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BRUNA BASTOS BOROVIEC APRIMORAMENTO EM CLÍNICA DE PEQUENOS ANIMAIS NÍVEL I TRAUMA CRANIO-ENECEFÁLICO EM PEQUENOS ANIMAIS JI-PARANÁ 2018/1 BRUNA BASTOS BOROVIEC APRIMORAMENTO EM CLÍNICA DE PEQUENOS ANIMAIS NÍVEL I TRAUMA CRANIO-ENECEFÁLICO EM PEQUENOS ANIMAIS JI-PARANÁ 2018/1 Trabalho apresentado à Universidade Luterana do Brasil/ Centro Universitário Luterano de Ji-Paraná, como exigências para obtenção de nota parcial na disciplina de Clínica Médica de Pequenos Animais I ministrado pelo professor Esp. Adriano Mendes Marchandeau. 2 LISTA DE TABELAS TABELA 1: ESCALA DE GLASGOW MODIFFICADA PARA CÃES.................pg. 8 3 Sumário 1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 4 2. REVISÃO DE LITERATURA .................................................................................................... 5 2.1. LESÃO PRIMÁRIA .................................................................................................................. 5 2.2. LESÕES SECUNDÁRIAS ........................................................................................................ 6 2.3. AVALIAÇÃO DO ANIMAL TRAUMATIZADO ..................................................................... 6 2.3.1. Escala de Glascow ................................................................................................................ 7 2.4. MANEJO DO PACIENTE TRAUMATIZADO ......................................................................... 8 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................................... 11 REFERÊNCIAS ................................................................................................................................. 12 4 1. INTRODUÇÃO O trauma crânio-encefálico (TCE) é definido como insulto resultante de forças mecânicas externas aplicadas ao encéfalo e às estruturas que o circundam, que geram lesão estrutural e/ou interrupção da função encefálica por lesões primárias e secundárias. (BRANCO, 2011). O TCE geralmente resulta em isquemia cerebral, hipóxia, edema e hemorragias intracraniana, extracraniana, subdural, subaracnóidea ou intraparenquimatosa. Estando associado a um alto índice de mortalidade sendo causados na maior parte por atropelamentos ou agressões, mas podendo ser ainda por quedas, lesões por armas de fogo e esmagamentos (SIQUEIRA, 2011; VIANA & ARIAS, 2013). Pode-se ressaltar também que, devido a reduzida estrutura corpórea, há uma superfície de contato grande em relação ao impacto, ou seja, animais com TCE na maioria das vezes é um individuo politraumatizado (BAGATINI et al., 2006). O manejo dos pacientes com TCE é um ponto primordial, sendo necessário uma estabilização rápida dos mesmos, diagnosticando e reduzindo o desenvolvimento de lesões encefálicas secundárias (SWAMINATHAN et al., 2009). A recuperação de animais com TCE dependem da gravidade das lesões e da qualidade e rapidez dos veterinários, fazendo com que o fator tempo seja fundamental, pois atrasos nos procedimentos interferem diretamente na recuperação do animal (FERNÁNDEZ & BERNARDINI, 2010). 5 2. REVISÃO DE LITERATURA O TCE possui dois componentes essenciais: a primária que diz respeito à lesão mecânica causada pelas forças que atuam sobre o crânio e cérebro no momento do impacto, e a secundária que se refere a um número de alterações que se auto perpetuam e agravam o quadro inicial (JUNIOR, 2011; SIQUEIRA, et al., 2013). Segundo alguns autores, a lesão primária ocorre no momento do traumatismo, como contusão, laceração, concussão e lesões em casos que consequentemente acarretam hemorragias, hematomas e necrose. Já a lesão secundária é consequência da hemorragia e edema, que ocorreram devido a lesão primária, que ativam as vias bioquímicas que culminam em lesão neuronal progressiva, que se não for tratada, acarreta em aumento da pressão intracraniana (PIC), que pode desenvolver uma hérnia encefálica e óbito (CRIVELLENTI & CRIVELLENTI; BRANCO, et.al., 2013). 