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Concurso: 
 
CGU - 2012 
 
Aula 1 
LEONARDO FERREIRA 
Conteúdo Programático 
 
 
 1. Estado, Governo e Sociedade: conceito e 
evolução do Estado contemporâneo; aspectos 
fundamentais da formação do Estado 
brasileiro; teorias das formas e dos sistemas de 
governo; participação social como 
representação política; accountability vertical. 
2 
Conteúdo Programático 
 
 
 2. A Máquina Pública Brasileira: processo 
evolutivo; reformas administrativas, seus 
princípios, objetivos, resultados e ensinamentos; 
patrimonialismo, burocracia e gerencialismo; 
atual conformação da máquina pública em face 
dos preceitos constitucionais e legais; aspectos 
contemporâneos da gestão pública. 
3 
Conteúdo Programático 
 
 3. O Sistema de Freios e Contrapesos: autotutela; 
Controle Interno, Controle Externo, o papel da 
CGU; accountability horizontal; revisão 
jurisdicional dos atos administrativos. 
 
 4. Políticas Públicas: formulação, implementação, 
monitoramento e avaliação de políticas e programas 
públicos; intersetorialidade, redes sociais e 
transversalidade. 
4 
Conteúdo Programático 
 
 5. Governança e Administração Pública: 
orçamento, planejamento, análises 
governamentais e organizacionais, inovação, 
governança de organizações públicas; parcerias 
com o setor privado e com o terceiro setor. 
 
 6. Temas Correntes em Administração Pública: 
ética; Lei da Ficha-Limpa; responsabilidade 
fiscal; responsabilidade orçamentária. 
5 
Estado, Governo e Sociedade 
 Conceituando Estado (1) 
 
 O Estado é o povo politicamente organizado em 
um determinado território, vivendo sob uma mesma 
ordem jurídica soberana, buscando o bem de todos. 
É a somatória desses fatores que dá sustentabilidade 
ao Estado, responsável maior pela conjugação de 
forças do povo na concretização de seus anseios e 
no atendimento às suas necessidades. 
6 
Estado, Governo e Sociedade 
 
 Conceituando Estado (2) 
 
 ESTADO - Organização político-administrativo-
jurídica de um determinado grupo social com vínculos 
em comum (povo) que ocupa um território fixo e está 
submetida a uma soberania. 
 
7 
Estado, Governo e Sociedade 
 
 Conceitos Acessórios (1) - Povo 
 
 Podemos definir povo como o conjunto de pessoas 
ligadas por vínculos históricos e culturais, que 
falam a mesma língua e vivenciam as mesmas 
tradições, com costumes, hábitos e interesses 
comuns. São exatamente esses pontos de 
semelhança os responsáveis pela contínua ligação 
entre as pessoas. 
 
 
8 
Estado, Governo e Sociedade 
 
 Conceitos Acessórios (2) - População 
 
 Por sua vez, população vem a ser o conjunto de 
pessoas que habitam um determinado espaço físico, 
seja um país, uma região ou uma cidade. População 
é a quantificação numérica desses indivíduos. 
 
 
 
9 
Estado, Governo e Sociedade 
 
 Conceitos Acessórios (3) - Comunidade 
 
 Comunidade pode ser consignada como o conjunto 
de pessoas estreitamente unidas de maneira 
espontânea, comungando os mesmos ideais, as 
mesmas crenças e opiniões. De modo geral, esses 
pontos em comunhão são responsáveis pela 
comunicação e integração mais próximas entre os 
membros componentes desse conjunto. 
 
 
10 
Estado, Governo e Sociedade 
 Conceitos Acessórios (4) - Sociedade 
 
 Quanto à conceituação de sociedade, podemos dizer 
tratar-se de um conjunto de pessoas que 
voluntariamente habitam uma determinada localidade, 
sendo regidas pelas mesmas normas, ligadas por um 
senso comum de percepção do grupo social 
correspondente. As atenções da sociedade estão 
voltadas à sua particular preservação e ao 
desenvolvimento em geral, em benefício de todas as 
pessoas que a compõem. 
 
 
11 
Estado, Governo e Sociedade 
 
 Conceitos Acessórios (5) - Nação 
 
 Por fim, nação vem a ser o conjunto de pessoas 
unidas por sua história, cultura, economia e língua, 
organizadas sob uma mesma ordem jurídica. Tais 
elementos acabam por moldar a organização 
política sob a qual essas pessoas irão viver. 
 
