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1 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO ECONOMIA 02 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO A Faculdade Multivix está presente de norte a sul do Estado do Espírito Santo, com unidades em Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. Desde 1999 atua no mercado capixaba, destacando-se pela oferta de cursos de graduação, técnico, pós-graduação e extensão, com qualidade nas quatro áreas do conhecimento: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, sempre primando pela qualidade de seu ensino e pela formação de profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho. Atualmente, a Multivix está entre o seleto grupo de Instituições de Ensino Superior que possuem conceito de excelência junto ao Ministério da Educação (MEC). Das 2109 institu- ições avaliadas no Brasil, apenas 15% conquis- taram notas 4 e 5, que são consideradas conceitos de excelência em ensino. Estes resultados acadêmicos colocam todas as unidades da Multivix entre as melhores do Estado do Espírito Santo e entre as 50 melhores do país. MISSÃO Formar profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho, com elevado padrão de qualidade, sempre mantendo a credibil- idade, segurança e modernidade, visando à satis- fação dos clientes e colaboradores. VISÃO Ser uma Instituição de Ensino Superior reconheci- da nacionalmente como referência em qualidade educacional. R E I TO R GRUPO MULTIVIX R E I 03 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO BIBLIOTECA MULTIVIX (Dados de publicação na fonte) As imagens e ilustrações utilizadas nesta apostila foram obtidas no site: http://br.freepik.com F676e Fonseca, Géssica Germana. Economia/Géssica Germana Fonseca; Priscila Alves de Freitas (revisora). – Serra: Multivix, 2017. 123 f.: il.; 30 cm Inclui referências. 1. Economia. 2. Microeconomia 3. Macroeconomia I. Freitas, Priscila Alves de (revisora) II. Faculdade Multivix – NeaD. II. Título. CDD: 330.1 EDITORIAL Catalogação: Biblioteca Central Anisio Teixeira – Multivix Serra 2017 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei. FACULDADE CAPIXABA DA SERRA • MULTIVIX Diretor Executivo Tadeu Antônio de Oliveira Penina Diretora Acadêmica Eliene Maria Gava Ferrão Penina Diretor Administrativo Financeiro Fernando Bom Costalonga Diretor Geral Helber Barcellos da Costa Diretor da Educação a Distância Pedro Cunha Conselho Editorial Eliene Maria Gava Ferrão Penina (presidente do Conselho Editorial) Kessya Penitente Fabiano Costalonga Carina Sabadim Veloso Patrícia de Oliveira Penina Roberta Caldas Simões Revisão de Língua Portuguesa Leandro Siqueira Lima Revisão Técnica Alexandra Oliveira Alessandro Ventorin Graziela Vieira Carneiro Design Editorial e Controle de Produção de Conteúdo Carina Sabadim Veloso Maico Pagani Roncatto Ednilson José Roncatto Aline Ximenes Fragoso Genivaldo Felix Soares Multivix Educação à Distância Gestão Acadêmica - Coord. Didático Pedagógico Gestão Acadêmica - Coord. Didático Semipresencial Gestão de Materiais Pedagógicos e Metodologia Direção EaD Coordenação Acadêmica EAD 04 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO - R E I TO R APRESENTAÇÃO DA DIREÇÃO EXECUTIVA Aluno (a) Multivix, Estamos muito felizes por você agora fazer parte do maior grupo educacional de Ensino Superior do Espírito Santo e principalmente por ter escolhido a Multivix para fazer parte da sua trajetória profissional. A Faculdade Multivix possui unidades em Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. Desde 1999, no mercado capixaba, destaca-se pela oferta de cursos de graduação, pós-graduação e extensão de qualidade nas quatro áreas do conhecimento: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, tanto na modalidade presencial quanto a distância. Além da qualidade de ensino já comprovada pelo MEC, que coloca todas as unidades do Grupo Multivix como parte do seleto grupo das Instituições de Ensino Superior de excelência no Brasil, contando com sete unidades do Grupo entre as 100 melhores do País, a Multivix preocupa-se bastante com o contexto da realidade local e com o desenvolvimento do país. E para isso, procura fazer a sua parte, investindo em projetos sociais, ambientais e na promoção de oportunidades para os que sonham em fazer uma faculdade de qualidade mas que precisam superar alguns obstáculos. Buscamos a cada dia cumprir nossa missão que é: “Formar profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho, com elevado padrão de qualidade, sempre mantendo a credibilidade, segu- rança e modernidade, visando à satisfação dos clientes e colaboradores.” Entendemos que a educação de qualidade sempre foi a melhor resposta para um país crescer. Para a Multivix, educar é mais que ensinar. É transformar o mundo à sua volta. Seja bem-vindo! Prof. Tadeu Antônio de Oliveira Penina Diretor Executivo do Grupo Multivix 05 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO Você está prestes a iniciar o estudo da disciplina Economia. Economia é uma matéria fascinante e o estudo dessa disciplina certamente mudará a sua forma de ver o mundo e de se relacionar no am- biente na qual está inserido. Se pararmos um minuto para observar ao nosso re- dor, é possível compreender os conceitos de econo- mia no nosso dia a dia. Muitas vezes estamos tão apressados com as nossas obrigações diárias e nem percebemos que podemos usar as noções de eco- nomia para resolver vários problemas. Dizemos que a economia existe devido à escassez, ou seja, a falta de recursos. Caso os recursos exis- tissem na sociedade de forma abundante não seria necessário pensar na melhor forma de distribuir tais recursos. Pense, por exemplo, se você possuísse di- nheiro e tempo de forma infinita, e tudo que você pensasse em fazer ou em utilizar também não tives- se limite. Nesse caso não seria necessário pensar em economia. Devido a existência de recursos finitos surge a ne- cessidade de pensar em Economia. Independente da sua profissão, classe social, ou ideologia política, são necessárias noções de economia para resolver problemas diários. Nesse sentido desenvolvemos essa apostila com muito carinho pensando nos alu- nos do curso Ead da Faculdade Multivix. Desejamos a todos bons estudos!!! APRESENTAÇÃO GERAL DA DISCIPLINA 06 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO LISTA DE GRÁFICOS > > > > > Gráfico 1: Curva de Demanda 36 Gráfico 2: Curva de Demanda 40 Gráfico 3: Deslocamentos da Curva de Demanda 41 Gráfico 4: Curva de Oferta 42 Gráfico 5: Equilíbrio de Mercado 43 07 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO SUMÁRIO 2UNIDADE 1UNIDADE 1 EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO 12 1.1 INTRODUÇÃO A ECONOMIA 12 1.1.1 A CIÊNCIA ECONOMIA12 1.1.2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO PENSAMENTO ECONÔMICO 17 1.1.2.1 ANTIGUIDADE CLÁSSICA (1ª. FASE) 18 1.1.2.2 ANTIGUIDADE CLÁSSICA (2ª. FASE) 19 1.1.2.3 IDADE MÉDIA (500 A 1500) 20 1.1.2.4 MERCANTILISMO (SÉCULOS XVI A XVIII) 21 1.1.2.5 MERCANTILISMO ESPANHOL 22 1.1.2.6 MERCANTILISMO INGLÊS 22 1.1.2.7 MERCANTILISMO FRANCÊS 22 1.1.2.8 REVOLUÇÃO FILOSÓFICA E INDUSTRIAL (1750 A 1850) 23 1.1.2.9 REVOLUÇÃO/TEORIA NEOCLÁSSICA 25 1.1.3 REVOLUÇÃO KEYNESIANA E GRANDE DEPRESSÃO DE 1929. 25 1.1.3.1 REVOLUÇÃO/TEORIA NEOLIBERAL: 26 1.1.4 MODELOS ECONÔMICOS 27 1.1.4.1 PRIMEIRO MODELO: DIAGRAMA DE FLUXO CIRCULAR DA RENDA SIMPLIFICADO 27 1.1.4.2 SEGUNDO MODELO: FRONTEIRA DE POSSIBILIDADE DE PRODUÇÃO (FPP) 29 1.1.4.3 SETORES DA ECONOMIA 31 1.1.4.4 ORGANIZAÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA 31 1.1.4.5 CARACTERÍSTICAS DAS ECONOMIAS LIBERAIS DE MERCADO 32 1.1.4.6 AS ECONOMIAS CENTRALMENTE PLANIFICADAS 33 1.1.4.7 ECONOMIAS SOCIAIS DE MERCADO (MISTAS) 34 2 OFERTA, DEMANDA E EQUILÍBRIO DE MERCADO 36 2.1 MICROECONOMIA 36 2.1.1 INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA 36 2.1.1.1 TEORIA ELEMENTAR DA DEMANDA 36 2.1.1.1.1 CONCEITO 36 2.1.1.1.2 LEI GERAL DA DEMANDA 37 2.1.1.2 FUNÇÃO DA DEMANDA 38 2.1.1.3 TIPOS DE BENS X PREÇO DO BEM 39 2.1.1.4 DISTINÇÃO ENTRE DEMANDA E QUANTIDADE DEMANDADA 40 2.1.2 A TEORIA DA FIRMA / TEORIA DA PRODUÇÃO 45 08 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 2.1.3 TEORIA DOS CUSTOS ECONÔMICOS 49 2.1.4 TEORIA DOS RENDIMENTOS 53 3 ESTRUTURAS DE MERCADO 55 3.1 ESTRUTURAS DE MERCADO 55 3.1.1.1 CONCORRÊNCIA PURA OU PERFEITA 55 3.1.1.2 MONOPÓLIO 56 3.1.1.3 OLIGOPÓLIO 56 3.1.1.4 CONCORRÊNCIA MONOPOLISTA 57 3.1.2 ESTRUTURA DO MERCADO DE FATORES DE PRODUÇÃO 58 3.1.2.1 CONCORRÊNCIA PERFEITA NO MERCADO DE FATORES 58 3.1.2.2 MONOPSÔNIO 58 3.1.2.3 OLIGOPSÔNIO 58 3.1.2.4 MONOPÓLIO BILATERAL 59 3.1.3 AS EMPRESAS E O MERCADO 59 3.1.3.1 CONCENTRAÇÃO ECONÔMICA NO BRASIL - O CADE 59 3.1.3.2 O QUE FAZ O CADE 61 4 O PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) 66 4.1 MACROECONOMIA 66 4.1.1 MENSURAÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA 66 4.1.2 FLUXO CIRCULAR DE RENDA E PRODUTO 67 4.1.3 PRODUTO NACIONAL 67 4.1.4 DESPESA NACIONAL 70 4.1.5 POUPANÇA E INVESTIMENTOS AGREGADOS 72 4.1.6 ANÁLISE DE CENÁRIOS DA ATIVIDADE ECONÔMICA 72 4.1.7 RENDA NACIONAL 73 4.1.8 PIB PER CAPITA 74 4.1.9 PIB NOMINAL E PIB REAL 76 5 SISTEMA MONETÁRIO E POLÍTICAS MACROECONÔMICAS 79 5.1 O SISTEMA MONETÁRIO 79 SUMÁRIO 4UNIDADE 5UNIDADE 3UNIDADE 09 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO SUMÁRIO 6UNIDADE 5.1.1 FUNÇÕES DA MOEDA 80 5.1.2 TIPOS DE MOEDA 81 5.1.3 A MOEDA NA ECONOMIA 81 5.1.4 O BANCO CENTRAL 83 5.1.4.1 O BANCO CENTRAL E A POLÍTICA MONETÁRIA 84 5.1.5 POLÍTICA FISCAL COMO INSTRUMENTO DE MACROECONOMIA 87 5.1.6 POLÍTICA COMERCIAL COMO INSTRUMENTO DE MACROECONOMIA 88 5.1.7 POLÍTICA CAMBIAL COMO INSTRUMENTO DE MACROECONOMIA 88 5.1.8 POLÍTICA BRASILEIRA DE COMBATE À INFLAÇÃO 89 5.1.9 O QUE DETERMINA O VALOR DA MOEDA? 90 5.1.10 FATO HISTÓRICO 92 5.1.11 O IMPOSTO INFLACIONÁRIO 92 5.1.12 CUSTOS DA INFLAÇÃO 94 5.1.13 O PLANO REAL 95 6 O SETOR EXTERNO 102 6.1 OS FLUXOS INTERNACIONAIS DE BENS E CAPITAIS 102 6.2 RISCO PAÍS 104 6.3 POUPANÇA, INVESTIMENTO E SUA RELAÇÃO COM OS FLUXOS INTERNACIONAIS 106 6.4 TAXA DE CÂMBIO REAL E TAXA DE CÂMBIO NOMINAL 107 6.5 A INFLAÇÃO E AS TAXAS DE CÂMBIO NOMINAIS 109 6.6 COMO AS FORÇAS ATUAM NO MERCADO DE CÂMBIO 110 6.7 REGIMES CAMBIAIS 111 6.7.1 REGIME DE CÂMBIO FIXO 111 6.7.2 O REGIME DE CÂMBIO FLUTUANTE 112 6.7.3 REGIME DE CÂMBIO BRASILEIRO: FLUTUAÇÃO SUJA (DIRTY FLOATING) 113 6.7.4 O PADRÃO OURO 113 6.7.5 ABERTURA COMERCIAL 114 6.7.6 FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL – FMI 116 CONCLUSÃO 121 REFERÊNCIAS 122 10 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO ICONOGRAFIA ATENÇÃO PARA SABER SAIBA MAIS ONDE PESQUISAR DICAS LEITURA COMPLEMENTAR GLOSSÁRIO ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM CURIOSIDADES QUESTÕES ÁUDIOSMÍDIAS INTEGRADAS ANOTAÇÕES EXEMPLOS CITAÇÕES DOWNLOADS 11 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO UNIDADE 1 • Diferenciar os vários entendimentos possíveis da palavra economia. • Diferenciar aspectos de microeconomia de macroeconomia; • Entender os conceitos de tradoff e custo de oportunidade e aplicar em seu dia a dia; • Compreender os modelos econômicos de Fluxo Circular de Renda e Fronteira de Possibilidade de Produção; • Analisar o sistema econômico de um país e saber classificar em economia de mercado, economia centralizada, ou economia mista; OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos: 12 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 1 EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO 1.1 INTRODUÇÃO A ECONOMIA 1.1.1 A CIÊNCIA ECONOMIA A palavra economia vem do termo grego oikonomía, onde oikos significa lar e nomos significa lei, de tal modo a palavra economia pode ser compreendida como admi- nistração do lar. No contexto de uma casa (um lar) a família precisa tomar diversas decisões em seu dia a dia, como por exemplo: Quem preparará as refeições? Quem cuidará da limpeza do ambiente? Qual tarefa cada membro da família desempenhará? Qual aparelho de TV deverá ser adquirido? Essas decisões precisam ser tomadas pois há necessidade de gerenciar a alocação de recursos tendo em vista que eles são escassos. Caso os recursos fossem abundan- tes uma família não precisaria se preocupar com qual aparelho de TV seria adquiri- do, era só comprar o melhor disponível no mercado e o problema estaria resolvido. No entanto, várias questões são levadas em consideração no momento de efetuar a compra, questões como preço, qualidade, marcar, recursos disponíveis, formas de pagamento, garantia, são importantes no momento da decisão, a fim de chegar à conclusão de qual aparelho possui melhor custo-benefício. 13 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO Assim como uma família sempre tem diversas decisões a tomar sobre como admi- nistrar seus recursos e quem vai realizar as várias tarefas, a sociedade, como um todo, também se depara com inúmeras decisões: O que e quanto produzir? Como produzir? Para quem produzir? Podem comprar comida, roupas, viagens etc. Podem poupar parte da renda para a aposentadoria ou para pagar os estudos dos filhos. O que e quanto produzir? Como produzir? Para quem produzir? São os problemas econômicos fundamentais que a sociedade precisa resolver, tendo em vista que os recursos são limitados e as necessidades humanas ilimitadas, ou seja, há escas- sez de recursos. Escassez significa que a sociedade tem menos a oferecer do que aquilo que as pes- soas desejam ter. E Economia é o estudo da forma pela qual a sociedade administra seus recursos escassos. De tal modo a economia só existe, pois há escassez de recursos. Na maioria das sociedades, os recursos são alocados pelas ações combinadas de milhões de famílias e empresas. O comportamento de uma economia reflete o com- portamento das pessoas que formam esta economia. A escassez de recursos implica que os agentes econômicos enfrentam “tradeoffs”, ou seja, escolhas. No fundo isto tem a ver com as expressões "nada é de graça", ou "there is no free lun- ch". Para se obter algo que desejamos, em geral temos de abrir mão de algo de que gostamos => Deve-secomparar objetivos. Pense num casal decidindo como alocar a renda da família: 14 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO No momento em que eles resolvem gastar um real num item, é menos um real dis- ponível para as outras despesas. Isto é, existe um tradeoff entre as diversas possibili- dades de alocação da renda familiar. Assim como uma família, uma sociedade também se depara com tradeoffs. Um tradeoff clássico seria "armas e manteiga". Quanto mais é gasto na defesa nacional (armas), menos se pode gastar com bens para aumentar o padrão de vida desta so- ciedade (manteiga). Uma empresa de capital aberto pode enfrentar um tradeoff entre uma distribuição de lucros através de dividendos para seus acionistas ou reter parte dos lucros para financiar uma expansão de atividades. A tomada de decisões exige a comparação dos custos e benefícios de vários cursos de ação, que nem sempre são óbvios. Além de definir exatamente o que são custos deve-se estar atento para o custo oportunidade. O custo de oportunidade é um custo associado a uma oportunidade perdida, ou seja, há uma oportunidade que desistimos. No estudo do conceito do custo de opor- tunidade partimos do princípio que o ser humano é racional e sempre fará a melhor escolha possível. A cada tradeoff “abrimos mão” de algo para selecionar uma alterna- tiva melhor, e o que não escolhemos representa o nosso custo de oportunidade. Ou seja, toda nova oportunidade tem um custo, e esse custo é o que deixamos para traz. Nesse sentido, imagine um proprietário de um ponto comercial que rende um alu- guel mensal de R$5.000,00 (cinco mil reais). Caso o proprietário decida não alugar o ponto comercial e resolva abrir uma empresa neste endereço, qual seria o custo de oportunidade? O custo de oportunidade está associado a uma oportunidade per- dida, e nesse caso poderia ser expressado pelo valor monetário de R$5.000,00. Cer- tamente o proprietário do ponto comercial tomaria essa decisão com a pretensão de auferir lucros superiores a R$5.000,00. Partimos do princípio que o proprietário é racional e tomou a melhor decisão possível dentro do leque de possibilidades. O que o proprietário do ponto comercial precisa abrir mão devido a nova escolha é o custo de oportunidade. 15 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO Nem sempre o custo de oportunidade será expresso de forma quantitativa como no exemplo acima. Algumas vezes ele aparecerá de forma qualitativa. Suponha um estudante do curso de Administração presencial e matutino que em uma determinada manhã quarta feira tenha decidido ir à praia. Qual é o custo de oportunida- de do estudante diante da situação? Ou seja, qual oportunidade o estudante abriu mão para ir à praia? Nesse caso o custo de oportunidade é participar da aula na faculdade. EXEMPLO Como o custo de oportunidade supõe que os indivíduos sejam racionais, considera- mos que a melhor escolha que o estudante poderia realizar nessa manhã de quarta feira específica seria ir à praia. No entanto essa escolha possui um custo de oportu- nidade imediato, e que pode gerar consequências negativas em um futuro próximo. Suponha agora um estudante que iniciou o curso de Ciências Contábeis. Ao resolver cursar uma universidade, uma pessoa tem claramente um benefício intelectual e melhores oportunidades de emprego ao longo da vida. E os custos? Anuidades, li- vros e em alguns casos moradia e alimentação. Além desses custos diretos, a pessoa tem um custo oportunidade: ao invés de estudar, ela poderia estar trabalhando e ganhando um salário. O dinheiro dos livros e anuidades poderia estar aplicado, ren- dendo juros. Imagine que um jogador de futebol muito bem pago, (um jogador de seleção) es- tivesse pensando abandonar sua carreira para estudar medicina. Certamente o seu custo oportunidade é muito alto. Pois o salário que ele deixaria de ganhar como jogador é muito alto. Se um outro jogador da terceira divisão resolvesse a mesma coisa, certamente não estaria abrindo mão de um salário tão alto, logo seu custo oportunidade é menor. 16 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO A ciência que estuda a escassez é a Economia. Podemos aprofundar o estudo sobre a Economia a partir de dois grandes ramos a saber: MICROECONOMIA: os microeconomistas são economis- tas que buscam estudar as unidades econômicas individuais como por ex- emplo consumidores, empresas, tra- balhadores, buscando estudar o funcio- namento do mercado (oferta e demanda) para a determinação de preço; MACROECONOMIA: os macroeconomistas são economistas que estudam o comportamento dos agregados econômicos tais como: renda, produto nacional, nível de emprego, taxa de juros, taxa de câmbio, entre outros; Os economistas tentam tratar seu campo de estudo com a objetividade de um cien- tista. Eles formulam teorias, coletam dados e depois analisam esses dados para con- firmar ou refutar suas teorias. A essência da ciência é o método científico - a formu- lação e o teste desapaixonado de teorias sobre o funcionamento do mundo. Contudo, os economistas enfrentam um empecilho que torna sua tarefa mais desa- fiadora: com frequência os experimentos no campo da economia são difíceis. Um fí- sico que estudasse a lei da gravidade poderia deixar cair uma bolinha quantas vezes achasse necessário para gerar os dados para sua pesquisa. Já um economista que estudasse a correlação da política monetária de países com a inflação, não poderia simplesmente controlar a expansão monetária para obter dados. Assim como os astrônomos, o economista tem que se contentar com os dados que o mundo lhe fornece e prestam bastante atenção aos experimentos naturais que a história lhe oferece: a guerra no oriente médio e a interrupção do fluxo de petróleo para a economia mundial, a grande depressão, a revolução industrial inglesa, a hiper inflação alemã, a recente crise na Ásia etc. Esses episódios são valiosos, pois nos per- mitem ver como a economia funcionou no passado e principalmente avaliar teorias no presente. O papel das hipóteses: A razão pela qual os economistas elaboram hipóteses é basi- camente a mesma que surge em outra ciência. As hipóteses facilitam a compreen- são do mundo. Um físico, ao estudar a queda de uma bolinha de três metros de altura formula a hi- pótese que ela estaria caindo no vácuo (para não levar em consideração o atrito com 17 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO o ar). Se a bolinha estivesse caindo de um edifício de cinquenta andares, esta já não seria uma hipótese razoável. Um economista, para estudar o comércio internacional, por exemplo, supõe que o mundo é constituído de dois países que produzem dois bens. O mundo real é forma- do por diversos países e cada um deles produz milhares de bens. A hipótese permite a concentração do pensamento. Uma vez compreendido o comércio internacional num mundo imaginário, o economista estará em melhor posição para entender o mundo real. A arte do pensamento científico quer seja na física ou na economia, está em decidir quais as hipóteses formular. 1.1.2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO PENSAMENTO ECONÔMICO A Economia se apresenta sob uma evolução que acompanha a história da huma- nidade, empreendendo uma apresentação de aspectos relevantes, proporcionando assim o que chamamos de Evolução Histórica do Pensamento Econômico. Essa evolução se apresenta nas seguintes fases: • Antiguidade Clássica (1ª. Fase); • Antiguidade Clássica (2ª. Fase); • IdadeMédia (500 a 1500 d.C.); • Mercantilismo (do Século XVI a XVIII); • Revolução Filosófica e Industrial (1750 a 1850). Devemos considerar também, as Escolas Hedonistas – Psicológicas e Matemática ou de Lousanne; e a Corrente do Pensamento Econômico Moderno – Keynesianismo); 18 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 1.1.2.1 ANTIGUIDADE CLÁSSICA (1ª. FASE) Podemos entendê-la sob os seguintes pontos importantes: • Período: do ano 4000 ao ano 1000 a.C. • Verificamos nesse período, os chamados “Tempos Bíblicos”, com os ensinamen- tos e procedimentos relatados no Antigo Testamento (do ano 2500 ao ano 100 a.C.) e no Novo Testamento. • Características: Atividades de subsistência e autoconsumo. • Nota-se o aparecimento de conceitos de: propriedade, herança, salário, tributos, moeda e práticas comerciais. • Propriedade: Os homens deixam de ser nômades, dedicando-se às atividades agropecuárias. • Herança: Primazia do primogênito na distribuição. A seguir, irmãos, irmãs, ir- mãos dos pais, filhos, filhas e demais parentes. • Salário: Exemplos, como o do pagamento de Labão a Jacó (Gn. 29:15-20 e 30:32). • Tributos: Corvéia (obrigação de trabalho, instituído pelo Rei Salomão), Dízimo (em espécie), Captação (para o sustento do templo). • Moeda: usavam-se as trocas; posteriormente, quantidades de ouro e prata; além de moedas estrangeiras até 141 a.C. • Práticas comerciais: Mais voltadas à agricultura, prática de descanso do solo no 7º. ano. 19 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO 1.1.2.2 ANTIGUIDADE CLÁSSICA (2ª. FASE) Podemos entendê-la sob os seguintes pontos importantes: • Período: do ano 1000 a.C. ao ano 476 d.C. • Este período trouxe importantes contribuições no estudo de ideias sobre rique- za, valor econômico e moeda. Vemos pela primeira vez as expressões: econo- mia, econômico, valor e utilidade. • Personagens importantes: Xenofonte, Platão e Aristóteles (gregos), além dos romanos. • Xenofonte: Com sua obra “Os Econômicos” fala sobre a utilidade e as riquezas econômicas, a agricultura e sua importância. A riqueza estava intimamente li- gada às necessidades humanas. É o primeiro a utilizar as expressões economia e econômico. • Platão: Com sua obra “A República” e seus escritos sobre produção e riqueza e seus limites. • Aristóteles: Analisou a sociedade privada, foi o primeiro a formular uma teoria sobre o dinheiro, trocas e valor, além das funções da moeda. • De Roma: procedimentos jurídicos foram sua mais importante contribuição. Podemos dizer que, fatos negativos de sua história foram a mola propulsora de seu desenvolvimento. Trazendo, com sua queda, o aparecimento do Cristianis- mo, após decreto do imperador Constantino, no ano 311. 