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COACHING PARA CONCURSOS – ESTRATÉGIAS PARA SER APROVADO
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LEITURA, COMPREENÇÃO E
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
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Leitura, Compreensão E Interpretação De Textos
Língua é fundamentalmente um fenômeno oral. É portanto indispensável desenvolver uma certa
familiaridade com o idioma falado, e mais especificamente, com a sua pronúncia, antes de se
procurar dominar o idioma escrito.
The principle [speech before writing] applies even when the goal is only to read.
Lado, 1964, p. 50
A inversão desta seqüência pode causar vícios de pronúncia resultantes da incorreta interpretação
fonética das letras. Principalmente no caso do aprendizado de inglês, onde a correlação entre
pronúncia e ortografia é extremamente irregular e a interpretação oral da ortografia muito diferente do
português (veja contrastes de pronúncia), e cuja ortografia se caracteriza também pela ausência total
de indicadores de sílaba tônica, torna-se necessário priorizar e antecipar o aprendizado oral.
Satisfeita esta condição ou não, o exercício de leitura em inglês deve iniciar a partir de textos com
vocabulário reduzido, de preferência com uso moderado de expressões idiomáticas, regionalismos, e
palavras "difíceis" (de rara ocorrência). Proximidade ao nível de conhecimento do aluno é pois uma
condição importante. Outro aspecto, também importante, é o grau de atratividade do texto. O assunto,
se possível, deve ser de alto interesse para o leitor. Não é recomendável o uso constante do
dicionário, e este, quando usado, deve de preferência ser inglês - inglês. A atenção deve concentrar-
se na idéia central, mesmo que detalhes se percam, e o aluno deve evitar a prática da tradução. O
leitor deve habituar-se a buscar identificar sempre em primeiro lugar os elementos essenciais da
oração, ou seja, sujeito, verbo e complemento. A maior dificuldade nem sempre é entender o
significado das palavras, mas sua função gramatical e conseqüentemente a estrutura da frase.
O grau de dificuldade dos textos deve avançar gradativamente, e o aluno deve procurar fazer da
leitura um hábito freqüente e permanente.
Procure Identificar Os Elementos Essenciais Da Oração - O Sujeito E O Verbo
O português se caracteriza por uma certa flexibilidade com relação ao sujeito. Existem as figuras
gramaticais do sujeito oculto, indeterminado e inexistente, para justificar a ausência do sujeito.
Mesmo quando não ausente, o sujeito freqüentemente aparece depois do verbo, e às vezes até no
fim da frase (ex: Ontem apareceu um vendedor lá no escritório).
O inglês é mais rígido: praticamente não existem frases sem sujeito e ele aparece sempre antes do
verbo em frases afirmativas e negativas. O sujeito é sempre um nome próprio (ex: Paul is my friend),
um pronome (ex: He's my friend) ou um substantivo (ex: The house is big).
Pode-se dizer que o pensamento em inglês se estrutura a partir do sujeito; em seguida vêm o verbo,
o complemento, e os adjuntos adverbiais. Para uma boa interpretação de textos em inglês, não
adianta reconhecer o vocabulário apenas; é preciso compreender a estrutura, e para isso é de
fundamental importância a identificação do verbo e do sujeito.
Não Se Atrapalhe Com Os Substantivos Em Cadeia. Leia-Os De Trás Para Frente
A ordem normal em português é substantivo – adjetivo (ex: casa grande), enquanto que em inglês é o
inverso (ex: big house). Além disto, qualquer substantivo em inglês é potencialmente também um
adjetivo, podendo ser usado como tal. (Ex: brick house = casa de tijolos ; vocabulary comprehension
test = teste de compreensão de vocabulário). Sempre que o aluno se defrontar com um aparente
conjunto de substantivos enfileirados, deve lê-los de trás para diante intercalando a preposição "de".
Cuidado Com O Sufixo ...Ing
O aluno principiante tende a interpretar o sufixo ...ing unicamente como gerúndio, quando na maioria
das vezes ele aparece como forma substantivada de verbo ou ainda como adjetivo. Se a palavra
terminada em ...ing for um substantivo, poderá figurar na frase como sujeito, enquanto que se for um
verbo no gerúndio, jamais poderá ser interpretado como sujeito nem como complemento. Este é um
detalhe que muito freqüentemente compromete seriamente o entendimento.
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gerund We are planning to ...
What are you doing?
noun He likes fishing and camping, and hates accounting.
This apartment building is new.
adjective He likes fishing and camping, and hates accounting.
That was a frightening explosion.
Familiarize-Se Com Os Principais Sufixos.
A utilidade de se conhecer os principais sufixos e suas respectivas regras de formação de palavras,
do ponto de vista daquele que está desenvolvendo familiaridade com inglês, está no fato de que este
conhecimento permite a identificação da provável categoria gramatical mesmo quando não se
conhece a palavra no seu significado, o que é de grande utilidade na interpretação de textos.
Vejam as regras de formação de palavras abaixo e seus respectivos sufixos, com alguns exemplos:
• SUBSTANTIVO + ...ful = ADJETIVO (significando full of ..., having ...)
• SUBSTANTIVO + ...less = ADJETIVO (significando without ...)
substantivo ...ful adjetivo ...less adjetivo
care cuidado careful cuidadoso careless descuidado
harm dano, prejuízo harmful prejudicial harmless inócuo, inofensivo
hope esperança hopeful esperançoso hopeless que não tem esperança
meaning significado meaningful significativo meaningless sem sentido
pain dor painful doloroso painless indolor
power potência powerful potente powerless impotente
use uso useful útil useless inútil
beauty beleza beautiful belo, bonito -
skill habilidade skillful habilidoso -
wonder maravilha wonderful maravilhoso -
end fim - - endless interminável
home casa - - homeless sem-teto
speech fala - - speechless sem fala
stain mancha - - stainless sem mancha, inoxidável
top topo - - topless sem a parte de cima
wire arame, fio - - wireless sem fio
worth valor - - worthless que não vale nada
SUBSTANTIVO + ...hood = SUBSTANTIVO ABSTRATO - sufixo de baixa produtividade significando
o estado de ser
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Há cerca de mil anos atrás, no período conhecido como Old English, hood era uma palavra
independente, com um significado amplo, relacionado à pessoa, sua personalidade, sexo, nível
social, condição. A palavra ocorria em conjunto com outros substantivos para posteriormente, com o
passar dos séculos, se transformar num sufixo.
substantivo contável ...hood substantivo abstrato
adult adulto adulthood maturidade
brother irmão brotherhood fraternidade
child criança childhood infância
father pai fatherhood paternidade
mother mãe motherhood maternidade
neighbor vizinho neighborhood vizinhança
SUBSTANTIVO + ...ship = SUBSTANTIVO ABSTRATO (sufixo de baixa produtividade significando o
estado de ser). A origem do sufixo _ship é uma história semelhante à do sufixo _hood. Tratava-se de
uma palavra independente na época do Old English, relacionada a shape e que tinha o significado
de criar, nomear. Ao longo dos séculos aglutinou-se com o substantivo a que se referia adquirindo o
sentido de estado ou condição de ser tal coisa.
substantivo contável ...ship substantivo abstrato
citizen cidadão citizenship cidadania
dealer negociante, revendedor dealership revenda
dictator ditador dictatorship ditadura
friend amigo friendship amizade
leader líder leadership liderança
member sócio, membro de um clube membership qualidade de quem é sócio
owner proprietário ownership posse, propriedade
partner sócio, companheiro partnershipsociedade comercial
relation relação relationship relacionamento
ADJETIVO + ...ness = SUBSTANTIVO ABSTRATO (significando o estado, a qualidade de).
adjetivo ...ness substantivo abstrato
dark escuro darkness escuridão
happy feliz happiness felicidade
kind gentil kindness gentileza
polite bem-educado politeness boa educação
selfish egoísta selfishness egoísmo
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soft macio, suave softness maciez, suavidade
thick grosso, espesso thickness espessura
useful útil usefulness utilidade
weak fraco weakness fraqueza
youthful com aspecto de jovem youthfulness característica de quem é jovem
ADJETIVO + ...ity = SUBSTANTIVO ABSTRATO (significando o mesmo que o anterior: o estado, a
qualidade de; equivalente ao sufixo ...idade do português). Uma vez que a origem deste sufixo é o
latim, as palavras a que se aplica são na grande maioria de origem latina, mostrando uma grande
semelhança com o português.
adjetivo ...ity substantivo abstrato
able apto, que tem condições de ability habilidade, capacidade
active ativo activity atividade
available disponível availability disponibilidade
complex complexo complexity complexidade
flexible flexível flexibility flexibilidade
generous generoso generosity generosidade
humid úmido humidity umidade
personal pessoal personality personalidade
possible possível possibility possibilidade
probable provável probability probabilidade
productive produtivo productivity produtividade
responsible responsável responsibility responsabilidade
sincere sincero sincerity sinceridade
VERBO + ...tion (...sion) = SUBSTANTIVO (sufixo de alta produtividade significando o estado, a ação
ou a instituição; equivalente ao sufixo ...ção do português). A origem deste sufixo é o latim. Portanto,
as palavras a que se aplica são na grande maioria de origem latina, mostrando uma grande
semelhança e equivalência com o português.
verbo ...tion substantivo
accommodate acomodar accommodation acomodação
acquire adquirir acquisition aquisição, assimilação
act atuar, agir action ação
administer administrar administration administração
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attend participar de attention atenção
cancel cancelar cancellation cancelamento
collect coletar, colecionar collection coleta, coleção
communicate comunicar communication comunicação
compose compor composition composição
comprehend compreender comprehension compreensão
confirm confirmar confirmation confirmação
connect conectar connection conexão
consider considerar consideration consideração
construct construir construction construção
contribute contribuir contribution contribuição
converse conversar conversation conversação
cooperate cooperar cooperation cooperação
correct corrigir correction correção
corrupt corromper corruption corrupção
create criar creation criação
define definir definition definição
demonstrate demonstrar demonstration demonstração
deport deportar deportation deportação
describe descrever description descrição
direct direcionar direction direção
discuss discutir discussion discussão
distribute distribuir distribution distribuição
educate educar, instruir education educação, instrução
elect eleger election eleição
evaluate avaliar evaluation avaliação
exaggerate exagerar exaggeration exagero
examine examinar examination exame
except excluir, fazer exceção exception exceção
explain explicar explanation explicação
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explode explodir explosion explosão
express expressar expression expressão
extend extender, prorrogar extension prorrogação
form formar formation formação
found fundar, estabelecer foundation fundação
generalize generalizar generalization generalização
graduate graduar-se, formar-se graduation formatura
humiliate humilhar humiliation humilhado
identify identificar identification identificação
imagine imaginar imagination imaginação
immerse imergir immersion imersão
incorporate incorporar incorporation incorporação
infect infeccionar infection infecção
inform informar information informação
inject injetar injection injeção
inspect inspecionar inspection inspeção
instruct instruir instruction instrução
intend ter intenção, pretender intention intenção
interpret interpretar interpretation interpretação
introduce introduzir, apresentar introduction introdução, apresentação
justify justificar, alinhar texto justification justificação, alinhamento de texto
legislate legislar legislation legislação
locate localizar location localização
lubricate lubrificar lubrication lubrificação
modify modificar modification modificação
motivate motivar motivation motivação
nominate escolher, eleger nomination escolha de um candidato
normalize normalizar normalization normalização
obligate obrigar obligation obrigação
operate operar operation operação
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opt optar option opção
organize organizar organization organização
orient orientar orientation orientação
permit permitir permission permissão
pollute poluir pollution poluição
present apresentar presentation apresentação
privatize privatizar privatization privatização
produce produzir production produção
promote promover promotion promoção
pronounce pronunciar pronunciation pronúncia
protect proteger protection proteção
qualify qualificar qualification qualificação
quest buscar, procurar question pergunta
receive receber reception recepção
reduce reduzir reduction redução
register registrar registration registro
regulate regular regulation regulamento
relate relacionar relation relação
repete repetir repetition repetição
revolt revoltar-se revolution revolução
select selecionar selection seleção
situate situar situation situação
solve resolver, solucionar solution solução
transform transformar transformation transformação
translate traduzir translation tradução
transmit transmitir transmission transmissão
transport transportar transportation transporte
VERBO + ...er = SUBSTANTIVO (significando o agente da ação; sufixo de alta produtividade).
verbo ...er substantivo
bank banco banker banqueiro
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blend misturar blender liquidificador
boil ferver boiler tanque de aquecimento,
caldeira
call chamar, ligar caller (aquele que faz uma ligação
telefônica)
compute computar computer computador
drum tamborear, tocar
bateria
drummer baterista
dry secar drier secador
drive dirigir driver motorista
erase apagar eraser apagador, borracha
fight lutar fighter lutador, caça
freeze congelar freezer congelador
interpret interpretar interpreter intérprete
kill matar killer matador, assassino
lead liderar leader líder
light iluminar, acender lighter isqueiro
lock chavear locker armário de chavear
love amar lover amante
manage gerenciar manager gerente
paint pintar painter pintor
photograph fotografar photographer fotógrafo
print imprimir printer impressora
prosecute acusar prosecuter promotor
publish publicar publisher editor
read ler reader leitor
record gravar, registrar recorder gravador
report reportar reporter repórter
rob assaltar robber assaltante
sing cantar singer cantor
smoke fumar smoker fumante
speak falar speakerporta-voz, aquele que fala
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supply fornecer supplier fornecedor
teach ensinar teacher professor
train treinar trainer treinador
travel viajar traveler viajante
use usar user usuário
wait esperar waiter garçom
wash lavar washer lavador, máquina de lavar
work trabalhar worker trabalhador, funcionário
write escrever writer escritor
VERBO + ...able (...ible) = ADJETIVO (o mesmo que o sufixo ...ável ou ...ível do português; sufixo de
alta produtividade). Sua origem é o sufixo _abilis do latim, que significa capaz de, merecedor de.
verbo ...able (...ible) adjetivo
accept aceitar acceptable aceitável
access acessar accesible acessível
achieve realizar, alcançar um resultado achievable realizável
advise aconselhar advisable aconselhável
afford proporcionar, ter meios para custear affordable que dá para comprar
apply aplicar, candidatar-se a applicable aplicável
avail proporcionar, ser útil available disponível
believe acreditar, crer believable acreditável
compare comparar comparable comparável
comprehend abranger, compreender comprehensible abrangente, compreensível
predict predizer, prever predictable previsível
question questionar questionable questionável
rely confiar reliable confiável
respond responder responsible responsável
sense sentir sensible sensível
trust confiar trustable confiável
understand entender understandable inteligível
value valorizar valuable valioso
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VERBO + ...ive (...ative) = ADJETIVO (o mesmo que o sufixo ...tivo ou ...ível do português; sufixo de
alta produtividade). Sua origem é o sufixo _ivus do latim, que significa ter a capacidade de.
verbo ...ive (...ative) adjetivo
act atuar active ativo
affirm afirmar affirmative affirmativo
attract atrair attractive atrativo
communicate comunicar communicative comunicativo
conserve conservar conservative conservador
construct construir constructive construtivo
expend gastar expensive caro
explode explodir explosive explosivo
inform informar informative informativo
instruct instruir instructive instrutivo
interrogate interrogar interrogative interrogativo
offend ofender offensive ofensivo
prevent prevenir preventive preventivo
produce produzir productive produtivo
ADJETIVO + ...ly = ADVÉRBIO (o mesmo que o sufixo ...mente do português; sufixo de alta
produtividade).
adjetivo ...ly advérbio
actual real actually de fato, na realidade
approximate aproximado approximately aproximadamente
basic (básico) basically basicamente
careful cuidadoso carefully cuidadosamente
careless descuidado carelessly de forma descuidada
certain certo certainly certamente
dangerous perigoso dangerously perigosamente
efficient eficiente efficiently eficientemente
eventual final eventually finalmente
exact exato exactly exatamente
final final finally finalmente
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fortunate afortunado, feliz fortunately felizmente
frequent freqüente frequently freqüentemente
hard duro, difícil hardly dificilmente
hopeful esperançoso hopefully esperemos que
important importante importantly de forma importante
late tarde, último lately ultimamente
natural natural naturally naturalmente
necessary necessário necessarily necessariamente
normal normal normally normalmente
obvious óbvio obviously obviamente
occasional ocasional, eventual occasionally ocasionalmente, eventualmente
original original originally originalmente
perfect perfeito perfectly perfeitamente
permanent permanente permanently permanentemente
quick ligeiro quickly ligeiramente
real real really realmente
recent recente recently recentemente
regular regular regularly regularmente
sincere sincero sincerely sinceramente
slow lento slowly lentamente
successful bem-sucedido successfully de forma bem-sucedida
sudden repentino suddenly repentinamente
unfortunate infeliz unfortunately infelizmente
urgent urgente urgently urgentemente
usual usual usually usualmente, normalmente
Veja uma lista mais completa de sufixos e prefixos em Word Formation (Morfologia - Formação de
Palavras)
Não Se Deixe Enganar Pelos Verbos Preposicionais.
Os verbos preposicionais, também chamados de phrasal verbs ou two-word verbs,confundem porque a
adição da preposição normalmente altera substancialmente o sentido original do verbo. Ex:
go - ir
go off disparar (alarme)
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go over rever, verificar novamente
turn - virar, girar
turn on ligar
turn off desligar
turn down desprezar
turn into transformar em
put - colocar, botar
put off cancelar, postergar
put on vestir, botar
put out apagar (fogo)
put away guardar
put up with tolerar
Procure Conhecer Bem As Principais Palavras De Conexão.
Words of connection ou words of transition são conjunções, preposições, advérbios, etc, que servem
para estabelecer uma relação lógica entre frases e idéias. Familiaridade com estas palavras é chave
para o entendimento e a correta interpretação de textos.
Este site disponibiliza um estudo completo sobre conectivos (articuladores) em inglês e português,
contendo 1224 exemplos de uso: http://www.sk.com.br/sk-conn.html
Cuidado Com Os Falsos Conhecidos.
Falsos conhecidos, também chamados de falsos amigos, são palavras normalmente derivadas do
latim, que têm portanto a mesma origem e que aparecem em diferentes idiomas com ortografia
semelhante, mas que ao longo dos tempos acabaram adquirindo significados diferentes.
Use Sua Intuição, Não Tenha Medo De Adivinhar Significados, E Não Dependa Muito Do
Dicionário.)
Para nós, brasileiros, a interpretação de textos é facilitada pela semelhança no plano do vocabulário,
uma vez que o português é uma língua latina e o inglês possui cerca de 50% de seu vocabulário
proveniente do latim. É principalmente no vocabulário técnico e científico que aparecem as maiores
semelhanças entre as duas línguas, mas também no vocabulário cotidiano encontramos palavras que
nos são familiares. É certo que devemos cuidar com os falsos cognatos (veja item anterior). Estes,
entretanto, não chegam a representar 0,1% do vocabulário de origem latina. Podemos portanto
confiar na semelhança. Por exemplo: bicycle, calendar, computer, dictionary, exam, important, intelligent,
interesting, manual, modern, necessary, pronunciation, student, supermarket, test, vocabulary, etc., são
palavras que brasileiros entendem sem saber nada de inglês. Assim sendo, o aluno deve sempre
estar atento para quaisquer semelhanças. Se a palavra em inglês lembrar algo que conhecemos do
português, provavelmente tem o mesmo significado.
Leitura de textos mais extensos como jornais, revistas e principalmente livros é altamente
recomendável para alunos de nível intermediário e avançado, pois desenvolve vocabulário e
familiaridade com as características estruturais da gramática do idioma. A leitura, entretanto, torna-se
inviável se o leitor prender-se ao hábito de consultar o dicionário para todas palavras cujo
entendimento não é totalmente claro. O hábito salutar a ser desenvolvido é exatamente o oposto. Ou
seja, concentrar-se na idéia central, ser imaginativo e perseverante, e adivinhar se necessário. Não
deve o leitor desistir na primeira página por achar que nada entendeu. Deve, isto sim, prosseguir com
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insistência ecuriosidade. A probabilidade é de que o entendimento aumente de forma surpreendente,
à medida em que o leitor mergulha no conteúdo do texto.
As técnicas de leitura, como o próprio nome diz, vão nos ajudar a ler um texto. Existem técnicas
variadas, mas veremos as mais utilizadas. Ao ler um texto em Inglês, lembre-se de usar as técnicas
aprendidas, elas vão ajudá-lo. O uso da gramática vai ajudar também.As principais técnicas são: a
identificação de cognatos, de palavras repetidas e de pistas tipográficas. Ao lermos um texto
vamos,ainda, apurar a idéia geral do texto (general comprehension) e utilizar duas outras técnicas
bastante úteis: skimming e scanning.
CognatosOs cognatos são palavras muito parecidas com as palavras do Português. São as
chamadas palavras transparentes. Existem também os falsos cognatos, que são palavras que
achamos que é tal coisa, mas não é; os falsos cognatos são em menor número, estes nós veremos
adiante.
Como cognatos podemos citar: school (escola), telephone (telefone), car (carro), question (questão,
pergunta), activity (atividade), training (treinamento)... Você mesmo poderá criar sua própria lista de
cognatos!
Palavras repetidasAs palavras repetidas em um texto possuem um valor muito importante. Um autor
não repete as palavras em vão. Se elas são repetidas, é porque são importantes dentro de texto.
Muitas vezes para não repetir o mesmo termo, o autor utiliza sinônimos das mesmas palavras para
não tornar o texto cansativo.
Pistas Tipográficas
As pistas tipográficas são elementos visuais que nos auxiliam na compreensão do texto. Atenção com
datas, números, tabelas, gráficas, figuras... São informações também contidas no texto.
Os recursos de escrita também são pistas tipográficas. Por exemplo:
• ... (três pontos) indicam a continuação de uma idéia que não está ali exposta;
• negrito dá destaque a algum termo ou palavra;
• itálico também destaca um termo, menos importante que o negrito;
• ‘’ ‘’ (aspas) salientam a importância de alguma palavra;
• ( ) (parênteses) introduzem uma idéia complementar ao texto.
General ComprehensionA idéia geral de um texto é obtida com o emprego das técnicas anteriores.
Selecionando-se criteriosamente algumas palavras, termos e expressões no texto, poderemos chegar
à idéia geral do texto.
Por exemplo, vamos ler o trecho abaixo e tentar obter a “general comprehension” deste
parágrafo:“Distance education takes place when a teacher and students are separated by physical
distance, and technology (i.e., voice, video and data), often in concert with face-to-face
communication, is used to bridge the instructional gap.”From: Engineering OutreachCollege of
Engineering – University of IdahoA partir das palavras cognatas do texto (em negrito) podemos ter um
a idéia geral do que se trata; vamos enumerar as palavras conhecidas (pelo menos as que são
semelhantes ao Português):
• distance education = educação a distancia
• students = estudantes, alunos
• separeted = separado
• physical distance = distância física
• technology = tecnologia
• voice, video, data = voz, vídeo e dados (atenção: “data” não é data)
• face-to-face communication = comunicação face-a-face
• used = usado (a)
• instructional = instrucional
Então você poderia dizer que o texto trata sobre educação a distância; que esta ocorre quando os
alunos estão separados fisicamente do professor; a tecnologia (voz, vídeo, dados) podem ser usados
de forma instrucional.Você poderia ter esta conclusão sobre o texto mesmo sem ter muito
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conhecimento de Inglês. É claro que à medida que você for aprendendo, a sua percepção sobre o
texto também aumentará. Há muitas informações que não são tão óbvias assim.
Skimming“skim” em inglês é deslizar à superfície, desnatar (daí skimmed milk = leite desnatado),
passar os olhos por. A técnica de “skimming” nos leva a ler um texto superficialmente. Utilizar esta
técnica significa que precisamos ler cada sentença, mas sim passarmos os olhos por sobre o texto,
lendo algumas frases aqui e ali, procurando reconhecer certas palavras e expressões que sirvam
como ‘dicas’ na obtenção de informações sobre o texto.
Às vezes não é necessário ler o texto em detalhes. Para usar esta técnica, precisamos nos valer dos
nossos conhecimentos de Inglês também.Observe este trecho:“Using this integrated approach, the
educator’s task is to carefully select among the technological options. The goal is to build a mix of
instructional media, meeting the needs of the learner in a manner that is instructionally effective and
economically prudent.”From: Engineering OutreachCollege of Engineering – University of
IdahoSelecionando algumas expressões teremos:
• integrated approach = abordagem (approach = abordagem, enfoque) integrada
• educator’s task = tarefa (task = tarefa) do educador – ‘s significa posse = do
• tecnological options = opções tecnológicas (tecnological é adjetivo)
• goal = objetivo
• a mix instrucional media = uma mistura de mídia instrucional.
Com a técnica do “skimming” podemos dizer que este trecho afirma que a tarefa do educador é
selecionar as opções tecnológicas; o objetivo é ter uma mistura de mídias instrucionais de uma
maneira instrucionalmente efetiva e economicamente prudente.
Scanning“Scan” em Inglês quer dizer examinar, sondar, explorar. O que faz um scanner? Uma
varredura, não é?! Logo, com a técnica de “scanning” você irá fazer uma varredura do texto,
procurando detalhes e idéias objetivas.
Aqui é importante que você utilize os conhecimentos de Inglês; por isso, nós vamos ver
detalhadamente alguns itens gramaticais no ser “ Estudo da Língua Inglesa”.Olhe este trecho:“
Teaching and learning at a distance is demanding. However, learning will be more meaningful and
“deeper” for distant students, if students and their instructor share responsibility for developing
learning goals: actively interacting with class members; promoting reflection on experience; relating
new information to examples that make sense to learners. This is the challenge and the opportunity
provided by distance education.”Poderíamos perguntar qual o referente do pronome “ their” em
negrito no trecho?Utilizando a técnica de skimming, seria necessário retornar ao texto e entender a
sentença na qual o pronome está sendo empregado. “Their “ é um pronome possessivo ( e como tal,
sempre vem acompanhado de um substantivo) da terceira pessoa do plural ( o seu referente é um
substantivo no plural).
A tradução de “their instructor” seria seu instrutor . Seu de quem? Lendo um pouco para trás, vemos
que há “students”; logo concluímos que “their” refere-se a “students, ou seja, instrutor dos alunos”
# Passo 1. Leia Normalmente O Texto E Sublinhe As Palavras Que Você Não Sabe Os
Significados.
Não utilize imediatamente os dicionários, haja vista que eles podem fazer com que você perca o
contexto.
Mesmo em nossa língua nativa, recomendo não procurar o dicionário (primeira leitura) se não
conhecer a palavra, pois é possível analisar o texto ao redor e entender o conceito.
Ao mesmo tempo, é essencial que você sublinhe a atividade para não perder a palavra que precisa
aprender.
# Passo 2. Leia Novamente. Utilizando O Dicionário E Entenda Cada Parágrafo.
Neste momento utilize o dicionário para empregá-lo naquelas palavras que sublinhou, pois o mesmo
elucidará as dúvidas que prejudicam a sua compreensão.
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Procure entender cada parágrafo de forma individual.
#Passo 3. Repita A Leitura E Faça Um Resumo Do Texto Inteiro.
É a parte mais gratificante do processo, pois enfim perceberá que realmente compreendeu o texto em
Inglês!
Você leu três vezes o texto e foi cada vezmais incisivo. Certamente não é a parte mais interessante,
o mais legal deste processo é que por ler várias vezes, você estará aprendendo os padrões da
língua, surgirão novas palavras que não irá esquecer quando se deparar novamente com elas.
Ou seja quanto mais textos você estudar mais fácil vai ficar.
Sem contar que você se tornará um leitor rápido, porque mesmo lendo outro texto você se lembrará
destas palavras e sentenças (mesmo sem perceber).
No começo quando esta técnica é aplicada, o processo é um pouco lento. Todavia, após um mês de
estudos você notará uma melhora considerável no nível do seu Inglês.
Existe uma variedade de textos em Inglês.
Para os Iniciantes recomenda-se o treinamento com a leitura de textos infantis.
Logo depois, migra-se para os assuntos noticiosos e quando evoluir para o nível Avançado, é o
momento exato para acompanhar os artigos internacionais, por exemplo explorar jornais conhecidos
como o The New York Times.
E assim você vai aprender a ler em inglês. O que achou? Comenta e compartilhe.
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TIPOLOGIA TEXTUAL
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Tipologia Textual
Conheça os 5 Tipos Textuais e as Principais Características e Regras Gramaticais de Cada
Tipo
Sempre cai nas provas o assunto “Tipologia textual” (Tipos textuais) mas muita gente confunde
com “Gêneros Textuais” (gêneros discursivos).
Querem dizer a mesma coisa?
Não.
Estas são duas classificações que recebem os textos que produzimos a longo de nossa vida, seja na
forma oral ou escrita.
Sendo que a primeira leva em consideração estruturas específicas de cada tipo, ou seja, seguem
regras gramaticais, algo mais formal.
Já a segunda preocupa-se não em classificar um texto por regras, mas sim levando em consideração
a finalidade do texto; o papel dos interlocutores; a situação de comunicação. São inúmeros os
gêneros textuais: Piada, conto, romance, texto de opinião, carta do leitor, noticia, biografia, seminário,
palestras, etc.
O Que é Tipologia Textual?
Como dito anteriormente, são as classificações recebidas por um texto de acordo com as regras
gramaticais, dependendo de suas características. São as classificações mais clássicas de um texto:
A narração, a descrição e a dissertação. Hoje já se admite também a exposição e a injunção. Ao todo
são 5 (cinco) tipos textuais.
Narração
Ao longo de nossa vida estamos sempre relatando algo que nos aconteceu ou aconteceu com outros,
pois nosso dia-a-dia é feito de acontecimentos que necessitamos contar/relatar. Seja na forma escrita
ou na oralidade, esta é a mais antiga das tipologias, vem desde os tempos das cavernas quando o
homem registrava seus momentos através dos desenhos nas paredes.
Regra gramatical para este tipo de texto (NARRAÇÃO):
Narrar é contar uma história que envolve personagens e acontecimentos. São apresentadas ações e
personagens: O que aconteceu, com quem, como, onde e quando.
Segue a seguinte estrutura:
NARRAÇÃO/NARRAR
(CONTAR)
Personagens (com quem/ quem vive a história – reais ou imaginários)
Enredo (o que/ como – fatos reais ou imaginários)
Espaço (onde? /quando? )
Exemplo:
Minha vida de menina
Faço hoje quinze anos. Que aniversário triste! Vovó chamou-me cedo, ansiada como está, coitadinha
e disse: "Sei que você vai ser sempre feliz, minha filhinha, e que nunca se esquecerá de sua
avozinha que lhe quer tanto". As lágrimas lhe correram pelo rosto abaixo e eu larguei dos braços dela
e vim desengasgar-me aqui no meu quarto, chorando escondida.
Como eu sofro de ver que mesmo na cama, penando com está, vovó não se esquece de mim e de
meus deveres e que eu não fui o que deveria ter sido para ela! Mas juro por tudo, aqui nesta hora,
que eu serei um anjo para ela e me dedicarei a esta avozinha tão boa e que me quer tanto.
TIPOLOGIA TEXTUAL
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Vou agora entrar no quarto para vê-la e já sei o que ela vai dizer: "Já estudou suas lições? Então vá
se deitar, mas antes procure alguma coisa para comer. Vá com Deus". Helena Morley
Descrição
a intenção deste tipo de texto é que o interlocutor possa criar em sua mente uma imagem do que está
sendo descrito. Podemos utilizar alguns recursos auxiliares da descrição. São eles:
A-) A enumeração:
Pela enumeração podemos fazer um “retrato do que está sendo descrito, pois dá uma ideia de
ausência de ações dentro do texto.
B-) A comparação:
Quando não conseguimos encontrar palavras que descrevam com exatidão o que percebemos,
podemos utilizar a comparação, pois este processo de comparação faz com que o leitor associe a
imagem do que estamos descrevendo, já que desperta referências no leitor. Utilizamos comparações
do tipo: o objeto tem a cor de ..., sua forma é como ..., tem um gosto que lembra ..., o cheiro parece
com ..., etc.
C-) Os cinco sentidos:
Percebemos que até mesmo utilizando a comparação para poder descrever, estamos utilizando
também os cinco sentidos: Audição, Visão, Olfato, Paladar, Tato como auxílio para criação desta
imagem, proporcionando que o interlocutor visualize em sua mente o objeto, o local ou a pessoa
descrita.
Por exemplo: Se você fosse descrever um momento de lazer com seus amigos numa praia. O que
você perceberia na praia utilizando a sua visão (a cor do mar neste dia, a beleza das pessoas à sua
volta, o colorido das roupas dos banhistas) e a sua audição (os sons produzidos pelas pessoas ao
redor, por você e pelos seus amigos, pelos ambulantes). Não somente estes dois, você pode utilizar
também os outros sentidos para caracterizar o objeto que você quer descrever.
Regra Gramatical para este tipo de texto (Descrição):
Descrever é apresentar as características principais de um objeto, lugar ou alguém.
Pode ser:
Objetiva: Predomina a descrição real do objeto, lugar ou pessoa descrita. Neste tipo de descrição não
há a interferência da opinião de quem descreve, há a tendência de se privilegiar o que é visto, em
detrimento do sujeito que vê.
Subjetiva: aparecem, neste tipo de descrição, as opiniões, sensações e sentimentosde quem
descreve pressupondo que haja uma relação emocional de quem descreve com o que foi descrito.
Características do texto descritivo
• - É um retrato verbal
• - Ausência de ação e relação de anterioridade ou posterioridade entre as frases
• - As classes gramaticais mais utilizadas são: substantivos, adjetivos e locuções adjetivas
• - Como na narração há a utilização da enumeração e comparação
• - Presença de verbos de ligação
• - Os verbos são flexionados no presente ou no pretérito (passado)
• - Emprego de orações coordenadas justapostas
TIPOLOGIA TEXTUAL
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A estrutura do texto descritivo
A descrição apresenta três passos básicos:
1- Introdução: apresentação do que se pretende descrever.
2- Desenvolvimento: caracterização subjetiva ou objetiva da descrição.
3- Conclusão: finalização da apresentação e caracterização de algo.
Exemplo:
Alguns dados sobre Rudy Steiner
“Ele era oito meses mais velho do que Liesel e tinha pernas ossudas, dentes afiado, olhos azuis
esbugalhados e cabelos cor de limão. Como um dos seis filhos dos Steiner, estava sempre com
fome. Na rua Himmel, era considerado meio maluco ...”
Dissertação
Podemos dizer que dissertar é falar sobre algo, sobre determinado assunto; é expor; é debater. Este
tipo de texto apresenta a defesa de uma opinião, de um ponto de vista, predomina a apresentação
detalhada de determinados temas e conhecimentos.
Para construção deste tipo de texto há a necessidade de conhecimentos prévios do assunto/tema
tratado.
Regra gramatical para esse tipo de texto (Dissertação):
Dissertar é expor os conhecimentos que se tem sobre um assunto ou defender um ponto de vista
sobre um tema, por meio de argumentos.
Estrutura da dissertação
EXPOSITIVA
Predomínio da exposição,
explicação
ARGUMENTATIVA
Predomínio do uso de argumentos, visando
o convencimento, à adesão do leitor.
Introdução Apresentação do assunto sobre o
qual se escreve (Apresentação da
tese).
Apresentação do assunto sobre o qual se
escreve (apresentação da tese) e do ponto
de vista assumido em relação a ele.
Desenvolvimento Exposição das informações e
conhecimentos a respeito do
assunto (é o momento da
discussão da tese)
A fundamentação do ponto de vista e sua
defesa com argumentos. (Defende-se a
tese proposta)
Conclusão Finalização do texto, com o
encerramento do que foi dito
Retomada do ponto de vista para fechar o
texto de modo mais persuasivo
Exemplo:
Redução da Maioridade Penal, Grande Falácia
O advogado criminalista Dalio Zippin Filho explica por que é contrário à mudança na maioridade
penal.
Diuturnamente o Brasil é abalado com a notícia de que um crime bárbaro foi praticado por um
adolescente, penalmente irresponsável nos termos do que dispõe os artigos 27 do CP, 104 do ECA e
228 da CF. A sociedade clama por maior segurança. Pede pela redução da maioridade penal, mas
logo descobrirá que a criminalidade continuará a existir, e haverá mais discussão, para reduzir para
TIPOLOGIA TEXTUAL
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14 ou 12 anos. Analisando a legislação de 57 países, constatou-se que apenas 17% adotam idade
menor de 18 anos como definição legal de adulto.
Se aceitarmos punir os adolescentes da mesma forma como fazemos com os adultos, estamos
admitindo que eles devem pagar pela ineficácia do Estado, que não cumpriu a lei e não lhes deu a
proteção constitucional que é seu direito. A prisão é hipócrita, afirmando que retira o indivíduo infrator
da sociedade com a intenção de ressocializá-lo, segregando-o, para depois reintegrá-lo. Com a
redução da menoridade penal, o nosso sistema penitenciário entrará em colapso.
Cerca de 85% dos menores em conflito com a lei praticam delitos contra o patrimônio ou por atuarem
no tráfico de drogas, e somente 15% estão internados por atentarem contra a vida. Afirmar que os
adolescentes não são punidos ou responsabilizados é permitir que a mentira, tantas vezes dita,
transforme-se em verdade, pois não é o ECA que provoca a impunidade, mas a falta de ação do
Estado. Ao contrário do que muitos pensam, hoje em dia os adolescentes infratores são punidos com
muito mais rigor do que os adultos.
Apresentar propostas legislativas visando à redução da menoridade penal com a modificação do
disposto no artigo 228 da Constituição Federal constitui uma grande falácia, pois o artigo 60, § 4º,
inciso IV de nossa Carta Magna não admite que sejam objeto de deliberação de emenda à
Constituição os direitos e garantias individuais, pois se trata de cláusula pétrea.
A prevenção à criminalidade está diretamente associada à existência de políticas sociais básicas e
não à repressão, pois não é a severidade da pena que previne a criminalidade, mas sim a certeza de
sua aplicação e sua capacidade de inclusão social.
Dalio Zippin Filho é advogado criminalista. 10/06/2013
Texto publicado na edição impressa de 10 de junho de 2013
Exposição
Aqueles textos que nos levam a uma explicação sobre determinado assunto, informa e esclarece sem
a emissão de qualquer opinião a respeito, é um texto expositivo.
Regras gramaticas para este tipo textual (Exposição):
Neste tipo de texto são apresentadas informações sobre assuntos e fatos específicos; expõe ideias;
explica; avalia; reflete. Tudo isso sem que haja interferência do autor, sem que haja sua opinião a
respeito. Faz uso de linguagem clara, objetiva e impessoal. A maioria dos verbos está no presente do
indicativo.
Exemplos: Notícias Jornalísticas
Injunção
Os textos injuntivos estão presentes em nossa vida nas mais variadas situações, como por exemplo
quando adquirimos um aparelho eletrônico e temos que verificar manual de instruções para o
funcionamento, ou quando vamos fazer um bolo utilizando uma receita, ou ainda quando lemos a
bula de um remédio ou a receita médica que nos foi prescrita. Os textos injuntivos são aqueles textos
que nos orientam, nos ditam normas, nos instruem.
Regras gramaticais para este tipo de texto (Injunção):
Como são textos que expressão ordem, normas, instruções tem como característica principal a
utilização de verbos no imperativo. Pode ser classificado de duas formas:
-Instrucional: O texto apresenta apenas um conselho, uma indicação e não uma ordem.
-Prescrição: O texto apresenta uma ordem, a orientação dada no texto é uma imposição.
Exemplo:
Bolo de Cenoura
TIPOLOGIA TEXTUAL
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Ingredientes
Massa
3 unidades de cenoura picadas
3 unidades de ovo
1 xícaras (chá) de óleo de soja
3 xícaras (chá) de farinha de trigo
2 xícaras (chá) de açúcar
1 colheres (sopa) de fermento químico em pó
Cobertura
1/2 xícara (chá) de leite
5 colheres (sopa) de achocolatado em pó
4 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sopa) de Margarina
Como fazer
Massa
Coloque os ingredientes no liquidificador, e acrescente aos poucos a farinha.
Leve para assar em uma forma untada.
Depois de assado cubra com a cobertura.
Cobertura
Misture todos os ingredientes e leve ao fogo e deixe ferver até engrossar.
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ORTOGRAFIA OFICIAL
1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR
Ortografia Oficial
Todas as regras ortográficas da gramática portuguesa.
Caso x / ch
1) x / ch nas palavras provenientes do latim:
1.1) Emprego do ch:
Ao passar do latim para o português, as sequências "cl", "pl" e "fl", transformaram-se em "ch":
afflare > achar
flagrare > cheirar
flamma > chama
caplu > cacho
clamare > chamar
claven > chave
masclu > macho
planus > chão
plenus > cheio
plorare > chorar
plumbum > chumbo
pluvia > chuva
1.2) Emprego do x:
a) Proveniente do x latino:
exaguare > enxaguar
examen > exame
laxare > deixar
luxu > luxo
b) Palatização do S em grupos como ssi ou sce:
miscere > mexer
passione > paixão
pisce > peixe
2) Emprega-se a letra x:
x1) Após ditongo:
ameixa
caixa
peixe
ORTOGRAFIA OFICIAL
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Exceções:
recauchutar (do francês recaoutchouter)
guache (do francês gouache)
caucho (espécie de árvore. Tem origem na palavra cauchu "lágrimas da árvore", é de um idioma
indígena, mas está em nossa ortografia oficial)
x2) Em palavras iniciadas por ME:
Mexerica
México
Mexilhão
Mexer
Exceção:
mecha (de cabelos), que tem sua origem no fracês mèche. Não confundir com a forma verbal
"mexa" do verbo mexer, que deve ser grafada com x.
X3) Em palavras iniciadas por EN:
Enxada
Enxerto
Enxurrada
Exceção1:
enchova (regionalismo de anchova, que origina-se do genovês anciua);
Exceção2: Palavras formadas por prefixação de en + radical com ch:
enchente, encher e derivados = prefixo en + radical de cheio;
encharcar = en + radical de charco;
enchiqueirar = en + radical de chiqueiro;
enchapelar = en + radical de chapéu;
enchumaçar = en + radical de chumaço
x4) Em palavras com origem Tupi. As mais conhecidas são:
Araxá - lugar alto onde primeiro se avista o sol.
Abacaxi - de yá, ou ywa (fruta), e katy (que recende, cheira);
Capixaba - roça, roçado, terra limpa para plantação.
Caxumba
Pataxó - tribo.
Queixada - “o que corta”.
Xará - de xe rera, "meu nome".
Xavante - tribo.
Xaxim - do tupi-guarani Xá = cachoeira, Xim = pequena.
Ximaana – tribo.
ORTOGRAFIA OFICIAL
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Xingu - água boa, água limpa, na língua Kamayurá.
Exceção:
Chapecó – Cidade de SC. Derivação do tupi Xapecó (de donde se avista o caminho da roça).
x5) Em palavras com origem árabe. As mais conhecidas são:
Almoxarife
Almoxarifado
Elixir (al-Axir)
Enxaqueca (xaqiqa - meia cabeça)
Haxixe (hashish - maconha)
Oxalá (in sha allah ou inshallah - se Deus quiser)
Xarope
Xadrez (xatranj)
Xarope (xarab - bebida, poção)
Xeque
Xeque-mate
Exceções:
Alcachofra (Alkharshof - fruto do cardo manso)
Chafariz
x6) Em palavras com origem africana. As mais conhecidas são:
Afoxé
Axé
Borocoxô
Exu
Fuxico
Maxixe
Orixá
Xendengue (magro, franzino)
Xangô (Xa - Senhor; Ag + No - Fogo Oculto; Gô = Raio, Alma)
Xaxado
Xingar
XinXim
Xodó
Exceções:
ORTOGRAFIA OFICIAL
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Cachimbo (kixima)
Cachaça
Cochicho
Cochilar
Chilique
3) Emprega-se ch:
ch1) Em palavras com origem francesa. As mais conhecidas são:
Avalanche (Avalónch)
Cachê (Cachet)
Cachecol (Cacher)
Chalé (Chalet)
Chassi (Chânssis)
Champanhe (Champagne)
Champignon (Champignon)
Chantilly (Chantilly)
Chance (Chance)
Chapéu (Chapeau)
Chantagem (Chantage)
Charme (Charme)
Chefe (Chef)
Chique (Chic)
Chofer (Chauffeur)
Clichê (Cliché)
Creche (Crèche)
Crochê (Crochet)
Debochar (Débaucher)
Fetiche (Fétiche)
Guichê (Guichet)
Manchete (Manchette)
Pochete (Pochette)
Revanche (Revanche)
Voucher (Vocher)
Caso g / j
ORTOGRAFIA OFICIAL
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1) Palavras provenientes do latim e do grego:
1.1) O g português representa geralmente o g latino ou grego:
a) Latim:
agere > agir
agitare > agitar
digit(i) (raiz) > digitar
gestu > gesto
gelu > gelo
liturgia > liturgia
tegella > tigela
Magia < Magia (latim) < Mageia (grego) < Magush (persa)
b) Grego:
eksegesis > exegese
gymnastics > ginástica
hégemonikós > hegemônico
logiké > lógico
synlogismos > sologismo
Exceção:
aggelos > anjo (angeolatria é com g)
1.2) Não há j no grego e no latim clássico. O j provém:
a) Da consonantização do I semiconsoante latino:
iactu > jeito
iam > já
iocus > jogo
maiestate > majestade
b) Da palatalização do S + I, ou do grupo DI + Vogal:
basiu > beijo
casiu > queijo
hodie > hoje
radiare > rajar
2) Emprega-se a letra g:
g1) Nas palavras derivadas de outras grafadas com g:
engessar (de gesso)
ORTOGRAFIA OFICIAL
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faringite (de faringe)
selvageria (de selvagem)
Exceção:
coragem (fr. courage) => corajoso, encorajar
g2) Nas palavras terminadas em ágio, égio, ígio, ógio, úgio:
pedágio
sacrilégio
prestígio
relógio
refúgio
g3) Os substantivos terminados em gem:
viagem
coragem
ferrugem
Exceção:
pajem
lambujem
g4) Nos verbos terminados em ger e gir:
eleger
mugir
g5) Em geral, após R:
aspergir
divergir
submergir
3) Emprega-se a letra j:
j1) Nas palavras derivadas de outras grafadas com j:
sarjeta (de sarja)
lojista (de loja)
canjica (de canja)
sarjeta (de sarja)
gorjeta (de gorja)
j2) Nos verbos terminados em jar:
viajar
ORTOGRAFIA OFICIAL
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encorajar
enferrujar
j3) Em palavras com origem árabe. As mais conhecidas são:
alforje (al hurj <sacola>)
azulejo (azzelij)
berinjela (badanjanah)
javali (djabali)
jaleco (jalikah)
jarra (djarrah)
laranja (narandja)
Exceções:
álgebra (al-jabr)
algema (al jamad <a pulseira>)
giz (jibs)
girafa (zarâfa (AR.) ->giraffa (IT.) -> girafa (PT.))
j4) Em palavras com origem tupi. As mais conhecidas são:
beiju
cajá
cajucanjica
carijó
guarajuba
itajuba
itajaí
jequiriti
jequitibá
jerimum
jibóia (cobra d’água).
jumana (tribo).
jurubeba (planta espinhosa e fruta tida como medicinal).
jenipapo
jururu
maracujá
ORTOGRAFIA OFICIAL
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marajó
mucujê
pajé
Ubirajara
Exceção: Sergipe
J5) Em palavras com origem africana. As mais conhecidas são:
acarajé
Iemanjá
jabá
jagunço
jererê (cigarro de maconha)
jiló
jurema
Exceções:
bugiganga
ginga
Caso c ou ç / s ou ss
O c tem o valor de /s/ com as vogais E e I. Antes de A, O e U usa-se ç.
acetato
ácido
açafrão
aço
açúcar
Depois de consoante usa-se s. Entre vogais, usa-se ss:
manso
concurso
expulso
prosseguir
girassol
pessoa
s1) Usa-se s em palavras derivadas de verbos terminados em ERGIR, CORRER, PELIR:
aspergir = aspersão
compelir = compulsório
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concorrer = concurso
discorrer = discurso
expelir = expulsão, expulso
imergir = imersão
impelir = impulsão, impulso
s2) Verbos terminados em DAR – DER – DIR – TER – TIR – MIR recebem s quando há perda das
letras “D – T – M”em suas derivações:
circuncidar (circumcidere) = circuncisão, circunciso
ascender (ascendere) = ascensão
suceder (succedere) = sucessão / sucesso
expandir (expandere) = expansão / expansível
iludir (illudere) = ilusão / ilusório
progredir (progredere) = progressão / progressivo / progresso
submeter (submittere) = submissão / submisso
discutir (discutere) = discussão
suprimir (supprimere) = supressão / supresso
redimir (redimere) = remissão / remisso
Observe também a origem latina:
excluir (de excludere) = exclusão
incluir (de includere) = inclusão...
c1) Verbos não terminados em DAR - DER - DIR - TER - TIR - MIR quando mudam o radical
recebem ç:
agir = ação
excetuar = exceção
proteger = proteção
promover = promoção
c2) Verbos que mantêm o radical recebem ç em derivações:
acomodar = acomodação
consolidar = consolidação
conter = contenção
fundar = fundação
fundir = fundição
remir = remição
ORTOGRAFIA OFICIAL
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reter = retenção
saudar = saudação
torcer = torção
distorcer = distorção
Observe também a origem latina:
manter (manutenere) = manutenção
nadar (natare) = natação
c3) Usa-se c ou ç após ditongo quando houver som de s:
eleição
traição
foice
c4) Nos sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, iço, nça, uça, uço.
barca = barcaça
rico = ricaço
cota = cotação
aguço = aguçar
merece = merecer
carne = carniça
canil = caniço
esperar = esperança
cara = carapuça
dente = dentuço
c5) Em palavras com origem árabe. As mais conhecidas são:
açafrão
açoite
açougue
açude
açúcar
açucena
alface
alvoroço
ceifa
celeste
cetim
cifra
Exceção:
arsenal
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carmesim
safra
salada
sultão
c6) Em palavras com origem tupi. As mais conhecidas são:
araçá
açaí
babaçu
cacique
caiçara
camaçari
cipó
cupuaçu
Iguaçu
Iracema
juçara
maçaranduba
maniçoba
paçoca
piaçava
piraguaçu
Exceção (todas começam com som de s, menos cipó):
sabiá
sagui
saci
samambaia
sariguê
savana
Sergipe
siri
suçuarana
sucuri
sururu
ORTOGRAFIA OFICIAL
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c7) Em palavras com origem africana. As mais conhecidas são:
bagunça
caçamba
cachaça
caçula
cangaço
jagunço
lambança
miçanga
Exceção (todas começam com som de s):
sapeca
samba
senzala
serelepe
songamonga
sova (pancada)
Caso z / s
1) Emprega-se a letra s:
s1) Em palavras derivadas de uma primitiva grafada com s:
análise = analisar, analisado
pesquisa = pesquisar, pesquisado.
