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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES 
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” 
PROJETO A VEZ DO MESTRE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO 
INTEGRADO ENTRE ORIENTADOR 
EDUCACIONAL E OS DEMAIS 
INTEGRANTES DA EQUIPE TÉCNICO-
PEDAGÓGICA 
 
POR ROSANA CARVALHO BOLLER 
 
 
 
 
 
 
 
Orientadora 
Profª. Maria Esther de Araújo Oliveira 
 
 
 
 
 
 
NITERÓI 
2005 
 
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES 
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” 
PROJETO A VEZ DO MESTRE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO 
INTEGRADO ENTRE ORIENTADOR 
EDUCACIONAL E OS DEMAIS 
INTEGRANTES DA EQUIPE TÉCNICO-
PEDAGÓGICA 
 
 
 
Apresentação de monografia à Universidade 
Candido Mendes como condição prévia para a 
conclusão do Curso de Pós-Graduação “Lato 
Sensu” em Orientação Educacional. 
Por Rosana Carvalho Boller 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aos amigos e companheiros do curso, 
agradeço a todos pelo incentivo, pela 
força e pela amizade que me foram 
dedicados. 
 
À Simoninha, minha amiga, pela 
constante ajuda nas horas difíceis. 
 
Aos meus alunos, que tanto me 
ensinam. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DEDICATÓRIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico este trabalho aos meus pais, 
Pedro e Nancy que com seu carinho, 
incentivo, exemplo e amor, são 
responsáveis pelo que hoje sou. 
 
E aos meus filhos PE e Marcão, pelo 
prazer da convivência e por me 
proporcionarem alegrias nos momentos 
em que precisei de ânimo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“É melhor tentar e falhar, que preocupar-se em ver a vida 
passar. 
É melhor tentar, ainda que em vão, que sentar-se fazendo 
nada até o dia final. 
Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias tristes, em casa 
me esconder. 
Prefiro ser feliz, embora, louco, que em conformidade viver.” 
 
Martin Luther King 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
 
Esta monografia consiste numa análise sobre as diferentes funções 
exercidas pelo do orientador educacional, ao longo dos anos, sua atuação 
numa escola pública atual e a importância de haver um trabalho coletivo entre 
os integrantes da equipe técnico-pedagógica para auxiliar na construção de 
uma escola pública democrática, que trabalhe a favor dos alunos das classes 
populares, tendo como objetivo a formação da cidadania do aluno e a 
transformação social. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO................................................................................……………... 8 
 
I- O ORIENTADOR EDUCACIONAL E SUAS DIFERENTES FUNÇÕES……. 10 
 
II - O DESAFIO DE SER ORIENTADOR EDUCACIONAL NUMA ESCOLA 
PÚBLICA ATUAL…………………………………………………….......................16 
2.1 - Conhecendo a escola pesquisada……………………………..……. 16 
 2.2 -A função do Orientador Educacional segundo o regimento escolar.20 
 
III - O ORIENTADOR EDUCACIONAL E A INTEGRAÇÃO ESCOLA-
COMUNIDADE……………………………………………………………………..... 23 
 
IV - A UNIÃO FAZ A FORÇA: O QUE MUDA QUANDO O ORIENTADOR 
EDUCACIONAL E OS DEMAIS INTEGRANTES DA EQUIPE TÉCNICO-
PEDAGÓGICA TRABALHAM UNIDOS………………………………...……….... 32 
 
CONCLUSÃO..................................……………………………………………..... 36 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS………………………………....................... 39 
 
 
ANEXOS…………………..………………………………………………….……… 41 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Tendo em vista as mudanças ocorridas em nossa sociedade, se faz 
necessário investir num trabalho integrado no ambiente escolar, de forma a 
atender integralmente o educando, formando-o para o exercício pleno de sua 
cidadania. 
 
O trabalho integrado entre os elementos da equipe técnico-pedagógica 
de uma instituição de ensino facilita a gestão participativa, o planejamento 
pedagógico integrado, assim como a integração escola-família-comunidade. 
 
Ao refletir criticamente, sobre sua postura a orientação educacional 
necessita fortalecer uma parceria entre o ambiente escolar e o extra-escolar do 
aluno, apontando caminhos possíveis ao redimensionamento das relações 
pedagógicas em busca de um ensino de melhor qualidade. Para tal é preciso 
se aliar a supervisores, coordenadores e todos os profissionais da escola, para 
que, juntando forças, se resgatem a realidade onde o aluno está inserido, 
efetivando assim a relação escola-comunidade, para a partir daí criar propostas 
que construam e desenvolvam um novo projeto educacional. 
 
Acreditando ser esse o caminho que melhor contribui para a realização 
efetiva do trabalho do orientador educacional, esta monografia tem o objetivo de 
analisar como se dá o trabalho integrado entre o orientador educacional e os 
demais profissionais da equipe técnico-pedagógica, de uma escola pública 
municipal que atende de 1ª a 8ª série do ensino fundamental, no sentido de 
preparar o aluno para se tornar sujeito de sua história através do exercício de 
sua cidadania. 
 
Para aprofundar a compreensão do trabalho observado e analisado 
buscar-se-á interlocutores que instrumentalizem o desenvolvimento de um 
 
diálogo prático-teorico-prático. Recorrer-se-á à interlocução com os 
pensamentos de Regina Leite Garcia, Paulo Freire, Eny Maia, Nilda Alves, 
Mirian P. S. Zippin Grispun, entre outros, para realização de um trabalho 
descritivo, de base empírica, analisado a partir das interlocuções e de uma 
pesquisa documental. 
 
Com a presente monografia pretende-se contribuir para a reflexão de 
professores, orientadores e demais profissionais da escola, sobre a importância 
do trabalho integrado da equipe técnico-pedagógica para a construção de uma 
escola pública democrática, de boa qualidade e que a serviço das classes 
populares possa tornar-se um espaço efetivo de transformação social. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
I - O ORIENTADOR EDUCACIONAL E SUAS 
DIFERENTES FUNÇÕES 
 
“A Orientação Educacional, no nosso país, percorreu um longo 
caminho comprometido com a educação e com as ‘políticas’ 
vigentes. Todo o processo da Orientação manteve, sempre, 
estreita relação com as tendências pedagógicas, sendo o seu 
trabalho desenvolvido a partir do que dela se esperava nas 
diversas concepções. A análise desta relação engloba diferentes 
aspectos e significados da prática da Orientação e de suas 
dimensões no cenário educacional, configurado pelos princípios e 
propósitos daquelas concepções.” 
Mírian P. S.. Zippin Grinspun (2003: 11) 
 
 
 Desde que foi criada, na década de 20, pelo engenheiro suíço Roberto 
Mange a Orientação Educacional teve uma abordagem psicológica, 
individualizada, voltada para resolução de problemas, seleção e orientação 
profissional dos alunos. 
 
