhe for dada a seguinte redação: 
a) Caso o cronista peripatético cruzasse na vida real com Rubem Fonseca, osdois flanariam pelas calçadas do 
Leblon. 
 
b) O cronista peripatético costumava cruzar na vida real com Rubem Fonseca, pois os dois flanavam pelas calçadas 
do Leblon. 
c) O cronista peripatético costumava cruzar na vida real com Rubem Fonseca, ocasião em que os dois flanavam 
pelas calçadas do Leblon. 
d) Embora o cronista peripatético costumasse cruzar na vida real com Rubem Fonseca, os dois só flanavam pelas 
calçadas do Leblon. 
e) O cronista peripatético costumava cruzar na vida real com Rubem Fonseca, a ponto de os dois flanarem pelas 
calçadas do Leblon. 
 
73 
 “...as calçadas do Leblon também desapareceram embaixo de tapume do metrô e da multidão trazida PELO shopping center.” (§ 
11) 
Dos trechos transcritos abaixo, aquele em que a combinação de preposição mais artigo definido em destaque expressa o mesmo 
sentido da destacada no trecho acima é: 
 
a) “Um passeio PELA cidade do Rio de Janeiro” (§ 4). 
b) “descreve uma caminhada PELA Rua do Ouvidor” (§ 4). 
c) “a passagem de uma melindrosa de vestido curto e perna grossa PELA Avenida Central” (§ 4). 
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d) “escrito PELO contista e pedestre Rubem Fonseca nos anos 1990.” (§ 10). 
e) “se esgueirar PELOS becos nos fundos da Rua Larga” (§ 10). 
 
74 
 “O engarrafamento agora é de gente — e foi aí que se deu o passamento do último cronista andarilho” (§ 11). 
No trecho acima, foi usado o travessão para separar a primeira oração da segunda. Sem se alterar o sentido geral do parágrafo, no 
lugar do travessão poderiam ser usados os sinais de pontuação abaixo relacionados, EXCETO: 
 
a) ponto final. 
b) ponto e vírgula. 
c) vírgula. 
d) dois pontos. 
e) ponto de exclamação. 
 
75 
 “e foi aí que se deu o passamento do último cronista andarilho, vítima da absoluta impossibilidade de se caminhar pelas 
agressivas calçadas da sua cidade.” (§ 11) 
Dos trechos transcritos abaixo, aquele em que a vírgula justifica-se por norma de pontuação distinta da que justifica a vírgula no 
trecho transcrito acima é: 
 
a) “A vida era o que lhe ia pelas calçadas do Rio, um espaço historicamente sem entraves para se analisar como 
caminhava a Humanidade.” (§ 8). 
b) “foi vítima da confusão que se estabeleceu sobre elas, uma combinação criminosa das novas multidões 
apressadas com fradinho” (§ 8). 
c) “Descanse em paz, pobre coitado.” (§ 1). 
d) “escrever sobre as mulheres executivas que caminham de salto alto sobre as pedras portuguesas do Centro, o 
que lhes aumenta ainda mais a sensualidade do rebolado”. (§ 3). 
e) “por estar atrapalhando o tráfego de pedestres, categoria à qual sempre se orgulhou de pertencer.” (§ 2). 
 
76 
 “Calçadas não há mais.” (§ 9) 
Das alterações feitas abaixo na redação da frase acima, está em DESACORDO com as normas de concordância verbal a 
seguinte: 
 
a) Calçadas podem não existir mais. 
b) Calçadas não existem mais. 
c) Calçadas provavelmente não haverá mais. 
d) Calçadas não devem haver mais. 
e) Calçadas pode não haver mais. 
 
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 “O cronista que ora se PRANTEIA era um nostálgico das calçadas...” (§ 4) 
Considerando-se o modelo de flexão do verbo em destaque no trecho acima – verbos terminados em –EAR e –IAR, pode-se 
afirmar que está INCORRETA a flexão do verbo na frase: 
 
a) Não é bom que o cronista andarilho arreie seus livros sobre os bancos das calçadas. 
b) A prefeitura pouco custeia as obras nas calçadas. 
c) As multidões nas calçadas incendeiam os corações de pavor. 
d) O cronista ouvia de Rubem Fonseca: “Seja prudente, não negocie com a intolerância”. 
e) De uma calçada à outra medeiam cerca de 20 metros. 
 
