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Manual de Teologia   FINAL 1

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e profundas, capitalismo mercantil, trocas culturais, a formação 
da supremacia da razão e do individualismo racional, desenvolvimento da arte e do humanismo. 
Crescente separação entre império e papado, entre a Igreja e a política. 
É uma Teologia de defesa cujo ponto mais alto é a celebração do Concílio Vaticano I com a 
proclamação do dogma do primado e da infalibilidade papal. A teologia recusa-se a dialogar com 
o mundo moderno. 
Para quem é feita a teologia nesta época? Para o clérigo religioso ou diocesano. O Concilio de 
Trento decretou a criação de seminários para a formação do clero. 
Três áreas de desenvolvimento da teologia são identificadas: Fundamental, Moral e Dogmática 
 A área da Teologia Fundamental ocupa-se da Apologética (suscitar e testemunhar a fé) 
 A Teologia Moral oferece estrutura da vida humana a partir da lei (divina, natural e positiva) 
 A Teologia Dogmática, graças ao seu método regre apresenta os pilares da fé Cristã. A partir 
de uma tese, busca argumentos racionais que iluminados pela Sagrada Escritura permitem 
justificar e fundamentar a fé cristã. É uma Teologia rigorosa, conceptual, objetiva e uniforme. 
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1.3. A teologia hoje 
A teologia mais do que um discurso sobre Deus torna-se um discurso sobre a Palavra de Deus, 
cujo objetivo é compreender, aprofundar o seu sentido valendo-se de instrumentos de compreensão 
de que o homem dispõe. Mas dado que tais instrumentos mudam de uma época para a outra, de 
um continente para o outro segue-se logicamente a formação de uma grande variedade de discursos 
sobre Deus, isto é de teologias. 
Nos nossos dias a Teologia tem em conta um marco importante na Igreja Católica: o Concílio 
ecuménico Vaticano II (11/10/1962 – 8/12/1965). A Teologia, valoriza os esforços, aquisições e 
orientações deste Concílio, que concebe a fé como dom recebido e orienta o estudo das realidades 
divinas à luz da fé, soba orientação do Magistério, fazendo da Sagrada Escritura a alma da 
Teologia. 
1.4. Revelação 
1.4.1. Conceito de revelação 
Entende-se por revelação o acto de tirar o véu que cobre uma realidade, o acto de tornar 
acessível uma verdade até então velada ou oculta. Este conceito é usado para indicar a 
realidade ampla que constitui o dado de fé que nos é oferecido no Evento Jesus Cristo. 
1.4.2. Conteúdos da revelação 
A Constituição Dogmática sobre a Revelação divina no seu número dois condensa o conteúdo da 
Revelação na Economia da Salvação6 nos seguintes termos: “Aprouve a Deus, na sua bondade e 
sabedoria, revelar-se a si mesmo e tornar conhecido o mistério da sua vontade, por meio do qual 
os homens, através de Cristo, Verbo Incarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e n’Ele se 
tornam participantes da natureza divina” (Concílio Vaticano II, Dei Verbum, 2) Está claro que é 
livre iniciativa de Deus o acto de se revelar. O movente da tal liberdade é a sua bondade e 
sabedoria. Era natural que Deus que é suma bondade não permanecesse fechado em si mesmo 
eternamente. E a sabedoria sempre move para o bem. A intenção do acto é salvífica, porque é para 
que os homens tenham acesso ao Pai pelo Espírito. Deus faz-se conhecer para o homem entrar no 
mundo de Deus. 
 
6 Chamamos Economia da Salvação ao processo de revelação da Verdade sobre Deus ao longo da história da 
humanidade, tal como se revelou na História de Israel atingindo o seu ápice em Jesus Cristo. 
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A revelação divina concretiza-se por meio de palavras e acções intimamente ligadas entre si ao 
longo da história da salvação. Mas a revelação plena acontece na pessoa de Cristo que é o mediador 
e o agente do projecto de revelação do Pai. Ele é o mediador porque é o enviado, é o agente porque 
Ele mesmo é Deus em acção. 
1.4.3. Etapas da revelação 
Chamamos etapas da Revelação os diferentes momentos nos quais as verdades sobre Deus foram 
reveladas à humanidade. 