De acordo com Grinspun (op. cit.), quando seu enfoque era psicológico, 
a Orientação tinha seus objetivos muito claros, ao contrário, quando sua 
abordagem passou a ter enfoques sociológicos seus objetivos deixaram de ser 
claros. 
 
Este serviço, inspirado por modelos europeus e americanos, foi imposto 
às escolas, embasado num discurso liberal que entedia a escola como espaço 
de democratização e promoção social. 
 
A ideologia liberal entendia as desigualdades sociais como naturais, já 
que a desigualdade vinha dos indivíduos, que tendo aptidões diferentes eram 
responsáveis pelo próprio sucesso ou fracasso, esquecendo-se, assim, das 
influências do contexto histórico-social. 
 
 Segundo Grinspun (op.cit.), o histórico da Orientação Educacional 
divide-se em seis períodos: implementador, institucional, transformador, 
disciplinador, questionador e orientador. 
 
O Período Implementador foi da sua implementação ao ano de 1941 e, 
como já vimos anteriormente, era associado à orientação profissional e tinha 
ênfase nos trabalhos de seleção e escolha profissional. 
 
O Período Institucional vai da instituição da Lei Orgânica do Ensino 
Industrial de 1942 a 1960. Nesse período inicia-se uma exigência legal da 
Orientação nas escolas e surgem os cursos de formação para o orientador. 
 
Em 1945 criou-se na PUC de Campinas o primeiro curso de formação 
de Orientadores Educacionais, mas o número de Orientadores formados foi 
inferior a necessidade das escolas. 
 
O Período Transformador vai da implementação da primeira Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n.º 4024/61, até 1970. 
 
A LDB de 1961 divide a Orientação Educacional em duas modalidades: a 
do ensino primário e a do ensino médio. Além de se preocupar com o papel do 
Orientador Educacional a LDB também se preocupou com sua formação, que 
precisava ser bem psicologizada para que ele acreditasse na ideologia da 
igualdade e individualidade e servisse a classe dominante. 
 
A lei 5.564 de 1968 provê sobre o exercício da profissão do orientador 
educacional e confirma a função preventiva e sua linha psicológica. 
 
A década de 60 foi um marco na história do Brasil, período de crise 
econômica e instabilidade política. Os trabalhadores se organizavam e lutavam 
 
por melhores salários, a inflação subia, os empresários pressionavam para 
receber financiamentos. 
 
Neste contexto, a escola tinha um importante papel, pois se acreditava 
que a educação seria responsável pelo desenvolvimento do país, em 
contrapartida era exigido de seus profissionais uma prática de acordo com o 
sistema político vigente. 
 
O Período Disciplinador vai de 1970 a 1980. 
 
De acordo com Grinspun (op. cit.:19), nesse período, inspirado pelas 
teorias pedagógicas de Althusser, Bourdier, Passeron, uma nova leitura passa a 
ser feita e começa-se a compreender que o que acontece no contexto sócio 
cultural do aluno interfere em sua vida escolar. Então “começa-se a questionar 
o que faz esta escola e para que servem os serviços que estão sob sua 
responsabilidade”. Nesse ínterim surge a lei que obriga a profissionalização dos 
alunos do 2º grau. 
 
Com a industrialização coube escola preparar a mão-de-obra adequada 
e a Lei 5692/71 trouxe a obrigatoriedade da orientação e garantiu ao educando 
a formação para o trabalho, atendendo à economia nacional e à população 
carente que ao concluir o 2º grau já tinha uma profissão . 
 
Em 1973 surge o decreto que trata do exercício da profissão do 
orientador, a lei n.º 72.846, que em seu primeiro artigo diz: 
 
“Constitui o objeto da Orientação Educacional a assistência ao 
educando individualmente ou em grupo, no âmbito do ensino de 
1º e 2º graus, visando o desenvolvimento integral e harmonioso 
de sua personalidade; ordenando integrando os elementos que 
exercem influência em sua formação e preparando-o para o 
exercício das opções básicas.” 
 
 
 Grinspun afirma ainda que: 
 
“No final da década de 70 crescem as denúncias, grita-se contra 
a falta de compromisso da escola e de seus reais protagonistas. 
Tenta-se resgatar a importância da escolaridade para as 
estratégias de vida das camadas populares, chamando a atenção 
para a estrutura interna da escola como um dado significativo 
para o desempenho dos alunos. A Orientação estava dentro da 
escola e não se deu conta do seu papel.” (ibid.: 20) 
 
Em conseqüência disso, surgiu um novo período. 
 
O Período Questionador foi na década de 1980, nesse período muito 
se questionou a Orientação Educacional, tanto sua teoria, quanto a sua prática, 
o que trouxe grandes transformações para a escola e a orientação que passou 
a ter uma atuação mais aberta, dinâmica e política. 
 
Os estudos teóricos desta área passaram a ter uma dimensão mais 
crítica e consciente do contexto político e social em que se vivia e o orientador 
passou a desejar “trazer a realidade do aluno para dentro da escola e, portanto, 
começar a discutir suas práticas, seus valores, a questão do aluno trabalhador, 
enfim o seu ‘mundo lá fora’.” (Grinspun, 2003: 21) 
 
O Período Orientador iniciou-se em 1990, período este, de abordagem 
sociológica, quando o orientador passou a ser visto como colaborador do 
processo pedagógico, auxiliando a formação do aluno enquanto cidadão crítico 
capaz de participar conscientemente do mundo em que vive. 
 
Nesse período instituiu-se a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional, lei n.º 9394/96, que não é muito clara quanto à orientação 
educacional, mas percebe-se sua presença em vários artigos, como, por 
exemplo, nos artigos 36 e 39. 
 
