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Concurso: CGU - 2012 Aula 1 LEONARDO FERREIRA Conteúdo Programático 1. Estado, Governo e Sociedade: conceito e evolução do Estado contemporâneo; aspectos fundamentais da formação do Estado brasileiro; teorias das formas e dos sistemas de governo; participação social como representação política; accountability vertical. 2 Conteúdo Programático 2. A Máquina Pública Brasileira: processo evolutivo; reformas administrativas, seus princípios, objetivos, resultados e ensinamentos; patrimonialismo, burocracia e gerencialismo; atual conformação da máquina pública em face dos preceitos constitucionais e legais; aspectos contemporâneos da gestão pública. 3 Conteúdo Programático 3. O Sistema de Freios e Contrapesos: autotutela; Controle Interno, Controle Externo, o papel da CGU; accountability horizontal; revisão jurisdicional dos atos administrativos. 4. Políticas Públicas: formulação, implementação, monitoramento e avaliação de políticas e programas públicos; intersetorialidade, redes sociais e transversalidade. 4 Conteúdo Programático 5. Governança e Administração Pública: orçamento, planejamento, análises governamentais e organizacionais, inovação, governança de organizações públicas; parcerias com o setor privado e com o terceiro setor. 6. Temas Correntes em Administração Pública: ética; Lei da Ficha-Limpa; responsabilidade fiscal; responsabilidade orçamentária. 5 Estado, Governo e Sociedade Conceituando Estado (1) O Estado é o povo politicamente organizado em um determinado território, vivendo sob uma mesma ordem jurídica soberana, buscando o bem de todos. É a somatória desses fatores que dá sustentabilidade ao Estado, responsável maior pela conjugação de forças do povo na concretização de seus anseios e no atendimento às suas necessidades. 6 Estado, Governo e Sociedade Conceituando Estado (2) ESTADO - Organização político-administrativo- jurídica de um determinado grupo social com vínculos em comum (povo) que ocupa um território fixo e está submetida a uma soberania. 7 Estado, Governo e Sociedade Conceitos Acessórios (1) - Povo Podemos definir povo como o conjunto de pessoas ligadas por vínculos históricos e culturais, que falam a mesma língua e vivenciam as mesmas tradições, com costumes, hábitos e interesses comuns. São exatamente esses pontos de semelhança os responsáveis pela contínua ligação entre as pessoas. 8 Estado, Governo e Sociedade Conceitos Acessórios (2) - População Por sua vez, população vem a ser o conjunto de pessoas que habitam um determinado espaço físico, seja um país, uma região ou uma cidade. População é a quantificação numérica desses indivíduos. 9 Estado, Governo e Sociedade Conceitos Acessórios (3) - Comunidade Comunidade pode ser consignada como o conjunto de pessoas estreitamente unidas de maneira espontânea, comungando os mesmos ideais, as mesmas crenças e opiniões. De modo geral, esses pontos em comunhão são responsáveis pela comunicação e integração mais próximas entre os membros componentes desse conjunto. 10 Estado, Governo e Sociedade Conceitos Acessórios (4) - Sociedade Quanto à conceituação de sociedade, podemos dizer tratar-se de um conjunto de pessoas que voluntariamente habitam uma determinada localidade, sendo regidas pelas mesmas normas, ligadas por um senso comum de percepção do grupo social correspondente. As atenções da sociedade estão voltadas à sua particular preservação e ao desenvolvimento em geral, em benefício de todas as pessoas que a compõem. 11 Estado, Governo e Sociedade Conceitos Acessórios (5) - Nação Por fim, nação vem a ser o conjunto de pessoas unidas por sua história, cultura, economia e língua, organizadas sob uma mesma ordem jurídica. Tais elementos acabam por moldar a organização política sob a qual essas pessoas irão viver. 12 Estado, Governo e Sociedade Elementos do Estado (1) POVO - Somatório de nacionais no solo pátrio e no exterior. Podemos acrescentar que devido ao desenvolvimento de sucessivas gerações e de outros fatores imprevisíveis, tais como movimentos migratórios, as características de um povo encontra- se em constante processo de transformação. 13 Estado, Governo e Sociedade Elementos do Estado (2) TERRITÓRIO - É a base física do Estado. É a área geográfica sob domínio do Estado. Território. Solo, subsolo, espaço aéreo, mar territorial, plataforma submarina, navios e aeronaves de guerra (em qualquer parte do mundo), navios mercantes e aviões comerciais (no espaço livre internacional) e embaixadas. 