78 
 “Descanse em paz, pobre coitado.” (§ 1) 
A frase imperativa acima foi reescrita de formas distintas e em distinto tratamento. Entre elas está INCORRETA a seguinte: 
 
a) Descansa em paz, pobre cronista, em tua simplicidade. 
b) Descansai em paz, pobre cronista, em vossa simplicidade. 
c) Não descanse em paz, pobre cronista, pois lhe faltou simplicidade. 
d) Não descanses em paz, pobre cronista, pois te faltou simplicidade. 
e) Não descansais em paz, pobre cronista, pois vos faltou simplicidade. 
 
79 
 “Também podia rir da pregação moralista do profeta Gentileza...” (§ 7) 
O nome “Gentileza”, dado ao profeta, consiste no emprego, como nome próprio, de um substantivo comum, abstrato, derivado 
do adjetivo “gentil”, pelo acréscimo do sufixo “-eza”, grafado com a letra Z. 
Nas opções seguintes, foram relacionados pares de nomes de formação semelhante à de “gentileza”, ora com sufixo “-eza”, ora 
com “-ez”. A opção em que um dos nomes NÃO se enquadra nesse modelo de formação, sendo escrito com S, e não com Z, é: 
 
a) agudeza / surdez. 
b) viuvez / pedrez. 
c) embriaguez / singeleza. 
d) ardileza / aridez. 
e) aspereza / impureza. 
 
 
 
 
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Se os vocábulos “comércio” (§ 2), “também” (§ 7) e “frapê” (§ 8) são graficamente acentuados, da mesma forma, por 
estarem inseridos nas mesmas regras de acentuação gráfica, têm de ser acentuados, respectivamente, os 
vocábulos da seguinte opção: 
a) história / parabéns / cortês. 
b) vítima / está / café. 
c) hábitos / ninguém / Grajaú. 
d) perícia / reféns / pôr. 
e) subúrbio / contê-lo / você. 
 
