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GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 1 Expressão de um gene numa célula animal. DNA: COMPOSIÇÃO QUÍMICA DNA é um polímero linear de 4 desoxirribonucleótidos. Nucleótidos compostos por 2’-desoxiribose (açúcar de 5 carbonos), ácido fosfórico e 4 nitrogénios que contém as bases A,T,G e C. Duas das bases, A e G, tem uma estrutura de duplo anel e chamam-se purinas. As outras duas, T e C, tem uma estrutura de anel único e chamam-se pirimidinas. DIFERENÇAS ENTRE DNA E RNA DNA RNA DNA RNA GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 2 Emparelhamento entre DNA e RNA Segmento de DNA demonstrando a orientação antiparalela das cadeias complementares. Estrutura 3D da hélice dupla Ligações: Covalentes Hidrogénio -Fortes - Fracas -Estáveis - Dependem do meio ambiente - Transientes - Permitem alterar conformação 3D Emparelhamento por complementaridade A-T G-C GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 3 DNA, MOLÉCULA DA HEREDITARIEDADE Traços herdados são determinados pelos elementos de hereditariedade, os genes, que são transmitidos de pais para filhos durante a reprodução. Genes são compostos quimicamente por ácidos desoxirribonucleicos ou DNA. DNA foi descobertos em 1869 por Friedrich Miescher in 1869. Em 1920 foi observado através de estudos microscópicos com manchas especiais que o DNA está presente nos cromossomas. Em 1944 Avery, McLeod, and McCarty chegaram à primeira evidência que o DNA é material genético. EXPERIÊNCIA DE AVERY, MCLEOD E MCCARTY Identificaram a substância química responsável pela mudança de rugosidade, células não-virulentas de Streptococcus pneumoniae (R) em células infeciosas encapsuladas lisas (S): Atividade de transformação foi destruída por DNAse, mas não por RNAse ou protease. Conclusão: Fator de transformação que converte células R em S é DNA. EXPERIÊNCIA HERSHEY- CHASE Em 1952 mostraram que o DNA, não é uma proteína, é responsável pela atividade fagocitária das células bacterianas: DNA do fagócito radioativo entra nas bactérias após o anexo, mas a camada proteica o vírus permanece no exterior. DNA do fagócito direciona a reprodução do vírus para células bacterianas infetadas. A ESTRUTURA DO DNA É UMA DUPLA HÉLICE COMPOSTA POR DUAS CAUDAS ENTRELAÇADAS Em 1953, Watson and Crick propôs a estrutura tridimensional do DNA. DNA é uma hélice de dupla cadeia composta por uma sequência de pares de subunidades linear: nucleótidos. Nucleótidos contem qualquer uma das quatro bases: Adenina (A), Timina (T), Guanina (G) e Citosina (C). Uma característica central do DNA de cadeia dupla é emparelhamento de bases complementares: A com T e G com C. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 4 DNA é uma dupla hélice A espinha dorsal do DNA torce a hélice direita. Cada cadeia de DNA tem polaridade = direccionalidade. As cadeias emparelhadas estão orientadas para direções opostas = antiparalelas. NOTA: As cadeias de DNA podem ser separadas pelo aumento de temperatura e com alterações de pH, quebrando as pontes de hidrogénio. WATSON-CRICK- MODELO DE REPLICAÇÃO DO DNA As cadeias originais (parentais) do duplex estão separadas. Cada cadeia parental serve de molde para a produção da cadeia filha complementar, através do emparelhamento de pares de bases A-T e G-C. GENES E PROTEÍNAS Garrod estudou alcaptonúria e identificou a substancia excretada anormalmente= ácido homogentisico. Alcaptonuria resulta de um defeito metabólico que bloqueia a conversão de uma molécula de substrato para uma molécula de produto, numa via bioquímica devido à ausência da enzima requerida = bloqueio metabólico. No caso da alcaptonúria, um efeito metabólico que impossibilita ácido 1,2 dioxigenase de converter ácido homogentisico em ácido 4- maleilacetoacético na via da repartição de fenilalanina e tirosina. (imagem) Outra enzima defeituosa na mesma via, a fenilalanina hidroxilase (PAH), conduz à acumulação de fenilalanina que faz com que a condição conhecida como fenilcetonúria (PKU) seja comprometida. A incidência de PKU, caracterizada por retardo mental severo é de 1 em 8000 nascimentos Caucasianos. A enzima defeituosa resulta de um gene mutante. Genes afetam o organismo através da ação de proteínas A informação genética contida na sequência de DNA especifica um tipo partícula de proteína. Enzimas= proteínas que são catalisadores biológicos essenciais a atividades metabólicas nas células. Metabolitos= pequenas moléculas sobre as quais atuam enzimas. Em 1908, Archibald Garrod propôs que os defeitos de enzimas resultam em erros inatos de metabolismos= doenças hereditárias. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 5 GENES E PROTEÍNAS Em 1940, George W.Beadle and Edward L. Tatum, usaram filamentos de fungos Neurospora crassa, demonstrada que cada enzima é codificada por um gene diferente. A sua abordagem experimental, é chamada agora análise genética, levou à hipótese que um gene codifica uma enzima. ORGANIZAÇÃO DO GENE Organização do Gene de eucariota ▪ Promotor, exões, com ou sem intrões ▪ Cadeia codante e não codante ▪ Splicing dos exões -» transcrito ▪ Splicing alternado -» um gene – várias proteínas Organização do Gene de procariota ▪ Operões O Dogma Central da Biologia Molecular é um conceito que ilustra os mecanismos de transmissão e expressão da hereditariedade após a descoberta da sua codificação na dupla hélice do ADN. Propõe que existe uma uni direccionalidade na expressão da informação contida nos genes de uma célula, ou seja, que o ADN é transcrito no ARN mensageiro e que este é traduzido à proteína, elemento que por fim efetua a ação celular. O dogma postula igualmente que apenas o ADN é capaz de duplicar-se e, por conseguinte, reproduzir-se e transmitir a informação genética aos descendentes. A expressão de genes deve ser regulada em diferentes dimensões no tempo e no espaço, faz com que as células sejam diferentes. Em diferentes estágios do ciclo da vida, diferentes genes tem de ser ativados e desativados em resposta a diferentes estímulos. A expressão dos genes é dada pelo nível de proteínas que são produzidas por célula. Essa relação tem de ser extremamente definida porque se assim não for o organismo não se podia desenvolver como assim o conhecemos. Exemplos: -Durante a diferenciação sexual -Genes de hemoglobina diferentes na criança (desenvolvem-se rapidamente e precisa de muito oxigénio.) e no adulto (tem afinidade para o oxigénio). GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 6 TRANSCRIÇÃO = SÍNTESE DE RNA Transcrevem de uma linguagem de nucleótidos para outra de nucleótidos também. Refere-se à síntese de RNA utilizando DNA como molde. Um gene é transcrito a partir de uma única cadeia, cadeia lida pela RNA polimerase de 3’-> 5’, cadeia modelo. Apesar de haver genes codificados nas duas cadeias em geral, só uma cadeia é transcrita no momento naquela região. Pode haver 2 genes sobreposto na mesma orientação ou em orientação diferentes, mas enquanto é transcrito, é silenciado. Evidência em como RNA seria a molécula intermediária entre DNA e proteínas: - DNA está no núcleo mas as proteínas são sintetizadas no citoplasma - RNA é sintetizado no núcleo mas é exportado para o citoplasma. (Semelhante ao DNA: ribose em vez de desoxirribose + grupo OH, pirimidina é U em vez de T) A sequência de nucleótidos do RNA transcrito é complementar e antiparalela à sequência de pares de bases de DNA. No processo de síntese de RNA, forma-se uma ligação açúcar-fosfato entre o grupo 3-hidróxilo de um nucleótido e o grupo 5’-OH do trifosfato do nucleótido seguinte. A síntese de RNA não necessita do iniciador (primer). O RNA polimerase não precisa de sequência iniciadora pode iniciar síntese de nova molécula de ácidos nucleicos ao contrário da DNA polimerase. A enzima responsável pelo processo de transcrição é uma RNA polimerase. mRNA Eucariota ORF (Opening Reading Frame): Quadro de leitura definido entre o codão START e o STOP, leva a sequência de aminoácidos correta para produzir a proteína. ZONA 5’ não traduzida (5’UTR): Zona anterior ao 1º nucleótido e o RNA mensageiro em 5’ e o nucleótido imediatamente antes do codão START. (seguida por uma ORF) ZONA 3’ não traduzida (3’UTR): Do lado 3’ a partir do codão STOP e até à extremidade do RNA. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 7 O final da extremidade 3’ é sempre modificado pela inserção de um conjunto de nucleótidos, adeninas, (cadeia poli-A) que vão dar estabilidade ao RNA mensageiro e é inserida antes de ele poder sair do núcleo. O transcrito primário tem intrões e exões. A ORF é interrompida por segmentos não codantes, os intrões, que são removidos por splicing. Muitos dos genes tem intrões, sequências entre exões, sequências que vão estar no RNA mensageiro. Intrões removidos na transcrição em simultâneo por um processo que envolve um complexo, spliceossoma. A tradução de uma molécula de RNA mensageiro começa exactamente em uma extremidade e prossegue para outra: a iniciação da síntese proteica pode iniciar muitos nucleótidos a jusante do final da extremidade 5’. A cadeia de RNA é da extremidade 5’ a 3’. A montante (upstream) refere-se para a extremidade 5’. A jusante (downstream) refere-se para a extremidade 3’. Fatores requeridos para Transcrição Gene para ser transcrito Complexo de remodelação da cromatina RNA polimerase (I,II ou III> no núcleo) + Proteinas associadas ao RNA pol Fatores de Transcrição (TBP) Todos RNA mensageiros que codificam proteínas não começam no codão START mas sim, na extremidade 5’UTR que é a zona necessária para ribossoma se ligar ao RNA mensageiro. (inicio do RNA e codão START). Gene para ser transcrito, tem de se libertar da cromatina. A cromatina tem ser aberta para permitir transcrição nesse o gene para a máquina de transcrição possa aceder. Se a cromatina não abrir, o gene está enrolado em histonas mas as proteínas não se ligam. RNA Polimerase II transcreve genes codificam proteína. RNA Polimerase funciona num complexo com outras proteínas, complexo de iniciação de transcrição TFiiD no qual temos muitas proteínas que são fatores reguladores/de transcrição. GENE PROMOTOR A região do DNA que contém sequências que são os sinais para transcrever um gene é denominada promotor. Promotor básico é onde se liga o complexo básico da transcrição (complexo proteico) onde a RNA Polimerase vai entrar. RNA polimerase nos eucariotas não liga DNA. O início da transcrição começa no nucleótido +1 para cada transcrito que vai correr. A montante do nucleótido +1 é o promotor, zona de regulação. Normalmente o promotor básico está a -30 do nucleótido +1. -X Refere-se à localização de um dado par de bases a montante do local de início da transcrição (TSS- transcription start site) GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 8 O promotor e elementos promotores proximais Núcleo promotor: desde o sítio de iniciação da transcrição (TSS) incluído a CAIXA TATA. Elementos proximais do promotor: Dentro de 100 a 200 bp do sítio de iniciação da transcrição (CAIXA CCAAT, elemento GC-rico). PROMOTORES EUCARIOTAS CONTÉM: Uma região rica em TATA –25 a -30 do TSS + várias sequências reguladoras a montante - CAIXA CCAAT (frequentemente em –75) - CAIXA de GC (sequência de Gs e Cs) - Outras sequências de caixa localizadas a montante ou a jusante do TSS que maximizam o nível de transcrição chamado intensificadores. CAIXA TATA é o local onde ancora a RNA Polimerase e fica orientada para transcrever. Se a RNA Polimerase virar ao contrário não se vai ligar e depois não sabe para que lado transcrever. Se a CAIXA TATA for mutada, não é reconhecida e não há transcrição. A CAIXA TATA é importante porque lá liga-se uma proteína que faz parte do complexo TFiiD que é a proteína de ligação TBP. Depois liga-se o complexo e por fim a RNA Polimerase. Se as proteínas não se ligarem, a RNA Polimerase não se ancorar. A montante da CAIXA TATA é onde se ligam proteínas ativadoras, quando a cromatina vai abrir permite o acesso à maquinaria de transcrição mas esse acesso para além de histonas não agarra o DNA e permite seja fluido, permite escorregar entre as ribossomas. Condicionam a ligação da TBP à CAIXA TATA potenciando. NECESSIDADE DE POTENCIADORES (ENHANCERS) Interações entre: - TFs ligado nos potenciadores a montante. - E TFIID complexo ligado no promotor-núcleo é necessária in vivo antes de posicionamento de Pol II e iniciação de transcrição. POTENCIADORES As sequências de potenciadores são tipicamente bastante curtas (~ 20 pb) e são encontradas em vários locais ao redor do gene que elas regulam. Eles são frequentemente localizados longe do TSS e são capazes de funcionar como potenciadores, independentemente de sua orientação, mas principalmente em uma posição CIS. Eles são frequentemente alvos de regulação tecidual ou temporal. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 9 POTENCIADORES: ORGANIZAÇÃO Organizado em uma variedade de elementos modulares, embalados de perto e funcionando muito como um promotor. (Organização modular em caixas.) A diferença principal entre o potenciador e o promotor é operacional. Potenciadores ligam a proteínas de regulação da transcrição enquanto os Promotores a maquinaria de transcrição, tem diferentes formas de aturar sobre o DNA. Proteínas ligadas a sítios promotores interagem com aquelas ligadas a sítios potenciadores. São precisos para iniciar a transcrição mas não trabalham sozinhos, no aumento da transcrição. O conjunto de proteínas ativadoras que só existe em determinados lugares vão permitir a expressão de genes nesses locais ou nessas alturas. Proteínas só funcionam onde o gene pode funcionar. Se os genes não podem funcionar o que temos ligado nessas sequências são silenciadores, que são proteínas que não permitem a ligação do Complexo da Polimerase e reprimem a transcrição. Alguns elementos podem ser encontrados em ambos os lugares. PROMOTORES: FUNÇÃO Os potenciadores são componentes essenciais da organização genética em eucariotas porque permitem que os genes sejam transcritos apenas quando os ativadores de transcrição adequados estão presentes. Eles trabalham aumentando a concentração de ativadores perto do promotor. FACTORES DE TRANSCRIÇÃO Ligam o DNA ao promotor, ao potenciador e ao silenciador de formas específicas. Interagir com outras proteínas paraativar e aumentar a transcrição até 100 vezes acima dos níveis basais. Ou reprimir a transcrição no caso de silenciadores/repressores. Para haver transcrição tem de haver um complexo básico onde se liga a Polimerase. Tem de haver abertura da cromatina, para a ligação desse complexo e depois tem de existir um conjunto de proteínas ativadoras e silenciadoras que vão moderar a transcrição. Estão dependentes do tipo celular, da altura do desenvolvimento, do stress e da poluição. Células tem um proteoma (conjunto de proteínas produzido por uma célula num dado momento) que não é sempre o mesmo, muda com a alteração da expressão genética. Fatores de transcrição basal ligam-se à CAIXA TATA, os potenciadores ligam-se noutros locais mas interagem com estes últimos. Potenciadores regulam a transcrição e estão normalmente localizados em CIS, na mesma cadeia que o gene a ser transcrito, não tendo orientação não obrigatória. Efeito CIS- liga diretamente ao DNA. Efeito TRANS- proteína produzida por outro gene não liga diretamente ao DNA só liga a proteína regulada. Na CAIXA TATA, liga-se ao TBP, liga-se ao complexo de Iniciação Basal (Polimerase). Dentro do complexo forma-se uma espécie de túnel onde passa a cadeia de DNA que vai ser aberta, porque tem a proteína TFiiH (helicase). Helicase desenrola o DNA, corta ligações de DNA e permite a transcrição, A polimerase só se pode ligar a uma cadeia e não à cadeia dupla. “Cobrinha” é a extremidade C’ terminal da Polimerase. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 10 Complexo proteico roxo-> modelador interage com proteínas trans e não com o DNA. Mutar Polimerase, TFiiD ou TBP, altera a estrutura tridimensional do complexo e o complexo pode não funcionar e já não há transcrição. Mutar RNA Polimerase II alteram a função e são normalmente letais se alterarem a configuração. Fatores ativadores (CAT) são muito importantes, permitem/potenciam a ligação da Polimerase. Elementos reguladores que mapeiam perto de um gene são sequências de DNA de ação CIS PROMOTOR: Muito perto do sítio de iniciação do gene POTENCIADOR: - Encontra-se longe do gene - Ser revertido - Aumentar ou reprimir os níveis basais de transcrição. INICIAÇÃO DA TRANSCRIÇÃO DE UM GENE EUCARIOTA É UM PROCESSO COMPLEXO: RNA Polimerase requere Fatores de transcrição gerais e CAIXA TATA. FASES DE TRANSCRIÇÃO: INICIAÇÃO A eficiência e a especificidade do reconhecimento do promotor também dependem de Fatores de Ativador (AFs). Locais de ligação de AFs localizados ~ 100 pb a montante do início da transcrição. (ex: caixas CAAT e GC). O início da transcrição requer: - RNA Polimerase (RNA Pol). - Fatores de transcrição (TF). Muitos TFs atuam reconhecendo sítios de ação cis no DNA. O TF também pode reconhecer outro TF, a RNA polimerase, ou ser incorporado ao complexo de iniciação na presença de outros fatores. O complexo proteico formado por vários TFs deve reconhecer as sequências promotoras antes de recrutar o RNA pol. A CAIXA TATA alinha a Pol II, por meio de sua interação com a TFiiD, na posição correta para iniciar a transcrição no local correto, explicando a localização fixa da TATA (25 a -30). As interações entre os TFs ligados nos estimuladores a montante + complexo TFiiD ligado no promotor nuclear são necessárias in vivo antes do posicionamento da Pol II e iniciação da transcrição. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 11 ETAPAS: 1) Complexo ativador potencia a ligação da TBP à CAIXA TATA, formando o complexo de transcrição basal e a localização da Polimerase. 2) Quando a Polimerase está corretamente localizada e todas aquelas proteínas estão no sítio certo pode haver transcrição. FASES DE TRANSCRIÇÃO: ENLOGAÇÃO Uma vez posicionada a Pol II, 2 TFs adicionais ligam-se à cauda de CTD fosforilada a jusante da Pol II e fundem o dsDNA, permitindo que a Pol II seja libertada do complexo TFiiD. - Inicia-se a fase de alongamento. A CTD também se liga à enzima de capping (guanil transferase, adiciona o resíduo G na extremidade 5 ’do mRNA assim que é sintetizado). A CTD também se liga a fatores que recrutam fatores de splicing e fatores necessários para clivagem/poliadenilação da extremidade 3'. Então… Pol II participa também no processamento de RNA. ETAPAS: 1) Polimerase larga o complexo basal e todas as proteínas e vai avançar ao longo do gene e transcrever. 2) Só pode fazer isso quando a sua extremidade C’ terminal é fosforilada. Para os fatores que a acompanham como TFiiD, avançarem na cadeia. 3) Associada à polimerase estão as proteínas necessárias para processar o mRNA. Processamento do RNA é simultâneo à transcrição. Polimerase leva com ela várias outras proteínas que permitem a alteração a extremidade 5’ do RNA, assim que o mRNA é transcrito pela polimerase. A extremidade 5’ do RNA vai ser protegia porque ela é crucial para ser reconhecida pelo complexo ribossomal. Se o 1º nucleótido fosse degradado eixava de haver transcrição. Assim que é transcrito é alterado por uma guanil transferase que vai transferir uma guanosina e vai ter uma ligação diferente dos outros nucleótidos, esta impede as exonucleases (degradam ácidos nucleicos a partir das extremidades). 4) Extremidade 5’ protegida exonuclesases não podem destruir aquela extremidade, chama-se fazer o capping do mRNA. “Pôr chapéu” é imediatamente a seguir ao inicio da transcrição, junto com a polimerase vem a enzima necessária. 5) Remoção dos intrões ou splicing também acontece junto com o processamento. Junto com a Polimerase vem o complexo de remoção de intrões, spliceossoma (constituído por pequenos RNA’s e proteínas inseridas endonucleases e ligases que permitem reconhecer e remover intrões.) GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 12 FASES DE TRANSCRIÇÃO: TERMINAÇÃO Em contraste com a regulação aplicada no início da transcrição, a terminação é menos clara e parece menos regulada. Vai haver um complexo que contém uma nova Polimerase que é responsável por colocar a cauda de adeninas quando o gene acaba. No entanto, a extremidade 3 'do mRNA é na verdade devido a uma reação de clivagem no transcrito primário, ocorrendo durante o processamento pós-transcrição. COMO É QUE A POLIMERASE SABE QUE O GENE ACABOU? Quando existe uma sequência, no caso do eucariota, de um gene nuclear, chamada poliadenilação. Existe nos genes do DNA, no mRNA e é rica em A’s e T’s e é reconhecida por outra polimerase. Polimerase que só coloca adeninas. Quando reconhece, liga-se e está associada a uma endonuclease que corta o mRNA a seguir à sequência de poliadenilação e depois coloca a cauda de adeninas. RNA Polimerase II perde a cauda, há uma destabilização na estrutura tridimensional e ela vai largar e o complexo vai se desfazer. DNA fecha-se sozinho e depois o túnel fica enrolado. 5 'CAPPING: Ocorre na transcrição. A guanosil transferase adiciona 5’ metilguanosina (Cap) à extremidade 5’ de mRNA. O Cap é importante para o início da tradução e para a exportação do núcleo. Cauda 3 'poli (A): a sequência AAUAAA no RNA sinaliza um evento de clivagem no RNA. Poli (A) polimerase adiciona depois 150-200 A resíduos à extremidade 3 'do mRNA. A cauda poli (A) aumenta a estabilidade do mRNA em eucariotas. NOTA: SE NÃO HOUVER CAPPING, RNA NÃO SAI DO NÚCLEO. Função dos Complexos Cromatina-Remodelação 1) Proteína ativadora transcricional(TAP) liga-se ao seu local alvo no DNA. 2) TAP recruta TFiiD e TBP para a CAIXA TATA. 3) RNA Polimerase holoenzima junta-se ao complexo de transcrição. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 13 ATIVADORES: Estas proteínas ligam-se a genes em locais conhecidos como potenciadores e aceleram a taxa de transcrição. REPRESSORES: Estas proteínas ligam-se a conjuntos de genes selecionados em locais conhecidos como silenciadores e tornam a transcrição mais lenta. COATIVADORES: Estas moléculas “adaptadoras” integram sinais de ativadores e talvez repressores. FATORES BASAIS DE TRANSCRIÇÃO: Em resposta as ordens dos ativadores, estes fatores posicionam-se na RNA Polimerase no inicio da transcrição e dão inicio ao processo e transcrição. SPLICING (PROCESSAMENTO ALTERNATIVO) Genes humanos tendem a ser muito longos, mesmo que codifiquem proteínas de tamanho modesto. Gene humano médio ocupa 27 kb de DNA genómico, mas apenas 1,3 kb (~5%) é utilizado para codificar aminoácidos. A correlação entre exões e domínios encontrados em alguns genes sugere que os genes foram originalmente montados a partir de partes mais pequenas. O modelo de evolução de proteínas através da combinação de diferentes exões é chamado Modelo Exão Suffle. MECANISMO DE SPLICING O processamento de RNA ocorre em partículas nucleares conhecidas como spliceosomas. A especificidade do splicing vem dos cinco pequenos snRNP - RNAs denotados U1, U2, U4, U5 e U6, que contêm sequências complementares às junções de junção. U6 é geralmente encontrado em uma base complexa emparelhada com U4 na estrutura mostrada aqui. A destabilização da interação U4-U6 ativa o U6 para participação na reação de splicing. A interação U2-U6 é essencial para a reação de splicing. Note que o U2 se emparelha com o intrão na região do nucleótido A atacante. O U2 sozinho forma uma estrutura estável que dobra para trás. O processamento de um transcrito é iniciado por um ataque de um nucleótido A no 2' hidroxilo de um nucleótido G localizado na junção de junção 5'. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 14 MECANISMO GERAL DO SPLICING PROTEINAS REGULADORAS DE SPLICING SPLICING ALTERNATIVO A regulação também ocorre nos níveis de processamento de RNA. O splicing alternativo é uma forma de regulação gênica que resulta na geração de mRNAs alternativos a partir de um único gene. Diferentes padrões de emenda podem ocorrer em diferentes tecidos, resultando na expressão gênica específica do tecido. O splicing alternativo é uma importante fonte de complexidade genética humana. Embora o número de genes humanos exceda o de vermes ou moscas por um fator de cerca de dois, o número de diferentes proteínas humanas pode ser maior do que em vermes ou moscas por um fator de cerca de cinco. ESTRUTURA E FUNÇÃO DOS ATIVADORES TRANSCRIPCIONAIS Ativadores transcripcionais consistem em 2 dominios: - DOMINIO DE ATIVAÇÃO: Interage com outros componentes da maquinaria transcripcional (liga proteínas do complexo de transcrição) - DOMINIO DE LIGAÇÃO AO DNA: Reconhece a sequência especifica de DNA. Estrutura tridimensional de nucleótidos que liga a uma das zonas de aminoácidos de DNA que faz torções mais acessíveis à ligação. Ligação de formas diferentes. Ligação de uma proteína reguladora do gene ao maior sulco do DNA. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 15 Fatores de transcrição e domínios de ligação ao DNA DOMINIO DE LIGAÇÃO AO DNA: - PROTEINA ZINC-FINGER: Permite entrar entre as cadeias do DNA. - LEUCINAS ZIPPER: Conjunto de 2 cadeias Hélice ligadas por interações leucina-leucina. - HÉLICE-VOLTA-HÉLICE (HELIX-TURN-HELIX): Abraçam as cadeias quando se ligam ao DNA - HELIX-LOOP-HELIX Ativação ou repressão da transcrição Interação com outras proteínas AÇÃO SINÉRGICA DE ATIVADORES TRANSCRIPCIONAIS Diferentes ativadores de transcrição podem interagir com o fator de transcrição geral TFiiD através da ligação a diferentes fatores associados a TBP (TAFs). -Diferentes fatores de transcrição ligam melhor quando existe uma estrutura já ligada. Genes Eucariotas são regulados pela combinação de proteínas Em muitos casos, um TF pode ligar-se a um elemento de DNA com elevada afinidade, apenas quando complexado com uma segunda TF. Tal ligação cooperativa de DNA adiciona mais complexidade à regulação dos genes. Nomeadamente, um certo TF vai ligar ao seu elemento de DNA apenas se o seu parceiro e interação é também expresso. 2 TF é mais estável. Genes eucariotas é um conjunto de proteínas que cooperam nas ligações. SILENCIADORES Alguns genes também são submetidos à regulação por silenciadores transcripcionais. Estas são sequências nucleotídicas curtas que são alvos para proteínas de ligação a ADN (DBPs). Uma vez recrutados para o local, os DBPs promovem a montagem de grandes complexos proteicos que impedem a transcrição dos genes silenciados. Ex: proteínas PcG (Polycomb group) em Drosophila silence certos genes durante o desenvolvimento. Altera a estrutura tridimensional e a polimerase já não se liga. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 16 Ação de Repressores Eucariotas Alguns repressores bloqueiam a ligação de ativadores a sequências reguladoras. Ligam ao DNA e ocupam o espaço perto do ativador, e este não se liga. Outros repressores têm domínios de repressão ativos que inibem a transcrição por interações com TFs gerais. Um papel importante dos repressores pode ser inibir a expressão de genes específicos do tecido em tipos celulares inapropriados. Permite transcrição na altura certa, ou na altura da vida do DNA. Ex: Um local de ligação ao repressor no intensificador de imunoglobulina é pensado para contribuir para a sua expressão específica de tecido por suprimir a transcrição em tipos de células não linfoides. RNA POLIMERASE NUCLEAR EM EUCARIOTAS Complexos grandes com múltiplas subunidades (alguns comuns a todos os 3 tipos). Três tipos: -Pol I sintetiza rRNA no nucléolo. -Pol II - sintetiza essencialmente mRNAs e snRNAS no nucleoplasma. -Pol III - sintetiza genes de RNAt, o componente 5S do rRNA e outros pequenos RNAs também no nucleoplasma. PROMOTOR POL II A subunidade Pol II maior tem um domínio carboxi-terminal contendo repetições múltiplas de heptâmero e pode ser altamente fosforilada. Isso está envolvido na reação de iniciação. Requer TFs gerais para iniciar a transcrição. Caixa TATA (octâmero rico A-T) ou Iniciador + DPE (AGAC) no promotor principal. TFiiD (TBP + 11 TAFs = fatores associados ao TBP) forma o fator de posicionamento para a Pol II. GEME PROMOTOR (2) Cada promotor contém conjuntos característicos de motivos conservados (locais de ação CIS) reconhecidos pelas classes apropriadas de fatores, motivo de início de consenso (Py2CAPy5). Sequências em CIS onde se ligam os fatores. Por cima do DNA proteínas ligadas em TRANS. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 17 Os promotores da Pol II são os mais diversos e complexos e possuem uma organização modular. Porque tem uma CAIXA TATA, CAIXA CAT e CAIXA GC. Caixas queremos dizer sequências de DNA definidas onde se ligam fatores coaguladoresou de transcrição. Há genes sem CAIXA TATA, vão ter no início de transcrição uma sequência onde se liga a proteína iniciadora que se vai posicionar no sitio certo para posicionar TBP e o resto das proteínas também. Com ou sem CAIXA TATA há sempre posicionamento de TBP diretamente no DNA ou via uma proteína reguladora. Polimerase II nunca se pode ligar a um complexo diferente de TFiiD. Elementos de sequência curta reconhecidos pelos TFs ficam a montante do SPT dentro de uma região espalhada acima de> 200 pb= formando o promotor basal. PROMOTOR REGULADO VS CONSTITUTIVO REGULADO São específicos, eles identificam classes particulares de genes ou funções. - Regulação tem a ver com a interação de vários fatores se 2 faltarem numa célula, a transcrição vai ser diferente. Combinação e coordenação para modelar a transcrição. Expressos apenas em certos momentos/locais, possuem elementos de sequência que ligam os TFs presentes apenas em intervalos espaciais/temporais específicos. CONSITUTIVO Elementos promotores são encontrados em muitos promotores diferentes. - Há genes que estão mais ou menos sempre a ser transcritos, genes para funções básicas da célula. Os sítios a montante são reconhecidos por ativadores onipresentes. No entanto, nenhuma combinação elemento/fator é um componente essencial do promotor. Todos os promotores de Pol II têm elementos de sequência próximos do início da transcrição, os quais são utilizados pelo aparelho basal e isto estabelece o local de iniciação da transcrição. Além disso, as sequências mais a montante determinam se um promotor é (i) expresso em todos os tipos de células ou (ii) especificamente regulado. COMO É QUE A POLIMERASE ENCONTRA O GENE A SER TRANSCRITO? Tem de saber onde se liga e para isso a cromatina abre e permite a ligação do complexo de transcrição TFiiD. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 18 ESTRUTURA DOS CROMOSSOMAS Os cromossomos eucarióticos são complexos estáveis altamente enrolados (proteção e garantir o funcionamento correto da célula) de DNA e proteína denominados cromatina. Cada cromossomo eucariótico contém uma única molécula de DNA de enorme comprimento. O mais longo é o cromossomo 1 com 85mm, o mais curto é o cromossomo 22 com 17mm. Algumas das proteínas presentes na cromatina determinam a estrutura dos cromossomas e as mudanças na estrutura durante o ciclo celular (histonas). Outras proteínas da cromatina parecem ter papéis importantes na regulação das funções cromossômicas e na transcrição genética (complexos de remodelação, fatores de transcrição, intensificadores, silenciadores, mediadores, etc.) Durante a divisão celular não há transcrição, cromatina está condensada e o complexo de transcrição não consegue lá chegar. Só consegue lá chegar se os nucleossomas permitirem a chegada de TFiiD. - O cromossoma metafásico é uma hierarquia de bobinas enroladas. (isto é, vários níveis de "compressão"). ESTRUTURA DA CROMATINA O nucleossoma é a unidade estrutural básica da cromatina. Cada nucleossoma é composto de uma partícula central, ~ 55 pares de bases de DNA chamado DNA ligante que liga partículas do núcleo adjacentes e uma molécula de histona H1 que se liga à partícula central e ao DNA ligante. As histonas são pequenas proteínas altamente conservadas entre diferentes organismos. Cada partícula de núcleo é composto por um octâmero (8 moléculas) de pares cada uma das histonas H2A, H2B, H3, e H4 e um segmento de DNA que contém cerca de 145 pares de bases. DNA enrola nucleossoma em cerca de duas voltas. O DNA mantêm-se enrolado porque as histonas tem carga positiva (+) e o DNA é carregado negativamente (-). As extremidades N’ terminal das histonas agarram o DNA. Para verificarmos se o DNA está protegido com o enrolamento, agarramos na cromatina e mergulhamos numa solução de nucleases (enzimas que degradam ácidos nucleicos e que normalmente há corte). Não vai acontecer nada só aos bocadinhos de DNA que saltam fora das histonas. Para haver transcrição o DNA tem de ser libertado das histonas. No núcleo de uma célula não dividida, as fibras da cromatina formam territórios cromossômicos distintos. Existem nichos (locais específicos onde há mais transcrição), os genes mais transcritos são mais para o núcleo. Territórios cromossômicos estão correlacionados com densidades genéticas. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 19 Territórios de domínios cromossômicos que são relativamente ricos em genes tendem a se localizar em direção ao interior do núcleo. Os nucleossomas se enrolam para formar uma estrutura de DNA de ordem superior chamada de fibra de cromatina de 30 nm. Os espaços entre os domínios da cromatina formam uma rede de canais grandes o suficiente para permitir a passagem da maquinaria molecular para replicação, transcrição e processamento de RNA. A replicação ocorre em pequenas regiões discretas que exibem um padrão temporal e espacial reprodutível, e a transcrição ocorre em algumas centenas de locais distintos. Genes a ser transcritos estão inseridos em zonas que são ricas neste complexo de remodelação da cromatina, vão poder abri-la. E também são ricos em polimerases e proteínas de TFiiD. Tanto a transcrição como a replicação ocorrem nos locais que estão enriquecidos com as proteínas necessárias. O cromossoma metafásico é uma hierarquia de bobinas enroladas. Regiões compactas e fortemente coradas de cromatina são conhecidas como heterocromatina, que consiste principalmente de sequências de DNA não-codificantes altamente repetidas - DNA satélite. (Perto das extremidades) O restante da cromatina, que se torna visível somente após a condensação cromossômica na mitose ou na meiose, é chamado de eucromatina. (Perto do centrómero) O número de genes localizados na heterocromatina é pequeno em relação ao número da eucromatina. As proteínas histonas são básicas: - Contém muitos aminoácidos com carga positiva: lisina e arginina. - Ligam-se com fosfatos ao longo da espinha dorsal do DNA. Há 5 tipos de histonas: - H2A, H2B, H3 e H4 as histonas centrais. - Duas de cada compõem o octâmero. H1 é a histona vinculadora - Liga ao vinculo do DNA - Também liga aos nucleossomas: mas não tão firmemente quanto são as histonas centrais. Heterocromatina vs Eucromatina O nível de compactação dos cromossomos em interfase não é completamente uniforme. EUCROMATINA: - Regiões menos condensadas dos cromossomos. - Transcripcionalmente ativo. - Regiões onde a fibra de 30 nm forma domínios de loop radial. HETEROCROMATINA: - Regiões fortemente compactadas de cromossomos. - Transcripcionalmente inativo (em geral). - Domínios de loop radial compactados ainda maisA heterocromatina à esquerda é caracterizada por metilação do DNA e histonas desacetiladas, é condensada e inacessível a fatores de transcrição. (conformação de cromatina fechada). A eucromatina à direita está em uma forma solta e transcricionalmente ativa. O DNA não é metilado e as caudas de histonas acetiladas. (conformação da cromatina aberta) GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 20 PONTOS-CHAVE Importância da transcrição: transcrição como um alvo para a regulação do gene. Acessibilidade dos genes à transcrição: a importância da embalagem da cromatina. - Fatores de remodelação - Modificações das histonas Os jogadores: - Fatores de transcrição- RNA polimerase - Intensificadores e silenciadores Organização modular de promotores. Regulação: tempo/presença espacial de TFs, promotores diferenciais, splicing alternativo. Níveis da estrutura de cromatina - DNA ativo/inativo dependendo do tipo de organização. Papel da cromatina na regulação eucariótica - DNA nu vs estrutura cromatina - Cromatina condensada: Heterocromatina vs Eucromatina - O empacotamento de DNA em nucleossomas produz uma fibra de cromatina ~ 10 nm de diâmetro. A cromatina é ainda condensada enrolando-a numa fibra de 30 nm, contendo cerca de seis nucleossomas por turno. Embalagem de DNA promotor em nucleossomos pode afetar o início da transcrição Nucleossoma Remodelação do complexo de cromatina Proteínas modificadoras de histonas (metilação, acetilação) GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 21 Para que a maquinaria seja acessível ao gene é preciso uma reconfiguração da cromatina, modificações das histonas. Como a cromatina vai abrir-se? Proteínas ativadoras conseguem ligar-se a zonas da cromatina que está mais aberta, esses fatores recrutam as acetilases (HAT) vão acetilar as extremidades N’ terminal das histonas. E permitem abertura do DNA, deixa de estar preso nos nucleossomas e pode rodar à volta dos nucleossomas nas zonas que estão perto da proteína acetilase. Junção dessas 2 coisas permite a transcrição. Ligam-se fatores de transcrição, posiciona-se a polimerase e nucleossomas afastados. Há um túnel onde o DNA é desenrolado e a polimerase avança e o mRNA vai sendo produzido. Atrás o DNA vai fechando e à frente vai abrindo. Extremidades N’ terminal histonas- aminoácidos nomeadamente lisinas (são acetiladas) CÓDIGO DAS HISTONAS Por que o padrão de modificações químicas especifica quais regiões do genoma são expressas em um determinado momento. Histona octâmero; duas cópias de H2a, H2b, H3 e H4. Proteínas mais conservadas na natureza. As extremidades do terminal N das histonas são salientes das caudas histonas do nucleossoma. As caudas de histona podem ser modificadas reversivelmente; acetilação e metilação da lisina covalente. Grupo amino no final da cadeia lateral da lisina + histona acetilada acetil CoA. Código das histonas é o padrão de alterações químicas: acetilações, metilações, fosforilações que afetam- nas e permitem-nas ter uma função primordial na regulação da transcrição. Ao captar DNA libertam RNA. Acetilases, metilases, deacetilases, fosforilases, ciclastinases- são cruciais para regulação correta da transcrição. COMPLEXOS DE REMODELAÇÃO DA CROMATINA (CRCs) Pode reestruturar a cromatina e permitir que ela seja transcrita. Pode romper a estrutura do nucleossoma sem deslocá-los ou reposicionar os nucleossomas, tornando acessíveis os principais locais de ligação ao DNA. Use energia derivada do ATP para reestruturar a cromatina. O mecanismo molecular da remodelação da cromatina é desconhecido. A)Conformação inativa: A cromatina nativa não pode ser transcrita, os locais de ligação ao DNA são inacessíveis. B)Recrutamento de CRC: Os complexos de remodelação de cromatina (CRCs) perturbam ou reposicionam os nucleossomas, permitindo o acesso aos locais de ligação ao DNA. C)Ligação a sítios expostos GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 22 RNA polimerase holoenzima prestes a juntar-se o complexo de transcrição. D)Conformação ativa: TAP recruta TFiiD e TBP para a caixa TATA. Proteína ativadora transcripcional (TAP) se liga ao local alvo no DNA. Complexo de remodelação de cromatina o que vai fazer é uma vez cromatina aberta, ele permite o desenrolar do DNA dos nucleossomas. Se a acetilação permite libertar o DNA, quando se remove vamos fechar o DNA e não permitir a transcrição. Repressor ligado a enzimas de desacetilação. Extremidades N’terminal adquirem outra configuração e o DNA fica preso. A desacetilação da histona é uma forma de reprimir a expressão gênica As caudas N-terminais das histonas centrais (H3) são modificadas pela adição de grupos acetilo (Ac) às cadeias laterais de resíduos específicos de lisina. Ativadores e repressores transcricionais estão associados a coativadores e corepressores que têm atividades de desacetilase (HDAC), respectivamente. A acetilação da histona é característica da cromatina ativamente transcrita e pode