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Aula 01 da disciplina Análise das Demonstrações Contábeis: introdução aos objetivos e à leitura de demonstrações (Balanço, DRE, DFC, DVA, DMPL) e resumo do cronograma de aulas sobre análises vertical/horizontal, índices, modelos de insolvência, rentabilidade, alavancagem e ciclos de caixa.

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ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTABEIS. 
AULA 01 
 
 
 
 
 
 
 
 
Marcelo Daniel Araujo Ermel
 
 
CONVERSA INICIAL 
 Seja bem vindo à nossa primeira aula da disciplina de Análise das 
demonstrações contábeis. Aqui, discutiremos a forma e o objetivo deste tema. 
 A contabilidade é comumente chamada de linguagem dos negócios, 
então, naturalmente as demonstrações contábeis têm muito a nos informar 
acerca da situação financeira e econômica da entidade. Dessa forma, durante 
nossa disciplina, iremos aprender a ler, interpretar e extrair diversas informações 
dos relatórios contábeis. 
 Na primeira aula do curso faremos uma revisão acerca das 
demonstrações contábeis, mais especificamente: Balanço Patrimonial, 
Demonstração do Resultado do Exercício, Demonstração dos fluxos de caixa, 
demonstração do valor adicionado e demonstração das mutações do patrimônio 
líquido. Relembrando seus objetivos e características. 
 Na segunda aula, veremos as mais tradicionais formas de análise, vertical 
e horizontal, além dos índices de liquidez e endividamento. O objetivo é extrair 
informações sobre a estratégia da empresa, relevância das atividades e sua 
saúde financeira. 
 Na terceira aula aprofundaremos nossos conhecimentos acerca de saúde 
financeira, conhecendo o consolidado modelo de Altman para previsão de 
falência e também o de Elizabetsky. Além disso, estudaremos os ciclos de 
atividade da empresa e a conversão de caixa. 
 Na quarta aula estudaremos os diversos índices de rentabilidade 
empresarial, seja ele rentabilidade do ativo, do patrimônio líquido ou do capital 
investido, como também o modelo Dupont de separação entre retorno por causa 
da eficiência no uso de ativos ou retorno em razão da margem praticada. 
 Em seguida, na quinta aula, iremos estudar os índices de alavancagem, 
tanto a financeira quanto a operacional e também a combinação de ambas. Além 
disso, analisaremos a demonstração dos fluxos de caixa e a demonstração do 
valor adicionado. 
 Por ultimo, analisaremos a demonstração das mutações do patrimônio 
líquido, também conheceremos os efeitos da gestão de capital de giro e por 
ultimo a modelagem de Fleuriet. 
Veja caro aluno, que temos uma longa jornada a trilhar aqui em nossa 
disciplina. Então, desejo a todos um excelente estudo. 
 
 
 
3 
CONTEXTUALIZANDO 
Como dito anteriormente, a contabilidade é conhecida como a linguagem 
dos negócios, assim, um dos passos mais importantes é extrair o máximo de 
informação possível de uma demonstração contábil para auxiliar a tomada de 
decisão. Dessa forma, precisamos primeiramente entender o objetivo de cada 
uma das diferentes demonstrações. 
Durante a nossa aula, primeiramente relembraremos os aspectos de cada 
uma das demonstrações financeiras, ressaltando o que for relevante para a 
análise. 
 Assim, revisitaremos o balanço patrimonial, conhecidamente como o 
demonstrativo que informa onde estão os investimentos (ativo) e de onde vieram 
os financiamentos (Passivo e PL). A DRE, a qual demonstra a lucratividade 
empresarial. Entretanto, como muitas vezes o investidor também está 
preocupado com o Caixa – além de lucro -, revisitaremos a DFC e suas 
informações. 
Ademais, também veremos a DVA, demonstração obrigatória para todas 
as companhias abertas. Nela é possível verificar se a empresa criou ou destruiu 
riqueza no período. 
Por fim, revisaremos a DMPL, a qual exibe as mutações do patrimônio 
líquido no período, como aportes ou pagamentos de dividendos. 
 