 
 12 
Estado, Governo e Sociedade 
 
 Elementos do Estado (1) 
 
 POVO - Somatório de nacionais no solo pátrio e no 
exterior. Podemos acrescentar que devido ao 
desenvolvimento de sucessivas gerações e de outros 
fatores imprevisíveis, tais como movimentos 
migratórios, as características de um povo encontra-
se em constante processo de transformação. 
 
 
 
13 
Estado, Governo e Sociedade 
 
 Elementos do Estado (2) 
 
 TERRITÓRIO - É a base física do Estado. É a 
área geográfica sob domínio do Estado. Território. 
Solo, subsolo, espaço aéreo, mar territorial, 
plataforma submarina, navios e aeronaves de guerra 
(em qualquer parte do mundo), navios mercantes e 
aviões comerciais (no espaço livre internacional) e 
embaixadas. 
 
 
14 
Estado, Governo e Sociedade 
 
 Elementos do Estado (3) 
 
 PODER POLÍTICO OU SOBERANIA – É uno o poder 
do Estado. Assim, no âmbito do respectivo território o poder 
soberano é conferido a ele e não existe quaisquer outras 
competências autoritárias que não provenham de seus 
órgãos, detentores do poder político, ou que não derivem 
desse poder. A finalidade do estado é, portanto, prover a 
realização do bem comum. 
 
 
 
15 
Estado, Governo e Sociedade 
 
 Formação do Estado (1) 
 
 De forma simplificada, sem grandes especulações, 
podemos imaginar as origens de um Estado devido 
à organização originária interna de um dado 
grupamento social, ou em decorrência de uma 
situação de conquista e dominação territorial, ou 
por ambas as hipóteses aplicadas conjuntamente. 
 
 
 
16 
Estado, Governo e Sociedade 
 Formação do Estado (2) 
 
 Três são os modos pelos quais historicamente se 
formam os Estados: Modos originários, em que a 
formação é inteiramente nova, nascem diretamente da 
população e do país, sem derivar de outro Estado 
preexistente. Modos secundários, quando vários 
Estados se unem para formar um novo estado, ou 
quando se fracionam para formar outros. Modos 
derivados, quando a formação se produz por 
influências exteriores, de outros Estados. 
 
 
17 
Estado, Governo e Sociedade 
 CGU-2008-ESAF: Indique a opção que completa corretamente as 
lacunas das frases a seguir: Há três modos pelos quais historicamente se 
formam os Estados: Os modos _____________ em que a formação é 
inteiramente nova, o Estado nasce diretamente da população e do país; 
os modos_____________, quando a formação se produz por influências 
externas e os modos ______________, quando vários Estados se unem 
para formar um novo Estado ou quando um se fraciona para formar um 
outro. 
 
 a) originários – derivados – secundários 
 b) derivados – contratuais – originários 
 c) contratuais – derivados – naturais 
 d) naturais – originários – derivados 
 e) secundários – naturais – originários 
 
 
18 
Estado, Governo e Sociedade 
Memorizar! 
 NOÇÕES DE ESTADO – O Estado é a pessoa 
jurídica territorial, formada pelos elementos povo, 
território e governo soberano. Esses três elementos 
são indissociáveis e indispensáveis para noção de 
um Estado independente: o povo, num dado 
território, organizado segundo sua livre vontade. A 
organização do Estado é matéria de cunho 
constitucional, especialmente no tocante á divisão 
política do seu território, à organização de seus 
Poderes, á forma de governo adotada e aomodo de 
aquisição de poder pelos governantes. 
 
 
19 
Estado, Governo e Sociedade 
Memorizar! 
 
 CF 1988: Art. 1º A República Federativa do 
Brasil, formada pela união indissolúvel dos 
Estados e Municípios e do Distrito Federal, 
constitui-se em Estado Democrático de 
Direito e tem como fundamentos: Soberania, 
cidadania, dignidade da pessoa humana, 
valores sociais do trabalho e da livre 
iniciativa e o pluralismo político. 
 
 
20 
Estado, Governo e Sociedade 
Memorizar! 
 
 FORMA DE ESTADO – A partir da 
organização política do território, surge a noção 
de Estado Unitário e Estado Federado (ou 
composto). Caso no território haja um só poder 
político central, teremos o chamado Estado 
Unitário, caso no mesmo território coexistam 
poderes políticos distintos, estaremos diante do 
chamado Estado Federado ou Composto. 
 
