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manual cultivo de ostras 2005(b)

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equipamentos usados
no cultivo, à medida em que ele próprio
vê como pode melhorar seu trabalho. O
material usado deve ter um baixo custo,
ser durável e fácil de usar.
Primeira fase – manejo das sementes
As sementes que vão para o mar nas estruturas,
geralmente têm um tamanho entre 7 e 10 mm de al-
tura, por isso a malha destas estruturas não deve ser
maior que 1 mm. Nesta etapa, podem ser usadas cai-
xas monoblocos vazadas, revestidas com tela de mos-
quiteiro ou lanternas feitas com malhas utilizadas na
confecção de bonés (geralmente um material barato e
Cultivo de ostras – 19
fácil de ser encontrado no mercado). Estas são as lan-
ternas-berçário.
Ainda são usadas caixas de madeira com o fun-
do e a tampa de tela de mosquiteiro, mas não são
nem duráveis nem confiáveis. O máximo cuidado
deve ser tomado nesta fase, quando, em geral, colo-
cam-se muitas sementes num só recipiente.
Segunda fase – juvenis
Quando as sementes estão quase com 4 cm são
chamadas de juvenis. Separam-se as sementes utili-
zando peneiras com uma malha superior àquela que
vai ser usada nos petrechos de cultivo.
Este é um procedimento que previne a perda de
sementes. Agora também poderão ser usadas caixas
monoblocos vazadas revestidas com malhas plásti-
cas de 9mm ou lanternas com malhas de 5 mm
entrenós, chamadas lanternas interme-
diárias. Nesta fase cada os-
tra precisa de mais espaço
para crescer. Por isso, deve-
se cuidar ao colocar a
quantidade adequada de os-
tras por andar da lanterna.
20 – Manuais BMLP de maricultura
Terceira fase – terminação ou engorda
Quando as ostras atingem 6 cm, passam para esta
fase, que será a última antes da venda. A malha usa-
da é de 8 mm entrenós.
A observação semanal das condições das lanter-
nas e do crescimento das ostras é fundamental neste
período. Deve-se ter cuidado principalmente com a
presença de organismos vivos indesejáveis e ainda
com o acúmulo de lodo na malha, o que impede
a circulação da água.
Sem a observação constante do produtor,
podem se acumular vários problemas,
como ataque de predadores e de or-
ganismos incrustantes que impe-
dem o desenvolvimento das ostras
e podem até levá-las à morte.
Nesta fase, atualmente, para
uma limpeza efetiva das ostras e das
lanternas são utilizadas as bombas de
limpeza, um hidro-compressor ou moto-bomba. Em
locais onde não é possível usar estes equipamentos,
deve-se fazer a raspagem manual. As lanternas são
deixadas ao ar, para secagem, eliminação e morte
dos organismos indesejáveis, facilitando em segui-
da a raspagem.
Cultivo de ostras – 21
Organismos incrustantes,
predadores e parasitas
Conjunto de organismos que se fixam nas estruturas
que permanecem na água por algum tempo. Estes orga-
nismos podem se fixar em barcos, bóias, trapiches, nas
estruturas de cultivo de ostras, como os flutuadores, bom-
bonas, lanternas, caixas, cordas, cabos, etc.
A conseqüência destes organismos para o cultivo de
ostras é que eles competem por espaço, por alimento e
aumentam bastante o peso das lanternas, por exemplo,
dificultando o seu manejo.
A presença destes organismos limita severamente ou
impossibilita o cultivo, já que o seu combate, além de tra-
balhoso aumenta os custos para o produtor.
Como parte destes organismos pode-se citar, entre ou-
tros as ostras nativas, a craca, briozoários e o mijacão. É
importante para o produtor identificar os períodos de fixa-
ção de cada espécie para poder combatê-los. Alguns méto-
dos de controle eficientes nestes casos são a exposição ao
ar livre, ao sol, a imersão em água doce e ainda, em alguns
casos mais severos, a remoção mecânica, com raspagem,
atrito com o uso de rolo e limpeza com jato d’água.
