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Hipnóticos Karina Eloes Zenari Maria Irene Araújo Leal HIPNÓTICOS Hipnótico são drogas psicoativas que tem como função primária induzir, sustentar ou prolongar o sono. Sedativos são usados para acalmar ou controlar a ansiedade. Como ambos os efeitos se sobrepõe, essas drogas podem ser agrupadas como drogas sedativas-hipnóticas. O principal uso do hipnóticos é nos transtornos do sono São classificados como Benzodiazepínicos ou Não-Benzodiazepínicos. Tipo: Barbitúricos, Benzodiazepínicos, Eszopiclona, Zolpidem, Zaleplon, Ramelteona, Zopiclona. HIPNÓTICOS BENZODIAZEPÍNICOS HIPNÓTICOS NÃO-BENZODIAZEPÍNICOS Benzodiazepínicos Neurotransmissores Existem pelo menos 5 tipos de receptores dos BZD: ação ansiolítica e hipnótico-sedativa mediadas pelo subtipo 1 GABA A: esses receptores parecem ser responsáveis por modulação de atividades como os efeitos ansiolíticos, hipnóticos-sedativos e relaxantes musculares dos BZD. São alostericamente modulados por um conjunto de receptores vizinhos, dentre esses, os receptores de BZD. Os BZD são moduladores alostéricos positivos da neurotransmissão inibitória rápida pelo GABA sobre os receptores de GABA A. Alostérico: termo usado para descrever a situação em que a função da proteína em um sítio é afetada pela ligação de uma molécula regulatória em outro sítio. Neurotransmissores Os receptores de GABA A estão dispostos ao redor de um canal de cloro. Após a ocupação do sítio receptor pelas moléculas GABA, as colunas de receptores de GABA A interagem com o canal de cloro para abri-lo O aumento resultante da condutância de cloro para dentro do neurônio ocorre rapidamente e tem caráter inibitório Próximo ao receptor do GABA existem os locais de ligação dos receptores BZD que afetam a condutância do cloro através do canal. Porém, não atua modulando diretamente o canal de cloro, mas sim modulando alostericamente o sítio de ligação do receptor GABA A que, por sua vez, modula o canal de cloro Neurotransmissores Quando o BZD se liga ao seu próprio receptor, nada acontece se o GABA não estiver ligado ao seu próprio receptor Por outro lado, quando o GABA se acopla ao seu receptor GABA A, a ligação simultânea do BZD provoca grande amplificação da capacidade do GABA de aumentar a condutância de cloro através do canal Psicofarmacologia - Bases Neurocientíficas e Aplicações Práticas - 3ª Ed. 2010 - Stahl Intoxicação Clínica da Intoxicação Aguda Sedação, sonolência, fala arrastada, diplopia, disartria, ataxia e confusão mental Depressão respiratória e cardiovascular só ocorrem em situações especiais como injeção IV muito rápida Geralmente a evolução é benigna, mas existem relatos de intensa depressão respiratória e coma e inclusive de óbitos após o uso de benzodiazepínicos de ação muito curta, especialmente quando administrados por via intravenosa Morte por overdose isolada é rara, geralmente envolve associação com outros depressores do SNC: associação com barbitúrico é a mais severa pois têm efeito aditivo e pacientes devem ser informados do risco da ingestão de álcool Intoxicação Medidas iniciais Assistência respiratória, manter vias aéreas, oxigênio se necessário. Monitorar respiração, pressão arterial e sinais vitais Descontaminação em caso de ingestão Para BZD de ação muito curta, nunca induzir vômitos, o início de depressão e coma podem ser rápidos. Para BZD de ação longa, induzir vômitos somente em poucos minutos da ingestão, pois tem início de ação em cerca de 30 minutos Paciente consciente: carvão ativado VO e catárticos Paciente inconsciente: lavagem gástrica com intubação prévia para prevenir aspiração. Intoxicação Administrar antídoto: Flumazenil Reverte sedação dos BZD, há melhora parcial dos efeitos respiratórios Antagonista competitivo, com alta afinidade pelo receptor GABA, sendo que não antagoniza os efeitos de outros sedativos-hipóticos, do etanol, opióides ou anestésicos gerais sobre o SNC Suporte Abstinência: doses decrescentes de BZD de ação curta Manter equilíbrio hidroeletrolítico Hipotensão: administrar fluidos