 
 
21 
Estado, Governo e Sociedade 
Memorizar! 
 
 PODERES DO ESTADO – O estado é composto de 
Poderes, que representam uma divisão estrutural 
interna, destina à execução de certas funções estatais. 
Esses Poderes do Estado, segundo a clássica tripartição 
de Montesquieu, são o Legislativo, Executivo e 
Judiciário. A Constituição atribui a cada um dos 
Poderes do Estado determinada função típica. 
Entretanto, no Brasil, não há exclusividade no exercício 
das funções pelos Poderes, vale dizer, não há uma 
rígida, absoluta, divisão dos Poderes, mas sim uma 
preponderância na realização dessa ou daquela função. 
 22 
Estado, Governo e Sociedade 
Memorizar! 
 
 NOÇÕES DE GOVERNO – No âmbito do 
Direito Administrativo, a expressão “governo” 
tem sido utilizada para designar o conjunto de 
Poderes e órgãos constitucionais responsáveis 
pela função política do Estado. O Governo tem 
a incumbência de zelar pela direção suprema e 
geral do Estado, determinar os seus objetivos, 
estabelecer suas diretrizes, visando à unidade da 
soberania estatal. 
 
 
23 
Estado, Governo e Sociedade 
Memorizar! 
 
 SISTEMA DE GOVERNO – A forma com que se 
dá a relação entre o Poder Legislativo e o Poder 
executivo no exercício das funções governamentais 
consubstancia outro importante aspecto da 
organização estatal. A depender do modo como se 
estabelece esse relacionamento, se há maior 
independência ou maior colaboração entre eles, 
teremos dois sistemas (ou regimes) de governo: o 
sistema presidencialista e o sistema parlamentarista. 
 
 
24 
Estado, Governo e Sociedade 
Memorizar! 
 
 FORMA DE GOVERNO – O conceito de forma de 
governo está relacionado com a maneira como se dá 
a instituição do poder na sociedade e como se dá a 
relação entre governantes e governados. Se a forma 
de governo for caracterizada pela eletividade e pela 
temporalidade dos mandatos do Chefe do Executivo, 
teremos a República; caso estejamos diante de um 
governo caracterizado por sua hereditariedade e 
vitaliciedade, teremos a Monarquia. 
 
 
 
25 
Estado, Governo e Sociedade 
Memorizar! 
 
 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM SENTIDO AMPLO – A expressão 
“Administração Pública” abrange tanto os órgãos governamentais 
(GOVERNO), aos quais cabe traçar os planos e diretrizes de ação, quanto os 
órgãos administrativos, subordinados, de execução (administração pública 
em sentido estrito), aos quais incumbe executar os planos governamentais. A 
Administração Pública em sentido amplo, portanto, compreende tanto a 
função política, que estabelece as diretrizes governamentais, quanto à função 
administrativa, que as executa. 
 
 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM SENTIDO ESTRITO – A expressão 
“Administração Pública” não alcança a função política de Governo, de 
fixação de planos e diretrizes governamentais, mas tão somente a função 
propriamente administrativa, de execução de atividades administrativas. 
 
 26 
Estado, Governo e Sociedade 
Memorizar! 
 
 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM SENTIDO FORMAL, 
SUBJETIVO OU ORGÂNICO – Conceitua-se “Administração 
Pública” como o conjunto de agentes, órgãos, e pessoas jurídicas 
destinadas à execução das atividades administrativas. Nesse 
sentido, a Administração Pública corresponde a todo o 
aparelhamento de que dispõe o estado para consecução das 
políticas públicas traçadas pelo Governo. Nessa acepção, a 
expressão “Administração Pública” engloba todos os órgãos e 
agentes que, em qualquer dos Poderes do Estado (Legislativo, 
Executivo e Judiciário), em qualquer das esferas políticas (União, 
Estados, Distrito Federal ou Municípios), que estejam exercendo 
função administrativa. 
 
 
27 
Estado, Governo e Sociedade 
Memorizar! 
 
 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM SENTIDO 
MATERIAL, OBJETIVO OU FUNCIONAL - a 
expressão “Administração Pública” consiste na própria 
atividade administrativa executada pelo Estado por meio 
de seus órgãos e entidades encarregadas de atender às 
necessidades coletivas. Nessa concepção material, a 
administração pública abrange as seguintes atividades 
administrativas: o fomento, a polícia administrativa, o 
serviço público e a intervenção administrativa. 
 
