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Prévia do material em texto

Brasília-DF. 
CiênCias Forenses: GenétiCa 
e antropoloGia
Elaboração
Lívia Marcela dos Santos
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
Sumário
APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 4
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 5
INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 7
UNIDADE I
ANTROPOLOGIA FORENSE ..................................................................................................................... 9
CAPÍTULO 1
PRINCÍPIOS DA IDENTIFICAÇÃO HUMANA ............................................................................... 10
CAPÍTULO 2
IDENTIFICAÇÃO E IDENTIDADE ................................................................................................ 15
CAPÍTULO 3
EXUMAÇÕES .......................................................................................................................... 22
CAPÍTULO 4
OSSADAS: DIAGNÓSTICO MÉDICO-LEGAL DA ESPÉCIE, SEXO, IDADE E ESTATURA EM OSSADAS 
E RESTOS HUMANOS .............................................................................................................. 26
CAPÍTULO 5
SINAIS DE VIOLÊNCIA ............................................................................................................. 36
CAPÍTULO 6
IDENTIFICAÇÃO EM DESASTRES E INCIDENTES COM GRANDE NÚMERO DE VÍTIMAS ................. 41
UNIDADE II
GENÉTICA FORENSE ............................................................................................................................ 42
CAPÍTULO 1
NOÇÕES GERAIS DE GENÉTICA FORENSE ............................................................................... 42
CAPÍTULO 2
INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE, MATERNIDADE OU AMBOS .................................................. 56
CAPÍTULO 3
PROVAS MÉDICO-LEGAIS ....................................................................................................... 60
PARA (NÃO) FINALIZAR ..................................................................................................................... 67
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................. 69
4
Apresentação
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se 
entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. 
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela 
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da 
Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos 
conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da 
área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que 
busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica 
impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo 
a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na 
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
5
Organização do Caderno 
de Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em 
capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos 
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar 
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para 
aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares.
A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de 
Estudos e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita 
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante 
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As 
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Praticando
Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de fortalecer 
o processo de aprendizagem do aluno.
6
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Para (não) finalizar
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem 
ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.
7
Introdução
No Brasil, no passado, a maior influência para a medicina legal foi francesa, porém, 
também houve influência da medicina alemã e italiana. Atualmente, a maior influência 
é da medicina legal de Portugal. Os principais nomes que podem ser citados são: José 
Antônio Lourenço Lesseps, José Eduardo Lima Pinto da Costa e Duarte Nuno Pessoa 
Vieira além de Francisco Corte Real.
Já no Brasil, a estruturação da medicina legal foi principalmente realizada por Agostinho 
José de Souza Lima, da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Porém, outro médico 
brasileiro que contribuiu para a nacionalização da medicina legal foi Raymundo Nina 
Rodrigues, colaborando também para a pesquisa científica neste campo da medicina.
Posterior a Raymundo, vem Oscar Frei de Carvalho, que instituiu a medicina legal como 
especialidade médica. As primeiras faculdades brasileiras a possuírem a disciplina de 
medicina legal estavam no Rio de Janeiro e na Bahia, em 1832. Esse ano também 
foi marcado pela inclusão da perícia médico-legal no Código de Processo Criminal 
para os exames de corpo delito. Alguns desses dispositivos ainda estão no Código de 
Processo Penal.
Entretanto, apenas depois de alguns anos, em 1854, foi oficializada a medicina pericial, 
por meio do Decreto no 1.740, de 16 abril, sendo criada concomitante a Secretaria de 
Polícia da Corte a Assessoria Médico-legal.
Nas faculdades de Direito, a matéria de medicina legal foi ensinada por Rui Barbosa, 
que aprovou na Câmara dos Deputados o Decreto que deu origem a Cátedra de medicina 
legal nas Faculdades de Direito de todo o território nacional, em 1891.
Atualmente, essa prática médica é oficial e pública, oferecida pelos Institutos médicos 
legais de todo país, além de, também, ser obtido em postos médicos legais. Porém, 
ainda hoje as condições de trabalho não são as melhores.
Assim, hoje, o direito busca uma aliança técnica com os peritos para esclarecer 
dúvidas jurídicas. Para que esse esclarecimento seja efetivo, é preciso que o perito 
seja capacitado para exercer a sua função. Isso também é importante para o juiz, 
reforçado pelo Código Penal, pelo Decreto-Lei no 1.004, de 21 de outubro de 1969, e com 
a reforma da Lei no 6.016, de 21 de dezembro de 1973, o juiz, além dos conhecimentospróprios de sua formação jurídica, necessita adicionar outros de natureza 
sócio-política e legispericial.
8
Virgílio Donnice (2002) se manifestou sobre o assunto da seguinte forma: 
A grande novidade, porém é a dos criminosos habituais ou por 
tendência, com a aplicação da pena indeterminada, e a reincidência, 
que não ocorrerá se, depois de uma sentença condenatória, cumprida 
ou extinta, de ocorrer período de tempo superior a cinco anos, sendo 
excluídos, para efeito da reincidência, os crimes puramente militares 
e políticos. Para a ampliação da pena o juiz terá, obrigatoriamente, de 
possuir uma especialização penal e criminológica. Pelo Código de 1940, 
o art. 42 continha diretrizes abstratas, ao contrário das que se encontram 
no novo, que determinam ao juiz, na sentença, expressamente referir os 
fundamentos das medidas da pena, apreciando a gravidade do crime 
praticado, a maior ou menor extensão do dano ou perigo do dano, os 
meios empregados, o modo de execução, os motivos determinantes, as 
circunstâncias de tempo e lugar, os antecedentes do réu e sua atitude 
de insensibilidade, indiferença ou arrependimento após o crime, 
levando-se em consideração, também, na fixação da pena de multa, 
a situação econômica do condenado. É um dispositivo que obrigará o 
juiz a ter, além da competência jurídico-penal e criminológica, uma 
sensibilidade apurada, fazendo-o participar de todo processo e, muito 
especialmente, do interrogatório do acusado, fase processual que terá 
grande importância. 
Objetivos
 » Promover o conhecimento da Antropologia e Genética Forense.
 » Analisar de forma crítica o papel do médico legal.
 » Compreender as limitações que existem neste tipo de perícia.
9
UNIDADE IANTROPOLOGIA 
FORENSE
Atualmente, os meios de comunicação fazem da antropologia forense um 
quadro surreal, até mesmo nos Estados Unidos da América. Essa mistificação 
se dá pelos meios de comunicação que mostram casos resolvidos por meio de 
profissionais que são apoiados por tecnologias de forma espetacular. Vamos por 
meio da leitura desse material desmistificar esse conceito. 
“Apesar de todos os humanos adultos terem os mesmos 206 ossos, 
não existem dois esqueletos iguais”. (BERARDINELLI, 1942)
Um exemplo dessas séries na televisão é Bone, que apresenta uma equipe 
composta com profissionais praticamente gênios, com conhecimentos em todas 
as áreas científicas.
Realmente, muitas vezes são necessárias várias áreas de conhecimento para a 
resolução de um caso, porém não apenas um profissional vai conseguir sozinho 
resolver esse caso.
É importante ter a consciência de que nem sempre a causa da morte e nem 
mesmo as circunstâncias em que ela ocorreu pode ser revelado pela análise de 
restos ósseos, pois, além de existir o tecido muscular, adiposo e dérmico, que o 
recobrem os ossos, poucas vezes apenas uma lesão traumática pode ser fatal. 
Assim, o papel do antropólogo é com base na lesão óssea caracterizar o tipo de 
ação ou o tipo de instrumento, além de seu grau de gravidade para os tecidos 
moles, órgão e vísceras. Então, o antropólogo forense pode classificar as lesões 
de acordo com o objeto e a ação.
10
CAPÍTULO 1
Princípios da identificação humana
Noções gerais de antropologia forense
A antropologia forense pode ser classificada como uma subespecialidade da antropologia 
biológica, caracterizada pelo estudo do esqueleto humano e correlacionando o esqueleto 
humano com as ciências forenses. Assim, um dos papéis dessa ciência é a identificação 
de cadáveres em avançado estado de decomposição, carbonizados ou gravemente 
mutilados, bem como restos esqueléticos, para que haja o esclarecimento da causa e 
das circunstâncias da morte dos indivíduos. Porém, casos de antropologia forense no 
sentido restrito são cadáveres com menos de 15 anos de decomposição, chamado de 
intervalo post mortem, mas ao laboratório do antropólogo forense não são apenas esse 
tipo de casos que chegam. 
Antropologia forense é ramo da medicina legal que tem como principal 
objeto a identidade e identificação do ser humano. Utiliza conhecimentos 
da antropologia geral, com clara importância na esfera penal.” (ABFA 
– American Board of Forensic Anthropology What is the Practice of 
Forensic Anthropology? AFBA, Inc.).
A antropologia forense tem íntima relação com a medicina criminalista e também a 
medicina forense, assim, unidas são melhores para desvendar as circunstâncias da morte.
Na história do Brasil, nos anos da ditadura, a medicina legal foi pouco desenvolvida pelo 
rígido controle desta época. As áreas mais prejudicadas foram Antropologia Forense e 
Identificação Humana, pois muitas vezes não havia interesse político em identificar os 
cadáveres ou esclarecer as causas da morte. Esse fato também refletiu na pesquisa e no 
ensino desta época sobre a Antropologia Forense.
O objetivo primordial da Antropologia Forense é desvendar a causa da morte. Assim, 
uma das armas mais importantes que esse médico possui para cumprir sua missão 
são as marcas de violência em ossadas. Portanto, essas marcas ósseas podem possuir 
características, ante mortem, peri mortem ou pos mortem. A diferenciação entre esse 
tipo de lesão é obrigatória no exame do Antropólogo Forense, porém não é simples 
ou possível. 
Se não for possível reconhecer o cadáver pelos traços fisionômicos ou ainda pela vestimenta, 
o antropólogo forense deve entrar em cena. Ou seja, os cadáveres que requisitam a presença 
11
ANTROPOLOGIA FORENSE │ UNIDADE I
do Antropólogo forense são cadáveres esqueletizados, mumificados ou em estado de 
preservação muito prejudicado (PINHEIRO; CUNHA, 2006). Assim, a experiência e o 
conhecimento do Antropólogo podem ajudar inestimavelmente a desvendar a causa ou 
as circunstâncias de morte.
Princípios da identificação humana
O princípio desse processo é a limpeza e preparação do cadáver. Essa etapa tem uma 
grande importância para a correta interpretação da ossada. Se esse processo não for 
realizado corretamente, pode confundir o examinador, com artefatos. 
Para identificar as ossadas, o primeiro passo é a sua preparação.
Preparação de ossadas
Um pré-requisito para a análise das ossadas é que ela esteja sem tecidos moles. Se o 
caso for de cadáveres em estado de composição avançado, impossibilitando o seu 
reconhecimento por digitais, porém não completamente esqueletizado, é importante que 
se faça a redução do cadáver anteriormente ao exame antropológico. 
Inicialmente, deve se retirar manualmente os tecidos moles e também com ajuda de 
instrumentos cortantes, seguindo o próximo passo, que seria a desarticulação dos 
segmentos corporais. Existe um cuidado aqui com a confusão de marcas acidentais com 
traumas peri-mortem. 
Após esse processo, as partes corporais são inseridas em uma máquina redutora de 
cadáveres em água, são mais ou menos 60 litros, a temperatura dessa água é em torno 
de 85oC para que haja maceração dos tecidos moles.
Ainda, a cada 24 horas, essa água é escoada e para uma limpeza final, os ossos são 
lavados em água corrente e é utilizado tecido de algodão. Esse processo é repetido até 
que seja obtidos ossos sem resíduos de tecido mole.
Com o fim da redução os ossos, são colocados em posição anatômica, em uma mesa 
apropriada. Para esse posicionamento é muito importante caracterizar a lateralidade 
dos ossos (direito e esquerdo), e também sua localização correta, com atenção especial 
para costelas e vértebras.
Normalmente, segue-se um protocolo de caracterização de ossos, com os itens:
 » Quais ossos estão presentes, listando os mesmos um a um. 
12
UNIDADE I │ ANTROPOLOGIA FORENSE
 » Se existe fratura ou outro achado patológico, como exemplo, são má-
formações ósseas ou consolidação de fraturas.» Além dos ossos, esse mesmo protocolo deve ser realizado para os arcos 
dentais, superior e inferior. 
 » Existe ainda a descrição de qualquer outro item que esteja no cadáver 
como roupas, acessórios etc. 
 » Para um registro desses itens, é importante o registro fotográfico. 
Também o inventário da dentição pode ser registrado por meio de fotos. Esses registros 
devem ser de arcada superior e inferior. 
Um conceito fundamental é que a análise antropológica não pode ser realizada sobre 
material ósseo que não seja de natureza humana, ou mesmo que seja de natureza 
humana, porém com um pos mortem maior que 15 anos, sendo neste caso chamado de 
âmbito arqueológico.
Assim, é fundamental a resposta aos quesitos a seguir para iniciar uma correta análise:
 » Trata-se de material ósseo?
 » Se afirmativo, esse material ósseo é humano?
 » Se afirmativo, esse material tem menos de 15 anos?
