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PSICOLOGIA DE GRUPO: VISÕES DE LE BON, MC DOUGALL E SIGMUND FREUD
Autor(es): Talita Pedrosa Pinheiro (Universidade Estadual do Ceará), Erika Silva Rocha, Mariana Pompílio 
Gomes Cabral
Resumo: O artigo direciona o posicionamento de Sigmund Freud diante dos princípios de Le Bon e Mc 
Dougall sobre a psicologia de grupo apresentando suas críticas aos mesmos e trazendo para o fundamento 
do texto os seus conceitos psicanalíticos de libido, pulsão, identidade, Ideal de Ego, entre outros. Tomando 
como principal base os seus escritos sobre a Psicologia de Grupo e a Análise do Ego, procuramos fazer uma 
explanação sobre as contribuições de Freud para a Psicologia Social, trazendo como conclusão a importância 
da leitura dos escritos psicanalíticos para os interessados em psicologia social.
Palavras-chave: Análise do Ego, Escritos Psicanalíticos, Psicologia Social
1. Introdução
O assunto a ser abordado começou a ser relatado por volta de 1920, ao qual Sigmund Freud começou a 
refletir tentar estudar e compreender os fenômenos grupais, sociais que se sucederam na era da I guerra 
mundial. Por volta de 1921, foi feita a publicação da tese psicologia de grupo e análise do ego, a qual tinha 
por base teórica o quarto ensaio de Totem e Tabu, os artigos sobre o narcisismo e da “Luta e Melancolia”, e 
reflexões sobre o hipnotismo e Sugestão. O objetivo principal da discussão desse tema volta-se para a 
relação entre psicologia de grupo e as possíveis alterações que se sucedem na psicologia da mente 
individual. Há também bastante ênfase ao estudo e investigação das estruturas anatômicas da mente, 
principalmente a análise do ego.
Introduzindo a teoria, Freud demonstrar que não há como se contrapor uma psicologia individual da 
psicologia social, pois não existe um sujeito individual e um sujeito social. O que há, na verdade é um sujeito, 
que com toda a sua individualidade, sua subjetividade está inserido em um contexto cultural, histórico e 
épico, tornando-se então, um sujeito sócio-histórico. Dessa forma, o indivíduo busca a satisfação de seus 
impulsos, em meio as suas relações interpessoais. O que se contrapõe ao social, para Freud, é o narcisismo, 
sabendo que é por meio dele que o Eu sofre influência parcial e por vezes, total, do outro. Há uma nítida 
diferença de que o indivíduo, isolado, recebe influência de um número reduzido de pessoas. Porém, quando 
este passa a fazer parte de um grupo, ele recebe influência de um grande número de pessoas. Este grupo, 
por sua vez, se reúne com um objetivo em comum, e passam a agir instintivamente, porém essa forma 
instintiva de agir se difere da natural, pois só emerge quando o indivíduo está em grupo, é denominado por 
ele como Instinto social.
Freud, antes de explicar a sua teoria de psicologia de grupo, remete-se a descrição de psicologia de grupo 
tanto de Le Bom, quanto de McDougall, para depois se contrapor a elas, evidenciando certas lacunas ao qual 
a teorias desses dois autores não conseguem explicar, ou se explicam, não satisfatoriamente, aos olhos da 
psicanálise freudiana. 
2. A descrição de Le Bom da mente grupal:
Le Bom considera que o indivíduo, isoladamente, pensa, sente e age de forma diferente, e por vezes, 
contrária, se ele estivesse em um grupo. Dessa forma, no estabelecido grupo, forma-se uma mente 
coletiva,da qual tem características próprias e bem diferentes da mente individual. O grupo é de caráter 
provisório e heterogêneo, porém, combinam-se por meio de um elo inconsciente, formando apenas uma 
única unidade concreta, homogênea. 
