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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA CURSO: ORGANOMETÁLICOS PROFESSOR DR. LEONARDO DA CUNHA FERREIRA (DQ-ICE-UFRRJ) INÍCIO: 9 DE ABRIL DE 2018 FIM: 12 DE ABRIL DE 2018 TOTAL DE DURAÇÃO DO CURSO: 10 HORAS UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA CURSO: ORGANOMETÁLICOS Bibliografia: 1- Inorganic Chemistry - Principles of Structure and Reactivity, James E. Huheey, Fourth Edition. 2-The Organometallic Chemistry of the Transition Metals, Robert H. Crabtree, Fourth Edition. 3- Modern Inorganic Chemistry, William L. Jolly, Second Edition. 4- Organotransition Metal Chemistry, Anthony F. Hill, Second Edition. 5- Organotransition Metal Chemistry, John F. Hartwig, First Edition. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Conceituação e Aplicabilidades de Compostos Organometálicos. • Compostos organometálicos, com suas ligações metal-carbono e/ou metal-H, encontram-se na interface entre compostos orgânicos clássicos e compostos inorgânicos. Na química de compostos de coordenação, o fragmento orgânico e/ou inorgânico está ligado ao metal através de ligações do tipo metal-heteroátomo (ex: M-O, M-N, M-F, M-S, etc). Dos compostos mostrados, quais são organometálicos? UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Conceituação e Aplicabilidades de Compostos Organometálicos. • O campo de pesquisa de organometálicos produziu uma série importante de conceitos, surpreendentes estruturas e catalisadores úteis tanto na indústria como na síntese orgânica laboratorial. • Este campo começa a mostrar relação com a bioquímica moderna através da descoberta de enzimas que atuam em catálises organometálicas (ex: Acetil CoA Sintase). • Também estabelece relações com a química de materiais, dado que muitos compostos organometálicos estão sendo usados como precursores para depósito de materiais em vários substratos via decomposição térmica do composto metálico. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Conceituação e Aplicabilidades de Compostos Organometálicos. • Nanociência e nanotecnologia também estão sendo beneficiadas com o uso de compostos organometálicos como precursores para nanopartículas. Compostos organometálicos também são utilizados em campos como eletrônica, magnetismo e frequentemente estão sendo usados como sensores óticos. • Na chamada “Química Verde”, os compostos organometálicos também se mostram importantes. A estratégia economia de átomos, em que reações são escolhidas para minimizar a formação de sub-produtos ou materiais de partida que não reagiram. Compostos organometálicos de Irídio (Ir) ou Ródio (Rh) convertem diretamente MeOH e CO em MeCOOH sem sub produtos. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Conceituação e Aplicabilidades de Compostos Organometálicos. Organometálicos podem ter muitas aplicações práticas, sendo a mais conhecida a catálise. • Isomerização de alquenos •Hidrogenação de alquenos •Hidroformilação de alquenos •Produção de ácido acético por catálise organometálica •Dimerização, oligomerização e polimerização de alquenos •Ativação de CO e CO2 • A presença de elétrons d em suas camadas de valência distingue a química organometálica dos elementos dos grupos 3-12 da tabela periódica, os elementos de transição, dos grupos 1-2 e 12-18. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Conceituação e aplicabilidades de Compostos Organometálicos. Diferentes valores do número quântico ml • Metais de transição podem se ligar a ligantes (L) para formarem compostos de coordenação ou complexos MLn, como por exemplo [M(OH)6]2+ (M= V, Cr, Mn, Fe, Co, Ni). • A química organometálica é um sub-campo da química de coordenação em que o complexo contém uma ligação M-C ou M-H [ex: [Mo(CO)6]. Espécies organometálicas tendem a serem mais covalentes e o metal está frequentemente reduzido, em comparação aos compostos de coordenação. Ligantes que tipicamente se ligam a metais em baixo estado de coordenação: CO, CN- PR3 Alquenos, Arenos. Exemplos: Mo(CO)6, (C6H6)Cr(CO)3, Pt(C2H4)3 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Conceituação e Aplicabilidades de Compostos Organometálicos. Qual a diferença entre Esfera de Coordenação interna e esfera de coordenação externa? Idéias Fundamentais da Química de Coordenação Os complexos de Werner Complexos em que o metal se liga a ligantes por átomos que não são átomos de carbono ou hidreto, são conhecidos como complexos de Werner, tal como [Co(NH3)6]3+. A mais simples ligação metal-ligante é talvez a ligação metal-Nitrogênio. Como se dá essa ligação??? Duas teorias descrevem a ligação química em compostos de coordenação e organometálicos: A Teoria do Campo Cristalino e a Teoria do Campo Ligante A ligação se dá pela doação de um par de elétrons livre (ou densidade eletrônica, como preferirem) presente no átomo de nitrogênio da amônia para o metal ([Co(NH3)6]3+. Dessa forma, o metal atua como um polivalente ácido de Lewis capaz de aceitar o par de elétrons livre do ligante que, por sua vez, atua como uma base de Lewis. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Quando esta conceituação se inverte? Idéias Fundamentais da Química de Coordenação Os complexos de Werner Estereoquímica: Conceitos básicos O mais comum de todos os complexos é o ML6, que adota uma geometria de coordenação octaédrica. Os ligantes ocupam os vértices do octaedro minimizando as distâncias de ligação M-L ao mesmo tempo que maximiza a distância entre os ligantes. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Geometria Octaédrica Exemplo de complexo de Ni(II) octaédrico distorcido UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química de Coordenação Os complexos de Werner Estereoquímica: Conceitos básicos Depois do complexo ML6, os mais comuns possuem configuração ML5 e ML4. Os compostos do tipo ML4 geralmente apresentam dois tipos de geometrias preponderantes, tetraédrica e quadrática-plana. Já os compostos do tipo ML5 se apresentam majoritariamente com duas geometrias básicas, bipirâmide trigonal e pirâmide de base quadrada. Tetraedros UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química de Coordenação Os complexos de Werner Estereoquímica: Conceitos básicos Bipirâmide trigonal Pirâmide de base quadrada Distintos pelo índice de Addison. Idéias Fundamentais da Química de Coordenação Os complexos de Werner Estereoquímica: Conceitos básicos Geometria quadrática plana, geralmente adotada por íons metálicos de configuração d8, Ir(I), Pt(II), Pd(II), Ni(II) e Au(III). UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química de Coordenação Os complexos de Werner Estereoquímica: Conceitos básicos O número de coordenação de um complexo é facilmente definido em casos em que todos os ligantes são monodentados, tais como nos complexos [PtCl4]2- NC=4, e W(CO)6, N.C=6. Uma generalização usual é que o número de coordenação não deve ultrapassar 9 para os metais de transição. Isto porque o metal possui 9 orbitais de valência e cada ligante precisa de um orbital (há raras exceções de NC acima de 9). Cada número de coordenação possui uma ou mais geometrias associadas a ele. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DEJANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química de Coordenação Os complexos de Werner Estereoquímica: Conceitos básicos N.C Geometria 2 3 4 5 Linear Trigonal, Forma T Quadrático plano, Tetraédrico Bipirâmide trigonal, pirâmide de base quadrada UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química de Coordenação Os complexos de Werner Estereoquímica: Conceitos básicos 6 7 8 9 Octaedro Octaedro tampado, bipirâmide pentagonal Dodecaedro, antiprisma quadrático Trigonal prismático N.C Geometria Os complexos de Werner Estereoquímica: Conceitos básicos Infelizmente, a definição de número de coordenação e geometria é menos precisa quando se trata de organometálicos tais como Cp2Fe. Esta molécula é bicoordenada (existem dois ligantes), hexacoordenada (são seios pares de elétrons envolvidos nas ligações metal-ligantes), ou decacoordenada ( são 10 átomos de carbono envolvidos )? Frequentemente, a segunda definição é adotada. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química de Coordenação Idéias Fundamentais da Química de Coordenação Os complexos de Werner Aqueles ligantes que têm átomos doadores com mais de um par de elétrons livres podem doar cada um dos pares para dois ou mais metais. Isto leva ao aparecimento de complexos polinucleares. O grupo ponte é representado pela letra grega . Exemplo: [Ru2(-Cl)3(PR3)6]+ ou C1 C2 C3 C4 C5C1 C2 C3 C4 C5 C6 C7 C8 C9 C10 C11 C12 C6 C7 C8 C9 C10 C11 C12 N1 N2 C13 C14 C15 C13 C14 C15 C19 C20 C21 C19 C20 C21 N1 N2 C25 C26 C25 C26 C27 C28 C27 C28 S1 C29 N3 S1 C29 N3 S2 C30 N4 S2 C30 N4 Zn1 Zn1 i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i ii C16 C17 C18 C22 C23 C24 C22 C23 C24 C16 C17 C18 i i i i i i UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Exemplos de complexos em ponte. O Efeito Quelato: Efeito entrópico Outros ligantes podem ter mais de um átomo doador de elétrons. Exemplo: etilenodiamina, NH2CH2CH2NH2. Tais ligantes costumam doar seus pares eletrônicos para o metal para formar um anel chamado quelato, do grego “multidão”. Ligantes quelatos podem ser bidentados ou polidentados. Chugaev chamou a atenção ao afirmar que ligantes quelatos são muito menos facilmente deslocados de um complexo que um ligante monodentado do mesmo tipo. Ex: [M(NH3)6]+ + 3en [M(en)3]+ + 6NH3 A formação de 3 quelatos libera seis moléculas de amônia de forma que o total de partículas aumenta de 4 para 7. Isso cria entropia e favorece a forma quelato. Idéias Fundamentais da Química de Coordenação UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química de Coordenação O Efeito Quelato: Efeito entrópico Cada anel quelato usualmente leva a um fator adicional de 100000 na constante de equilíbrio para reações como a anterior. As constantes de equilíbrio para a formação do complexo são chamadas de constantes de formação. Quanto maior o valor da constante, maior a estabilidade do complexo. Quelatos polidentados também existem. Ligantes macrocíclicos conferem um aumento adicional na constante de formação, o efeito macrocíclico. Anéis quelatos com 5 membros são mais estáveis, no sentido de que não há tensão no anel e seus ângulos de ligação estão próximos do ideal. O efeito Trans Nos anos de 1920, Chernaev descobriu que certos ligantes, Lt, facilitam a saída de um segundo ligante, L, em posição trans a Lt, em reações de substituição na esfera de coordenação de complexos quadráticos-plano. Ligantes Lt que são mais efetivos em labilizar as ligações trans a eles no estado fundamental são ditos ligantes de alta influência trans. Tal efeito é mais claramente observado em complexos de Pt(II). Os melhores diretores trans formam fortes ligações sigma, tais como, H-, Me- ou SnCl3-, ou então formam fortes ligações π, tais como CO, C2H4; estes ligantes estabilizam o estado de transição (efeito de estado de transição). O Efeito trans é a combinação dos dois efeitos: Idéias Fundamentais da Química de Coordenação UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA O efeito Trans Uma importante aplicação do efeito trans é a síntese de específicos isômeros de compostos de coordenação. Existe uma série de bons diretores trans cuja ordem é: Para T σ doador: OH-< NH3 <Cl- <Br- <CN-, CO, C2H4, CH3- <I- <PR3 <H- Para T como π aceptor: Br- < I- <NCS- <NO2- < CN- < CO, C2H4 Alto efeito trans Baixo efeito trans UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química de Coordenação Ligantes duros versus ligantes macios Os termos duro e macio (Regra de Pearson) aplicados a complexos de coordenação referem-se ao tamanho e polarizibilidade dos ligantes e metais na esfera de coordenação. Ligantes ditos duros são pequenos, de difícil polarização e predominantemente formam ligações iônicas (ex: F-, H-). Se ligam melhor a um cátion duro, que é pequeno e difícil de ser polarizado. A ligação duro-duro é portanto favorecida. Já os ligantes macios são grandes, fáceis de serem polarizados e formam predominantemente ligações covalentes; se ligam melhor a cátion macios, que também são grandes e de fácil polarização. Alta polarização quer dizer apenas que os elétrons de cada um dos átomos envolvidos na ligação prontamente formam ligações covalentes. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química de Coordenação Ligantes duros versus ligantes macios Bases macias possuem um par de elétrons livres do segundo ou terceiro período da tabela periódica (ex: Cl-, Br-,PPh3), ou fazem duplas ou triplas ligações (ex: CN-,C2H4, benzeno). Ácidos macios estão localizados no segundo ou último período da tabela periódica (ex. Hg+) ou são metais em baixo estado de oxidação (≤ 2) (ex: Ni(O), Re(I), Pt(II),Ti(II)). H+ (duro) 3 -7 -9 -9.5 Zn+2 0.7 -0.2 -0.6 -1.3 Cu+2 1.2 0.05 0.03 ---- Hg+2 (macio) 1.03 6.74 8.94 12.87 Íon metálico F- (duro) Cl- Br- I-(macio) Algumas constantes de formação em KJ/mol UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química de Coordenação Ligantes duros versus ligantes macios C1 C2 C3 C4 C5 C6 C7 C8 C9 C10 C11 C12 C13 C14 C15 C16 C17 C18 C19 C20 C21 C22 C23 C24 N3 C29 S1 Cd1 S2 C30 N4 N4 C30 S2 C28 C27 C25 C26 C1 N1 N2 C2 N1 N2 C3 C4 C5 C6C7 C8 C9 C10 C11 C12 C13 C14 C15 C16 C17 C18 C19 C20 C21 C22 C23 C24 C27 C28 C26 C25 i i i Cd1 N3 S1 C29 i i i i i i i i i i i i i ii i i i i i i i i i i i i i i i i ii i N1 C1 C2 C3 C4 C5 C6 C7 C8 C9 C10 C11 C12 C12 C10C9 N1 C1 C2 C3 C4 C5 C8 C9C10 C11 C9C10 C12 C12 Hg1 S1 C13 N2 N2 C13 S1 ii i iiii ii ii ii ii ii iiii ii iii iii iii ii ii ii O ligante tiocianato (-SCN) ou isotiocianato (-NCS) é um bom exemplo para avaliação de dureza e maciez de centros metálicos, como pode ser visto nos exemplos acima. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química de Coordenação UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Teoria do Campo Cristalino: Ligações Químicas em Compostos de Coordenação A Teoria do Campo Cristalino (TCC) representa um avanço no entendimento de espectros, estruturas e magnetismo de complexos de metais de transição. A idéia central é descobrir como os orbitais d são afetados pela presença dos ligantes. Para isso, assume- se que os ligantes agem como cargas negativas. Na teoria do Campo Cristalino fazemos uso do conceito de interação eletrostática. Idéias Fundamentais da Química de Coordenação A Teoria do Campo Cristalino: Ligações Químicas em Compostos de Coordenação Se imaginarmos o íon metálico isolado no espaço, então seus orbitais d são degenerados (mesma energia). A medida que um ligante L se aproxima do metal pelas seis direções do octaedro,+-x,+-Y, +-Z, então os orbitais passam a ter diferentes energias. Os orbitais d que apontam na direção dos grupos L (dx2-y2 e dz2) são desestabilizados pela carga negativa dos ligantes e passam a ter maior energia. Os orbitais que apontam em outras direções (dxy, dxz,dzy) são menos desestabilizados. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química de Coordenação UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Teoria do Campo Cristalino: Ligações Químicas em Compostos de Coordenação O par de orbitais que são mais fortemente desestabilizados são frequentemente identificados por seu código de simetria, eg, ou simplesmente dσ, porque apontam nas direções das ligações σ M-L. Os três mais estáveis orbitais são chamados de t2g, ou simplesmente dπ; eles apontam em direções distintas dos ligantes mas podem formar ligações π com o ligante. A magnitude da diferença de energia entre os orbitais t2g e eg é chamada de desdobramento do campo cristalino ( ou 10Dq) e depende do valor efetivo da carga negativa e da natureza do ligante. Grandes valores de lindicam fortes ligações M-L. Idéias Fundamentais da Química de Coordenação UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Teoria do Campo Cristalino: Ligações Químicas em Compostos de Coordenação Alguns valores de P, a energia de emparelhamento Idéias Fundamentais da Química de Coordenação UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Teoria do Campo Cristalino: Ligações Químicas em Compostos de Coordenação Vejamos o exemplo de um metal com configuração eletrônica d6, como por exemplo, Co(III), [Ar} 4s0 3d6. Se o desdobramento do campo cristalino for alto, todos os 6 elétrons estarão preenchendo os orbitais de menor energia, t2g, deixando os orbitais eg vazios. Este é particularmente um arranjo estável, e outros metais d6, tais como Mo(0), Re(I), Fe(II), Ir(III) e Pt(IV), também mostram uma preferência para a geometria octaédrica. De fato, a configuração de baixo spin d6 é de longe o mais comum tipo de complexo metálico na química organometálica. A despeito da alta tendência do emparelhamento dos elétrons d6 que resulta na forma de baixo spin t2g6 eg0, se o desdobramento do campo cristalino é pequeno o suficiente, então os elétrons podem se rearranjar para criar a forma de alto spin t2g4 eg2. O que favorece a forma de alto spin é o fato de que poucos elétrons estão emparelhados nos mesmos orbitais, logo a repulsão elétron- elétron é reduzida. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Teoria do Campo Cristalino: Ligações Químicas em Compostos de Coordenação Idéias Fundamentais da Química de Coordenação O estado de spin de um complexo pode usualmente ser determinado pela medida do momento magnético do complexo. Isto é feito colocando-se o complexo sob efeito de um campo magnético. Na forma de baixo spin d6, a molécula é dita diamagnética, ou seja, é muito fracamente repelida pelo campo magnético. Por outro lado, a forma de alto spin é paramagnética, pois é atraída pelo campo devido a presença de elétrons desemparelhados. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Teoria do Campo Cristalino: Ligações Químicas em Compostos de Coordenação Idéias Fundamentais da Química de Coordenação Ligantes de campo alto e ligantes de campo baixo: Campo Forte e Campo Fraco As cores dos metais de transição surgem da absorção de luz que correspondem à transições de elétrons dos orbitais d (t2g e eg). O espectro eletrônico do complexo pode então dar uma medida da diferença entre as energias dos orbitais t2g e eg, e então nos dizer a força de campo do ligante. Ligantes de campo alto, como CO e C2H4, geram um alto valor de o (ou 10Dq). Ligantes de campo baixo, como H2O e NH3, geram um valor de pequeno e mesmo um íon metálico com configuração d6 passa a ser paramagnético. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Teoria do Campo Cristalino: Ligações Químicas em Compostos de Coordenação Idéias Fundamentais da Química de Coordenação A série espectroquímica de ligantes, que lista os ligantes mais comuns na ordem de crescimento de o, nos mostra o princípio geral de que ligantes doadores π, como H2O e haletos, tendem a serem ligantes de campo fraco . Ligantes que são π receptores, como CO, tendem a serem ligantes de campo forte. Baixo o Alto o Doares π Fortes receptores π /fortes doadores σ Importante: A TCC não explica a série espectroquímica. Somente a TCL explica esta variação. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química de CoordenaçãoIdéias Fundamentais da Química de Coordenação Para um dado conjunto de geometria e ligantes, íons metálicos tendem a ter diferentes valores de 10 dq. Por exemplo, os metais do primeiro período e metais em baixo estado de oxidação tendem a ter baixos valores de 10dq, ao passo que metais do segundo e terceiro períodos de metais de transição e metais em alto estado de oxidação tendem a ter altos valores de 10dq. Menor 10dq Alta valência, Maior 10dq Baixa valência, 3d 4d e 5d maiores valores de Dq Mn+2< V+2<Co+2< Fe+2 < Ni+2 < Fe+3 <Co+3 < Mn+4 < Rh+3 < Ru+3< Pd+4< Ir+3< Pt+4 A Teoria do Campo Cristalino: Ligações Químicas em Compostos de Coordenação UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Teoria do Campo Cristalino: Ligações Químicas em Compostos de Coordenação Idéias Fundamentais da Química de CoordenaçãoIdéias Fundamentais da Química de CoordenaçãoIdéias Fundamentais da Química de Coordenação Desdobramento do Campo Cristalino para complexos de número de coordenação 4. Dois tipos de desdobramentos são propostos: •Geometria quadrática plana •Geometria tetraédrica Para o mesmo grupo de ligantes, o desdobramento tetraédrico é menor do que o desdobramento octaédrico, pois no caso teraédrico temos apenas 4 ligantes se aproximando dos orbitais d, o que faz com que observemos espécies de alto spin (somente o campo fraco pode ser considerado para o caso tetraédrico) . Obviamente, os orbitais mais afetados serão aqueles apontados na direção dos ligantes, dxy, dxz, dyz (t2g) e terão maior energia que os orbitais dx2-y2 e dz2 (eg). UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIROINSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Teoria do Campo Cristalino: Ligações Químicas em Compostos de Coordenação Idéias Fundamentais da Química de Coordenação Desdobramento do Campo Cristalino para complexos de número de coordenação 4. Idéias Fundamentais da Química de Coordenação A Teoria do Campo Cristalino: Ligações Químicas em Compostos de Coordenação Desdobramento do Campo Cristalino para complexos de número de coordenação 4. A energia de emparelhamento é maior que 10dq, então os elétrons entram nos 5 orbitais permanecendo desemparelhados até o sexto elétron emparelhar com um deles. Desde que o valor de 10dq (em Kj/mol) é menor em complexos tetraédricos que em complexos octaédricos (devido ao efeito indireto do ligante e a quantidade) a estabilização do campo cristalino é menos importante. Devemos esperar os efeitos do campo cristalino minimizados em complexos tetraédricos em comparação com outras geometrias. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Distorções tetragonais da simetria octaédrica. Se dois ligantes trans em um complexo octaédrico (por exemplo, ao longo do eixo z) movem-se para mais próximo ou mais distante do metal, o complexo resultante é dito tetragonalmente distorcido. O teorema de Jahn-Teller diz que para uma molécula não linear que está eletronicamente degenerada de forma assimétrica, a distorção deve ocorrer para diminuir a simetria, remover a degenerescência e diminuir a energia. A melhor evidência para a presença do efeito Jahn-Teller em complexos de metais de transição vem de estudos de estruturas de sólidos contendo Cu(II), uma espécie de configuração d9. Idéias Fundamentais da Química de Coordenação A Teoria do Campo Cristalino: Ligações Químicas em Compostos de Coordenação UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química de Coordenação A Teoria do Campo Cristalino: Ligações Químicas em Compostos de Coordenação UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química de Coordenação A Teoria do Campo Cristalino: Ligações Químicas em Compostos de Coordenação Distorções tetragonais da simetria octaédrica. No caso de complexos de Cu(II), d9, o nono elétron tem a opção de entrar no orbital dz2 ou dx2-y2. No caso deste metal, a distorção por alongamento levará a uma estabilização de 1/2δ1 e o tamanho dos ligantes devem ser observados. Compressão ao longo do eixo z. Orbitais com componentes z de maior energia. Ex: [Ti(H2O)6]+3, espécie d1. Energia acrescida de 2/3 δ2. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química de Coordenação A Teoria do Campo Cristalino: Ligações Químicas em Compostos de Coordenação Desdobramento do Campo Cristalino para complexos de número de coordenação 4. Ìons d10 são frequentemente tetraédricos [ex: Zn(II), Pt(0), Cu(I)]. O desdobramento quadrático plano é adotado por metais de configuração d8 diamagnéticos, tais como Au(III), Ni(II), Pd(II) ou Pt(II),Rh(I) ou Ir(I). Também é comum para íons de configuração d9 paramagnético. In summary, 1 is the most stable form of the active catalyst at the DFT level. In 1, the methyl group is trans to the phenolate ligand. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química de Coordenação 1.4- A Teoria do Campo Cristalino Desdobramento do Campo Cristalino para complexos de número de coordenação 4. Se a distorção tetragonal progride suficientemente ao ponto dos ligantes no longo do eixo z se afastarem ao infinito, obtemos a geometria quadrática plana. Logo, a TCC considera o caso da geometria quadrática plana como sendo um caso limite de distorção tetragonal. Metais com configuração d8 e ligantes de campo forte favorecem a geometria quadrática plana. Esta combinação irá resultar em complexos de baixo spin com os orbitais d8 ocupando os orbitais de menor energia, yz, xz, xz e xy, enquanto o orbital de alta energia x2-y2 permanece desocupado. Idéias Fundamentais da Química de Coordenação A retrodoação: Back Donation Ligantes como NH3 são bons doadores σ mas não são significantes receptores π. CO, ao contrário, é um excelente receptor π. Tais ligantes π ácidos são de grande importância na química organometálica. Estes ligantes tendem a formar campos fortes, bem como fortes ligações M-L. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química de Coordenação UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Teoria do Campo Ligante: Teoria do Orbital Molecular aplicada a compostos de coordenação A Teoria do Campo Ligante nada nais é do que a aplicação da TOM para compostos de coordenação. Essencialmente, a TCL chega à mesma conclusão que a TCC. Porém, ao levar em consideração as ligações π a explica a série espectroquímica. O diagrama de energia é obtido através da combinação linear simétrica adaptada (SALC, em inglês) de orbitais atômicos e dados empíricos. Orbital do Metal Simetria S a1g Px, Py, Pz T1u dx2-y2, dz2 eg dxy, dxz, dyz t2g Idéias Fundamentais da Química de Coordenação UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Teoria do Campo Ligante: Teoria do Orbital Molecular aplicada a compostos de coordenação Seis combinações lineares simétricas adaptadas dos seis orbitais σ do ligante podem ser formadas. 1 SALC: Uma SALC (não normalizada) tem simetria a1g 3 SALCs: Há 3 SALCs de simetria T1u 2 SALCS: Há 2 SALCs de simetria eg Há 6 SALCs para todos os orbitais do ligante de simetria σ; não há combinação de orbitais σ dos ligantes que possuem simetria T2g dos metais, logo estes últimos não participam da ligação σ. Idéias Fundamentais da Química de Coordenação UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Teoria do Campo Ligante: Teoria do Orbital Molecular aplicada a compostos de coordenação O orbital S (simetria a1g) do metal e um SALC a1g do ligante sobrepõem-se para gerar dois orbitais moleculares, um ligante e outro antiligante. Similarmente, os duplamente degenerados orbitais eg (dx2-y2 e dz2) do metal e o SALC eg do ligante sobrepõem-se para originar 4 orbitais moleculares, dois ligantes e dois antiligantes. Os orbitais triplamente degenerados T1u do metal e os 3 SALCs T1u do ligante sobrepõem- se para originar 6 orbitais moleculares, 3 OMs ligantes e 3 OMs antiligantes. No total, há 6 combinações ligantes e 6 combinações antiligantes. Os triplamente degenerados orbitais T2g do metal permanecem não-ligantes e totalmente confinados no metal. Importante: Os orbitais moleculares do complexo são obtidos combinando-se SALCs e orbitais atômicos do metal de mesma simetria. Idéias Fundamentais da Química de Coordenação UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Teoria do Campo Ligante: Teoria do Orbital Molecular aplicada a compostos de coordenação Este é um diagrama que leva em consideração a formação de ligações σ somente. O que acontece quando levamos em consideração as ligações πi??? Os 6 orbitais moleculares ligantes podem acomodar os 12 elétrons provenientes dos ligantes. Idéias Fundamentais da Química de Coordenação UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Teoria do Campo Ligante: O Papel da ligação π Se os ligantes no complexo possuem orbitaiscom simetria local π com relação aos eixos M-L (como dois orbitais p de haletos), eles podem formar orbitais moleculares ligantes e antiligantes com os orbitais do metal com mesma simetria. Para um complexo octaédrico , as combinações que podem ser formadas a partir de orbitais π do ligante incluem SALCs de simetria t2g. Essas combinações de ligantes têm overlap com orbitais t2g do metal, que passam a ser não puramente não-ligantes no átomo metálico. Dependendo das energias relativas dos orbitais do ligante e metal, as energias dos orbitais t2g ficam abaixo ou acima das energias que apresentavam quando eram orbitais moleculares não-ligantes (confinados no íon metálico), logo o valor do desdobramento decresce ou aumenta. Idéias Fundamentais da Química de Coordenação UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Teoria do Campo Ligante: O Papel da ligação π Idéias Fundamentais da Química de Coordenação UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Teoria do Campo Ligante: O Papel da ligação π Podemos pôr o papel da ligação π em perspectiva. A ordem dos ligantes na série espectroquímica é parcialmente aquela das forças com quem os ligantes podem participar nas ligações sigma. Por exemplo, CH3- e H- são altos na série espectroquímica porque eles são fortes doadores σ. Todavia, quando a ligação π é significante, ela tem uma forte influência no desdobramento do campo cristalino. Ligantes doadores π diminuem a energia de desdobramento do campo cristalino, ao passo que ligantes recptores π aumentam o desdobramento do campo cistalino. Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Tipos de ligantes na Química Organometálica Muitos complexos formam ligações M-L usando o par de elétrons livres do ligante livre. Os compostos de coordenação de Werner sempre envolvem ligantes com pares de elétrons livres ou catrgas negativas formais. Há dois outros tipos de ligantes encontrados na química organometálica, compostos π e σ. Complexos π Etileno não possui elétrons livres, e mesmo assim, se coordena facilmente a metais de baixa valência. A ligação M-L é feita pela ligação π, daí o nome complexos π. Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Dado que o etileno se liga ao metal pela sua nuvem π, que está abaixo e acima do plano da molécula, o metal tem que se ligar ao etileno fora do plano desta molécula, onde os elétrons estão. Tipos de ligantes na Química Organometálica Este tipo de ligação é representada como η2- etileno (eta 2 etileno), onde a η representa hapiticidade do ligante, definida pelo número de átomos de carbono ligados ao metal. A retrodoação enfraquece a ligação π C=C. A distância da ligação C=C no etileno livre mede 1.32 ângstrons e mede 1.35-1.5 ângstrons no complexo. Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Complexos σ Hidrogênio molecular não possui elétrons livres e nem densidade π e, no entanto, se liga a metais. Ex : [W(η2-H2)(CO)3L2]. O único par de elétrons disponível é da ligação σ H-H e é esta densidade que é doada ao metal. Em alguns casos, observa-se uma retrodoação do metal ao ligante. De forma geral, a basicidade de pares de elétrons diminui na seguinte ordem: pares de elétrons livres˃ pares de ligação π ˃ par de ligação σ. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Fosfinas: Tal como a amônia, fosfinas , PR3, têm um par de elétrons livres no átomo de fósforo que pode ser doado ao metal. Ao contrário da amônia, fosfinas são π ácidos (π receptores), e esta π recepção depende da natureza do grupo R (fator eletrônico). Para alquil fosfinas, esta acidez pi é fraca; grupos aril, dialquilamino e alcóxidos são, nesta ordem, mais efetivos em promover a pi acidez. No caso extremo PF3, a pi acidez torna-se tão grande quanto no caso do CO. No caso do CO, o orbital π antiligante aceita elétrons do metal. No caso das fosfinas, o orbital σ antiligante desempenha o papel de receptor de elétrons. Quanto mais o grupo R torna-se eletronegativo, o orbital que o grupo R usa para se ligar ao fósforo torna-se mais estável. Isto implica que o orbital σ antiligante da ligação P-R também torna-se mais estável. Idéias Fundamentais da Química Organometálica Tipos de ligantes na Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química Organometálica Tipos de ligantes na Química Organometálica Ao mesmo tempo, a contribuição do fósforo também deve ser considerada pois o tamanho do lóbulo do orbital σ antiligante que aponta para o metal aumenta (quanto maior for o gap de energia entre dois orbitais atômicos, mais o orbital de menor energia contribui para a formação do orbital molecular ligante e menos para o orbital molecular antiligante). Estes dois fatores tornam o orbital σ antiligante vazio mais acessível para a retrodoação. A ordem final de aumento de π acidez é: PMe3 ≈ P(NR2)3 < PAr3< P(OMe)3<P(OAr)3< PCl3<CO<PF3 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química Organometálica Tipos de ligantes na Química Organometálica Outro importante fator de ligantes PR3 é o fator estéreo, que pode ser ajustado variando-se o tamanho de R. Por conta disso, o número de ligantes fosfinas em uma esfera de coordenação é limitado pelo fator estéreo. Esta é uma característica importante pois usando-se fosfinas volumosas, pode-se favorecer um baixo número de coordenação. O número máximo de fosfinas que podem se ligar a um metal é 2 para P(i-Pr)3, 3 ou 4 para PPh3, quatro para PMe2Ph e 5 ou 6 para PMe3. O ângulo de cone de Tolman. Uma parte importante da química organometálica consiste em variar fatores estéreos e eletrônicos de ligantes em um complexo para promover aquilo que se deseja: atividade ou seletividade em catálise homogênea, reversão ou formação de ligação, fácil decomposição ou alta estabilidade. Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Química Organometálica: Considerações Importantes A química organometálica se refere a compostos com ligações metal-carbono e/ou M- H, dos quais os mais simples são formados por ligações M-C de grupos alquila. Como ligantes σ, eles estão próximos de doadores σ na química de coordenação, tais como Cl-, H20, NH3. Uma grande parte de ligantes organometálicos (CO, etileno, fosfina, etc) são macios e podem formar ligações π. Há muitas diferenças entre complexos formados com este tipo de ligante e complexos formados por Cl-, H20, NH3. As ligações M-L são mais covalentes e possuem uma componente π. Os orbitais d são de maior energia e a retrodoação perturba a estrutura eletrônica dos ligantes de forma muito mais pronunciada que na química de coordenação. Os ligantes organometálicos podem ser polarizados e portanto ativados para reações químicas (ex:catálise). Ligações σ e π no ligante podem ser enfraquecidas ou fortalecidas, ligações químicas podem ser feitas ou desfeitas com e entre ligantes diferentes. Este rico padrão de reações é característico da química organometálica. Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Regra dos 18 elétrons A regra dos 18 elétrons é um meio de identificar qual composto organometálico é provavelmente mais estável. A regra dos 18 elétrons, que se aplica a muitos complexos com metais de transição em baixa valência,pode ser comparado a regra do octeto (1 orbital s, 3p, total de 8 elétrons) no sentido de que havendo 1 orbital s, 3 orbitais p e 5 orbitais d, o total de elétrons chega a 18. Tabela de contagem de elétrons por ligantes Ligantes M.C M.I Me, Cl, Ph, NO, H 1e- 2e- CO, NH3, PR3 2e- 2e- Doadores π (C2H4) 2e- 2e- Doadores σ (H2) 2e- 2e- M-Cl (ponte) 2e- 2e- η 5 Cp 5e- 6e- η 6 benzeno 6e- 6e- M.C: Método Covalente M.I: Método Iônico Observação Importante: Os dois métodos utilizados devem coincidir. Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Regra dos 18 elétrons Exemplos de compostos organometálicos que obedecem a regra dos 18 elétrons V(CO)6 : 17 e-; V(CO)6-1 estável! Cr(CO)6 : 18 é- Fe(CO)5 : 18 e- Ni(CO)4 : 18 e- Se temos somente ligantes neutros na esfera de coordenação, o método de contagem de elétrons covalente basta, já que o estado de oxidação do metal é zero. Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Regra dos 18 elétrons Limitações da Regra dos 18 elétrons: Regra dos 16 e- A Regra dos 16 e- é adotada por íons metálicos de configuração d8, tais como Pt(II), Pd(II), Au(III), Co(I), Rh(I), Ir(I). A geometria dos complexos é quadrática plana. Exemplos:[AuCl4]-; Pt[Cl4]-2; Pt(NH3)4+2 Façam a contagem de elétrons! Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Substituições Nucleofílicas em Compostos Organometálicos As reações de fosfinas com carbonilas metálicas investigadas por Basolo formam a base de nosso entendimento de reações de substituição na química organometálica em geral. É possível distinguir 2 mecanismos extremos para a substituição: um dissociativo, D, e outro associativo, A. Mecanismo Dissociativo: A dissociação envolve uma perda inicial lenta de CO para gerar uma vacância livre no metal, que é preenchida pela entrada do ligante L. Em geral, um passo dissociativo precede um associativo. A velocidade da reação independe da concentração de L. A velocidade da reação será a mesma independente da natureza de L. W(CO)6 → W(CO)5 + CO ETAPA LENTA V=K[Complexo] W(CO)5 + PPh3 → W(CO)5(PPh3) Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Substituições Nucleofílicas em Compostos Organometálicos Mecanismo Dissociativo: A velocidade é controlada pela velocidade com que o ligante de partida se dissocia. Ligantes que se ligam mais fracamente ao metal dissociam mais rapidamente que CO. Por exemplo, Cr(CO)5L mostra altas velocidades de susbstituição de L na ordem: CO<Ph3<Py. Para ligantes similares, fosfinas, quanto maior o ângulo de cone, mais rápida é a dissociação(efeito estéreo) e quanto maior a retrodoação menos rápida é a dissociação. Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Substituições Nucleofílicas em Compostos Organometálicos Mecanismo Associativo: A etapa lenta em uma substituição associativa é o ataque do ligante de entrada L’ no complexo pra formar um intermediário que expele rapidamente um dos ligantes originais L. Em geral, a etapa associativa precede a etapa dissociativa. Este mecanismo desempenha um papel em muitos complexos quadráticos planos como Pt(II), Pd(II), Ni(II), Rh(I), Ir(I). [Ni(CN)4]-2 + 14CN- → [Ni(CN)4(14CN)]- [Ni(CN)4(14CN)]- → [Ni(CN)3(14CN) + CN- A radioatividade do 14C permite monitorar esta reação, e o intermediário foi detectado e isolado. V=K[Complexo][L’] Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Reações em Organometálicos: Adição Oxidativa e Eliminação redutiva Após a formação de um complexo do tipo sigma, dependendo da configuração eletrônica do íon metálico, é possível que se observe uma adição oxidativa. Na AO, tem se uma variação do número de oxidação em duas unidades bem como o NC também em duas unidades. Já a Eliminação redutiva é observada quando certos ligantes na esfera de coordenação reagem entre si e elimininam uma molécula da esfera de coordenação. Geralmente são reações favoráveis termodinamicamente e irreversíveis. Observa-se uma diminuição de NC em duas unidades, bem como a diminuição do estado de oxidação em duas unidades. 2LnM(ou LnM-MLn) + A-B → LnM-A + LnM-B Adição Oxidativa Bimolecular. Idéias Fundamentais da Química Organometálica: Catálise UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA O Processo Monsanto: Adição Oxidativa, Eliminação redutiva, Formação de complexo sigma, mecanismo consistente com a regra dos 18 e´, Inserção de carbonila em ligação M-C. Neste processo, é possível observar uma série de reações tipicamente organometálicas. Calculem o número de elétrons de cada intermediário do processo catalítico. Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Hidrogenação de olefinas: Adição Oxidativa, Eliminação redutiva, Formação de complexo sigma, formação de complexo pi, mecanismo consistente com a regra dos 18 e-, Inserção de hidreto em alquenos, inserção de hidreto em alquilas. Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Química de Ciclopentadienilas O Grupo de ciclopentadienilas é talvez o mais importante ligante do grupo polienil porque se liga mais fortemente e é mais inerte a ataques nucleofílicos e eletrofílicos. Isto torna a Cp um confiável ligante espectador para uma série de complexos CpMLn (n=2,3,4) quando queremos que a química ocorra no fragmento MLn. CpMLn são frequentemente referidos como sendo “tamboretes de piano com duas, três ou quatro pernas”. Tamborete de piano Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Química de Ciclopentadienilas Os Metalocenos, Cp2M, são também importantes no desenvolvimento histórico da química organometálica, mas sua química é menos rica que a química de tamboretes de piano porque poucos ligantes podem se coordenar ao metalocenos sem ultrapassar a contagem de 18 e-. A mais importante aplicação reisde na polimerização de alquenos. A estrutura “sanduíche” de Cp2Fe foi deduzida por Wilkinson e Fischer em 1954. Esta é considerada uma das mais importates descobertas durante o desenvolvimento da química organometálica de metais de transição e ajudou na criação de um campo próprio da química organometálica. Observação importante: A hapticidade mais comum observada para ciclopentadienilas é eta-5, mas há casos de hapticidade 1 e hapticidade 3. Sendo assim, quantos elétrons cada tipo de hapticidade contribuiria para a contagem total de elétrons? Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Synthesis and Molecular Structures of Ferrocene and Zirconocene Featuring Bis(di(3,5-di-tert.-butyl)phenylphosphino) Groups Aleksandr Savateev,[a] Leonardo Da Cunha Ferreira,[c] Martin Nieger,[b] Maria de Fátima Vieira Marques,[c] Aleksandr Kostyuk,*[a] Iryna Grafova[b], and Andriy Grafov[b] Chemistry Select, 2017 Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Química de Ciclopentadienilas:Ligações Químicas Os 5 orbitais p dos átomos de carbono dão origem a 5 orbitais moleculares para o grupo Cp. A mais importantes sobreposições acontecem entre Psi 1 e orbital dz2, e entre Psi 2 e Psi 3 com os orbitais dxz e dyz. Psi 4 e Psi 5 interagem mais fracamente com dx2-y2 e dxy. Isto e mais a carga aniônica tornam complexos de Cp geralmente pouco básicos, e a presença de Cp encoraja a retrodoação do metal para outros ligantes na esfera de coordenação. Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Química de Ciclopentadienilas: Ligações Químicas Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Química de Ciclopentadienilas: Ligações Químicas e reatividade O cálculo das energias de orbitais moleculares para complexos Cp2M nos fornece uma configuração de orbitais semelhante à configuração de orbitais moleculares obtidos pela TCL para complexos octaédricos. Diagrama de energia de orbitais moleculares para Cp2Fe. Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Química de Ciclopentadienilas: Ligações Químicas e reatividade No caso do ferroceno, todos os orbitais ligantes e não-ligantes estão exatamente preenchidos, daí que metalocenos do grupo 8 sejam os mais estáveis da série. Metalocenos dos grupos 9 e 10 têm 1 ou 2 elétrons em orbitais antiligantes. Cobaltoceno e Niqueloceno são paramagnéticos e muito mais reativos que o ferroceno. Cromoceno e vanadoceno têm menos de 18e- e são também paramagnéticos. Íons d5 não apresentam EECC na sua forma de alto spin, e a espécie Cp2Mn é muito reativa e fortemente iônico em caráter. O ligante de campo forte C5Me5, por sua vez, forma um manganoceno de baixo spin. Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Metalocenos do grupo 4 e de elementos pesados dos grupos 5 a 7 são capazes de se ligarem a até 3 ligantes além das duas ciclopentadienilas; são os chamados metalocenos torcidos. Ao fazerem isso, as ciclopentadienilas torcem-se para trás em relação aos outros ligantes. Esta torção causa a mistura de orbitais s, p e d de forma que três orbitais híbridos apontam para o lado oposto da posição dos grupos Cps. A Química de Ciclopentadienilas: Ligações Químicas e reatividade Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Química de Ciclopentadienilas: Ligações Químicas e reatividade Vejamos o exemplo do fragmento “Cp2Re”: É possível a presença de mais um ligante na esfera de coordenação para gerar um metaloceno torcido sem infringir a regra dos 18 e-? Sim, é observado complexo do tipo Cp2ReH. E para os fragmentos “Cp2Mo” e “Cp2W”? São observados complexos do tipo Cp2MoX2 e Cp2WX2 (X= Hidreto, Cloreto) ou complexos do tipo Cp2Mo(CO) e Cp2W(CO), todos coordenativamente saturados. Idéias Fundamentais da Química Organometálica UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA A Química de Ciclopentadienilas: Ligações Químicas e reatividade Metais do grupo 5 podem se ligar a 3 ligantes: Cp2NbCl3 (Façam a contagem de elétrons). Metais do grupo 4 ligam-se a 2 ligantes (Cp2TiCl2); tendo 4 elétrons na camada de valência, o número de oxidação máximo é (IV). Isto deixa o titanoceno dihaleto de 16e- com um orbital vazio. Isto conta para muitas das diferenças observadas entre a química de metalocenos dos grupos 4 e 6. Complexos do tipo Cp2TiCl2 ou Cp2ZrCl2 podem se ligar a alquenos por meio da doação da densidade eletrônica da nuvem π. De fato, este complexos são excelentes catalisadores para a polimerização de olefinas. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química Organometálica A Química de Ciclopentadienilas: Ligações Químicas e reatividade Catalisadores Metalocênicos Catalisadores Cocatalisadores Estruturas propostas para o MAO Estrutura cíclica Estrutura linear de dupla cadeia Estrutura de [Al7O6(CH3)16]-46 Estruturas tridimensionais de MAO Idéias Fundamentais da Química Organometálica A Química de Ciclopentadienilas: Ligações Químicas e reatividade UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Vantagens dos catalisadores metalocênicos • Atividades extremamente altas • Enorme variedade de estruturas: tipo de ligante; de ponte; substituintes nos ligantes e nas pontes; tipo de metal de transição • Estruturas bem definidas de catalisadores: permite a formação de sítios ativos específicos e únicos • Cada tipo de sítio resulta em uma característica única: atividade, estereoseletividade, razão de reatividade: o catalisador controla a microestrutura do polímero UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química Organometálica A Química de Ciclopentadienilas: Ligações Químicas e reatividade Mecanismo de Polimerização (iniciação e propagação) Mecanismo de transferência de H- Mecanismo de transf. de cadeia para o composto de Al Mecanismo de transferência de cadeia UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química Organometálica A Química de Ciclopentadienilas: Ligações Químicas e reatividade Relação estrutura do metaloceno Microestrutura do PP Efeito da simetria do metaloceno e estereoseletividade PP atático PP isotático PP sindiotático UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química Organometálica Catalisador de metal de transição do final da série (late TM) Mecanismo de polimerização de olefina por catalisador de MT do final da série Outros catalisadores para polimerização de olefinas. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química Organometálica Estrutura de um complexo trimetálico utilizado na polimerização e copolimerização de etileno. • 1950’: acidentalmente, Max-Planck Institut, Alemanha, Karl Ziegler “PEAD” (HDPE): virtualmente sem ramificações d = 0,945 - 0,960 g/cm3 aplicações estruturais (muito rígido) Processo simplificado: 50 - 100 0 C; P atmosférica Sistema catalítico Ziegler: Composto de metal de transição dos Grupos 4 a 10 da Tabela Periódica (catalisador) Composto organometálico dos Grupos 1 a 3 (cocatalisador). Na prática: composto de Ti, V, Zr, Cr, Ni (geralmente cloretos) + alquil-Al Polimerização por Coordenação (mecanismo de inserção) + Mecanismo de Propagação para a Polimerização Ziegler-Natta Mecanismo de propagação monometálico migração UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química Organometálica Técnicas de Síntese: Atmosfera Inerte e Uso de técnica de Schlenk. Vidrarias Schlenk UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química Organometálica Técnicas de Síntese: Atmosfera Inerte e Uso de técnica de Schlenk. Capela com manifold UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Idéias Fundamentais da Química Organometálica Técnicas de Síntese: Atmosfera Inerte e Uso de técnica de Schlenk. Glove bag UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE QUÍMICA 26ª SEMANA DE QUÍMICA Obrigado a todos! Contato: leoferreira@ima.ufrj.brmravel4@yahoo.com.br “No mundo químico inorgânico reina a percepção mais aguda da diferença das forças” Friedrich Nietzsche, “Vontade de Potência” CURSO: ORGANOMETÁLICOS PROFESSOR DR. LEONARDO DA CUNHA FERREIRA (DQ-ICE-UFRRJ)