Essas perguntas são as inicias para uma correta abordagem em uma perícia de 
Antropologia Forense no material que chega aos serviços de Patologia Forense do 
Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses. A perícia não poderá ser 
iniciada se uma dessas perguntas for respondidas negativamente. Assim, antes de dar 
início à perícia antropológica em sentido restrito, o antropólogo forense deverá avaliar 
a relevância médico-legal dos restos.
Etapas da identificação
São três etapas, desde o descobrimento do corpo até a sua análise propriamente dita.
 » 1a etapa – arqueologia forense: consiste na escavação minuciosa do 
local onde se encontra o corpo.
 » 2a etapa – antropologia social: consiste na coleta de informações ao 
redor da área do crime (entrevistas às pessoas da região, consulta em 
arquivos municipais, eclesiásticos e militares etc.).
13
ANTROPOLOGIA FORENSE │ UNIDADE I
 » 3a etapa – investigação laboratorial: há uma aplicação de técnicas 
como a osteologia humana (área que se debruça sobre o estudo dos ossos 
que compõe o esqueleto), paleopatologia (ramo da ciência que se dedica 
ao estudo das doenças do passado) e tafonomia (estudo sistemático da 
evolução de fósseis). Pode ainda ser feita uma reconstrução facial do 
cadáver e superposição fotográfica.
Tempo pos mortem
É premissa que se posicione sobre o tempo pos mortem, tempo decorrido após a morte, 
para que o Antropólogo Forense esclareça a circunstância da morte.
No entanto, essa estimativa de tempo pos mortem não é uma tarefa fácil, pois isso se 
deve a uma soma de fatores como agentes tafonómicos, que por vezes são desconhecidos 
pelo Antropólogo Forense.
Normalmente existe uma ordem de ocorrência: esqueletização da cabeça, mumificação 
de membros e saponificação de abdome e tórax. Porém outros agentes ambientais Na 
verdade, a ordem de ocorrência vai depende da interação entre os diversos fatores e 
agentes tafonómicos que interagem entre si e com o cadáver. 
De acordo com a figura 1 podemos classificar o osso de acordo com sua idade pos mortem.
Figura 1.
14
UNIDADE I │ ANTROPOLOGIA FORENSE
Ainda existem outros parâmetros que podem ser utilizados para estimarem a idade 
pos morte, como por exemplo, haver insetos e larvas de mosca no cadáver tem uma 
correlação com a idade pos mortem, pois as moscas sarcoprófagas completam seu ciclo 
de vida de 30 a 40 dias. 
Para que esse dado seja útil, o Antropólogo Forense deve saber cada espécie de inseto 
sarcoprófago e deus estágios de desenvolvimento.
15
CAPÍTULO 2
Identificação e identidade
Identidade
A identidade pode ser definida como caracteres físicos e mentais, natos ou que foram 
adquiridos, todavia permanentes, que torna o indivíduo um ser único. Legalmente, o 
art. 307, do Estatuto Penal vigente define a identidade como “O conjunto de caracteres 
próprios e exclusivos de uma pessoa”.
Também definida por Afrânio Peixoto (2001) 
Identidade é o conjunto de sinais ou propriedades que caracterizam um 
individuo entre todos, ou entre muitos, e o revelam em determinada 
circunstância, e que estes sinais são específicos e individuais, originários 
ou adquiridos.
Leonídio Ribeiro (2003) define com uma visão mais jurídica: 
A identidade é um fato e não uma convenção; torna-se, pois, necessário 
fixar meio inequívoco e único de prová-la, legalmente, para facilitar a 
prática de atos civis dos indivíduos, na vida jurídica, isto é, nas relações 
familiares, sucessórias, contratuais, políticas, no exercício de todos os 
direitos e obrigações pessoais que se baseiam na certeza da identidade.
Assim, o Antropólogo Forense deve trabalhar para fazer a identidade objetiva, ou seja, 
determinar tecnicamente quem é a pessoa analisada, em busca de elementos que se 
fazem únicos a essa pessoa. Evita-se, portanto, a identidade subjetiva que está ligada a 
estrutura de sua personalidade.
A definição de identificação é o processo que se utiliza para conseguir esclarecer a 
identidade de uma pessoa ou coisa. 
Lacassagne, um médico legal, em 1889, na França, foi desafiado a revelar a identidade 
de um cadáver em avançado estado de putrefação; então, após análise do cadáver, ele 
fez uma descrição perfeita para a época:disse: “O grande mérito foi do morto. O cadáver 
é a testemunha mais importante do crime.”
Portanto, esse processo de identificação tem grande importância em vivos, (desaparecidos, 
troca de identidade), em mortos (mutilados, cadáveres não identificados, desastres com 
grande número de vítimas).
16
UNIDADE I │ ANTROPOLOGIA FORENSE
Alguns fundamentos técnicos e biológicos 
para a identificação
 » Unicidade ou individualidade: elementos apenas encontrados no 
indivíduo analisado.
 » Imutabilidade: são elementos que não mudam com o passar do tempo. 
 » Perenidade: capacidade de as características permanecerem as mesma 
ao longo da vida e se manterem mesmo após a morte, como por exemplo 
o esqueleto.
 » Praticabilidade: um processo não complexo, incluindo a obtenção e o 
registro de dados.
 » Classificabilidade: é necessário guardar dados, com metodologia 
adequada para que o acesso à informação não seja dificultoso.
A identificação do ser vivo, ou mesmo do cadáver, tem uma facilidade muito maior 
do que o do esqueleto, porque para o esqueleto é necessário uma investigação intensa 
de vários aspectos como espécie, raça, sexo estatura. Muita atenção deve ser dada 
aos dentes, não simplesmente o número de dentes, porém também a presença de 
restaurações ou próteses.
Muito importante atentar para a diferença entre identificação e reconhecimento, o 
reconhecimento pode ser feito por um parente do cadáver ou esqueleto, diferente de 
identificação que se usa muitas técnicas para se chegar a identidade do cadáver.
Em síntese, de acordo com Galvão, a identificação é um procedimento médico-legal cujo 
o fim é afirmar que aquele indivíduo é ele e não outro, com uso de meios antropológicos 
ou antropométricos.
A identificação exige não apenas estudo de técnicas médico–legais, como também deve 
ser realizada exclusivamente por legistas.
É papel do Antropólogo Forense verificar a existência de alterações patológicas, ou não, 
e assim classifica-la como ante mortem e/ou resultados de procedimentos médicos, que 
neste caso pode ajudar a identificar o individuo em análise. São exemplos de condições 
ante mortem que pode auxiliar na identificação: fraturas com reação osteogênica, 
material cirúrgico para fixação de fraturas, marca-passo cardíaco, redes de herniorrafia. 
Porém, para a correta identificação, é essencial a comparação do perfil biológico 
estimado pela perícia do Antropólogo no exame pos mortem com o indivíduo ante 
mortem. Esses dados são, por exemplo: prontuário, fotos e documentos ante mortem, 
17
ANTROPOLOGIA FORENSE │ UNIDADE I
mesmo testemunho de parentes e conhecidos. Uma identificação é chamada de positivado cadáver quando os dados ante mortem coincidem com os dados pos mortem. 
A análise do material genético (DNA) é outra forma de se conseguir uma identificação 
positiva. É de responsabilidade de o Antropólogo Forense fazer a coleta desse material 
que pode se dar no próprio osso, em cabelos, unhas dentes ou outros. Como a 
Antropologia Forense, a genética forense também apresenta algumas limitações, sendo 
essas, por exemplo, contaminação desse material genético, degradação do material por 
agentes tafonómicos com raios ultravioletas ou ainda a falta de parentes para que seja 
realizada a comparação desse material. 
Para facilitar o entendimento, vamos fixar conceitos:
 » Identidade é o conjunto de caracteres físicos, funcionais ou psíquicos, 
normais ou patológicos, que individualizam determinada pessoa (ALVES, 
1965).
 » Identificação é conjunto de procedimentos diversos para individualizar 
uma pessoa ou objeto.
 » Reconhecimento é a identificação empírica.
 » Identificação é o reconhecimento científico.
 » Identificação genérica compreende a determinação da espécie, da raça, 
do sexo, da idade, da estatura etc.
 » Identificação específica compreende a pesquisa de tudo aquilo que passa 
a individualizar o examinado: cicatrizes, tatuagens, sinais profissionais, 
mutilações etc. 
Após o Antropólogo verificar se de fato o material trata-se de osso, se esse osso é humano e 
se ele tem menos de 15 anos, inicia-se a segunda etapa. Nesta segunda etapa, tem se início 
o exame pericial de fato, constando de quatro parâmetros que delineia o perfil biológico:
 » sexo;
 » idade da morte;
 » estatura; 
 » afinidades populacionais; 
Com esses parâmetros, consegue-se fazer uma identificação genérica, ou seja, reduzindo 
o suspeito para grupos, excluindo aqueles que são suspeitos; porém, não se enquadram 
no perfil biológico.
18
UNIDADE I │ ANTROPOLOGIA FORENSE
Após esse passo seguem a perícia por meio das características antropológicas respeitando 
a sequência:
1. Avaliação do sexo:
 › pela pelve;
 › pelo crânio.
2. Avaliação da ancestralidade:
 › pelo crânio, principalmente.
3. AVALIAÇÃO da idade:
 › adultos – clavículas, sínfise púbica, articulação sacro-ilíaca, quarta 
costela e coluna vertebral;
 › jovens – pelas cartilagens epifisárias dos ossos.
4. Avaliação da estatura:
 › medidas de ossos longos.
5. Avaliação de destreza manual:
 › depor meio da clavícula, do úmero e do rádio.
6. Análises odontológicas.
Sexo
O primeiro parâmetro biológico a ser analisado deverá ser o sexo, pois os outros 
parâmetros como idade à morte, estatura e as afinidades populacionais dependem 
do sexo.
Para se fazer o diagnóstico pericial de tipo de sexo, é utilizado o conhecimento sobre 
as diferenças entre os sexos. Essas diferenças, utilizadas pelo Antropólogo, são 
principalmente anatômicas. Assim, cada região anatômica possui uma característica 
tipicamente feminina ou masculina. Essas conclusões, cujas características ósseas têm 
uma forma tipicamente feminina ou masculina, foram feita por meio da análise de 
frequências estatísticas.
Essa análise é feita macroscopicamente, por meio das características morfológicas e 
métricas de ossos; assim, é importante a medida de ossos longos, a morfologia do crânio 
e da bacia. 
19
ANTROPOLOGIA FORENSE │ UNIDADE I
Análise da bacia e sua classificação
 » Ginecoide: características femininas. No geral, existem menos 
proeminências e menos inserções musculares, tendo forma arredondada 
e o diâmetro transversal supera a altura da bacia.
 » Androide: características masculinas. No geral, possui mais proeminências, 
é mais robusta e possui mais ranhuras de inserções musculares possui 
formato de coração e o diâmetro vertical predomina sobre as horizontais.
 » Platipleloide: características intermediárias e é considerado raro.
 » Andropoide: características de mulheres negras.
Segundo Caldwell e Moloy (1933), há quatro tipos de bacia, atente para o desenho:
Figura 2.
Fonte: Caldwell e Moloy (1933).
Figura 3.
Idade à morte
Neste caso, avalia-se se o cadáver é adulto, adulto jovem ou criança, pois cada grupo 
tem suas peculiaridades na análise macroscópica.
Assim, do nascimento até os catorze anos, é utilizado a erupção e mineralização 
dentária, entre os catorze e vinte anos, pode ser utilizada a junção epifisária dos ossos 
longos, além do encerramento da sincondrose esfeno-ocipital, por último. Ainda nesta 
faixa etária, tem se a união epifisária da extremidade esternal da clavícula que se funde 
completamente aos 30 anos.
20
UNIDADE I │ ANTROPOLOGIA FORENSE
Depois dos 30 anos, a idade do cadáver analisado se baseia principalmente na visão 
macroscópica dos processos degenerativos que se iniciam na sínfise púbica, da superfície 
auricular do ilíaco e da mineralização da cartilagem da 4a costela.
Estatura
Para ser realizada a estimativa da estatura, deve-se medir os ossos longos ou mesmo um 
conjunto de ossos longos. Assim, após essas medidas utiliza-se uma fórmula de regressão. 
Com a estimativa da estatura é possível classificar o indivíduo dentro de um grupo étnico, 
porém, no Brasil esses grupos raciais não são tão bem definidos pela miscigenação. 
Portanto, é complicado aplicar os dados de medições europeias na nossa população. 
Ainda se usam dados europeus, pois, não existem padrões brasileiros para estimar a 
estatura com medições de ossos secos do Brasil.
A medição de ossos secos foi padronizada por Salientamos que Dwight (1894) e Stewart 
(1979), dando preferência para o método anatômico, e utilizaram cadáveres inteiros ou 
com a maior quantidade de ossos. 
Seguindo a linha de medição de ossos secos, vamos exemplificar com ossos secos da 
bacia e ossos longos. 
Técnica das medições
Para obter as medições, utilizaram-se procedimentos diferentes, conforme se tratasse 
da pelve ou dos ossos longos (Figuras 4 e 5).
Figura 4. Ponto de mensuração na superfície articular medial (sacro-ilíaca).
Fonte: Passmore; Robson (1974).
21
ANTROPOLOGIA FORENSE │ UNIDADE I
Figura 5. Compasso de toque ou de pontas rombas.