Nos princípios da educação escolar, artigo 36, 4º parágrafo, percebe-se 
facilmente a presença da orientação educacional: 
 
“A preparação geral para o trabalho e, facultativamente, a 
habilitação profissional, poderão em educação profissional, ser 
desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou 
em cooperação com instituições especializadas.” 
 
Em seu artigo 64, a nova LDB coloca que o orientador educacional 
poderá se formar em nível superior ou em pós-graduação, de acordo com a 
instituição de ensino, mas garantindo uma formação de base comum nacional. 
 
Acredita-se, portanto, que a nova LDB contemplou a Orientação 
Educacional e sua relevância para a formação do aluno enquanto sujeito 
consciente, crítico e participante. 
 
Atualmente não cabe mais a Orientação trabalhar individualmente com 
alunos problemáticos e desajustados, cabe ao orientador uma atuação 
dialógica, crítica, contextualizada, coletiva, comprometida com o cotidiano da 
escola, dos alunos e de seus pares. Competindo a ele a realização de um 
trabalho que engloba aspectos pessoais, políticos e sociais do cidadão. 
 
 É importante que se tenha conhecimento sobre a história da Orientação 
Educacional no Brasil, para que se possa entender porque, ainda hoje, se tem 
uma visão inadequada de que o orientador educacional deve trabalhar com 
alunos problemáticos e indisciplinados para adequá-los a escola e a sociedade. 
Tudo por que consciente ou inconscientemente a orientação educacional 
sempre esteve a serviço de uma sociedade desigual, injusta e excludente. 
 
Apenas por tudo isso, há que se ressignificar o trabalho do orientador 
educacional nas escolas públicas atuais e o trabalho integrado entre o O. E. e 
 
os demais profissionais da equipe técnico-pedagógica da escola é um 
importante passo em direção a essa ressignificação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
II - O DESAFIO DE SER ORIENTADOR EDUCACIONAL 
NUMA ESCOLA PÚBLICA ATUAL 
 
 Para se conhecer como se dá o trabalho do Orientador Educacional na 
escola pesquisada, há que se conhecer primeiro a escola, seus projetos e seu 
regimento. 
 
2.1 - Conhecendo a escola pesquisada: 
 
 Esta pesquisa foi realizada em uma escola municipal de São Gonçalo, 
Estado do Rio de Janeiro. O prédio e os funcionários são da prefeitura, mas a 
maioria dos funcionários de apoio (auxiliares de serviços gerais, inspetores) é 
cooperativados, ou seja, são contratados pelo período do governo vigente. 
 
 A escola, que chamaremos A, é uma escola do Ensino Fundamental, 
situada na periferia urbana do município e atende a mais de mil alunos, sendogrande parte deles oriundos das classes populares, em sua maioria filhos de 
empregadas domésticas, pedreiros e biscateiros, a partir dos seis anos de 
idade. É dirigida por dois diretores (geral e adjunto), auxiliados por três 
dirigentes de turno, um coordenador pedagógico geral e coordenadores de 
área, dois orientadores educacionais e uma secretária, além dos professores e 
dos funcionários do apoio administrativo e operacional.1 
 
 Os diretores foram indicados pela Secretaria Municipal de Educação, 
mas o diretor geral já era professor da casa. A Equipe Pedagógica pressupõe-
se que seja escolhida pela direção, e essas escolhas parecem ter um 
componente político partidário, uns são escolhidos por competência, alguns por 
coleguismo e outros por falta de opção para o cargo. 
 
1 1 De acordo com o regimento escolar do município o apoio administrativo e operacional é formado por 
inspetor de disciplinas, auxiliar de serviços gerais, auxiliar de secretaria e manipulador de alimentos 
(merendeira). 
 
 A escola funciona em três turnos: 
 
1º turno de sete h. e 15 min. às 12 horas; 
2º turno de 13 h. às 17 h. e 50min.; 
3º turno das 18 h. às 22 h. e 30 min. 
 
Cada turno parece uma escola diferente e as características dos 
profissionais têm a cara de cada turno. Os profissionais do 1º turno são muito 
trabalhadores e pouco questionadores. Os profissionais do 2º turno são mais 
questionadores, mas trabalham um pouco menos, e os do turno da noite são 
indiferentes. 
 
Não há integração entre os turnos e a dificuldade de realização de 
projetos integrados é visível. Existe também uma rivalidade ente os turnos. 
 
A escola possui um grupo de professores questionadores, dispostos a 
trabalhar pela melhoria da escola e que buscam visivelmente contribuir com 
suas ações pedagógicas para o sucesso do processo ensino-aprendizagem. 
Como exemplo disso pode-se citar os projetos desenvolvidos pela 
escola. São eles: 
 
PROJETO “MÃOS DADAS” – (CLASSE DE REORIENTAÇÃO – 1º Ciclo do 1º 
Segmento e Educação de Jovens e Adultos) 
PÚBLICO ALVO: Alunos do 2º ciclo do 1º Segmento do Ensino Fundamental. 
OBJETIVO: Auxiliar os alunos a superar as dificuldades nos conteúdos que são 
pré-requisitos para a etapa em que estão inseridos e que, consequentemente, 
impedem seu desenvolvimento. 
 
PROJETO: “NOSSO ALUNO É UM SUCESSO” 
EQUIPE: Geografia 
PÚBLICO ALVO: Alunos do Ensino Fundamental 
 
OBJETIVO: Proporcionar ao educando uma compreensão de sua identidade 
enquanto cidadão e sua participação social, política e crítica. 
 
PROJETO “VOCÊ CIDADÃO” 
EQUIPE: Serviço de Orientação Educacional – 1º Turno. 
PÚBLICO ALVO: Alunos do Ensino Fundamental 
OBJETIVO: Reconhecer o direito a uma vida digna como direito de todos. 
 
PROJETO DE COMBATE A DENGUE 
EQUIPE: Ciências, Matemática e Artes 
PÚBLICO ALVO: Alunos do Ensino Fundamental 
OBJETIVO: Possibilitar o estabelecimento de relações entre diferentes 
conteúdos, transformando as informações em conhecimento, através de uma 
problemática social e ambiental. 
 
