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u2
Objetivo do estudo
- Entender a origem do conhecimento humano, chamada na modernidade 
de epistemologia; entender o conhecimento como ascensão do domínio 
ilusório, retomando uma vez mais o pensamento de Platão, em especial, e 
as formas de conhecer o mundo.
FILOSOFIA E 
CONHECIMENTO
Prezado aluno,
Na Unidade I do curso de Filosofia Básica, buscou-se marcar alguns elementos fundamentais 
acerca da Filosofia. Estes foram, a saber, a Filosofia e a figura do filósofo, os discursos do senso 
comum, do bom senso e do mito, dentre outros pontos fundamentais. Era importante que ficasse 
claro que o discurso filosófico não se confunde com nenhum outro, nem mesmo os científicos.
No entanto, nesse nova Unidade temos um grande desafio pela frente. Ao longo de mais 
de 2.500 anos de história, a Filosofia buscou de diversas formas descrever o processo de 
conhecimento humano. É evidente que não há uma resposta certa ou fechada sobre o assunto. 
Lembre que a Filosofia não se confunde com os discursos doutrinários, já imbuídos de certo 
grau de certeza e segurança.
A procura do homem por esta mesma segurança e certeza caracterizou a história da 
humanidade, pois o homem, como criatura finita e limitada, estranhamente, nunca conseguiu 
lidar bem com esta sua condição existencial. Segundo o professor Emmanuel Carneiro Leão, 
já presente em nossa leitura anterior:
O homem não pode existir senão em comércio e comunhão com o 
mundo dos entes. Ente significa tudo que de algum modo é [existe]: o 
homem, as coisas, os acontecimentos, até mesmo o Nada, enquanto 
é um Nada, isto é, enquanto tem um significado, seja positivo ou 
negativo para a existência. Incluindo o seu modo de ser, tudo que é, 
é um ente (...).
Filosofia e Conhecimento Filosofia | UNISUAM 
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FILOSOFIA E 
CONHECIMENTO
2
O homem, insatisfeito como 
é, procurou uma certeza 
para a sua existência.
Do ente o homem não pode prescindir. Em todas as suas indústrias e 
atividades, para pensar e querer, sentido e amando, na vida e na morte, 
o homem não se basta a si mesmo. Sempre necessita de algo, que ele 
mesmo não é. Sem esse outro, o homem não pode ser. Edificando-se 
necessariamente dessa indigência, a existência humana exige que o 
ente o afete, se lhe dê e manifeste1.
Por essa indigência, como marca o professor Carneiro Leão, isto é, de uma pobreza 
extrema, dessa carência, o fato de ser desprovido de elementos essenciais e sólidos, que a 
certeza e a segurança, especialmente no período moderno e contemporâneo, foram o alvo, 
o escopo principal (conjuntamente à política, que não será tematizada nessa unidade) das 
investigações filosóficas.
O homem, insatisfeito como é, procurou uma certeza para a sua existência.
Dessa maneira, cabe ressaltar que essa busca a fim de entender a origem do conhecimento 
humano, chamada na modernidade de epistemologia, não apareceu de repente. Epistemologia, 
conforme os professores Hilton Japiassú e Danilo Marcondes é a:
“disciplina que toma as ciências como objeto de investigação tentando 
reagrupar: a) a crítica do conhecimento científico; b) a filosofia das 
ciências; c) a história das ciências. (...) por isso, podemos defini-la 
como a disciplina que toma por objeto não mais a ciência verdadeira 
de que deveríamos estabelecer as condições de possibilidade ou os 
títulos de legitimidade, mas as ciências em vias de se fazerem, em 
seu processo de gênese, de formação e de estruturação progressiva”2.
Filosofia, para recordar a origem deste termo, significa de maneira geral amor à sabedoria, 
e seria de imediato incongruente os filósofos não se deterem em buscar respostas para 
essa questão. Por sua vez, como você já deve estar percebendo, ao falar de conhecimento, 
falamos necessariamente sobre a ciência, e vice-versa.
Então, vamos lá
1 CARNEIRO LEÃO, Emmanuel. Itinerário do pensamento de Heidegger. In: HEIDEGGER, 
Martin. Introdução à metafísica. Introdução, tradução e notas Emmanuel Carneiro Leão. Rio de Janeiro: 
Tempo brasileiro, 1969, pp. 11-12.
2 JAPIASSÚ, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de Filosofia. 3ª ed. rev. e ampliada. 
Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1996, pp. 84-85 – verbete Epistemologia.
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Considerações iniciais sobre a questão do 
conhecimento e o ato de admirar-se como 
condição necessária ao Filosofar
De imediato, advém-nos uma primeira questão: na introdução a essa unidade, marcando 
que a temática a ser discutida será conhecimento, não nos detemos ainda a essa palavra - 
conhecimento. Esta, assim, carece de um esclarecimento. Segundo Japiassú e Marcondes, 
o conhecimento (do latim cognoscere: procurar saber, conhecer) é:
Função ou ato da vida psíquica que tem por efeito tornar um objeto presente 
aos demais sentidos ou à inteligência. É uma apropriação intelectual de 
determinado campo empírico ou ideal de dados, tendo em vista dominá-
los e utilizá-los. O termo “conhecimento” designa tanto a coisa conhecida 
quanto o ato de conhecer (subjetivo) é o fato de conhecer1.
O conhecimento do homem pode se manifestar de diversas formas. Assim, por exemplo, um 
lavrador, ainda que analfabeto, sabe o momento exato de plantio e colheita dos mais diversos 
cultivos, enquanto que um renomado cientista provavelmente não detém tal conhecimento. A 
atuação do homem na natureza não está restrita às necessidades de sobrevivência. Ele age 
incorporando as experiências e conhecimentos adquiridos ao longo de sua vida e transmitidos 
pelas gerações anteriores, através da educação e da cultura.
O homem humaniza a natureza dominando-a e transformando-a, dirige suas ações por 
fi nalidades conscientes e pela qual se torna capaz de transformar a realidade em que vive. Um 
bom exemplo disto são as cidades, construídas pelo homem para atender às suas necessidades.
1 JAPIASSÚ; MARCONDES, 1996, p. 51.
evolução humana
T1
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O conhecimento 
do homem pode 
se manifestar de 
diversas formas
O Conhecimento é o pensamento que resulta da existência 
de dois elementos, como já postos na citação acima:
1. O sujeito que conhece, isto é, aquele que produz 
e detém o conhecimento;
2. O objeto a ser conhecido, o produto do 
conhecimento é a imagem que é a interpretação 
dada ao objeto pelo sujeito.
Embora essa colocação seja demasiada simples, já tão banal 
para nós, indivíduos de século XXI, ela fi ca clara apenas 
na Idade Moderna. Os antigos não viam o homem como 
algo dotado de subjetividade, tal como hoje entendemos. O 
sujeito, como dito acima, que pensa a realidade (o objeto) 
é algo apenas vislumbrado na modernidade, como logo 
entenderemos melhor.
http://www.bostonglobe.com/rw//Boston/2011-2020/WebGraphics/Ideas/BostonGlobe.com/2012/10/ascent/img/evolution_early_man.jpg
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Conforme um número considerável de pensadores modernos, o sujeito apropria-se, de 
certo modo, do objeto, havendo uma transferência das propriedades do objeto para o 
sujeito, estabelecendo uma ligação, chamada de representação. De imediato, o processo de 
conhecimento é um processo de representação, entendendo esse termo como a possibilidade 
de o homem criar imagens mentais daquilo que ele, de algum modo, pode conhecer, imaginar, 
sentir, etc. Segundo Japiassú e Marcondes, a representação é:
Uma operação pela qual a mente tem presente em si mesma uma 
imagem mental, uma ideia ou um conceito correspondendo a um objeto 
externo. A função da representação é exatamente tornar presente à 
consciência a realidade externa, tornando-a um objeto da consciência, 
e estabelecendo assim a relação entre a consciência e o real (...)1.
O conhecimento implica em transformação tanto do sujeito quanto do objeto. O sujeito 
se transforma mediante um novo saber, e o objeto também se transforma,pois o 
conhecimento lhe dá sentido.