.
Fonte: Passmore; Robson (1974).
Afinidades populacionais
Esse conceito de afinidades populacionais está baseado que grupos humanos que 
podem apresentar algumas características diferentes do ponto de vista anatômico 
e/ou morfológico.
Categorizar o ser humano em relação a grupos diferentes com base na usa origem é 
muito útil para a exclusão de suspeitos. O principal osso que pode auxiliar nesta 
informação é o crânio. 
Com base no já exposto, pode-se concluir que esse tipo de classificação pode conter um 
erro, porque, se um indivíduo tem origem europeia, isso não significa que será loiro de 
olhos azuis. Para os Antropólogos, afinidade populacional é um termo operacional que 
remete o indivíduo ao seu ancestral. 
Esse método macroscópico pode ser amplificado por outros métodos biológicos como 
métodos genéticos, microscópico ou ainda bioquímico, que podem ajudar a revelar 
mais sobre a identidade do indivíduo analisado.
22
CAPÍTULO 3
Exumações
É normalmente realizada em caráter especial, realizada normalmente por razões 
importantes, pois consiste no desenterramento de cadáver, por ordem legal, visando:
 » esclarecimento da “causa mortis “ e causa jurídica da morte;
 » identificação;
 » situação de grave contradição ou confirmação diagnóstica;
 » interesse sanitário; 
 » traslado do corpo. 
Conceito
A palavra exumação deriva do latim exumare, com significado de movimento para fora da 
terra, húmus, ar. Ou seja, exumar tem o significado de desterrar o cadáver, isso acontece 
para que se atenda a recursos da justiça para que se determine a causa da morte. 
Mesmo em estado avançado de decomposição, o cadáverexumado pode auxiliar na 
investigação jurídica/policial em uma perícia realizada. 
A perícia, nestes casos, deve ser realizada com muito cuidado e observações 
detalhadas, pois em estado avançado de decomposição os fatores biológicos podem ser 
confundidores. Por exemplo, os sinais traumáticos podem desaparecer e os sinais de 
decomposição podem simular sinais traumáticos.
De acordo com Lacassagne (2002), o perito deve estar atento para sinais confundidores 
e não se deixar influenciar pela ansiedade e teorias precipitadas.
Os cuidados iniciam na certificação sobre a data e a hora que será realizado o exame, 
isso pode ser visto na administração do cemitério. Para o próximo passo, é necessário 
a convocação de autoridade policial, além de familiares do morto e testemunhas que 
estavam presentes no enterro para a correta identificação da cova. A exumação deve ser 
toda narrada ao escrivão de polícia, com todos os detalhes para a correta identificação 
do morto, inclusive com documentação por fotografia.
Seguindo o procedimento, após aberto o ataúde, certifica-se que o cadáver é realmente 
o mesmo que se propôs a perícia. É essencial a descrição da sepultura, das vestes do 
morto, do caixão, do aspecto geral do cadáver e também do seu estado de putrefação. 
23
ANTROPOLOGIA FORENSE │ UNIDADE I
Legislação
O processo de exumação é regido pelo Código de Processo Penal, conforme artigos 
descritos:
Art. 163. Em caso de exumação para exame cadavérico, a autoridade 
policial providenciará para que em dia previamente marcados, se realize 
a diligência, da qual se lavrará auto circunstanciado. 
Parágrafo Único: O administrador do cemitério público ou particular 
indicará o lugar o lugar da sepultura, sob pena de desobediência. 
No caso de recusa ou de falta de quem indique a sepultura, ou de se 
encontrar o cadáver em lugar não destinado a exumações, a autoridade 
procederá às pesquisas necessárias, o que tudo constará o auto.
Art. 164. Os cadáveres serão, sempre que possível, fotografados na 
posição em que forem encontrados.
Art. 165. Para representa as lesões encontradas no cadáver, os peritos, 
quando possível, juntarão ao laudo do exame provas fotográficas, 
esquemas ou desenhos, devidamente rubricados.
Art. 166. Havendo dúvida sobre a identidade do cadáver exumado, 
proceder-se-á ao reconhecimento pelo Instituo de Identificação e 
Estatística ou repartição congênere ou pela inquisição de testemunhas, 
lavrando-se auto de reconhecimento e de identidade, no qual se 
descreverá o cadáver, com todos os sinais e indicações. 
Parágrafo Único: Em qualquer caso, serão arrecadados e autenticados 
todos os objetos encontrados que possam ser úteis para a identificação 
do cadáver.
Art. 160. Os peritos elaborarão o laudo pericial, onde descreverão 
minuciosamente o que examinarem, e responderão aos quesitos 
formulados.
Art. 210. Violar ou profanar sepultura ou urna funerária: Pena – 
reclusão, de um a três anos e multa.
Art. 211. Destruir, ou subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele: Pena - 
reclusão, de um a três anos e multa.
Art. 212. Vilipendiar cadáver ou suas cinzas: Pena - reclusão, de um a 
três anos e multa.
24
UNIDADE I │ ANTROPOLOGIA FORENSE
Tipos de exumação
Conforme a finalidade a que se propõe, a exumação divide-se em dois tipos, que são:
a. Administrativas:
 › mudança de sepultura dentro de um mesmo cemitério;
 › remoção do esqueleto para o ossuário;
 › retirada do cadáver ou restos esqueletais para cremação;
 › translado dos restos humanos para outro cemitério ou para o estrangeiro;
 › troca de urna funerária;
 › recuperação de joias ou documentos.
b. Judiciárias:
 › inumações clandestinas em locais não autorizados;
 › inumações em locais autorizados, sem certidão de óbito;
 › inumações cuja certidão de óbito não contemple de forma plena os 
dados exigidos na mesma;
 › dúvidas quanto a identidade do morto;
 › inumação em casos de morte violenta, sem necropsia prévia;
 › necropsia incompleta ou parcial;
 › erros, omissões ou contradições no exame necroscópico;
 › falsa necropsia ou simulação de necropsia, com descrição apenas das 
lesões externas;
 › omissões nos procedimentos técnicos detectados no laudo pericial;
 › diagnósticos incompletos, insuficientes ou errados, no laudo pericial;
 › declaração de óbito com diagnóstico impreciso, ocorrendo dúvidas 
quanto ao mecanismo da causa da morte;
 › diagnóstico baseado em alteração macroscópica sem lastro anátomo-
patológico;
 › reconhecimento especial de determinada lesão;
 › recolhimento de determinado material tegumentar ou visceral;
25
ANTROPOLOGIA FORENSE │ UNIDADE I
 › em síntese, procede-se a exumação com fins cíveis ou médicos-legais;
 › cumpridas as formalidades legais, a critério da autoridade sanitária, 
os despojos, que deverão se constituir apenas do esqueleto, podem 
ser removidos para fins de translado, cremação ou outra qualquer 
finalidade administrativa.
Modelo de um auto de exumação e reconhecimento 
Aos vinte e sete dias do mês de abril de dois mil e quatorze, na cidade de Araraquara, na 
1a Delegacia de Polícia, onde se encontrava o Ten. Cel. Antonio Aparecido Albuquerque, 
titular da especializada, e o escrivão Marques de Rosa, às 10h, presentes os peritos 
José Francisco de Almeida e Roberto dos Santos, médicos-legais do departamento de 
polícia Técnica de São Paulo, bem como o auxiliar de necropsia Amadeu Soares e o 
fotografo Pedro Braga também o Ten. Mario Veloso, delegado de polícia daquela cidade, 
determinou que o administrador do cemitério, Sr Manuel Vieira indicasse a sepultura de 
FLÁVIO GONÇALVES PEREIRA. Cumprindo a determinação, o administrador indicou 
a sepultura da ala esquerda, terceira fila, o que foi confirmado pelo Sr. Carlos Pereira, 
pai do morto, e pelos filhos do indigitado, Ruti e Bruno Gonçalves Pereira, e finalmente 
pela viúva Sra. Marcela Akao Pereira. Em consequência, mandou a autoridade que se 
procedesse à exumação do cadáver que encontrasse, a fim de ser examinado, o que 
efetivamente se fez; sendo removida a terra, até que ficasse descoberto um caixão de 
cor marrom, de madeira, sendo este colocado na superfície da terra, bem próximo a 
sepultura, o qual foi reconhecido pelas testemunhas. Aberto o caixão tem se o cadáver, 
um homem de estatura média em estado de composição avançado e coberto por uma 
mortalha preta. Não havia mais nada a ser tratado então se encerrou. Vai assinado 
pelos Peritos, escrivão e testemunhas.
26
CAPÍTULO 4
Ossadas: diagnóstico médico-legal 
da espécie, sexo, idade e estatura em 
ossadas e restos humanos
Quando é realizada a identificação 
médico–legal? 
Espécie
Quando se encontra vivo ou morto, com partes do corpo que ajudem na identificação.
Osso 
Os ossos dos animais e humanos são diferentes, suas características ajudam a reconhecer 
a espécie que pertence àquela ossada.
Microscopicamente, a diferença é encontrada nos canais de Harvers, tanto no tamanho 
quanto na sua estrutura. No ser humano são caracteristicamente em número menor e 
também mais largos, com um tamanho médio de 8 mm2. Já em animais, são arredondados, 
mais estreitos que nos humanos e também o tamanho pode chegar a 40 mm2.
Figura 6.
Sangue 
Para início, deve-se certificar que o material mandado para análise realmente trata-se 
de sangue. A regra básica para provar essa premissa é a caracterização de Cristais 
de Teichman.
Essa técnica é descrita da seguinte forma: esse material deve ser colocado em uma 
lâmina; após isso, cobre-se com uma lamínula, colocando uma gota de ácido acético 
27
ANTROPOLOGIA FORENSE │ UNIDADE I
glacial; em seguida, aquecer para evaporação lenta; deve-se repetir algumas vezes o 
mesmo procedimento. Após, leva se a lâminaao microscópio e observa-se a presença de 
cristais, que tem as seguintes características: cor achocolatados, forma rômbica, podem 
ser encontrados isolados ou em grupos, são alongados em forma de charuto ou roseta.
Outra técnica utilizada é a técnica de Addler, cuja solução utilizada é a benzidina em 
álcool a 96o ou em ácido acético. Essa solução deve ser preparada no momento de 
utiliza-la. A instrução é para que dilua o material em água destilada e separar 2 mL em 
tubo de ensaio. Após adiciona-se água oxigenada a 10 ou 12 volumes e mais 1 mL da 
solução preparada anteriormente de benzidínico. Quando essa reação é positiva, o azul 
esverdeado passa para azul intenso imediatamente.
Após a confirmação que o material estudado trata-se de sangue, estuda-se as características 
desse sangue como as formas das hemácias, se possuem ou não núcleos.
Porém, a técnica mais segura para a caracterização sanguínea é a Uhlenhuth, que consiste 
em uma reação de soro de outros animais e sangue humano, com reação de anticorpo do 
soro com o antígeno que são as hemácias humanas.
Raça
No Brasil não existe uma raça definida.
De acordo com Ottolenghi, são tipos étnicos fundamentais::
 » Tipo caucásico: pele branca, cabelos lisos e loiros ou cacheados, íris azul 
ou castanha, contorno crânio-facial anterior ovoide-poligonal; perfil 
facial ortognata e ligeiramente prognata.
 » Tipo mongólico: pele amarela, cabelos lisos, face achatada de diante para 
trás, fronte larga e baixa. Espaço interorbital largo, maxilares pequenos 
e mentos salientes.
 » Tipo negroide: pele negra, cabelos em tufos e crespos, crânio pequeno, 
perfil facial prognata. Fronte alta e saliente, íris castanha, nariz pequeno 
largo e achatado, perfil côncavo e curto, narinas pequenas e afastadas.
 » Tipo indiano: não tem um tipo racial definido, estatura alta, pele amarelo 
trigueira, com tendência ao avermelhado. Cabelo preto, liso e grosso. Íris 
castanha. Crânio mesocéfalo. Supercílios espessos, orelhas pequenas, 
nariz saliente estreito e longo. Zigomas salientes e largos.
 » Tipo australoide: estatura alta, pele trigueira, nariz curto e largo, arcada 
zigomática larga e volumosa, prognatismo maxilar e alveolar. Cintura 
28
UNIDADE I │ ANTROPOLOGIA FORENSE
escapular larga e pélvica estreita. Dentes fortes e mento retraído. Crânio 
dolicocéfalo.
Caracterização racial
Formas do crânio: sua visão deve ser de cima para baixo, de frente para trás e 
lateralmente. Na primeira visão, de cima para baixo, a classificação se refere a: 
 » formas longas – dolicocrânios;
 » formas curtas – braquicrânios;
 » formas médias – mesocrânios.
Na visão de frente para trás, a classificação é:
 » crânios altos e estreitos – esternoscrânios;
 » crânios baixos e largos – tapinocrânios;
 » crânios intermediários – metriocranios.
Quando a visão é lateral:
 » crânios altos – hipsicrânios;
 » crânios baixos – platicrânios;
 » crânios intermediários – mediocrânios.
Índice – Cefálico: obtido pela fórmula de Retzius:
Fórmula de Retzius =
Largura x 100
Comprimento do Crânio
Assim, por meio da fórmula, podemos definir os seguintes tipos:
» Dolicocéfalos: < ou = 75.