 
 
28 
Estado, Governo e Sociedade 
Memorizar! 
 
 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM SENTIDO MATERIAL, 
OBJETIVO OU FUNCIONAL abrange as seguintes atividades 
administrativas: FOMENTO – Incentivo à iniciativa privada de utilidade 
pública. Exemplo: incentivos fiscais. POLÍCIA ADMINISTRATIVA – 
É o chamado poder de polícia, cujo exercício resultam em restrições ou 
condicionamentos impostos ao exercício de direitos individuais em 
benefício do interesse coletivo. Exemplo: fiscalizações sanitárias, as 
concessões de licenças. SERVIÇO PÚBLICO – compreende toda a 
atividade que a Administração Pública executa, direta ou indiretamente, 
para satisfazer à necessidade pública, como exemplo: temos os serviços 
de transporte, de telecomunicações, de saúde. A INTERVENÇÃO 
ADMINISTRATIVA – compreende a regulamentação e a fiscalização 
da atividade econômica de natureza privada, como a própria atuação do 
Estado na atividade Econômica. 
 
 
29 
Estado, Governo e Sociedade 
 Constituição do Estado Nacional – Formação da 
Administração Pública 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Período Histórico Período 
1500 a 1808 Colonial 
1808 a 1822 Pré - Independência 
1822 a 1889 Imperial 
1889 a 1930 República Velha 
1930 a 1945 Era Vargas 
1945 a 1964 Desenvolvimentista 
1964 a 1985 Ditadura Militar 
1985 a 2010 Redemocratização 
30 
Estado, Governo e Sociedade 
 Brasil - Período Colonial 
 
 Tomar o desembarque da Coroa portuguesa no Rio de 
Janeiro, em 1808, como marco para a construção do 
Estado nacional não significa dizer que nada existisse 
em termos de aparato institucional e administrativo. 
Havia na colônia uma ampla, complexa e ramificada 
administração. 
 
 
 
 
31 
Estado, Governo e Sociedade 
 Brasil - Período Colonial 
 
 Em princípio, a administração colonial estava 
organizada em quatro níveis — as instituições 
metropolitanas, a administração central, a 
administração regional e a administração local. Do 
ponto de vista da organização territorial, o Brasil 
estava dividido em capitanias, que eram as maiores 
unidades administrativas da colônia. 
 
 
 
32 
Estado, Governo e Sociedade 
 Brasil - Período Colonial 
 
 Podemos citar como principais características da 
administração colonial — a centralização, a ausência de 
diferenciação (de funções), o mimetismo, a profusão e 
minudência das normas, o formalismoe a morosidade. 
Essas disfunções decorrem, em grande medida, da 
transplantação para a colônia das instituições existentes 
na metrópole e do vazio de autoridade (e de obediência) 
no imenso território, constituindo um organismo 
autoritário, complexo, frágil e ineficaz. 
33 
Estado, Governo e Sociedade 
 Brasil - Período Colonial 
 
 Isso não quer dizer que não tenha havido um processo de 
gradual racionalização do governo colonial ao longo de 
três séculos. A partir da administração pombalina, 
pouco a pouco, o empirismo paternalista do absolutismo 
tradicional foi sendo substituído pelo racionalismo típico 
do despotismo esclarecido. Essa mudança se expressava 
principalmente nos métodos e processos de trabalho que 
davam lugar à emergência de uma burocracia. 
 
34 
Estado, Governo e Sociedade 
 Período Imperial – A Construção Estado Nacional 
 
 A transferência da corte e mais tarde a elevação do Brasil a 
parte integrante do Reino Unido de Portugal constituíram as 
bases do Estado nacional, com todo o aparato necessário à 
afirmação da soberania e ao funcionamento do autogoverno. 
A elevação à condição de corte de um império 
transcontinental fez da nova administração brasileira, agora 
devidamente aparelhada, a expressão do poder de um Estado 
nacional que jamais poderia voltar a constituir-se em mera 
subsidiária de uma metrópole de além-mar. 
 