1 JAPIASSÚ; MARCONDES, 1996, p. 234 – verbete Representação.
o pensador - Auguste Rodin
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A saber, o conhecimento permite ao homem apropriar-se da realidade e, ao mesmo tempo, 
penetrar nela, uma vez que todo homem representa aquilo que conhece. Este é capaz de iluminar 
nosso pensamento permitindo agir de maneira a buscar por certeza, segurança e precisão.
você já leu isso no
relembre
tópico 2 - página 10 - Un1 
Se você retomar a leitura da Unidade I de Filosofi a Básica, 
encontrará uma passagem emblemática para evidenciar essa 
questão, precisamente no tópico 2, “Introdução: A Filosofi a 
e o ofício do fi lósofo”. Foi comentado que a modernidade se 
preocupou consideravelmente com a questão do método, 
tendo na fi gura de Galileu Galilei um ícone, já que esse, 
buscando certeza, segurança e precisão formulou um método 
onde a observação, a experimentação e a calculabilidade 
matemática ganharam um nível de importância enorme. O 
projeto da modernidade é justo esse de buscar por certezas 
no plano científi co. Já escrevia Galileu:
“A fi losofi a encontra-se escrita nesse 
grande livro que continuamente se 
abre perante nossos olhos (isto 
é, o universo), que não se pode 
compreender antes de entender a 
língua e conhecer os caracteres aos 
quais está escrito. Ele está escrito 
em língua matemática, os caracteres 
são triângulos, circunferências e 
outras figuras geométricas, sem 
cujos meios é impossível entender 
humanamente as palavras; sem eles 
nós vagamos perdidos dentro de um 
obscuro labirinto.1”
1 GALILEI, Galileu. Ensaiador. Trad. Helda Barraco. São 
Paulo: Nova Cultural, 1996, p. 46 (Coleção Os Pensadores).
Unidade I de Filosofi a BásicaUnidade I de Filosofi a Básica, , 
O sujeito se 
transforma 
mediante um 
novo saber, e o 
objeto também se 
transforma, pois 
o conhecimento 
lhe dá sentido.
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7
O trecho escrito por Galileu deixa claro qual o foco da pesquisa 
no interior da Revolução científica do século XVII, que 
merecerá um tópico exclusivo em nossos estudos. Entretanto, 
a realidade, nem para o fi lósofo e, nem para o cientista se 
deixa revelar facilmente. Ela é composta por diversos níveis, 
melhor dito, de um mesmo objeto se pode obter diversas 
realidades de conhecimento, uma vez que o ato de conhecer 
depende do saber adquirido e acumulado pelo homem.
O ato de conhecer sofre infl uência da educação e dos 
conhecimentos acumulados em uma determinada cultura 
e, portanto, depende da maneira pela qual o homem entra 
em contato com o mundo que o cerca.
É importante lembrar que, junto ao conhecimento, devemos 
também acrescentar outras virtudes essenciais ao saber 
humano, como, por exemplo, o bom senso, a sabedoria, 
a experiência de vida, a moral na qual se está inserido, 
etc. Conhecer é comunicar-se, interagir, descobrir novos 
modos de compreensão e interpretação, sempre inovando 
e modifi cando a realidade.
Veja o Documentário produzido pelo canal History 
sobre Galileu. Este está disponível em:
 
https://www.youtube.com/watch?v=o_
WTS0tW1y0
Saiba mAIS
O Universo na ótica de Galileu
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8
O cognoscente é a consciência ou sujeito 
conhecedor. É aquele que possui consciência 
cognitiva, representando desta forma o 
antônimo de ignorância. O conhecimento 
reside assim, na mente do sujeito cognoscente, 
que tem autonomia no processo de construção 
do seu conhecimento.
Saiba mAIS
É inimaginável o progresso
que o conhecimento
pode proporcionar.
O fi lósofo inglês John Locke (1632-1704), por exemplo, propõe, 
assim como outros pensadores da modernidade, uma teoria do 
conhecimento. Locke inicia essa teoria através da análise de 
cada uma das formas de conhecimento que possuímos, a fi m 
de se chegar a análise da origem de nossas ideias e de nossos 
discursos, à fi nalidade das teorias (sejam elas quais forem) e 
as capacidades do sujeito cognoscente relacionadas com os 
objetos que ele pode conhecer. A teoria do conhecimento volta-
se para a relação entre o pensamento e as coisas, a consciência 
e a realidade, o entendimento e a realidade.
Não obstante, como afi rmado acima, a realidade se mostra tão 
complexa que o homem, para apropriar-se dela, teve de aceitar 
diferentes tipos de conhecimentos. Estes são especialmente:
• O conhecimento Empírico. É o conhecimento popular 
ou vulgar, também chamado de senso comum, como 
conferimos na Unidade anterior, obtido pelo contato 
direto com as coisas e os seres humanos. É o 
conhecimento caracterizado pela interação humana, 
e, portanto, sujeito a erros e acertos. É superfi cial, 
sensitivo, subjetivo, assistemático e acrítico;
• Conhecimento Científi co. O conhecimento científi co 
preocupa-se não só com os efeitos, mas principalmente 
com as suas causas e leis que o motivaram. Este 
conhecimento é privilégio de especialistas das diversas 
áreas das ciências;
• Conhecimento Filosófi co. O conhecimento fi losófi co se 
baseia na refl exão do homem por meio do raciocínio, na 
interrogação como instrumento para decifrar elementos. 
Muito daquilo que a ciência não é capaz de explicar, o 
homem tenta explicar através da Filosofi a;
• Conhecimento Teológico. O conhecimento teológico é 
aquele adquirido a partir da aceitação e doutrinação 
pela fé, fruto da revelação da divindade, por meio da 
revelação de algo oculto por indivíduos que apresentam 
respostas aos mistérios e desventuras da existência 
humana. Neste campo atua o teólogo, tentando provar 
a existência de Deus e a veracidade dos livros sagrados.
John Locke
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Cabe-nos, contudo, no fi m desse tópico, comentar, uma vez mais, sobre o espanto que, 
de certa forma, origina a Filosofi a e o movimento de pensar. Segundo o fi lósofo alemão 
Martin Heidegger (1889-1976): “Conquistamos o sentido da palavra pensar quando nós 
mesmos pensamos. Para que um tal ensaio aconteça, devemos estar preparados a 
aprender a pensar”1. Ou ainda como diria o também fi lósofo alemão Friedrich Nietzsche 
(1844-1900): “Para muitos pensar é uma tarefa fastidiosa. Para mim, nos meus dias 
felizes, uma festa e uma orgia”2.
1 HEIDEGGER, Martin. O que quer dizer pensar. Trad. Paulo Rudi Schneider. Ijuí: Unijuí, 2005, p. 151.
2 NIETZSCHE, Friedrich. A vontade de poder. Trad. Marcos Sinésio Pereira Fernandes. Rio de 
Janeiro: Contraponto, 2008, XIX, 24.
Friedrich Nietzsche Martin Heidegger
O início do fi losofar está no admirar, daí o signifi cado do verbo grego thaumázein, que se 
refere à ação de olhar o mundo com espanto. Segundo o fi lósofo grego Platão, já mencionado 
na unidade anterior:
Nosso olho nos faz participar do espetáculo das estrelas, do sol e da 
abóbada celeste. Este espetáculo nos incitou a estudar o universo 
inteiro. De lá nasce para nós a Filosofi a, o mais precioso bem concedido 
pelos deuses à raça dos mortais.
Esta emoção, a admiração, é própria do fi lósofo: nem tem a Filosofi a 
outro princípio além deste.
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Platão
Admirar, em grego thaumázein, signifi ca ver e, através da 
ação de ver, experienciar o estranhamento daquilo que se 
mostra. “Nesse caso, o que aparece é sempre admirável e 
tem força de produzir em nós uma tonalidade ou disposição 
afetiva a que chamamos de espanto ou admiração”1. Porém, 
o fi losofar é uma ação de ver com atenção, com demora, com 
a acuidade necessária e cuidadosa sobre alguma coisa, uma 
vez que é somente com um olhar assim descrito, desejando 
enxergar, não apenas com os olhos, mas com a inteligência, 
que se vê a essência2 das coisas.
Conhecer, por fi m, desde a antiguidade está atrelado a um 
ato de iluminação, de esclarecimento,e viver sem cultivar 
o conhecimento é viver de forma empobrecida, como se 
estivéssemos sempre de olhos fechados. Já dizia Sócrates:
E se dizer que se falar diariamente 
das virtudes e das outras coisas sobre 
as quais me ouvem falar e questionar 
a mim e a outros é o bem maior do 
homem e que a vida que não se 
questiona não vale a pena viver, vão 
me acreditar menos ainda3.