» Mesaticéfalos: 75 a 80.
» Braquicéfalos: > 80.
Índice tíbio-femural: refere-se ao comprimento da tíbia dividido 100 x pelo comprimento 
do fêmur. Assim temos que nos brancos é inferior a 83, ao contrário dos negros que seria 
superior a 83.
29
ANTROPOLOGIA FORENSE │ UNIDADE I
Assim, conforme exposto acima, quando o cadáver está em estado de ossada e corretamente 
posicionado a mesa, sempre com atenção a lateralidade, pode se iniciar o diagnostico 
médico-legal. 
Índice rádio-umeral: refere-se ao comprimento do rádio dividido 100 x pelo comprimento 
do úmero. Nos negros, é superior a 80 e nos brancos inferior a 75.
Ângulo facial: esse ângulo é para verificar o prognatismo, sendo um elemento fundamental 
para a distinção racial. Segundo Jacquart, o ângulo é dado por uma linha que passa no 
ponto mais saliente da fronte e pela linha nasal anterior e por outra linha que vai da 
espinha nasal anterior ao meio da linha médio auricular, conseguindo assim um ângulo 
de 76,5 graus para brancos e 72 para amarelos e de 70,3o para negros. 
Outro ângulo a ser medido é o ângulo de Curvier, definido como sendo uma linha que 
passa pela parte mais saliente da fronte até o ângulo dentário superior, e por outra que 
vai do ângulo dentário superior ao conduto auditivo externo. Além, também, do ângulo 
de Croquet definido como uma linha que vai da parte mais saliente da fronte até o ponto 
alveolar e outra linha que vai do ponto alveolar até o conduto auditivo externo.
Ainda com relação à anatomia dentária, tem-se a diferença racial com relação as cúspide 
do primeiro molar inferior. Na raça branca, define-se a forma mamelonada; na raça 
negra, a forma é estrelada; e na raça amarela, a forma é intermediaria. 
Figura 7. Tipos de índices de acordo com a raça.
Fonte: Adaptado de França (1995).
Figura 8. Tipos de ângulos faciais de acordo com a raça.
Fonte: Adaptado de França (1995).
Sexo
Hoje existem diversas classificações para o tipo de sexo. São pelo menos oito tipos de 
sexo, por exemplo, sexo cromossomal, sexo gonadal, sexo da genitália interna, sexo da 
genitália externa, além de outros.
30
UNIDADE I │ ANTROPOLOGIA FORENSE
 » Sexo cromossomal: definido pela avaliação do cromossoma sexual e pelo 
corpúsculo fluorescente. Tendo a diferenciação em masculino XY além de 
corpúsculos fluorescentes e feminino XX sem corpúsculos fluorescentes.
 » Sexo gonadal: feminino com ovários e masculino com testículos.
 » Sexo cromatínico: determinados pelos corpúsculos de Barr, que se 
encontram no nucléolo das células do organismo feminino, assim se 
positivo é feminino.
 » Sexo da genitália interna: no masculino pelo desenvolvimento dos ductos 
de Wolff, e no feminino pelos ductos de Müller.
 » Sexo da genitália externa- masculino pela presença de pênis e escroto, no 
feminino pela presença de vagina.
 » Sexo jurídico: refere-se ao registro civil, ou quando autoridade legal 
manda que se registre o indivíduo em outro sexo, após exames médicos 
legais ou de acordo com condições doutrinarias e/ou morais.
 » Sexo de identificação ou psíquico: aquele cuja a pessoa tem identificação 
moral, também chamado de sexo moral.
 » Sexo médico legal: é o sexo constatado por meio de uma perícia médica.
No esqueleto, a distinção entre os sexos se faz pelos ossos do crânio, da mandíbula do 
tórax e da pelve.
O esqueleto do homem, normalmente, é maior e mais resistente que o da mulher. 
O crânio no sexo masculino costuma ter estrutura óssea mais pronunciada, processo 
mastoide mais pronunciado, fronte mais inclinada para trás, glabela mais pronunciada, 
arcos superciliares mais salientes. Já na mulher a fronte é mais vertical e a glabela é 
menos pronunciada.
Figura 9. Caracterização masculina e feminina através do esqueleto.
Fonte: Adaptado de França (1995).
31
ANTROPOLOGIA FORENSE │ UNIDADE I
Figura 10. Diferenciação entre os sexos por meio da anatomia da pelve.
Fonte: Adaptado de França (1995).
Figura 11. Diferenças entre os crânios masculino e feminino.
Fonte: Adaptado por Silva (1995).
Idade
A determinação da idade na vida intrauterina é realizada pela estatura do feto ou do embrião.
32
UNIDADE I │ ANTROPOLOGIA FORENSE
Recordar o crescimento mensal é essencial para a correta avaliação.
Do 1o ao 3o mês, a média de crescimento são 6 cm/mês, do 4º em diante são 5,5 cm/mês.
São essenciais os elementos abaixo para caracterização correta da idade:
 » Aparência: diferenças grandes de idades é fácil distinguir; o mais difícil é 
caracterizar faixas etárias próximas. Quanto mais velho o indivíduo, mais 
difícil a avaliação, ou seja,a perícia dificilmente nos oferecerá precisão 
neste quesito.
 » Pele: principalmente na avaliação de rugas. Início do surgimento das 
rugas é entre 25 e 30 anos na lateral as pálpebras, após isso em região 
frontal e nasolabial.
 » Pelos: auxilia no seu surgimento, apontando a puberdade tanto em 
meninos como em meninas.
 » Dentição: quando existe a erupção dentária, apesar de dependente de 
fatores genéticos e ambientais, tem na grande maioria uma época específica. 
O dente mais inconstante é o terceiro molar. 
Figura 12. Tabela de Told.
Fonte: Adaptado por França (1995).
Com a tabela de Told, consegue-se estimar a idade fetal. Com a formação dentária também 
se consegue estimar a idade. Veja:
33
ANTROPOLOGIA FORENSE │ UNIDADE I
Figura 13.
Fonte: Silva (1997).
Estatura
A estatura é um excelente elemento para ser utilizado para a identificação. Por meio de 
estudos, conhece que a estatura no vivo pela manha é relativamente maior que à tarde. 
A explicação para esse fenômeno é o peso corporal produzindo achatamento nos discos 
intervertebrais, regularizando esse fenômeno novamente à noite.
A estatura do vivo, tanto em pé ou deitado, acaba sendo menor que a do cadáver. Isso 
se explica pela rigidez muscular pos mortem.
34
UNIDADE I │ ANTROPOLOGIA FORENSE
Assim, para determinar a estatura, deve se utilizar as tabelas em que se encontram o 
cumprimento dos ossos longos, tanto de membros superiores quanto de membros inferiores. 
Diferente do vivo, a estatura do cadáver é realizada por meio de uma régua especial, com 
hastes que vão do ponto mais alto da cabeça até a face inferior do calcanhar, realizada 
na posição vertical.
Figura 14. Tábua Osteométrica de Broca.
Fonte: Adaptado de França (1995).
Figura 15. Tabela de Lacassagne e Martin.
Fonte: Adaptado de França (1995).
Figura 16. Tabela de Etienne-Rollet.
35
ANTROPOLOGIA FORENSE │ UNIDADE I
Fonte: Adaptado de França (1995).
36
CAPÍTULO 5
Sinais de violência
A análise do Antropólogo Forense também faz parte não apenas da identificação do 
instrumento utilizado, mas também do tipo de ação que produziu determinada lesão. 
Assim, o tipo de traumatismo e sua distribuição são importantes. Portanto, o papel do 
Antropólogo Forense é correlacionar as lesões ósseas concluindo com esta análise um 
quadro que abrange as hipóteses de causa da morte. 
Porém, existe uma dificuldade óbvia neste contexto: por meio das lesões, afirmar que 
a causa ou as circunstâncias da morte foram com certeza desvendada. A reação do 
tecido ósseo a lesões costuma ser muito lento, mantendo, na maioria das vezes, sua 
plasticidade e elasticidade. Com isso, conclui-se que traumas diferentes podem ter a 
mesma resposta óssea, sendo o contrário também verdadeiro, traumas semelhantes 
podem ter respostas ósseas diferentes. 
Tem se que traumas mais complexos ou que gerem fraturas ajudam a informar melhor sobre 
as circunstâncias e causas da morte, pois apresentam um padrão de resposta característica. 
Mordidas e suas marcas
Marcas de mordidas podem ser utilizadas em Tribunais e também na Justiça militar, 
podendo fornecer um grande auxilio para as investigações. As vítimas podem estar 
vivas ou mortas, podendo esses fatos ser utilizados como um indicador do agressor.
Esse tipo de agressão está mais relacionada com crimes que envolvem sexo ou abuso 
de crianças. Assim, algumas diretrizes foram criadas, pelo Conselho Americano de 
Odontologia Legal, em 1984, para que a investigação desse tipo de marca seja mais eficaz. 
a. Descrição da marca de mordida: informações demográficas; localização 
da marca de mordida; forma; cor; tamanho; tipo de lesão. 
b. Coleta da evidência da vítima: fotografia; swab da saliva; moldagens; 
amostras teciduais. 
c. Coleta da evidência do suspeito: histórico do tratamento dental; fotografia; 
exame extra e intraoral; moldagens; amostra da mordida; modelos de estudo.
d. Avaliação das evidências (American Board of Forensic Odontology, 
1986). (SYRJANEN; SAINIO, 1990). 
37
ANTROPOLOGIA FORENSE │ UNIDADE I
Figura 17. Tabela de marcas de mordida com características de horas e dias.
Fonte: Adaptado de Allen, Neville, Damm, Bouquot (1998).
A tripla distinção
Associar uma lesão óssea ao momento da morte é um dos passos mais 
importantes na avaliação forense de um trauma. Pode ter implicações 
legais muito sérias, como em casos de homicídio (CUNHA et al., 2005).
Assim, é importante fazer a prévia exclusão que a lesão verificada não ocorreu pos mortem 
ou mesmo antes da morte. 
Mais importante do que saber se o indivíduo estava vivo ou morto no 
momento da agressão, esta tripla distinção pode permitir associar o 
trauma à circunstância da morte, como um homicídio (SAUER, 1998). 
Lesões ante mortem
Só quando está vivo o tecido ósseo consegue ter respostas esperadas a lesões ósseas. 
A reação pode ser de osteogênese ou de reabsorção ósseas; contudo, a presença de sinais 
38
UNIDADE I │ ANTROPOLOGIA FORENSE
de formação de osso novo (osteogênese) prova que a lesão aconteceu durante a vida. 
Assim, uma lesão do tipo mecânica a resposta para ela é normalmente um tecido com 
reações para uma nova formação (CATTANEO; GRANDI, 2004). Para diferenciar 
durante a vida do indivíduo se a lesão é antiga ou nova, é necessário observar se na 
antiga têm-se todas as marcas de remodelação bem estruturadas, como é visto no calo 
ósseo. Já lesões que ocorreram muito próximoà morte, não tem tempo suficiente para 
formarem o calo ósseo.
Porém, essa formação, ou recuperação do tecido ósseo, não depende apenas do tempo; 
depende também de outros fatores como as condições de saúde do indivíduo, a idade, 
o tipo de osso danificado.
Se uma lesão óssea ocorre muito próximo à morte, os sinais de reposta osteogênica 
só será possível por análise de microscópio eletrônico. A grande importância dessa 
afirmação é se ocorreu ou não violação dos direitos humanos.
Ainda temos que contemplar o indivíduo analisado biopsicossocialmente, pois existem 
lesões que são culturais. Por exemplo, deformidades de pés de chinesas. Também, como 
já foi citado, marcas cirúrgicas, que auxiliam na identificação do indivíduo. 
Lesões pos mortem
Portanto, na falta de resposta óssea ao trauma, esse trauma deve ser encaixado em 
peri mortem ou pos mortem. Ainda podem ser do tipo: mutilações, desarticulações e 
desmembramento (BERRYMAN; SYMES 1998; SMITH et al., 2003).
Essas lesões são melhores explicadas pela Tafonomia, que analisa o que ocorre com 
o osso, desde o momento em que ocorre a morte até o momento da análise. Um meio 
dessa análise é a mudança da coloração da superfície da fratura.
Lesões Peri mortem
Essa categoria de lesão costuma estar relacionada com as causas da morte. Assim, o 
maior interesse de análise do Antropólogo forense são essas lesões. Deve se considerar 
que, quando esse tipo de lesão ocorre, os ossos não perderam a sua elasticidade. 
Deste modo, tipicamente sabe-se que as lesões provocadas por objeto cortante vão ter 
um aspecto irregular e do tipo rasgado. Se a agressão no caso for por dobragem óssea, 
ou mesmo fratura, a tendência é serem mais oblíquas. Assim, são chamadas de reação de 
osso fresco ou “green boné” (MAPLES, 1986), lembrando que um osso seco perde a sua 
elasticidade e não se dobra. 
39
ANTROPOLOGIA FORENSE │ UNIDADE I
Ainda não podemos esquecer que a reação de tecido ósseo compacto e esponjoso são 
diferentes (BERRYMAN; SYMES, 1998). Assim deve-se ter diferentes interpretações 
para diferentes tipos de tecidos ósseos (CUNHA; PINHEIRO, 2007b, no prelo). 