Respostas: 
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MINHA CALÇADA 
 
 Morreu na semana passada, atropelado pela multidão que vinha na direção oposta, o último cronista 
andarilho. Ele insistia em fazer como seus antepassados, João do Rio, Lima Barreto, Benjamim Costallat, 
Antônio Maria, Carlinhos Oliveira, e flanava em busca de assuntos. Descanse em paz, pobre coitado. 
 O cronista andarilho estava na calçada par da Avenida Rio Branco, em frente à Galeria dos 
Empregados no Comércio, às 13h15m de quarta-feira, quando foi abalroado por um pelotão de transeuntes 
que marchava apressado no contrafluxo. Caiu, bateu com a cabeça num fradinho. Morreu constrangido por 
estar atrapalhando o tráfego de pedestres, categoria à qual sempre se orgulhou de pertencer. 
 A perícia encontrou em seu bolso um caderno com a anotação “escrever sobre as mulheres executivas 
que caminham de salto alto sobre as pedras portuguesas do Centro, o que lhes aumenta ainda mais a 
sensualidade do rebolado”. O documento, entregue ao museu da Associação Brasileira de Imprensa, já está 
numa vitrine de relíquias cariocas. 
 O cronista que ora se pranteia era um nostálgico das calçadas e tinha como livro de cabeceira “Um 
passeio pela cidade do Rio de Janeiro”. Nele, Joaquim Manuel de Macedo descreve uma caminhada pela 
Rua do Ouvidor como um dos grandes prazeres da vida. No apartamento do cronista,de quem no momento 
se faz este funéreo, foi encontrada também a gravura de J. Carlos em que um grupo de almofadinhas 
observa, deslumbrado, a passagem de uma melindrosa de vestido curto e perna grossa pela Avenida Central 
dos anos 1920. 
 As calçadas inspiravam o morto. Fez dezenas de crônicas sobre a poesia do flanar sem rumo, às vezes 
lambendo uma casquinha de sorvete. Numa delas chegou a falar da perda de tempo que era subir até o 
Corcovado para admirar o Rio. O cronista andarilho, agora de saudosa memória, dizia não haver melhor 
jeito e lugar para se entender a cidade do que bater perna descompromissadamente, mas em passos mais 
curtos do que essa palavra imensa, pelas calçadas. 
 Ele ia assim como quem não quer nada, na terapia gratuita de atravessar de um lado para o outro e não 
estar focado em nada — enfim, na exata contramão do que recomenda o odioso estresse moderno que o 
atropelou próximo ao turbilhão da Galeria. 
 O cronista andarilho gostava de ouvir os torcedores discutindo futebol na banca do botafoguense 
Tolito, na esquina com a Sete de Setembro. Também podia rir da pregação moralista do profeta Gentileza 
no Largo da Carioca, ou dar uma parada no Cineac Trianon, na Rio Branco 181, e avaliar as fotos das 
strippers que naquele momento estariam tirando a roupa lá dentro, na tela do cinema. 
 A vida era o que lhe ia pelas calçadas do Rio, um espaço historicamente sem entraves para se analisar 
como caminhava a Humanidade. O cronista andarilho, desde já saudoso como o frapê de coco do Bar 
Simpatia, não percebeu o fim das calçadas — e, na distração habitual, foi vítima da confusão que se 
estabeleceu sobre elas, uma combinação criminosa das novas multidões apressadas com fradinho, anotador 
do jogo do bicho, bicicleta, burro sem rabo, mesa de botequim, gola de árvore acimentada, esgoto, banca 
de jornal, segurança de loja sentado no meio do caminho e o escambau a quatro. 
 Calçadas não há mais. Eram passarelas onde os vizinhos se encontravam, perpetuavam os hábitos do 
bairro e tocavam a vida em frente com certa intimidade pública — no subúrbio chegava-se a colocar as 
cadeiras para curtir com mais conforto o mundo que passava. O cronista andarilho acreditava que na 
calçada pulsava a alma carioca. Com o caderno sempre à mão, anotava os modismos, os pequenos 
acontecimentos. No dia seguinte publicava o que achava ser a história afetiva da cidade, aquela em que as 
pessoas se reconhecem, pois são as obreiras. 
 O homem gastava sola de sapato. Uma outra inspiração para o seu ofício era o livro “A arte de 
caminhar pelas ruas do Rio de Janeiro”, escrito pelo contista e pedestre Rubem Fonseca nos anos 1990. 
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Ainda havia calçada suficiente para o protagonista descer andando das ladeiras do Morro da Conceição, se 
esgueirar pelos becos nos fundos da Rua Larga e, sem GPS, chegar à Rua Senador Dantas. Não há mais. 
 O cronista peripatético costumava cruzar na vida real com Rubem Fonseca, os dois flanando pelas 
calçadas do Leblon. As meninas do Leblon não olhavam para eles, não tinha importância. O mestre seguia 
em aparente calma, enquanto a mente elucubrava cenas cruéis de sexo e violência para um próximo conto. 
Mas, como sabem todos os que têm passado por ali, as calçadas do Leblon também desapareceram 
embaixo de tapume do metrô e da multidão trazida pelo shopping center. O engarrafamento agora é de 
gente — e foi aí que se deu o passamento do último cronista andarilho, vítima da absoluta impossibilidade 
de se caminhar pelas agressivas calçadas da sua cidade. 
 (SANTOS, J. Ferreira dos. O Globo, 17/03/2014.) 
 