Assim, para encerrar esse tópico, deve-se deixar claro que a 
Filosofi a surge do espanto e que o processo de conhecimento 
tem de algum modo a mesma raiz. O que se procurará, em 
seguida, é tentar entender quais são as outras formas de como 
o conhecimento se mostrou na Filosofi a e como foi tematizado.
Então, vamos continuar!
1 BUZZI, Arcângelo. Introdução ao pensar: o Ser, o 
Conhecimento, a Linguagem. 19ª ed. Petrópolis: Vozes, 1990.
2 Em linhas gerais, o termo essência busca esclarecer 
aquilo que uma coisa é, sem a qual tal coisa não pode existir.
3 PLATÃO. Apologia a Sócrates. Trad. José Cavalcante de 
Souza. São Paulo: Nova Cultural, 1973, p. 128 (Coleção Os pensadores).
o filosofar é 
uma ação de ver 
com atenção
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O conhecimento como ascensão do domínio 
ilusório
Para isso, é crucial, para que esse tópico não 
te pareça muito estranho, que você releia o 
anexo da Unidade I de Filosofi a Básica.
Atenção
A escola de Atenas - Raphael
T2
Nesse tópico, veremos como Platão, o discípulo maior de 
Sócrates, introduziu, a partir de elementos de aspiração 
socrática, a inovação de sua Filosofi a: esse grande mestre do 
pensamento ocidental localiza o fi m dos temas de Sócrates 
em um domínio apartado de toda a contingência humana 
e de toda a corrupção e parcialidade a ela associado – o 
mundo das Ideias.
O mundo das Ideias, como esclarecido no anexo da unidade 
anterior, abriga a verdade e, exatamente como no mundo 
da matemática, seu conhecimento independe de objetos 
concretos. Sua existência é puramente abstrata, formal. 
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É a própria ideia do triângulo que se encontra nele, e não as ocorrências particulares da ideia 
que podemos ver representadas espacialmente. Essas ocorrências particulares podem ser 
vistas por nossos olhos sensíveis. A Ideia de Platão, por sua vez, só pode ser contemplada 
pelo intelecto, por aquilo que Platão metaforicamente chamou de “o olho da alma”.
Deve-se deixar mais uma vez claro que o termo Ideia, para Platão, não tem nenhuma relação 
com a noção que atualmente temos de Representação. A teoria das Ideais (ou Formas) 
pretende resolver o antigo problema do mundo grego da substância primordial, isto é, o que 
cria a realidade, que Platão formula desse modo: “O que é o Ser? ” – e: “Qual é, de maneira 
geral, a causa da geração (criação) e da corrupção (destruição)?” (é uma nova leitura da 
questão dos pré-socráticos da arché) – Ora, as Formas são “o ser verdadeiramente real”; e 
são as Formas/Ideias que se deve atribuir a causalidade de tudo aquilo que surge ao mundo 
do devir/sensível (ou seja, a mudança de todas as coisas).
As Formas/Ideias são incorporais e invisíveis, pois apenas podem ser alcançadas (isto é, 
contempladas, compreendidas) por nosso pensamento. Com isso, a separação do material 
(daquilo que é corpo, apreendido/percebido por nossos sentidos) e do espiritual (logos, 
pensamento) é consumada. Não se trata de encontrar para a mudança das coisas sensíveis 
um fundamento material/corporal. Toda a ordem material é desacreditada em bloco, uma 
vez que não tem importância para Platão. A matéria não possui realidade. A realidade passa 
inteiramente para as Formas inteligíveis.
O que é o Ser? ” 
– e: “Qual é, de maneira 
geral, a causa da geração 
(criação) e da corrupção 
(destruição)?”
Filosofia e Conhecimento Filosofia | UNISUAM 
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O conhecimento do Bem
é “o objetivo mais alto
do conhecimento”.
Nenhuma matéria “cria” ou “destrói” as coisas, mas unicamente as Formas/Ideias, na medida 
em que se deixam “imitar” ou “participar”. A única causalidade compreensível (inteligível) não 
reside na matéria, mas somente nas Formas, que são, ao mesmo tempo, modelos e causas 
de todo devir.
MUNDO SENSÍVEL
MUNDO INTELIGÍVEL
 
 
Corresponde ao mundo dos fenômenos
Corresponde ao mundo das ideias
Para Platão, a alma deveria se purifi car das ilusões que a acorrentam à opinião particular e 
ascender, pela dialética, em direção ao conhecimento universal e eterno. A dialética platônica 
é o método de se alcançar as Ideias por meio de um esclarecimento conceitual e exercício 
de iniciação fi losófi ca.
A dialética platônica é o método que consiste em distinguir as diferenças e contradições para 
descobrir a essência (Forma) das coisas. O ensino somente pode ser inscrito numa alma 
que tenha consciência de sua ignorância, e é por esse motivo que Platão antes nos ensina 
a duvidar das coisas sensíveis que conhecer as Formas. A dialética, que é essencialmente 
diálogo, eleva-se através das Formas até ao Bem.
Se corretamente conduzida, a alma reconheceria na contemplação (compreensão) e no 
convívio com o Bem, o Belo e o Justo a condição de sua própria imortalidade. Já se comentou 
sobre essas ideias principais no Unidade I. Cabe, mais uma vez, você reler o trecho para 
relembrar esses conceitos.
você já leu isso na
relembre
Unidade 1
Em linhas gerais, o Bem, para Platão, é, em primeiro lugar, a 
fi nalidade ou alvo da vida. Em segundo lugar, é a condição do 
conhecimento, o que torna o mundo inteligível. E em terceiro 
lugar, é a causa criadora do mundo e tudo o que ele contém.
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14
Não se deve entender alma com quaisquer 
sentidos cristãos. Platão é grego, e até mesmo 
na Bíblia se entende os gregos como pagãos. 
Alma, no contexto da Filosofi a grega, se refere, de 
modo geral, à refl exão humana, ao pensamento. 
Platão, assim, fala de uma alma intelectiva, que 
compreende as ideias, e não está em comunhão 
com quaisquer divindades.
Saiba mAIS
O processo de conhecimento segundo Platão 
e a alegoria da caverna
A alegoria da Caverna - Conta alegoricamente o que os 
homens teriam dificuldades para entenderem. Não se 
pode confundir alegoria com mito. O mito é um discurso 
estritamente religioso, como já estudamos na Unidade I. A 
alegoria, por sua vez, é uma forma indireta de representar 
alguma coisa ou ideia sob a aparência de outra. Platão 
escrevia muito a partir de alegorias.
alegoria da Caverna 
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i/2013/032/2/f/alegoria_da_caverna_
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Filosofi a e Conhecimento Filosofi a | UNISUAM 
15
A alegoria da caverna é uma das passagens mais clássicas da história da Filosofi a, sendo parte 
do livro VI de A República onde Platão discute sobre a teoria do conhecimento, a linguagem 
e a educação na formação do Estado (governo e leis) ideal que formula.
A narrativa expressa dramaticamente a imagem de prisioneiros que desde o nascimento 
são acorrentados no interior de uma caverna de modo que olhem somente para uma parede 
iluminada por uma fogueira. Essa fogueira ilumina um palco onde estátuas de seres como 
homem, plantas e animais são manipulados, como que representando o cotidiano desses 
seres. No entanto, as sombras das estátuas são projetadas na parede, sendo a única imagem 
que aqueles prisioneiros conseguem enxergar. Com o correr do tempo, os homens dão nomes 
a essas sombras (tal como nós damos às coisas) e também à regularidade de aparições 
destas. Os prisioneiros fazem, inclusive, torneios para enaltecer aqueles capazes de acertar 
as denominações e regularidades.
Imaginemos agora que um desses prisioneiros é forçado a sair das amarras e vasculhar o 
interior da caverna. Ele veria que o que permitia a visão das sombras no interiorda caverna era 
a fogueira e que na verdade, os seres reais eram as estátuas e não as sombras. Perceberia 
que passou a vida inteira julgando apenas sombras e ilusões, desconhecendo a verdade, 
isto é, estando afastado da verdadeira realidade. 
Mas imaginemos ainda que esse mesmo prisioneiro fosse arrastado para fora da caverna. 
Ao sair, a luz do sol ofuscaria sua visão imediatamente e só depois de muito habituar-se 
com a nova realidade, poderia voltar a enxergar as maravilhas dos seres fora da caverna. 