Além do exposto, deve-se considerar o objeto utilizado para fazer a agressão. E tem-se 
ainda que a determinação do objeto utilizado é um dos propósitos a serem determinados.
A mortepode ser natural, violenta ou indeterminada na autópsia. Se a classificação 
for por morte violenta, esta ainda pode ser dividida em: por intoxicação, por asfixia 
ou por traumatismo. Se for a causa traumática, o objeto pode ter uma classificação de 
contundente, inciso ou cortante ou perfurante e ainda pode ser um objeto que combine 
as características (PINHEIRO, 2006).
São lesões peri mortais mais comuns: os de armas de fogo (perfurantes), contundentes 
e ainda incisos ou cortantes. Mesmo sendo as mais comuns na prática do Antropólogo 
Forense, é difícil a avaliação da correta variação e frequência dos três tipos de lesão 
pois vai depender de cada região analisada. Assim, cada tipo de objeto utilizado para 
provocar lesões vai ter uma resposta óssea diferente.
Porém, uma regra básica na análise de cadáver é “diferentes causas podem produzir as 
mesmas lesões e que diferentes lesões podem ter sido causadas pela mesma arma e/ou 
mecanismo” (UBELAKER, 1991; RODRÍGUEZ‑MARTÍN, 2006).
Um conhecimento um pouco melhor sobre o tecido ósseo vai nos ajudar a compreender 
as reações ósseas aos traumas. Osso é formado por uma parte inorgânica (cristais de 
hidroapatite) e orgânica (basicamente o colágeno). As partes orgânica e inorgânica 
do osso se entrelaçam, unidas por cálcio, cristais de hidroapatite que, neste caso, 
representam o material que dão as características de dureza e inflexibilidade. Já o 
colágeno possui características flexível e elástico e dúctil (WHITE; FOLKENS, 2000). 
Assim, esse tecido possui características impares (WHITE; FOLKENS, 2000), possuindo 
grande diferença de respostas traumáticas a traumas diferentes (SMITH et al., 2003). 
Tipicamente, acontece um trauma capaz de ultrapassar os cristais de hidroapatite, 
forma-se um T e tem-se a energia dissipada. A definição de fratura por Berryman e 
Symes. em 1998. é que ela acontece quando o peso é demasiadamente grande para que 
a racha se propague de um cristal para o outro na superfície.
No pos mortem, a constituição óssea se altera, perdendo a parte aquosa e também a 
propriedade de elasticidade. Ou seja, perde-se a matéria orgânica, deixando de ter as 
propriedades a ela atribuída e, com isso, o osso se torna mais quebradiço. O osso seco, 
portanto, reage de uma forma diferente do osso vivo aos insultos e agressões. O tipo de 
estria que aparece em um osso seco ou fresco é diferente. A humidade que se tem no 
40
UNIDADE I │ ANTROPOLOGIA FORENSE
osso fresco traz um padrão de estrias transversais, tendo nele um padrão longitudinal 
(SAUER, 1998).
Assim perante as dificuldades que o osso seco apresenta de ser informativo, o seu maior 
benefício é sobre a circunstância da morte e não a causa da morte. Então, pode-se, 
no caso, não determinar a causa da morte e esta passa a ser classificada como motivo 
desconhecido. O profissional de grande ajuda, neste caso, é o patologista forense. 
A função do antropólogo forense é de assistir o patologista no 
estabelecimento da causa e circunstância da morte (CUNHA; CATTANEO, 
2006; PINHEIRO; CUNHA, 2006).
41
CAPÍTULO 6
Identificação em desastres e incidentes 
com grande número de vítimas
Nos grandes desastres e catástrofes, os peritos têm que tentar responder com precisão 
às seguintes questões:
1. São restos humanos?
2. Quantos são os corpos?
3. Sexo, idade, cor (raça), estatura?
4. A quem pertence este corpo?
5. Qual a causa da morte?
6. Qual o tempo de morte?
Grande número de vítimas de desastres aéreos tem sua identificação realizada pela 
perícia odontológica. Alguns autores como Wood, Blenkinsop, Johnston revelam 
que se os corpos a serem analisados estiverem em decomposição, ou até mesmo 
esqueletizados, o estudo da dentição humana tem maior probabilidade de conseguir 
verificar a identidade. 
Para que as vítimas de desastres sejam corretamente identificadas, deve-se aliar com uma 
equipe multidisciplinar. Essa equipe deve possuir o máximo de informação possível como 
registros anteriores à morte, exames pré-desastres, prontuários e marcas de tatuagem ou 
outra que permita identificar.
42
UNIDADE IIGENÉTICA FORENSE
CAPÍTULO 1
Noções gerais de genética forense
O primeiro caso no qual o DNA foi utilizado para identificar indivíduos ocorreu na 
Inglaterra, em 1985. Alec Jeffreys desenvolveu o método, coletou o sêmen de duas 
vítimas de estupro e através do exame DNA identificou um mesmo estuprador.
Essa abordagem foi possível devido à evolução da genética em meados da década 
de 1980, começando com as bases da hereditariedade descritas por Mendel até as 
descobertas de Karl Landsteiner sobre os polimorfismos do sistema ABO. 
Mendel, por meio de experiências com a reprodução de ervilhas, mostrou a propagação 
de diferentes características hereditárias dos genitores para a prole, regidas pelas leis 
gerais de segregação e recombinação independentes. Landsteiner demonstrou que os 
sangues humanos poderiam ser classificados em grupos por meio de testes de aglutinação 
e identificação dos antígenos eritrocitários, conhecidos como sistema ABO. 
Quadro 1. Os grupos sanguíneos pelo sistema ABO. 
FENÓTIPO GENÓTIPO ANTÍGENO AGLUTININA
A
(IAIO) A anti-B
(IAIA) A anti-B
O (IOIO) nenhum Anti-A e anti-B
B
(IBIO) B anti-A
(IBIB) B anti-A
Esse sistema, associado ao conceito da herança mendeliana, possibilitou a sua utilização 
na determinação do parentesco. O sistema ABO, quando associado aos sistemas MN e 
Rh, permite excluir cerca de 70% dos casos acusados de paternidade. 
Essa probabilidade de identificação aumentou em torno de 90% com a descoberta do 
sistema HLA (histocompatility leucocite antigen), um grupo de genes codominantes que 
43
GENÉTICA FORENSE │ UNIDADE II
expressam glicoproteínas na superfície das células, chamadas antígenos leucocitários. 
No entanto, esses sistemas ainda deixavam muitos casos inconclusivos.
A descoberta do DNA e a ciência forense
Com a descoberta da estrutura do DNA, em dupla hélice por Watson e Crick, em 1953, 
e os intensos avanços na biologia molecular na identificação humana, a análise direta 
do DNA tornou-se uma das mais importantes ferramentas para identificação dos 
indivíduos e das investigações criminais.
O DNA revolucionou a ciência forense devido a sua alta variabilidade entre os indivíduos, 
de forma que é possível encontrar 6 milhões de diferenças entre duas pessoas escolhidas 
ao acaso. Ou seja, o DNA é único para cada indivíduo e permite a identificação por 
qualquer vestígio biológico com material genético.
As principais vantagens da análise do DNA no processo de identificação são: 
 » Alta estabilidade química em longos períodos; o DNA pode ser analisado 
em amostras antigas.
 » Pequena quantidade de células nucleadas de qualquer material biológico é 
suficiente para associar um suspeito ao crime. As fontes de análise podem 
ser sangue, cabelo, sêmen, saliva, urina ou qualquer outro fluido biológico.
 » Alto potencial discriminatório, quando comparado a outros exames 
sorológicos.
 » Alta sensibilidade na análise de poucas células.
 » Resistência aos fatores ambientais, como ácidos e detergentes.
 » Possível separar o DNA da célula espermática de outras células por lise 
diferencial de membranas. Para os exames sorológicos, a mistura do 
sêmen com outros fluidos resulta um problema na identificação nos casos 
de abuso sexual.
O principal objetivo da análise do DNA na ciência forense é a exclusão de indivíduos 
falsamente associados ao material biológico e reduzir o número de suspeitos. No 
entanto, a análise do DNA como prova única não pode inocentar ou culpar uma pessoa 
pelo crime, mas sim estabelecer uma ligação entre essa pessoa e a cena do crime.
A genética forense é a união de conhecimentos e técnicas da biologia molecular com o 
objetivode auxiliar a justiça. Sendo a ferramenta mais utilizada a análise do DNA para 
44
UNIDADE II │ GENÉTICA FORENSE
identificação de indivíduos em testes de paternidade, casos criminais ou também na 
individualização de animais, plantas e microrganismos.
Regiões hipervariáveis: estratégia na 
identificação humana
Para realizar a identificação pelo DNA, são utilizadas regiões hiperváriaveis do DNA, 
já que são responsáveis por uma ampla variação entre os indivíduos pelo número de 
vezes que a sequência se repete e é variável de indivíduo a indivíduo. Essas regiões são 
denominadas polimorfismos de comprimento ou de sequência. 
Os polimorfismos de sequência são originados por uma ou mais substituições, adições 
ou deleções do DNA, e o mais frequente é o de substituição, chamado Single Nucleotide 
Polymorfism (SNP) e tem frequência maior que 1% na população. Estes marcadores 
têm a desvantagem de possuírem somente dois alelos, tornando maior a possibilidade 
de dois indivíduos compartilharem o mesmo genótipo. Uma maneira de contornar esta 
desvantagem seria o estudo de um número maior de marcadores.
Os polimorfismos de comprimento são sequências de nucleotídeos que se repetem em 
determinado comprimento e podem ser de dois tipos: Os VNTRs e STRs.
VNTRs (variable number of tandem repeats) são minissatélites com 15 a 35 pb de 
comprimento. Os locos VNTRs apresentam um número muito grande de alelos 
diferentes e, portanto, é pouco provável que indivíduos não aparentados tenham o 
mesmo genótipo.
Os STRs (short tandem repeats) ou microssatélites são polimorfismos semelhantes aos 
VNTRs, mas diferem no comprimento, que variam de 2 a 7 nucleotídeos e possuem 
maior variabilidade de alelos do que os VNTRs.
Dessa forma, quanto maior o número de loci analisados, maior a chance de acerto. As 
regiões mais polimórficas são as de maior interesse para a identificação e, por isso, os 
STRs são amplamente utilizados.
Técnicas para análise do DNA
Restriction Fragmente Length Polymorphism – RFLP
O primeiro método desenvolvido para análise do DNA na medicina forense foi o RFLP 
(restriction fragmente length polymorphism). Esse método consiste na clivagem de 
45
GENÉTICA FORENSE │ UNIDADE II
regiões polimórficas (VNTRs) por enzima de restrição e posterior análise dos fragmentos 
do DNA que diferem em tamanho entre os indivíduos.
Essa técnica compreende as seguintes etapas:
 » Extração do DNA.
 » Digestão utilizando as enzimas de restrição.
 » Eletroforese, já que as diferenças nas sequências de DNA dos indivíduos 
resultam em fragmentos de tamanhos diferentes após a clivagem.
 » Detecção, que pode ser realizada por Shouthern Blot, na qual permite 
a identificação dos fragmentos de DNA, utilizando a própria sequência 
polimórfica como sonda.
 » Desnaturação e hibridização. Apenas os fragmentos que são complementares 
a sonda radioativa serão visualizados.
 » Autorradiografia.
 » Análise dos dados.
No final do processo, é observado um padrão individual dos fragmentos de DNA, chamado 
Fingerprint de DNA (figura 18). Esse termo teve origem com o desenvolvimento da 
sonda multilocal (MLP). Essa sonda MLP avalia muitos loci ao mesmo tempo e produz 
inúmeras bandas. Posteriormente, surgiram as sondas unilocais (SLP) que estuda cada 
locus de minissatélites.
As sondas SLP foram adotadas por apresentarem maior sensibilidade e facilidade na 
interpretação dos resultados. No entanto, a técnica é laboriosa e é necessário DNA 
íntegro e em grande quantidade. 
Figura 18. Exemplo da técnica RFLP utilizada para identificar o genótipo.
Fonte: Adapatada <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/core/assets/probe/images/rflp_genotyping>.
46
UNIDADE II │ GENÉTICA FORENSE
PCR
A reação em cadeia da polimerase (PCR) foi descrita por Kary Mullis, em 1985, e baseia-
se na amplificação seletiva de uma molécula de DNA milhares de vezes em poucas 
horas. Esse método revolucionou a biologia molecular e foi uma potencial resposta para 
a escassez de material biológico encontrada na área forense (Tabela 2), já que permite a 
amplificação de amostras degradadas, antigas ou em pequena quantidade.
Tabela 2. Quantidade aproximada de DNA em diferentes amostras biológicas, baseado nos estudos de 
Kobilinski (1992).
Fonte Quantidade de DNA
Sangue
Raiz de cabelo
Líquido amniótico
Fígado
Músculo
Esperma
Pele
Célula diploide humana
Sêmen
30 a 60 µg/mL
250ng/raiz de cabelo
65 ng/ml
15 µg/mg
3 µg/mg
3,3 pg/cel
15 µg/mg
5 a 6 pg
480 15 µg/mL
Fonte: adaptada de Kobilinski (1992).