35 
Estado, Governo e Sociedade 
 Período Imperial – A Construção Estado Nacional 
 
 1. A independência do Brasil – 07/09/1822. 
 
 2. A Constituição Federal 1824. 
 
 3. A reformas constitucionais de 1832 e 1847. 
 
 4. A derrocada do Império. 
 
36 
Estado, Governo e Sociedade 
 Período - República Velha – 1889 a 1930 
 
 A proclamação da República não alterou profundamente as 
estruturas socioeconômicas do Brasil imperial. A riqueza 
nacional continuou concentrada na economia agrícola de 
exportação, baseada na monocultura e no latifúndio. O que 
se acentuou foi a transferência de seu centro dinâmico para a 
cafeicultura e a consequente mudança no pólo dominante da 
política brasileira das antigas elites cariocas e nordestinas 
para os grandes cafeicultores paulistas. 
 
37 
Estado, Governo e Sociedade 
 Período - República Velha – 1889 a 1930 
 
 Nesse período, não houve grandes alterações na 
conformação do Estado nem na estrutura do governo. Desde 
a proclamação da República, a principal mudança no Poder 
Executivo foi a criação dos ministérios da Instrução Pública, 
de brevíssima existência; da Viação e Obras Públicas; e da 
Agricultura, Indústria e Comércio, cujos nomes sofreram 
pequenas modificações. Do ponto de vista da federação, 
houve uma ligeira redução na capacidade legislativa dos 
estados, que perderam o poder de legislar sobre 
determinadas matérias. 
 
 
38 
Estado, Governo e Sociedade 
 Período – Era Vargas – 1930 a 1945 
 
 A chamada “Revolução de 1930” representou muito mais do 
que a tomada do poder por novos grupos oligárquicos, com o 
enfraquecimento das elites agrárias. Significou, na verdade, a 
passagem do Brasil agrário para o Brasil industrial. De fato, a 
partir desse marco e durante a maior parte do século XX, o 
Brasil empreendeu um continuado processo de modernização 
das estruturas e processos do aparelho de Estado. O primeiro 
período de Vargas na presidência durou 15 anos, sendo quatro 
de governo provisório, três de governo constitucional e oito de 
ditadura. 
 
 
39 
Estado, Governo e Sociedade 
 Era Vargas – 1930 a 1945 – Foco 
 
 Assim, sob o impulso de superação do esquema clientelista e 
anárquico de administração oligárquica, o governo de Getúlio 
Vargas iniciou uma série de mudanças que tinham pelo menos 
duas vertentes principais: 
 
 1. Estabelecer mecanismos de controle da crise econômica. 
 2. Promover a racionalização burocrática do serviço público, 
por meio da padronização, normatização e implantação de 
mecanismos de controle, notadamente nas áreas de pessoal, 
material e finanças. 
 
 
40 
Estado, Governo e Sociedade 
 Era Vargas – 1930 a 1945 – Realizações 
 
 1930 - Comissão permanente padronização. 
 1931 - Comissão permanente de compras. 
 1934 - CF introduz o princípio do Mérito. 
 1935 - Comissão Nabuco – Reajustamento dos quadros 
 do serviço público civil. 
 1936 - Lei do Reajustamento/ Criação Conselho Federal 
 do Serviço Público Civil. 
 1937 - Criação de Agências Estatais. 
 1938 – Criação do DASP. 
 
 
41 
Estado, Governo e Sociedade 
 
 O Departamento Administrativo do Serviço Público – 
DASP - Foi efetivamente organizado em 1938, com a 
missão de definir e executar a política para o pessoal 
civil, inclusive a admissão mediante concurso público e 
a capacitação técnica do funcionalismo, promover a 
racionalização de métodos no serviço público e elaborar 
o orçamento da União. Essa primeira experiência de 
reforma de largo alcance inspirava-se no modelo 
weberiano de burocracia e tomava como principal 
referência a organização do serviço civil americano. 
42 
Estado, Governo e Sociedade 
 
 O Departamento Administrativo do Serviço Público – 
DASP - Estava voltada para a administração de 
pessoal, de material e do orçamento, para a revisão 
das estruturas administrativas e para a 
racionalização dos métodos de trabalho. A ênfase 
maior era dada à gestão de meios e às atividades de 
administração em geral, sem se preocupar com a 
racionalidade das atividades substantivas. 
43 
Estado, Governo e Sociedade 
 Período Desenvolvimentista – 1946 a 1963 
 
 Eleito em dezembro de 1945, o presidente Dutra, 
ex-ministro da Guerra de Getúlio Vargas, tomou 
posse em janeiro do ano seguinte e realizou um 
governo legalista e conservador, marcado pela 
dissipação das reservas cambiais acumuladas 
durante o conflito mundial, pela perda da legalidade 
do Partido Comunista e pela proibição dos jogos de 
azar. 
44 
Estado, Governo e Sociedade 
 Período Desenvolvimentista – 1946 a 1963 
 