14 Estado, Governo e Sociedade Elementos do Estado (3) PODER POLÍTICO OU SOBERANIA – É uno o poder do Estado. Assim, no âmbito do respectivo território o poder soberano é conferido a ele e não existe quaisquer outras competências autoritárias que não provenham de seus órgãos, detentores do poder político, ou que não derivem desse poder. A finalidade do estado é, portanto, prover a realização do bem comum. 15 Estado, Governo e Sociedade Formação do Estado (1) De forma simplificada, sem grandes especulações, podemos imaginar as origens de um Estado devido à organização originária interna de um dado grupamento social, ou em decorrência de uma situação de conquista e dominação territorial, ou por ambas as hipóteses aplicadas conjuntamente. 16 Estado, Governo e Sociedade Formação do Estado (2) Três são os modos pelos quais historicamente se formam os Estados: Modos originários, em que a formação é inteiramente nova, nascem diretamente da população e do país, sem derivar de outro Estado preexistente. Modos secundários, quando vários Estados se unem para formar um novo estado, ou quando se fracionam para formar outros. Modos derivados, quando a formação se produz por influências exteriores, de outros Estados. 17 Estado, Governo e Sociedade CGU-2008-ESAF: Indique a opção que completa corretamente as lacunas das frases a seguir: Há três modos pelos quais historicamente se formam os Estados: Os modos _____________ em que a formação é inteiramente nova, o Estado nasce diretamente da população e do país; os modos_____________, quando a formação se produz por influências externas e os modos ______________, quando vários Estados se unem para formar um novo Estado ou quando um se fraciona para formar um outro. a) originários – derivados – secundários b) derivados – contratuais – originários c) contratuais – derivados – naturais d) naturais – originários – derivados e) secundários – naturais – originários 18 Estado, Governo e Sociedade Memorizar! NOÇÕES DE ESTADO – O Estado é a pessoa jurídica territorial, formada pelos elementos povo, território e governo soberano. Esses três elementos são indissociáveis e indispensáveis para noção de um Estado independente: o povo, num dado território, organizado segundo sua livre vontade. A organização do Estado é matéria de cunho constitucional, especialmente no tocante á divisão política do seu território, à organização de seus Poderes, á forma de governo adotada e aomodo de aquisição de poder pelos governantes. 19 Estado, Governo e Sociedade Memorizar! CF 1988: Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: Soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. 20 Estado, Governo e Sociedade Memorizar! FORMA DE ESTADO – A partir da organização política do território, surge a noção de Estado Unitário e Estado Federado (ou composto). Caso no território haja um só poder político central, teremos o chamado Estado Unitário, caso no mesmo território coexistam poderes políticos distintos, estaremos diante do chamado Estado Federado ou Composto. 21 Estado, Governo e Sociedade Memorizar! PODERES DO ESTADO – O estado é composto de Poderes, que representam uma divisão estrutural interna, destina à execução de certas funções estatais. Esses Poderes do Estado, segundo a clássica tripartição de Montesquieu, são o Legislativo, Executivo e Judiciário. A Constituição atribui a cada um dos Poderes do Estado determinada função típica. Entretanto, no Brasil, não há exclusividade no exercício das funções pelos Poderes, vale dizer, não há uma rígida, absoluta, divisão dos Poderes, mas sim uma preponderância na realização dessa ou daquela função. 22 Estado, Governo e Sociedade Memorizar! NOÇÕES DE GOVERNO – No âmbito do Direito Administrativo, a expressão “governo” tem sido utilizada para designar o conjunto de Poderes e órgãos constitucionais responsáveis pela função política do Estado. O Governo tem a incumbência de zelar pela direção suprema e geral do Estado, determinar os seus objetivos, estabelecer suas diretrizes, visando à unidade da soberania estatal. 23 Estado, Governo e Sociedade Memorizar! SISTEMA DE GOVERNO – A forma com que se dá a relação entre o Poder Legislativo e o Poder executivo no exercício das funções governamentais consubstancia outro importante aspecto da organização estatal. A depender do modo como se estabelece esse relacionamento, se há maior independência ou maior colaboração entre eles, teremos dois sistemas (ou regimes) de governo: o sistema presidencialista e o sistema parlamentarista. 