Se o vocábulo “graúdo” é graficamente acentuado, o vocábulo “transeuntes” (§ 2) também deveria ser, pelo fato de, 
em princípio, incidir na mesma regra de acentuação gráfica. O vocábulo “transeuntes” NÃO se acentua porque: 
a) em português, os vocábulos paroxítonos não recebem acento gráfico. 
b) a rigor, não incide na mesma regra, pois o U não forma hiato, mas ditongo, com a vogal anterior. 
c) em português, vogais em hiato não recebem acento gráfico. 
d) a vogal tônica U, em hiato, está formando sílaba com a consoante N. 
e) os vocábulos paroxítonos terminados em E não recebem acento gráfico. 
 
82 
Nos itens abaixo, foram transcritos trechos do texto, e, ao lado, foi feita a substituição dos complementos por pronomes 
oblíquos. 
I “por estar atrapalhando o tráfego” (§ 2) / por estar atrapalhando-o. 
II “A perícia encontrou em seu bolso” (§ 3) / a perícia encontrou-lhe no bolso. 
III “As calçadas inspiravam o morto.” (§ 5) / as calçadas inspiravam-lhe. 
IV “e avaliar as fotos das strippers” (§ 7) / e avaliá-las. 
V “não percebeu o fim das calçadas” (§ 8) / não o percebeu. 
VI “anotava os modismos” (§ 9) / anotava-lhes. 
As substituições estão sintaticamente corretas: 
 
a) em todos os itens. 
b) apenas nos itens I, II, IV e V. 
c) apenas nos itens I, III, IV e VI. 
d) apenas nos itens II, V e VI. 
e) apenas nos itens III, IV e VI. 
 
 
 
 
 
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83 
O nome substantivo “cronista”, quanto ao gênero gramatical, é classificado como comum de dois. Classificam-se 
também como comum de dois gêneros os substantivos constantes do par: 
a) jornalista / jacaré. 
b) pianista / cobra. 
c) intérprete / jurista. 
d) maestro / cônjuge. 
e) testemunha / indivíduo. 
 
84 
Das orações transcritas abaixo, aquela em que o constituinte sujeito está posposto ao verbo é: 
a) “No apartamento do cronista (...) foi encontrada também a gravura de J. Carlos” (§ 4). 
b) “O cronista andarilho, desde já saudoso como o frapê de coco do Bar Simpatia, não percebeu o fim das calçadas” 
(§ 8). 
c) “Ele insistia em fazer como seus antepassados” (§ 1). 
d) “que o atropelou próximo ao turbilhão da Galeria” (§ 6). 
e) “enquanto a mente elucubrava cenas cruéis de sexo e violência para um próximo conto” (§ 11). 
 
85 
 “Morreu na semana passada, atropelado pela multidão que vinha na direção oposta, o último cronista andarilho.” 
(§ 1) 
No período acima, a oração que designa o fato que levou o último cronista andarilho à morte — “atropelado pela multidão que 
vinha na direção oposta” — foi expressa na voz passiva. Redigida na voz ativa, a referida oração terá a forma: 
 
a) o último cronista andarilho tinha sido atropelado pela multidão que vinha na direção oposta. 
b) foi atropelado pela multidão que vinha em direção oposta o último cronista andarilho. 
c) a multidão que vinha na direção oposta atropelou o último cronista andarilho. 
d) tinha atropelado o último cronista andarilho a multidão que vinha na direção oposta. 
e) para atropelar o último cronista andarilho a multidão vinha em direção oposta. 
 
86 
Para enfatizar o painel de críticas ao serviço público, o autor utiliza uma linguagem por vezes sarcástica, irônica, em 
tom de humor. Dos trechos abaixo extraídos do texto, aquele que NÃO apresenta esta característica é: 
a) ''Saberão os groenlandeses o que seja ponto facultativo? (Os brasileiros sabem.)'' (3º §). 
b) ''Instituto Nacional da Goiaba, que, como é do domínio público, estuda as causas da inexistência dessa matéria-
prima na composição das goiabadas'' (3º §). 
c) ''Nossas repartiçõesatingiram tal grau de dinamismo e fragor, que chega a ser desejável o não comparecimento 
de 90 por cento dos funcionários'' (4º §). 
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d) ''João Brandão tentou forçar as portas, mas as portas mantiveram-se surdas e nada facultativa'' (6º §). 
e) ''Perdão, é dia em que se pode ou não descansar, e eu estou com o expediente atrasad'' (8º §). 
 