20 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 1.1.2.3 IDADE MÉDIA (500 A 1500) Tem início em 476, com a queda do Império Romano do Ocidente (também conhe- cida como era Medieval ou Feudalismo). Fatos Marcantes: • Aumento do poder da Igreja, aumento do caos social, e, desenvolvimento deter- minado pelo retorno às atividades rurais. • Moedas e preços substituem as trocas diretas, consolidando o sistema salarial e servindo de começo para o capitalismo. • A terra torna-se riqueza, transformando os proprietários num poder paralelo aos dos soberanos. • Grande ebulição, do ano 500 ao ano 1000 (migrações, guerras, fusões de povos e culturas). • Com o aumento das necessidades econômicas e políticas, começam a ser cria- dos os países da Europa Ocidental. • O Cristianismo se impõe, opondo-se aos pensamentos gregos e romanos (favo- ráveis à escravidão e contrário à dignidade do trabalho). • A Igreja passou a exercer uma influência civilizadora, disseminando as artes, o saber e exaltando as virtudes. 21 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO • Devido às dificuldades de transporte, se exercitava uma economia de autossu- ficiência, não havendo uma preocupação com a riqueza, pois a moral religiosa do Cristianismo continha os excessos de bens e ostentação. • As Cruzadas são organizadas para levar os costumes e o pensamento cristão europeu aos muçulmanos do norte da África. 1.1.2.4 MERCANTILISMO (SÉCULOS XVI A XVIII) Fase da Renascença, onde o capitalismo começa a se configurar nas formas comer- cial e financeira. - Caracteriza-se como um regime de nacionalismo econômico, fazendo da acu- mulação de riquezas o principal fim do Estado; com isso, os Estados evoluíram, trazendo modernização e novas concepções sobre a economia e a riqueza. Consequências importantes: Modernização da agricultura; Surgimento da figura do empresário, ou do grande mercador, para determinar os processos produtivos; Aumento do capital comercial pelo incremen- to do comércio internacional; Comércio passa a ser o centro da vida econômica e a riqueza da vida social. - Vem da palavra mercator porque considerava o comércio como base funda- mental para aumento das riquezas. - Apresenta uma preocupação com a apresentação de uma Balança Comercial sempre favorável (daí os governos buscarem um grande acúmulo de ouro e prata), o que fortalecia o Estado (podemos entender como sendo uma forma inicial da prática de protecionismo). - Se desenvolveu inicialmente na Espanha, Inglaterra e França, com impactos que duram até os dias atuais. Podem ser entendidos assim: 22 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 1.1.2.5 MERCANTILISMO ESPANHOL - Crescimento interno pela não exportação do ouro e prata, com uma preocupa- ção em acumular esses metais em ligotes (Bulionismo); - Exploração das colônias, visando principalmente extrair o máximo de metais preciosos desses locais para envio à coroa. 1.1.2.6 MERCANTILISMO INGLÊS - Incentivo às exportações de seus produtos; - Importações por meio de contratos, que obrigavam os países que vendiam, a comprar produtos ingleses (forma de protecionismo). 1.1.2.7 MERCANTILISMO FRANCÊS - Semelhante ao inglês, mas incentivava quase que exclusivamente o crescimen- to industrial (tapetes Gobelin e porcelana de Sèvres); - O Brasil, na época, era obrigado a comercializar com os outros países através da coroa portuguesa, situação que foi mudada, com a vinda da família real portuguesa (fugindo dos ataques de Napoleão Bonaparte, que naquele mo- mento conquistava os países da Europa), o que então promoveu instalações de indústrias, e o comércio passou a ser feito de forma direta, sem a interferência de Portugal. 23 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO 1.1.2.8 REVOLUÇÃO FILOSÓFICA E INDUSTRIAL (1750 A 1850) Característica marcante: Transformação radical nas ideias, onde, no início, se buscava a liberdade total. À partir daí, vemos as seguintes características: • Melhor aproveitamento das forças naturais; • Inovações mecânicas (como importante característica da Revolução Industrial); • Capitalismo industrial; • Liberdade econômica; • Direito absoluto de propriedade; • Racionalismo filosófico e econômico. 24 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Com essas características, as escolas filosóficas passaram então a ter as seguintes configurações: ESCOLAFisiocrata Clássica Pessimista Socialista PRINCIPAIS IDEIAS O Estado não deve interferir na prática econômica, pois a economia deve funcionar livremente, tal como a natureza. Para essa corrente de pensamento a lei da natureza é suprema e qualquer intervenção do Estado nos assuntos econômicos é prejudicial. Acredita que o Estado não deve interferir nos assuntos econômicos, deixando o mercado atuar livremente conforme as forças de oferta e demanda. Para essa teoria o Estado deve interferir nos assuntos econômicos apenas quando o mercado não existir, ou quando não existir livre concorrência. Para Escola Clássica é de fundamental importância que exista a livre concorrência, pois ela é capaz de garantir a alocação de recursos mais eficientes para a produção. Representa o realismo, como uma reação aos pensamentos e às leis da Escolas Fisiocrata e Clássica, de que as leis econômicas, embora naturais, não traziam benefícios às populações, porque deixava um largo campo desassistido. Substituição de liberdades (individual, da propriedade individual e contratual) por uma ordem, baseada num primado social em que, a propriedade e o controle dos meios de produção, devem estar em poder do Estado; essa visão se constitui uma reação contra os abusos do liberalismo; na luta contra a dissociação entre trabalho e capital, os socialistas pretendiam uma ordem social mais justa, com igual repartição das riquezas e das oportunidades entre todos os participantes da produção, notadamente para os trabalhadores, já despojados de seus instrumentos produtivos. “O Capital”, de Marx é a mais importante obra produzida. 25 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO 1.1.2.9 REVOLUÇÃO/TEORIA NEOCLÁSSICA IDEIA CENTRAL: A economia deveria partir da análise das necessidades humanas e das leis que determinam a utilização dos recursos disponíveis, para satisfazê-las. A Teoria Neoclássica teve início por volta de 1870 e se desenvolve até as primeiras décadas do século XX. Essa teoria compreende a maioria dos paradigmas clássicos e aprimora outros. Em relação a papel do Estado na regulação dos mercados as duas teorias afirmam que é importante a não intervenção do Estado na economia (exceto em casos especiais), a fim de se alcançar eficiência econômica. No entanto a Teoria Neoclássica nega a Teria do valor de David Ricardo, que afirma que o valor de troca das mercadorias é determinado pela quantidade de trabalho ne- cessário à sua produção. Para a Teoria Neoclássica o valor do produto é algo totalmen- te subjetivo e relaciona-se com a utilidade que o produto tem para casa indivíduo. A Teoria neoclássica se desdobra em várias correntes (grupos) de pensamentos. Den- tre alguns autores importantes podemos citar: Carl Menger, William Stanley Jevons, Léon Walras, Alfred Marshall, Knut Wicksell, o Vilfredo Pareto e Irving Fisher. 1.1.3 REVOLUÇÃO KEYNESIANA E GRANDE DEPRESSÃO DE 1929. IDEIA CENTRAL: “A vitória de Keynes sobre os clássicos, traduz o triunfo do interven- cionismo moderado sobre o liberalismo radical. A política econômica do Estado deve complementar e não substituir por completo a iniciativa privada”. John Maynard Keynes, defensor da economia neoclássica até a década de 1930, ana- lisou a Grande Depressão em sua obra The General Theory of Employment, Interest and Money (1936; Teoria geral do emprego, do juro e da moeda), em que formulou as bases da teoria que, mais tarde, seria chamada de keynesiana ou keynesianismo.) Keynes defendeu o papel regulatório do Estado na economia, através de medidas de política monetária e fiscal, para mitigar os efeitos adversos dos ciclos econômicos - recessão, depressão e booms econômicos. Keynes é considerado um dos pais da moderna teoria macroeconômica. 26 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Discordou da lei de Say (que Keynes resumiu como: "a oferta cria sua própria demanda". A escola keynesiana se fundamenta no princípio de que o ciclo econômico não é autorregulador como pensavam os neoclássicos, uma vez que é determinado pelo "espírito animal" dos empresários. É por esse motivo, e pela ineficiência do sistema capitalista em empregar todos que querem trabalhar que Keynes defende a inter- venção do Estado na economia. O objetivo de Keynes, ao defender a intervenção do Estado na economia não é, de modo algum, destruir o sistema capitalista de produção. Muito pelo contrário, segun- do o autor, o capitalismo é o sistema mais eficiente que a humanidade já conheceu (incluindo aí o socialismo). O objetivo é o aperfeiçoamento do sistema, de modo que se una o altruísmo social (através do Estado) com os instintos do ganho individual (através da livre iniciativa privada). Segundo o autor, a intervenção estatal na econo- mia é necessária porque essa união não ocorre por vias naturais, graças a problemas do livre mercado. 1.1.3.1 REVOLUÇÃO/TEORIA NEOLIBERAL: IDEIA CENTRAL: Na política, neoliberalismo é um conjunto de ideias políticas e eco- nômicas capitalistas que defende a não participação do estado na economia, onde deve haver total liberdade de comércio, para garantir o crescimento econômico e o desenvolvimento social de um país. A realidade do final do século XIX, marcada entre outras, pela concentração de uma industrial crescente e atuação de sindicatos, impediam a existência de uma ordem natural. A economia deveria partir da análise das necessidades humanas e das leis que deter- minam a utilização dos recursos disponíveis, para satisfazê-las. Se, para os Clássicos, o valor era expressão do trabalho, para os marginalistas, o valor das coisas era atribuído de acordo com a sua utilidade, subjetivamente. - Novas concepções sobre a produção, escassez, formação dos custos e dos preços; - Ao Estado era atribuído o papel de orientador e disciplinador da atividade econômica; - Acreditava-se na eficiência econômica baseada na livre iniciativa. 27 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO 1.1.4 MODELOS ECONÔMICOS Os professores de biologia normalmente ensinam anatomia plástica usando réplicas plásticas do corpo humano. Esses modelos têm todos os órgãos principais e permi- tem ao professor mostrar aos alunos, de uma maneira simples, como se encaixam as partes importantes do corpo. Os economistas também usam modelos para apreender o funcionamento do mun- do. Esses modelos ao invés de serem de plásticos são compostos de diagramas e equações matemáticas. Como os modelos de anatomia, os modelos econômicos também omitem muitos detalhes para permitir que se visualize o que é realmente importante. Esses modelos são construídos encima das hipóteses que simplificam a realidade para melhorar sua compreensão. 1.1.4.1 PRIMEIRO MODELO: DIAGRAMA DE FLUXO CIRCULAR DA RENDA SIMPLIFICADO A economia é constituída de milhões de pessoas envolvidas em muitas atividades compra, venda, trabalho locação, produção etc. O modelo de fluxo circular de renda simplifica tais atividades e explica em termos gerais como a economia se organiza. Hipóteses do modelo: - Esta economia é fechada (não há comunicação com o resto do mundo) e sem governo; Existem nesta economia dois tipos de tomadores de decisões: famílias e empresas; - As empresas produzem bens e serviços usando vários insumos, tais como tra- balho, terra e capital (prédios e máquinas), esses insumos são chamados de fatores de produção; - As famílias são as proprietárias de fatores de produção e consomem todos os bens e serviços produzidos pelas empresas; 28 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciadapela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Famílias e empresas interagem em dois tipos de mercado: - No mercado de bens e serviços, as famílias são compradoras e as empresas vendedoras. - No mercado de fatores de produção, as famílias são vendedoras e as empresas compradoras. O diagrama de fluxo circular da renda oferece uma forma simples de organizar todas as transações econômicas que ocorrem entorno das famílias e empresas. EMPRESAS VENDEM BENS E SERVIÇOS COMPRAM FATORES DE PRODUÇÃO FAMÍLIAS COMPRAM BENS E SERVIÇOS MERCADO DE BENS E SERVIÇOS MERCADO DE FATORES DE PRODUÇÃO Receita Salários, aluguéis, juros e dividendos Bens e Serviços Insumos Bens e Serviços Terra, Trabalho Capital Despesa Renda No circuito interno do diagrama, as empresas usam os fatores de produção para pro- duzir bens e serviços que por sua vez são vendidos às famílias no mercado de bens e serviços. Portanto os fatores de produção fluem das famílias para as empresas e os bens e serviços fluem das empresas para as famílias. O circuito externo mostra o círculo de reais. As famílias gastam reais para comprar bens e serviços oferecidos pelas empresas. As empresas usam parte da receita de suas vendas para pagar os fatores de produção, como por exemplo, os salários dos funcio- nários. O que sobra é lucro dos donos das empresas, que por sua vez são membros das famílias. Portanto, a despesa com bens e serviços flui das famílias para as empresas e a renda, em forma de salários, aluguel e de lucros flui das empresas para as famílias. 29 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO Em um fluxo circular de renda, assumindo uma economia de mercado de forma completa, é necessário incluir os seguintes agentes econômicos: famílias, empresas, governo (setor público), e setor externo. Todos esses agentes relacionam entre si ofe- recendo bens, serviços, e/ou fatores de produção, compondo assim o fluxo real da economia. A relação entre os agentes econômicos se torna possível devido a existên- cia da moeda (fluxo monetário), que realiza o pagamento dos itens comercializados no fluxo real. 1.1.4.2 SEGUNDO MODELO: FRONTEIRA DE POSSIBILIDADE DE PRODUÇÃO (FPP) A Fronteira de Possibilidades de Produção também e conhecida como Curva de Pos- sibilidades de Produção (CPP), e como Curva de Transformação. Hipóteses do modelo: - Uma economia produz somente dois bens; - Essas indústrias utilizam em conjunto todos os recursos desta economia; - Existe uma tecnologia dada (uma para cada produto) que transforma esses in- sumos nesses bens. A fronteira de possibilidade de produção é um gráfico que mostra as várias combi- nações de produto, neste caso computadores e automóveis, que a economia pode produzir potencialmente, dados os fatores de produção e a tecnologia disponível para as empresas que transformam estes insumos em bens. Quantidade produzida de computadores 3.000 2.200 2.000 1.000 Quantidade produzida de automóveis Fronteira de possibilidades de produção 0 300 600 700 1000 B C A D 30 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Podemos observar que nesta economia, se todos os recursos forem utilizados pela indústria automobilística são fabricados 1000 carros e nenhum computador. Isto sig- nifica que o custo oportunidade de você fabricar 1000 carros são 3000 computado- res. A Fronteira de Possibilidade de Produção possui o formato côncavo, e qualquer ponto em cima da linha apresenta uma situação de pleno emprego. Na figura acima podemos concluir que o ponto A e o ponto C encontram-se em uma situação de pleno emprego, utilizando ao máximo todos os recursos disponíveis. No ponto C, a economia divide totalmente seus recursos, fabricando 2200 compu- tadores e 600 carros. Para passar do ponto C para o ponto A isto é, para aumentar a produção de carros em 100 unidades, é necessário abrir mão de fabricar 200 compu- tadores. Este fato é inerente à questão central da economia que é lidar com escassez. Esta economia deve decidir como alocará seus recursos (sempre escassos no sentido de limitados) cada unidade de recurso que ela decidir alocar para computadores é menos uma unidade de recurso disponível para automóveis. No ponto B está economia não está utilizando todos os seus recursos. Isso indica uma situação de capacidade de produção ociosa, ou seja, os fatores produtivos não estão sendo utilizados ao máximo. De tal modo, não está sendo produzido o má- ximo de bens possíveis nessa sociedade, ou seja, há uma situação de desemprego. Quanto mais próximo o ponto está da curva de possibilidade de produção, mais pró- ximo de uma situação de pleno emprego a economia se encontra. Qualquer outro ponto acima da Fronteira de Possibilidade de Produção é conhecido como ponto intangível ou ponto de ineficiência. A FPP apresenta o máximo de produção possível, não havendo possibilidade com os recursos disponíveis de produzir além. Ou seja, o ponto D ultrapassa a situação de pleno emprego, sendo impossível de ser alcançado. A linha da fronteira de possibilidade de produção representa a plena utilização dos recursos desta economia, dado o nível tecnológico que ela possui. Para se deslocar sobre a linha, a economia sempre enfrentará um “trade off” (terá que abrir mão de produzir algumas unidades de um produto para ampliar a produção do outro). A estratégia de crescimento de longo prazo visará a expansão da fronteira de possibi- lidade de produção. 31 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO 1.1.4.3 SETORES DA ECONOMIA O produto do trabalho ou a riqueza gerada nos modelos econômicos estudados aci- ma não é totalmente aplicado no consumo. Uma das características fundamentais da evolução do sistema econômico é a crescente distância que separa a produção do consumo. Na antiguidade o produto e o consumo eram bem próximos. Hoje há uma distância enorme entre o início da produção e o consumo de bens e serviços. As atividades produtivas da sociedade contemporânea são articuladas em inúmeras unidades produtivas que processam os fatores de produção. A organização e distri- buição dos fatores de produção é dirigida pelos organizadores de produção. O conjunto do sistema e suas unidades produtivas estão divididas em três grandes setores: • Setor Primário: engloba as atividades próximas aos recursos naturais; • Setor Secundário: é constituído pelas atividades industriais; • Setor Terciário: é integrado pelos serviços em geral. As unidades produtivas buscam satisfazer as necessidades dos consumidores atra- vés dos seguintes bens: • Bens de consumo: destinam-se a satisfazer as necessidades dos consumidores; • Bens de capital: destinam-se a multiplicar a eficiência do trabalho; • Bens intermediários: São bens que sofrem transformações antes de se transfor- marem em bens finais. 1.1.4.4 ORGANIZAÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA As formas alternativas de organização da atividade econômica fundamentam-se em dois pontos físicos: a concepção da propriedade e as formas de mobilização dos fa- tores de produção. As economias liberais de mercado já confiam à iniciativa privada a maior parte da mobilização dos recursos e tem no mercado o seu eixo básico de regulação. Nas economias centralmente planificadas ao governo é proprietário dos meios de produção e centraliza as decisões sobre alocação dos recursos e a produção. 32 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada noD.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 1.1.4.5 CARACTERÍSTICAS DAS ECONOMIAS LIBERAIS DE MERCADO Automatismo das forças de mercado: segundo essa corrente econômica a economia desenvolve-se melhor de acordo com a liberdade econômica de produtores e con- sumidores. - Como consumidores: os cidadãos têm liberdade para adquirir os bens e servi- ços que mais lhe ajudam; - Como produtores, os empresários têm liberdade de produzir aquilo que me- lhor satisfaça as necessidades dos consumidores, desde que lhe traga uma re- compensa econômica. Os mecanismos reguladores do mercado: - O ponto de equilíbrio entre produtores e consumidores é regulado pelo mercado. Se há produção maior que as necessidades dos consumidores deverá haver baixa de preço. - Se há produção menor que as necessidades dos consumidores deverá haver alta de preços. - A concorrência: A disputa entre os vários agentes econômicos pelo mercado impede que os empresários conspirem contra a ordem social e a força a colocar no mercado produtos melhores e mais baratos. - No processo de concorrência, alguns produtores prosperam e outros vão à ruína. Nas economias mistas já se confirma a gestão empresarial com a regulação estatal na mobilização dos recursos e na produção. 33 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO Fundamentados nesses princípios, os liberais propõem as seguintes práticas na ordem econômica: • Governo mínimo e mínima interferência do Estado na economia; • Livre iniciativa empresarial. Para o Estado, deverá haver apenas três funções básicas: • Proteger o país de agressão e invasão; • Explicar e manter certas obras públicas de interesse geral; • Zelar pela observação dos contratos privados. 1.1.4.6 AS ECONOMIAS CENTRALMENTE PLANIFICADAS Características fundamentais: • Os estados controlam os meios de produção, as diretrizes estratégicas da eco- nomia e a política geral do estado; • As fábricas, os barcos, o comércio e as terras são de propriedade estatal. O planejamento como estratégia de direção da economia. Com o plano, o estado procura desenvolver a melhor racionalidade com a locação de recursos, planeja-se melhor investimento e distribui-se melhor a venda. O estado centraliza o poder político e a direção geral da economia. Estabelece diretriz estratégica para a economia. O plano substitui o mercado. Problemas e imperfeições: • Burocratização excessiva imposta pela centralização; • Pouca sensibilidade a demanda global; • Perda da eficiência produtiva. 