24 Estado, Governo e Sociedade Memorizar! FORMA DE GOVERNO – O conceito de forma de governo está relacionado com a maneira como se dá a instituição do poder na sociedade e como se dá a relação entre governantes e governados. Se a forma de governo for caracterizada pela eletividade e pela temporalidade dos mandatos do Chefe do Executivo, teremos a República; caso estejamos diante de um governo caracterizado por sua hereditariedade e vitaliciedade, teremos a Monarquia. 25 Estado, Governo e Sociedade Memorizar! ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM SENTIDO AMPLO – A expressão “Administração Pública” abrange tanto os órgãos governamentais (GOVERNO), aos quais cabe traçar os planos e diretrizes de ação, quanto os órgãos administrativos, subordinados, de execução (administração pública em sentido estrito), aos quais incumbe executar os planos governamentais. A Administração Pública em sentido amplo, portanto, compreende tanto a função política, que estabelece as diretrizes governamentais, quanto à função administrativa, que as executa. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM SENTIDO ESTRITO – A expressão “Administração Pública” não alcança a função política de Governo, de fixação de planos e diretrizes governamentais, mas tão somente a função propriamente administrativa, de execução de atividades administrativas. 26 Estado, Governo e Sociedade Memorizar! ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM SENTIDO FORMAL, SUBJETIVO OU ORGÂNICO – Conceitua-se “Administração Pública” como o conjunto de agentes, órgãos, e pessoas jurídicas destinadas à execução das atividades administrativas. Nesse sentido, a Administração Pública corresponde a todo o aparelhamento de que dispõe o estado para consecução das políticas públicas traçadas pelo Governo. Nessa acepção, a expressão “Administração Pública” engloba todos os órgãos e agentes que, em qualquer dos Poderes do Estado (Legislativo, Executivo e Judiciário), em qualquer das esferas políticas (União, Estados, Distrito Federal ou Municípios), que estejam exercendo função administrativa. 27 Estado, Governo e Sociedade Memorizar! ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM SENTIDO MATERIAL, OBJETIVO OU FUNCIONAL - a expressão “Administração Pública” consiste na própria atividade administrativa executada pelo Estado por meio de seus órgãos e entidades encarregadas de atender às necessidades coletivas. Nessa concepção material, a administração pública abrange as seguintes atividades administrativas: o fomento, a polícia administrativa, o serviço público e a intervenção administrativa. 28 Estado, Governo e Sociedade Memorizar! ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM SENTIDO MATERIAL, OBJETIVO OU FUNCIONAL abrange as seguintes atividades administrativas: FOMENTO – Incentivo à iniciativa privada de utilidade pública. Exemplo: incentivos fiscais. POLÍCIA ADMINISTRATIVA – É o chamado poder de polícia, cujo exercício resultam em restrições ou condicionamentos impostos ao exercício de direitos individuais em benefício do interesse coletivo. Exemplo: fiscalizações sanitárias, as concessões de licenças. SERVIÇO PÚBLICO – compreende toda a atividade que a Administração Pública executa, direta ou indiretamente, para satisfazer à necessidade pública, como exemplo: temos os serviços de transporte, de telecomunicações, de saúde. A INTERVENÇÃO ADMINISTRATIVA – compreende a regulamentação e a fiscalização da atividade econômica de natureza privada, como a própria atuação do Estado na atividade Econômica. 29 Estado, Governo e Sociedade Constituição do Estado Nacional – Formação da Administração Pública Período Histórico Período 1500 a 1808 Colonial 1808 a 1822 Pré - Independência 1822 a 1889 Imperial 1889 a 1930 República Velha 1930 a 1945 Era Vargas 1945 a 1964 Desenvolvimentista 1964 a 1985 Ditadura Militar 1985 a 2010 Redemocratização 30 Estado, Governo e Sociedade Brasil - Período Colonial Tomar o desembarque da Coroa portuguesa no Rio de Janeiro, em 1808, como marco para a construção do Estado nacional não significa dizer que nada existisse em termos de aparato institucional e administrativo. Havia na colônia uma ampla, complexa e ramificada administração. 