PROJETO CULTURAL “O SABOR DA ARTE” 
EQUIPE: Educação Artística, Português e História 
PÚBLICO ALVO: Alunos do Ensino Fundamental 
OBJETIVO: Promover a socialização e o exercício da cidadania nas várias 
manifestações artísticas no espaço escolar. 
 
PROJETO INTERLER 
EQUIPE: Sala de Leitura 
PUBLICO ALVO: Alunos do Ensino Fundamental 
OBJETIVO: Valorizar a leitura, inserindo-a no dia-a-dia, possibilitando, através 
do contato com os textos apresentados, o autoconhecimento, o reconhecimento 
dos limites, desejos, fontes de prazer, resistência às frustrações impostas pela 
vida, lidar com os problemas que distanciam os objetivos do potencial a ser 
desenvolvido, trazendo um mundo imaginário para um mundo real. 
 
 
 
FESTIVAL DE MÚSICA HISTÓRICA 
EQUIPE: História e Educação Artística. 
PÚBLICO ALVO: Alunos do 2º Segmento do Ensino Fundamental 
OBJETIVO: Contribuir para que o aluno desenvolva a visão analítica, crítica e o 
espírito social e político participativo, sendo capaz de avaliar a sua possibilidade 
de participação no contexto histórico em que se insere. 
 
PROJETO RITMO É MOVIMENTO 
EQUIPE: Educação Artística, Educação Física e Inglês 
PÚBLICO ALVO: Alunos do 2º Segmento do Ensino Fundamental. 
OBJETIVO: Compreender e utilizar de forma criativa o código lingüístico, 
utilizando o movimento corporal, o ritmo, as cores e a música de forma 
integrada. 
 
PROJETO OLIMPÍADA MATEMÁTICA 
EQUIPE: Matemática 
PÚBLICO ALVO: Alunos do 2º Segmento do Ensino Fundamental. 
OBJETIVO: Desenvolver a concentração e o raciocínio através de atividades 
lúdicas integrando os conteúdos disciplinares. 
 
Apesar dos projetos supracitados, as ações escolares são práticas assistências, 
assim sendo, não existe um planejamento efetivo e contínuo. O Regimento 
Interno não foi estudado ou divulgado para o grupo, o Projeto Político 
Pedagógico ainda não está definido, o que oportuniza à ocorrência de atitudes 
arbitrárias e não há nenhuma participação da escola como um todo. 
 
 
 
 
 
2.2 - A função do Orientador Educacional segundo o regimento 
escolar 
 
 O Regimento Escolar é o documento legal da Secretaria Municipal de 
Educação que define as estruturas pedagógicas, administrativas e disciplinares 
das escolas públicas municipais. Segundo ele, em seu 33º artigo, são 
competências do Orientador Educacional: 
 
“I – Elaborar anualmente um plano de ação, discutindo-o com os 
professores e direção da Unidade Escolar; 
II – Atuar de forma integrada com a direção e a coordenação 
pedagógica em todas as atividades docentes e discentes, a fim de 
manter a unidade da filosofia educacional que perpassa a vida da 
escola; 
III – Participar da elaboração do projeto político-pedagógico da 
escola, contribuindo para o aperfeiçoamento do trabalho 
realizado pela escola; 
IV – Planejar e coordenar o processo de sondagem de interesses, 
aptidões e habilidades, visando despertar no educando a 
compreensão do mundo social e produtivo; 
V – Acompanhar o desenvolvimento do aluno no processo 
ensino-aprendizagem, visando enriquecer suas relações pessoais, 
com o meio ambiente e com a produção cultural, de forma a 
contribuir com a construção de sua cidadania; 
VI – Investigar e analisar a realidade vivificada pelo educando 
em comunidade, para que os profissionais da escola possam 
entender as circunstâncias que condicionam o comportamento do 
aluno, elaborando e executando projetos semestrais; 
VII – Atender individualmente aos alunos através de entrevistas, 
sistematizando o processo de acompanhamento, orientando-os e 
encaminhando-os a outros especialistas, segundo suas 
características e necessidades pessoais; 
VIII – Participar da organização das turmas; 
IX – Participar de forma atuante das reuniões do conselho 
escolar e do conselho de classe; 
X – Convocar e atender aos pais e responsáveis, sempre que 
necessário, visando à integração família / escola; 
XI – Estimular e promover iniciativas de participação e 
democratização das relações na escola; 
XII – Participar das reuniões pedagógicas.”. 
 
 
 Assim como o espaço escolar o Regimento traz algumas contradições, 
apesar de apontar para uma Orientação Educacional mais política, participativa 
e coletiva, reza que O.E. deve elaborar o seu Plano de Ação e discuti-lo no 
coletivo, mas este deve conter as suas ações, quando o ideal seria se pensar 
um plano de ação para toda a equipe. 
 
 A despeito do que diz o Regimento Escolar, na prática, ainda se percebe 
uma visão de que o orientador deve trabalhar com alunosproblemas, 
individualmente, buscando caminhos para melhor adaptá-lo a escola. 
 
 Sempre que há algum problema, alguma briga ou desacato mais grave 
ao professor, é ao orientador que se recorre para conversar com o aluno, seus 
responsáveis e solucionar a questão. 
 
 O trabalho desse profissional é de suma importância, enquanto 
articulador de reflexões que busquem caminhos para a superação das 
dificuldades. Não cabe a ele a ingenuidade de achar que sozinho dará conta de 
resolver todos os problemas, pois a escola é um espaço de construção coletiva. 
 
 E a construção é coletiva no sentido pleno da palavra. O coletivo escolar 
abrange todos que nela transitam: professores, alunos, diretores, orientadores, 
coordenadores, pais, merendeiras, vigias e etc. E as decisões devem ser 
tomadas com a participação de todos, que juntos devem procurar as respostas 
às necessidades do cotidiano escolar. 
 
 No cotidiano da escola pesquisada, a coletividade já é comprometida, 
pois é muito difícil a realização de reuniões onde estejam todos os integrantes 
da equipe técnico-pedagógica, pois os profissionais têm horários diversificados 
e raramente se encontram. 
 Há uma certa integração dos profissionais que trabalham no mesmo 
turno, mas não entre toda a escola. 
 
 
 É necessário repensar a escola, afim de torná-la mais democrática, pois 
é nela que devemos vivenciar a força do coletivo, desde a Educação Infantil. A 
escola tem a obrigação de mostrar ao aluno que ele precisa mudar a sociedade 
para melhor, tornando-o um cidadão consciente de seus direitos e deveres. 
 