34 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 1.1.4.7 ECONOMIAS SOCIAIS DE MERCADO (MISTAS) Combinam o mercado, a propriedade privada com a relação do Estado. • Nas economias mistas prevalecem as forças de mercado, porém tem-se uma grande interferência do Estado. ANOTAÇÕES 35 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO UNIDADE 2 > Compreender aspectos microeconômicos tais como: Equilíbrio de Mercado, Teoria da Produção, Teoria dos Custos Econômicos, e Teoria dos rendimentos; bem como aplicar esses conceitos no contexto empresarial. OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos: 36 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 2 OFERTA, DEMANDA E EQUILÍBRIO DE MERCADO 2.1 MICROECONOMIA 2.1.1 INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA É o ramo da Ciência Econômica voltada ao estudo do comportamento das unidades de consumo representadas pelos indivíduos e/ou famílias, do estudo das empresas, suas respectivas produções e custos e ao estudo da geração de preços dos diversos bens, serviços e fatores produtivos. Trata-se de uma análise parcial e estática do mer- cado. Analisa como a empresa e o consumidor interagem e decidem qual o melhor preço e a quantidade de um determinado bem ou serviço em mercados específicos, portanto o funcionamento da oferta e demanda na formação de preços. 2.1.1.1 TEORIA ELEMENTAR DA DEMANDA A Teoria da Demanda é derivada da hipótese sobre a escolha do consumidor entre diversos bens que seu orçamento permite adquirir. Essa procura individual seria de- terminada pelo preço do bem, pelo preço de outros bens, pela renda do consumidor e por seu gosto ou preferência. 2.1.1.1.1 CONCEITO Demanda: é a quantidade de um determinado bem que os consumidores estão aptos e dispostos a adquirir, em determinado período de tempo, aos diversos preços alternativos. 37 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO 2.1.1.1.2 LEI GERAL DA DEMANDA A quantidade demandada de um determinado bem é inversamente proporcional ao seu preço, tudo o mais permanecendo constante (coeteris paribus). O que quer dizer que: quanto mais se elevam os preços de um produto qualquer menores serão as quantidades desejadas a serem adquiridas e vice-versa (Preço Alto – Demanda Baixa) Representação da relação quantidade demanda/preço: 1) Escala de demanda ALTERNATIVA DE PREÇO ($) 10,00 20,00 30,00 QUANTIDADE DEMANDADA 200 100 50 2) Curva de Demanda Gráfico 1: Curva de Demanda Curva de Demanda Quantidade Demandada 35 30 25 20 15 10 5 0 0 50 100 150 200 250 Pr eç o 38 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 2.1.1.2 FUNÇÃO DA DEMANDA QD = F (P) Qd = quantidade demandada de um determinado bem ou serviço, num dado período de tempo. P = preço do bem ou serviço. A expressão significa que a quantidade demandada, Qd, é uma função f do preço P, isto é, depende do preço P.U. A curva de demanda é negativamente inclinada devido a relação inversa entre pre- ço e quantidade demanda, que resultam em dois efeitos: efeito substituição e efeito renda. Efeito substituição: quando há o preço de um determinado bem ou serviço e existe no mercado um outro produto ou serviço similar há o consumidor substitui aquele que teve o preço aumentado (diminuição da quantidade demanda), passando a consumir o produto similar que teve o preço mantido. Efeito renda: quando o preço de um bem aumenta e a renda do consumidor per- manece a mesma, a demanda pelo produto diminui porque o poder de compra (renda real) do consumidor diminui. De forma análoga, uma diminuição do preço do produto causa um aumento na renda real do consumidor. Fatores ou aspectos determinantes da demanda • Tipos de bens X Preço do bem; • Preço dos outros bens (substitutos e complementares); • Renda do consumidor; • Gosto ou preferência do indivíduo. 39 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO 2.1.1.3 TIPOS DE BENS X PREÇO DO BEM Preço do Bem: quando o preço do bem “x” aumenta, a quantidade demandada des- te mesmo bem diminui (Lei Geral da Demanda). a) Bem normal: é aquele cuja quantidade demandada aumenta quando aumenta- -se a renda. Exemplo: carne de primeira. b) Bem de luxo: ao se aumentar a renda, a quantidade demandada aumenta em maior proporção. c) Bem de primeira necessidade: ao se aumentar a renda, a quantidade demandada se mantém inalterada pois, ao se tratar de algo de primeira necessidade já fazia parte das antigas aquisições do indivíduo. Exemplo: sal. d) Bem inferior: são aqueles cuja quantidade demandada diminui quando a renda aumenta.Geralmente são bens para os quais há alternativas de melhor qualidade. Exemplo: carne de segunda. e) Bens substitutos: São aqueles bens que atendem a necessidade do consumidor no mesmo nível de satisfação. Ex.: bem “x” e “y”; manteiga e margarina; calça jeans e calça de sarja; entre outros. Assim, quando aumenta o preço do bem “y”, ocorre um aumento na quantidade procurada de bem “x” e vice-versa. Lembre-se que aumenta o preço de um dos bens e o preço do outro permanece constante. f) Bens Complementares: São aqueles bens que dependem um do outro para satis- fazer a necessidade do consumidor, são demandados em conjunto, necessariamen- te. Ex.: bem “x” e bem “y”; arroz e feijão; jeans e camiseta; tênis e meia; entre outros. Assim, aumenta o preço do bem “y” e a quantidade procurada do bem “x” diminui e vice-versa. Lembre-se que aumenta o preço de um dos bens e o preço do outro permanece constante. g) Bens Independentes: aumenta o preço do bem “y” e a quantidade procurada do bem “x” não se altera e vice-versa. Renda do Consumidor: Em geral quando a renda do consumidor aumenta a de- manda de um bem ou serviço também aumenta. Esta regra serve apenas para bens normais ou superiores. 40 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Gosto ou preferência do indivíduo: A propaganda e a publicidade têm como objeti- vo aumentar a demanda de bens e serviços influenciando as preferências dos consu- midores, causando assim um deslocamento da curva de demanda para a direita ou para a esquerda de acordo com a mudança no gosto ou preferência do consumidor. Seguindo-se esse conceito, as mercadorias podem ser classificadas em bens de de- manda elástica ou inelástica. Os bens de demanda inelástica são os de primeira necessidade, indispensáveis à subsistência do consumidor. Os bens de demanda elástica são aqueles que não são indispensáveis à subsistência do consumidor. Assim são, geralmente, os bens de luxo. Alguns fatores que influenciam a elasticidade da demanda seriam a existência de substitutos ao bem, a variedade de usos desse bem, o seu preço em relação ao uso global dos consumidores e o preço do bem em relação à renda dos consumidores. Para um vendedor faz realmente muita diferença o fato de ser elástica ou não, a de- manda com a qual ele se defronta. Se a demanda for elástica e ele reduzir o preço, obterá mais receita. Por outro lado, se a demanda for inelástica e ele reduzir o preço, obterá menos receita. 2.1.1.4 DISTINÇÃO ENTRE DEMANDA E QUANTIDADE DEMANDADA Demanda: toda a escala ou curva que relaciona os possíveis preços a determinadas quantidades demandadas de um bem ou serviço. A demanda de um bem é altera- da, provocando um deslocamento da reta de demanda para a direita (aumento de demanda) ou para a esquerda (redução da demanda), quando uma das variáveis coeteris paribus (preço do produto substituto ou complementar, renda ou gosto e preferência do consumidor) sofre alteração. Porém, o preço do bem em estudo permanece constante. Este deslocamento é explicado pelo efeito substituição. Alte- ração na demanda. Quantidade demandada: é um ponto específico na curva relacionando um preço a uma quantidade demandada de um bem ou serviço. Sofre alterações somente quando é modificado o preço do produto que está sendo estudado. A Demanda é uma relação que demonstra a quantidade de um bem ou serviço que os comprado- res estariam dispostos a adquirir, a diferentes preços de mercado. Assim, a Função 41 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO Procura representa a relação entre o preço de um bem e a quantidade procurada, mantendo-se todos os outros fatores constantes. Quase todas as mercadorias obedecem à lei da procura decrescente, segundo a qual a quantidade procurada diminui quando o preço aumenta. Isto se deve ao fato de os indivíduos estarem, geralmente, mais dispostos a comprar quando os preços estão mais baixos. Relação de demanda para maçãs: CONSUMIDOR A B C D PREÇO (R$ POR UNIDADE) QUANTIDADE DEMANDADA (MILHÕES/SEMANA) 10,00 50 8,00 100 6,00 4,00 200 400 Podemos representar a tabela acima graficamente, facilitando a compreensão. Fon Gráfico 2: Curva de Demanda Curva de Demanda Quantidade Demandada 12 10 8 6 4 2 0 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 Pr eç o 42 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO O deslocamento para a esquerda apresenta uma retração da curva de demanda ocasio- nada, por exemplo, por uma mudança de gosto, como algo que saiu da moda. Nesse caso, temos uma diminuição da demanda (curva de demanda). O deslocamento para a direita apresenta uma expansão da curva de demanda ocasionada, por exemplo, por um aumento na renda. Enquanto a relação da demanda descreve o comportamento dos compradores, a relação da oferta des- creve o comportamento dos vendedores, evidenciando o quanto estariam dispostos a vender, a um determinado preço. Os ven- dedores possuem uma atitude diferente dos compradores, frente aos preços altos. Se estes desalentam os consumidores, estimulam os vendedores a produzirem e venderem mais. Portanto, quanto maior o preço maior a quantidade ofertada. A Função Oferta nos dá a relação entre a quantidade de um bem que os produtores desejam vender e o preço desse bem, mantendo-se o restante constante. Relação de oferta de maçãs: A curva de demanda, em seu modelo simplificado, pode ser representada grafica- mente por meio de retas. Já discutimos que quando a curva de demanda se desloca em virtude variações, que não o preço do bem, temos uma mudança na demanda (e não na quantidade demandada) conforme o gráfico abaixo. FORNECEDOR A B C D PREÇO (R$ POR UNIDADE) QUANTIDADE DEMANDADA (MILHÕES/SEMANA) 10,00 260 8,00 240 6,00 4,00 200 150 Gráfico 3: Deslocamentos da Curva de Demanda Deslocamentos da Curva de Demanda Quantidade Demandada Pr eç o R $ 43 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO Podemos representar a tabela graficamente, facilitando a compreensão. Gráfico 4: Curva de Oferta Curva de Oferta Quantidade Ofertada 12 10 8 6 4 2 0 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 Pr eç o É possível perceber que as quantidades ofertadas aumentam à medida que os pre- ços aumentam. São diretas as relações preço - quantidade. Assim como a curva de demanda pode sofrer uma expansão ou uma retração, a curva de oferta também pode sofrer uma expansão ou uma retração. Uma expansão da curva de oferta faz com que ela se desloque para a direita. Um exemplo de expansão da curva de oferta é o surgimento de uma nova tecnologia que permite maior produção. Uma retração da curva de oferta faz com que ela se desloque para esquerda. Um exemplo de retração da curva de oferta é a instabilidade climática provocando muita chuva e destruindo parte da produção. O equilíbrio da oferta e da procura (deman- da) num mercado concorrencial é atingido com um preço que faz igualar as forças da oferta e procura (demanda). O preço de equilíbrio é aquele com o qual a quanti- dade procurada é precisamente igual à quantidade oferecida. Observando o gráfico abaixo podemos concluir que o preço de equilíbrio é R$6, e, portanto, quantidade de equilíbrio é de 200 milhões por semana. 44 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABADA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO O ponto de encontro entre a curva de oferta e a curva de demanda chamamos de equilíbrio de mercado. Nesse ponto o preço de demanda e de oferta, bem como a quantidade demandada e a quantidade ofertada se igualam. Como se disse, a quan- tidade de um produto que os compradores desejam adquirir depende do preço. Porém a quantidade que as pessoas desejam comprar depende também de outros fatores. Relação entre as quantidades demandadas e o preço dos bens: levando-se em conta apenas o preço do bem, observa-se que a demanda aumenta quando ocorre uma diminuição no preço; quando ela diminui isso é um resultado de um aumento do preço. Relação entre a procura de um bem e o preço de outros bens: Gráfico 5: Equilíbrio de Mercado Equilíbrio de Mercado Quantidade Ofertada e Quantidade Demandada 12 10 8 6 4 2 0 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 Pr eç o Aumento no preço do bem Y acarreta em aumento na demanda do bem X: isso significa que os bens X e Y são sub- stitutos ou concorrentes. Um exemplo é a relação entre o chá e o café. Aumento no preço do bem Y ocasiona a queda da demanda do bem X: os bens em questão, nesse caso, são complementares. São bens consum- idos conjuntamente, como o café e o açúcar. Até agora se viu como os deslocamentos da demanda e oferta afetam os preços. O conceito de elasticidade - preço nos permite uma maior compreensão do sistema de preços e das reações observadas no mercado. A elasticidade é a relação entre as 45 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO diferentes quantidades de oferta e procura de certas mercadorias em função das alterações verificadas em seus respectivos preços. 2.1.2 A TEORIA DA FIRMA / TEORIA DA PRODUÇÃO A Teoria da Firma (TF) procura explicar o comportamento da firma quando esta de- senvolve atividade produtiva. Importância da Teoria da Firma: • Serve de base para a análise das relações existentes entre produção e custos de produção; • Serve de apoio para analisar a demanda da firma em relação aos insumos de que se utiliza (fatores de produção). Conceitos básicos: Firma ou empresa: unidade de produção que atua racionalmente, procurando ma- ximizar seus resultados relativos à produção e lucro; Fator de produção: bens ou serviços transformáveis em produção (mão de obra, ma- téria prima e equipamentos). Produção é o processo pelo qual uma firma transforma os fatores de produção adquiridos em produtos ou serviços para a venda no mercado. A firma compra fatores de produção (matérias primas e insumos), combina-os segundo um processo de produção escolhido, e vende o produto final no mercado. Empresa é uma unidade econômica que organiza e administra a produção de bens e serviços. 46 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO A escolha do processo de produção depende de sua eficiência. A eficiência pode ser: - Eficiência técnica: Entre dois ou mais processos de produção, é aquele que permite produzir uma mesma quantidade de produto, utilizando menor quan- tidade física de fatores de produção. - Eficiência econômica: Entre dois ou mais processos de produção, é aquele que permite produzir uma mesma quantidade de produto, com menor custo de produção. Em economia o prazo não está ligado diretamente ao tempo cronológico, ou seja, operacionaliza no curto prazo e planeja o longo prazo. Análises: a) Curto Prazo: é o período de tempo na qual existe pelo menos um fator de pro- dução fixo (ex.: edifício industrial e maquinaria) e um fator variável (ex.: trabalho e matéria-prima). Conceitos: Fatores fixos: são aqueles cuja quantidade utilizada não varia com a realização do processo produtivo. Fatores variáveis: são aqueles cuja quantidade utilizada varia, de acordo com a rea- lização do processo produtivo. q = f (x1, x2) onde q = quantidade de produto x1 = fator variável x2 = fator fixo Produto Total (PT) = Quantidade total produzida utilizando-se uma quantidade de fatores de produção. Produtividade Média (PMe) = é a relação entre o nível de produto (PT) e a quantida- de do fator de produção variável(X), ou seja: PMe = PT / X. 47 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO Produtividade marginal (PMg) = é a variação absoluta do produto (∆PT), dada uma variação absoluta na quantidade do fator de produção variável (∆X), ou seja, PMg = ∆PT / ∆X. O formato das curvas de PMg e PMe é devido a Lei dos Rendimentos Decrescentes. Lei dos Rendimentos Decrescentes: Aumentando-se a quantidade de um fator variá- vel, permanecendo a quantidade dos demais fatores fixos, a produção, inicialmente, crescerá a taxas crescentes; a seguir, depois de certa quantidade utilizada do fator variável, passará a crescer a taxas decrescentes; continuando o incremento da utiliza- ção do fator variável, a produção decrescerá até tornar-se negativa. Ex.: produção de arroz (Terra e Mão de Obra) variando a Mão de Obra TERRA (FATOR FIXO) 10 10 10 10 10 10 10 10 10 MÃO DE OBRA (FATOR VARIÁVEL) 1 5 2 6 3 7 4 8 9 PRODUTIVIDADE MÉDIA DO FATOR VARIÁVEL 6,0 7,6 7,0 7,0 8,0 6,2 8,0 5,4 4,6 PRODUÇÃO TOTAL DO FATOR VARIÁVEL 6 38 14 42 24 44 32 44 42 PRODUTIVIDADE MARGINAL DO FATOR VARIÁVEL 6 6 8 4 10 2 8 0 -2 48 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Isoquantas: é uma linha (curva) onde todos os pontos representam combinação de fatores de produção que indicam a mesma quantidade produzida. FATOR A 10 10 10 10 10 FATOR B 10 2 8 6 4 PRODUÇÃO TOTAL 100 100 100 100 100 Taxa Marginal de Substituição Técnica: revela qual o acréscimo de quantidade a ser utilizada de um dos fatores, para compensar a diminuição na quantidade de outro fator. Escala de produção: ritmo de variação da produção, respeitada certa proporção de combinação entre os fatores. b) Longo Prazo: Todos os fatores de produção variam. A longo prazo, interessa anali- sar as vantagens e desvantagens de a empresa aumentar sua dimensão (tamanho), o que implica demandar mais fatores de produção. Isto introduz os seguintes con- ceitos: - Rendimento de Escala: é o resultado final relativo a produtos finais obtidos por meio da variação da utilização dos fatores de produção. Pode ser classificado da seguinte forma: • Rendimento Crescente de Escala: é quando todos os fatores de produção cres- cem numa mesma proporção e a produção cresce numa proporção maior; • Rendimento Decrescente de Escala: é quando todos os fatores de produção crescem numa mesma proporção e a produção cresce numa proporção menor; • Rendimento Constantes de Escala: é quando todos os fatores de produção crescem numa mesma proporção e a produção cresce na mesma proporção. Equilíbrio da Firma, é a situação em que a firma maximiza sua produção, para determinado custo total. 49 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO 2.1.3 TEORIA DOS CUSTOS ECONÔMICOS O objetivo básico de uma firma é a maximização de seus resultados para a realização e continuidade de sua atividade produtiva. Assim sendo, procurarásempre obter a máxima produção possível em face da utilização de certa combinação de fatores. A otimização dos resultados da firma poderá ser obtida quando for possível alcançar um dos dois objetivos seguintes: Maximizar a produção para um dado custo total. Minimizar o custo total para um dado nível de produção. Em qualquer uma das situações, a firma estará maximizando ou otimizando seus resultados. Conceitos: Custo Econômico = Custos Privados + Custos Externos, sendo: Custos Privados: são todos os custos necessários para se produzir uma mercadoria, ou seja, são os fatores internos que alteram os custos das empresas. Matéria-prima e trabalho. Custos Externos: são os custos que surgem por necessidade externa à produção, pe- las interferências exógenas e que devem ser pagas devido ao processo social. 50 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Custos Contábeis: Valores que a empresa desembolsa na aquisição dos fatores de produção (matérias-primas e insumos). Custo Econômico = Custos Contábeis (explícitos) + Custos de Oportunidade (implícitos). Fábrica de papel no reflorestamento e curtumes no tratamento dos resíduos. Capital em caixa na empresa e o custo de oportunidade é o que a empresa poderia estar ganhando, se estivesse aplicado no mercado financeiro; O custo de oportunidade de investimento na ampliação da empresa é o dinheiro que seria empregado no mercado financei- ro; Quando a empresa tem prédio próprio, deve imputar um custo de oportunidade, se tivesse que alugar o prédio. Matéria-prima e tratamento de resíduos. Custos de Oportunidade (alternativo): Valores que se perdem com os recursos em seu melhor uso alternativo. Por outro lado, custo de oportunidade de um fator de produção corresponde ao melhor ganho que se poderia obter empregando-se esse fator em outra atividade que não a produção da firma. Portanto, esses valores são estimados a partir do que poderia ser ganho, no melhor uso alternativo. 51 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO Externalidades (economias externas): As externalidades podem ser definidas como as alterações de custos e benefícios para a sociedade derivadas da produção de em- presas, ou também como as alterações de custos e receitas da empresa devidas a fatores externos. Uma externalidade positiva, e quando uma unidade econômica cria benefícios para outras, sem receber pagamentos por isso. Por exemplo: uma empre- sa treina a mão de obra, que acaba, após o treinamento, transferindo-se para outra empresa; beleza do jardim do vizinho, que valoriza sua casa; uma nova estrada; os comerciantes de um mesmo ramo que se localizam na mesma região. Temos externalidades negativas (ou deseconomia externa), quando uma unidade econômica cria custos para outras, sem pagar por isso. Por exemplo, poluição e con- gestionamento causados por automóveis, caminhões e ônibus; uma indústria que polui um rio e impõe custos a atividades pesqueiras. a) Curto Prazo: é período de tempo em que existem custos fixos e custos variáveis. Conceitos: Custo Total (CT) = Custos Fixos (CF) + Custos Variáveis (CV). CMe = CT / Q. Custo Fixo Médio = CF / Q. Custo Variável Médio = CV / Q. Custos Fixos (CF): custos que independem da quantidade produzida. Ex: Aluguéis, máquinas. Custos Variáveis (CV): custos que dependem da quantidade produzida. Ex: salários, matérias-primas. Custo Médio (CMe): é o quociente entre o custo total e a quantidade produzida, ou seja: 52 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Custo Marginal (CMg): é a relação existente entre a variação absoluta do custo total decorrente da variação absoluta da quantidade produzida, ou seja: CMg = ∆CT / ∆Q. b) Longo Prazo: é o período de tempo em que todos os custos são variáveis. Custo Total: Custo variável de longo prazo. Objetivo da empresa: é atingir o Tamanho Ótimo de Firma, ou seja, Custo médio mínimo de longo prazo. A longo prazo, não existem fatores fixos e a forma da curva de custo médio de lon- go prazo é determinada pelas economias ou deseconomias de escala. No início, à medida que a produção se expande, a partir de níveis muito baixos, os rendimentos crescentes de escala causam o declínio da curva de custo médio de longo prazo. Mas, à medida que a produção se torna maior, as deseconomias de escala passam a prevalecer, provocando o crescimento da curva. A produção do Tamanho ótimo não é apenas uma produção ótima para uma dada dimensão de planta escolhida, mas revela também a melhor dimensão de planta es- colhida, isto é, aquela que iguala nos respectivos pontos de mínimos o custo médio de curto e longo prazo. As empresas vão tentar manter rendimentos constantes de escala no Tamanho ótimo de Firma. Economias de Escala: é devido a indivisibilidade de equipamentos e da própria planta (tamanho mínimo de plantas), a indivisibilidade de financiamentos, indivi- sibilidade de pesquisa e operações mercadológicas, preços reduzidos dos fatores (aquisições de matérias-primas em grandes quantidades), eficiência crescente da gerência e especialização do trabalho. Economias de Escala ocorrem quando pode- -se dobrar o produto e o custo não chega a dobrar. Deseconomias de Escala: é devido a perda de eficiência da gerência em assumir crescentes atividades complexas, custos crescentes dos fatores não produtivos (aper- feiçoamento da mão de obra) e desenvolvimento de funções subsidiárias. Desecono- mias de Escala ocorrem quando para obter o dobro da produção é necessário que os custos mais do que dobrem. 