2.1.LESÃO PRIMÁRIA Hematomas intracranianos: As hemorragias são resultado das injúrias ocorridas nos vasos sanguíneos e formam hematomas que levam ao aumento da PIC (PLATT, 2005). Contusão cerebral: Se define como uma alteração moderada a severa, que causam laceração no parênquima cerebral e/ou na vascularização, podendo haver hemorragia parenquimatosa ou edema. Geralmente é causado no TCE fechado, o qual a barreira hematoencefálica foi comprometida, onde se cria uma camada de parênquima lesionado e sangue extravasado rodeado por edema (RABELO & CROWE, 2005; JUNIOR, 2011). Edema cerebral: O edema é classificado em vasogênico devido ao extravasamento vascular, intersticial pelo acúmulo de líquido na substância branca, citotóxico pela alteração na bomba de sódio e potássio e neurotóxico por hipóxia celular, sendo que o edema favorece o aumento da PIC (JUNIOR, 2011). Lesão axonal difusa: Durante a rotação da cabeça no momento do trauma, a força que atua sobre os eixos axonais dos neurônios pode levar a alterações da sua integridade que desencadeiam uma série de alterações que acarretam com a separação física do aônio 6 num segmento proximal e outro distal. Quando há o acometimento de muitos axônios podem surgir déficits bastante significativos, podendo não haver tratamento para este tipo de lesão. No entanto, caso o axônio seja lesionado, mas não seccionado, uma boa abordagem terapêutica pode levar à sua recuperação (JUNIOR, 2011). Lacerações do crânio: é uma grave lesão cerebral, pode causar hemorragia em parênquima cerebral e edema, ocorrendo devido à fraturas de crânio e feridas penetrantes (SIQUEIRA, 2011). Comoção cerebral: Comoção é a perda da consciência sem a presença de danos estruturais, podendo ser definida como a paralisia traumática reversível das funções nervosas (RABELO & CROWE, 2005). 2.2.LESÕES SECUNDÁRIAS As lesões secundárias ocorrem logo após a primária, ocorrendo uma combinação de eventos vasculares, alterações físicas bioquímicas e eletrolíticas que exacerbam os efeitos deletérios da lesão primária (BRANCO, 2011). Após o trauma, há liberação de neurotransmissores excitatórios em grandes quantidades, principalmente o glutamato o qual resulta em atividade metabólica excessiva e perda de ATP, sendo que essa falta energética causa alteração na homeostase celular iônica e favorece o influxo repentino e incontrolado de sódio e cálcio para os neurônios, e com isso ocorre edema celular e despolarização. A despolarização descontrolada causa uma maior liberação de neurotransmissores excitatórios para o meio extracelular. O glutamato em especial, causa maior aumento no nível de cálcio intracelular, ativando as enzimas intracelulares que determinam dano intracelular grave e morte celular (DEWEY & FLETCHER, 2008; SANDE & WEST, 2010). 2.3.AVALIAÇÃO DO ANIMAL TRAUMATIZADO O exame neurológico deve ser realizado cuidadosamente sem movimentar opaciente devido às possibilidades de fraturas ou instabilidades. Avaliar o nível de 7 consciência, ritmo respiratório atividade motora, posturas anormais e reflexos do tronco encefálico (SILVA, 2015). Para avaliar o paciente traumatizado, primeiramente deve-se preconizar o uso do ABC do trauma, e com isso, realizar as manobras emergenciais deste protocolo que seriam: A- airway – procurar por obstruções em vias aéreas B- breathing – preconizar ventilação e oxigenação C- circulation – manter a perfusão sanguínea adequada E após a estabilizar o animal, a avaliação neurológica do animal deve ser feita com o uso da Escala de Glasgow modificada (SILVA, 2015). Como auxílio no prognóstico, pode ser utilizado uma escala de coma de Glasgow modificada, onde atribuem-se valores para características de atividades motoras, reflexos do tronco encefálico e nível de consciência, utilizando a somatória para classificar o paciente em um grupo prognóstico (SILVA, 2015). 2.3.1. Escala de Glascow A escala de Glasgow foi desenvolvida pelos professores Grahan Teasdale e Bryan jennet na ínicio da década de 770 na Universidade de Glasgow na Escocia, sendo publicada em 1974 na tesvista Lancet (ANDRADE, 2008). A escola de coma de Glascow foi elaborada para avaliar o nível de consciência dos pacientes com dano cerebral, representado uma das mais importantes escalas e instrumento para neurologia humana que tem sido utilizado com frequência mundialmente. Nesta escala são avaliados dois parâmetros: a perceptividade, função cortical e reatividades, e função da formação reticular ativadores ascedente. Entretanto, essa escala só pode utilizada em humanos adultos. Com isso, foi realizada a elaboração de uma nova escala mas para a área pediátrica, e tendo esse instrumento, nos últimos anos com os avanços na Medicina Veterinária, teve a necessidade da elaboração de uma escala para cães, e com isso, foi utilizado a escala de Glascow pediátrica modificada para cães (ANDRADE, 2008). 