 Para corroborar a necessidade de democratização da escola pode-se 
recorrer a fala da professora Regina Leite Garcia, na Aula Magna de Abertura 
do ano letivo de 2004, promovida pela Fundação Municipal de Educação de 
Niterói, no Clube Canto do Rio em 3 de fevereiro: 
 
 “– A escola sintonizada com um projeto de sociedade 
democrática, com a democratização social é aquela que busca a 
transformação da sociedade, a reformulação da sociedade. E não 
tem revolução sem que a escola dê sua contribuição, o 
conhecimento é indispensável para se reformular a sociedade e é 
lá, na escola, que isto se dá.” 
 
 É preciso, e até urgente, que se tenha na escola um orientador 
educacional comprometido com a escola pública brasileira, que busque, junto a 
seus pares, formas de tornar a escola mais digna, com um ensino de boa 
qualidade, que seja contrária a sociedade excludente e que busque a 
superação do fracasso escolar. 
 
 É necessário pensar e repensar a escola afim de torná-la mais 
democrática e para tal a comunidade deve participar da vida escolar. É 
obrigação social da escola acolher a comunidade. 
 
 E na escola pesquisada, será que existe algum trabalho que promova a 
integração escola-comunidade? 
 
 
 
 
 
III - O ORIENTADOR EDUCACIONAL E A INTEGRAÇÃO 
ESCOLA-COMUNIDADE 
 
“…trazer os pais à escola constitui uma das atividades do 
orientador. Ele faz com que eles participem do projeto dela de 
diferentes formas, desde o planejamento do projeto pedagógico 
até as decisões que a escola deve tomar.” 
 (Grinspun, 2001: 109) 
 
 
 É comum se ouvir professores reclamando pela falta de participação dos 
pais na vida escolar de seus filhos, mas será que a escola está realmente 
aberta a participação efetiva dos pais? Que tipo de participação é esta, que os 
professores reclamam? 
 
Na escola pesquisada os professores costumam reclamar que os pais 
não vão as reuniões bimestrais, não auxiliam seus filhos nos exercícios e 
trabalhos de casa e não costumam comparecer a escola quando são 
convocados. 
 
Mas apenas este tipo de participação não garante a construção de uma 
escola democrática, é preciso que a comunidade participe das discussões, das 
tomadas de decisão e do planejamento. Mas tal participação é impedida, pois a 
comunidade , de modo geral, é vista de forma negativa pelos que trabalham na 
escola, para eles a comunidade é carente economicamente, culturalmente e 
afetivamente. Como podemos perceber a partir de depoimentos de professores, 
da direção e dos demais funcionários, obtidos através de conversas informais: 
 
“_ Devido à baixa escolaridade dos pais, eles não dão 
importância à vida escolar dos filhos. 
 
 
_ Esses pais não cobram que os filhos tenham um 
comportamento adequado na escola, muito pelo contrário, tem 
uns que ainda ensinam os filhos a desrespeitar a gente. 
 
_ Às vezes a gente chama um responsável por mau 
comportamento do aluno e quando ele chega aqui é pior do que 
o aluno. Tem pai que ainda ameaça nos processar”. 
 
 
Os alunos também são visto da mesma forma, acometidos pelas 
mesmas carências, com o agravante de ainda serem vistos como 
desinteressados, bagunceiros e agressivos. 
 
Essa visão interfere efetivamente na relação escola-comunidade, pois os 
sujeitos da escola acabam tendo uma postura paternalista, de imposição ou de 
quem tem a obrigação de aturar o outro. É como se devido à condição sócio-
econômica e cultural tornasse as pessoas incapazes de exercer plenamente 
sua cidadania. 
 
Para a verdadeira participação da escola é necessário haver a 
democratização dos processos pedagógicos. Ou seja, os agentes 
educacionais, pais, alunos e comunidade devem ser incentivados a participar 
das decisões relativas aos conteúdos e à metodologia, pois o saber da 
comunidade tem sua parcela de contribuição na fundamentação da construção 
do projeto político-pedagógico verdadeiro, que atenda às necessidades daquela 
realidade. 
 
Um dos poucos momentos em que a escola se abre a comunidade são 
as reuniões de pais. Mas essas reuniões que poderiam constituir-se em 
momentos de diálogo, trocas e decisões conjuntas são tornadas, simplesmente 
em momentos de se reclamar dos alunos, e o que é pior, na maioria das vezes 
quem ouvem são os pais cujos filhos nem problema dão. Não é difícil ouvirmos 
dos professores nas reuniões: 
 
 
“- Infelizmente os pais que precisavam ouvir isso não estão 
aqui…” 
 
É raro, numa reunião de pais, haver um elogio a algum aluno, na maioria 
das vezes o que se faz é falar mal dos alunos e das turmas, que segundo os 
professores: 
 
“- São bagunceiros e desinteressados. 
- Não fazem os deveres de casa. 
- Precisam ser mais responsáveis e estudar mais.” 
 
E os pais cujos filhos não se enquadram nos rótulos acima, ou pensam 
que eles também são assim ou precisam ousar perguntar: 
 
 “- E o meu filho, como é? – ou – Meu filho também é assim?”: 
 
 A visão depreciativa que a escola tem da comunidade acaba fazendo 
com que as pessoas se sintam diminuídas ou que percebam o preconceito, no 
entanto por um caminho ou por outro a comunidade acaba se afastando da 
escola. E se isso acontece, é sinal de que o orientador educacional está 
falhando, já que segundo Grinspun: 
 
“O orientador educacional deve procurar se envolver com a 
comunidade, resgatando sua realidade sócio-econômica e 
cultural como meio de contribuir para a adequação curricular, 
tendo em vista a transformação da escola e da sociedade. A 
organização da escola deve contemplar, através de seu próprio 
espaço físico, os interesses e necessidades da comunidade, 
fazendo que ela seja participante do projeto político-pedagógico 
que deseja desenvolver. A Orientação deve trabalhar com um 
planejamento participativo, sempre voltado para uma concepção 
crítica. Um diálogo entre as comunidades das disciplinas teóricas 
e das disciplinas práticas permitirá a busca dessa concepção 
crítica.” (Grinspun, 2001: 109) 
 
 
 
 Para que haja uma participação coletiva efetiva é precisoque todos 
participem do planejamento à tomada de decisões, mas a escola não permite 
essa participação, a participação é permitida apenas na realização de eventos, 
como, por exemplo, nas festas escolares, o que demonstra a falta de um 
planejamento que incorpore os pais, e a comunidade a rotina da escola. 
 