53 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO 2.1.4 TEORIA DOS RENDIMENTOS Os rendimentos auferidos por uma firma constituem o resultado da multiplicação da quantidade (Q) vendida do produto pelo seu respectivo preço (P) de venda, ou seja: RT = P x Q. RMe = RT / Q. RMg = ∆RT / ∆Q. LT = RT – CT. Receita total de vendas ou rendimento total, é o resultado da multiplicação da quan- tidade vendida pelo seu preço de venda. Receita Média (RMe): é o quociente entre a receita total e a quantidade vendida, ou seja: RMe = preço Receita Marginal (RMg): é a relação existente entre a variação absoluta da receita total decorrente da variação absoluta da quantidade vendida, ou seja: Lucro Total (LT): é a diferença entre a receita total e o custo total, ou seja: ANOTAÇÕES 54 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO UNIDADE 3 > Diferenciar os tipos de estrutura de mercado existentes, e compreender o papel do CADE no Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência. OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos: 55 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO 3 ESTRUTURAS DE MERCADO 3.1 ESTRUTURAS DE MERCADO Nas aulas anteriores vimos, quais variáveis afetam a demanda e a oferta de bens e serviços, e como são determinados os preços, supondo sem interferências, o merca- do automaticamente encontra seu equilíbrio. Implicitamente, estava sendo suposta uma estrutura específica de mercado, qual seja, a de concorrência perfeita. As várias formas ou estruturas de mercados dependem fundamentalmente de três características: - número de empresas que compõe esse mercado; - tipo do produto ( se as firmas fabricam produtos idênticos ou diferenciados); - se existem ou nãobarreiras ao acesso de novas empresas nesse mercado. A maior parte dos modelos existentes pressupõe que as empresas maximizam o lucro total, especificamente para o caso de estruturas oligopolistas de mercado, ve- remos que existe uma teoria alternativa, que pressupõe que a empresa maximiza o mark-up, que é margem entre a receita e os custos diretos (ou variáveis) de produção. 3.1.1.1 CONCORRÊNCIA PURA OU PERFEITA É um tipo de mercado em que há um grande número de vendedores (empresas), de tal sorte uma empresa, isoladamente, por ser insignificante, não afeta os níveis de oferta do mercado e, consequentemente, o preço de equilíbrio. Nesse tipo de mercado devem prevalecer ainda as seguintes premissas: - Produtos homogêneos: Não existe diferenciação entre os produtos ofertados pelas empresas concorrentes. Exemplos: produtos agrícolas, petróleo e cobre; - Não existem barreiras para o ingresso de empresas no mercado, ou seja, é fácil sair e entrar nesse mercado; 56 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO - Transparência do mercado: Todas as informações sobre lucros, preços etc. são conhecidas por todos os participantes do mercado. 3.1.1.2 MONOPÓLIO O mercado monopolista se caracteriza por apresentar condições diametralmente opostas às da concorrência perfeita. Nele existe, de um lado, um único empresário (empresa) dominando inteiramente a oferta e, de outro, todos os consumidores. Não há, portanto concorrência, nem produto substituto ou concorrente. Nesse caso, ou os consumidores se submetem às condições impostas pelo vendedor, ou simples- mente deixaram de consumir o produto. Nessa estrutura de mercado, a curva de demanda da empresa é a própria curva de demanda do mercado como um todo. Ao ser exclusiva no mercado, a empresa não estará sujeita aos preços vigentes. Mas isso não significa que poderá aumentar os preços indefinidamente. Para a existência de monopólios, deve haver barreiras que praticamente impeçam a entrada de novas firmas no mercado. Essas barreiras podem advir das seguintes con- dições: Monopólio puro, elevado volume de capital, patente e controle de matérias-pri- mas básicas, existem ainda, os monopólios institucionais ou estatais em setores con- siderados estratégicos ou de segurança nacional (petróleo, *energia, *comunicação). 3.1.1.3 OLIGOPÓLIO É um tipo de estrutura normalmente caracterizada por um pequeno número de em- presas que dominam a oferta de mercado. Pode caracterizar-se como um mercado em que há um pequeno número de empresas, como a indústria automobilística, ou então onde há um grande número de empresas, mas poucas dominam o mercado, como a indústria de bebidas. O setor produtivo no Brasil é altamente oligopolizado, sendo possível encontrar inú- meros exemplos: montadoras de veículos, setor de cosméticos, indústria de papel, indústria farmacêutica etc. Nos oligopólios, tanto as quantidades ofertadas quanto os preços são fixados entre as empresas por meio de cartéis. O cartel é uma organização formal ou informal de 57 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO produtores dentro de um setor que determina a política de preços para todas as em- presas que a ele pertencem. Podemos caracterizar também tanto oligopólios com produtos diferenciados (como a indústria automobilística) como oligopólios com produtos homogêneos (alumínio). 3.1.1.4 CONCORRÊNCIA MONOPOLISTA Trata-se de uma estrutura de mercado intermediária entre a concorrência perfeita e o monopólio, mas que não se confunde com o oligopólio, pelas seguintes caracte- rísticas: - Número relativamente grande de empresas com certo poder concorrencial, po- rém com segmentos de mercados e produtos diferenciados, seja por caracterís- ticas físicas, embalagem ou prestação de serviços complementares (pós-venda); - Margem de manobra para fixação dos preços não muito ampla, uma vez que existem produtos substitutos no mercado. Essas características acabam dando um pequeno poder monopolista sobre o preço de seu produto, embora o mercado seja competitivo (daí o nome concorrência mo- nopolista). O monopólio, oligopólio, e concorrência monopolista são estruturas de mercados diferente da Concorrência Perfeita, e por isso conhecido como Concorrên- cia Imperfeita. CARACTERÍSTICAS DAS ESTRUTURAS DE MERCADOS BÁSICAS ESTRUTURA EXEMPLO Concorrência Perfeita Feira livre Concorrência Monopolística Hotéis Monopólio Correios Oligopólio Automóveis DIFERENCIAÇÃO DO PRODUTO Produtos Padronizados Produto Diferenciado Produto único Diferenciado Padronizado NÚMERO DE EMPRESAS Muitos Considerável Um Poucas CONDIÇÕES DE ENTRADA E SAÍDA CONTROLE SOBRE O PREÇO Fácil Nenhum Relativamente Fácil Leve Bloqueada Forte Difícil Considerável 58 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 3.1.2 ESTRUTURA DO MERCADO DE FATORES DE PRODUÇÃO Até aqui identificamos as estruturas de mercados de bens e serviços. O mercado de fatores de produção – mão de obra, capital, terra e tecnologia – também apresenta diferentes estruturas. As estruturas no mercado de fatores de produção são resumidas a seguir: 3.1.2.1 CONCORRÊNCIA PERFEITA NO MERCADO DE FATORES É um mercado onde existe oferta abundante do fator de produção (por exemplo), (Mão de obra não especializada), o que torna o preço desse fator constante. Os ofer- tantes ou fornecedores, como são em grande número, não têm condições de obter preços mais elevados por seus serviços. 3.1.2.2 MONOPSÔNIO Trata-se de uma forma de mercado na qual há somente um comprador para muitos vendedores dos serviços dos insumos. É o caso da empresa que se instala em uma determinada cidade do interior e, por ser a única, torna-se demandante exclusiva da mão de obra local e das cidades próximas, tendo para si a totalidade da oferta de mão de obra. 3.1.2.3 OLIGOPSÔNIO É um mercado onde existem poucos compradores que dominam o mercado para muitos vendedores. Exemplo: indústria de laticínios. Em cada cidade existem dois ou três laticínios que adquirem a maior parte do leite dos inúmeros produtores rurais locais. A indústria automobilística, além de oligopolista no mercado de bens e servi- ços, também é oligopsonista na compra de autopeças. 59 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO 3.1.2.4 MONOPÓLIO BILATERAL O monopólio bilateral ocorre quando um monopsonista, na compra de um fator de produção, defronta-se com um monopolista na venda deste fator. Por exemplo, só a empresa A compra um tipo de aço que é produzido apenas pela siderúrgica B. A empresa A é monopsonista, porque só ela compra esse tipo de aço, e a siderúrgica B é monopolista, porque só ela vende este tipo de aço. Nesses casos, a determinação dos preços de mercado dependerá não só de fatores econômicos, mas do poder de barganha de ambos: o monopsonista tentando pagar o preço mais baixo (usando a força de ser o único comprador), e o monopolista ten- tando vender por um preço mais elevado (usando o poder de ser o único fornecedor). 3.1.3 AS EMPRESAS E O MERCADO Muitas vezes as empresas buscam uma postura agressiva no mercado a fim de elimi- nar a concorrência e obter maiores lucros. No entanto, sabemos da importância da concorrência para melhorar a qualidade dos produtos bem como para causar uma diminuição do preço. De tal modo buscamos estudar o caso brasileiro evidenciando o papel do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), frente a algumasposturas adotadas pelas empresas no mercado competitivo. 3.1.3.1 CONCENTRAÇÃO ECONÔMICA NO BRASIL - O CADE O conceito de consolidação empresarial teve início no Ocidente, no início do séc. XVII, na época da dominação colonial do império britânico. A coroa inglesa incentivou a for- mação de um empreendimento que conso- lidasse fatores financeiros, habilidade mer- cantil, transporte marítimo e transformação industrial das riquezas naturais das colônias. 60 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Surgiu então a primeira empresa holding do Ocidente, a “East India Trade Company”, em 1604, que operou até o começo do século XIX, dominando o comércio entre as ilhas britânicas e parte do continente asiático. A holding pode ser definida como uma empresa que opera em vários setores da economia. Um exemplo de holding são os zaibatsus japoneses. O zaibatsu do conde Mitsui Bussam Kaisha, por exemplo, controlava um império econômico: finanças, se- guros, atacado e varejo, construção civil, indústrias de mineração, alimentícia, têxtil, química, de papel, de vidro, automobilística ótica e negócios imobiliários. Desde o fim do século XIX, a disputa entre as empresas tomou a forma de guerra entre Estados. Cada governo passou a aplicar barreiras tarifárias para proteger “suas empresas” contra as estrangeiras. Dentro de cada país eram promovidos acordos de cartéis, pelos quais várias empresas fixavam preços e dividiam mercados, com a cum- plicidade do próprio governo. Cada país passou a cobiçar colônias, para dar às “suas empresas” acesso privilegiado a matérias-primas e a um mercado consumidor maior. Em 1937, foi introduzido no Congresso norte-americano um anteprojeto de lei para controlar a formação de trustes e conglomerados monopolísticos, que com seu po- der econômico poderiam eventualmente estrangular o livre desenvolvimento de empresas da iniciativa privada nos Estados Unidos. Hoje ainda existe um controle minucioso das fusões de empresas. Em alguns setores, já se permite que as com- panhias engulam concorrentes até se tornarem gigantescas. Nesses setores, como o das telecomunicações e o do entretenimento, chegou-se à conclusão de que com- panhias enormes podem trabalhar com mais eficiência. Em outros setores, como o das autopeças, a lei é mais conservadora. A Federal Trade Comission (FTC) é a insti- tuição que zela pelo bom comportamento das companhias no mercado americano. A grande empresa americana cresceu em regime de competição total, quase selva- gem, e pouca ou nenhuma proteção do Estado. Nos EUA, a extensão territorial levou ao desenvolvimento de uma nova estrutura gerencial, que permite vencer grandes distâncias, sem prejuízo da flexibilidade tática regional. A empresa surgida a partir daí, com comando estratégico centralizado e uma estrutura multidivisional, confe- rindo liberdade tática a cada divisão, - as subsidiárias espalhadas pelo mundo como extensão natural do mercado norte-americano - era a multinacional típica do início do século até o final dos anos 60. Atualmente, oportunidades e pressões para o cres- cimento de empreendimentos, combinadas com o alto custo de capital de terceiros, 61 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO substituem a política de controle absoluto ou de estabelecimento de subsidiárias ou filiais pelas técnicas de fusão, participação acionária e joint ventures. A joint venture pode ser definida como uma fusão de interesses entre uma empresa com um grupo econômico, pessoas jurídicas ou pessoas físicas que desejam expan- dir sua base econômica com estratégias de expansão e diversificação, com propósito explícito de lucros ou benefícios, com duração permanente ou a prazos determina- dos. Um modelo típico de joint venture seria a transação entre o proprietário de um terreno de excelente localização e uma empresa de construção civil, interessada em levantar um prédio sobre o local. Ou ainda, um inventor de um novo processo, pro- duto ou tecnologia associado a um capitalista para formar infraestrutura adequada para a fabricação ou realização da tecnologia por meio de joint venture. Outro exem- plo de joint venture seria um fabricante de conservas de alimentos que oferecesse uma fusão de interesses para um fazendeiro, que controlasse a matéria-prima em quantidade e qualidade adequadas para transformação em alimentos conservados. Existe ainda uma certa inibição entre executivos perante a fusão empresarial por joint venture, em caso de transferência de tecnologia ou qualquer outro ativo intan- gível que não possui proteção legal, patentes e marcas registradas, que poderiam ficar no domínio público, uma vez utilizado como aporte de capital para uma tran- sação de joint venture. 3.1.3.2 O QUE FAZ O CADE O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) funciona no Ministério da Justiça. Negócios que implicam no controle, por uma única companhia, de mais de 20% do mercado, ou em que qualquer um dos participantes tenha faturamento bruto anual equivalente a 100 milhões de Ufirs (R$ 88,47 milhões) ou mais, incluindo os ocorridos no setor de serviços, têm de passar pelo crivo do Cade. Isto é o que está previsto em lei. Os conselheiros do Cade devem autorizar ou não as fusões. Uma das atividades do Cade envolve exames de atos de concentração econômica tais como fusões, aquisições, joint ventures ou incorporações. Este controle no Brasil foi insti- tuído pela Lei Federal 8.884 de junho de 1994, a lei de Defesa da Concorrência. De acor- do com essa Lei Federal as operações como fusões, aquisições, joint ventures ou incorpo- rações podiam ser comunicadas ao Cade depois de serem consumadas, o que fazia do Brasil um dos únicos países do mundo a adotar um controle de estruturas a posteriori. 62 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO A Lei Federal 12.529 de 30 de novembro de 2011 reestruturou o Sistema Brasileiro de Defesa a Concorrência (SBDC). A partir dessa lei há exigência de submissão prévia ao Cade de fusões e aquisições de empresas que possam ter efeitos anticompetitivos. O caso GERDAU Há um ano o Cade vetou a compra da Siderúrgica Pain pelo grupo Gerdau, realizada em fevereiro de 1994, mas ainda não encontrou um caminho para executar esta deci- são que mandou desfazer uma compra avaliada em R$ 50 milhões. O Cade já proibiu a operação por duas vezes, em março e outubro do ano passado, quando apreciou um pedido de reconsideração da decisão formulado pelo grupo Ger- dau. Os conselheiros concluíram que a incorporação da Pains pelo grupo Gerdau cons- tituiria uma nova barreira à livre concorrência no mercado de aços longos comuns (bar- ras, fios de máquinas...). A compra da Pains aumentou a participação nesse mercado de 39,6% para 46,2%. Em outubro, o caso Gerdau-Pains provocou uma crise no Cade: a procuradora geral do órgão, Marusa Freire entrou na Justiça Federal com uma ação pedindo a dissolução da compra da Siderúrgica Pains pelo grupo Gerdau. O presidente do Cade desautorizou publicamente a procuradora, afirmando que a ini- ciativa procuradora feria a lei de defesa da concorrência à medida que a determinação da execução é do plenário. O advogado do grupo Gerdau disse que a decisão que determinou a desconstituição da incorporação da Pains não é passível de execução imediata na Justiça. “É impossível fazer as partes voltarem ao estado anterior. O ato foi realizado no exterior, em 25 de fevereiro de 1994, entre empresas estrangeiras. O ne- gócio nunca poderia ser anulado no Brasil. O que a lei brasileira determina é que o ato esteja de acordo com as normas da Lei de Defesa da Concorrência."EXEMPLOS DE ATUAÇÃO DO CADE: Fonte: Conselho Administrativo de Defesa Econômica 63 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO O caso KOLYNOS A compra da Kolynos do Brasil pela Colgate-Palmolive norte-americana envolveu um montante de US$ 1,040 bilhão, dos quais US$ 760 milhões relativos ao mercado brasi- leiro. Esta aquisição provocou protestos da Procter & Gamble (P&G), também interessa- da na compra. Em sua queixa antitruste, a P & G afirma que a combinação da Kolynos, detendo 52% do mercado, e a Colgate, com 27% de participação, iria criar uma força avassaladora no setor de higiene bucal (detendo 79% mercado), capaz de esmagar as concorrentes. No caso da Kolynos havia quatro hipóteses de pareceres: a aprovação total do negócio, a aprovação com termo de compromisso (do tipo, durante um período de tempo a Colgate se comprometeria a fazer investimentos preestabelecidos, a manter unidades de produção, o que garantiria a defesa da concorrência), a reprovação parcial (o Cade poderia determinar a venda de parte das ações da Kolynos ou a formação de “joint ven- tures”) ou ainda a rejeição completa (quando a Colgate teria de se desfazer totalmente das ações adquiridas). Se a Colgate não concordasse com a decisão do Cade, ela teria três saídas: recorrer ao Cade, abrir o capital da Kolynos, ou ainda recorrer à Justiça. Em 18 de setembro, o Cade aprovou a compra da Kolynos do Brasil pela norte-ame- ricana Colgate-Palmolive. Depois de quase dois anos da conclusão da operação, seis dos sete conselheiros do Cade aprovaram a compra com a condição de que a Colgate suspenda a fabricação e a venda de cremes dentais com a marca Kolynos pelo prazo de quatro anos. O Cade deu ainda outras duas alternativas para a Colgate. Em vez de suspender o uso da marca Kolynos nos cremes dentais, a companhia poderá licenciar exclusivamente a marca para outro fabricante, pelo prazo de 20 anos (neste caso, a Colgate deve fazer uma oferta pública, seja por meio de leilão ou publicação em jornal), ou simplesmente vendê-la para um concorrente que não detenha mais de 1% do mercado. Caso a Colgate aceite suspender a marca pelo prazo de 4 anos, ela está autorizada a licenciar a marca durante este período na forma de licença para a formação de marca dupla, com cláusula de desaparecimento gradual. Neste caso, um potencial concorren- EXEMPLOS DE ATUAÇÃO DO CADE: 64 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO te pode associar uma marca desconhecida à marca Kolynos, durante o prazo de quatro anos. Neste período, de forma gradual, a marca Kolynos iria desaparecendo da emba- lagem, até ser restituída à Colgate. Esta saída permitiria à Colgate utilizar economica- mente a marca durante o prazo de suspensão, e também ao licenciado introduzir uma nova marca no mercado, reduzindo os efeitos que o Cade entendeu como maléficos da posição dominante que a Colgate obteve com a compra da Kolynos. O Cade proibiu ainda a Colgate de vender no Brasil cremes dentais Kolynos fabrica- dos em outros países da América Latina (a companhia poderia driblar a suspensão de comercialização importando os próprios produtos fabricados fora do país). O Cade não impôs restrições à utilização da marca Kolynos nos mercados de escova dental, fio dental e enxaguante bucal. Também não fez restrição à aquisição das instalações industriais da Kolynos em São Bernardo do Campo. A Colgate tinha um prazo de 60 dias, a contar da data de divulgação do parecer, para optar por uma das 3 alternativas dadas para o caso. Se ultrapassasse este prazo, teria de arcar com uma multa diária de R$ 80 mil. A conselheira do Cade, Lucia Helena Sal- gado e Silva recebeu no dia 25 de outubro a resposta da Colgate sobre qual o destino que a fabricante de cremes dentais vai dar para a Kolynos. A empresa escolheu entre as 3 alternativas dadas pelo Cade e pediu sigilo à relatora do processo sobre a opção. A procuradora atendeu ao pedido de manutenção do sigilo a fim de se evitar a prejuízos aos interesses comerciais da Colgate. Fonte: Conselho Administrativo de Defesa Econômica ANOTAÇÕES 65 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO UNIDADE 4 > Compreender o PIB, suas diferentes fórmulas de cálculo, e impacto na economia. OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos: 66 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 4 O PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) 4.1 MACROECONOMIA Os macroeconomistas são cientistas que procuram explicar o funcionamento da economia como um todo, reúnem dados sobre rendas, preços, desemprego e outras variáveis em diferentes épocas e diferentes países. Procuram então elaborar teorias gerais que ajudem a explicar esses dados. A macroeconomia é, sem dúvida, uma ciência jovem e imperfeita. Contudo, atual- mente já sabemos uma grande quantidade de coisas a respeito do funcionamento da economia. Não estudamos macroeconomia apenas para explicar os fatos econô- micos; também queremos aperfeiçoar a política econômica. Os instrumentos fiscais e monetários do governo podem exercer uma influência poderosa - para o bem ou para o mal – sobre a economia. O conhecimento da macroeconomia ajuda as auto- ridades públicas a avaliarem políticas alternativas. Os economistas são chamados a explicar o mundo econômico como ele é e refletir sobre como poderia ser. 4.1.1 MENSURAÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA Um dos termos mais conhecidos em economia é o PIB (Produto Interno Bruto) que é a soma de todos os bens e serviços produzidos em um país em determinado pe- ríodo. Ele é utilizado para medir o desempenho econômico de um país, ou seja, o nível de atividade econômica (produção ou consumo). Para entender a metodologia do PIB e sua importância faz-se necessário o entendimento de alguns mecanismos da ciência econômica. No Brasil, o PIB é calculado através da Contabilidade Social ou Contabilidade Nacional sendo que o órgão oficial responsável pelo cálculo é o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A análise macroeconômica trata da formação e distribuição do produto e da renda gerados pela atividade econômica, a partir do fluxo contínuo estabelecidos entre os 67 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO Agentes econômicos (Famílias, Empresas, Governo e Setor Externo). 