endovenosos, vasopressores se necessário Medidas sintomáticas e de manutenção. http://cdn2.doutissima.com.br/content/uploads/2014/07/shutterstock_71966209.jpg Síndrome de abstinência Os benzodiazepínicos têm potencial de abuso: 50% dos pacientes que usam benzodiazepínicos por mais de 12 meses evoluem com síndrome de abstinência Os sintomas começam progressivamente dentro de 2 a 3 dias após a parada de BZD de meia-vida curta e de 5 a 10 dias após a parada de BZD de meia-vida longa, podendo ocorrer também após diminuição da dose Abstinência refere-se à emergência de novos sintomas seguintes à descontinuação ou redução dos benzodiazepínicos Deve ser diferenciada dos sintomas de rebote, que se caracterizam pelo retorno dos sintomas originais para os quais os BZD foram prescritos, numa intensidade significativamente maior Tratamento da dependência O quadro típico de dependência química – tolerância, escalonamento de doses e comportamento de busca pronunciado – não ocorre na maioria dos usuários, por isso não é recomendado esperar um quadro típico para indicar tratamento É importante salientar que mesmo doses terapêuticas podem levar à dependência. http://sustentahabilidade.com/wp-content/uploads/2015/09/depend%C3%AAncia-quimica.jpg Tratamento da dependência A retirada dos benzodiazepinicos A melhor técnica é a retirada gradual da medicação, sendo recomendada mesmo para pacientes que usam doses terapêuticas Técnica é facilmente exeqüível e de baixo custo. Alguns médicos preferem reduzir um quarto da dose por semana, enquanto outros negociam com o paciente um prazo. Este gira em torno de 6 a 8 semanas Os 50% iniciais da retirada são mais fáceis de serem concluídos nas primeiras 2 semanas, ao passo que o restante da medicação pode pedir um tempo maior para a retirada satisfatória. Substituição por benzodiazepinicos de meia vida longa Pacientes que não conseguem concluir o plano de redução gradual podem se beneficiar da troca para um agente de meia-vida mais longa, como o diazepam ou clonazepam O diazepam mostrou ser a droga de escolha para tratar pacientes com dependência Rapidamente absorvido e tem um metabólito de longa duração – o desmetildiazepam – o que o torna a droga ideal para o esquema de redução gradual, pois apresenta uma redução mais suave nos níveis sangüíneos. Tratamento da dependência Medidas não farmacológicas Aumentam a capacidade de lidar com a SAB e manter-se sem os benzodiazepínicos O melhor local para tratamento é o ambulatorial, pois leva o maior engajamento do paciente Suporte psicológico deve ser oferecido e mantido tanto durante quanto após a redução da dose Informações sobre os BZD, reasseguramento e promoção de medidas não farmacológicas para lidar com a ansiedade Manutenção sem benzodiazepínicos Oferecer apoio psicossocial, treinamento de habilidades para vencer a ansiedade, psicoterapia formal e psicofarmacoterapia de estados depressivos subjacentes Ajudar a distinguir entre os sintomas de ansiedade e abstinência e oferecer suporte por longo prazo Outros hipnóticos Não-Benzodiazepínicos Mecanismo de Ação A ligação do GABA e de seus agonistas ao receptor GABA-A produz uma modificação estrutural com abertura dos canais de cloro aumentando o influxo celular deste íon gerando uma inibição sináptica rápida e hiperpolarização de membrana celular. Existem dois tipos de sub-receptores que fazem parte do complexo GABA-A, o subreceptor: ômega tipo 1: Relacionado com efeitos hipnóticos e cognitivos ômega tipo 2: Relacionado com cognição, psicomotricidade, efeitos ansiolíticos, limiar convulsivo, depressão respiratória, relaxamento muscular e potencializarão dos efeitos do etanol. Mecanismo de Ação Drogas agonistas GABA-A ômega 1 e 2 exercem efeitos farmacológicos ansiolíticos, antiepilépticos, relaxante muscular e hipnóticos. Agonistas seletivos GABA-A ômega 1 exerceriam um efeito hipnóticoseletivo e efeitos cognitivos negativos. O desenvolvimento de agonistas específicos destas subunidades poderia resultar em compostos com efeitos farmacológicos hipnótico dissociados de efeitos indesejáveis, minimizando