31 Estado, Governo e Sociedade Brasil - Período Colonial Em princípio, a administração colonial estava organizada em quatro níveis — as instituições metropolitanas, a administração central, a administração regional e a administração local. Do ponto de vista da organização territorial, o Brasil estava dividido em capitanias, que eram as maiores unidades administrativas da colônia. 32 Estado, Governo e Sociedade Brasil - Período Colonial Podemos citar como principais características da administração colonial — a centralização, a ausência de diferenciação (de funções), o mimetismo, a profusão e minudência das normas, o formalismoe a morosidade. Essas disfunções decorrem, em grande medida, da transplantação para a colônia das instituições existentes na metrópole e do vazio de autoridade (e de obediência) no imenso território, constituindo um organismo autoritário, complexo, frágil e ineficaz. 33 Estado, Governo e Sociedade Brasil - Período Colonial Isso não quer dizer que não tenha havido um processo de gradual racionalização do governo colonial ao longo de três séculos. A partir da administração pombalina, pouco a pouco, o empirismo paternalista do absolutismo tradicional foi sendo substituído pelo racionalismo típico do despotismo esclarecido. Essa mudança se expressava principalmente nos métodos e processos de trabalho que davam lugar à emergência de uma burocracia. 34 Estado, Governo e Sociedade Período Imperial – A Construção Estado Nacional A transferência da corte e mais tarde a elevação do Brasil a parte integrante do Reino Unido de Portugal constituíram as bases do Estado nacional, com todo o aparato necessário à afirmação da soberania e ao funcionamento do autogoverno. A elevação à condição de corte de um império transcontinental fez da nova administração brasileira, agora devidamente aparelhada, a expressão do poder de um Estado nacional que jamais poderia voltar a constituir-se em mera subsidiária de uma metrópole de além-mar. 35 Estado, Governo e Sociedade Período Imperial – A Construção Estado Nacional 1. A independência do Brasil – 07/09/1822. 2. A Constituição Federal 1824. 3. A reformas constitucionais de 1832 e 1847. 4. A derrocada do Império. 36 Estado, Governo e Sociedade Período - República Velha – 1889 a 1930 A proclamação da República não alterou profundamente as estruturas socioeconômicas do Brasil imperial. A riqueza nacional continuou concentrada na economia agrícola de exportação, baseada na monocultura e no latifúndio. O que se acentuou foi a transferência de seu centro dinâmico para a cafeicultura e a consequente mudança no pólo dominante da política brasileira das antigas elites cariocas e nordestinas para os grandes cafeicultores paulistas. 37 Estado, Governo e Sociedade Período - República Velha – 1889 a 1930 Nesse período, não houve grandes alterações na conformação do Estado nem na estrutura do governo. Desde a proclamação da República, a principal mudança no Poder Executivo foi a criação dos ministérios da Instrução Pública, de brevíssima existência; da Viação e Obras Públicas; e da Agricultura, Indústria e Comércio, cujos nomes sofreram pequenas modificações. Do ponto de vista da federação, houve uma ligeira redução na capacidade legislativa dos estados, que perderam o poder de legislar sobre determinadas matérias. 38 Estado, Governo e Sociedade Período – Era Vargas – 1930 a 1945 A chamada “Revolução de 1930” representou muito mais do que a tomada do poder por novos grupos oligárquicos, com o enfraquecimento das elites agrárias. Significou, na verdade, a passagem do Brasil agrário para o Brasil industrial. De fato, a partir desse marco e durante a maior parte do século XX, o Brasil empreendeu um continuado processo de modernização das estruturas e processos do aparelho de Estado. O primeiro período de Vargas na presidência durou 15 anos, sendo quatro de governo provisório, três de governo constitucional e oito de ditadura. 39 Estado, Governo e Sociedade Era Vargas – 1930 a 1945 – Foco Assim, sob o impulso de superação do esquema clientelista e anárquico de administração oligárquica, o governo de Getúlio Vargas iniciou uma série de mudanças que tinham pelo menos duas vertentes principais: 1. Estabelecer mecanismos de controle da crise econômica. 2. Promover a racionalização burocrática do serviço público, por meio da padronização, normatização e implantação de mecanismos de controle, notadamente nas áreas de pessoal, material e finanças. 40 Estado, Governo e Sociedade Era Vargas – 1930 a 1945 – Realizações 1930 - Comissão permanente padronização. 1931 - Comissão permanente de compras. 1934 - CF introduz o princípio do Mérito. 