Dessa forma, para Le bom, o grupo age por meio de um inconsciente coletivo e filogenético, que une os 
indivíduos de forma hereditária, e assim, em um grupo o que se manifesta são as personalidades 
inconscientes de cada indivíduo. Le bom, ao estudar a mente coletiva, percebe várias mudanças nos padrões 
comportamentais e nas personalidades dos indivíduos que aí estão inseridos, entre elas se encontram: os 
indivíduos passam a exprimir um sentimento de poder invencível, se tornam onipotentes, e por estarem em 
grupo, o sentimento de responsabilidade se torna diluído. São assim, irresponsáveis. As outras duas 
características citadas são o contágio e a sugestionabilidade. 
No grupo, todo sentimento, pensamento, ideia e ação são extremos e rapidamente contagiosos de um 
indivíduo ao outro. Assim, uma ideia (ilusória, irreal, fantasiada), que é sugerida por um líder, rapidamente 
se torna verdadeira, desejada, e, dessa forma, com anseio de concretizá-la. A capacidade intelectual dos 
indivíduos se reduz, e o que há em vigor é um aumento da sensibilidade emocional, logo, poucas vezes eles 
agirão de forma racional, e sim de forma emocional, impulsiva e instintiva. 
Le bom enfatiza a necessidade que tem o grupo de ser direcionado, influenciado e oprimido por um Líder, ao 
qual este deve ter características fortes, para conseguir exercer domínio sobre o grupo. O líder deve ter fé 
em uma ideia, um ideal, ser praticamente fanático por ela e utilizar-se de repetições, imagens e cores fortes 
para convencer o grupo de que sua idéia é a verdadeira e absoluta. As palavras têm um grande poder, o 
grupo necessita de ilusões, fantasias e coisas irreais para se sustentar. A observação fenomenológica de Le 
bom às mentes coletivas retrata como há uma alteração da mente individual, um predomínio da emoção 
sobre a razão, e o grande papel que exerce o inconsciente coletivo nas ações dos indivíduos que são 
totalmente direcionados por meio da sugestão do líder e do contágio rápido. Ideias que serão, ao decorrer 
do texto bastante criticadas por Freud, principalmente a noção de inconsciente, contágio e sugestão.
3. Outras descrições da vida social coletiva.
A teoria de Le Bom, que destaca a inibição coletiva do funcionamento intelectual e o aumento da afetividade 
nos grupos foi avaliada como algo sem originalidade, porém as suas noções de inconsciente e a sua 
comparação com a vida mental dos primitivos decorreu de um pouco de originalidade. Freud não discorda 
do fato de que Le Bom analisou os seus grupos de uma forma correta, mas ele salienta que existem outros 
tipos de grupos além destes, são os grupos organizados, hierarquizados, homogêneos. O grupo de Le Bom 
foi tido como efêmero, que apresenta algum interesse passageiro e apressadamente aglomera diversos tipos 
de indivíduos, não estável, possuidor de uma organização rudimentar, uma multidão com interesses 
comuns.
A mente grupal é responsável pela linguagem, pelo folclore que são coisas que não existiriam sem a 
coletividade, ela é capaz de possuir um gênio criativo no campo da inteligência. Segundo Mc Dougall um 
grupo psicológico estável, corporificado nas instituições da sociedade, pelo qual a humanidade passa a sua 
vida - Igreja e Exército - contém indivíduos com algo em comum, um objetivo, uma inclinação emocional, 
homogeneidade acentuada e certo grau de influência recíproca. Esta inclinação emocional fará com que os 
sujeitos percam o senso dos limites da sua individualidade.
O princípio da indução direta da emoção por via da reação simpática primitiva ocorre através de um 
contágio emocional, os indivíduos são arrastados por um impulso comum, ou seja, a emoção ela é 
despertada nas pessoas que a percebe. O indivíduo perde o seu poder de crítica, pois o grupo o impressiona 
pelo seu poder ilimitado, eles são intimidados pelo grupo, suas atividades mentais não se acham livres e o 
seu senso de responsabilidade é reduzido, colocar-se em oposição ao grupo é muito perigoso, por isso 
muitos preferem apenas segui-lo.
Mc Dougall classifica o comportamento de um grupo simples e cita cinco condições para que este grupo se 
eleve a um nível mais alto, são elas: A continuidade de existência material ou formal, o desenvolvimento de 
uma relação emocional com o grupo todo, deve manter interação com outros grupos, possuir tradições, 
costumese hábitos que determinem as suas relações e por último, ele deve ter uma estrutura definida 
expressa na diferenciação de funções dos seus integrantes.