A escola precisa convidar a comunidade a participar do seu cotidiano, 
mas ao contrário, o que se tem é uma escola gradeada e de portões fechados 
aos que pertence. 
 
O discurso é de que é necessário e até importante a participação dos 
pais ou da comunidade de modo geral, na escola, mas historicamente a 
participação das classes populares em qualquer setor da sociedade é mínima. 
A escola, por sua vez, enquanto integrante dessa sociedade, acaba reforçando 
essa exclusão, quando não se abre a participação efetiva dos pais. 
 
Conformados com esta não participação nas decisões sociais é natural 
que os pais se tornem distantes e se sintam incapazes de opinar na construção 
e desenvolvimento de um projeto educacional. 
 
Mas as classes populares possuem um conhecimento construído 
historicamente que precisa ser valorizado. A escola precisa valorizar o saber 
popular enquanto um saber que está no mundo, um saber legítimo que contribui 
para a formação da herança cultural. 
 
A participação da comunidade no trabalho desenvolvido na escola faz 
com que haja a descentralização do poder na escola, além de promover a 
socialização do conhecimento e da garantia do direito de todos à participação. 
Para que o projeto político-pedagógico tenha um desenvolvimento significativo 
é preciso a participação da comunidade na instituição escolar, pode-se inclusive 
 
dizer que se não há a participação da comunidade na escola essa escola não 
possui um projeto político-pedagógico, ou se o tem, não é um projeto 
comprometido com uma educação pública popular, democrática e de boa 
qualidade. 
 A escola precisa descer do pedestal no qual tem se mantido e abrir 
espaço para uma democratização nas relações escolares de modo que propicie 
a participação coletiva da comunidade na qual está inserida e da comunidade 
escolar de modo geral, a fim de darem as diretrizes do trabalho que se 
pretende realizar. 
 
A construção de uma escola democrática é necessária e até urgente. A 
grande dificuldade desta democracia está na maneira de ver a sociedade e 
suas classes. Muitas vezes, a comunidade escolar não tem consciência do 
valor da união. Pais, alunos e funcionários não se percebem como 
pertencentes a um mesmo grupo, que pode favorecer o seu sucesso ou seu 
fracasso, e que, de uma maneira ou de outra, arcará com as conseqüências de 
seus atos ou omissões. 
 
Escola e comunidade têm interesses comuns: o desenvolvimento do 
aluno. No entanto, temos uma sociedade que impede o pleno desenvolvimento 
humano, por isso, escola e comunidade precisam estar unidas para lutarem 
contra a sociedade excludente que está posta. 
 
 O momento histórico atual é de muitas mudanças e contradições que 
impõe muitos desafios. Por isso a escola necessária às crianças das classes 
populares é uma escola que se baseia no criticismo e no não conformismo, 
contribuindo para a superação da alienação. Para que se possa educar na 
contramão da exploração social, deve-se trabalhar de forma contextualizada 
com a realidade social para que o aluno possa refletir e transformar o meio em 
que vive. Para que isso ocorra à escola deve estar comprometida com a 
 
formação moral do educando, formando-o para respeitar as idéias dos outros e 
capacitando-o para dialogar e cooperar. 
 
Nessa escola, as diferenças devem ser percebidas como algo positivo 
que desenvolve, através do diálogo, a compreensão do outro e a solidariedade 
na produção do saber, a diferença representa um desafio à convivência, pois 
através do confronto de hipóteses se produz o saber e possibilita-se a 
transformação social. 
 
Repensar a escola que temos é o início da construção da escola que 
queremos. A clareza da função social da escola e do sujeito que se pretende 
formar é fundamental para realizar uma prática pedagógica competente e 
comprometida socialmente com os interesses das classes trabalhadoras. A 
escola que queremos deve oferecer, a todos, condições de exercer plenamente 
a cidadania, através de uma educação de boa qualidade, educação essa que 
deve preparar para valorizar os diferentes tipos de conhecimentos , que juntos 
constróem o mundo e reinventam a vida. 
 
Educar para a cidadania é dar condições para que cada um contribua na 
comunidade com o que sabe e fazer da diversidade, a unidade, é desenvolver 
a competência das boas relações onde a ética, o senso comum, a tolerância, o 
perdão, a solidariedade são valorizados e vivenciados no cotidiano 
 
O orientador educacional da escola que se almeja é um colaborador, 
articulador de discussões e ações entre toda comunidade escolar, que busque 
junto a seus pares promover um trabalho coletivo e criar condições dos 
educadores reverem a sua atuação. 
 
A escola, atualmente, encontra muitos desafios a serem superados, 
como a repetência, evasão escolar , entre outros. Para trabalhar com crianças 
oriundas das classes populares é preciso que o orientador educacional se 
 
prepare para enfrentar tudo o que pode estar associado a ela, como violência, 
pobreza, desorganização familiar, desemprego, bebida, roubo, droga, 
prostituição, deficiência mental, desinteresses etc. Lembrando-se sempre que 
essas crianças e seus familiares depositam na escola toda esperança de um 
futuro melhor. 
A repetência, junto à pobreza é uma das maiores causas da evasão 
escolar. E apesar de ser sinalizadora da ineficiência do sistema escolar, ela é 
vista pela comunidade escolar como algo natural, que faz parte do processo 
educativo. Cabe ao orientador educacional promover junto aos alunos, pais e 
professores debates e reflexões a fim de desmistificar essa naturalização da 
repetência. 
 
O maior índice de repetência está nas primeiras séries do ensino 
fundamental e está relacionada à ineficácia no processo de alfabetização e a 
falta de trabalhos que desenvolvam a auto-estima e autoconfiança do aluno. 
 
A repetência só reforça nos alunos e familiares, das classes populares, a 
idéia de que são incapazes de aprender, gerando as piores expectativas para o 
futuro, além de tudo ainda representa um grande desperdício financeiro. 
 