1935 - Comissão Nabuco – Reajustamento dos quadros do serviço público civil. 1936 - Lei do Reajustamento/ Criação Conselho Federal do Serviço Público Civil. 1937 - Criação de Agências Estatais. 1938 – Criação do DASP. 41 Estado, Governo e Sociedade O Departamento Administrativo do Serviço Público – DASP - Foi efetivamente organizado em 1938, com a missão de definir e executar a política para o pessoal civil, inclusive a admissão mediante concurso público e a capacitação técnica do funcionalismo, promover a racionalização de métodos no serviço público e elaborar o orçamento da União. Essa primeira experiência de reforma de largo alcance inspirava-se no modelo weberiano de burocracia e tomava como principal referência a organização do serviço civil americano. 42 Estado, Governo e Sociedade O Departamento Administrativo do Serviço Público – DASP - Estava voltada para a administração de pessoal, de material e do orçamento, para a revisão das estruturas administrativas e para a racionalização dos métodos de trabalho. A ênfase maior era dada à gestão de meios e às atividades de administração em geral, sem se preocupar com a racionalidade das atividades substantivas. 43 Estado, Governo e Sociedade Período Desenvolvimentista – 1946 a 1963 Eleito em dezembro de 1945, o presidente Dutra, ex-ministro da Guerra de Getúlio Vargas, tomou posse em janeiro do ano seguinte e realizou um governo legalista e conservador, marcado pela dissipação das reservas cambiais acumuladas durante o conflito mundial, pela perda da legalidade do Partido Comunista e pela proibição dos jogos de azar. 44 Estado, Governo e Sociedade Período Desenvolvimentista – 1946 a 1963 A Constituição de 1946 restabeleceu o estado de direito e as garantias individuais, restaurou a divisão de poderes da República, devolveu a autonomia dos estados, ampliou os direitos sociais dos trabalhadores, reorganizou o Judiciário e previu a mudança da capital. Fortaleceu- se o federalismo cooperativo, por meio de novos mecanismos de coordenação e transferência de rendas entre regiões. 45 Estado, Governo e Sociedade Período Desenvolvimentista – 1946 a 1963 Cinco anos depois de deixar o governo, Getúlio Vargas foi eleito presidente da República, pelo voto direto, em 3 de outubro de 1950. Vargas assumiu o governo, com poderes limitados pela Constituição de 1946, para cumprir um programa francamente nacionalista e reformista, prometendo ampliar os direitos dos trabalhadores e investir na indústria de base e em transportes e energia, o que requeria o aumento da intervenção do Estado no domínio econômico. 46 Estado, Governo e Sociedade Período Desenvolvimentista – 1946 a 1963 Depois de um tumultuado período de transição de mais de um ano, com golpes, contragolpes, a eleição e a tentativa de impedimento da posse do eleito, assumiu o governo em 1956, Juscelino Kubitscheck de Oliveira. Seu Plano de Metas tinha 36 objetivos, com destaque para quatro setores- chave: energia, transporte, indústria pesada e alimentação. Seu lema era a realização de “50 anos em cinco” e a meta símbolo era a construção da nova capital dopaís, Brasília. 47 Estado, Governo e Sociedade Período Desenvolvimentista – 1946 a 1963 Do ponto de vista institucional, a década que vai de 1952 a 1962 foi marcada pela realização de estudos e projetos que jamais seriam implementados. A criação da Cosb (Comissão de Simplificação Burocrática) e da Cepa (Comissão de Estudos e Projetos Administrativos), em 1956, representa as primeiras tentativas de realizar as chamadas reformas globais. 48 Estado, Governo e Sociedade Período Desenvolvimentista – 1946 a 1963 A primeira tinha como objetivo principal promover estudos visando à descentralização dos serviços, por meio da avaliação das atribuições de cada órgão ou instituição e da delegação de competências, com a fixação de sua esfera de responsabilidade e da prestação de contas das autoridades. A Cepa teria a incumbência de assessorar a presidência da República em tudo que se referisse aos projetos de reforma administrativa. 49 Estado, Governo e Sociedade Período Desenvolvimentista – 1946 a 1963 Esse período (1952 a 1962) se caracteriza por uma crescente cisão entre a administração direta, entregue ao clientelismo e submetida, cada vez mais, aos ditames de normas rígidas e controles, e a administração descentralizada (autarquias, empresas, institutos e grupos especiais ad hoc), dotados de maior autonomia gerencial e que podiam recrutar seus quadros sem concursos, preferencialmente entre os formados em think thanks especializados, remunerando-os em termos compatíveis com o mercado. 