TEMA 1 – Importância da estrutura, análise e interpretação de 
demonstrações 
As demonstrações contábeis é um dos maiores bancos de dados e de 
informações sobre a situação financeira e patrimonial da companhia. A partir 
desses dados e informações, muitos grupos interessados podem extrair a 
informação que lhe interessa para tomar uma melhor decisão. Tomemos por 
exemplo um analista de crédito que deve decidir se concede ou não um 
empréstimo para uma dada empresa. 
Uma forma de tomar essa decisão é o analista acompanhar o dia a dia da 
companhia por algum tempo, registrando as entradas de caixa, as saídas de 
caixa, as receitas e as despesas, os principais clientes, a satisfação de seus 
empregados e outras informações que julgue importante. Entretanto, essa 
alternativa parece ser muito custosa e pouco eficaz, assim, é mais eficiente 
 
 
4 
utilizar as demonstrações contábeis da empresa para verificar suas entradas de 
caixa, suas saídas, as receitas, as despesas, os empréstimos que a empresa já 
possui, o montante que a organização paga de juros e amortização dos 
empréstimos. De forma geral o analista de crédito estaria interessado nas 
informações de rentabilidade, solvência e liquidez da companhia. 
 Apesar de útil para o analista, esse não é o único interessado, os 
fornecedores podem também estar interessados na liquidez e rentabilidade da 
companhia para decidir o risco de efetuar uma venda a prazo ou não. Os 
empregados estariam interessados para verificar a capacidade de pagamento 
de salários, ou até para justificar um possível aumento (como assim fazem os 
sindicatos nas negociações), o acionista pode querer verificar a rentabilidade 
para fazer previsões sobre os dividendos futuros. E assim temos um enorme 
número de interessados que podem extrair informações das demonstrações 
contábeis. 
 Agora vamos imaginar o seguinte, o mesmo analista de crédito do 
exemplo anterior agora deve decidir entre conceder crédito a mineradora São 
Braz S.A ou a Carvaleto S.A, sem sombra de dúvidas, caso as duas utilizem 
formas diferentes de contabilização, ou seja, não sigam uma estrutura comum, 
a tarefa do analista ficará muito mais difícil e irá necessitar de vários julgamentos 
de sua parte. Assim, um critério importante para a análise das demonstrações 
contábeis é a sua comparabilidade. Se faz necessário que tanto a São Braz S.A 
quanto a Carvaleto S.A utilizem de uma mesma estrutura e princípios para guiar 
a elaboração de seus relatórios econômico-financeiros, para assim não 
prejudicar os interessados na informação e nem ocasionar eventualmente uma 
decisão equivocada. 
 Dessa forma, devido a grande esforço internacional por parte de órgãos 
interessados na padronização dos princípios que regem a contabilidade no 
mundo é possível uma comparabilidade entre demonstrações contábeis de 
companhias brasileiras e de companhias europeias, pois, o Brasil e a maioria 
dos países europeus adotam os princípios adotados e divulgados pelo IFRS 
(Internacional Financial Report Society) e, no Brasil, O CPC faz esse papel. 
 
TEMA 2 – Balanço Patrimonial 
 O Balanço Patrimonial é comumente referido somente como Balanço. 
Essa demonstração provê uma “foto” dos ativos e passivos da instituição em 
 
 
5 
uma certa data, por exemplo, o Balanço Patrimonial abaixo representa a posição 
patrimonial da companhia XYZ na data de 31/12/20XX, ou seja, nesta data, a 
companhia tinha 5000 em caixa, 10000 em estoques e 3000 em contas a 
receber. Já acerca do passivo circulante, as dívidas com fornecedores estavam 
avaliadas em 4000, contas a pagar em 3000 e os empréstimos e financiamentos 
em 2500. 
Balanço Patrimonial da companhia XYZ S.A 
31/12/20XX 
Ativos 91500 Passivo + Patrimônio Líquido 91500 
Ativo Circulante 18000 Passivo circulante 9500 
Caixa 5000 Fornecedores 4000 
Estoque 10000 Contas a pagar 3000 
Contas a Receber 3000 
Empréstimos e financiamentos de 
CP 2500 
 
