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Planejamento Urbano e Meio Ambiente

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ÁREAS VERDES URBANAS
Como vimos nas unidades e tópicos anteriores a humanidade está cada vez mais 
urbana e com isso o vínculo com áreas naturais, com um entendimento e vivên-
cia maior com a natureza tende a se enfraquecer. A existência de áreas verdes 
urbanas acaba por tentar mitigar esse efeito de desconexão da humanidade com 
a natureza, trazendo para as áreas urbanas mais verde, mais vida.
O QUE SÃO ÁREAS VERDES URBANAS?
As chamadas Áreas Verdes Urbanas ou Arborização Urbana divide-se em três 
setores individualizados que estabelecem interfaces entre si: 
1) Áreas verdes públicas, destinadas ao lazer ou que oportunizam ocasiões de 
encontro e convívio direto com a natureza como praças e parques; 
2) Áreas verdes privadas, compostas pelos remanescentes vegetais significativos 
incorporados à malha urbana (matas ciliares, remanescentes florestais, reservas 
legais, Áreas de Preservação Permanente entre outros); e
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3) Arborização de ruas e vias públicas (LORUSSO, 1992 apud MUNEROLI; 
MASCARÓ, 2010).
Normalmente, o gerenciamento das Áreas Verdes Urbanas em um municí-
pio fica dividido em dois setores: o de áreas verdes e o da arborização de ruas 
(GREY; DENEKE, 1978). No primeiro deles, encontra-se as atividades de plane-
jamento e administração dos jardins, praças, parques e demais modalidades de 
áreas verdes públicas, tanto a nível de distribuição espacial global dentro do pro-
jeto urbanístico, quanto ao nível de projeto paisagístico, execução e manejo de 
unidades individuais. No segundo estão as atividades de planejamento, implan-
tação e manejo da arborização de ruas e avenidas que constitui a rede de união 
as áreas verdes (MILANO, 1988).
Um bom planejamento das áreas urbanas deve priorizar a conservação, 
manutenção e segurança destes espaços devido suas variadas importâncias para 
sociedade.
IMPORTÂNCIA DAS ÁREAS VERDES URBANAS
De forma geral a existência de áreas naturais (ecossistemas) seja em áreas urbanas 
ou rurais é importante por suas funções ecológicas que como vimos colaboram 
para a continuidade da humanidade no planeta. 
Grote e Gbikpi (2002) separaram as funções dos ecossistemas em quatro 
categorias: 
1. Funções de Regulação – relacionadas à capacidade dos ecossistemas de regu-
larem processos ecológicos essenciais de suporte à vida. Todos esses processos 
são mediados pelos fatores abióticos e bióticos de um ecossis tema. Essas funções 
são responsáveis por manter a saúde dos ecossistemas, e têm impactos diretos e 
indiretos sobre as populações humanas. Exemplos: regulação de gás, de oferta 
de água, climática, nutrientes do solo e forma ção do solo e controle biológico. 
2. Funções de hábitat – são essenciais para a conservação biológica e genética 
e para a preservação de processos evolucionários. Podem ser nominadas como 
função e refúgio, ou seja, espaços naturais onde a vida vegetal e animal possa 
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se abrigar; e função de berçário, espaços natu rais ideais para a reprodução de 
determinadas espécies, muitas vezes endêmicas de uma região, ou migratórias 
que possuem certas exigên cias para sua reprodução. 
3. Funções de produção – ligadas à capacidade dos ecossistemas de for necerem 
alimentos e uma série de produtos para o consumo humano, a partir da produ-
ção de uma variedade de hidrocarbonatos, obtidos por meio de processos como 
a fotossíntese, sequestro de nutrientes e por meio de ecossistemas seminaturais, 
como as terras cultivadas. Exemplos: pro dução de frutos, madeira, produtos far-
macêuticos, cera, tinta, borracha, ornamentação, entre outros. 
4. Funções de informação – relacionadas à capacidade dos ecossistemas natu-
rais de contribuírem para a manutenção da saúde humana, fornecendo reflexão, 
inspiração artística, enriquecimento espiritual, desenvolvimento cognitivo, recre-
ação e experiência estética. Nessa categoria, incluem-se conhecimento estético, 
recreação e (eco)turismo, inspiração cultural e artística, informação histórica e 
cultural, além de informações culturais e científicas. 
As áreas verdes urbanas possuem todas essas funções gerais de áreas natu-
rais para a humanidade, porém, exercem alguns benefícios específicos urbanos 
diretamente vinculados a qualidade de vida dos cidadãos:
 ■ Sombreamento (Temperatura)
Árvores diminuem a incidência da luz em mais de 90%, diminuindo a tempe-
ratura e a incidência de luz direta sobre quem caminha ou se exercita debaixo 
delas. Áreas com mais árvores, em São Paulo, por exemplo, podem ter a tempe-
ratura até 10°C abaixo de áreas não arborizadas no mesmo horário. Em um país 
tropical como o Brasil com a maioria das cidades possuindo altas temperaturas 
esse poder de melhoria microclimática das áreas verdes urbanas é de extrema 
importância para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos brasileiros.
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 ■ Diminuição da Poluição sonora
Observa-se que o efeito das árvores e outras plantas como protetoras do som é 
mais importante psicológica do que fisicamente nas cidades, pois para existir um 
bloqueio de som efetivo a área verde em questão deve ser densa e extensa, apenas 
a superfície foliar de poucas árvores não são capazes de bloquear o som. É pre-
ciso considerar que o efeito protetor varia de acordo com a frequência dos sons, 
com a posição das árvores em relação à fonte emissora, com a estrutura e com-
posição dos plantios e com a estação do ano. Porém, psicologicamente falando 
existem variados estudos comprovando que cidadãos que vivem em áreas com 
maior índice de áreas verdes relatam melhor conforto acústico (TAKAHASHI 
apud MARTINS, 1995).
 ■ Redução da Poluição atmosférica
Segundo Lapoix (1979), cortinas vegetais experimentais implantadas em áreas 
urbanas foram capazes de diminuir em 10% o teor de poeira do ar. Os efeitos 
da vegetação sobre poeiras e partículas devem ser considerados sob dois aspec-
tos: o efeito aerodinâmico, dependente de modificações na velocidade do vento 
provocadas pela vegetação e o efeito de captação das diversas espécies vegetais.
A remoção de gases tóxicos da atmosfera pelas plantas pode, segundo vários 
autores, ocorrer quando estes, acumulados nas partículas de poeira, são retidos 
temporariamente junto com o material particulado (MAYER; ULRICH, 1974). 
Sabe-se também que as árvores são capazes de aprisionar Carbono (C) em 
suas estruturas (galhos, tronco, raízes e folhas), por meio de processos fisioló-
gicos, esse fato é chamado de “sequestro de carbono”. Estudos apontam que as 
árvores urbanas podem diminuir o nível de carbono atmosférico em até quatro 
vezes mais do que as árvores individuais não urbanas, porque a diferença está rela-
cionada com a variação no tamanho do diâmetro das copas (NOWAK; CRANE, 
2002). Mc Pherson (1994 apud MUNEROLI, 2010) num estudo realizado com 
118 árvores na cidade de Chicago constatou uma média de crescimento anual 
do diâmetro de 1,1 centímetros, em comparação com 0,4 centímetros em árvo-
res plantadas em áreas florestais em Indiana e Illinois/Chicago, USA.
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Em um mundo engajado cada vez mais na redução do aquecimento global 
essa função de “sequestro de carbono” realizado