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Apostila de Direito de Família   Parte II   54 páginas

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pode subsistir. Nitidamente, tal ato de liberalidade 
configura doação, sendo vedado doar todos os bens sem reserva de parte deles, ou renda 
suficiente a garantir a subsistência do doador (CC 548). 
 
Não há determinação de que o contrato seja averbado no registro civil ou no registro 
imobiliário, fato que pode prejudicar tanto o companheiro, como os filhos e terceiros. De 
qualquer forma, o registro no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (LRP 127 VII) 
serve para conservar o documento. O registro torna público o conhecimento do seu conteúdo, 
mas sem eficácia erga omnes, no sentido de ser oponível a união estável contra terceiros. 
Claro que a lei registral, que é do ano de 1973, e que ninguém se preocupou em atualizar, não 
poderia determinar a inscrição do contrato de convivência, previsto em lei que data de 1996. 
Mas a necessidade do registro é evidente para resguardar direitos de terceiros. Determinado o 
registro do pacto antenupcial (CC 1.657), cuja averbação se dá no Registro de Imóveis (LRP 
167, II, 1), não é necessário grande esforço para reconhecer que o contrato de convivência, 
que traz disposição sobre bens imóveis, também deve ser averbado, para gerar efeitos 
publicísticos. É preciso preservar a fé pública de que gozam os registros imobiliários, bem 
como a boa-fé dos terceiros que precisam saber da existência da união. 
Profª Maria Cremilda Silva Fernandes 
Especialista em Direito Privado 
 
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8. Os direitos e deveres entre companheiros 
 
Quantos aos direitos e deveres entre companheiros, vale lembrar que o art. 2º da Lei n. 
9.278, de 1996, já os contemplava. Assim, o NCC os reiterou no artigo 1.724, estatuindo que 
as relações pessoais entre os companheiros deverão obedecer aos deveres de lealdade, 
respeito e assistência, guarda, sustento e educação dos filhos. 
 
Relativamente aos filhos havidos ente os conviventes ou por estes adotados, importa 
destacar que estes estarão sujeitos ao poder familiar. Tal poder, a teor do art. 1.631, deverá 
ser exercido, em igualdade de condições, por ambos os conviventes. Apenas diante da falta ou 
do impedimento de um deles é que poderá o outro exercê-lo com exclusividade. 
 
 
9. Casamento e união estável 
 
A união estável difere do casamento, fundamentalmente, pela inexistência da adoção da 
forma solene exigida por lei para que as pessoas de sexos diversos sejam consideradas 
civilmente casadas. 
 
Lembrando que a união estável possui o requisito da inexistência de impedimento 
matrimonial, convém afirmar que os conviventes podem ter os seguintes estados civis: 
 
a) ambos os conviventes são solteiros; 
b) um dos conviventes é solteiro e o outro, viúvo; 
c) ambos os conviventes são viúvos; 
d) ambos os conviventes são divorciados; 
e) um dos conviventes é viúvo e o outro, divorciado. 
 
Não se caracteriza a união estável, porém o simples concubinato, que não se considera 
entidade familiar, para os fins de proteção legal, se: 
 
a) um convivente se encontra formalmente casado com outra pessoa, pois se trata do 
caso de concubinato adulterino; 
b) um convivente se encontra separado de fato de outra pessoa, pois subsiste o vínculo 
matrimonial, configurando-se o concubinato adulterino. 
 
Entretanto, caracteriza-se a união estável se um convivente se encontra separado 
judicialmente de outra pessoa, ante a continuidade do vínculo matrimonial, em que pese a 
dissolução da sociedade conjugal. 
 
Além disso, pondera Álvaro Villaça que, com a separação de fato, desaparece a afeição 
entre os cônjuges (affectio maritalis), indispensável à estruturação da família, de fato ou de 
direito. 
 
Conseqüentemente, o período da separação de fato que antecede à separação judicial ou 
ao divórcio do convivente impedido para a celebração de casamento, entretanto, deve ser 
considerado para a contagem de tempo hábil à caracterização da união estável. 
 
