A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
273 pág.
Planejamento Urbano e Meio Ambiente

Pré-visualização | Página 5 de 50

e a igreja católica se 
fortaleceram e assim se criou 
o sistema feudal. Bispos exer-
ciam a função de governantes 
e a agricultura se fortaleceu 
formando grande senhores feu-
dais, que acabaram por formar 
e comandar novas cidades. Os 
senhores feudais trocavam o 
trabalho de habitantes por pro-
teção e apoio militar. As cidades 
então voltaram a ser de tama-
nho reduzido, a terem muralhas 
e grande nível de subsistência. Formaram-se as grandes praças centrais em 
que se localizavam as igrejas e os mercados e por consequência as ruas radiais 
(CASILHA; CASILHA, 2009).
Figura 4 - Castelo medieval
HISTÓRICO E ASPECTOS GERAIS DO PLANEJAMENTO URBANO
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E24
No século XI o sistema feudal entrou em crise, começaram a surgir os ele-
mentos pré-capitalistas, como o desenvolvimento do comércio das cidades e 
a criação de uma nova classe social, o que acabou sendo a ruína dos senhores 
feudais. Novos interesses econômicos e políticos se consolidaram com o comér-
cio intenso entre ocidente e oriente. As atividades nas cidades se ampliaram. 
Verifica-se então que o comércio foi um dos grandes fatores que ocasionaram a 
intensificação do meio urbano, tendo, dessa forma, as grandes capitais europeias 
se beneficiado com seu crescimento que surgira após a ascensão de uma econo-
mia transatlântica (GRECO, 2012 apud VARGAS et al., 2014).
CIDADES DA IDADE MODERNA
A partir do século XII houve crescimento econômico e com isso maior desenvol-
vimento das chamadas cidade capitais. Os monarcas se consolidaram no poder. 
Com isso até o século XV grandes centros comerciais se concretizaram em cida-
des como Constantinopla e Veneza, Florença e Paris, porém, as cidades de forma 
geral raramente passavam de 50 mil habitantes. O sistema de coleta de imposto 
se formou de forma rígida para que existisse dinheiro para a construção e o cres-
cimento das cidades. Porém, o planejamento era precário, ruas estreitas, falta 
de serviços de higiene o que acabava por acarretar disseminações de doenças, 
como a peste negra que chegou a dizimar um terço da população da Europa. Boa 
parte do comércio começou a se estabelecer para fora das muralhas e o cresci-
mento das cidades foi ficando cada vez mais desordenado (BENEVOLO, 1993).
A queda da cidade de Constantinopla (atualmente Turquia) consolidou o 
início da Idade Moderna (Renascentismo), pois o domínio da cidade para os 
Otomanos mudou o comércio mundial para o oceano Atlântico. Constantinopla 
era, até o momento de sua queda, uma das cidades mais importantes no mundo, 
pois sua localização funcionava como ponte para as rotas comerciais que liga-
vam a Europa à Ásia por terra (ABIKO et al. 1995).
Evolução Histórica das Cidades
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
25
No século XVI começaram as invasões e ocupações iniciais na América, 
com cidades fundadas seguindo traçados pré-determinados, ou seja, embasados 
no planejamento das cidades europeias, como por exemplo: Cidade do México, 
Filadélfia, Washington, Lima e Buenos Aires (CASILHA; CASILHA, 2009).
O desenho urbano da época elaborava cidades com predominância de traça-
dos regulares, com simetria de proporções rígidas na execução das vias e praças. 
Eram cidades que seguiam um modelo uniforme, como um tabuleiro de xadrez, 
definindo quarteirões iguais, na maioria das vezes quadrados. Nas áreas centrais 
continuavam as praças com igrejas e edifícios de organização social (paço muni-
cipal, comércio e casa dos mais ricos) 
(BENEVOLO, 1993).
No século XVIII as cidades 
americanas já cresciam vertigi-
nosamente, tendo um tráfego de 
veículos (carroças) extremos com 
engarrafamentos frequentes. Boa 
parte das cidades americanas sur-
giram com o comércio forte da idade 
moderna, porém, com a revolução 
industrial novos planejamentos e 
formações vieram (CONSCIENCE 
PRODUCTIONS, 2012, on-line)1.
