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Planejamento Urbano e Meio Ambiente

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e Chipre, além de partes da Síria, do Iraque, do Egito, 
do sudeste da Turquia e sudoeste do Irã. Os rios que irrigam essa região são: 
Jordão, Eufrates, Tigre e o Nilo (ABIKO et al., 1995).
Podemos dizer que as primeiras cidades foram as constituídas na civilização 
dos Sumérios. Incrivelmente esse povo possuía grandes edificações, bairros espe-
cializados, ruas, sistemas de irrigação, grandes templos e grandes fortificações no 
entorno. Tinham conhecimento amplo principalmente sobre arquitetura, mate-
mática e astronomia. Dentre suas construções destacam-se complexos sistemas 
de controle da água dos rios, canais de irrigação, barragens e diques. São conside-
rados os inventores da escrita, que era chamada de cuneiforme, pois os símbolos 
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escritos em placas de argila eram feitos com instrumentos em formato de cunha. 
As construções de maior imponência das cidades dos sumérios eram os zigura-
tes, se assemelhavam as pirâmides do Egito em grandiosidade, serviam para o 
armazenamento de produtos agrícolas e como templos religiosos. Os sumérios 
construíram muitas cidades importantes como: Ur (a maior que chegou a ter 
25.000 habitantes), Nipur, Lagash e Eridu (KRAMER, 1977; BOUZON, 1998).
Figura 2 - Zigurate da cidade de UR.
A origem dos sumérios ainda é misteriosa, são muitos os estudos e dúvidas sobre 
a formação desse povo. Existem indícios que tenham sido um povo oriundo dos 
planaltos iranianos, mas também podem ter procedido das próprias planícies 
mesopotâmicas. De forma geral pode ter sido uma mistura de povos em que a 
língua predominante era a suméria (CARDOSO, 1998).
As cidades da antiguidade eram chamadas de cidade-estado, devido a sua 
grande importância e independência. Existiram muitas disputas entre povos e a 
formação de impérios durante a antiguidade, e a conquista das cidades foi cru-
cial. Um longo período histórico se consolidou, nele estão presentes os egípcios, 
acádios, babilônicos entre outros. Em todos os impérios e povos antigos as cida-
des se organizaram em torno da agricultura e da religião (ABIKO et al. 1995). 
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A maior cidade da antiguidade, que chegou a possuir mais de quinhentos mil 
habitantes e foi um grande centro religioso chamava-se Babilônia. Possuía for-
tificações, muralhas, fossos e baluartes ao seu redor, o que junto com o grande 
poder militar consolidava a segurança para os cidadãos. Havia praças agitadas 
além de edifícios públicos como teatros, estádios, ginásios, centros educacionais 
e culturais (CASILHA; CASILHA, 2009). Por volta de 2000 a.C Babilônia foi pla-
nificada. A cidade tinha um formato retangular de 2500 por 1500 metros e era 
dividida pelo rio Eufrates. Foi traçada com regularidade geométrica tendo ruas 
largas e retas (largura constante), muros recortados em ângulos retos e com a 
presença de prédios de 3 e 4 pavimentos (ABIKO et al., 1995).
Outra civilização importante para o histórico das cidades foi a grega, que se 
iniciou aproximadamente em 2.500 a. C. Suas cidades beiravam o mar e iam até 
as encostas de montanhas. Existia uma preocupação com o desenho urbano, e a 
configuração usual era a ortogonal, tipo um tabuleiro de xadrez. As ruas tinham 
hierarquia e as casas seguiam alguns parâmetros urbanísticos como a necessi-
dade de terraços. Os gregos já se preocupavam com o tamanho das cidades, pois 
sabiam que as cidades dependiam dos recursos mais próximos e de sua produção 
agropecuária, ou seja, uma população fora de limites traria grandes problemas 
sociais. O solo árido da Grécia não colaborava para a formação de grandes cida-
des, por isso quando a população chegava a cerca de 30 mil habitantes era habitual 
iniciar a construção de uma nova cidade. Não somente o problema de recursos 
naturais fazia a necessidade de controle de população nas cidades, mas também 
a democracia que se iniciava, em que os conflitos de ideias em grandes popula-
ções trariam distúrbios mal vistos (BENEVOLO, 1993). 
As principais cidades gregas foram: Atenas, Esparta e Tebas. Possuíam as 
características das cidades-estados: eram independentes, com governo e padrões 
militares próprios. O que as unificava eram os aspectos culturais, como a língua, 
cujo alfabeto foi desenvolvido no Período Arcaico e um planejamento urbano, 
semelhante entre cidades, devido à troca de informações e comunicação que 
existiam. Os povos que formaram essas cidades gregas vieram de migrações do 
Norte da Europa e eram chamados de povos indo-europeus. Algumas caracterís-
ticas de planejamento urbano e pensamentos dos gregos acabaram se difundindo 
em outros impérios (BENEVOLO, 1993). 
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Os romanos foram outra grande civilização do período da antiguidade que 
se utilizou de padrões helênicos (gregos) para o planejamento de suas cidades. 
Devido à vastidão do império Romano por um período existiu paz entre os povos 
antigos e as cidades passaram a não possuir muros e apresentavam grande urba-
nização. As preocupações com a expansão urbana foram diminuindo ao ponto 
da cidade de Roma em cem anos saltar de 400 mil para 1,2 milhão de habitan-
tes. Essa expansão se realizou devido a uma ênfase dada à infraestrutura de 
transportes, a formação de aquedutos que traziam água de grandes distâncias, 
pelo início de uma preocupação com o esgotamento sanitário, que na época, em 
Roma, era feito por galerias subterrâneas (enormes e em perfeito estado até hoje); 
pela divisão do território em quadras (bairros) com distribuição de serviços e a 
exploração de territórios que abasteciam a cidade (CASILHA; CASILHA, 2009).
Mesmo com todos os esforços e novas tecnologias, o crescimento da cidade 
de Roma e de sua população não foi harmonioso. Cerca de 25% da popula-
ção de Roma não tinha o que fazer, faltavam serviços. A comida tinha que ser 
distribuída para que não houvesse enorme mortalidade por fome. A lista de 
pessoas que precisavam de doa-
ção de alimentos chegou a ter 320 
mil nomes no auge da expansão 
de Roma. Devido à vastidão do 
império havia muitos produtos 
importados (grande parte dos 
cerais), com isso, a agricultura 
no entorno de Roma se concen-
trou em vinhas, formou-se um 
tipo de monocultura, causando 
o declínio de muitos serviços 
(BENEVOLO, 1993).
Figura 3 - Ruínas na cidade de Roma
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Além dessas civilizações antigas citadas, existiram outras com grandes mani-
festações urbanísticas por volta de 2.500 a. C. no vale do rio Indo na Índia e por 
volta de 1.500 a.C. no vale dos rios Amarelo e Yang-Tsé-Kiang na China. Na 
América surgiram civilizações como os Incas, Maias e Astecas, também com 
grandes construções voltadas ao culto religioso e o armazenamento de alimen-
tos e sementes. A antiguidade foi consolidando o planejamento das cidades e 
muito do que são as cidades atualmente tem ideias e conceitos vindos desses 
povos e épocas. 
CIDADES DA IDADE MÉDIA
A partir da queda do império Romano houve uma grande mudança no modo 
de viver da humanidade. Ocorreram as invasões bárbaras e serviços e comércio 
tiveram estagnações nos centros urbanos. Grande parte da população migrou 
novamente para o campo. O cris-
tianismo