 Passivo não circulante 30000 
Ativo Não Circulante 73500 
Empréstimos e Financiamentos de 
LP 30000 
Realizável Longo Prazo 3500 
Contas a receber LP 3500 Patrimônio Líquido52000 
Imobilizado 50000 Reserva Legal 5000 
Prédios 20000 Reserva de Lucros 3500 
Veículos 10000 Capital Social 43500 
Máquinas 20000 
Intangível 8000 
Marcas e Patentes 3000 
GoodWill 5000 
Investimento 12000 
Ações da empresa 
XPTO 12000 
 
Observe que o balanço é separado entre ativos e passivos. Os ativos são 
qualquer coisa que possa ser mensurada com confiabilidade, que irá gerar 
benefícios futuros para a companhia e que seja resultado de eventos passados. 
Já os passivos são sacrifícios futuros de caixa em razão de eventos passados. 
Uma visão mais financeira é perceber os ativos como investimento feito pela 
companhia, dessa forma, a XYZ S.A investiu 20000 em prédios, 10000 em 
veículos, e de forma menos intuitiva, 5000 no caixa e 3000 nas contas a receber. 
Já os passivos representam a origem dos recursos que foram investidos, por 
exemplo, essa companhia utilizou 4000 de recursos oriundos de fornecedores 
para investir em sua atividade, também auferiu 2500 de empréstimos de curto 
prazo para financiar seus ativos. Enquanto utilizou 43500 de integralização de 
 
 
6 
capital e possíveis incorporações de reservas de capital para compra e 
investimento de ativos. 
Para comparabilidade e informação, o Ativo é dividido em dois grandes 
grupos, o Ativo Circulante e o Ativo não Circulante. O ativo circulante deve conter 
tudo que a empresa esperar realizar dentro de 1 ano, ou seja, as contas a 
receber e os estoques que são classificados dentro do circulante são esperados 
que se tornem caixa/dinheiro no decorrer de 12 meses a partir da data da 
demonstração. 
Os ativos não circulantes são aqueles que se espera benefícios por mais 
de um período, eles são classificados em quatro grupos, o Realizável a longo 
prazo, que são basicamente títulos e contas a receber com um prazo de duração 
maior que 12 meses. O imobilizado é composto por ativos que irão gerar 
benefícios por mais de 1 ano e são utilizados na atividade fim da empresa, como 
o prédio de sua sede, os veículos, as maquinas e etc. Já no grupo dos 
intangíveis, a grande diferença pro imobilizado é a existência corpórea do bem, 
os intangíveis são basicamente as marcas e patentes, que são ativos que a 
organização espera que gere benefícios em mais de 1 ano, e o GoodWill, onde 
o GoodWill, no caso da organização realizar uma aquisição de outra empresa, a 
diferença entre o valor contábil da empresa adquirida e o valor pago pela 
empresa adquirente é registrado como GoodWill. Por último, a classificação de 
investimentos é direcionada a aquisição de quotas ou ações de outras 
sociedades pela organização. 
Os passivos também são organizados em dois grupos em razão da 
definição contábil de curto e longo prazo. Os passivos circulantes são todos os 
sacrifícios de caixa a serem realizados no período de 1 ano desde a data a que 
se refere o Balanço Patrimonial, já os passivos não circulantes são todos os 
sacrifícios de caixa a serem realizados num período após 1 ano da data do 
balanço. A partir de uma perspectiva financeira, é possível perceber que alguns 
passivos geram o pagamento de juros e outros não, por exemplo, sobre o crédito 
de fornecedores não incidem juros, já sobre os empréstimos e financiamentos 
incidem juros, assim, os fornecedores fazem parte de um grupo chamado de 
passivo não oneroso e os empréstimos e financiamentos são chamados de 
passivo oneroso. 
É importante ressaltar que o balanço patrimonial é organizado a partir da 
liquidez (velocidade de se converter em caixa) das contas. E que o patrimônio 
 