4.1.2 FLUXO CIRCULAR DE RENDA E PRODUTO O Fluxo Circular de Renda e do Produto permite compreender como as Famílias e as Empresas participam do processo produtivo no mercado de bens e serviços (merca- do do produto) e no mercado dos fatores de produção. As famílias fornecem Capital, Terra (Recursos Naturais) e Trabalho representados pelos Fatores de Produção às Empresas. As Empresas produzem os bens e serviços que são fornecidos às Famílias. O Fluxo Monetário e o Fluxo Real formam juntos o Fluxo Circular de Renda. As Em- presas remuneram as Famílias com salários, aluguéis, juros e lucros pelo fornecimen- to dos fatores de produção. Esta remuneração torna-se a Renda das Famílias. De posse da Renda as Famílias gastam (pagam) pelos bens e serviços fornecidos pelas empresas que geram as receitas das empresas. Existem 3 formas de mensurar a atividade econômica (PIB): Produto RendaDespesa Para mensurar o PIB são considerados apenas os bens e serviços finais produzidos em um país. 4.1.3 PRODUTO NACIONAL A mensuração do PIB pela ótica do PRODUTO NACIONAL (PN) é o valor de todos os bens e serviços finais,medidos a preços de mercado, produzidos em um período sendo: ∑ = = n i piqiPN 1 * 68 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Sendo: PN = Produto Nacional. q = Quantidade produzida dos bens e serviços finais. p = Preço unitário dos bens e serviços finais. Exemplo: Em um período um País apresentou os seguintes dados de produção e preços: BENS/SERVIÇOS Feijão (tonelada) Automóveis (unidades) Tarifa de ônibus (unidades) TOTAL QUANTIDADE 500 8100 20.000,0 PREÇO UNITÁRIO R$ 600,00 R$ 30.000,00 R$ 2,50 PRODUTO TOTAL (q*p) R$ 300.000,00 R$ 3.000.000,00 R$ 50.000,00 R$ 3.350.000,00 O PIB total pela ótica do Produto Nacional é R$ 3.350.000,00 sendo: PN = q Feijão * p Feijão + q Automóveis * p Automóveis + q Tarifa ônibus * p Tarifa ônibus. Ao medirmos a Produção Nacional do país pela ótica do produto surge o problema de computarmos mais de uma vez um bem no PN e superestimá-lo. De tal modo, devemos excluir os bens que são utilizados na produção de outros bens, e computar apenas os bens e serviços finais. Por exemplo, o automóvel é um bem final, e nesse caso, devemos desconsiderar para o cálculo do PN os componentes utilizados em sua montagem tais como pneus e vidros, pois isso já está incluso no preço do veícu- lo. Se incluirmos esses itens nos cálculos, podemos está cometendo o problema da dupla contagem. Uma solução para o problema da dupla contagem é o cálculo do Valor Adicionado ou Valor Agregado que consiste no valor que se adiciona ao produto em cada está- gio de produção, ou seja, é a renda adicionada por cada setor produtivo. Somando o 69 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO valor adicionado em cada estágio de produção, chega-se ao produto final da econo- mia. O valor adicionado é calculado pela diferença entre a receita de vendas, menos o custo dos bens intermediários. Exemplo: A Tabela abaixo apresenta o valor adicionado em cada um dos setores da cadeia de produção do setor automobilístico em um período. Calcule o PIB pela óti- ca do Valor Adicionado: ETAPA/SETOR VENDAS EM MILHÕES (R$) COMPRAS INTERMEDIÁRIAS (MATÉRIA-PRIMA) EM MILHÕES (R$) VALOR ADICIONADO EM MILHÕES (R$) MINERADORA 200 0 200 SIDERÚRGICA 500 200 300 MONTADORA TOTAL 900 500 400 =900,0 Na etapa inicial o setor de mineração faz a extração direta do minério de ferro da natureza e vende seu produto por R$ 200,0 milhões. Nota-se que em função de ser o primeiro estágio da cadeia de produção, neste caso não houve compras interme- diárias de matéria-prima. Na segunda etapa, o setor siderúrgico compra o minério de ferro por R$ 200,0 mi- lhões para produção de aço. Sua produção é vendida por R$ 500,0 milhões, sendo que nesta etapa o valor adicionado foi de R$ 300,0 milhões. Finalizando na terceira etapa, a montadora de veículos compra o aço por R$ 500,0 milhões para produzir os veículos. Os veículos são vendidos ao consumidor final por R$ 900,0 milhões, sendo que nesta etapa o valor adicionado foi de R$ 400,0 milhões. O PIB medido pelo valor adicionado é obtido por: Valor adicionado = ∑ 200 + 300 + 400 = 900,0 70 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Assim, o PIB pela ótica do valor adicionado foi de 900,0. Pode-se notar que é o mes- mo valor das vendas finais dos veículos pelas montadoras. 4.1.4 DESPESA NACIONAL Na mensuração do PIB pela ótica da DESPESA NACIONAL (DN) pode-se determinar como os agentes econômicos gastam o produto Nacional. São revelados quais são os setores compradores do Produto Nacional. Isso significa que o produto nacional é vendido para os quatro agentes de despesas: (Consumidores, empresas, governo e setor externo). DN = C + I + G + (X – M) Sendo: DN = Despesa Nacional = PIB C = Consumo das Famílias (Despesas das Famílias com bens e serviços finais). Ex.: Consumo das famílias com automóveis, geladeira, TV, Educação, Transporte público e alimentos. I = Investimento das Empresas (Parcela do PIB destinada ao investimento em ati- vos que ampliam a capacidade de produção da economia). Ex.: Construção de uma nova fábrica, Construção de um aeroporto, estradas, rodovias além de máquinas e equipamentos para produção. G = Gastos do Governo (Setor Público). Representa os gastos do Governo Federal, Estadual e Municipal. Ex.: Serviços do Governo: Justiça, Educação e Saneamento. As despesas do Governo concentram-se em Despesa de Custeio (Salários e mate- riais para manutenção e funcionamento da máquina pública) e Despesa de Capital (Construção de hospitais e escolas). X = Exportação. Representa os bens e serviços produzidos dentro do País e exportados (enviados) para fora do País. Ex.: Brasil produz minério de ferro e exporta para a China. 71 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO M= Importação. Representa os bens e serviços consumidos no País mas que são im- portados (comprados) em outros países. Ex.: Um consumidor no Brasil adquiriu um computador comprado (importado) da China. Algumas considerações sobre Exportações e Importações: Saldo na Balança comercial = Exportações – Importações. Representa o saldo do comércio de produtos do País com o resto do mundo. Quando as Exportações são maiores que as Importações temos o Superávit Comer- cial. Neste caso o País exportou mais do que importou. Quando as Importações são maiores que as Exportações temos o Déficit Comercial. Neste caso as importações são maiores que as exportações. Para ver resultados sobre o Brasil consultar tabela abaixo. CONTA Consumo das famílias Gastos do Governo Investimentos Exportações Importações VALOR (BILHÕES DE R$) 250 50 55 80 60 Calcule: 1) O PIB pela ótica da Despesa Nacional. PIB = 250 + 55 + 50 + (80-60) PIB = 375 72 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 2) O saldo na Balança comercial indicando se houve superávit ou déficit. (X – M) = 80 – 60 = 20 Superávit de 20. 4.1.5 POUPANÇA E INVESTIMENTOS AGREGADOS Sabe-se que o nível de investimentos é determinante para a consolidação do cres- cimento econômico sustentado de um país. Em economias com baixa capacidade de investimento observa-se problemas de infraestrutura como baixa capacidade de escoamento da produção, atraso tecnológico e baixa capacidade das empresas em ampliar a produção principalmente em cenários de aquecimento da demanda. O que determina o nível de INVESTIMENTOS em uma economia é sua capacidade de gerar POUPANÇA, ou seja, quanto maior a poupança, maior a capacidade de in- vestimento, ampliando assim a capacidade produtiva e promovendo crescimento econômico. De forma análoga, uma menor poupança proporciona uma menor ca- pacidade de investimento, diminuição da capacidade produtiva e do crescimento econômico. A Poupança Agregada é formada por: Poupança Privada (Sp); Poupança Externa (Se). Poupança do Governo ou Setor Público (Sg); 4.1.6 ANÁLISE DE CENÁRIOS DA ATIVIDADE ECONÔMICA A) Expansão da atividade econômica (também chamado de crescimento econômi- co ou crescimento do PIB). Este cenário é mais atrativo para novos investimentos nas atividades produtivas, pois sinaliza um aumento do nível de emprego, do consumo em geral, ou seja, a empresa pode obter maior êxito ao desejar ampliar sua produção e seu faturamento. 73 FACULDADECAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO B) Retração da atividade econômica (ou queda do PIB). Este cenário já não é tão atrativo para novos investimentos, pois sinaliza uma retração (queda) do consumo em geral, gerando problemas como dificuldade na obtenção de crédito, aumento de desemprego e outros fatores. Um novo investimento por parte da empresa neste cenário pode não corresponder às expectativas de aumento de seu faturamento. 4.1.7 RENDA NACIONAL Outra forma utilizada pelo IBGE para identificar o PIB é através da Renda Nacional. Por esta forma são contabilizados os rendimentos (Salários, Juros, Aluguéis e Lucros) pagos aos fatores de produção: Recursos Naturais, Trabalho e Capital. Salários Juros Aluguéis Lucros Recursos Naturais Trabalho Capital FATORES DE PRODUÇÃO REMUNERAÇÃO (pagamento) Exemplo: no ano 2009 foram contabilizados os seguintes rendimentos pagos aos fatores de produção em um determinado país: CONTA Salários Aluguéis Juros Lucros VALOR (BILHÕES DE R$) 413,0 244,0 180,0 158,0 74 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO O PIB pela ótica da Renda Nacional é obtido por: RN = ∑ Salários + Juros + Aluguéis + Lucros RN = 413,0 + 180,0 + 244,0 + 158,0 = 995 4.1.8 PIB PER CAPITA Para identificar a diferença do nível de riqueza da população de vários Países, Esta- dos ou Municípios pode-se utilizar o conceito de PIB Per capita que é encontrado através da divisão do PIB pelo número de habitantes. PIB Per capita do Brasil em 2009: PIB Per capta = PIB = R$ 3.142.969.134,00 = Número de habitantes 191.481 R$ 16.414,00 Isto quer dizer que a renda média do PIB Brasileiro no ano 2009 foi de R$ 16.414,00. Quanto mais desenvolvido é o País, maior é a renda per capita. Como já determinamos anteriormente, o PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no País em um determinado momento. É importante destacar que para produzir o PIB dentro do País, podem ser utilizados fatores de produção perten- centes aos residentes e aos não residentes no país. A matriz de uma empresa automobilística situada na França envia o fator de produção capital (recursos financeiros) para sua filial no Brasil para aumentar a produção de automóveis. Isto quer dizer que o ca- pital pertence aos não residentes no Brasil. Após a produção e venda dos veículos no Brasil, o lucro é enviado para a matriz na França, ou seja, foi enviada renda produzida no Brasil para fora do País, neste caso para a França. 75 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO Da mesma forma o Brasil pode manter uma filial de uma construtora em um País Africano e o lucro da construtora ser enviado para o Brasil. Desta forma o Brasil está recebendo renda do exterior. Somando ao PIB a renda recebida do exterior e sub- traindo a renda enviada ao exterior, tem-se o Produto Nacional Bruto (PNB), que é a renda efetivamente pertencente aos residentes do país. PNB = PIB + Renda recebida do exterior – Renda enviada ao exterior. PNB = PIB + RLE. PNB = PIB + RLE. A diferença entre a renda recebida e a renda enviada ao exterior é chamada de Ren- da Líquida do Exterior (RLE). No Brasil em 2010, o resultado do PIB foi de R$ 3.675.000.000.000,00 sendo que o saldo da renda líquida enviada ao exterior foi de R$ (68.100.000.000,00), neste caso um valor negativo, pois o Brasil enviou mais renda do que recebeu. Desta forma o PNB é dado por: Logo, PNB < PIB no caso do Brasil, em países mais avançados o PNB é maior que o PIB, pois estes países possuem muitas empresas multinacionais produzindo em vários países. PNB = R$ 3.675.000.000.000,00 + R$ (68.100.000.000,00) = 3.606.900.000.000,00. 76 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 4.1.9 PIB NOMINAL E PIB REAL O PIB Nominal é o PIB medido a preços correntes do próprio ano analisado. Ex.: PIB 2010= q2010 x p2010. O indicador mais importante de mensuração do PIB é o PIB REAL, pois este apresen- ta essencialmente o crescimento físico da produção desconsiderando os aumentos de preços, ou seja, desconta a inflação no período. Para determinar o crescimento real da economia em 2010 é necessário utilizar os preços constantes do ano 2009. Ex.: PIB 2010 = = q2010 x p2009. Vamos supor uma economia simplificada que existem apenas dois bens, laranjas e maçãs. Observe o cálculo do PIB nominal do ano de 2015. Laranjas (quilo) PIB Maçãs (quilo) PREÇO R$ 3,00 4,00 QUANTIDADE (UNIDADE) 200 300 PRODUTO 600 1800 1200 Laranjas (quilo) PIB Maçãs (quilo) PREÇO R$ 3,50 4,50 QUANTIDADE (UNIDADE) 220 340 PRODUTO 770 2300 1530 Agora observe o cálculo nominal do PIB de 2016, nessa mesma economia. 77 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO Dizemos que o PIB é nominal, porque ele foi medido a preços do ano corrente. Uma grande parte da elevação do PIB de 2015 para 2016 da economia acima é devido ao aumento de preços, ou seja, a inflação, e não devido ao crescimento da produção. Para contornar esse problema, os economistas elegem um ano como ano base, e uti- lizam os preços desse ano para medir o PIB. Assim, é possível medir o aumento real da produção. A tabela abaixo mostra o PIB de 2016 medido a preços de 2015. De tal modo, é possível saber a real situação do PIB, por esse motivo chamamos de PIB Real. Na suposta economia simplificada, em 2015 o PIB foi de R$1800,00, já em 2016 foi de R$1020,00, ou seja, houve um crescimento real de 12,22%. Laranjas (quilo) PIB Maçãs (quilo) PREÇO R$ 3,00 4,00 QUANTIDADE (UNIDADE) 220 340 PRODUTO 660 2020 1360 ANOTAÇÕES 78 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO UNIDADE 5 > Ao final desta unidade esperamos que o aluno seja capaz de: > Compreender o funcionamento do Sistema Monetário brasileiro, especificando as funções da moeda e o papel do Banco Central; > Compreender as políticas macroeconômicas e o processo inflacionário; OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos: 79 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO 5 SISTEMA MONETÁRIO E POLÍTICAS MACROECONÔMICAS 5.1 O SISTEMA MONETÁRIO Quando você vai ao barbeiro ou cabeleireiro a fim de cortar o cabelo, você pode efe- tuar o pagamento por meio de um papel que nós conhecemos como dinheiro, ou um papel com o nome do banco e sua assinatura na qual conhecemos como cheque. O cabeleireiro fica feliz por receber esses papéis em troca de seu trabalho. A acei- tação da parte dele provém da confiança de que, futuramente uma terceira pessoa aceite os papéis em troca de algo que tem valor para ele. Para as pessoas em nossa sociedade, o seu dinheiro ou cheque representa um direito futuro a bens e serviços. O uso social da moeda nas transações é extremamente útil em sociedades grandes e complexas. Imagine, por um instante, que não existisse qualquer item na economia que não fosse amplamente aceito em troca de bens e serviços. Para cuidar do seu cabelo, você deveria oferecer ao seu cabeleireiro algo de valor imediato. Por exem- plo, você poderiase oferecer para varrer o chão do salão, ou ensinar economia para ele. Em uma economia assim diz que o comércio exige uma dupla coincidência de desejos, a difícil situação em que duas pessoas têm, cada uma delas, o bem ou ser- viço que a outra deseja. Esta seria uma economia que depende do escambo e terá dificuldades para alocar eficientemente seus recursos escassos. Moeda é o conjunto de ativos de uma economia que as pessoas usam regularmente para comprar bens e serviços de outras pessoas. 80 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 5.1.1 FUNÇÕES DA MOEDA Na economia, a moeda tem três funções: Meio de troca => é aquilo que os compradores dão aos vendedores em troca de bens e serviço. Unidade de conta => instrumentos que as pessoas usam para anunciar preços e registrar débito. Quando você vai às compras, você pode observar que uma camisa custa R$20 e um hambúrguer custa R$ 2. Mesmo se é exato dizer que uma camisa custa 10 hambúrgueres e um hambúrguer custa 1/10 camisas, os preços nunca são cotados desta forma. Da mesma forma, quando você toma um empréstimo no ban- co, o montante de suas prestações futuras será medido em reais, e não em quanti- dade de bens e serviços. Reserva de valor => é aquilo que as pessoas podem usar para transferir poder aquisi- tivo do presente para o futuro. Quando um vendedor aceita moeda hoje em troca de um bem ou serviço, este vendedor pode guardar o dinheiro e tornar-se comprador de um bem ou serviço mais adiante. Obviamente, a moeda não é a única reserva de valor da economia. Uma pessoa pose transferir poder aquisitivo do presente para o futuro guardando títulos, ações, objetos de arte ou até selos de correio. O termo riqueza se refere ao total de todas as reservas de valor, incluindo tanta moeda como ativos não monetários. Os economistas usam o termo liquidez para descrever a facilidade com que um ati- vo pode ser convertido no meio de troca da economia. Como a moeda é o meio de troca da economia, ela é o mais líquido dos ativos disponíveis. Outros ativos variam amplamente quanto à liquidez. Muitos títulos e ações podem ser vendidos rapida- mente, com pequeno custo, de modo que são ativos relativamente líquidos. Já a venda de uma casa, um quadro ou um selo antigo exige mais tempo e esforço. A moeda é o ativo mais líquido, mas é uma reserva de valor imperfeita. Quando os preços sobem, o valor da moeda cai. Esta relação entre o nível de preços e o valor da moeda é importante para entender como a moeda afeta a economia. 81 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO 5.1.2 TIPOS DE MOEDA Quando a moeda toma forma de um bem com valor intrínseco, ela é chamada de moeda-mercadoria. A expressão valor intrínseco quer dizer que o item teria valor mesmo se não fosse utilizado como moeda. Um exemplo de moeda mercadoria é o ouro. O ouro tem valor intrínseco porque é utilizado na indústria e em joalheria. Embora atualmente o ouro não seja mais usado como moeda, historicamente ele foi, pois é relativamente fácil de transportar, de medir e de ser avaliado quanto a im- purezas. Quando uma economia usa o ouro como moeda (ou usa papel moeda que pode ser convertido em ouro), diz-se que opera no padrão-ouro. Outro exemplo de moeda – mercadoria do passado era o sal. Antes de existirem ge- ladeiras, o sal era uma mercadoria de alto valor devido sua capacidade de conservar alimentos. O seu fácil transporte contribui para que fosse adotado como meio de troca. A palavra salário vem de sal. Um terceiro exemplo de moeda – mercadoria são os cigarros. Nos campos de prisioneiros durante a segunda guerra mundial, os prisio- neiros negociavam bens e serviços usando o cigarro como reserva de valor, unidade de conta e meio de troca. Da mesma forma, quando a União Soviética estava se desintegrando no final da dé- cada de 1980, os cigarros começaram a substituir os rublos como meio de troca em Moscou. Em ambos os casos, mesmo os não – fumantes ficavam contentes em acei- tar cigarro em troca, sabendo que poderiam utilizá-los para comprar bens e serviços. A moeda sem valor intrínseco é denominada moeda de curso forçado ou moeda Fiat. Isto quer dizer que o objeto que serve como moeda é moeda por decreto do governo. 5.1.3 A MOEDA NA ECONOMIA Como veremos, a quantidade de moeda em circulação, o chamado estoque de mo- eda, tem grande influência sobre muitas variáveis econômicas. Como se define a quantidade de moeda? O ativo mais óbvio a se considerar na definição da quantidade de moeda é a moe- da corrente - as notas de papel e moeda em poder do público. Contudo, a moeda 82 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO corrente não é o único ativo que pode ser utilizado para comprar bens e serviços. Muitas lojas aceitam cheques e cartões. A riqueza que você mantém na sua conta corrente é quase tão prática como aquela que está na sua carteira. Podemos consi- derar também a grande variedade de outros tipos de contas que as pessoas mantêm nas instituições financeiras, como por exemplo, as poupanças e fundos de aplicação. Em uma economia complexa é difícil traçar uma linha divisória entre os ativos que podem ser chamados de “moeda” e os que não podem. Chama-se de M1 a quantidade de papel moeda e moedas metálicas + depósitos à vista (que podem ser movimentados por cheques). M2 seria tudo o que está incluído em M1 mais depósitos de poupança, depósitos a curto prazo, fundos de aplicação do mercado monetário e alguns outros itens. A classificação em “Ms” cresce quando vão sendo incluídos ativos com menor liquidez. Obs.: Poderia parecer natural incluir os cartões de crédito como parte do estoque de moeda da economia. Afinal, as pessoas usam o cartão de crédito em muitas das suas compras. Portanto, os cartões de crédito não seriam um meio de troca? Embora a primeira vista o argumento seja persuasivo, os cartões de crédito estão excluídos de todos os conceitos de moeda. A razão é que os cartões de crédito não são uma forma de pagamento, mas uma forma de deferir pagamento. Quando você paga uma refeição com cartão de crédito, o banco, que emitiu o cartão, paga ao res- taurante o que lhe é devido. Mais tarde você terá que reembolsar o banco (talvez até pagando um juro). Quando chega o vencimento da sua conta, você provavelmente paga mediante um cheque a ser descontado na sua conta corrente ou via débito automático. O saldo desta conta é parte do estoque de moeda da economia. Mesmo que os cartões de crédito não sejam uma forma de moeda, eles são impor- tantes na análise do sistema monetário. Pessoas que possuem cartão de crédito podem pagar muitas de suas contas de uma vez na data de vencimento do cartão. Em consequências, as pessoas que têm cartão mantêm em média menos dinheiro em mãos do que aquelas que não possuem cartão de crédito. 83 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO 5.1.4 O BANCO CENTRAL Sempre que uma economia depende de um sistema de moeda de curso forçado, como é o caso da economia brasileira ou a americana, é necessário de um órgão responsável pela regulação do sistema. No Brasil este órgão é o Banco Central e nos EUA é o Federal Reserve, muitas vezes chamado de FED. Se você examinar uma nota de um dólar, verificará que é denominada “nota do Federal Reserve”. O FED foi criado em 1914, após uma série de quebradeiras dos bancos nos EUA que convenceram o Senado da necessidade de um Banco Central para garantir a saúde do sistema ban- cário da nação. Duas das principais funções doBanco Central são supervisionar o sistema bancário e regular a quantidade de moeda na economia. Supervisão do sistema bancário => O Bacen (Banco Central) monitora as condições financeiras das instituições financeiras e ajuda a facilitar transações bancárias com- pensando cheques. Também age como banco dos bancos. Isto é, o Bacen faz em- préstimos, quando os bancos precisam, eles próprios, de empréstimos, agindo como emprestador de última instância, a fim de assegurar a estabilidade do sistema ban- cário como um todo. Regulação da quantidade de moeda na economia => As decisões dos formuladores de políticas quanto à oferta de moeda constituem a política monetária. Segundo as decisões da Comissão de Mercado Aberto do Bacen, este tem o poder de aumentar ou diminuir a quantidade de reais na nossa economia. Além de ter o monopólio da emissão da moeda, o principal instrumento que o Bacen possui para alterar a oferta de moeda são operações de Mercado Aberto (de Open Market) – a aquisição ou venda de títulos do tesouro (um título do governo é um certificado de dívida deste). Se a política monetária visa aumentar a liquidez do mercado, o Bacen compra títulos que estão em poder de instituições financeiras, entregando reais a estas instituições. Estes reais, após a aquisição, vão acabar nas mãos do público. Assim, uma operação de compra de títulos pelo Bacen aumenta a oferta de moeda. Para reduzir a oferta, o Bacen realiza uma operação de venda de títulos do tesouro, “enxugando” o mercado. 