enfraquecer a ligação das histonas ao DNA ou alterar suas interações com outras proteínas. EFEITOS EPIGENÉTICOS NA REGULAÇÃO GENÉTICA “Estudo de alterações mioticamente e/ou hereditárias na função genética que não podem ser explicadas por mudanças na sequência do DNA.” Epigenética refere-se a alterações hereditárias na expressão de genes que não são devidos a alterações na própria sequência de ADN, mas a qualquer modificação química de bases, ou fatores de proteína ligadas com o ADN. REGULAÇÃO EPIGENÉTICA Metilação DNA: Pode ser metilado nos grupos GC, guanina e citosina. Acontece nas zonas ricas nestes grupos e sempre primeiro numa citosina e depois numa guanina. Não há transcrição, exemplo é o cromossoma X não funcionar nas mulheres (compensação do DNA em relação aos homens). Interação de proteínas de metilação com histonas. Mudanças na configuração da cromatina GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 23 Imprinting: Metilações específicas de certos genes. Associadas à passagem de informação de sexos. Alterações na configuração as proteínas. Mudanças na configuração da proteína Na maioria das eucariotas superiores, uma proporção de base de citosina é modificada pela adição de um grupo metil (CH) ao átomo de carbono 5. As citosinas são incorporadas não modificadas durante a replicação do DNA, e o grupo metil é adicionado por uma enzima chamada DNA metilase. Três principais mecanismos de epigenética herdável. A expressão gênica de mamíferos é rigidamente controlada por mecanismos genéticos e epigenéticos. A epigenética modifica o fenótipo sem alterar o genótipo de uma célula. Mostramos aqui alguns mecanismos epigenéticos bem definidos que modificam as histonas. Metilação do DNA e modulação mediada por RNA não codificante da expressão genética. Alguns desses mecanismos são hereditáveis. Não há alterações na cadeia de nucleótidos. Alterações químicas nas histonas Já engloba os microRNAs, alterações no RNA que permitem regular transcrição e tradução. Informação não genética e sequência (metilação DNA) inclui. Cascata de eventos também é coordenada. Histona H3 vai ser alterada fosforilada/acetilada vai abrir. FORNECIMENTO DE ACESSO AOS SÍTIOS DE LIGAÇÃO DA PROTEÍNA NUCLEAR a) Alterando a estrutura do nucleossoma b) Induzindo o deslizamento de nucleossomas c) Deslocando o nucleossoma para outro DNA: Com a remodelação das histonas. A ligação de uma molécula ativadora (A) ao seu sítio de ligação (ABS) pode melhorar tanto a ligação de TFiiD à TATA CAIXA (a) como o recrutamento do fator TFiiD (b), aumentando assim a taxa de montagem do complexo basal e de transcrição. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 24 Os recetores nucleares podem alterar a estrutura da cromatina recrutando complexos de remodelação da cromatina, como SWI / SNF, e recrutando co-ativadores, como o CBP, com a capacidade de modificar as histonas. O recetor de estrogênio (ER) pode recrutar a enzimatopoisomerase IIbeta (T), que pode introduzir uma quebra de cadeia dupla no DNA. Isso permite que a cromatina relaxe e se desenrole, permitindo que sua estrutura seja alterada para que a transcrição possa ocorrer. Após a ativação por andrógeno, o receptor androgénico (AR) recruta a proteína JHDM2A (J) que desmetila a histona H3 dentro do nucleossoma (N) produzindo uma estrutura mais aberta da cromatina. A ligação do complexo hormonóide esteroide-receptor esteróide ao promotor de um gene induzível por esteróides resulta numa alteração na estrutura da cromatina, criando um local hipersensível e permitindo que os factores de transcrição constitutivamente expressos preexistentes se liguem e activem a transcrição. Observe que a ligação desses fatores constitutivos pode ocorrer porque o receptor desloca totalmente um nucleosoma do DNA, como mostrado no diagrama, ou porque altera a estrutura do nucleossomo, de modo a expor locais específicos de ligação no DNA. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 25 Receptores de Glucorticóides é uma proteína que liga o DNA, mas tem de haver abertura da cromatina. SWF/SF complexo de remodelação. Se a reposta e positiva os recetores associam-se ao SWF/SF. E já se pode ligar ao DNA e realizar a sua função de transcrição dos genes alfa. Cooperação de uma proteína com o complexo TFiiD vai permitir melhorar a cooperatividade de ligação a estas proteínas. SWF/SF associado ao complexo SG2P vão permitir a abertura da cromatina. E o receptor de estrogénios a mesma coisa. Aqui estamos a falar do recrutamento da topoisomerase (enzima promove a abertura da cadeia de DMA) PROCESSAMENTO DO RNA (depois da transcrição) A cópia de RNA de um gene codificador de proteína deve ser modificada de várias maneiras antes de poder ser transportada para fora do núcleo e traduzida em proteína. Enquanto o gene está sendo transcrito, o produto primário de transcrição já está sendo processado. Ambas as extremidades do pré-mRNA são modificadas. - Um nucleótido adicional, 7-metilguanosina é adicionado à extremidade 5 'para formar uma estrutura de cobertura. Esse processo é chamado de capping. - A extremidade 3' do pré-mRNA é clivada e poliadenilada. O pré-mRNA é cortado num local específico e 150-200 resíduos de adenilato são adicionados ao extremo 3' para formar uma cauda poli (A). - A terceira grande modificação é o splicing. A maioria, mas nem todos os genes eucarióticos, contêm partes que estarão presentes no mRNA maduro, nos exões e em partes que não farão parte do mRNA maduro, os intrões. Simultaneamente processado e envolve 3 pontos: As alterações na extremidade 5’, processamento de exões e intrões, alterações na extremidade 3’ para inserção da cauda de adeninas. Muito importante que a extremidade 5’ do RNA não seja degrada que é para ir ocorrendo o bom funcionamento do RNA. Inserção no final do processo da cauda de adeninas, após uma sequência que é a sequência de poli- adenilação. ENCAPSULAMENTO (CAPPING) DO 5 'FINAL DE TRANSCRITOS DE RNA NASCENTE COM 7'- METILGUANILATO (M7G) As duas primeiras reações são catalisadas pela enzima capsular que se associa com o terminal C fosforilado da RNA polimerase II logo após o início da transcrição. Duas metiltransferases diferentes catalisam as reações 3 e 4.A S-adenosilmetionina (S-Ado-Met) é a fonte do grupo metilo (CH3) para os dois passos de metilação; o guanilato (G) é primeiro metilado, depois o 2'-hidroxilo do primeiro ou dois nucleótidos (N) no transcrito. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 26 PRE-mRNAS SÃO CLIVADOS EM ESPECÍFICOS LOCAIS 3' E RAPIDAMENTE POLIADENILADOS. Em células de animais, todos os mRNAs, exceto histona mRNAs, têm uma cauda de 3′ poli (A). Sequenciamento precoce de clones de cDNA de células animais mostraram que quase todos os mRNAs contêm a sequência AAUAAA (reconhecida pela polimerase) 10 - 35 nucleótidos a montante da cauda poli (A). EM RESUMO: (1) Um transcrito de RNA primário do gene sofre vários processos de maturação, como o 5'-capping, splicing, 3’ processamento e poliadenilação. (2) A edição de RNA é um dos mecanismos pós-transicionais que introduz mudanças nas sequências de RNA codificadas pelas sequências do genoma. Após a inserção da cauda de adeninas, o RNA pode sair do núcleo para o citoplasma. E ai vai ser traduzido no citoplasma. Após a transcrição, o mRNA pode ser editado, isso quer dizer que é alterado pela inserção ou remoção de nucleótidos e dá origem a um mRNA que não corresponde ao gene. Permite aumentar a diversificação das proteínas e especificidade para certos tecidos. TRADUÇÃO Mudar linguagem de nucleótidos para aminoácidos. A tradução começa a partir de um ponto fixo, definido pelo codão iniciador do RNA e a partir dai define-se o quadro de leitura, a sequência de codões que codifica para a proteína. E no final, existe um codão STOP que indica o fim. Existe um único quadro de leitura mantido durante todo o processo de tradução. Cada codão consiste em três nucleótidos. Código não é sobreposto. O código é degenerado: cada aminoácido é especificado por mais de um codão. Qualquer inserção ou deleção leva a alteração do código e do quadro de leitura, maneira como é lido o código. Nota: O código genético é a lista de todos os codões e os aminoácidos que eles codificam. A síntese de cada molécula de proteína em uma célula é dirigida por um mRNA originalmente copiado do DNA. mRNA sai do citoplasma, vai ser reconhecido por um complexo de fatores de iniciação da produção que se ligam na sua extremidade 5’ (a que tem alteração no final da transcrição). Inicia-se a tradução. A produção de proteínas inclui dois tipos de processos: - Processos de transferência de informação, nos quais a sequência de bases do RNA determina uma sequência de aminoácidos - Processos químicos, nos quais os aminoácidos estão ligados entre si. A série completa de eventos é chamada de tradução. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 27 O sistema de tradução consiste em cinco componentes principais: - RNA mensageiro: é necessário mRNA para fornecer a sequência de codificação de bases que determina a sequência de aminoácidos na cadeia polipeptídica resultante. - Ribossomas são partículas nas quais a síntese de proteínas ocorre. - Transferir RNA: tRNA é uma pequena molécula adaptadora que traduz codões em aminoácidos - Sintetases de aminoacil- tRNA: conjunto de moléculas catalisa a ligação de um aminoácido particular à sua molécula de tRNA correspondente. - Fatores de iniciação, alongamento e terminação. RNA que sai do citoplasma é algo que vai ser reconhecido, copiado e traduzido para proteína. Este sistema de tradução implica atos parceiros. Precisamos da cadeia de RNA, ribossomas, tRNA, enzimas capazs de inserir os aminoácidos (iniciação, elongação e terminação). Fatores associam-se ao mRNA produzido pela polimerase II. Começamos na tradução pelo reconhecimento da ext 5’, existem fatores que são identificados como eEF’s que reconhecem-na e ligam-se a ela. Quando se ligam permitem a ligação do tRNA especial que é a metionina que vem associado a mais proteínas, iniciador tRNA e capta a pequena subunidade do ribossoma que forma o complexo. 5’UTR- não codante Precisam da cadeia não codante antes do iniciador. Precisam de espaço para o complexo se associar. Ligação dos fatores de iniciação que vão recrutar o tRNA iniciador (metionina)contém o anti-codão que vai reconhecer o codão iniciador e a pequena subunidade ribossomal eucariota é 40S. Desloca-se na direção 5’-3’ até que o codão até que o codão iniciador vá reconhecer e ancorar o complexo ribossomal (iniciador). A subunidade 60S vai associar-se e o complexo fica completo com a grande subunidade ribossomal, tradução pode iniciar. TRADUÇÃO: INICIAÇÃO Em eucariotos, a iniciação ocorre por digitalização (scanning) do mRNA num codão de iniciação. No início da tradução, a extremidade 5' no mRNA é instrumental. O fator de elongação eIF4F liga-se ao cap e recruta eIF4A e eIF4B. Isso cria um local de ligação para um tRNAMet carregado (um tRNA iniciador), ligado ao fator de elongação eIF2, e uma pequena subunidade ribossómica 40S juntamente com eIF3 e eIF5. Todos estes componentes juntam-se cap 5' e formam o complexo de iniciação 48S. O complexo de iniciação move-se ao longo do mRNA na direção 3 ', procurando pelo primeiro codão de metionina inicial, AUG. Nesse ponto, o eIF5 causa a liberação de todos os fatores de iniciação e o recrutamento da grande subunidade ribossómica 60S. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 28 Esta subunidade inclui três locais de ligação para moléculas de tRNA: o local E (saída), o P (peptidilo) e o local A (aminoacilo). No início, o tRNAMet está localizado no sítio P e o sítio A é o próximo na fila a ser ocupado. A ligação de tRNA realizada por ligação de hidrogénio entre o codão AUG no mRNA e o anticodão de três bases no tRNA. tRNA posicionado no sitio P, onde se forma o péptido, fase de iniciação terminada. TRADUÇÃO: ELONGAÇÃO Na primeira etapa da elongação, a subunidade 40S move o codão mais ao longo do mRNA, e o tRNA carregado correspondente ao novo codão é trazido para o sítio A na subunidade 60S. Uma atividade da peptidil-transferase catalisa uma reação acoplada em que a ligação que liga a metionina ao tRNAMet é transferida para o grupo amino do aminoácido seguinte, formando a primeira ligação peptídica. Na etapa seguinte, a subunidade 60S oscila para a frente para alcançar a 40S e, ao mesmo tempo, os tRNA nos locais P e A da subunidade grande são deslocados para os locais E e P, respetivamente. Um ciclo de elongação está completo, outro vai recomeçar para o próximo codão. Eucariotas sintetizam uma cadeia polipeptídica à velocidade de ~15 aminoácidos por segundo. Em procariotas, é um pouco mais rápido (cerca 20 aminoácidos por segundo), mas o processo básico é muito semelhante. Aminoácidos vão poder ser associados à tRNAMet, vão entrar na cavidade e reconhecer o codão seguinte, posicionando-se no sitio A. É preciso ligar a metionina à fenilanina, existe entre estas extremidades a enzima peptidil-transferase que vai carregar a metionina para cima da fenilanina (ligação peptídica estabelecida entre as duas). E a metionina é cortada do tRNA e fica ligada ao RNA da fenilamina, vai ser cortada do complexo. Quando isso acontece vai avançar mais um triplet. tRNA da metionina fica no sitio de saída e o RNA da fenilamina. E o sítio A fica agora em frente ao novo triplet. Processo necessita de energia e é rápido. TRADUÇÃO: TERMINAÇÃO Quando aparecer um codão STOP: - O tRNA que contém uma cadeia polipeptídica no local P - um fator de libertação (fator de liberação-RF) liga o ribossoma. - Hidrólise de GTP que fornece energia para cortar o polipéptido do tRNA ao qual está ligado no sítio A. Sítio A contém os fatores de libertação eEF que reconhecem o codão STOP, catalisam o processo e corte da cadeia nascente dos aminoácidos e inserção da extremidade C’ terminal no último aa. As subunidades 40S e 60S do ribossoma são recicladas e utilizadas na tradução de outro mRNA. Ou seja, há a separação e desmantelamento do complexo ribossomal. Em eucariotas, há apenas um fator de defesa que reconhece os 3 códigos stop: UAA, UAG e UGA. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 29 Existem patologias que contém tRNA’s que sofrem mutações e reconhecem o codão STOP. Na extremidade 3’, os nucleótidos não estão alterados e a cauda de adeninas vai ser comida por endonucleases. No tempo em que é traduzida, a extremidade não é destruída. Na degradação da extremidade 3’ pode haver ligação de microRNA’s, ou o que veremos mais tare pela formação de estruturas secundárias que se ligam a proteínas que degradam a extremidade 5’ e degradam o complexo ribossomal. Traduzidas proteínas no tempo em que a célula necessita delas. Terminação quando o ribossoma faz inserção do codão STOP no sítio A. TRADUÇÃO: INFORMAÇÃO ADICIONAL O mRNA é traduzido na direção de 5’ para 3’. O polipéptido é sintetizado a partir da extremidade amino em direção à extremidade carboxilo. A maioria das cadeias polipeptídicas se dobra corretamente quando saem do ribossoma: elas passam por um túnel na grande subunidade ribossomal que é longO o suficiente para incluir cerca de 35 aminoácidos. Emergindo do túnel, a proteína entra em uma espécie de berço formado por uma proteína associada ao ribossoma: ela fornece um espaço onde o polipeptídeo é capaz de passar por seu processo de dobramento. O dobramento adequado de polipeptídeos mais complexos é auxiliado por proteínas chamadas chaperonas e chaperoninas. EDIÇÃO DO RNA Ocorre depois da Síntese de RNA e antes da tradução, quando passa para o citoplasma. Foi observada em mRNA, tRNA e rRNA. Foi detetado em mitocôndrias e cloroplastos e em RNAs codificados nucleares, mas ainda não em procariotas. Com o número de genes muito menor do que o esperado anteriormente, a complexidade dos organismos superiores depende em grande parte dos mecanismos reguladores que atuam: - Pós-transcricional - Pós-traducional Eles criam diferentes produtos genéticos e a diversidade necessária para funções estruturais, enzimáticas e regulatórias complexas. Podem estar ligados a células tumorais ou processos de regulação. DESCOBERTA DA EDIÇÃO DO RNA O fenómeno da edição de RNA foi descoberto pela primeira vez há mais de 20 anos em protozoários kinetoplastid. No mRNA mitocondrial destes tripanossomas, verificou-se que muitos nucleótidos de uridina foram inseridos ou eliminados para gerar proteínas funcionais. Desde então, muitos outros tipos de mecanismos de edição de RNA foram identificados. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 30 EDIÇÃO DO RNA NO REINO ANIMAL No reino animal, o tipo mais prevalente de edição de RNA que altera um nucleótido para outro é mediado pela enzima adenosina deaminase atuando sobre o RNA (ADAR). O ADAR converte adenosinas em inosinas (A → I edição) em substratos de RNA de fita dupla (dsRNA). A edição de RNA de I → pode levar a uma mudança de codão e consequentes alterações de sequências codificadoras de proteínas de genes selecionados, resultando em uma diversificação de suas funções proteicas. A grande maioria dos sítios de edição de RNA A → I está em sequências não-codificantes. Regiões 5’ e 3’ não traduzidas (UTRs) e elementos de retrotransposons intrónicos, como Alu e elementos interpolados longos (LINEs), são frequentemente direcionados. EDIÇÃO DO RNA E FUNÇÃO DOS microRNA Precursores de certos microRNAs (miRNAs) também passam por edição de RNA A → I. Aqui, editar regula o processamento de miRNAs precursores em miRNAs maduros ou leva à seleção de novos genes alvo para silenciamento por miRNAs editados. EDIÇÃO DO RNA O transcrito primário de um gene é submetidoa vários processos de maturação, como o capping da extreminade 5’ , splicing normal e alternativo, o processamento da extremidade 3’ e a poliadenilação. O editamento ou edição do RNA é um mecanismo postranscricional que induz mudanças nas sequências do RNA que não são codificadas pelos genomas. RNA é editado essencialmente por 2 mecanismos: - Alteração química de nucleótidos individuais (como mutações pontuais). - Edição através de inserção/deleção. Alteração química de nucleótidos individuais: São catalizadas por enzimas que reconhecem sequências de nucleótidos específicas: Citosina deaminase: Converte a Citosina (C) do RNA em Uracilo (U). Exemplo: O Homem tem um único locus para o gene Apolipoprotein B (APOB). O codão 2153 (CAA) que codifica para o aminoácido Gln é modificado para um codão stop (UAA) no intestino. Fígado- O mRNA não é regulado pelo editamento e vai expressar a Apolipoproteína B-100. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 31 Intestino- O mRNA é editado por citosina diaminases conduz à produção de um codão stop prematuro conduzindo à tradução da proteína Apolipoproteína B-48. EDIÇÃO DO RNA POR DEAMINAÇÃO O RNA do gene humano da apolipoproteina B, Apo B (29 exões) é editado no intestino por deaminação especifica de um C para um U, introduzindo um codão de terminação no exão 26. Como resultado deste processo, o mRNA intestinal irá produzir uma proteína mais curta (ApoB-48) correspondente à metade amino-terminal da proteína produzida no fígado. (ApoB100) Adenosina deaminases (ADARs)- convertem a Adenosina (A) em Inosina (I) (não existe no genoma mas é lido no complexo de tradução e vai ser como ser lido como se fosse dador) que depois ribossomas traduzem como Guaninas (G). Ex: codão CAG (Gin) pode ser convertido no codão CGG (Arg). Impacto da ação das ADARs na transcrição e tradução do mRNA. EXEMPLO DA ACTUAÇÃO DAS ADARs - O processo de editamento do mRNA do gene que codifica para o fator de transcrição (FT) GLI1 pode modificar as susceptibilidades para com os seus reguladores SUFUEDyrk1 a e contribuir para modificar a forma como o GLI1 atua, nomeadamente regulando genes diferentes, do mRNA não editado. EDIÇÃO ATRAVÉS DE INSERÇÃO/DELEÇÃO A inserção ou deleção de nucleótidos no RNA são mediados por moléculas de RNA designados por RNA guide. Emparelham em regiões de RNA com algum grau de homologia e servem de molde para a edição ou remoção de nucleótidos no RNA alvo. Devido a ausência de uma complementaridade completa formam-se loops nas moléculas de RNA. RNA’s são complementares em zonas do mRNA, RNAs guias. Vão de uma forma temporária associar-se ao mRNA nas zonas em que são complementares mas como não há muita, onde há adeninas vão se inseridos uracilos para ficar 100% complementar. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 32 Os loops são eliminados através da inserção dos nucleótidos complementares ou através de deleções dependendo da localização dos loops, gRNA ou RNAm. No caso das inserções, como os gRNA são ricos em Adeninas a inserção de uracilos é muito comum. EXEMPLO QUE CORRE NAS CÉLULAS HUMANAS: Ocorre nas células da poliproteina D alterando-a em 2 tecidos diferentes no intestino e no fígado. Alteração do codão CAA, em que a citosina vai ser alterada e transforma no uracilo. Mas só nas células o intestino. O mesmo gene é transcrito, origina RNA e depois é editado, alteração no codão, proteína mais curta, perde um conjunto de domínios e altera a sua função. Proteínas tem vários motivos emocionais, alteram a sua estrutura e perdem algumas funções. Enzimas que o fazem são as tiaminases. Também ocorre no núcleo do genoma por presença de substâncias que cortam o DNA, quando há mutações. Mesma proteína 2 funções diferentes: (edição do RNA) Proteina grande 4000 aa transporta colesterol no sangue. Proteina 2000 aa absorve líquidos no intestino do que comemos. EDIÇÃO DO RNA POR INSERÇÃO DE U MEDIADA POR gRNA Existem numerosos mecanismos pós-transcricionais que também são cruciais para o desenvolvimento do transcriptoma, e o proteoma subsequente, assinatura de qualquer cenário fisiológico. Regeneração de órgãos e tecidos é uma configuração fisiológica que requer o rápido desenvolvimento de um ambiente que pode fornecer todas as necessidades de sinalização celular e moleculares necessárias para atenuar a infeção, remover células mortas ou necróticas, fornecer estabilidade estrutural e, finalmente, reabastecer a área comprometida com células funcionais. Os mecanismos regulatórios pós-transcricionais que têm a capacidade de influenciar fortemente as vias moleculares e celulares associadas à regeneração estão sendo lentamente caracterizados. Genes codificados pela mitocôndria, codificam proteínas. Mas o genoma a mitocôndria não proteínas que possam ser lidas pelo quadro de leitura. Só depois a edição do RNA e ligação dos RNAs guias é que pode codificar proteína que é lida. Transcrito não editado não codifica proteínas. Edição do RNA e regeneração dos tecido diminui com a idade. Peixes e anfíbios regeneram tecidos. Transcritos regulados através dos microRNAs. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 33 Metabolismo do Fe: - Fundamental e altamente tóxico. - Não sabemos expulsá-lo (excretar) - Subunidades de peptídea tem excesso de ferro. - Proteína ancorada na extremidade 5’UTR, ribossoma não passa. GENOMA HUMANO O Projeto Genoma Humano (1990-2003): Sequenciamento do genoma humano (2,8 Gb). O genoma humano contém ~ 22.000 genes (1.5% - 2%)! Existem evidências de que pelo menos 2,4 Gb do genoma humano é transcrito, pelo menos 25% dos dois filamentos! 60-80% do genoma humano é transcrito! JUNK DNA (DNA LIXO): POR QUE ncDNA NÃO É REALMENTE LIXO? O número de genes codificadores de proteínas não muda sensivelmente em toda a metazoa, apesar de grandes diferenças na complexidade do desenvolvimento. A extensão das sequências de proteicas não codificam nos genomas aumenta com a complexidade do desenvolvimento, sugerindo que estas sequências podem conter informação reguladora cada vez mais elaborada. O DNA não codificante consiste em: Elementos reguladores Intrões RNA não codificante- muito diversos. Repetir sequências, transposons e elementos virais Telómeros GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 34 RNAs NÃO CODIFICANTE (ncRNAs) Os ncRNAs estão envolvidos em muitos processos biológicos e são cada vez mais vistos como importantes. Como é o caso das proteínas, é a estrutura geral da molécula que transmite a função ncRNAs anteriormente conhecidos: - tRNA (mRNA de transferência, mRNA de tradução) - rRNA (mRNA ribossómico, mRNA de tradução) - snRNA(pequeno RNA nuclear, processamento-splicing) - snoRNA (RNA nucleolar pequeno, modificação de rRNAs) ncRNAs pequenos: - miRNA (microRNAs) - siRNA (pequenos RNAs de interferência) Formação dentro da célula de um RNA de cadeia dupla é marcação para degradação. Leva a supressão do gene pela degradação do RNA. - piRNA (RNAs interagindo com piwi) - tncRNA (RNAs pequenos não codificadores) - rasiRNA (siRNAs de associação repetida) - lncRNA (RNAs longos não-codificadores) NOTA: O que não codifica para proteínas do genoma tem outra funçãode regulação. MICRORNAs: UMA PEQUENA HISTÓRIA 1993: O RNA antisense lin-4 reprime a expressão da proteína lin-14 (Lee et al., 1993; Wightman et al., 1993) e controla o tempo dos eventos de desenvolvimento em Caenorhabditis elegans. (RNA antisense liga-se complementariedade a outros RNA ou até DNA) 2000: O RNA regulatório pequeno let-7 foi descoberto também em vermes (Reinhart et al., 2000). 2001: Descoberta de MicroRNA- Uma extensa classe de pequenos RNAs em C. elegans (Lee RC e Ambros V.). - Uma classe abundante de pequenos RNAs com prováveis papéis reguladores em C. elegans (Lau NC, Lim LP, Weinstein EG e Bartel DP). - Identificação de novos genes codificadores de pequenos RNAs expressos (LagosQuintana M, Rauhut R, Lendeckel W e Tuschl T). 2006: Prémio Nobel para Andrew Fire e Craig Mello “O RNA de cadeia dupla desencadeia a supressão da actividade génica de uma forma dependente da homologia, um processo denominado interferência de RNA (RNAi)” O QUE SÃO MICRORNAs? Sequências de RNA curtas (19-24 nt, depois do processaento) Emendado a partir de sequências precursoras não-codificantes maiores. (transcritos pela RNA Pol II) Reguladores altamente específicos de genes. Regulação pós-transcrição através da ligação às 3 UTR de alvos. (RNA processado, cortado até se ligarem ao citoplasma) ~ 2000 miRNAs presentes em humanos. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 35 Sequências depositadas no miRNA Registry at miRBase. (Verifica-se o gene com a zona que codifica para mRNA, 3’UTR que é colocada na base de dados, e é feita a identificação se esta sequência estiver no microRNA e que possa ligar a um fragmento.) Apenas alguns dos alvos validados experimentalmente. Encontrado em muitas espécies Por exemplo. Humanos, ratos, ratos, peixes, insetos, verme e plantas. Altamente conservado. NOTA: microRNA não são específicos para gene. Não são 100% complementares. Os genes são difíceis de identificar porque podem codificar vários microRNAs. Genes que codificam microRNAs vão originar um mRNA que é um microRNA primário. Pode formar estrutura secundária. No núcleo vai ser cortado pelo complexo da Drosha. Fica só a zona do Capping. Zona pré-microRNA, a espertina manda-o para o sítio certo. BIOGÉNESE DE MICRORNAs No núcleo (transcrição e processamento): - O gene miRNA é transcrito pela RNA polimerase II como transcrito primário (pri-miRNA). - Como outros transcritos da pol II, pri-miRNAs são protegidos e poliadenilados. - Pri-miRNA é processado pela endonuclease RNase III Drosha (e DGCR8) em um miRNA precursor (pre-miRNA) de ~ 70 nt. - O pré-miRNA é então exportado para o citoplasma pela Exportin 5 e Ran-GTP. RESUMO: Transcrição do RNA, formação do primicroRNA, depois vai ter Capping e poliadenilação (pré-microRNAs) GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 36 No Citoplasma (Processamento e Seleção de Estandes): - Pre-miRNA é processado pelo complexo Dicer-TRBP. - Dicer, outro RNase III, cliva pre-miRNA em um duplex de miRNA ~ 21-nucleotide. - O miRNA duplex é desenrolado em duas cadeias simples: maduras e complementares (estrela). - O miRNA maduro é carregado no complexo RISC (complexo silenciador induzido por RNA) No citoplasma (mRNA Targeting): - Uma vez no RISC, o miRNA maduro guia esse complexo para o mRNA alvo. - A regulação é alcançada por: Clivagem de mRNA (complemento de miRNA: alvo de mRNA) Repressão Translacional (miRNA de complementaridade imperfeita: alvo de mRNA) NOTA: Associado a proteína permite a utilização de GTP. Sai e vai ser processado, complexo de DICER vai cortar o gancho e tronar o RNA de cadeia dupla. Integrado no complexo RISC, uma das cadeias é degradada. Quando cortou ficou pequeno e depois do processamento fica com 25 nucleótidos +/-. MECANISMO microRNA Em animais, os miRNAs ligam-se aos 3 'UTR dos alvos de mRNA pela complementaridade parcial, geralmente restrita à região 5' do miRNA (mas também pode acontecer no 5’UTR) - 'região de semente' (nucleotídeos 2-8). Na ausência de complementaridade extensiva entre o miRNA e o alvo, a ligação do complexo RISC bloqueia a tradução do mRNA alvo em proteína. Um miRNA está previsto para regular vários genes! MiRNAs humanos podem regular. Um terço dos genes codificadores de proteínas humanas (Lewis et al., 2005; Xie et al., 2005). hsa-miR-214 5’ – ACAGCAGGCACAGACAGGCAGU – 3’ 1) O RNA mensageiro leva instruções do DNA no núcleo. 2) Ribossomas leu as instruções e criou a proteína. 3) Um microRNA liga-se ao RNA mensageiro, bloqueando a produção da proteína. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 37 LEVAR PARA CASA MENSAGEM Os microRNAs são moléculas de RNA curtas, expressas endogenamente, que regulam a expressão genética, ligando-se diretamente à 3'UTR de mRNAs codificadores de proteínas. miRNAs são processados no núcleo por Drosha, exportados para o citoplasma e a clivagem de Dicer determina o miRNA maduro. A cadeia madura / funcional é carregada no RISC (complexo RISC corta o RNA e depois é marcado para a RNA endonuclease degradar, e quanto menos complementar for mais marcado é) e guia este complexo para o mRNA alvo, reprimindo a tradução. A melhor maneira de entender a função de um miRNA é identificar os genes que ele regula! - Identificação de microRNAs (miR-microarray, sequenciamento profundo) - Previsão de alvo (in silico) - Validação do alvo (in vitro e in vivo) - Efeito biológico Alguns miRNAs têm suas próprias unidades de transcrição; A expressão de miRNAs é regulada por fatores de transcrição. TAMANHO DO GENOMA O Complemento genético de uma célula ou vírus consiste no seu genoma. Nas eucariotas este termo é geralmente utilizado para se referir a um completo conjunto haploide de cromossomas, como a encontrado num espermatozoide ou óvulo. O valor-C é o teor de DNA do genoma haploide. As unidades de comprimento dos ácidos nucleicos em que tamanhos do genoma são expressos: Kilobase (kb)- 103pares de base Megabase (Mb)- 106pares de base Genomas virais são tipicamente na gama de 100-1000 kb: - Bacteriófago MS2, um dos vírus mais pequeno, tem apenas 4 genes numa única molécula de RNA de cadeia simples de cerca de 4000 nucleótidos (4 kb) Genomas bacterianos são maiores, típica na faixa de 1-10 Mb: - O cromossoma de “Eschericia coli” é uma molécula de DNA circular de 4600 Kb. Genomas eucariotas são típicos na faixa de 100-1000 Mb: - O genoma de uma mosca da fruta “Drosophila melanogaster” é 180 Mb. Entre os eucariotas, o tamanho do genoma muitas vezes difere, tremendamente, mesmo entre espécies estreitamente relacionadas. O PARADOXO VALOR-C O tamanho de genoma entre espécies de protozoários diferem por 5800-dobras, entre os artrópodes por 250- dobras, peixes 350-dobras, algas 5000-dobras e angiospérmicos 1000-dobras. O paradoxo valor-C: entre os eucariotas, não existe qualquer relação consistente entre o valor-C e a metabólica, desenvolvimento, ou a complexidade do comportamento do organismo. A razão para a discrepância é que em organismos superior, a maior parte do DNA tem outras funções que codifica para a sequência de aminoácidos de proteínas. O valor C está nos gâmetas e após replicação temos 2x esse valor. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 38 REPLICAÇÃO DO DNA- MODELO WATSON-CRICK As ligaçõesde Hidrogénio entre bases de DNA rompem-se para permitir a separação de cadeias. Cada cadeia de DNA é um molde para a síntese de uma nova cadeia. Modelo (parenteral) vertente determina a sequência de bases na nova vertente (filha): regras de emparelhamento de bases complementares. Em 1958 M. Meselson and F. Stahl mostraram que a replicação de DNA é semiconservativa: As cadeias parentais permanecem intactas e servem como um molde para um novo filamento. 1) Cadeias vermelhas contêm 15N, este duplex é "pesado" devido à densidade de 15N. 2) Os fios recentemente sintetizados contêm somente 14N (azul): este duplex contém uma cadeia de cada tipo e, portanto, possui uma densidade intermediária. 3) Fragmentos de DNA duplex formam bandas no tubo de centrífuga em uma posição determinada pela sua densidade. 4) Após dois ciclos de replicação do DNA, moléculas duplex contendo apenas 14N começam a aparecer, a densidade dessas moléculas é "light". REPLICAÇÃO DE DNA CIRCULAR Autodiagrama de replicação circular intacta do cromossoma de E.coli demonstra que: - Síntese de DNA é bidirecional Acontece em vários sítios no genoma porque se fosse só num único sítio demoraria muito tempo. Mas não acontece ao mesmo tempo em todos os sítios, se não demoraria muito tempo. - Replicação começa a partir de um único sítio chamado Origem de Replicação (OR) A região em que as cadeias parentais se estão a separar e novas cadeias estão a ser sintetizadas é chamado Garfo de Replicação (GR). GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 39 REPLICAÇÃO DO CIRCULO ROLANTE Algumas moléculas de DNA circulantes de um certo nº de vírus bacteriano e eucariotas, replicam de modo diferente, chamado replicação de circulo rolante. Uma cadeia de DNA é cortada por uma endonuclease para produzir um 3’-OH estendido pela DNA polimerase. Uma cadeia recém-replicada é deslocada a partir da cadeia molde com a síntese de DNA contínuo. A cadeia deslocada é modelo para a cadeia de DNA complementar. 1) Uma nuclease faz um corte produzindo um grupo 3'-OH e um grupo 5'-P. 2) Os nucleótidos são adicionados ao grupo 3'-OH, deslocando a cadeia terminada em 5 '-P. 3) O alongamento da extremidade 3' continua. 4) O filamento terminado em 5'-P também é copiado. REPLICAÇÃO DE DNA LINEAR O duplex do DNA linear num cromossoma eucariota também replica bidireccionalmente. A replicação é iniciada em muito locais ao longo do DNA. Iniciação múltipla é um meio de reduzir o tempo total de replicação. Na célula eucariota, as origens de replicação tem cerca de 40,000 bp de distância, o que permite que cada cromossoma seja replicado em 15 a 30 minutos. Porque os cromossomas não se replicam em simultaneamente, a replicação completa de todos os cromossomas de eucariotas normalmente leva 5 a 10 horas. DNA POLIMERASE: - Uma única direção - Precisa de uma extremidade 3’-OH onde ligar o novo nucleótido GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 40 SÍNTESE DE DNA Uma vertente do DNA recém-formado (cadeia principal), é sintetizada de forma contínua. A outra cadeia de retardamento, é feita em pequenos fragmentos = fragmentos Okasaki. O tamanho dos fragmentos Okasaki (cadeia atrasada) é 1000-2000 pares de bases em células procarióticas e 100- 200 pares de bases em células eucarióticas. RNA polimerase consegue replicar a partir do nada. Então aquando da replicação do DNA, há formação do RNA depois a DNA polimerase liga-se onde acaba a cadeia de RNA (cadeias híbridas com DNA e RNA) Depois os fragmentos de RNA (okasaki) têm de ser removidos. A DNA polimerase não consegue degradar o RNA. A RPA (Proteina A replicação) é a enzima que consegue remover o RNA e depois a polimerase consegue prosseguir até ao outro fragmento de DNA porém esta não consegue estabelecer a ligação entre o último nucleótido e o primeiro do fragmento que já lá estava. Para fazer isso existe outra enzima que se chama DNA liga-se. Uma endonuclease corta o fragmento de Okasaki e corta também um bocadinho de nucleótidos de DNA. A RPA é que recruta essa endonuclease. DNA vs RNA Açúcar DNA = Desoxiribose Açúcar RNA = Ribose RNA contém pirimidina uracilo (U) no lugar de timina (T). Fragmentos pequenos de RNA serve de primer para iniciação da síntese de DNA na Replicação. REPLICAÇÃO DO DNA: PROTEINAS Como existem vários sítios iniciadores de replicação, as cadeias são deserrolados e como a replicação é bidirecional vai haver um ponto em que há formação de um nó. As topoisomerases I e II são enzimas que permitem desenrolar esse nó. Quando há mutações nestas enzimas, não há é replicação logo é letal. As topoisomerases I e II (Girase em procariotas) = introduz suporte simples ou quebras na cadeia dupla à frente do garfo de replicação e gira as extremidades clivadas para aliviar o stress da hélice em desenrolamento. Helicase desenrola o DNA no garfo de replicação para separar das cadeias parentais. Proteína de ligação da cadeia simples (SSB) estabiliza as cadeias simples do DNA no garfo de replicação. Complexo multienzimático chamado de primosoma (primase + o que é necessário para produzir a proteína inciadora) inicia a síntese da cadeia pela formação de primer RNA. Fragmentos pequenos de RNA ficam inseridos no garfo de replicação no início da nova cadeia a ser sintetizada. Estes fazem parte dos fragmentos de Okasaki. A DNA primase é uma enzima envolvida na replicação do DNA e é um tipo de RNA polimerase. A Primase catalisa a síntese de um segmento curto de RNA (ou DNA em alguns organismos) chamado de primer complementar a um modelo de ssDNA. A DNA ligase é um tipo específico de enzima, uma ligase, que facilita a união de cadeias de DNA, catalisando a formação de uma ligação fosfodiester. As helicases são definidas como uma classe de enzimas que catalisam a separação de ácidos nucléicos duplex em cadeias simples em uma reação dependente de ATP e funcionam no processamento de modificação de DNA, incluindo replicação de DNA, reparo de DNA, recombinação, transcrição, tradução e muitos outros mecanismos relacionados com ácidos nucleicos. A enzima DNA polimerase forma a ligação fosfodiester entre nucleótidos adjacentes numa nova cadeia de ácido DNA na direção 5 'para 3'. DNA polimerase tem uma função de correção de erros na replicação de 3’ para 5’. A costura final em conjunto com a cadeia atrasada deve exigir: GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 41 - Remoção do iniciador do RNA - Substituição com uma sequência de DNA - Juntando-se os fragmentos de DNA adjacentes Remoção do iniciador e substituição em E.coli é realizada por uma DNA polimerase (Pol I) que remove um ribonucleótido de cada vez. Em eucariotas, o RNA primário é removido como uma unidade intata, por uma proteína denominada RPA (replicação da proteína A) DNA ligase catalisa a formação da ligação final, ligando os 2 percursores. DNA girase é a topoisomerase das bactérias, lendo a cadeia de forma a haver ordem. Introduz uma quebra na cadeia dupla. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 42 Estrutura da nova cadeia de DNA: primer de RNA: 12 nt em eucariotas - Termina no 5’trifosfato Ligação dos fragmentos adjacentes replicados de novo: 1-corte e remoção do primer (A) DNA Polimerase delta enlonga a cadeiade DNA a montante. O primer de RNA para o fragmento de retardamento de cadeia anterior é encontrado. (B) Cadeia Simples de DNA liga a proteína RPA (proteína A de replicação) e o RNA vira para fora com um bocado de DNA. Ligação dos fragmentos adjacentes replicados de novo: degradação do fragmento removido, continuação da síntese e ligação O RNA e o DNA do iniciador excisado são decompostos por exonucleases. A polimerase delta continua, o DNA recém-sintetizado substitui o primer e a última ligação é feita pela DNA ligase. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 43 - A Girase quebra e gira em duplex para liberar a tensão mecânica do desenrolamento. - Helicase desenrola o DNA no garfo de replicação. - As proteínas SSB ligam-se e estabilizam o DNA de cadeia simples no garfo de replicação. - O RNA primase inicia a síntese de nova cadeia. - A DNA ligase une fragmentos de Okasaki na cadeia atrasada. ESTRUTURA DO CROMOSSOMA O telómero é essencial para a estabilidade das pontas cromossómicas. Devido à natureza da replicação do DNA, cromossomas requerem mecanismo especial para restaurar o DNA nos telómeros em cada ciclo de replicação. O mecanismo baseia-se numa enzima chamada telomerase. DESCOBERTA DA TELOMERASE A existência de um mecanismo compensatório para o encurtamento dos telómeros foi prevista pela 1ª vez pelo Alexey Olovikov em 1973, que também sugeriu a hipótese do telómero do envelhecimento e as conexões dos telómeros ao cancro. A telomerase foi descoberta por Carol W. Greider e Elizabeth Blackburn em 1984 no ciliado Tetrahymena. Juntamente com Jack W. Szostak, Greider e Blackburn receberam em 2009 o Prêmio Nobel por sua descoberta. Os três recetores do prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina do ano passado resolveram um quebra-cabeça genético envolvendo cromossomos. Definindo um limite na vida útil de uma célula: Os cromossomos são copiados sempre que uma célula se divide e, a cada cópia, os terminais do cromossomo, chamados de telómeros, ficam mais curtos. Quando ficam muito curtas, a célula é impedida de se dividir novamente. Redefinindo o limite: O trabalho dos recetores levou à descoberta da telomerase, uma enzima especial que pode prevenir o encurtamento dos telómeros e prolongar a vida útil da célula, adicionando pedaços extras de DNA. A enzima é geralmente ativa apenas no início da vida, mas é reativada em cerca de 80 a 90 por cento das células cancerosas humanas. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 44 FUNÇÃO DA TELOMERASE Telomerase é uma ribonucleoproteina, uma enzima que adiciona sequências de DNA repetidas (“TTAGGG” em todos os vertebrados) à extremidade 3’ de cadeia de DNA nas regiões de telómeros, que se encontram nas extremidades dos cromossomas eucariotas. Esta região de nucleótidos repetidos chamados telómeros contém DNA não-codificante e impede a perda de DNA importante da extremidade dos cromossomas. Como resultado disso, cada vez que o cromossoma é copiado apenas 100-200 nucleótidos são perdidos o que não causa danos ao DNA do organismo. ESTRUTURA DA TELOMERASE Telomerase humana consiste em 2 moléculas de cada uma da telomerase humana transcriptase reversa (TERT), RNA telomerase (TR ou TERC), e disquerina (DKC1). Os genes de subunidades de telomerase: - TERT, TERC, DKC1, TEP1 (e algumas mais). - Estão localizadas em diferentes cromossomas no genoma humano. A telomerase é uma transcriptase reversa que transporta a sua própria molécula de RNA. O qual é utilizado como um molde, quando se alonga telómeros, que são encurtados, após cada ciclo de replicação. Gene humano TERT (hTERT) é traduzido para uma proteína de 1132 aminoácidos. O polipéptido TERT dobra-se com TERC, um ARN não codificante (451 nucleótidos de comprimento em humano). O TERT tem uma estrutura de "luva (mitten)" que permite envolver o cromossomo para adicionar repetições de telómeros de cadeia simples. A composição proteica da telomerase humana foi identificada em 2007 por Scott Cohen e sua equipe no Children's Medical Research Institute, na Austrália. A estrutura de proteína de alta resolução da subunidade catalítica Tribolium castaneum da telomerase TERT foi decodificada em 2008 por Emmanuel Skordalakes e sua equipe no The Wistar Institute, na Filadélfia. A estrutura revelou que: - A proteína consiste em 4 domínios conservados (domínio de ligação a RNA (TRBD), dedos, palma e polegar). - É organizada em uma configuração de anel. - Compartilha características comuns com transcriptases reversas retrovirais. O cromossoma termina após a remoção do iniciador de RNA após a replicação GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 45 TELOMERASE É POSICIONADA TELOMERASE EM FUNCIONAMENTO 1) Síntese de uma cadeia complementar de DNA 2) Telomerase alonga a cadeia de DNA modelo na extremidade 3’ 2- DNA Polimerase I substitui o RNA primer pelo DNA, desde que tenha um 3'OH precedendo o primer. A ligase une os fragmentos de okasaki. 3- A DNA Polimerase I não pode substituir o iniciador de RNA de extremidade 5 ', por isso é removido. 4- Dentro da telomerase, o corpo é uma sequência de RNA. 5- A telomerase adiciona a sequência telomérica à extremidade 3 'G-tail do cromossoma. 6- Uma vez que a telomerase tenha estendido a fita molde, a primase, a DNA polimerase III e a ligase retornam e completam a fita filha usando a fita modelo. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 46 FUNÇÃO DOS TELÓMEROS Os telómeros são sequências nucleótidos repetitivas localizadas nos terminais dos cromossomas lineares da maioria dos organismos eucariotas. Os telómeros compensam a replicação incompleta do DNA semiconservativo nas extremidades cromossómicas. A proteção contra recombinação homóloga (HR) e união não homóloga final (NHEJ) constitui função essencial de "encapsulamento" dos telómeros que os distingue das quebras duplas de DNA (DSBs). O comprimento dos telómeros varia grandemente entre as espécies, de aproximadamente 300 pares de base em levedura a muitos kilobases em humanos, e geralmente é composto por matrizes de repetições ricas em guanina e de seis a oito pares de bases. Os telómeros eucarióticos normalmente terminam com uma saliência na extremidade 3’ da cadeia simples de DNA, o que é essencial para a manutenção e o fechamento dos telómeros. Múltiplas proteínas que se ligam ao DNA dos telómeros de cadeia simples e dupla foram identificadas. Estes funcionam na manutenção e na cobertura dos telómeros. Os telómeros formam grandes estruturas de “loop” chamadas loops de telómeros ou loops-T. Aqui, a cadeia simples do DNA enrola-se em um longo círculo estabilizado por proteínas de ligação dos telómeros. No final do loop-T, a cadeia simples do DNA do telómero é mantido em uma região de DNA de cadeia dupla pela cadeia de telómeros rompendo a cadeia dupla do DNA e o emparelhamento de bases em uma das duas cadeias. Essa estrutura de tripla cadeia é chamada de loop de deslocamento ou loop-D. O encurtamento dos telómeros em humanos pode induzir a senescência replicativa, que bloqueia a divisão celular. Esse mecanismo parece impedir a instabilidade genómica e o desenvolvimento de câncer em células humanas envelhecidas, limitando o número de divisões celulares. No entanto,os telómeros encurtados prejudicam a função imunológica, que também pode aumentar a suscetibilidade ao cancro. Células malignas que contornam esta deteção tornam-se imortalizadas pela extensão dos telómeros devido principalmente à ativação da telomerase. No entanto, 5% a 10% dos cancros em humanos ativam a via alternativa de alongamento dos telómeros (ALT), que depende do alongamento mediado pela recombinação. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 47 MUTAÇÃO Uma mutação é qualquer mudança hereditária no material genético. As mutações são classificadas de várias maneiras. A maioria das mutações é espontânea - são eventos aleatórios e imprevisíveis. Cada gene tem uma taxa característica de mutação espontânea, medida como a probabilidade de uma mudança na sequência de DNA no período de tempo de uma única geração. MUTAÇÃO -> ORIGEM As taxas de mutação podem ser aumentadas pelo tratamento com um mutagéneo químico ou radiação, caso em que se diz que as mutações são induzidas. Mutações em células que formam os gametas são mutações de linha germinal; todos os outros são mutações somáticas. Mutações germinativas são herdadas; mutações somáticas não são. Uma mutação somática produz um organismo que é genotipicamente uma mistura (mosaico) de tecido normal e mutante. MUTAÇÃO -> EXPRESSÃO Entre as mutações mais úteis para a análise genética estão aquelas cujos efeitos podem ser ativados ou desativados pelo pesquisador. Estas são mutações condicionais: elas produzem mudanças fenotípicas sob condições específicas (condições permissivas), mas não outras (condições restritivas). Mutações sensíveis à temperatura: mutação condicional cuja expressão depende da temperatura. MUTAÇÃO -> FUNÇÃO DO GENE As mutações também podem ser classificadas de acordo com seus efeitos na função do gene: -Uma mutação de perda de função (um nocaute ou nulo) resulta na inativação completa do gene ou em um produto gênico completamente não funcional. -Uma mutação hipomórfica reduz o nível de expressão de um gene ou atividade de um produto. -Uma mutação hipermórfica produz um nível de expressão gênica maior do que o normal porque altera a regulação do produto gênico que é superproduzido. -Uma mutação de ganho de função qualitativamente altera a ação de um gene. Por exemplo, uma mutação de ganho de função pode fazer com que um gene se torne ativo em um tipo de célula ou tecido no qual o gene normalmente não está ativo. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 48 MUTAÇÃO -> MUDANÇA MOLECULAR Mutações resultam de mudanças no DNA. Uma substituição de base substitui um par de nucleótidos por outro (Ex: GC -> TA). Mutações de transição substituem uma base pirimídica pela outra. - Substituir um Py por outro Py ou um Pu por outro Pu. Existem quatro mutações de transição possíveis.- G -> A ou A -> G- C -> T ou T -> C Mutações de Transversão substituem uma pirimidina por purina ou o contrário. Estas são oito possíveis mutações de transversão. Substituições de base espontâneas são tendenciosas em favor de transições. Entre as substituições espontâneas de bases, a razão de transições para transversões é de aproximadamente 2:1. MUTAÇÃO -> EFEITO NA TRADUÇÃO Mutações em regiões codificadoras de proteínas podem alterar um aminoácido, truncar a proteína ou alterar o quadro de leitura. Substitutos sem sentidos ou não sinônimos resultam em um aminoácido sendo substituído por outro. Substituições sinônimas ou silenciosas no DNA não alteram a sequência de aminoácidos. Mutações silenciosas são possíveis porque o código genético é redundante. Exemplo: Anemia Falciforme A base molecular da anemia falciforme é um gene mutante para a β-globina. A mutação falciforme muda o sexto codão na sequência codificadora do GAG normal, que codifica o ácido glutâmico, para o codão GTG, que codifica a valina (A -> T, Pu -> Py, Transversão.) A anemia falciforme é uma doença genética grave que frequentemente resulta em morte prematura. A doença é muito comum em regiões onde a malária é disseminada porque confere resistência à malária. A) β-globina normal Número de codão em DNA codificador de β -globina. 1) Transcrição: O codão normal é GAG, codifica o aminoácido Glu. 2) Tradução: O ácido glutâmico é normal na posição 6. (B) β-globina mutante Número de codão em DNA codificador de β-globina. 1) Transcrição: codão mutante é GUG, códigos para o aminoácido Val. 2) Tradução: Valina presente na posição 6 em vez de ácido glutâmico. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 49 Uma mutação sem sentido cria um novo codão STOP. Mutações de deslocamento de quadros resultam de deleções ou inserções e deslocam o quadro de leitura dos codões no mRNA. Qualquer inserção ou exclusão que não seja um múltiplo de três nucleótidos produzirá um deslocamento de quadro. MUTAÇÕES ESPONTÂNEAS Mutações são eventos estatisticamente aleatórios - não há como prever quando ou em qual célula ocorrerá uma mutação. O processo mutacional também é aleatório, no sentido de saber se uma mutação em particular ocorre não está relacionada a nenhuma vantagem adaptativa que muitos conferem ao organismo em seu ambiente. Uma mutação potencialmente favorável não surge porque o organismo tem necessidade disso. Vários tipos de experimentos mostraram que as mutações adaptativas ocorrem espontaneamente e estavam presentes em baixa frequência na população, mesmo antes de serem expostas ao agente seletivo. Um experimento utilizada uma técnica desenvolvida por Joshua e Esther Lederberg chamado chapeamento de réplica. Técnicas seletivas meramente selecionam mutantes preexistentes em uma população. A) O processo de transferência Veludo estéril pressionado na placa mestre. Transferência: veludo da placa principal pressionada em meio ágar fresco. Placas de réplica são feitas em um meio seletivo (por exemplo, um spread com fagos T1 ou um meio não seletivo (em que todas as células de colônias). As colônias se formam na placa não seletiva no mesmo padrão da placa mestre. Apenas células mutantes (por exemplo, T1-r) podem crescer na placa seletiva; as colônias mutantes que se formam derivam de colônias na placa mestre que são mutantes. Colônias consistindo de células mutantes são mostradas em vermelho. PONTOS QUENTES DA MUTAÇÃO A mutação não é aleatória com relação à posição em um gene ou genoma. Certas sequências de DNA são chamadas de pontos quentes (hotspots) mutacionais porque são mais propensos a sofrer mutações do que outras. Por exemplo, os locais de metilação da citosina são geralmente altamente mutáveis. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 50 AGENTES MUTAGÉNICOS Quase qualquer tipo de mutação que pode ser induzida por um mutagénico também pode ocorrer espontaneamente, mas os mutagénicos enviesam os tipos de mutações que ocorrem de acordo com o tipo de dano ao DNA que elas produzem. Alguns mutagénicos não são incorporados ao DNA, mas alteram uma base, causando um erro específico. Certos agentes alquilantes, como o etilmetanossulfonato (EMS) e a amplamente utilizada nitrosoguanidina (NG), operam por essa via: Embora tais agentes adicionem grupos alquilo (um grupo etilo em EMS e um grupo metilo em NG) a muitas posições nas quatro bases, a mutagenicidade é melhor correlacionadacom uma adição ao oxigénio na posição 6 da guanina para criar uma O-6alquilguanina. Essa adição leva ao erro direto com a timina e resultaria em transições GC → AT na próxima rodada de replicação. Como esperado, as determinações da especificidade mutagénica para EMS e NG mostram uma forte preferência pelas transições GC → AT. Agentes alquilantes também podem modificar as bases em dNTPs (onde N é qualquer base), que são precursores na síntese de DNA. Erro específico induzido por alquilação. A alquilação (neste caso, a etilação gerada por EMS) da posição O-6 da guanina e a posição O-4 da timina podem levar ao erro direto com a timina e guanina, respectivamente, como mostrado aqui. Exemplo: Especificidade de mutagénese: EMS, luz UV e aflatoxina B1. A distribuição de mutações entre 36 sítios no gene LacI é mostrada para três mutações: EMS, luz UV e aflatoxina B1. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 51 A altura de cada barra representa o número de ocorrências de mutações no respetivo site. Alguns hot spots são mostrados fora de escala com o número de ocorrências indicado diretamente acima do respetivo pico. Por exemplo, na coleção gerada por UV, um sitio resultante de uma transição GC -> AT é representado por 80 ocorrências. Cada sítio mutacional representado na figura gera um codão âmbar (UAG) no mRNA correspondente. As mutações são organizadas de acordo com o tipo de substituição de base. Os asteriscos marcam as posições das 5- metilcitosinas. A aflatoxina B1 é um poderoso agente cancerígeno. Ele gera sítios apurínicos após a formação de um produto de adição na posição N-7 da guanina. Estudos com sítios apurínicos gerados in vitro demonstraram uma exigência para o sistema SOS e mostraram que a derivação SOS desses locais leva à inserção preferencial de uma adenina em frente a um sítio apurínico. Assim, agentes que causam depurinação em resíduos de guanina devem preferencialmente induzir transversões de CG → AT. O AFB1 é um membro de uma classe de carcinogénicos químicos conhecidos como produtos volumosos de adição quando se ligam covalentemente ao DNA. Outros exemplos incluem os epóxidos diol do benzo(a)pireno, um composto produzido por motores de combustão interna. Para muitos compostos diferentes, ainda não está claro quais produtos de adição de DNA desempenham o papel principal na mutagénese. Em alguns casos, a especificidade mutagénica sugere que a depurinação pode ser um passo intermédio na mutagénese; em outros, a questão de qual mecanismo está operando é completamente aberta. A aflatoxina é um tipo de micotoxina produzida pelos fungos Aspergillus. A aflatoxina é provavelmente a micotoxina mais conhecida, além de tricoteceno, e a mais pesquisada. Isso ocorre porque as aflatoxinas são muito tóxicas e altamente carcinogénicas. Acima: Observe a comparação entre a mesma orelha de antes e depois de remover a casca: Não há sinais de infestação antes, mas ela é extensamente danificada por dentro. Na depurinação deste G, a ligação entre o açúcar e a base é partida. A ligação é quebrada pela reação com água. O G é substituído por OH e difunde-se. --- Hidrólise leva à depurinação = A ou G separado de seu açúcar Perda espontânea do grupo amina. -> GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 52 Duas vias da mutagénese 5-bromouracil (Bu) (A) A incorporação de Bu na sua configuração de emparelhamento mutagénico é rara. O emparelhamento normal de um Bu já incorporado é frequente.O resultado é uma transição GC -> AT. (B) A incorporação de Bu na sua configuração de emparelhamento não mutagênico é comum.O desemparelhamento de um Bu já incorporado é raro.O resultado é uma transição AT -> GC. O mecanismo da mutagénese 5-BU causa mutações quando é incorporado em uma forma e depois muda para outra forma.(a) Em seu estado ceto normal, os pares 5-BU gostam de timina (5-BUt). Assim, a 5-BU é incorporada a um cruzamento da adenina e subsequentemente erros com guanina, resultando em transições AT -> GC.(b) Na sua forma ionizada, o 5-BU emparelha-se com a citosina (5-BUc). Assim, a 5-BU é desincorporada a um cruzamento da guanina e subsequentemente emparelha-se com a adenina, resultando em transições GC -> AT. MUTAÇÃO INDUZIDA POR ANÁLOGOS DE NUCLEÓTIDOS O AZT é um análogo da timidina. O AZT funciona inibindo seletivamente a transcriptase reversa do HIV, a enzima que o vírus usa para fazer uma cópia de DNA de seu RNA. AZT na forma oral, injetável e supositório A transcrição reversa é necessária para a produção do DNA de fita dupla do HIV, que seria posteriormente integrado ao material genético da célula infetada (onde é chamado de provírus). GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 53 EFEITOS DE AGENTES INTERCALANTES Causar topoisomerase II para deixar um nick na fita de DNA. Missrepair leva à inserção ou supressão de um ou vários nucleótidos. Exemplos: brometo de etídio, Proflavina, Laranja Acridina AGENTES DE INTERCALAÇÃO A intercalação ocorre quando ligantes de tamanho apropriado e natureza química se encaixam entre pares de bases de DNA. Estes ligandos são na sua maioria policíclicos, aromáticos e planares e, portanto, produzem frequentemente boas manchas de ácido nucleico. Intensivamente estudados intercaladores de DNA incluem berberina, brometo de etídio, profulina daunomicina, doxorrubicina e talidomida. Aplicações: Os intercaladores de DNA são usados no tratamento quimioterápico para inibir a replicação do DNA em células cancerígenas de rápido crescimento. Exemplos incluem doxorrubicina (adriamicina) e daunorrubicina (ambas usadas no tratamento do linfoma de Hodgkin) e dactinomicina (usada no tumor de Wilm, Sarcoma de Ewing, rabdomiossarcoma). Para que um intercalador se encaixe entre pares de bases, o DNA deve abrir dinamicamente um espaço entre seus pares de bases desenrolando. O grau de desenrolamento varia dependendo do intercalador; Por exemplo, o catião etídio (a forma iônica do brometo de etídio encontrado em solução aquosa) desenrola o DNA em cerca de 26 °, enquanto a proflavina o desenrola em cerca de 17 °. Esse desenrolamento faz com que os pares de bases se separem, ou "subam", criando uma abertura de cerca de 0,34 nm (3,4 Å) e induz alterações estruturais locais na fita de DNA. Essas modificações estruturais podem levar a alterações funcionais, muitas vezes à inibição da transcrição e da replicação e aos processos de reparo do DNA, o que torna os intercaladores potentes mutagênicos. Por esta razão, os intercaladores de DNA são frequentemente carcinogénicos, como o expo (mas não o endo) 8,9 epóxido de aflatoxina B1, acridinas como proflavina ou quinacrina, ou brometo de etídio. Talidomida Z Naturforsch C. 1986 Nov-Dez; 41 (11-12): 1057-61. Evidência para a intercalação da talidomida no DNA: pista para o mecanismo molecular da teratogenicidade da talidomida? Koch HP, Czejka MJ. Abstrato A intercalação da talidomida (alfa-ftalimidoglutarimida) em ácidos nucleicos foi estudada por titulações espectrofotométricas, deslocamento de intercaladores conhecidos, mudanças de viscosidade de soluções de DNA e por análise de partição de fase. A ligação específica da talidomida foi encontrada no DNA de vários espécimes (placenta humana, timo de bezerro, esperma de salmão), mas não no RNA (de levedura de panificação, levedura de torula).GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 54 MUTAÇÕES DINÂMICAS ASSOCIADAS A REPETIÇÕES DE TRINUCLEÓTIDOS Estudos genéticos de uma forma de retardamento mental ligada ao X revelaram uma classe de mutações denominadas mutações dinâmicas extraordinária instabilidade genética da região do DNA envolvida. A base molecular da instabilidade genética é uma expansão de repetição trinucleotídica devido ao processo denominado slippage de replicação. MUTAÇÕES E REPARAÇÃO a) Estrutura de um dímero de pirimidina ciclobutano. A luz ultravioleta estimula a formação de um anel ciclobutano de quatro membros (verde) entre duas pirimidinas adjacentes na mesma cadeia de DNA, agindo nas ligações duplas 5,6. b) b) Estrutura do fotoproduto 6-4. A estrutura forma mais predominantemente com 5'-CC-3 'e 5'-TC-3', entre as posições C-6 e C4 de duas pirimidinas adjacentes, causando uma perturbação significativa na estrutura local da dupla hélice. MUTAÇÕES NAS SUBUNIDADES DO TFiiD E PATOLOGIAS HUMANAS GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 55 MECANISMOS DE REPARO DE DNA Muitos tipos de danos no DNA podem ser reparados. Correções de correção de incompatibilidade corrigem pares de bases correspondidos incorretamente. O sistema de endonuclease AP repara locais de nucleótidos nos quais a base foi perdida. Enzimas especiais reparam danos causados ao DNA por luz ultravioleta. Reparo de excisão funciona em uma ampla variedade de DNA danificado. Reparo pós-replicação ignora as bases danificadas. REPARAÇÃO INCOMPATÍVEL O reparo de incompatibilidade corrige pares de bases incorretamente combinados: um segmento de DNA que contém uma incompatibilidade de base excisada e síntese de reparo seguida. O sistema de reparo incompatível reconhece o grau de metilação de uma fita e excede preferencialmente os nucleótidos da fita não metilada. Isso ajuda a garantir que os nucleótidos incorretos incorporados ao filamento na replicação sejam removidos e reparados. A cadeia-filha é sempre o fio submetilado porque sua metilação fica um pouco atrás do garfo de replicação em movimento. A aba marrom em A no GATC significa que o A é metilado. Incompatibilidade na vertente filha. Uma filha filha ainda não metilada. A proteína MutS reconceita a incompatibilidade e recruta o MutL, para o site. MutL estimula Proteína MultH, que faz um corte na extremidade 5 'do GATC. A exonuclease degrada a cadeia filha para além do local da incompatibilidade. O complexo holoenzima DNA polimerase preenche a lacuna, corrigindo a incompatibilidade, e a DNA ligase sela o restante do nick. A metilase de barragem metilada A do GATC na cadeia filha. O papel mais importante do reparo de incompatibilidade é como um mecanismo de correção de erros de "última chance" na replicação. Resumo das taxas de erros na polimerização de DNA, revisão e reparo de incompatibilidade pós-replicação. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 56 DNA polimerase, probabilidade de incompatibilidade por par de bases por replicação = 10-5 Função de revisão, probabilidade de não corrigir incompatibilidade = 10-2 Reparo de incompatibilidade pós-replicação, probabilidade de não corrigir incompatibilidade = 10-3 Probabilidade de incorporação excessiva de uma base incompatível que permanece sem correção = 10-5 x 10-2 x 10-3 = 10-10 por par de bases por replicação REPARAÇÃO DE AP A desaminação da citosina cria o uracilo, que é removido pela glicosilase de uracilo de ADN do açúcar de desoxirribose. O resultado é um site no DNA que não tem uma base de pirimidina (um site apirimidinico) As purinas no DNA são de certa forma propensas à hidrólise, que deixa um local que não possui uma base purina (um sítio apurínico). Ambos os sítios apirimidínicos e apurínicos são reparados por um sistema que depende de uma enzima chamada endonuclease AP. (A) A desaminao de C cria U.U excisada pela glicosilase de uracilo de DNA. (B) Oxidação de G cria OG (8-oxoG). OG excisado por glicosilase de oxoguanina de DNA. REPARAÇÃO DE BASE Açúcar removido pela AP endonuclease. Gap preenchida pela DNA polimerase. Cadeia cortada fechada pela DNA ligase. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 57 EXCISÃO DA REPARAÇÃO O reparo por excisão é um processo enzimático de múltiplas etapas, onipresente. 1- Um trecho de uma fita de DNA danificada é removido de uma molécula duplex. 2- Ele é substituído pela ressíntese usando a fita não danificada como modelo. GENÉTICA MOLECULAR 2017/2018 2ºSEMESTRE PROF. LEONOR CANCELA 58 XPD: UMA PONTE FUNCIONAL Forma uma ligação entre o core do TFiiH e o complexo CAK É uma helicase com atividade 5’-3’ Possui 2 domínios helicase: HD1 e HD2 Possui outros 2 domínios acessórios inseridos no HD1- 4Fe-S e Arch Tem uma região C terminal que interage com o p44 Quando os mutagénicos danificam uma ou mais bases, nenhum emparelhamento de bases específico é possível. O resultado é um bloco de replicação, porque a síntese de DNA não passará de uma base que não possa especificar seu parceiro complementar por ligações de hidrogênio. Em células bacterianas, tais blocos de replicação podem ser contornados pela inserção de bases não específicas. O processo requer a ativação de um sistema especial, o sistema SOS. O nome SOS vem da ideia de que este sistema é induzido como uma resposta de emergência para evitar a morte celular na presença de danos significativos no DNA. A indução de SOS é um último recurso, permitindo que a célula troque a morte por um certo nível de mutagénese. Mutagénicos induzem mutações por uma variedade de mecanismos. Alguns mutagenes imitam as bases normais e são incorporados ao DNA, onde podem causar erros. Outras bases de danos causam erros específicos ou destroem o par, causando o não reconhecimento de bases. Neste último caso, um sistema de bypass, o sistema SOS (ou sistema pós- replicação em eucariotas), deve ser induzido para permitir a replicação após a lesão. REPARAÇÃO PÓSREPLICAÇÃO Às vezes, o dano ao DNA persiste em vez de ser revertido ou removido, mas seus efeitos prejudiciais podem ser minimizados. Isso geralmente requer replicação em áreas danificadas, então o processo é chamado assim.