 
7 
líquido é aquilo que resta aos sócios da empresa após a utilização dos ativos 
para pagamento de todos os passivos. Ou seja, obedecendo a equação 
fundamental da contabilidade 
Ativo = Passivo + Patrimônio líquido (1) 
E com uma simples álgebra chegamos a equação 2: 
Patrimônio líquido = Ativo – Passivo (2) 
 
TEMA 3 – Demonstração do Resultado do Exercício 
Se o Balanço Patrimonial é uma foto da corrente situação financeira da 
entidade, a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é um filme, ou seja, 
a DRE representa tudo que aconteceu com a organização no período. Assim, a 
DRE é a demonstração que traz as receitas auferidas pela companhia no 
período, os custos e despesas, o pagamento e recebimento de juros, o 
pagamento de impostos e taxas, até chegar ao lucro líquido destinado ao 
acionista. 
Como exposto na DRE abaixo, a companhia XYZ obteve 50000 em 
receitas no período, já seus custos totalizaram 10000 e suas despesas 15000. 
Assim, é possível verificar que dentro da sua atividade, ou seja, na execução 
operacional a organização obteve um resultado positivo de 25000, comumente 
chamado de lucro operacional. 
Companhia XYZ S.A 
Demonstração do Resultado do Exercício 31/12/20X1 a 31/12/20X2 
Receitas 50000 
(-) Custos 10000 
(-) Despesas 15000 
Lucro Bruto 25000 
(-) Despesas Financeiras 2000 
(+) Receitas Financeiras 1000 
Lucro Antes dos Juros e do Imposto de Renda 24000 
(-) Imposto de renda e CSLL (34%) 8160 
Lucro líquido 15840 
A próxima dedução realizada do lucro bruto é chamado de resultado 
financeiro da organização, onde é considerado o quanto a empresa auferiu de 
receita financeira, cobrando juros de seus clientes, e o quanto a empresa pagou 
de juros sobre seus empréstimos e financiamentos correntes. 
Após a consideração do resultado financeiro, temos o Lucro Antes dos 
Juros e do Imposto de Renda, abreviado como LAJIR ou EBT em inglês, sobre 
ele é aplicado a alíquota de imposto de renda e após a dedução do imposto, 
 
 
8 
temos o Lucro líquido, que deve ser destinado ao pagamento de dividendos ou 
a reservas de lucro, capital e legal. Ou seja, a DRE é intimamente ligada ao 
balanço, pois, o lucro irá alterar o patrimônio líquido ou o passivo do BP. 
Sobre a DRE, é importante ter em mente que as receitas e as despesas 
são reconhecidas a partir do regime de competência, então, a companhia ter um 
lucro líquido positivo não significa que a companhia auferiu a mesma quantidade 
de caixa no período, podendo este ser superior o inferior ao lucro líquido. Um 
exemplo disso é que as receitas são reconhecidas no momento da operação e 
da transferência de riscos, entretanto, isso não quer dizer que a empresa 
recebeu o dinheiro da venda, podendo a venda ter sido feita a prazo. 
Por isso, além da DRE que objetiva evidenciar a rentabilidade da 
empresa, outro demonstrativo contábil se faz necessário. O demonstrativo dos 
fluxos de caixa, afinal, o aluguel e outras despesas não podem ser pagas com 
lucro. 
 