Não demoraria a perceber que aqueles seres tinham mais qualidades do que as sombras e as 
estátuas, sendo, portanto, mais reais. Signifi ca dizer que ele poderia contemplar a verdadeira 
realidade, os seres como são em si mesmos. Não teria difi culdades em perceber que o Sol 
é a fonte da luz que o faz ver o real, bem como é desta fonte que provém toda existência (os 
ciclos de nascimento, do tempo, o calor que aquece, por exemplo).
Maravilhado com esse novo mundo e com o conhecimento que então passara a ter da realidade, 
esse ex-prisioneiro se lembraria de seus antigos amigos no interior da caverna e da vida que lá 
levavam. Imediatamente, sentiria a necessidade de retornar à caverna para tentar libertá-los. 
No entanto, como os ainda prisioneiros não conseguem vislumbrar senão a realidade que 
presenciam, vão debochar do seu colega liberto, dizendo-lhe que está louco e que se não 
parasse com suas maluquices acabariam por matá-lo.
Você percebe a realidade por trás desta alegoria? Vamos descobrir?
Este modo de contar as coisas tem o seu signifi cado:
alegoria da Caverna 
Filosofi a e Conhecimento Filosofi a | UNISUAM 
16
Os prisioneiros somos nós que, segundo nossas tradições, ainda que diferentes, hábitos 
diferentes, culturas diferentes, estamos acostumados com as noções sem que delas refl itamos 
para fazer juízos corretos, mas apenas acreditamos e usamos como nos foi transmitido. 
A caverna é o mundo ao nosso redor, o mundo físico, sensível em que as imagens prevalecem 
sobre os conceitos, formando em nós opiniões por vezes errôneas e equivocadas (pré-
conceitos, pré-juízos).
Quando começamos a descobrir a verdade, temos difi culdade para entender e assimilar o 
real (que na alegoria de Platão funciona como o ofuscamento da visão ao sair da caverna) 
e para isso, precisamos nos esforçar, estudar, aprender, querer saber, destruir barreiras 
formadas pela nossa ignorância.
O mundo fora da caverna representa o mundo real, que para Platão é o mundo compreensível 
por possuir Formas ou Ideias que guardam consigo uma identidade indestrutível e imóvel, 
garantindo o conhecimento dos seres sensíveis. O compreensível é o reino das matemáticas 
que são o modo como apreendemos o mundo e construímos o saber humano.
A descida de volta a caverna é a vontade ou a obrigação moral que o homem esclarecido tem 
de ajudar os seus semelhantes a saírem do mundo da ignorância e do mal para construírem 
um mundo (Estado) mais justo, com sabedoria. O Sol representa a ideia suprema de Bem, 
ente supremo que governa o inteligível, permite ao homem conhecer e de onde deriva toda 
a realidade.
Portanto, a alegoria da caverna é um modo de contar de outra forma o que conceitualmente 
os homens teriam difi culdade para entender, já que, pela própria narrativa, o sábio nem 
sempre se faz ouvir pela maioria ignorante.
Para saber mais, assista ao vídeo sobre o Mito 
da caverna:
h t t p : / / w w w . y o u t u b e . c o m /
w a t c h ? v = S P 4 q r w 5 h u o 4
Saiba mAIS
obrigação moral 
que o homem 
esclarecido tem 
de ajudar os seus 
semelhantes a 
saírem do mundo 
da ignorância
Filosofi a e Conhecimento Filosofi a | UNISUAM 
17
As formas de conhecer o mundo 
Pois bem, existem diversas formas de conhecer o mundo que variam de acordo com a situação 
do sujeito diante do objeto a ser conhecido. Desta forma, as estrelas no céu podem ser vistas 
de formas diferentes pelos índios que acreditam serem deuses e pelos astrônomos que vêm 
astros com luz própria formando a galáxia.
Assim, o senso comum, a ciência e a Filosofia são formas de conhecer o mundo, pois cada 
um desvenda os segredos do mundo procurando encontrar um sentindo. 
Como já estudamos na Unidade 1, o senso comum é a primeira compreensão do mundo, 
baseada na opinião, transmitido de geração em geração e, muitas vezes, transformando-se 
em crença religiosa ou algo inquestionável.
A ciência desconfia de nossas certezas, da ausência de crítica e da falta de curiosidade. Ela 
procura descobrir como as coisas funcionam, considerando principalmente as relações de 
causa e efeito, de modo a buscar um conhecimento com o máximo grau de certeza.
T3
Filosofia e Conhecimento Filosofia | UNISUAM 
18
Já a Filosofia busca o conhecimento, o uso do saber em 
proveito do homem. Porém, para saber o que é benéfico 
para o homem é necessário saber o que é o bem e o que 
é a verdade. Na busca pela verdade, diversos filósofos 
desenvolveram métodos que acreditavam ser o caminho 
para desvendar o mundo.
Os diferentes métodos da filosofia
Conforme Japiassú e Marcondes, entende-se por método um:
Conjunto de procedimentos racionais, 
baseando-se em regras, que visam 
atingir um objetivo determinado. Por 
exemplo, na ciência, o estabelecimento 
e a demonstração de uma verdade 
científica. “por método, entendo as 
regras certas e fáceis, graças às quais 
todos os que as observam exatamente 
jamais tomarão como verdadeiro 
aquilo que é falso e chegarão, sem 
se cansar com esforços inúteis, ao 
conhecimento verdadeiro do que 
pretendem alcançar” (Descartes)1.
A palavra Método provém do grego methodos, que significa 
“caminho para chegar a um fim”. Na Filosofia, há várias 
formas de métodos, como se comentou anteriormente 
sobre o método de Platão, que, por sua vez, é proveniente 
de seu mestre Sócrates. Este usava o método dialético, de 
perguntas e respostas, às mais diversas pessoas, cultas ou 
ignorantes, de forma a encontrar e a explorar o conhecimento 
interno de cada uma delas.
Utilizando-se de uma série de perguntas, ele revelava as 
ideias daquele a quem interrogava e depois as questionava 
acentuando as contradições, levando o outro compreender 
novas conclusões, mais claras e sólidas que as suas. Esse 
método ficou conhecido como maiêutica. Platão aperfeiçoou 
o método defendendo uma contraposição da opinião e a 
melhoria desta por meio da crítica. Esse método então ficou 
conhecido como dialético.
Entendendo a razão como o principal elemento da 
natureza humana (lembre-se da consideração sobre a 
alma intelectiva), responsável pelo acesso ao verdadeiro 
conhecimento e à verdadeira virtude, Sócrates convidava a 
todos a desenvolvê-la por meio do raciocínio dialético. Nesse 
objetivo, utilizava-se de um método dialógico baseado em 
perguntas. Por meio delas, nosso filósofo procurava desfazer 
a falsa imagem que as pessoas guardavam de si mesmas, 
para trazer a luz novos conhecimentos.
1 JAPIASSÚ; MARCONDES, 1996, p. 181.
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19
O método socrático de construção do conhecimento é dividido em dois momentos, a ironia e a 
maiêutica. Com a ironia, Sócrates pretende desmascarar seus interlocutores, demonstrando 
que estes ignoravam a essência daquilo que julgavam saber. Contra a ignorância tem então 
que se desenvolver a refutação, parte da ironia socrática. Segundo Mondolfo:
A refutação tem a missão de despertar nos outros a consciência da sua 
ignorância, isto é, de encaminhá-los a uma purificação espiritual dos 
erros e faltas, e por isso não chega nem deve chegar a uma conclusão 
positiva mas a um resultado negativo que, não obstante, é preparação 
e estímulo para uma investigação reconstrutiva.
A maiêutica é o ato mesmo da criação das ideias, de deixar que estas venham à tona, ganhem 
corpo e vida na inteligência dosinterlocutores. É um complemento à ironia, parte do mesmo 
processo, lado da mesma moeda. É a forma de confirmação e testemunho de que nada 
se sabe (já dizia Sócrates “Só sei que nada sei”), em prol da possibilidade de deixar que 
surja, em cada indivíduo, um novo saber, um novo conceito. É, como se referia Sócrates, 
a maiêutica o ato de queixar nascer as ideias, como uma forma de “obstetrícia intelectual”, 
que no diálogo, plasma a ignorância de cada um imerso no discurso perplexo e renovador. 