87 
Pelo diálogo entre os dois personagens do texto, constata-se que ambos resolveram comparecer à repartição para 
trabalhar, mas por razões distintas. João Brandão e o vigia foram trabalhar: 
a) o primeiro, por estar com o expediente atrasado, no ingênuo entendimento do sentido de ponto facultativo / o 
segundo por falta de opção, em virtude de desaprovada ociosidade doméstica. 
b) este por não gostar de ficar em casa sem atividades / aquele porque se considerava membro da turma dos 
?caxias?. 
c) aquele por sentir-se na obrigação de trabalhar, mesmo em dia de feriado / este por entender que o prédio da 
repartição poderia ser invadido por algum funcionário desavisado. 
d) João Brandão por achar que o sentido das palavras está no dicionário, e não no uso que delas se faz / o vigia 
porque a mulher o expulsou de casa e ele não tinha para onde ir. 
e) este porque preferia trabalhar quando não houvesse ninguém na repartição, para não ser incomodado / aquele 
por ingenuamente entender que quanto menos servidores na repartição mais se consegue produzir. 
 
88 
A parte destacada no trecho ''não lhe apetecendo a casa nem as ATIVIDADES LÚDICAS'' (3º §) remete, pelo 
sentido, à seguinte passagem anterior do texto: 
a) ''O dia 28 de outubro será consagrado ao Servidor Público'' (1º §) 
b) ''um 'programa‘ na pauta para essas emergências'' (2º §). 
c) ''o programa de trabalhar'' (2º §). 
d) ''céu azul, praia, ponto facultativo'' (3º §). 
e) ''É descanso obrigatório, no duro'' (3º §). 
 
89 
Dentre as modificações feitas abaixo na estrutura da oração ''não lhe apetecendo a casa nem as atividades lúdicas'' 
(3º §), de acordo com o texto, há flagrante alteração de sentido em: 
a) por não lhe apetecer a casa nem as atividades lúdicas. 
b) como não lhe apetecesse a casa nem as atividades lúdicas. 
c) muito embora não lhe apetecesse a casa nem as atividades lúdicas. 
d) visto que não lhe apetecia a casa nem as atividades lúdicas. 
e) em razão de não lhe apetecer a casa nem as atividades lúdicas. 
 
 
 
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90 
Considerando-se os elementos de coesão textual destacados nos fragmentos do texto transcritos abaixo, pode-se 
afirmar que está INCORRETA a referência feita em: 
a) ''para ESSAS emergências'' (2º §) / 'programa' na pauta. 
b) ''Não, responde-LHE o Governo'' (2º §) / o escriturário. 
c) ''não LHE apetecendo a casa nem as atividades lúdicas'' (3º §) / João Brandão. 
d) ''estuda as causas da inexistência dESSA matéria-prima na composição das goiabadas'' (3º §) / goiaba. 
e) ''galgando-LHE a fachada'' (6º §) / o edifício. 
 
91 
O vocábulo em destaque no trecho ''Encontrou CERRADAS as grandes portas de bronze'' (5º §) é homônimo de 
SERRADAS: ambos têm a mesma pronúncia, mas grafias e significados distintos. Das frases abaixo, com pares de 
homônimos entre parênteses, aquela em que a lacuna, pelo sentido do contexto, tem de ser preenchida com o 
primeiro dos vocábulos é: 
a) Antes de fazer qualquer compra, o consumidor deve ____ o valor da mercadoria (apressar / apreçar). 
b) Se não obedecesse à ordem do vigia, João Brandão poderia ser preso e ter de ____ o crime na cadeia (expiar / 
espiar). 
c) Para ____ o político, o quorum teria de ser especial (caçar / cassar). 
d) Com o ponto facultativo, não houve a ____ da câmara (cessão / sessão). 
e) O ____ bancário apontava um saldo negativo (estrato / extrato). 
 