50 Estado, Governo e Sociedade Período Desenvolvimentista – 1946 a 1963 O governo de João Goulart (JANGO) era apoiado pelo Partido Trabalhista Brasileiro e se propunha a realizar um programa de esquerda, orientado para a realização de reformas de base — bancária, fiscal, urbana, agrária, universitária e administrativa. O programa contemplava a extensão do direito de voto aos analfabetos e às patentes. Apesar da crise, o governo Goulart criou a Comissão Amaral Peixoto, que deu início a novos estudos para a realização da reforma administrativa. Seu principal objetivo era promover “uma ampla descentralização administrativa até o nível do guichê, além de ampla delegação de competência. 51 Estado, Governo e Sociedade Período Ditadura Militar – 1964 a 1985 De certa forma, o governo militar realizou, à sua maneira, com sinais trocados, o programa de reformas de base — elaborou o Estatuto da Terra, promoveu uma reforma tributária, reorganizou o sistema bancário, reestruturou o ensino universitário e realizou uma ampla reforma administrativa. Em 1965 teve início a reforma tributária que se consolidou com a Constituição de 1967, uniformizando a legislação, simplificando o sistema e reduzindo o número de impostos. 52 Estado, Governo e Sociedade Período Ditadura Militar – 1964 a 1985 Ainda em 1964, o novo governo retirou do Congresso Nacional o projeto de lei elaborado pela Comissão Amaral Peixoto para reexame do assunto por parte do Poder Executivo. Instituiu a Comestra (Comissão Especial de Estudos da Reforma Administrativa), presidida pelo ministro extraordinário para o planejamento de coordenação econômica, com o objetivo de proceder ao “exame dos projetos elaborados e o preparo de outros considerados essenciais à obtenção de rendimento e produtividade da administração federal. 53 Estado, Governo e Sociedade Período Ditadura Militar – 1964 a 1985 Do trabalho dessa comissão e das revisões que se seguiram em âmbito ministerial resultou a edição do Decreto-Lei no 200, de 25 de fevereiro de 1967, o mais sistemático e ambicioso empreendimento para a reforma da administração federal. Esse dispositivo legal era uma espécie de lei orgânica da administração pública, fixando princípios, estabelecendo conceitos, balizando estruturas e determinando providências. O Decreto-Lei no 200 se apoiava numa doutrina consistente e definia preceitos claros de organização e funcionamento da máquina administrativa. 54 Estado, Governo e Sociedade DL 200/1967 – Áreas Temáticas 1. Princípios da Administração Pública – PDDCC. 2. Administração Direta X Administração Indireta. 3. Fixava a estrutura do Poder Executivo Federal. 4.Desenhava os subsistemas orçamentário, financeiro, contabilidade, estatística e auditoria. 5. Definia as bases do controle interno e externo. 6. Definia o novo plano de classificação de cargos. 7. Normas de aquisições e contratações de bens e serviços. 55 Estado, Governo e Sociedade De 1967 a 1979, a coordenação da reforma administrativa cabia à Semor (Subsecretaria de Modernização e Reforma Administrativa), que cuidava dos aspectos estruturais, sistêmicos e processuais, e ao Dasp, que atuava somente no domínio dos recursos humanos. Nesta fase, a Semor se preocupou em recorrer a freqüentes exames da estrutura organizacional e analisou projetos de iniciativa de outros departamentos, visando à criação, fusão ou extinção de órgãos e programas que trouxessem maior eficácia à gestão pública. 56 Estado, Governo e Sociedade Período Ditadura Militar – 1964 a 1985 No período constata-se o crescimento da administração direta, sobretudo com o aumento do número de ministérios que foram desmembrados de outros, no entanto, a marca maior do modelo do crescimento foi mesmo a expansão da administração indireta. Isso resultou no fenômeno da dicotomia entre o Estado tecnocrático e moderno das instâncias da administração indireta e o Estado burocrático, formal e defasado da administração direta, que subsiste mesmo depois da reforma administrativa de março de 1990. 57 Estado, Governo e Sociedade Período Ditadura Militar – 1964 a 1985 No período em análise merecem registro dois programas de reforma elaborados entre 1979 e 1982, a desburocratização e a desestatização. De iniciativa do Poder Executivo, os dois programas foram concebidos de forma a atender objetivos complementares que seriam o aumento da eficiência e eficácia na administração pública e o fortalecimento do sistema de livre empresa. 