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1 Farmacologia dos ansiolíticos e hipnóticos/sedativos Profa. Camila Figueirêdo ICS, UFBA Base das desordens neurológicas DESORDENS NEUROLÓGICAS ALTERAÇÕES NEUROQUÍMICAS NO SNC* ALTERAÇÕES DE NT ALTERAÇÕES DE RECEPTORES P/ NT *Predominância de 1 tipo de NT; mas envolvimento de outros. 2 Bases da Neurofarmacologia Neurotransmissores – Aumentam a síntese – Aumentam a liberação – Bloqueiam a recaptação – Reduzem o metabolismo Receptores – Antagonista – Modulador Alostérico GABA é um neurotransmissor inibitório • GABA é utilizado entre 40% neurônios SNC • Matéria prima: glutamato • Recaptado por sistema Na-dependente específico (Epilepsia) • Receptores – GABAA – GABAB – GABAc (?) 3 GABA : Ansiedade e Epilepsia • Benzodiazepínicos – Potencia os efeitos inibitórios do GABA – Ansiolíticos • Antagonistas do GABA produzem ansiedade • Drogas que aumentam a qte sináptica de GABA são anticonvulsivantes Ansiedade O que é Ansiedade?? “Tensão, apreensão, desconforto, que se origina de perigo interno ou externo iminente, podendo ser resposta à estresse ou à estímulo ambiental ou sem causa aparente” Associação Americana de Psiquiatria 4 Quadros clínicos da ansiedade Tratamento Tratamento psicológico/psiquiátrico- Terapia comportamental + Tratamento medicamentoso Cura Cura Cura O que são ansiolíticos? São fármacos utilizados no combate aos sintomas causados pela ansiedade 5 Sono • Fenômeno do sono desperta interesse e curiosidade no homem desde a Antiguidade • Explicações mitológicas, filosóficas ou religiosas buscando compreendê-lo • Sonhos Insônia “Insônia é um sintoma que se refere à incapacidade de iniciar e de manter o sono, sendo acompanhada de sono de baixa qualidade, interrompido ou de duração reduzida, insuficiente para restaurar o alerta completo” • A insônia pode ser: – De curta duração (3-5d) – De média duração (3 semanas) – De longa duração ou crônica (+ de 3 semanas) • Tratamento da insônia: – Tratamento etiológico – Higiene do sono – Hipnóticos 6 Hipnóticos “São substâncias que determinam graus variados de depressão do SNC; são utilizadas em situações como insônia, anestesia geral”. • A depressão induzida depende de fatores como: – Via de administração – Dose da substância hipnótica – Maior ou menor sensibilidade do paciente à droga Hipnóticos • Dependendo desses fatores, teremos graus diferentes de supressão do SNC: – Sedação – grau mais superficial de sedação • Sonolência mais discreto grau de relaxamento muscular – Hipnose – estado de inibição do SNC semelhante ao sono fisiológico • Diferença – encurtamento do sono REM (fase dos sonhos e benéfica para a estabilização psíquica) 7 Hipnóticos – Estado de anestesia geral • perda da consciência diminuição dos reflexos, perda da sensibilidade à dor, ausência de reações aos estímulos externos, ficando mantidas as funções vitais. – Coma (doses maiores) • Mesmas características da anestesia geral • Condição indesejável que nem sempre as funções vitais são mantidas • Depressão mais profunda – comprometimento bulbar com parada respiratória, parada cardíaca e morte Hipnóticos • Indicação de hipnóticos em casos de insônia (qual a parte do sono comprometida?): – Insônia de curta duração: • Objetivo: alívio do desgaste noturno; melhor desempenho no dia seguinte; curto tempo de tratamento • Início da noite: hipnótico de início de ação rápido e meia-vida curta 8 Hipnóticos – Insônia de média e longa duração: • Terço médio ou final da noite (despertares repetidos e prolongados): meia-vida de eliminação longa Fármacos utilizados em distúrbios de ansiedade e do sono 9 Fármacos distúrbios da ansiedade e do sono Ansiedade Sono Benzodiazepínicos Barbitúricos GABA e derivados Agonistas parciais do receptor 5HTA Ansiolíticos diversos Substâncias