Exceção: catequese = catequizar.
s2) Após ditongo quando houver som de z:
Creusa
coisa
maisena
s3) Na conjugação dos verbos PÔR e QUERER:
(Ele) pôs
(Ele) quis
(Nós) pusemos
(Nós) quisemos
(Se eu) puser
(Se eu) quiser
ORTOGRAFIA OFICIAL
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s4) Em palavras terminadas em OSO, OSA (que significa “cheio de”):
horrorosa
gostoso
Exceção: gozo
s5) Nos sufixos gregos ASE, ESE, ISE, OSE:
frase
tese
crase
crise
osmose
Exceções: deslize e gaze.
s6) Nos sufxos ÊS, ESA, ESIA e ISA, usados na formação de palavras que indicam nacionalidade,
profissão, estado social, títulos honoríficos.
chinês
chinesa
camponês
poetisa
burguês
burguesa
freguesia
Luísa
Heloísa
Exceção: Juíza (por derivar do masculino juiz).
z1) As terminadas em EZ e EZA serão escritas com z quando forem substantivos abstratos provindos
de adjetivos, ou seja, quando indicarem qualidade:
escasso / escassez
macio / maciez
rígido / rigidez
sensato / sensatez
surdo / surdez
avaro / avareza
certo / certeza
duro / dureza
ORTOGRAFIA OFICIAL
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nobre / nobreza
pobre / pobreza
rico / riqueza
z2) Grafam-se com "z" as palavras derivadas com os sufixos
"zada, zal, zarrão, zeiro, zinho, zito, zona, zorra, zudo". O "z", neste caso, é uma consoante de
ligação com o infixo.
pazada
cafezal
homenzarrão
açaizeiro
papelzinho
cãozito
mãezona
mãozorra
pezudo
Exceção (quando o radical das palavras de origem possuem o "s"):
asa = asinha
riso = risinho
casa = casinha
Inês = Inesita
Teresa = Teresinha
z3) Em derivações resultando em verbos terminados com som de IZAR:
útil = utilizar
terror = aterrorizar
economia = economizar
Exceção (quando o radical das palavras de origem possuem o "s"):
análise = analisar
pesquisa = pesesquisar
improviso = improvisar
Exceção da Exceção: catequese = catequizar.
Caso ex / es
1) Como regra geral, as palavras que em latim se iniciavam por ex mantiveram a mesma grafia ao
passarem do latim clássico para o português.
expectorare > expectorar;
ORTOGRAFIA OFICIAL
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expansione > expansão;
expellere > expelir;
experimentu > experimento;
expiratione > expiração;
extrinsecu > extrínseco;
extensione > extensão;
Há, contudo, exceções. Algumas palavras que se escreviam com ex em latim evoluíram para es ao
passar do latim vulgar para o português.
excusare > escusar;
excavare > escavar;
exprimere > espremer;
extraneo > estranho;
extendere > estender;
O verbo "estender”, por exemplo, entrou para o léxico no século 13, originária do latim vulgar, quando
o “x” antes de consoante tornava-se “s”. O vocábulo “extensão” aparece no léxico de nossa língua no
século 18 e teve sua origem no latim clássico (extensione), quando a regra era manter o “x” de sua
origem (extensio). Tal como "extensão", escreve-se extenso, extensivo, extensibilidade, etc.
2) Já as palavras que se iniciavam por s em latim deram origem a derivados com es em português:
scapula > escápula;
scrotu > escroto;
spatula > espátula;
spectru > espectro;
speculare > especular;
spiral > espiral;
spontaneu > espontâneo;
spuma > espuma;
statura > estatura;
sterile > estéril
stertore > estertor;
strutura > estrutura;
Os termos médicos derivados de palavras gregasiniciadas por s também se escrevem com es em
português. Ex:
escotoma
esclerótica
esfenoide
ORTOGRAFIA OFICIAL
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esplâncnico
estase
estenose
estroma
Um equívoco primário consiste na confusão entre estase (do gr. stásis, parada, estagnação)
e êxtase (do gr. ekstásis - ek = fora de; stasis = estado, pelo latim extase). Também se deve
distinguir estrato (do latim stratu), com o sentido de camada, de extrato (do latim extractu), aquilo que
se extraiu de alguma coisa.
Caso sc
Utiliza-se SC em termos eruditos latinos, isto é, cuja etimologia manteve o radical latino:
abscesso (abscessus);
acrescer (accrescere);
adolescente (adolescentis);
aquiescer (acquiescere);
ascender (ascendere);
consciência (conscientia);
crescer (crescere);
descer (descendere);
disciplina (disciplina);
fascículo (fasciculus);
fascinar (fascinare);
florescer (florescere);
lascivo (lascivu);
nascer (nascere);
oscilar (oscillare);
obsceno (obscenus);
rescindir (rescindere);
víscera (viscus);
Caso c / qu e Forma Variantes
Existem palavras que podemos escrever com "c" e também com qu:
catorze / quatorze
cociente / quociente
cota / quota
cotidiano / quotidiano
cotizar / quotizar
E existem variantes aceitas para outras palavras:
ORTOGRAFIA OFICIAL
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abdome e abdômen
açoitar e açoutar
afeminado e efeminado
aluguel ou aluguer
arrebitar e rebitar
arremedar e remedar
assoalho e soalho
assobiar e assoviar
assoprar e soprar
Azalea e Azaleia
bêbado e bêbedo
bilhão e bilião
bílis e bile
bombo e bumbo
bravo e brabo
caatinga e catinga
cãibra e câimbra
carroçaria e carroceria
catucar e cutucar
chipanzé e chimpanzé
coisa e cousa
degelar e desgelar
dependurar e pendurar
derrubar e derribar
desenxavido e desenxabido
diabete e diabetes
embaralhar e baralhar
enfarte e infarto
entretenimento e entretimento
entoação e entonação
enumerar e numerar
espécime e espécimen
espuma e escuma
estalar e estralar
este e leste (pontos cardeais)
flauta e frauta
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flecha e frecha
geringonça e gerigonça
homogeneizar e homogenizar
húmus e humo
impingem e impigem
imundícia, imundície e imundice
intrincado e intricado
lide e lida
louro e loiro
macaxeira e macaxera
maltrapilho e maltrapido
malvadeza e malvadez
maquiagem e maquilagem
marimbondo e maribondo
matracar e matraquear
mobiliar e mobilhar
neblina e nebrina
nenê e neném
parênteses e parêntesis
percentagem e porcentagem
pitoresco, pinturesco e pintoresco
plancha e prancha
pólen e polem
quadrênio e quatriênio
quatrilhão e quatrilião
radioatividade e radiatividade
rastro e rasto
relampear e relampejar
remoinho e redemoinho
salobra e salobre
taberna e taverna
tesoura e tesoira
toicinho e toucinho
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transpassar, traspassar e trespassar
transvestir e travestir
treinar e trenar
tríade e triada
trilhão e trilião
vasculhar e basculhar
Xérox e Xerox
xeretar e xeretear
Caso o / u
1) Usa-se o na grafia dos seguintes vocábulos:
boteco
botequim
cortiço
engolir
goela
mochila
moela
mosquito
mágoa
moleque
nódoa
tossir
toalete
zoar
2) Usa-se u na grafia dos seguintes vocábulos:
amuleto
entupir
jabuti
mandíbula
supetão
tábua
Caso e / i
ORTOGRAFIA OFICIAL
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1) Os verbos terminados em -UIR e em -OER:
No Presente do Indicativo, as 2ª e 3ª pessoas do singular são grafadas com I. Exemplo (verbo
possuir):
tu possuis
ele possui
Ortografia oficial
tu constróis
ele constrói
tu móis
ele mói
tu róis
ele rói
2) Os verbos terminados em -UAR e em -OAR:
No Presente do Subjuntivo, todas as pessoas da conjugação serão grafadas com e. Exemplo (verbo
entoar):
Que eu entoe
Que tu entoes
Que ele entoe
Que nós entoemos
Que vós entoeis
Que eles entoem
3) Todos os verbos que terminam em [-ear] (arrear, frear, alardear, amacear, passear...) fazem um
ditongo [-ei-] no presente do indicativo e do subjuntivo nas formas rizotônicas (1ª, 2ª, 3ª do singular e
3ª do plural,):
PRESENTE DO
INDICATIVO
PRETÉRITO
PERFEITO
FUTURO PRESENTE DO
SUBJUNTIVO
(que…)
Eu freio Eu freei Eu frearei Eu freie
Tu freias Tu freaste Tu frearás Tu freies
Ele freia Ele freou Ele freará Ele freie
Nós freamos Nós freamos Nós frearemos Nós freemos
Vós freais Vós freastes Vós freareis Vós freeis
Eles freiam Eles frearam Eles frearão Eles freiem
ORTOGRAFIA OFICIAL
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4) Os verbos terminados em [-iar] (arriar, criar, odiar…) são regulares, exceto o (I)MARIO:
(Inter)Mediar, Ansiar, Remediar, Incendiar, Odiar, os quais são irregulares e formam ditongo [-ei-] nas
formas rizotônicas:
Observe a diferença entre Arriar (regular) e Mediar (irregular):
PRESENTE DO
INDICATIVO
PRESENTE DO
SUBJUNTIVO
(que…)
PRESENTE DO
INTICATIVO
PRESENTE DO
SUBJUNTIVO
(que…)
Eu arrio Eu arrie Eu medeio Eu medeie
Tu arrias Tu arries Tu medeias Tu medeies
Ele arria Ele arrie Ele medeia Ele medeie
Nós arriamos Nós arriemos Nós mediamos Nós mediemos
Vós arriais Vós arrieis Vós mediais Vós medieis
Eles arriam Eles arriem Eles medeiam Eles medeiem
DECRETO Nº 6.583, DE 29 DE SETEMBRO DE 2008.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da
Constituição, e
Considerando que o Congresso Nacional aprovou, por meio do Decreto Legislativo no 54, de 18 de
abril de 1995, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro
de 1990;
Considerando que o Governo brasileiro depositou o instrumento de ratificação do referido Acordo
junto ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Portuguesa, na qualidade de depositário
do ato, em 24 de junho de 1996;
Considerando que o Acordo entrou em vigor internacional em 1o de janeiro de 2007, inclusive para o
Brasil, no plano jurídico externo;
DECRETA:
Art. 1o O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, entre os Governos da República de Angola, da
República Federativa do Brasil, da República de Cabo Verde, da República de Guiné-Bissau, da
República de Moçambique, da República Portuguesa e da República Democrática de São Tomé e
Príncipe, de 16 de dezembro de 1990, apenso por cópia ao presente Decreto, será executado e
cumprido tão inteiramente como nele se contém.
Art. 2o O referido Acordo produzirá efeitos somente a partir de 1o de janeiro de 2009.
Parágrafo único. A implementação do Acordo obedecerá ao período de transição de 1o de janeiro de
2009 a 31 de dezembro de 2012, durante o qual coexistirão a norma ortográfica atualmente em vigor
e a nova norma estabelecida.
Parágrafo único. A implementação do Acordo obedecerá ao período de transição de 1o de janeiro de
2009 a 31 de dezembro de 2015, durante o qual coexistirão a norma ortográfica atualmente em vigor
e a nova norma estabelecida. (Redação dada pelo Decreto nº 7.875, de 2012)
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Art. 3o São sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em
revisão do referido Acordo, assim como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do art.
49,inciso I, da Constituição, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional.
Art. 4o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 29 de setembro de 2008; 187o da Independência e 120o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Celso Luiz Nunes Amorim
Este texto não substitui o publicado no DOU de 30.9.2008
ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA
Considerando que o projeto de texto de ortografia unificada de língua portuguesa aprovado em
Lisboa, em 12 de outubro de 1990, pela Academia das Ciências de Lisboa, Academia Brasileira de
Letras e delegações de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe,
com a adesão da delegação de observadores da Galiza, constitui um passo importante para a defesa
da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional,
Considerando que o texto do acordo que ora se aprova resulta de um aprofundado debate nos Países
signatários,
a República Popular de Angola,
a República Federativa do Brasil,
a República de Cabo Verde,
a República da Guiné-Bissau,
a República de Moçambique,
a República Portuguesa,
e a República Democrática de São Tomé e Príncipe,
acordam no seguinte:
Artigo 1o
É aprovado o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que consta como anexo I ao presente
instrumento de aprovação, sob a designação de Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990) e
vai acompanhado da respectiva nota explicativa, que consta como anexo II ao mesmo instrumento de
aprovação, sob a designação de Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
(1990).
Artigo 2o
Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências
necessárias com vista à elaboração, até 1 de janeiro de 1993, de um vocabulário ortográfico comum
da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se
refere às terminologias científicas e técnicas.
Artigo 3o
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrará em vigor em 1o de janeiro de 1994, após
depositados os instrumentos de ratificação de todos os Estados junto do Governo da República
Portuguesa.
Artigo 4o
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Os Estados signatários adotarão as medidas que entenderem adequadas ao efetivo respeito da data
da entrada em vigor estabelecida no artigo 3o.
Em fé do que, os abaixo assinados, devidamente credenciados para o efeito, aprovam o presente
acordo, redigido em língua portuguesa, em sete exemplares, todos igualmente autênticos.
Assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990.
PELA REPÚBLICA POPULAR DE ANGOLA
JOSÉ MATEUS DE ADELINO PEIXOTO
Secretário de Estado da Cultura
PELA REPÚBLICA FEDERATIVA
DO BRASIL
CARLOS ALBERTO GOMES CHIARELLI
Ministro da Educação
PELA REPÚBLICA DE CABO VERDE
DAVID HOPFFER ALMADA
Ministro da Informação, Cultura e Desportos
PELA REPÚBLICA DA GUINÉ-BISSAU
ALEXANDRE BRITO RIBEIRO FURTADO
Secretário de Estado da Cultura
PELA REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE
LUIS BERNARDO HONWANA
Ministro da Cultura
PELA REPÚBLICA PORTUGUESA
PEDRO MIGUEL DE SANTANA LOPES
Secretário de Estado da Cultura
PELA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
LÍGIA SILVA GRAÇA DO ESPÍRITO SANTO COSTA
Ministra da Educação e Cultura
ANEXO I
ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA
(1990)
Base I
Do alfabeto e dos nomes próprios estrangeiros e seus derivados
1o)O alfabeto da língua portuguesa é formado por vinte e seis letras, cada uma delas com uma forma
minúscula e outra maiúscula:
a A (á) j J (jota) s S (esse)
b B (bê) k K (capa ou cá) t T (tê)
c C (cê) l L (ele) u U (u)
d D (dê) m M (eme) v V (vê)
e E (é) n N (ene) w W (dáblio)
f F (efe) o O (ó) x X (xis)
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g G (gê ou guê) p P (pê) y Y (ípsilon)
h H (agá) q Q (quê) z Z (zê)
i I (i) r R (erre)
Obs.: 1. Além destas letras, usam-se o ç (cê cedilhado) e os seguintes dígrafos: rr (erre
duplo), ss (esse duplo), ch (cê-agá), lh (ele-agá), nh (ene-agá), gu (guê-u) e qu (quê-u).
2. Os nomes das letras acima sugeridos não excluem outras formas de as designar.
2º)As letras k, w e y usam-se nos seguintes casos especiais:
a)Em antropónimos/antropônimos originários de outras línguas e seus
derivados: Franklin, frankliniano; Kant, kantismo; Darwin, darwinismo; Wagner, wagneriano; Byron, by
roniano; Taylor, taylorista;
b)Em topónimos/topônimos originários de outras línguas e seus
derivados: Kwanza, Kuwait, kuwaitiano; Malawi, malawiano;
c)Em siglas, símbolos e mesmo em palavras adotadas como unidades de medida de curso
internacional: TWA, KLM; K-potássio (de kalium), W-oeste (West); kg-quilograma, km-quilómetro, kW-
kilowatt, yd-jarda (yard); Watt.
3º)Em congruência com o número anterior, mantêm-se nos vocábulos derivados eruditamente de
nomes próprios estrangeiros quaisquer combinações gráficas ou sinais diacríticos não peculiares à
nossa escrita que figurem nesses nomes: comtista, de Comte; garrettiano,
de Garrett; jeffersónia/jeffersônia, de Jefferson; mülleriano, de Müller, shakespeariano,
de Shakespeare.
Os vocabulários autorizados registrarão grafias alternativas admissíveis, em casos de divulgação de
certas palavras de tal tipo de origem (a exemplo de fúcsia/ fúchsia e derivados, buganvília/
buganvílea/ bougainvíllea).
4º)Os dígrafos finais de origem hebraica ch, ph e th podem conservar-se em formas onomásticas da
tradição bíblica, como Baruch, Loth, Moloch, Ziph, ou então simplificar-se: Baruc, Lot, Moloc, Zif. Se
qualquer um destes dígrafos, em formas do mesmo tipo, é invariavelmente mudo, elimina-se: José,
Nazaré, em vez de Joseph, Nazareth; e se algum deles, por força do uso, permite adaptação,
substitui-se, recebendo uma adição vocálica: Judite, em vez de Judith.
5º)As consoantes finais grafadas b, c, d, g e t mantêm-se, quer sejam mudas, quer proferidas, nas
formas onomásticas em que o uso as consagrou, nomeadamente antropónimos/antropônimos e
topónimos/topônimos da tradição bíblica: Jacob, Job, Moab, Isaac; David, Gad; Gog, Magog;
Bensabat, Josafat.
Integram-se também nesta forma: Cid, em que o d é sempre pronunciado; Madrid e Valhadolid, em
que o d ora é pronunciado, ora não; e Calecut ou Calicut, em que o t se encontra nas mesmas
condições.
Nada impede, entretanto, que dos antropónimos/antopônimos em apreço sejam usados sem a
consoante final Jó, Davi e Jacó.
6º)Recomenda-se que os topónimos/topônimos de línguas estrangeiras se substituam, tanto quanto
possível, por formas vernáculas, quando estas sejam antigas e ainda vivas em português ou quando
entrem, ou possam entrar, no uso corrente. Exemplo: Anvers, substituído por Antuérpia; Cherbourg,
por Cherburgo; Garonne, por Garona; Genève, por Genebra; Jutland, por Jutlândia; Milano,
por Milão; München, por Munique; Torino, por Turim; Zürich, por Zurique, etc.
Base II
Do h inicial e final
1º)O h inicial emprega-se:
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a)Por força da etimologia: haver, hélice, hera, hoje, hora, homem, humor.
b)Em virtude de adoção convencional: hã?, hem?, hum!.
2º)O h inicial suprime-se:
a)Quando, apesar da etimologia, a sua supressão está inteiramente consagrada pelo uso: erva, em
vez de herva; e, portanto, ervaçal, ervanário, ervoso (em contraste
com herbáceo, herbanário, herboso, formas de origem erudita);
b)Quando, por via de composição, passa a interior e o elemento em que figura se aglutina ao
precedente: biebdomadário, desarmonia, desumano, exaurir, inábil, lobisomem, reabilitar, reaver;
3º)O h inicial mantém-se, no entanto, quando, numa palavra composta, pertence a um elemento que
está ligadoao anterior por meio de hífen: anti-higiénico/anti-higiênico, contra-haste; pré-história,
sobre-humano.
4º)O h final emprega-se em interjeições: ah! oh!
Base III
Da homofonia de certos grafemas consonânticos
Dada a homofonia existente entre certos grafemas consonânticos, torna-se necessário diferençar os
seus empregos, que fundamentalmente se regulam pela história das palavras. É certo que a
variedade das condições em que se fixam na escrita os grafemas consonânticos homófonos nem
sempre permite fácil diferenciação dos casos em que se deve empregar uma letra e daqueles em
que, diversamente, se deve empregar outra, ou outras, a representar o mesmo som.
Nesta conformidade, importa notar, principalmente, os seguintes casos:
1º)Distinção gráfica entre ch e x: achar, archote, bucha, capacho, capucho, chamar, chave, Chico,
chiste, chorar, colchão, colchete, endecha, estrebucha, facho, ficha, flecha, frincha, gancho, inchar,
macho, mancha, murchar, nicho, pachorra, pecha, pechincha, penacho, rachar, sachar,
tacho; ameixa, anexim, baixel, baixo, bexiga, bruxa, coaxar, coxia, debuxo, deixar, eixo, elixir,
enxofre, faixa, feixe, madeixa, mexer, oxalá, praxe, puxar, rouxinol, vexar, xadrez, xarope, xenofobia,
xerife, xícara.
2º)Distinção gráfica entre g, com valor de fricativa palatal, e j: adágio, alfageme, Álgebra, algema,
algeroz, Algés, algibebe, algibeira, álgido, almargem, Alvorge, Argel, estrangeiro, falange, ferrugem,
frigir, gelosia, gengiva, gergelim, geringonça, Gibraltar, ginete, ginja, girafa, gíria, herege, relógio,
sege, Tânger, virgem; adjetivo, ajeitar, ajeru (nome de planta indiana e de uma espécie de
papagaio), canjerê, canjica, enjeitar, granjear, hoje, intrujice, jecoral, jejum, jeira, jeito, Jeová,
jenipapo, jequiri, jequitibá, Jeremias, Jericó, jerimum, Jerónimo, Jesus, jibóia, jiquipanga, jiquiró,
jiquitaia, jirau, jiriti, jitirana, laranjeira, lojista, majestade, majestoso, manjerico, manjerona, mucujê,
pajé, pegajento, rejeitar, sujeito, trejeito.
3º)Distinção gráfica entre as letras s, ss, c, ç e x, que representam sibilantes surdas: ânsia, ascensão,
aspersão, cansar, conversão, esconso, farsa, ganso, imenso, mansão, mansarda, manso, pretensão,
remanso, seara, seda, Seia, Sertã, Sernancelhe, serralheiro, Singapura, Sintra, sisa, tarso, terso,
valsa; abadessa, acossar, amassar, arremessar, Asseiceira, asseio, atravessar, benesse, Cassilda,
codesso (identicamente Codessal ou Codassal, Codesseda, Codessoso, etc.), crasso, devassar,
dossel, egresso, endossar, escasso, fosso, gesso, molosso, mossa, obsessão, pêssego, possesso,
remessa, sossegar; acém, acervo, alicerce, cebola, cereal, Cernache, cetim, Cinfães, Escócia,
Macedo, obcecar, percevejo; açafate, açorda, açúcar, almaço, atenção, berço, Buçaco, caçanje,
caçula, caraça, dançar, Eça, enguiço, Gonçalves, inserção, linguiça, maçada, Mação, maçar,
Moçambique, Monção, muçulmano, murça, negaça, pança, peça, quiçaba, quiçaça, quiçama,
quiçamba, Seiça (grafia que pretere as erróneas/errôneas Ceiça e Ceissa), Seiçal, Suíça,
terço; auxílio, Maximiliano, Maximino, máximo, próximo, sintaxe.
4º)Distinção gráfica entre s de fim de sílaba (inicial ou interior) e x e z com idêntico valor
fónico/fônico: adestrar, Calisto, escusar, esdrúxulo, esgotar, esplanada, esplêndido, espontâneo,
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espremer, esquisito, estender, Estremadura, Estremoz, inesgotável; extensão, explicar,
extraordinário, inextricável, inexperto, sextante, têxtil; capazmente, infelizmente, velozmente. De
acordo com esta distinção convém notar dois casos:
a)Em final de sílaba que não seja final de palavra, o x = s muda para s sempre que está precedido
de i ou u: justapor, justalinear, misto, sistino (cf. Capela Sistina), Sisto, em vez de juxtapor, juxtalinear,
mixto, sixtina, Sixto.
b)Só nos advérbios em –mente se admite z, com valor idêntico ao de s, em final de sílaba seguida de
outra consoante (cf. capazmente, etc.); de contrário, o s toma sempre o lugar de z: Biscaia, e
não Bizcaia.
5º)Distinção gráfica entre s final de palavra e x e z com idêntico valor fónico/fônico: aguarrás, aliás,
anis, após atrás, através, Avis, Brás, Dinis, Garcês, gás, Gerês, Inês, íris, Jesus, jus, lápis, Luís, país,
português, Queirós, quis, retrós, revés, Tomás, Valdés; cálix, Félix, Fénix, flux; assaz, arroz, avestruz,
dez, diz, fez (substantivo e forma do verbo fazer), fiz, Forjaz, Galaaz, giz, jaez, matiz, petiz, Queluz,
Romariz, [Arcos de] Valdevez, Vaz. A propósito, deve observar-se que é inadmissível z final
equivalente a s em palavra não oxítona: Cádis, e não Cádiz.
6º)Distinção gráfica entre as letras interiores s, x e z, que representam sibilantes sonoras: aceso,
analisar, anestesia, artesão, asa, asilo, Baltasar, besouro, besuntar, blusa, brasa, brasão, Brasil,
brisa, [Marco de] Canaveses, coliseu, defesa, duquesa, Elisa, empresa, Ermesinde, Esposende,
frenesi ou frenesim, frisar, guisa, improviso, jusante, liso, lousa, Lousã, Luso (nome de lugar,
homónimo/homônimo de Luso, nome mitológico), Matosinhos, Meneses, narciso, Nisa, obséquio,
ousar, pesquisa, portuguesa, presa, raso, represa, Resende, sacerdotisa, Sesimbra, Sousa, surpresa,
tisana, transe, trânsito, vaso; exalar, exemplo, exibir, exorbitar, exuberante, inexato,
inexorável; abalizado, alfazema, Arcozelo, autorizar, azar, azedo, azo, azorrague, baliza, bazar,
beleza, buzina, búzio, comezinho, deslizar, deslize, Ezequiel, fuzileiro, Galiza, guizo, helenizar,
lambuzar, lezíria, Mouzinho, proeza, sazão, urze, vazar, Veneza, Vizela, Vouzela.
Base IV
Das seqüências consonânticas
1º)O c, com valor de oclusiva velar, das seqüências interiores cc (segundo c com valor de
sibilante), cç e ct, e o p das seqüências interiores pc (c com valor de sibilante), pç e pt, ora se
conservam, ora se eliminam.
Assim:
a)Conservam-se nos casos em que são invariavelmente proferidos nas pronúncias cultas da
língua: compacto, convicção, convicto, ficção, friccionar, pacto, pictural; adepto, apto, díptico,
erupção, eucalipto, inepto, núpcias, rapto.
b)Eliminam-se nos casos em que são invariavelmente mudos nas pronúncias cultas da língua: ação,
acionar, afetivo, aflição, aflito, ato, coleção, coletivo, direção, diretor, exato, objeção; adoção, adotar,
batizar, Egito, ótimo.
c)Conservam-se ou eliminam-se, facultativamente, quando se proferem numa pronúncia culta, quer
geral, quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o
emudecimento: aspecto e aspeto, cacto e cato, caracteres e carateres, dicção e dição; facto e fato, se
ctor e setor, ceptro e cetro, concepção e conceção, corrupto e corruto, recepção e receção.
d)Quando, nas seqüências interiores mpc, mpç e mpt se eliminar o p de acordo com o determinado
nos parágrafos precedentes, o m passa a n, escrevendo-se,
respectivamente nc, nç e nt: assumpcionista e assuncionista; assumpção e assunção; assumptível e
assuntível; peremptório e perentório, sumptuoso e suntuoso, sumptuosidade e suntuosidade.
2º)Conservam-se ou eliminam-se, facultativamente, quando se proferem numa pronúncia culta, quer
geral, quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o emudecimento: o b da
seqüência bd, em súbdito; o b da seqüência bt, em subtil e seus derivados; o g da seqüência gd,
em amígdala, amigdalácea, amigdalar, amigdalato, amigdalite, amigdalóide, amigdalopatia, amigdalot
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omia; o m da seqüência mn,
em amnistia, amnistiar, indemne, indemnidade, indemnizar, omnímodo, omnipotente, omnisciente,
etc.; o t, da seqüência tm, em aritmética e aritmético.
Base V
Das vogais átonas
1º)O emprego do e e do i, assim como o do o e do u, em sílaba átona, regula-se fundamentalmente
pela etimologia e por particularidades da históriadas palavras. Assim se estabelecem variadíssimas
grafias:
a)Com e e i: ameaça, amealhar, antecipar, arrepiar, balnear, boreal, campeão, cardeal (prelado, ave
planta; diferente de cardial = “relativo à cárdia”), Ceará, côdea, enseada, enteado, Floreal, janeanes,
lêndea, Leonardo, Leonel, Leonor, Leopoldo, Leote, linear, meão, melhor, nomear, peanha,
quase (em vez de quási), real, semear, semelhante, várzea; ameixial, Ameixieira, amial, amieiro,
arrieiro, artilharia, capitânia, cordial (adjetivo e substantivo), corriola, crânio, criar, diante, diminuir,
Dinis, ferregial, Filinto, Filipe (e identicamente Filipa, Filipinas, etc.), freixial, giesta, Idanha, igual,
imiscuir-se, inigualável, lampião, limiar, Lumiar, lumieiro, pátio, pior, tigela, tijolo, Vimieiro, Vimioso;
b)Com o e u: abolir, Alpendorada, assolar, borboleta, cobiça, consoada, consoar, costume, díscolo,
êmbolo, engolir, epístola, esbaforir-se, esboroar, farândola, femoral, Freixoeira, girândola, goela,
jocoso, mágoa, névoa, nódoa, óbolo, Páscoa, Pascoal, Pascoela, polir, Rodolfo, távoa, tavoada,
távola, tômbola, veio (substantivo e forma do verbo vir); açular, água, aluvião, arcuense, assumir,
bulir, camândulas, curtir, curtume, embutir, entupir, fémur/fêmur, fístula, glândula, ínsua, jucundo,
légua, Luanda, lucubração, lugar, mangual, Manuel, míngua, Nicarágua, pontual, régua, tábua,
tabuada, tabuleta, trégua, virtualha.
2º)Sendo muito variadas as condições etimológicas e histórico-fonéticas em que se fixam
graficamente e e i ou o e u em sílaba átona, é evidente que só a consulta dos vocabulários ou
dicionários pode indicar, muitas vezes, se deve empregar-se e ou i, se o ou u. Há, todavia, alguns
casos em que o uso dessas vogais pode ser facilmente sistematizado. Convém fixar os seguintes:
a)Escrevem-se com e, e não com i, antes da sílaba tónica/tônica, os substantivos e adjetivos que
procedem de substantivos terminados em – eio e – eia, ou com eles estão em relação direta. Assim
se regulam: aldeão, aldeola, aldeota por aldeia; areal, areeiro, areento,
Areosa por areia; aveal por aveia; baleal por baleia; cadeado por cadeia; candeeiro por candeia; cent
eeira e centeeiro por centeio; colmeal e colmeeiro por colmeia; correada e correame por correia.
b)Escrevem-se igualmente com e, antes de vogal ou ditongo da sílaba tónica/tônica, os derivados de
palavras que terminam em e acentuado (o qual pode representar um antigo hiato: ea, ee): galeão,
galeota, galeote, de galé; coreano, de Coreia; daomeano, de Daomé; guineense,
de Guiné; poleame e poleeiro, de polé.
c)Escrevem-se com i, e não com e, antes da sílaba tónica/tônica, os adjetivos e substantivos
derivados em que entram os sufixos mistos de formação vernácula – iano e –iense, os quais são o
resultado da combinação dos sufixos –ano e –ense com um i de origem analógica (baseado em
palavras onde –ano e –ense estão precedidos de i pertencente ao tema: horaciano, italiano, duriense,
flaviense, etc.): açoriano, acriano (de Acre), camoniano, goisiano (relativo a Damião de Góis),
siniense (de Sines), sofocliano, torriano, torriense (de Torre(s)).
d)Uniformizam-se com as terminações –io e –ia (átonas), em vez de –eo e –ea, os substantivos que
constituem variações, obtidas por ampliação, de outros substantivos terminados em
vogal: cúmio (popular), de cume; hástia, de haste; réstia, do antigo reste; véstia, de veste.
e)Os verbos em –ear podem distinguir-se praticamente, grande número de vezes, dos verbos em –
iar, quer pela formação, quer pela conjugação e formação ao mesmo tempo. Estão no primeiro caso
todos os verbos que se prendem a substantivos em –eio ou –eia (sejam formados em português ou
venham já do latim); assim se regulam: aldear, por aldeia; alhear, alheio; cear, por ceia; encadear,
por cadeia; pear, por peia; etc. Estão no segundo caso todos os verbos que têm normalmente flexões
rizotónicas/rizotônicas em –eio, -eias, etc.: clarear, delinear, devanear, falsear, granjear, guerrear,
hastear, nomear, semear, etc. Existem, no entanto, verbos em –iar, ligados a substantivos com as
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terminações átonas –ia ou –io, que admitem variantes na
conjugação: negoceio ou negocio (cf. negócio); premeio ou premio (cf. prémio/prêmio); etc.
f)Não é lícito o emprego do u final átono em palavras de origem latina. Escreve-se, por isso: moto, em
vez de mótu (por exemplo, na expressão de moto próprio); tribo, em vez de tríbu.
g)Os verbos em –oar distinguem-se praticamente dos verbos em –uar pela sua conjugação nas
formas rizotónicas/rizotônicas, que têm sempre o na sílaba acentuada: abençoar com o,
como abençoo, abençoas, etc.; destoar, com o, como destoo, destoas, etc.: mas acentuar, com u,
como acentuo, acentuas, etc.
Base VI
Das vogais nasais
Na representação das vogais nasais devem observar-se os seguintes preceitos:
1º)Quando uma vogal nasal ocorre em fim de palavra, ou em fim de elemento seguido de hífen,
representa-se a nasalidade pelo til, se essa vogal é de timbre a; por m, se possui qualquer outro
timbre e termina a palavra; e por n, se é de timbre diverso de a e está seguida de s: afã, grã, Grã-
Bretanha, lã, órfã, sã-braseiro (forma dialetal; o mesmo que são-brasense = de S. Brás de
Alportel); clarim, tom, vacum; flautins, semitons, zunzuns.
2º)Os vocábulos terminados em –ã transmitem esta representação do a nasal aos advérbios em –
mente que deles se formem, assim como a derivados em que entrem sufixos iniciados
por z: cristãmente, irmãmente, sãmente; lãzudo, maçãzita, manhãzinha, romãzeira.
Base VII
Dos ditongos
1º)Os ditongos orais, que tanto podem ser tónicos/tônicos como átonos, distribuem-se por dois
grupos gráficos principais, conforme o segundo elemento do ditongo é representado por i ou u: ai, ei,
éi, ui; au, eu, éu, iu, ou: braçais, caixote, deveis, eirado, farnéis (mas farneizinhos), goivo, goivar,
lençóis (mas lençoizinhos), tafuis, uivar, cacau, cacaueiro, deu, endeusar,
ilhéu (mas ilheuzito), mediu, passou, regougar.
Obs: Admitem-se, todavia, excepcionalmente, à parte destes dois grupos, os ditongos
grafados ae(= âi ou ai) e ao (= âu ou au): o primeiro, representado nos
antropónimos/antropônimos Caetano e Caetana, assim como nos respectivos derivados e compostos
(caetaninha, são-caetano, etc.); o segundo, representado nas combinações da preposição a com as
formas masculinas do artigo ou pronome demonstrativo o, ou seja, ao e aos.
2º)Cumpre fixar, a propósito dos ditongos orais, os seguintes preceitos particulares:
a)É o ditongo grafado ui, e não a seqüência vocálica grafada ue, que se emprega nas formas de 2a e
3a pessoas do singular do presente do indicativo e igualmente na da 2a pessoa do singular do
imperativo dos verbos em – uir: constituis, influi, retribui. Harmonizam-se, portanto, essas formas com
todos os casos de ditongo grafado ui de sílaba final ou fim de palavra (azuis, fui, Guardafui, Rui, etc.);
e ficam assim em paralelo gráfico-fonético com as formas de 2a e 3a pessoas do singular do presente
do indicativo e de 2a pessoa do singular do imperativo dos verbos em – air e em – oer: atrais, cai,
sai; móis, remói, sói.
b)É o ditongo grafado ui que representa sempre, em palavras de origem latina, a união de um u a
um i átono seguinte. Não divergem, portanto, formas como fluido de formas como gratuito. E isso não
impede que nos derivados de formas daquele tipo as vogais grafadas u e i se
separem: fluídico, fluidez (u-i).
c)Além, dos ditongos orais propriamente ditos, os quais são todos decrescentes, admite-se, como é
sabido, a existência de ditongos crescentes. Podem considerar-se no número deles as seqüências
vocálicas pós-tónicas/pós-tônicas, tais as que se representam graficamente por ea, eo, ia, ie, io, oa,
ua, ue, uo: áurea, áureo, calúnia, espécie, exímio, mágoa, míngua,ténue/tênue, tríduo.
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3º)Os ditongos nasais, que na sua maioria tanto podem ser tónicos/tônicos como átonos, pertencem
graficamente a dois tipos fundamentais: ditongos representados por vogal com til e semivogal;
ditongos representados por uma vogal seguida da consoante nasal m. Eis a indicação de uns e
outros:
a)Os ditongos representados por vogal com til e semivogal são quatro, considerando-se apenas a
língua padrão contemporânea: ãe (usado em vocábulos oxítonos e derivados), ãi (usado em
vocábulos anoxítonos e derivados), ão e õe. Exemplos: cães, Guimarães, mãe, mãezinha; cãibas,
cãibeiro, cãibra, zãibo; mão, mãozinha, não, quão, sótão, sotãozinho, tão; Camões, orações,
oraçõezinhas, põe, repões. Ao lado de tais ditongos pode, por exemplo, colocar-se o ditongo ũi; mas
este, embora se exemplifique numa forma popular como rũi = ruim, representa-se sem o til nas
formas muito e mui, por obediência à tradição.
b)Os ditongos representados por uma vogal seguida da consoante nasal m são dois: am e em.
Divergem, porém, nos seus empregos:
i)am (sempre átono) só se emprega em flexões verbais: amam, deviam, escreveram, puseram;
ii)em (tónico/tônico ou átono) emprega-se em palavras de categorias morfológicas diversas, incluindo
flexões verbais, e pode apresentar variantes gráficas determinadas pela posição, pela acentuação ou,
simultaneamente, pela posição e pela acentuação: bem, Bembom, Bemposta, cem, devem, nem,
quem, sem, tem, virgem; Bencanta, Benfeito, Benfica, benquisto, bens, enfim, enquanto,
homenzarrão, homenzinho, nuvenzinha, tens, virgens, amém(variação de ámen), armazém, convém,
mantém, ninguém, porém, Santarém, também; convêm, mantêm, têm (3as pessoas do
plural); armazéns, desdéns, convéns, reténs; Belenzada, vintenzinho.
Base VIII
Da acentuação gráfica das palavras oxítonas
1º)Acentuam-se com acento agudo:
a)As palavras oxítonas terminadas nas vogais tónicas/tônicas abertas grafadas –a, –e ou –o,
seguidas ou não de –s: está, estás, já, olá; até, é, és, olé, pontapé(s); avó(s), dominó(s), paletó(s),
só(s).
Obs.: Em algumas (poucas) palavras oxítonas terminadas em –e tónico/tônico, geralmente
provenientes do francês, esta vogal, por ser articulada nas pronúncias cultas ora como aberta ora
como fechada, admite tanto o acento agudo como o acento
circunflexo: bebé ou bebê; bidé ou bidê, canapé ou canapê, caraté ou caratê, croché ou crochê, guich
é ou guichê, matiné ou matinê, nené ou nenê, ponjé ou ponjê, puré ou purê, rapé ou rapê.
O mesmo se verifica com formas como cocó e cocô, ró (letra do alfabeto grego) e rô. São igualmente
admitidas formas como judô, a par de judo, e metrô, a par de metro.
b)As formas verbais oxítonas, quando, conjugadas com os pronomes clíticos lo(s) ou la(s), ficam a
terminar na vogal tónica/tônica aberta grafada –a, após a assimilação e perda das consoantes finais
grafadas –r, –s ou –z: adorá-lo(s) (de adorar-lo(s)), dá-la(s) (de dar-la(s) ou dá(s)-la(s)), fá-
lo(s) (de faz-lo(s)), fá-lo(s)-ás (de far-lo(s)-ás), habitá-la(s)-iam (de habitar-la(s)-iam), trá-la(s)-
á (de trar-la(s)-á);
c)As palavras oxítonas com mais de uma sílaba terminadas no ditongo nasal grafado –em (exceto as
formas da 3a pessoa do plural do presente do indicativo dos compostos de ter e vir: retêm,
sustêm; advêm, provêm; etc) ou –ens: acém, detém, deténs, entretém, entreténs, harém, haréns,
porém, provém, provéns, também;
d)As palavras oxítonas com os ditongos abertos grafados –éi, –éu ou –ói, podendo estes dois últimos
ser seguidos ou não de –s: anéis, batéis, fiéis, papéis; céu(s), chapéu(s), ilhéu(s),
véu(s); corrói (de corroer), herói(s),remói (de remoer), sóis.
2º)Acentuam-se com acento circunflexo:
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a)As palavras oxítonas terminadas nas vogais tónicas/tônicas fechadas que se grafam –e ou –o,
seguidas ou não de –s: cortês, dê, dês (de dar), lê, lês (de ler), português, você(s); avô(s),
pôs (de pôr), robô(s).
b)As formas verbais oxítonas, quando, conjugadas com os pronomes clíticos –lo(s) ou –la(s), ficam a
terminar nas vogais tónicas/tônicas fechadas que se grafam –e ou –o, após a assimilação e perda
das consoantes finais grafadas –r, –s ou –z: detê-lo(s) (de deter-lo(s)), fazê-la(s) (de fazer-la(s)), fê-
lo(s) (de fez-lo(s)), vê-la(s) (de ver-la(s)), compô-la(s) (de compor-la(s)), repô-la(s) (de repor-la(s)), pô-
la(s) (de por-la(s) ou pôs-la(s)).
3º)Prescinde-se de acento gráfico para distinguir palavras oxítonas homógrafas, mas
heterofónicas/heterofônicas, do tipo de cor (ô), substantivo, e cor (ó), elemento da locução de
cor; colher (ê), verbo, e colher (é), substantivo. Excetua-se a forma verbal pôr, para a distinguir da
preposição por.
Base IX
Da acentuação gráfica das palavras paroxítonas
1º)As palavras paroxítona não são em geral acentuadas graficamente: enjoo, grave, homem, mesa,
Tejo, vejo, velho, voo; avanço, floresta; abençoo, angolano, brasileiro; descobrimento, graficamente,
moçambicano.
2º)Recebem, no entanto, acento agudo:
a)As palavras paroxítonas que apresentam, na sílaba tónica/tônica, as vogais abertas
grafadas a, e, o e ainda i ou u e que terminam em –l, –n, –r, –x e –ps, assim como, salvo raras
exceções, as respectivas formas do plural, algumas das quais passam a
proparoxítonas: amável (pl. amáveis), Aníbal, dócil (pl. dóceis), dúctil (pl. dúcteis), fóssil (pl. fósseis), r
éptil (pl. réptéis; var. reptil, pl. reptis); cármen (pl. cármenes ou carmens; var. carme,
pl. carmes); dólmen (pl. dólmenes ou dolmens), éden (pl. édenes ou edens), líquen (pl. líquenes), lúm
en (pl. lúmenes ou lumens); açúcar (pl. açúcares), almíscar (pl. almíscares), cadáver (pl. cadáveres),
caráter ou carácter (mas pl. carateresou caracteres), ímpar (pl. ímpares); Ájax, córtex (pl. córtex;
var. córtice, pl. córtices), índex (pl. index; var. índice, pl. índices), tórax, (pl. tórax ou tóraxes;
var. torace, pl. toraces); bíceps (pl. bíceps; var. bicípite, pl. bicípites), fórceps(pl. fórceps; var. fórcipe,
pl. fórcipes).