4. Sugestão e libido
A sugestão foi apresentada por Tarde como uma imitação, embora a imitação se subordine ao conceito de 
sugestão, sendo a imitação um dos resultados da sugestão. Este conceito foi concebido pela psicologia dos 
grupos e pela sociologia, como um mecanismo que surgiu para explicar o comportamento do grupo, sendo 
este emotivo, irracional e primitivo.
A imitação nos proporciona o fato de captarmos os sinais de emoção em alguém e a partir destes cair nesta 
mesma emoção, a influência sugestiva do grupo induz a emoção em nós. Esta sugestionalidade, que 
distingue os grupos, aparece como um fator irredutível, primitivo, e fundamental na vida mental do homem. 
Pela falta de explicações sobre a natureza da sugestão o autor nos leva ao conceito de Libido, apresentado 
por Freud, uma energia emanada dos instintos que se remetem ao amor sexual, como um objetivo, sem 
isolar o amor em um sentido mais amplo. Essas tendências de amor amplo, segundo a pesquisa em 
psicanálise são expressões do mesmo impulso sexual, mas eles, porém, são forçados a ser projetados em 
atos aceitos socialmente.
O “Eros’’ de Platão coincide com esta teoria da libido e com esta força amorosa, ele é a simples tradução da 
palavra amor. O Eros une os laços entre tudo o que existe no mundo se constitui como a essência da mente 
grupal, porém, as instituições se escondem atrás das sugestões, o grupo permite que os seus membros 
sejam influenciados por sugestão e o fazem pela necessidade de harmonia com os outros do grupo.
5. Dois grupos artificiais: a Igreja e o Exército
É possível a existência de diversos tipos de grupos, Freud, porém dá uma maior notoriedade aos grupos sem 
líderes e aos grupos com líderes. E, procurando se contrapor à normalidade, Freud procurou analisar grupos 
que não são simples, mas que possuem uma estrutura altamente organizada, permanente e artificial. 
Grupos esses que são a Igreja e o Exército.
A Igreja e o Exército são grupos artificiais porque é necessária a existência de uma força externa e, muitas 
vezes, coercitiva para que se mantenham agregados e não que não haja alteração de sua estrutura. Uma 
prova disso é que muitas vezes as pessoas não têm direito de escolha em relação a qual religião irá 
professar.
Na Igreja e no Exército é evidente a existência de uma ilusão que há um líder que ama a todos igualmente. E 
esse amor é a base de todo o grupo, caso ele se dissolva todo o grupo também se dissolveria. Isso acontece 
porque é através desse amor ao líder que se propaga o amor aos demais membros do grupo. Freud destaca 
o fato da comunidade cristã se tratar como uma família, família essa que tem como base o amor de Cristo. O 
exército é semelhante à igreja nesse aspecto, porém tem como característica peculiar o fato de apresentar 
uma hierarquia bem organizada, onde cada patamar possui uma força psíquica diferente.
Nesses grupos, cada individuo é ligado ao seu líder e aos demais membros do grupo por laços libidinais, 
Freud não deixa claro como esses laços a natureza desses laços. Para Freud, a falta de liberdade do indivíduo 
em um grupo é pré-condição para a limitação e alteração apresentada em sua personalidade.
O pânico é um exemplo da influencia que os laços libidinais exerce sobre o grupo. Quando o grupo se 
desintegra, é eminente o surgimento do pânico. É importante frisar que a magnitude do pânico não é 
proporcional ao medo. Para McDougall, o pânico é uma função da mente grupal, premissa essa que leva a 
uma conclusão paradoxal. Os laços entre os membros se desfazem quando o laço com líder também se 
desfaz.
A dissolução de um grupo religioso não é fácil de observar. No livro Quando estava no escuro de Guy Thorne, 
podemos observar as possíveis conseqüências. Nele é a ressurreição de Cristo é questionada por achados 
arqueológicos e em consequência disso é notado um aumento no índice de criminalidade e dos atos de 
violência. Esses atos são cessados quando é descoberta uma conspiração que falseou provas.