Conforme Japiassú e Marcondes, o método dialético é:
Na concepção clássica, sobretudo na concepção platônica da Filosofia 
socrática, o método dialético é aquele que procede pela refutação das 
opiniões do senso comum, levando-as a contradição, para chegar, 
então, à verdade, fruto da razão1.
1 JAPIASSÚ; MARCONDES, 1996, p. 182.
Julgamento de Sócrates
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Aristóteles e o silogismo – a descoberta da lógica
Aristóteles, discípulo de Platão, elaborou uma forma sistemática de lógica composta por um 
padrão de três proposições que se constituem de duas premissas e uma conclusão, a este 
modelo se chamou de silogismo. Este, na defi nição de Japiassú e Marcondes:
Método de dedução de uma conclusão a partir de duas premissas, por 
implicação lógica. Para Aristóteles, considerado o primeiro formulador 
da teoria do silogismo, “o silogismo é um argumento que, estabelecida 
certas coisas, resulta necessariamente delas, por serem o que são, 
outra coisa distinta do anteriormente estabelecido1.
A part i r deste pensamento surgiu o mais famoso s i logismo da histór ia: 
O método de Aristóteles consistia nas formas dedutiva e indutiva de raciocinar.
O raciocínio dedutivo consiste em argumentar do geral para o particular, assim:
Todos os cães latem. (1ª premissa – termo geral, maior) 
Rex é um cão. (2ª premissa – termo específi co, menor)
Logo, Rex late. (conclusão – termo menor e maior)
A dedução é um:
Raciocínio que nos permite tirar de uma ou várias proposições uma 
conclusão que delas decorre logicamente. Em outras palavras, é uma 
operação lógica que consiste em concluir a partir de uma ou várias 
proposições, admitidas como verdadeiras, uma ou várias proposições 
que se seguem necessariamente2.
Conforme Japiassú e Marcondes, o método indutivo é:
Aquele segundo o qual uma lei geral é estabelecida a partir da 
observação e repetição de regularidades em casos particulares. 
Embora o método indutivo não permita o estabelecimento da verdade 
da concussão em caráter defi nitivo, fornece, no entanto, razões para 
a aceitação, que se tornam mais seguras quanto maior o número de 
observações realizadas3.
Já o raciocínio indutivo consiste em argumentar do particular para o geral:
Rex late. (1ª premissa – termo específi co, menor)
Rex é um cão. (2ª premissa – termo geral, maior)
Logo, todos os cães latem. (conclusão – termo maior e menor)
1 JAPIASSÚ; MARCONDES, 1996, p. 248.
2 JAPIASSÚ; MARCONDES, 1996, p. 63.
3 JAPIASSÚ; MARCONDES, 1996, p. 181.
Todos os homens são mortais. 
Sócrates é homem. 
Portanto, Sócrates é mortal. 
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Veja novamente o exemplo:
Todos os homens são mortais. (1ª premissa = 
evidência)
Paulo é um homem. (2ª premissa = evidência)
Logo, Paulo é mortal. (conclusão que decorre 
das evidências)
Atenção
As ferramentas da fi losofi a
Saber a resposta correta sobre determinado questionamento é uma tarefa difícil, pois, até 
mesmo os fi lósofos discordam quanto ao método correto de alcançá-la, sendo certo que nossas 
emoções e pontos de vista podem infl uenciar as respostas. Além disso, ainda que algumas 
respostas sejam claras, não signifi ca que a ausência de uma resposta única signifi que que 
outras respostas não sejam satisfatórias ou adequadas.
Para tanto, a fi losofi a traz argumentos que são declarações ou proposições, uma das 
quais, derivada das demais que nos fornecem evidências 
para chegarmos à conclusão. Assim, as premissas são a 
evidência e a conclusão é a proposição que decorre da 
evidência.
Existem tipos de argumentos diferentes como:
- Argumentos Indutivos:
Como já comentado, são aqueles em que as premissas 
dão alguma evidência para a conclusão, de tal forma que 
as premissas podem ser verdadeiras, mas a conclusão é 
apenas provável. Dessa maneira, as premissas poderão ser 
falsas ou verdadeiras e as conclusões poderão ser válidas 
ou não válidas.
Exemplo:
Todos os banhistas observados até hoje estavam queimados pelo sol;
Logo, o próximo banhista que for observado estará queimado pelo sol; 
(argumento indutivo = provável, pois não é possível afi rmar a validade da conclusão).
- Argumentos Dedutivos: 
Nestes argumentos as premissas asseguram a validade ou não da conclusão. Portanto, se 
as premissas forem verdadeiras, a conclusão será válida. Se as premissas forem falsas, a 
conclusão será não válida. Os argumentos dedutivos não acrescentam nada de novo ao 
que sabemos.
Exemplos:
Todos os homens são mortais (Premissa verdadeira);
João é homem (Premissa verdadeira);
Logo, João é mortal (Conclusão válida).
- Falácias
São um raciocínio errado com aparência de verdadeiro. O termo falácia deriva do verbo latino 
fallere que signifi ca enganar. As falácias que são cometidas involuntariamente designam-se 
por paralogismos. Já as que são produzidas de forma a confundir alguém numa discussão 
designam-se por sofi smas.
- Silogismo categórico: 
Construído por proposições que são as premissas, conclusões e termos. As proposições 
afi rmam ou negam de forma absoluta.
- O termo maior é o predicado da conclusão, e ocorre na premissa maior;
- O termo menor é o sujeito da conclusão e ocorre na premissa menor;
- O termo médio aparece em ambas as premissas, mas não aparece na conclusão.
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“Sou amigo de 
Platão, porém 
ainda mais amigo 
da Verdade”.
Assim:
1 - Todos os homens são mortais (premissa maior, porque é genérica, refere-se a 
todos os homens);
2 - Sócrates é homem (premissa menor, porque é específi ca = refere-se apenas à 
Sócrates);
3 - Logo, Sócrates é mortal (conclusão).
Observe que:
O termo maior é a palavra mortal, presente na premissa maior e na conclusão.
O termo menor é a palavra Sócrates, presente na premissa menor e na conclusão.
E o termo médio é a palavra homem, presente na premissa maior e na menor, porém omitido 
na conclusão.
Existem regras que facilitam a formulação de argumentos válidos, evitando que falácias 
invalidem as conclusões:
1 – Um silogismo categórico válido deve conter três termos (maior, menor e médio).
2 – O termo médio deve constar ao menos em uma das premissas.
3 – Somente poderá constar da conclusão um termo que também conste das 
premissas.
4 – O termo médio não pode constar da conclusão.
5 – Nenhuma conclusão se segue de duas premissas negativas.
6 – Se duas premissas forem afi rmativas, a conclusão não poderá ser negativa.
7 – Se uma premissa é negativa, a conclusão deverá ser negativa.
8 – Nenhuma conclusão se segue de duas premissas específi cas.
Tudo entendido até aqui?
A valorização dos sentidos e do estudo da 
natureza
Aristóteles nasceu na Macedônia e chegou à cidade de Atenas aos dezoito anos, ingressando 
na Academia, escola de ensino superior criada por Platão, e só a deixando com a morte 
do mestre, em 347 a. C. Sua obra aborda todos os ramos do saber: lógica, física, fi losofi a, 
botânica, zoologia, metafísica, etc. Seus livros fundamentais são: Retórica, Ética a Nicômaco, 
Ética a Eudemo, Órganon – conjunto de tratados de lógica –, Política, Física e Metafísica.
Contudo, suas ideias, em sua maturidade, ganham contornos próprios e diferentes daqueles 
defendidos por seu mestre Platão.É por esta razão que, em uma primeira apresentação 
do pensamento do criador do Liceu (escola fi losófi ca fundada por Aristóteles), costuma-se 
lembrar a seguinte afi rmação: “Sou amigo de Platão, porém ainda mais amigo da Verdade”.
você vai precisar depois
leia com atenção
na pág 29
T4
Filosofi a e Conhecimento Filosofi a | UNISUAM 
23
Na tradição clássica grega, a metafísica é a parte 
mais central da Filosofi a, a ontologia (doutrina 
que estuda o Ser) geral, que procura entender o 
ser enquanto ser. A metafísica defi ne-se assim 
como fi losofi a primeira, como ponto de partida 
da Filosofi a ao passo que examina os princípios 
e causas primeiras da realidade. Por isso, se 
constitui como doutrina do ser em geral, e não 
de suas determinações particulares; inclui ainda 
a doutrina do Ser Divino ou do Ser Supremo – 
no caso de Platão, como já estudado, as Ideias/
Formas. No caso de Aristóteles, o ato e a potência.