 A Constituição de 1946 restabeleceu o estado de 
direito e as garantias individuais, restaurou a 
divisão de poderes da República, devolveu a 
autonomia dos estados, ampliou os direitos sociais 
dos trabalhadores, reorganizou o Judiciário e previu 
a mudança da capital. Fortaleceu- se o federalismo 
cooperativo, por meio de novos mecanismos de 
coordenação e transferência de rendas entre regiões. 
45 
Estado, Governo e Sociedade 
 Período Desenvolvimentista – 1946 a 1963 
 
 Cinco anos depois de deixar o governo, Getúlio Vargas foi 
eleito presidente da República, pelo voto direto, em 3 de 
outubro de 1950. Vargas assumiu o governo, com poderes 
limitados pela Constituição de 1946, para cumprir um 
programa francamente nacionalista e reformista, 
prometendo ampliar os direitos dos trabalhadores e investir 
na indústria de base e em transportes e energia, o que 
requeria o aumento da intervenção do Estado no domínio 
econômico. 
46 
Estado, Governo e Sociedade 
 Período Desenvolvimentista – 1946 a 1963 
 
 Depois de um tumultuado período de transição de mais de 
um ano, com golpes, contragolpes, a eleição e a tentativa de 
impedimento da posse do eleito, assumiu o governo em 
1956, Juscelino Kubitscheck de Oliveira. Seu Plano de 
Metas tinha 36 objetivos, com destaque para quatro setores-
chave: energia, transporte, indústria pesada e alimentação. 
Seu lema era a realização de “50 anos em cinco” e a meta 
símbolo era a construção da nova capital dopaís, Brasília. 
47 
Estado, Governo e Sociedade 
 Período Desenvolvimentista – 1946 a 1963 
 
 Do ponto de vista institucional, a década que vai de 
1952 a 1962 foi marcada pela realização de estudos e 
projetos que jamais seriam implementados. A criação 
da Cosb (Comissão de Simplificação Burocrática) e da 
Cepa (Comissão de Estudos e Projetos 
Administrativos), em 1956, representa as primeiras 
tentativas de realizar as chamadas reformas globais. 
48 
Estado, Governo e Sociedade 
 Período Desenvolvimentista – 1946 a 1963 
 
 A primeira tinha como objetivo principal promover 
estudos visando à descentralização dos serviços, por 
meio da avaliação das atribuições de cada órgão ou 
instituição e da delegação de competências, com a 
fixação de sua esfera de responsabilidade e da prestação 
de contas das autoridades. A Cepa teria a incumbência 
de assessorar a presidência da República em tudo que 
se referisse aos projetos de reforma administrativa. 
49 
Estado, Governo e Sociedade 
 Período Desenvolvimentista – 1946 a 1963 
 
 Esse período (1952 a 1962) se caracteriza por uma crescente 
cisão entre a administração direta, entregue ao clientelismo e 
submetida, cada vez mais, aos ditames de normas rígidas e 
controles, e a administração descentralizada (autarquias, 
empresas, institutos e grupos especiais ad hoc), dotados de 
maior autonomia gerencial e que podiam recrutar seus 
quadros sem concursos, preferencialmente entre os 
formados em think thanks especializados, remunerando-os 
em termos compatíveis com o mercado. 
50 
Estado, Governo e Sociedade 
 Período Desenvolvimentista – 1946 a 1963 
 
 O governo de João Goulart (JANGO) era apoiado pelo Partido 
Trabalhista Brasileiro e se propunha a realizar um programa de 
esquerda, orientado para a realização de reformas de base — 
bancária, fiscal, urbana, agrária, universitária e administrativa. O 
programa contemplava a extensão do direito de voto aos 
analfabetos e às patentes. Apesar da crise, o governo Goulart 
criou a Comissão Amaral Peixoto, que deu início a novos 
estudos para a realização da reforma administrativa. Seu principal 
objetivo era promover “uma ampla descentralização 
administrativa até o nível do guichê, além de ampla delegação de 
competência. 
51 
Estado, Governo e Sociedade 
 Período Ditadura Militar – 1964 a 1985 
 