não-benzodiazepínicas e não-barbitúricas Novos hipnóticos 1. Barbitúricos • Depressor não seletivo do SNC • Antigamente, empregado como hipnótico, ansiolítico e anticonvulsivante • Administração causa graves problemas • Facilidade no desenvolvimento de tolerância e dependência • Uso irracional – fatal; suicídio e homicídios • Indutores de enzimas hepáticas (P450) – interações medicamentosas 10 1. Barbitúricos • Não existe no BR especialidade disponível com finalidade ansiolítica • Atualmente seu uso se restringe como hipnóticos (anestésicos gerais) e anticonvulsivantes 1. Barbitúricos Ácido malônico Uréia Ácido barbitúrico C5 – radical etila e fenila = etil-fenil-barbitúrico = fenobarbital 11 1. Barbitúricos • Drogas mais utilizadas como hipnóticas antes dos BZD • Classificação, de acordo com a duração da ação: – Barbitúricos de ação ultra-rápida e ultracurta – Barbitúricos de ação rápida e curta – Barbitúricos de ação intermediária – Barbitúricos de ação prolongada 1. Barbitúricos • Barbitúricos de ação ultra-rápida e ultracurta – Efeitos iniciados em segundos – Desaparecem em 20-30 minutos – Administração IV – Uso: anestésicos gerais IV – Exemplos: • Tiopental sódico (Thionembutal) • Tiamilal (Surital) • Monoexital sódico (Britiamilal) Tiopental 12 1. Barbitúricos • Barbitúricos de ação rápida e curta – Administração: IV ou IM – Efeitos iniciados em 10-15 minutos – Mantidos até 3h – Usos: hipnose rápida (excitação motora ou trauma) – Exemplos: • Pentobarbital (Nembutal) • Secobarbital (Seconal) Pentobarbital 1. Barbitúricos • Barbitúricos de ação intermediária – Administração: IM ou oral – Duração de ação: 6-12h – Usos: insônia crônica de pacientes que têm dificuldade de mantê-lo – Exemplos: • Butabarbital • Amobarbital Amobarbital 13 1. Barbitúricos • Barbitúricos de ação prolongada – Administração: oral (1 ou 2 doses diárias) ou IM, raramente IV – Duração de ação: 24h – Usos: antipiléticos e anticonvulsivantes; sedativos – Exemplos: • Fenobarbital (Luminal, Gardenal) • Barbital (Veronal) Fenobarbital 1. Barbitúricos Absorção e metabolismo (lipossolubilidade) • Via administração: – IV – IM: mais eficaz sob a forma de sais sódicos – VO • Absorção: estômago e duodeno • Ligação a proteínas plasmáticas è Barreira HE èSNC • Efeito está relacionado com: – Redistribuição (gradiente de [ ] cérebro/sangue) – fugacidade de ação; ressaca barbitúrica – Degradação metabólica – Eliminação renal 14 1. Barbitúricos Absorção e metabolismo (lipossolubilidade) Distribution of thiopental following IV injection 2. Benzodiazepínicos • 1961, Sternbach, clordiazepóxido – Efeitos miorrelaxantes e calmantes • Mais de 2000 derivados benzodiazepí- nicos sintetizados • Estudos sobre relação estrutura-atividade • 1992, triazolam, retirado do mercado • Protótipo da classe: Diazepam e clordiazepóxido 15 2. Benzodiazepínicos 2. Benzodiazepínicos • Fármacos de 1a escolha p/ ansiedade • Principal grupo de ansiolítico pela sua eficácia e relativa segurança • Efeitos principais: – Diminuição da ansiedade – Sedação – Hipnose – Relaxamento muscular – Propriedades anticonvulsivantes (clonazepam, diazepam) – Efeitos antidepressivos (alprazolam) SNC 16 2. Benzodiazepínicos • Podem ser utilizados como: – Ansiolíticos; – Hipnóticos;– Miorrelaxantes; – Anticonvulsivantes; – Pré-anestésicos; – Anestésicos. 