Obs.: Muito poucas palavras deste tipo, com as vogais tónicas/tônicas grafadas e e o em fim de
sílaba, seguidas das consoantes nasais grafadas m e n, apresentam oscilação de timbre nas
pronúncias cultas da língua e, por conseguinte, também de acento gráfico (agudo ou
circunflexo): sémen e sêmen, xénon e xênon; fémur e fêmur, vómer e vômer; Fénix e Fênix, ónix e ôni
x.
b)As palavras paroxítonas que apresentam, na sílaba tónica/tônica, as vogais abertas grafadas a, e,
o e ainda i ou u e que terminam em –ã(s), –ão(s), –ei(s), –i(s), –um, –uns ou –
us: órfã (pl. órfãs), acórdão (pl. acórdãos), órfão (pl. órfãos), órgão (pl. órgãos), sótão (pl. sótãos); hóq
uei, jóquei (pl. jóqueis), amáveis (pl. de amável), fáceis (pl. de fácil), fósseis (pl.
de fóssil), amáreis (de amar), amáveis (id.), cantaríeis (de cantar), fizéreis (de fazer), fizésseis (id.); be
ribéri (pl. beribéris), bílis (sg. e pl.), íris (sg. e pl.), júri (pl. júris), oásis (sg. e
pl.); álbum (pl. álbuns), fórum (pl. fóruns); húmus (sg. e pl.), vírus (sg. e pl.).
Obs.: Muito poucas paroxítonas deste tipo, com as vogais tónicas/tônicas grafadas e e o em fim de
sílaba, seguidas das consoantes nasais grafadas m e n, apresentam oscilação de timbre nas
pronúncias cultas da língua, o qual é assinalado com acento agudo, se aberto, ou circunflexo, se
fechado: pónei e pônei; gónis e gônis, pénis e pênis, ténis e tênis; bónus e bônus, ónus e ônus, tónus
e tônus, Vénus e Vênus.
3º)Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tónica/tônica das
palavras paroxítonas, dado que existe oscilação em muitos casos entre o fechamento e a abertura na
sua articulação: assembleia, boleia, ideia, tal como aldeia, baleia, cadeia, cheia, meia; coreico,epopeico, onomatopeico, proteico; alcaloide, apoio (do verbo apoiar), tal como apoio (subst.), Azoia,
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boia, boina, comboio (subst.), tal como comboio, comboias, etc. (do verbo
comboiar), dezoito, estroina, heroico, introito, jiboia, moina, paranoico, zoina.
4º)É facultativo assinalar com acento agudo as formas verbais de pretérito perfeito do indicativo, do
tipo amámos, louvámos, para as distinguir das correspondentes formas do presente do indicativo
(amamos, louvamos), já que o timbre da vogal tónica/tônica é aberto naquele caso em certas
variantes do português.
5º)Recebem acento circunflexo:
a)As palavras paroxítonas que contêm, na sílaba tónica/tônica, as vogais fechadas com a grafia a, e,
o e que terminam em –l, –n, –r ou –x, assim como as respectivas formas do plural, algumas das quais
se tornam proparoxítonas: cônsul (pl. cônsules), pênsil (pênseis), têxtil (pl. têxteis); cânon,
var. cânone,
(pl. cânones), plâncton (pl. plânctons); Almodôvar, aljôfar (pl. aljôfares), âmbar (pl. âmbares), Câncer,
Tânger; bômbax (sg. e pl.), bômbix, var. bômbice, (pl. bômbices).
b)As palavras paroxítonas que contêm, na sílaba tónica/tônica, as vogais fechadas com a grafia a, e,
o e que terminam em –ão(s), –eis, –i(s) ou –us: bênção(s), côvão(s), Estêvão,
zângão(s); devêreis (de dever), escrevêsseis (de escrever), fôreis (de ser e ir), fôsseis (id.), pênseis (p
l. de pênsil), têxteis (pl. de têxtil); dândi(s), Mênfis; ânus.
c)As formas verbais têm e vêm, 3as pessoas do plural do presente do indicativo de ter e vir, que são
foneticamente paroxítonas (respectivamente /tãjãj/, /vãjãj/ ou /tẽẽj/, /vẽẽj/ ou ainda /tẽjẽj/, /vẽjẽj/; cf. as
antigas grafias preteridas, tẽem, vẽem), a fim de se distinguirem de tem e vem, 3as pessoas do
singular do presente do indicativo ou 2as pessoas do singular do imperativo; e também as
correspondentes formas compostas, tais
como: abstêm (cf. abstém), advêm (cf. advém), contêm (cf. contém), convêm (cf. convém), desconvê
m (cf. desconvém), detêm (cf. detém), entretêm (cf. entretém), intervêm (cf. intervém), mantêm (cf. ma
ntém), obtêm (cf. obtém), provêm (cf. provém), sobrevêm (cf. sobrevém).
Obs.: Também neste caso são preteridas as antigas grafias detẽem, intervẽem, mantẽem, provẽem,
etc.
6º)Assinalam-se com acento circunflexo:
a)Obrigatoriamente, pôde (3a pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo), que se distingue
da correspondente forma do presente do indicativo (pode).
b)Facultativamente, dêmos (1a pessoa do plural do presente do conjuntivo), para se distinguir da
correspondente forma do pretérito perfeito do indicativo (demos); fôrma (substantivo), distinta
de forma (substantivo; 3a pessoa do singular do presente do indicativo ou 2a pessoa do singular do
imperativo do verbo formar).
7º)Prescinde-se de acento circunflexo nas formas verbais paroxítonas que contêm um e tónico/tônico
oral fechado em hiato com a terminação –em da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo ou do
conjuntivo, conforme os casos: creem, deem (conj.), descreem, desdeem (conj.), leem, preveem,
redeem (conj.), releem, reveem, tresleem, veem.
8º)Prescinde-se igualmente do acento circunflexo para assinalar a vogal tónica/tônica fechada com a
grafia o em palavras paroxítonas como enjoo, substantivo e flexão de enjoar, povoo, flexão
de povoar, voo, substantivo e flexão de voar, etc.
9º)Prescinde-se, quer do acento agudo, quer do circunflexo, para distinguir palavras paroxítonas que,
tendo respectivamente vogal tónica/tônica aberta ou fechada, são homógrafas de palavras proclíticas.
Assim, deixam de se distinguir pelo acento gráfico: para (á), flexão de parar, e para,
preposição; pela(s) (é), substantivo e flexão de pelar, e pela(s), combinação de per e la(s); pelo (é),
flexão de pelar, pelo(s) (ê), substantivo ou combinação de per e lo(s); polo(s) (ó), substantivo,
e polo(s), combinação antiga e popular de por e lo(s); etc.
10º)Prescinde-se igualmente de acento gráfico para distinguir paroxítonas homógrafas
heterofónicas/heterofônicas do tipo de acerto (ê), substantivo e acerto (é), flexão
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de acertar; acordo (ô), substantivo, e acordo (ó), flexão de acordar; cerca (ê), substantivo, advérbio e
elemento da locução prepositiva cerca de, e cerca (é), flexão de cercar; coro (ô), substantivo,
e coro (ó), flexão de corar; deste (ê), contracção da preposição de com o demonstrativo este,
e deste (é), flexão de dar; fora (ô), flexão de ser e ir, e fora (ó), advérbio, interjeição e
substantivo; piloto (ô), substantivo, e piloto (ó), flexão de pilotar, etc.
Base X
Da acentuação das vogais tónicas/tônicas grafadas i e u das palavras oxítonas e paroxítonas
1º)As vogais tóncias/tônicas grafadas i e u das palavras oxítonas e paroxítonas levam acento agudo
quando antecedidas de uma vogal com que não formam ditongo e desde de que não constituam
sílaba com a eventual consoante seguinte, excetuando o caso de s: adaís (pl. de adail), aí,
atraí (de atrair), baú, caís (de cair), Esaú, jacuí, Luís, país, etc.; alaúde, amiúde, Araújo, Ataíde,
atraíam (de atrair), atraísse (id.), baía, balaústre, cafeína, ciúme, egoísmo, faísca, faúlha, graúdo,
influíste (de influir), juízes, Luísa, miúdo, paraíso, raízes, recaída, ruína, saída, sanduíche, etc.
2º)As vogais tónicas/tônicas grafadas i e u das palavras oxítonas e paroxítonas não levam acento
agudo quando, antecedidas de vogal com que não formam ditongo, constituem sílaba com a
consoante seguinte, como é o caso de nh, l, m, n, r e z: bainha, moinho, rainha; adail, paul,
Raul; Aboim, Coimbra, ruim; ainda, constituinte, oriundo, ruins, triunfo; at-
rairn. demiuñrgo, influir, influirmos; juiz, raiz; etc.
3º)Em conformidade com as regras anteriores leva acento agudo a vogal tónica/tônica grafada i das
formas oxítonas terminadas em r dos verbos em –air e –uir, quando estas se combinam com as
formas pronominais clíticas –lo(s), –la(s), que levam à assimilação e perda daquele –r: atraí-
lo(s) (de atrair-lo(s)); atraí-lo(s)-ia (de atrair-lo(s)-ia); possuí-la(s) (de possuir-la(s)); possuí-la(s)-
ia (de possuir-la(s)-ia).
4º)Prescinde-se do acento agudo nas vogais tónicas/tônicas grafadas i e u das palavras paroxítonas,
quando elas estão precedidas de ditongo: baiuca, boiuno,
cauila (var. cauira), cheiinho (de cheio), saiinha (de saia).
5º)Levam, porém, acento agudo as vogais tónicas/tônicas grafadas i e u quando, precedidas de
ditongo, pertencem as palavras oxítonas e estão em posição final ou seguidas de s: Piauí, teiú, teiús,
tuiuiú, tuiuiús.
Obs.: Se, neste caso, a consoante final for diferente de s, tais vogais dispensam o acento
agudo: cauim.
6º)Prescinde-se do acento agudo nos ditongos tónicos/tônicos grafados iu e ui, quando precedidos de
vogal: distraiu, instruiu, pauis (pl. de paul).
7º)Os verbos arguir e redarguir prescindem do acento agudo na vogal tónica/tônica grafada u nas
formas rizotónicas/rizotônicas: arguo, arguis, argui, arguem, argua, arguas, argua, arguam. Os verbos
do tipo de aguar, apaniguar, apaziguar, apropinquar, averiguar, desaguar, enxaguar, obliquar,
delinquir e afins, por oferecerem dois paradigmas, ou têm as formas rizotónicas/rizotônicas
igualmente acentuadas no u mas sem marca gráfica (a exemplo de averiguo, averiguas, averigua,
averiguam; averigue, averigues, averigue, averiguem; enxaguo, enxaguas, enxagua,
enxaguam; enxague, enxagues, enxague, enxaguem, etc.; delinquo, delinquis, delinqui, delinquem;
mas delinquimos, delinquís) ou têm as formas rizotónicas/rizotônicas acentuadas fónica/fônica e
graficamente nas vogais a ou i radicais (a exemplo de averíguo, averíguas, averígua,
averíguam; averígue, averígues, averígue, averíguem; enxáguo, enxáguas, enxágua,
enxáguaim; enxágue,enxágues, enxágue, enxáguem; delínquo, delínques; delínque,
delínquem; delínqua, delínquas, delínqua, delinquám).
Obs.: Em conexão com os casos acima referidos, registre-se que os verbos em –
ingir (atingir, cingir, constringir, infringir, tingir, etc.) e os verbos em –inguir sem prolação
do u (distinguir, extinguir, etc.) têm grafias absolutamente regulares (atinjo, atinja, atinge, atingimos,
etc; distingo, distinga, distingue, distinguimos, etc.)
Base XI
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Da acentuação gráfica das palavras proparoxítonas
1º)Levam acento agudo:
a)As palavras proparoxítonas que apresentam na sílaba tónica/tônica as vogais abertas grafadas a, e,
o e ainda i, u ou ditongo oral começado por vogal aberta: árabe, cáustico, Cleópatra, esquálido,
exército, hidráulico, líquido, míope, músico, plástico, prosélito, público, rústico, tétrico, último;
b)As chamadas proparoxítonas aparentes, isto é, que apresentam na sílaba tónica/tônica as vogais
abertas grafadas a, e, o e ainda i, u ou ditongo oral começado por vogal aberta, e que terminam por
seqüências vocálicas pós-tónicas/pós-tônicas praticamente consideradas como ditongos crescentes
(-ea, -eo, -ia, -ie, -io, -oa, -ua, -uo, etc.): álea, náusea; etéreo, níveo; enciclopédia, glória; barbárie,
série; lírio, prélio; mágoa, nódoa; exígua, língua; exíguo, vácuo.
2º)Levam acento circunflexo:
a)As palavras proparoxítonas que apresentam na sílaba tónica/tônica vogal fechada ou ditongo com a
vogal básica fechada: anacreôntico, brêtema, cânfora, cômputo, devêramos (de dever), dinâmico,
êmbolo, excêntrico, fôssemos (de ser e ir), Grândola, hermenêutica, lâmpada, lôstrego, lôbrego,
nêspera, plêiade, sôfrego, sonâmbulo, trôpego;
b)As chamadas proparoxítonas aparentes, isto é, que apresentam vogais fechadas na sílaba
tónica/tônica, e terminam por seqüências vocálicas pós-tónicas/pós-tônicas praticamente
consideradas como ditongos crescentes:amêndoa, argênteo, côdea, Islândia, Mântua, serôdio.
3º)Levam acento agudo ou acento circunflexo as palavras proparoxítonas, reais ou aparentes, cujas
vogais tónicas/tônicas grafadas e ou o estão em final de sílaba e são seguidas das consoantes nasais
grafadas m ou n, conforme o seu timbre é, respectivamente, aberto ou fechado nas pronúncias cultas
da língua: académico/acadêmico, anatómico/anatômico, cénico/cênico, cómodo/cômodo,
fenómeno/fenômeno, género/gênero, topónimo/topônimo; Amazónia/Amazônia, António/Antônio,
blasfémia/blasfêmia, fémea/fêmea, gémeo/gêmeo, génio/gênio, ténue/tênue.
Base XII
Do emprego do acento grave
1º)Emprega-se o acento grave:
a)Na contração da preposição a com as formas femininas do artigo ou pronome
demonstrativo o: à (de a + a), às (de a + as);
b)Na contração da preposição a com os demonstrativos aquele, aquela, aqueles, aquelas e aquilo ou
ainda da mesma preposição com os compostos aqueloutro e suas flexões: àquele(s), àquela(s),
àquilo; àqueloutro(s), àqueloutra(s);
Base XIII
Da supressão dos acentos em palavras derivadas
1º)Nos advérbios em –mente, derivados de adjetivos com acento agudo ou circunflexo, estes são
suprimidos: avidamente (de ávido), debilmente (de débil), facilmente (de fácil), habilmente (de hábil), i
ngenuamente (de ingênuo), lucidamente (de lúcido), mamente (de má), somente (de só), unicamente
(de único),
etc.; candidamente (de cândido), cortesmente (de cortês), dinamicamente (de dinâmico), espontanea
mente (de espontâneo),portuguesmente (de português), romanticamente (de romântico).
2º)Nas palavras derivadas que contêm sufixos iniciados por z e cujas formas de base apresentam
vogas tónica/tônica com acento agudo ou circunflexo, estes são
suprimidos: aneizinhos (de anéis), avozinha (de avó), bebezito (de bebê), cafezada (de café), chapeu
zinho (de chapéu), chazeiro (de chá), heroizito (de herói), ilheuzito (de ilhéu), mazinha (de má), orfãoz
inho (de órfão), vintenzito (de vintém),
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etc.; avozinho (de avô), bençãozinha (de bênção), lampadazita (de lâmpada), pessegozito (de pêsseg
o).
Base XIV
Do trema
O trema, sinal de diérese, é inteiramente suprimido em palavras portuguesas ou aportuguesadas.
Nem sequer se emprega na poesia, mesmo que haja separação de duas vogais que normalmente
formam ditongo: saudade, e não saüdade, ainda que tetrassílabo; saudar, e não saüdar, ainda que
trissílabo; etc.
Em virtude desta supressão, abstrai-se de sinal especial, quer para distinguir, em sílaba átona,
um i ou um u de uma vogal da sílaba anterior, quer para distinguir, também em sílaba átona, um i ou
um u de um ditongo precedente, quer para distinguir, em sílaba tónica/tônica ou átona, o u de gu ou
de qu de um e ou i seguintes: arruinar, constituiria, depoimento, esmiuçar, faiscar, faulhar, oleicultura,
paraibano, reunião; abaiucado, auiqui, caiuá, cauixi, piauiense; aguentar, anguiforme, arguir,
bilíngue (ou bilingue), lingueta, linguista, linguístico; cinquenta, equestre, frequentar, tranquilo,
ubiquidade.
Obs.: Conserva-se, no entanto, o trema, de acordo com a Base I, 3º, em palavras derivadas de
nomes próprios estrangeiros: hübneriano, de Hübner, mülleriano, de Müller, etc.
Base XV
Do hífen em compostos, locuções e
encadeamentos vocabulares
1º)Emprega-se o hífen nas palavras compostas por justaposição que não contêm formas de ligação e
cujos elementos, de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal, constituem uma unidade
sintagmática e semântica e mantêm acento próprio, podendo dar-se o caso de o primeiro elemento
estar reduzido: ano-luz, arcebispo-bispo, arco-íris, decreto-lei, és-sueste, médico-cirurgião, rainha-
cláudia, tenente-coronel, tio-avô, turma-piloto; alcaide-mor, amor-perfeito, guarda-noturno, mato-
grossense, norte-americano, porto-alegrense, sul-africano; afro-asiático, afro-luso-brasileiro, azul-
escuro, luso-brasileiro, primeiro-ministro, primeiro-sargento, primo-infeção, segunda-feira; conta-
gotas, finca-pé, guarda-chuva.
Obs.: Certos compostos, em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição,
grafam-se aglutinadamente: girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas,
paraquedista, etc.
2º)Emprega-se o hífen nos topónimos/topônimos compostos, iniciados pelos adjetivos grã, grão ou
por forma verbal ou cujos elementos estejam ligados por artigo: Grã-Bretanha, Grão-Pará; Abre-
Campo; Passa-Quatro, Quebra-Costas, Quebra-Dentes, Traga-Mouros, Trinca-Fortes; Albergaria-a-
Velha, Baía de Todos-os-Santos, Entre-os-Rios, Montemor-o-Novo, Trás-os-Montes.
Obs.: Os outros topónimos/topônimos compostos escrevem-se com os elementos separados, sem
hífen: América do Sul, Belo Horizonte, Cabo Verde, Castelo Branco, Freixo de Espada à Cinta, etc. O
topónimo/topônimo Guiné-Bissau é, contudo, uma exceção consagrada pelo uso.
3º)Emprega-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas,
estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento: abóbora-menina, couve-flor, erva-
doce, feijão-verde; benção-de-deus, erva-do-chá, ervilha-de-cheiro, fava-de-santo-inácio; bem-me-
quer (nome de planta que também se dá à margarida e ao malmequer); andorinha-grande, cobra-
capelo, formiga-branca; andorinha-do-mar, cobra-d’água, lesma-de-conchinha; bem-te-vi (nome de
um pássaro).
4º)Emprega-se o hífen nos compostos com os advérbios bem e mal, quando estes formam com o
elemento que se lhes segue uma unidade sintagmática e semântica e tal elemento começa por vogal
ou h. No entanto, o advérbio bem, ao contrário do mal, pode não se aglutinar com palavras
começadas por consoante. Eis alguns exemplos das várias situações: bem-aventurado, bem-estar,
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bem-humorado; mal-afortunado, mal-estar, mal-humorado;bem-criado (cf. malcriado), bem-
ditoso (cf. malditoso), bem-falante (cf. malfalante), bem-mandado (cf. malmandado), bem-
nascido (cf. malnascido), bem-soante (cf. malsoante), bem-visto (cf. malvisto).
Obs.: Em muitos compostos, o advérbio bem aparece aglutinado com o segundo elemento, quer este
tenha ou não vida à parte: benfazejo, benfeito, benfeitor, benquerença, etc.
5º)Emprega-se o hífen nos compostos com os elementos além, aquém, recém e sem: além-Atlântico,
além-mar, além-fronteiras; aquém-mar, aquém-Pirenéus; recém-casado, recém-nascido; sem-
cerimônia, sem-número, sem-vergonha.
6º)Nas locuções de qualquer tipo, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais,
prepositivas ou conjuncionais, não se emprega em geral o hífen, salvo algumas exceções já
consagradas pelo uso (como é o caso de água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-
perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa). Sirvam, pois, de exemplo de emprego sem
hífen as seguintes locuções:
a)Substantivas: cão de guarda, fim de semana, sala de jantar;
b)Adjetivas: cor de açafrão, cor de café com leite, cor de vinho;
c)Pronominais: cada um, ele próprio, nós mesmos, quem quer que seja;
d)Adverbiais: à parte (note-se o substantivo aparte), à vontade, de mais (locução que se contrapõe
a de menos; note-se demais, advérbio, conjunção, etc.), depois de amanhã, em cima, por isso;
e)Prepositivas: abaixo de, acerca de, acima de, a fim de, a par de, à parte de, apesar de, aquando de,
debaixo de, enquanto a, por baixo de, por cima de, quanto a;
f)Conjuncionais: a fim de que, ao passo que, contanto que, logo que, por conseguinte, visto que.
7º)Emprega-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando,
não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares (tipo: a divisa Liberdade-Igualdade-
Fraternidade, a ponte Rio-Niterói, o percurso Lisboa-Coimbra-Porto, a ligação Angola-Moçambique),
e bem assim nas combinações históricas ou ocasionais de topónimos/topônimos (tipo: Áustria-
Hungria, Alsácia-Lorena, Angola-Brasil, Tóquio-Rio de Janeiro, etc.).
Base XVI
Do hífen nas formações por prefixação, recomposição e sufixação
1º)Nas formações com prefixos (como, por exemplo: ante-, anti-, circum-, co-, contra-, entre-, extra-,
hiper-, infra-, intra-, pós-, pré-, pró-, sobre-, sub-, super-, supra-, ultra-, etc.) e em formações por
recomposição, isto é, com elementos não autônomos ou falsos prefixos, de origem grega e latina (tais
como: aero-, agro-, arqui-, auto-, bio-, eletro-, geo-, hidro-, inter-, macro-, maxi-, micro-, mini-, multi-,
neo-, pan-, pluri-, proto-, pseudo-, retro-, semi-, tele-, etc.), só se emprega o hífen nos seguintes
casos:
a)Nas formações em que o segundo elemento começa por h: anti-higiénico/anti-higiênico, circum-
hospitalar, co-herdeiro, contra-harmónico/contra-harmônico, extra-humano, pré-história, sub-hepático,
super-homem, ultra-hiperbólico; arqui-hipérbole, eletro-higrómetro, geo-história, neo-helénico/neo-
helênico, pan-helenismo, semi-hospitalar.
Obs.: Não se usa, no entanto, o hífen em formações que contêm em geral os prefixos des- e in- e nas
quais o segundo elemento perdeu o h inicial: desumano, desumidificar, inábil, inumano, etc.
b)Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na mesma vogal com que se inicia o
segundo elemento: anti-ibérico, contra-almirante, infra-axilar, supra-auricular; arqui-irmandade, auto-
observação, eletro-ótica, micro-onda, semi-interno.
Obs.: Nas formações com o prefixo co-, este aglutina-se em geral com o segundo elemento mesmo
quando iniciado por o: coobrigação, coocupante, coordenar, cooperação, cooperar, etc.
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c)Nas formações com os prefixos circum- e pan-, quando o segundo elemento começa por
vogal, m ou n (além de h, caso já considerado atrás na alínea a): circum-escolar, circum-murado,
circum-navegação; pan-africano, pan-mágico, pan-negritude.
d)Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e super-, quando combinados com elementos iniciados
por r: hiper-requintado, inter-resistente, super-revista.
e)Nas formações com os prefixos ex- (com o sentido de estado anterior ou cessamento), sota-, soto-,
vice- e vizo-: ex-almirante, ex-diretor, ex-hospedeira, ex-presidente, ex-primeiro-ministro, ex-rei; sota-
piloto, soto-mestre, vice-presidente, vice-reitor, vizo-rei.
f)Nas formações com os prefixos tónicos/tônicos acentuados graficamente pós-, pré- e pró- quando o
segundo elemento tem vida à parte (ao contrário do que acontece com as correspondentes formas
átonas que se aglutinam com o elemento seguinte): pós-graduação, pós-tónico/pós-
tônicos (mas pospor); pré-escolar, pré-natal (mas prever); pró-africano, pró-europeu (mas promover).
2º)Não se emprega, pois, o hífen:
a)Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa
por r ou s, devendo estas consoantes duplicar-se, prática aliás já generalizada em palavras deste tipo
pertencentes aos domínios científico e técnico. Assim: antirreligioso, antissemita, contrarregra,
comtrassenha, cosseno, extrarregular, infrassom, minissaia, tal como biorritmo, biossatélite,
eletrossiderurgia, microssistema, microrradiografia.
b)Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa
por vogal diferente, prática esta em geral já adotada também para os termos técnicos e científicos.
Assim: antiaéreo, coeducação, extraescolar; aeroespacial, autoestrada, autoaprendizagem,
agroindustrial, hidroelétrico, plurianual.
3º)Nas formações por sufixação apenas se emprega o hífen nos vocábulos terminados por sufixos de
origem tupi-guarani que representam formas adjetivas, como açu, guaçu e mirim, quando o primeiro
elemento acaba em vogal acentuada graficamente ou quando a pronúncia exige a distinção gráfica
dos dois elementos: amoré-guaçu, anajá-mirim, andá-açu, capim-açu, Ceará-Mirim.
Base XVII
Do hífen na ênclise, na tmese e com o verbo haver
1º)Emprega-se o hífen na ênclise e na tmese: amá-lo, dá-se, deixa-o, partir-lhe; amá-lo-ei, enviar-lhe-
emos.
2º)Não se emprega o hífen nas ligações da preposição de às formas monossilábicas do presente do
indicativo do verbo haver: hei de, hás de, hão de, etc.
Obs.: 1. Embora estejam consagradas pelo uso as formas verbais quer e requer, dos
verbos querer e requerer, em vez de quere e requere, estas últimas formas conservam-se, no
entanto, nos casos de ênclise: quere-o(s), requere-o(s). Nestes contextos, as formas (legítimas,
aliás) qué-lo e requé-lo são pouco usadas.
2. Usa-se também o hífen nas ligações de formas pronominais enclíticas ao advérbio eis (eis-me, ei-
lo) e ainda nas combinações de formas pronominais do tipo no-lo, vo-las, quando em próclise (por
ex.: esperamos que no-lo comprem).
Base XVIII
Do apóstrofo
1º)São os seguintes os casos de emprego do apóstrofo:
a)Faz-se uso do apóstrofo para cindir graficamente uma contração ou aglutinação vocabular, quando
um elemento ou fração respectiva pertence propriamente a um conjunto vocabular distinto: d’ Os
Lusíadas, d’ Os Sertões; n’ Os Lusíadas, n’ Os Sertões; pel’ Os Lusíadas, pel’ Os Sertões. Nada
obsta, contudo, a que estas escritas sejam substituídas por empregos de preposições íntegras, se o
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exigir razão especial de clareza, expressividade ou ênfase: de Os Lusíadas, em Os Lusíadas, por Os
Lusíadas, etc.
As cisões indicadas são análogas às dissoluções gráficas que se fazem, embora sem emprego do
apóstrofo, em combinações da preposição a com palavras pertencentes a conjuntos vocabulares
imediatos: a A Relíquia, aOs Lusíadas (exemplos: importância atribuída a A Relíquia; recorro a Os
Lusíadas). Em tais casos, como éóbvio, entende-se que a dissolução gráfica nunca impede na leitura
a combinação fonética: a A = à, a Os = aos, etc.
b)Pode cindir-se por meio do apóstrofo uma contração ou aglutinação vocabular, quando um
elemento ou fração respectiva é forma pronominal e se lhe quer dar realce com o uso de
maiúscula: d’Ele, n’Ele, d’Aquele, n’Aquele, d’O, n’O, pel’O, m’O, t’O, lh’O, casos em que a segunda
parte, forma masculina, é aplicável a Deus, a Jesus, etc.; d’Ela, n’Ela, d’Aquela, d’A, n’A, pel’A, m’A,
t’A, lh’A, casos em que a segunda parte, forma feminina, é aplicável à mãe de Jesus, à Providência,
etc. Exemplos frásicos: confiamos n’O que nos salvou; esse milagre revelou-m’O; está n’Ela a nossa
esperança; pugnemos pel’A que é nossa padroeira.
À semelhança das cisões indicadas, pode dissolver-se graficamente, posto que sem uso do
apóstrofo, uma combinação da preposição a com uma forma pronominal realçada pela maiúscula: a
O, a Aquele, a Aquela (entendendo-se que a dissolução gráfica nunca impede na leitura a
combinação fonética: a O = ao, a Aquela = àquela, etc.). Exemplos frásicos: a O que tudo pode; a
Aquela que nos protege.
c)Emprega-se o apóstrofo nas ligações das formas santo e santa a nomes do hagiológio, quando
importa representar a elisão das vogais finais o e a: Sant’Ana, Sant’Iago, etc. É, pois, correto
escrever: Calçada de Sant’Ana, Rua de Sant’Ana; culto de Sant’Iago, Ordem de Sant’Iago. Mas, se
as ligações deste gênero, como é o caso destas mesmas Sant’Ana e Sant’Iago, se tornam perfeitas
unidades mórficas, aglutinam-se os dois elementos: Fulano de Santana, ilhéu de Santana, Santana
de Parnaíba; Fulano de Santiago, ilha de Santiago, Santiago do Cacém.
Em paralelo com a grafia Sant’Ana e congêneres, emprega-se também o apóstrofo nas ligações de
duas formas antroponímicas, quando é necessário indicar que na primeira se elide um o
final: Nun’Álvares, Pedr’Eanes.
Note-se que nos casos referidos as escritas com apóstrofo, indicativas de elisão, não impedem, de
modo algum, as escritas sem apóstrofo: Santa Ana, Nuno Álvares, Pedro Álvares, etc.
d)Emprega-se o apóstrofo para assinalar, no interior de certos compostos, a elisão do e da
preposição de, em combinação com substantivos: borda-d’água, cobra-d’água, copo-d’água, estrela-
d’alva, galinha-d’água, mãe-d’água, pau-d’água, pau-d’alho, pau-d’arco, pau-d’óleo.
2º)São os seguintes os casos em que não se usa o apóstrofo:
Não é admissível o uso do apóstrofo nas combinações das preposições de e em com as formas do
artigo definido, com formas pronominais diversas e com formas adverbiais (excetuado o que se
estabelece nas alíneas 1º) a) e 1º) b)). Tais combinações são representadas:
a)Por uma só forma vocabular, se constituem, de modo fixo, uniões perfeitas:
i) do, da, dos, das; dele, dela, deles, delas; deste, desta, destes, destas, disto; desse, dessa, desses,
dessas, disso; daquele, daquela, daqueles, daquelas, daquilo; destoutro, destoutra, destoutros,
destoutras; dessoutro, dessoutra, dessoutros, dessoutras; daqueloutro, daqueloutra, daqueloutros,
daqueloutras; daqui; daí; dali; dacolá; donde; dantes (= antigamente);
ii) no, na, nos, nas; nele, nela, neles, nelas; neste, nesta, nestes, nestas, nisto; nesse, nessa, nesses,
nessas, nisso; naquele, naquela, naqueles, naquelas, naquilo; nestoutro, nestoutra, nestoutros,
nestoutras; nessoutro, nessoutra, nessoutros, nessoutras; naqueloutro, naqueloutra, naqueloutros,
naqueloutras; num, numa, nuns, numas; noutro, noutra, noutros, noutras, noutrem; nalgum, nalguma,
nalguns, nalgumas, nalguém.
b)Por uma ou duas formas vocabulares, se não constituem, de modo fixo, uniões perfeitas (apesar de
serem correntes com esta feição em algumas pronúncias): de um, de uma, de uns, de umas, ou dum,
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duma, duns, dumas; de algum, de alguma, de alguns, de algumas, de alguém, de algo, de algures, de
alhures, ou dalgum, dalguma, dalguns, dalgumas, dalguém, dalgo, dalgures, dalhures; de outro, de
outra, de outros, de outras, de outrem, de outrora, ou doutro, doutra, doutros, doutras, doutrem,
doutrora; de aquém ou daquém; de além ou dalém; de entre ou dentre.
De acordo com os exemplos deste último tipo, tanto se admite o uso da locução adverbial de ora
avante como do advérbio que representa a contração dos seus três elementos: doravante.
Obs.: Quando a preposição de se combina com as formas articulares ou pronominais o, a, os, as, ou
com quaisquer pronomes ou advérbios começados por vogal, mas acontece estarem essas palavras
integradas em construções de infinitivo, não se emprega o apóstrofo, nem se funde a preposição com
a forma imediata, escrevendo-se estas duas separadamente: a fim de ele compreender; apesar de o
não ter visto; em virtude de os nossos pais serem bondosos; o fato de o conhecer; por causa de aqui
estares.
Base XIX
Das minúsculas e maiúsculas
1º)A letra minúscula inicial é usada:
a)Ordinariamente, em todos os vocábulos da língua nos usos correntes.
b)Nos nomes dos dias, meses, estações do ano: segunda-feira; outubro; primavera.
c)Nos bibliónimos/bibliônimos (após o primeiro elemento, que é com maiúscula, os demais vocábulos,
podem ser escritos com minúscula, salvo nos nomes próprios nele contidos, tudo em grifo): O Senhor
do Paço de Ninães, O senhor do paço de Ninães, Menino de Engenho ou Menino de engenho, Árvore
e Tambor ou Árvore e tambor.
d)Nos usos de fulano, sicrano, beltrano.
e)Nos pontos cardeais (mas não nas suas abreviaturas); norte, sul (mas: SW sudoeste).
f)Nos axiónimos/axiônimos e hagiónimos/hagiônimos (opcionalmente, neste caso, também com
maiúscula): senhor doutor Joaquim da Silva, bacharel Mário Abrantes, o cardeal Bembo; santa
Filomena (ou Santa Filomena).
g)Nos nomes que designam domínios do saber, cursos e disciplinas (opcionalmente, também com
maiúscula): português (ou Português), matemática (ou Matemática); línguas e literaturas
modernas (ou Línguas e Literaturas Modernas).
2º)A letra maiúscula inicial é usada:
a)Nos antropónimos/antropônimos, reais ou fictícios: Pedro Marques; Branca de Neve, D. Quixote.
b)Nos topónimos/topônimos, reais ou fictícios: Lisboa, Luanda, Maputo, Rio de Janeiro; Atlântida,
Hespéria.
c)Nos nomes de seres antropomorfizados ou mitológicos: Adamastor; Neptuno / Netuno.
d)Nos nomes que designam instituições: Instituto de Pensões e Aposentadorias da Previdência
Social.
e)Nos nomes de festas e festividades: Natal, Páscoa, Ramadão, Todos os Santos.
f)Nos títulos de periódicos, que retêm o itálico: O Primeiro de Janeiro, O Estado de São Paulo (ou S.
Paulo).
g)Nos pontos cardeais ou equivalentes, quando empregados absolutamente: Nordeste, por nordeste
do Brasil, Norte, por norte de Portugal, Meio-Dia, pelo sul da França ou de outros países, Ocidente,
por ocidente europeu, Oriente, por oriente asiático.
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h)Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais ou nacionalmente reguladas com maiúsculas,
iniciais ou mediais ou finais ou o todo em maiúsculas: FAO, NATO, ONU; H2O; Sr., V. Exa.
i)Opcionalmente, em palavras usadas reverencialmente, aulicamente ou hierarquicamente, em início
de versos, em categorizações de logradouros públicos: (rua ou Rua da Liberdade, largo ou Largo dos
Leões), de templos (igreja ou Igreja do Bonfim, templo ou Templo do Apostolado Positivista), de
edifícios (palácio ou Palácio da Cultura, edifício ou Edifício Azevedo Cunha).
Obs.: As disposições sobre os usos das minúsculas e maiúsculas não obstam a que obras
especializadas observem regras próprias, provindas de códigos ou normalizações específicas
(terminologias antropológica, geológica, bibliológica, botânica, zoológica, etc.), promanadas de
entidades científicas ou normalizadoras,reconhecidas internacionalmente.
Base XX
Da divisão silábica
A divisão silábica, que em regra se faz pela soletração (a-ba-de, bru-ma, ca-cho, lha-no, ma-lha, ma-
nha, má-xi-mo, ó-xi-do, ro-xo, tme-se), e na qual, por isso, se não tem de atender aos elementos
constitutivos dos vocábulos segundo a etimologia (a-ba-li-e-nar, bi-sa-vô, de-sa-pa-re-cer, di-sú-ri-co,
e-xâ-ni-me, hi-pe-ra-cú-sti-co, i-ná-bil, o-bo-val, su-bo-cu-lar, su-pe-rá-ci-do), obedece a vários
preceitos particulares, que rigorosamente cumpre seguir, quando se tem de fazer em fim de linha,
mediante o emprego do hífen, a partição de uma palavra:
1º)São indivisíveis no interior da palavra, tal como inicialmente, e formam, portanto, sílaba para a
frente as sucessões de duas consoantes que constituem perfeitos grupos, ou sejam (com exceção
apenas de vários compostos cujos prefixos terminam em b, ou d: ab- legação, ad- ligar, sub- lunar,
etc., em vez de a- blegação, a- dligar, su- blunar, etc.) aquelas sucessões em que a primeira
consoante é uma labial, uma velar, uma dental ou uma labiodental e a segunda um l ou um r: a-
blução, cele- brar, du- plicação, re- primir, a- clamar, de- creto, de- glutição, re- grado; a- tlético, cáte-
dra, períme- tro; a- fluir, a- fricano, ne- vrose.
2º)São divisíveis no interior da palavra as sucessões de duas consoantes que não constituem
propriamente grupos e igualmente as sucessões de m ou n, com valor de nasalidade, e uma
consoante: ab- dicar, Ed- gardo, op- tar, sub- por, ab- soluto, ad- jetivo, af- ta, bet- samita, íp- silon,
ob- viar, des- cer, dis- ciplina, flores- cer, nas- cer, res- cisão; ac- ne, ad- mirável, Daf- ne, diafrag-
ma, drac- ma, ét- nico, rit- mo, sub- meter, am- nésico, interam- nense; bir- reme, cor- roer, pror-
rogar, as- segurar, bis- secular, sos- segar, bissex- to, contex- to, ex- citar, atroz- mente, capaz-
mente, infeliz- mente; am- bição, desen- ganar, en- xame, man- chu, Mân- lio, etc.
3º)As sucessões de mais de duas consoantes ou de m ou n, com o valor de nasalidade, e duas ou
mais consoantes são divisíveis por um de dois meios: se nelas entra um dos grupos que são
indivisíveis (de acordo com o preceito 1º), esse grupo forma sílaba para diante, ficando a consoante
ou consoantes que o precedem ligadas à sílaba anterior; se nelas não entra nenhum desses grupos,
a divisão dá-se sempre antes da última consoante. Exemplos dos dois casos: cam- braia, ec- tlipse,
em- blema, ex- plicar, in- cluir, ins- crição, subs- crever, trans- gredir, abs- tenção, disp- neia, inters-
telar, lamb- dacismo, sols- ticial, Terp- sícore, tungs- tênio.
4º)As vogais consecutivas que não pertencem a ditongos decrescentes (as que pertencem a ditongos
deste tipo nunca se separam: ai- roso, cadei- ra, insti- tui, ora- ção, sacris- tães, traves- sões) podem,
se a primeira delas não é u precedido de g ou q, e mesmo que sejam iguais, separar-se na
escrita: ala- úde, áre- as, ca- apeba, co- ordenar, do- er, flu- idez, perdo- as, vo- os. O mesmo se
aplica aos casos de contiguidade de ditongos, iguais ou diferentes, ou de ditongos e vogais: cai- ais,
cai- eis, ensai- os, flu- iu.
5º)Os digramas gu e qu, em que o u se não pronuncia, nunca se separam da vogal ou ditongo
imediato (ne- gue, ne- guei; pe- que, pe- quei), do mesmo modo que as combinações gu e qu em que
o u se pronuncia: á- gua, ambí- guo, averi- gueis, longín-quos, lo- quaz, quais- quer.
6º) Na translineação de uma palavra composta ou de uma combinação de palavras em que há um
hífen, ou mais, se a partição coincide com o final de um dos elementos ou membros, deve, por
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clareza gráfica, repetir-se o hífen no início da linha imediata: ex- -alferes, serená- -los-
emos ou serená-los- -emos, vice- -almirante.
Base XXI
Das assinaturas e firmas
Para ressalva de direitos, cada qual poderá manter a escrita que, por costume ou registro legal, adote
na assinatura do seu nome.
Com o mesmo fim, pode manter-se a grafia original de quaisquer firmas comerciais, nomes de
sociedades, marcas e títulos que estejam inscritos em registro público.
ANEXO II
NOTA EXPLICATIVA DO
ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA
(1990)
1. Memória breve dos acordos ortográficos
A existência de duas ortografias oficiais da língua portuguesa, a lusitana e a brasileira, tem sido
considerada como largamente prejudicial para a unidade intercontinental do português e para o seu
prestígio no Mundo.
Tal situação remonta, como é sabido, a 1911, ano em que foi adotada em Portugal a primeira grande
reforma ortográfica, mas que não foi extensiva ao Brasil.
Por iniciativa da Academia Brasileira de Letras, em consonância com a Academia das Ciências de
Lisboa, com o objetivo de se minimizarem os inconvenientes desta situação, foi aprovado em 1931 o
primeiro acordo ortográfico entre Portugal e o Brasil. Todavia, por razões que não importa agora
mencionar, este acordo não produziu, afinal, a tão desejada unificação dos dois sistemas
ortográficos, fato que levou mais tarde à convenção ortográfica de 1943. Perante as divergências
persistentes nos Vocabulários entretanto publicados pelas duas Academias, que punham em
evidência os parcos resultados práticos do acordo de 1943, realizou-se, em 1945, em Lisboa, novo
encontro entre representantes daquelas duas agremiações, o qual conduziu à chamada Convenção
Ortográfica Luso-Brasileira de 1945. Mais uma vez, porém, este acordo não produziu os almejados
efeitos, já que ele foi adotado em Portugal, mas não no Brasil.
Em 1971, no Brasil, e em 1973, em Portugal, foram promulgadas leis que reduziram
substancialmente as divergências ortográficas entre os dois países. Apesar destas louváveis
iniciativas, continuavam a persistir, porém, divergências sérias entre os dois sistemas ortográficos.
No sentido de as reduzir, a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras
elaboraram em 1975 um novo projeto de acordo que não foi, no entanto, aprovado oficialmente por
razões de ordem política, sobretudo vigentes em Portugal.
E é neste contexto que surge o encontro do Rio de Janeiro, em Maio de 1986, e no qual se
encontram, pela primeira vez na história da língua portuguesa, representantes não apenas de
Portugal e do Brasil mas também dos cinco novos países africanos lusófonos entretanto emergidos
da descolonização portuguesa.
O Acordo Ortográfico de 1986, conseguido na reunião do Rio de Janeiro, ficou, porém, inviabilizado
pela reação polêmica contra ele movida sobretudo em Portugal.
2.Razões do fracasso dos acordos ortográficos
Perante o fracasso sucessivo dos acordos ortográficos entre Portugal e o Brasil, abrangendo o de
1986 também os países lusófonos de África, importa refletir seriamente sobre as razões de tal
malogro.
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Analisando sucintamente o conteúdo dos acordos de 1945 e de 1986, a conclusão que se colhe é a
de que eles visavam impor uma unificação ortográfica absoluta.
Em termos quantitativos e com base em estudos desenvolvidos pela Academia das Ciências de
Lisboa, com base num corpus de cerca de 110.000 palavras, conclui-se que o Acordo de 1986
conseguia a unificação ortográfica em cerca de 99,5% do vocabulário geral da língua. Mas
conseguia-a sobretudo à custa da simplificação drástica do sistema de acentuação gráfica, pela
supressão dos acentos nas palavras proparoxítonas e paroxítonas, o que não foi bem aceito por uma
parte substancial da opinião pública portuguesa.
Também o acordo de 1945 propunha uma unificação ortográfica absoluta que rondava os 100% do
vocabulário geral da língua. Mas tal unificação assentava em dois princípios que se revelaram
inaceitáveis para os brasileiros:
a)Conservação das chamadas consoantes mudas ou não articuladas,o que correspondia a uma
verdadeira restauração destas consoantes no Brasil, uma vez que elas tinham há muito sido
abolidas.
b)Resolução das divergências de acentuação das vogais tônicas e e o, seguidas das consoantes
nasais m e n, das palavras proparoxítonas (ou esdrúxulas) no sentido da prática portuguesa, que
consistia em as grafar com acento agudo e não circunflexo, conforme a prática brasileira.
Assim se procurava, pois, resolver a divergência de acentuação gráfica de palavras
como António e Antônio, cómodo e cômodo, género e gênero, oxigénio e oxigênio, etc., em favor da
generalização da acentuação com o diacrítico agudo. Esta solução estipulava, contra toda a tradição
ortográfica portuguesa, que o acento agudo, nestes casos, apenas assinalava a tonicidade da vogal e
não o seu timbre, visando assim resolver as diferenças de pronúncia daquelas mesmas vogais.
A inviabilização prática de tais soluções leva-nos à conclusão de que não é possível unificar por via
administrativa divergências que assentam em claras diferenças de pronúncia, um dos critérios, aliás,
em que se baseia o sistema ortográfico da língua portuguesa.
Nestas condições, há que procurar uma versão de unificação ortográfica que acautele mais o futuro
do que o passado e que não receie sacrificar a simplificação também pretendida em 1986, em favor
da máxima unidade possível. Com a emergência de cinco novos países lusófonos, os fatores de
desagregação da unidade essencial da língua portuguesa far-se-ão sentir com mais acuidade e
também no domínio ortográfico. Neste sentido importa, pois, consagrar uma versão de unificação
ortográfica que fixe e delimite as diferenças atualmente existentes e previna contra a desagregação
ortográfica da língua portuguesa.
Foi, pois, tendo presentes estes objetivos, que se fixou o novo texto de unificação ortográfica, o qual
representa uma versão menos forte do que as que foram conseguidas em 1945 e 1986. Mas ainda
assim suficientemente forte para unificar ortograficamente cerca de 98% do vocabulário geral da
língua.
3.Forma e substância do novo texto
O novo texto de unificação ortográfica agora proposto contém alterações de forma (ou estrutura) e de
conteúdo, relativamente aos anteriores. Pode dizer-se, simplificando, que em termos de estrutura se
aproxima mais do acordo de 1986, mas que em termos de conteúdo adota uma posição mais
conforme com o projeto de 1975, atrás referido.
Em relação às alterações de conteúdo, elas afetam sobretudo o caso das consoantes mudas ou não
articuladas, o sistema de acentuação gráfica, especialmente das esdrúxulas, e a hifenação.
Pode dizer-se ainda que, no que respeita às alterações de conteúdo, de entre os princípios em que
assenta a ortografia portuguesa, se privilegiou o critério fonético (ou da pronúncia) com um certo
detrimento para o critério etimológico.
É o critério da pronúncia que determina, aliás, a supressão gráfica das consoantes mudas ou não
articuladas, que se têm conservado na ortografia lusitana essencialmente por razões de ordem
etimológica.
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É também o critério da pronúncia que nos leva a manter um certo número de grafias duplas do tipo
de caráter e carácter, facto e fato, sumptuoso e suntuoso, etc.