92 
Nos trechos abaixo, foram destacadas conjunções e locuções subordinativas e, em seguida, classificadas pelo 
sentido que introduzem nas orações. A classificação NÃO corresponde ao sentido da conjunção em: 
a) ''QUE chega a ser desejável o não comparecimento de 90 por cento dos funcionários'' (4º §) / consecutiva. 
b) ''PARA QUE os restantes possam, na calma, produzir um bocadinho'' (4º §) / proporcional. 
c) ''QUANDO um vigia brotou da grama e puxou-o pela perna'' (6º §) / temporal. 
d) ''SE você começa a virar macaco pela parede acima'' (9º §) / condicional. 
e) ''PORQUE a patroa me escaramuçou'' (11º §) / causal. 
 
93 
A fala do vigia no trecho ''Olha que te encanam se você começa a virar macaco pela parede acima'' (9º §) 
caracteriza-se pela informalidade, principalmente se for observada a forma de tratamento. Para que o trecho esteja 
redigido de acordo com as normas de tratamento e regência verbal, a redação deverá ser: 
a) Olha que o encanam se tu começas a virar macaco pela parede acima. 
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b) Olhe que lhe encanam se tu começas a virar macaco pela parede acima. 
c) Olha que lhe encanam se você começa a virar macaco pela parede acima. 
d) Olhe que o encanam se você começa a virar macaco pela parede acima. 
e) Olhe que te encanam se você começa a virar macaco pela parede acima. 
 
94 
O nome composto em destaque no trecho ''estuda as causas da inexistência dessa MATÉRIA-PRIMA na 
composição das goiabadas'' (3º §), se expresso no plural, terá a variação dos dois elementos. Dos pares de 
vocábulos compostos abaixo, aquele em que os dois vocábulos também fazem o plural com variação dos dois 
elementos é: 
a) beija-flor / segunda-feira. 
b) abaixo-assinado / pé-de-moleque. 
c) decreto-lei / amor-perfeito. 
d) vice-diretor / salário-família. 
e) guarda-civil / guarda-chuva. 
 
95 
 Após a leitura do texto, responda às questões propostas. 
 
1 Começam a pipocar alguns debates sobre as consequências de se passar tanto tempo conectado à internet. Já 
se fala em “saturação social", inspirado pelo recente depoimento de um jornalista do The New York Times que 
afirmou que sua produtividade no trabalho estava caindo por causa do tempo consumido por facebook, twitter e 
agregados, e que se vê hoje diante da escolha entre cortar seus passeios de bicicleta ou “alguns desses hábitos 
digitais que estão me comendo vivo". 
2 Antropofagia virtual. O Brasil, pra variar, está atrasado (aqui, dois terços dos usuários ainda atualizam seus perfis 
semanalmente), pois no resto do mundo já começa a ser articulado um movimento de desaceleração dessa tara por 
conexão: hotéis europeus prometem quartos sem wi-fi como garantia de férias tranquilas, empresas americanas 
desenvolvem programas de softwares que restringem o acesso à web, e na Ásia crescem os centros de 
recuperação de viciados em internet. Tudo isso por uma simples razão: existir é uma coisa, viver é outra. 
3 Penso, logo existo. Descartes teria que reavaliar esse seu cogito, ergo sum, pois as pessoas trocaram o verbo 
pensar por postar. Posto, logo existo. 
4 Tão preocupadas em existir para os outros, as pessoas estão perdendo um tempo valioso em que poderiam estar 
vivendo, ou seja, namorando, indo à praia, trabalhando, viajando, lendo, estudando, cercados nãopor milhares de 
seguidores, mas por umas poucas dezenas de amigos. Isso não pode ter se tornado tão obsoleto. 
5 Claro que muitos usam as redes sociais como uma forma de aproximação, de resgate e de compartilhamento – 
numa boa. Se a pessoa está no controle do seu tempo e não troca o virtual pelo real, está fazendo bom uso da 
ferramenta. Mas não tem sido a regra. Adolescentes deixam de ir a um parque para ficarem trancafiados em seus 
quartos, numa solidão disfarçada de socialização. Isso acontece dentro da minha casa também, com minhas filhas, 
e não adianta me descabelar, elas são fruto da sua época, os amigos se comunicam assim, e nem batendo com um 
gato morto na cabeça delas para fazê-las entender que a vida está lá fora. (…) 
6 O grau de envolvimento delas com a internet ainda é mediano e controlado, mas tem sido agudo entre muitos 
jovens sem noção, que se deixam fotografar portando armas, fazendo sexo, mostrando o resultado de suas 
pichações, num exibicionismo triste, pobre, desvirtuado. São garotos e garotas que não se sentem com a existência 
comprovada, e para isso se valem de bizarrices na esperança de deixarem de ser “ninguém" para se tornarem 
“alguém", mesmo que alguém medíocre. 
7 Casos avulsos, extremos, mas estão aí, ao nosso redor. Gente que não percebe a diferença entre existir e viver. 
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Não entendem que é preferível viver, mesmo que discretamente, do que existir de mentirinha para 17.870 que não 
estão nem aí. 
 
