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manual cultivo de ostras 2005(b)

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pé com o qual ela busca, tateando, um
substrato onde se fixar. Aí viverá para sempre, se esta fixa-
ção ocorrer no meio ambiente e de forma natural.
Véliger: segunda fase da larva, quando
começa a apresentar uma conchinha
em forma de “D”.
Pedivéliger: estágio larval no qual o pé
fica ativo na busca de local para a
fixação
6 – Manuais BMLP de maricultura
2. Seleção do local
As ostras se desenvolvem bem em diversos ambientes
costeiros, mas deve-se considerar alguns fatores que po-
dem limitar seu cultivo. Os mais importantes são a tecno-
logia de cultivo e a poluição ambiental. Além destes, quan-
do se escolhe um local para criar ostras, deve-se também
estar atento para outros fatores enumerados a seguir:
Aspectos legais
Toda atividade que usa recursos naturais, como o
mar por exemplo, deve seguir a lei.
Existem algumas orientações obrigatórias para
que a atividade cresça, mas não prejudique o
meio ambiente e as pessoas da comunidade. São
regulamentos federais e estaduais que a organi-
zam e que devem ser seguidos pelo produtor.
No estado de Santa Catarina, por exemplo, o
órgão responsável pela licença ambiental da atividade é a
FATMA (Fundação Estadual do Meio Ambiente) da Secreta-
ria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambien-
Licença ambiental: autorização de
órgãos ambientais do governo para a
extração de recursos naturais.
Cultivo de ostras – 7
te. Em outros estados deve-se procurar a Secretaria da Agri-
cultura ou o serviço de extensão local.
Em Santa Catarina, para conseguir esta licença são
necessários vários documentos, mas o órgão que ajuda e
orienta o produtor é a Epagri. Antes de pagar por qual-
quer serviço de regularização de sua área consulte um
técnico da Epagri.
Salinidade
Existem ambientes junto à costa cuja salinidade va-
ria bastante, de zero a 35‰, resultado dos regimes de
chuvas e marés. Os locais mais variáveis geralmente fi-
cam próximos a desembocadura de rios. A salinidade é
mais instável em lagoas costeiras e baías, porém em ambi-
entes de mar aberto ela é mais estável.
A ostra do Pacífico cresce e se desenvolve muito bem
em ambientes com salinidade de 18 a 32‰. Quando a
salinidade varia um pouco acima ou um pouco abaixo
destes valores, ela também sobrevive, porém seu cresci-
mento é afetado, ficando mais lento. Deve-se ter bastan-
te cuidado ao escolher locais próximos a rios e mangue-
zais, onde a salinidade pode permanecer próxima a zero
por longos períodos, por causa das chuvas torrenciais,
causando mortalidade.
8 – Manuais BMLP de maricultura
Produtividade primária
As ostras se alimentam filtrando a água e capturando
organismos microscópicos: fitoplâncton, que são micro-
algas, zooplâncton, que são os protozoários e ainda partí-
culas orgânicas, ou detritos, todos eles espalhados no am-
biente marinho. Chama-se de produtividade primária essa
oferta de alimento existente no ambiente. Os ventos e as
correntes levantam sedimentos do fundo e movimentam
as águas. Estes nutrientes servem como adubo aos micro-
organismos, que, por sua vez, servirão de alimento às os-
tras. As microalgas são os alimentos mais importantes para
os moluscos. Para medir a produtividade de um local, ve-
rifica-se a quantidade de “clorofila a”, ou a quantidade de
biomassa fitoplântica num certo volume de água. Mas,
sabe-se, com certeza, que os locais mais ricos são as regi-
ões costeiras, principalmente onde existem rios.
Clorofila a: é uma das pigmentações do
fitoplâncton e existe em todos os
organismos fotossintetizantes.
Biomassa fitoplântica: conjunto de
seres vivos composto por organismos
autótrofos clorofilados que
representam importante papel na
cadeia alimentar do meio aquático.