A PCR é uma amplificação enzimática de uma região conhecida do DNA. Assim, na 
reação é necessário utilizar primers (oligonucleotídeos iniciadores) para iniciar a 
síntese de DNA na região de interesse. A reação ocorre na presença de DNA-polimerase 
termoestável e dos quatro desoxirribonucleosídeos trifosfatos (dATP, dCTP, dGTP e 
dTTP), na qual é iniciada a síntese de novas fitas de DNA complementares a fitas-molde. 
A cada ciclo da reação as fitas de DNA recém-sintetizadas irão atuar como molde para 
mais uma síntese de DNA. Esse processo é repetido múltiplas vezes, com a duplicação 
das moléculas de DNA a cada ciclo de replicação, resultando numa amplificação 
exponencial da sequência do DNA-alvo.
Cada ciclo é composto pelas seguintes fases:
1. Desnaturação da sequência de DNA para que as duas fitas se separem 
(± 90ºC)
2. Pareamento (Annealing) dos primers (± 60ºC).
3. Extensão dos primers (± 72ºC).
47
GENÉTICA FORENSE │ UNIDADE II
Figura 19. A reação de PCR e suas etapas: desnaturação, anelamento e extensão.
Fonte: adaptada de Sampaio, S.O et al., 2002.
A principal limitação da técnica de PCR na medicina forense é a contaminação do DNA, 
já que o DNA contaminante pode dificultar a interpretação ou até levar a uma falsa 
conclusão. Para minimizar esse erro, devem-se utilizar controles negativos na reação.
Atualmente, por meio da PCR, todos os polimorfismos descritos anteriormente 
são analisados. Os métodos utilizados são: AmpFLPs (Amplified Fragment Length 
Polymorphisms), STRs (repetições tandem curtas) e sequenciamento direto do DNA 
mitocondrial (mtDNA).
48
UNIDADE II │ GENÉTICA FORENSE
Os sistemas AMPFLPs são os loci VNTR, cujos alelos possuem tamanhos moleculares, 
aproximadamente, de 100 a 2000 pb. Esse sistema é baseado na amplificação das regiões 
polimórficas e posterior separação por tamanho dos fragmentos por eletroforese em gel 
de poliacrilamida. Esse método é muito mais rápido, comparado ao RFLP, pois elimina 
as etapas de Southern blot e de autorradiografia. Esse sistema pode ser utilizado nos 
testes de paternidade (figura 20).
Figura 20. Análise de uma região VNTR para investigação da paternidade.
Fonte: adaptada de Sampaio, S.O et al., 2002.
A linha 1 contém o DNA da mãe, linha 2 do filho, linha 3 do suposto pai e linha 4 contém 
DNA do filho e suposto pai. Podemos excluir a paternidade do suposto pai, já que o filho 
não herdou nenhum alelo do suposto pai. 
A análise de STRs, por meio do PCR, utiliza iniciadores (primers) que amplificam 
estas regiões altamente variáveis do genoma humano, e resultam em uma impressão 
digital característica de DNA para cada indivíduo. Essa análise dos loci STR tem maior 
sensibilidade, pois apresenta menor tamanho dos produtos de amplificação e também 
melhor eficiência em amostras degradadas.
Os fragmentos STRs são suscetíveis ao PCR multiplex, ou seja, à amplificação simultânea 
de vários loci numa única reação, aumentando o poder de discriminação e rapidez 
na análise. 
Após a validação pelo FBI – Federal Bureau Investigation, de 13 loci de STR para 
análise forense, surgiram os testes comerciais desenvolvidos com menor sensibilidade 
que os sistemas convencionais de SNTRs (não distinguem homensda mesma origem 
paternal). Os polimorfismos de nucleotídeo único Y-SNP são alvos interessantes nas 
investigações forenses pelos testes comerciais para estudo de STRs.
49
GENÉTICA FORENSE │ UNIDADE II
Também é possível analisar os STRs pelo sequenciamento automático, na qual diversos 
STRs são amplificados pelo PCR multiplex adquirido em kit comercial. O produto da 
reação dos STRs é observado por m eio de seus respectivos tamanhos ou pela marcação 
dos primers com diferentes fluoróforos, pela migração em gel de eletroforese de alta 
resolução, localizado dentro de um capilar. 
A análise de STRs utilizando laser é mais sensível em comparação a outras técnicas e 
pouco DNA é necessário para a genotipagem.
É possível fazer a identificação do sexo do individuo pelas áreas polimórficas do 
cromossomo Y. Esses testes são utilizados em casos de disputa de paternidade de filhos 
do sexo masculino e em crimes sexuais que envolvam mistura de secreção vaginal com 
sêmen. Os testes Y-STR facilitam a discriminação do componente masculino. 
A ciência forense tem interesse no DNA mitocondrial devido a maior resistência à 
degradação que o nuclear. Dessa forma, pode ser uma opção em grandes desastres, 
quando há dificuldade na identificação dos corpos. O DNA mitocondrial, além de ser 
uma molécula menor, comparada ao nuclear, possui uma herança genética materna 
de 100%.
Há duas técnicas utilizadas para analisar o DNA mitocondrial: o sequenciamento do 
DNA e o método dot blotting, ambas baseadas na região D-loop, onde é encontrada 
maior variação entre os indivíduos. A taxa de mutação nesta região é de cinco a dez 
vezes maiores em comparação com o DNA nuclear.
No sequenciamento, as amostras biológicas são analisadas comparando o polimorfismo 
encontrado nas regiões D-loop com aqueles encontrados na linhagem materna, ou a 
partir de um banco de dados da população, quando se deseja, por exemplo, definir o 
grupo étnico do suspeito, uma vez que cada população de origem distinta possui um 
conjunto específico de SNPs.
No método dot blotting, cada molécula de DNA amplificada é separada e fixada em 
uma membrana. Após uma sonda específica, é colocada na membrana e só irá ocorrer 
a hibridização caso a sequência de DNA seja complementar à sonda. Os resultados são 
visualizados usando autorradiografia.
Essa análise de DNA mitocondrial é muito importante na genética forense, uma vez 
que tem papel fundamental nos casos relacionados ao desaparecimento de pessoas, 
pela possibilidade de se comparar o DNA mitocondrial da mãe, irmãos ou de outros 
parentes com relações maternas, com o DNA da pessoa desaparecida. 
50
UNIDADE II │ GENÉTICA FORENSE
Pode ser utilizada em casos de materiais biológicos misturados, já que, se uma amostra 
biológica apresentar mais de um perfil de DNA mitocondrial, é indicativo da presença 
de uma mistura de materiais genéticos na evidência forense analisada.
Entretanto, a tipagem de DNA mitocondrial só dará um resultado correto e definitivo 
se a variação do DNA do indivíduo em questão for concordante com a de seus parentes 
maternos, pois a taxa de mutação é muito alta e uma diferença de sequência não significa 
necessariamente que os indivíduos comparados não sejam relacionados.
Diante dos métodos apresentados, o mais utilizado para identificação humana é a 
análise de STRs por PCR. Devido as seguintes vantagens:
 » menor taxa de mutação;
 » facilidade de discriminar alelos diferentes;
 » facilidade de montar bancos de dados da população local;
 » sem uso de radioatividade;
 » análise possível com pouco DNA, degradado ou intacto;
 » possível analisar DNA da mucosa oral;
 » permite a construção de escadas alélicas com todos os alelos possíveis;
 » fácil interpretação;
 » procedimento tecnicamente simples;
 » rapidez do resultado;
 » fácil padronização intra e interlaboratorial;
 » possível determinação simultânea do sexo dos indivíduos testados;
 » tamanhos pequenos e definidos dos fragmentos permitem múltiplas 
amplificações simultâneas (multiplex);
 » possibilidade de automatização.
A otimização da metodologia dos STRs possibilitou a análise de amostras de DNA 
intensamente degradadas, como por exemplo, nos casos de catástrofes e amostras muito 
antigas. A modificação se baseia na análise de fragmentos menores e, portanto, produtos 
de amplificação de tamanho reduzido. Esse método modificado foi nomeado mini-STRs.
51
GENÉTICA FORENSE │ UNIDADE II
O mini-STR foi inicialmente desenvolvido pelo laboratório Bode (EUA) para a 
identificação das vítimas do World Trade Center. Essa análise pode ser realizada pelo 
sistema multiplex, possibilitando a análise de vários locus na mesma reação.
Novas perspectivas na análise do DNA na 
ciência forense: metilação do DNA
A ciência forense está em constante renovação e busca de novas metodologias que 
possibilitem a reconstrução de cenas do crime por meio da identificação de fluidos 
biológicos ou tecidos. Nesse sentido, a análise de regiões diferencialmente metiladas 
está sendo considerada como uma potencial metodologia.
A metilação do DNA consiste em mudanças na expressão gênica, sem resultar em 
mudanças na sequência de bases. Essas mudanças podem ser reversíveis e herdáveis. 
Os mecanismos epigenéticos são: metilação do DNA, modificação em histonas e RNAs 
não codificantes.
A metilação do DNA está relacionada com o silenciamento gênico em regiões 
promotoras. Estudos de Genome-wide têm mostrado que há um perfil de metilação 
tecido-específico e vários segmentos do cromossomo são chamados de regiões metiladas 
tecido-especificas (tDMRs), ou seja, há vários padrões de metilação de acordo com o 
tecido ou tipo celular.
Assim, por diferentes perfis de metilação, é possível identificar tecidos, circunstâncias 
que levaram a morte, informações sobre como ou quando os fluidos biológicos estão 
na cena do crime, assim como fornecer estimativas da idade, sexo e características 
fenotípicas do suspeito.
Nem sempre o DNA encontrado nas cenas do crime é de origem biológica. Ou seja, é 
importante considerar que essa amostra pode ser manipulada, já que o exame de DNA 
é uma prova importante nos tribunais. Assim, um estudo analisou as regiões tDMRs 
sabidamente metiladas e não metiladas de um DNA sintético comparado ao DNA 
humano. E observou que no DNA artificial todos os loci são não metilados, enquanto no 
DNA biológico há alguns locis metilados e outros não metilados. Esse estudo permite 
a ciência forense e a justiça aumentar a credibilidade da amostra de DNA localizada na 
cena do crime e evitar os casos de acusação incorreta.
Diversos estudos tem mostrado diferentes perfis de metilação nas tDMRs em amostras 
de sangue, saliva, sêmen, fluido vaginal e sangue menstrual. Lee e colaboradores, pela 
análise de 5 regiões tDMRs, mostraram um padrão de metilação diferencial em todos 
esses tecidos analisados. 
52
UNIDADE II │ GENÉTICA FORENSE
Wasserstrom e colaboradores desenvolveram um kit conhecido como identificador 
fonte de DNA (DSI-semen) do inglês DNA source identifier. Na qual o sangue, saliva, 
sêmen, fluido vaginal, sangue menstrual e urina amostras foram analisadas em 5 regiões 
tDMRs e identificados níveis de confiança acima de 0,9999.
A determinação do sexo por análise de metilação foi introduzido na ciência forense 
por Naito e colaboradores, baseado na variação do padrão de metilação de uma 
região específica do cromossomo X, a DXZ4. Essa região apresenta hipermetilação no 
cromossomo X ativo e baixa metilação no X inativo. Essa metodologia é sensível e é 
necessária pouca quantidade de DNA para determinar o sexo.
A relação entre metilação do DNA e sexo foi intensamente explorada usando a 
plataforma lllumina GoldenGate bead array. Nela, foram analisadas até1505 CpG 
sítios e 800 regiões foram analisadas de sangue periférico de 46 homens, 46 mulheres 
e 96 controles. Este estudo mostrou que, quem em todas as probes do cromossomo X, 
são mais metiladas em mulheres do que em homens.
A possibilidade de predizer a idade de indivíduos envolvidos nos crimes ou de vítimas, 
por meio de fluidos biológicos e tecidos, é de enorme interesse na investigação forense. 
Utilizando a plataforma Illumina HumanMethylation27, um grupo de pesquisadores 
desenvolveu um modelo de regressão para calcular uma estimativa da idade da amostra 
biológica. As amostras de saliva foram coletadas de participantes entre as idades de 21 
e 55. O estudo revelou que padrões de metilação em três promotores diminuíam com a 
idade e um promotor NPTX2 aumentava com a idade. Esse modelo pode prever a idade 
da amostra biológica com uma precisão de aproximadamente 5 anos.
Além das aplicações citadas acima, a metilação do DNA pode ser utilizada para a 
distinção de gêmeos monozigóticos e como marcadores informativos de ancestralidade. 
Assim, é uma ferramenta que tem sido intensamente explorada e com enorme interesse 
na ciência forense.
Banco de dados genético
A criação dos bancos de dados de perfis genéticos tem aumentado às perspectivas 
da ciência forense e alterou o curso do sistema de justiça criminal, já que aumentam 
a possibilidade da identificação de indivíduos e a resolução de casos, nos quais não 
há suspeitos. Esses bancos de DNA armazenam perfis genéticos, das evidências 
encontradas, como do suspeito ou criminoso, assim, é possível solucionar e interligar 
um maior número de casos criminais e contribuir com a identificação de pessoas 
desaparecidas e restos mortais de vítimas.