TEMA 4 – Demonstração dos Fluxos de Caixa 
A demonstração dos fluxos de caixa tem como objetivo evidenciar as 
transações e montantes que afetaram o caixa empresarial no período, e separar 
essas operações em três grandes grupos: Fluxos de caixa operacionais, fluxos 
de caixa de investimento e fluxos de caixa de financiamento. 
Os fluxos de caixa operacionais são aqueles que se relacionam 
diretamente com a operação da empresa. O CPC 03 – R2 (2010), ressalta que 
os fluxos de caixa advindos das atividades operacionais são basicamente 
derivados das principais atividades geradoras de receita da entidade. Portanto, 
eles geralmente resultam de transações e de outros eventos que entram na 
apuração do lucro líquido ou prejuízo. E dá como exemplos: 
(a) recebimentos de caixa pela venda de mercadorias e pela prestação de 
serviços; (b) recebimentos de caixa decorrentes de royalties, honorários, 
comissões e outras receitas; (c) pagamentos de caixa a fornecedores de 
mercadorias e serviços; (d) pagamentos de caixa a empregados ou por conta de 
empregados; (e) recebimentose pagamentos de caixa por seguradora de 
prêmios e sinistros, anuidades e outros benefícios da apólice; (f) pagamentos ou 
restituição de caixa de impostos sobre a renda, a menos que possam ser 
especificamente identificados com as atividades de financiamento ou de 
 
 
9 
investimento; e (g) recebimentos e pagamentos de caixa de contratos mantidos 
para negociação imediata ou disponíveis para venda futura. 
Enquanto os fluxos de caixa de investimento refletem o montante gasto 
ou obtido com a compra ou venda de maquinas, equipamentos, outras 
empresas, basicamente as operações que decorrem em ativos não circulante 
(salvo o realizável longo prazo). Como afirma o CPC 03 – R2 (2010) A divulgação 
em separado dos fluxos de caixa advindos das atividades de investimento é 
importante em função de tais fluxos de caixa representarem a extensão em que 
os dispêndios de recursos são feitos pela entidade com a finalidade de gerar 
lucros e fluxos de caixa no futuro. Somente desembolsos que resultam em ativo 
reconhecido nas demonstrações contábeis são passíveis de classificação como 
atividades de investimento. 
E dá como exemplos: pagamentos em caixa para aquisição de ativo 
imobilizado, intangíveis e outros ativos de longo prazo. Esses pagamentos 
incluem aqueles relacionados aos custos de desenvolvimento ativados e aos 
ativos imobilizados de construção própria; (b) recebimentos de caixa resultantes 
da venda de ativo imobilizado, intangíveis e outros ativos de longo prazo; (c) 
pagamentos em caixa para aquisição de instrumentos patrimoniais ou 
instrumentos de dívida de outras entidades e participações societárias em joint 
ventures (exceto aqueles pagamentos referentes a títulos considerados como 
equivalentes de caixa ou aqueles mantidos para negociação imediata ou futura); 
(d) recebimentos de caixa provenientes da venda de instrumentos patrimoniais 
ou instrumentos de dívida de outras entidades e participações societárias em 
joint ventures (exceto aqueles recebimentos referentes aos títulos considerados 
como equivalentes de caixa e aqueles mantidos para negociação imediata ou 
futura); (e) adiantamentos em caixa e empréstimos feitos a terceiros (exceto 
aqueles adiantamentos e empréstimos feitos por instituição financeira); (f) 
recebimentos de caixa pela liquidação de adiantamentos ou amortização de 
empréstimos concedidos a terceiros (exceto aqueles adiantamentos e 
empréstimos de instituição financeira); (g) pagamentos em caixa por contratos 
futuros, a termo, de opção e swap, exceto quando tais contratos forem mantidos 
para negociação imediata ou futura, ou os pagamentos forem classificados como 
atividades de financiamento; e (h) recebimentos de caixa por contratos futuros, 
a termo, de opção e swap, exceto quando tais contratos forem mantidos para 
 