Na verdade, quem fracassa é a escola, que não consegue exercer 
efetivamente uma ação educativa de respeito e acompanhamento do 
desenvolvimento dos alunos e ao contrário os rotula como diferentes, inferiores 
e incapazes. 
 
Para reverter o quadro de repetência e evasão é preciso se repensar e 
reestruturar a maneira como a escola avalia , aprendendo a lidar com as 
diferenças individuais. 
 
Para que essa transformação ocorra, a escola precisa de uma equipe 
técnico-pedagógica que tenha como objetivo a construção de um projeto 
 
pedagógico mais justo e coerente com as classes populares, pessoas que 
garantam espaços para as discussões coletivas entre todos os envolvidos com 
o processo ensino-aprendizagem: pais, alunos, professores, funcionários, 
conselho escolar, direção, e demais interessados no trabalho da escola. 
Projeto este que aponte na direção da construção do conhecimento por parte 
dos alunos, fazendo com que estes se debrucem sobre a realidade, tentando 
entendê-la. 
 
Na escola, que se quer humanizante, precisa-se de orientadores 
educacionais e supervisores e coordenadores que invistam na articulação de 
todo o processo pedagógico, que mobilizem os diferentessaberes existentes na 
escola e fora dela e que possibilitem momentos de reflexão sobre as práticas 
cotidianas, como ponto de partida para possíveis alternativas de mudanças. 
 
Trabalhar com o coletivo não é uma tarefa fácil, já que muitas são as 
diferenças encontradas entre os membros deste coletivo. Porém só o 
engajamento do grupo com o projeto político-pedagógico e a consciência de 
sua contribuição para a transformação e crescimento do sistema educacional 
brasileiro, farão com que resultados sejam alcançados. Por isso, a relação 
escola-família-comunidade se faz necessária, e até urgente, para que haja a 
construção coletiva do trabalho a ser desenvolvido. Todos precisam sem 
mobilizados para a discussão política da prática pedagógica. 
 
Os homens precisam se unir para transformar o mundo. Neste sentido 
não pode haver no grupo, um que domina, mas sujeitos iguais que lutam por 
ideais comuns, que ouvem e são ouvidos, direcionando todo o trabalho para o 
aluno que aprende. 
 
Na busca por essa transformação, o orientador educacional precisa estar 
engajado junto a todo o coletivo da escola, pois desempenha um papel 
significativo na transformação da instituição escolar, a começar pela 
 
participação no processo pedagógico, procurando desvelar o currículo oculto, 
além de compreender o sentido político de tudo o que acontece na escola. 
Entre tantas atribuições, cabe ao orientador educacional promover a 
participação do povo na sociedade em que está inserido, para que possa 
buscar uma sociedade mais justa e igualitária. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IV - A UNIÃO FAZ A FORÇA: O QUE MUDA QUANDO O 
ORIENTADOR EDUCACIONAL E OS DEMAIS 
INTEGRANTES DA EQUIPE TÉCNICO-PEDAGÓGICA 
TRABALHAM UNIDOS 
 
Como explicitado nos capítulos anteriores, na escola pesquisada não há 
um trabalho integrado entre o orientador educacional e os demais profissionais 
da equipe técnico-pedagógica, o que existem são propostas de trabalho 
individuais que são, no máximo, compartilhadas com os integrantes do mesmo 
turno. 
 
O trabalho isolado de cada profissional, com suas ações individuais, 
desvinculadas da escola como um todo, compromete a construção de um 
espaço democrático na escola. A organização do Projeto Político Pedagógico 
da escola é um exemplo de como a falta de ações coletivas compromete a 
democratização da escola, pois o mesmo acabou sendo preparado por duas 
profissionais que apenas recolheram as sugestões do grupo e redigiram o 
documento. 
 
É preciso que haja na escola a construção de um coletivo, é preciso que 
os profissionais se mobilizem através de reuniões onde hajam discussões, 
trocas, onde busquem um suporte teórico que os ajude a superar as 
dificuldades encontradas no cotidiano escolar. Como nos Lembra Garcia (1997: 
173) “mudanças coletivas só podem se dar no coletivo. E o espaço do coletivo 
na escola são as reuniões pedagógicas.” 
 
 
Com o trabalho integrado, a equipe técnico-pedagógica da escola pode 
formar na escola um clima favorável às discussões coletivas, que devem 
priorizar a melhoria da qualidade do trabalho pedagógico. 
É preciso que se construa no coletivo um novo projeto pedagógico para a 
escola, para que mudanças importantes possam acontecer. Não se pode 
esperar que a mudança comece de cima e venha para a escola em forma de 
receitas prontas a serem reproduzidas, como se isso fosse possível. 
 
Para tornar a escola a favor da classe trabalhadora é preciso que se 
discuta todos os processos discriminatórios - como por exemplo, fila, 
reprovação, evasão, divisão de turmas, etc. – para que se busque alternativas 
mais democráticas para a educação. 
 
Na construção desse coletivo o orientador educacional tem uma grande 
responsabilidade, pois como articulador deve apoiar a todos e inseri-los nesse 
coletivo, promovendo um clima de confiança, tornando as reuniões em 
momentos de renovação de esperanças e busca de objetivos comuns. 
 
Cabe a ele estimular a participação dos alunos, de maneira crítica, em 
todo processo pedagógico, do planejamento a avaliação, além de favorecer a 
organização do grêmio estudantil como forma de participação política no 
espaço escolar. 
 
O orientador educacional deve colaborar com a direção, coordenação e 
supervisão nas tomadas de decisão, nas organizações de turmas e na 
reorientação curricular da escola. 
 
Junto aos professores deve colaborar e participar das reflexões sobre o 
trabalho pedagógico, ajudando-os, se necessário, a ressignificá-la. 
 
 
Como profissional das relações, deve valorizar o trabalho de todos os 
profissionais, trazer os pais e a comunidade a participar da vida escolar, além 
de agregar a realidade local ao contexto escolar. 
 Dizer que tudo isso cabe ao orientador educacional pode parecer 
sobrecarregá-lo de responsabilidades, mas ele não é o único responsável, é 
preciso que haja um esforço conjunto em prol da educação. 
 