53
GENÉTICA FORENSE │ UNIDADE II
O primeiro banco de dados de perfis de DNA de criminosos foi criado na Inglaterra em 
1987, quando a polícia começou a analisar o perfil genético de todos os homens entre 16 
e 34 anos para solucionar dois crimes de estupro cometidos pela mesma pessoa. Com 
a criação do banco, o primeiro suspeito foi inocentado e o verdadeiro criminoso foi 
condenado à prisão.
No entanto, o banco mais importante, criado pelo FBI nos Estados Unidos, é o Sistema 
de Índice de DNA Combinado (CODIS). Esse banco iniciou como um projeto piloto 
em 1990 e ganhou impulso com o “DNA Identification Act”, de 1994, que deu ao FBI 
a autoridade de estabelecer um banco de dados em nível nacional com a finalidade de 
investigação criminal. Há dois arquivos diferentes de perfis genéticos com objetivos 
complementares. 
O “Índice Forense” (Forensic index) contém, atualmente, 96.473 perfis genéticos 
obtidos a partir de cenas de crimes; e o “Índice de Criminosos” (Offender Index) contém 
2.072.513 perfis genéticos de criminosos condenados por crimes sexuais e outros 
crimes violentos. Até dezembro de 2004, o Codis havia permitido 19 mil identificações 
de suspeitos, demonstrando sua grande importância.
Procedimentos técnicos para análise do DNA
Há alguns procedimentos essências na análise de DNA, independente do tipo de amostra 
que será analisada. As etapas desses procedimentos são: 
 » Isolamento do DNA da amostra desconhecida (amostra questionada) e 
amostra conhecida (amostra-referência). 
 » Processamento do DNA.
 » Realização da técnica para obter a tipagem de regiões específicas do DNA.
 » Comparação e interpretação dos resultados dos testes.
A metodologia que geralmente é empregada é a analise de STRs devido a baixa 
qualidade das amostras voltadas a identificação de pessoas e resolução de crimes. Essa 
metodologia envolve os seguintes passos:
Coleta de materiais: crucial para prosseguir nas análises, uma vez que a quantidade 
e o tipo de vestígio biológico e o modo de preservação são pontos críticos para análise 
do DNA. Além disso, se o DNA não for apropriadamente documentado na coleta, sua 
origem pode ser questionada. Podem ser utilizadas as seguintes amostras: sangue, 
sêmen, saliva, pelos e cabelos, células da pele, urina, secreções nasais, marcas de 
54
UNIDADE II │ GENÉTICA FORENSE
mordidas (para se extrair saliva), restos humanos. A amostra referência utilizada para 
tipagem do DNA é o sangue.
Extração de DNA: o DNA deve estar livre de contaminantes, então, geralmente além 
da extração, emprega-se a purificação do DNA. O método de extração depende do tipo 
de amostras e da quantidade disponível. 
No entanto, os passos básicos da extração são:
 » Lise das membranas.
 » Remoção das proteínas e outras macromoléculas.
 » Precipitação do DNA.
Quantificação do DNA: verificar se há contaminantes e determinação a concentração 
adequada para o método em questão. Para estimar a concentração, utiliza-se 
espectrometria de absorção no ultravioleta ou espectrometria de fluorescência.
Amplificação por PCR: nessa haverá amplificação exponencial da região de interesse 
do DNA, como já explicado.
Comparação dos perfis genéticos: para comparar se uma amostra encontrada no 
local do crime é a de um suspeito, deve-se levar em consideração se o perfil deste DNA 
é comum na população. Se for comum, o vestígio pode ter sido originado por outra 
pessoa que não o sujeito. No entanto, se for incomum, deverão ser analisados loci em 
quantidade suficiente que o indivíduo não possa ser excluído como fonte do DNA e 
também excluir toda a população mundial.
Cálculos estatísticos, se necessários: realizados por probabilidade e relação de 
verossimilhança.
Elaboração de laudo ou relatório: laudo pericial contém os esclarecimentos 
que permitem fornecer ao promotor de justiça e ao juiz, condições qualitativas e 
quantitativas, suficientes para definir a infração penal ou ter argumentos para provar 
a inexistência do delito ou a contravenção penal ao juiz e fornecer provas seguras para 
um determinado evento.
Controle de qualidade
Os laboratórios que realizam a genotipagem do DNA devem obedecer a alguns critérios 
e implementar normas de qualidade, com o objetivo de minimizar há existência de 
erros técnicos e maximizar a confiabilidade.
55
GENÉTICA FORENSE │ UNIDADE II
Há um programa de regulamentação da tipagem do DNA proposto pela NRC de 1992, 
a qual indica alguns componentes de qualidade, sintetizados aqui:
1. Cada analista deve ter competência (instrução, treinamento e experiência) 
para o desenvolvimento da técnica.
2. Os analistas devem ter a compreensão dos princípios, dos usos e das 
limitações dos testes realizados.
3. Os analistas devem submeter-se a testes periódicos de qualidade, e os 
equipamentos e procedimentos atender aos critérios específicos.
4. Reagentes e equipamentos devem ser monitorados.
5. Os procedimentos usados devem ter base científica.
6. Os controles devem ser usados e especificados.
7. Deve ocorrer a padronização de novos procedimentos antes da 
implementação.
8. Os procedimentos devem ser registrados claramente para manipular e 
preservar a integridade da prova.
9. Cada laboratório deve participar de um programa externo de testes de 
qualidade.
10. Registro do caso que apoiem as conclusões dos examinadores devem ser 
arquivados no laboratório e estar a disposição para inspeção do tribunal, 
após revisão da procedência de uma petição.
56
CAPÍTULO 2
Investigação de paternidade, 
maternidade ou ambos
Os casos de investigação de filiação mais comuns são os testes de paternidade. Por 
isso esse teste será amplamente explorado nesse capítulo. No entanto, quando é 
necessária uma investigação de maternidade, a metodologia usada é idêntica aos testes 
de paternidade.
O objetivo da investigação da paternidade é determinar se um suposto pai é ou não 
excluído da possibilidade de ser o pai biológico. Geralmente, os testes de paternidade 
são feitos por meio da análise do DNA encontrado nasamostras de sangue dos supostos 
pai e filho. Porém, outros materiais biológicos, como saliva ou fio de cabelo, podem ser 
utilizados.
Dentre os métodos de identificação apresentados, o mais utilizado em testes de 
paternidade é a análise de locos genéticos de STRs. A exclusão da paternidade ocorre 
quando um marcador do DNA do filho não existir no perfil do DNA paterno. No entanto, 
a exclusão só pode ser confirmada quando mais de dois locus do alelo paterno do filho 
não é compartilhado pelo pai.
Figura 21. A análise de uma região STR (vWA). O marcador alélico (primeira linha) permite analisar os alelos 
observados no suposto pai (segunda linha), no filho (terceira linha) e sua respectiva mãe (quarta linha).
Fonte: Sampaio, S. O et al., 2002.
57
GENÉTICA FORENSE │ UNIDADE II
Se houver a identidade entre o alelo paterno no filho com um dos alelos do suposto pai, 
é necessário calcular o índice de paternidade (IP), o índice de paternidade cumulativo 
(IPC), a probabilidade de paternidade (PP) e a probabilidade de exclusão (PE).
O IP é uma razão de verossimilhança, na qual a probabilidade do perfil mãe-filho-pai, 
considerando o pai verdadeiro, dividido pela probabilidade desta combinação se um 
homem ao acaso fosse o pai. Esse cálculo leva em consideração o equilíbrio de HW 
(Hard-Weinberg), assim a probabilidade de que um homem ao acaso transmita um 
alelo especiífico para criança em questão é igual a frequência da população. O IP de 
cada um dos loci dos sistemas múltiplos utilizados na avaliação deve ser calculados. O 
produto dos IPs é o IPC.
O IPC mensura a força da prova do DNA, indicando se a hipótese de que o suposto pai 
seja o pai biológico da criança é mais próximo da hipótese de qualquer homem seja o pai.
A PP indica qual é a credibilidade atribuída à hipótese do suposto pai ser o pai biológico 
da criança, baseada no Teorema de Bayes. Baseada nos perfis alélicos, encontrados 
para a mãe-criança e suposto pai e considerando a hipótese do homem testado ser o pai 
da criança.
A PP pode ser calculada pela seguinte fórmula:
PP= IPCx P/[IPC xP + (1-P)]
P é a probabilidade considerada 0.5.
A PE é a probabilidade de se excluir como pai biológico um homem qualquer da 
população.
Quando o suposto pai é falecido, é possível utilizar a análise dos STRs do cromossomo 
y do filho dos homens aparentados para a exclusão da paternidade (Figura 22).
Figura 22. Exclusão da paternidade pela análise do STR do cromossomo Y. João Fictício (autor) e um neto do seu 
suposto pai (José fictício).
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UNIDADE II │ GENÉTICA FORENSE
Fonte: JOBIM, M.R et al., 2008.
Outro exemplo da análise de STRs foi a comparação do haplótipo do DNA do cromossomo 
Y na identificação de Saddam Hussein por meio do DNA extraído dos corpos de seus 
filhos mortos em combate (figura 23).
Figura 23. Identificação de Sadaam Hussein através de haplótipos do cromossomo Y.
Fonte: BUBLER, J.M. (2005). Forensic DNA Typing. 2.ed.
Também é possível a análise pelo cromossomo X, mas só é utilizada em casos de 
difícil resolução e os índices de probabilidade são baixos (menor que 99%). Temos 
um exemplo na tabela 3, na qual o suposto pai era falecido e foram avaliados 18 locos 
de DNA autossômicos na autora, sua mãe e duas filhas biológicas do falecido. Com 
essa análise, chegou-se a uma probabilidade de paternidade de 90%. Entre as irmãs, 
somente podemos encontrar 3 alelos do cromossomo X, um de origem paterna e 2 de 
origem materna.
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GENÉTICA FORENSE │ UNIDADE II
Tabela 3. Investigação da paternidade pelo cromossomo X. 
Fonte: JOBIM, M.R et al. (2008).
Em um exemplo de análise comparativa, no locos DXS7424, a autora herdou o alelo 
16 da sua mãe e o 18 do seu pai biológico. As supostas irmãs herdaram o alelo 15 do 
seu pai e herdaram da mãe os alelos 16 e 17, Assim os 3 alelos possíveis de existir 
são15, 16 e 17. Mas a autora apresenta o alelo 18, o que é impossível de acontecer ou 
alguma mutação ocorreu.
Investigação de paternidade em pessoas 
já falecidas
Há dois métodos utilizados para a investigação de paternidade em pessoas já falecidas:
 » método indireto – quando é possível o acesso aos familiares próximos do 
indivíduo falecido. A probabilidade de acerto deste tipo de exame depende 
da natureza e do número de familiares estudados. Por meio deles, é 
possível fazer a reconstituição do genótipo do suposto pai falecido e, em 
seguida, são comparados com o DNA da criança e de sua mãe biológica.
 » Método direto – quando não há familiares do suposto pai falecido. Dessa 
forma, o DNA é extraído de amostras de tecidos obtidos para estudos 
patológicos após a morte (autópsia), ou ainda mesmo em vida (biópsias, 
peças cirúrgicas), ou, alternativamente, pela exumação do cadáver.
60
CAPÍTULO 3
Provas médico-legais
De acordo com o professor Genival Veloso de França, as provas médico-legais se dividem 
em genéticas e não genéticas. 
As provas médico-legais não genéticas são divididas em:
1. Elementos relacionados com o ato gerador e suas consequências diretas:
 › dados biológicos sobre a gestação;
 › verificação da ausência ou da possibilidade de coabitação (virgindade, 
impotência);
 › verificação de impossibilidade de fecundação; inexistência de parto;
 › aplicação de métodos anticoncepcionais definitivos.
2. Elementos relativos à idade do filho:
 › para confronto com a época da coabitação;
 › para confronto com a data conhecida do parto.
As provas genéticas baseiam-se na comparação entre as características herdadas do filho 
e os do suposto pai genitor. E podem ser pré-mendelianas ou mendelianas.
As provas pré-mendelianas são: a prova da semelhança, caracteres adquiridos, impressões 
maternas e telegonia.
As provas genéticas mendelianas são divididas em não sanguíneas e sanguíneas.
Provas genéticas não sanguíneas
Exame do pavilhão auricular – há indivíduos que apresentam o lóbulo da 
orelha livre e outras o têm preso. O caráter hereditário que determina o lóbulo livre é 
dominante, apresentando o genótipo LL ou Ll, já o lóbulo preso é recessivo, ou seja, ll. 
Assim, quando ambos os genitores têm lóbulos presos, todos os filhos nascem com 
lóbulos presos.
Anomalias dos dedos – a braquidactilia é fator hereditário dominante, caracterizado 
por dedos curtos: BB. O fator normal é recessivo bb. Dessa forma, um indivíduo 
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GENÉTICA FORENSE │ UNIDADE II
braquidactílico, BB, em união com um indivíduo normal bb, todos os filhos serão 
braquidactílicos.
Provas genéticas sanguíneas
A cor dos olhos – a cor dos olhos também depende de fatores hereditários. O fator 
para os olhos castanhos é dominante sobre o fator para olhos azuis. Consequentemente, 
dois genitores de olhos castanhos podem ter filhos de olhos castanhos ou de olhos azuis. 
Porém, genitores de olhos azuis, nunca poderão ter filhos de olhos castanhos.