Cultivo de ostras – 9
Temperatura da água
Como a temperatura da água influencia no metabolis-
mo das ostras e a ostra do Pacífico é originária de um clima
temperado, mais frio, ela cresce melhor no inverno. A tem-
peratura ideal, portanto, é de 14,5 °C. Durante o verão, quan-
do a temperatura sobe até 28°C estas ostras diminuem ou
interrompem seu crescimento, podendo, às vezes, morrer.
Condições de fundo
Deve-se observar se o local tem fundo lodoso, pois alia-
do a outras condições, pode causar mortalidade de verão.
Poluição
A poluição é um fator muito importante e que deter-
mina a qualidade final do produto. Há leis no Brasil que
regulamentam sobre áreas próprias para cultivo. Assim,
antes de iniciar o cultivo, o produtor deve ter certeza de
que o local escolhido é apropriado. Um local pode ser po-
luído por esgotos, áreas industriais despejando metais pe-
sados, óleo de barcos ou navios, substâncias tóxicas e ain-
da, pesticidas agrícolas usados em agricultura e que, com
as chuvas, correm para o mar. As conseqüências destes
fatores são muito prejudiciais à saúde humana.
10 – Manuais BMLP de maricultura
Marés vermelhas
As marés vermelhas consistem num processo de re-
produção descontrolada de microorganismos marinhos de
natureza planctônica, cuja atividade metabólica descar-
rega na água do mar grande quantidade de tóxicos res-
ponsáveis por considerável mortandade de peixes e ou-
tros organismos aquáticos. Durante o fenômeno, a água
do mar assume uma coloração, às vezes, avermelhada que
justifica o nome da manifestação: maré vermelha.
Os moluscos, ao se alimentarem desses organismos
acumulam em seus tecidos altas taxas de toxinas que não
lhes causam mal. Mas, o homem, ao ingerir estes molus-
cos contaminados, pode sofrer sérios riscos de saúde.
Renovação da água
Locais com pouca renovação ou circulação de água
podem trazer como conseqüência falta de alimento para
os moluscos.
Ação de ventos, ondas e correntes marinhas
Estes agentes ou forças da nature-
za quando em excesso, podem inviabi-
lizar um local para cultivo. Portanto, ao
fazer a seleção do local para o futuro
Cultivo de ostras – 11
cultivo, deve-se dar preferência a locais abrigados de
ventos, ondas e correntes marinhas onde os moluscos
podem se desenvolver adequadamente e as estruturas
possam suportar por longo tempo.
Áreas de navegação marítima
Locais com muita movimentação de barcos, além de
prejudicar os cultivos, são descartados por estarem proi-
bidos pela legislação.
Proximidade aos grandes centros urbanos
Instalar o cultivo próximo a cidades maiores pode
auxiliar ao produtor a vender seu produto mais facilmen-
te e pagar menos pelo transporte. No entanto, ao fazer esta
escolha deve-se ter em mente que, justamente, os locais
mais populosos podem ter maior quantidade de águas po-
luídas.
Áreas de pesca
Existem áreas no litoral que são pro-
pícias e liberadas para a pesca. Estes lo-
cais devem ser evitados para cultivo.
12 – Manuais BMLP de maricultura
3. Obtenção de sementes
Em laboratório
Para o cultivo de ostras que não são nativas de uma
região, como é o caso da Ostra do Pacífico, é necessário
obtê-las, comprando as sementes em algum lugar que ga-
ranta sua procedência. O laboratório é o local onde se in-
duz a reprodução das ostras artificialmente para obter se-
mentes. Em Santa Catarina, o Laboratório de Cultivo de
Moluscos Marinhos, da Universidade Federal de Santa
Catarina, situado na Barra da Lagoa, em Florianópolis, pro-
duz e vende sementes de ostras aos produto-
res, com alto padrão de qualidade. Em outros
estados, procure o serviço de extensão local.
Com coletores
A ostra nativa vive normalmente em man-
guezais e em rios que desembocam no mar. As
sementes são encontradas facilmente aderidas
às raízes da árvores dos mangues. Estas forma-
Coletores de conchas
Cultivo de ostras – 13
ções recebem denominações específicas: por exemplo,

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