84 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO As variações na oferta de moeda podem afetar profundamente a economia. As deci- sões do Bacen exercem uma influência importante sobre a taxa de inflação de longo prazo e sobre o emprego e a produção no curto prazo. Não é à toa que o presidente do Banco Central Americano tem sido considerado como o homem mais poderoso do planeta. 5.1.4.1 O BANCO CENTRAL E A POLÍTICA MONETÁRIA Os objetivos de política macroeconômica tais como: alto nível de emprego; estabili- dade de preços; distribuição equitativa de renda e crescimento econômico podem ser alcançados por meio dos instrumentos de política macroeconômica. Os principais instrumentos de política macroeconômica são: Esses instrumentos são a forma que o governo utiliza para atuar sobre a capacidade produtiva do país, a fim de alcançar os objetivos almejados. O Banco Central é res- ponsável por executar a política monetária brasileira. Política monetária é controle do governo, referente a quantidade de moedas e títulos públicos disponíveis na eco- nomia. Os principais instrumentos de política macroeconomica são: Política monetária; Política cambial e comercial; Política fiscal; Política de rendas. O instrumento de política monetária emissões refere-se a emissões de moedas, au- mentando assim o estoque monetário em circulação na economia. Caso o objetivo de política macroeconômica seja o crescimento econômico pode-se aumentar a quantidade de emissões. No entanto, caso o objetivo da política macroeconômica seja combater a inflação, deve-se diminuir a quantidade de moedas em circulação na economia. 85 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO Os principais instrumentos de política monetária são: Emissões; Redescontos; Open Market; Regulamentação sobre taxa de juro. Reservas compulsórias; Regulamentação sobre crédito; O instrumento reservas compulsórias também é conhecido como depósito compul- sório, e como taxa do compulsório. Tal instrumento diz respeito ao percentual sobre os depósitos, que os bancos comerciais precisam deixar à disposição do BACEN. Quanto maior o percentual do compulsório, menor a quantidade de dinheiro em circulação na economia, o que ajuda a combater a inflação. Quanto menor o percen- tual do compulsório, maior a quantidade de dinheiro em circulação na economia, o que ajuda a promover o crescimento econômico. Open Market refere-se a compra e vendas de títulos públicos. Títulos públicos são do- cumentos (títulos da dívida púbica) emitidos pelo governo federal e comercializados no mercado financeiro. De acordo com Tesouro Direto 2015 “os títulos públicos são ativos de renda fixa, ou seja, seu rendimento pode ser dimensionado no momento do investimento, ao contrário dos ativos de renda variável (como ações), cujo retorno não pode ser estimado no instante da aplicação”. Quando o governo vende títulos públicos ele retira dinheiro da economia, (os agen- tes econômicos ficam com os títulos e o governo com o dinheiro), o que contribui para combater a inflação. Quando o governo compra títulos públicos, ele coloca dinheiro na economia (governo fica com os títulos e agentes econômicos com o dinheiro), aumentando assim o estoque de moedas em circulação, e contribuindo para o crescimento econômico. Redescontos são os empréstimos do Banco Central concedidos aos bancos comerciais. Caso o governo necessite retirar dinheiro de cir- culação na economia, ele pode aumentar as taxas de juro desses empréstimos. Caso haja de necessidade injetar dinheiro no mercado, o governo pode diminuir a taxa de juro do redesconto. 86 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO O governo também pode criar linhas de crédito especiais com o objetivo de esti- mular o crescimento econômico. Um exemplo prático foi a criação do programa do governo federal “Minha Casa, Minha Vida”, na qual foi criada uma linha de crédito especial para compra de imóveis de pessoas que enquadram no perfil socioeconô- mico estipulado. A taxa de juros básica da economia e que baliza as demais taxas de juros é conhe- cida como taxa Selic, ou seja, taxa do sistema especial de liquidação e custódia. O Conselho de Política Monetária (Copom) é responsável por diminuir, manter, e/ou aumentar o valor da taxa Selic. Se o governo possuir o objetivo de promover cres- cimento econômico, é necessário diminuir a taxa de juros para aumentar a quan- tidade de moeda em circulação na economia. No entanto, se o governo possuir o objetivo de combater a inflação, é necessário aumentar a taxa de juros como forma de inibir o consumo. Para alcançar os objetivos de política ma- croeconômica pode-se utilizar a combina- ção de instrumentos de política fiscal ou a combinação de instrumentos de política monetária ou ainda a combinação de ins- trumentos de diferentes tipos de políticas. Segundo Vasconcellos e Garcia 2008 pági- na 113, “pode-se dizer que a política fiscal tem mais eficácia quando o objetivo é uma melhoria na distribuição de renda, tanto na taxação às rendas mais altas, como pelo aumento dos gastos do governo com desti- nação aos setores menos favorecido”. Para os autores, a política monetária não gera efeitos tão positivos, no que diz respeito ao objetivo macroeconômico de busca por uma distribuição equitativa de renda. IMPORTANTE LEMBRAR: Lembramos que para utilizar os instrumentos de política fiscal é necessária aprovação do Congresso Nacional. Já os instrumentos de política monetária não precisam de aprovação do Congresso Nacional, podendo ser utilizados assim que a decisão for tomada. 87 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO 5.1.5 POLÍTICA FISCAL COMO INSTRUMENTO DE MACROECONOMIA Política fiscal é o conjunto de medidas adotadas pelo governo, de modo a arrecadar receitas e pagar despesas. Os principais instrumentos de política fiscal são: Gastos públicos; Tributos (taxas, contribuiçõese impostos). Em economia dividimos os tributos em taxas, contribuições e impostos. As taxas são decorrentes do exercício do poder de polícia, ou pela utilização efetiva e/ou poten- cial de determinado serviço público. As contribuições são cobranças decorrente, a determinada obra pública aumentar o valor patrimonial de imóveis, localizados pró- ximos a obra. Os impostos não possuem um fato gerador específico. Para melhor compreensão do assunto, vamos supor que o objetivo de política eco- nômica seja reduzir a taxa de inflação (estabilidade de preços), via política fiscal. Quais medidas o governo deve adotar? Sabemos que política fiscal utiliza os instrumentos gastos públicos e tributos. Caso o governo precise combater a inflação será necessário aumentar os tributos, (pois forçará as pessoas a gastarem menos fazendo com que os preços diminuam), e/ou diminuir os gastos públicos (pois diminuirá a quantidade de dinheiro em circulação, diminuindo assim a inflação). Em uma situação que o objetivo do governo seja pro- mover crescimento econômico via política fiscal, quais medidas o governo precisa adotar para alcançar esse objetivo? Se o objetivo do governo for promover crescimento econômico via política fiscal, será necessário aumentar os gastos públicos (maior quantidade de dinheiro em circula- ção), e/ou diminuir tributos (incentivo ao consumo, gerando crescimento econômico). As medidas adotadas pela política fiscal são importantes para alcançar objetivos de 88 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO política macroeconômica. No entanto, apenas podem ser adotados após aprovação do Congresso Nacional. Podemos citar como exemplo prático de política fiscal a diminuição do imposto sobre produtos industrializados (IPI) dos carros zero-quilô- metro, bem como, dos eletrodomésticos pertencentes a linha branca. O objetivo do governo em adotar essas medidas foi promover crescimento econômico. Ou seja, com a diminuição de tributos, há incentivo ao consumo, promovendo crescimento econômico. 5.1.6 POLÍTICA COMERCIAL COMO INSTRUMENTO DE MACROECONOMIA A política comercial também conhecida como política de comércio internacional, refere-se a atuação do governo sobre estímulo e desestímulo as importações e ex- portações. Quando o objetivo de política macroeconômica é contrair o comércio, podem ser utilizados os instrumentos de aumento da tarifa/taxa de e/ou cota de exportação (restrição voluntária a exportação). Quando o objetivo de política macroeconômica for expandir o comércio, poderá ser utilizado os instrumentos de subsidio a importação, subsidio a exportação, expansão voluntária das exportações. O governo também pode utilizar instrumentos como barreiras burocráticas (obstáculos baseados em procedimentos sanitários, de segu- rança, alfandegários), e aquisição apenas de bens nacionais por parte do governo. 5.1.7 POLÍTICA CAMBIAL COMO INSTRUMENTO DE MACROECONOMIA Taxa de câmbio é o preço da moeda estrangeira expresso em moeda nacional. A expressão taxa de câmbio é utilizada para se referir a qualquer moeda estrangeira e não apenas ao dólar, apesar de transações com dólares serem mais comuns em nosso país. A política cambial refere-se a atuação do governo sobre a taxa de câmbio. O Conselho Monetário Nacional define a política cambial a ser executada pelo Banco Central. As autoridades monetárias podem fixar a taxa de câmbio ou permitir que a taxa de câmbio flutue livremente no mercado ou ainda utilizar combinações de taxa 89 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO de câmbio fixa e taxa de câmbio flutuante. No regime de câmbio fixo é estipulado o preço da moeda pelo Banco Central, e essas são compradas e vendidas a um preço previamente definido. Já no regime de câmbio flutuante, o preço da moeda é esta- belecido pelo mercado, decorrente da oferta e demanda por moeda. 5.1.8 POLÍTICA BRASILEIRA DE COMBATE À INFLAÇÃO A inflação é o aumento contínuo e generalizado no nível de preços. Em cenários in- flacionários a moeda perde poder de compra e sofre desvalorização, ou seja, com a mesma quantidade de dinheiro compramos uma quantidade menor de produtos. Com a moeda desvalorizada o dólar fica mais caro, causando aumento do preço dos produtos importados. Além disso, países com alto nível de inflação são vistos de for- ma negativa no mercado internacional, e os investidores evitam aplicar dinheiro em investimentos a longo prazo. A deflação é a diminuição contínua e generalizada no nível de preços. Não devemos confundir inflação negativa com deflação, pois a deflação ocorre quando os preços caem durante um longo período de tempo, e não apenas durante um curto perío- do como no caso de inflação negativa. Assim como a inflação, a deflação também possui efeitos negativos. Em um cenário de deflação os contratos de pagamentos continuam vigente, enquanto os preços caem, o que na pratica significa uma dimi- nuição de renda. Além disso, como os preços estão caindo de forma contínua, os agentes econô- micos costumam adiar as compras, acreditando que os preços diminuirão ainda mais. O adiamento do consumo causa queda nas vendas a curto prazo podendo gerar consequências danosas para a economia. Além dos objetivos de alto nível de emprego e estabilidade de preços, a política macroeconomia também possui os objetivos de crescimento econômico e distribuição de renda socialmente justa. Apesar de vários instrumentos de política macroeconômica poderem ser utilizados para o combate inflacionário, no Brasil, o principal instrumento utilizado para essa finalidade é a política monetária por meio da taxa de juros. O Sistema de Metas de Inflação é adotado no Brasil desde 1999. Nesse sistema, o Banco Central fixa a meta de inflação e essa pode variar pontos percentuais para baixo ou para cima. Sempre que a inflação ameaça passar da meta, aumenta-se a 90 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO taxa de juros para diminuir a circulação monetária e consequentemente diminuir a inflação. Caso a inflação fique abaixo do estipulado, é necessário diminuir a taxa de juros para estimular a circulação monetária e a inflação ficar dentro da meta. De acordo com o Banco Central do Brasil, a meta de inflação do país para o ano de 2017 é de 4,5%, podendo variar 1,5 pontos percentuais para cima ou para baixo. Espera-se que a inflação brasileira no ano de 2017 fique entre 3,0% e 6,0%. Caso a inflação em 2017 esteja perto do teto da meta que é 6,0%, o principal instrumento utilizado para o controle inflacionário será o aumento na taxa de juros. O inverso também é verdadeiro, ou seja, caso a inflação em 2017 fique perto de 1,5% e com tendências a diminuir ainda mais, será necessário diminuir a taxa de juros para au- mentar a circulação de moeda e consequentemente a inflação. 5.1.9 O QUE DETERMINA O VALOR DA MOEDA? Sabemos que a inflação provoca a diminuição do poder de compra, mas o que determina o valor da moeda? Sabemos que a inflação provoca a diminuição do poder de compra, mas o que de- termina o valor da moeda? A resposta desta questão como muitas outras na economia está na oferta e deman- da por moeda. Vejamos primeiro o lado da oferta: Vimos anteriormente que o Banco Central, junto com o sistema bancário determina a oferta de moeda. Para o objetivo deste capítulo podemos ignorar as complicações introduzidas pelo sistema bancário e consideraremos a oferta de moeda uma variá- vel controlada diretamente pelo Bacen. 91 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicadano D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO Examinando agora a demanda: Há muitos determinantes para a quantidade demandada de moeda. O montante de moeda que as pessoas mantêm em sua carteira, depende do uso que fazem de cartões de crédito ou da facilidade de encontrar caixas automáticos. A quantidade de moeda certamente também depende da taxa de juros que vai indicar o custo oportunidade de manter dinheiro parado. Contudo, ao contrário de outros bens, a moeda é mantida porque é um meio de troca. Assim, quanto mais altos os preços dos outros bens da economia, maior a demanda de moeda. Pense bem, você sai pela manhã para o trabalho e faz uma rápida conta do que você vai precisar pagar naquele dia (estacionamento, almoço etc.). Depen- dendo dos preços destes itens, você calcula o que precisa ter na carteira. Quanto mais altos os preços, maior a demanda por moeda. O que garante que a demanda de moeda seja igual à oferta de moeda do Banco Central? Mais adiante veremos que no curto prazo, a taxa de juros desempenha um papel importante para garantir o equilíbrio entre a oferta e demanda (a taxa de juros é o preço do dinheiro!). No longo prazo, contudo a resposta é simples: Os preços se ajustam de modo a equilibrar a oferta e demanda de moeda na economia. Um exemplo: Efeitos de uma Injeção Monetária. Imagine que a economia esteja em equilíbrio (oferta de moeda = demanda por moeda.). Vamos supor que o Bacen du- plique a oferta de moeda jogando reais de helicóptero, sobre a população (ou de um modo mais realista poderia injetar moeda através de operações de mercado aberto, aonde ele comprasse títulos que estavam nas mãos do público). O que aconteceria? O consumo em geral cresceria, fazendo com que houvesse uma pressão nos preços => com o tempo os preços se ajustariam e a moeda perderia valor (como qualquer produto que inunda o seu mercado!) 92 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 5.1.10 FATO HISTÓRICO Na Alemanha, em janeiro de 1921, um jornal custava 0,30 marcos. Menos de dois anos depois, em novembro de 1922, o mesmo jornal custava 70 milhões de marcos. Todos os preços da economia tinham aumentado da mesma forma. Este episódio retrata um dos exemplos históricos mais espetaculares de hiperinflação. A origem da hiperin- flação alemã está na sua derrota na primeira guerra e na obrigação de pagar pesadas reparações aos vencedores, impostas pelo tratado de Versalhes. Ao invés de promover um ajuste em sua economia, com austeridade, a elite alemã optou por emitir moedas (as reparações nunca chegaram a ser totalmente quitadas). Não é uma coincidência que o Banco Central Alemão (incorporado ao Banco Central Europeu) atualmente é considerado o Banco Central mais conservador em matéria de política monetária. 5.1.11 O IMPOSTO INFLACIONÁRIO Se a inflação é tão fácil de se explicar, porque os países sofrem hiperinflação? Isto é, porque os Bancos Centrais desses países, optam por emitir tanta moeda, sabendo que esta se desvalorizará rapidamente ao longo do tempo? A resposta é que os governos destes países usam a criação de moeda para pagar suas despesas. Quando o governo deseja construir estradas, pagar salários aos policiais ou fa- zer transferências aos pobres ou idosos, precisa levantar os recursos. Em geral, o governo o faz por meio de impostos, como os de renda ou ainda tomando emprestado do pú- blico mediante venda de títulos. Mas, o governo pode simplesmente emitir moeda para financiar seus gastos. Quando o governo aumenta sua receita emitindo moeda, diz-se que está arrecadando um imposto inflacionário. Este não é um imposto como os outros, porque não é cobrado diretamente do contribuinte. O imposto inflacionário é mais sutil. Quando o governo emite moeda, o nível de preços da economia sobe e os reais que estão na sua carteira ou numa conta corrente que não renda juros perdem valor. Então, o imposto inflacionário incide sobre todos aqueles que detêm moeda. 93 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO Raciocinando sobre este imposto, percebemos que ele é bastante perverso, justa- mente as faixas mais pobres da população é que têm mais dificuldade para comba- tê-lo, pois não têm acesso tão fácil a depósitos remunerados ou a cartões de crédito. A defesa mais fácil para estas classes é imediatamente consumir, como o faziam os operários alemães depois da primeira guerra, cujas esposas esperavam na porta das fábricas para receber o salário e correr para os mercados para transformá-los em comida. Pergunta: Se o governo emitir mais, ele vai progressivamente arrecadando mais imposto inflacionário, na medida que uma inflação maior significa uma maior perda de valor da moeda? Um segundo motivo para o governo emitir, seria um princípio da economia: • Existe um trade off de curto prazo entre inflação e desemprego. A explicação que os economistas dão é que este tradeoff surge porque alguns preços demoram a se ajustar. Caso o governo diminua a quantidade de moeda na econo- mia, sabemos que a longo prazo o resultado será uma queda no nível de preços. Pode demorar algum tempo para que os comerciantes ajustem seus preços ou que os sindicatos renegociem salários. Enquanto isto, a diminuição de dinheiro em circu- lação, causará uma retração nas vendas que implicará em demissões no curto prazo. Então, no curto prazo temos um desemprego temporário, até que os preços se ajus- tem totalmente às mudanças. Podemos imaginar uma situação inversa se o governo resolve aumentar a quanti- dade de moeda em circulação. Haverá um aumento de consumo, levando a uma queda da taxa de desemprego temporária, até que os preços se ajustem e a inflação apareça. Você pode imaginar como é bastante atraente para um governo, que esteja tentando se reeleger, promover um aumento da quantidade de moeda que causará um au- mento de bem-estar temporário da população. Quando a inflação chegar, ele já estará reeleito. A partir desta teoria, pode-se avaliar a importância de um Banco Central inde- pendente. O Bacen é responsável pela moeda e é ele que decide a política monetária do país. O governo pode resolver aumentar a quantidade de moeda, mas cabe ao presidente do Bacen negar se não achar conveniente para a economia do país. Promover a queda de inflação não é politicamente fácil, pois implica necessaria- mente num temporário crescimento da taxa de desemprego. O Banco Central tem 94 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO a importante tarefa de zelar pelo valor da moeda, tomando as medidas necessárias independentemente da vontade política do governo. 5.1.12 CUSTOS DA INFLAÇÃO - O Custo da Inflação Esperada Suponha-se que a cada mês o nível de preços aumente em 2%. Qual seria o custo de uma tal inflação constante e previsível? - O Custo Sola de Sapato Para “pagar” menos imposto inflacionário, os agentes econômicos retêm em média saldos monetários baixos e por isso terão que se dirigir com mais frequência aos ban- cos para fazer retiradas. Eles podem, por exemplo, retirar duas vezes 50 reais no lugar de uma vez 100 reais. Este custo se refere ao desperdício do recurso escasso tempo. Menos tempo é menos recurso para a produção e afeta de um modo negativo o PIB. - O Custo de Menu Refere-se ao custo das empresas terem que alterar suas listas de preços com mais frequência. As empresas que tiverem menus de alto custo, tendem a modificar os preços com menos frequência, resultando numa defasagem. - O Custo Tributário Muitas vezes, as leis tributárias são redigidas sem se levar em conta o efeito da infla- ção. Suponhaque você compre ações hoje e vendas daqui a um ano pelo mesmo preço real (isto é, se descontar a inflação você está vendendo pelo mesmo preço que comprou). A questão é que o governo avalia o ganho nominal e taxa a diferença, mesmo se não há ganho real. - O Custo Do Planejamento Financeiro de Famílias e Empresas Uma decisão importante, por exemplo, é a parcela da renda familiar que será des- tinada para poupança, isso é, o que deixaremos de consumir hoje para consumir na aposentadoria. A inflação distorce este valor no futuro, dificultando a decisão de 95 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO poupança no presente. Seria muito mais simples decidir quanto poupa, se os preços daqui a 30 anos fossem os mesmos de hoje. - O Custo da Inflação Não Esperada A inflação não esperada tem um efeito talvez ainda mais maléfico que a inflação esperada: ela redistribui aleatoriamente a renda das pessoas. Os contratos de em- préstimos especificam uma taxa de juros nominal, com base na inflação esperada. Se a inflação registrada for diferente da esperada, o retorno real ex-post (significa depois do tempo corrido) que o devedor paga ao credor, difere daquilo que ambas as partes anteciparam. Se a inflação ficar acima da esperada, o devedor sai lucrando, caso contrário o credor sai lucrando. A proteção para estes casos é firmar contratos pós fixados, que estipulam um juro real mais a inflação que tiver ocorrido, ou que incluam alguma forma de indexação. - Os Custos da Hiperinflação É comum definir hiperinflação quando a inflação supera a casa de 50% ao mês, o que seria algo acima de 1% ao dia. Uma taxa de 50% ao mês resulta num aumento superior a 100 vezes em 1 ano e mais de dois milhões de vezes em três anos. Em vista disto pode se imaginar os custos de um caso extremo de inflação: Os custos da hiperinflação são qualitativamente os mesmos descritos acima, mas, em crises hiper inflacionárias, estes custos ficam mais evidentes pela sua gravidade. Quando o dinheiro perde rapidamente o seu valor, os executivos acabam dedicando muito tempo e esforço à administração do caixa de empresa, em detrimento de ati- vidades mais importantes como decisões de produção e investimento. Isto é: o custo sola de sapato fica altíssimo. Os custos de menu também são bem mais altos em regimes de hiperinflação, a empresa tem que reajustar os preços tão rapidamente que fica impossível imprimir e distribuir catálogos com preços fixos. 