 
10 
negociação imediata ou venda futura, ou os recebimentos forem classificados 
como atividades de financiamento. 
Já os fluxos de caixa de financiamento, são os fluxos que tem origem na 
captação de recursos junto aos acionistas ou credores, O CPC 03 R2 (2010) 
afirma que A divulgação separada dos fluxos de caixa advindos das atividades 
de financiamento é importante por ser útil na predição de exigências de fluxos 
futuros de caixa por parte de fornecedores de capital à entidade. E dá como 
exemplos: (a) caixa recebido pela emissão de ações ou outros instrumentos 
patrimoniais; (b) pagamentos em caixa a investidores para adquirir ou resgatar 
ações da entidade; (c) caixa recebido pela emissão de debêntures, empréstimos, 
notas promissórias, outros títulos de dívida, hipotecas e outros empréstimos de 
curto e longo prazos; (d) amortização de empréstimos e financiamentos; e (e) 
pagamentos em caixa pelo arrendatário para redução do passivo relativo a 
arrendamento mercantil. (Alterada pela Revisão CPC 13). 
Assim, temos o exemplo abaixo da DFC da companhia ABC, elaborada 
pelo método indireto. 
DFC 
Lucro líquido 2000 
Depreciação 200 
Caixa líquido das atividades operacionais 2200 
Adição ao Imobilizado 150 
Adição ao Intangível -120 
Caixa líquido das atividades de investimento 30 
Dividendos Pagos -100 
Captação de empréstimos 20 
Amortização de empréstimos -20 
Caixa líquido das atividades de financiamento -100 
Caixa líquido gerado ou consumido no período 2130 
 
A partir da DFC é possível verificar que na operação a ABC gerou R$ 2200 
de caixa, dessa forma, é possível inferir que a operação já está gerando caixa, 
e que o caixa nas atividades de investimento também foi positivo, de R$ 30. Isso 
implica que a ABC pode estar a vender ativos importantes para o seu 
funcionamento, pois, é esperado que a empresa tenha saídas de caixa em 
relação a compra de ativo imobilizado e intangível, de modo a aumentar a 
capacidade operacional, entretanto, a ABC está com valor positivo, ou seja, está 
vendendo ativos operacionais. Isso pode significar uma decisão de 
desinvestimento/descontinuidade de certa operação da empresa. 
 
 
11 
Já nas atividades de financiamento, a ABC consumiu R$ 100,00 de caixa, 
o que significa que o montante que ela pagou a título de juros, amortização e 
dividendos foi maior do que o montante que ela captou. 
 
TEMA 5 – Demonstração do Valor Adicionado 
A DVA é uma demonstração obrigatória para todas as empresas de capital 
aberto brasileiras e tem como objetivo evidenciar se a empresa consumiu ou 
gerou riqueza. Segundo o CPC 09, a DVA deve proporcionar aos usuários das 
demonstrações contábeis informações relativas à riqueza criada pela entidade 
em determinado período e a forma como tais riquezas foram distribuídas. Dessa 
forma, a distribuição de riqueza deve ser minimamente detalhada no formato: (a) 
pessoal e encargos; (b) impostos, taxas e contribuições; (c) juros e aluguéis; (d) 
juros sobre o capital próprio (JCP) e dividendos; (e) lucros retidos/prejuízos do 
exercício. 
 2015 
 RECEITAS 2200 
1. Receitas 2000 
1.2 Provisões para devedores duvidosos 200 
 
2 INSUMOS 1100 
 CMV 1000 
 Energia 100 
 
 2-1 Valor Adicionado Bruto 1100 
3 Depreciação 100 
 
2-1+3 Valor adicionado líquido 1000 
 
4 Valor adicionado recebido em transferência 100 
 
2-1+3+4 Valor adicionado total a distribuir 1100 
 
 Distribuição 
 Pessoal 100 
 Impostos 50 
 Juros Passivos 100 
 Dividendos 150 
 Lucros retiros 700 
 
 Distribuição do valor adicionado 1100 
 
 
12 
Assim, para análise, a DVA é importante pois mostra como a riqueza foi 
distribuída, o percentual é destinado para os impostos, dividendos, retenção de 
lucros. 
TEMA 6 – Demonstração da Mutação do Patrimônio líquido 
Da mesma forma que a DFC se baseia e objetiva em explicar as variações 
da conta caixa, a Demonstração da Mutação do Patrimônio Líquido (DMPL) tem 
o intuito de informar todas as transações que ocorreram dentro do patrimônio 
liquido da entidade, e assim, mostrar as ocorrências que ocorreram na riqueza 
do acionista. Por exemplo, abaixo temos a DMPL da companhia ABC: 
 