É ainda o critério da pronúncia que conduz à manutenção da dupla acentuação gráfica do tipo
de económico e econômico, efémero e efêmero, género e gênero, génio e gênio, ou
de bónus e bônus, sémen e sêmen, ténis e tênis, ou ainda de bebé e bebê, ou metro e metrô, etc.
Explicitam-se em seguida as principais alterações introduzidas no novo texto de unificação
ortográfica, assim como a respectiva justificação.
4.Conservação ou supressão das consoantes c, p, b, g, m e t em certas seqüências consonânticas
(Base IV)
4.1.Estado da questão
Como é sabido, uma das principais dificuldades na unificação da ortografia da língua portuguesa
reside na solução a adotar para a grafia das consoantes c e p, em certas seqüências consonânticas
interiores, já que existem fortes divergências na sua articulação.
Assim, umas vezes, estas consoantes são invariavelmente proferidas em todo o espaço geográfico
da língua portuguesa, conforme sucede em casos
como compacto, ficção, pacto; adepto, aptidão, núpcias; etc.
Neste caso, não existe qualquer problema ortográfico, já que tais consoantes não podem deixar de
grafar-se (v. Base IV, 1º a).
Noutros casos, porém, dá-se a situação inversa da anterior, ou seja, tais consoantes não são
proferidas em nenhuma pronúncia culta da língua, como acontece
em acção, afectivo, direcção; adopção, exacto, óptimo; etc. Neste caso existe um problema. É que na
norma gráfica brasileira há muito estas consoantes foram abolidas, ao contrário do que sucede na
norma gráfica lusitana, em que tais consoantes se conservam. A solução que agora se adota (v. Base
IV, 1º b) é a de as suprimir, por uma questão de coerência e de uniformização de critérios (vejam-se
as razões de tal supressão adiante, em 4.2.).
As palavras afectadas por tal supressão representam 0,54% do vocabulário geral da língua, o que é
pouco significativo em termos quantitativos (pouco mais de 600 palavras em cerca de 110.000). Este
número é, no entanto, qualitativamente importante, já que compreende vocábulos de uso muito
frequente (como, por ex., acção, actor, actual, colecção, colectivo, correcção, direcção, director,
electricidade, factor, factura, inspector, lectivo, óptimo, etc.).
O terceiro caso que se verifica relativamente às consoantes c e p diz respeito à oscilação de
pronúncia, a qual ocorre umas vezes no interior da mesma norma culta (cf. por
ex., cacto ou cato, dicção ou dição, sector ou setor, etc.), outras vezes entre normas cultas distintas
(cf., por ex., facto, receção em Portugal, mas fato, recepção no Brasil).
A solução que se propõe para estes casos, no novo texto ortográfico, consagra a dupla grafia (v.
Base IV, 1º c).
A estes casos de grafia dupla devem acrescentar-se as poucas variantes do tipo
de súbdito e súdito, subtil e sutil, amígdala e amídala, amnistia e anistia, aritmética e arimética, nas
quais a oscilação da pronúncia se verifica quanto às consoantes b, g, m e t (v. Base IV, 2º).
O número de palavras abrangidas pela dupla grafia é de cerca de 0,5% do vocabulário geral da
língua, o que é pouco significativo (ou seja, pouco mais de 575 palavras em cerca de 110.000),
embora nele se incluam também alguns vocábulos de uso muito frequente.
4.2. Justificação da supressão de consoantes não articuladas (Base IV 1º b)
As razões que levaram à supressão das consoantes mudas ou não articuladas em palavras
como ação (acção), ativo (activo), diretor (director), ótimo (óptimo) foram essencialmente as
seguintes:
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a)O argumento de que a manutenção de tais consoantes se justifica por motivos de ordem
etimológica, permitindo assinalar melhor a similaridade com as palavras congêneres das outras
línguas românicas, não tem consistência. Por outro lado, várias consoantes etimológicas se foram
perdendo na evolução das palavras ao longo da história da língua portuguesa. Vários são, por outro
lado, os exemplos de palavras deste tipo, pertencentes a diferentes línguas românicas, que, embora
provenientes do mesmo étimo latino, revelam incongruências quanto à conservação ou não das
referidas consoantes.
É o caso, por exemplo, da palavra objecto, proveniente do latim objectu-, que até agora conservava
o c, ao contrário do que sucede em francês (cf. objet), ou em espanhol (cf. objeto). Do mesmo
modo projecto (de projectu-) mantinha até agora a grafia com c, tal como acontece em espanhol
(cf. proyecto), mas não em francês (cf. projet). Nestes casos o italiano dobra a consoante, por
assimilação (cf. oggettoe progetto). A palavra vitória há muito se grafa sem c, apesar do
espanhol victoria, do francês victoire ou do italiano vittoria. Muitos outros exemplos se poderiam citar.
Aliás, não tem qualquer consistência a ideia de que a similaridade do português com as outras
línguas românicas passa pela manutenção de consoantes etimológicas do tipo mencionado.
Confrontem-se, por exemplo, formas como as seguintes: port. acidente (do lat. accidente-),
esp. accidente, fr. accident, it. accidente; port. dicionário (do lat. dictionariu-), esp. diccionario,
fr. dictionnaire, it. dizionario; port. ditar (do lat. dictare), esp. dictar, fr. dicter, it. dettare;
port. estrutura (de structura-), esp. estructura, fr. structure, it. struttura; etc.
Em conclusão, as divergências entre as línguas românicas, neste domínio, são evidentes, o que não
impede, aliás, o imediato reconhecimento da similaridade entre tais formas. Tais divergências
levantam dificuldades à memorização da norma gráfica, na aprendizagem destas línguas, mas não é
com certeza a manutenção de consoantes não articuladas em português que vai facilitar aquela
tarefa.
b)A justificação de que as ditas consoantes mudas travam o fechamento da vogal precedente
também é de fraco valor, já que, por um lado, se mantêm na língua palavras com vogal pré-tónica
aberta, sem a presença de qualquer sinal diacrítico, como em corar, padeiro, oblação, pregar (= fazer
uma prédica), etc., e, por outro, a conservação de tais consoantes não impede a tendência para o
ensurdecimento da vogal anterior em casos como accionar, actual, actualidade, exactidão, tactear,
etc.
c)É indiscutível que a supressão deste tipo de consoantes vem facilitar a aprendizagem da grafia das
palavras em que elas ocorriam.
De fato, como é que uma criança de 6-7 anos pode compreender que em palavras
como concepção, excepção, recepção, a consoante não articulada é um p, ao passo que em
vocábulos como correcção, direcção, objecção, tal consoante é um c?
Só à custa de um enorme esforço de memorização que poderá ser vantajosamente canalizado para
outras áreas da aprendizagem da língua.
d)A divergência de grafias existente neste domínio entre a norma lusitana, que teimosamente
conserva consoantes que não se articulam em todo o domínio geográfico da língua portuguesa, e a
norma brasileira, que há muito suprimiu tais consoantes, é incompreensível para os lusitanistas
estrangeiros, nomeadamente para professores e estudantes de português, já que lhes cria
dificuldades suplementares, nomeadamente na consulta dos dicionários, uma vez que as palavras em
causa vêm em lugares diferentes da ordem alfabética, conforme apresentam ou não a consoante
muda.
e)Uma outra razão, esta de natureza psicológica, embora nem por isso menos importante, consiste
na convicção de que não haverá unificação ortográfica da língua portuguesa se tal disparidade não
for revolvida.
f)Tal disparidade ortográfica só se pode resolver suprimindo da escrita as consoantes não articuladas,
por uma questão de coerência, já que a pronúncia as ignora, e não tentando impor a sua grafia
àqueles que há muito as não escrevem, justamente por elas não se pronunciarem.
4.3. Incongruências aparentes
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A aplicação do princípio, baseado no critério da pronúncia, de que as consoantes c e p em certas
sequências consonânticas se suprimem, quando não articuladas, conduz a algumas incongruências
aparentes, conforme sucede em palavras como apocalítico ou Egito (sem p, já que este não se
pronuncia), a par de apocalipse ou egipcio (visto que aqui o p se articula), noturno (sem c, por este
ser mudo), ao lado de noctívago (com c por este se pronunciar), etc.
Tal incongruência é apenas aparente. De fato, baseando-se a conservação ou supressão daquelas
consoantes no critério da pronúncia, o que não faria sentido era mantê-las, em certos casos, por
razões de parentesco lexical. Se se abrisse tal exceção, o utente, ao ter que escrever determinada
palavra, teria que recordar previamente, para não cometer erros, se não haveria outros vocábulos da
mesma família que se escrevessem com este tipo de consoante.
Aliás, divergências ortográficas do mesmo tipo das que agora se propõem foram já aceites nas Bases
de 1945 (v. Base VI, último parágrafo), que consagraram grafias como assunção ao lado
de assumptivo, cativo, a par de captor e captura, dicionário, mas dicção, etc. A razão então aduzida
foi a de que tais palavras entraram e se fixaram na língua em condições diferentes. A justificação da
grafia com base na pronúncia é tão nobre como aquela razão.
4.4. Casos de dupla grafia (Base IV, 1º c, d e 2º)
Sendo a pronúncia um dos critérios em que assenta a ortografia da língua portuguesa, é inevitável
que se aceitem grafias duplas naqueles casos em que existem divergências de articulação quanto às
referidas consoantes ce p e ainda em outros casos de menor significado. Torna-se, porém,
praticamente impossível enunciar uma regra clara e abrangente dos casos em que há oscilação entre
o emudecimento e a prolação daquelas consoantes, já que todas as sequências consonânticas
enunciadas, qualquer que seja a vogal precedente, admitem as duas alternativas: cacto e cato,
caracteres e carateres, dicção e dição, facto e fato, sector e setor; ceptro e cetro; concepção e conce
ção, recepção e receção; assumpção e assunção, peremptório e perentório, sumptuoso e suntuoso;
etc.
De um modo geral pode dizer-se que, nestes casos, o emudecimento da consoante (exceto
em dicção, facto, sumptuoso e poucos mais) se verifica, sobretudo, em Portugal e nos países
africanos, enquanto no Brasil há oscilação entre a prolação e o emudecimento da mesma consoante.
Também os outros casos de dupla grafia (já mencionados em 4.1.), do tipo
de súbdito e súdito, subtil e sutil, amígdala e amídala, omnisciente e onisciente, aritmética e arimética
, muito menos relevantes em termos quantitativos do que os anteriores, se verificam sobretudo no
Brasil.
Trata-se, afinal, de formas divergentes, isto é, do mesmo étimo. As palavras sem consoante, mais
antigas e introduzidas na língua por via popular, foram já usadas em Portugal e encontram-se
nomeadamente em escritores dos séculos XVI e XVII.
Os dicionários da língua portuguesa, que passarão a registrar as duas formas, em todos os casos de
dupla grafia, esclarecerão, tanto quanto possível, sobre o alcance geográfico e social desta oscilação
de pronúncia.
5.Sistema de acentuação gráfica (Bases VIII a XIII)
5.1.Análise geral da questão
O sistema de acentuação gráfica do português atualmente em vigor, extremamente complexo e
minucioso, remonta essencialmente à Reforma Ortográfica de 1911.
Tal sistema não se limita, em geral, a assinalar apenas a tonicidade das vogais sobre as quais
recaem os acentos gráficos, mas distingue também o timbre destas.
Tendo em conta as diferenças de pronúncia entre o português europeu e o do Brasil, era natural que
surgissem divergências de acentuação gráfica entre as duas realizações da língua.
Tais divergências têm sido um obstáculo à unificação ortográfica do português.
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É certo que em 1971, no Brasil, e em 1973, em Portugal, foram dados alguns passos significativos no
sentido da unificação da acentuação gráfica, como se disse atrás. Mas, mesmo assim, subsistem
divergências importantes neste domínio, sobretudo no que respeita à acentuação das paroxítonas.
Não tendo tido viabilidade prática a solução fixada na Convenção Ortográfica de 1945, conforme já foi
referido, duas soluções eram possíveis para se procurar resolver esta questão.
Uma era conservar a dupla acentuação gráfica, o que constituía sempre um espinho contra a
unificação da ortografia.
Outra era abolir os acentosgráficos, solução adotada em 1986, no Encontro do Rio de Janeiro.
Esta solução, já preconizada no I Simpósio Luso-Brasileiro sobre a Língua Portuguesa
Contemporânea, realizada em 1967 em Coimbra, tinha sobretudo a justificá-la o fato de a língua oral
preceder a língua escrita, o que leva muitos utentes a não empregarem na prática os acentos
gráficos, visto que não os consideram indispensáveis à leitura e compreensão dos textos escritos.
A abolição dos acentos gráficos nas palavras proparoxítonas e paroxítonas, preconizada no Acordo
de 1986, foi, porém, contestada por uma larga parte da opinião pública portuguesa, sobretudo por tal
medida ir contra a tradição ortográfica e não tanto por estar contra a prática ortográfica.
A questão da acentuação gráfica tinha, pois, de ser repensada.
Neste sentido, desenvolveram-se alguns estudos e fizeram-se vários levantamentos estatísticos com
o objetivo de se delimitarem melhor e quantificarem com precisão as divergências existentes nesta
matéria.
5.2.Casos de dupla acentuação
5.2.1.Nas proparoxítonas (Base XI)
Verificou-se assim que as divergências, no que respeita às proparoxítonas, se circunscrevem
praticamente, como já foi destacado atrás, ao caso das vogais tônicas e e o, seguidas das
consoantes nasais m e n, com as quais aquelas não formam sílaba (v. Base XI, 3º).
Estas vogais soam abertas em Portugal e nos países africanos recebendo, por isso, acento agudo,
mas são do timbre fechado em grande parte do Brasil, grafando-se por conseguinte com acento
circunflexo: académico/ acadêmico, cómodo/ cômodo, efémero/ efêmero, fenómeno/ fenômeno, génio
/ gênio, tónico/ tônico, etc.
Existem uma ou outra exceção a esta regra, como, por exemplo, cômoro e sêmola, mas estes casos
não são significativos.
Costuma, por vezes, referir-se que o a tônico das proparoxítonas, quando seguido de m ou n com
que não forma sílaba, também está sujeito à referida divergência de acentuação gráfica. Mas tal não
acontece, porém, já que o seu timbre soa praticamente sempre fechado nas pronúncias cultas da
língua, recebendo, por isso, acento circunflexo: âmago, ânimo, botânico, câmara, dinâmico, gerânio,
pânico, pirâmide.
As únicas exceções a este princípio são os nomes próprios de origem
grega Dánae/ Dânae e Dánao/ Dânao.
Note-se que se as vogais e e o, assim como a, formam sílaba com as consoantes m ou n, o seu
timbre é sempre fechado em qualquer pronúncia culta da língua, recebendo, por isso, acento
circunflexo: êmbolo, amêndoa, argênteo, excêntrico, têmpera; anacreôntico, cômputo, recôndito,
cânfora, Grândola, Islândia, lâmpada, sonâmbulo, etc.
5.2.2.Nas paroxítonas (Base IX)
Também nos casos especiais de acentuação das paroxítonas ou graves (v. Base IX, 2º), algumas
palavras que contêm as vogais tônicas e e o em final de sílaba, seguidas das consoantes
nasais m e n, apresentam oscilação de timbre, nas pronúncias cultas da língua.
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Tais palavras são assinaladas com acento agudo, se o timbre da vogal tônica é aberto, ou com
acento circunflexo, se o timbre é fechado: fémur ou fêmur, Fénix ou Fênix, ónix ou ônix, sémen ou
sêmen, xénon ou xênon; bónus ou bônus, ónus ou ônus, pónei ou pônei, ténis ou tênis, Vénus ou Vên
us; etc. No total, estes são pouco mais de uma dúzia de casos.
5.2.3.Nas oxítonas (Base VIII)
Encontramos igualmente nas oxítonas (v. Base VIII, 1º a, Obs.) algumas divergências de timbre em
palavras terminadas em e tônico, sobretudo provenientes do francês. Se esta vogal tônica soa aberta,
recebe acento agudo; se soa fechada, grafa-se com acento circunflexo. Também aqui os exemplos
pouco ultrapassam as duas dezenas: bebé ou bebê, caraté ou caratê, croché ou crochê, guiché ou
guichê, matiné ou matinê, puré ou purê; etc. Existe também um caso ou outro de oxítonas terminadas
em o ora aberto ora fechado, como sucede em cocó ou cocô, ró ou rô.
A par de casos como este há formas oxítonas terminadas em o fechado, às quais se opõem variantes
paroxítonas, como acontece em judô e judo, metrô e metro, mas tais casos são muito raros.
5.2.4.Avaliação estatística dos casos de dupla acentuação gráfica
Tendo em conta o levantamento estatístico que se fez na Academia das Ciências de Lisboa, com
base no já referido corpus de cerca de 110.000 palavras do vocabulário geral da língua, verificou-se
que os citados casos de dupla acentuação gráfica abrangiam aproximadamente 1,27% (cerca de
1.400 palavras). Considerando que tais casos se encontram perfeitamente delimitados, como se
referiu atrás, sendo assim possível enunciar a regra de aplicação, optou-se por fixar a dupla
acentuação gráfica como a solução menos onerosa para a unificação ortográfica da língua
portuguesa.
5.3.Razões da manutenção dos acentos gráficos nas proparoxítonas e paroxítonas
Resolvida a questão dos casos de dupla acentuação gráfica, como se disse atrás, já não tinha
relevância o principal motivo que levou em 1986 a abolir os acentos nas palavras proparoxítonas e
paroxítonas.
Em favor da manutenção dos acentos gráficos nestes casos, ponderaram-se, pois, essencialmente as
seguintes razões:
a)Pouca representatividade (cerva de 1,27%) dos casos de dupla acentuação.
b)Eventual influência da língua escrita sobre a língua oral, com a possibilidade de, sem acentos
gráficos, se intensificar a tendência para a paroxitonia, ou seja, deslocação do acento tônico da
antepenúltima para a penúltima sílaba, lugar mais frequente de colocação do acento tônico em
português.
c)Dificuldade em apreender corretamente a pronúncia em termos de âmbito técnico e científico,
muitas vezes adquiridos através da língua escrita (leitura).
d)Dificuldades causadas, com a abolição dos acentos, à aprendizagem da língua, sobretudo quando
esta se faz em condições precárias, como no caso dos países africanos, ou em situação de auto-
aprendizagem.
e)Alargamento, com a abolição dos acentos gráficos, dos casos de homografia, do tipo de análise(s)/
analise(v.), fábrica(s.)/ fabrica(v.), secretária(s.)/ secretaria(s. ou v.), vária(s.)/ varia(v.), etc., casos
que apesar de dirimíveis pelo contexto sintático, levantariam por vezes algumas dúvidas e
constituiriam sempre problema para o tratamento informatizado do léxico.
f)Dificuldade em determinar as regras de colocação do acento tônico em função da estrutura mórfica
da palavra. Assim, as proparoxítonas, segundo os resultados estatísticos obtidos da análise de
um corpus de 25.000 palavras, constituem 12%. Destes, 12%, cerca de 30% são falsas esdrúxulas
(cf. génio, água, etc.). Dos 70% restantes, que são as verdadeiras proparoxítonas (cf. cômodo,
gênero, etc.), aproximadamente 29% são palavras que terminam em –ico /–ica (cf. ártico, econômico,
módico, prático, etc.). Os restantes 41% de verdadeiras esdrúxulas distribuem-se por cerca de
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duzentas terminações diferentes, em geral de caráter erudito (cf. espírito, ínclito,
púlpito;filólogo; filósofo; esófago; epíteto; pássaro; pêsames; facílimo; lindíssimo; parêntesis; etc.).
5.4.Supressão de acentos gráficos em certas palavras oxítonas e paroxítonas (Bases VIII, IX e X)
5.4.1.Em casos de homografia (Bases VIII, 3º e IX, 9º e 10º)
O novo texto ortográfico estabelece que deixem de se acentuar graficamente palavras do tipo
de para (á), flexão de parar, pelo (ê), substantivo, pelo (é), flexão de pelar, etc., as quais são
homógrafas, respectivamente, das proclíticas para, preposição, pelo, contração de per e lo, etc.
As razões por que se suprime, nestes casos, o acento gráfico são as seguintes:
a)Em primeiro lugar, por coerência com a abolição do acento gráfico já consagrada pelo Acordo de
1945, em Portugal, e pela Lei nº 5.765, de 18/12/1971, no Brasil, em casos semelhantes,como, por
exemplo: acerto (ê),substantivo, e acerto (é), flexão de acertar; acordo (ô), substantivo, e acordo
(ó), flexão de acordar; cor (ô), substantivo, e cor (ó), elemento da locação de cor; sede (ê) e sede
(é), ambos substantivos; etc.
b)Em segundo lugar, porque, tratando-se de pares cujos elementos pertencem a classes gramaticais
diferentes, o contexto sintático permite distinguir claramente tais homógrafas.
5.4.2.Em paroxítonas com os ditongos ei e oi na sílaba tônica (Base IX, 3º)
O novo texto ortográfico propõe que não se acentuem graficamente os ditongos ei e oi tônicos das
palavras paroxítonas. Assim, palavras como assembleia, boleia, ideia, que na norma gráfica brasileira
se escrevem com acento agudo, por o ditongo soar aberto, passarão a escrever-se sem acento, tal
como aldeia, baleia, cheia, etc.
Do mesmo modo, palavras como comboio, dezoito, estroina, etc., em que o timbre do ditongo oscila
entre a abertura e o fechamento, oscilação que se traduz na facultatividade do emprego do acento
agudo no Brasil, passarão a grafar-se sem acento.
A generalização da supressão do acento nestes casos justifica-se não apenas por permitir eliminar
uma diferença entre a prática ortográfica brasileira e a lusitana, mas ainda pelas seguintes razões:
a) Tal supressão é coerente com a já consagrada eliminação do acento em casos de homografia
heterofônica (v. Base IX, 10º, e, neste texto atrás, 5.4.1.), como sucede, por exemplo, em acerto,
substantivo, e acerto, flexão de acertar, acordo, substantivo, e acordo, flexão de acordar, fora, flexão
de ser e ir, e fora, advérbio, etc.
b)No sistema ortográfico português não se assinala, em geral, o timbre das vogais tônicas a,
e e o das palavras paroxítonas, já que a língua portuguesa se caracteriza pela sua tendência para a
paroxitonia. O sistema ortográfico não admite, pois, a distinção entre, por exemplo cada (â) e fada
(á), para (â) e tara (á); espelho (ê) e velho (é), janela (é) e janelo (ê), escrevera (ê), flexão
de escrever, e Primavera (é); moda (ó) e toda (ô), virtuosa (ó) e virtuoso (ô); etc.
Então, se não se torna necessário, nestes casos, distinguir pelo acento gráfico o timbre da vogal
tónica, por que se há-de usar o diacrítico para assinalar a abertura dos ditongos ei e oi nas
paroxítonas, tendo em conta que o seu timbre nem sempre é uniforme e a presença do acento
constituiria um elemento perturbador da unificação ortográfica?
5.4.3.Em paroxítons do tipo de abençoo, enjoo, voo, etc. (Base IX, 8º)
Por razões semelhantes às anteriores, o novo texto ortográfico consagra também a abolição do
acento circunflexo, vigente no Brasil, em palavras paroxítonas como abençoo, flexão
de abençoar, enjoo, substantivo e flexão de enjoar, moo, flexão de moer, povoo, flexão
de povoar, voo, substantivo e flexão de voar, etc.
O uso do acento circunflexo não tem aqui qualquer razão de ser, já que ele ocorre em palavras
paroxítonas cuja vogal tônica apresenta a mesma pronúncia em todo o domínio da língua portuguesa.
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Além de não ter, pois, qualquer vantagem nem justificação, constitui um fator que perturba a
unificação do sistema ortográfico.
5.4.4.Em formas verbais com u e ui tônicos, precedidos de g e q (Base X, 7º)
Não há justificação para se acentuarem graficamente palavras como apazigue, arguem, etc., já que
estas formas verbais são paroxítonas e a vogal u é sempre articulada, qualquer que seja a flexão do
verbo respectivo.
No caso de formas verbais como argui, delinquis, etc., também não há justificação para o acento, pois
se trata de oxítonas terminadas no ditongo tónico ui, que como tal nunca é acentuado graficamente.
Tais formas só serão acentuadas se a seqüência ui não formar ditongo e a vogal tônica for i, como,
por exemplo, arguí (1a pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo).
6.Emprego do hífen (Bases XV a XVIII)
6.1.Estado da questão
No que respeita ao emprego do hífen, não há propriamente divergências assumidas entre a norma
ortográfica lusitana e a brasileira. Ao compulsarmos, porém, os dicionários portugueses e brasileiros
e ao lermos, por exemplo, jornais e revistas, deparam-se-nos muitas oscilações e um largo número
de formações vocabulares com grafia dupla, ou seja, com hífen e sem hífen, o que aumenta
desmesurada e desnecessariamente as entradas lexicais dos dicionários. Estas oscilações verificam-
se sobretudo nas formações por prefixação e na chamada recomposição, ou seja, em formações com
pseudoprefixos de origem grega ou latina.
Eis alguns exemplos de tais oscilações: ante-rosto e anterrosto, co-educação e coeducação, pré-
frontal e prefrontal, sobre-saia e sobressaia, sobre-saltar e sobressaltar, aero-espacial e aeroespacial,
auto-aprendizagem e autoaprendizagem, agro-industrial e agroindustrial, agro-pecuária e
agropecuária, alvéolo-dental e alveolodental, bolbo-raquidiano e bolborraquidiano, geo-história e
geoistória, micro-onda e microonda; etc.
Estas oscilações são, sem dúvida, devidas a uma certa ambiguidade e falta de sistematização das
regras que sobre esta matéria foram consagradas no texto de 1945. Tornava-se, pois, necessário
reformular tais regras de modo mais claro, sistemático e simples. Foi o que se tentou fazer em 1986.
A simplificação e redução operadas nessa altura, nem sempre bem compreendidas, provocaram
igualmente polêmica na opinião pública portuguesa, não tanto por uma ou outra incongruência
resultante da aplicação das novas regras, mas sobretudo por alterarem bastante a prática ortográfica
neste domínio.
A posição que agora se adota, muito embora tenha tido em conta as críticas fundamentadas ao texto
de 1986, resulta, sobretudo, do estudo do uso do hífen nos dicionários portugueses e brasileiros,
assim como em jornais e revistas.
6.2.O hífen nos compostos (Base XV)
Sintetizando, pode dizer-se que, quanto ao emprego do hífen nos compostos, locuções e
encadeamentos vocabulares, se mantém o que foi estatuído em 1945, apenas se reformulando as
regras de modo mais claro, sucinto e simples.
De fato, neste domínio não se verificam praticamente divergências nem nos dicionários nem na
imprensa escrita.
6.3.O hífen nas formas derivadas (Base XVI)
Quanto ao emprego do hífen nas formações por prefixação e também por recomposição, isto é, nas
formações com pseudoprefixos de origem grega ou latina, apresenta-se alguma inovação. Assim,
algumas regras são formuladas em termos contextuais, como sucede nos seguintes casos:
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a)Emprega-se o hífen quando o segundo elemento da formação começa por h ou pela mesma vogal
ou consoante com que termina o prefixo ou pseudoprefixo (por ex. anti-higiênico, contra-
almirante, hiper-resistente).
b)Emprega-se o hífen quando o prefixo ou falso prefixo termina em m e o segundo elemento começa
por vogal, m ou n (por ex. circum-murado, pan-africano).
As restantes regras são formuladas em termos de unidades lexicais, como acontece com oito delas
(ex-, sota- e soto-, vice- e vizo-; pós-, pré- e pró-).
Noutros casos, porém, uniformiza-se o não emprego do hífen, do modo seguinte:
a)Nos casos em que o prefixo ou o pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa
por r ou s, estas consoantes dobram-se, como já acontece com os termos técnicos e científicos (por
ex. antirreligioso, microssistema).
b)Nos casos em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por
vogal diferente daquela, as duas formas aglutinam-se, sem hífen, como já sucede igualmente no
vocabulário científico e técnico (por ex. antiaéreo, aeroespacial)
6.4.O hífen na ênclise e tmese (Base XVII)
Quanto ao emprego do hífen na ênclise e na tmese mantêm-se as regras de 1945, exceto no casodas formas hei de, hás de, há de, etc., em que passa a suprimir-se o hífen. Nestas formas verbais o
uso do hífen não tem justificação, já que a preposição de funciona ali como mero elemento de ligação
ao infinitivo com que se forma a perífrase verbal (cf. hei de ler, etc.), na qual de é mais proclítica do
que apoclítica.
7.Outras alterações de conteúdo
7.1.Inserção do alfabeto (Base I)
Uma inovação que o novo texto de unificação ortográfica apresenta, logo na Base I, é a inclusão do
alfabeto, acompanhado das designações que usualmente são dadas às diferentes letras. No alfabeto
português passam a incluir-se também as letras k, w e y, pelas seguintes razões:
a)Os dicionários da língua já registram estas letras, pois existe um razoável número de palavras do
léxico português iniciado por elas.
b)Na aprendizagem do alfabeto é necessário fixar qual a ordem que aquelas letras ocupam.
c)Nos países africanos de língua oficial portuguesa existem muitas palavras que se escrevem com
aquelas letras.
Apesar da inclusão no alfabeto das letras k, w e y, mantiveram-se, no entanto, as regras já fixadas
anteriormente, quanto ao seu uso restritivo, pois existem outros grafemas com o mesmo valor fônico
daquelas. Se, de fato, se abolisse o uso restritivo daquelas letras, introduzir-se-ia no sistema
ortográfico do português mais um fator de perturbação, ou seja, a possibilidade de representar,
indiscriminadamente, por aquelas letras fonemas que já são transcritos por outras.
7.2.Abolição do trema (Base XIV)
No Brasil, só com a Lei nº 5.765, de 18/12/1971, o emprego do trema foi largamente restringido,
ficando apenas reservado às sequências gu e qu seguidas de e ou i, nas quais u se pronuncia
(cf. aguentar, arguente, eloquente, equestre, etc.).
O novo texto ortográfico propõe a supressão completa do trema, já acolhida, aliás, no Acordo de
1986, embora não figurasse explicitamente nas respectivas bases. A única ressalva, neste aspecto,
diz respeito a palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros com trema (cf. mülleriano,
de Müller, etc.).
Generalizar a supressão do trema é eliminar mais um fator que perturba a unificação da ortografia
portuguesa.
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8.Estrutura e ortografia do novo texto
Na organização do novo texto de unificação ortográfica optou-se por conservar o modelo de estrutura
já adotado em 1986. Assim, houve a preocupação de reunir, numa mesma base, matéria afim,
dispersa por diferentes bases de textos anteriores, donde resultou a redução destas a vinte e uma.
Através de um título sucinto, que antecede cada base, dá-se conta do conteúdo nela consagrado.
Dentro de cada base adotou-se um sistema de numeração (tradicional) que permite uma melhor e
mais clara arrumação da matéria aí contida.
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REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA
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Regras de Acentuação Gráfica
Baseiam-se na constatação de que, em nossa língua, as palavras mais numerosas são
as paroxítonas, seguidas pelas oxítonas. A maioria das paroxítonas termina em -a, -e, -o, -
em, podendo ou não ser seguidas de "s". Essas paroxítonas, por serem maioria, não são acentuadas
graficamente. Já as proparoxítonas, por serem pouco numerosas, são sempre acentuadas.
Proparoxítonas
Sílaba tônica: antepenúltima
As proparoxítonas são todas acentuadas graficamente. Exemplos:
trágico, patético, árvore
Paroxítonas
Sílaba tônica: penúltima
Acentuam-se as paroxítonas terminadas em:
l fácil
n pólen
r cadáver
ps bíceps
x tórax
us vírus
i, is júri, lápis
om, ons iândom, íons
um, uns álbum, álbuns
ã(s), ão(s) órfã, órfãs, órfão, órfãos
ditongo oral (seguido ou não de s) jóquei, túneis
Acentuação Gráfica
O português, assim como outras línguas neolatinas, apresenta acento gráfico. Sabemos que toda
palavra da Língua portuguesa de duas ou mais sílabas possui uma sílaba tônica. Observe as sílabas
tônicas das palavras arte, gentil, táxi e mocotó. Você constatou que a tonicidade recai sobre a sílaba
inicial em arte, a final em gentil, a inicial em táxi e a final em mocotó.
Além disso, você notou que a sílaba tônica nem sempre recebe acento gráfico. Portanto, todas as
palavras com duas ou mais sílabas terão acento tônico, mas nem sempre terão acento gráfico. A
tonicidade está para a oralidade (fala) assim como o acento gráfico está para a escrita (grafia). É
importante aprender as regras de acentuação pois, como vimos acima, independem da fonética.
Abaixo estão descritas as regras de acentuação gráfica de forma descomplicada. Trata-se de assunto
relativamente simples, basta memorizar as regras. Entendemos que o conhecimento sobre separação
de sílabas é pré-requisito para melhor assimilação desse tema.
A Reforma Ortográfica veio descomplicar e simplificar a língua portuguesa notadamente nesta parte
de acentuação gráfica.
• 11Acentuam-se as palavras monossílabas tônicasterminadas em a, e, o, seguidas ou não de s.
Ex: já, fé, pés, pó, só, ás.
REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA
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• 22Acentuam-se as palavras oxítonasterminadas em a, e, o, seguidas ou não de s , em,
ens. Ex:cajá, café, jacaré, cipó, também, parabéns, metrô, inglês alguém, armazém, conténs, vinténs.
Não se acentuam: as oxítonas terminadas em i e u, e em consoantes nem os infinitivos em i,
seguidos dos pronomes oblíquos lo, la, los, las
Ex: ali, caqui, rubi, bambu, rebu, urubu, sutil, clamor, fi-lo, puni-la, reduzi-los, feri-las.
• 33Acentuam-se as palavras paroxítonasexceto aquelas terminadas em a, e, o, seguidas ou não de
s, em, ens, bem como prefixos paroxítonos terminados em i ou r.
Ex: dândi, júri, órfã, César, mártir, revólver, álbum, bênção, bíceps, espelho, famosa, medo, ontem,
socorro, polens, hifens, pires, tela, super-homem.
Atenção:Acentuam-se as paroxítonas terminados em ditongo oral seguido ou não de s.
Ex: jóquei, superfície, água, área, aniversário, ingênuos.
• 44Acentuam-se as palavras proparoxítonas sem exceção.
Ex: ótimo, incômoda, podíamos, abóbora, bússola, cântaro, dúvida, líquido, mérito, nórdico, política,
relâmpago, têmpora.
• 55Acentuam-se os ditongos abertosei, oi, eu, seguidos ou não de s em palavras monossílabas e
oxítonas.
Ex: carretéis, dói, herói, chapéu, anéis.
Atenção: Pela nova ortografia não se acentuam ditongos abertos ei, oi, eu, seguidos ou não de s em
palavras paroxítonas.
Ex: ideia, plateia, assembleia.
• 66Não se acentua, pela nova ortografia, palavras paroxítonas com hiato oo seguidos ou não de s.
Ex: voos, enjoo, abençoo.
• 77Também não se acentuam as palavras paroxítonas com hiato ee.
Ex: creem, leem, veem, deem.
• 88Acentuam-se sempre as palavras que contenham i , u: tônicas; formam hiatos; formam sílabas
sozinhas ou são seguidos de s; não seguidas de nh; não precedidas de ditongo em paroxítonas; nem
repetidas.
Ex: aí, balaústre, baú, egoísta, faísca, heroína, saída, saúde, viúvo, juízes, Piauí. Pela regra exposta
acima, não se acentuam: rainha, xiita, ruim, juiz, feiura.
• 99Pela nova ortografia, não se acentua com acento agudo u tônico dos grupos que, qui, gue, gui:
argui, arguis, averigue, averigues, oblique, obliques, apazigues.
• 1010Da mesma forma não se usa mais o trema:aguento, frequente, tranquilo, linguiça, aguentar,
arguição, unguento, tranquilizante. Emprega-se o til para indicar a nasalização de vogais: afã,
coração, devoções, maçã, relação etc.
• 1111O acento diferencial foi excluído. Mantém-se apenas nestas quatro palavras, para distinguir
uma da outra que se grafa de igual maneira:
A acentuação é um tema inerente aos postulados gramaticais que, indiscutivelmente, concebe-
se como um fator relevante, em se tratando da linguagem escrita. Trata-se do fenômeno relacionado
com a intensidade em que as sílabas se apresentam quando pronunciadas, podendo ser em maior ou
menor grau. Quando proferidas com mais intensidade, classificam-se como tônicas, e quando soadas
de maneira mais sutil, como átonas.
REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA
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Ainda enfatizando acerca da importância do assunto em pauta, há outro detalhe pertinente: o fato de
ter havido algumas mudanças em decorrência da implantação da Nova Reforma Ortográfica.
Cabendo ressaltar, portanto, que os referidos postulados, abaixo descritos, encontram-se condizentes
a esta. Para tanto, analisemos:
De acordo com a posição da sílaba tônica, as palavras classificam-se em:
Oxítonas – aquelas em que a sílaba tônica se encontra demarcada na última sílaba.
Exemplos: café, cipó, coração, armazém...
Paroxítonas – a sílaba tônica é penúltima sílaba.
Exemplos: caderno – problema – útil – automóvel...
Proparoxítonas – a sílaba tônica é a antepenúltima sílaba.
Exemplos: lâmpada – ônibus – cárcere – cônego...
Monossílabos Átonos E Tônicos
Os vocábulos que possuem apenas uma sílaba - ora caracterizados como monossílabos - também
são proferidos de modo mais e/ou menos intenso. De modo a compreendermos como se efetiva tal
ocorrência, analisemos:
Que lembrança darei ao país que me deu
tudo o que lembro e sei, tudo quanto senti? (Carlos Drummond de Andrade)
Atendo-nos a uma análise, percebemos que os monossílabos “que”, “ao”, “me”, “o”, “e” são átonos,
visto que são pronunciados tão fracamente que se apoiam na palavra subsequente. Já os
monossílabos representados por “deu” e “sei” demonstram ser dotados de autonomia fonética,
caracterizando-se, portanto, como tônicos.
Regras fundamentais:
Monossílabos Tônicos
Graficamente, acentuam-se os monossílabos terminados em:
-a(s): chá, pá...
-e(s): pé, ré,...
-o(s): dó, nó...
Entretanto, os monossílabos tu, noz, vez, par, quis, etc., não são acentuados.
Observações passíveis de nota:
* Os monossílabos tônicos formados por ditongos abertos -éis, -éu, -ói recebem o acento:
Exemplos: réis, véu, dói.
* No caso dos verbos monossilábicos terminados em-ê, a terceira pessoa do plural termina em eem.
Essa regra se aplica à nova ortografia, perceba:
Ele vê - Eles veem
Ele crê – Eles creem
Ele lê – Eles leem
Forma verbal que antes era acentuada agora é grafada sem o sinal gráfico.
* Diferentemente ocorre com os verbos monossilábicos terminados em “-em”, haja vista que a terceira
REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA
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pessoa termina em “-êm”, embora acentuada. Perceba:
Ele tem – Eles têm
Ela vem – Elas vêm
* Oxítonas:
Acentuam-se todas as oxítonas terminadas em a, e, o, seguidas ou não de “s”.
Pará, café, carijó, armazém, parabéns...
* Paroxítonas:
Acentuam-se todos os vocábulos terminados em:
-l: amável, fácil, útil...
-r: caráter, câncer...
-n: hífen, próton...
Observação: Quando grafadas no plural, não recebem acento: polens, hifens...
-x: látex, tórax...
-ps: fórceps, bíceps...
-ã(s): ímã, órfãs...
-ão(s): órgão, bênçãos...
-um(s): fórum, álbum...
-on(s): elétron, nêutron...
-i(s): táxi, júri...
-u(s): Vênus, ônus...
-ei(s): pônei, jóquei...
-ditongo oral(crescente ou decrescente), seguido ou não de “s”:
história, série, água, mágoa...
Observações importantes:
a) De acordo com a nova ortografia, os ditongos terminados em –ei e –oi, não são mais
acentuados. Perceba como eram antes e como agora são grafados:
Entretanto, o acento ainda permanece nas oxítonas terminadas em –éu, -ói e éis:
chapéu – herói - fiéis...
b) Não serão mais acentuados o “i” e “u” tônicos quando, depois de ditongo, formarem hiato: Note:
REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA
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No entanto, o acento permanece se a palavra for oxítona e o “i” ou “u” estiverem seguidos de “s” ou
no final da palavra. Confira:
Piauí – tuiuiú(s) – sauí(s)...
O mesmo acontece com o “i” e o “u” tônicos dos hiatos, não antecedidos de ditongos:
saída – saúde – juíza – saúva – ruído...
* As formas verbais que possuem o acento na raiz com o “u” tônico precedido das letras “q” e “g” e
seguido de “e” ou “i” não serão mais acentuadas. Veja:
Atenção:
- Quando o verbo admitir duas pronúncias diferentes, usando “a” ou “i” tônicos, essas vogais serão
acentuadas:
Exemplos:
eu águo, eles águam, eles enxáguam (a tônico); eu delínquo, eles delínquem (í tônico).
tu apazíguas, que eles apazíguem.
- Se a tônica, na pronúncia, cair sobre o u, ele não será acentuado:
Exemplos:
Eu averiguo, eu aguo.
* Não será mais usado o acento agudo para diferenciar determinados vocábulos, tais como:
Contudo, o acento permanece para diferenciar algumas palavras, representadas por:
REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA
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pôde = 3ª pessoa do pretérito perfeito do indicativo (verbo poder)
pode = 3ª pessoa do presente do indicativo (verbo poder)
pôr = verbo
por = preposição
Livro Didático: Seu Papel nas Aulas de Acentuação Gráfica
Com a difusão da "Pedagogia Tecnicista" no sistema educacional brasileiro, a partir da década de
1970, o uso do livro didático sofreu alterações quanto aos conceitos e a forma como passaram a ser
apresentados. Anteriormente a esta fase, os materiais didáticos - As Antologias - desempenhavam o
papel de auxílio das aulas. O caráter auxiliar dos materiais didáticos, depois da década de 1960, foi
praticamente extinto e substituídopor um papel de destaque. Em razão das necessidades
econômicas e sociais da industrialização, o ensino deixou de ter uma preocupação essencialmente
conceitual, enquanto a rapidez e a praticidade tornaram-se seu enfoque e levaram os livros didáticos
a uma posição de direcionamento e orientação do trabalho escolar. O professor assumiu o "segundo
plano" no processo ensino-aprendizagem e o livro passou a ocupar o "primeiro plano". Em lugar do
material didático, o professor se transformou em auxiliar das atividades didáticas favorecendo a
leitura e a realização de exercício dos livros didáticos cujo uso tornou-se obrigatório no sistema
educacional brasileiro.
A imagem do professor foi diretamente atingida, pois ser professor deixou de significar domínio de
conhecimento e passou a representar submissão às instruções do livro didático. Essa mudança
provocou a dependência do professor e até dos alunos em relação ao uso do material didático. De
acordo com Machado (1996), a dependência da escola em relação aos livros didáticos vem
acarretando o rebaixamento da qualidade dos conteúdos ministrados na disciplina de Língua
Portuguesa. Ao encontro dessa posição, os dados das avaliações oficiais (SAEB/INEP, 2002)
mostram que os alunos do ensino fundamental e médio vêm apresentando defasagem crescente,
cerca de dois a três anos de atraso entre a série em que se encontram e os conhecimentos que
deveriam dominar, na aprendizagem de língua portuguesa. Para Batista (1997) e Travaglia (1996), o
desempenho insatisfatório dos alunos pode ser explicado pela ineficiência das metodologias de
ensino de Língua Portuguesa que vêm sendo utilizadas pelas escolas. Particularmente em relação ao
ensino de gramática, os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998) assinalam a existência
de graves lacunas teóricas e práticas.
Cezar, Romualdo e Calsa (2006) observam que o desempenho insatisfatório dos alunos é decorrente
também da falta de compreensão sobre a necessidade de aprendizagem da língua portuguesa por
parte dos falantes nativos do português. É comum os alunos questionarem o porquê e para quê são
obrigados a frequentar esta disciplina com uma carga horária equivalente a outras, como a
matemática, considerada mais importante para sua formação escolar. Para muitos, a aprendizagem
formal da língua portuguesa não tem um significado concreto e útil, porque a linguagem formal é
utilizada apenas no ambiente escolar (escrito) ou em situações muito especiais (palestras,
apresentações, concursos, entre outros) com as quais não se identificam. Esse comportamento
sugere não compreenderem a função de cada uma das variedades e modalidades linguísticas, como
a oral e a escrita, tanto em seu registro coloquial como o culto ou padrão. Segundo a literatura
(TRAVAGLIA, 1996; CALSA, 2002; CAGLIARI, 2002), a escola tem ensinado conceitos gramaticais
incompletos, imprecisos e, às vezes, incorretos que não promovem reflexão sobre a importância
dessa aprendizagem para a formação ampla e diversificada desses indivíduos em relação à língua
portuguesa.
Frente às considerações sobre as defasagens existentes no processo de aprendizagem da língua
portuguesa, este artigo tem por objetivo identificar os procedimentos utilizados por dois professores -
um de final do primeiro ciclo e outro de início do segundo ciclo fundamental - de uma escola pública
central do município de Maringá-PR, no ensino de um conteúdo de gramática. Buscou-se verificar o
uso do livro didático em sala de aula no ensino de acentuação gráfica, um tema que tem gerado
confusão conceitual dos alunos por envolver conceitos e procedimentos geralmente ensinados sem a
necessária distinção do conceito de tonicidade. Não ensinados adequadamente, esses conteúdos
além de gerar confusão conceitual favorecem a instalação de obstáculos epistemológicos que
dificultam ou impedem aprendizagens posteriores.
Uso Do Livro Didático No Ensino De Gramática
REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA
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Na década de 1960, como afirma Berger (1976), o sistema educacional brasileiro passou a ser
fortemente atrelado ao sistema político do país. Com a ascensão dos militares foi introduzida a
vertente pedagógica Tecnicista, de origem norte-americana. Esta modalidade de ensino foi ao
encontro da necessidade de escolarização rápida e técnica dos trabalhadores que precisavam
qualificar-se como mão-de-obra industrial.
Segundo Ghiraldelli (1991) e Munakata (1996 apud SILVA, 1998), os objetivos da Pedagogia
Tecnicista foram atingidos com maior precisão por meio do uso dos livros didáticos que, nesse
período, tiveram seu espaço escolar ampliado ao se tornarem obrigatórios. Em decorrência disso, em
pouco tempo os professores deixaram de ser considerados a principal fonte de saber e planejamento
e passaram a basear sua atuação didática nesses manuais. Com essa nova modalidade de ensino, o
professor deixou de ser um educador autônomo para tornar-se um mero instrutor.
Para Soares (2001), a maior demanda de alunos no ensino fundamental e médio, a qualificação
ligeira dos professores, e a redução salarial que levou muitos a buscarem métodos de ensino menos
exigentes em termos de dedicação profissional acabou por provocar o uso intensivo do livro didático.
Consolidou-se então uma tradição de uso do livro didático no sistema educacional brasileiro, e uma
crescente dependência do professor em relação a esses manuais. A fidelidade a esses materiais, de
acordo com Silva (1996, p. 12), vem provocando uma espécie de "anemia cognitiva" nos professores,
pois segui-los representa alimentar e cristalizar "um conjunto de rotinas altamente prejudiciais ao
processo educacional do professorado e do alunado". Essa dependência está diretamente
relacionada à má qualidade da formação do professor e sua superação exige políticas educacionais
que promovam a autonomia conceitual e didática desses profissionais. Para o autor, os livros
didáticos devem informar, orientar e instruir o processo de ensino-aprendizagem e não impor uma
forma de ensinar ao professor.