CIDADES DA IDADE CONTEMPORÂNEA
Surgiu a revolução industrial e com ela grande modificações econômicas, sociais e 
ambientais no mundo. As cidades sofreram alterações em seu planejamento devido 
a isso. Houve um explosivo crescimento demográfico nas cidades, iniciando 
na Inglaterra depois França e Alemanha. Após 1850 ocorreu a quadruplicação 
da população mundial e com isso a população urbana se multiplicou por dez 
(HAROUEL, 1990). 
Figura 5 - Queda de Constantinopla em 1453
HISTÓRICO E ASPECTOS GERAIS DO PLANEJAMENTO URBANO
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IU N I D A D E26
Na Europa como nos Estados Unidos o uso dos trens colaborou muito para cres-
cimento e desenvolvimento das cidades, pois facilitou o comércio de importação e 
exportação de produtos para longas distâncias. As fábricas começaram a ser cons-
truídas em proximidade das ferrovias e as habitações dos trabalhadores também, 
pois o transporte público ainda não existia. Viver nas cidades voltou a ser inte-
ressante para as pessoas e iniciou-se o êxodo rural. As condições sanitárias das 
cidades não haviam evoluído muito desde a idade média, porém, mesmo assim 
a oferta de trabalho nas indústrias atraiu as pessoas para as cidades. Londres, o 
berço da revolução industrial, em 1810 passou de um milhão de habitantes, na 
época somente Roma havia chegado nesse nível de população (CORRÊA, 1995). 
Com o crescimento vertiginoso das cidades surgiram os urbanistas, pessoas 
que planejavam o desenho urbano para melhor adaptação da sociedade às cidades, 
tentando evitar os problemas urbanos. O termo foi cunhado em 1910, porém, em 
1830 já havia um pensamento urbanista moderno, diferenciado do da antiguidade 
e idade média (BENEVOLO, 1971). As condições sanitárias e mesmo a qualidade 
de vida dos trabalhadores das indústrias nas cidades por volta de 1816 começa-
ram a indignar uma considerável parte da sociedade e com isso foram surgindo 
pensamentos de reorganização das cidades. Em 1830 epidemias começaram a 
surgir nas principais cidades do mundo, como a cólera e o tifo, com isso, a partir 
de 1850 começaram adaptações amplas 
para melhorar as condições das princi-
pais cidades do mundo, principalmente 
em termos sanitários. O urbanismo pre-
dominante na época foi chamado de 
sanitarista. Muralhas foram derrubadas, 
as ampliações das cidades tiveram ruas 
mais largas entre outras ações. Paris foi 
uma das cidades em que houve grandes 
modificações, bairros com epidemias 
foram demolidos, áreas foram limpas, 
bulevares foram construídos trazendo 
Figura 6 - Indústria têxtil em Boston, Estados Unidos, 1910 
Evolução Histórica das Cidades
Re
pr
od
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
. 1
84
 d
o 
Có
di
go
 P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
27
mais verde para a cidade. Outras cidades se estimularam para fazer modifica-
ções admirando o sucesso de Paris (MACEDO, 2012, on-line)2.
Nesse período, Londres despejava a maior parte de seu esgoto e captava a sua 
água de uso comum no mesmo rio, chamado Tâmisa. Esse era um dos fatores 
que faziam aumentar a incidência de epidemias na cidade. Foi então, em 1848, 
aprovada a primeira lei sanitária, denominada Public Health Act, para sanar 
esse problema. Essa lei foi precursora dos Códigos Sanitários brasileiros. Aliás, 
foi base de todas as demais que procuram atuar no espaço urbano garantindo 
condições de salubridade (abaste-
cimento de água e controle de sua 
potabilidade, canalização de esgo-
tos, drenagem de áreas inundáveis, 
abertura de vias e vielas sanitá-
rias). Seguindo essas premissas 
sanitárias outras cidades inglesas