Os cabelos – os cabelos remoinham, quase sempre, da esquerda para a direita, a coroa 
é dextrogira (dominante), mas em raros casos, gira para a esquerda (recessiva). Assim 
genitores levógiros (dd), não podem ter nenhum filho dextrogiro.
A pele – a coloração da pele humana depende da ação cumulativa de diversos pares de 
fatores mendelianos (polimeria).
É importante destacar a pouca confiabilidade presente nas provas não sanguíneas, por 
não afirmar com certeza absoluta o vínculo hereditário, mas apenas excluí-lo quando 
diante de certos e determinados resultados.
O sistema ABO – como já foi descrito, foi um dos primeiros sistemas utilizados na 
identificação humana. No caso de um indivíduo que pertence ao grupo O, genótipo 
recessivo (ii), necessariamente, ele recebeu um alelo paterno e materno. Então ou os 
pais são recessivos ou são heterozigotos para o alelo O.
Fatores Rh e rh – descoberto em 1940, a partir dosangue do gênero do macaco Rhesus. 
Analisando o sangue de muitos indivíduos da espécie humana, Landsteiner verificou que, 
ao misturar gotas de sangue dos indivíduos com o soro contendo anti-Rh, cerca de 85% 
dos indivíduos apresentavam aglutinação e 15% não apresentavam. Definiu-se, assim, o 
grupo sangüíneo Rh+ (apresentavam o antígeno Rh) e o grupo Rh- (não apresentavam o 
antígeno Rh).
A prova do DNA no sistema legal
Para que os métodos utilizados para tipagem do DNA e individualização tenham validade 
judicial, devem seguir procedimentos cientificamente aceitáveis. A duas questões nesse 
sentido são a validação cientifica do método para comparar as amostras e a definição do 
perfil genético como prova da identidade.
62
UNIDADE II │ GENÉTICA FORENSE
Para análise de VNTRs, STRs ou outros loci, há padrões necessários para ser válido 
cientificamente. Nos Estados Unidos, há 2 padrões para os testes serem admitidos 
como prova: teste de aceitação geral e padrão da metodologia consistente.
No padrão da metodologia consistente, o proponente da prova científica deve demonstrar 
que a teoria e a metodologia são aceitas pela comunidade científica.
A maior parte das contestações sobre a admissão dos resultados de DNA é relacionada 
a considerações sobre os protocolos e procedimentos utilizados não eram adequados 
para reduzir o risco de erro.
Aspectos jurídicos da investigação 
de paternidade
A utilização das informações do DNA no sistema legal brasileiro se tornou comum a 
partir de 1990, em litígios cíveis, e posteriormente como um dos meios de convicção 
probatória na investigação criminal. 
Antes do advento da Carta Magna em 1988, o Código Civil impedia o reconhecimento 
de filhos incestuosos e adulterinos, e limitava a prerrogativa de investigar a paternidade 
legítima aos filhos naturais.
Esta posição foi alterada pelo art. 227, § 6o, da Constituição Federal, que proclamou a 
igualdade entre os filhos havidos ou não da relação de casamento.
Com o propósito de proteção dos filhos, em dezembro de 1992, surge a lei no 8.560, que 
veio regular a investigação de paternidade dos filhos havidos fora do casamento e dá 
outras providências.
Trata-se da Investigação de Paternidade ex-officio, que se dá em casos de reconhecimento 
por registro de nascimento de menor apenas pela mãe, no qual a iniciativa parte do juiz.
Art. 2o da Lei 8.560/1992 – Em registro de nascimento de menor 
apenas com a maternidade estabelecida, o oficial remeterá ao juiz 
certidão integral do registro e o nome e o prenome, profissão, identidade 
e residência do suposto pai, a fim de ser averiguada oficiosamente a 
procedência da ação.
§ 1o - O juiz, sempre que possível, ouvirá a mãe sobre a paternidade 
alegada e mandará, em qualquer caso, notificar o suposto pai, independente 
de seu estado civil, para que se manifeste sobre a paternidade que lhe 
é atribuída.
63
GENÉTICA FORENSE │ UNIDADE II
§ 2o - O juiz, quando entender necessário, determinará que a diligência 
seja realizada em segredo de justiça.
§3o - No caso do suposto pai confirmar expressamente a paternidade, 
será lavrado termo de reconhecimento e remetida certidão ao oficial do 
registro civil, para a devida averbação.
§4o - Se o suposto pai não atender no prazo de 30 dias, a notificação 
judicial, ou negar a alegada paternidade, o juiz remeterá os autos 
ao representante do Ministério Público para que intente, havendo 
elementos suficientes, a ação de investigação de paternidade.
§5o - À iniciativa conferida ao Ministério Público não impede a quem tenha 
legítimo interesse de intentar investigação, visando a obter o pretendido 
reconhecimento da paternidade, Afora esta hipótese, a investigação de 
paternidade se processa através de ação ordinária promovida pelo filho 
(investigante) contra o suposto pai (investigado) ou seus herdeiros, 
podendo vir cumulada com ação de petição de herança.
O Código Civil admite as seguintes hipóteses para que se permita a investigação 
de paternidade:
Concubinato
O concubinato é a união do homem e da mulher, de caráter mais ou menos prolongado, 
para o fim de satisfação sexual e assistência mútua, que implica em uma presumida 
fidelidade da mulher ao homem.
Vê-se, de logo, a não exigência da Lei em relação a habitação, exigida no concubinato 
antigo.
Atualmente o elemento fundamental para caracterizar o concubinato é a presumida 
fidelidade dos concubinos, sem deixar de considerar a notoriedade da relação e a 
continuidade das relações sexuais.
Uma vez provado o concubinato, surge a presunção legal de paternidade do concubinário, 
a qual, embora vencível, reverte o ônus da prova, devendo-se o investigado provar que 
o investigante, concebido na vigência daquela relação, é filho de outro, que não dele.
Na defesa, deve o contestante ou negar a existência de concubinato, ou demonstrar 
que o autor não foi gerado na sua vigência, ou aduzir a exceptio plurium concubentium 
(consiste em alegar que, à época da concepção, a mãe do investigante manteve relações 
sexuais com outro ou outros homens, que não o indigitado pai).
64
UNIDADE II │ GENÉTICA FORENSE
O rapto
O rapto com fim libidinoso, tratado no art. 219 do CP, devendo-se comprovar o rapto e 
se o mesmo coincidir com a data da concepção.
Relações sexuais
Com base no inciso II, segunda parte do artigo 363 do CC, permite-se a investigação no 
caso de o investigante alegar relações sexuais entre sua mãe e o investigado.
Mesmo sendo de difícil prova, as relações sexuais, seus indícios devem ser veementes.
Nestes casos, a exceptio plurium concubentium é a defesa adequada para ilidir a ação.
Existência de escrito daquele a quem se atribui a 
paternidade, reconhecendo-a expressamente
Por meio de instrumento particular, o fato deverá ser declarado, podendo servir de base 
a uma investigação de paternidade.
A expressão escrito, usada pelo legislador, visa abranger as declarações, notas 
particulares, cartas, testamentos nulos, anulados e revogados.
Após o aprendizado dos diferentes métodos aplicados na investigação forense, 
segue um relato de caso intitulado “A importância da coleta de material peniano 
do suspeito em casos de crimes sexuais: um relato de caso” para evidenciar a 
importância da análise do DNA em investigações criminai.
“A mãe de uma criança de 11 anos, sexo masculino, diagnosticado 
como autista, fez uma denúncia, pois desconfiava que seu filho 
havia sido vítima de violência sexual, tendo como autor um 
vizinho. A vítima e o suspeito foram conduzidos à Perícia Forense 
do Estado do Ceará, pelas autoridades judiciais.
Foi procedido o exame médico legal e em seguida foram 
coletados swab oral e anal da vítima. A polícia também 
encaminhou o acusado para realizar coleta de material genético 
para investigação do caso, sendo coletados um swab oral e um 
swab peniano (glande e prepúcio). De acordo com os achados 
do exame médico não foram detectadas lesões compatíveis com 
coito anal ou sinais de violência na criança, portanto os achados 
laboratoriais (análise de DNA) passariam a ser a principal fonte 
de evidências do delito.
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GENÉTICA FORENSE │ UNIDADE II
Nesse breve relato de caso, podemos identificar que a análise de DNA é decisória 
para elucidação do caso, já que o exame médico legal foi inconclusivo perante 
a acusação.
Assim, esse caso foi conduzido utilizando-se dois sistemas STRs comerciais, 
um com 23 loci gênicos e outro com 16 haplotípicos e, analisados por corrida 
eletroforética pelo ABI PRISM 3130 Genetic Analyzer da Applied Biosystems.
Segue a tabela com o perfil dos locis analisados nesse artigo (Tabela 4).
Quadro 4. Resultado da análise dos 18 locis gênicos analisados nas amostras de DNA.
Fonte: adaptada de Sampaio,S.O et al., 2002.
Como podemos observar no quadro 4, há presença da amostra de DNA da 
vítima e do acusado no swab peniano do acusado evidenciado pelas sondas 
D8S1179, D21S11, THO1, D13S317, DS16S539, D19S433,VWA, D18S51,FGA, 
Penta-E, D10S1248 e D12S391. No entanto, na amostra de Swab anal da vítima, 
há apenas material genético da vítima.
O artigo utilizou as seguintes hipóteses para testar qual era o contribuinte da 
segunda amostra.
H1 - As pessoas que contribuíram com material genético para 
produção da referida amostra questionada foram o acusado e 
a vítima;
66
UNIDADE II │ GENÉTICA FORENSE
H2 - As pessoas que contribuíram com material genético para 
produção da referida amostra questionada foram o suspeito e 
uma terceira pessoa desconhecida.
Como abordamos nos temas anteriores, é necessário para a identificação do 
sujeito pela análise do DNA, um teste de hipótese com suporte estatístico. Para 
testar as hipóteses devem-se comparar os perfis genotípicos da vítima com o 
acusado e de uma pessoa qualquer e o acusado e efetuar os cálculos estatísticos 
de cada possibilidade, conforme o trecho do artigo:
De acordo com os cálculos estatísticos, confrontadas as duas 
hipóteses acima mencionadas, utilizando-se o programa DNA 
MIXversão3.2, verificou-se que a possibilidade da vítima ter 
contribuído, junto com o acusado, para a produção da mistura 
de material genético presente na amostra extraída do swab 
peniano é 216,5 quintilhões de vezes maior que a possibilidade 
de uma terceira pessoa ter contribuído, junto com o acusado, 
para a produção desta mistura.
Associado a essa análise também foi avaliado o perfil do 
cromossomo Y por STRs nas amostras de swabs anais 
coletados da vítima e do swab peniano do acusado. Na 
amostra da vítima foi encontrado apenas o próprio perfil 
haplotípico da vitima, enquanto na amostra do acusado foi 
observado dois perfis haplotípicos do mesmo sexo, e os alelos 
da vítima estavam presentes na maioria dos loci estudados.
Assim, de acordo com o código penal brasileiro, o caso se configura como 
estupro diante das provas apresentadas pelo exame de DNA.
67
Para (não) finalizar
Como a radiografia pode auxiliar na 
identificação humana
A identificação, através do raio X, ou radiografia, faz um papel muito importante na 
identificação de cadáveres com estados de decomposição importante ou que são afetados 
por queimadas. Assim, não é possível o reconhecimento visual comum, métodos de 
reconhecimento por roupas, ou pele, aplicado a outros cadáveres.
De acordo com Buchner 
[...] quando da compara cão de radiografias do crânio anteriores e 
posteriores à morte, as medidas do crânio, a avaliação detalhada dos seios 
da face e da área mastóide, podem servir como base para a identificação.
Quando se utiliza o método de reconhecimento por radiografias, é um pré-requisito 
que se tenha as radiografias prévias para comparar. Isso é muito importante, pois é a 
partir dessas radiografias anteriores que vamos descobrir alguma semelhança como 
marcos anatômico. É assim que será possível uma prova de identidade.
Um exemplo que pode surgir como prova de identidade é um material metálico 
utilizado como prótese, que tem uma durabilidade muito importante. Ainda outra 
prova de identidade é feita por radiografias de crânios comparadas, pois as medidas 
são conservadas, lembra Krogmam. Ainda, tanto a região mastoide como os seios da 
face, podem auxiliar na identificação.
Buchner relembra que os pontos de identificação dos ossos são muito resistentes, tendo 
uma conservação importante. 
Ainda as vítimas de desastres e queimaduras podem ser identificadas por meio das 
radiografias dentarias, sendo uma fonte fidedigna de informação.
Ultimamente e cada vez em maior número, as radiografias também estão sendo 
utilizadas em desastres para que haja uma identificação mais segura.
Com base nisso, é importante o estudo radiológico do cadáver analisado e a busca por 
dados em prontuários médicos e odontológicos que auxiliem a caracterizar o indivíduo.
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UNIDADE II │ GENÉTICA FORENSE
Uma boa radiografia vale por mil palavras. Inversamente, registros ou 
radiografias precárias têm valor limitado. (DORION, 1990).
E por fim, vejamos a tabela de França, 1995. Como a radiografia pode nos auxiliar até 
mesmo no que se tem menor acurácia, que seria a idade.
Tabela 5.
Fone: França (1995).
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