Em assentimento com o pensamento do autor, Lajolo (1996) lembra que os livros didáticos
desempenham um papel fundamental na educação escolar, pois, dentre os outros elementos que
compõem o processo ensino-aprendizagem, parece ser o de maior influência sobre as decisões e
ações do professor. De acordo com a autora, no Brasil, a adoção do livro didático continua tendo
como finalidade determinar os conteúdos e procedimentos de ensino tendo em vista as lacunas
existentes na formação do professor e na organização do sistema educacional. Como consequência,
para fugir do uso inadequado do livro didático, o professor deve avaliar sua qualidade e abordagem
conceitual, pois nem sempre o referencial teórico corresponde aos conteúdos e exercícios presentes
nesses manuais. Além disso, devem ser observadas suas incoerências, erros e conceitos
incompletos.
Lajolo (1996, p. 8) lembra, contudo, que a má qualidade conceitual e técnica do livro pode se
transformar em um material didático satisfatório a partir da identificação e discussão de seus erros
com os alunos. Para ela "não há livro que seja à prova de professor: o pior livro pode ficar bom na
sala de um bom professor e o melhor livro desanda na sala de um mau professor. Pois o melhor livro
[...], é apenas um livro, instrumento auxiliar da aprendizagem". Nenhum livro didático, por melhor que
seja, pode ser utilizado sem adaptações. Machado (1996) também chama a atenção para o fato de
que mais importante que a qualidade do material didático é a formação do professor, pois ele precisa
estar preparado para o desenvolvimento de um ensino qualificado, que inclui a análise dos livros
didáticos adotados pela instituição escolar.
Em um estudo sobre os livros didáticos utilizadosno sistema educacional brasileiro, Machado (1996)
constatou que, além da falta de regularidade de sua atualização que tem provocado a baixa
qualidade de seus conteúdos, apresentam custo demasiadamente alto para o padrão de consumo da
maioria da população. O autor assinala que a melhoria da qualidade dos livros didáticos depende do
estímulo dos órgãos governamentais e de uma maior qualificação dos professores. Neste caso, é
imprescindível o desenvolvimento da capacidade crítica dos acadêmicos dos cursos de Pedagogia e
das Licenciaturas das diversas áreas de conhecimento em relação ao papel dos livros didáticos no
ensino escolar.
Para Pozo (1999), Arnay (1999) e Lacasa (1999), a fragmentação dos conceitos nos manuais
didáticos transmite aos alunos uma noção de "falsa ciência", e não os introduz na "cultura científica
escolar", função social específica dessa instituição. Segundo Machado (1996, p. 35), a "excessiva
subdivisão dos temas" dos livros didáticos em doses correspondentes à duração de uma hora-aula
REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA
8 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR
(50 min.) também corrobora para a fragmentação dos conceitos científicos a ponto de, em alguns
casos, tornarem-se irreconhecíveis.
Tonicidade E Acentuação Gráfica
A capacidade de se comunicar e se expressar por meio da fala é inerente ao ser humano e a esta
capacidade dá-se o nome de linguagem. Para realizá-la, utiliza-se o sistema denominado língua.
Sabe-se, pelos estudos realizados por Saussure (1990), que a língua é um fato social, é exterior ao
indivíduo, convencional, pertencente a uma comunidade linguística. Ao usá-la individualmente, o
falante concretiza, por exclusão, as possibilidades que ela oferece, no ato de fala. Ao se comunicar, o
falante faz uso da estrutura psíquica denominada pelo estudioso de signo linguístico, que é composto
de um conceito, o significado, e uma imagem acústica, o significante. Ambos ocorrem
simultaneamente no ato da fala.
Os sinais físicos que se produzem na fala são os sons - os fonemas - que podem realizar-se de
maneiras variadas. Para Câmara Jr. (2002, p. 118), o fonema é um "conjunto de articulações dos
órgãos fonadores cujo efeito acústico estrutura formas lingüísticas e constitui numa enunciação o
mínimo segmento distinto". Os fonemas são unidades abstratas mínimas, indivisíveis e distintivas da
língua. São abstratas por serem os tipos ideais de sons constantes do sistema língua, as
possibilidades dos falantes e não a sua concretização. São indivisíveis uma vez que não podem ser
separadas em unidades menores.
Além dos aspectos segmentais da fala (linearidade dos signos linguísticos), a comunicação envolve
elementos suprassegmentais: os acentos e tons da língua. Os acentos manifestam-se pela altura,
intensidade e duração de um vocábulo, consideradas suas propriedades acústicas. Os tons estão
relacionados à altura do som. Apesar da língua portuguesa não usar os tons como elementos
diferenciadores do léxico, em alguns casos os aspectos suprassegmentais são importantes para a
distinção e significação de um vocábulo.
Em língua portuguesa, a tonicidade está vinculada às suas origens greco-latinas. A língua latina teve
um enriquecimento gramatical ao entrar em contato com o alfabeto e as regras gramaticais gregas.
Contudo, não incorporou os acentos gráficos gregos como marca de tonicidade. A gramática latina
marca a acentuação das palavras pela intensidade da sílaba entre breve e longa. Em latim não há
palavras oxítonas, portanto, todos os dissílabos são paroxítonos. A sílaba tônica é sempre a
penúltima ou antepenúltima. De acordo com Câmara Jr. (2002), os latinos não seguiram os moldes
de acentuação gráfica grega em razão de, em língua latina, suas regras serem demasiadamente
simples. As línguas modernas de origem latina seguem, basicamente, as regras e nomenclaturas
herdadas pelos romanos dos gregos. Portanto, ao se estudar tais línguas, são encontrados termos já
usados pelos gregos, como acento agudo, acento circunflexo, prosódia, entre outros.
A definição de sílaba tem sido um dos problemas encontrados nos estudos fonéticos. Há, entre os
estudiosos, diversidade de critérios para a análise silábica. Drucksilbe (apud CÂMARA JR., 1970)
define sílaba como sendo a emissão do ar por impulso, em que cada um corresponde a uma sílaba,
dinâmica ou expiratória. Um segundo critério é o da energia de emissão que corresponde a maior
energia de emissão, ou acento silábico, durante a articulação de uma sílaba. Por fim, Brücke
(apud CÂMARA JR., 1970, p. 70) conceitua sílaba a partir de seu efeito auditivo, isto é, pela variação
da perceptibilidade em uma enunciação contínua. Denomina a sílaba de sonora por observar "que a
enunciação, sob o aspecto acústico, se decompõe espontaneamente em segmentos, ou sílabas,
assinalados por um ponto máximo de perceptibilidade [...]".
Independente do critério utilizado, a conceituação de sílaba sempre envolve o ápice silábico que,
pelos apontamentos de Borba (1975, p. 52), corresponde à tensão máxima a que se chega ao
pronunciá-la. Para o autor, a sílaba se compõe de "uma tensão crescente e uma tensão decrescente.
A primeira parte da sílaba é crescente até chegar à tensão máxima [...], a partir da qual começa a
tensão decrescente". O ápice silábico, normalmente, é uma vogal. Câmara Jr. (2002) destaca que a
vogal sempre é o ponto de maior tensão da sílaba. No caso dos ditongos haverá sempre uma vogal
como ápice, sendo a outra denominada semivogal.
Quando formados por mais de uma sílaba, os vocábulos sempre têm uma delas pronunciada de
forma mais intensa, contraponto à sílaba átona, que é pronunciada de forma mais branda. Identificar
REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA
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a sílaba tônica dos vocábulos formais é uma das grandes dificuldades encontradas no processo de
aprendizagem escolar, em especial, na fase de alfabetização.
Para Cagliari (2002), esse problema surge principalmente pelo fato de a escola não apresentar a
tonicidade das palavras como uma ocorrência da pronunciação e não da escrita. A tonicidade é
identificada nas palavras somente quando alguém busca verificar a posição em que se encontra a
sílaba tônica. O autor assinala que, durante o processo de alfabetização, a escola não deve abordar a
diferenciação das sílabas átonas e tônicas a partir de seu conceito. Ele acredita que elas devem ser
estudadas em conjunto com a tomada de consciência dos alunos sobre o ritmo da fala.
Desenvolvimento Da Pesquisa
O presente artigo teve por objetivo investigar os procedimentos utilizados pelos professores e livros
didáticos de língua portuguesa no ensino de gramática do ensino fundamental, em particular, em
relação ao conteúdo de acentuação gráfica e tonicidade. A amostra da pesquisa foi constituída por
dois professores do ensino fundamental - um de 4.ª e um de 5.ª série de uma escola pública de
Maringá-PR - selecionados a partir de seu aceite em participar da pesquisa.
Tomando como referência Lüdke e André (1986), para atingir os objetivos da pesquisa, optou-se por
uma abordagem qualitativa dos dados considerada a mais adequada para a compreensão da
dinâmica presente no ambiente escolar. Os dados foram coletados por meio de dois instrumentos:
observações de aulas de gramática e análises de livros didáticos. Foram observadas as aulas que
abordaram o tema tonicidade e acentuação gráfica, critério que definiu a quantidade de horas de
observação em cada série (4.ª série quatro horas e meia e 5.ª série, duas horas). As observações
contemplaram o desenvolvimento das atividades: apresentação do conteúdo, exercícios, uso do livro
didático e outros materiais, avaliação do conteúdo. Os livros didáticos foram analisadosquanto aos
procedimentos subjacentes à apresentação e exercício do conteúdo.
Apresentação E Discussão Dos Resultados
Para a análise, foi utilizado o livro da coleção A Escola é Nossa, de Márcia Paganini Cavéquia (2004)
- 4.ª série. O volume é composto por sete unidades subdividas em oito tópicos entre eles Pensando
sobre a língua e Caderno de Ortografia, únicos em que são encontrados os conteúdos investigados -
acentuação gráfica e tonicidade.
Em relação à segunda etapa do ensino fundamental foi analisado o livro de 5.ª série da coleção Ler,
entender e criar, de Maria das Graças Vieira e Regina Figueiredo (2004). Nesta coleção cada volume
é composto por dez unidades subdividas em sete tópicos. Os conteúdos de acentuação gráfica e
tonicidade estão presentes no tópico Veja como se escreve.
O livro didático da 4.ª série apresenta o conceito de sílaba tônica, classificação das palavras e regras
de acentuação somente no Caderno de atividades de acentuação e ortografia, parte do Caderno de
Ortografia. As explicações e os exercícios propostos apresentam os dois conteúdos de forma
desvinculada. Para introduzir o conceito de sílaba tônica, o livro solicita que o aluno pronuncie várias
vezes a palavra menina e indique a sílaba mais forte. Logo após, apresenta o conceito gramatical e
exemplifica a classificação das palavras, conforme a posição da sílaba mais forte: oxítonas,
paroxítonas e proparoxítonas.
Ao explicar a acentuação gráfica de palavras oxítonas, apresenta várias palavras
como amor, cipó, calor, funil e José, com o intuito de demonstrar que nem todas essas palavras são
acentuadas e que para fazê-lo corretamente deve-se observar sua terminação. O exercício
denominado Complete solicitado para treinar esses conteúdos parece induzir os alunos à observação
da terminação de cada vocábulo descartando a identificação da sílaba tônica.
Em outro exercício, é solicitado ao aluno que justifique o porquê da presença ou ausência do acento
gráfico em um conjunto de palavras oxítonas. Segundo as orientações fornecidas ao professor, são
consideradas corretas somente as respostas que explicam a acentuação a partir de regras de
acentuação. Esse tipo de abordagem faz com que os alunos tomem como verdade a ideia de que o
acento gráfico aparece somente em vocábulos nos quais tem uma sílaba mais forte e, assim, deixa
de dar a ênfase necessária ao fato de que o acento solicitado é o gráfico. Com esse procedimento,
não fica claro para os alunos que independentemente de sua grafia toda palavra possui uma sílaba
tônica, com exceção dos monossílabos átonos.
REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA
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Com relação à acentuação das palavras paroxítonas e proparoxítonas, o livro apresenta somente um
quadro com palavras deste tipo acentuadas graficamente. Sobre esse tema são apresentados dois
exercícios: o primeiro solicita a acentuação gráfica de vocábulos e sua transcrição no caderno por
ordem alfabética; o segundo solicita a busca de palavras paroxítonas e proparoxítonas em jornais e
revistas. Somente dois exercícios do livro sugerem a relação entre os conceitos de tonicidade e
acentuação gráfica. Nesses exercícios, é solicitado aos alunos que indiquem ou pintem a sílaba
tônica e, por meio das tentativas auditivas exigidas, é favorecida a percepção dos alunos quanto a
tonicidade e sua relação com a acentuação gráfica (Figura 1)
O livro didático da 5.ª série aborda os conteúdos tonicidade e regras de acentuação gráfica no
tópico Veja como se escreve. Nas unidades anteriores, o direcionamento gramatical vinculou-se
diretamente à escrita de determinados vocábulos envolvendo aspectos relativos aos dígrafos. Nesta
unidade, quando apresentadas, as questões de acentuação são relacionadas à separação silábica
dos vocábulos. Para a realização do exercício, é necessário que os alunos retornem ao tópico Outra
leitura, pois a tarefa refere-se a um texto contido neste item no qual é solicitado que sejam grifadas as
sílabas mais fortes das duas palavras que compõem o seu título: Atrás do gato. Nessa atividade, é
desconsiderado o monossílabo "do" por meio do qual poderiam ser resgatados os conceitos
estudados anteriormente integrando-os à atividade presente.
Depois do primeiro exercício, o livro apresenta a diferença entre sílabas tônicas e átonas, bem como
a classificação das palavras conforme a posição da sílaba tônica. Apresenta como exemplos,
vocábulos com e sem acento gráfico, Bidu, gato e amigo. Tais exemplos podem ser considerados
importantes para o aprendizado, em favor da independência existente entre sílaba tônica e acento
gráfico. Isto facilita a percepção do aluno sobre as convenções da língua portuguesa, como o caso
dos acordos ortográficos.
Para a introdução da acentuação gráfica de palavras oxítonas são apresentados dezesseis vocábulos
com e sem acento gráfico, dos quais se solicita leitura em voz alta para identificação auditiva quanto
a sua sílaba tônica. Depois desta etapa, os alunos devem identificar a sílaba tônica e sua
classificação. O último exercício relaciona a acentuação gráfica à terminação dos vocábulos oxítonos
com o objetivo de que os alunos associem esses dois elementos e elaborem uma regra gramatical
apresentada em um quadro logo abaixo.
Depois de apresentadas as regras ortográficas, solicita-se que os alunos encontrem cinco palavras
oxítonas que recebam acento gráfico e, logo em seguida, elaborem frases. A elaboração de frases
permite aos alunos a percepção de que o vocábulo permanece com acento gráfico independente da
localização sonora que ele assume em uma frase. No último exercício é solicitada a busca em jornais
e revistas dos vocábulos ensinados, reproduzindo os exercícios apresentados nos livros didáticos do
primeiro ciclo.
Os vocábulos paroxítonos são abordados na sétima unidade do livro, os vocábulos oxítonos, sexta
unidade e proparoxítonos na oitava unidade. Essa fragmentação de conteúdos afins, segundo a
literatura, não permite que os alunos percebam as relações existentes entre os temas. Além disso,
nos três casos, a classificação é apresentada no item Veja como se escreve, embora o tema
relacionado à sílaba tônica se refira a um aspecto próprio da oralidade, enquanto a acentuação
REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA
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gráfica trata de um aspecto da língua escrita. Neste exercício novamente é solicitada a separação de
sílabas antes da classificação dos vocábulos. A única mudança em relação às atividades propostas
para as palavras oxítonas é tão somente a posição das sílabas tônicas. Em outro exercício é
solicitada a decisão do aluno sobre a necessidade ou não de acentuação gráfica estabelecendo uma
relação direta entre tonicidade e acento gráfico.
Quanto aos vocábulos proparoxítonos sua apresentação ocorre, como nas outras unidades, no
tópico Veja como se escreve da oitava unidade do livro. A classificação é abordada por meio de três
exercícios estruturalmente iguais: em um deles é apresentada a regra gramatical de acentuação das
palavras proparoxítonas sem justificar o porquê desta norma; no último exercício sobre classificação
e acentuação gráfica é sugerida uma atividade em grupo para a revisão do conteúdo gramatical das
unidades anteriores. Seu foco são os vocábulos acentuados graficamente e desconsidera as palavras
que não possuem acento gráfico, embora sejam submetidas às mesmas regras.
A comparação entre os dois livros didáticos mostra que no de 4.ª série o conteúdo é apresentado de
forma integrada e o de 5.ª série tende a sua fragmentação. No primeiro manual, primeiramente, é
abordado o conceito de sílaba tônica e, posteriormente, são apresentadas as regras de acentuação
gráfica para a resoluçãodos exercícios. Este tipo de procedimento parece ser mais adequado ao
desenvolvimento do tema, pois leva o aluno a compreender que quase todos os vocábulos possuem
uma sílaba tônica e que somente alguns são grafados devido à vigência ortográfica da norma. O livro
direcionado à segunda etapa do ensino fundamental aborda o conteúdo de acentuação em unidades
distintas, revisadas em conjunto somente no tópico final. Nessas situações são priorizados os
vocábulos acentuados graficamente e a estrutura dos exercícios mantém-se relacionada à
classificação das palavras quanto à sua tonicidade.
Apesar das diferenças, o modo como os dois livros didáticos apresentam o conteúdo sobre tonicidade
e regras de acentuação favorece o estabelecimento de confusão conceitual por parte de alunos e
professores, pois não mostra que a sílaba tônica é um aspecto presente na fala e as regras de
acentuação na escrita. Marcando a importância dessa distinção, assinala que não diferenciar esses
dois aspectos limita o processo de instrumentalização linguística dos alunos.
Quanto às observações de aulas
Comparando os dados das observações com as propostas dos Parâmetros Curriculares Nacionais
(BRASIL, 1997) sobre o ensino de ortografia, pode-se afirmar que a professora de 4.ª série manifesta
uma postura pedagógica distanciada desses documentos e similar aos pressupostos teórico-
metodológicos da Pedagogia Tecnicista, cujo foco é o livro didático. Do tempo total da aula, 43% (115
min.) foram dedicados à resolução de exercícios do livro didático e 49% (130 min.) à correção desses
exercícios no quadro de giz. Além disso, a professora de 4.ª série não fez uso do tempo das aulas
observadas para expor e explicar oralmente o conteúdo gramatical (Gráfico 1).
Nas aulas de 5.ª série para a exposição oral do conteúdo sem o livro didático, o professor fez uso de
23% (27 min.) do tempo de aula, 25% (30 min.) para retomada oral deste tema por parte dos alunos,
20% (25 min.) para a resolução de exercícios dos livros didáticos e 17% (20 min.) para retomada do
conteúdo por meio do livro didático. Nas aulas observadas, em média de 13% (13 min.) do tempo da
aula foram usados para recados, brincadeiras, enquanto a cópia de exercícios do quadro de giz, 2%
REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA
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(3 min). Este professor não corrigiu exercícios no quadro de giz, utilizando-se de outros recursos para
o ensino do conteúdo em foco.
As observações de aula mostraram que os dois professores investigados - a professora da 4.ª série e
o professor da 5.ª série - utilizaram como recurso básico de ensino o livro didático. A conduta dos
entrevistados mostra-se consistente com as considerações de Silva (1996, p. 13), segundo as quais o
desempenho insatisfatório dos alunos pode estar vinculado ao uso do livro didático no direcionamento
da atuação pedagógica dos professores. Para o autor, esse comportamento pode levar os
professores a uma "anemia cognitiva" e ao rebaixamento da qualidade de seu trabalho.
Além dos prejuízos causados pelo uso quase exclusivo do livro didático, é importante ressaltar que o
pouco tempo de exposição do conteúdo para os alunos, como constatado nas observações
realizadas na turma de 4.ª série, favorece uma aprendizagem insatisfatória dos conteúdos. Segundo
Dorneles (1987), a redução do tempo de aula para a realização desse tipo de atividade é considerada
um dos mecanismos seletivos da escola. Isto significa que aos sujeitos que têm menos condições de
saber ou aprender o conteúdo escolar em outras situações são privadas as oportunidades
necessárias à aprendizagem na instituição designada socialmente para tanto. Em outros termos,
pode-se dizer que a escola não está cumprindo seu papel de transmissor do saber escolar científico a
todos os cidadãos de forma equitativa.
Em contrapartida, o professor de 5.ª série parece ter mantido certa coerência na distribuição do
tempo de desenvolvimento das quatro categorias de atividades - exposição oral, resolução de
exercícios do livro didático, resolução de exercícios no quadro e leitura do conceito gramatical que o
livro didático apresenta (Gráfico 1). Observa-se que nenhum dos dois professores apresentou a
acentuação gráfica como uma norma convencionada pelo conjunto social. Segundo Morais (2002), se
abordado desta maneira, os alunos poderiam compreender que certos conteúdos são apenas
convenções temporárias e arbitrárias que precisam ser memorizadas e conscientizadas para
aquisição de uma melhor competência na linguagem oral, leitura e escrita.
Estudos anteriores como os de Cagliari (1986) e Morais (2002) enfatizam que é na 4.ª e 5.ª séries do
ensino fundamental o momento mais apropriado para a abordagem do conceito de sílaba tônica e
acentuação gráfica, pois às séries seguintes restaria o encargo de retomar esse conteúdo apenas
quando necessário, dedicando-se ao desenvolvimento de outros conceitos gramaticais.
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CLASSES DE PALAVRAS
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Classes de Palavras
Você sabe o que são as classes gramaticais e para que elas servem?
Bom, a língua portuguesa é um rico objeto de estudo – você certamente já percebeu isso. Por
apresentar tantas especificidades, é natural que ela fosse dividida em diferentes áreas, o que facilita
sua análise. Entre essas áreas, está a Morfologia, que é o estudo da estrutura, da formação e da
classificação das palavras. Na Morfologia, as palavras são estudadas isoladamente,
desconsiderando-se a função que exercem dentro da frase ou do período, estudo realizado pela
Sintaxe. Nos estudos morfológicos, as palavras estão agrupadas em dez classes, que podem ser
chamadas de classes de palavras ou classes gramaticais. São elas:
Substantivo: palavra que dá nome aos seres em geral, podendo nomear também ações, conceitos
físicos, afetivos e socioculturais, entre outros que não podem ser considerados “seres” no sentido
literal da palavra;
Artigo: palavra que se coloca antes do substantivo para determiná-lo de modo particular (definido) ou
geral (indefinido);
Adjetivo: palavra que tem por função expressar características, qualidades ou estados dos seres;
Numeral: palavra que exprime uma quantidade definida, exata de seres (pessoas, coisas etc.), ou a
posição que um ser ocupa em determinada sequência;
Pronome: palavra que substitui ou acompanha um substantivo (nome), definindo-lhe os limites de
significação;
Verbo: palavra que, por si só, exprime um fato (em geral, ação, estado ou fenômeno) e localiza-o no
tempo;
Advérbio: palavra invariável que se relaciona com o verbo para indicar as circunstâncias (de tempo,
de lugar, de modo etc.) em que ocorre o fato verbal;
Preposição: palavra invariável que liga duas outras palavras, estabelecendo entre elas determinadas
relações de sentidoe dependência;
Conjunção: palavra invariável que liga duas orações ou duas palavras de mesma função em uma
oração;
Interjeição: palavra (ou conjunto de palavras) que, de forma intensa e instantânea, exprime
sentimentos, emoções e reações psicológicas.
A classificação das palavras sofreu alterações ao longo do tempo, o que é normal, haja vista que a
língua é mutável, isto é, sofre alterações e adaptações de acordo com as necessidades dos falantes.
Classificar uma palavra não é tarefa fácil, porém, possível, prova disso é que na língua portuguesa
todos os vocábulos estão incluídos dentro de uma das dez classes de palavras. Conhecer a
gramática que rege nosso idioma é fundamental para aprimorarmos a comunicação. Foi por essa
razão que o Brasil Escola preparou uma seção voltada ao estudo das classes gramaticais. Nela você
encontrará diversos artigos que explicarão a morfologia da língua de maneira simples e direta por
meio de textos e variados exemplos.
A primeira gramática do ocidente foi de autoria de Dionísio de Trácia, que identificava oito partes do
discurso: nome, verbo, particípio, artigo, preposição, pronome, advérbio e conjunção. Atualmente, são
reconhecidas dez classes gramaticais pela maioria dos gramáticos: substantivo, adjetivo, advérbio,
verbo, conjunção, interjeição, preposição, artigo, numeral e pronome.
Como podemos observar, houve alterações ao longo do tempo quanto às classes de palavras. Isso
acontece porque a nossa língua é viva, e portanto vem sendo alterada pelos seus falantes o tempo
todo, ou seja, nós somos os responsáveis por estas mudanças que já ocorreram e pelas que ainda
vão ocorrer. Classificar uma palavra não é fácil, mas atualmente todas as palavras da língua
portuguesa estão incluídas dentro de uma das dez classes gramaticais dependendo das suas
características. A parte da gramática que estuda as classes de palavras é a MORFOLOGIA (morfo =
CLASSES DE PALAVRAS
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forma, logia = estudo), ou seja, o estudo da forma. Na morfologia, portanto, não estudamos as
relações entre as palavras, o contexto em que são empregadas, ou outros fatores que podem
influenciá-la, mas somente a forma da palavra.
Há discordância entre os gramáticos quanto a algumas definições ou características das classes
gramaticais, mas podemos destacar as principais características de cada classe de palavras:
SUBSTANTIVO – é dita a classe que dá nome aos seres, mas não nomeia somente seres, como
também sentimentos, estados de espírito, sensações, conceitos filosóficos ou políticos, etc.
Exemplo: Democracia, Andréia, Deus, cadeira, amor, sabor, carinho, etc.
ARTIGO – classe que abriga palavras que servem para determinar ou indeterminar os substantivos,
antecedendo-os.
Exemplo: o, a, os, as, um, uma, uns, umas.
ADJETIVO – classe das características, qualidades. Os adjetivos servem para dar características aos
substantivos.
Exemplo: querido, limpo, horroroso, quente, sábio, triste, amarelo, etc.
PRONOME – Palavra que pode acompanhar ou substituir um nome (substantivo) e que determina a
pessoa do discurso.
Exemplo: eu, nossa, aquilo, esta, nós, mim, te, eles, etc.
VERBO – palavras que expressam ações ou estados se encontram nesta classe gramatical.
Exemplo: fazer, ser, andar, partir, impor, etc.
ADVÉRBIO – palavras que se associam a verbos, adjetivos ou outros advérbios, modificando-os.
Exemplo: não, muito, constantemente, sempre, etc.
NUMERAL – como o nome diz, expressam quantidades, frações, múltiplos, ordem.
Exemplo: primeiro, vinte, metade, triplo, etc.
PREPOSIÇÃO – Servem para ligar uma palavra à outra, estabelecendo relações entre elas.
Exemplo: em, de, para, por, etc.
CONJUNÇÃO – São palavras que ligam orações, estabelecendo entre elas relações de coordenação
ou subordinação.
Exemplo: porém, e, contudo, portanto, mas, que, etc.
INTERJEIÇÃO – Contesta-se que esta seja uma classe gramatical como as demais, pois algumas de
suas palavras podem ter valor de uma frase. Mesmo assim, podemos definir as interjeições como
palavras ou expressões que evocam emoções, estados de espírito.
Exemplo: Nossa! Ave Maria! Uau! Que pena! Oh!
Segundo um estudo morfológico da língua portuguesa, as palavras podem ser analisadas e
catalogadas em dez classes de palavras ou classes gramaticais distintas, sendo elas: substantivo,
artigo, adjetivo, pronome, numeral, verbo, advérbio, preposição, conjunção e interjeição.
Substantivo
Substantivos são palavras que nomeiam seres, lugares, qualidades, sentimentos, noções, entre
outros. Podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino), número (singular e plural) e grau
(diminutivo, normal, aumentativo). Exercem sempre a função de núcleo das funções sintáticas onde
estão inseridos (sujeito, objeto direto, objeto indireto e agente da passiva).
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Substantivos simples
• casa;
• amor;
• roupa;
• livro;
• felicidade.
Substantivos compostos
• passatempo;
• arco-íris;
• beija-flor;
• segunda-feira;
• malmequer.
Substantivos primitivos
• folha;
• chuva;
• algodão;
• pedra;
• quilo.
Substantivos derivados
• território;
• chuvada;
• jardinagem;
• açucareiro;
• livraria.
Substantivos próprios
• Flávia;
• Brasil;
• Carnaval;
• Nilo;
• Serra da Mantiqueira.
Substantivos comuns
• mãe;
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• computador;
• papagaio;
• uva;
• planeta.
Substantivos coletivos
• rebanho;
• cardume;
• pomar;
• arquipélago;
• constelação.
Substantivos concretos
• mesa;
• cachorro;
• samambaia;
• chuva;
• Felipe.
Substantivos abstratos
• beleza;
• pobreza;
• crescimento;
• amor;
• calor.
Substantivos comuns de dois gêneros
• o estudante / a estudante;
• o jovem / a jovem;
• o artista / a artista.
Substantivos sobrecomuns
• a vítima;
• a pessoa;
• a criança;
• o gênio;
• o indivíduo.
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Substantivos epicenos
• a formiga;
• o crocodilo;
• a mosca;
• a baleia;
• o besouro.
Substantivos de dois números
• o lápis / os lápis;
• o tórax / os tórax;
• a práxis / as práxis.
Leia mais sobre substantivos.
Artigo
Artigos são palavras que antecedem os substantivos, determinando a definição ou a indefinição dos
mesmos. Sendo flexionados em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural), indicam
também o gênero e o número dos substantivos que determinam.
Artigos definidos
• o;
• a;
• os;
• as.
Artigos indefinidos
• um;
• uma;
• uns;
• umas.
Leia mais sobre artigos.
Adjetivo
Adjetivos são palavras que caracterizam um substantivo, conferindo-lhe uma qualidade,
característica, aspecto ou estado. Podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino), número
(singular e plural) e grau (normal, comparativo, superlativo).
Adjetivos simples
• vermelha;
• lindo;
• zangada;
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• branco.
Adjetivos compostos
• verde-escuro;
• amarelo-canário;
• franco-brasileiro;
• mal-educado.
Adjetivo primitivo
• feliz;
• bom;
• azul;
• triste;
• grande.
Adjetivo derivado
• magrelo;
• avermelhado;
• apaixonado.
Adjetivos biformes
• bonito;
• alta;
• rápido;
• amarelas;
• simpática.
Adjetivos uniformes
• competente;
• fácil;
• verdes;
• veloz;
• comum.
Adjetivos pátrios
• paulista;
• cearense;
• brasileiro;
CLASSES DE PALAVRAS
7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR• italiano;
• romeno.
Leia mais sobre adjetivos.
Pronome
Pronomes são palavras que substituem o substantivo numa frase (pronomes substantivos) ou que
acompanham, determinam e modificam os substantivos, atribuindo particularidades e características
aos mesmos (pronomes adjetivos). Podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino), número
(singular e plural) e pessoa (1.ª, 2.ª ou 3.ª pessoa do discurso).
Pronomes pessoais retos
• eu;
• tu;
• ele;
• nós;
• vós;
• eles.
Pronomes pessoais oblíquos
• me;
• mim;
• comigo;
• o;
• a;
• se;
• conosco;
• vos.
Pronomes pessoais de tratamento
• você;
• senhor;
• Vossa Excelência;
• Vossa Eminência.
Pronomes possessivos
• meu;
• tua;
• seus;
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• nossas;
• vosso;
• sua.
Pronomes demonstrativos
• este;
• essa;
• aquilo;
• o;
• a;
• tal.
Pronomes interrogativos
• que;
• quem;
• qual;
• quanto.
Pronomes relativos
• que;
• quem;
• onde;
• a qual;
• cujo;
• quantas.
Pronomes indefinidos
• algum;
• nenhuma;
• todos;
• muitas;
• nada;
• algo.
Leia mais sobre pronomes.
CLASSES DE PALAVRAS
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Numeral
Numerais são palavras que indicam quantidades de pessoas ou coisas, bem como a ordenação de
elementos numa série. Alguns numerais podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino) e
número (singular e plural), outros são invariáveis.
Numerais cardinais
• um;
• sete;
• vinte e oito;
• cento e noventa;
• mil.
Numerais ordinais
• primeiro;
• vigésimo segundo;
• nonagésimo;
• milésimo.
Numerais multiplicativo
• duplo;
• triplo;
• quádruplo;
• quíntuplo.
Numerais fracionários
• um meio;
• um terço;
• três décimos.
Numerais coletivos
• dúzia;
• cento;
• dezena;
• quinzena.
Leia mais sobre numerais.
Verbo
Verbos são palavras que indicam, principalmente, uma ação. Podem indicar também uma ocorrência,
um estado ou um fenômeno. Podem ser flexionados em número (singular e plural), pessoa (1.ª, 2.ª ou
CLASSES DE PALAVRAS
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3.ª pessoa do discurso), modo (indicativo, subjuntivo e imperativo), tempo (passado, presente e
futuro), aspecto (incoativo, cursivo e conclusivo) e voz (ativa, passiva e reflexiva).
Verbos regulares
• cantar;
• amar;
• vender;
• prender;
• partir;
• abrir.
Verbos irregulares
• medir;
• fazer;
• ouvir;
• haver;
• poder;
• crer.
Verbos anômalos
• ser;
• ir.
Verbos principais
• comer;
• dançar;
• saltar;
• escorregar;
• sorrir;
• rir.
Verbos auxiliares
• ser;
• estar;
• ter;
• haver;
• ir.
CLASSES DE PALAVRAS
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Verbos de ligação
• ser;
• estar;
• parecer;
• ficar;
• tornar-se;
• continuar;
• andar;
• permanecer.
Verbos defectivos
• falir;
• banir;
• reaver;
• colorir;
• demolir;
• adequar.
Verbos impessoais
• haver;
• fazer;
• chover;
• nevar;
• ventar;
• anoitecer;
• escurecer.
Verbos unipessoais
• latir;
• miar;
• cacarejar;
• mugir;
• convir;
• custar;
• acontecer.
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Verbos abundantes
• aceitado / aceito;
• ganhado / ganho;
• pagado / pago.
Verbos pronominais essenciais
• arrepender-se;
• suicidar-se;
• zangar-se;
• queixar-se;
• abster-se;
• dignar-se.
Verbos pronominais acidentais
• pentear / pentear-se;
• sentar / sentar-se;
• enganar / enganar-se
• debater / debater-se.
Leia mais sobre verbos.
Advérbio
Advérbios são palavras que modificam um verbo, um adjetivo ou um advérbio, indicando uma
circunstância (tempo, lugar, modo, intensidade,…). São invariáveis, não sendo flexionadas em gênero
e número. Contudo, alguns advérbios podem ser flexionados em grau.
Advérbio de lugar
• aqui;
• ali;
• atrás;
• longe;
• perto;
• embaixo.
Advérbio de tempo
• hoje;
• amanhã;
• nunca;
• cedo;
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• tarde;
• antes.
Advérbio de modo
• bem;
• mal;
• rapidamente;
• devagar;
• calmamente;
• pior.
Advérbio de afirmação
• sim;
• certamente;
• certo;
• decididamente.
Advérbio de negação
• não;
• nunca;
• jamais;
• nem;
• tampouco.
Advérbio de dúvida
• talvez;
• quiçá;
• possivelmente;
• provavelmente;
• porventura.
Advérbio de intensidade
• muito;
• pouco;
• tão;
• bastante;
• menos;
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• quanto.
Advérbio de exclusão
• salvo;
• senão;
• somente;
• só;
• unicamente;
• apenas.
Advérbio de inclusão
• inclusivamente;
• também;
• mesmo;
• ainda.
Advérbio de ordem
• primeiramente;
• ultimamente;
• depois.
Leia mais sobre advérbios.
Preposição
Preposições são palavras que estabelecem conexões com vários sentidos entre dois termos da
oração. Através de preposições, o segundo termo (termo consequente) explica o sentido do primeiro
termo (termo antecedente). São invariáveis, não sendo flexionadas em gênero e número.
Preposições simples essenciais
• a;
• após;
• até;
• com;
• de;
• em;
• entre;
• para;
• sobre.
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Preposições simples acidentais
• como;
• conforme;
• consoante;
• durante;
• exceto;
• fora;
• mediante;
• salvo;
• segundo;
• senão.
Preposições compostas ou locuções prepositivas
• acima de;
• a fim de;
• apesar de;
• através de;
• de acordo com;
• depois de;
• em vez de;
• graças a;
• perto de;
• por causa de.
Leia mais sobre preposições.
Conjunção
Conjunções são palavras utilizadas como elementos de ligação entre duas orações ou entre termos
de uma mesma oração, estabelecendo relações de coordenação ou de subordinação. São
invariáveis, não sendo flexionadas em gênero e número.
Conjunções coordenativas aditivas
• e;
• nem;
• também;
• bem como;
• não só...mas também.
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Conjunções coordenativas adversativas
• mas;
• porém;
• contudo;
• todavia;
• entretanto;
• no entanto;
• não obstante.
Conjunções coordenativas alternativas
• ou;
• ou...ou;
• já…já;
• ora...ora;
• quer...quer;
• seja...seja.
Conjunções coordenativas conclusivas
• logo;
• pois;
• portanto;
• assim;
• por isso;
• por consequência;
• por conseguinte.
Conjunções coordenativas explicativas
• que;
• porque;
• porquanto;
• pois;
• isto é.
Conjunções subordinativas integrantes
• que;
• se.
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Conjunções subordinativas adverbiais causais
• porque;
• que;
• porquanto;
• visto que;
• uma vez que;
• já que;
• pois que;
• como.
Conjunções subordinativas adverbiais concessivas
• embora;
• conquanto;
• ainda que;
• mesmo que;
• se bem que;
• posto que.
Conjunções subordinativas adverbiais condicionais
• se;
• caso;
• desde;
• salvo se;
• desde que;
• exceto se;
• contando que.
Conjunções subordinativas adverbiaisconformativas
• conforme;
• como;
• consoante;
• segundo.
Conjunções subordinativas adverbiais finais
• a fim de que;
• para que;
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• que.
Conjunções subordinativas adverbiais proporcionais
• à proporção que;
• à medida que;
• ao passo que;
• quanto mais… mais,…
Conjunções subordinativas adverbiais temporais
• quando;
• enquanto;
• agora que;
• logo que;
• desde que;
• assim que;
• tanto que;
• apenas.
Conjunções subordinativas adverbiais comparativas
• como;
• assim como;
• tal;
• qual;
• tanto como.
Conjunções subordinativas adverbiais consecutivas
• que;
• tanto que;
• tão que;
• tal que;
• tamanho que;
• de forma que;
• de modo que;
• de sorte que;
• de tal forma que.
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Interjeição
Interjeições são palavras que exprimem emoções, sensações, estados de espírito. São invariáveis e
seu significado fica dependente da forma como as mesmas são pronunciadas pelos interlocutores.
Interjeições de alegria
• Oh!;
• Ah!;
• Oba!;
• Viva!;
• Opa!.
Interjeições de estímulo
• Vamos!;
• Força!;
• Coragem!;
• Ânimo!;
• Adiante!.
Interjeições de aprovação
• Apoiado!;
• Boa!;
• Bravo!.
Interjeições de desejo
• Oh!;
• Tomara!;
• Oxalá!.
Interjeições de dor
• Ai!;
• Ui!;
• Ah!;
• Oh!.
Interjeições de surpresa
• Nossa!;
• Cruz!;
• Caramba!;
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• Opa!;
• Virgem!;
• Vixe!.
Interjeições de impaciência
• Diabo!;
• Puxa!;
• Pô!;
• Raios!;
• Ora!.
Interjeições de silêncio
• Psiu!;
• Silêncio!.
Interjeições de alívio
• Uf!;
• Ufa!;
• Ah!.
Interjeições de medo
• Credo!;
• Cruzes!;
• Uh!;
• Ui!.
Interjeições de advertência
• Cuidado!;
• Atenção!;
• Olha!;
• Alerta!;
• Sentido!.
Interjeições de concordância
• Claro!;
• Tá!;
• Hã-hã!.
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Interjeições de desaprovação
• Credo!;
• Francamente!;
• Xi!;
• Chega!;
• Basta!;
• Ora!.
Interjeições de incredulidade
• Hum!;
• Epa!;
• Ora!;
• Qual!.
Interjeições de socorro
• Socorro!;
• Aqui!;
• Piedade!;
• Ajuda!.
Interjeições de cumprimentos
• Olá!;
• Alô!;
• Ei!;
• Tchau!;
• Adeus!.
Interjeições de afastamento
• Rua!;
• Xô!;
• Fora!;
• Passa!.
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EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE CRASE
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Emprego do Sinal Indicativo de Crase
CRASE: é uma palavra de origem grega e significa "mistura", "fusão". Nos estudos de Língua
Portuguesa, é o nome dado à fusão ou contração de duas letras "a" em uma só. A crase é indicada
pelo acento grave (`) sobre o "a". Crase, portanto, NÃO é o nome do acento, mas do fenômeno
(junção a + a) representado através do acento grave.
A crase pode ser a fusão da preposição a com:
1) o artigo feminino definido a (ou as): Fomos à cidade e assistimos às festas.
2) o pronome demonstrativo a (ou as): Irei à (loja) do centro.
3) os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo: Refiro-me àquele fato.
4) o a dos pronomes relativos a qual e as quais: Há cidades brasileiras às quais não é possível
enviar correspondência.
Observe que a ocorrência da crase depende da verificação da existência de duas
vogais "a" (preposição + artigo ou preposição + pronome) no contexto sintático.
REGRAS PRÁTICAS
1 - Substitua a palavra feminina por uma masculina, de mesma natureza. Se aparecer a
combinação ao, é certo que OCORRERÁ crase antes do termo feminino:
Amanhã iremos ao colégio / à escola.
Prefiro o futebol ao voleibol / à natação.
Resolvi o problema / a questão.
Vou ao campo / à praia.
Eles foram ao parque / à praça.
2 - Substitua o termo regente da preposição a por outro que exija uma preposição diferente
(de, em, por). Se essas preposições não se contraírem com o artigo, ou seja, se não surgirem as
formas da(s), na(s) ou pela(s), não haverá crase:
Refiro-me a você. (sem crase) - Gosto de você / Penso em você / Apaixonei-me por você.
Refiro-me à menina. (com crase) - Gosto da menina / Penso na menina / Apaixonei-me pela
menina.
Começou a gritar. (sem crase) - Gosta de gritar / Insiste em gritar / Optou por gritar.
3 - Substitua verbos que transmitem a idéia de movimento (ir, voltar, vir, chegar etc.) pelo verbo
voltar. Ocorrendo a preposição "de", NÃO haverá crase. E se ocorrer a preposição "da",
HAVERÁ crase:
Vou a Roma. / Voltei de Roma.
Vou à Roma dos Césares. / Voltei da Roma dos Césares.
Voltarei a Paris e à Suiça. / Voltarei de Paris e da Suiça.
Ocorrendo a preposição "de", NÃO haverá crase. E se ocorrer a preposição "da", HAVERÁ
crase:
Vou a Roma. / Voltei de Roma.
Vou à Roma dos Césares. / Voltei da Roma dos Césares.
EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE CRASE
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Voltarei a Paris e à Suiça. / Voltarei de Paris e da Suiça.
4 - A crase deve ser usada no caso de locuções, ou seja, reunião de palavras que equivalem a
uma só idéia. Se a locução começar por preposição e se o núcleo da locução for palavra
feminina, então haverá crase:
Gente à toa.
Vire à direita.
Tudo às claras.
Hoje à noite.
Navio à deriva.
Tudo às avessas.
No caso da locução "à moda de", a expressão "moda de" pode vir subentendida, deixando
apenas o "à" expresso, como nos exemplos que seguem:
Sapatos à Luiz XV.
Relógios à Santos Dummont.
Filé à milanesa.
Churrasco à gaúcha.
No caso de locuções relativas a horários, somente no caso de horas definidas e especificadas
ocorrerá a crase:
À meia-noite.
À uma hora.
À duas horas.
Às três e quarenta.
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SINTAXE
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Sintaxe
Objeto direto, Objeto indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva
TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO
1. OBJETO DIRETO
Para Identificar o
OBJETO DIRETO
faça a pergunta
VERBO +
O quÊ?
Quem?
VOZ ATIVA
Ex.: O rapaz perdeu os sentidos.
OBJETO DIRETO PREPOSICIONADO
Como você percebeu, o objeto liga-se ao verbo sem auxílio da preposição. Entretanto, há casos em
que ele admite a construção com o conectivo preposicional, sendo denominado, então, de objeto
diretopreposicionado.
Casos em que ele ocorre:
• quando o objeto direto é constituído por pronomes pessoais tônicos. Ex.:
Luíza amava mais a mim do que a seus irmãos.
objeto direto preposicionado: a mim
O professor Gustavo não entende a nós, nem nós entendemos a ele.
objeto direto preposicionado: a nós, a ele
• quando o objeto direto é constituído por nomes próprios ou comuns principalmente com verbos que
expressem sentimentos. Ex.:
Devemos amar, sobretudo, a Deus.
Estimar aos pais é dever de todo bom filho.
• quando o objeto direto é constituído por pronome indefinido, que se refira a pessoa, ou pronome de
tratamento. Ex.:
Não quero amar a ninguém.
Não aborreça a Sua Excelência.
• quando se deseja evitar ambiguidade (duplo sentido). Ex.:
Chama, finalmente, ao pai, o filho emocionado.
Note que, se não houvesse a preposição diante do objeto, não se poderia identificar qual o sujeito:
o filho emocionado; e qual o objeto: ao pai.
SINTAXE
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• quando o objeto está anteposto para dar ênfase.
A mim, é que não enganam!
A Rogério, ninguém controlava.
2. OBJETO INDIRETO
Para Identificar o
OBJETO INDIRETO
faça a pergunta
VERBO +
A quÊ(M)?
DE Que(m)?
EM QUE(M)?
Ex.: Aparício duvidava de seus próprios companheiros
Observação
O objeto indireto pode ser representado também pelos pronomes oblíquos lhe, lhes, me, te, nos, vos,
de acordo com a transitividade verbal.
“Não estou entendendo — disse-lhe — você vai dar um salto?”
Carlos Eduardo Novaes
3. COMPLEMENTO NOMINAL
Assim como os verbos, certos nomes também são transitivos, necessitando de um termo que os
complete. Tal complemento denomina-se complemento nominal. Ex.:
“Ele tem medo de você.”
O substantivo medo é completado pelo termo de você que constitui o complemento nominal.
O complemento nominal caracteriza-se por:
SER INTRODUZIDO POR PREPOSIÇÃO
Todo ser humano tem direito à felicidade.
Viviane tinha certeza de sua amizade.
COMPLETAR O SENTIDO DE UM
• Substantivo
Áurea e Roselaine não tinham receio da bronca do patrão.
• adjetivo
A água é benéfica à saúde do homem.
• ADVÉRBIO
SINTAXE
3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR
Roberval agiu contrariamente aos costumes de sua família.
4. AGENTE DA PASSIVA
Para Identificar o
AGENTE DA PASSIVA
faça a pergunta
VERBO + POR QUEM?
VOZ PASSIVA
Ex.: A velha igreja de Ouro Preto foi visitada por engenheiros.