 
 (MEDEIROS, Martha. “Posto, logo existo". O Globo: 25/03/2012.) 
 
 
Para persuadir o leitor a chegar à mesma conclusão que ela, vale-se a autora de todas as estratégias 
argumentativas a seguir, EXCETO a que se lê em: 
a) ilustrar ponto de vista com elemento de natureza ficcional. 
b) apoiar-se em dados estatísticos. 
c) recorrer à exemplificação. 
d) apelar para o testemunho pessoal e de terceiros. 
e) basear-se na evidência objetiva dos fatos. 
 
96 
Na argumentação, ao produzir o enunciado: “Claro que muitos usam as redes sociais como uma forma de 
aproximação, de resgate e de compartilhamento – numa boa” (§ 5), a autora tem como fim: 
a) justificar ponto de vista anteriormente sustentado. 
b) introduzir argumento orientado para a conclusão do texto. 
c) fazer concessão a ponto de vista contrário àquele que defende. 
d) refutar ponto de vista defendido por outrem. 
e) concluir linha de orientação argumentativa antes exposta. 
 
97 
Há evidente equívoco na determinação do papel argumentativo do enunciado transcrito em: 
a) “O Brasil, pra variar, está atrasado” (§ 2) / proposição defendida no parágrafo. 
b) “pois no resto do mundo já começa a ser articulado um movimento de desaceleração dessa tara por conexão” (§ 
2) / justificativa de ponto de vista anterior. 
c) “ou seja, namorando, indo à praia, trabalhando, viajando, lendo, estudando” (§ 4) / discriminação destinada a 
esclarecer ponto de vista emitido. 
d) “Mas não tem sido a regra” (§ 5) / contestação de argumento contrário à conclusão para a qual o texto está 
orientado. 
e) “elas são fruto da sua época, os amigos se comunicam assim” (§ 5) / conclusão do texto. 
 
 
 
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98 
O pronome que remete o leitor, não a elemento presente no texto, mas a elemento que se encontra no universo fora 
dele, está destacado em: 
a) “que SUA produtividade no trabalho estava caindo” (§ 1). 
b) “QUE restringem o acesso à web” (§ 2). 
c) “ISSO não pode ter se tornado tão obsoleto” (§ 4). 
d) “para fazê-LAS entender que a vida está lá fora” (§ 5). 
e) “mas estão aí, ao NOSSO redor” (§ 7). 
99 
A oração destacada em: “Tão preocupadas em existir para os outros, AS PESSOAS ESTÃO PERDENDO UM 
TEMPO VALIOSO” (§ 4) expressa: 
a) consequência. 
b) causa. 
c) conformidade. 
d) comparação. 
e) tempo. 
 