1.5. Deus se revela na Criação 
Um dos aspectos nos quais Deus se revelou ao homem é como o Deus criador. Este aspecto da 
revelação é comum às três grandes religiões: o judaísmo, o cristianismo e o Islão. 
1.5.1. Conceito de Criação 
O termo «criação» é um conceito propriamente teológico de fé judaico-cristão e trata do 
conjunto de todos os seres com o sinónimo de criaturas. A criação é «o fundamento de todos os 
divinos desígnios salvíficos, e manifesta o amor omnipotente e sapiente de Deus; é o primeiro 
passo para a aliança do único Deus com o seu povo; é o início da história da salvação que culmina 
em Cristo; é a primeira resposta às interrogações fundamentais do homem acerca da própria origem 
e do próprio fim» (cfr. CIC 279-289 315). 
O termo criar, assim designa uma actividade própria e exclusiva de Deus, uma actividade diferente 
de fabricação humana. Não se trata, portanto, de um mero fazer teórico e instrumental que exige 
provas científicas, mas sim um agir que envolve a intencionalidade do agente (Deus) pela própria 
iniciativa como seu projecto por Ele iniciado e que envolve o homem através do seu convite a ser 
co-criador. 
Para designar a acção criadora de Deus, se emprega o verbo hebraico 
barã (criar), da tradição sacerdotal, para designar a criação de Deus. Ele significa a criação – não 
condicionada e livre de requisitos – como marco histórico da natureza e do espírito. O que não 
existia passa a existir nesse momento (Ex 34,10; Nm 16,30; Sl 51,12, etc.). Esta actividade divina 
carece de analogias (Conte, 1994, p. 237). 
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Distingue –se assim o “criar” (barã) e “fazer” (asâh). O verbo barã designa a totalidade da criação 
e é empregado exclusivamente quando se fala de Deus, na sua acção criadora, ou seja, na criação: 
«No princípio, Deus criou o céu e a terra» (Gn 1,1). Diferentemente, o verbo asâh, inicia no 
versículo 2 e é concluído com o dia de descanso, indica a realização consequente de uma obra, a 
função determinada de uma obra. Somente o fazer, na medida em que é uma configuração e 
produção, é modelo do trabalho manual. Mas a actividade criadora divina e a actividade humana 
não têm nada em comum. 
1.5.2. Deus é o Criador 
A omnipotência de Deus tem como última consequência a sua actividade criadora, ou mais 
exactamente, a criação do nada. 
O evento da criação é apresentado como criação mediante a palavra: Ele cria pela sua palavra 
(Bauer, 1988, p. 233). 
A ideia da criação do nada, ou seja, do nada tudo proveio, vem da expressão Creatioexnihil, 
expressão que se encontra na boca da mãe dos filhos Macabeus (cf. 2Mac 7,28). 
Deus cria livremente, sem necessidade alguma, sem coação alguma. No entanto, a expressão 
creatio ex nihil indica um limite. O nihil é limite “do nada”, i. é.do puro nada (La Peña, 1986, pp. 
134-139). A preposição “de” não aponta para algo preexistente, mas exclui toda matéria. 
1.5.3. Cristo princípio, centro e fim da criação 
A história iniciada com a criação tem o seu ponto culminante naquele constituído por Deus pela 
ressurreição, Cristo, Palavra que ultimamente Deus falou (Hb1,1) e inclui em si a palavra sobre a 
natureza da criação. Cristo é identificado como salvador e posteriormente inserido na dimensão 
cósmico-criadora e, a Criação que já havia recebido a função histórico-salvífica passa a uma 
conotação cristológica: Cristo é, «ao mesmo tempo, como princípio, o centro e o fim da criação» 
(Cl1,15-20). Com a Sua presença, a Criação assume novas dimensões da nova criação. 
1.5.4. Dificuldades e objecções 
A doutrina da criação suscitou sempre grandes dificuldades e objecções no decurso do tempo no 
âmbito do seu desenvolvimento. Foi negada a criação como obra de Deus. Para além do ateísmo 
científico que a partir da teoria da explosão primordial diz o mundo