Capital Social 
Integralizado Reserva de Lucro 
Lucros ou 
Prejuízos 
Acumulados 
Patrimônio 
Líquido 
Saldos Iniciais 3000 400 0 3400 
Lucro Líquido do período 0 0 700 700 
Juros Sobre Capital Próprio 0 0 -200 -200 
Dividendos 0 0 -300 -300 
Constituição de Reserva 0 100 -100 0 
Saldos Finais 3000 500 100 3600 
 
A DMPL funciona da seguinte forma, primeiro, a linha de Saldos Iniciais 
demonstra o saldo de cada conta no início do período, por exemplo, os sócios 
da ABC integralizaram 3000 como capital social, e a empresa conta com uma 
reserva de lucro de 400, e atualmente não possui nenhum lucro ou prejuízoacumulado, assim, o patrimônio líquido totaliza 3400 (3000 + 400 + 0). 
A seguir temos a primeira ocorrência que é lucro líquido do período, 
totalizando 700, assim, temos agora lucros ou prejuízos acumulados no valor de 
700, e dessa forma, o PL também aumenta em 700 – lembrando que o registo 
do lucro líquido do período não impacta diretamente nem a reserva de lucro nem 
o capital social neste momento -. 
Após o registro do lucro líquido, a firma decide distribuir esse valor, 
primeiramente a título de Juros Sobre Capital Próprio, no valor de 200, e assim, 
a conta lucros ou prejuízos acumulados sofre uma redução de 200 e 
consequentemente também é reduzido o Patrimônio líquido. Ademais, a 
companhia ABC também decidiu pela distribuição de dividendos, no valor de 
300, e da mesma forma que aconteceu com Juros Sobre Capital Próprio, a conta 
lucros ou prejuízos acumulados é reduzida em -300 e por consequência direta, 
o patrimônio líquido também diminui em -300 -lembrando que o lançamento de 
 
 
13 
dividendos a pagar é simplesmente uma redução no PL com um aumento do 
passivo -. 
 Por último, a ABC decidiu constituir reserva de lucro no valor de 100, 
assim, diminuindo os lucros ou prejuízos acumulados em 100 e aumentando a 
reserva de lucro em 100, como esse lançamento foi entre duas contas do PL, o 
valor do PL não muda. 
E por fim temos o saldo final, onde o valor de cada conta é a soma da 
coluna, e o valor do PL final é a soma da última linha, por exemplo, o saldo final 
da conta lucros ou prejuízos acumulados é 700-200-300-100 = 100. Enquanto o 
PL no fim do período totaliza 3600 = 3000+500+100. 
Dessa forma a DMPL se mostra útil ao analista justamente por evidenciar 
todos os lançamentos que acarretaram no patrimônio de um dos principais 
interessados na empresa, os sócios. 
 
TROCANDO IDEIAS 
 Como foi dito na introdução, a contabilidade é a linguagem dos negócios, 
assim, seria interessante se todo o mundo falasse a mesma língua, não? Diante 
disso, órgãos internacionais estão trabalhando para uniformizar a contabilidade 
entre os países, ainda assim, existem diferenças não somente em como 
contabilizar algumas transações, e sim na forma de evidenciar ou confeccionar 
as demonstrações. Isto posto, você sabe alguma diferença entre a forma de 
evidenciação da contabilidade brasileira e de alguma outra nação? Dica: procure 
o balanço patrimonial de alguma companhia australiana. 
 