2. Benzodiazepínicos (BZD) • Grupo mais importante de hipnóticos; Tomaram o lugar dos barbitúricos • Efeito hipnótico como conseqüência de seu efeito ansiolítico • Dose hipnótica e ansiolítica muito próximas 17 2. Benzodiazepínicos (BZD) • Vantagens da utilização dos BZD como hipnóticos: – Grande distância entre dose terapêutica e dose capaz de produzir depressão respiratória, psíquica e cardiovascular – Capaz de provocar menos dependência psíquica e física – Não produzem indução enzimática significativa 2. Benzodiazepínicos • Farmacocinética: – Em geral são completamente absorvidos antes de sofrerem biotransformação – Pmax = 1h adultos; 1-30min crianças – Injeção IM – abs.irregular (maioria) – Injeção IV – irritação venosa (lipossolúveis – diazepam) – Alta taxa de ligação à proteínas plasmáticas (85-90%) (albumina) – Vadistribuição = 1-3L/Kg – Biotransformação – Fígado • Não induz síntese de enzimas microssômicas – não acelera a biotransformação de outras drogas 18 2. Benzodiazepínicos • Farmacocinética: – Meia-vida de eliminação é prolongada em idosos e pacientes com doença hepática: • Diminuição das enzimas metabolizadoras • Aumento do volume de distribuição devido a maior proporção de gordura em relação ao peso corporal – Maior sensibilidade desses pacientes: • Diminuição do metabolismo cerebral Mecanismo de ação do benzodiazepínicos e Barbitúrico • Mecanismo de ação: – Potenciação da ação inibidora neuronal mediada pelo ácido gama-aminobutírico (GABA) • Receptor tipo A 19 GABA é um neurotransmissor inibitório • GABAA – mais abundante; canais iônicos ligante dependente – Canal de Cl • GABAB – GABABR1a e R1b – Acoplado a Prot. G • Abertura de canais de K • Fechamento de canais de Ca • Inibe ADC • Estimula FA2 • GABAc (?) – retina; semelhante a GABAA 20 Mecanismo - BZD • Mecanismo alostérico – mais aceito • Outras teorias: – Inibição da gabamodulina (↓ afinidade GABA- receptor) – Aumento da liberação de GABA 21 2. Benzodiazepínicos • Antagonista: – Flumazenil • Antagonista competitivo do receptor dos benzodiazepínicos (GABAA) Barbitúricos não possuem antagonista! Inibição da ação do GABA • Convulsivantes: – Bloqueadores de receptor • Biculina – Bloqueadores do canal de cloreto • Picrotoxina • Inibidores da biossíntese: – Hidralazina • Inibição da liberação das vesículas: – Toxina botulínica 22 2. Benzodiazepínicos • Efeitos adversos: – Mais comum: sedação (grau dependentes de uma série de fatores), fadiga e eventualmente, vertigens (dose-dependentes) mais comum em idosos e debilitados – Lassidão, incoordenação motora, diminuição da velocidade de raciocínio, ataxia, redução das funções físicas e mentais, confusão, secura e gosto amargo na boca, aumento de peso e do apetite. 2. Benzodiazepínicos • Efeitos adversos: – Efeitos mais raros: fraqueza, cefaléia, visão turva, náuseas e vômitos, desconforto epigástrico e diarréia; dores nas articulações e tórax. – Paranóia, depressão e tendência ao suicídio (Triazolam) – Alguns atravessam a barreira placentária – crises de abstinência no RN “São considerados fármacos com boa margem de segurança, mesmo em doses maciças, raramente são fatais” 23 2. Benzodiazepínicos • Gravidez e RN: – Devem ser evitados até o 4o mês de gestação – Alguns atravessam a barreira placentária – crises de abstinência no RN 2. Benzodiazepínicos • Abuso e Tolerância: – Numerosos casos de abusos e dependência correlacionados ao uso terapêutico e irracional porém não tão frequentes qto barbitúricos e morfínicos – Quanto menor a ½ vida – maior os sinais de abstinência, que incluem: • Ansiedade, agitação, náuseas, vômitos,diarréia, fraqueza, fotofobia, despersonalização e depressão. 24 2. Benzodiazepínicos • Usos terapêuticos: – Tratamento das ansiedades, bem como hipnóticos e sedativos • Alerta sobre os efeitos colaterais (sedação e incoordenação motora) • Efeito diminui com o tempo de tratamento • Tolerância ao diazepam – 22 semanas 3. GABA e derivados • GABA exógeno como ansiolítico – Baixa lipossolubilidade – dificuldade em atravessar a barreira HE – Estudo de diversos derivados – modificação estrutural – Vibagatrina – tratamento da epilepsia • Atividades adicionais dos derivados: – Acelerador do metabolismo cerebral - aprendizado – Auxiliar nas seqüelas de AVC e