 
10. Facilitação da conversão em casamento 
Profª Maria Cremilda Silva Fernandes 
Especialista em Direito Privado 
 
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Aos conviventes é garantida constitucionalmente a facilitação da conversão da união 
estável em casamento. 
 
A conversão da união estável em casamento poderá ser feita, a qualquer tempo, mediante 
requerimento feito perante o juiz e assento no registro civil. 
 
Vejamos o que reza o art. 1.726: 
Art. 1.726. A união estável poderá converter-se em casamento, mediante pedido 
dos companheiros ao juiz e assento no Registro Civil. 
Para que suceda a conversão, torna-se necessário, no entanto, o reconhecimento dos 
requisitos da união estável que são indispensáveis para a habilitação do casamento civil. 
 
São eles: 
 
a) a diversidade de sexos; e 
b) a inexistência de impedimento matrimonial. 
 
Depreende-se desse artigo que o procedimento para a conversão da união estável em 
matrimônio civil diferencia-se daquele previsto para a celebração do casamento, uma vez que 
é realizado diretamente no Cartório de Registro. 
 
Trata-se, portanto, de pedido judicial dos companheiros para cuja decisão impõe-se a 
necessária instrução probatória, a fim de que reste comprovada a presença dos requisitos 
necessários para a configuração da união estável que se pretende converter, bem como ainda 
o termo inicial da união. 
 
 
11. Efeitos pessoais da união estável 
 
a) A fixação de domicílio, pelos conviventes, sendo perfeitamente admissível que um 
deles fixe o domicílio desde que não ocorra a oposição por parte do outro; 
b) A coabitação exclusiva, pois a união estável pressupõe o dever equivalente ao do 
casamento monogâmico; 
Todavia, deve-se observar que o dever de coabitação30 não significa que os envolvidos 
são obrigados a morar sob o mesmo teto. Veja a Súmula 382 do STF, citada 
anteriormente. 
 
30
 coabitar 
[Do lat. tard. cohabitare.] 
Verbo transitivo direto. 
1.Habitar em comum: 
Coabitam na mesma casa. 
Verbo transitivo indireto. 
2.Morar em comum; viver junto: 
“O senhor, depois de casado com minha filha, não coabitará com ela; o senhor morará só, numa boa casa ....; ao passo que Palmira 
continuará a residir em minha companhia” (Aluísio Azevedo, Livro de uma Sogra, p. 139). 
3.Viver como marido e mulher (embora não obrigatoriamente casados). 
4.Ter relações sexuais habituais, lícitas ou não, com outra pessoa. 
Verbo intransitivo. 
5.Viver intimamente com alguém. 
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Especialista em Direito Privado 
 
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c) A fidelidade, assim entendida como fidelidade física e moral, esta última modalidade 
correspondendo ao atendimento dos deveres semelhantes aos decorrentes do 
casamento. 
d) A assistência material e imaterial recíproca. Compreende tantos os alimentos 
naturais como os civis; 
e) A adoção do nome do convivente, com o prévio consentimento do outro e após a 
procedência judicial da retificação do registro civil; 
f) O registro e o reconhecimento de filhos havidos da união estável pode ser efetuado 
a qualquer tempo, independentemente da situação pessoal ou patrimonial dos 
conviventes. 
 
É possível a adoção conjunta realizada pelos conviventes, desde que pelo menos um 
deles tenha completado 18 anos de idade. 
 
Os conviventes são titulares do poder familiar sobre os seus filhos menores, que ficarão 
sob a sua guarda. 
 
Os conviventes têm o dever de educação e sustento da prole. 
 
12. Efeitos patrimoniais da união estável 
 
Os principais efeitos patrimoniais incidentes sobre a união estável são os seguintes: 
 
a) O patrimônio adquirido a título oneroso e os bens adquiridos em época posterior à 
união são comuns dos conviventes; 
 
Constitui-se, desse modo, o condomínio na união estável. 
 
A lei adotou um regime de bens similar à comunhão parcial,