NA PRÁTICA 
1) Um recurso pode ser caracterizado como ativo se: 
a. Pertencente a empresa; se espera benefícios econômicos futuros 
b. Bens e direitos 
c. Resultado de eventos passados; se espera benefícios futuros; e 
controlado pela empresa 
d. Pertencente a organização; se espera benefícios econômicos 
imediatos. 
2) O patrimônio líquido se refere a: 
a. Capital investido pelos sócios 
b. Obrigações futuras da empresa 
c. Benefícios futuros esperados pela empresa 
d. Dividendos a pagar 
3) A DRE consiste em: 
 
 
14 
a. Confronto de ativos e passivos 
b. Confronto de receitas, custos e despesas 
c. Confronto de receitas e despesas 
d. Confronto de receitas e custos 
4) A Demonstração do Fluxo de Caixa é dividida nos seguintes tópicos 
a. Fluxos operacionais, de investimento e financiamento 
b. Fluxos operacionais, de capital de giro e de financiamento 
c. Fluxos não operacionais, operacionais e de investimento 
d. Fluxos operacionais, custos e investimento. 
5) O Passivo é: 
a. A soma entre Ativo e Patrimônio Líquido 
b. A soma entre Patrimônio Líquido e Caixa 
c. A subtração entre Ativo e Patrimônio Líquido 
d. A subtração Entre Ativo Não Circulante e Passivo não Circulante. 
6) A Demonstração do Valor Adicionado tem como objetivo: 
a. Evidenciar o lucro da organização 
b. Evidenciar a criação/destruição de riquezas 
c. Evidenciar a criação/destruição de riquezas como também sua 
distribuição 
d. Evidenciar as mutações do patrimônio líquido. 
7) 
Gabarito: 
1) C 
2) A 
3) B 
4) A 
5) C 
6) C 
FINALIZANDO 
 Esta aula introdutória teve como objetivo relembrar as principais 
demonstrações, seus objetivos e o que um analista pode buscar de informações. 
 Primeiro foi exposto o Balanço Patrimonial que comumente é dito ser um 
retrato da posição patrimonial da empresa em certa data, assim, o Balanço 
Patrimonial é útil ao analista por fornecer informações acerca de ativos e 
passivos, ou seja, recursos que a empresa acredita que irá trazer benefícios 
futuros, ou seja, seus investimentos, e a forma de financiamento desses 
investimentos (Passivo e PL). Assim, o Balanço Patrimonial fornece informações 
sobre liquidez, solvência, endividamento da organização. 
 Em seguida, falamos sobre a DRE – se o balanço patrimonial é uma foto, 
a DRE é um filme – que retrata a lucratividade da empresa, principalmente 
 
 
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expondo suas receitas, seus custos, e assim demonstrando sua eficiência no 
uso de recursos. 
 Em terceiro lugar, relembramos o DFC, uma demonstração que tem como 
objetivo evidenciar as transações que afetaram a conta caixa, simplesmente 
porque não se paga contas com o lucro, e no fim, o que importa é se a empresa 
está gerando caixa ou não para honrar com seus compromissos. Assim, vimos 
que a DFC está dividida em 3 partes, investimento, financiamento e operacional, 
para que o analista seja capaz de identificar onde os fluxos de caixa estão sendo 
investidos e qual a sua origem. 
 Para falar sobre riqueza, trouxemos a DVA, que utilizando informações de 
diversas outras demonstrações evidenciam para o usuário da informação 
contábil qual foi a geração de riqueza (isso se a empresa tiver gerado riqueza) e 
qual foi sua distribuição. 
 Por último, relembramos a DMPL, a qual tem objetivo evidenciar as 
transações que impactaram diretamente no patrimônio dos acionistas, como o 
pagamento de dividendos, constituição de reservas, e tudo isso que representa 
para o analista a politica da empresa em reinvestir os fluxos de caixa ou em 
distribuir para seus donos (acionistas). 
 Após essa aula, acredito que somos capazes de ter um olhar crítico sobre 
as demonstrações contábeis, e estamos preparados para uma análise mais 
granular utilizando índices. 
 
REFERÊNCIAS 
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS (CPC). Pronunciamento técnico cpc 03: 
demonstração dos fluxos de caixa. Junho de 2008. Disponível em: . Acesso em: 15 dez. 2019. 
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS (CPC). Pronunciamento técnico cpc 09: 
demonstração do valor adicionado. Novembro de 2008. Disponível em: Acesso em: 15 dez. 2019.