8 O prognóstico do TCE irá depender dos valores obtidos na avaliação do animal pela Escala de Glasgow modificada (tabela 1), sendo que de 15 a 18 o prognóstico é bom; de 1 a 14 o prognóstico é reservado e de 3 a 8 o prognóstico é ruim (SILVA, 2015). TABELA 1: ESCALA DE GLASGOW MODIFFICADA PARA CÃES. Indicador Critério/Resposta Escore Abertura ocular Espontânea 4 Estímulo verbal/comando 3 Estímulo verbal/comando/ao grito 3 Estímulo doloroso 2 Sem abertura 1 Melhor resposta à vocalização Latido/Rosnado 5 Choramingo irritado 4 Choramingo à dor 3 Ganido à dor 2 Sem resposta 1 Melhor resposta motora Movimento espontâneo e normal 6 Reação ao toque 5 Reação à dor 4 Flexão anormal – descorticação 3 Extensão anormal – descerebração 2 Nenhuma 1 Total 15 Fonte: Adaptada de SIQUEIRA, 2011. 2.4.MANEJO DO PACIENTE TRAUMATIZADO Segundo Siqueira (2011), oito entre dez lesões parenquimatosas diretas associadas com a injuria cerebral primária estão fora do controle clínico, com isso, o foco deve ser a prevenção reconhecimento e tratamento da lesão cerebral secundária. O manejo dos pacientes traumatizados necessita de atenção especial quanto ao volume cerebral e fluxo sanguíneo cerebral, sendo que os fatores que os aumentam são: PacO2, hipercapnia causa vasodilatação e aumento da PIC, e por outro lado, a 9 vasoconstrição pode causar diminuição do volume sanguíneo cerebral, e com isso, a isquemia cerebral (SIQUEIRA, 2011). A terapia pode ser dividida em: de suporte e médica específica. Na terapia de suporte, devem ser avaliados periodicamente os parâmetros como temperatura, vias aéreas livres, oxigenação do paciente e situação do sistema cardiovascular, efetuar fluidoterapia e controlar a pressão arterial. Deve ser evitado hipotensão arterial, hiperglicemia, subnutrição, garrote jugular e o uso de glicocorticoides. Deve-se evitar o excesso de glicose, pois pode aumentar a pressão isquêmica, ou seja, fluidos glicosados são usados apenas para corrigir hipoglicemia. Como profilaxia de infecções bacterianas é indicado a administração de antibióticos de largo espectro de ação e com boa penetração no SNC (SIQUEIRA, 2011). Um dos pontos importantes da terapia de suporte seria a fluidoterapia, onde visamos a normovolemia, sendo que a solução mais recomendada seria a solução salina, pois demonstrou aumentar a contratilidade do miocárdio e do débito cardíaco, melhora a pressão sistêmica, ação anti-inflamatória, reduz edema promove diurese e reduz a PIC de forma rápida (SILVA, 2015). Recomenda-se a realização de oxigenoterapia a todos os pacientes com trauma cerebral, pois hipóxia e hipercapnia levam a vasodilatação cerebral, que ocasionam o edema cerebral (JOANA REIS et. al. 2015). A terapia médica é baseada na hiperventilação, tratamento hiperosmolar, administração de altas doses de barbitúricos e cirurgia. A utilização de diuréticos osmóticos como o manitol é muito difundida no tratamento da hipertensão craniana. Esse diurético é um açúcar que é livremente filtrado pelo rim, levando a imediata expansão do plasma reduzindo assim a viscosidade sanguínea e aumentando o fluxo sanguíneo cerebral. A aplicação deve ser feita na dose de 0,25g/kg em bolus por um período de 15 minutos para ter o efeito expansor no plasma. Entretanto, a aplicação repetida pode causar intensa diurese, resultar em desidratação celular e risco de hipotensão e isquemia, com isso, recomenda-se o uso de manitol em pacientes com escala de Glasgow de 3-8, e contraindicado à pacientes desidratados ou em choque hipovolêmico e em pacientes com ICC, IR anúrica ou edema pulmonar. A combinação de manitol com furosemida na dose de 0,7mg/kg pode diminuir a PIC, mas se o furosemida proceder o manitol (VERNEU et al., 2006; FOSSUM et al., 2007; PLATT et al., 2008). 