arteriosclerose Vigabatrina GABA 25 3. GABA e derivados • Preparações disponíveis no Brasil: – GABA – Gamibetal, Gammar – Vigabatrina – Sabril Vigabatrina GABA 4. Antagonistas da serotonina (receptor HT1A) • Ansiolíticos de 2a geração • Buspirona, Wuet et al.,1972 • Ação ansiolítica da buspirona – Goldberg e Finnerty, 1979. • Introduzida no Brasil em 1989 • Nomes comerciais: Ansienon, Ansitec, Buspanil e Buspar 26 4. Antagonistas da serotonina (receptor HT1A) • Propriedades farmacológicas: – Propriedades ansiolíticas comparáveis ao diazepam – Em doses terapêuticas não causa sedação nem relaxamento muscular – Não exerce ação anticonvulsivantes nem hipnótico-sedativa; não altera os reflexos – Baixo potencial de abuso – Não possui antídoto específico – tratamento sintomático Mecanismo de ação 27 4. Antagonistas da serotonina (receptor HT1A) • Metabolismo: – Hidroxilação e ruptura de cadeia • Efeitos adversos: – Sonolência, tontura, cefaléia, náuseas e fadiga – Menos comuns: nervosismo, diarréia, secura de boca e taquicardia 5. Ansiolíticos diversos β-bloqueadores • Auxiliares no tratamento da ansiedade e em estresse agudo • Reduzem os sintomas autonômicos associados a fobias específicas, pelo bloqueio periférico dos sintomas b-adrenérgicos mediados • Problema: efeitos adversos devem ser avaliados (bradicardia, hipotensão, broncoespasmo...) • Ex.: Propanolol 28 5. Ansiolíticos diversos Principios ativos naturais • Preparações contendo princípios ativos naturais com finalidade ansiolítica • Alguns exemplos são: – Melissa – Kava-kava – Maracujá • Princípios ativos isolados; atuam no receptor GABA 29 BMC Complement Altern Med. 2007 Aug 8;7:26. 6. Hipnóticos não-BZD e não- barbitúricos • Substâncias hipnóticas mais antigas, amplamente utilizadas até o surgimento dos barbitúricos • Menos utilizados ainda depois dos BZD • São eles: – Álcoois – Derivados da piperidinodiona – Carbamatos – Hidrato de cloral e paraldeído – Brometos – Metaqualona 30 7. Novos Hipnóticos • Substâncias não-BZD usadas com sucesso clinicamente: – Zolpidem – Zolpiclone Zolpidem Zopiclone 7. Novos Hipnóticos • Zolpidem – Derivado da imidazopiridina – Age no complexo GABA – receptor benzodiazepínico – Vantagens para uso clínico: • Absorção rápida v.o. • Meia-vida de eliminação plasmática é em média de 2h • Não fornece metabólito ativo • Não interfere no sono REM • Não apresenta rebote de insônia qdo retirado bruscamente – Antagonista: Flumazenil – Efeitos anticonvulsivantes e miorrelaxantes mínimos – Efeitos colaterais: insônia, fadiga, alteração de memória 31 7. Novos Hipnóticos • Zopiclone – Derivado da ciclopirrolona, com boa atividade hipnótica (efeito sedativo) e baixa toxicidade – Apresenta ação ansiolítica, anticonvulsivante e miorrelaxante– Utilizada na indução do sono pré-operatório (BZD mais eficazes) – Age no complexo GABA – receptor benzodiazepínico – Meia-vida de eliminação plasmática é em média de 5h – Não fornece metabólito ativo – Efeitos colaterais: gosto metálico na boca, redução da concentração (menor q os BZD) 7. Novos Hipnóticos • Zopiclone 32 Bibliografia [1]. Silva, Penildon. Farmacologia, 8ed. ed. Guanabara Koogan, Rio de janeiro 2010. [2]. Grahame-Smith e Aronson. Manual de Farmacologia Clínica e Terapêutica. Guanabara Koogan, 1 ed., Rio de Janeiro, 2010. [3]. J. G. Hardman et al. Bases Farmacológicas da Prática Médica - Goodman e Gilman. 9 ed., McGraw-Hill/Guanabara Koogan, New York/Rio de Janeiro, 1996. [4] Page e Curtis et al. Farmacologia Integrada. 2 ed., Manole, São Paulo, 2004. [5] H. P. Rang, M. M. Dale e J. M. Ritter. Farmacologia. 3 ed., Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1997. [6] B. G. Katzung. Basic and Clinical Pharmacology. 7 ed., Appleton and Lange, Norwalk, 1998. [7] Artigos científicos relacionados ao tema.