Nisso podemos ver que se contrapondo ao exército, onde a sua dissolução promoveria o medo, a dissolução 
de um grupo religioso traria às pessoas a liberação de impulsos cruéis e hostis, impulsos esses que eram 
antes detidos pelos laços libidinais em relação a Cristo e aos demais membros do grupo. É importante notar 
que esse amor só é dedicado aos membros de grupo de semelhantes. Sendo assim, nenhuma religião é 
composta somente por amor, na verdade, as religiões apresentam traços de crueldade ao tratar de 
indivíduos que discordem de seu ponto de vista.
Para Freud, o fato de, na atualidade, essa intolerância religiosa se mostrar de forma mais branda se dá 
porque houve uma redução dos laços libidinais presente e dos sentimentos religiosos. Contrapondo assim a 
ideia de que houve uma suavização dos costumes humanos.
6. Outros problemas e linhas de trabalho
De forma inicial, Freud deixa claro que uma reunião de pessoas não constitui um grupo psicológico é 
necessário que os laços entre os membros do grupo sejam estabelecidos. Ele também levanta o 
questionamento se grupo sem lideres apresentariam um caráter menos primitivo e menos completos do que 
os grupos com lideres. Freud também levanta o questionamento se a existência de um líder é indispensável, 
sendo esse substituído por uma idéia que funcionaria como uma espécie de líder secundário.
Toda a relação intima é dotada de uma ambivalência de sentimentos. Porém quando se põe em questão a 
relação entre estranhos, podemos notar a existência do amor a si mesmo, ou seja, do narcisismo. Esse amor 
tem como fim a preservação do individuo.
Porém, quando o grupo se forma, os indivíduos tendem a se comportar de uma forma uniforme e deixam de 
lado as aversões e igualam-se entre si. Essa limitação de comportamento ocorre devido a força dos laços 
libidinais. Em geral, porém, esses laços não perduram muito tempo, durando apenas o tempo necessário 
para que o objetivo do grupo seja atingido.
No entanto, esporadicamente se formam grupos de trabalho que se prolongam e são formados nele laços 
libidinais tão fortes que perduram até depois do objetivo ter sido alcançado ou não. De modo semelhante, 
ocorre nas relações sociais o individuo escolhe como objeto de sua libido as pessoas, com fim de alcançar o 
suprimento de suas exigências vitais. E são esses laços libidinais, ou amor, que unem as pessoas e tornam 
possível a transformação do egoísmo em altruísmo, agindo assim como fator civilizador.
Sendo assim, os laços libidinais consistem na essência de uma formação grupal. Freud trás como 
questionamento a natureza desses laços, trazendo a tona o fato de que em geral consistem em catexias 
sexuais, ou seja, o desvio da libido sexual para outros objetivos. Porém, também fica claro que é possível a 
existência de outros tipos de laços emocionais, laços esses que são podem surgir de um mecanismo 
chamado de identificação.
7. Identificação
A identificação caracteriza-se como um laço emocional mais primitivo. Pode ser observada desde o 
complexo de Édipo no qual há uma identificação do filho com o pai tendo o pai como ideal, modelo esse 
desejo de ser o pai é tão grande que desperta um investimento sexual pela mãe. Nesse contexto há uma 
ambivalência no sentido que o menino sente em momentos ternura pelo pai e em outros deseja que ele se 
afaste por estar no caminho entre o filho e mãe interditando o incesto. Assim a identificação molda o ego de 
uma pessoa segundo o modelo tomado como ideal e enriquecendo o ego. 
8. Estar amando e hipnose
De acordo com o texto, o amor é um dos diversos tipos de relações emocionais e está presente desde o 
início da relação edípica. Deve ser salientado o fato de que quando o indivíduo está amando há uma sujeição 
desua parte para com o ser amado e, segundo Freud, amamos o outro por ele completar supostamente o 
nosso ego. Já na hipnose há momentos em que hipnotizador tem um poder superior ao do hipnotizado. 