A distinção entre ato e potência, no pensamento 
aristotélico, perfaz uma distinção que permite 
explicar a mudança e a transformação da realidade 
e da existência de todas as coisas. A semente é, 
em ato, semente, embora contenha em potência a 
árvore. A árvore é árvore em ato, mas em potência 
pode ser lenha. Ato, assim, é realidade, e potência, 
possibilidade.
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Aristóteles
A noção de alma1 e sua relação com o corpo, a importância do 
mundo empírico (empirismo enfatiza o papel da experiência 
e da evidência, experiência sensorial, especialmente, na 
formação de ideias) para o fi lósofo (recusado à investigação 
pela tradição místico-matemática iniciada por Pitágoras e 
retomada por Platão), bem como a confi ança na disposição 
humana para o conhecimento, enfi m, em tudo isto Aristóteles 
se mostrará bastante inovador.
Todos os homens, por natureza, tendem ao saber. Sinal disso 
é o amor pelas sensações. De fato, eles amam as sensações 
por si mesmas, independentemente da sua utilidade e amam, 
acima de todas, a sensação da visão2.
Neste tópico, mostraremos, em linhas gerais, o quanto o 
pensamento de Aristóteles se distancia da refl exão de seu 
antigo mestre.
Esclarecimentos sobre a noção de alma em 
Aristóteles
Atente-se para a noção de alma. Para Platão, alma e corpo 
estão em constantes confl itos, uma vez que são entidades 
distintas. O corpo, segundo o Platão, era aquilo de que a 
alma precisaria se separar, já que o corpo se compõe em 
certa amarra que impede a alma de se desenvolver. Não será 
assim, contudo, para um fi lósofo interessado pelo mundo 
natural como Aristóteles, sendo, por isso, mais pragmático.
Aristóteles redefi niu em seus próprios termos naturalistas a 
psyché (alma). A alma humana, conforme nosso pensador, 
será a parte pensante do ser humano, sendo um princípio que 
origina o próprio pensamento; melhor, a alma se identifi ca ao 
próprio pensamento humano, sendo, consequentemente, um 
princípio de vida, uma vez que é a primeira forma de realização 
de um corpo. Ela é ato do corpo, que é vida em potência.
Plantas crescem, animais movem-se e reproduzem-se; a 
alma é a atividade do corpo na realização desse fi m. Cabe 
frisar, mais uma vez, que este termo, como já marcado 
anteriormente, não possui nenhuma conotação com qualquer 
expressão cristã. O corpo de um ser vivo é organizado por 
conta exatamente da ação diretora da alma. A alma tende a 
formar um corpo, a ordená-lo organicamente.
1 Deve-se conferir o tópico anterior para melhor entender 
esse termo. A noção de alma, em linhas gerais, assim como 
comentado em Sócrates e Platão, vale de maneira substancialmente 
distinta para Aristóteles.
2 ARISTÓTELES. Metafísica II. Org. Giovanni Reale. Trad. 
Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 2002, p. 03.
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O modelo de um mundo de seres hierarquizados 
e explicados em termos de causas fi nais é hoje 
insustentável. O darwinismo, no século XIX, 
destruiu por completo essa visão fi nalista do 
mundo. A biologia imaginada por Aristóteles pode 
certamente ser tomada como admirável, mas 
seus princípios são indefensáveis.
A teoria da evolução vigente hoje é ostensivamente 
não-teleológica (isto é, não visa uma fi nalidade, 
enquanto uma causa única e criadora das 
demais, como um Deus – telos – fi m) e com várias 
comprovações científi cas, abrindo mão desse 
tipo de explicação fi nalista, progressivamente, 
desde a tradução mecânica do mundo operada 
pela Revolução Científi ca, a exemplo de Galileu, 
já comentado em tópicos anteriores, além da 
Unidade 1.
saiba mais
Aristóteles diz que a alma é que responde pela forma do corpo. De forma mais simples, ele 
escreveu, lembrando a função estruturante da psyché: “A alma é a forma do corpo”.
As comparações escritas pelo próprio Aristóteles em seu tratado De Anima permitem que 
vejamos essa alma como mortal, pois nessa obra fi ca esclarecido que a alma está para o 
corpo assim como a visão para o olho, o que signifi ca dizer que, sem o suporte material, isto 
é, sem o corpo, a alma não tem existência.
Contudo, a questão não é tão simples: no mesmo tratado, Aristóteles informou sobre uma 
parte da alma “que não se mistura” ao corpo. É por onde a imortalidade da alma humana se 
infi ltra nesse complexo sistema de pensamento – não sem nos deixar atordoados, tentando 
conciliar o Aristóteles naturalista com esse outro que vê numa porção racional da alma 
humana, o intelecto superior agente, um destino diverso daquele experimentado pelas formas 
organizadoras de todos os outros seres vivos.
Tentar entender o modo com que a sobrevivência dessa alma pôde ser aí imaginada abrange 
uma discussão que se desdobra por muito tempo na Filosofi a e não com poucas implicações. 
Por ora, concentremo-nos na imagem do mundo aristotélico – em particular dos seres 
animados. Cada espécie de ser vivo ocupando um lugar fi xo numa verdadeira escada dos 
seres (imagem que infl uenciou vivamente o pensamento biológico posterior, mas que hoje não 
tem mais força), procura atingir seu princípio de perfeição. 
Move-se, portanto. Esforça-se na consecução desse fi m. 
Todas as espécies encontram-se assim dispostas, de tal 
modo que parecem se elevar, mas nunca passando de um 
degrau para o outro, até o mais organizado dos seres, um 
em que não há mais por que se mover em busca de um 
fi m, pois ele já é puro intelecto. Esse ser seria responsável 
por todo o universo estar se movendo em sua direção, 
embora permaneça imóvel, uma vez que nele já se encontra 
realizada a própria perfeição.
De qualquer forma, Aristóteles incluiu na agenda fi losófi ca 
uma preocupação com o mundo natural. Passar dias 
na descrição de um inseto não é tarefa vã, pois, para o 
estudioso atento à Natureza, permite ver a fi nalidade para 
que concorram aquelas estruturas todas. Debruçar-se sobre 
o mundo natural é perceber o esquema de ordenação de 
um universo. Estudar a natureza volta a ter uma nobreza 
que a tradição místico-racionalista a que pertenciam Platão 
e Pitágoras recusara.
“A alma é a forma do corpo”
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O desdobramento do empirismo e do 
racionalismo no interior da Revolução 
Científica no século XVII.
A polêmica racionalismo-empirismo tem sido uma das mais persistentes ao longo da História 
da Filosofia e encontra eco ainda hoje em diversas posições de epistemólogos ou filósofos da 
ciência. Abundam, ao longo da linha constituída nos seus extremos pelo racionalismo e pelo 
empirismo radicais, as posições intermédias, as tentativas de conciliação e de superação, 
como veremos a seguir.
O Empirismo 
“O empirismo pode ser definido como a asserção de que todo 
conhecimento sintético é baseado na experiência. ”
Bertrand Russell
Conceitua-se empirismo, como a corrente de pensamento que sustenta que a experiência 
sensorialé a origem única ou fundamental do conhecimento; é uma teoria oposta ao 
racionalismo, que logo estudaremos. Nega a existência de ideias inatas1, ao conceber a 
mente como “um papel em branco” em que se vão gravando as impressões vindas do exterior. 
Alguns dos principais representantes do empirismo foram: Francis Bacon (1561-1622), John 
Locke (1632-1704), David Hume (1711-1772) e John Stuart Mill (1806-1873).
1 Diz-se inato para aquele elemento ao qual um indivíduo nasce com ele. Falar, portanto, em ideias 
inatas, é como se todos os indivíduos nascessem com determinadas ideias já previamente prontas, apenas 
precisando de desenvolvimento, crença que os pensadores racionalistas, como René Descartes, tinham.
Francis Bacon
John Locke
T5
Filosofia e Conhecimento Filosofia | UNISUAM 
26
John Stuart Mill
David Hume
Dentro do empirismo existem três linhas empíricas, sendo elas: a integral, a moderada e a científica.
Empirismo integral, reduz todos os conhecimentos – inclusive os matemáticos – à fonte 
empírica, àquilo que é produto de contato direto e imediato com a experiência. Quando a 
redução é feita à mera experiência sensível, temos o sensismo (ou sensualismo). 