Objeto direto e indireto
1. Objeto direto: é o termo da oração que completa a significação de um verbo transitivo direto sem
necessitar de preposição.
Exemplo:
O objeto direto também completa o sentido de um verbo transitivo direto e indireto.
Exemplo:
Se o objeto direto for representado por uma oração, haverá oração substantiva objetiva direta. É
substantiva porque somente o substantivo pode exercer a função de objeto direto.
Exemplo:
Quero que você estude.
2. Objeto indireto: é o termo da oração que completa a significação de um verbo transitivo
indireto necessitando de preposição.
Exemplo:
Se o objeto indireto for representado por uma oração, haverá oração substantiva objetiva indireta.
É substantiva porque somente o substantivo pode exercer a função de objeto indireto.
Exemplo:
Concordo (com) que você trabalhe. (Observe que a preposição com está subentendida.)
SINTAXE
4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR
Os objetos podem ser representados por:
a) um substantivo:
Exemplo:
b) um pronome substantivo:
Exemplo:
c) um numeral:
Exemplo:
d) uma palavra substantivada:
Exemplo:
e) uma oração subordinada:
Exemplo:
Objeto formado por um pronome oblíquo
Os pronomes oblíquos geralmente assumem a função de complementos verbais (objeto direto e
objeto indireto). Os pronomes oblíquos o, a, os, as, quando complementos do verbo, funcionam
como objeto direto. Os pronomes lhe, lhes funcionam como objeto indireto. Os demais pronomes
oblíquos (me, te, se, nos, vos) podem exercer a função de objeto direto ou de objeto indireto.
Para substituir o objeto direto de 3ª pessoa, devemos usar as formas o (s), a (s), lo (s), la (s), no (s),
na (s). Nunca a forma lhe (s).
SINTAXE
5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR
As formas pronominais o e a variam para -lo e -la, quando estiverem colocadas depois de verbos que
terminem com as letras r, s, z. Neste caso, eliminam-se tais letras. Mas lembre-se que no falar diário
tais formas não são usadas; fica muito pedante. Devemos conhecer estes usos apenas para aplicá-
los a uma linguagem especial, culta.
Exemplo:
Esta é a casa de meus sonhos. Vou comprá-la, sem dúvida. Reformá-la-ei para meu próprio uso.
Meus empregados preparam-na para meu conforto.
2. As formas pronominais -no e -na são usadas depois de verbos que terminem em sons nasais, ou
seja, em am, em, ão ou õe.
SINTAXE
6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR
O pronome lhe nunca substitui objeto direto! Ele é usado para substituir o objeto indireto.
Exemplo:
Entreguei a carta ao mensageiro. (objeto indireto)
Entreguei-lhe a carta.
Os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos e vos tanto podem exercer a função de objeto direto
quanto a de objeto indireto. Isto depende da regência verbal, ou seja, é necessário perceber a
exigência do verbo. Todavia, fica fácil identificar essas funções. Vamos aplicar um "jeitinho" infalível?
Na dúvida, retire o pronome oblíquo e em seu lugar use a expressão "o garoto" para identificar o
objeto direto e "ao garoto", para identificar o objeto indireto.
Exemplos:
Ela me ama. (Ela ama o garoto? - objeto direto)
Ela me entrega a encomenda. (Ela entrega a encomenda ao garoto. - objeto indireto)
Observação:
SINTAXE
7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR
Você pode aplicar essa substituição para descobrir a função sintática de qualquer pronome deste
grupo.
Objeto Direto Preposicionado
Como estudamos anteriormente, o objeto direto é o termo da oração que completa a significação de
um verbo transitivo direto sem necessitar de uma preposição.
Há casos em que o objeto pode ser antecedido por uma preposição. Esta, porém, não é obrigatória.
Exemplos:
Lembre-se que o objeto indireto é complemento do verbo transitivo indireto. Já o objeto direto
preposicionado é complemento de verbo transitivo direto.
Objeto Pleonástico
Muitas vezes, com o objetivo de dar ênfase, é antecipado o objeto, colocando-o no início da frase e,
depois ele é repetido através de um pronome oblíquo. Objeto pleonástico é o nome dado a esse
objeto repetido.
Exemplos:
Objeto Direto Interno
Quando o objeto direto for representado por uma palavra que possui o mesmo radical do verbo que
ele completa, receberá o nome de objeto direto interno.
Exemplos:
SINTAXE
8 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR
Observação:
O núcleo do objeto direto interno deverá estar sempre especificado por um adjunto; caso contrário,
pode haver pleonasmo.
Orações Coordenadas e Subordinadas
Orações Coordenadas
As orações coordenadas não exercem função sintática umas em relação às outras, ou seja, não
apresentam dependência entre elas.
Exemplo de Oração Coordenada Sindética Aditiva
Ela acordou cedo e foi ao parque com as amigas.
Como pode-se observar, as orações são independentes do ponto de vista sintático e estão
relacionadas através da conjunção e.
As orações coordenadas podem ser classificadas em assindéticas, quando não são introduzidas por
conjunção, ou sindéticas, quando são introduzidas por conjunção. Essas ainda são divididas em
aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e explicativas.Orações Subordinadas
Diferentemente do que acontece com as orações coordenadas, as orações subordinadas apresentam
uma dependência sintática em relação à oração principal. Elas são classificadas de acordo com a sua
função sintática: oração subordinada substantiva, oração subordinada adjetiva e oração subordinada
adverbial.
Orações Subordinadas Substantivas
Normalmente são introduzidas por conjunções subordinadas integrantes e podem fazer o papel de
um substantivo nos períodos. Elas são classificadas de acordo com a sua função: subjetiva,
completiva nominal, predicativa, apositiva, objetiva direta e objetiva indireta.
Exemplo de Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta
Acreditamos que a jogada do zagueiro foi desleal.
Orações Subordinadas Adjetivas
As orações subordinadas adjetivas exercem a mesma função de um adjetivo, pois modificam um
substantivo. Elas são classificadas em dois tipos: explicativas e restritivas.
Exemplo de Oração Subordinada Adjetiva Explicativa
Os alunos, que estudaram pro vestibular, conseguiram boas notas.
Orações Subordinadas Adverbiais
Essas orações exercem a função de adjunto averbial em relação ao verbo da oração princial. Elas
são classificadas em nove tipos: causais, consecutivas, comparativas, condicionais, conformativas,
concessivas, finais, proporcionais e temporais.
Exemplo de Oração Subordinada Adverbial Condicional
SINTAXE
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Se estudar bastante, passará no vestibular da Unicamp.
Orações coordenadas e orações subordinadas
A seção com a qual você se depara neste momento diz respeito às orações coordenadas e orações
subordinadas. Pois bem, sem nenhuma dúvida, tal fato linguístico o (a) faz relembrar algo: período
composto.
Ora, se se trata de um período, obviamente que nele há duas orações, e éexatamente no estudo
delas que reside todo o conhecimento que a partir de agora você irá adquirir. Nesse sentido,
gostaríamos - ainda que de forma superficial- que você se atentasse para os dois exemplos que
abaixo se mostram evidentes:
Ela chegou e apresentou as novas ações a serem executadas.
Em termos de construção sintática, não precisamos ir muito além para constatarmos que as duas
orações não mantêm entre si nenhuma relação de dependência para que se tornem decifráveis,
completas. Isso significa dizer que se classificam como orações coordenadas.
Assim que ela chegou, apresentou as novas ações a serem executadas.
Em se tratando dos elementos sintáticos, não podemos afirmar que tais orações se assemelham às
coordenadas, haja vista que a primeira oração (assim que ela chegou) apresenta uma relação de
dependência para com a segunda – o que significa afirmar que se classificam como orações
subordinadas.
Sinais de Pontuação
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Sinais de Pontuação são sinais gráficos que contribuem para a coerência e a coesão de textos, bem
como têm a função de desempenhar questões de ordem estílica. São eles: o ponto (.), a vírgula (,),
o ponto e vírgula (;), os dois pontos (:), o ponto de exclamação (!), o ponto de interrogação (?),
as reticências (...), as aspas (“”), os parênteses ( ( ) ) e o travessão (—).
Como Usar e Exemplos
Ponto (.)
O ponto, ou ponto final, é utilizado para terminar a ideia ou discurso e indicar o final de um período. O
ponto é, ainda, utilizado nas abreviações.
Exemplos:
• Acordei e logo pensei nela e na discussão que tivemos. Depois, saí para trabalhar e resolvi ligar e
pedir perdão.
• O filme recebeu várias indicações para o óscar.
• Esse acontecimento remonta ao ano 300 a.C., segundo afirmam os nossos historiadores.
• Sr. João, lamentamos informar que o seu voo foi cancelado.
Vírgula (,)
A vírgula indica uma pausa no discurso. Sua utilização é tão importante que pode mudar o significado
quando não utilizada ou utilizada de modo incorreto. A vírgula também serve para separar termos
com a mesma função sintática, bem como para separar o aposto e o vocativo.
Exemplos:
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• Vou precisar de farinha, ovos, leite e açúcar.
• Rose Maria, apresentadora do programa da manhã, falou sobre as receitas vegetarianas. (aposto)
• Desta maneira, Maria, não posso mais acreditar em você. (vocativo)
Ponto e Vírgula (;)
O ponto e vírgula serve para separar várias orações dentro de uma mesma frase e para separar uma
relação de elementos.
É um sinal que muitas vezes gera confusão nos leitores, já que ora representa uma pausa mais longa
que a vírgula e ora mais breve que o ponto.
Exemplos:
• Os empregados, que ganham pouco, reclamam; os patrões, que não lucram, reclamam igualmente.
• Joaquim celebrou seu aniversário na praia; não gosta do frio e nem das montanhas.
• Os conteúdos da prova são: Geografia; História; Português.
Dois Pontos (:)
Esse sinal gráfico é utilizado antes de uma explicação, para introduzir uma fala ou para iniciar uma
enumeração.
Exemplos:
• Na matemática as quatro operações essenciais são: adição, subtração, multiplicação e divisão.
• Joana explicou: — Não devemos pisar na grama do parque.
Ponto de Exclamação (!)
O ponto de exclamação é utilizado para exclamar. Assim, é colocado em frases que denotam
sentimentos como surpresa, desejo, susto, ordem, entusiasmo, espanto.
Exemplos:
• Que horror!
• Ganhei!
Ponto de Interrogação (?)
O ponto de interrogação é utilizado para interrogar, perguntar. Utiliza-se no final das frases diretas ou
indiretas-livre.
Exemplos:
• Quer ir ao cinema comigo?
• Será que eles prefere jornais ou revistas?
Reticências (...)
As reticências servem para suprimir palavras, textos ou até mesmo indicar que o sentido vai muito
mais além do que está expresso na frase.
Exemplos:
• Ana gosta de comprar sapatos, bolsas, calças…
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• Não sei… Preciso pensar no assunto.
Aspas (" ")
É utilizado para enfatizar palavras ou expressões, bem como é usada para delimitar citações de
obras.
Exemplos:
• Satisfeito com o resultado do vestibular, se sentia o “bom”.
• Brás Cubas dedica suas memórias a um verme: "Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do
meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas."
Parênteses ( ( ) )
Os parênteses são utilizados para isolar explicações ou acrescentar informação acessória.
Exemplos:
• O funcionário (o mais mal-humorado que já vi) fez a troca dos artigos.
• Cheguei à casa cansada, jantei (um sanduíche e um suco) e adormeci no sofá.
Travessão (—)
O Travessão é utilizado no início de frases diretas para indicar os diálogos do texto bem como para
substituir os parênteses ou dupla vírgula.
Exemplos:
• Muito descontrolada, Paula gritou com o marido: — Por favor, não faça isso agora pois teremos
problemas mais tarde.
• Maria - funcionária da prefeitura - aconselhou-me que fizesse assim.
Agora que você já conhece os sinais e as regras de pontuação, conheça também a Acentuação
Gráfica.
Concordância Verbal e Nominal
Concordância verbal é a concordância em número e pessoa entre o sujeito gramatical e o verbo.
Concordância nominal é a concordância em gênero e número entre os diversos nomes da oração,
ocorrendo principalmente entre o artigo, o substantivo e o adjetivo.
Concordância em gênero indica a flexão em masculino e feminino.
Concordância em número indica a flexão em singular e plural.
Concordância em pessoa indica a flexão em 1.ª, 2.ª ou 3.ª pessoa.
Exemplos de concordância verbal
• Eu li;
• Ele leu;
• Nós lemos;
• Eles leram.
Exemplos de concordância nominal
• O vizinho novo;
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• A vizinha nova;
• Os vizinhos novos;
• As vizinhas novas.
Casos Particularesde Concordância Verbal
Concordância com pronome relativo que
O verbo estabelece concordância com o antecedente do pronome: sou eu que quero, somos nós que
queremos, são eles que querem.
Concordância com pronome relativo quem
O verbo estabelece concordância com o antecedente do pronome ou fica na 3.ª pessoa do singular:
sou eu quem quero, sou eu quem quer.
Concordância com: a maioria, a maior parte, a metade,...
Preferencialmente, o verbo estabelece concordância com a 3.ª pessoa do singular. Contudo, o uso da
3.ª pessoa do plural é igualmente aceitável: a maioria das pessoas quer, a maioria das pessoas
querem.
Concordância com um dos que
O verbo estabelece sempre concordância com a 3.ª pessoa do plural: um dos que ouviram, um dos
que estudarão, um dos que sabem.
Concordância com nem um nem outro
O verbo pode estabelecer concordância com a 3.ª pessoa do singular ou do plural: nem um nem outro
veio, nem um nem outro vieram.
Concordância com verbos impessoais
O verbo estabelece sempre concordância com a 3.ª pessoa do singular, uma vez que não possui um
sujeito: havia pessoas, houve problemas, faz dois dias, já amanheceu.
Concordância com a partícula apassivadora se
O verbo estabelece concordância com o objeto direto, que assume a função de sujeito paciente,
podendo ficar no singular ou no plural: vende-se casa, vendem-se casas.
Concordância com a partícula de indeterminação do sujeito se
O verbo estabelece sempre concordância com a 3.ª pessoa do singular quando a frase é formada por
verbos intransitivos ou por verbos transitivos indiretos: precisa-se de funcionário, precisa-se de
funcionários.
Concordância com o infinitivo pessoal
O verbo no infinitivo sofre flexão sempre que houver um sujeito definido, quando se quiser definir o
sujeito, quando o sujeito da segunda oração for diferente do da primeira: é para eles lerem, acho
necessário comprarmos comida, eu vi eles chegarem tarde.
Concordância com o infinitivo impessoal
O verbo no infinitivo não sofre flexão quando não houver um sujeito definido, quando o sujeito da
segunda oração for igual ao da primeira oração, em locuções verbais, com verbos preposicionados e
com verbos imperativos: eles querem comprar, passamos para ver você, eles estão a ouvir.
Concordância com o verbo ser
O verbo estabelece concordância com o predicativo do sujeito, podendo ficar no singular ou no plural:
isto é uma mentira, isto são mentiras; quem é você, quem são vocês.
Casos particulares de concordância nominal
Concordância com pronomes pessoais
O adjetivo estabelece concordância em gênero e número com o pronome pessoal: ela é simpática,
ele é simpático, elas são simpáticas, eles são simpáticos.
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Concordância com vários substantivos
O adjetivo estabelece concordância em gênero e número com o substantivo que está mais próximo:
caderno e caneta nova, caneta e caderno novo. Pode também estabelecer concordância com a forma
no masculino plural: caneta e caderno novos, caderno e caneta novos.
Concordância com vários adjetivos
Quando há dois ou mais adjetivos no singular, o substantivo permanece no singular apenas se
houver um artigo entre os adjetivos. Sem a presença de um artigo, o substantivo deverá ser escrito
no plural: o escritor brasileiro e o chileno, os escritores brasileiro e chileno.
Concordância com: é proibido, é permitido, é preciso, é necessário, é bom
Estas expressões estabelecem concordância em gênero e número com o substantivo quando há um
artigo que determina o substantivo, mas permanecem invariáveis no masculino singular quando não
há artigo: é permitida a entrada, é permitido entrada, é proibida a venda, é proibido venda.
Concordância com: bastante, muito, pouco, meio, longe, caro e barato
Estas palavras estabelecem concordância em gênero e número com o substantivo quando possuem
função de adjetivo: comi meio chocolate, comi meia maçã, há bastante procura, há bastantes
pedidos, vi muitas crianças, vi muitos adultos.
Concordância com menos
A palavra menos permanece sempre invariável, quer atue como advérbio ou como adjetivo: menos
tristeza, menos medo, menos traições, menos pedidos.
Concordância com: mesmo, próprio, anexo, obrigado, quite, incluso
Estas palavras estabelecem concordância em gênero e número com o substantivo: resultados
anexos, informações anexas, as próprias pessoas, o próprio síndico, ele mesmo, elas mesmas.
Concordância com um e outro
Com a expressão um e outro, o adjetivo deverá ser sempre escrito no plural, mesmo que o
substantivo esteja no singular: um e outro aluno estudiosos, uma e outra pergunta respondidas.
Sintaxe de concordância, regência e colocação
Você sabe o que é sintaxe? A área da gramática que estuda a relação entre as palavras na oração e
no discurso subdivide-se em sintaxe de concordância, regência e colocação.
Você sabe o que é sintaxe?
A sintaxe é a área da gramática que se ocupa do estudo da disposição das palavras na frase e das
frases quando inseridas em um discurso. Diz-se que um texto está sintaticamente correto quando as
frases estabelecem relação lógica entre si, ou seja, os elementos de uma oração estão dispostos de
maneira que nos permita compreender o conteúdo de determinada mensagem. Mesmo que não saiba
– ou não soubesse – o que é sintaxe, você é capaz de produzir enunciados que obedeçam às suas
regras, já que a finalidade da comunicação é produzir discursos inteligíveis, cujo significado seja
acessível e compreensível. Observe:
Ontem choveu bastante. As ruas ficaram alagadas e o trânsito ficou congestionado em vários pontos
da cidade
ou
Bastante choveu ontem. Alagadas ficaram ruas as congestionado ficou trânsito e o cidade da em
pontos vários?
Entre as orações acima, qual das duas você seria capaz de produzir? A primeira, não é verdade?
Ambas são compostas pelas mesmas palavras, mas uma delas ficou privada de inteligibilidade (a
segunda) porque seus elementos não foram sintaticamente bem dispostos, tornando-a agramatical.
Por isso a importância da sintaxe: instrumento indispensável para a correta combinação das palavras
nas orações.
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Pensando em sintaxe, falemos sobre suas subdivisões: a sintaxe de concordância, regência e
colocação. Você sabe para que serve cada uma delas? Vamos conhecer um pouco mais sobre a
língua portuguesa e sua gramática? Fique atento à explicação e bons estudos!
Conhecer as sintaxes de concordância, regência e colocação é importante para aprimorar a
comunicação verbal e escrita
O que é sintaxe de concordância?
A sintaxe de concordância estuda a relação gramatical estabelecida entre dois termos. Ela pode ser
verbal ou nominal. Observe os exemplos:
► Concordância verbal:
Os alunos ficaram entusiasmados com o passeio no museu
ou
Os alunos ficou entusiasmados com o passeio no museu?
A primeira opção é aquela que estabelece correta combinação entre o verbo e o sujeito. Se o sujeito
(alunos = eles) está no plural, o verbo da oração deverá ser flexionado na terceira pessoa do plural:
eles 'ficaram'.
► Concordância nominal:
Os aluno indisciplinado foram suspenso da escola
ou
Os alunos indisciplinados foram suspensos da escola?
O segundo exemplo obedece às regras da concordância nominal porque nele o substantivo –
alunos – concorda com seus determinantes, que podem ser artigo, numeral, pronome ou adjetivo. A
concordância nominal é, portanto, a combinação entre os nomes de uma oração.
O que é sintaxe de regência?
A sintaxe de regência ocupa-se do estudo dos tipos de ligação existentes entre um verbo (regência
verbal) ou nome e seus complementos (regência nominal). Dessa maneira, haverá os termos
regentes, aqueles que precisam de um complemento, e os termos regidos, aqueles quecomplementam o sentido dos termos regentes.
► Regência verbal:
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A regência verbal ocupa-se do estudo da relação estabelecida entre os verbos e os termos que os
complementam ou caracterizam. Estudá-la nos permite aprimorar nossa capacidade expressiva, pois
a partir da análise de uma preposição um mesmo verbo pode assumir diferentes significados.
Observe:
Os parlamentares implicaram-se em escândalos por causa do desvio de verbas públicas. (implicar =
envolver)
e
Os alunos implicaram com o novo coordenador. (implicar = ter implicância, aversão).
► Regência nominal:
A regência nominal estuda a relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os
termos por ele regidos. É a partir da análise da preposição que essa relação será construída.
Observe os exemplos:
A nova tarifa é acessível a todos os cidadãos.
Os atentados contra a embaixada deixaram vários feridos.
Eles preferiram ficar longe de todos.
Na regência nominal é interessante observar que alguns nomes apresentam o mesmo regime dos
verbos de que derivam: se você conhece o regime de um verbo, conhecerá também o regime dos
nomes cognatos, ou seja, dos nomes que têm a mesma raiz ou origem etimológica:
As crianças devem obedecer às regras.(obedecer = verbo)
Eles foram obedientes às regras. (obediente = nome cognato)
O que é sintaxe de colocação?
A sintaxe de colocação mostra que os pronomes oblíquos átonos, embora possam ser dispostos de
maneira livre, possuem uma posição adequada na oração. Quando há liberdade de posição desses
termos, o enunciado poderá assumir diferentes efeitos expressivos, o que nem sempre é bem-vindo.
Existem três possíveis colocações para os pronomes oblíquos átonos:
► Próclise: o pronome será posicionado antes do verbo. Veja os exemplos:
Não se esqueça de comprar novos livros.
Não me fale novamente sobre esse assunto.
Aqui se vive melhor do que na cidade grande.
Tudo me incomoda quando não estou em casa.
Quem te chamou para a festa?
► Mesóclise: será empregada quando o verbo estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito
do indicativo. O pronome surge intercalado ao verbo. A mesóclise é mais encontrada na linguagem
literária ou na língua culta e, havendo possibilidade de próclise, ela deverá ser eliminada. Observe os
exemplos:
Dizer-lhe-ei sobre tuas queixas (Direi + lhe)
Convidar-me-iam para a formatura, mas viajei para o campo. (convidariam + me)
► Ênclise: o pronome surgirá depois do verbo, obedecendo à sequência verbo-complemento.
Observe os exemplos:
Diga-me o que você fez nas férias.
Espero encontrar-lhe na festa hoje à noite.
Acolheram o filhote abandonado, dando-lhe abrigo e comida.
Sinônimos e Antônimos
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Os sinônimos e os antônimos designam palavras (substantivos, adjetivos, verbos, complementos,
etc.), que segundo seu significado, ora se assemelham (sinônimos) e ora são opostas (antônimos).
A semântica é o ramo da linguística encarregada de estudar as palavras e seus significados. Para
tanto, enfoca nos estudos dos seguintes conceitos: sinônimos, antônimos, parônimos e homônimos.
Para saber mais: Semântica e Homônimos e Parônimos
Sinônimos
Do grego, o termo sinônimo (synonymós) é formado pelas palavras “syn” (com); e “onymia” (nome),
ou seja, no modo literal significa aquele que está com o nome ou mesmo semelhante a ele. Não
obstante, a sinonímia é o ramo da semântica que estuda as palavras sinônimas, ou aquelas que
possuem significado ou sentido semelhante, sendo muito utilizadas nas produções dos textos, uma
vez que a repetição das palavras empobrece o conteúdo.
Tipos de Sinônimos
Embora, muito estudiosos da área advogam sobre a inexistência de palavras sinônimas (com valor
semântico idêntico), posto que para eles, cada palavra possui um significado distinto; de acordo com
a aproximação semântica entre as palavras sinônimas, elas são classificadas de duas maneiras:
• Sinônimos Perfeitos: são as palavras que compartilham significados idênticos, por exemplo: léxico
e vocabulário; morrer e falecer; após e depois.
• Sinônimos Imperfeitos: são as palavras que compartilham significados semelhantes e não
idênticos, por exemplo: feliz e alegre; cidade e município; córrego e riacho.
Exemplos de Sinônimos
Segue abaixo alguns exemplos de palavras sinônimas:
• Adversário e antagonista
• Adversidade e problema
• Alegria e felicidade
• Alfabeto e abecedário
• Ancião e idoso
• Apresentar e expor
• Belo e bonito
• Brado e grito
• Bruxa e feiticeira
• Calmo e tranquilo
• Carinho e afeto
• Carro e automóvel
• Cão e cachorro
• Casa e lar
• Contraveneno e antídoto
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• Diálogo e colóquio
• Encontrar e achar
• Enxergar e ver
• Extinguir e abolir
• Gostar e estimar
• Importante e relevante
• Longe e distante
• Moral e ética
• Oposição e antítese
• Percurso e trajeto
• Perguntar e questionar
• Saboroso e delicioso
• Transformação e metamorfose
• Translúcido e diáfano
Antônimos
Do grego, o termo antônimo corresponde a união das palavras “anti” (algo contrário ou oposto) e
“onymia” (nome). A antonímia é o ramo da semântica que se debruça nos estudos sobre as palavras
antônimas. Do mesmo modo que os sinônimos, os antônimos são utilizados como recursos
estilísticos na produção dos textos.
Exemplos de Antônimos
Segue abaixo alguns exemplos de palavras antônimas:
• Aberto e fechado
• Alto e baixo
• Amor e ódio
• Ativo e inativo
• Bendizer e maldizer
• Bem e mal
• Bom e mau
• Bonito e feio
• Certo e errado
• Doce e salgado
• Duro e mole
• Escuro e claro
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• Forte e fraco
• Gordo e magro
• Grosso e fino
• Grande e pequeno
• Inadequada e adequada
• Ordem e anarquia
• Pesado e leve
• Presente e ausente
• Progredir e regredir
• Quente e frio
• Rápido e lento
• Rico e pobre
• Rir e chorar
• Sair e entrar
• Seco e molhado
• Simpático e antipático
• Soberba e humildade
• Sozinho e acompanhado
A Semântica é a parte da linguística que estuda o significado das palavras, a parte significativa do
discurso. Cada palavra tem seu significado específico, porém podemos estabelecer relações entre os
significados das palavras, assemelhando-as umas às outras ou diferenciando-as segundo seus
significados.
SINONÍMIA: Sinonímia é a divisão na Semântica que estuda as palavras sinônimas, ou aquelas que
possuem significado ou sentido semelhante.
Algumas palavras mantêm relação de significado entre si e representam praticamente a mesma ideia.
Estas palavras são chamadas de sinônimos.
Ex: certo, correto, verdadeiro, exato.
Sendo assim, SINÔNIMOS são palavras que possuem significados semelhantes.
A contribuição greco-latina é responsável pela existência de numerosos pares de sinônimos:
• adversário e antagonista;
• translúcido e diáfano;
• semicírculo e hemiciclo;
• contraveneno e antídoto;
• moral e ética;
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• colóquio e diálogo;
• transformação e metamorfose;
• oposição e antítese.
ANTONÍMIA: É a relação entre palavras de significado oposto
Outras palavras, ainda, possuem significados completamente divergentes, de forma que um se opõe
ao outro, ou nega-lhe o significado. Estas palavras são chamadas de antônimos.
Ex: direita / esquerda, preto / branco, alto / baixo, gordo / magro.
Desta forma, ANTÔNIMOS são palavras que opõem-se no seu significado.
Observação: A antonímia pode originar-se de um prefixo de sentido oposto ou negativo:• bendizer e maldizer;
• simpático e antipático;
• progredir e regredir;
• concórdia e discórdia;
• ativo e inativo;
• esperar e desesperar;
• comunista e anticomunista;
• simétrico e assimétrico.
Parônimos e Homônimos
Palavras que possuem a mesma grafia e som, porém com significados diferentes, são caracterizadas
como parônimos e homônimos.
Parônimos e homônimos são palavras que possuem semelhanças no som e na grafia, porém se
constituem de significados diferentes. E por falar em significado, cabe-nos ressaltar que esse é um
fator preponderante na construção de nossos discursos – na oralidade e, principalmente, na escrita.
Para você não correr o risco de utilizar alguma palavra cujo significado esteja equivocado, é essencial
dispor de alguns recursos que auxiliam na construção dos enunciados, tais como a prática constante
da leitura, o uso de um bom dicionário, enfim, o convívio com tudo aquilo que tende a corroborar para
o aprimoramento da competência linguística.
Nesse sentido, levando-se em consideração algumas particularidades que imperam no processo de
significação das palavras, passemos a partir de agora a estabelecer familiaridade com alguns
aspectos relacionados à homonímia e à paronímia.
Homônimos
São palavras que apresentam igualdade ou semelhança fonética (relativa ao som) ou igualdade
gráfica (relativa à grafia), porém com significados distintos. Dada essa particularidade, temos que os
homônimos se subdividem em três grupos.
Homógrafos – São aquelas palavras iguais na grafia, mas diferentes no som e no significado.
Vejamos alguns exemplos:
almoço → substantivo / almoço → verbo
colher → substantivo / colher → verbo
começo → substantivo / começo → verbo
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jogo → substantivo / jogo → verbo
sede → substantivo (vontade de beber) / sede → localidade
Homófonos – São palavras iguais na pronúncia, porém diferentes na grafia e no significado. São
exemplos:
Palavras homófonas são iguais na pronúncia e diferentes no significado e na escrita
Homônimos perfeitos – são aquelas palavras iguais na grafia e no som, mas diferentes no
significado. Observemos alguns exemplos:
cedo → verbo / cedo → advérbio
caminho → substantivo / caminho → verbo
livre → adjetivo / livre → verbo
Parônimos
São palavras semelhantes na grafia e no som, mas com significados distintos. Constatemos alguns
casos:
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Palavras parônimas: semelhanças gráficas e sonoras, porém com significados distintos
Verso - Estrofe - Rima
Um poema é constituído de verso e estrofe, seus versos podem apresentar ou não rima.
Por tratar-se de texto poético, nada mais sugestivo que admirarmos a beleza da poesia retratada a
seguir:
Soneto
Mudam-se o tempo, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís Vaz de Camões
Esteticamente, percebemos que se trata de um soneto, uma vez que o mesmo é constituído por
quatro estrofes, sendo que uma possui quatro versos e a outra, três versos.
Vejamos agora o conceito de cada uma das partes constituintes da poesia:
Verso - É cada linha poética. Como o soneto é uma forma fixa, há sempre quatorze versos.
Estrofe - É o conjunto de versos. Como já foi mencionado, o soneto é formado por dois quartetos
(estrofe com quatro versos) e dois tercetos (estrofes com três versos).
Os versos de uma poesia podem ter rima, ou seja, semelhança sonora entre as palavras, seja no final
ou no meio dos versos (rima interna).
Quanto à disposição, as rimas podem ser:
Interpoladas (intercaladas ou expostas)
“Mudam-se o tempo, mudam-se as vontades, (a)
Muda-se o ser, muda-se a confiança; (b)
Todo mundo é composto de mudança, (b)
Tomando sempre novas qualidades”. (a)
Cruzadas (ou alternadas)
“O tempo cobre o chão de verde manto, (a)
Que já coberto foi de neve fria, (b)
E em mim converte em choro o doce canto”. (a)
Emparelhadas
“O universo não é uma idéia minha. (a)
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A minha idéia do Universo é que é uma idéia minha. (a)
A noite não anoitece pelos meus olhos. (b)
A minha idéia da noite é que anoitece por meus olhos”. (b)
Fernando Pessoa
Encadeadas
“Voai, zéfiros mimosos
Vagarosos, com cautela”.
Silva Alvarenga
Não só o número de versos, estrofes e a presença de rimas que são fatores preponderantes numa
poesia, mas também outros elementos formais, tais como: Métrica (medida dos versos)
e Ritmo (alternância de sílabas quanto à intensidade).
É importante sabermos que existem poemas escritos com ou sem rima, e com ou sem regularidade
métrica. Os versos sem métrica regular (possuem tamanhos diferentes) são versos livres, e os
versos soltos, sem rima entre si, são chamados de versos brancos.
Pronome relativo é uma classe de pronomes que substituem um termo da oração anterior e
estabelece relação entre duas orações.
Nós conhecemos o professor. O professormorreu.
Nós conhecemos o professor que morreu.
Como se pode perceber, o que, nessa frase, está substituindo o termo professor e está relacionando
a segunda oração com a primeira.
Os pronomes relativos são os seguintes:
Variáveis Invariáveis
O qual, a qual Que (quando equivale a o qual e flexões)
Os quais, as quais Quem (quando equivale a o qual e flexões)
Cujo, cuja Onde (quando equivale a no qual e flexões)
Cujos, cujas
Quanto, quanta
Quantos, quantas
Emprego dos pronomes relativos
1. Os pronomes relativos virão precedidos de preposição se a regência assim determinar.
Este é o pintor a cuja obra me refiro.
Este é o pintor de cuja obra gosto.
2. O pronome relativo quem é empregado com referência a pessoas:
Não conheço o político de quem você falou.
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3. O relativo quem pode aparecer sem antecedente claro, sendo classificado como pronome relativo
indefinido.
Quem faltou foi advertido.
4. Quando possuir antecedente, o pronome relativo quem virá precedido de preposição.
Marcelo era o homem a quem ela amava.
5. O pronome relativo que é o de mais largo emprego, chamado de relativo universal, pode ser
empregado com referência a pessoas ou coisas, no singular ou no plural.
Não conheço o rapaz que saiu.
Gostei muito do vestido que comprei.
Eis os ingredientes de que necessitamos.
6. O pronome relativo que pode ter por antecedente o demonstrativo o, a, os, as.
Falo o que sinto. (o pronome o equivale a aquilo)
7. Quando precedido de preposição monossilábica, emprega-se o pronome relativo que. Com
preposições de mais de uma sílaba, usa-se o relativo o qual (e flexões).
Aquele é o livro com que trabalho.
Aquela é a senhora para a qual trabalho.
8. O pronome relativo cujo (e flexões) é relativo possessivo equivalente a do qual, de que, de quem.
Deve concordar com a coisa possuída.
Apresentaram provas em cuja veracidade eu creio.
9. O pronome relativo quanto, quantos e quantas são pronomes relativos quando seguem os
pronomes indefinidos tudo, todos ou todas.
Comprou tudo quanto viu.
10. O relativo onde deve ser usado para indicar lugar e tem sentido aproximado de em que, no qual.
Este é o país onde habito.
a) onde é empregado com verbos que não dão ideia de movimento. Pode serusado sem
antecedente.
Sempre morei no país onde nasci.
b) aonde é empregado com verbos que dão ideia de movimento e equivale a para onde, sendo
resultado da combinação da preposição a + onde.
Voltei àquele lugar aonde minha mãe me levava quando criança.
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PONTUAÇÃO
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Pontuação:
Os sinais de pontuação são recursos de linguagem empregados na língua escrita edesempenham a
função de demarcadores de unidades e de sinalizadores de limitesde estruturas sintáticas nos
textos escritos. Assim, os sinais de pontuação cumprem o papel dos recursos prosódicos, utilizados
na fala para darmos ritmo, entoação e pausas e indicarmos os limites sintáticos e unidades de
sentido.
Como na fala temos o contato direto com nossos interlocutores, contamos também com
nossos gestos para tentar deixar claro aquilo que queremos dizer. Na escrita, porém, são os sinais de
pontuação que garantem a coesão e a coerência interna dos textos, bem como os efeitos de
sentidos dos enunciados.
Vejamos, a seguir, quais são os sinais de pontuação que nos auxiliam nos processos de escrita:
Ponto ( . )
Indicar o final de uma frase declarativa:
Gosto de sorvete de goiaba.
b) Separar períodos:
Fica mais um tempo. Ainda é cedo.
c) Abreviar palavras:
Av. (Avenida)
V. Ex.ª (Vossa Excelência)
p. (página)
Dr. (doutor)
Dois-pontos ( : )
Iniciar fala de personagens:
O aluno respondeu:
– Parta agora!
b) Antes de apostos ou orações apositivas, enumerações ou sequência de palavras que
explicam e/ou resumem ideias anteriores.
Esse é o problema dos caixas eletrônicos: não tem ninguém para auxiliar os mais idosos.
Anote o número do protocolo: 4254654258.
c) Antes de citação direta:
Como já dizia Vinícius de Morais: “Que o amor não seja eterno posto que é chama, mas que seja
infinito enquanto dure.”
Reticências ( ... )
Indicar dúvidas ou hesitação:
Sabe... andei pensando em uma coisa... mas não é nada demais.
b) Interromper uma frase incompleta sintaticamente:
Quem sabe se tentar mais tarde...
PONTUAÇÃO
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c) Concluir uma frase gramaticalmente incompleta com a intenção de estender a reflexão:
“Sua tez, alva e pura como um foco de algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-rosa...”
(Cecília - José de Alencar)
d) Suprimir palavras em uma transcrição:
“Quando penso em você (...) menos a felicidade.” (Canteiros - Raimundo Fagner)
Parênteses ( )
Isolar palavras, frases intercaladas de caráter explicativo, datas e também podem substituir a
vírgula ou o travessão:
Manuel Bandeira não pôde comparecer à Semana de Arte Moderna (1922).
"Uma manhã lá no Cajapió (Joca lembrava-se como se fora na véspera), acordara depois duma
grande tormenta no fim do verão.” (O milagre das chuvas no Nordeste- Graça Aranha)
Ponto de Exclamação ( ! )
Após vocativo
Ana, boa tarde!
b) Final de frases imperativas:
Cale-se!
c) Após interjeição:
Ufa! Que alívio!
d) Após palavras ou frases de caráter emotivo, expressivo:
Que pena!
Ponto de Interrogação ( ? )
Em perguntas diretas:
Quantos anos você tem?
b) Às vezes, aparece com o ponto de exclamação para enfatizar o enunciado:
Não brinca, é sério?!
Vírgula ( , )
De todos os sinais de pontuação, a vírgula é aquele que desempenha o maior número de
funções. Ela é utilizada para marcar uma pausa do enunciado e tem a finalidade de
nos indicar que os termos por ela separados, apesar de participarem da mesma frase ou oração,
não formam uma unidade sintática. Por outro lado, quando há umarelação sintática entre termos
da oração, não se pode separá-los por meio de vírgula.
Antes de explicarmos quais são os casos em que devemos utilizar a vírgula, vamos explicar primeiro
os casos em que NÃO devemos usar a vírgula para separar os seguintes termos:
Sujeito de Predicado;
Objeto de Verbo;
Adjunto adnominal de nome;
PONTUAÇÃO
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Complemento nominal de nome;
Predicativo do objeto do objeto;
Oração principal da Subordinada substantiva (desde que esta não seja apositiva nem apareça na
ordem inversa).
Casos em que devemos utilizar a vírgula:
A vírgula no interior da oração
Utilizada com o objetivo de separar o vocativo:
Ana, traga os relatórios.
O tempo, meus amigos, é o que nos confortará.
b) Utilizada com o objetivo de separar apostos:
Valdirene, minha prima de Natal, ligou para mim ontem.
Caio, o aluno do terceiro ano B, faltou à aula.
c) Utilizada com o objetivo de separar o adjunto adverbial antecipado ou intercalado:
Quando chegar do trabalho, procurarei por você.
Os políticos, muitas vezes, são mentirosos.
d) Utilizada com o objetivo de separar elementos de uma enumeração:
Estamos contratando assistentes, analistas, estagiários.
Traga picolé de uva, groselha, morango, coco.
e) Utilizada com o objetivo de isolar expressões explicativas:
Quero o meu suco com gelo e açúcar, ou melhor, somente gelo.
f) Utilizada com o objetivo de separar conjunções intercaladas:
Não explicaram, porém, o porquê de tantas faltas.
g) Utilizada com o objetivo de separar o complemento pleonástico antecipado:
A ele, nada mais abala.
h) Utilizada com o objetivo de isolar o nome do lugar na indicação de datas:
Goiânia, 01 de novembro de 2016.
Utilizada com o objetivo de separar termos coordenados assindéticos:
É pau, é pedra, é o fim do caminho.
Utilizada com o objetivo de marcar a omissão de um termo:
Ele gosta de fazer academia, e eu, de comer. (omissão do verbo gostar)
Casos em que se usa a vírgula antes da conjunção e:
Utilizamos a vírgula quando as orações coordenadas possuem sujeitos diferentes:
Os banqueiros estão cada vez mais ricos, e o povo, cada vez mais pobre.
PONTUAÇÃO
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2) Utilizamos a vírgula quando a conjunção “e” repete-se com o objetivo de enfatizaralguma ideia
(polissíndeto):
E eu canto, e eu danço, e bebo, e me jogo nos blocos de carnaval.
3) Utilizamos a vírgula quando a conjunção “e” assume valores distintos que não retratam
sentido de adição (adversidade, consequência, por exemplo):
Chorou muito, e ainda não conseguiu superar a distância.
A vírgula entre orações
A vírgula é utilizada entre orações nas seguintes situações:
Para separar as orações subordinadas adjetivas explicativas:
Meu filho, de quem só guardo boas lembranças, deixou-nos em fevereiro de 2000.
b) Para separar as orações coordenadas sindéticas e assindéticas, com exceção das orações
iniciadas pela conjunção “e”:
Cheguei em casa, tomei um banho, fiz um sanduíche e fui direto ao supermercado.
Estudei muito, mas não consegui ser aprovada.
c) Para separar orações subordinadas adverbiais (desenvolvidas ou reduzidas), principalmente se
estiverem antepostas à oração principal:
"No momento em que o tigre se lançava, curvou-se ainda mais; e fugindo com o corpo apresentou o
gancho." (O selvagem - José de Alencar)
d) Para separar as orações intercaladas:
"– Senhor, disse o velho, tenho grandes contentamentos em estar plantando-a...”
e) Para separar as orações substantivas antepostas à principal:
Quando sai o resultado, ainda não sei.
Ponto e vírgula( ; )
Utilizamos ponto e vírgula para separar os itens de uma sequência de outros itens:
Antes de iniciar a escrita de um texto, o autor deve fazer-se as seguintes perguntas:
O que dizer;
A quem dizer;
Como dizer;
Por que dizer;
Quais objetivos pretendo alcançar com este texto?
Utilizamos ponto e vírgula para separar orações coordenadas muito extensas ou orações
coordenadas nas quais já se tenha utilizado a vírgula:
“O rosto de tez amarelenta e feições inexpressivas, numa quietude apática, era pronunciadamente
vultuoso, o que mais se acentuava no fim da vida, quando a bronquite crônica de que sofria desde
moço se foi transformando em opressora asma cardíaca; os lábios grossos, o inferior um tanto
tenso." (O Visconde de Inhomerim - Visconde de Taunay)
Travessão ( — )
PONTUAÇÃO
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Utilizamos o travessão para iniciar a fala de um personagem no discurso direto:
A mãe perguntou ao filho:
— Já lavou o rosto e escovou os dentes?
b) Utilizamos o travessão para indicar mudança do interlocutor nos diálogos:
— Filho, você já fez a sua lição de casa?
— Não se preocupe, mãe, já está tudo pronto.
c) Utilizamos o travessão para unir grupos de palavras que indicam itinerários:
Disseram-me que não existe mais asfalto na rodovia Belém—Brasília.
d) Utilizamos o travessão também para substituir a vírgula em expressões ou frases explicativas:
Pelé — o rei do futebol — anunciou sua aposentadoria.
Aspas ( “ ” )
As aspas são utilizadas com as seguintes finalidades:
Isolar palavras ou expressões que fogem à norma culta, como gírias, estrangeirismos, palavrões,
neologismos, arcaísmos e expressões populares:
A aula do professor foi “irada”.
Ele me pediu um “feedback” da resposta do cliente.
b) Indicar uma citação direta:
“Ia viajar! Viajei. Trinta e quatro vezes, às pressas, bufando, com todo o sangue na face, desfiz e refiz
a mala”. (O prazer de viajar - Eça de Queirós)
FIQUE ATENTO!
Caso haja necessidade de destacar um termo que já está inserido em uma sentença destacada por
aspas, esse termo deve ser destacado com marcação simples ('), não dupla (").
VEJA AGORA ALGUMAS OBSERVAÇÕES RELEVANTES:
Dispensam o uso da vírgula os termos coordenados ligados pelas conjunções e, ou, nem.
Observe:
Preferiram os sorvetes de creme, uva e morango.
Não gosto nem desgosto.
Não sei se prefiro Minas Gerais ou Goiás.
Caso os termos coordenados ligados pelas conjunções e, ou, nem aparecerem repetidos, com a
finalidade de enfatizar a expressão, o uso da vírgula é, nesse caso, obrigatório.
Observe:
Não gosto nem do pai, nem do filho, nem do cachorro, nem do gato dele.
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CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL
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Concordância Nominal e Verbal
Concordância verbal é a concordância em número e pessoa entre o sujeito gramatical e o verbo.
Exemplos de concordância verbal
• Eu li;
• Ele leu;
• Nós lemos;
• Eles leram.
Casos Particulares de Concordância Verbal
Concordância com pronome relativo que
O verbo estabelece concordância com o antecedente do pronome: sou eu que quero, somos nós que
queremos, são eles que querem.
Concordância com pronome relativo quem
O verbo estabelece concordância com o antecedente do pronome ou fica na 3.ª pessoa do singular:
sou eu quem quero, sou eu quem quer.
Concordância com: a maioria, a maior parte, a metade,...
Preferencialmente, o verbo estabelece concordância com a 3.ª pessoa do singular. Contudo, o uso da
3.ª pessoa do plural é igualmente aceitável: a maioria das pessoas quer, a maioria das pessoas
querem.
Concordância com um dos que
O verbo estabelece sempre concordância com a 3.ª pessoa do plural: um dos que ouviram, um dos
que estudarão, um dos que sabem.
Concordância com nem um nem outro
O verbo pode estabelecer concordância com a 3.ª pessoa do singular ou do plural: nem um nem outro
veio, nem um nem outro vieram.
Concordância com verbos impessoais
O verbo estabelece sempre concordância com a 3.ª pessoa do singular, uma vez que não possui um
sujeito: havia pessoas, houve problemas, faz dois dias, já amanheceu.
Concordância com a partícula apassivadora se
O verbo estabelece concordância com o objeto direto, que assume a função de sujeito paciente,
podendo ficar no singular ou no plural: vende-se casa, vendem-se casas.
Concordância com a partícula de indeterminação do sujeito se
O verbo estabelece sempre concordância com a 3.ª pessoa do singular quando a frase é formada por
verbos intransitivos ou por verbos transitivos indiretos: precisa-se de funcionário, precisa-se de
funcionários.
Concordância com o infinitivo pessoal
O verbo no infinitivo sofre flexão sempre que houver um sujeito definido, quando se quiser definir o
sujeito, quando o sujeito da segunda oração for diferente do da primeira: é para eles lerem, acho
necessário comprarmos comida, eu vi eles chegarem tarde.
Concordância com o infinitivo impessoal
O verbo no infinitivo não sofre flexão quando não houver um sujeito definido, quando o sujeito da
segunda oração for igual ao da primeira oração, em locuções verbais, com verbos preposicionados e
com verbos imperativos: eles querem comprar, passamos para ver você, eles estão a ouvir.
CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL
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Concordância com o verbo ser
O verbo estabelece concordância com o predicativo do sujeito, podendo ficar no singular ou no plural:
isto é uma mentira, isto são mentiras; quem é você, quem são vocês.