Sendo assim,no momento do transe, o único objeto ao qual o hipnotizado presta atenção é o hipnotizador, 
ocupando esse um lugar de ideal do ego.
9. O Instinto Gregário
Segundo Freud, os membros de um grupo agem de maneira dependente uns dos outros. A limitação da 
capacidade intelectual, a falta de prudência na expressão das emoções, dentre outras características, 
demonstram um retorno da atividade mental a um estágio anterior, que pode ser encontrado em crianças e 
selvagens. As emoções e os atos pessoais só têm relevância se forem encontrados em outros membros do 
grupo, sendo esse fato visível quando representados pelas várias regras ditadas pelo grupo, como a opinião 
pública, por exemplo.
A sugestão exercida sobre o indivíduo não deve, segundo Trotter, ser admitida como sendo apenas do líder 
sobre os membros do grupo, mas também de cada indivíduo sobre o outro. Trotter argumenta que, 
juntamente com os instintos da auto-preservação, da nutrição e do sexo, o instinto gregário e considerado 
primário, e dele derivam os fenômenos mentais. Tal instinto é tido por esse autor como inato ao ser 
humano, que tende a combinar-se em unidades gradativamente maiores. Daí provém a ideia de que o 
indivíduo se sente incompleto quando sozinho, e o medo que as crianças sentem quando deixadas sozinhas. 
Quanto ao papel do líder, Trotter não confere muita importância, uma vez que, para ele, o líder é levado de 
maneira quase casual juntamente com o grupo.
Freud, ao citar Trotter, rebate essa concepção de instinto gregário. De acordo com o primeiro, o medo 
manifestado por crianças pequenas quando deixadas sozinhas não tem relação com o instinto gregário, 
como afirmava Trotter, mas sim com um desejo irrealizado da mãe, o qual a criança só consegue exprimir 
através da ansiedade e do medo. Esse medo é causado pela aproximação de um estranho, indo de encontro 
à ideia de instinto gregário de Trotter, que afirmava que tal presença iria diminuir o medo da criança. Assim, 
Freud argumenta que o instinto gregário não pode ser observado em crianças durante muito tempo. Ele 
começa a se desenvolver num grupo de crianças, em especial, na escola, quando uma criança sente ciúmes e 
hostilidade por outra, mas não pode manter essa atitude, sendo obrigada a identificar-se com as outras 
crianças. Nesse grupo formado, é essencial que haja justiça e tratamento igual para todos, de maneira que 
nenhum membro é mais especial do que o outro. A partir disso, surge na sociedade a justiça social, pela qual 
os membros do grupo abdicam de muitas coisas para que os outros não as tenham, sendo exigida uma 
igualdade da qual deriva a consciência social e o senso de dever.
Essa igualdade é exigida entre os membros do grupo e não do líder. Para Freud, o homem não é um animal 
gregário, mas sim um indivíduo num grupo chefiado por um líder, que é superior aos demais.
10. O Grupo e a Horda Primeva
Na obra Totem e Tabu (1912-13), Freud tentou explicar que a origem da sociedade humana esteve 
relacionada a uma horda primeva liderada por um macho poderoso, que foi assassinado, deixando a horda 
de ser paterna para se tornar uma comunidade de irmãos. Essa horda está presente na religião, na 
moralidade e na organização social. Dessa maneira, o grupo pode ser considerado como uma continuação da 
horda primeva.
Segundo Freud, desde o início existiram dois tipos de psicologia: a dos membros individuais e a do chefe. Os 
membros do grupo estabeleciam laços entre si, enquanto que o chefe era independente e só amava a si 
mesmo. Nos grupos de hoje, bem como na horda primeva, é essencial que os membros se sintam 
igualmente amados pelo chefe, mas este ocupa uma posição dominadora e narcisista, não precisando amar 
nem ser amado por ninguém. Todavia, ele não é imortal, de maneira que, ao morrer, deve ser substituído 
por um filho mais novo. Este novo chefe fazia parte do grupo como qualquer outro membro. Tal fato faz 
Freud supor que é possível a psicologia de grupo transformar-se em psicologia individual. Segundo a 
suposição do autor, o pai primevo forçava os membros do grupo à psicologia de grupo através da proibição 
destes a satisfazer os seus impulsos sexuais diretos. Quando um membro assume o lugar do pai, a 
possibilidade de satisfação dos seus desejos lhe permite sair da psicologia de grupo a atingir e seu narcisismo 
máximo.