10 Os barbitúricos são utilizados em altas doses para diminuir o metabolismo cerebral, ansiedade e os radicais livres. Entretanto, apesar dos efeitos positivos, pode haver hipotensão arterial sistêmica que eleva a PIC, levando à depressão respiratória. Ou seja, devem ser utilizados apenas quando não houver resposta aos outros tratamentos (VERNEAU et al., 2006). Em casos de convulsão, que pode ocorrer em TCE, pode ser tratada com Diazepan com 2,0 mg/kg por via retal, ou 0,5 mg/kg IV aplicando lentamente. Mas, alguns autores como Platt et al. (2008), indicam terapia com anticonvulsivante pós-trauma mesmo que não haja quadro convulsivo com fenobarbital 2mg/kg a cada 6 ou 8 horas. Esta conduta pode ser mantida por 3 a 6 meses, sendo diminuída gradativamente, sendo que o fenobarbital possui a função de reduzir as demandas metabólicas cerebrais, o protegendo. A administração de protetores gástricos se torna válida, tais como Ranitidina ou Omeprazol. Além disso, nas primeiras 36 horas é recomendado a nutrição entérica juntamente com uma terapia pró-cinética como o Metoclopramida (JOANA REIS et. al. 2015). 11 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS Alguns autores afirmam que a intervenção cirúrgica possui um papel menor no manejo de cães e gatos traumatizados pois acreditam na crença de que hemorragias intracranianas significativas sejam raras nestas espécies. Entretanto, o uso de procedimentos cirúrgicos se torna válidos, porém o uso de TC ou RM do encéfalo se torna imprescindível (BRANCO, 2011). No TCE deve-se levar em consideração o estado de cada animal, avaliando a necessidade de cada um. O principal objetivo do tratamento de um politraumatizadoé o retorno deste animal ao papel que o mesmo ocupava na sociedade, com isso, o manejo correto destes animais com a avaliação do grau de traumatismo, e os procedimentos realizados em menor tempo, são a chave principal para que este objetivo seja alcançado (SILVA, 2015). 12 REFERÊNCIAS ANDRADE, M.B. Escala de Coma de Glasgow Pedriátrica Modificada para cães. 2008. 80f. Tese (Mestre em Ciência Veterinária). Universidade Federal Rural de Pernambuco. Recife, PE. 2008. BAGATINI T. Evolução dos índices de atropelamento de vertebrados silvestres nas rodovias do entorno da estação ecológica águas emendadas, DF, Brasil, e eficácia de medidas mitigadoras. Dissertação. Instituto de Ciências Biológicas, Universidade de Brasília; 2006. BRANCO, S.E.M.T. Trauma Crânio-encefálico em cães: Revisão de Literatura. 2011. 42f. Monografia (Especialização em Clínica Médica de Animais de Companhia) Universidade Federal de Minas Gerais – Escola de Veterinária. Belo Horizonte/MG, 2011. DEWEY, C.W.; FLETCHER, D.J. Head Trauma Management. In: DEWEY, C.W. A Practical Guide to Canine and Feline Neurology. Second Edition. Iowa: Willey- Blackwell, 2008, cap. 6, p. 221-235. FERNÁNDEZ, V.L., BERNARDINI, M. Traumatismos. In: FERNÁNDEZ, V.L., BERNARDINI, M. Neurologia em Cães e Gatos. 1ª. Edição, São Paulo: MedVet, 2010, cap.9, p.209-225. FOSSUM, T.W. Cirurgia de pequenos animais. 3ªed. São Paulo; Elsevier, 2007. JUNIOR, O.S. Trauma crânio encefálico (TCE). 2011. 82f. Monografia (Graduação em Medicina Veterinária). Universidade Tuiuti do Paraná. Curitiba/ PR. 2011. PLATT, S. Evaluation and treatment of the head trauma patient. In Practice, v.27, p.31- 35, 2005. RABELO,R. C.; CROWE, D. T. J. Fundamentos de terapia intensiva veterinária em pequenos animais. Rio de Janeiro: L. F. Livros, 2005. cap. 31, p. 329-350. REIS, J. et al. Protocolos Clinicos Diagnóstico e intervenção em clínica de animais de companhia. Universidade de Évora. 2015. SANDE, A., WEST, C. Traumatic brain injury: a review of pathophysiology and management. Journal of Veterinary Emergency and Critical Care, v.20, n.2, p.177- 190, 2010. SIQUEIRA, E.G.M. Trauma Cranioencefálico em Pequenos Animais. 2011. 23f. Monografia (Graduação em Medicina Veterinária) Faculdade de Medicina Veterinária e zootecnia Júlio Mesquita Filho. Botucatu/SP, 2011. SIQUEIRA, E.G.M. et al. Trauma cranioencefálico em pequenos animais. Veterinária e Zootecnia. v.23, p.112-123. 2013. 13 SWAMINATHAN, A., LEVY, P., LEGOME, E. Evaluation and Management of Moderate to Severe Pediatric Head Trauma. The Journal of Emergency Medicine, v.37, n.1, p.63-68, 2009. VERNEAU, K. Management of head trauma. In: ANNUAL VETERINARY NEUROLOGY SYMPOSIUM, 2., 2005, Davis. Proceedings of Veterinary Neurology Annual Symposium - Davis: University of Califórnia, 2006. VIANNA, C.G. & ARIAS, M.V.B. Estudo prospectivo de traumatismo cranioencefálico em 32 cães. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, n.35, v.1, p.93 a 99. 2013.