Concordância nominal é a concordância em gênero e número entre os diversos nomes da oração,
ocorrendo principalmente entre o artigo, o substantivo e o adjetivo.
Concordância em gênero indica a flexão em masculino e feminino.
Concordância em número indica a flexão em singular e plural.
Concordância em pessoa indica a flexão em 1.ª, 2.ª ou 3.ª pessoa.
Exemplos de concordância nominal
• O vizinho novo;
• A vizinha nova;
• Os vizinhos novos;
• As vizinhas novas.
Casos particulares de concordância nominal
Concordância com pronomes pessoais
O adjetivo estabelece concordância em gênero e número com o pronome pessoal: ela é simpática,
ele é simpático, elas são simpáticas, eles são simpáticos.
Concordância com vários substantivos
O adjetivo estabelece concordância em gênero e número com o substantivo que está mais próximo:
caderno e caneta nova, caneta e caderno novo. Pode também estabelecer concordância com a forma
no masculino plural: caneta e caderno novos, caderno e caneta novos.
Concordância com vários adjetivos
Quando há dois ou mais adjetivos no singular, o substantivo permanece no singular apenas se
houver um artigo entre os adjetivos. Sem a presença de um artigo, o substantivo deverá ser escrito
no plural: o escritor brasileiro e o chileno, os escritores brasileiro e chileno.
Concordância com: é proibido, é permitido, é preciso, é necessário, é bom
Estas expressões estabelecem concordância em gênero e número com o substantivo quando há um
artigo que determina o substantivo, mas permanecem invariáveis no masculino singular quando não
há artigo: é permitida a entrada, é permitido entrada, é proibida a venda, é proibido venda.
Concordância com: bastante, muito, pouco, meio, longe, caro e barato
Estas palavras estabelecem concordância em gênero e número com o substantivo quando possuem
função de adjetivo: comi meio chocolate, comi meia maçã, há bastante procura, há bastantes
pedidos, vi muitas crianças, vi muitos adultos.
Concordância com menos
A palavra menos permanece sempre invariável, quer atue comoadvérbio ou como adjetivo: menos
tristeza, menos medo, menos traições, menos pedidos.
Concordância com: mesmo, próprio, anexo, obrigado, quite, incluso
Estas palavras estabelecem concordância em gênero e número com o substantivo: resultados
anexos, informações anexas, as próprias pessoas, o próprio síndico, ele mesmo, elas mesmas.
Concordância com um e outro
Com a expressão um e outro, o adjetivo deverá ser sempre escrito no plural, mesmo que o
substantivo esteja no singular: um e outro aluno estudiosos, uma e outra pergunta respondidas.
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REGÊNCIA
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Regencia
No funcionamento da língua, um importante mecanismo estabelecedor de relações é o de
subordinação ou regência, que atua desde a estrutura dum morfema até a relação complexa entre
orações num período composto, ou mesmo além, na própria malha textual.
Assim, um prefixo ou sufixo se subordine ao radical a que se adiciona. Por exemplo, sabemos que o
sufixo –oso, formador de adjetivos, indica abundância, plenitude e ideias afins, só totalmente
explicitadas quando anexo a um radical; daí gostoso, perigoso, medroso e tantos outros exemplos.
De modo similar, podemos pensar, em nível da oração, o sujeito como termo que subordina a forma
verbal, essa, por sua vez, regente/subordinante de complementos verbais, quando se tratar de verbos
transitivos, claro.
Mesmo em níveis mais amplos, poderíamos, facilmente, observar e comprovar que um dado
parágrafo de um texto argumentativo, por exemplo, subordina-se ao conjunto desse texto e seus
objetivos gerais.
Subordinar é reger. Em contrapartida, há os termos regidos e subordinados. Nomes e verbos,
frequentemente, estabelecem uma relação de regência sobre seus complementos, respectivamente,
nominais e verbais (esses últimos, mais comumente, chamados objetos). Vejamos isso mais
claramente.
No exemplo temos um termo regente, o verbo gostar. Consequentemente, há um termo regido, no
caso, um objeto, cinema italiano. Esse objeto é dito indireto pois necessita de uma preposição para
ser regido pelo verbo em questão.
O estudo dos processos de regências, habitualmente, diz respeito à análise das situações em que
nomes e verbos pedem ou não determinada preposição para desempenhar sua função regente sobre
seus complementos.
No exemplo acima, o verbo apresenta o mesmo padrão de regência tanto em linguagem corrente
quanto no uso culto da língua. Contudo, muitos são os exemplos que destoam disso, havendo um
padrão de regência, usualmente, divergente do praticado em linguagem espontânea.
Um caso recorrente é o do verbo assistir, indicado, em linguagem padrão, como regente da
preposição a. Então, teríamos, Assistimos ao jogo de vôlei ontem. Ocorre que, como dito, essa
regência, bem comumente, realiza-se diretamente, ou seja, sem qualquer intermédio de preposição.
Uma consequência efetiva e prática disso é a possibilidade da versão passiva O jogo de vôlei foi
assistido ontem por nós, o que não seria de se esperar de uma construção, afinal, com objeto
indireto.
Também é transitivo indireto assistir em sentido de caber, dizer respeito a: Tratava-se dum princípio
que assistia a todos.
Considere-se ainda o verbo assistir significando dar assistência a, como em Assistia os filhos
enquanto estavam doentes, em construção de regência direta.
REGÊNCIA VERBAL
Além do verbo assistir, há outros que apresentam um padrão distinto do uso corrente. Desses, vale
lembrar, em termos de regência verbal:
REGÊNCIA
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Aspirar
a) regência transitiva indireta, significando pretender, almejar, com a preposição a:
Aspiramos a uma boa formação intelectual.
b) regência transitiva direta, no sentido de inalar, inspirar, respirar.
É bom aspirar esse ar aqui da serra.
Chamar
a) é transitivo indireto, regendo a preposição por, no sentido de invocar, conclamar:
- No ritual, chamava por várias divindades.
b) é transitivo direto, na acepção de convocar:
- Chamaram urgentemente os responsáveis dela à escola.
c) pode ser transitivo tanto direto quanto indireto, acompanhado da preposição de e/ou a, alternando
as seguintes possibilidades de construções:
- Chamam-no doidivanas.
- Chamam-lhe doidivanas.
- Chamam-no de doidivanas.
- Chamam-lhe de doidivanas.
Esquecer/(Re)Lembrar
a) quando transitivos indiretos, são pronominais e regem a preposição de:
- Lembrei-me de nossa reunião.
b) quando transitivos diretos, perdem a faceta pronominal.
- Esqueci a carteira em casa.
Implicar
Assume regência transitiva direta:
Tal decisão implicará sérios prejuízos a todos nós.
(Des)Obedecer
a) transitivo direto, quando o objeto corresponde a coisa.
- Obedeceram rigorosamente as regras de trânsito.
b) transitivo indireto quando o objeto corresponde a alguém.
- Insensatamente, desobedeceram aos guardas de trânsito.
Obs.: lembrando que, devido à flutuação de regência entre esse registro padrão e a linguagem
corrente, encontramos, por isso, Os guardas de trânsito foram desobedecidos.
Preferir
É bitransitivo, tendo objeto indireto, introduzido por preposição a:
- Preferia cinema a teatro.
Responder
a) É transitivo indireto, na acepção de dar resposta a:
- Respondeu a todas as perguntas do teste.
Obs.: aí também pode assumir comportamento intransitivo. Ex.: Foi chamado, mas não respondeu.
b) É transitivo direto, introduzindo oração objetiva direta, em seu uso como verbo
narrativo/declarativo;
- Ele respondeu que não viria.
REGÊNCIA
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Obs.: nessa mesma acepção, pode ser ainda bitransitivo. Ex.: Ele respondeu aosecretário que não
viria.
Visar
a) É transitivo indireto, exigindo a preposição a, se equivalente a ter em vista, desejar, almejar:
- Visava a uma ambiciosa carreira.
b) É transitivo direto, se corresponde a mirar ou dar visto:
- O despachante já havia visado todos os documentos.
- Visou o alvo e disparou.
REGÊNCIA NOMINAL
Já os casos de regência nominal são de sistematização ainda mais esparsa. Apresentamos abaixo
alguns exemplos emblemáticos.
Nome Preposição
acessível, alheio, alusão, análogo, atento, benéfico, estranho, favorável,
fiel, grato, habituado, leal, necessário, nocivo, obediência, paralelo,
posterior, preferível, prejudicial, propício, referente, relativo, sensível,
simpático
A
alheio, contemporâneo, junto, próximo A/DE
admiração, aversão, preferência, respeito, simpatia A/POR
curioso A/DE/POR
apto, atenção, odiável, propenso, tendência, útil A/PARA
atento A/PARA/EM
acostumado, permissivo A/COM
ódio A/CONTRA
compatível, cuidadoso, liberal, misericórdia, respeitoso COM (para com: uso
enfático)
satisfeito COM/DE/EM/POR
capaz, culpado, distante, maior, natural, necessidade, suspeito, DE
REGÊNCIA
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ambicioso, querido DE/POR
bacharel, hábil, indeciso, residente, versado EM
ansioso POR
CRASE
Note-se que, normalmente, os antônimos, sejam formados por prefixos ou sejam palavras novas,
mantêm a mesma regência preposicional. Assim, simpático/ antipático a ou (in)
acessível a, (des)favorável a. Uma curiosa exceção ocorre com o par leal a/desleal com.
Há ainda situações em que a mudança de preposição indica mudança de significação como ser
próprio de ou ser próprio para.
Chama a atenção a recorrência, em língua padrão, da preposição a, em contraposição ao verificado
em uso espontâneo e cotidiano. Aí se assenta a suposta dificuldade com a marcação da crase,
fenômeno que envolve o encontro de dois a, em geral, preposição e artigo feminino. Teríamos, então:Vamos para a praia. = Vamos a a praia. = Vamos aa praia. = Vamos À praia.
Pode-se dizer que a forma À corresponde ao feminino da forma ao:
- Ainda não chegaram ao fim da discussão.
- Ainda não chegaram à conclusão da discussão.
A crase ocorrerá, portanto, nos contextos em que puder haver a artigo, junto a a preposição.
Logo, não cabe o uso de crase diante de nomes masculinos, nem de verbos, por exemplo.
Pode-se ainda marcar crase no encontro da preposição a com o pronome aquele(a)/ aquilo, como
podemos ver em:
Estávamos desacostumados àqueles hábitos.
Com verbos de movimento, o uso da crase ficará condicionado à presença do artigo feminino.
Comparemos:
Vim da Bahia. Uso de artigo feminino Vou À Bahia.
Vim de Belo Horizonte. Ausência de artigo Vou a Belo Horizonte.
Vim do Rio de Janeiro. Uso de artigo masculino Vou ao Rio de Janeiro.
Por fim, lançamos mão da indicação de crase em expressões/locuções formadas a partir de
substantivo feminino: às claras, à meia-noite, à espera, às voltas, etc. Dispensa-se essa marcação
em caso de repetição do substantivo: cara a cara.
A regência verbal é a relação sintática de dependência que se estabelece entre o verbo — termo
regente — e o seu complemento — termo regido. A regência determina se uma preposição é
necessária para ligar o verbo a seu complemento.
Os termos, quando exigem a presença de outro chamam-se regentes ou subordinantes; os que
completam a significação dos anteriores chamam-se regidos ou subordinados.
REGÊNCIA
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Quando o termo regente é um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), ocorre a regência nominal.
Quando o termo regente é um verbo, ocorre a regência verbal.
Na regência verbal, o termo regido pode ser ou não preposicionado. Na regência nominal, ele é
obrigatoriamente preposicionado.
Exemplos
Agradar
a) Com sentido de acariciar: transitivo direto
Ele sempre agradava a namorada quando se encontravam.
b) Com sentido de satisfazer, ser agradável: transitivo indireto.
As mudanças que fizemos na loja agradou aos consumidores.
Aspirar
a) Quando tem o sentido de sorver, tragar, inspirar: transitivo direto
Ele aspirou toda a poeira.
b) Quando tem o sentido de pretender, desejar, almejar: transitivo indireto ( necessita do uso da
preposição a)
O jogador aspirava a uma falta.
Obs.: Quando o verbo aspirar for transitivo indireto, não se admite a substituição da preposição (a)
por lhe ou lhes. Deve-se-á usar em seu lugar (a ele, a eles, a ela ou a elas).
Obs.: Quando o verbo aspirar vier acompanhado por (àquele ou àquela), o à craseado terá função de
preposição, transformando assim o verbo em transitivo indireto.
Assistir
a) Quando tem sentido de ver: transitivo indireto
Eu assisti ao jogo.
Obs: Não se admite a substituição da preposição (a) por lhe ou lhes. Deve-se-á usar em seu lugar (a
ele, a eles, a ela ou a elas).
b) Quando tem sentido de morar, residir: transitivo indireto (exige-se a preposição em).
Eu assisto em São Paulo
c) Quando tem sentido de ajudar: verbo transitivo direto ou indireto (indiferentemente).
O médico assistiu o doente/ ao doente.
d) Quanto tem sentido de pertencer, caber (direito a alguém): transitivo indireto
Não lhe assiste o direito de escolher agora.
Atender[
a) Se o complemento for pessoa: transitivo direto ou indireto.
O professor atendeu os/aos alunos. (O professor os atendeu)
b) Se o complemento for coisa: transitivo direto. Modernamente já é aceito o complemento direto para
coisa.
REGÊNCIA
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Quem vai atender o/ao telefone?
Chamar
a) Quando significa convocar, fazer vir: transitivo direto.
Ela chamou minha atenção.
b) Quando tem o significado de invocar, pedir auxílio ou atenção: transitivo indireto.
Ele chamava por seus poderes.
c) Com o sentido de apelidar ele pode ou não necessitar de preposição: transitivo direto ou indireto.
Chamaram-no medroso.
Chamaram-no de medroso.
Chamaram-lhe medroso.
Chamaram-lhe de medroso.
Chegar/ir
Estes e outros verbos de movimento são tradicionalmente regidos pela preposição a.
Vou ao dentista.
Cheguei a Belo Horizonte.
Em português brasileiro vernáculo, esse uso é raro. É extremamente comum que tais verbos sejam
regidos pelas preposições para e em. Estes usos são diferentes da norma-padrão, porém, pesquisas
mostram que eles provêm de usos que já existiam desde o latim antigo, e é possível encontrar esse
tipo de utilização em textos escritos até mesmo antes da colonização do Brasil por Portugal.
Comunicar
Eu COMUNICO ALGO A ALGUÉM pois neste caso a ênfase cai sobre a coisa em detrimento da
pessoa
Comunicamos ao proprietário a nossa decisão.
Cientificar
Eu CIENTIFICO ALGUÉM DE ALGO pois neste caso a ênfase cai sobre a pessoa em detrimento da
coisa
Cientifiquei o réu da sentença.
Implicar
a) com o sentido de não estar de acordo, não concordar com: transitivo indireto
A irmã todo dia implica com o irmão mais novo.
b) com o sentido de acarretar, ter como consequência, originar: transitivo direto
Um escolha errada que implicou grandes prejuízos a empresa.
Morar/residir
Normalmente vêm introduzidos pela preposição em.
-Ele mora em Guarapirópolis dos alferes.
REGÊNCIA
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-Maria reside em Santa Catarina.
Namorar
Não se usa "com" como preposição.
Gabriel namora Giulia.
Jhuliana de Almeidas namora Alberto.
Como eu namorarei Fernanda Moraes.
Antonio namora Gabrielle. (em vez de: Antonio namora com Gabrielle.)
Obedecer/desobedecer
Exigem a preposição a.
As crianças obedeceram aos pais.
O aluno desobedeceu ao professor.
Obs.: Mesmo sendo verbo transitivo indireto, ele pode ser usado na voz passiva.
Simpatizar/antipatizar
Exigem a preposição com.
Simpatizo com Lúcio.
Ver
O verbo ver é transitivo direto, por isso não necessita de preposição.
Ele veria muitos filmes em cartazes.
Visar
a) no sentido de mirar, apontar a mira: transitivo direto
Visei o alvo.
b) no sentido de pôr o visto: transitivo direto
Ele visou o documento.
c) no sentido de pretender, ter em vista: transitivo indireto. Modernamente já se aceita o complemento
direto
Visei o/ao lucro.
Suceder
a) No sentido de substituir; vir depois: transitivo indireto.
Os atuais supermercados sucederam aos antigos armazéns.
b) no sentido de ocorrer: intransitivo
Uma catástrofe sucedeu no México.
Ensinar
a) no sentido de educar: intransitivo.
REGÊNCIA
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O professor ensina bem.
b) no sentido de castigar, adestrar, educar: transitivo direto.
A experiência ensina os professores.
c) É verbo transitivo direto e indireto, admitindo objeto direto de coisa e indireto de pessoa.
Os professores ensinam os alunos a decorar.
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SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS
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Parônimos e Homônimos
Palavras que possuem a mesma grafia e som, porém com significados diferentes, são caracterizadas
como parônimos e homônimos.
Parônimos e homônimos apresentam semelhanças gráficas e sonoras
Parônimos e homônimos são palavras que possuem semelhanças no som e na grafia, porém
se constituem de significados diferentes. E por falar em significado, cabe-nos ressaltar que esse é
um fator preponderante na construção de nossos discursos – na oralidade e, principalmente, na
escrita.
Para você não correr o risco de utilizar alguma palavra cujo significado esteja equivocado, é essencial
dispor de alguns recursos que auxiliam na construção dos enunciados, tais como a prática constante
da leitura, o uso de um bom dicionário, enfim, o convívio com tudo aquilo que tende a corroborar para
o aprimoramento da competência linguística.
Nesse sentido, levando-se em consideração algumas particularidades que imperam no processo de
significação das palavras, passemos a partir de agora a estabelecer familiaridade com alguns
aspectos relacionados à homonímia e à paronímia.
Homônimos
São palavras que apresentam igualdade ou semelhança fonética (relativa ao som) ou igualdade
gráfica (relativa à grafia), porém com significados distintos. Dada essa particularidade, temos que os
homônimos se subdividem em três grupos.
Homógrafos – São aquelas palavras iguais na grafia, mas diferentes no som e no significado.
Vejamos alguns exemplos:
almoço → substantivo / almoço → verbo
colher → substantivo / colher → verbo
começo → substantivo / começo → verbo
jogo → substantivo / jogo → verbo
sede → substantivo (vontade de beber) / sede → localidade
Homófonos – São palavras iguais na pronúncia, porém diferentes na grafia e no significado. São
exemplos:
SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS
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Palavras homófonas são iguais na pronúncia e diferentes no significado e na escrita
Homônimos perfeitos – são aquelas palavras iguais na grafia e no som, mas diferentes no
significado. Observemos alguns exemplos:
cedo → verbo / cedo → advérbio
caminho → substantivo / caminho → verbo
livre → adjetivo / livre → verbo
Parônimos
São palavras semelhantes na grafia e no som, mas com significados distintos. Constatemos alguns
casos:
Homônimos são palavras que apresentam significados diferentes, mas que são pronunciadas da
mesma forma, como cem e sem.
Parônimos são também palavras que apresentam significados diferentes, mas que são pronunciadas
da forma parecida, como comprimento e cumprimento.
Palavras homônimas
As palavras homônimas subdividem-se em:
• homônimos perfeitos;
• homônimos homófonos;
• homônimos homógrafos.
Homônimos perfeitos
Grafia (escrita): igual
Fonética (som): igual
Significado: diferente
Exemplos de homônimos perfeitos:
• caminho (itinerário) e caminho (verbo caminhar);
• cedo (com antecedência) e cedo (verbo ceder);
• leve (com pouco peso) e leve (verbo levar);
• morro (monte) e morro (verbo morrer);
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• rio (curso de água) e rio (verbo rir);
• são (saudável) e são (verbo ser);
• verão (estação do ano) e verão (verbo ver);
• ...
Homônimos homófonos
Grafia (escrita): diferente
Fonética (som): igual
Significado: diferente
Exemplos de homófonos:
• acento e assento;
• alto e auto;
• caçar e cassar;
• cela e sela;
• cinto e sinto;
• cocha e coxa;
• concerto e conserto;
• conselho e concelho;
• houve e ouve;
• mau e mal;
• noz e nós;
• remissão e remição;
• seção e sessão;
• senso e censo;
• trás e traz;
• voz e vós;
• ...
Homônimos homógrafos
Grafia (escrita): igual
Fonética (som): diferente
Significado: diferente
Exemplos de homógrafos:
• acerto (correção) e acerto (verbo acertar);
• acordo (combinação) e acordo (verbo acordar);
• apoio (suporte) e apoio (verbo apoiar);
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• choro (pranto) e choro (verbo chorar);
• colher (talher) e colher (apanhar);
• começo (princípio) e começo (verbo começar);
• cor (coloração) e cor (memória);
• dúvida (incerteza) e duvida (verbo duvidar);
• gosto (sabor) e gosto (verbo gostar);
• hábito (costume) e habito (verbo habitar);
• jogo (entretenimento) e jogo (verbo jogar);
• molho (caldo) e molho (verbo molhar);
• sábia (sabedora) e sabia (verbo saber);
• sede (vontade de beber) e sede (matriz);
• sobre (acerca de) e sobre (verbo sobrar);
• ...
Veja também: Exemplos de uso de homônimos.
Palavras parônimas
Grafia (escrita): parecida
Fonética (som): parecida
Significado: diferente
Exemplos de parônimos:
• absorver e absolver;
• aferir e auferir;
• apóstrofe e apóstrofo;
• cavaleiro e cavalheiro;
• conjuntura e conjectura;
• deferir e diferir;
• descrição e discrição;
• dirigente e diligente;
• discriminar e descriminar;
• dispensa e despensa;
• emigrante e imigrante;
• eminente e iminente;
• estofar e estufar;
• flagrante e fragrante;
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• fluir e fruir;
• fluvial e pluvial;
• imergir e emergir;
• implícito e explícito;
• infligir e infringir;
• influxo e efluxo;
• mandado e mandato;
• místico e mítico;
• preceder e proceder;
• ratificar e retificar;
• revezar e revisar;
• soar e suar;
• tráfego e tráfico;
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_________________________________________________________________________________CORRESPONDÊNCIA OFICIAL
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Correspondência Comercial e Oficial
1. Introdução
Em 188, uma camponesa achou entre as ruínas da cidade de Amarna, no Egito, uma porção de
pranchetas de barro com inscrições hieroglíficas. Os egiptólogos que estudaram as peças concluíram
tratar-se de cartas e, através delas, verificaram que os antigos egípcios foram grandes cultores das
comunicações por escrito. Sobretudo a partir da 19o dinastia, quando foi criado um serviço
permanente de correios.
As cartas dessa época eram gravadas em baixo-relevo sobre ladrilhos de cerâmica e geralmente
continham elaboradas fórmulas de cortesia à guisa ao prólogo. Assim, ao dirigir-se ao faraó, um
príncipe vassalo escrevia: "Ao rei, meu senhor, meu deus, meu sol, sol do céu, eu me prosterno sete
vezes e sete vezes na verdade, com o ventre e as costas".
CAPÍTULO I
Correspondência
2.1 Conceito e Finalidade
Correspondência diz respeito ao ato de comunicação por escrito entre duas ou mais pessoas. Supõe
sempre um remetente, que é quem escreve uma determinada mensagem, dirigida a uma pessoa
específica, e um destinatário, aquele que a recebe. A eficácia da correspondência depende
basicamente de que o remetente saiba formular aquilo que deseja transmitir ao destinatário em
linguagem clara.
A correspondência não é mais só uma troca de comunicação por escrito, ela tornou-se um conjunto
de normas que regem as comunicações escritas entre pessoas e entidades; estas auxiliam na
confecção e no trâmite dos documentos.
Para se redigir uma boa correspondência, é necessária objetividade na exposição do pensamento, é
preciso buscar por clareza, coerência, concisão, nas palavras empregadas, e assim estabelecer uma
melhor relação entre as ideias.
"Se escrever cartas é um sinal de boa educação, escrever corretamente é prova de boa instrução e
inteligência". (Jane S. Singer)
Há vários tipos de correspondência, e cada uma possuí suas características, com suas normas e
técnicas. O estilo e as técnicas aplicadas em correspondências se atualizaram, tornando-se muito
mais complexas. O estilo depende dos conhecimentos dominados pelo redator, e este é aperfeiçoado
pelas técnicas, que serão apresentadas ao longo do trabalho.
Em suma, corresponder-se implica um ato de ir até outrem: seja para expor-lhe problemas, alegrias,
seja para fazer-lhe pedidos, convencer, dar-lhe boas ou más notícias. Da habilidade social do
remetente virá seu sucesso com o destinatário. Será preciso conhecer os códigos de comportamento
deste para que a mensagem surta efeito.
2.2 Tipos de Correspondência
Quando se fala de correspondência, pensa-se logo em uma simples carta, em mensagem escrita
para trata-se de assuntos íntimos entre pessoas cujas relações são bastante estreitas. Contudo a
carta hoje tornou outros rumos, não perdendo suas características especiais. A correspondência
tomou rumos diferentes, em diversas áreas. Pode ser utilizada no estabelecimento de contatos
utilitários, como os de um industrial e seus compradores, ou os que dizem respeito à comunicação
comercial, bancária, judicial e de tantas instituições sociais. Usualmente, divide-se a correspondência
em:
a) Particular: quando é trocada entre pessoas mais ou menos íntimas, sobre assuntos da vida
privada, tais como notícias do quotidiano, da família, de viagens, agradecimentos, convites, pêsames.
A espécie mais particular de todas é a chamada carta de amor, onde se expressam as nuanças do
sentimento mais humano de todos.
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b) Comercial: que inclui toda espécie de cartas e documentos ligados a transações comerciais,
industriais e também financeiras, tais como assuntos bancários, investimentos, empréstimos,
câmbios, etc.
c) Oficial: quando provém de instituições do serviço público, tanto civis como militares, ou a elas se
dirige. Abrange atos dos poderes legislativo, executivo e judiciário, requerimento dos cidadãos, avisos
à população, etc.
Por vezes, é difícil distingui o tipo de determinadas cartas, quando seu assunto concerne a duas
esferas sociais diversas, como uma carta de um cidadão, solicitando um favor comercial a um amigo
pertencente a essa área de atividades. A distinção recomendável é utilizar nas cartas particulares
uma linguagem mais espontânea, mais rica em calor humano (salvo em comunicados impressos, tais
como convites, participações, que serão lidos não só pelos interessados, mas por outras pessoas fora
do círculo de amizade do remetente), deixando para as cartas comerciais o estilo utilitário, direto, sem
apelar para aspectos afetivos, e para cartas ou documentos oficiais reservar uma formulação
impessoal, mais distanciada e formal, que veicule a mensagem de forma clara, mas sem pessoalizá-
la. Dessa forma, um pedido a um governador de Estado, por exemplo, sempre se fará mencionando-
se o cargo e não familiarmente o "prezado fulano".
3. Atos Oficiais
Os atos oficiais são entendidos como atos de caráter normativo, ou estabelecem regras para a
conduta dos cidadãos, ou regulam o funcionamento dos órgãos públicos, o que só é alcançado se em
sua elaboração for empregada a linguagem adequada. O mesmo se dá com os expedientes oficiais,
cuja finalidade precípua é a de informar com clareza e objetividade. A necessidade de empregar
determinado nível de linguagem nos atos e expedientes oficiais decorre, de um lado, do próprio
caráter público desses atos e comunicações; de outro, de sua finalidade.
As comunicações que partem dos órgãos públicos federais devem ser compreendidas por todo e
qualquer cidadão brasileiro. Para atingir esse objetivo, há que evitar o uso de uma linguagem restrita
a determinados grupos. Não há dúvida que um texto marcado por expressões de circulação restrita,
como a gíria, os regionalismos vocabulares ou o jargão técnico, tem sua compreensão dificultada.
A língua escrita, como a falada, compreende diferentes níveis, de acordo com o uso que dela se faça.
O mesmo ocorre com os textos oficiais: por seu caráter impessoal, por sua finalidade de informar com
o máximo de clareza e concisão, eles requerem o uso do padrão culto da língua. Há consenso de que
o padrão culto é aquele em que:
• Observam-se as regras da gramática formal;
• Emprega-se um vocabulário comum ao conjunto dos usuários do idioma.
É importante ressaltar que a obrigatoriedade do uso do padrão culto na redação oficial decorre do
fato de que ele está acima das diferenças lexicais, morfológicas ou sintáticas regionais, dos
modismos vocabulares, das idiossincrasias lingüísticas, permitindo, por essa razão, que se atinja a
pretendida compreensão por todos os cidadãos.
Lembrar-se que o padrão culto nada tem contra a simplicidade de expressão, desde que não seja
confundida com pobreza de expressão. De nenhuma forma o uso do padrão culto implica emprego de
linguagem rebuscada, nem dos contorcionismos sintáticos e figuras de linguagem própria da língua
literária.
Pode-se concluir, então, que não existe propriamente um "padrão oficial de linguagem"; o que há é o
uso do padrão culto nos atos e comunicações oficiais. É claro que haverá preferência pelo uso de
determinadas expressões, ou será obedecida certa tradição no emprego das formas sintáticas, mas
isso não implica, necessariamente, que se consagre a utilização de uma forma de linguagem
burocrática. O jargão burocrático, como todo jargão, deve ser evitado, pois terá sempre sua
compreensão limitada.
CAPITULO II
4. Pronomes
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4.1 Introdução
Pronome é a classe de palavras categorimáticas que reúne unidades em número limitado e que se
refere a um significado léxico pela situação ou por outras palavras do contexto, em resumo os
pronomes são classes que inclui palavrascomo ela, eles e algo.
Os pronomes são reconhecidos como uma parte do discurso distinta das demais desde épocas
antigas. Essencialmente, um pronome é uma única palavra (ou raramente uma forma mais longa),
com pouco ou nenhum sentido próprio, que funciona como um sintagma nominal completo.
4.2 Pronomes de Tratamento
4.2.1 Breve Historia dos Pronomes de Tratamento
O uso de pronomes e locuções pronominais de tratamento tem larga tradição na língua portuguesa.
De acordo com Said Ali, após serem incorporados ao português os pronomes latinos tu e vos, "como
tratamento direto da pessoa ou pessoas a quem se dirigia à palavra", passou-se a empregar, como
expediente lingüístico de distinção e de respeito, a segunda pessoa do plural no tratamento de
pessoas de hierarquia superior. Prossegue o autor:
"Outro modo de tratamento indireto consistiu em fingir que se dirigia a palavra a um atributo ou
qualidade eminente da pessoa de categoria superior, e não a ela própria. Assim aproximavam-se os
vassalos de seu rei com o tratamento de vossa mercê, vossa senhoria (...); assim usou-se o
tratamento ducal de vossa excelência e adotaram-se na hierarquia eclesiástica vossa reverência,
vossa paternidade, vossa eminência, vossa santidade."
A partir do final do século XVI, esse modo de tratamento indireto já estava em voga também para os
ocupantes de certos cargos públicos. Vossa mercê evoluiu para vosmecê, e depois para o
coloquial você. E o pronome vós, com o tempo, caiu em desuso. É dessa tradição que provém o atual
emprego de pronomes de tratamento indireto como forma de dirigirmo-nos às autoridades civis,
militares e eclesiásticas.
4.2.2. Concordância com os Pronomes de Tratamento
Os pronomes de tratamento (ou de segunda pessoa indireta) apresentam certas peculiaridades
quanto à concordância verbal, nominal e pronominal. Embora se refiram à segunda pessoa
gramatical (à pessoa com quem se fala, ou a quem se dirige à comunicação), levam a concordância
para a terceira pessoa. É que o verbo concorda com o substantivo que integra a locução como seu
núcleo sintático: "Vossa Senhoria nomeará o substituto"; "Vossa Excelência conhece o assunto".
Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a pronomes de tratamento são sempre os da
terceira pessoa: "Vossa Senhoria nomeará seu substituto" (e não "Vossa... vosso...").
Já quanto aos adjetivos referidos a esses pronomes, o gênero gramatical deve coincidir com o sexo
da pessoa a que se refere, e não com o substantivo que compõe a locução. Assim, se nosso
interlocutor for homem, o correto é "Vossa Excelência está atarefado", "Vossa Senhoria deve estar
satisfeito"; se for mulher, "Vossa Excelência está atarefada", "Vossa Senhoria deve estar satisfeita".
4.2.3 Emprego dos Pronomes de Tratamento
Principais Características Da Correspondência Oficial
Na correspondência oficial não se leva em consideração o estilo, isto é, a maneira própria, individual
de expressar e pensar do redator, mas se obedece a regras que, norteando a comunicação oficial, a
tornam correta, coerente, clara, concisa, simples, objetiva.
A CORREÇÃO
A correção, portanto, consiste em falar e escrever bem uma língua. Os vícios de linguagem
contrariam a índole da correção. Para evitá-los torna-se necessário o uso de formas adequadas
quanto à gramática normativa. Deve-se observar, principal-mente, a sintaxe de concordância, de
regência e de colocação. É necessário, pois que se evite, além dos vícios de linguagem, o emprego
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de palavras que, ao se encontrarem, dêem lugar a uma dupla interpretação, deselegância ou ridículo.
Vícios de linguagem são palavras ou construções que desvirtuam ou dificultam a manifestação do
pensamento.
COERÊNCIA
As idéias apresentadas devem ser pertinentes ao tema proposto. Sua elaboração deve seguir
critérios que possibilitem um perfeito entendimento entre remetente e destinatário. Logo, não se pode
fugir ao tema e, muito menos, incluir o que não esteja de acordo com o desenvolvimento do assunto
que está em pauta.
A CLAREZA
É resultante da coerência. Qualidade imprescindível na redação oficial, consiste em apresentar-se o
texto de modo facilmente inteligível, refletindo bem o que se pretende e o que se quer dizer.
Frasesambíguas, mal construídas, distorcem o sentido e afetam a clareza.
A correção oficial dispensa as figuras as figuras literárias ou tropos que são recursos de
embelezamento da expressão em busca da originalidade, mas exige a simplicidade, ou seja, a forma
espontânea, sem ornatos, a maneira natural de dizer e de escrever.
A CONCISÃO
Consiste em expor-se um assunto de maneira breve, precisa e exata. É dizer o máximo com o
mínimo de palavras, utilizando apenas o necessário, para o que se deve eliminar:
• O uso excessivo dos indefinidos um e uma:
“É uma cópia de um despacho adjucatório da licitações realizadas ou de uma justificativa para uma
dispensa ou uma inexigibilidade com um respectivo embasamento legal.”
• O redundante, o supérfluo:
“Ao contrário disso, pensamos diferente.”
“Venho por estas mal traçadas linhas...”
“Ao ensejo, quero apresentar-lhe os votos de consideração, estima e apreço...”
• A pormenorização de dados e elementos em excesso num único período:
“O processo que agora se encontra nesta Seção para ser relatado e que trata da demissão do
servidorque entrou no Serviço Público há 16 anos, tendo servido no setor de Contrato, depois no
Almoxarifado, onde foi um comprador excelente e, por último, na Seção de Custas, que fica em nosso
edifício anexo, ao seguir seus trâmites deve ser encaminhado à Diretoria de Recursos Humanos.”
(sublinhamos o essencial, o restante é excesso).
A concisão não admite, também, a abundância de adjetivação e as repetições desproporcionais
(circunlóquios e sobrecarga de palavras cuja condensação será o aconselhável).
NORMAS DA CORRESPONDÊNCIA OFICIAL (FORMAS DE CORTESIA)
São expressões utilizadas para o encerramento de uma correspondência dirigida a uma autoridade.
Sua finalidade é a de saudar o destinatário e marcar o fim do texto. As formas de cortesia atualmente
em vigor foram reguladas pela Instrução Normativa nº. 4, de 6 de março de 1992, da Secretaria da
Administração Federal.
FORMAS DE CORTESIA UTILIZADAS NO FECHO DA CORRESPONDÊNCIA OFICIAL
De acordo com a Instrução Normativa nº. 4/92 da Secretaria de Administração Federal, atualmente
em vigor, há dois tipos de fecho para todas as modalidades de comunicação oficial:
“Respeitosamente”, para autoridades superiores, inclusive o Presidente da República.
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“Atenciosamente”, para autoridades da mesma hierarquia ou hierarquia inferior.
Observação importante:
Conforme o Manual de Redação da Presidência da República de 1991 e de acordo com o decreto nº
468/92 e com a Instrução Normativa nº 4/92 da Secretaria de Administração Federal:
Fica abolido o uso dos tratamentos:
Digníssimo (DD.), Mui Digno (MD.) e Ilustríssimo (ILMO.), sendo desnecessária a sua evocação.
“Doutor” e “Professor” não são formas de tratamento e sim títulos acadêmicos, não devendo ser
utilizados indiscriminadamente. Assim, não se poderá dizer ou escrever:
“Doutor Superintendente Fulano de Tal” ou Magnífico Professor Reitor Beltrano”.
O correto é:
“Senhor Superintendente Fulano de Tal” ou Magnífico Reitor Professor Beltrano”.
OBS.: A Lei Orgânica da Magistratura adota para o cargo de Juiz o título “Doutor”. Deste modo, deve-
se dizer: Doutor Juiz.
EXPRESSÕES DE TRATAMENTO
Expressão de tratamento é o pronome ou a locução de que se serve uma pessoa para falar ou
escrever a outra.
As expressões de tratamento são, teoricamente, da segunda pessoa gramatical – a pessoa com
quem se fala – desde queuma tradição milenar estabeleceu que às autoridades supremas não se
poderia falar diretamente, senão por meio de seus elevados atributos. Daí terem surgido expressões
como Vossa Majestade, Vossa Excelência, Vossa Santidade e outras, nas quais ao possessivo
“vosso” juntou-se um substantivo abstrato (Majestade, Excelência, Santidade, Senhoria, Alteza).
Com o correr do tempo, no entanto, a concordância do verbo deixou de ser feita com o pronome
“vossa”, passando a acompanhar o substantivo abstrato (Majestade, Excelência, Senhoria) e, deste
modo ficando na terceira pessoa, o que aparentemente, veio a configurar uma anomalia, ou seja,
uma segunda pessoa gramatical em concordância formal com a terceira.
Daí que as expressões de tratamento são, teoricamente, da Segunda pessoa gramatical - a pessoa
com quem se fala – porém a concordância do verbo será sempre feita na terceira pessoa:
“Vossa Excelência conhece o processo...”
“Vossa Senhoria pertence ao grupo dos bons advogados...”
“Vossa Santidade é bem-vinda ao Brasil...”
Pronome de tratamento é, pois, a palavra ou expressão usada para se referir à segunda pessoa, em
lugar dos pronomes pessoais tu e vós, como você, vocês, o senhor, os senhores, a senhora, as
senhoras, Vossa Excelência, Vossa Senhoria, etc. Pode-se usar, também para a terceira pessoa, em
lugar de ele, ela, eles, elas como Sua Excelência, Suas Excelências, Sua Senhoria, Suas Senhorias,
Sua Majestade, etc. Em ambos os casos, o verbo fica na terceira pessoa.
FORMAS DE TRATAMENTO
As formas de tratamento mais usuais são:
· Você (v.) – Vocês (vv.) usa-se para pessoas familiares ou com quem se tem intimidade.
· Senhor (Sr.) – Senhora (Srª. Ou Sra.) - Senhores (Srs.) – Senhoras (Sr.ªS ou Sras.) – para pessoas
com quem se tem um certo distanciamento respeitoso.
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· Vossa Senhoria (V. S.ª ou V. Sa.)– Vossas Senhorias (V. S.ªs ou V. Sas.) – para pessoas de
cerimônia, em correspondências comerciais e oficiais.
· Vossa Excelência (V. ou V. Exa.)– Vossas Excelências (V. Ex.ªs ou V. Exas.) – para altas
autoridades.
· Vossa Eminência (V. Em.ª ou V. Ema.) – Vossas Eminências (V. Em.ªs ou V. Emas.) – para
cardeais.
· Vossa Alteza (V. A..) – Vossas Altezas (VV. AA.) – para príncipes e duques.
· Vossa Santidade ( V. S.) – para o Papa.
· Vossa Excelência Reverendíssima (V. Ex.ª Rev. ma ou V. Exa. Revma.) – para arcebispos e bispos.
· Vossa Reverendíssima (V. Rev. ma ou V. Revma.) – Vossas Reverendíssimas (V. Rev. mas ou V.
Revma.) – para monsenhores, cônegos e superiores religiosos.
· Vossa Reverência (V. Rev.ª ou V. Rev.) – para sacerdotes, pastores e religiosos em geral.
· Vossa Paternidade (V. P.) – Vossas Paternidades (VV.PP.) - para superiores de ordens religiosas.
· Vossa Magnificência (V. Mag.ª ou V. Maga.) – Vossas Magnificências (V. Mag. ªs ou V. Magas.) –
para reitores de universidades.
· Vossa Majestade (V.M.) ou Vossas Majestade (VV.MM.) – para reis e rainhas.
· Vossa Excelência - Sua Excelência – é a forma de tratamento mais elevada. Aplica-se aos três
Chefes de Poder (Presidente da República, Presiden-te do Congresso Nacional e Presidente do
Supremo Tribunal Federal) para os quais não se deve usar as correspondentes abreviaturas (V. Exª
e S. Exa.ª).
OBS.: Alguns redatores estendem esta deferência a altos dignitários e aos membros do clero. Dizem:
“Sua Excelência, o Senhor Governador...”, “Senhor Embaixador, tenho a honra de submeter a vossa
Excelência...”, “Sua Excelência o Senhor Bispo de...”
O tratamento “Excelência” se aplica, ainda, e normalmente abreviado, aos altos representantes dos
poderes Públicos: ministros, senadores, deputados, oficiais-generais, governadores,
desembargadores, juízes, prefeitos e, também, a presidentes de associações.
Postos que não seja imposição gramatical, não se devem empregar,, relativamente às formas
altamente cerimoniosas de Excelência e de Eminência, os possessivos seu, sua nem as variações
pronominais o e lhe . Assim, dir-se-á:
“Remetemos, em anexo, para exame de V. Ex.ª ...” (e não: para seu exame).
“Aproveitamos o ensejo para informar a V. Ex.ª...” (e não: para informá-lo).
Vossa Senhoria – na troca de correspondência entre chefes de idêntica hierarquia, é comum esse
tratamento cujo emprego, na maioria das vezes, se faz abreviadamente (V. S.ª).
Vós – é um tratamento comum no serviço público dado, em geral, a servidor ou servidores de
categoria não inferior à de quem assina o ato administrativo. Os vocativos constituídos por
expressões indicadoras de cargos não alteram o tratamento vós. Assim, é correto dizer:
“Passo às vossas mãos, senhor Diretor..."
É bom não esquecer que os possessivos vosso(s) e vossa (s) podem ser usados com o tratamento
vós, mas são incompatíveis com as outras formas de tratamento. Redigir-se-á, pois, corretamente:
“Fica a critério de Vossa Excelência...” e nunca: “Vossa Excelência tem a vosso critério...”
CONCORDÂNCIA
CORRESPONDÊNCIA OFICIAL
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Embora de 3ª pessoa, as formas de tratamento, chamadas formas de reverência, como possessivo
Vossa se aplicam à pessoa a quem falamos e a quem nos dirigimos. A concordância, no entanto, é
feita com a forma verbal e com as formas pronominais da 3ª pessoa:
“Vossa Excelência deve apresentar o Relatório...”
“Vossa Senhoria já pode divulgar a sua Ordem de Serviço...”.
Nas leis, decretos, resoluções e portarias, a autoridade é indicada na 3ª pessoa:
“O Presidente da República decreta...”.
“O Diretor resolve...”.
OBSERVAÇÕES
1 – Não se usa artigos diante de pronomes de tratamento, à exceção de senhor, senhora e senhorita:
“Esperei Sua Excelência por mais de duas horas”.
“Esperei a senhora por mais de duas horas...”.
2 – Os pronomes de tratamento são formas rigorosamente femininas. Quando se tratar de homem, é
aceitável a concordância com o masculino (concordância ideológica).
“Sua Excelência estava preocupada ou preocupado com o processo”.
Se houver aposto faz-se a concordância obrigatória com o aposto:
“Sua Excelência, o presidente, parece preocupado”.
“Sua Excelência, a desembargadora, parece preocupada”.
3 – Usa-se Vossa Excelência quando nos dirigimos à pessoa:
“Convido Vossa Excelência a participar da sessão...”.
Usa-se Sua Excelência quando falamos a respeito da pessoa:
“Aguardamos a assinatura de Sua Excelência para dar andamento ao processo”.
VOCATIVO OU INVOCAÇÃO
É a expressão pela qual se chama a atenção da pessoa a quem se escreve ou qualificativo que
indica a expressão de tratamento a ser empregada no texto do expediente.
Os vocativos mais usuais são:
Para Excelência: Excelentíssimo Senhor
Para Eminência: Eminentíssimo Senhor
Para Senhoria: Senhor
Para juiz: Meritíssimo
Para os Tribunais: Colendo, Egrégio, Venerado
Para Reitor: Magnífico
Na correspondência oficial, o título de representante diplomático ou consular não deve preceder o
nome pessoal. Assim, dir-se-á:
Exmo. Sr. Fulano de Tal, Embaixador do Brasil em ...”.
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“Senhor Sicrano de Tal, Cônsul do Brasil em ...”.
Não se abrevia o vocativo na correspondência dirigida aos três Chefes de Poder, grafando-se:
“Excelentíssimo Senhor Presidente da República”.
“Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal”.
“Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional”.
OBS.: Alguns redatores também não abreviam o vocativo em correspondência para Ministros,
Governadores de Estado, Desembargadores, Prefeitos Municipais e autoridades eclesiásticas de
maior nível hierárquico.
Usa-se o vocativo ”Senhor” seguido do cargo respectivo para as seguintes autoridades:
Vice-Presidente da República; Ministro deEstado; Secretário-Geral da Presidência da República;
Consultor-Geral da República; Chefe do Gabinete Militar; Chefe do Gabinete Pessoal do Presidente
da República; Secretário da Presidência da República; Advogado-Geral da União; Procurador Geral
da República; Comandante das Três Armas; Chefe do Estado-Maior das Três Armas; Oficiais Gerais
das Forças Armadas; Embaixadores; Secretários Executivos de Ministérios; Secretário-Nacional de
Ministérios; Presidente, Vice-Presidente e Membros do Senado Federal, da Câmara dos Deputados,
das Assembléias Legislativas dos Estados, da Câmara Distrital do Distrito Federal e dos Tribunais;
Governadores e Vice-Governadores de Estados e do Distrito Federal; Secretários de Estado de
Governos Estaduais; Presidentes das Câmaras Municipais; Juízes; Desembargadores; Auditores da
Justiça Militar.
Para essas autoridades, o vocativo na correspondência será:
“Senhor Vice-Presidente”.
“Senhor Ministro”.
“Senhor Chefe de Gabinete”.
“Senhor Advogado-Geral da União”.
“Senhor General”.
“Senhor Presidente do Senado Federal”.
“Senhor Senador”.
“Senhor Governador”.
Para as demais autoridades e particulares que recebem o tratamento de Vossa Senhoria, o
vocativo será “Senhor” seguido do cargo respectivo. Grafar-se-á, pois:
“Senhor Superintendente”.
“Senhor Diretor-Presidente”.
“Senhor Chefe”.
Para Reitores de universidades o vocativo será:
“Magnífico Reitor”.
Para o Papa:
“Santíssimo Padre”.