Pode-se relacionar a Igreja e a horda primeva. Na Igreja, aquilo que mantém os indivíduos unidos é “a ilusão 
de que o líder ama todos os indivíduos de modo igual e justo.” (FREUD, 1969, p. 158). Para Freud, isso é 
somente uma adaptação da disposição da horda primeva, na qual “todos os filhos sabiam que eram 
igualmente perseguidos pelo pai primevo e o temiam igualmente.” (FREUD, 1969, p. 158) 
Freud discorre também acerca de uma relação existente entre a horda primeva e a hipnose. O hipnotizador 
diz possuir um poder que pode ser comparado ao poder emanado pelo chefe da tribo, que faz perigoso se 
aproximar dele. O hipnotizador tenta desviar a atenção do sujeito das suas intenções, de maneira que o 
sujeito mantém sua atenção apenas no hipnotizador, sendo o restante do mundo desinteressante para ele. 
Quando aquele que hipnotiza dá ordem para o sujeito dormir, ele se coloca na posição dos pais desse 
sujeito, ou seja, na condição de influenciador da mãe e de ameaçador do pai. Assim, o hipnotizador relembra 
no hipnotizado a relação de submissão e passividade em relação aos pais.
11. Uma gradação diferenciadora do ego
O ideal do ego, um construto do indivíduo, é composto de vários grupos, ou seja, várias mentes sociais 
permeiam esse ideal do ego, sendo algumas religiosas, outras de nacionalidade, raça. Estes vários grupos 
sociais, efêmeros, são responsáveis pela diminuição (ou desaparecimento, temporário) do eu individual em 
favor do eu grupal, ou seja, as individualidades são minimizadas pela identificação do indivíduo com a sua 
formação de grupo.
“O indivíduo abandona o seu ideal do ego e substitui pelo ideal do grupo” (FREUD, 1922)
Essa gradação diferenciadora do ego, que supõe a distinção entre o ego e o ideal do ego e as suas relações 
entre si, pode ser considerada como o núcleo de algumas patologias, pois o direcionamento da libido de si 
mesmo para outro objeto de amor, que não o eu, proporciona sensações desintegradoras no eu, até então 
narcísico. 
Quando ideal do ego e ego se fundem, o princípio do prazer emerge em forma de mania, o eu não está 
sendo abalado ou perturbado por nenhuma autocrítica do ideal do ego, suas inibições e autocensuras foram 
abolidas, porém quando a gradação diferenciadora do ego gera conflitos entre o ego e o ideal do ego, os 
delírios de inferioridade e a autodepreciação dirigidas do ideal ao ego, emergem em um estado de 
melancolia.
12. Conclusão
Nos escritos freudianos pode-se perceber a importância que os aspectos sociais podem ter na subjetividade 
dos indivíduos. Sendo o próprio ideal do ego o resultado dos aspectos sociais que permeiam o sujeito, ou 
seja, o contexto em que o sujeito vive irá influenciar sobremaneira os seus desejos e, consequentemente, o 
modo em que ele irá atuar sobre o mundo em que vive.
À medida que o individuo se socializa, ele vai substituindo o seu ideal de ego individual por um ideal de ego 
grupal, e essa substituição se dá através de diversos mecanismos, como a identificação. É notória então a 
influencia que os aspectos sociais têm sobre o sujeito, pois é através das interações sociais que esse se 
constitui. Essas conclusões foram feitas por Freud, e mostram o quanto é importante a leitura dos escritos 
psicanalíticos pelos que se interessam pela Psicologia Social, visto que eles têm um poder esclarecedor que 
podeser muito útil no entendimento do sujeito em sua totalidade.
Referencias bibliográficas
FREUD, Sigmund. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira. "Psicologia de 
Grupo e a Análise do Ego" (1921). Rio de Janeiro: Imago, 1996.

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