Empirismo moderado, também denominado genético-psicológico, explica que a origem 
temporal dos conhecimentos parte da experiência, mas não reduz a ela a validez do 
conhecimento, o qual pode ser empiricamente inválido. Uma das obras baseadas nesta linha 
é a de John Locke (Ensaios sobre o Entendimento Humano), na qual o pensador explica 
que as sensações são ponto de partida de tudo aquilo que se conhece. Todas as ideias são 
elaborações de elementos que os sentidos recebem em contato com a realidade.
Como já foi dito, para os moderados, há verdades universalmente válidas, como as 
matemáticas, cuja validez não assenta na experiência, e sim no pensamento. Na doutrina de 
Locke, existe a admissão de uma esfera de validade lógica anterior a experiência (a priori) 
e, portanto não empírica, no que concerne aos juízos matemáticos.
Empirismo científico, que admite como válido, o conhecimento oriundo da experiência ou 
verificado experimentalmente, atribuindo aos juízos analíticos significações de ordem formal 
enquadradas no domínio das fórmulas lógicas. Esta tendência está longe de alcançar a 
almejada “unanimidade cientifica”.
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O Racionalismo
É a corrente que assevera o papel preponderante da razão no processo cognoscitivo, uma 
vez que os fatos não são fontes de todos os conhecimentos e não nos oferecem condições 
de “certeza”. 
Um dos grandes representantes do racionalismo, Gottfried Leibniz (1642-1716), afirma 
em sua obra Novos Ensaios sobre o Entendimento Humano, que nem todas as verdades 
são verdades de fato. Ao lado delas, existem as verdades de razão, que são aquelas 
inerentes ao próprio pensamento humano e dotadas de universalidade e certeza (como, 
por exemplo, os princípios de identidade e de razão suficiente), enquanto as verdades de 
fato são contingentes e particulares, implicando sempre a possibilidade de correção, sendo 
válidas dentro de limites determinados.
Gottfried Leibniz
Conforme Japiassú e Marcondes, 
Na lógica, o princípio de identidade, uma das três leis básicas 
do raciocínio para Aristóteles, se expressa pela fórmula A=A, 
ou seja, todo objeto é igual a si1.
Por sua vez,
Razão suficiente: em Leibniz, o princípio da razão suficiente 
estabelece que para todo fato que ocorre há uma razão pela 
qual esse fato ocorre, e ocorre de determinada maneira e 
não de outra2.
Ainda retratando o pensamento racionalista, encontramos 
René Descartes (1596-1650), adepto do inatismo, que afirma 
que somos todos possuidores, enquanto seres pensantes, de 
uma série de princípios evidentes, ideias inatas, que servem 
de fundamento lógico a todos os elementos com que nos 
enriquecem a percepção e a representação. Ou seja, para 
ele, o racionalismo se preocupa com a ideia fundante que a 
razão por si mesma logra atingir.
1 JAPIASSÚ; MARCONDES, 1996, p. 136.
2 JAPIASSÚ; MARCONDES, 1996, p. 236.
René Descartes
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Immanuel Kant
Esses dois pensadores podem ser classifi cados como representantes do racionalismo 
ontológico (conferir esse termo no tópico 4), que consiste em entender a realidade como 
racional ou em racionalizar o real, de maneira que a explicação conceitual mais simples se 
tenha em conta da mais simples e segura explicação da realidade. 
você já leu isso no
relembre
tópico 4 - página 23 - Un1 
ontológico (conferir esse termo no tópico 4), que consiste em entender a realidade como ontológico (conferir esse termo no tópico 4), que consiste em entender a realidade como 
Existe também outra linha racionalista, originada de Aristóteles, denominada intelectualismo, 
que reconhece a existência de “verdades de razão” e, além disso, atribui à inteligência função 
positiva no ato de conhecer, isto é, a razão não contém em si mesma, verdades universais 
como ideias natas, mas as atinge à vista dos fatos particulares que o intelecto coordena.
Concluindo: o intelecto extrai os conceitos da própria realidade, operando sobre as imagens 
que o real oferece.
Hessen, um dos adeptos do intelectualismo, lembra que há nele uma concepção metafísica 
da realidade como condição de sua gnoseologia, que é conceber a realidade como algo de 
racional, contendo no particularismo contingente de seus elementos, as verdades universais 
que o intelecto “lê” e “extrai”, realizando-se uma adequação plena entre o entendimento e a 
realidade, no que esta tem de essencial.
Por fi m, devemos citar uma ramifi cação do racionalismo que alguns autores consideram 
autônoma, que é o Criticismo.
O criticismo é o estudo metódico prévio do ato de conhecer e dos modos de conhecimento, ou 
seja, uma disposição metódica do espírito no sentido de situar, preliminarmente o problema 
do conhecimento em função da relação “sujeito-objeto”, indagando as suas condições e 
pressupostos.
Ele aceita e recusa certas afi rmações do empirismo e racionalismo, por isso, muitos autores 
acreditam em sua autonomia. Entretanto, devemos entender tal posição como uma análise 
crítica e profunda dos pressupostos do conhecimento.
Seu maior representante, Immanuel Kant (1724-1804), tem como marca a determinação 
a priori (antes da experiência) das condições lógicas das ciências. Ele declara que o 
conhecimento não pode prescindir da experiência, a qual fornece o material cognoscível e 
nesse ponto coincide com o empirismo. Porém, sustenta também que o conhecimento de 
base empírica não pode prescindir de elementos racionais, tanto que só adquire validade 
universal quando os dados sensoriais são ordenados pela razão. Segundo palavras do próprio 
autor, “os conceitos sem as intuições são vazios; as intuições sem os conceitos são cegas”.
O criticismo é o estudo metódico prévio do ato de conhecer e dos modos de conhecimento, ou O criticismo é o estudo metódico prévio do ato de conhecer e dos modos de conhecimento, ou 
seja, uma disposição metódica do espírito no sentido de situar, preliminarmente o problema seja, uma disposição metódica do espírito no sentido de situar, preliminarmente o problema 
do conhecimento em função da relação “sujeito-objeto”, indagando as suas condições e do conhecimento em função da relação “sujeito-objeto”, indagando as suas condições e 
pressupostos.pressupostos.
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Para Kant, o conhecimento é sempre uma subordinação do real ao sujeito humano.
Conclui-se, então, que, pela ótica do criticismo, o conhecimento implica sempre numa 
contribuição positiva e construtora por parte do sujeito cognoscente em razão de algo que 
está no espírito (razão) anteriormente à experiência do ponto de vista gnosiológico.
O Conhecimentoquanto à Essência 
Nessa parte do estudo, analisaremos o ponto da Teoria do Conhecimento em que há mais 
divergências, sendo estas fundamentais para o pleno conhecimento do assunto, que é o 
realismo e o idealismo. 
 
O Realismo
Sabendo que a palavra realismo vem do latim res (coisa), podemos conceituar essa corrente 
como a orientação ou atitude que implica uma orientação do objeto, dada a sua afirmação 
fundamental de que os sujeitos conhecem as coisas. Em outras palavras, é a independência 
ontológica da realidade, ou seja, o sujeito em função do objeto.
O realismo é subdividido em três espécies. O realismo ingênuo, o tradicional e o científico.
Realismo ingênuo, também conhecido como pré-filosófico, é aquele em que o homem aceita 
a identidade de seu conhecimento com as coisas que sua mente menciona, sem formular 
qualquer questionamento a respeito de tal coisa. É a atitude do homem comum, que conhece 
as coisas e as concebem tais e quais aparecem.
Realismo tradicional é aquele em que há uma indagação a respeito dos fundamentos, há 
uma procura em demonstrar se as teses são verdadeiras, surgindo uma atitude propriamente 
filosófica, seguindo a linha aristotélica.
Realismo cientifico, que é a linha do realismo que acentua a verificação de seus pressupostos 
concluindo pela funcionalidade sujeito-objeto e distinguindo as camadas conhecíveis do real 
como a participação – não apenas criadora – do espírito no processo gnosiológico, isto é, 
em processo de conhecimento. Para os seguidores desse pensamento, conhecer é sempre 
conhecer algo posto fora de nós, mas que, se há conhecimento de algo, não nos é possível 
verificar se o objeto – que nossa subjetividade compreende – corresponde ou não ao objeto 
tal qual é em si mesmo.