Para Cardeais:
CORRESPONDÊNCIA OFICIAL
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“Eminentíssimo Senhor Cardeal” ou Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal”.
Para Arcebispos e Bispos:
“Excelência Reverendíssima”.
Para Monsenhores, cônegos, superiores religiosos, sacerdotes clérigos e pastores:
“Reverendo”.
EMPREGO DOS PRONOMES DE TRATAMENTO NO CORPO DA CORRESPONDÊNCIA
Com exceção dos três Chefes de Poder, os pronomes de tratamento são escritos abreviados no
corpo da correspondência (V. Ex.ª, V. Sº, V. Mag.ª)
As expressões “Senhor”, “Senhores” escrevem-se abreviadas quando seguidas do nome ou cargo
exercido pelo destinatário:
“Sr. Fulano”, “Srs. Membros da Comissão”, “Sr. Comandante”.
Se não estiverem seguidas do cargo ou nome do destinatário, escrevem-se por extenso:
“...o senhor já deve ter tido ciência...”.
“...o que os senhores reclamam...”.
Emprega-se Vossa Excelência, no corpo da correspondência, em comunicações dirigidas às
seguintes autoridades:
· Do Poder Executivo:
sempre por extenso (Vossa Excelência e Sua Excelência):
Presidente da República;
sempre abreviado (V. Ex.ª ou S. Ex.ª):
Vice-Presidente da República;
Ministros do Estado;
Consultor-Geral da República;
Comandante das Três Armas;
Secretário-Geral da Presidência da República;
Chefe do Gabinete Militar da Presidência da
República;
Chefe do Gabinete Civil da
Secretários da Presidência da República;
Procurador –Geral da República;
Advogado-Geral da República;
Advogado-Geral da União;
Chefes de Estado-Maior das Três Armas;
Oficiais Generais das Forças Armadas;
CORRESPONDÊNCIA OFICIAL
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Embaixadores;
Secretário-Executivo e Secretário-Nacional de Ministérios;
Governadores e Vice-Governadores dos Estados e do Distrito Federal;
Secretários de Estado dos Governos Estaduais;
Prefeitos Municipais.
· Do Poder Legislativo:
sempre por extenso (Vossa Excelência e Sua Excelência):
Presidente do Congresso Nacional.
sempre abreviado (V. Ex.ª ou S. Ex.ª):
Presidente, Vice-Presidente e Membros do Senado Federal e da Câmara dos Deputados;
Presidente e Ministros do Tribunal de Contas da União;
Presidente e Conselheiros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal;
Presidente e Membros das Assembleias Legislativas Estaduais;
Presidentes das Câmara Municipais.
· Do Poder Judiciário:
sempre por extenso (Vossa Excelência e Sua Excelência):
Presidente do Supremo Tribunal Federal;
sempre abreviado (V. Ex.ª ou S. Ex.ª):
Vice-Presidente e Ministros do Supremo Tribunal Federal;
Presidente e Ministros do Supremo Tribunal de Justiça;
Presidente e Ministros do Supremo Tribunal Militar;
Presidente e Ministros do Superior Eleitoral;
Presidente e Ministros do Superior do Trabalho;
Presidente e Desembargadores dos Tribunais de Justiça;
Presidente e Membros dos Tribunais Regionais Federais;
Presidente e Membros dos Tribunais Regionais Eleitorais;
Presidente e Membros dos Tribunais Regionais do Trabalho;
Juízes Titulares e Substitutos;
Auditores da Justiça Militar.
ENDEREÇAMENTO
No envelope, o endereçamento das comunicações dirigidas às autoridades obedece aos seguintes
padrões:
DESTINATÁRIO
CORRESPONDÊNCIA OFICIAL
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Presidente da República, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal
Envelope:
Excelentíssimo Senhor Presidente da República
(nome do Presidente)
Palácio do Planalto
Praça dos Três Poderes
70100-000 – Brasília – DF
Envelope:
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional
(nome do Senador ou Deputado Presidente)
Senado Federal
Praça dos Três Poderes
70100-000 – Brasília – DF
Envelope:
Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal
Ministro (nome do Presidente do Supremo)
Supremo Tribunal Federal
Praça dos Três Poderes
70100-000 – Brasília – DF
Autoridades tratadas por Vossa ou sua Excelência
Envelope:
Excelentíssimo Senhor
(nome da autoridade)
Ministro de Estado dos Transportes
Esplanada dos Transportes
Esplanada dos Ministérios, Bloco “R”
70044-900 – Brasília – DF
Envelope:
Excelentíssimo Senhor
Senador (nome do senador)
Ministro de Estado dos Transportes
Senado Federal
70165-900 – Brasília – DF
CORRESPONDÊNCIA OFICIAL
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Envelope:
Excelentíssimo Senhor Governador
(nome do Governador)
Palácio Anchieta
Praça J. Clímaco s/n
29010-080 – Vitória – ES
Envelope:
Excelentíssimo Senhor Deputado
(nome do Deputado)
Câmara dos Deputados
Praça dos Três Poderes
70165-900 – Brasília – DF
Autoridades tratadas por Vossa ou sua Senhoria
Envelope:
Ao Senhor
(nome do destinatário)
Rua xymnz, nº 000 - Pampulha
30000-000 – Belo Horizonte – MG
Reitores de Universidades
Envelope:
Ao Senhor
(nome do reitor)
Magnífico Reitor da Universidade de Brasília
Campos universitário – Bloco “SN”
70919-970 – Brasília – DF
Cardeais
Envelope:
A Sua Excelência Reverendíssima
Dom (nome do cardeal)
Cardeal-Arcebispo de São Paulo
Catedral Metropolitana – Praça da Sé
00000-000 – São Paulo – SP
CORRESPONDÊNCIA OFICIAL
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O PADRÃO OFÍCIO
É a modalidade de comunicação oficial comum aos órgãos que compõem a Administração Federal.
TIPOS DE EXPEDIENTES
Há três tipos de expedientes que se diferenciam antes pela finalidade do que pela forma: a exposição
de motivos, o aviso e o ofício. Para uniformizá-los, a Instrução Normativa nº 4, de 6 de março de
1992, da Secretaria da Administração Federal, adotou uma diagramação única denominada “padrão
ofício”, contendo as seguintes partes:
TIPO E NÚMERO DO EXPEDIENTE
O tipo e número do expediente devem ser seguidos da sigla do órgão que o expede:
Exemplo:
EM nº 145/MEFP
Aviso nº 145/SG
Ofício nº 145/DGP
LOCAL E DATA
O local e a data em que o expediente foi assinado devem ser datilografados ou digitados por extenso,
com alinhamento à direita do texto.
Exemplo:
Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 2003. ou
Brasília, em 28 de agosto de 2002.
VOCATIVO
O vocativo, queinvoca o destinatário, deve ser seguido de vírgula:
Exemplo:
Excelentíssimo Senhor Presidente da República; Senhora Ministra; Senhor Chefe de Gabinete.
TEXTO
Nos casos em que não for de mero encaminhamento de documentos, o expediente deve apresentar
em sua escritura:
INTRODUÇÃO
Confunde-se com o parágrafo de abertura e nela é apresentado o assunto que motiva a
comunicação. Deve ser evitado o uso de frases feitas para iniciar o texto. No lugar de “Tenho a honra
de”, “Tenho o prazer de “, “Cumpre-me informar que”, empregue-se a forma direta: “Informo a Vossa
Excelência que”, “Submeto à apreciação de Vossa Excelência”, “Encaminho a V. S.ª”.
DESENVOLVIMENTO
No desenvolvimento o assunto é detalhado. Quando o texto contiver mais de uma idéia sobre o
assunto, elas devem ser tratadas cada uma em um parágrafo, o que confere maior clareza à
exposição.
CONCLUSÃO
É na conclusão que se reafirma ou simplesmente se reapresenta a posição recomendada sobre o
assunto.
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NUMERAÇÃO DOS PARÁGRAFOS
No texto à exceção do primeiro parágrafo e do fecho, todos os demais parágrafos devem ser
numerados, com o número colocado a 2,5cm ou dez toques datilografados da borda esquerda do
papel, como maneira de facilitar a remissão. No computador, no programa ”Microsoft Word”, clica-se
no menu Arquivo e, no comando Configurar Página, escolhe-se 2,5 na opção Margem Esquerda.
Clica-se OK.
FECHO
O fecho das comunicações oficiais possui, além da finalidade óbvia de marcar o final do texto, a de
saudar o destinatário. Os modelos para o fecho foram regulados, pela primeira vez, na portaria nº 1
do Ministério da Justiça, em julho de 1937. Essa portaria estabelecida cerca de quinze padrões
diferentes de fecho. Hoje, com a desburocratização e de acordo com a Portaria nº 4, de 6 de março
de 1992, da Secretaria de Administração Federal, há apenas dois tipos de fecho para todas as
modalidades de comunicação oficial:
Exemplo:
Respeitosamente para o Presidente da República e todas as autoridades do primeiro escalão
inclusive dos Estados e Atenciosamente para as demais autoridades e autoridades da mesma
hierarquia ou de hierarquia inferior.
Ficam excluídas dessas fórmulas as comunicações dirigidas a autoridades estrangeiras que atendem
a rito e tradição próprios, de acordo com as normas do Ministério das Relações Exteriores.
ASSINATURA E IDENTIFICAÇÃO DO SIGNATÁRIO
Todas as comunicações oficiais, excluídas as assinadas pelo Presidente da República, devem trazer
digitado ou datilografado o nome e o cargo da autoridade que a expede, logo abaixo do local de sua
assinatura. Esse procedimento facilita em muito a identificação da origem das comunicações. A forma
de identificação deve ser a seguinte:
Exemplo:
(espaço para assinatura)
RUBENS AYALA PROTOCACARREIRO
Ministro do Orçamento e Gestão
Ou
(espaço para assinatura)
JOSÉ ADOLFO VIANNA DE OLIVEIRA
Diretor do Departamento de Serviços Gerais do Ministério da Fazenda
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FIGURAS DE LINGUAGEM
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Figuras de Linguagem
As figuras de linguagem são recursos linguísticos a que os autores recorrem para tornar a linguagem
mais rica e expressiva. Esses recursos revelam a sensibilidade de quem os utiliza, traduzindo
particularidades estilísticas do emissor da linguagem. As figuras de linguagem exprimem também o
pensamento de modo original e criativo, exploram o sentido não literal das palavras, realçam
sonoridade de vocábulos e frases e até mesmo, organizam orações, afastando-a, de algum modo, de
uma estrutura gramatical padrão, a fim de dar destaque a algum de seus elementos. As figuras de
linguagem costumam ser classificadas em figuras de som, figuras de construção e figuras de palavras
ou semânticas.
Para dominarmos o uso das figuras de linguagem de maneira correta, estudaremos, de modo
sintetizado, os conceitos de denotação e conotação.
Denotação
Ocorre denotação quando a palavra é empregada em sua significação usual, literal, referindo-se a
uma realidade concreta ou imaginária.
Já é a quinta vez que perco as chaves do meu armário
Aquela sobremesa estava muito azeda, não gostei.
Conotação
Ocorre a conotação quando a palavra é empregada em sentido figurado, associativo, possibilitando
várias interpretações. Ou seja, o sentido conotativo tem a propriedade de atribuir às palavras
significados diferentes de seu sentido original.
A chave da questão é você ser feliz independente do momento
Margarida é uma mulher azeda, está sempre de péssimo humor.
Podemos perceber que as palavras chave e azeda ganham novos sentidos além dos quais
encontramos nos dicionários. O sentido das palavras está de acordo com a ideia que o emissor quis
transmitir. Sendo assim, a conotação é um recurso que consiste em atribuir novos significados ao
sentido denotativo da palavra.
Figuras de Som ou Sonoras
As figuras de som ou figuras sonoras são aquelas que se utilizam de efeitos da linguagem para
reproduzir os sons presentes nos seres. São as seguintes: aliteração, assonância, paronomásia e
onomatopeia.
Aliteração: consiste na repetição ordenada de mesmos sons consonantais.
“Boi bem bravo, bate baixo, bota baba, boi berrando...Dança doido, dá de duro, dá de dentro, dá direit
o”. (Guimarães Rosa)
Assonância: consiste na repetição ordenada de mesmos sons vocálicos.
FIGURAS DE LINGUAGEM
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“O que o vago e incógnito desejo/de ser eu mesmo de meu ser me deu”. (Fernando Pessoa)
Paronomásia: consiste na aproximação de palavras de sons parecidos, mas de significados distintos.
“Conhecer as manhas e as manhãs/ O sabor das massas e das maçãs”. (Almir Sater e Renato
Teixeira)
Onomatopeia: consiste na criação de uma palavra para imitar sons e ruídos. É uma figura que
procura imitar os ruídos e não apenas sugeri-los.
Chega de blá-blá-blá-blá!
É importante destacar que a existência de uma figura de linguagem não exclui outras. Em um mesmo
texto podemos encontrar aliteração, assonância, paronomásia e onomatopeia.
Figuras de Construção ou Sintaxe
As figuras de construção ou figuras de sintaxe são desvios que são evidenciados na construção
normal do período. Elas ocorrem na concordância, na ordem e na construção dos termos da oração.
São as seguintes: elipse, zeugma, pleonasmo, assíndeto, polissíndeto, anacoluto, hipérbato,
hipálage, anáfora e silepse.
Elipse: consiste na omissão de um termo facilmente identificável pelo contexto.
Na sala, apenas quatro ou cinco convidados. (omissão de havia)
Zeugma: ocorre quando se omite um termo que já apareceu antes. Ou seja, consiste na elipse de um
termo que antes fora mencionado.
Nem ele entende a nós, nem nós a ele. (omissão do termo entendemos)
Pleonasmo: é uma redundância cuja finalidade é reforçar a mensagem.
“E rir meu riso e derramar meu pranto....” (Vinicius de Moraes)
Assíndeto: é a supressão de um conectivo entre elementos coordenados
“Todo coberto de medo, juro, minto, afirmo, assino.” (Cecília Meireles)
Acordei, levantei, comi, saí, trabalhei, voltei.
Polissíndeto: consiste na repetição de conectivos ligando termos da oração ou elementos do período.
“...e planta, e colhe, e mata, e vive, e morre...” (ClariceLispector)
Anacoluto: consiste em deixar um termo solto na frase. Isso ocorre, geralmente, porque se inicia uma
determinada construção sintática e depois se opta por outra.
“Eu, que me chamava de amor e minha esperança de amor.”
“Aquela mina de ouro, ela não ia deixar que outras espertas botassem as mãos.” (Camilo Castelo
Branco)
Os termos destacados não se ligam sintaticamente à oração. Embora esclareçam a frase, não
cumprem nenhuma função sintática nos exemplos.
Hipérbato ou Inversão: consiste no deslocamento dos termos da oração ou das orações no período.
Ou seja, é a mudança da ordem natural dos termos na frase.
São como cristais suas lágrimas.
Batia acelerado meu coração.
Na ordem direta, as frases dos exemplos expostos seriam:
FIGURAS DE LINGUAGEM
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Suas lágrimas são como cristais.
Meu coração batia acelerado.
Hipálage: ocorre quando se atribui a uma palavra uma característica que pertence a outra da mesma
frase:
Esse sapato não entra no meu pé! (= Eu não entro nesse sapato!)
Essa blusa não cabe em mim. (= Eu não caibo mais nessa blusa.)
Anáfora: é a repetição da mesma palavra ou expressão no início de várias orações, períodos ou
versos.
“Tudo é silêncio, tudo calma, tudo mudez.” (Olavo Bilac)
Silepse: ocorre quando a concordância se faz com a ideia subentendida, com o que está implícito e
não com os termos expressos. A silepse pode ser:
De Gênero:
Vossa excelência é pouco conhecido. (concorda com a pessoa representada pelo pronome)
De Número:
Corria gente de todos os lados, e gritavam. (gente dá ideia de plural, gritavam concorda com “gente”)
De Pessoa
Os brasileiros somos bastante otimistas. (brasileiros dá ideia de nós (1º p. do plural) somos, 1º p. do
plural “concorda” com “somos”)
Figuras de Palavras ou Semânticas
Consistem no emprego de uma palavra num sentido não convencional, ou seja, num sentido
conotativo. São as seguintes: comparação, metáfora, catacrese, metonímia, antonomásia, sinestesia,
antítese, eufemismo, gradação, hipérbole, prosopopeia, paradoxo, perífrase, apóstrofe e ironia.
Comparação ou símile: ocorre comparação quando se estabelece aproximação entre dois elementos
que se identificam, ligados por nexos comparativos explícitos, como tal qual, assim como, que nem e
etc. A principal diferenciação entre a comparação e a metáfora é a presença dos nexos comparativos.
“E flutuou no ar como se fosse um príncipe.” (Chico Buarque)
Metáfora: consiste em empregar um termo com significado diferente do habitual, com base numa
relação de similaridade entre o sentido próprio e o sentido figurado. Na metáfora ocorre uma
comparação em que o conectivo comparativo fica subentendido.
“Meu pensamento é um rio subterrâneo”. (Fernando Pessoa)
Catacrese: ocorre quando, por falta de um termo específico para designar um conceito, toma-se outro
por empréstimo.
Ele comprou dois dentes de alho para colocar na comida.
O pé da mesa estava quebrado.
Não sente no braço do sofá.
Metonímia: assim como a metáfora, consiste numa transposição de significado, ou seja, uma palavra
que usualmente significa uma coisa passa a ser utilizada com outro sentido. Ou seja, é o emprego de
um nome por outro em virtude de haver entre eles algum relacionamento. A metonímia ocorre quando
se emprega:
FIGURAS DE LINGUAGEM
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A causa pelo efeito: vivo do meu trabalho (do produto do trabalho = alimento)
O efeito pela causa: aquele poeta bebeu a morte (= veneno)
O instrumento pelo usuário: os microfones corriam no pátio = repórteres).
Antonomásia: É a figura que designa uma pessoa por uma característica, feito ou fato que a tornou
notória.
A cidade eterna (em vez de Roma)
Sinestesia: Trata-se de mesclar, numa expressão, sensações percebidas por diferentes órgãos
sensoriais.
Um doce abraço ele recebeu da irmã. (sensação gustativa e sensação tátil)
Antítese: é o emprego de palavras ou expressões de significados opostos.
Os jardins têm vida e morte.
Eufemismo: consiste em atenuar um pensamento desagradável ou chocante.
Ele sempre faltava com a verdade (= mentia)
Gradação ou clímax: é uma sequência de palavras que intensificam uma ideia.
Porque gado a gente marca,/ tange, ferra, engorda e mata,/ mas com gente é diferente.
Hipérbole: trata-se de exagerar uma ideia com finalidade enfática.
Estou morrendo de sede!
Não vejo você há séculos!
Prosopopeia ou personificação: consiste em atribuir a seres inanimados características próprias dos
seres humanos.
O jardim olhava as crianças sem dizer nada.
Paradoxo: consiste no uso de palavras de sentido oposto que parecem excluir-se mutuamente, mas,
no contexto se completam, reforçam uma ideia e/ou expressão.
Estou cego, mas agora consigo ver.
Perífrase: é uma expressão que designa um ser por meio de alguma de suas características ou
atributos.
O ouro negro foi o grande assunto do século. (= petróleo)
Apóstrofe: é a interpelação enfática de pessoas ou seres personificados.
“Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus!” (Castro Alves)
Ironia: é o recurso linguístico que consiste em afirmar o contrário do que se pensa.
Que pessoa educada! Entrou sem cumprimentar ninguém.
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DIVISÃO SILÁBICA
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Divisão Silábica
Você sabe como separar as sílabas corretamente? Para fazer isso é preciso saber algumas regras da
língua portuguesa. Confira!
Imagine que você está escrevendo uma redação na escola ou em algum processo avaliativo. Entre
tantas palavras, uma delas não coube inteiramente na linha que você escrevia. Então, o que se deve
fazer? Bom, nesses casos é indicado separar o vocábulo em duas partes, colocando um hífen (-)
entre elas.
E logo vem a dúvida: onde colocar? Não se deve separá-las de qualquer maneira. É preciso,
portanto, saber as regras de divisão silábica e assim conseguir escrever dentro da norma culta da
língua portuguesa. Veja a seguir essas normas e aplique-as em seu cotidiano.
Dividindo as sílabas
Para realizar uma divisão correta, é preciso ter em mente, a princípio, que em todas as sílabas deve
haver pelo menos uma vogal, sem exceções. Por essa razão, essa norma se torna geral. Conheça
agora as regras práticas.
Não se separam
Ditongos e tritongos
Palavras que possuem, respectivamente, duas e três vogais juntas. Na separação silábica elas
pertencem a uma mesma sílaba.
Exemplos: cau-le, ân-sia, di-nhei-ro, trei-no, des-mai-a-do, U-ru-guai, sa-guão, Pa-ra-guai, a-ve-ri-
guou, quais-quer, etc.
Dígrafos
São encontros consonantais, isto é, duas consoantes juntas, que possuem um mesmo som. Alguns
devem ser separados, mas outros não. Esse é o caso do: ch, lh, nh, gu e qu.
Exemplos: chu-va, fa-cha-da, es-ta-nho, fro-nha, a-que-la, co-lhei-ta, fi-lha, ni-nho, quei-jo, etc.
Encontros consonantais com L e R
Quando duas consoantes estão juntas na palavra e a segunda é l ou r, não há a separação delas.
Observe:
Exemplos: fla-gran-te, gló-ria, pla-no, cla-va, a-pre-sen-tar, a-brir, re-tra-to, re-gra, a-bran-dar, dra-
gão, tra-ve, etc.
Nessa regra há uma exceção, lembrem-se dela: ab-rup-to.
Encontros consonantais iniciais
Se a palavra tiver duas sílabas juntas no início, elas não são separáveis. Entenda.
Exemplos: gnós-ti-co, pneu-má-ti-co, mne-mô-ni-co, gno-mo, psi-có-lo-go, pneu-mo-ni-a, etc.
Palavra terminada em consoante
Em nenhuma hipótese uma palavra que termine com consoante terá uma divisão silábica em que a
consoantefique isolada no final. Nesse sentido, a última letra se une à anterior.
Exemplos: sub-lin-gual, su-ben-ten-der, en-xá-guam, a-guen-tar, etc.
DIVISÃO SILÁBICA
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Separam-se
Ditongo decrescente + vogal
São palavras formadas por três vogais, mas não é a mesma coisa que o tritongo. Nessas palavras, a
formação é feita com uma vogal (a, e, o) + semivogal (i,u) + uma outra vogal (a,e,o). Preste atenção!
Exemplos: prai–a, tei–a, joi–a, sa-bo-rei–e, es-tei–o, ar-roi–o, etc.
OBS: A formação do tritongo é diferente, sendo semivogal + vogal + semivogal: Paraguai (“u” e “i”
são semi e “a” é vogal).
Hiatos
Quando há um encontro de duas vogais. Diferem-se do ditongo pela forma que são pronunciadas.
Exemplos: sa–ú-de, Sa–a-ra, ca–o-olho, du–e-lo, etc.
Outros dígrafos
Como já dito, dígrafo ocorre quando duas consoantes juntas forma um único som. Nos casos
de: rr, ss, sc, sç, xs, e xc eles devem ser separados.
Exemplos: bar-ro, as-sun-to, guer–ra, sos–se-go, des–çam, cres–ço, etc.
Encontros consonantais
Com exceção dos casos já citados, onde a segunda consoante é L ou R, nos outros casos a
separação ocorre.
Exemplos: de-cep–ção, ab–do-me, sub–ma-ri-no, ap–ti-dão, con-vic-ção, as-tu-to, ap-to, cír-cu-lo,
rit–mo, etc.
Vogais idênticas
aa, ee, ii, oo, uu e os grupos consonantais cc, cç, também são separados.
Exemplos: Sa–a-ra, com-pre–en-do, xi–i-ta, vo–o, pa-ra-cu-u-ba; oc–ci-pi-tal, in-fec–cão, etc.
Divisão Silábica
Como sabemos, as sílabas são fonemaspronunciados por meio de uma única emissão de voz e
também que a base das sílabas da língua portuguesa são as vogais: a - e - i - o - u. Assim,
todo fonemapronunciado em uma única emissão de voz tem, pelo menos, uma vogal.
É importante ressaltarmos que, em algumas palavras, os fonemas /i/ e /u/ não sãovogais, já que
aparecem apoiados a outra(s) vogal(is), formando uma só emissão de voz (uma sílaba). Essas vogais
que apoiam as outras são chamadas de semivogais. O que diferencia as vogais das semivogais é
o fato de que as últimas não desempenham o papel de núcleo silábico. A palavra “papai”, por
exemplo, é formada por duas sílabas (dissílaba), sendo a segunda formada por uma vogal (a) e por
uma semivogal (i).
A par dessas informações, podemos afirmar que, para saber o número de sílabas que compõem as
palavras, basta identificar quantas vogais há nessa palavra.
Vejamos os exemplos:
• pipoca – pi – po – ca (emissão de três fonemas sequenciais que estão ligados a vogais);
• aparelho – a – pa – re – lho (emissão de quatro fonemas sequenciais que estão ligados a vogais);
• pernambucana – per – nam – bu – ca - na (emissão de cinco fonemas sequenciais que estão
ligados a vogais.
DIVISÃO SILÁBICA
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Classificação das palavras quanto ao número de sílabas
• Monossílabas: palavras que possuem apenas uma sílaba: pé, flor, mão.
• Dissílabas: palavras que possuem duas sílabas: balão (ba-lão); suco (su-co); santo (san-to).
• Trissílabas: palavras que possuem três sílabas: hóspede (hós-pe-de); lareira (la-rei-ra); sapato
(sa-pa-to).
• Polissílabas: palavras que possuem quatro ou mais sílabas: literatura (li-te-ra-tu-ra); amaciante (a-
ma-ci-an-te); sambódromo (sam-bó-dro-mo).
Divisão silábica
→ Os dígrafos “ch”, “lh”, “nh”, “gu” e “qu” devem pertencer a uma única sílaba:
chu – va
o – lho
fe - char
que – ri – do
vo - zi – nho
→ Os dígrafos “rr”, “ss”, “sc”, “sç”, “xs” e “xc” devem ser separados em sílabas diferentes.
car – ro - ça
as – sas – si – no
cres – cer
nas – ceu
ex – ce – ção
→ Ditongos e tritongos devem permanecer na mesma sílaba.
U – ru – guai
ba – lai – o
→ Os hiatos devem ser separados em duas sílabas distintas.
di – a
ca – de – a – do
ba – ú
→ Os encontros consonantais devem ser separados, exceto aqueles cuja segunda consoante é “l”
ou “r”.
bru – to
blu – sa
cla - ro
tra - go
→ Os encontros consonantais que iniciam palavras são mantidos juntos na divisão silábica.
DIVISÃO SILÁBICA
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pneu – má – ti – co
gno – mo
Regras para divisão silábica
Na modalidade escrita, indicamos a divisão silábica com o hífen. Essa separação obedece às regras
de silabação.
Não se separam:
a) as letras com que representamos os dígrafos ch, lh e nh.
Exemplos:
• ca-cha-ça
• pa-lho-ça
• ama-nhe-cer
b) os encontros consonantais que iniciam sílaba.
Exemplos:
• a-blu-ção
• a-cla-rar
• re-gra-do
• a-bran-dar
• sa-la-man-dra
• ca-tra-ca
c) a consoante inicial seguida de outra consoante.
Exemplos:
• gno-mo
• mne-mô-ni-co
• psi-có-ti-co
d) as letras com que representamos os tritongos.
Exemplos:
• a-guen-tar
• sa-guão
• Pa-ra-guai
• ar-guiu
• en-xa-guam
DIVISÃO SILÁBICA
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Separam-se:
a) as letras com que representamos os dígrafos rr, ss, sc, sç e xc.
Exemplos:
• car-ro
• pás-sa-ro
• des-ci-da
• cres-ça
• ex-ce-len-te
b) as letras com que representamos os hiatos.
Exemplos:
• sa-ú-de
• cru-el
• gra-ú-na
• re-cu-o
• vo-o
c) as consoantes seguidas que pertencem a sílabas diferentes.
Exemplos:
• ab-di-car
• cis-mar
• ab-dó-men
• bis-ca-te
• sub-lo-car
• as-pec-to
O B S E R V A Ç Õ E S
a) Não separamos as vogais dos ditongos decrescentes.
Exemplos: or-dei-ro, ju-deu, mau.
b) As vogais dos ditongos crescentes aceitam dupla partição.
Exemplos: cá-rie/cá-ri-e, sá-bio/sá-bi-o.
A separação silábica representa um dos requisitos relacionados à linguagem escrita e, como tal,
compõe uma das tantas competências que precisamos dispor, em se tratando de tal circunstância
comunicativa. Assim dizendo, esse fato está submetido a regras predefinidas, e, portanto, precisa ser
incorporado o quanto antes ao nosso conhecimento.
Ocupemo-nos em verificar algumas particularidades inerentes a esse fato da língua. Constatemos,
pois, as elucidações dispostas a seguir:
DIVISÃO SILÁBICA
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* As letras que formam os dígrafos “rr”, “ss”, “sc”, “sç”, “xs”, e “xc” devem permanecer em sílabas
diferentes. Verifiquemos alguns casos:
ex – ce – ção
des – cer
ter – ra
pás – sa – ro...
* Os dígrafos “ch”, “nh”, “lh”, “gu” e “qu” pertencem a uma única sílaba. Vejamos:
guer – ra
ni – nho
chu – va
quei – jo...
* Os hiatos não devem permanecer na mesma sílaba. São exemplos:
ca – de – a – do
ju – í – za
La – ís...
* Os ditongos e tritongos devem pertencer a uma única sílaba. Constatemos:
Pa – ra – guai
a – ve – ri – guei
cai – xa
fei – xe
* Os encontros consonantais que ocorrem em sílabas internas não devem permanecer juntos, a não
ser aqueles em que a segunda consoante é “l” ou “r”. Vejamos alguns exemplos:
flau – ta (permaneceram juntos, pois a segunda letra é representada pelo “l”)
pra – to (o mesmo ocorre com esse exemplo)
ap – to
ab – dô – men
cír – cu – lo...
Observações passíveis de nota:
Alguns grupos consonantais iniciam palavras, por isso não devem ser separados. Observemos
alguns casos:
pneu – mo – ni – a
pneu – má – ti – co
psi – có – lo – go...
Sílaba e Divisão Silábica
De forma geral, uma sílaba é um conjunto de fonemas (menores unidades sonoras que constroem
uma palavra) formados por vogais e consoantes que são pronunciados num só impulso de voz.
Podemos classificar uma palavra e sua sílaba de acordo com: sua tonicidade(se uma palavra possui
sílaba tônica ou átona) ou o número de sílabas (quantidade de sílabas que uma palavra possui).
DIVISÃO SILÁBICA
7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BRClassificação quanto à tonicidade
Em uma palavra, uma sílaba sempre será pronunciada com mais força do que as outras. Essas
sílabas são chamadas de tônicas, enquanto todas as outras de menor intensidade são chamadas
de sílabas átonas, como podemos ver nos exemplos a seguir, onde as sílabas marcadas
correspondem às tônicas as não marcadas às átonas:
Exemplos
an-ti-pá-ti-co, ve-lo-ci-da-de, lí-qui-do
Dependendo da posição da sílaba tônica em uma palavra, podemos classifica-las ainda
em oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas, como podemos ver na tabela abaixo:
Classificação Posição da sílaba tônica Exemplos
Oxítona Última sílaba tônica café, quintal, guaraná
Paroxítona Penúltima sílaba tônica velocidade, repórter, digno
Proparoxítona Antepenúltima sílaba tônica simpático, próximo, lâmina
Classificação quanto ao número de sílabas
As palavras podem ser classificadas também quanto ao número de sílabas: palavras de uma sílaba
só são monossílabas, duas sílabas são chamadas de dissílabas, três sílabas são as trissílabas e
as palavras de quatro sílabas ou mais são chamadas de polissílabas.
Divisão silábica
A divisão silábica das palavras geralmente é baseada de acordo com a sua pronúncia, mas existem
algumas particularidades, como vemos na tabela abaixo:
Ocorrência Orientação Exemplos
Ditongo e Tritongo Não separar Uruguai – U-ru-guai, Faixa – Fai-xa
Hiato Separar Saúde – Sa-ú-de
Dígrafos ss, rr, sc, sç,
xc
Separar Carrossel – Car-ros-sel, Cresça – Cres-ça, Exceção
– Ex-ce-ção, Piscina – Pis-ci-na
Consoante não
seguida de vogal
Deixar na sílaba da
esquerda
Magnífico – Mag-ní-fi-co
Prefixos + vogal Separar Desigualdade – De-si-gual-da-de
Dígrafo
Confira o que é um dígrafo e quais são os dígrafos existentes visitando a nossa página: Dígrafo.
FONOLOGIA E FONÉTICA
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Fonética e Fonologia
A Gramática registra e descreve todos os aspectos das línguas. Como sabemos, esses aspectos são
diversos e seu estudo é organizados em partes: Fonética e Fonologia, Morfolog ia e Sintaxe
(morfossintaxe), Semântica e Estilística.
Neste texto vamos refletir a respeito da primeira parte dos estudos da Gramática Descritiva,
a Fonética e Fonologia, que tratam dos aspectos fônicos, físicos e fisiológicos da nossa língua.
• Fonética
A Fonética é o estudo dos aspectos acústicos e fisiológicos dos sons efetivos (reais) dos atos de
fala no que se refere à produção, articulação e variedades. Em outras palavras, a Fonética preocupa-
se com os sons da fala em sua realização concreta. Quando um falante pronuncia a palavra 'dia', à
Fonética interessa de que forma a consoante /d/ é pronunciada: /d/ /i/ /a/ ou /dj/ /i/ /a/.
• Fonologia
A Fonologia é o estudo dos Fonemas (os sons) de uma língua. Para a Fonologia, o fonema é uma
unidade acústica que não é dotada de significado. Isso significa que osfonemas são os diferentes
sons que produzimos para exprimir nossas ideias, sentimentos e emoções a partir da junção de
unidades distintas. Essas unidades, juntas, formam as sílabas e as palavras.
A palavra 'Fonema' tem origem grega (fono = som + emas = unidades distintas) e representa
as menores unidades sonoras que formam as palavras. As palavras são a unidade básica da
interação verbal e são criadas pela junção de unidades menores: as sílabas e os sons, na fala, ou as
sílabas e letras, na escrita.
Os fonemas são classificados em vogais, semivogais e consoantes. Essa classificação existe em
virtude dos diferentes tipos de sons produzidos pela corrente de ar que sai dos nossos pulmões e é
liberada, com ou sem obstáculos, pela boca e/ou pelo nariz.
FONÉTICA E FONOLOGIA
1. FONOLOGIA
É a parte da Gramática que estuda o comportamento dos fonemas de uma língua, tomando-os como
unidades sonoras capazes de criar diferença de significados. Outros nomes: fonêmica, fonemática.
2. FONÉTICA
É a parte da Gramática que estuda as particularidades dos fonemas, ou seja, as variações que
podem ocorrer na realização dos fonemas.
3. FONEMA E LETRA
Fonema é a menor unidade sonora e distintiva de uma língua. Os fonemas dividem-se em vogais,
semivogais e consoantes. Convém reforçar que o fonema é uma realidade acústica.
Letra é o sinal gráfico que, na escrita, representa o fonema. A letra é uma realidade gráfico-visual do
fonema.
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:
a) Uma mesma letra pode representar fonemas diferentes. É o que ocorre com a letra “x” em palavras
como sexo (x = ks), feixe (x = ch), exato (x = z) e próximo (x = ss).
b) Um mesmo fonema pode ser representado por letras diferentes. É o que ocorre em flecha (ch = x)
e lixo (x = ch).
c) Uma única letra pode representar dois fonemas. A esse fenômeno, chama-se dífono. Exemplo: táxi
(lê-se “táksi” – x = ks).
d) Duas letras podem representar um único fonema. A esse fenômeno, chama-se dígrafo. Exemplo:
chave (lê-se “xávi” – ch = x).
FONOLOGIA E FONÉTICA
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4. ALFABETO FONÉTICO
Como as letras da escrita não conseguem representar fielmente os fonemas, criaram-se símbolos
especiais para a representação fiel dos sons formadores dos vocábulos. Esses símbolos formam o
alfabeto fonético, utilizado na transcrição fonética dos sons da linguagem.
Qual é a diferença entre fonética e fonologia?
Fonética
Estuda a natureza física da produção e da percepção dos sons da fala humana. Preocupa-se com a
parte significante do signo linguístico e não com o seu conteúdo; como os sons são produzidos pela
posição e função de cada um dos órgãos do aparelho fonador (língua, lábios…)
Exemplo:
▪ Distorção do /s/;
▪ Diferença entre /d/ e /d^z/
Fonologia
Estuda o sistema sonoro de um idioma, do ponto de vista de sua função no sistema de comunicação
linguística. A fonologia se preocupa com a maneira como eles se organizam dentro de uma língua.
Estuda também a estrutura silábica, o acento e a entonação.
Exemplo:
▪ Troca de /v/ pelo /f/ = vaca – faca
Classificação dos Fonemas e Dígrafos
Os fonemas da Língua Portuguesa classificam-se em vogais, semivogais e consoantes.
Vogais: são fonemas pronunciados sem obstáculo à passagem de ar, chegando livremente ao
exterior. Exemplos: pato, bota.
Semivogais: são os fonemas que se juntam a uma vogal, formando com esta uma só sílaba.
Exemplos: couro, baile.
Observe que só os fonemas /i/ e /u/ átonos funcionam como semivogais. Para que não sejam
confundidos com as vogais i e u serão representados por [y] e [w] e chamados, respectivamente,
de iode e vau.
Consoantes: são fonemas produzidos mediante a resistência que os órgãos bucais (língua, dentes,
lábios) opõem à passagem de ar. Exemplos: caderno, lâmpada.
Dicas:
Em nossa língua, a vogal é o elemento básico, suficiente e indispensável para a formação da sílaba.
Você encontrará sílabas constituídas só de vogais, mas nunca formadas somente com consoantes.
Exemplos: viúva, abelha.
Dígrafos
É a união de duas letras representando um só fonema. Observe que no caso dos dígrafos não há
correspondência direta entre o número de letras e o número de fonemas.
Dígrafos que desempenham a função de consoantes: ch (chuva), lh (molho), nh (unha), rr (carro) e
outros.
Dígrafos que desempenham a função de vogais nasais: am (campo), en (bento), om (tombo) e outros.
FONOLOGIA E FONÉTICA
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Classificação dos Fonemas
Há quatro os critérios de classificação para as vogais:
Zona de articulação
média ou central: a
anteriores ou palatais: é, ê, i
posteriores ou velares: ó, ô, u
Intensidade
tônicas: mais intensidade
átonas: intensidade fraca
a vogal átona pode ser:pretônica, postônica ou subtônica / facilmente = a (subton.), i (preton.), último
e (post).Timbre
abertas – a, é, ó (em sílaba tônica ou subtônica)
fechadas – ê, ô, i, u (em sílabas tônicas, subtônicas ou átonas)
reduzidas – vogais átonas finais, proferidas fracamente
Papel das cavidades bucal e nasal
orais – a, é, ê, i, ó, ô, u – ressonância apenas da boca
nasais – todas as vogais nasalisadas – ressonância em parte da cavidade nasal. Índices de
nasalidade: ~ e m ou n em fim de sílaba.
Observação
As vogais nasais são sempre fechadas.
As consoantes também apresentam quatro critérios de classificação
Modo de articulação
oclusivas – corrente de ar encontra na boca obstáculo total – p, b, t, d, c(=k) e q, g (=guê)
constritivas – corrente de ar encontra obstáculo parcial na boca – f, v, s, z, x, j, l, lh, r, rr. Elas
subdividem-se em: fricativas – f, v, s, z, x, j / laterais – l, lh / vibrantes – r, rr
Observação
As consoantes nasais (m, n, nh) são ponto de divergência entre gramáticos, no tocante a agrupá-las
como oclusivas ou constritivas. Isso se deve ao fato de a oclusão ser apenas bucal, chegando o ar às
fossas nasais onde ressoa. Para Faraco e Moura, são oclusivas. Hildebrando não as coloca em
nenhum dos dois grupos.
Ponto de articulação
bilabiais – p, b, m
labiodentais – f, v
linguodentais – t, d, n
alveolares – s, z, l, r
palatais – x, j, lh, nh
velares – c(=k), qu, g (=guê), rr
Papel das cordas vocais
surdas – sem vibração – p, t, c(=k), qu, f, s, x
sonoras – com vibração – b, d, g, v, z, j, l, lh, m, n, nh, r (fraca), rr (forte)
FONOLOGIA E FONÉTICA
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Papel das cavidades bucal e nasal
nasais – m, n, nh
orais – todas as outras
Classificação dos Fonemas – Tipos
Existem três tipos de fonemas em português:
Vogal
Semivogal
Consoante
Vogal
É o fonema produzido livremente, sem que o ar encontre, na cavidade bucal, qualquer obstáculo à
sua passagem.
As vogais podem ser:
a) Orais: Quando o ar sai apenas pela boca: /a/, /e/, /i/, /u/.
b) Nasais: Quando o ar sai pela boca e pelas fossas nasais: /ã/.
c) Átonas: Pronunciadas com menor intensidade.
d) Tônicas: Pronunciadas com maior intensidade.
Semivogais
São os fonemas /i/ e /u/, quando formam sílaba com uma vogal:
Pai
são
Consoantes
São os fonemas produzidos quando a corrente de ar encontra , na cavidade bucal, obstáculos à sua
passagem.
Exemplos: /p/, /b/, /t/, /d/, /k/, /g/, /f/, /v/, /s/.
Fonemas
1 – Vogal
Fonema que sai livremente pela boca, não encontando nenhum obstáculo à pas- sagem do ar pelo
aparelho fonador.
Exemplos: /a/ /ê/ /i/ /ô/ /u/ /ã/ /e/ /i/ /o/ /u/ /é/ /ó/
2 – Semivogal
Nome dado aos sons /i/ e /u/ quando são pronunciados juntamente com uma outra vogal, numa só
emissão de voz.
Observação: Os fonemas /i/ e /u/ podem aparecer representados na escrita por e, o ou m.
Exemplos: – mãe – a letra e tem o som de um i átono, sendo pronunciada juntamente com o a =
/m/ã/i/. – mão – a letra o tem o som de um u átono, sendo pronunciada juntamente com o u = /m/ã/u/.
– também – a sílaba final é pronunciada com um i:”tambeim”.
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3 – Consoante
Fonema produzido graças aos obstáculos que impedem a passagem livre do ar. Exemplos: /b/, /d/, /g/
etc…
Classificação dos Fonemas – Cordas Vocais
Vogais
São fonemas que fazem vibrar as cordas vocais, em cuja produção a corrente de ar vinda dos
pulmões não encontra obstáculos.
São doze, e não cinco como muitos imaginam.
São silábicos, isto é, constituem a base da sílaba.
/ a / / ã / / é / / ê / / / / i / / / / ó / / ô / / õ / / u / /
Semivogais
São os fonemas /i/ e /u/ quando formam sílabas com uma vogal.
can-tai
a = vogal
i = semivogal
le-vou
a = vogal
i = semivogal
Observação
As letras e e o também podem representar semivogal:
põe = [põi] mão = [mãu]
Consoantes
São fonemas resultantes de obstáculos encontrados pela corrente de ar vinda dos pulmões. São
assilábicos porque não podem formar sílaba sem auxílio de uma vogal.
bo-ca, ca-sa, da-do, fa-ca
a) VOGAIS
Não são simplesmente as letras a, e, i, o, u. Em quilo, a letra u nem é fonema.
A vogal é fonema básico de toda sílaba. Não há sílaba sem vogal e não pode haver mais de uma
vogal numa sílaba. Por outra, o número de vogais de um vocábulo é igual ao número de sílabas;
inversamente, o número de sílabas é igual ao número de vogais.
b) CONSOANTES
Como o próprio nome sugere (com + soante = soar com), consoantes são os fonemas que, para
serem emitidos, necessitam do amparo de outros fonemas, ou seja, das vogais.
Cabe relembrar que, para haver consoante, é necessário o fonema (ruído) e não a letra (escrita).
Assim, em “hipótese”, não há a consoante “h”, mas apenas essa letra; em “ilha”, a consoante única é
o fonema representado pelas letras “lh”; em “manga”, o “n” não é consoante, porque não constitui
fonema, mas apenas indica a nasalização do “a”.
FONOLOGIA E FONÉTICA
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c) SEMIVOGAIS
Constituem os fonemas intermediários entre as vogais e as consoantes: não têm a fraqueza destas
nem a autonomia daquelas.
São, na prática, o “i” e o “u”, quando, ao lado de uma vogal autêntica, soam levemente, sem a força
de vogal. O “e” e o “o”, sempre que, na mesma circunstância, forem pronunciados, respectivamente,
como “i” e “u”, também serão semivogais.
Comparem-se as diferenças de intensidades dos fonemas grifados, nas palavras que seguem:
Semivogais Vogais
Pais país
Mau baú
Mágoa pessoa
Vídeo Leo
Mário Maria
Observações:
1ª) O a é sempre vogal, aberto ou fechado, oral ou nasal.
2ª) Qualquer uma das letras a, e, i, o, u, isolada ou entre duas consoantes, será vogal.
3ª) O fonema que receber o acento tônico será obviamente vogal.
4ª) Pode haver duas vogais juntas, mas jamais se juntarão duas semivogais.
Representação de Fonemas
A ortografia brasileira não é biunívoca, ou seja, na maioria dos casos não temos relação um para um
bi direcional entre grafemas e fonemas. Em função disso, vamos analisar os casos em que nossa
ortografia apresenta peculiaridades na representação dos fonemas.
Grafemas biunívocos
São biunívocos os grafemas b, d, f, p, t e v que usamos para representar os fonemas /b/, /d/, /f/, /p/, /t/
e /v/ respectivamente.
Representação de vogais nasais
As vogais nasais são representadas de duas formas distintas: pelo uso de grafemas com o diacrítico
til ou por dígrafos formados por grafema vocálico seguido de n ou m. Veja exemplos na tabela a
seguir:
Vogal nasal Grafema com til Dígrafos
/ã/ Irmã, cãibra, mãe, mão. Ambos, âmbito,antes, ânfora.
/ẽ/ Empuxo, êmbolo,ensino, ênclise.
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/ĩ/ Impróprio, ímpio,interno, índio.
/õ/ Compõe, anões. Ombro, cômputo,ontem, cônsul.
/ũ/ Umbigo, plúmbeo,unção, anúncio.
Observando a tabela, vemos que o til só é usado na representação das vogais nasais /ã/ e /õ/. Nos
demais casos, nossa ortografia recorre aos dígrafos. Além disso, a vogal /õ/ só é representada
por õ quando ocorre na seqüência /õy/ como em /prôpõy/, /sifrõys/, /furácõys/ e /pêõys/.
Os dígrafos que representam vogais nasais em nossa ortografia terminam em n ou m. Há uma regra
que define quando se usa um ou outro grafema. Quando a vogal nasal antecede /p/ ou /b/, o dígrafo
será finalizado com m. Quando a vogal nasal antecede qualquer outra consoante, o dígrafo terminará
em n.
Quando a vogal nasal ocorre no final de palavra, podemos ter representação com til (somente para a
vogal /ã/), com dígrafo finalizado em m ou, mais raramente, com dígrafo terminado em n. Veja
exemplos:
Órfã, irmã, cidadã, cupim, cupom, urucum, lúmen, próton.
Outra