Como nos lembra Grinspun: 
 
 “Especialistas poderão contribuir para um novo momento da 
escola, das Instituições agindo, coletivamente em prol de uma 
transformação desejada.” (2003: 92) 
 
 
 A formação psicopedagógica, política e social, a experiência e o 
comprometimento do orientador educacional, favorecem a sua busca por 
parcerias e um melhor rendimento do seu trabalho. 
 
“A orientação educacional deve ser vista como a área que pode 
caminhar junto com todos que buscam uma educação de melhor 
qualidade e, se possível, numa dimensão mais ampla de um 
mundo melhor.” (Grinspun op. cit.: 93) 
 
 O trabalho da orientação deve estar atrelado ao dos demais profissionais 
da equipe técnico-pedagógica da escola, pois a prática coletiva leva ao 
desenvolvimento articulado do projeto político pedagógico, além de enriquecer 
o ensino e aproximar a escola da comunidade. 
 
 Sabe-se que a escola não transforma a sociedade, mas sem ela a 
transformação não se dá. Educar envolve acertar e errar. E nenhum orientador 
tem a receita infalível para transformar a educação, mas pode com sua humilde 
ação e reflexão, unida as ações e reflexões dos demais profissionais da escola 
ajudar a transformar a escola. Como nos lembra Freire: 
 
 
“A mudança do mundo implica a dialetização entre a denúncia 
da situação desumanizante e o anúncio de sua superação, no 
fundo, o nosso sonho. 
É a partir deste saber fundamental: mudar é difícil mas é 
possível , que vamos programar nossa ação político-pedagógica, 
não importa se o projeto como o qual nos comprometemos é de 
alfabetização de adultos ou de crianças, se de ação sanitária, se 
de evangelização, se de formação de mão-de-obra técnica.” 
(FREIRE, 1996: 88) 
 
 O grande desafio da educação atual é repensá-la e transformá-la 
enquanto ela se dá, de acordo com a demanda dos seus alunos e da 
sociedade, criando formas de educar e ensinar coerentes com o momento 
histórico que vivemos, pois só assim será possível a transformação. 
 
 É preciso, e até urgente, que a escola pesquisada reestruture a sua 
organização, buscando integrar melhor seus funcionários, através de reuniões 
que se desdobrem em momentos de reflexão sobre a prática e sobre o contexto 
escolar, construindo na escola um coletivo político e socialmente comprometido 
com uma educação a favor dos alunos e alunas das classes trabalhadoras. 
 
 Um coletivo que tenha a ética como alicerce, que valorize e respeite 
todos os profissionais em sua especificidade, que busque unido melhorias tanto 
das condições de trabalho, quanto do processo ensino-aprendizagem, ou seja,um coletivo que torne a escola includente e comprometida com o sucesso dos 
alunos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONCLUSÃO 
 
O estudo desenvolvido nesta monografia buscou analisar como se dá o 
trabalho do orientador educacional e dos demais integrantes da equipe técnico-
pedagógica em uma escola pública municipal. 
 
A partir da observação pôde-se perceber que na escola pesquisada não 
ocorre um trabalho integrado, o que compromete a democracia vivenciada no 
espaço escolar, pois se os funcionários não são unidos em um objetivo comum, 
não podem integrar a comunidade, a família e os alunos a vida escolar. 
 
Investigando a escola observou-se que nem a construção do projeto 
político pedagógico da escola constituiu-se num momento de reflexão, já que 
não se deu coletivamente. 
 
A união da equipe técnico-pedagógica da escola facilita a gestão 
democrática, o planejamento pedagógico, e a integração escola-família-
comunidade. 
 
Atualmente não espera-se mais que o orientador educacional trabalhe 
individualmente, cabe a ele uma atuação dialógica, crítica, contextualizada, 
coletiva, comprometida com o cotidiano da escola, dos alunos e de seus pares. 
Sendo seu trabalho de suma importância, enquanto articulador de reflexões que 
busquem caminhos para a superação das dificuldades. 
 
 O coletivo escolar engloba todos que nela transitam: professores, alunos, 
diretores, orientadores, coordenadores, pais, merendeiras, vigias e etc. E as 
decisões devem ser tomadas com a participação de todos, que unidos devem 
buscar soluções para os problemas que a escola enfrenta. 
 
No momento histórico atual é fundamental a ação conjunta e o esforço 
coletivo de todos os profissionais que atuam na escola, para que busquem 
ações que contribuam para evitar a exclusão e humanizem as relações. 
 
Sempre haverá exclusão em uma sociedade com estruturas econômicas, 
políticas, sociais e culturais injustas e desiguais, mas planejando de acordo com 
as especificidades das crianças das classes populares, para que se possa 
desenvolver nelas habilidades e competências que lhes são necessárias para a 
resolução dos problemas cotidianos, as preparando para buscar novos 
conhecimentos e principalmente revendo a maneira como a escola avalia e 
classifica os alunos, podemos tornar a escola includente e a favor das crianças 
que dela necessitam. 
 
 É necessário repensar a escola, afim de torná-la mais democrática, pois 
é nela que se deve vivenciar a força do coletivo. A escola tem a obrigação de 
mostrar a todos que fazem parte do seu cotidiano que é preciso mudar a 
sociedade para melhor, tornando-os cidadãos conscientes de seus direitos e 
deveres. 
 
 É preciso, e até urgente, que se tenha na escola um orientador 
educacional comprometido com a escola pública brasileira, que busque, junto a 
seus pares, formas de tornar a escola mais digna, com um ensino de boa 
qualidade, que seja contrária a sociedade excludente e que busque a 
superação do fracasso escolar. 
 
A participação de todos no trabalho desenvolvido na escola oportuniza a 
descentralização do poder e promove a socialização do conhecimento e da 
garantia do direito de todos à participação. 
 
Para que essa transformação ocorra, a escola precisa de uma equipe 
técnico-pedagógica que tenha como objetivo a construção de um projeto 
 
pedagógico mais democrático, ético, justo e coerente com as classes 
populares, pessoas que garantam espaços para as discussões coletivas. 
 
É certo que a escola não transforma a sociedade, mas possibilita a 
transformação quando trabalha unida, tendo como objetivo a formação 
pedagógica, política e social do aluno, enquanto cidadão consciente, crítico e 
participativo. 
 
Que seja essa a utopia da escola pública atual!!! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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