5.1.13 O PLANO REAL No início da década de 1990, a estabilização permanecia um desafio resistente às várias tentativas de eliminação da inflação. Em 1993, o então ministro da econo- mia do governo Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, implementou um plano 96 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO econômico de estabilização conhecido como Plano Real, apoiado por uma equipe de economistas, em sua maioria oriundos da PUC – RJ. O programa de estabilização econômica, ou Plano Real, foi concebido e implemen- tado em três etapas: a) Estabelecimento do equilíbrio das contas do governo, objetivando eliminar a principal causa da inflação. b) Criação de um padrão estável de valor, a Unidade Real de Valor. c) Emissão de uma nova moeda nacional com poder aquisitivo estável, o Real. Distinguindo-se de maneira significativa dos planos econômicos que o precederam, o Real não incluiu o congelamento de preços. FASE 1: O PAI (PROGRAMA DE AÇÃO IMEDIATA) VISANDO O EQUILÍBRIO DAS CONTAS PÚBLICAS O PAI foi implantado em 14 de junho de 1993, durante a gestão de Itamar Franco. Para que as finanças públicas pudessem ser equilibradas, o governo reconhecia que seria preciso efetuar uma ampla organização do setor público e de suas relações com a economia privada. Para tanto, o governo diagnosticava as seguintes necessidades: - Redução dos gastos da União e aumento da eficiência no ano de 1993; - Recuperação da receita tributária; - Equacionamento das dívidas de estados e municípios com a União; - Controle mais rígido dos bancos estaduais; - Saneamento dos bancos federais; - Aperfeiçoamento do programa de privatização, ou seja, redução da participa- ção do governo na economia através da privatização das estatais. O governo tomava como correto, o diagnóstico de que o desequilíbrio era decorrente de problemas fiscais. Apontava o setor financeiro como o maior beneficiário desse desajuste, pelo efeito das taxas de juros e inflação nas suas receitas. A partir dessas constatações, previa-se que, quando a inflação caísse, diversas instituições financei- ras teriam que recorrer ao Banco Central para sobreviver. Seria necessário promover um processo de saneamento de bancos públicos e privados, de maneira a garantir a 97 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO sobrevivência de um sistema bancário saudável. As medidas do PAI foram: - Corte orçamentário de US$6 bilhões em 1993, com prioridades definidas pelo Executivo, a serem aprovadas pelo Legislativo. - A proposta orçamentária de 1994 deveria ser baseada em uma estimativa rea- lista de receita, ao invés de ser baseada no desejo de quanto o governo preten- desse gastar. - Encaminhamento de projeto de lei, que limitasse as despesas com os servidores civis em 60 % da receita corrente da união, assim como estados e municípios, o que permitiria exercer maior controle sobre os gastos com funcionalismo. - Elaboração de projeto de lei, que definisse claramente as normas de coope- ração da União com Estados e Municípios. Esta lei também estabeleceria a obrigatoriedade dos estados e municípios, de se manterem em dia com seus débitos com a União. Esta rigidez legal foi imposta, por ser um elemento essen- cial para outras etapas do Plano Real. Com essas medidas, o governo pretendia efetuar um ajuste fiscal nas contas públi- cas. O aprofundamento do ajuste foi viabilizado a partir da criação do Fundo Social de Emergência, cujo objetivo era equilibrar o orçamento e atenuar a excessiva rigidez dos gastos da União, determinada pela constituição de 1988. Para auxiliar o governo federal a equilibrar suas contas no biênio 1993/94, foi aprovado o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF). Este imposto seria precursor da CPMF, contri- buição provisória sobre movimentação financeira, implantada posteriormente. - Combate à sonegação A evasão fiscal inviabilizava o ajuste das contas públicas. Dados da secretaria da receita federal indicavam que, para cada cruzeiro arrecadado, outro era sonegado. Como par- te do PAI, o governo federal iniciou uma campanha massiva de conscientização contra sonegação, aumentou a fiscalização sobre as maiores empresas do país e passou a atuar de um modo mais contundente na cobrança de impostos das pessoas físicas. O objetivo expresso pelo governo para a realização desse ajuste tributário era o de fa- zer justiça, procurando criar condições para uma futura redução das alíquotas e uma simplificação do sistema tributário, de modo a melhorar a eficiência e a competitivi- 98 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO dade da economia brasileira. Boa parte dessas medidas, no entanto, não foi levada a cabo por diversas razões, entre as quais a inviabilidade de alguns projetos, a falta de “vontade política” de realizá-los e o fato da reforma tributária ter sido preterida por sucessivos “pacotes” de medidas emergenciais. - Relacionamento com estados e municípios O passo seguinte do programa era reestabelecer as relações financeirasentre o gover- no federal e os outros níveis de governo. Foram definidas condições globais para o en- dividamento público, e criadas restrições de acesso a crédito e retenções de repasses de recursos federais para os estados e municípios em débito com instituições federais. - Bancos estaduais O Banco Central passaria a exercer um controle mais rígido sobre os bancos estadu- ais, com estreito cumprimento das normas relativas ao montante mínimo de capital dessas instituições, bem como limitação na concessão de empréstimos para entida- des do setor público. - Privatizações Apesar de reconhecer a importância das empresas públicas no desenvolvimento in- dustrial do país durante décadas, o governo considerava que sua atuação deveria ser centralizada apenas nas áreas essenciais como saúde, educação, justiça segurança ciência e tecnologia. Adicionalmente, a privatização das estatais revelava-se neces- sária para se atingir o equilíbrio financeiro, uma vez que consumiam importantes recursos. De 1982 a 1992, o Tesouro Nacional aportou recursos equivalentes a US$21 bilhões nas empresas incluídas no programa de privatização. Com a privatização, o governo esperava transferir para o setor privado o custo da ne- cessária modernização da infraestrutura, pré-requisito para o desenvolvimento do país. - Medidas adicionais ao PAI Além de procurar atingir o equilíbrio fiscal com o PAI e para que este se tornasse duradouro, o governo reconhecia que: (...) eram necessárias mudanças adicionais no arcabouço administrativo e financeiro do Estado (...) envolvendo alterações na Constituição no que respeita a organização 99 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO federativa, sistema tributário, elaboração do orçamento, funcionalismo, previdência social e intervenção no domínio econômico (Ministério da Fazenda, 1994). Para tanto, o governo encaminhou ao congresso diversas sugestões, mas, logo ficou pa- tente a falta de entusiasmo da classe política e demais esferas do governo para com a agenda ambiciosa de reconstrução gradual da capacidade de financiamento público. - Transparência O governo procurou tornar todas as ações governamentais, fossem elas federais, es- taduais ou municipais, mais transparentes. O objetivo era procurar elevar a confiança da população no setor público, aumentando a credibilidade do governo, o que per- mitiria a implementação da segunda fase do Plano Real, a implementação de um índice monetário ou unidade de conta, a URV. FASE 2: A URV A URV foi implementada em 27 de maio de 1994 e serviu como transição para a in- trodução da nova moeda. O Cruzeiro Real, introduzido em 1993 por Collor, estava se desvalorizando a taxas crescentemente elevadas. A URV foi utilizada para restaurar a função de unidade de conta da moeda, destruída pela inflação, bem como para referenciar preços e salários. O Banco Central emitia, diariamente, relatórios sobre a desvalorização do Cruzeiro Real e a cotação da URV. Assim, a URV serviu para o comércio determinar seus preços, efetuar contratos e determinar salários, indepen- dentemente das desvalorizações provocadas pela inflação, isto é, provocou uma in- dexação generalizada da economia. Por motivos jurídicos e também devido à preocupação do governo com o desequi- líbrio social, os salários e os benefícios previdenciários foram os primeiros valores a serem convertidos a URV, seguidos por contratos e preços. Este foi um processo cauteloso com duração de três meses e que culminou com a conversão dos preços e tarifas do setor público. FASE 3: A NOVA MOEDA – O REAL Uma vez que grande parte dos valores havia sido convertida a URV, a nova moeda – o Real - foi introduzida sem que houvesse um consenso na sociedade de que a tran- sição já estava completada. Em 1 de julho de 1994, o governo decretou a medida provisória do Real, acusado de render-se a objetivos eleitorais. 100 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Para manter o valor da moeda, o governo alterou radicalmente os métodos empre- gados para definição da política monetária. Anteriormente, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizava as emissões monetárias, que deveriam ser homologadas, em seguida pelo Congresso. A nova política implicava que o Congresso deveria es- tabelecer regulamentos e diretrizes na forma de limites quantitativos rígidos para emissão de moeda, que poderiam ser alterados pelo CMN em até 20%, somente em ocasiões extraordinárias. Adicionalmente, um teto máximo na taxa de câmbio foi introduzido; um real equi- valia a um dólar. Nessa época, o Banco Central detinha US$40 bilhões em reservas. É importante salientar que a taxa de câmbio não era fixa, mas as autoridades mone- tárias tinham instruções bem rígidas quanto à manutenção do teto máximo. A va- lorização do real frente ao dólar, ocorrida na fase inicial do plano, foi posteriormente muito criticada, mas certamente ajudou no controle inflacionário. A transparência e o gradualismo da implementação do Plano Real permitiu a aco- modação dos preços relativos (não houve pacotes repentinos). A abertura da econo- mia, iniciada em 1990, ajudou no controle de preços, na medida que introduziu a competição externa. O ambiente de abundância de capitais internacionais também contribui para o êxito do Real. ANOTAÇÕES 101 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO UNIDADE 6 > Compreender a política externa, abordando o risco país, o papel do FMI e diferenciando os regimes cambiais. OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos: 102 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 6 O SETOR EXTERNO Atualmente, se alguém decide comprar um carro novo no Brasil, pode escolher entre um carro nacional ou importado. Se você decide tirar férias pode ir para Porto Segu- ro ou para Disney, por exemplo. Em cada caso a pessoa estaria participando não somente da economia brasileira, como da economia mundial. A abertura do comércio internacional traz claros bene- fícios: permite que pessoas se dediquem ao que produzem melhor e que possam consumir grande variedade de bens e serviços, provenientes de todo o mundo. 6.1 OS FLUXOS INTERNACIONAIS DE BENS E CAPITAIS Uma economia interage de duas maneiras com as demais economias: - Compra e venda de bens e serviços nos mercados mundiais de bens e serviços. - Compra e venda de ativos de capital nos mercados financeiros mundiais. Fluxo de bens e serviços: Exportações: são constituídas por bens e serviços produzidos internamente e vendi- dos no exterior. Importações: são constituídas por bens e serviços produzidos no exterior e vendidos internamente. As exportações líquidas de um país são definidas como o valor de suas exportações, menos o valor de suas importações (note que este valor pode ser negativo, se as im- portações ultrapassarem as exportações). A venda de um avião da Embraer para o exterior, aumenta o valor das exportações líqui- das. A importação de petróleo da Venezuela, diminui o valor das exportações líquidas. EXPORTAÇÕES LÍQUIDAS = EXPORTAÇÕES – IMPORTAÇÕES 103 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO As exportações líquidas também são chamadas de Balança Comercial. - Se, num período as exportações líquidas são positivas => O país teve um supe- rávit comercial neste período. - Se as exportações líquidas são negativas => O país teve um déficit comercial. - Se as exportaçõeslíquidas são iguais a zero => O país teve neste período uma Balança Comercial equilibrada. Podemos listar alguns fatores que podem influir nas exportações e importações e consequentemente na balança comercial de um país: - Preferência do consumidor por bens produzidos internamente ou externamente; - Preços dos bens no país e no exterior; - Políticas do governo para o comércio internacional; - Taxa de câmbio à qual as pessoas trocam moeda interna por moeda de outros países. Na medida que estas variáveis são alteradas ao longo do tempo, o comércio mundial também se altera. Fluxo de Capitais. Os residentes de uma economia também participam do mercado financeiro mun- dial. Um residente dos EUA poderia utilizar US$30.000 para comprar um carro fa- bricado no Japão => esta transação representa um fluxo de bens. Mas, ao invés de comprar um carro, este residente nos EUA poderia utilizar os US$30.000 para com- prar ações da empresa japonesa que fabrica o carro => esta transação representa um fluxo de capital. Investimento Externo Líquido: aquisição de ativos estrangeiros, por residentes internos de um país, menos aquisição de ativos internos por residentes no estrangeiro. O investimento externo toma duas formas: Se o Mc Donalds abre uma lanchonete na Rússia, isto representa um Investimento Externo Direto. Já, se o residente nos EUA compra ações de uma empresa na Rús- sia, isto representa um Investimento de Portfólio. A diferença está que no caso da lanchonete, o proprietário residente nos EUA administra ativamente o investimento, 104 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO enquanto que no caso da compra de ações o papel do residente nos EUA é mais passivo. Em ambos os casos, contudo, os residentes nos EUA compraram ativos no exterior e o investimento externo líquido aumentou. As principais variáveis que influenciam o investimento externo líquido são: - Taxa de juros real paga sobre os ativos externos (já descontada a inflação); - Taxa de juros real paga sobre os ativos internos; - Riscos econômicos e políticos percebidos da manutenção de ativos no exterior; - Políticas de governo que afetam a propriedade de ativos internos por estrangeiros. Vamos imaginar um investidor estrangeiro (por exemplo, um americano), que este- ja decidindo entre comprar títulos do governo brasileiro ou do governo americano (lembre-se que um título é na verdade um documento de dívida de um emitente). Para tomar esta decisão, ele compara as taxas de juros reais (já descontada a proje- ção de inflação em cada país) dos dois títulos. Quanto mais alta a taxa de juros real, mais atrativo será o título. Entretanto, é importante igualmente para o investidor le- var em conta o risco do governo que está emitindo o título de se tornar inadimplente (Isto é, deixe de pagar no tempo devido, o principal e o juro). Também é relevante para o americano levar em consideração qualquer restrição de movimentação im- posta, no caso pelo governo brasileiro ou o risco de que estas restrições sejam criadas no futuro. 6.2 RISCO PAÍS Os títulos do tesouro americano (as T-Bills), são considerados ativos livre de risco. O risco país é medido pela diferença em pontos percentuais que os títulos externos de um determinado país têm que pagar, em relação as T-Bills, para conseguir captar recursos no mercado internacional. Naturalmente, quanto mais provável um futuro calote na dívida de um país, mais o mercado exigirá de retorno para aplicar nos títulos deste país (maior risco, maior retorno). Isto é, o risco país sobe. - A Igualdade entre Exportações Líquidas e Investimento Externo Líquido. 105 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO As exportações líquidas (balança comercial) e o investimento externo líquido me- dem, cada um, um tipo de desequilíbrio: Exportações líquidas (EL) => mede o desequilíbrio entre exportações e importações. Investimento externo líquido (IEL) => mede o desequilíbrio entre os ativos estrangei- ros comprados por residentes internos e os ativos internos comprados por residentes no exterior. Um fato contábil sutil, mas bastante importante explica que num dado período, para uma economia como um todo, esses dois desequilíbrios devem se compensar => O investimento externo líquido deve ser igual às exportações. IEL = EL Imagine que a Boeing (fábrica de aviões americana) venda alguns aviões para a Ja- pan Air Lines (cia aérea japonesa). Nesta transação uma empresa americana entrega aviões a uma empresa japonesa e, simultaneamente, a empresa japonesa paga ienes à empresa americana. Os EUA venderam a um estrangeiro, no caso o Japão, parte de sua produção => au- menta as exportações líquidas (lembre-se que EL = exportações – importações). Além disso, os EUA adquiram ativos estrangeiros (os Ienes pagos pelos aviões) => isto au- menta o investimento externo líquido americano (IEL = compra de ativos estrangei- ros por residentes internos - aquisição de ativos internos por residentes no exterior). Sempre que houver uma ação modificando a balança comercial (EL), esta ação im- plicará numa ação do mesmo montante no IEL, preservando a identidade. Esta pre- servação da identidade IEL = EL acontece pelo fato que toda transação internacional é uma troca. Quando um vendedor de um país transfere um bem ou serviço a um comprador em outro país, este comprador lhe entrega algum ativo em pagamento. O valor deste ativo é igual ao valor do bem ou serviço vendido. 106 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 6.3 POUPANÇA, INVESTIMENTO E SUA RELAÇÃO COM OS FLUXOS INTERNACIONAIS Já foi visto como a poupança e o investimento são cruciais para o crescimento eco- nômico de longo prazo de uma economia. Até agora, foi analisado o comporta- mento dessas variáveis numa economia hipotética, que não se comunicava com o exterior (uma economia fechada). Agora será visto como Poupança e Investimento se relacionam com os Fluxos Internacionais de Bens e Capital, medidos em termos de Exportações Líquidas (saldo da Balança Comercial) e Investimento externo líquido. A expressão do Pib, agora que a economia é aberta é: Aonde: Y= Pib; C = Consumo das famílias; I = Investimentos; G = Gastos do governo; EL = Exportações Líquidas (Exportações (X) –Importações (M)). A Poupança Nacional (S) é o que resta do Pib (Y), após se retirar o consumo das fa- mílias (C) e os gastos do governo (G). S = Y - C - G Y-C-G = I + EL => S = I+EL S = I+IEL Poupança = Investimento Interno + Investimento Externo Líquido. Da expressão do Pib: Como, para uma economia EL = IEL Esta expressão diz que: 107 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO Isto significa que, tomando um país como referência (por exemplo, o Brasil) => quan- do um residente no Brasil poupa um Real, este Real é necessariamente utilizado para financiar a acumulação de capital internamente (no próprio Brasil) ou para financiar a aquisição de capital no exterior. Lembrando que capital significa, máquinas, casas, fábricas, conhecimento humano etc. Assim, chegamos à conclusão que quando o IEL (Investimento Externo Líquido) de um país é negativo, isto é, quando os residentes no exterior investem neste país mais do que os residentes deste país investem lá fora, o crescimento deste país está sendo financiado não só com a poupança interna, mas com a poupança de outras economias. Juros mundial se mantenha constante, levando o país a financiar seus investimen- tos no exterior) significaque a redução da poupança interna será financiada por poupança externa (empréstimos externos). Como EL = S-I, a queda de S implica no aparecimento de um déficit na Balança Comercial. 6.4 TAXA DE CÂMBIO REAL E TAXA DE CÂMBIO NOMINAL Taxa de Câmbio Nominal é taxa a qual se pode trocar a moeda de um país pela moeda de outro país. Os jornais publicam diariamente a cotação da véspera do Real, em relação as principais moedas no mundo. 108 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Você abre a Gazeta Mercantil e lê que, no câmbio comercial, 1 Dólar = 3,15 Reais. Esta é taxa de câmbio nominal. Se, no dia seguinte 1 Dólar = 3,18 Reais, dizemos que o Real se desvalorizou em frente ao Dólar ou que o Dólar se apreciou em relação ao Real. Se a taxa do dia seguinte for de 1 dólar = 3,10 Reais, dizemos que o Real se valorizou ou que o dólar se depreciou frente ao Real. • Taxa de câmbio real é a taxa que se pode trocar os bens e serviços de um país, pelos bens e serviços de outro país. Exemplo: Imagine que você vai às compras e vê uma caixa de cerveja alemã que custa o dobro de uma caixa de cerveja, da mesma qualidade, americana. Você poderia dizer que a taxa de câmbio real é de ½ caixa de cerveja americana. Note que como no caso, a taxa de câmbio real é expressa em termos de produtos e não de moeda. Obviamente, ao se estudar a economia como um todo, são comparadas cestas de produtos e não um produto individual. Qual a importância da taxa de câmbio real? Ela é um dos principais determinantes de quanto um país exporta. Imagine o beneficiador do arroz Uncle Ben,s nos EUA. Ele compra sacos de arroz, tanto no mercado interno quanto no exterior e o beneficia (com vitaminas) para se tornar o produto, vende no mercado. Ao comprar suas sacas de arroz, ele levará em considera- ção, entre outras coisas, a taxa de câmbio real, para ver qual o mais barato. Uma depreciação da taxa de câmbio real do Brasil, significa que os produtos brasileiros se tornam mais baratos que os estrangeiros. Em consequência disso, as exportações brasileiras crescem e as importações caem, ambos os fatos contribuindo para o cresci- mento da Balança Comercial. EXEMPLO 109 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO 6.5 A INFLAÇÃO E AS TAXAS DE CÂMBIO NOMINAIS Se observarmos os dados relativos às taxas de câmbio e os níveis de preço em diver- sos países, verificaremos com facilidade, a importância da inflação na explicação das taxas de câmbio mundiais. Os exemplos mais dramáticos aparecem em períodos de hiperinflações. O nível de preço no México subiu 2.300% entre 1983 e 1988. Em con- sequência, a quantidade de pesos com que uma pessoa comprava 1 dólar passou de 144, em 1983 para 2281 em 1988. A mesma relação acontece com países com inflação mais moderada. Países com inflação mais alta tendem a ter sua moeda mais desvalorizada. Lembrando que a inflação é um fenômeno que ocorre com causas monetárias (excesso de emissão), pode-se concluir que a desvalorização acontece por um desequilíbrio entre oferta e demanda, causado pelo aumento de emissão. 