 De certa forma, o governo militar realizou, à sua maneira, 
com sinais trocados, o programa de reformas de base — 
elaborou o Estatuto da Terra, promoveu uma reforma 
tributária, reorganizou o sistema bancário, reestruturou o 
ensino universitário e realizou uma ampla reforma 
administrativa. Em 1965 teve início a reforma tributária que 
se consolidou com a Constituição de 1967, uniformizando a 
legislação, simplificando o sistema e reduzindo o número de 
impostos. 
52 
Estado, Governo e Sociedade 
 Período Ditadura Militar – 1964 a 1985 
 
 Ainda em 1964, o novo governo retirou do Congresso 
Nacional o projeto de lei elaborado pela Comissão Amaral 
Peixoto para reexame do assunto por parte do Poder 
Executivo. Instituiu a Comestra (Comissão Especial de 
Estudos da Reforma Administrativa), presidida pelo 
ministro extraordinário para o planejamento de coordenação 
econômica, com o objetivo de proceder ao “exame dos 
projetos elaborados e o preparo de outros considerados 
essenciais à obtenção de rendimento e produtividade da 
administração federal. 
53 
Estado, Governo e Sociedade 
 Período Ditadura Militar – 1964 a 1985 
 
 Do trabalho dessa comissão e das revisões que se seguiram em 
âmbito ministerial resultou a edição do Decreto-Lei no 200, de 
25 de fevereiro de 1967, o mais sistemático e ambicioso 
empreendimento para a reforma da administração federal. Esse 
dispositivo legal era uma espécie de lei orgânica da 
administração pública, fixando princípios, estabelecendo 
conceitos, balizando estruturas e determinando providências. O 
Decreto-Lei no 200 se apoiava numa doutrina consistente e 
definia preceitos claros de organização e funcionamento da 
máquina administrativa. 
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Estado, Governo e Sociedade 
DL 200/1967 – Áreas Temáticas 
 
1. Princípios da Administração Pública – PDDCC. 
2. Administração Direta X Administração Indireta. 
3. Fixava a estrutura do Poder Executivo Federal. 
4.Desenhava os subsistemas orçamentário, financeiro, 
contabilidade, estatística e auditoria. 
5. Definia as bases do controle interno e externo. 
6. Definia o novo plano de classificação de cargos. 
7. Normas de aquisições e contratações de bens e serviços. 
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Estado, Governo e Sociedade 
 De 1967 a 1979, a coordenação da reforma 
administrativa cabia à Semor (Subsecretaria de 
Modernização e Reforma Administrativa), que cuidava 
dos aspectos estruturais, sistêmicos e processuais, e ao 
Dasp, que atuava somente no domínio dos recursos 
humanos. Nesta fase, a Semor se preocupou em 
recorrer a freqüentes exames da estrutura 
organizacional e analisou projetos de iniciativa de 
outros departamentos, visando à criação, fusão ou 
extinção de órgãos e programas que trouxessem maior 
eficácia à gestão pública. 
56 
Estado, Governo e Sociedade 
 Período Ditadura Militar – 1964 a 1985 
 
 No período constata-se o crescimento da administração 
direta, sobretudo com o aumento do número de ministérios 
que foram desmembrados de outros, no entanto, a marca 
maior do modelo do crescimento foi mesmo a expansão da 
administração indireta. Isso resultou no fenômeno da 
dicotomia entre o Estado tecnocrático e moderno das 
instâncias da administração indireta e o Estado burocrático, 
formal e defasado da administração direta, que subsiste 
mesmo depois da reforma administrativa de março de 1990. 
57 
Estado, Governo e Sociedade 
 Período Ditadura Militar – 1964 a 1985 
 
 No período em análise merecem registro dois 
programas de reforma elaborados entre 1979 e 1982, a 
desburocratização e a desestatização. De iniciativa do 
Poder Executivo, os dois programas foram concebidos 
de forma a atender objetivos complementares que 
seriam o aumento da eficiência e eficácia na 
administração pública e o fortalecimento do sistema de 
livre empresa. 
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Estado, Governo e Sociedade 
 
 Período Nova República – 1985 a 1990 
 
 Reforma do Estado era uma das principais promessas da 
Nova República, que se traduzia em diversas bandeiras de 
luta que iam muito além do rearranjo administrativo — 
vigência efetiva do império da lei, desobstrução do 
Legislativo, aparelhamento da Justiça, reforma tributária, 
descentralização e, subsidiariamente, reforma agrária, 
saneamento da previdência, implantação do sistema único 
de saúde, erradicação do analfabetismo, reforma do ensino 
básico, desenvolvimento regional. 
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Estado, Governo e Sociedade 
 Período Nova República – 1985 a 1990 
 