58 Estado, Governo e Sociedade Período Nova República – 1985 a 1990 Reforma do Estado era uma das principais promessas da Nova República, que se traduzia em diversas bandeiras de luta que iam muito além do rearranjo administrativo — vigência efetiva do império da lei, desobstrução do Legislativo, aparelhamento da Justiça, reforma tributária, descentralização e, subsidiariamente, reforma agrária, saneamento da previdência, implantação do sistema único de saúde, erradicação do analfabetismo, reforma do ensino básico, desenvolvimento regional. 59 Estado, Governo e Sociedade Período Nova República – 1985 a 1990 Para empreender tamanha tarefa, o governo Sarney instituiu comissão geral da reforma, cujos objetivos eram extremamente ambiciosos, já que, num primeiro momento, pretendia redefinir o papel do Estado (nas três esferas de governo); estabelecer as bases do funcionamento da administração pública; fixar o destino da função pública; reformular as estruturas do Poder Executivo federal e de seus órgãos e entidades; racionalizar os procedimentos administrativos em vigor; além de traçar metas para áreas consideradas prioritárias, como a organização federal, recursos humanos e a informatização do setor público. 60 Estado, Governo e Sociedade Período Nova República – ResumoEm resumo pode-se afirmar que as tentativas de reforma até 1985 careceram de planejamento governamental e de meios mais eficazes de implementação. Havia uma relativa distância entre planejamento, modernização e recursos humanos, além da falta de integração entre os órgãos responsáveis pela coordenação das reformas. Os resultados dessa experiência foram relativamente nefastos e se traduziram na multiplicação de entidades, na marginalização do funcionalismo, na descontinuidade administrativa e no enfraquecimento do Dasp. 61 Estado, Governo e Sociedade Período Nova República – A CF 1988 A Constituição de 1988 proclamou uma nova enunciação dos direitos de cidadania, ampliou os mecanismos de inclusão política e participação, estabeleceu larga faixa de intervenção do Estado no domínio econômico, redistribuiu os ingressos públicos entre as esferas de governo, diminuiu o aparato repressivo herdado do regime militar e institucionalizou os instrumentos de política social, dando-lhes substância de direção. 62 Estado, Governo e Sociedade Período Nova República – A CF 1988 No entanto, do ponto de vista da gestão pública, a Carta de 1988, no anseio de reduzir as disparidades entre a administração central e a descentralizada, acabou por eliminar a flexibilidade com que contava a administração indireta que, apesar de casos de ineficiência e abusos localizados em termos de remuneração, constituía o setor dinâmico da administração pública. 63 Estado, Governo e Sociedade Período – (Des) Reforma do Governo Collor - 1990 A rápida passagem de Collor pela presidência provocou, na administração pública, uma desagregação e um estrago cultural e psicológico impressionantes. A administração pública sentiu profundamente os golpes desferidos pelo governo Collor, com os servidores descendo aos degraus mais baixos da auto-estima e valorização social, depois de serem alvos preferenciais em uma campanha política altamente destrutiva e desagregadora. 64 Estado, Governo e Sociedade Período – Governo FHC – 1995 a 2002 No Brasil dos anos 1990, o debate sobre a reforma do Estado foi liderado pelo professor Luis Carlos Bresser-Pereira, seja na qualidade de scholar, seja na qualidade de ministro. Manifestando-se num ou noutro papel, seus argumentos e propostas foram sempre basicamente os mesmos e estão resumidos no Plano Diretor da Reforma do Aparelho de Estado — PDRAE (1995). 65 Estado, Governo e Sociedade Período – Governo FHC – 1995 a 2002 – ESCOPO PDRAE 1. Análise da crise do Estado. 2. Uma classificação evolutiva da administração pública. 3. Um histórico das reformas administrativas no Brasil . 4. Um diagnóstico APU brasileira. 5. Um quadro referencial sobre formas de propriedade, setores do Estado, tipos de gestão. 6. uma estratégia de mudança. 7. Os principais projetos de reforma do chamado aparelho do Estado. 66 Estado, Governo e Sociedade Período – Governo Lula 2003 a 2010 – AGENDA DE GESTÃO 1. O GESPÚBLICA – 2005. 2. A Carta de Brasília – 2008. 3. Agenda Nacional de Gestão Pública – 2009. 4. O Ano Gestão Pública no Brasil – 2009. 67