1 dólar americano comprava em: EXEMPLO Marcos Alemães liras Italianas 1970 1970 1970 1995 1995 1995 110 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 6.6 COMO AS FORÇAS ATUAM NO MERCADO DE CÂMBIO Tomando como referência o mercado de reais por dólar: Se há uma demanda por dólares (pessoas oferecendo reais para comprar dólares) maior do que a oferta (pes- soas oferecendo dólares para comprar reais) => o dólar se aprecia em relação ao real. A demanda de dólares é pressionada quando: - Residentes do país compram dólares para viajar ao exterior; - Quando um comerciante ou indústria brasileira importa produtos do exterior; - Quando um investidor estrangeiro que aplicou no mercado de capitais no Bra- sil decide retirar sua aplicação (que está em reais) e repatriar seu capital (em dólares); - Quando empresas estrangeiras atuando no Brasil remetem lucros e dividendos para o exterior (esses lucros são obtidos em reais e são convertidos em dólares para serem remetidos ao exterior); - A demanda de dólar é pressionada, principalmente, quando os agentes econô- micos têm uma perspectiva de desvalorização da moeda nacional. A oferta de dólares é pressionada: - Quando o fluxo de turistas estrangeiros aumenta, trazendo consigo dólares que são trocados por reais para seus gastos no Brasil; - Quando aumentam as exportações; - Quando empresas estrangeiras resolvem realizar investimentos diretos no Bra- sil. Estas empresas trazem dólares que serão trocados por Reais para o investi- mento; - Quando um investidor estrangeiro de portfólio (ações, títulos etc.) resolve inves- tir no mercado de capitais brasileiro; - Quando firmas brasileiras no exterior mandam lucros e dividendos para o Brasil; - A oferta de dólar é pressionada, principalmente, quando os agentes têm uma perspectiva de valorização da moeda nacional. 111 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO 6.7 REGIMES CAMBIAIS O Banco Central, além das funções já descritas anteriormente, é o guardião das di- visas do país. Quando um importador brasileiro paga suas aquisições no exterior, ele fornece reais ao Banco Central que os converte em dólares, fazendo a remessa destes para o credor no exterior. Na situação inversa, quando um exportador brasileiro tem crédito a receber, o importador no exterior envia dólares que são trocados por reais pelo Bacen que paga a empresa brasileira. As reservas mantidas no Banco Central têm um papel central nos regimes cambiais. 6.7.1 REGIME DE CÂMBIO FIXO Neste regime, o Banco Central se compromete em manter uma certa taxa de câm- bio, ou seja, há uma garantia que haverá compra e venda divisas (moedas estrangei- ras) a um preço fixado pelo Bacen. No entanto, caso o país enfrente desequilíbrios em sua balança comercial, essa taxa pode ser alterada. O regime de câmbio fixo facilita a tomada de decisões pelos agentes econômicos. No entanto, há necessidade do Banco Central estar preparado para situações de excesso de demanda ou de oferta por moeda estrangeira para taxa estabelecida, aceitando assim perda de graus de liberdade na condução da política monetária. O Banco Central brasileiro pode comprar dólares à vontade, pois ele tem o poder de decidir a oferta de reais, inclusive emitindo. Contudo, para vender dólares ele é limi- tado pelas reservas de divisas estrangeiras que ele mantém (que depende dos fluxos de capitais para o país). Assim, ele só conseguirá manter a paridade se o país tiver reservas de divisas estrangeiras. Neste contexto é que pode acontecer um ataque especulativo à moeda. Vamos supor que o Bacen estivesse sob o regime de câmbio fixo e estivesse havendo uma pressão compradora de dólares no país. O Bacen entraria vendendo dólares para manter o câmbio. Ao fazer isto, suas reservas cairiam. Se a pressão continuasse, ele teria que prosseguir, se desfazendo das reservas de dólares. Em dado instante, o mercado adquire a percepção de que as reservas estão diminuindo e que o Bacen em breve não conseguirá mais intervir no mercado, para impedir a desvalorização. 112 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Os agentes econômicos vão querer manter sua riqueza comprando dólares, antes que o real se desvalorize. Esta atitude generalizada do mercado, aumenta em muitoa pressão de demanda por dólares, obrigando o Bacen a abandonar o regime de taxa cambial fixa. Isto que acabou de ser descrito é o que se chama de um ataque especulativo à moeda. - Fato Histórico. A desvalorização do real O Brasil viveu uma situação como esta em fevereiro de 1999. Crises internacionais tinham feito com que o fluxo de divisas, do para o país fosse fortemente negativo. A percepção do mercado, apesar de empréstimos do FMI (Fundo Monetário Interna- cional) para reforço de divisas, foi que o Banco Central não teria reservas para susten- tar a paridade. O Brasil abandonou o sistema de taxa de câmbio fixa. Obs.: O sistema de câmbio brasileiro em fevereiro não era exatamente o de câmbio fixo real, mas um sistema de bandas, no qual o Bacen se comprometia a sustentar o câmbio nominal inferior e superior, podendo o câmbio variar neste intervalo. Para raciocinar se este regime pode ser sustentado, pode-se usar a mesma lógica vista no caso do câmbio fixo. 6.7.2 O REGIME DE CÂMBIO FLUTUANTE No regime de câmbio flutuante o Banco Central não interfere no mercado e a taxa de câmbio nominal é ajustada naturalmente para equilibrar a oferta e demanda. Aqui não existe a necessidade da manutenção por parte do Bacen de reservas altas. Contudo, na prática, o regime de taxa flutuante puro é muito difícil de ocorrer. - Fato Histórico. Podemos considerar que nos EUA o regime é de flutuação pura. O FED raríssimas vezes interfere no mercado de câmbio. Contudo, em 1999, durante a crise asiática, o FED comprou Ienes para segurar a cotação da moeda japonesa, cuja queda acentu- ada estava prejudicando as exportações americanas e traziam mais instabilidade ao cenário já difícil. 113 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO 6.7.3 REGIME DE CÂMBIO BRASILEIRO: FLUTUAÇÃO SUJA (DIRTY FLOATING) O regime cambial brasileiro é conhecido como flutuação suja. Nesse sistema a taxa de câmbio é flutuante, ou seja, determinada pela oferta e pela demanda de divisas, no entanto, quando há necessidade o Banco Central interfere comprando ou ven- dendo divisas. Vamos supor que o Banco Central Brasileiro se comprometesse com uma taxa de câmbio nominal de: 1 Dólar = 3,2 Reais. Isto significa que, se houvesse uma pressão na demanda por dólares, o Bacen deveria entrar no mercado de câmbio vendendo dólares para equilibrar oferta e demanda. Se, caso o contrário, houvesse uma pressão na oferta, o Bacen deveria entrar no mer- cado de câmbio comprando dólares, novamente para equilibrar o mercado e manter a taxa de câmbio nominal. 6.7.4 O PADRÃO OURO Hoje, o padrão ouro não existe mais. Entretanto, convém fazer uma referência a ele a título de conhecimento. Antes da primeira guerra mundial (1914), a economia do mundo funcionava de acordo com o padrão ouro, o que significava que a moeda da maior parte dos países podia ser convertida diretamente em ouro. As notas de dólar americano, por exemplo, poderiam ser apresentadas ao tesouro americano e troca- das aproximadamente por 1/20 onças de ouro. Da mesma forma, o tesouro britânico poderia trocar uma libra por ¼ de onça de ouro. Bretton Woods: em 1944, os países aliados reuniram-se em Bretton Woods para discutir medidas econômicas, fundamentais para a paz. As resoluções, em resumo, foram: - Auxiliar a reconstrução das economias devastadas pela guerra; - Volta ao padrão ouro; 114 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO - Paridades monetárias estáveis; - Eliminação dos controles cambiais. Para atingir esses objetivos, idealizou-se a criação de dois órgãos: - FMI - Fundo Monetário Internacional; - Bird – Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento. A moeda de reserva mundial agora era o dólar, já que, a economia americana após as duas guerras tinha se tornado, definitivamente, a economia mais forte do mundo. Até a primeira guerra a moeda reserva era a libra esterlina. Atualmente o dólar não possui lastro em ouro, pois em 1971 o presidente america- no Richard Nixon decidiu que não era mais necessário possuir uma reserva em ouro para dólares emitidos. A partir de então, o dólar passou a ter sustentabilidade apenas pela credibilidade internacional. 6.7.5 ABERTURA COMERCIAL Nos anos 1980, a política econômica brasileira caracterizava-se pelo ajuste determi- nado pela crise de endividamento externo. Deste modo, a política de comércio exte- rior estivera fortemente voltada para a obtenção de superávits comerciais, por meio de contenção de importações às exportações. O principal instrumento de contenção das importações durante os anos 80 foram medidas não tarifárias, dentre as quais se destacava a Lei do Similar Nacional, que listava alguns produtos cuja importação era proibida. Além disso, havia programas especiais de importação e licenças de importação. Todo o processo de importação era conduzido pela carteira de comércio exterior, do Banco do Brasil, no que se refe- ria aos aspectos regulatórios e operacionais. A partir da segunda metade dos anos 1980, ocorreu uma generalizada abertura co- mercial nos países latinos americanos. Em 1988, o Brasil iniciava sua reforma co- mercial com a eliminação dos controles quantitativos e administrativos sobre suas importações e uma proposta de redução tarifária. 115 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO A abertura da economia brasileira intensificou-se a partir de 1990. O esgotamento do modelo de substituição de importações e a crescente desregulamentação dos mercados internacionais contribuíram para uma reestruturação da economia brasi- leira, influenciada pela redução de tarifas de importação, que era de cerca de 40%, em 1990, foi reduzida gradualmente até atingir seu nível mais baixo em 1995, 13% como se observa na tabela a seguir. Alíquotas Nominais Médias de Importação 1988 41,0 % 1989 35,5 1990 32,2 1991 25.3 1992 21,1 1993 16,5 1994 14,3 1995 11,2 1996 11,1 1997 13,8 1998 13,8 1999 13,7 2000 13,8 2001 12,8 2002 11,7 2003 11,5 2004 10,8 2005 10,7 2006 10,5 2007 11,4 2008 11,4 2009 11,4 2010 11,6 2011 11,6 2012 11,6 2013 11,6 2014 11,6 2015 11,6 2016 11,6 Em paralelo à questão conjuntural, a liberalização e a abertura econômica que se ini- ciavam na política econômica do governo Collor, implicaram uma forte necessidade de ajuste, por parte das empresas, para sobreviver à nova realidade. Fonte: Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo. 116 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Em função do quadro de instabilidade reinante em praticamente toda década de 1980, a maior parte dos setores da economia brasileira encontrava-se em atraso tec- nológico, em comparação com os padrões internacionais. A carência dos serviços de infraestrutura econômica, principalmente nas áreas de ener- gia e telecomunicações, transportes e portos. A crise fiscal do Estado também repercu- tia na qualidade insuficiente do sistema educacional básico e na ausência de desenvol- vimento de programas de treinamento profissional especializado. Essa carência, além de gerar ineficiências e custos elevados, dificultava adaptação da força de trabalho a padrões tecnológicos avançados, concorrendo para estagnação da produtividade. 6.7.6 FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL – FMI A conferência de Bretton Woods realizada depois da segunda guerra, estabeleceu normas e princípios que necessitavam de órgãos executores. Assim, nasceu o Fundo MonetárioInternacional em julho de 1944. Temia-se que a desorganização mundial decorrente da guerra levasse o mundo a novos conflitos. Era necessária uma instituição que contribuísse para a estabilidade financeira e econômica mundial. Objetivos do FMI: - Estabelecer paridades monetárias rígidas (abandonada após a crise do dólar em 1973); - Eliminar os controles cambiais; - Dar assistência aos países com problemas nos balanços de pagamentos; - Fornecer recursos monetários aos países membros, quando justificáveis. O Brasil e o FMI O relacionamento do Brasil com o FMI sempre foi muito tumultuado. Havia sempre a oposição das correntes nacionalistas e da esquerda. Entretanto, vários governos negociaram com o fundo, como podemos ver: 117 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO Juscelino Kubitschek Em 1958 negociou um empréstimo de US$200 milhões. Como não aceitou as condições do FMI, o empréstimo não foi concedido e, em 1959, o Brasil rompeu as negociações com o Fundo. Posteriormente, voltou a negociar e recebeu um empréstimo de US$37milhões. João Figueiredo Em 1982 ocorreu a primeira crise mexicana. Os efeitos sobre o Brasil foram muito grandes. O Brasil negociou com o FMI e apresentou a carta de intenções. Inicialmente, ela não foi aceita. Depois de várias reformulações, em 1983, o Fundo emprestou US$1,6 milhões. José Sarney Em 1987 o governo decretou moratória unilateral, o que dificultou entendimentos com o Fundo. Entretanto, em 1988, com a nomeação de Mailson da Nóbrega para ministro da fazenda, a situação alterou-se. Após ajustes econômicos, o Brasil solicitou um empréstimo de US$1,4bilhão. Jânio Quadros Em seu governo, o Brasil recebeu US$2,1bilhões. Esses recursos vieram do FMI, Tesouro Americano e bancos particulares. Castelo Branco Reestruturou a economia e obteve financiamentos. 118 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Fernando Collor de Mello Na gestão do ministro Marcílio Marques Moreira, o governo brasileiro apresentou nova carta de intenções e, em 1992, o Fundo abriu uma linha de crédito de US$2bilhões. Fernando Henrique Cardoso Em decorrência da crise asiática e moratória russa, o Brasil passou por muitas dificuldades. Por isso, solicitou um financiamento do FMI, que foi concedido. O valor do empréstimo era de US$41bilhões, que seria se desembolsado em diversas parcelas. Em 2002, a crise de crédito internacional e a crise eleitoral levaram a um novo empréstimo de US$ 30 bilhões. A Dívida Externa Brasileira Dívidas não se pagam, se rolam Delfim Netto “A moratória é sólida tradição nacional. O primeiro debate no Congresso sobre a dívida externa foi em junho de 1831. Havia os “contratualistas” que queriam pagar, e os calo- teiros, que consideravam a dívida espoliativa. Desde então houve 14 moratórias, entre formais e informais. Sob Getúlio Vargas, nada menos que quatro. Sarney contentou-se com duas...” Roberto Campos, artigo publicado no Estado de São Paulo, 19-7-92 SUGESTÃO DE LEITURA 119 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO Os choques dos anos 80: A tabela a seguir, apresenta os choques adversos que atingiram as economias em desenvolvimento no começo dos anos 80. PERÍODOS 1970-1979 Média Anual 1981 1983 1980 1982 CRESCIMENTO DO PIB NOS PAÍSES INDUSTRIALIZADOS (%) 3,4 1,5 2,3 1,3 -0,5 PREÇO REAL DO PETRÓLEO 45 117 113 100 126 PREÇO REAL DOS PRODUTOS PRIMÁRIOS 109 87 89 100 81 TAXA REAL DE JUROS -2,5 22 12 6 23 Fonte: Rudiger Dornbusch e Stanley Fischer, “The World Debt Problem”, MIT, 1984. Observe-se, em primeiro lugar, como as taxas de juros, que tinham sido negativas durante a década de 70, se tornaram positivas e altas. Isto fez com que os pagamen- tos dos juros sobre os empréstimos contraídos em circunstâncias favoráveis se trans- formassem num verdadeiro pesadelo. Além disso o preço real do petróleo subiu em relação à década passada. Isto é agra- vado pelo fato de que os preços das mercadorias exportadas pelos países em de- senvolvimento estavam caindo. Soma-se a isso a queda do crescimento das econo- mias industrializadas, e teremos uma aproximação das dificuldades que os países em desenvolvimento estavam enfrentando para gerar superávits nas suas balanças comerciais. Tais superávits tornaram-se necessários, uma vez que os empréstimos internacionais se contraíram, assim que os banqueiros se amedrontaram com o cres- cimento da razão dívida/exportação dos países em desenvolvimento. O Brasil não foi o único país a ser atingido por acontecimentos tão desfavoráveis. A crise nos países latinos – americanos, assim como no Brasil, se deveu a uma combina- ção de fatores. Por um lado, ela foi o resultado de políticas expansionistas, financia- 120 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO das com endividamento externo. Por outro lado, tal curso de desenvolvimento ficou difícil de ser corrigido com a escalda dos juros nos anos 80 e a queda dos preços dos produtos primários. No caso brasileiro, a dívida refletia em grande parte a acomodação dos choques do petróleo de 1973 e 1979, aos programas de Investimentos das estatais e a escalada dos juros internacionais. De acordo com o FMI, 30 países em desenvolvimento se encontravam em processo de renegociação de suas dívidas em 1983. - Em 1897, por decisão do ministro da fazenda Dílson Funaro, o Brasil decretou a moratória; ainda em 1987, o novo ministro da fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira, suspendeu a moratória e iniciou entendimentos com nossos credores. - Em 1988, houve nova moratória, com suspensão de pagamentos, incluindo nossos débitos com o clube de Paris. - Em 1990, a ministra da fazenda Zélia Cardoso de Mello, reiniciou as negociações com nossos credores e apresentou a décima carta de intenções ao FMI. - Seu sucessor, ministro Marcílio Marques Moreira, tentou novamente negociar com o FMI, e apresentou a décima primeira carta de intenções; fez acordos com os bancos privados e com o clube de Paris. - Em 1993, o então ministro da fazenda Paulo Haddad, voltou a negociar com a Su- écia, com o Japão e com o FMI. - Em 1994, após o plano Brady que permitiu um desconto nos passivos dos países devedores, assim como uma redução no fluxo de pagamentos de principal e juros, um acordo foi assinado solucionando o problema e regularizando a situação brasi- leira frente ao mercado financeiro internacional. 121 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ECONOMIA SUMÁRIO CONCLUSÃO Você está prestes a finalizar o estudo da disciplina Economia. Ao longo dessa apostila aprofundamos os seguintes assuntos: • Evolução do Pensamento Econômico; • Oferta, Demanda e Equilíbrio de Mercado; • Estruturas de Mercado; • O Produto Interno Bruto; • Sistema Monetário e Política Macroeconômica; • O Setor Externo; Tenho certeza que após se dedicar aos estudos dessa disciplina a sua forma de ver o mundo foi modificada. A partir de agora você possui uma maior compreensão das notícias econômicas divulgadas nos meios de comunicação e maior entendimento, tanto dos mecanismos de mercado quanto do papel do governo, ao promover polí- ticas macroeconômicas. Modificar a forma de ver o mundo, reflete em atitudes diferentes transforma o am- biente no qual estamos inseridos.Espero que tenha gostado da disciplina. Sucesso a todos! 122 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO REFERÊNCIAS ACKLEY, Gardner. Teoria Macroeconômica. 3 ed., São Paulo: Pioneira, 1989. 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VANCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de, GARCIA, Manuel Enriquez, Funda- mentos de Economia: São Paulo, Saraiva, 2008. VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval. Economia: micro e macro. 4. ed. São Pau- lo: Editora Atlas, 2008. VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval; GARCIA, Enriquez Garcia. Fundamentos de Economia. 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2008. 124 ECONOMIA FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO EAD.MULTIVIX.EDU.BR CONHEÇA TAMBÉM NOSSOS CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA NAS ÁREAS DE: SAÚDE • EDUCAÇÃO • DIREITO • GESTÃO E NEGÓCIOS Gráfico 1: Curva de Demanda Gráfico 2: Curva de Demanda Gráfico 3: Deslocamentos da Curva de Demanda Gráfico 4: Curva de Oferta Gráfico 5: Equilíbrio de Mercado 1 EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO 1.1 INTRODUÇÃO A ECONOMIA 1.1.1 A Ciência Economia 1.1.2 Evolução Histórica do Pensamento Econômico 1.1.2.1 Antiguidade Clássica (1ª. Fase) 1.1.2.2 Antiguidade Clássica (2ª. Fase) 1.1.2.3 Idade Média (500 a 1500) 1.1.2.4 Mercantilismo (Séculos XVI a XVIII) 1.1.2.5 Mercantilismo Espanhol 1.1.2.6 Mercantilismo Inglês 1.1.2.7 Mercantilismo Francês 1.1.2.8 Revolução Filosófica e Industrial (1750 a 1850) 1.1.2.9 Revolução/teoria Neoclássica 1.1.3 Revolução Keynesiana e Grande Depressão de 1929. 1.1.3.1 Revolução/Teoria Neoliberal: 1.1.4 Modelos econômicos 1.1.4.1 Primeiro modelo: Diagrama de Fluxo Circular da Renda Simplificado 1.1.4.2 Segundo Modelo: Fronteira de Possibilidade de Produção (FPP) 1.1.4.3 Setores da Economia 1.1.4.4 Organização da Atividade Econômica 1.1.4.5 Características das economias liberais de mercado 1.1.4.6 As economias centralmente planificadas 1.1.4.7 Economias sociais de mercado (mistas) 2 OFERTA, DEMANDA E EQUILÍBRIO DE MERCADO 2.1 MICROECONOMIA 2.1.1 Introdução à Microeconomia 2.1.1.1 Teoria Elementar da Demanda 2.1.1.1.1 Conceito 2.1.1.1.2 Lei Geral da Demanda 2.1.1.2 Função da Demanda 2.1.1.3 Tipos de bens X Preço do Bem 2.1.1.4 Distinção entre Demanda e Quantidade Demandada 2.1.2 A Teoria da Firma / Teoria da Produção 2.1.3 Teoria dos Custos Econômicos 2.1.4 Teoria dos Rendimentos 3 ESTRUTURAS DE MERCADO 3.1 ESTRUTURAS DE MERCADO 3.1.1.1 Concorrência Pura ou Perfeita 3.1.1.2 Monopólio 3.1.1.3 Oligopólio 3.1.1.4 Concorrência Monopolista 3.1.2 Estrutura do Mercado de fatores de produção 3.1.2.1 Concorrência Perfeita no Mercado de Fatores 3.1.2.2 Monopsônio 3.1.2.3 Oligopsônio 3.1.2.4 Monopólio bilateral 3.1.3 As empresas e o mercado 3.1.3.1 Concentração econômica no Brasil - o Cade 3.1.3.2 O que faz o Cade 4 O PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) 4.1 MACROECONOMIA 4.1.1 Mensuração da Atividade Econômica 4.1.2 Fluxo Circular de Renda e Produto 4.1.3 Produto Nacional 4.1.4 Despesa Nacional 4.1.5 Poupança e Investimentos Agregados 4.1.6 Análise de Cenários da Atividade Econômica 4.1.7 Renda Nacional 4.1.8 PIB per Capita 4.1.9 PIB Nominal e PIB Real 5 SISTEMA MONETÁRIO E POLÍTICAS MACROECONÔMICAS 5.1 O SISTEMA MONETÁRIO 5.1.1 Funções da moeda 5.1.2 Tipos de moeda 5.1.3 A moeda na economia 5.1.4 O Banco Central 5.1.4.1 O Banco Central e a Política Monetária 5.1.5 Política Fiscal Como Instrumento de Macroeconomia 5.1.6 Política Comercial Como Instrumento de Macroeconomia 5.1.7 Política Cambial Como Instrumento de Macroeconomia 5.1.8 Política Brasileira de Combate à Inflação 5.1.9 O que determina o valor da moeda? 5.1.10 Fato Histórico 5.1.11 O Imposto Inflacionário 5.1.12 Custos da Inflação 5.1.13 O Plano Real 6 O SETOR EXTERNO 6.1 Os Fluxos Internacionais de Bens e Capitais 6.2 Risco País 6.3 Poupança, Investimento e sua relação com os Fluxos Internacionais 6.4 Taxa de Câmbio Real e Taxa de Câmbio Nominal 6.5 A Inflação e as Taxas de Câmbio Nominais 6.6 Como as Forças Atuam no Mercado de Câmbio 6.7 Regimes Cambiais 6.7.1 Regime de Câmbio Fixo 6.7.2 O Regime de Câmbio Flutuante 6.7.3 Regime de Câmbio Brasileiro: Flutuação Suja (Dirty Floating) 6.7.4 O Padrão Ouro 6.7.5 Abertura Comercial 6.7.6 Fundo Monetário Internacional – FMI Conclusão REFERÊNCIAS