 Para empreender tamanha tarefa, o governo Sarney instituiu 
comissão geral da reforma, cujos objetivos eram extremamente 
ambiciosos, já que, num primeiro momento, pretendia redefinir 
o papel do Estado (nas três esferas de governo); estabelecer as 
bases do funcionamento da administração pública; fixar o 
destino da função pública; reformular as estruturas do Poder 
Executivo federal e de seus órgãos e entidades; racionalizar os 
procedimentos administrativos em vigor; além de traçar metas 
para áreas consideradas prioritárias, como a organização 
federal, recursos humanos e a informatização do setor público. 
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Estado, Governo e Sociedade 
 Período Nova República – ResumoEm resumo pode-se afirmar que as tentativas de reforma até 
1985 careceram de planejamento governamental e de meios 
mais eficazes de implementação. Havia uma relativa 
distância entre planejamento, modernização e recursos 
humanos, além da falta de integração entre os órgãos 
responsáveis pela coordenação das reformas. Os resultados 
dessa experiência foram relativamente nefastos e se 
traduziram na multiplicação de entidades, na marginalização 
do funcionalismo, na descontinuidade administrativa e no 
enfraquecimento do Dasp. 
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Estado, Governo e Sociedade 
 Período Nova República – A CF 1988 
 
 A Constituição de 1988 proclamou uma nova 
enunciação dos direitos de cidadania, ampliou os 
mecanismos de inclusão política e participação, 
estabeleceu larga faixa de intervenção do Estado no 
domínio econômico, redistribuiu os ingressos públicos 
entre as esferas de governo, diminuiu o aparato 
repressivo herdado do regime militar e institucionalizou 
os instrumentos de política social, dando-lhes 
substância de direção. 
 
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Estado, Governo e Sociedade 
 Período Nova República – A CF 1988 
 
 No entanto, do ponto de vista da gestão pública, a 
Carta de 1988, no anseio de reduzir as disparidades 
entre a administração central e a descentralizada, 
acabou por eliminar a flexibilidade com que 
contava a administração indireta que, apesar de 
casos de ineficiência e abusos localizados em 
termos de remuneração, constituía o setor dinâmico 
da administração pública. 
 
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Estado, Governo e Sociedade 
 Período – (Des) Reforma do Governo Collor - 1990 
 
 A rápida passagem de Collor pela presidência provocou, 
na administração pública, uma desagregação e um estrago 
cultural e psicológico impressionantes. A administração 
pública sentiu profundamente os golpes desferidos pelo 
governo Collor, com os servidores descendo aos degraus 
mais baixos da auto-estima e valorização social, depois de 
serem alvos preferenciais em uma campanha política 
altamente destrutiva e desagregadora. 
 
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Estado, Governo e Sociedade 
Período – Governo FHC – 1995 a 2002 
 
 No Brasil dos anos 1990, o debate sobre a reforma do 
Estado foi liderado pelo professor Luis Carlos 
Bresser-Pereira, seja na qualidade de scholar, seja na 
qualidade de ministro. Manifestando-se num ou 
noutro papel, seus argumentos e propostas foram 
sempre basicamente os mesmos e estão resumidos no 
Plano Diretor da Reforma do Aparelho de Estado — 
PDRAE (1995). 
 
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Estado, Governo e Sociedade 
 Período – Governo FHC – 1995 a 2002 – 
ESCOPO PDRAE 
 
 1. Análise da crise do Estado. 2. Uma classificação evolutiva 
da administração pública. 3. Um histórico das reformas 
administrativas no Brasil . 4. Um diagnóstico APU 
brasileira. 5. Um quadro referencial sobre formas de 
propriedade, setores do Estado, tipos de gestão. 6. uma 
estratégia de mudança. 7. Os principais projetos de reforma 
do chamado aparelho do Estado. 
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Estado, Governo e Sociedade 
 Período – Governo Lula 2003 a 2010 – 
AGENDA DE GESTÃO 
 
 1. O GESPÚBLICA – 2005. 
 
 2. A Carta de Brasília – 2008. 
 
 3. Agenda Nacional de Gestão Pública – 2009. 
 
 4. O Ano Gestão Pública no Brasil – 2009. 
 
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