o potencial de tolerância, abuso, dependência e abstinência Alguns agentes hipnóticos Não-Benzodiazepínicos atuam preferencialmente sob o subreceptor GABA ômega-1 e apresentam eficácia hipnótica similar aos benzodiazepínicos com menor potencial de efeitos colaterais Zolpidem Atua em um subsetor da família de receptores benzodiazepínicos (agonista GABA –A ômega 1) Não apresenta propriedades anticonvulsivantes ou músculo-relaxantes. Apresenta poucos efeitos de abstinência, provoca insônia de rebote mínima, e pouca ou nenhuma tolerância com o seu uso prolongado. Rapidamente absorvido pelo TGI, tem rápido início de ação, meia-vida de eliminação curta (2-3 horas) e efeito hipnótico de cerca de 5 horas. Efeitos adversos: pesadelos, agitação, cefaleia, distúrbios gastrointestinais, tonturas e sonolência diurna. Não altera os vários estágios do sono e isso pode ser devido à sua relativa seletividade pelo receptor BZ1. http://drugdeliver.en.ecplaza.net/3.jpg Zelaplona Muito similar ao Zolpidem na sua ação hipnótica, mas causa menos efeitos residuais em funções cognitivas e psicomotoras. Rápida eliminação, com meia-vida de carca de uma hora. Não produz tolerância ou dependência Não há sintomas clínicos de síndrome de abstinência e de insônia rebote na sua retirada Não produz efeito residual em testes de memória e psicomotores após quatro horas depois da ingesta. Eszopiclona Agonista atuando na sub-unidade omega-1 e omega-2 do receptor GABA-A. Produz os dois aspectos da eficácia hipnótica (indução e manutenção do sono), importante para a insônia crônica. Não comercializado no Brasil Ramelteona Agonista seletivo dos subtipos de receptores de melatonina MT1 e MT2. A estimulação dos receptores MT1 e MT2 pela melatonina no Núcleo supraquiasmático induz e promove o sono, parece manter o ritmo circadiano que regula o sono-vigília normal. Indicado nos casos que a queixa primária é a demora em pegar no sono (aumento do tempo de latência para dormir). Potencial de abuso mínimo, não há evidências de dependência ou abstinência, por isso pode ser administrada por longos períodos. Efeitos adversos: tonturas, fadiga e sonolência. Zopiclona Agonista não seletivo do receptor ômega 1 e ômega 2 Redução do número e a duração dos despertares, latência aumenta o tempo total de sono. Os efeitos indesejáveis são sonolência, fadiga, irritabilidade cefaléia e amnésia. Pode causar tolerância e dependência Barbitúricos Potencializam a ação do GABA na entrada de cloreto no neurônio, prolongando o tempo de abertura do canal de cloreto. Além de poderem bloquear os receptores excitatórios glutamato. Exemplos: fenobarbital, pentobarbital, secobarbital, amobarbital. Foram, no passado, a base do tratamento usado para sedar o paciente ou para induzir e manter o sono. Substituídos pelos Benzodiazepínicos Induzem tolerância, dependência física e estão associados a sintomas de abstinência muito graves, além de causar coma em doses tóxicas. Certos barbitúricos como os de ação muito curta (ex. tiopental), continuam em uso para induzir anestesia. Barbitúricos Efeitos adversos: Sonolência, dificuldade de concentração e preguiça mental e física (efeitos potencializados com o uso de álcool). Ressaca farmacológica: doses hipnóticas produzem sensação de cansaço prolongado até bem depois de o paciente acordar. Dependência física: a retirada abrupta pode causar tremores, ansiedade, fraqueza, intranquilidade, náuseas e êmese, convulsões, delírio, parada cardíaca. Intoxicação: A intoxicação por barbitúricos foi a causa de morte que ocorre devido à dosagem excessiva (overdose) de fármacos durante várias décadas. Intensa depressão respiratória associada a depressão cardiovascular central. Tratamento da Intoxicação: assistência respiratória e lavagem gástrica (fármaco recém-ingerido), não existe antagonista específico para os barbitúricos. Obrigado! Referências AZEVENDO A.P; ALOÉ F.; HASAN R. Hipnóticos. Revista de Neurociências, São- Paulo, v.12, n.4, 2004. Livro: Farmacologia Ilustrada Livro: Psicofarmacologia, Sthephan M. Stahl. Livro: farmacologia, Rang & Dale