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Predadores
São considerados predadores todos os seres que ata-
cam e matam outros com a finalidade de devorá-los.
Planária
São vermes achatados, bentônicos, que se alimen-
tam da carne de outros animais. Costumam atacar
ostras pequenas e dificilmente atacam ostras adul-
tas e saudáveis. Para liquidá-las, basta imergir as lan-
ternas por 20 minutos em água doce, procedimento
suportável pelas ostras sem prejuízo.
Caramujo peludo
É um predador chamado cientificamente de Cy-
matium parthenopeum cuja fêmea deposita cápsu-
las de ovos sobre o substrato. Após alguns dias, li-
bera as larvas que sobrevivem durante longo tem-
po no plâncton até a metamorfose, que ocorre den-
tro da presa, quando dá forma ao pequeno caramu-
jo que come toda a ostra. A única forma de removê-
lo é manualmente.
Cultivo de ostras – 23
Caramujo liso
Responsável pela morte de milhares de ostras nos
Estados Unidos, o caramujo Thais haemastoma não
mata grandes quantidades em Santa Catarina, por
exemplo. Desenvolve-se de maneira semelhante ao
caramujo peludo, mas a predação ocorre de duas ma-
neiras diferentes: perfurando a concha da ostra com
uma substância que a desmineraliza e com o pé, for-
çando a abertura das valvas. A maneira utilizada para
destruí-lo é a catação manual e recomenda-se exposi-
ção ao ar ou imersão das lanternas em água doce.
Caranguejos e siris
São os crustáceos decápodes, bentônicos, que se
escondem em tocas de pedras ou ficam enterrados
no fundo do mar. Eles nadam até as lanternas
ou caixas penduradas e com suas garras
podem cortar e esmagar as ostras, princi-
palmente as menores. Para controlar seu
ataque, sugere-se captura com armadi-
lhas e iscas e ainda envolver as lanter-
nas com uma tela plástica, do tipo sombrea-
mento, com 9 milímetros de abertura de malha.
Caramujinho
São ectoparasitas de ostras que se alimentam do
fluído do corpo dos hospedeiros ocasionando danos
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na borda do manto, o que resulta em deformações
nas conchas. O seu controle pode ser feito pela lava-
ção e peneiramento semanal das sementes.
Outros animais predadores
Peixes, como o miraguaia e o baiacu, estrela-do-
mar, aves e a lontra.
Parasitas
Chama-se parasita uma espécie que se instala no cor-
po de outra, dela retirando material para sua nutrição e
causando-lhe, em conseqüência, danos de gravidade va-
riável. Os parasitas provocam doenças que, muitas vezes,
levam o indivíduo parasitado à morte.
A presença destes organismos limita severamente ou
impossibilita o cultivo, já que o seu combate, além de tra-
balhoso aumenta os custos para o produtor.
Broca-de-ostra
Este mitilídeo escava as conchas dos moluscos e
à medida que cresce, pode levar as ostras à morte.
Não existem estratégias de controle eficientes.
Cultivo de ostras – 25
Polidora
É um poliqueta que com a formação de tubos e
galerias enfraquece as conchas dos moluscos. Cau-
sa grande prejuízo na aparência das ostras e de-
precia o produto para o mercado. O seu controle
pode ser feito pela exposição ao sol, ao ar e trans-
ferência para locais com menor quantidade de ma-
teriais suspensos na água e, ainda, a imersão das
ostras em água doce.
Doenças
Mortalidade em massa de verão
Três fatores combinados ocasionam um fenôme-
no muito prejudicial às ostras: ambientes com alta
produtividade primária, alta temperatura e fundo lo-
doso, causam a morte em massa das ostras, a cha-
mada “mortalidade em massa de verão”. O produtor
deve estar atento para estas características do local e
observar se há grandes perdas durante o verão numa
certa região. A melhor solução é vender toda a pro-
dução antes que isto aconteça ou restringir a época
de cultivo até dezembro, não entrando no verão.
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6. Colheita
A colheita da Ostra do Pacífico pode ser feita a par-
tir

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