Há, portanto, no realismo, uma tese ou doutrina fundamental de que existe uma correlação 
ou uma adequação da inteligência a “algo” como objeto do conhecimento, de maneira que 
nós conhecemos quando a nossa sensibilidade e inteligência se conformam a algo exterior 
a nós. De acordo com o modo de compreender-se essa “referibilidade a algo”, bifurca-se o 
realismo em tradicional e o crítico, que são as duas linhas pertinentes à filosofia.
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relembre
tópico 2 - página 12 - Un2 
O Idealismo
O Idealismo surgiu na Grécia Antiga com Platão, onde as Ideias ou Formas representam a 
realidade verdadeira, da qual seriam as realidades sensíveis, meras cópias imperfeitas, sem 
validade em si mesmas, mas enquanto participam do ser essencial. O idealismo de Platão 
reduz o real ao ideal, resolvendo o ser em Ideia, já que como este fi lósofo já afi rmava, as 
Ideias são o “sol” que ilumina e torna visíveis as coisas.
Você deve reler o tópico 2 dessa unidade, bem 
como o anexo da unidade 1 para relembrar 
essa questão.
Saiba mAIS
Alguns autores entendem que a doutrina platônica poderia ser vista como uma forma de 
realismo, pois para eles, o idealismo “verdadeiro” é aquele desenvolvido a partir de Descartes.
É o idealismo imanentista1, que afi rma que as coisas não 
existem por si mesmas, mas na medida e enquanto são 
representadas ou pensadas, de maneira que só se conhece 
aquilo que se insere no domínio de nosso espírito e não as 
coisas como tais, ou seja, há uma tendência a subordinar 
tudo a formas espirituais ou esquemas.
No idealismo, que é a compreensão do real como idealidade 
(o que equivale dizer a realidade como espírito), o homem 
cria um objeto com os elementos de sua subjetividade, sem 
que algo preexista ao objeto (no sentindo gnosiológico).
Sintetizando, o idealismo é a doutrina ou corrente de pensamento que subordina ou reduz o 
conhecimento à representação ou ao processo do pensamento mesmo, por entender que a 
verdade das coisas está menos nelas do que em nós, em nossa consciência ou em nossa 
mente, no fato de serem “percebidas” ou “pensadas”.
Dentro dessa concepção existem duas orientações idealistas. Uma é a do idealismo 
psicológico, onde o que se conhece não são as coisas e sim a imagem delas. Podemos 
conceituá-lo como aquele em que a realidade é cognoscível se e enquanto se projeta no 
plano da consciência, revelando-se como momento ou conteúdo de nossa vida interior. 
Também chamado de idealismo subjetivo, este diz que o homem não conhece as coisas, e 
sim a representação que a nossa consciência forma em razão delas. Seus representantes 
são Hume e Locke.
1 Imanência é “a qualidade daquilo que pertence ao interior do ser, que está na realidade ou 
na natureza. A oposição imanência/transcendência pode ser aproximada da oposição interior/exterior. 
Diz-se que é imanente aquilo que é interior ao ser, ao ato, ao objeto de pensamento que consideramos” 
(JAPIASSÚ; MARCONDES, 1996, p. 139).
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A outra é a orientação idealista de natureza lógica, que parte da afirmação de que só 
conhecemos o que se converte em pensamento, ou é conteúdo de pensamento. Ou seja, o 
ser não é outra coisa senão ideia. Seu maior representante, Georg Wilhelm Friedrich Hegel 
(1770-1831), diz em uma de suas obras que nós só conhecemos aquilo que elevamos ao 
plano do pensamento, de maneira que só há realidade como realidade espiritual.
A Possibilidade do Conhecimento
Essa parte da teoria do conhecimento é responsável por solucionar a seguinte questão: qual 
a possibilidade do conhecimento?
Para que seja possível respondê-la, muitos autores recorrem a duas importantes posições: 
o dogmatismo e o ceticismo, os quais veremos a seguir:
Georg Wilhelm Friedrich Hegel
Na atitude 
psicológica, ser é 
ser percebido 
e na atitude lógica, 
ser é ser pensado.
Dogmatismo
É a corrente que se julga em condições de afirmar a 
possibilidade de conhecer verdades universais quanto ao ser, 
à existência e à conduta, transcendendo o campo das puras 
relações fenomenais e sem limites impostos a priori à razão. 
Existem duas espécies de dogmatismo: o total e o parcial.
O dogmatismo total é aquele em que a afirmação da 
possibilidade de se alcançar a verdade última é feita tanto 
no plano da especulação quanto no da vida prática ou da 
Ética. Esse dogmatismo intransigente, quase não é adotado, 
devido à rigorosidade de adequação do pensamento. Porém, 
encontramos em Hegel a expressão máxima desse tipo de 
dogmatismo, já que existe em suas obras uma identificação 
absoluta entre pensamento e realidade. Como o próprio autor diz:
“O pensamento, na medida em que é, é 
a coisa em si, e a coisa em si, na medida 
em que é, é o pensamento puro”.
Já o dogmatismo parcial, adotado em maior extensão, 
tem um sentido mais atenuado, na intenção de afirmar-
se a possibilidade de se atingir o absoluto em dadas 
circunstâncias e modos quando não sob certo prisma. Ou 
seja, é a crença no poder da razão ou da intuição como 
instrumentos de acesso ao real em si.
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Alguns dogmáticos parciais se julgam aptos para afi rmar a verdade absoluta no plano da 
ação. Entretanto, outros somente admitem tais verdades no plano especulativo. Daí origina-
se a distinção entre dogmatismo teórico e dogmatismo ético.
O dogmatismo ético tem como adeptos Hume e Kant, que duvidavam da 
possibilidade de atingir as verdades últimas enquanto sujeito pensante (homo 
theoreticus) e afi rmavam as razões primordiais de agir, estabelecendo as bases 
de sua Ética ou de sua Moral.
O dogmatismo teórico tem como adepto Blaise Pascal, que não duvidava de 
seus cálculos matemáticos e da exatidão das ciências enquanto ciências, mas 
era assaltado por dúvidas no plano do agir ou da conduta humana.
Ceticismo
Consiste numa atitude dubitativa ou uma provisoriedade constante, mesmo a respeito de 
opiniões emitidas no âmbito das relações empíricas.Essa atitude nunca é abandonada pelo 
ceticismo, mesmo quando são enunciados juízos sobre algo de maneira provisória, sujeitos a 
refutação à luz de sucessivos testes. Ou seja, o ceticismo se distingue das outras correntes 
por causa de sua posição de reserva e de desconfi ança em relação às coisas.
Há no ceticismo – assim como no dogmatismo – uma distinção entre absoluto e parcial, 
ressaltando que este último não será discutido nessa unidade.
O ceticismo absoluto é oriundo da Grécia e também é denominado pirronismo. Prega a 
necessidade da suspensão do juízo, dada a impossibilidade de qualquer conhecimento certo. 
Ele envolve tanto as verdades metafísicas (da realidade em si mesma), quanto às relativas 
ao fundo dos fenômenos. 
Segundo o Pirronismo, o homem não pode pretender nenhum conhecimento por não haver 
adequação possível entre o sujeito cognoscente e o objeto conhecido. Ou seja, para os céticos 
absolutos, não há outra solução para o homem senão a atitude de não formular problemas, 
dada a equivalência fatal de todas as respostas.
Um dos representantes do ceticismo de maior destaque na fi losofi a moderna é Augusto Comte.
Com isso, terminamos mais uma unidade de estudo.
Este foi, pelas questões tratadas, muito mais complexo que a Unidade 1. É necessário que 
você utilize algum livro de apoio ou pesquise na internet e em dicionários todas as difi culdades 
que possam surgir. Há tópicos que, caso explicássemos mais, fi cariam gigantescos, o que não 
é a proposta. Contudo, se reconhece a difi culdade de explicar muitas delas em tão poucas 
linhas. Assim, isso obriga a você, aluno, a estudar mais!
Até mais!
Segundo o Pirronismo, o homem não pode pretender nenhum conhecimento por não haver Segundo o Pirronismo, o homem não pode pretender nenhum conhecimento por não haver 
adequação possível entre o sujeito cognoscente e o objeto conhecido. Ou seja, para os céticos adequação possível entre o sujeito cognoscente e o objeto conhecido. Ou seja, para os céticos 
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dada a equivalência fatal de todas as respostas.dada a equivalência fatal de todas as respostas.
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