100 
 Após a leitura do texto, responda às questões propostas. 
 
1 Começam a pipocar alguns debates sobre as consequências de se passar tanto tempo conectado à internet. Já 
se fala em “saturação social", inspirado pelo recente depoimento de um jornalista do The New York Times que 
afirmou que sua produtividade no trabalho estava caindo por causa do tempo consumido por facebook, twitter e 
agregados, e que se vê hoje diante da escolha entre cortar seus passeios de bicicleta ou “alguns desses hábitos 
digitais que estão me comendo vivo". 
2 Antropofagia virtual. O Brasil, pra variar, está atrasado (aqui, dois terços dos usuários ainda atualizam seus perfis 
semanalmente), pois no resto do mundo já começa a ser articulado um movimento de desaceleração dessa tara por 
conexão: hotéis europeus prometem quartos sem wi-fi como garantia de férias tranquilas, empresas americanas 
desenvolvem programas de softwares que restringem o acesso à web, e na Ásia crescem os centros de 
recuperação de viciados em internet. Tudo isso por uma simples razão: existir é uma coisa, viver é outra. 
3 Penso, logo existo. Descartes teria que reavaliar esse seu cogito, ergo sum, pois as pessoas trocaram o verbo 
pensar por postar. Posto, logo existo. 
4 Tão preocupadas em existir para os outros, as pessoas estão perdendo um tempo valioso em que poderiam estar 
vivendo, ou seja, namorando, indo à praia, trabalhando, viajando, lendo, estudando, cercados não por milhares de 
seguidores, mas por umas poucas dezenas de amigos. Isso não pode ter se tornado tão obsoleto. 
5 Claro que muitos usam as redes sociais como uma forma de aproximação, de resgate e de compartilhamento – 
numa boa. Se a pessoa está no controle do seu tempo e não troca o virtual pelo real, está fazendo bom uso da 
ferramenta. Mas não tem sido a regra. Adolescentes deixam de ir a um parque para ficarem trancafiados em seus 
quartos, numa solidão disfarçada de socialização. Isso acontece dentro da minha casa também, com minhas filhas, 
e não adianta me descabelar, elas são fruto da sua época, os amigos se comunicam assim, e nem batendo com um 
gato morto na cabeça delas para fazê-las entender que a vida está lá fora. (…) 
6 O grau de envolvimento delas com a internet ainda é mediano e controlado, mas tem sido agudo entre muitos 
jovens sem noção, que se deixam fotografar portando armas, fazendo sexo, mostrando o resultado de suas 
pichações, num exibicionismo triste, pobre, desvirtuado. São garotos e garotas que não se sentem com a existência 
comprovada, e para isso se valem de bizarrices na esperança de deixarem de ser “ninguém" para se tornarem 
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“alguém", mesmo que alguém medíocre. 
7 Casos avulsos, extremos, mas estão aí, ao nosso redor. Gente que não percebe a diferença entre existir e viver. 
Não entendem que é preferível viver, mesmo que discretamente, do que existir de mentirinha para 17.870 que não 
estão nem aí. 
 
 
 (MEDEIROS, Martha. “Posto, logo existo". O Globo: 25/03/2012.) 
 
 
 
Releia o sétimo parágrafo do texto. 
 
“Casos avulsos, extremos, mas estão aí, ao nosso redor. Genteque não percebe a diferença entre existir e viver. 
Não entendem que é preferível viver, mesmo que discretamente, do que existir de mentirinha para 17.870 que não 
estão nem aí.” 
 
A mudança de construção inaceitável por ferir a norma gramatical ou alterar fundamentalmente o sentido do 
enunciado é: 
a) “mas estão aí” / não obstante aí. 
b) “que é preferível viver” / ser preferível viver. 
c) “Não entendem” / Não entende. 
d) “mesmo que discretamente” / até mesmo discretamente. 
e) “preferível viver do que existir” / preferível viver a existir. 
 
Respostas: 
81: 
82: 
83: 
84: 
85: 
86: 
87: 
88: 
89: 
90: 
91: 
92: 
93: 
94: 
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98: 
99: 
100: 
 
 
 
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